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REVISTA DIÁLOGOS & CIÊNCIAS Ano 17 Nº 39 Março 2017 - ISSN 1678-0493 http://periodicos.ftc.br/ P. 101 – 112 UMA ANÁLISE PRELIMINAR SOBRE A CADEIA DE VALOR E A VANTAGEM COMPETITIVA NA FORMAÇÃO DOS CUSTOS DAS EMPRESAS A PRELIMINARY ANALYSIS ON THE VALUE CHAIN AND COMPETITIVE ADVANTAGE IN THE FORMATION OF BUSINESS COSTS Luciano Sousa de Castro1 Claudio Marcelo Matos Guimarães2 Haroldo Claudio Sande de Oliveira Peon3 Marcia Almeida Mota4 Jerisnaldo Matos Lopes5 RESUMO O presente artigo analisa de forma preliminar a cadeia de valor de Michael Porter e sua relação na formação dos custos de uma empresa. No atual cenário global, caracterizado por forte concorrência entre as empresas, abordar esse tema é de grande importância uma vez que as organizações precisam estar preparadas para competir no mercado visando garantir a sua sobrevivência e crescimento. O estudo foi elaborado por meio de uma revisão bibliográfica acerca dos principais trabalhos de Porter e de autores que discutiram a cadeia de valor e a vantagem competitiva. Por se tratar de um tema de grande interesse na administração o estudo tem relevância social, pois discute formas de crescimento empresarial que consequentemente possibilitam a geração de empregos. Palavras-chave: Michael Porter. Cadeia de Valor. Vantagem Competitiva. Custos empresariais. ABSTRACT This article analyzes in a preliminary way the Michael Porter value chain and its relation in the formation of the costs of a company. In the current global scenario characterized by strong 1 Coordenador do curso de Bacharelado em Administração da Faculdade de Tecnologia e Ciências de Salvador. Mestre em Tecnologias Aplicáveis a Bioenergia, Especialista em Gestão de Pessoas e em Docência do Ensino Superior. Graduado em Administração. Email: lucianocastroadm@gmail.com 2 Professor do curso de Bacharelado em Administração da Faculdade de Tecnologia e Ciências do Salvador. Mestre em Tecnologias Aplicáveis a Bioenergia, Especialista em Educação Matemática, Especialista em Educação a Distância e Graduado em Licenciatura em Matemática. Email: marcelomguimaraes@gmail.com 3 Professor do curso de Bacharelado em Administração da Faculdade de Tecnologia e Ciências do Salvador. Mestre em Administração, Pós-graduado em Análises de Sistemas, Administração Hospitalar, e-Business, Governança Corporativa, Governança de TI, Jornalismo e Comunicação e Graduado em Administração. Email: hpeon@globo.com 4 Assessora Acadêmica da Faculdade de Tecnologia e Ciências de Salvador. Graduada em Administração. Especialista (MBA) em Gestão de Negócios. Email: marciamota087@gmail.com 5 Doutorando em Desenvolvimento Regional e Urbano, Mestre com Linha de Pesquisa em Ética e Gestão, Pós Graduado em Gestão de Pessoas, Bacharel em Administração de Empresas com Habilitação em Marketing, Licenciado em Pedagogia. Professor do curso de Administração e do Mestrado Profissional em Tecnologias Aplicáveis em Bioenergia da Faculdade de Tecnologia e Ciências de Salvador (FTC) da E-mail: jerislopes@hotmail.com competition among companies, addressing this issue is of great importance as organizations need to be prepared to compete in the market to ensure their survival and growth. The study was developed through a literature review about the main works of Porter and authors who discussed the value chain and competitive advantage. Because it is a topic of great interest in the administration, the study has social relevance, since it discusses forms of business growth that consequently make possible the generation of jobs. Keywords: Michael Porter. Value Chain. Competitive advantage. Business costs. 