Prévia do material em texto
Aula 2 - Criação do Conhecimento Interorganizacional − Conhecimento interorganizacional A partir do estudado até o momento, é possível inferir que o conhecimento e sua gestão se apresentam como um grande diferencial organizacional, considerando as grandes demandas do cenário atual. A criação de conhecimento de uma empresa influencia o ambiente em que está inserida e por ele é influenciada. Nessa via de mão dupla, sabemos que o conhecimento é criado dentro das organizações a partir dos processos de compartilhamento de saberes. No entanto, não é somente dentro delas que o conhecimento organizacional é criado: é também a partir do relacionamento entre empresas que esse processo ocorre, ou seja, é a partir da interação entre empresas diferentes que o conhecimento é criado. De maneira geral, considerando nosso contexto contemporâneo, permeado pelo fluxo de comunicação e informação, viabilizado, essencialmente, pelo advento da tecnologia e da globalização, as redes interorganizacionais, formadas por empresas que fortalecem os vínculos existentes por meio de trocas de informações e conhecimentos coordenados para objetivos em comum, estão ganhando cada vez mais força. O conhecimento interorganizacional refere-se, então, ao compartilhamento de conhecimento e à colaboração entre organizações diferentes. Em vez de se limitar ao conhecimento mantido internamente por uma única organização, o conhecimento interorganizacional reconhece que, muitas vezes, o conhecimento valioso está disperso entre vários agrupamentos e pode ser compartilhado para benefício mútuo. Esse tipo de conhecimento pode assumir várias formas e ser trocado por diferentes meios. Pode incluir informações sobre melhores práticas da indústria, insights sobre o mercado, experiências operacionais, pesquisas e desenvolvimento conjunto de produtos ou serviços, entre outros. Empresas que, por exemplo, publicam estudos de caso ou contribuem para o desenvolvimento de pesquisas acadêmicas descritivas e exploratórias atuam também nessa busca por compartilhar e disseminar saberes construídos internamente. O conhecimento interorganizacional é especialmente importante em ambientes onde a colaboração é essencial para o sucesso de todos os envolvidos. Por exemplo, empresas em uma cadeia de suprimentos podem compartilhar conhecimento sobre demanda do mercado, previsões de produção e tecnologias emergentes para otimizar a eficiência e a qualidade dos produtos. Essa colaboração não apenas promove a inovação e a eficiência, mas também pode ajudar as organizações a se adaptarem a mudanças no ambiente externo, como regulamentações governamentais, avanços tecnológicos e oscilações econômicas. Aqui, é importante ressaltar que o sucesso do conhecimento interorganizacional depende da construção de relacionamentos de confiança, da proteção da propriedade intelectual e da criação de estruturas e processos efetivos para facilitar o compartilhamento de conhecimento entre as partes envolvidas. − Redes organizacionais Redes organizacionais referem-se a estruturas interconectadas de organizações que colaboram umas com as outras e se relacionam para alcançar objetivos comuns ou benefícios mútuos. Essas redes podem assumir várias formas e ter diferentes tamanhos, isto é, podem ser tanto pequenas alianças entre empresas locais quanto grandes consórcios internacionais. O conceito de redes organizacionais destaca a importância das relações interorganizacionais no ambiente de negócios contemporâneo e reconhece que muitas vezes a cooperação entre empresas é essencial para a sobrevivência delas nos mercados em que atuam. De maneira geral, existem diferentes formas de as empresas se constituírem em redes: ▪ Redes de fornecedores: envolvem a cooperação entre empresas ao longo da cadeia de suprimentos. Os fornecedores trabalham em conjunto com os fabricantes e distribuidores para garantir uma entrega eficiente de matérias-primas e componentes. ▪ Redes de clientes: concentram-se nas relações entre empresas e seus clientes. Elas podem formar parcerias estratégicas com clientes para entender melhor suas necessidades, desenvolver produtos personalizados e oferecer um serviço de qualidade. ▪ Redes de cooperação tecnológica: são formadas por empresas que colaboram na pesquisa e no desenvolvimento de novas tecnologias. Elas compartilham recursos e conhecimentos para impulsionar a inovação e manter a competitividade em seus setores. ▪ Redes de alianças estratégicas: envolvem parcerias entre empresas que atuam em setores complementares ou similares. Podem cooperar em áreas como marketing, distribuição, pesquisa e desenvolvimento, compartilhando custos e recursos para alcançar vantagens competitivas. ▪ Redes de clusters regionais: são formadas por