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Não respondidas
Vestibulares
Termos Acessórios
GR0337 - (Fuvest)
No modelo hegemônico, quase todo o
treinamento é reservado para o desenvolvimento
muscular, sobrando muito pouco tempo para a
mobilidade, a flexibilidade, o treino restaura�vo, o
relaxamento e o treinamento cardiovascular. Na teoria,
seria algo em torno de 70% para o fortalecimento, 20%
para o cárdio e 10% para a flexibilidade e outros. Na
prá�ca, muitos alunos direcionam 100% do tempo para o
fortalecimento.
Como a prá�ca cardiovascular é infinitamente
mais significa�va e determinante para a nossa saúde
orgânica como um todo, podendo ser considerada o
“coração” de um treinamento consciente e saudável, essa
ordem deveria ser revista.
Nuno Cobra Jr. “Fitness não é saúde”. Uol. 06/05/2021.
Adaptado.
 
Dentre as expressões destacadas, a que exerce a mesma
função sintá�ca do termo sublinhado em “o treino
restaura�vo, o relaxamento e o treinamento
cardiovascular” é:
a) um atleta de seleção precisa de treinamento intenso.
b) o amor ao esporte é fundamental para o atleta.
c) a população incorpora radicalmente a�tudes
saudáveis.
d) muitas pessoas se beneficiam de alimentos verdes.
e) todo �po de a�vidade �sica faz bem à saúde mental.
GR0186 - (Cfn)
No segmento “Será que eles não ficam querendo sair
desse vidro, mãe?” a palavra destacada pode ser
classificada como
a) aposto.
b) sujeito.
c) predicado.
d) agente da passiva.
e) voca�vo.
GR0328 - (Fuvest)
O Twi�er é uma das redes sociais mais importantes no
Brasil e no mundo. (...) Um estudo iden�ficou que as
fakenews são 70% mais propensas a serem retweetadas
do que fatos verdadeiros. (...) Outra conclusão
importante do trabalho diz respeito aos famosos bots: ao
contrário do que muitos pensam, esses robôs não são os
grandes responsáveis por disseminar no�cias falsas. Nem
mesmo comparando com outros robozinhos: tanto os
que espalham informações men�rosas quanto aqueles
que divulgam dados verdadeiros alcançaram o mesmo
número de pessoas.
Super Interessante, “No Twi�er, fake news se espalham 6
vezes mais rápido que no�cias verdadeiras”. Maio/2019.
 
1@professorferretto @prof_ferretto
No período “Nem mesmo comparando com outros
robozinhos: tanto os que espalham informações
men�rosas quanto aqueles que divulgam dados
verdadeiros alcançaram o mesmo número de pessoas.”,
os dois-pontos são u�lizados para introduzir uma
a) conclusão.
b) concessão.
c) explicação.
d) contradição.
e) condição.
GR0546 - (Fuvest)
Presentemente eu posso me considerar um sujeito de
sorte
Porque apesar de muito moço, me sinto são e salvo e
forte
E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do
meu lado
E assim já não posso sofrer no ano passado
 
Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro
Belchior. “Sujeito de sorte”.
 
Leia as seguintes afirmações a respeito da letra da
música:
 
I. Os adjuntos adverbiais temporais remetem a um
contraste entre passado e presente, o que reforça o
caráter metafórico do texto.
II. A locução “apesar de” contribui para a expressão de
um sen�mento inesperado em relação ao sen�do de
“muito moço”.
III. As formas verbais “morri” e “morro”, embora se
refiram a momentos dis�ntos, apresentam sen�do
denota�vo.
 
Está correto o que se afirma em:
a) I, apenas. 
b) II, apenas. 
c) I e II, apenas. 
d) II e III, apenas. 
e) I, II e III.
GR0199 - (Unifor)
Hortelã
Todas as noites
ela esperava a noite chegar
trazendo o pai do trabalho.
 
Às vezes era o pai
que trazia a noite
num saquinho de bala de hortelã.
 
Ela gostava da noite
porque a noite trazia
o suor do pai
 
Ela gostava da noite
porque a noite trazia
o suor do pai.
 
Ela gostava da noite
porque, à noite, ela e o pai
brincavam de dar nome às estrelas.
(NETHO, Paulo. Poesia Futebol Clube e outros poemas.
São Paulo: Formato. 2007. p. 22)
 
No texto, há várias ocorrências da palavra noite.
Considerando essas ocorrências, avalie as afirma�vas.
 
I - Em todas as ocorrências, a palavra “noite” exerce a
mesma função sintá�ca. 
II - Em “ela esperava a noite chegar”, o termo destacado é
complemento nominal.
III - Em “Ela gostava da noite”, o termo destacado exerce
a função sintá�ca de objeto indireto.
IV - Em “Às vezes era o pai/ que trazia a noite”, o termo
destacado exerce a função de sujeito.
V - Em “porque, à noite, ela e o pai/ brincavam de dar
nome às estrelas”, o termo destacado exerce a função de
adjunto adverbial.
 
Está correto o que se afirma apenas em
a) I.
b) II e V.
c) III e V.
d) II, III e V.
e) II, III, IV e V.
GR0191 - (Eear)
Marque a alterna�va em que há erro na classificação do
termo em destaque.
2@professorferretto @prof_ferretto
a) “Para um homem se ver a si mesmo, são necessárias
três coisas: olhos, espelho e luz.” (Pe. Antônio Vieira) –
aposto
b) Ofendi-vos, meu Deus, é bem verdade” (Gregório de
Matos) – voca�vo
c) Sete anos de pastor Jacó servia / Labão, pai de Raquel,
serrana bela” (Luís de Camões) – aposto
d) “Este lugar delicioso, e triste, / Cansada de viver, �nha
escolhido / Para morrer a mísera Lindoia.” (Basílio da
Gama) – aposto
GR0192 - (Eear)
Assinale a alterna�va que apresenta, em destaque,
adjunto adnominal e adjunto adverbial.
a) Símbolo da riqueza terrestre, o ouro nasce no espaço.
b) As legendárias ondas do Havaí atraem surfistas do
mundo todo.
c) O poeta Vinícius de Moraes é referência para vários
músicos do Brasil.
d) As pequenas empresas têm até o mês de abril para
recolher os impostos.
GR0189 - (Etec)
Leia a �rinha que apresenta o diálogo entre Mafalda e
seu pai e responda à questão.
Na �rinha, Mafalda faz uso de um voca�vo. Ela usa esse
termo – que atua como uma forma de chamamento de
um interlocutor real ou hipoté�co – como forma de
deixar evidente o seu interlocutor. Tendo isso em vista,
assinale a alterna�va que contenha o voca�vo u�lizado
por Mafalda.
a) você
b) se
c) tão
d) papai
e) como
GR0193 - (Esc. Naval)
Precisamos falar sobre fake news
Minha mãe tem 74 anos e, como milhões de
pessoas no mundo, faz uso frequente do celular. É com
ele que, conversando por voz ou por vídeo, diariamente,
vence a distância e a saudade dos netos e netas.
Mas, para ela, assim como para milhares e
milhares de pessoas, o celular pode ser também uma
fonte de engano. De vez em quando, por acreditar no
que chega por meio de amigos no seu WhatsApp, me
envia uma ou outra mensagem contendo uma fake news.
A úl�ma foi sobre um suposto problema com a vacina da
gripe que, por um momento, diferente de anos
anteriores, a fez desis�r de se vacinar.
Eu e minha mãe, como boa parte dos brasileiros,
não nascemos na era digital. Nesta sociedade somos os
chamados migrantes e, como tais, a tecnologia nos gera
um certo estranhamento (e até constrangimento),
embora nos fascine e facilite a vida.
Sejamos sinceros. Nada nem ninguém nos
preparou para essas mudanças que revolucionaram a
comunicação. Pior: é di�cil destrinchar o que é verdade
em tempo de fake news.
Um dos maiores estudos sobre a disseminação
de no�cias falsas na internet, publicado ano passado na
revista Science foi realizado pelo Ins�tuto de Tecnologia
de Massachuse�s (MIT, na sigla em inglês), dos Estados
Unidos, e concluiu que as no�cias falsas se espalham 70%
mais rápido que as verdadeiras e alcançam muito mais
gente.
Isso porque as fake news se valem de textos
alarmistas, polêmicos, sensacionalistas, com destaque
para no�cias atreladas a temas de saúde, seguidas de
informações men�rosas sobre tudo. Até pouco tempo
atrás, a imprensa era a detentora do que chamamos de
produção de no�cias. E os fatos obedeciam a critérios de
apuração e checagem.
O problema é que hoje mantemos essa mesma
crença, quase que religiosa, junto a mensagens das quais
não iden�ficamos sequer a origem, boa parte delas
3@professorferretto @prof_ferretto
disseminada em redes sociais. Confia-se a ponto de
compar�lhar, sem ques�onar.
O impacto disso é preocupante. Par�ndo de
pesquisas que mostram que no�cias e seus
enquadramentos influenciam opiniões e constroem
leituras da realidade, a disseminação das no�ciasfalsas
tem criado versões alterna�vas do mundo, da História,
das Ciências “ao gosto do cliente”, como dizem por aí.
Os problemas gerados estão em todos os
campos. No âmbito familiar, por exemplo, vai de pais que
deixam de vacinar seus filhos a ponto de criar um grave
problema de saúde pública de impacto mundial. E passa
por jovens ví�mas de violência virtual e �sica.
No mundo corpora�vo, estabelecimentos
comerciais fecham portas, profissionais perdem suas
reputações e produtos são desacreditados como
resultado de uma foto descontextualizada, uma imagem
alterada ou uma legenda falsa.
A democracia também se fragiliza. O processo
democrá�co corre o risco de ter sua força e credibilidade
afetadas por boatos. Não há um estudo capaz de
mensurar os danos causados, mas inicia�vas
fragmentadas já sinalizam que ela está em risco.
Estamos em um novo momento cultural e social,
que deve ser entendido para encontrarmos um caminho
seguro de convivência com as novas formas e
ferramentas de comunicação.
No Congresso Nacional tramitam várias
inicia�vas nesse sen�do, que precisam ser amplamente
deba�das, com a par�cipação de especialistas e
representantes da sociedade civil.
O problema das fake news certamente passa
pelo domínio das novas tecnologias, com instrumentos
de combate ao crime, mas, também, pela pedagogia do
esclarecimento.
O que posso afirmar, como presidente do
Congresso Nacional, é que, embora não saibamos ainda o
an�doto que usaremos contra a disseminação de no�cias
falsas em escala industrial, não passa pela cabeça de
ninguém aceitar a u�lização de qualquer �po de controle
que não seja democrá�co.
O Globo. 10 jul. 2019.
 
