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Licenciatura em Ciências Biomédicas Laboratoriais 
Educação Clínica II 
Ano letivo 2023/2024 
 
 
 
 
 
 
 
Relatório de Estágio 
Hematologia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Zara Rente de Aguiar Morais, n.º 10200635 
Porto, 1 de março de 2024
 
 
 
 
 
 
Licenciatura em Ciências Biomédicas Laboratoriais 
Educação Clínica II 
Ano letivo 2023/2024 
 
 
 
 
 
 
 
Relatório de Estágio 
Hematologia 
Relatório do estágio realizado no serviço de Hematologia do Centro Hospitalar Universitário 
do Porto, no período de 29 de janeiro a 16 de fevereiro de 2024 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Zara Rente de Aguiar Morais, n.º 10200635 
Porto, 1 de março de 2024
i 
 
 
Índice 
Lista de Figuras e Tabelas ............................................................................................................................... iii 
Lista de siglas .................................................................................................................................................. iv 
1. Introdução ............................................................................................................................................... 1 
1.1 Enquadramento e Organização do serviço ................................................................................... 1 
1.2 Objetivos ....................................................................................................................................... 1 
2. Biossegurança ......................................................................................................................................... 2 
3. Serviço de Hematologia Laboratorial no Laboratório Corelab ............................................................... 3 
3.1 Rotina Laboratorial ....................................................................................................................... 3 
3.2 Processamento das amostras- analisadores automáticos ............................................................ 4 
3.2.1 Sysmex 9100 ........................................................................................................................... 4 
3.2.2 Reagentes ............................................................................................................................... 7 
3.2.3 Modo de análise do equipamento ......................................................................................... 8 
3.2.4 Parâmetros analisados e Metodologias do Equipamento ..................................................... 9 
3.2.4.1 Citometria de Fluxo ................................................................................................................ 9 
3.2.4.2 Impedância e Foco Hidrodinâmico ....................................................................................... 10 
3.2.4.3 Método de Sulfato Lauril de Sódio, livre de cianeto ............................................................ 11 
3.2.5 Canais de Medição da Série XN ............................................................................................ 11 
3.2.5.1 Canal CBC ............................................................................................................................. 11 
3.2.5.2 Canal DIFF ............................................................................................................................. 12 
3.2.5.3 PLT-F ..................................................................................................................................... 12 
3.2.5.4 Canal RET .............................................................................................................................. 13 
3.2.5.5 Canal WPC ............................................................................................................................ 13 
3.2.6 Interpretação de Resultados ................................................................................................ 13 
3.2.7 Líquidos Biológicos ............................................................................................................... 14 
3.2.8 Manutenção do equipamento Syxmex XN 9100 .................................................................. 14 
3.2.9 Controlo de Qualidade Interno do equipamento Syxmex XN 9100 ..................................... 14 
3.3 Velocidade de sedimentação - VES-MATIC CUBE 200 e 30 PLUS................................................ 15 
ii 
 
3.3.1 Controlo de Qualidade Interno dos equipamentos VES-Matic Cube 200 e VES-Matic 30 
PLUS 17 
4. Serviço de Hematologia Laboratorial .................................................................................................... 18 
4.1 Estudo de um hemograma .......................................................................................................... 18 
4.2 Esfregaço Sanguíneo ................................................................................................................... 18 
4.2.1 Coloração de Leishman ........................................................................................................ 19 
4.3 Leucograma ................................................................................................................................. 20 
4.4 Contagem diferencial dos leucócitos .......................................................................................... 23 
4.5 Eritrograma ................................................................................................................................. 24 
4.6 Contagem Manual de Reticulócitos ............................................................................................ 26 
4.7 Patologias Associadas ao Glóbulo Rubro .................................................................................... 27 
4.7.1 Equipamento Variant II ........................................................................................................ 27 
5. Controlo de Qualidade .......................................................................................................................... 29 
5.1 Controlo de Qualidade Externo .................................................................................................. 29 
5.2 Controlo de Qualidade Interno ................................................................................................... 29 
6. Conclusão .............................................................................................................................................. 30 
7. Referências Bibliográficas ..................................................................................................................... 31 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
iii 
 
Lista de Figuras e Tabelas 
Figura 1 Zonas de um esfregaço sanguíneo (criado no BioRender.com) ...................................................... 19 
Figura 2 Procedimento de um esfregaço sanguíneo ..................................................................................... 19 
Figura 3 Aerospray® Pro Hematology Slide Stainer / Cytocentrifuge ........................................................... 20 
Figura 4 Neutrófilo em banda ....................................................................................................................... 21 
Figura 5 Neutrófilo segmentado ................................................................................................................... 21 
Figura 6 Linfócito ........................................................................................................................................... 22 
Figura 7 Monócito ......................................................................................................................................... 22 
Figura 8 Eosinófilo .........................................................................................................................................com carga iónica no material da coluna com grupos de carga iónica na molécula de HGB. 
A HPLC explora as diferentes afinidades dos componentes em duas fases distintas a fase 
estacionária, composta por uma coluna de resina de troca iônica, e a fase móvel, o tampão. Ao adsorver o 
hemolisado, que contém uma mistura de hemoglobinas, na resina, o tempo de retenção da mistura varia 
de acordo com o pH e a afinidade do tampão de eluição aplicado na coluna. O tempo de retenção das 
hemoglobinas normais ou variantes é então comparado com uma hemoglobina conhecida (HbA2), 
possibilitando a quantificação das hemoglobinas normais (A, A2 e F) e a determinação presumida de 
28 
 
variantes de hemoglobina. (25)É importante referir que o tempo de retenção é definido como o tempo 
que passa desde a injeção da amostra até um pico de HGB. 
O equipamento é composto por uma estação de amostragem, onde se colocam as amostras em 
tubos primários codificados e fechados, realizando a leitura do código de barras Antes de inserir as 
amostras no equipamento, é crucial considerar o valor da hemoglobina. Se o paciente apresentar uma 
hemoglobina inferior a 8,5 é necessário preparar um hemolisado antes de prosseguir com a análise. Além 
da quantificação das frações da HbA, A2 e F, o Variant II identifica a presença de variantes de 
hemoglobinas (S, C, E e D) resultantes de mutações pontuais nos genes responsáveis pela síntese das 
cadeias de globina. Cada amostra analisada gera um cromatograma que identifica três picos (HbF, HbA e 
HBA2) e as variantes e indica as suas respetivas percentagens. O nível elevado de HbA2 é um indicativo 
característico da β-talassemia, sendo a sua quantificação utilizada para diagnóstico ou exclusão. Se o HPLC 
não detetar nenhuma variante, nenhum outro teste é necessário. No entanto, se uma variante for 
detetada, o resultado deve ser confirmado por técnicas mais específicas, como por Biologia Molecular. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 
 
5. Controlo de Qualidade 
5.1 Controlo de Qualidade Externo 
 
No controlo de qualidade externo, a qualidade dos resultados emitidos pelo laboratório é 
avaliada por uma entidade externa. 
De forma generalizada, é realizada a análise de uma amostra de conteúdo desconhecido de 
acordo com a rotina laboratorial. A amostra é fornecida a vários laboratórios (nacionalmente e/ou 
internacionalmente), tendo exatamente a mesma composição, o objetivo será estabelecer um paralelo 
com outros laboratórios pela comparação de resultados. O resultado é ainda comparado com um valor 
alvo. 
A avaliação é feita de forma regular, através da participação em determinados programas de 
qualidade, no caso do serviço de Hematologia, o laboratório está inserido no programa da United 
Kingdom External Quality Assessment Service (UKNEQAS). 
 
5.2 Controlo de Qualidade Interno 
O serviço de Hematologia Laboratorial possui programa de C.Q.I que se caracteriza como um controlo 
intralaboratorial, da própria casa comercial dos equipamentos, garantido assim a precisão analítica dos 
diferentes métodos. 
O laboratório utiliza também materiais de controlo, isto é, amostras com valores conhecidos, para 
comparar com as amostras dos doentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
6. Conclusão 
 
O estágio da unidade curricular de Educação Clínica II e durante as três semanas da sua duração, foi 
possível observar e realizar os procedimentos que fazem parte da rotina laboratorial do Serviço de 
Hematologia Laboratorial e do CoreLab do CHUdSA. 
Em suma, todos os objetivos propostos foram cumpridos, uma vez que que este estágio permitiu pôr 
em prática conhecimentos já adquiridos a nível académico, assim como adquirir novos. 
Durante o período de estágio, houve a possibilidade de contactar com o mais variado tipo de 
amostras, entender as diferenças que existem ao nível do protocolo entre elas, e o porquê dessas 
mesmas diferenças. Houve a oportunidade de praticar técnicas manuais, executar os mesmos 
procedimentos de forma automatizada e entender os seus mecanismos de funcionamento. 
Foi possível observar casos reais e interpretar os seus resultados. 
Um aspeto positivo foi o contacto com os técnicos de laboratório, uma vez que se mostraram sempre 
disponíveis e interessados na transmissão de conhecimento. Para concluir, o estágio foi uma 
oportunidade enriquecedora, possibilitando o contacto com a vida profissional, dando a conhecer a 
realidade das Análises Clínicas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31 
 
