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Prévia do material em texto

Introdução ao estudo da 
farmacologia
Apresentação
A farmacologia é a ciência que estuda as interações entre substâncias químicas e os sistemas 
biológicos, com o objetivo de compreender e desenvolver tratamentos eficazes para doenças. Sua 
origem remonta à antiguidade, quando civilizações — como os egípcios e gregos — utilizavam 
plantas medicinais de forma empírica na busca de cura para seus males (Katzung, 2022).
A farmacologia é dividida em várias subáreas: a farmacodinâmica tem seu foco voltado ao 
mecanismo de ação das substâncias químicas; já a farmacocinética analisa o percurso do 
medicamento no organismo, desde a absorção até a eliminação. A farmacologia clínica estuda a 
aplicação prática dos medicamentos em seres humanos, com foco no uso terapêutico e na 
monitorização dos efeitos adversos. Outras áreas, como de farmacologia experimental, envolve a 
pesquisa em laboratório para compreender os efeitos das substâncias químicas, utilizando modelos 
celulares ou animais, antes de sua aplicação clínica (Holford, 2022).
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai explorar os principais aspectos da farmacologia, 
conhecer suas bases conceituais e subáreas. Você vai entender a representatividade da 
farmacologia para os diversos segmentos de atuação na área da saúde e conhecer as etapas de 
descoberta, divulgação e comercialização de novos medicamentos. 
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer o escopo principal da farmacologia e suas subáreas.•
Descrever os principais conceitos aplicados à farmacologia.•
Identificar as etapas de desenvolvimento e introdução de novos fármacos no mercado.•
 
Desafio
A anemia falciforme (AF) é uma doença genética grave, caracterizada pela produção de hemácias 
em forma de foice, com prejuízos importantes no transporte de oxigênio no organismo. Trata-se de 
um tipo de anemia hemolítica crônica e fenômenos vasoclusivos que levam a crises dolorosas 
agudas e à lesão tecidual e orgânica crônica e progressiva (Failace, 2018).
Uma das faces mais cruéis da AF é a falta de recursos terapêuticos para o tratamento, que inclui 
transfusões de sangue, medicamentos e, em alguns casos, transplante de medula óssea. 
Atualmente, há um fármaco principal aprovado para o tratamento da AF que, embora seja efetivo 
em muitos casos, não traz respostas positivas para todos os pacientes. Nesse sentido, é urgente a 
busca por novos fármacos para o tratamento dos sintomas da AF.
Com essas informações, considere-se parte da seguinte situação:
A imagem a seguir possui audiodescrição. Para acessar o recurso, clique aqui
Sendo assim, que abordagem você adotaria para o desenvolvimento de moléculas para o 
tratamento da AF?
https://creator-files.plataforma.grupoa.education/learning-unit//REVISADO_11392_Audiodescricao_desafio-2025-05-07T14:05:52-03:00.docx
Infográfico
A farmacologia estuda as substâncias que interagem com sistemas vivos por meio de processos 
químicos, especialmente por ligação a moléculas reguladoras e ativação ou inibição de processos 
corporais normais. Tais substâncias são produtos químicos administrados para se obter um efeito 
terapêutico benéfico sobre algum processo no paciente ou por seus efeitos tóxicos sobre processos 
reguladores em parasitas que infectam o paciente.
Nesse sentido, o processo para o desenvolvimento de fármacos é bastante complexo e envolve 
diversas fases, além de ser longo e apresentar custos elevados. Para que um novo medicamento 
seja pesquisado, é preciso que ocorra uma necessidade médica para a qual não existam fármacos 
disponíveis ou os existentes não apresentam benefícios suficientes ao tratamento preconizado. 
Com base nessa premissa, pesquisadores podem realizar estudos a fim de compreender doenças e 
identificar alvos moleculares que possam ser tratados, e todo o processo pode levar de 10 a 15 
anos (Katzung, 2022).
Neste Infográfico, você vai descobrir como acontece o processo de desenvolvimento de um 
fármaco.
