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Prática da petição inicial penal
Você vai conhecer a relação entre teoria e prática atinente às peças inaugurais da ação penal, que poderão
ser apresentadas tanto pelo Estado, em defesa dos interesses da sociedade, quanto pelo ente privado, em
defesa dos interesses de determinado indivíduo.
Prof. Rodrigo Holanda Bragança
1. Itens iniciais
Propósito
O processo penal é composto por dois momentos: momento pré-processual, relacionado à fase investigatória,
e o momento processual (ação penal) cujo marco de abertura se dá pelo oferecimento de denúncia ou de
queixa-crime. É importante para os profissionais do direito o estudo aprofundado de como, quando e quais
são os pressupostos para que se inicie a ação penal.
Preparação
Antes de iniciar os seus estudos tenha em mãos o Código de Processo Penal, o Código Penal, a Constituição
da República, os Regimentos Internos do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, e o
Estatuto da Advocacia (Lei nº 8906/1994).
Objetivos
Reconhecer a peça inaugural das ações penais públicas, e seus requisitos e pressupostos, como 
elementos autorizadores do exercício da ampla defesa.
Analisar a queixa-crime como peça inaugural da ação penal privada e a hipótese de ofertá-la nas 
ações públicas.
Introdução
O processo penal deve ser entendido como instrumento de proteção do indivíduo contra o uso arbitrário do
poder punitivo estatal. Por esse motivo, a Constituição da República de 1988, em seu art. 5º, instituiu uma
série de garantias individuais, por exemplo, as garantias do contraditório e da ampla defesa, originárias do
devido processo legal.
Assim, todo e qualquer ato processual deve seguir rigorosamente o que dispõe a lei processual, que, por sua
vez, deve se alinhar ao que diz a Constituição. Em razão da imparcialidade e da segurança jurídica, é defeso
ao juízo a instauração de processos de ocasião, ou seja, que se desenvolvam de acordo com o interesse de
uma parte em detrimento de outra. Conclui-se, portanto, que forma é garantia.
Por esse motivo, para que seja instaurada a ação penal, a peça que a inaugura, denúncia ou queixa-crime,
deverá atender a uma série de requisitos elencados no art. 41 do Código de Processo Penal. Ao dispor que a
denúncia deverá descrever os fatos de forma “pormenorizada”, por exemplo, busca-se assegurar ao acusado
o exercício do contraditório e da ampla defesa, na medida em que o oportuniza impugnar cada item que julgar
contestável.
É interessante notar que, nas ações penais públicas, sejam elas incondicionadas ou condicionadas à
representação, a petição inicial nem sempre será a denúncia. Em casos de desídia do Ministério Público, ao
deixar de oferecer a denúncia no prazo legal, o ofendido poderá oferecer queixa-crime. Trata-se da ação
penal privada subsidiária da pública. Ao longo de nosso estudo, veremos as hipóteses de cabimento e como
se dá a atuação do ofendido e do Ministério Público nesses casos.
O presente estudo traz um conteúdo importante acerca dessa temática, mostrando aspectos relevantes das
peças e formas que dão início à ação de natureza penal, a qual é regida por uma série de garantias
constitucionais, de modo a não se tratar de mero ato protocolar.
• 
• 
1. Denúncia como peça inaugural da ação penal
Denúncia como meio de promoção da ação penal pública
Acompanhe no vídeo uma breve introdução sobre a denúncia criminal.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Primeiras observações
O processo penal é subdivido em dois momentos: 
1.
Fase pré-processual
2.
Fase processual
A fase pré-processual é o momento em que se dará início às investigações levadas a efeito pela autoridade
policial, por meio de procedimento investigatório (inquérito policial ou termo circunstanciado).
Essa etapa começa pela comunicação da autoridade policial da ocorrência de determinado fato que, a
princípio, pode ser considerado crime. A comunicação poderá ser realizada oralmente ou por meio de notícia
de crime.
Atenção
A notícia de crime é uma peça técnica, geralmente elaborada por advogado. Nela, constam a dinâmica
dos fatos e as respectivas adequações típicas. Para além de requerer a instauração de procedimento
criminal para a apuração dos fatos, é possível, ao final, que se requeira, também, a realização de
diligências investigativas. Por exemplo: o depoimento de testemunhas, a requisição de imagens de
câmeras etc. 
Finda a investigação criminal, a autoridade policial deverá confeccionar o relatório final da investigação, que
consiste no relato de todas as diligências realizadas. Nessa ocasião, é possível que a autoridade policial
conclua pelo indiciamento do investigado, embora o Ministério Público não esteja vinculado a esse
entendimento.
Uma vez relatado, o procedimento investigatório será remetido ao Ministério Público para formar a sua opinio
delicti, visto que o MP possui a titularidade da ação penal (dominus litis), conforme inteligência do art. 129, I,
da Constituição da República.
A opinio delicti é o entendimento do Ministério
Público acerca da presença de justa causa,
pressuposto de instauração da ação penal (art.
395 do Código de Processo Penal). Nesse
momento será verificada a prova da
materialidade, isto é, se há crime, e indícios
suficientes de autoria, ou seja, se existem
elementos de prova (confeccionados em sede
policial) suficientes que apontem para
determinada pessoa como autora do crime.
Além da busca pelo fato oculto, o procedimento
investigatório tem como função principal filtrar
acusações infundadas. Desse modo, busca-se
evitar a instauração de ações penais
desnecessárias.
Verificada a existência de justa causa (prova da materialidade e indícios de autoria), o Ministério Público
deverá oferecer denúncia; peça inaugural da ação penal.
Por fim, havendo justa causa, não é facultado ao órgão acusatório o oferecimento ou não de denúncia. Nesse
caso, a apresentação de denúncia é obrigatória por força do princípio da obrigatoriedade e da
indisponibilidade da ação penal (art. 42 do Código de Processo Penal).
Requisitos formais da denúncia
A denúncia é a petição inicial ofertada pelo órgão acusatório em desfavor de um ou mais réus, nas ações
penais públicas. Essa peça processual, que inaugura a ação penal, deve atender aos comandos dispostos no
art. 41 do Código de Processo Penal, que diz que a denúncia conterá:
(I)
Exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias.
(II)
Qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo.
(III)
Classificação do crime.
(IV)
Rol das testemunhas.
Expor o fato criminoso com todas as suas circunstâncias significa dizer que o representante do Ministério
Público deverá descrever os fatos de modo a adequá-lo à redação de um tipo penal básico, ou seja, é preciso
narrar, na denúncia, a figura central do crime. Caso exista alguma qualificadora, o Ministério Público deverá,
igualmente, descrever os fatos de modo a adequá-los ao tipo derivado (qualificadora).
Exemplo
Imagine que uma bicicleta foi subtraída por determinada pessoa, que utilizara uma chave falsa para abrir
o cadeado que a prendia a um poste. Trata-se de um furto qualificado com emprego de chave falsa (art.
155, § 4º, III, do CP). Nesse caso, é indispensável que a denúncia narre o fato principal (a subtração da
bicicleta) e as qualificadoras envolvidas (qual foi o modo empregado para a subtração da bicicleta,
emprego de chave falsa, rompimento de obstáculo etc.). 
Apesar de a qualificação do acusado ser requisito da denúncia, muitas vezes é inviável o cumprimento desse
item, pois nem todo cidadão brasileiro possui seus dados completos ou registros básicos, como certidão de
nascimento e carteira de identidade. Nesse caso, diz o art. 259 do Código de Processo Penal que a “[...]
impossibilidade de identificação do acusado com o seu verdadeiro nome ou outros qualificativos não retardará
a ação penal, quando certa a identidade física”. Bastará, portanto, que seja exposta a determinação
geográfica do denunciado. Assim, é imprescindívelEla deverá ser fundamentada no art. 396-A
do Código de Processo Penal. Em primeiro lugar, ela deverá ser endereçada ao juízo da 83ª Vara Criminal
da comarca da capital do TJRJ, ainda que incompetente. Isaque deverá ser qualificado. A peça deverá ser
dividida nos seguintes tópicos: fatos; preliminares de inépcia, ausência de justa causa e exceção de
incompetência; mérito: causa de absolvição sumária; e, ao final, a peça deverá ser datada, assinada e
incluir o rol de testemunhas.
No tópico de inépcia, deverá ser alegado que a denúncia não descreve os fatos de forma detalhada, de
modo a tornar impossível o exercício da ampla defesa e do contraditório, uma vez que não é possível
compreender do que, exatamente, está a se defender. Nesse sentido, deverá ser requerida a rejeição da
denúncia com base no art. 395, inciso I, do Código de Processo Penal.
Quanto à justa causa, é imprescindível que se discorra sobre a sua ausência, posto que tanto a prova da
materialidade quanto os indícios de autoria não estão presentes na denúncia. Isso porque o Ministério
Público não se desincumbiu da sua obrigação de apresentar provas mínimas que denotassem a prova que
o crime de ameaça existiu e, se existiu, as provas de que teria sido Isaque o autor do fato. Assim, deverá
ser requerida, também, a rejeição da denúncia com fundamento no art. 395, inciso III, do Código de
Processo Penal.
Ainda nas preliminares, deverá ser oposta exceção de incompetência, haja vista que o juízo competente
para processar e julgar o crime de ameaça é o Juizado Especial Criminal, por se tratar de crime de menor
potencial ofensivo.
4. 
5. 
6. 
7. 
8. 
A causa de absolvição sumária poderá ser reconhecida tanto com fundamento no inciso III do art. 397 do
Código de Processo Penal quanto no inciso IV do referido artigo. Isto é, o fato narrado, evidentemente, não
constitui crime, uma vez que “sentir temor” de encontrar com um vizinho não configura, per si, o crime de
ameaça. Além disso, ainda que houvesse crime de ameaça este estaria prescrito, pois os fatos ocorreram
em 2003 e a denúncia foi oferecida em 2022.
Se desejar, você pode voltar ao tópico Estrutura dos memoriais de alegações finais e reler o conteúdo.
3. Conclusão
Considerações finais
Em nossos estudos, dissecamos as peças processuais de defesa que deverão ser apresentadas ao longo do
processo de conhecimento: a resposta à acusação e as alegações finais. Analisamos o contexto temporal de
cada peça, seus aspectos técnicos e práticos e a finalidade de cada uma delas.
A resposta à acusação é uma peça de suma importância para a defesa. Ela inaugura a atuação da defesa
técnica na ação penal e representa a chance de encerrar o processo com a maior brevidade possível. A
nomenclatura utilizada para essa peça pode variar, uma vez que, no procedimento estabelecido pela Lei de
Drogas, utiliza-se o termo “defesa prévia”. A resposta à acusação deverá conter todos os argumentos
tendentes a impugnar a denúncia tanto no mérito quanto na forma.
Assim, a resposta à acusação poderá discorrer sobre questões preliminares, como a inépcia da denúncia ou a
ausência de justa causa, bem como questões de mérito, atinentes à manifesta atipicidade da conduta ou a
causas de absolvição sumária, como a existência de excludente de ilicitude ou extinção de punibilidade.
Embora o prazo para apresentação da resposta à acusação seja de dez dias, este poderá ser dilatado em
razão de vício presente na peça processual apresentada por outro advogado. Para que isso ocorra, é
necessária a demonstração de prejuízo para o réu.
Além disso, analisamos as alegações finais, última oportunidade de manifestação das partes antes da
prolação da sentença. Diferentemente da defesa preliminar, que deverá ser mais concisa, as alegações finais
deverão ser mais minuciosas e conter riqueza de detalhes, uma vez que serão discutidas de forma
aprofundada e para além de questões de ordem formal, matéria de mérito.
Segundo o Código de Processo Penal, as alegações finais poderão ser apresentadas oralmente ou por
memoriais. No primeiro caso, no prazo de 20 minutos e, no segundo caso, no prazo de cinco dias. Os pedidos
possíveis são: reconhecimento de nulidade, absolvição e aplicação de pena da forma mais branda possível.
Explore +
Quer um auxílio na redação de peças processuais? Faça a leitura de alegações finais (tanto da acusação
quanto da defesa) das ações penais da operação Lava Jato no site Jota. Basta fazer a busca na área de
pesquisa (lupa) do portal.
Referências
BADARÓ, G. H. Direito a um julgamento por juiz imparcial: como assegurar a imparcialidade objetiva do juiz nos
sistemas em que não há a função do juiz de garantias. In: BONATO, G. (org.). Processo penal constituição e
crítica: estudos em homenagem ao prof. dr. Jacinto Nelson de Miranda Coutinho. Rio de Janeiro: Lumen Juris,
2011.
 
GRINOVER, A. P. O princípio do juiz natural e sua dupla garantia. Revista de Processo, v. 29, jan./mar. 1983.
 
LOPES JUNIOR, A. Direito processual penal. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2015.
 
NUCCI, G. S. Manual de processo penal e execução penal. 13. ed. rev. atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense,
2016.
 
PRADO, G. Sistema acusatório: a conformidade constitucional das leis processuais penais. Rio de Janeiro:
Lumen Juris, 2001.
Prática dos recursos penais
Você vai entender a relação entre teoria e prática no que concerne aos recursos penais, que poderão ser
interpostos (ou opostos) para impugnar decisões interlocutórias ou definitivas emanadas pelo magistrado.
Profa. Rodrigo Bragança
1. Itens iniciais
Propósito
O direito aos recursos repousa no fundamento jurídico do princípio do duplo grau de jurisdição. Esse princípio
decorre de inúmeras garantias constitucionais, tais como: contraditório e ampla defesa, devido processo legal,
publicidade e motivação das decisões etc. Saber utilizar adequadamente os recursos é essencial ao operador
do direito, pois é por meio deles que será oportunizada à parte a revisão da decisão que, a princípio, foi
desfavorável.
Preparação
Antes de iniciar seus estudos, tenha em mãos o Código Penal (Decreto-lei nº 2.848/1940); o Código de
Processo Penal (Decreto-lei nº 3.689/1941); a Constituição da República de 1988; e os Regimentos Internos do
Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça.
Objetivos
Analisar as questões teóricas acerca dos recursos como via facilitadora de manejo dos recursos.
Reconhecer as características e os recursos em espécie mais comumente utilizados no processo penal.
Introdução
O direito ao recurso decorre do fundamento jurídico alicerçado no princípio do duplo grau de jurisdição. Trata-
se, de forma objetiva, de a parte ter a oportunidade de ver reexaminada determinada decisão, seja ela
interlocutória ou terminativa em instância superior ou pelo próprio juízo prolator da decisão.
Embora não haja artigo na Constituição da República de 1988 que, de forma expressa, indique a existência do
princípio do duplo grau de jurisdição, sua presença no ordenamento jurídico pátrio decorre de tantas outras
garantias processuais previstas na Carta Magna, a saber: o contraditório e a ampla defesa (art. 5º, caput, LV),
devido processo legal (art. 5º, caput, LIV), juiz natural (art. 5º, caput, LIII), publicidade e motivação das
decisões (art. 93, caput, IX) etc.
Para além disso, o princípio do duplo grau de jurisdição decorre da própria estrutura dos órgãos do Poder
Judiciário dada pela Constituição, que prevê órgãos de primeiro e de segundo graus de jurisdição. O objetivo,
portanto, é oportunizar, por um segundo julgamento, a redução de erros cometidos.
Ao longo deste estudo, analisaremos, em um primeiro momento, as questões teóricas relacionadas aos
recursos, como os princípios reitores dos recursos, seus conceitos, sua classificação e seus fundamentos.
Isso facilitará a melhor compreensão de como ocorre o manejo dos recursos em espécie. Em seguida,
estudaremos os recursos em espécie, estabelecendo suas características, sua estrutura e seu cabimento.
• 
•1. Teoria dos recursos
Conceito e classificação dos recursos
Neste vídeo, falaremos sobre o que são recursos e suas principais classificações no processo penal, venha
conferir!
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Para iniciar, vejamos a definição de recursos de acordo com Badaró (2022).
[...] meio voluntário de impugnação de decisões judiciais, utilizado antes do trânsito em julgado e no
próprio processo em que foi proferida a decisão, visando à reforma, invalidação, esclarecimento ou
integração da decisão judicial.”
(BADARÓ, 2022, p. 35)
Os recursos possibilitam o aprimoramento de determinada decisão, uma vez que são o meio que oportuniza a
correção de eventuais erros a ponto de chegar o mais perto possível de uma decisão justa. Os recursos,
então, fazem prevalecer o valor “justiça” sobre a “segurança jurídica”. Este último valor será alcançado após o
esgotamento de todas as vias recursais, com o trânsito em julgado da causa penal e a formação de coisa
julgada. 
É necessário destacar que o recurso difere da ação autônoma de impugnação. Embora ambos decorram da
insatisfação e da vontade de impugnar determinada decisão, a ação autônoma de impugnação inaugura novo
processo, com procedimento e relação jurídica processual próprios. São exemplos o habeas corpus e o
mandado de segurança. 
No que se refere às classificações dos recursos, existem inúmeras delas cujo critério é do classificador. Nesse
sentido, as classificações ocorrerão de acordo com a análise dos efeitos gerados do recurso apresentado e
pela verificação do ordenamento jurídico pátrio. Para efeitos deste estudo, analisaremos as duas principais
classificações de recursos penais, entenda quais são! 
Os recursos de devolução plena e
parcial.
Os recursos de fundamentação livre e
vinculada.
Recursos de devolução plena e parcial
A devolução plena ou parcial possui como indicadores a extensão da matéria impugnada no recurso. Dessa
forma, a extensão do recurso interposto será considerada total quando toda a totalidade recorrível do ato for
impugnada por meio do recurso.
Vejamos, por exemplo, o caso de apelação interposta que visa recorrer tanto da condenação do réu quanto do
quantum da pena imposta. A apelação é o recurso total na medida em que impugnou todo o conteúdo da
sentença, quais sejam, a condenação e a pena aplicada.
Já o recurso parcial ataca, tão somente, determinada parte do conteúdo impugnável da decisão. Por exemplo,
imagine a interposição de apelação que vise à reforma, apenas, do quantum aplicado da pena imposta e que
não objetiva sua reforma no que se refere à condenação.
Atenção
É necessário esclarecer que pode haver devolução total decorrente da soma de recursos parciais
interpostos caso haja sucumbência recíproca. É o caso, por exemplo, de condenação à pena mínima, em
que o acusado apela para ser absolvido, e o Ministério Público, para que haja majoração da pena. 
Para que se considere o recurso como total, não é necessária a impugnação de todo o conteúdo da decisão
atacada, mas, sim, de todos os efeitos decorrentes da decisão.
Recursos de fundamentação livre e vinculada
É imprescindível a fundamentação de todo recurso, visto que o esclarecimento da irresignação processual é
condição lógica para o reexame da decisão. A fundamentação poderá ser livre ou vinculada.
A fundamentação livre é aquela imprimida no recurso, cujo recorrente deve observar o cabimento do recurso
interposto, mas é livre para utilizar sem reservas as razões que justificam sua irresignação recursal.
Exemplo
Ao apelante, é lícito que fundamente os motivos pelos quais deseja ver a sentença reformada de modo
livre, utilizando os argumentos jurídicos mais adequados. O mesmo vale para o recurso em sentido
estrito. Observadas as hipóteses de cabimento, dispostas no art. 581 do Código de Processo Penal
(CPP), o recorrente poderá apresentar quaisquer razões que motivem seu descontentamento com a
decisão atacada. 
Já os recursos de fundamentação vinculada são aqueles cujo legislador previu que o recorrente se valha de
condições e motivos especiais como condição de sua admissibilidade.
É o caso do recurso especial e extraordinário cuja condição de admissibilidade é a demonstração inequívoca
de afronta a dispositivo de lei federal e constitucional, respectivamente. Outro exemplo é a apelação das
sentenças do Tribunal do Júri cujas hipóteses de cabimento estão expressas nas alíneas a e d do inciso III do
art. 593 do CPP.
Fundamentos dos recursos
Neste vídeo, explicaremos os diferentes fundamentos e motivações que justificam que se recorra em um
processo penal.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Os recursos podem ser fundamentados por três ópticas. Vamos conhecê-las a seguir. 
Psicológica
De cunho pessoal, cuja justificativa advém de natureza psicológica.
Política
Sua justificativa extrapola a perspectiva individual, já que se trata da necessidade e do direito de ver
reexaminadas decisões do Estado, emanadas no exercício do poder estatal.
Jurídica
Um meio de possibilitar a prolação de decisão mais justa possível no processo, uma vez que será
reanalisada.
Vamos analisar cada um desses fundamentos dos recursos.
Fundamento psicológico dos recursos
Nasce da própria resistência, inata ao ser humano, a perder. Quando falamos de processo, nós nos referimos,
mais especificamente, à irresignação quanto à decisão prolatada que prejudicou uma das partes.
Assim, os recursos oportunizam à parte
processual uma segunda chance (ou segunda
opinião) acerca da decisão ou da sentença
emanada pelo juízo. Acende-se, dessa forma, a
esperança de ter a decisão prolatada
reformada. Se a decisão não é reformada,
diminui-se o desconforto diante do resultado
desfavorável, haja vista que o teor foi
confirmado em outra instância.
Fundamento político dos
recursos
Decorre da necessidade em se dirimir o poder absoluto do Estado, pelo exercício do ato decisório, por um só
juiz porque a decisão judicial nasce do imperativo poder de imposição da própria decisão. Por esse motivo,
esse ato de poder deverá ser objeto de controle dos atos estatais, em especial das sentenças. É lícito concluir,
portanto, que o duplo grau de jurisdição se ampara no fundamento político, no qual está previsto que toda
decisão judicial estará sujeita a reexame.
Fundamento jurídico dos recursos
É alicerçado no princípio do duplo grau de jurisdição, que assegura o direito ao reexame das decisões judiciais
por órgão hierarquicamente superior, em geral, pois nem todo recurso é analisado por órgão superior. É o
caso, por exemplo, dos embargos de declaração, opostos ao próprio juízo que prolatou a decisão.
Embora não haja, explicitamente, previsão do duplo grau de jurisdição, existem inúmeras garantias
processuais previstas na Constituição que permitem que se verifique sua existência, veja algumas!
 