7. Referências Bibliográficas 
 
1. De M, Laboratorial B. MANUAL DE BIOSSEGURANÇA LABORATORIAL-QUARTA EDIÇÃO. 
2. Ciesla B. Hematology in Practice. second edition. 
3. portaria-392_19. 
4. sysmex. SISTEMAS AUTOMATIZADOS EM HEMATOLOGIA - Revolução da automatização 
modular em hematologia [Internet]. Available from: www.sysmex.com.br 
5. Sysmex. Routine Use Training Workbook XN-Series Track (CT-90). 2021. 
6. sysmex. DI-60 TM Integração perfeita Sistema automatizado de análise digital da morfologia 
celular [Internet]. Available from: www.sysmex.com.br 
7. Roche. Analisadores Hematológicos Automatizados Sysmex Série-XNTM. 2014. 
8. Sysmex Corporation. XN Series, Instructions for Use. 2019; 
9. Fluorescence flow cytometry - Sysmex technologies [Internet]. [cited 2024 Feb 8]. Available 
from: https://www.sysmex-europe.com/academy/knowledge-
centre/technologies/fluorescence-flow-cytometry.html 
10. Silva PH da, Alves HB, Comar SR, Henneberg R, Merlin JC, Stinghen ST. Hematologia 
Laboratorial - Teoria e Procedimentos. 2016. 
11. Burtis CA, Bruns DE. Tietz Fundamentals of Clinical Chemistry And Molecular Diagnostics. 
Seventh. 
12. XR-Series complete blood count application [Internet]. [cited 2024 Feb 15]. Available from: 
https://www.sysmex-europe.com/academy/knowledge-centre/technologies/complete-blood-
count-application-cbc.html 
13. Automated Haematology Analysers XN-9000 Series Experience Sysmex Experience XN-9000 
Solutions [Internet]. Available from: www.sysmex-ap.com 
14. XR-Series white pathological and precursor blood cell application channel [Internet]. [cited 
2024 Feb 15]. Available from: https://www.sysmex-europe.com/academy/knowledge-
centre/technologies/white-pathological-and-precursor-blood-cell-application-wpc.html 
32 
 
15. XR-Series reticulocyte count application channel [Internet]. [cited 2024 Feb 20]. Available 
from: https://www.sysmex-europe.com/academy/knowledge-
centre/technologies/reticulocyte-count-application-ret.html 
16. XR-Series body fluid application | Sysmex technologies [Internet]. [cited 2024 Feb 15]. 
Available from: https://www.sysmex-europe.com/academy/knowledge-
centre/technologies/body-fluid-application-bf.html 
17. VES-MATIC CUBE 200 [Internet]. [cited 2024 Feb 20]. Available from: 
https://www.diesse.it/en/products/ves-matic-cube-200/ 
18. CORANTE LEISHMANN [Internet]. Available from: www.laborclin.com.br 
19. Aerospray® Hematology Pro Stainer [Internet]. [cited 2024 Feb 22]. Available from: 
https://www.aerospraystaining.com/pro_hematology-dc1.html 
20. Naoum PC, Naoum FA. INTERPRETAÇÃO LABORATORIAL DO HEMOGRAMA. 
21. P. Vivas WL. Manual Prático de Hematologia. 
22. Rios DRA, Carvalho M das G, Silva BLR da, Nascimento G do CP, Santos TLM. ATLAS DE 
HEMATOLOGIA. 2002. 
23. Hematologia Laboratorial - 1a_2016_PT. 
24. Universidade de São Paulo - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia - Departamento 
de Clínica Médica. Patologia Clínica Veterinária HEMATOLOGIA CLÍNICA HEMOGRAMA. 
25. Stephens AD, Colah R, Fucharoen S, Hoyer J, Keren D, Mcfarlane A, et al. ICSH 
recommendations for assessing automated high-performance liquid chromatography and 
capillary electrophoresis equipment for the quantitation of HbA2. Int J Lab Hematol. 2015 Oct 
1;37(5):577–82.22 
Figura 9 Basófilo ............................................................................................................................................ 23 
 
Tabela 1 Ações técnicas do equipamento e respetivas resoluções ................................................................ 6 
Tabela 2 Sistema de reagentes da Série-XN .................................................................................................... 7 
Tabela 3 Reagentes da Série-XN e respetivas aplicações e especificações ..................................................... 8 
Tabela 4 Parâmetros e Métodos do modelo XN-10 ........................................................................................ 9 
Tabela 5 Critérios de validação utilizados na fórmula leucocitária ............................................................... 24 
Tabela 6 Índices hematimétricos .................................................................................................................. 25 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
iv 
 
Lista de siglas 
 
CHUdSA- Centro Hospitalar Universitário de Santo António 
RBC- eritrócitos 
HGB - hemoglobina 
HCT - hematócrito 
MCV - volume corpuscular médio 
MCH - hemoglobina corpuscular média 
MCHC - concentração de hemoglobina corpuscular média 
RDW - amplitude de Distribuição dos Glóbulos Vermelhos 
PLT - contagem de plaquetas 
PLT-F – plaquetas por fluorescência 
PDW - amplitude de distribuição de plaquetas 
MPV - volume plaquetário médio 
P-LCR percentual de plaquetas grandes 
PCT - plaquetócrito 
WBC - leucócitos 
#NEUT – número absoluto de neutrófilos 
#LYMPH - número absoluto de linfócitos 
#MONO - número absoluto de monócitos 
#EO - número absoluto de eosinófilos 
#BASO - número absoluto de basófilos 
%NEUT – percentagem de neutrófilos 
%LYMPH - percentagem de linfócitos 
%MONO - percentagem de monócitos 
%EO - percentagem de eosinófilos 
%BASO - percentagem de basófilos 
#RET - número absoluto de reticulócitos 
%RET - percentagem de reticulócitos 
IG – granulócitos imaturos 
CBC- análise completa do hemograma 
NRBC – glóbulos vermelhos nucleados 
WBC- glóbulos brancos 
RET - reticulócitos 
IRF – fração de reticulócitos imaturos 
IPF - fração de plaquetas imaturas 
v 
 
RDW-CV - amplitude de Distribuição dos Eritrócitos medido como Coeficiente de Variação 
RDW-SD - amplitude de Distribuição dos Eritrócitos medido como Desvio Padrão 
MN# - número absoluto de células mononucleares 
PMN# - número absoluto de células polimorfonucleares 
PMN% - percentagem de células polimorfonucleares 
TC-BF# - número absoluto de células nucleadas totais em líquidos biológicos
1 
 
1. Introdução 
No âmbito da unidade curricular de Educação Clínica II, relativo ao 4.º ano da licenciatura 
em Ciências Biomédicas Laboratoriais, realizou-se o presente relatório de estágio na área de 
Hematologia. O estágio em questão foi efetuado no Centro Hospitalar Universitário do Porto. Com 
uma duração de 79 horas, este foi distribuído pelos dias 8 de janeiro a 26 de janeiro de 2024, sob 
orientação da Técnica Paula Rodrigues no Corelab e pela Técnica Maria Luísa Lage na Hematologia 
Laboratorial. 
1.1 Enquadramento e Organização do serviço 
A Hematologia é uma área científica que através do estudo do sangue e/ou dos seus 
elementos figurados auxilia no diagnóstico, assim como no follow up. 
O serviço de Hematologia do CHUdSA, está integrado e dividido num laboratório Corelab, 
juntamente com outros serviços de forma a otimizar o fluxo de trabalho do hospital e num serviço 
de Hematologia Laboratorial. 
As duas primeiras semanas foram no Laboratório Central Corelab, sendo este um 
laboratório altamente automatizado que permite uma boa rotina laboratorial e garante resultados 
laboratoriais de qualidade. Neste local, intervêm áreas como a Química Clínica, Hematologia, 
Imunologia e Serologia, tendo a capacidade de contribuir para a monitorização, prognóstico e 
diagnóstico das doenças. 
1.2 Objetivos 
 O estágio teve como objetivos, a integração das competências adquiridas ao longo do percurso 
académico, assim como obter novas aptidões para um bom desempenho profissional, desde desenvolver 
sentido de autonomia e responsabilidade, entender a importância do trabalho e comunicação em equipa, 
bem como, a importância da biossegurança e gestão de um laboratório. Para além desses, tinha também 
como objetivos conhecer e aplicar as normas de higiene e segurança no laboratório de hematologia 
laboratorial; determinar a velocidade de sedimentação; executar o esfregaço do sangue periférico e sua 
coloração; observar ao microscópio os esfregaços de sangue periférico e registar alterações morfológicas 
quantitativas e qualitativas das células do sangue; executar fórmulas de contagem manuais para a 
confirmação dos hemogramas executados. E, ainda, executar e interpretar o controlo de qualidade e 
conhecer os reagentes e controlos a uso. 
 
 
2 
 
2. Biossegurança 
A biossegurança compreende medidas com o objetivo de prevenir, controlar e/ou eliminar riscos 
que possam interferir na qualidade dos métodos usados no laboratório, ou que possam pôr em risco a 
saúde dos operadores e o meio ambiente. 
O laboratório é um sistema complexo, composto por diversas atividades e profissionais, desta 
forma, torna-se fulcral a implementação de um sistema de biossegurança com requisitos mínimos que 
garantam o bom funcionamento do serviço e contribua para a integridade de quem lá trabalha. (portaria) 
É de grande importância aderir às boas práticas, porque estas determinam os comportamentos 
essenciais para promover uma rotina laboratorial segura, garantindo, desta forma, a segurança dos que 
estão presentes no laboratório e prevenir a exposição acidental a agentes biológicos patogénicos, 
químicos perigosos e outros riscos relacionados. 
Os riscos associados à biossegurança podem-se dividir em 3 grandes classes: riscos biológicos, 
riscos químicos e riscos físicos. Nesta área, os riscos físicos não representam uma grande preocupação, 
todavia, é necessária precaução. (1) 
O risco biológico pode ser considerado o principal risco, uma vez que as amostras que chegam ao 
laboratório são fluidos corporais, potenciais portadores de microrganismos causadores de infeções. Deste 
modo, as amostras devem ser tratadas de acordo com o risco que acarretam, medidas de segurança 
devem ser postas em prática. (2) 
O risco químico também está presente, dado que todos os dias são manuseados produtos 
químicos como os reagentes necessários para a concretização dos métodos, o risco está essencialmente 
associado a salpicos e derrames, dependendo das propriedades do reagente pode causar dano a quem 
está a manusear. 
Com o intuito de prevenir e minimizar os riscos, os técnicos devem estar sempre devidamente 
protegidos com equipamentos de proteção individual (EPIs), tais como: bata, máscara e luvas. (2) 
Deste modo, devem-se seguir os procedimentos adequados no manuseio de materiais biológicos 
e químicos, incluindo o descarte seguro dos resíduos perigosos. (1) 
Todos os laboratórios devem ser portadores de um manual de Boas Práticas devidamente 
aprovado pelo responsável, e lá devem constar pelo menos as normas sugeridas pelo ministério, é 
imprescindível que as normas sejam cumpridas. (3) 
 
