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POLÍCIA MILITAR Centro de Ensino, Formação e Aperfeiçoamento de Praças MATO GROSSO DO SUL DIREITO PROCESSUAL PENAL PRISÕES, MEDIDAS CAUTELARES E LIBERDADE PROVISÓRIA CONCEITO: Segundo GUILHERME DE SOUZA NUCCI, prisão é “privação da liberdade, tolhendo-se o direito de ir e vir, através do recolhimento da pessoa humana ao cárcere.” Para Renato Brasileiro: deve ser compreendida como a privação da liberdade de locomoção, com o recolhimento da pessoa humana ao cárcere, seja em virtude de flagrante delito, ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, seja em face de transgressão militar ou por força de crime propriamente militar, definidos em lei (CF, art. 5º, LXI). CONCEITO: CPP Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de prisão cautelar ou em virtude de condenação criminal transitada em julgado. Onde antes a lei referia sobre as espécies (temporária e preventiva), hoje menciona o gênero (prisão cautelar). Pelo conceito sublinhado anteriormente podemos concluir que no Brasil a prisão é medida de exceção. ESPÉCIES DE PRISÃO: a)prisão extrapenal: tem como subespécies a prisão civil (devedor de alimentos), e a prisão militar; a)prisão penal: (prisão pena ou pena) é aquela que decorre de sentença condenatória com trânsito em julgado; a) prisão cautelar, provisória, processual ou sem pena: tem como subespécies a prisão em flagrante, a prisão preventiva e a prisão temporária ESPÉCIES DE PRISÃO Extrapenal Penal Cautelar/processual Civil; Militar Para cumprir a condenação Medida cautelar ESPÉCIES DE PRISÃO: Prisão Penal A prisão penal, prisão-pena é aquela que resulta de sentença condenatória com trânsito em julgado que impôs o cumprimento de pena privativa de liberdade. Só pode ser aplicada após um devido processo penal no qual tenham sido respeitadas todas as garantias e direitos do cidadão. Além de expressar a satisfação da pretensão punitiva ou a realização do Direito Penal objetivo, caracteriza-se pela definitividade. ESPÉCIES DE PRISÃO: Prisão Cautelar Prisão cautelar é aquela decretada antes do trânsito em julgado de sentença penal condenatória com o objetivo de assegurar a eficácia das investigações ou do processo criminal. A prisão cautelar deve estar obrigatoriamente comprometida com a instrumentalização do processo criminal. Não pode ser decretada para dar satisfação à sociedade, à opinião pública ou à mídia, como mera consequência da deflagração de uma investigação policial ou até mesmo da instauração de um processo penal. ESPÉCIES DE PRISÃO: Prisão Cautelar Enquanto a prisão penal objetiva infligir punição àquele que sofre a sua decretação, a prisão cautelar destina-se única e exclusivamente a atuar em benefício da atividade estatal desenvolvida no processo penal. Isso significa que a prisão cautelar não pode ser utilizada com o objetivo de promover a antecipação da pena. ESPÉCIES DE PRISÃO: Prisão Cautelar De acordo com a doutrina majoritária, a prisão cautelar apresenta-se entre nós sob três modalidades: a)prisão em flagrante; a)prisão preventiva; c) prisão temporária PRISÃO EM FLAGRANTE É medida restritiva da liberdade, de natureza cautelar e processual, consistente na prisão, independente de ordem escrita do juiz competente, de quem é surpreendido cometendo, ou logo após ter cometido, um crime ou uma contravenção. PRISÃO EM FLAGRANTE O que diz o CPP sobre a prisão em flagrante? PRISÃO EM FLAGRANTE Art. 301. Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes DEVERÃO prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito. PRISÃO EM FLAGRANTE Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem: I - está cometendo a infração penal; II - acaba de cometê-la; III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração; IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. PRISÃO EM FLAGRANTE Art. 303. Nas infrações permanentes, entende-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência. PRISÃO EM FLAGRANTE Art. 304. Apresentado o preso à autoridade competente, ouvirá esta o condutor e colherá, desde logo, sua assinatura, entregando a este cópia do