Contraditório e ampla defesa.
Juiz natural.
Motivação das decisões.
Devido processo legal.
Além disso, pela análise da própria organização dos órgãos do Poder Judiciário, estruturados pela
Constituição, subtende-se que o duplo grau de jurisdição é um princípio constitucional implícito.
Sob a óptica do fundamento jurídico, o recurso é o meio de se reduzir as chances de erro no
judiciário. 
Em primeiro lugar, ao ser recebida pelo tribunal, a causa já se encontra madura. Os próprios pares analisarão
sentença já estruturada, o que facilita a detectação de eventuais erros processuais. Nas palavras de Carnelutti
(1933, p. 102), trata-se de um:
[...] julgamento sobre o julgamento, e dessa maneira o julgamento será elevado à segunda potência.”.
(Carnelutti 1933, p. 102)
Ao se apresentarem razões e contrarrazões, dá-se a oportunidade de os membros do tribunal, com novo
confronto dialético, analisarem, ainda melhor, o conteúdo da decisão recorrida. Por motivos lógicos, a
detecção de erros será facilitada.
Ainda no que se refere à redução de erros judiciários, o julgamento do recurso será realizado por um órgão
colegiado, istoé, composto por mais de um julgador. Muito embora exista a possibilidade de o relator errar em
seu voto, seus pares poderão votar em sentido oposto. É de se ressaltar, também, que os magistrados na
segunda instância, por questão de antiguidade, possuem mais experiência. Tal fator, aliás, poderá ser
considerado um indicador de redução de equívocos, apesar de não ser a regra.
Juízo de admissibilidade
Neste vídeo, falaremos do juízo de admissibilidade dos recursos penais, suas características, seu objeto e sua
competência.
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Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Interposto o recurso, serão realizadas duas etapas de juízo: juízo de admissibilidade e juízo de mérito.
Via de regra, o juízo de admissibilidade é duplo, de modo a ser realizado da seguinte forma, confira!
juízo a quo 
Destinatário do recurso.
Órgão ad quem 
Instância superior.
Já o mérito do recurso só poderá ser analisado pelo órgão ad quem. Abre-se exceção para alguns recursos,
como o recurso em sentido estrito e o agravo, nos quais o juízo a quo fará análise do mérito para fins de
retratação (reforma da decisão recorrida) ou manutenção da decisão.
Competência e objeto do juízo de admissibilidade
O juízo de admissibilidade recursal analisará se estão presentes todas as condições e todos os pressupostos
inerentes ao recurso interposto para que ele seja remetido ao tribunal. Isso significa que, em sede de
admissibilidade, não se analisará o mérito ou as razões recursais, mas, sim, suas condições e seus
pressupostos.
Os pressupostos recursais se dividem em dois tipos, confira!
Pressupostos objetivos
Adequação do recurso.
Tempestividade do recurso.
Motivação.
Regularidade procedimental.
Pressupostos subjetivos
Legitimidade.
Interesse recursal.
Vejamos o caso de interposição de apelação. Ela será endereçada ao juízo a quo, que analisará o cabimento
da peça (impugnação de sentença), bem como sua tempestividade.
Será inadmitida, por exemplo, a apelação interposta pelo Ministério Público para impugnar decisão que
rejeitou a denúncia, uma vez que o recurso cabível, nesse caso, é em sentido estrito (art. 581 do CPP). Da
mesma forma, será inadmitida pelo juízo a quo a apelação interposta após o prazo de cinco dias, disposto no 
art. 593 do CPP.
Quanto à competência, existirá um duplo juízo de admissibilidade: o juízo a quo e o juízo ad quem farão esta
análise. Destaque-se que a admissão do recurso pelo primeiro não vincula o segundo, que poderá não o
admitir caso se verifique ausência de pressuposto recursal.
Atenção
No caso de embargos de declaração, recurso cabível para impugnar decisões obscuras, contraditórias
ou que contenham omissão, os juízos de admissibilidade e de mérito recursal serão exercidos pelo
mesmo juiz ou tribunal que prolatou a decisão embargada. 
Resultado do juízo de admissibilidade
Será positivo quando reconhecido que estão presentes todos os requisitos e os pressupostos recursais.
Nesse caso, decide-se pelo conhecimento do recurso. Entretanto, caso não se verifiquem presentes os
• 
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• 
pressupostos recursais, o resultado do juízo de admissibilidade será negativo, o que gera, consequentemente,
o não conhecimento do recurso.
Para que se conheça o recurso, é necessária a presença dos requisitos de admissibilidade positivos, tais como
o cabimento, a legitimidade da parte, o interesse recursal, a tempestividade etc. É necessário que estejam
ausentes, ainda, os requisitos de admissibilidade recursais negativos, como os fatores impeditivos (renúncia)
e extintivos (falta de preparo). 
Em caso de dúvida acerca da presença desses requisitos, o tribunal deverá observar o princípio do in dubio
pro recursos, uma vez que se considera que o recurso é um meio para o aprimoramento das decisões
judiciais. 
Considerando que o juízo de admissibilidade antecede o juízo de mérito, o recorrente deverá
demonstrar que estão presentes os pressupostos e os requisitos recursais em sede preliminar.
Por fim, em caso de juízo de admissibilidade negativo, os efeitos da decisão que não conhece o recurso não
retroagem, de modo que a decisão combatida apenas transita em julgado após impossibilidade de
interposição de novos recursos.
Juízo de mérito
Neste vídeo, após analisar o juízo de admissibilidade, falaremos sobre o juízo de mérito, seu objeto, sua
competência e seu resultado.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Após a realização do juízo de admissibilidade positivo, passa-se à análise das razões recursais, ou seja, dos
motivos pelos quais o recorrente entende que a decisão atacada merece ser reformada.
Competência e objeto do juízo de mérito
Via de regra, a competência para a apreciação do mérito do recurso é do tribunal ad quem, órgão que ocupa
posição hierarquicamente superior, ou ao juízo a quo, quando o recurso interposto é endereçado àquele que
fará o primeiro juízo de admissibilidade. Se o recurso for conhecido, será remetido ao tribunal a fim de que
seja realizado um segundo juízo de admissibilidade. Nesse caso, será feita a análise do conteúdo da
impugnação propriamente dito.
Entretanto, existem algumas exceções em que o juízo que proferiu a decisão recorrida fará tanto o juízo de
admissibilidade quanto o juízo de mérito. Um exemplo é o caso dos embargos de declaração.
Os embargos de declaração serão opostos (e não interpostos) ao próprio órgão prolator da decisão
embargada, considerada omissa, obscura ou contraditória. Esse órgão, conhecendo o recurso, analisará o
mérito dos embargos. O mesmo vale para o recurso em sentido estrito, que possibilita ao próprio juízo prolator
da decisão combatida a retratação. Para que haja retratação, é necessária a análise do mérito. 
Atenção
O objeto do juízo de mérito são as razões pelas quais o recorrente entende que a decisão atacada deve
ser reformada ou invalidada. No caso de uma apelação defensiva, o mérito poderá ser em razão de uma
condenação injusta, ao que se requer a reforma da sentença para absolver o réu. 
O mérito do recurso poderá versar não só quanto ao mérito do processo (condenação ou absolvição) mas
também quanto a questões preliminares do processo (formais), por exemplo, a inépcia da denúncia ou a falta
de pressupostos para instauração da ação penal.
Resultado do juízo de mérito
Os resultados possíveis no juízo de mérito são o provimento do recurso ou seu desprovimento. Tanto em um
quanto no outro, o acórdão prolatado sempre substituirá a decisão impugnada, mesmo nos casos de
confirmação da decisão. Em caso de confirmação de sentença, em sede de apelação, um eventual recurso
especial interposto terá como objeto o acórdão do tribunal, e não a sentença prolatada pelo juízo de piso.
Nos casos em que há error in judicando (erros
relacionados aos fatos e às provas), o tribunal
deverá prolatar acórdão de modo a reformar a
decisão recorrida. Já nos casos de error in
procedendo (erros relacionados a questões
processuais formais), o tribunal deverá se
limitar a cassar a decisão recorrida. Nesta
última situação, o tribunal deverá baixar o
processo ao juízo de primeiro grau para que o
ato defeituoso seja renovado de forma regular.
Verificando o aprendizado
Atividade Discursiva
Apresentada a apelação interposta, informe qual o primeiro juízo que deverá ser realizado, o órgão
competente para fazê-lo e, por fim, se ele deverá ser conhecido.
Chave de resposta
O recurso passa por dois tipos de juízo: de admissibilidade e de mérito. O juízo de admissibilidade é
realizado duas vezes: a primeira pelo órgão que prolatou a sentença recorrida e a segunda pelo tribunal ad
quem. No caso apresentado, o órgão competente para realizar o primeiro juízo de admissibilidade é o juízo
prolator da sentença recorrida. Ele deverá analisar se estão presentes todos os requisitos e os
pressupostos recursais na apelação interposta. Assim, o juízo de admissibilidade deverá ser negativo de
modo que ela não deverá ser conhecida, uma vez que é intempestiva, pois extrapolou o prazo de cinco
dias estabelecidopelo art. 593 do Código de Processo Penal.
2. Recursos em espécie
Recurso de apelação e seus requisitos
Neste vídeo, apresentaremos os principais aspectos da apelação criminal, também falaremos sobre cabimento
e alguns requisitos de admissibilidade, como legitimidade e interesse recursal.
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O recurso de apelação é um recurso ordinário que demanda ao tribunal a reapreciação tanto de matéria de
fato quanto de matéria de direito. O objetivo desse recurso é a correção de error in judicando (questões de
mérito do processo, fatos e provas) e error in procedendo (questões processuais formais).
O recurso de apelação possui efeito devolutivo, que pode ser parcial ou total, porque é lícita ao
recorrente a impugnação tanto de todos os efeitos gerados pela decisão (condenação e aplicação
de pena) quanto de apenas um deles.
Em geral, a apelação é um recurso de fundamentação livre. Afinal, o apelante poderá alegar, livremente, todas
as razões pelas quais considera que a decisão combatida merece ser reformada. Excepcionalmente, as
apelações competentes ao tribunal do júri serão de fundamentação vinculada às alíneas do inciso III do art.
593 do CPP. Observa-se, aqui, o respeito à soberania do veredito do conselho de sentença, bem como a
impossibilidade de fundamentação livre diante de decisão não motivada (princípio da livre convicção íntima
dos jurados).
Além disso, a apelação possuirá procedimentos distintos de acordo com a pena imposta em sede de
sentença. Caso a pena seja de reclusão, aplica-se o procedimento disposto no art. 613 do CPP. Caso a pena
imposta seja de detenção, aplica-se o procedimento disposto no art. 610 do CPP. 
Por fim, trata-se de recurso voluntário, não sendo possível a apresentação de apelação de ofício. 
Cabimento
De acordo com a inteligência do art. 593, incisos I e II, do CPP, caberá apelação no prazo de cinco dias das
sentenças definitivas de condenação ou de absolvição proferidas por juiz singular, e das decisões definitivas,
ou com força de definitivas, proferidas por juiz singular, às quais não caibam recurso em sentido estrito. Além
disso, caberá apelação contra sentença do tribunal do júri, com fundamentação vinculada às alíneas a a d do 
inciso III do referido artigo. 
Comentário
Quanto às hipóteses do inciso I do art. 593 do CPP, também caberá apelação contra decisões que
absolverem sumariamente o réu, em razão das hipóteses elencadas no art. 397 do CPP, ressalvada a
possibilidade de extinção de punibilidade prevista no inciso IV desse artigo. Neste último caso, é cabível
a interposição de recurso em sentido estrito, conforme se depreende da leitura do inciso VIII do art. 581
do CPP. 
As decisões com força de definitivas serão impugnadas pela via da apelação nos casos em que não caiba
recurso em sentido estrito. As decisões com força de definitivas são aquelas que, embora não condenem ou
absolvam o acusado, solucionam os procedimentos ou os processos incidentais.
Imagine o caso de decisão que determina o
levantamento de sequestro de bens. As
sentenças terminativas também são
consideradas decisões com força de definitiva,
que põem fim ao processo e não desafiam
recurso em sentido estrito, por exemplo,
decisões que extinguem o processo sem
julgamento de mérito por ausência de alguma
condição da ação.
É cabível, ainda, a interposição de apelação
contra decisão de rejeição de denúncia ou
queixa nos procedimentos dos juizados especiais criminais, conforme se verifica do disposto no art. 82 da Lei
nº 9.099/1995.
Demais requisitos de admissibilidade
Além do cabimento, é necessário atentar aos demais requisitos de admissibilidade da apelação, saiba quais!
 
Legitimidade.
Interesse recursal.
Ausência de fato impeditivo ou extintivo.
Deserção.
Tempestividade.
Regularidade formal.
Vamos nos aprofundar em cada um dos requisitos de admissibilidade da apelação, exceto pelo item
"deserção", que será abordado posteriormente. Confira!
Legitimidade
A legitimidade para apelar segue a inteligência do art. 577 do CPP. São legitimados a apelar o
Ministério Público, o querelante, o acusado e seu defensor. Além disso, o assistente de acusação
possui legitimidade restrita para apelar, visto que só poderá fazer isso de forma supletiva, caso o
Ministério Público não interponha apelação, conforme disposto no art. 598 do CPP.
Interesse recursal
O interesse recursal se demonstra pelo propósito do apelante em ver a decisão definitiva que o
prejudicou reformada total ou parcialmente. O interesse recursal persiste mesmo na hipótese de
interposição de apelação pelo acusado em caso de sentença absolutória. Nesse caso, o apelante
poderá impugnar o fundamento de sua absolvição a fim de restaurar a reputação abalada pelo
processo. Vejamos, por exemplo, o caso da apelação interposta contra sentença que absolveu o
acusado por não existir prova suficiente para condenação (art. 386, inciso VII, do CPP). Nesse caso, é
possível que se demonstre interesse recursal sob o argumento de que a sentença deverá ser
reformada para que o fundamento da absolvição seja o de estar provado que o réu não concorreu
para a infração penal (art. 386, VI, do CPP). 
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Ausência de fato impeditivo ou extintivo
A ausência de fato impeditivo ou extintivo é requisito negativo do recurso, ou seja, é necessário
verificar a não existência de tais fatos. Na apelação, a renúncia de recorrer é o único fato impeditivo.
Já os fatos extintivos são a desistência (art. 576 do CPP) e a deserção pelo não pagamento das
custas processuais (art. 806, § 2º, do CPP).
Tempestividade
Na tempestividade, o prazo para se apresentar a apelação é de cinco dias, conforme disposto no art.
593 do CPP. Por ser peremptório, isto é, por possuir caráter definitivo, tal prazo não poderá sofrer
dilação (prorrogação). Apresentado o termo da apelação dentro do prazo estipulado, o recurso será
considerado tempestivo. Será aberto, então, prazo de oito dias para a apresentação das razões
recursais, conforme disposto no art. 600 do CPP. Tal prazo apenas será aberto caso o apelante
declare que deseja apresentar suas razões em segundo grau, conforme disposto no art. 600, § 4º, do
CPP.
Regularidade formal
Na regularidade formal, a apelação deverá ser apresentada por escrito. Assim, o apelante poderá
optar por apresentar apenas o termo de apelação para arrazoar em segunda instância. Assinado o
termo de apelação, o apelante e, depois dele, o apelado terão o prazo de oito dias cada um para
oferecer razões e contrarrazões.
A seguir, vamos esmiuçar a estrutura do recurso de apelação.
Estrutura do recurso de apelação
Neste vídeo, aprenderemos como elaborar uma apelação criminal com base em um caso prático.
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O recurso de apelação será estruturado em duas partes. A primeira consiste no chamado termo de apelação,
localizado na folha de rosto da apelação. O termo de apelação conterá os itens a seguir.
 
Endereçamento ao juízo competente.
Número da ação penal.
Qualificação do apelante.
Fundamentação legal da interposição do termo.
Requerimento de remessa ao tribunal ad quem.
Assinatura do procurador do apelante.
Data e local.
Na segunda parte do recurso de apelação, após o termo, serão escritas as razões recursais, que se dividem
em:
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Questões preliminares (error in procedendo).
Questões de mérito (error in judicando).
Pedido.
Assinatura do procurador do apelante.
Data e local.
Agora, vamos montar o recurso de apelação com base em um caso prático.
Caso prático
Em maio de 2022, José da Silva foi denunciado pela prática de crime de estelionato. A instrução criminal foi
inaugurada pelo interrogatório de José da Silva. Após seu interrogatório, foram ouvidas as testemunhas de
defesa e, ao final, as de acusação.
Na ocasião, o advogado de José da Silva requereu a
inversão da ordem, que foi indeferida pelo magistrado do
caso. Sabendo que a ordem das oitivasafrontava as
garantias do contraditório e da ampla defesa, o advogado
de José da Silva consignou o fato.
Finda a instrução criminal, o advogado percebeu que todas
as testemunhas não conseguiram apontar José como o
autor do fato. Além disso, todos os documentos coligidos
nos autos também eram insuficientes para comprovar
qualquer participação de José na empreitada criminosa
narrada pelo Ministério Público. 
Todos esses pontos foram levados ao conhecimento do juízo em sede de alegações finais. Além disso, o
próprio Ministério Público requereu, ao final, a absolvição de José da Silva por insuficiência de provas. Mesmo
diante de tal cenário, no dia 20/9/2022 o magistrado do caso prolatou sentença condenatória, que condenou
José à pena de três anos de reclusão, com o regime inicial fechado para cumprimento da pena.
Embora José não tivesse antecedentes criminais, o juízo, ao fazer a dosimetria da pena, entendeu que ele não
possuía bons antecedentes, já que respondia por cinco processos que foram extintos sem julgamento de
mérito. 
Vamos estruturar como deverá ficar o recurso de apelação para impugnar essa sentença? Confira!
I – Termo de apelação
a) Endereçamento: Ao Juízo da XXª Vara Criminal da comarca de XXX do TJ.
b) Qualificação: José da Silva, já qualificado nos autos da ação penal em referência, vem, por seu
advogado, interpor apelação nos termos do art. 600, § 4º, do CPP.
c) Requerimento: Requer que seja recebido e após remetido ao Tribunal de Justiça o presente recurso
de apelação.
d) Assinatura, data e local.
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II – Razões de apelação
a) Preliminares: (i) nulidade por inversão da ordem de interrogatório em audiência. Afronta às
garantias da ampla defesa e do contraditório; (ii) violação do sistema acusatório por condenação
diante de pedido de absolvição do órgão acusador.
b) Mérito: (i) ausência de provas testemunhais e documentais que apontem José da Silva como autor
do fato; (ii) dosimetria da pena: impossibilidade de recrudescimento da pena em razão de processos
em andamento ou que foram extintos sem resolução de mérito. Impossibilidade de impor o regime
fechado, uma vez que a pena aplicada é menor do que quatro anos. Imperativa a aplicação de pena
restritiva de direitos (art. 44 do Código Penal).
c) Pedido: (i) absolvição por insuficiência de provas para condenação, conforme disposto no art. 386,
inciso VII, do CPP; (ii) subsidiariamente, a redução da pena ao mínimo legal e substituição da pena
privativa de liberdade por pena restritiva de direitos, conforme disposto no art. 44 do CP.
d) Assinatura, data e local.
Recurso em sentido estrito
Neste vídeo, explicaremos os principais requisitos do recurso em sentido estrito, assim como a elaboração
desse recurso.
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De modo geral, o recurso em sentido estrito é um recurso ordinário que tem por objetivo a impugnação de
decisões interlocutórias cujos efeitos estão elencados expressamente no rol do art. 581 do CPP. Além disso,
caberá recurso em sentido estrito para atacar sentença que concede habeas corpus, em primeiro grau, e
sentença de absolvição sumária, no júri, conforme se depreende da leitura do art. 574, I e II, do CPP. Por fim,
caberão discussões de matéria de fato e de direito nesse recurso.
Requisitos de admissibilidade
O art. 581 do CPP contém rol taxativo de hipóteses de cabimento de interposição do recurso em sentido
estrito. Caberá o recurso contra os seguintes casos.
 
Sentença de mérito em sentido lato (declaração de extinção de punibilidade).
Sentenças terminativas (rejeição de denúncia).
Decisões interlocutórias.
Decisões administrativas.
Possuem legitimidade para interpor o recurso em sentido estrito o Ministério Público, o querelante, o acusado
e seu defensor, conforme inteligência do art. 577 do CPP. Terá legitimidade, ainda, o assistente de acusação
na hipótese de decisão que denega a apelação por ele interposta (art. 581, XV, do CPP).
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Atenção
O interesse recursal demonstra-se pela intenção de ver reexaminada decisão que prejudicou
determinada parte. Será considerado ausente o requisito do “interesse recursal” quando a parte,
objetivando que o magistrado julgue o mérito da causa, recorrer de decisão que reconheceu a extinção
de sua punibilidade. 
Quanto ao requisito “ausência de fato impeditivo ou extintivo do recurso”, o acusado ou querelante poderá
renunciar ou desistir do recurso a qualquer tempo. Essa possibilidade não vale para o Ministério Público
porque, embora possa deixar de recorrer, o Ministério Público não poderá renunciar ou desistir do recurso. É
possível, ainda, que ocorra deserção pela falta de preparo do recurso pelo querelante, nos casos de ação
penal privada, conforme dispõe o art. 806, § 2º, do CPP.
O prazo para interposição do recurso em sentido estrito é de cinco dias contados da ciência da decisão (art.
586 do CPP). As razões recursais deverão ser apresentadas no prazo de dois dias, contados a partir da
intimação.
Quanto à regularidade formal do recurso em sentido estrito, ele poderá ser interposto por petição escrita ou
oralmente. É interessante que o recorrente indique a fundamentação legal a fim de possibilitar maior agilidade
na análise do cabimento. Apesar disso, um eventual erro na indicação do inciso não prejudicará o
conhecimento do recurso. Para o translado, o recorrente precisará indicar as peças que deverão ser
transladadas sob pena de não conhecimento do recurso.
Estrutura do recurso em sentido estrito
Assim como na apelação, o recurso em sentido estrito será estruturado em duas partes. A primeira consiste
no termo de recurso, localizado na folha de rosto. O termo conterá:
 
Endereçamento ao juízo competente.
Número da ação penal.
Qualificação do recorrente.
Indicação do dispositivo legal para fundamentar a interposição do termo.
Requerimento de remessa ao tribunal ad quem.
Assinatura do procurador do apelante.
Data e local.
Na segunda parte do recurso em sentido estrito, após o termo serão escritas as razões recursais. Nelas,
deverão constar os fundamentos pelos quais o recorrente entende ser reformada a decisão atacada. Ao final,
incluem-se o pedido, a assinatura do procurador do apelante, a data e o local.
Agora, vamos montar o recurso em sentido estrito com base em um caso prático.
Caso prático
No dia 10/3/2010, foi instaurado inquérito policial tendente a investigar a prática de crime de furto. Ao final das
investigações, a autoridade policial indiciou Jorge Pereira, apontando-o como autor do fato, que teria sido
perpetrado no dia 9/3/2010. Entretanto, o procedimento investigatório só foi remetido ao Ministério Público
em 10/3/2023. Uma semana depois, o Ministério Público, sem atentar para a ocorrência da prescrição do
crime, ofereceu denúncia contra Jorge.
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Citada, a defesa de Jorge apresentou resposta à acusação.
Um dos requerimentos era justamente o de que fosse
reconhecida a prescrição e declarada extinta a punibilidade
de Jorge nos termos do art. 107, IV, do Código Penal (CP).
Tal requerimento foi indeferido.
Sabendo que o recurso cabível em casos de indeferimento
do pedido de reconhecimento de prescrição é o recurso em
sentido estrito (art. 581, inciso IX, do CPP), vamos
estruturá-lo, confira!
I – Termo
a) Endereçamento: Ao Juízo da XXª Vara Criminal da comarca de XXX do TJ.
b) Qualificação: Jorge Pereira, já qualificado nos autos da ação penal em referência, vem, por seu
advogado, interpor recurso em sentido estrito nos termos do art. 581, inciso IX, do CPP.
c) Requerimento: Requer que seja recebido e após remetido ao Tribunal de Justiça o presente
recurso.
d) Assinatura, data e local.
II – Razões
a) Fatos: Descrever a dinâmica dos fatos, incluindo datas e indicando peças.
b) Mérito: (i) necessária decretação de extinção de punibilidade pela prescrição. Fundamentação: a
pena do crime de furto é de um a quatro anos (art. 155 do CP). A prescrição ocorre em oito anos (art.
109, inciso IV, do CP).O crime foi cometido em 10/3/2010, o que significa que, na ausência de
denúncia, ele prescreveu no dia 10/3/2018.
c) Pedido: Decretação da extinção de punibilidade por prescrição, conforme o art. 107, IV, do CP.
d) Assinatura, data e local.
Embargos de declaração
Neste vídeo, falaremos dos requisitos dos embargos de declaração na prática penal, ensinando a elaborar um
recurso dessa espécie.
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Toda decisão deverá ser devidamente motivada, seja por força do ordenamento processual (art. 489, II, do
Código de Processo Civil e arts. 3º e 381, III, do Código de Processo Penal), seja pela própria imposição
constitucional que estabelece, como princípio, a motivação das decisões judiciais (art. 93, IX, da Constituição
de 1988).
Ainda que se entenda que o julgador não se encontra obrigado a se manifestar acerca de cada um dos
argumentos expostos, é certo que a ausência de manifestação sobre qualquer um deles viola, decisivamente,
os dispositivos supramencionados — em especial, o art. 93, inciso IX, da Constituição da República.
Por esse motivo, os embargos de declaração são o recurso cabível para impugnar toda decisão que apresenta
omissão, contradição, ambiguidade e obscuridade.
No caso de sentenças e acórdãos, é possível que os embargos sejam opostos, visando à correção
ou ao esclarecimento dos fundamentos e também do relatório dessas peças.
Por fim, os embargos serão opostos e apreciados pelo próprio juízo prolator da decisão atacada, que fará
tanto o juízo de admissibilidade quanto o de mérito.
Requisitos de admissibilidade
Caberá a oposição de embargos de declaração contra decisões que apresentem ambiguidade, obscuridade,
omissão e contradição, conforme se depreende dos arts. 382 e 619 do CPP. A Lei nº 9.099/1995 trata, ainda,
da oposição de embargos em caso de dúvida, como se depreende do art. 83 dessa lei.
A obscuridade se detecta pela dificuldade de compreensão acerca de expressões, palavras ou
frases insertas na decisão. A ambiguidade, por sua vez, define-se pela utilização de expressões com
múltiplos sentidos.
A contradição ocorre quando há duas proposições que se anulam: uma negativa e uma positiva. Por exemplo,
haverá contradição no acórdão que acolhe a tese de negativa de autoria e, ao final, conclui pela existência da
prova de autoria.
A omissão ocorre quando a decisão deixa de fundamentar determinado ponto, manifestamente relevante,
trazido pelas partes. Também existirá omissão quando houver ausente fundamento que alicerce determinada
conclusão. É o caso, por exemplo, do acórdão que reforma a sentença para recrudescer a pena sem citar os
motivos que ensejaram seu aumento.
Possuem legitimidade para opor embargos todos os sujeitos processuais descritos no art. 577 do CPP, como
Ministério Público, querelante, acusado e seu defensor. O interesse recursal reside na demonstração da
vontade do recorrente em ver a decisão embargada aclarada no ponto em que apresentou omissão,
obscuridade, contradição ou ambiguidade.
Além disso, ao final, caso haja retratação do juízo e, em virtude dessa retratação, modifiquem-se os efeitos do
ato decisório, os embargos passarão a ter efeitos infringentes.
Exemplo
Considere uma sentença condenatória eivada de contradição em decorrência de fundamento que
reconheceu a presença de álibi, mas, ao final, condenou o réu por entender estar presente prova de
autoria. Em sede de embargos, caso o magistrado entenda por manter o ponto positivo (reconhecimento
do álibi), o recurso terá efeitos infringentes, uma vez que a sentença, por lógica, será absolutória. 
Estrutura dos embargos de declaração
Confira a seguir como os embargos de declaração deverão ser estruturados.
 
Endereçamento ao juízo da causa.
Qualificação do embargante.
Indicação do dispositivo legal para fundamentar os embargos.
Fatos.
Razões.
Pedido.
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Assinatura, local e data.
Agora, vamos os embargos de declaração com base em um caso prático.
Caso prático
Em abril de 2022, foi exarado acórdão, pela 15ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Ceará, que
confirmou a sentença condenatória prolatada pelo juízo a quo. Entretanto, ao analisar o acórdão, verificou-se
que todo o seu fundamento era no sentido de que a sentença deveria ser reformada, visto que era cabal prova
nos autos que indicava a inocência do acusado, ora apelante.
Sendo patente a presença de contradição entre a fundamentação e o resultado do acórdão, vamos estruturar
os embargos de declaração a serem opostos, confira!
I – Razões
a) Endereçamento: Os embargos serão opostos ao próprio juízo prolator da decisão embargada.
b) Qualificação do embargante.
c) Indicação do dispositivo legal – art. 619.
d) Fatos.
e) Razões: Apontar a contradição que provocou dissonância entre a fundamentação do acórdão e sua
conclusão, qual seja fundamentação no sentido de absolver e conclusão no sentido de condenar.
f) Pedido: Aclarar a contradição para que prevaleça uma das proposições. Requerer efeitos
infringentes aos embargos para que o réu seja absolvido.
g) Data, local e assinatura.
Verificando o aprendizado
Atividade Discursiva
OAB – 2ª Fase – XXX Exame de Ordem Unificado (Penal)
 
Carlos, primário e de bons antecedentes, 45 anos, foi denunciado como incurso nas sanções penais dos arts.
302 da Lei nº 9.503/97, por duas vezes, e 303, do mesmo diploma legal, todos eles em concurso material,
porque, de acordo com a denúncia, “no dia 08 de julho de 2017, em São Gonçalo, Rio de Janeiro, na direção de
veículo automotor, com imprudência em razão do excesso de velocidade, colidiu com o veículo em que
estavam Júlio e Mário, este com 9 anos, causando lesões que foram a causa eficiente da morte de ambos”.
Consta, ainda, da inicial acusatória que, “em decorrência da mesma colisão, ficou lesionado Pedro, que
passava pelo local com sua bicicleta e foi atingido pelo veículo em alta velocidade de Carlos”.
 
As mortes de Júlio e Mário foram atestadas por auto de exame cadavérico, enquanto Pedro foi atendido em
hospital público, de onde se retirou, sem ser notado, razão pela qual foi elaborado laudo indireto de corpo de
delito com base no boletim de atendimento médico.
 
Pedro nunca compareceu em sede policial para narrar o ocorrido e nem ao Instituto Médico Legal, apesar de
testemunhas presenciais confirmarem as lesões sofridas. No curso da instrução, foram ouvidas testemunhas
presenciais, não sendo Pedro localizado.
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Em seu interrogatório, Carlos negou estar em excesso de velocidade, esclarecendo que perdeu o controle do
carro em razão de um buraco existente na pista. Foi acostado exame pericial realizado nos automóveis e no
local, concluindo que, realmente, não houve excesso de velocidade por parte de Carlos e que havia o buraco
mencionado na pista. O exame pericial, todavia, apontou que possivelmente haveria imperícia de Carlos na
condução do automóvel, o que poderia ter contribuído para o resultado.
 
Após manifestação das partes, o juiz em atuação perante a 3ª Vara Criminal da Comarca de São Gonçalo/RJ,
em 10 de julho de 2019, julgou totalmente procedente a pretensão punitiva do Estado e, apesar de afastar o
excesso de velocidade, afirmou ser necessária a condenação de Carlos em razão da imperícia do réu,
conforme mencionado no exame pericial.
 
No momento da dosimetria, fixou a pena base de cada um dos crimes no mínimo legal e, com relação à vítima
Mário, na segunda fase, reconheceu a agravante prevista no Art. 61, inciso II, alínea h, do CP, pelo fato de ser
criança, aumentando a pena base em 3 meses. Não havendo causas de aumento ou diminuição, reconhecido
o concurso material, a pena final ficou acomodada em 04 anos e 09 meses de detenção.
 
Não houve substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos em razão do quantum final,
nos termos do Art. 44, inciso I, do CP, sendo fixado regime inicial fechado de cumprimento da pena, com
fundamento na gravidade em concreto da conduta. O Ministério Público foiintimado e manteve-se inerte. A
defesa técnica de Carlos foi intimada em 18 de setembro de 2019, quarta-feira, para adoção das medidas
cabíveis.
 
Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Carlos, redija a peça jurídica
cabível, diferente de habeas corpus e embargos de declaração, apresentando todas as teses jurídicas
pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição, considerando que, de
segunda a sexta-feira, são dias úteis em todos os locais do país.
Chave de resposta
O examinando deveria apresentar, na condição de advogado de Carlos, recurso de apelação, com
fundamento no art. 593, inciso I, do Código de Processo Penal. A petição de interposição do recurso de
apelação deveria ser direcionada ao juízo da 3ª Vara Criminal da Comarca de São Gonçalo/RJ, enquanto as
razões recursais deveriam ser apresentadas ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.
Inicialmente, deveria o examinando buscar a extinção da punibilidade de Carlos no que tange ao crime de
lesão corporal praticada na direção de veículo automotor, que teria como vítima Pedro, tendo em vista que
não houve representação por parte da vítima, condição essa indispensável para o oferecimento da
denúncia por parte do Ministério Público.
De acordo com o art. 291, § 1º, da Lei nº 9.503/1997 — Código de Trânsito Brasileiro (CTB) —, aplica-se ao
crime de lesão corporal culposa praticada na direção de veículo automotor o previsto no art. 88 da Lei nº
9.099/1995, ou seja, o dispositivo legal que exige a representação do ofendido nos crimes de lesão
corporal leve ou culposa.
Consta do enunciado que Pedro nunca compareceu à delegacia nem em juízo, não havendo qualquer
circunstância a indicar que ele tinha interesse em ver o autor do fato responsabilizado criminalmente.
Dessa forma, passados mais de seis meses da identificação da autoria, houve decadência, nos termos do
art. 38 do CPP, o que funciona como causa de extinção da punibilidade, conforme art. 107, inciso IV, do CP.
Superada tal questão, restariam os crimes de homicídio culposo praticado na direção de veículo automotor.
Em relação a tais delitos, deveria o examinando requerer a absolvição de Carlos, tendo em vista que a
própria sentença reconhece que não houve imprudência por parte do réu em razão de excesso de
velocidade, assim como a perícia acostada ao procedimento. Não havendo prova da conduta imputada na
denúncia, restaria a absolvição, nos termos do art. 386, inciso VII, do CPP.
Cabe mencionar que o magistrado não poderia ter condenado Carlos com fundamento de que houve
imperícia do denunciado na direção do veículo, tendo em vista que tal conduta não foi narrada na
denúncia, violando o princípio da correlação, sendo certo que o Ministério Público não aditou a inicial
acusatória em momento adequado. Não sendo comprovado o fato imputado na denúncia, a absolvição é
medida que se impõe. Subsidiariamente, caso mantida a condenação, deveria o examinando analisar
aspectos relacionados à aplicação da pena.
No que tange ao processo dosimétrico, primeiro caberia ao advogado de Carlos requerer o afastamento da
agravante do art. 61, inciso II, alínea h, do CP, tendo em vista que tal agravante somente pode ser aplicada
aos crimes dolosos. Quis a lei punir mais severamente aquele que, com dolo, pratica crime contra criança.
Na hipótese de crime culposo, não há de se falar em agravante sob pena de adotarmos a responsabilidade
penal objetiva.
Em seguida, deveria buscar o advogado o afastamento do reconhecimento do concurso material de
crimes. Claramente, de acordo com o enunciado, teria ocorrido concurso formal entre os delitos, já que,
com uma única conduta, o agente teria causado mais de um resultado. Assim, aplica-se a regra do art. 70
do Código Penal, em detrimento do art. 69 do CP, devendo haver exasperação da pena mais grave, e não
soma das penas aplicadas.
Sem prejuízo, ainda que mantida a condenação, não poderia ser aplicado o regime inicial fechado. Caberia
ao examinando requerer o afastamento do regime mais severo, seja aplicando-se o regime aberto, seja
semiaberto, pois o art. 33, caput, do Código Penal não admite, em nenhuma hipótese, que seja aplicado
regime inicial fechado ao crime punido unicamente com pena de detenção, como ocorre nos crimes
culposos da Lei nº 9.503/1997.
Seria ainda cabível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos,
independentemente do quantum de pena aplicada, já que o limite do art. 44, inciso I, do Código Penal
aplica-se apenas aos crimes dolosos.
Em conclusão, caberia ao examinando formular pedido de conhecimento e provimento do recurso. O prazo
a ser indicado é o dia 23 de setembro de 2019, uma vez que o prazo do recurso de apelação é de cinco
dias. No fechamento, deveriam ser mencionados local, data, advogado e inscrição na Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB).
3. Conclusão
Considerações finais
Ao longo de nosso estudo, analisamos toda a parte teórica e prática dos recursos penais. De início,
dissecamos a teoria por trás dos recursos, que nos permite entender como ocorre sua prática, quais são os
efeitos e quais os fundamentos que justificam a existência dos recursos.
Vimos que o recurso decorre, essencialmente, de três fundamentos. O primeiro é de ordem psicológica,
individual, que se caracteriza pelo anseio da parte de ver corrigida a decisão que o prejudicou ou até de o
prejudicando saber que teve a oportunidade de uma segunda chance. O segundo fundamento é de ordem
política, que extrapola os anseios individuais. A exegese que se faz é de que o exercício do poder, pelo Estado
juiz, deverá ser passível de controle e revisão para que se evite a arbitrariedade e a concentração exacerbada
na mão de um só julgador. Por fim, o terceiro fundamento jurídico repousa na ideia de que os recursos
possibilitam o reexame de decisões e, dessa forma, evitam, ou pelo menos diminuem, erros e injustiças. 
Podemos observar, ainda, que os recursos podem ter fundamentação livre ou vinculada. A fundamentação
livre é aquela em que a parte poderá apresentar livremente os fundamentos pelos quais deseja ver a decisão
que o prejudicou reformada. Já a fundamentação vinculada é aquela que, por força de lei, deverá ser
vinculada a determinado fundamento. Por exemplo, os recursos especiais, necessariamente, deverão conter,
em seu bojo, fundamentação que diga respeito a determinada lei federal que foi afrontada.
Por fim, analisamos os recursos em espécie e suas principais características, como os requisitos de
admissibilidade: cabimento, legitimidade, interesse etc. Os recursos vistos foram o recurso de apelação, o
recurso em sentido estrito e os embargos de declaração.
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Para auxiliar na redação de peças processuais, procure no site do Supremo Tribunal Federal por Acervo STF,
em que constam peças e acórdãos históricos relacionados a grandes julgamentos que marcaram a história do
Poder Judiciário no Brasil.
Referências
 
BADARÓ, G. H. R. I. Manual dos recursos penais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2022.
 
BADARÓ, G. H. R. I. Manual dos recursos penais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2022.
 
CARNELUTTI, F. Capo di sentenza. Rivista di Diritto Processuale, 1933.
 
CARNELUTTI, F. Capo di sentenza. Rivista di Diritto Processuale, 1933.
 
GRINOVER, A. P.; GOMES FILHO, A. M.; FERNANDES, A. S. Recursos no processo penal. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2011.
 
GRINOVER, A. P.; GOMES FILHO, A. M.; FERNANDES, A. S. Recursos no processo penal. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2011.
 
LOPES JUNIOR, A. Direito processual penal. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2015.
 
LOPES JUNIOR, A. Direito processual penal. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2015.
 
NUCCI, G. S. Manual de processo penal e execução penal. 13. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2016.
 
NUCCI, G. S. Manual de processo penal e execução penal. 13. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2016.
 
PRADO, G. Sistema acusatório: a conformidade constitucional das leis processuais penais. Rio de Janeiro:Lumen Juris, 2001.
 
PRADO, G. Sistema acusatório: a conformidade constitucional das leis processuais penais. Rio de Janeiro:
Lumen Juris, 2001.
Prática das ações penais de
impugnação
Você vai entender a relação entre teoria e prática atinente às peças inaugurais das ações autônomas de
impugnação, que poderão ser apresentadas na esfera penal, visando ao melhor interesse tanto do
defendente quanto da vítima.
Prof. Rodrigo Bragança
1. Itens iniciais
Propósito
As ações autônomas de impugnação diferem dos recursos, uma vez que, muito embora atreladas ao processo
de origem, inauguram um novo processo autônomo. Já os recursos são interpostos (ou opostos) no âmbito do
mesmo processo. É importante para os profissionais do Direito o estudo aprofundado de como, quando e
quais são os pressupostos para que tais ações autônomas sejam intentadas.
Preparação
Antes de iniciar os seus estudos, tenha em mãos o Código de Processo Penal, o Código Penal, a Constituição
da República, os Regimentos Internos do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, a Lei
nº12.016/2009 e a Convenção Americana sobre os Direitos Humanos.
Objetivos
Identificar o habeas corpus como remédio constitucional e instrumento inaugural de defesa em ação 
autônoma.
Analisar o mandado de segurança como ação autônoma de impugnação emanado por autoridade que 
esteja suprimindo direito líquido e certo.
Analisar as hipóteses de cabimento e as principais características da revisão criminal como ação 
autônoma de impugnação penal.
Introdução
As ações autônomas de impugnação diferem dos recursos, na medida em que a impetração delas dá origem a
um novo processo autônomo. É dizer que, muito embora esteja atrelada a um processo ou a um procedimento,
a ação autônoma de impugnação dará origem a um processo autônomo. Os recursos, por sua vez, são
interpostos (ou opostos) no âmbito do mesmo processo. Significa dizer que, com a interposição do recurso,
ele será recebido com efeito devolutivo, de modo que a matéria discutida no processo em primeira instância
será objeto de discussão por tribunal hierarquicamente superior, no âmbito do mesmo processo.
No caso de processo penal, as ações autônomas de impugnação são típicas de um Estado democrático de
direito e são instrumentos ou remédios constitucionais que podem blindar o defendente ou o investigado do
uso arbitrário do poder punitivo estatal.
São inúmeras as ações autônomas de impugnação. Para fins do presente estudo, analisaremos a teoria e a
prática referentes às duas ações autônomas mais usuais em Processo Penal, quais sejam, o habeas corpus
(HC) e o mandado de segurança.
O habeas corpus é um remédio constitucional, previsto no art. 5º, inciso LXVIII, da Constituição da República.
Como veremos adiante, ele se destina a restaurar a liberdade de locomoção de quem se encontra preso ou de
quem está ameaçado de sofrer coação à liberdade de ir e vir, por meio de ato ilegal emanado pela autoridade
coatora.
O mandado de segurança, por sua vez, encontra-se previsto no art. 5º, inciso LXIX, da Constituição da
República. Ele é cabível contra ato judicial ilegal que implique a supressão de direito líquido e certo de
qualquer pessoa. Adiante-se que essa ação autônoma de impugnação só poderá ser intentada na hipótese em
que não couber recurso próprio dotado de efeito suspensivo, tendente a atacar o ato judicial ilegal.
Além disso, trataremos da revisão criminal; instrumento de proteção em virtude de sentença penal transitada
em julgado.
O presente estudo tratará, pois, dos pressupostos para que se possa intentar as referidas ações autônomas e
como as iniciais que darão ensejo a essas ações deverão ser estruturadas. No decorrer desse estudo,
analisaremos as questões práticas e também as teóricas do habeas corpus e do mandado de segurança.
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1. O habeas corpus como petição inicial de ação autônoma de impugnação
Habeas corpus: cabimento e legitimidade
Neste vídeo, o especialista fará uma introdução sobre o habeas corpus, seu cabimento e sua legitimidade.
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Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Podemos definir habeas corpus como uma ação autônoma de impugnação, que objetiva suprimir um ato ilegal
perpetrado por autoridade coatora, que atente contra o direito da liberdade de ir e vir do indivíduo. Confira o
que diz o art. 5º, LXVIII, da Constituição Federal! 
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer
violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder.
(Constituição da República Federativa do Brasil, 1988)
Em princípio, o habeas corpus era utilizado como meio de fazer cessar qualquer constrição imediata à
liberdade do indivíduo, como a prisão ilegal. No entanto, o seu alcance foi estendido, de modo que qualquer
ato coator que seja considerado um risco, mesmo que futuro, à liberdade de locomoção do indivíduo poderá
ser objeto do habeas corpus.
Por se tratar de ação, e não de recurso (confira-se a redação do inciso LXXVII, do art. 5º, da Constituição da
República), tem-se que a inicial de habeas corpus é uma petição inicial em matéria penal, uma vez que
inaugura a ação autônoma de impugnação (Gomes Filho, 2011, p. 68).
Espécies de habeas corpus e cabimento
O habeas corpus pode ser liberatório ou preventivo. Entenda a diferença entre eles!
Em sede de habeas corpus, não se discutem elementos probatórios, não há dilação probatória ou discussão
de mérito, mas tão somente uma análise formal acerca do direito. Nesse sentido, o art. 648 do Código de
Processo Penal dispõe um rol exemplificativo do que se considera coação ilegal, a saber:
(i) Quando não houver justa causa. 
(ii) Quando alguém estiver preso por mais tempo do que a lei determina. 
(iii) Quando a coação é emanada por autoridade incompetente. 
(iv) Quando houver cessado o motivo que gerou a coação. 
(v) Quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei autoriza. 
(vi) Quando o processo for manifestamente nulo. 
(vii) Quando extinta a punibilidade. 
Liberatório 
Objetiva elidir ato ilegal que gerou a
supressão indevida da liberdade do
indivíduo.
Preventivo 
Objetiva assegurar que o ato ilegal não
produza, futuramente, a supressão
indevida da liberdade do indivíduo.
A ausência de justa causa pode ser entendida por dois aspectos. O primeiro seria a ausência de justa causa
no que se refere à ordem imediata prolatada, que gerou a supressão da liberdade do indivíduo. Veja-se, por
exemplo, a decisão de prisão preventiva que determina a prisão de determinada pessoa sem atender a
quaisquer dos requisitos do art. 312 do Código de Processo Penal. Nesse caso, a prisão preventiva decorre de
coação ilegal, uma vez que está ausente o periculum libertatis (perigo na liberdade). O segundo aspecto se
refere à ausência (cabal) de provas em um procedimento investigatório ou em um processo que tramita em
desfavor de determinada pessoa. 
O habeas corpus será cabível, ainda, quando quem ordenar a coação não tiver competência de fazê-lo, visto
que isso feriria o princípio do juiz natural e, portanto, a sua imparcialidade.
Exemplo
Um juiz da Vara de Família e Sucessões não poderá decretar a prisão preventiva de um réu cujo
processo tramita em uma Vara Criminal. 
Da mesma forma, caberá habeas corpus quando houver cessado o motivo que gerou a coação. Note que um
dos requisitos da prisão preventiva, elencado no art. 312 do Código de Processo Penal, é justamente
assegurar a conveniência da instrução criminal. A prisão preventiva de determinada pessoa, fundamentada na
necessidade de se assegurar a conveniência da instrução criminal, a pretexto de que o investigado poderia
coagir determinada testemunha a depor em seu favor, não é mais necessária após a oitiva da referida
testemunha.
Por fim, quando o processo for manifestamente nulo, havendo situação teratológica, que, dada urgência da
situação, não poderá aguardar a lentidão de recurso, impetra-se o habeas corpus como o caminho mais célerepara reaver o status libertatis do indivíduo. Deve-se notar que a situação teratológica é aquela cuja ilegalidade
é indiscutível e facilmente perceptível por meio de um juízo perfunctório. Isto é, para que seja reconhecida,
não é necessário se debruçar sobre provas, tampouco sobre o mérito da causa. 
Exemplo
Um processo cuja denúncia imputa ao réu os crimes de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Agora,
suponha que, na fase inicial do processo, foi impetrado habeas corpus cuja ordem fora concedida no
sentido de trancar a ação penal em relação ao crime de tráfico. Mesmo não subsistindo crime
antecedente ao crime de lavagem de dinheiro, uma vez que não há de se falar mais no crime de tráfico, o
magistrado da causa deixa de extinguir o feito por ausência de interesse de agir e dá continuidade aos
atos processuais. Ao final, condena o réu às penas do crime de lavagem de dinheiro. É evidente que se
trata de processo nulo porque, para haver lavagem de dinheiro, é necessário crime antecedente que
justifique a lavagem. Nesse caso, cabe a impetração do habeas corpus. 
Legitimidade ativa e passiva
Conforme disposto no Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906/94), a impetração do habeas corpus em qualquer
instância ou tribunal não é atividade privativa da advocacia. Não é necessário, pois, o patrocínio de advogado
nessa ação. Isso revela a importância desse remédio constitucional, na medida em que se reconhece que a
ação intentada, além de possuir caráter de urgência, visa precipuamente assegurar uma das garantias mais
caras ao indivíduo, que é a sua liberdade.
Corroborando esse entendimento, qualquer pessoa, nacional ou estrangeira, física e até mesmo jurídica,
poderá figurar no polo ativo do habeas corpus. É possível que ele seja impetrado em benefício próprio ou
alheio, prescindindo, em ambos os casos, de habilitação técnica (art. 654 do Código de Processo Penal).
O polo passivo será composto por qualquer pessoa que perpetrar o ato coator, seja ela autoridade ou não. Há,
ainda, a possibilidade de constar no polo passivo um corpo estatal como um tribunal ou Comissão Parlamentar
de Inquérito, por exemplo. 
Formalidades no habeas corpus
Neste vídeo, o especialista explicará os requisitos para a utilização do habeas corpus.
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Seus requisitos
No caso de ação, o habeas corpus deverá preencher, necessariamente, os requisitos da legitimidade da parte,
da possibilidade jurídica do pedido e do interesse de agir.
Como vimos, o habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer um do povo, sem a necessidade da
habilitação de advogado para tanto. Apesar disso, muito se vê pessoas estranhas ao paciente e à causa
impetrando habeas corpus em favor de personalidades famosas, com o intento de se fazer notar pela
imprensa. Nesses casos, o paciente é consultado se deseja ou não o conhecimento da ordem. Observe-se,
por exemplo, os Regimentos Internos do Supremo Tribunal Federal (art. 192, § 3º) e do Superior Tribunal de
Justiça (art. 202, § 1º), que dispõem que, caso haja oposição do paciente, o habeas corpus não deverá ser
conhecido.
A possibilidade jurídica do pedido de habeas corpus refere-se à prova da existência da coação ilegal
que está suprimindo ou poderá suprimir a liberdade de ir e vir do paciente.
O interesse de agir está justamente na demonstração pelo impetrante do benefício que a concessão da ordem
de habeas corpus trará ao paciente. Se o ato coator ilegal já foi devidamente sanado pela própria autoridade
coatora, não há se falar na existência do interesse de agir. Confira um exemplo!
Exemplo
O art. 310 do Código de Processo Penal diz que “[...] no prazo máximo de até 24 (vinte e quatro) horas
após a realização da prisão, o juiz deverá promover audiência de custódia com a presença do acusado,
seu advogado constituído ou membro da Defensoria Pública e o membro do Ministério Público”. Pense na
hipótese em que determinada pessoa foi presa em flagrante, os autos do flagrante remetidos ao juízo e,
passadas 48 horas, a audiência de custódia não foi realizada. Impetrado o habeas corpus e intimado a
prestar informações ao tribunal, o juízo coator informa já ter realizado a audiência de custódia, ocasião
em que fora expedido o alvará de soltura do paciente. Nesse caso, o habeas corpus não deverá ser
conhecido pela falta do interesse de agir. 
É interessante notar que, mesmo não preenchidas todas as formalidades e as condições para o conhecimento
do habeas corpus, este poderá ser concedido de ofício quando evidente o constrangimento ilegal. Confira a
decisão do Supremo Tribunal Federal.
EMENTA HABEAS CORPUS. IMPETRAÇÃO CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA DE MINISTRO DO
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ENUNCIADO N. 691 DA SÚMULA DO SUPREMO. TRANCAMENTO DA
AÇÃO PENAL. EXCEPCIONALIDADE NA VIA DO HABEAS CORPUS. HIPÓTESE EXISTENTE NO CASO.
PERSECUÇÃO PENAL TEMERÁRIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS DO ART. 41 DO CÓDIGO DE
PROCESSO PENAL. OFENSA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. DENÚNCIA GENÉRICA. INÉPCIA DA PEÇA
ACUSATÓRIA. INEXISTÊNCIA DE INDÍCIOS DE AUTORIA. FALTA DO ELEMENTO DA JUSTA CAUSA PARA A
REGULAR TRAMITAÇÃO DA AÇÃO PENAL. INVIABILIDADE DA RESPONSABILIDADE PENAL OBJETIVA.
PLEITO DE ACESSO AOS AUTOS NÃO APRECIADO NA ORIGEM. AFRONTA AO ENUNCIADO VINCULANTE
N. 14 DA SÚMULA. DESRESPEITO À GARANTIA DA AMPLA DEFESA E INOBSERVÂNCIA DE
PRERROGATIVA DO ADVOGADO. ILEGALIDADE EVIDENTE. 1. Embora não se admita habeas corpus
impetrado contra decisão monocrática de ministro de Tribunal Superior, por caracterizar supressão de
instância, é possível a concessão da ordem de ofício, desde que caracterizada situação de flagrante
ilegalidade, o que se verificou no caso em exame. Precedentes. 2. O habeas corpus é via adequada ao
trancamento da ação penal apenas em casos excepcionais, de evidente atipicidade da conduta, extinção
da punibilidade ou ausência de justa causa. Foi demonstrada tal hipótese a partir da instauração de
persecução penal temerária. 3. Peça acusatória genérica que não observou todas as exigências formais
do art. 41 do Código de Processo Penal, uma vez não evidenciados os elementos essenciais da figura
típica do delito imputado ao paciente (homicídio qualificado), o que, ao permitir o entendimento sobre os
fatos atribuídos na denúncia, possibilitaria o pleno exercício do direito de defesa. A denúncia é inepta
notadamente pela ausência de efetiva demonstração da participação do paciente na conduta
alegadamente criminosa. 4. A falta de indícios de autoria evidencia ausência de justa causa, condição
imprescindível para o recebimento da denúncia, o que revela excepcionalidade apta a justificar o
trancamento da ação penal ( CPP, art. 395, III). 5. Não se admite como justa causa para a instauração da
ação penal contra o paciente o simples fato de ser ele “patrono de Escola de Samba”, empregador ou ex-
empregador de um ou alguns dos demais acusados, sem que estejam minimamente identificados o nexo
de causalidade entre a conduta a ele imputada e o dano causado e, ainda, o liame subjetivo entre o autor
e o fato supostamente criminoso, sob pena de indevida aplicação da responsabilidade penal objetiva. 6.
A ausência de apreciação, pela autoridade policial responsável, de pedido, formulado pela defesa, de
acesso ao procedimento investigatório sinaliza evidente desrespeito às garantias constitucionais
fundamentais que permeiam o devido processo legal na esfera da persecução penal, quais sejam, a
ampla defesa e o contraditório ( CF, art. 5º, LV), bem assim inobservância do enunciado vinculante n. 14
da Súmula. 7. A presença de ilegalidade evidente autoriza a superação do consagrado entendimento
jurisprudencial no que toca ao óbice da supressão de instância. 8. Habeas corpus não conhecido, mas
ordem concedida de ofício ( CPP, art. 654, § 2º).
(STF - HC: 205000 RJ 0058761-03.2021.1.00.0000, Relator: NUNES MARQUES, Data de Julgamento:
22/02/2022, Segunda Turma, Data de Publicação: 28/04/2022)
Estrutura do habeas corpus
Neste vídeo, o especialista discorrerá sobre comovocê deve elaborar um habeas corpus.
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Características da petição inicial
Impetrado o habeas corpus, a autoridade coatora deverá ser intimada para prestar informações acerca do
alegado ato coator, podendo, nessa ocasião, defender o próprio ato. Na prática, a autoridade coatora o faz ao
enviar a cópia integral dos autos do processo. Após, julga-se o habeas corpus, podendo a ordem ser
concedida com provimento declaratório (extinção de punibilidade) ou constitutivo (anulação de ato
jurisdicional).
O habeas corpus deverá ser estruturado conforme disposto no art. 654 do Código de Processo Penal. Dessa
forma, na petição inicial, deverá constar, no mínimo, os itens a seguir. Vejamos!
 
O nome da pessoa que sofre ou está ameaçada de sofrer violência ou coação e o de quem exercer a
violência, coação ou ameaça
A declaração da espécie de constrangimento ou, em caso de simples ameaça de coação, as razões em
que funda o seu temor
A assinatura do impetrante ou de alguém a seu rogo, quando não souber ou não puder escrever, e a
designação das respectivas residências.
Para além dos itens mínimos expostos no art. 654, a peça técnica poderá apresentar mais minúcias, como a
qualificação completa do impetrante e fundamentos jurídicos bem detalhados, com citação jurisprudencial e
doutrina. A despeito da possibilidade de estrangeiros impetrarem habeas corpus, a peça deverá ser redigida
na língua portuguesa. Além disso, é vedada a impetração anônima de HC, muito embora exista a possibilidade
de a concessão da ordem ser dada de ofício pelo tribunal (art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal).
A liminar em habeas corpus
É importante destacar que, na inicial de habeas corpus, o impetrante poderá inserir, em sua estrutura, um
tópico com pedido liminar. A medida liminar objetiva coarctar, imediatamente, a coação ilegal. 
Nesse tópico, deverá o impetrante demonstrar, de forma inequívoca, a presença do fumus boni juris, ou seja,
provas suficientes de que o paciente se encontra com a sua liberdade suprimida em decorrência de ato ilegal,
emanado pela autoridade apontada como coatora. Além disso, é necessário que se comprove o periculum in
mora, ou seja, o prejuízo gerado ao paciente na demora em se extinguir o ato ilegal. 
De maneira geral, as medidas liminares são requeridas em habeas corpus liberatórios porque, estando o réu
preso em razão de ato ilegal, é urgente que se reinstaure o seu status libertatis. De todo modo, é possível que
se requeira a concessão da ordem em caráter liminar em habeas corpus preventivos. 
Suponha que determinada pessoa investigada
foi intimada a comparecer em sede policial para
prestar depoimento sobre determinado fato. Ao
tentar obter cópia do procedimento, por meio
de petição apresentada por advogado
constituído, a autoridade policial indeferiu o
pedido de cópias. Nesse caso, poderá ser
impetrado habeas corpus preventivo, pedindo
que, liminarmente, seja sobrestada a oitiva do
investigado até o julgamento final da ação.
Assim, a inicial de habeas corpus terá um
pedido principal (a soltura do paciente, o trancamento de ação penal etc.) e poderá ter um pedido liminar (a
soltura imediata do paciente, o sobrestamento do trâmite da ação penal). O pedido principal poderá ser,
simplesmente, a confirmação da medida liminar. É o caso, por exemplo, de revogação da prisão preventiva,
pedida em sede liminar e requerida a sua confirmação por ocasião do julgamento.
Feita a análise do pedido da cautela de urgência, deferida ou indeferida a medida liminar, o magistrado relator
deverá determinar a intimação da autoridade apontada como coatora, para que apresente informações acerca
do alegado na inicial de habeas corpus. Apresentadas as informações, os autos serão remetidos ao Ministério
Público para elaboração do parecer ministerial. Após, será designada data de julgamento, no qual o
impetrante poderá realizar a sua sustentação oral.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Em agosto de 2022, Josué fora preso em flagrante, pelo cometimento, em tese, do crime de tráfico de drogas.
A sua prisão foi antecedida por busca e apreensão feita em sua residência, por policiais militares que não
1. 
2. 
3. 
possuíam necessário mandado de busca e apreensão. Além disso, não havia nenhum estado de flagrância que
justificasse a entrada dos policiais na casa de Josué. No curso das investigações, a defesa de Josué juntou,
aos autos do inquérito policial instaurado, imagens e áudios do circuito interno de câmeras da residência em
que é possível verificar que os policiais arrombam a porta de Josué, fazem tortura com ele e cobram
determinada quantia em dinheiro para não o prenderem. É possível ver, ainda, que Josué não cedeu às
investidas dos policiais, ao que estes decidiram forjar um flagrante. Colocaram 500 gramas de maconha nas
roupas de Josué e, em seguida, levaram-no ao distrito policial. Apresentado o pedido de relaxamento de
prisão, uma vez que esta era ilegal, o juízo indeferiu o pedido. Surpresos com o indeferimento, os advogados
de Josué decidem impetrar habeas corpus pedindo, liminarmente, que Josué seja imediatamente solto, uma
vez que são evidentes a presença de fumus boni iuris e periculum in mora. O habeas corpus foi instruído com
todas as peças do procedimento, inclusive com a decisão que indeferiu o pedido de relaxamento de prisão.
 
