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AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FARMACOLOGIA APLICADA I 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Carina Fernanda Mattedi 
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INTRODUÇÃO 
A farmacologia é uma disciplina que estuda a interação entre substâncias 
químicas e os seres vivos. É uma ciência que se integra aos conhecimentos 
abordados por outras disciplinas, como anatomia, fisiologia, microbiologia, entre 
outras. E, justamente por se tratar de uma ciência multidisciplinar, os focos de 
estudo são variados. 
A farmacoterapêutica refere-se ao uso clínico dos fármacos. O profissional 
de saúde, além de estudar a farmacoterapêutica, preocupa-se com o uso de 
compostos como ferramentas para fins diagnósticos e com as substâncias que 
prejudicam a saúde, como as drogas de abuso. Esses diferentes focos compõem 
o segmento da farmacologia clínica, que é o segmento da farmacologia que 
estuda o uso de fármacos em seres humanos para diagnóstico, profilaxia e 
tratamento de doenças. Os testes de farmacologia clínica avaliam como as 
substâncias interagem com os sistemas biológicos e analisam suas propriedades, 
interações e associações, reações adversas, efeitos fisiológicos e toxicologia para 
o uso terapêutico ou não em diversas condições. 
Esta aula, aborda a história da farmacologia, além de conceitos e princípios 
importantes para o seu entendimento. 
TEMA 1 – A HISTÓRIA DA FARMACOLOGIA 
É da natureza do homem o instinto de preservação. Quando se estuda a 
humanidade, avaliando a sua história, são observados diversos registros de 
procedimentos que tinham como objetivo restaurar e/ou preservar a saúde. Um 
dos primeiros registros data de 5.000 a.C. e faz referência ao cultivo e utilização 
do ópio para tratamento da dor. 
O ópio é uma substância extraída da papoula, nome popular do Papaver 
somniferum, uma das muitas espécies da família das papaveráceas. A evidência mais 
antiga da utilização do ópio descreve a papoula como planta da alegria. Além disso, as 
propriedades hipnóticas e sedativas do ópio eram conhecidas por diferentes povos. 
Registros realizados na Grécia, por exemplo, trazem a informação de que a deusa 
Deméter ingeriu ópio para dormir e esquecer seu sofrimento. 
Na Antiguidade, apesar do uso de substâncias para tratamento de enfermidades, 
muitas pessoas acreditavam que a dor ou o sofrimento eram um tipo de vingança divina 
e encaravam essas condições como punições. Por essa razão, muitas culturas 
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realizavam diversos procedimentos para apaziguar os deuses. Entre essas ações, estão 
feitiços, cirurgias, rituais religiosos, sacrifício de animais, ingestão de substâncias, entre 
outros. Pouco se conhecia sobre os mecanismos envolvidos, mas acreditava-se 
fortemente no potencial terapêutico destes procedimentos. 
Muitas dessas ações levavam ao alívio de uma condição de sofrimento ou 
dor por motivos diferentes do chamado efeito intrínseco da intervenção, como a 
própria história natural das doenças. O efeito intrínseco da intervenção é aquele 
efeito observado que pode ser explicado ou relacionado ao procedimento 
realizado. Pensando na farmacologia, o efeito intrínseco seria o efeito esperado 
para ação de um determinado medicamento, por exemplo, cujo mecanismo é bem 
conhecido e explicado. 
A inserção dessas práticas na cultura universal consolidou a expectativa de 
sucesso para diferentes condições patológicas e propiciou o uso continuado de 
muitas abordagens, com seus supostos efeitos, tanto curativos como preventivos. 
Isso ocorreu porque as práticas eram recomendadas ou aplicadas por pessoas 
que consideradas influentes, como curandeiros, sacerdotes, médicos. 
Somente no século 5 a.C. foi difundida a ideia de que as doenças tinham causas 
naturais e não necessariamente tinham relação com espíritos malignos ou algo do 
gênero, como muitos acreditavam. Os escritos da época passaram a rejeitar a medicina 
primitiva, incluindo as bases da medicina como um ramo da ciência. Hipócrates, 
considerado o pai da medicina, foi um dos responsáveis por esta revolução e introduziu 
termos importantes para a área da saúde, utilizados até os dias de hoje. 
