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@DeltaCaveira10 
 
LEGISLAÇÃO BIZURADA 
 
 
 
DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL 
 
DPF 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1. LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO (LINDB) – DECRETO-LEI 4.657/42....................................... 3 
2. CÓDIGO CIVIL .................................................................................................................................................................................................... 10 
3. EMPRESARIAL NO CC ..................................................................................................................................................................................... 75 
4. TRIBUTÁRIO DA CF/88 ................................................................................................................................................................................. 116 
5. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL ........................................................................................................................................................... 135 
6. FINACEIRO NA CF/88.................................................................................................................................................................................... 174 
7. LEI ORGÂNICA DA SEGURIDADE SOCIAL ............................................................................................................................................. 181 
8. LEI DOS PLANOS DE BENEFÍCIOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ....................................................................................................... 207 
9. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL – LEI Nº 13.105/2015........................................................................................................................ 242 
10. LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA – LEI Nº 7.347/85 ............................................................................................................................... 262 
11. AÇÃO POPULAR – LEI Nº 4717/65 ........................................................................................................................................................ 268 
12. LEI DO MANDADO DE SEGURANÇA – LEI Nº 12.016/09 ............................................................................................................. 275 
13. LEI DO MANDADO DE INJUNÇÃO – LEI Nº 13.300/16 ................................................................................................................. 288 
14. HABEAS DATA – LEI Nº 9.507/97 ........................................................................................................................................................... 292 
15. ADC/ADI – LEI Nº 9.868/99 ...................................................................................................................................................................... 295 
16. ADPF – LEI Nº 9882/99 .............................................................................................................................................................................. 302 
17. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DE DIREITOS HUMANOS.................................................................................................................... 304 
18. LEI DE MIGRAÇÃO – LEI Nº 13.445/17 ................................................................................................................................................ 309 
19. PACTO INTERNACIONAL SOBRE DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS ................................................................................................ 335 
20. PACTO INTERNACIONAL SOBRE DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS ........................................................ 347 
21. CONVENÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS CONTRA O CRIME ORGANIZADO TRANSNACIONAL ....................................... 354 
22. PROTOCOLO ADICIONAL À CONVENÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS CONTRA O CRIME ORGANIZADO 
TRANSNACIONAL, RELATIVO AO COMBATE AO TRÁFICO DE MIGRANTES POR VIA TERRESTRE, MARÍTIMA E AÉREA
 .................................................................................................................................................................................................................................... 373 
23. PROTOCOLO ADICIONAL À CONVENÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS CONTRA O CRIME ORGANIZADO 
TRANSNACIONAL RELATIVO À PREVENÇÃO, REPRESSÃO E PUNIÇÃO DO TRÁFICO DE PESSOAS, EM ESPECIAL 
MULHERES E CRIANÇAS ................................................................................................................................................................................... 382 
24. PROTOCOLO CONTRA A FABRICAÇÃO E O TRÁFICO ILÍCITOS DE ARMAS DE FOGO, SUAS PEÇAS E 
COMPONENTES E MUNIÇÕES, COMPLEMENTANDO A CONVENÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS CONTRA O CRIME 
ORGANIZADO TRANSNACIONAL ................................................................................................................................................................ 389 
25. CONVENÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS CONTRA A CORRUPÇÃO .............................................................................................. 396 
26. CONVENÇÃO CONTRA O TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES E DE SUBSTÂNCIAS PSICOTRÓPICAS............... 425 
27. CONVENÇÃO INTERAMERICANA SOBRE ASSISTÊNCIA MÚTUA EM MATÉRIA PENAL .................................................. 443 
28. CONVENÇÃO DE AUXILIO JUDICIÁRIO EM MATÉRIA PENAL ENTRE OS ESTADOS MEMBROS DA COMUNIDADE 
DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA ..................................................................................................................................................... 451 
29. PROTOCOLO DE ASSISTÊNCIA JURÍDICA MÚTUA EM ASSUNTOS PENAIS ......................................................................... 457 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
1. LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO 
(LINDB) – DECRETO-LEI 4.657/42 
 
- A LINDB é um conjunto de normas sobre normas, ou uma norma de sobredireito, consistente no conjunto de 
regras cujo objetivo é disciplinar as próprias normas jurídicas, isto é, disciplina a emissão e aplicação de outras 
normas jurídicas. 
 
Art. 1o Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de 
oficialmente PUBLICADA. 
- Vacatio Legis: É o lapso temporal entre a publicação e o começo da vigência da lei, de sorte que o legislador 
apenas estabeleceu em seu art. 1º que, salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta 
e cinco dias depois de oficialmente publicada, independentemente de ser norma de direito material ou norma 
de direito processual. 
Obs.: A contagem do prazo para entrada em vigor de leis que estabelecem período de vacância far-se-á com a 
inclusão da data da publicação e do último dia do prazo, entrando em vigor no dia subsequente à sua 
consumação integral. Não interessa se a data final seja feriado ou final de semana, entrando em vigor mesmo 
assim, logo a data não é prorrogada para o dia útil seguinte. 
 
§ 1o Nos Estados, estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três meses depois de 
oficialmente PUBLICADA. (CUIDADO: 3 meses não é o mesmo que 90 dias) 
 
ENTRADA EM VIGOR 
Brasil Estados Estrangeiros 
45 dias, salvo disposição contrária 3 meses 
 
§ 3o Se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a correção, o prazo deste 
artigo e dos parágrafos anteriores COMEÇARÁ A CORRER da nova publicação. 
 
§ 4o As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. 
 
Art. 2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou 
revogue. (Princípio da Continuidade das Normas)javascript:document.frmDoc1Item1.submit();
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21 
 
7) É possível a modificação do nome civil em decorrência do direito à dupla cidadania, de forma a unificar os 
registros à luz dos princípios da verdade real e da simetria. 
8) A continuidade do uso do sobrenome do ex-cônjuge, à exceção dos impedimentos elencados pela legislação 
civil, afirma-se como direito inerente à personalidade, integrando-se à identidade civil da pessoa e identificando-
a em seu entorno social e familiar. 
9) O direito ao nome, enquanto atributo dos direitos da personalidade, torna possível o restabelecimento do 
nome de solteiro após a dissolução do vínculo conjugal em decorrência da morte. 
10) Em caso de uso indevido do nome da pessoa com intuito comercial, o dano moral é in re ipsa. 
11) Não se exige a prova inequívoca da má-fé da publicação (actual malice), para ensejar a indenização pela 
ofensa ao nome ou à imagem de alguém. 
12) Os pedidos de remoção de conteúdo de natureza ofensiva a direitos da personalidade das páginas 
de internet, seja por meio de notificação do particular ou de ordem judicial, dependem da localização 
inequívoca da publicação (Universal Resource Locator - URL), correspondente ao material que se pretende 
remover. 
 
CAPÍTULO III 
DA AUSÊNCIA 
 
Seção I 
Da Curadoria dos Bens do Ausente 
Art. 22. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado 
representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a requerimento de qualquer 
interessado ou do Ministério Público, declarará a AUSÊNCIA, e nomear-lhe-á CURADOR. 
 
Art. 23. Também se declarará a AUSÊNCIA, e se nomeará CURADOR, quando o ausente deixar mandatário que 
não queira ou não possa exercer ou continuar o mandato, ou se os seus poderes forem insuficientes. 
 
Art. 24. O juiz, que nomear o curador, fixar-lhe-á os poderes e obrigações, conforme as circunstâncias, 
observando, no que for aplicável, o disposto a respeito dos tutores e curadores. 
 
Art. 25. O CÔNJUGE DO AUSENTE, sempre que NÃO ESTEJA separado judicialmente, ou de fato por mais de 
dois anos antes da declaração da ausência, será o seu legítimo curador. 
§ 1o Em falta do cônjuge, a curadoria dos bens do ausente incumbe aos PAIS ou aos DESCENDENTES, NESTA 
ORDEM, não havendo impedimento que os iniba de exercer o cargo. 
§ 2o Entre os descendentes, os mais próximos precedem os mais remotos. 
§ 3o Na falta das pessoas mencionadas, compete ao JUIZ A ESCOLHA DO CURADOR. 
 
CURADORIA DOS BENS DO AUSENTE 
Hipóteses 
- Pessoa desaparece do seu domicílio sem dela haver notícias, se não houver 
deixado representante ou procurador; 
- Mandatário que não queira exercer ou continuar o mantado; 
- Mandatário que não possa exercer ou continuar o mantado; 
- Mandatário com poderes insuficientes. 
Legitimados p/ Requerer 
- Qualquer interessado; ou 
- Ministério Público. 
Curador 
- Regra  cônjuge, salvo se estiver separado judicialmente (qualquer tempo) ou 
de fato (mais de 2 anos). 
- Na falta do cônjuge (ordem obrigatória): pais ou descendentes (os mais 
próximos precedem os mais remotos). 
- Na falta de todos: compete ao juiz escolher o curador. 
 
 
 
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Seção II 
Da Sucessão Provisória 
Art. 26. Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele deixou representante ou procurador, 
em se passando três anos, PODERÃO os interessados requerer que se declare a ausência e se abra 
PROVISORIAMENTE A SUCESSÃO. 
 
1 ano Da arrecadação dos bens do ausente 
3 anos Ausente deixou representante ou procurador 
 
Art. 27. Para o efeito previsto no artigo anterior, somente se consideram INTERESSADOS: 
I - o cônjuge não separado judicialmente; [inclui-se o(a) companheiro(a)] 
II - os herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários; 
III - os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte; 
IV - os credores de obrigações vencidas e não pagas. 
 
Art. 28. A sentença que determinar a ABERTURA DA SUCESSÃO PROVISÓRIA só produzirá efeito cento e oitenta 
dias DEPOIS de publicada pela imprensa; mas, logo que passe em julgado, proceder-se-á à abertura do 
testamento, se houver, e ao inventário e partilha dos bens, como se o ausente fosse falecido. 
 
Abertura do testamento (se houver), inventário e partilha: logo após o trânsito em julgado. 
Efeitos da sentença de abertura da sucessão provisória: 
somente após 180 dias depois da publicação 
da sentença pela imprensa 
 
§ 1o Findo o prazo a que se refere o art. 26, e não havendo interessados na sucessão provisória, cumpre ao 
Ministério Público requerê-la ao juízo competente. 
§ 2o Não comparecendo herdeiro ou interessado para requerer o inventário até trinta dias depois de passar 
em julgado a sentença que mandar abrir a sucessão provisória, proceder-se-á à arrecadação dos bens do 
ausente pela forma estabelecida nos arts. 1.819 a 1.823. 
 
Art. 29. Antes da partilha, o juiz, quando julgar conveniente, ordenará a conversão dos bens MÓVEIS, sujeitos a 
deterioração ou a extravio, em IMÓVEIS ou em TÍTULOS GARANTIDOS PELA UNIÃO. 
 
Art. 30. Os herdeiros, para se imitirem na posse dos bens do ausente, darão GARANTIAS da restituição deles, 
mediante penhores ou hipotecas equivalentes aos quinhões respectivos. 
§ 1o Aquele que tiver direito à posse provisória, mas não puder prestar a garantia exigida neste artigo, será 
EXCLUÍDO, mantendo-se os bens que lhe deviam caber sob a administração do curador, ou de outro herdeiro 
designado pelo juiz, e que preste essa garantia. 
§ 2o Os ascendentes, os descendentes e o cônjuge, uma vez provada a sua qualidade de herdeiros, poderão, 
INDEPENDENTEMENTE DE GARANTIA, entrar na posse dos bens do ausente. (dispensados da garantia) 
 
Art. 31. Os IMÓVEIS do ausente só se poderão alienar, NÃO SENDO POR DESAPROPRIAÇÃO, ou hipotecar, 
quando o ordene o juiz, para lhes evitar a ruína. 
 
Art. 32. Empossados nos bens, os sucessores provisórios ficarão representando ativa e passivamente o ausente, 
de modo que contra eles correrão as ações pendentes e as que de futuro àquele forem movidas. 
 
Art. 33. O DESCENDENTE, ASCENDENTE ou CÔNJUGE que for sucessor provisório do ausente, fará seus todos os 
frutos e rendimentos dos bens que a este couberem; os OUTROS SUCESSORES, porém, deverão capitalizar 
metade desses frutos e rendimentos, segundo o disposto no art. 29, de acordo com o representante do Ministério 
Público, e prestar anualmente contas ao juiz competente. 
Parágrafo único. Se o ausente aparecer, e ficar provado que a ausência foi voluntária e injustificada, perderá ele, 
em favor do sucessor, sua parte nos frutos e rendimentos. 
Cônjuge, Ascendente e Descendente Todos os frutos e rendimentos 
Outros sucessores Metade dos frutos e rendimentos 
23 
 
Art. 34. O EXCLUÍDO,segundo o art. 30, da posse provisória poderá, justificando falta de meios, requerer lhe 
seja entregue METADE dos rendimentos do quinhão que lhe tocaria. 
 
Art. 35. Se DURANTE a posse provisória se provar a época exata do falecimento do ausente, considerar-se-á, 
nessa data, aberta a sucessão em favor dos herdeiros, que o eram àquele tempo. 
 
Art. 36. Se o ausente aparecer, ou se lhe provar a existência, depois de estabelecida a posse provisória, CESSARÃO 
para logo as vantagens dos sucessores nela imitidos, ficando, todavia, obrigados a tomar as medidas 
assecuratórias precisas, até a entrega dos bens a seu dono. 
 
Seção III 
Da Sucessão Definitiva 
Art. 37. Dez anos DEPOIS de passada em julgado a sentença que concede a abertura da sucessão provisória, 
poderão os interessados requerer a SUCESSÃO DEFINITIVA e o levantamento das cauções prestadas. 
 
Art. 38. Pode-se requerer a sucessão definitiva, também, provando-se que o ausente conta oitenta anos de idade, 
e que de cinco datam as últimas notícias dele. 
 
Art. 39. REGRESSANDO o ausente nos dez anos SEGUINTES à abertura da sucessão definitiva, ou algum de seus 
descendentes ou ascendentes, aquele ou estes haverão só os bens existentes no estado em que se acharem, os 
sub-rogados em seu lugar, ou o preço que os herdeiros e demais interessados houverem recebido pelos bens 
alienados depois daquele tempo. 
Parágrafo único. Se, nos dez anos a que se refere este artigo, o ausente não regressar, e nenhum interessado 
promover a sucessão definitiva, os bens arrecadados passarão ao domínio do MUNICÍPIO ou do DISTRITO 
FEDERAL, se localizados nas respectivas circunscrições, incorporando-se ao domínio da UNIÃO, quando situados 
em território federal. 
 
TÍTULO II 
DAS PESSOAS JURÍDICAS 
CAPÍTULO I 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
TEORIAS SOBRE A EXISTÊNCIA DA PESSOA JURÍDICAINÍCIO DA PERSONALIDADE CIVIL 
TEORIA DA FICÇÃO 
(SAVIGNY) 
Sustentava que a pessoa jurídica seria um sujeito com existência ideal, ou seja, 
fruto da técnica jurídica. As pessoas jurídicas seriam pessoas por ficção legal, 
uma vez que somente os sujeitos dotados de vontade poderiam por si mesmos 
titularizar direitos subjetivos. A pessoa jurídica não teria uma função social, teria 
uma existência abstrata, ideal. 
Crítica: recai no fato de negar a atuação social da pessoa jurídica, ela participa 
de relações sociais, esta teoria é extremamente abstrata, demais. A pessoa 
jurídica integra as relações sociais. Como reconhecer à ficção, mero artifício, a 
natureza de um ente que tem indiscutível existência real? Se a PJ é uma criação 
de lei, mera abstração, quem haveria criado o Estado, PJ de direito público por 
excelência? 
TEORIA DA REALIDADE 
OBJETIVA OU ORGANICISTA 
(CLÓVIS BEVILÁQUA) 
É o contraponto da teoria da ficção. Para ela, a pessoa jurídica não seria fruto da 
técnica jurídica, mas sim um organismo social vivo. Para este pensamento a 
pessoa jurídica teria uma atuação social, sendo um organismo social vivo. 
Crítica: recai no fato de o erro não reconhecer a atuação social. O erro é dizer 
que a PJ é criada pela sociologia e não pelo direito. 
TEORIA DA REALIDADE 
TÉCNICA 
(FERRARA) 
ADOTADA 
Aproveitando elementos das duas correntes anteriores, é mais equilibrada. 
Afirma que a pessoa jurídica teria existência real, não obstante a sua 
personalidade ser conferida pelo direito. Posto a pessoa jurídica seja 
personificada pelo direito, tem a atuação social na condição de sujeito de 
direito. Sem olvidar que a personalidade jurídica é concedida pelo direito, ela 
tem função social. 
24 
 
Art. 40. As pessoas jurídicas são de direito PÚBLICO, interno ou externo, e de direito PRIVADO. 
 
Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: 
I - a União; 
II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; 
III - os Municípios; 
IV - as autarquias, inclusive as associações públicas; 
V - as demais entidades de caráter público criadas por lei. 
Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado 
estrutura de direito privado, regem-se, NO QUE COUBER, quanto ao seu funcionamento, pelas normas deste 
Código. 
 
Art. 42. São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem 
regidas pelo direito internacional público. 
 
Art. 43. As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes 
que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, se 
houver, por parte destes, culpa ou dolo. 
 
Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: 
I - as associações; 
II - as sociedades; 
III - as fundações. 
IV - as organizações religiosas; 
V - os partidos políticos. 
VI - as empresas individuais de responsabilidade limitada. 
§ 1o SÃO LIVRES a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das ORGANIZAÇÕES 
RELIGIOSAS, sendo VEDADO ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e 
necessários ao seu funcionamento. 
§ 2o As disposições concernentes às ASSOCIAÇÕES aplicam-se SUBSIDIARIAMENTE às SOCIEDADES que são 
objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. 
§ 3o Os PARTIDOS POLÍTICOS serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica. 
 
PESSOAS JURÍDICAS 
DIREITO PÚBLICO (Art. 41, CC) 
INTERNO (Art. 41, I a V, CC) EXTERNO (Art. 41, p.ú., CC) 
União; 
Estados, o Distrito Federal e os Territórios; 
Municípios; 
Autarquias, inclusive as associações públicas; e 
Demais entidades de caráter público criadas por lei. 
Estados estrangeiros; e 
Todas as pessoas que forem regidas pelo direito 
internacional público. 
DIREITO PRIVADO (Art. 44) 
Associações; 
Sociedades; 
Fundações; 
Organizações Religiosas; 
Partidos Políticos; e 
Empresas Individuais de Responsabilidade Limitada - EIRELI. 
 
Art. 45. Começa a EXISTÊNCIA LEGAL das pessoas jurídicas de direito PRIVADO com a inscrição do ato 
constitutivo no respectivo registro (CRPJ: cartório de registro de pessoa jurídica), PRECEDIDA, quando 
necessário, de autorização ou aprovação do poder executivo, AVERBANDO-SE no registro todas as alterações 
por que passar o ato constitutivo. 
 
25 
 
INÍCIO DA PERSONALIDADE CIVIL 
Pessoas físicas Pessoas jurídicas de direito privado 
Com o nascimento com vida. 
Com a inscrição do ato constitutivo no respectivo 
registro, precedida de autorização ou aprovação do 
Poder Executivo, quando necessária. 
 
Parágrafo único. DECAI em três anos o direito de ANULAR a constituição das pessoas jurídicas de direito 
privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. 
 
ANULAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO 
DAS PESSOAS JURÍDICAS DE 
DIREITO PRIVADO 
Motivo Defeito do ato respectivo 
Prazo 3 anos (decadencial) 
Contagem Publicação de sua incrição no registro 
 
Art. 46. O registro declarará: 
I - a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando houver; 
II - o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores; 
III - o modo por que se administra e representa, ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente; 
IV - se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo; 
 
Registro da Pessoa Natural Registro da Pessoa Física 
Eficácia declaratória Eficácia constitutiva 
Ex tunc Ex nunc 
 
V - se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais; 
VI - as condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse caso. 
 
Art. 47. OBRIGAM a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos 
no ato constitutivo. 
 
Art. 48. Se a pessoa jurídica tiver administração COLETIVA, as decisões se tomarão pela MAIORIA DE VOTOS DOS 
PRESENTES, SALVO se o ato constitutivo dispuser de mododiverso. 
Parágrafo único. DECAI em três anos o direito de ANULAR as decisões a que se refere este artigo, quando violarem 
a LEI ou ESTATUTO, ou forem eivadas de ERRO, DOLO, SIMULAÇÃO ou FRAUDE. 
 
Art. 49. Se a administração da pessoa jurídica vier a faltar, o juiz, a requerimento de qualquer interessado, 
nomear-lhe-á administrador provisório. 
 
Art. 49-A. A pessoa jurídica NÃO SE CONFUNDE com os seus sócios, associados, instituidores ou 
administradores. (Lei nº 13.874/2019) 
Parágrafo único. A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação 
de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, 
renda e inovação em benefício de todos. (Lei nº 13.874/2019) 
 
Art. 50. Em caso de ABUSO DA PERSONALIDADE JURÍDICA, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela 
confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir 
no processo, DESCONSIDERÁ-LA para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam 
estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou 
indiretamente pelo abuso. (Lei nº 13.874/2019) 
§ 1º Para os fins do disposto neste artigo, DESVIO DE FINALIDADE é a utilização da pessoa jurídica com o propósito 
de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. (Lei nº 13.874/2019) 
§ 2º Entende-se por CONFUSÃO PATRIMONIAL a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada 
por: (Lei nº 13.874/2019) 
26 
 
I - cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa; (Lei nº 
13.874/2019) 
II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente 
insignificante; e (Lei nº 13.874/2019) 
III - outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. (Lei nº 13.874/2019) 
§ 3º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo TAMBÉM SE APLICA à extensão das obrigações de sócios 
ou de administradores à pessoa jurídica (DESCONSIDERAÇÃO INVERSA). (Lei nº 13.874/2019) 
§ 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo NÃO 
AUTORIZA a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. (Lei nº 13.874/2019) 
§ 5º NÃO CONSTITUI desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade 
econômica específica da pessoa jurídica. (Lei nº 13.874/2019) 
 
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA NO CC 
Hipóteses de Cabimento 
Abuso da personalidade jurídica: 
- desvio de finalidade; 
- confusão patrimonial. 
Legitimidade p/ Requerer 
- Parte; ou 
- MP, quando lhe couber intervir no processo. 
Teoria Adotada 
Teoria Maior 
-Requisitos: 
* abuso da personalidade jurídica (desvido de finalidade ou confusão 
patrimonial); e 
* prejuízo ao credor. 
 
Desconsideração Ordinária 
Permite o atingimento do patrimônio pessoal dos sócios e/ou 
administradores por dívida da PJ. 
Desconsideração Inversa Permite o atingimento do patrimônio da PJ por dívidas de seus sócios. 
Desconsideração Indireta 
Permite o atingimento do patrimônio da sociedade controladora por atos 
abusivos e fraudulento praticados por meio da controlada. 
Desconsideração Expansiva 
Permite o atingimento do patrimônio oculto através de interpostas 
pessoas. 
 
#INFO 
- Membros do conselho fiscal de uma cooperativa não podem ser atingidos pela desconsideração da 
personalidade jurídica se não praticaram nenhum ato de administração. 
A desconsideração da personalidade jurídica, ainda que com fundamento na Teoria Menor, não pode atingir o 
patrimônio pessoal de membros do Conselho Fiscal sem que haja a mínima presença de indícios de que estes 
contribuíram, ao menos culposamente e com desvio de função, para a prática de atos de administração. 
Caso concreto: consumidor comprou um imóvel de um cooperativa habitacional, mas este nunca foi entregue; o 
consumidor ajuizou ação de cobrança contra a cooperativa, tendo o pedido sido julgado procedente para devolver 
os valores pagos; durante o cumprimento de sentença, o juiz, com base na teoria menor, fez a desconsideração 
da personalidade jurídica para atingir o patrimônio pessoal dos membros do Conselho Fiscal da cooperativa; o STJ 
afirmou que eles não poderiam ter sido atingidos. 
A despeito de não se exigir prova de abuso ou fraude para fins de aplicação da Teoria Menor da desconsideração 
da personalidade jurídica, tampouco de confusão patrimonial, o § 5º do art. 28 do CDC não dá margem para 
admitir a responsabilização pessoal de quem jamais atuou como gestor da empresa. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.766.093-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, 
julgado em 12/11/2019 (Info 661). 
 
- Requisitos para a desconsideração da personalidade jurídica no Código Civil. 
O encerramento das atividades ou dissolução da sociedade, ainda que irregulares, não é causa, por si só, para a 
desconsideração da personalidade jurídica prevista no Código Civil. 
STJ. 2ª Seção. EREsp 1.306.553-SC, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 10/12/2014 (Info 554). 
 
27 
 
- Desconsideração inversa da personalidade jurídica. 
Se o sócio controlador de sociedade empresária transferir parte de seus bens à pessoa jurídica controlada com o 
intuito de fraudar partilha em dissolução de união estável, a companheira prejudicada, ainda que integre a 
sociedade empresária na condição de sócia minoritária, terá legitimidade para requerer a desconsideração inversa 
da personalidade jurídica de modo a resguardar sua meação. 
É possível a desconsideração inversa da personalidade jurídica sempre que o cônjuge ou companheiro empresário 
valer-se de pessoa jurídica por ele controlada, ou de interposta pessoa física, a fim de subtrair do outro cônjuge 
ou companheiro direitos oriundos da sociedade afetiva. A legitimidade para requerer essa desconsideração é 
daquele que foi lesado por essas manobras, ou seja, do outro cônjuge ou companheiro, sendo irrelevante o fato 
deste ser sócio da empresa. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.236.916-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/10/2013 (Info 533). 
 
- Desconsideração incidental da personalidade jurídica. 
O juiz pode determinar, de forma incidental, nos autos da execução singular ou coletiva, a desconsideração da 
personalidade jurídica. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.326.201-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi. Julgado em 07/05/2013 (Info 524). 
 
Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela 
SUBSISTIRÁ para os fins de liquidação, até que esta se conclua. 
§ 1o Far-se-á, no registro onde a pessoa jurídica estiver inscrita, a AVERBAÇÃO de sua dissolução. 
§ 2o As disposições para a liquidação das sociedades APLICAM-SE, no que couber, às demais pessoas jurídicas 
de direito privado. 
§ 3o Encerrada a liquidação, promover-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. 
Obs.: Somente após a liquidação haverá o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. 
 
Art. 52. APLICA-SE às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da PERSONALIDADE. 
 
CAPÍTULO II 
DAS ASSOCIAÇÕES 
Art. 53. Constituem-se as ASSOCIAÇÕES pela união de pessoas (2 ou mais) que se organizem para fins não 
econômicos. 
 
ASSOCIAÇÕES SOCIEDADES 
Não tem fins lucrativos Tem fins lucrativos 
 
Parágrafo único. NÃO HÁ, entre os associados, direitos e obrigações RECÍPROCOS. 
 
Art. 54. Sob pena de nulidade, o ESTATUTO das associações conterá: 
I - a denominação, os fins e a sede da associação; 
II - os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; 
III - os direitos e deveres dos associados; 
IV - as fontes de recursos para sua manutenção; 
V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos; 
VI - as condiçõespara a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. 
VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. 
 
Art. 55. Os ASSOCIADOS devem ter iguais direitos, mas o ESTATUTO poderá instituir categorias com vantagens 
especiais. 
 
Art. 56. A qualidade de associado é INTRANSMISSÍVEL, se o estatuto NÃO DISPUSER o contrário. 
Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência 
daquela NÃO IMPORTARÁ, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, 
SALVO disposição diversa do estatuto. 
 
28 
 
Art. 57. A EXCLUSÃO DO ASSOCIADO só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento 
que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto. 
 
Art. 58. NENHUM associado poderá ser impedido de exercer direito ou função que lhe tenha sido legitimamente 
conferido, a não ser nos casos e pela forma previstos na lei ou no estatuto. 
 
Art. 59. Compete PRIVATIVAMENTE à ASSEMBLÉIA GERAL: 
I – DESTITUIR os administradores; 
II – ALTERAR o estatuto. 
Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é EXIGIDO deliberação da 
assembléia especialmente convocada para esse fim, cujo quorum será o estabelecido no estatuto, bem como 
os critérios de eleição dos administradores. 
 
Art. 60. A convocação dos órgãos deliberativos far-se-á na forma do estatuto, garantido a 1/5 (um quinto) dos 
associados o direito de promovê-la. 
 
Art. 61. DISSOLVIDA A ASSOCIAÇÃO, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o 
caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, SERÁ DESTINADO à entidade de fins 
não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição 
municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. 
§ 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, ANTES da 
destinação do remanescente referida neste artigo, RECEBER EM RESTITUIÇÃO, atualizado o respectivo valor, as 
contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. 
§ 2o NÃO EXISTINDO no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver 
sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à 
Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. 
 
ASSOCIAÇÕES 
1 Fins não econômicos; 
 
2 não há direitos e obrigações recíprocos; 
 
3 iguais direitos + o estatuto pode instituir categorias especiais; 
 
4 qualidade de associado não transmissível + o estatuto pode prever trasmissão; 
 
5 Exclusão = só em justa causa (tem direito a defesa e recurso); 
 
6 as disposições aplicam-se subsidiariamente as sociedades; 
 
7 competência da assembléia geral: 
a) destituir adm; 
b) alterar estatuto. 
 
CAPÍTULO III 
DAS FUNDAÇÕES 
Art. 62. Para CRIAR uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, DOTAÇÃO 
ESPECIAL DE BENS LIVRES, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de 
administrá-la. 
 
 
 
 
 
 
29 
 
ASSOCIAÇÕES FUNDAÇÕES 
Têm seu elemento principal nas pessoas. Têm seu elemento essencial no patrimônio. 
São caracterizadas pela união de pessoas que se 
organizam para fins não econômicos (comunhão de 
esforços para um fim comum). 
São universalidades de bens (resultam da afetação de 
um patrimônio e não da união de indivíduos). 
 
Parágrafo único. A fundação SOMENTE PODERÁ CONSTITUIR-SE para fins de: 
I – assistência social; 
II – cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; 
III – educação; 
IV – saúde; 
V – segurança alimentar e nutricional; 
VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; 
VII – pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de sistemas de gestão, produção 
e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos; 
VIII – promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos humanos; 
IX – atividades religiosas; e 
 
Art. 63. Quando insuficientes para constituir a fundação, os BENS a ela destinados SERÃO, se de outro modo 
não dispuser o instituidor, INCORPORADOS EM OUTRA FUNDAÇÃO que se proponha a fim igual ou 
semelhante. 
 
Art. 64. Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o instituidor É OBRIGADO a transferir-lhe a 
propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados, e, SE NÃO O FIZER, serão registrados, em nome dela, 
por mandado judicial. 
 
Art. 65. Aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio, em tendo ciência do encargo, formularão 
logo, de acordo com as suas bases (art. 62), o estatuto da fundação projetada, submetendo-o, em seguida, à 
aprovação da autoridade competente, com recurso ao juiz. 
Parágrafo único. Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou, não havendo prazo, 
em cento e oitenta dias, a incumbência CABERÁ ao Ministério Público. 
 
Art. 66. VELARÁ pelas fundações o ministério público do estado ONDE SITUADAS. 
§ 1º Se funcionarem no Distrito Federal ou em Território, caberá o encargo ao Ministério Público do DISTRITO 
FEDERAL e TERRITÓRIOS. 
§ 2o Se estenderem a atividade por mais de um Estado, caberá o encargo, em cada um deles, ao respectivo 
Ministério Público. 
 
Art. 67. Para que se possa ALTERAR o estatuto da fundação é mister que a reforma: 
I - seja DELIBERADA por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação; 
II - não contrarie ou desvirtue o fim desta; 
III – seja APROVADA pelo órgão do Ministério Público no prazo MÁXIMO de 45 (quarenta e cinco) dias, findo 
o qual ou no caso de o Ministério Público a DENEGAR, poderá o juiz supri-la, a requerimento do interessado. 
 
Art. 68. Quando a alteração não houver sido aprovada por votação unânime, os administradores da fundação, 
ao submeterem o estatuto ao órgão do Ministério Público, requererão que se dê ciência à minoria vencida para 
impugná-la, se quiser, em dez dias. 
 
Art. 69. Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a FINALIDADE a que visa a fundação, ou vencido o prazo de 
sua existência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer interessado, lhe promoverá a extinção, 
incorporando-se o seu patrimônio, salvo disposição em contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, em outra 
fundação, designada pelo juiz, que se proponha a fim igual ou semelhante. 
30 
 
TÍTULO III 
Do Domicílio 
 
ESPÉCIES DE DOMICÍLIO 
Domicílio VOLUNTÁRIO É aquele fixado pela vontade da pessoa, como exercício da autonomia da vontade. 
Domicílio LEGAL OU 
NECESSÁRIO 
É aquele imposto pela lei (art. 76). Não exclui o domicílio voluntário. Ex.: domicílio 
do incapaz. 
Domicílio CONTRATUAL, 
CONVENCIONAL, ESPECIAL 
OU DE ELEIÇÃO 
É aquele previsto no art. 78 do CC, pelo qual, “nos contratos escritos, poderão os 
contratantes especificar domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e 
obrigações deles resultantes”. Nos contratos é possível eleger um domicílio. O 
foro competente para divergir sobre eventual divergência será aquele eleito. 
Denomina-se cláusula de eleição de foro. 
 
Art. 70. O domicílio da PESSOA NATURAL é o lugar onde ela estabelece a SUA RESIDÊNCIA com ÂNIMO 
DEFINITIVO. 
ELEMENTOS O DOMICÍLIO 
Objeto - residência 
Subjetivo - ânimo definitivo 
 
Art. 71. Se, porém, a PESSOA NATURAL tiver diversas residências, onde, alternadamente, viva, considerar-se-á 
domicílio seu QUALQUER DELAS. domicílio plúrimo 
 
Art. 72. É também domicílio da PESSOA NATURAL, quanto às relações concernentes à profissão, o lugar onde 
esta é EXERCIDA. 
Parágrafo único. Se a pessoa EXERCITAR PROFISSÃO em lugares diversos, CADA UM DELES constituirá domicílio 
para as relações que lhe corresponderem.Art. 73. Ter-se-á por domicílio da PESSOA NATURAL, que NÃO TENHA RESIDÊNCIA HABITUAL, o lugar onde 
for ENCONTRADA. 
 
EM RESUMO: 
Pessoa Natural - lugar onde estabelece sua residência com ânimo definitivo 
Diversas Residências - qualquer delas 
Relações concernentes à profissão - lugar onde esta é exercida 
Profissão em lugares diversos - cada um deles constituirá domicílio 
Pessoa que não tenha residência habitual - lugar onde for encontrada 
 
Art. 74. Muda-se o domicílio, TRANSFERINDO A RESIDÊNCIA, com a intenção manifesta de o mudar. 
Parágrafo único. A prova da intenção resultará do que declarar a pessoa às municipalidades dos lugares, que 
deixa, e para onde vai, ou, se tais declarações não fizer, da própria mudança, com as circunstâncias que a 
acompanharem. 
 
Art. 75. Quanto às PESSOAS JURÍDICAS, o domicílio é: 
I - da União, o Distrito Federal; 
II - dos Estados e Territórios, as respectivas capitais; 
III - do Município, o lugar onde funcione a administração municipal; 
IV - das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde 
elegerem domicílio ESPECIAL no seu estatuto ou atos constitutivos. 
§ 1o Tendo a pessoa jurídica DIVERSOS ESTABELECIMENTOS em lugares diferentes, CADA UM DELES será 
considerado domicílio para os atos nele praticados. 
§ 2o Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da pessoa jurídica, no 
tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, 
a que ela corresponder. 
31 
 
DOMICÍLIO DA PESSOA JURÍDICA 
União Distrito Federal 
Estados e Territórios Respectivas Capitais 
Município Lugar onde funciona a administração municipal 
Demais Pessoas Jurídicas 
Lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações; ou 
Lugar onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos. 
 
Art. 76. Têm DOMICÍLIO NECESSÁRIO o incapaz, o servidor público, o militar, o marítimo e o preso. 
Bizu: MANCHETE DE JORNAL: "SERVIDOR MARÍTIMO E MILITAR É PRESO POR INCAPAZ". 
 
Parágrafo único. O domicílio do INCAPAZ é o do seu representante ou assistente; o do SERVIDOR PÚBLICO, o 
lugar em que exercer permanentemente suas funções; o do MILITAR, onde servir, e, sendo DA MARINHA OU 
DA AERONÁUTICA, a sede do comando a que se encontrar imediatamente subordinado; o do MARÍTIMO, onde 
o navio estiver matriculado; e o do PRESO, o lugar em que cumprir a sentença. 
 
DOMICÍLIO NECESSÁRIO/LEGAL 
Incapaz O do seu representante ou assistente; 
Servidor Púbico O lugar em que exerce permanentemente as suas funções; 
Militar O lugar onde serve; 
Militar da Marinha/Aeronáutica A sede do comando a que se encontra imediatamente subordinado; 
Marítimo O lugar onde o navio estiver maticulado; 
Preso O lugar em que cumpre a sentença. 
 
Art. 77. O AGENTE DIPLOMÁTICO DO BRASIL, que, citado no estrangeiro, alegar extraterritorialidade sem 
designar onde tem, no país, o seu domicílio, poderá ser demandado no DISTRITO FEDERAL ou no ÚLTIMO 
PONTO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO ONDE O TEVE. 
 
Art. 78. Nos contratos ESCRITOS, PODERÃO os contratantes especificar domicílio onde se exercitem e 
cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. (Domicílio de Eleição/Especial/Contratual/Convencional) 
 
LIVRO II 
DOS BENS 
 
TÍTULO ÚNICO 
Das Diferentes Classes de Bens 
 
CAPÍTULO I 
Dos Bens Considerados em Si Mesmos 
 
Seção I 
Dos Bens Imóveis 
Art. 79. São BENS IMÓVEIS o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente. 
 
Art. 80. Consideram-se IMÓVEIS para os efeitos legais: 
I - os direitos REAIS sobre imóveis e as ações que os asseguram; 
II - o direito à sucessão ABERTA. 
 
32 
 
Art. 81. NÃO PERDEM o caráter de IMÓVEIS: 
I - as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, FOREM REMOVIDAS para outro local; 
II - os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem. 
 
Seção II 
Dos Bens Móveis 
Art. 82. São MÓVEIS os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração 
da substância ou da destinação econômico-social. 
 
Art. 83. Consideram-se MÓVEIS para os efeitos legais: 
I - as energias que tenham valor econômico; 
II - os direitos REAIS sobre objetos móveis e as ações correspondentes; 
III - os direitos PESSOAIS de caráter patrimonial e respectivas ações. 
 
Art. 84. Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem empregados, conservam sua 
qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum prédio. 
 
BENS IMÓVEIS BENS MÓVEIS 
- solo; e 
- tudo quanto for incorporado ao solo natural ou 
artificialmente. 
- bens suscetíveis de movimento próprio; ou 
- bens de remoção por força alheia, sem alteração da 
substância ou da destinação econômico-social. 
BENS IMÓVEIS PARA EFEITOS LEGAIS BENS MÓVEIS PARA EFEITOS LEGAIS 
- direitos reais sobre imóveis e as ações que os 
asseguram; 
- direito à sucessão aberta. 
- energias que tenham valor econômico; 
- direitos reais sobre objetos móveis e as ações 
correspondentes; 
- direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas 
ações. 
 
Seção III 
Dos Bens Fungíveis e Consumíveis 
Art. 85. São FUNGÍVEIS os móveis que PODEM SUBSTITUIR-SE por outros da mesma espécie, qualidade e 
quantidade. 
Obs.: Pode acontecer de um bem, que por sua natureza seja fungível, tornar-se infungível por vontade das 
partes. Ex.: uma moeda, que é um bem fungível, mas que para um colecionador pode tornar-se infungível. 
 
Art. 86. São CONSUMÍVEIS os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância 
(consuntibilidade física), sendo também considerados tais os destinados à alienação (consuntibilidade jurídica 
ou de direito). 
 
Seção IV 
Dos Bens Divisíveis 
Art. 87. Bens DIVISÍVEIS são os que se podem FRACIONAR sem alteração na sua substância, diminuição 
considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam. 
 
Art. 88. Os BENS NATURALMENTE DIVISÍVEIS podem tornar-se INDIVISÍVEIS por determinação da lei ou por 
vontade das partes. 
 
Seção V 
Dos Bens Singulares e Coletivos 
Art. 89. São SINGULARES os bens que, embora reunidos, se consideram de per si, independentemente dos 
demais. 
 
Art. 90. Constitui UNIVERSALIDADE DE FATO a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, 
tenham destinação unitária. 
33 
 
Parágrafo único. Os bens que formam essa universalidade PODEM SER objeto de relações jurídicas PRÓPRIAS. 
 
Art. 91. Constitui UNIVERSALIDADE DE DIREITO o complexo de relações jurídicas, de uma pessoa, dotadas de 
valor ECONÔMICO. 
 
UNIVERSALIDADE DE FATO UNIVERSALIDADE DE DIREITO 
Pluralidade de bens singulares que, pertinentes à 
mesma pessoa, tenham destinação unitária. 
Complexo de relações jurídicas, de uma pessoa, 
dotadas de valor econômico. 
Ex.: biblioteca, coleção, rebanho. Ex.: patrimônio, espólio, massa falida. 
 
CAPÍTULO II 
Dos Bens Reciprocamente Considerados 
Art. 92. PRINCIPAL (ou independente) é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; ACESSÓRIO (ou 
dependente), aquele cuja existência supõe a do principal. 
Princípio da gravitação jurídica: os bens acessórios seguem a sorte do bem principal, podendo, entretanto, haver 
disposição em contrário pela vontade da lei ou das partes. 
 
Art. 93. São PERTENÇAS os bens que, NÃO CONSTITUINDO PARTES INTEGRANTES, se destinam, de modo 
DURADOURO, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro. 
 
PERTENÇAS BENFEITORIAS 
Não são partes integrantes do bem 
(não seguem o bem principal). 
São partes integrantes do bem 
(seguem o bem principal). 
Se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço 
ou ao aformoseamento de outro. 
São obras feitas na coisa ou despesas que se teve com 
ela, com o fim de conservá-la, melhorá-la ou 
embelezá-la. 
 
Art. 94.Os NEGÓCIOS JURÍDICOS que dizem respeito ao bem principal NÃO ABRANGEM as pertenças, SALVO 
se o contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das circunstâncias do caso. 
Obs.: Pertença é um bem acessório sobre o qual não incide o princípio da gravitação jurídica. 
 
Art. 95. Apesar de ainda NÃO separados do bem principal, os FRUTOS e PRODUTOS podem ser OBJETO de 
negócio jurídico. 
 
Art. 96. As BENFEITORIAS podem ser voluptuárias, úteis ou necessárias. 
§ 1o São VOLUPTUÁRIAS as de mero deleite ou recreio, que NÃO AUMENTAM o uso habitual do bem, ainda 
que o TORNEM mais agradável ou SEJAM de elevado valor. 
§ 2o São ÚTEIS as que AUMENTAM ou FACILITAM o uso do bem. 
§ 3o São NECESSÁRIAS as que têm por fim CONSERVAR o bem ou evitar que SE DETERIORE. 
 
Art. 97. NÃO SE CONSIDERAM BENFEITORIAS os melhoramentos ou acréscimos sobrevindos ao bem SEM A 
INTERVENÇÃO do proprietário, possuidor ou detentor. 
 
BENS ACESSÓRIOS 
FRUTOS 
São utilidades que uma coisa periodicamente produz. Nascem e renascem da coisa, sem 
acarretar-lhe a destruição no todo ou em parte, como o café, os cereais, os frutos das 
árvores. 
Não diminuem o bem principal! 
PRODUTOS 
São utilidades que se retiram da coisa, diminuindo-lhe a quantidade, porque não se 
reproduzem periodicamente, como as pedras e os metais, que se extraem das pedreiras 
e das minas. 
34 
 
Diminuem o bem principal! 
PARTE INTEGRANTE Acessório unido ao bem principal formando com este um todo indivisível. 
PERTENÇAS 
São os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo 
duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro. 
BENFEITORIAS 
- Voluptuárias: As de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do 
bem, ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor; 
- Úteis: As que aumentam ou facilitam o uso do bem; 
- Necessárias: As que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore. 
 
CAPÍTULO III 
Dos Bens Públicos 
Art. 98. São PÚBLICOS os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público 
INTERNO; todos os outros são PARTICULARES, seja qual for a pessoa a que pertencerem. 
 
Art. 99. São BENS PÚBLICOS: 
I - os de uso COMUM DO POVO, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças; 
II - os de uso ESPECIAL, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da 
administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias; 
III - os DOMINICAIS, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de 
direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. 
Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se DOMINICAIS os bens pertencentes às 
pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado. 
 
Art. 100. Os bens públicos de USO COMUM DO POVO e os de USO ESPECIAL são INALIENÁVEIS, enquanto 
conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar. 
 
Art. 101. Os bens públicos DOMINICAIS podem ser ALIENADOS, observadas as exigências da lei. 
 
Art. 102. Os bens públicos NÃO ESTÃO sujeitos a USUCAPIÃO. 
 
BENS PÚBLICOS 
USO COMUM DO POVO rios, mares, estradas, ruas e praças 
INALIENÁVEIS 
(enquanto conservarem 
a sua qualificação, na 
forma que a lei 
determinar) 
Não estão 
sujeitos a 
USUCAPIÃO 
USO ESPECIAL 
edifícios ou terrenos destinados a 
serviço ou estabelecimento da 
administração federal, estadual, 
territorial ou municipal, inclusive os de 
suas autarquias 
DOMINICAIS 
constituem o patrimônio das pessoas 
jurídicas de direito público, como 
objeto de direito pessoal, ou real, de 
cada uma dessas entidades 
Podem ser ALIENADOS 
(observadas as 
exigências da lei) 
 
Art. 103. O USO COMUM dos bens públicos PODE SER gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido 
legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
35 
 
BENS – CLASSIFICAÇÃO 
Considerados em si mesmos Reciprocamente considerados 
Quanto à titularidade de seu 
domínio 
1) Móveis e Imóveis; 
 
2) Divisíveis e Indivisíveis; 
 
3) Fungíveis e Infugíveis; 
 
4) Consumíveis e Inconsumíveis; 
 
5) Singulares e Coletivos. 
1) Principais; 
 
2) Acessórios: 
a) Frutos: pendentes, percebidos, 
estantes, percepiendos e 
consumidos. 
b) Produtos; 
c) Pertenças; 
d) Benfeitorias: voluptuárias, úteis e 
necessárias. 
1) Públicos: 
a) de uso comum do povo; 
b) de uso especial; 
c) de uso dominical ou dominiais; 
 
2) Privados. 
 
LIVRO III 
Dos Fatos Jurídicos 
 
TÍTULO I 
Do Negócio Jurídico 
 
CAPÍTULO I 
Disposições Gerais 
 
ELEMENTOS DO NEGÓCIO JURÍDICO (ESCADA PONTEANA) 
EXISTÊNCIA VALIDADE EFICÁCIA 
Agente; 
 
Objeto; 
 
Vontade; e 
 
Forma. 
Agente capaz; 
 
Objeto lícito, possível, 
determinado ou determinável; 
 
Vontade livre; e 
 
Forma prescrita ou não defesa 
em lei. 
Condição; 
 
Termo; e 
 
Encargo. 
Elementos essenciais Elementos acidentais 
 
Art. 104. A VALIDADE do negócio jurídico requer: 
I - agente CAPAZ; 
II - objeto LÍCITO, POSSÍVEL, DETERMINADO ou DETERMINÁVEL; 
III - forma PRESCRITA ou NÃO DEFESA em lei. 
 
Art. 105. A incapacidade RELATIVA de uma das partes NÃO PODE SER INVOCADA pela outra em benefício 
próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, SALVO se, neste caso, for INDIVISÍVEL O OBJETO do 
direito ou da obrigação comum. 
 