Diante dos fatos narrados, imagine que você é o desembargador relator do caso. Nessa condição, diga, de
forma fundamentada, se a liminar deve ser deferida.
Chave de resposta
No caso concreto, é evidente que a prisão de Josué é ilegal porque, pelas imagens de câmeras e áudios
juntados, restou comprovado que ele não cometeu qualquer crime. Além disso, ainda que o tivesse
cometido, a prisão, ainda assim, deveria ser considerada ilegal, uma vez que a busca e apreensão levada a
efeito pelos policiais militares foi ilegal, visto que não havia o necessário mandado de busca e apreensão,
tampouco havia quaisquer indícios que indicassem que na residência de Josué estava havendo crime.
Então, o habeas corpus deverá ser conhecido, uma vez que estão presentes os seus pressupostos de
cabimento. Sendo claro que o indeferimento do relaxamento de prisão pelo juízo a quo representa claro ato
ilegal tendente a suprimir, indevidamente, a liberdade de locomoção do paciente, a liminar em habeas
corpus deverá ser deferida para que Josué seja posto imediatamente em liberdade.
2. O mandado de segurança e a supressão de direito líquido e certo
Mandado de segurança – conceito e espécies.
O mandado de segurança é um remédio constitucional, previsto no art. 5º, inciso LXIX, da Constituição da
República. Essa ação constitucional possui natureza mandamental e se destina a coarctar atos ilegais
emanados por autoridade e que suprimem direito diverso à liberdade de locomoção e do livre acesso a
registro de dados, amparados, respectivamente, pelo habeas corpus e habeas data.
Veja o que dispõe o art. 5º, LXIX, da Constituição Federal!
[...] conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por
habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade
pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.
(Constituição da República Federativa do Brasil, 1988)
Destaca-se que o mandado de segurança servirá para concessão de tutela declaratória, constitutiva positiva
ou negativa ou mandamental. A tutela declaratória decorre do reconhecimento de determinado fato jurídico
relevante. Por exemplo, a declaração da extinção de punibilidade da pessoa jurídica, em casos de crimes
ambientais (art. 225, § 3º, da CR/88). A tutela constitutiva-positiva, decorre da concepção de direito de forma
ativa. Por exemplo, o reconhecimento do direito de o ofendido apresentar apelação suplementar em casos de
inércia do Ministério Público. A tutela constitutiva-negativa é a tutela decorrente da revogação de
determinado ato. Por exemplo, quandoa identificação fotográfica e dactiloscópica do acusado
(Lei nº 12.037/2009).
A classificação do crime se entende pela
definição jurídica do fato. É dizer que, após a
descrição pormenorizada dos fatos, o
representante do Ministério Público deverá
apontar o tipo penal a que o fato narrado se
adéqua. Por exemplo, se a narrativa acusatória
diz que “Pedro matou João”, tem-se que a
referida conduta se adéqua à redação do tipo
penal descrito no art. 121 do Código Penal
(homicídio).
Por fim, é faculdade do Ministério Público
arrolar testemunhas. Caso opte por não arrolar,
precluirá o direito de produzir prova
testemunhal posteriormente. É importante
esclarecer que a vítima não faz parte do rol de testemunhas, de modo que o Ministério Público, caso queira
ouvi-la, deverá indicá-la à parte do rol de testemunhas.
Inépcia da denúncia
Assista ao vídeo e entenda melhor as hipóteses de inépcia da denúncia, de forma que você possa identificá-la
em casos concretos. 
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Conceituação da inépcia da denúncia
Caso não atendidos os requisitos elencados no art. 41 do Código de Processo Penal, a denúncia deverá ser
rejeitada nos termos do art. 395, I, do Código de Processo Penal por ser considerada inepta ou genérica.
A denúncia inepta é aquela que não descreve de forma pormenorizada os fatos, de modo a não oportunizar ao
defendente o exercício da ampla defesa e do contraditório, uma vez que não saberá exatamente de qual
acusação está se defendendo. Nesse sentido, é pacífico o entendimento do STF, observe!
O processo penal de tipo acusatório repele, por ofensivas a garantia da plenitude de defesa, quaisquer
imputações que se mostrem indeterminadas, vagas, contraditórias, omissas ou ambíguas. Existe, na
perspectiva dos princípios constitucionais que regem o processo penal, um nexo de indiscutível
vinculação entre a obrigação estatal de oferecer acusação formalmente precisa e juridicamente apta e o
direito individual de que dispõe o acusado a ampla defesa. A imputação penal omissa ou deficiente, além
de constituir transgressão do dever jurídico que se impõe ao Estado, qualifica-se como causa de
nulidade processual absoluta.
(STF, HC n° 70763/DF, 1ª turma, rel. Min. Celso de Mello, DJU 23.09.1994)
Dessa forma, dispõe o art. 330, § 1º, do CPC as seguintes hipóteses de inépcia:
(I)
Quando faltar pedido ou causa de pedir.
(II)
Quando o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o pedido
genérico.
(III)
Quando da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão.
(IV)
Quando contiver pedidos incompatíveis entre si.
Lembramos que o Código de Processo Civil poderá ser aplicado de forma analógica e extensiva ao Código de
Processo Penal, conforme o disposto no art. 3º do Código de Processo Penal.
Em processo penal, o pedido disposto na denúncia sempre será genérico, pois o que se pleiteia, ao final, é a
condenação do réu nas penas de determinado artigo. Ainda assim, a ausência de pedido torna inepta a
denúncia. Da mesma forma, na hipótese de não haver crime, logicamente, não subsistirá causa de pedir.
A hipótese do inciso II não se aplica em processo penal porque o pedido disposto na denúncia será sempre
genérico.
Comentário
A denúncia deverá descrever os fatos de forma pormenorizada. Não se trata de mero ato protocolar, mas
de uma peça que deverá permitir ao defendente o exercício da ampla defesa e do contraditório;
garantias constitucionais do réu. Nesse sentido, é evidente que a narração ilógica dos fatos prejudica o
exercício das aludidas garantias. Nesse caso, a denúncia também deverá ser considerada inepta. 
Além disso, pedidos incompatíveis também acarretarão a rejeição da petição inicial pela inépcia.
Denúncia genérica nas ações penais com mais de um acusado
Vimos que a denúncia deve descrever, de forma minuciosa e pormenorizada, todos os fatos para seja
possibilitado ao defendente saber do que exatamente está se defendendo. Em outras palavras: o
detalhamento dos fatos oportuniza o exercício do contraditório e da ampla defesa.
Nas ações penais intentadas contra mais de um
acusado, tal mandado deverá ser observado
pelo representante do Ministério Público com
igual rigor. Nesses casos, a acusação deverá
indicar, com exatidão, como se deu a
participação nos fatos de cada denunciado.
Deve-se evitar, portanto, a descrição imprecisa
e vaga sob pena de se ofertar denúncia
genérica. Nessa hipótese, inevitavelmente ela
deverá ser rejeitada por ser inepta, nos termos
do art. 395, I, do Código de Processo Penal.
É comum a incidência de denúncias genéricas
em casos de crimes financeiros, pois tais
crimes são decorrentes de condutas e de
operações absolutamente complexas, perpetradas no âmbito interno das empresas e que envolvem diversas
pessoas. Diante dessa dificuldade, não é raro ver o que se chama de imputação objetiva: a denúncia é
oferecida em razão do cargo que determinada pessoa exercia dentro da empresa, sem descrever, no entanto,
em que medida o imputado participou dos fatos, como participou e como se utilizou do cargo na empreitada
criminosa. O pressuposto, nesses casos, é de que, ao exercer determinado cargo, o agente concorreu, no
mínimo, de forma omissa quando tinha o dever de evitar a consumação do crime.
Não obstante, a imputação objetiva é vedada em processo penal, de modo que a petição inicial deverá, nessa
hipótese, ser considerada genérica e rejeitada por ser inepta, uma vez que não se pode acusar
indistintamente pessoas sem elementos probatórios mínimos que indiquem a autoria do crime imputado.
Estrutura da denúncia
Assista ao vídeo e confira como se estrutura uma denúncia criminal.
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Estudo prático
Analisadas as questões teóricas que envolvem a denúncia, passemos ao estudo prático de como ela deverá
ser estruturada.
A denúncia deverá ser estruturada em sete partes, confira!
(I)
Com endereçamento ao juízo competente.
(II)
Com a qualificação do denunciado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo.
(III)
Com o fato imputado ao denunciado com todas as suas circunstâncias.
(IV)
Com a classificação da infração penal.
(V)
Com os pedidos de: a) requerimento de citação do réu; b) condenação ou pronúncia (casos de júri); c)
requerimento de provas.
(VI)
Com o local e a data da denúncia.
(VII)
Com a assinatura e a identificação do representante do Ministério Público.
Os quesitos de classificação da infração penal e descrição do fato imputado ao denunciado com todas as
suas circunstâncias são os mais importantes. O cumprimento desses requisitos é que possibilita o exercício
das garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa.
Atenção
Diferentemente da alegação final do órgão acusador (com avaliação de provas, sugestão de
jurisprudência etc.), a petição inicial deverá ser concisa. Deve-se evitar, ao máximo, a prolixidade a fim
de que se permita ao réu o pleno entendimento do motivo pelo qual está sendo denunciado porque o
juízo feito no momento do recebimento da denúncia é de probabilidade. Já a sentença é um juízo de
certeza. 
A depender do momento procedimental, a autoridade atuante deverá fazer determinado tipo de cognição
buscando investigar um juízo de possibilidade, probabilidade, ou de certeza. Cada um desses juízos é dotado
de maior ou de menor grau de certeza do que se está a decidir. Sua aplicação dependerá, portanto, da
intensidade que recairá nos resultados da decisão ao sujeito passivo. 
Diferentes níveis de cognição nos atos procedimentais
O juízo de possibilidade ocorre no momento da decisão acerca da instauração ou não de inquérito. Trata-se,
portanto, de um grau de cognição mais carente de firmeza. O número de elementos informativos que apontam
para a justa causa não precisa ser superior em relação ao número daqueles que apontam para a não justa
causa (e vice-versa).
Quando da decisão pelo processo ou não
processo (recebimento ou não recebimento de
denúncia),se decide pelo levantamento de bloqueio de conta bancária com o fim
das investigações. Já a tutela mandamental decorre de determinação emanada pelo juízo ad quem. Por
exemplo, o trancamento de ação penal cujo objeto é algum crime ambiental e o impetrante do mandado de
segurança é pessoa jurídica.
Assim como o habeas corpus, o mandado de segurança também poderá ser impetrado de maneira preventiva.
Ou seja, quando, a partir de ato de autoridade, o direito líquido e certo de alguém, diverso da liberdade de
locomoção, possa vir a sofrer lesão.
Mandado de segurança – conceito e espécies
Neste vídeo, o especialista explicará o cabimento do mandado de segurança e sua legitimidade para que você
saiba como utilizá-lo.
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Hipóteses de cabimento do mandado de segurança
Confira, na sequência, o que dispõe o art. 1º da Lei nº 12.016/2009 – lei que disciplina o mandado de
segurança.
[...] conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por
habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física
ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de que
categoria for e sejam quais forem as funções que exerça.
(Lei nº 12.016/2009)
Uma das condições da ação mandamental é o interesse de agir. Aqui, é necessário que se faça um juízo
acerca da possibilidade jurídica do pedido em sua ótica negativa. Ou seja, é preciso verificar em quais
hipóteses não cabe a impetração de mandado de segurança. Dessa forma, para além de observar a hipótese
de cabimento, é necessário observar as hipóteses de não cabimento. Dito isso, veja o que nos traz o art. 5º da
Lei nº 12.016/2009. 
Não se concederá mandado de segurança quando se tratar: I - de ato do qual caiba recurso
administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução; II - de decisão judicial da qual
caiba recurso com efeito suspensivo; e III - de decisão judicial transitada em julgado.
(Lei nº 12.016/2009)
O inciso I não será objeto do presente estudo, uma vez que estamos tratando de impugnação de decisões e
de atos judiciais. O inciso II, por sua vez, veda o conhecimento do mandado de segurança, na hipótese em que
é cabível recurso específico, com efeito suspensivo, para coarctar o ato ilegal. É preciso ressalvar que a
doutrina e a jurisprudência vêm adotando o entendimento de que não caberá o conhecimento de mandado de
segurança quando cabível recurso com efeito suspensivo ou um recurso efetivo que possa obter uma
antecipação da pretensão recursal.
Essa observação se explica pelo fato de que nem sempre o titular do direito possui interesse na suspensão do
feito. Por vezes, é necessária, justamente, a maior celeridade possível para a entrega da prestação
jurisdicional pretendida.
Embora o CPC de 2015 não utilize mais a expressão possibilidade jurídica do pedido como condição da ação,
não há qualquer alteração prática na questão. Isso ocorre, pois, quer como impossibilidade jurídica do pedido,
porque vedado em abstrato pelo ordenamento o mandado de segurança, quer como falta de interesse de agir,
na modalidade adequação, porque no caso seria adequado outro meio de impugnação, o resultado seria o
mesmo: carência da ação, com extinção do processo sem julgamento do mérito (Badaró, 2022, p. 654). 
Assim, é possível, por exemplo, que a extinção do processo sem julgamento de mérito se dê em decorrência
da impossibilidade do pedido, por estar previsto recurso com efeito suspensivo (art. 5º, II, da Lei nº
12.016/2009), ou que não haja interesse de agir pela inadequação da via eleita.
Quanto ao interesse de agir, na modalidade adequação, é necessária a demonstração incontestável,
por meio de documentos, do direito líquido e certo, bem como de sua supressão pelo ato judicial.
Caso não seja demonstrada a presença do direito líquido e certo, a ação deverá ser extinta sem
resolução de mérito por carência da ação.
Por fim, assim como no habeas corpus, não caberá dilação fático-probatória pela via do mandado de
segurança.
Legitimidade ativa e passiva
No mandado de segurança, o legitimado ativo é o titular do direito líquido e certo que se encontra suprimido
pelo ato judicial. Assim, diferentemente do habeas corpus, que é ação popular, o próprio titular do direito será
o impetrante da ação mandamental, uma vez que é possuidor de legitimidade ativa para tanto.
Veja o que contém a petição inicial, conforme o art. 6º da Lei nº 12.016/2009.
[...] além da indicação da autoridade coatora, também a denominação da pessoa jurídica que esta
integra, à qual se acha vinculada ou da qual exerce atribuições”.
(Lei nº 12.016/2009)
Isto é, o legitimado passivo da ação mandamental será a pessoa jurídica de direito público, e não autoridade
coatora. Ainda assim, a autoridade coatora deverá prestar informações acerca do ato praticado.
Formalidades no mandado de segurança
Neste vídeo, o especialista discorrerá sobre como elaborar um mandado de segurança.
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O mandado de segurança deverá observar os requisitos estabelecidos na lei processual, conforme disposto
no art. 6º da Lei nº 12.016/2009. Ele deverá, ainda, indicar a autoridade coatora, bem como a pessoa jurídica
que esta integra, à qual se acha vinculada ou da qual exerce atribuições. Não é necessária a indicação do
nome da autoridade coatora, mas tão somente da vara ou do juízo. Diz o art. 319 do CPC que, em mandado de
segurança, deverá ser aportado, ao final, o valor da causa. É comum se dizer que o valor é inestimável.
Entretanto, em casos de sequestro de bens, o valor da causa deverá ser compatível com o valor dos bens
constritos.
Diferentemente do habeas corpus, ação popular, o titular deverá impetrar a ação mandamental por
meio de advogado inscrito nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil, possuidor de
capacidade postulatória.
Impetrado o habeas corpus, a autoridade coatora deverá ser intimada para prestar informações acerca do
alegado ato coator, podendo, nessa ocasião, defender o próprio ato. Na prática, a autoridade coatora o faz ao
enviar a cópia integral dos autos do processo. Após, julga-se o HC, podendo a ordem ser concedida com
provimento declaratório (extinção de punibilidade) ou constitutivo (anulação de ato jurisdicional).
Estrutura do mandado de segurança
O mandado de segurança deverá ser estruturado conforme disposto em lei federal. Nesse caso, é necessário
observar o que dispõe os arts. 319 e 320 do CPC/15. É importante ressalvar que, como não há dilação
probatória na ação mandamental, dispensa-se o atendimento do requisito constante no inciso IV do art. 319.
Por outro giro, há a necessidade da demonstração irrefutável da liquidez e certeza do direito suprimido, por
meio de documentos.
Dessa forma, na petição inicial, deverá constar, no mínimo, os itens a seguir. Confira!
 
O juízo que é dirigida.
Nome e qualificação completa do impetrante, bem como a indicação da autoridade coatora (art. 319, II,
do CPC c/c art. 6º da Lei nº 12.016/2009).
Os fundamentos jurídicos.
O pedido; o valor da causa.
Data, local e assinatura.
A liminar em mandado de segurança
Assim como no habeas corpus, na inicial da ação mandamental o impetrante poderá inserir, em sua estrutura,
um tópico com pedido liminar. A liminar tem o efeito de antecipar a tutela a ser prestada, objetivando cessar,
com a maior rapidez possível, os efeitos do ato judicial ilegal.
O impetrante deverá demonstrar, de forma incontestável, a presença dos já mencionados fumus boni juris, ou
seja, provas documentais irrefutáveis de que o seu direito é líquido e é certo, bem como que se encontra
suprimido por ato ilegal emanado pela autoridade judicial. Além disso, é necessário que se comprove o 
periculum in mora, ou seja, o prejuízo gerado ao impetrante na demora em fazer cessar o ato ilegal. 
Note-se que, para fins legais, considera-se como efetivo o recurso o qual tenha efeitosuspensivo. Contudo,
são muitos os casos em que a parte não tem interesse em sobrestar o efeito. Ao contrário, é interessante que
consiga obter a prestação jurisdicional o mais rápido possível. 
Exemplo
O sujeito que apresenta pedido ao juiz para que haja o levantamento do sequestro de seus bens, uma
vez que a investigação que originou esta cautelar já se encerrou. No caso de indeferimento do pedido,
caberá a impetração do mandado de segurança com pedido liminar, visto que está presente o periculum
in mora, qual seja, a desvalorização do bem com o tempo ou até mesmo a necessidade de venda
imediata do bem para auferir dinheiro. 
A inicial da ação mandamental terá, portanto, um pedido principal (por exemplo: o reconhecimento da extinção
de punibilidade de pessoa jurídica) e poderá ter um pedido liminar (o sobrestamento de processo até o
julgamento do mérito da ação).
O procedimento que se sucederá será o mesmo do habeas corpus: apreciado o pedido da antecipação de
tutela, seja pelo deferimento, seja pelo indeferimento, o magistrado relator determinará a intimação da
autoridade apontada como coatora para que apresente informações acerca do alegado na inicial do mandado
de segurança. Apresentadas as informações, os autos serão remetidos às partes contrárias para que sejam
oportunizadas as suas manifestações. Após, será designada data de julgamento, no qual o impetrante poderá
realizar a sua sustentação oral pelo prazo regimental. 
Verificando o aprendizado
Questão 1
O representante legal da empresa de coleta de lixo Limpeza Total Ltda. foi intimado para comparecer à
Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. Lá chegando, tomou conhecimento de que fora instaurada a
investigação para averiguar a empresa. Segundo a portaria de instauração do procedimento investigatório, em
maio de 1990 a empresa Limpeza Total Ltda., por meio de seus sócios, executou a extração de recursos
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minerais sem a permissão do órgão competente. Passados 33 anos de investigação, o Ministério Público, com
arrimo no art. 225, § 3º da CR/88, resolve oferecer denúncia em desfavor da empresa e de seus sócios pelo
cometimento do crime descrito no art. 55 da Lei nº 9.605/1998 (Lei contra os crimes ambientais).
 
Recebida a denúncia e citada a empresa para apresentar a sua resposta à acusação, foi alegado que a
punibilidade do crime imputado estava extinta, uma vez que este havia prescrito desde 1993. Ignorando a tese
da defesa, o juízo mantém o recebimento da denúncia e designa data para realização da audiência de
instrução de julgamento.
 
Imagine que você é o advogado da empresa Limpeza Total Ltda. Assim, aponte qual é o remédio
constitucional cabível para coarctar o ato judicial, bem como os fundamentos jurídicos da referida peça.
Chave de resposta
O recurso cabível para coarctar o ato judicial é o mandado de segurança porque é um ato judicial ilegal,
haja vista que deixou de decretar, indevidamente, a extinção de punibilidade do crime imputado à empresa
Limpeza Total Ltda. Afinal, a prescrição ocorrera em maio de 1993 e a denúncia fora oferecida dezenove
anos após a data da prescrição. Registre-se que, por se tratar de pessoa jurídica, a ação cabível não
poderá ser o habeas corpus, pois este se destina a coarctar ato ilegal que implica a restrição do direito de
locomoção da pessoa física. Além disso, em observância ao disposto nos incisos II e III, do art. 5º, da Lei nº
12.016/2009, verifica-se que não existe recurso específico, com efeito suspensivo, apto a combater a
decisão que manteve o recebimento da denúncia, e não se trata de decisão transitada em julgado.
Conforme disposto no art. 6º da Lei nº 12.016/2009 e nos arts. 319 e 320, ambos do CPC, o mandado de
segurança deverá ser endereçado ao Tribunal de Justiça do Estado; autoridade hierarquicamente superior.
A autoridade apontada como coatora será o juízo prolator da decisão que manteve o recebimento da
denúncia. O direito líquido e certo a ser apontado poderá ser o direito ao devido processo legal e o próprio
direito de ver extinta a punibilidade do crime que cometera no passado pela ocorrência da prescrição. O
mandado de segurança deverá estar instruído de todos os documentos que indiquem a supressão do
direito objeto da ação, tais quais: a cópia integral do procedimento investigatório, a cópia da denúncia, a
cópia da decisão judicial e a cópia da resposta à acusação.
Poderá ser requerida, ainda, em caráter liminar, a decretação da extinção da punibilidade e o
sobrestamento do andamento do feito até o julgamento do mérito da ação mandamental, pois está patente
a ilegalidade do ato, pelos próprios fundamentos expostos. Além disso, a demora na concessão da tutela
pode implicar prejuízo à imagem da empresa. Estão presentes, portanto, fumus boni iuris e periculum in
mora.
No pedido, poderá ser requerida a confirmação da liminar e a determinação do trancamento da ação penal
que recai sobre a empresa. O valor da causa é inestimável. Ao final, deverá constar data, local e a
assinatura do peticionante.
3. A revisão criminal
O que é a revisão criminal?
Neste vídeo, o especialista tratará do conceito e do cabimento da revisão criminal.
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Conceito
Embora não se trate de recurso, a revisão criminal parte do mesmo fundamento jurídico dos recursos, que é a
oportunidade de se assegurar a justeza nos julgamentos proferidos, ao possibilitar a revisão de sentenças e
de acórdãos penais condenatórios já transitados em julgado. Significa dizer que o valor justiça se sobrepõe ao
valor segurança jurídica porque, em matéria criminal, o que está em jogo é um dos direitos mais caros ao
cidadão – a liberdade.
Muito embora não esteja expressa na Constituição da República, a revisão criminal só poderá ser apresentada
em favor de pessoa condenada. Ou seja, não caberá revisão criminal de sentença penal absolutória transitada
em julgado que absolvera erroneamente determinada pessoa. Tal conclusão se extrai do art. 8.4 da CADH.
Confira o que ele diz!
[...] o acusado absolvido por sentença transitada em julgado não poderá ser submetido a novo processo
pelos mesmos fatos.
(Convenção Americana de Direitos Humanos, 1969)
A despeito de o art. 621 tratar de processos findos, não é cabível revisão criminal tendente a atacar
meramente decisão terminativa. Sobre isso, basta notar o que dispõe o art. 625, §1º, do CPP, que exige que a
petição inicial seja instruída com a “[...] certidão de haver passado em julgado a sentença condenatória”.
Assim, o que será discutido em sede de revisão criminal é a pena ou o crime. Não é possível, portanto, que o
objeto dessa ação autônoma seja os efeitos civis da condenação. Em outras palavras, a revisão criminal cujo
objeto é a perda de direitos políticos não será admitida, por falta de condição da ação, no que tange ao
interesse de agir.
Por outro lado, é possível que se admita a revisão criminal tendente a atacar a sentença absolutória imprópria,
visto que a aplicação de medida de segurança possui natureza sancionatória.
É cabível, ainda, revisão criminal contra a
sentença concessória de perdão judicial, pois,
embora extinta a punibilidade, a aplicação do
perdão judicial pressupõe culpa. Observe, por
exemplo, a sentença condenatória que
concedeu o perdão judicial ao pai da vítima
criança, que faleceu em decorrência de um
afogamento.
Em sede de sentença, entendeu-se que o pai
teria praticado crime de homicídio na
modalidade omissiva imprópria. Tempos depois do trânsito em julgado da referida sentença, descobre-se, a
partir de imagens retiradas do circuito interno de câmeras do local, que esse pai havia despendido todos os
esforços para salvar seu filho do afogamento. Somando-se a isso, é apresentado novo laudo pericial
atestando que a causa mortis foi em decorrência de um infarto, por causa congênita. Nesse caso, é cabível a
revisão criminal, uma vez que a morte do filho não decorreu da omissão do pai, mas, sim, de uma causa
congênita, natural.
O interesse de agirserá constatado caso presente as hipóteses de cabimento previstas no rol, taxativo, do
art. 621 do Código de Processo Penal. A revisão criminal objetiva atacar sentença ou acórdão penal
condenatório já transitado em julgado que, de acordo com o art. 621 do CP:
(i) contrariou texto expresso na lei penal. 
(ii) se fundou em depoimentos, exames ou documentos falsos. 
(iii) vai de encontro a novas provas de inocência do condenado. 
Cabimento
Contrariar o texto expresso da lei penal ou a evidência dos autos
A sentença ou acórdão que contraria o texto expresso em lei penal poderá ser atacada pela via da revisão
criminal. Entende-se como texto expresso em lei qualquer dispositivo constante em norma de natureza penal,
na qual a sentença se pautou para lastrear o édito condenatório. É o caso do art. 33 da Lei de Tóxicos, que
criminaliza o tráfico de drogas. Trata-se de uma norma penal em branco, regulamentada por portaria da
Anvisa. É possível, assim, a revisão criminal fundamentada no argumento de que determinada condenação por
tráfico de drogas contrariou a portaria da Anvisa, por exemplo. 
É cabível, ainda, a revisão criminal quando há modificação sólida de entendimento jurisprudencial pelos
tribunais superiores quando em benefício do réu.
No que se refere à parte final do texto, evidência dos autos, a revisão criminal, nesta hipótese, prescinde de
novas provas. Exige-se, nesse caso, a reanálise de provas outrora já coligidas nos autos do processo findo.
Não basta, nesse caso, que haja mera contradição entre prova fraca e o resultado condenação. É necessária a
demonstração de uma contradição frontal e cabal entre a prova e o resultado do processo. 
Sentença lastreada em provas falsas
É evidente que a prova falsa não poderá ser utilizada para lastrear condenação. Assim, após o trânsito em
julgado da sentença penal condenatória, caso se descubra que esta foi fundamentada por prova falsa, deverá
ser atacada pela via da revisão criminal. É necessário, no entanto, que a prova apontada como falsa tenha
nexo de causalidade direta com a condenação.
Contrariar o texto expresso da lei penal
É cabível a revisão criminal na hipótese de surgimento de nova prova que demonstre a inocência do acusado.
Nesse caso, a prova não pode ter sido produzida após o édito da sentença condenatória. É possível a
apresentação de prova produzida no decorrer do feito originário, mas que, por desídia, a defesa do apenado
não a apresentou oportunamente. Destaca-se que a prova testemunhal nova deverá ser produzida em
contraditório judicial.
Legitimidade e pressupostos processuais
Neste vídeo, o especialista discorrerá acerca da legitimidade e dos pressupostos da revisão criminal.
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Principais características
O legitimado ativo para propor a revisão criminal será o próprio condenado, por meio de quem possui
capacidade postulatória, no caso, um advogado. Em caso de morte do condenado durante o trâmite da ação,
o presidente do tribunal deverá nomear um curado para que se dê continuidade ao andamento da ação. Já no
caso de justiça póstuma, poderão propor a revisão criminal o cônjuge, o ascendente, o descendente ou o
irmão, conforme disposto no art. 623 do CPP.
Já o legitimado passivo é o Estado representado pelo Ministério Público. Nesse caso, o parecer poderá ser
impugnando os termos da petição inicial, ou concordando, uma vez que o referido órgão também atua como
fiscal da lei. Caso haja pedido de indenização, a Fazenda Pública (federal ou estadual) deverá figurar no polo
passivo do pedido revisional. Por fim, a vítima não figurará no polo passivo da ação revisional, visto que não há
dispositivo nesse sentido.
Não existe prazo para se propor a ação revisional, podendo esta ser intentada a qualquer momento. Embora
prescinda de capacidade postulatória, na medida que o art. 623 prevê a possibilidade de o condenado
interpor a revisão criminal independentemente de advogado, ao se apresentar a revisão criminal, será
nomeado advogado para arrazoar o pedido.
Verificando o aprendizado
Atividade Discursiva
(Questão – OAB – 2ª Fase – X Exame de Ordem Unificado (Penal))
 
