Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Decisão sobre Repercussão Geral
07/05/2020 PLENÁRIO
REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 
1.225.185 MINAS GERAIS
RELATOR : MIN. GILMAR MENDES
RECTE.(S) :MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS 
GERAIS 
PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE 
MINAS GERAIS 
RECDO.(A/S) :PAULO HENRIQUE VENANCIO DA SILVA 
ADV.(A/S) :ALINE NAZARIO TEIXEIRA 
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS CRIMINAIS - 
IBCCRIM 
ADV.(A/S) :MAURÍCIO STEGEMANN DIETER E OUTRO(A/S)
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PENAL E 
PROCESSUAL PENAL. TRIBUNAL DO JÚRI E SOBERANIA DOS 
VEREDICTOS (ART. 5º, XXXVIII, C, CF). IMPUGNABILIDADE DE 
ABSOLVIÇÃO A PARTIR DE QUESITO GENÉRICO (ART. 483, III, C/C 
§2º, CPP) POR HIPÓTESE DE DECISÃO MANIFESTAMENTE 
CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS (ART. 593, III, D, CPP). 
ABSOLVIÇÃO POR CLEMÊNCIA E SOBERANIA DOS VEREDICTOS. 
MANIFESTAÇÃO PELA EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.
Decisão: O Tribunal, por unanimidade, reputou constitucional a 
questão. O Tribunal, por unanimidade, reconheceu a existência de 
repercussão geral da questão constitucional suscitada. 
Ministro GILMAR MENDES
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 67A1-B84A-1C4A-5194 e senha 2851-ECA6-3DAE-C412
Supremo Tribunal FederalSupremo Tribunal Federal
Inteiro Teor do Acórdão - Página 1 de 13
saman
Realce
Decisão sobre Repercussão Geral
ARE 1225185 RG / MG 
Relator
2 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 67A1-B84A-1C4A-5194 e senha 2851-ECA6-3DAE-C412
Supremo Tribunal Federal
ARE 1225185 RG / MG 
Relator
2 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 67A1-B84A-1C4A-5194 e senha 2851-ECA6-3DAE-C412
Inteiro Teor do Acórdão - Página 2 de 13
Manifestação sobre a Repercussão Geral
REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 
1.225.185 MINAS GERAIS
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PENAL E PROCESSUAL 
PENAL. TRIBUNAL DO JÚRI E SOBERANIA DOS VEREDICTOS 
(ART. 5º, XXXVIII, C, CF). IMPUGNABILIDADE DE 
ABSOLVIÇÃO A PARTIR DE QUESITO GENÉRICO (ART. 483, 
III, C/C §2º, CPP) POR HIPÓTESE DE DECISÃO 
MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS (ART. 593, 
III, D, CPP). ABSOLVIÇÃO POR CLEMÊNCIA E SOBERANIA DOS 
VEREDICTOS. MANIFESTAÇÃO PELA EXISTÊNCIA DE 
REPERCUSSÃO GERAL.
MANIFESTAÇÃO
O Senhor Ministro Gilmar Mendes (Relator): Trata-se de 
agravo contra decisão de inadmissibilidade de recurso 
extraordinário, em face de acórdão do Tribunal de 
Justiça de Minas Gerais (eDOC 3, p. 5), assim 
ementado:
APELAÇÃO CRIMINAL - HOMICIDIO QUALIFICADO CONSUMADO E 
HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO - PRELIMINAR - SUSPEIÇÃO 
DE TESTEMUNHAS - ARGUIÇÃO PRECLUSA - MÉRITO - DECISÃO 
MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS - 
INOCORRÉNCIA - ABSOLVIÇÃO POR CLEMÊNCIA -TESE 
SUSTENTADA EM PLENÁRIO - SOBERANIA DO JÚRI POPULAR - 
MANUTENÇÃO - REDUÇA0 DA PENA -BASE - IMPOSSIBILIDADE - 
CORRETA ANÁLISE DAS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS. I - Fica 
preclusa a alegação de suspeição de testemunhas que 
não foram oportunamente contraditadas, na forma do 
art. 214, do CPP. II - A cassação da decisão por ser 
manifestamente contrária às provas dos autos só é 
possível quando houver erro escandaloso e total 
discrepância, para que não se afronte o princípio da 
soberania do Júri Popular. III - A possibilidade de 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D
Supremo Tribunal Federal
REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 
1.225.185 MINAS GERAIS
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PENAL E PROCESSUAL 
PENAL. TRIBUNAL DO JÚRI E SOBERANIA DOS VEREDICTOS 
(ART. 5º, XXXVIII, C, CF). IMPUGNABILIDADE DE 
ABSOLVIÇÃO A PARTIR DE QUESITO GENÉRICO (ART. 483, 
III, C/C §2º, CPP) POR HIPÓTESE DE DECISÃO 
MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS (ART. 593, 
III, D, CPP). ABSOLVIÇÃO POR CLEMÊNCIA E SOBERANIA DOS 
VEREDICTOS. MANIFESTAÇÃO PELA EXISTÊNCIA DE 
REPERCUSSÃO GERAL.