Apesar dos registros históricos apontarem o uso de drogas com finalidade 
terapêutica há mais de 5 mil anos, foi a partir do século XVIII, com os avanços da 
Ciência, que a farmacologia se instituiu como área do conhecimento. A 
farmacologia foi reconhecida como ciência no século XX e, a partir de então, 
pesquisas na área começaram a ser divulgadas e publicadas. As publicações da 
farmacologia experimental são muito importantes, não somente para 
farmacologistas, mas também para outros profissionais da saúde, como médicos, 
dentistas, fisioterapeutas, fisiologistas, entre outros. 
1.1 Desenvolvimento do método científico 
Os procedimentos que eram usados na Antiguidade para aliviar o 
sofrimento humano foram amplamente usados até a ciência conseguir demonstrar 
a inutilidade de muitas dessas ações com esperado efeito terapêutico. 
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Será que podemos considerar o tratamento que era realizado com estes 
indivíduos na Antiguidade, com diferentes ações, como sendo experimentos na 
área de farmacologia? Para um experimento ser validado ocorre uma intervenção 
sobre um determinado substrato, em condições conhecidas, definidas e 
controladas. Na sequência, ocorre a comparação com a condição original. Na 
antiguidade, imaginava-se que a intervenção que era feita sobre o homem 
justificava a sua cura, quando a mesma ocorria. 
TEMA 2 – A EVOLUÇÃO PARA A CURA DE DOENÇAS 
Hoje, sabe-se que diversos motivos podem explicar a evolução para a cura 
na maioria das patologias que são conhecidas. Essa diversidade de razões 
dificulta a identificação do chamado efeito intrínseco. As possíveis razões que 
podem explicar a evolução para a cura de determinada doença podem ser: 
• História natural da doença; 
• Regressão à média; 
• Arte do terapeuta; 
• Efeito placebo; 
• Efeito intrínseco do método. 
A Figura 1 aponta as razões que podem estar envolvidas no processo de 
evolução para a cura. 
Figura 1 – Razões que podem explicar os efeitos de um tratamento 
 
Fonte: Elaborado com base em Fuchs, 2017. 
DOENÇA

SAÚDE
HISTÓRIA 
NATURAL 
DA DOENÇA
ARTE DO 
TERAPEUTA
EFEITO 
INTRÍNSECO 
DO 
MÉTODO
REGRESSÃO 
À MÉDIA
EFEITO 
PLACEBO
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2.1 História natural da doença 
A busca pelo entendimento do processo saúde e doença levou ao 
surgimento do que hoje conhecemos como História Natural da Doenças. Os 
principais pesquisadores envolvidos nesse processo foram Leavell e Clarck, na 
década de 1980, quando definiram a história natural da doença como uma série 
de processos interativos que são capazes de criar um estímulo patológico, 
passando da resposta do homem ao estímulo até alterações que podem ser cura, 
deficiência ou morte. 
Quando pensamos na história natural de alguma condição patológica, 
poucas afecções têm uma evolução considerada negativa. Muitas enfermidades 
comuns, como intoxicações, dores, febre, infecções e outras evoluem de forma 
natural para a cura ou melhoram de forma considerável. Uma condição mais 
grave, como um quadro de angina do peito, também pode evoluir para a cura 
completa ou remissão prolongada. 
Na maioria das vezes os tratamentos iniciam no pico de intensidade dos 
sintomas de uma condição, em um momento a partir do qual a evolução para a 
cura se inicia. Isso nos faz refletir e pensar que o sucesso de muitas intervenções 
pode ser muitas vezes relacionadoao emprego de medidas curativas nessa fase 
da doença. 
2.2 Regressão à média 
A distribuição normal é a mais familiar das distribuições de probabilidade e 
também uma das mais importantes em estatística. Também chamada de 
distribuição Gaussiana, seus valores costumam se distribuir ao redor da média e 
tendem a diminuir de frequência à medida que se afastam. Muitos parâmetros 
biológicos apresentam essa distribuição. São considerados anormais aqueles 
valores que ficam muito distantes da média ou da maioria dos dados analisados. 
É importante considerar que quando se faz uma avaliação repetida de 
determinado parâmetro que apresenta distribuição Gaussiana há tendência 
matemática, ou seja, há grande probabilidade de um parâmetro considerado 
anormal em avaliação subsequente ficar mais próximo da média. Dessa forma, 
uma intervenção pode ser interpretada como responsável pela regressão à média. 
 
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2.3 Arte do terapeuta 
Sempre que pensamos na expressão arte do terapeuta, é preciso lembrar 
do talento que algumas pessoas têm de convencimento sobre o homem. Os 
chamados terapeutas são profissionais presentes em todas as sociedades e 
incluem vários outros profissionais além de médicos e profissionais da saúde. 