 
 
3 
 
3. Serviço de Hematologia Laboratorial no Laboratório 
Corelab 
 
 
A procura de melhores soluções para responder ao crescente volume de solicitações por parte 
dos Serviços Clínicos levou à criação de uma nova Unidade Funcional (CoreLab) que procura integrar os 
exames facilmente automatizáveis, articulando-se com todos os Serviços da Patologia Clínica, muito 
particularmente com a Hematologia Laboratorial, tendo sido criado um sinergismo funcional apreciável. 
O Serviço encontra-se primordialmente vocacionado para a execução de pedidos analíticos 
solicitados pelos Serviços Clínicos do Centro Hospitalare de outras unidades hospitalares, públicas ou 
privadas. 
É certificado desde 2009 pela ISO 9001-2015, este laboratório desempenha um papel muito 
importante nas áreas já referidas anteriormente. O seu principal objetivo é aumentar a capacidade em 
função do número de amostras e testes realizados, assim como melhorar a gestão do percurso da 
amostra, priorizando as mais urgentes e mantendo a resposta. Ainda permite otimizar a rotina dos 
profissionais de saúde, reduzindo as suas tarefas manuais. 
Este laboratório abrange os setores pré-analíticos e analíticos, havendo também os gabinetes 
médicos responsáveis pela validação dos resultados e finalização das análises. O Corelab opera 24 horas, 
de forma a responder a todas as análises de rotina e urgência, atendendo às necessidades constantes. 
 
3.1 Rotina Laboratorial 
A receção das amostras corresponde ao primeiro passo da rotina. São recebidas amostras 
provenientes da Urgência, bloco operatório, PASU, entre outros. A zona de receção é constituída por uma 
equipa de trabalho sendo esta integrada por um Técnico Superior de Diagnóstico e Terapêutica (TSDT), 
técnicos administrativos e técnicos auxiliares de saúde. As amostras dão inicialmente entrada no sistema 
eDeiaLab, onde se verifica a conformidade dos dados dos utentes e requisições, encaminhando, 
posteriormente, a amostra para o respetivo serviço. 
 A verificação das etiquetas deve ser da responsabilidade de todos os que se encontram na 
receção das amostras, sendo importante verificar se a etiqueta se encontra legível. As condições de 
transporte também devem ser averiguadas (refrigeração e exposição à luz), assim como se o tubo da 
amostra é correto e se encontra em conformidade com o pedido na requisição. 
 Por fim, acabando toda a receção das amostras, estas são entregues ao respetivo serviço e 
técnicos responsáveis no mesmo. 
 É importante referir ainda que, ao laboratório chegam, para além das amostras sanguíneas, 
outros produtos biológicos, tais como, líquido cefalorraquidiano e outros líquidos biológicos. 
4 
 
A colheita do sangue é feita para tubos próprios, as tampas dos tubos apresentam uma cor 
específica, consoante a sua função e o anticoagulante que possuem. No laboratório em questão, são 
recebidos tubos com tampa roxa (EDTA) e também azul (citrato de sódio). As amostras pediátricas são 
colhidas em tubos diferentes. 
3.2 Processamento das amostras- analisadores automáticos 
A automatização no setor de hematologia tem vindo a crescer, uma vez que os equipamentos 
prometem uma diminuição tanto de custos, como de intervenção humana, e ainda uma maior precisão e 
reprodutibilidade. Prometendo também, resultados em pouco tempo, um ponto fulcral para um local 
como o CHUdSA onde existe um grande fluxo diário de amostras. 
No Corelab, o hemograma é feito pela série XN-1000, que possui uma bandeja de início, quatro 
módulos analíticos XN-10, um preparador de lâminas, SP-50, um módulo de análise digital da morfologia 
celular, DI-60, e um sorteador e arquivador de tubos automático. 
Para a realização da velocidade de sedimentação o laboratório possui dois equipamentos com o 
mesmo propósito, o VES-MATIC CUBE 200 e o VES-MATIC 30 PLUS. 
3.2.1 Sysmex 9100 
 O hemograma é o nome dado ao conjunto de avaliações das células do sangue que, reunido aos 
dados clínicos, permite conclusões diagnósticas e prognósticas de grande número de patologias. Entre 
todos os exames laboratoriais atualmente solicitados por médicos de todas as especialidades, o 
hemograma é o mais requerido. Por essa razão reveste-se de grande importância no conjunto de dados 
que devem ser considerados para o diagnóstico médico, não se admitindo erros ou conclusões duvidosas. 
 O hemograma é composto por três determinações básicas que incluem as avaliações dos 
eritrócitos (ou série vermelha), dos leucócitos (ou série branca) e das plaquetas (ou série plaquetária). 
(hemograma) 
 Para este efeito, é usada a cadeia XN-9100-301, que possui três analisadores hematológicos XN-
10, um preparador e corador de lâminas, SP-50, isto permite que no laboratório sejam realizados até 300 
hemogramas e até 75 esfregaços por hora, um modo para análise morfológica digital, DI-60, um módulo 
de transporte, CF-70 e, um módulo de arquivo, TS-10. (4) 
 No início da cadeia, estão inseridos adicionalmente o ST-40 e o BT-40. O ST-40 (start yard) 
corresponde ao início da cadeia, onde são colocadas as racks com os tubos para análise, fazendo as racks 
movimentarem-se para o aparelho que se encontra à esquerda, desta forma otimiza o fluxo e mantém-no 
uniforme mesmo com a chegada de muitas amostras. O BT-40 (Barcode Terminal) é responsável por ler o 
código de barras das amostras e da rack onde estas estão inseridas, conduzindo-as depois para o 
equipamento de análise. (5) 
Os três equipamentos: XN10-1 + Líquidos Biológicos (Biologic Fluid/BF), XN10-2, XN10-3 + 
5 
 
Reticulócitos e Plaquetas por Fluorescência, realizam a contagem total de células e a contagem diferencial 
de leucócitos, para esse efeito apenas necessitam de aspirar 88μl de sangue no modo automático (tubo 
fechado) e no modo manual (tubo aberto) e 88μl modo de líquidos biológicos. Como referido 
anteriormente, apenas o XN10-1 é capaz de analisar líquidos biológicos e apenas o XN10-3 faz a 
determinação de parâmetros de imaturidade, como reticulócitos e/ou plaquetas por fluorescência. 
O módulo analítico XN-10 é conectado ao sistema de transporte automático de racks para 
otimizar o fluxo de processamento de amostras. Cada módulo analítico analisa aproximadamente 100 
amostras por hora. (4) 
É importante realçar que a análise dos BF requer uma aspiração individual e devem ser fornecidas 
sem coágulos ou sem partes mais consistentes. Deste modo, todos os analisadores, nos três módulos, 
estão equipados com um modo de aspiração manual, também utilizado para tubos pediátricos e amostras 
com pouco volume. 
O SP-50, é um preparador e corador automatizado de lâminas, esta função pode ser regulada 
consoante o hematócrito da amostra, uma vez que pode ser necessário um esfregaço mais fino ou mais 
espesso. Para o efeito, o volume de aspiração é de 70μl de sangue, de modo a preparar de forma 
autónoma o esfregaço, a coloração é feita pelo método de May-Grünwald-Giemsa, recorrendo ao 
metanol (fixador), corantes, phosphate buffer e solução de limpeza (cellpack DCL). É importante referir 
que o volume aspirado é menor (38μl), se for feito de forma manual. Este processador, permite oito 
configurações de esfregaços, baseados no valor do hematócrito das diferentes amostras. Essas 
configurações permitem que se modifique o volume da amostra, da velocidade e do ângulo das lâminas. 
Pondo isto, as amostras com valores mais altos de hematócrito resultam numa menor velocidade e maior 
inclinação. Contrariamente, as amostras com valores mais baixos de hematócrito, produzem uma maior 
velocidade e menor inclinação. 
De seguida, o módulo CF-70, é programado para fazer a transferência das lâminas coradas no 
módulo anterior para o módulo seguinte (DI-60), fazendo a seleção das que estão indicadas para o centro 
de controlo para análise morfológica digital. 
Posteriormente, a cadeia também possui um módulo de análise digital da morfologia celular, DI-
60, projetado para automatizar e padronizar o processo de análise do esfregaço sanguíneo. Este módulo 
inclui a unidade de escaneamento das lâminas, o computador, o software com imagens digitais de células 
e o wagon prontos para serem integrados ao XN-9100. A análise automatizada das imagens de células 
fornece diferenciação leucocitária mais padronizada, além de uma extensa rede de conectividade que 
otimiza a rotina do laboratório e melhora a confiabilidade dos resultados. A qualidade do desempenho 
dessa solução é garantida através da total rastreabilidade dos resultados devido à análise individual das 
imagens das células de cada paciente.(6) 
O último equipamento da cadeia é o TS-10, a fazer a ligação entre a restante cadeia e o TS-10 está 
outro equipamento ST-40. O TS-10 recebe os tubos já analisados, e arquiva-os ou distribui por áreas de 
6 
 
trabalho, quer seja por falta de ações ou por erros que possam ter ocorrido durante a análise. 
Estão sempre disponíveis no TS-10 três racks com 125 lugares cada para arquivo, e uma outra 
rack para tarefas pendentes, encontrando-se dividida nos vários tipos de pedidos: 
 