A imagem a seguir possui audiodescrição. Para acessar o recurso, clique aqui
https://creator-files.plataforma.grupoa.education/learning-unit//REVISADO_11392_Audiodescricao_infografico-2025-05-07T14:13:37-03:00.docx
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://creator-files.plataforma.grupoa.education/learning-unit//INFOGRA_FICO-2024-12-19T13:29:19-03:00.png
 
Conteúdo do livro
A farmacologia é a ciência que explora os efeitos das substâncias químicas nos organismos vivos, 
investigando a interação entre medicamentos e sistemas biológicos. Por meio dela, é possível 
compreender como os fármacos atuam no corpo humano, promovendo cura ou alívio de doenças 
(Katzung, 2022). É um campo interdisciplinar que une química, biologia e medicina para 
desenvolver terapias eficazes e seguras, além de dedicar-se à pesquisa de novos medicamentos 
para enfermidades complexas.
Com o avanço da tecnologia, a farmacologia moderna estuda também a personalização dos 
tratamentos, respeitando a genética de cada indivíduo e tornando-se uma ferramenta essencial 
para a medicina personalizada e o desenvolvimento biotecnológico (Bueno; Oliveira; Guido, 2021). 
Quanto à abrangência, a farmacologia divide-se em diversas áreas, cada uma com um foco. 
No capítulo Introdução ao estudo da farmacologia, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, 
você vai conhecer os principais conceitos que permeiam a farmacologia e suas áreas distintas de 
estudo, vai compreender os aspectos interdisciplinares que englobam o desenvolvimento de 
terapias medicamentosas e a importância da farmacologia para a atuação dos profissionais de 
saúde. Por fim, você vai conhecer como se dá o processo de descoberta, desenvolvimento e 
comercialização de novos fármacos. 
Boa leitura.
Os elementos gráficos deste capítulo possuem audiodescrição. Para acessar o recurso, 
clique aqui
 
https://creator-files.plataforma.grupoa.education/learning-unit//REVISADO_11392_Audiodescricao_Conteudo_do_livro-2025-05-09T14:02:20-03:00.docx
FARMACOLOGIA
APLICADA A
NUTRIÇÃO E
INTERPRETAÇÃO
DE EXAMES
LABORATORIAIS
Letícia Hoerbe
Andrighetti
Lucimar Filot da 
Silva Brum
Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094
A573f Andrighetti, Letícia Hoerbe.
 Farmacologia aplicada a nutrição e interpretação de 
 exames laboratoriais / Letícia Hoerbe Andrighetti, Lucimar 
 Filot da Silva Brum. – Porto Alegre : SAGAH, 2017.
 347 p. : il. ; 22,5 cm. 
 ISBN 978-85-9502-058-0
 1. Farmacologia. 2. Nutrição. 3. Exames laboratoriais – 
 Interpretação. I. Brum, Lucimar Filot da Silva. II. Título.
CDU 615:613.2
Introdução ao estudo 
da farmacologia
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer o escopo principal da farmacologia e suas áreas.
 � Descrever os principais conceitos aplicados à farmacologia.
 � Identificar as principais etapas de desenvolvimento e introdução de
novos fármacos no mercado.
Introdução
A busca do homem pela cura de seus males através de substâncias 
químicas existe desde os primórdios da civilização, mesmo que de forma 
empírica. Atualmente, a farmacologia é a ciência responsável pelo estudo 
sistematizado de substâncias que possam prevenir, tratar ou curar as 
doenças. 
Você já imaginou o mundo sem medicamentos? Seria possível? Neste 
capítulo, você vai explorar os principais aspectos da farmacologia, além 
de conhecer conceitos, aplicações, inovações e desafios futuros.
A farmacologia e suas áreas
A farmacologia estuda as substâncias que interagem com os sistemas vivos 
por meio de processos químicos, especialmente em nível molecular. É uma 
ciência ampla, abrangendo diversas áreas (Figura 1), que compreendem desde 
a descoberta de novos fármacos até o acompanhamento pós-mercado. Todos 
os aspectos relacionados a origem, propriedades físicas e químicas, compo-
U N I D A D E 1
sição, ações fisiológicas, absorção, destino,excreção e usos terapêuticos dos 
fármacos são alvos da farmacologia. 
