Prévia do material em texto
Fibrose Cística Ana Carolina Ana Claudia Eduarda Joyce Karen Cristine Silva Araújo Luana Thaís Definição Fibrose cística ou Mucoviscidose, como também é conhecida, é uma doença genética que afeta as glândulas mucosas, levando à produção de muco espesso e pegajoso, que afeta especialmente os pulmões e o pâncreas. Nos pulmões, esse aumento na viscosidades bloqueia as vias aéreas propiciando a proliferação bacteriana (especialmente pseudomonas e estafilococos), causando infecção crônica, à lesão pulmonar e ao óbito por disfunção respiratória frequentes. No pâncreas, quando os ductos estão obstruídos pela secreção espessa, há uma perda de enzimas digestivas, levando à má nutrição, dificultando a absorção de nutrientes. A condição é causada por mutações no gene CFTR e requer manejo contínuo para controlar os sintomas e prevenir complicações. Palavras-Chaves: fibrose cística, muco, pulmões, pâncreas Epidemiologia A fibrose cística (FC) é uma condição genética severa que afeta de maneira desigual diversas populações em várias partes do mundo, sendo especialmente frequente entre pessoas de origem caucasiana. Em nível global, estima-se que cerca de 80.000 indivíduos estejam vivendo com essa enfermidade. No Brasil, o Registro Brasileiro de Fibrose Cística (REBRAFC) aponta que cerca de 3.000 pessoas foram diagnosticadas com FC. No entanto, esse número pode ser subestimado, já que muitos pacientes não receberam o diagnóstico. A incidência da fibrose cística no Brasil é de cerca de 1 caso para cada 10.000 nascidos vivos. Em comparação, na União Europeia, a prevalência da FC é maior, com 1 em cada 2.000 a 3.000 recém-nascidos afetados. Nos Estados Unidos, a frequência é de 1 em cada 3.500 nascimentos. No Brasil, quase 100% das crianças são testadas para fibrose cística por meio do Programa de Triagem Neonatal (conhecido como o "Teste do Pezinho"), o que contribui para o diagnóstico precoce e para um melhor prognóstico dos pacientes. Fatores de Risco É uma doença genética autossômica recessiva, o que significa que um indivíduo deve herdar uma cópia alterada do gene de cada um dos pais para desenvolver a condição. Se houver histórico familiar da doença, o risco dos filhos também serem afetados aumenta, especialmente se ambos os pais forem portadores da mutação genética. A fibrose cística ocorre quando uma pessoa herda duas cópias defeituosas do gene CFTR, uma de cada progenitor. Esse gene, chamado regulador de condutância transmembrana da fibrose cística (CFTR), possui várias variantes, sendo a mais comum a F508del. O gene CFTR controla a produção de uma proteína responsável pelo transporte de cloreto, bicarbonato e sódio através das membranas celulares. Quando há mutações no gene, a proteína se torna disfuncional, prejudicando o transporte desses íons e resultando em secreções mais espessas e viscosas no corpo. Fisiopatologia A fisiopatologia da Fibrose Cística gira em torno da mutação no gene CFTR, explicando os defeitos celulares e as alterações nos diversos órgãos envolvidos na doença. A proteína codificada pelo gene CFTR forma um canal iônico permeável ao cloro, que realiza o transporte do íon cloro através da membrana apical e o interior da célula, sendo regulado por cAMP, ou seja, regulado por fosforilação.A proteína CFTR é uma glicoproteína, integrante da família de transportadores de membrana acoplados ao ATP, que se localiza na membrana apical de células epiteliais das vias aéreas, do intestino, dos tecidos reprodutivos e das glândulas exócrinas.A CFTR é essencial para o transporte de íons através da membrana celular, estando envolvida na regulação do fluxo de cloro (Cl), sódio (Na) e água. Por meio da membrana apical das células epiteliais, com aumento da absorção celular de sódio, há formação de secreção extracelular desidratada e viscosa que se associa com obstrução luminal, destruição e cicatrização nos ductos exócrinos. Sinais e Sintomas fibrose cística (FC) apresenta uma ampla variabilidade nos sintomas e na sua gravidade, que podem diferir