Art. 106. A impossibilidade inicial do objeto NÃO INVALIDA o negócio jurídico se for relativa, ou se cessar antes 
de realizada a condição a que ele estiver subordinado. 
 
Art. 107. A validade da declaração de vontade NÃO DEPENDERÁ de forma especial, senão quando a lei 
expressamente a exigir. (princípio da liberdade das formas) 
 
Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a ESCRITURA PÚBLICA é essencial à validade dos negócios jurídicos 
que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre IMÓVEIS de valor 
superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. 
36 
 
Art. 109. No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público, este é da 
SUBSTÂNCIA DO ATO. 
 
Art. 110. A manifestação de vontade SUBSISTE ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer 
o que manifestou, SALVO se dela o destinatário tinha conhecimento. (reserva mental ou reticência essencial) 
 
Art. 111. O SILÊNCIO importa ANUÊNCIA, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for 
necessária a declaração de vontade expressa. 
 
Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido 
literal da linguagem. 
 
Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser INTERPRETADOS conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua 
celebração. 
§ 1º A interpretação do negócio jurídico deve lhe atribuir o sentido que: (Lei nº 13.874/2019) 
I - for confirmado pelo comportamento das partes posterior à celebração do negócio; (Lei nº 13.874/2019) 
II - corresponder aos usos, costumes e práticas do mercado relativas ao tipo de negócio; (Lei nº 13.874/2019) 
III - corresponder à boa-fé; (Lei nº 13.874/2019) 
IV - for mais benéfico à parte que não redigiu o dispositivo, se identificável; e (Lei nº 13.874/2019) 
V - corresponder a qual seria a razoável negociação das partes sobre a questão discutida, inferida das demais 
disposições do negócio e da racionalidade econômica das partes, consideradas as informações disponíveis no 
momento de sua celebração. (Lei nº 13.874/2019) 
§ 2º As partes poderão LIVREMENTE PACTUAR regras de interpretação, de preenchimento de lacunas e de 
integração dos negócios jurídicos diversas daquelas previstas em lei. (Lei nº 13.874/2019) 
 
Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia INTERPRETAM-SE ESTRITAMENTE. 
 
INTERPRETAM-SE ESTRITAMENTE 
Negócios jurídicos benéficos 
Renúncia 
 
CAPÍTULO II 
Da Representação 
Art.115. Os PODERES de representação conferem-se por lei ou pelo interessado. 
 
Art. 116. A manifestação de vontade pelo representante, nos limites de seus poderes, produz efeitos em relação 
ao representado. 
 
Art. 117. SALVO se o permitir a lei ou o representado, é ANULÁVEL o negócio jurídico que o representante, no 
seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo. 
Parágrafo único. Para esse efeito, tem-se como celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em 
quem os poderes houverem sido subestabelecidos. 
 
Art. 118. O representante é OBRIGADO a provar às pessoas, com quem tratar em nome do representado, a sua 
qualidade e a extensão de seus poderes, sob pena de, não o fazendo, responder pelos atos que a estes 
excederem. 
 
Art. 119. É ANULÁVEL o negócio concluído pelo representante em conflito de interesses com o representado, 
se tal fato era ou devia ser do conhecimento de quem com aquele tratou. 
Parágrafo único. É de cento e oitenta dias, a contar da conclusão do negócio ou da cessação da incapacidade, 
o PRAZO DE DECADÊNCIA para pleitear-se a anulação prevista neste artigo. 
 
Art. 120. Os requisitos e os efeitos da representação legal são os estabelecidos nas normas respectivas; os da 
representação voluntária são os da Parte Especial deste Código. 
 
37 
 
REQUISITOS E EFEITOS 
Representação LEGAL Os estabelecidos nas normas respectivas 
Representação VOLUNTÁRIA Os da Parte Especial deste Código 
 
CAPÍTULO III 
Da Condição, do Termo e do Encargo 
 
ELEMENTOS ACIDENTAIS DO NEGÓCIO JURÍDICO 
(PLANO DE EFICÁCIA) 
* Condição; 
* Termo; 
* Encargo. 
 
Art. 121. CONSIDERA-SE CONDIÇÃO a cláusula que, derivando EXCLUSIVAMENTE da vontade das partes, 
SUBORDINA o efeito do negócio jurídico a EVENTO FUTURO e INCERTO. 
 
CONDIÇÃO Evento: 
- Futuro; e 
- Incerto. 
 
CONDIÇÕES SUSPENSIVAS CONDIÇÕES RESOLUTIVAS 
O evento futuro e incerto subordina o INÍCIO DA 
EFICÁCIA do negócio jurídico, ou seja, ele somente 
começa a ter eficácia quando ocorrer a condição; até a 
ocorrência da condição suspensiva, o negócio jurídico 
ficará impedido de começar a produzir efeitos. 
O evento futuro e incerto CONDICIONA A 
PERSISTÊNCIA DA EFICÁCIA do negócio jurídico, ou 
seja, o negócio jurídico já produz efeitos quando é 
celebrado com condição resolutiva, mas será resolvido 
caso ocorra a condição. Assim, quando acontece a 
condição, o negócio jurídico cessa, resolve-se. 
Identificada pela conjunção “SE”. Identificada pela conjunção “ENQUANTO”. 
Marca o início dos efeitos do negócio jurídico. Marca o término dos efeitos do negócio jurídico. 
Ex.: SE você passar no concurso te darei um carro. 
Passou = ganhou. 
Ex.: ENQUANTO você não passar no concurso, te darei 
uma mesada. Passou = termina. 
 
Art. 122. São LÍCITAS, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes; 
entre as condições DEFESAS se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao 
puro arbítrio de uma das partes. 
 
CONDIÇÕES LÍCITAS CONDIÇÕES DEFESAS 
- Não contrárias: 
* lei; 
* ordem pública; ou 
* bons costumes. 
- Que privarem de todo efeito o negócio jurídico; 
- Que sujeitarem o negócio jurídico ao puro arbítrio de 
uma das partes. 
 
Art. 123. INVALIDAM os negócios jurídicos que lhes são subordinados: 
I - as condições física ou juridicamente impossíveis, quando SUSPENSIVAS; 
II - as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita; 
III - as condições incompreensíveis ou contraditórias. 
INVALIDAM O NEGÓCIO JURÍDICO 
- Condições Suspensivas: 
* físicamente impossível; ou 
* juridicamente impossível; 
- Condições ilícitas; 
- Condições de fazer coisa ilítica; 
- Condições incompreensíveis; ou 
- Condições contraditórias. 
38 
 
Art. 124. Têm-se por INEXISTENTES as condições impossíveis, quando RESOLUTIVAS, e as de não fazer coisa 
impossível. 
 
CONDIÇÕES INEXISTENTES 
- Condições Resolutivas: impossíveis; 
- Condições de não fazer coisa impossível. 
 
Art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à CONDIÇÃO SUSPENSIVA, enquanto esta se não 
verificar, NÃO SE TERÁ ADQUIRIDO O DIREITO, a que ele visa. 
 
Condição Suspensiva Enquanto não verificada, impede a aquisição e o exercício do direito. 
Termo Inicial Suspende o exercício, mas não a aquisição. 
Encargo 
Não suspende a aquisição, nem o exercício do direito, salvo se imposto no negócio 
jurídico pelo disponente, como condição suspensiva. 
 
Art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob CONDIÇÃO SUSPENSIVA, e, pendente esta, fizer quanto àquela 
novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis. 
 
Art. 127. Se for RESOLUTIVA a condição, enquanto esta se não realizar, VIGORARÁ O NEGÓCIO JURÍDICO, 
PODENDO EXERCER-SE desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. 
 
Condição SUSPENSIVA Condição RESOLUTIVA 
Suspende a aquisição e o exercício do direito. Não há 
direito adquirido. 
Gera a extinção do negócio jurídico (é resolvido). Há 
direito adquirido. Pode ser expressa (decorre da 
convenção das partes) ou tácita (decorre da lei – ex.: 
exceção de contrato não cumprido). 
 
Art. 128. Sobrevindo a CONDIÇÃO RESOLUTIVA, extingue-se, para todos os efeitos, o direito a que ela se opõe; 
mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua realização, SALVO disposição em 
contrário, NÃO TEM EFICÁCIA quanto aos atos já praticados, desde que compatíveis com a natureza da 
condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé. 
 
Art. 129. Reputa-se VERIFICADA, quanto aos efeitos jurídicos, a condição cujo implemento for maliciosamente 
obstado pela parte a quem desfavorecer, considerando-se, ao contrário, NÃO VERIFICADA a condição 
maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o seu implemento. 
 
VERIFICADA Cujo implemento for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer. 
NÃO VERIFICA Maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o seu implemento. 
 
Art. 130. Ao titular do direito eventual, nos casos de CONDIÇÃO SUSPENSIVA OU RESOLUTIVA, é permitido 
praticar os atos destinados a conservá-lo. 
 
Art. 131. O TERMO INICIAL suspende o exercício, mas não a aquisição do direito. 
 
TERMO Evento: 
- Futuro; e 
- Certo. 
 
TERMO INICIAL 
Suspende Não Suspende 
Exercício do direito Aquisição do direito 
 
 
Art. 132. SALVO disposição legal ou convencional em contrário, COMPUTAM-SE os prazos, EXCLUÍDO o dia do 
começo, e INCLUÍDO o do vencimento. 
39 
 
§ 1o Se o dia do vencimento cair em feriado, CONSIDERAR-SE-Á prorrogado o prazo ATÉ O SEGUINTE DIA ÚTIL. 
§ 2o MEADO CONSIDERA-SE, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia. 
§ 3o Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata 
correspondência. 
§ 4o Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto. 
 
Art. 133. Nos testamentos, presume-se o prazo em favor do herdeiro, e, nos contratos, em proveito do devedor, 
SALVO, quanto a esses, se do teor do instrumento, ou das circunstâncias, resultar que se estabeleceu a benefício 
do credor, ou de ambos os contratantes. 
 
Art. 134. Os negócios jurídicos entre vivos, sem prazo, são exeqüíveis desde logo, SALVO se a execução tiver 
de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo. 
 
Art. 135. Ao TERMO INICIAL E FINAL aplicam-se, no que couber, as disposições relativas à CONDIÇÃO 
SUSPENSIVA E RESOLUTIVA. 
 
Art. 136. O ENCARGO não suspende a aquisição nem o exercício do direito, SALVO quando expressamente 
imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva. 
 
Condição Suspensiva Enquanto não verificada, impede a aquisição e o exercício do direito. 
Termo Inicial Suspende o exercício, mas não a aquisição. 
Encargo 
Não suspende a aquisição, nem o exercício do direito, salvo se imposto no negócio 
jurídico pelo disponente,como condição suspensiva. 
 
Art. 137. Considera-se NÃO ESCRITO o encargo ilícito ou impossível, SALVO se constituir o motivo determinante 
da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico. 
 
ELEMENTOS ACIDENTAIS/FACULTATIVOS DO NEGÓCIO JURÍDICO 
CONDIÇÃO TERMO ENCARGO 
Conceito 
Evento futuro e incerto, por 
meio do qual se subordinam 
ou resolvem-se os efeitos 
jurídicos de um negócio 
jurídico. 
Evento futuro e certo, que 
subordina o início ou término 
dos efeitos jurídicos de 
determinado negócio 
jurídico. 
Acessório acidental do 
negócio jurídico que impõe ao 
beneficiário ônus a ser 
cumprido, em prol de uma 
liberdade maior. 
Requisitos 
Futuridade; 
Incerteza; e 
Voluntariedade. 
Futuridade; e 
Certeza 
Liberdade; e 
Ônus. 
Espécies 
Suspensiva; e 
Resolutiva. 
Inicial; e 
Final. 
– 
Identificada 
Pelas conjunções “se” 
(suspensiva) e “enquanto” 
(resolutiva). 
Pelas conjunção “quando”. 
Pelas conjunções “para que” e 
“com o fim de”. 
Aquisição e 
Exercício do 
Direito 
Suspende a aquisição e o 
exercício do direito. 
NÂO suspende a aquisição, 
mas suspende o exercício do 
direito. 
NÂO suspende a aquisição 
nem o exercício do direito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
40 
 
CAPÍTULO IV 
Dos Defeitos do Negócio Jurídico 
 
VÍCIOS DE CONSENTIMENTO/VONTADE VÍCIOS SOCIAL 
O defeito está na formação da vontade (vontade 
interna) e o prejudicado é um dos contratantes. 
O defeito está na manifestação da vontade (vontade 
externa) e o prejudicado é sempre um terceiro. 
Erro; 
Dolo; 
Coação; 
Estado de Perigo; e 
Lesão. 
Fraude contra Credores; e 
Simulação. 
 
Seção I 
Do Erro ou Ignorância 
Art. 138. São ANULÁVEIS os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro 
substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio. 
 
Art. 139. O erro é SUBSTANCIAL quando: 
I - interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a ele 
essenciais; 
II - concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade, desde 
que tenha influído nesta de modo relevante; 
III - sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio 
jurídico. 
 
Art. 140. O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante. 
 
Art. 141. A transmissão errônea da vontade por meios interpostos é ANULÁVEL nos mesmos casos em que o é 
a declaração direta. 
 
Art. 142. O erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se referir a declaração de vontade, não viciará o 
negócio quando, por seu contexto e pelas circunstâncias, se puder identificar a coisa ou pessoa cogitada. 
 
Art. 143. O erro de cálculo apenas autoriza a retificação da declaração de vontade. 
 
Art. 144. O erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa, a quem a manifestação de 
vontade se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante. 
 
Seção II 
Do Dolo 
Art. 145. São os negócios jurídicos ANULÁVEIS por dolo, quando este for a sua causa. 
 
ERRO DOLO 
O agente percebeu sozinho mal os fatos. 
A percepção errônea dos fatos foi induzida por 
outrem. 
 
Art. 146. O DOLO ACIDENTAL só obriga à satisfação das perdas e danos, e é acidental quando, a seu despeito, 
o negócio seria realizado, embora por outro modo. 
 
DOLO ESSENCIAL DOLO ACIDENTAL 
Anulação do negócio jurídico. Perdas e danos. 
 
41 
 
Art. 147. Nos negócios jurídicos BILATERAIS, o silêncio intencional de uma das partes a respeito de fato ou 
qualidade que a outra parte haja ignorado, constitui omissão dolosa, provando-se que sem ela o negócio não 
se teria celebrado. 
 
Art. 148. Pode também ser ANULADO o negócio jurídico por dolo de terceiro, se a parte a quem aproveite dele 
tivesse ou devesse ter conhecimento; em caso contrário, ainda que subsista o negócio jurídico, o terceiro 
responderá por todas as perdas e danos da parte a quem ludibriou. 
 
DOLO DE TERCEIRO 
Se é de conhecimento de quem está tirando proveito 
(houve conluio) 
Responsabilidade para os dois e será caso de nulidade 
relativa. 
Se quem vai tirar proveito não souber do dolo do 
terceiro 
O negócio subsistirá, sendo que o terceiro deve arcar 
com perdas e danos. 
 
Art. 149. O dolo do representante LEGAL de uma das partes SÓ OBRIGA o REPRESENTADO a responder 
civilmente até a importância do proveito que teve; se, porém, o dolo for do representante CONVENCIONAL, o 
representado RESPONDERÁ SOLIDARIAMENTE com ele por perdas e danos. 
 
Dolo do Representante LEGAL Dolo do Representante CONVENCIONAL 
Representado responde civilmente até a importância 
do proveito que teve. 
Representado responde solidariamente com o 
representante por perdas e danos. 
 
Art. 150. Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio, ou reclamar 
indenização. (dolo recíproco/bilateral/compensado/enantiomórfico) 
 
Dolo recíproco ou bilateral 
- dolo de ambas as partes; 
- ninguém pode alegá-lo. 
 
Seção III 
Da Coação 
Art. 151. A COAÇÃO, para viciar a declaração da vontade, HÁ DE SER TAL que incuta ao paciente fundado temor 
de dano IMINENTE e CONSIDERÁVEL à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens. 
Parágrafo único. Se disser respeito a pessoa não pertencente à família do paciente, o juiz, com base nas 
circunstâncias, decidirá se houve coação. 
 
Art. 152. No apreciar a coação, ter-se-ão em conta o sexo, a idade, a condição, a saúde, o temperamento do 
paciente e todas as demais circunstâncias que possam influir na gravidade dela. 
 
Art. 153. NÃO SE CONSIDERA COAÇÃO a ameaça do exercício normal de um direito, nem o simples temor 
reverencial. 
 
NÃO SE CONSIDERA COAÇÃO 
- ameaça do exercício normal de um direito; 
Ex.: ameaçar protestar o título em cartório. 
- simples temor reverencial. 
Ex.: receio de desagradar o padre da cidade. 
 
Art. 154. VICIA o negócio jurídico a coação exercida por terceiro, se dela tivesse ou devesse ter conhecimento 
a parte a que aproveite, e esta RESPONDERÁ SOLIDARIAMENTE com aquele por perdas e danos. 
 
Art. 155. Subsistirá o negócio jurídico, se a coação decorrer de terceiro, sem que a parte a que aproveite dela 
tivesse ou devesse ter conhecimento; mas o autor da coação responderá por todas as perdas e danos que 
houver causado ao coacto. 
 
 
42 
 
COAÇÃO DE TERCEIRO 
Se o beneficiário sabia ou devesse saber 
O negócio será anulado e o beneficiário em tal caso, responderá 
solidariamente com o terceiro pelas perdas e danos. 
Se o beneficiário não sabia ou não tivesse 
como saber 
O negócio é mantido e o terceiro responde sozinho perante o 
prejudicado. 
 
Seção IV 
Do Estado de Perigo 
Art. 156. CONFIGURA-SE o ESTADO DE PERIGO quando alguém, PREMIDO DA NECESSIDADE de salvar-se, ou 
a pessoa de sua família, de grave dano CONHECIDO PELA OUTRA PARTE, assume obrigação EXCESSIVAMENTE 
ONEROSA. 
Parágrafo único. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz decidirá segundo as 
circunstâncias. 
 
Seção V 
Da Lesão 
Art. 157. OCORRE a LESÃO quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, SE OBRIGA a 
prestação MANIFESTAMENTE DESPROPORCIONAL ao valor da prestação oposta. 
§ 1o Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o 
negócio jurídico. 
§ 2o NÃO SE DECRETARÁ a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte 
favorecida concordar com a redução do proveito. 
 
LESÃO ESTADO DE PERIGO 
Não exige dolo de aproveitamento. Exige dolo de aproveitamento. 
A outra parte não conhece o grave dano. A outra parte conhece o grave dano. 
Premente necessidade ou inexperiência. 
Perigo que acomete o próprio negociante, pessoa de 
sua família ou amigo íntimo, sendoesse perigo de 
conhecimento de outro negociante. 
Prestação manifestamente desproporcional. Obrigação excessivamente onerosa. 
Aplica-se revisão negocial (art. 157, § 2º) 
Há entendimento de aplicação analógica do art. 157, 
§2º, visando a conservação negocial. 
Aplica-se exclusivamente aos contratos sinalagmáticos. 
Aplica-se aos negócios jurídicos em geral (também aos 
unilaterais, ex.: promessa de recompensa). 
 
Seção VI 
Da Fraude Contra Credores 
Art. 158. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já 
insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores 
quirografários, como lesivos dos seus direitos. 
§ 1o Igual direito assiste aos credores cuja garantia se tornar insuficiente. 
§ 2o SÓ OS CREDORES que já o eram ao tempo daqueles atos PODEM PLEITEAR a anulação deles. 
 
Art. 159. Serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente, quando a insolvência for notória, 
ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante. 
 
Art. 160. Se o adquirente dos bens do devedor insolvente ainda não tiver pago o preço e este for, aproximadamente, 
o corrente, desobrigar-se-á depositando-o em juízo, com a citação de todos os interessados. 
Parágrafo único. Se inferior, o adquirente, para conservar os bens, poderá depositar o preço que lhes corresponda 
ao valor real. 
 
Art. 161. A ação, nos casos dos arts. 158 e 159, poderá ser intentada contra o devedor insolvente, a pessoa que com 
ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta, ou terceiros adquirentes que hajam procedido de má-fé. 
 
43 
 
Art. 162. O credor quirografário, que receber do devedor insolvente o pagamento da dívida ainda não vencida, ficará 
obrigado a repor, em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores, aquilo que recebeu. 
 
Art. 163. Presumem-se fraudatórias dos direitos dos outros credores as garantias de dívidas que o devedor insolvente 
tiver dado a algum credor. 
 
Art. 164. Presumem-se, porém, de boa-fé e valem os negócios ordinários indispensáveis à manutenção de 
estabelecimento mercantil, rural, ou industrial, ou à subsistência do devedor e de sua família. 
 
Art. 165. Anulados os negócios fraudulentos, a vantagem resultante reverterá em proveito do acervo sobre que se 
tenha de efetuar o concurso de credores. 
Parágrafo único. Se esses negócios tinham por único objeto atribuir direitos preferenciais, mediante hipoteca, 
penhor ou anticrese, sua invalidade importará somente na anulação da preferência ajustada. 
 
CAPÍTULO V 
Da Invalidade do Negócio Jurídico 
Art. 166. É NULO o negócio jurídico quando: 
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz; 
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; 
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; 
IV - não revestir a forma prescrita em lei; 
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; 
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa; 
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção. 
 
Art. 167. É NULO o negócio jurídico SIMULADO, mas SUBSISTIRÁ o que se dissimulou, se válido for na 
substância e na forma. 
§ 1o HAVERÁ SIMULAÇÃO nos negócios jurídicos quando: (ROL EXEMPLIFICATIVO) 
I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou 
transmitem; 
II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; 
III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. 
 
#INFO 
- Simulação alegada pelo réu em sede de contestação. 
É nulo o compromisso de compra e venda que, em realidade, traduz-se como instrumento para o credor ficar com 
o bem dado em garantia em relação a obrigações decorrentes de contrato de mútuo usurário, se estas não forem 
adimplidas. Trata-se de simulação. 
Essa simulação poderá ser alegada pelo contratante/réu como matéria de defesa, em contestação, por se tratar de 
nulidade absoluta. 
A alegação dessa simulação em contestação vale mesmo que o negócio jurídico tenha sido celebrado sob a égide 
do Código Civil de 1916. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.076.571-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 11/3/2014 (Info 538). 
 
§ 2o RESSALVAM-SE os DIREITOS DE TERCEIROS DE BOA-FÉ em face dos contraentes do negócio jurídico 
simulado. 
 
Art. 168. As NULIDADES dos artigos antecedentes podem ser alegadas por QUALQUER INTERESSADO, ou pelo 
MINISTÉRIO PÚBLICO, quando lhe couber intervir. 
Parágrafo único. As NULIDADES devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico ou 
dos seus efeitos e as encontrar provadas, NÃO LHE SENDO PERMITIDO SUPRI-LAS, ainda que a requerimento 
das partes. 
 
Art. 169. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo. 
44 
 
Art. 170. Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este quando o fim a que 
visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade. 
 
Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é ANULÁVEL o negócio jurídico: 
I - por incapacidade relativa do agente; 
II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores. 
 
NEGÓCIO JURÍDICO NULO (arts. 166 e 167) NEGÓCIO JURÍDICO ANULÁVEL (art. 171) 
- Agente absolutamente incapaz; 
- Objeto ilícito, impossível ou indeterminável; 
- Motivo determinante, comum a ambas as partes, for 
ilícito; 
- Forma não revestir a prescrita em lei; 
- Preterição de alguma solenidade que a lei considere 
essencial para a sua validade; 
- Objetivo for fraudar lei imperativa; 
- A lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a 
prática, sem cominar sanção; 
- Simulação. 
- Casos expressamente previstos em lei; 
- Agente relativamente incapaz; 
- Vício resultante de erro, dolo, coação, estado de 
perigo, lesão ou fraude contra credores. 
 
Art. 172. O negócio anulável pode ser confirmado (convalidado) pelas partes, SALVO direito de terceiro. 
 
Art. 173. O ato de confirmação deve conter a substância do negócio celebrado e a vontade expressa de mantê-lo. 
 
Art. 174. É escusada a confirmação expressa, quando o negócio já foi cumprido em parte pelo devedor, ciente 
do vício que o inquinava. 
 
Art. 175. A confirmação expressa, ou a execução voluntária de negócio anulável, nos termos dos arts. 172 a 174, 
importa a EXTINÇÃO de todas as ações, ou exceções, de que contra ele dispusesse o devedor. 
 
Art. 176. Quando a anulabilidade do ato resultar da falta de autorização de terceiro, será validado se este a der 
posteriormente. 
 
Art. 177. A ANULABILIDADE não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se pronuncia de ofício; só os 
interessados a PODEM ALEGAR, e APROVEITA EXCLUSIVAMENTE aos que a alegarem, SALVO o caso de 
SOLIDARIEDADE ou INDIVISIBILIDADE. 
 
Art. 178. É de quatro anos o PRAZO DE DECADÊNCIA para pleitear-se a ANULAÇÃO do negócio jurídico, 
contado: 
I - no caso de COAÇÃO, do dia em que ela cessar; 
II - no de ERRO, DOLO, FRAUDE CONTRA CREDORES, ESTADO DE PERIGO ou LESÃO, do dia em que se realizou 
o negócio jurídico; 
III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade. 
 
Art. 179. Quando a lei DISPUSER que determinado ato é ANULÁVEL, sem estabelecer prazo para PLEITEAR-SE a 
ANULAÇÃO, será este de dois anos, a contar da data da conclusão do ato. 
 
PRAZOS DECADENCIAIS PARA AÇÃO ANULATÓRIA (Art. 178/179) 
PRAZO DECADENCIAL HIPÓTESE TERMO INICIAL 
4 anos 
Coação Dia em que cessar a coação 
Erro, dolo, fraude contra credores, estado de 
perigo ou lesão 
Dia em que se realizou o negócio 
jurídico 
Atos de incapazes Dia em que cessar a incapacidade 
45 
 
2 anos 
Quando a lei dispuser que determinado ato 
é anulável, sem estabelecer prazo parapleitear a anulação 
Data da conclusão do ato 
 
Art. 180. O MENOR, entre dezesseis e dezoito anos, NÃO PODE, para eximir-se de uma obrigação, invocar a 
sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou se, no ato de obrigar-se, declarou-
se maior. 
 
Art. 181. Ninguém pode reclamar o que, por uma obrigação anulada, pagou a um incapaz, se não provar que 
reverteu em proveito dele a importância paga. 
 
Art. 182. Anulado o negócio jurídico, restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam, e, não sendo 
possível restituí-las, serão indenizadas com o equivalente. 
 
Art. 183. A invalidade do instrumento NÃO INDUZ a do negócio jurídico sempre que este puder provar-se por 
outro meio. 
 
Art. 184. Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico NÃO O PREJUDICARÁ 
na parte válida, se esta for separável; a invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, 
mas a destas NÃO INDUZ a da obrigação principal. 
 
NEGÓCIO NULO (NULIDADE ABSOLUTA) NEGÓCIO ANULÁVEL (NULIDADE RELATIVA) 
Atinge interesse público Atinge interesse privado 
Arguída por qualquer interessado, ou pelo Ministério 
Público, quando lhe couber intervir 
Arguída pela pessoa prejudicada, somente 
Devem ser pronunciada de ofício pelo juiz Não pode ser pronunciada de ofício pelo juiz 
Não admite confirmação 
(admite conversão substancial) 
Admite confirmação, salvo direito de terceiro 
Ação é declaratória Ação é constitutiva 
Efeitos ex tunc (retroage) Efeitos ex nunc (não retroage) 
Nulidade por força de lei 
(ope legis) 
Nulidade por força de decisão judicial 
(ope judicis) 
Imprescritível 
(a qualquer tempo) 
Prazo decadencial 
(podendo ser de 2 ou 4 anos, a depender) 
Hipóteses (arts. 166 e 167): 
- Agente absolutamente incapaz; 
- Objeto ilícito, impossível ou indeterminável; 
- Motivo determinante, comum a ambas as partes, for 
ilícito; 
- Forma não revestir a prescrita em lei; 
- Preterição de alguma solenidade que a lei considere 
essencial para a sua validade; 
- Objetivo for fraudar lei imperativa; 
- A lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a 
prática, sem cominar sanção; 
- Simulação. 
Hipóteses (art. 171): 
- Casos expressamente previstos em lei; 
- Agente relativamente incapaz; 
- Vício resultante de erro, dolo, coação, estado de 
perigo, lesão ou fraude contra credores. 
 
TÍTULO II 
Dos Atos Jurídicos Lícitos 
Art. 185. Aos atos jurídicos LÍCITOS, que NÃO SEJAM negócios jurídicos, aplicam-se, no que couber, as 
disposições do Título anterior. 
 
 
46 
 
TÍTULO III 
Dos Atos Ilícitos 
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano 
a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ILÍCITO. 
 
Art. 187. Também comete ato ILÍCITO o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os 
limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. ABUSO DE DIREITO 
 
Art. 188. Não constituem atos ILÍCITOS: 
I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido; 
II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente. 
Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem 
absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo. 
 
#INFO 
- A prática de sham litigation (litigância simulada) configura ato ilícito de abuso do direito de ação, 
podendo gerar indenização por danos morais e materiais. 
O ajuizamento de sucessivas ações judiciais, desprovidas de fundamentação idônea e intentadas com propósito 
doloso, pode configurar ato ilícito de abuso do direito de ação ou de defesa, o denominado assédio processual. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.817.845-MS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, 
julgado em 10/10/2019 (Info 658). 
Trata-se daquilo que, nos Estados Unidos, ficou conhecido como “sham litigation” (litigância simulada), ou seja, a 
“ação ou conjunto de ações promovidas junto ao Poder Judiciário, que não possuem embasamento sólido, 
fundamentado e potencialidade de sucesso, com o objetivo central e disfarçado de prejudicar algum concorrente 
direto do impetrante, causando-lhe danos e dificuldades de ordem financeira, estrutural e reputacional.” 
 
TÍTULO IV 
Da Prescrição e da Decadência 
 
CAPÍTULO I 
Da Prescrição 
 
Seção I 
Disposições Gerais 
Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela PRESCRIÇÃO, nos prazos a 
que aludem os arts. 205 e 206. 
 
Art. 190. A EXCEÇÃO prescreve no mesmo prazo em que a PRETENSÃO. 
 
Art. 191. A RENÚNCIA da prescrição pode ser EXPRESSA ou TÁCITA, e só valerá, SENDO FEITA, sem prejuízo de 
terceiro, depois que a prescrição se consumar; TÁCITA é a renúncia quando se presume de fatos do 
interessado, incompatíveis com a prescrição. 
 
Art. 192. Os PRAZOS de prescrição NÃO PODEM SER ALTERADOS por acordo das partes. 
 
Art. 193. A prescrição pode ser ALEGADA em qualquer grau de jurisdição, pela parte a quem aproveita. 
 
Art. 195. Os RELATIVAMENTE INCAPAZES e as PESSOAS JURÍDICAS têm ação contra os seus assistentes ou 
representantes legais, que derem causa à prescrição, ou não a alegarem oportunamente. 
 
Art. 196. A prescrição iniciada contra uma pessoa CONTINUA A CORRER contra o SEU SUCESSOR. 
 
 
47 
 
Seção II 
Das Causas que Impedem ou Suspendem a Prescrição 
Art. 197. NÃO CORRE a prescrição: 
I - entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal; 
#INFO 
- A separação de fato por tempo razoável mitiga a regra do art. 197, I, do Código Civil. 
O art. 197, I, do Código Civil prevê que “não corre a prescrição entre os cônjuges, na constância da sociedade 
conjugal”. 
Se os cônjuges estão separados há muitos anos, não se deve aplicar a regra do art. 197, I, do CC. 
Mesmo não estando prevista no rol do art. 1.571 do CC, a separação de fato muito prolongada, ou por tempo 
razoável, também pode ser considerada como causa de dissolução da sociedade conjugal e, em assim sendo, tem 
o condão de impedir a fluência do prazo prescricional da pretensão de partilha de bens de ex-cônjuges. 
Caso concreto: a pretensão de partilha de bem comum após mais de 30 anos da separação de fato e da partilha 
amigável dos bens comuns do ex-casal está fulminada pela prescrição. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.660.947-TO, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 05/11/2019 (Info 660). 
II - entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar; 
III - entre tutelados ou curatelados e seus tutores ou curadores, durante a tutela ou curatela. 
 
Art. 198. TAMBÉM NÃO CORRE a prescrição: (CAUSAS DE SUSPENSÃO) 
I - contra os incapazes de que trata o art. 3o (absolutamente incapazes); 
II - contra os ausentes do País em serviço público da União, dos Estados ou dos Municípios; 
III - contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra. 
 
Art. 199. NÃO CORRE IGUALMENTE a prescrição: (CAUSAS DE SUSPENSÃO) 
I - pendendo condição suspensiva; 
II - não estando vencido o prazo; 
III - pendendo ação de evicção. 
 
Art. 200. Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, NÃO CORRERÁ a prescrição 
antes da respectiva sentença definitiva. 
 
#INFO 
- Só se aplica o art. 200 do CC se houver IP ou ação penal. 
Se um fato constitui, ao mesmo tempo, um ilícito civil e penal, poderá ser proposta uma ação civil de reparação 
de danos e uma ação penal, que tramitarão em instâncias diferentes e relativamente independentes. 
O prazo prescricional para a ação de reparação de danos é de 3 anos. 
O art. 200 do CC afirma que não correrá o prazo de prescrição para essa ação cível antes que a decisão sobre o 
fato na esfera penal transite em julgado. 
No entanto, o prazo prescricional§ 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare (revogação expressa ou por via direta), 
quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior 
(revogação tácita ou por via oblíqua). 
 
§ 2o A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica 
a lei anterior. 
 
REVOGAÇÃO 
Quanto à 
Extensão 
Revogação Total ou 
Ab-rogação 
Ocorre quando uma lei nova torna sem efeito uma lei 
anterior de forma integral. 
Revogação Parcial ou 
Derrogação 
Ocorre quando uma lei nova torna sem efeito parte de uma 
lei anterior. 
 Quanto ao 
Modo 
Revogação Expressa ou por 
Via Direta 
A lei nova expressamente exclui lei anterior do 
ordenamento jurídico. 
Revogação Tácita ou por Via 
Oblíqua 
A lei nova é absolutamente incompatível com a anterior. 
 
 
4 
 
- Antinomias: é a presença de duas normas conflitantes, válidas e emanadas de autoridade competente, sem que 
se possa dizer qual delas merecerá aplicação em determinado caso concreto. Três critérios (ou para alguns, 
metacritérios clássicos) construídos por Norberto Bobbio devem ser levados em conta para a solução dos 
conflitos: 
1) Hierárquico: norma superior prevalece sobre norma inferior; 
2) Especialidade: norma especial prevalece sobre norma geral; 
3) Cronológico: norma posterior prevalece sobre norma anterior. 
Dos três critérios acima, o cronológico, constante do art. 2.º da Lei de Introdução, é o mais fraco de todos, 
sucumbindo diante dos demais. O critério da especialidade é o intermediário e o da hierarquia o mais forte de 
todos, tendo em vista a importância do Texto Constitucional. 
 
- Classificação: 
* Quanto ao Metacritérios Envolvidos: 
a) Antinomia de 1º grau: conflito de normas que envolve apenas um critério; 
b) Antinomia de 2º grau: conflito de normas que envolve dois critérios. 
 
* Quanto à Possibilidade ou Não de Solução 
a) Antinomia aparente: situação que pode ser resolvida de acordo com os metacritérios antes expostos. 
b) Antinomia real: situação que não pode ser resolvida de acordo com os metacritérios antes expostos. 
 
De acordo com essas classificações, devem ser analisados os casos práticos em que estão presentes os conflitos: 
 
Antinomia de 1º Grau: 
- Norma posterior x Norma anterior: 
Prevalece a primeira (critério cronológico) 
- Norma especial x Norma geral: 
Prevalece a primeira (critério da especialidade) 
- Norma superior x Norma inferior 
Prevalece a primeira (critério hierárquico) 
Esses são os casos de antinomia de primeiro grau, todos de antinomia aparente, eis que presente a solução de 
acordo com os metacritérios antes analisados. 
 
Antinomia de 2º Grau: 
- Norma especial anterior x norma geral posterior: 
Prevalece o critério da especialidade 
- Norma superior anterior x norma inferior posterior: 
Prevalece o critério hierárquico 
- Norma geral superior x norma especial inferior: 
O critério da especialidade também é de suma importância, constando a sua previsão na CF de 1988. O art. 5.º do 
Texto Maior consagra o princípio da isonomia ou igualdade lato sensu, pelo qual a lei deve tratar de maneira igual 
os iguais. E é por isso que ele até pode fazer frente ao critério hierárquico. 
Desse modo, em havendo choque entre os critérios hierárquico e da especialidade, dois caminhos de solução 
podem ser dados no caso de antinomia real, um pelo Poder Legislativo e outro pelo Poder Judiciário: 
Solução do Poder Legislativo - cabe a edição de uma terceira norma, dizendo qual das duas normas em conflito 
deve ser aplicada. 
Solução do Poder Judiciário - o caminho é a adoção do princípio máximo de justiça, podendo o magistrado, o 
juiz da causa, de acordo com a sua convicção e aplicando os arts. 4º e 5º da Lei de Introdução, adotar uma das 
duas normas, para solucionar o problema. Também pode ser utilizado o art. 8º do Novo CPC, segundo o qual, “ao 
aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e 
promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a 
publicidade e a eficiência”. 
 
 
5 
 
§ 3o Salvo disposição em contrário, a lei revogada NÃO SE RESTAURA por ter a lei revogadora PERDIDO A 
VIGÊNCIA. (REPRISTINAÇÃO) 
 
#NÃOCONFUNDA: 
REPRISTINAÇÃO EFEITO REPRISTINATÓRIO 
Fenômeno do Processo Legislativo Fenômeno do Controle Difuso de Constitucionalidade 
É a restauração da lei revogada pela revogação da 
lei revogadora. 
É a restauração da lei revogada pela declaração de 
inconstitucionalidade da lei revogadora, e desde que 
não haja modulação de efeitos temporais. 
É vedada, salvo expressa previsão legal (art. 2º, § 3º, 
da LINDB). 
É permitido - Medida cautelar em ADI (art. 11, § 2º, da Lei 
nº 9.868/99); e ADI com efeitos “ex tunc”. 
Existe uma terceira lei revogando a lei revogadora. 
Não existe uma terceira lei revogando a lei revogadora, 
mas sim uma decisão judicial que declara a 
inconstitucionalidade da lei revogadora. 
 
Art. 3o Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. (Princípio da Obrigatoriedade das 
normas) 
 
Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a Analogia, os Costumes e os Princípios 
gerais de direito. (Para lembrar: ordem alfabética: A, C, P) 
 
Formas de Integração do 
Ordenamento Jurídico 
 Analogia; 
 Costumes; e 
 Princípios gerais de direito. 
Obs.: A doutrina civilista tradicional entende que a ordem das formas de 
integração previstas no dispositivo deve ser seguida pelo magistrado: 
primeiro deve ele se valer da analogia, depois dos costumes e depois dos 
princípios gerais do direito. 
 
- Costume: é o uso reiterado, constante, notório e uniforme de uma conduta, na convicção de ser a mesma 
obrigatória. Ou seja, é uma prática que se estabelece por força do hábito, com convicção. 
Possui dois elementos: 
- Objetivo: uso reiterado e uniforme de um comportamento; 
- Subjetivo: convicção de que o mesmo é obrigatório. 
Pode ser dividido em: 
a) Costume segundo a lei (secundum legem): Incide quando há referência expressa ao costume no texto legal; 
b) Costume na falta da lei (praeter legem): É aplicado quando a lei for omissa, sendo denominado de costume 
integrativo; e 
c) Costume contra a lei (contra legem): É a aplicação do costume contraria a lei. Nesse caso, há abuso de direito 
(art. 187, CC). 
 
- Analogia: É a utilização de uma norma próxima ou semelhante para regular uma situação que não foi 
regulamentada pelo direito. 
Pode ser dividida em: 
a) Analogia Legal ou Legis: a relação da semelhança toma por base somente uma norma próxima; 
b) Analogia Jurídica ou Iuris: a relação de semelhança é estabelecida com base em um conjunto de normas 
próximas. 
 
Art. 5o Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. 
 
Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a 
coisa julgada. 
§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. 
6 
 
§ 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por êle, possa exercer, como 
aquêles cujo comêço do exercício tenha têrmo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a arbítrio 
de outrem. 
§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. 
 
ATO JURÍDICO PERFEITO O já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. 
DIREITO ADQUIRIDO 
Que o seu titular, ou alguém por êle, possa exercer, como aquêles cujo comêço 
do exercício tenha têrmo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a 
arbítrio de outrem. 
COISA JULGADA A decisão judicial de que já não caiba recurso. 
 
Art. 7o A lei do país em que DOMICILIADA A PESSOA determinada ação cível somente ficará suspenso, nos termos do art. 200, do CC, se existir 
processo penal em curso ou, pelo menos, a tramitação de um inquérito policial apurando o fato sob a ótica 
criminal. 
Se não existir ação penal nem inquérito policial sobre o fato, o prazo da ação cível está correndo normalmente. 
Se o fato não será apurado no juízo criminal, não há sentido do prazo prescricional da ação cível ficar suspenso, 
até mesmo porque ficaria para sempre suspenso, já que, se não há ação penal, não haverá nunca sentença penal. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.180.237/MT, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino. J. em 19/06/2012 (Info 500). 
 
- Aplicação do art. 200 do CC para ação contra terceiro responsável. 
Esse art. 200 do CC aplica-se também para os casos de ação de indenização proposta contra o terceiro responsável 
(art. 932 do CC)? 
SIM. Segundo decidiu o STJ, é possível a extensão do art. 200 do CC para além do suposto infrator, isto é, para as 
hipóteses de responsabilização de terceiro por fato de outrem (na espécie, a responsabilização do empregador 
pelos atos do preposto). 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.135.988/SP. Rel. Min. Luis Felipe Salomão. Julgado em 08/10/2013 (lnfo 530). 
 
48 
 
Art. 201. SUSPENSA a prescrição em favor de um dos credores solidários, só aproveitam os outros se a obrigação 
for INDIVISÍVEL. 
 
SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO 
Atinge todos os credores DESDE QUE 
 
- Obrigação seja solidária + Obrigação seja indivisível. 
Atinge todos os credores DESDE QUE 
 
- Obrigação seja solidária. 
 
Seção III 
Das Causas que Interrompem a Prescrição 
Art. 202. A INTERRUPÇÃO da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, DAR-SE-Á: 
Obs.: A interrupção da prescrição importa o recomeço do prazo por inteiro. 
I - por DESPACHO DO JUIZ, mesmo incompetente, que ORDENAR a citação, se o interessado a promover no 
prazo e na forma da lei processual; 
Obs.: A citação NÃO precisa ser válida, basta que haja despacho que ordene citação. 
II - por PROTESTO, nas condições do inciso antecedente; 
III - por PROTESTO CAMBIAL; 
IV - pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores; 
V - por QUALQUER ATO JUDICIAL que constitua em mora o devedor; 
VI - por QUALQUER ATO INEQUÍVOCO, ainda que extrajudicial, que IMPORTE reconhecimento do direito pelo 
devedor. 
Parágrafo único. A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu, ou do último 
ato do processo para a interromper. 
 
Art. 203. A prescrição pode ser interrompida por qualquer interessado. 
 
Art. 204. A interrupção da prescrição por um credor NÃO APROVEITA aos outros; semelhantemente, a interrupção 
operada contra o co-devedor, ou seu herdeiro, NÃO PREJUDICA aos demais coobrigados. 
§ 1o A interrupção por um dos credores solidários APROVEITA aos outros; assim como a interrupção efetuada 
contra o devedor solidário ENVOLVE os demais e seus herdeiros. 
§ 2o A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário NÃO PREJUDICA os outros herdeiros 
ou devedores, senão quando se trate de obrigações e direitos INDIVISÍVEIS. 
§ 3o A interrupção produzida contra o principal devedor PREJUDICA o fiador. (PRINCÍPIO DA GRAVITAÇÃO 
JURÍDICA) 
 
Seção IV 
Dos Prazos da Prescrição 
Art. 205. A prescrição ocorre em DEZ ANOS, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. 
 
#INFO 
- Prazo prescricional na responsabilidade contratual é, em regra, de 10 anos. 
A pretensão indenizatória decorrente do inadimplemento contratual sujeita-se ao prazo prescricional decenal (art. 
205 do Código Civil), se não houver previsão legal de prazo diferenciado. 
STJ. Corte Especial. EREsp 1.281.594-SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Rel. Acd. Min. Felix Fischer, julgado 
em 15/05/2019 (Info 649). 
 
- É decenal o prazo prescricional aplicável às hipóteses de pretensão fundamentadas em inadimplemento 
contratual. 
É adequada a distinção dos prazos prescricionais da pretensão de reparação civil advinda de responsabilidades 
contratual e extracontratual. 
Nas controvérsias relacionadas à responsabilidade CONTRATUAL, aplica-se a regra geral (art. 205 CC/2002) que 
prevê 10 anos de prazo prescricional e, quando se tratar de responsabilidade extracontratual, aplica-se o disposto 
no art. 206, § 3º, V, do CC/2002, com prazo de 3 anos. 
49 
 
Para fins de prazo prescricional, o termo “reparação civil” deve ser interpretado de forma restritiva, abrangendo 
apenas os casos de indenização decorrente de responsabilidade civil extracontratual. 
STJ. 2ª Seção. EREsp 1.280.825-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/06/2018 (Info 632). 
 
Resumindo: 
O prazo prescricional é assim dividido: 
• Responsabilidade civil extracontratual (reparação civil): 3 anos (art. 206, § 3º, V, do CC). 
• Responsabilidade contratual (inadimplemento contratual): 10 anos (art. 205 do CC). 
 
Art. 206. PRESCREVE: 
 
§ 1o Em UM ANO: 
I - a pretensão dos hospedeiros ou fornecedores de víveres destinados a consumo no próprio estabelecimento, para 
o pagamento da hospedagem ou dos alimentos; 
II - a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele, CONTADO o prazo: 
a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder à ação de 
indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do segurador; 
b) quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da pretensão; 
III - a pretensão dos tabeliães, auxiliares da justiça, serventuários judiciais, árbitros e peritos, pela percepção de 
emolumentos, custas e honorários; 
IV - a pretensão contra os peritos, pela avaliação dos bens que entraram para a formação do capital de sociedade 
anônima, contado da publicação da ata da assembléia que aprovar o laudo; 
V - a pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas e os liquidantes, contado o prazo da publicação 
da ata de encerramento da liquidação da sociedade. 
 
§ 2o Em DOIS ANOS, a pretensão para haver prestações alimentares, a partir da data em que se vencerem. 
 
§ 3o Em TRÊS ANOS: 
I - a pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos; 
II - a pretensão para receber prestações vencidas de rendas temporárias ou vitalícias; 
III - a pretensão para haver juros, dividendos ou quaisquer prestações acessórias, pagáveis, em períodos não maiores 
de um ano, com capitalização ou sem ela; 
IV - a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa; 
V - a pretensão de reparação civil; 
VI - a pretensão de restituição dos lucros ou dividendos recebidos de má-fé, correndo o prazo da data em que foi 
deliberada a distribuição; 
VII - a pretensão contra as pessoas em seguida indicadas por violação da lei ou do estatuto, contado o prazo: 
a) para os fundadores, da publicação dos atos constitutivos da sociedade anônima; 
b) para os administradores, ou fiscais, da apresentação, aos sócios, do balanço referente ao exercício em que a 
violação tenha sido praticada, ou da reunião ou assembléia geral que dela deva tomar conhecimento; 
c) para os liquidantes, da primeira assembléia semestral posterior à violação; 
VIII - a pretensão para haver o pagamento de título de crédito, a contar do vencimento, ressalvadas as disposições 
de lei especial; 
IX - a pretensão do beneficiário contra o segurador, e a do terceiro prejudicado, no caso de seguro de 
responsabilidade civil obrigatório. 
 
§ 4o Em QUATRO ANOS, a pretensão relativa à tutela, a contar da data da aprovação das contas. 
 