Convencer uma pessoa é importante no exercício da profissão de terapeuta. 
Muitas vezes uma palavra, um gesto ou a simples presença do terapeuta é capaz 
de controlar alguma condição de sofrimento ou dor. Uma evolução positiva desta 
condição reforça o sucesso do profissional. 
2.4 Efeito placebo 
O que é efeito placebo? É aquele que não tem relação com a intervenção 
realizada. Outras razões que explicam a evolução para a cura, como a história 
natural da doença e regressão à média, podem justificar o surgimento desse 
efeito. É importante ainda diferenciar o efeito placebo do efeito nocebo. Este último 
refere-se a um efeito indesejável não explicado que ocorre após uma intervenção. 
2.5 Efeito intrínseco do método 
A validação de um experimento científico depende da comparação de um 
substrato após experimentação com sua condição original. Ao longo da história, 
várias intervenções apresentaram um claro efeito intrínseco. Na farmacologia, ao 
comparar diferentes tratamentos é possível identificar o efeito intrínseco da 
maioria dos atos terapêuticos. Para tal, usamos os chamados grupos-controle, 
que não recebem o tratamento em estudo ou são submetidos a outro tipo de 
intervenção, como o uso de placebo ou medicamento de referência. Para 
quantificar o efeito intrínseco de uma droga são usados os métodos farmacológico 
e farmacológico-clínico. 
TEMA 3 – PRINCÍPIOS DA FARMACOCINÉTICA 
A escolha do fármaco para prevenção ou tratamento de uma doença não é 
o único fator envolvido com o sucesso do tratamento. É necessário que a droga 
escolhida atinja o local de ação e esteja em concentrações adequadas para 
exercer seu efeito. Neste sentido, os conhecimentos de farmacocinética são 
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utilizados para a definição de doses e intervalos entre elas, vias de administração 
e manutenção das concentrações terapêuticas. 
Sabe-se que o efeito terapêutico de determinada droga é dependente da 
sua concentração no tecido-alvo. Um esquema terapêutico não bem conhecido e 
delineado pode fazer com que essa concentração seja insuficiente ou excessiva. 
Uma concentração insuficiente é chamada de subterapêutica, e não é capaz de 
produzir o efeito esperado. Enquanto uma concentração excessiva pode levar a 
uma toxicidade importante para o paciente. 
Conhecer a chamada janela terapêutica de um fármaco nada mais é do que 
saber qual a faixa terapêutica segura para a sua utilização. A janela terapêutica 
pode ser considerada o intervalo entre a concentração mínima geradora de 
determinado efeito e a concentração máxima, a partir da qual ocorre a geração de 
um efeito tóxico. 
A farmacocinética ajuda na definição de esquemas posológicos e é 
responsável pelos ajustes que são feitos em diversas situações, como em 
pacientes que apresentam alguma comorbidade. Essa parte da farmacologia 
estuda com detalhes o que o organismo faz com o fármaco ou com a droga em 
estudo. Os parâmetros que determinam o início, a intensidade e a duração de 
ação de um determinado fármaco são: 
• Absorção; 
• Distribuição; 
• Metabolismo; 
• Excreção. 
O processo de absorção envolve a passagem do fármaco do local de 
administração até o plasma. Um fármaco precisa atravessar diversas barreiras 
para alcançar seus locais de ação. As barreiras podem ser físicas, químicas ou 
biológicas e as propriedades dos fármacos podem favorecer ou não a passagem 
por meio delas. Na sequência, o fármaco passa pelo processo de distribuição, 
onde há a passagem do mesmo para os líquidos intersticial e intracelular. Esse 
processo ocorre principalmente por difusão passiva e a velocidade dependerá de 
condições iônicas e celulares locais. 
O metabolismo, ou a biotransformação, ocorre principalmente no fígado, 
sendo um processo que envolve diferentes reações químicas na molécula do 
fármaco, deixando-o mais polar e, na maioria das vezes, inativo, preparando o 
metabólito para a excreção. Finalmente a excreção é o processo que retira do 
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organismo de forma irreversível os metabólitos, que são excretados 
principalmente na urina, fezes ou bile. 
TEMA 4 – PRINCÍPIOS DA FARMACODINÂMICA 
A farmacodinâmica, diferente da farmacocinética, estuda o que o fármaco 
faz com o organismo. Os cientistas precisavam entender como determinada 
substância era capaz de produzir efeito biológico e, em função disso, os estudos 
na área foram se desenvolvendo cada vez mais. 