Esta ciência acompanha muitas outras na caminhada pela descoberta de 
novos fármacos. Na busca por um novo fármaco, áreas de etnobotânica, far-
macognosia, síntese e química medicinal desenvolvem um trabalho cooperativo 
com a farmacologia, na tentativa de identificar, isolar e caracterizar moléculas 
de interesse terapêutico. Quando essas moléculas são estabelecidas, ocorre 
uma série de estudos farmacológicos – os estudos farmacodinâmicos são 
necessários para a determinação do mecanismo de ação farmacológica das 
moléculas. Já os estudos farmacocinéticos são necessários para estabelecer os 
mecanismos de absorção, distribuição, metabolização e excreção no organismo 
humano. Após esses estudos, aprofundam-se os conhecimentos sobre a eficácia 
da molécula para tratar determinada doença e busca-se avaliar sua segurança, 
o que é realizado a partir de estudos toxicológicos, incluindo efeitos adversos. 
Figura 1. Principais áreas de estudo da farmacologia. 
Fonte: Katzung (2014, p. 15).
Farmacologia aplicada a nutrição e interpretação de exames laboratoriais14
Conceitos aplicados à farmacologia
Antes de aprofundar seus estudos, é fundamental que você fique familiarizado 
com algumas terminologias clássicas e de uso frequente na farmacologia. 
Isso facilita o estudo e evita confusões! Por exemplo, você já usou a palavra 
“remédio” como sinônimo de “medicamento”? Sabia que essas palavras não 
são sinônimos? 
Remédio é qualquer “coisa” usada para aliviar determinado estado, ou 
seja, “tirar férias pode ser um ótimo remédio para aliviar o estresse”. No 
entanto, não podemos dizer que “tirar férias” é medicamento para aliviar o 
estresse porque não há estudos que comprovem que todo indivíduo que tirar 
férias voltará desestressado! Confira alguns termos interessantes no Quadro 1.
Termo Conceito*
Fármaco ou 
princípio ativo
Substância principal da formulação do medicamento, 
responsável pelo efeito farmacêutico. Composto químico 
obtido por extração, purificação, síntese ou semissíntese.
Medicamento Produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou 
elaborado, com finalidade profilática, curativa, paliativa 
ou para fins de diagnóstico. É uma forma farmacêutica 
terminada que contém o fármaco, geralmente em 
associação com adjuvantes farmacotécnicos.
Forma 
farmacêutica
Estado físico no qual se apresenta um medicamento 
com o objetivo de facilitar seu fracionamento, 
posologia, administração, absorção e conservação.
A forma farmacêutica é o “formato” no qual o 
medicamento é comercializado, como cápsulas, 
comprimidos, xaropes, soluções e supositórios.
Medicamento 
de referência
Medicamento inovador registrado no órgão federal 
responsável pela vigilância sanitária e comercializado 
no País, cuja eficácia, segurança e qualidade foram 
comprovadas cientificamente junto ao órgão 
federal competente, por ocasião do registro.
Quadro 1. Termos e conceitos importantes da farmacologia.
(Continua)
15Introdução ao estudo da farmacologia
Termo Conceito*
Medicamento 
genérico
Medicamento similar a um produto de referência ou 
inovador, que pretende ser com este intercambiável, 
geralmente produzido após a expiração ou renúncia da 
proteção patentária ou de outros direitos de exclusividade, 
comprovada a sua eficácia, segurança e qualidade, e 
designado pela denominação comum brasileira.
Medicamento 
similar
Aquele que contém o mesmo ou os mesmos princípios 
ativos. Apresenta a mesma concentração, forma 
farmacêutica, via de administração, posologia e indicação 
terapêutica. É equivalente ao medicamento registrado 
no órgão federal responsável pela vigilância sanitária, 
podendo diferir somente em características relativas 
ao tamanho e à forma do produto, prazo de validade, 
embalagem, rotulagem, excipientes e veículos, devendo 
sempre ser identificado por nome comercial ou marca.
Medicamento 
fitoterápico
Medicamento farmacêutico obtido por processos 
tecnologicamente adequados, empregando-se 
exclusivamente matérias-primas vegetais, com finalidade 
profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico.
Medicamento 
homeopático
Toda apresentação farmacêutica destinada a ser ministrada 
segundo o princípio da similitude, com finalidade 
preventiva e terapêutica, obtida pelo método de diluições 
seguidas de sucussões e/ou triturações sucessivas.
Fonte: Brasil ([200-?]).
(Continuação)
Quadro 1. Termos e conceitos importantes da farmacologia.