§ 5o Em CINCO ANOS: 
I - a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular; 
II - a pretensão dos profissionais liberais em geral, procuradores judiciais, curadores e professores pelos seus 
honorários, contado o prazo da conclusão dos serviços, da cessação dos respectivos contratos ou mandato; 
III - a pretensão do vencedorpara haver do vencido o que despendeu em juízo. 
 
50 
 
CAPÍTULO II 
Da Decadência 
Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, NÃO SE APLICAM à DECADÊNCIA as normas que impedem, 
suspendem ou interrompem a PRESCRIÇÃO. 
Obs.: A instituição por lei de prazo decadencial para o exercício de determinado direito, anteriormente não sujeito 
a decadência poderá incidir sobre os direitos adquiridos antes da sua vigência, sem com isso implicar em 
retroatividade ou ofensa a direito adquirido. (DPC/PA-2016-FUNCAB) 
 
Art. 208. APLICA-SE à DECADÊNCIA o disposto nos arts. 195 e 198, inciso I. 
Art. 195. Os relativamente incapazes e as pessoas jurídicas têm ação contra os seus assistentes ou representantes 
legais, que derem causa à prescrição, ou não a alegarem oportunamente. 
Art. 198. Também não corre a prescrição: 
I - contra os incapazes de que trata o art. 3o (absolutamente incapazes); 
 
Art. 209. É NULA A RENÚNCIA à decadência fixada em lei. (DECADÊNCIA LEGAL) 
 
Art. 210. DEVE o juiz, de ofício, CONHECER DA DECADÊNCIA, quando estabelecida por lei. 
 
Art. 211. Se a DECADÊNCIA FOR CONVENCIONAL, a parte a quem aproveita pode alegá-la em qualquer grau 
de jurisdição, mas o juiz não pode suprir a alegação. (DECADÊNCIA CONVENCIONAL) 
 
#NÃOCONFUNDA: 
Ação ANULATÓRIA Decai 
Ação CONDENATÓRIA Prescreve 
Ação DECLARATÓRIA Imprescritível 
 
PRESCRIÇÃO DECADÊNCIA 
Extingue a pretensão Extingue o direito 
Prazos estabelecidos pela lei 
(arts. 205 e 206, do CC) 
Prazos estabelecidos: 
- pela lei: Decadência legal; e 
- pelas partes: Decadência convencional. 
Prazo geral: 10 anos Prazo geral: não há 
Juiz deve reconhecer de ofício 
Decadência legal: juiz reconhece de ofício; 
Decadência convencional: juiz não reconhece de ofício, 
as partes que alegam. 
Pode ser renunciada, mas somente após a 
consumação do prazo e desde que não prejudique a 
terceiro. 
Decadência legal: Não pode ser renunciada, nem mesmo 
após a consumação; 
Decadência convencional: pode ser renunciada, após a 
consumação. 
Não corre contra determinadas pessoas Não corre apenas contras os absolutamente incapazes 
Há casos de impedimento, suspensão e interrupção 
Regra: não há casos de impedimento, suspensão e 
interrupção; 
Execeção: Absolutamente incapazes (art. 208 c/c art, 198, 
I, do CC) 
 
TÍTULO V 
Da Prova 
Art. 212. SALVO o negócio a que se impõe forma especial, o FATO JURÍDICO pode ser provado mediante: 
I - confissão; 
II - documento; 
III - testemunha; 
IV - presunção; 
V - perícia. 
51 
 
Art. 213. NÃO TEM EFICÁCIA a confissão se provém de quem não é capaz de dispor do direito a que se referem 
os fatos confessados. 
Parágrafo único. Se feita a confissão por um representante, somente é eficaz nos limites em que este pode 
vincular o representado. 
 
Art. 214. A confissão é IRREVOGÁVEL, mas pode ser ANULADA se decorreu de erro de fato ou de coação. 
 
Art. 215. A ESCRITURA PÚBLICA, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública, fazendo 
PROVA PLENA. 
§ 1o Salvo quando exigidos por lei outros requisitos, a escritura pública deve conter: 
I - data e local de sua realização; 
II - reconhecimento da identidade e capacidade das partes e de quantos hajam comparecido ao ato, por si, como 
representantes, intervenientes ou testemunhas; 
III - nome, nacionalidade, estado civil, profissão, domicílio e residência das partes e demais comparecentes, com a 
indicação, quando necessário, do regime de bens do casamento, nome do outro cônjuge e filiação; 
IV - manifestação clara da vontade das partes e dos intervenientes; 
V - referência ao cumprimento das exigências legais e fiscais inerentes à legitimidade do ato; 
VI - declaração de ter sido lida na presença das partes e demais comparecentes, ou de que todos a leram; 
VII - assinatura das partes e dos demais comparecentes, bem como a do tabelião ou seu substituto legal, encerrando 
o ato. 
§ 2o Se algum comparecente não puder ou não souber escrever, outra pessoa capaz assinará por ele, a seu 
rogo. 
§ 3o A escritura será redigida na língua nacional. 
§ 4o Se qualquer dos comparecentes não souber a língua nacional e o tabelião NÃO ENTENDER o idioma em 
que se expressa, deverá comparecer tradutor público para servir de intérprete, ou, não o havendo na localidade, 
outra pessoa capaz que, a juízo do tabelião, tenha idoneidade e conhecimento bastantes. 
§ 5o Se algum dos comparecentes não for conhecido do tabelião, nem puder identificar-se por documento, deverão 
participar do ato pelo menos duas testemunhas que o conheçam e atestem sua identidade. 
 
Art. 216. Farão a mesma prova que os originais as certidões textuais de qualquer peça judicial, do protocolo das 
audiências, ou de outro qualquer livro a cargo do escrivão, sendo extraídas por ele, ou sob a sua vigilância, e por ele 
subscritas, assim como os traslados de autos, quando por outro escrivão consertados. 
 
Art. 217. Terão a mesma força probante os traslados e as certidões, extraídos por tabelião ou oficial de registro, de 
instrumentos ou documentos lançados em suas notas. 
 
Art. 218. Os traslados e as certidões considerar-se-ão instrumentos públicos, se os originais se houverem produzido 
em juízo como prova de algum ato. 
 
Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados PRESUMEM-SE VERDADEIRAS em relação aos 
signatários. 
Parágrafo único. NÃO TENDO relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das 
partes, as DECLARAÇÕES ENUNCIATIVAS NÃO EXIMEM os interessados em sua veracidade do ônus de prová-
las. 
 
Art. 220. A anuência ou a autorização de outrem, necessária à validade de um ato, provar-se-á do mesmo modo que 
este, e constará, sempre que se possa, do próprio instrumento. 
 
Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e 
administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como 
os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, ANTES DE REGISTRADO NO REGISTRO PÚBLICO. 
Parágrafo único. A prova do instrumento particular pode suprir-se pelas outras de caráter legal. 
 
52 
 
Art. 222. O telegrama, quando lhe for contestada a autenticidade, faz prova mediante conferência com o original 
assinado. 
 
Art. 223. A cópia fotográfica de documento, conferida por tabelião de notas, valerá como prova de declaração da 
vontade, mas, impugnada sua autenticidade, deverá ser exibido o original. 
Parágrafo único. A prova não supre a ausência do título de crédito, ou do original, nos casos em que a lei ou as 
circunstâncias condicionarem o exercício do direito à sua exibição. 
 
Art. 224. Os DOCUMENTOS REDIGIDOS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SERÃO TRADUZIDOS para o português 
para ter efeitos legais no País. 
 
Art. 225. As reproduções fotográficas, cinematográficas, os registros fonográficos e, em geral, quaisquer outras 
reproduções mecânicas ou eletrônicas de fatos ou de coisas fazem prova plena destes, se a parte, contra quem forem 
exibidos, não lhes impugnar a exatidão. 
 
Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, 
quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. 
Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, 
ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão 
dos lançamentos. 
 
Art. 227. (revogado) 
Parágrafo único. Qualquer que seja o valor do negócio jurídico, a PROVA TESTEMUNHAL é admissível como 
subsidiária ou complementar da prova por escrito. 
 
Art. 228. NÃO PODEM ser admitidos como testemunhas: 
I - os menores de dezesseis anos; 
IV - o interessado no litígio, o amigo íntimo ou o inimigo capital das partes; 
V - os cônjuges,os ascendentes, os descendentes e os colaterais, até o terceiro grau de alguma das partes, por 
consangüinidade, ou afinidade. 
§ 1o Para a prova de fatos que só elas conheçam, pode o juiz admitir o depoimento das pessoas a que se refere 
este artigo. 
§ 2o A PESSOA COM DEFICIÊNCIA poderá testemunhar em igualdade de condições com as demais pessoas, 
sendo-lhe assegurados todos os recursos de tecnologia assistiva. 
 
Art. 231. Aquele que se nega a submeter-se a exame médico necessário NÃO PODERÁ APROVEITAR-SE de sua 
recusa. 
 
Art. 232. A recusa à perícia médica ordenada pelo juiz poderá SUPRIR a prova que se pretendia obter com o 
exame. 
 
TÍTULO IX 
Da Responsabilidade Civil 
 
CAPÍTULO I 
Da Obrigação de Indenizar 
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. 
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, INDEPENDENTEMENTE DE CULPA, nos casos especificados 
em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco 
para os direitos de outrem. 
RESPONSABILIDADE 
OBJETIVA 
- casos especificados em lei; ou 
 
- quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por 
sua natureza, risco para os direitos de outrem. (CLÁUSULA GERAL) 
53 
 
#INFO 
- O art. 927, parágrafo único, do CC pode ser aplicado para permitir a responsabilização objetiva do 
empregador por danos causados ao empregado decorrentes de acidentes de trabalho, não sendo 
incompatível com o art. 7º, XXVIII, da CF/88, que prevê responsabilidade subjetiva. 
O art. 927, parágrafo único, do Código Civil é compatível com o art. 7º, XXVIII, da Constituição Federal, sendo 
constitucional a responsabilização objetiva do empregador por danos decorrentes de acidentes de trabalho nos 
casos especificados em lei ou quando a atividade normalmente desenvolvida, por sua natureza, apresentar 
exposição habitual a risco especial, com potencialidade lesiva, e implicar ao trabalhador ônus maior do que aos 
demais membros da coletividade. 
STF. Plenário. RE 828040/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 12/3/2020 (repercussão geral – 
Tema 932) (Info 969). 
 
Art. 928. O INCAPAZ responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis NÃO TIVEREM 
obrigação de fazê-lo ou NÃO DISPUSEREM de meios suficientes. 
 
#NÃOCONFUNDA: 
Se os pais TÊM condições de arcar com os 
prejuízos: 
Os PAIS responderão diretamente e objetivamente. 
Se os pais NÃO TÊM condições de arcar com os 
prejuízos: 
O FILHO responderá pelos 
prejuízos subsidiariamente e equitativamente. 
Se o filho foi emancipado voluntariamente pelos 
pais: 
PAIS e FILHO 
responderão solidariamente pela totalidade dos 
prejuízos. 
 
Parágrafo único. A indenização prevista neste artigo, que deverá ser eqüitativa, não terá lugar se privar do 
necessário o incapaz ou as pessoas que dele dependem. 
Obs.1: Essa responsabilidade possui duas características importantes: 
- Subsidiária: A responsabilidade só ocorre se os responsáveis não tiverem obrigação ou não dispuserem de meios 
suficientes. 
- Condicional: Não terá lugar se privar o incapaz ou as pessoas que dele dependam do necessário para a 
sobrevivência. 
Obs.2: Segundo entendimento do STJ, a emancipação voluntária, diversamente da operada por força de lei, NÃO 
EXCLUI a responsabilidade civil dos pais pelos atos praticados por seus filhos menores. Ou seja, para o STJ, a 
emancipação por outorga dos pais não exclui, por si só, a responsabilidade decorrente de atos ilícitos do filho 
(AgRg no Ag 1239557/RJ; RESP 122573/PR). 
 
Art. 929. Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa, no caso do inciso II do art. 188 (estado de necessidade), não 
forem culpados do perigo, assistir-lhes-á direito à indenização do prejuízo que sofreram. 
 
Art. 930. No caso do inciso II do art. 188 (estado de necessidade), se o perigo ocorrer por culpa de terceiro, 
contra este terá o autor do dano ação regressiva para haver a importância que tiver ressarcido ao lesado. 
Parágrafo único. A mesma ação competirá contra aquele em defesa de quem se causou o dano (art. 188, inciso 
I). 
 
Art. 931. Ressalvados outros casos previstos em lei especial, os empresários individuais e as empresas respondem 
INDEPENDENTEMENTE DE CULPA pelos danos causados pelos produtos postos em circulação. 
 
Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: (RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA INDIRETA OU 
COMPLEXA) 
I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia; 
II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições; 
III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes 
competir, ou em razão dele; 
- Súmula nº 341, STF: “É presumida a culpa do patrão ou comitente pelo ato culposo do empregado ou preposto.” 
54 
 
IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins 
de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos; 
V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia. 
 
#INFO 
- A responsabilidade civil do incapaz pela reparação dos danos é subsidiária, condicional, mitigada e 
equitativa. 
Os incapazes (ex.: filhos menores), quando praticarem atos que causem prejuízos, terão responsabilidade 
subsidiária, condicional, mitigada e equitativa, nos termos do art. 928 do CC. 
Subsidiária: porque apenas ocorrerá quando os seus genitores não tiverem meios para ressarcir a vítima. 
Condicional e mitigada: porque não poderá ultrapassar o limite humanitário do patrimônio mínimo do infante. 
Equitativa: tendo em vista que a indenização deverá ser equânime, sem a privação do mínimo necessário para a 
sobrevivência digna do incapaz. 
A responsabilidade dos pais dos filhos menores será substitutiva, exclusiva e não solidária. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.436.401-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 02/02/2017 (Info 599). 
 
- Não há como afastar a responsabilização do pai do filho menor simplesmente pelo fato de que ele não 
estava fisicamente ao lado de seu filho no momento da conduta. 
O art. 932 do CC prevê que os pais são responsáveis pela reparação civil em relação aos atos praticados por seus 
filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. 
O art. 932, I do CC, ao se referir à autoridade e companhia dos pais em relação aos filhos, quis explicitar o poder 
familiar (a autoridade parental não se esgota na guarda), compreendendo um plexo de deveres, como proteção, 
cuidado, educação, informação, afeto, dentre outros, independentemente da vigilância investigativa e diária, sendo 
irrelevante a proximidade física no momento em que os menores venham a causar danos. 
Em outras palavras, não há como afastar a responsabilização do pai do filho menor simplesmente pelo fato de que 
ele não estava fisicamente ao lado de seu filho no momento da conduta. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.436.401-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 02/02/2017 (Info 599). 
 
- Os pais só respondem pelo filho incapaz que esteja sob sua autoridade e em sua companhia. 
A responsabilidade dos pais por filho menor (responsabilidade por ato ou fato de terceiro) é objetiva, nos termos 
do art. 932, I, do CC, devendo-se comprovar apenas a culpa na prática do ato ilícito daquele pelo qual são os pais 
responsáveis legalmente (ou seja, é necessário provar apenas a culpa do filho). 
Contudo, há uma exceção: os pais só respondem pelo filho incapaz que esteja sob sua autoridade e em sua 
companhia; assim, os pais, ou responsável, que não exercem autoridade de fato sobre o filho, embora ainda 
detenham o poder familiar, não respondem por ele. 
Desse modo, a mãe que, à época de acidente provocado por seu filho menor de idade, residia permanentemente 
em local distinto daquele no qual moravao menor - sobre quem apenas o pai exercia autoridade de fato - não 
pode ser responsabilizada pela reparação civil advinda do ato ilícito, mesmo considerando que ela não deixou de 
deter o poder familiar sobre o filho. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.232.011-SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 17/12/2015 (Info 575). 
 
- Responsabilidade civil por abandono material do pai em relação ao filho. 
A omissão voluntária e injustificada do pai quanto ao amparo MATERIAL do filho gera danos morais, passíveis de 
compensação pecuniária. 
O descumprimento da obrigação pelo pai, que, apesar de dispor de recursos, deixa de prestar assistência 
MATERIAL ao filho, não proporcionando a este condições dignas de sobrevivência e causando danos à sua 
integridade física, moral, intelectual e psicológica, configura ilícito civil, nos termos do art. 186 do Código Civil. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.087.561-RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 13/6/2017 (Info 609). 
 
- A vítima de um ato ilícito praticado por menor pode propor a ação somente contra o pai do garoto, não 
sendo necessário incluir o adolescente no polo passivo. 
Em ação indenizatória decorrente de ato ilícito, não há litisconsórcio necessário entre o genitor responsável pela 
reparação (art. 932, I, do CC) e o menor causador do dano. 
55 
 
É possível, no entanto, que o autor, por sua opção e liberalidade, tendo em conta que os direitos ou obrigações 
derivem do mesmo fundamento de fato ou de direito, intente ação contra ambos – pai e filho –, formando-se um 
litisconsórcio facultativo e simples. 
Ex.: Lucas, 15 anos de idade, brincava com a arma de fogo de seu pai e, por imprudência, acabou acertando um 
tiro em Vítor, que ficou ferido, mas sobreviveu. Vítor ajuizou ação de indenização por danos morais e materiais 
contra João (pai de Lucas). Não era necessário que Vítor propusesse a ação contra João e Lucas, em litisconsórcio. 
Vale a pena esclarecer, no entanto, que seria plenamente possível que o autor (vítima) tivesse, por sua opção e 
liberalidade, ajuizado a ação contra ambos (pai e filho). Neste caso, teríamos uma hipótese de litisconsórcio: 
facultativo e simples. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.436.401-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 02/02/2017 (Info 599). 
 
- Pais de menor que causou acidente de trânsito possuem o dever de indenizar a vítima. 
Um menor, após ingerir bebida alcoólica, pegou o carro que pertencia à empresa de sua família e foi dirigir levando 
um amigo no carona. O menor conduzia o automóvel em alta velocidade e, após perder o controle em uma curva, 
colidiu com um poste, ocasionando graves lesões no amigo que resultaram, inclusive, na amputação parcial de um 
de seus braços. 
O STJ afirmou que os pais e a empresa proprietária do veículo são responsáveis solidariamente pelo pagamento 
da indenização à vítima (amigo que estava no banco do carona). Em regra, a responsabilidade civil é individual de 
quem, por sua própria conduta, causa dano a outrem. Porém, em determinadas situações, o ordenamento jurídico 
atribui a alguém a responsabilidade por ato de outra pessoa – como no caso em questão, em que cabe aos pais 
reparar os danos causados pelo filho menor, conforme prevê o art. 932 do Código Civil. Além disso, em matéria 
de acidente automobilístico, o proprietário do veículo responde objetiva e solidariamente pelos atos culposos de 
terceiro que o conduz e que provoca o acidente. Assim, a empresa proprietária do veículo também tem 
responsabilidade. A vítima terá que ser indenizada porque o menor agiu com culpa grave, nos termos da Súmula 
145 do STJ: “No transporte desinteressado, de simples cortesia, o transportador só será civilmente responsável por 
danos causados ao transportado quando incorrer em dolo ou culpa grave”. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1637884/SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/02/2018. 
 
- Agressões físicas ou verbais praticadas por adulto contra criança geram dano moral in re ipsa. 
A conduta de um adulto que pratica agressão verbal ou física contra criança ou adolescente configura elemento 
caracterizador da espécie do dano moral in re ipsa. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.642.318-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 7/2/2017 (Info 598). 
 
- Policial que, fora de suas funções, prende vizinho por conta de xingamentos sofridos, pratica ato ilícito 
que gera dano moral in re ipsa. 
A privação da liberdade por policial fora do exercício de suas funções e com reconhecido excesso na conduta 
caracteriza dano moral in re ipsa. 
Durante uma discussão no condomínio, um morador, que é policial, algemou e prendeu seu vizinho, após ser por 
ele ofendido verbalmente. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.675.015-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/9/2017 (Info 612). 
 
- Ofensas proferidas por Rita Lee contra policiais militares em show geraram dano moral in re ipsa. 
As ofensas generalizadas proferidas por cantora contra policias militares que realizavam a segurança do show 
atingem, de forma individualizada, cada um dos integrantes da corporação que estavam de serviço no evento e 
caracterizam dano moral in re ipsa, devendo a artista indenizar cada um dos policiais que trabalhavam no local. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.677.524-SE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 3/8/2017 (Info 609). 
 
- Acidente de carro sem vítimas: danos morais devem ser provados. 
Os danos decorrentes de acidentes de veículos automotores sem vítimas não caracterizam dano moral in re ipsa. 
Vale ressaltar que é possível a condenação de danos morais em casos de acidente de trânsito, no entanto, trata-
se de situação excepcional, sendo necessário que a parte demonstre circunstâncias peculiares que indiquem o 
extrapolamento da esfera exclusivamente patrimonial. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.653.413-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 05/06/2018 (Info 627). 
 
56 
 
Art. 933. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, AINDA QUE NÃO HAJA CULPA DE SUA 
PARTE, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos. (RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA) 
 
Art. 934. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem 
pagou, SALVO se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz. 
 
Art. 935. A responsabilidade civil é INDEPENDENTE DA CRIMINAL, NÃO SE PODENDO QUESTIONAR MAIS 
sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no 
juízo criminal. 
 
Art. 936. O dono, ou detentor, do ANIMAL ressarcirá o dano por este causado, SE NÃO PROVAR culpa da vítima 
ou força maior. 
 
Art. 937. O dono de EDIFÍCIO OU CONSTRUÇÃO responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta 
provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta. 
 
Art. 938. Aquele que HABITAR PRÉDIO, ou PARTE DELE, responde pelo dano proveniente das coisas que dele 
caírem ou forem lançadas em lugar indevido. (DEFENESTRAÇÃO) (DPC/SE-2018-CESPE) 
 
Art. 939. O credor que demandar o devedor ANTES DE VENCIDA A DÍVIDA, fora dos casos em que a lei o permita, 
ficará obrigado a esperar o tempo que faltava para o vencimento, a descontar os juros correspondentes, 
embora estipulados, e a pagar as custas em dobro. 
 
Credor que demandar o devedor antes de 
vencida a dívida, fora dos casos em que a lei o 
permita, fica obrigado: 
- esperar o tempo que faltava para o vencimento; 
- descontar os juros correspondentes, embora estipulados; e 
- pagar as custas em dobro. 
 
Art. 940. Aquele que demandar por DÍVIDA JÁ PAGA, no todo ou em parte, sem ressalvar as quantias recebidas 
ou pedir mais do que for devido, ficará obrigado a pagar ao devedor, no primeiro caso, o dobro do que houver 
cobrado e, no segundo, o equivalente do que dele exigir, salvo se houver prescrição. 
 
Art. 941. As penas previstas nos arts. 939 e 940 NÃO SE APLICARÃO quando o autor desistir da ação antes de 
contestada a lide, SALVO ao réu o direitode haver indenização por algum prejuízo que prove ter sofrido. 
 
Art. 942. Os BENS do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do 
dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão SOLIDARIAMENTE pela reparação. 
Parágrafo único. São SOLIDARIAMENTE responsáveis com os autores os co-autores e as pessoas designadas 
no art. 932. 
 
Art. 943. O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la TRANSMITEM-SE COM A HERANÇA. 
 
TRANSMITEM-SE COM A HERANÇA 
- direito de exigir reparação; e 
- obrigação de prestar a reparação. 
 
CAPÍTULO II 
Da Indenização 
Art. 944. A indenização MEDE-SE pela extensão do dano. 
Parágrafo único. Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, PODERÁ o juiz 
REDUZIR, EQÜITATIVAMENTE, a indenização. 
 
Art. 945. Se a vítima tiver concorrido CULPOSAMENTE para o evento danoso, a sua indenização será fixada tendo-
se em conta a gravidade de sua culpa em confronto com a do autor do dano. 
 
57 
 
Art. 946. Se a obrigação for indeterminada, e não houver na lei ou no contrato disposição fixando a indenização 
devida pelo inadimplente, apurar-se-á o valor das perdas e danos na forma que a lei processual determinar. 
 
Art. 947. Se o devedor não puder cumprir a prestação na espécie ajustada, substituir-se-á pelo seu valor, em 
moeda corrente. 
 
Art. 948. No caso de HOMICÍDIO, a indenização consiste, sem excluir outras reparações: 
I - no pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral e o luto da família; 
II - na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, levando-se em conta a duração provável da 
vida da vítima. 
 
Art. 949. No caso de LESÃO OU OUTRA OFENSA À SAÚDE, o ofensor indenizará o ofendido das despesas do 
tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da convalescença, além de algum outro prejuízo que o ofendido 
prove haver sofrido. 
 
Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se 
lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao 
fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da 
depreciação que ele sofreu. 
Parágrafo único. O prejudicado, SE PREFERIR, poderá exigir que a indenização seja arbitrada e paga de UMA 
SÓ VEZ. 
 
Art. 951. O disposto nos arts. 948, 949 e 950 APLICA-SE ainda no caso de indenização devida por aquele que, no 
exercício de atividade profissional, por negligência, imprudência ou imperícia, causar a morte do paciente, 
agravar-lhe o mal, causar-lhe lesão, ou inabilitá-lo para o trabalho. 
 
Art. 952. Havendo USURPAÇÃO ou ESBULHO DO ALHEIO, além da restituição da coisa, a indenização consistirá 
em pagar o valor das suas deteriorações e o devido a título de lucros cessantes; faltando a coisa, DEVER-SE-Á 
reembolsar o seu equivalente ao prejudicado. 
Parágrafo único. Para se restituir o equivalente, quando não exista a própria coisa, estimar-se-á ela pelo seu 
preço ordinário e pelo de afeição, contanto que este não se avantaje àquele. 
 
Art. 953. A indenização por INJÚRIA, DIFAMAÇÃO ou CALÚNIA consistirá na reparação do dano que delas 
resulte ao ofendido. 
Parágrafo único. Se o ofendido não puder provar prejuízo material, caberá ao juiz fixar, EQÜITATIVAMENTE, o 
valor da indenização, na conformidade das circunstâncias do caso. 
 
Art. 954. A indenização por OFENSA À LIBERDADE PESSOAL consistirá no pagamento das perdas e danos que 
sobrevierem ao ofendido, e se este não puder provar prejuízo, tem aplicação o disposto no parágrafo único do 
artigo antecedente. 
Parágrafo único. Consideram-se OFENSIVOS da liberdade pessoal: 
I - o cárcere privado; 
II - a prisão por queixa ou denúncia falsa e de má-fé; 
III - a prisão ilegal. 
 
#INFO 
- O fato de ter havido prescrição da pretensão punitiva não impede o ajuizamento ou a continuidade da 
ação civil ex delicto. 
A decretação da prescrição da pretensão punitiva do Estado na ação penal não fulmina o interesse processual no 
exercício da pretensão indenizatória a ser deduzida no juízo cível pelo mesmo fato. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.802.170-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/02/2020 (Info 666). 
 
 
58 
 
- O fato de o condutor do veículo estar embriagado gera uma presunção de que ele é o culpado pelo 
acidente de trânsito. 
Em ação destinada a apurar a responsabilidade civil decorrente de acidente de trânsito, presume-se culpado o 
condutor de veículo automotor que se encontra em estado de embriaguez, cabendo-lhe o ônus de comprovar a 
ocorrência de alguma excludente do nexo de causalidade. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.749.954-RO, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 26/02/2019 (Info 644). 
 
SÚMULAS SOBRE RESPONSABILIDADE CIVIL 
- Súmula nº 145, STJ: “No transporte desinteressado, de simples cortesia, o transportador so sera civilmente 
responsavel por danos causados ao transportado quando incorrer em dolo ou culpa grave.” (DPC/PA-2016-
FUNCAB) 
 
- Súmula nº 221, STJ: “São civilmente responsáveis pelo ressarcimento de dano, decorrente de publicação pela 
imprensa, tanto o autor do escrito quanto o proprietário do veículo de divulgação.” 
 
- Súmula nº 403, STJ: “Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem 
de pessoa com fins econômicos ou comerciais.” 
 
- Súmula nº 479, STJ: “As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito 
interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.” 
SÚMULAS SOBRE DANO MATERIAL 
- Súmula nº 562, STF: “Na indenização de danos materiais decorrentes de ato ilícito cabe a atualização de seu 
valor, utilizando-se, para esse fim, dentre outros critérios, dos índices de correção monetária.” 
 
- Súmula nº 37, STJ: “São cumulaveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato.” 
(DPF-2004-CESPE) 
SÚMULAS SOBRE DANO MORAL 
- Súmula nº 37, STJ: “São cumulaveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato.” 
(DPF-2004-CESPE) 
 
- Súmula nº 227, STJ: “A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.” 
 
- Súmula nº 281, STJ: “A indenização por dano moral não está sujeita à tarifação prevista na Lei de Imprensa.” 
 
- Súmula nº 326, STJ: “Na ação de indenização por dano moral, a condenação em montante inferior ao postulado 
na inicial não implica sucumbência recíproca.” 
 
- Súmula nº 362, STJ: “A correção monetária do valor da indenização do dano moral incide desde a data do 
arbitramento.” 
 
- Súmula nº 370, STJ: “Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado.” 
 
- Súmula nº 385, STJ: “Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por dano 
moral, quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento.” 
 
- Súmula nº 387, STJ: “É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral.” (DPC/MS-2017-
FAPEMS – DPC/RJ-2009-CEPERJ) 
 
- Súmula nº 388, STJ: “A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral.” 
 
- Súmula nº 402, STJ: “O contrato de seguro por danos pessoais compreende os danos morais, salvo cláusula 
expressa de exclusão.” 
 
- Súmula nº 420, STJ: “Incabível, em embargos de divergência, discutir o valor de indenização por danos morais.” 
59 
 
 
- Súmula nº 498, STJ: “Não incide imposto de renda sobre a indenização por danos morais.” 
 
- Súmula nº 624, STJ: “É possível cumular a indenização do dano moral com a reparação econômica da Lei n. 
10.559/2002 (Lei da Anistia Política).” 
 
JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 125 DO STJ - RESPONSABILIDADE CIVIL - DANO MORAL 
1) A fixação do valor devido à título de indenização por danos morais deve considerar o método bifásico, que 
conjuga os critérios da valorização das circunstâncias do casoe do interesse jurídico lesado, e minimiza eventual 
arbitrariedade ao se adotar critérios unicamente subjetivos do julgador, além de afastar eventual tarifação do dano. 
2) O dano moral coletivo, aferível in re ipsa, é categoria autônoma de dano relacionado à violação injusta e 
intolerável de valores fundamentais da coletividade. 
3) É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral. (Súmula n. 387/STJ) 
4) A legitimidade para pleitear a reparação por danos morais é, em regra, do próprio ofendido, no entanto, em 
certas situações, são colegitimadas também aquelas pessoas que, sendo muito próximas afetivamente à vítima, 
são atingidas indiretamente pelo evento danoso, reconhecendo-se, em tais casos, o chamado dano moral 
reflexo ou em ricochete. 
5) Embora a violação moral atinja apenas os direitos subjetivos do falecido, o espólio e os herdeiros têm 
legitimidade ativa ad causam para pleitear a reparação dos danos morais suportados pelo de cujus. 
6) Os sucessores possuem legitimidade para ajuizar ação de reparação de danos morais em decorrência de 
perseguição, tortura e prisão, sofridos durante a época do regime militar. 
7) O abandono afetivo de filho, em regra, não gera dano moral indenizável, podendo, em hipóteses 
excepcionais, se comprovada a ocorrência de ilícito civil que ultrapasse o mero dissabor, ser reconhecida a 
existência do dever de indenizar. 
8) Não há responsabilidade por dano moral decorrente de abandono afetivo antes do reconhecimento da 
paternidade. 
9) O prazo prescricional da pretensão reparatória de abandono afetivo começa a fluir a partir da maioridade do 
autor. 
10) A pessoa jurídica pode sofrer dano moral, desde que demonstrada ofensa à sua honra objetiva. 
11) A pessoa jurídica de direito público não é titular de direito à indenização por dano moral relacionado à 
ofensa de sua honra ou imagem, porquanto, tratando-se de direito fundamental, seu titular imediato é o particular 
e o reconhecimento desse direito ao Estado acarreta a subversão da ordem natural dos direitos fundamentais. 
 
 
LIVRO III 
Do Direito das Coisas 
 
TÍTULO I 
Da posse 
 
CAPÍTULO I 
Da Posse e sua Classificação 
Art. 1.196. Considera-se POSSUIDOR todo aquele que tem de fato o exercício, PLENO OU NÃO, de algum dos 
poderes inerentes à propriedade. 
- Súmula nº 619, STJ: “A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de natureza precária, 
insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias.” 
 
Art. 1.197. A POSSE DIRETA, de pessoa que tem a coisa em seu poder, TEMPORARIAMENTE, em virtude de 
direito pessoal, ou real, NÃO ANULA a INDIRETA, de quem aquela foi havida, podendo o POSSUIDOR DIRETO 
defender a sua posse contra o INDIRETO. 
 
Art. 1.198. Considera-se DETENTOR aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, 
conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas. 
 
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60 
 
POSSUIDOR DETENTOR 
Aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de 
algum dos poderes inerentes à propriedade. 
Aquele que, achando-se em relação de dependência 
para com outro, conserva a posse em nome deste e 
em cumprimento de ordens ou instruções suas. 
 
Parágrafo único. Aquele que começou a comportar-se do modo como prescreve este artigo, em relação ao bem 
e à outra pessoa, PRESUME-SE DETENTOR, até que prove o contrário. 
 
Art. 1.199. Se duas ou mais pessoas POSSUÍREM COISA INDIVISA, PODERÁ cada uma exercer sobre ela atos 
possessórios, contanto que NÃO EXCLUAM os dos outros compossuidores. (COMPOSSE) 
 
Art. 1.200. É JUSTA a posse que NÃO FOR violenta, clandestina ou precária. 
 
Art. 1.201. É DE BOA-FÉ a posse, se o possuidor IGNORA o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da 
coisa. 
Parágrafo único. O POSSUIDOR COM JUSTO TÍTULO tem por si a PRESUNÇÃO DE BOA-FÉ, SALVO prova em 
contrário, ou quando a lei expressamente não admite esta presunção. 
 
POSSE JUSTA POSSE DE BOA-FÉ 
Que não for violenta, clandestina ou precária. 
Se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que 
impede a aquisição da coisa. 
 
Art. 1.202. A POSSE DE BOA-FÉ só PERDE este caráter no caso e desde o momento em que as circunstâncias façam 
presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente. 
 
Art. 1.203. SALVO prova em contrário, entende-se MANTER A POSSE o mesmo caráter com que foi adquirida. 
 
CAPÍTULO II 
Da Aquisição da Posse 
Art. 1.204. ADQUIRE-SE a posse desde o momento em que se torna possível o exercício, em nome próprio, de 
qualquer dos poderes inerentes à propriedade. 
 
Art. 1.205. A posse pode ser ADQUIRIDA: 
I - pela própria pessoa que a pretende ou por seu representante; 
II - por terceiro sem mandato, DEPENDENDO de ratificação. 
 
A POSSE PODE SER ADQUIRIDA 
- própria pessoa que a pretende ou por seu representante; 
- terceiro sem mandato (Depende de ratificação). 
 
Art. 1.206. A posse TRANSMITE-SE aos herdeiros ou legatários do possuidor com os mesmos caracteres. 
 
Art. 1.207. O sucessor UNIVERSAL continua de direito a posse do seu antecessor; e ao sucessor SINGULAR é 
facultado unir sua posse à do antecessor, para os efeitos legais. 
 
SUCESSOR UNIVERSAL SUCESSOR SINGULAR 
Continua de direito a posse do seu antecessor. 
É facultado unir sua posse à do antecessor, para os 
efeitos legais. 
 
Art. 1.208. NÃO INDUZEM posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como NÃO AUTORIZAM A SUA 
AQUISIÇÃO os atos violentos, ou clandestinos, senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade. 
 
 
 
 
61 
 
NÃO INDUZEM POSSE NÃO AUTORIZAM A AQUISIÇÃO DA POSSE 
Atos de mera permissão ou tolerância. 
Atos violentos ou clandestinos. 
Autorizam a aquisição depois de cessar a violência ou 
a clandestinidade. 
 
Art. 1.209. A posse do imóvel faz PRESUMIR, até prova contrária, a das coisas móveis que nele estiverem. 
 
CAPÍTULO III 
Dos Efeitos da Posse 
Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser MANTIDO na posse em caso de TURBAÇÃO, RESTITUÍDO no de 
ESBULHO, e SEGURADO de VIOLÊNCIA IMINENTE, se tiver JUSTO RECEIO de ser molestado. 
§ 1o O possuidor TURBADO, ou ESBULHADO, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força, contanto 
que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do INDISPENSÁVEL à manutenção, ou 
restituição da posse. 
§ 2o NÃO OBSTA à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro direito sobre 
a coisa. 
 
Art. 1.211. Quando MAIS de uma pessoa se disser possuidora, manter-se-á PROVISORIAMENTE a que tiver a 
coisa, se não estiver manifesto que a obteve de alguma das outras por modo vicioso. 
 
Art. 1.212. O possuidor pode intentar a ação de ESBULHO, ou a de INDENIZAÇÃO, contra o terceiro, que recebeu 
a coisa esbulhada sabendo que o era. 
 
Art. 1.213. O disposto nos artigos antecedentes não se aplica às servidões não aparentes, salvo quandoos 
respectivos títulos provierem do possuidor do prédio serviente, ou daqueles de quem este o houve. 
 
FRUTOS 
Art. 1.214. O possuidor DE BOA-FÉ tem direito, enquanto ela durar, aos frutos PERCEBIDOS. 
Parágrafo único. Os frutos PENDENTES ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser RESTITUÍDOS, depois de 
deduzidas as despesas da produção e custeio; devem ser também RESTITUÍDOS os frutos COLHIDOS COM 
ANTECIPAÇÃO. 
 
Art. 1.215. Os frutos NATURAIS E INDUSTRIAIS reputam-se colhidos e percebidos, logo que são separados; os 
CIVIS reputam-se percebidos dia por dia. 
 
Art. 1.216. O possuidor DE MÁ-FÉ RESPONDE por TODOS os frutos COLHIDOS E PERCEBIDOS, bem como pelos 
que, por culpa sua, DEIXOU DE PERCEBER, desde o momento em que se constituiu de má-fé; TEM DIREITO às 
despesas da produção e custeio. 
 
FRUTOS 
POSSUIDOR DE BOA-FÉ POSSUIDOR DE MÁ-FÉ 
Direito – frutos percebidos, enquanto durar a boa-fé Direito – despesas da produção e custeio 
Deve Restituir: 
* frutos pendentes, ao tempo em que cessar a boa-fé 
(depois de deduzidas as despesas da produção e 
custeio); 
* frutos colhidos com antecipação. 
Responde: 
* todos os frutos colhidos e percebidos; e 
* pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde 
o momento em que se constituiu de má-fé. 
 
PERDA E DETERIORAÇÃO 
Art. 1.217. O possuidor DE BOA-FÉ NÃO RESPONDE pela perda ou deterioração da coisa, A QUE NÃO DER 
CAUSA. 
 
Art. 1.218. O possuidor DE MÁ-FÉ RESPONDE pela perda, ou deterioração da coisa, AINDA QUE ACIDENTAIS, 
SALVO se provar que de igual modo se teriam dado, estando ela na posse do reivindicante. 
62 
 
PERDA OU DETERIORAÇÃO DA COISA 
POSSUIDOR DE BOA-FÉ POSSUIDOR DE MÁ-FÉ 
Não responder a que não der causa. 
Responde, ainda que acidentais. 
Salvo, se provar que de igual modo se teriam dado, 
estando ela na posse do reivindicante. 
 
BENFEITORIAS 
Art. 1.219. O possuidor DE BOA-FÉ TEM DIREITO À INDENIZAÇÃO das benfeitorias NECESSÁRIAS E ÚTEIS, bem 
como, quanto às VOLUPTUÁRIAS, se não lhe forem pagas, a LEVANTÁ-LAS, quando o puder sem detrimento 
da coisa, e poderá exercer o DIREITO DE RETENÇÃO pelo valor das benfeitorias NECESSÁRIAS E ÚTEIS. 
 
Art. 1.220. Ao possuidor DE MÁ-FÉ SERÃO RESSARCIDAS somente as benfeitorias NECESSÁRIAS; NÃO LHE 
ASSISTE o DIREITO DE RETENÇÃO pela importância destas, NEM O DE LEVANTAR as VOLUPTUÁRIAS. 
 
BENFEITORIAS 
POSSUIDOR DE BOA-FÉ POSSUIDOR DE MÁ-FÉ 
Indenização Necessárias e Úteis Necessárias 
Levantar 
Voluptuárias, se não lhe forem pagar 
(quando o puder sem detrimento da coisa) 
Não 
Direito de Retenção Pelo valor das Necessárias e Úteis Não 
 
Art. 1.221. As benfeitorias COMPENSAM-SE com os danos, e só obrigam ao ressarcimento se ao tempo da evicção 
ainda existirem. 
 
Art. 1.222. O REIVINDICANTE, obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor DE MÁ-FÉ, tem o direito de 
OPTAR entre o seu valor atual e o seu custo; ao possuidor DE BOA-FÉ indenizará pelo valor atual. 
 
REIVINDICANTE – DIREITO DE OPTAR A INDENIZAÇÃO DAS BENFEITORIAS 
POSSUIDOR DE BOA-FÉ POSSUIDOR DE MÁ-FÉ 
Valor atual Valor atual e Seu custo 
 
POSSE DE BOA-FÉ POSSE DE MÁ-FÉ 
Frutos 
Direito - frutos percebidos, enquanto durar a 
boa-fé 
 
Deve Restituir: 
* frutos pendentes, ao tempo em que cessar a 
boa-fé (depois de deduzidas as despesas da 
produção e custeio); 
* frutos colhidos com antecipação. 
Direito - despesas da produção e 
custeio 
 
Responde: 
* todos os frutos colhidos e 
percebidos; 
* pelos que, por culpa sua, deixou de 
perceber, desde o momento em que 
se constituiu de má-fé. 
Benfeitorias 
Indenização - Necessárias e Úteis (valor atual) 
 
Levantar - Voluptuárias, se não lhe forem 
pagar (quando o puder sem detrimento da 
coisa) 
 
Direito de Retenção - Pelo valor das 
Necessárias e Úteis 
Indenização – Necessárias (valor atual 
e o seu custo) 
 
Não há direiro de levantar as 
voluptuárias e nem direito de retenção 
das necessárias e úteis 
63 
 
Perda ou 
Deterioração da 
Coisa 
Não responde a que não der causa. 
Responde, ainda que acidentais. 
Salvo, se provar que de igual modo se 
teriam dado, estando ela na posse do 
reivindicante. 
 
CAPÍTULO IV 
Da Perda da Posse 
Art. 1.223. PERDE-SE a posse quando CESSA, embora contra a vontade do possuidor, o poder sobre o bem, ao 
qual se refere o art. 1.196. 
 
Art. 1.224. SÓ SE CONSIDERA PERDIDA a posse para quem não presenciou o esbulho, quando, tendo notícia 
dele, se abstém de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente repelido. 
 
POSSE 
Teorias 
Teoria Subjetiva 
(Savigny) 
 
Adotada em situações 
expcionais: usucapião - 
em que se exige a posse 
com animus dominis- na 
posse de boa-fé - sendo 
aquela em que o 
possuidor desconhece 
obstáculo ou vício que 
impeça a sua aquisição 
proprietária - e na 
detenção - quando o 
cidadão tem contato 
direito com a coisa 
(corpus), mas não é 
considerado possuidor. 
A posse traduziría um poder material sobre a coisa - domínio 
físico (corpus) - com a intenção de tê-la para si (animus). 
Justo por conta da exigência da intenção - o aspecto 
subjetivo, o animus - que a teoria em comento foi batizada 
como subjetiva. 
O corpus seria o elemento material, identificado no poder 
físico sobre a coisa, na apreensão física do bem, no poder de 
fato, segundo uma relação externa e visível. Já o animus 
traduz o desejo, a vontade de ter a coisa como própria, a 
relação interna, invisível. Caso não houvesse o aludido animus, 
para Savigny, posse não existiría; mas, sim, mera detenção. 
 
Em Síntese, para a Teoria Subjetiva: 
Corpus (Elemento Objetivo, Domínio Físico) 
+ 
Animus Rem Sibi Habendi (Elemento Subjetivo ou 
Espiritual, a intensão) 
= 
Posse 
Teoria Objetiva 
(Rudolf Von lhering) 
 
Adotada, como regra. 
Para esta construção teórica, possuidor é a pessoa que se 
comporta como se fosse proprietária da coisa, imprimindo 
destinação econômica a ela, independentemente da 
demonstração do animus. Objetivando um contraponto à 
teoria subjetiva, ressalta a teoria em comento o 
comportamento objetivo, enxergando a posse, em regra, 
como a exteriorização da propriedade ou o exercício de um 
dos seus poderes. É possuidor aquele que tem a conduta de 
dono. 
Dessa maneira, segundo a matriz em estudo, apenas o 
aspecto objetivo importa à configuração da posse, sendo 
esta igual ao corpus. Interessante, porém, que o corpus 
ganhou uma conotação diversa da de Savigny, pois não 
consistia em um mero contato físico, mas sim em uma função 
econômica, na forma que age o proprietário diante daquele 
bem, na conduta de dono. 
 
Em síntese, para a Teoria Objetiva: 
Corpus (conduta de dono) 
= 
Posse 
64 
 
Teoria Sociológica 
A teoria sociologica da posse consagra a funcao social da 
posse. Se não houver função social, não há posse. 
Posse 
x 
Detenção 
A detenção também é chamada de fâmulo da posse, ou servidor da posse. 
 
O detentor tem a posse não em nome próprio, mas em nome daquele ao qual ele está 
subordinado, seguindo ordens e instruções (art. 1198). 
CC, Art. 1.198. Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência 
para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou 
instruções suas. 
 
O detentor exerce sobre o bem não uma posse própria, mas uma posse em nome de 
outrem. Como não tem posse, não lhe assiste o direito de invocar, em nome próprio, as 
ações possessórias. O art. 1.208, primeira parte, do CC acrescenta que não induzem posse 
os atos de mera permissão ou tolerância. 
Classificações 
Posse Direta/Imediata 
x 
Posse Indireta/Mediata 
- Posse direta ou imediata: Exercida por quem tem a coisa 
materialmente. Ex.: Locatário, depositário, comodatário. 
 
- Pode indireta ou mediata: Exercida por meio de outra 
pessoa. Ex.: Locador, depositante, nu-proprietario. 
 
CC, Art. 1.197. A posse direta, de pessoa que tem a coisa emseu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou 
real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo 
o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. 
 
Assim: 
* A posse direta não anula a indireta; 
* O possuidor direto pode defender a sua posse contra o 
indireto. 
Posse Justa 
x 
Posse Injusta 
 
(vícios objetivos) 
Leva em consideração a presença de vícios exteriores, 
utilizando-se de critérios objetivos. Dependerá da forma de 
aquisição da posse. O fundamento da distinção, portanto, é 
fático. 
 
- Posse Justa: Não apresenta vícios da violencia, 
clandestinidade e precariedade, sendo uma posse “limpa”. 
CC, Art. 1.200. É justa a posse que não for violenta, 
clandestina ou precária. 
 
- Posse Injusta: Possui algum dos três vícios. 
 
O que é posse violenta, clandestina e precária? 
 
* Violência: esbulho, violência física ou moral, a exemplo do 
roubo; 
* Clandestina: é a posse obtida às escondidas, de forma oculta 
de quem exerce a posse atual, sem publicidade ou 
ostensividade, a exemplo do furto; 
* Precária: o possuidor recebe a coisa com a obrigação de 
restitui-la e, abusando da confiança, deixa de devolvê-la, a 
exemplo da apropriação indébita. 
Posse de Boa-fé 
x 
Posse de Má-fé 
- Posse de Boa-fé: é aquela em que o possuidor ignora o vício 
ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa. 
65 
 
 
(vícios subjetivos) 
CC, Art. 1.201. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o 
vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa. 
 