Leia com atenção o caso concreto a seguir: Jane, no dia 18 de outubro de 2010, na cidade de Cuiabá – MT,
subtraiu veículo automotor de propriedade de Gabriela. Tal subtração ocorreu no momento em que a vítima
saltou do carro para buscar um pertence que havia esquecido em casa, deixando-o aberto e com a chave na
ignição. Jane, ao ver tal situação, aproveitou-se e subtraiu o bem, com o intuito de revendê-lo no Paraguai.
Imediatamente, a vítima chamou a polícia e esta empreendeu perseguição ininterrupta, tendo prendido Jane
em flagrante somente no dia seguinte, exatamente quando esta tentava cruzar a fronteira para negociar a
venda do bem, que estava guardado em local não revelado. Em 30 de outubro de 2010, a denúncia foi
recebida. No curso do processo, as testemunhas arroladas afirmaram que a ré estava, realmente, negociando
a venda do bem no país vizinho e que havia um comprador, terceiro de boa-fé arrolado como testemunha, o
qual, em suas declarações, ratificou os fatos. Também ficou apurado que Jane possuía maus antecedentes e
reincidente específica nesse tipo de crime, bem como que Gabriela havia morrido no dia seguinte à subtração,
vítima de enfarte sofrido logo após os fatos, já que o veículo era essencial à sua subsistência. A ré confessou
o crime em seu interrogatório. Ao cabo da instrução criminal, a ré foi condenada a cinco anos de reclusão no
regime inicial fechado para cumprimento da pena privativa de liberdade, tendo sido levada em consideração a
confissão, a reincidência específica, os maus antecedentes e as consequências do crime, quais sejam, a
morte da vítima e os danos decorrentes da subtração de bem essencial à sua subsistência. A condenação
transitou definitivamente em julgado, e a ré iniciou o cumprimento da pena em 10 de novembro de 2012. No
dia 5 de março de 2013, você, já na condição de advogado(a) de Jane, recebe em seu escritório a mãe de
Jane, acompanhada de Gabriel, único parente vivo da vítima, que se identificou como sendo filho desta. Ele
informou que, no dia 27 de outubro de 2010, Jane, acolhendo os conselhos maternos, lhe telefonou, indicando
o local onde o veículo estava escondido. O filho da vítima, nunca mencionado no processo, informou que no
mesmo dia do telefonema, foi ao local e pegou o veículo de volta, sem nenhum embaraço, bem como que tal
veículo estava em seu poder desde então. Com base somente nas informações de que dispõe e nas que
podem ser inferidas pelo caso concreto acima, redija a peça cabível, excluindo a possibilidade de impetração
de Habeas corpus, sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes.
Chave de resposta
Deverá ser redigida uma revisão criminal, com fundamento no art. 621, I e/ou III, do Código de Processo
Penal. Deverá ser feita uma única petição, dirigida ao desembargador presidente do Tribunal de Justiça do
Estado de Mato Grosso, e o candidato deverá argumentar que, após a sentença, foi descoberta causa
especial de diminuição de pena, prevista no art. 16 do Código Penal, qual seja, arrependimento posterior. O
agente, anteriormente ao recebimento da denúncia, por ato voluntário, restituiu a res furtiva, sendo certo
que tal restituição foi integral e que, portanto, faz jus ao máximo de diminuição. Assim, deverá pleitear, com
base no art. 626 do Código de Processo Penal, a modificação da pena imposta para que seja considerada
a referida causa de diminuição de pena. Além disso, o fato novo comprova que o veículo não chegou a ser
transportado para o exterior, não tendo se iniciado qualquer ato de execução referente à qualificadora
prevista no §5º do art. 155 do Código Penal. Por isso, cabe a desclassificação do furto qualificado para o
furto simples (art. 155, caput, do Código Penal). Como consequência da aplicação da causa especial de
diminuição de pena prevista no art. 16 do CP e da desclassificação do delito, o examinandodeverá
desenvolver raciocínio no sentido de que, em que pese a reincidência da revisionanda, o STJ tem
entendimento sumulado no sentido de que poderá haver atribuição do regime semiaberto para
cumprimento da pena privativa de liberdade (verbete 269 da Súmula do STJ). Além disso, o fato de a
revisionanda ter reparado o dano de forma voluntária prepondera sobre os maus antecedentes e
demonstra que as circunstâncias pessoais lhe são favoráveis. Por isso, a fixação do regime fechado se
mostra medida desproporcional e infundada, devendo ser abrandado o regime para o semiaberto, com
base no verbete 269 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. Ao final, o examinando deverá elaborar,
com base no art. 626 do CPP, os seguintes pedidos: i. a desclassificação da conduta de furto qualificado
para furto simples; ii. a diminuição da pena privativa de liberdade; iii. a fixação do regime semiaberto (ou a
mudança para o referido regime) para o cumprimento da pena privativa de liberdade. Com o fim de
privilegiar a demonstração de conhecimento, será pontuada, também, a estrutura da peça prático-
profissional apresentada. Assim, deve haver a correta divisão das partes, indicação de local, data,
assinatura e observância às demais formalidades inerentes à estrutura da peça em análise. Também com a
finalidade de privilegiar a demonstração de conhecimento jurídico, a Banca aceitará, subsidiariamente,
como peça prático-profissional adequada, o pedido de justificação. Para garantir a atribuição dos pontos
pertinentes, o examinando deve redigir um pedido de justificação, com fundamento no art. 861 do Código
de Processo Civil c/c art. 3º do Código de Processo Penal. Deverá ser feita uma única petição, dirigida à
Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso. Em sua peça, o examinando deverá
requerer oitiva da testemunha Gabriel, tendo em vista que as novas provas autorizariam diminuição
especial de pena (nos termos do art. 621, III do CPP). Deverá, outrossim, argumentar acerca da
impossibilidade de produção de provas em sede de revisão criminal. Por tais razões, o examinando deverá,
ao final, pleitear: i. a intimação da testemunha Gabriel para comparecer à audiência a ser designada; ii. que,
efetuada a justificação, seja homologada por sentença, entregando-se os autos ao requerente após
decorridas 48 horas da decisão judicial, nos termos do art. 866 do CPC. Ao final, o examinando deverá
atribuir valor à causa, conforme art. 282, V, do CPC, bem como apresentar o rol de testemunhas.
4. Conclusão
Considerações finais
Ao longo de nossos estudos, verificamos as principais ações autônomas de impugnação. Verificamos,
inicialmente, a diferença entre as ações autônomas e os recursos. Embora visem atacar a decisão prolatada
no âmbito de um processo já existente, as ações autônomas de impugnação, diferentemente dos recursos,
inauguram uma ação autônoma. Já o recurso é um meio pelo qual é possibilitada à parte, no âmbito do mesmo
processo, ver a decisão que a prejudicou reexaminada por órgão hierarquicamente superior.
Entre as inúmeras ações autônomas de impugnação, verificamos as duas mais usuais no processo penal,
quais sejam o habeas corpus e o mandado de segurança. Conforme estudamos, vimos que o habeas corpus é
uma ação popular e um remédio constitucional que deverá ser utilizado para reaver o direito de locomoção da
pessoa física, indevidamente suprimida por ato de determinada autoridade.
Qualquer pessoa pode impetrar habeas corpus. É dispensável a habilitação de advogado. A forma não é rígida,
bastando, para o seu conhecimento, a presença dos requisitos mínimos elencados no art. 654 do Código de
Processo Penal. Ele pode ser liberatório, quando a liberdade do indivíduo se encontra suprimida, ou
preventivo, quando a supressão indevida da liberdade do indivíduo é iminente.
O mandado de segurança, por sua vez, será cabível para proteger direito líquido e certo, não amparado por 
habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade
pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. A ação mandamental
poderá gerar tutela de caráter declaratório, constitutiva-positiva, constitutiva-negativa e mandamental.
Destacamos que, para além das hipóteses de cabimento, presentes no art. 5º, LXIX, da CR/88 e do art. 1º da
Lei nº 12.016/2009, é necessário que sejam verificadas as hipóteses em que não caberá o conhecimento do
mandado de segurança. Elas estão dispostas no art. 5º da Lei nº 12.016/2009. Assim, não caberá mandado de
segurança contra ato judicial passível de ser impugnado por meio de recurso próprio com efeito suspensivo e
contra ato judicial já transitado em julgado. No caso da primeira hipótese, mais do que o efeito suspensivo, o
recurso deverá ser efetivo.
Por fim, verificamos que, nas iniciais de ambas as ações, o impetrante poderá pleitear o deferimento de
cautela de urgência ou liminar. Nesse caso, tanto no habeas corpus quanto no mandado de segurança é
necessário que esteja cabalmente comprovada a presença de fumus boni iuris e de periculum in mora. O
primeiro requisito se define pela presença de elementos suficientes e incontestáveis de que o direito objeto da
ação encontra-se suprimido por ato ilegal, emanado pela autoridade coatora. Já o segundo requisito trata do
perigo da demora em se conceder a tutela pretendida. 
Explore +
Para se aprofundar mais, acesse o site do Supremo Tribunal Federal e leia o voto do ministro relator Nunes
Marques, no âmbito do habeas corpus HC 205.000/RJ. 
Referências
BADARÓ, G. H. R. I. Manual dos recursos penais. 5. ed. São Paulo: RT, 2022.
 
Grinover, A. P.; Gomes Filho, A. M.; FERNANDES, A. S. Recursos no processo penal. 7. ed. São Paulo: RT, 2011.
 
LOPES JUNIOR, A. Direito processual penal. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2015.
 
PRADO, G. Sistema acusatório: a conformidade constitucional das leis processuais penais. Rio de Janeiro:
Lumen Juris, 2001.
 
NUCCI, G. S. Manual de processo penal e execução penal. 13. ed. rev. atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense,
2016.
Prática da execução penal
Você vai entender a relação entre teoria e prática no que concerne à execução penal e os principais
aspectos teóricos da Lei de Execuções Penais.
Prof. Rodrigo Bragança
1. Itens iniciais
Propósito
A execução penal é a fase que sucede o trânsito em julgado da sentença penal. Trata-se do momento de
execução da pena na qual o réu foi condenado. Em um Estado democrático de direito, a execução penal
deverá ser norteada por princípios e garantias constitucionais, especialmente, a dignidade da pessoa humana.
Saber como funciona o seu trâmite, bem como as regras que a regem é de fundamental importância ao
operador do direito.
Preparação
Antes de iniciar os seus estudos, tenha em mãos o Código de Processo Penal, o Código Penal, a Constituição
da República e a Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/84).
Objetivos
Analisar as regras e os princípios que norteiam a execução penal como imperativos ao Estado 
democrático de direito.
Reconhecer características, objetivos e cabimento do recurso de agravo em execução.
Introdução
A execução penal trata-se do momento que sucede o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Em
outras palavras, é a fase processual na qual se dá início ao cumprimento de pena aplicada aquele que fora
condenado. Conforme disposto na Lei de Execução Penal (LEP), o objetivo da execução penal é efetivar as
disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do
condenado e do internado.
Podemos dizer que o direito de execução penal, por opção legislativa, incumbiu ao Judiciário o controle
principal da pena, embora a execução penal tenha característica mista, uma vez que também possui caráter
administrativo. Antes da promulgação da Lei de Execução Penal, o sistema vigente era de caráter
administrativo, uma vez que a responsabilidade da fiscalização e do cumprimento de pena eram incumbência
dos órgãos estritamente administrativos.Embora a execução penal se defina pela aplicação de uma punição imposta a determinada pessoa, temos que,
como ramo do direito, ela deverá ser norteada por uma série de princípios e garantias constitucionais. Dessa
forma, afora a própria dignidade da pessoa humana, o art. 5º da Constituição da República dispõe de uma
série de incisos com regras a serem observados no momento da execução da pena, por exemplo: “XLVI – a lei
regulará a individualização da pena; XLVII – não haverá penas: a) de morte; b) de caráter perpétuo; c) de
trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis; XLIX – é assegurado aos presos o respeito à integridade física
e moral”.
Para além dos dispositivos constitucionais atinentes a execução da pena, essa deverá ser norteada pelas
regras dispostas na LEP, cujo conhecimento é de fundamental importância para atuação do operador do
direito nessa fase processual.
Em nosso estudo, analisaremos o principal recurso utilizado na execução penal, qual seja o agravo em
execução. Analisaremos, assim, as hipóteses de cabimento, objetivos, características e como deverá ser
realizado o adequado manejo dessa peça processual.
• 
• 
1. Regras e princípios da execução penal
Natureza jurídica da execução penal
Neste vídeo, falaremos sobre o que é a execução penal, sua natureza jurídica e seus fundamentos
constitucionais. Acompanhe!
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Conceituação
A execução penal trata-se de atividade jurisdicional que objetiva a efetivação da pretensão punitiva estatal,
mas que também se associa a uma atividade administrativa, na medida em que essas últimas fornecem os
meios materiais para a primeira.
Segundo Ada Pellegrini Grinover:
A execução penal é atividade complexa, que se desenvolve, entrosadamente, nos planos jurisdicional e
administrativo. Nem se desconhece que dessa atividade participam dois Poderes estatais: o Judiciário e
o Executivo, por intermédio, respectivamente, dos órgãos jurisdicionais e dos estabelecimentos penais. 
(Grinover, 1987, p. 7)
A interseção entre as duas atividades, judicial e administrativa, explica-se pelo fato de o efetivo cumprimento
da pena se dar em estabelecimentos administrados pelo Executivo, cuja a custódia do apenado é de sua
responsabilidade. Por outro lado, ao Judiciário incumbe a prolação de decisões atinentes à execução da pena,
por exemplo, a fixação do regime de início de cumprimento de pena (fechado, semiaberto e aberto), ou, ainda,
a liberdade condicional ou o direito a saídas em datas específicas.
A execução penal deve ser tida como autônoma. Ou seja, para além de se observar normas e
princípios penais e constitucionais penais, a execução penal vale-se de regras e princípios próprios. 
A execução penal, nas palavras de Guilherme Nucci (2018, p. 24), “trata-se de ciência autônoma, com
princípios próprios, embora jamais se desvincule do Direito Penal e do Direito Processual Penal, por razões
inerentes à sua própria existência. O Direito de Execução Penal é autônomo e independente. Sua base
constitucional e os direitos e garantias individuais que o norteiam advêm do Direito Penal e do Processo Penal,
constituindo uma relação de interdependência”.
A Lei de Execução Penal consolida tal entendimento, na medida que se trata de lei própria que regula o trâmite
dessa fase processual. Ela regula, por sua vez, toda a matéria afeta ao direito penitenciário, como o livramento
condicional, a progressão de regime, o regime inicial de cumprimento de pena, as faltas disciplinares e suas
punições etc.
Fundamentos constitucionais da execução penal
Constituição da República Federativa do Brasil.
Quaisquer ramos do direito, necessariamente,
deverão ser alicerçados pela Constituição da
República. Em matéria de execução penal, a
Carta Magna possui diversos dispositivos
estabelecedores de direitos e vedações, que
deverão ser observados pelo legislador
infraconstitucional, bem como pelos
responsáveis pela execução da pena, seja em
sede administrativa seja em sede judicial.
Vamos entender melhor a partir do art. 5º da
Constituição Federal (Brasil, 1988), que dispõe
dos seguintes incisos atinentes à execução
penal:
“XLVI – a lei regulará a individualização da pena;XLVII – não haverá penas: a. de morte;b. de caráter
perpétuo;c. de trabalhos forçados;d. de banimento;e. cruéis; XLVIII – a pena será cumprida em
estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;XLIX – é
assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;L – às presidiárias serão asseguradas
condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação”.
(art. 5º, CR/88)
A individualização da pena poderá ser conceituada sob a ótica de três aspectos. Veja a seguir.
Legislativo
Se resume pela incumbência do legislador em criar tipos penais, que deverá conter a espécie da pena
(detenção ou reclusão) e a margem que o magistrado poderá ter para aplicar o quantum da pena (4 a
10 anos, por exemplo).
Judicial
Trata-se do poder que o magistrado detém para fixar a pena concreta, a partir de fatos e provas
coligidos ao processo. Nesse caso, em observância ao art. 59 do Código Penal, deverá o magistrado
se pautar nos seguintes critérios, para estabelecer a pena: culpabilidade aos antecedentes, à conduta
social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem
como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para
reprovação e prevenção do crime.
Executória
Se desenvolverá no momento da execução da pena. Tendo em vista que a sentença condenatória é
dinâmica, uma pena aplicada de 12 anos, a ser cumprida em regime inicial fechado, poderá ser
cumprida nesse mesmo regime durante os 12 anos (em casos de mal comportamento, por exemplo),
ou poderá haver progressão de regime, caso atendidos os requisitos.
Quanto à vedação constitucional aos trabalhos forçados, o trabalho é entendido, pela LEP, como um dever do
apenado, na medida que propicia sua ressocialização. Nada obstante, o não trabalho não implicará sanções
administrativas ou castigos físicos, mas poderá constar como falta grave, o que prejudicará a progressão de
regime do apenado.
Embora na praxe forense os presídios sejam lugares de absoluta insalubridade e degradação, o princípio da
humanidade (art. 5º, inciso XLVII, CR/88) veda as penas cruéis.
Comentário
Os princípios constitucionais que regem a execução penal não são exclusivos, na medida em que os
princípios penais e processuais penais são compartilhados com o direito de execução penal (Nucci,
2018, p. 17). 
Lei de Execução Penal e Código de Processo Penal
Sempre que houver quaisquer dispositivos no Código de Processo Penal (CPP) que conflitem com dispositivos
contidos na Lei de Execução Penal valerá o dispositivo na LEP. Isso se justifica pelos seguintes critérios.
Especialidade
Uma vez que a Lei nº 7.210/1984 trata de modo
específico de como se dará o trâmite da
execução penal.
Sucessividade
Uma vez que, além de ser mais específica que o
CPP, a LEP é mais recente.
É lícito dizer que o Código de Processo Penal será aplicado à LEP sempre de maneira complementar, ou seja,
quando houver preceito inexistente na Lei de Execução Penal. Desse modo, conclui-se pelo raciocínio de não
ser possível a aplicação de dois diplomas legais sobre a mesma matéria, mas de forma complementar. É dizer,
por exemplo, que, se o réu possui direito à ampla defesa, patrocinada por advogado, conforme disposto no
art. 261 do CPP, o apenado também o terá em sede de execução penal.
Execução provisória da pena
Neste vídeo, analisaremos se é possível a execução provisória da pena e quais são os limites para a sua
realização, passando pela súmula 716 do STF. Confira!
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Principais características
Após a consolidação de jurisprudência dos tribunais no sentido de ser possível a execução provisória da pena,
ou seja, antes do trânsito em julgado dasentença penal condenatória, o Supremo Tribunal Federal editou a
Súmula 716, que dispõe o seguinte: “Admite-se a progressão de regime de cumprimento da pena ou a
aplicação imediata de regime menos severo nela determinada, antes do trânsito em julgado da sentença
condenatória”.
A Súmula 716 prevê a possibilidade de se computar o tempo da custódia provisória para fins de
progressão de regime. 
Partindo-se da premissa de que, diante da execução de uma única condenação, o legislador não impôs
qualquer requisito adicional além dos estabelecidos no art. 112 da Lei de Execução Penal, impende considerar
a data da prisão preventiva como marco inicial para obtenção de benefícios em sede de execução penal,
desde que não se tenha notícia do cometimento de falta grave pelo reeducando, servindo a sentença
condenatória como parâmetro acerca do quantum de pena que deverá ter sido cumprido e não como marco
interruptivo para obtenção de benefícios relacionados à progressão de regime (RHC 142.463, rel. min. Luiz
Fux, 1ª T, j. 12-9-2017, DJE 225 de 3-10-2017).
O entendimento sumulado propicia ao réu não só a possibilidade de apresentar recursos, objetivando a sua
absolvição, bem como faz jus ao caráter retributivo da pena.
Exemplo
O réu que se encontra preso preventivamente há quatro anos e que fora condenado em primeira
instância sob pena de oito anos por determinado crime, em regime inicial fechado. Antes desse
entendimento, findo o julgamento de todos os recursos apresentados e advindo o trânsito em julgado da
referida sentença, ele deveria cumprir o restante de sua pena em regime fechado, uma vez que o
trânsito em julgado era tido como o marco inicial para o cômputo de pena. Com a possibilidade de se
executar provisoriamente a pena, após o advento da sentença penal condenatória, o juízo de primeira
instância deverá expedir carta de execução de sentença para que o réu passe a ser executado de forma
provisória. É dizer que, a partir da edição da súmula 716, tornou-se possível a progressão de regime,
antes mesmo do trânsito em julgado da sentença, levando-se em conta o tempo em que o indivíduo
estrava preso. 
No caso hipotético, o réu que estava preso preventivamente há quatro anos e fora condenado a oito anos em
primeira instância poderá progredir ao regime semiaberto, uma vez que, cumpridos um sexto de pena,
conforme art. 112, caput, da LEP.
Regimes de execução de pena
Neste vídeo, trataremos dos regimes de execução da pena, passando pela progressão de regime e pela
concessão do regime aberto. Confira!
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Um dos princípios reitores da execução penal é o da individualização da pena. Para além da individualização
legislativa e executiva, a individualização judicial é, sobremaneira, a fase mais importante. Isso porque é na
individualização judicial que será aplicada o quantum de pena, bem como o regime inicial de cumprimento
dessa pena.
O édito condenatório deverá passar por três fases. Vamos conhecê-las!
Primária
Trata-se da aplicação do quantum da pena, a partir da análise dos elementos contidos no art. 59 do
Código Penal (CP).
Secundária
Trata-se do regime inicial do cumprimento de pena, podendo ser: aberto, semiaberto ou fechado.
Aqui, deverá ser levado em conta o que dispõe o art. 33, §§ 2º e 3º, do CP.
Terciária
Trata-se da fase na qual o magistrado irá analisar o réu, que possui direito a benefícios, como a
substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva de direitos ou por multa, conforme
inteligência, respectivamente, dos arts. 44 e 60, § 2º, do CP.
Vejamos o que dispõe o art. 44 do CP!
“Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade,
quando: I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido
com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo;II
– o réu não for reincidente em crime doloso; eIII – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a
personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição
seja suficiente”.
(art. 44, CP/40)
Caso se verifique a impossibilidade da substituição da pena, o magistrado deverá analisar se é o caso de
suspensão condicional da pena. Após estabelecer o regime inicial do cumprimento de pena, sendo o caso, o
magistrado poderá oferecer a suspensão da pena mediante condicionantes a serem apresentadas na
audiência denominada admonitória, conforme dispõe o art. 160 da Lei de Execução Penal.
Vamos conferir o que dispõe o art. 77 do Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940).
“Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa,
por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que: I - o condenado não seja reincidente em crime doloso; II - a
culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos e as
circunstâncias autorizem a concessão do benefício; III - Não seja indicada ou cabível a substituição
prevista no art. 44 deste Código”.
(art. 77, CP/40)
Na hipótese de não aceitação dos termos e condições oferecidos pelo juízo em sede de audiência
admonitória, o benefício perderá o efeito. Dessa forma, deverá o sentenciado cumprir a pena, na forma
estabelecida na sentença condenatória.
Progressão de pena
Tendo em vista que a ressocialização e a reeducação do preso são finalidades da pena, a possibilidade de
progressão da pena pretende, justamente, possibilitar essas etapas. Assim, dispõe o art. 112, caput, da LEP
que a liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso, a ser
determinada pelo juiz. 
Comentário
Após a alteração legislativa pela Lei nº 13.964/19, foram estabelecidos novos parâmetros para a
progressão de regime. Para além dos critérios temporais estabelecidos, é condição para a progressão de
regime a ostentação de boa conduta carcerária, devidamente comprovada pelo diretor do
estabelecimento prisional, conforme inteligência do art. 112, § 1º, da LEP. 
É interessante notar que, em observância ao princípio da individualização da pena, o legislador
infraconstitucional fez constar no art. 113, § 3º, da LEP, requisitos específicos que a mulher gestante, mãe ou
responsável por crianças ou pessoas com deficiência deverão cumprir, quais sejam:
I. Não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa;
 
