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Indaial – 2020
Relações MicRoRganisMos 
e HospedeiRos
Prof. Dra. Marcia Regina Pelisser
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2020
Elaboração:
Prof. ª Dra. Marcia Regina Pelisser
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
P384r
 Pelisser, Marcia Regina
 Relações microrganismos e hospedeiros. / Marcia Regina Pelisser. 
– Indaial: UNIASSELVI, 2020.
 219 p.; il.
 ISBN 978-65-5663-043-4
1. Microbiologia. - Brasil. 2. Parasitologia. – Brasil. Centro Universitário 
Leonardo Da Vinci.
CDD 570
III
apResentação
Prezado acadêmico, seja bem-vindo à disciplina de Relações Microrga-
nismos Hospedeiros! Para facilitar a sua aprendizagem, dividimos o conteúdo 
da disciplina em três unidades. 
Na Unidade 1, estudaremos os fundamentos da microbiologia, as bac-
térias, o seu histórico, a capacidade de visualização, a taxonomia, a estrutura 
celular, o metabolismo, o crescimento, a genética e, ainda, a microbiologia e 
os alimentos, assuntos fascinantes que influenciam nossas vidas diárias de di-
versas maneiras. As bactérias vivem na superfície e no interior do nosso cor-
po. São essenciais para a produção e a reciclagem de certos elementos, como 
carbono, oxigênio e nitrogênio. São utilizadas na produção de alimentos em 
engenharia genética e na terapia gênica. Infelizmente, causam doenças e, por 
isso, precisam ser estudadas e controladas. 
Na Unidade 2, estudaremos os vírus e os fungos, suas estruturas, taxo-
nomia, isolamento, cultivo, identificação, multiplicação, importância econômi-
ca dos fungos e as doenças veiculadas por alimentos.
Na Unidade 3, estudaremos a parasitologia: protozoários, helmintos e 
artrópodes, sua importância clínica, descrição, patologia, etiologia, epidemio-
logia, sinais e sintomas, diagnóstico laboratorial, tratamento e profilaxia das 
principais parasitoses veiculadas através dos alimentos.
Desejamos uma excelente leitura e bons estudos!
Professora Dra. Marcia Regina Pelisser
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto 
para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
V
VI
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela 
um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer teu conhecimento, construímos, além do livro 
que está em tuas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela terás 
contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares, 
entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar teu crescimento.
Acesse o QR Code, que te levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para teu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nessa caminhada!
LEMBRETE
VII
UNIDADE 1 – FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA ...............................................................1
TÓPICO 1 – BACTÉRIAS .........................................................................................................................3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................3
2 HISTÓRICO .............................................................................................................................................4
3 CAPACIDADE DE VISUALIZAÇÃO DOS MICRORGANISMOS ............................................5
4 TAXONOMIA ..........................................................................................................................................7
4.1 OS TRÊS DOMÍNIOS ........................................................................................................................8
4.2 NOMENCLATURA CIENTÍFICA .................................................................................................11
5 ESTRUTURA CELULAR BACTERIANA ........................................................................................12
5.1 ESTRUTURAS EXTERNAS À PAREDE CELULAR ...................................................................15
5.2 ESTRUTURAS INTERNAS À PAREDE CELULAR ...................................................................21
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................26
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................28
TÓPICO 2 – METABOLISMO, REPRODUÇÃO E CONTROLE MICROBIANO ......................31
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................31
2 NUTRIÇÃO E METABOLISMO BACTERIANO ...........................................................................31
3 CRESCIMENTO E REPRODUÇÃO BACTERIANA .....................................................................34
3.1 FATORES NECESSÁRIOS PARA O CRESCIMENTO ................................................................36
 3.1.1 Meios de cultura ......................................................................................................................38
4 CONTROLE DO CRESCIMENTO MICROBIANO ......................................................................40
5 GENÉTICA MICROBIANA ...............................................................................................................44
6 MICROBIOTA NORMAL ...................................................................................................................46
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................48
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................50
TÓPICO 3 – MICROBIOLOGIA DE ALIMENTOS..........................................................................53
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................53
2 DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS (DTAs) ..........................................................53
3 MICRORGANISMOS INDICADORES...........................................................................................54
3.1 CONTAGEM TOTAL DE MICRORGANISMOS AERÓBIOS MESÓFILOS 
 EM PLACAS .....................................................................................................................................55
3.2 COLIFORMESTOTAIS ...................................................................................................................55
3.3 COLIFORMES TERMOTOLERANTES ........................................................................................56
3.4 ESCHERICHIA COLI .......................................................................................................................57
4 FATORES INTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOS NOS ALIMENTOS ...........................................57
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................................65
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................68
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................69
UNIDADE 2 – VIROLOGIA/MICOLOGIA .......................................................................................71
TÓPICO 1 – VIROLOGIA ......................................................................................................................73
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................73
suMáRio
VIII
2 CARACTERÍSTICAS GERAIS .........................................................................................................73
3 ESTRUTURA VIRAL ...........................................................................................................................77
3.1 PRINCIPAIS ESTRUTURAS VIRAIS ............................................................................................77
3.2 MORFOLOGIA GERAL ..................................................................................................................79
4 TAXONOMIA VIRAL ..........................................................................................................................82
4.1 CULTIVO E IDENTIFICAÇÃO DOS VÍRUS ...............................................................................83
5 MULTIPLICAÇÃO VIRAL .................................................................................................................83
6 PATOGENIA, PREVENÇÃO E CONTROLE ..................................................................................86
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................91
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................93
TÓPICO 2 – MICOLOGIA .....................................................................................................................95
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................95
2 CARACTERIZAÇÃO GERAL ............................................................................................................96
3 TAXONOMIA .......................................................................................................................................99
4 REPRODUÇÃO FÚNGICA ..............................................................................................................100
4.1 CRESCIMENTO E ISOLAMENTO DOS FUNGOS .................................................................102
5 MICOSES .............................................................................................................................................103
5.1 VIAS DE DISPERSÃO DOS FUNGOS ........................................................................................103
5.2 FUNGOS CAUSADORES DE MICOSES CUTÂNEAS E SUBCUTÂNEAS ........................105
5.3 FUNGO CAUSADOR DE MICOSES SISTÊMICAS SEGUNDO LEVINSON (2016)...........108
5.4 FUNGOS CAUSADORES DE MICOSES OPORTUNISTAS ..................................................109
6 ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DOS FUNGOS .........................................................110
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................111
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................114
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................116
TÓPICO 3 – DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS (DTAs) ...................................119
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................119
2 TOXINFECÇÃO ALIMENTAR ........................................................................................................120
2.1 COLETA E TRANSPORTE DE AMOSTRAS DE ALIMENTOS PARA ANÁLISES 
MICROBIOLÓGICAS ....................................................................................................................125
2.2 PRINCIPAIS FATORES QUE CONTRIBUEM PARA SURTOS DE DTAS ............................126
3 DOENÇAS VIRAIS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS ......................................................127
3.1 ROTAVÍRUS ....................................................................................................................................128
3.2 ADENOVÍRUS ...............................................................................................................................130
3.3 ASTROVÍRUS .................................................................................................................................130
4 MICOTOXINAS ..................................................................................................................................131
5 FICOTOXINAS ...................................................................................................................................133
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................136
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................137
UNIDADE 3 – PARASITOLOGIA .....................................................................................................139
TÓPICO 1 – PROTOZOÁRIOS ..........................................................................................................141
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................141
2 DEFINIÇÕES DE PARASITOLOGIA ............................................................................................141
3 CARACTERIZAÇÃO GERAL ..........................................................................................................146
3.1 PRINCIPAIS ORGANELAS E ESTRUTURAS ...........................................................................147
4 PROTOZOÁRIOS ENDOPARASITAS ..........................................................................................150
4.1 GIARDÍASE – AGENTE ETIOLÓGICO GIARDIA LAMBLIA ..............................................150
4.2 AMEBÍASE – AGENTE ETIOLÓGICO ENTAMOEBA HISTOLYTICA .................................152
IX
4.3 CRIPTOSPORIDIOSE – AGENTE ETIOLÓGICO CRYPTOSPORIDIUM HOMINIS .........154
5 PROTOZOÁRIOS HEMOPARASITAS ........................................................................................156
5.1 DOENÇA DE CHAGAS OU TRIPANOSSOMÍASE AMERICANA – AGENTE ETIOLÓGICO 
- TRIPANOSOMA CRUZI .............................................................................................................156
5.2 MALÁRIA – AGENTE ETIOLÓGICO PLASMODIUM SP. ....................................................158
 5.3 LEISHMANIOSE – AGENTE ETIOLÓGICOLEISHMANIA SPP. ..........................................161
5.4 TOXOPLASMOSE – AGENTE ETIOLÓGICO TOXOPLASMA GONDII .............................163
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................166
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................168
TÓPICO 2 – HELMINTOS ...................................................................................................................171
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................171
2 CARATERIZAÇÃO GERAL .............................................................................................................171
3 DOENÇAS CAUSADAS POR PLATELMINTOS ........................................................................172
3.1 ESQUISTOSSOMOSE – AGENTE ETIOLÓGICO – SCHISTOSOMA MANSONI ...............173
3.2 TENÍASE – AGENTES ETIOLÓGICOS – TAENIA SOLIUM E TAENIA SAGINATA ..........176
3.3 CISTICERCOSE – AGENTE ETIOLÓGICO – CYSTICERCUS CELLULOSAE (LARVA DE 
TAENIA SOLIUM) ..........................................................................................................................179
4 DOENÇAS CAUSADAS POR NEMATELMINTOS ...................................................................182
4.1 ASCARIDÍASE – AGENTE ETIOLÓGICO – ASCARIS LUMBRICOIDES ...........................183
4.2 ANCILOSTOMOSE – AGENTES ETIOLÓGICOS – ANCYLOSTOMA DUODENALE E 
NECATOR AMERICANUS ........................................................................................................186
4.3 STRONGILOIDÍASE – AGENTE ETIOLÓGICO – STRONGYLOIDES STERCORALIS .....188
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................192
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................195
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................196
TÓPICO 3 – ARTRÓPODES ................................................................................................................199
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................199
2 CARACTERIZAÇÃO GERAL ..........................................................................................................199
3 DÍPTEROS .........................................................................................................................................201
3.1 MIÍASES – AGENTES ETIOLÓGICOS - VÁRIAS ESPÉCIES DE LARVAS 
 DE DIPTEROS ................................................................................................................................202
4 ANOPLURA (PIOLHOS) ..................................................................................................................204
4.1 PEDICULOSE – PIOLHOS – FAMÍLIA PEDICULIDAE .........................................................204
5 SIPHONAPTERA (PULGAS) ...........................................................................................................207
6 ÁCARI ..................................................................................................................................................209
6.1 CARRAPATOS ...............................................................................................................................210
6.2 ÁCAROS .........................................................................................................................................212
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................215
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................216
REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................217
X
1
UNIDADE 1
FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá será capaz de:
• rever o histórico da microbiologia;
• listar as unidades métricas utilizadas para medir os microrganismos;
• identificar os domínios Bacteria, Archaea e Eucarya;
• reconhecer o sistema de nomenclatura científica;
• conhecer as estruturas, classificação, metabolismos e genética bacteriana;
• definir os termos essenciais relacionados ao controle microbiano;
• compreender a importância da microbiota e a sua relação com a saúde;
• conhecer as doenças transmitidas por alimentos e os microrganismos in-
dicadores de qualidade higiênico-sanitária;
• compreender os fatores intrínsecos e extrínsecos determinantes no cresci-
mento e controle dos microrganismos nos alimentos;
• organizar os conhecimentos adquiridos nas aulas práticas correlacionan-
do-os aos aspectos teóricos da disciplina.
2
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. Ao fim de cada um deles, você 
terá autoatividades que o auxiliarão na fixação do conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – BACTÉRIAS
TÓPICO 2 – METABOLISMO, REPRODUÇÃO 
 E CONTROLE MICROBIANO
TÓPICO 3 – MICROBIOLOGIA DE ALIMENTOS
 Preparado para ampliar teus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim 
absorverás melhor as informações.
CHAMADA
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
BACTÉRIAS
1 INTRODUÇÃO
O tema geral da disciplina são as relações entre os microrganismos e os hos-
pedeiros. Essas relações, e nossa vida, não envolvem apenas os efeitos prejudiciais 
de certos microrganismos, como doenças e deterioração dos alimentos, mas tam-
bém seus variados efeitos benéficos. Nesta unidade, prezado acadêmico, estuda-
remos os organismos visíveis apenas através do microscópio que são as bactérias.
A microbiologia é a ciência que estuda os microrganismos – um grande e 
diverso grupo de organismos microscópicos que existem em células isoladas ou 
em aglomerados – o qual inclui os vírus que são microscópicos, mas não células 
(BROOKS et al., 2014). A microbiologia estuda as bactérias, os fungos (leveduras e 
fungos filamentosos), protozoários, algas microscópicas e os vírus.
FIGURA 1 – GRUPOS DE MICRORGANISMOS DE ESTUDO DA MICROBIOLOGIA
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 5)
A nossa tendência é associar esses pequenos organismos apenas a doenças 
ou aos transtornos comuns, como alimentos deteriorados. No entanto, a maioria 
dos microrganismos, na verdade, auxilia na manutenção do equilíbrio da vida no 
nosso meio ambiente. Constituem a base da cadeia alimentar em oceanos, lagos e 
rios; auxiliam na degradação de resíduos e na incorporação do gás nitrogênio do 
ar em compostos orgânicos; apresentam um papel fundamental na fotossíntese; 
na digestão e a síntese de vitaminas, incluindo algumas vitaminas do complexo B, 
para o metabolismo, e a vitamina K, para a coagulação do sangue. Também pos-
suem muitas aplicações comerciais: síntese de produtos químicos, como vitaminas, 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
4
ácidos orgânicos, enzimas, álcoois e muitos fármacos; na indústria alimentícia: e na 
produção, por exemplo, de vinagre, chucrute, picles, molho de soja, queijo, iogurte, 
pão e bebidas alcoólicas (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Teremos uma ideia de como nossos conceitos atuais sobre microbiologia 
se desenvolveram observando alguns dos marcos históricos da microbiologia que 
modificaram as nossas vidas.
2 HISTÓRICO
A microbiologia teve início quando o inglês Robert Hooke em 1665 ob-
servou em microscópio uma amostra de tecido vegetal, identificando pequenas 
caixas em sua composição, as quais passou denominar de células. Comessa des-
coberta, deu-se início a teoria de que todos os seres vivos eram formados por 
células, apesar de que Hooke não havia ainda observado microrganismos vivos 
(TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
O comerciante holandês e cientista amador Anton van Leeuwenhoek foi 
provavelmente o primeiro a observar microrganismos vivos através das lentes de 
aumento dos mais de 400 microscópios que ele construiu. Entre 1673 e 1723, van 
Leeuwenhoek escreveu sobre os “animáculos” que visualizou através de seus mi-
croscópios simples de lente única (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
A descoberta de Leeuwenhoek despertou o interesse de muitos cientistas 
sobre a origem desses pequenos organismos e alguns acreditavam que eles sur-
giam espontaneamente a partir de matérias mortas (teoria da geração espontânea 
ou abiogênese). Após vários experimentos de diferentes autores como Franes-
co Redi, John Needham, Lazzaro Spallanzani e Rudolf Virchow, em 1861, Louis 
Pasteur demostrou que os microrganismos estão em todos os lugares e ofereceu 
provas para a teoria da biogênese (ENGELKIRK; DUBEN-ENGELKIRK, 2012). 
Quem descobriu os microrganismos? Antony Van Leuwenhoek (1632 – 1723) 
era um homem comum que tinha como hobby polir lentes de vidro e as colocava entre 
finas placas de bronze ou prata para inspecionar fibras e tecelagem de roupas. Usando 
seu precário microscópio, observava águas de rios, infusões de pimenta, saliva, fezes etc.
IMPORTANT
E
TÓPICO 1 | BACTÉRIAS
5
O período entre 1857 a 1914 foi apropriadamente chamado de a Idade de 
Ouro da Microbiologia. Período importante na história da Microbiologia, no qual 
se consolidou como ciência. No período, tivemos descobertas de agentes respon-
sáveis por doenças, sobre o sistema imunológico, assepsia, além do surgimento 
de técnicas de estudo como colorações para facilitar a visualização dos microrga-
nismos, meios de cultura, fermentação e pasteurização, entre outros.
FIGURA 2 – FATOS HISTÓRICOS MAIS IMPORTANTES NA MICROBIOLOGIA
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 9)
3 CAPACIDADE DE VISUALIZAÇÃO DOS MICRORGANISMOS
Caro acadêmico, os microrganismos são pequenos demais para serem 
vistos a olho nu, devendo ser observados ao microscópio. Os microbiologistas 
modernos utilizam microscópios que produzem, com grande clareza, ampliações 
que são de dez a milhares de vezes maiores do que a da lente única de van Le-
euwenhoek (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). 
Alguns microrganismos são visualizados mais rapidamente do que ou-
tros, devido ao seu tamanho maior ou as características facilmente observáveis. 
Muitos microrganismos, entretanto, devem ser submetidos a vários procedimen-
tos de coloração até que suas paredes celulares, cápsulas e outras estruturas per-
cam seu estado natural incolor (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Levando em consideração o fato de que os microrganismos são tão peque-
nos a ponto de sua observação a olho nu ser impossível, como medi-los?
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
6
Quando medimos os microrganismos, utilizamos o sistema métrico. A 
principal vantagem do sistema métrico consiste no fato das unidades relaciona-
rem-se umas com as outras por fatores de 10. Assim, 1 metro (m) é igual a 10 de-
címetros (dm) ou a 100 centímetros (cm) ou a 1.000 milímetros (mm). Os micror-
ganismos são medidos em unidades menores, como micrômetros e nanômetros. 
Um micrômetro (µm) é igual a 0,000001 m (10-6 m). O prefixo micro indica que a 
unidade seguinte deve ser dividida por 1 milhão ou 106. Um nanômetro (nm) é 
igual a 0,000000001 m (10-9 m) (ENGELKIRK; DUBEN-ENGELKIRK, 2012; TOR-
TORA; FUNKE; CASE, 2017). 
FIGURA 3 – REPRESENTAÇÕES DE UNIDADES MÉTRICAS DE MEDIDAS E NÚMEROS
FONTE: Engelkirk e Duben-Engelkirk (2012, p. 13)
Se a cabeça de um alfinete tivesse 1 mm (1.000 µm) de diâmetro, seriam 
necessários 1.000 cocos (forma celular bacteriana) dispostos um ao lado do outro 
para ocupação do espaço. A maioria dos vírus que causam doenças nos seres hu-
manos varia de tamanho, cerca de 10 a 300 nm, embora alguns (p. ex., vírus Ebola, 
causador de febre hemorrágica) possam ter 1.000 nm (1 µm) de comprimento. Al-
guns protozoários grandes podem alcançar o comprimento de 2.000 µm (2 mm).
TÓPICO 1 | BACTÉRIAS
7
FIGURA 4 – NOÇÕES DE TAMANHO DOS MICRORGANISMOS
FONTE: <http://bit.ly/3buOyq9>. Acesso em: 16 jul. 2019.
O tamanho das bactérias é expresso em micrômetros – µm – enquanto o 
tamanho dos vírus é expresso em nanômetros – nm –.
ATENCAO
4 TAXONOMIA
A ciência da classificação é chamada de taxonomia (do Grego taxon = arru-
mação, organização), por exemplo, a classificação de microrganismos em um siste-
ma ordenado, indicando uma relação natural (BROOKS et al., 2014). Os objetivos da 
taxonomia são mostrar as relações entre os organismos e fornecer uma maneira de 
identificá-los.
A classificação dos organismos foi mudando ao longo dos séculos. Em 1735, 
Carolus Linnaeus introduziu um sistema formal de classificação, dividindo os orga-
nismos em dois reinos: Plantae e Animalia. Haeckel (1865) propôs a criação do Rei-
no Protista, que incluía bactérias, protozoários, algas e fungos (TORTORA; FUNKE; 
CASE, 2017).
Em 1969, Robert H. Whittaker criou o sistema de cinco reinos, baseado na 
maneira pela qual os organismos obtêm os alimentos: Reino Monera, Reino Protista, 
Reino Plantae, Reino Animalia e Reino Fungi (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Os microrganismos pertencem a três dos cinco reinos: as bactérias são do rei-
no Monera, os protozoários e algas microscópicas são protistas, e os fungos micros-
cópicos, como leveduras e bolores, pertencem ao reino Fungi (TORTORA; FUNKE; 
CASE, 2017).
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
8
QUADRO 1 – CLASSIFICAÇÃO DOS MICRORGANISMOS
SISTEMA DE 
CLASSIFICAÇÃO REINOS ORGANISMOS INCLUÍDOS
Linnaeus – 1753 Plantae e Animalia
Bactérias, fungos, algas, 
plantas, protozoários e animais 
superiores.
Haeckel – 1865
Plantae
Animalia
Protista
Algas multicelulares e plantas
Animais
Microrganismos: bactérias, 
fungos filamentosos e leveduras, 
algas unicelulares e protozoários.
Whittaker – 1969
Plantae
Animalia
Protista
Fungi
Monera
Algas multicelulares e plantas
Animais
Protozoários e algas unicelulares
Fungos filamentosos e leveduras
Todas as bactérias
FONTE: Adaptado de Tortora, Funke e Case (2017)
4.1 OS TRÊS DOMÍNIOS
A descoberta de três tipos celulares foi fundamentada nas observações 
de que os ribossomos não são os mesmos em todas as células, embora estejam 
presentes em todas elas. A comparação de sequências nucleotídicas contidas no 
RNA ribossomal de diferentes tipos de células mostrou que existem três grupos 
celulares distintos: os eucariotos e dois tipos diferentes de procariotos – as bac-
térias e as arqueias. Domínio Eukarya inclui todos os organismos com células 
eucarióticas. Os Domínios Bacteria e Archaea são procariotos (ENGELKIRK; DU-
BEN-ENGELKIRK, 2012; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). 
Prezado acadêmico, veja, a seguir, as principais diferenças entre as células 
procarióticas e eucarióticas.
TÓPICO 1 | BACTÉRIAS
9
FIGURA 5 – COMPARAÇÃO DE CÉLULAS PROCARÍÓTICAS E EUCARIÓTICAS
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 267)
O Domínio Eukarya inclui os reinos Fungi, Plantae e Animalia, além dos 
protistas. O Domínio Bacteria inclui todos os procariotos patogênicos, isto é, que 
causam doenças aos seres humanos, muitas bactérias não patogênicas de grande 
importância para o ambiente, como as bactérias fotoautotróficas, e muitas outras 
que encontramos no solo, água e alimentos, desempenhando muitas funções que 
estudaremos nas próximas unidades. 
Carl R. Woese e seus colaboradores desenvolveram um sistema de classi-
ficação dos Três Domínios de Woese de organismos, baseado na sequência de bases 
nucleotídicas das moléculas do RNA ribossômico. Embora esse sistema de classificação 
não tenha sido inicialmente aceito, tornou-se o sistema de classificação mais aceito pelos 
microbiologistas (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
IMPORTANT
E
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA10
FIGURA 6 – SISTEMA DE TRÊS DOMÍNIOS
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 266)
O Domínio Archaea inclui procariotos que não possuem peptideoglica-
no em suas paredes celulares, entre outras características distintas. Vivem em 
ambientes hostis, como fontes termais, lagos salinos, piscinas térmicas, fundo de 
pântanos e realizam processos metabólicos incomuns. Em resumo, são bactérias 
extremófilas ambientais não contendo patógenos humanos, com muitas aplica-
ções biotecnológicas devido aos seus componentes celulares hiperestáveis.
TÓPICO 1 | BACTÉRIAS
11
FIGURA 7 – ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DE ARCHAEA, BACTERIA E EUKARYA
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 267)
4.2 NOMENCLATURA CIENTÍFICA
Prezado acadêmico, você sabia que os organismos são reagrupados de 
acordo com a proximidade de sua relação? Espécies similares são agrupadas em 
um gênero; gêneros similares são agrupados em uma família; famílias, em uma 
ordem; ordens, em uma classe; classes, em um filo; filos, em um reino; e reinos, 
em um domínio. 
A cada organismo são atribuídos dois nomes ou um binômio. Esses no-
mes correspondem ao gênero e à espécie, e ambos são escritos sublinhados ou 
em itálico. O nome do gênero começa sempre com letra maiúscula e é sempre 
um substantivo. O nome da espécie começa com letra minúscula e, geralmente, 
é um adjetivo. Como esse sistema atribui dois nomes para cada organismo, ele é 
chamado de nomenclatura binominal (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Os nomes científicos têm origem no latim (o nome do gênero pode apre-
sentar origem grega) ou são latinizados pela adição de um sufixo apropriado. 
Os sufixos para ordem e família são – ales e – aceae, respectivamente (TORTORA; 
FUNKE; CASE, 2017).
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
12
FIGURA 8 – A HIERARQUIA TAXONÔMICA
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 271)
Um grupo de bactérias derivadas de uma única célula é chamado de linhagem, 
cepa ou estirpe. 
ATENCAO
5 ESTRUTURA CELULAR BACTERIANA
Prezado acadêmico, os procariotos compõem um vasto grupo de organis-
mos unicelulares muito pequenos, incluindo as bactérias e as arqueias. Milhares 
de espécies de bactérias são diferenciadas por muitos fatores, incluindo a morfo-
logia (forma), composição química, necessidades nutricionais, atividades bioquí-
micas e fontes de energia (LEVINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
TÓPICO 1 | BACTÉRIAS
13
As bactérias são organismos unicelulares, procarióticos, que podem ser 
encontrados na forma isolada ou em colônias (muitas bactérias agrupadas). O 
tamanho varia de 0,2 a 2 µm de diâmetro e de 2 a 8 µm de comprimento. A mor-
fologia celular pode ter o formato esférico (cocos), cilíndrico (bacilos) e de espiral. 
No entanto, só é possível visualizar a morfologia celular através da utilização do 
microscópio óptico com aumento de 1000 vezes. Através de olho nu, conseguimos 
visualizar as colônias bacterianas quando cultivadas em meio de cultura no labo-
ratório. Veja a diferença entre estrutura celular e colônia.
FIGURA 9 - MORFOLOGIA DA COLÔNIA E CÉLULA BACTERIANA
FONTE: Hajdenwurcel (1998, p. 56)
Os cocos geralmente são esféricos, mas podem ser ovais, alongados ou acha-
tados em uma das extremidades. Quando os cocos se dividem para se reproduzir, 
as células podem permanecer ligadas umas às outras, sendo denominadas como ar-
ranjos. Essa característica é útil na identificação de alguns cocos. Veja os exemplos 
de células e arranjos: diplococos, estreptococos, tétrades, sarcinas, estafilococos (LE-
VINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Os bacilos se dividem somente ao longo de seu eixo curto. A maioria dos 
bacilos se apresenta como bastonete único. Os diplobacilos se apresentam em pares 
após a divisão, e os estreptobacilos aparecem em cadeias. Outros ainda são ovais 
e tão parecidos com os cocos que são chamados de cocobacilos (LEVINSON, 2016; 
TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). 
O nome “bacilo” tem dois significados em microbiologia. Como acabamos de 
utilizar, a palavra bacilo se refere a uma forma bacteriana. Quando escrita em latim, 
em letra maiúscula e em itálico, refere-se a um gênero específico. Por exemplo, a bac-
teria Bacillus cereus causa doença veiculada por alimentos – DTA – (LEVINSON, 2016; 
TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
A terceira forma celular das bactérias são as espirais, que apresentam uma ou 
mais curvaturas e nunca são retas. As bactérias que se assemelham a bastões curvos 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
14
são chamadas de vibriões. Outras, chamadas de espirilos, possuem forma helicoidal, 
como um saca-rolha, e corpo bastante rígido. Já outro grupo de espirais tem forma 
helicoidal e flexível, são chamados de espiroquetas. 
A forma das bactérias é determinada pela hereditariedade e a maioria apre-
senta uma única forma, no entanto, várias condições ambientais podem alterar essa 
forma o que torna a identificação mais difícil. Além disso, algumas bactérias, como 
Rhizobium e Corynebacterium, são geneticamente pleomórficas, ou seja, elas podem 
apresentar várias formas (LEVINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
FIGURA 10 – MORFOLOGIA CELULAR E ARRANJOS BACTERIANOS
FONTE: Adaptado de Tortora, Funke e Case (2017)
Caro acadêmico! Você sabia que as bactérias se comunicam? As bactérias 
também têm mecanismos de comunicação e podem ser sofisticados. Elas, inclusive, são 
capazes de “contar” em quantas estão em uma colônia. Saiba mais assistindo ao vídeo: 
https://youtu.be/zyNMWjd7ds8.
DICAS
Acadêmico, a partir de agora, estudaremos a estrutura de uma célula bac-
teriana típica. Discutiremos seus componentes de acordo com a seguinte organi-
zação: estruturas externas e internas e a parede celular, de acordo com Brooks et 
al. (2014), Levinson (2016) e Tortora, Funke e Case (2017).
TÓPICO 1 | BACTÉRIAS
15
FIGURA 11 – ESTRUTURA DE UMA CÉLULA BACTERIANA
5.1 ESTRUTURAS EXTERNAS À PAREDE CELULAR
Estruturas externas à parede celular – glicocálice, os flagelos, os filamen-
tos axiais, as fimbrias e os pili. 
a) Glicocálice (ou Glicocálix) – é um polímero viscoso e gelatinoso que está si-
tuado externamente à parede celular e é composto por polissacarídeo, poli-
peptídio ou ambos. Se o glicocálice estiver organizado de maneira definida e 
acoplado firmemente à parede celular, recebe o nome de cápsula; se estiver de-
sorganizado e fracamente aderida à parede celular, recebe o nome de camada 
limosa. É importante para as bactérias porque auxilia na sua adesão as células 
(formação de biofilme), protege contra a desidratação e a fagocitose, além da 
viscosidade inibir o movimento dos nutrientes para fora da célula.
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 76)
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
16
b) Flagelos – são organelas especiais (apêndices delgados) responsáveis pela lo-
comoção das bactérias. De acordo com o número e distribuição dos flagelos, as 
bactérias podem ser classificadas em atríquias (sem flagelos), peritríquios (distri-
buídos ao longo de toda a célula) ou polares (em uma ou ambas as extremidades 
da célula). No caso dos flagelos polares, eles podem ser monotríquios (um único 
flagelo em um polo da célula), lofotríquios (um tufo de flagelos saindo de um 
polo da célula;) ou anfitríquios (flagelos em ambos os polos da célula). 
FIGURA 12 – ARRANJOS DE FLAGELOS BACTERIANOS
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 77)
O movimento bacteriano para perto ou para longe de um estímulo é cha-
mado de taxia. Esses estímulos incluem os químicos (quimiotaxia) e os luminosos 
(fototaxia). Taxia positiva é o movimento em direção a um atraente (como um 
açúcar ou um aminoácido) e taxia negativa é o movimento para longe de um re-
pelente (LEVINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
 Outro aspecto importante do flagelo é a presença da proteína flagelar, 
chamada de antígeno H. É útil para diferenciar os sorvares, ou variações dentro 
de uma espécie, de bactérias gram-negativas. Por exemplo, existem no mínimo 
50 antígenos H diferentes para a E. coli. Os sorvares identificadoscomo E. coli 
O157:H7 estão associados a epidemias de origem alimentar que estudaremos nas 
próximas unidades (LEVINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
c) Filamentos axiais – são similares aos flagelos e ficam enovelados em torno da 
célula com forma espiral. Apresentam movimento semelhante ao modo como 
um saca-rolhas se move através da rolha. Um exemplo é o Treponema pallidum, 
o agente causador da sífilis. 
TÓPICO 1 | BACTÉRIAS
17
FIGURA 13 – FILAMENTOS AXIAIS
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 79)
d) Fímbrias e Pili – são estruturas de proteínas (pilina) caracterizadas como pelos 
mais curtos, retos e finos que os flagelos. São divididas em dois tipos, fímbrias 
e pili, possuindo funções muito diferentes. 
Função das fímbrias: adesão em diferentes superfícies, assim como a gli-
cocálice, relacionada com a formação de biofilmes. Podem ocorrer nos polos da 
célula bacteriana ou podem estar homogeneamente distribuídas em toda a super-
fície da célula.
Função dos Pili (singular: pilus): estão envolvidos na motilidade celular e na 
transferência de DNA entre as células bacterianas. Estudaremos sobre o Pili na uni-
dade sobre genética bacteriana. Existe apenas um ou dois pili por célula bacteriana.
Parede celular – localiza-se externamente à membrana citoplasmática. É 
uma estrutura complexa e semirrígida, composta por peptideoglicanos (também 
conhecida como mureína) que mantêm a forma característica de cada célula bac-
teriana. Não são estruturas homogêneas, mas são camadas de diferentes substân-
cias que variam de acordo com o tipo de bactéria envolvida (LEVINSON, 2016; 
TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
A composição química da parede celular é usada para diferenciar os principais 
tipos de bactérias, pois além da classificação morfológica em cocos, bacilos e espirilos, as 
bactérias são classificadas, de acordo com as suas características tintoriais, em Gram-po-
sitivas e Gram-negativas quando submetidas à coloração de Gram.
IMPORTANT
E
Existem dois tipos principais de paredes celulares de eubactérias que dife-
rem em espessura, assim como em composição química, e podem ser diferencia-
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
18
das com base na capacidade de suas paredes celulares fixarem o corante violeta 
cristal: as Gram-positivas (que coram em roxo) e as Gram-negativas (que coram 
em vermelho).
a) Gram-positiva: apresentam a parede celular com uma camada de peptideogli-
cano (porção glicano e peptídica) mais espessa que as Gram-negativas e não 
apresentam membrana externa. Juntos, o esqueleto de carboidrato (porção gli-
cano) e as cadeias laterais tetrapeptídicas (porção peptídica) compõem o pepti-
deoglicano. Apresentam, ainda, ácido teicoico e ácido lipoteicoico (TORTORA; 
FUNKE; CASE, 2017).
b) Gram-negativa: apresentam a parede celular com uma camada de peptideogli-
cano delgada e membrana externa que consiste em lipopolissacarídeos (LPS), 
lipoproteínas e fosfolipídeos. O LPS é constituído por um lipídeo A que está 
ligado ao antígeno O, que são endotoxinas que provocam diversas respostas fi-
siológicas no ser humano, como febre, isso em virtude da sua toxicidade (SAL-
VATIERRA, 2014).
TÓPICO 1 | BACTÉRIAS
19
FIGURA 14 – PAREDES CELULARES BACTERIANAS
Legenda: (a) estrutura do peptideoglicano em bactérias gram-positivas; (b) uma parede 
celular gram-positiva; (c) uma parede celular gram-negativa.
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 82)
Para visualizar as diferenças na parede celular e classificar as bactérias 
como Gram-positivas e Gram-negativas, é realizada a coloração de Gram a partir 
de um esfregaço bacteriano, fixado em calor e corado com cristal violeta, lugol, 
descorante e fucsina ou safranina, respectivamente. 
Prezado acadêmico, estudaremos a técnica de coloração de Gram no livro 
de atividades práticas da disciplina.
ESTUDOS FU
TUROS
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
20
Caro acadêmico, você deve estar se perguntando: quais são as aplicações 
da coloração de Gram?
Através da coloração de Gram, visualizamos, no microscópio óptico, a 
forma, o arranjo e o Gram das bactérias. Além disso, a seguir, é possível observar 
várias diferenças entre as bactérias gram-positivas e gram-negativas, como a ação 
dos antibióticos, produção de toxinas etc. 
FIGURA 15 – CARACTERÍSTICAS COMPARATIVAS DAS BACTÉRIAS GRAM-POSITIVAS E GRAM-
NEGATIVAS
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 84)
TÓPICO 1 | BACTÉRIAS
21
Além da coloração de Gram, existem outras colorações, como: coloração sim-
ples, coloração álcool-ácido resistente e colorações especiais, como: negativa, endósporos, 
cápsula e flagelos. Para obter mais informações sobre as colorações, acesse os livros de 
microbiologia disponíveis na biblioteca virtual.
NOTA
5.2 ESTRUTURAS INTERNAS À PAREDE CELULAR
Estruturas internas à parede celular – Membrana plasmática, citoplasma, 
nucleoide, plasmídeos ribossomos, inclusões e endoporos.
a) Membrana plasmática – apresenta uma espessura de 8 nm (nanômetros), ser-
vindo de barreira responsável pela separação entre o meio interno (citoplasma) 
e o externo. É composta por 60% de proteínas imersas em uma bicamada de li-
pídeos (40%), sendo os fosfolipídios os de maior importância (SALVATIERRA, 
2014; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
 Essa barreira é altamente seletiva e atua impedindo a livre passagem de 
moléculas e íons. Também é importante na digestão de nutrientes e na produção 
de energia. As membranas plasmáticas das bactérias contêm enzimas capazes de 
catalisar as reações químicas que degradam os nutrientes e produzem ATP (LE-
VINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
22
FIGURA 16 – MEMBRANA PLASMÁTICA
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 86)
Legenda: (a) um diagrama mostrando a bicamada lipídica formando a membrana plasmática 
interna da bactéria gram-negativa; (b) uma porção da membrana interna mostrando a bicamada 
lipídica e as proteínas; (c) modelos espaciais de várias moléculas de fosfolipídios organizados na 
bicamada lipídica.
b) Citoplasma – refere-se à substância celular localizada no interior da membrana 
plasmática. Cerca de 80% do citoplasma é composto de água, contendo, principal-
mente, proteínas (enzimas), carboidratos, lipídeos, íons inorgânicos e muitos com-
postos de baixo peso molecular. O citoplasma é espesso, aquoso, transparente e 
elástico. As principais estruturas do citoplasma dos procariotos são: um nucleoide 
(contendo DNA), as partículas, denominadas ribossomos, e os depósitos de reser-
va, denominados inclusões (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
c) Nucleoide e Plasmídeos – as células bacterianas não contêm o núcleo típico 
das células eucarióticas. O cromossomo bacteriano consiste em um cromosso-
mo único e circular e ocupa uma posição próxima ao centro da célula. Pode ser 
chamado de nucleoide (LEVINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Várias bactérias apresentam também moléculas de DNA extracromosso-
mal, denominadas plasmídeos, as quais são geralmente circulares, contendo mui-
tas vezes genes que conferem características adaptativas vantajosas ao microrga-
nismo (LEVINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
d) Ribossomos – local onde ocorre a síntese de proteínas. As células com altas 
taxas de síntese proteica, como aquelas que estão crescendo ativamente, pos-
suem muitos ribossomos. Nas bactérias as dezenas de milhares de ribossomos, 
conferem ao citoplasma uma aparência granular. Vários antibióticos atuam ini-
bindo a síntese de proteica nos ribossomos (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). 
TÓPICO 1 | BACTÉRIAS
23
Conheça mais sobre a síntese de proteínas e os ribossomos. Assista ao vídeo: 
Do DNA à Proteína: https://www.youtube.com/watch?v=6nxRxoGME_I.
DICAS
e) Inclusões – são depósitos de reserva encontrados nas células bacterianas e 
eucarióticas. Entre as inclusões encontradas em bactérias estão os grânulos 
metacromáticos (fosfato inorgânico), grânulos polissacarídicos (normalmente 
glicogênio ou amido), inclusões lipídicas, grânulos de enxofre,caboxissomos e 
vacúolos de gás (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
f) Endosporos – são estruturas formadas por algumas bactérias Gram-positivas 
pertencentes aos gêneros Bacillus e Clostridium entre outros gêneros. Os esporos 
são originados em situações em que há́ um longo período de carência nutricional 
ou de outras condições adversas do meio. O processo de esporulação é desen-
cadeado próximo da depleção de algum dos diversos nutrientes (carbono, nitro-
gênio ou fósforo). Cada célula forma um único esporo interno, liberado quando 
a célula-mãe sofre autólise. O esporo é uma célula em repouso, altamente resis-
tente à dessecação, ao calor e a agentes químicos; quando reencontra condições 
nutricionais favoráveis e é ativado, o esporo germina, produzindo uma única 
célula vegetativa. No entanto, os endósporos podem permanecer dormentes por 
milhares de anos (BROOKS et al., 2014; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
24
FIGURA 17 – FORMAÇÃO DO ENDÓSPORO POR ESPORULAÇÃO
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 93)
Os endósporos são importantes do ponto de vista clínico e para a indústria 
alimentícia, pois são resistentes a processos que normalmente destroem as células ve-
getativas. Esses processos incluem o aquecimento, a dessecação, a utilização de subs-
tâncias químicas e a radiação. Discutiremos sobre o controle das bactérias esporuladas 
nas próximas unidades (BROOKS et al., 2014; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
A seguir, podemos observar um resumo das estruturas bacterianas com sua 
composição química e função. Aproveite para revisão do assunto!
IMPORTANT
E
TÓPICO 1 | BACTÉRIAS
25
FIGURA 18 – ESTRUTURAS BACTERIANAS
FONTE: Levinson (2016, p. 6)
Conheça mais formação de biofilmes na indústria de alimentos através da 
leitura do artigo: Biofilme na indústria de alimentos: http://bit.ly/37nOSnj.
DICAS
26
Neste tópico, você aprendeu que:
• Microbiologia é a ciência que estuda as bactérias, fungos (leveduras e fungos fila-
mentosos) protozoários, algas microscópicas e os vírus.
• Anton van Leeuwenhoek, usando um microscópio simples, foi o primeiro a obser-
var os microrganismos (1673).
• Na Idade de Ouro da Microbiologia (1857 a 1914) aconteceram descobertas de 
agentes responsáveis por doenças, sobre o sistema imunológico, assepsia, além do 
surgimento de técnicas de estudo, como colorações, meios de cultura, fermenta-
ção, pasteurização etc.
• Os microrganismos são medidos em micrômetros, µm (10-6 m), e em nanômetros, 
nm (10-9 m).
• Todos os organismos são classificados em Bacteria, Archaea e Eukarya. Eukarya 
inclui protistas, fungos, plantas e animais.
• As arqueias são bactérias que não possuem peptideoglicano em suas paredes ce-
lulares, extremófilas ambientais não contendo patógenos humanos, com muitas 
aplicações biotecnológicas devido aos seus componentes celulares hiperestáveis. 
• A ciência da taxonomia inclui a classificação, nomenclatura e identificação dos or-
ganismos vivos. A espécie, é o menor e mais definitivo nível de divisão. A classifi-
cação designa também os gêneros, famílias, ordens, classes e filos.
• A cada organismo são atribuídos dois nomes. Esses nomes correspondem ao gêne-
ro e a espécie, e ambos são escritos sublinhados ou em itálico.
• As bactérias são organismos unicelulares, procarióticos, que podem ser encontra-
dos na forma isolada ou em colônias. O tamanho varia de 0,2 a 2 µm de diâmetro 
e de 2 a 8 µm de comprimento.
• As três formas celulares bacterianas básicas são cocos (esféricos), bacilos (forma de 
bastão) e espiralada (retorcida).
• A célula bacteriana apresenta várias estruturas de acordo com a seguinte organi-
zação. Estruturas externas à parede celular: glicocálice, os flagelos, os filamentos 
axiais, as fimbrias e os pili. Estruturas internas à parede celular: membrana plas-
mática, citoplasma, nucleoide, plasmídeos ribossomos, inclusões, endósporos. 
RESUMO DO TÓPICO 1
27
• A coloração de Gram é importante para iniciar o processo de identificação das 
bactérias. 
• As bactérias gram-positivas permanecem roxas após a descoloração; as bactérias 
gram-negativas não, e aparecem em vermelho devido ao contracorante.
• Os endósporos são estruturas de repouso, formadas por algumas bactérias para a 
sobrevivência durante condições ambientais adversas.
28
1 O sistema de classificação que distribui os seres vivos em cinco grandes reinos – 
Monera, Protista, Fungi, Animalia e Plantae – foi idealizado por Whittaker, em 
1969. Atualmente, costuma-se agrupar os seres vivos em três domínios. De acor-
do com essa classificação, como os organismos procariontes estão agrupados?
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Exclusivamente no domínio Archaea.
b) ( ) Exclusivamente no domínio Bacteria.
c) ( ) Exclusivamente no domínio Eukarya.
d) ( ) Nos domínios Archaea e Bacteria.
e) ( ) Nos domínios Bacteria e Eukarya.
2 As bactérias são organismos unicelulares, procariontes que apresentam várias 
estruturas, formas e arranjos. Assinale V para as alternativas CORRETAS 
sobre as bactérias e F para as alternativas FALSAS. 
a) ( ) As células bacterianas apresentam diferentes formas, como: cocos, bastone-
tes, espirilos e vibriões.
b) ( ) As bactérias apresentam várias estruturas e organelas celulares, como: ribos-
somos, mitocôndrias, cromossomo único circular, cápsula, flagelos e fímbrias.
c) ( ) A pili é responsável pela transferência de material genético, função impor-
tante relacionada com a resistência bacteriana.
d) ( ) Os flagelos bacterianos não são antigênicos para os humanos, pois são mui-
to semelhantes, em composição química, ao flagelo humano.
e) ( ) Os esporos apresentam-se sob a forma de corpúsculos esféricos ou ovoides, 
livres ou no interior da bactéria. São responsáveis pela resistência ao ataque dos 
agentes físicos e químicos utilizados na desinfecção.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: 
a) ( ) V, V, V, F, V
b) ( ) F, F, V, F, F
c) ( ) V, F, V, F, V
d) ( ) F, V, F, V, F
e) ( ) F, V, V, F, V
3 Na reação de Gram, algumas células bacterianas retêm os dois corantes, 
apresentando a coloração rocha ao microscópio, porém, outras perdem o 
corante violeta, exibindo apenas a cor vermelha. Sobre a reação de Gram, 
analise as seguintes sentenças:
AUTOATIVIDADE
29
I- Bactérias coradas de roxo são chamadas de Gram-positivas e as que se coram de 
vermelho de Gram-negativas.
II- O procedimento de coloração de Gram permite que as bactérias retenham a cor 
com base nas diferenças das propriedades químicas e físicas da membrana celular. 
III- Bactérias Gram-negativas apresentam uma parede celular complexa, composta 
por uma membrana externa que recobre uma camada fina de peptideoglicano.
IV- As bactérias Gram-positivas retêm o cristal violeta devido à presença de uma 
espessa camada de peptideoglicano em suas paredes celulares, apresentando-
-se na cor vermelha.
Agora, assinale a alternativa CORRETA.
a) ( ) As sentenças I, III e IV estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença I está correta.
c) ( ) As sentenças II e III estão corretas.
d) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.
e) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
30
31
TÓPICO 2
METABOLISMO, REPRODUÇÃO 
E CONTROLE MICROBIANO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Prezado acadêmico, a maior parte dos processos bioquímicos das bactérias, 
mas não todos, também ocorre nos microrganismos eucarióticos. Contudo, as rea-
ções que são únicas para as bactérias são fascinantes, pois permitem que os micror-
ganismos façam coisas que não podemos fazer (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). 
Por exemplo, algumas bactérias conseguem se alimentar de celulose, ao passo que 
outras podem utilizar petróleo como nutriente. Com esse metabolismo, as bacté-
rias reciclam elementos depois que outros organismos os usaram. Ainda, outras 
bactérias podem viver se alimentando de substâncias inorgânicas, como o dióxido 
de carbono, ferro, enxofre, gás hidrogênio e amônia. Embora o metabolismo mi-
crobiano possa causar doenças e deterioração dealimentos, muitas vias são mais 
benéficas do que patogênicas (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Durante o processo de reprodução, as bactérias necessitam de algumas 
condições físico-químicas que contribuam para o seu desenvolvimento. Dentre os 
fatores físicos, podemos citar a temperatura, o pH e a pressão osmótica. Já entre 
os fatores químicos necessários para esse processo, incluem-se a água, a fonte de 
carbono, de nitrogênio, os minerais, o oxigênio, além dos fatores orgânicos de cres-
cimento (SALVATIERRA, 2014).
Neste tópico, estudaremos o metabolismo bacteriano, os fatores físicos e 
químicos para o crescimento microbiano, os vários meios de cultura, a divisão da 
célula bacteriana, as fases do crescimento microbiano e os métodos utilizados para 
determinar o crescimento microbiano.
2 NUTRIÇÃO E METABOLISMO BACTERIANO
Contudo, caro acadêmico, o que é metabolismo? Utilizamos o termo meta-
bolismo para nos referirmos à soma de todas as reações químicas que ocorrem no 
interior de um organismo vivo, indispensáveis para a manutenção da estrutura e da 
fisiologia (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). Essas reações são responsáveis pelos 
processos de síntese e degradação dos nutrientes na célula e constituem a base da 
vida, permitindo o crescimento e a reprodução das células. 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
32
Antes que o crescimento e a reprodução celular possam ocorrer, uma varie-
dade de reações metabólicas deve ser realizada pela célula. Essas reações envolvem a 
liberação de energia, denominadas reações catabólicas e o consumo de energia, de-
nominada de reações anabólicas (BROOKS et al., 2014). Um exemplo de catabolismo 
ocorre quando as células quebram glicose em dióxido de carbono, água e anabólicas 
que atuam na construção de moléculas orgânicas, como proteínas.
Caro acadêmico! Veja mais sobre as reações catabólicas e anabólicas 
assistindo ao vídeo Introdução ao metabolismo, anabolismo e o catabolismo em: https://
www.youtube.com/watch?v=54aIAuPfQ1k.
DICAS
Energia? Sim, energia! Todas as células necessitam de energia metabólica 
para sintetizar macromoléculas e manter gradientes químicos essenciais através 
das suas membranas. Do ponto de vista nutricional, os microrganismos podem 
ser divididos em classes fisiológicas, dependendo da forma de obtenção de fontes 
de energia e carbono para a realização das suas atividades vitais.
Trifosfato de adenosina, adenosina trifosfato ou simplesmente ATP, é um nu-
cleotídeo responsável pelo armazenamento de energia em suas ligações químicas. Es-
truturalmente, o ATP consiste em três grupos fosfato e de uma unidade de adenosina 
composta de adenina e do açúcar ribose. A energia é armazenada nas ligações entre os 
fosfatos. O ATP é encontrado universalmente nos sistemas vivos. Sua função essencial é 
armazenar energia para as atividades vitais básicas das células.
ATENCAO
De maneira geral, a forma de obtenção de energia divide os microrganismos 
em dois grandes grupos: autotróficos e heterotróficos.
 Alguns microrganismos que obtêm energia por meio da oxidação de com-
postos orgânicos ou inorgânicos são classificados de acordo com Salvatierra (2014) e 
Tortora, Funke e Case (2017) em:
a)	Químio-heterotróficos: utilizam os compostos orgânicos como fonte de ener-
gia e de carbono. Esse grupo inclui a maioria das bactérias, dos fungos e dos 
protozoários.
TÓPICO 2 | METABOLISMO, REPRODUÇÃO 
33
b)	Quimioautotróficos: utilizam compostos químicos; gás sulfídrico (H2S), enxo-
fre elementar (S), amônia (NH3), gás hidrogênio (H), nitrato (NO-3), nitrito (NO 
-
2) e ferro (Fe2+) como fonte de energia e usam o CO2 como fonte de carbono. 
Esse grupo inclui bactérias oxidantes.
Outros microrganismos acabam utilizando a luz para obtenção de energia. 
Com base nessa utilização, podemos dividir os microrganismos em outros dois grupos: 
c)	Foto-heterotróficos: são aquelas que necessitam da luz como fonte de ener-
gia, além de utilizarem os compostos orgânicos (álcool, carboidratos, ácidos 
orgânicos etc.) como fonte de carbono. Como exemplo de foto-heterotróficas 
podemos citar as bactérias verdes não sulfurosas, (Chloroflexus) e as bactérias 
púrpuras não sulfurosas (Rhodopseudomonas).
d)	Fotoautotróficos: utilizam a luz como fonte de energia e o carbono inorgânico 
(CO2) como fonte de carbono. Para exemplificar esse grupo de bactérias, pode-
mos citar as fotossintetizantes (cianobactérias), bactérias sulfurosas púrpuras, 
bactérias sulfurosas verdes, as algas e as plantas verdes. 
FIGURA 19 – CLASSIFICAÇÃO NUTRICIONAL DOS ORGANISMOS
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 138)
Os três principais mecanismos para a produção de energia metabólica são 
a fermentação, a respiração e a fotossíntese. Pelo menos um desses mecanismos 
tem que ser usado para que o organismo possa crescer. 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
34
3 CRESCIMENTO E REPRODUÇÃO BACTERIANA
Então, acadêmico, será que o crescimento bacteriano se refere ao aumento 
do número de células ou aumento do tamanho das células individuais? Quando 
falamos em crescimento microbiano, estamos nos referindo ao número de células 
não ao tamanho delas. As populações microbianas podem aumentar muito e ra-
pidamente. Conhecer as condições necessárias para o crescimento e controle dos 
microrganismos pode ser muito útil no caso de bactérias que causam doenças, 
deterioram alimentos e quando desejamos o crescimento de microrganismos be-
néficos (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
As bactérias reproduzem-se por fissão binária, processo em que uma úni-
ca célula se divide em duas, ocorrendo a divisão do cromossomo bacteriano re-
plicado e o desenvolvimento de uma parede celular transversal. A fissão binária 
não é o único método reprodutivo assexuado entre as bactérias. Também pode 
ocorrer esporulação e brotamento (HARVEY; CHAMPE; FISHER, 2008; LEVIN-
SON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
FIGURA 20 – FISSÃO BINÁRIA BACTERIANA
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 164)
TÓPICO 2 | METABOLISMO, REPRODUÇÃO 
35
O tempo necessário para uma célula se dividir e a sua população duplicar 
é chamado de tempo de geração. O tempo de geração das bactérias varia de 20 
minutos no caso de Escherichia coli e mais de 18 horas no caso de Mycobacterium 
tuberculosis. O crescimento exponencial e o tempo curto de geração resultam em 
aumento significativo de bactérias que é influenciado pela espécie bacteriana, 
quantidades de nutrientes, temperatura, pH e outros fatores ambientais (HAR-
VEY; CHAMPE; FISHER, 2008; LEVINSON, 2016). 
Quando células bacterianas são colocadas sobre a superfície de um meio de 
cultura, os descentes dessas células permanecem próximos ao local da inoculação até 
constituir uma massa compacta de células visíveis macroscopicamente denominada 
colônia. Para algumas espécies de bactérias o período de 18 horas de incubação em 
uma estufa com temperatura de 30 a 37º C é suficiente para produzir colônias visíveis 
a olho nu, contendo milhões de células (HARVEY; CHAMPE; FISHER, 2008).
As características das colônias como: coloração, forma, aderência, odor e tex-
tura são informações importantes utilizadas no processo de identificação bacteriana 
associadas com as informações obtidas na coloração de Gram e testes bioquímicos.
FIGURA 21 – CRESCIMENTO DE UMA COLÔNIA BACTERIANA NA SUPERFÍCIE DE UM MEIO DE 
CULTURA
FONTE: Harvey, Champe e Fisher (2008, p. 36)
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
36
De acordo com Levinson (2016), o ciclo de crescimento bacteriano apre-
senta quatro fases principais: fase lag, fase log, fase estacionária e fase de declínio. 
A primeira corresponde à fase lag, durante a qual ocorrem intensas ati-
vidades metabólicas, contudo, as células não se dividem. Essa fase pode durar 
entre alguns minutos a muitas horas.
 