MANIFESTAÇÃO
O Senhor Ministro Gilmar Mendes (Relator): Trata-se de 
agravo contra decisão de inadmissibilidade de recurso 
extraordinário, em face de acórdão do Tribunal de 
Justiça de Minas Gerais (eDOC 3, p. 5), assim 
ementado:
APELAÇÃO CRIMINAL - HOMICIDIO QUALIFICADO CONSUMADO E 
HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO - PRELIMINAR - SUSPEIÇÃO 
DE TESTEMUNHAS - ARGUIÇÃO PRECLUSA - MÉRITO - DECISÃO 
MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS - 
INOCORRÉNCIA - ABSOLVIÇÃO POR CLEMÊNCIA -TESE 
SUSTENTADA EM PLENÁRIO - SOBERANIA DO JÚRI POPULAR - 
MANUTENÇÃO - REDUÇA0 DA PENA -BASE - IMPOSSIBILIDADE - 
CORRETA ANÁLISE DAS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS. I - Fica 
preclusa a alegação de suspeição de testemunhas que 
não foram oportunamente contraditadas, na forma do 
art. 214, do CPP. II - A cassação da decisão por ser 
manifestamente contrária às provas dos autos só é 
possível quando houver erro escandaloso e total 
discrepância, para que não se afronte o princípio da 
soberania do Júri Popular. III - A possibilidade de 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D
Inteiro Teor do Acórdão - Página 3 de 13
saman
Realce
saman
Realce
saman
Realce
Manifestação sobre a Repercussão Geral
ARE 1225185 RG / MG 
absolvição, pelo Conselho de Sentença, em quesito 
genérico, por motivos como clemência, piedade ou 
compaixão, é admitida pelo sistema de intima 
convicção, adotado nos julgamentos feitos pelo Júri 
Popular. V - Quando a análise das circunstâncias 
judiciais é feita corretamente, não há que se falar em 
redução da pena-base.
O Ministério Público do Estado de Minas Gerais 
ofereceu denúncia em desfavor de Rodrigo da Silva, 
Paulo Henrique Venâncio da Silva, Marcus Vinícius de 
Oliveira Euclides, Taiara Scalret Amaral da Silva e 
Mara Pereira Marciano, qualificados nos autos, como 
incursos nas sanções dos artigos 121, § 2º, I e IV 
(vítima Thiago Amâncio), e 121, § 2º, I e IV, c/c art. 
14, II, (vítima Talisson do Carmo), todos do CP, nos 
termos da exordial acusatória.
No julgamento por jurados, o Conselho de Sentença 
absolveu Mara Pereira Marciano das imputações que lhe 
foram feitas; condenou Marcus Vinícius pela prática 
dos crimes previstos no art. 121, § 2º, I e IV, e art. 
121, §2º, I e IV, c/c art. 14, II, todos do CP, à pena 
de 23 (vinte e três) anos e 6 (seis) meses de 
reclusão, em regime fechado; e condenou Paulo Henrique 
nos termos do art. 121, §2º, I e IV, do CP, à pena de 
14 (quatorze) anos de reclusão, em regime inicialmente 
fechado, absolvendo-o em relação ao homicídio tentado.
O Ministério Público interpôs apelação, pleiteando a 
cassação do julgamento, porquanto manifestamente 
contrário à prova dos autos, no que se refere à 
absolvição do acusado Paulo Henrique em relação ao 
homicídio tentado contra a vítima Talisson. Tal 
recurso foi negado pela Primeira Câmara Criminal do 
Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, nos 
2 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.aspsob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D
Supremo Tribunal Federal
ARE 1225185 RG / MG 
absolvição, pelo Conselho de Sentença, em quesito 
genérico, por motivos como clemência, piedade ou 
compaixão, é admitida pelo sistema de intima 
convicção, adotado nos julgamentos feitos pelo Júri 
Popular. V - Quando a análise das circunstâncias 
judiciais é feita corretamente, não há que se falar em 
redução da pena-base.
