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LISTA INTELIGENTE PORTUGUÊS U F P R Crase TEXTO BASE 1 Leia atentamente o texto abaixo. Quanto mais selvagem, melhor Metrópoles estão trocando parques e jardins por “matas” onde vegetação cresce vontade. É o rewilding, conceito que protege o meio ambiente e agrada aos olhos. Milhões de moradores de Barcelona, como de boa parte do mundo, passaram meses trancados em casa no ano passado, em lockdown rigoroso por causa da pandemia. Ao saírem, tiveram uma surpresa. Sem humanos por perto, os pássaros e pequenos roedores tomaram conta dos parques, onde plantas e flores puderam crescer e desabrochar vontade. A população de borboletas duplicou e a biodiversidade local deu um salto de 28%. impressionante explosão ecológica promoveu uma virada de consciência: antes resistentes ampliação dos santuários silvestres, temendo volta de bichos indesejáveis, os barcelonenses passaram a apoiar ideia e a prefeitura já pôs várias iniciativas do gênero em andamento. A experiência catalã de rewilding, como é chamada a recuperação de biomas mais selvagens (wild, em inglês), vem se repetindo em diversas metrópoles, como uma forma natural, simpática e inclusiva de preservar o fustigado meio ambiente. Visto como o que de mais moderno em urbanismo, o rewilding pretende redefinir o conceito de área verde: saem os jardins impecáveis e gramados bem aparados, entra vegetação natural da região, que cresce sem poda, irrigação nem pesticidas, permitindo que o ecossistema encontre seu equilíbrio. Em pouco tempo, insetos, pássaros, peixes e outros animais retornam ao hábitat, criando um vigoroso ciclo de biodiversidade. Em Barcelona, a prefeitura plantou árvores ao longo de ruas e avenidas, criando corredores verdes para os animais se locomoverem. Além disso, uma área de 780 000 metros quadrados de espaço subaproveitado, como estacionamentos, está sendo transformada em mata, onde funcionários de parques espalham colmeias e abrigos para pássaros e morcegos. Revista Veja. Edição 2765. n.46, p. 70, novembro 2021. Adaptado. • lockdown - confinamento • rewilding - renaturalizar FepeseQUESTÃO 1 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 1 Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto. A a / a / a / À / à / a / a / à / a B à / à / à / A / a / à / à / à / à C à / a / à / À / a / à / a / há / à D a / a / a / A / à / a / a / há / a E a / à / à / A / à / a / a / há / a TEXTO BASE 2 Texto Eu sei, mas não devia Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. À comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar O dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. À ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. As bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta. A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma. COLASANTI, M. Eu sei, mas não devia. Jornal do Brasil, 19/2. EAMQUESTÃO 2 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 2 Assinale a opção cuja crase se justifica, respectivamente, pelo mesmo caso empregado em “E, à medida que se acostuma, esquece o sol [...] (2º§) e “A gente se acostuma à poluição.” (8º§). A À proporção que íamos caminhando, chegávamos à casa da Vovô. B Vá à Bahia no próximo final de semana e fique à espera de minha resposta. C Por que disseste à Beatriz que foste até à farmácia ontem? D Entreguei todo meu dinheiro à sua mãe às pressas. E Estamos à procura da felicidade constantemente. Refiro-me à felicidade plena. TEXTO BASE 3 TEXTO Sobrecarga de atividades atinge alunos e docentes e expõe lacunas do ensino remoto A estudante Ohanna Sanna, 18, relata que teve dificuldade para se adaptar ____ essa rotina de estudos. “No começo, para cada matéria, os professo res estavam colocando três ou quatro atividades [5] para entregar na semana. Em alguns casos, a gente nem tinha três, quatro aulas com aquele professor”, reclama ____ estudante. Aluna do terceiro ano do ensino médio, ela conta que, após reclamações dos alunos, a coordenadora [10] da escola definiu junto aos professores uma redução na carga de trabalhos. Como aluno do ensino médio e do técnico, Guilherme de Oliveira Silva, 17, estava acostumado ____ estudar em dois períodos e ainda reservar um [15]tempo para se preparar para os vestibulares. “Como os professores estão passando mais atividades como forma de avaliação, eu não tive tempo ainda de pegar os livros para estudar para o vestibular”, diz o aluno. “Isso está me preocupando [20] bastante. Estou considerando como um ano perdido”, acrescenta o jovem, que pretende prestar o Enem e os vestibulares da Fuvest, da Unicamp e da Unesp. Fragmento adaptado de: https://bit.ly/3gpjFo6. Acesso em: 23 ago. 2020. PUC-RSQUESTÃO 3 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 3 Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas do texto. A à – a – à B à – à – à C a – à – à D a – a – a UVVQUESTÃO 4 Começam ___ cair uns pingos de chuva. Tão leves e raros que nem ___ borboletas ainda perceberam, e continuam ___ pousar, ___ tontas, de jasmim em jasmim. As pedras estão muito quentes, e cada gota que cai logo se evapora. Os meninos olham para o céu cinzento, estendem ___mão - vão fazer outra coisa. Excerto do texto de Cecília Meireles - Chuvas com lembranças. Assinale a alternativa que preenche, corretamente, a lacuna da frase: A à / às / a / às / a. B à / as / à / às / a. C a / as / a / às / a. D a / às / a / às / a. E a / às / a / às / à. TEXTO BASE 4 O que nos torna pouco competitivos? Renato Rozental Lamentar a morte de mais de meio milhão de brasileiros por covid-19 é pouco. Esta é uma discussão de resposta muito clara, quase óbvia. Se tivéssemos capacidade interna, poderíamos ter suprido parte das necessidades do mercado e reduzido o impacto da pandemia no sistema de saúde em tempo hábil. O quadro de calamidade é resultado de décadas de políticas de incentivo ___ mera reprodução em vez de estímulo ___ capacitação profissional e ao domínio do processo produtivo. [5] Começar reproduzindo (‘copiando’) não é um problema. Basta lembrar da história do nylon, fibra têxtil sintética patenteada pela empresa norte-americana DuPont em 1935 e usada para provocar a indústria japonesa e fazê-la exportar menos seda. A resposta japonesa foi contundente e imediata: ‘copiar’ o processo de manufatura e produzir nylon 6 meses após a desfeita. Atualmente, a China domina o mercado mundial de nylon, seguida por Estados Unidos, Japão e Tigres Asiáticos. Os chineses perceberam que, na era tecnológica, “o caminho mais curto para crescer é apostar em três frentes: inovação, inovação e [10] inovação”. Nesse contexto, pergunto: qual é o perfil da nossa indústria farmacêutica? Produzimos genéricos… até hoje. Mas a política de ‘genéricos’ tem como fragilidade o fato de incluir apenas medicamentos cujas patentes já tenham expirado. O problema do conhecimento tecnológico insuficiente e a dificuldade do nosso país em evoluir de ‘copiar’ para ‘inovar’ precisa ser tratado com prioridade e sem demagogia para romper o ciclo vicioso da dependência tecnológica e trazer um diferencial competitivo. [15] O projeto de cranioplastia, reparo craniano extenso, pode ilustrar tanto a inovação estimulada pela demanda como os entraves burocráticos ao desenvolvimento do produto. Pelo lado clínico, ___ cirurgias de reconstrução do crânio após remoção da calota craniana envolvem um alto custo, incluindo a malha de titânio e porcelanato usada atualmente, totalizando um gasto entre R$ 120 mil e R$ 200 mil por paciente, o que torna sua realização no Sistema Único de Saúde (SUS) economicamente inviável. A cranioplastia faz-se necessária não somente por razões estéticas – o que, por si só, já justificaria o procedimento –, [20] mas também para assegurar que o cérebro do paciente fique mais protegido e com melhor irrigação sanguínea, resultando em melhoras cognitivas e comportamentais e facilitando ___ reintrodução do indivíduo na sociedade. No momento, infelizmente, a implantação de próteses cranianas é realizada pelo SUS somente mediante doação ou após sentença judicial, considerando que o paciente corre risco de vida. Nossa equipe desenvolveu uma solução utilizando uma prótese de polimetilmetacrilato (PMMA) confeccionada durante o [25] período da cirurgia, com resultados semelhantes e até superiores aos das próteses de titânio e porcelanato disponíveis, mas com custo cerca de 20 vezes menor que o praticado no mercado, tornando o tratamento, em teoria, viável e acessível à rede SUS. Estamos confiantes nos resultados das próteses feitas de PMMA, na análise dos custos e na adequabilidade do produto para o mercado. A ciência translacional não é algo que possa se embutir no sistema por decreto. Grandes organizações, públicas e privadas, [30] estão amarradas nas suas próprias burocracias, o que dificulta o processo criativo e de inovação. No contexto da inovação em saúde, precisamos inserir formas de gestão flexíveis, ágeis, que envolvam tomadas de decisão descentralizadas, permitindo a responsabilização de todos os atores envolvidos, de modo a ampliar os espaços de criatividade e de ousadia na busca e na implementação de soluções. O que não dá para aceitar é continuar ___ andar com o ‘freio de mão puxado’ e na contramão do desenvolvimento sustentável. [35] Por fim, a dicotomia entre público e privado já deveria ter sido ultrapassada. A saúde é direito de todos e dever do Estado. Quem trabalha com inovação quer ver o produto funcionando no mercado global. Certa vez, em 1995, tive a oportunidade de ouvir de Eric Kandel (Universidade Columbia), Rodolfo Llinás (Universidade de Nova York) e Torsten Wiesel (Universidade Rockfeller) uma previsão sobre o cenário de concessões nos Institutos Nacionais da Saúde (NIH) em 2015-2020: “quem não desenvolvesse uma ‘pílula’ para a sociedade como resultado do seu projeto de pesquisa estaria fora do pool”. Tal visão está se [40] tornando uma realidade global. Pessoalmente, acredito que um dos compromissos mais preciosos que temos com a nossa população é o de proporcionar hoje, e não amanhã, uma solução para que todos possam ser atendidos a tempo e desfrutem de boa qualidade de vida. (ROZENTAL, Renato.O que nos torna pouco competitivos? [Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde. Fundação Oswaldo Cruz e Instituto de Ciências Biomédicas. Universidade Federal do Rio de Janeiro]. Matéria publicada em Ciência Hoje de 20 de agosto de 2021. Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/o-que-nos-torna-pouco- competitivos/. Acesso em 18 de setembro de 2021). Texto adaptado para esta prova. UPFQUESTÃO 5 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 4 Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das linhas 4, 16, 21 e 33, nessa ordem. A à – à – às – a – a. B à – à – às – à – a. C a – a – as – à – à. D à – à – as – a – a. E a – a – as – à – a. UFRRQUESTÃO 6 O poema Corpo-África foi publicado no portal da literatura afro- brasileira – LITERAFRO - em setembro de 2021, em cujo tema assim se lia: RESISTIR/EXISTIR: a poesia afro-brasileira nos Cadernos Negros 39, um poema contemporâneo que é construído por meio da força criadora da linguagem figurada como um desabafo do eu-lírico, em que 2 mundos em conflito estão apartados pelo racismo. Há um jogo de algumas metonímias cuja maior expressão está resumida em seu título Corpo-África. Em vários versos, percebemos as partes do corpo sendo mencionadas como representantes desse todo que seria a identidade africana sendo negada e silenciada pelo racismo estrutural da sociedade ou, então, partes do outro corpo adversário, causadores do sofrimento do eulírico. Nesse contexto, considere as alternativas a seguir e assinale a que apresenta o uso CORRETO da crase. A Há a demonstração que devemos ser contrários àqueles que defendem o preconceito racial. B Há particularidades de vivência à ser vinculada ao mundo africano. C A representação do navio negreiro leva à pensar em pessoas que têm seu mundo compartilhado com outros. D A implementação de uma concepção de inferiorização cria uma alusão à crimes com perdão. E O corpo intensifica à uma comunhão de forças e de raças. UFRGSQUESTÃO 7 ........ me perguntam: quantas palavras uma pessoa sabe? Essa é uma pergunta importante, principalmente para quem ensina línguas estrangeiras. Seria muito útil para [5] quem planeja um curso de francês ou japonês ter uma estimativa de quantas palavras um nativo conhece; e quantas os alunos precisam aprender para usar a língua com certa facilidade. Essas informações seriam preciosas [10] para quem está preparando um manual que inclua, entre outras coisas, um planejamento cuidadoso da introdução gradual de vocabulário. À parte isso, a pergunta tem seu interesse próprio. Uma língua não é apenas [15] composta de palavras: ela inclui também regras gramaticais e um mundo de outros elementos que também precisam ser dominados. Mas as palavras são particularmente numerosas, e é notável como qualquer pessoa, instruída ou [20] não, ........ acesso a esse acervo imenso de informação com facilidade e rapidez. Assim, perguntar quantas palavras uma pessoa sabe é parte do problema geral de o que é queuma pessoa tem em sua mente e que ........ [25] permite usar a língua, falando e entendendo. Antes de mais nada, porém, o que é uma palavra? Ora, alguém vai dizer, “todo mundo sabe o que é uma palavra”. Mas não é bem assim. Considere a palavra olho. É muito claro [30] que isso aí é uma palavra – mas será que olhos é a mesma palavra (só que no plural)? Ou será outra palavra? Bom, há razões para responder das duas maneiras: é a mesma palavra, porque significa a [35] mesma coisa (mas com a ideia de plural); e é outra palavra, porque se pronuncia diferentemente (olhos tem um “s” final que olho não tem, além da diferença de timbre das vogais tônicas). Entretanto, a razão principal por que julgamos [40] que olho e olhos sejam a mesma palavra é que a relação entre elas é extremamente regular; ou seja, vale não apenas para esse par, mas para milhares de outros pares de elementos da língua: olho/olhos, orelha/orelhas, [45] gato/gatos, etc. E, semanticamente, a relação é a mesma em todos os pares: a forma sem “s” denota um objeto só, a forma com “s” denota mais de um objeto. Daí se tira uma consequência importante: não é preciso aprender [50] e guardar permanentemente na memória cada caso individual; aprendemos uma regra geral (“faz-se o plural acrescentando um “s” ao singular”), e estamos prontos. Adaptado de: PERINI, Mário A. Semântica lexical. ReVEL, v. 11, n. 20, 2013. Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das linhas 01, 20 e 24, nessa ordem. A Às vezes – têm – lhe B Às vezes – tem – lhe C As vezes – têm – o D Às vezes – tem – o E As vezes – têm – lhe TEXTO BASE 5 Instrução: A questão referem-se ao texto abaixo Esse delírio que por aí vai pelo futebol ........ seus fundamentos na própria natureza humana. O espetáculo da luta sempre foi o maior encanto do homem; e o prazer da vitória, pessoal ou do partido, [5] foi, é e será a ambrosia dos deuses manipulada na Terra. Admiramos hoje os grandes filósofos gregos, Platão, Sócrates, Aristóteles; seus coevos, porém, admiravam muito mais os atletas que venciam no estádio. Milon de Crotona, campeão na arte de [10] torcer pescoços de touros, só para nós tem menos importância que seu mestre Pitágoras. Para os gregos, para a massa popular grega, seria inconcebível a ideia de que o filósofo pudesse no futuro ofuscar a glória do lutador. [15] Na França, o homem hoje mais popular é George Carpentier, mestre em socos de primeira classe; e, se derem nas massas um balanço sincero, verão que ele sobrepuja em prestígio aos próprios chefes supremos vencedores da guerra. [20] Nos Estados Unidos, há sempre um campeão de boxe tão entranhado na idolatria do povo que está em suas mãos subverter o regime político. E os delírios coletivos provocados pelo combate de dois campeões em campo? Impossível assistir-se [25] a espetáculo mais revelador da alma humana que os jogos de futebol. Não é mais esporte, é guerra. Não se batem duas equipes, mas dois povos, duas nações. Durante o tempo da luta, de quarenta a cinquenta [30] mil pessoas deliram em transe, estáticas, na ponta dos pés, coração aos pulos e nervos tensos como cordas de viola. Conforme corre o jogo, ........ pausas de silêncio absoluto na multidão suspensa, ou deflagrações violentíssimas de entusiasmo, que [35] só a palavra delírio classifica. E gente pacífica, bondosa, incapaz de sentimentos exaltados, sai fora de si, torna-se capaz de cometer os mais horrorosos desatinos. A luta de vinte e duas feras no campo transforma [40] em feras os cinquenta mil espectadores, possibilitando um enfraquecimento mútuo, num conflito horrendo, caso um incidente qualquer funda em corisco, ....... eletricidades psíquicas acumuladas em cada indivíduo. [45] O jogo de futebol teve a honra de despertar o nosso povo do marasmo de nervos em que vivia. Adaptado de LOBATO, Monteiro. A onda verde. São Paulo: Globo, 2008. p. 119-120. UFRGSQUESTÃO 8 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 5 Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das linhas 01, 32 e 43, nessa ordem. A tem – haverá – as. B têm – houveram – as. C tem – haverão – as. D tem – haverá – às. E têm – houveram – às. TEXTO BASE 6 O texto a seguir é referência para a questão. Os tatuís e o antropoceno Você está em 2043. Cinco anos atrás, a civilização entrou em colapso. Metade da humanidade foi dizimada por epidemias, inundações, vazamentos em reatores nucleares, guerra civil. Os estados nacionais estão falidos. Não há mais elefantes, nem girafas, nem onças, nem centenas de outras espécies. A internet é lenta e deficiente, quase não funciona. Não há mais viagens aéreas. A comida é pouca e sempre a mesma. As usinas elétricas pararam de funcionar. A eletricidade é conseguida em pequena escala, com painéis solares. Um dia, uma velhinha é assaltada por um jovem que rouba seus painéis solares. E aí começa o seguinte diálogo: “Você faria isso com seus parentes?” “Meus parentes morreram todos. E tiveram uma vida melhor que a minha. Você também teve. Sua eletricidade, seu carro, seu conforto... Vocês viveram bem _____ beça. Chegou _____ hora de pagar a conta. Você começa a pagar hoje. É como se eu fosse um oficial de justiça, sacou?” “Mas não fui eu, pessoalmente, quem sujou o mundo. Foi o sistema. E é muito difícil mudar o sistema”. “Então! É a mesma coisa. Não sou eu, pessoalmente, quem está roubando você. É o sistema. E é muito difícil mudar o sistema” Essa cena está no romance The bone clocks, do escritor inglês David Mitchell, publicado em 2014. Ela me causou pesadelos durante algumas semanas, e continua me assombrando. Trabalhei na área de meio ambiente durante alguns anos, e não foram poucos os relatórios, livros e artigos científicos que li sobre as catástrofes ecológicas contemporâneas e a devastação tão característica da nossa época. Mas nenhum desses documentos me deixou marcas tão profundas quanto o trecho que citei acima. Isso me fez pensar, mais uma vez, no potencial inigualável da literatura para evocar uma realidade. Talvez por isso a antropóloga Donna Haraway tenha sugerido que antropoceno não é uma palavra adequada para dar conta do terror da era em que vivemos. Em seu lugar, ela propôs o termo cthuluceno, em homenagem ao monstro apocalíptico criado pelo escritor H. P. Lovecraft. Voltei a pensar no livro do David Mitchell ao esbarrar com uma fotografia que tirei na praia de Ipanema, anos atrás. Nela, meu filho de cinco anos segura um solitário tatuí na palma de sua mão. Era a primeira vez que ele via o pequeno crustáceo que eu encontrava aos milhares quando tinha a idade dele e frequentava _____ mesma praia. Naquele dia, passamos mais de uma hora caminhando na beira do mar _____ procura de outros tatuís, mas não achamos mais nenhum. Desde então, nunca mais vimos um tatuí. O tatuí (Emerita brasiliensis), para quem nunca viu um, é (ou era) um bicho característico do litoral atlântico sulamericano, mais ou menos desde o Espírito Santo até o estuário do rio da Prata. Tem uns três ou quatro centímetros de comprimento e dizem que é muito saboroso (nunca provei, para mim seria como comer um animal doméstico). É uma espécie muito sensível _____ variações no ambiente e, por isso, tem sido usada como bioindicador, ou seja, como ferramenta para monitorar o estado do ecossistema em que vive. Fatores como aumento da poluição marinha e elevação da temperatura da água afetam rapidamente o comportamento, as características físicas e o ciclo de vida dos tatuís. Uma vez li em algum lugar que, quanto mais calor no ambiente, mais rápido bate o pequeno coração do tatuí e, portanto, menor é o seu tempo de vida. Não sei se isso é verdade, mas não deixa de ser uma maneira tristemente poética de dar conta do desaparecimento dos tatuís das praias cariocas. Em 2043, terei setenta e um anos. É difícil não me identificar com a velhinha da história. Mais difícil ainda acreditar que, no mundo de 2043, ainda existirão elefantes, girafas, onças e tatuís. Bom, pelo menos nos restará o consolode saber que não fomos nós, pessoalmente, que criamos esse mundo. Foi o... sistema. (Gustavo Pacheco, diplomata e antropólogo. Disponível em: <https://epoca.globo.com/gustavo-pacheco/os-tatuis- oantropoceno-23031237>.) UPQUESTÃO 9 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 6 Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas desse texto. A à – à – a – a – às. B a – a – à – à – as. C a – à – a – a – às. D a – a – à – a – as. E à – a – a – à – às. TEXTO BASE 7 O texto a seguir é referência para a questão. Butão e Costa Rica disputam atualmente o título mundial de felicidade. Nos anos 30, o troféu coube ____ Ilhas Salomão, onde os antropólogos mostraram que havia liberdade com os costumes sexuais e compreensão para com a educação das crianças. Na Idade Média os paraísos medievais eram feitos de comida abundante e segurança, assim como as utopias modernas giraram em torno da liberdade e da igualdade. As variações de conteúdo sugerem uma constante: a felicidade é composta do que nos falta, mais exatamente, da relação com o que nos falta. Se entre nós e o que nos falta está o trabalho, temos uma relação com ____ felicidade. Se entre nós e o que nos falta está o amor, eis que a felicidade muda de figura. Se nos falta dinheiro, poder ou fama, ali estará a substância da felicidade. A felicidade depende da teoria da transformação que carregamos conosco. Se entre nós e o que nos falta existe apenas e tão somente uma imagem, a transformação dessa imagem será o processo mesmo _____ que chamaremos felicidade. Se entre nós e o que nos falta existe um oceano (que nos levaria até as Ilhas Salomão), então nossa felicidade tem estrutura de viagem. Se entre nós e a felicidade está a presença incômoda de pessoas indesejáveis e seus costumes perturbadores, então nossa felicidade seguirá _____ gramática da guerra ou da segregação. O terceiro critério de produção da felicidade diz respeito ao outro. Por exemplo, nos faltam asas, mas em geral não nos lamentamos disso. Afinal, ninguém tem asas. Nossa felicidade depende de como supomos a felicidade de nosso vizinho. Se ele aparecesse com asas biônicas, imediatamente nos tornaríamos seres infelizes, afetados por essa privação. Civilizações obcecadas com felicidade, como a nossa, são também culturas de inveja e da competição. Como nossa felicidade depende de nossa teoria transindividual da transformação em relação ao que nos falta, a tarefa de educar nossas crianças tornou-se um desafio contemporâneo. Queremos tanto fazê-las felizes porque isso realiza nossa felicidade. Aqui a armadilha tem sido fatal. Imaginamos que o encontro de contrariedades reais traz infelicidades, por isso tentamos poupar nossos alunos de experimentarem sua própria falta. Supomos, depois, que nossa teoria da transformação será igual _____ deles (afinal, vivemos mais, sabemos como é o mundo), por isso não trabalhamos para que eles construam responsabilidade ou implicação com a felicidade que lhes concerne inventar. Além disso, sancionamos _____ ilusão da felicidade indiferente, baseada no conforto e na satisfação de si, custeada pelo mito de que se nós nos amamos e ficamos juntos e protegidos tudo vai terminar bem. Infelizmente, usado dessa maneira o amor mata ou imbeciliza. Praticada dessa maneira, produzimos com eles uma felicidade feita de negação de diferenças reais (que, portanto, não serão tratadas), de recusa de falsidade nas experiências de reconhecimento (que, portanto, serão odiadas) e de imperativos de sucesso que correspondem _____ realização, empobrecida, de nossa própria felicidade, não da deles. É assim que estamos prometendo uma felicidade venenosa e ainda queremos fazer das escolas uma extensão desse projeto mórbido. Precisamos de uma felicidade mais cara – esta está dando errado. (Christian Ingo Lenz Dunker, psicanalista, professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). Disponível em: <http://www2.uol.com.br/vivermente/) UPQUESTÃO 10 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 7 Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas acima, na ordem em que aparecem no texto. A as – a – à – a – a – à – à. B às – a – a – a – à – a – à. C às – à – à – à – a – a – a. D as – à – a – à – à – à – à. E as – a – à – a – à – a – a. FACISAQUESTÃO 11 Segue, abaixo, excerto de um texto publicado na conta do Instagram @topdestinos. Preencha as lacunas com as palavras, em sua forma correta, indicadas numa das assertivas abaixo. “A rivalidade entre Porto e Lisboa equivale ____ que existe entre paulistas e cariocas. Vai do futebol ____ gastronomia ____ inclui arquitetura e política. Por exemplo: Lisboa é ____ capital de Portugal ____ o nome do país vem de Porto”. A sequência correta é A a, à, porém, há, portanto. B à, à, mas, à, entretanto. C a, a, e, a, mas. D à, à, e, a, mas. E à, a, e, a, portanto. TEXTO BASE 8 Leia o texto. Fome e subdesenvolvimento A fome é, de longe, o sintoma mais grave e mais geral do subdesenvolvimento. Resulta de todo um conjunto de causas e provoca toda uma gama de consequências. Sendo a alimentação a necessidade primeira do homem e a busca da alimentação tendo sido, durante milênios, uma preocupação quase obsessiva, a fome é, entre as características do subdesenvolvimento, aquela que mais profundamente choca a opinião dos países ricos. É a manifestação mais flagrante da miséria, a expressão das privações que não é possível eludir: admite-se que os homens fiquem nus (é, diz-se, “a tradição”), que se alojem em cabanas (à primeira vista é “pitoresco”), que sejam doentios (não existe a doença nos países desenvolvidos?), que não tenham trabalho (“certamente não gostam de se cansar”), etc., mas não é possível admitir a fome. Sua denúncia é, de fato, o único meio de levar a opinião pública dos países desenvolvidos a tomar consciência dos problemas do subdesenvolvimento. (…) Yves Lacoste. Geografia do subdesenvolvimento. FepeseQUESTÃO 12 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 8 Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras (V) e as falsas (F). ( ) A crase foi usada de forma correta em: “Fiz referência àquilo que me disseste e me coloquei à disposição para esclarecer os fatos mencionados no relatório das ações para combate à fome”. ( ) A crase é facultativa nas seguintes situações: “Isso cheira à molho de tomate”, “Fiz referência à esta situação” e “Estou disposto à combater os casos de fome de minha comunidade”. ( ) A crase é proibida nas seguintes situações: “Estávamos frente a frente” e “Somente obedeço a leis justas”. ( ) Em termos do uso da crase, as seguintes situações igualam- se: “Dirijo-me a Roma” e “Fui a Bahia”, em ambas ocorre o fenômeno da crase na palavra sublinhada. ( ) Está correto o uso da crase em: “Suas opiniões são análogas às que dei na entrevista ontem”. Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo. A V • V • V • F • F B V • V • F • V • F C V • F • V • F • V D F • V • F • V • F E F • F • F • V • V EEARQUESTÃO 13 Quanto ao uso ou não do acento grave indicador de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto abaixo. “Minha mãe, pessoa mais intransigente da casa, um dia acordou aberta _____ novas experiências. Deixou de lado seu ponto de vista contrário _____ aquisição de animais domésticos e achou que valeria _____ pena adotar um cão. Porém, quanto _____ passarinhos, jamais; queria-os livres para voarem rumo ______ liberdade.” A a - a - à - a - a B à - a - à - à - à C à - à - a - à - a D a - à - a - a - à ACAFEQUESTÃO 14 Preencha os espaços em branco com Há, a, à, nessa ordem. I ____ dois anos não ___ visitava, mas sua mãe sempre esteve ___ espera. ll ____ beira do precipício, ____ poucos arbustos ___ decorar a paisagem. III ____ quem quisesse ver, demonstrei que não ___ possibilidade de resolver ___ questão. IV ____ alguma chance, ____ custa de muito esforço, de obter ___ vaga pretendida. V ____ ao menos três maneiras de encaminhar isso ___ quem está ___ disposição para ajudar.As frases corretas, de acordo com a ordem proposta, são: A I - V B II - III - IV C I - III - IV D III - V UFRRQUESTÃO 15 Leia os textos e em seguida responda. I. “No crepúsculo em que habito, passeio ____ noite em amarelos, rosas em becos desconhecidos” (Devair Fiorotti) II. “Minha poesia carrega em si uma cor que ___ vezes nem minha alma contém.” (Eli Macuxi) III. “Cai o sol na terra de Makunaima/ Boa Vista no céu, lua cheia de mel/ sobe___ serra de Pacaraima/ eu sou de Roraima” (Neuber Uchôa e Zeca Preto) IV. “Eu sou cavalo selvagem/ Meu mundo é ___ imensidão” (Eliakin Rufino) V. “Ele retira forças pra atravessar os desertos/ que enfrentamos juntos/ e para beber ___ estrelas e aos olhos/ da mulher que amo e que não está comigo.” (Roberto Mibielli) As lacunas são preenchidas corretamente pela sequência: A a, a, a, à, as B à, às, a, a, as C a, às, à, à, às D à, as, à, a, às E à, às, a, a, às UFRRQUESTÃO 16 Leia o período abaixo e analise as alternativas a seguir: Para alguns, a obra Macunaíma não tem à ver com a preguiça do povo brasileiro. Para outros, o personagem principal revela a verdadeira síntese do comodismo e o preconceito de que brasileiro não gosta de trabalhar. Por conseguinte, Mário de Andrade determinou que muitos mentirosos fossem às favas. I. O uso da crase em “à ver” está de acordo com a norma gramatical vigente; II. Em “a verdadeira”, o artigo “a” deveria estar com a crase porque “verdadeira” é uma palavra feminina; III. A expressão “às favas” está dentro dos padrões da Norma Culta. IV. Em “brasileiro não gosta de trabalhar” o verbo gostar é intransitivo. Está (ão) CORRETA (S): A ) Apenas I e III. B Apenas II. C Apenas II e IV. D Apenas III. E Apenas I, III e IV. TEXTO BASE 9 INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto. TEXTO Festas de casamento falsas viram moda na Argentina Comida gostosa, música boa, bar liberado ____ noite toda... quem nunca ______ até altas horas numa boa festa de casamento? Esse ritual, que muitos já presenciaram ao longo da vida, é, porém, desconhe- [5] cido para alguns representantes das gerações mais jovens. Mas há uma solução para elas: Casamento Falso (ou Falsa Boda, no nome original em espanhol), uma ideia de cinco amigos de La Plata, na Argentina. O [10] detalhe era que os convidados não eram amigos ou parentes dos noivos, mas ilustres desconhecidos que compraram entradas para o evento. Martín Acerbi, um publicitário de 26 anos, estava cansado de ir sempre ____ mesmas boates. “Quería- [15] mos organizar uma festa diferente, original”, disse. E assim pensaram em fazer esse evento “temático”, que chamaram de Casamento Falso. Pablo Boniface, um profissional de marketing de 32 anos que esteve em um Casamento Falso em [20] Buenos Aires em julho, disse que para ele foi a oca- sião perfeita para realizar algo que sempre quis fazer: colocar uma gravata. “Para mim essas festas são até melhores do que um casamento real, _____ você não precisa se sentar [25] com estranhos e ficar entediado. Você passa bons momentos com seus amigos e não se encontra com todos os tios e avôs que normalmente frequentam essas cerimônias”, disse Pablo. Adaptado de: http://www.bbc.com/portuguese/ noticias/2015/08/150831_falsos_casamentos_tg. Acesso em 07 set. 2016. PUC-RSQUESTÃO 17 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 9 Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto. A a – se divertiu – às – porque B à – divertiu-se – as – por que C a – divertiu-se – as – porque D à – se divertiu – às – por que E a – divertiu-se – às – por que UFRGSQUESTÃO 18 Instrução: A questão estão relacionadas ao texto abaixo. – Temos sorte de viver no Brasil – dizia meu pai, depois da guerra. – Na Europa mataram milhões de judeus. Contava as experiências que os médicos [5] nazistas faziam com os prisioneiros. Decepavam-lhes as cabeças, faziam-nas encolher – à maneira, li depois, dos índios Jivaros. Amputavam pernas e braços. Realizavam estranhos transplantes: uniam a [10] metade superior de um homem ........ metade inferior de uma mulher, ou aos quartos traseiros de um bode. Felizmente morriam essas atrozes quimeras; expiravam como seres humanos, não eram obrigadas a viver [15] como aberrações. (........ essa altura eu tinha os olhos cheios de lágrimas. Meu pai pensava que a descrição das maldades nazistas me deixava comovido.) Em 1948 foi proclamado o Estado de [20] Israel. Meu pai abriu uma garrafa de vinho – o melhor vinho do armazém –, brindamos ao acontecimento. E não saíamos de perto do rádio, acompanhando ........ notícias da guerra no Oriente Médio. Meu pai estava [25] entusiasmado com o novo Estado: em Israel, explicava, vivem judeus de todo o mundo, judeus brancos da Europa, judeus pretos da África, judeus da Índia, isto sem falar nos beduínos com seus camelos: tipos muito [30] esquisitos, Guedali. Tipos esquisitos – aquilo me dava ideias. Por que não ir para Israel? Num país de gente tão estranha – e, ainda por cima, em guerra – eu certamente não chamaria a [35] atenção. Ainda menos como combatente, entre a poeira e a fumaça dos incêndios. Eu me via correndo pelas ruelas de uma aldeia, empunhando um revólver trinta e oito, atirando sem cessar; eu me via caindo, [40] varado de balas. Aquela, sim, era a morte que eu almejava, morte heroica, esplêndida justificativa para uma vida miserável, de monstro encurralado. E, caso não morresse, poderia viver depois num kibutz. Eu, que [45] conhecia tão bem a vida numa fazenda, teria muito a fazer ali. Trabalhador dedicado, os membros do kibutz terminariam por me aceitar; numa nova sociedade há lugar para todos, mesmo os de patas de cavalo. Adaptado de: SCLIAR, M. O centauro no jardim. 9. ed. Porto Alegre: L&PM, 2001 Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das linhas 10, 15 e 23, nessa ordem. A à – À – às B a – A – às C à – A – às D a – À – as E à – A – as CESMACQUESTÃO 19 O uso da norma culta da gramática portuguesa costuma ser socialmente valorizada, como algo distintivo e de prestígio. Identifique a alternativa em que o uso da crase está em concordância com as normas sintáticas e ortográficas. A Dediquei o livro à meus filhos e à minhas filhas para incentivá-los à escrever. B À exposição mostrou as vanguardas europeias as visitantes brasileiras. C A exposição durou toda à semana; dia à dia, sem interrupção. D Graças às minhas alunas expositoras, não perdi nenhuma sessão apresentada. E Quando compreendi que às coisas são reais e todas diferentes, comecei à não saber que função têm. UNIFESPQUESTÃO 20 Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas da tira. A Por que – à – a – porquê B Porquê – a – a – por que C Por que – à – à – porque D Por quê – à – à – porque E Por quê – a – a – porque UNIPAMQUESTÃO 21 Este texto publicitário foi transcrito com lacunas. Leia-o para responder ao que se pede. O acesso ____ internet é essencial para atingirmos os objetivos globais da humanidade. Quando as pessoas têm acesso ____ ferramentas e ao conhecimento existente na internet, elas têm acesso _____ oportunidades que fazem a vida ser melhor para todos nós. A internet tem um papel fundamental no combate _____ injustiça, no compartilhamento de novas ideias e no auxilio _____ empreendedores na geração de empregos. No entanto, metade das pessoas neste planeta não tem acesso ____ ela, especialmente mulheres e meninas. A internet pertence ____ todos. Ela deveria ser acessível ____ todos. (Adaptado de Folha de S.Paulo, 1º out. 2015). Assinale a alternativa que preenche com correção gramatical as lacunas do texto. A à, às, a, à, a, a, a, a B à, as, a, a, à, a, à, à C a, as, à, à, a, à, à, a D a, às, a, a, à, a, a, à TEXTO BASE 10 Observe o texto abaixo e responda à questão LEI Nº 12.990, DE 9 DE JUNHO DE 2014. A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono ______ seguinte Lei: Art. 1° Ficam reservadas aos negros 20% (vinte por cento) das vagasoferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública federal, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União, na forma desta Lei. § 1° A reserva de vagas será aplicada sempre que o número de vagas oferecidas no concurso público for igual ou superior ___ 3 (três). § 2° Na hipótese de quantitativo fracionado para o número de vagas reservadas __ candidatos negros, esse será aumentado para o primeiro número inteiro subsequente, em caso de fração igual ou maior que 0,5 (cinco décimos), ou diminuído para número inteiro imediatamente inferior, em caso de fração menor que 0,5 (cinco décimos). § 3° A reserva de vagas a candidatos negros constará expressamente dos editais dos concursos públicos, que deverão especificar o total de vagas correspondentes____ reserva para cada cargo ou emprego público oferecido. Art. 2° Poderão concorrer ___vagas reservadas a candidatos negros aqueles que se autodeclararem pretos ou pardos no ato da inscrição no concurso público, conforme o quesito cor ou raça utilizado pela Fundação Instituto. (BRASIL. LEI Nº 12.990, DE 9 DE JUNHO DE 2014. . Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011- 2014/2014/Lei/L12990.htm. Acessado em 20/11/2016) FDSMQUESTÃO 22 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 10 Respectivamente, as lacunas ficam preenchidas de modo correto com a seguinte sequência: A a – há – à – à – as. B a – a – a – à – às. C a – a – há – a – as. D à – à – há – a - às E há – a – à – a – às. ESAQUESTÃO 23 Assinale a alternativa que preenche, de acordo com a norma padrão, as lacunas da seguinte frase: “O professor se referia _______ alunas dispostas ________ vencer qualquer obstáculo do dia ______ dia.” A às – a – a B às – a – à C às – à – a D as – à – à E as – a – à UEA - SISQUESTÃO 24 Na esteira do regionalismo, Rachel de Queiroz compôs dois romances de ambientação cearense, O quinze e João Miguel. Em ambos releva notar uma prosa enxuta e viva. Confrontados com A bagaceira, de José Américo, esses livros podem dizer-se mais próximos do ideal neorrealista que nortearia ___ narrativa social do Nordeste. Os períodos são, em geral, menos “literários”, breves, colados ___ transcrição dos atos e dos acontecimentos. E ___ diálogo é corrente, lembrando às vezes a novelística popular que, mais tarde, atrairia ___ escritora ao passar do romance para o teatro de raízes regionais e folclóricas. (Alfredo Bosi. História concisa da literatura brasileira, 1994. Adaptado.) Assinale a alternativa que preenche, respectivamente, as lacunas do texto. A a – à – o – a B a – à – o – à C à – à – ao – à D a – a – o – a E à – a – ao – a UFRGSQUESTÃO 25 Instrução: As questões de 10 a 17 estão relacionadas ao texto abaixo. [1] Não faz muito que temos esta nova TV com controle remoto, mas devo dizer que se trata agora de um instrumento sem o qual eu não saberia viver. Passo os dias sentado na [5] velha poltrona, mudando de um canal para o outro – uma tarefa que antes exigia certa movimentação, mas que agora ficou muito fácil. Estou num canal, não gosto – zap, mudo para outro. Eu gostaria de ganhar em dólar [10] num mês o número de vezes que você troca de canal em uma hora, diz minha mãe. Tratase de uma pretensão fantasiosa, mas pelo menos indica disposição para o humor, admirável nessa mulher. [15] Sofre minha mãe. Sempre sofreu: infância carente, pai cruel, etc. Mas o seu sofrimento aumentou muito quando meu pai a deixou. Já faz tempo; foi logo depois que eu nasci, e estou agora com treze anos. Uma idade em [20] que se vê muita televisão, e em que se muda de canal constantemente, ainda que minha mãe ache isso um absurdo. Da tela, uma moça sorridente pergunta se o caro telespectador já conhece certo novo sabão [25] em pó. Não conheço nem quero conhecer, de modo que – zap – mudo de canal. ―Não me abandone, Mariana, não me abandone!‖. Abandono, sim. Não tenho o menor remorso, e agora é um desenho, que eu já vi duzentas [30] vezes, e – zap – um homem falando. Um homem, abraçado ........ guitarra elétrica, fala ........ uma entrevistadora. É um roqueiro. É meio velho, tem cabelos grisalhos, rugas, falta-lhe um dente. É o meu pai. [35] É sobre mim que ele fala. Você tem um filho, não tem?, pergunta a apresentadora, e ele, meio constrangido – situação pouco admissível para um roqueiro de verdade –, diz que sim, que tem um filho só que não vê há [40] muito tempo. Hesita um pouco e acrescenta: você sabe, eu tinha que fazer uma opção, era a família ou o rock. A entrevistadora, porém, insiste (é chata, ela): mas o seu filho gosta de rock? Que você saiba, seu filho gosta de rock? [45] Ele se mexe na cadeira; o microfone, preso ........ desbotada camisa, roça-lhe o peito, produzindo um desagradável e bem audível rascar. Sua angústia é compreensível; aí está, num programa local e de baixíssima [50] audiência – e ainda tem de passar pelo vexame de uma pergunta que o embaraça e à qual não sabe responder. E então ele me olha. Vocês dirão que não, que é para a câmera que ele olha; aparentemente é isso; [55] mas na realidade é a mim que ele olha, sabe que, em algum lugar, diante de uma tevê, estou a fitar seu rosto atormentado, as lágrimas me correndo pelo rosto; e no meu olhar ele procura a resposta ........ pergunta [60] da apresentadora: você gosta de rock? Você gosta de mim? Você me perdoa? – mas aí comete um engano mortal: insensivelmente, automaticamente, seus dedos começam a dedilhar as cordas da guitarra, é o vício do [65] velho roqueiro. Seu rosto se ilumina e ele vai dizer que sim, que seu filho ama o rock tanto quanto ele, mas nesse momento – zap – aciono o controle remoto e ele some. Em seu lugar, uma bela e sorridente jovem que está – [70] à exceção do pequeno relógio que usa no pulso – nua, completamente nua. Adaptado de: SCLIAR, M. Zap. In: MORICONI, Í. (Org.) Os cem melhores contos brasileiros. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. p. 547-548. Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas nas linhas 31, 32, 46 e 59, nesta ordem. A à – a – à – a B à – à – a – a C a – à – a – à D a – a – à – a E à – a – à – à UCSQUESTÃO 26 O ato de escrever nos modifica, e é por essa razão que ele faz sentido Cristovão Tezza Há muitos anos, ouvi o escritor português Augusto Abelaira (1926-2003) classificar toda a literatura do mundo em apenas duas famílias: “Grandes Esperanças” e “Ilusões Perdidas”. A brincadeira com as obras-primas de Dickens e Balzac poderia ser estendida ao temperamento dos escritores, os soturnos e solares. [5] Como classificar e coçar é só começar, e a ficção – o nome já o diz – não é uma ciência, pensei em separar os escritores em função de como eles ____ o mundo que pretendem “revelar”. As aspas se explicam adiante. A primeira vertente seria a conspiratória. Segundo ela, somos naturalmente seres negativos que se dirigem à morte. Infelizmente, não há nada que se possa fazer a respeito, porque a natureza é soberana, [10] e a subjetividade, uma mentira. Pela escrita, fomos arrancados do aqui e agora do mundo natural, ao qual não podemos voltar. Assim, escrever será sempre um processo insidioso de ocultação, e são impressionantes os meios de que ____ a escrita para nos enganar, criando fantasmas paralelos e arbitrários que asfixiam o real tentando simular um impossível retorno à suposta paz primitiva. [15] É falsa, portanto, a distinção entre ficção e não ficção – tudo é ficção; ou, pior, tudo é uma mentira, e a penosa ética da escrita seria torná-la límpida, trazer a mentira à luz do sol, denunciando perpetuamente o fracasso, que, queiramos ou não, se volta sobre si mesmo. Não há escape ou segurança, exceto no próprio ato de escrever, que é, necessariamente, um ato de desespero. A segunda vertente é a encantatória. Vivemos em uma rede maravilhosa – não necessariamente [20] otimista, alegre ou feliz, mas no sentido atávico das mil e uma noites, o maravilhoso como suspensão do tempo edas regras sensoriais. Essa rede fantástica de sentidos, causas e efeitos existe segundo essências inatingíveis pela lógica humana e revela sinais milagrosos em toda parte. O artista é a antena com poderes de captação de um saber que, apesar da intransponível opacidade da natureza, está sempre pulsando no entorno à espera de [25] um intérprete. O escritor seria esse arauto das forças misteriosas do mundo. Nessa visão, de um apelo instintivamente escapista, escrever também é tirar o manto que oculta a realidade e revelá-la tal qual ela é. Para o poeta Ezra Pound, havia mesmo uma raça pulsando em alguma parte, que o poeta, “antena da raça”, deve farejar. A expressão é historicamente grotesca, mas o seu espírito tem uma atração perene, uma espécie de “alma do mundo”, o comando romântico irresistível. [30] O fato é que, tanto para os encantatórios como para os conspiratórios, a realidade é um dado prévio que se deixa ver apenas por enigmas e só pode ser pressentido; escrever é revelar, ou, mais precisamente, deixar o mundo revelar-se pelas mãos do escritor. São visões com o charme do irracionalismo poético – e certamente obras-primas se escreveram e continuarão se escrevendo sob o sopro dessa natureza regressiva. [35] Para colocar essa teoria capenga em minha própria medida, gosto de pensar em mim mesmo como escritor de uma realidade encantatória, mas o espírito da conspiração vive me puxando o tapete. A ideia de que os escritores “revelam” alguma coisa é enganosa – eu aqui, cristalino; e o mundo lá, turvo e misterioso. Escrever é uma ação sobre o mundo, e sou parte dele. O ato de escrever nos modifica, e é por essa razão que ele faz sentido. É possível que o primeiro impulso seja o da “revelação” – o que é isso que estou [40] vendo ou sentindo? –, mas já no instante seguinte a redução da vida real ____ letras, a reapresentação e o fechamento do mundo pela gramática, pelo funil das sentenças, cria uma terceira realidade, um desejo que se desenha, um objeto espelhado, uma hipótese, que, por sua própria natureza, surge não “revelando” o mundo, que nada diz por si mesmo, mas fazendo concorrência a ele, como queriam os verdadeiros realistas. [45] Levando-se adiante ____ conversa solta, pode-se extrair daí uma ética laica do ato de escrever ficção, ou seja, o seu princípio inegociável, desde os diálogos socráticos e seu sabor romanesco: o fato de que somos seres inacabados. Fico por aqui: para salvação deste escriba, e alegria do leitor, acabou o espaço. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/colunas/cristovao- te zza/2017/07/1897639-o-ato-de-escrever-nos-modifica -e-e- por-essa-razao-que- -ele-faz-sentido.shtml>. Acesso em: 3 set. 17. (Adaptado.) Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas nas linhas 6, 13, 40 e 45 do texto. A vêm, dispõem, as, a B veem, dispõe, às, a C veem, dispõem, às, a D vêem, dispõem, às, à E vêem, dispõe, as, à FEMAQUESTÃO 27 Fui ____ instituição de ensino. Dirigi-me ____ Diretor, ____ quem perguntei se poderia entregar ____ premiação ____ aluna ganhadora do concurso de redação. A alternativa que completa corretamente a frase acima é: A a – ao – a – a - à B à – ao – à – a - à C a – ao – a – à – à D à – ao – a – a - a E à – ao – a – a – à TEXTO BASE 11 Leia o texto a seguir, que traz um verbete, gênero textual presente na esfera didática e instrucional, a fim de responder à questão. TEXTO Resiliência re·si·li·ên·ci·a sf 1 FÍS. Elasticidade que faz com que certos corpos deformados voltem à sua forma original. 2 FIG. Capacidade de rápida adaptação ou recuperação. (Fonte: http://michaelis.uol.com.br/busca?id=0LE9G) IFALQUESTÃO 28 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 11 “Elasticidade que faz com que certos corpos deformados voltem à sua forma original.” A crase, exercendo o uso facultativo, semelhante ao enunciado apresentado no trecho , pode também ser percebida na alternativa. A Referi-me àquilo e não a outros assuntos mais complexos da conjuntura política. B Ele costumeiramente assiste à televisão até tarde da noite. C Temos a Filosofia como corrente epistemológica pertencente às Humanidades. D Entregue essa encomenda à Roberta e não à Renata, a sua irmã. E Marina frequentemente trabalha aos sábados, das 10h às 14h. UNIFUNECQUESTÃO 29 Embora já sejam parte do dia a dia da população, ainda dúvidas sobre o uso correto de máscaras. E não estamos falando daquelas pessoas que as usam cobrindo qualquer parte do rosto, menos nariz e boca. Uma das questões ainda em estudo é o melhor jeito de higienizar o acessório sem prejuízo sua capacidade barrar o novo coronavírus. Pensando nisso, cientistas da Coreia do Sul e do Japão divulgaram pesquisa em que o desempenho e as diferenças dos filtros que as máscaras após serem limpos com álcool. As pesquisas levaram em conta a eficiência filtragem, a taxa de fluxo de ar e as propriedades das máscaras após a limpeza. A conclusão foi a de que apenas os filtros de nanofibra podem ser reutilizados várias vezes se higienizados com álcool. (https://revistagalileu.globo.com. Adaptado.) A alternativa que preenche, respectivamente, as lacunas do texto de acordo com a norma-padrão é: A podem haver – à – de – comparam – compõem – da. B pode haver – à – de – comparam – compõem – da. C há – à – em – compara – compõe – da. D há – a – para – compara – compõe – na. E pode haver – a – de – comparam – compõe – na. CUSCQUESTÃO 30 A crase está presente no exemplo: Dia Mundial de Combate à Doença. Indique as frases em que o uso da crase está correto: I. Ministério da Saúde lança campanha para combater à dengue. II. O governo atribuiu dificuldades para enfrentar à tuberculose. III. O combate à tuberculose deve ser compromisso dos governos municipal, estadual e federal. IV. A crise hídrica leva à redução da água potável. Pode-se afirmar que: A apenas III e IV estão corretas. B apenas I e II estão corretas. C apenas III e IV estão corretas. D apenas I, II e III estão corretas. E apenas IV está correta. Crase Questão 1: [E] Questão 2: [E] Questão 3: [D] Questão 4: [C] Questão 5: [D] Questão 6: [A] Questão 7: [B] Questão 8: [A] Questão 9: [E] Questão 10: [B] Questão 11: [D] Questão 12: [C] Questão 13: [D] Questão 14: [A] Questão 15: [E] Questão 16: [D] Questão 17: [A] Questão 18: [E] Questão 19: [D] Questão 20: [D] Questão 21: [A] Questão 22: [B] Questão 23: [A] Questão 24: [A] Questão 25: [E] Questão 26: [B] Questão 27: [E] Questão 28: [D] Questão 29: [B] Questão 30: [C] Ditados populares e provérbios EsPCExQUESTÃO 1 Nos provérbios abaixo, assinale aquele em que se observa a concordância prescrita pela gramática. A “Não se apanham moscas com vinagre.” B “Casamento e mortalha no céu se talha.” C “Quem cabras não têm e cabritos vende, de algum lugar lhes vem.” D “Diga-me com quem andas e dir-te-ei quem tu és.” E “Em terra de urubus diplomados, não se ouve cantos de sabiás.” TEXTO BASE 1 O PODER DE DEUS Zé Maria e Alice começaram a namorar numa festa de cruzeiro. Ele era retireiro, ela cozinhava na fazenda. Quando resolveram casar, trataram de fazer uma cafua, formar jardim, plantar horta-de-couve, vedada com bambu em pé, por causa das galinhas. Do alto da serra vinha no cascalho uma água clara, servia a bica, na porta da cozinha, depois descia horta abaixo. De noite, o rego d’água marulhava, era uma beleza. Um dia de sábado, depois do almoço, Zé Maria bebeu café e sentou no banquinho na banda de fora. Tirou a palha do bolso de trás, pegou a faca, começou a fazer o pito. Alice, não passou muito, acabou de arrumar a cozinha e veio pra janela. Já andava muito gorda, pesadona, o menino devia nascer dentro de mês e pouco. Ela gostava de ficar em pé depois da comida, mesmo sentindo pressão nas veias das pernas. Zé Maria, alisando a palha com o corte da faca, pensava em como ia ser bonito o crioulinho (ou crioulinha) queia nascer: pra ele não fazia diferença se fosse homem ou mulher. Havia de ser uma beleza, de certo ia puxar a mãe. Ele também não era de jogar fora, em solteiro nunca faltou namorada, vivia rodeado de moça. Tinha acabado de alisar a palha, ia pegando o fumo no bolso quando Alice, já na janela, limpou a garganta e perguntou: - Zé? - Hein - Hein. - Ocê acha que Deus, se quiser, pode fazer chover, mesmo sendo um dia clarinho como esse de hoje? - Acho. - Assim de repente? - Acho. Pegou o fumo, foi picando devagar, bem devagarinho, rendendo aquela hora de pachorra que ele apreciava tanto. O fumo picado na mão esquerda, foi esfregando os pedacinhos com o polegar e o indicador da mão direita, esmigalhando, até não ter nenhum toco, nenhum fiapo mais grosso, fazia o cigarro apagar. Aí Alice falou: - Zé? Depois de ter chovido, ocê acha que Deus, se Ele quiser, pode fazer tudo secar duma hora pra outra? - Acho. - Mesmo tendo sido chuva de dilúvio? - É. Zé Maria abriu a palha, fez uma espécie de chochozinho, foi espalhando o fumo. Acertou a camada e começou a enrolar, nem muito apertado nem muito bambo: regular. Alice perguntou: - Ocê acha, Zé, que se Deus quiser que geia, mesmo sendo na volta do dia, tem base de gear? - Acho. Deus tem poder de fazer tudo que Ele quiser. - Tudo mesmo, Zé? - É. Mas por que essa perguntação, Alice? - À toa, Zé. A gente fica pensando... Ela não acabou a frase, ele não perguntou nada. Tirou a binga do bolso, abriu, lembrou do velho Severino, seu avô. Tinha sido presente dele, hoje não encontrava mais. Pegou o fuzil, um pedaço de ferro, mais a pedra-figo, começou a bater. A primeira fagulha que caiu soprou calibrado, foi soprando, logo aparecia o fogo, aquela cor bonita dentro do cilindro de lata. Quando ele ia acendendo o cigarro, a mulher perguntou: - Se for muito da vontade de Deus, mas muito mesmo, que a gente tem um filho branco, ou quem sabe, mulato, ocê acha que Ele pode fazer isso? - Pode, Alice. Ela já ia respirando aliviada, quase sem acreditar, quando ele completou: - Poder, pode, mas só tem uma coisa... - O que é, Zé Maria? - ... ocê vai levar um cacete que, se viver pra lembrar, nunca mais há de esquecer. (ROMANO, Olavo. Minas e seus casos. São Paulo: Ática, 1984, p. 51-53) UNIPAMQUESTÃO 2 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 1 Não raro, o povo mineiro é alvo de constantes críticas, seja por seu modo de falar, seja por suas atitudes. Tais críticas são retratadas em causos, piadas, charges e provérbios. Na maioria deles, contudo, o mineiro sempre se sai bem das situações mais embaraçosas, demonstrando a sua esperteza e combatendo o preconceito de que mineiro é ingênuo e caipira. Assinale o provérbio que poderia ser usado como título do causo que você leu. A Mineiro dorme no chão para não cair da cama. B Mineiro não dá ponto sem nó. C Mineiro não perde o trem. D Mineiro come quieto. UFTQUESTÃO 3 Leia os provérbios a seguir para responder à questão 07. Antes que cases, olha o que fazes. Quem casa não pensa, quem pensa não casa. Procura e acharás. Quem procura acha. Se queres bom conselheiro, procura o travesseiro. A noite é boa conselheira. Assinale a alternativa INCORRETA quanto à leitura discursiva e gramatical dos provérbios: A Os provérbios são expressos de modo pessoal e impessoal, como podemos ver respectivamente nos exemplos: "Se queres bom conselheiro, procura o travesseiro" e "A noite é boa conselheira". B A opção pela impessoalidade no ato de citar um provérbio reflete a tendência de quem enuncia de não se envolver diretamente com o dito. É o caso de "Antes que cases, olha o que fazes". C Os provérbios com marcas pessoais tratam de um discurso predominantemente centrado no enunciador, ou seja, em quem diz o dito. É o caso de "Procura e acharás" e "Se queres bom conselheiro, procura o travesseiro". D O uso de provérbios revela um discurso de autoridade, ou um discurso autoritário: eles provêm de uma sabedoria popular anônima. E Em "Procura e acharás", a classificação modo-temporal de acharás é futuro do presente do indicativo; forma hoje em desuso na oralidade no português brasileiro. TEXTO BASE 2 Examine a charge do cartunista Quino para responder à questão. UNICIDQUESTÃO 4 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 2 Dos seguintes provérbios, o que mais se aproxima da mensagem transmitida pela charge é: A “Há males que vêm para o bem”. B “O peixe morre pela boca”. C “Antes só que mal acompanhado”. D “Contra a força não há argumento”. E “Cão que ladra não morde”. UNIFORQUESTÃO 5 Herdamos os provérbios da sabedoria popular. Nascem do bom senso do povo e trazem um ensinamento. Muitas vezes questionados, mas em quase sua totalidade aceitos. Com base na leitura da tirinha, assinale a opção que apresenta o provérbio que se aproxima da situação vivenciada pelos personagens. A O riso é a mais antiga e ainda a mais terrível forma da crítica. B Quem a si próprio elogia não merece crédito. C Nem tudo que reluz é ouro. D Na terra de sapo de cócoras com ele. E Quem tudo quer tudo perde. URCAQUESTÃO 6 TEXTO 1 Canto X – Nossa Rainha Marcelino Freire Mãe, eu quero ser Xuxa. Mas minha filha. Eu quero ser Xuxa. A menina não tem nem nove anos, fica tagarelando com as bonecas. Com as pedras do Morro. Eu quero ser Xuxa. Mas minha filha. A mãe ia fazer um book, como? Viu no jornal quanto custa. Perguntou ao patrão, no Leblon. Um absurdo! Ia bater na porta da Rede Globo? Nunca. A menina parecia uma lombriga. Porque nasceu desmilinguida. Mas vivia dizendo, a quem fosse: eu quero ser Xuxa. Que coisa! Que doença! Ainda era muito pequena. Eu quero ser Xuxa. Quem não pode se acode. A mãe já vivia da ajuda do povo. Mas tinha de levar a menina ao cinema. Toda vez que aparecia um filme novo. O que Xuxa está pensando? O que Padre Marcelo está pensando? Que tanto disco à venda, que tanto boneco, que tanta prece! Tenha santa paciência. O Padre Marcelo a mãe trocou por um pai de santo. Esse, pelo menos, só me pede umas velas. De quando em quando, uma galinha preta. Que eu aproveito e levo daqui, quando tem reveillon. Despacho de rico só tem o que é bom. Mas a menina não tem jeito. É uma paixão que não tem descanso. Eu quero ser Xuxa. Eu quero ser Xuxa. Eu quero ser Xuxa. Um dia eu esfolo essa condenada. Deus me perdoe. Essa danada da Xuxa. Dou uma surra nela para ela tomar jeito. Fazer isso com filha de pobre. Que horror! A mãe mal chegou do trabalho a menina já falou. Que a Xuxa vem esse final de semana. O que ela vem fazer no morro?, a mãe perguntou. Se a Xuxa que eu conheço aqui é só você, querida. Alisou a cabeça da maldita, deu um abraço cego e mandou dormir. Maldita, sim. Quem disse que a danada foi pra cama? Puta que pariu! A mãe tinha de faltar ao trabalho de novo. Tinha medo que a filha tivesse um troço. Se jogasse debaixo do carro, sei lá. Fosse pisoteada, que remorso! Eu não. Mãe que é mãe acompanha a filha no dia mais feliz da sua vida. Pendurou a menina nas costas e enfrentou o calor. E o empurraempurra. E também gritou para ver se a Xuxa ouvia: Xuxa, Xuxa, Xuxa. Pelo amor de Deus! Faz essa menina calar a boca. Diz pra ela pensar em outra coisa, sonhar com os pés no chão. Quando ela vai ser, assim como você, um dia? A Rainha dos Baixinhos nossa Rainha da Bateria, sei não, sei lá. O morro nessa euforia, todo mundo doido para vêla sambar. A expressão, Quem não pode se acode, pertence ao que chamamosprovérbios populares; dadas as expressões populares, marque a que se encontra em desacordo com a sabedoria popular. A Quem espera sempre cansa. B Quem semeia vento colhe tempestade. C Quem ri por último ri melhor. D As aparências enganam. E Nem tudo que reluz é ouro. UNIFORQUESTÃO 7 A tirinha trata sobre questões relacionadas ao tema da inclusão. Utilizando a ironia como recurso, o quadrinho aborda duas diferentes concepções do conceito de visão. Pode-se traçar um paralelo entre a tirinha e o conhecido ditado popular que afirma A “Quem vê cara, não vê coração”. B “À noite, todos os gatos são pardos”. C“O pior cego é aquele que não quer ver”. D “O olho do dono é o que engorda o gado”. E “O que os olhos não veem, o coração não sente”. TEXTO BASE 3 Para responder à questão, leia o texto a seguir. PERDÃO Diz a oração católica que devemos perdoar a quem nos ofendeu (assim como esperamos o perdão divino às nossas ofensas, claro). De fato, a neurociência já sabe que perdoar – tanto pontualmente como por hábito – favorece o bem-estar e a saúde cardiovascular. O perdão põe fim ao estresse causado pelo ódio crônico, que estimula a produção de hormônios de estresse, perturba o sono, aumenta o risco cardiovascular e de depressão e ansiedade. O que acontece no cérebro que perdoa? Um estudo italiano recrutou voluntários para seguir um roteiro que os orientava a imaginar situações de ofensas pessoais, e em seguida os instruía a perdoar o inimigo imaginário ou, ao contrário, os incitava a planejar vingança. Tudo isso acontecia dentro de um aparelho de ressonância magnética, que permitia à equipe acompanhar as mudanças de atividade no cérebro dos voluntários enquanto eles perdoavam ou não. O estudo mostrou que tanto o perdão quanto a vingança envolvem ativação nas mesmas estruturas – mas de maneiras diferentes. O perdão ocorre quando a ativação do córtex pré- frontal dorsomedial, que regula nosso comportamento emocional, é comandada por duas estruturas que nos permitem adotar o ponto de vista do agressor e reavaliar o estado emocional deste: o precuneus e o lobo parietal inferior, respectivamente. Isso fomenta a empatia, que coíbe ímpetos de retaliação via o córtex pré-frontal, e traz um estado emocional positivo: o alívio do perdão concedido. Se não há perdão, o córtex pré-frontal dorsomedial também é ativado, mas sob o controle do giro temporal medial, e não do precuneus e do parietal inferior (que também estão ativos, mas ocupados em julgar o agressor um vilão). O giro temporal medial representa a intenção alheia –nesse caso, de nos fazer mal. Como a agressão foi intencional e não temos empatia com o vilão, o cérebro faz o que é mais sensato: odeia ativamente quem o insultou, sem perdão. Perdoar, portanto, não depende dos fatos, e sim da nossa avaliação – consciente – da intenção e das emoções de quem nos ofendeu. Quer perdoar? Coloque-se no lugar do outro. Não quer perdoar? Recusese a ver o insulto pelos olhos do seu agressor – o que, francamente, em alguns casos é a coisa sensata a fazer. O perdão católico universal não nos mantém a salvo de quem não presta. Ruminar o ódio faz mal, mas ainda há saída: banir o infrator da sua vida e mente. Quando não há perdão, a distância ajuda. (HOUZEL, Suzana Herculano- Folha de São Paulo, 18/02/2014, Caderno Equilíbrio, p.5.) FCMMGQUESTÃO 8 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 3 Assinale a alternativa em que haja adequação entre o trecho do texto e os respectivos provérbios. A “O perdão católico universal não nos mantém a salvo de quem não presta.” – “Mais vale perdoar do que castigar.”/”Quem semeia ventos, colhe tempestade.” B “O perdão põe fim ao estresse causado pelo ódio crônico, que estimula a produção de hormônios de estresse” – “Ladrão que rouba ladrão merece 100 anos de perdão.”/ “O ódio quer vingança.” C ''Ruminar o ódio faz mal, mas ainda há saída: banir o infrator da sua vida e mente. Quando não há perdão, a distância ajuda.” – “Perdoar não é esquecer.”/ “Longe dos olhos, longe do coração.” D “Como a agressão foi intencional e não temos empatia com o vilão, o cérebro faz o que é mais sensato: odeia ativamente quem o insultou, sem perdão.” – "Ao que erra, perdoa-se uma vez, mas não três."/ “Errar é humano.” TEXTO BASE 4 TEXTO PARA A QUESTÃO Uma planta é perturbada na sua sesta* pelo exército que a pisa. Mas mais frágil fica a bota. Gonçalo M. Tavares, 1: poemas. *sesta: repouso após o almoço. FUVESTQUESTÃO 9 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 4 O ditado popular que se relaciona melhor com o poema é: A Para bom entendedor, meia palavra basta. B Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. C Quem com ferro fere, com ferro será ferido. D Um dia é da caça, o outro é do caçador. E Uma andorinha só não faz verão. TEXTO BASE 5 Leia a charge a seguir e responda à questão: TEXTO IFNMGQUESTÃO 10 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 5 Pode-se resumir uma história em um ditado popular, um provérbio. Esses ditados populares servem como “moral da história”. A partir dos seus conhecimentos e da leitura da charge (TEXTO), marque a alternativa que contém o ditado popular que melhor resume a história. A Um burro calado passa por intelectual. B A cavalo dado não se olha os dentes. C Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço. D Macaco velho não põe a mão em cumbuca. TEXTO BASE 6 Texto Crônica dos 30 anos Fábio José dos Santos* Na minha infância, havia uma brincadeira através da qual, por meio de uma espécie de numerologia pueril e leiga, era possível descobrir, no presente dos oito ou nove [5] anos, como seria o nosso futuro. Por meio dessa consulta – séria, é bom deixar claro –, éramos capazes de obter dados relacionados a áreas diferentes da nossa vida. Era possível prever, por exemplo, quando iríamos nos casar, qual seria [10] nossa profissão, se seríamos ricos, pobres ou lascados, e, ainda, quantos filhos teríamos. Naquela época, contraí matrimônio aos vinte e cinco, e tive três ou quatro filhos. Penso que passei pelas três condições financeiras possíveis [15] – comi caviar e degustei farinha seca. Ah, e passei por várias profissões. (Não preciso dizer que fiz a consulta mais de uma vez) O fato é que, em geral, rejeitei, voluntária ou involuntariamente, a série completa dos [20] vaticínios que fiz quando criança. O Tempo é senhor dos destinos, creio. Contudo, a história não se escreve sozinha, ela é o resultado de como conduzimos nossas vidas, muito embora estejamos habilitados a escrever apenas rascunhos, que servem para compor a versão mais ou [30] menos final do livro da vida (em certos casos, o texto pode ser reescrito, quase que integralmente). Hoje é o dia em que celebro minha [35] trigésima primavera. E enquanto recebo os parabéns – inclusive de amigos distantes no tempo e no espaço –, sinto que o Tempo já me pesou menos. Com efeito, já lá se foram trinta anos que comecei a morrer... E ainda me lembro [40] do cheiro e do gosto de algumas coisas do passado... Mas o passado passou. E o ruim desse processo é que o tempo, inflexível, não permite que recuemos na linha da vida até aqueles momentos que tanto nos fizeram felizes. [45] E, em trinta anos, quantas experiências prazerosas eu tive... Durante todos esses anos, eu cresci. O mundo cresceu também. Aliás, tudo ficou maior. É verdade que a experiência nos faz aumentar o [50] tamanho das coisas que nos cercam. E o que antes era pequeno, como era o nosso mundo, assume proporções hercúleas. Por que mesmo temos de ser responsáveis? Não seria bem mais fácil se nossos pais sempre passassem à frente [55] e, como há vinte, vinte e cinco anos, resolvessem todos os problemas como sempre o fizeram, num passe de mágica? E me fica a questão: é mesmo imperativo que experimentemos a dor, o desespero, as turbulências, enfim, a morte? Mas [60] tudo isso estava lá, também. De qualquer forma, hoje celebro trinta anos de idade. Segundo o professor Narciso, cheguei à metade da minha vida. De fato. De fato. Nesse tempo, vi o mesmo de diversas [65] formas. Conheci e continuo conhecendo muitas coisas novas. Fui de um extremo ao outro dos hemisférios do meu mundo. Eu mudei; tudo mudou. E as previsões da infância não se realizaram. Não casei aos vinte e cinco, não [70] tenho (ainda?) nenhum dos quatro filhos que me seriam destinados, não me tornei presidente nem cantor. Aquelas previsões não foram bem previstas. Contudo, preciso deixar claro: isso não me frustra. Preciso dizer a todos: acho que sou [75] muito bem sucedido. A emenda, se houve, saiu bem melhor que o soneto. Preciso dizer, ainda: a danada da consulta aos númeroslá dos idos anos 80 não era capaz de prever aquilo que, julgo, era mais fundamental, a saber, se o [80] interessado seria ou não seria feliz, a despeito, entre outros, de sua condição de rico, pobre ou lascado. Mas eu posso afirmar, do alto dos meus trinta bem vividos anos, que a felicidade tem-me acompanhado ao longo de todos esses anos, [85] razão por que me sinto, hoje, imensamente realizado. Os números erraram – graças a Deus! __________ *Professor de Língua Portuguesa do IFAL, Campus [90] Maceió IFALQUESTÃO 11 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 6 Nessa crônica, o seu autor faz referências a alguns ditados populares implícita ou explicitamente. A única opção em que não há correspondência entre o que é dito e o ditado em si é: A Farinha do mesmo saco. (1º parágrafo) B O tempo é senhor do destino. (2º parágrafo) C Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe. (3º parágrafo) D Ninguém sabe ser filho senão quando chega a ser pai. (4º parágrafo) E Pior a emenda do que o soneto. (5º parágrafo) UECEQUESTÃO 12 TEXTO 3 Velhice Vinícius de Moraes [115] Virá o dia em que eu hei de ser um velho experiente Olhando as coisas através de uma filosofia sensata E lendo os clássicos com a afeição que a [120] minha mocidade não permite. Nesse dia Deus talvez tenha entrado definitivamente em meu espírito Ou talvez tenha saído definitivamente dele. Então todos os meus atos serão [125] encaminhados no sentido do túmulo E todas as ideias autobiográficas da mocidade terão desaparecido: Ficará talvez somente a ideia do testamento bem escrito. [130] Serei um velho, não terei mocidade, nem sexo, nem vida Só terei uma experiência extraordinária. Fecharei minha alma a todos e a tudo Passará por mim muito longe o ruído da [135] vida e do mundo Só o ruído do coração doente me avisará de uns restos de vida em mim. Nem o cigarro da mocidade restará. Será um cigarro forte que satisfará os [140] pulmões viciados E que dará a tudo um ar saturado de velhice. Não escreverei mais a lápis E só usarei pergaminhos compridos. [145] Terei um casaco de alpaca que me fechará os olhos. Serei um corpo sem mocidade, inútil, vazio Cheio de irritação para com a vida Cheio de irritação para comigo mesmo. [150] O eterno velho que nada é, nada vale, nada vive O velho cujo único valor é ser o cadáver de uma mocidade criadora. MORAES, Vinícius. Velhice. Disponível em:http://www.viniciusdemoraes.com.br/ptbr/poesia/ poesias- avulsas/velhice. Acesso: 23/9/17. Os versos “Virá o dia em que eu hei de ser um velho experiente/ Olhando as coisas através de uma filosofia sensata/ E lendo os clássicos com a afeição que a minha mocidade não permite” (linhas 115- 120) podem ser traduzidos pelo seguinte ditado popular: A A velhice é a segunda meninice. B Quanto mais idade, mais maturidade. C A velhice é um tirano que castiga os prazeres com pena de morte. D A juventude leviana faz velhice desolada. TEXTO BASE 7 Para responder à questão, leia o texto a seguir. PÉ FRIO, CABEÇA QUENTE §1 Durante anos, Pedro Nava deixava seu apartamento, no velho prédio onde viveu metade da vida, no bairro da Glória, cruzava o hall e, no mesmo andar, assumia a condição de médico reumatologista, um dos mais reputados do Rio de Janeiro. Quando ali estive pela primeira vez, sem reumatismo algum, o dr. Nava já não exercia a profissão. Fazia pouco mais de uma década que ele, à beira dos 70, irrompera na paisagem literária como caudaloso memorialista, o maior que já tivemos, assumindo, assim, em regime de monogamia, um talento praticamente desmobilizado desde o fecho da primeira juventude. §2 Certa manhã de maio de 1983, às vésperas de completar 80 anos, Pedro Nava me levou ao antigo consultório, instalado num salão com pé-direito altíssimo. Sentou-se por detrás de um vetusto birô, como em outros tempos se dizia, e indicou uma cadeira de braços em frente a ele. Quando, em vão, tentei puxá-la para perto da mesa, Nava riu, como quem tivesse pregado uma peça: tinha mandado aparafusar a cadeira no assoalho, para evitar, justificou, que pacientes mais carentes acabassem no seu colo. §3 Pela primeira vez, parei para pensar no desamparo que, em doses variáveis, bate em mim, quem sabe em você também, durante uma consulta médica. Desamparo que, às vezes, vem misturado a uma inconfessável satisfação por nos sentirmos numa súbita berlinda, já que o assunto único, ali, somos nós. Nossa coqueluche, nossa catapora, nosso prontuário cirúrgico e hospitalar. Mais: a incidência de determinada doença que desfolhou boa parte de nossa árvore genealógica. As tias que, para além talvez das coincidências, morreram todas do mesmo mal. A intrigante insistência da pancada seca dos enfartes, a reprise de determinado tipo de tumor. O pai que por pouco não virou caso médico, tão rara é a doença que nos levou à orfandade. §4 Vá me dizer que também você não sente alguma excitação, a palavra é esta, quando o médico se põe a escarafunchar o histórico de sua saúde. E também, mesclada ao alívio, uma ponta de decepção, diante da notícia de que não se achou problema algum. Do outro lado da mesa, o doutor pode estar atento a essa eventualidade. Quem nunca ouviu falar de médicos - Pedro Nava era um deles - que, para não desapontar o impaciente, inventam uma anormalidade qualquer, benigna, à qual irá corresponder uma receita, algum placebo, para que a criatura não saia com as mãos vazias? §5 Escrevi, faz tempo, sobre um camarada que chamei de “hipocondríaco sem remédio”. Pois bem, faltou coragem para admitir que também sou um pouco assim, hipocondríaco, incurável mas com muito remédio, cada vez mais. Gosto muito, confesso, de uma boa anamnese, aquele interrogatório sobre a saúde atual e pregressa, quase sempre extensivo aos familiares. A sabatina mais esmiuçadora pela qual passei aconteceu na primeira vez que fui ao consultório de um homeopata, de onde sairia, mais de hora depois, levando um verdadeiro buquê de florais. Que perguntas mais inesperadas ouvi ali! Estava vendo o momento em que o doutor iria perguntar se eu tinha tomado chuva, e, ante a negativa, receitar: “Então tome. Dois copos”. §6 Numa ocasião me consultei com um médico, alopata, esse, que me virou pelo avesso, na indisfarçável esperança de que eu fosse o seu primeiro paciente a padecer da doença de Crohn - insidiosa inflamação do trato gastrointestinal, traduziu, à beira da euforia de uma estreia. E se for?, consegui indagar. Pausa terrível, nublada pelos mais negros presságios. “Você tem um bom psicoterapeuta?”, desembuchou ele, sílaba por sílaba, e pôs-se a explicar que eu precisaria me armar para padecimentos vitalícios. Não conteve a frustração quando reiterados exames eliminaram a hipótese na qual investira. “Ainda não”, terá ruminado o doutor, “ainda não...” §7 No consultório high tech de um mago da medicina ortomolecular, em frente a enorme tela que amplificava imagens de um microscópio de última geração, ao qual fora submetida uma gota de sangue meu, tive o dissabor de presenciar o espetáculo de hemácias, leucócitos e neutrófilos a nadar de lá pra cá, qual tubarões e garoupas num aquário. Como me senti? Como a lagartixa que contempla, a um palmo de distância, a ponta saltitante de seu rabinho recém-amputado. §8 Outra gota, essa de sangue coagulado, encheu a tela com o que parecia ser o chão gretado de um açude nordestino reduzido a nada. Em busca de consolo na literatura, concluí que havia em mim, na falta de um Graciliano, ao menos o solo estorricado sobre o qual perambula a pobre gente de Vidas Secas. §9 Não precisou de tão afiada tecnologia o velho acupunturista chinês com o qual me consultei por aquela mesma época. Antes de dardejar agulhas certeiras, o sábio chim esquadrinhou minha carcaça com mãozinhas secas e percuciente olhar amendoado, antes de proferir o mais preciso e sintético parecer a respeito do que comigo se passava, ou passa ainda: §10 - Pé frio, cabeça quente! (Humberto Werneck. http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,pe-frio-cabeca- quente,10000092718. Acessadoem: 06/12/2016.) FCMMGQUESTÃO 13 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 7 O título do texto de Humberto Werneck deriva de um provérbio popular. Assinale, entre os provérbios abaixo, o que remete à saúde ambiental. A “O corpo não deita raízes.” B ''Tripa cheia nem foge nem peleja.” C “Onde não entra o sol, entra o médico.” D “Pés quentes, cabeça fria, boa urina – merda para a medicina. TEXTO BASE 8 Para responder a questão, leia o artigo “Pó de pirlimpimpim”, do neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro. Alcançar o aprendizado instantâneo é um desejo poderoso, pois o cérebro sem informação é pouco mais que estofo de macela1 . Emília, a sabida boneca de Monteiro Lobato, aprendeu a falar copiosamente após engolir uma pílula, adquirindo de supetão todo o vocabulário dos seres humanos ao seu redor. No filme Matrix (1999), a ingestão de uma pílula colorida faz o personagem Neo descobrir que todo o mundo em que sempre viveu não passa de uma simulação chamada Matriz, dentro da qual é possível programar qualquer coisa. Poucos instantes depois de se conectar a um computador, Neo desperta e profere estupefato: “I know kung fu”. Entretanto, na matriz cerebral das pessoas de carne e osso, vale o dito popular: “Urubu, pra cantar, demora.” O aprendizado de comportamentos complexos é difícil e demorado, pois requer a alteração massiva de conexões neuronais. Há consenso hoje em dia de que o conteúdo dos nossos pensamentos deriva dos padrões de ativação de vastas redes neuronais, impossibilitando a aquisição instantânea de memórias intrincadas. Mas nem sempre foi assim. Há meio século, experimentos realizados na Universidade de Michigan pareciam indicar que as planárias, vermes aquáticos passíveis de condicionamento clássico, eram capazes de adquirir, mesmo sem treinamento, associações estímulo-resposta por ingestão de um extrato de planárias já condicionadas. O resultado, aparentemente revolucionário, sugeria que os substratos materiais da memória são moléculas. Contudo, estudos posteriores demonstraram que a ingestão de planárias não condicionadas também acelerava o aprendizado, revelando um efeito hormonal genérico, independente do conteúdo das memórias presentes nas planárias ingeridas. A ingestão de memórias é impossível porque elas são estados complexos de redes neuronais, não um quantum de significado como a pílula da Emília. Por outro lado, é sim possível acelerar a consolidação das memórias por meio da otimização de variáveis fisiológicas envolvidas no processo. Uma linha de pesquisa importante diz respeito ao sono, cujo benefício à consolidação de memórias já foi comprovado. Em 2006, pesquisadores alemães publicaram um estudo sobre os efeitos mnemônicos da estimulação cerebral com ondas lentas (0,75 Hz) aplicadas durante o sono por meio de um estimulador elétrico. Os resultados mostraram que a estimulação de baixa frequência é suficiente para melhorar o aprendizado de diferentes tarefas. Ao que parece, as oscilações lentas do sono são puro pó de pirlimpimpim (Sidarta Ribeiro. Limiar: ciência e vida contemporânea, 2020.) 1macela: planta herbácea cujas flores costumam ser usadas pela população como estofo de travesseiros. UNESPQUESTÃO 14 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 8 “Entretanto, na matriz cerebral das pessoas de carne e osso, vale o dito popular: ‘Urubu, pra cantar, demora.’” (2º parágrafo) Considerando o contexto, o ditado popular mencionado pode ser substituído pelo seguinte provérbio: A “Quem espera sempre alcança.” B “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.” C “Para bom entendedor, meia palavra basta.” D “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.” E “Quem canta seus males espanta.” INSPERQUESTÃO 15 Equivoca-se quem pensa que falar bem é falar claro. A arte da retórica reside, na verdade, na habilidade de confundir. Afinal, se digo algo e você entende de cara, vai logo se achando mais inteligente do que eu: mau negócio. Se, contudo, sou capaz de temperar as frases mais simples com um molho de obscuridade, com uma calculada pitada de empulhação, o ouvinte pensará que sei mais do que revelo: ponto para mim. Vejamos: você entra numa farmácia, pergunta se tem Aspirina e o funcionário responde com um peremptório "não". O que você pensará? Que aquela é uma farmácia ruim. Se, porém, ele disser que "no caso, Aspirina a gente não vai tá tendo, hoje", a coisa muda completamente de figura. O "no caso" sugere que, numa situação normal, ele teria Aspirina. Logo, "hoje", estamos numa situação anormal. Qual seria essa situação? Haveria um surto de enxaqueca no bairro? Boatos de que a Copa e as Olimpíadas levariam à falta de ácido acetilsalicílico teriam desencadeado uma busca frenética pelo produto? Você não sabe, ele sabe, e, num segundo, o que era uma farmácia vagabunda transforma-se numa farmácia sob estado de exceção, enquanto você, em vez de um cliente insatisfeito, torna-se um náufrago à deriva no mar da especulação. (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff12102 01104.htm) Entre os seguintes provérbios, qual deles melhor resume a concepção do autor sobre a retórica? A Eloquência é a arte de aumentar coisas pequenas. B Por fora bela viola, por dentro, pão bolorento. C Falar é prata, calar é ouro. D A bom entendedor, meia palavra basta. E A propaganda é a alma do negócio. ENEM PPLQUESTÃO 16 Como estamos na " era digital ", foi necessário rever os velhos ditados existentes e adaptá-los à nova realidade. Veja abaixo... 