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Decisão sobre Repercussão Geral 07/05/2020 PLENÁRIO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.225.185 MINAS GERAIS RELATOR : MIN. GILMAR MENDES RECTE.(S) :MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS RECDO.(A/S) :PAULO HENRIQUE VENANCIO DA SILVA ADV.(A/S) :ALINE NAZARIO TEIXEIRA AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS CRIMINAIS - IBCCRIM ADV.(A/S) :MAURÍCIO STEGEMANN DIETER E OUTRO(A/S) RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PENAL E PROCESSUAL PENAL. TRIBUNAL DO JÚRI E SOBERANIA DOS VEREDICTOS (ART. 5º, XXXVIII, C, CF). IMPUGNABILIDADE DE ABSOLVIÇÃO A PARTIR DE QUESITO GENÉRICO (ART. 483, III, C/C §2º, CPP) POR HIPÓTESE DE DECISÃO MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS (ART. 593, III, D, CPP). ABSOLVIÇÃO POR CLEMÊNCIA E SOBERANIA DOS VEREDICTOS. MANIFESTAÇÃO PELA EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, reputou constitucional a questão. O Tribunal, por unanimidade, reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Ministro GILMAR MENDES Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 67A1-B84A-1C4A-5194 e senha 2851-ECA6-3DAE-C412 Supremo Tribunal FederalSupremo Tribunal Federal Inteiro Teor do Acórdão - Página 1 de 13 saman Realce Decisão sobre Repercussão Geral ARE 1225185 RG / MG Relator 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 67A1-B84A-1C4A-5194 e senha 2851-ECA6-3DAE-C412 Supremo Tribunal Federal ARE 1225185 RG / MG Relator 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 67A1-B84A-1C4A-5194 e senha 2851-ECA6-3DAE-C412 Inteiro Teor do Acórdão - Página 2 de 13 Manifestação sobre a Repercussão Geral REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.225.185 MINAS GERAIS RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PENAL E PROCESSUAL PENAL. TRIBUNAL DO JÚRI E SOBERANIA DOS VEREDICTOS (ART. 5º, XXXVIII, C, CF). IMPUGNABILIDADE DE ABSOLVIÇÃO A PARTIR DE QUESITO GENÉRICO (ART. 483, III, C/C §2º, CPP) POR HIPÓTESE DE DECISÃO MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS (ART. 593, III, D, CPP). ABSOLVIÇÃO POR CLEMÊNCIA E SOBERANIA DOS VEREDICTOS. MANIFESTAÇÃO PELA EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. MANIFESTAÇÃO O Senhor Ministro Gilmar Mendes (Relator): Trata-se de agravo contra decisão de inadmissibilidade de recurso extraordinário, em face de acórdão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (eDOC 3, p. 5), assim ementado: APELAÇÃO CRIMINAL - HOMICIDIO QUALIFICADO CONSUMADO E HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO - PRELIMINAR - SUSPEIÇÃO DE TESTEMUNHAS - ARGUIÇÃO PRECLUSA - MÉRITO - DECISÃO MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS - INOCORRÉNCIA - ABSOLVIÇÃO POR CLEMÊNCIA -TESE SUSTENTADA EM PLENÁRIO - SOBERANIA DO JÚRI POPULAR - MANUTENÇÃO - REDUÇA0 DA PENA -BASE - IMPOSSIBILIDADE - CORRETA ANÁLISE DAS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS. I - Fica preclusa a alegação de suspeição de testemunhas que não foram oportunamente contraditadas, na forma do art. 214, do CPP. II - A cassação da decisão por ser manifestamente contrária às provas dos autos só é possível quando houver erro escandaloso e total discrepância, para que não se afronte o princípio da soberania do Júri Popular. III - A possibilidade de Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D Supremo Tribunal Federal REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.225.185 MINAS GERAIS RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PENAL E PROCESSUAL PENAL. TRIBUNAL DO JÚRI E SOBERANIA DOS VEREDICTOS (ART. 5º, XXXVIII, C, CF). IMPUGNABILIDADE DE ABSOLVIÇÃO A PARTIR DE QUESITO GENÉRICO (ART. 483, III, C/C §2º, CPP) POR HIPÓTESE DE DECISÃO MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS (ART. 593, III, D, CPP). ABSOLVIÇÃO POR CLEMÊNCIA E SOBERANIA DOS VEREDICTOS. MANIFESTAÇÃO PELA EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. MANIFESTAÇÃO O Senhor Ministro Gilmar Mendes (Relator): Trata-se de agravo contra decisão de inadmissibilidade de recurso extraordinário, em face de acórdão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (eDOC 3, p. 5), assim ementado: APELAÇÃO CRIMINAL - HOMICIDIO QUALIFICADO CONSUMADO E HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO - PRELIMINAR - SUSPEIÇÃO DE TESTEMUNHAS - ARGUIÇÃO PRECLUSA - MÉRITO - DECISÃO MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS - INOCORRÉNCIA - ABSOLVIÇÃO POR CLEMÊNCIA -TESE SUSTENTADA EM PLENÁRIO - SOBERANIA DO JÚRI POPULAR - MANUTENÇÃO - REDUÇA0 DA PENA -BASE - IMPOSSIBILIDADE - CORRETA ANÁLISE DAS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS. I - Fica preclusa a alegação de suspeição de testemunhas que não foram oportunamente contraditadas, na forma do art. 214, do CPP. II - A cassação da decisão por ser manifestamente contrária às provas dos autos só é possível quando houver erro escandaloso e total discrepância, para que não se afronte o princípio da soberania do Júri Popular. III - A possibilidade de Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D Inteiro Teor do Acórdão - Página 3 de 13 saman Realce saman Realce saman Realce Manifestação sobre a Repercussão Geral ARE 1225185 RG / MG absolvição, pelo Conselho de Sentença, em quesito genérico, por motivos como clemência, piedade ou compaixão, é admitida pelo sistema de intima convicção, adotado nos julgamentos feitos pelo Júri Popular. V - Quando a análise das circunstâncias judiciais é feita corretamente, não há que se falar em redução da pena-base. O Ministério Público do Estado de Minas Gerais ofereceu denúncia em desfavor de Rodrigo da Silva, Paulo Henrique Venâncio da Silva, Marcus Vinícius de Oliveira Euclides, Taiara Scalret Amaral da Silva e Mara Pereira Marciano, qualificados nos autos, como incursos nas sanções dos artigos 121, § 2º, I e IV (vítima Thiago Amâncio), e 121, § 2º, I e IV, c/c art. 14, II, (vítima Talisson do Carmo), todos do CP, nos termos da exordial acusatória. No julgamento por jurados, o Conselho de Sentença absolveu Mara Pereira Marciano das imputações que lhe foram feitas; condenou Marcus Vinícius pela prática dos crimes previstos no art. 121, § 2º, I e IV, e art. 121, §2º, I e IV, c/c art. 14, II, todos do CP, à pena de 23 (vinte e três) anos e 6 (seis) meses de reclusão, em regime fechado; e condenou Paulo Henrique nos termos do art. 121, §2º, I e IV, do CP, à pena de 14 (quatorze) anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, absolvendo-o em relação ao homicídio tentado. O Ministério Público interpôs apelação, pleiteando a cassação do julgamento, porquanto manifestamente contrário à prova dos autos, no que se refere à absolvição do acusado Paulo Henrique em relação ao homicídio tentado contra a vítima Talisson. Tal recurso foi negado pela Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, nos 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.aspsob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D Supremo Tribunal Federal ARE 1225185 RG / MG absolvição, pelo Conselho de Sentença, em quesito genérico, por motivos como clemência, piedade ou compaixão, é admitida pelo sistema de intima convicção, adotado nos julgamentos feitos pelo Júri Popular. V - Quando a análise das circunstâncias judiciais é feita corretamente, não há que se falar em redução da pena-base. O Ministério Público do Estado de Minas Gerais ofereceu denúncia em desfavor de Rodrigo da Silva, Paulo Henrique Venâncio da Silva, Marcus Vinícius de Oliveira Euclides, Taiara Scalret Amaral da Silva e Mara Pereira Marciano, qualificados nos autos, como incursos nas sanções dos artigos 121, § 2º, I e IV (vítima Thiago Amâncio), e 121, § 2º, I e IV, c/c art. 14, II, (vítima Talisson do Carmo), todos do CP, nos termos da exordial acusatória. No julgamento por jurados, o Conselho de Sentença absolveu