Desenvolvimento e introdução de novos 
fármacos no mercado 
A introdução de novos medicamentos no mercado é um processo longo, 
composto por três etapas:
1. Pesquisa básica; 
2. Testes pré-clínicos; 
3. Testes clínicos e de farmacovigilância. 
Farmacologia aplicada a nutrição e interpretação de exames laboratoriais16
De modo geral, a pesquisa básica ocorre em nível laboratorial (in silico ou in 
vitro) e envolve as atividades relacionadas à descoberta e ao desenvolvimento 
de novas moléculas candidatas a fármacos. Os testes pré-clínicos (in vitro ou 
in vivo, em animais) buscam determinar se a molécula candidata é segura e 
eficaz o suficiente para iniciar os testes em humanos. Os testes clínicos, por 
sua vez, buscam obter evidências quanto à segurança e à eficácia do uso do 
produto em seres humanos. Ao longo deste capítulo, você vai aprender mais 
sobre cada uma dessas etapas.
Pesquisa básica voltada ao desenvolvimento de 
fármacos
A fascinação do homem por substâncias que alteram funções biológicas é 
antiga e resulta da sua longa experimentação e dependência das plantas. 
Diversas plantas produzem compostos nocivos com o objetivo de se defender. 
Os animais aprenderam a evitá-las; o homem, a explorá-las. 
A morfina é um exemplo exitoso da exploração do homem sobre as plantas. Esse 
fármaco foi descoberto por um jovem alemão, aprendiz de boticário. Ao observar o 
uso milenar do ópio para aliviar a dor, o jovem dedicou-se a tentar isolar seu “princípio 
ativo” (extraído da papoula (Papaver somniferum), chegando, então, à morfina. Após 
o isolamento, vários testes em animais e humanos permitiram determinar as doses 
necessárias para o efeito analgésico desse opioide, que é, hoje, de grande utilidade. 
Outros exemplos importantes de fármacos isolados a partir de plantas: atropina (Atropa 
beladona), curare (Chondrodendon tomentosum) e cafeína (Coffea arabica).
A pesquisa de fármacos a partir de plantas (animais e microrganismos) 
constituiu a base inicial para as descobertas na área farmacológica e era re-
sultado de observações acerca do efeito de extratos de plantas ou substâncias 
individuais administradas a animais ou ingeridas pelo homem. Até hoje, os 
estudos nas áreas de etnofarmacologia e farmacobotânica usam esse princípio 
de observar de que forma o emprego “tradicional” de determinadas plantas 
impacta nas doenças humanas.
Um dos marcos históricos no processo de desenvolvimento de fármacos em 
nível industrial foi a descoberta da salicina, em 1829. Sua ação é analgésica 
17Introdução ao estudo da farmacologia
e antitérmica e deriva da planta Salix alba. A partir dessa substância, foram 
feitas modificações estruturais em nível molecular, que tornaram possível a 
existência do ácido salicílico e, por fim, do ácido acetilsalicílico (sintetizado 
por Felix Hoffman em 1897).
A década de 1950 trouxe as consequências da Segunda Guerra Mundial 
e uma necessidade ímpar de produzir medicamentos em grande escala que 
combatessem, principalmente, quadros infecciosos agudos. Nesse período, 
surgiram as grandes indústrias farmacêuticas, que deram origem ao conceito 
de desenho e seleção de moléculas-líder, as quais eram otimizadas até che-
gar à molécula candidata a fármaco. Inúmeros antibióticos usados até hoje 
surgiram nessa época.
Embora todas essas abordagens continuem sendo úteis, os inúmeros avan-
ços – sobretudo nas áreas computacional e biotecnológica – propiciaram 
o desenvolvimento de fármacos sob um foco diferente, isto é, baseado no 
mecanismode ação pretendido. Nessa concepção, parte-se, por exemplo, de 
que se a ação de determinada proteína é responsável pelo surgimento de uma 
doença, seria possível desenvolver um fármaco que alterasse a ação proteica e, 
portanto, mudasse a evolução do quadro patogênico. Essa abordagem fisiológica 
constitui uma estratégia importante para o processo de desenvolvimento de 
fármacos porque permite a definição prévia do mecanismo de intervenção 
terapêutica pretendido. É a partir da definição do mecanismo de ação que 
se origina o planejamento racional ou o desenho de moléculas candidatas a 
fármacos (compostos-protótipo) (Figura 2). 