significativamente entre os pacientes. Estudos recentes indicam que essa variabilidade está associada ao tipo de mutação no gene CFTR, responsável pela doença, com mais de mil variações identificadas. De forma geral, os sintomas estão relacionados ao impacto das secreções espessas nas diferentes áreas do organismo. No sistema respiratório, o acúmulo de secreção nos pulmões pode levar a tosse crônica, pneumonias de repetição, infecções respiratórias e inflamações recorrentes. A expectoração resultante dessas infecções tem um aspecto espesso, muitas vezes comparado à textura de chiclete. Além disso, pacientes com FC costumam apresentar chiado no peito e dispneia. Quando o pâncreas também é afetado, há comprometimento na absorção de gorduras e nutrientes essenciais ao crescimento, o que resulta em diarreia volumosa com odor fétido, dificuldade no ganho de peso e estatura, mesmo com um apetite adequado. Os sintomas mais comuns incluem: Pele e suor de sabor muito salgado; Tosse persistente com produção de catarro; Infecções pulmonares frequentes, como pneumonia e bronquite; Chiado no peito ou falta de ar; Baixo crescimento ou dificuldade para ganho de peso; Diarreia; Surgimento de pólipos nasais; Baquetamento digital, caracterizado pelo alargamento e arredondamento das pontas dos dedos. Esses sinais refletem o comprometimento multissistêmico característico da fibrose cística, que exige uma abordagem de tratamento abrangente e personalizada para cada paciente. Teste e exames de função cardiopulmonar Os testes de função cardiopulmonar são essenciais para o diagnóstico e monitoramento de condições e da fibrose cística. A espirometria é um avaliador volumes e fluxos de ar para identificar obstruções nas vias aéreas e monitora a progressão da doença. O teste de esforço (ergoespirometria) permite avaliar a resposta cardiovascular e respiratória durante a atividade física. A radiografia de tórax e a tomografia computadorizada (TC) ado tórax são exames essenciais para avaliar as condições da fibrose cística. A radiografia do tórax permite visualizar alterações ou complicações pulmonares típicas da doença das estruturas pulmonares, como infecções e danos estruturais nos pulmões, examina anatomia do coração e do pulmão. A tomografia computadorizada fornece imagens detalhadas dos pulmões, identificando alterações. Referências https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/sangue/pntn/fibrose-cistica-fc Maule G, Arosio D, Cereseto A. Gene Therapy for CysticFibrosis: Progress and Challenges of Genome Editing. IntJ Mol Sci. 2020 May 30;21(11):3903. doi: 10.3390/ijms21113903. PMID: 32486152; PMCID: PMC7313467. Reis FJ, Damaceno N. Fibrose cística [Cystic fibrosis]. J Pediatr (Rio J). 1998 Jul;74 Suppl 1:S76-94. Portuguese. doi: 10.2223/jped.489. PMID: 14685577. https://doi.org/10.1590/S0021-75572005000800012 Amato A, Ferrigno L, Salvatore M, Toccaceli V; Gruppo di lavoro RIFC/ICFR Working Group. Registro italiano fibrosi cistica - Rapporto 2010 [Italian Cystic Fibrosis Register - Report 2010]. Epidemiol Prev. 2016 Mar-Apr;40(2 Suppl 2):1-47. Italian. doi: 10.19191/EP16.2S2.P001.074. PMID: 27291389. https://doi.org/10.1590/S0021-75572006000600012 Fibrose cística. Beryl J. Rosenstein , MD, Johns Hopkins University School of Medicine| Última modificação do conteúdo mar 2017. https://www.msdmanuals.com/pt/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-infantil/fibrose-c%C3%ADstica-fc /fibrose-c%C3%ADstica-fc Associação Brasileira de Assistência à Mucoviscidose – ABRAM https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/sangue/pntn/fibrose-cistica-fc https://doi.org/10.1590/S0021-75572005000800012 https://doi.org/10.1590/S0021-75572006000600012 https://www.msdmanuals.com/pt/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-infantil/fibrose-c%C3%ADstica-fc/fibrose-c%C3%ADstica-fc https://www.msdmanuals.com/pt/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-infantil/fibrose-c%C3%ADstica-fc/fibrose-c%C3%ADstica-fc http://www.abram.org.br/o-que-e-fibrose-cistica