Tabela 1 Ações técnicas do equipamento e respetivas resoluções 
Ação Técnica Resolução 
Verificar ID da amostra 
Existem situações em que os valores obtidos podem ser 
discrepantes com os valores do histórico do paciente, pelo 
que se deve confirmar que a etiqueta/identificação é a correta 
(identificação correta, identificado na origem, etc.) 
Repetição/ Pedido em aberto 
Significa que existem parâmetros a ser analisados na amostra, 
isto pode acontecer, caso a amostra não esteja triada, se 
ainda existirem parâmetros a realizar (por exemplo, realizou-
se método manual e a amostra passou pelo equipamento sem 
a análise completa) ou, o equipamento não conseguiu aspirar 
sangue (volume insuficiente), nesta última hipótese deve-se 
fazer a análise em modo manual. 
Hematologia Laboratorial 
O tubo deve ser encaminhado para o serviço de Hematologia 
Laboratorial 
Imunologia O tubo deve ser enviado para o serviço de Imunologia 
HBA1C 
Amostras para estudo de Hemoglobina Glicada, logo o tubo é 
encaminhado para o serviço de Química Clínica 
SP-50 (erros na lâmina) 
Ainda se encontra como ação pendente a realização de uma 
lâmina, pode-se colocar a amostra no início da cadeia ou 
realizar a ação em modo manual. 
Homogeneizar/ repetir (erro de 
agitação ou aspiração) 
Deve-se homogeneizar a amostra e realizar a análise em 
modo manual 
Aquecer e/ou repetir – modo manual 
Verificar amostra, aquecer e 
homogeneizar 
Deve-se homogeneizar a amostra e realizar a análise em 
modo manual 
Coágulo (verificar presença de coágulo 
e introduzir no TS-10) 
O próprio aparelho consegue identificar um resultado 
anormal nas plaquetas, assumindo que possa existir coágulo 
na amostra. O técnico verifica se existe ou não coágulo e dá a 
resposta no software, no caso de presença de coágulo a 
amostra é descartada ou tenta-se saber se existe um outro 
7 
 
tubo, e no caso de ausência pode-se arquivar a amostra. 
Erro código de barras TS-10 
Deve-se verificar a etiqueta, e, se necessário, fazer a 
impressão de uma nova e colocar a amostra no início da 
cadeia, para que desta vez o equipamento consiga ler o 
código de barras e fazer a análise. 
Amostra não registada ou pedido 
fechado ou pedido cancelado 
Deve-se fazer a impressão de uma nova etiqueta e colocar a 
amostra no início da cadeia, para que desta vez o 
equipamento consiga ler o código de barras e fazer a análise. 
 
 O TS-10 ainda separa as amostras com velocidade de sedimentação como parâmetro a 
analisar, retirando-as do aparelho e colocando-as no ST-40, onde também coloca as racks vazias. 
3.2.2 Reagentes 
O sistema de reagentes da Série-XN (tabela 2) está focado no aumento da comodidade para o 
laboratório através da redução do tamanho das embalagens e da facilidade no processo de substituição, 
enquanto mantém a máxima utilização de cada um dos reagentes. 
Na hematologia automatizada, o diluente é o reagente mais utilizado e, portanto, o mais 
frequentemente substituído. (7) 
O sistema de reagente concentrado é composto pela unidade RU-20, que prepara reagente 
“pronto para usar” segundo demanda e também mantém um reservatório capaz de fornecer reagentes 
para até três módulos XN operando em toda velocidade. Para isso, a RU-20 precisa de água tipo II. 
Os reagentes usados e as suas respetivas especificações, estão apresentados na tabela 3. (8) 
 
Tabela 2 Sistema de reagentes da Série-XN 
Recipientes de Reagentes - Diluentes e Lisantes Reagentes em Cartucho - Corantes 
Fluorescentes 
Embalagens compactas que disponibilizam espaço 
e reduzem risco de contaminação 
Tecnologia de Identificação por Rádio-Frequência 
(RFID) simplifica a manutenção e documentação de 
um histórico de substituição de reagentes 
Cada reagente é identificado pela cor da 
embalagem na tela do software do analisador 
Carregamento automático das informações 
específicas de cada lote 
Todos os reagentes possuem códigos de barras que 
fornecem as informações específicas 
Mantém e atualiza automaticamente o volume 
utilizado 
As bancadas desenvolvidas para a Série-XN 
abrigam perfeitamente as embalagens dos 
reagentes 
Previne erros de troca entre reagentes durante o 
processo de substituição 
8 
 
 
Tabela 3 Reagentes da Série-XN e respetivas aplicações e especificações 
Reagentes Aplicabilidade e Especificações 
Cellpack DST 
Diluente na forma concentrada para a medição de número e tamanho de 
eritrócitos e plaquetas. Intervém na medição da hemoglobina. Está conectado 
com o sistema de água e é diluído até à concentração ideal. Armazenado a 2-
35ºC, na ausência de luz. 
Cellpack DCL 
Utilizado na medição de número e tamanho de eritrócitos e plaquetas, e 
ainda, medição da hemoglobina (substitui DST). Também usado como 
agente de limpeza pelo SP-50. 
Cellpack DFL 
Em combinação com o Fluorocell RET e/ou Fluorocell PLT, intervém na 
análise de plaquetas e reticulócitos 
Sulfolyser Determinação da concentração da hemoglobina 
Lysercell WNR Lise das hemácias e diferenciação dos glóbulos brancos 
Lysercell WDF Contagem de neutrófilos, linfócitos, monócitos e eosinófilos 
Lysercell WPC Intervém na deteção da presença de células imaturas 
Fluorocell WNR Reagente fluorescente que intervém no canal WNR 
Fluorocell WDF Reagente fluorescente que intervém no canal WDF 
Fluorocell WPC Reagente fluorescente que intervém no canal WPC 
Fluorocell RET Reagente fluorescente que intervém no canal RET 
Fluorocell PLT Reagente fluorescente que intervém no canal PLT 
Cellclean auto Utilizado para a lavagem dos equipamentos 
 
 O sistema dos equipamentos permite a visualização do volume disponível de reagentes. 
Quando um reagente acaba, o sistema emite um alerta e a análise da amostra é 
automaticamente colocada em pausa. O técnico deve retirar o recipiente vazio, verificar a validade do 
novo reagente e fazer a substituição, durante este processo deve-se ainda ler o código de barras do novo 
reagente de modo que a troca seja assumida no sistema. 
 
3.2.3 Modo de análise do equipamento 
 Tendo em conta o tipo de amostra e as suas características, o equipamento fornece a 
possibilidade de adequar o modo de análise. Para amostras de sangue, existem as seguintes opções: 
• Modo Whole Blood, é utilizado na análise de sangue total, e uma vez que é o mais usado no 
laboratório o equipamento já faz a sua pré-seleção. 
• Modo Low WBC, é útil na análise de amostras de sangue total com um valor baixo de 
9 
 
glóbulos brancos. Neste modo a amostra deve ser inserida manualmente, e o aparelho faz 
uma análise mais rigorosa à amostra, de forma a aumentar a exatidão. 
• Modo Pre-Dilution, é feita uma diluição automática. Este modo não é utilizado pelo 
laboratório. 
 
3.2.4 Parâmetros analisados e Metodologias do Equipamento 
Para uma amostra de sangue o hemograma é realizado automaticamente, geralmente no modo 
Whole Blood, para amostras pediátricas ou com pouco volume usa-se este modo, mas a inserção das 
amostras deve ser em modo manual. 
A análise dos eritrócitos, leucócitos e plaquetas é feita no modelo XN-10, estando os parâmetros 
e respetivos métodos utilizados presentes na tabela 4. (7) 
Tabela 4 Parâmetros e Métodos do modelo XN-10 
Parâmetro Método 
Diferencial leucocitário, IG, NRBC, RET, IRF, PLT-F, 
IPF. 
Citometria de fluxo com fuorescência 
RBC, PLT-I, HCT Impedância com foco hidrodinâmico 
HGB Método Sulfato Lauril de Sódio, livre de cianeto 
HCT 
Deteção da altura do pulsoelétrico na contagem 
dos eritrócitos 
MCV (Hematócrito/eritrócitos) x 10 
MHC (Hemoglobina/eritrócitos) x 10 
MCHC (Hemoglobina/Hematócrito) x 100 
RDW 
Coeficiente de variação e desvio padrão do 
histograma dos eritrócitos 
Plaquetas Impedância; citometria de fluxo com fluorescência 
 
3.2.4.1 Citometria de Fluxo 
A Citometria de Fluxo por Fluorescência é usada para avaliar características fisiológicas químicas 
das células e de outras partículas, fornecendo informações sobre o tamanho das células e o seu interior, 
como: densidade celular, complexidade nuclear, granularidade e ainda avaliar DNA nuclear e antigénios 
celulares. (2,9) 
Nos sistemas óticos, um fluxo centralizado de amostra, geralmente obtido por focalização 
hidrodinâmica, é direcionado por meio de uma câmara de fluxo por onde passa uma fonte de laser 
monocromática em fase. Durante esse trajeto, as células provocam alterações no feixe de luz, e o número 
de vezes que a luz dispersa incide sobre o fotodetetor possibilita a enumeração das células. (10) 
O processo inicia-se com a aspiração de uma pequena quantidade de amostra e a sua diluição, 
depois as células são marcadas com um marcador de fluorescência que se liga especificamente aos ácidos 
10 
 