Em "Um dos maiores estudos sobre a disseminação de
no�cias falsas na internet, publicado no ano passado na
revista 'Science’, foi realizado pelo ins�tuto de Tecnologia
de Massachuse�s [...]" (5 ^º§), os termos destacados
exercem, respec�vamente, a função sintá�ca de
a) adjunto adverbial e agente da passiva.
b) objeto indireto e complemento nominal.
c) complemento nominal e objeto indireto.
d) adjunto adverbial e predica�vo do objeto.
e) predica�vo do sujeito e agente da passiva.
GR0197 - (Cfn)
FUGA
(1) Mal colocou o papel na máquina, o menino
 começou a empurrar uma cadeira pela sala,
 fazendo um barulho infernal.
 — Para com esse barulho, meu filho —
(5) falou, sem se voltar.
 Com três anos já sabia reagir como homem
 ao impacto das grandes injus�ças paternas:
 Não estava fazendo barulho, estava só
 empurrando uma cadeira.
(10) — Pois então para de empurrar a cadeira.
 — Eu vou embora — foi a resposta.
 Distraído, o pai não reparou que ele
 juntava ação às palavras, no ato de juntar
 do chão suas coisinhas, enrolando-as num
(15) pedaço de pano. Era a sua bagagem: um
 caminhão de madeira com apenas três rodas,
 um resto de biscoito, uma chave (onde diabo
 meteram a chave da dispensa? — a mãe mais
 tarde irá dizer), metade de uma tesoura
(20) enferrujada, sua única arma para a grande
 aventura, um botão amarrado num barbante.
 A calma que baixou então na sala era
 vagamente inquietante. De repente, o pai
 olhou ao redor e não viu o menino. Deu com a
(25) porta da rua aberta, correu até o portão:
 — Viu um menino saindo desta casa? —
 gritou para o operário que descansava diante
 da obra do outro lado da rua, sentado no
 meio-fio.
(30) — Saiu agora mesmo com uma trouxinha —
 informou ele.
 Correu até a esquina e teve tempo de vêlo
 ao longe, caminhando cabisbaixo ao longo
 do muro. A trouxa, arrastada no chão, ia
(35) deixando pelo caminho alguns de seus
 pertences: o botão, o pedaço de biscoito e —
 saíra de casa desprevenido — uma moeda de 1
 cruzeiro. Chamou-o, mas ele apertou o
 passinho, abriu a correr em direção à
(40) avenida, como disposto a a�rar-se diante do
 lotação que surgia a distância.
 — Meu filho, cuidado!
 O lotação deu uma freada brusca, uma
 guinada para a esquerda, os pneus cantaram
(45) no asfalto. O menino, assustado, arrepiou
 carreira. O pai precipitou-se e o arrebanhou
 com o braço como a um animalzinho:
 — Que susto você me passou, meu filho —
 e apertava-o contra o peito fora de si.
(50) — Deixa eu descer, papai. Você está me
 machucando.
 Irresoluto, o pai pensava agora se não
 seria o caso de lhe dar umas palmadas:
4@professorferretto @prof_ferretto
 — Machucando, é? Fazer uma coisa dessas
(55) com seu pai.
 — Me larga. Eu quero ir embora.
 Trouxe-o para casa e o largou novamente
 na sala — tendo antes o cuidado de fechar a
 porta da rua e re�rar a chave, como ele
(60) fizera com a da despensa.
 — Fique aí quie�nho, está ouvindo?
 Papai está trabalhando.
 — Fico, mas vou empurrar esta cadeira.
 E o barulho recomeçou.
(Fernando Sabino)
 