II. Não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente;
 
III. Ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime anterior;
 
IV. Ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento;
 
V. Não ter integrado organização criminosa.
Por fim, em sede judicial, para fins de se estabelecer qual será o regime inicial de cumprimento de pena,
deverá o magistrado levar em conta o número de condenações que recai sobre o sentenciado. Para tanto,
deverá ser analisado o resultado da soma ou unificação das penas que recaem sobre o sentenciado e também
os casos de detração ou remição da pena. Desse modo, dispõe o art. 111 da LEP, que: “Quando houver
condenação por mais de um crime, no mesmo processo ou em processos distintos, a determinação do regime
de cumprimento será feita pelo resultado da soma ou unificação das penas, observada, quando for o caso, a
detração ou remição”.
Regime aberto
Dispõe o art. 36 do Código Penal que o regime aberto se baseia no senso do preso de autodisciplina e
responsabilidade. É por esse motivo que o legislador fez dispor no art. 113 da LEP que o ingresso em regime
aberto deverá aceitar as condições e a dinâmica do programa referente a regime referido. Isso porque
pressupõe que o preso deverá, por livre e espontânea vontade, submeter-se às condições impostas pelo
magistrado para cumprir a pena nessa modalidade.
O magistrado em seu juízo discricionário poderá estabelecer inúmeras condições para a concessão do regime
aberto, sem prejuízo das condições gerais e obrigatórias, taisquais:
I. Permanecer no local que for designado, durante o repouso e nos dias de folga;
 
II. Sair para o trabalho e retornar, nos horários fixados;
 
III. Não se ausentar da cidade onde reside, sem autorização judicial;
 
IV. Comparecer a Juízo, para informar e justificar as suas atividades, quando for determinado (art. 114 da LEP).
Assim, deverá o apenado permanecer na casa de albergado no tempo em que não estiver trabalhando,
respeitar horários de saída e retorno da casa de albergado, o que dependerá do tipo de trabalho que será
exercido pelo apenado, não sair da comarca em que se situa a casa do albergado sem justificativa prévia e,
por fim, comparecer de forma periódica ao juízo para fins de justificar suas atividades.
Livramento condicional
No vídeo a seguir, abordaremos o significado de livramento condicional, seus requisitos objetivos e subjetivos,
assim como qual o seu prazo. Acompanhe!
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Requisitos
O livramento condicional trata-se de antecipação da liberdade do condenado, que se encontra cumprindo
pena privativa de liberdade. Para a concessão do benefício, é necessário que o apenado cumpra requisitos e
condições que serão de ordem objetiva e subjetiva, conforme veremos adiante.
Além disso, o livramento condicional consiste, ainda, em direito subjetivo do apenado. É dizer que, embora a
análise de requisitos e condições para concessão do benefício devam passar pelo escrutínio do juiz, a ele não
é facultado negar essa concessão.
Ainda que a redação do art. 131 da LEP diga que o magistrado poderá conceder o livramento
condicional, remanesce o entendimento de que o benefício se trata de direito subjetivo do preso.
Acrescente-se que o livramento condicional durará, exatamente, o tempo em que resta cumprir a pena. Dessa
forma, se determinada pessoa fora condenada sob pena de oito anos em regime fechado, caso seja
concedido o livramento condicional após quatro anos, o tempo de cumprimento do benefício será de quatro
anos (o restante da pena).
Observe agora quais são requisitos objetivos e subjetivos a serem analisados para fins de concessão do
benefício, conforme se verifica da leitura do art. 83 do Código Penal.
Requisitos objetivos
I. A condenação ser igual ou superior a dois
anos.
II. O cumprimento de mais de um terço da pena
se o condenado não for reincidente em crime
doloso e tiver bons antecedentes.
III. O cumprimento de mais da metade se o
condenado for reincidente em crime doloso.
IV. A reparação do dano, caso possível.
Requisitos subjetivos
I. Apresentação de bom comportamento
durante a execução da pena.
II. Apresentar bom desempenho no trabalho.
III. Demonstrar aptidão para o trabalho honesto.
IV. Demonstrar a presunção de que não voltará
a delinquir.
Após o deferimento do pedido, o magistrado deverá estabelecer condições obrigatórias e facultativas ao
beneficiário para serem cumpridas, conforme se denota da leitura do art. 132. Observe!
Condições obrigatórias
I. A ocupação lícita.
II. A comunicação de ocupação.
III. A não mudança de comarca sem prévia
autorização.
Condições facultativas
I. Não mudar de residência.
II. Recolhimento à habitação em horário
determinado.
III. Não frequentar lugares estabelecidos pelo
juízo.
Em caso de indeferimento do pedido de liberdade condicional, caberá a interposição do agravo de execução.
Verificando o Aprendizado
Atividade Discursiva
O livramento condicional é um instituto previsto tanto na Lei de Execução Penal quanto no Código Penal,
sendo uma das alternativas que a legislação brasileira oferece ao condenado para cumprir sua pena de forma
mais branda.
 
Considerando as disposições legais e os critérios estabelecidos para a concessão do livramento condicional,
explique suas principais características, seus requisitos e procedimentos conforme estabelecido na Lei de
Execução Penal e no Código Penal. Além disso, discorra sobre a importância e os objetivos dessa medida
penal, bem como seus reflexos na ressocialização do condenado.
Chave de resposta
O livramento condicional é um instituto jurídico previsto tanto na Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/1984)
quanto no Código Penal (art. 83 e seguintes). Trata-se de uma medida que visa à reintegração do
condenado à sociedade de forma antecipada, desde que preenchidos determinados requisitos.
Para a concessão do livramento condicional, é necessário cumprir pelo menos um terço da pena, no caso
de condenado não reincidente em crime doloso, ou metade da pena, se reincidente em crime doloso (art.
83, §1º, do Código Penal). Além disso, é necessário que tenha bom comportamento carcerário e que não
tenha cometido falta grave no período determinado pela legislação.
O procedimento para solicitar o livramento condicional é iniciado pelo condenado, através de petição
escrita dirigida ao juiz da execução penal, que irá analisar os requisitos e as condições para a concessão. É
necessário também que sejam realizadas as oitivas do Ministério Público e da defesa, a fim de subsidiar a
decisão judicial.
A importância do livramento condicional está na possibilidade de oportunizar ao condenado uma nova
chance de ressocialização e reintegração à sociedade. Ao conceder esse benefício, a legislação evita a
excessiva punição, bem como incentivar o cumprimento dos deveres e a reeducação do indivíduo.
Ressalta-se que o livramento condicional não é automático, devendo ser concedido pelo juiz competente,
que irá avaliar a situação do condenado, a gravidade do crime e demais circunstâncias pertinentes. Além
disso, é importante destacar que, em caso de descumprimento das condições estabelecidas pelo
livramento condicional, poderá haver a revogação dessa medida e o retorno do condenado ao
cumprimento integral da pena.
Em suma, o livramento condicional proporciona ao condenado a possibilidade de reinserção social, levando
em consideração critérios objetivos e subjetivos estabelecidos pela legislação. Contudo, seu propósito vai
além da mera concessão de benefícios, pois tem a intenção de efetivar a ressocialização do condenado,
garantindo uma pena mais humana e contribuindo para a redução da reincidência criminal.
2. Agravo em execução
Requisitos do agravo em execução
No vídeo a seguir, explicaremos o que é o agravo em execução, seus vários requisitos de admissibilidade,
como o cabimento e a tempestividade, assim como abordará seus efeitos. Confira!
Conteúdo interativo
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Cabimento, tempestividade e características do agravo em execução
Com o advento da LEP, o sistema de execução penal passou a ter característica mista. Ou seja, a dinâmica
penitenciária passa a ser controlada tanto pelo Poder Judiciário quanto pelo executivo. Dessa forma, todas as
decisões prolatadas no âmbito judicial em sede de execução penal, deverão ser combatidas pelo chamado 
agravo em execução. Assim, dispõe o art. 197 da Lei de Execução Penal: das decisões proferidas pelo juiz,
caberá recurso de agravo, sem efeito suspensivo.
Comentário
Nada obstante a denominação de recurso de agravo pela LEP, não existe, conforme art. 197, qualquer
menção ao procedimento a ser aplicado ao referido recurso. O agravo em execução objetiva impugnar
todas as decisões prolatadas pelo juízo da execução. 
Apesar de não haver expresso o procedimento para o recurso de agravo em execução, a doutrina e a
jurisprudência utilizam como referência o procedimento adotado para o recurso em sentido estrito. Por esse
motivo, o prazo para interposição do agravo é de 5 (cinco) dias, conforme inteligência do art. 586 do Código
de Processo Penal. O referido entendimento, inclusive, encontra-se devidamente consolidado pela Súmula
700 do Supremo Tribunal Federal, que prevê ser de cinco dias o prazo para interposição de agravo contra
decisão do juiz da execução penal.
Os legitimados para apresentação do recurso de agravo são o Ministério Público, o condenado, por
meio de seu advogado, bem como de seus parentes, em casos de pleitoindeferido pelo juízo da
execução.
O agravo em execução será processado como recurso em sentido estrito por instrumento. É dizer que, para o
translado, o recorrente deverá indicar as peças que deverão ser transladadas, sob pena de não conhecimento
do recurso.
Efeitos do agravo em execução
Como descrito no próprio art. 197 da Lei de Execução Penal, o agravo em execução será recebido sem o seu
efeito suspensivo. É dizer que os efeitos da decisão impugnada passam a ter eficácia no momento da sua
prolação, sem possibilidade de suspensão por ocasião da interposição do agravo.
Atenção
Nada obstante a regra seja do recebimento sem o efeito suspensivo, na hipótese em que a eficácia
imediata da decisão possa causar dano irreparável, é possível que o apenado se valha de habeas corpus
para fins de pugnar a obtenção do efeito suspensivo a fim de coarctar os efeitos da decisão prolatada
pelo juízo da execução. É possível, ainda, o manejo do mandado de segurança pelo Ministério Público,
tendente a suspender a eficácia da decisão que concede o livramento condicional, por exemplo. 
Como qualquer recurso, o agravo em execução será recebido em seu efeito devolutivo, uma vez que será
apreciado por tribunal que ocupa posição hierarquicamente superior ao juízo prolator da decisão impugnada.
Por fim, conforme inteligência do art. 589 do CPP, o agravo em execução possui efeito regressivo, na medida
em que é possível ao magistrado de piso fazer juízo de retratação, assim como no recurso em sentido estrito.
Verificando o Aprendizado 
Atividade Discursiva
(OAB – 2ª Fase – XVI Exame de Ordem Unificado – Penal) - Gilberto, quando primário, apesar de portador de
maus antecedentes, praticou um crime de roubo simples, pois, quando tinha 20 anos de idade, subtraiu de
Renata, mediante grave ameaça, um aparelho celular. Apesar de o crime restar consumado, o telefone celular
foi recuperado pela vítima. Os fatos foram praticados em 12 de dezembro de 2011. Por tal conduta, Gilberto foi
denunciado e condenado como incurso nas sanções penais do art. 157, caput, do Código Penal a uma pena
privativa de liberdade de 4 anos e 6 meses de reclusão em regime inicial fechado e 12 dias multa, tendo a
sentença transitada em julgado para ambas as partes em 11 de setembro de 2013. Gilberto havia respondido
ao processo em liberdade, mas, desde o dia 15 de setembro de 2013, vem cumprindo a sanção penal que foi
aplicada regularmente, inclusive obtendo progressão de regime. Nunca foi punido pela prática de falta grave e
preenchia os requisitos subjetivos para obtenção dos benefícios da execução penal.
 
No dia 25 de fevereiro de 2015, você, que advogada para Gilberto, formulou pedido de obtenção de
livramento condicional junto ao Juízo da Vara de Execução Penal da comarca do Rio de Janeiro/RJ, órgão
efetivamente competente. O pedido, contudo, foi indeferido, apesar de, em tese, os requisitos subjetivos
estarem preenchidos, sob os seguintes argumentos: a) o crime de roubo é crime hediondo, não tendo sido
cumpridos, até o momento do requerimento, 2/3 da pena privativa de liberdade; b) ainda que não fosse
hediondo, não estariam preenchidos os requisitos objetivos para o benefício, tendo em vista que Gilberto, por
ser portador de maus antecedentes, deveria cumprir metade da pena imposta para obtenção do livramento
condicional; c) indispensabilidade da realização de exame criminológico, tendo em vista que os crimes de
roubo, de maneira abstrata, são extremamente graves e causam severos prejuízos para a sociedade.
 
Você, que advoga para Gilberto, recebeu a intimação dessa decisão em 23 de março de 2015, uma segunda-
feira.
 
Com base nas informações acima expostas e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a
peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus, no último dia do prazo para sua interposição,
sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. Responda justificadamente, empregando os argumentos
jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso.
Chave de resposta
O examinando deve interpor um recurso de agravo em execução, com fundamento no art. 197 da Lei de
Execução Penal – Lei nº 7.210/84. O art. 197 da LEP prevê que, das decisões proferidas pelo juiz em sede
de execução penal, caberá o recurso de agravo, sem efeito suspensivo. Em que pese a Lei de Execução
Penal trazer a previsão do recurso cabível, ela não estabeleceu, de maneira expressa, qual seria o
procedimento a ser adotado para tramitação desse recurso.
Prevaleceu, então, no âmbito da doutrina e da jurisprudência, que o procedimento a ser adotado seria
semelhante àquele previsto para o recurso em sentido estrito. Assim, é necessária a elaboração de uma
petição de interposição, direcionada ao juiz da Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro, acompanhada
das respectivas razões. Essas razões devem ser endereçadas ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro,
órgão competente para o julgamento do recurso.
Considerando que o procedimento a ser seguido pelo agravo de execução é semelhante ao do recurso em
sentido estrito, deverá, na petição de interposição, ser formulado pedido de retratação por parte do
magistrado. Em caso de não acolhimento, deve haver requerimento para o encaminhamento do feito para
instância superior.
Em relação ao prazo, é absolutamente pacificado o entendimento de que seria de cinco dias, na forma da
Súmula 700 do Supremo Tribunal Federal. Assim, a petição de interposição deveria ser datada em 30 de
março de 2015, tendo em vista que o dia 28 de março de 2015 é um sábado, dia sem expediente forense.
Nas razões de recurso, deveria o candidato requerer a concessão do benefício do livramento condicional,
argumentando que a fundamentação apresentada pelo juiz da Vara de Execução Penal foi inadequada para
indeferimento do pedido formulado.
Em um primeiro momento, deveria ser destacado que o crime de roubo simples não é hediondo, tendo em
vista que não está previsto no rol trazido pelo art. 1º da Lei nº 8.072/1990. Assim, não há que se falar em
cumprimento de 2/3 da pena para concessão do benefício previsto no art. 83 do Código Penal.
Posteriormente, deveria ser rebatido o fundamento apresentado pelo magistrado, no sentido de que
Gilberto deveria cumprir metade da pena privativa de liberdade aplicada, pois seria portador de maus
antecedentes. Isso porque o princípio da legalidade afasta qualquer conclusão nesse sentido.
O princípio da legalidade, previsto no texto constitucional em matéria penal, tem como um de seus
subprincípios a vedação da aplicação da analogia prejudicial ao réu em matéria penal. O art. 83 do Código
Penal prevê que apenas o condenado reincidente na prática do crime doloso tem que cumprir mais de
metade da pena aplicada para fazer jus ao livramento condicional. Apesar de o art. 83, inciso I, do Código
Penal falar em cumprimento de 1/3 da pena pelo condenado não reincidente e portador de bons
antecedentes, deve essa fração ser também aplicada caso o acusado seja portador de maus
antecedentes, além de não reincidente.
Houve uma omissão do legislador ao não prever o requisito objetivo para concessão do livramento
condicional para o condenado primário, mas portador de maus antecedentes. Diante da omissão, deve ser
aplicado o percentual que seja mais favorável ao acusado, pois não cabe analogia in malam partem. Diante
do exposto, a jurisprudência pacificou o entendimento de que o condenado não reincidente, ainda que
portador de maus antecedentes, deverá observar o requisito objetivo para o livramento condicional após
cumprimento de 1/3 da pena.
Por fim, é também inadequado o argumento do juiz pela indispensabilidade da realização do exame
criminológico. Desde a Lei nº 10.792/03 que não existe mais obrigatoriedade da realização de exame
criminológico para fins de obtenção da progressão de regime ou do livramento condicional. Basta, para o
livramento, que seja atestado comportamento satisfatório durante a execução da pena. Apesar disso, nada
impede que, no caso concreto, entenda o magistrado pela necessidadede sua realização.
Contudo, deverá a decisão que o determina ser fundamentada nas particularidades da hipótese concreta,
não sendo suficiente a simples afirmação da gravidade em abstrato do delito, na forma da Súmula 439 do
STJ. No caso, não houve fundamentação idônea, pois simplesmente foi mencionado que o crime de roubo
é grave. Além do fato do delito ser de roubo simples, Gilberto nunca foi punido pela prática de falta grave
dentro do estabelecimento prisional, de modo que é desnecessária a realização do exame.
Por todas as razões expostas, deveria o candidato formular pedido de concessão do livramento
condicional em favor de Gilberto, eis que, quando do recurso, já preenchia todos os requisitos.
3. Conclusão
Considerações finais
Abordamos os principais aspectos da execução penal, analisando os principais dispositivos da Lei de
Execução Penal. Discutimos sobre a natureza jurídica da execução penal, os seus fundamentos
constitucionais, a progressão de regime e suas características, bem como o livramento condicional e o recurso
de agravo em execução.
Vimos que a natureza jurídica da execução penal tem caráter misto, ou seja, é regida tanto pelo Poder
Judiciário, quanto pelo Poder Executivo (administrativo). Por um lado, tem a intenção de ressocializar o
condenado e promover sua reinserção na sociedade. Por outro lado, visa garantir a reparação do dano
causado pelo crime e punir o infrator de acordo com a gravidade de sua conduta.
Os fundamentos constitucionais da execução penal, por sua vez, estão previstos na Constituição Federal e
estabelecem as bases para a execução das penas no Brasil. Dentre esses fundamentos, destacam-se a
individualização da pena, a dignidade da pessoa humana, a não violação dos direitos e garantias fundamentais
e a busca pela ressocialização do condenado.
Quanto à progressão de regime, possibilita ao apenado, ao cumprir determinado período de pena e preencher
certos requisitos, progredir para um regime mais brando. Trata-se, portanto, de oportunidade e incentivo à
ressocialização progressiva do apenado, fazendo jus a uma das finalidades da pena, qual seja a de
reintegração à sociedade.
O livramento condicional, por sua vez, trata-se de benefício que se caracteriza pela liberação do apenado de
forma antecipada. Vimos que há a necessidade de se atender a condições objetivas, como o cumprimento de
uma parte da pena e o atendimento a condições subjetivas, como o bom comportamento. Verificamos que se
trata de direito subjetivo do condenado, não sendo facultado ao juiz a não concessão do benefício, caso
sejam atendidas todas as condições elencadas.
Por fim, tratou-se do recurso de agravo em execução, que é um meio processual utilizado para impugnar
decisões proferidas pelo juízo da execução. Embora não tenha procedimento estabelecido na Lei de Execução
Penal, a jurisprudência e a doutrina adotam o procedimento do recurso em sentido estrito. Apesar de, em
regra, ser recebido sem efeito suspensivo, vimos que é possível a impetração de habeas corpus visando obter
esse efeito, em caso de eficácia da decisão prolatada por conferir grave prejuízo ao condenado.
O conhecimento desses assuntos é essencial para os profissionais do direito que atuam no sistema penal,
visando a uma execução justa e eficaz das penas.
Explore +
Para auxiliar na redação de peças processuais, procure no site do Supremo Tribunal Federal por “Acervo STF”,
onde constam peças e acórdãos históricos relacionados a grandes julgamentos que marcaram a história do
Poder Judiciário no país.
Referências
BADARÓ, G. H. R. I. Manual dos recursos penais. Revista dos Tribunais, 2022.
 
GRINOVER, A. P. Natureza jurídica da execução penal. Execução penal. São Paulo: Max Limonad, 1987.
 
LOPES JUNIOR, A. Direito processual penal. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2015.
 
NUCCI, G. de S. Curso de execução penal. 1. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2018.
 
PRADO, G. Sistema acusatório: a conformidade constitucional das leis processuais penais. Rio de Janeiro:
Lumen Juris, 2001.
	Prática da petição inicial penal
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Denúncia como peça inaugural da ação penal
	Denúncia como meio de promoção da ação penal pública
	Conteúdo interativo
	Primeiras observações
	1.
	2.
	Atenção
	Requisitos formais da denúncia
	(I)
	(II)
	(III)
	(IV)
	Exemplo
	Inépcia da denúncia
	Conteúdo interativo
	Conceituação da inépcia da denúncia
	(I)
	(II)
	(III)
	(IV)
	Comentário
	Denúncia genérica nas ações penais com mais de um acusado
	Estrutura da denúncia
	Conteúdo interativo
	Estudo prático
	(I)
	(II)
	(III)
	(IV)
	(V)
	(VI)
	(VII)
	Atenção
	Diferentes níveis de cognição nos atos procedimentais
	Estruturando a peça a partir de caso prático
	Verificando o aprendizado
	2. Queixa-crime como meio de promoção da ação penal privada
	Queixa-crime como promoção da ação penal privada
	Conteúdo interativo
	Alguns aspectos
	Exemplo
	Peculiaridades da queixa-crime
	Atenção
	Atenção
	Ação penal privada subsidiária da pública
	Conteúdo interativo
	Características
	Atenção
	Estrutura da queixa-crime
	Conteúdo interativo
	(I)
	(II)
	(III)
	(IV)
	(V)
	(VI)
	(VII)
	Comentário
	Estruturando a peça a partir de caso prático
	Verificando o aprendizado
	3. Conclusão
	Considerações finais
	Explore +
	Referências
	Prática das defesas e das alegações finais penais
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Resposta à acusação como peça inaugural da defesa técnica
	Resposta à acusação como instrumento de impugnação da denúncia
	Conteúdo interativo
	Aspectos gerais
	Hipóteses de dilação e de devolução de prazo da resposta à acusação
	O cerne da resposta à acusação
	Conteúdo interativo
	Fundamentos da resposta à acusação
	Inépcia
	Justa causa
	Conteúdo da resposta à acusação
	Exemplo
	Estrutura da resposta à acusação
	Conteúdo interativo
	Estruturando a peça a partir de caso prático
	Verificando o aprendizado
	Questão 1
	2. Alegações finais: última manifestação das partes na fase de conhecimento
	Contextualização temporal das alegações finais
	Conteúdo interativo
	Primeiras observações
	Alegações finais orais
	Alegações finais por memoriais
	Fundamentos das alegações finais
	Exemplo
	Estrutura dos memoriais de alegações finais
	Conteúdo interativo
	Estruturando a peça a partir de caso prático
	Verificando o aprendizado
	3. Conclusão
	Considerações finais
	Explore +
	Referências
	Prática dos recursos penais
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Teoria dos recursos
	Conceito e classificação dos recursos
	Conteúdo interativo
	Os recursos de devolução plena e parcial.
	Os recursos de fundamentação livre e vinculada.
	Recursos de devolução plena e parcial
	Atenção
	Recursos de fundamentação livre e vinculada
	Exemplo
	Fundamentos dos recursos
	Conteúdo interativo
	Psicológica
	Política
	Jurídica
	Fundamento psicológico dos recursos
	Fundamento político dos recursos
	Fundamento jurídico dos recursos
	Juízo de admissibilidade
	Conteúdo interativo
	Competência e objeto do juízo de admissibilidade
	Pressupostos objetivos
	Pressupostos subjetivos
	Atenção
	Resultado do juízo de admissibilidade
	Juízo de mérito
	Conteúdo interativo
	Competência e objeto do juízo de mérito
	Atenção
	Resultado do juízo de mérito
	Verificando o aprendizado
	2. Recursos em espécie
	Recurso de apelação e seus requisitos
	Conteúdo interativo
	Cabimento
	Comentário
	Demais requisitos de admissibilidade
	Legitimidade
	Interesse recursal
	Ausência de fato impeditivo ou extintivo
	Tempestividade
	Regularidade formal
	Estrutura do recurso de apelação
	Conteúdo interativo
	Caso prático
	I – Termo de apelação
	II – Razões de apelação
	Recurso em sentido estrito
	Conteúdo interativo
	Requisitos de admissibilidade
	Atenção
	Estrutura do recurso em sentido estrito
	Caso prático
	I – Termo
	II – Razões
	Embargos de declaração
	Conteúdo interativo
	Requisitos de admissibilidade
	Exemplo
	Estrutura dos embargos de declaração
	Caso prático
	I – Razões
	Verificandoo aprendizado
	3. Conclusão
	Considerações finais
	Explore +
	Referências
	Prática das ações penais de impugnação
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. O habeas corpus como petição inicial de ação autônoma de impugnação
	Habeas corpus: cabimento e legitimidade
	Conteúdo interativo
	Espécies de habeas corpus e cabimento
	Exemplo
	Exemplo
	Legitimidade ativa e passiva
	Formalidades no habeas corpus
	Conteúdo interativo
	Seus requisitos
	Exemplo
	Estrutura do habeas corpus
	Conteúdo interativo
	Características da petição inicial
	A liminar em habeas corpus
	Verificando o aprendizado
	2. O mandado de segurança e a supressão de direito líquido e certo
	Mandado de segurança – conceito e espécies.
	Mandado de segurança – conceito e espécies
	Conteúdo interativo
	Hipóteses de cabimento do mandado de segurança
	Legitimidade ativa e passiva
	Formalidades no mandado de segurança
	Conteúdo interativo
	Estrutura do mandado de segurança
	A liminar em mandado de segurança
	Exemplo
	Verificando o aprendizado
	3. A revisão criminal
	O que é a revisão criminal?
	Conteúdo interativo
	Conceito
	Cabimento
	Contrariar o texto expresso da lei penal ou a evidência dos autos
	Sentença lastreada em provas falsas
	Contrariar o texto expresso da lei penal
	Legitimidade e pressupostos processuais
	Conteúdo interativo
	Principais características
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Explore +
	Referências
	Prática da execução penal
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Regras e princípios da execução penal
	Natureza jurídica da execução penal
	Conteúdo interativo
	Conceituação
	Fundamentos constitucionais da execução penal
	Legislativo
	Judicial
	Executória
	Comentário
	Lei de Execução Penal e Código de Processo Penal
	Especialidade
	Sucessividade
	Execução provisória da pena
	Conteúdo interativo
	Principais características
	Exemplo
	Regimes de execução de pena
	Conteúdo interativo
	Primária
	Secundária
	Terciária
	Progressão de pena
	Comentário
	Regime aberto
	Livramento condicional
	Conteúdo interativo
	Requisitos
	Requisitos objetivos
	Requisitos subjetivos
	Condições obrigatórias
	Condições facultativas
	Verificando o Aprendizado
	2. Agravo em execução
	Requisitos do agravo em execução
	Conteúdo interativo
	Cabimento, tempestividade e características do agravo em execução
	Comentário
	Efeitos do agravo em execução
	Atenção
	Verificando o Aprendizado
	3. Conclusão
	Considerações finais
	Explore +
	Referênciasa quantidade de provas pré-
constituídas que evidenciem a justa causa deve
ser predominante em relação àquelas que não
apontam para materialidade e autoria do típico
penal. Nesse momento, deve ser feito o juízo de
probabilidade. 
Já na sentença deverá ser feito um juízo de 
certeza, que deverá ser precedido de uma
instrução probatória plena. Para condenar
alguém, deve-se ter a chamada tutela de segurança, pois tal decisão é imprescindível à inexistência de
dúvidas. 
Estruturando a peça a partir de caso prático
Imagine que você é da promotoria, atuante na capital do estado do Rio de Janeiro, e recebeu os autos de
inquérito policial relatados. No relatório, consta que, no dia 10/5/2022, Sandra teve sua bicicleta furtada, que
estava presa com cadeado no poste da rua Joaquim Soares Fonseca, próximo à Sorveteria do André, nº 200.
Pela análise das imagens do circuito interno de câmeras, é possível ver Renato, autor do fato, às 15h,
aproximando-se da bicicleta, no local indicado por Sandra, utilizando uma chave falsa para abrir o cadeado, e
subtraindo a bicicleta da vítima. Duas testemunhas que presenciaram os fatos prestaram depoimento: André,
o dono da sorveteria, e o seu funcionário, Augusto. Por fim, no depoimento prestado por Sandra foi
consignado o desejo de representar contra o autor do fato. Vamos estruturar a peça?
Endereçamento da peça: A peça deverá ser endereçada ao juízo da vara criminal da comarca da capital
do Tribunal de Justiça do Estado Rio de Janeiro porque se trata de crime de competência estadual.
Além disso, a vara é comum, uma vez que a pena do crime de estelionato ultrapassa dois anos.
 