nucleicos. As cinco populações de leucócitos e granulócitos imaturos são diferenciados com base na sua 
estrutura interna, tamanho celular e, então, a informação do DNA/RNA. (11) 
Em seguida, a amostra é iluminada por um feixe de laser semicondutor, a discriminação das 
células é feita segundo três sinais obtidos: (9) 
• Dispersão frontal de luz (forward scatter – FSC): a intensidade desta indica o volume celular; 
• Dispersão lateral de luz (side scatter – SSC): fornece informação sobre o conteúdo celular, 
como, núcleo e grânulos; 
• Fluorescência lateral (side fluorescence – SFL): indica a quantidade de ácidos nucleicos 
presentes na célula. 
3.2.4.2 Impedância e Foco Hidrodinâmico 
Os analisadores sysmex utilizam o método de Impedância e Foco Hidrodinâmico para contar os 
eritrócitos e plaquetas. As células são contadas pela deteção de alterações na resistência elétrica, a isto 
chama-se o princípio da impedância elétrica na contagem de células. (2) 
O método da impedância tornou possível aumentar o número de contagens de células em 100 
vezes quando comparado aos métodos manuais utilizando microscópio ótico. Também possibilitou 
diminuir o tempo de enumeração de células de 30 minutos para 15 segundos, além de reduzir o erro num 
fator de 10 vezes. 
Uma pequena parte do sangue total (88μl) é aspirada pelo aparelho e diluída numa solução 
isotónica. Pelo método da impedância elétrica, que se baseia na determinação de mudanças na 
condutividade de um meio condutor, como soro fisiológico, ocorre a passagem das células sanguíneas por 
uma pequena abertura entre dois elétrodos. As células são consideradas como partículas não condutoras 
de eletricidade e provocam diminuição da condutividade do meio e aumento da resistividade 
(impedância). A pequena abertura por onde as células passam possui um diâmetro e comprimento 
predefinido de acordo com o tipo celular que se deseja contar, e a região ao redor desse orifício chama-se 
zona de deteção. (hematologia laboratorial 2016) Através da passagem pela abertura cria-se uma 
resistência que provoca uma alteração do pulso elétrico proporcional ao tamanho da célula sanguínea. (2) 
O número de células é determinado a partir da quantidade de pulsos. Por sua vez, o volume das 
células é determinado tendo por base a amplitude dos pulsos. (2) 
Quando as células atravessam a zona de deteção, uma a uma, pode-se determinar com exatidão 
a sua contagem. Contudo, quando duas ou mais células passam ao mesmo tempo, são fornecidas 
contagens inexatas. A magnitude desse erro de coincidência aumenta simultaneamente com a 
concentração da suspensão de células e, para eliminar o erro, estabeleceu-se o uso de diluições 
apropriadas das amostras e uma fórmula de correção da coincidência que é integrada ao sistema de 
11 
 
informação dos analisadores. Deste modo, foram desenvolvidos métodos que produzissem um fluxo 
controlado de amostra pela abertura, induzindo as células a passarem no centro da zona de deteção, em 
fila simples, para evitar distorções. Dentro destes métodos, encontra-se a focagem hidrodinâmica. 
A focagem hidrodinâmica permite que não haja sobreposição de células ao passar pela abertura. 
Um fluxo constante de diluente passa pelo orifício de contagem, e a suspensão de células é injetada nessa 
massa líquida em movimento, até formar uma corrente fina de células, passando praticamente uma a 
uma pela abertura. Após a passagem pela abertura, a amostra diluída é envolvida por outra corrente de 
fluxo do mesmo diluente e então é removida. Isso impede que os eritrócitos e as plaquetas, nessa área, 
recirculem, impedindo a geração de falsos pulsos e, consequentemente, garantindo uma velocidade de 
passagem uniforme.(10) 
3.2.4.3 Método de Sulfato Lauril de Sódio, livre de cianeto 
A hemoglobina é um dos parâmetros analisados no hemograma, esta substância assume um 
papel fulcral no organismo humano, uma vez que participa nas trocas gasosas. Alterações nos valores 
normais de hemoglobina, como uma queda, pode significar que o paciente tem uma anemia. 
O método de deteção SLS de hemoglobina utiliza o reagente lauril sulfato de sódio (SLS) sem 
cianeto. O reagente, lisa os eritrócitos e leucócitos da amostra. A reação química inicia-se com a alteração 
da globina, oxidando depois o grupo heme. O grupo hidrofílico do SLS pode agora ligar-se ao grupo heme, 
formando um complexo corado (SLS-HGB) que é analisado através de um método fotométrico. Um LED 
emite uma luz monocromática e, ao passar pela mistura, a luz é absorvida pelos complexos SLS-HGB. A 
extinção é medida por um fotossensor e é inversamente proporcional à concentração de hemoglobina da 
amostra. 
 
3.2.5 Canais de Medição da Série XN 
Os analisadores XN possuem novos canais de medição como, o CBC (complete blood count, DIFF, 
PLT-F (fluorescent platelet) e RET (reticulocytes) e WPC (white cell precursor). 
3.2.5.1 Canal CBC 
A análise completa do hemograma consiste numa relação citoquímica das células com reagentes 
específicos, seguida da análise por citometria de fluxo de fluorescência (WBC e NRBC), medição da 
impedância com foco hidrodinâmico (RBC e PLT), medição acumulativa da altura do pulso do hematócrito 
e medição da hemoglobina SLS sem cianeto. (12) 
Contagem precisa e confiável dos leucócitos totais, mesmo na presença de concentrações 
elevadas de NRBC. Este é quantificado em todos os hemogramas. (4,7) 
12 
 
 É importante referir que NRBC é um indicador útil de stress eritropoiético ou distúrbios ao nível 
das hemácias como talassemia, distúrbios mieloproliferativos, etc. A duração e presença de NRBC 
também estão associadas ao mau prognóstico em pacientes em estado crítico. (13) 
 Este canal: 
• Não requer: reagentes, procedimentos adicionais ou qualquer intervenção por parte do 
usuário 
• Minimiza a interferência de eritrócitos resistentes à lise e de lipídeos 
• Eritroblastos (NRBC # e %) reportados automaticamente em todos os hemogramas 
• Correção automática da contagem de linfócitos e leucócitos totais (4,7) 
 
3.2.5.2 Canal DIFF 
Diferencial leucocitária de 6-partes. 
A contagem de granulócitos imaturos permite distinguir entre SIRS (síndrome de resposta 
inflamatória sistémica) e sepsis (resposta imunológica extrema a uma infeção), sendo um marcador útil na 
monitorização de infeção/inflamação em pacientes submetidos a terapia. (14) 
• Contagem de granulócitos imaturos (IG # e %) em toda diferencial leucocitária e deteção de 
anormalidades nas populações de leucócitos com alta sensibilidade. 
• Melhoria e otimização do sistema de alarmes para deteção de células anormais, aumentando 
o número de resultados reportáveis. 
• Aprimorar a eficiência do trabalhoatravés da redução na análise de esfregaço sanguíneo e 
microscopia manual. 
• Análise reflexiva com contagem estendida - fornece diferencial em amostras com contagem 
de leucócitos criticamente baixa. (4,7) 
3.2.5.3 PLT-F 
É a segunda metodologia de análise das plaquetas por citometria de fluxo fluorescente. 
Contagens de Plaquetas Fluorescentes e Fração Imatura de Plaquetas podem auxiliar na avaliação 
da trombopoiese quando analisadas em conjunto com outras informações clínicas disponíveis. 
• Método com corante fluorescente plaqueta-específico. 
• Maior precisão nos casos de trombocitopenia 
• IPF: fração imatura das plaquetas é o parâmetro que auxilia na diferenciação dos casos de 
trombocitopenia por destruição periférica ou falha medular (4,7) 
 
13 
 
 
3.2.5.4 Canal RET 
Este canal é útil para a avaliação da eritropoiese, monotorização de anemias e terapias de ferro. É 
um método rápido e automático. 
Através da tecnologia de dispersão frontal e fluorescência lateral, é possível identificar células 
vermelhas circulantes no sangue periférico, este canal permite classificar e diferenciar as células pelo seu 
tamanho e estado de maturação. Identificando e quantificando os reticulócitos e a sua fração imatura. 
(15) 
• Informação com relevância clínica para avaliação de quadros de anemia quando analisada em 
conjunto com outras informações clínicas disponíveis. 
• Monitoramento celular da eritropoiese. 
o IRF - avalia a produção de reticulócitos (7) 
o RET-He - conteúdo de hemoglobina nos reticulócitos avalia o nível de hemoglobinização 
dos reticulócitos auxiliando no controle da terapia com ferro e/ou eritropoetina. (4) 
3.2.5.5 Canal WPC 
O canal WPC tem como objetivo, melhorar a classificação das amostras marcadas como positivas 
para blastos e/ou linfócitos anormais pelo canal WDF, desta forma são reduzidos falsos positivos para 
estas células. 
Este canal permite distinguir com mais precisão células malignas de reativas. 
3.2.6 Interpretação de Resultados 
Após análise das amostras, o hemograma pode ser visualizado num monitor conectado aos 
equipamentos. 
No caso de amostras com resultados anormais o software emite “flags”, os resultados são 
transportados para o IPU de modo que técnicos e médicos patologistas possam rever os valores obtidos. 
O IPU possui outras informações úteis para a validação do resultado, como a suspeita de diagnóstico, 
sexo, idade e, caso exista, historial clínico. 
Perante as informações disponíveis, o médico patologista pode acrescentar pedidos à amostra, caso 
se justifique, uma repetição da análise, ou se for observável uma diminuição significativa das plaquetas, 
poderá ser pedido a verificação de um possível coágulo ou a análise de plaquetas por fluorescência. 
A possibilidade de agregados plaquetários, contagens anormais de leucócitos, e a presença de células 
imaturas ou anormais são condições que podem levar à requisição de uma lâmina, onde o patologista 
confirma os resultados e pode tomar uma decisão quanto ao estado do paciente. 
14 
 
3.2.7 Líquidos Biológicos 
Ao laboratório, também chegam diariamente líquidos biológicos para a realização de contagens 
celulares, os equipamentos sysmex possuem um modo específico para este tipo de amostras, XN–BF, 
onde não existe a necessidade de pré-tratamento das amostras. No serviço de Hematologia do CHUP 
apenas o primeiro analisador (XN-1) possui esta funcionalidade, sendo que neste modo as amostras 
devem ser inseridas manualmente. 
É um modo dedicado para análise de líquido cefalorraquidiano, líquidos sinoviais e serosos. 
Fornece análise diferencial de 2-partes: células mononucleares (MN# e %) e polimorfonucleares 
(PMN# e %) (4) que auxiliam na rápida distinção entre infeções virais e bacterianas. (13) 
A citometria de fluxo fluorescente é usada para contar leucócitos e/ou outras células nucleadas 
(inclui todas as células nucleadas, como macrófagos, células mesoteliais, células tumorais e glóbulos 
brancos). A realização da distinção dos glóbulos brancos em células mono e polimorfonucleares, e nos 
seus variados tipos também é feita neste modo. Nesta metodologia é usado um reagente de lise que 
perfura as membranas celulares de forma que o marcador de fluorescência possa entrar nas células e 
marcar os ácidos nucleicos. (16) 
 
3.2.8 Manutenção do equipamento Syxmex XN 9100 
Qualquer laboratório que possua equipamentos tem de realizar as suas manutenções, sendo um 
aspeto fulcral para a boa operação do equipamento e a qualidade dos métodos. 
Existem vários tipos de manutenções, como a corretiva, onde o objetivo é a resposta a falhas ou 
avarias reportadas. A manutenção preventiva que é agendada e executada em intervalos regulares, 
visando uma avaliação abrangente do equipamento. Estes dois tipos de manutenção são conduzidos pela 
casa comercial responsável. 
O shutdown é um procedimento que tem como finalidade a limpeza dos aparelhos, e tendo em 
conta que o serviço funciona 24 horas por dia, fazer também a sua desativação evitando que os 
equipamentos e o software entrem em sobrecarga. Diariamente, ocorre a limpeza das tubagens do 
equipamento com a solução de limpeza CELL CLEAN AUTO. Na manutenção semanal, faz-se o mesmo que 
na manutenção diária, no entanto, ainda se executa a lavagem do suporte das lâminas. 
 