A farmacodinâmica refere-se ao estudo do local de ação dos fármacos, do 
mecanismo, de seus efeitos, da relação entre dose e magnitude do efeito e da 
variação entre as respostas dos fármacos. Ela tem como objetivos esclarecer as 
interações físicas ou químicas entre a droga e as células alvo e caracterizar toda 
a sequência completa de alterações produzidas nessas células bem como 
alterações fisiológicas decorrentes. 
Os estudos de farmacodinâmica tiveram início no século 19 e o primeiro 
modelo sugerido foi o de chave-fechadura, que mostrava a necessidade de uma 
interação química entre a droga e seu alvo. Anos mais tarde, surgiu o termo 
receptor, que remetia à necessidade de ligação das drogas com alguma molécula 
no organismo. Hoje, sabe-se que existem vários tipos de ligação entre fármacos 
e seus receptores. Quando pensamos em interação, é necessário lembrar da 
química; as principais reações que podem ocorrer são força de van der Wals, 
pontes de hidrogênio, ligações iônicas e ligações covalentes, sendo estas últimas 
as que apresentam maior força relativa de ligação. 
Na sequência, surgiu a teoria da ocupação do receptor, que explicava uma 
relação matemática entre a ocupação de determinado receptor e o efeito que era 
observado. De acordo com essa teoria, a magnitude do efeito é proporcional ao 
número de receptores ocupados. 
A magnitude de resposta à interação fármaco-receptor, em geral, depende 
da existência de número suficiente de receptores ligados ou ocupados sobre uma 
célula ou em seu interior. O efeito cumulativo dessa ocupação pode tornar-se 
aparente nessa célula. Em algum momento, todos os receptores podem estar 
ocupados, sendo a resposta desencadeada em muitas células, com efeito 
observado ou mensurado em nível de órgão ou de todo o organismo. Pode-se 
observar então uma resposta máxima. A resposta visível ou mensurável também 
é consequência do aumento de concentração do fármaco ou ligando, sendo 
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proporcional à dose administrada, definida como a quantidade necessária à 
produção de dada resposta em tempo determinado. Como as respostas aos 
fármacos ocorrem ao longo de ampla faixa de doses ou concentrações, são 
utilizadas curvas dose-resposta para apresentar dados da ligação fármaco-
receptor. 
Para que um fármaco seja útil terapeuticamente é necessário que 
apresente especificidade para o sítio de ação que ele irá interagir em determinada 
célula ou tecido. E qual a relação entre dose e especificidade? Quanto maior a 
dose administrada maior a chance de um fármaco se ligar a outros locais. Quanto 
mais específico um fármaco for, melhor será a sua ação farmacológica, menor 
será a dose necessária e menor a incidência de efeitos colaterais. 
A especificidade de um fármaco depende da sua afinidade pelo receptor, 
que pode ser definida como sendo a tendência de ligação que o fármaco tem pela 
ligação aos receptores. Quanto maior a afinidade da droga pelo receptor, menor 
a concentração necessária da droga para produzir determinado nível de ocupação 
e, consequentemente, menor a dose necessária para causar o seu efeito. 
Se um ligante tem afinidade pelo receptor no seu sítio de ligação ele será 
capaz de ocupá-lo. Sendo assim, a ocupação depende da afinidade do receptor. 
No entanto, é preciso pontuar que nem sempre a ocupação do receptor ativa o 
receptor. Ativar o receptor implica em uma mudança na sua conformação e é 
responsável por desencadear um efeito ou uma resposta biológica. Um fármaco 
capaz de ocupar o receptor e ativá-lo, desencadeando uma resposta, possui 
eficácia e é então chamado de agonista. Por outro lado, um fármaco também 
capaz de se ligar ao receptor (ou seja, que possui afinidade) e não desencadeia 
nenhuma resposta é considerado um antagonista deste receptor. 
TEMA 5 – VIAS DE ADMINISTRAÇÃO E FASES DA RESPOSTA TERAPÊUTICA 
Para que um fármaco consiga exercer o seu efeito biológico ele precisa ser 
preparado e, na sequência, introduzido ou disponibilizado ao organismo. A 
preparação envolve processos farmacotécnicos, nos quais são avaliadas as 
características da droga, bem como compatibilidade com os outros componentes 
da formulação a ser desenvolvida. 