No trecho “Viu um menino saindo desta casa?” – linha 26
– o complemento do verbo e termo acessório são,
respec�vamente,
a) objeto direto e objeto indireto.
b) adjunto adverbial e complemento nominal.
c) objeto direto e complemento nominal.
d) objeto direto e adjunto adverbial.
e) objeto indireto e pronome demonstra�vo.
GR0195 - (Esc. Naval)
Encontros e desencontros
Hoje, jantando num pequeno restaurante aqui
perto de casa, pude presenciar, ao vivo, uma cena que já
me �nham descrito. Um casal de meia idade se senta à
mesa vizinha da minha. Feitos os pedidos ao garçom, o
homem, bem depressinha, �ra o celular do bolso, e não
mais o deixa, a merecer sua atenção exclusiva. A mulher,
certamente de saber feito, não se faz de rogada e apanha
um livro que trazia junto à bolsa. Começa a lê-lo a par�r
da página assinalada por um marcador. Espichando o
meu pescoço inconveniente (nem tanto, afinal as mesas
eram coladinhas) deu para ver que era uma obra da
Martha Medeiros.
Desse modo, os dois iam usufruindo suas
gulodices, sem comentários, com algumas reações dele,
rindo com ele mesmo com postagens que certamente
ocorriam em seu celular. Até dois estranhos, postos nessa
situação, talvez acabassem por falar alguma coisa.
Pensei: devem estar juntos há algum tempo, sem ter
mais o que conversar. Cada um sabia tudo do outro, nada
a acrescentar, nada de novo ou surpreendente. E assim
caminhava, decerto, a vida daquele casal.
O que me choca, mesmo observando esta
situação, como outras que o dia a dia me oferece, é a
ausência de conversa. Sem conversa eu não vivo, sem sua
força agregadora para trocar ideias, para convencer ou
ser convencido pelo outro, para manifestar humor, para
desabafar sobre o que angús�a a alma, em suma, para
falar e para ouvir. A conversa não é a base da terapia? Sei
não, mas, atualmente, contar com um amigo para jogar
conversa fora ou para confessar aquele temor que lhe
está roubando o sossego talvez não seja fácil. O tempo
também, nesta vida corre-corre, tem lá outras
prioridades. Mia Couto é contundente: “Nunca o nosso
mundo teve ao seu dispor tanta comunicação. E nunca foi
tão dramá�ca a nossa solidão.” Até se fala muito, mas
ouvir o outro? Falo de conversas entre pessoas no mundo
real. Vive-se hoje, parece, mais no mundo digital. Nele,
até que se conversa muito; porém, é tão diferente,
mesmo quando um está vendo o outro. O
compar�lhamento do mesmo espaço, diria, é que nos
proporciona a abrangência do outro, a captação do seu
respirar, as ba�das de seu coração, o seu cheiro, o seu
humor...(16)
Desse diálogo é que tanta gente está sen�ndo
falta. Até por telefone as pessoas conversam,
atualmente, bem menos. Pelo WhatsApp fica mais fácil,
alega-se. Rapidinho, rapidinho. Mas e a conversa?
Conversa-se, sim, replicam. Será? Ou se trocam algumas
palavras? Quando falo em conversa, refiro-me àquelas
que se es�cam, sem tempo marcado, sem caminho reto,
a pularem deassunto em assunto. O WhatsApp é de
graça, proclamam. Talvez um argumento que pode ser
robusto, como se diz hoje, a favor da u�lização desse
instrumento moderno.
Mas será apenas por isso? Um amigo me lembra:
nos WhatsApps se trocam mensagens por escrito. Eu sei.
Entretanto, língua escrita é outra modalidade, outro
modo de a�var a linguagem, a começar pela não
copresença �sica dos interlocutores. No telefone, não há
essa copresença �sica, mas esse meio de comunicação
não é impedi�vo de falante e ouvinte, a cada passo,
trocarem de papéis e até mesmo de falarem ao mesmo
tempo, configurando, pois, caracterís�cas próprias da
modalidade oral. Contudo, não se respira o mesmo ar,
ainda que já se possa ver o outro. As pessoas passaram a
valer-se menos do telefone, e as conversas também vão,
por isso, tornando-se menos frequentes.
Gosto, mesmo, é de conversas, de preferência
com poucos companheiros, sem pauta, sem temas
censurados, sem se ter de esmerar na linguagem.
Conversa sem compromisso, a não ser o de evitar a
cha�ce. Com suas contundências, conflitos de opiniões e
momentos de solidariedade. Conversa que é vida, que
retrata a vida no seu dia a dia. No grupo maior, há de
tudo: o louco, o filósofo, o depressivo, o conquistador de
garganta, o saudosista... Nem sempre, é verdade, estou
mo�vado para par�cipar desses grupos. Porém, passado
um tempo, a saudade me bate.
Aqueles bate-papos in�mistas com um amigo de
tantas afinidades, merecedores que nos tornamos da
confiança um do outro, esses não têm nada igual. A
apreensão abrangente do amigo, de seu psiquismo, dos
seus sen�mentos, das dificuldades mais ín�mas por que
passa, faz-nos sen�r, fortemente, a nossa natureza
humana, a maior valia da vida.
5@professorferretto @prof_ferretto
Esses momentos vão se tornando, assim me
parece, uma cena menos habitual nestes tempos digitais.
A pressa, os problemas a se mul�plicarem, as tarefas a se
diversificarem, como encontrar uma brecha para aquela
conversa, que é entrega, confiança, despojamento?
Conversa que exige respeito: um local calminho, sem
gritos, vozes esganiçadas, garçons serenos. Sim, umas
tulipas estourando de geladas e uns �ra-gostos de nosso
paladar a exigirem nova pedida. Não queria perder esses
encontros. Afinal, a vida está passando tão depressa...
Adaptado: UCHOA, Carlos Eduardo. Disponível em:
h�p://carloseduardouchoa.com.br/blog/
 
Em qual opção o termo destacado exerce mesmo papel
sintá�co que "No grupo maior, há de tudo: o louco, o
filósofo, o depressivo, o conquistador de garganta, o
saudosista..." (6º Parágrafo)?
a) "Um amigo me lembra: nos whatsApps se trocam
mensagens por escrito.” (5º Parágrafo)
b) "No telefone, não há essa copresença �sica [...].” (5º
Parágrafo)
c) "[...] faz-nos sen�r, fortemente, a nossa natureza
humana, a maior valia da vida.” (7º Parágrafo)
d) "O whatsApp é de graça, proclamam." (4º Parágrafo)
e) "[...] proporciona a abrangência do outro, [...]" (3º
Parágrafo)
GR0187 - (Unesp)
MÃOS
Mãos de veludo, mãos de már�r e de santa,
ο vosso gesto é como um balouçar de palma;
ο vosso gesto chora, o vosso gesto geme, o vosso gesto
canta!
Mãos de veludo, mãos de már�r e de santa,
rolas à volta da negra torre da minh’alma.
 
Pálidas mãos, que sois como dois lírios doentes,
Caridosas Irmãs do hospício da minh’alma,
O vosso gesto é como um balouçar de palma,
Pálidas mãos, que sois como dois lírios doentes...
 
Mãos afiladas, mãos de insigne formosura,
Mãos de pérola, mãos cor de velho marfim,
Sois dois lenços, ao longe, acenando por mim,
Duas velas à flor duma bala escura.
 
Mimo de carne, mãos magrinhas e graciosas,
Dos meus sonhos de amor, quentes e brandos ninhos,
Divinas mãos que me heis coroado de espinhos,
Mas que depois me haveis coroado de rosas!
 
Afilhadas do luar, mãos de rainha,
Mãos que sois um perpétuo amanhecer,
Alegrai, como dois ne�nhos, o viver
Da minha alma, velha avó entrevadinha.
(Obras poé�cas, 1968.)
 
Na úl�ma estrofe do poema, os termos “Afilhadas do
luar”, “mãos de rainha” e “Mãos que sois um perpétuo
amanhecer” funcionam, no período de que fazem parte,
como
a) orações intercaladas.
b) apostos.
c) adjuntos adverbiais.
d) voca�vos.
e) complementos nominais.
GR0302 - (Unesp)
Leia o soneto de Luís de Camões.
 
Enquanto quis Fortuna 1 que �vesse
Esperança de algum contentamento,
O gosto de um suave pensamento 2
Me fez que seus efeitos escrevesse.
 
Porém, temendo Amor 3 que aviso desse
Minha escritura a algum juízo isento 4,
Escureceu-me o engenho 5 com tormento,
Para que seus enganos não dissesse.
 
Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos
A diversas vontades! Quando lerdes
Num breve livro casos tão diversos,
 
verdades puras são, e não defeitos 6,
E sabei que, segundo o amor �verdes,
Tereis o entendimento de meus versos.
(Luís de Camões. 20 sonetos, 2018.)
 
1 Fortuna: en�dade mí�ca que presidia a sorte dos
homens.
2 suave pensamento: sen�mento amoroso.
3 Amor: en�dade mí�ca que personifica o amor.
4 juízo isento: os inocentes do amor, aqueles que nunca
se apaixonaram.
5 engenho: talento poé�co, inspiração.
6 defeitos: inverdades, fantasia.
 