3.2.9 Controlo de Qualidade Interno do equipamento Syxmex XN 9100 
Uma parte vital da garantia de qualidade é o controlo de qualidade interno (CQI), que é usado 
para garantir a consistência diária de um processo analítico, ajudando a determinar se os resultados do 
paciente são suficientemente confiáveis para serem apresentados. Realizar o CQI também permite que o 
15 
 
laboratório monitorize e documente a qualidade de seu trabalho. 
Os níveis de controlo utilizados devem ser os fornecidos pela casa comercial, uma vez que foram 
desenhados especificamente para os equipamentos em uso. Estes controlos são o tanto quanto possível 
semelhantes a sangue humano e permitem fazer a monotorização de todos os parâmetros num único 
produto. Este processo é realizado diariamente para determinar o analito em questão. 
Existem 3 níveis de controlo fornecidos pela casa comercial nível 1 (para valores baixos), nível 2 
(para valores normais) e nível 3 (relativamente a valores altos). 
Deve-se ter especial atenção ao uso de reagentes controlo apenas dentro da validade. Este tipo 
de reagentes deve ser armazenado no frigorífico, pelo que, quando se pretende usar devem ser deixados 
15/20 minutos à temperatura ambiente, e devem ainda ser agitados vigorosamente. 
Os resultados dos controlos devem estar em concordância com os intervalos de referência pré-
definidos nas cartas controlo para prosseguir com a análise das amostras reais. 
No caso de resultados anormais o equipamento fazia a sua sinalização, neste caso deve-se repetir 
a leitura e caso um resultado anormal persista então deve-se optar pela troca do reagente. 
O módulo DI-60 é sujeito a controlos, analisando-se uma amostra conhecida para garantir 
resultados com mais de 7000 leucócitos. 
Para a análise dos líquidos biológicos existem reagentes controlo diferentes, preparados 
especificamente para os parâmetros deste tipo de produtos, existindo apenas dois níveis. Os cuidados a 
ter e a seguir são semelhantes aos controlos das amostras sanguíneas, a única diferença é que nos 
controlos para líquidos biológicos a análise é feita em modo manual. 
3.3 Velocidade de sedimentação - VES-MATIC CUBE 200 e 30 PLUS 
 
A velocidade de sedimentação (VS) é a distância em milímetros que os eritrócitos percorrem em 
tubo vertical num determinado período. (2,10) 
Os eritrócitos apresentam carga negativa à superfície, fazendo com que haja repulsão entre eles, 
a isto chama-se potencial zeta, esta propriedade das células faz com que não se agreguem/empilhem 
(roleaux) e por isso impede uma rápida sedimentação, desta forma, os valores para a primeirahora de 
sedimentação são baixos. (10) 
A velocidade de sedimentação é diretamente proporcional à massa de glóbulos vermelhos e 
inversamente proporcional à sua área superficial. (2) 
Os intervalos de referência da velocidade de sedimentação são diferentes para homem ou 
mulher, além disso este parâmetro pode ainda ser influenciado pela idade. (10) 
Homem: 0 a 15 mm/h 
Mulher: 0 a 20 mm/h 
O primeiro equipamento a ser utilizado para a determinação das VS, é o VES-Matic Cube 200 que 
permite a análise de 190 amostras por hora em tubo fechado, neste método não existe contacto entre o 
16 
 
aparelho e o produto biológico, pelo que não é aspirado sangue ou é produzido resíduos. (17) 
Antes de se iniciar a análise, o técnico deve verificar se a amostra tem volume suficiente e se não 
existe coágulo. E ainda, ter o cuidado de ao inserir as amostras nas racks apropriadas, certificar-se de que 
o código de barras está voltado para a frente, de modo a garantir que o equipamento o consegue ler. 
O equipamento funciona como uma cadeia em movimento, a primeira zona corresponde à mixing 
unit onde a amostra é agitada/homogeneizada de modo que a sedimentação dos glóbulos vermelhos se 
dê de forma uniforme. De seguida, encontra-se a zona de leitura número 1, para determinação do nível 
total sanguíneo. 
 O equipamento mistura as amostras e, em seguida, deixa-as em repouso para ser avaliada a 
sedimentação. No final da cadeia, o dispositivo executa a leitura número 2 para a determinação da 
sedimentação total, e faz a ejeção dos tubos deixando-os arquivados num suporte numerado para uma 
mais fácil identificação das amostras em situações de resultados discordantes. 
Como referido, quando os resultados não são considerados concordantes, como nos casos de 
valores iguais ou inferiores a 2, iguais ou superiores a 100, ou sinalizados com “ERRO” e/ou “*”, a análise 
é repetida no equipamento Ves-Matic 30 PLUS. Este possui a capacidade de analisar 30 amostras em 
simultâneo, possuindo também as características necessárias para diminuir o tempo de sedimentação de 
uma hora para 20 minutos. O equipamento tem por base a mesma metodologia que o anterior, no 
entanto, é necessário a utilização de tubos específicos sem rótulos, permitindo uma leitura sem 
interferências. Os resultados são comparáveis aos obtidos pelo método de Westergren modificado. Este e 
um procedimento manual no qual um tubo de sangue total com EDTA é inserido num tubo de 
Westergren, criando vácuo para posicionar o sangue verticalmente ao longo do tubo. Após uma hora, a 
leitura é efetuada em milímetros entre o menisco do plasma e o nível da coluna de eritrócitos 
sedimentados. Esta metodologia é realizada quando as amostras não fornecem sangue suficiente para o 
exame automático. 
Relativamente ao funcionamento do Ves-Matic 30 PLUS, primeiramente as amostras são agitadas 
e depois são deixadas a sedimentar, o aparelho é portador de sensores ótico-eletrónicos que fazem a 
leitura da sedimentação globular. Os resultados são registados no software do laboratório e validados 
pelo médico. 
É importante referir que, de forma, a tentar diminuir a sinalização de “ERRO” verifica-se se a 
etiqueta se encontra legível antes de a colocar no suporte, caso não esteja, era impressa uma nova e 
colada por cima da mais antiga. 
 
17 
 
3.3.1 Controlo de Qualidade Interno dos equipamentos VES-Matic Cube 200 e 
VES-Matic 30 PLUS 
O controlo de qualidade interno é executado diariamente nos dois equipamentos, antes da 
introdução das amostras dos doentes. Neste processo são utilizados dois controlos (para cada 
equipamento), um de níveis altos (patológico) e um de níveis baixos (normal). É importante que os dois 
controlos forneçam resultados dentro dos valores de referência pré-definidos nas cartas controlo, com a 
finalidade de avançar com as amostras reais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
 
4. Serviço de Hematologia Laboratorial 
 
O serviço de hematologia laboratorial é centrado na análise das amostras pediátricas que chegam ao 
serviço, caracterização morfológica do sangue periférico e da medula óssea e, ainda, no 
estudo/investigação das patologias associadas ao glóbulo rubro. 
A primeira etapa ocorre na receção onde entram as amostras. Neste local é efetuada a entrada da 
amostra no sistema do CHUdSA. 
As técnicas do serviço analisam a qualidade da amostra, confirmando se a mesma apresenta umas 
boas condições de colheita e acondicionamento. 
Posteriormente, são realizadas as análises pedidas e os resultados que não entrarem 
automaticamente no sistema, são introduzidos de forma que estes possam ser validados pelos médicos 
ou feito um pedido para nova análise pelos mesmos. 
Relativamente às amostras pediátricas, estas são caracterizadas por volumes pequenos, logo colhidas 
em tubos específicos e mais pequenos, sendo por isso inseridas manualmente nos equipamentos 
(procedimento realizado no CoreLab). O facto de as técnicas terem um contacto próximo com os Médicos 
Pediatras, permite que a informação e a respostas sejam dadas rapidamente. 
4.1 Estudo de um hemograma 
Como já referido anteriormente, o hemograma é o nome dado ao conjunto de avaliações das 
células do sangue (hemáticas, leucócitos e plaquetas). Esta avaliação consiste em nove componentes e 
apresenta diversos dados hematológicos para interpretar se estão diretamente relacionados ao 
funcionamento da medula óssea, representada pelos números e tipos de células na circulação periférica. 
Os nove componentes do CBC são a contagem de glóbulos brancos (WBC), contagem de glóbulos 
vermelhos (RBC), hemoglobina (Hgb), hematócrito (Hct), volume corpuscular médio (MCV), hemoglobina 
corpuscular média (MCH), concentração de hemoglobina corpuscular média (MCHC), contagem de 
plaquetas e amplitude da distribuição das hemácias (RDW).(2) 
A interpretação do hemograma é realizada pelos médicos, que comparam os resultados com os 
valores de referência, sendo de muita importância ter em atenção também ao histórico clínico do doente. 
4.2 Esfregaço Sanguíneo 
O esfregaço sanguíneo bem feito é composto por três partes: cabeça (mais espesso), corpo e cauda 
(menos espesso). A coloração é efetuada com corantes que tem na sua composição o azul de metileno, a 
eosina e o metanol. A melhor análise é feita na porção do “corpo” do esfregaço, enquanto na cauda os 
eritrócitos e leucócitos apresentam, geralmente, deformações. Ao percorrer o esfregaço é necessário 
obedecer a um padrão de deslizamento transversal e longitudinal, contemplando o corpo do esfregaço. 
É importante que o esfregaço seja bem efetuado, isto é, caracterizado por ser homogéneo e fino para 
19 
 