Mara Pereira Marciano das imputações que lhe foram feitas; condenou Marcus Vinícius pela prática dos crimes previstos no art. 121, § 2º, I e IV, e art. 121, §2º, I e IV, c/c art. 14, II, todos do CP, à pena de 23 (vinte e três) anos e 6 (seis) meses de reclusão, em regime fechado; e condenou Paulo Henrique nos termos do art. 121, §2º, I e IV, do CP, à pena de 14 (quatorze) anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, absolvendo-o em relação ao homicídio tentado. O Ministério Público interpôs apelação, pleiteando a cassação do julgamento, porquanto manifestamente contrário à prova dos autos, no que se refere à absolvição do acusado Paulo Henrique em relação ao homicídio tentado contra a vítima Talisson. Tal recurso foi negado pela Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, nos 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D Inteiro Teor do Acórdão - Página 4 de 13 saman Realce saman Realce saman Realce saman Realce saman Realce Manifestação sobre a Repercussão Geral ARE 1225185 RG / MG termos acima ementados (eDOC 3, p. 5). No recurso extraordinário, interposto com fundamento no artigo 102, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, aponta-se violação ao artigo 5º, incisos XXXVIII, c, e LV, do texto constitucional. Nas razões recursais, sustenta-se que o recorrido foi absolvido por meio de veredicto manifestamente contrário à prova dos autos, motivo por que deve o acórdão ser cassado, para que seja realizado novo julgamento. (eDOC 3, p. 80) Sustenta o Ministério Público, ora recorrente, que a vítima é assassino confesso do enteado do recorrido, motivo por que teria o Júri deste se compadecido e, assim, o absolvido. Aduz que a absolvição por clemência não é permitida no ordenamento jurídico e que ela significa a autorização para o restabelecimento da vingança e da justiça com as próprias mãos. No Tribunal a quo, o RE não foi conhecido a partir da aplicação da Súmula 279 do STF. (eDOC 3, p. 131-133) O MPMG interpôs agravo em recurso extraordinário. (eDOC 3, p. 149-159) É o relatório. Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso extraordinário, passo à análise da existência de repercussão geral da matéria constitucional. De fato, a matéria constitucional está prequestionada e sua solução prescinde de revolvimento fático-probatório. Destaca-se que a reforma do CPP de 2008 alterou de modo substancial o procedimento do Júri brasileiro (Lei 11.689/2008). Uma importante modificação se deu na quesitação aos jurados. 3 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D Supremo Tribunal Federal ARE 1225185 RG / MG termos acima ementados (eDOC 3, p. 5). No recurso extraordinário, interposto com fundamento no artigo 102, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, aponta-se violação ao artigo 5º, incisos XXXVIII, c, e LV, do texto constitucional. Nas razões recursais, sustenta-se que o recorrido foi absolvido por meio de veredicto manifestamente contrário à prova dos autos, motivo por que deve o acórdão ser cassado, para que seja realizado novo julgamento. (eDOC 3, p. 80) Sustenta o Ministério Público, ora recorrente, que a vítima é assassino confesso do enteado do recorrido, motivo por que teria o Júri deste se compadecido e, assim, o absolvido. Aduz que a absolvição por clemência não é permitida no ordenamento jurídico e que ela significa a autorização para o restabelecimento da vingança e da justiça com as próprias mãos. No Tribunal a quo, o RE não foi conhecido a partir da aplicação da Súmula 279 do STF. (eDOC 3, p. 131-133) O MPMG interpôs agravo em recurso extraordinário. (eDOC 3, p. 149-159) É o relatório. Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso extraordinário, passo à análise da existência de repercussão geral da matéria constitucional. De fato, a matéria constitucional está prequestionada e sua solução prescinde de revolvimento fático-probatório. Destaca-se que a reforma do CPP de 2008 alterou de modo substancial o procedimento do Júri brasileiro (Lei 11.689/2008). Uma importante modificação se deu na quesitação aos jurados. 