No soneto, o eu lírico dirige-se, mediante voca�vo,
a) àqueles que não entendem seus versos.
b) a Amor.
c) àqueles que nunca se apaixonaram.
d) aos amantes.
e) a Fortuna.
6@professorferretto @prof_ferretto
GR0185 - (Unesp)
O Bumba-Meu-Boi
Entre os autos populares conhecidos e
pra�cados no Brasil – pastoril, fandango, chegança,
reisado, congada, etc. – aquele em que melhor o povo
exprime a sua crí�ca, aquele que tem maior conteúdo
jornalís�co, é, realmente, o bumbameu-boi, ou
simplesmente boi.
Para Renato Almeida, é o “bailado mais notável
do Brasil, o folguedo brasileiro de maior significação
esté�ca e social”. Luís da Câmara Cascudo, por seu turno,
observou a sua superioridade porque “enquanto os
outros autos cristalizaram, imóveis, no elenco de outrora,
o bumba-meu-boi é sempre atual, incluindo soluções
modernas, figuras de agora, vocabulário, sensação,
percepção contemporânea. Na época da escravidão
mostrava os vaqueiros escravos vencendo pela
inteligência, astúcia e cinismo. Chibateava a cupidez, a
materialidade, o sensualismo de doutores, padres,
delegados, fazendo-os cantar versinhos que eram
confissões estertóricas. O capitão-do-mato, preador de
escravos, assombro dos moleques, faz-sono dos
negrinhos, vai ‘caçar’ os negros que fugiram, depois da
morte do Boi, e em vez de trazê-los é trazido amarrado,
humilhado, tremendo de medo. O valentão mes�ço,
capoeira, apanha pancada e é mais mofino que todos os
mofinos. Imaginem a alegria negra, vendo e ouvindo essa
sublimação aberta, franca, na porta da casa-grande de
engenho ou no terreiro da fazenda, nos pá�os das vilas,
diante do adro da igreja! A figura dos padres, os padres
do interior, vinha arrastada com a violência de um ajuste
de contas. O doutor, o curioso, me�do a entender de
tudo, o delegado autoritário, valente com a patrulha e
covarde sem ela, toda a galeria perpassa, expondo suas
mazelas, vícios, manias, cacoetes, olhada por uma
assistência onde estavam muitas ví�mas dos
personagens reais, ali subalternizados pela virulência do
desabafo”.
Como algumas outras manifestações folclóricas,
o bumbameu-boi u�liza uma forma an�ga, tradicional;
entretanto, fála reves�r-se de novos aspectos, atualiza o
entrecho, recompõe a trama. Daí “o interesse do �po
solidário que desperta nas camadas populares”, como o
assinala Édison Carneiro. Interesse que só pode manter-
se porque o que no auto se apresenta não reflete apenas
situações do passado, “mas porque têm importância para
o futuro”. Com efeito, tendo por tema central a morte e a
ressurreição do boi, “cerca-se de episódios acessórios,
não essenciais, muito desligados da ação principal, que
variam de região para região... em cada lugar, novos
personagens são enxertados, aparentemente sem outro
obje�vo senão o de prolongar e variar a brincadeira”.
Contudo, dentre esses personagens, os que representam
as classes superiores são caricaturados, cobrindo-se de
ridículo, o que torna “o folguedo, em si mesmo,uma
reivindicação”.
Sílvio Romero recolheu os versos de um bumba-
meu-boi, através dos quais se constata a intenção
caricaturesca nos personagens do folguedo. Como o
Padre, que recita:
Não sou padre, não sou nada
“Quem me ver estar dançando
Não julgue que estou louco;
Secular sou como os outros”.
Ou como o Capitão-do-Mato que, dando com o negro
Fidélis, vai prendê-lo:
“CAPITÃO – Eu te a�ro, negro
Eu te amarro, ladrão,
Eu te acabo, cão.”
Mas, ao contrário, quem vai sobre o Capitão e o amarra é
o Fidélis:
“CORO – Capitão de campo
Veja que o mundo virou
Foi ao mato pegar negro
Mas o negro lhe amarrou.
CAPITÃO – Sou valente afamado
Como eu não pode haver;
Qualquer susto que me fazem
Logo me ponho a correr”.
(Luiz Beltrão. Comunicação e folclore. São Paulo: Edições
Melhoramentos, 1971.)
 
O capitão-do-mato, preador de escravos, assombro dos
moleques, faz-sono dos negrinhos, vai ‘caçar’ os negros
que fugiram (...)
Nesta passagem, levando-se em conta o contexto, a
função sintá�ca e o significado, verifica-se que faz-sono é
a) substan�vo.
b) adje�vo.
c) verbo.
d) advérbio.
e) interjeição.
GR0194 - (Uece)
7@professorferretto @prof_ferretto
 
8@professorferretto @prof_ferretto
(MÜLLER, M. Crí�ca. Disponível em:
h�ps://www.papodecinema.com.br/filmes/extraordinario/.
Acesso em: 24 de outubro de 2019.)
 