A fase log (logarítmica) é a fase em que se observa rápida divisão celular, 
conhecida também como a fase exponencial, em que o número de células aumenta 
exponencialmente 2, 4, 8, 16 e assim sucessivamente, além do tempode incubação.
 A fase estacionária ocorre quando o número de morte celular é igual ao 
número de células reproduzidas, havendo um equilíbrio na população. A redu-
ção de nutrientes ou os produtos tóxicos causam uma diminuição no crescimento. 
A fase final corresponde à fase de morte, caracterizada por um declínio no 
número de bactérias viáveis.
FIGURA 22 – ESTÁGIOS DO CRESCIMENTO BACTERIANO
Legenda: a) fase lag; b) fase log; c) fase estacionária; d) fase de morte.
FONTE: Levinson (2016, p. 15)
3.1 FATORES NECESSÁRIOS PARA O CRESCIMENTO
Os fatores podem ser divididos em duas categorias principais: físicos e 
químicos. Os fatores físicos incluem temperatura, pH e pressão osmótica. Os fa-
tores químicos incluem fontes de carbono, nitrogênio, enxofre, fósforo, oxigênio, 
elementos traço e fatores orgânicos de crescimento (LEVINSON, 2016; TORTORA; 
FUNKE; CASE, 2017).
• Fatores físicos:
TÓPICO 2 | METABOLISMO, REPRODUÇÃO 
37
a) Temperatura - a maioria dos microrganismos cresce bem nas temperaturas 
ideais para os seres humanos. No entanto, algumas bactérias são capazes de 
crescer em temperaturas extremas que certamente impediriam a sobrevivên-
cia de quase todos os organismos eucarióticos (LEVINSON, 2016; TORTORA; 
FUNKE; CASE, 2017).
Os microrganismos são classificados em três grupos principais com base na 
faixa de temperatura: psicrófilos (que gostam de frio), mesófilos (que gostam de tem-
peraturas moderadas) e termófilos (que gostam de calor) (LEVINSON, 2016; TOR-
TORA; FUNKE; CASE, 2017).
A temperatura mínima de crescimento é a temperatura mais baixa que per-
mite o crescimento da espécie; a temperatura ótima de crescimento é aquela em que 
o organismo melhor se reproduz; e a temperatura máxima de crescimento é a maior 
temperatura em que o crescimento é possível (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
b) pH - a maioria das bactérias cresce em uma faixa estreita de pH próxima da neu-
tralidade, entre pH 6,5 e 7,5. Poucas bactérias crescem em pH ácido abaixo de 4. 
Prezado acadêmico, estudaremos mais sobre a influência da temperatura e 
pH no crescimento microbiano no Tópico 3 – Microbiologia de alimentos.
ESTUDOS FU
TUROS
c) Pressão osmótica - pressões osmóticas elevadas têm como efeito remover a 
água necessária para a célula. Quando uma célula microbiana está em uma 
solução cuja concentração de solutos é mais elevada que dentro da célula (am-
biente hipertônico), a água atravessa a membrana celular para o meio com a 
concentração mais elevada de soluto. Em uma solução hipertônica, a maioria 
dos microrganismos sofre plasmólise; os halofílicos podem tolerar concentra-
ções elevadas de sais (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
• Fatores químicos:
Basicamente, as necessidades nutritivas dos microrganismos são as mesmas 
de todos os seres vivos. Incluem-se a água, a fonte de carbono, de nitrogênio, os mi-
nerais, o oxigênio, além dos fatores orgânicos de crescimento (SALVATIERRA, 2014).
Os nutrientes são as substâncias encontradas no ambiente que participam 
do metabolismo celular (anabolismo e catabolismo), divididos em dois grandes gru-
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
38
pos: macronutrientes (Carbono, Nitrogênio, Hidrogênio, Fósforo, Enxofre, Potássio, 
Magnésio, Cálcio, Sódio e Ferro) que são necessários em grandes quantidades e mi-
cronutrientes (Cobalto, Zinco, Molibdênio, Cobre, Manganês e Níquel) necessários 
em pequenas quantidades (SALVATIERRA, 2014; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
De acordo com as necessidades de oxigênio, os organismos são classifica-
dos como aeróbios obrigatórios, anaeróbios facultativos, anaeróbios obrigatórios, 
anaeróbios aerotolerantes e microaerófilos. Essa classificação é muito útil quando 
pensamos em controle de qualidade dos alimentos e desejamos evitar o cresci-
mento de alguns microrganismos deteriorantes ou patogênicos.
FIGURA 23 – EFEITO DO OXIGÊNIO NO CRESCIMENTO DE VÁRIOS TIPOS DE BACTÉRIAS
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 155)
Então, acadêmico, de onde as bactérias captam esses elementos? Do seu ha-
bitat, há grande diversidade de nichos onde bactérias podem ser encontradas, e dos 
meios de cultura laboratoriais, quando se quer estudá-las em ambiente controlado.
3.1.1 Meios de cultura
Um meio de cultura é qualquer material preparado para o crescimento 
de bactérias em laboratório. Os microrganismos que crescem e se multiplicam na 
superfície ou dentro de um meio de cultura são conhecidos como cultura (TOR-
TORA; FUNKE; CASE, 2017). 
TÓPICO 2 | METABOLISMO, REPRODUÇÃO 
39
Com relação ao estado físico os meios de cultura podem ser sólidos, se-
mi-sólidos ou líquidos devido à presença do ágar (agente solidificante) extraído 
das algas. Algumas bactérias necessitam de condições diferenciadas para o cres-
cimento como: cultivo em células, incubadoras de CO2, jarras anaeróbicas (TOR-
TORA; FUNKE; CASE, 2017).
FIGURA 24 – MEIOS DE CULTURA PARA CRESCIMENTO DE BACTÉRIAS
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 162)
Existem diferentes processos (ensaios microbiológicos) para verificar o 
crescimento microbiano e determinar a taxa de crescimento e o tempo de ge-
ração. Conheceremos mais sobre esse assunto nas aulas práticas da disciplina. 
Os principais métodos de quantificação microbiana estão divididos em diretos e 
indiretos, veja a seguir.
a)	Quantificação	direta: pode ser realizada através da contagem em placas de petri, 
com meios de cultura específicos para essa finalidade. Após realizar a diluição da 
amostra que se deseja conhecer a contaminação microbiana, realiza-se a semeadu-
ra da amostra diluída, incuba-se na temperatura recomendada para em seguida 
realizar as contagens das colônias em placas que são expressas como os números 
de Unidades Formadoras de Colônias (UFCs) (VERMELHO et al., 2015).
Outra opção é realizar a filtração, em que as bactérias são retidas na su-
perfície de um filtro de membrana e, posteriormente, transferidas para um meio 
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
40
de cultura para crescimento e contagem. Ainda, existe também a contagem direta 
ao microscópio, em que os microrganismos em um determinado volume de uma 
suspensão bacteriana são contados com a utilização de uma lâmina especialmen-
te desenvolvida (VERMELHO et al., 2015).
b)	Quantificação	indireta: pode ser realizada através de um espectrofotômetro, 
que é utilizado na determinação da turbidez pela medida da quantidade de luz 
que atravessa uma suspensão de células ou através da atividade metabólica, 
que considera que a quantidade de produtos excretados através do metabolismo 
microbiano é proporcional ao número de células presentes, como a produção 
de ácido, proteínas, DNA (VERMELHO et al., 2015).
Prezado acadêmico, estudaremos mais sobre o crescimento microbiano no 
Tópico 4 – Microbiologia de alimentos.
ESTUDOS FU
TUROS
4 CONTROLE DO CRESCIMENTO MICROBIANO
 
Os microrganismos podem ter o seu crescimento controlado por agentes 
químicos e físicos, os quais podem atuar eliminando, reduzindo ou impedindo 
o seu crescimento. Uma grande variedade de métodos pode ser utilizada, como 
calor, frio, filtração, radiação, formaldeído, alcoóis (VERMELHO et al., 2015).
 
Substâncias que matam os microrganismos ou previnem o seu crescimen-
to são denominadas de agentes antimicrobianos. Especificamente, são agentes 
antibacterianos, antivirais, antifúngicos, dependendo do tipo de microrganismo 
afetado. Os agentes que matam os microrganismos são denominados agentes mi-
crobicidas (bactericida, viricida, fungicida). Agentes que apenas inibem o cresci-
mento dos microrganismos são denominados de agentes microbiostáticos (bacte-
riostático, fungistático).
TÓPICO 2 | METABOLISMO, REPRODUÇÃO 
41
O controle do crescimento microbiano é muito importante e necessário na 
medicina e em outras áreas da saúde como nutrição, enfermagem, odontologia. 
Em meados de 1800, o médico húngaro Ignaz Semmelweis e o médico inglês Joseph 
Lister utilizaram essa ideia em algumas das primeiras práticas de controle microbiano para 
procedimentosmédicos. Essas práticas reduziram as infeções nosocomiais, causa da mor-
te em pelo menos 10% dos casos cirúrgicos, sendo ainda maiores, 25%, em mães em 
trabalho de parto (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). 
IMPORTANT
E
A escolha dos métodos físicos ou químicos de controle depende dos ob-
jetivos, do tipo de material e do nível de controle desejado. Por isso precisamos 
conhecer os termos utilizados, bem como as diferenças entre esterilização e este-
rilização comercial, desinfecção e sanitização. 
FIGURA 25 – TERMINOLOGIA RELACIONADA AO CONTROLE DO CRESCIMENTO 
MICROBIANO
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 177)
Os agentes químicos são utilizados para controlar o crescimento de mi-
crorganismos em tecidos vivos e objetos inanimados. Infelizmente, poucos agen-
tes químicos proporcionam a esterilidade; a maioria deles meramente reduz as 
populações microbianas em níveis seguros ou remove as formas vegetativas de 
patógenos em objetos (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
42
FIGURA 26 – ALGUNS AGENTES QUÍMICOS UTILIZADOS NO CONTROLE DO CRESCIMENTO 
MICROBIANO
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 196)
TÓPICO 2 | METABOLISMO, REPRODUÇÃO 
43
FIGURA 27 – MÉTODOS FÍSICOS UTILIZADOS NO CONTROLE DO CRESCIMENTO MICROBIANO
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 186)
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
44
As populações bacterianas sujeitas ao calor ou aos produtos químicos an-
timicrobianos normalmente morrem a uma taxa constante. O tempo necessário 
para a morte de uma população microbiana é proporcional ao número de mi-
crorganismos. As espécies microbianas e as fases do ciclo de vida (por exemplo, 
endósporos) possuem diferentes suscetibilidades aos controles físicos e químicos 
(TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Exposições prolongadas a baixo calor podem produzir o mesmo efeito 
que um período mais curto sob calor mais intenso. A presença de matéria orgâ-
nica pode interferir nos tratamentos de calor e na utilização de agentes de con-
trole químico. Então, caro acadêmico, cuidado com a higienização dos utensílios 
e equipamentos: primeiro remover as sujidades, matéria orgânica, depois fazer a 
sanitização. 
5 GENÉTICA MICROBIANA
Caro acadêmico, a genética é a ciência da hereditariedade. Ela inclui o 
estudo dos genes: como eles são replicados, expressos e transferidos de uma gera-
ção a outra. As características microbianas que estudamos nos tópicos anteriores 
são controladas ou influenciadas pela hereditariedade. As características heredi-
tárias das bactérias incluem sua forma, suas características estruturais, seu meta-
bolismo, sua capacidade de locomoção e de interação com outros organismos. Os 
organismos individuais transmitem essas características aos seus descendentes 
através dos genes (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Cromossomo é uma estrutura densa no interior da célula que carrega fisica-
mente informações hereditárias de uma geração para outra. Cada célula bacteriana con-
tém somente um cromossomo, consistindo em uma única molécula de DNA de fita dupla 
na forma circular (apresenta um comprimento cerca de 1.200 vezes maior que o tamanho 
da célula). Um gene é um segmento de DNA que contém uma sequência de nucleotíde-
os para a produção de uma determinada proteína. Este processo de síntese de proteínas 
ocorre através da transcrição e tradução.
ATENCAO
Neste tópico sobre genética microbiana, estudaremos sobre a variação 
bacteriana: bactérias podem apresentar variações fenotípicas (expressas pela cé-
lula sob certas condições), dependendo de fatores ambientais e variações genotí-
picas (informações de um organismo contidas no DNA), decorrentes de mutações 
cromossômicas e da transferência de material genético.
TÓPICO 2 | METABOLISMO, REPRODUÇÃO 
45
Como mostrado a seguir, durante a replicação do DNA bacteriano, as 
duas fitas da dupla-hélice se separam na forquilha de replicação e cada fita é usa-
da como um molde pelas DNA-polimerases para sintetizar duas fitas novas de 
DNA. Como cada molécula contém uma fita original e uma fita nova, o processo 
de replicação é denominado semiconservativo.
FIGURA 28 – REPLICAÇÃO DE UMA MOLÉCULA CIRCULAR DE DNA BACTERIANO
FONTE: <http://bit.ly/2HiJPtA>. Acesso em: 18 jul. 2019.
Como as bactérias apresentam variações em seus genes? Como o número 
de bactérias resistentes aos antibióticos está sempre aumentando?
Apesar da replicação bacteriana ser semiconservativa ocorre nas bactérias 
mutações e recombinação gênica que formam células geneticamente modificadas, 
que podem ser utilizadas para produzir uma grande variedade de produtos úteis e 
também gerar resistência bacteriana aos antimicrobianos.
Mas o que é mutação? É uma alteração na sequência de bases nitrogenadas 
(inserções, substituições, deleções do DNA) que modifica o produto codificado pelo 
gene mutado. Muitas mutações são neutras, algumas são deletérias e outras são 
benéficas, geralmente resultam em pequenas alterações genéticas (ENGELKIRK; 
DUBEN-ENGELKIRK, 2012; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
A transferência de material genético ou recombinação gênica é o rearranjo 
dos genes a partir de grupos separados de genes, normalmente envolve o DNA de 
organismos diferentes, contribui para a diversidade genética.
Embora não ocorra reprodução sexuada nas bactérias, pode ocorrer troca 
de material genético, recombinação genética através de três processos: transforma-
ção, conjugação ou transdução.
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
46
Caro acadêmico! Se você quiser aprofundar ainda mais o seu conhecimento 
sobre o histórico da microbiologia, suas descobertas e sobre a resistência bacteriana, assis-
ta ao vídeo A aventura do antibiótico: https://www.youtube.com/watch?v=XtP7WF8XjXU.
DICAS
6 MICROBIOTA NORMAL
A microbiota normal é o termo utilizado para descrever as várias bactérias 
e fungos que são residentes permanentes de determinados sítios ou locais especí-
ficos em indivíduos sadios, especialmente a pele, a parte oral da faringe, o colo e a 
vagina. Vírus e parasitas (protozoários e helmintos) que formam os outros grupos 
principais de microrganismos não são normalmente considerados membros da mi-
crobiota normal, embora estejam presentes em indivíduos assintomáticos. Orga-
nismos da microbiota normal são frequentemente denominados comensais, isto é, 
que se beneficiam de outros organismos, mas que não trazem danos ao hospedeiro 
(TRABULSI; ALTERTHUM, 2005; LEVINSON, 2016).
Os membros da microbiota variam de um local a outro quanto ao número 
e ao tipo. Embora a microbiota normal seja encontrada povoando intensamente 
várias regiões do corpo, os órgãos internos geralmente são estéreis. Regiões como 
o sistema nervoso central, o sangue, os brônquios inferiores e alvéolos, o fígado, 
o baço, os rins e a bexiga são estéreis, exceto no caso de uma invasão temporária 
ocasional denominada nestes casos por microbiota transientes ou transitória (LE-
VINSON, 2016).
Os membros da microbiota normal são organismos de baixa virulência. Em 
seu local anatômico normal, não são patogênicos. Contudo, quando deixam seu 
local anatômico normal, podem causar doenças (TRABULSI; ALTERTHUM, 2005; 
LEVINSON, 2016).
TÓPICO 2 | METABOLISMO, REPRODUÇÃO 
47
FIGURA 29 – MICRORGANISMOS IMPORTANTES DA MICROBIOTA NORMAL
FONTE: Levinson (2016, p. 27)
Constituem um mecanismo de defesa protetor quando os microrganismos 
da microbiota normal ocupam locais receptores da pele e superfícies de mucosas, 
impedindo a adesão de patógenos a esses receptores. Por exemplo, os antibióticos 
podem reduzir a microbiota normal do colo, permitindo que cresça Clostridium dif-
ficile, organismo resistente a antibióticos, causando uma colite pseudomembranosa 
(LEVINSON, 2016).
Outra função é que as bactérias intestinais produzem grande quantidade de 
vitaminas B e K. Indivíduos malnutridos, quando submetidos ao tratamento com 
antibióticos orais, podem apresentar deficiências vitamínicas como resultado da re-
dução da microbiota normal (LEVINSON, 2016).
Conheçamais sobre a microbioma através da leitura do artigo: A maior parte 
do seu corpo não é humana - e é nova aposta de cientistas para vencer doenças: https://
www.bbc.com/portuguese/geral-43716220. Acesso em: 9 jul. 2019.
DICAS
48
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• A soma de todas as reações químicas dos microrganismos é conhecida como meta-
bolismo.
• Catabolismo se refere às reações químicas que resultam na quebra de moléculas or-
gânicas complexas em substâncias mais simples. As reações catabólicas geralmente 
liberam energia.
• Anabolismo se refere às reações químicas nas quais substâncias mais simples são 
combinadas para formar moléculas mais complexas. As reações anabólicas geral-
mente requerem energia.
• A energia para as reações químicas é armazenada em ATP.
• Nos mecanismos da produção de energia a luz do sol é convertida em energia quí-
mica em reações de oxidação realizadas pelos fototróficos. Os quimiotróficos podem 
utilizar essa energia química.
• Para produzir energia, a célula precisa de um doador de elétrons (orgânico ou inor-
gânico), um sistema de carregadores de elétrons e um aceptor final de elétrons (or-
gânico ou inorgânico).
• Os foto-heterotróficos utilizam a luz como fonte de energia e um composto orgânico 
como fonte de carbono e doador de elétrons.
• Os quimioautotróficos utilizam compostos inorgânicos como fonte de energia.
• 
• O método normal de reprodução das bactérias é a fissão binária, na qual uma única 
célula se divide dando origem a duas células idênticas.
• O tempo requerido para uma célula se dividir ou uma população duplicar de tama-
nho é conhecido como tempo de geração.
• O ciclo de crescimento bacteriano apresenta quatro fases principais: fase lag, fase 
log, fase estacionária e fase de declínio.
• Os fatores necessários para o crescimento microbiano podem ser divididos em duas 
categorias principais: físicos e químicos. Os fatores físicos incluem temperatura, pH 
e pressão osmótica. Os fatores químicos incluem fontes de carbono, nitrogênio, en-
xofre, fósforo, oxigênio, elementos traço e fatores orgânicos de crescimento.
49
• Os microrganismos são cultivados em laboratório em diferentes meios de cultura de 
acordo com as necessidades metabólicas da bactéria.
• Existem diferentes processos (ensaios microbiológicos) para verificar o crescimento 
microbiano e determinar a taxa de crescimento e o tempo de geração dos microrga-
nismos divididos em diretos e indiretos.
• Os microrganismos podem ter seu crescimento controlado por diferentes agentes 
químicos e físicos.
• As bactérias podem apresentar variações fenotípicas dependendo de fatores am-
bientais e variações genotípicas, decorrentes de mutações cromossômicas e da trans-
ferência de material genético.
• A microbiota normal é composta por várias bactérias e fungos que são residentes 
permanentes de determinados locais específicos em indivíduos sadios. 
 
• Organismos da microbiota normal são frequentemente denominados comensais, 
isto é, que se beneficiam de outros organismos, mas que normalmente não trazem 
danos ao hospedeiro.
50
1 Basicamente as necessidades nutritivas dos microrganismos são as mesmas 
de todos os seres vivos. Em relação aos meios de cultura analise e considere 
as seguintes afirmativas.
I- Os meios são misturas de nutrientes necessários ao crescimento microbia-
no que deve conter a fonte de energia e de todos os elementos imprescin-
díveis à vida das células. 
II- Sua formulação deve levar em conta o tipo nutritivo ao qual o microrga-
nismo pertence, considerando a fonte de energia, o substrato doador de 
elétrons e a fonte de carbono. 
III- É imprescindível acrescentar ao meio vitaminas, cofatores e aminoácidos 
quando estes compostos são sintetizados pelo microrganismo que se dese-
ja cultivar. 
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente as afirmativas I e II estão corretas.
b) ( ) Somente as afirmativas I e III estão corretas.
c) ( ) Somente as afirmativas II e III estão corretas.
d) ( ) Somente afirmativa II está correta.
e) ( ) Somente afirmativa I está correta.
2 Para inibir o crescimento e destruir os microrganismos são utilizados mé-
todos químicos e físicos. Quais das alternativas a seguir apresentam defini-
ções corretas dos métodos empregados? 
 I- Desinfecção é quando ocorre a morte de todos os microrganismos existen-
tes e esterilização é a morte de microrganismos patogênicos.
II- Esterilização é o processo de destruir ou eliminar todas as formas vivas 
de um material ou ambiente, enquanto a desinfecção é a morte de muitos 
microrganismos, mas não de todos.
III- Esterilização comercial é a aplicação de calor suficiente para destruir os 
endósporos do Clostridium botulinum nos alimentos.
IV- Esterilização é quando os microrganismos não conseguem mais se repro-
duzir, porque estão estéreis, enquanto a desinfecção é a morte de muitos 
microrganismos, mas não de todos.
Analise as sentenças anteriores e assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Apenas I e II estão corretas.
b) ( ) Apenas II está correta.
c) ( ) Apenas II e III estão corretas.
d) ( ) Apenas IV está correta.
e) ( ) Apenas I e IV estão corretas.
AUTOATIVIDADE
51
3 A reprodução bacteriana é assexuada por bipartição ou cissiparidade. 
Ocorre a duplicação do DNA bacteriano e uma posterior divisão em duas 
células. As bactérias multiplicam-se por este processo muito rapidamente 
quando dispõem de condições favoráveis. Esse processo reprodutivo é con-
siderado semiconservativo, no entanto, existem mecanismos que propor-
cionam variações bacterianas. 
Assinale a alternativa CORRETA que apresenta esse mecanismo:
a) ( ) Mutações e transdução.
b) ( ) Conjugação e transformação.
c) ( ) Mutações e conjugação.
d) ( ) Mutações, recombinação gênica. 
e) ( ) Conjugação, recombinação gênica.
52
53
TÓPICO 3
MICROBIOLOGIA DE ALIMENTOS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
A microbiologia de alimentos estuda a diversidade de microrganismos 
que habitam, crescem e contaminam os alimentos. Portanto, abrange questões 
fundamentais que incluem a conservação e a deterioração dos alimentos, a veicu-
lação de microrganismos pelos alimentos e a produção de alimentos através dos 
microrganismos. 
Os microrganismos desempenham muitas funções importantes nos ali-
mentos, sendo possível classificar os microrganismos como: microrganismos in-
dicadores, deteriorantes, patogênicos e utilizados para produzir alimentos como 
queijo, picles, pão, cerveja, vinagre, salame e vinho, e são introduzidos nos ali-
mentos devido aos seus efeitos benéficos (FRANCO; LANDGRAF, 2005; SILVA 
JÚNIOR, 2014). 
Os microrganismos indicadores são grupos ou espécies de microrganis-
mos que quando presentes nos alimentos podem fornecer informações sobre a 
provável ocorrência de contaminação de origem fecal em alimentos in natura; so-
bre a provável presença de microrganismos patogênicos ou sobre a deterioração 
potencial do alimento (FRANCO; LANDGRAF, 2005).
A contaminação dos alimentos por microrganismos deteriorantes altera 
as suas propriedades organolépticas, como cor, odor, sabor e aparência, tornan-
do-os impróprios para o consumo. Tal processo resulta na redução do tempo de 
prateleira dos alimentos, ocasionando prejuízos econômicos (FORSYTHE, 2013).
Os microrganismos, como as bactérias, os fungos, os vírus e os parasitas, 
são as principais causas de contaminação de alimentos que comumente origi-
nam as infecções gastrointestinais e as intoxicações alimentares, denominadas 
como Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs) (FORSYTHE, 2013). As DTAs 
ocorrem quando uma pessoa contrai uma doença devido à ingestão de alimentos 
contaminados com microrganismos ou toxinas indesejáveis. 
2 DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS (DTAs)
As DTAs são doenças associadas à presença de microrganismos que fo-
ram introduzidos nos alimentos durante o seu processo de produção ou durante 
54
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
o período de armazenamento do produto. Essas enfermidades ocorremquando 
ingerimos um alimento contaminado pelo microrganismo ou pela toxina por ele 
produzida (FORSYTHE, 2013).
 É um termo genérico, aplicado a uma síndrome geralmente constituída 
de: anorexia, náuseas, vômitos e/ou diarreia, acompanhada ou não de febre, atri-
buída à ingestão de alimentos ou água contaminados. Sintomas digestivos, no 
entanto, não são as únicas manifestações dessas doenças, pois ocorrem afecções 
extraintestinais em diferentes órgãos e sistemas como: meninges, rins, fígado, sis-
tema nervoso central, terminações nervosas periféricas e outros, de acordo com o 
agente envolvido (OLIVEIRA et al., 2010; FORSYTHE, 2013). 
Caro acadêmico, aprofunde seus estudos sobre DTAs através da leitura do 
artigo Doenças transmitidas por alimentos e principais agentes bacterianos envolvidos em 
surtos no Brasil: revisão. Acesse: http://bit.ly/2SKyLLr.
DICAS
3 MICRORGANISMOS INDICADORES 
São grupos ou espécies de microrganismos que podem ser utilizados para 
avaliar a vida de prateleira dos alimentos e avaliar as condições sanitárias du-
rante o processamento, produção ou armazenamento dos alimentos (FRANCO; 
LANDGRAF, 2005). 
Alguns critérios devem ser considerados na definição de um microrga-
nismo ou grupo de microrganismos indicadores: deve ser facilmente detectável, 
quantificados, claramente distinguido de outro microrganismo da microbiota do 
alimento; não deve estar presente como contaminante natural do alimento; deve 
estar presente quando o patógeno associado estiver; deve estar ausente no ali-
mento livre do patógeno de interesse ou presente em quantidade mínima; taxa 
de crescimento equivalente as dos patógenos; taxa de morte paralela a dos pató-
genos de interesse; ter com habitat exclusivo o trato intestinal do ser humano e 
outros animais; deve ocorrer em números muito altos nas fezes; apresentar alta 
resistência ao ambiente externo; deve haver técnicas rápidas, simples e precisas 
para sua detecção e/ou contagem (FRANCO; LANDGRAF, 2005).
Estudaremos, nesta disciplina, dois grupos de microrganismos indicado-
res: contagem total de microrganismos aeróbios mesófilos e contagem de colifor-
mes totais, termotolerantes e Escherichia coli.
TÓPICO 3 | MICROBIOLOGIA DE ALIMENTOS
55
3.1 CONTAGEM TOTAL DE MICRORGANISMOS AERÓBIOS 
MESÓFILOS EM PLACAS
A contagem Total de Aeróbios Mesófilos em placas, também denomina-
da Contagem Padrão em Placas, é o método mais utilizado como indicador ge-
ral de populações bacterianas em alimentos. Não diferencia tipos de bactéria, 
sendo utilizada para obter informações gerais sobre a qualidade de produtos, 
matérias-primas utilizadas, condições de processamento, manipulação e vida de 
prateleira. A utilização da contagem total de aeróbios mesófilos como indicador 
de qualidade deve ser criteriosa. Por exemplo, aplicada a ingredientes, deve levar 
em conta a diluição e o efeito no produto final. Aplicada a alimentos desidrata-
dos, pode indicar se o controle da umidade está sendo corretamente aplicado ao 
processo de secagem (FRANCO; LANDGRAF, 2005; SILVA et al., 2017).
A seguir, são apresentadas as contagens típicas de alguns produtos dispo-
níveis no mercado [TABELA 1]. No livro de atividades práticas está descrita a me-
todologia para a contagem total de microrganismos aeróbios mesófilos em placas.
Caro acadêmico, para conhecer os regulamentos técnicos sobre padrões 
microbiológicos para alimentos, acesse a RESOLUÇÃO-RDC 12/2001: https://bit.ly/3wlF4JA.
DICAS
3.2 COLIFORMES TOTAIS
O grupo dos coliformes totais é um subgrupo da família Enterobacteriace-
ae, incluindo 44 gêneros e 176 espécies. No grupo, estão as bactérias com forma 
de bacilos Gram-negativos, não formadores de esporos, capazes de fermentar a 
lactose com produção de gás, quando incubados à 35 – 37 °C, por 48 horas. Per-
tencem a este grupo: Escherichia coli tem como habitat o trato intestinal do ser 
humano e animais de sangue quente; Enterobacter, Citrobacter e Klebsiella que além 
das fezes são encontrados também no solo e vegetais. Desta forma, a presença no 
alimento não indica, necessariamente, contaminação de origem fecal ou ocorrên-
cia de enteropatógenos (FRANCO; LANDGRAF, 2005; SILVA et al., 2017). 
TABELA 1 – CONTAGEM TOTAL DE AERÓBIOS MESÓFILOS TÍPICA EM ALGUNS ALIMENTOS
Produto Contagem	total	de	aróbios	mesófilos	em	PCA	(UFC/g)
Carne moída crua 1,0x104 a 1,0x107
Carne cozida fatiada 1,0x102 a 1,0x103
Carne de frango crua 1,0x103 a 1,0x104
56
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
3.3 COLIFORMES TERMOTOLERANTES
Grupo comumente chamado de coliformes fecais, é um subgrupo dos colifor-
mes totais composto por bactérias coliformes totais, capazes de continuar fermentan-
do a lactose com produção de gás (FRANCO; LANDGRAF, 2005; SILVA et al., 2017).
Atualmente, a premissa de que altos números de coliformes termotolerantes 
e E. coli estão correlacionados com a contaminação fecal, já não é válida. Não são 
habitantes obrigatórios do trato intestinal de animais de sangue quente, crescem em 
alimentos refrigerados e são comuns nos ambientes de manufatura de alimentos em 
condições de limpeza inadequadas (FRANCO; LANDGRAF, 2005; SILVA et al., 2017).
FONTE: Silva et al. (2017, p. 75)
3.4 ESCHERICHIA COLI
Está incluída tanto no grupo dos coliformes totais quanto no dos colifor-
mes termotolerantes. Seu habitat natural é o trato intestinal de animais de sangue 
quente, embora também possa ser introduzida nos alimentos a partir de fontes 
não fecais (FRANCO; LANDGRAF, 2005; SILVA et al., 2017).
De acordo com Silva et al. (2017), as principais aplicações dos coliformes 
e Escherichia coli são:
Ovo líquido pasteurizado 1,0x103
Ovo em pó 1,0x104
Leite pasteurizado 1,0x102 a 1,0x104
Leite em pó 1,0x103 a 1,0x104
Peixes e camarões crus 1,0x104 a 1,0x106
Frutas e vegetais congelados 1,0x102 a 1,0x107
Frutas e vegetais desidratados 1,0x102 a 1,0x105
Gomas (guar, carragena, alfarroba) 1,0x104 a 1,0x105
Condimentos 1,0x104 a 1,0x105
Adoçantes e amido 1,0x102 a 1,0x104
Grãos de cereais não processados 1,0x104 a 1,0x105
Cereais matinais 1,0x102 a 1,0x103
Confeitos (chocolate e marshmallows) 1,0x103 a 1,0x104
Nozes (frescas na casca) 1,0x104
Nozes, semestres e pastas de legumes 1,0x103 a 1,0x104
Água engarrafada (tratada com bactericida ou 
osmose reversa) 1,0x10
2 (máximo)
Água mineral engarrafada (sem tratamento 
bactericida) 1,0x10
4 a 1,0x105
Legenda: UFC – Unidade Formadora de Colônia
TÓPICO 3 | MICROBIOLOGIA DE ALIMENTOS
57
Prezado acadêmico, estudaremos mais sobre os microrganismos indicadores 
no livro de atividades práticas da disciplina.
ESTUDOS FU
TUROS
4 FATORES INTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOS NOS ALIMENTOS 
A capacidade de um organismo sobreviver ou de se multiplicar em um ali-
mento depende de uma série de fatores que pode estar relacionado com as caracterís-
ticas próprias do alimento (fatores intrínsecos) e os relacionados com o ambiente em 
que o alimento se encontra (fatores extrínsecos).
O conhecimento dos fatores intrínsecos e extrínsecos que agem sobre determi-
nado alimento permite prever sua “vida de prateleira”, sua estabilidade microbioló-
gica, além de conhecer a capacidade de crescimento e a produção de toxinas por um 
microrganismo. Entretanto, o conhecimento isolado destes fatores é pouco útil devi-
do as suas interações, que podem ser aditivos como também antagônicos (FRANCO; 
LANDGRAF, 2005). É importante conhecer esses fatores apresentados a seguir.
a) Coliformes – indicadores das condições de higiene dos processos de fabrica-
ção, porque são facilmente inativados pelos sanitizantes e capazes de colonizar 
vários nichos das plantas de processamento, quando a sanitização é falha. E 
indicadores de falha de processo ou de contaminação pós-processo em alimen-
tos pasteurizados, porque são facilmente destruídos pelo calor e não devem 
sobreviver ao tratamento térmico.
b) Escherichia coli – indicador de contaminação fecal em alimentos “in natura” 
(mas não em alimentos processados).
QUADRO 2 – FATORES INTRÍNSECOSE EXTRÍNSECOS
FATORES INTRÍNSECOS FATORES EXTRÍNSECOS
Atividade de água (Aa) Temperatura ambiental
Acidez e pH Umidade relativa do ambiente
Potencial de redução de óxido Composição gasosa do ambiente
Composição química
Fatores antimicrobianos naturais
Interação entre microrganismos
FONTE: A autora 
58
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
A partir de agora, estudaremos os fatores e os seus efeitos interativos no 
controle de qualidade dos alimentos.
• Fatores intrínsecos
a) Atividade de Água – Aa
Os microrganismos necessitam de água para a sua sobrevivência. Para 
o metabolismo e a multiplicação do organismo, a água não pode estar ligada a 
macromoléculas, ou seja, deve estar presente na forma disponível, livre para agir 
como solvente e participar de reações químicas. 
Define-se atividade de água de um alimento ou de uma solução qualquer 
como sendo a relação existente entre a:
(P) = pressão parcial de vapor da água contida na solução ou no alimento
(Po) = pressão parcial de vapor da água pura a uma dada temperatura
Para determinar a atividade de água nos alimentos, é bastante comum o uso 
de equipamento chamado “medidor de atividade de água”, produzido por várias 
indústrias que utilizam para realizar a medida, sensores eletrolíticos e de umidade. 
A atividade de água - Aa varia de 0 a 1, considerando 1 água pura (FRANCO; LAN-
DGRAF, 2005).
Caro acadêmico! Veja como pode ser realizado o ensaio para determinar a ati-
vidade de água nos alimentos através do vídeo: Analisador de atividade de água Labmaster 
AW NEO – Novasina: https://www.youtube.com/watch?v=Id1RBS0i0pQ. 
DICAS
Os microrganismos têm um valor mínimo, um valor máximo e um valor 
ótimo de Aa de água para sua multiplicação. O limite máximo para o crescimento 
microbiano é menor que 1 e, o limite mínimo, 0,60.
TÓPICO 3 | MICROBIOLOGIA DE ALIMENTOS
59
FIGURA 30 – MULTIPLICAÇÃO DE MICRORGANISMOS EM FUNÇÃO DA ATIVIDADE DE ÁGUA
FONTE: <http://bit.ly/2OXrxTc>. Acesso em: 14 jan. 2020.
 A atividade de água, temperatura e disponibilidade de nutrientes são 
interdependentes influenciando o crescimento microbiano. Observe os valores de 
atividade de água de alguns alimentos e dos microrganismos a seguir. Verifique 
que a adição de sais, açúcares e glicerol nos alimentos, a sua desidratação e o seu 
congelamento, são processos nos quais podemos alterar o valor de atividade de 
água nos alimentos, fazendo com que o metabolismo de muitos microrganismos 
seja alterado, pois cada um apresenta um valor mínimo de Aa para o seu desen-
volvimento (FRANCO; LANDGRAF, 2005; NESPOLO et al., 2015).
A maioria das bactérias deteriorantes não se multiplica em Aa inferior a 
0,91, enquanto fungos deteriorantes podem fazê-lo em Aa de até 0,80. Em geral, 
bactérias necessitam de valores maiores de atividade de água que os fungos.
QUADRO 3 – VALORES DE ATIVIDADE DE ÁGUA PARA MULTIPLICAÇÃO DE MICRORGANISMOS 
E DE ALGUNS ALIMENTOS
Aa ALIMENTOS MICRORGANISMOS
0,98 - 0,99
Leite, peixe, carne fresca, ve-
getais em salmoura, frutas em 
casca leve.
Salmonella, Campylobacter, Yer-
sinia, Escherichia coli, Shigella, 
Bacillus cereus, Clostridium, 
Staphylococcus aureus.
0,93 - 0,97
Leite evaporado, queijo pro-
cessado, carne curada, carne 
e peixe levemente salgados, 
linguiça cozida, fruta em calda 
forte e pão.
Staphylococcus aureus e Vibrio 
parahaemoliticus. Os outros citados 
anteriormente crescem lentamen-
te ou param sua reprodução.
60
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
FONTE: Silva Júnior (2014, p. 34)
b) pH 
O pH é um fator intrínseco capaz de determinar o desenvolvimento, a so-
brevivência ou a destruição de microrganismos presentes nos alimentos, sendo o 
pH neutro (6,5 - 7,5) o mais favorável no desenvolvimento da maioria dos micror-
ganismos. Da mesma maneira que ocorre para a atividade de água, os microrga-
nismos apresentam valores mínimos e máximos de pH para a sua multiplicação 
(FRANCO; LANDGRAF, 2005; SILVA JÚNIOR, 2014). 
Em função do pH, os alimentos são divididos em três grupos: 
• Baixa acidez - pH superior a 4,5.
• Ácidos - pH entre 4,0 e 4,5. 
• Muito ácido - pH inferior a 4,0. 
Essa classificação está baseada no pH mínimo para multiplicação e pro-
dução de toxina de Clostridium botulinum (4,5) e para multiplicação da grande 
maioria das bactérias (4,0). Dessa forma, alimentos de baixa acidez (pH > 4,5) são 
os mais sujeitos à multiplicação microbiana, tanto de espécies patogênicas quanto 
de espécies deteriorantes. Já nos alimentos ácidos (pH entre 4,0 a 4,5), há predo-
minância de crescimento de leveduras, de bolores e de algumas poucas espécies 
bacterianas, principalmente bactérias láticas e algumas espécies de Bacillus. Nos 
alimentos ácidos (pH < 4,0), o desenvolvimento microbiano fica restrito quase 
que, exclusivamente, a bolores e a leveduras (FRANCO; LANDGRAF, 2005; SIL-
VA JÚNIOR, 2014). 
 
c) Potencial de redução de óxido
O potencial de redução de óxido pode ser definido como a facilidade do 
substrato em ganhar ou perder elétrons. Quando um composto perde elétrons, diz-
-se que ele está oxidado e mais positivo é o seu potencial; quando um composto ga-
nha elétrons, diz-se que ele está reduzido e mais negativo é o seu potencial. De uma 
forma geral, microrganismos aeróbios requerem potenciais positivos, enquanto os 
anaeróbios requerem potenciais negativos para o seu desenvolvimento. Alimen-
0,85 – 0,92
Leite condensado, queijo cheddar 
maturado, linguiça fermentada, 
carne seca, presunto cru e bacon.
Staphylococcus aureus, mas sem 
produção de enterotoxinas. Bolo-
res micotoxigênicos.
0,60 – 0,84
Farinha, cereais, nozes, frutas 
secas, vegetais secos, leite e 
ovos em pó, gelatinas e geleias, 
melaço, peixe fortemente salga-
do, alguns queijos maturados, 
alimentos levemente úmidos.
Não há crescimento de bactérias 
patogênicas.
<0,60
Confeitos, vegetais fermenta-
dos, chocolates, mel, macarrão 
seco, biscoitos e batatas chips.
Não há crescimento microbiano, 
mas permanece viável.
TÓPICO 3 | MICROBIOLOGIA DE ALIMENTOS
61
tos de origem vegetal apresentam valores de +300 a +400mV e carnes em grandes 
pedaços têm valores -200mV, enquanto as moídas chegam a +200mV. O músculo 
do animal há pouco tempo abatido apresenta Eh +250mV e, 30 horas depois, pode 
chegar a -250mV (FRANCO; LANDGRAF, 2005; SILVA JÚNIOR, 2014). 
 
d) Composição química
Para que os organismos se desenvolvam nos alimentos, é preciso que estejam 
presentes certos nutrientes: água, fontes de energia (carboidratos e proteínas), fontes 
de nitrogênio (aminoácidos e outros compostos nitrogenados), vitaminas e sais mi-
nerais (FRANCO; LANDGRAF, 2005; SILVA JÚNIOR, 2014). 
e) Fatores antimicrobianos naturais
Alguns alimentos apresentam uma estabilidade frente ao ataque de micror-
ganismos devido à presença de substâncias capazes de retardar ou mesmo impedir o 
crescimento microbiano. Condimentos que possuem óleos essenciais com atividade 
antimicrobiana, como o eugenol do cravo, alicina do alho, timol e isotimol do oré-
gano, são exemplos. A clara do ovo, apesar de apresentar pH entre 9,0 e 10,0, é rica 
em lisozima, uma enzima capaz de destruir a parede celular de bactérias (FRANCO; 
LANDGRAF, 2005; SILVA JÚNIOR, 2014). 
f) Interação entre microrganismos
Os produtos do metabolismo de certas bactérias podem favorecer ou inibir o 
crescimento de outras, aumentando ou diminuindo o pH dos alimentos, por exem-
plo. Outros organismos são capazes de produzir substâncias com atividade bacterici-
da, as bacteriocinas. O maior interesse na área é com relação às bacteriocinas de bac-
térias lácticas, capazes de produzir um ou mais tipos dessas substâncias (FRANCO; 
LANDGRAF, 2005; JÚNIOR SILVA, 2014). 
• Fatores extrínsecos
a) Temperatura ambiental
É o fator ambiental o mais importante que afeta a multiplicação de microrga-
nismos. Existem registros da multiplicação de microrganismos em temperaturas de -35 
°C e de +90 °C, sendo que podemos classificar os organismos de acordo com a tempe-
ratura ideal demultiplicação (FRANCO; LANDGRAF, 2005; SILVA JÚNIOR, 2014). 
Segundo Franco e Landgraf (2005), a temperatura tem forte influência no de-
senvolvimento de microrganismos. Os microrganismos possuem uma temperatura 
ótima de crescimento, esta que varia dependendo do tipo, sendo que é costume clas-
sificar os microrganismos de importância em alimentos em três grupos:
• Psicrófilos – temperatura de multiplicação entre 0 °C e 20 °C, com temperatura 
ótima entre 10 °C e 15 °C (Listeria monocytogenes, Flavobacterium spp.);
62
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
• Psicotrópicos – temperatura ideal de multiplicação entre 0 °C e 7 °C (Enterobacter 
cloacae, Pseudomonas fragi, Aeromonas hydrophyla);
• Mesófilos – temperatura ótima de multiplicação entre 25 °C e 40 °C, mínima 
entre 5 °C e 25 °C, e máxima entre 40 °C e 50 °C (Escherichia coli, Salmonella, 
Shigella);
• Termófilos – temperatura ótima de multiplicação entre 45 °C e 65 °C, mínima 
entre 35 °C e 45 °C, e máxima entre 60 °C e 90 °C (Bacillus spp. e Clostridium spp.).
Dessa forma, devemos observar a temperatura de armazenamento dos ali-
mentos para evitar temperaturas que ofereçam risco de multiplicação de microrga-
nismos.
FIGURA 32 – TEMPERATURA ÓTIMA DE DESENVOLVIMENTO DE MICRORGANISMOS
FONTE: Brasil (2004, p. 11)
b) Umidade relativa do ambiente
Existe uma estreita relação entre a atividade de água do alimento e a umi-
dade relativa do ambiente. Alimentos conservados em ambiente com umidade re-
lativa maior que sua atividade de água tendem a absorver umidade, aumentan-
TÓPICO 3 | MICROBIOLOGIA DE ALIMENTOS
63
do sua atividade de água. O contrário também pode ocorrer quando a umidade 
ambiental é inferior à atividade de água. Essas alterações modificam a capacidade 
de multiplicação dos microrganismos presentes (SILVA JÚNIOR, 1995; FRANCO; 
LANDGRAF, 2005). 
c) Composição gasosa do ambiente
A composição dos gases que envolvem os alimentos determina os tipos 
de microrganismos que podem predominar. A presença de oxigênio favorece a 
multiplicação de organismos aeróbios, enquanto sua ausência causa o predomínio 
de anaeróbios. Embalagens a vácuo e “atmosferas modificadas” são empregadas 
industrialmente (SILVA JÚNIOR, 1995; FRANCO; LANDGRAF, 2005).
Conheça mais sobre microbiologia de alimentos acessando a Cartilha sobre 
Boas Práticas para Serviços de Alimentação: https://bit.ly/3D373Bu.
DICAS
64
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
LEITURA COMPLEMENTAR
Doenças transmitidas por alimentos e principais agentes bacterianos 
envolvidos em surtos no brasil: revisão
Eveny Silva de Melo et al. 
As Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA) são síndromes constituídas de 
anorexia, náuseas, vômitos e/ou diarreia, acompanhadas ou não de febre, porém não se 
limitam a sintomas digestivos, podendo ocorrer manifestações extra intestinais.
 