termo e recibo de entrega do preso. Em seguida, procederá à oitiva das testemunhas que o acompanharem e ao interrogatório do acusado sobre a imputação que lhe é feita, colhendo, após cada oitiva suas respectivas assinaturas, lavrando, a autoridade, afinal, o auto. PRISÃO EM FLAGRANTE Art. 310. Após receber o auto de prisão em flagrante, no prazo máximo de até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão, o juiz deverá promover audiência de custódia com a presença do acusado, seu advogado constituído ou membro da Defensoria Pública e o membro do Ministério Público, e, nessa audiência, o juiz deverá, fundamentadamente: I - relaxar a prisão ilegal; Ou II - converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos constantes do art. 312 deste Código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão; Ou III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança. ESPÉCIES DE FLAGRANTE Flagrante próprio: (também chamado de propriamente dito, real ou verdadeiro): é aquele em que o agente é surpreendido cometendo uma infração penal ou quando acaba de cometê-la (CPP, art. 302, I e II). Nesta última hipótese, devemos interpretar a expressão “acaba de cometê-la” de forma restritiva, no sentido de uma absoluta imediatidade, ou seja, o agente deve ser encontrado imediatamente após o cometimento da infração penal (sem qualquer intervalo de tempo). ESPÉCIES DE FLAGRANTE Flagrante impróprio (também chamado de irreal ou quase flagrante): ocorre quando o agente é perseguido, logo após cometer o ilícito, em situação que faça presumir ser o autor da infração (CPP, art. 302, III). No caso do flagrante impróprio, a expressão “logo após” não tem o mesmo rigor do inciso precedente (“acaba de cometê-la”). Admite um intervalo de tempo maior entre a prática do delito, a apuração dos fatos e o início da perseguição. ESPÉCIES DE FLAGRANTE Assim, “logo após” compreende todo o espaço de tempo necessário para a polícia chegar ao local, colher as provas elucidadoras da ocorrência do delito e dar início à perseguição do autor. NÃO tem qualquer fundamento a regra popular de que é de vinte e quatro horas o prazo entre a hora do crime e a prisão em flagrante, pois, no caso do flagrante impróprio, a perseguição pode levar até dias, desde que ininterrupta. ESPÉCIES DE FLAGRANTE Flagrante presumido (ficto ou assimilado): o agente é preso, logo depois de cometer a infração, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele o autor da infração (CPP, art. 302, IV). Não é necessário que haja perseguição, bastando que a pessoa seja encontrada logo depois da prática do ilícito em situação suspeita. Essa espécie de flagrante usa a expressão “logo depois”, ao invés de “logo após” (somente empregada no flagrante impróprio). ESPÉCIES DE FLAGRANTE Embora ambas as expressões tenham o mesmo significado, a doutrina tem entendido que o “logo depois”, do flagrante presumido, comporta um lapso temporal maior do que o “logo após”, do flagrante impróprio. Próprio Está acontecendo/a caba de acontecer Impróprio Perseguição. (Logo após) Presumido Encontrado. (Logo depois) ESPÉCIES DE FLAGRANTE Flagrante compulsório ou obrigatório: chama-se compulsório porque o agente é obrigado a efetuar a prisão em flagrante, não tendo discricionariedade sobre a conveniência ou não de efetivá-la. Ocorre em qualquer das hipóteses previstas no art. 302 (flagrantepróprio, impróprio e presumido), e diz respeito à autoridade policial e seus agentes, que têm o dever de efetuar a prisão em flagrante. Está previsto no art. 301, segunda parte, do Código de Processo Penal: “... as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito”. ESPÉCIES DE FLAGRANTE Flagrante facultativo: consiste na faculdade de efetuar ou não o flagrante, de acordo com critérios de conveniência e oportunidade. Abrange todas as espécies de flagrante, previstas no art. 302, e SE REFERE ÀS PESSOAS COMUNS DO POVO. Está previsto no art. 301, primeira parte, do Código de Processo Penal: “Qualquer do povo poderá... prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito”. ESPÉCIES DE FLAGRANTE Flagrante preparado ou provocado (também chamado de delito de ensaio, delito de experiência ou delito putativo por obra do agente provocador): na definição de Damásio de Jesus, “ocorre crime putativo por obra do agente provocador quando alguém de forma insidiosa provoca o agente à prática de um crime, ao mesmo tempo em que toma providências para que o mesmo não se consume”. Trata-se de modalidade de crime impossível, pois, embora o meio empregado e o objeto material sejam idôneos, há um conjunto de circunstâncias previamente preparadas que eliminam totalmente a possibilidade da produção do resultado. ESPÉCIES DE FLAGRANTE Assim, podemos dizer que existe flagrante preparado ou provocado quando o agente, policial ou terceiro (provocador), induz o autor à prática do crime, viciando a sua vontade, e, logo em seguida, o prende em flagrante. Neste caso, em face da ausência de vontade livre e espontânea do infrator e da ocorrência de crime impossível, a conduta é considerada atípica. STF, Súmula 145: “Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação”. ESPÉCIES DE FLAGRANTE Flagrante esperado: nesse caso, a atividade do policial ou do terceiro consiste em simples aguardo do momento do cometimento do crime, sem qualquer atitude de induzimento ou instigação. Considerando que nenhuma situação foi artificialmente criada, não há que se falar em fato atípico ou crime impossível. O agente comete crime e, portanto, poderá ser efetuada a prisão em flagrante. STJ: “Não há flagrante preparado quando a ação policial aguarda o momento da prática delituosa, valendo-se de investigação anterior, para efetivar a prisão, sem utilização de agente provocador” ESPÉCIES DE FLAGRANTE Flagrante prorrogado ou retardado: está previsto no art. 8º da Lei n. 12.850/2013, (Lei de organizações criminosas), e “consiste em retardar a interdição policial do que se supõe ação praticada por organizações criminosas ou a ela vinculada, desde que mantida sob observação e acompanhamento para que a medida legal se concretize no momento mais eficaz do ponto de vista da formação de provas e fornecimento de informações”. Neste caso, portanto, o agente policial detém discricionariedade para deixar de efetuar a prisão em flagrante no momento em que presencia a prática da infração penal, podendo aguardar um momento mais importante do ponto de vista da investigação criminal ou da colheita de prova. (Ação controlada) ESPÉCIES DE FLAGRANTE Difere-se do esperado, pois, neste, o agente é obrigado a efetuar a prisão em flagrante no primeiro momento em que ocorrer o delito, não podendo escolher um momento posterior que considerar mais adequado, enquanto no prorrogado, o agente policial tem a discricionariedade quanto ao momento da prisão. ESPÉCIES DE FLAGRANTE Pela Lei n. 11.343/2006, é também possível o flagrante prorrogado ou retardado em relação aos seus crimes, em qualquer fase da persecução penal. Assim, é possível “a não atuação policial sobre os portadores de drogas, seus precursores químicos ou outros produtos utilizados em sua produção, que não se encontrem no território brasileiro, com a finalidade de identificar e responsabilizar maior número de integrantes de operações de tráfico e distribuição, sem prejuízo da ação penal cabível” (art. 53, II). A autorização (judicial) será concedida “desde que sejam conhecidos o itinerário provável e a identificação dos agentes do delito ou de colaboradores” ESPÉCIES DE FLAGRANTE Flagrante forjado (também chamado de fabricado, maquinado ou urdido): nesta espécie, os policiais ou particulares criam provas de um crime inexistente, colocando, por exemplo, no interior de um veículo substância entorpecente. Neste caso, além de, obviamente, não existir crime, responderá o policial ou terceiro por crime de abuso de autoridade. ESPÉCIE DE FLAGRANTE SITUAÇÃO FUND. LEGAL Próprio ou real Está cometendo a infração penal. Acaba de cometer a infração penal. 302, I, CPP 302, II, CPP Impróprio, imperfeito É perseguido, logo após o cometimento da infração penal, em situação que faça presumir ser ele o autor do delito. 302, III, CPP Presumido ou ficto É encontrado, logo depois, com instrumentos do crime, armas, papéis ou objetos que façam presumir a autoria. 