3 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D Inteiro Teor do Acórdão - Página 5 de 13 saman Realce saman Realce saman Realce saman Realce Manifestação sobre a Repercussão Geral ARE 1225185 RG / MG Nos termos do art. 483, Os quesitos serão formulados na seguinte ordem, indagando sobre: I a materialidade do fato; II a autoria ou participação; III se o acusado deve ser absolvido; (...). Ademais, conforme o §2º do mesmo artigo, respondidos afirmativamente por mais de 3 (três) jurados os quesitos relativos aos incisos I e II do caput deste artigo será formulado quesito com a seguinte redação: O jurado absolve o acusado?. Portanto, inseriu-se um quesito obrigatório, que sempre deve ser o terceiro a ser respondido pelos jurados, em que se pergunta de forma genérica: O jurado absolve o acusado?. Não há qualquer especificação sobre os motivos ou fundamentos para tal decisão. Tal quesito genérico foi uma inovação aportada pela reforma da Lei 11.689/2008. Diante disso, aventa-se que o recurso de apelação cabível em situações de decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos pode ter assumido uma nova feição após a reforma da Lei 11.689/2008. Isso porque, se o jurado pode absolver de um modo genérico, por qualquer motivo, questiona-se a possibilidade de absolvição por clemência, mesmo em um sentido manifestamente contrário à prova dos autos. Em resumo, a questão aqui debatida diz respeito à impugnabilidade pela soberania dos veredictos (art. 5º, XXXVIII, c, CF) de uma absolvição pelo Júri em resposta ao quesito genérico (art. 483, III, c/c §2º, CPP), por meio de apelação interposta pelo Ministério Público com base na hipótese de decisão manifestamente contrária à prova dos autos (art. 593, III, d, CPP). Ou seja, coloca-se o seguinte problema: a realização de novo júri, determinada por Tribunal de 2º grau em julgamento de recurso interposto contra absolvição 4 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asptécnica quanto aos componentes de eventuais excludentes alegadas. Tal é a abrangência desse quesito, que mesmo que os jurados respondam positivamente quanto à 6 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D Supremo Tribunal Federal ARE 1225185 RG / MG plenário. (HC 313.251/RJ, Terceira Seção, relator Ministro Joel Paciornik, julgado em 28.02.2018). Nada obstante, a substancial corrente divergente instaurada naquele decisum, composta pelos Min. Sebastião Reis Júnior, Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e Antonio Saldanha Pinheiro, bem demonstra o quão intrincada e tortuosa é a matéria ora proposta. Também a respaldar o entendimento de que a temática comporta verticalização, são as esclarecedoras ponderações, em sentido aparentemente diverso ao habitual decote que se dá à matéria na Corte, exaradas pelo Min. Gilmar Mendes, Celso de Mello e Joaquim Barbosa, em feitos que tangenciaram a celeuma relacionada ao poder revisional da Corte de Apelação versus a soberania dos veredictos. (...). (RHC 168.796 MC, Rel. Min. Edson Fachin, j. 29.3.2019) Sobre o debate, já afirmei anteriormente que: O quesito genérico quanto à absolvição passou a ser obrigatório desde a edição da Lei 11.689/2008, que trouxe a atual redação do § 2º e do inc. III do caput, ambos do art. 483 do CPP. Somente não é feita a indagação em tela se o quesito quanto à materialidade ou o quanto à autoria/participação forem respondidos negativamente, na forma do § 1º do referido art. 483 e do § ú. do art. 490 do Codex processual penal. E esse quesito engloba tudo quanto alegado em favor do réu pela defesa, nos debates que antecedem a votação pelos jurados, sem que seja necessário quesitação técnica quanto aos componentes de eventuais excludentes alegadas. Tal é a abrangência desse quesito, que mesmo que os