O Ministério Público do Estado de Minas Gerais 
ofereceu denúncia em desfavor de Rodrigo da Silva, 
Paulo Henrique Venâncio da Silva, Marcus Vinícius de 
Oliveira Euclides, Taiara Scalret Amaral da Silva e 
Mara Pereira Marciano, qualificados nos autos, como 
incursos nas sanções dos artigos 121, § 2º, I e IV 
(vítima Thiago Amâncio), e 121, § 2º, I e IV, c/c art. 
14, II, (vítima Talisson do Carmo), todos do CP, nos 
termos da exordial acusatória.
No julgamento por jurados, o Conselho de Sentença 
absolveu Mara Pereira Marciano das imputações que lhe 
foram feitas; condenou Marcus Vinícius pela prática 
dos crimes previstos no art. 121, § 2º, I e IV, e art. 
121, §2º, I e IV, c/c art. 14, II, todos do CP, à pena 
de 23 (vinte e três) anos e 6 (seis) meses de 
reclusão, em regime fechado; e condenou Paulo Henrique 
nos termos do art. 121, §2º, I e IV, do CP, à pena de 
14 (quatorze) anos de reclusão, em regime inicialmente 
fechado, absolvendo-o em relação ao homicídio tentado.
O Ministério Público interpôs apelação, pleiteando a 
cassação do julgamento, porquanto manifestamente 
contrário à prova dos autos, no que se refere à 
absolvição do acusado Paulo Henrique em relação ao 
homicídio tentado contra a vítima Talisson. Tal 
recurso foi negado pela Primeira Câmara Criminal do 
Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, nos 
2 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D
Inteiro Teor do Acórdão - Página 4 de 13
saman
Realce
saman
Realce
saman
Realce
saman
Realce
saman
Realce
Manifestação sobre a Repercussão Geral
ARE 1225185 RG / MG 
termos acima ementados (eDOC 3, p. 5).
No recurso extraordinário, interposto com fundamento 
no artigo 102, inciso III, alínea a, da Constituição 
Federal, aponta-se violação ao artigo 5º, incisos 
XXXVIII, c, e LV, do texto constitucional. Nas razões 
recursais, sustenta-se que o recorrido foi absolvido 
por meio de veredicto manifestamente contrário à prova 
dos autos, motivo por que deve o acórdão ser cassado, 
para que seja realizado novo julgamento. (eDOC 3, p. 
80) 
Sustenta o Ministério Público, ora recorrente, que a 
vítima é assassino confesso do enteado do recorrido, 
motivo por que teria o Júri deste se compadecido e, 
assim, o absolvido. Aduz que a absolvição por 
clemência não é permitida no ordenamento jurídico e 
que ela significa a autorização para o 
restabelecimento da vingança e da justiça com as 
próprias mãos.
No Tribunal a quo, o RE não foi conhecido a partir da 
aplicação da Súmula 279 do STF. (eDOC 3, p. 131-133)
O MPMG interpôs agravo em recurso extraordinário. 
(eDOC 3, p. 149-159)
É o relatório. 
Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso 
extraordinário, passo à análise da existência de 
repercussão geral da matéria constitucional. De fato, 
a matéria constitucional está prequestionada e sua 
solução prescinde de revolvimento fático-probatório. 
Destaca-se que a reforma do CPP de 2008 alterou de 
modo substancial o procedimento do Júri brasileiro 
(Lei 11.689/2008). Uma importante modificação se deu 
na quesitação aos jurados.
3 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D
Supremo Tribunal Federal
ARE 1225185 RG / MG 
termos acima ementados (eDOC 3, p. 5).
No recurso extraordinário, interposto com fundamento 
no artigo 102, inciso III, alínea a, da Constituição 
Federal, aponta-se violação ao artigo 5º, incisos 
XXXVIII, c, e LV, do texto constitucional. Nas razões 
recursais, sustenta-se que o recorrido foi absolvido 
por meio de veredicto manifestamente contrário à prova 
dos autos, motivo por que deve o acórdão ser cassado, 
para que seja realizado novo julgamento. (eDOC 3, p. 
80) 
Sustenta o Ministério Público, ora recorrente, que a 
vítima é assassino confesso do enteado do recorrido, 
motivo por que teria o Júri deste se compadecido e, 
assim, o absolvido. Aduz que a absolvição por 
clemência não é permitida no ordenamento jurídico e 
que ela significa a autorização para o 
restabelecimento da vingança e da justiça com as 
próprias mãos.