302, IV, CPP Preparado ou provocado O agente é induzido ou instigado à prática da infração penal, na expectativa de que seja capturado em flagrante. Súmula 145 do STF Compulsório ou obrigatório As forças de segurança têm o dever de realização da prisão em flagrante. 301, CPP Facultativo Qualquer do povo (PODE), tem a faculdade de realizar a prisão em flagrante. 301, CPP Esperado Ciente da iminência do crime, aguarda-se os primeiros atos executórios para a realização da captura (licitamente). (RSTJ, 10/389) Prorrogado ou ação controlada Retardamento da ação policial para que se concretize a captura no momento mais oportuno do ponto de vista da formação de provas e autuação dos envolvidos. Lei nº 12.850/2013 Lei nº 11.343/2006 Lei nº 9.613/1998 Forjado Flagrante realizado para incriminar pessoa inocente, que não deseja delinquir Prisão manifestamente ilegal merecendo pronto relaxamento PRISÃO PREVENTIVA Prisão processual de natureza cautelar decretada pelo juiz em qualquer fase da investigação policial ou do processo criminal, antes do trânsito em julgado da sentença, sempre que estiverem preenchidos os requisitos legais e ocorrerem os motivos autorizadores. PRISÃO PREVENTIVA Possui natureza cautelar e tem por objetivo garantir a eficácia do futuro provimento jurisdicional, cuja natural demora pode comprometer sua efetividade, tornando-o inútil. Trata-se de medida excepcional, imposta somente em último caso (CPP, art. 282, § 6º). Somente poderá, no entanto, ser decretada quando preenchidos os requisitos da tutela cautelar. PRISÃO PREVENTIVA PRESSUPOSTOS E REQUISITOS PRISÃO PREVENTIVA PRESSUPOSTOS E REQUISITOS Portanto, para que uma prisão preventiva seja validamente decretada, imprescindível a presença concomitante dos pressupostos e a configuração, sempre no caso concreto, de pelo menos um dos seus requisitos (alternativos). PRISÃO EM PREVENTIVA O que diz o CPP sobre a prisão preventiva? PRISÃO PREVENTIVA Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial. PRISÃO PREVENTIVA Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria e de PERIGO GERADO PELO ESTADO DE LIBERDADE DO IMPUTADO. PRISÃO PREVENTIVA § 1º A prisão preventiva também poderá ser decretada em caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares (art. 282, § 4o). § 2º A decisão que decretar a prisão preventivadeve ser motivada e fundamentada em receio de perigo e existência concreta de fatos novos ou contemporâneos que justifiquem a aplicação da medida adotada. PRISÃO PREVENTIVA Art. 313. Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão preventiva: I - nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos; II - se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado, ressalvado o disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal; PRISÃO PREVENTIVA IV se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência. PRISÃO PREVENTIVA § 1º Também será admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la, devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se outra hipótese recomendar a manutenção da medida. § 2º Não será admitida a decretação da prisão preventiva com a finalidade de antecipação de cumprimento de pena ou como decorrência imediata de investigação criminal ou da apresentação ou recebimento de denúncia. PRISÃO PREVENTIVA Art. 316. O juiz poderá, de ofício ou a pedido das partes, revogar a prisão preventiva se, no correr da investigação ou do processo, verificar a falta de motivo para que ela subsista, bem como novamente decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem. Parágrafo único. Decretada a prisão preventiva, deverá o órgão emissor da decisão revisar a necessidade de sua manutenção a cada 90 (noventa) dias, mediante decisão fundamentada, de ofício, sob pena de tornar a prisão ilegal. PRISÃO PREVENTIVA DOMICILIAR Art. 317. A prisão domiciliar consiste no recolhimento do indiciado ou acusado em sua residência, só podendo dela ausentar-se com autorização judicial. Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for: I - maior de 80 (oitenta) anos; II - extremamente debilitado por motivo de doença grave; III - imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com deficiência PRISÃO PREVENTIVA DOMICILIAR IV - gestante a partir do 7º (sétimo) mês de gravidez ou sendo esta de alto risco. IV - gestante; V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos; VI - homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos. Parágrafo único. Para a substituição, o juiz exigirá prova idônea dos requisitos estabelecidos neste artigo PRISÃO PREVENTIVA DOMICILIAR Art. 318-A. A prisão preventiva imposta à mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência será substituída por prisão domiciliar, desde que: I - não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; II - não tenha cometido o crime contra seu filho ou dependente. PRISÃO TEMPORÁRIA Conceito: Cuida-se de espécie de prisão cautelar decretada pela autoridade judiciária competente durante a fase preliminar de investigações, com prazo preestabelecido de duração, quando a privação da liberdade de locomoção do indivíduo for indispensável para a obtenção de elementos de informação quanto à autoria e materialidade das infrações penais mencionadas no art. 1º, inciso III, da Lei nº 7.960/89, assim como em relação aos crimes hediondos e equiparados (Lei nº 8.072/90, art. 2°, § 4°). PRISÃO TEMPORÁRIA O que diz a lei 7.960/89 sobre prisão temporária? PRISÃO TEMPORÁRIA Art. 1° Caberá prisão temporária: I - quando imprescindível para as investigações do inquérito policial; II - quando o indicado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade; III - quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal, de autoria ou participação do indiciado nos seguintes crimes: PRISÃO TEMPORÁRIA a) homicídio doloso (art. 121, caput, e seu § 2°); b) sequestro ou cárcere privado (art. 148, caput, e seus §§ 1° e 2°); c) roubo (art. 157, caput, e seus §§ 1°, 2° e 3°); d) extorsão (art. 158, caput, e seus §§ 1° e 2°); e) extorsão mediante sequestro (art. 159, caput, e seus §§ 1°, 2° e 3°); f) estupro (art. 213, caput, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo único); PRISÃO TEMPORÁRIA h) rapto violento (art. 219, e sua combinação com o art. 223 caput, e parágrafo único); i) epidemia com resultado de morte (art. 267, § 1°); j) envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal qualificado pela morte (art. 270, caput, combinado com art. 285); l) quadrilha ou bando (art. 288), todos do Código Penal; PRISÃO TEMPORÁRIA m) genocídio (arts. 1°, 2° e 3° da Lei n° 2.889, de 1° de outubro de 1956), em qualquer de sua formas típicas; n) tráfico de drogas (art. 12 da Lei n° 6.368, de 21 de outubro de 1976); o) crimes contra o sistema financeiro; p) crimes previstos na Lei de Terrorismo. PRISÃO TEMPORÁRIA Art. 2° A prisão temporária será decretada pelo Juiz, em face da representação da autoridade policial ou de requerimento do Ministério Público, e terá o prazo de 5 (cinco) dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade. PRISÃO TEMPORÁRIA A Lei 8.072/1990 (Lei de crimes hediondos), no § 4º do art. 2º, amplia o cabimento da prisão temporária para os crimes hediondos e equiparados. Além disso, para crimes hediondo e equiparados esta lei determina maior prazo: § 4o A prisão temporária, sobre a qual dispõe a Lei no 7.960, de 21 de dezembro de 1989, nos crimes previstos neste artigo, terá o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7960.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7960.htm PRISÃO TEMPORÁRIA A Lei 8.072/1990 descreve quais são os crimes hediondos e equiparados, todavia, não será nosso objeto de estudo. Basta saber que em caso de crimes hediondos e equiparados o prazo para a prisão temporária será o descrito no slide anterior. LIBERDADE PROVISÓRIA Conceito: Instituto processual que garante ao acusado o direito de aguardar em liberdade o transcorrer do processo até o trânsito em julgado, vinculado ou não a certas obrigações, podendo ser revogado a qualquer tempo, diante do descumprimento das condições impostas. CF. Art. 5º LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança. LIBERDADE