- Posse de Má-fé: é aquela em que o possuidor tem o 
conhecimento do vício ou obstáculo que atinge a sua posse. 
Posse Nova 
x 
Posse Velha 
- Posse Nova: Menos de 01 ano e dia. 
 
- Posse Velha: Mais de 01 ano e dia. 
Posse Natural 
x 
Posse Civil/Jurídica 
- Posse Natural: é aquela que se constitui pelo exercício de 
poderes de fato sobre a coisa, havendo efetiva apreensão 
material. 
 
- Posse Civil: é aquela adquirida por força da lei, sem, 
necessariamente, haver uma apreensão material da coisa, a 
exemplo do constituto possessório. 
Posse ad Interdicta 
x 
Posse ad Usucapionem 
- Posse ad interdicta: Pode ser defendida pelas ações 
possessórias, mas que não leva à usucapião. Exemplifica-se 
com a posse do locatário. Este, em sendo possuidor direto, 
poderá lançar mão dos interditos; porém não poderá usucapir 
a coisa. 
 
- Posse ad usucapionem: Prolonga no tempo, sendo mansa, 
pacifica, ininterrupta, com intenção de dono. Remete à posse 
passível de ocasionar a aquisição proprietária, mediante a 
usucapião. 
Composse ou 
Compossessão 
Composse ou a compossessão é a situação pela qual duas ou 
mais pessoas exercem, simultaneamente, poderes 
possessórios sobre a mesma coisa. Há, portanto, um 
condomínio de posses. 
 
Neste cenário, dois são os requisitos necessários para a 
configuração da composse: 
a) Pluralidade de Sujeitos; e 
b) Coisa Indivisa ou em estado de indivisão. 
 
É isso o que diz a lei: 
CC, Art. 1.199. Se duas ou mais pessoas possuírem coisa 
indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos possessórios, 
contanto que não excluam os dos outros compossuidores. 
Efeitos 
Quanto aos frutos 
Posse de Boa-fé: 
Direito - frutos percebidos, enquanto durar a boa-fé 
Deve Restituir: 
* frutos pendentes, ao tempo em que cessar a boa-fé (depois 
de deduzidas as despesas da produção e custeio); 
* frutos colhidos com antecipação. 
 
Posse de Má-fé: 
Direito - despesas da produção e custeio 
Responde: 
* todos os frutos colhidos e percebidos; 
* pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o 
momento em que se constituiu de má-fé. 
Quanto à Perda ou 
Deterioração da Coisa 
Posse de Boa-fé: 
Não responde a que não der causa. 
66 
 
Posse de Má-fé: 
Responde, ainda que acidentais. Salvo, se provar que de igual 
modo se teriam dado, estando ela na posse do reivindicante. 
Quanto às Benfeitorias 
Posse de Boa-fé: 
Indenização - Necessárias e Úteis (valor atual) 
 
Levantar - Voluptuárias, se não lhe forem pagar (quando o 
puder sem detrimento da coisa) 
 
Direito de Retenção - Pelo valor das Necessárias e Úteis 
 
Posse de Má-fé: 
Indenização – Necessárias (valor atual e o seu custo) 
 
Não há direiro de levantar as voluptuárias e nem direito de 
retenção das necessárias e úteis 
 
 
TÍTULO III 
Da Propriedade 
 
CAPÍTULO I 
Da Propriedade em Geral 
 
Seção I 
Disposições Preliminares 
Art. 1.228. O proprietário tem a FACULDADE de usar, gozar e dispor da coisa, e o DIREITO de reavê-la do poder 
de quem quer que injustamente a possua ou detenha. 
§ 1o O DIREITO DE PROPRIEDADE deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais 
e de modo que sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas 
naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do ar e das águas. 
§ 2o SÃO DEFESOS os atos que NÃO TRAZEM ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e SEJAM 
ANIMADOS pela intenção de prejudicar outrem. 
§ 3o O proprietário PODE SER PRIVADO da coisa, nos casos de desapropriação, por necessidade ou utilidade 
pública ou interesse social, bem como no de requisição, em caso de perigo público iminente. 
§ 4o O proprietário também PODE SER PRIVADO da coisa se o imóvel reivindicado CONSISTIR em extensa área, 
na posse ininterrupta e de boa-fé, por MAIS de cinco anos, de considerável número de pessoas, e estas nela 
houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços considerados pelo juiz de interesse social 
e econômico relevante. 
§ 5o No caso do parágrafo antecedente, o juiz FIXARÁ a JUSTA INDENIZAÇÃO devida ao proprietário; pago o 
preço, valerá a sentença como título para o registro do imóvel em nome dos possuidores. 
 
Art. 1.229. A PROPRIEDADE DO SOLO ABRANGE a do espaço aéreo e subsolo CORRESPONDENTES, em altura 
e profundidade úteis ao seu exercício, não podendo o proprietário opor-se a atividades que sejam realizadas, por 
terceiros, a uma altura ou profundidade tais, que não tenha ele interesse legítimo em impedi-las. 
 
Art. 1.230. A PROPRIEDADE DO SOLO NÃO ABRANGE as jazidas, minas e demais recursos minerais, os 
potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. 
Parágrafo único. O proprietário do solo tem o direito de explorar os recursos minerais de emprego imediato na 
construção civil, desde que não submetidos a transformação industrial, obedecido o disposto em lei especial. 
 
Art. 1.231. A propriedade PRESUME-SE plena e exclusiva, até prova em contrário. 
 
67 
 
Art. 1.232. Os frutos e mais produtos da coisa PERTENCEM, ainda quando separados, ao seu proprietário, SALVO 
se, por preceito jurídico especial, couberem a outrem. 
Seção II 
Da Descoberta 
Art. 1.233. Quem quer que ache coisa alheia perdida há de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor. 
Parágrafo único. Não o conhecendo, o descobridor fará por encontrá-lo, e, se não o encontrar, entregará a coisa 
achada à autoridade competente. 
 
Art. 1.234. Aquele que restituir a coisa achada, nos termos do artigo antecedente, terá direito a uma RECOMPENSA 
não inferior a cinco por cento do seu valor, e à INDENIZAÇÃO pelas despesas que houver feito com a 
conservação e transporte da coisa, SE O DONO NÃO PREFERIR ABANDONÁ-LA. 
Parágrafo único. Na determinação do montante da recompensa, considerar-se-á o esforço desenvolvido pelo 
descobridor para encontrar o dono, ou o legítimo possuidor, as possibilidades que teria este de encontrar a coisa e 
a situação econômica de ambos. 
 
Art. 1.235. O descobridor responde pelos prejuízos causados ao proprietário ou possuidor legítimo, quando tiver 
procedido com dolo. 
 
Art. 1.236. A autoridade competente dará conhecimento da descoberta através da imprensa e outros meios de 
informação, somente expedindo editaisse o seu valor os comportar. 
 
Art. 1.237. Decorridos sessenta dias da divulgação da notícia pela imprensa, ou do edital, não se apresentando 
quem comprove a propriedade sobre a coisa, será esta vendida em hasta pública e, deduzidas do preço as despesas, 
mais a recompensa do descobridor, pertencerá o remanescente ao Município em cuja circunscrição se deparou o 
objeto perdido. 
Parágrafo único. Sendo de diminuto valor, poderá o Município abandonar a coisa em favor de quem a achou. 
 
CAPÍTULO II 
Da Aquisição da Propriedade Imóvel 
 
Seção I 
Da Usucapião 
(USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA) 
Art. 1.238. Aquele que, POR quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-
lhe a propriedade, INDEPENDENTEMENTE DE TÍTULO e BOA-FÉ; PODENDO requerer ao juiz que assim o declare 
por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. 
Parágrafo único. O prazo estabelecido neste artigo REDUZIR-SE-Á a dez anos se o possuidor houver estabelecido 
no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo. 
 
#INFO 
- O prazo prescricional no caso de ação de desapropriação indireta é, em regra, de 10 anos; 
excepcionalmente, será de 15 anos caso de comprove que não foram feitas obras ou serviços públicos no 
local. 
Qual é o prazo da ação de desapropriação indireta? 
Regra: 10 anos (art. 1.238, parágrafo único, do CC/2002). 
Exceção: O prazo será de 15 anos se ficar comprovada a inexistência de obras ou serviços públicos no local. 
Em regra, portanto, o prazo prescricional das ações indenizatórias por desapropriação indireta é de 10 anos porque 
existe uma presunção relativa de que o Poder Público realizou obras ou serviços públicos no local. Admite-se, 
excepcionalmente, o prazo prescricional de 15 anos, caso a parte interessada comprove, concreta e devidamente, 
que não foram feitas obras ou serviços no local, afastando a presunção legal. 
STJ. 1ª Seção. EREsp 1.575.846-SC, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 26/06/2019 (Info 658). 
Obs: A súmula 119 do STJ está superada (Súmula 119-STJ: A ação de desapropriação indireta prescreve em 
vinte anos). 
 
68 
 
(USUCAPIÃO ESPECIAL RURAL OU PRO LABORE) 
Art. 1.239. Aquele que, NÃO SENDO proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos 
ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural NÃO SUPERIOR a cinqüenta hectares, tornando-a 
produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade. 
 
(USUCAPIÃO ESPECIAL URBANO OU PRO MISERO) 
Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de ATÉ duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco 
anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o 
DOMÍNIO, desde que NÃO SEJA proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
§ 1o O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, 
INDEPENDENTEMENTE do estado civil. 
§ 2o O direito previsto no parágrafo antecedente NÃO SERÁ RECONHECIDO ao mesmo possuidor mais de uma 
vez. 
 
(USUCAPIÃO FAMILIAR) 
Art. 1.240-A. Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta, COM 
EXCLUSIVIDADE, sobre imóvel urbano de ATÉ 250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) cuja 
propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar, UTILIZANDO-O para sua 
moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o DOMÍNIO INTEGRAL, desde que não seja proprietário de outro 
imóvel urbano ou rural. 
§ 1o O direito previsto no caput NÃO SERÁ RECONHECIDO ao mesmo possuidor mais de uma vez. 
 
Art. 1.241. Poderá o possuidor requerer ao juiz seja declarada adquirida, mediante usucapião, a propriedade imóvel. 
Parágrafo único. A declaração obtida na forma deste artigo constituirá título hábil para o registro no Cartório de 
Registro de Imóveis. 
 
(USUCAPIÃO ORDINÁRIA) 
Art. 1.242. Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e incontestadamente, COM JUSTO 
TÍTULO e BOA-FÉ, o possuir por dez anos. 
Parágrafo único. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido, 
ONEROSAMENTE, com base no registro constante do respectivo cartório, cancelada posteriormente, desde que 
os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou realizado investimentos de interesse social e 
econômico. 
 
Art. 1.243. O possuidor pode, para o fim de contar o tempo exigido pelos artigos antecedentes, ACRESCENTAR à 
sua posse a dos seus antecessores (art. 1.207), contanto que TODAS SEJAM contínuas, pacíficas e, nos casos do 
art. 1.242 (USUCAPIÃO ORDINÁRIA), com justo título e de boa-fé. 
 
Art. 1.244. ESTENDE-SE ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam, suspendem 
ou interrompem a prescrição, as quais também se aplicam à usucapião. 
 
 
 
USUCAPIÃO DE BENS IMÓVEIS 
USUCAPIÃO ORDINÁRIA 
(art. 1.242, CC) 
Tempo mínimo de uso 
* 10 anos (regra) 
* 5 anos (imóvel houver sido adquirido, 
onerosamente, com base no registro constante 
do respectivo cartório, cancelada posteriormente, 
desde que os possuidores nele tiverem 
estabelecido a sua moradia, ou realizado 
investimentos de interesse social e econômico) 
Tamanho do imóvel Qualquer 
Outras Exigências 
* justo título; e 
* de boa-fé. 
69 
 
USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA 
(art. 1.238, CC) 
Tempo mínimo de uso 
* 15 anos (regra) 
* 10 anos (possuidor houver estabelecido no 
imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado 
obras ou serviços de caráter produtivo) 
Tamanho do imóvel Qualquer 
Outras Exigências 
* sem interrupção; 
* sem oposição; 
Observação 
Independe de: 
* justo título; e 
* de boa-fé. 
USUCAPIÃO ESPECIAL RURAL 
OU PRO LABORE 
(art; 191, CF; art. 1.239, CC) 
Tempo mínimo de uso 5 anos 
Tamanho do imóvel Até 50 há 
Outras Exigências 
* sem interrupção; 
* sem oposição; 
* morador não ser proprietário de outro imóvel 
urbano ou rural; 
* aréa produtiva por seu trabalho ou de sua 
família; 
* aréa como sua moradia. 
USUCAPIÃO ESPECIAL URBANO 
OU PRO MISERO 
(art. 183, CF; art. 1.240, CC; 
art; 9º, ESTATUTO DA CIDADE) 
Tempo mínimo de uso 5 anos 
Tamanho do imóvel Até 250 m² 
Outras Exigências 
* sem interrupção; 
* sem oposição; 
* morador não ser proprietário de outro imóvel 
urbano ou rural; 
* aréa como sua moradia ou de sua família. 
USUCAPIÃO FAMILIAR 
(art. 1.240-A, CC) 
Tempo mínimo de uso 2 anos 
Tamanho do imóvel Até 250 m² 
Outras Exigências 
* sem interrupção; 
* sem oposição; 
* morador não ser proprietário de outro imóvel 
urbano ou rural; 
* propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-
companheiro que abandonou o lar, utilizando-o 
para sua moradia ou de sua família. 
 
#INFO 
JURISPRUDÊNCIA SOBRE USUCAPIÃO 
- A existência de contrato de arrendamento mercantil do bem móvel impede a aquisição de sua propriedade 
pela usucapião, contudo, verificada a prescrição da dívida, inexiste óbice legal para prescrição aquisitiva. 
A existência de contrato de arrendamento mercantil do bem móvel impede a aquisição de sua propriedade pela 
usucapião, contudo, verificada a prescrição da dívida, inexiste óbice legal para prescrição aquisitiva. 
Exemplo: João celebrou contrato de arrendamento mercantil com o banco para aquisição de um automóvel; em 
1998, o arrendatário deixou de pagar as prestações; o arrendador tinha o prazo de 5 anos para ajuizar ação de 
cobrança, ou seja, até 2003; até essa data (2003), não se podia falar em usucapião; a partir de 2003, como o 
arrendador já não mais poderia ajuizar a ação de cobrança, entende-se que cessaram os vícios que maculavam a 
posse do arrendatário; logo, a partir de 2003 começou a ser contado o prazo de usucapião; como o prazo de 
usucapião extraordinário de bem móvel é de 5 anos, o arrendatário adquiriu a propriedade por usucapião em 
2008. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.528.626-RS,Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Raul Araújo, julgado em 
17/12/2019 (Info 667). 
 
 
70 
 
- O interesse jurídico no ajuizamento direto de ação de usucapião independe de prévio pedido na via 
extrajudicial. 
A tentativa de usucapião extrajudicial não é condição indispensável para o ajuizamento da ação de usucapião. 
Mesmo que estejam preenchidos os requisitos para a usucapião extrajudicial, o interessado pode livremente optar 
pela propositura de ação judicial. 
O próprio legislador deixou claro, no art. 216-A da Lei de Registros Públicos, que a existência da possibilidade de 
usucapião extrajudicial não traz prejuízo à busca da usucapião na via jurisdicional: 
Art. 216-A. Sem prejuízo da via jurisdicional, é admitido o pedido de reconhecimento extrajudicial de usucapião 
(...) 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.824.133-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
 
Seção II 
Da Aquisição pelo Registro do Título 
Art. 1.245. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. 
§ 1o Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. 
§ 2o Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo 
cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. 
 
Art. 1.246. O registro é eficaz desde o momento em que se apresentar o título ao oficial do registro, e este o prenotar 
no protocolo. 
 
Art. 1.247. Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule. 
Parágrafo único. Cancelado o registro, poderá o proprietário reivindicar o imóvel, independentemente da boa-fé ou 
do título do terceiro adquirente. 
 
Seção III 
Da Aquisição por Acessão 
Art. 1.248. A ACESSÃO pode dar-se: 
I - por formação de ilhas; 
II - por aluvião; 
III - por avulsão; 
IV - por abandono de álveo; 
V - por plantações ou construções. 
 
Subseção I 
Das Ilhas 
Art. 1.249. As ilhas que se formarem em correntes comuns ou particulares pertencem aos proprietários ribeirinhos 
fronteiros, observadas as regras seguintes: 
I - as que se formarem no meio do rio consideram-se acréscimos sobrevindos aos terrenos ribeirinhos fronteiros de 
ambas as margens, na proporção de suas testadas, até a linha que dividir o álveo em duas partes iguais; 
II - as que se formarem entre a referida linha e uma das margens consideram-se acréscimos aos terrenos ribeirinhos 
fronteiros desse mesmo lado; 
III - as que se formarem pelo desdobramento de um novo braço do rio continuam a pertencer aos proprietários dos 
terrenos à custa dos quais se constituíram. 
 
Subseção II 
Da Aluvião 
Art. 1.250. Os acréscimos formados, sucessiva e imperceptivelmente, por depósitos e aterros naturais ao longo das 
margens das correntes, ou pelo desvio das águas destas, pertencem aos donos dos terrenos marginais, sem 
indenização. 
Parágrafo único. O terreno aluvial, que se formar em frente de prédios de proprietários diferentes, dividir-se-á entre 
eles, na proporção da testada de cada um sobre a antiga margem. 
 
71 
 
Subseção III 
Da Avulsão 
Art. 1.251. Quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, o 
dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo, se indenizar o dono do primeiro ou, sem indenização, se, em um 
ano, ninguém houver reclamado. 
Parágrafo único. Recusando-se ao pagamento de indenização, o dono do prédio a que se juntou a porção de terra 
deverá aquiescer a que se remova a parte acrescida. 
 
Subseção IV 
Do Álveo Abandonado 
Art. 1.252. O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens, sem que 
tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso, entendendo-se que os prédios 
marginais se estendem até o meio do álveo. 
 
Subseção V 
Das Construções e Plantações 
Art. 1.253. Toda construção ou plantação existente em um terreno presume-se feita pelo proprietário e à sua custa, 
até que se prove o contrário. 
 
Art. 1.254. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno próprio com sementes, plantas ou materiais alheios, 
adquire a propriedade destes; mas fica obrigado a pagar-lhes o valor, além de responder por perdas e danos, se agiu 
de má-fé. 
 
Art. 1.255. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, as sementes, 
plantas e construções; se procedeu de boa-fé, terá direito a indenização. 
Parágrafo único. Se a construção ou a plantação exceder consideravelmente o valor do terreno, aquele que, de boa-
fé, plantou ou edificou, adquirirá a propriedade do solo, mediante pagamento da indenização fixada judicialmente, 
se não houver acordo. 
 
Art. 1.256. Se de ambas as partes houve má-fé, adquirirá o proprietário as sementes, plantas e construções, devendo 
ressarcir o valor das acessões. 
Parágrafo único. Presume-se má-fé no proprietário, quando o trabalho de construção, ou lavoura, se fez em sua 
presença e sem impugnação sua. 
 
Art. 1.257. O disposto no artigo antecedente aplica-se ao caso de não pertencerem as sementes, plantas ou materiais 
a quem de boa-fé os empregou em solo alheio. 
Parágrafo único. O proprietário das sementes, plantas ou materiais poderá cobrar do proprietário do solo a 
indenização devida, quando não puder havê-la do plantador ou construtor. 
 
Art. 1.258. Se a construção, feita parcialmente em solo próprio, invade solo alheio em proporção não superior à 
vigésima parte deste, adquire o construtor de boa-fé a propriedade da parte do solo invadido, se o valor da 
construção exceder o dessa parte, e responde por indenização que represente, também, o valor da área perdida e a 
desvalorização da área remanescente. 
Parágrafo único. Pagando em décuplo as perdas e danos previstos neste artigo, o construtor de má-fé adquire a 
propriedade da parte do solo que invadiu, se em proporção à vigésima parte deste e o valor da construção exceder 
consideravelmente o dessa parte e não se puder demolir a porção invasora sem grave prejuízo para a construção. 
 
Art. 1.259. Se o construtor estiver de boa-fé, e a invasão do solo alheio exceder a vigésima parte deste, adquire a 
propriedade da parte do solo invadido, e responde por perdas e danos que abranjam o valor que a invasão acrescer 
à construção, mais o da área perdida e o da desvalorização da área remanescente; se de má-fé, é obrigado a demolir 
o que nele construiu, pagando as perdas e danos apurados, que serão devidos em dobro. 
 
 
72 
 
CAPÍTULO III 
Da Aquisição da Propriedade Móvel 
 
Seção I 
Da Usucapião 
USUCAPIÃO ORDINÁRIA 
Art. 1.260. Aquele que possuir coisa móvel como sua, contínua e incontestadamente DURANTE três anos, com 
JUSTO TÍTULO e BOA-FÉ, adquirir-lhe-á a propriedade. 
 
USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA 
Art. 1.261. Se a posse da coisa móvel se prolongar por cinco anos, produzirá usucapião, INDEPENDENTEMENTE 
de título ou boa-fé. 
 
USUCAPIÃO DE BEM MÓVEL 
USUCAPIÃO ORDINÁRIA 
(art. 1.260, CC) 
- Prazo: 3 anos; 
- Exige justo título e boa-fé. 
USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA 
(art. 1.261, CC) 
- Prazo: 5 anos; 
- Não Exige justo título e boa-fé. 
 
#INFO 
- Bem furtado pode ser objeto de usucapião, desde que tenha cessado a clandestinidade. 
É possível a usucapião de bem móvel proveniente de crime após cessada a clandestinidade ou a violência. 
Nos termos do art. 1.261 do CC/2002, aquele que exercer a posse de bem móvel, interrupta e incontestadamente, 
por 5 anos, adquire a propriedade originária do bem, fazendo sanar todo e qualquer vício anterior. 
A apreensão física da coisa por meio de clandestinidade (furto) ou violência (roubo) somente induz a posse após 
cessado o vício (art. 1.208 do CC/2002), de maneira que o exercício ostensivo do bem é suficiente para caracterizar 
a posse mesmo que o objeto tenha sidoas regras sobre o começo e o fim da 
personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família. 
 
Lei do DOMICÍLIO 
Família; 
Capacidade; 
Nome; 
Personalidade. 
 
Bizu: FACA NO PE 
 
Casamento 
§ 1o Realizando-se o casamento no brasil, será aplicada a LEI BRASILEIRA quanto aos impedimentos dirimentes 
e às formalidades da celebração. 
§ 2o O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consulares do país 
de ambos os nubentes. 
§ 3o Tendo os nubentes domicílio diverso, regerá os casos de invalidade do matrimônio a lei do PRIMEIRO 
DOMICÍLIO CONJUGAL. 
§ 4o O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em que tiverem os nubentes DOMICÍLIO, e, se 
este for diverso, a do PRIMEIRO DOMICÍLIO CONJUGAL. 
Invalidade do matrimônio Nubentes com domicílio diverso - PRIMEIRO DOMICÍLIO CONJUGAL 
Regime de bens 
Domicílio igual - DOMICÍLIO DOS NUBENTES 
Domicílio diversos - PRIMEIRO DOMICÍLIO CONJUGAL 
§ 5º - O estrangeiro casado, que se naturalizar brasileiro, pode, mediante expressa anuência de seu cônjuge, 
requerer ao juiz, no ato de entrega do decreto de naturalização, se apostile ao mesmo a adoção do regime de 
comunhão parcial de bens, respeitados os direitos de terceiros e dada esta adoção ao competente registro. 
§ 6º O DIVÓRCIO realizado no estrangeiro, se um ou ambos os cônjuges forem brasileiros, só será reconhecido 
no Brasil DEPOIS de 1 (um) ano da data da sentença, salvo se houver sido antecedida de separação judicial por 
igual prazo, caso em que a homologação produzirá efeito imediato, obedecidas as condições estabelecidas para a 
eficácia das sentenças estrangeiras no país. O Superior Tribunal de Justiça, na forma de seu regimento interno, poderá 
reexaminar, a requerimento do interessado, decisões já proferidas em pedidos de homologação de sentenças 
estrangeiras de divórcio de brasileiros, a fim de que passem a produzir todos os efeitos legais. 
§ 7o SALVO o caso de abandono, o domicílio do chefe da família ESTENDE-SE ao outro cônjuge e aos filhos não 
emancipados, e o do tutor ou curador aos incapazes sob sua guarda. 
§ 8o Quando a pessoa não tiver domicílio, considerar-se-á domiciliada no lugar de sua residência ou naquele em 
que se encontre. 
 
Bens 
Art. 8o Para qualificar os BENS e regular as relações a eles concernentes, aplicar-se-á a lei do país em que 
ESTIVEREM SITUADOS. 
§ 1o Aplicar-se-á a lei do país em que for DOMICILIADO O PROPRIETÁRIO, quanto aos BENS MOVEIS que ele 
trouxer ou se destinarem a transporte para outros lugares. 
§ 2o O PENHOR regula-se pela lei do DOMICÍLIO QUE TIVER A PESSOA, em cuja posse se encontre a coisa 
apenhada. 
7 
 
Obrigações 
Art. 9o Para qualificar e reger as OBRIGAÇÕES, aplicar-se-á a lei do país em que SE CONSTITUIREM. 
§ 1o Destinando-se a obrigação a ser executada no Brasil e dependendo de forma essencial, será esta observada, 
admitidas as peculiaridades da LEI ESTRANGEIRA quanto aos requisitos extrínsecos do ato. 
§ 2o A OBRIGAÇÃO RESULTANTE DO CONTRATO reputa-se constituída no LUGAR EM QUE RESIDIR O 
PROPONENTE. 
 
Sucessão por morte 
Art. 10. A SUCESSÃO POR MORTE OU POR AUSÊNCIA obedece à lei do país em que DOMICILIADO O DEFUNTO 
OU O DESAPARECIDO, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens. 
§ 1º A SUCESSÃO DE BENS DE ESTRANGEIROS, situados no país, será regulada pela LEI BRASILEIRA em benefício 
do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de quem os represente, sempre que não lhes seja mais favorável a lei 
pessoal do de cujus. 
§ 2o A lei do DOMICÍLIO DO HERDEIRO OU LEGATÁRIO regula a capacidade para suceder. 
 
Art. 11. As organizações destinadas a fins de interesse coletivo, como as SOCIEDADES e as FUNDAÇÕES, 
obedecem à lei do ESTADO EM QUE SE CONSTITUÍREM. 
§ 1o Não poderão, entretanto ter no Brasil filiais, agências ou estabelecimentos antes de serem os atos constitutivos 
aprovados pelo Governo brasileiro, ficando sujeitas à lei brasileira. 
§ 2o Os GOVERNOS ESTRANGEIROS, bem como as organizações de qualquer natureza, que eles tenham 
constituido, dirijam ou hajam investido de funções públicas, não poderão adquirir no Brasil bens imóveis ou 
susceptiveis de desapropriação. 
§ 3o Os GOVERNOS ESTRANGEIROS podem adquirir a propriedade dos prédios necessários à sede dos 
representantes diplomáticos ou dos agentes consulares. 
 
Art. 12. É competente a AUTORIDADE JUDICIÁRIA BRASILEIRA, quando for o RÉU domiciliado no Brasil ou aqui 
tiver de ser cumprida a obrigação. 
§ 1o SÓ À AUTORIDADE JUDICIÁRIA BRASILEIRA compete conhecer das ações relativas a imóveis situados no 
Brasil. 
§ 2o A autoridade judiciária brasileira cumprirá, concedido o exequatur e segundo a forma estabelecida pele lei 
brasileira, as diligências deprecadas por autoridade estrangeira competente, observando a lei desta, quanto ao objeto 
das diligências. 
 
Art. 13. A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar, quanto ao ônus e aos 
meios de produzir-se, não admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira desconheça. 
 
Art. 14. Não conhecendo a lei estrangeira, poderá o juiz exigir de quem a invoca prova do texto e da vigência. 
 
Art. 15. Será EXECUTADA NO BRASIL a sentença proferida no estrangeiro, que reuna os seguintes requisitos: 
a) haver sido proferida por juiz competente; 
b) terem sido as partes citadas ou haver-se legalmente verificado à revelia; 
c) ter passado em julgado e estar revestida das formalidades necessárias para a execução no lugar em que foi 
proferida; 
d) estar traduzida por intérprete autorizado; 
e) ter sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal. (Vide art.105, I, i da Constituição Federal). leia-se: SUPERIOR 
TRIBUNAL DE JUSTIÇA) 
 
Art. 16. Quando, nos termos dos artigos precedentes, se houver de aplicar a lei estrangeira, ter-se-á em vista a 
disposição desta, sem considerar-se qualquer remissão por ela feita a outra lei. 
 
Art. 17. As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, NÃO TERÃO 
EFICÁCIA NO BRASIl, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes. 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art105
8 
 
Art. 18. Tratando-se de brasileiros, são competentes as autoridades consulares brasileiras para lhes celebrar o 
casamento e os mais atos de Registro Civil e de tabelionato, inclusive o registro de nascimento e de óbito dos filhos 
de brasileiro ou brasileira nascido no país da sede do Consulado. 
§ 1º As autoridades consulares brasileiras também poderão celebrar a separação consensual e o divórcio consensual 
de brasileiros, não havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os requisitos legais quanto aos prazos, 
devendo constar da respectiva escritura pública as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns e 
à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à retomada pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à manutenção 
do nome adotado quando se deu o casamento. 
§ 2o É indispensável a assistência de advogado, devidamente constituído, que se dará mediante a subscrição de 
petição, juntamente com ambas as partes, ou com apenas uma delas, caso a outra constitua advogado próprio, não 
se fazendo necessário que a assinatura do advogado conste da escritura pública. 
 
Art. 19. Reputam-se válidos todos os atos indicados no artigo anterior e celebrados pelos cônsules brasileiros na 
vigência do Decreto-lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942, desde que satisfaçam todos os requisitos legais. 
Parágrafo único. No caso em que a celebração dêsses atos tiver sido recusada pelas autoridades consulares, com 
fundamento no artigo 18 do mesmo Decreto-lei, ao interessado é facultado renovar o pedido dentro em 90 (noventa) 
dias contados da data da publicação desta lei. 
 
Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidiráproveniente de crime. 
Caso concreto: indivíduo adquiriu caminhão por meio de financiamento bancário, com emissão de registro perante 
o órgão público competente, ao longo de mais de 20 anos. Depois se descobriu que o veículo havia sido furtado 
antes da aquisição. Pode-se reconhecer que houve a aquisição por usucapião, sendo irrelevante se analisar se 
houve a inércia do anterior proprietário (vítima do furto) ou se o usucapiente conhecia a ação criminosa anterior 
à sua posse. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.637.370-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 10/09/2019 (Info 656). 
 
Art. 1.262. APLICA-SE à usucapião das coisas móveis o disposto nos arts. 1.243 e 1.244. 
Art. 1.243. O possuidor pode, para o fim de contar o tempo exigido pelos artigos antecedentes, acrescentar à sua 
posse a dos seus antecessores (art. 1.207), contanto que todas sejam contínuas, pacíficas e, nos casos do art. 1.242 
(usucapião ordinária), com justo título e de boa-fé. 
Art. 1.244. Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam, suspendem ou 
interrompem a prescrição, as quais também se aplicam à usucapião. 
 
Seção II 
Da Ocupação 
Art. 1.263. Quem se assenhorear de coisa SEM DONO para logo lhe adquire a propriedade, não sendo essa 
ocupação defesa por lei. 
 
Seção III 
Do Achado do Tesouro 
Art. 1.264. O depósito antigo de coisas preciosas, oculto e de cujo dono não haja memória, será dividido por igual 
entre o proprietário do prédio e o que achar o tesouro casualmente. 
 
Art. 1.265. O tesouro pertencerá por inteiro ao proprietário do prédio, se for achado por ele, ou em pesquisa que 
ordenou, ou por terceiro não autorizado. 
 
73 
 
Art. 1.266. Achando-se em terreno aforado, o tesouro será dividido por igual entre o descobridor e o enfiteuta, ou 
será deste por inteiro quando ele mesmo seja o descobridor. 
 
Seção IV 
Da Tradição 
Art. 1.267. A propriedade das coisas NÃO SE TRANSFERE pelos negócios jurídicos antes da tradição. 
Parágrafo único. SUBENTENDE-SE a tradição quando o transmitente continua a possuir pelo constituto 
possessório; quando cede ao adquirente o direito à restituição da coisa, que se encontra em poder de terceiro; ou 
quando o adquirente já está na posse da coisa, por ocasião do negócio jurídico. 
 
Art. 1.268. Feita por quem não seja proprietário, a tradição não aliena a propriedade, exceto se a coisa, oferecida ao 
público, em leilão ou estabelecimento comercial, for transferida em circunstâncias tais que, ao adquirente de boa-fé, 
como a qualquer pessoa, o alienante se afigurar dono. 
§ 1o Se o adquirente estiver de boa-fé e o alienante adquirir depois a propriedade, considera-se realizada a 
transferência desde o momento em que ocorreu a tradição. 
§ 2o NÃO TRANSFERE a propriedade a tradição, quando tiver por título um negócio jurídico NULO. 
 
Seção V 
Da Especificação 
Art. 1.269. Aquele que, trabalhando em matéria-prima em parte alheia, obtiver espécie nova, desta será proprietário, 
se não se puder restituir à forma anterior. 
 
Art. 1.270. Se toda a matéria for alheia, e não se puder reduzir à forma precedente, será do especificador de boa-fé 
a espécie nova. 
§ 1o Sendo praticável a redução, ou quando impraticável, se a espécie nova se obteve de má-fé, pertencerá ao dono 
da matéria-prima. 
§ 2o Em qualquer caso, inclusive o da pintura em relação à tela, da escultura, escritura e outro qualquer trabalho 
gráfico em relação à matéria-prima, a espécie nova será do especificador, se o seu valor exceder consideravelmente 
o da matéria-prima. 
 
Art. 1.271. Aos prejudicados, nas hipóteses dos arts. 1.269 e 1.270, se ressarcirá o dano que sofrerem, menos ao 
especificador de má-fé, no caso do § 1o do artigo antecedente, quando irredutível a especificação. 
 
Seção VI 
Da Confusão, da Comissão e da Adjunção 
Art. 1.272. As coisas pertencentes a diversos donos, confundidas, misturadas ou adjuntadas sem o consentimento 
deles, continuam a pertencer-lhes, sendo possível separá-las sem deterioração. 
§ 1o Não sendo possível a separação das coisas, ou exigindo dispêndio excessivo, subsiste indiviso o todo, cabendo 
a cada um dos donos quinhão proporcional ao valor da coisa com que entrou para a mistura ou agregado. 
§ 2o Se uma das coisas puder considerar-se principal, o dono sê-lo-á do todo, indenizando os outros. 
 
Art. 1.273. Se a confusão, comissão ou adjunção se operou de má-fé, à outra parte caberá escolher entre adquirir a 
propriedade do todo, pagando o que não for seu, abatida a indenização que lhe for devida, ou renunciar ao que lhe 
pertencer, caso em que será indenizado. 
 
Art. 1.274. Se da união de matérias de natureza diversa se formar espécie nova, à confusão, comissão ou adjunção 
aplicam-se as normas dos arts. 1.272 e 1.273. 
 
CAPÍTULO IV 
Da Perda da Propriedade 
Art. 1.275. Além das causas consideradas neste Código, PERDE-SE a propriedade: 
I - por alienação; 
II - pela renúncia; 
III - por abandono; 
74 
 
IV - por perecimento da coisa; 
V - por desapropriação. 
 
PERDA DA PROPRIEDADE 
Perecimento da coisa 
Renúncia 
Alienação 
Desapropriação 
Abandono 
 
Bizu: PRADA 
 
Parágrafo único. Nos casos dos incisos I (ALIENAÇÃO) e II (RENÚNCIA), os efeitos da perda da PROPRIEDADE 
IMÓVEL serão subordinados ao registro do título transmissivo ou do ato renunciativo no Registro de Imóveis. 
 
Art. 1.276. O imóvel URBANO que o proprietário abandonar, com a intenção de não mais o conservar em seu 
patrimônio, e que se não encontrar na posse de outrem, poderá ser arrecadado, como bem vago, e PASSAR, três 
anos depois, à propriedade do Município ou à do Distrito Federal, se se achar nas respectivas circunscrições. 
§ 1o O imóvel situado na ZONA RURAL, abandonado nas mesmas circunstâncias, poderá ser arrecadado, como 
bem vago, e PASSAR, três anos depois, à propriedade da União, onde quer que ele se localize. 
§ 2o PRESUMIR-SE-Á DE MODO ABSOLUTO a intenção a que se refere este artigo (abandono), quando, cessados 
os atos de posse, deixar o proprietário de satisfazer os ônus fiscais. (DPF-2013-CESPE) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
75 
 
3. EMPRESARIAL NO CC 
 
TÍTULO VIII 
Dos Títulos de Crédito 
 
CAPÍTULO I 
Disposições Gerais 
 
TÍTULOS DE CRÉDITO 
Características 
- Natureza essencialmente comercial; 
 
- Documentos formais; 
 
- Natureza de bens móveis; 
 
- Títulos de apresentação; 
 
- Constituem títulos executivos extrajudiciais; 
 
- representam obrigações quesíveis; 
 
- Títulos de resgate; 
 
- Títulos de circulação. 
Princípios 
Cartularidade 
O direito de crédito mencionado na cártula não existe sem ela, 
não pode ser transmitido sem a sua tradição e não pode ser 
exigido sem a sua apresentação. 
 
#ATENÇÃO: Em função do princípio da cartularidade, a ação 
de execução desses títulos depende da apresentação do 
documento original. 
 
Exceção: Duplicata virtual (STJ); 
 
Desmaterialização ou Liquefação dos títulos de crédito: 
crescente criação de títulos de crédito magnéticos. 
Literalidade 
Só terá validade para o direito cambiário, aquilo que está 
literalmente escrito no título. 
Autonomia 
As relações jurídico-cambiais são autônomas e independentes 
entre si. O vício em uma das relações não atinge as demais 
obrigações assumidas no título. 
 
Subprincípios: 
 
a) Abstração: com a circulação, o título se desvincula da 
relação que lhe deu origem; 
 
b) Inoponibilidade das exceções pessoais aos terceiros de 
boa-fé: para o credor primitivo é possível apresentar a 
exceção pessoal, mas não pode para o terceiro de boa-fé. 
 
Art. 887. O título de crédito, documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido, 
SOMENTE PRODUZ EFEITO quando preencha os requisitos da lei. 
76 
 
Art. 888. A OMISSÃO de qualquer requisito legal, que tire ao escrito a sua validade como título decrédito, NÃO 
IMPLICA a invalidade do negócio jurídico que lhe deu origem. 
 
Art. 889. Deve o título de crédito CONTER a data da emissão, a indicação precisa dos direitos que confere, e a 
assinatura do emitente. 
§ 1o É À VISTA o título de crédito que não contenha indicação de vencimento. 
§ 2o Considera-se LUGAR de emissão e de pagamento, quando não indicado no título, o DOMICÍLIO DO 
EMITENTE. 
§ 3o O título poderá ser emitido a partir dos caracteres criados em computador ou meio técnico equivalente e 
que constem da escrituração do emitente, observados os requisitos mínimos previstos neste artigo. 
 
Art. 890. Consideram-se NÃO ESCRITAS NO TÍTULO a cláusula de juros, a proibitiva de endosso, a excludente 
de responsabilidade pelo pagamento ou por despesas, a que dispense a observância de termos e formalidade 
prescritas, e a que, além dos limites fixados em lei, exclua ou restrinja direitos e obrigações. 
 
Art. 891. O título de crédito, incompleto ao tempo da emissão, deve ser preenchido de conformidade com os ajustes 
realizados. 
Parágrafo único. O descumprimento dos ajustes previstos neste artigo pelos que deles participaram, não constitui 
motivo de oposição ao terceiro portador, salvo se este, ao adquirir o título, tiver agido de má-fé. 
 
Art. 892. Aquele que, sem ter poderes, ou excedendo os que tem, lança a sua assinatura em título de crédito, como 
mandatário ou representante de outrem, fica pessoalmente obrigado, e, pagando o título, tem ele os mesmos direitos 
que teria o suposto mandante ou representado. 
 
Art. 893. A transferência do título de crédito IMPLICA a de todos os direitos que lhe são inerentes. 
 
Art. 894. O portador de título representativo de mercadoria tem o direito de transferi-lo, de conformidade com as 
normas que regulam a sua circulação, ou de receber aquela independentemente de quaisquer formalidades, além da 
entrega do título devidamente quitado. 
 
Art. 895. Enquanto o título de crédito estiver em circulação, só ele poderá ser dado em garantia, ou ser objeto 
de medidas judiciais, e não, separadamente, os direitos ou mercadorias que representa. 
 
Art. 896. O título de crédito NÃO PODE SER REIVINDICADO do portador que o adquiriu de boa-fé e na 
conformidade das normas que disciplinam a sua circulação. 
 
Art. 897. O pagamento de título de crédito, que contenha obrigação de pagar soma determinada, pode ser 
garantido por AVAL. 
Parágrafo único. É VEDADO o aval PARCIAL. 
 
Aval Parcial Endosso Parcial 
VEDADO NULO 
 
Art. 898. O aval DEVE SER DADO no verso ou no anverso do próprio título. 
§ 1o Para a VALIDADE do aval, dado no anverso do título, é suficiente a simples assinatura do avalista. 
§ 2o Considera-se NÃO ESCRITO o aval CANCELADO. 
 
Aval Parcial Aval Cancelado 
VEDADO NÃO ESCRITO 
 
Art. 899. O avalista EQUIPARA-SE àquele cujo nome indicar; na falta de indicação, ao emitente ou devedor final. 
§ 1° Pagando o título, tem o avalista ação de regresso contra o seu avalizado e demais coobrigados anteriores. 
§ 2o SUBSISTE A RESPONSABILIDADE do avalista, ainda que nula a obrigação daquele a quem se equipara, a 
menos que a nulidade decorra de vício de forma. 
77 
 
Art. 900. O aval posterior ao vencimento produz os mesmos efeitos do anteriormente dado. 
 
Art. 901. Fica validamente desonerado o devedor que paga título de crédito ao legítimo portador, no vencimento, 
sem oposição, salvo se agiu de má-fé. 
Parágrafo único. Pagando, pode o devedor exigir do credor, além da entrega do título, quitação regular. 
 
Art. 902. Não é o credor obrigado a receber o pagamento antes do vencimento do título, e aquele que o paga, antes 
do vencimento, fica responsável pela validade do pagamento. 
§ 1o No vencimento, não pode o credor recusar pagamento, ainda que parcial. 
§ 2o No caso de pagamento parcial, em que se não opera a tradição do título, além da quitação em separado, outra 
deverá ser firmada no próprio título. 
 
Art. 903. SALVO disposição diversa em lei especial, regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código. 
 
CAPÍTULO II 
Do Título ao Portador 
Art. 904. A transferência de título ao portador se faz por simples tradição. 
 
Art. 905. O possuidor de título ao portador tem direito à prestação nele indicada, mediante a sua simples 
apresentação ao devedor. 
Parágrafo único. A prestação é devida ainda que o título tenha entrado em circulação contra a vontade do emitente. 
 
Art. 906. O devedor só poderá opor ao portador exceção fundada em direito pessoal, ou em nulidade de sua 
obrigação. 
 
Art. 907. É NULO o título ao portador emitido sem autorização de lei especial. 
 
Art. 908. O possuidor de título dilacerado, porém identificável, TEM direito a obter do emitente a substituição do 
anterior, mediante a restituição do primeiro e o pagamento das despesas. 
 
Art. 909. O proprietário, que perder ou extraviar título, ou for injustamente desapossado dele, poderá obter novo 
título em juízo, bem como impedir sejam pagos a outrem capital e rendimentos. 
Parágrafo único. O pagamento, feito antes de ter ciência da ação referida neste artigo, exonera o devedor, salvo se 
se provar que ele tinha conhecimento do fato. 
 
CAPÍTULO III 
Do Título À Ordem 
Art. 910. O ENDOSSO deve ser lançado pelo endossante no verso ou anverso do próprio título. 
§ 1o Pode o endossante designar o endossatário, e para validade do endosso, dado no verso do título, é suficiente a 
simples assinatura do endossante. 
§ 2o A TRANSFERÊNCIA por endosso completa-se com a tradição do título. 
§ 3o Considera-se NÃO ESCRITO o endosso CANCELADO, total ou parcialmente. 
 
Art. 911. Considera-se legítimo possuidor o portador do título à ordem com série regular e ininterrupta de endossos, 
ainda que o último seja em branco. 
Parágrafo único. Aquele que paga o título está obrigado a verificar a regularidade da série de endossos, mas não a 
autenticidade das assinaturas. 
 
Art. 912. Considera-se NÃO ESCRITA no endosso qualquer condição a que o subordine o endossante. 
Parágrafo único. É NULO o endosso PARCIAL. 
 
Aval Parcial Endosso Parcial 
VEDADO NULO 
 
78 
 
Art. 913. O endossatário de endosso em branco pode mudá-lo para endosso em preto, completando-o com o seu 
nome ou de terceiro; pode endossar novamente o título, em branco ou em preto; ou pode transferi-lo sem novo 
endosso. 
 
Art. 914. Ressalvada cláusula expressa em contrário, constante do endosso, não responde o endossante pelo 
cumprimento da prestação constante do título. 
§ 1o Assumindo responsabilidade pelo pagamento, o endossante se torna devedor solidário. 
§ 2o Pagando o título, tem o endossante ação de regresso contra os coobrigados anteriores. 
 
Art. 915. O devedor, além das exceções fundadas nas relações pessoais que tiver com o portador, só poderá opor a 
este as exceções relativas à forma do título e ao seu conteúdo literal, à falsidade da própria assinatura, a defeito de 
capacidade ou de representação no momento da subscrição, e à falta de requisito necessário ao exercício da ação. 
 
Art. 916. As exceções, fundadas em relação do devedor com os portadores precedentes, somente poderão ser por 
ele opostas ao portador, se este, ao adquirir o título, tiver agido de má-fé. 
 
Art. 917. A cláusula constitutiva de mandato, lançada no endosso, confere ao endossatário o exercício dos direitos 
inerentes ao título, salvo restrição expressamente estatuída. 
§ 1o O endossatário de endosso-mandato só pode endossar novamente o título na qualidade de procurador, com os 
mesmos poderes que recebeu. 
§ 2o Com a morte ou a superveniente incapacidade do endossante, não perde eficácia o endosso-mandato. 
§ 3o Pode o devedor opor ao endossatário de endosso-mandato somente as exceções que tiver contra o endossante. 
 
Art. 918. A cláusula constitutiva de penhor, lançada no endosso, confere ao endossatário o exercício dos direitos 
inerentes ao título. 
§ 1o O endossatário deendosso-penhor só pode endossar novamente o título na qualidade de procurador. 
§ 2o Não pode o devedor opor ao endossatário de endosso-penhor as exceções que tinha contra o endossante, salvo 
se aquele tiver agido de má-fé. 
 
Art. 919. A aquisição de título à ordem, por meio diverso do endosso, tem efeito de cessão civil. 
 
Art. 920. O endosso posterior ao vencimento produz os mesmos efeitos do anterior. 
 
CAPÍTULO IV 
Do Título Nominativo 
Art. 921. É título nominativo o emitido em favor de pessoa cujo nome conste no registro do emitente. 
 
Art. 922. Transfere-se o título nominativo mediante termo, em registro do emitente, assinado pelo proprietário e 
pelo adquirente. 
 
Art. 923. O título nominativo também pode ser transferido por endosso que contenha o nome do endossatário. 
§ 1o A transferência mediante endosso só tem eficácia perante o emitente, uma vez feita a competente averbação 
em seu registro, podendo o emitente exigir do endossatário que comprove a autenticidade da assinatura do 
endossante. 
§ 2o O endossatário, legitimado por série regular e ininterrupta de endossos, tem o direito de obter a averbação no 
registro do emitente, comprovada a autenticidade das assinaturas de todos os endossantes. 
§ 3o Caso o título original contenha o nome do primitivo proprietário, tem direito o adquirente a obter do emitente 
novo título, em seu nome, devendo a emissão do novo título constar no registro do emitente. 
 
