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MICROBIOLOGIA AGRÍCOLA PROF.A MA. ANGÉLICA MIAMOTO Reitor: Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira Pró-Reitoria Acadêmica: Maria Albertina Ferreira do Nascimento Diretoria EAD: Prof.a Dra. Gisele Caroline Novakowski PRODUÇÃO DE MATERIAIS Diagramação: Alan Michel Bariani Thiago Bruno Peraro Revisão Textual: Luana Cimatti Zago Silvério Marta Yumi Ando Renata da Rocha Produção Audiovisual: Adriano Vieira Marques Márcio Alexandre Júnior Lara Osmar da Conceição Calisto Gestão de Produção: Aliana de Araujo Camolez © Direitos reservados à UNINGÁ - Reprodução Proibida. - Rodovia PR 317 (Av. Morangueira), n° 6114 Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo (a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá. Primeiramente, deixo uma frase de Só- crates para reflexão: “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida.” Cada um de nós tem uma grande res- ponsabilidade sobre as escolhas que fazemos, e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica e profissional, refletindo diretamente em nossa vida pessoal e em nossas relações com a socie- dade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente e busca por tecnologia, informação e conheci- mento advindos de profissionais que possuam novas habilidades para liderança e sobrevivên- cia no mercado de trabalho. De fato, a tecnologia e a comunicação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e nos proporcionando momentos inesquecíveis. Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino a Distância, a proporcionar um ensino de quali- dade, capaz de formar cidadãos integrantes de uma sociedade justa, preparados para o mer- cado de trabalho, como planejadores e líderes atuantes. Que esta nova caminhada lhes traga muita experiência, conhecimento e sucesso. Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira REITOR 33WWW.UNINGA.BR UNIDADE 01 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ..............................................................................................................................................................5 1. HISTÓRICO DA MICROBIOLOGIA AGRÍCOLA.......................................................................................................6 1.1 A DESCOBERTA .....................................................................................................................................................6 1.2 A ORIGEM ..............................................................................................................................................................6 1.3 A FUNÇÃO ..............................................................................................................................................................7 2. IMPORTÂNCIA DOS MICRORGANISMOS............................................................................................................8 3. CARACTERÍSTICAS GERAIS DE MICRORGANISMOS .........................................................................................9 3.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS FUNGOS ........................................................................................................9 3.2 CARACTERÍSTICAS GERAIS DAS BACTÉRIAS ..................................................................................................12 3.2.1 CURVA DE CRESCIMENTO BACTERIANO ......................................................................................................15 INTRODUÇÃO À MICROBIOLOGIA PROF.A MA. ANGÉLICA MIAMOTO ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: MICROBIOLOGIA AGRÍCOLA 4WWW.UNINGA.BR 3.3 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS VÍRUS ..........................................................................................................16 3.4 PROTOZOÁRIOS ..................................................................................................................................................18 3.5 NEMATOIDES ......................................................................................................................................................18 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................................................................... 20 5WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO A palavra microbiologia é derivada do grego, mikros (pequeno), bios (vida) e logos (ciência), e tem como princípio estudar os organismos microscópicos e suas atividades, como reprodução, hábito de vida, � siologia, estruturas e formas. Dentro da microbiologia, estudamos os organismos eucariotos, como os fungos; e os procariotos, como as bactérias; e, ainda, os vírus e os nematoides. Essa é uma ciência derivada da biologia e vem se destacando nos últimos séculos, em decorrência das descobertas das funções dos microrganismos, que causam impactos positivos e negativos na sociedade. A maioria dos microrganismos presentes na terra desempenha papéis fundamentais no equilíbrio da vida, constituindo a base da cadeia alimentar em diversos ambientes, além de auxiliar em processos de decomposição de material orgânico e na reciclagem de elementos essenciais para a vida, como o nitrogênio e carbono (VIEIRA; FERNANDES, 2012). A grande parte dos microrganismos tem características bené� cas e pode ser utilizada no controle biológico de outros organismos, além de ser utilizada na indústria alimentícia. A associação do homem com microrganismos é antiga e complexa. Eles habitam diversas partes do corpo humano de forma bené� ca, como pele, trato digestivo, orelhas, nariz, cavidade oral, entre outros. Além dos microrganismos bené� cos, existem aqueles que são patogênicos. Estes são diferentes daqueles, pois são capazes de produzir doenças infecciosas em animais, humanos e plantas, bem como compostos tóxicos (SILVA; SOUZA, 2013). Nesta unidade, estudaremos o histórico da microbiologia para entendermos a descoberta desses microrganismos e suas funções, além de compreender sua importância no meio como um todo. Posteriormente, abordaremos as características gerais dos principais microrganismos: fungos, bactérias, vírus, protozoários e nematoides. 6WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1. HISTÓRICO DA MICROBIOLOGIA AGRÍCOLA 1.1 A Descoberta Em 1686, um artesão e comerciante holandês, Anton Van Leeuwenhoek, descreveu pela primeira vez organismos microscópicos presentes em diferentes ambientes, como água, alimentos e cavidade bucal. Ele utilizou lentes com aumento de até 300x. Na medida em que fazia as descobertas, encaminhava seus registros para a Sociedade Real de Londres, deixando os primeiros registros de estudos da microbiologia. 1.2 A Origem Após a descoberta de Leeuwenhoek, surgiram teorias a respeito da origem desses microrganismos. A primeira delas foi a teoria da abiogênese, ou geração espontânea, em que os cientistas acreditavam que esses organismos se originavam da composição de plantas e de tecidos de animais. A segunda teoria foi a da biogênese, que defendia a impossibilidade da geração espontânea, por meio de experimentos liderados pelo cientista francês Louis Pasteur. Louis Pasteur revolucionou a história da microbiologia. Em seu primeiro experimento, encheu diversos frascos com caldo nutritivo e os ferveu, deixando alguns frascos abertos e outros fechados. Em alguns dias, Pasteur observou que os frascos abertos estavam contaminados com microrganismos, e os frascos fechados estavam sem contaminações. Assim, ele chegou à conclusão de que os microrganismos estavam presentes no ar e eram responsáveis pela contaminação dos frascos abertos. No segundo experimento, Pasteur adicionou o mesmo meio de cultura em frascos com gargalo alongado e os aqueceu para que � cassem alongados (Figura 1). Ferveu os frascos da mesma forma do experimento anterior e, depois de meses, percebeu que não houve crescimento de microrganismos nos frascos, mesmo estando abertos. Ele concluiu que o tubo alongado impedia apara as raízes micorrizadas em troca de açúcares, por meio de transportadores de membrana. Já a associação de ectomicorrizas é mais especí� ca em relação ao hospedeiro. O processo é mediado por interações genéticas entre o fungo e o hospedeiro vegetal. No campo, para a formação dessas ectomicorrizas, alguns fatores ambientais podem interferir, como a disponibilidade de nutrientes e água, temperatura, luminosidade, pH, aeração do solo, interações com outros microrganismos e � siologia da planta hospedeira. Figura 8 – Associações fúngicas de ectomicorrizas, micorrizas arbusculares e endó� tos septados em gimnosper- mas. a: corte transversal de Pinus roxburghii mostrando o manto micorrírico (mn) e as hifas (� ); b: rede de hartig (� echas) no córtex radicular de P. roxburghii; c: rolo de hifas (HC) em Platycladus orientalis; d: rolo arbuscular (ac), hifas intracelulares (ih) e intercelular (inh) em célula cortical de Podocarpus macrophyllus; e: vesícula intracelular (v) em Cycas circinalis; f: vesícula intercalar em Cupressus macrocarpa; g: rolo de hifa de micorrizas arbusculares intra- celular em Cryptomeria japônica; k: escleródios em célula cortical de raiz de � uja sp. Fonte: Nagaraj; Priyadharsini e Muthukumar (2015). 34WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Naturalmente, quando a planta percebe a presença de um fungo malé� co, ou seja, patogênico, responde com a formação de mecanismos de resistência, químicos ou físicos, com o objetivo de impedir que a infecção e colonização ocorra. Já no caso da colonização por fungos micorrízicos, este processo não ocorre. As plantas não reagem em nível de defesa, não havendo nenhuma reação marcante entre a parede celular do hospedeiro e o fungo. Isso porque, as micorrizas silenciam esses mecanismos de defesa da planta para poderem iniciar a sua infecção. Como sintoma proveniente da infecção das micorrizas, pode ocorrer, eventualmente, o engrossamento das paredes das células epidérmicas no ponto de infecção, não sendo algo obrigatório. Esse engrossamento não prejudica a associação simbiótica entre os dois organismos. Assim, as plantas hospedeiras não possuem resposta de defesa aos fungos micorrízicos. Quando as hifas do fungo atravessam as células da planta, a única reação é a de síntese de membrana e deposição de parede celular circundando esse sítio de infecção. Esse caráter de simbiose mutualística da associação das micorrizas resulta em diversos benefícios para ambos os organismos envolvidos. Essa dinâmica favorece os processos de absorção, translocação e utilização de nutrientes e água, além de ter a capacidade de promover o aumento da taxa de crescimento radicular e de in� uenciar indiretamente na microbiota do solo. Tudo isso melhora o crescimento da planta, favorecendo o estabelecimento em locais de estresse ambiental ou nutricional. Em relação aos benefícios nutricionais da simbiose, as hifas externas dos FMAs podem fornecer até 80% do fósforo, 60% de cobre, 25% do nitrogênio, 25% de zinco e 10% do potássio requerido pelas plantas (MARSCHNER; DELL, 1994). Além disso, essa simbiose pode proteger as plantas contra estresse salino no solo e de condições de seca e pouca umidade no solo. A associação com os FMAs também aumenta o vigor e a capacidade de sobrevivência das plantas e eleva a tolerância contra � topatógenos (SUGAI; COLLIER; SAGGIN-JÚNIOR, 2011). Existe um termo denominado “dependência micorrízica”, caracterizada pelo grau de dependência da planta à micorrização, para atingir seu máximo crescimento e produção, em um determinado nível de fertilidade no solo e nível crítico de fósforo (GERDEMANN, 1975). Essa dependência pode variar de acordo com a espécie vegetal ou até mesmo cultivares de uma mesma espécie. Essa variação da dependência entre as plantas e o fungo é mediada pela demanda e pela habilidade da planta em absorver fosfato do solo. Plantas que requerem maiores níveis de fósforo conseguem se bene� ciar mais dessa associação. As hifas dos fungos micorrízicos são mais e� cientes na aquisição e transporte do fósforo do solo até as raízes do que o próprio sistema radicular das plantas, até mesmo em condições de baixa disponibilidade desse nutriente, muito comum nos solos brasileiros. Dessa forma, a efetividade dos FMAs é controlada também pela disponibilidade de fósforo no solo. A matéria orgânica também é um fator importante na distribuição dos FMAs no ecossistema. Nas regiões áridas, como pastagens e desertos, em que os solos possuem baixa quantidade de matéria orgânica, os FMAs apresentam-se de forma abundante. Isso porque, quando a matéria orgânica está em baixa concentração no solo, há o estímulo da micorrização. Estudos mostram que os FMAs possuem a capacidade de formar associações com a maioria das espécies vegetais de caatinga, por exemplo, mesmo com todas as limitações climáticas da região. Mais de 95% das plantas são representantes signi� cativos da � ora local e apresentam associações com FMAs (SOUZA et al., 2003). É importante lembrar que o estabelecimento, o desenvolvimento e a conservação naturais são diretamente dependentes de associações com micorrizas, já que estas proporcionam às plantas estratégias nutricionais maiores em relação a plantas não micorrizadas. Isso bene� cia sua sobrevivência em condições de estresse. Ainda, o manejo da simbiose micorrízica é uma estratégia para melhorar a nutrição e a produtividade de plantas agronomicamente importantes, reduzindo, assim, custos com insumos, além de ser uma prática sustentável para o ambiente. 35WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA As orquídeas são fl ores bonitas e elegantes, ideais para decoração de interiores. Elas estão associadas intimamente com fungos micorrízicos. As espécies desse grupo de plantas apresentam uma característica única, uma estrutura parenqui- matosa (protocormo), que utiliza a digestão enzimática das micorrizas para obter energia. Esse fenômeno é denominado micotrofi smo e é responsável pelo suces- so dessa família de plantas. Para saber mais sobre os Fungos Micorrízicos Arbusculares (FMA), leia o artigo Aspectos da simbiose micorrízica arbuscular, de Cavalcante, Goto e Maia, publicado nos Anais da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica. Disponível em: http://inct.florabrasil.net/wp-content/uploads/downloads/2010/10/AAPCA_ V5_R_021.pdf. 36WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, observamos a importância da interação entre microrganismos e plantas. Comumente, fungos e bactérias são associados a doenças. Entretanto, muitas espécies desses organismos associam-se com as plantas de forma bené� ca, atuando no processo de � xação biológica de nitrogênio e disponibilizando nutrientes pouco disponíveis, como o fósforo para a planta. Observamos também que as interferências no ambiente, como a monocultura e o aquecimento global são fatores que afetam diretamente todos os microrganismos, visto que todos eles são diretamente dependentes de condições ideais de temperatura e umidade para uma colonização satisfatória e para completar seu desenvolvimento. 3737WWW.UNINGA.BR UNIDADE 03 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................................39 1. ECOLOGIA MICROBIANA DO SOLO..................................................................................................................... 40 1.1 MICROBIOLOGIA DO SOLO ................................................................................................................................ 40 1.2 MICRORGANISMOS NO SOLO E SUAS FUNÇÕES ...........................................................................................43 1.3 O SOLO COMO FONTE DE CRESCIMENTO PARA MICRORGANISMOS.........................................................43 1.4 ENZIMAS DO SOLO ............................................................................................................................................ 45 2. INFLUÊNCIAS DOS FATORES AMBIENTAIS, FÍSICOS E QUÍMICOS NO DESENVOLVIMENTO DA POPULAÇÃO MICROBIANA DO SOLO ........................................................................................................................................... 46 2.1 INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA ...................................................................................................................... 46 2.2 INFLUÊNCIA DA UMIDADE .................................................................................................................................47 MICROBIOLOGIA DO SOLO PROF.A MA. ANGÉLICA MIAMOTO ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: MICROBIOLOGIA AGRÍCOLA 38WWW.UNINGA.BR 2.3 INFLUÊNCIA DA TEXTURA DO SOLO ................................................................................................................47 2.4 INFLUÊNCIA DO PH ........................................................................................................................................... 48 2.5 PRÁTICAS CULTURAIS ...................................................................................................................................... 48 3. INTERAÇÃO DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS COM A MICROBIOTA DO SOLO .................................................. 49 CONSIDERAÇÕES FINAIS .........................................................................................................................................53 39WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO A agricultura sustentável depende diretamente da qualidade do agrossistema. Nesse contexto, a estrutura do solo é um componente fundamental, principalmente em relação à sua microbiota, para a realização da ciclagem de nutrientes e da decomposição da matéria orgânica, nos processos bioquímicos. Todos esses processos envolvem a participação da fauna e de microrganismos presentes no solo, como fungos, bactérias, protozoários e nematoides. Além de realizarem a ciclagem de nutrientes e decomporem matéria orgânica, alguns microrganismos presentes no solo possuem importância no crescimento vegetal, como os fungos micorrízicos e as bactérias � xadoras de nitrogênio, os quais estudamos na unidade anterior. Esses microrganismos também fazem parte da microbiota natural do solo e afetam a disponibilidade de nutrientes e a estabilidade da matéria orgânica no meio. Quanto maior for a microbiota presente no solo, maior será a estabilidade nesse sistema, uma vez que grupos funcionais de microrganismos são capazes de manter a integridade do ecossistema, proporcionando melhores condições de desenvolvimento para qualquer espécie vegetal. A microbiota também está ligada com a manutenção da estabilidade dos agregados do solo, pela produção de proteínas e polissacarídeos, atuando como um reservatório de vários nutrientes importantes para o desenvolvimento das plantas, de modo a controlar toda a diversidade vegetal e outros organismos que habitam o solo. Sendo assim, o funcionamento da comunidade de microrganismos presente no solo é extremamente importante para o equilíbrio do ecossistema como um todo. Esses microrganismos são bioindicadores da qualidade do solo, uma vez que, quanto mais abundante essa população, maior abundância haverá em atividades bioquímicas e metabólicas. Isso proporcionará respostas mais rápidas e e� cientes das espécies vegetais frente a adversidades ambientais externas, apresentando maior potencial produtivo, por meio do melhor aproveitamento dos compostos disponíveis no solo. Na Unidade III, estudaremos a ecologia microbiana do solo, a � m de entender como esses microrganismos atuam, os fatores que podem afetar seu desenvolvimento e a interação desses microrganismos com produtos químicos utilizados na agricultura. 40WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1. ECOLOGIA MICROBIANA DO SOLO 1.1 Microbiologia do Solo O solo é o grande suporte a todos os processos da vida. Promove amparo físico e de nutrientes para que os organismos possam se desenvolver. Além disso, propicia a retenção e o movimento da água, suportando grandes cadeias alimentares. É uma grande estrutura organizada, que abriga o maior número de microrganismos, com maior diversidade que qualquer outro habitat ou ecossistema existente. Esses microrganismos que compõem a microbiota do solo desempenham diversas funções, as quais são essenciais para o funcionamento adequado do ecossistema. Os microrganismos do solo possuem funções primárias, governando reações de ciclagem e � uxo de nutrientes, além de in� uenciarem diretamente a fertilidade do solo. Exercem, ainda, efeitos na formação da estrutura dos agregados do solo, deixando um ambiente favorável e ideal para o crescimento vegetal. A fração sólida do solo é composta por 50% do seu volume total. Os minerais ocupam 45% desse valor e a matéria orgânica, 5%. A matéria orgânica presente no solo pode ser classi� cada como componente vivo e morto. Os componentes vivos não ultrapassam 4% do carbono orgânico total presente no solo, que são as raízes de plantas, microrganismos e macrorganismos. Já os componentes mortos, compostos por restos vegetais e adubos verdes, representam até 98% do carbono orgânico total presente no solo, separados em fração leve ou matéria orgânica na fração pesada, que contém húmus. Além da fração sólida, o solo possui sua fração líquida e gasosa. A líquida é composta por água e por materiais dissolvidos, a gasosa e composta por gases atmosféricos em diferentes proporções (MOREIRA; SIQUEIRA, 2006). Diante do exposto, � ca fácil entender como o solo é composto e sua importância para o desenvolvimento da vida. No século XX, a microbiologia do solo teve seu reconhecimento como ciência autônoma. Seu objetivo era buscar entender e estudar melhor como os microrganismos presentes no solo são importantes na produção agrícola. A microbiologia do solo, portanto, estuda os organismos de tamanho micro e macroscópico que habitam o solo e que participam da dinâmica dos processos citados anteriormente, como ciclagem transporte de nutrientes. A fração biológica do solo é composta por mesofauna (pequenos animais), microfauna e micro� ora (microrganismos). Se um solo não possui nenhuma atividade biológica por parte desses organismos, podemos dizer que esse é um solo sem vida e sem capacidade de abrigar outro tipo de vida. Por isso, as interações entre diferentes comunidades de organismos que habitam o solo contribuem diretamente para a manutenção da vida no solo e para todos outros organismos que são diretamente ligados a essa cadeia, como os vegetais. Segundo Sposito e Zabel (2003), a qualidade do solo pode ser de� nida como sua capacidade de funcionar dentro de um ecossistema natural ou manejado, bem como sua capacidade de sustentar a produtividade vegetal e animal, manter ou, até mesmo, melhorar a qualidade do ar e da água, sem prejudicar a saúde humana (Figura 1). A avaliação de valores relacionados à qualidade do solo permite a avaliação da política de uso da terra em questão, além de identi� car áreas ou sistemas de manejo críticos. Permite também avaliações de práticas que possuem potencial de degradar ou melhorar o solo, ampliando o conhecimento e a compreensão sobre seu manejo sustentável. Assim, os valores médios obtidos por esses indicadores proporcionam o estabelecimento de limites inferiores e superiores da qualidade do solo, ou das condições químicas, físicas e biológicas adequadas (VAN BRUGGEN; SEMENOV, 2000) (Figura 2). 41WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Figura 1 – Fatores governados pela qualidade do solo e os atributosutilizados para sua quanti� cação, destacando-se a diversidade microbiana. Fonte: Silveira e Freitas (2007). Figura 2 - Representação da qualidade do solo, determinada por indicadores, em função do tempo. Fonte: Larson e Pierce (1994). Os solos que mantêm um alto conteúdo de biomassa microbiana são considerados solos com qualidade, por serem capazes de estocar e ciclar mais nutrientes. A Figura 3 representa o relacionamento das funções do solo, em relação à produção vegetal. 42WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Figura 3 - Funções do solo, atributos a elas relacionados e indicadores de qualidade do solo para a produção vegetal. Fonte: Tótola e Chaer (2002). Os indicadores de qualidade do solo não agem individualmente. Nem mesmo uma única função poderia ser avaliada em relação a um único microrganismo, visto que todos os atributos do solo necessitam ser colocados em relação a mais de um desses organismos. O autor Stenberg (1999) propôs cinco critérios para a seleção de indicadores da qualidade do solo, os quais os autores Tótola e Chaer (2002) adaptaram. São eles: a) Devem integrar propriedades e processos biológicos, físicos e químicos, e representar propriedades ou funções do solo que são difíceis de medir diretamente. b) A relevância ecológica e a variação natural dos indicadores devem ser bem conhecidas. c) Devem ser sensíveis a variações em longo prazo no manejo e no clima, mas resistentes a � utuações em curto prazo devido a mudanças climáticas ou ao desenvolvimento da cultura. d) Devem possibilitar sua medição acurada e precisa por meio de ampla variação de tipos e condições de solo. e) Devem ser de determinação simples e de baixo custo, para permitir que um grande número de análises possa ser realizado. 43WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1.2 Microrganismos no Solo e suas Funções O solo é um sistema dinâmico, um habitat excelente para populações microbianas. Os principais microrganismos que compõem a microbiota do solo são fungos, bactérias, algas, actinomicetos, protozoários e nematoides. A maior atividade biológica desses organismos concentra-se nas primeiras camadas do solo, entre 1 a 30 cm de profundidade. Nessas camadas, os microrganismos ocupam uma fração de aproximadamente 0,5% do volume total do solo, representando menos que 10% da matéria orgânica (ARAÚJO; MONTEIRO, 2007). Ainda assim, é no solo que encontramos a maior quantidade de microrganismos agrupados em um único sistema. Quanto maior a diversidade dessas espécies no solo, mais e� ciente será o uso dos recursos disponíveis. As interações interpopulacionais também contribuem para a maior e� ciência no uso dos recursos disponíveis no solo, desde que a interação seja equilibrada, ou seja, quando uma população de organismo contribui para suprir a demanda nutricional de outra população e vice- versa. Conforme mencionado anteriormente, a principal função desses microrganismos é a ciclagem de nutrientes e a degradação da matéria orgânica. Entretanto, os estudos avançam cada vez mais, e novas atividades microbianas vêm sendo descritas, contribuindo para o melhor entendimento dos ciclos do carbono, nitrogênio, ferro e manganês. Os microrganismos respondem de forma muito rápida a mudanças de ambiente do solo, que são decorrentes de alterações no manejo. Assim, a atividade microbiana do solo re� ete a in� uência conjunta de todos os fatores que regulam todos os processos em que estão envolvidos, como a degradação da matéria orgânica e as transformações de nutrientes. No processo de transformação da matéria orgânica, os microrganismos retiram os nutrientes e a energia necessários para sua formação e desenvolvimento. Por meio desse processo, os microrganismos são capazes de imobilizar temporariamente os nutrientes em sua biomassa, que serão liberados após a sua morte e decomposição, tornando-se, então, disponíveis para as espécies vegetais. Todas as interações microbianas no solo podem ser classi� cadas de acordo com os tipos de organismos que participam desse processo. Tais interações podem ser entre dois microrganismos (de espécies diferentes ou não), entre microrganismos e plantas e entre microrganismos e outros organismos vivos. Por exemplo, uma bactéria pode interagir com outra bactéria, com fungos, com protozoários ou com as plantas. Essas interações microbianas são importantes para os mais diferentes processos biológicos e bioquímicos no solo, proporcionam aumento na produção de alimentos e contribuem para a conservação da qualidade ambiental. Cada vez mais a função dos microrganismos no solo vem sendo estudada, com o objetivo de melhorar o ecossistema e permitir melhores condições para o desenvolvimento vegetal, além de contribuir para o aumento da produtividade agrícola, com qualidade ambiental. 1.3 O Solo como Fonte de Crescimento para Microrganismos O solo é um ambiente bastante heterogêneo, descontínuo e estruturado pela fase sólida. Constitui um meio ideal para o crescimento de diversos microrganismos. As unidades estruturais do solo variam de 2mm de diâmetro. Essa variabilidade no tamanho das partículas permite que ele seja composto por diversas comunidades, criando um ambiente próprio (micro- habitat). 44WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Além disso, o solo é um reservatório imenso de nutrientes, que são essenciais para o desenvolvimento e reprodução desses microrganismos. Diversos elementos minerais fazem parte da biomassa microbiana e são extremamente importantes para reações metabólicas. Os principais elementos são o carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo e enxofre. Todos esses nutrientes fazem parte do ciclo bioquímico do solo, mediado por microrganismos. Ao mesmo tempo, esses componentes presentes no solo são essenciais para que os microrganismos possam completar seu ciclo de vida. Naturalmente, a biomassa microbiana tende a declinar rapidamente em condições de secagem do solo e aumenta com a recuperação da umidade. Assim, uma proporção signi� cativa do carbono e do nitrogênio da biomassa microbiana pode ser liberada durante esses ciclos de secagem e umedecimento. Diversos processos � siológicos e bioquímicos dos microrganismos são mediados por nutrientes minerais presentes no solo. Moreira e Siqueira (2006) citam estes: a) Síntese de enzimas. b) Estabilização da parede celular. c) Estrutura do DNA e RNA. d) Divisão celular. e) Ligação de fagos à célula. f) Mobilidade. g) Interações simbióticas. Muitos ambientes naturais podem ser limitados por nutrientes, o que faz com que esses microrganismos tenham crescimento lento. Em tais condições, ocorre um estresse das células microbianas e é constatada a ausência de replicação desses microrganismos. Dessa forma, mesmo a adição de nutrientes mineiras, via adubação na agricultura, favorece o desenvolvimento e a atividade microbiana no solo. A biomassa microbiana responde de forma rápida à adição de carbono e nitrogênio prontamente disponíveis. A qualidade da matéria orgânica presente no solo também contribui para estimular o crescimento da biomassa microbiana, e a adição de resíduos verdes de alta qualidade provenientes da agricultura pode aumentar a relação do carbono microbiano e do carbono orgânico nos solos. O carbono e o nitrogênio presentes na cobertura vegetal morta podem ser aproveitados imediatamente pelos microrganismos do solo. A presença de plantas também é um fator que estimula o crescimento microbiano no solo, uma vez que a rizosfera exsuda constantemente compostos na forma prontamente disponível de carbono e nitrogênio, sendo absorvidos também de imediatamente pela biomassa microbiana. Outros substratos orgânicos estão presentes no solo, como compostos de resíduos de animais. A aplicação de esterco, por exemplo, também favorece a atividade e o desenvolvimentoda microbiota do solo. Os microrganismos podem ser divididos em função da forma como absorvem a energia do substrato: a) Quimioautotró� cos: utilizam energia de substância inorgânicas. b) Heterotró� cos: utilizam energia de compostos orgânicos. 45WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A atividade microbiana no solo é predominantemente heterotró� ca, e a velocidade com que os substratos são decompostos depende da complexidade de sua cadeia carbônica. Por exemplo, substratos que contêm lignina, cadeia de carbono complexa, são mais resistentes à decomposição em comparação a substratos que contêm proteínas ou glicose, cadeias simples de carbono, e são mais rapidamente decompostos pelos microrganismos. 1.4 Enzimas do Solo Entre todos os constituintes do solo, é importante ressaltar que existem moléculas de natureza proteica, especializadas com catalisar reações químicas. Esses constituintes são denominados enzimas e exercem papel fundamental nos ciclos bioquímicos do solo, na transformação de material orgânico, além de acelerarem a ciclagem de elementos químicos. Essas enzimas são produzidas pelos microrganismos habitantes do solo e catalisam a hidrólise de macromoléculas para sua absorção (MELO et al., 2010). As enzimas também são classi� cadas de acordo com sua relação com o microrganismo: a) Enzimas endoleculares ou endoenzimas: encontram-se no interior da célula. b) Exoenzimas: quando estão ligadas a uma membrana externa ou são excretadas. Ou seja, essas enzimas podem estar no interior da célula ou ligadas externamente a uma membrana celular, na solução do solo, adsorvidas à superfície de minerais ou substâncias húmicas presentes no solo, participando ou formando polímeros com essas substâncias ou, até mesmo, no espaço interlamelar de minerais de argila. A atividade enzimática total do solo é um somatório da atividade enzimática de organismos vivos, como plantas, animais e microrganismos, e das enzimas abiônticas, que são enzimas associadas à fração morta que se acumula no solo. Ainda assim, a maior parte das enzimas presentes no solo são produzidas pelos microrganismos que nele habitam. As enzimas presentes no solo são utilizadas também como um parâmetro de qualidade dele, por serem muito sensíveis a qualquer tipo de manejo e por estarem diretamente ligadas a transformações de nutrientes e à comunidade microbiana, por catalisarem todas as reações bioquímicas (YANG et al., 2008). Qualquer organismo vivo no solo, seja microrganismos ou raízes de planta, contribui para o aumento da variedade de enzimas. Geralmente, as enzimas são associadas à proliferação de células viáveis, mas podem também ser excretadas de uma célula viva ou liberadas na solução do solo por células mortas. Essas enzimas excretadas para a solução do solo podem formar complexos com os coloides húmicos e se estabilizarem na superfície de partículas de argila ou matéria orgânica, � cando ativas por tempo variável, dependendo das condições ambientais encontradas e do tipo de enzima. As enzimas que estão relacionadas com a ciclagem de nutrientes são aquelas que possuem a capacidade de hidrolisar os constituintes da matéria orgânica presente no solo, além de serem fonte de energia, como a celulase e a amilase, participantes do ciclo do carbono, ou a protease e urease, participantes do ciclo do nitrogênio. A enzima celulase promove a hidrólise da celulose, estrutura mais abundante da parede celular de plantas. É importante para a degradação de restos culturais, além de ser indicadora da ciclagem de carbono (SHAN et al., 2008). Já a enzima amilase é amplamente produzida pelos microrganismos presentes no solo e catalisa a hidrólise do amido, importante também na ciclagem do carbono. As enzimas urease e protease participam do ciclo do nitrogênio. A urease é envolvida no fornecimento de nitrogênio para as plantas e participa de forma direta da hidrolise da ureia. A protease promove a mineralização do nitrogênio orgânico dos compostos orgânicos. 46WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Essas são algumas das principais enzimas envolvidas na microbiota do solo. A determinação da atividade enzimática de um solo fornece indicações sobre os níveis das atividades realizadas pelas populações microbianas presentes e é um fator importante para analisar o estado metabólico dos microrganismos no solo. 2. INFLUÊNCIAS DOS FATORES AMBIENTAIS, FÍSICOS E QUÍMICOS NO DESENVOLVIMENTO DA POPULAÇÃO MICROBIANA DO SOLO A exploração do homem e os diferentes tipos de manejo do solo resultam em diferentes níveis de estresse para as plantas e para a comunidade microbiana do solo. O que nos permite avaliar o impacto ambiental sobre a microbiota do solo é a comparação entre per� s de comunidades microbianas em áreas nativas e áreas cultivadas ou exploradas de alguma forma. São três os tipos de fatores que podem afetar diretamente a comunidade microbiana do solo: físicos, químicos e biológicos. Dentre os fatores físicos, destacam-se as temperaturas extremas, umedecimento e secagem do solo, potencial osmótico, compactação e destruição das estruturas do solo, provenientes de gradagem e aração, por exemplo. Os fatores químicos envolvem variações de pH, excesso ou falta de nutrientes de origem orgânica ou inorgânica, salinidade, poluentes e produtos químicos. Já os fatores biológicos constituem-se da introdução de organismos exógenos que possuam alta competitividade, bem como crescimento descontrolado em relação a outros microrganismos. Entretanto, é interessante lembrar que raramente um fator irá ocorrer de forma isolada. É muito comum estresses físicos, químicos e biológicos ocorrerem de uma só vez. A falta de substrato também é uma forma de desequilíbrio populacional da microbiota. Como citado anteriormente, a grande maioria dos microrganismos do solo é heterotró� ca e demanda substrato orgânico como fonte de energia para seu metabolismo e desenvolvimento. Sendo assim, a adição de substrato orgânico no solo pode aumentar signi� cativamente a densidade populacional de microrganismo. 2.1 Influência da Temperatura A temperatura é um dos fatores físicos mais importantes e determinantes na distribuição e atividade dos microrganismos do solo. Esse fator pode afetar diretamente a � siologia dos microrganismos ou afetar indiretamente, promovendo mudanças no ciclo de nutrientes e na atividade e disponibilidade de água. Para saber mais sobre os microrganismos habitantes do solo, assista ao vídeo A vida do solo – Original, de Ana Primavesi. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=5CP0xYOLEcM. 47WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Os microrganismos são classi� cados de acordo com a temperatura ótima para seu desenvolvimento, conforme segue: a) Crió� los ou psicró� los: crescem em temperaturas entre 10 a 15°C. b) Mesó� los: crescem em temperaturas entre 25 a 40°C. c) Termó� los: crescem em temperaturas entre 40 a 85°C. 2.2 Influência da Umidade A água é um fator essencial para os microrganismos presentes no solo. A falta de água pode afetar diretamente o metabolismo intracelular, o movimento dos nutrientes, a pressão osmótica e outros aspectos que in� uenciam diretamente no desenvolvimento dos microrganismos. Estudos apontam mudanças nas populações de microrganismos conforme os níveis de umidade no solo. Moreira e Siqueira (2006) mostraram que, quanto maior a umidade, maiores são as populações de fungos presentes no solo. 2.3 Influência da Textura do Solo A textura do solo impacta sua microbiota, de modo que solos com maior quantidade de argila possuem potencial para estimular a manutenção da biomassa microbiana. Os solos argilosos aumentam a absorção de compostos orgânicos e de nutrientes, servindo como um tampão às mudanças de pH, protegendo, assim, os microrganismos. Geralmente, o tamanhoe a estabilidade dos agregados do solo aumentam a população microbiana presente. Na agricultura, comparando o sistema de plantio convencional com o plantio direto, este último favorece a estabilidade dos agregados do solo, promovendo, assim, o desenvolvimento de hifas de fungos, por exemplo, o que mantém a população microbiana do solo. As partículas de argila do solo, junto à matéria orgânica, atuam como um suporte sólido, absorvendo e concentrando diversos microrganismos em sua superfície. Existe também a possibilidade de produção de substâncias extracelulares, como as próprias enzimas já estudadas. Essas substâncias interferem no processo de agregação das partículas do solo, agindo como um “cimento”, promovendo a formação de agregados que contribuem para a melhoria do solo. Os fungos micorrízicos arbusculares, por exemplo, produzem uma glicoproteína denominada glomalina, que atua na agregação das partículas de solo. Sendo assim, esses microrganismos também lançam mão de mecanismos que ajudam na estrutura do solo para seu benefício. Consequentemente, esse fator acaba sendo bené� co também para o desenvolvimento de espécies vegetais, devido às condições ideais do solo após a ação da microbiota. 48WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 2.4 Influência do pH Geralmente, a biomassa microbiana se relaciona de forma positiva com o pH do solo. Embora as condições dos solos ácidos possam exercer efeito negativo sobre muitas comunidades de microrganismos, algumas comunidades são adaptadas a tal condição, sem que esse fator inter� ra diretamente no seu desenvolvimento. Em algumas situações, pode ser que a biomassa microbiana seja inibida quando o pH alcança valores baixos, em torno de 2,0 a 3,0. Quando o pH está baixo, ocorre um aumento no teor de alumínio, que pode ser tóxico a muitos microrganismos presentes no solo. Na agricultura, para resolver esse problema, a aplicação de calcário é uma opção viável. Entretanto, a calagem, inicialmente, possui a capacidade de estimular a biomassa microbiana do solo, e, após um valor determinado de pH, é possível que essa população comece a cair. O pH do solo também depende de vários fatores, como o material de origem do solo, a quantidade de adubação que a área recebe e a própria atividade microbiana do solo. Diante disso, os microrganismos podem ser classi� cados, também, em relação à sua tolerância em uma faixa de pH, conforme segue: a) Insensitivos: toleram uma ampla faixa de pH. b) Neutró� los: não toleram acidez ou alcalinidade, necessitam de equilíbrio. c) Acidó� los: desenvolvem-se melhor em condições ácidas. d) Basó� los: desenvolvem-se melhor em condições alcalinas. 2.5 Práticas Culturais Os diferentes sistemas de manejo de solo e culturas promovem modi� cações consideráveis ao solo, podendo alterar a disponibilidade de nutrientes, água, oxigênio, além de afetar diretamente sua microbiota. No sistema convencional, a ação de revolver o solo pode causar distúrbios nos primeiros 25 cm de sua superfície. Esse processo transforma os horizontes super� ciais em zonas homogêneas, o que leva à perda de um habitat de solo e à diminuição da densidade de microrganismos presentes nele. Os fungos micorrízicos, por exemplo, possuem hifas muito � nas, e o processo de revolvimento do solo rompe essas hifas, além de expô-las ao sol e calor excessivo, tornando-as inviáveis. Sendo assim, os diferentes tipos de manejos de solo afetam seu equilíbrio, seja de forma bené� ca ou malé� ca. O Sistema de Plantio Direto (SPD) tem-se mostrado uma das melhores alternativas para conservar a microbiota do solo, uma vez que esse sistema tem o revolvimento mínimo do solo. O SPD favorece o aproveitamento de água, permite a cobertura vegetal do solo e mantém a temperatura, a matéria orgânica e a estrutura física do solo. Em razão da menor área de contato com o solo, resulta na decomposição mais lenta da matéria orgânica, afetando de forma positiva a fertilidade do solo. Esse sistema também proporciona maior quantidade de resíduos na superfície do solo, aumentando a disponibilidade de substrato para os microrganismos. Todos esses elementos são fatores que favorecem diretamente a microbiota do solo e, consequentemente, promovem o desenvolvimento de espécies vegetais. 49WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA No SPD, a massa microbiana do solo e suas atividades são maiores nas camadas super� ciais do solo, em comparação ao sistema convencional. Assim, o SPD tende a aumentar a quantidade de matéria orgânica nas primeiras camadas do solo, aumentando também o compartimento microbiano, pois diminui a amplitude da maioria dos efeitos ambientais que poderiam prejudicar essas comunidades. 3. INTERAÇÃO DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS COM A MICROBIOTA DO SOLO A atividade humana causa impacto para todo o tipo de vida na natureza. Em relação ao solo, essas atividades podem causar mudanças físicas e químicas no solo, seja pela adição ou pela remoção de elementos. Todos esses fatores podem in� uenciar de alguma maneira na microbiota do solo. Em relação à interação desses microrganismos com defensivos agrícolas, muitas vertentes são estudadas. Os fungicidas, por exemplo, frequentemente podem exercer um efeito inibitório na população de microrganismos no solo. Já os herbicidas apresentam efeitos variados, podendo diminuir ou não essa população de microrganismos. Os efeitos de agroquímicos podem afetar também as enzimas do solo, dependendo da dose e da composição do produto. Isso porque, certas moléculas são capazes de desorganizar as estruturas físicas da membrana desses microrganismos, modi� cando seus mecanismos. Essas modi� cações atuam diretamente na produção das enzimas extracelulares ou intracelulares, ou mesmo mudanças bioquímicas nas enzimas após sua produção. Geralmente, esses problemas estão relacionados aos fungicidas, que possuem essa característica de desorganização celular da membrana. A modi� cação da membrana celular dos microrganismos pode ser causada também por outras substâncias que compõem os agroquímicos, como óleos ou solventes orgânicos, os quais possuem a capacidade de aumentar a permeabilidade da membrana, in� uenciando as interações entre lipídeos, até o rompimento da ligação hidrofóbica entre os lipídeos e as regiões apolares da membrana celular. Outros danos também podem ser causados. Um exemplo é a interação entre lipídeos e radicais livres, como os herbicidas do grupo bipiridílio, devido ao ataque dos radicais peróxi e hidroxil sobre os lipídeos da membrana celular (HARRIS; DODGE, 1972). Esses fatores podem levar à morte dos microrganismos no solo, e, no caso de os microrganismos sobreviverem, podem ocorrer alterações, como a inibição de enzimas e a interrupção da biossíntese de novas moléculas. Ampofo, Tetteh e Bello (2009) estudaram o efeito de três agroquímicos, sendo um inseticida (dimetoato) e dois herbicidas (paraquat e glifosato), e avaliou posteriormente o número total de microrganismos presentes no solo. Os autores observaram redução de 82,5% no número de organismos no solo tratado com glifosato e de 92,86% no solo tratado com paraquat. Para entender mais da microbiota do solo e da qualidade ambiental, leia o livro Microbiota do Solo e Qualidade Ambiental, de Adriana Parada Dias da Silveira e Sueli dos Santos Freitas. Disponível em: http://www.iac.sp.gov.br/publicacoes/ publicacoes_online/pdf/microbiota.pdf. 50WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Entretanto, em relação às bactérias isoladamente, não houve redução na população com o uso de inseticida. É importante ressaltar que alguns produtos químicos podem ser fonte de nutrientes para os microrganismos presentes no solo e também podem bene� ciar o seu crescimento, aumentando a atividade enzimática. A aplicação de herbicidas no solo, por exemplo, podeservir como fonte como substrato para o crescimento microbiano. Além disso, alguns microrganismos possuem a capacidade de degradação desses compostos. Da mesma forma que a matéria orgânica é degradada por toda microbiota presente no solo, os produtos químicos aplicados no solo também. A degradação destes é in� uenciada por microrganismos e por enzimas especí� cas. Entretanto, ainda que os microrganismos possam agir degradando os químicos aplicados no solo, muitas vezes ainda restam resíduos desses compostos, que podem � car ativos por algum tempo. De acordo com Hellawell (1988), dependendo do tipo de substância, o tempo para que se tornem inativos no solo varia de seis meses para compostos como toluinas, nitrilas e fenoxi, e de um até dezoito meses quando se trata de compostos derivados de ureia, picloram e triazinas. No processo de degradação desses compostos químicos, os microrganismos assimilam os produtos provenientes desse processo. Essa é uma etapa extremamente importante para a manutenção da sanidade da microbiota do solo (FUENTES et al., 2010). A degradação microbiológica de outros compostos é denominada de biodegradação e é considerada a principal vida de deterioração de produtos no solo. Além de utilizarem os produtos da degradação como substrato, podem transformá-los em energia para sua sobrevivência. A biodegradação envolve a oxidação de vários compostos intermediários em moléculas mais simples, como água e CO2. O catabolismo e o metabolismo microbianos são os principais meios da biodegradação. Os fungos e as bactérias são descritos como os principais organismos degradadores de herbicidas. Assim, são responsáveis pela transformação do herbicida, dando origem a moléculas mais simples, como citado no parágrafo anterior, além de originar metabólitos, que são menos tóxicos do que a molécula inicial (MONTEIRO, 2001). São duas as estratégias apresentadas pelos microrganismos para a metabolização de herbicidas: a) Catabolismo: o herbicida é absorvido e quebrado em moléculas muito menores, gerando energia. Assim, a biomassa microbiana é favorecida, uma vez que tira energia do substrato. b) Cometabolismo: o herbicida é transformado por reações metabólicas, entretanto, não serve como fonte de energia para os microrganismos. Assim, é preciso que haja um substrato secundário, ou seja, outra fonte de energia e carbono, para que os microrganismos consigam degradar tais moléculas. Geralmente, nesse caso, não ocorre a transformação completa da molécula. Os autores Cycón, Wójcik e Piotrowska-Seget (2009) observaram a biodegradação do inseticida diazinom pelas bactérias Serratia liquefaciens, S. marcescens e Pseudomonas sp. e, em 14 dias, de 80 a 92% da dose inicial do inseticida foi degradada por essas bactérias. Sagar e Singh (2011) também observaram a biodegradação por duas espécies de fungos, Fusarium poae e F. solani frente ao pesticida lindane. Os autores observaram uma degradação do composto pelo fungo F. poae de 56,7%, e de 59,4% pelo fungo F. solani. Por meio de análise de cromatogra� a gasosa, os autores con� rmaram a utilização e a biodegradação do lindane por ambos os fungos. 51WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Como observamos, a aplicação de produtos químicos no solo pode ocasionar prejuízos ou benefícios para a microbiota, dependendo da molécula e da sua persistência (Figura 4). A degradação de diferentes compostos por parte dos microrganismos mostra uma adaptação da microbiota de solos com a presença desses produtos. Por exemplo, estudos mostraram que a aplicação do herbicida glifosato teve efeito positivo sobre a população microbionada do solo, aumentando o número de fungos e actinomicetos, sem afetar a população de bactérias (ARAÚJO; MONTEIRO; ABARKELI, 2003). Por outro lado, os autores Andrighetti et al. (2014) mostraram que o herbicida glifosato apresentou efeitos negativos na multiplicação de bactérias dos solos contaminados. Mesmo assim, os resultados evidenciaram que o glifosato foi utilizado como fonte de nutrientes pela microbiota como um todo (fungos, actinomicetos). Os mesmos autores ainda a� rmam que a microbiota presente nos solos com menor tempo de aplicação do herbicida glifosato demonstra maior capacidade de degradação do que aquela existente nos solos com um período maior de aplicação. Ainda assim, os autores Zobiole et al. (2010) a� rmam que aplicações repetidas do herbicida glifosato podem interferir nas bactérias da rizosfera, prejudicando o crescimento delas. Dessa forma, ainda que os microrganismos possam se bene� ciar de moléculas químicas aplicadas no solo, essa aplicação deve ser feita com cautela, a � m de não prejudicar a microbiota do solo. Figura 4 - Destino dos pesticidas aplicados na agricultura. Fonte: Mancuso, Negrisoli e Perim (2011). 52WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA O aumento da produção de alimentos e da produtividade é o objetivo da agricultu- ra moderna. Entretanto, não podemos apenas retirar os nutrientes do solo, é preci- so repor esses nutrientes e proporcionar um ambiente físico e químico adequado para o estímulo da atividade dos microrganismos que habitam o solo. Mantendo e estimulando as comunidades microbianas, garantimos um sistema de produção de melhor qualidade e, ao mesmo tempo, ecologicamente sustentável, com redu- ção de custos. Os microrganismos decompõem restos vegetais e restos animais e os transfor- mam em gases e elementos minerais, que podem ser utilizados por outros orga- nismos, incluindo as plantas. Dessa forma, a produção de matéria orgânica au- menta, tornando o solo mais fértil naturalmente. Além disso, os microrganismos atuam desde o início da formação do solo e po- dem também ser responsáveis pelo controle biológico de pragas e doenças que prejudicam o desenvolvimento das plantas. Desse modo, quanto maior for a diver- sidade microbiana no solo, maior será sua qualidade. Solos pobres em microrga- nismos se tornam frágeis e suscetíveis a processos degradativos, que os tornam menos próprios para a agricultura. Qual é a impotência dos microrganismos para o solo? Como seria o solo sem a presença da microbiota viva? Juntamente com a fauna e o sistema radicular das plantas, os microrganismos compõem a parte viva do solo. Esses microrganis- mos podem ser utilizados como bioindicadores da qualidade do solo, por estarem ligados ao seu funcionamento, mantendo uma relação íntima com componentes físicos e químicos. Sem a presença da microbiota viva, o solo seria apenas uma mistura de areia e argila, sem vida. O fator que faz o solo ser vivo e funcionar como uma maquinaria biológica são os microrganismos. Dessa forma, sem essas co- munidades, seria impossível o cultivo de qualquer espécie vegetal e, consequen- temente, da vida. 53WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, observamos a importância da atividade microbiana nos solos, fator responsável pela transformação de nutrientes, bem como pela decomposição da matéria orgânica, características que são fundamentais para o estruturamento e a fertilidade do solo. Vimos que há uma interação bené� ca ou não entre defensivos agrícolas e microrganismos, em que pode ocorrer a redução ou o aumento dessas populações frente a diferentes tipos de compostos. Vimos, ainda, que os microrganismos agem degradando esses compostos químicos no solo, utilizando seu produto como substrato para sua sobrevivência. Quanto maior for a população de microrganismos no solo, maior será a qualidade dele e menos sensível estará a efeitos deletérios, podendo esses microrganismos ser utilizados na predição de problemas ligados à degradação do solo e à redução da produtividade. 5454WWW.UNINGA.BR UNIDADE 04 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................55 1. MICRORGANISMOS NO CONTROLE BIOLÓGICO .............................................................................................. 56 1.1 AGENTES DE CONTROLE BIOLÓGICO ............................................................................................................... 58 1.2 MICRORGANISMOS NA INDUÇÃO DE RESISTÊNCIA CONTRA PATÓGENOS .............................................. 60 2. UTILIZAÇÃO DE MICRORGANISMOS NA INDÚSTRIA .......................................................................................63 3. NORMAS EM LABORATÓRIO DE MICROBIOLOGIA .......................................................................................... 66 3.1 BIOSSEGURANÇA ................................................................................................................................................67 3.1.1 SEGURANÇA NO LABORATÓRIO DE MICROBIOLOGIA .................................................................................67 3.2 BOAS PRÁTICAS LABORATORIAIS (BPLS) ...................................................................................................... 68 CONSIDERAÇÕES FINAIS .........................................................................................................................................70 MICRORGANISMOS E O MERCADO PROF.A MA. ANGÉLICA MIAMOTO ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: MICROBIOLOGIA AGRÍCOLA 55WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Os microrganismos, principalmente fungos e bactérias, são comumente associados a doenças, tanto de humanos quanto de animais e plantas. Entretanto, como já estudamos em unidades anteriores, os microrganismos desempenham diversas funções no ambiente. Muitos microrganismos podem ser utilizados na indústria, bene� ciando a sociedade como um todo. Na agricultura, esses microrganismos são utilizados em grande escala, como vimos anteriormente, na ciclagem de nutrientes e compostos no solo, bem como na associação bené� ca com plantas, promovendo seu crescimento e conferindo-lhe maior resistência. Podem também ser utilizados como agentes de controle biológico, em que um ou mais microrganismo atua de forma antagônica a um determinado patógeno, impedindo de alguma forma seu desenvolvimento ou colonização e alimentação do hospedeiro. O controle biológico de doenças é uma vertente bastante difundida na agricultura e ganha cada vez mais força em virtude da preocupação com o meio ambiente e com a resistência de doenças a princípios ativos de defensivos agrícolas. É uma prática que promove benefícios diretos e indiretos, pois controla efetivamente a doença e confere maior resistência à planta. Além disso, os microrganismos são utilizados na indústria, como a alimentícia e a farmacêutica, em processos de fermentação de pães, vinhos e cervejas, bem como na produção de antibióticos para uso humano e animal. Sendo assim, conhecer a importância desses microrganismos em nossa sociedade é enriquecedor. E, para que todos esses microrganismos tivessem suas funções bené� cas estabelecidas, muitas pesquisas foram realizadas. Todas as pesquisas envolvendo microrganismos são realizadas em laboratórios de microbiologia. Dessa forma, é importante também conhecermos o funcionamento de um laboratório e as boas práticas laboratoriais. Esta unidade, portanto, irá abordar o controle biológico de doenças, a utilização dos microrganismos na indústria e as boas práticas laboratoriais, para que possamos completar o entendimento a respeito dos microrganismos. 56WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1. MICRORGANISMOS NO CONTROLE BIOLÓGICO O uso intensivo e indevido de produtos químicos para o controle de � topatógenos na agricultura pode promover problemas ambientais, como a contaminação do solo, da água, dos animais e dos alimentos, a intoxicação de agricultores e a resistência de patógenos a princípios ativos. Todos esses fatores ocorrem em função de um desequilíbrio biológico, proveniente do uso indevido dos defensivos agrícolas, como doses e aplicações acima do recomendado e utilização do mesmo princípio ativo sem rotatividade. Esses fatores podem afetar diretamente a ciclagem de nutrientes e a matéria orgânica do solo, por meio da eliminação de organismos bené� cos, o que reduz a biodiversidade. Entretanto, a proteção de plantas conferida pelo uso de defensivos agrícolas também apresenta vantagens, quando utilizados de forma correta e adequada. Para o sucesso da aplicação de um fungicida, por exemplo, é importante ter o conhecimento técnico do produto, da forma de aplicação e da dose recomendada para cada cultura, e não necessariamente da ecologia, da � siologia da espécie-alvo ou suas interações biológicas (BETTIOL, 2008). Por outro lado, a preocupação da sociedade com os impactos ambientais causados pelo uso indevido de produtos químicos está cada vez maior. Esse fato resulta em um mercado de alimentos produzidos sem o uso de produtos químicos ou, até mesmo, de alimentos que exijam certi� cação de que os defensivos agrícolas foram utilizados de forma adequada. Assim, a busca por alternativas que substituam os produtos químicos ou que permitam seu menor uso está cada vez mais presente nos estudos (BETTIOL, 2008). Dentre as alternativas para a produção de alimentos com menos produtos químicos, destaca-se o controle biológico. O controle biológico de doenças é uma ciência que teve início em 1926, quando pesquisadores publicaram trabalhos sobre fatores que afetavam a patogenicidade de Streptomyces scabies, agente causal da sarna comum da batata. Alguns anos depois, em 1931, os pesquisadores empregaram pela primeira vez o termo “controle biológico”. Assim, o termo “controle biológico” pode ser de� nido como o resultado da interação de um hospedeiro, patógeno e outros microrganismos que limitam, de alguma forma, a atividade do patógeno ou aumenta a resistência do hospedeiro. Os componentes do controle são compostos pelo patógeno (agente causador da doença), pelo hospedeiro e pelo antagonista (agente de controle biológico), que podem sofrer in� uências do ambiente, interagindo em um sistema biológico. Para que o controle biológico seja efetivo, deve haver a redução da densidade de inóculo, ou das atividades determinantes do patógeno, por meio de um ou mais microrganismo. Os microrganismos controlam os patógenos de plantas interferindo em alguma das atividades determinantes da doença, como crescimento, infectividade, agressividade e virulência do patógeno durante o processo de parasitismo. Também podem agir por efeito antagônico. O termo antagonista diz respeito a qualquer agente biológico que inter� ra no ciclo de vida de um segundo organismo. Assim, o controle biológico é uma alternativa e� ciente no manejo de doenças de plantas (� topatógenos) e caracteriza-se pela utilização de outros organismos que agem direta ou indiretamente sobre os patógenos. O controle biológico tem como objetivo manter equilíbrio no sistema, fazendo com que o hospedeiro não sofra danos signi� cativos na presença do patógeno, em função da ação controladora exercida pelo agente de controle biológico. São três as formas de se interpretar o controle biológico: 57WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA a) Como um estudo em diferentes áreas, que abrange ecologia de populações, comportamento, � siologia e genética. b) Como um fenômeno natural, em que praticamente toda espécie de organismos existentes possui inimigos naturais que são capazes de regular sua população. c) Como uma estratégia de controle de patógenos por meio da utilização de parasitoides e predadores. Ainda, duas vertentes do controle biológico podem ser abordadas: o natural e o aplicado. O controle biológico natural envolve as ações combinadas de fatores bióticos e abióticos do meio ambiente como um todo, na manutenção das densidadespopulacionais de microrganismos, bem como nas características da população, realizando um equilíbrio natural. Sabe-se que muitos organismos malé� cos às plantas podem ser mantidos em densidades baixas por meio da ação de inimigos naturais que ocorrem no campo, em um ecossistema em equilíbrio. Já o controle biológico aplicado envolve a interferência do homem, que objetiva incrementar as interações de antagonismo entre microrganismos agentes de controle biológico e patógeno, que ocorreriam naturalmente. Envolve também a importação de agentes biológicos de um país para outro, ou de regiões para outras, de modo a exercer equilíbrio biológico a uma determinada praga. Em relação ao antagonismo do agente de controle biológico e o patógeno, podemos dividir esses mecanismos em: Antibiose: interação entre os microrganismos, em que o organismo antagônico produz metabólitos que afetam negativamente o � topatógeno, inibindo seu crescimento e/ou germinação. Competição: interação entre dois ou mais organismos, que competem principalmente por alimentos, oxigênio e espaço. Parasitismo: um organismo se nutre de estruturas de outro organismo. O agente de controle biológico se alimenta das estruturas do � topatógeno. Predação: um organismo de controle biológico obtém alimento a partir do � topatógeno e de diversas outras fontes. Hipovirulência: introduzir uma linhagem menos agressiva ou não patogênica do patógeno, que possa transmitir essa característica para as linhagens patogênicas. Ainda, na utilização do controle biológico de � topatógenos, podemos adotar três estratégias: a) Controle biológico do inóculo do patógeno: esse controle envolve a destruição da fonte de inóculo do patógeno ou a prevenção de sua formação, por meio da aplicação de microrganismos antagonistas em pré-plantio ou sulco de plantio. Dessa forma, evitamos que o patógeno chegue até a planta hospedeira. 58WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA b) Proteção biológica da superfície da planta: nesse processo, realiza-se a introdução massal de microrganismos antagônicos, que apresenta um dos maiores sucessos atuais no controle biológico. c) Controle biológico por meio da indução de resistência: esse tipo de controle consiste na ativação de mecanismos de defesa latentes da planta pelo microrganismo. Trata-se de uma tecnologia que vem se desenvolvendo nos últimos anos, por isso, será tratada em um tópico separadamente mais adiante. Na agricultura atual, diversos produtos são registrados para as mais variadas culturas e patógenos. O emprego desses microrganismos como agentes de controle biológico é realizado no tratamento de sementes, no tratamento de solo, na parte aérea da planta e no tratamento de ferimentos de poda, no caso de frutíferas. 1.1 Agentes de Controle Biológico Os fungos e bactérias são os principais organismos utilizados como agentes de controle biológico de � topatógenos atualmente. Nesse sentido, destacam-se os fungos do gênero Trichoderma. O efeito bené� co de fungos do gênero Trichoderma no controle de doenças está associado principalmente aos efeitos diretos sobre os � topatógenos. Um dos mecanismos mais promissores desse fungo é, sem dúvida, a sua capacidade de induzir resistência. Entretanto, esse mecanismo tem sido pouco estudado, talvez porque as pesquisas tenham se concentrado nos mecanismos diretos do fungo, mais especi� camente o micoparasitismo e a antibiose (HARMAN et al., 2004). No mercado, existem diversas formulações disponíveis, como produtos de controle biológico à base de Trichoderma, incluindo as formas de pó molhável, grânulos dispersíveis, suspensão concentrada, óleo emulsionável, grãos colonizados e esporos secos. As principais espécies comercializadas atualmente são Trichoderma harzianum, T. asperellum, T. stromaticum e T. viride (MICHEREFF, 1991). As espécies de Trichoderma possuem os mecanismos de parasitismo de outros fungos � topatogênicos, aproveitando-os como uma fonte nutricional. Além disso, os autores Harman e Bjorkman (1998) relataram diversos outros mecanismos empregados no biocontrole utilizando Trichoderma, como o micoparasitismo (parasitismo de outros fungos), antibiose, competição por espaço, sítio de alimentação e nutrientes, desativação de enzimas do patógeno, aumento da tolerância da planta a estresses e indução de resistência. Esses fatores são estabelecidos por meio do crescimento rápido desse fungo no solo, bem como pela liberação de metabólitos produzidos pelo mesmo. Além do uso como agente de controle biológico, os fungos do gênero Trichoderma são ainda mais utilizados devido as suas outras características, como estimulador do crescimento de plantas e, até mesmo, biodegradador de produtos químicos com alta persistência no ambiente. Em relação ao mecanismo por antibiose, os fungos do gênero Trichoderma produzem metabólitos secundários que possuem atividade biológica. Tais metabólitos podem incluir diversos grupos naturais de natureza química, que estão relacionados à sobrevivência do fungo e à competição contra outros microrganismos. Existem cepas desse fungo que são capazes de produzir mais de 100 tipos de metabólitos diferentes com potencial antifúngico, que agem como biocontrole de fungos � topatogênicos (HARMAN et al., 2004). 59WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Em relação à competição por nutrientes, Trichoderma spp. compete com os � topatógenos por carbono, nitrogênio e outros fatores de crescimento, somando com a competição por sítios de infecção e espaço (VINALE et al., 2008). Esse fungo possui uma capacidade grande de mobilizar nutrientes no solo, o que lhes confere vantagem competitiva, pois os tornam mais e� cientes que outros microrganismos na competição por exsudatos liberados pelas sementes durante o processo de germinação, que estimulam também a germinação de propágulos fúngicos (HARMAN et al., 2004). Outro fator interessante é um produtor e� ciente de esporos e de enzimas degradadoras de parede celular. Assim, com a grande produção de esporos, os fungos do gênero Trichoderma conseguem ampliar sua população no solo de forma e� ciente, aumentando sua vantagem competitiva. Além disso, o arsenal enzimático produzido por ele possui grandes propriedades antifúngicas, como as enzimas líticas quitinase, glucanase, celulases, entre outras (VINALE et al., 2008). As espécies de Trichoderma também são descritas como agentes de controle biológico de � tonematoides. Seu modo de ação é pela competição por exsudatos liberados pelas sementes no processo de germinação e desenvolvimento radicular, fator que inibe a eclosão de ovos pela falta de estímulo ocasionado pela redução ou falta dos exsudatos (HARMAN et al. 2004). Freitas et al. (2012) observaram por meio de teste de mortalidade de J2 in vitro que os � ltrados dos isolados de Trichoderma avaliados foram e� cientes em promover a mortalidade dos juvenis, após 24 horas. De acordo com Devrajan e Seenivasan (2002), � ltrados desse fungo possuem efeito tóxico sobre juvenis e adultos de Meloidogyne spp. Em relação às bactérias, um dos gêneros mais estudados como agente de controle biológico é o Bacillus spp., o qual vem sendo utilizado comercialmente como biocontrole de � topatógenos, além de potencial no aumento da produtividade de diversas culturas. Estudos mostram que, além de atuar como agente de biocontrole, Bacillus spp. também atua como promotor de crescimento em plantas. Esse fator também é importante no controle de doenças, uma vez que aumenta a capacidade da planta de se recuperar de estresses bióticos e abióticos. Atualmente, no mercado existem também diversos produtos à base de Bacillus spp., destacando a espécie Bacillus subtilis, o qual faz parte da formulação de muitos bioprodutos e� cientes no controle de doenças e no crescimento das plantas, sendo produtos com grande viabilidade de uso (HAMMAMI et al.,2009). Esse gênero de bactéria atua como antagonista direto sobre os � topatógenos, envolvendo mecanismos de antibiose por meio da síntese de substâncias antimicrobianas e compostos voláteis, além de também competirem por espaço e nutrientes (LEELASUPHAKUL et al., 2008). No geral, os microrganismos que agem por antibiose possuem um amplo espectro de ação, inibindo fungos, bactérias e nematoides, sendo que a inibição pela produção de substâncias tóxicas é a mais efetiva (KUPPER; GIMENES-FERNANDES; GOES, 2003). Bacillus subtilis produzem uma variedade grande de metabólitos antifúngicos, como lipopeptídeos, que são compostos cíclicos de diversos α-aminoácidos ligados a um único β-amino (iturinas) ou βhidroxi (surfactinas e fengicinas) ácido graxo. As leveduras também são utilizadas como método alternativo de controle biológico, por possuírem diversas características desejáveis, como alta capacidade de utilização e competição por nutrientes, alta proliferação, mecanismos de antibiose e hiperparasitismo. Como agentes de controle biológico, as leveduras atuam na inibição do ciclo de vida do � topatógeno ou já no estágio de desenvolvimento da doença de diferentes formas. Sendo assim, esses agentes biológicos podem proporcionar diferentes níveis de controle, atuando na prevenção da infecção, na redução do desenvolvimento das colônias dos � topatógenos no tecido do hospedeiro ou na diminuição da sobrevivência ou esporulação. 60WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A competição por espaço e nutrientes é o mecanismo de ação mais estudado em leveduras. Essa competição entre os microrganismos é considerada um dos mecanismos do controle biológico indispensável nos estudos de interações entre levedura-fungo � lamentoso (BLEVE et al., 2006). Fungos � topatogênicos são patógenos que necessitam de aberturas naturais ou não (ferimentos, estômatos etc.) no tecido da planta para causar a doença. Sendo assim, agentes utilizados como biocontrole devem ser aptos a competir de fato com os patógenos por esses sítios de infecção, de modo a impedir o patógeno de se nutrir e ter espaço para se desenvolver, prevenindo, assim, a reprodução e a infecção (PUNJA; UTKHEDE, 2003). Algumas leveduras têm a capacidade de secretar uma toxina proteica que pode matar outras células de leveduras sensíveis a ela. Essa secreção foi denominada como toxina killer. As leveduras da linhagem killer, cujas espécies mais estudadas são S. cerevisiae e Kluyveromyces lactis, além de controlar o crescimento de leveduras sensíveis a ela, podem inibir outros grupos de microrganismos, como bactérias e fungos � lamentosos. Há estudos em que leveduras killer foram empregadas no controle de outros � topatógenos, atuando particularmente no crescimento micelial (CABRAL et al. 2009). Atualmente, a utilização de microrganismos como agente de controle biológico em pós-colheita vem tomando cada vez mais espaço no mundo, pelo principal fato de não deixar resíduos nos frutos. Pesquisas mostram que a utilização de leveduras de diferentes gêneros, como Cryptococcus laurentii, C. in� rmominiatus, Candida saitoana, C. oleophila, vem trazendo bons resultados no controle de doenças nesse período (FRAVEL, 2005). Blum et al. (2004) avaliaram a capacidade da levedura C. laurenti de diminuir a incidência de mofo branco (Penicillium expansum), podridão amarga (Glomerella cingulata) e da podridão-olho-de-boi (Pezicula malicorticis) em duas cultivares de maçãs, Gala e Fuji, e constataram, além da diminuição da incidência, diminuição do diâmetro das lesões. Machado e Bettiol (2010) constataram que, em plantas de Lírio (Lilium spp.), a levedura Sporidiobolus pararoseus reduziu tanto incidência quanto severidade de Botrytis cinerea, e que são imprescindíveis a utilização e a manutenção de leveduras em elevada população nessas plantas para que se tenha um controle biológico satisfatório da doença. O uso excessivo de fungicidas no controle de � topatógenos acaba por eliminar boa parte da população de leveduras, deixando os nutrientes disponíveis aos patógenos. Camatti- Sartori et al. (2006) observou que, quando as leveduras foram isoladas em sistema de cultivo convencional, integrado e orgânico, a população de leveduras endofíticas foi três vezes maior nos frutos orgânicos em relação aos outros dois. 1.2 Microrganismos na Indução de Resistência contra Patógenos Naturalmente, todas as plantas possuem um mecanismo de resistência natural contra patógenos. Esses mecanismos podem ser físicos ou químicos e pré-existentes. Essa resistência é a capacidade que a planta tem de atrasar ou evitar a entrada de um determinado microrganismo, impedindo a colonização por meio da ativação de mecanismos de defesa (CAMARGO, 2018). De acordo com o autor Agrios (2005), na natureza, a resistência é uma regra, e a doença é uma exceção. É por esse motivo que as plantas possuem naturalmente tais mecanismos de defesa. Esses mecanismos estão presentes na planta independentemente da chegada ou não do patógeno e podem permanecer inativos ou latentes, sendo acionados quando a planta estiver exposta a agentes que irão induzir essa defesa. Nesse sentido, a indução de resistência consiste em ativar mecanismos de defesas latentes presentes na planta, por meio de agentes indutores (eliciadores) (SMITH, 1996), sejam eles bióticos ou abióticos (CAVALCANTI et al., 2006). 61WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA O uso de indutores de resistência é uma alternativa com grande potencial para promover a redução da severidade de doenças em diversas culturas, pois apresenta efetivo controle de muitos patógenos quando ativada por meio de indutores. O agente eliciador ativa os mecanismos de defesa da planta em resposta à presença de um patógeno. A resistência natural das plantas é uma habilidade de prevenir ou retardar o estabelecimento de uma doença em seus tecidos, em um processo mediado por mecanismos constitutivos e/ou pós-formados (ALVES, 2007). Os mecanismos constitutivos estão presentes na planta independentemente da presença do patógeno, como é o caso da parede celular. Já as defesas pós-formadas podem ser ocasionadas pela exposição a agentes indutores (CHOUDHARY; PRAKASH; JOHRI, 2007). Nesse sentido, a indução de resistência é um mecanismo bioquímico pós-formado, podendo ser dividida de duas formas: Resistência Sistêmica Adquirida (SAR) e Resistência Sistêmica Induzida (SIR). A SAR é ativada quando a planta é exposta a moléculas sintéticas, por exemplo. Já a SIR é ativada pela presença de microrganismos, seja do próprio patógeno ou de microrganismos bené� cos. As rotas de sinalização são distintas, pois a SAR é governada pela rota do ácido salicílico e a SIR pela rota do ácido jasmônico e etileno. A indução de resistência por Trichoderma age como SIR. Essa indução ocorre quando estruturas de propagação do fungo são adicionadas ao solo, e, após algum tempo, ocorre a colonização da raiz. O processo de colonização das raízes envolve a habilidade do fungo em reconhecer, aderir, penetrar e suportar os metabólitos tóxicos produzidos pelas plantas em resposta à invasão. A aderência à superfície das raízes pode ser mediada por pequenas proteínas hidrofóbicas presentes nas células mais externas da superfície do fungo e por proteínas tipo expansinas, que têm como função expandir as � bras de celulose da parede celular vegetal, facilitando a ação de um arsenal de celulases produzidas por Trichoderma. As espécies vegetais também reagem contra as invasões fúngicas pela síntese e acúmulo de compostos antimicrobianos. Em fungos do gênero Trichoderma, essa resistência tem sido associada à presença dos sistemas de transporte ABC. Esses sistemas são fatores-chave na interação múltipla estabelecida pela linhagem de Trichoderma com outros microrganismos em um ambiente potencialmente tóxico ou antagônico, com rápida degradação decompostos fenólicos exsudados pelas plantas. A interação entre o isolado de Trichoderma e a planta desencadeia modi� cações massivas no transcriptoma e no metabolismo vegetal, levando a um acúmulo de compostos antimicrobianos, propiciando a resistência (HARMAN et al., 2004; BROTMAN; GUPTA; VITERBO, 2010). A indução de resistência mediada por Trichoderma ainda não é totalmente esclarecida, mas se sabe que proteínas elicitoras são produzidas pelo ataque do patógeno e reconhecidas pelos receptores na planta. Esse reconhecimento é mediado por uma cascata de sinais que levam à resposta de defesa ou de suscetibilidade (HAMMERSCHIMIDT, 2007). Algumas espécies de Trichoderma podem desencadear respostas de defesa, induzindo a resistência na planta hospedeira quando em íntima associação com as plantas. O fungo ativa a resposta da planta e aumenta a imunidade básica ou imunidade desencadeada pelos Padrões Moleculares Associados à Microrganismos (MAMPs), ou induzindo à suscetibilidade desencadeada por efetores, aumentando a imunidade desencadeada por eles (DJONOVIC et al., 2006). Ainda, espécies de Trichoderma induzem uma resposta mais forte quando comparada com a imunidade das planas desencadeada pelo patógeno, por meio da produção dos MAMPs, metabólitos secundários, enzimas microbianas e proteínas expansivas. 62WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Esses fungos também são capazes de neutralizar os efetores do patógeno, de modo a limitar a perda de resistência, mantendo a reposta da planta em um nível tanto abaixo quanto acima do limiar e� caz, seja para reação de hipersensibilidade ou para a indução de resistência propriamente dita (LORITO et al., 2010) Sendo assim, os elicitores que estão envolvidos na indução de resistência incluem os metabólitos secundários liberados pelas hifas do Trichoderma, além de proteínas ou peptídeos de baixa massa molecular, proteínas com atividade enzimática como as serinas, aspartato, protases, xilanases, quitinases, glucanases e ácidos graxos (MUKHERJEE; HORWITZ; KENERLEY, 2012). Os Bacillus também são agentes indutores de resistência e sintetizam moléculas que atuam como eliciadoras de SIR, proporcionando uma resposta de defesa sistêmica contra o patógeno, em que a síntese de lipopeptídeos da família surfactinas e fengicinas atua no processo de ativação dessa resistência (ONGENA et al.; 2007). Na Figura 1, a seguir, vê-se o diagrama esquemático da SIR, ocasionada pelo agente de biocontrole B. subtilis. Este, ao entrar em contato com o tecido da planta, incita a geração de sinais bioquímicos celulares, que estimulam o aumento da concentração de ácido jasmônico (AJ) e etileno (ET). Em seguida, ocorre a transcrição de genes de defesa responsáveis pela expressão de proteínas relacionadas à patogênese (PRPs). Figura 1- Diagrama esquemático do fenômeno de Resistência Sistêmica Induzida (SIR), ocasionada pelo agente de biocontrole B. subtilis. Fonte: Lanna Filho, Ferro e Pinho (2010). Os pesquisadores Steiner e Schönbeck (1995) propuseram alguns critérios que permitem determinar se o controle se deu exclusivamente por indução de resistência sistêmica, a exemplo da ausência de efeitos tóxicos do agente indutor sobre o patógeno desa� ante, que só pode ser percebida se houver uma separação espacial entre eles. Quando não ocorre a compartimentagem natural, como tratar raízes para controlar patógenos do � loplano, deve-se recorrer a técnicas que forcem a separação espacial, como a utilização de sistema radicular bipartido. Colocar a bactéria numa parte separada da raiz para controlar o nematoide noutra parte indica que os efeitos são indiretos e devem ser translocados pela planta de forma sistêmica. 63WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Ainda segundo Steiner e Schönbeck (1995), outro critério utilizado é a aplicação do indutor de resistência previamente ao patógeno desa� ante, havendo, assim, tempo para que os genes da planta que codi� cam a resistência induzida sejam ativados e expressos. Por isso a inoculação da bactéria três dias antes do nematoide. 2. UTILIZAÇÃO DE MICRORGANISMOS NA INDÚSTRIA Além da utilização dos microrganismos na agricultura como agentes de controle biológico, promotores de crescimento e vetores genéticos, há a utilização na indústria, principalmente na alimentícia e farmacêutica. Os microrganismos endofíticos são fontes de produtos naturais, bioativos e quimicamente novos, contribuindo para a expansão da agricultura, da medicina e da indústria no geral. Podem ser utilizados como fontes de metabólitos primários e secundários de interesse econômico. As leveduras, por exemplo, são amplamente difundidas na natureza e podem ser encontradas em diversos substratos, como água, solo, ar, frutos, folhas e até mesmo habitando no interior de animais e insetos. O volume das leveduras encontradas no solo é relativamente grande, alcançando 33.5 µm³ contra 3.1 µm³ de uma bactéria em forma de bacilo. No solo, essas leveduras podem atuar na mineralização de material orgânico por fermentação ou respiração, como predadora de outras leveduras, nematoides e protistas, no crescimento radicular das raízes das plantas, na proteção das plantas contra fungos � topatogênicos, na solubilização de fosfato e podem alterar a estrutura do solo (BOTHA, 2011). A utilização das leveduras é muito difundida em processos industriais, como na produção alimentos para fermentação de pães, vinho e cerveja e na fermentação de etanol. Esses processos utilizam principalmente a levedura Saccharomyces cerevisiae, por suas características com alto valor nutritivo. Sua biomassa é constituída por até 60% de proteínas, produzindo concentrados proteicos com diversas funcionalidades nutricionais, além de ser uma fonte de nitrogênio barata, de minerais lipídeos, vitaminas do complexo B e compostos como β-glucanas e ácido nucléico (AMORIM et al., 2016). O emprego das leveduras no ramo alimentício já é feito desde os tempos antigos. O papel da fermentação foi reconhecido pelo pesquisador Pasteur, e as primeiras culturas utilizadas na fermentação de cerveja e vinho foram obtidas por Hansen e Muller � urgau, no � m do século XIX. Dados históricos mostram que o uso das leveduras na antiguidade se deu aproximadamente a 7.000 anos antes de Cristo, na produção de cerveja, e 3.500 anos antes de Cristo, na produção de vinho. A partir dessas descobertas, as leveduras se tornaram uma prática corriqueira na fermentação de alimentos, sendo indispensáveis para a produção de uma variedade ampla de produtos fermentados. Para saber mais sobre o controle de doenças de plantas utilizando o controle biológico, leia Biocontrole de doenças de plantas: uso e perspectivas, de Wagner Bettiol e Marcelo A. B. Morandi. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/ digital/bitstream/item/17182/1/livro_biocontrole.pdf. 64WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Os processos fermentativos realizados pelas leveduras levam ao melhoramento e à deterioração de alimentos açucarados. Existe uma grande diversidade desses microrganismos, com espécies de propriedades � siológicas diferenciadas, que podem ser utilizados em diferentes processos industriais no setor alimentício (KURTZMAN; FELL; BOEKHOUT, 2011). A grande biodiversidade presente no ecossistema se torna cada vez mais alvo das indústrias, devido ao desenvolvimento mundial, bem como ao desenvolvimento da biotecnologia. Assim, diversos órgãos buscam organismos que sejam capazes de bene� ciar a produção de alimentos, por exemplo. No caso das leveduras, além de serem utilizadas como processo fermentativo de alimentos, pode ser utilizada durante o processo de produção de matéria-prima, além de ter uma grande utilidade na indústria farmacêutica. Nesse sentido, a diversidade de vida de um país está intimamente relacionada compassagem de microrganismos para dentro do frasco. Figura 1 – Experimento de Louis Pasteur. Fonte: Montesanti (2019). 7WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1.3 A Função As civilizações antigas da Grécia, Japão, China e de toda a Ásia Central produziam bebidas e alimentos à base da fermentação microbiana, mesmo sem saber. Nos anos de 1850, Pasteur examinou lotes de vinhos de diferentes qualidades e observou a presença de diferentes microrganismos. Nesse período nasceu a Teoria Microbiana da Fermentação, a partir da qual passamos a saber que certos tipos de microrganismos predominavam em diferentes lotes de vinho, alterando sua qualidade. Em um período um pouco anterior, a Irlanda já havia se deparado com microrganismos não bené� cos, entretanto, sem saber do que se tratava. Ao � nal dos anos 1840, uma praga biológica se alastrou por toda a região produtora de batatas na Irlanda, e estas eram um dos principais alimentos consumidos na região. Essa catástrofe matou de fome mais de um milhão de pessoas, além de forçar a emigração de outro milhão. No início dos anos de 1850, havia mais irlandeses em Nova York do que na própria capital da Irlanda. Apenas em 1853, o cientista Anton de Bary comprovou cienti� camente que o problema causador do desastre na cultura da batata era o patógeno Phytophthora infestans, que causou a requeima da batata. A importância dos microrganismos começava a ser esclarecida e preocupava o mundo por causa de suas adversidades. Diante disso, o cientista Robert Koch, em 1876, estabeleceu postulados que deveriam ser comprovados antes do estabelecimento e da aceitação de uma relação causal entre um agente de doença transmissível e a doença em questão. Esses postulados baseiam-se em uma sequência de procedimentos utilizados para se estabelecer a relação causal entre um microrganismo e uma doença: 1) Associação constante entre patógeno e hospedeiro: o microrganismo deve estar associado com a doença em todas as plantas com sintomas. 2) Isolamento e cultivo: o microrganismo deve ser isolado e cultivado em cultura pura. 3) Inoculação do microrganismo em plantas sadias: o microrganismo cultivado em cultura pura deve ser inoculado sobre plantas sadias, da mesma espécie ou mesma variedade, e deve produzir a mesma doença observada anteriormente. 4) Reisolamento do patógeno: o microrganismo deve ser isolado em cultura pura novamente e suas características devem ser as mesmas observadas no item 2. Para mais informações sobre a infl uência de Anton de Bary na Fitopatologia, leia: MOURA, R. M. Relembrando Anton de Bary e sua obra fi topatológica. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v. 27, n. 4, jul./ago. 2002. Disponível em: http://www.scielo.br/ scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-41582002000400001. 8WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 2. IMPORTÂNCIA DOS MICRORGANISMOS Os microrganismos estão presentes em diversos processos importantes para o ambiente, como o ciclo do carbono e do nitrogênio. De maneira mais ampla, eles estão envolvidos diretamente na transformação da vida, uma vez que fazem a reciclagem de restos mortais de qualquer ser vivo por meio da decomposição. Muitos microrganismos podem trabalhar em parceria com seres multicelulares, como as bactérias presentes na � ora intestinal de humanos. Esses microrganismos sobrevivem em nosso corpo e auxiliam no equilíbrio e funcionamento da vida, haja vista produzirem substâncias indispensáveis para nossa sobrevivência, auxiliarem diretamente na digestão e favorecerem o sistema imunológico. Eles ainda produzem vitaminas do complexo B-12 para nosso corpo, além de limpar nossa pele e olhos. Todos os dias, eliminamos bilhões de microrganismos do nosso corpo e os substituímos por outros, pois contribuem para todo o nosso microbioma. A taxa de crescimento deles é exponencialmente alta. As bactérias são os principais tipos. Os fungos também podem ser bené� cos, porém em outro sentido. Os fungos estão relacionados a produtos originados por eles, direta ou indiretamente. Um exemplo de associação bené� ca de fungos é a ação fermentativa na síntese de álcool etílico, que faz parte da produção de vinho, cerveja, massas e pães. Outras espécies fúngicas são capazes de proporcionar sabores e aromas especiais em queijos, além do consumo de cogumelos comestíveis, que são um tipo de fungo e podem gerar lucro para produtores, incrementando o agronegócio. Ademais, os fungos são utilizados de forma muito importante na medicina, no desenvolvimento de antibióticos, como a penicilina sintetizada de metabólitos de fungos da espécie Penicillium chrysogenum (PROJAN; SHLAES, 2004). Além de estarem inseridas em processos alimentícios, muitas enzimas fúngicas estão envolvidas em outros processos biotecnológicos, como a indústria papeleira. Pode-se, também, a partir de determinados fungos, sintetizar substâncias inseticidas, que auxiliam no controle de pragas. Como se vê, os fungos são estudados em uma gama de áreas, podendo ser muito úteis e essenciais ao desenvolvimento humano (PIO et al., 2008). Os fungos também auxiliam na decomposição de material vegetal, como troncos, galhos e folhas de plantas. São capazes de degradar lignina, celulose e hemicelulose, que são moléculas muito persistentes na natureza. Sem a atuação desses microrganismos, não seria possível a reciclagem desse material. Assim sendo, a atividade fúngica na natureza é necessária para a continuidade da vida no planeta (SILVA; COELHO, 2006). Os microrganismos surgiram há mais de 3,5 milhões de anos. Foram os primeiros seres a colonizarem a Terra. A ação dos microrganismos ao longo de milhões de anos promoveu a formação da nossa atmosfera, rica em oxigênio, e permitiu o surgimento de novas espécies de vida, além de garantir a evolução delas. 9WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3. CARACTERÍSTICAS GERAIS DE MICRORGANISMOS 3.1 Características Gerais dos Fungos Os fungos (do latim fungus = cogumelo) são popularmente conhecidos como mofos, bolores e cogumelos, e são considerados semelhantes às plantas. Esses microrganismos podem ser bené� cos ou causar doenças em plantas, animais e humanos. Ecologicamente, os fungos são considerados os “lixeiros” do mundo, pois degradam e reciclam restos de materiais orgânicos de qualquer origem e os transformam em elementos assimiláveis pelas plantas. Além disso, economicamente, são importantes, pois estão associados a diversas áreas, como a medicina humana, a medicina veterinária, a indústria farmacêutica, a nutrição humana, a nutrição animal, a agricultura e a biotecnologia (TORTORA; FUNKE; CASE, 2009). O grupo dos fungos foi reconhecido como um reino a partir da descrição de cinco reinos elaborada por Whittaker, em 1969, a saber: Animalia, Plantae, Protista, Monera e Fungi. Sua classi� cação baseou-se na morfologia e na nutrição do ser vivo. Assim, os fungos pertencem ao reino Fungi. Em 1990, Carl Woese propôs o agrupamento dos cinco reinos em três domínios: Archaea, Eubacteria e Eukarya. Nessa classi� cação, o reino Fungi faz parte do domínio Eukarya, que reúne os organismos eucariontes. A identi� cação dos fungos é feita, em geral, por sua morfologia, tanto de estruturas macroscópicas quanto microscópicas. Atualmente, também existem técnicas moleculares que são capazes de auxiliar nos estudos de identi� cação de espécies fúngicas presentes no ambiente. Essas novas tecnologias de identi� cação promoveram uma nova classi� cação do reino Fungi, que, anteriormente, era dividido em quatro � los e, atualmente, é dividido em pelo menos oito � los, sendo eles: 1) Ascomycota; 2) Basidiomycota; 3) Zygomycota; 4) Chytridiomycota; 5) Glomeromycota; 6) Blastocladiomycota; 7) Neocallimastigomycota; e 8) Microsporidiomycota (AGRIOS, 2005). Cerca de metade da biomassa é composta por microrganismos, seguidoso desenvolvimento de produtos derivados de produtos químicos e biológicos. Quanto maior a diversidade, maior oportunidade de desenvolvimento desses produtos. A biologia molecular é uma grande ferramenta da biotecnologia para aprofundar o conhecimento na diversidade das leveduras presentes no ambiente, bem como aplicá-las de maneira bené� ca e vantajosa para o setor industrial. Por isso, o Brasil se destaca nesse contexto, uma vez que é um dos países que possui vasta diversidade de espécies e organismos, em que se buscam novas espécies de fungos e leveduras que possam produzir resultados satisfatórios do ponto de vista biotecnológico (VILLA- CARVAJAL et al., 2004). A levedura S. cereviseae utilizada no processo de fermentação da cerveja é um bioagente envolvido no processo de conversão do mosto. Durante o processo de fermentação, essas leveduras podem multiplicar-se de 3 a 5 vezes no reator (BRIGGS et al., 2004). Assim, a indústria cervejeira costuma reutilizar a massa de células de leveduras gerada durante o processo de fermentação e a inocula novamente em novos tanques. Entretanto, mesmo com essa prática, que diminui signi� cativamente os resíduos gerados, o número de reutilização é limitado, a � m de manter a qualidade da cerveja. Quando não é mais possível a reutilização das massas de levedura, elas são eliminadas do processo e geram um resíduo sólido, que pode ser de até 3 kg para cada 100 litros de cerveja. As leveduras são muito utilizadas na indústria no processo de fermentação alcoólica. A levedura mais utilizada é a S. cerevisiae. Para que a fermentação alcoólica ocorra, a levedura é adicionada e metaboliza os carboidratos, transformando-os em etanol, liberando óxido de carbono. A produção de bioetanol a partir do bagaço de malte e do bagaço de mandioca, utilizando a levedura S. cerevisiae, foi estudada por Ortiz (2010). O pesquisador observou que a utilização dessa levedura apresentou um rendimento de 46,58% na fermentação alcoólica, sendo superior que o rendimento obtido no processo de fermentação com leveduras comerciais, em que o valor máximo foi de 39,73%, mostrando o grande potencial biotecnológico das leveduras. Em destilarias, a utilização de leveduras também tem o intuito de aumentar a produtividade do etanol, sem que seja necessária a expansão de áreas agrícolas cultivadas. É preciso apenas elevar o desempenho das células de leveduras que são inoculadas, juntamente com combinações que proporcionam a maior síntese de etanol. A maior quantidade de inovações no processo de obtenção de etanol está para o etanol de segunda geração. A biomassa lignocelulósico é convertida em açúcares fermentescíveis e, então, fermentada por leveduras de outros gêneros, iguais ou diferentes da S. cerevisiae. 65WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA O processo de fermentação alcoólica do etanol ocorre no interior de microrganismos. Estes convertem açúcares assimiláveis em etanol, por meio de reações bioquímicas mediadas por enzimas, levando à oxidação parcial do substrato. Os principais açúcares fermentescíveis pelas leveduras são os monossacarídeos, a glicose, a frutose e a galactose, além dos dissacarídeos, como maltose e sacarose. Com relação aos amidos, que são polissacarídeos, não são fermentados por leveduras. A levedura S. cereviseae propicia fermentação uniforme e rápida, gerando um alto rendimento de etanol. Levedura Substrato Saccharomyces cerevisiae Grão de milho Saccharomyces cerevisiae Melaço de cana-de-açúcar Kluyveromyces marxianus Melaço de cana-de-açúcar Kluyveromyces marxianus Celulose Saccharomyces cerevisiae Dextrinas Saccharomyces (diastaticus) cerevisiae Amido Candida shehae Xilose Saccharomyces cerevisiae Lactose Quadro 1 – Gêneros de leveduras e substratos utilizados na produção do etanol. Fonte: Adaptado de Péter e Rosa (2005). Na indústria farmacêutica, os microrganismos podem ser úteis pois produzem toxinas, antibióticos e outras substâncias de potencial no uso da biotecnologia. Os fungos, por exemplo, são microrganismos muito utilizados nessa indústria, por produzirem diversas substâncias de interesse, como enzimas, antibióticos, vitaminas, esteroides e aminoácidos. Destacam-se nesse contexto, os antibióticos, que são substâncias produzidas do metabolismo secundário de fungos e bactérias, com a capacidade de impedir o crescimento ou mesmo levar à morte outros microrganismos não desejáveis. Os primeiros relatos em relação ao uso de antibióticos pelo homem ocorreram por volta de 3000 anos a.C., com o uso de sapatos mofados por chineses, para curar feridas cutâneas infecciosas nos pés. Entretanto, o primeiro metabólito fúngico com maior e� cácia e reconhecido foi a penicilina, substância produzida pelo fungo Penicillium chrysogenum, o qual possui a capacidade de inibir o crescimento bacteriano. Esse antibiótico foi descoberto por Alexander Fleming, em 1928, e o seu uso em escala iniciou-se apenas na década de 1940, quando, por meio dele, os pesquisadores Forey e Chain alcançaram redução da mortalidade de soldados durante a Primeira Guerra Mundial e, posteriormente, na Segunda Guerra Mundial (TAKAHASHI; LUCAS, 2008). Inicialmente, o cientista Fleming veri� cou, em um experimento, que bactérias cresciam normalmente em uma placa com meio de cultura, entretanto, eram inibidas por um fungo que havia contaminado o meio de cultura. Esse fungo era o P. chrysogenum. Assim foi a origem dos antibióticos. O impacto do uso da penicilina motivou a sua produção industrial. Foi o primeiro medicamento produzido em grande escala, dando origem à indústria farmacêutica. Assim, iniciaram-se maiores explorações a outros microrganismos como fonte de substâncias biologicamente ativas, sempre buscando novas substâncias com atividade antibiótica. 66WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Outra substância bastante estudada é o taxol, com propriedades anticancerígenas, o qual pode ser produzido pela bactéria Taxomyces andreanae, encontrado no interior da planta Taxus brevifolia. Além disso, outros relatos mostram que mais fungos endofíticos são capazes de produzir essa substância, como Pestalotiopsis microspora, isolado de Taxus wallachiana (STROBEL et al., 1996), Tubercularia sp., isolado de Taxus mairei (WANG et al., 2000), Colletotrichum gloeosporioides, isolado de Justicia gendarussa (GANGADEVI; MUTHUMARY, 2008), Pestalotiopsis terminaliae, isolado de Terminalia arjuna (GANGADEVI; MUTHUMARY, 2009), Gliocladium sp., isolado de Taxus baccata (SREEKANTH et al., 2009). Com essa descoberta de que fungos podiam produzir também o taxol, visualizou-se um processo novo, talvez mais e� ciente para a produção desse importante fármaco, por meio do cultivo de fungos em laboratório, dispensando a exploração da planta Taxus spp. e de outras espécies vegetais em que essa substância é encontrada (PEIXOTO NETO; AZEVEDO; ARAÚJO, 2002). 3. NORMAS EM LABORATÓRIO DE MICROBIOLOGIA Para a realização de trabalhos dentro de um laboratório de microbiologia, é necessário compreender algumas normas e segui-las rigorosamente, a � m de manter a segurança dentro do ambiente. Os microrganismos estão presentes em diversas atividades industriais. O etanol de segunda geração, por exemplo, foi desenvolvido no estado do Paraná e utiliza resíduos da cana-de-açúcar e do milho para a produção desse combustível, além da fermentação bacteriana, ou seja, por microrganismo. A grande inovação na produção desse combustível é a sequência química utilizada, com substâncias enzimáticas e ácidas que permitem a hidrólise da celulose em açúcar que as bac- térias conseguem fermentar. Dessa forma, o material que antes era descartado, hoje, pode ser convertido em álcool de segunda geração, com o auxílio de micror- ganismos. Qual é a relação dos microrganismos com a natureza e o homem? Os microrganis- mos, especialmente os fungos e as bactérias,são lembrados comumente como causadores de doenças. Entretanto, devemos entender que muitos microrganis- mos são benéfi cos para a natureza, bem como podem servir como fonte de maté- ria-prima na indústria. É muito provável que os produtos naturais sejam resultado de interações extremamente antigas entre o organismo em si e o ambiente, que desempenham funções precisas em associações simbióticas, apresentando van- tagens evolutivas e adaptativas das espécies. 67WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Os laboratórios de microbiologia são ambientes em que se realizam atividades de ensino e pesquisa, de forma isolada ou em conjunto. No mesmo espaço físico, convivem pessoas diferentes na presença de diversos equipamentos, reagentes, soluções e amostras biológicas. Assim, pode haver a exposição a diferentes riscos, como biológico, químico, físico, ergonômico, entre outros acidentes. Por isso, é indispensável que, em um ambiente como esse, haja o conhecimento da biossegurança com o objetivo de reduzir os riscos nas atividades desenvolvidas. 