PROVISÓRIA ESPÉCIES Obrigatória: trata-se de direito incondicional do acusado, não lhe podendo ser negado e não está sujeito a nenhuma condição. É o caso das infrações penais às quais não se comina pena privativa de liberdade e das infrações de menor potencial ofensivo (desde que a parte se comprometa a comparecer espontaneamente à sede do juizado, nos termos da Lei n. 9.099/95, art. 69, parágrafo único). LIBERDADE PROVISÓRIA ESPÉCIES Permitida: ocorre nas hipóteses em que não couber prisão preventiva. Assim, ausentes os requisitos que autorizam a decretação da aludida prisão, o juiz deverá conceder liberdade provisória, impondo, se for o caso, as medidas cautelares previstas no art. 319 do CPP, observados os critérios constantes do art. 282 do mesmo Diploma (art. 321 do CPP). LIBERDADE PROVISÓRIA ESPÉCIES Vedada: NÃO EXISTE. É inconstitucional qualquer lei que proíba o juiz de conceder a liberdade provisória, quando ausentes os motivos autorizadores da prisão preventiva, pouco importando a gravidade ou a natureza do crime imputado.Nesse sentido, em boa hora, a Lei n. 11.464/2007 revogou a proibição de liberdade provisória para os crimes hediondos, prevista no art. 2º, II, da Lei n. 8.072/90. LIBERDADE PROVISÓRIA Em algumas hipóteses não há necessidade de o agente prestar fiança para obter o benefício da liberdade provisória. São elas: Infrações penais às quais não se comine pena privativa de liberdade (CPP, art. 283, § 1º) e infrações de menor potencial ofensivo, quando a parte se comprometer a comparecer à sede do Juizado Especial Criminal (Lei n. 9.099/95, art. 69, parágrafo único). No caso de o juiz verificar que, evidentemente, o agente praticou fato acobertado por causa de exclusão da ilicitude. A prova deve ser contundente, embora não necessite ser absoluta. FIANÇA CRIMINAL Conceito: Consiste na prestação de uma caução de natureza real destinada a garantir o cumprimento das obrigações processuais do réu ou indiciado. O que é uma caução? CAUÇÃO: Garantia utilizada para assegurar o cumprimento de uma obrigação. FIANÇA CRIMINAL MOMENTO PARA CONCESSÃO DA FIANÇA: Desde a prisão em flagrante até o trânsito em julgado da sentença condenatória. Pelo delegado de Polícia: Durante a lavratura do auto de prisão em flagrante – APF; nas infrações penais cuja pena privativa de liberdade máxima não seja superior a 4 (quatro) anos. (CPP Art. 322) Pelo juiz de Direito: Nos demais casos, a fiança será requerida ao juiz, que decidirá em 48 (quarenta e oito) horas. (CPP Art. 322 parágrafo único) FIANÇA CRIMINAL O que diz o CPP sobre a não concessão de Fiança Criminal ? FIANÇA CRIMINAL Art. 323. Não será concedida fiança: I - nos crimes de racismo; II - nos crimes de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo e nos definidos como crimes hediondos; III - nos crimes cometidos por grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; FIANÇA CRIMINAL Art. 324. Não será, igualmente, concedida fiança: I - aos que, no mesmo processo, tiverem quebrado fiança anteriormente concedida ou infringido, sem motivo justo, qualquer das obrigações a que se referem os arts. 327 e 328 deste Código; II - em caso de prisão civil ou militar; III - (revogado); IV - quando presentes os motivos que autorizam a decretação da prisão preventiva Questões (FUNCAB – Delegado de Polícia – PC/RO – 2009) É(São) hipótese(s) de prisão em flagrante admitida(s) no ordenamento jurídico brasileiro: I. flagrante presumido. II. flagrante esperado. III. flagrante provocado. IV. flagrante próprio. V. flagrante forjado. Estão corretas as seguintes assertivas: a) quatro alternativas estão corretas; b) todas as alternativas estão corretas; c) apenas uma alternativa está correta; d) duas alternativas estão corretas; e) três alternativas estão corretas. (FUNCAB – Delegado de Polícia – PC/RO – 2009) É(São) hipótese(s) de prisão em flagrante admitida(s) no ordenamento jurídico brasileiro: I. flagrante presumido. II. flagrante esperado. III. flagrante provocado. IV. flagrante próprio. V. flagrante forjado. Estão corretas as seguintes assertivas: a) quatro alternativas estão corretas; b) todas