1 INTRODUÇÃO A globalização trouxe consigo fortes avanços empresariais transformando o comércio num negócio global diretamente ligado a política, regulação, cultura e situação econômica. Com esse advento as empresas passaram a competir intensamente no mercado visando garantir a sua sobrevivência. Segundo Lima (2009), com a globalização o mundo se transformou em um centro de globalização dos mercados, com intensificação do processo de dispersão geográfica da produção envolvendo o capital, a tecnologia, a força de trabalho, a divisão social do trabalho, o planejamento e o mercado. Outra característica da globalização é a mudança rápida dos cenários econômicos, que exige das organizações habilidade para se adaptarem. Corroborando com essa informação Porter (1999), diz que as empresas devem ser flexíveis para se adaptarem as mudanças competitivas do mercado. Sendo assim, as empresas precisam trabalhar sempre pensando em estabelecer uma vantagem competitiva no mercado que proporcione o seu crescimento empresarial. De acordo com Porter (1989), uma empresa adquire vantagem competitiva quando executa atividades estrategicamente importantes de forma mais barata e eficiente que sua concorrência. Obter vantagem competitiva no ambiente empresarial é de grande importância, uma vez que permite a empresa oferecer produtos e serviços em condições melhores para seus clientes. Entretanto, a busca por tal vantagem requer sacríficos e disciplina que somente pode ser alcançado com boa gestão dos processos e de toda cadeia de valor que envolve a empresa. Ainda segundo Porter (1989), uma cadeia de valor é composta por todos os agentes participantes da produção e comercialização do produto, ou seja, nela estão inseridos os produtores da matéria-prima, os fornecedores de insumos, os clientes, a logística, a infraestrutura energética e de telecomunicações, as políticas econômicas e de regulação envolvidas, o acesso a financiamento, a concorrência e a relação com a sociedade envolvida. Para Zaccarelli (1995), é extremamente importante, tanto para profissionais, como para acadêmicos de administração de empresas, entender a lógica das vantagens competitivas, seu valor, seu uso, sua ocorrência nas empresas. De acordo com Porter (1989), em termos competitivos, valor é o montante que os compradores estão dispostos a pagar pelo produto ou serviço que uma empresa oferece. Seguindo o pensamento de Moori e Zilber (2003), a cadeia de valores desagrega uma empresa nas suas atividades de relevância, para que se possa compreender o comportamento dos custos e as fontes existentes e potenciais de diferenciação. Uma empresa ganha vantagem competitiva, executando estas atividades estrategicamente importantes de forma mais eficaz. A cadeia de valor quando bem estruturada permite que o potencial de lucro de um produto ou serviço extraído em elevados índices de aproveitamento. Segundo Porter (1989, p. 44): Embora as atividades de valor sejam de construção da vantagem competitiva, a cadeia de valores não é uma coleção de atividades independentes, e sim um sistema de atividades interdependentes. As atividades de valor estão relacionadas por meio de elos dentro da cadeia de valores. Estes elos são relações entre o modo como uma atividade de valor é executada e o custo ou desempenho de uma outra. Através da cadeia de valor a empresa tem condições de identificar a melhorar maneira de criar um diferencial competitivo, uma das razões disso é que através da respectiva cadeia a empresa pode avaliar seus custos para traçar metas de produção/crescimento. De acordo com Porter (1989), a cadeia de valor é um instrumento básico para diagnosticar a vantagem competitiva e descobrir maneiras de criá-la e sustentá-la. O presente artigo é de natureza descritiva e visa analisar por meio de revisão bibliográfica os estudos de Michael Porter acerca da cadeia de valor e diferencial competitivo. Utilizou-se ainda estudos de outros autores que desenvolveram pesquisas com referência a Porter visando oferecer maior fundamentação as informações apresentadas nesse estudo. Michael Eugene Porter, norte americano nascidoem 1947. Engenheiro por formação complementou seus estudos com Mestrado e Doutorado na área de gestão. Desenvolveu trabalhos relacionados à vantagem competitiva e a formação da cadeia de valor onde publicou vários livros relacionados à administração