Qualificação: Renato deverá ser qualificado, devendo constar seu estado civil, profissão, nacionalidade,
identidade, CPF, residência e domicílio.
 
O fato imputado e suas circunstâncias: O fato deverá ser descrito de forma detalhada e concisa para
que seja oportunizado a Renato exercer o contraditório e a ampla defesa. Vejamos: No dia 10/5/2022,
às 15h, na rua Joaquim Soares Fonseca, nº 200, Renato, com consciência e vontade, subtraiu para si,
1. 
2. 
3. 
com a utilização de chave falsa, uma bicicleta de propriedade de Sandra, que estava presa com
cadeado em um poste localizado em frente a uma sorveteria chamada Sorveteria do André. Conforme
apurado em sede policial, a prova da materialidade e os indícios de autoria são patentes, pois é
possível ver a ação de Renato pela análise das imagens do circuito interno de câmeras cuja mídia
encontra-se anexada à presente denúncia. Além disso, as testemunhas André e Augusto atestaram, em
sede policial, que viram Renato se apropriando do bem com emprego de chave falsa.
 
Classificação do crime: Não havendo qualquer causa excludente de ilicitude ou de culpabilidade o
denunciado Renato está incurso na pena do art. 171, § 4º, III, do Código Penal (furto qualificado).
 
Pedido: Requer a citação do réu, bem como que ele seja condenado nas penas do art. 171, § 4º, III, do
Código Penal e com a intimação das testemunhas abaixo arroladas.
 
Local e data: Rio de Janeiro, data de denúncia.
 
Assinatura.
 
Rol de testemunhas: André e Augusto.
Verificando o aprendizado 
Questão 1
Em maio de 2022, o sr. Joaquim da Silva foi vítima de um golpe comumente chamado “Golpe do Empréstimo
Consignado” ou da “Falsa Portabilidade” cujo público-alvo são servidores públicos ou pensionistas. Com a
ajuda de servidores de bancos, que fornecem informações bancárias sigilosas das vítimas, o estelionatário
entra em contato com a vítima para oferecer o que seria uma excelente oportunidade de investimento. A
proposta consiste na retirada de empréstimos de alto valor e posterior aporte do montante contraído na conta
bancária indicada pelo estelionatário. No acordo, o estelionatário se compromete a arcar com as parcelas do
empréstimo contraído e a dar um retorno de até 40% do valor investido. Ludibriado pela ideia de ganhar muito
dinheiro, o sr. Joaquim fez exatamente o que fora solicitado pelo fraudador. Passados quatro meses, Joaquim
foi surpreendido com uma ligação do banco, avisando-o de que suas parcelas não estavam sendo pagas. Ao
procurar o estelionatário, viu que ele não atendia ao celular e mudara o endereço de sua empresa de lugar.
Percebendo ter sido vítima de estelionato, resolveu registrar ocorrência na delegacia de polícia de seu bairro.
Após prestar depoimento, deixou de consignar que desejaria representar contra o autor do fato. Em junho de
2022, findas as investigações, a autoridade policial indiciou Pedro Pereira, uma vez que todas as provas pré-
constituídas indicavam a materialidade do fato e muitos indícios de autoria. Em maio de 2023, o Ministério
Público ofereceu denúncia. Apesar do sucesso das investigações, a petição inicial apresentada não descreveu
os fatos de forma pormenorizada, tampouco classificou o crime imputado.
 
Diante dos fatos narrados, imagine que você é o magistrado responsável pelo processo. Nessa condição, diga,
de forma fundamentada, se a denúncia deve ser recebida ou rejeitada.
4. 
5. 
6. 
7. 
8. 
Chave de resposta
O crime de estelionato é um delito de ação penal pública condicionado à representação, conforme disposto
no art. 171, § 5º, do Código Penal. Como vimos, o prazo decadencial para a representação é de seis meses,
contados do dia em que o ofendido toma ciência de quem é o autor das ofensas (art. 38 do Código Penal e
103 do Código de Processo Penal). Tendo em vista que o procedimento investigatório foi concluído em
junho de 2022 e a denúncia foi apresentada apenas em maio de 2023, onze meses depois, o direito de
representação decaiu. Portanto, deverá ser determinada a extinção da punibilidade de Pedro e rejeitada a
denúncia (art. 107, IV, do CP). A denúncia merece ser rejeitada, ainda, por desatender aos requisitos
dispostos no art. 41 do Código de Processo Penal, na medida em que deixou de descrever os fatos
pormenorizadamente, bem como deixou de classificar o crime imputado. Assim, a denúncia deverá ser
rejeitada por ser inepta, nos termos do art. 395, I, do Código de Processo Penal.
2. Queixa-crime como meio de promoção da ação penal privada
Queixa-crime como promoção da ação penal privada
Acompanhe no vídeo um panorama sobre a queixa-crime e o seu cabimento.
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Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Alguns aspectos
Apesar de se tratar de uma petição inicial de
acusação, diferentemente da denúncia, que é
ofertada pelo Ministério Público, a queixa-crime
será oferecida pelo querelante (vítima), por
meio de seu advogado, contra o querelado
(autor do fato), nas ações penais privadas.
As ações penais privadas são aquelas cuja
titularidade é do ente privado. Via de regra, os
crimes se processam por meio de ação penal
pública, sendo ela incondicionada (independe
da representação da vítima) ou condicionada à
representação. Nos casos de crimes que se processam por meio de ação penal privada, deve existir
dispositivo específico nesse sentido.
Exemplo
Os crimes contra a honra (injúria, calúnia e difamação). São crimes de ação penal privada, conforme se
depreende da leitura do art. 145 do Código Penal. Outro exemplo é o crime de fraude à execução, que
também se procede mediante queixa, conforme inteligência do parágrafo único, do art. 179, do CP. 
Assim como a denúncia, a queixa-crime deverá atender aos comandos do art. 41 do Código de Processo
Penal e observar as hipóteses de inépcia elencadas no art. 330, § 1º, do CPC. Isso significa que o fato
criminoso deverá ser exposto pormenorizadamente, com todas as suas circunstâncias; o acusado deverá ser
devidamente qualificado; deverá ser feita a qualificação do crime; e, ao final, deverá ser apresentado o rol de
testemunhas.
Apesar das semelhanças com a denúncia, a queixa-crime possui peculiaridades que deverão ser observadas
pelo querelante e que demandam maior atenção por parte do advogado.
Peculiaridades da queixa-crime
Além dos comandos do art. 41 do Código de Processo Penal, a queixa-crime possui algumas especificidades
às quaiso querelante, por meio de seu advogado, deverá se atentar.
Atenção
Se na denúncia a falta de assinatura é tida como mera irregularidade, uma vez que o Ministério Público é
um órgão oficial, uno e indivisível, na queixa-crime o aporte de assinatura é ato imprescindível e
mandatório porque ela ratifica a manifestação de vontade da vítima em ver o seu ofensor processado e
julgado. 
O advogado subscritor da queixa-crime deverá observar, também, que, apesar de o art. 569 do Código de
Processo Penal dispor que as omissões da denúncia ou da queixa “[...] poderão ser supridas a todo o tempo”,
na queixa-crime as omissões só poderão ser corrigidas dentro do prazo decadencial de seis meses. Não
observado o referido prazo (art. 103 do CP), rejeita-se pela ocorrência da extinção de punibilidade do
querelado, em decorrência da decadência (art. 107, IV, do CP).
Alguns exemplos clássicos de vícios da queixa-crime que podem ser sanados dentro de prazo decadencial
são: falta de pagamento das custas processuais; falta de assinatura do advogado peticionante;
endereçamento ao juízo incompetente, entre outros.
Enquanto o crime investigado não prescrever, a
denúncia poderá ser ofertada a qualquer
tempo, ressalvada a hipótese do prazo do art.
46 do Código de Processo Penal. A queixa-
crime, ao contrário, deverá ser oferecida dentro
do prazo decadencial de seis meses cuja
contagem se inicia do dia em que ofendido
souber quem é o autor do crime (art. 38 do
Código de Processo Penal e art. 103 do CP).
Ultrapassado o prazo decadencial, extingue-se
a punibilidade do autor do fato.
Outra peculiaridade da queixa-crime é que ela
deverá ser instruída de procuração com
poderes especiais. Isso significa que, na
procuração, deverá constar o nome do querelante e a menção do fato criminoso.
Atenção
É fundamental que o advogado realize a correta análise acerca do juízo competente para processar e
julgar o crime que está sendo imputado ao querelado. Crimes de menor potencial ofensivo são de
competência dos juizados especiais criminais, e crimes cujas penas máximas cominadas ultrapassam
dois anos são de competência da justiça comum. 
Assim como na denúncia, que é instruída por provas pré-constituídas produzidas no âmbito da investigação
preliminar, a queixa também deverá ser instruída de elementos informativos. Ao ser contatado pelo seu cliente
e munido de procuração com poderes especiais, o advogado poderá requerer a instauração do competente
procedimento investigatório a fim de se angariar prova da materialidade e indícios de autoria ou, caso a vítima
já tenha elementos de prova suficientes, oferecer diretamente a queixa-crime.
Ação penal privada subsidiária da pública
Assista ao vídeo e entenda melhor o cabimento da ação penal subsidiária da pública.
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Características
A ação penal privada subsidiária da pública
consiste na possibilidade de a vítima intentar a
ação penal, por meio de queixa-crime, na
hipótese de o Ministério Público deixar de
oferecer a denúncia no prazo legal estipulado
no art. 46 do Código de Processo Penal. Trata-
se, ainda, de uma autorização constitucional,
conforme se verifica da leitura do art. 5º, LIX,
que dispõe que “[...] será admitida ação privada
nos crimes de ação pública, se esta não for
intentada no prazo legal”.
Na mesma esteira, diz o art. 29 do Código de
Processo Penal: “Será admitida ação privada
nos crimes de ação pública, se esta não for
intentada no prazo legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia
substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo
tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte principal”.
Nessa hipótese, o ofendido possui o prazo de seis meses para o oferecimento da queixa-crime, devendo ser
observados todos os critérios anteriormente expostos.
Atenção
A ação subsidiária da pública não cabe ser intentada nos casos em que o Ministério Público requer o
arquivamento dos autos porque a titularidade da ação penal não é da vítima, mas do órgão acusatório
que possui independência funcional. Assim, admite-se a referida ação tão somente nos casos em que o
Ministério Público agiu com desídia, ou seja, permaneceu inerte durante todo o prazo para o
oferecimento de denúncia. 
Por fim, intentada a ação privada subsidiária da pública, o Ministério Público, titular da ação penal que é,
poderá intervir propondo nova denúncia, caso se verifique a inépcia da queixa-crime, ou até mesmo aditando
a inicial para incluir elementos de provas não coligidos, por exemplo.
Estrutura da queixa-crime
Assista ao vídeo e entenda como você deve estruturar uma queixa-crime, evitando possíveis erros.
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Assim como a denúncia, a queixa-crime também deverá ser estruturada em seis partes, veja!
(I)
Com endereçamento ao juízo competente.
(II)
Com a qualificação do denunciado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo.
(III)
Com o fato imputado ao denunciado com todas as suas circunstâncias.
(IV)
Com a classificação da infração penal.
(V)
Com os pedidos de: a) requerimento de citação do réu; b) condenação; c) requerimento de provas.
(VI)
Com o local e a data da denúncia.
(VII)
Com a assinatura e a identificação do representante legal do querelante.
Lembramos que a queixa-crime deverá ser instruída de procuração com poderes especiais, ou seja, deverá
constar no instrumento de mandato o nome do querelante e a menção do fato criminoso.
Além disso, diferentemente da denúncia, a ausência de assinatura do peticionante na queixa-crime implica
prejuízo ao seu recebimento. E caso esteja dentro do prazo decadencial de seis meses, o vício poderá ser
sanado pela parte.
Comentário
A exemplo da estrutura da denúncia, a queixa-crime deverá ser concisa, pois o juízo feito no momento
do seu recebimento é o de probabilidade. Já na sentença, trata-se de um juízo de certeza. Deve-se
evitar a prolixidade, mas sem deixar de descrever detalhadamente os fatos para que se permita ao
querelado o pleno entendimento do motivo pelo qual está sendo denunciado. Assim, a acusação deverá
ser escrita na exata medida em que ocorreram os fatos, nem menos nem mais. 
Estruturando a peça a partir de caso prático
Imagine o seguinte caso: Em janeiro de 2022, Joaquim da Silva, morador do Condomínio Jardins das Flores
Amarelas, foi difamado pelo seu vizinho, Carlos Gonçalves. Carlos espalhou para todos os demais condôminos
que Joaquim era apontador do jogo do bicho e que fizera de seu apartamento um local de apostas. Ao saber
do ocorrido, por seu porteiro, e com a honra ferida, Joaquim contratou a banca de um grande escritório de
advocacia a fim de ser reparado pelas ofensas rogadas contra si. Aos advogados, apontou quatro
testemunhas que corroboraram sua versão. Vamos estruturar a queixa-crime?
Endereçamento da peça: A peça deverá ser endereçada ao Juizado Especial Criminal da comarca da
cidade do Tribunal de Justiça do Estado porque se trata de crime de competência estadual. Além
disso, por ser crime de menor potencial ofensivo, o juízo competente para julgar o caso é o Jecrim –
“Ao Juízo do Juizado Especial Criminal da comarca de xxxx do Tribunal de Justiça do Estado do/de
XXX”.
 
Qualificação: Carlos Gonçalves deverá ser qualificado, devendo constar seu estado civil, profissão,
nacionalidade, identidade, CPF, residência e domicílio.
 
O fato imputado e suas circunstâncias: Para oportunizar o exercício do contraditório e da ampla defesa,
a queixa-crime deverá descrever os fatos de forma concisa, detalhada e não prolixa. Assim: No dia XX/
1/2022, o querelado, Carlos Gonçalves, com consciência e vontade, ofendeu intencionalmente a honra
objetiva de Joaquim da Silva, uma vez que divulgou amplamente aos moradores do Condomínio Jardins
das Flores Amarelas, onde as partes residem, que ele era apontador do jogo do bicho e fazia de seu
apartamentoum local de apostas. Os dizeres ferem a imagem e o prestígio que Joaquim goza perante
os moradores do local. Além disso, é possível verificar a materialidade e a autoria do crime de
difamação pela leitura das declarações das testemunhas, anexadas nesta queixa-crime.
 
Classificação do crime: Não havendo qualquer causa excludente de ilicitude ou de culpabilidade, o
denunciado Carlos Gonçalves está incurso na pena do art. 139 do Código Penal (Difamação).
 
Pedido: Requer a citação do querelado, bem como que ele seja condenado nas penas do art. 139 do
Código Penal e com a intimação das testemunhas abaixo arroladas.
 
Local e data: Comarca, data de queixa.
 
Assinatura.
 
Rol de testemunhas: Quatro testemunhas indicadas.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Na tarde de um sábado, o sr. Jorge Ferreira, idoso de oitenta e três anos, resolveu ir, em seu carro, ao
shopping Solar Mall, na cidade do Rio de Janeiro, a fim de comprar presentes para as suas netas, Isaura e
Isolda. Lá chegando, deparou com um estacionamento lotado, como era de se esperar. Ao se aproximar da
vaga destina aos idosos, foi surpreendido por um carro que subitamente o fechou e estacionou na referida
vaga.
 
O sr. Jorge, indignado, mas ainda assim muito calmo, explicou ao jovem motorista, que depois veio a se saber
se chamar Haroldo, que aquela vaga era destinada aos idosos e que ele não poderia estacionar lá. Haroldo,
em um ataque de fúria, desatou a ofender Jorge, dizendo que ele não passava de um velho acabado, que
lugar de velho é no asilo e que se não saísse com o carro da frente dele naquele momento iria surrar Jorge,
alegando que ele estava fazendo hora extra na Terra.
 
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Mesmo apavorado, o sr. Jorge conseguiu anotar a placa do carro de Haroldo e, mais adiante, encontrou
pessoas que testemunharam a cena e se prontificaram a fornecer seus contatos caso precisassem corroborar
a versão em sede policial ou judicial.
 
Diante desse cenário e com a honra abalada, o sr. Jorge entrou em contato com você, advogado criminalista,
pois pretende que Haroldo seja processado criminalmente pelos atos que cometeu.
 
Na condição de advogado do sr. Jorge, elabore a peça processual cabível e mais adequada para atender aos
melhores interesses de seu cliente.
Chave de resposta
Pela leitura dos fatos narrados, percebe-se que Jorge foi vítima do crime de injúria qualificada, uma vez
que Haroldo ofendeu a dignidade e a honra de Jorge em razão da sua condição de idoso. A conduta se
adéqua, portanto, ao tipo penal descrito na redação do art. 140, § 3º, do Código Penal. Por se tratar de um
crime contra a honra, a peça cabível que deverá ser apresentada é a queixa-crime, conforme inteligência
do art. 145 do Código Penal.
A queixa-crime deverá ser endereçada a uma das Varas Criminais da comarca da capital do estado do Rio
de Janeiro. Em primeiro lugar, porque a competência fixada em matéria criminal é do local de consumação
do delito (art. 70 do Código de Processo Penal). Além disso, não se pode endereçar a peça ao Juizado
Especial Criminal, uma vez que a pena máxima do crime imputado ultrapassa dois anos, ou seja, não se
trata de crime de menor potencial ofensivo.
Destaca-se que, para a apresentação da queixa-crime, é necessário que haja procuração especial,
devendo constar, do instrumento do mandato, a qualificação completa do cliente e a menção criminosa do
fato.
Após o endereçamento da peça, deverá ser feita a qualificação completa do sr. Jorge, querelante,
constando seu nome, seus dados, endereço, profissão, estado civil etc. De igual modo, deverá ser feita a
qualificação completa de Haroldo. Em seguida, deverá ser feito o relatório sobre os fatos, descrevendo, de
forma pormenorizada, todo o evento ocorrido no momento.
Nos fundamentos, deve-se ressaltar que as ofensas proferidas por Haroldo foram injuriosas e
menosprezaram a honra subjetiva de Jorge, pois tinham como característica a ofensa em razão de sua
idade avançada. Atente-se que, nos crimes contra a honra, é importante destacar que houve o animus
diffamandi vel injuriandi, ou seja, Haroldo teve consciência e vontade de atacar a honra de Jorge em
função da idade.
Após, deverá ser feita a classificação da infração penal imputada, no caso, injúria qualificada, conforme
descrito no tipo penal do art. 140, § 2º, do Código Penal.
Nos pedidos, devem constar: a) requerimento de citação do querelado; b) pedido de condenação; c)
requerimento de provas; (vi) o local e a data da queixa-crime; (vi) a assinatura e a identificação do
representante legal do querelante.
Abaixo, deve ser inserido o rol de testemunhas a serem arroladas, observando o limite de quantidade
disposto no art. 401 do Código de Processo Penal.
3. Conclusão
Considerações finais
Ao longo do nosso estudo, dissecamos as peças iniciais utilizadas no processo penal. Além de analisar a
finalidade de cada peça, discorremos sobre os marcos iniciais de apresentação de cada peça, os fundamentos
que justificam a sua apresentação e como cada uma delas se estrutura. Mesmo se tratando de prática penal,
não se pode prescindir do estudo teórico para que se compreenda em que contexto se insere a peça e o
porquê de cada peça possuir uma estrutura peculiar.
A denúncia é a peça inaugural da ação penal pública. Ela sempre será ofertada pelo Ministério Público, que é o
titular da ação penal, e deverá conter requisitos básicos para que seja válida. Por exemplo, ela deverá conter a
descrição pormenorizada dos fatos, para oportunizar o exercício do direito da ampla defesa e do contraditório
do réu. Além disso, ela deverá ser instruída de provas pré-constituídas para que demonstre a presença de
justa causa.
Vimos que a queixa-crime é uma peça similar à denúncia, mas que possui uma série de peculiaridades. Ela é
apresentada pelo próprio ofendido, por meio de seu advogado, nas ações privadas, em que o querelado é o
titular da ação penal. As ações privadas estão previstas em artigos específicos, de modo que, caso não se
expresse que determinado crime se processa por ação penal privada, ele será processado por ação penal
pública.
Diferentemente da denúncia, a queixa-crime só poderá ter seus vícios sanados dentro do prazo decadencial
de seis meses. Após esse período, a punibilidade do querelado deverá ser extinta, nos termos no art. 107, IV,
do Código Penal, e a queixa-crime rejeitada por ausência de pressuposto processual. Além disso, a queixa-
crime também deverá ser instruída de provas pré-constituídas como forma de se demonstrar a presença de
justa causa; requisito para a instauração da ação penal.
É importante notar que não é só o órgão acusatório ou o acusador que pode apresentar peças inaugurais em
matéria criminal. Vimos que o habeas corpus não se trata de recurso, mas sim de uma ação autônoma de
impugnação. Qualquer pessoa pode impetrar habeas corpus. É dispensável a habilitação de advogado. A
forma não é rígida, bastando, para o seu conhecimento, a presença dos requisitos mínimos elencados no art.
654 do Código de Processo Penal. Ele pode ser liberatório, quando a liberdade do indivíduo se encontra
suprimida, ou preventivo, quando a supressão indevida da liberdade do indivíduo é iminente. 
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Para auxílio na redação de peças processuais, denúncias, queixas-crime, habeas corpus etc., consulte o livro
de Válter Kenji Ishida: Prática jurídica penal. 10. ed. Salvador: Juspodivm, 2022. Vale a leitura!
Referências
BADARÓ, G. H. Direito a um julgamento por juiz imparcial: como assegurar a imparcialidade objetiva do juiz nos
sistemas em que não há a função do juiz de garantias. In: BONATO, G. (org.). Processo penal constituição e
crítica: estudos em homenagem ao prof. dr. Jacinto Nelson de Miranda Coutinho. Rio de Janeiro: Lumen Juris,
2011.
 
GRINOVER, A. P. O princípio do juiz natural e sua dupla garantia. Revista de Processo, v. 29, jan./mar. 1983.
 
LOPES JUNIOR, A. Direito processual penal. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2015.
 
NUCCI, G. S. Manual de processo penal e execuçãopenal. 13. ed. rev. atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense,
2016.
 