São atribuídas à ingestão de alimentos ou água contaminados, podendo 
ser causadas por agentes físicos, químicos ou biológicos, sendo este último grupo 
representado pelos parasitas, vírus e, em especial, as bactérias, que podem atuar 
diretamente sob o organismo do indivíduo ou através da produção de toxinas.
 
A ocorrência de DTA é um grave problema em saúde pública, uma vez que 
estas apresentam um impacto significativamente negativo tanto no contexto social, 
em decorrência das vítimas que sofrem seus agravos, quanto no econômico, onde 
grandes perdas são geradas nos ramos da indústria, comércio e turismo. Apesar 
disso, para muitas pessoas é um assunto tratado de forma irrelevante ou até mesmo 
para alguns ainda desconhecido, o que se torna um agravante deste problema.
 
A segurança alimentar é, de fato, importante para a manutenção da saúde 
pública, no entanto, apesar de práticas e sistemas de monitoramento avançados 
instalados em vários países, casos de DTA ou surtos continuam a ser comuns, 
persistindo como um grave problema (THARUK et al., 2010). Diante desse con-
texto, esta revisão objetiva apresentar o panorama nacional das DTA, seus as-
pectos gerais, além de relacionar as principais bactérias envolvidas em surtos de 
doenças desta categoria no Brasil, revelando o quão importante este tema é para 
o bem e conservação da saúde coletiva.
No mundo contemporâneo as doenças transmitidas por alimentos apre-
sentam grande incidência. Cada vez mais os alimentos sofrem processos de ma-
nipulação e industrialização, isso possibilita maiores chances de contaminação e 
crescimento de patógenos (MACHADO, 2013).
A economia dos países sofre consequências em decorrência dos crescentes 
índices de DTA através da perda de renda dos indivíduos afetados, cuidados 
médicos à população, perda de produtividade, custos com investigações a sur-
tos, perda de renda em razão do fechamento de negócios e perdas no comércio 
quando os consumidores evitam comprar produtos envolvidos em surtos (FOR-
SYTHE, 2013).
 
Diversos fatores estão envolvidos na emergência das DTA como a exis-
tência de grupos populacionais vulneráveis ou mais expostos, urbanização de-
sordenada, produção de alimentos em grande escala, deficiências no controle da 
TÓPICO 3 | MICROBIOLOGIA DE ALIMENTOS
65
qualidade dos alimentos, maior contato da população com “fast-foods”, consumo 
de alimentos em vias públicas, aumento no uso de aditivos, mudanças ambien-
tais, globalização e a facilidade de deslocamento da população (BRASIL, 2004).
 
 Em decorrência da fragilidade dos programas de controle existentes ou da 
ausência de sistemas de vigilância sanitária, as informações existentes a respeito das 
DTA não representam a real magnitude do problema. Em alguns países o número 
real de DTA tem uma frequência 300 a 350 vezes maior do que indicam os relatos 
oficiais (SILVA, 2009).
 
No Brasil, mesmo com criação do Sistema Nacional de Vigilância Epidemio-
lógica das Doenças Transmitidas por Alimentos (VE-DTA), implantado em 1999 para 
reduzir a incidência e subsidiar medidas de prevenção e controle para as DTA (MA-
LACRIDA et al., 2017) o desempenho entre os estados ainda é heterogêneo, havendo 
até os que nunca identificaram surtos (LUNA; SILVA JÚNIOR, 2013).
 
Entre os anos 2000 a 2017 foram notificados 12.503 surtos de DTA no Brasil, 
destes apenas 3.196 foram confirmados laboratorialmente, sendo a identificação do 
agente etiológico obtida apenas em 2.593, onde 92,2% foram de origem bacteriana 
(BRASIL, 2018). De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de No-
tificação (SINAN), nos últimos 17 anos, as regiões Sudeste e Sul apresentaram os 
maiores índices de DTA no Brasil, com percentuais de 39,2% e 33,9%, respectivamen-
te, aparecendo o Nordeste em terceiro lugar, com 15,5% (BRASIL, 2018). Entretanto, 
acredita-se que as maiores incidências ocorrem no Nordeste, em decorrência dos ca-
sos não diagnosticados e/ou subnotificados (GUILHERME; ESTEVES, 2017).
 
Aspectos gerais das DTA de acordo com a Organização Mundial da Saúde 
(OMS) as doenças transmitidas por alimentos são aquelas de natureza infecciosa ou 
tóxica causadas pela ingestão de alimentos ou água contaminados por agentes bioló-
gicos, químicos e físicos, representando um sério risco à saúde (BRASIL, 2010). 
As DTA podem originar surtos, episódios onde duas ou mais pessoas apre-
sentam sinais ou sintomas semelhantes, em um mesmo período, após a ingestão de 
um alimento da mesma origem, com confirmação por evidência clínica, epidemioló-
gica e/ou laboratorial (MARCHI et al., 2011).
 
A ingestão de alimentos sem alterações sensoriais é apontada como uma das 
principais causas de surtos, uma vez que estes não são associados com alimentos que 
são fontes de DTA, diferente daqueles com aparência ou odor desagradáveis, que 
normalmente são rejeitados pelos consumidores (MARINHO et al., 2015).
 
O contato das mãos do manipulador com o alimento é muito importante 
na sua contaminação (OLIVEIRA, 2010). A preparação com antecedência ou em 
quantidades excessivas, exposição prolongada à temperatura ambiente e descon-
gelamento inadequado, influenciamna proliferação dos agentes. Já o aquecimen-
to, cocção ou reaquecimento insuficientes, contribuem para a sobrevivência dos 
patógenos (SIRTOLI; CAMARELLA, 2018).
66
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DE MICROBIOLOGIA
 Com relação aos principais locais de ocorrência de surtos, em ordem de 
importância estão, as residências, seguidas de restaurantes, instituições de ensi-
no, refeitórios, festas, unidades de saúde e ambulantes (FERRAZ et al., 2015).
 
A maioria dos eventos ocorre em domicílios devido a falhas higiênicas na 
manipulação e contaminação cruzada através de utensílios ou ambientes conta-
minados (NUNES et al., 2017). Crianças, idosos, imunocomprometidos e gestan-
tes estão dentro do grupo de risco para as DTA, podendo ser acometidos com 
mais facilidade e desenvolverem complicações mais sérias se não tratados ade-
quadamente e em tempo hábil (SCARCELI; PIATTI, 2002).
As bactérias constituem um grupo microbiano de alta incidência que 
apresenta ampla diversidade e virulência, o que lhes confere grande importância 
frente à sua capacidade de provocar danos à saúde humana (SILVA et al., 2017).
 
De acordo com o tipo de manifestação clínica, as bactérias causadoras DTA 
podem ser divididas em grupos. As infecciosas mais importantes são Salmonella, 
Campylobacter e E. coli, as principais intoxicantes são Bacillus cereus, Staphylococcus 
aureus e Clostridium botulinum e no grupo das toxigênicas E. coli enterotoxigênica, 
Vibrio cholerae, Vibrio parahaemolyticus, Clostridium perfringens e Bacillus cereus são 
exemplos clássicos (BRASIL, 2010).
 
Nos últimos 17 anos, os principais agentes envolvidos em surtos de DTA no 
Brasil foram Salmonella spp., Escherichia coli e Staphylococcus aureus (BRASIL, 2018).
A partir do exposto pode-se observar que as doenças transmitidas por 
alimentos são graves e comuns, entretanto ainda recebem pouco destaque. Os 
alimentos possuem um papel fundamental na economia de qualquer país e o in-
vestimento em políticas públicas voltadas à educação sanitária, produção de ali-
mentos seguros e efetiva atuação dos sistemas de vigilância são alternativas úteis 
na divulgação, conscientização, prevenção e controle deste tipo de enfermidade 
que oferece sérios riscos e prejuízos à saúde pública. 
FONTE: MELO, E. S. de et al. Doenças transmitidas por alimentos e principais agentes 
bacterianos envolvidos em surtos no Brasil: revisão. 2018. Disponível em: http://www.
pubvet.com.br/artigo/5232/doenccedilas-transmitidas-por-alimentos-eprincipaisagentes 
-bacterianos-envolvidos-em-surtos-no-brasil. Acesso em: 18 jul. 2019.
67
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• A microbiologia de alimentos estuda os microrganismos que estão nos alimentos. 
Portanto, abrange questões fundamentais que incluem a conservação e a deterio-
ração dos alimentos, a veiculação de microrganismos pelos alimentos e a produção 
de alimentos através dos microrganismos.
• As DTAs são doenças associadas à presença de microrganismos ou suas toxinas 
que foram introduzidos nos alimentos durante o seu processo de produção ou 
durante o período de armazenamento podendo gerar sintomas gastrointestinais e 
extraintestinais.
• Os microrganismos indicadores são grupos ou espécies de microrganismos que 
podem ser utilizados para avaliar a vida de prateleira dos alimentos e avaliar as 
condições sanitárias durante o processamento, produção ou armazenamento dos 
alimentos.
• Entre os diferentes grupos de microrganismos indicadores podemos citar: mesófi-
los, psicotrópicos, coliformes totais, termotolerantes e Escherichia coli.
• Os fatores intrínsecos e extrínsecos nos alimentos e no ambiente são utilizados 
para controlar a capacidade de um organismo sobreviver ou de se multiplicar nos 
alimentos.
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando em facilitar tua compreensão. Acesse o QR Code, que te levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para teu estudo.
CHAMADA
68
1 A pesquisa de coliformes termotolerantes e E. coli nos alimentos informa 
sobre as condições higiênico-sanitárias do produto, armazenamento e/ou 
processamento inadequado ou recontaminação (SILVA et al., 2017). Com 
relação à característica das bactérias deste grupo, utilizada para enumerar os 
microrganismos presentes em alimentos, assinale a alternativa CORRETA:
 
a) ( ) Não se desenvolvem em presença de oxigênio.
b) ( ) Apresentam coloração gram-positiva.
c) ( ) São bacilos formadores de esporos.
d) ( ) Fermentam a lactose, produzindo gás.
e) ( ) São resistentes a temperatura de cocção.
2 Sobre os parâmetros intrínsecos e extrínsecos que afetam o crescimento 
microbiano, julgue as proposições a seguir como verdadeiras (V) ou falsas 
(F):
a) ( ) pH, umidade, potencial de oxidação-redução, quantidade de nutrientes, 
constituintes antimicrobianos e estruturas biológicas são considerados parâ-
metros intrínsecos, enquanto temperatura de armazenamento, umidade rela-
tiva do meio, presença e concentração de gases, são parâmetros extrínsecos. 
b) ( ) O potencial de oxidação-redução de um substrato pode ser definido pela 
facilidade com a qual ele ganha ou perde elétrons. Quando um elemento per-
de elétrons, diz-se que esse substrato é reduzido, ao passo que quando um 
substrato ganha elétrons diz-se que se tornou oxidado. 
c) ( ) Alguns alimentos possuem óleos essenciais com atividade antimicrobia-
na. Dentre estes estão: o eugenol no cravo-da-índia; a alicina no alho; o carva-
crol e o timol no orégano. 
d) ( ) A adição de sais, açúcares e glicerol nos alimentos, a sua desidratação e o 
seu congelamento, são processos nos quais podemos alterar o valor de ativi-
dade de água nos alimentos.
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) F, F, V, V.
b) ( ) V, V, F, F.
c) ( ) V, V, V, V.
d) ( ) F, V, F, V.
e) ( ) V, F, V, V.
AUTOATIVIDADE
69
3 As embalagens a vácuo têm como objetivo a proteção do produto que está 
em seu interior, prolongando sua vida de prateleira. Assinale a alternativa 
CORRETA sobre qual grupo de microrganismos deteriorantes o procedi-
mento evita o crescimento. 
a) ( ) basófilos; 
b) ( ) halofílicos; 
c) ( ) psicrófilos; 
d) ( ) aeróbios; 
e) ( ) acidófilos. 
70
71
UNIDADE 2
VIROLOGIA/MICOLOGIA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• descrever os aspectos gerais dos vírus e fungos;
• distinguir a taxonomia e a classificação dos vírus e fungos;
• explicar a estrutura dos diferentes tipos de vírus;
• conhecer as doenças transmitidas por alimentos.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, 
você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo 
apresentado.
TÓPICO 1 – VIROLOGIA
TÓPICO 2 – MICOLOGIA
TÓPICO 3 – DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS
Preparado para ampliar teus conhecimentos? Respire e vamos em 
frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverás 
melhor as informações.
CHAMADA
72
73
TÓPICO 1
VIROLOGIA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Infecções virais têm crescido nas últimas décadas, acometendo um número 
crescente de indivíduos e representando riscos importantes para a saúde. Saber mais 
a respeito dos agentes infecciosos e conhecer suas características biológicas e formas 
de transmissão são fundamentais no contexto atual para a promoção da saúde. Con-
tudo, o que são vírus?
Por volta da década de 1930, os cientistas começaram a usar a palavra ví-
rus, palavra que, no latim, significa veneno, para descrever esses agentes filtráveis 
(TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). São agentes infecciosos acelulares que, fora das 
células hospedeiras, são inertes, sem metabolismo próprio, mas dentro delas seu áci-
do nucleico torna-se ativo. Diferentemente de células, não são capazes de produzir 
suas próprias proteínas nem de se reproduzir fora de uma célula hospedeira. Além 
disso, eles diferem em vários outros aspectos em relação às células, nas quais ocorre a 
presença de membrana lipoproteica, de organelas e a formade replicação (FRANÇA; 
LEITE, 2018).
Feitas essas considerações, iniciaremos a Unidade 2 estudando sobe os vírus, 
suas características, multiplicação e doenças. Em seguida, no Tópico 2, estudaremos 
os vários aspectos dos fungos e finalizaremos esta unidade abordando as doenças 
veiculadas por alimentos cujos agentes etiológicos sejam as bactérias, vírus, fungos, 
algas e suas toxinas.
2 CARACTERÍSTICAS GERAIS 
Como definimos um vírus? Os vírus foram originalmente diferenciados 
de outros agentes infecciosos por serem filtráveis e por serem parasitos intrace-
lulares obrigatórios isto é, eles necessariamente precisam de células hospedeiras 
vivas para a sua multiplicação (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). Entretanto, 
essas duas propriedades são compartilhadas por determinadas bactérias. Como 
diferenciar bactérias típicas, bactérias intracelulares e vírus? Veja a seguir!
Outro termo que aparece na literatura relacionado aos estudos dos vírus 
é a palavra vírion. Mas o que é um vírion? É uma partícula viral infecciosa com-
pleta, totalmente desenvolvida, composta por um ácido nucleico e envolta por 
um revestimento proteico que a protege do meio ambiente (BROOKS et al., 2014). 
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
74
Dessa forma, quando o vírus não está em atividade, isto é, no meio ambiente, 
fora de uma célula, é designado como vírion. Definição de Vírion: entidade viral 
completa e infecciosa (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015).
TABELA 1 – COMPARAÇÃO ENTRE VÍRUS E BACTÉRIAS
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 359)
Bactérias
Bactérias 
típicas
Riquétsias/
Clamídias Vírus
Parasito intracelular Não Sim Sim
Membrana plasmática Sim Sim Não
Fissão binária Sim Sim Não
Passagem	por	filtros	bacteriológicos Não Não/Sim Sim
Possui DNA e RNA Sim Sim Não
Metabolismo de geração de ATP Sim Sim/ Não Não
Ribossomos Sim Sim Não
Sensíveis a antibióticos Sim Sim Não
Sensíveis ao interferon Não Não Sim
As características que realmente diferenciam os vírus dos outros organis-
mos estão relacionadas à sua organização estrutural simples e aos mecanismos de 
multiplicação (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). Principais características dos ví-
rus:
• Contêm um único tipo de ácido nucleico, DNA ou RNA, nunca ambos.
• Contêm um revestimento proteico (às vezes recoberto por um envelope de lipí-
deos, proteínas e carboidratos) que envolve o ácido nucleico.
• Multiplicam-se no interior de células vivas utilizando a maquinaria sintética 
da célula.
• Induzem a síntese de estruturas especializadas que podem transferir o ácido 
nucleico viral para outras células.
Em função dessas características, os vírus podem ser classificados como se-
res vivos? Para responder, deve-se ter em mente, antes de tudo, o que é vida. 
Sobre a ótica científica, pode-se dizer que vida é um conjunto de processos re-
sultantes da ação de proteínas codificadas por ácidos nucleicos (TORTORA; FUNKE; 
CASE, 2017). Ao pensar que, fora das células hospedeiras, os vírus são inertes, pode-
-se dizer que eles não são seres vivos. Contudo, ao infectar uma célula hospedeira, o 
ácido nucleico viral pode ser replicado e traduzido em proteínas, apresentando, as-
sim, características de seres vivos. Além disso, por serem capazes de causar doenças, 
assim como bactérias, fungos e protozoários, os vírus podem ser considerados seres 
vivos (FRANÇA; LEITE, 2018; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
TÓPICO 1 | VIROLOGIA
75
Praticamente todos os organismos vivos podem ser infectados pelos vírus, 
referimo-nos a essa questão quando tratamos do espectro de hospedeiros de um 
vírus. Espectro de hospedeiros consiste na variedade de células hospedeiras que o 
vírus pode infectar. Existem vírus que infectam invertebrados, vertebrados, plan-
tas, protistas, fungos e bactérias englobando, dessa forma, células de animais, ve-
getais, fungos, bactérias e protistas (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). No entanto, 
a maioria é capaz de infectar tipos específicos de células de uma única espécie de 
hospedeiro. Essa especificidade é determinada pela exigência viral quanto à liga-
ção específica à célula hospedeira e pela disponibilidade de fatores celulares do 
hospedeiro em potencial necessários para a multiplicação viral. Em casos raros, os 
vírus cruzam as barreiras de espécies, expandindo, assim, seu espectro de hospe-
deiros (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
 
Alguns vírus podem ter receptores em quase todos os tecidos. Ex.: vírus 
que causa a doença do sarampo, atinge as células da nasofaringe, pulmão, sistema 
linfático, pele, tecido subcutâneo e sistema nervoso. Nesta disciplina, abordaremos, 
principalmente, os vírus que infectam seres humanos. 
Os vírus que infectam bactérias são chamados de bacteriófagos ou fagos. 
Fagoterapia é o tratamento de infecções bacterianas através da utilização de vírus 
(fagos) que infectam as bactérias que estão causando o processo infeccioso. A ideia 
de uma fagoterapia, utilizando bacteriófagos ou fagos para o tratamento de infec-
ções bacterianas, já́ existe há cerca de 100 anos. Pesquisas recentes no entendimento 
das interações vírus-hospedeiro têm possibilitado novos estudos no campo da fa-
goterapia (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). 
FIGURA 1 – ESPECTRO DE CÉLULAS HOSPEDEIRAS PARA VÍRUS
FONTE: <http://bit.ly/2P2P8Si>. Acesso em: 17 set. 2019.
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
76
O tamanho viral pode variar de 20 a 1.000 nm. Dessa forma, são conside-
rados os menores microrganismos existentes, podendo ser visualizados apenas 
através da microscopia eletrônica. Para fins de comparação, lembramos que as 
bactérias e as hemácias possuem, em média, 10 a 15 vezes o tamanho dos vírus, o 
que possibilita a identificação destes por meio da microscopia ótica (TORTORA; 
FUNKE; CASE, 2018). Os tamanhos comparativos de diversos vírus, bactérias e 
eritrócito (hemácia) são mostrados a seguir.
Conheça os vírus, essas criaturas primitivas e, ao mesmo tempo, eficientíssimas. 
Saiba porque eles são uma ameaça à saúde assistindo ao vídeo: Vírus, assassino invisível. 
Acesse https://www.youtube.com/watch?v=ooI5Q_AeNe0. 
DICAS
FIGURA 2 – TAMANHO DO VÍRUS
Legenda: Os tamanhos e diversos vírus (em azul-esverdeado) e bactérias (em marrom) são com-
parados a uma hemácia humana, representada na parte direita, em vermelho. As dimensões 
estão em manômetros (nm) e representam diâmetro ou comprimento por largura.
FONTE: Tortora, Funke e Case (2012, p. 369)
TÓPICO 1 | VIROLOGIA
77
3 ESTRUTURA VIRAL
Os vírus exibem muitas formas e tamanhos distintos. O conhecimento das 
estruturas virais é necessário para o entendimento da relação entre partículas virais 
com receptores de superfície e anticorpos neutralizantes (BROOKS et al., 2014).
3.1 PRINCIPAIS ESTRUTURAS VIRAIS
As principais estruturas que formam os vírus são: ácido nucleico viral, 
capsídeo, as proteínas virais e, para alguns vírus, o envelope. O nucleocapsídeo é 
a estrutura composta pelo ácido nucleico e pelas proteínas do capsídeo (BROOKS 
et al., 2014; LEVINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Ácido nucleico – os vírus podem possuir tanto DNA como RNA, mas 
nunca ambos. O ácido nucleico dos vírus pode ser de fita simples ou dupla. Assim, 
existem vírus que apresentam o familiar DNA de dupla-fita, DNA de fita simples, 
RNA de dupla-fita e RNA de fita simples. Dependendo do vírus, o ácido nucleico 
pode ser linear, circular ou segmentado. Por exemplo, tanto o vírus influenza 
quanto o rotavírus possuem genoma de RNA segmentado. Quase todos os vírus 
possuem uma cópia única do seu genoma. Uma exceção é encontrada na família 
dos retrovírus, cujos membros possuem duas cópias do seu genoma (LEVINSON, 
2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
FIGURA 3 – ESTRUTURAS VIRAIS E SIMETRIAS ESTRUTURAIS
Legenda: A- Vírus não envelopado com um nucleocapsídeo icosaédrico. 
 B- Vírus envelopado com um nucleocapsídeo helicoidal.
FONTE: Levinson (2016, p. 222)
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
78
A quantidade total de ácido nucleico presente em um vírus varia de poucos 
milhares de nucleotídeos até 250 milnucleotídeos (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017)
FIGURA 4 – GENOMA VIRAL
FONTE: Harvey, Champ e Fisher (2008, p. 234)
Capsídeo – é composto de pequenas subunidades proteicas denominadas 
capsômeros que se organizam de forma energeticamente favorável em torno do ácido 
nucleico, fornecendo proteção e rigidez. O arranjo dos capsômeros fornece à estrutura 
viral sua simetria geométrica (LEVINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Proteínas virais – realizam a proteção do genoma de DNA ou RNA viral da 
degradação por nucleasses. A interação entre os vírus e a células dos hospedeiros 
ocorre através da interação entre as proteínas virais e o receptor celular do hospedeiro, 
sendo o principal determinante da especificidade de hospedeiros e de órgãos/tecidos 
(LEVINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Proteínas virais externas são também antígenos importantes que indu-
zem anticorpos neutralizantes e ativam células T citotóxicas para matar células 
infectadas por vírus. Em função destas proteínas surge o termo “sorotipo” que é 
usado para descrever uma subcategoria de vírus com base em seus antígenos de 
superfícies. Por exemplo, o vírus do sarampo possui um sorotipo, os poliovírus 
(doença poliomielite) possuem três sorotipos, e os rinovírus (resfriados) possuem 
mais de 100 sorotipos (LEVINSON, 2016). Dessa forma, podemos adquirir vários 
resfriados e apenas uma vez sarampo.
Envelope – em alguns vírus, a capsídeo está envolta por um envelope 
formado de lipídios, proteínas e por subunidades, os carboidratos. Alguns enve-
lopes são recobertos por complexos de proteínas e carboidratos chamados espí-
culas (LEVINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
O envelope viral é adquirido no processo de replicação viral no momento 
que vírus deixa a célula hospedeira por meio de um processo denominado “bro-
TÓPICO 1 | VIROLOGIA
79
tamento”. O envelope da maioria dos vírus é derivado da membrana externa ce-
lular do hospedeiro. Em geral, a presença de um envelope confere instabilidade 
ao vírus. Vírus envelopados são mais sensíveis ao calor, dessecamento, detergen-
tes e solventes lipídicos, como álcool e éter, do que os vírus com nucleocapsídeo 
não envelopado, que são compostos apenas por ácido nucleico e proteínas do 
capsídeo (LEVINSON, 2016).
Os vírus transmitidos pela via fecal-oral (os que precisam sobreviver no am-
biente) não possuem um envelope, isto é, são vírus com nucleocapsídeo não envelopado. 
Esse grupo inclui vírus como o vírus da hepatite A, poliovírus, vírus de Coxsackie, eco-
vírus, vírus Norwalk e rotavírus. Em contrapartida, vírus envelopados são mais comumente 
transmitidos por contato direto, como pelo sangue ou por transmissão sexual. Exemplos 
desses vírus incluem o vírus da imunodeficiência humana, o herpes-vírus simples do tipo 
2 e os vírus das hepatites B e C (LEVINSON, 2016).
IMPORTANT
E
Príons – são partículas infecciosas compostas inteiramente por proteínas. 
Eles não possuem DNA nem RNA. São capazes de modificar outras proteínas 
celulares saudáveis em proteínas doentes (denominadas PrPS), fazendo o cérebro 
infectado tornar-se esponjoso e cheio de vacúolos. Causam doenças como a de 
Creutzfeldt-Jakob e kuru em seres humanos e a doença da vaca louca e paraplegia 
enzoótica em animais. Os príons são altamente resistentes à inativação por luz 
ultravioleta, calor e outros agentes. A destruição dessa proteína ocorre somente 
se o material contaminado for incinerado. Como resultado, tem sido inadvertida-
mente transmitido por hormônios de crescimento humano e instrumentos neuro-
cirúrgicos (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015; LEVINSON, 2016).
3.2 MORFOLOGIA GERAL
Os vírus podem ser classificados em vários tipos morfológicos diferentes, 
com base no arranjo dos capsômeros que forma o capsídeo (HARVEY; CHAMP; 
FISHER, 2008; LEVINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
a) Vírus tubulares de simetria helicoidal – apresentam-se sob a forma de filamentos 
ou de esferas. Ex.: vírus da influenza, caxumba, raiva, tabaco, Ebola etc.
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
80
FIGURA 5 – NUCLEOCAPSÍDIO DE UM VÍRUS HELICOIDAL
FONTE: Harvey, Champ e Fisher (2008, p. 235)
b) Vírus poliédricos de simetria cúbica – apresentam a forma de um icosaedro, 
um poliedro regular com 20 faces triangulares e 12 vértices. Ex.: vírus da polio-
mielite, do herpes simples, adenovírus etc.
FIGURA 6 – NUCLEOCAPSÍDIO DE UM VÍRUS ICOSAÉDRICO
FONTE: Harvey, Champ e Fisher (2008, p. 235)
TÓPICO 1 | VIROLOGIA
81
c) Vírus envelopados – são cobertos por um envelope e são quase esféricos, mas 
altamente pleomórficos. Existem vírus envelopados poliédricos (Simplexvirus) e 
helicoidais (Influenzavirus). 
FIGURA 7 – VÍRUS HELICOIDAL E ICOSAÉDRICO ENVELOPADO
FONTE: Harvey, Champ e Fisher (2008, p. 235)
d) Vírus complexos – possuem estruturas complexas. Por exemplo, muitos bacte-
riófagos possuem um capsídeo poliédrico com uma cauda helicoidal. Um bacte-
riófago é um exemplo de um vírus complexo.
FIGURA 8 – MORFOLOGIA DE UM VÍRUS COMPLEXO
Legenda: Diagrama e micrografia de um bacteriófago ou fago – vírus que infecta bactérias.
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 363)
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
82
4 TAXONOMIA VIRAL
Embora os primeiros estudos a respeito das viroses tenham começado no 
início do século XX, as evidências sobre a estrutura e composição dos vírus foram 
conhecidas somente por volta da década de 1930, devido ao aparecimento do micros-
cópio eletrônico (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015). 
Os vírus são classificados oficialmente de acordo com as normas do Comitê 
Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV). Essa classificação deve basear-se nas 
seguintes características, de acordo com Santos, Romanos e Wigg (2015) e França e 
Leite (2018).
• Morfologia: referente ao tamanho, forma, tipo de simetria estrutural do capsídeo, 
presença de glicoproteínas e presença de envelope.
• Replicação e organização do genoma: dizem respeito ao tipo de ácido nucleico 
(DNA ou RNA), forma de replicação, tamanho do genoma, número de fitas (sim-
ples ou dupla), forma do ácido nucleico (linear ou circular), entre outras caracte-
rísticas relacionadas.
• Propriedade das proteínas virais: relativa ao número, tamanho e atividade de pro-
teínas estruturais e não estruturais, sequência de aminoácidos, tipos de modifica-
ções (fosforilação, metilação e glicosilação), estrutura tridimensional da proteína e 
atividades funcionais especiais. 
• Propriedades de lipídeos e carboidratos: referem-se à composição e ao teor de lipí-
deos e carboidratos presentes.
• Propriedades físico-químicas: referentes à massa molecular do vírion, densidade 
de flutuação, estabilidade e variações de pH e suscetibilidade a calor, íons divalen-
tes, detergentes e radiação.
• Propriedades antigênicas: referentes às relações sorológicas. 
• Propriedades biológicas: dizem respeito à variedade de hospedeiros naturais, 
modo de transmissão na natureza, distribuição geográfica, relações com vetores, 
patogenicidade, tropismos, patologias e histopatologias.
As novas técnicas de sequenciamento de DNA permitiram que o Comitê In-
ternacional de Taxonomia Viral começasse a agrupar os vírus em famílias com base 
em seu genoma e estrutura. O sufixo - vírus é usado para os gêneros, ao passo que as 
famílias de vírus recebem o sufixo -viridae, e as ordens, o sufixo - ales. No uso formal, 
os nomes das famílias e dos gêneros são usados da seguinte maneira: família Herpes-
viridae, gênero Simplexvirus, Human herpesvirus 2 (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Uma espécie viral é um grupo de vírus que compartilham a mesma infor-
mação genética e o mesmo nicho ecológico. Dessa forma, as espécies virais são de-
signadas por nomes descritivos informais, como vírus da imunodeficiência humana 
(HIV), e as subespécies (se existirem) são designadas com um número – HIV-1 (TOR-
TORA; FUNKE; CASE, 2017).
TÓPICO 1 | VIROLOGIA
83
4.1 CULTIVO E IDENTIFICAÇÃO DOS VÍRUS
Os vírus são parasitas celulares obrigatórios e necessitam de uma célula 
viva hospedeira parase multiplicar e isso dificulta a sua detecção, quantificação 
e identificação. Desse modo, seu isolamento apenas é possível quando se utiliza 
um hospedeiro vivo, como a cultura de células, os animais de laboratório e os 
ovos embrionados. No entanto, os vírus cujos hospedeiros são as células bacteria-
nas (bacteriófagos) multiplicam-se facilmente em culturas bacterianas facilitan-
do a obtenção de conhecimento sobre a multiplicação viral (TORTORA; FUNKE; 
CASE, 2017).
O principal problema relacionado ao cultivo celular é que a manutenção 
de linhagens celulares requer pessoal treinado, com experiência considerável e 
trabalhando em tempo integral. Devido a essas dificuldades, a maioria dos labo-
ratórios hospitalares e muitos laboratórios estaduais de saúde pública não con-
seguem isolar e identificar vírus na prática clínica. Em vez disso, as amostras de 
soro ou tecido são enviadas para laboratórios de referência especializados nessas 
funções (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
 As técnicas utilizadas para o diagnóstico laboratorial de uma virose po-
dem ser realizadas com base em quatro parâmetros de acordo com Santos, Roma-
nos e Wigg (2015):
• Isolamento e identificação do vírus.
• Sorologia para detecção de antígenos e/ou anticorpos.
• Detecção direta da partícula viral.
• Amplificação de ácidos nucleicos virais.
O método clássico empregado para a confirmação da infecção viral consiste 
no isolamento e posterior identificação do vírus, além da sorologia para detecção de 
anticorpos. Atualmente, a sorologia para detecção de antígenos e a detecção direta 
da partícula viral ou a amplificação de ácidos nucleicos virais têm sido, em muitos 
casos, úteis para confirmar a suspeita clínica (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015). 
A seguir, estão listados métodos usados no diagnóstico das infecções virais. 
Testes de detecção de antígenos e ensaios de ácido nucleicos estão entre os testes 
mais comuns usados no diagnóstico laboratorial, uma vez que os resultados po-
dem ser obtidos de forma rápida (BROOKS et al., 2014).
5 MULTIPLICAÇÃO VIRAL
Os vírus se multiplicam de uma forma diferente dos organismos celula-
res. Para a replicação, os vírus necessitam estar dentro de uma célula hospedeira 
e utilizam a maquinaria dessa célula para realizar a replicação e suprir suas ne-
cessidades energéticas (FRANÇA; LEITE, 2018).
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
84
Etapas da replicação viral
O ciclo explicativo viral pode ser dividido em sete eventos principais de 
acordo com Brooks et al. (2014), Santos, Romanos e Wigg (2015), Levinson (2016) e 
França e Leite (2018).
a) Adsorção: fixação inicial no hospedeiro. Interação entre vírion e membrana do hos-
pedeiro. A fixação ocorre através das espículas glicoproteicas dos envelopes virais 
(Exemplo: Hemaglutinina do HIV e da influenza) com os receptores do hospedei-
ro que são glicoproteínas, mas, em alguns casos, os vírus podem ligar-se a sequên-
cias de proteínas, como é o caso do picornavírus, ou a oligossacarídeos, como, por 
exemplo, os ortomixovírus e os paramixovíus (BROOKS et al., 2015).
FIGURA 9 – MÉTODOS DE DIAGNÓSTICO DAS INFECÇÕES VIRAIS
FONTE: Brooks et al. (2014, p. 442)
TÓPICO 1 | VIROLOGIA
85
b) Penetração: após a ligação do vírus na célula hospedeira, a partícula viral é 
captada para o interior da célula. Esse processo pode ocorrer por três mecanis-
mos: penetração direta, endocitose, ou fusão direta.
c) Desnudamento: é a separação do ácido nucleico viral de seu envoltório proteico 
para a expressão gênica.
d) Biossíntese: a estratégia de replicação de cada vírus depende do tipo de áci-
do nucleico que ele possui. Nesta fase, ocorre a replicação viral que consiste na 
transcrição de RNAs mensageiros (mRNAs) específicos a partir do ácido nuclei-
co viral. Após a síntese, o mRNA é traduzido pelos ribossomos da célula hospe-
deira, gerando proteínas precoces, que são enzimas necessárias para a replicação 
do genoma viral, e proteínas tardias, que correspondem a proteínas estruturais 
da progênie viral (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015; FRANÇA; LEITE, 2018).
e) Montagem e liberação: nesta etapa, o ácido nucleico viral deve ser empacotado 
dentro das proteínas do capsídeo. Os vírus não envelopados podem ser monta-
dos no citoplasma ou no núcleo e dependem da lise da célula para serem libe-
rados. Já os vírus envelopados adquirem o envelope nas membranas celulares, 
como membrana nuclear, citoplasmática ou de vesículas, e são liberados por bro-
tamento (através da membrana) ou exocitose (através de vesículas). Assim, na 
maioria das vezes, esses vírus não causam a lise celular (SANTOS; ROMANOS; 
WIGG, 2015; LEVINSON, 2016; FRANÇA; LEITE, 2018).
FIGURA 10 – CICLO REPLICATIVO DE UM VÍRUS CONTENDO DNA
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 375)
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
86
Curva de crescimento viral
A produção de partículas virais pela célula varia de acordo como o vírus, o 
tipo de célula e as condições de crescimento. As características básicas do ciclo infec-
cioso são similares para todos os vírus. A curva de crescimento inicia com o período 
de eclipse, que é seguido por um período de crescimento exponencial. 
O gráfico a seguir mostra uma partícula viral infecciosa (vírion) entrando em 
uma célula no momento da infecção que pode resultar em mais de 100 vírions infeccio-
sos 10 horas depois – um notável aumento. Pode-se observar ainda o período de eclipse 
durante o qual nenhum vírus infeccioso é detectado dentro da célula infectada. 
GRÁFICO 1 – CURVA DE CRESCIMENTO VIRAL
FONTE: Levinson (2016, p. 226)
6 PATOGENIA, PREVENÇÃO E CONTROLE
A patogenia de um vírus diz respeito aos danos causados por ele no organis-
mo do hospedeiro. Esse processo é constituído de várias etapas, desde a penetração 
do vírus no organismo, o desenvolvimento da doença e a sua disseminação (FRAN-
ÇA; LEITE, 2018).
TÓPICO 1 | VIROLOGIA
87
TABELA 2 – PRINCIPAIS PORTAS DE ENTRADA DE PATÓGENOS VIRAIS IMPORTANTES
FONTE: Levinson (2016, p. 249)
Porta de entrada Vírus Doença
Trato 
respiratório1
Vírus influenza Gripe
Rinovírus Resfriado comum
Vírus sindicial respiratório Bronquiolite
Vírus Epstein-Barr Mononucleiose infecciosa
Vírus da varicela-zóster Catapora
Herpes-vírus simples 1 Herpes labial
Citomegalovírus Síndrome da mononucleose
Vírus do sarampo Sarampo
Vírus da caxumba Caxuma 
Vírus da rubéola Rubéola
Hantavírus Pneumonia
Adenovírus Pneumonia
Parvovírus B19 Síndrome da bochecha esbofeteada
Trato 
gastrintestinal2
Vírus da hepapite A Hepatite A
Poliovírus Poliomielite
Rotavírus Diarreia
Pele Vírus da raiva3 Raiva
Vírus da febre amarela3 Febre amarela
Vírus do dengue3 Dengue
Papilomavírus humano Papilomas (verrugas)
Trato genital Papilomavírus humano Papilomas (verrugas)
Vírus da hepatite B Hepatite B
Vírus da imunodeficiência humana Síndrome da imunodeficiência adquirida 
(Aids) 
Herpes-vírus simples 2 Herpes genital e herpes neonatal
Sangue Vírus da hepatite B Hepatite A
Vírus da hepatite C Hepatite C
Vírus da hepatite D Hepatite D
Vírus linfotrófico de células T humanas Leucemia
Vírus da imunodeficiência humana Aids
Citomegalovírus Síndrome da mononucleose ou pneumonia
Transplacentário Citomegalovírus Anormalidades congênitas
Rubéola Anormalidades congênitas
Parvovírus B19 Hidropsia fetal
Legenda: 
1 Na maioria dos casos, a transmissão desses vírus ocorre por aerossóis respiratórios ou saliva. 
2 Na maioria dos casos, a transmissão desses vírus ocorre pela via fecal-oral, por meio de 
alimentos ou água contaminados. 
3 Na maioria dos casos, a transmissão desses vírus ocorre pela mordida de um animal 
infectado.
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
88
O principal objetivo do vírus é se reproduzir. Somente dessa forma serão 
mantidos na natureza, se puderem ser transmitidos de um hospedeiro para ou-
tro, da mesma espécie ou não. A transmissão dos vírus na natureza pode ocorrer 
de maneira horizontal, de um indivíduo para outro da mesma espécie ou não, ou 
vertical, da mãe para o embrião/feto durante a gestação ou durante o nascimento(SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015).
Os vírus podem ser transmitidos de maneiras distintas através de várias 
portas de entradas no ser humano. Pessoa a pessoa diretamente de um indivíduo 
infectado para um hospedeiro suscetível por meio de contato sexual, saliva, con-
tato direto com pele infectada (sangue) ou indiretamente por fômites (objetos) 
ou perdigotos (aerossóis de secreções respiratórias ou saliva); contaminação oral 
fecal através da ingestão de água ou alimentos contaminados; placenta, parto 
ou amamentação; picada de insetos, mordida de animais (SANTOS; ROMANOS; 
WIGG, 2015; LEVINSON, 2016).
Prezado acadêmico do curso de Nutrição: estudaremos sobre as doenças 
virais veiculadas através dos alimentos no Tópico 3, deste livro.
ESTUDOS FU
TUROS
Para garantir os efeitos da infecção viral na célula do hospedeiro, é necessá-
rio que pelo menos três requisitos sejam atendidos: o inóculo viral deve ser suficien-
te para iniciar a infecção; as células no sítio inicial da infecção devem ser acessíveis, 
suscetíveis e permissivas ao vírus; e os mecanismos de defesa local do hospedeiro 
devem estar ausentes ou ineficientes (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015).
Muitas infecções virais são subclínicas, ou seja, assintomáticas; uma doença 
pode ser causada por diferentes vírus; um único vírus pode causar diferentes do-
enças; a doença não tem relação com a morfologia do vírus; e a evolução de uma 
doença depende de fatores virais e do hospedeiro, tais quais a genética de ambos 
(BROOKS et al., 2014; FRANÇA; LEITE, 2018).
Um vírus pode permanecer em equilíbrio com o hospedeiro por um longo 
período, geralmente anos, sem causar doença. Os herpes-vírus humanos podem per-
manecer nas células hospedeiras por toda a vida do indivíduo. Esse tipo de infecção é 
conhecido como infecção latente e um exemplo clássico é a infecção de pele causada 
por um Simplexvirus, que resulta no herpes labial. Esse vírus habita as células nervo-
sas do hospedeiro e só desencadeia os sintomas (lesão labial) quando for ativado por 
febre ou queimaduras de sol. Outro exemplo de vírus lactente é o vírus da catapora 
(do gênero Varicellovirus) que normalmente é contraído na infância e na vida adulta 
pode levar ao desenvolvimento do herpes zoster (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). 
TÓPICO 1 | VIROLOGIA
89
O termo infecção aguda indica a produção rápida de vírus, seguida da re-
solução e eliminação rápida da infecção pelo hospedeiro. Essas infecções são rela-
tivamente passageiras e, em um hospedeiro saudável, as partículas virais e as célu-
las infectadas são completamente eliminadas pelo sistema imunológico em poucos 
dias. No entanto, são frequentemente associadas a grandes epidemias, afetando 
milhões de indivíduos anualmente, como a dengue e a gripe (SANTOS; ROMA-
NOS; WIGG, 2015).
 Outra forma de infeção viral é a persistente ou infecção viral crônica, que 
se desenvolve gradualmente durante um longo período. Em geral, as infecções 
virais persistentes são fatais. Um exemplo é o vírus do sarampo que é responsável 
por uma forma rara de encefalite, denominada panencefalite esclerosante subagu-
da, vários anos após causar o sarampo. Uma infecção viral persistente é aparente-
mente distinta de uma infecção viral latente, porque na maior parte dos casos os 
vírus infecciosos são detectados de modo gradual durante um longo período, em 
vez de aparecerem de repente (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). 
A transformação celular é um tipo especial de infecção persistente. Uma cé-
lula infectada com certos vírus de DNA e alguns retrovírus pode exibir propriedades 
de crescimento alteradas e começar a proliferar mais rapidamente que células não 
infectadas. Esse padrão de infecção persistente causa alteração no comportamento 
da célula que leva à transformação celular, podendo progredir para o câncer. Exem-
plos de vírus oncogênicos (cancerígenos) incluem Adenoviridae, Herpesviridae, Po-
xviridae, Papovaviridae e Hepadnaviridae. Entre os papovavírus, o papilomavírus 
causa câncer uterino (cervical). Quase todos os casos de cânceres cervical e anal são 
causados pelo papilomavírus humano (HPV, de human papilloma-virus). Uma vacina 
contra quatro tipos de HPV é recomendada para crianças de 11 e 12 anos de idade 
(SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015; TORTORA; FUNK; CASE, 2017). 
 