No Tribunal a quo, o RE não foi conhecido a partir da 
aplicação da Súmula 279 do STF. (eDOC 3, p. 131-133)
O MPMG interpôs agravo em recurso extraordinário. 
(eDOC 3, p. 149-159)
É o relatório. 
Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso 
extraordinário, passo à análise da existência de 
repercussão geral da matéria constitucional. De fato, 
a matéria constitucional está prequestionada e sua 
solução prescinde de revolvimento fático-probatório. 
Destaca-se que a reforma do CPP de 2008 alterou de 
modo substancial o procedimento do Júri brasileiro 
(Lei 11.689/2008). Uma importante modificação se deu 
na quesitação aos jurados.
3 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D
Inteiro Teor do Acórdão - Página 5 de 13
saman
Realce
saman
Realce
saman
Realce
saman
Realce
Manifestação sobre a Repercussão Geral
ARE 1225185 RG / MG 
Nos termos do art. 483, Os quesitos serão formulados 
na seguinte ordem, indagando sobre: I a materialidade 
do fato; II a autoria ou participação; III se o 
acusado deve ser absolvido; (...). Ademais, conforme o 
§2º do mesmo artigo, respondidos afirmativamente por 
mais de 3 (três) jurados os quesitos relativos aos 
incisos I e II do caput deste artigo será formulado 
quesito com a seguinte redação: O jurado absolve o 
acusado?.
Portanto, inseriu-se um quesito obrigatório, que 
sempre deve ser o terceiro a ser respondido pelos 
jurados, em que se pergunta de forma genérica: O 
jurado absolve o acusado?. Não há qualquer 
especificação sobre os motivos ou fundamentos para tal 
decisão. Tal quesito genérico foi uma inovação 
aportada pela reforma da Lei 11.689/2008.
Diante disso, aventa-se que o recurso de apelação 
cabível em situações de decisão dos jurados 
manifestamente contrária à prova dos autos pode ter 
assumido uma nova feição após a reforma da Lei 
11.689/2008. Isso porque, se o jurado pode absolver de 
um modo genérico, por qualquer motivo, questiona-se a 
possibilidade de absolvição por clemência, mesmo em um 
sentido manifestamente contrário à prova dos autos.
Em resumo, a questão aqui debatida diz respeito à 
impugnabilidade pela soberania dos veredictos (art. 
5º, XXXVIII, c, CF) de uma absolvição pelo Júri em 
resposta ao quesito genérico (art. 483, III, c/c §2º, 
CPP), por meio de apelação interposta pelo Ministério 
Público com base na hipótese de decisão manifestamente 
contrária à prova dos autos (art. 593, III, d, CPP).
Ou seja, coloca-se o seguinte problema: a realização 
de novo júri, determinada por Tribunal de 2º grau em 
julgamento de recurso interposto contra absolvição 
4 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asptécnica 
quanto aos componentes de eventuais excludentes 
alegadas. 
Tal é a abrangência desse quesito, que mesmo que os 
jurados respondam positivamente quanto à 
6 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D
Supremo Tribunal Federal
ARE 1225185 RG / MG 
plenário. (HC 313.251/RJ, Terceira Seção, relator 
Ministro Joel Paciornik, julgado em 28.02.2018). Nada 
obstante, a substancial corrente divergente instaurada 
naquele decisum, composta pelos Min. Sebastião Reis 
Júnior, Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e 
Antonio Saldanha Pinheiro, bem demonstra o quão 
intrincada e tortuosa é a matéria ora proposta. 
Também a respaldar o entendimento de que a temática 
comporta verticalização, são as esclarecedoras 
ponderações, em sentido aparentemente diverso ao 
habitual decote que se dá à matéria na Corte, exaradas 
pelo Min. Gilmar Mendes, Celso de Mello e Joaquim 
Barbosa, em feitos que tangenciaram a celeuma 
relacionada ao poder revisional da Corte de Apelação 
versus a soberania dos veredictos. (...). (RHC 168.796 
MC, Rel. Min. Edson Fachin, j. 29.3.2019)
Sobre o debate, já afirmei anteriormente que:
O quesito genérico quanto à absolvição passou a ser 
obrigatório desde a edição da Lei 11.689/2008, que 
trouxe a atual redação do § 2º e do inc. III do caput, 
ambos do art. 483 do CPP. Somente não é feita a 
indagação em tela se o quesito quanto à materialidade 
ou o quanto à autoria/participação forem respondidos 
negativamente, na forma do § 1º do referido art. 483 e 
do § ú. do art. 490 do Codex processual penal. E esse 
quesito engloba tudo quanto alegado em favor do réu 
pela defesa, nos debates que antecedem a votação pelos 
jurados, sem que seja necessário quesitação técnica 
quanto aos componentes de eventuais excludentes 
alegadas. 