Art. 924. Ressalvada proibição legal, pode o título nominativo ser transformado em à ordem ou ao portador, a pedido 
do proprietário e à sua custa. 
 
Art. 925. Fica desonerado de responsabilidade o emitente que de boa-fé fizer a transferência pelos modos indicados 
nos artigos antecedentes. 
79 
 
 
Art. 926. Qualquer negócio ou medida judicial, que tenha por objeto o título, só produz efeito perante o emitente 
ou terceiros, uma vez feita a competente averbação no registro do emitente. 
 
JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 56 DO STJ - TÍTULOS DE CRÉDITO 
1) Os títulos de crédito com força executiva podem ser cobrados por meio de processo de conhecimento, execução 
ou ação monitória. 
2) O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do devedor principal do título de crédito prescrito é 
quinquenal nos termos do art. 206, § 5º, I, do Código Civil, independetemente da relação jurídica fundamental. 
3) As duplicatas virtuais possuem força executiva, desde que acompanhadas dos instrumentos de protesto por 
indicação e dos comprovantes de entrega da mercadoria e da prestação do serviço. 
4) O devedor do título crédito não pode opor contra o endossatário as exceções pessoais que possuía em face do 
credor originário, limitando-se tal defesa aos aspectos formais e materiais do título, salvo na hipótese de má-fé. 
5) O devedor pode alegar contra a empresa de factoring as exceções pessoais originalmente oponíveis contra o 
emitente do título. 
6) A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da 
cobrança ou do protesto. (Súmula 387/STF) 
7) O avalista do título de crédito vinculado a contrato de mútuo também responde pelas obrigações pactuadas, 
quando no contrato figurar como devedor solidário. (Súmula 26/STJ) 
8) O avalista não responde por dívida estabelecida em título de crédito prescrito, salvo se comprovado que auferiu 
benefício com a dívida. 
9) É válido o aval prestado por pessoa física nas cédulas de crédito rural, pois a vedação contida no § 3º do art. 60 
do Decreto-Lei n. 167/67 não alcança o referido título, sendo aplicável apenas às notas promissórias e duplicatas 
rurais. 
10) A autonomia do aval não se confunde com a abstração do título de crédito e, portanto, independe de sua 
circulação. 
11) É indevido o protesto de título de crédito prescrito. 
12) O endossatário de título de crédito por endosso-mandato só responde por danos decorrentes de protesto 
indevido se extrapolar os poderes de mandatário. (Súmula 476/STJ) (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do 
CPC/73 - Tema 463) 
13) Responde pelos danos decorrentes de protesto indevido o endossatário que recebe por endosso translativo 
título de crédito contendo vício formal extrínseco ou intrínseco, ficando ressalvado seu direito de regresso contra 
os endossantes e avalistas. (Súmula 475/STJ) (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/73 - Tema 465) 
14) O protesto indevido de título enseja indenização por dano moral que se configura in re ipsa. 
15) A prescrição da pretensão executória de título cambial não enseja o cancelamento automático de anterior 
protesto regularmente lavrado e registrado. 
16) Incumbe ao devedor providenciar o cancelamento do protesto após a quitação da dívida, salvo pactuação 
expressa em contrário. (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC - Tema 725) 
17) A vinculação da nota promissória a um contrato retira-lhe a autonomia de título cambial, mas não a sua 
executoriedade, desde que a avença seja liquida, certa e exígivel. 
18) A nota promissória vinculada a contrato de abertura de crédito não goza de autonomia em razão da iliquidez 
do título que a originou. (Súmula 258/STJ) 
19) É nula a obrigação cambial assumida por procurador do mutuário vinculado ao mutuante, no exclusivo 
interesse deste. (Súmula 60/STJ) 
JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 62 DO STJ - CHEQUE 
1) Os prazos de apresentação e de prescrição (arts. 33 e 59 da Lei n. 7.357/85) nos cheques pós-datados possuem 
como termo inicial de contagem a data consignada no espaço reservado para a emissão da cártula. (Tese julgada 
sob o rito do art. 1.036 do CPC/2015 - Tema 945) 
2) O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de cheque sem força executiva é quinquenal, 
a contar do dia seguinte à data de emissão estampada na cártula. (Súmula 503 do STJ) (Tese julgada sob o rito do 
art. 543-C do CPC/1973 - Tema 628) 
3) Em ação monitória fundada em cheque prescrito ajuizada contra o emitente, é dispensável a menção ao negócio 
jurídico subjacente à emissão da cártula. (Súmula 531/STJ) (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 – 
Tema 564). 
80 
 
4) A relação jurídica subjacente ao cheque (causa debendi) poderá ser discutida nos casos em que não houver a 
circulação do título. 
5) O negócio jurídico subjacente à emissão do cheque pode ser discutido em sede de embargos monitórios. 
6) A investigação da causa debendi é admitida nas hipóteses em que o cheque é dado como garantia, bem como 
nos casos em que o negócio jurídico subjacente for constituído em flagrante desrespeito à ordem jurídica. 
7) A ação de locupletamento ilícito (art. 61 da Lei n. 7.357/1985) não exige comprovação da causa debendi e deve 
ser proposta no prazo de até dois anos contados do fim do prazo prescricional da execução do cheque. 
8) A ação de cobrança prevista no artigo 62 da Lei n. 7357/85 está fundamentada na relação jurídica subjacente 
ao cheque, sendo imprescindível a comprovação da causa debendi. 
9) O foro competente para a execução do cheque é o local do pagamento – lugar onde se situa a agência bancária 
em que o emitente mantém sua conta corrente - sendo irrelevantes os locais de domicílio do autor e do réu. 
10) O banco sacado não responde pela emissão de cheques sem fundos que geram prejuízos a terceiros. 
11) É indevida a inscrição do nome do cotitular de conta bancária conjunta nos órgãos de proteção ao crédito se 
este não emitiu o cheque sem provisão de fundos. 
12) A instituição financeira é responsável pelos danos resultantes de extravio de talonários de cheques utilizados 
fraudulentamente por terceiros. 
13) O estabelecimento bancário não está obrigado a verificar a autenticidade das assinaturas dos endossantes, 
mas tem o dever de atestar a regularidade formal da cadeia de endossos. 
14) O protesto de cheque pode ser efetuado após o prazo de apresentação, desde que não escoado o lapso 
prescricional da pretensão executória dirigida contra o emitente (protestofacultativo). (Tese julgada sob o rito do 
art. 1036 do CPC/15 – Tema 945) 
15) A pretensão executiva do cheque dirigida contra os endossantes deve ser precedida de protesto realizado 
dentro do prazo de apresentação (protesto obrigatório). 
16) A diferenciação de preços para o pagamento em dinheiro, cheque ou cartão de crédito caracteriza prática 
abusiva no mercado de consumo. 
17) A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral. (Súmula 388/ STJ) 
18) Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado. (Súmula 370/STJ) 
19) É razoável o valor da compensação por danos morais fixado em até 50 (cinquenta) salários mínimos para a 
hipótese de devolução indevida de cheque. 
20) Os juros moratórios decorrentes de dívidas representadas em cheque devem ser fixados a partir da data da 
primeira apresentação do título para pagamento, independentemente da cobrança ter sido buscada por meio de 
ação monitória. 
 
LIVRO II 
Do Direito de Empresa 
 
TÍTULO I 
Do Empresário 
 
CAPÍTULO I 
Da Caracterização e da Inscrição 
 
FASES DO DIREITO EMPRESARIAL 
1ª Fase 2ª Fase 3ª Fase 
Focava apenas na figura do 
Comerciante. 
É a fase subjetiva. 
Surgimento da Teoria dos Atos de 
Comércio, de índole Francesa, que passa 
a focar nos atos praticados pelo 
comerciante e não apenas na sua figura. 
É a fase objetiva. 
 
É a Teoria adotada pelo Código 
Comercial de 1850 e perdurou até o 
Código Civil de 2002. 
Muda-se completamento o enfoque, 
surgindo aa Teoria da Empresa, de 
índole Italiana, que passa a focar na 
Empresa e não no Comércio ou 
Comerciante. 
 
É a Teoria adotada pelo Código 
Civil de 2002. 
81 
 
Art. 966. Considera-se EMPRESÁRIO quem exerce profissionalmente atividade econômica ORGANIZADA para 
a produção ou a circulação de bens ou de serviços. 
 
ELEMENTOS PARA 
CARACTERIZAÇÃO DO EMPRESÁRIO 
Exerce profissionalmente; 
 
Atividade econômica; 
 
Organizada; 
 
Para produção ou circulação de bens e serviços. 
 
#NÃOCONFUNDA: 
Empresário Pessoa que explora a atividade empresarial. 
Empresa Atividade em sim. 
Estabelecimento Empresarial Complexo de bens materiais e imateriais. 
 
Parágrafo único. NÃO SE CONSIDERA EMPRESÁRIO quem exerce profissão INTELECTUAL, de natureza 
científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, SALVO se o exercício da 
profissão constituir ELEMENTO DE EMPRESA. 
 
NÃO SE SUJEITAM AO REGIME 
EMPRESARIAL 
- Profissionais intelectuais - natureza científica, literária ou artística; 
Exceção: quando o exercício da profissão constitui elemento de 
empresa. 
 
- Quem exerce atividade rural; 
Exceção: quando optar pelo registro na Junta Comercial. 
 
- Cooperativas; 
 
- Sociedades de Advogados (vedação do EOAB). 
 
Art. 967. É OBRIGATÓRIA a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva 
sede, antes do início de sua atividade. 
Obs.: A inscrição do empresário ou sociedade empresária é requisito delineador de sua regularidade, e não da 
sua caracterização. 
 
#NÃOCONFUNDA: 
REGISTRO OBRIGATÓRIO REGISTRO FACULTATIVO 
Empresários em geral Empresário Rural 
Natureza declaratória Natureza constitutiva 
Consequências da ausência de registro: 
 
- Não pode pedir a falência de outrem; 
 
- Não pode pleitear recuperação judicial própria; 
 
- Não pode participar de licitação; 
 
- Não vai obter certidão negativa de débito. 
Consequências da ausência de registro: 
 
- Faz com que o exercente de atividade rural não se 
sujeite ao regime empresarial. 
 
 
 
82 
 
Art. 968. A inscrição do empresário far-se-á mediante REQUERIMENTO que contenha: 
I - o seu nome, nacionalidade, domicílio, estado civil e, se casado, o regime de bens; 
II - a firma, com a respectiva assinatura autógrafa; 
III - o capital; 
IV - o objeto e a sede da empresa. 
§ 1o Com as indicações estabelecidas neste artigo, a inscrição será tomada por termo no livro próprio do Registro 
Público de Empresas Mercantis, e obedecerá a número de ordem contínuo para todos os empresários inscritos. 
§ 2o À margem da inscrição, e com as mesmas formalidades, serão AVERBADAS quaisquer modificações nela 
ocorrentes. 
§ 3º Caso venha a admitir sócios, o empresário individual poderá solicitar ao Registro Público de Empresas 
Mercantis a TRANSFORMAÇÃO de seu registro de empresário para registro de sociedade empresária, 
observado, no que couber, o disposto nos arts. 1.113 a 1.115 deste Código. 
Art. 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos 
preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai converter-se. 
Art. 1.114. A transformação depende do consentimento de todos os sócios, salvo se prevista no ato constitutivo, 
caso em que o dissidente poderá retirar-se da sociedade, aplicando-se, no silêncio do estatuto ou do contrato 
social, o disposto no art. 1.031. 
Art. 1.115. A transformação não modificará nem prejudicará, em qualquer caso, os direitos dos credores. 
Parágrafo único. A falência da sociedade transformada somente produzirá efeitos em relação aos sócios que, no 
tipo anterior, a eles estariam sujeitos, se o pedirem os titulares de créditos anteriores à transformação, e somente 
a estes beneficiará. 
§ 4o O processo de abertura, registro, alteração e baixa do microempreendedor individual de que trata o art. 
18-A da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, bem como qualquer exigência para o início de 
seu funcionamento DEVERÃO ter trâmite especial e simplificado, preferentemente eletrônico, opcional para o 
empreendedor, na forma a ser disciplinada pelo Comitê para Gestão da Rede Nacional para a Simplificação do 
Registro e da Legalização de Empresas e Negócios - CGSIM, de que trata o inciso III do art. 2o da mesma Lei. 
§ 5o Para fins do disposto no § 4o, poderão ser dispensados o uso da firma, com a respectiva assinatura autógrafa, 
o capital, requerimentos, demais assinaturas, informações relativas à nacionalidade, estado civil e regime de bens, 
bem como remessa de documentos, na forma estabelecida pelo CGSIM. 
 
Art. 969. O empresário que instituir SUCURSAL, FILIAL ou AGÊNCIA, em lugar sujeito à jurisdição de outro 
Registro Público de Empresas Mercantis, NESTE DEVERÁ TAMBÉM INSCREVÊ-LA, com a prova da inscrição 
originária. 
Parágrafo único. Em qualquer caso, a constituição do estabelecimento secundário deverá ser AVERBADA no 
Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede. 
 
Art. 970. A lei assegurará tratamento favorecido, diferenciado e simplificado ao EMPRESÁRIO RURAL e ao 
PEQUENO EMPRESÁRIO, quanto à inscrição e aos efeitos daí decorrentes. 
 
Art. 971. O empresário, cuja ATIVIDADE RURAL constitua sua principal profissão, PODE, observadas as 
formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas 
Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará EQUIPARADO, para todos os efeitos, ao 
EMPRESÁRIO SUJEITO A REGISTRO. 
 
CAPÍTULO II 
Da Capacidade 
Art. 972. PODEM EXERCER a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não 
forem legalmente impedidos. 
 
Art. 973. A pessoa LEGALMENTE IMPEDIDA de exercer atividade própria de empresário, se a exercer, 
RESPONDERÁ pelas obrigações contraídas. 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp123.htm#art18a
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp123.htm#art18a
83 
 
VEDAÇÕES AO EXERCÍCIO DE 
EMPRESA 
 
- Os que não estão no pleno gozo da capacidade civil; 
Exceção: CONTINUAÇÃO do exercício de atividade empresarial por 
incapaz, mediante autorização – art. 974, CC. 
 
- Legalmente Impedidos: 
 Condenados a certos crimes previstos na lei (art. 1.011, § 1º, CC); 
 Servidores públicos federais (art. 117, X, Lei 8.112/90); 
 Magistrados (art. 36, I, LC 35/79 – LOMAN); 
 Membrosdo Ministério Público (art. 44, III, Lei 8.625/93); 
 Militares (art. 29, Lei 6.880/80). 
 
Obs.: Estão legalmente impedidos para o exercício de empresa, mas 
podem ser sócios ou quotistas, desde que não exerçam funções de 
gerência ou administração. 
 
Art. 974. PODERÁ o INCAPAZ, por meio de representante ou devidamente assistido, CONTINUAR a empresa 
antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança. 
Obs.: O incapaz não pode estabelecer, não pode iniciar a empresa. Ele somente poderá continuar nos dois casos 
específicos do art. 974, CC. O menor não poderá, em nenhuma hipótese, dar início à atividade empresária. O que 
se conclui da interpretação conjunta dos arts. 972 e 974 é que ele só poderá continuar a empresa, neste caso 
específico do menor, se receber por herança. 
§ 1o Nos casos deste artigo, precederá AUTORIZAÇÃO JUDICIAL, após exame das circunstâncias e dos riscos da 
empresa, bem como da conveniência em continuá-la, podendo a autorização ser revogada pelo juiz, ouvidos os 
pais, tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, SEM PREJUÍZO dos direitos adquiridos por 
terceiros. 
§ 2o NÃO FICAM SUJEITOS ao resultado da empresa os BENS que o incapaz já possuía, ao tempo da sucessão 
ou da interdição, desde que estranhos ao acervo daquela, devendo tais fatos constar do alvará que conceder a 
autorização. 
§ 3o O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais DEVERÁ REGISTRAR contratos ou 
alterações contratuais de sociedade que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma conjunta, os 
seguintes PRESSUPOSTOS: 
I – o sócio incapaz NÃO PODE exercer a administração da sociedade; 
II – o capital social deve ser totalmente integralizado; 
III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente incapaz deve ser representado por seus 
representantes legais. 
 
INCAPAZ 
- Não pode iniciar o exercício de empresa; 
 
- Somente pode continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais 
ou pelo autor de herança; 
 
- Não pode exercer a administração da sociedade; 
 
- O capital da sociedade deve ser totalmente integralizado; 
 
- Sócio relativamante incapaz: assistido; 
 
- Sócio absolutamente incapaz: representado. 
 
Art. 975. Se o representante ou assistente do incapaz for pessoa que, por disposição de lei, não puder exercer 
atividade de empresário, nomeará, com a aprovação do juiz, UM OU MAIS GERENTES. 
§ 1o Do mesmo modo será nomeado gerente em todos os casos em que o juiz entender ser conveniente. 
§ 2o A aprovação do juiz NÃO EXIME o representante ou assistente do menor ou do interdito da responsabilidade 
pelos atos dos gerentes nomeados. 
84 
 
Art. 976. A prova da emancipação e da autorização do incapaz, nos casos do art. 974, e a de eventual revogação 
desta, serão INSCRITAS ou AVERBADAS no Registro Público de Empresas Mercantis. 
Parágrafo único. O uso da nova firma caberá, conforme o caso, ao gerente; ou ao representante do incapaz; ou 
a este, quando puder ser autorizado. 
 
Art. 977. FACULTA-SE aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, desde que NÃO TENHAM 
CASADO no regime da COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS, ou no da SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA. 
 
Art. 978. O empresário casado pode, SEM NECESSIDADE DE OUTORGA CONJUGAL, qualquer que seja o regime 
de bens, ALIENAR OS IMÓVEIS que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. 
 
Art. 979. Além de no Registro Civil, serão ARQUIVADOS e AVERBADOS, no Registro Público de Empresas 
Mercantis, os pactos e declarações antenupciais do empresário, o título de doação, herança, ou legado, de bens 
clausulados de incomunicabilidade ou inalienabilidade. 
 
Art. 980. A sentença que decretar ou homologar a separação judicial do empresário e o ato de reconciliação NÃO 
PODEM ser opostos a terceiros, ANTES de arquivados e averbados no Registro Público de Empresas Mercantis. 
 
TÍTULO I-A 
DA EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA 
 
#NÃOCONFUNDA: 
EMPRESÁRIO INDIVIDUAL EIRELI 
Não cria pessoa jurídica, sendo que a personalidade 
jurídica é única. 
Cria pessoa jurídica, que terá personalidade distinta 
daquele que a forma. 
Pode ter qualquer valor de investimento. 
Precisa de uma valor de investimento mínimo de 
100 salários mínimos. 
Empresário assume os riscos do negócio e terá seu 
patrimônio particular penhorado em caso de dívida 
da atividade. 
Há separação das responsabilidades patrimoniais e 
o empresário, regra geral, não arrisca seu patrimônio 
particular. 
 
Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por UMA ÚNICA PESSOA titular 
da TOTALIDADE do capital social, DEVIDAMENTE INTEGRALIZADO, que não será INFERIOR a 100 (cem) vezes 
o maior salário-mínimo vigente no País. 
§ 1º O NOME EMPRESARIAL deverá ser formado pela inclusão da expressão "EIRELI" após a FIRMA ou a 
DENOMINAÇÃO SOCIAL da empresa individual de responsabilidade limitada. 
§ 2º A PESSOA NATURAL que constituir empresa individual de responsabilidade limitada somente poderá figurar 
em UMA ÚNICA EMPRESA DESSA MODALIDADE. 
§ 3º A empresa individual de responsabilidade limitada também poderá resultar da CONCENTRAÇÃO DAS QUOTAS 
de outra modalidade societária num único sócio, INDEPENDENTEMENTE das razões que motivaram tal 
concentração. 
§ 5º Poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada constituída para a prestação de 
serviços de qualquer natureza a remuneração decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de 
imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à atividade 
profissional. 
§ 6º APLICAM-SE à empresa individual de responsabilidade limitada, no que couber, as regras previstas para as 
SOCIEDADES LIMITADAS. 
 
 
 
 
 
85 
 
APLICAÇÃO 
EIRELI LTDA, no que couber (art. 980-A, § 6º) 
Soc. em Comum Sociedade Simples, subsidiariamente e no que com ela for compatível (art. 986) 
Soc. em Conta de Participação Sociedade Simples, subsidiariamente e no que com ela for compatível (art. 996) 
Soc. em Nome Coletivo Sociedae Simples, no que o seu capítulo for omisso (art. 1.040) 
Soc. em Comandita Simples Sociedade em Nome Coletivo, no que com ela for compatível (art. 1.046) 
LTDA 
Sociedade Simples, nas omissões de seu capítulo (art. 1.053, caput); ou 
 
Sociedade Anônima, se o contrato social prever regência supletiva (art. 1.053, 
p. único) 
Cooperativa Sociedade Simples, no que a lei for omissa (art. 1.096) 
 
§ 7º Somente o patrimônio social da empresa responderá pelas dívidas da empresa individual de responsabilidade 
limitada, hipótese em que NÃO SE CONFUNDIRÁ, em qualquer situação, com o patrimônio do titular que a 
constitui, ressalvados os casos de fraude. (Lei nº 13.874/2019) 
 
EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA (EIRELI) 
Conceito 
É uma nova pessoa jurídica de direito privado constituída por um único 
titular, que responde limitadamente pelo resultado da empresa. 
Capital Mínimo 
A lei exige capital mínimo (igual ou superior a 100 vezes o valor do maior 
salário mínimo vigente no país) para a sua constituição, que deverá ser 
devidamente integralizado. 
Nome Empresarial Firma ou Denominação 
Limitação 
A pessoa natural somente poderá figurar em uma única empresa dessa 
modalidade. 
Aplicação Subsidiária Sociedade LIMITADA 
 
TÍTULO II 
Da Sociedade 
 
CAPÍTULO ÚNICO 
Disposições Gerais 
Art. 981. Celebram CONTRATO DE SOCIEDADE as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com 
BENS ou SERVIÇOS, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. 
Parágrafo único. A atividade pode restringir-se à realização de um ou mais NEGÓCIOS DETERMINADOS. 
 
Art. 982. SALVO AS EXCEÇÕES EXPRESSAS, considera-se EMPRESÁRIA a sociedade que tem por objeto o 
exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art.967); e, SIMPLES, as demais. 
Parágrafo único. INDEPENDENTEMENTE de seu objeto, considera-se EMPRESÁRIA a sociedade por ações; e, 
SIMPLES, a cooperativa. 
 
INDEPENDENTEMENTE DE SEU OBJETO 
SOCIEDADE EMPRESÁRIA SOCIEDADE SIMPLES 
Sociedade por ações Cooperativa 
 
86 
 
Art. 983. A SOCIEDADE EMPRESÁRIA DEVE constituir-se segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092; 
a SOCIEDADE SIMPLES PODE constituir-se de conformidade com um desses tipos, e, não o fazendo, subordina-
se às normas que lhe são próprias. 
Parágrafo único. Ressalvam-se as disposições concernentes à sociedade em conta de participação e à 
cooperativa, bem como as constantes de leis especiais que, para o exercício de certas atividades, IMPONHAM a 
constituição da sociedade segundo determinado tipo. 
 
SOCIEDADE 
SIMPLES 
Exploram atividade econômica não empresarial. Ex.: profissionais intelectuais. 
Obs.: Independente de seu objeto, considera-se simples a cooperativa. 
#ATENÇÃO: A sociedade simples não ganhou previsão de tipo societário específico, mas 
pode se organizar sob a forma de um dos tipos de sociedade empresária (sociedade em 
nome coletivo, sociedade em comandita simples ou sociedade limitada), com exceção das 
sociedades por ações, em razão da regra do artigo 982, parágrafo único, do CC/02. 
SOCIEDADE 
EMPRESÁRIA 
Exploram atividade empresarial, ou seja, exercem profissionalmente atividade econômica 
organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. 
Obs.: Independente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações. 
 
Art. 984. A sociedade que tenha por objeto o exercício de atividade própria de EMPRESÁRIO RURAL e seja 
constituída, ou transformada, de acordo com um dos tipos de sociedade empresária, PODE, com as formalidades 
do art. 968, requerer inscrição no registro público de empresas mercantis da sua sede, caso em que, depois de 
inscrita, ficará EQUIPARADA, para todos os efeitos, à SOCIEDADE EMPRESÁRIA. 
Parágrafo único. Embora já constituída a sociedade segundo um daqueles tipos, o pedido de inscrição se 
subordinará, no que for aplicável, às normas que regem a transformação. 
 
Art. 985. A sociedade adquire personalidade jurídica COM A INSCRIÇÃO, no registro próprio e na forma da lei, 
dos seus atos constitutivos (arts. 45 e 1.150). 
Obs.: O registro tem natureza meramente declaratória. 
 
SUBTÍTULO I 
Da Sociedade Não Personificada 
 
SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS 
Sociedade em comum 
 
Sociedade em conta de participação 
SOCIEDADES PERSONIFICADAS 
Sociedade limitada 
 
Sociedade anônima 
 
Sociedade em nome coletivo 
 
Sociedade em comandita simples 
 
Sociedade em comandita por ações 
 
CAPÍTULO I 
Da Sociedade em Comum 
#NÃOCONFUNDA: 
Sociedade Comum Sem registro 
Sociedade De Fato 
Não tem ato constitutivo 
É categoria de sociedade comum 
Sociedade Irregular 
Tem ato constitutivo, mas não registrou 
É categoria de sociedade comum 
87 
 
Art. 986. ENQUANTO NÃO INSCRITOS os atos constitutivos, reger-se-á a sociedade, EXCETO por ações em 
organização, pelo disposto neste Capítulo (Sociedade em Comum), observadas, SUBSIDIARIAMENTE e no que 
com ele forem compatíveis, as normas da SOCIEDADE SIMPLES. 
 
APLICAÇÃO 
EIRELI LTDA, no que couber (art. 980-A, § 6º) 
Soc. em Comum Sociedade Simples, subsidiariamente e no que com ela for compatível (art. 986) 
Soc. em Conta de Participação Sociedade Simples, subsidiariamente e no que com ela for compatível (art. 996) 
Soc. em Nome Coletivo Sociedae Simples, no que o seu capítulo for omisso (art. 1.040) 
Soc. em Comandita Simples Sociedade em Nome Coletivo, no que com ela for compatível (art. 1.046) 
LTDA 
Sociedade Simples, nas omissões de seu capítulo (art. 1.053, caput); ou 
 
Sociedade Anônima, se o contrato social prever regência supletiva (art. 1.053, 
p. único) 
Cooperativa Sociedade Simples, no que a lei for omissa (art. 1.096) 
 
Art. 987. Os SÓCIOS, nas relações entre si ou com terceiros, somente por escrito podem provar a existência da 
sociedade, mas os TERCEIROS podem prová-la de qualquer modo. 
 
EXISTÊNCIA DA SOCIEDADE 
Sócios, nas relações entre si ou com terceiros Terceiros 
Somente por escrito De qualquer modo 
 
Art. 988. Os bens e dívidas sociais constituem PATRIMÔNIO ESPECIAL, do qual os sócios são titulares em 
comum. 
 
Art. 989. Os BENS SOCIAIS respondem pelos atos de gestão praticados por qualquer dos sócios, SALVO pacto 
expresso limitativo de poderes, que somente terá eficácia contra o terceiro que o conheça ou deva conhecer. 
 
Art. 990. Todos os sócios respondem SOLIDÁRIA (entre os sócios) e ILIMITADAMENTE pelas obrigações sociais, 
EXCLUÍDO DO BENEFÍCIO DE ORDEM (a regra é que haja benefício de ordem), previsto no art. 1.024, aquele que 
contratou pela sociedade. 
Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade, senão depois de 
executados os bens sociais. 
 
Entre os sócios Obrigações Sociais 
SOLIDÁRIA ILIMITADA 
 
CAPÍTULO II 
Da Sociedade em Conta de Participação 
Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social É EXERCIDA 
UNICAMENTE pelo SÓCIO OSTENSIVO, em seu nome individual e sob sua PRÓPRIA e EXCLUSIVA 
responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. 
Parágrafo único. Obriga-se perante terceiro tão-somente o SÓCIO OSTENSIVO; e, exclusivamente perante este, 
o SÓCIO PARTICIPANTE, nos termos do contrato social. 
 
Art. 992. A CONSTITUIÇÃO da sociedade em conta de participação INDEPENDE de qualquer formalidade e pode 
provar-se por todos os meios de direito. 
88 
 
 
Art. 993. O CONTRATO SOCIAL produz efeito SOMENTE entre os sócios, e a eventual inscrição de seu 
instrumento em qualquer registro NÃO CONFERE personalidade jurídica à sociedade. 
Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais, o SÓCIO PARTICIPANTE NÃO 
PODE tomar parte nas relações do SÓCIO OSTENSIVO com terceiros, sob pena de responder SOLIDARIAMENTE 
com este pelas obrigações em que intervier. 
 
Art. 994. A contribuição do SÓCIO PARTICIPANTE constitui, com a do SÓCIO OSTENSIVO, patrimônio especial, 
objeto da conta de participação relativa aos negócios sociais. 
§ 1o A especialização patrimonial somente produz efeitos em relação aos sócios. 
§ 2o A falência do SÓCIO OSTENSIVO acarreta a dissolução da sociedade e a liquidação da respectiva conta, 
cujo saldo constituirá crédito quirografário. 
§ 3o Falindo o SÓCIO PARTICIPANTE, o contrato social fica sujeito às normas que regulam os efeitos da falência 
nos contratos bilaterais do falido. 
 
Art. 995. Salvo estipulação em contrário, o SÓCIO OSTENSIVO não pode admitir NOVO SÓCIO sem o 
consentimento EXPRESSO dos demais. 
 
Art. 996. APLICA-SE à sociedade em conta de participação, SUBSIDIARIAMENTE e no que com ela for compatível, 
o disposto para a SOCIEDADE SIMPLES, e a sua liquidação rege-se pelas normas relativas à prestação de contas, 
na forma da lei processual. 
Parágrafo único. Havendo MAIS de um SÓCIO OSTENSIVO, as respectivas contas serão prestadas e julgadas no 
mesmo processo. 
 
APLICAÇÃO 
EIRELI LTDA, no que couber (art. 980-A, § 6º) 
Soc. em Comum Sociedade Simples, subsidiariamente e no que com ela for compatível (art. 986) 
Soc. em Conta de Participação Sociedade Simples, subsidiariamente e no que com ela for compatível (art. 996) 
Soc. em Nome Coletivo Sociedae Simples, no que o seu capítulo for omisso (art. 1.040) 
Soc. em Comandita Simples Sociedade em Nome Coletivo, no que com ela for compatível (art. 1.046) 
LTDA 
Sociedade Simples, nas omissões de seu capítulo (art. 1.053, caput); ou 
 
Sociedade Anônima, se o contrato social prever regência supletiva (art. 1.053, 
p. único) 
Cooperativa Sociedade Simples, no que a lei for omissa (art. 1.096) 
 
SUBTÍTULO II 
Da Sociedade Personificada 
 
CAPÍTULO I 
Da Sociedade Simples 
 
SeçãoI 
Do Contrato Social 
Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, PARTICULAR ou PÚBLICO, que, além de cláusulas 
estipuladas pelas partes, MENCIONARÁ: 
I - nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se pessoas naturais, e a firma ou a 
denominação, nacionalidade e sede dos sócios, se jurídicas; 
II - denominação, objeto, sede e prazo da sociedade; 
89 
 
III - capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis 
de avaliação pecuniária; 
IV - a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la; 
V - as prestações a que se obriga o sócio, cuja contribuição consista em SERVIÇOS; 
VI - as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus poderes e atribuições; 
VII - a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas; 
VIII - se os sócios respondem, ou não, SUBSIDIARIAMENTE, pelas obrigações sociais. 
Parágrafo único. É INEFICAZ em relação a terceiros qualquer pacto separado, contrário ao disposto no 
instrumento do contrato. 
 
Art. 998. Nos trinta dias subseqüentes à sua constituição, a sociedade deverá requerer a inscrição do contrato 
social no Registro Civil das Pessoas Jurídicas do local de sua sede. 
§ 1o O pedido de inscrição será acompanhado do instrumento autenticado do contrato, e, se algum sócio nele 
houver sido representado por procurador, o da respectiva procuração, bem como, se for o caso, da prova de 
autorização da autoridade competente. 
§ 2o Com todas as indicações enumeradas no artigo antecedente, será a inscrição tomada por termo no livro de 
registro próprio, e obedecerá a número de ordem contínua para todas as sociedades inscritas. 
 
Art. 999. As modificações do contrato social, que tenham por objeto matéria indicada no art. 997, dependem do 
consentimento de TODOS OS SÓCIOS; as demais podem ser decididas por maioria absoluta de votos, se o 
contrato não determinar a necessidade de deliberação unânime. 
Parágrafo único. Qualquer modificação do contrato social será AVERBADA, cumprindo-se as formalidades 
previstas no artigo antecedente. 
 
MODIFICAÇÕES DO CONTRATO SOCIAL DA SOCIEDADE SIMPLES 
Matéria do art. 997 Demais matérias 
Consentimento de todos os sócios 
Maioria absoluta de votos, se o contrato não 
determinar a necessidade de deliberação unânime 
 
Art. 1.000. A sociedade simples que instituir sucursal, filial ou agência na circunscrição de outro Registro Civil das 
Pessoas Jurídicas, neste deverá também inscrevê-la, com a prova da inscrição originária. 
Parágrafo único. Em qualquer caso, a constituição da sucursal, filial ou agência deverá ser AVERBADA no Registro 
Civil da respectiva sede. 
 
Seção II 
Dos Direitos e Obrigações dos Sócios 
Art. 1.001. As obrigações dos sócios COMEÇAM imediatamente com o contrato, se este não fixar outra data, e 
TERMINAM quando, liquidada a sociedade, se extinguirem as responsabilidades sociais. 
 
Art. 1.002. O sócio NÃO PODE SER SUBSTITUÍDO no exercício das suas funções, SEM o consentimento dos 
demais sócios, expresso em modificação do contrato social. 
 
Art. 1.003. A cessão total ou parcial de quota, sem a correspondente modificação do contrato social com o 
consentimento dos demais sócios, NÃO TERÁ EFICÁCIA quanto a estes e à sociedade. 
Parágrafo único. Até dois anos depois de averbada a modificação do contrato, responde o cedente 
SOLIDARIAMENTE com o cessionário, perante a sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinha como sócio. 
 
Art. 1.004. Os sócios são obrigados, na forma e prazo previstos, às contribuições estabelecidas no contrato social, 
e aquele que deixar de fazê-lo, nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade, responderá perante 
esta pelo dano emergente da mora. 
Parágrafo único. Verificada a mora, poderá a maioria dos demais sócios preferir, à indenização, a EXCLUSÃO 
DO SÓCIO REMISSO, ou REDUZIR-LHE A QUOTA ao montante já realizado, aplicando-se, em ambos os casos, o 
disposto no § 1o do art. 1.031. 
90 
 
Art. 1031. § 1o O capital social sofrerá a correspondente redução, salvo se os demais sócios suprirem o valor da 
quota. 
 
Art. 1.005. O sócio que, a título de quota social, transmitir domínio, posse ou uso, responde pela evicção; e pela 
solvência do devedor, aquele que transferir crédito. 
 
Art. 1.006. O sócio, cuja contribuição consista em SERVIÇOS, NÃO PODE, salvo convenção em contrário, 
empregar-se em atividade estranha à sociedade, sob pena de ser privado de seus lucros e dela excluído. 
 
Art. 1.007. Salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas 
quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em SERVIÇOS, somente participa dos lucros na proporção da média 
do valor das quotas. 
 
Art. 1.008. É NULA a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas. 
 
Art. 1.009. A distribuição de lucros ilícitos ou fictícios acarreta responsabilidade SOLIDÁRIA dos administradores 
que a realizarem e dos sócios que os receberem, conhecendo ou devendo conhecer-lhes a ilegitimidade. 
 
Seção III 
Da Administração 
Art. 1.010. Quando, por lei ou pelo contrato social, competir aos sócios decidir sobre os negócios da sociedade, 
as deliberações serão tomadas por maioria de votos, contados segundo o valor das QUOTAS DE CADA UM. 
§ 1o Para formação da maioria absoluta são necessários votos correspondentes a mais de metade do CAPITAL. 
§ 2o Prevalece a decisão sufragada por MAIOR NÚMERO DE SÓCIOS no caso de empate, e, se este persistir, 
DECIDIRÁ O JUIZ. 
§ 3o Responde por perdas e danos o sócio que, tendo em alguma operação interesse contrário ao da sociedade, 
participar da deliberação que a aprove graças a seu voto. 
 
Art. 1.011. O administrador da sociedade DEVERÁ TER, no exercício de suas funções, o cuidado e a diligência 
que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração de seus próprios negócios. 
§ 1o NÃO PODEM SER ADMINISTRADORES, além das pessoas impedidas por lei especial, os condenados a pena 
que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos; ou por crime falimentar, de prevaricação, peita 
ou suborno, concussão, peculato; ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional, contra as 
normas de defesa da concorrência, contra as relações de consumo, a fé pública ou a propriedade, enquanto 
perdurarem os efeitos da condenação. 
Obs.: O impedido NÃO pode EXERCER a empresa, mas pode ser sócio, desde que: 
- não exerça a administração ou gerência; e 
- não tenha responsabilidade ILIMITADA. 
§ 2o APLICAM-SE à atividade dos administradores, no que couber, as disposições concernentes ao mandato. 
 
Art. 1.012. O administrador, nomeado por instrumento em separado, deve AVERBÁ-LO à margem da inscrição 
da sociedade, e, pelos atos que praticar, antes de requerer a averbação, responde pessoal e SOLIDARIAMENTE 
com a sociedade. 
 
Art. 1.013. A administração da sociedade, nada dispondo o contrato social, compete SEPARADAMENTE a cada 
um dos sócios. 
§ 1o Se a administração competir separadamente a vários administradores, CADA UM pode impugnar operação 
pretendida por outro, cabendo a decisão aos sócios, por maioria de votos. 
§ 2o Responde por perdas e danos perante a sociedade o administrador que realizar operações, sabendo ou 
devendo saber que estava agindo em desacordo com a maioria. 
 
Art. 1.014. Nos atos de competência conjunta de vários administradores, torna-se necessário o concurso de 
todos, salvo nos casos urgentes, em que a omissão ou retardo das providências possa ocasionar dano irreparável 
ou grave. 
91 
 
 
Art. 1.015. No silêncio do contrato, os administradores podem praticar todos os atos pertinentes à gestão da 
sociedade; não constituindo objeto social, a oneração ou a venda de BENS IMÓVEIS depende do que a maioria 
dos sócios decidir. 
Parágrafo único. O EXCESSO por partedos administradores somente pode ser oposto a terceiros se ocorrer pelo 
menos uma das seguintes hipóteses: 
I - se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade; 
II - provando-se que era conhecida do terceiro; 
III - tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. 
 
Art. 1.016. Os administradores respondem SOLIDARIAMENTE perante a sociedade e os terceiros prejudicados, 
por CULPA no desempenho de suas funções. 
 
Art. 1.017. O administrador que, sem consentimento escrito dos sócios, aplicar créditos ou bens sociais em 
proveito próprio ou de terceiros, terá de RESTITUÍ-LOS à sociedade, ou PAGAR O EQUIVALENTE, com todos os 
lucros resultantes, e, se houver prejuízo, por ele também responderá. 
Parágrafo único. Fica sujeito às sanções o administrador que, tendo em qualquer operação interesse contrário ao 
da sociedade, tome parte na correspondente deliberação. 
 
Art. 1.018. Ao administrador É VEDADO fazer-se substituir no exercício de suas funções, sendo-lhe facultado, 
nos limites de seus poderes, constituir mandatários da sociedade, especificados no instrumento os atos e operações 
que poderão praticar. 
 
Art. 1.019. São IRREVOGÁVEIS os poderes do sócio investido na administração por cláusula expressa do contrato 
social, salvo justa causa, reconhecida judicialmente, a pedido de qualquer dos sócios. 
Parágrafo único. São REVOGÁVEIS, a qualquer tempo, os poderes conferidos a sócio por ato separado, ou a 
quem não seja sócio. 
 
PODERES DOS SÓCIOS 
Cláusula expressa no contrato Ato separado/Quem não é sócio 
Irrevogáveis, salvo justa causa reconhecida 
judicialmente 
Revogáveis, a qualquer tempo 
 
Art. 1.020. Os administradores são OBRIGADOS a prestar aos sócios contas justificadas de sua administração, e 
apresentar-lhes o inventário anualmente, bem como o balanço patrimonial e o de resultado econômico. 
 
Art. 1.021. Salvo estipulação que determine época própria, o sócio pode, a qualquer tempo, EXAMINAR os livros 
e documentos, e o estado da caixa e da carteira da sociedade. 
 
Seção IV 
Das Relações com Terceiros 
Art. 1.022. A sociedade adquire direitos, assume obrigações e procede judicialmente, por meio de administradores 
com poderes especiais, ou, não os havendo, por intermédio de qualquer administrador. 
 
Art. 1.023. Se os bens da sociedade não lhe cobrirem as dívidas, respondem os sócios pelo saldo, na proporção em 
que participem das perdas sociais, SALVO cláusula de responsabilidade SOLIDÁRIA. 
 
Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios NÃO PODEM SER executados por dívidas da sociedade, SENÃO 
DEPOIS de executados os bens sociais. (BENEFÍCIO DE ORDEM) 
 
Art. 1.025. O sócio, admitido em sociedade já constituída, NÃO SE EXIME das dívidas sociais anteriores à 
admissão. 
 
92 
 
Art. 1.026. O credor particular de sócio pode, na insuficiência de outros bens do devedor, fazer recair a execução 
sobre o que a este couber nos lucros da sociedade, ou na parte que lhe tocar em liquidação. 
Parágrafo único. Se a sociedade não estiver dissolvida, pode o credor requerer a liquidação da quota do devedor, 
cujo valor, apurado na forma do art. 1.031, será depositado em dinheiro, no juízo da execução, até noventa dias 
após aquela liquidação. 
 
Art. 1.027. Os herdeiros do cônjuge de sócio, ou o cônjuge do que se separou judicialmente, NÃO PODEM 
EXIGIR desde logo a parte que lhes couber na quota social, mas concorrer à divisão periódica dos lucros, até que 
se liquide a sociedade. 
 
Seção V 
Da Resolução da Sociedade em Relação a um Sócio 
Art. 1.028. No caso de MORTE de sócio, liquidar-se-á sua quota, SALVO: 
I - se o contrato dispuser diferentemente; 
II - se os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade; 
III - se, por acordo com os herdeiros, regular-se a substituição do sócio falecido. 
 
Art. 1.029. Além dos casos previstos na lei ou no contrato, qualquer sócio pode RETIRAR-SE da sociedade; se de 
prazo INDETERMINADO, mediante notificação aos demais sócios, com antecedência mínima de sessenta dias; 
se de prazo DETERMINADO, provando judicialmente justa causa. 
Parágrafo único. Nos trinta dias subseqüentes à notificação, podem os demais sócios optar pela dissolução da 
sociedade. 
 
RETIRADA DE SÓCIO 
Sociedade de prazo INDETERMINADO Sociedade de prazo DETERMINADO 
Notificação aos demais sócios; 
Antecedência mínima de 60 dias. 
Justa causa, provada judicialmente. 
 
Art. 1.030. Ressalvado o disposto no art. 1.004 e seu parágrafo único, pode o sócio ser EXCLUÍDO JUDICIALMENTE, 
mediante iniciativa da maioria dos demais sócios, por falta grave no cumprimento de suas obrigações, ou, ainda, 
por incapacidade superveniente. 
Parágrafo único. Será DE PLENO DIREITO EXCLUÍDO da sociedade o sócio declarado falido, ou aquele cuja quota 
tenha sido liquidada nos termos do parágrafo único do art. 1.026. 
 
EXCLUSÃO DE SÓCIO 
Judicialmente De Pleno Direito 
Falta grave no cumprimento de suas obrigações; ou 
 
Incapacidade superveniente. 
Declarado falido; ou 
 
Aquele cuja quota tenha sido liquidada nos termos do 
parágrafo único do art. 1.026 
 
Art. 1.031. Nos casos em que a sociedade se resolver em relação a um sócio, o valor da sua quota, considerada pelo 
montante efetivamente realizado, liquidar-se-á, salvo disposição contratual em contrário, com base na situação 
patrimonial da sociedade, à data da resolução, verificada em balanço especialmente levantado. 
§ 1o O capital social sofrerá a correspondente redução, salvo se os demais sócios suprirem o valor da quota. 
§ 2o A quota liquidada será paga em dinheiro, no prazo de noventa dias, a partir da liquidação, SALVO acordo, ou 
estipulação contratual em contrário. 
 
Art. 1.032. A retirada, exclusão ou morte do sócio, NÃO O EXIME, ou A SEUS HERDEIROS, da responsabilidade 
pelas obrigações sociais anteriores, até dois anos após averbada a resolução da sociedade; nem nos dois 
primeiros casos (retirada e exclusão), pelas posteriores e em igual prazo, enquanto não se requerer a 
averbação. 
 
93 
 
NÃO EXIME O SÓCIO E SEUS HERDEIROS 
PELAS OBRIGAÇÕES 
ANTERIORES (retirada, exclusão ou morte) 
Até 2 anos após averbada a resolução da sociedade 
POSTERIORES (retirada e exclusão) 
Até 2 anos enquanto não se requerer a averbação 
 
Seção VI 
Da Dissolução 
Art. 1.033. DISSOLVE-SE a sociedade quando ocorrer: 
I - o vencimento do prazo de duração, SALVO se, vencido este e sem oposição de sócio, NÃO ENTRAR a sociedade 
em liquidação, caso em que se prorrogará por tempo INDETERMINADO; 
II - o consenso unânime dos sócios; 
III - a deliberação dos sócios, por maioria absoluta, na sociedade de prazo INDETERMINADO; 
IV - a falta de pluralidade de sócios, NÃO RECONSTITUÍDA no prazo de cento e oitenta dias; 
V - a extinção, na forma da lei, de autorização para funcionar. 
Parágrafo único. NÃO SE APLICA o disposto no inciso IV (falta de pluralidade de sócios) caso o sócio 
remanescente, inclusive na hipótese de concentração de todas as cotas da sociedade sob sua titularidade, 
requeira, no registro público de empresas mercantis, a transformação do registro da sociedade para empresário 
individual ou para empresa individual de responsabilidade limitada, observado, no que couber, o disposto nos 
arts. 1.113 a 1.115 deste Código. 
 
Art. 1.034. A sociedade pode ser DISSOLVIDA JUDICIALMENTE, a requerimento de qualquer dos sócios, quando: 
I - anulada a sua constituição; 
II - exaurido o fim social, ou verificada a sua inexeqüibilidade. 
 
Art. 1.035. O contrato pode prever outras causas de dissolução, a serem verificadas judicialmente quando 
contestadas. 
 
Art. 1.036. Ocorrida a dissolução, cumpre aos administradores providenciar imediatamente a investidura do 
liquidante, e restringir a gestão própria aos negócios inadiáveis, VEDADAS novas operações, pelas quais 
responderão SOLIDÁRIA e ILIMITADAMENTE. 
Parágrafo único. Dissolvida depleno direito a sociedade, pode o sócio requerer, desde logo, a liquidação judicial. 
 
Art. 1.037. Ocorrendo a hipótese prevista no inciso V (extinção, na forma da lei, de autorização para funcionar) 
do art. 1.033, o Ministério Público, tão logo lhe comunique a autoridade competente, promoverá a liquidação 
judicial da sociedade, se os administradores não o tiverem feito nos trinta dias seguintes à perda da autorização, 
ou se o sócio não houver exercido a faculdade assegurada no parágrafo único do artigo antecedente (requerer 
a liquidação judicial, após dissolução). 
Parágrafo único. Caso o Ministério Público não promova a liquidação judicial da sociedade nos quinze dias 
subseqüentes ao recebimento da comunicação, a autoridade competente para conceder a autorização nomeará 
interventor com poderes para requerer a medida e administrar a sociedade até que seja nomeado o liquidante. 
 