A principal forma de profilaxia (prevenção) de infecções virais é por meio de 
vacinas, que têm o objetivo de utilizar a resposta imunológica do hospedeiro para evi-
tar a ocorrência de doenças virais. No entanto, para algumas doenças virais, existem 
fatores que podem dificultar o desenvolvimento de vacinas. Entre eles, podemos citar 
a presença de diversos sorotipos (como é o caso dos rinovírus), a ocorrência de um 
grande número de reservatórios animais (como é o caso influenza), a integração do 
DNA viral no cromossomo do hospedeiro (como ocorre nos retrovírus) e a infecção de 
células do sistema imunológico do hospedeiro (como o HIV) (FRANÇA; LEITE, 2018).
Existem várias formas profiláticas gerais para prevenir as viroses, como hi-
gienizar frequentemente as mãos, usar antissépticos após entrar em contato com 
várias pessoas, evitar o compartilhamento de utensílios domésticos, como talheres, 
evitar o contato direto com pessoas contaminadas, entre outros. Além disso, formas 
específicas de prevenção contra determinadas doenças virais incluem prevenir-se 
sabendo da forma de transmissão, como o uso de repelentes para prevenir doenças 
virais transmitidas por mosquitos, uso de preservativo para doenças sexualmente 
transmitidas e evitar o consumo de alimentos crus sem higienização, que podem 
transmitir doenças virais entéricas (FRANÇA; LEITE, 2018).
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
90
Aprofunde seus estudos sobre as infecções virais de transmissões respiratória, 
fecal-oral e parenteral relacionadas à assistência à saúde através da leitura do módulo 9.
FONTE: BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Microbiologia Clínica para o Con-
trole de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Módulo 9: Infecções virais/Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Anvisa, 2013. Acesse: http://bit.ly/2wPlppP. 
DICAS
91
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• Os vírus possuem um único tipo de ácido nucleico (DNA ou RNA) e um envoltó-
rio proteico, algumas vezes coberto por um envelope composto de lipídeos, prote-
ínas e carboidratos.
• Os vírus são parasitos intracelulares obrigatórios devido ao fato de ter apenas um 
tipo de ácido nucleico. Sua multiplicação depende da síntese proteica da célula. 
• O tamanho da partícula viral é determinado por microscopia eletrônica e varia de 
20 a 1.000 nm de comprimento.
• O espectro de hospedeiros refere-se aos tipos de células hospedeiras em que um 
vírus pode se multiplicar. A maioria dos vírus infecta somente tipos específicos de 
células em uma espécie de hospedeiro.
• O envoltório proteico que envolve o ácido nucleico do vírus é chamado de capsí-
deo que é composto por subunidades, os capsômeros, que podem ser formados 
por proteínas de um único tipo ou de diversos tipos.
• O capsídeo de alguns vírus é envolto por um envelope consistindo em lipídeos, 
proteínas e carboidratos.
• Alguns envelopes são cobertos por complexos de carboidratos e proteínas, chama-
dos de espículas.
• Taxonomia dos vírus: a classificação dos vírus é baseada no tipo de ácido nucleico, 
na estratégia de replicação e na morfologia. 
 
• Os nomes das famílias virais terminam em viridae; os nomes dos gênero terminam 
em vírus. 
• Os vírus só se multiplicam em células vivas. Os vírus que se multiplicam mais 
facilmente são os bacteriófagos. 
 
• Os testes sorológicos são os mais frequentemente utilizados na identificação dos 
vírus.
• Para um vírus se multiplicar, ele deve invadir uma célula hospedeira e direcionar a 
maquinaria metabólica do hospedeiro para produzir enzimas e outros componen-
tes virais.
92
• Patogênese viral é definida como o processo de infecção do hospedeiro pelo agente 
viral.• Uma infecção viral latente é aquela em que o vírus permanece dentro da célula 
hospedeira por longos períodos, sem produzir uma infecção.
• As infecções virais persistentes são processos patológicos que se estendem por um 
longo período, sendo geralmente fatais.
• Os vírus capazes de produzir tumores são denominados vírus oncogênicos.
• A vacinação é o método mais eficiente na prevenção das infecções virais. Várias 
vacinas estão disponíveis para diferentes agentes virais.
93
AUTOATIVIDADE
1 Estudos recentes vêm mostrando a importância dos vírus como causadores de 
infecções hospitalares. Monitoramentos rotineiros de vírus demonstram que 
5% a 32% de todas as infecções nosocomiais são causadas por esses agentes. 
Assinale V para as alternativas corretas e F para as alternativas falsas.
 
( ) Apresentam uma cápsula de proteína, o capsídeo composto por subunida-
des, os capsômeros, que contém em seu interior um ácido nucleico.
( ) Uma infeção viral latente é aquela em que o vírus permanece por longos pe-
ríodos dentro da célula hospedeira, sem produzir infecção. Ex.: herpes.
( ) Os vírus replicam-se por fissão binária
( ) O número de vírus em uma infecção aumenta exponencialmente entre 8 e 72 
horas ou mais, com cargas de 100 a 10 mil vírus por célula.
( ) Um determinado tipo de vírus pode infectar vários tipos de células como: 
humanos, animais, bactérias, insetos e vegetais.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) F, F, V, F, F.
b) ( ) V, V, F, F, V.
c) ( ) V, F, V, V, F.
d) ( ) F, V, F, V, V.
e) ( ) V, V, F, V, F.
2 Os vírus são entidades que só apresentam propriedades de vida quando 
estão no interior de células vivas. Fora delas, deixam de apresentar tais 
propriedades e podem até cristalizar-se, como os minerais. Os vírus são 
importantes agentes causadores de doenças humanas. Assinale a alternativa 
que apresenta doenças causadas por vírus.
a) ( ) Sarampo, influenza e herpes. 
b) ( ) AIDS, hepatite e difteria.
c) ( ) Dengue, febre amarela e malária.
d) ( ) Hantavirose, hanseníase e poliomielite.
e) ( ) Ebola, chikungunya, tétano.
3 De forma geral, os vírus penetram nos organismos pelo contato com as 
células nas superfícies do corpo. Os sítios de entrada comumente utilizados 
por vírus incluem as mucosas dos sistemas respiratório e urogenital, a 
conjuntiva, o trato gastrointestinal e a pele (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 
2015). Quando a transmissão dos vírus ocorre de forma vertical? Assinale a 
alternativa correta.
94
a) ( ) É a transmissão de um animal para o humano.
b) ( ) É a transmissão de mãe para o feto ou o embrião.
c) ( ) É a transmissão de um vetor para o hospedeiro.
d) ( ) É a transmissão de pai para filho.
e) ( ) É a transmissão via respiratória.
95
TÓPICO 2
MICOLOGIA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
O estudo dos fungos é chamado de micologia. A micologia começou a ser 
estudada, de modo mais concreto, no século XIX. Agostinho Bassi (1773–1856) é 
considerado o “pai da micologia” (LACAZ, 2002 apud FRANÇA; LEITE, 2018).
Das mais de 100 mil espécies conhecidas de fungos, apenas cerca de 200 são 
patogênicas aos seres humanos e aos animais, mas, a incidência de infecções fún-
gicas importantes está aumentando com o passar dos anos (TORTORA; FUNKE; 
CASE, 2017). A micologia tem significativa importância quanto à frequência com 
que ocorrem as infecções fúngicas nas patologias humana e animal devido ao 
crescente número de doenças imunossupressoras como a Aids. Em todas as áre-
as da medicina podem ocorrer doenças fúngicas, oportunistas ou não (MEZZARI; 
FUENTEFRIA, 2012). 
Os fungos também são benéficos. São importantes na cadeia alimentar, uma 
vez que decompõem a matéria vegetal morta, reciclando, assim, elementos vitais. 
Quase todas as plantas dependem de simbioses com fungos e os seres humanos 
utilizam os fungos para o consumo (cogumelos) e na produção de alimentos (pão 
e ácido cítrico) e fármacos (álcool e penicilina) (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). 
 Feitas essas considerações, iniciaremos o Tópico 2, aprofundaremos o es-
tudo sobre os vários aspectos dos fungos, sua caracterização, importância e proble-
mas para a saúde humana.
Inicie os estudos de micologia assistindo ao vídeo: Fantástico reino dos 
fungos. São somente 14 minutos que serão muito úteis para o seu aprendizado sobre os 
diferentes aspectos dos fungos: https://www.youtube.com/watch?v=4Y9MgzCEqRc.
DICAS
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
96
2 CARACTERIZAÇÃO GERAL
Os fungos são organismos eucariontes que diferem das bactérias, organismos 
procariotos, em várias características fundamentais. Podem ser uni ou pluricelulares 
e constituída pelos principais componentes encontrados nos organismos eucarióti-
cos. Apresentam organização celular e núcleo verdadeiro envolvido por membrana, 
possuem uma parede celular rígida constituída por quitina, não são fotossintéticos 
e armazenam glicogênio. Os fungos constituem células que se dividem por mitose, 
apresentam mitocôndrias, complexo de Golgi (facultativo) e retículo endoplasmático 
(BROOKS et al., 2014; LEVINSON, 2016).
A maior parte dos medicamentos antifúngicos baseia-se na presença de er-
gosterol nas membranas dos fungos, ao contrário da membrana da célula humana, 
que contém colesterol. Isso explica a ação seletiva da anfotericina B e antifúngicos 
azoicos nos fungos, como o fluconazol e o cetoconazol (LEVINSON, 2016).
Os fungos diferenciam-se das bactérias quanto à estrutura da parede celular. 
Nas bactérias, a constituição é majoritariamente por camadas de peptidioglicanos; nos 
fungos, é de quitina. Uma vez que os principais antibióticos têm ação nos peptidioglicanos 
e ribossomos 70S, esses fármacos não conseguem atuar nas doenças fúngicas. Para isso, 
um dos antifúngicos mais utilizados é a anfotericina B, e antifúngicos azoicos, como o flu-
conazol e o cetoconazol que tem como alvo o ergosterol capaz de romper a membrana 
celular dos fungos (LEVINSON, 2016).
IMPORTANT
E
TABELA 3 – COMPARAÇÃO ENTRE FUNGOS E BACTÉRIAS
FONTE: Levinson (2016, p. 383)
Características Fungos Bactérias
Diâmetro Aproximadamente 4 μm (Candida)
Aproximadamente 1 μm 
(Staphylococcus)
Núcleo Eucariótico Procariótico
Citoplasma Mitocôndria e retículo endoplasmático presentes
Mitocôndria e retículo 
endoplasmático ausentes
Membrana celular Esteróis presentes Esteróis ausentes (exceto em Mycoplasma)
Conteúdo da parede celular Quintina Peptideoglicano
Esporos Esporos sexuados e assexuados para reprodução
Endósporos para sobrevivência, 
não para reprodução
Dimorfismo térmico Sim (alguns) Não
Metabolismo
Requerem carbono orgânico; 
não são anaeróbios 
obrigatórios
Muitas não requerem carbono 
orgânico; muitas são anaeróbias 
obrigatórias
TÓPICO 2 | MICOLOGIA
97
Existem dois tipos morfológicos de fungos: as leveduras e os fungos filamen-
tosos. As leveduras, de maneira geral, são unicelulares, esferoidais ou ovais, e podem 
se reproduzir assexuada ou sexuadamente (LEVINSON, 2016; ZAITZ et al., 2017).
FIGURA 11 – COLÔNIA DE LEVEDURA E DE FUNGO FILAMENTOSO (BOLOR)
FONTE: Zaitz et al. (2017, p. 91)
Fungos	filamentosos crescem como longos filamentos (hifas) e formam um 
emaranhado (micélio). Algumas hifas possuem septos transversais (hifa septada), e 
outras não (hifa asseptada). As hifas asseptadas são multinucleadas (cenocíticas). O 
crescimento das hifas ocorre pela elongação da sua extremidade e não por divisão 
celular do seu filamento (BROOKS et al., 2014; LEVINSON, 2016; ZAITZ et al., 2017).
Alguns fungos são dimórficos (podem existir tanto como leveduras quanto 
como fungos filamentosos). Na temperatura ambiente (por exemplo, a 25°C), fungos 
dimórficos são filamentosos, já na temperatura corporal de seres humanos eles ocor-
rem como leveduras ou em forma esférica (LEVINSON, 2016; ZAITZ et al., 2017).
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
98
FIGURA 12 – CARACTERÍSTICAS DAS HIFAS DOS FUNGOS
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 322)
Legenda: (a) As hifas septadas têm paredes cruzadas, ou septos, dividindo a hifa em unidades 
semelhantesàs células. (b) As hifas cenocíticas não têm septos. (c) As hifas crescem pelo alonga-
mento de suas extremidades.
Estão amplamente distribuídos na natureza, e estão em ambiente terres-
tre, sobretudo no solo ou na matéria vegetal em decomposição. No entanto, eles 
têm capacidade de se desenvolver em diversos lugares, como na água, no solo, 
no ar, na poeira doméstica e agrícolas, nas plantas, nos troncos apodrecidos, nas 
frutas, no leite, no pântano em detritos orgânicos e em animais (superiores e in-
feriores). Os que vivem no solo, e ocasionalmente parasitam o ser humano ou 
animais, são geofílicos, os que parasitam os animais são zoofílicos e, o ser huma-
no, antropofílicos. Podem ter relação com a natureza em associações tanto simbi-
óticas quanto parasitárias. Popularmente, são conhecidos sob a forma de bolores, 
mofos e cogumelos (MEZZARI; FUENTEFRIA, 2012; FRANÇA; LEITE, 2018). 
Todos os fungos necessitam de uma fonte de carbono orgânico pré-forma-
do, por isso são encontrados com frequência na matéria orgânica em decompo-
sição. Os fungos são quimio-heterotróficos e, assim como as bactérias, absorvem 
nutrientes, em vez de ingeri-los, como fazem os animais (LEVINSON, 2016; TOR-
TORA; FUNKE; CASE, 2017). 
Outras características ambientais e nutricionais dos fungos são apresenta-
das a seguir, de acordo com Levinson (2016) e Tortora, Funke e Case (2017):
• Os fungos normalmente crescem melhor em ambientes em que o pH é próximo 
a 5, que é muito ácido para o crescimento da maioria das bactérias comuns.
• Com relação à necessidade de oxigênio, quase todos os fungos filamentosos 
são aeróbios obrigatórios. A maioria das leveduras é anaeróbia facultativa; al-
guns são anaeróbios facultativos, entretanto, nenhum é anaeróbio obrigatório. 
• Temperatura ótima de crescimento de 25-30 ºC, mínima: 10 ºC e máxima: 40 ºC. 
Algumas espécies são termófilas (> 50 ºC) e outras são psicrófilas (< 0 ºC).
TÓPICO 2 | MICOLOGIA
99
• A maioria dos fungos é mais resistente à pressão osmótica do que as bactérias; 
muitos, por conseguinte, podem crescer em concentrações relativamente altas 
de sal ou açúcar.
• Os fungos podem crescer em substâncias e alimentos com quantidade reduzi-
da de umidade e atividade de água, quantidade em que as bactérias não con-
seguem se reproduzir. 
• Crescimento em condições de atividade de água reduzida: dentro do limite de 
0,65 (xerofílicos extremos) até 0,99. 
• Os fungos requerem menos nitrogênio para um crescimento equivalente ao das 
bactérias.
• Os fungos são frequentemente capazes de metabolizar carboidratos comple-
xos, como a lignina (componente da madeira), que a maioria das bactérias não 
pode utilizar como nutrientes.
• Podem ser saprófitas, simbiontes, comensais e parasitas de organismos supe-
riores.
Essas características permitem que os fungos se desenvolvam em subs-
tratos improváveis, como paredes de banheiro, postes, estradas de ferro, navios, 
couro de sapatos, lentes e jornais velhos.
3 TAXONOMIA 
Pode-se empregar um nível de classificação superior ao reino, o domínio, 
que é um conceito mais atual. Esse conceito agrupa os organismos em três, tendo 
em conta as diferenças moleculares entre as eubactérias, as arqueobactérias e os 
eucariontes. No caso dos fungos, o domínio é o Eucarya que inclui os reinos Ani-
malia, Fungi, Plantae e Protista (FRANÇA; LEITE, 2018). 
A classificação taxonômica dos fungos é feita pelas características morfo-
lógicas e são agrupados de acordo com as características comuns, em níveis taxo-
nômicos que recebem sufixos especiais: divisão: sufixo mycota; classe: mycetes; 
ordem: ales; família: aceae; gênero e espécie: não têm radical específico (ZAITZ 
et al., 2017).
Exemplo:
Reino Fungi
Divisão Ascomycota
Classe Hymenomycetes
Ordem Tremellales
Família Filobasidiaceae
Gênero Filobasidiella
Espécie Neoformans
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
100
A taxonomia dos fungos é extremamente complexa e dinâmica e a nomen-
clatura desses organismos, regida pelo Código Internacional de Nomenclatura Botâ-
nica, tem mudado ao longo dos últimos anos, principalmente em relação aos fungos 
de interesse médico. A complexidade e a diversidade dos fungos refletem-se na taxo-
nomia e explica as várias classificações propostas, não havendo ainda um consenso 
entre os vários autores especialistas (ZAITZ et al., 2017).
Uma das classificações atuais apresenta quatro divisões para o Reino Fungi: 
Chytridiomycota, Zygomycota, Basidiomycota, Ascomycota, de acordo com Zaitz et 
al. (2017).
 
Fungos que não formam esporos sexuados são tratados como um grupo à 
parte, denominado fungos mitospóricos, fungos anamorfos ou fungos imperfeitos 
(LEVINSON, 2016; ZAITZ et al., 2017).
Para mais informações sobre a classificação taxonômica dos fungos, acesse o 
site da International Commission on the Taxonomy of Fungi: https://goo.gl/ZisNAc.
DICAS
4 REPRODUÇÃO FÚNGICA
Fungos filamentosos podem reproduzir-se assexuadamente pela fragmen-
tação de suas hifas. Além disso, tanto a reprodução sexuada quanto a assexuada 
em fungos ocorrem pela formação de esporos. Na verdade, os fungos normalmente 
são identificados pelo tipo de esporo. A classificação dos fungos é baseada nos seus 
esporos sexuados (LEVINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). 
Os esporos de fungos são completamente diferentes dos endósporos bacte-
rianos, que são estruturas de resistência permitindo que as células sobrevivam a condições 
ambientais adversas, não sendo considerado um processo de reprodução. Entretanto, nos 
fungos filamentosos, um esporo se separa da célula parental e germina, originando um 
novo fungo filamentoso. Tanto a reprodução sexuada quanto a assexuada em fungos 
ocorrem pela formação de esporos (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). 
IMPORTANT
E
TÓPICO 2 | MICOLOGIA
101
A maioria dos fungos de interesse clínico propaga-se de forma assexuada, 
formando os conídios (esporos assexuados) produzidos na lateral e na extremi-
dade de estruturas especializadas (ZAITZ et al., 2017).
FIGURA 13 – ESPOROS ASSEXUADOS CARACTERÍSTICOS DOS FUNGOS
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 324)
Os fungos que se reproduzem de forma sexuada, como os zigósporos, ascós-
poros e basidiósporos, um esporo sexuado fúngico resulta da reprodução sexuada, 
que consiste em três etapas (LEVINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017):
a) Plasmogamia: um núcleo haploide de uma célula doadora (+) penetra no cito-
plasma de uma célula receptora (-).
b) Cariogamia: os núcleos (+) e (-) fundem-se formando um núcleo zigoto diploide.
c) Meiose: o núcleo diploide origina um núcleo haploide, esporos sexuados, dos 
quais alguns podem ser recombinantes genéticos. 
Zigósporos são esporos simples e extensos de parede espessa; ascósporos 
são formados no interior de sacos, denominados ascos; e os basidiósporos são 
formados externamente na extremidade de um pedestal, denominado basídio 
(LEVINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Os esporos sexuados produzidos pelos fungos caracterizam os filos. A iden-
tificação clínica é baseada no exame microscópico dos esporos assexuados, uma vez 
que a maioria dos fungos exibe apenas esporos assexuados em condições de labora-
tório (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017; ZAITZ et al., 2017).
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
102
FIGURA 14 – CICLO DE VIDA DE RHIZOPUS, UM ZIGOMICETO
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 325)
4.1 CRESCIMENTO E ISOLAMENTO DOS FUNGOS 
Existem quatro procedimentos para o diagnóstico laboratorial de doenças 
fúngicas de acordo com Levinson (2016):
(1) exame microscópico direto; 
(2) cultivo do organismo;
(3) testes de sonda de DNA;
(4) testes sorológicos. 
O exame microscópico direto de amostras clínicas, como escarro, bióp-
sia de pulmão e raspagem de pele, depende da caracterização de espo-
ros assexuados, hifas ou leveduras utilizando um microscópio óptico. O 
espécime deve ser tratado com hidróxido de potássio (KOH) a 10% para 
dissolver o material tecidual,deixando o fungo, que é alcalirresistente, 
intacto. O espécime pode, também, ser corado por meio de preparações 
especiais (LEVINSON, 2016, p. 385).
A maioria dos fungos é encontrada na natureza e cresce facilmente na 
presença de fontes simples de nitrogênio e carboidrato. O meio mico-
lógico tradicional, o ágar de Sabouraud, que contém glicose e peptona 
modificada (pH de 7,0), tem sido utilizado, visto que não favorece o 
crescimento de bactérias (BROOKS et al., 2014, p. 676).
A análise de DNA pode ser utilizada para identificação de fungos cres-
cendo em cultura em seus estágios iniciais (LEVINSON, 2016). 
Testes para presença de antígenos e anticorpos para antígenos fúngicos 
são frequentemente utilizados. Dois testes comumente utilizados são os testes 
TÓPICO 2 | MICOLOGIA
103
para o antígeno criptocócico no líquido espinal e para anticorpos para Coccidioides 
no soro de pacientes (LEVINSON, 2016).
5 MICOSES
 
A infecção fúngica é chamada de micose. Podem ser causadas por fungos 
patógenos primários ou oportunistas. Os primários invadem o tecido do ser hu-
mano imunocompetente ou não, e os oportunistas são invasores principalmente 
em condições de imunodeficiência. As micoses geralmente são infecções crônicas 
(de longa duração), uma vez que os fungos crescem devagar. A maioria dos fun-
gos patogênicos vive como saprófito na natureza, com exceção de poucos que 
também fazem parte da microbiota normal do ser humano como Malassezia spp. 
e Candida spp. (LEVINSON, 2016).
Os fungos patogênicos normalmente invadem o organismo por inalação, 
implantação traumática ou pelo contato direto com objetos contaminados com 
o homem ou animais infectados. Quanto à patologia, os fungos podem produ-
zir, além das micoses, outras manifestações clínicas, dependentes do agente e da 
forma de infecção. Como tipos de manifestações que podem ser provocadas por 
fungos, há as micotoxicoses, causadas pela ingestão de micotoxinas e os proces-
sos alérgicos, alergias a esporos fúngicos (LEVINSON, 2016; ZAITZ et al., 2017).
As micoses, quando causadas por fungos patógenos primários ou não, 
dependendo da localização, dividem-se em: superficiais, cutâneas, subcutâneas, 
sistêmicas e oportunistas (BROOKS et al., 2014; LEVINSON, 2016).
5.1 VIAS DE DISPERSÃO DOS FUNGOS
Os fungos dispersam-se na natureza por várias vias, como ar atmosférico, 
água, insetos, ser humano e animais. A eficiência na dispersão dos fungos está 
estreitamente relacionada à alta produção de propágulos de disseminação, prin-
cipalmente os esporos de origem assexuada. Os esporos podem ser levados por 
grandes distâncias, pelos ventos, quando a via de dispersão é o ar atmosférico. 
Embora seja essa a forma de espalhamento mais frequente, outras vias podem ser 
utilizadas, de acordo com as circunstâncias. Quando as estruturas disseminadas 
atingem um substrato com condições adequadas, elas germinam e iniciam um 
novo ciclo do fungo (ZAITZ et al., 2017).
O ser humano e os animais, além de terem uma microbiota fúngica endó-
gena, são importantes vias de dispersão de fungos. Na sua superfície corpórea, 
pele, pelos, unhas, mucosa bucal e nasal, são encontradas várias espécies de fun-
gos em processo de dispersão, constituindo uma microbiota transitória. Muitas 
vezes, num processo de isolamento do agente etiológico para diagnóstico labora-
torial de uma micose superficial ou cutânea, eles podem atrapalhar no isolamento 
do real agente etiológico (ZAITZ et al., 2017).
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
104
Fungos “contaminantes” são fungos que habitam o solo ou vegetais e são 
dispersos principalmente pelo ar atmosférico, embora possam utilizar outra via 
de dispersão. Esses fungos, especializados na dispersão pelo ar atmosférico, são 
também chamados de fungos	anemófilos (ZAITZ et al., 2017).
A Figura 15 esquematiza o ciclo de dispersão dos fungos a partir do habi-
tat, as vias de dispersão, os substratos e os fatores interferentes.
FIGURA 15 – VIAS DE DISPERSÃO DOS FUNGOS
FONTE: Zaitz et al. (2017, p. 100)
Os fungos anemófilos participam, junto com outros agentes, do desenca-
deamento da síndrome dos edifícios doentes, relacionada principalmente a am-
bientes climatizados artificialmente. Os principais sintomas de reconhecimento 
dessa síndrome são: fadiga, letargia, cefaleia, prurido e ardor nos olhos, anorma-
lidades na pele, irritação do nariz e garganta e falta de concentração em trabalha-
dores desses ambientes (ZAITZ et al., 2017).
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou a Resolução nº 9 
(BRASIL, 2003), que estabelece a utilização de fungos como marcadores epide-
miológicos de qualidade do ar interior. Na resolução, a contagem de fungos dis-
persos pelo ar não pode ultrapassar 750 UFC/m3 ar (UFC = unidades formadoras 
de colônias), sendo inaceitável a presença de fungos patogênicos e toxigênicos. A 
relação I/E deve ser menor ou igual a 1,5 (I = quantidade de UFC fungos/m3 ar no 
ambiente interior e E = quantidade de UFC fungos/m3 ar no ambiente exterior).
TÓPICO 2 | MICOLOGIA
105
No livro de atividades práticas da disciplina, a prática 8 é sobre morfologia e 
estrutura dos fungos anemófilos.
NOTA
5.2 FUNGOS CAUSADORES DE MICOSES CUTÂNEAS E 
SUBCUTÂNEAS 
As micoses superficiais são infecções limitadas ao cabelo e camadas mor-
tas da pele. Os fungos crescem apenas nas camadas externas da pele ou na cutí-
cula do folículo piloso. Raramente há indução de uma resposta imunitária. Estas 
infecções são primariamente doenças cosméticas e são pouco lesivas. O diagnós-
tico clínico é facilmente efetuado (BROOKS et al., 2014).
Um exemplo de micose superficial é a Pitiríase versicolor (conhecida como 
pano branco) é uma infecção crônica da camada córnea causada por leveduras 
do gênero Malassezia, assintomática na maioria das vezes. O agente infeccioso faz 
parte microbiota normal da pele, que passa a determinar manifestações clínicas 
sob condições genéticas, constitucionais e climáticas específicas. É uma doença 
não contagiosa, não havendo, portanto, risco de transmissão do fungo de uma 
pessoa para outra (BROOKS et al., 2014).
As micoses cutâneas são também denominadas como dermatofitoses pois 
os fungos responsáveis por esse tipo de micose são conhecidos como dermatófi-
tos, isto é, fungos que se alimentam de queratina e se localizam na pele, no pelos e 
nas unhas. As dermatofitoses estão entre as infecções mais prevalentes no mundo 
(HARVEY; CHAMP; FISHER, 2008; BROOKS et al., 2014).
Os dermatófitos são classificados em três gêneros: Trichophyton, Microspo-
rum e Epidermophyton, de acordo com Levinson (2016). A principal cacterística dos 
fungos é que utilizam a queratina como fonte nutricional. O habitat da maioria 
dos dermatófitos que causam doenças em seres humanos é a pele humana, uma 
vez que a maioria é incapaz de crescer a 37 ºC ou na presença de soro (BROOKS 
et al., 2014). 
Como esses fungos crescem apenas na camada superficial queratinizada 
da pele, não invadem o tecido subjacente. As lesões decorrem da resposta infla-
matória ao fungo. A frequência das infecções é aumentada pela umidade e pelo 
calor (no interior dos calçados). 
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
106
A transmissão das infeções surge na pele após traumatismo e contato di-
reto ou através de fômites, como toalhas, roupas, calçados. A suscetibilidade do 
hospedeiro aumenta em função da umidade, pelo calor, pela química específica 
da pele, composição do suor e por predisposição genética (BROOKS et al., 2014).
O diagnóstico laboratorial ocorre através de raspados de pele devem ser 
examinados microscopicamente. O organismo é identificado pela aparência de 
seu micélio e de seus esporos assexuados em ágar Sabouraud (LEVINSON, 2016).
Alguns exemplos de dermatofitoses são: tinha dos pés (Tinea pedis), a 
mais prevalente, conhecida como frieira ou pé-de-atleta, infecção crônica dos es-
paços interdigitais; tinha das unhas (onicomicose) quando as unhas se tornam 
mais espessas, descoradas e quebradiças (HARVEY, CHAMP E FISHER,2008; 
BROOKS et al., 2014).
As micoses subcutâneas são infecções causadas por fungos que afetam a 
derme, de tecidos subcutâneos e dos ossos. São doenças de progressão lenta, mas 
extremamente persistentes. Os fungos causadores residem no solo e na vegeta-
ção. A transmissão ocorre através da implantação direta dos esporos ou micélios 
na pele através de lacerações traumáticas ou lesões causadas por perfurações. 
As micoses subcutâneas não são transmissíveis de pessoa a pessoa (HARVEY; 
CHAMP; FISHER, 2008).
• Dermatófitos: Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton, de acordo com Levin-
son (2016).
• Doenças: dermatofitoses (tinha do couro cabeludo, tinha crural e tinha do pé́). 
• Características: fungos que utilizam a queratina como fonte nutricional. O habi-
tat da maioria dos dermatófitos que causam doenças em seres humanos é a pele 
humana, com exceção de Microsporum canis que também infecta cães e gatos.
• Transmissão: Contato direto com descamações cutâneas.
• Patogênese: esses fungos crescem apenas na camada superficial queratinizada 
da pele. Não invadem o tecido subjacente. As lesões decorrem da resposta infla-
matória ao fungo. A frequência das infecções é aumentada pela umidade e pelo 
calor (no interior dos calçados). 
• Diagnóstico laboratorial: raspados de pele devem ser examinados microscopi-
camente. O organismo é identificado pela aparência de seu micélio e de seus 
esporos assexuados em ágar Sabouraud. 
TÓPICO 2 | MICOLOGIA
107
QUADRO 1 – PRINCIPAIS MICOSES E FUNGOS CAUSADORES
FONTE: Brooks et al. (2014, p. 673)
Categoria Micose Agente causador (fungo)
Superficial Pitiríase versicolor Espécies de Malassezia
Tínea negra Hortaea werneckii
Piedra branca Espécies de Trichosporon
Piedra negra Piedraia hortae
Cutânea Dermatofitose
Espécies de Microsporum, 
Trichophyton e Epidermophyton 
floccosum
Candidíase de pele, mucosa 
ou unhas
Candida albicans e outras 
espécies da Candida
Subcutânea Esporotricose Sporothrix schenkii
Cromoblastomi-cose Phialophora verrucosa, Fonsecae pedrosai e outros
Micetoma Pseudallescheria, boydii, Madurella mycetomatis e outros
Feoifomicose
Exophiala, Bipolaris, 
Exserohillum e outros bolares 
demácios
Endêmica (primária, 
sistêmica) Coccidioidomicose
Coccidioides posadasil e 
Coccidioides immitis
Histoplasmose Histoplasma capsulatum
Blastomicose Blastomyces dermatitidis
Paracoccidioidomicose Paracoccidioides basiliensis
Oportunistas Candidíase sistêmica Candida albicans e outras espécies de Candida
Criptococose Cryptococcus neoformans e Cryptococcus gattii
Aspergilose Aspergillus fumigatus e outras espécies de Aspergillus
Hialoifomicose
Espécies de Fusarium, 
Paecilomyces, Trichosporon e 
outros bolores hialinos
Feoifomicose
Clodophialophora bantiana; 
espécies de Alternario, 
Cladosporium, Bipolaris, 
Exserohilum e inúmeros outros 
bolores demácios
Mucormicose (zigomicose)
Espécies de Rhizopus, Absidia, 
Cunninghamella e outros 
zigomicetos
Pneumonia por Pneumocystis Pneumocystis jirovecii
Peniciliose Penicillum marneffei
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
108
5.3 FUNGO CAUSADOR DE MICOSES SISTÊMICAS SEGUNDO 
LEVINSON (2016)
Podem afetar vários órgãos e tecidos. Os fungos vivem no solo e a trans-
missão ocorre através da inalação dos esporos ou por implantação traumática. 
São extremamente difíceis de tratar. A infecção inicia nos pulmões e se difundem 
para outros tecidos. Não são contagiosas entre animais e humanos. 
Os exemplos de doenças estão citados na Figura 16, e o quadro da trans-
missão das principais doenças sistêmicas é apresentado no Quadro 2.
• Doença: Histoplasmose - Histoplasma capsulatum.
• Características: Fungo dimórfico que cresce preferencialmente em solo enri-
quecido com excrementos de aves. 
• Transmissão: Inalação de esporos assexuados (microconídeos) transmitidos pelo ar.
• Patogênese: Os microconídeos penetram nos pulmões e diferenciam-se em 
células leveduriformes. As leveduras são ingeridas por macrófagos alveolares 
e multiplicam-se em seu interior. Uma resposta imune desenvolve e formam-se 
granulomas. A maioria das infecções é contida neste nível, mas a supressão da 
imunidade mediada por células pode levar à doença disseminada.
• Diagnóstico laboratorial: Escarro ou tecidos podem ser examinados microsco-
picamente e cultivados em ágar Sabouraud. 
FIGURA 16 – FORMAS DE TRANSMISSÃO DE MICOSE SISTÊMICA
FONTE: Harvey, Champ e Fisher (2008, p. 210)
TÓPICO 2 | MICOLOGIA
109
QUADRO 2 – CARACTERÍSTICAS DAS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS OPORTUNISTAS
FONTE: Levinson (2016, p. 400)
Gênero
Forma 
microscópica 
observada no 
tecido
Localização 
geográfica
Importantes 
achados clínicos
Diagnóstico 
laboratorial
Candida
Levedura 
formadora de 
pseudo-hifas 
(também hifas)
No mundo todo
Cândida na boca 
e na vagina/ 
endocardite em 
usuários de dro-
gas intravenosas
Gram-positiva; a 
cultura apresenta 
crescimento de 
colônias de leve-
duras; Candida al-
bicans forma tubos 
germinativos
Cryptococcus
Levedura com 
cápsula bem-
desenvolvida
No mundo todo Meningite
A tinta nanquim 
evidencia levedu-
ras com cápsula 
proeminente; a 
cultura gera colô-
nias intensamente 
mucoides
Aspergillus Micélio com hinfa septada No mundo todo
Massa micelial no 
pulmão; infecções 
por queimadura 
e ferida; infecções 
em cateteres; 
sinusite
A cultura gera mi-
célio com esporos 
verdes; conídios 
em cadeia
Mucor e Rhizopus Micélio com hifa as septada No mundo todo
Lesão necrótica 
produzida quan-
do o micélio inva-
de os vasos san-
guíneos; fatores 
de predisposição 
são a cetoacidose 
diabética, acidose 
renal e câncer
A cultura gera mi-
célio com esporos 
pretos; conídios 
no interior de uma 
bolsa, chamada de 
esporângio
5.4 FUNGOS CAUSADORES DE MICOSES OPORTUNISTAS 
Fungos oportunistas não são capazes de causar doenças na maioria das 
pessoas imunocompetentes, mas podem causá-las em pessoas com as defesas 
imunes debilitadas. Existem cinco gênero de fungos de importância médica: Can-
dida, Cryptococcus, Aspergillus, Mucor e Rhizopus (LEVINSON, 2016).
Fungos que causam micotoxicoses (intoxicação) através de micotoxinas se-
rão discutidos no Tópico 3.
ESTUDOS FU
TUROS
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
110
6 ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DOS FUNGOS
Apesar da patogenicidade associada aos fungos, quando eles causam doen-
ças, há diversas atribuições benéficas desses seres para a rotina diária dos seres hu-
manos. 
A maioria dos fungos não é maléfica para os seres humanos. Os fungos po-
dem ser saprófitas, decompondo a matéria orgânica e agindo como catalisadores no 
processo de decomposição, além disso, são utilizados nas indústrias alimentar, far-
macêutica e agrícola (FRANÇA; LEITE, 2018).
Apresentam um papel benéfico na alimentação, como na produção de quei-
jos, pães e bebidas alcoólicas. Na indústria farmacêutica, é importante salientar o uso 
do Penicillium no desenvolvimento de fármacos e imunossupressores, como a ciclos-
porina, os quais são amplamente utilizados a serviço da saúde (FRANÇA; LEITE, 
2018).
Os fungos têm sido utilizados na biotecnologia há muitos anos. O Aspergillus 
niger, por exemplo, tem sido utilizado na produção de ácido cítrico para alimentos e 
bebidas desde 1914. A levedura Saccharomyces cerevisiae é utilizada na produção de 
pão e vinho. Também foi geneticamente modificada para produzir uma variedade 
de proteínas, incluindo a vacina para a hepatite B (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
O Trichoderma é usado comercialmente na produção da enzima celulase, que 
é utilizada na remoção da parede celular das plantas para a produção de sucos de 
frutas mais puros (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Em contraste com esses efeitos benéficos, os fungos deterioram frutas, grãos e 
vegetais. Existe pouca umidade nas superfícies intactas desses alimentos e o interior 
das frutas é muito ácido para o desenvolvimento da maioria das bactérias, favorecen-
do o crescimento dos fungos (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
 As compotas e as geleias, por serem normalmenteácidas e possuírem alta 
pressão osmótica devido ao açúcar em sua composição, acabam inibindo o cresci-
mento bacteriano, porém permitem o crescimento de fungos. Uma camada de para-
fina no topo do frasco de uma geleia caseira ajuda a impedir o crescimento de fungos, 
pois são, em sua maioria, aeróbios e a camada de parafina evita a entrada de oxigênio 
(TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). Contudo, as carnes frescas e determinados ali-
mentos são substratos tão favoráveis ao crescimento bacteriano que as bactérias não 
apenas superam o crescimento dos fungos, mas também suprimem ativamente o 
crescimento deles, pela produção de substâncias químicas antifúngicas (TORTORA; 
FUNKE; CASE, 2017).
TÓPICO 2 | MICOLOGIA
111
LEITURA COMPLEMENTAR
O ataque silencioso dos fungos
Carlos Fioravanti 
 
É uma jaula de bichos perigosos. Em caixas metálicas dentro de um freezer 
a 80 ºC negativos em um dos laboratórios da Universidade Federal de São Paulo 
(Unifesp), o infectologista Arnaldo Colombo mantém uma coleção com cerca de 4 mil 
amostras de leveduras e mil de fungos filamentosos colhidos de pacientes tratados 
em hospitais de todo o país. Os fungos eram considerados inofensivos até alguns 
anos atrás, mas – como resultado da redução das defesas naturais das pessoas, causa-
da por doenças ou medicamentos – aos poucos se tornaram agressivos e estão se es-
palhando em silêncio e causando infecções graves, resistentes a antifúngicos, e fatais.
 Quase 4 milhões de pessoas no Brasil devem ter infecções fúngicas a cada 
ano, de acordo com um levantamento realizado por Juliana Giacomazzi, da Univer-
sidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Desse total, 2,8 milhões são in-
fecções causadas por Candida e 1 milhão por Aspergillus, que avançam principalmente 
em pessoas com defesas orgânicas enfraquecidas em razão do uso de medicamentos 
contra rejeição de órgãos transplantados, câncer ou Aids, do uso intensivo de antibió-
ticos ou de procedimentos invasivos como sondas e cateteres em unidades de terapia 
intensiva (UTI).
 
No mundo, o número de casos registrados de meningite causados por Cryp-
tococcus neoformans e C. gattii passou de poucas centenas na década de 1950 para o 
atual 1 milhão por ano, principalmente em pessoas com HIV/Aids. Estima-se que 
todos os fungos patológicos provoquem 11,5 milhões de infecções graves e micoses 
superficiais recorrentes, com 1,5 milhão de mortes por ano, mais que o total de óbitos 
decorrentes da malária e da tuberculose.
 
“Sabe o que aconteceu neste caso?”, perguntou Colombo ao mostrar uma 
placa em que vários fármacos foram aplicados sobre amostras de uma variedade de 
um fungo recém-chegado ao seu laboratório para identificação e análise: “Nenhum 
fármaco funcionou e o paciente morreu em decorrência da infecção”.
 
Várias espécies de fungos estão se mostrando resistentes aos poucos medica-
mentos usados para combatê-los. Em 2013, a equipe da Unifesp indicou a Candida gla-
brata como uma das mais preocupantes entre os casos de infecções hospitalares, por 
ter se mostrado resistente a quase todos os antifúngicos, começando pelo fluconazol, 
o mais usado, ocasionando uma taxa de mortalidade próxima a 50% em pessoas in-
ternadas em UTI. 
Duas espécies de fungos, Aspergillus fumigatus e Fusarium solani, foram isola-
das em 36 das 164 amostras de água usada em uma unidade oncológica pediátrica 
de um hospital da cidade de São Paulo, indicando que o próprio sistema de abaste-
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
112
cimento poderia ser uma fonte de contaminação, já que os propágulos – ou esporos, 
estruturas reprodutivas semelhantes a sementes – dos fungos poderiam ser transmi-
tidos durante o uso das torneiras ou do chuveiro.
 
Estima-se que uma pessoa comum respire de 200 a 2 mil esporos por dia. Eles 
não estão apenas dispersos no ar, mas também dentro do corpo humano. “Temos 
milhões de colônias de Candida albicans na boca, no intestino e na pele, que só cres-
cem e causam problemas quando as defesas estão debilitadas”, disse o infectologista 
Márcio Nucci, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro 
(UFRJ). Ele participou de um estudo que avaliou a ocorrência de infecções abdomi-
nais provocadas principalmente por C. albicans e C. glabrata em 481 pacientes interna-
dos em 13 hospitais da Itália, Espanha, Grécia e do Brasil, de 2011 a 2013. A maioria 
(85%) dos pacientes apresentou candidíase. A mortalidade foi de 60% e poderia ser 
explicada, segundo Nucci, porque infecções desse tipo normalmente acometem pes-
soas com doenças graves em estado terminal e em razão do diagnóstico tardio da 
origem da infecção, que resulta no atraso do início do tratamento adequado.
 
Infecções fúngicas são facilmente confundidas com as de origem bacteriana 
em pessoas que tiveram tuberculose. “Não se dá muita atenção para a possibilida-
de de diagnóstico de aspergilose crônica pulmonar, que aparece em 10% a 15% dos 
pacientes que apresentam sequelas da tuberculose, com cavidades no pulmão ou 
dilatação dos brônquios, e em geral são tratados novamente com antibióticos”, disse 
Colombo. Em seguida, ele mostrou uma radiografia de um homem de 51 anos que 
perdeu peso, teve tosse crônica e febre durante meses e recebeu o tratamento contra 
tuberculose até saber que na verdade tinha uma pneumonia crônica associada ao 
fungo Histoplasma capsulatum, causa frequente de pneumonias de tratamento difícil. 
Outra espécie, Paracoccidioides brasiliensis, causa pneumonia mesmo em pessoas com 
as defesas em ordem, que moram em áreas onde essa micose é comum.
 Para complicar, o mesmo fungo pode causar doenças diferentes, dependen-
do da capacidade de defesa do organismo em que se aloja. O Aspergillus provoca 
dois tipos de pneumonia: a aguda e a crônica. Já se tem como certo que não são mais 
tão raras quanto há algumas décadas – a forma aguda, estima-se, deve se manifestar 
em até 12% das pessoas com leucemia mieloide aguda, de acordo com um levanta-
mento realizado em oito hospitais públicos do país.
As análises genéticas indicaram que, às vezes, as amostras do que se acredi-
tava ser uma única espécie podem incluir espécies distintas, com diferentes níveis 
de resistência a medicamentos. É o caso de Candida parapsilosis, reclassificada em três 
espécies: C. parapsilosis senso stricto, C. orthopsilosis e C. metapsilosis.
Em políticas públicas para se dimensionar e deter as infecções fúngicas os 
avanços não são tão consistentes quanto em pesquisa básica, observa Maria José. “Em 
consequência, podemos ter sérios problemas, relacionados ao aumento das doenças 
causadas por fungos”, diz ela. “Cresceu a população de risco – principalmente os 
imunodeprimidos –, e o uso de procedimentos médicos invasivos – como sondas e 
cateteres –, que podem facilitar a transmissão de fungos, mas não aumentou a capa-
113
cidade de resposta do sistema de saúde, que deveria estar atento e articulado para 
bloquear esse fenômeno”, reforça Colombo. Como exemplo, ele lembra que não há 
um sistema de diagnóstico específico para pneumonias fúngicas pós-tuberculose, 
algo relativamente fácil de fazer.
 
Preocupados com a situação, os pesquisadores oferecem recomendações 
para	outros	profissionais	da	área e procuram agir em conjunto de modo a dissemi-
nar informações sobre esses problemas de saúde. A Unifesp está trabalhando com 
uma equipe da Universidade de Manchester, Inglaterra, e com centros médicos dos 
estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Espírito Santo para definir o alcance 
na população e as melhores formas de diagnóstico e de tratamento das pneumonias 
agudas e crônicas de origem fúngica.
 
Outra iniciativa foi a instalação, em 2015, da unidade brasileira do Global 
Action Fund for Fungal Infections (Gaffi, gaffi.org), para atualização contínua de pro-
fissionais da saúde responsáveis pela identificação ou tratamento dessas doenças. 
Medidas simples podem ajudar profissionais da saúde a identificar e evitar infecções 
causadas por fungos:
- Lavar as mãoscom mais frequência, antes e depois do contato com pacientes, em 
especial os expostos a procedimentos médicos invasivos, para evitar a trans-
missão de fungos que se alojam na pele como Candida parapsilosis. 
- Reforçar os cuidados com o manuseio de cateteres e outros dispositivos invasi-
vos usados principalmente em UTI. 
- Investigar a possibilidade de origem fúngica das pneumonias de pacientes com 
defesas reduzidas, submetidos a transplantes de órgãos ou com leucemias. 
- Incluir testes para diagnóstico de infecções por fungos na avaliação de pneumo-
nias crônicas. 
- Suspeitar que infecções resistentes a antibióticos em pacientes de UTI ou com 
leucemias por mais de sete dias possam ser causadas por fungos e merecem 
diagnóstico e tratamento específicos. 
- Familiarizar-se com as diretrizes de sociedades médicas para tratamentos de 
infecções fúngicas (há documentos brasileiros sobre infecções por Candida sp., 
Paracoccidioides sp. e Cryptococcus sp.) e fortalecer o treinamento prático das 
equipes de saúde para promover o diagnóstico precoce e o tratamento adequa-
do desses problemas. 
- Notificar as autoridades da saúde, como os centros de vigilância epidemiológi-
ca, em caso de surtos de infecções causadas por fungos. 
FONTE: FIORAVANTI, C. O ataque silencioso dos fungos. 2016. Disponível em: http://bit.ly/32wxjjZ. 
Acesso em: 28 set. 2019. 
114
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• Micologia é o estudo dos fungos.
• O número de infecções fúngicas graves está aumentando.
 