Sob o ponto de vista do desenvolvimento, o processo origina-se na correta escolha 
do alvo terapêutico, sendo essa uma etapa crucial. Os avanços das áreas genômica e 
proteômica, aliados à evolução de técnicas de cristalografia de raios x e ressonância 
magnética nuclear, têm contribuído muito para a identificação dos alvos terapêuticos 
e, consequentemente, para o sucesso no desenvolvimento de novos fármacos.
Farmacologia aplicada a nutrição e interpretação de exames laboratoriais18
Estudos clínicos voltados ao desenvolvimento de 
fármacos
Após selecionar a molécula candidata a fármaco, parte-se para a etapa pré-
-clínica. Nela, são avaliadas as propriedades farmacológicas (afinidade e 
seletividade da molécula para interagir com o alvo), farmacocinéticas (absorção, 
distribuição, biotransformação e excreção) e farmacêuticas (estabilidade, 
solubilidade, questões de formulação). Avalia-se também a segurança do 
candidato a fármaco e são realizados testes de toxicidade, carcinogenicidade e 
genotoxicidade. Nessa fase, são usados modelos animais e, sempre que possível, 
modelos in vitro e ex vivo. Se a molécula candidata a fármaco apresentar as 
características desejadas, pode-se partir para a etapa clínica final.
Para determinado fármaco ser comercializado em um país, sua eficácia deve 
ser comprovada, e uma margem de segurança adequada deve ser estabelecida. 
Isso é feito por meio de ensaios clínicos. Segundo a RDC nº 9 da Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ensaio clínico é uma:
Figura 2. Etapas hierárquicas do processo de descoberta/invenção de moléculas candidatas 
a fármacos pelo emprego da abordagem fisiológica. 
Fonte: Barreiro (2009, p. 26-34).
19Introdução ao estudo da farmacologia
[...] pesquisa conduzida em seres humanos com o objetivo de descobrir 
ou confirmar os efeitos clínicos e/ou farmacológicos e/ou qualquer outro 
efeito farmacodinâmico do medicamento experimental e/ou identificar 
qualquer reação adversa ao medicamento experimental e/ou estudar a 
absorção, distribuição, metabolismo e excreção do medicamento expe-
rimental para verificar sua segurança e/ou eficácia. (BRASIL, 2015). 
Os ensaios clínicos geram as evidências científicas de eficácia e segurança dos medica-
mentos à autoridade regulatória pertinente de cada país. Nos Estados Unidos, a Food 
and Drug Administration é a autoridade oficial. No Brasil, a Anvisa desenvolve esse papel.
Cada autoridade regulatória estabelece critérios específicos para aprovação 
de medicamentos em seu país. No entanto, ensaios clínicos devem ser con-
duzidos atendendo a critérios internacionais, padronizados em diretrizes que 
“harmonizam” os princípios básicos de Boas Práticas Clínicas. Tais princípios 
são universais, acima de quaisquer diferenças entre indivíduos, e seu objetivo 
é salvaguardar a integridade física e psíquica dos sujeitos envolvidos nos 
ensaios clínicos. 
Os ensaios clínicos, normalmente, são conduzidos em quatro fases. As três 
primeiras são projetadas para estabelecer segurança e eficácia. A fase quatro 
e os ensaios pós-comercialização (farmacovigilância) delineiam informações 
adicionais com relação a novas indicações, riscos, doses e esquemas de ad-
ministração ideais. Confira na Figura 3 as características típicas de cada uma 
das quatro fases dos ensaios clínicos necessários para a comercialização de 
novos fármacos. 
Farmacologia aplicada a nutrição e interpretação de exames laboratoriais20
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21Introdução ao estudo da farmacologia
1. Assinale a alternativa correta.
a) Os aspectos fisiopatológicos das 
doenças não são importantes 
para o desenvolvimento 
de novos fármacos.
b) O efeito adverso de um fármaco 
nunca pode ser explorado 
como possível tratamento 
para outras doenças.
c) A farmacodinâmica é a parte 
da farmacologia que se detém 
no estudo sistematizado dos 
processos de metabolização 
do fármaco no organismo.
d) Na farmacologia, o estudo dos 
aspectos farmacodinâmicos 
e farmacocinéticos ocorre 
apenas em nível laboratorial.
e) Estudos clínicos são 
investigações realizadas em 
seres humanos. Seu objetivo 
é descobrir ou verificar os 
efeitos farmacológicos e/ou 
identificar reações adversas dos 
fármacos em investigação.
