Prévia do material em texto
Não respondidas Vestibulares Termos Acessórios GR0337 - (Fuvest) No modelo hegemônico, quase todo o treinamento é reservado para o desenvolvimento muscular, sobrando muito pouco tempo para a mobilidade, a flexibilidade, o treino restaura�vo, o relaxamento e o treinamento cardiovascular. Na teoria, seria algo em torno de 70% para o fortalecimento, 20% para o cárdio e 10% para a flexibilidade e outros. Na prá�ca, muitos alunos direcionam 100% do tempo para o fortalecimento. Como a prá�ca cardiovascular é infinitamente mais significa�va e determinante para a nossa saúde orgânica como um todo, podendo ser considerada o “coração” de um treinamento consciente e saudável, essa ordem deveria ser revista. Nuno Cobra Jr. “Fitness não é saúde”. Uol. 06/05/2021. Adaptado. Dentre as expressões destacadas, a que exerce a mesma função sintá�ca do termo sublinhado em “o treino restaura�vo, o relaxamento e o treinamento cardiovascular” é: a) um atleta de seleção precisa de treinamento intenso. b) o amor ao esporte é fundamental para o atleta. c) a população incorpora radicalmente a�tudes saudáveis. d) muitas pessoas se beneficiam de alimentos verdes. e) todo �po de a�vidade �sica faz bem à saúde mental. GR0186 - (Cfn) No segmento “Será que eles não ficam querendo sair desse vidro, mãe?” a palavra destacada pode ser classificada como a) aposto. b) sujeito. c) predicado. d) agente da passiva. e) voca�vo. GR0328 - (Fuvest) O Twi�er é uma das redes sociais mais importantes no Brasil e no mundo. (...) Um estudo iden�ficou que as fakenews são 70% mais propensas a serem retweetadas do que fatos verdadeiros. (...) Outra conclusão importante do trabalho diz respeito aos famosos bots: ao contrário do que muitos pensam, esses robôs não são os grandes responsáveis por disseminar no�cias falsas. Nem mesmo comparando com outros robozinhos: tanto os que espalham informações men�rosas quanto aqueles que divulgam dados verdadeiros alcançaram o mesmo número de pessoas. Super Interessante, “No Twi�er, fake news se espalham 6 vezes mais rápido que no�cias verdadeiras”. Maio/2019. 1@professorferretto @prof_ferretto No período “Nem mesmo comparando com outros robozinhos: tanto os que espalham informações men�rosas quanto aqueles que divulgam dados verdadeiros alcançaram o mesmo número de pessoas.”, os dois-pontos são u�lizados para introduzir uma a) conclusão. b) concessão. c) explicação. d) contradição. e) condição. GR0546 - (Fuvest) Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte Porque apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu lado E assim já não posso sofrer no ano passado Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro Belchior. “Sujeito de sorte”. Leia as seguintes afirmações a respeito da letra da música: I. Os adjuntos adverbiais temporais remetem a um contraste entre passado e presente, o que reforça o caráter metafórico do texto. II. A locução “apesar de” contribui para a expressão de um sen�mento inesperado em relação ao sen�do de “muito moço”. III. As formas verbais “morri” e “morro”, embora se refiram a momentos dis�ntos, apresentam sen�do denota�vo. Está correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. GR0199 - (Unifor) Hortelã Todas as noites ela esperava a noite chegar trazendo o pai do trabalho. Às vezes era o pai que trazia a noite num saquinho de bala de hortelã. Ela gostava da noite porque a noite trazia o suor do pai Ela gostava da noite porque a noite trazia o suor do pai. Ela gostava da noite porque, à noite, ela e o pai brincavam de dar nome às estrelas. (NETHO, Paulo. Poesia Futebol Clube e outros poemas. São Paulo: Formato. 2007. p. 22) No texto, há várias ocorrências da palavra noite. Considerando essas ocorrências, avalie as afirma�vas. I - Em todas as ocorrências, a palavra “noite” exerce a mesma função sintá�ca. II - Em “ela esperava a noite chegar”, o termo destacado é complemento nominal. III - Em “Ela gostava da noite”, o termo destacado exerce a função sintá�ca de objeto indireto. IV - Em “Às vezes era o pai/ que trazia a noite”, o termo destacado exerce a função de sujeito. V - Em “porque, à noite, ela e o pai/ brincavam de dar nome às estrelas”, o termo destacado exerce a função de adjunto adverbial. Está correto o que se afirma apenas em a) I. b) II e V. c) III e V. d) II, III e V. e) II, III, IV e V. GR0191 - (Eear) Marque a alterna�va em que há erro na classificação do termo em destaque. 2@professorferretto @prof_ferretto a) “Para um homem se ver a si mesmo, são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz.” (Pe. Antônio Vieira) – aposto b) Ofendi-vos, meu Deus, é bem verdade” (Gregório de Matos) – voca�vo c) Sete anos de pastor Jacó servia / Labão, pai de Raquel, serrana bela” (Luís de Camões) – aposto d) “Este lugar delicioso, e triste, / Cansada de viver, �nha escolhido / Para morrer a mísera Lindoia.” (Basílio da Gama) – aposto GR0192 - (Eear) Assinale a alterna�va que apresenta, em destaque, adjunto adnominal e adjunto adverbial. a) Símbolo da riqueza terrestre, o ouro nasce no espaço. b) As legendárias ondas do Havaí atraem surfistas do mundo todo. c) O poeta Vinícius de Moraes é referência para vários músicos do Brasil. d) As pequenas empresas têm até o mês de abril para recolher os impostos. GR0189 - (Etec) Leia a �rinha que apresenta o diálogo entre Mafalda e seu pai e responda à questão. Na �rinha, Mafalda faz uso de um voca�vo. Ela usa esse termo – que atua como uma forma de chamamento de um interlocutor real ou hipoté�co – como forma de deixar evidente o seu interlocutor. Tendo isso em vista, assinale a alterna�va que contenha o voca�vo u�lizado por Mafalda. a) você b) se c) tão d) papai e) como GR0193 - (Esc. Naval) Precisamos falar sobre fake news Minha mãe tem 74 anos e, como milhões de pessoas no mundo, faz uso frequente do celular. É com ele que, conversando por voz ou por vídeo, diariamente, vence a distância e a saudade dos netos e netas. Mas, para ela, assim como para milhares e milhares de pessoas, o celular pode ser também uma fonte de engano. De vez em quando, por acreditar no que chega por meio de amigos no seu WhatsApp, me envia uma ou outra mensagem contendo uma fake news. A úl�ma foi sobre um suposto problema com a vacina da gripe que, por um momento, diferente de anos anteriores, a fez desis�r de se vacinar. Eu e minha mãe, como boa parte dos brasileiros, não nascemos na era digital. Nesta sociedade somos os chamados migrantes e, como tais, a tecnologia nos gera um certo estranhamento (e até constrangimento), embora nos fascine e facilite a vida. Sejamos sinceros. Nada nem ninguém nos preparou para essas mudanças que revolucionaram a comunicação. Pior: é di�cil destrinchar o que é verdade em tempo de fake news. Um dos maiores estudos sobre a disseminação de no�cias falsas na internet, publicado ano passado na revista Science foi realizado pelo Ins�tuto de Tecnologia de Massachuse�s (MIT, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, e concluiu que as no�cias falsas se espalham 70% mais rápido que as verdadeiras e alcançam muito mais gente. Isso porque as fake news se valem de textos alarmistas, polêmicos, sensacionalistas, com destaque para no�cias