O aposto é um termo u�lizado no texto para explicar algo
que aparece anteriormente e vem separado por vírgulas.
Com base nessa informação, assinale a opção em que a
expressão destacada NÃO é um aposto.
a) “(...) a divisão do filme literalmente em capítulos, estes
nominados de acordo com o coadjuvante
ocasionalmente promovido ao centro (...)” (linhas 39-
42).
b) “(...) estamos falando da história de um menino que
sofre da Síndrome de Treacher Collins, responsável
por causar deformação facial” (linhas 06-09).
c) “A dinâmica entre as pessoas em cena, com quem
estabelecemos rapidamente empa�a, funciona
adequadamente dentro da proposta adotada” (linhas
55-59).
d) “Auggie é educado e amparado sempre de perto pela
mãe, Isabel (Julia Roberts), encontra momentos de
leveza ao lado do paizão (...)” (linhas 22-25).
GR0198 - (Efomm)
O homem deve reencontrar o Paraíso...
Rubem Alves
Era uma família grande, todos amigos. Viviam
como todos nós: moscas presas na enorme teia de
aranha que é a vida da cidade. Todos os dias a aranha
lhes arrancava um pedaço. Ficaram cansados. Resolveram
mudar de vida: um sonho louco: navegar! Um barco, o
mar, o céu, as estrelas, os horizontes sem fim: liberdade.
Venderam o que �nham, compraram um barco capaz de
atravessar mares e sobreviver tempestades.
Mas para navegar não basta sonhar. É preciso
saber. São muitos os saberes necessários para se navegar.
Puseram-se então a estudar cada um aquilo que teria de
fazer no barco: manutenção do casco, instrumentos de
navegação, astronomia, meteorologia, as velas, as cordas,
as polias e roldanas, os mastros, o leme, os parafusos, o
motor, o radar, o rádio, as ligações elétricas, os mares, os
mapas... Disse certo o poeta: Navegar é preciso, a ciência
da navegação é saber preciso, exige aparelhos, números
e medições. Barcos se fazem com precisão, astronomia se
aprende com o rigor da geometria, velas se fazem com
saberes exatos sobre tecidos, cordas e ventos,
instrumentos de navegação não informam mais ou
menos. Assim, eles se tomaram cien�stas, especialistas,
cada um na sua - juntos para navegar.
Chegou então o momento da grande decisão -
para onde navegar. Um sugeria as geleiras do sul do Chile,
outro os canais dos fiordes da Nomega, um outro queria
conhecer os exó�cos mares e praias das ilhas do Pacífico,
e houve mesmo quem quisesse navegar nas rotas de
Colombo. E foi então que compreenderam que, quando o
assunto era a escolha do des�no, as ciências que
conheciam para nada serviam.
De nada valiam números, tabelas, gráficos,
esta�s�cas. Os computadores, coitados, chamados a dar
o seu palpite, ficaram em silêncio. Os computadores não
têm preferências - falta-lhes essa su�l capacidade de
gostar, que é a essência da vida humana. Perguntados
sobre o porto de sua escolha, disseram que não
entendiam a pergunta, que não lhes importava para onde
se estava indo.
Se os barcos se fazem com ciência, a navegação
faz-se com os sonhos. Infelizmente a ciência, u�líssima,
especialista em saber como as coisas funcionam, tudo
ignora sobre o coração humano. É preciso sonhar para se
decidir sobre o des�no da navegação. Mas o coração
humano, lugar dos sonhos, ao contrário da ciência, é
coisa imprecisa. Disse certo o poeta: Viver não é preciso.
Primeiro vem o impreciso desejo. Primeiro vem o
impreciso desejo de navegar. Só depois vem a precisa
ciência de navegar.
Naus e navegação têm sido uma das mais
poderosas imagens na mente dos poetas. Ezra Pound
inicia seus Cân�cos dizendo: E pois com a nau no mar /
assestamos a quilha contra as vagas... Cecília Meireles:
Foi, desde sempre, o mar! A solidez da terra, monótona /
parece-nos fraca ilusão! Queremos a ilusão do grande
mar / mul�plicada em suas malhas de perigo. E
Nietzsche: Amareis a terra de vossos filhos, terra não
descoberta, no mar mais distante. Que as vossas velas
não se cansem de procurar esta terra! O nosso leme nos
conduz para a terra dos nossos filhos... Viver é navegar
no grande mar!
Não só os poetas: C. Wright Mills, um sociólogo
sábio, comparou a nossa civilização a uma galera que
navega pelos mares. Nos porões estão os remadores.
Remam com precisão cada vez maior. A cada novo dia
recebem remos novos, mais perfeitos. O ritmo das
remadas acelera. Sabem tudo sobre a ciência do remar. A
galera navega cada vez mais rápido. Mas, perguntados
sobre o porto do des�no, respondem os remadores: O
porto não nos importa. O que importa é a velocidade
com que navegamos.
C. Wright Mills usou esta metáfora para
descrever a nossa civilização por meio duma imagem
plás�ca: mul�plicam-se os meios técnicos e cien�ficos ao
nosso dispor, que fazem com que as mudanças sejam
cada vez mais rápidas; mas não temos ideia alguma de
para onde navegamos. Para onde? Somente um
navegador louco ou perdido navegaria sem ter ideia do
para onde. Em relação à vida da sociedade, ela contém a
busca de uma utopia. Utopia, na linguagem comum, é
usada como sonho impossível de ser realizado. Mas não
é isso. Utopia é um ponto ina�ngível que indica uma
direção.
9@professorferretto @prof_ferretto
Mário Quintana explicou a utopia com um verso:
Se as coisas são ina�ngíveis... ora! / Não é mo�vo para
não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora/ A
mágica presença das es frei as! Karl Mannheim, outro
sociólogo sábio que poucos leem, já na década de 1920
diagnos�cava a doença da nossa civilização: Não temos
consciência de direções, não escolhemos direções.
Faltam-nos estrelas que nos indiquem o des�no.
Hoje, ele dizia, as únicas perguntas que são
feitas, determinadas pelo pragma�smo da tecnologia (o
importante é produzir o objeto) e pelo obje�vismo da
ciência (o importante é saber como funciona), são: Como
posso fazer tal coisa? Como posso resolver este problema
concreto par�cular? E conclui: E em todas essas
perguntas sen�mos o eco o�mista: não preciso de me
preocupar com o todo, ele tomará conta de si mesmo.
Em nossas escolas é isso que se ensina: a precisa
ciência da navegação, sem que os estudantes sejam
levados a sonhar com as estrelas. A nau navega veloz e
sem rumo. Nas universidades, essa doença assume a
forma de peste epidêmica: cada especialista se dedica,
com paixão e competência, a fazer pesquisas sobre o seu
parafuso, sua polia, sua vela, seu mastro.
Dizem que seu dever é produzir conhecimento.
Se forem bem-sucedidas, suas pesquisas serão
publicadas em revistas internacionais. Quando se lhes
pergunta: Para onde seu barco está navegando?, eles
respondem: Isso não é cien�fico. Os sonhos não são
objetos de conhecimento cien�fico...
E assim ficam os homens comuns abandonados
por aqueles que, por conhecerem mares e estrelas, lhes
poderiam mostrar o rumo. Não posso pensar a missão
das escolas, começando com as criançase con�nuando
com os cien�stas, como outra que não a da realização do
dito do poeta: Navegar é preciso. Viver não é preciso.
E necessário ensinar os precisos saberes da
navegação enquanto ciência. Mas é necessário apontar
com imprecisos sinais para os des�nos da navegação: A
terra dos filhos dos meus filhos, no mar distante... Na
verdade, a ordem verdadeira é a inversa. Primeiro, os
homens sonham com navegar. Depois aprendem a
ciência da navegação. E inú�l ensinar a ciência da
navegação a quem mora nas montanhas...
O meu sonho para a educação foi dito por
Bachelard: O universo tem um des�no de felicidade. O
homem deve reencontrar o Paraíso. O paraíso é jardim,
lugar de felicidade, prazeres e alegrias para os homens e
mulheres. Mas há um pesadelo que me atormenta: o
deserto. Houve um momento em que se viu, por entre as
estrelas, um brilho chamado progresso. Está na bandeira
nacional... E, quilha contra as vagas, a galera navega em
direção ao progresso, a uma velocidade cada vez maior, e
ninguém ques�ona a direção. E é assim que as florestas
são destruídas, os rios se transformam em esgotos de
fezes e veneno, o ar se enche de gases, os campos se
cobrem de lixo - e tudo ficou feio e triste.
Sugiro aos educadores que pensem menos nas
tecnologias do ensino - psicologias e quinquilharias - e
tratem de sonhar, com os seus alunos, sonhos de um
Paraíso.
OBS.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo
Ortográfico.
 
“Mas o coração humano, lugar dos sonhos, ao contrário
da ciência, é coisa imprecisa.”
Na passagem acima, a expressão sublinhada cumpre
determinada função sintá�ca que aparece nas opções
abaixo, EXCETO em
a) Não só os poetas: C. Wright Mills, um sociólogo sábio,
comparou a nossa civilização a uma galera que navega
pelos mares.
b) Infelizmente a ciência, u�líssima, especialista em
saber como as coisas funcionam, tudo ignora sobre o
coração humano.
c) Mas há um pesadelo que me atormenta: o deserto.
d) O paraíso é jardim, lugar de felicidade, prazeres e
alegrias para os homens e mulheres.
e) Sugiro aos educadores que pensem menos nas
tecnologias do ensino - psicologias e quinquilharias - e
tratem de sonhar, com os seus alunos, sonhos de um
Paraíso.
GR0188 - (Esc. Naval)
Quando se pergunta à população brasileira, em
uma pesquisa de opinião, qual seria o problema
fundamental do Brasil, a maioria indica a precariedade da
educação. Os entrevistados costumam apontar que o
sistema educacional brasileiro não é capaz de preparar os
jovens para a compreensão de textos simples, elaboração
de cálculos aritmé�cos de operações básicas,
conhecimento elementar de �sica e química, e outros
fornecidos pelas escolas fundamentais.
 [...]
Certa vez, par�cipava de uma reunião de pais e
professores em uma escola privada brasileira de
destaque e notei que muitos pais expressavam o desejo
de ter bons professores, salas de aula com poucos
alunos, mas não se sen�am responsáveis para
par�ciparem a�vamente das a�vidades educacionais,
inclusive custeando os seus serviços. Se os pais não
conseguiam entender que esta aritmé�ca não fecha e
que a sua aspiração estaria no campo do milagre, parece
di�cil que consigam transmi�r aos seus filhos o mínimo
de educação.
Para eles, a educação dos filhos não se baseia no
aprendizado dos exemplos dados pelos pais.
Que esta educação seja prioritária e ajude a
resolver os outros problemas de uma sociedade como a
brasileira parece lógico. No entanto, não se pode pensar
10@professorferretto @prof_ferretto
que a sua deficiência depende somente das autoridades.
Ela começa com os próprios pais, que não podem
simplesmente terceirizar essa responsabilidade.
Para que haja uma mudança neste quadro é
preciso que a sociedade como um todo esteja convencida
de que todos precisam contribuir para tanto, inclusive
elegendo representantes que par�lhem desta convicção
e não estejam pensando somente nos seus bene�cios
pessoais.
Sobre a educação formal, aquela que pode ser
conseguida nos muitos cursos que estão se tornando
disponíveis no Brasil, nota-se que muitos estão se
convencendo de que eles ajudam na sua ascensão social,
mesmo sendo precários. O número daqueles que
trabalham para obter o seu sustento e ajudar a sua
família, e ao mesmo tempo se dispõe a fazer um sacri�cio
adicional frequentando cursos até noturnos, parece estar
aumentando.
A demanda por cursos técnicos que elevam suas
habilidades para o bom exercício da profissão está em
alta. É tratada como prioridade tanto no governo como
em ins�tuições representa�vas das empresas. O mercado
observa a carência de pessoal qualificado para elevar a
eficiência do trabalho.
Muitos reconhecem que o Brasil é um dos países
emergentes que estão melhorando, a duras penas, a sua
distribuição de renda. Mas, para que este processo de
melhoria do bem-estar da população seja sustentável, há
que se conseguir um aumento da produ�vidade do
trabalho, que permita, também, o aumento da parcela da
renda des�nada à poupança, que vai sustentar os
inves�mentos indispensáveis.
A população que deseja melhores serviços das
autoridades precisa ter a consciência de que uma boa
educação, não necessariamente formal, é fundamental
para atender melhor as suas aspirações.
(YOKOTA, Paulo. Os problemas da educação no
Brasil. Em h�p://www,cartacapital.com.br/educacao/os-
problemas-da-educacao-no-brasil- 657.html - Com
adaptações)
 