Chamamos de vias de administração os locais usados para disponibilizar o 
fármaco ao organismo. As principais vias de administração são enterais e 
parenterais. As vias são chamadas de enterais quando o fármaco entra em 
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contato com qualquer segmento do trato digestivo, e são designadas parenterais 
quando não utilizam o tubo digestivo. 
As enterais incluem as vias oral, sublingual e retal. As parenterais incluem 
as vias intramuscular, subcutânea, intravenosa e intradérmica. As vias tópicas 
disponibilizam o fármaco geralmente sobre mucosas ou pele e contemplam as 
vias trans mucosa e percutânea. Outras vias parenterais ainda são utilizadas em 
casos especiais, como a intracardíaca, intra-arterial, ocular, respiratória, intra-
articular, vaginal, uretral, intraperitoneal e intratecal. Algumas delas são utilizadas 
exclusivamente em ambiente hospitalar e realizadas por profissional habilitado. 
Cada tipo de via pode ser utilizado por diversos métodos de administração, 
nela sendo usadas variadas formas farmacêuticas. As enterais representam o 
modo mais seguro, econômico para administração de medicamentos, sendo muito 
convenientes. As parenterais irão introduzir o medicamento diretamente na 
circulação sistêmica e são usadas para fármacos pouco absorvidos no trato 
gastrintestinal ou que apresentam alguma contraindicação, como instabilidade. 
Para escolher a melhor via de administração de determinado fármaco é 
importante lembrarmos que a concentração do princípio ativo deve ser adequada 
no local de ação. Por exemplo, seria muito bom se a insulina pudesse ser 
administrada pela via oral. No entanto, esse hormônio é degradado pelo pH 
estomacal, sendo parte do medicamento inativado antes de atingir o seu local de 
ação. Dessa maneira, faz-se necessário utilizar a via subcutânea obter uma 
melhor efetividade do fármaco. 
Para auxiliar a escolha da melhor via devemos considerar: objetivo 
terapêutico, rapidez de ação desejada, propriedades do fármaco e características 
da formulação ou forma farmacêutica. Os efeitos dos fármacos podem ser locais 
ou sistêmicos, de acordo com a via e as propriedades da formulação. Um fármaco 
administrado por via oral pode produzir efeitos sistêmicos. Outro, utilizando a 
mesma via, pode exercer efeitos locais no trato digestivo. É importante considerar 
que a via cutânea, na maioria das vezes, é empregada para obter efeitos locais. 
No entanto, ela pode induzir reações sistêmicas. 
5.1 Via oral 
A via oral representa o método mais comum para a administração de 
fármacos. Entre as vantagens desta via estão segurança na administração, 
conveniência, facilidade e economia. A administração oral pode não ser adequada 
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para fármacos que são mal absorvidos pelo trato digestivo, são inativados em pH 
baixo, formam complexos com alimentos ou são irritantes para a mucosa 
digestiva. Outras condições que contraindicam a utilização desta via são quando 
o paciente está com quadro de vômito ou o medicamento apresenta um sabor 
muito desagradável, o que dificulta a deglutição. Algumas pessoas apresentam 
dificuldade de deglutição. Nestes casos, a via precisa ser reavaliada ou a forma 
farmacêutica substituída. Um exemplo muito comum é a utilização de um xarope 
para atender um paciente com dificuldade para deglutir comprimidos ou cápsulas. 
Fármacos que sofrem metabolismo de primeira passagem têm sua 
biodisponibilidade reduzida quando administrados por esta via. No processo 
chamado metabolismo de primeira passagem, ou efeito de primeira passagem, 
enzimas metabolizadoras no fígado podem degradar parcialmente o fármaco 
antes de atingir a circulação sistêmica. Um fármaco que passa por esse 
metabolismo de forma significativa precisa ser administrado em quantidade 
suficiente para garantir que a concentração mínima necessária para um efeito 
biológico alcance a circulação sistêmica. Todos os fármacos administrados por 
via oral estão sujeitos ao metabolismo de primeira passagem no fígado. 
5.2 Via sublingual 
A região sublingual é muito vascularizada e isso facilita muitas vezes a 
absorção de pequenas doses. A colocação do medicamento sob a língua permite 
que o fármaco se difunda pela rede capilar local e atinja a circulação sistêmica. 
Essa via apresenta uma série de vantagens, como facilidade de administração, 
ausência de ação do suco gástrico e rápida absorção em relação à via oral. A 
maior vantagem é ausência do metabolismo de primeira passagem. Algumas 
desvantagens são irritação da mucosa oral e má penetração de certas drogas. 