atreladas a temas de saúde, seguidas de informações men�rosas sobre tudo. Até pouco tempo atrás, a imprensa era a detentora do que chamamos de produção de no�cias. E os fatos obedeciam a critérios de apuração e checagem. O problema é que hoje mantemos essa mesma crença, quase que religiosa, junto a mensagens das quais não iden�ficamos sequer a origem, boa parte delas 3@professorferretto @prof_ferretto disseminada em redes sociais. Confia-se a ponto de compar�lhar, sem ques�onar. O impacto disso é preocupante. Par�ndo de pesquisas que mostram que no�cias e seus enquadramentos influenciam opiniões e constroem leituras da realidade, a disseminação das no�ciasfalsas tem criado versões alterna�vas do mundo, da História, das Ciências “ao gosto do cliente”, como dizem por aí. Os problemas gerados estão em todos os campos. No âmbito familiar, por exemplo, vai de pais que deixam de vacinar seus filhos a ponto de criar um grave problema de saúde pública de impacto mundial. E passa por jovens ví�mas de violência virtual e �sica. No mundo corpora�vo, estabelecimentos comerciais fecham portas, profissionais perdem suas reputações e produtos são desacreditados como resultado de uma foto descontextualizada, uma imagem alterada ou uma legenda falsa. A democracia também se fragiliza. O processo democrá�co corre o risco de ter sua força e credibilidade afetadas por boatos. Não há um estudo capaz de mensurar os danos causados, mas inicia�vas fragmentadas já sinalizam que ela está em risco. Estamos em um novo momento cultural e social, que deve ser entendido para encontrarmos um caminho seguro de convivência com as novas formas e ferramentas de comunicação. No Congresso Nacional tramitam várias inicia�vas nesse sen�do, que precisam ser amplamente deba�das, com a par�cipação de especialistas e representantes da sociedade civil. O problema das fake news certamente passa pelo domínio das novas tecnologias, com instrumentos de combate ao crime, mas, também, pela pedagogia do esclarecimento. O que posso afirmar, como presidente do Congresso Nacional, é que, embora não saibamos ainda o an�doto que usaremos contra a disseminação de no�cias falsas em escala industrial, não passa pela cabeça de ninguém aceitar a u�lização de qualquer �po de controle que não seja democrá�co. O Globo. 10 jul. 2019. Em "Um dos maiores estudos sobre a disseminação de no�cias falsas na internet, publicado no ano passado na revista 'Science’, foi realizado pelo ins�tuto de Tecnologia de Massachuse�s [...]" (5 ^º§), os termos destacados exercem, respec�vamente, a função sintá�ca de a) adjunto adverbial e agente da passiva. b) objeto indireto e complemento nominal. c) complemento nominal e objeto indireto. d) adjunto adverbial e predica�vo do objeto. e) predica�vo do sujeito e agente da passiva. GR0197 - (Cfn) FUGA (1) Mal colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo um barulho infernal. — Para com esse barulho, meu filho — (5) falou, sem se voltar. Com três anos já sabia reagir como homem ao impacto das grandes injus�ças paternas: Não estava fazendo barulho, estava só empurrando uma cadeira. (10) — Pois então para de empurrar a cadeira. — Eu vou embora — foi a resposta. Distraído, o pai não reparou que ele juntava ação às palavras, no ato de juntar do chão suas coisinhas, enrolando-as num (15) pedaço de pano. Era a sua bagagem: um caminhão de madeira com apenas três rodas, um resto de biscoito, uma chave (onde diabo meteram a chave da dispensa? — a mãe mais tarde irá dizer), metade de uma tesoura (20) enferrujada, sua única arma para a grande aventura, um botão amarrado num barbante. A calma que baixou então na sala era vagamente inquietante. De repente, o pai olhou ao redor e não viu o menino. Deu com a (25) porta da rua aberta, correu até o portão: — Viu um menino saindo desta casa? — gritou para o operário que descansava diante da obra do outro lado da rua, sentado no meio-fio. (30) — Saiu agora mesmo com uma trouxinha — informou ele. Correu até a esquina e teve tempo de vêlo ao longe, caminhando cabisbaixo ao longo do muro. A trouxa, arrastada no chão, ia (35) deixando pelo caminho alguns de seus pertences: o botão, o pedaço de biscoito e — saíra de casa desprevenido — uma moeda de 1 cruzeiro. Chamou-o, mas ele apertou o passinho, abriu a correr em direção à (40) avenida, como disposto a a�rar-se diante do lotação que surgia a distância. — Meu filho, cuidado! O lotação deu uma freada brusca, uma guinada para a esquerda, os pneus cantaram (45) no asfalto. O menino, assustado, arrepiou carreira. O pai precipitou-se e o arrebanhou com o braço como a um animalzinho: — Que susto você me passou, meu filho — e apertava-o contra o peito fora de si. (50) — Deixa eu descer, papai. Você está me machucando. Irresoluto, o pai pensava agora se não seria o caso de lhe dar umas palmadas: 4@professorferretto @prof_ferretto — Machucando, é? Fazer uma coisa dessas (55) com seu pai. — Me larga. Eu quero ir embora. Trouxe-o para casa e o largou novamente na sala — tendo antes o cuidado de fechar a porta da rua e re�rar a chave, como ele (60) fizera com a da despensa. — Fique aí quie�nho, está ouvindo? Papai está trabalhando. — Fico, mas vou empurrar esta cadeira. E o barulho recomeçou. (Fernando Sabino) No trecho “Viu um menino saindo desta casa?” – linha 26 – o complemento do verbo e termo acessório são, respec�vamente, a) objeto direto e objeto indireto. b) adjunto adverbial e complemento nominal. c) objeto direto e complemento nominal. d) objeto direto e adjunto adverbial. e) objeto indireto e pronome demonstra�vo. GR0195 - (Esc. Naval) Encontros e desencontros Hoje, jantando num pequeno restaurante aqui perto de casa, pude presenciar, ao vivo, uma cena que já me �nham descrito. Um casal de meia idade se senta à mesa vizinha da minha. Feitos os pedidos ao garçom, o homem, bem depressinha, �ra o celular do bolso, e não mais o deixa, a merecer sua atenção exclusiva. A mulher, certamente de saber feito, não se faz de rogada e apanha um livro que trazia junto à bolsa. Começa a lê-lo a par�r da página assinalada por um marcador. Espichando o meu pescoço inconveniente (nem tanto, afinal as mesas eram coladinhas) deu para ver que era uma obra da Martha Medeiros. Desse modo, os dois iam usufruindo suas gulodices, sem comentários, com algumas reações dele, rindo com ele mesmo com postagens que certamente ocorriam em seu celular. Até dois estranhos, postos nessa situação, talvez acabassem por falar alguma coisa. Pensei: devem estar juntos há algum tempo, sem ter mais o que conversar. Cada um sabia tudo do outro, nada a acrescentar, nada de novo ou surpreendente. E assim caminhava, decerto, a vida daquele casal. O que me choca, mesmo observando esta situação, como outras que o dia a dia me oferece, é a ausência de conversa. Sem conversa eu não vivo, sem sua força agregadora para trocar ideias, para convencer ou ser convencido pelo outro, para manifestar humor, para desabafar sobre o que angús�a a alma, em suma, para falar e para ouvir. A conversa não é a base da terapia? Sei não, mas, atualmente, contar com um amigo para jogar conversa fora ou para confessar aquele temor que lhe está roubando o sossego talvez não seja fácil. O tempo também, nesta vida corre-corre, tem lá outras prioridades. Mia Couto é contundente: “Nunca o nosso mundo teve ao seu dispor tanta comunicação. E nunca foi tão dramá�ca a nossa solidão.” Até se fala muito, mas ouvir o outro? Falo de conversas entre pessoas no mundo real. Vive-se hoje, parece, mais no mundo digital. Nele, até que se conversa muito; porém, é tão diferente, mesmo quando um está vendo o outro. O compar�lhamento do mesmo espaço, diria, é que nos proporciona a abrangência do outro, a captação do seu respirar, as ba�das de seu coração, o seu cheiro, o seu humor...