Qual das orações abaixo traz o adjunto adnominal em
destaque?
a) " [...] qual seria o problema fundamental do Brasil, a
maioria indica a precariedade da educação." (1°§)
b) "Para eles, a educação dos filhos não se baseia no
aprendizado dos exemplos dados pelos pais." (3°§)
c) "A demanda por cursos técnicos que elevam suas
habilidades para o bom exercício da profissão está em
alta." (7°§)
d) "[...] a compreensão de textos simples, elaboração de
cálculos aritmé�cos de operações básicas, " (1°§)
e) "No entanto, não se pode pensar que a sua deficiência
depende somente das autoridades." (4°§)
GR0196 - (Esc. Naval)
Encontros e desencontros
Hoje, jantando num pequeno restaurante aqui
perto de casa, pude presenciar, ao vivo, uma cena que já
me �nham descrito. Um casal de meia idade se senta à
mesa vizinha da minha. Feitos os pedidos ao garçom, o
homem, bem depressinha, �ra o celular do bolso, e não
mais o deixa, a merecer sua atenção exclusiva. A mulher,
certamente de saber feito, não se faz de rogada e apanha
um livro que trazia junto à bolsa. Começa a lê-lo a par�r
da página assinalada por um marcador. Espichando o
meu pescoço inconveniente (nem tanto, afinal as mesas
eram coladinhas) deu para ver que era uma obra da
Martha Medeiros.
Desse modo, os dois iam usufruindo suas
gulodices, sem comentários, com algumas reações dele,
rindo com ele mesmo com postagens que certamente
ocorriam em seu celular. Até dois estranhos, postos nessa
situação, talvez acabassem por falar alguma coisa.
Pensei: devem estar juntos há algum tempo, sem ter
mais o que conversar. Cada um sabia tudo do outro, nada
a acrescentar, nada de novo ou surpreendente. E assim
caminhava, decerto, a vida daquele casal.
O que me choca, mesmo observando esta
situação, como outras que o dia a dia me oferece, é a
ausência de conversa. Sem conversa eu não vivo, sem sua
força agregadora para trocar ideias, para convencer ou
ser convencido pelo outro, para manifestar humor, para
desabafar sobre o que angús�a a alma, em suma, para
falar e para ouvir. A conversa não é a base da terapia? Sei
não, mas, atualmente, contar com um amigo para jogar
conversa fora ou para confessar aquele temor que lhe
está roubando o sossego talvez não seja fácil. O tempo
também, nesta vida corre-corre, tem lá outras
prioridades. Mia Couto é contundente: “Nunca o nosso
mundo teve ao seu dispor tanta comunicação. E nunca foi
tão dramá�ca a nossa solidão.” Até se fala muito, mas
ouvir o outro? Falo de conversas entre pessoas no mundo
real. Vive-se hoje, parece, mais no mundo digital. Nele,
até que se conversa muito; porém, é tão diferente,
mesmo quando um está vendo o outro. O
compar�lhamento do mesmoespaço, diria, é que nos
11@professorferretto @prof_ferretto
proporciona a abrangência do outro, a captação do seu
respirar, as ba�das de seu coração, o seu cheiro, o seu
humor...(16)
Desse diálogo é que tanta gente está sen�ndo
falta. Até por telefone as pessoas conversam,
atualmente, bem menos. Pelo WhatsApp fica mais fácil,
alega-se. Rapidinho, rapidinho. Mas e a conversa?
Conversa-se, sim, replicam. Será? Ou se trocam algumas
palavras? Quando falo em conversa, refiro-me àquelas
que se es�cam, sem tempo marcado, sem caminho reto,
a pularem de assunto em assunto. O WhatsApp é de
graça, proclamam. Talvez um argumento que pode ser
robusto, como se diz hoje, a favor da u�lização desse
instrumento moderno.
Mas será apenas por isso? Um amigo me lembra:
nos WhatsApps se trocam mensagens por escrito. Eu sei.
Entretanto, língua escrita é outra modalidade, outro
modo de a�var a linguagem, a começar pela não
copresença �sica dos interlocutores. No telefone, não há
essa copresença �sica, mas esse meio de comunicação
não é impedi�vo de falante e ouvinte, a cada passo,
trocarem de papéis e até mesmo de falarem ao mesmo
tempo, configurando, pois, caracterís�cas próprias da
modalidade oral. Contudo, não se respira o mesmo ar,
ainda que já se possa ver o outro. As pessoas passaram a
valer-se menos do telefone, e as conversas também vão,
por isso, tornando-se menos frequentes.
Gosto, mesmo, é de conversas, de preferência
com poucos companheiros, sem pauta, sem temas
censurados, sem se ter de esmerar na linguagem.
Conversa sem compromisso, a não ser o de evitar a
cha�ce. Com suas contundências, conflitos de opiniões e
momentos de solidariedade. Conversa que é vida, que
retrata a vida no seu dia a dia. No grupo maior, há de
tudo: o louco, o filósofo, o depressivo, o conquistador de
garganta, o saudosista... Nem sempre, é verdade, estou
mo�vado para par�cipar desses grupos. Porém, passado
um tempo, a saudade me bate.
Aqueles bate-papos in�mistas com um amigo de
tantas afinidades, merecedores que nos tornamos da
confiança um do outro, esses não têm nada igual. A
apreensão abrangente do amigo, de seu psiquismo, dos
seus sen�mentos, das dificuldades mais ín�mas por que
passa, faz-nos sen�r, fortemente, a nossa natureza
humana, a maior valia da vida.
Esses momentos vão se tornando, assim me
parece, uma cena menos habitual nestes tempos digitais.
A pressa, os problemas a se mul�plicarem, as tarefas a se
diversificarem, como encontrar uma brecha para aquela
conversa, que é entrega, confiança, despojamento?
Conversa que exige respeito: um local calminho, sem
gritos, vozes esganiçadas, garçons serenos. Sim, umas
tulipas estourando de geladas e uns �ra-gostos de nosso
paladar a exigirem nova pedida. Não queria perder esses
encontros. Afinal, a vida está passando tão depressa...
Adaptado: UCHOA, Carlos Eduardo. Disponível em:
h�p://carloseduardouchoa.com.br/blog/
 
 
Assinale a opção na qual o termo oracional em destaque
foi corretamente classificado.
a) "Ou se trocam algumas palavras?" (26) - objeto direto
b) "[...] assinalada por um marcador." (27) -
complemento nominal
c) "[...] me oferece, é a ausência de conversa." (28) -
objeto indireto
d) "[...] um amigo de tantas afinidades [...]" (29) - adjunto
adverbial
e) "[...] temor que lhe está roubando o sossego [...]." (30)
- adjunto adnominal
GR0624 - (Uefs)
Texto VII
Brasil
O Zé Pereira chegou de caravela
E preguntou pro guarani da mata virgem
– Sois cristão?
– Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
– Sim pela graça de Deus
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval
(ANDRADE, Oswald de. Primeiro Caderno do Aluno de
Poesia Oswald de Andrade. São Paulo: Globo, 1991, p.
41.)
 