PRADO, G. Sistema acusatório: a conformidade constitucional das leis processuais penais. Rio de Janeiro:
Lumen Juris, 2001.
Prática das defesas e das alegações
finais penais
Você vai entender a relação entre teoria e prática atinente às peças de defesa e as alegações finais na
ação penal, que poderão ser apresentadas tanto pelo Estado, em defesa dos interesses da sociedade,
quanto pelo acusado, por meio de seu advogado, em defesa de seus interesses.
Prof. Rodrigo Bragança
1. Itens iniciais
Propósito
É essencial para os profissionais do direito o estudo do manejo das peças processuais de defesa e alegações
finais, uma vez que são elementos importantes para que um acusado consiga emplacar suas respectivas
teses no processo criminal.
Preparação
Antes de iniciar os seus estudos, tenha em mãos o Código de Processo Penal, o Código Penal, a Constituição
da República, os Regimentos Internos do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, e a Lei
de Drogas (Lei nº 11.343/2006).
Objetivos
Reconhecer a resposta à acusação como peça inaugural da defesa técnica nas ações penais, e os 
seus requisitos e pressupostos como elementos autorizadores do exercício da ampla defesa e do 
contraditório.
Analisar as alegações finais e o seu manejo como a última oportunidade de manifestação da defesa e 
da acusação no processo penal de conhecimento.
Introdução
É por meio da ação penal que o Estado exerce o ius puniendi, ou seja, o direito de punir. Entretanto,
diferentemente do que prega o senso comum, o objetivo do processo penal não é punir, mas evitar a utilização
arbitrária do poder punitivo estatal contra o cidadão. Em outras palavras, para que se aplique uma pena é
necessário que haja não só um processo, mas um processo justo. Tem-se como justo o processo que se
adéqua aos padrões democráticos, que observa as garantias e os direitos constitucionais dos indivíduos, e
que segue a forma determinada em lei.
É por esse motivo que o estudo das práticas das defesas penais no processo é tão importante. Trata-se da
oportunidade que tem o defendente, com o manejo responsável das peças defensivas no processo levado a
efeito pela defesa técnica, de exercer as garantias da ampla defesa e do contraditório, de fiscalizar os atos do
poder judiciário, bem como a motivação das decisões. Enfim, as peças de defesa são instrumentos hábeis a
garantir o trâmite de um processo justo.
Instaurada a ação penal (processo de conhecimento), existem duas peças escritas fundamentais à defesa,
afora petições e recursos que podem ser apresentados: a resposta à acusação e as alegações finais. Estas
últimas são apresentadas, também, pelo Ministério Público.
Ao longo de nosso estudo, veremos os momentos e os prazos de apresentação dessas peças, além de todo o
conteúdo que deverá ou poderá ser introduzido nelas. Para tanto, é fundamental ter em mente que o processo
penal se desenvolve por meio de uma dialética, de um embate entre as partes, gestoras da prova do
processo, cujo destinatário é o magistrado. Assim, tem vantagem aquela parte que melhor souber dominar o
manuseio das peças processuais, as quais estudaremos a seguir.
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1. Resposta à acusação como peça inaugural da defesa técnica
Resposta à acusação como instrumento de impugnação
da denúncia
Confira, neste vídeo, o papel da resposta à acusação e as hipóteses de devolução e de dilação de prazo.
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Aspectos gerais
A ação penal é inaugurada pela decisão que recebe a denúncia. Essa primeira decisão decorre de uma análise
superficial acerca da presença de requisitos e pressupostos para instauração da ação penal. Nesse primeiro
momento, o magistrado não se debruçará sobre questões fáticas ou de mérito. Analisará, apenas, se há 
coerência e o cumprimento de requisitos formais na petição inicial apresentada pelo Ministério Público.
Podemos dizer que a primeira decisão que recebe a denúncia é uma praxe no meio forense.
Recebida a denúncia, por considerar haver justa causa (prova da materialidade e indícios de autoria), o juízo
determinará a citação do réu, ou dos réus, para que apresente(m) a sua resposta à acusação no prazo de dez
dias (art. 396 do Código de Processo Penal). A resposta à acusação trata-se, portanto, da primeira
manifestação defensiva na ação penal. 
A decisão prolatada pelo magistrado pelo processo ou não processo – por manter ou não manter o
recebimento da denúncia – perpassa por um juízo de probabilidade, e não de certeza.
Se, por ocasião da prolação de uma sentença condenatória, for feito um juízo de certeza, segundo o qual o
juiz não poderá ter dúvida para prolatar o édito condenatório na decisão pelo processo ou não processo, é
realizado um juízo de probabilidade. Ou seja, para que haja o recebimento de denúncia, é necessário que o
número de provas pré-constituídas, que aponta para a presença de justa causa, seja maior do que o número
de elementos informativos, que aponta para a ausência de justa causa.
Por esse motivo, a resposta à acusação deverá se ater a questões preliminares, de natureza formal, do que a
questões de mérito. Isso ocorre porque o mérito da ação ainda será discutido e trabalhado no decorrer da
instrução criminal; ocasião em que serão produzidas todas as provas que posteriormente serão cotejadas nas
alegações finais.
Vejamos o que diz o art. 396-A do Código de Processo Penal!
Art. 396-A. Na resposta, o acusado poderá arguir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua
defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas,
qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário. 
(LEI Nº 11.719/2008)
No procedimento estabelecido na Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006), dá-se à resposta do acusado o nome de
“defesa prévia” ou “defesa preliminar”. Nesse sentido, o art. 55 da Lei nº 11.343/2006 afirma que “Oferecida a
denúncia, o juiz ordenará a notificação do acusado para oferecer defesa prévia, por escrito, no prazo de 10
(dez) dias”. Diz ainda o parágrafo primeiro do referido artigo: “Na resposta, consistente em defesa preliminar e
exceções, o acusado poderá arguir preliminares e invocar todas as razões de defesa, oferecer documentos e
justificações, especificar as provas que pretende produzir e, até o número de 5 (cinco), arrolar testemunhas”.
Por fim, destaca-se a especial importância que o legislador conferiu à apresentação dessa peça defensiva.
Por ser ato de defesa indispensável ao processo, caso o acusado citado não apresente a sua resposta à
acusação no prazo legal de dez dias, será nomeado um defensor público para oferecê-la, conforme disposto
no art. 396-A, § 2º, do Código de Processo Penal.
Hipóteses de dilação e de devolução de prazo da resposta à acusação
Por se tratar de peça indispensável ao processo, poderá haver dilação – ou prorrogação – de prazo para
apresentação da resposta à acusação.
Veja, por exemplo, o caso de um advogado que renuncia à causa no curso do prazo de apresentação da
resposta à acusação, sem apresentá-la. Nessa hipótese, poderão os novos patronos constituídos requererem
a dilação de prazo, uma vez que o recente ingresso nos autos gera impossibilidade de estudar todo o
processo para apresentação de defesa preliminar adequada. Repare que, na verdade, o que está em jogo é o
exercício das garantias da ampla defesa e do contraditório do defendente.
Imagine, ainda, a hipótese de novos advogados que ingressaram em determinada causa cuja resposta à
acusação acabara de ser apresentada por advogados que renunciaram ou pela própria Defensoria Pública.
Caso essa peça processual esteja defeituosa, a ponto de não impugnar a acusação ou de levar ao juízo teses
importantes de defesa, é possível que se requeira o retorno de prazo para apresentação de nova resposta à
acusação. O fundamento é justamente a perda de oportunidade do exercício da ampla defesa e do
contraditório.
Em ambos os casos, éfundamental a demonstração do prejuízo ao defendente. Entendido?
O cerne da resposta à acusação
Confira, neste vídeo, alguns fundamentos pertinentes e o conteúdo de uma resposta dirigida à acusação.
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Fundamentos da resposta à acusação
Antes de falarmos sobre o que deve conter a resposta à acusação, é necessário traçarmos uma breve linha do
tempo até o momento de citação do réu para apresentar a sua defesa preliminar. Vamos lá?
Após a conclusão do inquérito policial, cujas investigações foram levadas a efeito pela autoridade policial, os
autos do procedimento investigatório serão remetidos ao Ministério Público. Na ocasião, o promotor formará a
sua opinião sobre o delito. Com a leitura do caderno indiciário e com a presença da justa causa (prova da
materialidade e indícios suficientes de autoria), deverá ser oferecida denúncia ao juízo competente.
A denúncia, peça inaugural da ação penal, não se trata de mera peça protocolar do processo. É necessário
que se demonstre a presença de justa causa, bem como que atenda aos requisitos do art. 41 do Código de
Processo Penal, sob pena de ser rejeitada nos termos do art. 395 do CPP. Assim, diz o aludido artigo que a
denúncia deverá ser rejeitada quando for inepta e inexistir justa causa. Vamos entender melhor!
Inépcia
É definida pela denúncia que desatende aos requisitos do art. 41 do CPP, ou seja, que não descreve
de forma pormenorizada os fatos ou os descreve de forma ilógica; que não individualiza as condutas
dos réus, descrevendo-as de forma genérica; ou, ainda, quando é muito prolixa. A razão de sua
rejeição, na hipótese de inépcia, é justamente a impossibilidade de o réu exercer ampla defesa e
contraditório, uma vez que se torna impossível a compreensão e o alcance sobre o quê e de que ele
está se defendendo.
Justa causa
É definida pela prova da materialidade e indícios suficientes de autoria. A prova da materialidade é a
prova de que o crime ocorreu. Em um caso de homicídio, por exemplo, a materialidade seria
constatada com laudo pericial atestando que o falecimento de certa pessoa se deu por emprego de
veneno. Os indícios suficientes de autoria serão comprovados pelos elementos informativos (ou
provas pré-constituídas) coligidos no inquérito policial, que apontem para determinada pessoa como
autora do fato.
Para além dos vícios formais que podem haver na denúncia, o magistrado poderá, também, absolver
sumariamente o réu. Vejamos exatamente o que diz o art. 397!
Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá
absolver sumariamente o acusado quando verificar: I - a existência manifesta de causa excludente da
ilicitude do fato; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).II - a existência manifesta de causa excludente da
culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).III - que o fato
narrado evidentemente não constitui crime; ou (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).IV - extinta a
punibilidade do agente. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).
(LEI Nº 11.719/2008)
É importante reforçar que, ao receber a denúncia, faz-se juízo de probabilidade. Desse modo, para haver justa
causa, o número de provas indiciárias que apontam para a autoria de determinada pessoa deve ser maior do
que o número de provas que não apontam para a autoria. 
Conteúdo da resposta à acusação
Recebida a denúncia, o réu deverá ser citado para responder à acusação no prazo de dez dias. Além disso,
analisamos:
Os requisitos necessários para o recebimento da denúncia.
As possibilidades de absolvição sumária.
O tipo de juízo feito por ocasião da decisão pelo recebimento ou não recebimento da denúncia, que é o
de probabilidade.
Com essas informações, passamos à análise dos fundamentos contidos na defesa preliminar.
É fundamental ter em vista que a resposta à acusação objetiva não é somente impugnar o conteúdo da
denúncia, mas, principalmente, apresentar os vícios formais contidos na inicial acusatória.
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Acerca dos requisitos formais da denúncia, o peticionante, ao elaborar a sua resposta à acusação, deverá
verificar:
Se a denúncia atende aos requisitos do art. 41 do CPP ou se é inepta.
Se há justa causa.
Ainda por ocasião da apresentação da defesa preliminar, caso seja oposta alguma exceção, esta será autuada
em apartado, conforme disposto no art. 396-A, § 1º, do Código de Processo Penal. 
Exemplo
A exceção de incompetência, que se opõe quando se reputa que determinado juízo, em razão da
matéria, não tem competência para processar e julgar a causa. Assim, é possível apresentar exceção de
incompetência em um caso de estelionato previdenciário cuja denúncia fora oferecida ao juízo estadual,
e não federal. 
No mérito, será realizada a análise acerca de alguma causa de absolvição sumária de acordo com o disposto
no art. 397 do Código de Processo Penal. Imagine a hipótese de denúncia oferecida que imputa ao
defendente crime já prescrito. Nesse caso, é evidente que o réu deverá ser absolvido sumariamente, na
medida em que sua culpabilidade está extinta (art. 397, inciso IV, do Código de Processo Penal; e art. 107,
inciso IV, do Código Penal).
Estrutura da resposta à acusação
Entenda, neste vídeo, como você pode estruturar uma resposta à acusação de forma eficaz.
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Analisadas as questões teóricas que envolvem a resposta à acusação, vamos ao estudo prático de sua
estruturação.
A resposta à acusação deve conter os seguintes pontos:
 
Endereçamento ao juízo competente.
Qualificação do defendente.
Fundamento legal da resposta à acusação, a saber, o art. 396-A do Código de Processo Penal.
Fatos.
Preliminares, como alegação de inépcia da denúncia ou ausência de justa causa ou eventual oposição
de exceção.
Mérito: conduta manifestamente atípica, por exemplo.
Local e data.
Assinatura do(a) advogado(a).
Rol de testemunhas.
Estruturando a peça a partir de caso prático
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Imagine que você advoga na capital do estado do Rio de Janeiro e seu cliente, que acabara de ser citado pela
40ª Vara Federal Criminal da Subseção do Rio de Janeiro, entrou em contato com você para apresentar uma
resposta à acusação no prazo de dez dias. Em síntese, diz a denúncia que o seu cliente está incurso nas
penas do art. 129, caput, do Código Penal, por ter, em tese, ofendido a integridade corporal de outrem.
Ao ler a denúncia, percebe-se que os fatos foram narrados de forma absolutamente genérica, limitando-se a
dizer que, em junho de 2007, a vítima fora agredida pelo réu. Além disso, ao analisar os autos do procedimento
investigatório, é possível verificar que o seu cliente, ao prestar depoimento em sede policial, alegou que, na
data referida da denúncia, estava no Japão, conforme se denota de fotos, passagens e depoimentos de cinco
testemunhas, juntados aos autos. Por fim, a denúncia foi oferecida em maio de 2023.
Vejamos como deverá ser estruturada a resposta à acusação!
 
Endereçamento da peça: A peça deverá ser endereçada à 40ª Vara Federal Criminal da Subseção do
Rio de Janeiro. Embora a competência não seja desse juízo, e sim do Juizado Especial Criminal, a
resposta será direcionada ao juízo que expediu a citação.
 
Qualificação: O cliente deverá ser qualificado, devendo constar seu estado civil, profissão,
nacionalidade, identidade, CPF, residência e domicílio.
 
Fundamento legal: Deverá ser especificado que, naquele ato, está se apresentando a resposta à
acusação conforme inteligência do art. 396-A do Código de Processo Penal.
 
Os fatos: Deverão ser escritos de forma concisa. O conteúdo deverá ser feito com a versão que melhor
beneficie o defendente, e de modo a preparar o julgador para as teses que serão expostas adiante, nas
questões de direito.
 
Preliminares: Como matéria preliminar, deverá constar um tópico para a inépcia da denúncia, uma vez
que ela é vaga e não descreve os fatosde forma pormenorizada, contrariando os comandos do art. 41
do CPP. Por esse motivo, deverá ser rejeitada, conforme disposto no art. 395, I, do CPP. Além disso,
deverá constar um tópico para ausência de justa causa, haja vista que não há elementos que apontem
para o imputado como o autor dos fatos, pois, na data referida, não estava sequer no local do fato. Por
esse motivo, deverá ser a denúncia rejeitada por ausência de justa causa, conforme disposto no art.
395, III, do CPP. Deverá ser oposta, ainda, exceção de incompetência, posto que o juízo competente
para julgar o caso é o Juizado Especial Criminal, visto que a lesão corporal é crime de menor potencial
ofensivo.
 
No mérito: Deverá ser requerida a absolvição sumária do defendente, pois está extinta a sua
punibilidade pela ocorrência de prescrição.
 
Local e data: Rio de Janeiro, data de apresentação da defesa preliminar.
 
Assinatura do(a) advogado(a).
 
Rol de testemunhas: Cinco testemunhas que prestaram depoimento em sede policial.
Verificando o aprendizado
Questão 1
No dia 10 de agosto de 2022, o seu cliente, Ricardo da Silva, foi citado para responder à acusação no prazo de
dez dias. Em síntese, a denúncia, endereçada ao juízo da 70ª Vara Criminal da comarca da capital do estado
do Rio de Janeiro, aduziu que Ricardo teria praticado estelionato previdenciário. Ao analisar o relatório de
investigação, percebeu-se que a autoridade policial descreveu a dinâmica dos fatos de forma minuciosa,
tendo, ao final, opinado pelo arquivamento do feito em relação a Ricardo e indiciado Jorge Pereira como autor
do fato, uma vez que ele se utilizou dos documentos furtados de Ricardo para a prática do ilícito. Para a sua
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surpresa, ao ler a denúncia, o representante do Ministério Público deixou de descrever os fatos de forma
pormenorizada e limitou-se a dizer que Ricardo se beneficiou de aposentadoria de forma indevida, estando
incurso nas penas do art. 171, § 3º, do Código Penal.
 
Diante dos fatos narrados, imagine que você é o advogado de Ricardo da Silva. Nessa condição, discorra
sobre as principais teses que poderão ser levantadas como resposta à acusação.
Chave de resposta
As teses levantadas na resposta à acusação deverão estar inseridas em três tópicos, quais sejam: (i)
inépcia da denúncia; (ii) ausência de justa causa; e (iii) exceção de incompetência.
A denúncia é manifestamente inepta, pois desatende ao disposto no art. 41 do Código de Processo Penal.
Ao não descrever os fatos de forma pormenorizada, a denúncia é inepta, devendo ser rejeitada na forma
do art. 395, inciso I, do CPP. Caso contrário, a defesa estaria cerceada, uma vez que é impossível impugnar
vaga, ou seja, ao defendente não seria possível o exercício da ampla defesa e do contraditório.
Além disso, a denúncia possui manifesta ausência de justa causa. Embora a prova da materialidade esteja
presente, uma vez que o crime de estelionato previdenciário ocorreu, os elementos indiciários coligidos no
inquérito policial apontam para Jorge Pereira como o autor do fato, e não para Ricardo da Silva. Dessa
forma, a denúncia deverá ser rejeitada por ausência de justa causa, na forma do art. 395, inciso III, do
Código de Processo Penal.
Por fim, o crime de estelionato previdenciário é de competência da Justiça Federal, e não de competência
estadual, uma vez que o INSS é uma autarquia federal criada pela Lei nº 8.029/1990. Por esse motivo,
deverá ser oposta, também, exceção de incompetência do juízo.
Se desejar, você pode voltar ao tópico Estrutura da resposta à acusação e reler o conteúdo.
2. Alegações finais: última manifestação das partes na fase de conhecimento
Contextualização temporal das alegações finais
Confira, neste vídeo, o papel das alegações finais no processo penal e os seus possíveis fundamentos.
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Primeiras observações
A ação penal será instaurada com o recebimento da denúncia. Ao ser recebida, o juízo determinará a citação
do defendente para que apresente a sua resposta à acusação no prazo de dez dias, nos termos do art. 396 do
Código de Processo Penal.
Com a apresentação da resposta à acusação, os autos irão à conclusão do magistrado, que deverá verificar se
a denúncia deverá ser recebida ou rejeitada. Para que seja recebida, é necessário que:
Não seja inepta (art. 395, inciso I, do CPP).
Estejam presentes todos os pressupostos da ação (art. 395, inciso II, do CPP).
Exista justa causa (art. 395, inciso III, do CPP).
Ultrapassada essa análise, o magistrado deverá verificar se existe algumas das causas de absolvição sumária,
a saber:
 
Presença manifesta de excludente de ilicitude.
Presença manifesta de excludente de culpabilidade
O fato não constituir crime.
Estar extinta a punibilidade do defendente, conforme disposto no art. 397 do Código de Processo
Penal.
Se não houver causa de rejeição da denúncia ou de absolvição sumária, serão designadas data e hora para a
audiência de instrução e julgamento (art. 399 do Código de Processo Penal). Nessa ocasião, serão produzidas
provas orais, documentais etc. Ao abrir a audiência, o juiz, que preside o ato, determinará a realização da
oitiva das seguintes personagens, nesta ordem:
 
Vítima(s)
Testemunhas de acusação
Testemunhas de defesa
Depois, poderão ser prestados os esclarecimentos dos peritos, realizadas acareações, o reconhecimento de
pessoas e coisas, e, ao final, o interrogatório do réu (art. 400 do Código de Processo Penal). Ao final da
audiência, as partes poderão requerer a produção de diligências para esclarecimento de fatos ou de
circunstâncias apurados na instrução.
Após a realização das diligências, ou ainda não havendo diligências ou no caso de indeferimento destas, o
magistrado abrirá prazo para apresentação das alegações finais. O Código de Processo Penal dispõe de dois
modos de apresentação de alegações finais: as alegações finais orais, no prazo de 20 minutos, ou as
alegações finais por memoriais no prazo de cinco dias. Vamos entender melhor!
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1Alegações finais orais
Ocorrem em casos menos complexos e cujas partes considerem não ser necessária a apresentação
das alegações por escrito (art. 403). Em geral, em juizados especiais, regidos pelo princípio da
celeridade e cujas causas são de menor complexidade, as alegações finais, via de regra, são orais.
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Alegações finais por memoriais
Ocorrem em casos menos complexos e cujas partes considerem não ser necessária a apresentação
das alegações por escrito (art. 403). Em geral, em juizados especiais, regidos pelo princípio da
celeridade e cujas causas são de menor complexidade, as alegações finais, via de regra, são orais.
Fundamentos das alegações finais
A resposta à acusação deverá ser concisa, uma vez que se destina a impugnar os termos da denúncia, bem
como o juízo que se faz pela instauração ou não do processo é superficial. Já as alegações finais deverão ser
mais detalhadas, pois se trata da última oportunidade que as partes possuem para se manifestar no processo,
antes da prolação da sentença.
Portanto, será em sede de alegações finais que a defesa deverá arguir, por exemplo, todas as causas de
nulidade do processo. Também, em alegações finais, as questões de mérito deverão ser bem desenvolvidas,
pois é justamente, nessa ocasião, que a defesa ou a acusação deverá convencer o juízo pela culpa ou não
culpa do defendente.
Quanto às nulidades, podem ser divididas em:
Pela análise do Código de Processo Penal, são nulidades absolutas:
 
Incompetência, suspeição ou suborno do juiz (art. 564, I).
Ilegitimidade de parte (art. 564, II).
Falta de denúncia, queixa ou representação (art. 564, III, a).
Ausência de exame de corpo de delito nos crimes que deixam vestígios (art. 564, III, b).
Falta de nomeação de defensor ou advogado dativo (art. 564, III, c).
Agora, vejamos um exemplo de nulidade relativa! 
Nulidades absolutas 
São aquelas cujos prejuízos ao réu são
presumidospelo juízo, devido à ausência de
forma estabelecida em lei para determinado
ato.
Nulidades relativas 
São aquelas que demandam que se
demonstre o prejuízo ao réu para
serem reconhecidas.
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Art. 564, III, d. A falta de intervenção do Ministério Público em todos os termos da ação por ele intentada
e nos da intentada pela parte ofendida, quando se tratar de crime de ação pública.
(DECRETO-LEI Nº 3.689/1941)
Outras nulidades poderão ser arguidas caso se demonstre afronta a princípios constitucionais e processuais,
apesar de não estarem previstas explicitamente no rol do art. 564 do CPP. 
Exemplo
A alteração de ordem na oitiva de depoentes na audiência de instrução e julgamento. Reputa-se como
nulidade absoluta o interrogatório do réu como ato inaugural da instrução, uma vez que, nessa hipótese,
o exercício do contraditório estaria cerceado. 
É fundamental destacar que as nulidades processuais que ocorrem ao longo da instrução criminal, caso não
arguidas em alegações finais, serão consideradas preclusas. Nesse sentido, confira o entendimento do STJ!
PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO
REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONDENAÇÃO POR PORTE ILEGAL DE ARMA DE
FOGO COM NUMERAÇÃO RASPADA E AMEAÇA. SÚMULA N. 83 DO STJ. APLICAÇÃO EM RELAÇÃO A
AMBAS AS ALÍNEAS DO PERMISSIVO CONSTITUCIONAL. NULIDADE RELATIVA. PRECLUSÃO. PRESENÇA
DO RÉU EM AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO. SÚMULA N. 83 DO STJ. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO.
INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7 DO STJ.
DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A Súmula n. 83 do STJ é aplicável tanto ao
recurso especial fundado tanto na alínea a quanto ao recurso especial fundado na alínea c do dispositivo
constitucional. 2. As nulidades ocorridas no decorrer da instrução criminal devem ser arguidas no
momento das alegações finais, sob pena de preclusão. 3. O direito de presença do réu em audiência de
instrução e julgamento não é absoluto nem indispensável para a validade do ato, consubstanciando-se
em nulidade relativa que exige a demonstração de prejuízo para a defesa. Incidência da Súmula n. 83 do
STJ. 4. Aplicam-se os óbices previstos nas Súmulas n. 282 e 356 do STF quando a questão suscitada no
recurso especial não foi apreciada pelo tribunal de origem. 5. ‘A pretensão de simples reexame de prova
não enseja recurso especial’ (Súmula n. 7 do STJ). 6. Agravo regimental desprovido.
(AgRg nos EDcl no AgRg no AREsp 1716723/RJ, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUINTA TURMA, julgado em
26/10/2021, DJe 03/11/2021)
Estrutura dos memoriais de alegações finais
Entenda, neste vídeo, como estruturar adequadamente uma peça processual cabível de alegações finais.
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Vejamos como deverá ser estruturado o memorial de alegações finais:
 
Endereçamento ao juízo competente.
Qualificação do defendente.
Dinâmica do fato e o relatório processual.
Preliminares: causas de rejeição da denúncia e nulidades.
Mérito: cotejo de provas produzidas para que se alegue a culpa ou não culpa.
Pedidos: reconhecimento de nulidade; absolvição do réu; em caso de condenação, a sugestão de
dosimetria no mínimo possível.
Local e data.
Assinatura.
É importante destacar que os fatos narrados deverão ser cotejados com relatório contendo todos os
acontecimentos no processo, sobretudo com o teor do depoimento de todos os depoentes. Quanto às
nulidades, todas elas deverão ser arguidas por ocasião das alegações finais, sob pena de preclusão.
Por fim, é necessário o cotejo de provas para que, se possível, seja demonstrada a inocência do réu. Ao final,
nos pedidos, é comum que se peça, caso o juízo não entenda pela absolvição, que se aplique a pena mais
branda possível em favor da defesa.
Estruturando a peça a partir de caso prático
Imagine o seguinte caso: em agosto de 2022, José Mario foi citado para responder à acusação. A denúncia
imputara a José Mario o crime de furto qualificado por escalada (art. 155, § 4º, inciso II). Tanto a defesa
quanto a acusação arrolaram, cada uma, cinco testemunhas. Mantido o recebimento da exordial acusatória, foi
designada data para a realização da audiência de instrução e julgamento.
O magistrado, que estava muito irritado no dia, entendeu por bem interrogar, primeiramente, o réu, José Mario.
Além disso, no decorrer da audiência, todas as testemunhas foram uníssonas ao dizerem que conheciam José
Mario e que ele era tetraplégico. Ainda em audiência, fora juntados laudos e exames médicos que atestavam o
alegado. Finda a instrução criminal, foi dado o prazo de cinco dias para a apresentação de memorial de
alegações finais. Vamos estruturar a peça?
Endereçamento da peça: A peça deverá ser endereçada ao juízo competente.
 
Qualificação: José Mario deverá ser qualificado, bem como deverá constar na peça o que se está
apresentando: alegações finais por memoriais, com fundamento no art. 403, § 3º, do CPP.
 
Fato imputado e relatório processual: Os fatos deverão ser apresentados com a versão mais favorável à
parte, bem como de forma que seja possível cotejá-los com as questões de direito que serão
abordadas em tópicos posteriores. Além disso, é de suma importância que se faça breve relatório da
dinâmica processual. Vejamos: José Mario encontra-se denunciado pela prática, em tese, do crime de
furto qualificado. Aduz o Ministério Público que no dia xx.xx.xxxx, ele teria escalado o muro da casa de
Fulana e furtado a sua bicicleta. As testemunhas X, Y, Z, W e H foram uníssonas ao dizerem que
conhecem José Mário há vinte anos e que, cinco anos antes do crime, ele foi vitimado por um acidente
de carro que o deixou tetraplégico. Em audiência, foram apresentados laudos e atestados médicos que
davam conta que, de fato, José Mário era deficiente. Além disso, a audiência de instrução e julgamento
ocorreu na seguinte ordem: interrogatório de José Mario, oitiva de testemunhas e depoimento da
vítima.
 
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Preliminares: Como preliminares e caso se considere a denúncia inepta e sem justa causa, o advogado
deverá fazer constar isso também nas alegações finais. Além disso, deverá ser arguida a nulidade da
audiência de instrução e julgamento, pois o interrogatório do réu como primeiro ato vai de encontro às
garantias do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal.
 
Mérito: Conforme provas produzidas na instrução criminal, José Mário era portador de deficiência
física. O que se deverá alegar é a negativa de autoria, uma vez que é impossível que José Mario tenha
escalado um muro e conseguido furtar uma bicicleta.
 
Pedidos: Reconhecimento da nulidade arguida; absolvição por não existirem provas que o réu
concorreu para o fato, nos termos do art. 386, inciso V, do Código de Processo Penal; e, em caso de
condenação, que a pena aplicada seja a mínima possível.
 
Local e data.
 
Assinatura.
Verificando o aprendizado
Atividade Discursiva
Em agosto de 2022, Isaque recebeu um mandado de citação do juízo da 83ª Vara Criminal da comarca da
capital do TJRJ. Tratava-se de uma denúncia que imputava a ele a prática do crime de ameaça (art. 147 do
Código Penal). Ao ler a denúncia, Isaque não conseguiu compreender, ao certo, os fatos que estavam sendo
atribuídos a ele, pois a denúncia era vaga e se limitava a dizer que o Sr. Márcio Rodrigues, seu vizinho, estava
com medo de encontrá-lo na área comum do condomínio onde residiam. Além disso, o representante do
Ministério Público deixou de juntar aos autos quaisquer elementos de investigação produzidos em sede
policial que comprovasse o alegado. Por fim, segundo o Ministério Público, a tal ameaça teria sido proferida
nos idos de 2003. O dia e o mês não foram especificados.
 
Na condição de advogado(a) do Sr. Isaque, elabore a peça processual cabível e mais adequada para atender
aos melhores interesses de seu cliente.
Chave de resposta
A peça processual cabível deverá ser a resposta à acusação.

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