como, por exemplo, “Vantagem Competitiva – criando e sustentando um desempenho superior; Estratégia Competitiva - técnicas para análise de industriais e da concorrência; Competição On Competition – estratégias competitivas essenciais e Vantagem Competitiva das Nações. Segundo Fachin (2006), a utilização de pesquisa bibliográfica é uma fonte inesgotável de informações, pois auxilia na atividade intelectual e contribui para o conhecimento cultural em todas as formas do saber. Esse artigo está estruturado sob a forma de capítulos, contendo ainda resumo, abstract, a introdução e conclusão e as referências. 2. A VANTAGEM COMPETITIVA A vantagem competitiva é um mecanismo que diferencia uma empresa de seus concorrentes. Tal situação acontece quando ela (a empresa) consegue oferecer um produto com condições superiores ao da concorrência de forma que consiga garantir uma posição sólida no mercado. Segundo Porter (1989) a vantagem competitiva é cada vez mais função da competência com que uma empresa pode administrar todo sistema que forma a cadeia de valor. Sendo assim, é necessário incialmente que para procurar estruturar a cadeia de valor de um produto ou serviço à empresa esteja bem organizada internamente, pois somente nessa condição a mesma poderá estruturar toda a sua cadeia de valor. Porter (1989) ainda afirma que a cadeia de valor oferece uma forma sistemática de dividir uma empresa em atividades distintas, podendo, assim, ser utilizada para examinar como são as atividades em uma empresa, e como poderiam ser agrupadas. Isso significa que existe no processo uma interdependência com os agentes externos que formam a cadeia de valor. Essa interdependência traz consigo a necessidade de haver bom diálogo na busca de um entendimento comum entre os elos que formam a cadeia. Segundo Porter (1989), a obtenção da vantagem competitiva exige que a cadeia de valor de uma empresa seja administrada como um sistema e não como uma coleção de partes separadas. Na formação da cadeia de valor é necessário que a organização defina uma estratégia que possibilite um posicionamento de seu produto de forma que seja criada uma vantagem competitiva junto à concorrência. Essa situação requer que a empresa esteja estruturada de forma tal que sua eficácia operacional esteja superior à concorrência. Segundo Porter (1999), tanto a eficácia operacional como a estratégia são essenciais para um desempenho superior, que é o objetivo inicial de todas as empresas. A eficácia operacional significa desempenho de atividades melhor que os rivais. Já para Brush et al. (2002), estratégias para obter vantagens competitivas enfatizam o desenvolvimento e a transformação dos recursos existentes em uma base de recursos única e de valor. Conseguir combater a concorrência é de grande importância para as empresas, uma vez que a mesma tem potencial de restringir fortemente o potencial de lucratividade das demais empresas. Nesse sentido, a vantagem competitiva e a boa estruturação da cadeia de valor surgem como um mecanismo restritivo a ação das concorrentes. Segundo Porter (2004), a concorrência age continuamente no sentido de diminuir a taxa de retorno sobre o capital investido na taxa de competição básica de retorno, ou o retorno que poderia ser obtido. Já para Carneiro et al (1997), a estratégia de diferenciação pressupõe que a empresa ofereça, no âmbito de toda a indústria, um produto que seja considerado único pelos clientes, ou seja, cujas características o distingam daqueles oferecidos pela concorrência. Ao tornar seu produto ou serviço diferenciado no mercado, a empresa adquire uma vantagem competitiva sobre seus concorrentes. Essa vantagem pode ser caracterizada por uma série de condições mercadológicas transmitidas aos seus clientes. Essas condições são apresentadas, segundo Porter (1989) quando ele afirma que qualquer coisa que uma empresa faça para reduzir o custo total do comprador na utilização do produto, ou outros custos do comprador, representa uma base potencial para a diferenciação. Esse