2. Analise as afirmativas e assinale 
a alternativa correta.
I. Se a erva-de-são-joão (Hipericum 
perforatum) é considerada 
uma planta medicinal, um 
chá preparado em casa a 
partir das folhas dessa planta 
pode ser considerado um 
medicamento fitoterápico.
II. “Fármaco” e “medicamento” 
são palavras que podem ser 
usadas como sinônimo.
III. Medicamentos genéricos 
são intercambiáveis com 
medicamentos de referência.
a) I está correta.
b) II está correta.
c) I e III estão corretas.
d) Todas estão corretas.
e) III está correta.
3. Sobre as etapas de desenvolvimento 
de um novo fármaco, assinale 
a alternativa correta.
a) Recomenda-se que todas as 
moléculas candidatas a novos 
fármacos sejam testadas em 
humanos, antes das etapas 
pré-clínicas em laboratório.
b) A toxicidade é o único 
parâmetro imprescindível na 
avaliação de uma molécula 
candidata a novo fármaco.
c) Os métodos in silico viabilizam 
o desenvolvimento de novos 
fármacos sem a necessidade 
de testes in vivo.
d) Os parâmetros farmacocinéticos 
de um novo fármaco só são 
determinados após a conclusão 
de toda fase clínica do estudo.
e) Fármacos submetidos à fase 
clínica são testados em serem 
humanos saudáveis e doentes.
4. Sobre as fases de um ensaio clínico, 
assinale a alternativa correta.
I. A fase I dos estudos visa a 
avaliar, principalmente, os 
efeitos adversos do novo 
fármaco em humanos.
II. A fase II deve ser feita em 
pacientes saudáveis.
III. A fase IV é realizada após a 
aprovação e comercialização do 
fármaco. 
a) I está correta.
Farmacologia aplicada a nutrição e interpretação de exames laboratoriais22
BARREIRO, E. J. A química medicinal e o paradigma do composto-protótipo. Revista 
Virtual de Química, Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, p. 26-34, 2009. Disponível em: . Acesso em: 05 fev. 2017.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Glossário de definições legais. [200-?]. 
Disponível em: . 
Acesso em: 05 fev. 2017.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC n° 9, de 20 de fevereiro 
de 2015. Dispõe sobre o Regulamento para a realização de ensaios clínicos com 
medicamentos no Brasil. Brasília, DF, 2015. Disponível em: . Acesso em: 05 fev. 2017.
BRUNTON, L. L.; HILAL-DANDAN, R. Manual de farmacologia e terapêutica de Goodman 
& Gilman. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2012.
KATZUNG, B. G.; MASTERS, S. B.; TREVOR, A. J. Farmacologia básica e clínica. 12. ed. 
Porto Alegre: AMGH, 2014.
Leitura recomendada
GUIDO, R. V. C.; ANDRICOPULO, A. D.; OLIVA, G. Planejamento de fármacos, biotecno-
logia e química medicinal: aplicações em doenças infecciosas. Estudos Avançados, 
São Paulo, v. 24, n. 70, p. 81-98,2010. Disponível em: . Acesso em: 05 fev. 2017.
b) II está correta.
c) III está correta.
d) Todas estão corretas.
e) Todas estão erradas.
5. Analise as afirmativas e assinale 
a alternativa correta.
I. Produtos de origem vegetal 
(como extratos de ervas 
e plantas) geralmente são 
isentos de toxicidade.
II. O estabelecimento da dose 
letal de um medicamento não é 
escopo da área farmacológica.
III. A detecção de efeitos adversos 
de um fármaco em estudos de 
fase IV podem ser feitas por 
meio de estudos de coorte, 
estudos de caso-controle, e 
metanálises de estudos pré e 
pós-comercialização. 
a) I está correta.
b) II está correta.
c) III está correta.
d) Todas estão corretas.
e) Todas estão erradas.
23Introdução ao estudo da farmacologia
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
 
Dica do professor
A história da farmacologia remonta aos primórdios da civilização, quando os humanos começaram a 
especular o uso de plantas e minerais para tratar doenças. Durante a Idade Média, os alquimistas 
fizeram avanços importantes na preparação de compostos medicinais. Entretanto, foi a partir do 
século XIX que a ciência da farmacologia moderna emergiu com a sistematização do estudo das 
substâncias químicas e seus efeitos no organismo (Noël, 2021).