1.A pressa é inimiga da conexão. 2.Amigos, amigos, senhas à parte. 3.Para bom provedor uma senha basta. 4.Não adianta chorar sobre arquivo deletado. 5.Mais vale um arquivo no HD do que dois baixando. 6.Quem clica seus males multiplica. 7.Quem semeia e-mails, colhe spams. 8.Os fins justificam os e-mails. Disponível em: www.abusar.org.br. Acesso em: 20 maio 2015 (adaptado). No texto, há uma reinterpretação de ditados populares com o uso de termos da informática. Essa reinterpretação A torna o texto apropriada para profiassionais da informática. B atribui ao texto um caráter humorístico. C restringe o acesso ao texto por público não especializado. D deixa a terminologia original mais acessível ao público em geral. E dificulta a compreensão do texto por que não domina a língua inglesa. PUC-PRQUESTÃO 17 [...] O menino ouviu a narrativa de um arqueiro que passou anos e anos treinando a arte do arco e flecha, até se tornar um especialista. Ao chegar a uma reunião com outros arqueiros, encontrou uma extensa parede com inúmeros alvos – e flechas cravadas bem no centro deles. O arqueiro ficou impressionado. Não acreditava que uma única pessoa havia feito aquilo. Era uma proeza. Uma multidão de flechas milimetricamente no centro dos alvos, quem realizou aquele feito? Havia um garotinho perto dos alvos e o arqueiro perguntou: “Você sabe quem lançou essas flechas?”. E o garoto disse: “Sim, fui eu”. O arqueiro não conseguia acreditar. Como assim? Aquele garotinho era o responsável por tamanha façanha? Então o menino contou como fez aquilo: “Primeiro eu jogo a flecha e depois pinto o alvo ao redor”. [...] Disponível em: . Acesso em: 13/06/17. (Excerto). Os ditados populares e provérbios têm a propriedade de sintetizar interpretações sobre fatos da vida cotidiana, geralmente ilustrados por narrativas que contêm quebras de expectativa. Considerando essas informações, o possível provérbio que melhor sintetiza o texto é A Não adianta chorar sobre o leite derramado. B Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. C Cada macaco no seu galho. D Quem com ferro fere, com ferro será ferido. E Em terra de cego, quem tem um olho é rei. TEXTO BASE 9 Leia os provérbios e responda à questão. I - O tempo que vai não volta. II - Errar é humano. III - Faça o bem sem olhar a quem. IV - Cor da vida, cor da morte. V - É melhor um pássaro na mão que dois voando. UFMTQUESTÃO 18 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 9 O provérbio Águas passadas não movem moinho. corresponde, semanticamente, a qual dos provérbios citados? A ProvérbioIII B Provérbio I C Provérbio II D Provérbio V E Provérbio IV TEXTO BASE 10 Para responder à questão, leia o texto. TEXTO: NUTRIÇÃO Consultório de uma nutricionista. MÉDICA: Fiz uma dieta pra você seguir à risca. É muito importante não fugir disso, pelo menos na primeira semana. Mulher lê a dieta. Não entende. MULHER: Não entendi. Pode pão à vontade? MÉDICA: Pão é ótimo. Não leu no jornal de hoje? MULHER: Saiu no jornal? MÉDICA: Deixa eu só ver no G1 se continua fazendo bem. Continua. Pode comer. Quando começar a fazer mal eu te ligo. Mulher lê a dieta. MULHER: Tá escrito que eu preciso evitar brócolis? MÉDICA: A todo custo. Acabei de receber um inbox no Face avisando que o brócolis caiu. MULHER: Não era anticancerígeno? MÉDICA: Sim, mas parece que tá dando Alzheimer. Então tem que botar na balança. MULHER: Mas ovo pode? MÉDICA: Ovo à vontade. MULHER: Você acha que isso deve mudar? MÉDICA: Não. O ovo parece que veio pra ficar (chega um SMS) Ih, não. Caiu. Por causa do colesterol. Não. É colesterol bom. Então pode. Eu tenho um grupo de WhatsApp só pro ovo. MULHER: Não tem nada que seja definitivo? Tipo a linhaça? MÉDICA: Linhaça tá superultramegaproibido a partir das duas da tarde. MULHER: Faz mal comer depois das duas? MÉDICA: Faz mal comer sempre. É que descobriram isso hoje, às duas. MULHER: E abacate? MÉDICA: Abacate mata. MULHER: Então não. MÉDICA: ...os germes... MULHER: Então sim? MÉDICA: ...responsáveis pela cura do câncer. MULHER: Então não. MÉDICA: Mas pela cura do câncer bom. MULHER: Tem câncer bom? MÉDICA: Não. Esse que é o problema. MULHER: Então abacate não? MÉDICA: Jamais. Não poderia. Deixar de poder. A não ser que venha a poder mesmo. MULHER: Vou botar que não. MÉDICA: Melhor. (DUVIVIER, Gregorio. Put some farofa. São Paulo: Companhia das Letras, 2014, p.121- p.122.) FCMMGQUESTÃO 19 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 10 O ditado ou expressão popular que melhor caracteriza a médica, nessa crônica, é: A “Casa-da-mãe-joana”. B “Maria-vai-com-as-outras”. C “Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”. D “Quem nunca comeu melado, quando come, se lambuza”. UNIFORQUESTÃO 20 A tirinha trata sobre questões relacionadas ao tema da inclusão. Utilizando a ironia como recurso, o quadrinho aborda duas diferentes concepções do conceito de visão. Pode-se traçar um paralelo entre a tirinha e o conhecido ditado popular que afirma A “Quem vê cara, não vê coração”. B “À noite, todos os gatos são pardos”. C "O pior cego é aquele que não quer ver”. D “O olho do dono é o que engorda o gado”. E “O que os olhos não veem, o coração não sente”. UEMAQUESTÃO 21 Os ditados populares permanecem no tempo e significam, na maioria das vezes, exemplos morais, filosóficos, sem deixar de carregarem consigo certa carga de humor e de ironia, sendo, por isso, comumente utilizados na linguagem cotidiana. O ditado popular que sintetiza o que é exposto na tirinha é A “Promessas não pagam dívidas”. B “Após a tempestade vem a bonança”. C “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. D “Quem nunca comeu mel quando come se lambuza”. E “Não há mal que perdure, não há dor que não se cure’”. UNIFORQUESTÃO 22 Ditado popular ou provérbios são expressões consagradas pelo uso popular. Diante da charge, marque a opção que pode traduzi-la. A “Os políticos são como as fraldas... Devem ser trocados com frequência, e sempre pelo mesmo motivo...”. B “Gato escaldado tem medo de água fria”. C "Farinha do mesmo saco”. D “À noite, todos os gatos são pardos”. E “Balaio de gatos”. Ditados populares e provérbios Questão 1: [A] Questão 2: [B] Questão 3: [B] Questão 4: [C] Questão 5: [B] Questão 6: [A] Questão 7: [C] Questão 8: [C] Questão 9: [B] Questão 10: [C] Questão 11: [A] Questão 12: [B] Questão 13: [C] Questão 14: [B] Questão 15: [A] Questão 16: [B] Questão 17: [E] Questão 18: [B] Questão 19: [B] Questão 20: [C] Questão 21: [C] Questão 22: [E] Flexão verbal UNIFUNECQUESTÃO 1 Embora já sejam parte do dia a dia da população, ainda dúvidas sobre o uso correto de máscaras. E não estamos falando daquelas pessoas que as usam cobrindo qualquer parte do rosto, menos nariz e boca. Uma das questões ainda em estudo é o melhor jeito de higienizar o acessório sem prejuízo sua capacidade barrar o novo coronavírus. Pensando nisso, cientistas da Coreia do Sul e do Japão divulgaram pesquisa em que o desempenho e as diferenças dos filtros que as máscaras após serem limpos com álcool. As pesquisas levaram em conta a eficiência filtragem, a taxa de fluxo de ar e as propriedades das máscaras após a limpeza. A conclusão foi a de que apenas os filtros de nanofibra podem ser reutilizados várias vezes se higienizados com álcool. (https://revistagalileu.globo.com. Adaptado.) A alternativa que preenche, respectivamente, as lacunas do texto de acordo com a norma-padrão é: A podem haver – à – de – comparam – compõem – da. B pode haver – à – de – comparam – compõem – da. C há – à – em – compara – compõe – da. D há – a – para – compara – compõe – na. E pode haver – a – de – comparam – compõe – na. CNQUESTÃO 2 Assinale a opção em que todas as formas verbais destacadas foram empregadas corretamente. A O sertanejo preveu a seca e proveu a casa de mantimentos. B Todos os citados requiseram os pedidos e ativeram-se aos detalhes. C O juiz queria que reouvéssemos todos os processos trazidos ontem. D Credes em Deus e apiedai-vos dos irmãos. E Eu me precavenho todas as vezes que saio de casa. TEXTO BASE 1 Leia atentamente o texto abaixo. Quanto mais selvagem, melhor Metrópoles estão trocando parques e jardins por “matas” onde vegetação cresce vontade. É o rewilding, conceito que protege o meio ambiente e agrada aos olhos. Milhões de moradores de Barcelona, como de boa parte do mundo, passaram meses trancados em casa no ano passado, em lockdown rigoroso por causa da pandemia. Ao saírem, tiveram uma surpresa. Sem humanos por perto, os pássaros e pequenos roedores tomaram conta dos parques, onde plantas e flores puderam crescer e desabrochar vontade. A população de borboletas duplicou e a biodiversidade local deu um salto de 28%. impressionante explosão ecológica promoveu uma virada de consciência: antes resistentes ampliação dos santuários silvestres, temendo volta de bichos indesejáveis, os barcelonenses passaram a apoiar ideia e a prefeitura já pôs várias iniciativas do gênero em andamento. A experiência catalã de rewilding, como é chamada a recuperação de biomas mais selvagens (wild, em inglês), vem se repetindo em diversas metrópoles, como uma forma natural, simpática e inclusiva de preservar o fustigado meio ambiente. Visto como o que de mais moderno em urbanismo, o rewilding pretende redefinir o conceito de área verde: saem os jardins impecáveis e gramados bem aparados, entra vegetação natural da região, que cresce sem poda, irrigação nem pesticidas, permitindo que o ecossistema encontre seu equilíbrio. Em pouco tempo, insetos, pássaros, peixes e outros animais retornam ao hábitat, criando um vigoroso ciclo de biodiversidade. Em Barcelona, a prefeitura plantou árvores ao longo de ruas e avenidas, criando corredores verdes para os animais se locomoverem. Além disso, uma área de 780 000 metros quadrados de espaço subaproveitado, como estacionamentos, está sendo transformada em mata, onde funcionários de parques espalham colmeias e abrigos para pássaros e morcegos. Revista Veja. Edição 2765. n.46, p. 70, novembro 2021. Adaptado. • lockdown - confinamento • rewilding - renaturalizar FepeseQUESTÃO 3 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 1 Analise as frases abaixo de acordo com a norma-padrão. • sete horas, a rua estava muito escura. • Os deputados estavam na iminência de embora do plenário. • duas noites que não durmo! • Setecentos gramas de queijo um exagero para esta pizza! Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto.A Deram / ir / Faz / é B Deu / ir / Fazem / é C Deram / ir / Faz / são D Deu / irem / Faz / são E Deu / irem / Fazem / é TEXTO BASE 2 Assiste à demolição – Morou mais de vinte anos nesta casa? Então vai sentir “uma coisa” quando ela for demolida. Começou a demolição. Passando pela rua, ele viu a casa já sem telhado, e operários, na poeira, removendo caibros. Aquele telhado que lhe dera tanto trabalho por causa das goteiras, tapadas aqui, reaparecendo ali. Seu quarto de dormir estava exposto ao céu, no calor da manhã. Ao fundo, no terraço, tinham desaparecido as colunas da pérgula, e a cobertura de ramos de buganvília – dois troncos subindo do pátio lá embaixo e enchendo de florinhas vermelhas o chão de ladrilho, onde gatos da vizinhança amavam fazer sesta e surpreender tico- ticos. Passou nos dias seguintes e viu o progressivo desfazer-se das paredes, que escancarava a casa de frente e de flancos jogando-a por assim dizer na rua. Os marcos das portas apareciam emoldurando o vazio. O azul e as nuvens circulavam pelos cômodos, em composição surrealista. E o pequeno balcão da fachada, cercado de ar, parecia um mirante espacial, baixado ao nível dos míopes. A demolição prosseguiu à noite, espontaneamente. Um lanço de parede desabou sozinho, para fora do tapume, quando já cessara na rua o movimento dos lotações. Caiu discreto, sem ferir ninguém, apenas avariando – desculpem – a rede telefônica. A casa encolhera-se, em processo involutivo. Já agora de um só pavimento, sem teto, aspirava mesmo à desintegração. Chegou a vez da pequena sala de estar, da sala de jantar com seu lambri envernizado a preto, que ele passara meses raspando a poder de gilete, para recuperar a cor da madeira. E a vez do escritório, parte pensante e sentinte de seu mecanismo individual, do eu mais íntimo e simultaneamente mais público, eu de gavetas sigilosas, manuseadas por um profissional da escrita. De todo o tempo que vivera na casa, fora ali que passara o maior número de horas, sentado, meio corcunda, desligado de acontecimentos, ouvindo, sem escutar, rumores que chegavam de outro mundo – cantoria de bêbados, motor de avião, chorinho de bebê, galo na madrugada. E não sentiu dor vendo esfarinharem-se esses compartimentos de sua história pessoal. Nem sequer a melancolia do desvanecimento das coisas físicas. Elas tinham durado, cumprido a tarefa. Chega o instante em que compreendemos a demolição como um resgate de formas cansadas, sentença de liberdade. Talvez sejamos levados a essa compreensão pelo trabalho similar, mais surdo, que se vai desenvolvendo em nós. E não é preciso imaginar a alegria de formas novas, mais claras, a surgirem constantemente de formas caducas, para aceitar de coração sereno o fim das coisas que se ligaram à nossa vida. Fitou tranquilo o que tinha sido sua casa e era um amontoado de caliça e tijolo, a ser removido. Em breve restaria o lote, à espera de outra casa maior, sem sinal dele e dos seus, mas destinada a concentrar outras vivências. Uma ordem, um estatuto pairava sobre os destroços, e tudo era como devia ser, sem ilusão de permanência. Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Cadeira de balanço. 12. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1979. Vocabulário caibro s.m. elemento estrutural de um telhado, geralmente peças de madeira que se dispõem da cumeeira ao frechal, a intervalos regulares e paralelas umas às outras, em que se cruzam e assentam as ripas, frequentemente mais finas e compridas, e sobre as quais se apoiam e se encaixam as telhas pérgula s. f. espécie de galeria coberta de barrotes espacejados assentados em pilares, geralmente guarnecida de trepadeiras buganvília s.f. designação comum às plantas do gênero bougainvillea, trepadeira, muito cultivadas como ornamentais de flanco s. m. pela lateral marco s. m. parte fixa que guarnece o vão de portas e janelas, e onde as folhas destas se encaixam, prendendo-se por meio de dobradiças tapume s. m. cerca ou vala guarnecida de sebe que defende uma área; anteparo, geralmente de madeira, com que se veda a entrada numa área, numa construção lambri s. m. revestimento interno de parede, usado com fim decorativo ou para proteger contra frio, umidade ou barulho; feito de madeira, mármore, estuque, numa só peça ou composto por painéis, que vão até certa altura ou do chão ao teto (mais usado no plural) caliça s.f. conjunto de resíduos de uma obra de alvenaria demolida ou em desmoronamento, formado por pó ou fragmentos dos materiais diversos do reboco (cal, argamassa ressequida) e de pedras, tijolos desfeitos lote s. m. porção de terra autônoma que resulta de loteamento ou desmembramento; terreno de pequenas dimensões, urbano ou rural, que se destina a construções ou à pequena agricultura Fonte: HOUAISS, A. e Villar, M. de S. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Elaborado no Instituto Antônio Houaiss de Lexicografia e Banco de Dados da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro. Objetiva, 2009. EsPCExQUESTÃO 4 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 2 Marque a alternativa em que a forma verbal substitui corretamente a locução verbal sublinhada na seguinte oração: “Ao fundo, no terreno, tinham desaparecido as colunas da pérgula…”. A havia desaparecido B havia desaparecidas C haviam desaparecidas D haviam desaparecido E haviam desaparecidos UFPRQUESTÃO 5 Considere o seguinte parágrafo: Partilhar conhecimentos e bens é uma forma inovadora de reduzir o impacto negativo da informalidade, que achata a renda das famílias. Alguém que __________ consertar uma geladeira, por exemplo, talvez __________ de algum conhecimento seu. E você, assim, __________ a geladeira consertada em troca de suas habilidades. (Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mariaines/20 20/05/reconstrucao-do-consumo-exigira-colaboracao- e- desprendimento.shtml.) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas na ordem em que aparecem no texto. A souber – precise – tivesse. B saberá – precisará – tem. C soubesse – precisasse – teria. D saiba – precisaria – tem. E soubesse – precisaria – terá. FepeseQUESTÃO 6 Escolha a forma verbal (entre parenteses) correta ■ Se eu (depuser/depor), serás condenado! ■ (Acodimos/Acudimos) o aluno que se machucou. ■ Quando eu (vir/ver) o diretor, falarei com ele. ■ Quando olhei para trás, a água (invadira/invadiu) as lojas. ■ Eu (reavi/reouve) meus pertences. Assinale a alternativa que indica corretamente as formas verbais. A depuser • acudimos • vir • invadira • reouve B depuser • acodimos • vir • invadira • reouve C depor • acudimos • ver • invadiu • reouve D depor • acudimos • ver • invadira • reavi E depor • acodimos • ver • invadiu • reavi TEXTO BASE 3 Instrução: A questão referem-se ao texto abaixo Esse delírio que por aí vai pelo futebol ........ seus fundamentos na própria natureza humana. O espetáculo da luta sempre foi o maior encanto do homem; e o prazer da vitória, pessoal ou do partido, [5] foi, é e será a ambrosia dos deuses manipulada na Terra. Admiramos hoje os grandes filósofos gregos, Platão, Sócrates, Aristóteles; seus coevos, porém, admiravam muito mais os atletas que venciam no estádio. Milon de Crotona, campeão na arte de [10] torcer pescoços de touros, só para nós tem menos importância que seu mestre Pitágoras. Para os gregos, para a massa popular grega, seria inconcebível a ideia de que o filósofo pudesse no futuro ofuscar a glória do lutador. [15] Na França, o homem hoje mais popular é George Carpentier, mestre em socos de primeira classe; e, se derem nas massas um balanço sincero, verão que ele sobrepuja em prestígio aos próprios chefes supremos vencedores da guerra. [20] Nos Estados Unidos, há sempre um campeão de boxe tão entranhado na idolatria do povo que está em suas mãos subverter o regime político. E os delírios coletivos provocados pelo combate de dois campeões em campo? Impossível assistir-se [25] a espetáculo mais revelador da alma humana que os jogos de futebol. Não é mais esporte, é guerra.Não se batem duas equipes, mas dois povos, duas nações. Durante o tempo da luta, de quarenta a cinquenta [30] mil pessoas deliram em transe, estáticas, na ponta dos pés, coração aos pulos e nervos tensos como cordas de viola. Conforme corre o jogo, ........ pausas de silêncio absoluto na multidão suspensa, ou deflagrações violentíssimas de entusiasmo, que [35] só a palavra delírio classifica. E gente pacífica, bondosa, incapaz de sentimentos exaltados, sai fora de si, torna-se capaz de cometer os mais horrorosos desatinos. A luta de vinte e duas feras no campo transforma [40] em feras os cinquenta mil espectadores, possibilitando um enfraquecimento mútuo, num conflito horrendo, caso um incidente qualquer funda em corisco, ....... eletricidades psíquicas acumuladas em cada indivíduo. [45] O jogo de futebol teve a honra de despertar o nosso povo do marasmo de nervos em que vivia. Adaptado de LOBATO, Monteiro. A onda verde. São Paulo: Globo, 2008. p. 119-120. UFRGSQUESTÃO 7 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 3 Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das linhas 01, 32 e 43, nessa ordem. A tem – haverá – as. B têm – houveram – as. C tem – haverão – as. D tem – haverá – às. E têm – houveram – às. EAMQUESTÃO 8 Em todos os enunciados abaixo, a concordância está correta, EXCETO em: A em bastantes situações, nós sentíamos que ganhávamos muito menos do que realmente precisávamos. B fazia muitos meses que Karina tomava seu café sempre correndo, pois estava, diariamente, bastante atrasada. C a maior parte das pessoas se acostumam a esperar tranquilamente, haja vista que fazem isso o dia inteiro. D existem pessoas habituadas a acordar normalmente, mas eu estava acostumada a acordar sobressaltada. E podem haver vários momentos em que eu sorrio e espero mesmo um meio sorriso sincero de volta. TEXTO BASE 4 Leia o capítulo IX do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, para responder à questão. Transição E vejam agora com que destreza, com que arte faço eu a maior transição deste livro. Vejam: o meu delírio começou em presença de Virgília; Virgília foi o meu grão pecado da juventude; não há juventude sem meninice; meninice supõe nascimento; e eis aqui como chegamos nós, sem esforço, ao dia 20 de outubro de 1805, em que nasci. Viram? Nenhuma juntura aparente, nada que divirta a atenção pausada do leitor: nada. De modo que o livro fica assim com todas as vantagens do método, sem a rigidez do método. Na verdade, era tempo. Que isto de método, sendo, como é, uma coisa indispensável, todavia é melhor tê-lo sem gravata nem suspensórios, mas um pouco à fresca e à solta, como quem não se lhe dá da vizinha fronteira, nem do inspetor de quarteirão. É como a eloquência, que há uma genuína e vibrante, de uma arte natural e feiticeira, e outra tesa, engomada e chocha. Vamos ao dia 20 de outubro. (Memórias póstumas de Brás Cubas, 2018.) UERRQUESTÃO 9 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 4 “E vejam agora com que destreza”. O verbo sublinhado está conjugado no mesmo modo do verbo sublinhado em: A “não há juventude sem meninice”. B “meninice supõe nascimento”. C “e eis aqui como chegamos nós”. D “Viram? Nenhuma juntura aparente”. E “Vamos ao dia 20 de outubro”. TEXTO BASE 5 INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto. TEXTO As transformações que _____ ocorrido na socieda- de contemporânea, em especial a partir dos anos 70, _____ propiciando mudanças nas relações científicas estabelecidas com o ambiente internacional. Um evento [5] norteador das transformações societais e decisivo para essas mudanças foi a globalização, que _____ fortes evidências do entrosamento entre ciência e sociedade e _____ a dinâmica de produção do conhecimento, com efeitos no ensino superior sobretudo, realçando a impor- [10] tância da internacionalização nas funções de transmitir e produzir conhecimento. Universidade, ciência, inovação e sociedade. 36º Encontro Anual da ANPOCS. (Texto adaptado) PUC-RSQUESTÃO 10 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 5 Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas do texto. A tem – vem – trouxe – alterou B têm – vêm – trouxe – alterou C tem – veem – trouxe – alterou D tem – veem – trouxeram – alteraram E têm – vêm – trouxeram – alteraram FEMAQUESTÃO 11 Transpondo para a voz passiva a oração “Ministério da Economia pode extinguir 170 mil cargos da administração pública federal” (Folha online), obtém-se a forma verbal: A podem ser extintos B pode ser extinguidos C pode serem extinto D podem ter sido extinguindo E pode ter estado extintos EEARQUESTÃO 12 Em qual alternativa a concordância verbal está de acordo com o padrão culto da língua portuguesa? A Todos sabemos que existe, no passado daquela família tradicional, fatos que ninguém quer relembrar. B Haviam pessoas no teatro que abandonaram o local antes do término do espetáculo. C A atitude dos alunos daquelas universidades públicas comoveram os jornalistas. D Desconheciam-se os motivos pelos quais o marido havia abandonado a família. UFRRQUESTÃO 13 A exemplo da frase “Fazia horas que procuravam uma sombra.”, assinale a opção que apresenta concordância verbal semelhante de acordo com a norma culta. A Eles hão de fazer o que eu pedi. B Choveram pedidos de ingressos para o show. C Faremos um recital de poesia na próxima sexta-feira. D Houve problemas no caminho e não chegamos a tempo. E Recuperaram o tempo perdido ao encontrar o ente querido. MULTIVIXQUESTÃO 14 Assinale a alternativa em que a palavra sublinhada entre parênteses não completa corretamente a frase: A Os policiais (deteram - detiveram) o ladrão. B Os alunos (exporam – expuseram) suas ideias ao professor. C (Havia – Haviam) muitos livros sobre a mesa. D Se ele (mantivesse – mantesse) o quarto organizado, não perderia suas coisas. E Os fiscais (retiveram - reteram) meus documentos na alfândega. UNEMATQUESTÃO 15 Bebê recém-nascido infectado com coronavírus em Wuhan indica possível transmissão no útero “A emissora estatal CCTV informou que dois bebês estão infectados com o novo coronavírus, sendo o mais jovem nascido há menos de 30 horas. Citando fontes de um hospital pediátrico da cidade, a CCTV afirmou que os sinais vitais da criança são estáveis. Não há mais informações sobre esses casos. Até agora, a doença matou 490 pessoas e atingiu 26 países. Mais de 24 mil pessoas foram infectadas 99% deles na China. Desde a semana passada, o governo brasileiro investiga casos de suspeitas do vírus no país, mas não HOUVERAM nenhuma confirmação até o momento. (...).” Disponível em https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias /bbc /20 20/02/05/bebe-recem-nascido-infectado-com-coronavi rus-em-wuhanindica-possivel-transmissao-no-utero.h tm? cmpid=copiaecola. Acesso em fev. 2020. (Adaptado). O verbo em destaque no texto está empregado de forma inadequada. Assinale a alternativa em que, na reescrita da frase, o verbo está gramaticalmente correto levando em consideração sua conjugação no pretérito perfeito. A Desde a semana passada, o governo brasileiro investiga casos de suspeitas do vírus no país, mas não há nenhuma confirmação até o momento. B Desde a semana passada, o governo brasileiro investiga casos de suspeitas do vírus no país, mas não houvera nenhuma confirmação até o momento. C Desde a semana passada, o governo brasileiro investiga casos de suspeitas do vírus no país, mas não haviam nenhuma confirmação até o momento. D Desde a semana passada, o governo brasileiro investiga casos de suspeitas do vírus no país, mas não houve nenhuma confirmação até o momento. E Desde a semana passada, o governo brasileiro investiga casos de suspeitas do vírus no país, mas não havia nenhuma confirmação até o momento. UPQUESTÃO 16 Considere o seguinte texto: Os avanços tecnológicos impõem como condição de sobrevivência que nos __________ continuamente conectados à rede mundial, o que faz com que __________ nossos aparelhos celulares paraabsolutamente todas as situações cotidianas e __________ com nossa atenção desigualmente dividida entre eles e os eventuais interlocutores presenciais. Talvez toda essa obsessão por interatividade virtual __________ ser repensada, de modo que __________ a dar mais atenção aos circunstantes. Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas acima. A mantemos – carregamos – vivemos – deveria – passemos. B mantivéssemos – carreguemos – vivendo – devesse – passássemos. C mantenhamos – carregamos – vivamos – devesse – passaremos. D mantivéssemos – carreguemos – viveríamos – deva – passamos. E mantenhamos – carreguemos – vivamos – devesse – passássemos. FACISAQUESTÃO 17 Na conta do Instagram “curiosidadesefatos”, pode-se ler: “O clima seria seco, pois o centro do continente seria tão longe, que raramente receberia os ventos úmidos. Haveriam muitos desertos. Ainda partindo da ideia de que os humanos existissem, não haveriam tantas culturas e o conceito de globalização não faria muito sentido.” Marque os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso). ( ) O uso do futuro do pretérito contribui para o sentido de probabilidade, referindo-se “a algo que poderia ter acontecido posteriormente a uma situação no passado”. ( ) O emprego de “Haveriam”/”haveriam” contraria recomendação das gramáticas tradicionais quanto ao uso do português culto, uma vez que o verbo está sendo empregado no sentido de existir. ( ) A substituição correta de “Haveriam”/”haveriam” pelo verbo existir resultaria em “Existiria”/”existiria”. ( ) A conjunção “pois” se classifica, no contexto, como subordinativa explicativa, pois a oração que se lhe segue explica a causa de o clima ser seco. ( ) O primeiro registro do “que” é como conjunção subordinativa consecutiva, pois introduz oração com sentido de consequência em relação à oração precedente. ( ) O “que”, em “de que”, é uma conjunção integrante e o emprego da preposição “de” está correto, pois inicia oração completiva nominal em relação a “ideia”. A sequência CORRETA de preenchimento dos parênteses é: A F, V, V, V, F, F B V, F, V, F, V, F C V, V, F, F, V, V D F, F, V, V, V, F E V, V, F, V, F, V FAMEMAQUESTÃO 18 “O criminoso pode alegar que foi o segundo eu o autor do crime.” (Carlos Drummond de Andrade. O avesso das coisas, 1990.) Transpondo-se para a voz passiva a oração centrada na locução verbal sublinhada, surge a forma verbal: A pôde ser alegado. B pode alegar. C é alegado. D pode ser alegado. E foi alegado. Campo RealQUESTÃO 19 Leia o seguinte texto: O governo praticamente zerou sua projeção de crescimento do PIB este ano, com previsão de 0,02%. Parte dos economistas, porém, já _________ que o impacto do coronavírus pode ser muito mais prolongado e colocar o país no caminho de uma depressão econômica. A rápida deterioração da economia global diante do avanço do coronavírus levanta dúvidas sobre a duração e a profundidade da crise na dinâmica produtiva brasileira. Já é praticamente consenso entre os economistas que o país, assim como o mundo, ________ uma recessão. Mas no intenso debate sobre a necessidade de estímulos para lidar com a turbulência, muitos dos experts já _______indícios de que o Brasil corre risco de mergulhar numa depressão econômica. Para caracterizar a entrada do país em recessão técnica, _______ dois trimestres seguidos de desempenho negativo do Produto Interno Bruto (PIB), uma possibilidade com a qual o próprio Ministério da Economia já trabalha, ao reduzir sua projeção de crescimento da economia brasileira para este ano a praticamente zero. É consenso que _______recessões no país e no mundo. […] (Adaptado de: https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/ 03/20/governo-corta-a-zero-projecao-para-crescimen to-do-pib- em-2020.htm.) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas acima na ordem em que aparecem no texto. A avalia – enfrentarão – avista – basta – haverão. B avalia – enfrentará –avistam – bastam – haverá. C avaliam – enfrentará – avistam –basta – haverão. D avaliam – enfrentarão – avistam – basta – haverão. E avaliam – enfrentará – avista – bastam – haverá. ACAFEQUESTÃO 20 Preencha os espaços em branco com Há, a, à, nessa ordem. I ____ dois anos não ___ visitava, mas sua mãe sempre esteve ___ espera. II ____ beira do precipício, ____ poucos arbustos ___ decorar a paisagem. III ____ quem quisesse ver, demonstrei que não ___ possibilidade de resolver ___ questão. IV ____ alguma chance, ____ custa de muito esforço, de obter ___ vaga pretendida. V ____ ao menos três maneiras de encaminhar isso ___ quem está ___ disposição para ajudar. As frases corretas, de acordo com a ordem proposta, são: A III - V B II - III - IV C I - III - IV D I - V TEXTO BASE 6 Para responder a questão, leia a crônica “Almas penadas”, de Olavo Bilac, publicada originalmente em 1902. Outro fantasma?... é verdade: outro fantasma. Já tardava. O Rio de Janeiro não pode passar muito tempo sem o seu lobisomem. Parece que tudo aqui concorre para nos impelir ao amor do sobrenatural [...]. Agora, já se não adormecem as crianças com histórias de fadas e de almas do outro mundo. Mas, ainda há menos de cinquenta anos, este era um povo de beatos [...]. [...] Os tempos melhoraram, mas guardam ainda um pouco dessa primitiva credulidade. Inventar um fantasma é ainda um magnífico recurso para quem quer levar a bom termo qualquer grossa patifaria. As almas simples vão propagando o terror, e, sob a capa e a salvaguarda desse temor, os patifes vão rejubilando. O novo espectro que nos aparece é o de Catumbi. Começou a surgir vagamente, sem espalhafato, pelo pacato bairro — como um fantasma de grande e louvável modéstia. E tão esbatido1 passava o seu vulto na treva, tão sutilmente deslizava ao longo das casas adormecidas — que as primeiras pessoas que o viram não puderam em consciência dizer se era duende macho ou duende fêmea. [...] O fantasma não falava — naturalmente por saber de longa data que pela boca é que morrem os peixes e os fantasmas... Também, ninguém lhe falava — não por experiência, mas por medo. Porque, enfim, pode um homem ter nascido num século de luzes e de descrenças, e ter mamado o leite do liberalismo nos estafados seios da Revolução Francesa, e não acreditar nem em Deus nem no Diabo — e, apesar disso, sentir a voz presa na garganta, quando encontra na rua, a desoras2, uma avantesma3 ... Assim, um profundo mistério cercava a existência do lobisomem de Catumbi — quando começaram de aparecer vestígios assinalados de sua passagem, não já pelas ruas, mas pelo interior das casas. Não vades agora crer que se tenham sumido, por exemplo, as hóstias consagradas da igreja de Catumbi, ou que os empregados do cemitério de S. Francisco de Paula tenham achado alguma sepultura vazia, ou que algum circunspecto pai de família, certa manhã, ao despertar, tenha dado pela falta... da própria alma. Nada disso. Os fenômenos eram outros. Desta casa sumiram-se as arandelas, daquela outra as galinhas, daquela outra as joias... E a polícia, finalmente, adquiriu a convicção de que o lobisomem, para perpétua e suprema vergonha de toda a sua classe, andava acumulando novos pecados sobre os pecados antigos, e dando-se à prática de excessos menos merecedores de exorcismos que de cadeia. Dizem as folhas4 que a polícia, competentemente munida de bentinhos5 e de revólveres, de amuletos e de sabres, assaltou anteontem o reduto do fantasma. Um jornal, dando conta da diligência, disse que o delegado achou dentro da casa sinistra — um velho pardieiro6 que fica no topo de uma ladeira íngreme — alguns objetos singulares que pareciam instrumentos “pertencentes a gatunos”. E acrescentou: “alguns morcegos esvoaçavam espavoridos, tentando apagar as velas acesas que os sitiantes7 empunhavam”. Esta nota de morcegos deve ser um chique romântico do noticiarista. No fundo da alma de todo o repórter há sempre um poeta... Vamos lá! nestes tempos, que correm, já nem há morcegos. Esses feios quirópteros, esses medonhos ratos alados,companheiros clássicos do terror noturno, já não aparecem pelo bairro civilizado de Catumbi. Os animais, que esvoaçavam espavoridos, eram sem dúvida os frangões roubados aos quintais das casas... Ai dos fantasmas! e mal dos lobisomens! o seu tempo passou. (Olavo Bilac. Melhores crônicas, 2005.) 1 esbatido: de tom pálido. 2 a desoras: muito tarde. 3 avantesma: alma do outro mundo, fantasma, espectro. 4 folha: periódico diário, jornal. 5 bentinho: objeto de devoção contendo orações escritas. 6 pardieiro: prédio velho ou arruinado. 7 sitiante: policial. UNESPQUESTÃO 21 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 6 Em “Vamos lá! nestes tempos, que correm, já nem há morcegos” (5º parágrafo), o termo sublinhado está empregado na mesma acepção do termo sublinhado em A “ela correu um risco desnecessário”. B “a notícia corria por toda a cidade”. C “a manhã corria especialmente tranquila”. D “segundo corria, ela seria facilmente eleita”. E “um arrepio correu-lhe pela espinha”. FAMECAQUESTÃO 22 Sabina Havia três anos que o bacharel Figueiredo era o amante da viúva Fontes. E marido seria se ela quisesse; mas Sabina – Sabina era o seu nome – dera-se mal com o casamento, e não queria experimentá-lo de novo. Um mês depois do seu primeiro encontro com o bacharel Figueiredo, este dizia-lhe: – Eu amo-te, tu amas-me, eu sou livre, tu és livre: casemo-nos! – Não! – respondia ela – não! Não! Não!... – Por que, meu amor? – Porque esse fogo, esse ímpeto, esse entusiasmo que te lançou nos meus braços, tudo isso desapareceria desde que eu fosse tua mulher! – Mas a sociedade... – Ora, a sociedade! Sou bastante independente para me não importar com ela. – Tua filhinha... – Tem apenas quatro anos! Está na idade em que se olha sem ver. Demais, não quero dar-lhe um padrasto. Amemonos, e deixemos em paz o padre e o pretor. (Arthur Azevedo. Seleção de contos, 2014.) Assinale a alternativa em que as passagens “Havia três anos que o bacharel Figueiredo era o amante da viúva Fontes.” (1o parágrafo) e “Amemo-nos, e deixemos em paz o padre e o pretor.” (último parágrafo) estão corretamente reescritas, de acordo com a norma-padrão. A Contavam três anos que o bacharel Figueiredo era o amante da viúva Fontes. / Amemo-nos, e que o padre e o pretor tenha paz B Contava três anos que o bacharel Figueiredo era o amante da viúva Fontes. / Amemo-nos, e que fiquem em paz o padre e o pretor. C Fazia três anos que o bacharel Figueiredo era o amante da viúva Fontes. / Amemo-nos, e que fique em paz o padre e o pretor. D Faziam três anos que o bacharel Figueiredo era o amante da viúva Fontes. / Amemo-nos, e que tenham paz o padre e o pretor. E Faziam três anos que o bacharel Figueiredo era o amante da viúva Fontes. / Amemo-nos, e que o padre e o pretor fique em paz. UFAMQUESTÃO 23 Mauro não I na discussão sobre os descontos abusivos, porque se II com assuntos alheios ao problema; se eu o III , direi que fiquei decepcionado. Assinale a alternativa que preenche CORRETAMENTE as lacunas: A I: interviu; II: entreteu; III: ver B I: interveio; II: entreteve; III: vir C I: interviu; II: entreteve; III: ver D I: interveio; II: entreteu; III: ver E I: interviu; II: entreteve; III: vir TEXTO BASE 7 E a indústria de alimentos na pandemia? O editorial da edição de 10 de junho do British Medical Journal, assinado por professores da Queen Mary University of London, na Inglaterra, propõe uma reflexão tão interessante que vale provocá-la entre nós, aqui também: a pandemia de Covid- 19 deveria tornar ainda mais urgente o combate à outra pandemia, a de obesidade. O excesso de peso, por si só, já é um fator de risco importante para o agravamento da infecção pelo Sars-CoV 2, como lembram os autores. A probabilidade de uma pessoa com obesidade severa morrer de Covid-19 chega a ser 27% maior do que a de indivíduos com obesidade grau 1, isto é, com um índice de massa corporal entre 30 e 34,9 quilos por metro quadrado, de acordo com a plataforma de registros OpenSAFELY. O editorial cita uma série de outros dados e possíveis razões para a associação entre a má evolução de certos casos de Covid-19 e a obesidade. No entanto, o que mais destaca é o ambiente obesogênico que o novo coronavírus encontrou no planeta. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, para citar dois exemplos, entre 65% e 70% da população apresentam um peso maior do que o recomendado para o bem da saúde. E, assim, os autores apontam o dedo para a indústria de alimentos que, em sua opinião, em todo o globo não parou de promover produtos ultraprocessados, com muito açúcar, uma quantidade excessiva de sódio e gorduras além da conta. A crítica do editorial é mesmo cortante: “Fica claro que a indústria de alimentos divide a culpa não apenas pela pandemia de obesidade como pelos casos mais graves de Covid-19 e suas consequências devastadoras”, está escrito. E os autores cobram medidas, lembrando que o confinamento exigido pela Covid-19 aparentemente piorou o estado nutricional das pessoas, em parte pela falta de acesso a alimentos frescos, em outra parte porque o pânico fez muita gente estocar itens ultraprocessados em casa, já que esses costumam ter maior vida de prateleira, inclusive na despensa. Mas o que deixou os autores realmente desconfortáveis foram as ações de marketing de algumas marcas nesses tempos desafiadores. Todas, claro, querendo demonstrar o seu envolvimento com iniciativas de responsabilidade social, mas dando tiros que, para olhos mais atentos, decididamente saíram pela culatra. Por exemplo, quando uma indústria bem popular na Inglaterra distribuiu nada menos do que meio milhão de calóricos donuts para profissionais na linha de frente do National Health Service britânico. A impressão é de que as indústrias de alimentos verdadeiramente preocupadas com a população, cada vez mais acometida pela obesidade, deveriam aproveitar a crise atual para botar a mão na consciência, parar de promover itens pouco saudáveis e reformular boa parte do seu portfólio. As mortes por Covid-19 dão a pista de que essa é a maior causa que elas poderiam abraçar no momento. Fonte: Adaptado de https://abeso.org.br/e-a-industria-de- alimentos-na-pandemia. Publicado em 30 de junho de 2020. Acessado em 09 Mar 21. GLOSSÁRIO: O termo “ambiente obesogênico” foi criado pelo professor de Bioengenharia da Universidade da Califórnia, nos EUA, Bruce Blumberg. Segundo ele, são os Obesogênicos os responsáveis por contribuir no ganho de peso sem que o indivíduo tenha consciência de que está engordando. EsPCExQUESTÃO 24 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 7 “Unamos agora os pés e ___________ um salto por cima da escola, a enfadonha escola, onde aprendi a ler, escrever, contar, dar cambalhotas, apanhá-las, e ir fazer diabruras, ora nos morros, ora nas praias, onde quer que fosse propício a ociosos”. Nesse trecho, o personagem-narrador Brás Cubas, de Machado de Assis, faz um pedido ao leitor para que, juntos, adiantem o tempo da narrativa. Para isso, utiliza o mesmo modo verbal para os dois verbos que iniciam o período: o verbo unir e o verbo dar. O verbo conjugado que completa, então, corretamente a lacuna é A daremos. B damos. C demos. D daríamos E daríeis. TEXTO BASE 8 Texto Uso de bactérias em tratamento de câncer tem bons resultados em novo estudo Que tal se pudéssemos revolucionar o tratamento do câncer com uma solução barata e eficaz? Um estudo realizado na Universidade Nacional da Austrália indica que estamos mais perto desta solução do que pensávamos — e com algo que já havia sido pensado há mais de cem anos, mas nunca colocado em prática. O novo tratamento consiste na injeção de bactérias mortas em células tumorais. O corpo, então, elimina as células atingidas pelas bactérias, levando junto com elas o tumor. Testes do tratamento já foram realizados tanto em ratos, cães e cavalos, quanto em humanos. Em todos os casos, os resultados foram positivos — e em alguns deles os tumores regrediram completamente: 3% dos mastocitomas em ratos; 21% dos mastocitomasem cães e 18% dos melanomas em cavalos. Evidências de respostas imunes sistêmicas – regressão de metástases não injetadas com o tratamento – também foram observadas. Entre os 12 pacientes humanos que participaram do estudo, o tratamento foi bem tolerado. Entre os resultados mais animadores, um paciente com câncer renal em estágio avançado obteve regressão do tumor, aumentando a qualidade de vida. O estudo mostrou que a injeção intratumoral induz respostas anticâncer em uma proporção significativa. Os cientistas do estudo utilizaram as "toxinas de Coley", que remontam a uma longa história: o médico e pesquisador americano do câncer William Coley (1862-1936) injetou repetidamente (a cada 2 a 3 dias por vários meses) preparações de bactérias mortas em centenas de pacientes com cânceres inoperáveis. Inicialmente ele injetava a preparação dentro e ao redor dos tumores. Mais tarde, passou a aplicar injeções intravenosas. Ambas as abordagens de Coley tiveram como resultado remissões duráveis do câncer em muitos pacientes, incluindo 312 casos de sarcomas inoperáveis e 190 regressões tumorais completas. Ao final de seu estudo, o pesquisador considerou as injeções intratumorais como as mais eficazes. O novo estudo australiano partiu do princípio de Coley, utilizando uma nova forma de imunoterapia intratumoral, a injeção de adjuvante de Freund completo emulsificado (CFA). O CFA é um estimulante imunológico extremamente potente, desenvolvido na década de 1950, que possui três componentes: óleo mineral e surfactante (que formam o adjuvante incompleto de Freund (IFA) – o mesmo utilizado em vacinas –, ou Montanide ISA-51, licenciados para uso humano), e micobactérias mortas pelo calor. Emulsionado corretamente, o CFA forma um depósito de liberação lenta no local da injeção. A aplicação do composto fornece estimulação imunológica contínua durante semanas, o que torna o CFA uma opção simples e barata de imunoterapia contra o câncer. Semanas ou meses após o novo tratamento, os pacientes apresentaram aumento de células B e T – do sistema imunológico – nos tecidos infiltrados. Segundo o estudo, a ativação do sistema imunológico inato por si só pode ser suficiente para a regressão de alguns tumores. O que acontece em seguida ao tratamento é a ativação do sistema imunológico adquirido, que passa a mediar a regressão de metástases não injetadas. O tratamento é barato: "É um custo extremamente baixo. Estimamos em torno de US$ 20 dólares a dose, enquanto o custo de outras imunoterapias pode chegar a US$ 40.000 dólares. Isso torna o tratamento acessível para pacientes em países em desenvolvimento", afirmou, em um comunicado à imprensa, o professor Aude Fahrer, que liderou o estudo. Segundo Fahrer, o melhor do tratamento é que ele requer poucas dosagens, tem administração simples e poucos efeitos colaterais. Atualmente vemos uma multiplicação de tratamentos do câncer, de imunoterapia a nanopartículas. O Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) de 2020, maior congresso do mundo sobre o tema, apontou para a individualização do tratamento e uso de novos medicamentos. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/ciencia/226085- uso-bacterias-tratamento-cancer-apresenta-bons- resultados.htm. Acesso em 05 out. 2021. [Adaptado]. ACAFEQUESTÃO 25 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 8 Analise as frases a seguir quanto à concordância verbal. I. Para que se tenha boas safras, deve-se plantar boas sementes e torcer para que hajam chuvas suficientes. II. Fomos nós quem fez o trabalho de coleta dos dados que se incluíram no relatório. III. Sobre essas diferentes interpretações, verificou-se duas tendências de ordem ideológica: existe pessoas que acredita nas vacinas e existe pessoas que as defende. IV. Erros de cálculo pode haver quanto ao percentual de habitantes imunizados e, por isso, serão refeitas as planilhas. V. Deviam ser duas horas da manhã quando chegaram em casa os adolescentes. VI. Durante a assembleia da ONU, realizou-se, no final da tarde, algumas eleições para diversos órgãos que compõe o organograma da instituição. São CORRETAS as frases: A I – III – IV B II – III – VI C II – IV – V D I – V – VI TEXTO BASE 9 Texto para a questão. TEXTO “HÁ EMBUTIDA NAS OBRAS de Aristóteles uma ideia medular, que escapou à percepção de quase todos os seus leitores e comentaristas, da Antiguidade até hoje. Mesmo aqueles que a perceberam — e foram apenas dois, que eu saiba, ao longo dos milênios — limitaram-se a anotá-la de passagem, sem lhe atribuir explicitamente uma importância decisiva para a compreensão da filosofia de Aristóteles. No entanto, ela é a chave mesma dessa compreensão, se por compreensão se entende o ato de captar a unidade do pensamento de um homem desde suas próprias intenções e valores, em vez de julgá-lo de fora; ato que implica respeitar cuidadosamente o inexpresso e o subentendido, em vez de sufocá-lo na idolatria do “texto” coisificado, túmulo do pensamento. A essa ideia denomino Teoria dos Quatro Discursos. Pode ser resumida em uma frase: o discurso humano é uma potência única, que se atualiza de quatro maneiras diversas: a poética, a retórica, a dialética e a analítica (lógica).” CARVALHO, O. de. Aristóteles em nova perspectiva: Introdução à teoria dos quatro discursos. Campinas (SP): Vide editorial, 2013, pp.21-2. IFALQUESTÃO 26 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 9 Sabendo-se que o verbo “haver”, quando usado impessoalmente, não sofre variação número-pessoal, indique a opção que corresponde, conforme a norma culta, ao sentido exato da frase de abertura do texto acima: «Há embutida nas obras de Aristóteles uma ideia medular, que escapou à percepção de quase todos os seus leitores e comentaristas, da Antiguidade até hoje». A Existe embutida nas obras de Aristóteles uma ideia medular, que escapou à percepção de quase todos os seus leitores e comentaristas, da Antiguidade até hoje. B Tem embutida nas obras de Aristóteles uma ideia medular, que escapou à percepção de quase todos os seus leitores e comentaristas, da Antiguidade até hoje. C Têm embutida nas obras de Aristóteles uma ideia medular, que escapou à percepção de quase todos os seus leitores e comentaristas, da Antiguidade até hoje. D Hão embutida nas obras de Aristóteles uma ideia medular, que escapou à percepção de quase todos os seus leitores e comentaristas, da Antiguidade até hoje. E Existem embutida nas obras de Aristóteles uma ideia medular, que escapou à percepção de quase todos os seus leitores e comentaristas, da Antiguidade até hoje. FPSQUESTÃO 27 Analise o seguinte fragmento: “Normas de comportamento, mais ou menos explícitas, existem em todas as sociedades”. Substituindo o verbo ‘existir’, pelo verbo ‘haver’, o enunciado correto seria: A Normas de comportamento, mais ou menos explícitas, haveriam em todas as sociedades. B Normas de comportamento, mais ou menos explícitas, haviam em todas as sociedades. C Normas de comportamento, mais ou menos explícitas, houveram em todas as sociedades. D Bom seria se normas de comportamento, mais ou menos explícitas, houvessem em todas as sociedades! E Normas de comportamento, mais ou menos explícitas, houve em todas as sociedades. TEXTO BASE 10 TEXTO A explosão da solidão 1. Em 1973, o americano Robert King foi preso pela terceira vez. A polícia o levou para a cadeia de Nova Orleans, onde conheceu membros dos Panteras Negras: um grupo que misturava ativismo com violência. King se juntou a eles para exigir melhores condições carcerárias. Não conseguiu e foi transferido para a Penitenciária Estadual da Louisiana. Ao chegar, foi colocado na solitária – na qual passaria os 29 anos seguintes. Foram três décadas absurdamente sozinho. King só podia sair da cela de 2x2,5m uma hora por dia (quando ficava isolado numa gaiola sem poder se aproximar dos outros presos). 2. Em 2001, aos 59 anos, ele foi solto. Ao tentar se adaptar à vida em sociedade, descobriu que não conseguia reconhecer rostos, seguir rotas para ir a um lugar, ese tornou objeto de interesse da ciência: no ano passado, King foi convidado a contar sua história no congresso da Sociedade Americana de Neurociência. O caso dele é notável, pois nunca um ser humano haviase submetido a um período de isolamento tão longo e sobrevivido com lucidez para contar como foi. A solitária, geralmente, enlouquece suas vítimas e há razões concretas para isso. 3. O isolamento prolongado tem efeitos neurológicos. Pode fazer muito mal. E não só para quem está trancafiado numa cela. Você já deve ter-se sentido solitário e sabe o quão desagradável isso é. A solidão pode ser objetiva, ou seja, derivada de um isolamento real, ou subjetiva, numa sensação criada pela mente (esse tipo de solidão se manifesta, por exemplo, quando nos sentimos sós, mesmo estando cercados de outras pessoas). Em ambos os casos, ela é um alerta do organismo para que busquemos a companhia de mais pessoas, e aumentemos, assim, nossa chance de sobrevivência. Isso era tão verdadeiro na Pré-História, quanto é no mundo de hoje. A novidade é que, por motivos ainda não elucidados, a solidão parece estar aumentando, a ponto de se tornar uma epidemia. Nos EUA, 76% das pessoas apresentam níveis moderados ou altos de solidão, segundo estudos da Universidade da Califórnia. 4. Na década de 1980, cada americano tinha em média 2,94 “amigos do peito”. Em 2011, a média nacional caiu para 2,03 amigos próximos. Na Inglaterra, 66% da população apresenta sintomas de solidão crônica. 5. Não há números a respeito no Brasil, mas os indicadores mais relevantes apontam na mesma direção. Entre 2004 e 2014, o número anual de divórcio aumentou 250%. Entre 1991 e 2019, a quantidade de pessoas que moram sozinhas subiu 340%. 6. Em suma, a solidão é onipresente e está crescendo. O problema é que ela pode matar. Solitários têm 29% mais chances de sofrer de doenças cardíacas; 32% mais risco de ter um AVC. E são 200% mais propensos a desenvolver Alzheimer. Em mulheres solitárias, a reincidência de câncer de mama é 40% maior, e a propensão à letalidade chega a 60%. Quem já experimentou um grau elevado de solidão tem três vezes mais chances de cair em depressão. A solidão é mais letal que a obesidade e o alcoolismo e consegue ser tão nociva quanto o tabagismo. 7. De toda forma, segue aqui uma dica: pare e pense nos sentimentos que você tem em comum com as outras pessoas. A começar por este: elas, assim como você, estão se sentindo meio isoladas. Todo mundo anda meio solitário – e, exatamente por isso, você não está sozinho. (Revista Super Interessante, n. 407. Set. 2019. Adaptado). FPSQUESTÃO 28 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 10 Em relação às normas prescritas pela gramática da norma- padrão da língua portuguesa, quanto à concordância verbal, está corretamente elaborado o seguinte enunciado: A Quem já experimentou graus elevados de solidão têm três vezes mais chances de cair em depressão. B No Brasil, não houveram indícios sobre os níveis de isolamento, mas os sinais mais relevantes apontaram na direção do aumento da solidão. C Fazem mais de mil anos que existem os recursos da vacinação, de tão grandes benefícios para a humanidade. D Aqueles que houverem experimentado sinais de isolamento, por muito tempo, não haverão de se esquecer disso! E Segue aqui umas dicas: pare e pense nos sentimentos que vocês tem em comum com as outras pessoas. EAMQUESTÃO 29 Assinale a opção que completa corretamente as lacunas da sentença a seguir. Segundo a autora, _____ vários ingredientes que tornaram o quadro insustentável, _____ essa situação se resolveria se _____ fortes estudos e _____ interpretação de texto. A há/mas/houvesse/mais B a/mais/houvessem/mais C há/más/houvesse/mas D a/mas/houvesse/más E há/mas/houvessem/mais EEARQUESTÃO 30 Quanto à concordância verbal, assinale a alternativa que contém a sequência que completa, correta e respectivamente, as lacunas do texto abaixo. Caros cidadãos: Amanhã um grupo __________ (passar) nas ruas deste bairro arrecadando roupas para as vítimas da última tempestade. A maioria das peças __________ (dever) ser para adultos; apenas 10% das roupas __________ (ir) para crianças de 2 a 7 anos. _________ (Haver) muitos pedidos de cobertores, por isso podem doar esse item também. A Associação de Bairro agradece a todos! A passará - deverá - irão - Houve B passará - deverão - irá - Houve C passarão - deverão - irá - Houveram D passarão - deverá - irão - Houveram UFAMQUESTÃO 31 Assinale a alternativa em que o verbo deveria estar no singular: A Agorinha mesmo deram cinco horas da tarde B Choveram papéis picados dos edifícios, saudando os campeões C Hão de acontecer manifestações violentas contra o governo. D Haviam muitos igarapés na Manaus do ciclo da borracha E Não costumam aparecer por aqui tais delinquentes UFGDQUESTÃO 32 Assinale a alternativa com as palavras que preenchem correta e respectivamente as lacunas no período a seguir. ______ alguns dias, ______ nesse local obras de arte valiosas. Hoje, só _______ escombros de um incêndio que chocou a todos. A Fazem, havia, existe B Fazem, havia, existe C Fazem, haviam, existem D Faz, haviam, existe E Faz, havia, existem TEXTO BASE 11 Leia o conto “A moça rica”, de Rubem Braga (1913-1990), para responder à questão. A madrugada era escura nas moitas de mangue, e eu avançava no batelão1 velho; remava cansado, com um resto de sono. De longe veio um rincho 2 de cavalo; depois, numa choça de pescador, junto do morro, tremulou a luz de uma lamparina. Aquele rincho de cavalo me fez lembrar a moça que eu encontrara galopando na praia. Ela era corada, forte. Viera do Rio, sabíamos que era muito rica, filha de um irmão de um homem de nossa terra. A princípio a olhei com espanto, quase desgosto: ela usava calças compridas, fazia caçadas, dava tiros, saía de barco com os pescadores. Mas na segunda noite, quando nos juntamos todos na casa de Joaquim Pescador, ela cantou; tinha bebido cachaça, como todos nós, e cantou primeiro uma coisa em inglês, depois o Luar do sertão e uma canção antiga que dizia assim: “Esse alguém que logo encanta deve ser alguma santa”. Era uma canção triste. Cantando, ela parou de me assustar; cantando, ela deixou que eu a adorasse com essa adoração súbita, mas tímida, esse fervor confuso da adolescência – adoração sem esperança, ela devia ter dois anos mais do que eu. E amaria o rapaz de suéter e sapato de basquete, que costuma ir ao Rio, ou (murmurava- se) o homem casado, que já tinha ido até à Europa e tinha um automóvel e uma coleção de espingardas magníficas. Não a mim, com minha pobre flaubert 3, não a mim, de calça e camisa, descalço, não a mim, que não sabia lidar nem com um motor de popa, apenas tocar um batelão com meu remo. Duas semanas depois que ela chegou é que a encontrei na praia solitária; eu vinha a pé, ela veio galopando a cavalo; vi-a de longe, meu coração bateu adivinhando quem poderia estar galopando sozinha a cavalo, ao longo da praia, na manhã fria. Pensei que ela fosse passar me dando apenas um adeus, esse “bom-dia” que no interior a gente dá a quem encontra; mas parou, o animal resfolegando e ela respirando forte, com os seios agitados dentro da blusa fina, branca. São as duas imagens que se gravaram na minha memória, desse encontro: a pele escura e suada do cavalo e a seda branca da blusa; aquela dupla respiração animal no ar fino da manhã. E saltou, me chamando pelo nome, conversou comigo. Séria, como se eu fosse um rapaz mais velho do que ela, um homem como os de sua roda, com calças de “palm-beach”, relógio de pulso. Perguntou coisas sobre peixes; fiquei com vergonha de não saber quase nada, não sabia os nomes dos peixes que ela dizia, deviam ser peixes de outros lugares mais importantes, com certeza mais bonitos. Perguntou se a gente comia aqueles cocos dos coqueirinhos junto da praia – e falou de minha irmã, que conhecera, quis saber se era verdade que eu nadara desde a ponta do Boi até perto da lagoa. De repente me fulminou: “Por que você não gostade mim? Você me trata sempre de um modo esquisito...” Respondi, estúpido, com a voz rouca: “Eu não”. Ela então riu, disse que eu confessara que não gostava mesmo dela, e eu disse: “Não é isso.” Montou o cavalo, perguntou se eu não queria ir na garupa. Inventei que precisava passar na casa dos Lisboa. Não insistiu, me deu um adeus muito alegre; no dia seguinte foi-se embora. Agora eu estava ali remando no batelão, para ir no Severone apanhar uns camarões vivos para isca; e o relincho distante de um cavalo me fez lembrar a moça bonita e rica. Eu disse comigo – rema, bobalhão! – e fui remando com força, sem ligar para os respingos de água fria, cada vez com mais força, como se isto adiantasse alguma coisa. (Os melhores contos, 1997.) 1 batelão: embarcação movida a remo. 2 rincho: relincho. 3 flaubert: um tipo de espingarda. UNESPQUESTÃO 33 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 11 Ao se converter o trecho “Ela então riu, disse que eu confessara que não gostava mesmo dela” (7o parágrafo) para o discurso direto, o verbo “confessara” assume a forma: A confessei. B confessou. C confessa. D confesso. E confessava. Flexão verbal Questão 1: [B] Questão 2: [C] Questão 3: [A] Questão 4: [D] Questão 5: [C] Questão 6: [A] Questão 7: [A] Questão 8: [E] Questão 9: [E] Questão 10: [B] Questão 11: [E] Questão 12: [D] Questão 13: [D] Questão 14: [D] Questão 15: [D] Questão 16: [E] Questão 17: [C] Questão 18: [D] Questão 19: [B] Questão 20: [D] Questão 21: [C] Questão 22: [C] Questão 23: [B] Questão 24: [C] Questão 25: [A] Questão 26: [A] Questão 27: [E] Questão 28: [D] Questão 29: [A] Questão 30: [A] Questão 31: [D] Questão 32: [E] Questão 33: [B] Orações TEXTO BASE 1 Texto para a pergunta. O NEGACIONISMO NO PODER Como fazer frente ao ceticismo que atinge a ciência e a política Até pouco tempo atrás, quando queríamos sustentar uma afirmação sem argumentar demais, bastava dizer: “É comprovado cientificamente.” Mas essa tática já não tem mais a mesma eficácia, pois a confiança na ciência está diminuindo. Vivemos hoje um clima de ceticismo generalizado, uma descrença [5] nas instituições que favorece a disseminação de negacionismos, encampados por governos com políticas escancaradamente anticientíficas. Algumas pesquisas confirmam a crise de confiança que atinge, ao mesmo tempo, a ciência e a política. O fenômeno da pós-verdade – esse momento que atravessamos no qual fatos objetivos têm menos influência na opinião pública [10] do que crenças pessoais – é um sintoma extremo dessa crise. Muita gente não enxerga que a ciência, assim como a política, existe para beneficiar a sociedade. E esse desencanto produz um terreno fértil para movimentos anticiência e teorias da conspiração (além de fomentar extremismos). A pós- verdade, assim, não designa apenas o uso oportunista da mentira (embora ele [15] seja frequente). O termo sinaliza, acima de tudo, um ceticismo quanto aos benefícios das verdades que costumavam compor um repertório comum, o que explica certo desprezo por evidências factuais usadas na argumentação científica. Diante disso, contradizer argumentos falsos exibindo fatos reais pode ter pouca relevância em uma discussão. Evidências e consensos [20] científicos têm sido facilmente contestados com base em convicções pessoais ou experiências vividas – como se percebe todos os dias nas redes sociais. Tatiana Roque, Piauí, No. 161, fevereiro, 2020. Adaptado. FGV-RJQUESTÃO 1 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 1 Consideradas no contexto, as orações “embora ele seja frequente” e “como se percebe todos os dias nas redes sociais” – ambas no segundo parágrafo – exprimem, respectivamente, ideia de A causa e conformidade. B concessão e causa. C consequência e comparação. D concessão e conformidade. E causa e comparação TEXTO BASE 2 Leia a reportagem, retirada do caderno Ilustrada do jornal Folha de S.Paulo, para responder a questão. Para o público em geral, ateliês de artistas costumam estar envoltos numa aura de mistério. Visitá-los, afinal, é uma prática limitada a profissionais da arte, como curadores e galeristas. O livro Espaços de trabalho de artistas latino-americanos, de Beta Germano, satisfaz essa curiosidade. E, recém-lançado pela editora Cobogó, pode servir de inspiração justamente num momento em que todos estão presos em casa. Para compor a publicação, Germano e o fotógrafo Fran Parente visitaram ateliês de 27 artistas espalhados por oito países. Enquanto ele clicava os espaços, ela, que é jornalista, batia longos papos com seus donos — uma lista que inclui, entre outros, Cildo Meireles, Adriana Varejão e Miguel Rio Branco. Germano explica que, além da questão regional, outro fator que guiou a feitura dessa lista foi a idade dos artistas. Com 60 anos, em média, muitos deles iniciaram suas carreiras num momento em que a própria ideia do ateliê com móveis cobertos de respingos de tinta era questionada. Vem daí, aliás, a opção por chamar esses locais de “espaços de trabalho”. Afinal, diz a autora, lugares como aquele do mexicano Carlos Amorales mais parecem escritórios. Além disso, continua Germano, ao trabalharem nos anos 1970 e 1980, esses artistas viveram as ditaduras da região, experiência que contaminou a obra da maioria deles. “É muito interessante ver como, mesmo sem internet, as mesmas coisas estavam acontecendo em diversos países”, afirma Germano. “E dividimos uma história de violência muito grande, que começa na colonização, passa pela ditadura, e sobrevive até hoje.” São temas que também se manifestam nos espaços de trabalho desses artistas. A porta do ateliê da colombiana Delcy Morelos, localizado numa das regiões mais violentas de Bogotá, exibia uma cruz quando Germano foi entrevistá- -la. Um jovem tinha sido assassinado ali dias atrás. “E o ateliê dela é uma paz, uma energia”, diz Germano. Se o estúdio de Morelos representa um paradoxo também em relação à sua obra, que reflete sobre o sangue derramado pelo narcotráfico no seu país natal, outros ateliês mostram quase uma extensão da produção de seus donos. Pioneiro da arte postal no país, Paulo Bruscky mantém uma verdadeira barricada de livros e papéis na sua sala, no Recife — o artista imprime todos os e-mails que recebe. Mesmo que ainda demore para ela e outros voltarem aos ateliês, Germano diz que a ideia é criar um segundo volume do livro. Ela e Parente já foram fotografar outros nove ateliês, de nomes como Anna Maria Maiolino e Artur Barrio. (Clara Balbi. www.folha.com.br, 26.04.2020. Adaptado.) UNICEUBQUESTÃO 2 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 2 “Para compor a publicação, Germano e o fotógrafo Fran Parente visitaram ateliês de 27 artistas espalhados por oito países.” (3º parágrafo) Em relação à oração que a sucede, a oração sublinhada expressa ideia de A proporção. B consequência. C causa. D concessão. E finalidade. TEXTO BASE 3 A importância do ato de ler2 Paulo Freire Continuando neste esforço de “re-ler” momentos fundamentais de experiências de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo através de sua prática, retomo o tempo em que, como aluno do chamado curso ginasial, me experimentei na percepção crítica dos textos que lia em classe, com a colaboração, até hoje recordada, do meu então professor de língua portuguesa. Não eram, porém, aqueles momentos puros exercícios de que resultasse um simples dar-nos conta de uma página escrita diante de nós que devesse ser cadenciada, mecânica e enfadonhamente “soletrada” e realmente lida. Não eram aqueles momentos “lições de leitura”, no sentido tradicional desta expressão. Eram momentos em que os textos se ofereciam à nossa inquieta procura, incluindo a do então jovem professor José Pessoa. Algum tempo depois, como professor também de português, nos meus vinte anos, vivi intensamente a importânciade ler e de escrever, no fundo indicotomizáveis, com os alunos das primeiras séries do então chamado curso ginasial. A regência verbal, a sintaxe de concordância, o problema da crase, o sinclitismo pronominal, nada disso era reduzido por mim a tabletes de conhecimentos que devessem ser engolidos pelos estudantes. Tudo isso, pelo contrário, era proposto à curiosidade dos alunos de maneira dinâmica e viva, no corpo mesmo de textos, ora de autores que estudávamos, ora deles próprios, como objetos a serem desvelados e não como algo parado, cujo perfil eu descrevesse. Os alunos não tinham que memorizar mecanicamente a descrição do objeto, mas apreender a sua significação profunda. Só apreendendo-a seriam capazes de saber, por isso, de memorizá-la, de fixá-la. A memorização mecânica da descrição do elo não se constitui em conhecimento do objeto. Por isso, é que a leitura de um texto, tomado como pura descrição de um objeto é feita no sentido de memorizá-la, nem é real leitura, nem dela portanto resulta o conhecimento do objeto de que o texto fala. Creio que muito de nossa insistência, enquanto professoras e professores, em que os estudantes “leiam”, num semestre, um sem-número de capítulos de livros, reside na compreensão errônea que às vezes temos do ato de ler. Em minha andarilhagem pelo mundo, não foram poucas as vezes em que jovens estudantes me falaram de sua luta às voltas com extensas bibliografias a serem muito mais “devoradas" do que realmente lidas ou estudadas. [...] A insistência na quantidade de leituras sem o devido adentramento nos textos a serem compreendidos, e não mecanicamente memorizados, revela uma visão mágica da palavra escrita. Visão que urge ser superada. A mesma, ainda que encarnada desde outro ângulo, que se encontra, por exemplo, em quem escreve, quando identifica a possível qualidade de seu trabalho, ou não, com a quantidade de páginas escritas. No entanto, um dos documentos filosóficos mais importantes de que dispomos, As teses sobre Feuerbach, de Marx, tem apenas duas páginas e meia. Parece importante, contudo, para evitar uma compreensão errônea do que estou afirmando, sublinhar que a minha crítica à magicização da palavra não significa, de maneira alguma, uma posição pouco responsável de minha parte com relação à necessidade que temos, educadores e educandos, de ler, sempre e seriamente, os clássicos neste ou naquele campo do saber, de nos adentrarmos nos textos, de criar uma disciplina intelectual, sem a qual inviabilizamos a nossa prática enquanto professores e estudantes. PUC-MGQUESTÃO 3 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 3 Atente para o excerto: A insistência na quantidade de leituras sem o devido adentramento nos textos a serem compreendidos, e não mecanicamente memorizados, revela uma visão mágica da palavra escrita. Visão que urge ser superada. A mesma, ainda que encarnada desde outro ângulo, que se encontra, por exemplo, em quem escreve, quando identifica a possível qualidade de seu trabalho, ou não, com a quantidade de páginas escritas. No entanto, um dos documentos filosóficos mais importantes de que dispomos, As teses sobre Feuerbach, de Marx, têm apenas duas páginas e meia... Observe os conectivos destacados no excerto e a semântica a eles atribuída. A correlação está INCORRETA em: A ainda que → concessão B e não → adição C no entanto → adversidade D quando → temporalidade TEXTO BASE 4 Considere o poema “O menino sem passado”, de Murilo Mendes, para responder à questão. Monstros complicados não povoaram meus sonhos de criança porque o saci-pererê não fazia mal a ninguém limitando-se moleque a dançar maxixes desenfreados no mundo das garotas de madeira que meu tio habilidoso fazia para mim. A mãe-d’água só se preocupava em tomar banhos asseadíssima na piscina do sítio que não tinha chuveiro. De noite eu ia no fundo do quintal para ver se aparecia um gigante com trezentos anos que ia me levar dentro dum surrão, mas não acreditava nada. Fiquei sem tradição sem costumes nem lendas estou diante do mundo deitado na rede mole que todos os países embalançam. (Os melhores poemas, 2000.) FEMAQUESTÃO 4 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 4 Na terceira estrofe, o trecho “para ver se aparecia um gigante com trezentos anos” indica ideia de A finalidade. B conformidade. C concessão. D proporção. E consequência. TEXTO BASE 5 Texto As mulheres negras e a ciência no Brasil: “E eu, não sou uma cientista?” O título deste texto é uma adaptação do emblemático discurso da militante negra ex-excravizada Sojouner Truth em 1851, numa conferência feminista em Ohio, Estados [5] Unidos. Neste antológico discurso, Sojouner problematizava a opressão das mulheres negras nos Estados Unidos, buscando explicitar os graus de desumanização dessas mulheres a ponto de não lhes serem [10] conferidas as características socialmente construídas do gênero feminino. Mas o que que um discurso do século XIX de uma feminista negra ex-escravizada estadunidense tem a ver com o histórico das [15] cientistas negras brasileiras? Acontece que cientistas negras são mulheres que estão imersas nos segregadores processos de subjugação racial que o racismo estrutural nos impõe em qualquer lugar do mundo. [20] Mulheres negras, assim como todas as pessoas oriundas do processo diaspórico de escravização brasileira, só tiveram a sua liberdade legal a partir de 1888, quando a pressão exercida secularmente pelo [25] movimento quilombola articulada à necessidade de expansão mercantil do capitalismo inglês intensificaram o movimento abolicionista no Brasil, o último país da América Latina a abolir a escravatura. [30] Nesse sentido, cabe refletirmos: tendo o Brasil abolido a escravidão no final do século XIX, é plausível imaginarmos que pessoas negras brasileiras tiveram um processo tardio de acesso a direitos sociais [35] tais como educação, saúde e moradia, dentre outros. Assim sendo, a universidade brasileira, que teve a sua fundação com a Escola Baiana de Medicina em 1808, foi por muito tempo uma instituição branca, criada [40] no contexto da escravização para suprir as necessidades de uma elite intelectual branca colonizadora e imperialista. Pouquíssimas pessoas negras tiveram acesso à escolarização básica, quem dirá [45] àquela de nível superior. No contexto da primeira metade do século XX, enquanto mulheres brancas lutavam pelos direitos sufragistas e de trabalharem fora de casa, mulheres negras trabalhavam nas casas [50] destas tomando conta dos seus filhos e filhas, lavando roupa, sendo empregadas domésticas; sustentavam famílias vendendo quitutes nos tabuleiros… em um presente bem distante de um futuro emancipado [55] academicamente. Nesses termos, mesmo sabendo dos processos de alterização negativa que mulheres em geral sofrem na sociedade, há um descompasso histórico entre a ausência de privilégios das mulheres [60] brancas comparadas às mulheres negras que se perpetuam até os dias de hoje mesmo com todos os direitos alcançados nos últimos anos como a PEC das domésticas, como as cotas raciais, como os programas de combate [65] à miséria no Brasil. Infelizmente, essa é uma realidade que persiste aos dias atuais, mesmo com os avanços dos últimos anos. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto [70] Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2018, apenas 10,4% das mulheres negras com idade entre 25 a 44 anos concluem o ensino superior. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto [75] Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o percentual de mulheres negras (pretas e pardas) doutoras professoras de programa de pós-graduação é inferior a 3%. Segundo uma pesquisa [80] realizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) em 2015 apenas 7% das bolsas de produtividade são destinadas a mulheres negras. [85] A marginalidade supracitada no ambiente científico não versa sobre a baixa capacidade intelectual de mulheres negras, nem tampouco sobre uma ausênciade propensão genética de mulheres negras à [90] produção epistêmica, mas sim sobre um brutal processo social de produção e reprodução de padrões de subalternidade cognitivamente e materialmente a nós impostos. [95] Nos contaram acerca de uma história de inferioridade programada da população negra no mundo nos últimos quatro séculos e “esqueceram” de nos contar sobre os milênios de pioneirismo intelectual desses [100] nossos e nossas ancestrais nas ciências, na matemática, na filosofia, no desenvolvimento da escrita, na arquitetura, na medicina etc. Nos ensinaram uma história negra que ontologicamente remonta à escravidão, [105] entretanto “deixaram passar” informações relevantes, como o fato de a humanidade ter nascido em África – o verdadeiro velho mundo –; de uma mulher negra africana, Merit Ptah (2700 a.C), ser a primeira médica [110] de que se tem conhecimento; como o fato de não conhecermos grandes impérios africanos como Axum, Meroé, Núbia, Numídia, a Terra de Punt, o Império de Kush, o Império Ashanti e o Império de Gana, dentre outros. [115] Concluo informando que é preciso revisitarmos os porões da nossa história para darmos vez e voz a narrativas históricas invisibilizadas, que nos propiciarão uma descolonização dos padrões do que vem a ser [120] ciência e do que vem a ser cientista. É preciso um olhar atento para a história para compreendermos os passos que nos conduziram até aqui e para termos sensibilidade e empatia com essas [125] existências negadas e inferiorizadas. Pinheiro, Bárbara Carine Soares. As mulheres negras e a ciência no Brasil: “e eu, não sou uma cientista?”. Disponível em https://www.comciencia.br/as-mulheresnegras-e-ciencia-no- brasil-e-eu-nao-sou-uma-cientista/. Acesso em 5 de abril de 2021. Texto adaptado. UECEQUESTÃO 5 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 5 A relação sintático-semântica estabelecida entre os períodos do enunciado “No contexto da primeira metade do século XX, enquanto mulheres brancas lutavam pelos direitos sufragistas e de trabalharem fora de casa, mulheres negras trabalhavam nas casas destas tomando conta dos seus filhos e filhas”, (linhas 45- 51) é de A conclusão. B alternância. C proporção. D adição. TEXTO BASE 6 Texto Pierina e pouco mais Henrique Fendrich Como já é bastante comum que eu folheie algum livro e, sem querer, logo me depare com alguma citação ao Rubem Braga, não estranhei que justamente nos dias em que estive em São Paulo, vindo de Taubaté, houvesse uma exposição sobre ele no Museu da Língua Portuguesa. É uma lei de atração que provavelmente apenas a mecânica quântica consegue explicar. Ou ela ou o fato de que na última década li, reli e treli todos os seus livros, pesquisei e esmiucei todas as características de suas crônicas (...). Não era, portanto, um desconhecido que fui encontrar no museu. E por isso também não esperava encontrar muita novidade. Pra mim já era bom ver o Braga sendo visto – pelo menos no ano do seu centenário. E lá estava o Braga repórter, escritor, editor, diplomata, cachoeirense, amante das artes, homem da TV e, sobretudo, combatente da FEB. (...) Tudo isso exposto aqui em São Paulo, onde o Braga se sentiria bem. Ele dizia que Congonhas já havia entrado para a sua geografia. Nesta soberba cidade, os seus nervos estalaram, entre emoções e solidões, como vergas de metal do velho viaduto. Dentro dele vibravam, como parte de sua vida, as agitações da ânsia multifária e triste de São Paulo. (...) E há também Pierina, a amada que vez ou outra aparecia em sua crônica no Diário de São Paulo em 1934. Pierina existiu e se chamava Pierina. Com ela Braga se correspondia por meio de sinais e gestos da janela do seu prédio para a janela do sobrado dela. Às vezes, lhe jogava flores ou frutas, sem acertar o alvo. Nunca chegaram a se encontrar, e logo o Braga se mudou de São Paulo. Mas, naquele tempo, o que amava o Braga? Pierina e pouco mais. Pierina e a vida, duas coisas que se confundem hoje, e amanhã mais se confundirão na morte. Disponível em: https://rubem.wordpress.com/2013/07/26/pierina-e-pouco-mais/ Acesso em: 25 abr. 2018. Adaptado. UPEQUESTÃO 6 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 6 No trecho: "Como já é bastante comum que eu folheie algum livro e, sem querer, logo me depare com alguma citação ao Rubem Braga, não estranhei que (...)" (1º parágrafo), o conectivo introdutório (destacado) estabelece uma relação sintático-semântica de A causa. B comparação. C condição. D explicação. E oposição. TEXTO BASE 7 Para responder à questão, leia a letra da canção “Bom conselho”, de Chico Buarque, composta em 1972. Ouça um bom conselho Que eu lhe dou de graça Inútil dormir que a dor não passa Espere sentado Ou você se cansa Está provado: Quem espera nunca alcança Venha, meu amigo Deixe esse regaço Brinque com meu fogo Venha se queimar Faça como eu digo Faça como eu faço Aja duas vezes antes de pensar Corro atrás do tempo Vim de não sei onde Devagar é que não se vai longe Eu semeio vento na minha cidade Vou pra rua e bebo a tempestade (www.chicobuarque.com.br) UNESPQUESTÃO 7 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 7 Em “Inútil dormir que a dor não passa” (1a estrofe), o termo sublinhado introduz uma oração que expressa, em relação à anterior, ideia de A condição. B consequência. C concessão. D proporção. E explicação. TEXTO BASE 8 Leia o texto de Jean-Louis Vieillard-Baron para responder à questão. Ler um texto filosófico é sempre um exercício difícil, pois se trata de seguir um raciocínio que envolve um vocabulário frequentemente técnico. A leitura das obras de Bergson1 não coloca em princípio nenhuma dificuldade de estilo, visto que esse filósofo, diferentemente de múltiplos outros, se esforçou para falar a linguagem de todos. Porém, apesar desta vontade, ele não adotou o que caracteriza essa linguagem, a saber, a imprecisão, a inexatidão, a pobreza. A linguagem de Bergson é aparentemente fácil, fluida, até mesmo um pouco comum, mas esta facilidade é uma ilusão, pois o pensamento de Bergson é extremamente preciso, e suas formas de raciocínio, embora não apareçam fortemente nas palavras, elas mesmas, nem por isso são menos rigorosas. É preciso, portanto, redobrar a atenção ao ler as obras de Bergson. (Compreender Bergson, 2009.) 1 Henri Bergson: filósofo francês. FEMAQUESTÃO 8 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 8 Assinale a alternativa em que a oração sublinhada tem sentido de concessão. A “É preciso, portanto, redobrar a atenção ao ler as obras de Bergson.” B “Porém [...] ele não adotou o que caracteriza essa linguagem, a saber, a imprecisão, a inexatidão, a pobreza.” C “A leitura das obras de Bergson não coloca em princípio nenhuma dificuldade de estilo, visto que esse filósofo [...] se esforçou para falar a linguagem de todos.” D “Ler um texto filosófico é sempre um exercício difícil, pois se trata de seguir um raciocínio que envolve um vocabulário frequentemente técnico.” E “suas formas de raciocínio, embora não apareçam fortemente nas palavras, elas mesmas, nem por isso são menos rigorosas.” UNIFUNECQUESTÃO 9 A oração sublinhada expressa noção de concessão em: A Caso as autoridades incentivem o uso de máscaras, serão notáveis os benefícios à saúde pública. B As autoridades devem ampliar a propaganda do uso de máscaras, a fim de que a saúde pública conquiste melhores resultados. C O uso de máscaras gerará dúvidas por muito tempo, mesmo que as pesquisas em torno do assunto se multipliquem. D Gera enorme mal-estar a obrigatoriedade do uso de máscaras, portanto esse hábito demorará a ser assumido. E Já que a população foi alertada quanto à importância da autoproteção, o uso de máscaras irá se propagar. TEXTO BASE 9 Texto Figurinhas viram febre nas mensagens de celular e inspiram debates sobre o futuro da comunicação Para especialistas, estamos conversando mais e melhor Jan Niklas e Luiza Barros Febre do momento, as figurinhas (ou stickers, em inglês) são o exemplo mais recente de como a tecnologia anda criando ferramentaspara nos comunicarmos – ou nos trumbicarmos. [05] Ao lado dos emojis, elas seduzem por serem divertidas, fofas, criativas. Mas também por preencherem lacunas da linguagem verbal. – A escrita sempre tentou trazer um pouco da oralidade, usando sinais como o ponto de exclamação e reticências. [10] Mas, nesse aspecto, sempre foi limitada – reconhece a professora da Faculdade de Letras da UFMG Vera Menezes. – Com emojis e stickers, você transmite com facilidade a ironia, a brincadeira. Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/figurinhas- viram-febre- -nos-celulares-inspiram-debates-sobre-futuro-da- comunicacao-23772274. Acesso em: 18 set. 2019. IMEPACQUESTÃO 10 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 9 A oração “por serem divertidas, fofas, criativas” (linhas 5-6) veicula uma ideia de: A Causa B Comparação C Condição D Finalidade TEXTO BASE 10 TEXTO A geografia linguística no Brasil É por meio da língua que o homem expressa suas ideias, as ideias de sua geração, as ideias da comunidade a que pertence, as ideias de seu tempo. A todo instante, utiliza-a de acordo com uma tradição que lhe foi transmitida, e contribui para sua renovação e constante transformação. Cada falante é, a um tempo, usuário e agente modificador de sua língua, nela imprimindo marcas geradas pelas novas situações com que se depara. Nesse sentido, pode-se afirmar que, na língua, se projeta a cultura de um povo, compreendendo-se cultura no seu sentido mais amplo, aquele que abarca “o conjunto dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e de outros valores espirituais e materiais transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade”, segundo o novo Aurélio. (...) Ao falar, um indivíduo transmite, além da mensagem contida em seu discurso, uma série de dados que permite a um interlocutor atento não só depreender seu estilo pessoal, mas também filiá-lo a um determinado grupo. A entonação, a pronúncia, a escolha vocabular, a preferência por determinadas construções frasais, os mecanismos morfológicos que são peculiares a determinado usuário podem servir de índices que identifiquem: a) o país ou a região de que se origina; b) o grupo social de que faz parte (seu grau de instrução, sua faixa etária, seu nível socioeconômico, sua atividade profissional); c) a situação (formal) ou (informal) em que se encontra. (...) O Brasil, em decorrência do processo de povoamento e colonização a que foi submetido bem como das condições em que se deu sua independência política e seu posterior desenvolvimento, apresenta grandes contrastes regionais e sociais, estes últimos perceptíveis mesmo em grandes centros urbanos, em cuja periferia se concentram comunidades mantidas à margem do progresso. Um retrato fiel, atual, de nosso país teria de colocar lado a lado: executivos de grandes empresas; técnicos que manipulam, com desenvoltura, o computador; operários de pequenas, médias e grandes indústrias; vaqueiros isolados em latifúndios; cortadores de cana; pescadores artesanais; plantadores de mandioca em humildes roças; viajantes que comerciam pelo sertão; indígenas aculturados. (...) Detentores de antigos costumes portugueses aqui reelaborados pelo contato com outra terra e outras gentes ou, já em acelerado processo de mestiçagem étnica e linguística, esquecidos das origens, esses homens e mulheres guardam, na sua forma de expressão oral, as marcas de nossa identidade linguístico-cultural e a resposta a muitas indagações e a diversas hipóteses sobre a história e o estado atual do português do Brasil. (Sílvia F. Brandão. A geografia linguística no Brasil. São Paulo: Ática, 1991. p.5-17. Adaptado) CESMACQUESTÃO 11 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 10 Em: “O Brasil, em decorrência do processo de povoamento e colonização a que foi submetido bem como das condições em que se deu sua independência política e seu posterior desenvolvimento, o segmento destacado tem um sentido de: A oposição. B temporalidade. C finalidade. D causalidade. E alternância. TEXTO BASE 11 Leia o texto a seguir para responder às questão. À padronização linguística e as atitudes populares A padronização afeta diversas áreas da vida além da língua — cunhagens, pesos e medidas, tomadas elétricas e até latas de molho de tomate. Bens manufaturados geralmente são padronizados de modo que todos os exemplares de qualquer classe sejam idênticos. Nesses casos a uniformidade é obviamente desejável por razões sociais, e sobretudo, econômicas. Assim, na medida em que as línguas têm valores econômicos, aquelas mais afetadas pela padronização (essencialmente as que estão inseridas num contexto de culturas de língua padrão) têm valores econômicos mais altos do que as que são menos afetadas ou nada afetadas. A padronização leva a uma maior eficiência nas trocas de qualquer tipo. Um efeito extremamente importante da padronização tem sido o desenvolvimento da consciência, entres os falantes, de uma forma de língua “correta” ou canônica. Nas culturas de língua padrão, praticamente todo mundo adere à ideologia da língua padrão, e um aspecto dela é uma firme crença na correção. Essa crença assume a seguinte forma: quando houver duas ou mais variantes de alguma palavra ou construção, somente uma delas pode estar certa. E considerado óbvio, como senso comum, que algumas formas são certas e outras, erradas. A sentença “eu vi ele”, por exemplo, é obviamente errada, e “eu o vi” é — de forma igualmente óbvia — correta. Para a maioria das pessoas em culturas de língua padrão é assim e pronto: nenhuma justificativa é necessária para rejeitar “eu vi ele”, e quando alguma justificativa é dada (por exemplo, que o pronome “ele” exerce a função de sujeito, não de objeto), ela é post hoc, isto é vem depois da constatação do erro. De fato, todos os argumentos prescritivos sobre correção que dependem de fatores intralinguísticos são racionalizações post hoc. Portanto, o que determina a noção de correção é o simples senso comum: todo mundo sabe isso, faz parte da cultura saber ISSO, e quem pensar de outra maneira é um marginal, isto é, uma pessoa que não participa da cultura comum, e por isso suas opiniões podem ser descartadas. É importante ressaltar o quanto o apelo ao senso comum é poderoso. Chamá-lo de “senso comum” implica que qualquer debate sobre a questão é supérfluo: todo mundo seguramente tem que saber que a opinião expressa é a opinião correta — responsável, decente, moral. Os que vierem a discordar dela não podem ser levados a sério: é provável que sejam excêntricos, irresponsáveis, ou talvez, desonestos. Embora as atitudes linguísticas ancoradas no senso comum sejam ideologicamente carregadas, aqueles que as sustentam não as veem assim. Para eles, os juízos desfavoráveis sobre as pessoas que usam a língua “incorretamente” são juízos puramente linguísticos, sancionados por autoridades sobre língua. As pessoas não associam necessariamente esses juízos com preconceito ou discriminação em termos de raça ou classe social: elas acreditam que, sejam quais forem as características sociais dos falantes que usam formas linguísticas estigmatizadas, estes simplesmente falam de um modo errado e têm todas possibilidades de aprender a falar corretamente. Se não o fazem, é por culpa própria deles, como indivíduos, seja qual for a raça, cor, credo ou classe; existe uma abundância de modelos do “bom” falar para eles. MILROY, James. Ideologias linguísticas e as consequências da padronização. In: LAGARES, Xoan; BAGNO, Marcos (Org.). Políticas da norma e conflitos linguísticos. São Paulo: Parábola, 2011. p. 58- UNIEVAQUESTÃO 12 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 11 No trecho “Embora as atitudes linguísticas ancoradas no senso comum sejam ideologicamente carregadas, aqueles que as sustentam não as veem assim”, a oração subordinada que abre o período estabelece, em relação à oração principal, um sentido de A concessão B oposição C comparação D explicação TEXTO BASE 12 Leia o trecho do livro A dança do universo, do físico brasileiroMarcelo Gleiser, para responder à questão. Algumas pessoas tornam-se heróis contra sua própria vontade. Mesmo que elas tenham ideias realmente (ou potencialmente) revolucionárias, muitas vezes não as reconhecem como tais, ou não acreditam no seu próprio potencial. Divididas entre enfrentar sua insegurança expondo suas ideias à opinião dos outros, ou manter-se na defensiva, elas preferem a segunda opção. O mundo está cheio de poemas e teorias escondidos no porão. Copérnico é, talvez, o mais famoso desses relutantes heróis da história da ciência. Ele foi o homem que colocou o Sol de volta no centro do Universo, ao mesmo tempo fazendo de tudo para que suas ideias não fossem difundidas, possivelmente com medo de críticas ou perseguição religiosa. Foi quem colocou o Sol de volta no centro do Universo, motivado por razões erradas. Insatisfeito com a falha do modelo de Ptolomeu, que aplicava o dogma platônico do movimento circular uniforme aos corpos celestes, Copérnico propôs que o equante fosse abandonado e que o Sol passasse a ocupar o centro do cosmo. Ao tentar fazer com que o Universo se adaptasse às ideias platônicas, ele retornou aos pitagóricos, ressuscitando a doutrina do fogo central, que levou ao modelo heliocêntrico de Aristarco dezoito séculos antes. Seu pensamento reflete o desejo de reformular as ideias cosmológicas de seu tempo apenas para voltar ainda mais no passado; Copérnico era, sem dúvida, um revolucionário conservador. Ele jamais poderia ter imaginado que, ao olhar para o passado, estaria criando uma nova visão cósmica, que abriria novas portas para o futuro. Tivesse vivido o suficiente para ver os frutos de suas ideias, Copérnico decerto teria odiado a revolução que involuntariamente causou. Entre 1510 e 1514, compôs um pequeno trabalho resumindo suas ideias, intitulado Commentariolus (Pequeno comentário). Embora na época fosse relativamente fácil publicar um manuscrito, Copérnico decidiu não publicar seu texto, enviando apenas algumas cópias para uma audiência seleta. Ele acreditava piamente no ideal pitagórico de discrição; apenas aqueles que eram iniciados nas complicações da matemática aplicada à astronomia tinham permissão para compartilhar sua sabedoria. Certamente essa posição elitista era muito peculiar, vinda de alguém que fora educado durante anos dentro da tradição humanista italiana. Será que Copérnico estava tentando sentir o clima intelectual da época, para ter uma ideia do quão “perigosas” eram suas ideias? Será que ele não acreditava muito nas suas próprias ideias e, portanto, queria evitar qualquer tipo de crítica? Ou será que ele estava tão imerso nos ideais pitagóricos que realmente não tinha o menor interesse em tornar populares suas ideias? As razões que possam justificar a atitude de Copérnico são, até hoje, um ponto de discussão entre os especialistas. (A dança do universo, 2006. Adaptado.) UNESPQUESTÃO 13 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 12 Em “Mesmo que elas tenham ideias realmente (ou potencialmente) revolucionárias, muitas vezes não as reconhecem como tais, ou não acreditam no seu próprio potencial” (1° parágrafo), a locução conjuntiva sublinhada pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido do texto, por: A À medida que. B Ainda que. C Desde que. D Visto que. E A menos que. TEXTO BASE 13 Leia o trecho do romance Lavoura arcaica, de Raduan Nassar, para responder à questão. – Meu coração está apertado de ver tantas marcas no teu rosto, meu filho; essa é a colheita de quem abandona a casa por uma vida pródiga. – A prodigalidade também existia em nossa casa. – Como, meu filho? – A prodigalidade sempre existiu em nossa mesa. – Nossa mesa é comedida, é austera, não existe desperdício nela, salvo nos dias de festa. – Mas comemos sempre com apetite. – O apetite é permitido, não agrava nossa dignidade, desde que seja moderado. – Mas comemos até que ele desapareça; é assim que cada um em casa sempre se levantou da mesa. – É para satisfazer nosso apetite que a natureza é generosa, pondo seus frutos ao nosso alcance, desde que trabalhemos por merecê-los. Não fosse o apetite, não teríamos forças para buscar o alimento que torna possível a sobrevivência. O apetite é sagrado, meu filho. – Eu não disse o contrário, acontece que muitos trabalham, gemem o tempo todo, esgotam suas forças, fazem tudo que é possível, mas não conseguem apaziguar a fome. – Você diz coisas estranhas, meu filho. (Lavoura arcaica, 2001.) Albert EinsteinQUESTÃO 14 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 13 “– É para satisfazer nosso apetite que a natureza é generosa, pondo seus frutos ao nosso alcance, desde que trabalhemos por merecê-los.” (9° parágrafo) Considerado no contexto, o trecho sublinhado expressa ideia de A causa. B consequência. C condição. D concessão. E conclusão. TEXTO BASE 14 Leia o texto para responder à questão. A marca de dez anos da falência do banco americano Lehman Brothers, evento catalisador da crise financeira que então se espalhava pelo mundo, suscita oportuno debate a respeito de seu legado e da capacidade da economia global para lidar com novos choques. Do lado positivo, o sistema bancário se mostra mais sólido do que antes. Regulação apertada e maior exigência de capital para o funcionamento das instituições reduzem o risco de novo colapso. Mas a sombra da crise continua a se projetar, mesmo uma década depois, quando se tem em conta que a maioria dos 24 países onde houve problemas ainda não retornou à tendência anterior de crescimento da renda, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). De modo geral, mesmo nos países ricos, governos em situação financeira mais frágil terão menos espaço para atuar num novo socorro ao setor privado. Mesmo a estabilidade bancária duramente conquistada pode se mostrar algo ilusória, afinal, na medida em que inovações tecnológicas e a entrada de inéditos participantes no mercado trazem desafios novos para a regulação. O prognóstico de cooperação internacional numa eventual nova crise tampouco se mostra animador. Se em 2009 houve alinhamento no âmbito do G20, com participação dos países em desenvolvimento, o momento atual é distinto. A competição geopolítica entre EUA e China é um dos fatores a dificultar uma ação coordenada. Já o Brasil, dez anos depois, ainda se apresenta incapaz de retomar a expansão econômica sustentada. Ao próximo governo, que não pode contar com os ventos favoráveis do quadro externo, só restará a opção de estabilizar sua dívida e recuperar a confiança doméstica. (Editorial. Folha de S.Paulo. 10.09.2018. Adaptado) FGV-SPQUESTÃO 15 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 14 No período – Ao próximo governo, [...] só restará a opção de estabilizar sua dívida e recuperar a confiança doméstica. – (último parágrafo), a relação entre as orações é de A adição, e elas podem ser reescritas da seguinte forma: Ao próximo governo, só restará a opção de não apenas estabilizar sua dívida como também recuperar a confiança doméstica. B oposição, e elas podem ser reescritas da seguinte forma: Ao próximo governo, só restará a opção de estabilizar sua dívida, entretanto recuperando a confiança doméstica. C conclusão, e elas podem ser reescritas da seguinte forma: Ao próximo governo, só restará a opção de estabilizar sua dívida e, assim, recuperar a confiança doméstica. D alternância, e elas podem ser reescritas da seguinte forma: Ao próximo governo, só restará a opção de estabilizar sua dívida ou recuperar a confiança doméstica. E explicação, e elas podem ser reescritas da seguinte forma: Ao próximo governo, só restará a opção de estabilizar sua dívida, pois recuperará a confiança doméstica. TEXTO BASE 15 O texto a seguir é referência para a questão. Boomers, millenials, zoomers: estamos vivendo um conflito de gerações? Até pouco tempo atrás, os millennials, nascidos entre o fim das décadas de 1980 e 1990, eram alvos de críticas dos baby boomers, aqueles que chegaram ao mundo entre 1946 e 1964. Os mais velhos atribuíamaos mais novos adjetivos como “geração mimimi”, “síndrome de Peter Pan”, “mal-acostumados”, “narcisistas” e “preguiçosos”. Agora, a geração Z, que engloba quem nasceu após o ano 2000, entrou na roda para acirrar ainda mais essas discussões. [...] [05] Segundo a professora de sociologia Kimi Tomizaki, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE/USP), os conflitos geracionais surgem quando grupos formados a partir de experiências diversas, que deram a eles capacidades diferentes de ler e compreender o mundo, se encontram. A partir disso, podem surgir alianças ou disputas se uma geração considera que a outra não dá respostas adequadas às demandas do presente. “Os confrontos envolvem o grupo que é detentor do poder, em relação a trabalho, política ou mesmo universo acadêmico, e os pretendentes, que são aqueles que querem entrar nesses espaços sociais”, [10] explica Tomizaki. “Os pretendentes querem colocar em prática o que consideram mais importante, enquanto os detentores desejam preservar seus lugares, e um desconfia do outro”. [...] Só que, mais do que as características dessas classificações, são as vivências em sociedade que definem uma geração. “Nascer no mesmo período histórico não basta, é preciso estar ligado a uma série de experiências comuns que remetem às mesmas questões”, pontua Tomizaki. O psicólogo Ferrigno lembra ainda que, por mais que existam perfis geracionais, é preciso cautela para [15] não se apegar a receitas definitivas. “Não devemos criar estereótipos”, observa. [...] A prova de que esses termos nem sempre se aplicam a pessoas nascidas em uma determinada geração são as chamadas “microgerações”. Seriam aqueles que chegaram ao mundo no meio de um período geracional, de modo que não se identificam nem com os membros da geração anterior nem com os da posterior. Segundo a WGSN, empresa norte-americana de análise de tendências, as duas principais microgerações seriam os “xennials”, nascidos entre 1976 e 1982, e os “zennials”, que vieram ao [20] mundo entre 1992 e 1998. Os “xennials” são jovens demais para se parecerem com os boomers, mas também não se veem totalmente nos millennials. Embora não sejam indivíduos que nasceram num mundo plenamente digital, adaptaram-se rapidamente a um ambiente tecnológico e compartilham do otimismo “millenniano”. Os “zennials”, por sua vez, estão entre os millennials e a geração Z: dominam tecnologias, adoram memes e se preocupam com o planeta, mas também são nostálgicos e céticos. No entanto, se tivesse que escolher um [25] grupo geracional do qual fazer parte, a maioria escolheria os millennials. Em uma pesquisa global da WGSN, 70% dos “zennials” disseram se sentir emocionalmente mais próximos da geração mais velha do que da mais nova. (Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/maragama/2020/09/relac ao-com-o-plastico-tem-de-mudar-radicalmente.shtml.) Campo RealQUESTÃO 16 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 15 Nas linhas 10 e 11, o segmento “enquanto os detentores desejam preservar seus lugares” introduz uma relação: A conclusiva. B adversativa. C causal. D concessional. E contrastiva. TEXTO BASE 16 Leia o texto de Bernardo Carvalho para responder à questão. No audiovisual (sobretudo nas séries de TV), hoje se fala da inteligência dos diálogos ou da engenhosidade da construção dramática, quando antes se elogiava o silêncio ou as conexões incongruentes das obras de cineastas como Antonioni e Godard. O atual horror ao spoiler tem a ver com um mundo de regras comerciais ou acadêmicas, no qual a obsessão por não revelar finais e desenlaces se justifica como guardiã do entretenimento. Mas onde há tamanho zelo por evitar as revelações fora de hora, a reflexão passa para segundo plano, quando não é simplesmente eliminada. Não existiria psicanálise se a história de Édipo precisasse preservar seu desenlace. Na verdade, não haveria nem tragédia. Já na Grécia Antiga, a ideia de spoiler era uma contradição. Os espectadores assistiam repetidas vezes a tragédias que eles conheciam de cor. Para a técnica dramatúrgica, contam as regras e as conexões internas, assim como para o academicismo contam as convenções: elas se aprendem e se ensinam. A reflexão, entretanto, depende de conexões externas. O que o spoiler realmente estraga é uma relação passiva, consumista e não reflexiva com a arte. É de bom senso a moderação no uso do spoiler, mas o horror com que passamos a encarar tudo que estraga nossa diversão revela muito sobre os consumidores infantilizados que nos tornamos. (www.folha.uol.com.br, 13.05.2018. Adaptado.) FCSBQUESTÃO 17 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 16 Na frase “Não existiria psicanálise se a história de Édipo precisasse preservar seu desenlace” (3º parágrafo), a oração introduzida pelo conectivo “se” expressa, em relação à anterior, uma A condição. B consequência. C consequência. D causa. E oposição. UEMAQUESTÃO 18 O fragmento seguinte integra o primeiro capítulo do livro Memórias de um Sargento de Milícias, intitulado Origem, nascimento e batizado. Leia-o para responder à questão que segue. [...] Os meirinhos de hoje não são mais do que a sombra caricata dos meirinhos do tempo do rei; esses eram gente que temível e temida, respeitável e respeitada; formavam um dos extremos da formidável cadeia judiciária que envolvia todo o Rio de Janeiro no tempo em que a demanda era entre nós um elemento de vida: o extremo oposto eram os desembargadores. Ora, os extremos se tocam, e estes, tocando-se, fechavam o círculo dentro do qual se passavam os terríveis combates das citações, provarás, razões principais e finais, e todos esses trejeitos judiciais que se chamava o processo. [...] ALMEIDA, M. A. Memórias de um Sargento de Milícias. Porto Alegre: L&PM, 2015. No contexto, o fragmento “Ora, os extremos se tocam, e estes, tocando-se, fechavam o círculo[...]”, de acordo com as relações sintático-semânticas, contém o sentido equivalente à A oposição. B condicionalidade. C conformidade. D comparação. E finalidade. TEXTO BASE 17 Leia a crônica de Clarice Lispector, publicada no Jornal do Brasil em 29 de março de 1969, para responder à questão. Perguntas grandes Pessoas que são leitoras de meus livros parecem ter receio de que eu, por estar escrevendo em jornal, faça o que se chama de concessões. E muitas disseram: “Seja você mesma.” Um dia desses, ao ouvir um “seja você mesma”, de repente senti-me entre perplexa e desamparada. É que também de repente me vieram então perguntas terríveis: quem sou eu? como sou? o que ser? quem sou realmente? e eu sou? Mas eram perguntas maiores do que eu. (A descoberta do mundo, 1999.) FAMERPQUESTÃO 19 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 17 Os trechos “por estar escrevendo em jornal” (1° parágrafo) e “ao ouvir um ‘seja você mesma’” (2° parágrafo) exprimem, respectivamente, circunstância de A consequência e tempo. B causa e condição. C causa e tempo. D finalidade e condição. E consequência e finalidade. TEXTO BASE 18 Leia a narrativa “O leão, o burro e o rato”, de Millôr Fernandes, para responder à questão. Um leão, um burro e um rato voltaram, afinal, da caçada que haviam empreendido juntos1 e colocaram numa clareira tudo que tinham caçado: dois veados, algumas perdizes, três tatus, uma paca e muita caça menor. O leão sentou-se num tronco e, com voz tonitruante que procurava inutilmente suavizar, berrou: — Bem, agora que terminamos um magnífico dia de trabalho, descansemos aqui, camaradas, para a justa partilha do nosso esforço conjunto. Compadre burro, por favor, você, que é o mais sábio de nós três, com licença do compadre rato, você, compadre burro, vai fazer a partilha desta caça em três partes absolutamente iguais. Vamos, compadre rato, até o rio, beber um pouco de água, deixando nosso grande amigo burro em paz para deliberar. Os dois se afastaram, foram até o rio, beberam água2 e ficaram um tempo. Voltaram e verificaram que o burro tinha feito um trabalho extremamentemeticuloso, dividindo a caça em três partes absolutamente iguais. Assim que viu os dois voltando, o burro perguntou ao leão: — Pronto, compadre leão, aí está: que acha da partilha? O leão não disse uma palavra. Deu uma violenta patada na nuca do burro, prostrando-o no chão, morto. Sorrindo, o leão voltou-se para o rato e disse: — Compadre rato, lamento muito, mas tenho a impressão de que concorda em que não podíamos suportar a presença de tamanha inaptidão e burrice. Desculpe eu ter perdido a paciência, mas não havia outra coisa a fazer. Há muito que eu não suportava mais o compadre burro. Me faça um favor agora — divida você o bolo da caça, incluindo, por favor, o corpo do compadre burro. Vou até o rio, novamente, deixando-lhe calma para uma deliberação sensata. Mal o leão se afastou, o rato não teve a menor dúvida. Dividiu o monte de caça em dois: de um lado, toda a caça, inclusive o corpo do burro. Do outro, apenas um ratinho cinza morto por acaso. O leão ainda não tinha chegado ao rio, quando o rato o chamou: — Compadre leão, está pronta a partilha! O leão, vendo a caça dividida de maneira tão justa, não pôde deixar de cumprimentar o rato: — Maravilhoso, meu caro compadre, maravilhoso! Como você chegou tão depressa a uma partilha tão certa? E o rato respondeu: — Muito simples. Estabeleci uma relação matemática entre seu tamanho e o meu — é claro que você precisa comer muito mais. Tracei uma comparação entre a sua força e a minha — é claro que você precisa de muito maior volume de alimentação do que eu. Comparei, ponderadamente, sua posição na floresta com a minha — e, evidentemente, a partilha só podia ser esta. Além do que, sou um intelectual, sou todo espírito! — Inacreditável, inacreditável! Que compreensão! Que argúcia! — exclamou o leão, realmente admirado. — Olha, juro que nunca tinha notado, em você, essa cultura. Como você escondeu isso o tempo todo, e quem lhe ensinou tanta sabedoria? — Na verdade, leão, eu nunca soube nada. Se me perdoa um elogio fúnebre, se não se ofende, acabei de aprender tudo agora mesmo, com o burro morto. MORAL: Só um burro tenta ficar com a parte do leão. 1 A conjugação de esforços tão heterogêneos na destruição do meio ambiente é coisa muito comum. 2 Enquanto estavam bebendo água, o leão reparou que o rato estava sujando a água que ele bebia. Mas isso já é outra fábula. (100 fábulas fabulosas, 2012.) UNESPQUESTÃO 20 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 18 “Mal o leão se afastou, o rato não teve a menor dúvida.” (8° parágrafo) Em relação à oração que a sucede, a oração sublinhada expressa ideia de A consequência. B tempo. C concessão. D condição. E causa. TEXTO BASE 19 DIVAGAÇÕES SOBRE AS ILHAS Quando me acontecer alguma pecúnia1, passante de um milhão de cruzeiros, compro uma ilha; não muito longe do litoral, que o litoral faz falta; nem tão perto, também, que de lá possa eu aspirar a fumaça e a graxa do porto. Minha ilha (e só de a imaginar já me considero seu habitante) ficará no justo ponto de latitude e longitude que, pondo-me a coberto de ventos, sereias e pestes, nem me afaste demasiado [5] dos homens nem me obrigue a praticá-los diuturnamente. Porque esta é a ciência e, direi, a arte do bem viver; uma fuga relativa, e uma não muito estouvada confraternização. De há muito sonho esta ilha, se é que não a sonhei sempre. Se é que a não sonhamos sempre, inclusive os mais agudos participantes. Objetais-me: “Como podemos amar as ilhas, se buscamos o centro mesmo da ação?” Engajados, vosso engajamento é a vossa ilha, dissimulada e transportável. Por onde [10] fordes, ela irá convosco. Significa a evasão daquilo para que toda alma necessariamente tende, ou seja, a gratuidade dos gestos naturais, o cultivo das formas espontâneas, o gosto de ser um com os bichos, as espécies vegetais, os fenômenos atmosféricos. Substitui, sem anular. Que miragens vê o iluminado no fundo de sua iluminação?... Supõe-se político, e é um visionário. Abomina o espírito de fantasia, sendo dos que mais o possuem. Nessa ilha tão irreal, ao cabo, como as da literatura, ele constrói a sua cidade [15] de ouro, e nela reside por efeito da imaginação, administra- a, e até mesmo a tiraniza. Seu mito vale o da liberdade nas ilhas. E, antagonista do mundo burguês, que outra coisa faz senão aplicar a técnica do sonho, com que os sensíveis dentre os burgueses se acomodam à realidade, esquecendo-a? A ilha que traço agora a lápis neste papel é materialmente uma ilha, e orgulha-se de sê-lo. Pode ser abordada. Não pode ser convertida em continente. Emerge do pélago2 com a graça de uma flor criada [20] para produzir-se sobre a água. Marca assim o seu isolamento, e como não tem bocas de fogo nem expedientes astuciosos para rechaçar o estrangeiro, sucede que este isolamento não é inumano. Inumano seria desejar, aqui, dos morros litorâneos, um cataclismo que sovertesse3 tão amena, repousante, discreta e digna forma natural, inventada para as necessidades do ser no momento exato em que se farta de seus espelhos, amigos como inimigos. [25] E por que nos seduz a ilha? As composições de sombra e luz, o esmalte da relva, a cristalinidade dos regatos – tudo isso existe fora das ilhas, não é privilégio delas. A mesma solidão existe, com diferentes pressões, nos mais diversos locais, inclusive os de população densa, em terra firme e longa. Resta ainda o argumento da felicidade: “aqui eu não sou feliz”, declara o poeta, para enaltecer, pelo contraste, a sua Pasárgada4: mas será que se procura realmente nas ilhas a ocasião de ser feliz, ou um modo de sê-lo? (...). CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Adaptado de Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1979. 1Pecúnia: pagamento. 2Pélago: profundidade. 3Soverter: fazer desaparecer. 4Pasárgada: localidade fictícia em poema de Manuel Bandeira onde o eu lírico seria sempre feliz. USSQUESTÃO 21 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 19 Supõe-se político, e é um visionário. Abomina o espírito de fantasia, sendo dos que mais o possuem. (l. 13-14) No fragmento acima, há pares de ideias articuladas por uma relação lógica de A oposição B conclusão C conformidade D proporcionalidade TEXTO BASE 20 Texto para a questão. TEXTO Infecções sexualmente transmissíveis, ou ISTs, são aquelas cuja contaminação se dá por via sexual, nas mais diversas modalidades. Apesar de essa forma de transmissão ser a principal, não é a única em muitos casos. Transfusão de sangue contaminado, contato direto ou indireto com feridas e/ou líquido oriundo destas, ou mesmo a contaminação de mãe gestante para filho são algumas outras formas de contaminação. Elas se manifestam em ambos os sexos, em diferentes faixas etárias e em todos os níveis socioeconômicos. Nem sempre apresentam sintomas. Como mulheres possuem seus órgãos genitais mais internos, algumas vezes, não são capazes de identificar a presença de feridas suspeitas em seu interior, revelando mais um motivo especial para, pelo menos uma vez ao ano, visitarem o ginecologista. Vírus, bactérias, protozoários, fungos e, até mesmo, alguns animais são capazes de provocar e transmitir ISTs. Sua gravidade e a possibilidade ou não de cura dependerão do agente causador e do diagnóstico precoce. As formas mais eficazes de prevenção às ISTs, sexualmente falando, incluem a abstinência sexual e a monogamia. Entretanto, a primeira medida se mostra muito radical para um grande número de pessoas, bem como não temos garantias reais de a segunda estar sendo exercida verdadeiramente. Assim, o uso da camisinha se mostra a melhor maneira de reduzir as chances de contaminação por uma ou mais ISTs, tendo a vantagem adicional de, também, prevenir contra uma gravidez não planejada. Disponível em: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/doencas/dsts.htm. Acesso em: 22 fev. 2019. (Adaptado) UnichristusQUESTÃO 22 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 20 Observe: “Apesar de essa forma de transmissão ser a principal, não é a únicaem muitos casos.” (1o parágrafo) Em relação ao trecho que o sucede, o trecho destacado expressa ideia de A finalidade. B causa. C proporção. D concessão. E consequência. EEARQUESTÃO 23 Considere as orações subordinadas adverbiais nos versos seguintes. “Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos se eu não tivesse amor, seria como sino ruidoso ou como címbalo estridente.” Marque a alternativa que apresenta a classificação ausente no trecho A causal B concessiva C condicional D comparativa Atenas Sete LagoasQUESTÃO 24 Pneu furado O carro estava encostado no meio-fio, com um pneu furado. De pé ao lado do carro, olhando desconsoladamente para o pneu, uma moça muito bonitinha. Tão bonitinha que atrás parou outro carro e dele desceu um homem dizendo "Pode deixar". Ele trocaria o pneu. – Você tem macaco? - perguntou o homem. – Não - respondeu a moça. – Tudo bem, eu tenho - disse o homem - Você tem estepe? – Não - disse a moça. – Vamos usar o meu - disse o homem. E pôs-se a trabalhar, trocando o pneu, sob o olhar da moça. Terminou no momento em que chegava o ônibus que a moça estava esperando. Ele ficou ali, suando, de boca aberta, vendo o ônibus se afastar. Dali a pouco chegou o dono do carro. – Puxa, você trocou o pneu pra mim. Muito obrigado. – É. Eu... Eu não posso ver pneu furado. Tenho que trocar. – Coisa estranha. – É uma compulsão. Sei lá. (Luís Fernando Veríssimo. Pai não entende nada. L&PM, 1991). Analise as frases a seguir: I. De pé ao lado do carro, olhando desconsoladamente para o pneu, uma moça muito bonitinha. II. E pôs-se a trabalhar, trocando o pneu, sob o olhar da moça. III. Tão bonitinha que atrás parou outro carro e dele desceu um homem dizendo "Pode deixar". Quanto às orações subordinadas adjetivas acima, são respectivamente classificadas como: A explicativa, explicativa e restritiva. B restritiva, explicativa e restritiva. C restritiva, restritiva e restritiva. D explicativa, explicativa e explicativa. E explicativa, restritiva e explicativa. TEXTO BASE 21 Texto para a questão Quando você significa eu Outro dia, deitado no divã em uma seção de análise, descrevi meus sentimentos. “Quando sobe a raiva, você perde a capacidade de ser generoso.” Antes de terminar a frase, eu me dei conta de que tinha usado “você”, apesar de estar descrevendo um comportamento meu. Instintivamente repeti a frase. “Quando sobe a raiva, eu perco a capacidade de ser generoso.” Não me senti bem. Não era o que eu queria expressar. O que seria esse estranho “você” que havia usado falando de mim, e seguramente não me referindo a ele, meu analista, que era o único na sala? Como você sabe, o “você” normal é usado como nessa frase, para se referir ao interlocutor. Descobri que esse estranho “você” é o chamado “você” genérico e pode significar muitas coisas, entre elas “eu e toda a humanidade”. O que eu queria dizer era o seguinte: “Quando sobe a raiva, eu e toda a humanidade perdemos a capacidade de sermos generosos.” Ao usar o “você” genérico estava tentando me eximir um pouco da culpa. Imagine qual não foi minha surpresa ao me deparar com um estudo que investiga exatamente em que condições as pessoas usam esse “você” genérico. O prazer é grande quando você (o prazer é meu, mas estou usando o “você “genérico para expressar minha esperança que você também tenha esse prazer) lê sobre algo que já observou. Fernando Reinach, O Estado de S. Paulo, 08/04/2017. FGV-RJQUESTÃO 25 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 21 A oração “Ao usar o ´você´ genérico” (final do segundo parágrafo) expressa ideia de A causa. B consequência. C tempo. D condição. E finalidade. TEXTO BASE 22 TEXTO Leia o texto abaixo e responda a questão. Para pessoas de opinião Você me dirá que uma das coisas que mais preza é sua opinião. Prezá-la é considerado virtude. “- Fulano? É uma pessoa de opinião”. É preciso força e decisão para “ter opinião”. Não é fácil. Você me dirá, ainda, do que é capaz de fazer para defender a própria opinião. Ter opinião é tão importante que há até um direito dos mais sagrados, o direito à opinião, ultimamente, aliás, bastante afetado, pois vivemos tempos de ampliação do delito de opinião. Ter opinião, em vez de ser considerado um estágio preliminar da convicção, passa a ser ameaçador. Mas sem contrariar a força com que você defende as próprias opiniões e, sobretudo, defendendo o seu inalienável direito de tê-las, eu lhe proporei pensar sobre se a opinião é uma instância realmente profunda ou se é, tão-somente, uma das primeiras reações que se tem diante dos acontecimentos. Será a opinião uma reação profunda ou superficial? Ouso afirmar que, quase sempre, é das mais superficiais. Opinião é reação, e expressa um sentimento ou Julgamento. Ao reagir, o sentimento realiza uma síntese do que e como somos. Esta síntese aparece na forma pela qual reagimos. A primeira reação é reveladora do sentimento com que julgamos a vida, o mundo, as pessoas. Quase sempre a opinião surge nessa etapa inicial, patamar superficial do nosso ser. Somos um repositório de primeiras impressões! Pode-se, efetivamente, garantir que nossas opiniões são fruto de meditação? Ou de conhecimento sedimentado? Positivamente, não. Quem responder sinceramente, vai concluir que tem muito mais opiniões do que coisas que sabe ou conhece. Qualquer conhecimento profundo não leva à opinião; leva à análise, à convicção, à dúvida ou à evidência, e nenhuma dessas quatro instâncias tem a ver com a opinião. Quem (se) reparar com cuidado, verificará o quanto é levado a opinar, vale dizer, reagir, sentir, julgar, diante dos variados temas. Somos um aluvião de opiniões. Defendemo-nos de analisar, tendo opinião; preservamo- nos do perigoso e trabalhoso mister de pensar, tendo logo uma opinião. É mais fácil ter opinião do que dúvida. Opinião traz adeptos e dividendos pessoais de prestígio, respeitabilidade, aura de coragem ou heroísmo. As opiniões são uma espécie de fabricação em série de ideias sempre iguais, saídas do modelo pelo qual vemos o mundo, e nos faz enfocar a realidade segundo um eterno subjetivismo. Por isso a opinião quase nunca é o reflexo das variadas componentes do real. É eco a repetir a experiência anterior, diante de cada caso novo. A opinião nos defende da complexidade do real, logo, é maneira de impedir a criatividade do homem. Na origem latina, opinar tem um sentido ambíguo. É muito mais conjecturar do que afirmar. A palavra chega a ter, nos seus vários sentidos, o de disfarçar. A origem do termo é mais fiel ao seu significado do que a tradução que hoje se lhe dá. Opinar não significa saber nem conhecer. Opinar significa ter uma opinião a respeito de algo, isto é, uma impressão sujeita a retificações, a correções, a mudanças permanentes. O sentido essencial de opinar é conjecturar, ou seja, supor uma realidade para poder discuti-la e, assim, melhor conhecê-la. No entanto, nos ofendemos se contrariam a nossa opinião; vivemos em busca do respeito à “nossa opinião”. E, mais grave e frequente, vivemos a sofrer por causa da opinião ou de opiniões dos outros sem saber que a opinião de alguém é o resultado das manifestações (reações) mais superficiais e fáceis do seu espírito. A opinião é instância superficial, exercício de dúvida e de conhecimento disfarçado em certeza ou afirmação, uma conjetura em forma de assertiva. E mais a expressão de um sentimento do que a conciliação deste com o conhecimento e a verdade. A partir do momento em que sabemos de tudo isso, temos obrigatoriamente que deixar de dar tanta importância à opinião alheia e à própria. É preciso, sempre, submetê-las ao crivo da permanência, do tempo, da análise, do conhecimento, da vivência, da experimentação em situações diferentes, em estados de espírito diversos, para, só então, considerá-la significativa, válida, profunda. Qual de nós está disposto a aceitar que a própria opinião, embora válida e respeitável, é uma forma superficial de manifestação? Quem está disposto a sedar ao trabalho de atribuir à opinião sua verdadeira função, que é nobilíssima: a de ser trânsito, passagem, via, para a Convicção, para a Análise, para Dúvida e para a Evidência - os quatro elementos que compõem a verdade? Esta é a minha opinião... TÁVOLA, Artur da. Alguém que já não fui. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. ENQUESTÃO 26 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 22 No trecho "Qualquer conhecimento profundo não leva à opinião; leva à análise, à convicção, à dúvida [...]