• Os fungos são aeróbios ou anaeróbios facultativos quimio-heterotróficos.
 
• A maioria dos fungos é decompositora; alguns são parasitos de plantas e ani-
mais.
 
• Fungos são organismos eucariotos que ocorrem em duas formas básicas: leve-
duras e fungos filamentosos. 
 
• As leveduras são unicelulares, e os fungos filamentosos possuem longos fila-
mentos de células, denominados hifas. As leveduras se reproduzem por brota-
mento.
 
• Alguns fungos são dimórficos, podem existir tanto como leveduras (tempera-
tura do corpo humano 37º C) quanto como fungos filamentosos (temperatura 
ambiente 25°C).
 
• A parede celular dos fungos é constituída de quitina e as membranas celulares 
dos fungos contém ergosterol. 
 
• A taxonomia dos fungos é extremamente complexa e dinâmica, e a nomencla-
tura desses organismos, regida pelo Código Internacional de Nomenclatura 
Botânica, tem mudado ao longo dos últimos anos.
 
• Os fungos se reproduzem de forma assexuada e sexuada através de esporos.
 
• Os fungos que são dispersados através do ar atmosférico são denominados fun-
gos anemófilos. Sendo assim, a microbiota fúngica anemófila pode ser seme-
lhante ou diferente em cada cidade ou região.
 
• Micoses superficiais são localizadas nos fios de cabelo e nas células superficiais 
da pele.
 
• Micoses cutâneas afetam tecidos contendo queratina, como cabelo, unhas e 
pele.
 
• As micoses subcutâneas são infecções fúngicas que ocorrem embaixo da pele.
 
115
• Micoses sistêmicas são infecções fúngicas invasivas quem afetam muitos teci-
dos e órgãos.
 
• Micoses oportunistas são causadas por fungos que normalmente não são pato-
gênicos. 
 
• Micoses oportunistas podem infectar qualquer tecido. No entanto, geralmente 
são sistêmicas. 
• A deterioração causada por fungos em frutas, grãos e vegetais é mais comum 
que a deterioração desses produtos causada por bactérias.
116
AUTOATIVIDADE
1 Fungos são seres dispersos no meio ambiente, em vegetais, no ar atmosféri-
co, no solo e na água e, embora sejam estimados em 250 mil espécies, menos 
de 150 foram descritos como patógenos aos seres humanos. Analise as afir-
mações sobre os fungos.
I- São utilizados na produção de alimentos como: queijos de leite, queijo de 
soja (tofu), salames, pão, cerveja. 
II- São utilizados na produção industrial de: álcool, enzimas, ácidos, vitaminas 
B.
III- São decompositores da matéria orgânica, atividade de maior importância 
global. 
IV- São organismos procariontes unicelulares constituídos de hifas cenocíticas. 
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) São corretas as afirmativas II e III.
b) ( ) São corretas as afirmativas I e II.
c) ( ) São corretas as afirmativas I, II e III.
d) ( ) São corretas as afirmativas II, III e IV.
e) ( ) São corretas as afirmativas I, II e IV.
2 Os fungos anemófilos podem ser semelhantes ou diferentes em cada cidade 
ou região. Eles são encontrados frequentemente como componentes da mi-
crobiota transitória do ser humano e dos animais domésticos, como conta-
minantes de alimentos, deteriorantes de acervos, madeiras; em água doce e 
salgada; e são responsáveis pela contaminação de diversos materiais. 
Analise as sentenças a seguir atribuindo V para as verdadeiras e F para as 
falsas.
a) ( ) Os fungos possuem pigmentos fotossintéticos, armazenam amido e não 
possuem quitina na parede celular.
b) ( ) Os fungos são quimiorganoheterotróficos, saprófitos, simbiontes e para-
sitas de organismos.
c) ( ) A maior parte dos fungos produzem hifas que crescem formando uma 
massa filamentosa chamada micélio, que é visível a olho nu. 
d) ( ) A nutrição da maioria dos fungos ocorre através de enzimas desnatu-
rantes e ingestão de partículas alimentares.
e) ( ) A presença de ergosterol na membrana fúngica é uma característica quí-
mica importante na escolha do quimioterápico.
117
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) V, F, V, F, V.
b) ( ) F, V, V, V, F.
c) ( ) V, V, F, V, F.
d) ( ) F, F, V, F, V.
e) ( ) F, V, V, F, V.
3 O pediatra, após observar múltiplos pontos brancos na mucosa da boca de um 
recém-nascido, diagnosticou a doença como sapinho. À mãe da criança, tran-
quilizando-a, corretamente informou tratar-se de uma doença causada por: 
a) ( ) Protozoários.
b) ( ) Bactérias.
c) ( ) Vírus.
d) ( ) Fungos.
e) ( ) Algas unicelulares.
118
119
TÓPICO 3
DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS (DTAs)
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Doenças transmitidas por alimentos (DTAs) ou toxinfecção são todas as 
ocorrências clínicas manifestadas em função da ingestão de alimentos e/ou água 
que contenham agentes etiológicos biológicos, toxinas, físicos ou substâncias quí-
micas (SILVA JÚNIOR, 2014). As DTAs compreendem um vasto grupo de enfer-
midades causadas por patógenos, parasitas, contaminantes químicos e biotoxinas 
(FORSYTHE, 2013).
Os alimentos de origem animal ou vegetal, frescos ou processados, in-
cluindo a água, podem veicular diversos microrganismos patógenos, causadores 
de diversas perturbações fisiológicas nas pessoas que os consomem. 
Os alimentos que, eventualmente, estejam contaminados por microrga-
nismos causadores de doenças, ao serem ingeridos, permitem que os patógenos 
ou os seus metabolitos invadam os fluídos ou os tecidos do hospedeiro, causando 
algumas doenças graves (FORSYTHE, 2013).
As doenças de origem alimentar podem ser provocadas por diversos grupos 
de organismos, incluindo bactérias, bolores, vírus, protozoários e helmintos. Neste 
tópico, estudaremos as doenças veiculadas pelos alimentos causadas por bactérias e 
vírus e as intoxicações alimentares desencadeadas por micotoxinas e algas.
Prezado aluno, é importante conhecer os conceitos de patogenicidade e viru-
lência para entender os mecanismos pelos quais os microrganismos causam doenças. Pa-
togenicidade é a capacidade que um microrganismo possui de causar a doença. Virulência 
indica o grau de patogenicidade ou a sua magnitude e depende de cada microrganismo, 
dose infectante, produção de toxina e susceptibilidade do indivíduo (SILVA JÚNIOR, 2014).
IMPORTANT
E
120
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
2 TOXINFECÇÃO ALIMENTAR
De acordo com Silva Júnior (2014), os microrganismos podem causar do-
enças através de três mecanismos: agressividade, toxidade e hipersensibilidade, 
sendo que os dois primeiros mecanismos são os principais responsáveis por cau-
sar DTAs.
a) Agressividade – é a capacidade dos microrganismos de penetrarem nos tecidos e 
se multiplicarem, provocando sintomas típicosde infecção, como inflamação, dor, 
febre, rubor e formação de pus.
b) Toxicidade – é a capacidade de causar doenças pela ação de produtos metabólicos 
produzidos pelo metabolismo microbiano ou de liberação de toxinas ou de suas 
estruturas no organismo humano. 
c) Hipersensibilidade – é a capacidade dos microrganismos que penetram o corpo 
humano pela primeira vez, em estimular o sistema imunocompetente produzindo 
as defesas humoral e celular, desencadeando destruição das próprias células hu-
manas.
Existem vários mecanismos patogênicos envolvidos com a determinação 
das DTAs podendo ser agrupadas em várias categorias.
FIGURA 17 – CATEGORIAS DAS DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS
FONTE: Adaptado de Silva Júnior (2014).
TÓPICO 3 | DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS (DTAs)
121
a) Toxinose: é a multiplicação microbiana com produção de toxina no alimento. 
Causada pela ingestão de alimentos contendo toxinas microbianas pré-forma-
das. Essas toxinas são produzidas pelos microrganismos quanto atingem con-
tagem elevada nos alimentos (FRANCO; LANDGRAF, 2005). Principais bac-
térias toxigênicas: Staphylococcus aureus, Clostridium botulinum e Bacillus cereus 
emético. O período de incubação varia de 1 a 4 horas com vômitos predomi-
nante e sem febre (SILVA JÚNIOR, 2014).
Uma das principais causas de gastrenterite é a toxinose alimentar estafilo-
cócica, causada pela ingestão de enterotoxina produzida pela bactéria Staphylococ-
cus aureus. Os seres humanos e os animais são os principais reservatórios desta bac-
téria. Essa bactéria habita a cavidade nasal e a partir das quais contamina as mãos 
e consequentemente os alimentos. Se as bactérias forem incubadas no alimento, em 
temperatura ótima de crescimento microbiano, eles reproduzem-se e liberam um 
enterotoxinas (FRANCO; LANDGRAF, 2005; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Os alimentos normalmente relacionados com a toxinose causada por Sta-
phylococcus aureus são carnes e produtos de carne, frangos e produtos de ovos, 
saladas como as de atum, galinha, batata e macarrão, produtos de panificação 
como creme, tortas de creme e bombas de chocolate, sanduíches e leite ou pro-
dutos lácteos. Os alimentos que requerem manipulação considerável durante o 
preparo e que são mantidos a temperaturas ligeiramente elevadas após o preparo 
são aqueles frequentemente envolvidos em toxinose alimentar causadas por es-
tafilococos (FRANCO; LANDGRAF, 2005; MICRORGANISMOS CAUSADORES 
DE DOENÇA DE ORIGEM ALIMENTAR, 2011).
122
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
FIGURA 18 – SEQUÊNCIA DE EVENTOS DE UMA TOXINOSE ALIMENTAR ESTAFILOCÓCICA
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 712)
b) Intoxicação química: é a ação de substâncias químicas que pode ser subdividida em:
• De origem: ingestão de substâncias tóxicas presentes naturalmente nos alimen-
tos. Exemplos: as batatas, que contém a solanina, peixes como baiacu com te-
drotoxina (SILVA JÚNIOR, 2014).
• Produzida: micotoxinas (toxinas produzidas pelos fungos), aminas biogênicas 
(produzidas por bactérias psicrotróficas) e ficotoxinas (toxinas produzidas pe-
las algas que contaminam ostras e mexilhões (SILVA JÚNIOR, 2014). 
• Adicionada: substâncias químicas e envenenamentos com agrotóxicos, pestici-
das, raticidas, metais pesados etc. (SILVA JÚNIOR, 2014). 
c) Infecção: causada pela ingestão de alimentos contendo células viáveis de microrganis-
mos patogênicos. Microrganismos aderem à mucosa do intestino delgado proliferam, 
colonizando-o, produzindo toxinas ou agressão ao epitélio. O período de incubação va-
ria de 12 a 18 horas com diarreia, náusea, cólica, mal-estar, com ou sem febre (FRANCO; 
LANDGRAF, 2005; SILVA JÚNIOR, 2014; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
TÓPICO 3 | DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS (DTAs)
123
As infeções podem ser divididas em dois grupos:
• Não invasivas (toxicidade): é causada quando ocorre a ingestão de alimento 
contendo uma determinada quantidade de microrganismos que são capazes de 
produzir ou liberar toxinas. Exemplos: Vibrio cholerae e Clostridium perfringens 
(FRANCO; LANDGRAF, 2005; JÚNIOR SILVA, 2014).
A cólera é uma das doenças mais temidas após desastres naturais. É uma 
doença diarreica que pode aumentar a sua incidência quando o saneamento e os 
sistemas modernos de tratamento de esgotos são comprometidos. Em 2010, uma epi-
demia de cólera afetou mais de 600 mil pessoas no Haiti, após ser devastado por um 
terremoto, resultando em mais de 7 mil óbitos (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
• Invasivas (agressividade): os microrganismos podem penetrar na mucosa in-
testinal e crescer ali, ou podem passar para outros órgãos sistêmicos como 
sistema nervoso central, músculos e fígado. Entre as bactérias invasivas des-
tacam-se a Salmonella, Shigella, Escherichia coli invasora, Yersinia enterocolitica, 
entre outras (FRANCO; LANDGRAF, 2005; SILVA JÚNIOR, 2014; TORTORA; 
FUNKE; CASE, 2017).
A Salmonella é um gênero da família Enterobacteriaceae. São gram-negati-
vas, anaeróbias facultativas, não formam esporos não são móveis. A temperatura 
ótima de crescimento é de aproximadamente 38 ºC e a temperatura mínima para 
o crescimento é de cerca de 5 ºC. Como não formam esporos, são relativamente 
termossensíveis, podendo ser destruídas a 60 ºC, por 15 a 20 minutos. O gênero 
Salmonella contém cerca de 2.324 linhagens diferentes, as quais são denominadas 
ainda como sorovares ou sorotipos (FRANCO; LANDGRAF, 2005; MICRORGA-
NISMOS CAUSADORES DE DOENÇA DE ORIGEM ALIMENTAR, 2011).
Os sintomas característicos de doenças de origem alimentar causadas por 
Salmonella incluem diarreia, náusea, dor abdominal, febre branda e calafrios e, al-
gumas vezes, vômitos, dor de cabeça e fraqueza. O período de incubação antes da 
doença é de cerca de 16 a 72 horas. A enfermidade é normalmente autolimitante e 
persiste durante 2 a 7 dias (FRANCO; LANDGRAF, 2005; MICRORGANISMOS 
CAUSADORES DE DOENÇA DE ORIGEM ALIMENTAR, 2011).
Uma ampla variedade de alimentos contaminados já foi envolvida em 
surtos alimentares, incluindo carne bovina crua, aves domésticas, ovos, leite e de-
rivados, peixes, camarões, fermentos, cocos, molhos e temperos para salada, mis-
turas para bolo, sobremesas recheadas e coberturas com cremes, gelatina desidra-
tada, manteiga de amendoim, cacau e chocolates. A contaminação do alimento 
ocorre devido ao controle inadequado de temperatura, de práticas de manipula-
ção ou por contaminação cruzada de alimentos crus com alimentos processados. 
O microrganismo se multiplica no alimento até atingir a dose infecciosa (FRAN-
CO; LANDGRAF, 2005; MICRORGANISMOS CAUSADORES DE DOENÇA DE 
ORIGEM ALIMENTAR, 2011).
124
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
Frequentemente ouvimos ou lemos nos meios de comunicação sobre sur-
to de doença transmitida por alimentos. Mas o que é um surto? Quantas pessoas 
precisam apresentar os sintomas clínicos para ser considerado um surto?
Surto de DTA é um episódio no qual duas ou mais pessoas apresentam, 
num determinado tempo, sinais ou sintomas após a ingestão de um mesmo ali-
mento considerado contaminado por evidência clínica-epidemiológica e/ou labo-
ratorial (SILVA JÚNIOR, 2014).
Os microrganismos patogênicos alimentares são classificados em clássi-
cos, emergentes e reemergentes de acordo com Silva Júnior (2014). A seguir, são 
apresentados importantes patógenos transmitidos através dos alimentos. 
• Clássicos: microrganismos conhecidos que continuam causando surtos como: 
Staphylococcus aureus, Bacillus cereus, Clostridium botulinum e perfringens, Salmo-
nella enteritidis, Escherichia coli etc.
• Emergentes: microrganismos que não eram reconhecidos com causadores de 
toxinfecções alimentares e que estão sendo comprovados como novos agentes 
etiológicos como: Campylobacter jejuni, Aeromonas hydrophila, Pseudomonas aeru-
ginosa, Streptococcus sp., Listeria monocytogenes etc.
• Reemergentes: microrganismos clássicos que já estavam controlados e que es-
tão causando nova incidência clínica, alguns com mais severidade, como: Mi-
cobacterium bovis e Taeniasolim Brucella abortus.
TABELA 4 – APRESENTAÇÃO CLÍNICA, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA DIARREIA CAUSADA 
POR IMPORTANTES PATÓGENOS DO SISTEMA GASTRINTESTINAL
Patógeno Apresentação 
clinica
Diagnóstico Tratamento Comentários
1.	Diarreia	não	inflamatória	aguda	(aquosa,	fezes	não	sanguinolentas;	normalmente	sem	febre)
A. Bactérias
Staphulococcus 
aureus
Vômito, dor epi-
gástrica, diarreia 
(branda)
Clínico. Alimen-
tos e fezes podem 
ser testados para 
a presença da 
toxina
Tratamento 
suporte
Normalmente 
dentro de 6 horas 
após o consumo 
de alimentos in-
fectados (produtos 
a base de carne); 
recuperação em 
1-2 dias
Bacillus cereus Vômito, dor epi-
gástrica, diarreia
Clínico. Alimen-
tos e fezes podem 
ser testados para 
a presença da 
toxina
Tratamento 
suporte
Normalmente 
dentro de 6 horas 
após o consumo 
de alimentos 
infectados (arroz 
reaquecido)
Escherichia coli 
enterotoxigênica 
(ETEC)
Ausência de 
febre, diarreia 
aquosa
Coprocultura Ciprofloxacina "Diarreia do 
viajante"
Yersinia
enterocolitica
Febre, diarreia Exame de fezes 
em meio especial
Ciprofioxacina 
(em caso de doen-
ça grave)
Provoca adenite 
mesentérica que 
pode mimetizar a 
apendicite
TÓPICO 3 | DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS (DTAs)
125
FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 726)
B. Protozoários
Entamoeba histoly-
tica
Diarreia sangui-
nolenta, febre e 
dor abdominal
A análise de fezes 
para a presença 
de ovos e parasi-
tas pode revelar 
cistos ou trofozoí-
tos; sorologia
Metronidazol ou 
tinidazol para a 
eliminação de tro-
fozoítos teciduais, 
em associação 
com um agente 
luminal, como a 
paromomicina
Também pode 
ocasionar absces-
sos hepáticos
E. coli produtora 
de toxina Shiga 
(STEC)
Diarreia san-
guinolenta, dor 
abdominal, nor-
malmente com 
ausência de febre
A cultura de fezes 
revela o cresci-
mento de bactérias
E. coli que não fer-
mentam o sorbitol.
Necessidade de 
testes específicos 
para a identifica-
ção de linhagens 
produtoras de 
toxina Shiga
Nenhum. Os an-
tibióticos podem 
elevar o risco de 
síndrome hemo-
lítico-urêmica, 
sobretudo em 
crianças
Associada à carne 
moída malcozida, 
hortifrutigranjei-
ros contaminados
Clostridium difficile Diarreia sangui-
nolenta, febre
Exame de fezes 
para a identifica-
ção de toxinas.
A colonoscopia 
pode revelar a 
existência de pla-
cas amareladas 
características.
Metronidazol oral 
(ou intrevenoso) 
ou vancomicina 
oral
Tradicionalmente 
associada ao uso 
de antimicrobia-
nos; elevação na 
frequência de 
casos adquiridos 
na comunidade, 
em pacientes sem 
fatores de risco 
tradicionais
Shigella Diarreia normal-
mente com pre-
sença de sangue 
ou pus; cólicas 
abdominais; pode 
ser febril
Coprocultura Ciprofloxacina Pode ocorrer 
disseminação 
interpessoal; seres 
humanos são os 
reservatórios 
da bactéria; não 
encontrada em 
animais
2.1 COLETA E TRANSPORTE DE AMOSTRAS DE ALIMENTOS 
PARA ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS
As análises microbiológicas de alimentos são realizadas com objetivo de 
diagnosticar um possível agente etiológico causador de um surto de DTA e para ava-
liar a qualidade higiênico sanitária dos alimentos e do processo auxiliando no moni-
toramento de medidas corretivas nos sistemas de controle de qualidade da produção 
alimentícia. 
Independentemente da finalidade das análises microbiológicas, é muito im-
portante respeitar as condições para coleta das amostras. Evitar a contaminação du-
rante a coleta; evitar a multiplicação dos microrganismos durante o armazenamento 
e transporte; coletar um número representativo de amostras (SILVA JÚNIOR, 2014).
126
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
Orientações para coleta de amostras de alimentos de acordo com Júnior Silva (2014)
• Sacos plásticos ou frascos de vidro – Utilizar saco plástico para congelamento, de-
sinfetado ou esterilizado, no tamanho mínimo de 1 litro. Utilizar frasco de vidro 
com capacidade de 200 ml esterilizado em autoclave por 15 minutos a 121 ºC ou 
desinfetados por fervura em emersão durante 15 minutos. Não utilizar desinfetan-
tes químicos (álcool, iodo, cloro etc.).
• Utensílios para coleta – utilizar os próprios utensílios da distribuição de alimentos 
desinfetados com álcool e flambados ou fervidos.
• Quantidade de amostra – coletar no mínimo 100 gramas do alimento para análise 
microbiológica e 200 gramas para análise bromatológica completa.
• Armazenamento – fechar imediatamente a embalagem e armazenar com congela-
mento a 10 ºC ou menos, no máximo 72 horas, ou refrigeração com temperatura 
não superior a 4 ºC, por no máximo 72 horas. Amostras líquidas como água, sucos 
e caldos não devem ser congeladas e precisam ser coletas em frascos esterilizados. 
O transporte para o laboratório deverá ser realizado em uma caixa isotér-
mica com gelo, com as amostras devidamente identificadas.
2.2 PRINCIPAIS FATORES QUE CONTRIBUEM PARA SURTOS 
DE DTAS
As DTAs podem ser prevenidas ou evitadas, mas é preciso que todos os 
colaboradores envolvidos na produção, distribuição, armazenamento, enfim, em 
toda a cadeia alimentar da produção ao consumidor final, estejam atentos aos 
perigos associados a cada etapa do processo. 
Para garantir a segurança do alimento, é necessário implementar o siste-
ma de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle – APPCC para todos os 
alimentos potencialmente perigosos:
a) Fatores que influenciam na contaminação por microrganismos
Ingredientes contaminados, pessoas infectadas, práticas inadequadas de 
manipulação, limpeza e desinfecção deficiente dos equipamentos, alimentos com 
origem insalubre, recipientes tóxicos, vegetais tóxicos, aditivos acidentais e inten-
cionais, saneamento deficiente (SILVA JÚNIOR, 2014).
b) Fatores que influenciam na multiplicação dos microrganismos
Preparação com excessiva antecipação, alimentos expostos em temperatu-
ra ambiente, alimentos esfriados em panelas grandes, inadequada conservação, 
descongelamento inadequado, preparação de quantidades excessiva de alimen-
tos (SILVA JÚNIOR, 2014).
TÓPICO 3 | DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS (DTAs)
127
c) Fatores que influenciam na sobrevivência dos microrganismos
Aquecimento ou cocção insuficientes e reaquecimento insuficiente (SILVA 
JÚNIOR, 2014).
Regras de ouro da Organização Mundial da Saúde com relação à prepa-
ração higiênica dos alimentos, itens considerados fundamentais para a proteção e 
preservação dos produtos alimentícios (GERMANO; GERMANO, 2011):
1. Escolher alimentos tratados de forma higiênica. 
2. Cozinhar bem os alimentos. 
3. Consumir imediatamente os alimentos cozidos. 
4. Armazenar cuidadosamente os alimentos cozidos.
 5. Reaquecer bem os alimentos cozidos. 
6. Evitar o contato entre os alimentos crus e os cozidos. 
7. Lavar as mãos constantemente. 
8. Manter escrupulosamente limpas todas as superfícies da cozinha. 
9. Manter os alimentos fora do alcance de insetos, roedores e outros animais.
10. Utilizar água pura.
3 DOENÇAS VIRAIS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS
Os vírus causam aproximadamente 60% de todas as infecções humanas 
e a prevenção e manejo das doenças virais são baseados em vacinação e medi-
camentos antivirais, que são, em geral, apenas 60% efetivos. As doenças mais 
comuns são causadas por vírus entéricos e respiratórios (BRASIL, 2013).
A doença diarreica infecciosa é uma das principais causas de mortalidade 
e morbidade em todo o mundo. Resulta da contaminação de água e alimentos ou 
é transmitida pessoa a pessoa, devido a condições precárias de higiene (SANTOS; 
ROMANOS; WIGG, 2015).
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença diarreica 
é a segunda principal causa de morte entre crianças menores de 5 anos de idade. 
Uma porção significativa desses episódios poderia ser evitada por meio de medidas 
de saneamento, higiene e tratamento de água (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015).
Em todo o mundo, 780 milhões de indivíduos não têm acesso à água potá-
vel e 2,5 bilhões não têm acesso ao saneamento básico. Trata-se de um problema 
enfrentado por diversos países e que enfatizaas diferenças entre as metas de 
gerenciamento clínico e as prioridades da saúde pública. O impacto da doença é 
maior em países em desenvolvimento e representa uma das principais causas de 
mortalidade infantil. O tratamento na forma de solução de reidratação oral (SRO) 
é simples e eficiente, contudo é subutilizado. A prevenção da mortalidade na po-
pulação está associada à melhoria em educação, saneamento básico e nutrição 
(SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015).
128
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
Antes, durante e depois de uma doença viral, os vírus são excretados em 
grandes quantidades nas secreções corporais, incluindo sangue, fezes, urina, saliva 
e fluidos nasais. 
Fômites consistem em superfícies porosas e não porosas ou objetos que po-
dem ser contaminados com microrganismos patogênicos e servir como veículos na 
transmissão de doenças. 
Os vírus transmitidos por via fecal-oral, como os rotavírus, adenovírus, no-
rovírus, astrovírus, vírus das hepatites A e E podem permanecer viáveis em super-
fícies por mais de dois meses. Foi estimado que um único episódio de vômito pode 
produzir 30 milhões de partículas virais, e durante o pico das infecções entéricas, 
mais de 1011 virions/g de fezes são excretados (BRASIL, 2013).
Os vírus são responsáveis por graves gastroenterites no mundo como as 
viroses entéricas causadas por rotavírus, adenovírus, norovírus, astrovírus, vírus 
das hepatites A e E.
3.1 ROTAVÍRUS
É um dos principais agentes da gastroenterite viral, sendo responsável por 
aproximadamente 3 milhões de casos por ano nos Estados Unidos (TORTORA; 
FUNKE; CASE, 2017) e representa de 30 a 50% das diarreias graves em países 
desenvolvidos e em desenvolvimento.
 
A circulação da rotavirose ocorre quase que, exclusivamente, no inverno, em 
países de clima temperado. Já nos países tropicais, a doença é endêmica. O rotavírus 
infecta células das microvilosidades do intestino delgado que se multiplicam no cito-
plasma, lesando mecanismos de transporte dos enterócitos. As células infectadas po-
dem descamar no lúmen do intestino, liberando muitas partículas virais nas fezes. A 
diarreia induzida por esse vírus pode ocorrer devido ao dano no sistema de transporte 
de sódio (BROOKS et al., 2015). É possível observar atrofia das vilosidades, infiltração 
de células mononucleares na lâmina própria, distensão da cisterna do retículo endo-
plasmático, aumento do tamanho celular, diminuição no número de mitocôndrias etc. 
(SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015). 
A transmissão do vírus ocorre via fecal-oral, mas devido à alta taxa de infecção 
no mundo todo, especula-se que a transmissão também pode ocorrer por via respirató-
ria. O período de incubação é de 2 a 4 dias e os sintomas mais comuns incluem diarreia, 
vômito, febre, desidratação e dor abdominal. A recuperação, geralmente, ocorre entre 7 
a 10 dias. Em recém-nascidos, a doença é geralmente assintomática, provavelmente de-
vido aos anticorpos maternos. Entretanto, a idade em que a criança é mais suscetível à 
doença grave é de 6 a 24 meses, tendo um pico de incidência aos 12 meses. Em crianças 
subnutridas, o problema é mais grave, podendo levar à desidratação grave e à morte. 
Já em adultos, em geral, a infecção é subclínica, mas surtos de rotavirose em adultos 
jovens já foram descritos (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015).
TÓPICO 3 | DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS (DTAs)
129
A profilaxia é realizada através de vacina. No Brasil, a vacina foi incorpora-
da ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) e a sua aplicação rotineira iniciou-
-se em março de 2006. A partir dessa data, o Ministério da Saúde oferece, através do 
Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina contra rotavírus ministrada em duas doses 
gratuitas: uma aos dois meses de idade e outra aos quatro meses (BRASIL, 2013).
A figura a seguir ilustra o papel de destaque do rotavírus como agente etio-
lógico de diarreia grave levando à hospitalização, em comparação com outros pa-
tógenos em países desenvolvidos e em desenvolvimento.
FIGURA 19 – AGENTES ETIOLÓGICOS DE DIARREIA GRAVE QUE REQUEREM HOSPITALIZAÇÃO
FONTE: Santos, Romanos e Wigg (2015, p. 206)
Desconhecido
Rotavírus
130
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
3.2 ADENOVÍRUS
Pode infectar e replicar-se em células epiteliais dos tratos gastrointestinal, res-
piratório, urinário e do olho (BROOKS et al., 2015). Esses vírus não apresentam enve-
lope, apresentam de 60 a 90 nm de diâmetro e simetria icosaédrica. Seu genoma é de 
DNA de fita dupla, linear e não segmentado (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015).
A transmissão do vírus pode ocorrer pelo contato com secreções oculares e 
respiratórias ou por via fecal-oral. A transmissão fecal-oral predomina em áreas com 
precárias condições de higiene, enquanto a transmissão respiratória pode ser mais 
importante em áreas mais desenvolvidas (BRASIL, 2013; BROOKS et al., 2015). 
O período de incubação é de, em média, 10 dias. Alguns vírus produzem 
infecções assintomáticas e podem seguir sendo excretados nas fezes por meses ou 
anos. A gastroenterite causada pelo adenovírus não é tão prevalente quanto a diar-
reia causada pelo rotavírus e ocorre com maior frequência em crianças com menos 
de quatro anos. Ainda, a infecção pode ocorrer em jovens e adultos. Estima-se que 3 a 
10% dos casos de gastroenterite aguda sejam causadas por adenovírus. Os sintomas 
são os mesmos da rotavirose e, além desses, mais de 20% das crianças afetadas apre-
sentam sintomas respiratórios. Em geral, a doença clínica dura até 9 dias (SANTOS; 
ROMANOS; WIGG, 2015). 
Não existe atualmente tratamento para as infecções por enterovírus, mas al-
guns testes clínicos estão sendo realizados com algumas drogas antivirais, princi-
palmente no tratamento de meningites assépticas. Uma das drogas que estão sendo 
testadas é o pleconaril que interfere com as fases iniciais da replicação de alguns en-
terovírus (BRASIL, 2013).
A vacinação contra a poliomielite foi introduzida em meados dos anos 50 e 
ocasionou uma redução drástica na incidência da doença. Existem dois tipos de vacina: 
a vacina Salk de administração intramuscular e preparada com vírus inativados e a 
vacina Sabin de administração oral, preparada com vírus atenuados (BRASIL, 2013).
3.3 ASTROVÍRUS
Os astrovírus são considerados atualmente uma causa importante de gastro-
enterite viral aguda em crianças, sendo associados entre 2 a 8% das infecções não-
-bacterianas, embora alguns estudos cheguem a relatar prevalência superior a 20% 
(BRASIL, 2013).
A infecção por astrovírus é caracterizada por uma gastroenterite aguda, com 
presença de diarreia aquosa, vômito, febre, perda de apetite e dor abdominal. A diar-
reia costuma durar de 2 a 3 dias e os demais sintomas podem durar até 4 dias. O 
período de incubação é de 3 a 4 dias (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015). 
TÓPICO 3 | DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS (DTAs)
131
Os astrovírus são transmitidos por via fecal-oral ou por água e alimentos con-
taminados, bem como pelo contato entre pessoas. Em geral, as infecções ocorrem 
mais no inverno ou na estação de chuvas (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015).
O astrovírus é um agente infeccioso cosmopolita que acomete principal-
mente crianças jovens. No entanto, casos de diarreia envolvendo idosos, adultos 
saudáveis e pessoas imunocomprometidas já foram descritos. A infecção pode ser 
identificada em casos de gastroenterites esporádicas, bem como durante surtos no-
socomiais, em escolas, lares para idosos e creches (BRASIL, 2013).
A interrupção da transmissão é o fator essencial para que a infecção pelo 
vírus não ocorra, especialmente em hospitais e outras instituições. Essa interrupção 
pode ser feita através da adoção de medidas padrão de precaução e hábitos higiêni-
cos comuns, como lavar as mãos e manter o ambiente o mais limpo possível, além 
da adoção de medidas de saneamento básico. Não existe vacina (BRASIL, 2013).
Para mais informações sobre as viroses, consulte o livro: SANTOS, N. S. de 
O.; ROMANOS, M. V.; WIGG, M. D. Virologia humana. 3. ed. Rio de Janeiro: GuanabaraKoogan, 2015. Disponível na Biblioteca Virtual - Minha Biblioteca.
DICAS
4 MICOTOXINAS
Os fungos são indesejáveis nos alimentos porque são capazes de produ-
zir uma grande variedade de enzimas que provocam vários tipos de deterioração. 
Além disso, alguns gêneros de fungos filamentosos podem produzir metabólicos 
tóxicos quando estão se multiplicando nos alimentos. Esses metabólicos são deno-
minados como micotoxinas e correspondem a produtos metabólicos secundários 
que quando ingeridos causam efeitos prejudiciais à saúde dos seres humanos e dos 
animais (FRANCO; LANDGRAF, 2005).
As micotoxicoses mais conhecidas ocorreram após a ingestão de cogumelos 
do gênero Amanita. A toxicidade da amanitina é baseada em sua capacidade de 
inibir a RNA-polimerase celular, inibindo a síntese do mRNA. Outra micotoxicose: 
ergotismo é causada pelo fungo filamentoso Claviceps purpurea o qual infecta grãos 
e produz alcaloides (ex.: ergotamina e dietilamida do ácido lisérgico - LSD) e cau-
sam fortes efeitos vasculares e neurológicos (LEVINSON, 2016).
132
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
A ingestão de alimentos contaminados tem sido um problema crescente 
em pessoas que utilizam cereais e farináceos. Um exemplo de substância tóxica 
é a aflatoxina do Aspergillus flavus, que é carcinogênica e tem estado presente em 
hepatomas (câncer no fígado). A seguir, são apresentadas as principais micotoxi-
nas e os principais riscos quando são ingeridas.
Muitos gêneros fúngicos produzem diferentes tipos de micotoxinas em 
alimentos, no entanto, os gêneros Aspergillus sp., Penicillium sp. e Fusarium sp. 
destacam-se contaminando os alimentos durante as diferentes etapas de produ-
ção e processamento do alimento (HERMANNS et al., 2006).
TABELA 5 – PRINCIPAIS MICOTOXINAS E RESPECTIVOS FUNGOS PRODUTORES, SUBSTRATOS 
E EFEITOS NO SER HUMANO E NOS ANIMAIS
FONTE: Mezzari e Fuentefria (2012, p. 10)
Principais substratos Principais fungos produtores Toxina Efeitos
Amendoim e milho Aspergillus flavus e 
Aspergillus parasiticus
Aflatoxina B1 Hepatotóxico, 
nefrotóxico, e 
carcinogênico
Trigo, aveia, cevada, 
milho e arroz
Penicillium citrinum Citrinina Nefrotóxico
Milho Fusarium verticillioides Fumonisinas Indução ao 
câncer de esôfago
Cevada e café Aspergillus ochraceus e 
Aspergillus carbonarius
Ocratoxina Hepatotóxico, 
nefrotóxico e 
carcinogênio
Frutas Penicillium expansum e 
Penicillium griseofulvum
Patulina Hepatotóxico
Milho, cevada, aveia, 
trigo e centeio
Fusarium sp., Myrothecium 
sp., Stachybotrys sp. e 
Trichothecium sp.
Tricotecenos: T2, 
fusanona, nivalenol, 
estaquibotrioxina 
e desoxinivalenol 
(DON)
Hepatotóxico, 
nefrotóxico e 
carcinogênico
Cereais em geral Fusarium graminearum Zearalenona Estrogênicos, 
indução ao 
aborto e 
teratogênese
Mesmo que a verdadeira toxicidade de muitas micotoxinas ainda não te-
nha sido demonstrada para humanos, o efeito desses compostos em ani-
mais de laboratório e em ensaios in vitro deixa poucas dúvidas a respeito 
de sua toxicidade potencial. No mínimo 14 micotoxinas são carcinogêni-
cas, sendo as aflatoxinas as mais potentes (MICOTOXINAS, 2009, p. 34).
As micotoxinas ocorrem e exercem seus efeitos tóxicos em quantidades 
extremamente pequenas nos alimentos. Por isso, a sua identificação e avaliação 
quantitativa geralmente requer amostragem sofisticada, preparação de amostras, 
extração e técnicas de análise (MICOTOXINAS, 2009).
TÓPICO 3 | DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS (DTAs)
133
Vários governos já estabeleceram os limites regulamentares para micoto-
xina em alimentos e rações animais, para venda ou importação. Para a aflatoxina 
as diretrizes estabelecem uma faixa de 4 a 50µg/ kg (MICOTOXINAS, 2009).
Quanto à prevenção e controle das micotoxinas, deve-se levar em con-
sideração que os fungos não podem crescer (ou micotoxinas serem pro-
duzidas) em alimentos devidamente secos. Por isso, a secagem eficiente 
dos produtos e a sua conservação sem umidade é a medida eficaz contra 
o crescimento de fungos e a produção de micotoxinas. Para reduzir ou 
prevenir a produção da maioria das micotoxinas, o processo de secagem 
deve ser feito logo após a colheita e o mais rápido possível. A quantida-
de crítica de água para o armazenamento seguro corresponde a ativida-
de da água (aw) de aproximadamente 0,7. A manutenção de alimentos 
abaixo de 0,7 aw é uma técnica eficaz usada mundialmente para con-
trolar estragos provocados por fungos e produção de micotoxinas em 
alimentos (MICOTOXINAS, 2009, p. 40).
 É possível controlar o crescimento de fungos em produtos armazenados 
através do controle ambiental ou uso de preservativos ou inibidores naturais (MI-
COTOXINAS, 2009).
5 FICOTOXINAS
O consumo de pescado contaminado pode provocar sintomas/efeitos di-
versos nos consumidores. Alguns desses sintomas estão relacionados aos dife-
rentes grupos de compostos produzidos por microalgas presentes normalmente 
no ambiente aquático e que são chamadas de ficotoxinas. Entretanto, a maioria 
dos problemas relacionados ao consumo de pescado contaminado por ficotoxi-
nas ocorre durante eventos de florações de microalgas que são capazes de pro-
duzir esses compostos tóxicos. Por isso são chamadas de microalgas nocivas 
(SCHRAMM; PROENÇA, 2011).
As florações de algas nocivas são fenômenos naturais em que ocorre ele-
vada produção de biomassa fitoplanctônica com a possibilidade de afetar o am-
biente aquático ou a saúde dos humanos que consomem produtos originários de 
áreas afetadas pelas florações. Esses fenômenos podem ocorrer em oceano aberto, 
em águas costeiras e em baías abrigadas em função de diferentes fatores físico-
-químicos e oceanográficos, que influenciam a atividade fisiológica dos organis-
mos aquáticos, especialmente das microalgas (SCHRAMM; PROENÇA, 2011).
As florações de algas nocivas em ambientes marinhos são caracterizadas 
pelo rápido e intenso crescimento de uma ou mais espécies de microalgas devido 
a condições favoráveis do ambiente, normalmente produzindo efeitos negativos 
ao ecossistema ou à saúde humana, fenômeno popularmente conhecido como 
“maré vermelha”. Estima-se que, pelo menos, 400 espécies de microalgas apre-
sentem algum tipo de nocividade (HALLEGRAEFF, 2003).
134
UNIDADE 2 | VIROLOGIA/MICOLOGIA
Atualmente, tem sido reconhecido o aumento progressivo na frequência, 
além da dispersão das florações de algas em diferentes regiões costeiras do mundo, 
áreas que são utilizadas para captura e cultivo de diferentes tipos de pescado. Além 
disso, muitas instituições de pesquisa apontam para o aumento da ocorrência de flo-
rações nos próximos anos, em função de diferentes fatores (HALLEGRAEFF, 2003).
Hallegraeff (2003) sugere algumas causas para o aumento, como: (i) aumento 
na utilização de áreas costeiras para a maricultura e exposição dos consumidores aos 
produtos contaminados, (ii) aumento do número de pesquisas levando a maior cons-
cientização sobre o assunto, (iii) alterações climáticas globais, especialmente aquelas 
associadas à elevação da temperatura da água, (iv) invasão de organismos pela trans-
ferência em águas de lastro e casco de navios e (v) aumento da poluição das águas 
por dejetos orgânicos e compostos nitrogenados e fosfatados, favorecendo o cresci-
mento de microalgas.
O pescado frequentemente associado com as intoxicações por ficotoxinas são 
os moluscos ou peixes que se alimentam de microalgas, desde que fiquem em conta-
to com a floração nociva o tempo suficiente para acumular as toxinas no organismo. 
Por isso, quando ocorre uma floração nociva e o pescado é mantido em áreas de 
cultivo sem a possibilidade de mudar de local, o processo de contaminação pode ser 
rápido e o produto ficar impróprio ao consumo. Outros grupos de pescado, como 
crustáceos, moluscos raspadores e peixes detritívoros também podem acumular to-
xinas quando se alimentam da biomassa que acumula sobre o leito marinho ou sobre 
outros organismos (SCHRAMM; PROENÇA, 2011).
Moluscos bivalves, como ostras e berbigões, são organismos filtradorese 
utilizam o material particulado em suspensão na água como alimento. Por serem 
cultivados normalmente em baías e enseadas, esses moluscos produzidos para ali-
mentação humana podem acumular diversos resíduos e contaminantes presentes no 
ambiente, entre eles o fitoplâncton e suas toxinas (SCHRAMM; PROENÇA, 2011).
Além de toxinas marinhas, a ocorrência em sistemas estuarinos de florações 
de cianobactérias produtoras de hepatotoxinas também pode ocorrer, porém, com 
probabilidade mais baixa, entretanto, já foi detectada a presença de microcistina na 
carne de mexilhão dourado em água doce (SCHRAMM; PROENÇA, 2011).
Os sintomas são diversos e dependem da natureza química e do mecanismo 
de ação da toxina. Podem ser sintomas considerados leves, como diarreias, dores de 
cabeça e cólicas abdominais, mas algumas toxinas podem provocar sintomas graves, 
provocando parada cardiorrespiratória e a morte do indivíduo (SCHRAMM; PRO-
ENÇA, 2011).
As intoxicações em humanos podem ocorrer por exposição ao aerossol, inala-
ção ou ingestão, sendo as toxinas mais importantes aquelas produzidas por algumas 
espécies de dinoflagelados e diatomáceas (SCHRAMM; PROENÇA, 2011).
TÓPICO 3 | DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS (DTAs)
135
O acúmulo de ficotoxinas nos tecidos de organismos marinhos, principal-
mente em moluscos, é bem conhecido e considerado como importante problema 
na aquicultura. Sabe-se, por exemplo, que durante a floração nociva, as ficotoxinas 
acumulam no tecido dos moluscos, entretanto, uma vez que a floração termina, as 
ficotoxinas podem ser depuradas naturalmente e removidas do tecido dos molus-
cos após alguns dias ou semanas, dependendo do grupo de ficotoxinas e da sua 
concentração (SCHRAMM; PROENÇA, 2011).
São reconhecidas diferentes síndromes, conforme a etiologia e os sintomas 
característicos da intoxicação. As mais conhecidas são: a síndrome amnésica, pro-
vocada pela intoxicação por ácido domoico; a síndrome paralisante relacionada 
ao consumo de moluscos contaminados por toxinas do grupo da saxitoxina; e a 
síndrome diarreica, que tem o ácido okadáico e congêneres como principais causa-
dores. Já para as intoxicações provocadas pelo consumo de peixes contaminados 
por ficotoxinas, a síndrome mais conhecida é a ciguatera (TOYOFUKU, 2006).
Em função de suas estruturas e características químicas, as ficotoxinas são 
classificadas em: grupo dos azaspirácidos (AZA), grupo das iminas cíclicas, grupo 
do ácido domoico (DA), grupo do ácido okadáico (OA), grupo das brevetoxinas 
(BTX), grupo das pectenotoxinas (PTX), grupo da saxitoxina (STX), grupo da yes-
sotoxina (YTX) e grupo da ciguatoxina (CTX) (TOYOFUKU, 2006).
136
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• As doenças transmitidas por alimentos podem ser categorizadas em: toxinose, 
intoxicação química, infecção e infestação.
• A toxinose alimentar estafilocócica é causada pela ingestão de uma enterotoxi-
na produzida em alimentos armazenados de modo incorreto.
• S. aureus é inoculado nos alimentos durante o preparo. As bactérias crescem e 
produzem enterotoxina no alimento armazenado em temperatura ambiente. 
• Os principais vírus transmitidos por via fecal-oral são os rotavírus, adenovírus, 
norovírus, astrovírus, vírus das hepatites A e E.
• Higienização e/ou cozimento dos alimentos, saneamento básico são as princi-
pais formas de controle de viroses de origem alimentar.
• Micotoxinas são toxinas geradas no metabolismo secundárias de alguns gêne-
ros de fungos filamentosos.
• Ingestão de alimentos contaminados com Aspergillus flavus causa câncer no fí-
gado devido à presença de aflatoxinas.
• O controle do crescimento de bolores filamentoso nos alimentos pode ser rea-
lizado principalmente através do controle de umidade, no entanto, os demais 
fatores extrínsecos como temperatura e atmosfera gasosa também são reco-
mendados.
 