5.3 Via retal 
A via retal pode ser utilizada para obtenção de efeitos locais ou sistêmicos. 
Uma desvantagem desta via é a possibilidade de irritação da mucosa retal. Além 
disso, a absorção por esta via é irregular e muitas vezes não confiável. No entanto, 
ainda assim pode ser uma via útil para pacientes inconscientes, que apresentam 
vômitos, em crianças ou pacientes com dificuldade para deglutição. 
 
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5.4 Via intravenosa 
A via intravenosa representa a via parenteral mais comumente usada. Esta 
via permite a obtenção de um efeito imediato, uma vez que disponibiliza o fármaco 
diretamente na corrente sanguínea. O processo de absorção não ocorre e a 
disponibilidade é de 100%. Issojustifica o uso desta via como escolha para a 
administração de medicamentos em emergências médicas e algumas condições 
especiais. Ela ainda pode ser indicada para administração de medicamentos que 
são irritantes por outras vias ou quando grandes volumes precisam ser infundidos. 
A administração endovenosa pode ser feita em bolus ou como infusão. 
Quando injetado em bolus, todo o fármaco é disponibilizado na circulação de 
imediato. De maneira diferente, a infusão é realizada em um período maior, o que 
implica na redução do pico plasmático do fármaco, bem como aumento na 
duração do efeito. Algumas desvantagens são custo, flebite, incômodo para o 
paciente e dificuldade de execução. É considerada uma via segura, no entanto 
exige alguns cuidados na administração, uma vez que os efeitos são agudos e 
intensos. Os pacientes devem ser constantemente monitorados. 
5.5 Via intramuscular 
A via intramuscular é uma via parenteral que apresenta absorção 
geralmente rápida, facilitando o início dos efeitos terapêuticos. Muito utilizada em 
emergências, é considerada mais segura do que a via intravenosa. Alguns efeitos 
adversos que podem ser observados são dor, hematomas e reações alérgicas. 
Cuidados especiais devem ser tomados durante a administração para evitar o 
acesso a pequenos vasos sanguíneos. Para evitar esse problema, recomenda-se 
fazer a aspiração prévia a administração, visando assegurar que o medicamento 
não será injetado em um vaso. 
O fluxo sanguíneo muscular determina a velocidade de absorção por esta 
via e algumas condições são capazes de aumentar o fluxo, como exercícios, calor 
local e massagem. A injeção sempre deve ser profunda, garantindo a passagem 
pela pele e tecido subcutâneo. Por essa via, podem ser administradas 
formulações com liberação controlada. Estas são formas farmacêuticas 
especialmente desenvolvidas para esse fim e são capazes de disponibilizar o 
fármaco em pequenas frações para que a absorção ocorra de forma gradual. 
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5.6 Via subcutânea 
A via subcutânea oferece absorção por difusão simples, sendo mais lenta 
do que a absorção pela via endovenosa, porém, com velocidade maior do que por 
outras vias, uma vez que o fármaco só precisa ultrapassar células endoteliais para 
chegar à corrente sanguínea. A velocidade de absorção depende muito do local 
da injeção e do fluxo sanguíneo na região. Essa via pode ser usada para 
medicamentos em formas farmacêuticas de liberação controlada, que são 
implantadas no tecido e permitem a liberação de doses pequenas e constantes 
do fármaco. Há limitação de volume a ser injetado por essa via e os efeitos 
adversos associados incluem dor local e abscessos ou necrose tecidual. 
5.7 Via intradérmica 
A via intradérmica é uma via parenteral que disponibiliza o medicamento 
na derme, local pouco vascularizado, e apresenta absorção um pouco mais lenta 
quando comparada à via subcutânea. Essa via também apresenta limitação 
importante de volume a ser injetado e os principais usos 
 
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REFERÊNCIAS 
CHAVES, L. C. Medicamentos: cálculos de dosagens e vias de administração. 
Barueri: Manole. 2013. 
DUARTE, D. F. Uma Breve História do Ópio e dos Opioides. Rev Bras 
Anestesiol. 2005; v. 55, n. 1, p. 135-146. 
FUCHS, S. D.; WANNMACHER, L. Farmacologia Clínica e Terapêutica. 5 ed. 
2017. 
KATZUNG, B.; MASTERS, S.; TREVOR, A. Farmacologia Básica e Clínica. 13. 
ed. 
NUCCI, G. Tratado de Farmacologia Clínica. Guanabara Koogan, 2020. 
WHALEN, K. Farmacologia ilustrada. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. 
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