O elemento do Texto VII que apresenta a mesma função
sintá�ca do termo "zonzo" (verso 07) é
a) De caravela (verso 1).
b) Pro guarani (verso 2).
c) Da mata virgem (verso 2).
d) Da fornalha (verso 7).
e) Pela graça de deus (verso 9).
GR0692 - (Unifenas)
Leia, com atenção, o excerto da LIRA XIX, de “Marília de
Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga.
 
Nesta triste masmorra,
De um semivivo corpo sepultura,
Inda, Marília, adoro
A tua formosura.
Amor na minha ideia te retrata;
12@professorferretto @prof_ferretto
Busca extremoso, que eu assim resista
À dor imensa, que me cerca, e mata.
 
Quando em meu mal pondero,
Então mais vivamente te diviso:
Vejo o teu rosto, e escuto
A tua voz, e riso.
Movo ligeiro para o vulto os passos;
Eu beijo a �bia luz em vez da face;
E aperto sobre o peito em vão os braços.
 
Conheço a ilusão minha;
A violência da mágoa não suporto;
Foge-me a vista, e caio,
Não sei se vivo, ou morto.
Enternece-se Amor de estrago tanto;
Reclina-me no peito, e com mão terna
Me limpa os olhos do salgado pranto.
 
Divisar: dis�nguir pela visão; enxergar.
Tíbia: fraca.
Enternecer-se: tornar-se terno; ter piedade; suavizar.
 
 
Avalie as afirmações sobre os aspectos destacados do
texto.
 
I- Os vocábulos Marília, �bia, violência, mágoa, extraídos
do excerto, receberam acento gráfico em virtude da
mesma razão.
II- No verso “Movo ligeiro para o vulto os passos”, o
vocábulo cons�tui exemplo de derivação imprópria, que
consiste na mudança de classe grama�cal de palavras.
III- Em “Nesta triste masmorra...” (1ª estrofe), “Então
mais vivamente te diviso... (2ª estrofe), “Movo ligeiro
para o vulto os passos....” (2ª estrofe) e “Reclina-me no
peito, e com mão terna... (3ª estrofe), foram destacados
termos acessórios e modificadores de formas verbais, às
quais acrescentam algum �po de circunstância.
IV- “De um semivivo corpo sepultura...” (1ª estrofe);
“Movo ligeiro para o vulto os passos...” (2ª estrofe);
Enternece-se Amor de estrago tanto...” (3ª estrofe) ;
“Reclina-me no peito; e com mão terna...” (3ª estrofe), as
preposições sublinhadas estabelecem, pela ordem, os
seguintes sen�dos: posse, direção, causa e meio.
V- Em “Amor na minha ideia te retrata” (1ª estrofe); “À
dor imensa, que me cerca, e mata” (1ª estrofe); “Então
vivamente te diviso” (2ª estrofe); “Me limpa os olhos do
salgado pranto” (3ª estrofe), todos os termos destacados
exercem a mesma função sintá�ca.
a) todas corretas, sem exceção.
b) todas corretas, com única exceção.
c) todas corretas, exceto II e V.
d) todas corretas, exceto III e IV.
e) todas corretas, exceto I e II.
GR0727 - (Espcex)
Assiste à demolição
— Morou mais de vinte anos nesta casa? Então vai
sen�r “uma coisa” quando ela for demolida.
Começou a demolição. Passando pela rua, ele viu a
casa já sem telhado, e operários, na poeira, removendo
caibros. Aquele telhado que lhe dera tanto trabalho por
causa das goteiras, tapadas aqui, reaparecendo ali. Seu
quarto de dormir estava exposto ao céu, no calor da
manhã. Ao fundo, no terraço, �nham desaparecido as
colunas da pérgula, e a cobertura de ramos de buganvília
– dois troncos subindo do pá�o lá embaixo e enchendo
de florinhas vermelhas o chão de ladrilho, onde gatos da
vizinhança amavam fazer sesta e surpreender �co-�cos.
Passou nos dias seguintes e viu o progressivo
desfazer-se das paredes, que escancarava a casa de
frente e de flancos jogando-a por assim dizer na rua. Os
marcos das portas apareciam emoldurando o vazio. O
azul e as nuvens circulavam pelos cômodos, em
composição surrealista. E o pequeno balcão da fachada,
cercado de ar, parecia um mirante espacial, baixado ao
nível dos míopes.
A demolição prosseguiu à noite, espontaneamente.
Um lanço de parede desabou sozinho, para fora do
tapume, quando já cessara na rua o movimento dos
lotações. Caiu discreto, sem ferir ninguém, apenas
avariando – desculpem – a rede telefônica.
A casa encolhera-se, em processo involu�vo. Já agora
de um só pavimento, sem teto, aspirava mesmo à
desintegração. Chegou a vez da pequena sala de estar, da
sala de jantar com seu lambri envernizado a preto, que
ele passara meses raspando a poder de gilete, para
recuperar a cor da madeira. E a vez do escritório, parte
pensante e sen�nte deseu mecanismo individual, do eu
mais ín�mo e simultaneamente mais público, eu de
gavetas sigilosas, manuseadas por um profissional da
escrita. De todo o tempo que vivera na casa, fora ali que
passara o maior número de horas, sentado, meio
corcunda, desligado de acontecimentos, ouvindo, sem
escutar, rumores que chegavam de outro mundo –
cantoria de bêbados, motor de avião, chorinho de bebê,
galo na madrugada.
E não sen�u dor vendo esfarinharem-se esses
compar�mentos de sua história pessoal. Nem sequer a
melancolia do desvanecimento das coisas �sicas. Elas
�nham durado, cumprido a tarefa.
Chega o instante em que compreendemos a
demolição como um resgate de formas cansadas,
13@professorferretto @prof_ferretto
sentença de liberdade. Talvez sejamos levados a essa
compreensão pelo trabalho similar, mais surdo, que se
vai desenvolvendo em nós. E não é preciso imaginar a
alegria de formas novas, mais claras, a surgirem
constantemente de formas caducas, para aceitar de
coração sereno o fim das coisas que se ligaram à nossa
vida.
Fitou tranquilo o que �nha sido sua casa e era um
amontoado de caliça e �jolo, a ser removido. Em breve
restaria o lote, à espera de outra casa maior, sem sinal
dele e dos seus, mas des�nada a concentrar outras
vivências. Uma ordem, um estatuto pairava sobre os
destroços, e tudo era como devia ser, sem ilusão de
permanência.
Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Cadeira de
balanço. 12. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio
Editora, 1979.
 
Vocabulário
caibro s.m. elemento estrutural de um telhado,
geralmente peças de madeira que se dispõem da
cumeeira ao frechal, a intervalos regulares e paralelas
umas às outras, em que se cruzam e assentam as ripas,
frequentemente mais finas e compridas, e sobre as quais
se apoiam e se encaixam as telhas
pérgula s. f. espécie de galeria coberta de barrotes
espacejados assentados em pilares, geralmente
guarnecida de trepadeiras
buganvília s.f. designação comum às plantas do gênero
bougainvillea, trepadeira, muito cul�vadas como
ornamentais
de flanco s. m. pela lateral
marco s. m. parte fixa que guarnece o vão de portas e
janelas, e onde as folhas destas se encaixam, prendendo-
se por meio de dobradiças
tapume s. m. cerca ou vala guarnecida de sebe que
defende uma área; anteparo, geralmente de madeira,
com que se veda a entrada numa área, numa construção
lambri s. m. reves�mento interno de parede, usado com
fim decora�vo ou para proteger contra frio, umidade ou
barulho; feito de madeira, mármore, estuque, numa só
peça ou composto por painéis, que vão até certa altura
ou do chão ao teto (mais usado no plural)
caliça s.f. conjunto de resíduos de uma obra de alvenaria
demolida ou em desmoronamento, formado por pó ou
fragmentos dos materiais diversos do reboco (cal,
argamassa ressequida) e de pedras, �jolos desfeitos
lote s. m. porção de terra autônoma que resulta de
loteamento ou desmembramento; terreno de pequenas
dimensões, urbano ou rural, que se des�na a construções
ou à pequena agricultura
Fonte: HOUAISS, A. e Villar, M. de S. Dicionário Houaiss
da Língua Portuguesa. Elaborado no Ins�tuto Antônio
Houaiss de Lexicografia e Banco de Dados da Língua
Portuguesa. Rio de Janeiro. Obje�va, 2009.
 