." (6°§), embora as orações sejam assindéticas, há uma relação de sentido entre elas. Assinale a opção em que essa relação está corretamente indicada. A Adição. B Contraste. C Conclusão. D Exclusão. E Justificativa. TEXTO BASE 23 Leia o texto de Oliver Sacks para responder à questão. No meu tempo de estudante de medicina na Londres dos anos 1950, vi no Hospital de Middlesex muitos pacientes com delírio, estados de flutuação da consciência causados, às vezes, por infecções com febre alta ou por problemas como insuficiência dos rins ou do fígado, doença pulmonar ou diabetes mal controlado; todas essas condições podem produzir mudanças drásticas na química do sangue. Alguns pacientes deliravam em consequência de medicação, especialmente os que recebiam morfina ou outros opiáceos para aliviar a dor. Os pacientes com delírio estavam quase sempre nas alas médicas ou cirúrgicas, e não nas neurológicas ou psiquiátricas, pois em geral o delírio indica um problema médico, uma consequência de algo que afeta o corpo como um todo, inclusive o cérebro, e desaparece assim que o problema médico é sanado. É possível que a idade, mesmo com um funcionamento intelectual pleno, aumente o risco de alucinação ou delírio em resposta a problemas médicos e medicação, ainda mais com a polifarmácia tão frequentemente praticada na medicina atual. Como trabalho em vários lares para idosos, de vez em quando vejo pacientes tratados com muitas medicações, as quais podem interagir umas com as outras de modos complexos, e, não raro, empurrar o paciente para o delírio. (A mente assombrada, 2013. Adaptado.) FCMSCSPQUESTÃO 27 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 23 “É possível que a idade, mesmo com um funcionamento intelectual pleno, aumente o risco de alucinação ou delírio em resposta a problemas médicos e medicação” (2° parágrafo) No contexto em que está inserido, o trecho destacado expressa A uma causa. B uma consequência. C uma condição. D uma finalidade. E uma concessão. ENQUESTÃO 28 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 22 Assinale a opção em que o valor semântico da oração destacada no trecho “Mas sem contrariar a força com que você defende suas próprias opiniões e, sobretudo, defendendo o seu inalienável direito de tê-las [...].” (3º§) está corretamente apresentado. A Concessão. B Condição. C Finalidade. D Proporção. E Tempo. TEXTO BASE 24 Texto para a pergunta. Ambiente de startups parece mágico, mas burnout em mentores é alerta à comunidade A pandemia acelerou a digitalização dos negócios, alterou o comportamento do consumidor e abriu ainda mais espaço para as novas tecnologias — não à toa tivemos recordes de investimentos nas startups brasileiras. [5] Acredito que este ano não será diferente. O mercado está bastante aquecido e é possível que muitos novos unicórnios, como chamamos as empresas com valor de mercado de 1 bilhão, surjam ainda neste primeiro semestre. O ambiente de startups parece mágico, mas a verdade é que, há tempos, [10] tenho visto CEOs no fundo do poço. São pessoas talentosas, criativas e com paixão. Que dão o melhor de si, mas que se esquecem da ferramenta mais importante que possuem: o hardware da própria mente. As conexões sociais são um dos pilares mais importantes e poderosos para proteger a nossa mente. Várias pesquisas apontam o aumento de transtornos [15] mentais durante a crise da Covid-19 em todo o mundo. Um deles é a síndrome de burnout, que apresenta sintomas similares aos da ansiedade e da depressão. A diferença é que o fator determinante para essa síndrome é única e exclusivamente o trabalho. Numa tradução livre, burnout significa “totalmente queimado”. O corpo [20] queima os fusíveis e desliga para evitar uma sobrecarga fatal do sistema. É um nível de estresse extremo que leva o profissional à exaustão física e mental. Com o isolamento social, é muito mais fácil as pessoas mergulharem profundamente e sem qualquer restrição no home office. O trabalho antes “full time” foi substituído pelo “full life” — muitos já não conseguem separar [25] vida profissional e pessoal. Você vai se desconectando do próprio corpo, despersonalizando-se, e não ouve os primeiros sinais de exaustão, como dores de cabeça e insônia recorrente. Trabalhamos com tecnologia, mas não somos robôs. Temos emoções e às vezes elas gritam dentro da gente pedindo socorro e, se não ouvimos, o corpo [30] dá um jeito de se fazer escutar. É notável a diferença entre a estrutura de negócio de uma startup e a de empresas tradicionais. As startups crescem de maneira exponencial e nós, de carne e osso, podemos não acompanhar esse ritmo frenético. O ambiente de inovação é muito competitivo e existe uma baita pressão. [35] Quem está à frente dos negócios muitas vezes nem consegue cogitar a possibilidade de fazer um intervalo ou se dar um pequeno descanso por causa do sentimento de culpa. Ter estresse é normal e até nos ajuda a tomar decisões no trabalho e na vida pessoal. Em excesso, porém, pode gerar doenças psicossomáticas. Ao insistir, chegamos em nosso limite, que é o burnout. [40] É preciso entender de uma vez por todas que respeitar o próprio corpo e mente também é cuidar da sua startup e dos seus colaboradores. Respire, medite, dance e reconheça momentos que te façam sentir mais leve com a vida. Beatriz Bevilaqua, https://www1.folha.uol.com.br 6/3/2021. Adaptado. FGV-RJQUESTÃO 29 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 24 Nos trechos “e, se não ouvimos, o corpo dá um jeito de se fazer escutar” e “Ao insistir, chegamos em nosso limite”, as orações sublinhadas exprimem, respectivamente, ideia de A causa e tempo. B consequência e causa. C condição e tempo. D condição e consequência. E oposição e finalidade. TEXTO BASE 25 Texto para a questão. Aprendi cedo, sem o perceber, que o Brasil é o país da procrastinação, e que, nessa terra, a lentidão é “protocolar, litúrgica, dignificante”, tanto que o Brasil “não tem problemas, apenas soluções adiadas”, conforme ensina Luís da Câmara Cascudo. A história, quando se trata de outros países, possui múltiplas definições: “a soma das coisas que poderiam ter sido evitadas” (Konrad Adenauer), ou “o conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo” (Napoleão). Para o Brasil, embora simpatize com a definição de Cacá Diegues – “uma senhora bêbada que tropeça em tudo que vê” – acho mais preciso adotar a ideia de que nossa história é uma opulenta coleção de adiamentos, às vezes, interrompida pelo medo. Gustavo Franco, “A visão do precipício”, www.estadao.com.br 26.01.2019. FGV-RJQUESTÃO 30 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 25 A oração “tanto que o Brasil não tem problemas, apenas soluções adiadas” expressa ideia de A causa. B consequência. C finalidade. D oposição. E concessão. TEXTO BASE 26 Leia o trecho do romance A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, para responder à questão. Chegou o sábado. O nosso Augusto, depois de muitos rodeios e cerimônias, pediu finalmente licença para ir passar o dia de domingo na ilha de… e obteve em resposta um não redondo; jurou que tinha dado sua palavra de honra de lá se achar nesse dia e o pai, para que o filho não cumprisse a palavra, nem faltasse à honra, julgou muito conveniente trancá- lo em seu quarto. Mania antiga é essa de querer triunfar das paixões com fortes meios; erro palmar, principalmente no caso em que se acha o nosso estudante; amor é um menino doidinho e malcriado que, quando alguém intentarefreá-lo, chora, escarapela, esperneia, escabuja, morde, belisca e incomoda mais que solto e livre; prudente é facilitar-lhe o que deseja, para que ele disso se desgoste; soltá-lo no prado, para que não corra; limpar-lhe o caminho, para que não passe; acabar com as dificuldades e oposições, para que ele durma e muitas vezes morra. O amor é um anzol que, quando se engole, agadanha-se logo no coração da gente, donde, se não é com jeito, o maldito rasga, esburaca e se aprofunda. (A moreninha, 1997.) UEA-EspecíficoQUESTÃO 31 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 26 Em “prudente é facilitar-lhe o que deseja, para que ele disso se desgoste” (2º parágrafo), o trecho sublinhado pode ser substituído, mantendo-se a correção gramatical e o sentido original, por: A já que ele disso se desgosta. B a fim de que ele disso se desgoste. C desde que ele disso se desgoste. D porque ele disso se desgosta. E logo que ele disso se desgoste. TEXTO BASE 27 Leia o texto do crítico de arte Jorge Coli para responder à questão. Dizer o que seja a arte é coisa difícil. Um sem-número de tratados de estética debruçou-se sobre o problema, procurando situá-lo, procurando definir o conceito. Mas, se buscamos uma resposta clara e definitiva, decepcionamo-nos: elas são divergentes, contraditórias, além de frequentemente se pretenderem exclusivas, propondo-se como solução única. Entretanto, se pedirmos a qualquer pessoa que possua um mínimo contato com a cultura para nos citar alguns exemplos de obras de arte ou de artistas, ficaremos certamente satisfeitos. Todos sabemos que a Mona Lisa, que a Nona sinfonia de Beethoven, que a Divina comédia, que Guernica de Picasso ou o Davi de Michelangelo são, indiscutivelmente, obras de arte. Assim, mesmo sem possuirmos uma definição clara e lógica do conceito, somos capazes de identificar algumas produções da cultura em que vivemos como sendo “arte”. Além disso, a nossa atitude diante da ideia “arte” é de admiração: sabemos que Leonardo ou Dante são gênios e, de antemão, diante deles, predispomo-nos a tirar o chapéu. Podemos, então, ficar tranquilos: se não conseguimos saber o que a arte é, pelo menos sabemos quais coisas correspondem a essa ideia e como devemos nos comportar diante delas. Infelizmente, esta tranquilidade não dura se quisermos escapar ao superficial e escavar um pouco mais o problema. O Davi de Michelangelo é arte, e não se discute. Entretanto, eu abro um livro consagrado a um artista célebre do século XX, Marcel Duchamp, e vejo entre suas obras, conservado em museu, um aparelho sanitário de louça, absolutamente idêntico aos que existem em todos os mictórios masculinos do mundo inteiro. Ora, esse objeto não corresponde exatamente à ideia que eu faço da arte. Assim, a questão que há pouco propusemos – como saber o que é ou não é obra de arte – de novo se impõe. Já vimos que responder com uma definição que parte da “natureza” da arte é tarefa vã. Mas, se não podemos encontrar critérios a partir do interior mesmo da noção de obra de arte, talvez possamos descobri-los fora dela. Para decidir o que é ou não arte, nossa cultura possui instrumentos específicos. Um deles, essencial, é o discurso sobre o objeto artístico, ao qual reconhecemos competência e autoridade. Esse discurso é o que proferem o crítico, o historiador da arte, o perito, o conservador de museu. São eles que conferem o estatuto de arte a um objeto. Nossa cultura também prevê locais específicos onde a arte pode manifestar- se, quer dizer, locais que também dão estatuto de arte a um objeto. Num museu, numa galeria, sei de antemão que encontrarei obras de arte; num cinema “de arte”, filmes que escapam à “banalidade” dos circuitos normais; numa sala de concerto, música “erudita” etc. Esses locais garantem-me assim o rótulo “arte” às coisas que apresentam, enobrecendo-as. Desse modo, para gáudio1 meu, posso despreocupar- -me, pois nossa cultura prevê instrumentos que determinarão, por mim, o que é ou não arte. Para evitar ilusões, devo prevenir que a situação não é assim tão rósea. Mas, por ora, o importante é termos em mente que o estatuto da arte não parte de uma definição abstrata do conceito, mas de atribuições feitas por instrumentos de nossa cultura, dignificando os objetos sobre os quais ela recai. (O que é arte, 2013. Adaptado.) 1gáudio: alegria; júbilo. FAMEMAQUESTÃO 32 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 27 “Para decidir o que é ou não arte, nossa cultura possui instrumentos específicos.” (5° parágrafo) Em relação ao trecho que o sucede, o trecho sublinhado tem sentido de A explicação. B finalidade. C condição. D consequência. E causa. TEXTO BASE 28 Após a leitura atenta do texto apresentado a seguir, responda à questão. O fim do canudinho de plástico Por Devorah Lev-Tov / Quinta-feira, 5 de Julho de 2018 Em 2015, um vídeo perturbador de uma tartaruga marinha oliva sofrendo com um canudo plástico preso em sua narina viralizou, mudando a atitude de muitos espectadores quanto ao utensílio plástico tão conveniente para muitos. Mas, como pode o canudo plástico, um item insignificante utilizado brevemente antes de ser descartado, causar tanto estrago? Primeiramente, ele consegue chegar facilmente aos oceanos devido a sua leveza. Ao chegar lá, o canudo não se decompõe. Pelo contrário, ele se fragmenta lentamente em pedaços cada vez menores, conhecidos como microplásticos, que são frequentemente confundidos com comida pelos animais marinhos. E, em segundo lugar, ele não pode ser reciclado. “Infelizmente, a maioria dos canudos plásticos são leves demais para os separadores manuais de reciclagem, indo parar em aterros sanitários, cursos d’água e, por fim, nos oceanos”, explica Dune Ives, diretor executivo da organização Lonely Whale. A ONG viabilizou uma campanha de marketing de sucesso chamada “Strawless in Seattle” (ou “Sem Canudos em Seattle”) em apoio à iniciativa “Strawless Ocean” (ou “Oceanos Sem Canudos”). Nos Estados Unidos, milhões de canudos de plástico são descartados todos os dias. No Reino Unido, estima-se que pelo menos 4,4 bilhões de canudos sejam jogados fora anualmente. Hotéis são alguns dos piores infratores: o Hilton Waikoloa Village, que se tornou o primeiro resort na ilha do Havaí a banir os canudos plásticos no início deste ano, utilizou mais de 800 mil canudos em 2017. Mas é claro que os canudos são apenas parte da quantidade monumental de resíduos que vão parar em nossos oceanos. “Nos últimos 10 anos, produzimos mais plástico do que em todo o século passado e 50% do plástico que utilizamos é de uso único e descartado imediatamente”, diz Tessa Hempson, gerente de operações do Oceans Without Borders, uma nova fundação da empresa de safáris de luxo & Beyond. “Um milhão de aves marinhas e 100 mil mamíferos marinhos são mortos anualmente pelo plástico nos oceanos. 44% de todas as espécies de aves marinhas, 22% das baleias e golfinhos, todas as espécies de tartarugas, e uma lista crescente de espécies de peixes já foram documentados com plástico dentro ou em volta de seus corpos”. Mas, agora, o próprio canudo plástico começou a finalmente se tornar uma espécie ameaçada, com algumas cidades nos Estados Unidos (Seattle, em Washington; Miami Beach e Fort Myers Beach, na Flórida; e Malibu, Davis e San Luis Obispo, na Califórnia) banindo seu uso, além de outros países que limitam itens de plástico descartável, o que inclui os canudos. Belize, Taiwan e Inglaterra estão entre os mais recentes países a proporem a proibição. Mesmo ações individuais podem causar um impacto significativo no meio ambiente e influenciar a indústria: a proibição em uma única rede de hotéis remove milhões de canudos em um único ano. As redes Anantara e AVANI estimam que seus hotéis tenham utilizado 2,49 milhões de canudos na Ásia em 2017, e a AccorHotels estima o uso de 4,2 milhões de canudos nos Estados Unidos e Canadá também no último ano. Embora utilizar um canudo não seja a melhor das hipóteses, algumas pessoas ainda os preferem ou até necessitam deles,como aqueles com deficiências ou dentes e gengivas sensíveis. Se quiser usar um canudo, os reutilizáveis de metal ou vidro são a alternativa ideal. A Final Straw, que diz ser o primeiro canudo retrátil reutilizável do mercado, está arrecadando fundos através do Kickstarter. “A maioria das pessoas não pensa nas consequências que o simples ato de pegar ou aceitar um canudo plástico tem em suas vidas e nas vidas das futuras gerações” diz David Laris, diretor de criação e chef do Cachet Hospitality Group, que não utiliza canudos de plástico. “A indústria hoteleira tem a obrigação de começar a reduzir a quantidade de resíduos plásticos que gera”. Adaptado de https://www.nationalgeographicbrasil.com/planeta- ou-plastico/2018/07/fim-canudinhoplastico-canudo-poluicao- oceano . Acesso em 14 de março de 2019. EsPCExQUESTÃO 33 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 28 “ As redes Anantara e AVANI estimam que seus hotéis tenham utilizado 2,49 milhões de canudos na Ásia em 2017.” Assinale a alternativa em que a oração sublinhada abaixo tem a mesma função daquela destacada na frase acima. A Ele se fragmenta em pedaços cada vez menores, que são frequentemente confundidos com comida pelos animais marinhos. B É claro que os canudos são apenas parte da quantidade monumental de resíduos que vão parar em nossos oceanos. C Nos últimos 10 anos, produzimos mais plástico do que em todo o século passado. D As empresas não precisam esperar que o governo institua a proibição antes de implementarem a sua própria. E Redes hoteleiras que estão eliminando os canudos plásticos já testaram diversas alternativas descartáveis. TEXTO BASE 29 Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo. Cena 1 Em uma madrugada chuvosa, um trabalhador residente em São Paulo acorda, ao amanhecer, às cinco horas, toma [5] rapidamente o café da manhã, dirige-se até o carro, acessa a rua, e, como de costume, faz o mesmo trajeto até o trabalho. Mas, em um desses inúmeros dias, ouve pelo rádio que uma das avenidas de sua habitual rota está [10] totalmente congestionada. A partir dessa informação e enquanto dirige, o trabalhador inicia um processo mental analítico para escolher uma rota alternativa que o faça chegar ........ empresa no horário de sempre. [15] Para decidir sobre essa nova rota, ele deverá considerar: a nova distância a ser percorrida, o tempo gasto no deslocamento, a quantidade de cruzamentos existentes em cada rota, em qual das rotas encontrará [20] chuva e em quais rotas passará por áreas sujeitas a alagamento. Cena 2 Mais tarde no mesmo dia, um casal residente na mesma cidade obtém [25] financiamento imobiliário e decide pela compra de um apartamento. São inúmeras opções de imóveis à venda. Para a escolha adequada do local de sua morada em São Paulo, o casal deverá levar em conta, além do [30] valor do apartamento, também outros critérios: variação do preço dos imóveis por bairro, distância do apartamento até a escola dos filhos pequenos, tempo gasto entre o apartamento e o local de emprego do casal, [35] preferência por um bairro tranquilo e existência de linha de ônibus integrada ao metrô nas proximidades do imóvel – entre outros critérios. Essas duas cenas urbanas descrevem [40] situações comuns ........ passam diariamente muitos dos cidadãos residentes em grandes cidades. As protagonistas têm em comum a angústia de tomar uma decisão complexa, escolhida dentre várias possibilidades [45] oferecidas pelo espaço geográfico. Além de mostrar que a geografia é vivida no cotidiano, as duas cenas mostram também que, para tomar a decisão que ........ seja mais conveniente, nossas protagonistas deverão [50] realizar, primeiramente, uma análise geoespacial da cidade. Em ambas as cenas, essa análise se desencadeia a partir de um sistema cerebral composto de informações geográficas representadas internamente na [55] forma de mapas mentais que induzirão as três protagonistas a tomar suas decisões. Em cada cena podemos visualizar uma pergunta espacial. Na primeira, o trabalhador pergunta: “qual a melhor rota a seguir, desde este [60] ponto onde estou até o local de meu trabalho, neste horário de segunda-feira?” Na segunda, o questionamento seria: “qual é o lugar da cidade que reúne todos os critérios geográficos adequados à nossa moradia?” [65] A cena 1 é um exemplo clássico de análise de redes, enquanto a cena 2 é um exemplo clássico de alocação espacial – duas das técnicas mais importantes da análise geoespacial. [70] A análise geoespacial reúne um conjunto de métodos e técnicas quantitativos dedicados à solução dessas e de outras perguntas similares, em computador, ........ respostas dependem da organização espacial de [75] informações geográficas em um determinado tempo. Dada a complexidade dos modelos, muitas técnicas de análise geoespacial foram transformadas em linguagem computacional e reunidas, posteriormente, em um sistema de [80] informação geográfica. Esse fato geotecnológico contribuiu para a popularização da análise geoespacial realizada em computadores, que atualmente é simplificada pelo termo geoprocessamento. Adaptado de: FERREIRA, Marcos César. Iniciação à análise geoespacial: teoria, técnicas e exemplos para geoprocessamento. São Paulo: Editora UNESP, 2014. p. 33-34. UFRGSQUESTÃO 34 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 29 Assinale a alternativa que apresenta relações de sentido, contextualmente adequadas no texto, para os nexos de articulação textual Mas (l. 07), enquanto (l. 11) e Para (l. 15), nessa ordem. A oposição – comparação – explicação B concessão – temporalidade – explicação C concessão – concomitância – finalidade D oposição – concomitância – explicação E oposição – temporalidade – finalidade TEXTO BASE 30 Texto BECOS DA MEMÓRIA A barriga de Ditinha cresceu. Beto estava com treze anos. Ela temia pelo futuro de Beto. E depois vieram o Zé, o Nico. A mesma coisa, ela só faltou tomar o diabo em pó para abortar, entretanto a [5] barriga crescia. Na última gravidez, ela já sabendo que remédios, chás de nada adiantavam, pois tinha o organismo forte, de mulher parideira, Ditinha foi mais longe. Maria Cosme não era escrupulosa como Vó Rita. Maria Cosme enfiou uma sonda por [10] dentro de Ditinha. A sonda ficou lá dentro quase dez dias, até que numa manhã ela começou a sangrar. Sangrou tanto que foi parar no hospital. Os médicos queriam que ela dissesse o nome da “fazedeira de anjinhos”. Ela não disse mesmo; pelo [15] contrário, se preciso fosse, se pudesse, até esconder Maria Cosme, ela esconderia. Tiveram que retirar o útero e o ovário de Ditinha. Ela respirou aliviada, pelo menos não criaria barriga mais nunca. [20] Quando Ditinha chegou ao seu barraco, Beto e Zé não estavam em casa. Mandou que Nico fosse atrás deles; o menor voltou chorando e sozinho. Estava tão cansada, olhou o pai paralítico e viu seus olhos vermelhos, congestionados de cachaça. [25] O velho pediu mais, ela deu. EVARISTO, Conceição. Becos da memória. Rio e Janeiro: Pallas, 2017. p.102-103. FMCQUESTÃO 35 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 30 O período “Sangrou tanto que foi parar no hospital” (linha 12) expressa relação semântica de A condição e resultado. B finalidade e explicação. C finalidade e causa. D explicação e localização. E causa e consequência. TEXTO BASE 31 Leia o trecho inicial do conto “A doida”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão. A doida habitava um chalé no centro do jardim maltratado. E a rua descia para o córrego, onde os meninos costumavam banhar-se. Era só aquele chalezinho, à esquerda, entre o barranco e um chão abandonado; à direita, o muro de um grande quintal. E na rua, tornada maior pelo silêncio, o burro que pastava. Rua cheia de capim, pedras soltas, num declive áspero. Onde estava o fiscal, que não mandava capiná-la? Os três garotos desceram manhã cedo, para o banho e a pega de passarinho. Só com essa intenção. Mas era bom passar pela casa da doida e provocá-la. As mães diziam o contrário: que era horroroso,poucos pecados seriam maiores. Dos doidos devemos ter piedade, porque eles não gozam dos benefícios com que nós, os sãos, fomos aquinhoados. Não explicavam bem quais fossem esses benefícios, ou explicavam demais, e restava a impressão de que eram todos privilégios de gente adulta, como fazer visitas, receber cartas, entrar para irmandades. E isso não comovia ninguém. A loucura parecia antes erro do que miséria. E os três sentiam-se inclinados a lapidar1 a doida, isolada e agreste no seu jardim. Como era mesmo a cara da doida, poucos poderiam dizê-lo. Não aparecia de frente e de corpo inteiro, como as outras pessoas, conversando na calma. Só o busto, recortado numa das janelas da frente, as mãos magras, ameaçando. Os cabelos, brancos e desgrenhados. E a boca inflamada, soltando xingamentos, pragas, numa voz rouca. Eram palavras da Bíblia misturadas a termos populares, dos quais alguns pareciam escabrosos, e todos fortíssimos na sua cólera. Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras no seu tempo remoto (contava mais de sessenta anos, e loucura e idade, juntas, lhe lavraram o corpo). Corria, com variantes, a história de que fora noiva de um fazendeiro, e o casamento uma festa estrondosa; mas na própria noite de núpcias o homem a repudiara, Deus sabe por que razão. O marido ergueu-se terrível e empurrou-a, no calor do bate- -boca; ela rolou escada abaixo, foi quebrando ossos, arrebentando-se. Os dois nunca mais se veriam. Já outros contavam que o pai, não o marido, a expulsara, e esclareciam que certa manhã o velho sentira um amargo diferente no café, ele que tinha dinheiro grosso e estava custando a morrer – mas nos racontos2 antigos abusava-se de veneno. De qualquer modo, as pessoas grandes não contavam a história direito, e os meninos deformavam o conto. Repudiada por todos, ela se fechou naquele chalé do caminho do córrego, e acabou perdendo o juízo. Perdera antes todas as relações. Ninguém tinha ânimo de visitá-la. O padeiro mal jogava o pão na caixa de madeira, à entrada, e eclipsava-se. Diziam que nessa caixa uns primos generosos mandavam pôr, à noite, provisões e roupas, embora oficialmente a ruptura com a família se mantivesse inalterável. Às vezes uma preta velha arriscava-se a entrar, com seu cachimbo e sua paciência educada no cativeiro, e lá ficava dois ou três meses, cozinhando. Por fim a doida enxotava-a. E, afinal, empregada nenhuma queria servi-la. Ir viver com a doida, pedir a bênção à doida, jantar em casa da doida, passaram a ser, na cidade, expressões de castigo e símbolos de irrisão3 . Vinte anos de uma tal existência, e a legenda está feita. Quarenta, e não há mudá-la. O sentimento de que a doida carregava uma culpa, que sua própria doidice era uma falta grave, uma coisa aberrante, instalou-se no espírito das crianças. E assim, gerações sucessivas de moleques passavam pela porta, fixavam cuidadosamente a vidraça e lascavam uma pedra. A princípio, como justa penalidade. Depois, por prazer. Finalmente, e já havia muito tempo, por hábito. Como a doida respondesse sempre furiosa, criara-se na mente infantil a ideia de um equilíbrio por compensação, que afogava o remorso. Em vão os pais censuravam tal procedimento. Quando meninos, os pais daqueles três tinham feito o mesmo, com relação à mesma doida, ou a outras. Pessoas sensíveis lamentavam o fato, sugeriam que se desse um jeito para internar a doida. Mas como? O hospício era longe, os parentes não se interessavam. E daí – explicava-se ao forasteiro que porventura estranhasse a situação – toda cidade tem seus doidos; quase que toda família os tem. Quando se tornam ferozes, são trancados no sótão; fora disto, circulam pacificamente pelas ruas, se querem fazê-lo, ou não, se preferem ficar em casa. E doido é quem Deus quis que ficasse doido... Respeitemos sua vontade. Não há remédio para loucura; nunca nenhum doido se curou, que a cidade soubesse; e a cidade sabe bastante, ao passo que livros mentem. (Contos de aprendiz, 2012.) 1 lapidar: apedrejar. 2 raconto: relato, narrativa. 3 irrisão: zombaria. UNIFESPQUESTÃO 36 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 31 “Como a doida respondesse sempre furiosa, criara-se na mente infantil a ideia de um equilíbrio por compensação, que afogava o remorso.” (5° parágrafo) Em relação ao trecho que o sucede, o trecho sublinhado expressa ideia de A finalidade. B causa. C proporção. D comparação. E consequência. TEXTO BASE 32 Texto Da dor à doação (1) Sofrimentos lancinantes podem ser vistos como provações. Como trajetos necessários no percurso, ou paradas forçadas no meio do caminho. Entre o susto de repentino golpe e a espera do que se costumava chamar de normalidade, nem sempre a distância é grande. Pode ser um passo. Um gesto de generosidade que provoca o sentimento de impagável gratidão. É assim, via de regra, nos casos de transplante de órgãos e tecidos, quando a razão e a emoção podem ser exigidas ao limite, para tomar difíceis decisões que dizem respeito à nossa compreensão, nem sempre exposta, sobre a vida e a morte. (2) [...] Um milagre que se torna possível graças à doação. São, de fato, vidas compartilhadas, consumidas pela dor, reanimadas pela esperança. Compartilhamento que une vidas desconectadas num ato de pura fé na vida. A incompreensão é desafiada a crer, quando um órgão que habitava um corpo passa a morar em outro. E tudo em que se crê alcança o território da dúvida, quando a vida, vista como inquilina, põe à prova toda experiência, todo o saber de alguém. (3) Pernambuco teve, no ano passado, o maior número de vidas salvas por transplantes já registrado no Estado: cerca de 1.800 pessoas recuperaram a condição de viver mais próximas da plenitude que nomeamos de vida saudável. Pacientes de graves enfermidades, às vezes pacientes terminais, assim como seus círculos familiares e de amigos, deixaram de pensar na morte para aproveitar a vida. Sim, o tempo será sempre incerto, mas a recuperação do horizonte vital, para quem não enxerga nada além de sombras, é quase o renascimento. (4) Para que a doação de órgãos se espalhe, mais indivíduos precisam declarar à família qual escolha fazer na hora do pior infortúnio. Por isso a doação é, também, um gesto de cidadania que deve ser estimulado por políticas públicas direcionadas para acolher as famílias em agonia, primeiro, para depois receber e transmitir os órgãos de potenciais doadores a quem se encontra no aguardo de uma chance de vida. A realização de um transplante envolve o esforço de convencimento, se não houver desejo previamente declarado de quem vem a ter a morte encefálica confirmada pela medicina. Em Pernambuco, onde há mais de mil na fila do transplante, metade das tentativas junto às famílias é frustrada por negativas. Portanto, a fila dos pacientes ansiosos por órgãos e tecidos poderia ser menor. [...] (5) É verdade que não é fácil sair da dor à doação. E se soa estranho imaginar a córnea, o pulmão, o fígado ou o coração de um ente querido sendo nutrido pelo calor e pelo sangue de outra pessoa, vale a pena pensar o quanto é estranha a natureza da vida. Perdida numa ilhota minúscula no meio do universo, a vida humana conta com o luxo da consciência para relatar a perplexidade que não nos abandona, desde o despertar da existência. Da dor à doação. Jornal do Commercio, Recife, 1º de jul. 2018. Opiniões. Editorial. p. 22. Adaptado. UPEQUESTÃO 37 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 32 O segmento sublinhado em: “Para que a doação de órgãos se espalhe, mais indivíduos precisam declarar à família qual escolha fazer na hora do pior infortúnio.” estabelece com o trecho que o sucede uma relação sintático-semântica de A comparação. B concessão. C condição. D conformidade. E finalidade. TEXTO BASE 33 Texto para a questão Capítulo XLVIII Um primo de Virgília - Sabe quem chegou ontem de São Paulo? perguntou-me uma noite Luís Dutra. Luís Dutra era um primo de Virgília, que também privava com as musas. Os versos dele agradavam e valiam mais do que os meus; mas eletinha necessidade da sanção de alguns, que lhe confirmasse o aplauso dos outros. Como fosse acanhado, não interrogava a ninguém; mas deleitava-se com ouvir alguma palavra de apreço; então criava novas forças e arremetia juvenilmente ao trabalho. Pobre Luís Dutra! Apenas publicava alguma cousa, corria à minha casa, e entrava a girar em volta de mim, à espreita de um juízo, de uma palavra, de um gesto, que lhe aprovasse a recente produção, e eu falava- lhe de mil cousas diferentes, -- do último baile do Catete, da discussão das câmaras, de berlindas e cavalos, - de tudo, menos dos seus versos ou prosas. Ele respondia- me, a princípio com animação, depois mais frouxo, torcia a rédea da conversa para o assunto dele, abria um livro, perguntava-me se tinha algum trabalho novo, e eu dizia-lhe que sim ou que não, mas torcia a rédea para o outro lado, e lá ia ele atrás de mim, até que empacava de todo e saía triste. Minha intenção era fazê-lo duvidar de si mesmo, desanimá-lo, eliminá- lo. E tudo isto a olhar para a ponta do nariz... Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas. FGV-SPQUESTÃO 38 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 33 As orações “Como fosse acanhado” e “Apenas publicava alguma cousa” expressam, respectivamente, ideia de A conformidade e de alternância. B comparação e de consequência. C causa e de tempo. D oposição e de adição. E finalidade e de explicação. TEXTO BASE 34 TEXTO Tempos ansiosos (1) Saber lidar com as preocupações se tornou uma característica desejada, porque a ansiedade foi relegada ao posto de vilã do mundo moderno. Apesar de ser essencial para a sobrevivência, ela ganhou o estigma de atrapalhar as relações pessoais, a competência no trabalho e todo tipo de situação delicada. “Se o candidato não consegue dominar a ansiedade na hora da seleção de emprego, já questionamos como ele agirá no ambiente de trabalho”, diz Adriana Vilela, analista de recursos humanos da RHBrasil, empesa que recruta candidatos para o mercado de trabalho. É muito comum, aliás, as pessoas reclamarem que são ansiosas demais e os especialistas chamarem os nossos tempos de “era da ansiedade”. (2) Mas essa noção de que vivemos numa época especialmente estressante é coisa ultrapassada, na verdade. A ideia de “era da ansiedade” nasceu antes da internet e do computador. Apareceu pela primeira vez em 1947, num poema do inglês Hugh Auden, que, desiludido com a humanidade depois da 2ª. Guerra Mundial, criticou o homem e sua busca sem sentido por significado. Desde então, há pelo menos uma obra por década que afirma que o ser humano está passando pelos tempos mais difíceis de sua história e que, coitados de nós, sofremos demais com a ansiedade. (Hueck, Karin. Sobre a ansiedade. Revista Superinteressante. São Paulo: Abril, nov. 2008. Adaptado) CESMACQUESTÃO 39 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 34 Analisando os recursos da coesão textual no primeiro parágrafo do Texto, vemos que ocorreram conectivos que, respectivamente, expressam relações semânticas de: A concessão, finalidade e adição. B temporalidade, oposição e finalidade. C oposição, adição e causalidade. D causalidade, concessão e adição. E adição, causalidade e concessão. TEXTO BASE 35 Texto para a questão. Ao captar o ódio frio de tirano tropical... De tão repetida, a verdade insofismável de que a história não se repete transforma-se no seu contrário, em sofisma. Agora mesmo, venais¹ travestidos de vestais² repisam que o Terror curitibano esconde uma guilhotina no porão e que estamos todos com a cabeça a prêmio. Como os legalistas querem deter os carrascos, os procuradores provincianos botam a carapuça, fingem que é boné frígio³ e entoam: somos todos jacobinos. A analogia é trapaceira porque não se passou nada que remotamente lembre a Revolução Francesa. Logo, não há motivo real para reação à termidoriana4 ou o alarme moralista. O que há de palpável, isso sim, é o afã em desregulamentar o trabalho e cortar aposentadorias. O sofisma de fundo histórico é falsa ideologia: evoca um passado heroico para justificar tramoias no presente. Assim, se na França tribunos da plebe vestiram as togas retóricas da República romana, políticos e procuradores brasileiros agitam o espectro do Terror para mobilizar crápulas tremebundos5 do pântano brasiliense. Fazem buuuuu para arrebatar aliados e trouxas. É má ficção, mas cola. (MÁRIO SÉRGIO CONTI, Folha de S.Paulo, 01/07/2017, adaptado) ¹venal: que pode ser vendido; exposto à pvenda. ²vestal: honesto; casto; virgem. ³frígio: espécie de touca ou carapuça, símbolo do regime republicano, da liberdade. 4termidoriana: A reação termidoriana é considerada uma das fases finais do processo da Revolução Francesa. Após o período designado pelos historiadores como Reino do Terror (ou somente Terror), em que as garantias dos cidadãos foram suspensas e a facção da Montanha, do partido jacobino, assassinou e perseguiu seus opositores, alguns girondinos sobreviveram e se organizaram na articulação de um golpe. 5tremebundo: que faz tremer. ESPMQUESTÃO 40 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 35 “Como os legalistas querem deter os carrascos, os procuradores provincianos botam a carapuça...”