3.1 Biossegurança A biossegurança é de� nida como um conjunto de ações de minimização ou prevenção de riscos associados a atividades de ensino, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, visando à saúde do homem e de animais, bem como à preservação do meio ambiente, associada à qualidade de resultados (TEIXEIRA; VALLE, 2010). A biossegurança refere-se também ao conhecimento das técnicas e equipamentos utilizados em um laboratório, para prevenir a exposição de pro� ssionais e estudantes a riscos. Para isso, são estabelecidas algumas condições de segurança e manipulações que devem ser respeitadas. 3.1.1 Segurança no laboratório de microbiologia Para iniciar as atividades em um laboratório de microbiologia, são necessários alguns cuidados, iniciando-se por equipamentos de segurança. Eles são considerados as barreiras primárias. Podem ser classi� cados como Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC). Os EPIs e EPCs recomendados para uso em laboratórios de ensinos devem estar em conformidade com a Portaria MTB n° 3.214. Os EPIs para proteção são distribuídos conforme segue: Cabeça: óculos de segurança, para evitar qualquer tipo de material físico ou químico que possa causar irritações ou lesões nos olhos. Devem, também, ser utilizados protetores faciais contra luzes especí� cas, bem como máscaras para evitar respingos, vapores ou qualquer contato com produtos químicos. Membros superiores: luvas e mangas de proteção, para a proteção contra agentes biológicos, materiais ou objetos perfurantes, além de produtos químicos corrosivos, solventes ou tóxicos, e para evitar queimaduras. Membros inferiores: calçados fechados e calçados de proteção impermeável, com solado antiderrapante, resistentes aos agentes biológicos e químicos utilizados no laboratório. Tronco: vestimentas de proteção para as atividades que mostrem algum risco de ordem química ou biológica, como jalecos e aventais. Sistema respiratório: são utilizados equipamentos de proteção respiratória no caso de exposição a produtos voláteis que possam causar algum dano ao sistema respiratório ou que possuem caráter tóxico. Esses equipamentos são máscaras autônomas de circuito aberto ou fechado. 68WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Dentro do laboratório, o indivíduo precisa receber treinamento das técnicas de biossegurança, sendo que cada unidade deve desenvolver seu próprio protocolo, identi� cando riscos potenciais em cada setor de trabalho. 3.2 Boas Práticas Laboratoriais (BPLs) Os padrões de Boas Práticas Laboratoriais (BPLs) são um conjunto de normas e procedimentos que visam minimizar qualquer tipo de acidente que envolva as atividades relacionadas ao laboratório, contando com a boa conduta de seus colaboradores e estudantes (MASTROENI, 2005; ARAÚJO et al., 2009). Cabe aos coordenadores ou professores responsáveis por cada laboratório impor as BPLs que mais se adéquam ao ambiente e às atividades relacionadas. São elas: a) Acesso ao laboratório: o responsável pelo laboratório pode restringir o acesso de pessoas ao local, permitindo somente pessoas autorizadas, que participem de alguma atividade relacionada, ou determinar horários para cada atividade. b) Higiene: os princípios básicos de higiene são extremamente importantes em um laboratório de microbiologia, visto que os trabalhos realizados no local são passíveis de contaminações. Sendo assim, deve-se manter as mãos sempre limpas antes e após os procedimentos, unhas aparadas, no caso de cabelos longos, prendê-los. c) Consumo de alimentos: na maioria dos casos, é proibido o consumo de alimentos e bebidas dentro do laboratório de microbiologia. Em função do manuseio de microrganismos e produtos químicos, pode haver contaminação do alimento e do material estudado. d) Objetos na boca: pipetar líquidos levando a pipeta até a boca é expressamente proibido, e jamais deve-se colocar qualquer objeto de uso no laboratório na boca, como lápis, canetas, entre outros. e) Trajes dentro do laboratório: os trajes mais adequados para o convívio dentro do laboratório são jalecos e aventais. Entretanto, é importante ressaltar que uma das boas práticas indicam que essas vestimentas não devem ser usadas fora do laboratório, sendo restrito o seu uso enquanto as atividades laboratoriais estiverem ocorrendo. f) Uso de acessórios: o uso de acessórios como relógios, anéis, pulseiras e a� ns deve ser evitado, por ser fonte de contaminação para as atividades realizadas. g) Limpeza: além da higiene pessoal, a limpeza no laboratório é extremamente importante e indispensável. Deve-se limpar sempre os materiais e locais utilizados, como bancadas, piso, instrumentos, vidrarias e equipamentos. Esse procedimento deve ser realizado antes e logo após o término de qualquer atividade. h) Descarte de material: por manusear material de origem biológica, seu descarte deve ser realizado em local adequado. Cada instituição possui suas normas e local para descarte. 69WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA i) Trabalho em equipe: em um laboratório de microbiologia, o indicado é trabalhar em equipe e evitar o trabalho sozinho. Devemos sempre lembrar que o manuseio de produtos químicos e biológicos pode oferecer riscos à saúde, e, em casos de acidentes, uma segunda pessoa pode auxiliar nas medidas cabíveis. j) Treinamento: é de extrema importância que o indivíduo passe por um treinamento antes de iniciar suas atividades em um laboratório de microbiologia. Deve-se conhecer bem os equipamentos e materiais que serão utilizados, bem como saber e entender a importância das BPLs. Para conhecer mais sobre a biossegurança em laboratórios de microbiologia, leia o Manual de biossegurança: boas práticas nos laboratórios de aulas práticas da área básica das ciências biológicas e da saúde, de Araújo et al., publicado pela Universidade Potiguar. Disponível em: http://www.unp.br/arquivos/pdf/ institucional/docinstitucionais/manuais/manualdebiosseguranca.pdf. Para conhecer um laboratório de microbiologia, assista ao vídeo Laboratório de Microbiologia e Biologia Celular – USP/ Ribeirão Preto. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=0Ouc8j-dROg. Laboratório de Microbiologia e Biologia Celular – USP/ 70WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS Os microrganismos fazem parte do nosso dia a dia e são agentes muito importantes para a agricultura e para a indústria. Eles auxiliam no controle de doenças de difícil manejo, melhoram a resistência da planta contra estresses, além de ativar mecanismos de defesa latentes na planta, reduzindo a colonização de � topatógenos. Sem os microrganismos, poucos avanços teriam acontecidona área da medicina, visto que a produção de antibióticos é proveniente de microrganismos, como os fungos. Outro ponto importante é que muitos produtos da indústria alimentícia são produzidos por meio desses microrganismos, como a fermentação, indicando, mais uma vez, sua importância na sociedade. 71WWW.UNINGA.BR ENSINO A DISTÂNCIA REFERÊNCIAS AGRIOS, G. Plant pathology. 5. ed. San Diego: Elsevier Academic Press, 2005. ALEXOPOULOS, C. J. et al. Introductory mycology. 4. ed. New York: John Wiley and Sons, 1996. ALVES, E. Mecanismos estruturais na resistência de plantas a patógenos. Summa Phytopathologica, [s. l.], v. 33, p. 154-156, 2007. AMORIM, L. et al. Manual da Fitopatologia. 5. ed. Viçosa: UFV, 2018. v. 1. AMORIM, M. et al. 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As células dos fungos � lamentosos são agrupadas em � lamentos denominados de hifas, as quais podem ou não apresentar septos (Figura 3). O agrupamento dessas hifas é denominado micélio, estrutura que conseguimos observar a olho nu, sendo um parâmetro importante na identi� cação de fungos (ALEXOPOULOS et al., 1996). Figura 2 – A: Leveduras. B: Fungos � lamentosos. Fonte: Alexopoulos et al. (1996). Figura 3 – A: Hifa cenocítica (não septada). B: Hifa septada. Fonte: Universidad Estatal a Distancia (2019). A parede celular é o que confere forma ao fungo e tem a ação de força mecânica para a colonização. Além disso, confere uma proteção osmótica ao fungo, evitando o choque osmótico, e induz a produção de anticorpos. A composição química da parede celular é dada principalmente por β-1,3-glucana e quitina, e não há a presença de peptideoglicano, fato que diferencia os fungos das bactérias. A membrana celular atua como uma barreira semipermeável no transporte ativo e passivo de substâncias importantes para o fungo, sendo constituída por uma parte hidrofóbica e outra hidrofílica. Um dos principais componentes da membrana celular dos fungos é o ergosterol, um esterol precursor da vitamina D, além de exercer funções semelhantes às do colesterol em células animais (ALEXOPOULOS et al., 1996). O genoma fúngico está localizado no núcleo, agrupado em cromossomos lineares, compostos de DNA de dupla � ta em hélice. Os plasmídeos são estruturas circulares de DNA de dupla � ta, com localização extracromossômica, e possuem capacidade de autoduplicação, sem depender dos cromossomos. Já o retículo endoplasmático, membrana em forma de rede distribuída por toda a célula dos fungos, é ligado à membrana nuclear. Os ribossomos podem estar aderidos ao aparelho de Golgi, havendo uma agregação interna de membranas. E é no vacúolo que ocorre o armazenamento de substâncias de reserva, como o glicogênio. 11WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Uma estrutura denominada cápsula pode ou não estar presente em fungos e é composta por mucopolissacarídeos, com estrutura � brilar de amilose e proteínas semelhantes à goma arábica, uma espécie de resina exsudada por algumas espécies de Acacia (gênero de plantas da família Fabaceae). Essa cápsula tem a função de resistência à fagocitose e é importante na patogenia dos fungos. Em relação à morfologia, como citado anteriormente, os fungos são divididos em � lamentosos e leveduras. No estudo macroscópico, ou seja, de estruturas visíveis a olho nu, observamos as características das colônias formadas, como presença ou ausência de cor, bordas regulares, irregulares ou radiadas, superfície lisa ou rugosa, textura ou consistência da colônia, sua velocidade de crescimento, diâmetro e aspecto. As leveduras apresentam colônias esféricas ou ovais, de consistência cremosa e crescimento limitado. Já em relação aos fungos � lamentosos, ocorre uma diversidade muito grande de colônias, variando de acordo com a textura, o volume, a cor e as formas (Figura 4). Figura 4 – Diversidade de colônias fúngicas. Fonte: Fontenelle et al. (2017). O corpo dos fungos multicelulares, as hifas e o conjunto delas, o micélio, podem ser vegetativos, que crescem para dentro do substrato e têm a função de absorver nutrientes para o desenvolvimento do fungo, e aéreos, que se projetam na superfície do substrato, e este pode ser um fator de identi� cação. Ainda, alguns pontos do micélio aéreo podem se diferenciar, de modo a tornarem-se micélio reprodutivo, formando esporos (estrutura de reprodução e sobrevivência dos fungos). Os fungos são organismos heterotró� cos, ou seja, não fazem fotossíntese e obtêm seus nutrientes por absorção, lançando um arsenal enzimático no substrato para colonização e absorção de nutrientes, por meio da parede celular e da membrana celular. Nas células fúngicas, há um � uxo citoplasmático que permite a difusão de nutrientes solúveis e favorece o metabolismo entre as células. A maioria dos fungos possuem nutrientes como necessidade nutricional. Carbono, oxigênio, hidrogênio, fósforo, potássio, magnésio, enxofre, boro, manganês, cobre, molibdênio, ferro e zinco são os elementos mais requeridos. Muitas espécies fúngicas não necessitam de luz para sobrevivência e desenvolvimento, outras necessitam para formação de estruturas de reprodução. Estas são consideradas fototró� cas. 12WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Para se nutrirem, muitos fungos vivem em estado sapró� ta (alimentam-se de material orgânico em decomposição), parasitismo (retiram nutrientes do seu hospedeiro, causando- lhe algum dano) ou simbiose (processo de troca bené� ca tanto para ao hospedeiro quanto ao parasita). A nutrição ocorre, na maioria das vezes, por absorção, em que enzimas hidrolíticas degradam macromoléculas, que serão posteriormente assimiladas por mecanismos de transporte. Para se alimentarem e se desenvolverem, os fungos podem utilizar diferentes fontes de carbono, incluindo carboidratos bastante complexos, como lignina, lipídeos, ácidos nucléicos e proteínas. O nitrogênio também é necessário, podendo ser de fontes inorgânicas, como amônias ou nitratos, e de fontes orgânicas, como peptona, sulfatos e fosfatos. Os fungos têm origem nos esporos (reprodução sexuada) ou nos conídios (reprodução assexuada). Existem duas fases na reprodução dos fungos, o ciclo assexuado (ou anamorfo) e ciclo sexuado (teleomorfo). No ciclo assexuado, os esporos são produzidos por mitose e dão origem a clones idênticos, resultando, portanto, em baixa variabilidade genética. A produção dos esporos assexuais ocorre por meio da germinação das hifas, de modo a formar um tubo germinativo que se desenvolve e gera o micélio. Já no ciclo sexuado, ocorre a união de dois núcleos compatíveis. Esse processo se divide em três fases: a) a plasmogamia, em que ocorre a união de dois protoplastos; b) a cariogamia, em que os núcleos se fundem para formação de um zigoto diploide; e c) a meiose, em que o núcleo diploide dá origem a um núcleo haploide, que podem ser recombinantes genéticos. Esse tipo de reprodução gera maior variabilidade genética e maior adaptação dos fungos a ambientes hostis (AMORIM et al., 2018). Existe, ainda, um terceiro tipo de reprodução, menos frequente, o ciclo parassexual. Esse tipo de reprodução consiste na fusão de hifas e na formação de heterocarion, contendo núcleos haploides. No momento em que há a fusão desses núcleos, ocorre a recombinação de cromossomos homólogos na mitose, por meio do crossing over mitótico, não havendo processo de meiose. Para que os esporos ou conídios germinem, necessitam de umidade e calor. Sua germinação dá origem às hifas, iniciando novamente o processo de alimentação e reprodução. 3.2 Características Gerais das Bactérias As bactérias são organismos unicelulares e procariontes, ou seja, não possuem núcleo celular de� nido. São invisíveis a olho nu, podendo ser visualizadas apenas com o auxílio de microscópio. As células bacterianas podem variar de tamanho, mas a maioria tem aproximadamente de 0,5 a 1μm de diâmetro ou largura. A parede celular das bactérias é uma estrutura rígida, que contém polímeros complexos, denominados de peptidioglicanos, responsáveis por sua rigidez. Essa estrutura impede que a célula estoure, atuando como uma barreirade proteção contra agentes externos, sejam físicos ou químicos, além de atuar como suporte de antígenos (ATLAS; BARTHA, 1998). Para conhecer mais sobre fungos, leia o Material Complementar ao livro Sistemática Vegetal I: Fungos, escrito por Elisandro Ricardo Drechsler dos Santos, baseado no capítulo original de Paulo Antunes Horta Junior. Disponível em: https://moodle. ufsc.br/pluginfile.php/1311301/course/section/972329/Drechsler-Santos%20 2015%20material%20did%C3%A1tico%20fungos%20encarte%20EAD.pdf. 13WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA O citoplasma das bactérias é composto por ribossomos e material nuclear, rico em DNA, bem como por inclusões citoplasmáticas, que são formações não vivas existentes no citoplasma, como gotas de óleo, grãos de amido, chamados também de grânulos, e servem como fonte de reserva ou energia. As células bacterianas não possuem núcleo de� nido como as células de vegetais ou animais. O cromossomo bacteriano é um cromossomo único e circular, que ocupa uma posição próxima ao centro da célula, podendo ser chamado também de nucleoide. Muitas bactérias podem apresentar moléculas de DNA extracromossomal, denominadas de plasmídeos, conferindo uma característica vantajosa na adaptação desse microrganismo. Externamente à parede celular, encontra-se o glicocálice, um revestimento de açúcar que age como envoltório externo à membrana plasmática e ajuda a proteger a superfície celular contra danos químicos e físicos. É produzido dentro da própria célula e excretado para a superfície celular, sendo considerado uma cápsula. Em algumas espécies, o glicocálice é importante na produção de doenças pela bactéria em seu hospedeiro. Outra estrutura que pode estar presente ou não nas bactérias são os � agelos e cílios, que são longos apêndices � lamentosos, com a função de locomoção. Quando as projeções desses apêndices são longas em relação ao tamanho da célula, denominam-se � agelos (Figura 5). Quando as projeções são numerosas e curtas, denominam-se cílios. Figura 5 – Célula bacteriana e suas estruturas. Fonte: Mims et al. (1995). As fímbrias e os pili também são apêndices semelhantes a pelos, entretanto, mais � nos que os � agelos, e possuem a função de � xação. As fímbrias permitem que as células bacterianas possam aderir às superfícies do hospedeiro, auxiliando na colonização e na patogenicidade. Já os pili são mais longos que as fímbrias, havendo uma ou duas por células, e unem-se às células bacterianas na preparação para a transferência de DNA de uma bactéria para a outra. As bactérias possuem diferentes formas e arranjos e podem ser agrupadas em três grupos morfológicos: cocos, bacilos e espiralados. A forma de cocos é o grupo de bactérias mais homogêneo em relação ao tamanho. Podem ser classi� cadas em: a) diplococos, para os cocos agrupados em pares; b) tetracocos, para o agrupamento de quatro cocos; c) sarcina, para agrupamentos de oito cocos em forma cúbica; d) estreptococos, quando os cocos são agrupados em cadeias; e e) esta� lococos, para agrupamentos irregulares (lembra um cacho de uva) (Figura 6). 14WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Figura 6 – Agrupamento de cocos. Fonte: A autora. A forma de bacilos refere-se a células cilíndricas, em forma de bastonete, que apresentam variações na forma e no tamanho entre gênero e espécie. As formas espiraladas caracterizam-se por células em espiral, que podem ser divididas em: a) espirilos, que possuem o corpo rígido e movem-se à custa de � agelos externos; e b) espiroquetas, que são � exíveis e locomovem-se por contração no citoplasma. As bactérias podem, ainda, ser divididas em dois grupos, com base na capacidade de suas paredes celulares � xarem o corante violeta cristal. Esses dois grupos são as Gram-negativas e as Gram-positivas. A parede celular das bactérias Gram-negativas é quimicamente mais complexa do que a das Gram-positivas, possuindo maior quantidade de aminoácidos e lipídeos (Figura 7). Figura 7 – Estrutura das bactérias Gram-positivas e Gram-negativas. Fonte: Spolidorio, Duque e Póvoa (2013). As bactérias também são divididas de acordo com a forma de obtenção de fontes de energia e carbono para seu desenvolvimento. Podem ser a) fototró� cas, que utilizam a energia da luz como fonte; e b) autotró� cas, que produzem seu próprio alimento a partir da fotossíntese e quimiossíntese. 15WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Esses microrganismos absorvem substâncias encontradas no ambiente para realizar seu metabolismo celular. Os macronutrientes (carbono, nitrogênio, hidrogênio, fósforo, enxofre, potássio, magnésio cálcio, sódio e ferro) são necessários em grandes quantidades, e os micronutrientes (cobalto, zinco, molibdênio, cobre, manganês e níquel), em baixas quantidades. As bactérias se reproduzem geralmente assexuadamente, por � ssão binária ou cissiparidade. Nesse processo, ocorre a replicação do cromossomo. Uma única célula se divide em duas, ocorrendo, em seguida, a divisão do cromossomo bacteriano replicado e o desenvolvimento de uma parede celular transversal. Mesmo que a reprodução sexuada não se dê efetivamente, pode ocorrer a troca de material genético entre duas bactérias, denominada recombinação genética, que pode se realizar por meio da transformação, conjugação ou transdução. A transformação é a incorporação de fragmentos de DNA, doados por outra bactéria que se rompeu. A conjugação se dá quando duas células bacterianas geneticamente diferentes trocam material genético (DNA) por meio de pelo sexual (pili). E a transdução é quando moléculas de DNA são transferias de uma bactéria para outra usando um vírus como vetor, denominado de bacteriófago. 