as alternativas estão corretas; c) apenas uma alternativa está correta; d) duas alternativas estão corretas; e) três alternativas estão corretas. (FUNCAB – Delegado de Polícia – PC/ES – 2013 – ADAPTADA) Trata-se de flagrante presumido quando policiais, realizando uma busca pessoal, colocam no bolso da vítima da busca determinada quantidade de droga. (C/E) (FUNCAB – Delegado de Polícia – PC/ES – 2013 – ADAPTADA) Trata-se de flagrante presumido quando policiais, realizando uma busca pessoal, colocam no bolso da vítima da busca determinada quantidade de droga. (C/E) Gabarito: ERRADO. Nesse caso estamos diante de flagrante FORJADO, portanto, ilegal a prisão. (IBADE – Delegado de Polícia Civil – PC/AC – 2017) Tendo em vista a correta classificação, considera se em flagrante delito quem: (Difícil) a) é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração, ou seja, flagrante impróprio; b) acaba de cometer a infração penal, ou seja, flagrante próprio; c) é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa em situação que faça presumir ser autor da infração, ou seja, flagrante presumido; d) é preso por flagrante provocado; (IBADE – Delegado de Polícia Civil – PC/AC – 2017) Tendo em vista a correta classificação, considera se em flagrante delito quem: (Difícil) a) é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração, ou seja, flagrante impróprio; b) acaba de cometer a infração penal, ou seja, flagrante próprio; c) é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa em situação que faça presumir ser autor da infração, ou seja, flagrante presumido; d) é preso por flagrante provocado; (MPE/RS – Promotor de Justiça – MPE/RS – 2017 – ADAPTADA) I. Admite-se prisão preventiva quando há dúvida sobre a identidade civil da pessoa; II. Admite-se prisão preventiva em crimes apenados com detenção; III. A prisão preventiva pode ser substituída pela prisão domiciliar quando o agente for maior de 70 anos. Assinale a alternativa correta: a) todas as proposições estão corretas; b) todas as proposições estão incorretas; c) apenas as proposições I e II estão corretas; d) apenas a proposição I está correta. (MPE/RS – Promotor de Justiça – MPE/RS – 2017 – ADAPTADA) I. Admite-se prisão preventiva quando há dúvida sobre a identidade civil da pessoa; II. Admite-se prisão preventiva em crimes apenados com detenção; III. A prisão preventiva pode ser substituída pela prisão domiciliar quando o agente for maior de 70 anos. Assinale a alternativa correta: a) todas as proposições estão corretas; b) todas as proposições estão incorretas; c) apenas as proposições I e II estão corretas; d) apenas a proposição I está correta. (VUNESP – Delegado de Polícia – PC/BA – 2018) No que concerne à prisão em flagrante, à prisão temporária e à prisão preventiva, assinale a alternativa correta, nos estritos termos legais e constitucionais. a) nenhuma delas tem prazo máximo estabelecido em lei; b) a primeira pode ser realizada pela autoridade policial, violando domicílio e sem ordem judicial, a qualquer horário do dia ou da noite; c) a segunda somente é cabível em crimes hediondos ou assemelhados, podendo durar 30 (trinta) ou 60 (sessenta) dias; d) a segunda demanda ordem judicial e prévio parecer favorável do Ministério Público; e) a terceira pode ser decretada de ofício pelo Juiz durante o inquérito policial. (VUNESP – Delegado de Polícia – PC/BA – 2018) No que concerne à prisão em flagrante, à prisão temporária e à prisão preventiva, assinale a alternativa correta, nos estritos termos legais e constitucionais. a) nenhuma delas tem prazo máximo estabelecido em lei; b) a primeira pode ser realizada pela autoridade policial, violando domicílio e sem ordem judicial, a qualquer horário do dia ou da noite; c) a segunda somente é cabível em crimes hediondos ou assemelhados, podendo durar 30 (trinta) ou 60 (sessenta) dias; d) a segunda demanda ordem judicial e prévio parecer favorável do Ministério Público; e) a terceira pode ser decretada de ofício pelo Juiz durante o inquérito policial. CENTRO DE ENSINO, FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DE PRAÇAS CEFAP