(16) Desse diálogo é que tanta gente está sen�ndo falta. Até por telefone as pessoas conversam, atualmente, bem menos. Pelo WhatsApp fica mais fácil, alega-se. Rapidinho, rapidinho. Mas e a conversa? Conversa-se, sim, replicam. Será? Ou se trocam algumas palavras? Quando falo em conversa, refiro-me àquelas que se es�cam, sem tempo marcado, sem caminho reto, a pularem deassunto em assunto. O WhatsApp é de graça, proclamam. Talvez um argumento que pode ser robusto, como se diz hoje, a favor da u�lização desse instrumento moderno. Mas será apenas por isso? Um amigo me lembra: nos WhatsApps se trocam mensagens por escrito. Eu sei. Entretanto, língua escrita é outra modalidade, outro modo de a�var a linguagem, a começar pela não copresença �sica dos interlocutores. No telefone, não há essa copresença �sica, mas esse meio de comunicação não é impedi�vo de falante e ouvinte, a cada passo, trocarem de papéis e até mesmo de falarem ao mesmo tempo, configurando, pois, caracterís�cas próprias da modalidade oral. Contudo, não se respira o mesmo ar, ainda que já se possa ver o outro. As pessoas passaram a valer-se menos do telefone, e as conversas também vão, por isso, tornando-se menos frequentes. Gosto, mesmo, é de conversas, de preferência com poucos companheiros, sem pauta, sem temas censurados, sem se ter de esmerar na linguagem. Conversa sem compromisso, a não ser o de evitar a cha�ce. Com suas contundências, conflitos de opiniões e momentos de solidariedade. Conversa que é vida, que retrata a vida no seu dia a dia. No grupo maior, há de tudo: o louco, o filósofo, o depressivo, o conquistador de garganta, o saudosista... Nem sempre, é verdade, estou mo�vado para par�cipar desses grupos. Porém, passado um tempo, a saudade me bate. Aqueles bate-papos in�mistas com um amigo de tantas afinidades, merecedores que nos tornamos da confiança um do outro, esses não têm nada igual. A apreensão abrangente do amigo, de seu psiquismo, dos seus sen�mentos, das dificuldades mais ín�mas por que passa, faz-nos sen�r, fortemente, a nossa natureza humana, a maior valia da vida. 5@professorferretto @prof_ferretto Esses momentos vão se tornando, assim me parece, uma cena menos habitual nestes tempos digitais. A pressa, os problemas a se mul�plicarem, as tarefas a se diversificarem, como encontrar uma brecha para aquela conversa, que é entrega, confiança, despojamento? Conversa que exige respeito: um local calminho, sem gritos, vozes esganiçadas, garçons serenos. Sim, umas tulipas estourando de geladas e uns �ra-gostos de nosso paladar a exigirem nova pedida. Não queria perder esses encontros. Afinal, a vida está passando tão depressa... Adaptado: UCHOA, Carlos Eduardo. Disponível em: h�p://carloseduardouchoa.com.br/blog/ Em qual opção o termo destacado exerce mesmo papel sintá�co que "No grupo maior, há de tudo: o louco, o filósofo, o depressivo, o conquistador de garganta, o saudosista..." (6º Parágrafo)? a) "Um amigo me lembra: nos whatsApps se trocam mensagens por escrito.” (5º Parágrafo) b) "No telefone, não há essa copresença �sica [...].” (5º Parágrafo) c) "[...] faz-nos sen�r, fortemente, a nossa natureza humana, a maior valia da vida.” (7º Parágrafo) d) "O whatsApp é de graça, proclamam." (4º Parágrafo) e) "[...] proporciona a abrangência do outro, [...]" (3º Parágrafo) GR0187 - (Unesp) MÃOS Mãos de veludo, mãos de már�r e de santa, ο vosso gesto é como um balouçar de palma; ο vosso gesto chora, o vosso gesto geme, o vosso gesto canta! Mãos de veludo, mãos de már�r e de santa, rolas à volta da negra torre da minh’alma. Pálidas mãos, que sois como dois lírios doentes, Caridosas Irmãs do hospício da minh’alma, O vosso gesto é como um balouçar de palma, Pálidas mãos, que sois como dois lírios doentes... Mãos afiladas, mãos de insigne formosura, Mãos de pérola, mãos cor de velho marfim, Sois dois lenços, ao longe, acenando por mim, Duas velas à flor duma bala escura. Mimo de carne, mãos magrinhas e graciosas, Dos meus sonhos de amor, quentes e brandos ninhos, Divinas mãos que me heis coroado de espinhos, Mas que depois me haveis coroado de rosas! Afilhadas do luar, mãos de rainha, Mãos que sois um perpétuo amanhecer, Alegrai, como dois ne�nhos, o viver Da minha alma, velha avó entrevadinha. (Obras poé�cas, 1968.) Na úl�ma estrofe do poema, os termos “Afilhadas do luar”, “mãos de rainha” e “Mãos que sois um perpétuo amanhecer” funcionam, no período de que fazem parte, como a) orações intercaladas. b) apostos. c) adjuntos adverbiais. d) voca�vos. e) complementos nominais. GR0302 - (Unesp) Leia o soneto de Luís de Camões. Enquanto quis Fortuna 1 que �vesse Esperança de algum contentamento, O gosto de um suave pensamento 2 Me fez que seus efeitos escrevesse. Porém, temendo Amor 3 que aviso desse Minha escritura a algum juízo isento 4, Escureceu-me o engenho 5 com tormento, Para que seus enganos não dissesse. Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos A diversas vontades! Quando lerdes Num breve livro casos tão diversos, verdades puras são, e não defeitos 6, E sabei que, segundo o amor �verdes, Tereis o entendimento de meus versos. (Luís de Camões. 20 sonetos, 2018.) 1 Fortuna: en�dade mí�ca que presidia a sorte dos homens. 2 suave pensamento: sen�mento amoroso. 3 Amor: en�dade mí�ca que personifica o amor. 4 juízo isento: os inocentes do amor, aqueles que nunca se apaixonaram. 5 engenho: talento poé�co, inspiração. 6 defeitos: inverdades, fantasia. No soneto, o eu lírico dirige-se, mediante voca�vo, a) àqueles que não entendem seus versos. b) a Amor. c) àqueles que nunca se apaixonaram. d) aos amantes. e) a Fortuna. 