3.2.1 Curva de crescimento bacteriano O crescimento bacteriano refere-se ao aumento do número de células bacterianas e seu acúmulo em colônias. Durante o processo de aumento de Unidades Formadoras de Colônia (UFC), ocorrem diferentes fases, as quais podemos observar na Figura 8: Figura 8 – Grá� co do crescimento bacteriano. Fonte: A autora. A técnica de Gram consiste em submeter células bacterianas a uma coloração violeta genciana, a qual permite diferenciar bactérias com variadas estruturas de parede celular, em função da cloração que adquirem. A retenção ou não do coran- te é dependente das propriedades físicas e químicas da parede celular bacteriana. As bactérias Gram-positivas permanecem coradas após o processo, e as Gram- -negativas descoram após a aplicação de solvente orgânico. 16WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A fase de latência, também chamada de fase Lag, é caracterizada pela adaptação da célula da bactéria ao meio. Essa fase é in� uenciada pela disponibilidade nutricional e pelas condições do ambiente, bem como pela idade da colônia e quantidade de inóculo bacteriano. É uma fase de adaptação. A fase logarítmica (exponencial), também chamada de fase Log, é aquela em que ocorre o crescimento acelerado das UFC, e há a predominância de células jovens, que apresentam o máximo potencial metabólico. A população aumenta rapidamente, e logo poderá haver o esgotamento de nutrientes devido à alta competitividade, limitando a fase do crescimento exponencial. Em seguida, temos, então, a fase estacionária, que é caracterizada por células mais velhas e mais resistentes a condições adversas. O número de células viáveis é igual ao número de células que não estão mais viáveis, e não há mais crescimento exponencial. E, por sim, a fase de declínio, em que, com o aumento de adversidades no meio, as células morrem em ritmo acelerado, dando � m ao ciclo microbiano. 3.3 Características Gerais dos Vírus Os vírus são os menores e mais simples microrganismos existentes. São muito menores que as células eucariotas ou procariotas e têm estruturas muitomais simples, pois não possuem metabolismo próprio e dependem de uma maquinaria celular para sua replicação. Por isso, são caracterizados como parasitas intracelulares obrigatórios. Alguns autores na literatura não consideram os vírus como seres vivos, uma vez que são desprovidos de estrutura celular. Entretanto, essa questão ainda é muito discutida, e não há um parecer conclusivo em relação a esse ponto. Sendo assim, é muito comum observamos textos descrevendo os vírus como seres vivos ou não. Quando não estão parasitando alguma célula, os vírus deixam de apresentar qualquer propriedade de vida. São apenas moléculas orgânicas inertes, até mesmo em forma de cristal. A sua característica vital é apenas uma: capacidade de reprodução somente no interior de células vivas. Eles não possuem aparato enzimático su� ciente para replicação por si só e necessitam das células de um hospedeiro para completar seu ciclo de vida (FIELD et al., 2007). Os vírus podem ser agrupados de acordo com suas propriedades (físicas, químicas e biológicas) e com as células que infectam. Uma classi� cação viral foi de� nida pelo cientista David Baltimore, em 1971, com o objetivo de relacionar características do ácido nucleico com as estratégias de replicação do vírus. Podemos observar a classi� cação a seguir: a) Classe I: vírus de DNA de � ta dupla. b) Classe II: vírus de DNA de � ta simples positiva. c) Classe III: vírus de RNA de � ta dupla. d) Classe IV: vírus de RNA de � ta simples positiva. e) Classe V: vírus de RNA de � ta simples negativa. f) Classe VI: vírus de RNA de � ta simples positiva, com DNA intermediário no ciclo biológico. g) Classe VII: vírus de DNA de � ta dupla com RNA intermediário. 17WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Os vírus são compostos do genoma de ácido nucleico RNA ou DNA e uma cobertura de proteínas. Além disso, alguns vírus podem possuir uma membrana externa adicional, que é denominada de envelope. Sua estrutura é uma cápsula de proteína, chamada de capsídeo, que abriga em seu interior a estrutura genética, uma molécula de DNA ou RNA. O capsídeo, como citado anteriormente, tem a função de empacotar e proteger o genoma viral durante todo o ciclo biológico. Esse pode ser formado por várias cópias de uma só proteína ou pela associação de diferentes proteínas. Aqueles que são constituídos por apenas uma proteína são um exemplo de economia genética, uma vez que apenas um gene pode codi� car os produtos necessários para construir o capsídeo e recobrir totalmente o genoma. O envelope, que pode ou não estar presente, é composto por glicoproteínas, envolve o capsídeo e é adquirido da célula hospedeira infectada no momento da saída da partícula viral, por meio do brotamento. O número de proteínas do envelope varia de uma até mais de dez e depende do vírus em questão. As proteínas têm função de ancoragem inicial das partículas virais na célula do hospedeiro, auxiliam na penetração, fusão e disseminação do vírus entre as células (Figura 9). Figura 9 – Estrutura viral. Fonte: A autora. A replicação viral ocorre no interior das células do hospedeiro e passa pelas fases: adesão, penetração, desnudamento, transcrição, tradução e liberação. O vírus transforma as células infectadas em fábricas de vírus, que irão fabricar cópias do código genético deles e serão expulsas para se espalharem para todo o sistema do hospedeiro. Na fase de adsorção, as partículas virais se ligam na célula do hospedeiro suscetível, por meio da interação de proteínas virais e entre receptores celulares, que estão ancorados na membrana plasmática e expostos fora das células. Posteriormente, o vírus penetra a célula, introduzindo seu material genético no citosol, desmontando o capsídeo para liberação do genoma viral. O processo de abertura do capsídeo para liberação do genoma viral é denominado desnudamento e pode ocorrer simultaneamente à entrada do vírus ou em instantes posteriores. Para que a liberação de novas partículas virais ocorra, é necessário que se realize o processo de transcrição e tradução da informação genética do vírus. Após a liberação, quando o vírus já se encontra em meio extracelular, pode permanecer inerte até que outra célula hospedeira seja infectada, dando início a um novo ciclo (FIELD et al., 2007). 18WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3.4 Protozoários Os protozoários estão inseridos no reino Protista. Esse reino é constituído por mais de 60.000 espécies conhecidas, sendo que 10.000 são parasitas de animais e apenas algumas dezenas infectam humanos. Esses organismos são eucariontes, de vida livre (habitam água e solo), parasitas ou até mesmo podem estabelecer uma relação mutualística com outros organismos, como os ruminantes, por exemplo. São heterotró� cos, obtêm nutrientes por meio do ambiente em que habitam, nas mais variadas formas de vida. Algumas doenças muito conhecidas são causadas por protozoários, como a Doença de Chagas, ocasionada pelo Trypanosoma cruzi, transmitido por um vetor, o percevejo, conhecido como barbeiro. Durante a picada do percevejo, ocorre a eliminação do protozoário no hospedeiro, provocando os sintomas da doença. Outra doença bastante conhecida é a malária, causada por protozoário do gênero Plasmodium. É transmitida também por um vetor, um mosquito, e dissemina-se pelo sangue até atingir o fígado e baço, infectando as hemácias. Os protozoários são classi� cados de acordo com a presença ou ausência de estruturas locomotoras. Os sarcodíneos são aqueles que dependem da formação de prolongamentos temporários da membrana plasmática para se locomoverem, como as amebas. Os cilióforos e mastigóforos são aqueles que apresentam estruturas � xas, sendo ciclos e � agelos, respectivamente. Os protozoários se reproduzem de forma assexuada, por meio da divisão múltipla, dividindo-se em cópias idênticas a ele mesmo. Alguns podem produzir esporos, que podem se disseminar pelo ambiente. Raramente podem apresentar reprodução sexual, em que há a troca de material genético entre dois microrganismos e aumento da variabilidade genética. 3.5 Nematoides Os nematoides são vermes cilíndricos e pertencem ao � lo Nematoda. Há mais de 80.000 espécies de nematoides, a maioria deles microscópicos, não visíveis a olho nu. Em geral são zooparasitas, mas algumas poucas formas podem ser maiores, mensuradas em centímetros. São os organismos dos grupos dos invertebrados mais abundantes do mundo, podendo ser classi� cado em três grupos: a) vida livre, aqueles que habitam o solo ou a água e se alimentam de fungos, bactérias, algas e de outros nematoides; b) zooparasitos, aqueles que se associam a animais, utilizando o hospedeiro para retirar os nutrientes para seu desenvolvimento e reprodução; e c) � toparasitos, aqueles que se alimentam de plantas, causando danos severos à agricultura no mundo todo. Os nematoides de vida livre são bioindicadores da qualidade do solo, por meio da regulação sobre populações microbianas e das taxas de transformações, como a ciclagem de nutrientes e decomposição de material orgânico, além de ajudar na manutenção de níveis ótimos de nutrientes para a microbiota. Um vírus é composto exclusivamente de um ácido nucleico, RNA ou DNA, nunca ambos. Essa é uma característica exclusiva dos vírus, uma vez que todos os ou- tros seres vivos possuem os dois ácidos nucléicos em suas células. Um vírus de RNA pode ter o DNA apenas como parte intermediária do seu ciclo biológico, e vice-versa. 19WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Os nematoides são pseudocelomados, com sistema bilateral. O corpo é subcilíndrico e pode variar de forma conforme o gênero (Figura 10). A camada externa do corpo do nematoide é formada pela cutícula, uma camada transparente e � exível, que funciona como um exoesqueleto, conferindo proteção ao nematoide.Figura 10 – A: Nematoide em formato vermiforme. B: Nematoide em formato periforme. Fonte: A autora. Não apresentam sistema respiratório e circulatório, as trocas gasosas são realizadas por difusão. O sistema digestivo é completo (boca, esôfago, intestino e ânus), com glândulas anexadas ao esôfago que produzem enzimas digestivas, essenciais no processo de alimentação. O principal órgão do sistema nervoso do nematoide é o anel nervoso central, que está ligado a órgãos sensoriais, com funções que auxiliam a percepção do ambiente, bem como estímulo de hospedeiro disponível (no caso de � toparasitas). O sistema reprodutor dos nematoides é bem desenvolvido, tanto para macho quanto para fêmea. As fêmeas apresentam como órgãos do aparato reprodutor ovário, oviduto, útero, vagina e vulva, enquanto os machos apresentam testículo, cavidade cloacal e espícula. Os nematoides podem se reproduzir por an� mixia (reprodução cruzada) ou partenogênese (clones). No caso da an� mixia, a cópula ocorre por meio da atração sexual e aumenta a possibilidade de variabilidade genética. Já na partenogênese, ocorre o desenvolvimento de um embrião sem que haja a fertilização. As fêmeas dão origem a indivíduos geneticamente idênticos e não necessitam do macho para a reprodução. Para saber mais sobre os benefícios dos nematoides de vida livre na sustentabilidade, leia o artigo Nematoides: bioindicadores de sustentabilidade e mudanças edafoclimáticas, escrito por Cecília Helena Silvino Prata Ritzinger, Marilene Fancelli e Rogério Ritzinger publicado pela Revista Brasileira de Fruticultura. Dezembro 2010. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/ digital/bitstream/item/114683/1/NEMATOIDES-v32n4a45.pdf. 20WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, conhecemos melhor a história da microbiologia, a importância dos microrganismos no nosso cotidiano e as principais características dos microrganismos que estão à nossa volta. Um dos principais pontos a serem considerados é que os microrganismos, muitas vezes, estão associados apenas a algo ruim. Referimo-nos a eles comumente como “micróbios” ou “germes”. Entretanto, em nosso primeiro contato com a microbiologia, observamos que existem muitos microrganismos bené� cos e que eles são essenciais à manutenção da vida. Estamos vivendo uma era de evoluções constantes, e cada vez mais os microrganismos são estudados de forma a bene� ciar a sociedade. Um dos exemplos mais próximos à nossa realidade, como futuros Engenheiros Agrônomos, é a utilização desses microrganismos no controle biológico, tema que discutiremos posteriormente. Sendo assim, esta primeira unidade mostrou a importância de estudarmos microbiologia, pois, o que aprenderemos aqui será de grande utilidade para todo o curso. 2121WWW.UNINGA.BR UNIDADE 02 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................................22 1. FITOPATÓGENOS ..................................................................................................................................................23 2. FIXAÇÃO BIOLÓGICA DE NITROGÊNIO ...............................................................................................................26 2.1 FORMAÇÃO DE NÓDULOS ..................................................................................................................................29 3. MICORRIZAS .........................................................................................................................................................31 CONSIDERAÇÕES FINAIS .........................................................................................................................................36 INTERAÇÃO DE MICRORGANISMOS COM PLANTAS PROF.A MA. ANGÉLICA MIAMOTO ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: MICROBIOLOGIA AGRÍCOLA 22WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Todas as espécies vegetais existentes possuem associações com microrganismos, que podem colonizar a sua superfície ou ocupar espaços intercelulares dos seus tecidos. É importante lembrar que existem dois tipos de associações: as que causam injúrias às plantas, geradas por microrganismos patogênicos, denominados de � topatógenos; e associações bené� cas, que proporcionam melhores condições de desenvolvimento para as plantas. O fator determinante para que haja uma colonização abundante de microrganismos, independentemente de sua origem (patogênica ou bené� ca), é a disponibilidade de fontes de carbono. Tanto para a patogênese quanto para os efeitos bené� cos, a colonização do tecido vegetal deve acontecer de forma satisfatória, uma vez que as interferências na colonização irão afetar diretamente o desenvolvimento do microrganismo. Podemos classi� car os microrganismos que interagem com as plantas como patogênicos, sapró� tos e bené� cos. Os patogênicos atacam os tecidos vegetais, provocando doenças. Os sapró� tos vivem em tecidos mortos e são importantes na ciclagem de nutrientes. Os bené� cos são aqueles que estabelecem associações simbióticas, proporcionando um melhor desenvolvimento vegetal. A rizosfera é um local rico em microrganismos, e muitos deles possuem caráter bené� co, proporcionando melhorias no desenvolvimento vegetal, por meio tanto da � xação biológica do nitrogênio pelas bactérias � xadoras de nitrogênio quanto de associações com fungos micorrízicos, que ajudam na absorção de nutrientes menos disponíveis no solo, como o fósforo. Além disso, a interação com esses microrganismos bené� cos pode ajudar na tolerância contra a seca e na proteção contra � topatógenos. Da mesma forma, o sistema radicular também pode in� uenciar na microbiota do solo, criando um ecossistema especializado, em que o crescimento dos microrganismos pode ser bene� ciado ou, até mesmo, inibido. Sendo assim, a comunidade microbiana da rizosfera é representada por populações muito diversi� cadas e numerosas, desde que haja um equilíbrio dinâmico entre microrganismos, solo e planta. Diante do exposto, esta unidade tem como objetivo estudar as interações patogênicas e bené� cas de microrganismos com as plantas. Estudaremos a importância dos � topatógenos na agricultura e os benefícios resultantes da � xação biológica do nitrogênio e associação com micorrizas. 23WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1. FITOPATÓGENOS As doenças de plantas são conhecidas há muito tempo, praticamente desde o início da agricultura. Considera-se que, como ciência, seu início foi apenas no século XIX, na década de 1860, quando De Bary demonstrou que a causa da doença requeima da batata era um fungo, Phytophthora infestans, como já vimos na Unidade I. Fitopatógeno é qualquer microrganismo com capacidade de transmitir doença a uma espécie vegetal. Entre os microrganismos mais importantes causadores de doenças vegetais, destacam-se os fungos, as bactérias, os vírus e os nematoides. Esses patógenos podem infectar todas as espécies vegetais, cada um com sua especi� cidade. Ao infectarem uma lavoura, esses patógenos induzem diversos sintomas. Estes são essenciais para a identi� cação da doença no campo. Naturalmente, as plantas não são hospedeiras de microrganismos, ou seja, elas rejeitam os patógenos, criando um mecanismo de defesa básica ou defesa basal. Sendo assim, na natureza, a resistência é regra, e a doença, exceção. Para que o parasitismo ocorra de fato, é necessária uma série de combinações certas de fatores favoráveis para o patógeno, que permitam, assim, o ataque e a colonização. Esses fatores são a suscetibilidade de um hospedeiro, ou incapacidade de se defender de maneira e� ciente, bem como fatores ambientais que permitam seu desenvolvimento. Esse fato pode serdenominado também de compatibilidade básica, que é de� nido pelo fenômeno especí� co entre uma espécie de planta e um patógeno apropriado e apto a causar doença. Assim, resumidamente, a doença em uma planta ocorre quando os agentes causais encontram um hospedeiro suscetível e condições ambientais favoráveis para seu desenvolvimento. Cada patógeno tem sua especi� cidade em relação às condições ambientais. A umidade e a temperatura são fatores limitantes para a sobrevivência, disseminação e colonização de todos eles. Esses patógenos podem infectar todos os tecidos das plantas, existindo grupos especí� cos e especializados em parasitar determinados órgãos vegetais. A introdução de um patógeno dentro de uma área pode ser feita por propágulos vegetativos, como sementes, mudas, tubérculos, ou são transportados por meio de equipamento infectado. Os danos causados por todos os � topatógenos afetam negativamente todo o sistema agrícola e podem levar a grandes perdas econômicas. Eles estão entre as principais causas de perdas de produtividade na agricultura. Os problemas � tossanitários se agravam devido à grande exploração da monocultura e de mudanças ambientais drásticas, que quebram barreiras naturais contra esses patógenos, aumentando exponencialmente as infecções dentro do sistema agrícola. Sendo assim, essas interferências são responsáveis até mesmo pelo agravamento dos danos. Em determinadas regiões, novas doenças podem surgir e outras perderem a importância econômica, em função de todas essas alterações. A distribuição das doenças no tempo também pode ser afetada, uma vez que os patógenos, especialmente aqueles que infectam as folhas, apresentam � utuações quanto à ocorrência e a severidade durante o ano agrícola, que são atribuídas também às variações climáticas. Outros fatores que podem afetar a distribuição das doenças ao longo do tempo são os efeitos diretos relacionados com outros organismos que interagem com os patógenos. Por exemplo, doenças que requerem insetos ou outros vetores podem apresentar distribuições diferentes conforme as mudanças climáticas. Aumento de temperatura e redução da umidade podem levar vetores para regiões onde ainda não atuavam, mas que apresentam condições ideais para seu desenvolvimento. 24WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Os fungos são responsáveis por mais de 65% das doenças em plantas. Um dos principais exemplos para a cultura da soja é a ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) (Figura 1). Esse fungo pode causar danos de até R$ 12 bilhões de reais para a cultura da soja anualmente. São gastos, por ano, cerca de R$ 8,3 bilhões com fungicidas, sendo que 96% são usados para o controle de ferrugem asiática. Figura 1 – Sintoma de ferrugem asiática, doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi em plantas de soja. Ob- servam-se pontos escuros na folha, com a formação das estruturas reprodutivas do fungo no verso da folha. Fonte: Godoy (2017). Os fungos � topatogênicos podem atuar de três formas, de acordo com seu modo de nutrição: a) Fungos biotró� cos: são aqueles que sobrevivem e se alimentam apenas de tecidos vivos da planta. Esses patógenos raramente irão matar o seu hospedeiro, uma vez que necessitam deles para sua sobrevivência. b) Fungos necrotró� cos: possuem a capacidade de se alimentar e sobreviver em tecidos mortos da planta. c) Fungos hemibiotró� cos: são aqueles que iniciam a infecção retirando nutrientes dos tecidos vivos da planta e (agem como os biotró� cos) e, ao atingirem a fase de desenvolvimento e colonização, matam esses tecidos, assim como os necrotró� cos. As bactérias são patógenos que necessitam de aberturas naturais (estômatos, hidatódios, lenticelas, estigmas) ou ferimentos para iniciar seu parasitismo. Essas bactérias podem agir de diferentes formas nas plantas, como produzindo diversas toxinas que levam a célula do hospedeiro à morte, e produzindo enzimas especí� cas que quebram componentes celulares da parede vegetal. Podem, também, colonizar o xilema, impedindo a passagem de água e nutrientes até a parte aérea da planta. Assim, diferentes sintomas são expressos pelas bactérias, desde tumores até necrose (Figura 2), nas mais diversas partes da planta. 25WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Os vírus precisam de algum vetor para infectar a planta. Na maioria dos casos, estão associados a insetos, entretanto, existem fungos e nematoides que também podem ser vetores de vírus. Os sintomas causados por estes são melhores de� nidos em relação aos fungos e bactérias. Os mais comuns são: clorose, enfezamento ou nanismo, enrolamento ou encarquilhamento de folhas, manchas das nervuras e mosaicos (Figura 3). Figura 2 – Sintomas de necrose causada pelo cancro bacteriano (bactéria Clavibacter michiganensis subsp. michiga- nensis) em fruto de tomate. Fonte: Embrapa Hortaliças (2019). Figura 3 – Manchas de diferentes tonalidades em folhas de tomate, sintoma causado pelo vírus do mosaico do toma- teiro. Fonte: Embrapa Hortaliças (2019). 26WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Os nematoides também são considerados patógenos, pois causam sintomas e doenças nas plantas, embora ainda muito confundidos com pragas. São comuns em solos agrícolas e provocam severos danos e perdas de produtividade nas mais variadas culturas. São patógenos que infectam, na grande maioria das vezes, o sistema radicular da plantas. Entretanto, há algumas espécies capazes de parasitar a parte aérea da planta. Os sintomas mais típicos dos nematoides ocorrem nas raízes, onde podemos observar a formação de galhas (Figura 4), lesões radiculares, rami� cações excessivas nas raízes, baixo desenvolvimento do sistema radicular e cistos aderidos. Além disso, é possível observar sintomas re� exos na parte aérea, como plantas de menor porte, murcha, amarelecimento e menor número de folhas. Figura 4 – Sintomas de galhas em raízes de soja causadas pelo nematoide das galhas (Meloidogyne spp.) Fonte: A autora. 2. FIXAÇÃO BIOLÓGICA DE NITROGÊNIO O nitrogênio é um dos nutrientes mais abundantes na terra e participa de diversas atividades na decomposição de moléculas, como de ácidos nucleicos, proteínas e polissacarídeos. É encontrado na natureza em forma de química muito estável e é requerido em grandes quantidades pelos seres vivos. As plantas necessitam do nitrogênio para seu desenvolvimento. No entanto, por mais que esse elemento seja abundante na natureza, sua forma para a pronta assimilação é limitada, sendo necessário sua transformação para uma forma que facilite a assimilação (MARIN et al., 1999). A ausência de nitrogênio para as plantas pode levar a danos severos para as culturas. Por isso, busca-se cada vez mais alternativas para a � xação biológica de nitrogênio. Por meio desse processo biológico, cerca de 65% do nitrogênio requerido pelas plantas é disponibilizado (HUNGRIA; CAMPO; MENDES, 2007). 27WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Na agricultura, a � xação biológica de nitrogênio (FBN) é muito explorada. Hoje, encontra- se comercialmente disponível na forma de inoculante para diversas culturas. Algumas espécies vegetais interagem com bactérias � xadoras de nitrogênio naturalmente, retirando diretamente do ar o nitrogênio em forma gasosa, transformando-o em formas absorvíveis. A FBN é realizada pelas bactérias � xadoras de nitrogênio e por algumas cianobactérias (algas azuis). As bactérias � xadoras de nitrogênio possuem um complexo enzimático, a nitrogenase. Nesse complexo, ocorre a transformação do nitrogênio do ar (N2) em estruturas assimiláveis por outros organismos. Antes de ser absorvido, o nitrogênio é retirado do ar atmosférico e transformado em amônia solúvel em água, o qual pode ser utilizado diretamente pelas plantas. O nitrogênio � xadotambém pode ser transformado no solo em nitrato, uma outra forma disponível para as plantas. A associação das bactérias � xadoras de nitrogênio com as leguminosas é muito conhecida. No caso da soja, essas bactérias eram classi� cadas como a espécie Rhizobium japonicum. Com o avanço dos estudos, da taxonomia e de técnicas moleculares, surgiu uma reclassi� cação em um novo gênero, o Bradyrhizobium. Em uma linguagem mais popular, essas bactérias são denominadas de rizóbio ou bradirrizóbio. Sabe-se que, além das bactérias � xadoras de nitrogênio nas raízes das leguminosas, as bactérias � xadoras de N2 endofíticas também atuam no interior de algumas plantas, como em cana-de-açúcar, cereais e gramíneas forrageiras. Apesar de o produtor rural utilizar a adubação mineral para o fornecimento de nitrogênio às culturas agrícolas, esse adubo costuma ser caro e seu uso inadequado pode produzir impactos ambientais negativos. A � xação biológica de nitrogênio pelas plantas leguminosas pode suprir a adubação mineral, dependendo da espécie e do sistema de cultivo. Em culturas de espécies não leguminosas ou com sistema de baixa e� ciência de FBN, pode ser realizado o cultivo consorciado com culturas e� cientes em FBN. Outra alternativa para o agricultor é o plantio de adubos verdes antes do cultivo da cana-de-açúcar, no momento da reforma do canavial (HUNGRIA; CAMPO; MENDES, 2007). Durante essa associação, são observadas estruturas diferenciadas, chamadas de nódulos, formadas devido à presença de bactérias nas raízes de leguminosas. Os nódulos são resultantes de uma interação complexa e especí� ca entre bactérias pertencentes aos gêneros Rhizobium, Sinorhizobium, Mesorhizobium, Phylorhizobium, Bradyrhizobium, Azorhizobium e suas plantas hospedeiras. Essas rizobactérias simbióticas são importantes tanto do ponto de vista econômico, quanto ecológico, uma vez que se pode dispensar total ou parcialmente o uso de fertilizantes nitrogenados em leguminosas, minimizando, assim, os possíveis impactos ambientais decorrentes da utilização desses produtos químicos. Além de formar simbiose com bactérias � xadoras de nitrogênio atmosférico, as leguminosas arbóreas formam, também, simbioses com fungos micorrízicos (NOGUEIRA; OLIVEIRA; BERNARDES, 2012). As leguminosas arbóreas apresentam um radicular profundo e rami� cado e uma grande produção de matéria orgânica, o que in� uencia positivamente as propriedades do solo e seus processos químicos e biológicos, de modo a fornecer diferentes serviços ambientais. Por meio dos nódulos formados nas leguminosas, devido à associação com essas bactérias, ocorre o processo de � xação do nitrogênio atmosférico, utilizado pela planta para o seu desenvolvimento. Uma associação rizóbio x leguminosa e� ciente, em que a necessidade da planta por nitrogênio seja suprida, é de extrema importância, tendo em vista que o nitrogênio é um dos elementos do solo mais limitantes da produção nessas áreas. 28WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A utilização de inoculantes (microrganismos vivos, capazes de promover crescimento vegetal) e� cientes do gênero Rhizobium pode possibilitar às leguminosas a não utilização de fertilizantes nitrogenados, sem afetar a produtividade da cultura, demonstrando a importância e a função do inoculante, bem como alternativas para a cultura e para o suprimento de nitrogênio, elemento fundamental para o desenvolvimento do feijoeiro, como qualquer outra cultura em geral (FERREIRA et al., 2000). A associação de Rhizobium com feijoeiro é bastante pesquisada, uma vez que este apresenta propriedade de � xar nitrogênio da atmosfera quando em simbiose com bactérias do gênero. Esse processo é denominado � xação biológica de nitrogênio. O uso de inoculante com bactérias � xadoras de nitrogênio do gênero Bradyrhizobium é uma tecnologia indispensável para a cultura da soja no Brasil. A e� ciência desses microrganismos possibilita a obtenção de altos rendimentos de grãos da cultura, sem a necessidade de aplicação de nitrogênio mineral. Estudos mostram que a inoculação de Bradyrhizobium em sementes de soja proporcionou considerável redução no custo de produção dessa cultura pela eliminação da necessidade de adubação nitrogenada, evitando, também, efeitos negativos ao meio ambiente. Os prejuízos ao meio ambiente são lixiviação de formas nitrogenadas, poluindo rios e lagos, e desnitri� cação, afetando a camada de ozônio. Quando em contato com as raízes de soja, as bactérias do gênero Bradyrhizobium as infectam, via pelos radiculares, formando os nódulos. Dentro dos nódulos, as bactérias, por intermédio de uma enzima denominada dinitrogenase, quebram a tripla ligação do nitrogênio atmosférico e provocam a sua redução até amônia, ou seja, a mesma forma obtida no processo industrial. Desse modo, a essa mesma amônia são incorporados íons H+, abundantes nas células das bactérias, ocorrendo a transformação em íons NH4 +, que serão distribuídos para a planta de soja e incorporados na forma de nitrogênio orgânico. No caso das bactérias associativas, como Azospirillum spp. e Azotobacter spp., ocorre o mesmo complexo da enzima nitrogenase, que realiza a conversão de N2 da atmosfera em amônia disponível para a planta. Diferente das bactérias simbióticas, essas excretam apenas uma parte do nitrogênio � xado diretamente para a planta. A � xação biológica por essas bactérias consegue suprimir parcialmente as necessidades da planta. Assim, é importante lembrar que, ao contrário das leguminosas, a inoculação de outras espécies de plantas com bactérias pode ajudar na � xação do nitrogênio, entretanto, não supre totalmente a necessidade da planta por parte deste nutriente. O Azospirillum está associado com as raízes de cereais e tem a capacidade de estimular a produção de hormônios nas plantas, por exemplo, a auxina, que vai promover o crescimento de raiz (VOGT et al., 2014). Segundo Oliveira et al. (2014), a utilização de Azospirillum brasilense em milho é uma alternativa viável para diminuir o uso de fertilizantes nitrogenados, em que se obteve maior produtividade e redução nos custos. As bactérias do gênero Azospirillum podem atuar no crescimento vegetal por meio da redução do NO3 nas raízes das plantas. Assim, as plantas não gastam energia para reduzir o nitrato até amônia e essa energia pode ser utilizada para outros processos vitais do metabolismo. Essas bactérias são bastante utilizadas como biofertilizante, devido à sua capacidade de colonizar várias espécies de plantas, além da sua ampla distribuição geográ� ca e e� ciência na � xação de nitrogênio. Por meio das vias metabólicas de Azospirillum brasilense envolvidas no controle do metabolismo de nitrogênio, é possível utilizar técnicas de biologia molecular para alterar genes que codi� cam proteínas regulatórias. Assim, é possível induzir a � xação de nitrogênio de forma constitutiva e secretar amônia para a planta associada, tornando dispensável o uso de fertilizantes nitrogenados. 29WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Os benefícios diretos do Azospirillum se dão por meio da � xação de nitrogênio e produção de auxina, além da solubilização do fosfato inorgânico. Ainda, como benefício indireto, essa bactéria induz a resistência sistêmica de doenças, podendo ser utilizada como controle biológico e na produção de compostos orgânicos que captam ferro (HUERGO, 2006). 2.1 Formação de Nódulos O processo de formação de nódulos é complexo. Ocorre por meio de inúmeras etapas, as quais envolvem mudanças � siológicas e morfológicas. As mudanças na bactéria têm como objetivo o recebimento de fontes de carbono da planta hospedeira, para prover o ATP e poder redutor, necessários para o processo de FBN. As mudanças na planta hospedeira têm o objetivo assimilar a amônia produzida pelas bactérias. Algumas leguminosas tropicais são capazes de nodularcom uma ampla faixa de rizóbios, o que contribui para a � xação biológica de nitrogênio. Algumas coisas podem di� cultar a introdução de inoculantes e� cientes, como a falta de estirpes nativas, que são bastante competitivas. Dessa forma, é muito importante estudar estratégias para avaliar a composição e a contribuição de estirpes de rizóbios nativos do solo onde se pretende introduzir o inoculante, a � m de realizar uma e� ciente � xação biológica de nitrogênio. Para que o processo de nodulação (Figura 5) comece, ocorre primeiro um reconhecimento da combinação adequada, por parte da planta e da bactéria, formando, então, a adesão da bactéria nos pelos radiculares e a invasão. Após a invasão do pelo radicular, ocorre o deslocamento da bactéria para a raiz principal através do canal de infecção. Quando chega à raiz principal, começa a diferenciação das bactérias num novo tipo de células-bacteroides, iniciando, então, a � xação de azoto. O processo de divisão das células bacterianas e vegetais é contínuo e resulta na formação de um nódulo maduro. Figura 5 – Processo de nodulação de rizóbio em raízes de leguminosas. Fonte: Cnidus (2009). 30WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Ocorre, então, a comunicação entre macro e microssimbionte e a expressão de genes responsáveis pela infecção. Nessa comunicação, realiza-se a troca de sinais que envolvem a ativação da expressão dos genes da nodulação chamada “nod”, do rizóbio por diferentes compostos, como � avonoides, produzidos pelas plantas. Esses � avonoides e outras substâncias estão presentes em exsudatos de sementes e raízes, atuando não apenas como quimioatraentes para as bactérias, mas também como indutores dos genes nod de rizóbios (MERCANTE; GOI; FRANCO et al., 2002). No caso da soja, a formação dos nódulos (Figura 6) poderá ser visualizada a partir da emergência (VE). Entretanto, somente nos estádios de desenvolvimento V2 e V3 é que a � xação de nitrogênio se torna mais ativa. Depois, o número de nódulos formados e a quantidade de nitrogênio � xada aumenta até o estádio R5.5, quando diminui bruscamente. Para veri� car se os nódulos estão � xando nitrogênio ativamente para a planta, deve-se observar se internamente eles apresentam coloração rosa ou vermelha. Quando se encontram brancos, marrons ou verdes, provavelmente a � xação de nitrogênio não está ocorrendo. Figura 6 – Nódulos formados pelo processo de � xação de nitrogênio em raízes de soja. Fonte: Ferreira (2017). Para mais informações sobre a fi xação biológica de nitrogênio, leia o artigo 20 perguntas e respostas sobre a fi xação biológica do nitrogênio, publicado pela Embrapa Cerrados. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/ bitstream/doc/883833/1/doc281.pdf. 31WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3. MICORRIZAS As micorrizas (Figura 7) são associações simbióticas formadas por fungos e plantas. O termo micorriza tem origem grega, em que “mico” signi� ca fungo e “riza”, raízes. Essa associação é de ocorrência generalizada, resultante da união entre as raízes da planta e o micélio do fungo. As micorrizas são classi� cadas em dois grupos: ectomicorrizas e endomicorrizas. As ectomicorrizas formam um manto externo à raiz, denominado de “Rede de Hartig” (Figura 8), desenvolvendo-se também nos espaços intercelulares, sem que haja a penetração das hifas intracelularmente. Já nas endomicorrizas, ocorre a colonização intracelularmente, sendo que as hifas penetram o interior das raízes (Figura 8). Esses fungos são divididos em três tipos: ericoide, que ocorre na família vegetal Ericaceae; orquidoide, ocorrendo na família Orquidaceae; e micorrizas arbusculares, que ocorrem em mais de 80% das espécies vegetais. Johanna Döbereiner foi uma cientista pioneira em biologia do solo. Iniciou os es- tudos sobre a fi xação biológica do nitrogênio em gramíneas, quando ainda pou- cos cientistas acreditavam que a fi xação biológica do nitrogênio poderia competir com os fertilizantes minerais. Johanna foi uma mulher que revolucionou a história da agronomia no Brasil e no mundo. O nitrogênio é um elemento essencial no desenvolvimento vegetal e faz parte de diversos compostos na fi siologia vegetal, como clorofi la, proteínas e aminoáci- dos. Esse nutriente é limitante da produção agrícola e é essencial para produção de alimentos no mundo. A população mundial é de quase 8 bilhões de pessoas, que consomem diariamente uma média de 11 g de nitrogênio por dia. Sendo as- sim, podemos observar a importância desse nutriente para a produção de alimen- tos e para a sobrevivência do ser humano. Para saber mais a respeito das pesquisas iniciais sobre a fi xação biológica de nitrogênio, assista ao vídeo Um Cien- tista, Uma História | Johanna Döbereiner, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=m10wDG2ByOM. 32WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA As micorrizas arbusculares, ou fungos micorrízicos arbusculares (FMA), são fungos biotró� cos obrigatórios, ou seja, necessitam do hospedeiro para se alimentarem e completarem seu ciclo de vida, estabelecendo uma relação simbiótica e mutualística com as plantas. Esses fungos agem como uma extensão do sistema radicular, in� uenciando na nutrição das plantas por meio do incremento de superfície de absorção, além de aumentar o volume de exploração do solo pelo sistema radicular das plantas. Esse processo ajuda principalmente na absorção de nutrientes com baixa mobilidade no solo, como o fósforo (MOREIRA; SIQUEIRA, 2006). Figura 7 – Raízes de Pinus sp. micorrizadas. Fonte: Porto Bonsai (2017). Os FMAs podem apresentar também efeito sinergístico na � xação biológica de nitrogênio em algumas interações triplas, sendo o FMA-planta-bactéria � xador de nitrogênio. Este pode incrementar na � xação pelo fato de que as plantas estão bem mais nutridas quando associadas com os FMAs (JESUS; SCHIAVO; FARIA, 2005). O sucesso da colonização das micorrizas depende da relação fungo-planta-solo, uma vez que as diferentes espécies de FMA atuam de forma distinta, de acordo com a espécie vegetal e com a condição física e química do solo. Os requerimentos nutricionais dos FMAs por parte da planta não são tão especí� cos, visto que possuem ampla distribuição e baixa especi� cidade com o hospedeiro. Uma espécie vegetal pode ser colonizada por qualquer espécie de FMA, entretanto, os efeitos da simbiose podem ser diferentes, conforme a interação entre solo, planta e fungo (COSTA et al., 2001). A formação dessa associação simbiótica ocorre a partir de uma interface formada entre os propágulos fúngicos no solo e as raízes da planta. Desses propágulos do fungo, originam-se as hifas infectivas, que são estimuladas pelos exsudatos radiculares e pelas condições químicas e físicas da rizosfera. Em condições ideais, o fungo cresce de maneira rápida e abundante, aumentando as chances de contato com as raízes. 33WWW.UNINGA.BR M IC RO BI OL OG IA A GR ÍC OL A | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Ao encontrarem as raízes, as hifas aderem em sua superfície, tanto na epiderme quanto nos pelos radiculares, formando um apressório. Por meio deste, penetram as células da epiderme, geralmente na zona de diferenciação e alongamento celular. As hifas iniciam a colonização pelo córtex intercelularmente, por meio da lamela média, e, posteriormente, essa colonização torna-se intracelular, quando as hifas formam enovelados nas camadas mais externas do córtex, diferenciando-se em arbúsculos nas camadas mais internas, dando origem a vesículas e esporos. Após a penetração das micorrizas, ocorre a diferenciação das hifas intracelularmente, dando origem aos arbúsculos e vesículas (Figura 8). Durante o processo de simbiose entre planta e FMAs, ocorre uma interação perfeita genética, morfológica e funcional, em que os nutrientes são transferidos