Marque a alterna�va que traz, respec�vamente, a correta
classificação das expressões sublinhadas nas frases “A
demolição prosseguiu à noite...” e “... aspirava mesmo à
desintegração...”.
a) adjunto adverbial – complemento verbal.
b) adjunto adverbial – adjunto adverbial.
c) adjunto adnominal – complemento verbal.
d) complemento verbal – adjunto adnominal.
e) complemento verbal – adjunto adverbial.
GR0741 - (Espcex)
Homem no mar
 Rubem Braga
De minha varanda vejo, entre árvores e telhados, o
mar. Não há ninguém na praia, que resplende ao sol. O
vento é nordeste, e vai tangendo, aqui e ali, no belo azul
das águas, pequenas espumas que marcham alguns
segundos e morrem, como bichos alegres e humildes;
perto da terra a onda é verde.
Mas percebo um movimento em um ponto do mar; é
um homem nadando. Ele nada a uma certa distância da
praia, em braçadas pausadas e fortes; nada a favor das
águas e do vento, e as pequenas espumas que nascem e
somem parecem ir mais depressa do que ele. Justo:
espumas são leves, não são feitas de nada, toda sua
substância é água e vento e luz, e o homem tem sua
carne, seus ossos, seu coração, todo seu corpo a
transportar na água.
Ele usa os músculos com uma calma energia; avança.
Certamente não suspeita de que um desconhecido o vê e
o admira porque ele está nadando na praia deserta. Não
sei de onde vem essa admiração, mas encontro nesse
homem uma nobreza calma, sinto-me solidário com ele,
acompanho o seu esforço solitário como se ele es�vesse
cumprindo uma bela missão. Já nadou em minha
presença uns trezentos metros; antes, não sei; duas vezes
o perdi de vista, quando ele passou atrás das árvores,
mas esperei com toda confiança que reaparecesse sua
cabeça, e o movimento alternado de seus braços. Mais
uns cinquenta metros, e o perderei de vista, pois um
telhado o esconderá. Que ele nade bem esses cinquenta
ou sessenta metros; isto me parece importante; é preciso
que conserve a mesma ba�da de sua braçada, e que eu o
veja desaparecer assim como o vi aparecer, no mesmo
rumo, no mesmo ritmo, forte, lento, sereno. Será
perfeito; a imagem desse homem me faz bem.
É apenas a imagem de um homem, e eu não poderia
saber sua idade, nem sua cor, nem os traços de sua cara.
Estou solidário com ele, e espero que ele esteja comigo.
Que ele a�nja o telhado vermelho, e então eu poderei
sair da varanda tranquilo, pensando "vi um homem
sozinho, nadando no mar; quando o vi ele já estava
nadando; acompanhei-o com atenção durante todo o
14@professorferretto @prof_ferretto
tempo, e testemunho que ele nadou sempre com firmeza
e correção; esperei que ele a�ngisse um telhado
vermelho, e ele o a�ngiu".
Agora não sou mais responsável por ele; cumpri o
meu dever, e ele cumpriu o seu. Admiro-o. Não consigo
saber em que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa;
ele não estava fazendo nenhum gesto a favor de alguém,
nem construindo algo de ú�l; mas certamente fazia uma
coisa bela, e a fazia de um modo puro e viril. Não desço
para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a mão; mas dou
meu silencioso apoio, minha atenção e minha es�ma a
esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem,
a esse correto irmão.
(ANDRADE, Carlos Drummond de; et al. Elenco de
cronistas modernos. 8. ed. Rio de Janeiro: José Olympio,
1984. p.128-129).
 
No trecho “nada a favor das águas e do vento", o termo
sublinhado tem a mesma função sintá�ca do termo
destacado em:
a) O homem nadava forte, mas com uma calma energia.
b) Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a
mão.
c) Dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha
es�ma a esse desconhecido.
d) Será perfeito; a imagem desse homem me faz bem.
e) Agora não sou mais responsável por ele; cumpri o meu
dever e ele cumpriu o dele.
GR0747 - (U�)
Analise as afirma�vas a respeito do período: “Estão
maltratando uma velhinha!".
I. O sujeito do período é composto.
II. O objeto indireto do período é “uma velhinha!".
III. O predicado é “estão maltratando uma velhinha!"
IV. A construção “estão maltratando" indica ao leitor que
a ação está em processo.
 
Assinale a alterna�va CORRETA.
a) Apenas as afirma�vas I e II estão corretas.
b) Apenas as afirma�vas I e III estão corretas.
c) Apenas as afirma�vas II e IV estão corretas.
d) Apenas as afirma�vas III e IV estão corretas.
GR0789 - (Ita)
O Leão
A menina conduz-me diante do (50) leão, (14)
esquecido por um circo de passagem. Não está preso,
velho e doente, em gradil de ferro. (41). Foi solto no
gramado (01) e a tela fina (12) de arame (06) é
escarmento ao rei dos animais. (02) (46) (53). Não mais
que um caco de leão: (17) (54) as pernas reumá�cas, a
juba emaranhada e sem brilho. (52). Os olhos globulosos
(18) fecham-se (21) cansados, (11) sobre o focinho (07)
contei (26) nove ou dez moscas, (19) (42) (51) que ele
não �nha ânimo de espantar. (55) Das grandes narinas(03) escorriam (31) gotas e pensei, por um momento,
(48) que fossem lágrimas. (36).
Observei (22) em volta: somos todos adultos, sem
contar a menina. Apenas para nós o leão conserva (27) o
seu an�go pres�gio — as crianças estão em redor dos
macaquinhos. (42) Um dos presentes explica que o bicho
tem (23) as pernas entrevadas, (08) (56) a vida inteira na
minúscula jaula. Derreado, não pode (13) sustentar-se
em pé.(57).
Chega-se um piá e, desafiando (28) com olhar
selvagem (04) o leão, a�ra-lhe um punhado de cascas de
amendoim. O rei sopra (32) pelas narinas, ainda é um
leão faz estremecer a grama a seus pés.
 Um de nós protesta (33) que deviam servir-lhe a
carne em pedacinhos. (37)
— Ele não tem dente?
— Tem sim, não vê? Não tem é força de morder.
Con�nua (24) o moleque a jogar amendoim na cara
devastada do leão. Ele nos olha e um brilho de
compreensão (40) nos faz baixar a cabeça: é conhecido o
travo amargoso da derrota. Está velho, artrí�co, (15) não
se aguenta das pernas, mas é um leão. De repente, (45)
sacudindo a juba, põe-se a mas�gar o capim. Ora, leão
come verde! (20) Lança-lhe (29) o guri uma pedra:
acertou no olho (44) lacrimoso (05) e doeu. (34)
O leão abriu a bocarra de dentes (47) amarelos, (10)
não era um bocejo. Entre caretas do dor, (09) elevou-se
(30) aos poucos (38) nas pernas tortas. Sem sair (25) do
lugar, ficou de pé. Escancarou (35) pensamento os beiços
moles e negros, ouviu-se a rouca buzina (39) de fordeco
an�go.
Por um instante o rugido manteve suspensos os
macaquinhos e fez bater mais depressa o coração da
menina.(49) O leão soltou seis ou sete urros. Exausto,
deixou-se cair (16) de lado e fechou os olhos para
sempre.
 
15@professorferretto @prof_ferretto
Escarmento: cas�go, punição
 
Em qual das opções os termos re�rados do texto acima
desempenham a mesma função sintá�ca?
a) no gramado (01) / de arame (06).
b) ao rei dos animais (02) / sobre o focinho (07).
c) Das grandes narinas (03) / as pernas entrevadas (08).
d) com olhar selvagem (04) / Entre caretas de dor (09).
e) no olho lacrimoso (05) / de dentes amarelos (10).
16@professorferretto @prof_ferretto

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