6@professorferretto @prof_ferretto GR0185 - (Unesp) O Bumba-Meu-Boi Entre os autos populares conhecidos e pra�cados no Brasil – pastoril, fandango, chegança, reisado, congada, etc. – aquele em que melhor o povo exprime a sua crí�ca, aquele que tem maior conteúdo jornalís�co, é, realmente, o bumbameu-boi, ou simplesmente boi. Para Renato Almeida, é o “bailado mais notável do Brasil, o folguedo brasileiro de maior significação esté�ca e social”. Luís da Câmara Cascudo, por seu turno, observou a sua superioridade porque “enquanto os outros autos cristalizaram, imóveis, no elenco de outrora, o bumba-meu-boi é sempre atual, incluindo soluções modernas, figuras de agora, vocabulário, sensação, percepção contemporânea. Na época da escravidão mostrava os vaqueiros escravos vencendo pela inteligência, astúcia e cinismo. Chibateava a cupidez, a materialidade, o sensualismo de doutores, padres, delegados, fazendo-os cantar versinhos que eram confissões estertóricas. O capitão-do-mato, preador de escravos, assombro dos moleques, faz-sono dos negrinhos, vai ‘caçar’ os negros que fugiram, depois da morte do Boi, e em vez de trazê-los é trazido amarrado, humilhado, tremendo de medo. O valentão mes�ço, capoeira, apanha pancada e é mais mofino que todos os mofinos. Imaginem a alegria negra, vendo e ouvindo essa sublimação aberta, franca, na porta da casa-grande de engenho ou no terreiro da fazenda, nos pá�os das vilas, diante do adro da igreja! A figura dos padres, os padres do interior, vinha arrastada com a violência de um ajuste de contas. O doutor, o curioso, me�do a entender de tudo, o delegado autoritário, valente com a patrulha e covarde sem ela, toda a galeria perpassa, expondo suas mazelas, vícios, manias, cacoetes, olhada por uma assistência onde estavam muitas ví�mas dos personagens reais, ali subalternizados pela virulência do desabafo”. Como algumas outras manifestações folclóricas, o bumbameu-boi u�liza uma forma an�ga, tradicional; entretanto, fála reves�r-se de novos aspectos, atualiza o entrecho, recompõe a trama. Daí “o interesse do �po solidário que desperta nas camadas populares”, como o assinala Édison Carneiro. Interesse que só pode manter- se porque o que no auto se apresenta não reflete apenas situações do passado, “mas porque têm importância para o futuro”. Com efeito, tendo por tema central a morte e a ressurreição do boi, “cerca-se de episódios acessórios, não essenciais, muito desligados da ação principal, que variam de região para região... em cada lugar, novos personagens são enxertados, aparentemente sem outro obje�vo senão o de prolongar e variar a brincadeira”. Contudo, dentre esses personagens, os que representam as classes superiores são caricaturados, cobrindo-se de ridículo, o que torna “o folguedo, em si mesmo,uma reivindicação”. Sílvio Romero recolheu os versos de um bumba- meu-boi, através dos quais se constata a intenção caricaturesca nos personagens do folguedo. Como o Padre, que recita: Não sou padre, não sou nada “Quem me ver estar dançando Não julgue que estou louco; Secular sou como os outros”. Ou como o Capitão-do-Mato que, dando com o negro Fidélis, vai prendê-lo: “CAPITÃO – Eu te a�ro, negro Eu te amarro, ladrão, Eu te acabo, cão.” Mas, ao contrário, quem vai sobre o Capitão e o amarra é o Fidélis: “CORO – Capitão de campo Veja que o mundo virou Foi ao mato pegar negro Mas o negro lhe amarrou. CAPITÃO – Sou valente afamado Como eu não pode haver; Qualquer susto que me fazem Logo me ponho a correr”. (Luiz Beltrão. Comunicação e folclore. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1971.) O capitão-do-mato, preador de escravos, assombro dos moleques, faz-sono dos negrinhos, vai ‘caçar’ os negros que fugiram (...) Nesta passagem, levando-se em conta o contexto, a função sintá�ca e o significado, verifica-se que faz-sono é a) substan�vo. b) adje�vo. c) verbo. d) advérbio. e) interjeição. GR0194 - (Uece) 7@professorferretto @prof_ferretto 8@professorferretto @prof_ferretto (MÜLLER, M. Crí�ca. Disponível em: h�ps://www.papodecinema.com.br/filmes/extraordinario/. Acesso em: 24 de outubro de 2019.) O aposto é um termo u�lizado no texto para explicar algo que aparece anteriormente e vem separado por vírgulas. Com base nessa informação, assinale a opção em que a expressão destacada NÃO é um aposto. a) “(...) a divisão do filme literalmente em capítulos, estes nominados de acordo com o coadjuvante ocasionalmente promovido ao centro (...)” (linhas 39- 42). b) “(...) estamos falando da história de um menino que sofre da Síndrome de Treacher Collins, responsável por causar deformação facial” (linhas 06-09). c) “A dinâmica entre as pessoas em cena, com quem estabelecemos rapidamente empa�a, funciona adequadamente dentro da proposta adotada” (linhas 55-59). d) “Auggie é educado e amparado sempre de perto pela mãe, Isabel (Julia Roberts), encontra momentos de leveza ao lado do paizão (...)” (linhas 22-25). GR0198 - (Efomm) O homem deve reencontrar o Paraíso... Rubem Alves Era uma família grande, todos amigos. Viviam como todos nós: moscas presas na enorme teia de aranha que é a vida da cidade. Todos os dias a aranha lhes arrancava um pedaço. Ficaram cansados. Resolveram mudar de vida: um sonho louco: navegar! Um barco, o mar, o céu, as estrelas, os horizontes sem fim: liberdade. Venderam o que �nham, compraram um barco capaz de atravessar mares e sobreviver tempestades. Mas para navegar não basta sonhar. É preciso saber. São muitos os saberes necessários para se navegar. Puseram-se então a estudar cada um aquilo que teria de fazer no barco: manutenção do casco, instrumentos de navegação, astronomia, meteorologia, as velas, as cordas, as polias e roldanas, os mastros, o leme, os parafusos, o motor, o radar, o rádio, as ligações elétricas, os mares, os mapas... Disse certo o poeta: Navegar é preciso, a ciência da navegação é saber preciso, exige aparelhos, números e medições. Barcos se fazem com precisão, astronomia se aprende com o rigor da geometria, velas se fazem com saberes exatos sobre tecidos, cordas e ventos, instrumentos de navegação não informam mais ou menos. Assim, eles se tomaram cien�stas, especialistas, cada um na sua - juntos para navegar. Chegou então o momento da grande decisão - para onde navegar. Um sugeria as geleiras do sul do Chile, outro os canais dos fiordes da Nomega, um outro queria conhecer os exó�cos mares e praias das ilhas do Pacífico, e houve mesmo quem quisesse navegar nas rotas de Colombo. E foi então que compreenderam que, quando o assunto era a escolha do des�no, as ciências que conheciam para nada serviam. De nada valiam números, tabelas, gráficos, esta�s�cas. Os computadores, coitados, chamados a dar o seu palpite, ficaram em silêncio. Os computadores não têm preferências - falta-lhes essa su�l capacidade de gostar, que é a essência da vida humana. Perguntados sobre o porto de sua escolha, disseram que não entendiam a pergunta, que não lhes importava para onde se estava indo. Se os barcos se fazem com ciência, a navegação faz-se com os sonhos. Infelizmente a ciência, u�líssima, especialista em saber como as coisas funcionam, tudo ignora sobre o coração humano. É preciso sonhar para se decidir sobre o des�no da navegação. Mas o coração humano, lugar dos sonhos, ao contrário da ciência, é coisa imprecisa. Disse certo o poeta: Viver não é preciso. Primeiro vem o impreciso desejo. Primeiro vem o impreciso desejo de navegar. Só depois vem a precisa ciência de navegar. Naus e navegação têm sido uma das mais poderosas imagens na mente dos poetas. Ezra Pound inicia seus Cân�cos dizendo: E pois com a nau no mar / assestamos a quilha contra as vagas... Cecília Meireles: Foi, desde sempre, o mar! A solidez da terra, monótona / parece-nos fraca ilusão! Queremos a ilusão do grande mar / mul�plicada em suas malhas de perigo. E Nietzsche: Amareis a terra de vossos filhos, terra não descoberta, no mar mais distante. Que as vossas velas não se cansem de procurar esta terra! O nosso leme nos conduz para a terra dos nossos filhos... Viver é navegar no grande mar! Não só os poetas: C. Wright Mills, um sociólogo sábio, comparou a nossa civilização a uma galera que navega pelos mares. Nos porões estão os remadores. Remam com precisão cada vez maior. A cada novo dia recebem remos novos, mais perfeitos. O ritmo das remadas acelera. Sabem tudo sobre a ciência do remar. A galera navega cada vez mais rápido. Mas, perguntados sobre o porto do des�no, respondem os remadores: O porto não nos importa. O que importa é a velocidade com que navegamos. C. Wright Mills usou esta metáfora para descrever a nossa civilização por meio duma imagem plás�ca: mul�plicam-se os meios técnicos e cien�ficos ao nosso dispor, que fazem com que as mudanças sejam cada vez mais rápidas; mas não temos ideia alguma de para onde navegamos. Para onde? Somente um navegador louco ou perdido navegaria sem ter ideia do para onde. Em relação à vida da sociedade, ela contém a busca de uma utopia. Utopia, na linguagem comum, é usada como sonho impossível de ser realizado. Mas não é isso. Utopia é um ponto ina�ngível que indica uma direção. 