jurados respondam positivamente quanto à 6 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D Inteiro Teor do Acórdão - Página 8 de 13 saman Realce saman Realce saman Realce saman Realce Manifestação sobre a Repercussão Geral ARE 1225185 RG / MG autoria/participação e a negativa de autoria seja a única tese alegada pela defesa, ainda assim não se mostra contraditório responderem positivamente quanto ao quesito da absolvição. Os jurados sempre podem absolver por clemência aquele que consideraram com participação no fato. A clemência compõe juízo possível dentro da soberania do Júri, ainda que dissociada das teses da defesa. (RE 982.162, de minha relatoria, j. 31.8.2018) Conforme decidido pelo Min. Celso de Mello, não se pode ignorar a existência de expressiva orientação jurisprudencial no sentido de que, com o advento da Lei nº 11.689/2008, os jurados teriam passado a gozar de ampla e irrestrita autonomia na formulação de juízos absolutórios, não se achando adstritos, em sua razão de decidir, seja às teses suscitadas em plenário pela defesa, seja a quaisquer outros fundamentos de índole estritamente jurídica. (RHC 117.076 MC, j. 16.9.2013) Dessa forma, nos termos do art. 1.035, § 1º, do Código de Processo Civil, há repercussão geral da questão constitucional. Verifica-se que a temática é reiteradamente abordada em sede de recursos extraordinários e habeas corpus, de modo que se mostra pertinente assentar uma tese para pacificação. Além do interesse jurídico, verifica-se relevância política e social, pois envolvidos temas de política criminal e segurança pública, amplamente valorados pela sociedade em geral. Ademais, o conflito não se limita a interesses jurídicos das partes recorrentes, razão pela qual a repercussão geral da matéria deve ser reconhecida. A questão aqui discutida não se confunde com aquela 7 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D Supremo Tribunal Federal ARE 1225185 RG / MG autoria/participação e a negativa de autoria seja a única tese alegada pela defesa, ainda assim não se mostra contraditório responderem positivamente quanto ao quesito da absolvição. Os jurados sempre podem absolver por clemência aquele que consideraram com participação no fato. A clemência compõe juízo possível dentro da soberania do Júri, ainda que dissociada das teses da defesa. (RE 982.162, de minha relatoria, j. 31.8.2018) Conforme decidido pelo Min. Celso de Mello, não se pode ignorar a existência de expressiva orientação jurisprudencial no sentido de que, com o advento da Lei nº 11.689/2008, os jurados teriam passado a gozar de ampla e irrestrita autonomia na formulação de juízos absolutórios, não se achando adstritos, em sua razão de decidir, seja às teses suscitadas em plenário pela defesa, seja a quaisquer outros fundamentos de índole estritamente jurídica. (RHC 117.076 MC, j. 16.9.2013) Dessa forma, nos termos do art. 1.035, § 1º, do Código de Processo Civil, há repercussão geral da questão constitucional. Verifica-se que a temática é reiteradamente abordada em sede de recursos extraordinários e habeas corpus, de modo que se mostra pertinente assentar uma tese para pacificação. Além do interesse jurídico, verifica-se relevância política e social, pois envolvidos temas de política criminal e segurança pública, amplamente valorados pela sociedade em geral. Ademais, o conflito não se limita a interesses jurídicos das partes recorrentes, razão pela qual a repercussão geral da matéria deve ser reconhecida. A questão aqui discutida não se confunde com aquela 7 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D Inteiro Teor do Acórdão - Página 9 de 13 saman Realce saman Realce saman Realce Manifestação sobre a Repercussão Geral ARE 1225185 RG / MG cuja repercussão geral foi reconhecida no tema 1.068 (RE 1.235.340, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 25.10.2019), visto que lá se discute a possibilidade de execução imediata de pena