Atualmente, a farmacologia combina o uso das ciências naturais e da tecnologia para desenvolver 
terapias inovadoras e cada vez mais eficazes. Com avanços na biotecnologia e na inteligência 
artificial, é possível identificar moléculas com maior precisão e prever seus efeitos no organismo. 
Ainda, a farmacologia moderna tem como foco terapias personalizadas, considerando as 
particularidades genéticas de cada paciente (Bueno; Oliveira; Guido, 2021).
Nesta Dica do Professor, você vai ver a evolução histórica da farmacologia e os avanços 
tecnológicos que permitem a descoberta de fármacos, assim como as etapas de produção e 
colocação desses medicamentos no mercado.
As imagens do vídeo a seguir possuem audiodescrição. Para acessar o recurso, clique aqui
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https://creator-files.plataforma.grupoa.education/learning-unit//REVISADO_11392_Audiodescricao_Dica_do_professor-2025-05-07T14:48:03-03:00.docx
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Exercícios
1) 
Quando há busca por um novo fármaco, áreas de etnobotânica, farmacognosia, síntese e 
química medicinal desenvolvem um trabalho cooperativo com a farmacologia, na tentativa 
de identificar, isolar e caracterizar moléculas de interesse terapêutico. A partir de então, 
estudos farmacológicos são realizados para entender como os medicamentos interagem com 
o organismo, desde sua absorção até seus efeitos terapêuticos e colaterais.
 Nesse sentido, assinale a alternativa correta sobre os estudos farmacocinéticos:
A) São aqueles que estabelecem os mecanismos de absorção, distribuição, metabolização e 
excreção do fármaco.
B) São aqueles que determinam o mecanismo de ação farmacológica específica das moléculas.
C) São aqueles que aprofundam os conhecimentos sobre a segurança e eficácia da molécula para 
tratar uma doença.
D) São aqueles que buscam evidências quanto à segurança e à eficácia do uso do produto em 
seres humanos.
E) São aqueles que buscam determinar se a molécula candidata é segura e eficaz o suficiente 
para iniciar os testes em humanos.
2) 
A farmacologia é a ciência que estuda as interações entre substâncias químicas e os 
organismos vivos, com foco na compreensão de como os medicamentos atuam no corpo 
humano. Trata-se de uma área essencial para o desenvolvimento de terapias seguras e 
eficazes, permitindo a criação de medicamentos que atendam às necessidades clínicas. 
Mesmo a farmacologia sendo uma área essencial no campo da saúde, por vezes suas bases 
conceituais são desconhecidas.
Assinale a alternativa correta:
A) O chá da erva-de-são-joão (Hipericum perforatum) pode ser considerado um medicamento 
fitoterápico. 
B) "Fármaco" e "medicamento" são palavras que podem ser usadas como sinônimas.
C) Medicamento é a molécula ou princípio ativo responsável pela ação terapêutica.
D) Medicamentos genéricos são intercambiáveis com medicamentos de referência.
E) Fármaco é um produto tecnicamente elaborado que contém substâncias inertes chamadas 
adjuvantes.
3) 
O desenvolvimento de fármacos é um processo complexo e multidisciplinar que busca 
identificar substâncias capazes de tratar doenças de forma eficaz e segura. Ele envolve 
etapas rigorosas, como a descoberta de compostos, estudos pré-clínicos em laboratório e 
testes clínicos em humanos. Esse processo requer alta tecnologia, grandes investimentos e 
anos de pesquisa para garantir eficácia e minimizar riscos.
Sobre as etapas de desenvolvimento de um fármaco, assinale a alternativa correta:
 
A) Recomenda-se que as moléculas candidatas a novos fármacos sejam testadas em humanos 
antes das etapas pré-clínicas.
B) A toxicidade é o único parâmetro imprescindível na avaliação de uma molécula candidata a 
novo fármaco.
C) Os métodos in silico viabilizam o desenvolvimento de fármacos sem a necessidade de testes in 
vivo.
D) Os parâmetros farmacocinéticos de um novo fármaco só são determinados após a conclusão 
de toda a fase clínica do estudo.