custo pode ser reduzido na entrega, instalação, financiamento, consumo do produto, sua manutenção, risco de falha do produto (melhor qualidade), dentre outras. Para Moori e Zilber (2003), nesse sentido, torna-se fundamental o papel da gestão da cadeia de suprimentos como fator diferenciador de uma empresa em busca de agregar valor ao seu cliente. Outra forma de criar vantagem competitiva é a inovação, pois ao explorar novas ideias para um produto ou serviço a empresa consegue atrair/manter seus clientes. Para Porter (1989), a inovação pode ser vista em modificações de produtos, mudanças de processos, novas abordagens de comercialização, novas formas de distribuição, dentre outras. Ele ainda afirma que a inovação influência na vantagem competitiva quando os rivais não conseguem competir com seu produto ou serviço. A cadeia de valor de um produto é importante para empresa justamente por conseguir unir recursos que garantam a existência das condições apresentadas acima. Para Ito et al (2012), o que se pode afirmar é que o valor tanto está relacionado com dimensões ao mesmo tempo internas e externas à organização, pois satisfaz as necessidades dos consumidores em termos de produtos e serviços, quanto está relacionado ao modo como a firma concebe e operacionaliza suas estratégias. Segundo Porter (1989), a cadeia de valor também mostra as fontes de diferenciação. Uma empresa cria valor para clientes (e portanto uma diferenciação significativa) se reduz o custo para ele ou eleva o desempenho que o produto tem de uma maneira que o cliente não possa encontrar competidores. Vale ressaltar que talvez a mais clara vantagem trazida pela formação de uma cadeia de valor saudável seja a sua capacidade de redução dos custos de um produto e serviço, essa condição será abordada no capítulo a seguir. 3. A VANTAGEM COMPETITIVA E SUA RELAÇÃO COM OS CUSTOS DE PRODUÇÃO A busca por vantagem competitiva da cadeia de valor está fundamentada nos estudos sobre estratégia e decisões empresariais. A competitividade nas empresas aliada a uma gestão estratégicas da cadeia de valor em função dos custos de produção são os principais parâmetros para demonstrar o bom desempenho de uma organização em relação a seus concorrentes. Atualmente as empresas estão organizando seus processos de produção com a finalidade de melhorar sua relação custo e valor agregado na busca de padrões internacionais de qualidade e produtividade. É lógico que para pensar em uma estratégia organizada da cadeia de valor e custo é preciso estabelecer um fluxo organizado nos processos de produção. Segundo Porter (1989), o ponto de partida para análise dos custos é definir a cadeia de valores de uma empresa e atribuir custos operacionais e ativos a atividades de valor. Cada atividade na cadeia de valor envolve custos operacionais e ativos na forma de capital de giro de fluxo. Para uma empresa a questão fundamental que envolve a vantagem competitiva está diretamente ligada ao seu desempenho efetivo, que reflete também em uma receita e lucro maior que as empresas concorrentes em seu mercado de atuação. Segundo Barney (1991), uma empresa apresenta uma vantagem competitiva quando associa um programa de estratégia de criação de valor na sua cadeia de produção e que não possa ser copiada e adotada simultaneamente pelos seus concorrentes potencialmente diretos. E conforme Vasconcelos e Brito (2004 apud BESANKO et al, 2004). Quando uma empresa (ou unidade de negócios dentro de uma empresa com múltiplas unidades de negócio)aufere uma taxa maior de lucro de outras empresas disputando o mesmo mercado, a empresa possui uma vantagem competitiva neste mercado. Essas estratégias têm efeito significativo no desempenho das empresas, influenciando diretamente nos custos e na cadeia de valor de produção. Para Porter (1986), o desenvolvimento de uma estratégia competitiva é, em essência, o desenvolvimento de uma fórmula ampla para o modo como uma empresa irá competir, quais deveriam ser as suas metas e quais as políticas necessárias