haver uma correta distribuição celular. Perante isto, os resultados serão fiáveis. 
Procedimento: 
Para a realização do esfregaço, é colocada uma gota de sangue numa lâmina de vidro limpa e 
devidamente identificada com o número da amostra, para espalhar a gota usa-se outra lâmina de vidro 
(lâmina extensora). 
O ângulo a que se coloca a lâmina extensora pode variar consoante o tamanho da gota de sangue e a 
viscosidade do sangue. O ideal será aproximadamente 45 graus. O movimento de uma lâmina sob a outra 
deve ser firme e uniforme, permitindo que a gota se espalhe por capilaridade e que se efetue um 
esfregaço fino, regular e com bordos paralelos e afastados da margem da lâmina. 
 
Figura 1 Zonas de um esfregaço sanguíneo (criado no BioRender.com) 
 
Figura 2 Procedimento de um esfregaço sanguíneo 
4.2.1 Coloração de Leishman 
O esfregaço deve ser seco ao ar e depois corado pela coloração de Leishman para mais tarde ser 
observado ao microscópio. 
Os corantes usados habitualmente na técnica hematológica, pertencem ao grupo dos corantes 
sintéticos. O corante Leishman é um derivado do corante Romanowsky e constitui uma mistura de eosina 
e azul de metileno e ainda um fixador, o metanol. O corante de Leishmann, é usadoem microscopia para 
corar esfregaços de sangue, sendo que fornece excelente qualidade de coloração. É um sistema para 
coloração de células em esfregaço de sangue periférico ou medula óssea. 
Geralmente é usado para diferenciar e identificar leucócitos, parasitas da malária e tripanossomas. 
(18) 
O azul de metileno é um corante básico, tendo então afinidade para as estruturas ácidas como é o 
caso das nucleoproteínas, ácidos nucleicos e proteínas citoplasmáticas que coram a azul. Por outro lado, a 
eosina é um corante ácido, tendo desta forma afinidade para as estruturas básicas, corando-as de rosa, 
20 
 
como é o caso da hemoglobina. 
No laboratório de hematologia Laboratorial do CHUdSA, a solução de Leishman utilizada é um 
reagente comercial composto pelos dois corantes acima mencionados. 
A qualidade da coloração depende muito do tempo de fixação e do tempo de coloração. 
Procedimento: 
1) Cobrir os esfregaços com o corante 
2) Aguardar 3 minutos (etapa de fixação) 
3) Adicionar a solução tampão (mistura de água destilada e água da torneira, em partes iguais) em 
quantidade igual ao corante 
4) Homogeneizar a mistura até obter um brilho metálico à superfície da amostra 
5) Aguardar 10 minutos (coloração das estruturas) 
6) Lavar a lâmina em água corrente 
7) Limpar a lâmina na face posterior. 
 
Esta coloração pode ser realizada manualmente através do procedimento mencionado anteriormente 
ou então é realizada automaticamente no equipamento Aerospray® Pro Hematology (figura 3). 
Este equipamento tem como algumas vantagens: 
• A contaminação cruzada é eliminada com uma aplicação fresca do corante 
• Limpeza automatizada após cada ciclo de coloração reduz a manutenção 
• Processo de coloração economiza tempo 
• Tempo de ciclo de desempenho rápido (19) 
 
 
Figura 3 Aerospray® Pro Hematology Slide Stainer / Cytocentrifuge 
 
4.3 Leucograma 
Avalia as contagens total e diferencial (valores relativo e absoluto) dos leucócitos, bem como a 
morfologia dos neutrófilos, linfócitos, monócitos, eosinófilos e basófilos. (20) 
São elementos figurados do sangue que estão envolvidos no sistema de defesa do organismo 
21 
 
contra doenças e infeções. Por meio de fagocitose, defendem os tecidos contra invasão de organismos ou 
substâncias estranhas, removendo também os restos resultantes da morte ou de ferimentos celulares. 
(21) 
São transportados pelo sangue para todo o corpo, a partir da medula óssea, onde são formados. 
Os leucócitos estão presentes no sangue em muito menor número que os eritrócitos, com cerca de 4.000 
a 10.000 leucócitos por milímetro cúbico de sangue. 
 
Neutrófilos 
 O tipo de leucócito mais abundante, sendo também conhecidos como polimorfonucleares e 
possuem pequenos grânulos citoplasmáticos corados fracamente em púrpura-avermelhado. Os 
neutrófilos são capazes de deixar os vasos sanguíneos e entrar nos tecidos, onde protegem o corpo e 
fagocitando bactérias e substâncias estranhas ao organismo.(21) 
 É possível encontrar na circulação sanguínea, neutrófilos em banda (mais jovens) e neutrófilos 
segmentados (forma mais madura com núcleo 3 a 5 segmentos) (22) 
 
 
Figura 4 Neutrófilo em banda 
 
Figura 5 Neutrófilo segmentado 
 
 
Linfócitos 
 São o segundo tipo mais abundante de leucócitos (após os neutrófilos). A maioria localiza-se no 
tecido linfóide e são formados por linfoblastos. Apresenta núcleo usualmente com forma arredondada ou 
ovalada, ou com pequenas reentrâncias e cromatina na maioria das vezes bastante condensada e plana. 
Quanto ao tamanho, o linfócito pode ser pequeno, médio e grande. Citoplasma levemente basófilo, 
podendo ser escasso nos pequenos linfócitos ou abundante nos médios e grandes linfócitos. São 
importantes nas respostas imunes específicas do corpo, incluindo a produção de anticorpos. (21,22) 
22 
 
 
 
Figura 6 Linfócito 
 
Monócitos 
Células grandes que possuem um único núcleo. São formados por monoblastos (precursor 
monocitoide mais imaturo que pode ser identificado); com citoplasma levemente basófilo e abundante 
(afinidade para corantes basófilos). Pode apresentar vacúolos citoplasmáticos. São capazes de entrarem 
no tecido conjuntivo frouxo, onde se desenvolvem em grandes células fagocíticas denominados 
macrófagos, que podem ingerir bactérias e outras substâncias estranhas ao organismo. (21,22) 
 
Figura 7 Monócito 
 
Eosinófilos 
O eosinófilo apresenta granulações grosseiras que ocupam todo o citoplasma (hematologia 
laboratorial e atlas), coradas em laranja-avermelhado. Os núcleos geralmente têm dois lóbulos 
conectados por um filamento. O número de eosinófilos circulantes aumenta de forma muito acentuada 
na circulação sanguínea durante as reações alérgicas, e durantes as infestações parasitárias. (21) 
 
Figura 8 Eosinófilo 
 
Basófilos 
 O basófilo apresenta granulações grandes, planas e grosseiras e coram de azul-púrpura. Essas 
granulações encontram-se por todo o citoplasma, sobrepondo-se ao núcleo, muitas vezes impedindo a 
sua visualização. (23)Outras características destes leucócitos são a capacidade de libertarem histamina 
23 
 
(contribui para as respostas alérgicas dilatando e permeabilizando os vasos sanguíneos) e heparina 
(previne a coagulação do sangue). A maturação dos basófilos ocorre em paralelo à do neutrófilo e 
eosinófilo. No entanto, é difícil encontrar-se em estágios mais imaturos, sendo que, geralmente, são 
vistos apenas em distúrbios proliferativos dos basófilos. 
 
 
Figura 9 Basófilo 
 
4.4 Contagem diferencial dos leucócitos 
Esta contagem é realizada a partir da observação microscópica das características morfológicas 
que permitem diferenciar os diferentes leucócitos, anteriormente mencionados. Para além disso, também 
é possível identificar algumas alterações que estejam presentes e, ainda, células imaturas. 
A fórmula leucocitária determina a relação percentual entre as distintas variedades de leucócitos. 
Se, em 100 leucócitos contados no esfregaço, 60 são neutrófilos, estes representam 60% do total de 
leucócitos. (21) 
 
Procedimento: 
 Observar o esfregaço sanguíneo em menor aumento, avaliar se está adequado para análise 
quanto à distribuição e preservação celular (presença da monocamada) e quanto à coloração. A contagem 
diferencial é feita com objetiva de imersão (100x). (24) Os neutrófilos e monócitos predominam na cauda 
do esfregaço, enquanto os linfócitos predominam no corpo. 
 Devem ser contabilizadas 200 células em todo o esfregaço com o auxílio de um contador manual 
que diferencia os diferentes tipos de glóbulos brancos. Este mecanismo é bastante útil e eficiente, pois 
permite que se realize uma contagem rápida e fácil, permitindo a leitura direta de cada contagem. De 
forma que seja garantida uma representatividade do esfregaço, a contagem foi realizada em castelo, 
iniciando-se no corpo e no sentido da cauda do esfregaço. 
 No final, o contador manual digital calcula a percentagem total de cada um dos leucócitos. 
 Na tabela abaixo, encontram-se os critérios de validação utilizados no laboratório de hematologia 
laboratorial onde foi realizado o estágio: 
24 
 