aplicada por Tribunal do Júri, ou seja, execução provisória de condenação em primeiro grau, sem se questionar os efeitos ou o cabimento da apelação sobre tal decisão. Por fim, destaca-se que a questão aqui analisada não demanda reexame fático-probatório, vedado em sede de recurso extraordinário nos termos da Súmula 279 do STF. Embora existam precedentes desta Corte que reconhecem tal óbice formal, o problema levantado neste momento diz respeito somente à tese jurídica delimitada. Não se questiona se há prova em um ou outro sentido, tampouco se a decisão no caso concreto é ou não manifestamente contrária aos autos. Discute-se exclusivamente se a soberania dos veredictos é violada ao se modificar uma absolvição assentada em resposta ao quesito genérico obrigatório. Vê-se, assim, que o pronunciamento desta Corte é relevante para balizar demandas futuras, de modo que se fixa a seguinte questão-problema: a realização de novo júri, determinada por Tribunal de 2º grau em julgamento de recurso interposto contra absolvição assentada no quesito genérico (art. 483, III, c/c §2º CPP), ante suposta contrariedadeà prova dos autos (art. 593, III, d, CPP), viola a soberania dos veredictos (art. 5º, XXXVIII, c, CF)? Diante do exposto, manifesto-me pela existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada e submeto a matéria à apreciação dos demais Ministros da Corte. 8 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D Supremo Tribunal Federal ARE 1225185 RG / MG cuja repercussão geral foi reconhecida no tema 1.068 (RE 1.235.340, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 25.10.2019), visto que lá se discute a possibilidade de execução imediata de pena aplicada por Tribunal do Júri, ou seja, execução provisória de condenação em primeiro grau, sem se questionar os efeitos ou o cabimento da apelação sobre tal decisão. Por fim, destaca-se que a questão aqui analisada não demanda reexame fático-probatório, vedado em sede de recurso extraordinário nos termos da Súmula 279 do STF. Embora existam precedentes desta Corte que reconhecem tal óbice formal, o problema levantado neste momento diz respeito somente à tese jurídica delimitada. Não se questiona se há prova em um ou outro sentido, tampouco se a decisão no caso concreto é ou não manifestamente contrária aos autos. Discute-se exclusivamente se a soberania dos veredictos é violada ao se modificar uma absolvição assentada em resposta ao quesito genérico obrigatório. Vê-se, assim, que o pronunciamento desta Corte é relevante para balizar demandas futuras, de modo que se fixa a seguinte questão-problema: a realização de novo júri, determinada por Tribunal de 2º grau em julgamento de recurso interposto contra absolvição assentada no quesito genérico (art. 483, III, c/c §2º CPP), ante suposta contrariedade à prova dos autos (art. 593, III, d, CPP), viola a soberania dos veredictos (art. 5º, XXXVIII, c, CF)? Diante do exposto, manifesto-me pela existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada e submeto a matéria à apreciação dos demais Ministros da Corte. 8 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D Inteiro Teor do Acórdão - Página 10 de 13 saman Realce saman Realce saman Realce Manifestação sobre a Repercussão Geral ARE 1225185 RG / MG É a manifestação. 9 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D Supremo Tribunal Federal ARE 1225185 RG / MG É a manifestação. 9 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 065F-79CE-48AE-CA9F e senha 30D9-0559-A479-057D Inteiro Teor do Acórdão - Página 11 de 13 Manifestação sobre a Repercussão Geral REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.225.185 MINAS GERAIS MANIFESTAÇÃO AGRAVO – PROVIMENTO. TRIBUNAL DO JÚRI – ABSOLVIÇÃO POR CLEMÊNCIA – QUESITO GENÉRICO – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. 