para levar-se a cabo estas metas. Porém é necessário entender que a vantagem competitiva não é única para a empresa, ela deve ser dissociada a todos os setores, tais como o de produção, projeto, marketing, administrativo e outros, para que cada um tenha sua participação efetiva e competitiva. Da mesma forma podemos constatar que a vantagem competitiva também é específica para cada empresa, pois as ações e projetos devem levar em consideração suas especificidades. Nesse contexto, é necessário um processo de gestão de custos eficiente, com planejamento, execução e controle dos custos finais de produção. Porter (1989) apresenta a importância da gestão de custos como uma das alternativas estratégicas para diferenciar o preço final do produto. O autor levanta também um segundo ponto importante, a vantagem competitiva, que trata diretamente do consumo de recurso associado ao valor agregado do produto. A vantagem competitiva nas empresas é associada a busca por um desempenho superior nas suas estratégias de produção, custo e lucro econômico, visando superar as outras empresas atuantes no mesmo seguimento de mercado. Segundo Vasconcelos e Brito (2004), “As empresas tem uma vantagem competitiva quando implementa uma estratégia de criação de valor que não é implementada, simultaneamente, por nenhum dos seus concorrentes atuais ou potenciais”. A busca por um desempenho superior e competitiva vai impactar direta e indiretamente nos custos da aquisição de recurso, na produtividade e no preço final do produto. Porter (1989) demonstra que a liderança nos custos é uma solução alternativa de estratégias visando um diferencial produtivo, está associada a vantagem competitiva. Sem dúvida que o caráter competitivo das empresas aumenta o seu desempenho de forma significativa, mas existem outros fatores importantes que fazem parte dessas estratégias, tais como, a logística empresarial e a análise da cadeia de valor. A logística empresarial é muito importante para as empresas, pois envolve as atividades de movimentação de produtos, além do compartilhamento de informações. Essa logística deve ser trabalhada por todos os componentes envolvidos de forma coordenada a se obter um objetivo comum. Para Novaes (2001), a logística empresarial envolve elementos materiais, tecnológicos e de informação além do mais importante que é o material humano, essa logística busca a eficiência e a melhoria dos níveis de serviço oferecidos aos clientes, com objetivo de reduzir os custos e eliminando todo o excesso burocrático que agrega valores desnecessários para os clientes. Atualmente a logística busca em todas as suas áreas de atuação, eliminar custos dos seus clientes, buscando o melhoramento do tempo, da informação para uma cadeia produtiva de qualidade. Segundo Silva (2005, p. 117): Para que a empresa possa lidar com as incertezas desse ambiente concorrencial, ela deve se posicionar diante dos fatores de competitividade que podem afetar mais diretamente o seu mercado. A identificação dos fatores que afetam a sua competitividade deve se originar no reconhecimento do seu próprio mercado e nos fatores que afetam os seus custos ou a sua cadeia de valor. Isto servirá como ferramenta para a empresa priorizar os fatores que determinam a competitividade A cadeia de valor foi desenvolvida pelas empresas no intuito de obter um equilíbrio entre os custos de oportunidade na produção, e a eficiência na gestão desses custos, a referência de oportunidade de custo está associada a relação direta de negociação com os fornecedor, visando uma redução de custos para seus clientes. Entender o quanto é importante a cadeia de valor, pode levar a empresa a uma vantagem competitiva, desenvolvendo uma diferenciação no processo de produção e venda superiores às outras empresas concorrentes. Porter (1989) demonstra que todas as atividades daS empresas estão divididas em projetos, produção, comercialização e distribuição dos seus produtos, e todas essas etapas devem estarem diretamente ligadas a cadeia de valor. O