Tal é a abrangência desse quesito, que mesmo que os 
jurados respondam positivamente quanto à 
6 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D
Inteiro Teor do Acórdão - Página 8 de 13
saman
Realce
saman
Realce
saman
Realce
saman
Realce
Manifestação sobre a Repercussão Geral
ARE 1225185 RG / MG 
autoria/participação e a negativa de autoria seja a 
única tese alegada pela defesa, ainda assim não se 
mostra contraditório responderem positivamente quanto 
ao quesito da absolvição. Os jurados sempre podem 
absolver por clemência aquele que consideraram com 
participação no fato. A clemência compõe juízo 
possível dentro da soberania do Júri, ainda que 
dissociada das teses da defesa. (RE 982.162, de minha 
relatoria, j. 31.8.2018)
Conforme decidido pelo Min. Celso de Mello, não se 
pode ignorar a existência de expressiva orientação 
jurisprudencial no sentido de que, com o advento da 
Lei nº 11.689/2008, os jurados teriam passado a gozar 
de ampla e irrestrita autonomia na formulação de 
juízos absolutórios, não se achando adstritos, em sua 
razão de decidir, seja às teses suscitadas em plenário 
pela defesa, seja a quaisquer outros fundamentos de 
índole estritamente jurídica. (RHC 117.076 MC, j. 
16.9.2013)
Dessa forma, nos termos do art. 1.035, § 1º, do Código 
de Processo Civil, há repercussão geral da questão 
constitucional. Verifica-se que a temática é 
reiteradamente abordada em sede de recursos 
extraordinários e habeas corpus, de modo que se mostra 
pertinente assentar uma tese para pacificação.
Além do interesse jurídico, verifica-se relevância 
política e social, pois envolvidos temas de política 
criminal e segurança pública, amplamente valorados 
pela sociedade em geral. Ademais, o conflito não se 
limita a interesses jurídicos das partes recorrentes, 
razão pela qual a repercussão geral da matéria deve 
ser reconhecida. 
A questão aqui discutida não se confunde com aquela 
7 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D
Supremo Tribunal Federal
ARE 1225185 RG / MG 
autoria/participação e a negativa de autoria seja a 
única tese alegada pela defesa, ainda assim não se 
mostra contraditório responderem positivamente quanto 
ao quesito da absolvição. Os jurados sempre podem 
absolver por clemência aquele que consideraram com 
participação no fato. A clemência compõe juízo 
possível dentro da soberania do Júri, ainda que 
dissociada das teses da defesa. (RE 982.162, de minha 
relatoria, j. 31.8.2018)
Conforme decidido pelo Min. Celso de Mello, não se 
pode ignorar a existência de expressiva orientação 
jurisprudencial no sentido de que, com o advento da 
Lei nº 11.689/2008, os jurados teriam passado a gozar 
de ampla e irrestrita autonomia na formulação de 
juízos absolutórios, não se achando adstritos, em sua 
razão de decidir, seja às teses suscitadas em plenário 
pela defesa, seja a quaisquer outros fundamentos de 
índole estritamente jurídica. (RHC 117.076 MC, j. 
16.9.2013)
Dessa forma, nos termos do art. 1.035, § 1º, do Código 
de Processo Civil, há repercussão geral da questão 
constitucional. Verifica-se que a temática é 
reiteradamente abordada em sede de recursos 
extraordinários e habeas corpus, de modo que se mostra 
pertinente assentar uma tese para pacificação.
Além do interesse jurídico, verifica-se relevância 
política e social, pois envolvidos temas de política 
criminal e segurança pública, amplamente valorados 
pela sociedade em geral. Ademais, o conflito não se 
limita a interesses jurídicos das partes recorrentes, 
razão pela qual a repercussão geral da matéria deve 
ser reconhecida. 
A questão aqui discutida não se confunde com aquela 
7 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D
Inteiro Teor do Acórdão - Página 9 de 13
saman
Realce
saman
Realce
saman
Realce
Manifestação sobre a Repercussão Geral
ARE 1225185 RG / MG 
cuja repercussão geral foi reconhecida no tema 1.068 
(RE 1.235.340, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 
25.10.2019), visto que lá se discute a possibilidade 
de execução imediata de pena aplicada por Tribunal do 
Júri, ou seja, execução provisória de condenação em 
primeiro grau, sem se questionar os efeitos ou o 
cabimento da apelação sobre tal decisão.