1. O assessor David Laerte Vieira prestou as seguintes informações: Eis a síntese do discutido no recurso extraordinário com agravo nº 1.225.185, relator ministro Gilmar Mendes, inserido no sistema eletrônico da repercussão geral em 17 de abril de 2020, sexta-feira, sendo o último dia para manifestação 7 de maio, quinta-feira: O Ministério Público do Estado de Minas Gerais interpôs extraordinário, com alegada base na alínea “a” do inciso III do artigo 102 da Constituição Federal, em face de acórdão por meio do qual a Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais assentou, com fundamento no princípio da soberania dos veredictos, a possibilidade de o Conselho de Sentença absolver, a partir do quesito genérico, por motivo de clemência. Aponta violação do artigo 5°, incisos XXXVIII, alínea “c”, e LV, da Lei Maior. Sustenta inobservadas as garantias do contraditório e do duplo grau de jurisdição, tendo em vista o reconhecimento da materialidade e da autoria do crime, ausente excludente da ilicitude e da culpabilidade, sendo absolvido o réu, em quesitação genérica, manifestamente Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F74-197D-2EA0-3C62 e senha 7FE8-B0AF-13F9-8EAD Supremo Tribunal Federal REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.225.185 MINAS GERAIS MANIFESTAÇÃO AGRAVO – PROVIMENTO. TRIBUNAL DO JÚRI – ABSOLVIÇÃO POR CLEMÊNCIA – QUESITO GENÉRICO – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. 1. O assessor David Laerte Vieira prestou as seguintes informações: Eis a síntese do discutido no recurso extraordinário com agravo nº 1.225.185, relator ministro Gilmar Mendes, inserido no sistema eletrônico da repercussão geral em 17 de abril de 2020, sexta-feira, sendo o último dia para manifestação 7 de maio, quinta-feira: O Ministério Público do Estado de Minas Gerais interpôs extraordinário, com alegada base na alínea “a” do inciso III do artigo 102 da Constituição Federal, em face de acórdão por meio do qual a Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais assentou, com fundamento no princípio da soberania dos veredictos, a possibilidade de o Conselho de Sentença absolver, a partir do quesito genérico, por motivo de clemência. Aponta violação do artigo 5°, incisos XXXVIII, alínea “c”, e LV, da Lei Maior. Sustenta inobservadas as garantias do contraditório e do duplo grau de jurisdição, tendo em vista o reconhecimento da materialidade e da autoria do crime, ausente excludente da ilicitude e da culpabilidade, sendo absolvido o réu, em quesitação genérica, manifestamente Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F74-197D-2EA0-3C62 e senha 7FE8-B0AF-13F9-8EAD Inteiro Teor do Acórdão - Página 12 de 13 saman Realce saman Realce saman Realce Manifestação sobre a Repercussão Geral ARE 1225185 RG / MG contrária às provas constantes do processo, ante perdão, o que é, segundo argui, vedado no ordenamento jurídico. Sublinha ultrapassar o tema os limites subjetivos da lide, mostrando-se relevante do ponto de vista social e jurídico. O recurso foi inadmitido na origem. Seguiu-se protocolação de agravo. O Relator, entendendo atendidos os requisitos de admissibilidade, submeteu o processo ao Plenário Virtual, manifestando-se pela repercussão geral da questão constitucional. Propõe a seguinte tese: “A realização de novo júri, determinada por Tribunal de 2º grau em julgamento de recurso interposto contra absolvição assentada no quesito genérico (art. 483, III, c/c § 2º CPP), ante suposta contrariedade à prova dos autos (art. 593, II, d, CPP), viola a soberania dos veredictos (art. 5º, XXXVIII, c, CF)?”. 2. Tomo como provido o agravo interposto com a finalidade de imprimir trânsito ao recurso extraordinário. Tem-se matéria a merecer o crivo do Plenário. Cumpre ao Supremo definir a higidez constitucionalde absolvição, assentada em quesito genérico, por clemência. 3. Pronuncio-me no sentido de encontrar-se configurada a repercussão maior. O extraordinário deve ter a sequência que lhe é própria. 