E) Fármacos submetidos à fase clínica são testados tanto em seres humanos saudáveis quanto 
em doentes.
4) 
Os estudos ou ensaios clínicos são etapas cruciais no desenvolvimento de fármacos, uma 
vez que se analisam a segurança, a eficácia e os efeitos no organismo humano. Eles seguem 
protocolos rigorosos e são regulamentados para garantir resultados confiáveis e éticos, e os 
dados obtidos são essenciais para aprovar novos medicamentos e orientar seu uso clínico. 
Dessa forma, os estudos clínicos asseguram que os tratamentos oferecidos sejam seguros e 
eficientes para a população.
Sobre as fases de um ensaio clínico, assinale a alternativa correta:
A) A fase I dos estudos visa avaliar principalmente os efeitos adversos do novo fármaco em 
humanos.
B) A fase II deve ser feita em pacientes saudáveis.
C) A fase IV é realizada após a aprovação e comercialização do fármaco.
D) Na etapa de farmacovigilância, são pesquisadas as moléculas candidatas a fármaco.
E) Na fase III, são avaliadas a eficácia e a faixa de doses.
5) 
A toxicidade e os efeitos adversos de medicamentos são aspectos importantes na avaliação 
de sua segurança. A toxicidade ocorre quando o medicamento causa danos ao organismo, 
geralmente devido a doses elevadas ou uso prolongado. Já os efeitos adversos são reações 
indesejadas que podem surgir mesmo em doses terapêuticas, variando de leves a graves.
Nesse sentido, analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa correta.
A) É possível detectar os efeitos adversos de um fármaco em estudos de fase IV por meio de 
estudos de coorte e estudos de "caso-controle".
B) Produtos de origem vegetal (como extratos de ervas e plantas) geralmente são isentos de 
toxicidade e não causam efeitos adversos em humanos.
C) O estabelecimento da dose letal de um medicamento não faz parte da finalidade ou do 
propósito da área da farmacologia.
D) A detecção e identificação de efeitos adversos de um fármaco é feita na etapa de pesquisa 
básica e não compreende ensaios clínicos.
E) A origem natural de uma substância lhe atribui segurança em relação à isenção de toxicidade 
ou presença de efeitos adversos.
Na prática
O meio ambiente marinho é uma das biosferas mais ricas da Terra. Para sobreviver às condições 
subaquáticas, a vasta quantidade de organismos marinhos precisa produzir metabólitos secundários 
específicos. Assim como os metabólitos secundários das plantas terrestres, os metabólitos 
secundários de organismos marinhostêm atividades biológicas que podem ser de interesse no 
desenvolvimento de fármacos para uso humano (Ghareeb et al., 2020).
Justamente por isso, a bioprospecção de produtos marinhos tem aumentado significativamente nas 
últimas décadas, permitindo a identificação de vários produtos de interesse, como terpenos, 
saponinas esteroidais e triterpênicas, carboidratos, aminoácidos, peptídeos, lipoproteínas, entre 
outros. Atualmente, inúmeros compostos de origem marinha são descobertos por ano, 
oportunizando o desenvolvimento de fármacos para diversos tratamentos (Tan et al., 2018).
Neste Na Prática, você vai acompanhar o caso de um fármaco originado do ambiente marinho.
A imagem a seguir possui audiodescrição. Para acessar o recurso, clique aqui
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Saiba mais
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Forma farmacêutica x fórmula farmacêutica
Esse vídeo aborda a confusão sobre os conceitos e as diferenças entre forma farmacêutica e 
fórmula farmacêutica. Tratam-se de expressões parecidas, mas com significados bem diferentes. 
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O papel da inteligência artificial na descoberta e 
desenvolvimento de fármacos
Por meio desse artigo, você vai entender que a pesquisa e produção de medicamentos são 
processos complexos e onerosos, historicamente baseados em métodos empíricos e experimentais. 
Além disso, vai compreender que os avanços na inteligência artificial (IA) têm prometido 
transformar a indústria farmacêutica, possibilitando processos mais eficientes e econômicos.
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As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman e Gilman
No Capítulo 1, "A invenção de fármacos e a indústria farmacêutica", você vai conhecer os principais 
conceitos relacionados à farmacologia e seu histórico, assim como os processos pelos quais um 
novo fármaco é identificado e introduzido na prática médica. 
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
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https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/4185/4273

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