Art. 1.038. Se não estiver designado no contrato social, o liquidante será eleito por deliberação dos sócios, podendo 
a escolha recair em pessoa estranha à sociedade. 
§ 1o O liquidante pode ser DESTITUÍDO, a todo tempo: 
I - se eleito pela forma prevista neste artigo, mediante deliberação dos sócios; 
II - em qualquer caso, por via judicial, a requerimento de um ou mais sócios, ocorrendo justa causa. 
§ 2o A liquidação da sociedade se processa de conformidade com o disposto no Capítulo IX, deste Subtítulo. 
 
 
 
 
 
94 
 
DESTITUÍÇÃO DO LIQUIDANTE 
Eleito por deliberação dos sócios Em qualquer caso 
Deliberação dos sócios 
Judicialmente, ocorrendo justa causa 
 
Requerimento de um ou mais sócios 
 
CAPÍTULO II 
Da Sociedade em Nome Coletivo 
Art. 1.039. SOMENTE PESSOAS FÍSICAS podem tomar parte na sociedade em nome coletivo, respondendo todos 
os sócios, SOLIDÁRIA e ILIMITADAMENTE, pelas obrigações sociais. 
Parágrafo único. Sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros, podem os sócios, no ato constitutivo, ou 
por unânime convenção posterior, LIMITAR ENTRE SI a responsabilidade de cada um. 
 
Art. 1.040. A sociedade em nome coletivo se rege pelas normas deste Capítulo e, no que seja omisso, pelas do 
CAPÍTULO ANTECEDENTE (SOCIEDADE SIMPLES). 
 
APLICAÇÃO 
EIRELI LTDA, no que couber (art. 980-A, § 6º) 
Soc. em Comum Sociedade Simples, subsidiariamente e no que com ela for compatível (art. 986) 
Soc. em Conta de Participação Sociedade Simples, subsidiariamente e no que com ela for compatível (art. 996) 
Soc. em Nome Coletivo Sociedae Simples, no que o seu capítulo for omisso (art. 1.040) 
Soc. em Comandita Simples Sociedade em Nome Coletivo, no que com ela for compatível (art. 1.046) 
LTDA 
Sociedade Simples, nas omissões de seu capítulo (art. 1.053, caput); ou 
 
Sociedade Anônima, se o contrato social prever regência supletiva (art. 1.053, 
p. único) 
Cooperativa Sociedade Simples, no que a lei for omissa (art. 1.096) 
 
Art. 1.041. O contrato deve mencionar, além das indicações referidas no art. 997, a FIRMA SOCIAL. 
 
Nome Empresarial FIRMA 
 
Art. 1.042. A administração da sociedade compete EXCLUSIVAMENTE A SÓCIOS, sendo o uso da firma, nos 
limites do contrato, PRIVATIVO dos que tenham os necessários poderes. 
 
Art. 1.043. O credor particular de sócio NÃO PODE, antes de dissolver-se a sociedade, pretender a liquidação 
da quota do devedor. 
Parágrafo único. PODERÁ FAZÊ-LO quando: 
I - a sociedade houver sido prorrogada tacitamente; 
II - tendo ocorrido prorrogação contratual, for acolhida judicialmente oposição do credor, levantada no prazo de 
noventa dias, contado da publicação do ato dilatório. 
 
Art. 1.044. A sociedade se DISSOLVE de pleno direito por qualquer das causas enumeradas no art. 1.033 e, se 
EMPRESÁRIA, também pela declaração da falência. 
Art. 1.033. DISSOLVE-SE a sociedade quando ocorrer: 
I - o vencimento do prazo de duração, SALVO se, vencido este e sem oposição de sócio, NÃO ENTRAR a sociedade 
em liquidação, caso em que se prorrogará por tempo INDETERMINADO; 
II - o consenso unânime dos sócios; 
III - a deliberação dos sócios, por maioria absoluta, na sociedade de prazo INDETERMINADO; 
95 
 
IV - a falta de pluralidade de sócios, NÃO RECONSTITUÍDA no prazo de cento e oitenta dias; 
V - a extinção, na forma da lei, de autorização para funcionar. 
 
Obs.: Se Empresária: também pela declaração da falência. 
 
CAPÍTULO III 
Da Sociedade em Comandita Simples 
Art. 1.045. Na sociedade em comandita simples tomam parte sócios de duas categorias: os COMANDITADOS, 
pessoas físicas, responsáveis SOLIDÁRIA e ILIMITADAMENTE pelas obrigações sociais; e os COMANDITÁRIOS, 
obrigados somente pelo VALOR DE SUA QUOTA. 
Parágrafo único. O contrato deve discriminar os comanditados e os comanditários. 
 
ComandiTADOS Coitados, pois são os que respondem de forma solidária e ilimitadamente. 
ComandiTÁRIOS Aqueles que respondem de forma limitada pelo valor de sua quota. 
 
Art. 1.046. APLICAM-SE à sociedade em comandita simples as normas da SOCIEDADE EM NOME COLETIVO, no 
que forem compatíveis com as deste Capítulo. 
Parágrafo único. Aos COMANDITADOS cabem os mesmos direitos e obrigações dos sócios da SOCIEDADE EM 
NOME COLETIVO. 
 
APLICAÇÃO 
EIRELI LTDA, no que couber (art. 980-A, § 6º) 
Soc. em Comum Sociedade Simples, subsidiariamente e no que com ela for compatível (art. 986) 
Soc. em Conta de Participação Sociedade Simples, subsidiariamente e no que com ela for compatível (art. 996) 
Soc. em Nome Coletivo Sociedae Simples, no que o seu capítulo for omisso (art. 1.040) 
Soc. em Comandita Simples Sociedade em Nome Coletivo, no que com ela for compatível (art. 1.046) 
LTDA 
Sociedade Simples, nas omissões de seu capítulo (art. 1.053, caput); ou 
 
Sociedade Anônima, se o contrato social prever regência supletiva (art. 1.053, 
p. único) 
Cooperativa Sociedade Simples, no que a lei for omissa (art. 1.096) 
 
Art. 1.047. Sem prejuízo da faculdade de participar das deliberações da sociedade e de lhe fiscalizar as operações, 
NÃO PODE O COMANDITÁRIO praticar qualquer ato de gestão, nem ter o nome na firma social, sob pena de 
ficar sujeito às responsabilidades de sócio comanditado. 
Parágrafo único. PODE O COMANDITÁRIO ser constituído procurador da sociedade, para negócio determinado 
e com poderes especiais. 
 
Art. 1.048. Somente após averbada a modificação do contrato, produz efeito, quanto a terceiros, a diminuição da 
quota do COMANDITÁRIO, em conseqüência de ter sido reduzido o capital social, sempre sem prejuízo dos 
credores preexistentes. 
 
Art. 1.049. O sócio comanditário NÃO É OBRIGADO à reposição de lucros recebidos de boa-fé e de acordo com 
o balanço. 
Parágrafo único. Diminuído o capital social por perdas supervenientes, não pode o comanditário receber quaisquer 
lucros, antes de reintegrado aquele. 
 
Art. 1.050. No caso de morte de sócio comanditário, a sociedade, salvo disposição do contrato, CONTINUARÁ 
com os seus sucessores, que designarão quem os represente. 
96 
 
Art. 1.051. DISSOLVE-SE de pleno direito a sociedade: 
I - por qualquer das causas previstas no art. 1.044; 
II - quando por MAIS de cento e oitenta dias perdurar a falta de uma das categorias de sócio. 
Parágrafo único. Na falta de sócio comanditado, os comanditários nomearão administrador provisório para 
praticar, durante o período referido no inciso II (180 dias) e sem assumir a condição de sócio, os atos de 
administração. 
 
CAPÍTULO IV 
Da Sociedade Limitada 
 
Seção I 
Disposições Preliminares 
Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio É RESTRITA ao valor de suas quotas, mas 
todos respondem SOLIDARIAMENTE pela integralização do capital social. 
§ 1º A sociedade limitada pode ser constituída por 1 (uma) ou mais pessoas. (Lei nº 13.874/2019) 
§ 2º Se for unipessoal, aplicar-se-ão ao documento de constituição do sócio único, no que couber, as disposições 
sobre o contrato social. (Lei nº 13.874/2019) 
 
Art. 1.053. A sociedade limitadarege-se, nas omissões deste Capítulo, pelas normas da SOCIEDADE SIMPLES. 
Parágrafo único. O contrato social poderá prever a REGÊNCIA SUPLETIVA da sociedade limitada pelas normas 
da SOCIEDADE ANÔNIMA. 
 
APLICAÇÃO 
EIRELI LTDA, no que couber (art. 980-A, § 6º) 
Soc. em Comum Sociedade Simples, subsidiariamente e no que com ela for compatível (art. 986) 
Soc. em Conta de Participação Sociedade Simples, subsidiariamente e no que com ela for compatível (art. 996) 
Soc. em Nome Coletivo Sociedae Simples, no que o seu capítulo for omisso (art. 1.040) 
Soc. em Comandita Simples Sociedade em Nome Coletivo, no que com ela for compatível (art. 1.046) 
LTDA 
Sociedade Simples, nas omissões de seu capítulo (art. 1.053, caput); ou 
 
Sociedade Anônima, se o contrato social prever regência supletiva (art. 1.053, 
p. único) 
Cooperativa Sociedade Simples, no que a lei for omissa (art. 1.096) 
 
Art. 1.054. O contrato mencionará, no que couber, as indicações do art. 997, e, se for o caso, a FIRMA SOCIAL. 
 
Seção II 
Das Quotas 
Art. 1.055. O capital social divide-se em quotas, iguais ou desiguais, cabendo uma ou diversas a cada sócio. 
§ 1o Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social respondem SOLIDARIAMENTE todos os sócios, até 
o prazo de cinco anos da data do registro da sociedade. 
§ 2o É VEDADA contribuição que consista em PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. 
 
Art. 1.056. A quota é INDIVISÍVEL em relação à sociedade, SALVO para efeito de transferência, caso em que se 
observará o disposto no artigo seguinte. 
§ 1o No caso de condomínio de quota, os direitos a ela inerentes somente podem ser exercidos pelo condômino 
representante, ou pelo inventariante do espólio de sócio falecido. 
§ 2o Sem prejuízo do disposto no art. 1.052, os condôminos de quota indivisa respondem SOLIDARIAMENTE pelas 
prestações necessárias à sua integralização. 
 
97 
 
Art. 1.057. Na omissão do contrato, o sócio pode ceder sua quota, total ou parcialmente, a quem seja sócio, 
INDEPENDENTEMENTE de audiência dos outros, ou a estranho, SE NÃO HOUVER oposição de titulares de mais 
de um quarto do capital social. 
Parágrafo único. A cessão terá eficácia quanto à sociedade e terceiros, inclusive para os fins do parágrafo único 
do art. 1.003, a partir da AVERBAÇÃO do respectivo instrumento, subscrito pelos sócios anuentes. 
 
CESSÃO DE QUOTAS 
(na omissão do contrato) 
A OUTRO SÓCIO Independente de audiência dos demais sócios 
A ESTRANHO 
Se não houver oposição de titulares de mais de 1/4 
do capital social 
 
Art. 1.058. NÃO INTEGRALIZADA a quota de sócio REMISSO, os outros sócios podem, sem prejuízo do disposto 
no art. 1.004 e seu parágrafo único, tomá-la para si ou transferi-la a terceiros, EXCLUINDO o primitivo titular e 
DEVOLVENDO-LHE o que houver pago, deduzidos os juros da mora, as prestações estabelecidas no contrato mais 
as despesas. 
Art. 1.004. Os sócios são obrigados, na forma e prazo previstos, às contribuições estabelecidas no contrato social, 
e aquele que deixar de fazê-lo, nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade, responderá perante esta 
pelo dano emergente da mora. 
Parágrafo único. Verificada a mora, poderá a maioria dos demais sócios preferir, à indenização, a exclusão do 
sócio remisso, ou reduzir-lhe a quota ao montante já realizado, aplicando-se, em ambos os casos, o disposto no § 
1o do art. 1.031. 
 
OPÇÕES PARA O SÓCIO 
REMISSO 
- Ser executado pela sociedade e pagar o devido 
- ter sua participação reduzida ao que já foi integralizado, caso já tenha realizado algo 
- Ser excluído da sociedade 
* Com redução do capital 
* Tomando os sócios as quotas para si 
* Transferindo a quota para terceiros 
 
Art. 1.059. Os sócios serão obrigados à REPOSIÇÃO dos lucros e das quantias retiradas, a qualquer título, ainda 
que autorizados pelo contrato, quando tais lucros ou quantia se distribuírem com prejuízo do capital. 
 
Seção III 
Da Administração 
Art. 1.060. A sociedade limitada é ADMINISTRADA por uma ou mais pessoas designadas no contrato social ou 
em ato separado. 
Parágrafo único. A administração atribuída no contrato a todos os sócios NÃO SE ESTENDE de pleno direito aos 
que posteriormente adquiram essa qualidade. 
 
Art. 1.061. A designação de ADMINISTRADORES NÃO SÓCIOS dependerá de aprovação da unanimidade dos 
sócios, enquanto o capital não estiver integralizado, e de 2/3 (dois terços), no mínimo, após a integralização. 
 
DESIGNAÇÃO DE ADMINISTRADORES NÃO SÓCIOS 
Capital não 100% integralizado Capital já integralizado 
Unanimidade Mínimo de 2/3 
 
Art. 1.062. O administrador designado em ATO SEPARADO investir-se-á no cargo mediante termo de posse no 
livro de atas da administração. 
§ 1o Se o termo não for assinado nos trinta dias seguintes à designação, esta se tornará SEM EFEITO. 
§ 2o Nos dez dias seguintes ao da investidura, deve o administrador requerer seja averbada sua nomeação no 
registro competente, mencionando o seu nome, nacionalidade, estado civil, residência, com exibição de documento 
de identidade, o ato e a data da nomeação e o prazo de gestão. 
 
98 
 
Art. 1.063. O exercício do cargo de administrador CESSA pela destituição, em qualquer tempo, do titular, ou 
pelo término do prazo se, fixado no contrato ou em ato separado, não houver recondução. 
§ 1º Tratando-se de sócio nomeado administrador no contrato, sua DESTITUIÇÃO somente se opera pela 
aprovação de titulares de quotas correspondentes a mais da metade do capital social, salvo disposição contratual 
diversa. (Lei nº 13.792/2019) 
§ 2o A cessação do exercício do cargo de administrador deve ser averbada no registro competente, mediante 
requerimento apresentado nos dez dias seguintes ao da ocorrência. 
§ 3o A RENÚNCIA de administrador torna-se eficaz, em relação à SOCIEDADE, desde o momento em que esta 
toma conhecimento da comunicação escrita do renunciante; e, em relação a TERCEIROS, após a averbação e 
publicação. 
 
RENÚNCIA DO ADMINISTRADOR (EFICÁCIA) 
Em relação à SOCIEDADE Em relação a TERCEIROS 
Quando a sociedade toma conhecimento da 
comunicação escrita do renunciante 
Após a averbação e publicação 
 
Art. 1.064. O uso da firma ou denominação social é PRIVATIVO dos administradores que tenham os necessários 
poderes. 
 
Art. 1.065. Ao término de cada exercício social, proceder-se-á à elaboração do inventário, do balanço patrimonial e 
do balanço de resultado econômico. 
 
Seção IV 
Do Conselho Fiscal 
Art. 1.066. SEM PREJUÍZO dos poderes da assembléia dos sócios, pode o contrato instituir CONSELHO FISCAL 
composto de três ou mais membros e respectivos suplentes, SÓCIOS OU NÃO, residentes no País, eleitos na 
assembléia anual prevista no art. 1.078. 
§ 1o Não podem fazer parte do conselho fiscal, além dos inelegíveis enumerados no § 1o do art. 1.011, os membros 
dos demais órgãos da sociedade ou de outra por ela controlada, os empregados de quaisquer delas ou dos 
respectivos administradores, o cônjuge ou parente destes até o terceiro grau. 
§ 2o É assegurado aos sócios minoritários, que representarem pelo menos um quinto do capital social, o direito de 
eleger, separadamente, um dos membros do conselho fiscal e o respectivo suplente. 
 
Art. 1.067. O membro ou suplente eleito, assinando termo de posse lavrado no livro de atas e pareceres do conselho 
fiscal, em que se mencione o seu nome, nacionalidade, estado civil, residência e a data da escolha, ficará investido 
nas suas funções, que exercerá, salvo cessação anterior, até a subseqüente assembléia anual. 
Parágrafo único. Se o termo não for assinado nos trinta dias seguintes ao da eleição, esta se tornará sem efeito. 
 
Art. 1.068. A remuneração dos membros do conselho fiscal será fixada, anualmente, pela assembléia dos sócios que 
os eleger. 
 
Art. 1.069. Além de outras atribuições determinadas na lei ou no contrato social, aos membros do conselho fiscal 
incumbem, individual ou conjuntamente, oscom base em valores jurídicos 
ABSTRATOS sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão. (Lei nº 13.655/2018) (DPC/ES-
2019-INSTITUTO ACESSO) 
Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação de 
ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas. (Lei nº 
13.655/2018) 
 
Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, decretar a invalidação de ato, contrato, 
ajuste, processo ou norma administrativa deverá indicar de modo expresso suas consequências jurídicas e 
administrativas. (Lei nº 13.655/2018) 
Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, quando for o caso, indicar as condições para 
que a regularização ocorra de modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses gerais, não se podendo 
impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das peculiaridades do caso, sejam anormais ou 
excessivos. (Lei nº 13.655/2018) 
 
Art. 22. Na interpretação de normas sobre gestão pública, serão considerados os obstáculos e as dificuldades reais 
do gestor e as exigências das políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos direitos dos administrados. 
§ 1º Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma 
administrativa, serão consideradas as circunstâncias práticas que houverem imposto, limitado ou condicionado a 
ação do agente. (Lei nº 13.655/2018) 
§ 2º Na aplicação de sanções, serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos que dela 
provierem para a administração pública, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes do 
agente. (Lei nº 13.655/2018) 
 
CRITÉRIOS A SERES CONSIDERADOS NA 
APLICAÇÃO DAS SANÇÕES 
a) Natureza e gravidade da infração cometida; 
b) Danos causados à Administração Pública; 
c) Agravantes; 
d) Atenuantes; 
e) Antecedentes. 
 
§ 3º As sanções aplicadas ao agente serão levadas em conta na dosimetria das demais sanções de mesma natureza 
e relativas ao mesmo fato. (Lei nº 13.655/2018) 
 
Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer interpretação ou orientação nova sobre 
norma de conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou novo condicionamento de direito, deverá prever regime 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del4657.htm
9 
 
de transição quando indispensável para que o novo dever ou condicionamento de direito seja cumprido de modo 
proporcional, equânime e eficiente e sem prejuízo aos interesses gerais. (Lei nº 13.655/2018) 
 
Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, 
processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da 
época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações 
plenamente constituídas. (Lei nº 13.655/2018) 
Parágrafo único. Consideram-se orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de 
caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática 
administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Lei nº 13.655/2018) 
 
Art. 26. Para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação contenciosa na aplicação do direito público, 
inclusive no caso de expedição de licença, a autoridade administrativa poderá, após oitiva do órgão jurídico e, quando 
for o caso, após realização de consulta pública, e presentes razões de relevante interesse geral, celebrar compromisso 
com os interessados, observada a legislação aplicável, o qual só produzirá efeitos a partir de sua publicação oficial. 
(Lei nº 13.655/2018) 
§ 1º O compromisso referido no caput deste artigo: (Lei nº 13.655/2018) 
I - buscará solução jurídica proporcional, equânime, eficiente e compatível com os interesses gerais; (Lei nº 
13.655/2018) 
III - não poderá conferir desoneração permanente de dever ou condicionamento de direito reconhecidos por 
orientação geral; (Lei nº 13.655/2018) 
IV - deverá prever com clareza as obrigações das partes, o prazo para seu cumprimento e as sanções aplicáveis em 
caso de descumprimento. (Lei nº 13.655/2018) 
 
Art. 27. A decisão do processo, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, poderá impor compensação por 
benefícios indevidos ou prejuízos anormais ou injustos resultantes do processo ou da conduta dos envolvidos. (Lei 
nº 13.655/2018) 
§ 1º A decisão sobre a compensação será motivada, ouvidas previamente as partes sobre seu cabimento, sua forma 
e, se for o caso, seu valor. (Lei nº 13.655/2018) 
§ 2º Para prevenir ou regular a compensação, poderá ser celebrado compromisso processual entre os envolvidos. (Lei 
nº 13.655/2018) 
 
Art. 28. O agente público responderá PESSOALMENTE por suas decisões ou opiniões técnicas em caso de dolo 
ou erro grosseiro. (Lei nº 13.655/2018) (DPC/ES-2019-INSTITUTO ACESSO) 
 
Art. 29. Em qualquer órgão ou Poder, a edição de atos normativos por autoridade administrativa, salvo os de mera 
organização interna, poderá ser precedida de consulta pública para manifestação de interessados, preferencialmente 
por meio eletrônico, a qual será considerada na decisão. (Lei nº 13.655/2018) 
§ 1º A convocação conterá a minuta do ato normativo e fixará o prazo e demais condições da consulta pública, 
observadas as normas legais e regulamentares específicas, se houver. (Lei nº 13.655/2018) 
 
Art. 30. As autoridades públicas devem atuar para aumentar a segurança jurídica na aplicação das normas, inclusive 
por meio de regulamentos, súmulas administrativas e respostas a consultas. (Lei nº 13.655/2018) 
Parágrafo único. Os instrumentos previstos no caput deste artigo terão caráter vinculante em relação ao órgão ou 
entidade a que se destinam, até ulterior revisão. (Lei nº 13.655/2018) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
 
2. CÓDIGO CIVIL 
 
P A R T E G E R A L 
 
LIVRO I 
DAS PESSOAS 
 
TÍTULO I 
DAS PESSOAS NATURAIS 
 
CAPÍTULO I 
DA PERSONALIDADE E DA CAPACIDADE 
 
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO CC/02 
PRINCÍPIO DA 
ETICIDADE 
Deve haver ética nas relações. Valoriza a boa-fé, na lealdade da conduta entre as partes. 
É a boa-fé objetiva, a qual tem função de interpretação dos negócios jurídicos, mas 
também a função de controle das condutas humanas, além de possuir a função de 
integração. 
Ex.: se o contrato foi omisso em determinado ponto, e não há norma contratual que 
regule este ponto, deverá integrar a lacuna por meio da boa-fé objetiva, por meio do 
comportamento esperado de alguém que se encontre naquela situação. 
PRINCÍPIO DA 
SOCIALIDADE 
A ideia é deixar de ser um código egoísta e passar a ser um código com preocupação 
da função social. Todas as categorias civis têm função social, como propriedade, 
empresa, posse, família, responsabilidade civil, contratos, etc. 
PRINCÍPIO DA 
OPERABILIDADE 
Há dois sentidos: simplicidade (permite operá-lo de forma mais fácil) e a efetividade 
(permite que seja aplicado facilmente, tornando-o efetivo). 
 
Art. 1o TODA PESSOA é capaz de direitos e deveres na ordem civil. 
 
DICAS INICIAIS IMPORTANTES 
- Todas as pessoas têm a capacidade de direito, o que pressupõe a capacidade de fato, em regra, pois a 
incapacidade é a exceção; 
- No direito brasileiro não existe incapacidade de direito ou de gozo, porque todos se tornam, ao nascer, capazes 
de adquirir direitos (art. 1°). Há, portanto, somente incapacidade de fato ou de exercício. Incapacidade, assim, é 
a restrição legal ao exercício dos atos da vida civil, imposta por lei, somente ao que, por exceção, necessitam de 
proteção, pois a capacidade é a regra; 
- Quem tem personalidade, também tem capacidade, mas a recíproca não é verdadeira, pois, existem aqueles que 
têm capacidade,deveres seguintes: 
I - examinar, pelo menos trimestralmente, os livros e papéis da sociedade e o estado da caixa e da carteira, devendo 
os administradores ou liquidantes prestar-lhes as informações solicitadas; 
II - lavrar no livro de atas e pareceres do conselho fiscal o resultado dos exames referidos no inciso I deste artigo; 
III - exarar no mesmo livro e apresentar à assembléia anual dos sócios parecer sobre os negócios e as operações 
sociais do exercício em que servirem, tomando por base o balanço patrimonial e o de resultado econômico; 
IV - denunciar os erros, fraudes ou crimes que descobrirem, sugerindo providências úteis à sociedade; 
V - convocar a assembléia dos sócios se a diretoria retardar por mais de trinta dias a sua convocação anual, ou sempre 
que ocorram motivos graves e urgentes; 
VI - praticar, durante o período da liquidação da sociedade, os atos a que se refere este artigo, tendo em vista as 
disposições especiais reguladoras da liquidação. 
 
99 
 
Art. 1.070. As atribuições e poderes conferidos pela lei ao conselho fiscal não podem ser outorgados a outro órgão 
da sociedade, e a responsabilidade de seus membros obedece à regra que define a dos administradores (art. 1.016). 
Parágrafo único. O conselho fiscal poderá escolher para assisti-lo no exame dos livros, dos balanços e das contas, 
contabilista legalmente habilitado, mediante remuneração aprovada pela assembléia dos sócios. 
 
Seção V 
Das Deliberações dos Sócios 
Art. 1.071. DEPENDEM da deliberação dos sócios, além de outras matérias indicadas na lei ou no contrato: 
I - a aprovação das contas da administração; 
II - a designação dos administradores, quando feita em ato separado; 
III - a destituição dos administradores; 
IV - o modo de sua remuneração, quando não estabelecido no contrato; 
V - a modificação do contrato social; 
VI - a incorporação, a fusão e a dissolução da sociedade, ou a cessação do estado de liquidação; 
VII - a nomeação e destituição dos liquidantes e o julgamento das suas contas; 
VIII - o pedido de concordata. 
 
Art. 1.072. As deliberações dos sócios, obedecido o disposto no art. 1.010, serão tomadas em reunião ou em 
assembléia, conforme previsto no contrato social, devendo ser convocadas pelos administradores nos casos previstos 
em lei ou no contrato. 
§ 1o A deliberação em assembléia será OBRIGATÓRIA se o número dos sócios for SUPERIOR a dez. 
§ 2o Dispensam-se as formalidades de convocação previstas no § 3o do art. 1.152, quando todos os sócios 
comparecerem ou se declararem, por escrito, cientes do local, data, hora e ordem do dia. 
§ 3o A reunião ou a assembléia tornam-se dispensáveis quando todos os sócios decidirem, por escrito, sobre a matéria 
que seria objeto delas. 
§ 4o No caso do inciso VIII do artigo antecedente, os administradores, se houver urgência e com autorização de 
titulares de mais da metade do capital social, podem requerer concordata preventiva. 
§ 5o As deliberações tomadas de conformidade com a lei e o contrato vinculam todos os sócios, ainda que ausentes 
ou dissidentes. 
§ 6o Aplica-se às reuniões dos sócios, nos casos omissos no contrato, o disposto na presente Seção sobre a 
assembléia. 
 
Art. 1.073. A reunião ou a assembléia podem também ser CONVOCADAS: 
I - por sócio, quando os administradores retardarem a convocação, por mais de sessenta dias, nos casos previstos 
em lei ou no contrato, ou por titulares de mais de um quinto do capital, quando não atendido, no prazo de oito dias, 
pedido de convocação fundamentado, com indicação das matérias a serem tratadas; 
II - pelo conselho fiscal, se houver, nos casos a que se refere o inciso V do art. 1.069. 
 
Art. 1.074. A assembléia dos sócios instala-se com a presença, em primeira convocação, de titulares de no mínimo 
três quartos do capital social, e, em segunda, com qualquer número. 
§ 1o O sócio pode ser representado na assembléia por outro sócio, ou por advogado, mediante outorga de mandato 
com especificação dos atos autorizados, devendo o instrumento ser levado a registro, juntamente com a ata. 
§ 2o Nenhum sócio, por si ou na condição de mandatário, pode votar matéria que lhe diga respeito diretamente. 
 
Art. 1.075. A assembléia será presidida e secretariada por sócios escolhidos entre os presentes. 
§ 1o Dos trabalhos e deliberações será lavrada, no livro de atas da assembléia, ata assinada pelos membros da mesa 
e por sócios participantes da reunião, quantos bastem à validade das deliberações, mas sem prejuízo dos que queiram 
assiná-la. 
§ 2o Cópia da ata autenticada pelos administradores, ou pela mesa, será, nos vinte dias subseqüentes à reunião, 
apresentada ao Registro Público de Empresas Mercantis para arquivamento e averbação. 
§ 3o Ao sócio, que a solicitar, será entregue cópia autenticada da ata. 
 
Art. 1.076. Ressalvado o disposto no art. 1.061, as DELIBERAÇÕES DOS SÓCIOS serão tomadas (Lei nº 
13.792/2019) 
100 
 
I - pelos votos correspondentes, no mínimo, a três quartos do capital social, nos casos previstos nos incisos V e VI 
do art. 1.071; 
II - pelos votos correspondentes a mais de metade do capital social, nos casos previstos nos incisos II, III, IV e VIII 
do art. 1.071; 
III - pela maioria de votos dos presentes, nos demais casos previstos na lei ou no contrato, se este não exigir 
maioria mais elevada. 
 
Art. 1.077. Quando houver modificação do contrato, fusão da sociedade, incorporação de outra, ou dela por 
outra, terá o sócio que dissentiu o DIREITO DE RETIRAR-SE DA SOCIEDADE, nos trinta dias subseqüentes à 
reunião, aplicando-se, no silêncio do contrato social antes vigente, o disposto no art. 1.031. 
 
Art. 1.078. A assembléia dos sócios deve realizar-se ao menos uma vez por ano, nos quatro meses seguintes à ao 
término do exercício social, com o objetivo de: 
I - tomar as contas dos administradores e deliberar sobre o balanço patrimonial e o de resultado econômico; 
II - designar administradores, quando for o caso; 
III - tratar de qualquer outro assunto constante da ordem do dia. 
§ 1o Até trinta dias antes da data marcada para a assembléia, os documentos referidos no inciso I deste artigo devem 
ser postos, por escrito, e com a prova do respectivo recebimento, à disposição dos sócios que não exerçam a 
administração. 
§ 2o Instalada a assembléia, proceder-se-á à leitura dos documentos referidos no parágrafo antecedente, os quais 
serão submetidos, pelo presidente, a discussão e votação, nesta não podendo tomar parte os membros da 
administração e, se houver, os do conselho fiscal. 
§ 3o A aprovação, sem reserva, do balanço patrimonial e do de resultado econômico, salvo erro, dolo ou simulação, 
exonera de responsabilidade os membros da administração e, se houver, os do conselho fiscal. 
§ 4o Extingue-se em dois anos o direito de anular a aprovação a que se refere o parágrafo antecedente. 
 
Art. 1.079. Aplica-se às reuniões dos sócios, nos casos omissos no contrato, o estabelecido nesta Seção sobre a 
assembléia, obedecido o disposto no § 1o do art. 1.072. 
 
Art. 1.080. As deliberações infringentes do contrato ou da lei tornam ilimitada a responsabilidade dos que 
expressamente as aprovaram. 
 
Art. 1.080-A. O sócio poderá participar e votar A DISTÂNCIA em reunião ou em assembleia, nos termos do 
regulamento do órgão competente do Poder Executivo federal. (Lei nº 14.030/2020) 
Parágrafo único. A reunião ou a assembleia poderá ser realizada de FORMA DIGITAL, respeitados os direitos 
legalmente previstos de participação e de manifestação dos sócios e os demais requisitos regulamentares. (Lei nº 
14.030/2020) 
Seção VI 
Do Aumento e da Redução do Capital 
Art. 1.081. Ressalvado o disposto em lei especial, integralizadas as quotas, pode ser o capital aumentado, com a 
correspondente modificação do contrato. 
§ 1o Até trinta dias após a deliberação, terão os sócios preferência para participar do aumento, na proporção das 
quotas de que sejam titulares.§ 2o À cessão do direito de preferência, aplica-se o disposto no caput do art. 1.057. 
§ 3o Decorrido o prazo da preferência, e assumida pelos sócios, ou por terceiros, a totalidade do aumento, haverá 
reunião ou assembléia dos sócios, para que seja aprovada a modificação do contrato. 
 
Art. 1.082. Pode a sociedade reduzir o capital, mediante a correspondente modificação do contrato: 
I - depois de integralizado, se houver perdas irreparáveis; 
II - se excessivo em relação ao objeto da sociedade. 
 
Art. 1.083. No caso do inciso I do artigo antecedente, a redução do capital será realizada com a diminuição 
proporcional do valor nominal das quotas, tornando-se efetiva a partir da averbação, no Registro Público de Empresas 
Mercantis, da ata da assembléia que a tenha aprovado. 
101 
 
 
Art. 1.084. No caso do inciso II do art. 1.082, a redução do capital será feita restituindo-se parte do valor das quotas 
aos sócios, ou dispensando-se as prestações ainda devidas, com diminuição proporcional, em ambos os casos, do 
valor nominal das quotas. 
§ 1o No prazo de noventa dias, contado da data da publicação da ata da assembléia que aprovar a redução, o credor 
quirografário, por título líquido anterior a essa data, poderá opor-se ao deliberado. 
§ 2o A redução somente se tornará eficaz se, no prazo estabelecido no parágrafo antecedente, não for impugnada, 
ou se provado o pagamento da dívida ou o depósito judicial do respectivo valor. 
§ 3o Satisfeitas as condições estabelecidas no parágrafo antecedente, proceder-se-á à averbação, no Registro Público 
de Empresas Mercantis, da ata que tenha aprovado a redução. 
 
Seção VII 
Da Resolução da Sociedade em Relação a Sócios Minoritários 
Art. 1.085. Ressalvado o disposto no art. 1.030, quando a maioria dos sócios, representativa de mais da metade do 
capital social, entender que um ou mais sócios estão pondo em risco a continuidade da empresa, em virtude de atos 
de inegável gravidade, poderá excluí-los da sociedade, mediante alteração do contrato social, desde que prevista 
neste a exclusão por justa causa. 
Parágrafo único. Ressalvado o caso em que haja apenas dois sócios na sociedade, a exclusão de um sócio somente 
poderá ser determinada em reunião ou assembleia especialmente convocada para esse fim, ciente o acusado em 
tempo hábil para permitir seu comparecimento e o exercício do direito de defesa. (Lei nº 13.792/2019) 
 
Art. 1.086. Efetuado o registro da alteração contratual, aplicar-se-á o disposto nos arts. 1.031 e 1.032. 
 
Seção VIII 
Da Dissolução 
Art. 1.087. A sociedade dissolve-se, de pleno direito, por qualquer das causas previstas no art. 1.044. 
 
CAPÍTULO V 
Da Sociedade Anônima 
 
Seção Única 
Da Caracterização 
Art. 1.088. Na sociedade anônima ou companhia, o capital divide-se em AÇÕES, obrigando-se cada sócio ou 
acionista somente pelo preço de emissão das ações que subscrever ou adquirir. 
 
Art. 1.089. A sociedade anônima rege-se por lei especial, APLICANDO-SE-LHE, nos casos omissos, as disposições 
DESTE CÓDIGO. 
 
CAPÍTULO VI 
Da Sociedade em Comandita por Ações 
Art. 1.090. A sociedade em comandita por ações tem o capital dividido em AÇÕES, regendo-se pelas normas 
relativas à SOCIEDADE ANÔNIMA, sem prejuízo das modificações constantes deste Capítulo, e opera sob FIRMA 
ou DENOMINAÇÃO. 
 
Art. 1.091. Somente o acionista tem qualidade para administrar a sociedade e, como diretor, responde 
SUBSIDIÁRIA e ILIMITADAMENTE pelas obrigações da sociedade. 
§ 1o Se houver mais de um diretor, serão SOLIDARIAMENTE responsáveis, depois de esgotados os bens sociais. 
§ 2o Os diretores serão nomeados no ato constitutivo da sociedade, sem limitação de tempo, e somente poderão 
ser DESTITUÍDOS por deliberação de acionistas que representem no MÍNIMO dois terços do capital social. 
§ 3o O diretor destituído ou exonerado CONTINUA, durante dois anos, responsável pelas obrigações sociais 
contraídas sob sua administração. 
 
Art. 1.092. A assembléia geral não pode, sem o consentimento dos diretores, mudar o objeto essencial da sociedade, 
prorrogar-lhe o prazo de duração, aumentar ou diminuir o capital social, criar debêntures, ou partes beneficiárias. 
102 
 
CAPÍTULO VII 
Da Sociedade Cooperativa 
Art. 1.093. A sociedade cooperativa reger-se-á pelo disposto no presente capítulo, ressalvada a legislação 
especial. 
 
Art. 1.094. São CARACTERÍSTICAS da sociedade cooperativa: 
I - variabilidade, ou dispensa do capital social; 
II - concurso de sócios em número mínimo necessário a compor a administração da sociedade, SEM LIMITAÇÃO de 
número máximo; 
III - limitação do valor da soma de quotas do capital social que cada sócio poderá tomar; 
IV - intransferibilidade das quotas do capital a terceiros estranhos à sociedade, ainda que por herança; 
V - quorum, para a assembléia geral funcionar e deliberar, fundado no número de sócios presentes à reunião, e não 
no capital social representado; 
VI - direito de cada sócio a um só voto nas deliberações, tenha ou não capital a sociedade, e qualquer que seja o 
valor de sua participação; 
VII - distribuição dos resultados, proporcionalmente ao valor das operações efetuadas pelo sócio com a sociedade, 
podendo ser atribuído juro fixo ao capital realizado; 
VIII - indivisibilidade do fundo de reserva entre os sócios, ainda que em caso de dissolução da sociedade. 
 
Art. 1.095. Na sociedade cooperativa, a responsabilidade dos sócios pode ser LIMITADA ou ILIMITADA. 
§ 1o É LIMITADA a responsabilidade na cooperativa em que o sócio responde somente pelo valor de suas quotas 
e pelo prejuízo verificado nas operações sociais, guardada a proporção de sua participação nas mesmas operações. 
§ 2o É ILIMITADA a responsabilidade na cooperativa em que o sócio responde solidária e ilimitadamente pelas 
obrigações sociais. 
 
Art. 1.096. No que a lei for omissa, APLICAM-SE as disposições referentes à SOCIEDADE SIMPLES, resguardadas 
as características estabelecidas no art. 1.094. 
 
APLICAÇÃO 
EIRELI LTDA, no que couber (art. 980-A, § 6º) 
Soc. em Comum Sociedade Simples, subsidiariamente e no que com ela for compatível (art. 986) 
Soc. em Conta de Participação Sociedade Simples, subsidiariamente e no que com ela for compatível (art. 996) 
Soc. em Nome Coletivo Sociedae Simples, no que o seu capítulo for omisso (art. 1.040) 
Soc. em Comandita Simples Sociedade em Nome Coletivo, no que com ela for compatível (art. 1.046) 
LTDA 
Sociedade Simples, nas omissões de seu capítulo (art. 1.053, caput); ou 
 
Sociedade Anônima, se o contrato social prever regência supletiva (art. 1.053, 
p. único) 
Cooperativa Sociedade Simples, no que a lei for omissa (art. 1.096) 
 
CAPÍTULO VIII 
Das Sociedades CoLigadas 
Art. 1.097. Consideram-se COLIGADAS as sociedades que, em suas relações de capital, são controladas, filiadas, 
ou de simples participação, na forma dos artigos seguintes. 
 
Art. 1.098. É CONTROLADA: 
I - a sociedade de cujo capital outra sociedade possua a maioria dos votos nas deliberações dos quotistas ou da 
assembléia geral e o poder de eleger a maioria dos administradores; 
II - a sociedade cujo controle, referido no inciso antecedente, esteja em poder de outra, mediante ações ou quotas 
possuídas por sociedades ou sociedades por esta já controladas. 
103 
 
Art. 1.099. Diz-se COLIGADA ou FILIADA a sociedade de cujo capital outra sociedade participa com dez por 
cento ou mais, do capital da outra, SEM CONTROLÁ-LA. 
 
Art. 1.100. É de SIMPLES PARTICIPAÇÃO a sociedade de cujo capital outra sociedade POSSUA MENOS de dez 
por cento do capital com direito de voto. 
 
Art. 1.101. Salvo disposição especial de lei, a sociedade não pode participar de outra, que seja sua sócia, por 
montante superior, segundo o balanço, ao das próprias reservas, excluída a reserva legal. 
Parágrafo único. Aprovado o balanço em que se verifique ter sido excedido esse limite, a sociedade não poderá 
exercero direito de voto correspondente às ações ou quotas em excesso, as quais devem ser alienadas nos cento e 
oitenta dias seguintes àquela aprovação. 
 
SOCIEDADES COLIGADAS 
Controlada 
Tem maioria de votos da outra sociedade e tem poder de eleger a maioria dos 
administradores da outra sociedade, devendo usar efetivamente do poder (esse 
último requisito também é essencial para a caracterização da sociedade 
controladora). 
Filiada ou Coligada 
É a sociedade de cujo capital outra sociedade participa com 10% ou mais, do capital 
da outra, sem controlá-la. 
De Simples Participação 
É a sociedade de cujo capital outra sociedade possua menos de 10% com direito de 
voto. 
 
CAPÍTULO IX 
Da Liquidação da Sociedade 
Art. 1.102. Dissolvida a sociedade e nomeado o liquidante na forma do disposto neste Livro, procede-se à sua 
liquidação, de conformidade com os preceitos deste Capítulo, ressalvado o disposto no ato constitutivo ou no 
instrumento da dissolução. 
Parágrafo único. O liquidante, que não seja administrador da sociedade, investir-se-á nas funções, averbada a sua 
nomeação no registro próprio. 
 
Art. 1.103. Constituem deveres do liquidante: 
I - averbar e publicar a ata, sentença ou instrumento de dissolução da sociedade; 
II - arrecadar os bens, livros e documentos da sociedade, onde quer que estejam; 
III - proceder, nos quinze dias seguintes ao da sua investidura e com a assistência, sempre que possível, dos 
administradores, à elaboração do inventário e do balanço geral do ativo e do passivo; 
IV - ultimar os negócios da sociedade, realizar o ativo, pagar o passivo e partilhar o remanescente entre os sócios ou 
acionistas; 
V - exigir dos quotistas, quando insuficiente o ativo à solução do passivo, a integralização de suas quotas e, se for o 
caso, as quantias necessárias, nos limites da responsabilidade de cada um e proporcionalmente à respectiva 
participação nas perdas, repartindo-se, entre os sócios solventes e na mesma proporção, o devido pelo insolvente; 
VI - convocar assembléia dos quotistas, cada seis meses, para apresentar relatório e balanço do estado da liquidação, 
prestando conta dos atos praticados durante o semestre, ou sempre que necessário; 
VII - confessar a falência da sociedade e pedir concordata, de acordo com as formalidades prescritas para o tipo de 
sociedade liquidanda; 
VIII - finda a liquidação, apresentar aos sócios o relatório da liquidação e as suas contas finais; 
IX - averbar a ata da reunião ou da assembléia, ou o instrumento firmado pelos sócios, que considerar encerrada a 
liquidação. 
Parágrafo único. Em todos os atos, documentos ou publicações, o liquidante empregará a firma ou denominação 
social sempre seguida da cláusula "em liquidação" e de sua assinatura individual, com a declaração de sua qualidade. 
 
Art. 1.104. As obrigações e a responsabilidade do liquidante regem-se pelos preceitos peculiares às dos 
administradores da sociedade liquidanda. 
104 
 
Art. 1.105. Compete ao liquidante representar a sociedade e praticar todos os atos necessários à sua liquidação, 
inclusive alienar bens móveis ou imóveis, transigir, receber e dar quitação. 
Parágrafo único. Sem estar expressamente autorizado pelo contrato social, ou pelo voto da maioria dos sócios, não 
pode o liquidante gravar de ônus reais os móveis e imóveis, contrair empréstimos, salvo quando indispensáveis ao 
pagamento de obrigações inadiáveis, nem prosseguir, embora para facilitar a liquidação, na atividade social. 
 
Art. 1.106. Respeitados os direitos dos credores preferenciais, pagará o liquidante as dívidas sociais 
proporcionalmente, sem distinção entre vencidas e vincendas, mas, em relação a estas, com desconto. 
Parágrafo único. Se o ativo for superior ao passivo, pode o liquidante, sob sua responsabilidade pessoal, pagar 
integralmente as dívidas vencidas. 
 
Art. 1.107. Os sócios podem resolver, por maioria de votos, antes de ultimada a liquidação, mas depois de pagos os 
credores, que o liquidante faça rateios por antecipação da partilha, à medida em que se apurem os haveres sociais. 
 
Art. 1.108. Pago o passivo e partilhado o remanescente, convocará o liquidante assembléia dos sócios para a 
prestação final de contas. 
 
Art. 1.109. Aprovadas as contas, encerra-se a liquidação, e a sociedade se extingue, ao ser averbada no registro 
próprio a ata da assembléia. 
Parágrafo único. O dissidente tem o prazo de trinta dias, a contar da publicação da ata, devidamente averbada, para 
promover a ação que couber. 
 
Art. 1.110. Encerrada a liquidação, o credor não satisfeito só terá direito a exigir dos sócios, individualmente, o 
pagamento do seu crédito, até o limite da soma por eles recebida em partilha, e a propor contra o liquidante ação 
de perdas e danos. 
 
Art. 1.111. No caso de liquidação judicial, será observado o disposto na lei processual. 
 
Art. 1.112. No curso de liquidação judicial, o juiz convocará, se necessário, reunião ou assembléia para deliberar 
sobre os interesses da liquidação, e as presidirá, resolvendo sumariamente as questões suscitadas. 
Parágrafo único. As atas das assembléias serão, em cópia autêntica, apensadas ao processo judicial. 
 
CAPÍTULO X 
Da Transformação, da Incorporação, da Fusão e da Cisão das Sociedades 
Art. 1.113. O ato de transformação INDEPENDE de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos 
preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai converter-se. 
 
Art. 1.114. A transformação DEPENDE DO CONSENTIMENTO de todos os sócios, salvo se prevista no ato 
constitutivo, caso em que o dissidente poderá retirar-se da sociedade, aplicando-se, no silêncio do estatuto ou do 
contrato social, o disposto no art. 1.031. 
 
Art. 1.115. A transformação não modificará nem prejudicará, em qualquer caso, os direitos dos credores. 
Parágrafo único. A falência da sociedade transformada somente produzirá efeitos em relação aos sócios que, no 
tipo anterior, a eles estariam sujeitos, se o pedirem os titulares de créditos anteriores à transformação, e somente a 
estes beneficiará. 
 
Art. 1.116. Na incorporação, uma ou várias sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos 
e obrigações, devendo todas aprová-la, na forma estabelecida para os respectivos tipos. 
 
Art. 1.117. A deliberação dos sócios da sociedade incorporada deverá aprovar as bases da operação e o projeto de 
reforma do ato constitutivo. 
§ 1o A sociedade que houver de ser incorporada tomará conhecimento desse ato, e, se o aprovar, autorizará os 
administradores a praticar o necessário à incorporação, inclusive a subscrição em bens pelo valor da diferença que 
se verificar entre o ativo e o passivo. 
105 
 
§ 2o A deliberação dos sócios da sociedade incorporadora compreenderá a nomeação dos peritos para a avaliação 
do patrimônio líquido da sociedade, que tenha de ser incorporada. 
 
Art. 1.118. Aprovados os atos da incorporação, a incorporadora declarará extinta a incorporada, e promoverá a 
respectiva averbação no registro próprio. 
 
Art. 1.119. A fusão determina a extinção das sociedades que se unem, para formar sociedade nova, que a elas 
sucederá nos direitos e obrigações. 
 