Por fim, destaca-se que a questão aqui analisada não 
demanda reexame fático-probatório, vedado em sede de 
recurso extraordinário nos termos da Súmula 279 do 
STF. Embora existam precedentes desta Corte que 
reconhecem tal óbice formal, o problema levantado 
neste momento diz respeito somente à tese jurídica 
delimitada. 
Não se questiona se há prova em um ou outro sentido, 
tampouco se a decisão no caso concreto é ou não 
manifestamente contrária aos autos. Discute-se 
exclusivamente se a soberania dos veredictos é violada 
ao se modificar uma absolvição assentada em resposta 
ao quesito genérico obrigatório.
Vê-se, assim, que o pronunciamento desta Corte é 
relevante para balizar demandas futuras, de modo que 
se fixa a seguinte questão-problema: a realização de 
novo júri, determinada por Tribunal de 2º grau em 
julgamento de recurso interposto contra absolvição 
assentada no quesito genérico (art. 483, III, c/c §2º 
CPP), ante suposta contrariedadeà prova dos autos 
(art. 593, III, d, CPP), viola a soberania dos 
veredictos (art. 5º, XXXVIII, c, CF)? 
Diante do exposto, manifesto-me pela existência de 
repercussão geral da questão constitucional suscitada 
e submeto a matéria à apreciação dos demais Ministros 
da Corte. 
8 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D
Supremo Tribunal Federal
ARE 1225185 RG / MG 
cuja repercussão geral foi reconhecida no tema 1.068 
(RE 1.235.340, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 
25.10.2019), visto que lá se discute a possibilidade 
de execução imediata de pena aplicada por Tribunal do 
Júri, ou seja, execução provisória de condenação em 
primeiro grau, sem se questionar os efeitos ou o 
cabimento da apelação sobre tal decisão.
Por fim, destaca-se que a questão aqui analisada não 
demanda reexame fático-probatório, vedado em sede de 
recurso extraordinário nos termos da Súmula 279 do 
STF. Embora existam precedentes desta Corte que 
reconhecem tal óbice formal, o problema levantado 
neste momento diz respeito somente à tese jurídica 
delimitada. 
Não se questiona se há prova em um ou outro sentido, 
tampouco se a decisão no caso concreto é ou não 
manifestamente contrária aos autos. Discute-se 
exclusivamente se a soberania dos veredictos é violada 
ao se modificar uma absolvição assentada em resposta 
ao quesito genérico obrigatório.
Vê-se, assim, que o pronunciamento desta Corte é 
relevante para balizar demandas futuras, de modo que 
se fixa a seguinte questão-problema: a realização de 
novo júri, determinada por Tribunal de 2º grau em 
julgamento de recurso interposto contra absolvição 
assentada no quesito genérico (art. 483, III, c/c §2º 
CPP), ante suposta contrariedade à prova dos autos 
(art. 593, III, d, CPP), viola a soberania dos 
veredictos (art. 5º, XXXVIII, c, CF)? 
Diante do exposto, manifesto-me pela existência de 
repercussão geral da questão constitucional suscitada 
e submeto a matéria à apreciação dos demais Ministros 
da Corte. 
8 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D
Inteiro Teor do Acórdão - Página 10 de 13
saman
Realce
saman
Realce
saman
Realce
Manifestação sobre a Repercussão Geral
ARE 1225185 RG / MG 
É a manifestação.
9 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D
Supremo Tribunal Federal
ARE 1225185 RG / MG 
É a manifestação.
9 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D
Inteiro Teor do Acórdão - Página 11 de 13
Manifestação sobre a Repercussão Geral
REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 
1.225.185 MINAS GERAIS
MANIFESTAÇÃO
AGRAVO – PROVIMENTO.
TRIBUNAL DO JÚRI – ABSOLVIÇÃO 
POR CLEMÊNCIA – QUESITO 
GENÉRICO – RECURSO 
EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO 
GERAL CONFIGURADA.
1. O assessor David Laerte Vieira prestou as seguintes informações:
Eis a síntese do discutido no recurso extraordinário com 
agravo nº 1.225.185, relator ministro Gilmar Mendes, inserido 
no sistema eletrônico da repercussão geral em 17 de abril de 
2020, sexta-feira, sendo o último dia para manifestação 7 de 
maio, quinta-feira:
O Ministério Público do Estado de Minas Gerais interpôs 
extraordinário, com alegada base na alínea “a” do inciso III do 
artigo 102 da Constituição Federal, em face de acórdão por 
meio do qual a Primeira Câmara Criminal do Tribunal de 
Justiça do Estado de Minas Gerais assentou, com fundamento 
no princípio da soberania dos veredictos, a possibilidade de o 
Conselho de Sentença absolver, a partir do quesito genérico, por 
motivo de clemência.