9@professorferretto @prof_ferretto Mário Quintana explicou a utopia com um verso: Se as coisas são ina�ngíveis... ora! / Não é mo�vo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora/ A mágica presença das es frei as! Karl Mannheim, outro sociólogo sábio que poucos leem, já na década de 1920 diagnos�cava a doença da nossa civilização: Não temos consciência de direções, não escolhemos direções. Faltam-nos estrelas que nos indiquem o des�no. Hoje, ele dizia, as únicas perguntas que são feitas, determinadas pelo pragma�smo da tecnologia (o importante é produzir o objeto) e pelo obje�vismo da ciência (o importante é saber como funciona), são: Como posso fazer tal coisa? Como posso resolver este problema concreto par�cular? E conclui: E em todas essas perguntas sen�mos o eco o�mista: não preciso de me preocupar com o todo, ele tomará conta de si mesmo. Em nossas escolas é isso que se ensina: a precisa ciência da navegação, sem que os estudantes sejam levados a sonhar com as estrelas. A nau navega veloz e sem rumo. Nas universidades, essa doença assume a forma de peste epidêmica: cada especialista se dedica, com paixão e competência, a fazer pesquisas sobre o seu parafuso, sua polia, sua vela, seu mastro. Dizem que seu dever é produzir conhecimento. Se forem bem-sucedidas, suas pesquisas serão publicadas em revistas internacionais. Quando se lhes pergunta: Para onde seu barco está navegando?, eles respondem: Isso não é cien�fico. Os sonhos não são objetos de conhecimento cien�fico... E assim ficam os homens comuns abandonados por aqueles que, por conhecerem mares e estrelas, lhes poderiam mostrar o rumo. Não posso pensar a missão das escolas, começando com as criançase con�nuando com os cien�stas, como outra que não a da realização do dito do poeta: Navegar é preciso. Viver não é preciso. E necessário ensinar os precisos saberes da navegação enquanto ciência. Mas é necessário apontar com imprecisos sinais para os des�nos da navegação: A terra dos filhos dos meus filhos, no mar distante... Na verdade, a ordem verdadeira é a inversa. Primeiro, os homens sonham com navegar. Depois aprendem a ciência da navegação. E inú�l ensinar a ciência da navegação a quem mora nas montanhas... O meu sonho para a educação foi dito por Bachelard: O universo tem um des�no de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso. O paraíso é jardim, lugar de felicidade, prazeres e alegrias para os homens e mulheres. Mas há um pesadelo que me atormenta: o deserto. Houve um momento em que se viu, por entre as estrelas, um brilho chamado progresso. Está na bandeira nacional... E, quilha contra as vagas, a galera navega em direção ao progresso, a uma velocidade cada vez maior, e ninguém ques�ona a direção. E é assim que as florestas são destruídas, os rios se transformam em esgotos de fezes e veneno, o ar se enche de gases, os campos se cobrem de lixo - e tudo ficou feio e triste. Sugiro aos educadores que pensem menos nas tecnologias do ensino - psicologias e quinquilharias - e tratem de sonhar, com os seus alunos, sonhos de um Paraíso. OBS.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo Ortográfico. “Mas o coração humano, lugar dos sonhos, ao contrário da ciência, é coisa imprecisa.” Na passagem acima, a expressão sublinhada cumpre determinada função sintá�ca que aparece nas opções abaixo, EXCETO em a) Não só os poetas: C. Wright Mills, um sociólogo sábio, comparou a nossa civilização a uma galera que navega pelos mares. b) Infelizmente a ciência, u�líssima, especialista em saber como as coisas funcionam, tudo ignora sobre o coração humano. c) Mas há um pesadelo que me atormenta: o deserto. d) O paraíso é jardim, lugar de felicidade, prazeres e alegrias para os homens e mulheres. e) Sugiro aos educadores que pensem menos nas tecnologias do ensino - psicologias e quinquilharias - e tratem de sonhar, com os seus alunos, sonhos de um Paraíso. GR0188 - (Esc. Naval) Quando se pergunta à população brasileira, em uma pesquisa de opinião, qual seria o problema fundamental do Brasil, a maioria indica a precariedade da educação. Os entrevistados costumam apontar que o sistema educacional brasileiro não é capaz de preparar os jovens para a compreensão de textos simples, elaboração de cálculos aritmé�cos de operações básicas, conhecimento elementar de �sica e química, e outros fornecidos pelas escolas fundamentais. [...] Certa vez, par�cipava de uma reunião de pais e professores em uma escola privada brasileira de destaque e notei que muitos pais expressavam o desejo de ter bons professores, salas de aula com poucos alunos, mas não se sen�am responsáveis para par�ciparem a�vamente das a�vidades educacionais, inclusive custeando os seus serviços. Se os pais não conseguiam entender que esta aritmé�ca não fecha e que a sua aspiração estaria no campo do milagre, parece di�cil que consigam transmi�r aos seus filhos o mínimo de educação. Para eles, a educação dos filhos não se baseia no aprendizado dos exemplos dados pelos pais. Que esta educação seja prioritária e ajude a resolver os outros problemas de uma sociedade como a brasileira parece lógico. No entanto, não se pode pensar 10@professorferretto @prof_ferretto que a sua deficiência depende somente das autoridades. Ela começa com os próprios pais, que não podem simplesmente terceirizar essa responsabilidade. Para que haja uma mudança neste quadro é preciso que a sociedade como um todo esteja convencida de que todos precisam contribuir para tanto, inclusive elegendo representantes que par�lhem desta convicção e não estejam pensando somente nos seus bene�cios pessoais. Sobre a educação formal, aquela que pode ser conseguida nos muitos cursos que estão se tornando disponíveis no Brasil, nota-se que muitos estão se convencendo de que eles ajudam na sua ascensão social, mesmo sendo precários. O número daqueles que trabalham para obter o seu sustento e ajudar a sua família, e ao mesmo tempo se dispõe a fazer um sacri�cio adicional frequentando cursos até noturnos, parece estar aumentando. A demanda por cursos técnicos que elevam suas habilidades para o bom exercício da profissão está em alta. É tratada como prioridade tanto no governo como em ins�tuições representa�vas das empresas. O mercado observa a carência de pessoal qualificado para elevar a eficiência do trabalho. Muitos