• O consumo de pescado contaminado pode provocar sintomas, efeitos diversos 
nos consumidores. Alguns desses sintomas estão relacionados aos diferentes 
grupos de compostos produzidos por microalgas presentes normalmente no 
ambiente aquático e que são chamadas de ficotoxinas.
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando em facilitar tua compreensão. Acesse o QR Code, que te levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para teu estudo.
CHAMADACHAMADA
137
1 Um grupo de amigos reuniu-se para realizar um churrasco que incluía sa-
lada de batatas, cerveja, carne de gado e frango. Na manhã seguinte, cinco 
pessoas tiveram sintomas típicos de uma Doença Transmitida por Alimen-
to-DTA. Foram isolados das fezes cocos Gram-positivos. Provavelmente, o 
problema ocorreu devido à falha na manipulação dos alimentos. 
Assinale a alternativa que apresenta o provável causador da doença:
a) ( ) Staphylococcus aureus. 
b) ( ) Enterobacter spp.
c) ( ) Salmonella spp.
d) ( ) Escherichia coli.
e) ( ) Streptococcus pneumoniae.
2 Os vírus causam aproximadamente 60% de todas as infecções humanas e 
a prevenção e manejo das doenças virais são baseados em vacinação e me-
dicamentos antivirais, que são, em geral, apenas 60% efetivos. As doenças 
mais comuns são causadas por vírus entéricos e respiratórios. 
Analise as afirmações sobre doenças virais.
I- As doenças virais humanas causadas pelo consumo de água e alimentos são 
relativamente poucas, merecendo destaque a hepatite A, sarampo, rubéola 
e caxumba.
II- Tão importante quando a preparação dos alimentos ser focada na higie-
ne dos procedimentos é a manutenção do binômio tempo/temperatura nos 
processos.
III- É sabido que os vírus podem ser transmitidos através do contato com as 
mãos, fezes, águas contaminadas e alimentos crus e que não se multiplicam 
nos alimentos, assim, conclui-se que quantidades muito reduzidas consti-
tuem risco à saúde.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) É correta apenas a afirmativa I.
b) ( ) É correta apenas a afirmativa II.
c) ( ) É correta apenas a afirmativa III.
d) ( ) São corretas as afirmativas II e III.
e) ( ) São corretas as afirmativas I, II e III.
3 A história das micotoxinas começa em 1960, quando um surto de mortes 
inexplicáveis de aves no Reino Unido (especialmente perus) é investigado. 
O surto ficou mundialmente conhecido como 'turkey X disease'. Chega-se à 
conclusão que o problema estava na ração, que havia sido feita com amen-
doim importado da África e do Brasil. Assinale V para as alternativas corre-
tas sobre micotoxinas e F para as alternativas falsas. 
AUTOATIVIDADE
138
a) ( ) As micotoxinas são produzidas por fungos (bolores) que se desenvol-
vem sobre os alimentos quando as condições de umidade do produto, umi-
dade relativa do ar e temperatura ambiente são favoráveis, podem intoxicar 
seres humanos e animais. 
b) ( ) Uma única espécie de fungo pode produzir inúmeros tipos de micotoxi-
nas, mas se houver um cozimento adequado dos alimentos esses podem ser 
ingeridos sem causar intoxicação.
c) ( ) A aflatoxina é extremamente tóxica e cancerígena, além de apresentar 
potencial imunossupressor.
d) ( ) No ser humano o processo de intoxicação por micotoxinas pode dar-se 
de forma gradual e seus efeitos podem levar anos para manifestar-se.
e) ( ) Entre os alimentos afetados com as micotoxinas podemos citar os cere-
ais, castanhas, amendoim, leite, sucos, carne e cerveja. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) F, F, V, F, F.
b) ( ) F, V, V, V, F.
c) ( ) V, V, F, V, V.
d) ( ) V, F, V, F, F.
e) ( ) V, F, V, V, V.
139
UNIDADE 3
PARASITOLOGIA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• descrever os aspectos gerais dos parasitos;
• distinguir os protozoários, helmintos e artrópodes causadores de parasi-
toses em humanos; 
• conhecer as principais doenças parasitárias veiculadas através dos ali-
mentos;
• classificar uma determinada infecção parasitária como doença protozoó-
tica ou helmíntica;
• conhecer as principais doenças causadas por artrópodes;• correlacionar uma determinada infecção parasitária com suas principais 
características, agente etiológico, reservatório (s), modo (s) de transmissão 
e profilaxia.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – PROTOZOÁRIOS
TÓPICO 2 – HELMINTOS
TÓPICO 3 – ARTRÓPODES
Preparado para ampliar teus conhecimentos? Respire e vamos em 
frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverás 
melhor as informações.
CHAMADACHAMADA
140
141
TÓPICO 1
PROTOZOÁRIOS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
A parasitologia é definida como o estudo dos parasitos, seres vivos que 
vivem em dependência metabólica com os seus hospedeiros, causando-lhes al-
gum tipo de dano. No entanto, seria mais adequado definir a parasitologia como 
o estudo de um tipo particular de associação entre seres vivos, conhecido como 
parasitismo, em que alguns organismos podem estar engajados de modo ocasio-
nal ou permanente (FERREIRA, 2017). Dessa forma, o objeto de estudo da para-
sitologia não é, portanto, um conjunto de organismos convencionalmente defini-
dos como parasitos, mas sim, um tipo específico de associação entre seres vivos 
conhecidos como parasitismo (FERREIRA, 2017).
Embora a parasitologia (estudo dos parasitos) seja considerada um ramo 
da microbiologia, nem todos os organismos estudados em parasitologia são mi-
crorganismos. De fato, das três categorias de organismos (protozoários, helmin-
tos e artrópodes parasitos) que são estudadas em um curso de parasitologia, so-
mente a categoria dos protozoários contém microrganismos. Assim, neste tópico, 
estudaremos os protozoários parasitos. 
2 DEFINIÇÕES DE PARASITOLOGIA
Antes de iniciarmos os estudos dos protozoários, é importante conhecer 
algumas definições de termos utilizados na área da parasitologia. Para entender 
o parasitismo, é necessário o conhecimento das diferentes formas de associação 
entre os seres vivos.
Parasitismo é a relação simbiótica benéfica para uma das partes ou sim-
biontes (o parasito) à custa da outra parte (hospedeiro). Embora muitos parasitos 
causem doenças, alguns não o fazem. Mesmo se o parasito não estiver causando 
doença, ele está privando o hospedeiro de nutrientes. As relações parasitárias são 
sempre consideradas prejudiciais ao hospedeiro.
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
142
Simbiose significa, literalmente, viver junto. Engloba um conjunto de as-
sociações duradouras entre seres vivos que podem ser benéficas para ambos ou 
para somente um dos organismos envolvidos.
Mutualismo é a associação benéfica para ambos os parceiros e o comen-
salismo é aquela em que somente um dos parceiros obtém benefício, sem que o 
outro seja propriamente prejudicado.
Prevalência é o termo geral utilizado para caracterizar o número total de 
casos de uma doença ou qualquer outra ocorrência numa população e tempo defi-
nidos (casos antigos somados aos casos novos). Ex.: no Brasil (população definida), 
a prevalência da esquistossomose foi de 8 milhões de pessoas em 1992. 
Gameta é a forma sexuada. O gameta masculino é o microgameta e o femi-
nino é o macrogamenta.
Tipos de parasitos
Parasitos que vivem na superfície do corpo do hospedeiro são chamados 
de ectoparasitas e os que vivem no interior do hospedeiro são chamados de en-
doparasitas. Artrópodes, tais como ácaros, carrapatos e piolhos, são exemplos de 
ectoparasitas. Protozoários e helmintos são exemplos de endoparasitas.
• Parasito Acidental “é o que parasita outro hospedeiro que não o seu 
habitual. Exemplo: Dipylidium caninum parasitando uma criança” (NEVES, 
2011, p. 4). 
• Parasito Errático “é o que vive fora do seu hábitat normal” (NEVES, 2011, p. 4). 
• Parasito Estenoxênico “é o que parasita espécies de vertebrados muito 
próximas. Exemplo: algumas espécies de Plasmodium só parasitam 
primatas; outras, só aves etc.” (NEVES, 2011, p. 4). 
• Parasito Eurixeno “é o que parasita espécies de vertebrados muito 
diferentes. Exemplo: o Toxoplasma gondii que pode parasitar todos os 
mamíferos e até aves” (NEVES, 2011, p. 4).
• Parasito Facultativo “é o que pode viver parasitando, ou não, um 
hospedeiro (nesse último caso, isto é, quando não está parasitando é 
chamado de vida livre). Exemplo: larvas de moscas Sarcophagidae, que 
podem desenvolver-se em feridas necrosadas ou em matéria orgânica 
(esterco) em decomposição” (NEVES, 2011, p. 4). 
• Parasito Heterogenético “é o que apresenta alternância de gerações. 
Exemplo: Plasmodium com ciclo assexuado no mamífero e sexuado no 
mosquito” (NEVES, 2011, p. 4). 
• Parasito Heteroxênico “é o que possui hospedeiro definitivo e intermediário. 
Exemplos: Trypanosoma cruzi e S. mansoni” (NEVES, 2011, p. 4). 
• Parasito Monoxênico “é o que possui apenas o hospedeiro definitivo. 
Exemplos: Enterobius vermicularis e Ascaris lumbricoides” (NEVES, 2011, p. 4). 
• Parasito Monogenético “é o que não apresenta alternância de gerações 
TÓPICO 1 | PROTOZOÁRIOS
143
(isto é, possui um só tipo de reprodução sexuada ou assexuada). Exemplos: 
Ascaris lumbricoides, Ancylostomatidae e Entamoeba histolytica” (NEVES, 
2011, p. 4).
• Parasito Obrigatório “é aquele incapaz de viver fora do hospedeiro. 
Exemplo: Toxoplasma gondii, Plasmodium, Schistosoma mansoni etc.” 
(NEVES, 2011, p. 4). 
Ação dos parasitos sobre o hospedeiro (NEVES, 2011)
• Mecânica: é uma ação exercida pela presença do parasito em determinado 
órgão, podendo ser uma ação obstrutiva ou destrutiva durante sua migra-
ção. Assim, o enovelamento de A. lumbricoides dentro de uma alça intestinal, 
obstruindo-a. 
• Espoliativa: é quando o parasito retira nutrientes do hospedeiro. Ex.: a compe-
tição alimentar que existe entre o Ascaris lumbricoides, as tênias e o hospedeiro. 
• Traumática: é quando o parasito promove traumas no hospedeiro, tanto na 
forma adulta (por exemplo, a fixação dos ancilostomídeos na mucosa duode-
nal) como na fase larvária (a migração de larvas de helmintos no fígado ou 
nos pulmões). 
• Tóxica: é quando produtos do metabolismo do parasito são tóxicos para o hos-
pedeiro. Ex.: a formação de granulomas pelos ovos de Schistosoma mansoni.
• Irritativa: deve-se a presença constante do parasito que, sem produzir 
lesões traumáticas, irrita o local parasitado. Ex.: a ação das ventosas dos 
Cestoda ou dos lábios do Ascaris lumbricoides na mucosa intestinal.
Tipos de hospedeiros
• Hospedeiro	definitivo é aquele em que transcorre a maior parte do ciclo de vida 
do parasito, e que geralmente alberga as formas adultas do parasito que se re-
produzem sexualmente.
• Hospedeiro intermediário seria aquele em que se passa uma fase curta, porém, 
essencial do ciclo do parasito, incluindo uma ou mais etapas de reprodução as-
sexuada; geralmente é o hospedeiro que alberga as formas larvárias do parasito.
• Imunogênica: é quando partículas antigênicas de parasitos sensibilizam teci-
dos do hospedeiro, aumentando a resposta imunitária, a qual agrava a parasi-
tose. Ex.: a malária, doença de chagas, leishmanioses.
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
144
• Inflamatória: ocorre quando o próprio parasito ou o produto de seu metabolis-
mo estimula o afluxo de células inflamatórias locais. Ex.: a formação de granu-
lomas em torno de ovos de Schistosoma mansoni.
Doenças
• Enzimática: é o que ocorre na penetração da pele por cercárias de Schistosoma 
mansoni ou a penetração de trofozoítos de Entamoeba histolytica na mucosa do 
intestino grosso. 
• Anóxia: pode ser considerado quando ocorre grande consumo de oxigênio 
pelo parasito nas hemácias, podendo provocar anóxia generalizada. Ex.: o 
parasitismo de hemácias pelos plasmódios.
• Partenogênese: se refere quanto ao “desenvolvimento de um ovo sem in-
terferência de espermatozoide (parthenos = virgem, mais genesis = geração). 
Ex.: Strongvloides stercoralis” (NEVES, 2011, p. 5).
• Vetor: “um artrópode, molusco ou outro veículo que transmite o parasito 
entre dois hospedeiros” (NEVES, 2011, p. 5). 
• VetorBiológico: “é quando o parasito se multiplica ou se desenvolve no ve-
tor. Exemplos: o Trypanosoma cruzi, no Treponema infestam; o Schistosoma man-
soni, no Biomphalaria glabrata” (NEVES, 2011, p. 5). 
• Vetor Mecânico: “é quanto o parasito não se multiplica nem se desenvolve 
no vetor, este simplesmente serve de transporte. Ex.: Tunga penetrans veicu-
lando mecanicamente esporos de fungo” (NEVES, 2011, p. 5). 
• Fômite: “é representado por utensílios que podem veicular o parasito entre hos-
pedeiros. Por exemplo: roupas, seringas, espéculos etc.” (NEVES, 2011, p. 4).
• Anfixenose	 é considerada uma “doença que circula indiferentemente 
entre humanos e animais, isto é, tanto os humanos quanto os animais 
funcionam como hospedeiros do agente. Exemplo: doença de Chagas” 
(NEVES, 2011, p. 3).
• Antroponose se caracteriza como uma “doença exclusivamente humana. 
Por exemplo, a filariose bancrofiiana, a necatorose, a gripe etc.” (NEVES, 
2011, p. 3). 
• Antropozoonose é uma “doença primária de animais que pode ser 
transmitida aos humanos. Exemplo: brucelose, na qual o homem é um 
hospedeiro acidental” (NEVES, 2011, p. 3). 
• Zooantroponose se refere a uma “doença primária dos humanos que pode 
ser transmitida aos animais. Ex.: a esquistossomose no Brasil. O humano é 
o principal hospedeiro” (NEVES, 2011, p. 5). 
• Zoonose se refere a “doenças e infecções que são naturalmente 
transmitidas entre animais vertebrados e os humanos. Atualmente, são 
conhecidas cerca de 100 zoonoses. Ex.: doença de Chagas, toxoplasmose, 
raiva, brucelose” (NEVES, 2011, p. 5). 
TÓPICO 1 | PROTOZOÁRIOS
145
Conceitos em epidemiologia
Dinâmica da distribuição das doenças na população
• Enzoose é considerado uma “doença exclusivamente de animais. Por 
exemplo, a peste suína, o Dioctophime renale, parasitando rim de cão e lobo 
etc.” (NEVES, 2011, p. 3). 
• Incidência: “é a frequência com que uma doença ou fato ocorre num perí-
odo de tempo definido e com relação à população (casos novos, apenas)” 
(NEVES, 2011, p. 4). 
• Prevalência: é o termo geral utilizado para caracterizar o número total 
de casos de uma doença ou qualquer outra ocorrência numa população e 
tempos definidos (casos antigos somados aos novos) (NEVES, 2011). 
• Letalidade: “expressa o número de óbitos com relação a determinada do-
ença ou fato e com relação à população. Por ex.: 100% das pessoas não 
vacinadas quando atingidas pelo vírus rábico, morrem. A letalidade na 
gripe é muito baixa” (NEVES, 2011, p. 4). 
• Morbidade: “expressa o número de pessoas doentes com relação à popu-
lação. Exemplo: na época do inverno, a morbidade da gripe é alta, isto é, o 
número de pessoas doentes (incidência) é grande” (NEVES, 2011, p. 4). 
• Mortalidade: “determina o número geral de óbitos em determinado pe-
ríodo de tempo e com relação à população. Exemplo: em Belo Horizonte 
morreram 1.032 pessoas no mês de outubro de 2004 (acidentes, doenças 
etc.)” (NEVES, 2011, p. 4).
• Endemia: “é a prevalência usual de determinada doença com relação à 
área”. As doenças parasitárias, em sua grande maioria, se manifestam 
desta forma (NEVES, 2011, p. 3).
• Epidemia ou surto epidêmico: “é a ocorrência, numa coletividade ou re-
gião, de casos que ultrapassam nitidamente a incidência normalmente es-
perada de uma doença e derivada de uma fonte comum de infecção ou 
propagação” (NEVES, 2011, p. 3).
• Pandemia: “são epidemias que ocorrem ao mesmo tempo em vários paí-
ses”. Ex.: AIDS, peste bubônica (NEVES, 2011, p. 18).
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
146
• Infecção: é a “penetração e desenvolvimento, ou multiplicação, de um 
agente infeccioso” no ser humano ou animal (NEVES, 2011, p. 4).
• Infestação: “é o alojamento, desenvolvimento e reprodução de artrópodes 
na superfície do corpo ou vestes” (NEVES, 2011, p. 4).
• Patogenia ou Patogênese: “é o mecanismo com que um agente infeccioso 
provoca lesões no hospedeiro. Ex.: o Schistosoma mansoni provoca lesões no 
organismo através de ovos, formando granulomas” (NEVES, 2011, p. 5).
• Patogenicidade: “é a habilidade de um agente infeccioso provocar lesões. 
Ex.: Leishmania braziliensi tem uma patogenicidade alta; Taenia saginata tem 
patogenicidade baixa” (NEVES, 2011, p. 5).
• Virulência: “é a severidade e rapidez com que um agente infeccioso provo-
ca lesões no hospedeiro” (NEVES, 2011, p. 5).
Outros conceitos
3 CARACTERIZAÇÃO GERAL
O grupo dos protozoários é constituído por mais de 60.000 espécies conhe-
cidas, das quais 50% são fósseis e o restante ainda vivem até hoje. Destes, aproxima-
damente 10.000 espécies são parasitas dos mais variados animais e apenas algumas 
dezenas de espécies infectam o ser humano, um número relativamente pequeno, 
no entanto, provocam um impacto significativo na saúde e na economia. A malária, 
por exemplo, é a quarta causa principal de morte de crianças na África (NEVES, 
2011; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Os protozoários são divididos em sete filos: Sarcomastigophora, Apicom-
plexa, Ciliophora, Microspora, Labyrinthomorpha, Ascetospora e Myxospora. Des-
tes, apenas os quatro primeiros têm interesse em parasitologia humana e serão aqui 
estudados (NEVES, 2011).
TÓPICO 1 | PROTOZOÁRIOS
147
FIGURA 1 – CLASSIFICAÇÃO DE PROTOZOÁRIOS DE IMPORTÂNCIA MÉDICA
FONTE: Neves (2011, p. 35)
Os protozoários são organismos eucarióticos unicelulares que apresen-
tam muitas variações da estrutura celular, processos de alimentação, locomoção 
e reprodução. Apesar de apresentar apenas uma célula, realiza todos os processos 
para sua sobrevivência como: alimentação, respiração, reprodução, excreção e lo-
comoção através de uma organela própria. 
3.1 PRINCIPAIS ORGANELAS E ESTRUTURAS
Como organelas e estruturas, podemos citar:
• Núcleo: “alguns protozoários têm apenas um núcleo, outros têm dois ou mais 
núcleos semelhantes. Os ciliados possuem dois tipos de núcleo - macronúcleo 
(vegetativo e relacionado com a síntese de RNA e DNA) e micronúcleo (envolvi-
do na reprodução sexuada e assexuada)” (NEVES, 2011, p. 33).
• Aparelho de Golgi: “síntese de carboidratos e condensação da secreção protei-
ca” (NEVES, 2011, p. 33).
• Retículo endoplasmático: “liso - síntese de esteroides e granuloso - síntese de 
proteínas” (NEVES, 2011, p. 33).
• Mitocôndria: produção de energia ausente em alguns grupos de espécies.
• Lisossoma: “permite a digestão intracelular de partículas” (NEVES, 2011, p. 33). 
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
148
• Microtúbulos: “formam o citoesqueleto. Participam dos movimentos celulares 
(contração e distensão) e na composição de flagelos e cílios” (NEVES, 2011, p. 33).
• Flagelos, cílios e pseudópodos: “locomoção e nutrição” (NEVES, 2011, p. 33).
• Corpo basal: “base de inserção de cílios e flagelos” (NEVES, 2011, p. 33).
• Axonema: “eixo do flagelo” (NEVES, 2011, p. 33).
• Citóstoma: “permite ingestão de partículas” (NEVES, 2011, p. 33).
Morfologia: “os protozoários apresentam grandes variações, conforme sua 
fase evolutiva e o meio em que estejam adaptados. Podem ser esféricos, ovais ou alon-
gados. Alguns são revestidos de cílios, outros possuem flagelos e existem ainda os que 
não possuem nenhuma organela locomotora especializada” (NEVES, 2011, p. 33). 
“A movimentação dos protozoários é feita com auxílio de uma ou associação 
de duas ou mais das seguintes organelas”, conforme mostra a figura a seguir (NEVES, 
2011, p. 34).
a) Ciliados: que se locomovem mediante o batimento de cílios.
b) Flagelados: que se movimentam por meio de flagelos, estruturas mais adapta-
das para a natação.
c) Rizópodos: que se rastejam com movimento ameboide, um tipo de locomoção no 
qual os microrganismos vão mudando a forma do seu corpo pela emissão de pseu-
dópodes (do grego pseudo que significa falso e podo: pé, portanto “falsos pés”).
d) Esporozoários: que não possuem organelas locomotoras nem vacúolos con-
tráteis; esses microrganismos parasitas se disseminam pelo ambiente através 
da produção de muitos esporos, que são levados pela água e pelo ar ou são 
levados através de animaisvetores (moscas, mosquitos, carrapatos etc.) que se 
contaminam com esses protozoários patogênicos, ficam doentes e transmitem 
essas doenças para outros animais.
TÓPICO 1 | PROTOZOÁRIOS
149
FIGURA 2 – ESTRUTURAS DE LOCOMOÇÃO DOS PROTOZOÁRIOS
Legenda: a) pseudópodes; b) cílios; c) flagelos; d) ausência de organela de locomoção.
FONTE: Muñoz e Fernandes (201-?, p. 130)
“Dependendo da sua atividade fisiológica algumas espécies possuem fases 
bem definidas”. Como os trofozoítos: “é a forma ativa do protozoário, na qual se ali-
menta e se reproduz por diferentes processos. Cisto e oocisto: são formas de resistên-
cia”. Gameta: “é a forma sexuada que aparece em espécies do filo Apicomplexa. O ga-
meta masculino é o microgameta e o feminino é o macrogameta” (NEVES, 2011, p. 33).
A reprodução é assexuada e sexuada. Assexuada acontecendo por: divisão 
binária, brotamento, endogenia (brotamento interno) e esquizogonia (origem dos 
merozoítos e esporozoítos) (NEVES, 2011). Sexuada através da conjugação: “no filo 
Ciliophora ocorre união temporária de dois indivíduos com troca mútua de materiais 
celulares” (NEVES, 2011, p. 34). Através de singamia ou fecundação: “no filo Apicom-
plexa ocorre união de microgameta e macrogameta, formando o zigoto, o qual pode 
dividir-se, formando um certo número de esporozoítos” (NEVES, 2011, p. 34). Vere-
mos mais sobre reprodução dos protozoários a partir dos estudos das parasitoses.
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
150
A nutrição, quanto ao tipo de alimentação dos protozoários, pode ser: 
• autotróficos: “são os que a partir de grãos ou pigmentos citoplasmáticos (cromató-
foros), conseguem sintetizar energia a partir da luz solar (fotossíntese)” (NEVES, 
2011, p. 34); 
• heterotróficos: “ingerem partículas orgânicas de origem animal, digerem-nas e, 
posteriormente, expulsam os metabólitos” (NEVES, 2011, p. 34);
• saprozoicos: “"absorvem" substâncias orgânicas de origem vegetal já decompostas 
e dissolvidas em meio líquido” (NEVES, 2011, p. 34); 
• mixotróficos: “quando são capazes de se alimentar por mais de um dos métodos 
anteriormente descritos” (NEVES, 2011, p. 34).
Excreção: “pode ser feita por meio de dois mecanismos: difusão dos metabó-
litos através da membrana e expulsão dos metabólitos através de vacúolos contrá-
teis” (NEVES, 2011, p. 34).
Respiração: “podemos encontrar dois tipos principais: aeróbios: são os proto-
zoários que vivem em meio rico em oxigênio; anaeróbios: quando vivem em ambien-
tes pobres em oxigênio, como os parasitos do trato digestivo” (NEVES, 2011, p. 34).
Conheça os protozoários, organismos unicelulares, assistindo ao vídeo: “Al-
guns animais microscópicos”: https://www.youtube.com/watch?v=qI0enf1DV9g.
DICAS
4 PROTOZOÁRIOS ENDOPARASITAS
Para que uma parasitose seja classificada como enteroparasitose é necessário 
que o parasito envolvido na doença passe uma das fases do seu ciclo biológico no 
aparelho digestivo ou anexos, provocando alterações patológicas. Descrevemos a 
seguir as principais doenças causadas por protozoários endoparasitas. 
4.1 GIARDÍASE – AGENTE ETIOLÓGICO GIARDIA LAMBLIA 
Ciclo biológico e transmissão: “A giardíase é uma infecção do intestino 
delgado, causada pela Giardia lamblia, um parasita unicelular” (MUÑOZ; FER-
NANDES, 2018 p. 135). O ciclo de vida de Giardia lamblia consiste em dois está-
gios: o trofozoíto e o cisto. O trofozoíto possui forma de pera com dois núcleos, 
quatro pares de flagelos e um disco de sucção com o qual ele se adere à parede 
TÓPICO 1 | PROTOZOÁRIOS
151
do intestino. O cisto oval possui parede espessa com quatro núcleos e muitas 
fibras internas. Cada cisto forma dois trofozoítos durante a excistação no trato 
intestinal. Estes se reproduzem por divisão binária longitudinal (NEVES, 2011; 
LEVINSON, 2016; MUÑOZ; FERNANDES, 2018).
FIGURA 3 – CICLO BIOLÓGICO DA GIARDÍASE
Legenda: A seta roxa na parte superior mostra os cistos sendo ingeridos. No interior 
do intestino, o cisto produz os trofozoítos que causam diarreia. A seta roxa na parte 
inferior indica cistos e trofozoítos sendo passados para as fezes e contaminando
FONTE: Levinson (2016, p. 415)
A transmissão ocorre pela ingestão de cistos em alimentos e água conta-
minados com fezes. Ocorre diretamente entre crianças ou parceiros sexuais ou 
ainda, de forma indireta, através de alimentos ou água contaminados. Muitas 
espécies de mamíferos, bem como os seres humanos, atuam como reservatórios. 
Eles transmitem cistos por meio das fezes, os quais contaminam subsequente-
mente as fontes de água e alimentos. Os cistos são resistentes e em condições 
favoráveis de temperatura e umidade podem sobreviver por alguns meses no 
ambiente (NEVES, 2011; LEVINSON, 2016; MUÑOZ; FERNANDES, 2018).
Patogenia, sintomas e epidemiologia: Após a ingestão do cisto, o desencista-
mento é iniciado no meio ácido do estômago e completado no duodeno e jejuno, onde 
ocorre a colonização do intestino delgado pelos trofozoítos. Os trofozoítos se fixam à 
parede do intestino, mas não invadem a mucosa e não penetram na corrente sanguí-
nea; causam inflamação da mucosa duodenal, levando à má absorção de proteínas e 
gorduras. A diarreia aquosa (não sanguinolenta) e com mau cheiro é acompanhada 
por náusea, anorexia, flatulência e cólicas abdominais que duram semanas ou meses. 
Não ocorre febre (NEVES, 2011; LEVINSON, 2016; MUÑOZ; FERNANDES, 2018).
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
152
A giardíase ocorre em todo o mundo e é especialmente frequente entre as 
crianças e nos locais onde as condições sanitárias são deficientes. Além de ser endê-
mica, a giardíase ocorre em surtos associados a fontes de água contaminadas. A clo-
ração da água não mata os cistos, mas a filtração é capaz de removê-los. A giardíase é 
comum em homens homossexuais como resultado do contato oral-anal. A incidência 
é alta entre crianças em creches e entre pacientes de hospitais psiquiátricos (NEVES, 
2011; LEVINSON, 2016; MUÑOZ; FERNANDES, 2018).
Profilaxia: envolve o consumo de água fervida, filtrada em áreas endêmicas 
ou em caminhadas por trilhas. Não há fármaco profilático ou vacina. A disseminação 
da giardíase está relacionada a inadequadas condições de higiene, educação sanitária 
e alimentação. A falta de sistemas de coleta e tratamento de esgotos, bem como de 
abastecimento de água potável causam a disseminação da doença. Muitas vezes, a 
doença é autolimitada, mas, em alguns casos, é conveniente tratar com o uso de an-
tiparasitários, como: tinidazol, metronidazol ou albendazol, seguindo as orientações 
do médico (NEVES, 2011; LEVINSON, 2016; MUÑOZ; FERNANDES, 2018).
4.2 AMEBÍASE – AGENTE ETIOLÓGICO ENTAMOEBA 
HISTOLYTICA
No intestino humano encontramos algumas espécies de amebas como: En-
tamoeba histolytica, E. coli, E. hartmanni, E. gingivalis, Endolimax nana. Destas, apenas 
a E. histolytica pode desencadear doença no ser humano (NEVES, 2011).
Ciclo biológico e transmissão: O ciclo de vida possui dois estágios: a ame-
ba móvel (trofozoítos) e o cisto imóvel. O trofozoíto é encontrado no interior de 
lesões intestinais e extra intestinais e em fezes diarreicas. Os cistos são esféricos ou 
ovais, com tamanho variando de 8 a 20 µm de diâmetro. Apresentam quatro núcle-
os – com cariossoma pequeno e central, e a cromatina na periferia – e predominam 
em fezes não diarreicas (NEVES, 2011; LEVINSON, 2016).
A E. histolytica é um parasito monóxeno de ciclo biológico di-
reto. A forma de transmissão para o ser humano é a ingestão 
de cistos. Após a ingestão do cisto, o desencistamento ocorre 
no meio ácido do estômago e é completado no duodeno e je-
juno, onde ocorre a colonização do parasito. Este se reproduz 
por divisão binária longitudinal. O ciclo se completa com o en-
cistamento do parasito e a sua eliminação nas fezes (FREITAS; 
GONÇALVES, 2015, p. 68).
TÓPICO 1 | PROTOZOÁRIOS
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FIGURA 4 – CICLO BIOLÓGICO DA AMEBÍASE
FONTE: Levinson (2016, p. 413)
Legenda: A seta roxa na parte superior mostra os cistos sendo ingeridos. No interior do 
intestinoo cisto produz os trofozoítos que causam a amebíase disentérica no colo e 
podem se disseminar para o fígado (mais frequente), pulmão e encéfalo (A e B). A seta 
azul na parte inferior mostra os cistos e os trofozoítos sendo transmitidos para as fezes 
e atingindo o meio ambiente. A seta vermelha indica a sobrevivência dos cistos no meio 
ambiente.
Patogenia, sintomas e epidemiologia: a patogenia ocorre através da inva-
são dos tecidos pelos trofozoítos invasivos e virulentos e pode ser classificada em:
a) Amebíase intestinal: é a forma clínica mais comum em nosso meio. 
Manifesta-se por evacuação diarreica ou não, com duas a quatro eva-
cuações por dia, com fezes moles ou pastosas. Raramente ocorre febre. 
O que caracteriza esta forma é a alternância entre as manifestações 
clínicas e períodos silenciosos.
b) Colite disentérica: disenteria aguda, acompanhada por cólicas in-
testinais, com evacuações mucossanguinolentas e febre moderada. O 
indivíduo ainda pode apresentar tenesmo e tremores de frio. Pode ha-
ver de oito a dez evacuações ao dia.
c) Amebíase extraintestinal: menos comum em nosso meio, com vários 
casos relatados na região amazônica. As formas mais comuns são os 
abscessos hepáticos. Manifestações clínicas: dor, febre e hepatomega-
lia. Pode gerar abscessos também no pulmão, cérebro e na região pe-
rianal (FREITAS; GONÇALVES, 2015, p. 70). 
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
154
A infecção causada por E. histolytica é encontrada em todo o mundo, mas 
ocorre com mais frequência em países tropicais, principalmente em áreas com defi-
ciência no saneamento básico. No Brasil, a amebíase apresenta grande diversidade 
no número de indivíduos infectados ou com sintomatologia da doença, variando de 
região para região (NEVES, 2011).
Profilaxia: envolve a proteção contra contaminação fecal dos alimentos e da 
água e a adoção de boas práticas de higiene, como a higienização das mãos. “O trata-
mento da água pelos órgãos municipais é geralmente efetivo, mas surtos de amebíase 
em moradores das cidades ocorrem quando a contaminação é significativa. O uso de 
fezes humanas para fertilização de plantações deve ser proibido. Em áreas onde ocor-
rem infecções endêmicas, os vegetais devem ser cozidos” (LEVINSON, 2016, p. 414).
4.3 CRIPTOSPORIDIOSE – AGENTE ETIOLÓGICO 
CRYPTOSPORIDIUM HOMINIS 
Ciclo biológico e transmissão: no clico biológico, “os oocistos liberam es-
porozoítos, que originam os trofozoítos. Seguem-se vários estágios, os quais envol-
vem a formação de esquizontes e merozoítos. Por fim, formam-se microgametas 
e macrogametas; estes unem-se para formar o zigoto, o qual se diferencia em um 
oocisto” (LEVINSON, 2016, p. 416). A “transmissão ocorre de forma fecal-oral atra-
vés da ingestão de oocistos provenientes tanto de fontes humanas (principalmente) 
quanto de fontes animais, como o gado” (LEVINSON, 2016, p. 417).
TÓPICO 1 | PROTOZOÁRIOS
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Patogenia, sintomas e epidemiologia: “Os oocistos se rompem no intestino 
delgado, onde os trofozoítos (e outras formas) se aderem à parede intestinal. A in-
vasão não ocorre. O jejuno é o local mais infectado, nenhuma toxina conhecida foi 
identificada” (LEVINSON, 2016, p. 417).
“Os criptosporídeos causam diarreia em todo o mundo [...] e alguns são 
atribuídos à falha na purificação da água potável. Outros surtos são relacionados à 
contaminação fecal de piscinas e lagos” (LEVINSON, 2016, p. 417).
Profilaxia: “Não há vacina ou outros meios de prevenção. A purificação das 
fontes de água, incluindo filtração para remover os cistos, que são resistentes ao 
cloro utilizado para desinfecção, pode prevenir a criptosporidiose” (LEVINSON, 
2016, p. 417), o saneamento básico é essencial.
FIGURA 5 – CICLO BIOLÓGICO DA CRIPTOSPORIDIOSE
FONTE: Levinson (2016, p. 416)
Legenda: A seta azul na parte superior mostra os cistos sendo ingeridos. No interior do 
intestino, o oocisto produz trofozoítos que causam diarreia. A seta azul na parte infe-
rior mostra os cistos sendo transmitidos às fezes e contaminando o meio ambiente. 
A seta vermelha indica a sobrevivência dos cistos no meio ambiente.
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
156
Outros protozoários intestinais patogênicos são ocasionalmente encontrados 
em infecções humanas: Isospora belli, Balantidium coli, Blastocystis hominis. No trato 
urogenital, o flagelado Trichomonas vaginalis é o patógeno mais importante, causando a 
Tricomoníase uma doença sexualmente transmitida.
IMPORTANT
E
Para conhecer mais sobre os agentes infecciosos, consulte: 
• LEVINSON, W.  Microbiologia médica e imunologia. 13. ed. Porto Alegre: AMGH Editora 
Ltda, 2016.
• REY, L. Parasitologia: parasitos e doenças parasitárias do homem nos trópicos ociden-
tais. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. 
DICAS
5 PROTOZOÁRIOS HEMOPARASITAS 
Hemoparasitas englobam os parasitas que vivem na corrente sanguínea e 
nos tecidos dos animais, principalmente protozoários. Exemplos bem conhecidos 
incluem o Tripanosoma cruzi (Doença de Chagas), Plasmodium (Malária), Leishmania 
(Leishmaniose) e Toxoplasma (Toxoplasmose). Um grande número de espécies é 
conhecida por infectar aves e são transmitidos por artrópodes (LEVINSON, 2016).
5.1 DOENÇA DE CHAGAS OU TRIPANOSSOMÍASE AMERICANA 
– AGENTE ETIOLÓGICO - TRIPANOSOMA CRUZI
Ciclo biológico e transmissão: O Tripanosoma cruzi é um protozoário fla-
gelado causador da doença de Chagas. “O T. cruzi apresenta um ciclo de vida bas-
tante complexo, com algumas formas de desenvolvimento em hospedeiros verte-
brados e invertebrados. Apresenta, portanto, um ciclo de vida heteroxênico, com 
hospedeiros vertebrados mamíferos (incluindo o ser humano) e insetos hemípteros 
(barbeiro)” (FREITAS; GONÇALVES, 2015, p. 50). 
A figura a seguir apresenta as principais fases do ciclo biológico do T. cruzi 
em seus hospedeiros.
TÓPICO 1 | PROTOZOÁRIOS
157
FIGURA 6 – CICLO BIOLÓGICO DA DOENÇA DE CHAGAS
Legenda: O lado direito da figura descreve os estágios no interior de seres humanos 
(setas roxas). Os seres humanos são infectados na etapa 1, quando o triatomíneo 
(barbeiro) pica o ser humano e defeca próximo à picada. Tripomastigotas nas fezes 
entram na ferida da picada. Os amastigotas formam-se no interior das células, 
especialmente no músculo cardíaco e no tecido neuronal. O barbeiro é infectado 
na etapa 5, quando ingere tripomastigotas no sangue humano. O lado esquerdo da 
figura descreve os estágios no interior do barbeiro (setas vermelhas).
FONTE: Levinson (2016, p. 429)
Além das formas já citadas existem outras vias de transmissão do parasito 
como pela transfusão sanguínea e transplante de órgãos, via transplacentária e 
pela ingestão do inseto acidentalmente triturado junto com alimentos (contami-
nação oral) (FREITAS; GONÇALVES, 2015).
 
 Os principais alimentos envolvidos na transmissão descritos são o caldo 
de cana-de-açúcar e a polpa ou suco de açaí, patauá, buriti, bacaba e de outras 
palmeiras amazônicas, contaminados durante seu preparo com fezes de triato-
míneos infectados. Outras fontes mais raras de transmissão oral são a ingestão 
de carne de caça, crua ou malcozida, de animais contaminados e o aleitamento 
materno (FERREIRA, 2017). 
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
158
Patogenia, sintomas e epidemiologia:
 
A fase aguda da doença de Chagas consiste em edema facial e nódulo 
(chagoma) próximo ao local da picada, acompanhados por febre, lin-
fadenopatia e hepatosplenomegalia. A picada ao redor do olho pode 
resultar em um inchaço da pálpebra, denominado sinal de Romaña. A 
fase aguda regride em aproximadamente dois meses. A maioria dos 
indivíduos permanece assintomática, contudo, alguns progridem para 
a forma crônica, com miocardite e megacolo. A morte por doença de 
Chagas crônica muitas vezes é decorrente de arritmia e insuficiência 
cardíaca (LEVINSON, 2016, p. 428). 
Acredita-se que a transmissão oral tenha maior relevância epidemiológica 
do que se suspeitava até́ recentemente. Nos casos de transmissão por via oral, os 
pacientes desenvolvem quadros mais graveslogo após a infecção, com sintomas 
como edema de face, hemorragia e dor abdominal, além do comprometimento 
do coração, que também ocorre na forma clássica da doença (FERREIRA, 2017).
 
A Organização Mundial da Saúde classifica a doença de Chagas entre as 
treze doenças tropicais mais negligenciadas, constituindo um importante proble-
ma social e econômico na América Latina (FERREIRA, 2017). 
Profilaxia: “Envolve proteção contra a picada do barbeiro, melhoria nas 
condições de moradia e controle dos insetos”. Não há fármaco profilático ou va-
cina. O sangue para transfusão é testado para a presença de anticorpos para T. 
cruzi (LEVINSON, 2016, p. 429-430).
O controle da transmissão oral necessita de medidas de educação em saú-
de pública sobre os alimentos de risco e estratégias para garantir a higiene e a 
inocuidade dos alimentos que servem de meio para a infecção (FERREIRA, 2017). 
Conheça mais sobre o ciclo biológico da doença de chagas. Assista aos víde-
os: “Ciclo de vida do T. cruzi no homem”: http://bit.ly/3arArRf e “Ciclo de vida do T. cruzi 
no inseto”: http://bit.ly/2PEjZoL.
DICAS
5.2 MALÁRIA – AGENTE ETIOLÓGICO PLASMODIUM SP.
Ciclo biológico e transmissão: é transmitida para o ser humano através da 
picada de fêmeas do mosquito gênero Anopheles. Os mosquitos vetores da malária 
pertencem à ordem Diptera, este gênero compreende aproximadamente 400 espé-
TÓPICO 1 | PROTOZOÁRIOS
159
cies, das quais cerca de 60 ocorrem no Brasil. São popularmente conhecidos por 
“carapanã”, “muriçoca”, “sovela”, “mosquito-prego” e “bicuda”. O principal vetor 
de malária no Brasil é o Anopheles darlingi (NEVES, 2011; LEVINSON, 2016).
A malária é causada por quatro plasmódios: Plasmodium vivax, Plasmo-
dium ovale, Plasmodium malariae e Plasmodium falciparum. Os protozoários P. vivax 
e P. falciparum são causas mais comuns de malária do que P. ovale e P. malariae 
(LEVINSON, 2016).
A malária apresenta um ciclo vital complexo, envolvendo um estágio no 
mosquito e um estágio no corpo humano. 
FIGURA 7 – CICLO BIOLÓGICO DA MALÁRIA
Legenda: O lado direito da figura descreve os estágios no interior de seres humanos (se-
tas roxas). O ciclo A (à direita, na parte superior) é o estágio exoeritrocítico que ocorre 
no fígado. O ciclo B (à direita, na parte inferior) é o estágio eritrocítico que ocorre nas 
hemácias. Observe que na etapa 6 do ciclo, os merozoítos liberados dos esquizontes 
rompidos infectam, então, outras hemácias. A liberação sincronizada de merozoítos 
causa a febre periódica e os calafrios característicos da malária. O lado esquerdo da 
figura descreve os estágios no interior do mosquito (setas vermelhas). Os seres hu-
manos são infectados na etapa 1, quando o mosquito injeta esporozoítos. O mosqui-
to é infectado na etapa 8, quando ingere gametócitos presentes no sangue humano.
FONTE: Levinson (2016, p. .422).
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
160
Patogenia, sintomas e epidemiologia: Os sintomas da malária envolvem a 
clássica tríade: febre, calafrio e dor de cabeça. Paroxismos (crise) característicos da 
malária (iniciam-se com calafrios, acompanhados de mal-estar, cefaleia e dores mus-
culares e articulares). Náuseas e vômitos são sintomas comuns, podendo também 
ocorrer dor abdominal intensa. Em algumas horas, inicia-se febre alta que produz 
prostração seguida de um período de sudorese profusa, com melhora progressiva do 
estado geral. Hipoglicemia, convulsões, vômitos repetidos, hiperpirexia (febre muito 
elevada, acima dos 41 ºC), icterícia e distúrbios da consciência são indicadores de 
mau prognóstico. Esses sintomas podem preceder as formas clínicas da malária gra-
ve e complicada, tais como malária cerebral, insuficiência renal aguda, edema pul-
monar agudo, disfunção hepática e hemoglobinúria (presença de hemoglobina ou de 
pigmentos sanguíneos na urina) (NEVES, 2011; LEVINSON, 2016).
“A malária é, de todas as doenças parasitárias, a que mais mata. Estima-se 
que ao menos 1 milhão de pessoas morra por malária a cada ano, principalmente 
crianças de até 5 anos” (BROOKS et al., 2014, p. 727). No Brasil, predomina na 
Amazônia, correspondendo a 99% dos casos. Entretanto, existem, anualmente, 
casos descritos por vários estados do país (COSTA et al., 2015).
Profilaxia: a erradicação do mosquito transmissor seria o ideal para o encer-
ramento da infecção, mas como essa medida é muito difícil, existem vários estudos 
genéticos propondo a interrupção do ciclo da doença e uma série de medidas indi-
viduais e coletivas como: usar roupas que protejam pernas e braços, telas em por-
tas e janelas, uso de repelentes; drenagem e pequenas obras de saneamento para 
eliminação de criadouros do vetor; aterro, limpeza das margens dos criadouros; 
controle da vegetação aquática; melhoramento da moradia e das condições de tra-
balho, uso racional da terra (NEVES, 2011; COSTA et al., 2015; LEVINSON, 2016).
O ciclo do plasmódio apresenta dois hospedeiros: o ser humano e o 
mosquito Anopheles. Conheça o ciclo biológico da doença Malária. Assista aos vídeos: “O 
ciclo biológico do plasmódio no interior do homem”: http://bit.ly/2IgoSQs e “O ciclo do 
plasmódio no interior do mosquito Anopheles”: http://bit.ly/2uIymRs.
DICAS
TÓPICO 1 | PROTOZOÁRIOS
161
5.3 LEISHMANIOSE – AGENTE ETIOLÓGICO LEISHMANIA SPP.
Leishmaniose é uma doença infecciosa, porém, não contagiosa, causada por 
protozoários parasitários do gênero Leishmania transmitidos pela picada de insetos 
da subfamília dos flebotomíneos. 
As diferentes formas clínicas podem ser agrupadas em leishmaniose tegu-
mentar ou cutânea e a leishmaniose visceral ou calazar. A leishmaniose tegumentar 
caracteriza-se por feridas na pele que se localizam com maior frequência nas partes 
descobertas do corpo. Tardiamente, podem surgir feridas nas mucosas do nariz, da 
boca e da garganta. A leishmaniose visceral é uma doença sistêmica, pois, acomete 
vários órgãos internos, principalmente o fígado, o baço e a medula óssea (FERREI-
RA, 2017; BRASIL, 2014a; BRASIL, 2017). 
Ciclo biológico e transmissão: Os ciclos de transmissão da Leishmaniose 
variam de acordo com a região geográfica e envolvem uma diversidade de espé-
cies de parasito, vetores, reservatórios e hospedeiros (BRASIL, 2017). A transmissão 
para os humanos ocorre através da picada de insetos hematófagos, mosquitos do 
gênero Phebotomus ou Lutzomyia (HARVEY, CHAMP, FISHER, 2008).
As fontes de infecção das leishmanioses são, principalmente, alguns caní-
deos (raposas, cães), roedores, edentados (tamanduás, preguiças) e equídeos que 
possam ser reservatório do protozoário e fonte de infecção para os vetores, nos cen-
tros urbanos a transmissão se torna potencialmente perigosa por causa do grande 
número de cachorros que adquirem a infecção e desenvolvem um quadro clínico 
semelhante ao do ser humano (BRASIL, 2014a). “Na leishmaniose cutânea, os ani-
mais silvestres que atuam como reservatórios são os roedores silvestres, tamandu-
ás e preguiças. Na leishmaniose visceral a principal fonte de infecção é a raposa do 
campo” (BRASIL, 2015, s. p.).
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
162
FIGURA 8 – CICLO BIOLÓGICO DA LEISHMANIOSE
FONTE: Ferreira (2017, p. 433)
Patogenia, sintomas e epidemiologia: “Leishmaniose visceral: febre irregu-
lar prolongada, anemia, indisposição, palidez da pele e ou das mucosas, falta de ape-
tite, perda de peso, inchaço do abdômen devido ao aumento do fígado e do baço” 
(BRASIL, 2015, s. p.).
Leishmaniose cutânea: “duas a três semanas após a picada pelo flebótomo 
aparece uma pequena pápula (elevação da pele) avermelhada que vai aumentando 
TÓPICO 1 | PROTOZOÁRIOS
163
de tamanho até formar uma ferida recoberta por crosta ou secreção purulenta. A 
doença também pode se manifestar como lesões inflamatórias nas mucosas do na-
riz ou da boca” (BRASIL, 2015, s. p.).
A doença é distribuída mundialmente, a leishmaniose cutânea é endêmica 
de 88 países de 4 continente; a leishmaniose visceral se concentra e Bangladesh, 
Índia, Brasil e Sudão (COSTA et al., 2015).Nas últimas décadas, a epidemiologia da 
leishmaniose tem-se alterado no Brasil. Atualmente, ocorre transmissão autóctone 
das leishmanioses em todos os estados brasileiros. Surtos epidêmicos recentes em 
capitais de estado, como Belo Horizonte e Recife, bem como no noroeste do estado 
de São Paulo, mostram que as leishmanioses estão em franca expansão geográfica 
(FERREIRA, 2017).
Profilaxia: “Existe uma vacina contra a leishmaniose visceral canina regis-
trada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, porém sem constata-
ção de seu custo-benefício e efetividade para o controle de reservatório da leishma-
niose visceral canina em programas de saúde pública” (BRASIL, 2014a, p. 60). 
Medidas	 profiláticas: “evitar construir casas e acampamentos em áreas 
muito próximas à mata; fazer dedetização, quando indicada pelas autoridades de 
saúde; evitar banhos de rio ou de igarapé, localizado perto da mata; utilizar repe-
lentes na pele, quando estiver em matas de áreas onde há a doença; usar mosqui-
teiros para dormir; usar telas protetoras em janelas e portas” (BRASIL, 2015, s. p.); 
dar o destino adequado do lixo orgânico, a fim de impedir a aproximação de ma-
míferos comensais, como marsupiais e roedores, prováveis fontes de infecção para 
os flebotomíneos; “proceder a eutanásia nos cães sororreagentes ou com parasitoló-
gico positivo; desenvolver atividades de educação e saúde” (BRASIL, 2014a, p. 69).
Conheça mais sobre a leishmaniose visceral. Assista ao vídeo “Leishmaniose 
visceral”: https://www.youtube.com/watch?v=6u5eIY9rOXs.
Acesse também os manuais do Ministério da Saúde sobre as leishmanioses tegumentar e 
visceral disponíveis nas Referências e na Biblioteca Virtual.
DICAS
5.4 TOXOPLASMOSE – AGENTE ETIOLÓGICO TOXOPLASMA 
GONDII
Ciclo biológico e transmissão: é uma infecção causada por um protozo-
ário chamado Toxoplasma gondii, encontrado nas fezes de gatos e outros felinos 
(hospedeiro definitivo) que pode se hospedar em humanos e outros animais (hos-
pedeiros intermediários). É causada pela ingestão de água ou alimentos contami-
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
164
FIGURA 9 – CICLO BIOLÓGICO DA TOXOPLASMOSE
nados e é uma das zoonoses (doenças transmitidas por animais) mais comuns em 
todo o mundo (BRASIL, 2020). A infecção dos seres humanos inicia com a inges-
tão de cistos presentes na carne malcozida ou pelo contato acidental com cistos 
presentes em fezes de gatos (NEVES, 2011; LEVINSON, 2016).
As principais vias de transmissão da toxoplasmose são através da via 
oral (ingestão de alimentos e água contaminados e congênita (transmi-
tido de mãe para filho durante gestação), sendo raros os casos de trans-
missão por inalação de aerossóis contaminados, inoculação acidental, 
transfusão sanguínea e transplante de órgãos (BRASIL, c2020, s. p.).
Legenda: As setas vermelhas na parte superior mostram o ciclo de vida natural da circulação de 
T. gondii entre os gatos (1), os quais excretam oocistos nas fezes que são comidas pelo rato, 
mas também por animais domésticos, como porcos e ovelhas. Os cistos formam-se em teci-
dos, como músculo e encéfalo. O ciclo natural é completado quando gatos comem ratos. Os 
seres humanos são hospedeiros acidentais. Eles podem ser infectados pela ingestão de carne 
de porco ou cordeiro malcozida (seta azul 2) contendo cistos teciduais no músculo ou pela 
ingestão de alimentos contaminados por fezes de gatos contendo oocistos (seta azul).
FONTE: Levinson (2016, p. 426)
TÓPICO 1 | PROTOZOÁRIOS
165
Patogenia, sintomas e epidemiologia:
 
A maioria das pessoas infectadas pela primeira vez não apresenta sinto-
mas e, por isso, não precisam de tratamentos específicos. A doença em 
outros estágios, no entanto, pode trazer complicações, como sequelas 
pela infecção congênita (gestantes para os filhos), toxoplasmose ocular 
e toxoplasmose cerebral em pessoas que têm o sistema imunológico en-
fraquecido, como transplantados, pacientes infectados com o HIV ou 
em tratamento oncológico (BRASIL, 2020).
 