. Nesse segmento, as orações traduzem respectivamente ideias de: A consequência e causa. B causa e consequência. C conformidade e causa. D comparação e consequência. E conformidade e consequência. Orações Questão 1: [D] Questão 2: [E] Questão 3: [B] Questão 4: [A] Questão 5: [C] Questão 6: [A] Questão 7: [E] Questão 8: [E] Questão 9: [C] Questão 10: [A] Questão 11: [D] Questão 12: [A] Questão 13: [B] Questão 14: [C] Questão 15: [A] Questão 16: [E] Questão 17: [A] Questão 18: [A] Questão 19: [C] Questão 20: [B] Questão 21: [A] Questão 22: [D] Questão 23: [A] Questão 24: [A] Questão 25: [C] Questão 26: [B] Questão 27: [E] Questão 28: [C] Questão 29: [C] Questão 30: [B] Questão 31: [B] Questão 32: [B] Questão 33: [D] Questão 34: [E] Questão 35: [E] Questão 36: [B] Questão 37: [E] Questão 38: [C] Questão 39: [D] Questão 40: [B] Pontuação UFGDQUESTÃO 1 Assinale a alternativa cujo texto está corretamente pontuado. A O cinema é uma ótima forma de conhecer cidades, em outros tempos. Em muitos casos no entanto, os cenários estão lá em função de uma narrativa. Para testemunhar detalhes mais banais ou a rotina diária de correria, os vídeos caseiros são um bom caminho. B O cinema é uma ótima forma de conhecer cidades em outros tempos. Em muitos casos, no entanto os cenários estão lá em função de uma narrativa. Para testemunhar detalhes mais banais, ou a rotina diária de correria os vídeos caseiros são um bom caminho. C O cinema é uma ótima forma de conhecer cidades em outros tempos. Em muitos casos, no entanto, os cenários estão lá em função de uma narrativa. Para testemunhar detalhes mais banais ou a rotina diária de correria, os vídeos caseiros são um bom caminho. D O cinema é uma ótima forma de conhecer cidades, em outros tempos. Em muitos casos no entanto os cenários estão lá em função de uma narrativa. Para testemunhar detalhes mais banais ou a rotina diária de correria, os vídeos caseiros, são um bom caminho. E O cinema é uma ótima forma de conhecer cidades em outros tempos. Em muitos casos, no entanto; os cenários, estão lá em função de uma narrativa. Para testemunhar detalhes, mais banais ou a rotina diária de correria, os vídeos caseiros são um bom caminho. TEXTO BASE 1 O MACHISMO BRASILEIRO E A DOMINAÇÃO DO MAL A lógica da dominação masculina silencia e mata mulheres e homens Uma aluna me interrompeu bruscamente quando eu estava dando uma aula para uma turma de psicologia sobre o livro “A dominação masculina”, de Pierre Bourdieu. “Você está comparando o sofrimento das mulheres com o dos homens?” Respondi que, para o sociólogo francês, a lógica da dominação masculina, além de oprimir, aprisionar e escravizar as mulheres, também provoca sofrimento nos homens que não conseguemcorresponder ao modelo dominante de ser um “homem de verdade”. Na lógica da dominação masculina, os homens devem ser sempre superiores às mulheres: mais velhos, mais altos, mais fortes, mais poderosos, mais ricos, mais escolarizados etc. Essa lógica tem como efeito colocar as mulheres em um permanente estado de insegurança, inferioridade e dependência. Delas se espera que sejam submissas, contidas, discretas, apagadas, inferiores, invisíveis. No entanto, essa lógica aprisiona as mulheres e também os homens, já que eles precisam fazer um esforço desesperado e patético, segundo Bourdieu, para estar à altura do ideal de masculinidade: força física, altura, sucesso, poder, prestígio, dinheiro, potência, virilidade, tamanho do pênis etc. A aluna reagiu agressivamente: “Mas os homens não precisam ser defendidos pelas mulheres. Eles são os agressores, os inimigos, não as vítimas. Todos os homens são culpados ou cúmplices da violência que as mulheres sofrem”. Tentei argumentar mostrando que os discursos sobre masculinidade podem ter mudado, mas que muitos comportamentos e valores permanecem, de forma consciente ou inconsciente, reproduzindo e fortalecendo a lógica da dominação masculina, inclusive pelas próprias mulheres. “Ninguém está defendendo os machistas, só estamos refletindo sobre como a lógica da dominação masculina aprisiona mulheres e homens. Não estamos diminuindo o sofrimento feminino, mas apenas mostrando que os homens também sofrem. E sofrem calados.” Dei então alguns exemplos das minhas pesquisas. Quando perguntei: “O que todo homem é?”, as respostas mais citadas foram: machista, galinha e infiel. Para “O que toda mulher é?”, a maioria respondeu: maternal, sensível e romântica. Quando perguntei: “Você chora muito ou pouco?”, 52% das mulheres responderam que choram muito, 46% choram pouco e 2% nunca choram. Já os homens disseram que choram pouco (58%) ou nunca (37%). Apenas 5% choram muito. Perguntei: “Quem chora mais: o homem ou a mulher?”: 95% concordaram que a mulher chora mais e 5% que homens e mulheres choram igual. Muitos homens cresceram ouvindo: “Homem não chora”; “Homem que chora é mulherzinha”; “Engole o choro, seja um homem de verdade”; “Chorar é frescura, coisa de maricas”. Alguns choram escondido, dentro do banheiro, pois não querem revelar seus medos, fraquezas e inseguranças para a esposa, namorada, filhos, pais e amigos. Outros confessaram que só choram quando estão bêbados, como um estudante de 18 anos: “Quando minha namorada terminou comigo entrei em depressão, passei a beber muito, tomar muito remédio. Muitas vezes me escondi para chorar no banheiro do bar para meus amigos não zombarem de mim.” Mostrei pesquisas sobre o número de homens que morrem de infartos, suicídios, violência urbana. E outras sobre aposentados que se tornaram alcoólatras por se sentirem inúteis, invisíveis e descartáveis. Apresentei os resultados de pesquisas sobre jovens que têm vergonha do tamanho do pênis e que tomam Viagra por medo de brochar. A aluna gritou: “todos os homens são machistas”. A turma tinha 100 alunos: 75 mulheres e 25 homens. Por que ninguém mais disse o que pensava? Por que todos ficaram calados? Muitos alunos e alunas vieram conversar comigo depois da aula. “Professora, o discurso odiento e raivoso silencia as vozes de todos, não importa o assunto, pode ser machismo ou outro qualquer. Ela não quer ouvir ninguém, só quer vomitar seu ódio. Vivemos em uma época em que mesmo que 99% pensem diferente, o mal e o ódio venceram, estão no poder. Não existe a banalização do mal? Agora é a era da dominação do mal.” Mirian Goldenberg, Antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/2022/0 4/o-machismo-brasileiro-e-a-dominacao-do-mal.shtml UnioesteQUESTÃO 2 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 1 Em relação às aspas, assinale a alternativa INCORRETA. A Indicam os questionamentos da professora. B Marcam a ironia porque os homens também choram. C Explicitam o discurso discordante de uma aluna. D Apontam para os turnos de fala dos alunos. E Evidenciam o título do livro em estudo. TEXTO BASE 2 Instrução: A questão referem-se ao texto abaixo. Entre a desordem carnavalesca, que permite e estimula o excesso, e a ordem, que requer a continência e a disciplina pela obediência estrita às leis, como é que nós, [5] brasileiros, ficamos? Qual a nossa relação e a nossa atitude para com e diante de uma lei universal que teoricamente deve valer para todos? Como procedemos diante da norma geral, se fomos criados numa casa onde, desde [10] a mais tenra idade, aprendemos que há sempre um modo de satisfazer nossas vontades e desejos, mesmo que isso vá de encontro às normas do bom-senso e da coletividade em geral? [15] Num livro que escrevi – Carnavais, malandros e heróis –, lancei a tese de que o dilema brasileiro residia numa trágica oscilação entre um esqueleto nacional feito de leis universais cujo sujeito era o indivíduo e [20] situações onde cada qual se salvava e se despachava como podia, utilizando para isso o seu sistema de relações pessoais. Haveria, assim, nessa colocação, um verdadeiro combate entre as leis que devem valer para [25] todos e as relações que evidentemente só podem funcionar para quem as tem. O resultado é um sistema social dividido e até mesmo equilibrado entre duas unidades sociais básicas: o indivíduo (o sujeito das leis [30] universais que modernizam a sociedade) e a pessoa (o sujeito das relações pessoais, que conduz ao polo tradicional do sistema). Entre os dois, o coração dos brasileiros balança. E no meio dos dois, a malandragem, o “jeitinho” e o [35] famoso e antipático “sabe com quem está falando?” seriam modos de enfrentar essas contradições e paradoxos de modo tipicamente brasileiro. Ou seja: fazendo uma mediação também pessoal entre a lei, a situação onde ela [40] deveria aplicar-se e as pessoas nela implicadas, de tal sorte que nada se modifique, apenas ficando a lei um pouco desmoralizada, mas, como ela é insensível e não é gente como nós, todo mundo fica, como se diz, numa boa, [45] e a vida retorna ao seu normal... De fato, como é que reagimos diante de um “proibido estacionar”, “proibido fumar”, ou diante de uma fila quilométrica? Como é que se faz diante de um requerimento que está [50] sempre errado? Ou diante de um prazo que já se esgotou e conduz a uma multa automática que não foi divulgada de modo apropriado pela autoridade pública? Ou de uma taxação injusta e abusiva? Adaptado de: DA MATTA, Roberto. O que faz o brasil, Brasil?. Rio de Janeiro: Rocco, 1984. p. 97-99. UFRGSQUESTÃO 3 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 2 Considere as seguintes afirmações sobre o texto. I - As interrogações no último parágrafo servem para o autor problematizar o tema com o leitor. II - Os parênteses no segundo parágrafo servem para o autor explicar termos para o leitor. III- As aspas no terceiro parágrafo servem para o autor introduzir passagens citadas de outros contextos. Quais estão corretas? A Apenas I. B Apenas II. C Apenas III. D Apenas II e III. E I, II e III. TEXTO BASE 3 Se não quiser adoecer – “Busque soluções.” Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença. Se não quiser adoecer – “Não viva de aparências.” Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão de que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor. Se não quiser adoecer – “Confie.” Quem não confia não se comunica,não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus. Se não quiser adoecer – “Não viva SEMPRE triste! ” O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. “O bom humor nos salva das mãos do doutor.” Alegria é saúde e terapia. VARELLA, Dráuzio. Desassossego. Disponível em: https://www.pensador.com/textos_de_drauzio_varella/. Acesso em: ago. 2022. Fragmento. UNIDOMPEDROQUESTÃO 4 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 3 Sobre os sinais de pontuação usados no texto, considerando-se o contexto em que se encontram, é correto afirmar: A O ponto existente depois do vocábulo “pessimismo”, em “Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo.” tem a mesma finalidade que o empregado após a palavra “etc.”, em “quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc.” B As reticências no fragmento “está acumulando toneladas de peso...” indicam hesitação do enunciador do discurso para evitar impacto maior no leitor. C A vírgula presente em “uma estátua de bronze, mas com pés de barro. ” foi utilizada pela mesma razão em “Sem confiança, não há relacionamento. ” D A exclamação na frase “Não viva SEMPRE triste! ” expressa a intensidade da ideia que exterioriza um sentimento de cuidado em relação ao outro. E As aspas usadas na sentença “O bom humor nos salva das mãos do doutor. ” enfatizam uma maneira irônica de alusão ao trabalho médico. UVVQUESTÃO 5 Desculpem-me, mas não dá pra fazer uma cronicazinha divertida hoje. Simplesmente não dá. Não tem como disfarçar: esta é uma típica manhã de segunda-feira. A começar pela luz acesa da sala que esqueci ontem à noite. Seis recados para serem respondidos na secretária eletrônica. Recados chatos. Contas para pagar que venceram ontem. Estou nervoso. Estou zangado. Disponível em: CARNEIRO, J. E. Veja, 11 set. 2002 (fragmento). A explicação para o uso dos dois pontos no trecho: “Não tem como disfarçar” é esta: A A frase que se segue é uma citação. B O que vem depois é um esclarecimento. C Indica a consequência de um enunciado. D Marca a fala do autor no texto. E Trata-se de um acréscimo de informação acessória. TEXTO BASE 4 O peso e a leveza de viver Por conta de um seminário na margem sul do Tejo, cruzei a Praça do Comércio durante toda a semana. Saía do barco, atravessava a praça e avançava sob o arco da rua Augusta, oficialmente a porta de entrada da cidade. O mesmo trajeto que, durante séculos, fizeram todos aqueles que chegavam a Lisboa por mar. Apesar da repetição, o trajeto nunca foi monótono. Houve dias em que senti uma leveza extrema: a belíssima arquitetura tingida de amarelo, [5] com suas torres e esculturas que abraça o campo de visão; o histórico café Martinho da Arcada, frequentado por Fernando Pessoa; o quiosque de licor de ginja; as esplanadas dos cafés; o clima de festa no rosto dos turistasH Em outros dias, fui soterrada pelo peso da história da praça. Foi nela que se registrou, em 1640, o fim do domínio espanhol, assinalado com a morte do secretário de estado — o infeliz foi atirado da janela do palácio para a praça. Esse mesmo cenário foi transformado em escombros pelo terremoto de 1755. O Palácio Real e sua biblioteca [10] de 70 mil volumes, documentos históricos e centenas de obras de arte — entre as quais pinturas de Ticiano e Rubens — foram completamente destruídos. Nessa mesma praça, em 1908, o rei D. Carlos e o seu filho foram assassinados. A mesma praça, dois estados: peso e leveza. As duas faces da vida na visão do filósofo grego Parmênides, que via o mundo como pares opostos: o ser e o não ser, o quente e o frio, o peso e a leveza. Apesar da pertinência, [15 ]Parmênides tinha preferência pela leveza, porque ela tinha mais chances de trazer a liberdade. E qual é o problema? A ironia. Com todo esse arsenal de leveza, a cada dia, a vida parece mais pesada e difícil de suportar. Dizendo melhor: a busca da leveza é pesada, e estamos caminhando em círculos: buscamos a leveza, encontramos o peso e, por isso, aumentamos ainda mais a nossa sede pela leveza. O primeiro que alertou para esse fracasso foi o teórico da hipermodernidade Gilles Lipovetsky. Para ele, a leveza do digital é uma ilusão. [20] Você pode discordar ou, pelo menos, considerar um exagero. Afinal, não é óbvia a leveza do mundo digital. As demoradas correspondências, entregues pelo carteiro, deram lugar a mensagens instantâneas para qualquer lugar do planeta. E melhor: nada das eternas cartas empoeiradas guardadas no fundo do baú e o peso de ser cobrado no futuro por promessas escritas e o confronto de provas concretas. Agora, pode-se trocar mensagens e fotos que se autodestroem, segundos depois de serem lidos. Tudo como uma magia etérea, um sopro de ar. [25] E isso não é bom? É. O problema é que essa “leveza” traz junto o peso da ditadura das respostas imediatas (“Visualizou e não responde? Por quê?”). Alguns podem dizer que a tecnologia em si não é má, basta saber usá-la. Ok. Você quer usufruir da leveza de não ser incomodado com mensagens. Não dá. A eficiência da tecnologia trouxe a impossibilidade de se distanciar, de se ausentar. Lembra o clássico “Qualquer dia eu desapareço!”? Impossível. Você pode ir para os confins do mundo, qualquer lugar tem wi-fi. A [30] tecnologia traz a leveza da existência nômade, o “meu escritório é o mundo”, mas também é mensageira da vida em fluxo tenso, do “zero atraso” e da sensação de estar “enterrado no trabalho”. É. Mas a tecnologia trouxe quantidade, leveza e agilidade para a principal busca humana: o outro. Será? Os aplicativos de relacionamentos proporcionam muitos encontros — sem compromisso. Sim, mas eles não eliminam o peso da insegurança e o medo da rejeição. A tecnologia oferece um cardápio de pessoas à escolha, mas não elimina [35] o peso das expectativas e os sonhos de amor, nem as frustrações que daí decorrem. Ela oferece a leveza das delícias da experimentação, mas também o peso de não ser aceito e o pesadelo do abandono. E, por fim, o hedonismo ligeiro dos sites de namoro a exibir catálogos de pessoas não retirou um milímetro da importância da exclusividade. E por que é assim? Porque não existe nada leve ou pesado. Não há como experimentar a leveza doce do [40] amor por um filho, sem o peso do dever de educá-lo. A existência etérea da borboleta carrega o peso da memória da lagarta. Eles não são contraditórios, são faces da mesma moeda, se alternam e se encontram. São parte da diversidade necessária para o equilíbrio da vida. Milan Kundera no maravilhoso livro A Insustentável Leveza do Ser — que não posso deixar de citar — personifica essa união nos personagens Teresa (peso) e Thomas (leveza). E mesmo que fosse possível escolher. Qual dos dois é o melhor? A leveza intensifica a sensação de [45] liberdade, mas também traz a insignificância e a dispersão. Ela não carrega malas, mas também não cria vínculos. O peso vem quando nos relacionamos, mas só nos relacionamos quando a leveza permite que sejamos tocados. O peso nos puxa para a terra, diminui a nossa agilidade, mas é esse mesmo peso que pavimenta o caminho da leveza de se rever e de se perder naqueles que amamos. A leveza traz a capacidade para o sonho, mas é no peso que encontramos o sentido da vida. Disponível em: https://vidasimples.co/colunistas/o-peso-e-a- leveza-de-viver//. Acesso em: 12 out. 2021. Adaptado. UNIMONTESQUESTÃO 6 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 4 Considere o trecho: “Em outros dias, fui soterrada pelo peso da história da praça. Foi nela que se registrou, em 1640, o fim do domínio espanhol, assinalado com a morte do secretário de estado — o infeliz foi atirado da janela do palácio para a praça.” (Linhas 7-9) Sobre a organização sintática do trecho, analise as afirmativas que se seguem. I. A vírgula depois da palavra “dias” foi usada de acordocom a norma, para separar uma oração subordinada adverbial, que está antecipada. II. As vírgulas que intercalam o termo “em 1640” foram usadas de acordo com a norma, para separar um adjunto adverbial não oracional antecipado. III. O uso do pronome “se” proclítico é obrigatório segundo a norma, pois a palavra “que” é atrativa. IV. O travessão foi usado depois da palavra “estado” para introduzir um aposto explicativo não oracional. Estão CORRETAS as afirmativas: A I, II e III, apenas. B II e III, apenas. C II, III e IV, apenas. D I, II, III e IV. TEXTO BASE 5 Com base neste Texto, responda à questão. Texto Vem uma pessoa Rubem Braga Vem uma pessoa de Cachoeiro de Itapemirim e me dá notícias melancólicas. Numa viagem pelo interior, em estradas antigamente belas, achou tudo feio e triste. A estupidez e a [5] cobiça dos homens continua a devastar e exaurir a terra. Mas não são apenas notícias tristes que me chegam da terra. Ouço nomes de velhos amigos e fico sabendo de histórias novas. E a [10] pessoa que me fala da praia – de Marataízes – e diz que ainda continua reservado para mim aquele pedaço de terra, em cima das pedras, entre duas prainhas. Ali um dia o velho Braga, juntando os tostões que puder ganhar batendo em sua [15] máquina, levantará sua casa perante o mar da infância. Ali plantará árvores e armará sua rede e meditará talvez com tédio e melancolia na vida que passou. Esse dia talvez ainda esteja muito longe, e [20] talvez não exista. Mas é doce pensar que o nordeste está lá, jogando as ondas bravas e fiéis contra as pedras de antigamente; que milhões de vezes a espumarada recua e ferve, escachoando, e outra onda se ergue para arremeter contra o [25] pequeno território em que o velho Braga construiu sua casa de sonho e de paz. Como será a casa? Ah, amigos arquitetos, vocês me façam uma coisa tão simples e tão natural que, entrando na casa, morando na casa, a [30] gente nunca tenha a impressão de que, antes de fazê-la, foi preciso traçar um plano; tenha a impressão de que é assim mesmo e naturalmente deveria ser assim; e que a ninguém sequer ocorra que ela foi construída, mas existe naturalmente, [35] desde sempre e para sempre, tranquila, boa e simples. Uma casa, Caloca, em que não se tenha, de vez em quando, a consciência de se estar em uma determinada casa, mas apenas de estar em casa. [40] Que árvores plantarei? A terra certamente é ruim, além de pequena, e eu talvez não possa ter uma fruta-pão nem um jenipapeiro; talvez mangueiras e coqueiros para dar sombra e música; talvez... [45] Mas nem sequer o pedaço de terra ainda é meu; meus títulos de propriedade são apenas esses devaneios que oscilam entre a infância e a velhice, que me levam para longe das inquietações de hoje. Que rei sou eu, Braga Sem Terra, Rubem [50] Coração de Leão de Circo, triste circo desorganizado e pobre, em que o palhaço cuida do elefante e o trapezista vai pescar nas noites sem lua com a rede de proteção, e a luz das estrelas e a água da chuva atravessam o pano encardido e [55] roto... Mas me sinto subitamente sólido; há alguns metros, nestes 8 mil quilômetros de costa, onde posso plantar minha casa nos dias de aflição e de cansaço, com pedras de ar e telhas de brisa; [60] e os coqueiros farfalham, um sabiá canta meio longe, e me afundo na rede, e posso dormir para sempre ao embalo do mar... Apud ROSSIGNOLI, Walter. Português - Teoria e Prática. Ed. Ática, 2002, p. 168. IFALQUESTÃO 7 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 5 Rubem Braga, talvez se valendo da licença poética, comete, em seu texto, alguns deslizes quanto à pontuação. Em uma destas alternativas, porém, o período extraído do texto está corretamente pontuado. Assinale essa alternativa. A Ali um dia o velho Braga, juntando os tostões que puder ganhar batendo em sua máquina, levantará a sua casa perante o mar da infância. B Ali plantará árvores e armará sua rede [...] C [...] e meditará talvez com tédio e melancolia na vida que passou. D Esse dia talvez ainda esteja muito longe, e talvez não exista. E [...] e que a ninguém sequer ocorra que ela foi construída, mas existe naturalmente, desde sempre e para sempre, tranquila, boa e simples. EEARQUESTÃO 8 Assinale a alternativa que contém a pontuação correta do texto. A Os cinco sentidos do homem, ajudam-no a tomar conhecimento de tudo que, acontece à sua volta, seja um ruído, seja uma lâmpada acesa, um odor; qualquer coisa pode atuar sobre ele como um estímulo capaz de provocar uma associação significativa. B Os cinco sentidos do homem ajudam-no a tomar conhecimento de tudo que acontece à sua volta, seja um ruído, seja uma lâmpada acesa, um odor. Qualquer coisa pode atuar sobre ele como um estímulo capaz de provocar uma associação significativa. C Os cinco sentidos do homem ajudam-no a tomar conhecimento, de tudo que acontece à sua volta, seja um ruído, seja uma lâmpada acesa, um odor: qualquer coisa pode atuar sobre ele, como um estímulo capaz de provocar uma associação significativa. D Os cinco sentidos do homem, ajudam-no a tomar conhecimento de tudo que acontece à sua volta seja um ruído seja uma lâmpada acesa, um odor. Qualquer coisa pode atuar sobre ele como um estímulo, capaz de provocar, uma associação significativa. TEXTO BASE 6 Projeto ajuda a interromper ciclo de violência contra mulheres Em Sergipe, um projeto tem ajudado a interromper o ciclo de violência contra mulheres. Foram 16 anos sofridos em silêncio até que ela resolveu dar um basta. “Quando eu saí de casa, fui para a casa de minha mãe. Ele me ligou, esculhambou de tudo, falou que estava indo para a casa da minha mãe para me bater, para quebrar meus dentes, para fazer o que ele queria. Foi nessa hora que resolvi ir para a delegacia e prestei queixa”, disse a mulher. A queixa virou um acordo entre o casal. Ao invés de responder a um inquérito, uma vez por semana, o ex-marido frequenta um grupo só para homens. Antes do primeiro empurrão, do tapa, geralmente existe a agressão verbal seguida de ameaça. Os homens que foram denunciados por esse tipo de agressão estão no grupo para aprender a enxergar a mulher com outros olhos, com respeito. Uma mudança de comportamento que fez romper o ciclo da violência doméstica. “A ideia do grupo é uma mudança de atitude, de comportamento, mesmo que você não concorde. Está na lei”, diz a psicóloga aos homens. Sandra Aiaish Menta, doutora em psicologia da Universidade Federal de Sergipe, tem um papel fundamental. “Quando eles chegam ao grupo, a gente tem que sensibilizá-los de que aquilo que eles fizeram é algo que é uma agressão ao outro”, disse. A cada encontro, novas descobertas. Um homem que sequer admitia que era agressor está na sexta reunião e já mudou de atitude. “Reconheço sim, reconheço que errei com ela. O grupo ajudou muito, graças a Deus”, disse. Mas se ele voltar a ser violento, não tem acordo. “A gente vai trabalhando numa escalada: para os crimes mais simples, oferecendo a mediação. Houve descumprimento, a gente vai para investigação com medida protetiva. Se ele descumprir, a gente pede a prisão”, disse a delegada Ana Carolina Machado Jorge. O projeto é uma parceria da Universidade Federal de Sergipe com a prefeitura e delegacia da cidade de Lagarto. Começou há seis anos e, nesse tempo, foi registrado apenas um caso de feminicídio na cidade. Pelo grupo já passaram mais de 300 homens e muitas foram as lições. “Estou aprendendo várias coisas. Se eu pudesse não errar, voltava para trás”, disse o homem. Adaptado de: g1.globo.com UELQUESTÃO 9 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 6 Sobre os recursos de pontuação empregados no texto, considere as afirmativas a seguir. I. As aspas, ao marcarem o discurso direto, revelam o grau de formalidade do discurso, próprio de textos opinativos. II. No trecho “A gente vai trabalhando numa escalada:”, após os dois pontos há uma sequência com efeito de gradação. III. Em “Sandra Aiaish Menta, doutora em psicologia da Universidade Federal de Sergipe, tem um papel fundamental”,as vírgulas separam um trecho explicativo. IV. As vírgulas utilizadas no discurso direto do primeiro parágrafo desempenham papel fundamental de enumerar ações. Assinale a alternativa correta. A Somente as afirmativas I e II são corretas. B Somente as afirmativas I e IV são corretas. C Somente as afirmativas III e IV são corretas. D Somente as afirmativas I, II e III são corretas. E Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. TEXTO BASE 7 SOBRE A SENSAÇÃO DE ESTAR SENDO OBSERVADO Carlos Orsi - 10 de março de 2014 Você nota quando é observado por alguém fora do seu campo de visão? Pesquisas sugerem que até 94% das pessoas já tiveram uma experiência do tipo – sentir-se espionado pelas costas e, ao virar-se, constatar que realmente tem alguém de olho. O primeiro estudo formal sobre esse “sexto sentido” foi publicado em 1898 na revista Science. O autor, um psicólogo americano, concluiu que o efeito não passava de uma mistura de ilusão e coincidência – por exemplo, a pessoa sente-se apreensiva por um motivo qualquer e começa a se mexer, chamando a atenção de quem está atrás, até que, quando se vira, alguém está mesmo olhando para ela. Desde então, vários estudos foram realizados. Em alguns casos, o pesquisador se sentava atrás da “cobaia” em locais públicos olhando fixamente para sua nuca por vários minutos, e depois perguntava se ela havia sentido algo estranho. Em outros, um voluntário era monitorado por uma câmera enquanto o pesquisador passava parte do tempo concentrado na imagem gerada. Com um sensor no voluntário, investigava-se se os períodos de maior estresse coincidiam com os em que a atenção do pesquisador estava na imagem. Depois de 116 anos de estudos, a questão continua aberta. Em geral, quando o experimento é conduzido por um pesquisador que acredita em paranormalidade, o resultado dá positivo; quando ele é cético, dá negativo. Várias causas foram sugeridas para esse paradoxo, indo do “efeito gaveta” (pesquisadores que só divulgam resultados que confirmam suas crenças prévias) à possibilidade de céticos emitirem “más vibrações”. Na prática, o melhor é não contar com esse “superpoder”. No ano passado, quando guardas de Araraquara (SP) começaram a usar as câmeras de vigilância das ruas para dar zoom no decote de algumas pedestres, um escândalo na cidade, nenhum sexto sentido entrou em ação para avisá-las. Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/blogs/olharcetico/noticia/2014/03 /sobre-sensacao-de-estar-sendoobservado.html. Acesso em: 17 jun. 2022. UNEBQUESTÃO 10 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 7 Sobre a pontuação empregada no texto, assinale a alternativa correta. A Em “O autor, um psicólogo americano, concluiu que [...]”, as vírgulas são facultativas. B Em “sexto sentido”, “cobaia” e “superpoder”, as aspas são utilizadas pelo mesmo motivo. C Em “Depois de 116 anos de estudos, a questão continua aberta.”, a vírgula pode ser omitida. D Os parênteses empregados no terceiro parágrafo sinalizam que a informação neles contida é sintaticamente e semanticamente essencial. E O sinal de interrogação utilizado no início do primeiro parágrafo indica uma pergunta que é respondida na sequência do texto. UFAMQUESTÃO 11 Por vários motivos a vírgula é usada na escrita. As frases a seguir estão todas corretamente pontuadas e têm o motivo pelo qual se usou a vírgula entre parênteses. Uma delas, porém, NÃO contém a explicação correta. Assinale, pois, a alternativa em que o motivo do uso desse sinal de pontuação está INCORRETO: A A Via-Láctea, que é uma galáxia, se perde entre bilhões de outras no universo (separar oração adverbial). B Viver, disse João Guimarães Rosa, é muito perigoso (separar oração intercalada). C Estudaram bastante; não conseguiram, no entanto, ser aprovados (separar conjunção deslocada). D Ela gosta das redes sociais e de fofocas; eu, de livros e boa música (indicar a elipse de um termo). E As crianças estudam, brincam, veem televisão durante a quarentena (separar orações coordenadas). TEXTO BASE 8 Texto para a questão. O desaparecimento dos livros na vida cotidiana e a diminuição da leitura é preocupante quando sabemos que os livros são dispositivos fundamentais na formação subjetiva das pessoas. Nos perguntamos sobre o que os meios de comunicação fazem conosco: da televisão ao computador, dos brinquedos ao telefone celular, somos formados por objetos e aparelhos. Se em nossa época a leitura diminui vertiginosamente, ao mesmo tempo, cresce o elogio da lgnorância, nossa velha conhecida. Há, nesse contexto, dois tipos de ignorância em relação às quais os livros são potentes ou impotentes. Uma é a ignorância filosófica, aquela que em Sócrates se expunha na ironia do "sei-que-nada-sei". Aquele que não sabe e quer saber pode procurar os livros, esses objetos que guardam tantas informações, tantos conteúdos, que podemos esperar deles muita coisa: perguntas e, até mesmo, respostas. A outra é a ignorância prepotente, à qual alguns filósofos deram o nome de "burrice". Pela burrice, essa forma cognitiva impotente e, contudo, muito prepotente, alguém transforma o não saber em suposto saber, a resposta pronta é transformada em verdade. Nesse caso, os livros são esquecidos. Eles são desnecessários como "meios para o saber". Cancelada a curiosidade, como sinal de um desejo de conhecimento, os livros tornam-se inúteis. Assim, a ignorância que nos permite saber se opõe à que nos deforma por estagnação. A primeira gosta dos livros, a segunda os detesta. [...] Para aprender a perguntar, precisamos aprender a ler. Não porque o pensamento dependa da gramática ou da língua formal, mas porque ler é um tipo de experiência que nos ensina a desenvolver raciocínios, nos ensina a entender, a ouvir e a falar para compreender. Nos ensina a interpretar. Nos ajuda, portanto, a elaborar questões, a fazer perguntas. Perguntas que nos ajudam a dialogar, ou seja, a entrar em contato com o outro. Nem que este outro seja, em um primeiro momento, apenas cada um de nós mesmos. Pensar, esse ato que está faltando entre nós, começa aí, muitas vezes em silêncio, quando nos dedicamos a esse gesto simples e ao mesmo tempo complexo que é ler um livro. É lamentável que as pessoas sucumbam ao clima programado da cultura em que ler é proibido. Os meios tecnológicos de comunicação são insidiosos nesse momento, pois prometem uma completude que o ato de ler um livro nunca prometeu. É que o ato da leitura nunca nos engana. Por isso, também, muitos afastam-se dele. Muitos que foram educados para não pensar, passam a não gostar do que não conhecem. Mas há quem tenha descoberto esse prazer que é o prazer de pensar a partir da experiência da linguagem - compreensão e diálogo - que sempre está ofertada em um livro. Certamente para essas pessoas, o mundo todo - e ela mesma - é algo bem diferente. (TIBURI, Márcia. Potência do pensamento: por uma filosofia política da leitura. Disponível em http://revistacult .uol.com.br —- 31 de jan. 2016 = com adaptações) CNQUESTÃO 12 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 8 Assinale a opção na qual o texto foi pontuado corretamente. A Segundo pesquisas, brasileiros, leem mais que paraguaios e bolivianos; por outro lado, utilizam bem menos, as bibliotecas públicas. B Na infância, as crianças aprendem que, a leitura exige concentração, mas traz, como recompensa, bastantes alegrias e conhecimento. C Não existe, em parte alguma, povo civilizado que despreze a leitura, o conhecimento, as experiências advindas das bibliotecas, e gabinetes de leitura. D Os leitores adquirem, ao longo dos anos, muitas experiências preciosas; enquanto isso, os não leitores, sem perceber, furtam-se de um universo incontável de saber. E Sem perceber as pessoas vão deixando para trás, quando abandonam a leitura, um universo completamente precioso ao mesmo tempo os leitores fiéis acumulam sabedoria e ideias novas. TEXTO BASE 9 Texto Padre Júlio Lancellotti: “Não se humaniza a vida numa sociedade como a nossa sem conflito” Líderreligioso, conhecido por seu trabalho com a população em situação de rua em São Paulo, fala ao EL PAÍS sobre seus 35 anos de sacerdócio. Alvo de críticas da extrema direita, ele voltou a sofrer ameaças durante a pandemia. São oito horas da manhã de quinta-feira, 17 de setembro, e o padre Júlio Lancellotti (São Paulo, 1948) veste jaleco branco, avental laranja, sandálias pretas, luvas de látex e uma máscara respiratória rosa com filtro embutido. Há uma fila de centenas de pessoas para tomar café da manhã no Núcleo de Convivência São Martinho de Lima, da prefeitura da capital paulista, e é o religioso quem aponta um termômetro para a testa de cada uma delas. Aos 71 anos, pertence ao grupo mais propenso a desenvolver complicações da covid-19, mas nem uma pandemia tão longa e mortífera freou sua convivência diária com a população que vive nas ruas de São Paulo. Quando Cassiano, de 40 anos, se juntou à fila com o corpo sujo, as roupas rasgadas, machucado na testa e olhar triste, Lancellotti não hesitou em se aproximar e tocar a cabeça do homem com as duas mãos. “Nós vamos cuidar de você”, disse, com a voz suave. Quando ele já estava sentado e comendo, o padre se aproximou de novo para saber o que havia acontecido. Um abraço demorado cobriu, então, a cabeça do rapaz. Um carinho incomum que fez com que ele chorasse. “Não são anjos ou demônios. Eu procuro ver os olhos deles... Tem os que estão com raiva, tristes, solitários, alegres... Desses 40 anos, há quanto tempo Cassiano não recebia um afeto?”, pergunta Lancellotti. Sua quinta-feira começou como todos os dias, com uma missa na Igreja São Miguel Arcanjo, da qual é pároco. Ali, no bairro da Mooca, zona leste de São Paulo, mantém há 35 anos um compromisso constante com a população em situação de vulnerabilidade. Costumava servir um café da manhã na própria igreja para cerca de 200 pessoas. Veio a pandemia e o número praticamente triplicou. As atividades tiveram de ser transferidas, com o aval da Prefeitura, para o centro comunitário a algumas quadras dali. “Eu não trabalho com morador de rua. Eu convivo com eles. Porque dizer „trabalhar‟ parece que eles são objetos. É preciso olhar para a vida de forma humana. Isso não é tarefa só para os religiosos. Mas eu não conseguiria viver a dimensão religiosa sem humanizar a vida", explica. [...] Até hoje Lancellotti segue vivendo na pequena casa, no bairro do Belém, que era de sua mãe, Wilma, que morreu em 2010, aos 88 anos. Felipe Betim. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2020-09-20/padre-julio-lancellotti- nao-se-humaniza-a-vida-numa-sociedadecomo-a-nossa-sem- conflito.html Acesso em: 02 ago. 2021. Excerto adaptado. UPEQUESTÃO 13 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 9 Ainda considerando o trecho anterior, assinale a alternativa CORRETA quanto ao emprego de certos recursos da coesão e da pontuação A Em: “Eu não trabalho com morador de rua. Eu convivo com eles.”, o emprego do pronome “eles” (destacado) gera incoerência, visto que pretende substituir “morador de rua”. B Também no trecho anterior: “Eu não trabalho com morador de rua. Eu convivo com eles.”, o emprego do ponto final para separar as orações é obrigatório, mas a vírgula é a outra opção autorizada pelo uso mais formal da língua. C O trecho: “Eu não trabalho com morador de rua. Eu convivo com eles.” mantém o mesmo sentido em: “Eu não trabalho com morador de rua, porque eu convivo com eles.”. D Em: “Isso não é tarefa só para os religiosos.”, o termo destacado retoma o segmento “olhar para a vida de forma humana”. E Uma proposta de articulação que também atenderia os sentidos pretendidos entre os períodos a seguir é: “Isso não é tarefa só para os religiosos, portanto eu não conseguiria viver a dimensão religiosa sem humanizar a vida". UPQUESTÃO 14 Assinale a alternativa corretamente pontuada. A As mitocôndrias são extremamente complexas, até porque no passado muito antes de se tornarem meros grãozinhos, dentro de nós, elas foram seres vivos, independentes similares às bactérias que conhecemos hoje. B As mitocôndrias, são extremamente complexas até porque, no passado, muito antes de se tornarem meros grãozinhos dentro de nós elas foram seres vivos independentes, similares às bactérias, que conhecemos hoje. C As mitocôndrias são extremamente complexas, até porque, no passado, muito antes de se tornarem meros grãozinhos dentro de nós, elas foram seres vivos independentes, similares às bactérias que conhecemos hoje. D As mitocôndrias são extremamente complexas até, porque no passado, muito antes de se tornarem meros grãozinhos dentro de nós elas foram seres vivos independentes, similares às bactérias, que conhecemos hoje. E As mitocôndrias, são extremamente complexas – até porque no passado, muito antes de se tornarem meros grãozinhos, dentro de nós elas foram seres vivos independentes similares às bactérias, que conhecemos hoje. UPQUESTÃO 15 Assinale a alternativa corretamente pontuada. A Publicada pela editora americana Springer, e disponível apenas em inglês a obra Bioquímica humana integrativa, escrita pela bioquímica brasileira Andrea Da Poian, da UFRJ e pelo bioquímico português Miguel Castanho, do iMM é um dos primeiros legados desse projeto internacional. B Publicada pela editora americana: Springer, e disponível apenas em inglês, a obra Bioquímica humana integrativa escrita pela bioquímica brasileira, Andrea Da Poian da UFRJ, e pelo bioquímico português, Miguel Castanho do iMM, é um dos primeiros legados desse projeto internacional. C Publicada pela editora americana Springer e disponível apenas em inglês, a obra Bioquímica humana integrativa, escrita pela bioquímica brasileira Andrea Da Poian, da UFRJ, e pelo bioquímico português Miguel Castanho, do iMM, é um dos primeiros legados desse projeto internacional. D Publicada pela editora americana Springer e disponível, apenas em inglês, a obra, Bioquímica humana integrativa, escrita pela bioquímica brasileira Andrea Da Poian, da UFRJ, e pelo bioquímico português Miguel Castanho do iMM, é um dos primeiros legados desse projeto internacional. E Publicada pela editora americana, Springer, e disponível apenas em inglês, a obra Bioquímica humana integrativa, escrita pela bioquímica brasileira Andrea Da Poian da UFRJ e pelo bioquímico português Miguel Castanho do iMM é um dos primeiros legados desse projeto internacional. UNCISALQUESTÃO 16 Ensaio sobre a cegueira Gosto dos romances e dos filmes apocalípticos, ou seja, das histórias em que algum tipo de fim do mundo (guerra nuclear, invasão extraterrestre, epidemia etc.) nos força a encarar uma versão laica e íntima do Juízo Final. Nessa versão, Deus não avalia nosso passado, mas, enquanto o mundo desaba, nosso desempenho mostra quem somos realmente. No desamparo, quando o tecido social se esfarela e as normas perdem força e valor, conhecemos, enfim, nosso estofo “verdadeiro”. Somos capazes do melhor ou do pior: o apocalipse nos testa e nos revela. O primeiro romance apocalíptico (de 1826) talvez tenha sido “O Último Homem”, de Mary Shelley, que é também a autora de “Frankenstein”. De fato, as duas obras são animadas pelo mesmo sonho: uma criatura radicalmente nova pode ser fabricada em um necrotério ou nascer das cinzas da civilização. Em ambos os casos, ela será sem história, sem ascendência, sem comunidade e, portanto, penosamente livre. No romance de Shelley, aliás, a causa da catástrofe é uma epidemia, como no “Ensaio sobre a Cegueira”, de Saramago, que é agora levado para o cinema por Fernando Meirelles. A obra de Meirelles é fiel ao livro que a inspira, mas, para contar a mesma história, consegue inventar uma eloqüência própria. Por exemplo, banha o filme uma luz esbranquiçada e difusa que não é apenas (como muitos apontaram) uma evocação da cegueira branca que aflige a humanidade: é a atmosfera ordinária de nosso universo desbotado, em que a trivialidade do cotidiano desvanece os contrastes – até que as sombras e os brilhos sejam revelados na “hora do vamos ver”, que acontece, paradoxalmente,porque todos (ou quase todos) perdem a visão. No “Ensaio sobre a Cegueira”, diferente do que acontece em muitas narrativas apocalípticas, a heroína é uma mulher, e as mulheres são as depositárias da esperança; elas saem engrandecidas pelas provas da situação extrema. São elas que, para o bem de todos, entregam-se aos estupradores, aviltando não elas mesmas, mas os que as violentam, com uma coragem que salienta a covardia dos maridos ciumentos ou zelosos de sua “honra”. São elas que sabem cuidar de uma criança ou matar quando é preciso. São elas que reinventam a amizade em algumas cenas memoráveis do filme. Aviso, caso, um dia, a gente tenha que recomeçar tudo do zero: em geral, as mulheres sabem, melhor do que os homens, o que é essencial na vida. (Contardo Calligaris. Folha de S.Paulo, 18.09.2008. Adaptado) Assinale a alternativa em que o trecho – Aviso, caso, um dia, a gente tenha que recomeçar tudo do zero: em geral, as mulheres sabem, melhor do que os homens, o que é essencial na vida. – reescrito, encontra-se corretamente pontuado, de acordo com a norma culta. A Aviso que, caso a gente um dia tenha que recomeçar tudo do zero, as mulheres em geral sabem, o que é essencial na vida, melhor do que os homens. B Aviso, caso a gente, tenha que recomeçar, um dia, tudo do zero: as mulheres sabem, em geral, melhor do que os homens, o que é essencial na vida. C Aviso: caso um dia a gente tenha que recomeçar tudo do zero, as mulheres, em geral, sabem, o que é essencial à vida, melhor do que os homens. D Caso, um dia, a gente tenha, que recomeçar tudo do zero, aviso: em geral, as mulheres sabem o que é essencial na vida, melhor do que os homens. E Aviso: caso a gente tenha que recomeçar tudo do zero um dia, as mulheres sabem, em geral, o que é essencial à vida melhor do que os homens. TEXTO BASE 10 Texto O peso e a leveza de viver Por conta de um seminário na margem sul do Tejo, cruzei a Praça do Comércio durante toda a semana. Saía do barco, atravessava a praça e avançava sob o arco da rua Augusta, oficialmente a porta de entrada da cidade. O mesmo trajeto que, durante séculos, fizeram todos aqueles que chegavam a Lisboa por mar. Apesar da repetição, o trajeto nunca foi monótono. Houve dias em que senti uma leveza extrema: a belíssima arquitetura tingida de amarelo, [5] com suas torres e esculturas que abraça o campo de visão; o histórico café Martinho da Arcada, frequentado por Fernando Pessoa; o quiosque de licor de ginja; as esplanadas dos cafés; o clima de festa no rosto dos turistasH Em outros dias, fui soterrada pelo peso da história da praça. Foi nela que se registrou, em 1640, o fim do domínio espanhol, assinalado com a morte do secretário de estado — o infeliz foi atirado da janela do palácio para a praça. Esse mesmo cenário foi transformado em escombros pelo terremoto de 1755. O Palácio Real e sua biblioteca [10] de 70 mil volumes, documentos históricos e centenas de obras de arte — entre as quais pinturas de Ticiano e Rubens — foram completamente destruídos. Nessa mesma praça, em 1908, o rei D. Carlos e o seu filho foram assassinados. A mesma praça, dois estados: peso e leveza. As duas faces da vida na visão do filósofo grego Parmênides, que via o mundo como pares opostos: o ser e o não ser, o quente e o frio, o peso e a leveza. Apesar da pertinência, [15] Parmênides tinha preferência pela leveza, porque ela tinha mais chances de trazer a liberdade. E qual é o problema? A ironia. Com todo esse arsenal de leveza, a cada dia, a vida parece mais pesada e difícil de suportar. Dizendo melhor: a busca da leveza é pesada, e estamos caminhando em círculos: buscamos a leveza, encontramos o peso e, por isso, aumentamos ainda mais a nossa sede pela leveza. O primeiro que alertou para esse fracasso foi o teórico da hipermodernidade Gilles Lipovetsky. Para ele, a leveza do digital é uma ilusão. [20] Você pode discordar ou, pelo menos, considerar um exagero. Afinal, não é óbvia a leveza do mundo digital. As demoradas correspondências, entregues pelo carteiro, deram lugar a mensagens instantâneas para qualquer lugar do planeta. E melhor: nada das eternas cartas empoeiradas guardadas no fundo do baú e o peso de ser cobrado no futuro por promessas escritas e o confronto de provas concretas. Agora, pode-se trocar mensagens e fotos que se autodestroem, segundos depois de serem lidos. Tudo como uma magia etérea, um sopro de ar. [25] E isso não é bom? É. O problema é que essa “leveza” traz junto o peso da ditadura das respostas imediatas (“Visualizou e não responde? Por quê?”). Alguns podem dizer que a tecnologia em si não é má, basta saber usá-la. Ok. Você quer usufruir da leveza de não ser incomodado com mensagens. Não dá. A eficiência da tecnologia trouxe a impossibilidade de se distanciar, de se ausentar. Lembra o clássico “Qualquer dia eu desapareço!”