Art. 1.120. A fusão será decidida, na forma estabelecida para os respectivos tipos, pelas sociedades que pretendam 
unir-se. 
§ 1o Em reunião ou assembléia dos sócios de cada sociedade, deliberada a fusão e aprovado o projeto do ato 
constitutivo da nova sociedade, bem como o plano de distribuição do capital social, serão nomeados os peritos para 
a avaliação do patrimônio da sociedade. 
§ 2o Apresentados os laudos, os administradores convocarão reunião ou assembléia dos sócios para tomar 
conhecimento deles, decidindo sobre a constituição definitiva da nova sociedade. 
§ 3o É vedado aos sócios votar o laudo de avaliação do patrimônio da sociedade de que façam parte. 
 
Art. 1.121. Constituída a nova sociedade, aos administradoresincumbe fazer inscrever, no registro próprio da sede, 
os atos relativos à fusão. 
 
Art. 1.122. Até noventa dias após publicados os atos relativos à incorporação, fusão ou cisão, o credor anterior, por 
ela prejudicado, poderá promover judicialmente a anulação deles. 
§ 1o A consignação em pagamento prejudicará a anulação pleiteada. 
§ 2o Sendo ilíquida a dívida, a sociedade poderá garantir-lhe a execução, suspendendo-se o processo de anulação. 
§ 3o Ocorrendo, no prazo deste artigo, a falência da sociedade incorporadora, da sociedade nova ou da cindida, 
qualquer credor anterior terá direito a pedir a separação dos patrimônios, para o fim de serem os créditos pagos 
pelos bens das respectivas massas. 
 
CAPÍTULO XI 
Da Sociedade Dependente de Autorização 
 
Seção I 
Disposições Gerais 
Art. 1.123. A sociedade que dependa de autorização do Poder Executivo para funcionar reger-se-á por este 
título, sem prejuízo do disposto em lei especial. 
Parágrafo único. A competência para a autorização será sempre do PODER EXECUTIVO FEDERAL. 
 
Art. 1.124. Na falta de prazo estipulado em lei ou em ato do poder público, será considerada CADUCA a autorização 
se a sociedade não entrar em funcionamento nos doze meses seguintes à respectiva publicação. 
 
Art. 1.125. Ao Poder Executivo é facultado, a qualquer tempo, cassar a autorização concedida a sociedade nacional 
ou estrangeira que infringir disposição de ordem pública ou praticar atos contrários aos fins declarados no seu 
estatuto. 
 
Seção II 
Da Sociedade Nacional 
Art. 1.126. É NACIONAL a sociedade organizada de conformidade com a lei brasileira e que tenha no País a sede 
de sua administração. 
Parágrafo único. Quando a lei exigir que todos ou alguns sócios sejam brasileiros, as ações da sociedade anônima 
revestirão, no silêncio da lei, a forma nominativa. Qualquer que seja o tipo da sociedade, na sua sede ficará arquivada 
cópia autêntica do documento comprobatório da nacionalidade dos sócios. 
 
106 
 
Art. 1.127. Não haverá mudança de nacionalidade de sociedade brasileira sem o consentimento unânime dos sócios 
ou acionistas. 
 
Art. 1.128. O requerimento de autorização de sociedade nacional deve ser acompanhado de cópia do contrato, 
assinada por todos os sócios, ou, tratando-se de sociedade anônima, de cópia, autenticada pelos fundadores, dos 
documentos exigidos pela lei especial. 
Parágrafo único. Se a sociedade tiver sido constituída por escritura pública, bastará juntar-se ao requerimento a 
respectiva certidão. 
 
Art. 1.129. Ao Poder Executivo é facultado exigir que se procedam a alterações ou aditamento no contrato ou no 
estatuto, devendo os sócios, ou, tratando-se de sociedade anônima, os fundadores, cumprir as formalidades legais 
para revisão dos atos constitutivos, e juntar ao processo prova regular. 
 
Art. 1.130. Ao Poder Executivo é facultado recusar a autorização, se a sociedade não atender às condições 
econômicas, financeiras ou jurídicas especificadas em lei. 
 
Art. 1.131. Expedido o decreto de autorização, cumprirá à sociedade publicar os atos referidos nos arts. 1.128 e 
1.129, em trinta dias, no órgão oficial da União, cujo exemplar representará prova para inscrição, no registro próprio, 
dos atos constitutivos da sociedade. 
Parágrafo único. A sociedade promoverá, também no órgão oficial da União e no prazo de trinta dias, a publicação 
do termo de inscrição. 
 
Art. 1.132. As sociedades anônimas nacionais, que dependam de autorização do Poder Executivo para funcionar, 
não se constituirão sem obtê-la, quando seus fundadores pretenderem recorrer a subscrição pública para a formação 
do capital. 
§ 1o Os fundadores deverão juntar ao requerimento cópias autênticas do projeto do estatuto e do prospecto. 
§ 2o Obtida a autorização e constituída a sociedade, proceder-se-á à inscrição dos seus atos constitutivos. 
 
Art. 1.133. Dependem de aprovação as modificações do contrato ou do estatuto de sociedade sujeita a autorização 
do poder executivo, salvo se decorrerem de aumento do capital social, em virtude de utilização de reservas ou 
reavaliação do ativo. 
 
Seção III 
Da Sociedade Estrangeira 
Art. 1.134. A SOCIEDADE ESTRANGEIRA, qualquer que seja o seu objeto, NÃO PODE, sem autorização do Poder 
Executivo, funcionar no País, ainda que por estabelecimentos subordinados, PODENDO, todavia, ressalvados os 
casos expressos em lei, ser acionista de sociedade anônima brasileira. 
§ 1o Ao requerimento de autorização devem juntar-se: 
I - prova de se achar a sociedade constituída conforme a lei de seu país; 
II - inteiro teor do contrato ou do estatuto; 
III - relação dos membros de todos os órgãos da administração da sociedade, com nome, nacionalidade, profissão, 
domicílio e, salvo quanto a ações ao portador, o valor da participação de cada um no capital da sociedade; 
IV - cópia do ato que autorizou o funcionamento no Brasil e fixou o capital destinado às operações no território 
nacional; 
V - prova de nomeação do representante no Brasil, com poderes expressos para aceitar as condições exigidas para a 
autorização; 
VI - último balanço. 
§ 2o Os documentos serão autenticados, de conformidade com a lei nacional da sociedade requerente, legalizados 
no consulado brasileiro da respectiva sede e acompanhados de tradução em vernáculo. 
 
Art. 1.135. É facultado ao poder executivo, para conceder a autorização, estabelecer condições convenientes à defesa 
dos interesses nacionais. 
107 
 
Parágrafo único. Aceitas as condições, expedirá o Poder Executivo decreto de autorização, do qual constará o 
montante de capital destinado às operações no País, cabendo à sociedade promover a publicação dos atos referidos 
no art. 1.131 e no § 1o do art. 1.134. 
 
Art. 1.136. A sociedade autorizada não pode iniciar sua atividade antes de inscrita no registro próprio do lugar em 
que se deva estabelecer. 
§ 1o O requerimento de inscrição será instruído com exemplar da publicação exigida no parágrafo único do artigo 
antecedente, acompanhado de documento do depósito em dinheiro, em estabelecimento bancário oficial, do capital 
ali mencionado. 
§ 2o Arquivados esses documentos, a inscrição será feita por termo em livro especial para as sociedades estrangeiras, 
com número de ordem contínuo para todas as sociedades inscritas; no termo constarão: 
I - nome, objeto, duração e sede da sociedade no estrangeiro; 
II - lugar da sucursal, filial ou agência, no País; 
III - data e número do decreto de autorização; 
IV - capital destinado às operações no País; 
V - individuação do seu representante permanente. 
§ 3o Inscrita a sociedade, promover-se-á a publicação determinada no parágrafo único do art. 1.131. 
 
Art. 1.137. A sociedade estrangeira autorizada a funcionar ficará sujeita às leis e aos tribunais brasileiros, quanto aos 
atos ou operações praticados no Brasil. 
Parágrafo único. A sociedade estrangeira funcionará no território nacional com o nome que tiver em seu país de 
origem, podendo acrescentar as palavras "do Brasil" ou "para o Brasil". 
 
Art. 1.138. A sociedade estrangeira autorizada a funcionar é obrigada a ter, permanentemente, representante no 
brasil, com poderes para resolver quaisquer questões e receber citação judicial pela sociedade. 
Parágrafo único. O representante somente pode agir perante terceiros depois de arquivado e averbado o 
instrumento de sua nomeação. 
 
Art. 1.139. Qualquer modificação no contrato ou no estatuto dependerá da aprovação do Poder Executivo, para 
produzir efeitos no território nacional. 
 
Art. 1.140. A sociedade estrangeira deve, sob pena de lhe ser cassada a autorização, reproduzir no órgão oficial da 
União, e do Estado, se for o caso, as publicações que, segundo a sua lei nacional, seja obrigada a fazer relativamente 
ao balanço patrimonial e ao de resultado econômico, bem como aos atos de sua administração. 
Parágrafo único. Sob pena, também, de lhe ser cassada a autorização,a sociedade estrangeira deverá publicar o 
balanço patrimonial e o de resultado econômico das sucursais, filiais ou agências existentes no País. 
 
Art. 1.141. Mediante autorização do Poder Executivo, a sociedade estrangeira admitida a funcionar no País pode 
nacionalizar-se, transferindo sua sede para o Brasil. 
§ 1o Para o fim previsto neste artigo, deverá a sociedade, por seus representantes, oferecer, com o requerimento, os 
documentos exigidos no art. 1.134, e ainda a prova da realização do capital, pela forma declarada no contrato, ou no 
estatuto, e do ato em que foi deliberada a nacionalização. 
§ 2o O Poder Executivo poderá impor as condições que julgar convenientes à defesa dos interesses nacionais. 
§ 3o Aceitas as condições pelo representante, proceder-se-á, após a expedição do decreto de autorização, à inscrição 
da sociedade e publicação do respectivo termo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
108 
 
TÍTULO III 
Do Estabelecimento 
 
CAPÍTULO ÚNICO 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
Art. 1.142. Considera-se ESTABELECIMENTO todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, 
por empresário, ou por sociedade empresária. 
 
Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser OBJETO UNITÁRIO de direitos e de negócios jurídicos, translativos ou 
constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza. 
 
Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do estabelecimento, só 
produzirá efeitos quanto a terceiros depois de AVERBADO à margem da inscrição do empresário, ou da sociedade 
empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de PUBLICADO NA IMPRENSA OFICIAL. 
Obs.: É condição de eficácia perante terceiros o registro do contrato de trespasse na junta comercial e sua 
posterior publicação. 
 
Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a eficácia da alienação do 
estabelecimento DEPENDE do pagamento de todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso 
ou tácito, em trinta dias a partir de sua notificação. 
 
Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, 
desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo SOLIDARIAMENTE obrigado pelo prazo 
de um ano, a partir, quanto aos CRÉDITOS VENCIDOS, da publicação, e, QUANTO AOS OUTROS, da data do 
vencimento. 
 
QUANTO AOS CRÉDITOS VENCIDOS QUANTO AOS OUTROS CRÉDITOS 
Data da publicação Data do vencimento 
 
Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento NÃO PODE fazer concorrência 
ao adquirente, nos cinco anos subseqüentes à transferência. 
Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, a proibição prevista neste artigo 
persistirá durante o prazo do contrato. 
 
Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência IMPORTA A SUB-ROGAÇÃO do adquirente nos 
contratos estipulados para exploração do estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros 
rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, 
neste caso, a responsabilidade do alienante. 
 
Art. 1.149. A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido produzirá efeito em relação aos 
respectivos devedores, desde o momento da publicação da transferência, mas o devedor ficará exonerado se de 
boa-fé pagar ao CEDENTE. 
 
- Súmula nº 451, STJ: “É legítima a penhora da sede do estabelecimento comercial.” 
 
ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL 
Conceito 
Todo o conjunto de bens, materiais ou imateriais, que o empresário utiliza no 
exercício da sua atividade. 
- Bens corpóreos: Mercadorias, instalações, equipamentos, veículos etc; 
- Bens incorpóreos: Marcas, patentes, direitos e ponto. 
 
Estabelecimento x Patrimônio 
O estabelecimento é o conjunto de bens diretamente destinado para o exercício 
da atividade empresarial. Por seu turno, o patrimônio é mais amplo, sendo 
109 
 
composto não só pelo estabelecimento, como também por outros bens que não 
estão diretamente relacionados com a atividade empresarial (ações, direitos, 
ouro, imóveis, veículos, etc.). Portanto, perceba que nem todos os bens que 
compõem o patrimônio são, necessariamente, componentes também do 
estabelecimento empresarial, uma vez que, para tanto, será imprescindível que o 
bem, seja ele material ou imaterial, guarde um liame com o exercício da atividade-
fim do empresário. Isso porque o estabelecimento empresarial é o instrumento 
utilizado pelo empresário para a realização de sua atividade empresarial, razão pela 
qual só o compõem aqueles bens que estejam ligados ao exercício da atividade. 
 
Assim: 
 
- Estabelecimento Empresarial: Bens DIRETAMENTE relacionados a atividade 
empresarial. 
- Patrimônio: Bens NÃO ESTÃO DIRETAMENTE relacionados a atividade 
empresarial. 
Natureza Jurídica 
Universalidade de fato, uma vez que os elementos que o compõem formam uma 
coisa unitária exclusivamente em razão da destinação que o empresário lhes dá, e 
não em virtude de disposição legal. Isso faz com que as relações jurídicas, como os 
contratos, créditos e dívidas, não estejam compreendidas no conceito de 
estabelecimento comercial, por representarem matéria de direito. 
Contrato de Trespasse 
É o contrato oneroso de transferência do estabelecimento empresarial. É condição 
de eficácia perante terceiros o registro do contrato de trespasse na Junta Comercial 
e sua posterior publicação. 
O empresário que quer vender o estabelecimento deve conservar bens suficientes 
para pagar todas as suas dívidas perante os credores, ou deverá obter o 
consentimento destes (expresso ou tácito), sob pena de ineficácia. 
O trespasse irregular pode ensejar pedido de falência. 
Sucessão Empresarial 
O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores 
à transferência, desde que regularmente contabilizados. O devedor primitivo 
continua solidariamente responsável pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos 
créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento. 
Essa previsão legal de sucessão obrigacional só se aplica às dívidas negociais do 
empresário. Não se aplica às dívidas tributárias e trabalhistas. 
Cláusula de Não 
Concorrência 
Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer 
concorrência ao adquirente pelo prazo de cinco anos, contados da transferência. 
Aviamento 
É a aptidão da empresa para produzir lucros, decorrente da qualidade e da 
melhor perfeição e sua organização. O estabelecimento empresarial não deve ser 
visto apenas sob o ponto de visto estático, mas também dinâmico. Isso quer dizer 
que devemos levar em consideração também o ponto comercial, as estratégias de 
marketing, etc. 
Ex.: Se imaginarmos 2 lanchonetes que sirvam produtos parecidos, usando dos 
mesmos materiais (freezers, balcões, mesas), localizadas numa mesma região. Sob o 
ponto de vista estático, essas duas lanchonetes têm semelhança. Contudo, sob o 
ponto de vista dinâmico, a lucratividade de uma e de outra será diferente. Isso porque 
cada empresário usará uma estratégia de captação de cliente distinta. Isso é 
aviamento. 
 
Pode ser: 
Aviamento Subjetivo 
Quando ligado às qualidades pessoais do empresário. 
Aviamento Objetivo 
Quando ligado aos bens componentes do estabelecimento na sua organização. 
 
110 
 
TÍTULO IV 
Dos Institutos Complementares 
 
CAPÍTULO I 
Do Registro 
Art. 1.150. O empresário e a sociedade empresária VINCULAM-SE ao Registro Público de Empresas Mercantis 
a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá 
obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples adotar um dos tipos de sociedade 
empresária. 
 
EMPRESÁRIO 
SOCIEDADE EMPRESÁRIA 
Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais 
SOCIEDADE SIMPLESRegistro Civil das Pessoas Jurídicas 
 
Art. 1.151. O registro dos atos sujeitos à formalidade exigida no artigo antecedente será requerido pela pessoa 
obrigada em lei, e, no caso de omissão ou demora, pelo sócio ou qualquer interessado. 
§ 1o Os documentos necessários ao registro deverão ser apresentados no prazo de trinta dias, contado da lavratura 
dos atos respectivos. 
§ 2o Requerido além do prazo previsto neste artigo, o registro somente produzirá efeito a partir da data de sua 
concessão. 
§ 3o As pessoas obrigadas a requerer o registro responderão por perdas e danos, em caso de omissão ou demora. 
 
Art. 1.152. Cabe ao órgão incumbido do registro verificar a regularidade das publicações determinadas em lei, de 
acordo com o disposto nos parágrafos deste artigo. 
§ 1o Salvo exceção expressa, as publicações ordenadas neste Livro serão feitas no órgão oficial da União ou do Estado, 
conforme o local da sede do empresário ou da sociedade, e em jornal de grande circulação. 
§ 2o As publicações das sociedades estrangeiras serão feitas nos órgãos oficiais da União e do Estado onde tiverem 
sucursais, filiais ou agências. 
§ 3o O anúncio de convocação da assembléia de sócios será publicado por três vezes, ao menos, devendo mediar, 
entre a data da primeira inserção e a da realização da assembléia, o prazo mínimo de oito dias, para a primeira 
convocação, e de cinco dias, para as posteriores. 
 
Art. 1.153. Cumpre à autoridade competente, antes de efetivar o registro, verificar a autenticidade e a legitimidade 
do signatário do requerimento, bem como fiscalizar a observância das prescrições legais concernentes ao ato ou aos 
documentos apresentados. 
Parágrafo único. Das irregularidades encontradas deve ser notificado o requerente, que, se for o caso, poderá saná-
las, obedecendo às formalidades da lei. 
 
Art. 1.154. O ato sujeito a registro, ressalvadas disposições especiais da lei, não pode, antes do cumprimento das 
respectivas formalidades, ser oposto a terceiro, salvo prova de que este o conhecia. 
Parágrafo único. O terceiro não pode alegar ignorância, desde que cumpridas as referidas formalidades. 
 
CAPÍTULO II 
DO NOME EMPRESARIAL 
Art. 1.155. CONSIDERA-SE nome empresarial a FIRMA ou a DENOMINAÇÃO adotada, de conformidade com este 
Capítulo, para o exercício de empresa. 
Parágrafo único. EQUIPARA-SE ao nome empresarial, para os efeitos da proteção da lei, a DENOMINAÇÃO das 
sociedades simples, associações e fundações. 
 
 
 
 
111 
 
FIRMA DENOMINAÇÃO 
DEVE conter o nome civil do empresário (firma 
individual) ou dos sócios (firma social) 
PODE adotar o nome civil ou qualquer outra expressão 
PODE conter o ramo da atividade DEVE conter o ramo da atividade 
SERVE de assinatura do empresário NÃO SERVE de assinatura do empresário 
 
Art. 1.156. O empresário opera sob FIRMA constituída por seu nome, completo ou abreviado, aditando-lhe, se 
quiser, designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade. 
 
Art. 1.157. A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ILIMITADA operará sob FIRMA, na qual somente 
os nomes daqueles poderão figurar, bastando para formá-la aditar ao nome de um deles a expressão "e companhia" 
ou sua abreviatura. 
Parágrafo único. Ficam SOLIDÁRIA e ILIMITADAMENTE responsáveis pelas obrigações contraídas sob a FIRMA 
SOCIAL aqueles que, por seus nomes, figurarem na firma da sociedade de que trata este artigo. 
 
Art. 1.158. Pode a sociedade limitada adotar FIRMA ou DENOMINAÇÃO, integradas pela palavra final "limitada" 
ou a sua abreviatura. 
§ 1o A FIRMA será composta com o nome de um ou mais sócios, desde que pessoas físicas, de modo indicativo 
da relação social. 
§ 2o A DENOMINAÇÃO deve designar o objeto da sociedade, sendo permitido nela figurar o nome de um ou mais 
sócios. 
§ 3o A omissão da palavra "LIMITADA" determina a responsabilidade SOLIDÁRIA e ILIMITADA dos 
administradores que assim empregarem a firma ou a denominação da sociedade. 
 
Art. 1.159. A sociedade cooperativa funciona sob DENOMINAÇÃO integrada pelo vocábulo "cooperativa". 
 
Art. 1.160. A sociedade anônima opera sob DENOMINAÇÃO designativa do objeto social, integrada pelas 
expressões "sociedade anônima" ou "companhia", por extenso ou abreviadamente. 
Parágrafo único. PODE CONSTAR da denominação o nome do fundador, acionista, ou pessoa que haja concorrido 
para o bom êxito da formação da empresa. 
 
Art. 1.161. A sociedade em comandita por ações pode, em lugar de firma, adotar DENOMINAÇÃO designativa do 
objeto social, aditada da expressão "comandita por ações". 
 
Art. 1.162. A sociedade em conta de participação NÃO PODE TER firma ou denominação. 
 
Art. 1.163. O nome de empresário deve DISTINGUIR-SE de qualquer outro já inscrito no mesmo registro. 
Parágrafo único. Se o empresário tiver nome idêntico ao de outros já inscritos, DEVERÁ ACRESCENTAR 
DESIGNAÇÃO que o distinga. 
 
Art. 1.164. O nome empresarial NÃO PODE SER objeto de ALIENAÇÃO. 
Obs.: Segundo a doutrina majoritária, o direito ao nome empresarial é um direito personalíssimo. 
Parágrafo único. O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, PODE, se o contrato o permitir, usar o 
nome do alienante, precedido do seu próprio, com a qualificação de sucessor. 
 
Art. 1.165. O nome de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, NÃO PODE SER CONSERVADO na 
firma social. 
 
Art. 1.166. A inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas jurídicas, ou as respectivas averbações, 
no registro próprio, asseguram o USO EXCLUSIVO do nome nos limites do respectivo Estado. 
Parágrafo único. O uso previsto neste artigo estender-se-á a todo o território nacional, se registrado na forma da 
lei especial. 
112 
 
 
Art. 1.167. Cabe ao PREJUDICADO, a qualquer tempo, ação para anular a inscrição do nome empresarial feita 
com violação da lei ou do contrato. 
 
Art. 1.168. A inscrição do nome empresarial será CANCELADA, a requerimento de qualquer interessado, quando 
cessar o exercício da atividade para que foi adotado, ou quando ultimar-se a liquidação da sociedade que o 
inscreveu. 
 
NOME EMPRESARIAL 
FIRMA 
- Empresário Individual (art. 1.156, CC) 
 
- Sociedade em Nome Coletivo (art. 1.157, CC) 
 
- Sociedade em Comandita Simples 
DENOMINAÇÃO 
- Sociedade Cooperativa (art. 1.159, CC) 
 
- Sociedade Anônima (art. 1.160, CC) 
FIRMA OU DENOMINAÇÃO 
- Sociedade Limitada (art. 1.158, CC) 
 
- Sociedade em Comandita por Ações (art. 1.161, CC) 
 
- EIRELI (Art. 980-A, § 1º, CC) 
NÃO POSSUI - Sociedade em Conta de Participação (art. 1.162, CC) 
 
CAPÍTULO III 
Dos Prepostos 
 
Seção I 
Disposições Gerais 
Art. 1.169. O preposto não pode, sem autorização escrita, fazer-se substituir no desempenho da preposição, sob 
pena de responder pessoalmente pelos atos do substituto e pelas obrigações por ele contraídas. 
 
Art. 1.170. O preposto, salvo autorização expressa, não pode negociar por conta própria ou de terceiro, nem 
participar, embora indiretamente, de operação do mesmo gênero da que lhe foi cometida, sob pena de responder 
por perdas e danos e de serem retidos pelo preponente os lucros da operação. 
 
Art. 1.171. Considera-se perfeita a entrega de papéis, bens ou valores ao preposto, encarregado pelo preponente, 
se os recebeu sem protesto, salvo nos casos em que haja prazo para reclamação. 
 
Seção II 
Do Gerente 
Art. 1.172. Considera-se GERENTE o preposto permanente no exercício da empresa, na sede desta, ou em sucursal, 
filial ou agência. 
 
Art. 1.173. Quando a lei não exigir poderes especiais, considera-se o gerente autorizado a praticar todos os atos 
necessários ao exercício dos poderes que lhe foram outorgados. 
Parágrafo único. Na falta de estipulação diversa, consideram-se solidários os poderes conferidos a dois ou mais 
gerentes. 
 
Art. 1.174. As limitações contidas na outorga de poderes, para serem opostas a terceiros, DEPENDEMdo 
arquivamento e averbação do instrumento no Registro Público de Empresas Mercantis, SALVO SE provado serem 
conhecidas da pessoa que tratou com o gerente. 
113 
 
Parágrafo único. Para o mesmo efeito e com idêntica ressalva, deve a modificação ou revogação do mandato ser 
arquivada e averbada no Registro Público de Empresas Mercantis. 
 
Art. 1.175. O preponente responde com o gerente pelos atos que este pratique em seu próprio nome, mas à conta 
daquele. 
 
Art. 1.176. O gerente pode estar em juízo em nome do preponente, pelas obrigações resultantes do exercício da sua 
função. 
Seção III 
Do Contabilista e outros Auxiliares 
Art. 1.177. Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por qualquer dos prepostos encarregados de 
sua escrituração, produzem, salvo se houver procedido de má-fé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele. 
Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são pessoalmente responsáveis, perante os 
preponentes, pelos atos culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos dolosos. 
 
Art. 1.178. Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus 
estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito. 
Parágrafo único. Quando tais atos forem praticados fora do estabelecimento, somente obrigarão o preponente nos 
limites dos poderes conferidos por escrito, cujo instrumento pode ser suprido pela certidão ou cópia autêntica do 
seu teor. 
CAPÍTULO IV 
Da Escrituração 
Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado 
ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a 
levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. 
§ 1o Salvo o disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados. 
§ 2o É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se refere o art. 970. 
 
Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o diário, que pode ser substituído por fichas no 
caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. 
Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para o lançamento do balanço 
patrimonial e do de resultado econômico. 
 
Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, 
devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. 
Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade empresária, que 
poderá fazer autenticar livros não obrigatórios. 
 
Art. 1.182. Sem prejuízo do disposto no art. 1.174, a escrituração ficará sob a responsabilidade de contabilista 
legalmente habilitado, salvo se nenhum houver na localidade. 
 
Art. 1.183. A escrituração será feita em idioma e moeda corrente nacionais e em forma contábil, por ordem 
cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes 
para as margens. 
Parágrafo único. É permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, que constem de livro próprio, 
regularmente autenticado. 
 
Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, 
por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. 
§ 1o Admite-se a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente 
a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros 
auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a 
sua perfeita verificação. 
114 
 
§ 2o Serão lançados no diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico, devendo ambos ser assinados por 
técnico em ciências contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresária. 
 
Art. 1.185. O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema de fichas de lançamentos poderá substituir 
o livro diário pelo livro balancetes diários e balanços, observadas as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para 
aquele. 
 
Art. 1.186. O livro Balancetes Diários e Balanços será escriturado de modo que registre: 
I - a posição diária de cada uma das contas ou títulos contábeis, pelo respectivo saldo, em forma de balancetes 
diários; 
II - o balanço patrimonial e o de resultado econômico, no encerramento do exercício. 
 
Art. 1.187. Na coleta dos elementos para o inventário serão observados os critérios de avaliação a seguir 
determinados: 
I - os bens destinados à exploração da atividade serão avaliados pelo custo de aquisição, devendo, na avaliação dos 
que se desgastam ou depreciam com o uso, pela ação do tempo ou outros fatores, atender-se à desvalorização 
respectiva, criando-se fundos de amortização para assegurar-lhes a substituição ou a conservação do valor; 
II - os valores mobiliários, matéria-prima, bens destinados à alienação, ou que constituem produtos ou artigos da 
indústria ou comércio da empresa, podem ser estimados pelo custo de aquisição ou de fabricação, ou pelo preço 
corrente, sempre que este for inferior ao preço de custo, e quando o preço corrente ou venal estiver acima do valor 
do custo de aquisição, ou fabricação, e os bens forem avaliados pelo preço corrente, a diferença entre este e o preço 
de custo não será levada em conta para a distribuição de lucros, nem para as percentagens referentes a fundos de 
reserva; 
III - o valor das ações e dos títulos de renda fixa pode ser determinado com base na respectiva cotação da Bolsa de 
Valores; os não cotados e as participações não acionárias serão considerados pelo seu valor de aquisição; 
IV - os créditos serão considerados de conformidade com o presumível valor de realização, não se levando em conta 
os prescritos ou de difícil liqüidação, salvo se houver, quanto aos últimos, previsão equivalente. 
Parágrafo único. Entre os valores do ativo podem figurar, desde que se preceda, anualmente, à sua amortização: 
I - as despesas de instalação da sociedade, até o limite correspondente a dez por cento do capital social; 
II - os juros pagos aos acionistas da sociedade anônima, no período antecedente ao início das operações sociais, à 
taxa não superior a doze por cento ao ano, fixada no estatuto; 
III - a quantia efetivamente paga a título de aviamento de estabelecimento adquirido pelo empresário ou sociedade. 
 
Art. 1.188. O balanço patrimonial deverá exprimir, com fidelidade e clareza, a situação real da empresa e, atendidas 
as peculiaridades desta, bem como as disposições das leis especiais, indicará, distintamente, o ativo e o passivo. 
Parágrafo único. Lei especial disporá sobre as informações que acompanharão o balanço patrimonial, em caso de 
sociedades coligadas. 
 
Art. 1.189. O balanço de resultado econômico, ou demonstração da conta de lucros e perdas, acompanhará o 
balanço patrimonial e dele constarão crédito e débito, na forma da lei especial. 
 
Art. 1.190. Ressalvados os casos previstos em lei, nenhuma autoridade, juiz ou tribunal, sob qualquer pretexto, 
poderá fazer ou ordenar diligência para verificar se o empresário ou a sociedade empresária observam, ou não, em 
seus livros e fichas, as formalidades prescritas em lei. 
 
Art. 1.191. O juiz só poderá autorizar a exibição integral dos livros e papéis de escrituração quando necessária para 
resolver questões relativas a sucessão, comunhão ou sociedade, administração ou gestão à conta de outrem, ou em 
caso de falência. 
§ 1o O juiz ou tribunal que conhecer de medida cautelar ou de ação pode, a requerimento ou de ofício, ordenar que 
os livros de qualquer das partes, ou de ambas, sejam examinados na presença do empresário ou da sociedadeempresária a que pertencerem, ou de pessoas por estes nomeadas, para deles se extrair o que interessar à questão. 
§ 2o Achando-se os livros em outra jurisdição, nela se fará o exame, perante o respectivo juiz. 
 
115 
 
Art. 1.192. Recusada a apresentação dos livros, nos casos do artigo antecedente, serão apreendidos judicialmente e, 
no do seu § 1o, ter-se-á como verdadeiro o alegado pela parte contrária para se provar pelos livros. 
Parágrafo único. A confissão resultante da recusa pode ser elidida por prova documental em contrário. 
 
Art. 1.193. As restrições estabelecidas neste capítulo ao exame da escrituração, em parte ou por inteiro, não se 
aplicam às autoridades fazendárias, no exercício da fiscalização do pagamento de impostos, nos termos estritos das 
respectivas leis especiais. 
 
Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, 
correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no 
tocante aos atos neles consignados. 
 
Art. 1.195. As disposições deste Capítulo aplicam-se às sucursais, filiais ou agências, no Brasil, do empresário ou 
sociedade com sede em país estrangeiro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
116 
 
4. TRIBUTÁRIO DA CF/88 
 
TÍTULO VI 
DA TRIBUTAÇÃO E DO ORÇAMENTO 
 
CAPÍTULO I 
DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL 
 
Seção I 
DOS PRINCÍPIOS GERAIS 
Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: 
I - IMPOSTOS; 
Obs.1: Tributo não vinculado e de arrecadação não vinculada; 
Obs.2: Medida Provisória poderá instituir ou majorar IMPOSTOS. 
 
II - TAXAS, em razão do exercício do poder de polícia (taxa de polícia) ou pela utilização, efetiva ou potencial, 
de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição (taxa de 
serviço); 
Obs.1: Tributo vinculado, mas de arrecadação não vinculada. 
Obs.2: As custas, a taxa judiciária e os emolumentos constituem espécie tributária, são taxas (ADI 1.145/PB). 
- Súmula nº 667, STF: “Viola a garantia constitucional de acesso à jurisdição a taxa judiciária calculada sem limite 
sobre o valor da causa.” 
Obs.3: A regularidade do exercício do poder de polícia é imprescíndivel para a cobrança da taxa de localização e 
fiscalização. 
- Súmula Vinculante nº 19: “A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção 
e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis não viola o art. 145, II, da 
Constituição Federal.” 
- Súmula Vinculante nº 29: “É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou mais elementos 
da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja integral identidade entre uma base 
e outra.” 
TAXA DE POLÍCIA TAXA DE SERVIÇO 
O poder de polícia deve ser efetivamente realizado, 
não se admitindo poder de polícia "potencial", 
podendo o exercício da atividade ser constatada pela 
existência de órgão administrativo de fiscalização, 
dotado de estrutura e pessoal competente para tanto. 
O servico pode ser efetiva ou potencialmente 
utilizado pelo contribuinte, podendo a taxa ser 
cobrada a partir do momento que o serviço é colocado 
à disposicao do sujeito passivo. 
 
III - CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA, decorrente de obras públicas. 
Obs.: Tributo vinculado, mas de arrecadação não vinculada. 
- Competência: comum; 
- Forma de Instituição: Lei Ordinária; 
- Fato Gerador: obra pública com valorização imobiliária. 
 
Espécies Tributárias 
Teoria Tripartite 
(CTN) 
- Impostos; 
- Taxas; 
- Contribuições de Melhoria. 
Teoria Pentapartite 
(CF/88 e Doutrina Majoritária) 
Adotada! 
- Impostos; 
- Taxas; 
- Contribuições de Melhoria; 
- Empréstimos Compulsórios; 
- Contribuições Especiais. 
 
117 
 
§ 1º SEMPRE QUE POSSÍVEL, os IMPOSTOS terão caráter pessoal e serão GRADUADOS segundo a capacidade 
econômica do contribuinte, FACULTADO à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a 
esses objetivos, IDENTIFICAR, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os 
rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA) 
Obs.1: A aplicação do princípio da capacidade contributiva não deve se limitar somente aos impostos, podendo 
ser estendido as demais especies tributárias. Mas será sempre que as particularidades dessas exações 
permitirem (ADI 948/GO). 
Obs.2: O princípio encontra aplicação plena aos tributos com fato gerador não vinculado, quais sejam, os 
impostos e, normalmente, também os empréstimos compulsórios e as contribuições. 
 
§ 2º As taxas NÃO PODERÃO ter base de cálculo própria de impostos. (norma constitucional de eficácia plena) 
- Súmula Vinculante nº 29: “É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou mais elementos 
da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja integral identidade entre uma base 
e outra.” 
 
Art. 146. Cabe à lei complementar: 
I - dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e 
os Municípios; 
II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; 
III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: 
a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, 
a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; 
Obs.: A fixação da alíquota não está reservada à lei complementar, mas sim à lei ordinária. 
b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; 
c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. 
d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno 
porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto no art. 155, II (ICMS), das 
contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. 
Parágrafo único. A lei complementar de que trata o inciso III, d (tratamento diferenciado e favorecido para ME 
e EPP), também poderá instituir um regime único de arrecadação dos impostos e contribuições da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, observado que: 
I - será opcional para o contribuinte; 
II - poderão ser estabelecidas condições de enquadramento diferenciadas por Estado; 
III - o recolhimento será unificado e centralizado e a distribuição da parcela de recursos pertencentes aos 
respectivos entes federados será imediata, VEDADA qualquer retenção ou condicionamento; 
IV - a arrecadação, a fiscalização e a cobrança poderão ser compartilhadas pelos entes federados, adotado 
cadastro nacional único de contribuintes. 
 
Art. 146-A. Lei complementar PODERÁ estabelecer critérios especiais de tributação, com o objetivo de prevenir 
desequilíbrios da concorrência, SEM PREJUÍZO da competência de a União, por lei, estabelecer normas de 
igual objetivo. 
 
LC em matéria 
tributária 
- Conflitos de competência tributária (art. 146, I); 
- Limites constitucionais ao poder de tributar (art. 146, II); 
- Normas gerais em matéria de legislação tributária (art. 146, III); 
- Critérios especiais de tributação, com o objetivo de prevenir desequilíbrios da 
concorrência (art. 146-A). 
 
Art. 147. Competem à União, em TERRITÓRIO FEDERAL, os impostos estaduais e, se o Território não for dividido 
em Municípios, CUMULATIVAMENTE, os impostos municipais; ao DISTRITO FEDERAL cabem os impostos 
municipais. 
118 
 
- Distrito Federal: Vedada a sua divisão em Municípios, tal ente político acumula as competências tributárias dos 
Estados e dos Municípios. 
- Tem competência para instituir 6 Tributos:3 estaduais (art. 155) e 3 municipais (art. 156). 
- Tem competência para instituir taxas e contribuição de melhoria de competência dos Estados e Municípios, a 
contribuição previdenciária dos seus servidores e a contribuição de iluminação pública. 
- Territórios: A regra é semelhante. Hoje inexistentes, mas de criação possível (art. 18, § 2º, CF). Não são entes 
políticos, não tendo status de membros da federação, os impostos estaduais que lhe caberiam fazem parte da 
competência da União, assim como os impostos municipais, caso o Território não seja dividido em municípios. Se 
o for, os impostos municipais caberão a cada município. 
- A mesma observação: os demais tributos estaduais (e municipais, em caso de não divisão do território e 
municípios) também serão de competência da União. 
 
COMPETÊNCIA CUMULATIVA 
UNIÃO 
 
Territórios divididos em municípios 
 
Impostos Estaduais 
 
Territórios NÃO divididos em municípios 
 
Impostos Estaduais e Municipais 
DF 
 
Impostos Estaduais e Municipais 
 
 
Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS: 
I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua 
iminência; 
II - no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional, observado o disposto 
no art. 150, III, "b" (princípio da anterioridade). 
 
EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS 
Não observa o princípio da anterioridade Observa o princípio da anterioridade 
Atender a despesas extraordinárias, decorrentes de: 
- calamidade pública; 
- guerra externa; ou 
- iminência de guerra externa. 
Investimento público de caráter urgente e de 
relevante interesse nacional. 
 
Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório será VINCULADA à despesa 
que fundamentou sua instituição. 
Obs.: Empréstimos Compulsórios e Contribuições Especiais são tributos de arrecadação VINCULADA. 
 
TRIBUTOS CRIADOS POR LEI COMPLEMENTAR 
Tributo Permissivo 
Empréstimos Compulsórios Art. 148, CF; 
Impostos sobre Grandes Fortunas Art. 153, VII, CF; 
Impostos Residuais Art. 154, I, CF; 
Contribuições Prividênciárias Residuais Art. 195, § 4° c/c Art. 154, I, CF. 
Obs.: Conclui-se que tais tributos não podem ser instituídos e majorados por Medida Provisória e Lei Delegada 
(Arts. 62, § 1°, III e 68, § 1°, parte final, da CF, respectivamente). 
 
Art. 149. Compete EXCLUSIVAMENTE à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio 
econômico (CIDE) e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação 
nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I (legalidade) e III (irretroatividade, 
anterioridade e noventena), e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º (Contribuição social para seguridade 
119 
 
social: só pode ser exigida após decorridos 90 dias da data da publicação da lei que as houver instituido ou 
modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, "b" - anterioridade), relativamente às contribuições 
a que alude o dispositivo. 
As contribuições especiais, estabelecidas constitucionalmente, são tributos finalisticamente afetados, ou seja, são 
tributos de receita vinculada e que devem atender a quatro pressupostos para a sua validade: 
a) finalidade adequada ao Texto Constitucional; 
b) existência de um grupo ou setor que receberá a atuação do destino do tributo; 
c) entidade específica para o setor beneficiado; 
d) arrecadação destinada à finalidade. 
Obs.: A competência é privativa da União, ressalvada a competência dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios para instituírem a cobrança de Contribuição Previdenciária dos seus servidores (privativa em cada esfera 
– art. 149, § 1º, CF). 
§ 1º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, por meio de lei, contribuições para custeio de 
regime próprio de previdência social, cobradas dos servidores ativos, dos aposentados e dos pensionistas, que 
poderão ter alíquotas progressivas de acordo com o valor da base de contribuição ou dos proventos de 
aposentadoria e de pensões. (EC nº 103/2019) 
§ 1º-A. Quando houver deficit atuarial, a contribuição ordinária dos aposentados e pensionistas poderá incidir sobre 
o valor dos proventos de aposentadoria e de pensões que supere o salário-mínimo. (EC nº 103/2019) 
§ 1º-B. Demonstrada a insuficiência da medida prevista no § 1º-A para equacionar o deficit atuarial, é facultada a 
instituição de contribuição extraordinária, no âmbito da União, dos servidores públicos ativos, dos aposentados e 
dos pensionistas. (EC nº 103/2019) 
§ 1º-C. A contribuição extraordinária de que trata o § 1º-B deverá ser instituída simultaneamente com outras medidas 
para equacionamento do deficit e vigorará por período determinado, contado da data de sua instituição. (EC nº 
103/2019) 
§ 2º As CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS e DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO de que trata o caput deste 
artigo: 
I - NÃO INCIDIRÃO sobre as receitas decorrentes de exportação; 
#INFO 
- A imunidade tributária prevista no art. 149, § 2º, I, da CF/88 abrange também as receitas decorrentes de 
operações indiretas de exportação, ou seja, realizadas com a participação sociedade exportadora 
intermediária (trading companies ou ECEs). 
De acordo com o art. 149, § 2º, I, da CF/88, as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico não 
incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação. Trata-se de imunidade tributária criada com o objetivo de 
incentivar as exportações. 
Se o fabricante ou produtor brasileiro faz a exportação por intermédio de uma empresa exportadora intermediária 
(ex: trading company), incide igualmente a imunidade tributária? Incide a imunidade tributária no caso de 
operações indiretas de exportação? 
SIM. A norma imunizante contida no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal alcança as receitas 
decorrentes de operações indiretas de exportação caracterizadas por haver participação negocial de sociedade 
exportadora intermediária. 
STF. Plenário. ADI 4735/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 12/2/2020 (Info 966). 
STF. Plenário. RE 759244/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 12/2/2020 (repercussão geral – Tema 674). 
II - INCIDIRÃO também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; 
III - PODERÃO ter alíquotas: 
a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, 
o valor aduaneiro; 
b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada. 
§ 3º A pessoa natural destinatária das operações de importação poderá ser equiparada a pessoa jurídica, na forma 
da lei. 
§ 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. 
 
 
120 
 
Art. 149-A Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para o 
custeio do serviço de iluminação pública, observado o disposto no art. 150, I (legalidade) e III (irretroatividade, 
anterioridade e noventena). 
Obs.: Competência privativa. 
Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que se refere o caput, na fatura de consumo de 
energia elétrica. 
- Súmula Vinculante nº 41: “O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa.” 
Obs.: As instituições de assistência social são imunes apenas ao pagamento de impostos e de contribuições 
para a seguridade social. Não há imunidade ao pagamento de contribuição para iluminação pública. 
 
Seção II 
DAS LIMITAÇÕES DO PODER DE TRIBUTAR 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é VEDADO à União, aos Estados, ao 
Distrito Federal e aos Municípios: 
I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (PRINCÍPIO DA LEGALIDADE) 
 
II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida 
qualquerdistinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da 
denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; (PRINCÍPIO DA ISONOMIA OU IGUALDADE) 
Obs.: Não haverá ofensa ao princípio da isonomia tributária se a lei complementar, por motivos extrafiscais, 
imprimir tratamento desigual a microempresas e empresas de pequeno porte de capacidade contributiva distinta, 
afastando do regime diferenciado aquelas cujos sócios tenham condição de disputar o mercado de trabalho sem 
assistência do Estado (STF, AI 496183 AgR). 
- Princípio da igualdade tributária ou vedação de privilégio odioso: autolimitação do poder fiscal, por meio 
da Constituição ou de lei formal, consistente na permissão, destituída de razoabilidade, para que alguém deixe de 
pagar os tributos que incidem genericamente sobre todos os contribuintes ou recebe benefícios inextensíveis aos 
demais. 
 
III - cobrar tributos: 
a) em relação a fatos geradores ocorridos ANTES do início da vigência da lei que os houver instituído ou 
aumentado; (PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE) 
Obs.: O CTN admite a aplicação retroativa de lei que estabeleça penalidade menos severa que a prevista na norma 
vigente ao tempo da prática do ato a que se refere, desde que não tenha havido julgamento definitivo (art. 150, 
III, “a”, CF e art. 106, II, “c”, CTN). 
b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; (PRINCÍPIO 
DA ANTERIORIDADE ANUAL) 
- As limitações constitucionais ao poder de tributar são direitos e garantias fundamentais do cidadão, mesmo fora 
do catálogo do Título II da CF/1988. O STF entende que os direitos e garantias individuais, considerados cláusulas 
pétreas pela CF não se restringem àqueles expressos no elenco do art. 5º, admitindo interpretação extensiva 
para definição de direitos análogos, o que restou claro na ADI 939/1993, que considerou direito e garantia 
individual a anterioridade tributária, consoante art. 5º, § 2º; art. 60, § 4º, IV e art. 150, III, “b”, todos da CF. 
c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, 
observado o disposto na alínea b; (PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL OU ESPECÍFICA OU 
NOVENTENA) 
 
IV - utilizar tributo com efeito de confisco; 
Obs.: O princípio da vedação do confisco é extensível às multas, apesar de estas terem natureza jurídica diversa 
dos tributos (ADI 1.075 MC). A multa moratória, embora não seja tributo, não pode ter um importe que lhe 
confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. 
 
V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou 
intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público; 
(PRINCÍPIO DA LIBERDADE DO TRÁFEGO DE PESSOAS OU BENS OU PRINCÍPIO DA LIMITAÇÃO DE TRÁFEGO) 
121 
 
- Pedágios: É uma tarifa (preço público), sem natureza tributária. Não tem natureza de taxa. Não se submete ao 
regime jurídico tributário (ADI 800, J. 11.06.2014). 
 
VI - instituir IMPOSTOS sobre: 
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; (IMUNIDADE RECÍPROCA OU INTERGOVERNAMENTAL) 
Obs.1: É cláusula pétrea. 
Obs.2: Não abrange taxas. Em outras palavras, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão 
instituir taxas para contraprestação dos serviços prestados uns aos outros. A imunidade tributária, inclusive a 
recíproca, restringe-se aos impostos, não abrangendo as contribuições” (Ag Rg no RE 450.314/MG). 
 
#INFO 
- Não se pode aplicar a imunidade tributária recíproca se o bem está desvinculado de finalidade estatal. 
A INFRAERO (empresa pública federal) celebrou contrato de concessão de uso de imóvel com uma empresa 
privada por meio da qual esta última poderia explorar comercialmente um imóvel pertencente à INFRAERO. Vale 
ressaltar que esta empresa é uma concessionária de automóveis. 
A empresa privada queria deixar de pagar IPTU alegando que o imóvel gozaria de imunidade tributária. O STF não 
aceitou a tese e afirmou que não incide a imunidade neste caso. 
A atividade desenvolvida pela empresa tem por finalidade gerar lucro. 
Se fosse reconhecida a imunidade neste caso, isso geraria, como efeito colateral, uma vantagem competitiva 
artificial em favor da empresa, que teria um ganho em relação aos seus concorrentes. Afinal, a retirada de um custo 
permite o aumento do lucro ou a formação de preços menores, o que provoca desequilíbrio das relações de 
mercado. 
Não se pode aplicar a imunidade tributária recíproca se o bem está desvinculado de finalidade estatal. 
STF. Plenário. RE 434251/RJ, rel. orig. Min. Joaquim Barbosa, red. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, julgado em 
19/4/2017 (Info 861). 
 
b) templos de qualquer culto; (IMUNIDADE RELIGIOSA) 
- Imóveis locados, lotes vagos e prédios comerciais: são imunes, desde que existente vínculo com as finalidades 
essenciais (art. 150, § 4º, CF); 
- Cemitérios como extensões de entidades de cunho religioso: são imunes (STF, RE 578.562); 
- Templo maçônico: não é imune - ideologia de vida e não uma religião (STF, RE 562351/RS); 
Obs.: Art. 150, § 4º, CF. As vedações expressas no inciso VI, alíneas b e c, compreendem somente o patrimônio, a 
renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. 
 