empresas geograficamente próximas umas das outras e que operam no mesmo setor ou em setores relacionados. Elas podem compartilhar conhecimentos, fornecedores e clientes, criando um ambiente propício para a inovação e o crescimento econômico local. As redes organizacionais são estruturas flexíveis e dinâmicas que permitem às empresas colaborarem e se adaptarem às mudanças no ambiente em que estão inseridas. Elas promovem inovação, eficiência e competitividade, permitindo que as empresas alcancem objetivos que não seriam possíveis de forma isolada. Ou seja, mais do que competirem entre si, gerando um ambiente de forte instabilidade, o foco passa a ser um crescimento sustentável e duradouro para todos. − Vamos Exercitar! Existem muitos exemplos de empresas que atuam em redes organizacionais para alcançar objetivos de maneira colaborativa, ampliando o potencial competitivo e sustentável ao longo do tempo. A Apple, conhecida por sua extensa rede de fornecedores e parceiros em todo o mundo, colabora com fabricantes de componentes eletrônicos, fornecedores de materiais, empresas de logística e distribuidores para produzir e entregar seus produtos. Além disso, trabalha em estreita colaboração com desenvolvedores de software, provedores de serviços e varejistas para expandir seu ecossistema de produtos e oferecer uma experiência integrada a seus clientes. A Toyota é outro exemplo clássico de organização que opera em uma rede de parceiros na indústria automobilística. A empresa mantém relações de longo prazo com seus fornecedores, incentivando a colaboração e o compartilhamento de conhecimento para melhorar a qualidade e a eficiência de seus veículos. Além disso, a Toyota trabalha em colaboração com concessionárias e revendedores para comercializar e vender seus produtos em todo o mundo. Esses são apenas alguns exemplos. Em cada caso, a colaboração e a cooperação com parceiros e stakeholders têm papéis fundamentais no desempenho e na sustentabilidade do negócio. Mas isso não acontece só com grandes empresas: pequenas e médias organizações também se juntam a fim de ajudarem umas às outras para se desenvolverem nos mercados em que atuam. É o caso, por exemplo, de lojas de roupas que firmam parcerias com lojas de outros segmentos; influenciadores e produtores de conteúdo que se unem e fazem trabalhos colaborativos, entre tantos outros exemplos. Imagine, então, que você atue em uma startup da área de tecnologia: a Beta. Ela reconhece a importância de criar e compartilhar conhecimento não apenas dentro de sua organização, mas também em parceria com outras empresas do seu setor. Para isso, decide implementar um programa de criação de conhecimento interorganizacional, de cujo time, que atuará diretamente nessa frente, você faz parte. Quais ações poderiam ser implementadas como ponto de partida desse programa? ▪ Identificação de parceiros estratégicos: a ideia é identificar outras empresas, dentro e fora do setor em questão, que possuem expertise complementar e estão dispostas a colaborar na troca de conhecimento. Isso pode incluir fabricantes de componentes, fornecedores de tecnologiae instituições de pesquisa. ▪ Estabelecimento de redes de colaboração: aqui, a ideia é construir redes formais de colaboração, como alianças estratégicas, consórcios de pesquisa e parcerias acadêmicas para facilitar a troca de conhecimento entre as organizações. Isso envolve a criação de plataformas e fóruns nos quais os parceiros podem compartilhar ideias, recursos e experiências. ▪ Desenvolvimento de projetos conjuntos: as parcerias e redes de colaboração poderão produzir projetos conjuntos de pesquisa e desenvolvimento. Isso pode incluir o desenvolvimento conjunto de novas tecnologias, a realização de testes de produtos ou a condução de estudos de mercado. ▪ Compartilhamento de recursos e infraestrutura: uma possível ação também envolve o compartilhamento de recursos e infraestrutura com tais parceiros a fim de maximizar a eficiência e reduzir custos. Isso pode incluir o acesso a instalações de testes, laboratórios de pesquisa e equipamentos especializados. ▪ Incentivo à inovação aberta: aderir a uma abordagem de inovação aberta, incentivando seus parceiros a contribuírem com ideias e soluções para os desafios enfrentados pelo setor também pode ser bastante interessante. A implementação efetiva do programa de criação de conhecimento interorganizacional pode resultar em uma série de benefícios tanto para a Beta quanto para seus parceiros. A colaboração permite o desenvolvimento de novas tecnologias e soluções inovadoras, tornando as empresas mais competitivas no mercado. Além disso, a troca de conhecimento pode levar a uma maior eficiência operacional e à redução de custos para todas as organizações envolvidas.