Os sintomas da toxoplasmose são variáveis e associados ao estágio da in-
fecção, (agudo ou crônico). Os sintomas normalmente são leves, similares à gri-
pe, dengue e podem incluir dores musculares e alterações nos gânglios linfáticos 
(BRASIL, 2020).
Profilaxia: Evitar o consumo de carnes cruas ou malpassadas, mesmo aque-
las que tenham sido congeladas. Não se alimentar de leite não pasteurizado ou 
não-fervido. Consumir água de boa qualidade, no caso de água de abastecimento 
público, manter as caixas d’água tampadas e higienizadas. Higienizar adequada-
mente as frutas e legumes com água adequadamente tratada antes de comê-las, an-
tes mesmo de descascar. Limpar diariamente os ambientes domésticos contamina-
dos com fezes de gatos. Proteger caixas de areia para evitar que os gatos defequem 
nesse local. Recomenda-se o exame pré-natal para toxoplasmose em todas as ges-
tantes, com ou sem histórico (NEVES, 2011; LEVINSON, 2016; FERREIRA, 2017).
Conheça mais sobre a Toxoplasmose! Assista ao vídeo: “Toxoplasmose e os 
gatos”: https://www.youtube.com/watch?v=uqkizITLXEw&t=1s.
Conheça mais sobre doenças negligenciadas através da leitura do artigo 
Doenças tropicais: as doenças tropicais negligenciadas (DTN) consistem em um grupo 
de 16 doenças que são contraídas por mais de um bilhão de pessoas por ano. Disponível 
na obra: TORTORA, J. G.; FUNKE, R. B.; CASE, L. C. Microbiologia. 12. ed. Porto Alegre: 
Artmed, 2017.
DICAS
DICAS
166
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• Os protozoários são unicelulares, eucarióticos e quimio-heterotróficos.
• Os protozoários são encontrados no solo e na água, e como parte da microbiota 
normal de animais.
• A forma vegetativa e dos protozoários chamada de trofozoíto e as formas de 
resistência de cisto e o oocisto.
• A reprodução dos protozoários ocorre de forma assexuada e sexuada.
 
• Giardia lamblia cresce nos intestinos de seres humanos e animais selvagens, sen-
do transmissível pela água e alimentos contaminados.
 
• Os sintomas da giardíase são mal-estar, náuseas, flatulência, fraqueza e cólicas 
abdominais que persistem por semanas.
 
• A disenteria amebiana é causada pela Entamoeba histolytica crescendo no in-
testino grosso. A ameba alimenta-se das hemácias e dos tecidos do sistema 
gastrointestinal. As infecções graves resultam em abscessos.
• Crytosporidium spp. causa diarreia em pacientes imunossuprimidos, a doença 
prolonga-se por meses. O patógeno é transmissível pela água contaminada.
• O Trypanosoma cruzi causa a doença de Chagas. O reservatório inclui muitos 
animais selvagens. O vetor é um reduvídeo, Triatoma (Barbeiro).
• A malária é transmissível pelos mosquitos Anopheles. O agente causador é 
qualquer uma das quatro espécies de Plasmodium. Os sinais e os sintomas da 
malária são: calafrios, febre, vômito e cefaleia, que ocorrem em intervalos de 2 
a 3 dias. Os esporozoítos se reproduzem no fígado e liberam os merozoítos na 
corrente sanguínea, eles infectam as hemácias e produzem mais merozoítos.
• Leishmaniose é uma doença infecciosa causada por um complexo de Leishma-
nias spp. transmitidos pela picada de insetos da subfamília dos flebotomíneos. 
Existem dois tipos principais: leishmaniose cutânea e leishmaniose visceral. 
167
• A toxoplasmose é causada pelo Toxoplasma gondii que se reproduz de forma 
sexuada no trato intestinal de gatos domésticos e oocistos são eliminados nas 
fezes do gato. Na célula hospedeira, os esporozoítos reproduzem-se formando 
tanto taquizoíto como bradizoítos, que invadem os tecidos.
• Os seres humanos contraem a infecção pela ingestão de taquizoítos ou cistos 
teciduais, presentes na carne malcozida de um animal infectado, ou pelo con-
tato com fezes de gato. Infecções congênitas podem ocorrer. Sinais e sintomas 
incluem lesão cerebral grave ou problemas de visão.
168
1 Esgoto a céu aberto é o principal problema ambiental no Brasil. Os dejetos 
lançados indevidamente em fossas abertas, rios e lagos tornam-se a causa 
dedoenças de importância para a saúde pública. Qual doença, causada por 
protozoário, pode ter sua incidência aumentada pelo problema citado? 
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Tricomoníase. 
b) ( ) Malária.
c) ( ) Amebíase. 
d) ( ) Dengue. 
e) ( ) Teníase.
2 Florianópolis registrou em 2017 o maior número de casos de leishmaniose 
visceral canina e humana em sete anos. Foram 125 cães diagnosticados com 
leishmaniose visceral canina (LVC) e 69 eutanasiados. Considerando a in-
formação, avalie as afirmativas sobre a leishmaniose:
I- A leishmaniose é uma doença infecciosa, contagiosa, causada por protozo-
ários parasitas do gênero Leishmania. 
II- A leishmaniose visceral é considerada uma doença sistêmica: acomete vá-
rios órgãos internos, principalmente o fígado, o baço e a medula óssea. 
III- A Sociedade Brasileira de Infectologia lista algumas medidas de preven-
ção: não ingerir carnes cruas ou malcozidas; comer apenas vegetais e fru-
tas bem lavados em água corrente.
IV- Deixe o ambiente em volta da casa limpo. Isso diminui a possibilidade de 
contato com o mosquito que é o inseto que transmite o protozoário causa-
dor da leishmaniose. 
Estão CORRETAS as alternativas: 
a) ( ) I e IV.
b) ( ) I, II e III.
c) ( ) I, II e IV.
d) ( ) II e III. 
e) ( ) II e IV.
AUTOATIVIDADE
169
3 O Toxaplasma gondii é um parasita intracelular que desenvolve o seu ciclo 
biológico em dois hospedeiros, sendo que em um hospedeiro ocorre o ciclo 
sexuado e em outro ocorre o ciclo assexuado. Considerando essas informa-
ções, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) O cão é o único animal, hospedeiro intermediário, no qual ocorre o ciclo sexuado.
b) ( ) Os hospedeiros definitivos são encontrados entre os mamíferos e as aves, 
nos quais ocorre o ciclo assexuado.
c) ( ) As aves são hospedeiros intermediários, nas quais ocorre o ciclo sexuado.
d) ( ) Os felinos são os únicos animais em que o protozoário pode completar o 
ciclo, hospedeiros definitivos. 
e) ( ) Os gatos são os hospedeiros intermediários, no qual ocorre o ciclo assexuado.
170
171
TÓPICO 2
HELMINTOS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
“Os helmintos constituem um grupo muito numeroso de animais, incluin-
do espécies de vida livre e de vida parasitária. Apresentam os parasitos distribuí-
dos nos filos Platyhelminthes, Nematoda e Acanthocephala” (NEVES, 2011, p. 185).
As doenças causadas por helmintos são mais conhecidas como verminoses 
que são causadas por diferentes vermes parasitas que se instalam no organismo do 
hospedeiro. Em geral, eles se alojam nos intestinos, mas podem abrigar-se também 
em órgãos, como o fígado, pulmões e cérebro.
Neste tópico, estudaremos as principais doenças causadas por helmintos: 
Platyhelminthes e Nematoda de importância clínica, destacando a forma de transmis-
são e profilaxia.
2 CARATERIZAÇÃO GERAL
Os Platyhelminthes são os representantes mais inferiores dos helmintos, 
os quais se caracterizam por apresentarem simetria bilateral, uma extre-
midade anterior com órgãos sensitivos e de fixação e uma extremidade 
posterior; pela ausência do exo ou endoesqueleto; são achatados dorso-
ventralmente, sem celoma, com ou sem tubo digestivo, sem ânus, sem 
aparelho respiratório, sistema excretor tipo protonefrídico, com tecido 
conjuntivo enchendo os espaços entre os órgãos (NEVES, 2011, p. 185).
A maioria dos Platyhelminthes é hermafrodita, contando com órgãos re-
produtores complexos. A sistemática do grupo tem sido alterada muitas vezes, 
não se tendo chegado ainda a um consenso. Abordaremos, neste tópico, a classe 
Trematoda (Schistosoma mansoni) e Cestoda (Taenia sp.), duas grandes classes de pa-
rasitas do filo Platyhelminthes (LEVINSON, 2016).
Os Nematoda, também conhecidos como nematelmintos: 
São vermes com simetria bilateral, três folhetos germinativos, sem seg-
mentação verdadeira ou probóscide, cilíndricos, alongados, desprovi-
dos de células em flama, cavidade geral sem revestimento epitelial, ta-
manho variável, de poucos milímetros a dezenas de centímetros, tubo 
digestivo completo, com abertura anal ou cloacal terminal ou próxima 
da extremidade posterior; sexos, em geral, separados (dioicos), sendo 
o macho menor que a fêmea [...] (NEVES, 2011, p. 188).
172
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
O corpo é envolto por um revestimento acelular altamente resistente, deno-
minado cutícula. Os nematódeos de importância médica podem ser divididos em 
duas categorias, de acordo com sua principal localização no corpo, isto é, nemató-
deos intestinais e de tecidos (REY, 2018).
Os Acanthocephala são helmintos endoparasitos, pseudocelomados, 
com simetria bilateral, sem tubo digestivo e apresentando, na extre-
midade anterior, uma probóscida armada de ganchos [...]. São agru-
pados em três ordens: Archiacanthocephala, Palaeacanthocephala e Eoa-
canthocephala. Na primeira ordem encontramos espécies parasitas de 
aves terrestres e mamíferos, entre elas Moniliformis monilíformis e Ma-
cracanthorhynchus hirudinaceus, que têm sido encontradas parasitando 
também o homem (NEVES, 2011, p. 190).
FIGURA 10 – RESUMO DOS HELMINTOS QUE PARASITAM OS SERES HUMANOS
FONTE: Adaptado de Neves (2011)
3 DOENÇAS CAUSADAS POR PLATELMINTOS
“Na classe Trematoda encontramos a família Schistomatidae, que apresenta 
sexos separados e são parasitos de vasos sanguíneos de mamíferos e aves” (NE-
VES, 2011, p. 193). São helmintos muitos abundantes, geralmente visíveis a olho 
nu, que parasitam todos os grupos de vertebrados (LEVINSON, 2016).
TÓPICO 2 | HELMINTOS
173
São conhecidos como principais agentes etiológicos as espécies Schistosoma 
mansoni, Schistosoma haematobium e Schistosoma japonicum. A S. mansoni ocorre na 
África, na América do Sul e nas Antilhas, onde determina uma infecção denomi-
nada esquistossomíase mansônica ou intestinal, pela localização dos parasitos nas 
vênulas da parede do grosso intestino, sigmoide e reto, com sintomas predominan-
temente intestinais (REY, 2018).
A Schistosoma haematobium localiza-se de preferência no plexo vesical e pro-
duz quadro clínico com sintomas urinários, que é conhecido por esquistossomíase 
hematóbica, predominantemente africana, estendendo-se também a outras áreas 
da Bacia do Mediterrâneo, ao Próximo e Médio Oriente (REY, 2018).
A Schistosoma japonicum é responsável por outra modalidade intestinal da 
doença, circunscrita ao Extremo Oriente e Pacífico Ocidental (REY, 2018).
São responsáveis por doenças humanas de grande prevalência em diversas 
regiões do mundo, várias delas claramente associadas à pobreza. “No Brasil, a do-
ença causada pelo S. mansoni é conhecida popularmente como "xistose", "barriga-
-d'água" ou "mal-do-caramujo", atingindo milhões de pessoas, numa das maiores 
regiões endêmicas dessa doença em todo o globo” (NEVES, 2011, p. 194). 
A classe Cestoda compreende animais de corpo geralmente em forma de 
fita, segmentado e provido anteriormente de um órgão de fixação (escólex), com 
estruturas adesivas de vários tipos. São todos parasitos obrigatórios apresentando 
ausência de tubo digestivo e o desenvolvimento extraordinário do aparelho repro-
dutor. São geralmente hermafroditas e suas larvas possuem seis ganchos. Os ces-
toides mais frequentemente encontrados parasitando o ser humano são a Taenia 
solium, a Taenia saginata, o Echinococcus granulosus e a Hymenolepis nana (REY, 2018).
Os seres humanos geralmente adquirem a infecção pela ingestão de carne 
malcozida ou peixes contendo as larvas. Contudo, em duas importantes doenças 
humanas, cisticercose e hidati- dose, os ovos são ingeridos e as larvas resultantes 
causam a doença (REY, 2018).
3.1 ESQUISTOSSOMOSE – AGENTE ETIOLÓGICO – 
SCHISTOSOMA MANSONI
Ciclo biológico e transmissão: O ciclo de vida do Schistosoma mansoni en-
volve uma etapa sexuada que ocorre em seres humanos (hospedeiros definitivos) 
e a reprodução assexuada em caramujos (Biomphalaria spp.) de água doce (hospe-
deiros intermediários). A transmissão aos seres humanos ocorre pela penetração 
na pele por cercárias de vida livre dos esquistossomos.174
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
Patogenia, sintomas e epidemiologia: Trata-se de uma doença, inicialmente 
assintomática, que pode evoluir para formas clínicas extremamente graves e levar o 
paciente a óbito (BRASIL, 2020). “Na fase aguda, o paciente infectado por esquistos-
somose pode apresentar diversos sintomas, como: febre; dor de cabeça; calafrios; su-
ores; fraqueza; falta de apetite; dor muscular; tosse; diarreia. Em alguns casos, o fíga-
do e o baço podem inflamar e aumentar de tamanho. Na forma crônica da doença, a 
diarreia se torna mais constante, alternando-se com prisão de ventre, e pode aparecer 
sangue nas fezes. Além disso, o paciente pode apresentar outros sinais, como: tontu-
ras; sensação de plenitude gástrica; prurido (coceira) anal; palpitações; impotência; 
emagrecimento; endurecimento e aumento do fígado” (BRASIL, 2020, s. p.).
A esquistossomose é endêmica em vasta extensão do território nacional, 
considerada ainda um grave problema de saúde pública no Brasil porque acomete 
milhões de pessoas, provocando um número expressivo de formas graves e óbitos 
(BRASIL, 2014b). “Estima-se que cerca de 1,5 milhões de pessoas vivem em áreas sob 
o risco de contrair a doença. A doença é detectada em todas as regiões do Brasil, o 
Nordeste e o Sudeste são as regiões mais afetadas sendo que a ocorrência está direta-
mente ligada à presença dos moluscos transmissores” (BRASIL, 2020, s. p.).
TÓPICO 2 | HELMINTOS
175
FIGURA 11 – CICLO BIOLÓGICO DA ESQUISTOSSOMOSE
FONTE: Levinson (2016, p. 451)
Legenda: O lado direito da figura descreve os estágios no interior de seres humanos 
(setas roxas). Os seres humanos são infectados na etapa 2, quando cercarias de vida 
livre penetram na pele humana. As cercarias se diferenciam em vermes adultos (dois 
sexos) que migram para as veias mesentéricas (Schistosoma mansoni e Schistosoma 
japonicum) ou para o plexo venoso da bexiga urinária (Schistosoma haematobium). 
Os vermes adultos botam ovos, os quais aparecem nas fezes (S. mansoni e S. japoni-
cum) ou na urina (S. haematobium). Os ovos são conduzidos para a água doce, onde 
o estágio de miracídio infecta os caramujos que produzem as cercárias. O lado es-
querdo da figura descreve os estágios na água doce e no caramujo (setas vermelhas).
176
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
Profilaxia: 
Devido à complexidade do mecanismo de transmissão da esquistos-
somose e diversidade dos fatores condicionantes, o controle da doença 
depende de várias ações preventivas: diagnóstico precoce e tratamento 
oportuno; vigilância e controle dos hospedeiros intermediários; ações 
educativas em saúde; ações de saneamento para modificação das con-
dições domiciliares e ambientais favoráveis à transmissão (BRASIL, 
2014b, p. 15). 
De forma geral, a profilaxia da “[...] esquistossomose consiste em evitar o 
contato com águas onde existam os caramujos hospedeiros intermediários infec-
tados [...]” (BRASIL, 2020, s. p.).
3.2 TENÍASE – AGENTES ETIOLÓGICOS – TAENIA SOLIUM 
E TAENIA SAGINATA
Existem dois importantes patógenos humanos no gênero Taenia. Na fase 
larvária, T. solium parasita obrigatoriamente os suínos e T. saginata os bovinos (REY, 
2018). 
O escólex diferencia as tênias onde a T. solium contém quatro ventosas e uma 
estrutura em forma de coroa, chamada rostro ou rostelo, em que se insere uma fila 
dupla de pequenos ganchos em forma de foice ou acúleos. O escólex de T. saginata 
também apresenta quatro ventosas, mas sem o rostro nem os acúleos; por esse moti-
vo, é conhecido como escólex desarmado (LEVINSON, 2016; REY, 2018). 
Ciclo biológico e transmissão: o ciclo da Taenia solium ocorre quando se-
res humanos ingerem carne suína crua ou malcozida contendo as larvas, deno-
minadas cisticercos (Um cisticerco é uma vesícula do tamanho de uma ervilha, 
preenchida por fluido e com um escólex invaginado). No intestino delgado, as 
larvas aderem-se à parede intestinal e crescem por cerca de três meses, originan-
do vermes adultos que medem até 5 metros. As proglótides terminais grávidos, 
contendo diversos ovos, desprendem-se diariamente, são eliminadas nas fezes e 
acidentalmente ingeridas pelos suínos (LEVINSON, 2016; REY, 2018).
No ciclo de vida da Taenia saginata, os seres humanos são infectados pela 
ingestão de carne bovina crua ou malcozida contendo larvas (cisticercos). No 
Conheça mais sobre o ciclo de vida do Schistosoma mansoni, assistindo ao 
vídeo “Esquistossomose”: https://www.youtube.com/watch?v=1hMIdLvkP4A&t=134s.
DICAS
TÓPICO 2 | HELMINTOS
177
intestino delgado, as larvas aderem à parede intestinal, e após cerca de três me-
ses tornam-se vermes adultos, medindo até 10 metros. As proglótides grávidas, 
então, desprendem-se, são eliminadas nas fezes, e ingeridas pelo gado bovino 
(LEVINSON, 2016; REY, 2018).
Em geral, cada hospedeiro alberga um único verme adulto, motivo pelo 
qual a tênia recebe o nome popular de solitária. A infecção múltipla, no entanto, 
tem sido assinalada por diferentes autores, em 2 a 12% dos casos, tanto no pa-
rasitismo pela Taenia solium (22 e 59 tênias são os casos extremos registrados na 
literatura médica) como pela T. saginata (9, 12 e 19 helmintos já foram encontra-
dos juntos, havendo mesmo referências a casos com maior carga parasitária). As 
tênias adultas vivem até 25 anos (REY, 2018). 
FIGURA 12 – CICLO BIOLÓGICO DA TENÍASE
Legenda: O lado direito da figura descreve os estágios no interior de seres humanos (setas 
roxas). Os seres humanos são infectados na etapa 1, quando ingerem carne de porco (T. 
solium) ou de gado (T. saginata) malcozida contendo cisticercos (estágio larval). Tênias 
adultas formam-se no intestino e depositam ovos. Porcos e gado são infectados quando 
ingerem ovos ou proglótides presentes em fezes humanas. O lado esquerdo da figura 
descreve os estágios no interior de porcos e de gado (setas vermelhas).
FONTE: Levinson (2016, p. 442)
178
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
Patogenia, sintomas e epidemiologia: “A maioria dos pacientes com tênias 
adultas é assintomática, podendo, contudo, ocorrer anorexia e diarreia. Alguns in-
divíduos podem observar proglótides nas fezes” (LEVINSON, 2016, p. 441). Nos 
casos mais típicos, após um período de incubação de dois ou três meses, surgem 
perturbações gastrintestinais, outra manifestação frequente é a perda de peso. Nas 
crianças, o emagrecimento pode vir com inapetência, mas pode haver apetite muito 
aumentado, com dores abdominais fugazes (REY, 2018).
A infecção humana pela T. solium é mundial, sendo comum em toda parte 
onde se consome carne de suíno crua ou malcozida. Os inquéritos epidemiológicos 
relativos a essa teníase são difíceis, em função da semelhança dos ovos das duas tê-
nias e das reduzidas manifestações clínicas, quando não há cisticercose. As regiões 
com maior endemicidade encontram-se na América Latina, na África e nos países 
não muçulmanos do Sudeste Asiático. Na Europa, restam apenas poucos focos de 
transmissão de T. solium (REY, 2018).
Profilaxia: Toda carne consumida deve ser previamente inspecionada nos 
matadouros e frigoríficos, por veterinários e técnicos especializados. 
Em bovinos, a pesquisa é realizada nos músculos mastigadores, coração e 
língua, sendo sumária nos demais órgãos e carcaças. O encontro de 1-5 cisticercos 
vivos ou de vários deles calcificados implica o aproveitamento condicional, me-
diante congelamento ou salgamento, isto é, a fabricação de charque. Se o número 
de cisticercos for maior (6 a 20), a carne será destinada à fabricação de conservas ou 
(se mais de 20) totalmente condenada (REY, 2018).
Nos suínos, faz-se a inspeção rigorosa da musculatura e vários órgãos e as 
carcaças com apenas 1 cisticerco calcificado vão à salsicharia. Com poucos cisticer-
cos vivos, o aproveitamento está condicionado ao salgamento a seco ou à fabrica-
ção de banha. A rejeição total dá-se quando a infecção é intensa (REY, 2018).
Os cisticercos são pouco resistentes à ação do calor: morrem os de T. sagi-
nata a 50 °C e os de T. solium a 55 °C. A carneassada só é segura quando toda ela 
já perdeu sua cor avermelhada. Na carne defumada, as larvas podem escapar aos 
efeitos do calor. Os cisticercos morrem em 6 dias a –15 °C, ou em temperaturas 
mais reduzidas, não havendo, pois, perigo de transmissão pelas carnes congeladas, 
depois desse prazo. O salgamento, para preparo do charque, também destrói os 
cisticercos (REY, 2018).
“A profilaxia para teníases envolve o cozimento adequado da carne bovina 
e suína e o descarte adequado dos dejetos, de modo a impedir que o gado (ou os 
suínos) consuma fezes humanas” (LEVINSON, 2016, p. 445).
TÓPICO 2 | HELMINTOS
179
3.3 CISTICERCOSE – AGENTE ETIOLÓGICO – CYSTICERCUS 
CELLULOSAE (LARVA DE TAENIA SOLIUM)
A cisticercose humana é o resultado da presença de formas larvárias de Taenia 
solium (cisticercos) parasitando tecidos do ser humano. Ainda que o Cysticercus cellulo-
sae, ou melhor, a larva de Taenia solium seja responsável pela maioria dos casos desse 
tipo de parasitismo, outras cinco espécies, T. saginata, T. multiceps, T. hydatigena, T. ovis 
e T. taeniformis, podem estar parasitando o organismo humano, pois as fases larvárias 
não costumam ser tão específicas quanto hospedeiros intermediários (REY, 2018).
Ciclo biológico e transmissão: o ciclo inicia com a ingestão de ovos da T. so-
lium que, para estes chegarem ao estômago do ser humano, vários caminhos podem 
ser percorridos. Dependerão, em primeiro lugar, se o indivíduo está ou não parasi-
tado pela forma adulta do verme. No primeiro caso, teremos uma autoinfecção e, no 
segundo, uma heteroinfecção (NEVES, 2011; REY, 2018).
Na heteroinfecção, forma mais comum, ocorre a ingestão acidental dos ovos 
do parasito disseminados pelas fezes de um paciente com teníase que podem ser 
veiculados pela água ou por alimentos contaminados, ou mesmo pelas mãos sujas 
desse paciente. O número de ovos que o indivíduo suscetível ingere nessas condições 
é geralmente muito pequeno. O resultado, portanto, será́ a formação de poucos cisti-
cercos ou, mesmo, de um único. A gravidade do caso será em função da localização 
desse cisticerco (olho, sistema nervoso central etc.) (NEVES, 2011; REY, 2018).
A autoinfecção externa é quando ocorre a ingestão de ovos de T. solium pelo 
próprio portador da teníase. Os maus hábitos higiênicos (sobretudo a falta do hábito 
higienizar as mãos, após a toalete anal e antes de manipular alimentos, ou de fazer 
uso deles) e a eventualidade de levar as mãos à boca ou de tocar nos alimentos facili-
tam a infecção com grande número de larvas. É mais comum entre crianças ou entre 
doentes mentais (NEVES, 2011; REY, 2018).
A autoinfecção interna ocorre devido aos movimentos antiperistálticos ou 
de vômitos, algumas proglotes grávidas que podem retrogradar ao estômago e ini-
ciar o processo infeccioso. Nessas condições, centenas ou milhares de larvas invadem 
a mucosa e os tecidos do organismo do paciente com cisticercos muito numerosos, 
amplamente disseminados pela pele e tecido subcutâneo, músculos, sistema nervo-
so, olhos etc. (NEVES, 2011; REY, 2018).
Após a 24 a 72 horas da ingestão dos ovos, as oncosferas abandonariam 
o embrióforo e, ativadas pela ação dos sucos digestivos, penetrariam através da 
mucosa intestinal, fazendo uso de seus ganchos, mas também da secreção de suas 
glândulas de penetração. Depois de alcançar os vasos intestinais, os parasitos são 
arrastados pela corrente circulatória e levados aos pontos mais diversos do or-
ganismo. Contudo, desenvolvem-se de preferência em certos órgãos e tecidos: 
tela subcutânea, órbita, músculos, cérebro, cavidades ventriculares e nas grandes 
cisternas subaracnóideas (NEVES, 2011; REY, 2018).
180
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
Observa-se que, na cisticercose, os seres humanos são infectados pelos 
ovos excretados nas fezes humanas, e não pela ingestão de carne de suínos mal-
cozida. Além disso, os suínos não contêm o verme adulto em seu intestino, de 
modo que não são a fonte dos ovos responsáveis pela cisticercose humana (LE-
VINSON, 2016).
Patogenia, sintomas e epidemiologia: A penetração das oncosferas no 
organismo humano não desencadeia manifestações clínicas, devido ao pequeno o 
número de larvas que empreendem o corpo humano. Após a fixação do parasito, 
inicia o processo patogênico, atribuível a dois fatores principais que respondem 
pela variada sintomatologia (REY, 2018):
a) o primeiro é a compressão mecânica e o deslocamento de tecidos ou estruturas, de-
correntes da localização e crescimento do cisticerco, podendo obstruir, por exem-
plo, o fluxo normal de líquidos orgânicos, como o líquido cefalorraquidiano;
b) o segundo é o processo inflamatório que geralmente envolve o parasito e que 
pode, eventualmente, estender-se para as estruturas vizinhas.
A patologia e a clínica dependem tanto da localização, do número, do tama-
nho, da fase de desenvolvimento em que se encontram os cisticercos, bem como da 
reação dos tecidos parasitados e a resposta imune do organismo depende do órgão 
envolvido (REY, 2018). As manifestações clínicas mais comuns da neurocisticercose 
são convulsões, cefaleia, hipertensão intracraniana, hidrocefalia, demência, menin-
gite, síndrome medular e alterações psíquicas.
A cisticercose tem maior ocorrência na África, na Ásia e nas Américas. 
Grande número de casos tem sido registrado no México, Guatemala, El Salvador, 
Brasil, Peru e Chile. No Brasil, os casos de cisticercose cerebral têm sido diagnosti-
cados principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro (REY, 2018).
TÓPICO 2 | HELMINTOS
181
FIGURA 13 – CICLO BIOLÓGICO DA CISTICERCOSE
Legenda: O centro e o lado esquerdo da figura descrevem o ciclo de T. solium no inte-
rior de seres humanos e de porcos. Observa-se que existem agora setas roxas entre o 
ovo na parte inferior que vão para o lado esquerdo da figura até o indivíduo na parte 
superior direita. Na cisticercose, os seres humanos são infectados quando ingerem 
os ovos de T. solium no alimento contaminado com fezes humanas. Os ovos diferen-
ciam-se em cisticercos, principalmente no encéfalo, nos olhos e na pele.
FONTE: Levinson (2016, p. 442)
Profilaxia: consiste essencialmente na prevenção e controle das teníases. A 
higiene pessoal é muito importante, pois tanto a autoinfecção como a heteroinfecção 
podem levar os ovos da T. solium a causar cisticercose no portador da teníase ou em 
seus próximos. Tratamento da água potável e higienização de frutas e hortaliças com 
hipoclorito de sódio. A irrigação de hortas e pomares com água de rios e córregos que 
recebam esgoto ou outras fontes de águas contaminadas deve ser coibida através de 
rigorosa fiscalização, evitando a comercialização ou o uso de vegetais contaminados 
por ovos de Taenia (NEVES, 2011; LEVINSON, 2016; REY, 2018).
182
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
4 DOENÇAS CAUSADAS POR NEMATELMINTOS
Os nematoides são vermes geralmente filiformes que apresentam um 
dos mais bem-sucedidos planos de organização funcional desenvol-
vidos pela natureza. O número de espécies existentes (estimado em 
cerca de 500 mil), a variedade de meios em que vivem e o tamanho 
geralmente considerável de suas populações são provas disso. As es-
pécies parasitas são muito menos numerosas, mesmo assim, são en-
contradas em quase todas as plantas e em quase todos os animais que 
se examinem (REY, 2018, p. 238).
Cerca de um quarto da população mundial alberga uma ou mais espécies 
de nematódeos intestinais. Entre eles, destacam-se Ascaris lumbricoides (que parasi-
ta entre 800 milhões e 1,2 bilhão de indivíduos em todo o mundo), os ancilostomí-
deos Ancylostoma duodenale e Necator americanus (que, conjuntamente, infectam 580 
a 740 milhões de indivíduos) e Trichuris trichiura (encontrado em 600 a 800 milhões 
de indivíduos) (FERREIRA, 2017).
Os parasitos representam importantes problemas de saúde pública que, 
além de ameaçarem constantemente a vida e o bem-estar de grande parte da popu-
lação, causam consideráveis perdas econômicas com assistência médica, redução 
da produtividade,ou incapacitação para o trabalho (REY, 2018).
“Os nematódeos de importância médica podem ser divididos em duas ca-
tegorias, de acordo com sua principal localização no corpo, isto é, nematódeos in-
testinais e de tecidos” (LEVINSON, 2016, p. 456).
Entre os nematódeos intestinais, os 
Enterobius, Trichuris e Ascaris são transmitidos pela ingestão de ovos; os 
demais são transmitidos por larvas. Existem duas formas larvais: as lar-
vas de primeiro e segundo estágios (rabditiformes) são formas não in-
fecciosas e que se alimentam; as larvas do terceiro estágio (filariformes) 
são formas infecciosas e que não se alimentam. Quando adultos, esses 
nematódeos vivem no interior do corpo humano, exceto Strongyloides, 
que pode também ser encontrado no solo (LEVINSON, 2016, p. 456).
TÓPICO 2 | HELMINTOS
183
FIGURA 14 – CARACTERÍSTICAS DE NEMATÓDEOS DE IMPORTÂNCIA MÉDICA
FONTE: Levinson (2016, p. 457)
4.1 ASCARIDÍASE – AGENTE ETIOLÓGICO – ASCARIS
LUMBRICOIDES
É a mais cosmopolita e a mais frequente das helmintíases humanas. Estima-
-se em seis a média de áscaris por pessoa, mas há também registros na literatura de 
casos com 500 a 700 parasitos. As crianças são as mais atingidas, razão pela qual a 
ascaridíase constitui importante problema pediátrico e social (REY, 2018).
Os vermes adultos são cilíndricos, afilando-se gradualmente nas extremida-
des anterior e posterior. As fêmeas adultas podem chegar a mais de 40 cm de compri-
mento (porém geralmente têm 20 a 35 cm) e 3 a 6 mm de diâmetro; os machos adultos 
medem 15 a 31 cm de comprimento e 2 a 4 mm de diâmetro (FERREIRA, 2017).
184
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
FIGURA 15 – VERMES ADULTOS (ASCARIS LUMBRICOIDES) NO INTESTINO HUMANO
FONTE: <http://bit.ly/2IdxBD7>. Acesso em: 9 jan. 2020.
Ciclo biológico e transmissão: 
É do tipo monoxênico, isto é, possuem um único hospedeiro. Cada 
fêmea fecundada é capaz de colocar, por dia, cerca de 200.000 ovos 
não-embrionados. que chegam ao ambiente juntamente com as fezes. 
Os ovos férteis, no solo, em presença de temperatura entre 25º C a 30º 
C, umidade mínima de 70% e oxigênio tornam-se embrionados em 15 
dias (NEVES, 2011, p. 254). 
O ser humano adquire a doença através da água ou alimentos contaminados 
com ovos contendo do áscaris. Os vermes adultos habitam o lúmen do intestino del-
gado humano, onde se alimentam e copulam. Apresentam ciclo pulmonar conhecido 
como síndrome de Loeffler, tendo como característica marcante a eosinofilia (NE-
VES, 2011; REY, 2018).
Patogenia, sintomas e epidemiologia: A maioria das infecções humanas en-
volve pequeno número (menos de dez) de vermes adultos e é assintomática, sendo 
diagnosticada em exames parasitológicos de fezes de rotina ou pela eliminação es-
pontânea de vermes nas fezes. O sintoma mais comum é uma dor abdominal. As 
infecções maciças, especialmente em crianças, podem causar distensão e dor abdo-
minais, levando eventualmente ao bloqueio mecânico do intestino delgado. Embora 
a fase de migração pulmonar das larvas seja assintomática na maioria dos pacientes, 
alguns apresentam tosse não produtiva, febre e dispneia, eventualmente com reação 
de hipersensibilidade, ocasionando obstrução brônquica e sibilos (FERREIRA, 2017).
Amplamente distribuída pelas regiões tropicais e temperadas do mundo, a 
ascaridíase incide mais intensamente nos lugares com clima quente e úmido, além 
das condições higiênicas da população serem mais precárias (FERREIRA, 2017).
TÓPICO 2 | HELMINTOS
185
FIGURA 16 – CICLO BIOLÓGICO DA ASCARIDÍASE
Legenda: Ciclo de vida. Parte superior: A seta azul na parte superior esquerda mostra ovos 
sendo ingeridos. As larvas emergem no trato intestinal, penetram na corrente sanguí-
nea e migram para os pulmões. Elas, então, entram nos alvéolos, ascendem em dire-
ção aos brônquios e à traqueia, migram para a faringe e são engolidas. Vermes Ascaris 
adultos formam-se no intestino delgado. Os ovos são transmitidos pelas fezes de seres 
humanos. Parte inferior: A seta vermelha indica a maturação dos ovos no solo.
FONTE: Levinson (2016, p. 462).
Profilaxia: “[...] quatro medidas são bem conhecidas para o controle das 
infecções por [...]” Ascaris lumbricoides: “a) repetidos tratamentos em massa dos 
habitantes de áreas endêmicas com drogas ovicidas; b) tratamento das fezes hu-
manas que eventualmente, possam ser utilizadas como fertilizantes; c) sanea-
mento básico; d) educação para a saúde” (NEVES, 2011, p. 259).
186
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
4.2 ANCILOSTOMOSE – AGENTES ETIOLÓGICOS – 
ANCYLOSTOMA DUODENALE E NECATOR AMERICANUS 
Duas espécies de ancilostomídeos (Ancylostoma duodenale e Necator ameri-
canos) parasitam com frequência o ser humano e são responsáveis pela ancilosto-
mose, doença tipicamente anemiante (REY, 2018).
As principais diferenças morfológicas entre adultos de A. duodenale e N. 
americanus, encontram-se na cápsula bucal e na bolsa copuladora, situada na ex-
tremidade distal dos machos. Na cápsula bucal de A. duodenale encontram-se dois 
pares de dentes enquanto na cápsula bucal de N. americanus as estruturas corres-
pondentes são duas lâminas de bordas cortantes.
FIGURA 17 – MORFOLOGIA DE EXEMPLARES ADULTOS DE ANCILOSTOMÍDEOS
Legenda: macho (A) e fêmea (B). As diferenças encontradas na cápsula bucal de An-
cylostoma duodenale (C) e Necator americanus (D) são também representadas
FONTE: Ferreira (2017, p. 108).
TÓPICO 2 | HELMINTOS
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Ciclo biológico e transmissão: 
Os seres humanos são infectados quando larvas filariformes presentes 
no solo úmido penetram na pele, geralmente nos pés ou nas pernas. 
Elas são carreadas para o sangue e para os pulmões, migram em dire-
ção aos alvéolos, brônquios e pela traqueia sendo deglutidas. Desen-
volvem-se em adultos no intestino delgado, aderindo-se à parede por 
meio de lâminas cortantes (Necator) ou dentículos (Ancylostoma). Ali-
mentam-se de sangue a partir dos capilares das vilosidades intestinais. 
Milhares de ovos são eliminados diariamente nas fezes. Inicialmente, 
os ovos desenvolvem-se em larvas não infecciosas e que se alimentam 
(rabditiformes) e, em seguida, em larvas do terceiro estágio, infeccio-
sas e que não se alimentam (filariformes), as quais penetram na pele 
para completar o ciclo (LEVINSON, 2016, p. 461).
FIGURA 18 – CICLO BIOLÓGICO DA ANCILOSTOMOSE
FONTE: Levinson (2016, p. 464)
Legenda: Ancilóstomos (Necator e Ancylostoma). Ciclo de vida. Parte superior: A seta azul na 
parte esquerda mostra a penetração da larva filariforme na pele. As larvas migram pelo pulmão 
e podem causar pneumonia. O ancilóstomo adulto associa-se à mucosa intestinal e causa 
hemorragia e anemia. Os ovos são transmitidos pelas fezes de seres humanos. Parte inferior: A 
seta vermelha indica a maturação dos ovos no solo para formar a larva rabditiforme e, então, 
a larva filariforme infectante.
188
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
Patogenia, sintomas e epidemiologia: 
O principal dano é decorrente da perda de sangue no local de aderência 
no intestino delgado. Pode haver perda diária de 0,1 a 0,3 mL por 
verme. O sangue é consumido pelo verme e também extravasa do local 
em resposta a um anticoagulante produzido por ele. Fraqueza e palidez 
acompanham a anemia microcítica causada pela perda sanguínea. 
Esses sintomas ocorrem em pacientes cujo estado nutricional não é 
capaz de compensar a perda sanguínea. A ancilostomose cutânea, 
uma pápula ou vesícula pruriginosa, pode ocorrer no local de entrada 
das larvas na pele. Pneumonia com eosinofilia pode ser observada 
durante a migração larval pelos pulmões (LEVINSON, 2016, p. 461).
No Brasil, estimativas realizadas durante o século XX calculavam estar en-
tre 23 e 24 milhões o número de casos positivos para ancilostomose (REY, 2018).
Profilaxia: Na luta contra a ancilostomíase, há vários tipos de recursos: 
a) uso de calçados; b) quimioterapia com anti-helmínticos; c) medicação antianê-
mica; d) destino sanitário dos excretas; e) combate às larvas no solo (REY, 2018).
Outros Ancylostomas de interesse para asaúde humana
Os animais domésticos e silvestres possuem uma série de para-
sitos, cujas larvas infectantes só são capazes de completar o ci-
clo quando alcançam seu hospedeiro próprio. As larvas desses 
parasitos quando infectam um hospedeiro anormal, inclusive os 
humanos, podem não ser capazes de evoluir nesse hospedeiro, 
podendo então realizar migrações através do tecido subcutâneo 
ou visceral e produzir as síndromes conhecidas como larva mi-
grans cutânea (conhecida popularmente como bicho geográfico) 
larva migram visceral e larva migram ocular (NEVES, 2011, p. 271). 
Exemplos: Ancylostoma caninum e Ancylostoma braziliense (NEVES, 2011).
NOTA
4.3 STRONGILOIDÍASE – AGENTE ETIOLÓGICO – 
STRONGYLOIDES STERCORALIS
S. stercoralis é o único nematódeo intestinal cujos ovos eclodem no próprio tra-
to digestivo humano, permitindo ao parasito multiplicar-se no interior do hospedeiro 
pela autoinfecção. Essa multiplicação pode ser extremamente eficaz, e eventualmente 
fatal, em indivíduos com comprometimento imunitário grave (FERREIRA, 2017).
Ciclo biológico e transmissão: 
TÓPICO 2 | HELMINTOS
189
[...] apresenta dois ciclos de vida distintos, um no interior do corpo 
humano e outro de vida livre no solo. O ciclo de vida no corpo huma-
no inicia pela penetração de larvas (filariformes) infecciosas na pele e 
sua migração para os pulmões. As larvas penetram nos alvéolos, as-
cendem pelos brônquios e pela traqueia, sendo, então, deglutidas. No 
intestino delgado, as larvas transformam-se em adultos, que penetram 
na mucosa e produzem ovos. Os ovos geralmente eclodem no interior 
da mucosa, formando larvas rabditiformes que são eliminadas nas fe-
zes. Algumas larvas transformam-se em larvas filárias, que penetram 
diretamente na parede intestinal sem deixar o hospedeiro, e migram 
até os pulmões (autoinfecção). As larvas filariformes também podem 
sair do ânus e causar uma reinfecção através da pele perianal. Em pa-
cientes imunocompetentes, esse é um evento incomum, sem impor-
tância clínica. No entanto, em pacientes imunocomprometidos [...], a 
autoinfecção pode conduzir a uma reinfecção massiva, com a passa-
gem de larvas a vários órgãos, e com consequências graves, muitas 
vezes fatais. Quando as larvas são eliminadas nas fezes e atingem o 
solo quente e úmido, passam por estágios sucessivos, formando ver-
mes adultos machos e fêmeas. Após o acasalamento, o ciclo completo 
de ovo, larva e adulto pode ocorrer no solo. Após diversos ciclos de 
vida livre, são formadas larvas filariformes. Quando em contato com 
a pele, as larvas penetram nela novamente e iniciam o ciclo parasitário 
no interior dos seres humanos (LEVINSON, 2016, p. 463).
190
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
FIGURA 19 – CICLO BIOLÓGICO DA ESTRONGILOIDÍASE
Legenda: O centro e o lado direito da figura descrevem os estágios no interior de seres humanos 
(setas roxas). As larvas filariformes penetram na pele (etapa 1). As larvas migram pelo pulmão e po-
dem causar pneumonia. Vermes Strongyloides adultos formam-se no intestino delgado. Os ovos 
eclodem na mucosa intestinal e as larvas rabditiformes são excretadas nas fezes humanas, e não os 
ovos dos vermes. A seta roxa curvada que parte da etapa 5 e sobe descreve o ciclo de autoinfecção 
pelo qual se formam as larvas filariformes no trato gastrointestinal, infectando através da penetra-
ção da mucosa do intestino ou da pele perianal. O lado esquerdo da figura descreve a maturação 
no solo (setas vermelhas). Observa-se que as etapas 6, 7 e 8 constituem o ciclo de vida livre no solo.
FONTE: Levinson (2016, p. 466)
Patogenia, sintomas e epidemiologia: “A maioria dos pacientes é assintomá-
tica, principalmente os com pequena quantidade de vermes. Vermes fêmeas adultas 
presentes na parede do intestino delgado podem causar inflamação, resultando em 
diarreia aquosa [...]. Larvas nos pulmões podem produzir pneumonite similar à cau-
sada por Ascaris” (LEVINSON, 2016, p. 463). 
Na autoinfecção, a hiperinfecção manifesta-se geralmente com febre alta, 
pneumonia e frequentemente bacteremias por bactérias gram-negativas (FERREIRA, 
2017).
“No Brasil, a estrongiloidíase é uma doença parasitária de grande importân-
cia em saúde pública, cujas taxas de infecção variam de acordo com a região estuda-
da” (NEVES, 2011, p. 283).
TÓPICO 2 | HELMINTOS
191
Profilaxia: 
A estrongiloidíase não é uma doença de notificação obrigatória e para 
minimizar a ocorrência do complexo ciclo de transmissão, as equipes de 
saúde das regiões endêmicas devem elaborar programas de controle ado-
tando as medidas preconizadas para as geo-helmintíases, ressaltando a 
atenção aos hábitos higiênicos principalmente a lavagem e higienização 
adequada dos alimentos, utilização de calçados, educação e engenharia 
sanitária, além da melhoria da alimentação (NEVES, 2011, p. 283-284).
Cuidado com a Anisaquíase – Agente etiológico - Anisakis simplex
As larvas de Anisakis simplex são ingeridas em frutos-do-mar crus, como sashimi e sushi, e 
migram para a submucosa do trato intestinal. A infecção aguda assemelha-se à apendicite. 
O diagnóstico não depende do laboratório clínico. Não há quimioterapia efetiva. As larvas 
podem ser removidas quando visualizadas durante a gastroscopia. A prevenção consiste 
em não ingerir peixe cru contaminado.
ATENCAO
192
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
LEITURA COMPLEMENTAR
Inquérito nacional de prevalência da esquistossomose mansoni e 
geo-helmintoses
Este inquérito de prevalência da esquistossomose e das geo-helmintoses, 
realizado no Brasil, é o primeiro com abrangência em todos os estados da Federa-
ção. Trata-se de estudo de corte transversal, de base populacional, com o objetivo 
de conhecer a situação atual da esquistossomose, da tricuríase, da ancilostomíase 
e da ascaridíase, em escolares de 7 a 17 anos, de ambos os sexos.
 
Para a seleção da amostragem foram consideradas quatro regiões epide-
miológicas: (i) - área endêmica para esquistossomose com mais de 500.000 habi-
tantes de 16 unidades federadas (UF); (ii) - área endêmica com menos de 500.000 
habitantes de 12 UF; (iii) - área não endêmica para esquistossomose, constituída 
por municípios com população inferior a 500.000 habitantes de 26 UF e, (iv) - área 
não endêmica com mais de 500.000 habitantes de 14 UF.
 