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos 
trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, SEM FINS LUCRATIVOS, atendidos os 
requisitos da lei; (IMUNIDADES DE PARTIDOS POLÍTICOS, SINDICATOS DE TRABALHADORES E INSTITUIÇÕES 
DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL) 
- Súmula Vinculante nº 52: “Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente 
a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, c, da Constituição Federal, desde que o valor dos aluguéis 
seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades foram constituídas.” 
Obs.: É aplicável a referida súmula também para a alínea “b” (STF. 2ª Turma. ARE 694453/DF). 
- Súmula nº 730, STF: “A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos 
pelo art. 150, VI, c, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se 
não houver contribuição dos beneficiários.” 
#INFO 
- O fato de o imóvel estar vago ou sem edificação não é suficiente, por si só, para retirar a imunidade 
tributária. 
E se o imóvel da instituiçào de ensino estiver vago ou não edificado, ele, mesmo assim, gozará da imunidade? 
SIM. O fato de o imóvel estar vago ou sem edificação não é suficiente, por si só, para retirar a garantia constitucional 
da imunidade tributária. Não é possível considerar que determinado imóvel estâ voltado a finalidade diversa da 
exigida pelo interesse público apenas pelo fato de, momentaneamente, estar sem edificação ou ocupação. 
Em suma, essa imunidade tributária é aplicada aos bens imóveis, temporariamente ociosos, de propriedade das 
instituições de educaçào e de assistência social sem fins lucrativos que atendam os requisitos Legais. 
122 
 
STF. 1ª Turma. RE 385091/DF, Rel. Min. Dias Toffolli. Julgado em 06/08/2013 (Info 714). 
STF. Plenário. RE 767332/MG. Rel. Min. Gilmar Mendes. Julgado em 31/10/2013. 
 
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. (IMUNIDADE CULTURAL OU DE IMPRENSA) 
#ATENÇÃONOVASÚMULA: 
- Súmula Vinculante nº 57: “A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-se à importação 
e comercialização, no mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes exclusivamente utilizados 
para fixá-los, como leitores de livros eletrônicos (e-readers), ainda que possuam funcionalidades acessórias.” 
 
Filmes e papeis fotográficos 
- Súmula nº 657, STF: “A imunidade prevista no art. 150,mas não possuem personalidade. É o caso dos entes despersonalizados, que possuem capacidade, 
podendo praticar atos, contratar, ser proprietários, muito embora não possuam personalidade; 
- Sujeito de direito: é o titular de interesses juridicamente protegidos, qualificado como tal por uma norma 
jurídica. 
- Personalidade jurídica: autorização prévia e genérica do ordenamento jurídico para a prática de qualquer ato 
jurídico que não seja proibido pelo Direito. 
Obs.: prevalece o entendimento de que pessoa jurídica possui direitos da personalidade: 
- Súmula nº 227, STJ: “A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.” 
- Capacidade: aptidão jurídica (de gozo) ou de fato (exercício). 
- Legitimação: aptidão especial exigida para a prática de determinados atos (exs.: arts. 496, 1749, I, 1.687). 
- Súmula nº 525, STJ: A Câmara de vereadores não possui personalidade jurídica, apenas personalidade judiciária, 
somente podendo demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais. 
 
 
 
 
11 
 
CAPACIDADE DE DIREITO OU DE GOZO CAPACIDADE DE FATO OU DE EXERCÍCIO 
Toda pessoa possui Aqueles que tem 18 anos completos e emancipados 
Aptidão para contrair direitos e deveres na ordem civil Aptidão para exercer, por si só, atos da vida civil 
Equipara-se à noção de personalidade, não pode ser 
recusada. Até recém-nascidos e pessoas sem 
discernimento possuem 
Não subsistem sem a capacidade de direito 
Capacidade de Direito (Gozo) + Capacidade de Fato (Exercício) = Capacidade Plena 
Bizu: DIGO FE 
 
Art. 2o A personalidade civil da pessoa COMEÇA DO NASCIMENTO COM VIDA; mas a lei põe a salvo, desde a 
concepção, os direitos do nascituro. 
 
TEORIAS SOBRE O INÍCIO DA PERSONALIDADE 
TEORIA NATALISTA OU NEGATIVISTA 
ADOTADA PELO CC/02 
A personalidade só é adquirida do nascimento com vida, de 
maneira que aquele já concebido, mas ainda não nascido, não teria 
personalidade. Trata-se de uma teoria negativista para os 
nascituros, que tem apenas expectativa de direitos. 
TEORIA CONCEPCIONISTA 
ADOTADA PELO STJ E DOUTRINA 
MAJORITÁRIA 
A personalidade jurídica é adquirida desde a concepção, de 
maneira que o nascituro já seria titular deste atributo. 
TEORIA DA PERSONALIDADE 
CONDICIONAL OU CONDICIONALISTA 
O nascituro, ao ser concebido, já pode titularizar alguns direitos, em 
regra, de caráter extrapatrimonial. Seriam os nascituros dotados, 
desde a concepção, de Personalidade Formal. Entretanto, apenas 
com o nascimento com vida (condição suspensiva) é que o atributo 
da personalidade se completaria, sendo possível a conferência de 
direitos patrimoniais ao nascituro (Personalidade Material). 
 
#INFO 
- Grávida que sofre aborto por causa de acidente de trânsito tem direito de receber do DPVAT indenização 
pela morte do nascituro. 
O DPVAT é um seguro obrigatório de danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre, ou por 
sua carga, a pessoas, transportadas ou não. Em outras palavras, qualquer pessoa que sofrer danos pessoais 
causados por um veículo automotor, ou por sua carga, em vias terrestres, tem direito a receber a indenização do 
DPVAT. Isso abrange os motoristas, os passageiros, os pedestres ou, em caso de morte, os seus respectivos 
herdeiros. 
O art. 3º, I, da Lei 6.194/74 afirma que deverá ser paga indenização do DPVAT aos herdeiros do falecido no caso 
de morte no trânsito. 
O STJ decidiu que, se uma gestante envolve-se em acidente de carro e, em virtude disso, sofre um aborto, ela terá 
direito de receber a indenização por morte do DPVAT, nos termos do art. 3º, I, da Lei 6.194/74. 
O Ministro Relator afirmou expressamente que, em sua opinião, “o ordenamento jurídico como um todo – e não 
apenas o Código Civil de 2002 – alinhou-se mais à teoria concepcionista para a construção da situação jurídica do 
nascituro, conclusão enfaticamente sufragada pela majoritária doutrina contemporânea”. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.415.727-SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 4/9/2014 (Info 547). 
 
Art. 3o São ABSOLUTAMENTE INCAPAZES de exercer pessoalmente os atos da vida civil os MENORES de 16 
(dezesseis) anos. 
 
Art. 4o São INCAPAZES, RELATIVAMENTE a certos atos ou à maneira de os exercer: 
I - os MAIORES de dezesseis e MENORES de dezoito anos; 
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; 
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; 
IV - os pródigos. 
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial. 
 
12 
 
ABSOLUTAMENTE INCAPAZES (art 3º, CC) RELATIVAMENTE INCAPAZES (art 4º, CC) 
- Menores de 16 anos. 
- Maiores de 16 e menores de 18 anos; 
- ébrios habituais; 
- viciados em tóxico; 
- aqueles que, por causa transitória ou permanente, 
não puderem exprimir sua vontade; 
- pródigos. 
Representado Assistido 
Bizu: RA (representa o absolutamente); AR (assiste o relativamente) 
 
Art. 5o A menoridade CESSA aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de TODOS 
os atos da vida civil. 
Parágrafo único. CESSARÁ, para os menores, a incapacidade: 
 
Menoridade Incapacidade 
Cessa aos 18 anos completos Cessa com a emancipação 
 
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, 
INDEPENDENTEMENTE de homologação judicial (VOLUNTÁRIA), ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o 
menor tiver dezesseis anos completos (JUDICIAL); 
II - pelo casamento; (LEGAL) 
Obs.: Não abrange união estável. 
III - pelo exercício de emprego público efetivo; (LEGAL) 
IV - pela colação de grau em curso de ensino superior; (LEGAL) 
V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função 
deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. (LEGAL) 
 
EMANCIPAÇÃO 
 VOLUNTÁRIA JUDICIAL LEGAL 
Previsão Art. 5°, p. u., I, 1ª parte. Art. 5°, p. u., I, 2ª parte. Art. 5°, p. u., II, III, IV e V. 
Conceito e 
Hipóteses 
É aquela que se dá pela 
concessão de ambos os 
responsáveis, ou de um deles 
na falta do outro, mediante 
instrumento público, 
independentemente da 
homologação judicial, a 
menos que tenha, no mínimo, 
16 (dezesseis) anos 
completos. 
É aquela concedida 
pelo tutor ao pupilo - 
que tenha, ao menos, 
16 (dezesseis) anos 
completos -, mediante 
decisão judicial. 
É aquela que decorre da prática de 
ato jurídico, previsto em lei, 
incompatível com a condição de 
incapaz. Dar-se-á por: 
a) Casamento; 
b) Exercício de emprego público 
efetivo; 
c) Colação de grau de ensino 
superior; 
d) Estabelecimento civil ou 
comercial, ou a existência de relação 
de emprego, desde que, em função 
deles, o menor com dezesseis anos 
completos tenha economia própria. 
Obs.: A simples prática de qualquer 
destes atos gera a emancipação 
automaticamente. 
Registro 
Público 
SIM 
(art. 9°, II, 1ª parte) 
SIM 
(art. 9°, II, 2ª parte) 
Não 
Resp. Civil dos 
Responsáveis 
SIM 
(Solidária – única hipótese) 
Não Não 
Obs.1: A emancipação não é um instituto intermitente. Portanto, aquele que foi emancipado, não retorna a 
situação de incapacidade, pois é definitiva, irretratável e irrevogável, em regra. 
13 
 
Obs.2: No tocante à nulidade/anulabilidade do casamento, surge divergência sobre o efeito quanto à 
emancipação: 
- Havendo emancipação por conta de um casamento reconhecido como anulado, o efeito da emancipação 
permanecerá, vez que a anulação do casamento não retira seus efeitos pretéritos. 
- Se o casamento foi declarado nulo, ele não produziu efeitos e, portanto, a situação de incapacidade será 
retornada. Essa hipótese é ressalvada para os casos de casamento putativo, quando o cônjuge que estava de boa-
fé poderá permanecer emancipado em razão da putatividade. 
 
Art. 6o A existência da pessoa natural TERMINA COM A MORTE; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos 
casos em que a lei autoriza a abertura deVI, d, da CF abrange os filmes e papéis fotográficos 
necessários à publicação de jornais e periódicos.” 
 
- Os livros eletrônicos gozam de imunidade tributária. 
A imunidade tributária constante do art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal (CF), aplica-se ao livro eletrônico (“e-
book”), inclusive aos suportes exclusivamente utilizados para fixá-lo. 
STF. Plenário. RE 330817/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 8/3/2017 (repercussão geral) (Info 856). 
 
- Os componentes eletrônicos que fazem parte de curso em fascículos de montagem de placas gozam de 
imunidade tributária. 
A imunidade da alínea “d” do inciso VI do art. 150 da CF/88 alcança componentes eletrônicos destinados, 
exclusivamente, a integrar unidade didática com fascículos. 
STF. Plenário. RE 595676/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/3/2017 (repercussão geral) (Info 856). 
 
- Papel 
O papel utilizado para a impressão de livros, jornais e periódicos também é imune. 
Não importa o tipo e a qualidade do papel. Basta que ele seja utilizado para a produção de livros, jornais e 
periódicos. 
 
- Listas telefônicas: são imunes 
A edição de Listas telefônicas goza de imunidade tributária prevista no art.lSO, VI, "d", da CF/88. 
A imunidade tributária prevista em prol de livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão, ostenta 
caráter objetivo e amplo, alcançando publicações veiculadoras de informações genêricas ou específicas, ainda que 
desprovidas de caráter noticioso, discursivo, literário, poêtico ou filosófico. 
STF. 1ª Turma. RE 794185 AgR, Rel. Min. Luiz Fux. julgado em 04/05/2016. 
Chapas de impressão: NÃO são imunes 
A imunidade tributária prevista no art. 150, VI, "d," da CF/88 deve ser interpretada finalisticamente à promoção da 
cultura e restritivamente no tocante ao objeto, na medida em que alcança somente os insumos assimilâveis ao 
papel. 
STF. 1ª Turma. ARE 930133 AgR-ED. Rel. Min. Edson Fachin. Julgado em 23/09/2016. 
 
Papel para propaganda: NÃO é imune 
Os veículos de comunicação de natureza propagandística de índole eminentemente comercial e o papel utilizado 
na confecção da propaganda não estão abrangidos pela imunidade definida no art. 150, VI, "d", da CF/88, uma vez 
que não atendem aos conceitos constitucionais de Livro, jornal ou periódico contidos nessa norma. 
STF. 2ª Turma. ARE 807093 ED/MG. Rel. Min. Ricardo Lewandowski. Julgado em 05/08/2014. 
 
Serviços de distribuição de livros, jornais e periódicos: NÃO são imunes 
A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal ê firme no sentido de que a distribuição de periódicos, revistas, 
publicações, jornais e Livros não está abrangida pela imunidade tributária da alínea "d" do inciso VI do art. 150 da 
CF/88. 
STF. 2ª Turma RE 630462 AgR, Rel. Min. Ayres Britto. Julgado em 07/02/2012. 
 
 
123 
 
Serviços de composição gráfica: NÃO são imunes 
Segundo o STF, as prestadoras de serviços de composição gráfica, que realizam serviços por encomenda de 
empresas jornalísticas ou editoras de Livros, não estão abrangidas pela imunidade tributária prevista no art. 150, 
VI, d, da CF. 
As empresas que fazem composição gráfica para editoras, jornais etc. são meras prestadoras de serviço e, por isso, 
a elas não se aplica a imunidade tributária. 
STF. 2ª Turma. RE 434826 AgR/MG, rel. orig. Min. Cezar Peluso. red. p/ o acórdão Min. Celso de Mello. 
Julgado em 19/11/2013 (lnfo 719). 
 
e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais 
de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes 
materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de 
leitura a laser. (IMUNIDADE MUSICAL) 
Obs.1: Necessidade da presença dos elementos de conexão nacional. 
Obs.2: Detém aplicabilidade imediata (é norma constitucional de eficácia jurídica plena); não se sujeita à 
anterioridade tributária; 
 
IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS – CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO PARÂMETRO P/ CONCESSÃO 
SUBJETIVA/PESSOAL OBJETIVA MISTA 
Ocorre quando a imunidade foi 
instituída em razão das 
características de uma 
determinada pessoa. 
Ocorre quando a imunidade foi 
instituída em função de 
determinados fatos, bens ou 
situações. 
Verifica-se quando ocorre uma 
combinação entre os dois 
critérios anteriores. 
Ex.: art. 150, VI, a, b e c, CF. Ex.: art. 150, VI, d, CF. Ex.: art. 153, § 4º, II, CF. 
Imunidade que beneficia 
instituições de educação e de 
assistência social, sem fins 
lucrativos é uma imunidade 
subjetiva, considerando que foi 
criada em função da condição 
pessoal dessas instituições. 
Imunidade que recai sobre livros, 
jornais, periódicos e o papel 
destinado a sua impressão é 
objetiva porque não interessa quem 
seja a pessoa envolvida, mas sim 
esta lista de bens. 
A CF/88 prevê que o ITR não incide 
sobre pequenas glebas rurais, 
definidas em lei, quando as explore 
o proprietário que não possua outro 
imóvel. 
"Tal imunidade é mista porque 
depende de aspectos subjetivos (o 
proprietário possuir apenas um 
imóvel) e objetivos (a área da 
pequena gleba estar dentro dos 
limites da lei" 
 
§ 1º A vedação do inciso III, b (PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE ANUAL), não se aplica aos tributos previstos nos 
arts. 148, I (EC para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa 
ou sua iminência), 153, I (II), II (IE), IV (IPI) e V (IOF); e 154, II (Impostos Extraordinários); e a vedação do inciso 
III, c (PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL), não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I (EC 
para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua 
iminência), 153, I (II), II (IE), III (IR) e V (IOF); e 154, II (Impostos Extraordinários), nem à fixação da base de cálculo 
dos impostos previstos nos arts. 155, III (IPVA), e 156, I (IPTU). 
 
Não respeita nada (Nem a anterioridade nem a noventena) 
1 - II 
2 - IE 
3 - IOF 
4 - Guerra e calamidade: Empréstimo Compulsório e Imposto extraordinário 
124 
 
Não respeita anterioridade, mas respeita noventena 
1 - ICMS combustíveis 
2 - CIDE combustíveis 
3 - IPI 
4 - Contribuição Social 
5 - Investimento público de caráter urgente e relevante interesse nacional: Empréstimo Compulsório. 
Não respeita noventena, mas respeita a anterioridade 
1 - IR 
2 - IPVA - base de cálculo 
3 - IPTU - base de cálculo 
Exceções à Anterioridade Exceções à Noventena 
- II, IE, IPI e IOF; 
- Imposto Extraordinário de Guerra; 
- Empréstimo Compulsório (guerra/calamidade); 
- Contribuições para Financiamento da Seguridade 
Social (art. 195, § 6º); 
- ICMS monofásico sobre Combustíveis (Exceção 
parcial, ver CF/88, art. 155, §4º, inc. IV); 
- CIDE-Combustíveis (Exceção parcial, ver CF/88, art. 
177, §4º, inciso I, “b”). 
- II, IE, IR e IOF; 
- Imposto Extraordinário de Guerra; 
- Empréstimo Compulsório (guerra/calamidade); 
- Base de Cálculo do IPTU; 
- Base de Cálculo do IPVA. 
 
§ 2º A vedação do inciso VI, "a" (imunidade recíproca), é EXTENSIVA às autarquias e às fundações instituídas 
e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas 
finalidades essenciais ou às delas decorrentes. 
#INFO 
- Autarquias que cobrem tarifas pelo desempenho de serviço público, mas cuja prestação não configure 
atividade econômica gozam de imunidade recíproca. 
A imunidade tributária recíproca alcança a autarquia que presta serviço pUblico remunerado por meio de tarifas. 
Assim, o simples fato de haver a cobrança de tarifas nào descaracteriza a regra imunizante. 
STF. 1ª Turma. RE 741938 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 05/08/2014. 
STF. 2ª Turma. RE 482814 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 29/11/2011. 
 
- Imunidade tributária recíproca: existe uma presunção de que os bens das autarquias e fundações são 
utilizadossucessão definitiva. 
 
Art. 7o PODE SER declarada a MORTE PRESUMIDA, sem decretação de ausência (hipóteses taxativas): 
I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida; 
II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término 
da guerra. 
Parágrafo único. A DECLARAÇÃO DA MORTE PRESUMIDA, nesses casos, SOMENTE PODERÁ SER REQUERIDA 
depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento. 
MORTE PRESUMIDA 
COM DECRETAÇÃO DE AUSÊNCIA SEM DECRETAÇÃO DE AUSÊNCIA 
- nos casos em que a lei autoriza a abertura de 
sucessão definitiva. 
- extremamente provável a morte de quem estava em 
perigo de vida; 
- desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não 
for encontrado até dois anos após o término da 
guerra. 
 
Art. 8o Se dois ou mais indivíduos falecerem na MESMA OCASIÃO, não se podendo averiguar se algum dos 
comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão SIMULTANEAMENTE MORTOS. (COMORIÊNCIA) 
Obs.: Para configurar a comoriência, a morte não tem que ocorrer no mesmo lugar, mas apenas na mesma 
ocasião (tempo). 
 
Art. 9o Serão REGISTRADOS em registro público: 
I - os nascimentos, casamentos e óbitos; 
II - a emancipação por outorga dos pais (voluntária) ou por sentença do juiz (judicial); 
 III - a interdição por incapacidade absoluta ou relativa; 
IV - a sentença declaratória de ausência e de morte presumida. 
Bizu: Dica para ajudar a lembrar dos casos de registro: 
NASCEU (nascimento) - CRESCEU (emancipação) - CASOU (casamento) - FICOU DOIDO (interdição) - FUGIU 
(ausência) e MORREU (óbito e morte presumida). 
 
Art. 10. Far-se-á AVERBAÇÃO em registro público: 
I - das sentenças que decretarem a nulidade ou anulação do casamento, o divórcio, a separação judicial e o 
restabelecimento da sociedade conjugal; 
II - dos atos judiciais ou extrajudiciais que declararem ou reconhecerem a filiação; 
REGISTRADOS em registro público AVERBADOS em registro público 
- nascimentos; 
- casamentos; 
- óbitos; 
- emancipação por outorga dos pais; 
- emancipação por sentença do juiz; 
- interdição por incapacidade absoluta; 
- interdição por incapacidade relativa; 
- sentença declaratória de ausência; e 
- sentença declaratória de morte presumida. 
- sentenças que decretarem a nulidade ou anulação do 
casamento; 
- divórcio; 
- separação judicial; 
- restabelecimento da sociedade conjugal; e 
- atos judiciais ou extrajudiciais que declarem ou 
reconheçam a filiação. 
14 
 
CAPÍTULO II 
DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE 
Art. 11. Com EXCEÇÃO dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade SÃO INTRANSMISSÍVEIS e 
IRRENUNCIÁVEIS, NÃO PODENDO o seu exercício sofrer limitação voluntária. 
 
CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS DE 
PERSONALIDADE 
- Intransmissíveis 
- Irrenunciáveis 
- Extrapatrimoniais 
- Vitalícios 
- Inatos 
- Absolutos 
- Indisponíveis 
- Imprescritíveis 
- Impenhoráveis 
 
Art. 12. Pode-se exigir que cesse a AMEAÇA, ou a LESÃO, a DIREITO DA PERSONALIDADE, e reclamar PERDAS 
E DANOS, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. 
Parágrafo único. Em se tratando de MORTO, terá legitimação para requerer a medida prevista neste artigo o 
cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau. (danos em ricochete) 
 
#NÃOCONFUNDA: 
Art. 12, parágrafo único, CC Art. 20, parágrafo único, CC 
Lesão ou ameaça de lesão a DIREITOS DA 
PERSONALIDADE do morto 
Lesão à IMAGEM do morto/ausente 
Legitimados: ascendentes, descendentes, cônjuge e 
colaterais até o 4º grau 
Legitimados: ascendentes, descendentes, cônjuge 
 
Art. 13. SALVO POR EXIGÊNCIA MÉDICA, É DEFESO o ato de disposição do próprio corpo, quando IMPORTAR 
diminuição permanente da integridade física, ou CONTRARIAR os bons costumes. 
Parágrafo único. O ato previsto neste artigo será ADMITIDO para fins de TRANSPLANTE, na forma estabelecida 
em lei especial. 
 
Art. 14. É VÁLIDA, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição GRATUITA do próprio corpo, no todo ou 
em parte, para depois da morte. (PRINCÍPIO DO CONSENSO AFIRMATIVO) 
Parágrafo único. O ato de disposição PODE SER livremente revogado a qualquer tempo. 
 
Art. 15. Ninguém PODE SER CONSTRANGIDO a submeter-se, com risco de vida, a TRATAMENTO MÉDICO ou 
a INTERVENÇÃO CIRÚRGICA. 
 
#INFO 
- Os direitos da personalidade podem ser objeto de disposição voluntária, desde que não permanente nem 
geral. 
O exercício dos direitos da personalidade pode ser objeto de disposição voluntária, desde que não permanente 
nem geral, estando condicionado à prévia autorização do titular e devendo sua utilização estar de acordo com o 
contrato estabelecido entre as partes. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.630.851/SP, Rel. Min. Paulo de Torso Sonseverino. Julgado em 27/04/2017 (Info 606). 
 
- A inobservância do dever de informar e de obter o consentimento informado do paciente viola o direito 
à autodeterminação e caracteriza responsabilidade extracontratual. 
O médico deverá ser condenado a pagar indenização por danos morais ao paciente que teve sequelas em virtude 
de complicações ocorridas durante a cirurgia caso ele não tenha explicado ao paciente os riscos do procedimento. 
O dever de informar é dever de conduta decorrente da boa-fé objetiva e sua simples inobservância caracteriza 
inadimplemento contratual, fonte de responsabilidade civil per se. A indenização, nesses casos, é devida pela 
privação sofrida pelo paciente em sua autodeterminação, por lhe ter sido retirada a oportunidade de ponderar os 
15 
 
riscos e vantagens de determinado tratamento que, ao final, lhe causou danos que poderiam não ter sido causados 
caso não fosse realizado o procedimento, por opção do paciente. 
O dever de informação é a obrigação que possui o médico de esclarecer o paciente sobre os riscos do tratamento, 
suas vantagens e desvantagens, as possíveis técnicas a serem empregadas, bem como a revelação quanto aos 
prognósticos e aos quadros clínico e cirúrgico, salvo quando tal informação possa afetá-lo psicologicamente, 
ocasião em que a comunicação será feita a seu representante legal. 
Para que seja cumprido o dever de informação, os esclarecimentos deverão ser prestados de forma individualizada 
em relação ao caso do paciente, não se mostrando suficiente a informação genérica (blanket consent). 
O ônus da prova quanto ao cumprimento do dever de informar e obter o consentimento informado do paciente 
é do médico ou do hospital, orientado pelo princípio da colaboração 
processual, em que cada parte deve contribuir com os elementos probatórios que mais facilmente lhe possam ser 
exigidos. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.540.580-DF, Rel. Min. Lázaro Guimarães (Desembargador Convocado do TRF 5ª 
Região), Rel. Acd. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 02/08/2018 (Info 632). 
 
Art. 16. Toda pessoa tem direito ao NOME, nele compreendidos o prenome e o sobrenome. 
 
Direito ao nome: É o direito à individualização da pessoa. Subdivide-se em: 
Prenome 
Identifica a pessoa e pode ser simples ou composto. 
Ex.: Eduardo ou Carlos Eduardo. 
Sobrenome ou Patronímico 
Identifica a origem ancestral, familiar e também pode ser simples ou 
composto. 
Ex.: Maia. 
Agnome 
Partícula diferenciadora que serve para distinguir pessoas pertencentes à 
mesma família e com o mesmo nome. 
Ex.: Júnior, Filho, Neto, Sobrinho, Segundo, Terceiro. 
Hipocorístico 
É um apelido, uma alcunha que designa alguém pessoal e profissionalmente. 
Ex.: Xuxa. 
Não é elemento do nome, embora mereça proteção. 
Pseudônimo, Codinome ou 
Heterônimo 
É o nome que identifica alguém tão-somente em sua esfera profissional. 
Ex.: Bruna Surfistinha, embora seu nome verdadeiro seja Raquel Pacheco. 
Pelo art. 19 do CC, o pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da 
proteção que se dá ao nome. 
Não é elemento do nome, embora mereça proteção.Art. 17. O nome da pessoa NÃO PODE SER empregado por outrem em publicações ou representações que a 
exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória. 
 
Art. 18. SEM AUTORIZAÇÃO, NÃO SE PODE USAR o nome alheio em propaganda comercial. 
 
Art. 19. O PSEUDÔNIMO adotado para atividades lícitas GOZA da proteção que se dá ao nome. 
 
#INFO 
JURISPRUDÊNCIA SOBRE DIREITO AO NOME 
- Imutabilidade relativa do nome. 
Em regra, o nome é imutável. É o chamado princípio da imutabilidade relativa do nome civil. 
A regra da inalterabilidade relativa do nome civil preconiza que o nome (prenome e sobrenome), estabelecido por 
ocasião do nascimento, reveste-se de definitividade, admitindo-se sua modificação, excepcionalmente, nas 
hipóteses expressamente previstas em lei ou reconhecidas como excepcionais por decisão judicial (art. 57 da Lei 
no 6.015/75), exigindo-se, para tanto, justo motivo e ausência de prejuízo a terceiros. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1138103/PR. Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma. Julgado em 06/09/2011. 
 
 
16 
 
- Transgênero pode alterar seu prenome e gênero no registro civil mesmo sem fazer cirurgia de 
transgenitalização e mesmo sem autorização judicial. 
O transgênero tem direito fundamental subjetivo à alteração de seu prenome e de sua classificação de gênero no 
registro civil, não se exigindo, para tanto, nada além da manifestação de vontade do indivíduo, o qual poderá 
exercer tal faculdade tanto pela via judicial como diretamente pela via administrativa. 
Essa alteração deve ser averbada à margem do assento de nascimento, vedada a inclusão do termo 
“transgênero”. 
Nas certidões do registro não constará nenhuma observação sobre a origem do ato, vedada a expedição de 
certidão de inteiro teor, salvo a requerimento do próprio interessado ou por determinação judicial. 
Efetuando-se o procedimento pela via judicial, caberá ao magistrado determinar de ofício ou a requerimento do 
interessado a expedição de mandados específicos para a alteração dos demais registros nos órgãos públicos ou 
privados pertinentes, os quais deverão preservar o sigilo sobre a origem dos atos. 
STF. Plenário. RE 670422/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/8/2018 (repercussão geral) (Info 911). 
Os transgêneros, que assim o desejarem, independentemente da cirurgia de transgenitalização, ou da realização 
de tratamentos hormonais ou patologizantes, possuem o direito à alteração do prenome e do gênero (sexo) 
diretamente no registro civil. 
STF. Plenário. ADI 4275/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 
28/2 e 1º/3/2018 (Info 892). 
 
- Transexual pode alterar seu prenome e gênero no registro civil mesmo sem fazer a cirurgia de 
transgenitalização. 
O direito dos transexuais à retificação do prenome e do sexo/gênero no registro civil não é condicionado à 
exigência de realização da cirurgia de transgenitalização. 
Trata-se de novidade porque, anteriormente, a jurisprudência exigia a realização da cirurgia de transgenitalização. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.626.739-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 9/5/2017 (Info 608). 
 
- É possível a retificação do registro civil para acréscimo do segundo patronímico do marido ao nome da 
mulher durante a convivência matrimonial. 
O cônjuge pode acrescentar sobrenome do outro (§ 1º do art. 1.565, do Código Civil). 
Em regra, o sobrenome do marido/esposa é acrescido no momento do matrimônio, sendo essa providência 
requerida no processo de habilitação do casamento. 
A despeito disso, não existe uma vedação legal expressa para que, posteriormente, no curso do relacionamento, 
um dos cônjuges requeira o acréscimo do outro patronímico do seu cônjuge por meio de ação de retificação de 
registro civil, especialmente se o cônjuge apresenta uma justificativa. 
Vale ressaltar que o art. 1.565, §1º do CC não estabelece prazo para que o cônjuge adote o apelido de família do 
outro, em se tratando, no caso, de mera complementação, e não alteração do nome. 
Assim, é possível a retificação do registro civil para acréscimo do segundo patronímico do marido ao nome da 
mulher durante a convivência matrimonial. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.648.858-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 20/08/2019 (Info 655). 
 
- Alteração do nome posterior ao casamento. 
Imagine a seguinte situação: marido e mulher se casaram e, no momento da habilitação do casamento, não 
requereram a alteração do nome. É possível que, posteriormente, um possa acrescentar o sobrenome do outro? 
SIM. É permitido incluir ao seu nome o sobrenome do outro, ainda que após a data da celebração do casamento. 
Vale ressaltar, no entanto, que esse acréscimo terá que ser feito por intermédio da ação de retificação de registros 
públicos, nos termos dos arts. 57 e 109 da Lei de Registros Públicos (Lei n• 6.015/1973). Assim, não será possível a 
alteração pela via administrativa, mas somente em juízo. 
STJ. 4ª Turma. REsp 910.094/SC. Min. Rel. Raul Aratijo. Julgado em 04/09/2011. 
 
- Possibilidade de voltar o nome de solteira após a morte do marido. 
É admissível o restabelecimento do nome de solteiro na hipótese de dissolução do vínculo conjugal pelo 
falecimento do cônjuge. 
Ex.: Maria Pimentel da Costa casou-se com João Ferreira. Com o casamento, ela incorporou o patronímico do 
marido e passou a chamar-se Maria da Costa Ferreira. Alguns anos mais tarde, João faleceu. Maria poderá voltar a 
17 
 
usar o nome de solteira (Maria Pimentel da Costa), excluindo o patronímico do falecido marido? Sim. Vale ressaltar 
que não há previsão legal para a retomada do nome de solteira em caso de morte do marido. A lei somente prevê 
a possibilidade de o homem ou a mulher voltarem a usar o nome de solteiro (a) em caso de divórcio (art. 1.571, § 
2º, do CC). Apesar disso, o STJ entende que isso deve ser permitido. A viuvez e o divórcio são hipóteses muito 
parecidas e envolvem uma mesma razão de ser: a dissolução do vínculo conjugal. Logo, não há justificativa 
plausível para que se trate de modo diferenciado as referidas situações. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.724.718-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/05/2018 (Info 627). 
 
- Direito de a pessoa retificar seu patronímico no registro de nascimento de seu filho após divórcio. 
Se a genitora, ao se divorciar, volta a usar seu nome de solteira, é possível que o registro de nascimento dos filhos 
seja retificado para constar na filiação o nome atual da mãe. 
É direito subjetivo da pessoa retificar seu patronímico no registro de nascimento de seus filhos após divórcio. 
A averbação do patronímico no registro de nascimento do filho em decorrência do casamento atrai, à luz do 
princípio da simetria, a aplicação da mesma norma à hipótese inversa, qual seja, em decorrência do divórcio, um 
dos genitores deixa de utilizar o nome de casado (art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 8.560/1992). 
Em razão do princípio da segurança jurídica e da necessidade de preservação dos atos jurídicos até então 
praticados, o nome de casada não deve ser suprimido dos assentamentos, procedendo-se, tão somente, a 
averbação da alteração requerida após o divórcio. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.279.952-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 3/2/2015 (Info 555). 
 
- É possível a exclusão dos sobrenomes paternos em razão do abandono pelo genitor. 
Imagine que determinado indivíduo foi abandonado pelo pai quando era ainda criança, tendo sido criado apenas 
pela mãe. Quando completou 18 anos, esse rapaz decidiu que desejava que fosse excluído o nome de seu pai de 
seu assento de nascimento e que o patronímico de seu pai fosse retirado de seu nome, incluindo-se o outro 
sobrenome da mãe. 
O STJ decidiu que esse pedido pode ser deferido e que pode ser excluído completamente do nome civil do 
interessado os sobrenomes de seu pai, que o abandonou em tenra idade. 
A jurisprudência tem adotado posicionamento mais flexívelacerca da imutabilidade ou definitividade do nome 
civil. 
O princípio da imutabilidade do nome não é absoluto no sistema jurídico brasileiro. Além disso, a referida 
flexibilização se justifica pelo próprio papel que o nome desempenha na formação e consolidação da 
personalidade de uma pessoa. 
Desse modo, o direito da pessoa de portar um nome que não lhe remeta às angústias decorrentes do abandono 
paterno e, especialmente, corresponda à sua realidade familiar, sobrepõe-se ao interesse público de imutabilidade 
do nome, já excepcionado pela própria Lei de Registros Públicos. 
Sendo assim, nos moldes preconizados pelo STJ, considerando que o nome é elemento da personalidade, 
identificador e individualizador da pessoa na sociedade e no âmbito familiar, conclui-se que o abandono pelo 
genitor caracteriza o justo motivo de o interessado requerer a alteração de seu nome civil, com a respectiva 
exclusão completa dos sobrenomes paternos. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.304.718-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 18/12/2014 (Info 555). 
 
- É possível a exclusão do patronímico do ex-padrasto. 
É possível alterar o registro de nascimento para nele fazer constar o nome de solteira da genitora, excluindo o 
patronímico do ex-padrasto. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.072.402/MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão. Julgada em 04/12/2012. 
 
- Alteração de registro civil após aquisição de dupla cidadania. 
O brasileiro que adquiriu dupla cidadania pode ter seu nome retificado no registro civil do Brasil, desde que isso 
não cause prejuízo a terceiros, quando vier a sofrer transtornos no exercício da cidadania por força da apresentação 
de documentos estrangeiros com sobrenome imposto por lei estrangeira e diferente do que consta em seus 
documentos brasileiros. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.310.088-MG, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Rel. para acórdão Min. Paulo de 
Tarso Sanseverino, julgado em 17/5/2016 (Info 588). 
 
18 
 
Art. 20. SALVO se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, 
a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da IMAGEM de uma 
pessoa poderão ser proibidas, A SEU REQUERIMENTO e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe 
atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais. 
Parágrafo único. Em se tratando de MORTO ou de AUSENTE, são partes legítimas para requerer essa proteção 
o cônjuge, os ascendentes ou os descendentes. 
 
#NÃOCONFUNDA: 
Art. 12, parágrafo único, CC Art. 20, parágrafo único, CC 
Lesão ou ameaça de lesão a DIREITOS DA 
PERSONALIDADE do morto 
Lesão à IMAGEM do morto/ausente 
Legitimados: ascendentes, descendentes, cônjuge e 
colaterais até o 4º grau 
Legitimados: ascendentes, descendentes, cônjuge 
 
#INFO 
- Inexistência do direito à indenização em razão da divulgação, no jornal, de imagem do cadáver morto em 
via pública. 
Jornal divulgou a foto do cadáver de um indivíduo morto em tiroteio ocorrido em via pública. 
Os familiares do morto ajuizaram ação de indenização por danos morais contra o jornal alegando que houve 
violação aos direitos de imagem. 
O STF julgou a ação improcedente argumentando que condenar o jornal seria uma forma de censura, o que afronta 
a liberdade de informação jornalística. 
STF. 2ª Turma. ARE 892127 AgR/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/10/2018 (Info 921). 
 
Art. 21. A VIDA PRIVADA da pessoa natural é INVIOLÁVEL, e o juiz, a requerimento do interessado, ADOTARÁ 
as providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma. 
- Súmula nº 403, STJ: “Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da imagem 
de pessoa com fins econômicos ou comerciais.” 
 
#INFO 
- É desnecessária a autorização do titular da obra parodiada que não for verdadeira reprodução da obra 
originária nem lhe implicar descrédito, ainda que a paródia tenha finalidade eleitoral. 
A paródia é uma das limitações do direito de autor, com previsão no art. 47 da Lei 9.610/98, que prevê serem livres 
as paráfrases e paródias que não forem verdadeiras reproduções da obra originária nem lhe implicarem descrédito. 
Respeitadas essas condições, é desnecessária a autorização do titular da obra parodiada. 
A finalidade da paródia, se comercial, eleitoral, educativa, puramente artística ou qualquer outra, é indiferente para 
a caracterização de sua licitude e liberdade assegurada pela Lei nº 9.610/98. 
Caso concreto: durante sua campanha de reeleição para Deputado Federal em 2014, o humorista Tiririca fez uma 
paródia da música “O Portão”, de autoria de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, na qual pedia votos. O STJ entendeu 
que não era devida indenização para o titular dos direitos autorais porque, em regra, não é necessária prévia 
autorização para a realização de paródias. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.810.440-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/11/2019 (Info 661). 
 
- Ainda que a intérprete tenha autorizado a gravação e produção de um fonograma, a reprodução e 
comercialização do material obtido, em CD, precisa de sua nova anuência, não se podendo dizer que estava 
abrangida pela primeira autorização. 
A fixação de uma interpretação em fonograma não é suficiente para absorver o direito prévio do intérprete, 
tampouco deriva em anuência para sua reprodução sucessiva ou em cessão definitiva de todos os direitos 
titularizados pelo intérprete e demais titulares de direitos de autor ou conexos. 
Os direitos do artista intérprete estão elencados nos incisos do art. 90 da Lei nº 9.610/98, e a disposição de cada 
um deles não presume a cessão dos demais, devendo-se interpretar restritivamente os contratos de cessão de 
direitos autorais. 
19 
 
Caso concreto: Juliana, cantora, foi contratada pela “VAM Ltda” (empresa produtora de mídias) para gravar a 
canção “La vem Emília”. Ao ser contratada, Juliana foi informada de que a música seria utilizada como tema da 
personagem Emília, no programa de TV “Sítio do Pica Pau Amarelo”. Posteriormente, esse fonograma foi incluído 
em um CD intitulado Sítio do Pica-Pau Amarelo produzido pela “VAM Ltda”. Ocorre que Juliana não foi comunicada 
de que a música seria inserida no CD, além de a produtora não ter inserido o nome da intérprete nos créditos. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.400.463-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/11/2019 (Info 661). 
 
- A Súmula 403 do STJ é inaplicável para representação da imagem de pessoa como coadjuvante em 
documentário que tem por objeto a história profissional de terceiro. 
Ação de indenização proposta por ex-goleiro do Santos em virtude da veiculação indireta de sua imagem (por 
ator profissional contratado), sem prévia autorização, em cenas do documentário “Pelé Eterno”. O autor alegou 
que a simples utilização não autorizada de sua imagem, ainda que de forma indireta, geraria direito a indenização 
por danos morais, independentemente de efetivo prejuízo. 
O STJ não concordou. 
A representação cênica de episódio histórico em obra audiovisual biográfica não depende da concessão de prévia 
autorização de terceiros ali representados como coadjuvantes. 
O STF, no julgamento da ADI 4.815/DF, afirmou que é inexigível a autorização de pessoa biografada relativamente 
a obras biográficas literárias ou audiovisuais bem como desnecessária a autorização de pessoas nelas retratadas 
como coadjuvantes. 
A Súmula 403/STJ é inaplicável às hipóteses de representação da imagem de pessoa como coadjuvante em obra 
biográfica audiovisual que tem por objeto a história profissional de terceiro. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.454.016-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, 
julgado em 12/12/2017 (Info 621). 
 
- A Súmula 403 do STJ não se aplica para divulgação de imagem vinculada a fato histórico de repercussão 
social. 
A Súmula 403 do STJ é inaplicável às hipóteses de divulgaçãode imagem vinculada a fato histórico de repercussão 
social. 
 
- Biografias: autorização prévia e liberdade de expressão. 
Para que seja publicada uma biografia NÃO é necessária autorização prévia do indivíduo biografado, das demais 
pessoas retratadas, nem de seus familiares. Essa autorização prévia seria uma forma de censura, não sendo 
compatível com a liberdade de expressão consagrada pela CF/88. As exatas palavras do STF foram as seguintes: 
“É inexigível o consentimento de pessoa biografada relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais, 
sendo por igual desnecessária a autorização de pessoas retratadas como coadjuvantes ou de familiares, em caso 
de pessoas falecidas ou ausentes”. 
Caso o biografado ou qualquer outra pessoa retratada na biografia entenda que seus direitos foram violados pela 
publicação, terá direito à reparação, que poderá ser feita não apenas por meio de indenização pecuniária, como 
também por outras formas, tais como a publicação de ressalva, de nova edição com correção, de direito de 
resposta etc. 
STF. Plenário. ADI 4815/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 10/6/2015 (Info 789). 
 
- Utilização indevida da imagem da pessoa em propaganda político-eleitoral. 
Configura dano moral indenizável a divulgação não autorizada da imagem de alguém em material impresso de 
propaganda político-eleitoral, independentemente da comprovação de prejuízo. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.217.422-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 23/9/2014 (Info 549). 
 
- Divulgação não autorizada de foto de pessoa física em campanha publicitária. 
Configura dano moral a divulgação não autorizada de foto de pessoa física em campanha publicitária promovida 
por sociedade empresária com o fim de, mediante incentivo à manutenção da limpeza urbana, incrementar a sua 
imagem empresarial perante a população, ainda que a fotografia tenha sido capturada em local público e sem 
nenhuma conotação ofensiva ou vexaminosa. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.307.366-RJ, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 3/6/2014 (Info 546). 
 
20 
 
- Existe ofensa mesmo que a veiculação não tenha caráter vexatório. 
A ofensa ao direito à imagem materializa-se com a mera utilização da imagem sem autorização, ainda que não 
tenha carâter vexatório ou que não viole a honra ou a intimidade da pessoa, e desde que o conteúdo exibido seja 
capaz de individualizar o ofendido. 
A obrigação de reparação decorre do próprio uso indevido do direito personalíssimo, não sendo devido exigir-se 
a prova da existência de prejuízo ou dano. O dano é a própria utilização indevida da imagem. 
STJ. 4ª Turma. REsp 794.586/RJ. Rel. Min. Raul Araújo. Julgado em 15/03/2012. 
 
JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 137 DO STJ - DOS DIREITOS DE PERSONALIDADE I 
1) O exercício dos direitos da personalidade pode sofrer limitação voluntária, desde que não seja permanente 
nem geral. (Enunciado n. 4 da I Jornada de Direito Civil do CJF) 
2) A pretensão de reconhecimento de ofensa a direito da personalidade é imprescritível. 
3) A ampla liberdade de informação, opinião e crítica jornalística reconhecida constitucionalmente à imprensa não 
é um direito absoluto, encontrando limitações, tais como a preservação dos direitos da personalidade. 
4) No tocante às pessoas públicas, apesar de o grau de resguardo e de tutela da imagem não ter a mesma 
extensão daquela conferida aos particulares, já que comprometidos com a publicidade, restará configurado o 
abuso do direito de uso da imagem quando se constatar a vulneração da intimidade ou da vida privada. 
5) Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com 
fins econômicos ou comerciais. (Súmula n. 403/STJ) 
6) A divulgação de fotografia em periódico (impresso ou digital) para ilustrar matéria acerca de manifestação 
popular de cunho político-ideológico ocorrida em local público não tem intuito econômico ou comercial, mas 
tão-somente informativo, ainda que se trate de sociedade empresária, não sendo o caso de aplicação da 
Súmula n. 403/STJ. 
7) A publicidade que divulgar, sem autorização, qualidades inerentes a determinada pessoa, ainda que sem 
mencionar seu nome, mas sendo capaz de identificá-la, constitui violação a direito da personalidade. 
(Enunciado n. 278 da IV Jornada de Direito Civil do CJF) 
8) O uso e a divulgação, por sociedade empresária, de imagem de pessoa física fotografada isoladamente em 
local público, em meio a cenário destacado, sem nenhuma conotação ofensiva ou vexaminosa, configura dano 
moral decorrente de violação do direito à imagem por ausência de autorização do titular. 
9) O uso não autorizado da imagem de menores de idade gera dano moral in re ipsa. 
10) A tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informação inclui o direito ao esquecimento, ou 
seja, o direito de não ser lembrado contra sua vontade, especificamente no tocante a fatos desabonadores à 
honra. (Vide Enunciado n. 531 da IV Jornada de Direito Civil do CJF) 
11) Quando os registros da folha de antecedentes do réu são muito antigos, admite-se o afastamento de sua 
análise desfavorável, em aplicação à teoria do direito ao esquecimento. 
JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 138 DO STJ - DOS DIREITOS DE PERSONALIDADE II 
1) O dano moral extrapatrimonial atinge direitos de personalidade do grupo ou da coletividade como realidade 
massificada, não sendo necessária a demonstração de da dor, da repulsa, da indignação, tal qual fosse um 
indivíduo isolado. 
2) A imunidade conferida ao advogado para o pleno exercício de suas funções não possui caráter absoluto, 
devendo observar os parâmetros da legalidade e da razoabilidade, não abarcando violações de direitos da 
personalidade, notadamente da honra e da imagem de outras partes ou de profissionais que atuem no 
processo. 
3) A voz humana encontra proteção nos direitos da personalidade, seja como direito autônomo ou como parte 
integrante do direito à imagem ou do direito à identidade pessoal. 
4) O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo, indisponível e imprescritível, assentado 
no princípio da dignidade da pessoa humana. 
5) A regra no ordenamento jurídico é a imutabilidade do prenome, um direito da personalidade que designa o 
indivíduo e o identifica perante a sociedade, cuja modificação revela-se possível, no entanto, nas hipóteses 
previstas em lei, bem como em determinados casos admitidos pela jurisprudência. 
6) O transgênero tem direito fundamental subjetivo à alteração de seu prenome e de sua classificação de 
gênero no registro civil, exigindo-se, para tanto, nada além da manifestação de vontade do indivíduo, em 
respeito aos princípios da identidade e da dignidade da pessoa humana, inerentes à personalidade. 
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