Aponta violação do artigo 5°, incisos XXXVIII, alínea “c”, 
e LV, da Lei Maior. Sustenta inobservadas as garantias do 
contraditório e do duplo grau de jurisdição, tendo em vista o 
reconhecimento da materialidade e da autoria do crime, 
ausente excludente da ilicitude e da culpabilidade, sendo 
absolvido o réu, em quesitação genérica, manifestamente 
Supremo Tribunal Federal
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F74-197D-2EA0-3C62 e senha 7FE8-B0AF-13F9-8EAD
Supremo Tribunal Federal
REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 
1.225.185 MINAS GERAIS
MANIFESTAÇÃO
AGRAVO – PROVIMENTO.
TRIBUNAL DO JÚRI – ABSOLVIÇÃO 
POR CLEMÊNCIA – QUESITO 
GENÉRICO – RECURSO 
EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO 
GERAL CONFIGURADA.
1. O assessor David Laerte Vieira prestou as seguintes informações:
Eis a síntese do discutido no recurso extraordinário com 
agravo nº 1.225.185, relator ministro Gilmar Mendes, inserido 
no sistema eletrônico da repercussão geral em 17 de abril de 
2020, sexta-feira, sendo o último dia para manifestação 7 de 
maio, quinta-feira:
O Ministério Público do Estado de Minas Gerais interpôs 
extraordinário, com alegada base na alínea “a” do inciso III do 
artigo 102 da Constituição Federal, em face de acórdão por 
meio do qual a Primeira Câmara Criminal do Tribunal de 
Justiça do Estado de Minas Gerais assentou, com fundamento 
no princípio da soberania dos veredictos, a possibilidade de o 
Conselho de Sentença absolver, a partir do quesito genérico, por 
motivo de clemência.
Aponta violação do artigo 5°, incisos XXXVIII, alínea “c”, 
e LV, da Lei Maior. Sustenta inobservadas as garantias do 
contraditório e do duplo grau de jurisdição, tendo em vista o 
reconhecimento da materialidade e da autoria do crime, 
ausente excludente da ilicitude e da culpabilidade, sendo 
absolvido o réu, em quesitação genérica, manifestamente 
Supremo Tribunal Federal
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F74-197D-2EA0-3C62 e senha 7FE8-B0AF-13F9-8EAD
Inteiro Teor do Acórdão - Página 12 de 13
saman
Realce
saman
Realce
saman
Realce
Manifestação sobre a Repercussão Geral
ARE 1225185 RG / MG 
contrária às provas constantes do processo, ante perdão, o que 
é, segundo argui, vedado no ordenamento jurídico. Sublinha 
ultrapassar o tema os limites subjetivos da lide, mostrando-se 
relevante do ponto de vista social e jurídico. 
O recurso foi inadmitido na origem. Seguiu-se 
protocolação de agravo. O Relator, entendendo atendidos os 
requisitos de admissibilidade, submeteu o processo ao Plenário 
Virtual, manifestando-se pela repercussão geral da questão 
constitucional. Propõe a seguinte tese: “A realização de novo 
júri, determinada por Tribunal de 2º grau em julgamento de 
recurso interposto contra absolvição assentada no quesito 
genérico (art. 483, III, c/c § 2º CPP), ante suposta contrariedade 
à prova dos autos (art. 593, II, d, CPP), viola a soberania dos 
veredictos (art. 5º, XXXVIII, c, CF)?”.
2. Tomo como provido o agravo interposto com a finalidade de 
imprimir trânsito ao recurso extraordinário.
Tem-se matéria a merecer o crivo do Plenário. Cumpre ao Supremo 
definir a higidez constitucionalde absolvição, assentada em quesito 
genérico, por clemência. 
3. Pronuncio-me no sentido de encontrar-se configurada a 
repercussão maior. O extraordinário deve ter a sequência que lhe é 
própria.
4. À Assessoria, para acompanhar a tramitação do incidente.
Brasília, 23 de abril de 2020.