Foram examinados 197.564 escolares residentes em 521 municípios, ou 
seja, 96,1% do planejado, nas 27 Unidades de Federação e no Distrito Federal. Em 
nove estados, o percentual de exames realizados variou de 60% a 80%; em seis 
entre 80% e 100% e em nove estados foi superior ao planejado. Nos Estados do 
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, a adesão variou de 19% a 
37%, comprometendo a representatividade amostral.
Para a esquistossomose, os resultados mostraram que as macrorregiões Nor-
deste e Sudeste apresentaram os maiores índices de positividade, sendo de 1,27% 
e 2,35%, respectivamente. Na macrorregião Norte, a positividade foi de 0,01%, na 
Centro-Oeste de 0,02% e na Sul, nenhum caso foi diagnosticado. Nas áreas endê-
micas para esquistossomose, a proporção de positivos foi de 0,27% e 3,28% nos 
municípios com mais ou menos de 500.000 habitantes, respectivamente. Nas áreas 
não endêmicas, com mais de 500.000 habitantes, a positividade para S. mansoni foi 
de 0,05% e, nos municípios com menos de 500.000 habitantes, de 0,13%.
 
Os estados que apresentaram as maiores proporções de positivos, nos 
municípios com população até 500 mil habitantes, estavam localizados em Sergi-
pe (10,67%), Pernambuco (3,77%), Alagoas (3,35%), Minas Gerais (5,81%) e Bahia 
(2,91%). Chamam a atenção os municípios com mais de 500.000 habitantes loca-
lizados no Rio de Janeiro (2,80%) em Pernambuco (2,48%) e em Sergipe (2,28%). 
Com exceção do Espírito Santo (1,02%), nos outros estados a proporção de posi-
tivos foi menor que 0,5%.
 
No Brasil, foram encontrados 194.900 escolares negativos e 2.664 eliminan-
do ovos de S. mansoni. A proporção de positivos foi de 0,99% (IC95% - 0,20 a 1,78). 
TÓPICO 2 |HELMINTOS
193
Com relação às geo-helmintoses, foram encontrados 5.192 escolares com 
ovos de ancilostomídeos nas fezes, dando uma proporção de positivos de 2,73% 
(IC95% - 1,98 a 3,49). As maiores taxas encontradas na região Norte foram no Pará 
(7,21%), Tocantins (6,06%) e Amazonas (3,14%). Nos outros estados da região, as 
taxas ficaram em torno de 1%. Na região Nordeste, os estados com maior posi-
tividade foram o Maranhão (15,79%), Sergipe (6,62%), Paraíba (5,09%) e Bahia 
(4,23%). Nos outros estados desta região, a positividade ficou abaixo de 2%. No 
resto do país, a proporção de positivos ficou abaixo de 1%, sendo que do Rio de 
Janeiro até o Rio Grande do Sul, esta proporção foi de 0,5%.
 
A distribuição da ascaridíase e tricuríase guardam semelhança. Foram en-
contrados 11.531 escolares com Ascaris lumbricoides, ou seja, 6,00% (IC95% - 5,05 a 
6,96). Nas regiões Norte e Nordeste foram encontradas as maiores taxas de positivi-
dade: Amazonas (19,14%), Maranhão (17,49%), Alagoas (14,26%), Sergipe (12,86%) e 
Pará (11,78%). Nos outros estados destas regiões, a positividade girou em torno de 
5%, com exceção da Roraima (0,71%) e Rondônia (0,88%). No Rio de Janeiro, Paraná, 
Santa Catarina em torno de 5%, em Minas Gerais 1,43% e, no Espírito Santo, 2,73%.
 
Para a tricuríase a taxa de positividade foi de 5,41% (IC95% - 4,06 a 6,77), 
isto é, 10.654 escolares positivos. As maiores proporções de positivos estão nas 
regiões Norte e Nordeste: Amazonas (21,79%), Pará (20,65%), Sergipe (16,99%) 
e Alagoas (15,04%). Para os estados do Amapá, Acre, Maranhão, Rio Grande do 
Norte, Paraíba, Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina em 
torno de 5% e nos outros estados em torno de 2%. Para a região Centro-Oeste, 
exceção do Mato Grosso, a taxa esteve em torno de 0,1%.
 
Comparando-se os dados deste inquérito com os dos dois realizados no 
Brasil, sendo o primeiro por Pellon & Teixeira (1949-53) e o segundo pelo Progra-
ma Especial de Controle da Esquistossomose (1975- 78), podemos ver que a queda 
da prevalência das parasitoses em questão é grande. De fato, considerando-se os 
dados encontrados nestes três inquéritos em 11 estados endêmicos para esquistos-
somose, a positividade caiu de 10,09% para 9,24% e atualmente está em 1,79%. Em 
relação as geo-helmintoses, a diminuição é ainda maior. No primeiro inquérito de 
Pellon & Teixeira, a proporção de positivos na região Norte, Nordeste e em Minas 
Gerais variou de 80% a 100%, estando este índice atualmente, muito abaixo do en-
contrado anteriormente. Apenas para exemplificar, no Maranhão, a proporção dos 
escolares positivos para geo-helmintos era de 99,4% e atualmente encontra-se em 
torno de 20%. Já em Minas Gerais, cuja taxa era de 89,4%, neste último inquérito foi 
de 1,4% para Ascaris, 0,9% para ancilostomídeos e, 0,6% para Trichuris.
 
Como possíveis causas para o decréscimo de positividade dessas parasi-
toses, podemos destacar a urbanização, trazendo como o seu correlato, o sanea-
mento, isto é, o abastecimento de água domiciliar e esgoto que teve um cresci-
mento expressivo nesse período. Devemos levar em conta também, os milhões 
de tratamentos específicos, que vem sendo realizados há décadas no Brasil, com 
194
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
medicamentos de baixa toxicidade, que produzem poucos efeitos colaterais, usa-
dos em dose única, por via oral e que tem baixo custo. Seguramente, estes fatores 
foram importantes para a diminuição da morbimortalidade, da prevalência e da 
intensidade de infecção destas parasitoses.
 
Os resultados deste Inquérito, que retratam a situação atual da esquistos-
somose e das geo-helmintoses em nosso país, devem ser usados para o planeja-
mento de políticas, objetivando a eliminação destas parasitoses como doenças de 
saúde pública, com o objetivo de alcançar o bem-estar da população brasileira, 
através do término da iniquidade e do aumento da justiça social.
FONTE: KATZ, N. Inquérito nacional de prevalência da esquistossomose mansoni e geo-
helmintoses. 2018. Disponível em: http://bit.ly/2x1qPOs. Acesso em: 7 nov. 2019.
195
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• Os helmintos de importância clínica compreendem os platelmintos (vermes pla-
nos) e os nematelmintos (vermes cilíndricos).
• Os platelmintos são organismos achatados dorsoventralmente; com ausência de 
celoma; presença de tecido conjuntivo entre os órgãos; presença ou ausência de 
tubo digestivo; ausência de aparelho circulatório; sistema excretor protonefrídi-
co; simetria bilateral; reprodução sexuada e hermafroditas.
• Os nematelmintos são organismos cilíndricos; pseudocelomados; tem um sis-
tema digestório completo; ausência de sistema circulatório; corpo revestido por 
cutícula, espinhos, cordões; expansões cefálicas, cervicais e caudais; reprodução 
sexuada, hermafroditas e partenogênese (Strongyloides stercoralis).
• A Esquistossomose é uma doença causada pelo Schistosoma mansoni envolve 
uma etapa sexuada que ocorre em seres humanos (hospedeiros definitivos) e a 
reprodução assexuada em caramujos (Biomphalaria spp.) de água doce (hospe-
deiros intermediários). A transmissão aos seres humanos ocorre pela penetração 
na pele por cercárias de vida livre dos esquistossomos que vivem na água doce.
• Teníase: as tênias são transmitidas pelo consumo de carne malcozida de bovinos, 
suínos ou peixes, contendo larvas encistadas (cisticercos).
• O escólex fixa-se à mucosa intestinal dos seres humanos (o hospedeiro definiti-
vo) e amadurece em uma tênia adulta.
• Os ovos são disseminados nas fezes e devem ser ingeridos por um hospedeiro 
intermediário.
• As tênias adultas podem passar despercebidas em um ser humano. 
 
• A cisticercose ocorre quando o ser humano ingere os ovos da T. solium através da 
água ou alimentos (frutas e hortaliças) contaminados com fezes humanas. 
 
• Ascaridíase é adquirida quando o ser humano ingere os ovos do Ascaris lum-
bricoides através de água e alimentos contaminados. Os vermes apresentam um 
ciclo pulmonar e os adultos vivem no intestino humano.
 
• Ancilostomose é causada por dois vermes o Ancylostoma duodenale e o Necator 
americanus; a transmissão ocorre através da penetração de larvas na pele que mi-
gram até o intestino.
196
AUTOATIVIDADE
1 Dentre as parasitoses que atingem cerca de 85% da população brasileira, 
algumas se caracterizam por apresentarem como principais medidas profi-
láticas:
I- Andar sempre calçado.
II- Ingerir carne sempre bem cozida. 
III- Beber água filtrada ou fervida e lavar bem as frutas e verduras.
IV- Não nadar em águas estagnadas onde houver caramujos contaminados. 
Assinale a alternativa em que a parasitose esteja corretamente relacionada 
com a medida profilática:
a) ( ) Ancilostomose (I), teníase (II), ascaridíase (III), esquistossomose (IV). 
b) ( ) Teníase (I), ascaridíase (II), ancilostomose (III), esquistossomose (IV).
c) ( ) Ancilostomose (I), teníase (II), esquistossomose (III), ascaridíase (IV). 
d) ( ) Esquistossomose (I), teníase (II), ascaridíase (III), ancilostomose (IV). 
e) ( ) Ascaridíase (I), teníase (II), strongiloidíase (III), esquistossomose (IV). 
2 Uma criança apresentava tosse constante. Ao fazer um exame parasitoló-
gico foi constatada a infecção por um verme que apresenta fase pulmonar. 
Dos parasitas listados, assinale a alternativa que apresenta o parasito que 
não pode ser o responsável pela patologia.
a) ( ) Ascaris lumbricoides.
b) ( ) Enterobius vermicularis.
c) ( ) Necator americanus.
d) ( ) Ancylostoma duodenale.
e) ( ) Strongyloides stercoralis.
3 Dentre as geo-helmintíases, a estrongiloidíase, infecção causada pelo nema-
tódeo Strongyloides stercoralis, está entre as seis primeiras, principalmente 
em regiões tropicais e subtropicais do mundo. Essa posição refere-se ape-
nas às infecções ativas, uma vez que o número de pessoas potencialmente 
expostas com quadro de infecção subclínico é muito maior.
 
Avalie as afirmativas sobre o Strongyloides stercoralis:
197
I- Os parasitashabitam a mucosa estomacal, particularmente do duodeno e je-
juno. 
II- No ciclo vital do S. stercoralis, as larvas infectantes alcançam os pulmões, rom-
pem os alvéolos pulmonares, ascendem por via brônquica até a faringe, po-
dendo ser expulsas com as secreções ou deglutidas. 
III- As larvas podem ser pesquisadas em amostras fecais como em material de 
secreção pulmonar. 
IV- S. stercoralis é o único nematódeo intestinal cujos ovos eclodem no próprio 
trato digestivo humano, permitindo ao parasito multiplicar-se no interior do 
hospedeiro pela autoinfecção.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) São corretas apenas as afirmativas I, II e III. 
b) ( ) São corretas apenas as afirmativas II, III e IV. 
c) ( ) São corretas apenas as afirmativas I e II. 
d) ( ) É correta apenas a afirmativas I. 
e) ( ) São corretas apenas as afirmativas I e IV.
198
199
TÓPICO 3
ARTRÓPODES
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
O filo Arthropoda constitui o maior grupo do reino animal que abriga 
cerca de 80% do total de espécies conhecidas de metazoários. Mais de um milhão 
de espécies vivem no ar, terra ou água, adaptadas a alimentar-se de diversas fontes 
de nutrientes, inclusive o sangue de vertebrados (FERREIRA, 2017). “Praticamente 
todos os ectoparasitas são artrópodes, isto é, eles são invertebrados com um esqueleto 
de quitina. Ectoparasitas são organismos encontrados na pele ou nas camadas 
superficiais da pele” (LEVINSON, 2016, p. 569).
“Os ectoparasitas que causam doenças em seres humanos se dividem em duas 
categorias principais: insetos (artrópodes com seis patas) e aracnídeos (artrópodes 
com oito patas). Os ectoparasitas, discutidos neste tópico, incluem insetos, como 
piolhos, moscas e percevejos, e aracnídeos, como ácaros, carrapatos” (LEVINSON, 
2016, p. 569).
Muitos artrópodes são vetores que transmitem os organismos causadores de 
doenças infecciosas importantes como a malária, leishmaniose, doença de chagas. 
Entretanto, neste tópico apresentaremos, os artrópodes como a causa das próprias 
doenças e não como vetores.
2 CARACTERIZAÇÃO GERAL
O nome Arthropoda significa pés articulados (podas = pés; arthro = arti-
culação). É o filo que apresenta o maior número de indivíduos do reino 
animal, possuindo hoje mais de 1.500.000 espécies já descritas. O corpo 
é dividido em duas porções (cefalotórax e abdome, cabeça e tronco) ou 
três (cabeça, tórax e abdome). Possuem simetria bilateral, com esqueleto 
externo [...] formado pelo tegumento [...], que compreende a epiderme e 
a cutícula (NEVES, 2011, p. 319).
A maioria dos artrópodes é dotada de um sistema nervoso composto por 
uma cadeia ganglionar ventral e um sistema circulatório aberto, em que a hemolinfa 
banha a cavidade do corpo, impulsionada pelo coração. 
O sistema respiratório é constituído por uma rede de traqueias que se comu-
nica com o exterior através de aberturas respiratórias, apresenta tubo digestivo com-
pleto e o crescimento ocorre por mudas (ecdises) (NEVES, 2011; FERREIRA, 2017).
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
200
Os grupos taxonômicos de artrópodes distinguem-se, de maneira geral, 
pela maneira com que os segmentos são agrupados para compor as partes com-
pactas ou distintas do corpo. “Muitos artrópodes são vetores que transmitem os 
organismos causadores de doenças infecciosas importantes como a malária, do-
enças de chagas, leishmaniose etc.” (LEVINSON, 2016, p. 569). 
FIGURA 20 – PRINCIPAIS DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ARTRÓPODES AOS HUMANOS
FONTE: Neves (2016, p. 320)
Tifo murino ou 
esporádico
Rickettsia mooseri 
(=R. typhi) Ratos X. cheopis Fezes
Peste bubônica Yersinia pestis (= Pasturella pestis)
Roedores domésti-
cos e silvestres X. cheopis Picada
Tifo exantemático 
ou epidêmico
Rickettsia prowa-
zeki Humanos P.humanus
Fezes e esmaga-
mento
Febre das trinchei-
ras ou dos cinco 
dias
Rochalimaea quin-
tana (doenças em 
desaparecimento, 
antigamente vista 
na Europa)
Humanos P.humanus (Picada?) fezes
Febre recorrente Borrelia recurrentis Humanos P.humanus P. capitis Esmagamento
Febre maculosa 
americana (Minas, 
São Paulo, Co-
lômbia, México e 
Estados Unidos
Rickettsia rickettsi Roedores, cães e o próprio carrapato
Amblyomma ca-
jennense, Rhipi-
cephalus sanguineus
Picada
Doenças de Cha-
gas Trypanosoma cruzi
Tatu, gambá, 
humanos, cão, 
gato etc.
Triatoma infestans, 
Panstrongylus 
megistus
Dejetos
Calazar Leishmania cha-gasi Raposa, cão
Lutzomyia longi-
palpis Picada
Leishmaniose 
tegumentar ame-
ricana
Leishmania brazi-
liensis, L. mexicana
Raposa, cão, pre-
guiça
Várias espécies de 
Lytzomyia Picada
Malária
Plasmodium vivax, 
P. falciparum, P. 
malarie
Humanos
Anopheles darlingi, 
A. aquasalis, A. 
cruzi, A. bellator
Picada
Febre amarela Vírus Macacos e huma-nos
Aedes aegypti 
Haemaggus sp Picada
Dengue Vírus Humanos Aedes aegypti Picada
Enterites Bactérias Humanos
Musca doméstica 
Calliphoridae, 
Sarcophagidae
Mecanicamente e 
regurgitação
Elefantiase Wuchereria ban-crofti Humanos
Culex quinquefas-
ciatus Picada
Oncocercose Onchocerca vol-vulus Humanos Simulium guianense Picada
Mansonelose Humanos Simulium guianense Picada
TÓPICO 3 | ARTRÓPODES
201
“Dentre [...] os artrópodes conhecidos, a classe que apresenta maior nú-
mero de espécies [...] causadoras de doenças aos seres humanos é a Insecta [...]. 
Da classe Arachnida estudaremos apenas a Ordem Acari [...]” (NEVES, 2011, p. 
322). A figura a seguir resume as características comuns das doenças causadas 
pelos ectoparasitas de importância médica descritos neste tópico. 
FIGURA 21 – ECTOPARASITAS IMPORTANTES QUE CAUSAM DOENÇAS EM HUMANOS
FONTE: Levinson (2016, p. 570)
Nome do organismo Características comuns da
Insetos
1. Piolhos Pediculus humanus (piolho-da-
-cabeça ou piolho-do-corpo)
Phthirus pubis (piolho-do-
-pubis)
Prurido do couro cabeludo ou do tronco; lênde-
as vistas na haste do cabelo ou dos pelos
Prurido na área pública; lêndeas visualizadas 
na haste dos pelos
2. Moscas Dermotobia hominis (berne) Nódulo eritematoso, dolorido e pruriginoso; 
uma larva pode ser visualizada emergindo do 
nódulo
3. Percevejos Cimex lectularius (percevejo 
comum)
Pápula eritematosa e pruiginosa
Aracnídeos
1. Ácaros Sarcoptes scabiei (ácaro-da-sarna) Pápula pruriginosas eritematosas e marcas 
lineares
2. Carrapatos Espécies de Dermacentor Paralisia ascendente
3. Aranhas Latrodectus mactans (aranha 
viúva-negra)
Loxosceles reclusa (aranha-mar-
rom solitária)
Dor intensa e espasmos musculares
Úlcera necrótica
3 DÍPTEROS 
Compreende grande variedade de insetos de tamanho pequeno ou grande, 
apresentam o corpo dividido em três regiões (cabeça, tórax e abdome), bem como três 
pares de patas (restritas ao tórax) e um par de antenas, providos de aparelho bucal 
sugador e de um único par de asas como os mosquitos e as moscas (NEVES, 2011; 
REY, 2018).
Estima-se que existam oito milhões de espécies de insetos, com cerca de um 
milhão delas descritas. Sua riqueza em diversidade é atribuída ao pequeno tamanho, 
as gerações de curta duração, ao sistema nervoso relativamente sofisticado, a capa-
cidade de voar e a existência de diferentes estratégias de desenvolvimento (FERREI-
RA, 2017).
 Os dípteros são a ordem de maior importância entre os artrópodes, pois entre 
eles encontram-se os hospedeiros intermediários e transmissores de muitas doenças 
como as virais: febre-amarela, dengue, zika, chikungunya etc.; protozoários: malária, 
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
202
leishmaniose, a doença do sono e outras tripanossomíases; helmintos: filariose linfá-
tica, a oncocercose etc. (REY, 2018). Além disso, os dípteros são vetores mecânicos de 
vários outros microrganismos ou causam lesões devidas ao seu parasitismo na fase 
larvária, como no caso das miíases.
3.1 MIÍASES – AGENTES ETIOLÓGICOS - VÁRIAS ESPÉCIES 
DE LARVAS DE DIPTEROS
Miíase é a infestação de larvas de moscas (dípteros) em órgãos e tecidos 
do ser humano ou de outros animais vertebrados, onde elas se nutrem e desen-
volvem como parasitos (NEVES, 2011; REY, 2018). 
Algunsautores classificam as miíases em dois tipos de acordo com Fer-
reira (2017):
1) As produzidas por larvas biontófagas, capazes de invadir tecidos normais e iniciar 
um processo patológico como as Dermatobia hominis e Cochliomyia hominivorax.
2) As produzidas por larvas necrobiontófagas que são invasoras secundárias de 
lesões anatomopatológicas preexistentes. Este grupo concentra numerosas es-
pécies de moscas como as Cochliomyia macellaria, alguns Sarcophagidae e espé-
cies dos gêneros Phaenicia, Chrysomya, Fannia, Musca e Muscina.
Existe também uma classificação clínica que distingue apenas miíases cutâ-
neas e miíases cavitárias. As miíases mais frequentes são as intestinais devido à 
ingestão de alimentos contaminados pelas moscas, principalmente dos gênero 
Musca, Muscina, Fannia, Eristalis e outros. Os sintomas podem ser discretos ou ma-
nifestarem-se com náuseas, vômitos e diarreia, dependendo da intensidade do qua-
dro, entre outras circunstâncias, do número de larvas ingeridas (FERREIRA, 2017).
A Musca domestica é uma praga importante para saúde pública por frequen-
tar ambientes insalubres, pousar sobre alimentos e utensílios domésticos, veicu-
lando bactérias, vírus, cistos e oocistos de protozoários, além de ovos e larvas de 
nematódeos (FERREIRA, 2017).
TÓPICO 3 | ARTRÓPODES
203
O ciclo vital das moscas é holometábolo e compreende as fases de ovo, larva 
(três estágios, alcançados por meio de ecdises), pupa e imago (adulto alado). As fê-
meas das moscas botam os ovos, 15 a 20 ovos de cada vez, podendo produzir 300 a 
400 ovos por fêmea, no meio exterior, onde eles se desenvolvem. A única exceção são 
as moscas Sarcophagidae que produzem larvas de primeiro estágio (FERREIRA, 2017).
O tratamento recomendado para miíases é a remoção das larvas com pré-
via anestesia, quando necessário, pois é a terapêutica indicada para as miíases 
cutâneas e cavitárias. Nas intestinais, a cura pode ser acelerada com a adminis-
tração de anti-helmínticos (FERREIRA, 2017). 
As medidas preventivas estão voltadas para impedir a multiplicação das 
espécies. Recomenda-se dar o destino adequado aos resíduos sólidos e aos dejetos 
humanos ou de animais. A compostagem de material orgânico eleva a temperatu-
ra a níveis fatais para as larvas, sendo uma prática recomendada. O esterco deve 
FIGURA 22 – MIÍASE LARVA DO BERNE - DERMATOBIA HOMINIS
FONTE: Levinson (2016, p. 571)
Legenda: larva do berne emergindo do centro de uma lesão cutânea nodular eritematosa. 
A inserção na figura apresenta uma larva intacta
A disseminação das miíases é muito eficiente, pois as fêmeas ficam vigiando 
outros insetos, mosquitos (borrachudos entre outros) ou moscas hematófagas de várias es-
pécies e agarram-nos em pleno voo e depositam seus ovos, colando estes sobre o corpo de 
sua presa ampliando desta forma o sistema de distribuição das larvas (REY, 2018).
IMPORTANT
E
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
204
ser acumulado em pilhas compactas sobre base de concreto, cercada de vala com 
água para que as larvas prestes a pupar não possam alcançar o solo e, ao tentar 
fazê-lo, abandonando a matéria fecal, caiam na água e morram. Impedir o acesso 
dos insetos nas fontes de alimentos, estes devem estar protegidos das moscas por 
meio de telas nas portas e janelas, ou por coberturas adequadas. Estabelecer um 
programa de controle de pragas (REY, 2018).
FIGURA 23 – CICLO BIOLÓGICO - DERMATOBIA HOMINIS
FONTE: Rey (2018, p. 343)
Legenda: A. O inseto adulto. B. Culicíneo sobre o qual a Dermatobia fixou seus ovos, 
vendo-se abaixo um dos ovos operculados, com maior aumento. C. Larva da Der-
matobia, ou berne, desenvolvendo-se na pele de um paciente. O gado constitui a 
principal fonte para a existência dessa miíase tipicamente rural.
4 ANOPLURA (PIOLHOS)
Os anopluros compreendem 532 espécies distribuídas em 15 famílias, das 
quais apenas duas apresentam espécies que parasitam o homem: a) Pediculidae, 
com as espécies Pediculus capitis [...] com o piolho localizado na cabeça; e b) 
Pediculus humanus - piolho do corpo ou “muquirana”. A espécie Pthirus pubis, 
conhecida vulgarmente como "chato”, foi considerada como a mesma espécie Pe-
diculus humanus através de estudos moleculares (NEVES, 2011).
4.1 PEDICULOSE – PIOLHOS – FAMÍLIA PEDICULIDAE
Os piolhos são visíveis a olho nu, possuindo de 2 a 4 mm de comprimento 
que se caracterizam por ter o corpo achatado dorsoventralmente e os segmentos do 
TÓPICO 3 | ARTRÓPODES
205
FIGURA 24 – PIOLHO QUE INFESTA O SER HUMANO - PEDICULUS HUMANUS
tórax fundidos, possuem seis patas armadas com garras, com as quais se prendem 
ao cabelo e a pele. Os ovos dos piolhos são chamados de lêndeas, visualizadas a 
olho nu, e são na maioria dos casos, encontradas presas à haste do cabelo. Tanto os 
machos como as fêmeas são hematófagos (LEVINSON, 2016; REY, 2018).
Legenda: A. Fêmea em vista dorsal. B. Macho em vista dorsal.
FONTE: Ferreira (2017, p. 174)
Ciclo biológico e transmissão: “Ovo-eclosão-ninfa 1-muda-ninfa 2-mu-
da-ninfa 3-muda- adulto [...]. Cada fêmea de P. capitis bota aproximadamente 
7-10 ovos diariamente e cerca de 200 ovos durante toda a vida; pode viver até 40 
dias; fora do hospedeiro, sobrevive poucas horas e a viabilidade das lêndeas é 
também afetada” (NEVES, 2011, p. 409). 
O período de incubação realizada pelo calor do corpo humano é de oito a 
nove dias, o ciclo demora aproximadamente cerca de 15 dias (NEVES, 2011).
“Os piolhos são transmitidos principalmente por contato. A coabitação 
em locais apertados, os transportes coletivos abraços e brincadeiras infantis etc. 
facilitam a transmissão” (NEVES, 2011, p. 409). 
“Piolhos-da-cabeça são transmitidos principalmente por objetos, como 
chapéus, pentes e toalhas, sendo comuns em crianças em idade escolar” (LEVIN-
SON, 2016, p. 570).
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
206
 Piolhos-do-corpo são transmitidos pelas roupas e por contato pessoal 
(LEVINSON, 2016). 
“Piolhos-do-púbis são transmitidos, principalmente, por contato sexual” 
(LEVINSON, 2016, p. 570).
Patogenia, sintomas e epidemiologia: A picada de piolhos adultos ocasio-
na uma dermatite, causada pela reação do hospedeiro à saliva injetada no início 
da sucção do sangue do hospedeiro (NEVES, 2011). “O prurido leva o paciente a 
arranhar a pele, abrindo a porta de entrada para patógenos” (NEVES, 2011, p. 408).
Os piolhos multiplicam-se rapidamente e atuam na transmissão de várias 
doenças principalmente em guerras e catástrofes naturais, quando as condições de 
higiene se tornam mais precárias (NEVES, 2011; LEVINSON, 2016).
“A pediculose do couro cabeludo parece não estar relacionada com o tama-
nho dos cabelos, mais sim com o diâmetro e o espaçamento entre os fios de cabelo, 
preferindo os mais espessos e os mais densamente implantados” (NEVES, 2011, p. 
409). Também não está relacionada com a diminuição da higiene e sim com a ne-
gligência que afeta sobretudo as classes sociais menos favorecidas (NEVES, 2011). 
Profilaxia para pediculose de acordo com Rey (2018):
a) evitar o contato físico com indivíduos infestados ou com suas roupas e com 
objetos de uso pessoal (cama, vestimentas, chapéus, pentes, escovas etc.);
b) em instituições fechadas, escolas, acampamentos etc., onde costumam ocorrer 
surtos de pediculose, inspeção periódica dos cabelos e tratamento dos positi-
vos; inspeção rigorosa dos familiares e das pessoas que estiveram em contato 
com casos de pediculose;
c) em situações epidêmicas, tratamento em grande escala, de acordo com as 
orientações médicas;
d) incluir a profilaxia da pediculose nos programas de educação sanitária.
TÓPICO 3 | ARTRÓPODES
207
FIGURA 25 – CICLO BIOLÓGICO DO PIOLHO
FONTE: <http://bit.ly/2IkCWbW>. Acesso em: 26 nov. 2019.
5 SIPHONAPTERA (PULGAS)
“A ordem Siphonaptera (siphon = tubo; aptera = sem asas) compreende in-
setos hematófagos de ambos os sexos, conhecidos como pulgas e bichos-de-pé 
[...]. São encontrados em todo o mundo, com aproximadamente 3.000 espécies 
conhecidas” (NEVES, 2011, p. 397). No Brasil,já foram encontradas 60 espécies e/
ou subespécies (NEVES, 2011).
As espécies mais importantes para a saúde humana, encontradas nos do-
micílios e pertencentes a diferentes famílias, são agrupadas da seguinte maneira 
de acordo com Rey (2018):
a) Pulex irritans - pulga do ser humano.
b) Ctenocephalides canis, Ctenocephalides felis - pulgas de cães e gatos.
c) Xenopsylla cheopis, Xenopsylla braziliensis, Nosopsyllus fasciatus, Leptopsylla segnis 
- pulgas de ratos e camundongos.
As características de destaque são a ausência de asas e aparelho bucal do tipo 
picador-sugador. Outros traços marcantes das pulgas são: achatamento do corpo no 
sentido látero-lateral, escleritos bem quitinizados, segmentos (metâmeros) bem dis-
tintos, porém imbricados uns nos outros, e pernas adaptadas para o salto (FERREI-
RA, 2017; REY, 2018).
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
208
Na fase adulta, vivem no corpo de mamíferos ou de aves como ectoparasitos 
se alimentando de sangue o que permite a transmissão de algumas doenças como 
a peste bubônica entre roedores e ser humanos, causada pela bactéria Yersinia pestis 
(REY, 2018).
FIGURA 26 – PULGAS QUE INFESTAM O SER HUMANO
Legenda: A. Pulga do homem, Pulex irritans, fêmea em vista lateral. B. Pulga penetrante, 
Tunga sp., macho em vista lateral.
FONTE: Ferreira (2017, p.171).
As pulgas apresentam desenvolvimento holometábolo (metamorfose 
completa). Depositam seus ovos em locais empoeirados ou sujos. Após um pe-
ríodo de incubação (2 a 8 dias, conforme a espécie) ocorre a transformação de 
ovos em larvas vermiformes. Dentro de uma semana, as larvas tornam-se adultas 
e passam ao estágio de pupa, o casulo formado pela larva. Quando percebe a 
presença de um hospedeiro, as pulgas adultas saem de seu casulo e se tornam 
ectoparasitas hematófagos: sugam o sangue de seus hospedeiros gerando ovos. 
Em média, o desenvolvimento completo das pulgas de interesse médico pode 
durar cerca de 1 mês no verão, mas pode se prolongar por vários outros meses em 
temperaturas mais baixas (FERREIRA, 2017; REY, 2018).
Uma pulga Pulex irritans começa a pôr ovos 48 horas depois de sugar san-
gue. Coloca de 20 a 22 ovos por dia. Nos seus 110 dias de vida ela pode colocar 
até dois mil ovos (FERREIRA, 2017).
TÓPICO 3 | ARTRÓPODES
209
FIGURA 27 – CICLO BIOLÓGICO DA TUNGA PENETRANS (BICHO-DO-PÉ)
FONTE: Ferreira (2017, p. 171).
Legenda: A. Fêmea não ingurgitada. B. Fêmea penetrando na pele do hospedeiro. C. 
Fêmea grávida repleta de ovos. D. Ovo. E. Larva. F. Pupa. G. Lesão singular típica da 
tunguíase, com três ovos na superfície ungueal.
São parasitas de importância considerável devido à ação espoliadora de 
sangue humano em que várias espécies continuam a 
exercer a hematofagia, mesmo após repletas; provocam irritação da pele 
devido à picada, ocasionando dermatite e reações alérgicas de intensida-
de variada; causam lesões cutâneas nos locais de parasitismo por Tunga 
penetrans (bicho-de-pé), com a possível veiculação mecânica do tétano 
(Clostridium tetani), de gangrenas gasosas (Clostridium perfrigens) e de es-
poros de fungos (Paracoccidioides brasiliensis) (NEVES, 2011, p. 397).
O controle das infestações por pulgas requer medidas de limpeza direciona-
das ao ambiente doméstico e peridomiciliar e aplicação de inseticida, uma vez que 
grande parte do ciclo vital ocorre fora do hospedeiro. A higiene e o tratamento dos 
animais domésticos infestados são medidas imprescindíveis (FERREIRA, 2017).
6 ÁCARI 
A classe Arachnida é a maior e mais importante dentre os artrópodes per-
tencentes ao subfilo Chelicerata (dotados de quelíceras e pedipalpos, sem antenas ou 
asas). Essa classe compreende a subclasse Acari cujos integrantes são, entre os aracní-
deos, os que mais afetam a saúde dos humanos (FERREIRA, 2017).
Acari, assim como Insecta, apresenta enorme diversidade de formas, habitats 
e comportamento. O grupo inclui cerca de 55.000 espécies identificadas e estima-se 
a existência de mais um milhão delas. Entretanto, são os carrapatos e os ácaros pro-
dutores de sarna, além daqueles encontrados em produtos armazenados e em poeira 
domiciliar, os que mais se destacam pelas afecções aos humanos (FERREIRA, 2017).
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
210
6.1 CARRAPATOS
Os carrapatos são, depois dos mosquitos, os mais importantes vetores de do-
enças humanas. Superam todos os demais artrópodes em número de agentes etioló-
gicos que transmitem aos animais domésticos. Estão envolvidos na veiculação de ví-
rus, bactérias, protozoários e helmintos, tanto para o ser humano como para animais 
(FERREIRA, 2017).
Estão reunidos na ordem Ixodida (=Metastigmata) e divididos basicamente 
em duas famílias: Ixodidae (carrapatos duros) e Argasidae (carrapatos moles). São ec-
toparasitos obrigatórios, hematófagos ou dependentes de fluidos orgânicos de verte-
brados, determinando alterações orgânicas ou teciduais no hospedeiro denominadas 
ixodidoses (FERREIRA, 2017).
O padrão do ciclo biológico dos ixodídeos é semelhante ao dos demais ácaros: 
ovo, larva, muda, ninfa, muda e adultos. Entretanto, o número de hospedeiros que 
utilizam para completar o seu ciclo pode ser variável. O conhecimento desse número 
de hospedeiros é imprescindível para o planejamento de programas de controle ou 
para a descrição epidemiológica do agente transmitido por eles (FERREIRA, 2017).
Os ixodídeos têm ampla distribuição no continente americano (do Texas à Ar-
gentina) e podem parasitar quase todos os grupos de animais. Suas larvas são conhe-
cidas como micuins, carrapatinhos ou carrapato-pólvora e os adultos como carrapa-
to-do-cavalo ou carrapato-estrela. Em geral, os adultos, facilmente visualizados pelo 
tamanho avantajado, são removidos pelo homem muito antes do repasto se completar. 
Já as larvas e ninfas permanecem fixadas imperceptivelmente por vários dias, aumen-
tando as chances de transmissão de agentes infecciosos (FERREIRA, 2017).
As espécies mais encontradas parasitando seres humanos pertencem ao gêne-
ro Amblyomma, sendo Amblyomma cajennense, sem dúvida, a mais importante delas 
(FERREIRA, 2017). No Brasil, Amblyomma aureolatum e Amblyomma ovale também es-
tão envolvidos no ciclo da riquétsia e são observados parasitando seres humanos. 
TÓPICO 3 | ARTRÓPODES
211
FIGURA 28 – CICLO DE VIDA DO CARRAPATO AMBLYOMMA CAJENNENSE, CARRAPATO DE 
TRÊS HOSPEDEIROS
FONTE: Ferreira (2017, p. 181).
No ser humano, a doença atribuída aos carrapatos pode se manifestar sob 
duas formas: dermatoses por picada de carrapato e paralisia por picada de carrapato 
(FERREIRA, 2017).
A dermatose decorre de forte ação irritativa local causada pela secreção sali-
var, com resposta inflamatória com afluxo de linfócitos e polimorfonucleares, re-
sultando em edemas, ulcerações, pruridos e eczemas (FERREIRA, 2017).
A paralisia, ao que parece, resulta da ação de secreções tóxicas liberadas du-
rante a alimentação do carrapato e, embora com baixa prevalência, ocorre em todas 
as regiões do mundo. Geralmente, é prontamente revertida com a remoção do para-
sito e pode ser acompanhada de um quadro toxêmico generalizado, com elevação de 
temperatura e dificuldades na deglutição e respiração (FERREIRA, 2017).
O controle físico dos carrapatos reside em aumentar a resistência ambiental 
contra a sua proliferação. Deve-se proceder ao manejo da vegetação (podas, limpe-
zas), possibilitando o aumento da incidência de raios solares, reduzir a densidade de 
potenciais hospedeiros e promover escovação da pele dos animais. Em área de risco, 
recomenda-se utilizar roupas claras e fechadas, como camisa de mangas longas e por 
dentro da calça, embebidas em solução repelente natural. Recomenda-se utilizar bota 
de cano alto, colocando a perna da calça comprida por dentro, fechando o encontro 
das duas peças com fita adesiva de dupla face. 
A remoção dos carrapatos da vestimenta pode ser feita com auxílio de fita 
adesiva. Ao retornar de caminhadas, realizar exame minucioso do corpo para reti-
rada de eventuais carrapatos fixados. Em geral, atransmissão do agente infeccioso 
(riquétsias e borrélias) via saliva pode ocorrer após um período superior a quatro 
horas de fixação do carrapato na pele do hospedeiro, provavelmente induzida pelo 
calor. Desta forma, sua remoção precoce reduz o risco de infecção por agentes pato-
gênicos transmitidos por ele (FERREIRA, 2017).
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
212
6.2 ÁCAROS
“Na subordem Sarcoptiformes encontramos algumas espécies de Acari 
muito importantes na parasitologia humana e veterinária” (NEVES, 2011, p. 423). 
Os ácaros fazem parte da biota de diferentes ecossistemas e estão adapta-
dos para viver em ninhos, covas, alimentos estocados, resíduos de pelos e cutículas, 
bem como em líquidos orgânicos. Essa característica biológica coloca-os próximos 
do ser humano, envolvendo-os, direta ou indiretamente, em doenças humanas 
(NEVES, 2011; FERREIRA, 2017).
Caracterizam-se por possuírem cutícula delgada, sem estigmas respi-
ratórios; quelíceras em geral em forma de tesoura [...]; palpos simples; 
macho normalmente com ventosas copuladoras. As famílias mais im-
portantes são: 
• Sarcoptidae, com a espécie Sarcoptes scabiei, agente da sarna.
• Pyroglyphidae, com a espécie Dermatophagoides farinae, responsável 
por manifestações alérgicas do aparelho respiratório (NEVES, 2011, 
p. 423). 
A escabiose causada pelo Sarcoptes scabiei “foi uma das primeiras doenças 
humanas que teve sua causa conhecida; é uma doença contagiosa humana e de 
outros animais” (NEVES, 2011, p. 423).
 Muito presente na antiguidade, tornou-se rara com a melhoria de medi-
camentos e higiene. No entanto, a partir da década de 70, elevou-se o número de 
pessoas com escabiose (NEVES, 2011). Os motivos principais foram: “o aumento 
da população, facilitando o maior contato em ambientes coletivos (ônibus, por 
exemplo), a promiscuidade sexual e a mudança no comportamento humano em 
geral” (NEVES, 2011, p. 423).
A fêmea adulta do ácaro Sarcoptes tem aproximadamente 0,4 mm de 
comprimento, com um corpo arredondado e oito patas pequenas. A 
escabiose é transmitida por contato pessoal ou por itens como roupas, 
principalmente em condições não higiênicas (p. ex., em moradores de 
rua e durante períodos de guerra). Ela não é um vetor para outros 
patógenos humano. As lesões pruriginosas resultam de uma reação 
de hipersensibilidade tardia às fezes do ácaro. O ácaro localiza-se no 
estrato córneo da epiderme (LEVINSON, 2016, p. 572).
A sintomatologia aparece geralmente uma semana após o contágio. Seu 
traço marcante é o prurido, mais intenso à noite, em função da temperatura mais 
elevada que se produz sob as cobertas. Os locais mais afetados pela escabiose são 
as mãos, os pulsos, as dobras axilares e os órgãos genitais. Áreas do corpo onde 
as roupas são apertadas, como ao longo da linha da cintura, estão normalmente 
envolvidas (LEVINSON, 2016; REY, 2018). 
TÓPICO 3 | ARTRÓPODES
213
FIGURA 29 – SARCOPTES SCABIEI – ÁCARO-DA-SARNA
Legenda: A seta longa aponta para a boca. A seta curta aponta para uma das oito patas. 
É uma visão ventral.
FONTE: Levinson (2016, p. 572)
Estimamos que, mais de 100 milhões de pessoas, em todo mundo, são afeta-
das diretamente pelos chamados ácaros de poeira domiciliar e ácaros de produtos 
armazenados. Constituem problema crescente de saúde pública, exigindo medidas 
de controle e profilaxia regionalizados em virtude de sua biodiversidade. Algu-
mas alergias respiratórias, como a asma e a rinite alérgica, bem como dermatites 
alérgicas podem ser provocadas por esses minúsculos ácaros ou por seus produtos 
(dejetos, secreções, fragmentos de ácaros mortos etc.) que se encontram no meio 
ambiente e, sendo suspensos no ar com as poeiras, são inaladas por pessoas que 
desenvolvem reação de hipersensibilidade a tais materiais antigênicos (REY, 2018).
Segundo Rey (2018), as medidas de controle das populações de ácaros são:
a) desumidificação do ambiente, quer pela ventilação ampla dos locais, quer por 
meio de aparelhos desumidificadores ou aparelhos de ar-condicionado (clima-
tização), ou outros recursos;
b) remoção frequente da poeira, mediante aspiradores de pó, lavagem do piso ou 
sua limpeza com pano úmido; troca frequente e lavagem de fronhas, lençóis, 
cortinas etc.;
c) uso de filtros nos sistemas de ventilação central, quando existentes;
d) utilização de colchões e travesseiros de espuma ou uso de coberturas de plásti-
cos para colchões e travesseiros;
e) rigorosa higiene pessoal e ambiental, inclusive dos animais domésticos (cuja 
presença deve ser evitada no interior das habitações);
f) se necessário, aplicação de inseticidas para destruir os ácaros.
UNIDADE 3 | PARASITOLOGIA
214
Preste atenção na saúde da sua pele!
Os ácaros Demodex folliculorum e Demodex brevis são parasitos que vivem e se alimen-
tam de células da base dos folículos pilosos e das glândulas sebáceas, respectivamente. 
Esses ácaros infestam principalmente o rosto, em especial o nariz e seu entorno, os cílios, 
a testa e a sobrancelha. Geralmente, sua presença é despercebida e, na maioria das vezes, 
produzem um pequeno inchaço e discreta queratinização. Os ácaros podem, então, pro-
duzir prurido e inflamação, ocasionando a demodiciose (FERREIRA, 2017).
ATENCAO
Conheça mais sobre a doença causada pelos carrapatos, a Febre Maculosa 
Brasileira através da leitura do artigo Febre do carrapato ou febre maculosa: https://www.
hospitalinfantilsabara.org.br/sintomas-doencas-tratamentos/febre-do-carrapato-ou-febre-
maculosa/. 
DICAS
215
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• Arthropoda significa pés articulados (podas = pés; arthro = articulação). É o filo 
que apresenta o maior número de indivíduos do reino animal, possuindo hoje 
mais de 1.500.000 espécies já descritas.
• Praticamente todos os ectoparasitas são artrópodes. Ectoparasitas que causam do-
enças em seres humanos se dividem em duas categorias principais: insetos (artró-
podes com seis patas) e aracnídeos (artrópodes com oito patas).
• Dentre os artrópodes conhecidos, a classe que apresenta maior número de espécies 
causadoras de doenças aos seres humanos é a Insecta.
• Os dípteros (mosquitos e moscas) são a ordem de maior importância entre os artró-
podes, pois entre eles encontram-se os hospedeiros intermediários e transmissores 
de muitas doenças como as virais: febre-amarela, dengue, zika, chikungunya etc.; 
protozoários: malária, leishmaniose, a doença do sono e outras tripanossomíases; 
helmintos: filariose linfática, a oncocercose.
 
• Miíase é a infestação de larvas de moscas (dípteros) em órgãos e tecidos do ser 
humano ou de outros animais vertebrados, onde elas se nutrem e se desenvolvem 
como parasitos.
• A ordem Anoplura compreende grande número de espécies adaptadas a viver 
permanentemente sobre o corpo de seus hospedeiros os piolhos.
• A ordem Siphonaptera compreende insetos hematófagos de ambos os sexos, conhe-
cidos como pulgas e bichos-de-pé.
 
• A classe Arachnida é a maior e mais importante dentre os artrópodes. Esta classe 
compreende a subclasse Acari – carrapatos e ácaros.
 
• A doença causada pelos carrapatos no ser humano pode se manifestar sob duas 
formas: dermatoses e paralisia por picada de carrapato.
 
• A escabiose causada pelo Sarcoptes scabiei foi uma das primeiras doenças humanas 
que teve sua causa conhecida e ainda está presente na população humana.
 Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando em facilitar tua compreensão. Acesse o QR Code, que te levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para teu estudo.
CHAMADA
216
AUTOATIVIDADE
1 Em parasitologia, a importância de vários artrópodes está relacionada com o 
fato de exercerem hematofagia em hospedeiro vertebrado. Assinale a alterna-
tiva que apresenta apenas doenças que tenham artrópodes como vetores.
a) ( ) Malária, Leishmaniose, Doença de Chagas, Escabiose, Oncocercose, Fe-
bre Maculosa
b) ( ) Miíases, Pediculose, Escabiose, Tungíose. 
c) ( ) Malária, Leishmaniose, Escabiose, Pediculose, Oncocercose,Febre Ma-
culosa
d) ( ) Filariose, Oncocercose, Febre Maculosa, Miíases, Escabiose
e) ( ) Malária, Leishmaniose, Doença de Chagas, Filariose, Oncocercose, Fe-
bre Maculosa.
2 Sarna ou escabiose é uma parasitose humana causada pelo ácaro Sarcoptes 
scabiei. Avalie as afirmativas sobre essa patologia.
I- Sarna é uma dermatose inflamatória causada por ácaros hematófagos, que 
acomete a epiderme e alguns anexos.
II- Sarcoptes scabiei produz uma dermatose contagiosa na pele ao perfurar e 
invadir a camada epidérmica em diferentes pontos, determinando lesões 
múltiplas cutâneas.
III- Esses ácaros infestam principalmente o rosto, em especial o nariz e seu 
entorno, os cílios, a testa e a sobrancelha.
IV- Os sintomas aparecem geralmente uma semana após o contágio sendo o 
prurido noturno o mais característico.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) São corretas apenas as afirmativas I, II e III. 
b) ( ) São corretas apenas as afirmativas II, III e IV. 
c) ( ) São corretas apenas as afirmativas I e II. 
d) ( ) É correta apenas a afirmativa I. 
e) ( ) São corretas apenas as afirmativas II e IV.
217
REFERÊNCIAS
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prevenir. Brasília, 2020. Disponível em: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/
toxoplasmose. Acesso em: 23 nov. 2019.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância 
das Doenças Transmissíveis. Manual de vigilância da leishmaniose tegumentar. Brasília: Mi-
nistério da Saúde, 2017. Disponvíel em: http://bit.ly/2Q5Wa9q. Acesso em: 8 jan. 2020.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamen-
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BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento 
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BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Microbiologia clínica para 
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