Tabela 5 Critérios de validação utilizados na fórmula leucocitária 
Leucócito Parâmetro analítico Percentagem 
Neutrófilo 1,5 - 7,0 x 103 / µL 45 – 70% 
Linfócito 1,5 - 4,0 x 103 / µL 20 – 45% 
Monócito 0,2 - 0,8 x 103 / µL 2 – 8% 
Eosinófilo 0,04 – 0,4 x 103 / µL 0 – 5% 
Basófilo 0,02 – 0,1 x 103 / µL 0 – 1% 
 
Quando os mesmos estão acima do valor padrão para a idade denomina-se por leucocitose, que 
ocorre devido a, por exemplo, infeções bacterianas, inflamações, necrose tecidual e doenças 
mieloproliferativas como leucemias mieloides. Quando os valores se situam abaixo do normal, denomina-
se por leucopenia, que acontece muitas vezes pela diminuição dos neutrófilos e pode ser de causas 
fisiológica ou induzida por drogas e poluentes, reativa e processos imunológicos. (20)Tantoa leucocitose 
como a leucopenia requerem investigação médica para determinar o tratamento mais adequado, levando 
em consideração a causa subjacente. 
4.5 Eritrograma 
É a parte do hemograma que se dedica ao estudo/contagem da séria vermelha, revelando alguns 
tipos essenciais de alterações patológicas do sistema eritropoético como as anemias. O eritrograma 
também contempla a quantificação do hematócrito, doseamento de hemoglobina e índices 
hematimétricos (VCM, HCM, CHCM), bem como o exame microscópico da morfologia eritrocitária. A 
avaliação qualitativa dos eritrócitos complementa o eritrograma e sua análise obedece a uma sequência 
analítica: tamanho (anisocitose), forma (poiquilocitose), coloração (hipocromia e hipercromia) e inclusões. 
Estes dois conjuntos de análises fornecem pistas para o diagnóstico das principais causas de anemias. (20) 
Define-se por anemia quando o eritrograma apresenta a concentração do doseamento de 
hemoglobina menor que o valor padrão para a idade. 
Quando o hematócrito tem um valor abaixo do normal, isso pode ser indicativo de uma redução 
no número de hemácias no sangue, sugerindo a possibilidade de anemia. No entanto, é importante 
destacar que esse não deve ser o único parâmetro para realizar um diagnóstico. A diminuição do número 
de hemácias também pode ser indicativa de perda excessiva de sangue, alterações na produção das 
mesmas ou deficiência de ferro. Além disso, o hematócrito baixo também é comum de acontecer em caso 
de gravidez. O hematócrito acima do normal, pode ser causado por diversas condições que estimulam a 
produção de glóbulos vermelhos no organismo, como por exemplo: desidratação, tabagismo ou doenças 
hematológicas. Com o auxílio do valor total de hemácias na amostra, do valor do microhematócrito e o 
valor da hemoglobina, é possível calcular, então, os índices hematimétricos: VCM (Volume Corpuscular 
25 
 
Médio), CHCM (Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média) e HCM (Hemoglobina Corpuscular 
Média), representados na seguinte tabela. 
Valores acima de 36 g/dL de CHCM não podem ocorrer, pois os eritrócitos ficam saturados a esta 
concentração. No entanto, na esferocitose, os eritrócitos perdem porções da membrana e desidratam-se, 
diminuindo de volume sem perder a hemoglobina. Nesse caso, o hematócrito aumenta devido ao 
empacotamento das hemácias e, consequentemente, o CHCM também apresentará valores iguais ou 
acima dos 36 g/dL. Como a CHCM é independente da contagem de eritrócitos, torna-se um índice 
hematimétrico melhor que o VCM para a caracterização das anemias decorrentes dum defeito na síntese 
de hemoglobina ou proliferação eritróide. 
É importante referir que situações como a presença de crioaglutininas, hiperlipémia alteram 
valores no eritrograma, como o valor de eritrócitos, hemoglobina e, principalmente, do CHCM. 
Tabela 6 Índices hematimétricos 
Índice 
hematim
étrico 
Descrição Fórmula de cálculo Unidades Classificação da anemia 
segundo este parâmetro 
VCM Média do volume de 
eritrócitos na amostra 
𝑉𝐶𝑀 =
𝐻𝑒𝑚𝑎𝑡ó𝑐𝑟𝑖𝑡𝑜 𝑥 10
𝑅𝐵𝐶
 Fentol (fL) 
Anemia microcítica 
(VCM ˂ 90fL) 
Anemia normocítica 
(90Fl ˂ VCM ˂ 100fL) 
Anemia macrocítica 
(VCM > 100fL) 
HCM Conteúdo médio de 
HGB nos eritrócitos 
𝐻𝐶𝑀 =
𝐻𝑒𝑚𝑜𝑔𝑙𝑜𝑏𝑖𝑛𝑎 𝑥 10
𝑅𝐵𝐶
 Picrogramas 
Anemia hipocrómica 
(HCM ˂ 27pg) 
Anemia normocrómica 
(HCM 27-36pg) 
Anemia hipercrómica 
(HCM > 36pg) 
CHCM Média da 
concentração de HGB 
num dado volume de 
eritrócitos 
𝐶𝐻𝐶𝑀 =
𝐻𝑒𝑚𝑜𝑔𝑙𝑜𝑏𝑖𝑛𝑎 𝑥 100
𝐻𝑒𝑚𝑎𝑡ó𝑐𝑟𝑖𝑡𝑜
 g/dL 
Anemia hipocrómica 
(CHCM ˂ 32g/dL) 
Anemia normocrómica 
(CHCM 32-36G/dL) 
Anemia hipercrómica 
(CHCM > 36g/dL) 
 
26 
 
4.6 Contagem Manual de Reticulócitos 
O reticulócito é o precursor eritroide já anucleado imediatamente anterior aos eritrócitos. 
Apresenta restos de RNA no citoplasma que podem ser evidenciados por corantes supra-vitais, como 
novo azul de metileno. (22) Os reticulócitos presentes no sangue retirado do organismo sofrem morte 
somática, sendo, porém, corados antes que toda atividade vital seja extinta. As anemias que cursam com 
o reticulócito normal refletem a incapacidade da medula em responder ao estímulo por carência de um 
fator específico para a formação de eritrócitos (ferro na anemia ferropénica e eritropoetina na 
insuficiência renal crónica). (21) 
Quando há aumento de hemácias, hemoglobina e hematócrito, a contagem de reticulócitos é 
importante para determinar a intensidade da produção excessiva dos glóbulos vermelhos. 
 
Procedimento: 
1) Homogeneização da amostra. 
2) Colocar num tubo de hemólise 3 gotas da solução corante Novo Azul de Metileno. Em seguida, 
acrescentar 2 gotas da amostra. 
3) Homogeneizar corretamente e colocar em banho-maria durante 15 minutos a 37ºC (etapa de 
incubação). 
4) Retirar de banho-maria. Homogeneizar novamente e fazer 2 esfregaços. 
5) Secar e observar ao microscópico com a objetiva de 100x. 
 
É importante salientar que antes da observação do esfregaço com a objetiva de 100x, deve-se utilizar 
a objetiva de 10x para se escolher o melhor campo para a contagem, ou seja, um campo onde os 
eritrócitos se encontrem individualizados. 
Os eritrócitos e reticulócitos são contados simultaneamente em campos consecutivos até se atingir as 
500 células com o auxílio de um contador manual. A contagem é realizada de igual forma no outro 
esfregaço. 
O resultado obtido é a média das percentagens de reticulócitos em relação aos eritócitos, obtidas em 
cada um dos esfregaços. O valor de reticulócitos é comparado com um intervalo de referência de 0,5%-
2,5% em adultos e crianças. 
Caso o valor do hematócrito não esteja dentro dos valores considerados normais, especialmente se 
estiver muito baixo (abaixo de 8 g/dL), é necessário colocar, inicialmente, o dobro das gotas no tubo de 
hemólise. 
 
 
27 
 
4.7 Patologias Associadas ao Glóbulo Rubro 
 
A hemoglobina é uma substância pigmentada, formada por duas partes: uma porção que contém 
ferro denominada heme e outra porção protéica, denominada globina. A globina contém quatro cadeias 
polipeptídicas, cada uma das quais ligada a um grupo heme. Cada grupo heme contém um átomo de ferro 
que se combina reversivelmente com uma molécula de oxigénio. Dessa forma, cada molécula de 
hemoglobina pode potencialmente associar-se com quatro moléculas de oxigênio. A principal função da 
hemoglobina e o transporte de oxigênio e gás carbônico, permitindo as trocas gasosas necessárias ao 
metabolismo orgânico. (21) 
A hemoglobina normal em recém-nascidos é composta por 60% a 85% de HgbF e 15% a 40% 
de HgbA, enquanto a HgbA2 é quase indetetável. Durante o primeiro ano e meio de vida, a expressão 
de HgbA aumenta para mais de 95% da composição da hemoglobina, acompanhada por uma 
diminuição na expressão de HgbF para menos de 1% da composição da hemoglobina. Ao mesmo 
tempo, os níveis de HgbA2 sofrem um leve aumento para 2,5% a 3,5% da composição da 
hemoglobina. 
Distúrbios genéticos da hemoglobina podem ser classificados em dois grupos: 
hemoglobinopatias e talassemias. As primeiras são o resultado de mutações pontuais nas cadeias 
globínicas α e β da hemoglobina, levando à substituição de um aminoácido por outro. Por outro lado, 
as talassemias ocorrem devido a um desequilíbrio nas cadeias globínicas, resultando numa síntese 
reduzida ou ausência de cadeias normais. A avaliação quantitativa das frações normais da Hgb (F, A, 
A2) e a identificação de variantes de hemoglobinas (S, C, E, D) são essências para o diagnóstico e 
identificação das patologias mencionadas. 
4.7.1 Equipamento Variant II 
O VARIANT™ II, Sistema de Teste de Hemoglobina, é um sistema que utiliza como método de 
análise, a cromatografia líquida de alta performance (HPLC), sendo completamente automatizado. A sua 
função consiste no doseamento de hemoglobinas normais e anormais, que depende do intercâmbio de 
grupo

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