4. À Assessoria, para acompanhar a tramitação do incidente. Brasília, 23 de abril de 2020. Ministro MARCO AURÉLIO 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F74-197D-2EA0-3C62 e senha 7FE8-B0AF-13F9-8EAD Supremo Tribunal Federal ARE 1225185 RG / MG contrária às provas constantes do processo, ante perdão, o que é, segundo argui, vedado no ordenamento jurídico. Sublinha ultrapassar o tema os limites subjetivos da lide, mostrando-se relevante do ponto de vista social e jurídico. O recurso foi inadmitido na origem. Seguiu-se protocolação de agravo. O Relator, entendendo atendidos os requisitos de admissibilidade, submeteu o processo ao Plenário Virtual, manifestando-se pela repercussão geral da questão constitucional. Propõe a seguinte tese: “A realização de novo júri, determinada por Tribunal de 2º grau em julgamento de recurso interposto contra absolvição assentada no quesito genérico (art. 483, III, c/c § 2º CPP), ante suposta contrariedade à prova dos autos (art. 593, II, d, CPP), viola a soberania dos veredictos (art. 5º, XXXVIII, c, CF)?”. 2. Tomo como provido o agravo interposto com a finalidade de imprimir trânsito ao recurso extraordinário. Tem-se matéria a merecer o crivo do Plenário. Cumpre ao Supremo definir a higidez constitucional de absolvição, assentada em quesito genérico, por clemência. 3. Pronuncio-me no sentido de encontrar-se configurada a repercussão maior. O extraordinário deve ter a sequência que lhe é própria. 4. À Assessoria, para acompanhar a tramitação do incidente. Brasília, 23 de abril de 2020. Ministro MARCO AURÉLIO 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F74-197D-2EA0-3C62 e senha 7FE8-B0AF-13F9-8EAD Inteiro Teor do Acórdão - Página 13 de 13 saman Realce saman Realce saman Realce saman Realce Decisão sobre Repercussão Geral Manifestação sobre a Repercussão Geral Manifestação sobre a Repercussão Geralde absolvição, assentada em quesito genérico, por clemência. 3. Pronuncio-me no sentido de encontrar-se configurada a repercussão maior. O extraordinário deve ter a sequência que lhe é própria. 4. À Assessoria, para acompanhar a tramitação do incidente. Brasília, 23 de abril de 2020. Ministro MARCO AURÉLIO 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F74-197D-2EA0-3C62 e senha 7FE8-B0AF-13F9-8EAD Supremo Tribunal Federal ARE 1225185 RG / MG contrária às provas constantes do processo, ante perdão, o que é, segundo argui, vedado no ordenamento jurídico. Sublinha ultrapassar o tema os limites subjetivos da lide, mostrando-se relevante do ponto de vista social e jurídico. O recurso foi inadmitido na origem. Seguiu-se protocolação de agravo. O Relator, entendendo atendidos os requisitos de admissibilidade, submeteu o processo ao Plenário Virtual, manifestando-se pela repercussão geral da questão constitucional. Propõe a seguinte tese: “A realização de novo júri, determinada por Tribunal de 2º grau em julgamento de recurso interposto contra absolvição assentada no quesito genérico (art. 483, III, c/c § 2º CPP), ante suposta contrariedade à prova dos autos (art. 593, II, d, CPP), viola a soberania dos veredictos (art. 5º, XXXVIII, c, CF)?”. 2. Tomo como provido o agravo interposto com a finalidade de imprimir trânsito ao recurso extraordinário. Tem-se matéria a merecer o crivo do Plenário. Cumpre ao Supremo definir a higidez constitucional de absolvição, assentada em quesito genérico, por clemência. 3. Pronuncio-me no sentido de encontrar-se configurada a repercussão maior. O extraordinário deve ter a sequência que lhe é própria. 4. À Assessoria, para acompanhar a tramitação do incidente. Brasília, 23 de abril de 2020. Ministro MARCO AURÉLIO 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 4F74-197D-2EA0-3C62 e senha 7FE8-B0AF-13F9-8EAD Inteiro Teor do Acórdão - Página 13 de 13 saman Realce saman Realce saman Realce saman Realce Decisão sobre Repercussão Geral Manifestação sobre a Repercussão Geral Manifestação sobre a Repercussão Geral