autor ainda levanta a importância da cadeia de valor como representação histórica, que deve refletir diretamente em suas estratégias empresariais. Para Machado e De Souza (2006) “É arriscado ignorar as ligações da cadeia de valor, pois ganhar e sustentar vantagem competitiva requer que uma empresa compreenda todo sistema, e não apenas a parte da cadeia de valor de que a empresa participa. Tem-se, então, que a análise da cadeia de valor é o reconhecimento de que isoladamente a empresa tem menos chances de sobreviver no mercado”. A criação de uma cadeia de valor por parte da empresa é o diferencial entre o custo de oportunidade de toda a produção e a disposição de oferecer preços satisfatórios para seus clientes, pois os bens e serviços oferecidos ao mercado estão ajustados economicamente com uma maximização dos lucros das empresas, e isso propicia um retorno do investimento feito e a oferta de preços que leve a empresa a um destaque em relação aos seus concorrentes diretos. Segundo Porter (2004), uma posição de baixo custo produz para empresa retornos acima da média apesar de intensas forças competitivas. A posição de custos dá à empresa uma defesa contra seus concorrentes. Já de acordo com Carneiro (1997, p. 9): O ponto central da estratégia de liderança no custo total é a empresa fazer com que seu custo total seja menor do que o de seus concorrentes. O custo mais baixo funciona como mecanismo de defesa da empresa contra a rivalidade de seus concorrentes, especialmente no tocante à guerra de preços. Quando pressionada por fornecedores poderosos, a empresa de custo mais baixo terá mais fôlego para continuar na indústria do que seus concorrentes, que também estão sujeitos à pressão desses fornecedores. Raciocínio similar vale para a análise da empresa vis-à-vis das demais forças competitivas (ameaça de novos entrantes, ameaça de produtos substitutos e poder de negociação dos compradores). Vale ressaltar que a inovação tem grande potencial em reduzir os custos de produção, uma vez que através da implementação de novas ideias a empresa consegue melhor se posicionar no mercado. Seguindo essa afirmação Porter (1989) diz que a inovação é resultado de grande esforço. A empresa que implementa com êxito novas maneiras de aperfeiçoadas de competir é aquela que persegue insistentemente a sua abordagem, mesmo diante de obstáculos. CONCLUSÕES Michael Porter baseou seus estudos, em relação à cadeia de valor, voltados sempre para a vantagem competitiva que seria gerada. Seu pensamento era que um meio produtivo se fortalece quando seguido por outras estruturas do mercado (ex.: logísticas, infraestrutura, creditícias, comercial). A cadeia de valor é uma forma de potencializar, segundo a ótica de Porter, a capacidade de crescimento e sustentabilidade de um negócio no mercado. Salienta-se nesse contexto Porteriano que qualquer negócio precisa possuir fatores que o diferenciem dos demais produtos/serviços existentes no mercado para que sua vida útil seja maior que o da concorrência. Sendo assim, a inovação é um fator importante no mercado, pois cria uma vantagem competitiva perante a concorrência. Evidencia-se que os custos empresariais, quando associados a uma cadeia de valor bem estruturada, tendem a ser menores uma vezque possuem maior eficiência em sua utilização e podem ser diluídos entre os agentes que a compõem. Os estudos de Porter oferecem novos pensamentos acerca da concepção, reformulação e manutenção de meios produtivos, podendo ainda ser aplicados a diversas esferas empresariais. REFERÊNCIAS CARNEIRO, Jorge Manoel Teixeira; CAVALCANTI, Maria Alice Ferreira Deschamps; SILVA, Jorge Ferreira da. Porter revisitado: análise crítica da tipologia estratégica do mestre. Rev. adm. contemp., Curitiba , v. 1, n. 3, p. 7-30, dez. 1997 . Disponível em . acessos em 26 abr. 2016. http://dx.doi.org/10.1590/S1415-65551997000300002. FACHIN, Odilia. Fundamentos de Metodologia. 5. Ed. São Paulo: Saraiva, 2006. BARNEY, J. 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