Ministro MARCO AURÉLIO
2 
Supremo Tribunal Federal
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F74-197D-2EA0-3C62 e senha 7FE8-B0AF-13F9-8EAD
Supremo Tribunal Federal
ARE 1225185 RG / MG 
contrária às provas constantes do processo, ante perdão, o que 
é, segundo argui, vedado no ordenamento jurídico. Sublinha 
ultrapassar o tema os limites subjetivos da lide, mostrando-se 
relevante do ponto de vista social e jurídico. 
O recurso foi inadmitido na origem. Seguiu-se 
protocolação de agravo. O Relator, entendendo atendidos os 
requisitos de admissibilidade, submeteu o processo ao Plenário 
Virtual, manifestando-se pela repercussão geral da questão 
constitucional. Propõe a seguinte tese: “A realização de novo 
júri, determinada por Tribunal de 2º grau em julgamento de 
recurso interposto contra absolvição assentada no quesito 
genérico (art. 483, III, c/c § 2º CPP), ante suposta contrariedade 
à prova dos autos (art. 593, II, d, CPP), viola a soberania dos 
veredictos (art. 5º, XXXVIII, c, CF)?”.
2. Tomo como provido o agravo interposto com a finalidade de 
imprimir trânsito ao recurso extraordinário.
Tem-se matéria a merecer o crivo do Plenário. Cumpre ao Supremo 
definir a higidez constitucional de absolvição, assentada em quesito 
genérico, por clemência. 
3. Pronuncio-me no sentido de encontrar-se configurada a 
repercussão maior. O extraordinário deve ter a sequência que lhe é 
própria.
4. À Assessoria, para acompanhar a tramitação do incidente.
Brasília, 23 de abril de 2020.
Ministro MARCO AURÉLIO
2 
Supremo Tribunal Federal
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F74-197D-2EA0-3C62 e senha 7FE8-B0AF-13F9-8EAD
Inteiro Teor do Acórdão - Página 13 de 13
saman
Realce
saman
Realce
saman
Realce
saman
Realce
	Decisão sobre Repercussão Geral
	Manifestação sobre a Repercussão Geral
	Manifestação sobre a Repercussão Geralde absolvição, assentada em quesito 
genérico, por clemência. 
3. Pronuncio-me no sentido de encontrar-se configurada a 
repercussão maior. O extraordinário deve ter a sequência que lhe é 
própria.
4. À Assessoria, para acompanhar a tramitação do incidente.
Brasília, 23 de abril de 2020.
Ministro MARCO AURÉLIO
2 
Supremo Tribunal Federal
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F74-197D-2EA0-3C62 e senha 7FE8-B0AF-13F9-8EAD
Supremo Tribunal Federal
ARE 1225185 RG / MG 
contrária às provas constantes do processo, ante perdão, o que 
é, segundo argui, vedado no ordenamento jurídico. Sublinha 
ultrapassar o tema os limites subjetivos da lide, mostrando-se 
relevante do ponto de vista social e jurídico. 
O recurso foi inadmitido na origem. Seguiu-se 
protocolação de agravo. O Relator, entendendo atendidos os 
requisitos de admissibilidade, submeteu o processo ao Plenário 
Virtual, manifestando-se pela repercussão geral da questão 
constitucional. Propõe a seguinte tese: “A realização de novo 
júri, determinada por Tribunal de 2º grau em julgamento de 
recurso interposto contra absolvição assentada no quesito 
genérico (art. 483, III, c/c § 2º CPP), ante suposta contrariedade 
à prova dos autos (art. 593, II, d, CPP), viola a soberania dos 
veredictos (art. 5º, XXXVIII, c, CF)?”.
2. Tomo como provido o agravo interposto com a finalidade de 
imprimir trânsito ao recurso extraordinário.
Tem-se matéria a merecer o crivo do Plenário. Cumpre ao Supremo 
definir a higidez constitucional de absolvição, assentada em quesito 
genérico, por clemência. 
3. Pronuncio-me no sentido de encontrar-se configurada a 
repercussão maior. O extraordinário deve ter a sequência que lhe é 
própria.
4. À Assessoria, para acompanhar a tramitação do incidente.
Brasília, 23 de abril de 2020.
Ministro MARCO AURÉLIO
2 
Supremo Tribunal Federal
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F74-197D-2EA0-3C62 e senha 7FE8-B0AF-13F9-8EAD
Inteiro Teor do Acórdão - Página 13 de 13
saman
Realce
saman
Realce
saman
Realce
saman
Realce
	Decisão sobre Repercussão Geral
	Manifestação sobre a Repercussão Geral
	Manifestação sobre a Repercussão Geral

Mais conteúdos dessa disciplina