reconhecem que o Brasil é um dos países emergentes que estão melhorando, a duras penas, a sua distribuição de renda. Mas, para que este processo de melhoria do bem-estar da população seja sustentável, há que se conseguir um aumento da produ�vidade do trabalho, que permita, também, o aumento da parcela da renda des�nada à poupança, que vai sustentar os inves�mentos indispensáveis. A população que deseja melhores serviços das autoridades precisa ter a consciência de que uma boa educação, não necessariamente formal, é fundamental para atender melhor as suas aspirações. (YOKOTA, Paulo. Os problemas da educação no Brasil. Em h�p://www,cartacapital.com.br/educacao/os- problemas-da-educacao-no-brasil- 657.html - Com adaptações) Qual das orações abaixo traz o adjunto adnominal em destaque? a) " [...] qual seria o problema fundamental do Brasil, a maioria indica a precariedade da educação." (1°§) b) "Para eles, a educação dos filhos não se baseia no aprendizado dos exemplos dados pelos pais." (3°§) c) "A demanda por cursos técnicos que elevam suas habilidades para o bom exercício da profissão está em alta." (7°§) d) "[...] a compreensão de textos simples, elaboração de cálculos aritmé�cos de operações básicas, " (1°§) e) "No entanto, não se pode pensar que a sua deficiência depende somente das autoridades." (4°§) GR0196 - (Esc. Naval) Encontros e desencontros Hoje, jantando num pequeno restaurante aqui perto de casa, pude presenciar, ao vivo, uma cena que já me �nham descrito. Um casal de meia idade se senta à mesa vizinha da minha. Feitos os pedidos ao garçom, o homem, bem depressinha, �ra o celular do bolso, e não mais o deixa, a merecer sua atenção exclusiva. A mulher, certamente de saber feito, não se faz de rogada e apanha um livro que trazia junto à bolsa. Começa a lê-lo a par�r da página assinalada por um marcador. Espichando o meu pescoço inconveniente (nem tanto, afinal as mesas eram coladinhas) deu para ver que era uma obra da Martha Medeiros. Desse modo, os dois iam usufruindo suas gulodices, sem comentários, com algumas reações dele, rindo com ele mesmo com postagens que certamente ocorriam em seu celular. Até dois estranhos, postos nessa situação, talvez acabassem por falar alguma coisa. Pensei: devem estar juntos há algum tempo, sem ter mais o que conversar. Cada um sabia tudo do outro, nada a acrescentar, nada de novo ou surpreendente. E assim caminhava, decerto, a vida daquele casal. O que me choca, mesmo observando esta situação, como outras que o dia a dia me oferece, é a ausência de conversa. Sem conversa eu não vivo, sem sua força agregadora para trocar ideias, para convencer ou ser convencido pelo outro, para manifestar humor, para desabafar sobre o que angús�a a alma, em suma, para falar e para ouvir. A conversa não é a base da terapia? Sei não, mas, atualmente, contar com um amigo para jogar conversa fora ou para confessar aquele temor que lhe está roubando o sossego talvez não seja fácil. O tempo também, nesta vida corre-corre, tem lá outras prioridades. Mia Couto é contundente: “Nunca o nosso mundo teve ao seu dispor tanta comunicação. E nunca foi tão dramá�ca a nossa solidão.” Até se fala muito, mas ouvir o outro? Falo de conversas entre pessoas no mundo real. Vive-se hoje, parece, mais no mundo digital. Nele, até que se conversa muito; porém, é tão diferente, mesmo quando um está vendo o outro. O compar�lhamento do mesmoespaço, diria, é que nos 11@professorferretto @prof_ferretto proporciona a abrangência do outro, a captação do seu respirar, as ba�das de seu coração, o seu cheiro, o seu humor...(16) Desse diálogo é que tanta gente está sen�ndo falta. Até por telefone as pessoas conversam, atualmente, bem menos. Pelo WhatsApp fica mais fácil, alega-se. Rapidinho, rapidinho. Mas e a conversa? Conversa-se, sim, replicam. Será? Ou se trocam algumas palavras? Quando falo em conversa, refiro-me àquelas que se es�cam, sem tempo marcado, sem caminho reto, a pularem de assunto em assunto. O WhatsApp é de graça, proclamam. Talvez um argumento que pode ser robusto, como se diz hoje, a favor da u�lização desse instrumento moderno. Mas será apenas por isso? Um amigo me lembra: nos WhatsApps se trocam mensagens por escrito. Eu sei. Entretanto, língua escrita é outra modalidade, outro modo de a�var a linguagem, a começar pela não copresença �sica dos interlocutores. No telefone, não há essa copresença �sica, mas esse meio de comunicação não é impedi�vo de falante e ouvinte, a cada passo, trocarem de papéis e até mesmo de falarem ao mesmo tempo, configurando, pois, caracterís�cas próprias da modalidade oral. Contudo, não se respira o mesmo ar, ainda que já se possa ver o outro. As pessoas passaram a valer-se menos do telefone, e as conversas também vão, por isso, tornando-se menos frequentes. Gosto, mesmo, é de conversas, de preferência com poucos companheiros, sem pauta, sem temas censurados, sem se ter de esmerar na linguagem. Conversa sem compromisso, a não ser o de evitar a cha�ce. Com suas contundências, conflitos de opiniões e momentos de solidariedade. Conversa que é vida, que retrata a vida no seu dia a dia. No grupo maior, há de tudo: o louco, o filósofo, o depressivo, o conquistador de garganta, o saudosista... Nem sempre, é verdade, estou mo�vado para par�cipar desses grupos. Porém, passado um tempo, a saudade me bate. Aqueles bate-papos in�mistas com um amigo de tantas afinidades, merecedores que nos tornamos da confiança um do outro, esses não têm nada igual. A apreensão abrangente do amigo, de seu psiquismo, dos seus sen�mentos, das dificuldades mais ín�mas por que passa, faz-nos sen�r, fortemente, a nossa natureza humana, a maior valia da vida. Esses momentos vão se tornando, assim me parece, uma cena menos habitual nestes tempos digitais. A pressa, os problemas a se mul�plicarem, as tarefas a se diversificarem, como encontrar uma brecha para aquela conversa, que é entrega, confiança, despojamento? Conversa que exige respeito: um local calminho, sem gritos, vozes esganiçadas, garçons serenos. Sim, umas tulipas estourando de geladas e uns �ra-gostos de nosso paladar a exigirem nova pedida. Não queria perder esses encontros. Afinal, a vida está passando tão depressa... Adaptado: UCHOA, Carlos Eduardo. Disponível em: h�p://carloseduardouchoa.com.br/blog/ Assinale a opção na qual o termo oracional em destaque foi corretamente classificado. a) "Ou se trocam algumas palavras?" (26) - objeto direto b) "[...] assinalada por um marcador." (27) - complemento nominal c) "[...] me oferece, é a ausência de conversa." (28) - objeto indireto d) "[...] um amigo de tantas afinidades [...]" (29) - adjunto adverbial e) "[...] temor que lhe está roubando o sossego [...]." (30) - adjunto adnominal GR0624 - (Uefs) Texto VII Brasil O Zé Pereira chegou de caravela E preguntou pro guarani da mata virgem – Sois cristão? – Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte Teterê tetê Quizá Quizá Quecê! Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu! O negro zonzo saído da fornalha Tomou a palavra e respondeu – Sim pela graça de Deus Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum! E fizeram o Carnaval (ANDRADE, Oswald de. Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade. São Paulo: Globo, 1991, p. 41.) O elemento do Texto VII que apresenta a mesma função sintá�ca do termo "zonzo" (verso 07) é a) De caravela (verso 1). b) Pro guarani (verso 2). c) Da mata virgem (verso 2). d) Da fornalha (verso 7). e) Pela graça de deus (verso 9). GR0692 - (Unifenas) Leia, com atenção, o excerto da LIRA XIX, de “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga. Nesta triste masmorra, De um semivivo corpo sepultura, Inda, Marília, adoro A tua formosura. Amor na minha ideia te retrata; 12@professorferretto @prof_ferretto Busca extremoso, que eu assim resista À dor imensa, que me cerca, e mata. Quando em meu mal pondero, Então mais vivamente te diviso: Vejo o teu rosto, e escuto A tua voz, e riso. Movo ligeiro para o vulto os passos; Eu beijo a �bia luz em vez da face; E aperto sobre o peito em vão os braços. Conheço a ilusão minha; A violência da mágoa não suporto; Foge-me a vista, e caio, Não sei se vivo, ou morto. Enternece-se Amor de estrago tanto; Reclina-me no peito, e com mão terna Me limpa os olhos do salgado pranto. Divisar: dis�nguir pela visão; enxergar. Tíbia: fraca. Enternecer-se: tornar-se terno; ter piedade; suavizar. Avalie as afirmações sobre os aspectos destacados do texto. I- Os vocábulos Marília, �bia, violência, mágoa, extraídos do excerto, receberam acento gráfico em virtude da mesma razão. II- No verso “Movo ligeiro para o vulto os passos”, o vocábulo cons�tui exemplo de derivação imprópria, que consiste na mudança de classe grama�cal de palavras. III- Em “Nesta triste masmorra...” (1ª estrofe), “Então mais vivamente te diviso... (2ª estrofe), “Movo ligeiro para o vulto os passos....” (2ª estrofe) e “Reclina-me no peito, e com mão terna... (3ª estrofe), foram destacados termos acessórios e modificadores de formas verbais, às quais acrescentam algum �po de circunstância. IV- “De um semivivo corpo sepultura...” (1ª estrofe); “Movo ligeiro para o vulto os passos...” (2ª estrofe); Enternece-se Amor de estrago tanto...” (3ª estrofe) ; “Reclina-me no peito; e com mão terna...” (3ª estrofe), as preposições sublinhadas estabelecem, pela ordem, os seguintes sen�dos: posse, direção, causa e meio. V- Em “Amor na minha ideia te retrata” (1ª estrofe); “À dor imensa, que me cerca, e mata” (1ª estrofe); “Então vivamente te diviso” (2ª estrofe); “Me limpa os olhos do salgado pranto” (3ª estrofe), todos os termos destacados exercem a mesma função sintá�ca. a) todas corretas, sem exceção. b) todas corretas, com única exceção. c) todas corretas, exceto II e V. d) todas corretas, exceto III e IV. e) todas corretas, exceto I e II. GR0727 - (Espcex) Assiste à demolição — Morou mais de vinte anos nesta casa? Então vai sen�r “uma coisa” quando ela for demolida. Começou a demolição. Passando pela rua, ele viu a casa já sem telhado, e operários, na poeira, removendo caibros. Aquele telhado que lhe dera tanto trabalho por causa das goteiras, tapadas aqui, reaparecendo ali. Seu quarto de dormir estava exposto ao céu, no calor da manhã. Ao fundo, no terraço, �nham desaparecido as colunas da pérgula, e a cobertura de ramos de buganvília – dois troncos subindo do pá�o lá embaixo e enchendo de florinhas vermelhas o chão de ladrilho, onde gatos da vizinhança amavam fazer sesta e surpreender �co-�cos. Passou nos dias seguintes e viu o progressivo desfazer-se das paredes, que escancarava a casa de frente e de flancos jogando-a por assim dizer na rua. Os marcos das portas apareciam emoldurando o vazio. O azul e as nuvens circulavam pelos cômodos, em composição surrealista. E o pequeno balcão da fachada, cercado de ar, parecia um mirante espacial, baixado ao nível dos míopes. A demolição prosseguiu à noite, espontaneamente. Um lanço de parede desabou sozinho, para fora do tapume, quando já cessara na rua o movimento dos lotações. Caiu discreto, sem ferir ninguém, apenas avariando – desculpem – a rede telefônica. A casa encolhera-se, em processo involu�vo. Já agora de um só pavimento, sem teto, aspirava mesmo à desintegração. Chegou a vez da pequena sala de estar, da sala de jantar com seu lambri envernizado a preto, que ele passara meses raspando a poder de gilete, para recuperar a cor da madeira. E a vez do escritório, parte pensante e sen�nte deseu mecanismo individual, do eu mais ín�mo e simultaneamente mais público, eu de gavetas sigilosas, manuseadas por um profissional da escrita. De todo o tempo que vivera na casa, fora ali que passara o maior número de horas, sentado, meio corcunda, desligado de acontecimentos, ouvindo, sem escutar, rumores que chegavam de outro mundo – cantoria de bêbados, motor de avião, chorinho de bebê, galo na madrugada. E não sen�u dor vendo esfarinharem-se esses compar�mentos de sua história pessoal. Nem sequer a melancolia do desvanecimento das coisas �sicas. Elas �nham durado, cumprido a tarefa. Chega o instante em que compreendemos a demolição como um resgate de formas cansadas, 13@professorferretto @prof_ferretto sentença de liberdade. Talvez sejamos levados a essa compreensão pelo trabalho similar, mais surdo, que se vai desenvolvendo em nós. E não é preciso imaginar a alegria de formas novas, mais claras, a surgirem constantemente de formas caducas, para aceitar de coração sereno o fim das coisas que se ligaram à nossa vida. Fitou tranquilo o que �nha sido sua casa e era um amontoado de caliça e �jolo, a ser removido. Em breve restaria o lote, à espera de outra casa maior, sem sinal dele e dos seus, mas des�nada a concentrar outras vivências. Uma ordem, um estatuto pairava sobre os destroços, e tudo era como devia ser, sem ilusão de permanência. Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Cadeira de balanço. 12. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1979. Vocabulário caibro s.m. elemento estrutural de um telhado, geralmente peças de madeira que se dispõem da cumeeira ao frechal, a intervalos regulares e paralelas umas às outras, em que se cruzam e assentam as ripas, frequentemente mais finas e compridas, e sobre as quais se apoiam e se encaixam as telhas pérgula s. f. espécie de galeria coberta de barrotes espacejados assentados em pilares, geralmente guarnecida de trepadeiras buganvília s.f. designação comum às plantas do gênero bougainvillea, trepadeira, muito cul�vadas como ornamentais de flanco s. m. pela lateral marco s. m. parte fixa que guarnece o vão de portas e janelas, e onde as folhas destas se encaixam, prendendo- se por meio de dobradiças tapume s. m. cerca ou vala guarnecida de sebe que defende uma área; anteparo, geralmente de madeira, com que se veda a entrada numa área, numa construção lambri s. m. reves�mento interno de parede, usado com fim decora�vo ou para proteger contra frio, umidade ou barulho; feito de madeira, mármore, estuque, numa só peça ou composto por painéis, que vão até certa altura ou do chão ao teto (mais usado no plural) caliça s.f. conjunto de resíduos de uma obra de alvenaria demolida ou em desmoronamento, formado por pó ou fragmentos dos materiais diversos do reboco (cal, argamassa ressequida) e de pedras, �jolos desfeitos lote s. m. porção de terra autônoma que resulta de loteamento ou desmembramento; terreno de pequenas dimensões, urbano ou rural, que se des�na a construções ou à pequena agricultura Fonte: HOUAISS, A. e Villar, M. de S. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Elaborado no Ins�tuto Antônio Houaiss de Lexicografia e Banco de Dados da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro. Obje�va, 2009. Marque a alterna�va que traz, respec�vamente, a correta classificação das expressões sublinhadas nas frases “A demolição prosseguiu à noite...” e “... aspirava mesmo à desintegração...”. a) adjunto adverbial – complemento verbal. b) adjunto adverbial – adjunto adverbial. c) adjunto adnominal – complemento verbal. d) complemento verbal – adjunto adnominal. e) complemento verbal – adjunto adverbial. GR0741 - (Espcex) Homem no mar Rubem Braga De minha varanda vejo, entre árvores e telhados, o mar. Não há ninguém na praia, que resplende ao sol. O vento é nordeste, e vai tangendo, aqui e ali, no belo azul das águas, pequenas espumas que marcham alguns segundos e morrem, como bichos alegres e humildes; perto da terra a onda é verde. Mas percebo um movimento em um ponto do mar; é um homem nadando. Ele nada a uma certa distância da praia, em braçadas pausadas e fortes; nada a favor das águas e do vento, e as pequenas espumas que nascem e somem parecem ir mais depressa do que ele. Justo: espumas são leves, não são feitas de nada, toda sua substância é água e vento e luz, e o homem tem sua carne, seus ossos, seu coração, todo seu corpo a transportar na água. Ele usa os músculos com uma calma energia; avança. Certamente não suspeita de que um desconhecido o vê e o admira porque ele está nadando na praia deserta. Não sei de onde vem essa admiração, mas encontro nesse homem uma nobreza calma, sinto-me solidário com ele, acompanho o seu esforço solitário como se ele es�vesse cumprindo uma bela missão. Já nadou em minha presença uns trezentos metros; antes, não sei; duas vezes o perdi de vista, quando ele passou atrás das árvores, mas esperei com toda confiança que reaparecesse sua cabeça, e o movimento alternado de seus braços. Mais uns cinquenta metros, e o perderei de vista, pois um telhado o esconderá. Que ele nade bem esses cinquenta ou sessenta metros; isto me parece importante; é preciso que conserve a mesma ba�da de sua braçada, e que eu o veja desaparecer assim como o vi aparecer, no mesmo rumo, no mesmo ritmo, forte, lento, sereno. Será perfeito; a imagem desse homem me faz bem. É apenas a imagem de um homem, e eu não poderia saber sua idade, nem sua cor, nem os traços de sua cara. Estou solidário com ele, e espero que ele esteja comigo. Que ele a�nja o telhado vermelho, e então eu poderei sair da varanda tranquilo, pensando "vi um homem sozinho, nadando no mar; quando o vi ele já estava nadando; acompanhei-o com atenção durante todo o 14@professorferretto @prof_ferretto tempo, e testemunho que ele nadou sempre com firmeza e correção; esperei que ele a�ngisse um telhado vermelho, e ele o a�ngiu". Agora não sou mais responsável por ele; cumpri o meu dever, e ele cumpriu o seu. Admiro-o. Não consigo saber em que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa; ele não estava fazendo nenhum gesto a favor de alguém, nem construindo algo de ú�l; mas certamente fazia uma coisa bela, e a fazia de um modo puro e viril. Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha es�ma a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse correto irmão. (ANDRADE, Carlos Drummond de; et al. Elenco de cronistas modernos. 8. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1984. p.128-129). No trecho “nada a favor das águas e do vento", o termo sublinhado tem a mesma função sintá�ca do termo destacado em: a) O homem nadava forte, mas com uma calma energia. b) Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a mão. c) Dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha es�ma a esse desconhecido. d) Será perfeito; a imagem desse homem me faz bem. e) Agora não sou mais responsável por ele; cumpri o meu dever e ele cumpriu o dele. GR0747 - (U�) Analise as afirma�vas a respeito do período: “Estão maltratando uma velhinha!". I. O sujeito do período é composto. II. O objeto indireto do período é “uma velhinha!". III. O predicado é “estão maltratando uma velhinha!" IV. A construção “estão maltratando" indica ao leitor que a ação está em processo. Assinale a alterna�va CORRETA. a) Apenas as afirma�vas I e II estão corretas. b) Apenas as afirma�vas I e III estão corretas. c) Apenas as afirma�vas II e IV estão corretas. d) Apenas as afirma�vas III e IV estão corretas. GR0789 - (Ita) O Leão A menina conduz-me diante do (50) leão, (14) esquecido por um circo de passagem. Não está preso, velho e doente, em gradil de ferro. (41). Foi solto no gramado (01) e a tela fina (12) de arame (06) é escarmento ao rei dos animais. (02) (46) (53). Não mais que um caco de leão: (17) (54) as pernas reumá�cas, a juba emaranhada e sem brilho. (52). Os olhos globulosos (18) fecham-se (21) cansados, (11) sobre o focinho (07) contei (26) nove ou dez moscas, (19) (42) (51) que ele não �nha ânimo de espantar. (55) Das grandes narinas(03) escorriam (31) gotas e pensei, por um momento, (48) que fossem lágrimas. (36). Observei (22) em volta: somos todos adultos, sem contar a menina. Apenas para nós o leão conserva (27) o seu an�go pres�gio — as crianças estão em redor dos macaquinhos. (42) Um dos presentes explica que o bicho tem (23) as pernas entrevadas, (08) (56) a vida inteira na minúscula jaula. Derreado, não pode (13) sustentar-se em pé.(57). Chega-se um piá e, desafiando (28) com olhar selvagem (04) o leão, a�ra-lhe um punhado de cascas de amendoim. O rei sopra (32) pelas narinas, ainda é um leão faz estremecer a grama a seus pés. Um de nós protesta (33) que deviam servir-lhe a carne em pedacinhos. (37) — Ele não tem dente? — Tem sim, não vê? Não tem é força de morder. Con�nua (24) o moleque a jogar amendoim na cara devastada do leão. Ele nos olha e um brilho de compreensão (40) nos faz baixar a cabeça: é conhecido o travo amargoso da derrota. Está velho, artrí�co, (15) não se aguenta das pernas, mas é um leão. De repente, (45) sacudindo a juba, põe-se a mas�gar o capim. Ora, leão come verde! (20) Lança-lhe (29) o guri uma pedra: acertou no olho (44) lacrimoso (05) e doeu. (34) O leão abriu a bocarra de dentes (47) amarelos, (10) não era um bocejo. Entre caretas do dor, (09) elevou-se (30) aos poucos (38) nas pernas tortas. Sem sair (25) do lugar, ficou de pé. Escancarou (35) pensamento os beiços moles e negros, ouviu-se a rouca buzina (39) de fordeco an�go. Por um instante o rugido manteve suspensos os macaquinhos e fez bater mais depressa o coração da menina.(49) O leão soltou seis ou sete urros. Exausto, deixou-se cair (16) de lado e fechou os olhos para sempre. 15@professorferretto @prof_ferretto Escarmento: cas�go, punição Em qual das opções os termos re�rados do texto acima desempenham a mesma função sintá�ca? a) no gramado (01) / de arame (06). b) ao rei dos animais (02) / sobre o focinho (07). c) Das grandes narinas (03) / as pernas entrevadas (08). d) com olhar selvagem (04) / Entre caretas de dor (09). e) no olho lacrimoso (05) / de dentes amarelos (10). 16@professorferretto @prof_ferretto