? Impossível. Você pode ir para os confins do mundo, qualquer lugar tem wi-fi. A [30] tecnologia traz a leveza da existência nômade, o “meu escritório é o mundo”, mas também é mensageira da vida em fluxo tenso, do “zero atraso” e da sensação de estar “enterrado no trabalho”. É. Mas a tecnologia trouxe quantidade, leveza e agilidade para a principal busca humana: o outro. Será? Os aplicativos de relacionamentos proporcionam muitos encontros — sem compromisso. Sim, mas eles não eliminam o peso da insegurança e o medo da rejeição. A tecnologia oferece um cardápio de pessoas à escolha, mas não elimina [35] o peso das expectativas e os sonhos de amor, nem as frustrações que daí decorrem. Ela oferece a leveza das delícias da experimentação, mas também o peso de não ser aceito e o pesadelo do abandono. E, por fim, o hedonismo ligeiro dos sites de namoro a exibir catálogos de pessoas não retirou um milímetro da importância da exclusividade. E por que é assim? Porque não existe nada leve ou pesado. Não há como experimentar a leveza doce do [40] amor por um filho, sem o peso do dever de educá-lo. A existência etérea da borboleta carrega o peso da memória da lagarta. Eles não são contraditórios, são faces da mesma moeda, se alternam e se encontram. São parte da diversidade necessária para o equilíbrio da vida. Milan Kundera no maravilhoso livro A Insustentável Leveza do Ser — que não posso deixar de citar — personifica essa união nos personagens Teresa (peso) e Thomas (leveza). E mesmo que fosse possível escolher. Qual dos dois é o melhor? A leveza intensifica a sensação de [45] liberdade, mas também traz a insignificância e a dispersão. Ela não carrega malas, mas também não cria vínculos. O peso vem quando nos relacionamos, mas só nos relacionamos quando a leveza permite que sejamos tocados. O peso nos puxa para a terra, diminui a nossa agilidade, mas é esse mesmo peso que pavimenta o caminho da leveza de se rever e de se perder naqueles que amamos. A leveza traz a capacidade para o sonho, mas é no peso que encontramos o sentido da vida. Disponível em: https://vidasimples.co/colunistas/o-peso-e-a- leveza-de-viver//. Acesso em: 12 out. 2021. Adaptado. UNIMONTESQUESTÃO 17 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 10 Considere o trecho: “Em outros dias, fui soterrada pelo peso da história da praça. Foi nela que se registrou, em 1640, o fim do domínio espanhol, assinalado com a morte do secretário de estado — o infeliz foi atirado da janela do palácio para a praça.” (Linhas 7-9) Sobre a organização sintática do trecho, analise as afirmativas que se seguem. I. A vírgula depois da palavra “dias” foi usada de acordo com a norma, para separar uma oração subordinada adverbial, que está antecipada. II. As vírgulas que intercalam o termo “em 1640” foram usadas de acordo com a norma, para separar um adjunto adverbial não oracional antecipado. III. O uso do pronome “se” proclítico é obrigatório segundo a norma, pois a palavra “que” é atrativa. IV. O travessão foi usado depois da palavra “estado” para introduzir um aposto explicativo não oracional. Estão CORRETAS as afirmativas: A I, II e III, apenas. B II eIII, apenas. C II, III e IV, apenas. D I, II, III e IV. UFRGSQUESTÃO 18 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 2 Observe as seguintes afirmações sobre o emprego de sinais de pontuação, considerando o sentido original da frase e sua correção gramatical. I - Substituição dos dois pontos da linha 29 por um ponto final. II - Substituição dos dois pontos da linha 38 por uma vírgula. III- Supressão da vírgula imediatamente depois de diz (l. 44). Quais estão corretas? A Apenas I. B Apenas II. C Apenas I e III. D Apenas II e III. E I, II e III. TEXTO BASE 11 Leia o texto a seguir e responda à questão. Justiça suspende curso sobre botox destinado a profissionais não médicos Decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF 1) suspendeu a realização de um curso de capacitação em botox e preenchimento facial destinado a biomédicos, farmacêuticos e dentistas. A formação estava sendo anunciada pelo Instituto Brasileiro de Ensino do Norte (Iben) para os dias 4 e 5 de maio, em Manaus (AM). A juíza Raffaela Cássia de Sousa também determinou a retirada da publicidade do curso, inclusive nas redes sociais. A decisão liminar foi dada em ação ajuizada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e pelo Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam). O resultado se insere em uma iniciativa conjunta de várias entidades médicas na defesa do ato médico (Lei nº 12.842/2013). A estratégia, proposta pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), inclui o funcionamento de uma Comissão Jurídica de Defesa ao Ato Médico, composta por advogados e representantes de várias entidades, como Associação Médica Brasileira (AMB), Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) e sociedades de especialidades médicas, que analisa e propõe ações na defesa dos interesses dos médicos, da medicina e da população. Para o CFM, essa liminar representa mais uma importante vitória na luta em defesa das prerrogativas exclusivas do médico previstas em lei. Em sua justificativa, a juíza argumenta que o exercício da odontologia é regulado pela Lei nº 5.081/96. Disse, ainda, que a Resolução do Conselho Federal de Odontologia (CFO), que disciplina o uso do ácido hialurônico e da toxina botulínica para fins estéticos pelos odontólogos, “invadiu a competência privativa dos médicos, atribuída pela Lei nº 12.842/13” e “extrapolou os limites da competência do cirurgião dentista”. A juíza argumenta, ainda, que a oferta exagerada de procedimentos estéticos por profissionais que não tenham a devida habilitação e autorização legal para a sua execução provoca evidente risco à saúde pública de toda a população, “razão pela qual o curso ofertado deve ser imediatamente suspenso”. (Adaptado de: Portal do Conselho Federal de Medicina. http://www.portal.cfm.org.br/index.php? option=com_content&view=article&id= 27615:2018-05-03-15- 56-51&catid=3. Acesso em: 5 maio 2018.) UnilagoQUESTÃO 19 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 11 Sobre os recursos linguístico-semânticos utilizados no texto, considere as afirmativas a seguir. I. O uso excessivo de parênteses prejudica a leitura, pois as informações neles contidas são desnecessárias e repetitivas. II. No fragmento “A juíza argumenta, ainda, que a oferta...”, o termo entre vírgulas tem caráter explicativo. III. As aspas são utilizadas, ao longo do texto, para destacar o discurso direto da juíza Raffaela Cássia de Sousa. IV. No trecho “Em sua justificativa, a juíza argumenta...”, o pronome “sua” faz referência ao termo “juíza”. Assinale a alternativa correta. A Somente as afirmativas I e II são corretas. B Somente as afirmativas I e IV são corretas. C Somente as afirmativas III e IV são corretas. D Somente as afirmativas I, II e III são corretas. E Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. UFAMQUESTÃO 20 Leia o texto a seguir: Nos anos 1960, o físico britânico Stephen Hawking foi um dos pesquisadores que passaram a se interessar pela existência de buracos negros. Ele escreveu sua tese de doutorado sobre os aspectos cosmológicos de uma singularidade (ponto no espaço- tempo no qual toda a massa de um buraco negro está concentrada) e traçou paralelos entre as singularidades de buracos negros da massa estelar e o estado inicial do universo durante o Big Bang. Por volta de 1973, Hawking passou a se interessar pela mecânica quântica e pelo comportamento da gravidade em escala subatômica. Ele fez uma descoberta importante – que, apesar de seu nome, os buracos negros não apenas engolem matéria e energia, mas emitem radiação (In: O Livro da Ciência. São Paulo: Globo, 2016, p. 314). Considere as afirmativas a seguir I. No primeiro período do texto, a concordância poderia também ser a seguinte: “foi um dos pesquisadores que passou a se interessar pela existência de buracos negros”. II. Quanto à tipologia, o texto pode ser definido como dissertativo e informativo, tendo como função da linguagem a emotiva ou expressiva. III. No segundo parágrafo, o travessão poderia ser substituído por outro tipo de pontuação: o dois-pontos. IV.O uso dos parênteses, no primeiro parágrafo, se justifica porque eles separam do corpo do texto uma explicação. V. Palavras como “singularidade” (no primeiro parágrafo) e “gravidade” (no segundo) são formadas com o sufixo adverbial “dade”. Assinale a alternativa CORRETA: A Somente as afirmativas I, II e V são verdadeiras. B Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras. C Somente as afirmativas I, III e V são verdadeiras. D Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras. E Somente as afirmativas II, IV e V são verdadeiras. MULTIVIXQUESTÃO 21 Assinale a alternativa em que o período está corretamente pontuado: A Com as graças de Deus, vou indo, meu pai. B Ainda que soubesse quem ele era não abriria nenhuma exceção. C Permita-me portanto, agradecê-lo, por tão belo gesto de solidariedade. D Já te disse sua mãe, que não deveria sair sem se agasalhar. E A questão porém, não é o time é a torcida. TEXTO BASE 12 TEXTO O HOMEM CORDIAL Marco A Rossi É de 1936 o livro “Raízes do Brasil”, do historiador Sérgio Buarque de Holanda. Nele está contida a ideia de “homem cordial”, uma das maiores contribuições já realizadas para a compreensão do Brasil e dos brasileiros. [05] O “homem cordial”, resultado de um cruzamento entre a cultura colonial e o improviso de um país para sempre inacabado, é afetuoso, interesseiro e autoritário; adora obter vantagens em tudo, detesta regras, vive em busca de atalhos favoráveis; não vê problema no que faz de errado, [10] embora seja raivoso na hora de apontar os erros dos outros. Variação muito mal-humorada de um tipo único de homo brasiliensis, o “homem cordial” é avesso ao esforço metódico e à concentração; prefere o circunstancial, a moda do momento e o jeito mais rápido de conquistar aquilo [15] que deseja. Adepto do “curtir a vida adoidado”, o homo brasiliensis encarnado no “homem cordial” sofre muito diante de compromissos que exijam dispêndio de energia e tempo – na cultura humana do juro, opta sempre por curtir hoje e pagar amanhã, em vez de investir agora para [20] saborear depois por tempo indeterminado e mais tranquilo. A impessoalidade no trato, as regras universais, a ética como parâmetro para a tomada de decisões, o antever dos desdobramentos de sua ação sobre a vida e o planeta, o incentivo ao fortalecimento de instituições públicas e [25] sociais, nada disso agrada ao “homem cordial”, que não esconde amar o familiarismo nas relações sociais, as regras particulares, a moral privada, o “salve-se quempuder”, o apelo a saídas pessoais diante de problemas e questões que são, de superfície e de fundo, coletivas. Em 1936, Sérgio Buarque de Holanda apontava esses traços [30] culturais brasileiros como uma barreira intransponível para a democracia. E hoje? Creio que a atualidade da ideia de “homem cordial” salta aos olhos de quem observa com interesse o país. Resta saber o tamanho desse malfazejo [35] espólio. (Fonte: Marco. A .Rossi. Acesso 10/01/2013 às 12:30 p.m http://travessia21.blogspot.com.br/2013/01/o-homem-cordial.html.) AFAQUESTÃO 22 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 12 Quanto à pontuação, assinale a alternativa que apresenta uma análise INCORRETA do trecho dado. A “...nada disso agrada ao ‘homem cordial’, que não esconde amar o familiarismo nas relações sociais...” ( ℓ. 25 e 26) – A vírgula utilizada antes do pronome indica que todos os homens cordiais não escondem amar o familiarismo nas relações sociais. B “E hoje? Creio que a atualidade da ideia de ‘homem cordial’ salta aos olhos de quem observa com interesse o país.” ( ℓ. 32 a 34) – O ponto de interrogação introduz um questionamento retórico, já que o próprio autor deduz a resposta. C “Nele está contida a ideia de ‘homem cordial’, uma das maiores contribuições já realizadas para a compreensão do Brasil e dos brasileiros.” ( ℓ . 2 a 4) – A vírgula poderia ser substituída por travessão. D “O ‘homem cordial’, resultado de um cruzamento entre a cultura colonial e o improviso de um país para sempre inacabado, é afetuoso, interesseiro e autoritário;” (ℓ. 5 a 7) – A vírgula antes do adjetivo “afetuoso” é de emprego facultativo. UPQUESTÃO 23 Assinale a alternativa corretamente pontuada. A Publicada pela editora americana Springer, e disponível apenas em inglês a obra Bioquímica humana integrativa, escrita pela bioquímica brasileira Andrea Da Poian, da UFRJ e pelo bioquímico português Miguel Castanho, do iMM é um dos primeiros legados desse projeto internacional. B Publicada pela editora americana: Springer, e disponível apenas em inglês, a obra Bioquímica humana integrativa escrita pela bioquímica brasileira, Andrea Da Poian da UFRJ, e pelo bioquímico português, Miguel Castanho do iMM, é um dos primeiros legados desse projeto internacional. C Publicada pela editora americana Springer e disponível apenas em inglês, a obra Bioquímica humana integrativa, escrita pela bioquímica brasileira Andrea Da Poian, da UFRJ, e pelo bioquímico português Miguel Castanho, do iMM, é um dos primeiros legados desse projeto internacional. D Publicada pela editora americana Springer e disponível, apenas em inglês, a obra, Bioquímica humana integrativa, escrita pela bioquímica brasileira Andrea Da Poian, da UFRJ, e pelo bioquímico português Miguel Castanho do iMM, é um dos primeiros legados desse projeto internacional. E Publicada pela editora americana, Springer, e disponível apenas em inglês, a obra Bioquímica humana integrativa, escrita pela bioquímica brasileira Andrea Da Poian da UFRJ e pelo bioquímico português Miguel Castanho do iMM é um dos primeiros legados desse projeto internacional. TEXTO BASE 13 Texto 1 O humor e a liberdade de expressão A atividade humorística tem limites? Essa questão voltou à tona com a recente informação de que Danilo Gentili foi condenado à pena de seis meses e vinte e oito dias de prisão, em regime semiaberto, em razão de ofensas direcionadas à deputada Maria do Rosário (PT/ RS). Ele pode recorrer da sentença proferida. Novamente o choque entre liberdade de expressão e direito à honra se coloca no centro de uma discussão que está longe de acabar, pois versa sobre direitos previstos na Constituição da República e que às vezes são inconciliáveis. O humor é importante para a sociedade, pois, além da sensação de bem-estar que causa, tem uma função de apontar falhas e incoerências dos seres humanos. É rindo que se corrigem os costumes. Não raramente é pelo humor que críticas veementes conseguem ser feitas. Quem podia fazer gracejos e indicar defeitos do Rei? O bobo da corte. Assim, já vem há séculos essa característica de crítica social feita pelo humorista que, de forma aparentemente despretensiosa, toca em assuntos difíceis e diz verdades, se aproveitando da roupagem amena e agradável que confere às suas palavras. Quem não conhece o filme O Grande Ditador, de Charlie Chaplin, que ridicularizou Hitler? Outro filme inesquecível é A Vida é Bela, de Roberto Benigni, que, sob o véu da comédia mostrou o horror do holocausto e o esforço feito por um pai para que o filho não entendesse o que se passava e, por isso, sofresse menos no campo de concentração. É, porém, árdua a tarefa de identificar se o humorista agiu de forma adequada ou ultrapassou a barreira do aceitável, que é uma tênue linha entre a arte e a ofensa, ou seja, o legal e o ilegal. Não existe um direito absoluto e que sempre se sobreponha aos demais, bastando observar que a Constituição brasileira prevê a possibilidade de aplicação da pena de morte no caso de guerra declarada, situação de tamanho perigo para o país que até o direito à vida é limitado. Assim, demais direitos como a liberdade de expressão e de crítica também sofrem atenuações, não podendo servir de respaldo a comportamentos lesivos. Voltando ao caso de Danilo Gentili, as informações mostram que ele usou palavra de baixo calão ao se referir a Maria do Rosário e teve conduta ofensiva ao demonstrar seu descontentamento. Se assim agiu para fazer humor ou não, torna-se questão secundária porque a manifestação do pensamento é livre, porém não pode lesar a honra da pessoa a quem ela se dirige. Marco Antonio dos Anjos Estadão - Portal do Estado de S.Paulo, 18 abril 2019. Disponível em: https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto- macedo/ o-humor-e-a-liberdade-de-expressao/. Acesso em: 20 abr. 2019. [Adaptado.] Texto 2 Caso Gentili mostra que não há liberdade sem responsabilidade A Constituição de 1988 proibiu a censura e instituiu a liberdade de expressão como norma máxima no Brasil. Como consequência disso, prevêse apenas responsabilização a posteriori das condutas. A doutrina clássica que fundamenta a liberdade de expressão, reconhecendo um mercado de ideias que se autorregula e que propicia o máximo de liberdade ao maior número de pessoas, já previa a possibilidade — sempre posterior — de avaliar as informações e de regulá-las de acordo com o estado democrático das coisas. “Todo homem pode pôr diante do público o que bem lhe aprazer, mas, se publicar o impróprio, malicioso ou ilegal, terá consequências”, escreveu Blackstone, inglês que contribuiu decisivamente para o reconhecimento da liberdade de expressão. Entendendo que a honra objetiva (reputação) e a honra subjetiva (o sentido que se tem de si mesmo) são valores determinantes para a boa convivência social, o direito brasileiro protegeu-as mediante a criação das normas penais de difamação e injúria, respectivamente. A honra é um bem jurídico protegido penalmente pelo Estado democrático brasileiro. E foi precisamente essa a racionalidade utilizada na sentença da juíza federal Maria Isabel do Prado que condenou o apresentador Danilo Gentili às penas definidas para crimes de injúria e difamação em face da deputada federal Maria do Rosário (PT-RS). A juíza Maria Isabel fundamentou a condenação em atos provados no processo. Em posts de mídia social com amplo acesso no país, Gentili dirigiu-se à vítima em tom de deboche como “puta”, “falsa”, “cínica” e “nojenta” — o que indubitavelmente fere a honra de Maria do Rosário. [...] É evidente a adequação objetiva [dessa conduta] de Danilo Gentili aos tipos descritos nos artigos 140 e 141 do Código Penal. A reputação e a dignidade da vítima foram violadas, e os valores inerentes a essa proteção penal foram flexibilizados. Ao aplicar a pena ao réu, a sentença reafirma a proteção penal da honra, objetiva e subjetiva, de cada um dos brasileiros. É um engano pensar que, por se tratar de um humorista, Danilo Gentili estaria imune à lei penal. O animus jocandi da conduta não exclui a possibilidade de ofensa à vítima e, portanto, de violação da norma penal. Também as brincadeiras e o humor devem respeitar as regras do Estado democrático de Direito. Caso contrário, seria atribuir imunidade desigual aos que são mais engraçados. A sentença falha tecnicamente, no entanto, ao impor o cumprimento da pena de 6 meses e 28 dias de detenção em regime semiaberto. O Código Penal prevê a substituição da pena de prisão por penasrestritivas de direito, as quais se mostram mais adequadas e mais proporcionais ao caso concreto. O Brasil tem muito a avançar no respeito à liberdade. Ainda engatinhamos. E nesse caminho de aprendizado é imprescindível reconhecer que as ações livres — por expressarem a autonomia do agente —, são passíveis de responsabilização. A Constituição proíbe a censura e assegura um regime de liberdade e de responsabilidade. A Justiça cumpre o seu papel quando aplica essa racionalidade a todos, sem qualquer discriminação. Marina Coelho Araújo Folha de S.Paulo, 13 abril 2019. Caderno Poder, p. A8 [Adaptado] PUC-SPQUESTÃO 24 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 13 No quarto parágrafo do texto 2, os parênteses são empregados de modo a A inserir interpretação subjetiva da atitude do condenado. B indicar a postura antiética de Danilo Gentili. C apresentar significado das expressões jurídicas. D assinalar opinião de Marina Coelho Araújo, autora do texto. FEMAQUESTÃO 25 A frase está pontuada corretamente na alternativa: A Para mim ser é admirar-me de estar sendo. B Para mim, ser é admirar-me de estar sendo. C Para mim ser, é admirar-me de estar sendo. D Para mim ser é admirar-me de, estar sendo. E Para mim ser, é admirar-me de estar, sendo. TEXTO BASE 14 Texto “Slam” é voz de identidade e resistência dos poetas contemporâneos A poesia falada e apresentada para grandes plateias não é um fato novo, porém, a grande diferença é que hoje a poesia falada se apresenta para o povo e [150] não para uma elite — estamos falando da poesia slam. Essa palavra surgiu em Chicago, em 1984, e hoje a poetry slam, como é chamada, é uma competição de poesia falada que traz questões da [155] atualidade para debate. slam é uma expressão inglesa cujo significado se assemelha ao som de uma “batida” de porta ou janela, “algo próximo do nosso ‘pá!’ em língua portuguesa”, explica Cynthia Agra de [160]Brito Neves, em artigo recém-publicado na revista Linha D’Água. Nas apresentações de slam o poeta é performático e só conta com o recurso de sua voz e de seu corpo. A poetry slam, também chamada [165] “batalha das letras”, tornou-se, além de um acontecimento poético, um movimento social, cultural e artístico no mundo todo, um novo fenômeno de poesia oral em que poetas da periferia abordam criticamente [170] temas como racismo, violência, drogas, entre outros, despertando a plateia para a reflexão, tomada de consciência e atitude política em relação a esses temas. Os campeonatos de poesias passam por etapas [175] ao longo do ano, de fevereiro a novembro, são compostos de três rodadas e o vencedor, escolhido por cinco jurados da plateia, é premiado com livros e participa do Campeonato Brasileiro de Slam (Slam [180] Br). O poeta vencedor dessa etapa competirá na Copa do Mundo de Slam, realizada todo ano em dezembro, na França. Os campeonatos de slam no Brasil [185] foram introduzidos por Roberta Estrela D’Alva, a slammer (poetisa) brasileira mais conhecida pela mídia e que conquistou o terceiro lugar na Copa do Mundo de Poesia Slam 2011, em Paris. Outra presença [190] expressiva no assunto é Emerson Alcalde, fundador do Slam da Guilhermina, entrevistado pela autora em maio deste ano na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Segundo ele, [195] “promover a poesia oral, falar poesias, ler, escrever, promover batalhas de performances poéticas, é transformar os slams em linguagem” e, pensando nisso, levou o slam às escolas, pois “poesia é [200] educação”. (...) O slam é um grito, atitude de “reexistência”, termo criado com a fusão das palavras existência e resistência, de acordo com a professora Ana L. S. Souza. O [205] artigo ressalta também a importância de se levar os slams para as escolas, na medida em que forma alunos leitores e escritores conscientes, dispostos a reivindicarem mudanças educacionais e sociais. [210] É fundamental o papel da escola na disseminação dos “slams”, pois por meio deles os alunos expressam “seus modos de existir” e suas reivindicações por “uma cultura jovem, popular, negra e pobre, de [215] moradores da periferia, bem diferentes do gosto canônico, branco e de classe média”. Ao recriarem a cultura oficialmente escolar letrada, esses alunos se tornam “agentes de letramentos de reexistência”, e os slams, [220] dessa maneira, são seus porta-vozes, pelos quais demonstram sua revolta, sua identidade e resistência. A autora finaliza afirmando que “é preciso resistir para existir. Poesia é reexistência”, enfatizando o [225] desafio com que se deparam as escolas diante dessa nova poesia contemporânea. Adaptado de NEVES, Cynthia Agra de Brito. “Slam” é voz de identidade e resistência dos poetas contemporâneos. Disponível em https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias- humanas/slam-evoz-de-identidade-e-resistencia-dos- poetascontemporaneos/ Acesso em 14 de setembro de 2021. UECEQUESTÃO 26 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 14 Atente para o seguinte trecho: “‘promover a poesia oral, falar poesias, ler, escrever, promover batalhas de performances poéticas, é transformar os slams em linguagem’ e, pensando nisso, levou o slam às escolas, pois ‘poesia é educação’” (linhas 195-200). Quanto ao uso das aspas, é correto afirmar que indica A o discurso de outrem. B o sentido figurado da linguagem. C a utilização de neologismos. D a utilização de gírias. FepeseQUESTÃO 27 Assinale a alternativa correta no que diz respeito ao uso da vírgula. A O rapaz ou escrevia, ou ficava com medo de ser repreendido pelos seus erros. B José faça com atenção a redação solicitada, mas não se preocupe com a correção, eu a farei. C A língua um dos instrumentos de comunicação, serve à humanidade há séculos. D Aquele ofício, enviado, na data de ontem ao engenheiro responsável, estava cheio de erros. Lamentável! E Naquele tempo, os falantes da língua portuguesa, tinham mais liberdade, que nos dias de hoje. TEXTO BASE 15 INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto. TEXTO O que é a verdade? Todos nós, em algum momento da nossa vida, já nos perguntamos o que é a verdade. Os filósofos sempre refletiram sobre essa questão, buscando-a incessantemente, sendo essa a primeira busca da [5] filosofia. Normalmente, surge uma dúvida em nossos pensamentos e, ao encontrarmos uma resposta para essa dúvida, seja por meio de deduções lógicas ou de alguma experiência sensível, acreditamos que [10] encontramos a verdade. Nesse caso, podemos dizer que encontramos a verdade ao obter o resultado de algo que, por meio de nossos pensamentos, acredi- tamos como real; porém, para ser verdade, é neces- sário que todos, ao duvidarem, cheguem ao mesmo [15] denominador comum, ou seja, a verdade tem que ser universal. Se assim não o for, não é verdadeira, é uma falsa verdade. Podemos dizer que a busca da verdade dá sentido para a nossa existência, enquanto a falta dela leva o [20] ser humano a desiludir-se. Adaptado de: Coleção base do saber: filosofia. São Paulo: Rideel, 2008. PUC-RSQUESTÃO 28 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 15 Considere as propostas para alterar a pontuação do texto. I. Na linha 02, poderiam ser inseridos dois-pontos depois de “perguntamos”, sem prejuízos à correção do texto. II. O ponto final depois de “universal” (linha 16) poderia ser corretamente substituído por vírgula. III. Na linha 16, a vírgula depois de “verdadeira” poderia ser corretamente substituída por doispontos. Está/Estão correta(s) apenas a(s) proposta(s) A I. B III. C I e II. D II e III. CESGRANRIOQUESTÃO 29 A vírgula está empregada de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa em: A Apesar de se observar muita negligência com relação à poupança da água, é de se esperar que os seres humanos mudem esse comportamento. B A água é um recurso finito mas essa noção só começou a ser difundida nos últimos anos à medida que os racionamentos, se tornaram mais urgentes e necessários. C A questão muitas vezesnão se resume à existência de água mas às condições de acesso, a um bem que deveria ser universal. D Dois milhões de toneladas de detritos, são despejados em lagos e rios no mundo todo dia incluindo resíduos de agrotóxicos. E Entre as estratégias, baseadas no meio ambiente para resolver problemas da vegetação destacam-se as práticas de preservação de solos. UFAMQUESTÃO 30 Assinale a alternativa em que a utilização (ou a ausência) da vírgula NÃO está CORRETA, contrariando as regras de pontuação: A A extração da borracha se processava mediante feridas ou cortes paralelos feitos no tronco da seringueira. B Se os carros não voarem no futuro, ou se não houver um helicóptero na garagem, será impossível dirigir até o trabalho. C Quando se popularizou o computador não se mostrou a utopia com que todos sonhavam, pois acabou tornando o homem um escravo do tempo. D O trabalho dos operários consistia em pegar barras de metal que vinham deslizando sobre uma esteira e colocá-las lá embaixo. E Acredita-se, sobretudo entre os linguistas, que, devido à globalização, apenas alguns poucos idiomas conseguirão se manter vivos. UNIFIMESQUESTÃO 31 Leia com atenção as duas frases abaixo, ambas pertencem ao escritor brasileiro Dalton Trevisan. Um peixinho aí, compadre? Por que você bebe, Papa-Isca? Em relação ao uso da vírgula é correto o que se afirma em: A Ambas as vírgulas estão usadas de forma adequada, pois têm intuito de separar o vocativo; B Apenas a primeira vírgula está usada de forma adequada, pois tem intuito de separar o vocativo, a segunda não consta de vocativo; C Apenas a segunda vírgula está usada de forma adequada, pois tem intuito de separar o vocativo, a primeira não consta de vocativo; D Ambas as vírgulas estão usadas de forma inadequada, pois têm intuito de separar o vocativo, mas as frases não têm vocativo; E Ambas as vírgulas estão usadas de forma adequada, pois têm intuito de separar adjuntos adverbiais; EMESCAMQUESTÃO 32 Leia o texto a seguir. Quem teve Covid deve aguardar para ser operado, aponta estudo Pacientes que tenham sido diagnosticados com Covid-19 e que precisem fazer uma cirurgia, se possível, devem adiar os planos em pelo menos sete semanas. Esse é o período que leva para que a mortalidade em até 30 dias se equipare à de quem não teve a doença, de acordo com uma pesquisa que reuniu mais de 15 mil anestesistas e cirurgiões de 116 países, incluindo o Brasil. A pesquisa, publicada este mês na revista científica Anaesthesia, constatou que pacientes operados que não tinham sido infectados pelo novo coronavírus tinham mortalidade de 1,5% após 30 dias. Por sua vez, aqueles operados entre zero e duas semanas morriam em 4,1% dos casos, praticamente a mesma cifra daqueles operados após três ou quatro semanas (3,9%). Entre os infectados, o risco se mantém alto da quinta à sexta semana, em 3,6%, e só cai a partir da sétima, voltando ao patamar de 1,5%. Ao todo, informações de 140.231 cirurgias foram coletadas ao longo do mês de outubro de 2020 e analisadas pelo consórcio CovidSurg. Mesmo fazendo ajustes por idade, sexo e complexidade da cirurgia, a conclusão se manteve. Com o risco de morte mais do que duas vezes no caso de quem teve diagnóstico de Covid-19 entre zero e seis semanas antes do procedimento, a conclusão dos autores não poderia ser outra a não ser recomendar o adiamento dessas cirurgias sempre que a situação permitir. “Claro, há situações em que não se pode esperar, como, por exemplo, em certos pacientes com câncer. É uma questão de customizar. Em relação a uma doença benigna o risco de óbito chega ao dobro. E, às vezes, não dá para esperar sete semanas, sob risco de a doença progredir rapidamente. Aí a gente tenta postergar o máximo que for possível”, afirma Glauco Baiocchi Neto, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica e um dos coordenadores do estudo no Brasil. ALVES, Gabriel. Disponível em:https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/ 2021/03/quem-tevecovid-deve-aguardar-sete-semanas- para- ser-operado-aponta-estudo.shtml. Acesso em: 31 mar. 2021. [Fragmento adaptado] De acordo com as regras de pontuação prescritas na Gramática Normativa da Língua Portuguesa, o emprego de vírgula no trecho destacado está incorretamente justificado em: A “Claro, há situações em que não se pode esperar, como, por exemplo, em certos pacientes com câncer. (As vírgulas isolam um termo de natureza conclusiva.) B Em relação a uma doença benigna, o risco de óbito chega ao dobro. (A vírgula separa uma locução prepositiva que introduz, no caso, um tema sobre o qual se falará no período seguinte.) C “E, às vezes, não dá para esperar sete semanas, sob risco de a doença progredir rapidamente”. (A vírgula separa uma oração coordenada sindética explicativa reduzida de infinitivo.) D “[...] afirma Glauco Baiocchi Neto, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica e um dos coordenadores do estudo no Brasil. (A vírgula separa um aposto.) TEXTO BASE 16 TEXTO A educação a.C. e d.C.: tudo vai ser diferente no ensino “depois da covid-19” FÁBIO ROQUE SBARDELLOTTO A sentença de Heráclito, filósofo pré-socrático e pai da dialética, no sentido de que ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio porque, ao entrar pela segunda vez, já não encontra as mesmas águas, nunca se fez tão [5] verdadeira como agora, tamanha gravidade do fenômeno pelo qual estamos passando. Não haverá como resistir: sairemos diferentes de como entramos nesta pandemia. Os processos civilizatórios deverão ser reinventados na economia, na política, na vida familiar, na educação [10] Com o isolamento social, houve uma disrupção inesperada e muito traumática no ambiente educacional. Na educação pública, praticamente foram paralisadas as aulas. No ambiente privado, mantiveram-se sob a forma do ensino a distância, com tecnologias virtuais. Os alunos [15] de instituições públicas permanecem com seu horizonte incerto quanto ao semestre e mesmo ao ano. O que esperar no ambiente educacional? Os conteúdos não se modificaram. O desafio está em vislumbrar a retomada dos processos educacionais pós [20] coronavírus. Projetamos uma realidade na qual pouco do que se tinha antes será encontrado. E as instituições de ensino e seus educadores deverão se reposicionar – “não se passará mais pelo mesmo rio”. A travessia será mais tranquila para aquelas instituições que já desenvolviam [25] um ambiente educacional segmentado, embasado em uma relação humanista, que tinham o estudante no centro da relação aprendizagem/ensino. A seletividade irá privilegiar aqueles ambientes educacionais nos quais o processo de aprendizagem oferecia ferramentas que [30] tornavam a tecnologia aliada da educação, mas que também entregavam resultados alvissareiros para seus investidores, os alunos. Sairão exitosas as instituições educacionais que estavam preparadas e já planejavam o futuro de uma educação de excelência, apesar de existir [35] crise econômica. Para essas, o processo apenas se acelerou, e as águas que as banharam já haviam filtrado boa parte do que agora se apresentou como desafio quase intransponível para as outras. Fragmento adaptado de: https://bit.ly/3f9OhuF. Acesso em: 30 abr. 2020. PUC-RSQUESTÃO 33 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 16 Assinale a alternativa correta para a substituição de pontuação empregada no texto, considerando a coesão e a coerência com o parágrafo em que está inserida. A A vírgula da linha 04 (depois de “águas”) poderia ser substituída por ponto e vírgula. B A vírgula da linha 13 poderia ser substituída por dois- pontos. C O ponto de interrogação da linha 17 poderia ser substituído por vírgula se fosse deslocado para depois “se modificaram” (linha 18). D A vírgula da linha 32 poderia ser substituída por dois- pontos. TEXTO BASE 17 TEXTO Poluição das águas continentais A poluição das águas continentais, principalmente nos grandes centros urbanos, é cada vez mais alarmante. As perspectivas futuras para as [5] águas continentais são bastantenegativas. Muitos são os estudos que buscam contemplar informações sobre a quantidade e qualidade da água disponível. A ONU (Organização das Nações Unidas) elaborou [10] uma série de estudos para obter um parecer concreto da real situação no quadro hídrico do planeta e ficou comprovado que, com o passar do tempo, o comprometimento das águas para o consumo humano, para a [15] manutenção de animais e para a irrigação na agricultura ocorre de forma crescente. Atualmente, vários fatores e seguimentos distintos contribuem para o processo de escassez desse recurso [20] indispensável a todo ser vivo, dentre os principais estão: a atividade industrial, que utiliza os rios para escoar os seus rejeitos; as mineradoras; a agricultura, que faz uso de diversos insumos agrícolas (fertilizantes, [25] inseticidas, herbicidas e etc.), com intuito de aumentar a produção, a fim de atender o mercado externo, ou seja, exportação; entre outros. Uma parte dos insumos agrícolas é [30] levada pela enxurrada da chuva, que chega a rios e córregos, inserindo várias substâncias tóxicas. Essas mesmas substâncias são absorvidas pelo solo e atingem o lençol freático. [35] Das substâncias comumente encontradas como agentes poluidores estão: restos de petróleo e derivados, chumbo, mercúrio e metais pesados, que são largamente usados em indústrias e na [40] extração de minérios. Outro centro de difusão de poluição são os centros urbanos, que, diariamente, em todo o planeta e, principalmente nos países pobres, lançam esgotos domésticos [45] sem nenhum tipo de tratamento. O esgoto atinge rios e córregos, além do lençol freático, que estão nas proximidades das cidades. Isso acontece em vários lugares, no entanto, a incidência é mais comum em [50] pequenas cidades que não possuem centros de tratamento do esgoto doméstico. O desmatamento é um fator direto que agrava a questão da escassez da água, uma vez que ao retirar a cobertura vegetal [55] para a ocupação urbana ou rural, o solo fica exposto à água da chuva e vento. Com isso, o solo vai sendo depositado nos mananciais, provocando o assoreamento dos rios, esse processo promove mudanças climáticas e [60] compromete a vida aquática. Os garimpos, que têm suas atividades às margens de rios, provocam a dispersão de minerais pesados, como o mercúrio, poluindo as águas que são [65] consumidas por comunidades. Os portos realizam limpeza de cinco em cinco anos, jogando uma imensa quantidade de dejetos; os aterros sanitários são grandes agentes poluidores de águas, [70] principalmente do lençol freático, pois milhões de toneladas de lixo acumulados liberam um líquido (chorume) que é absorvido pelo solo e atinge as reservas subterrâneas de água. Adaptado de FREITAS, Eduardo de. Poluição de Águas Continentais. Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/poluicao- aguascontinentais.htm. Acesso em: 20 de maio de 2019. UECEQUESTÃO 34 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 17 No trecho “Uma parte dos insumos agrícolas é levada pela enxurrada da chuva, que chega a rios e córregos, inserindo várias substâncias tóxicas.” (linhas 29-32), é correto afirmar, sobre a presença de vírgulas na expressão destacada, que o sinal de pontuação A traduz um valor explicativo, significando uma informação mais detalhada acerca da enxurrada da chuva, e o trecho em destaque pode ser retirado sem prejuízo ao sentido total da mensagem. B atribui à expressão o valor restritivo, significando oposição a outros elementos do texto, tais como a “a irrigação na agricultura”, e o trecho em destaque não pode ser retirado porque afetaria o sentido total da mensagem. C caracteriza uma expressão de realce para demarcar a relação entre as substâncias tóxicas e as substâncias absorvidas pelo solo, sendo que a separação demarcada pelas vírgulas aponta para vários tipos de enxurradas. D marca uma pausa com dois valores distintos: um que não modifica o referente “enxurrada da chuva” e outro que se faz na relação de oposição entre as substâncias tóxicas e as substâncias absorvidas pelo solo. TEXTO BASE 18 Atenção: Para responder às questão, baseie-se no texto abaixo. Descendentes do bacilo de Koch Em boa enrascada se meteu o primo Ruy, quando decidiu ser o genealogista da família. Decidiu? Pode não ter sido bem assim. Talvez tenha entrado nessa empreitada de modo natural, como continuador do trabalho do pai, meu falecido tio Jorge. E talvez não soubesse da encrenca que o esperava. Aqui vai um segredo da família: somos, quase todos, descendentes do bacilo de Koch. Ele mesmo, o causador da tuberculose. Posso e devo explicar. Nosso avô Hugo, que era carioca, contraiu a doença aos 27 anos, em 1906, e depois de se tratar num sanatório suíço foi consolidar a cura nos ares então terapêuticos de Belo Horizonte, cidade criada na prancheta que não completara ainda nove anos de existência. O jovem médico lá ficou até morrer. Além de dois filhos nascidos no Rio de Janeiro, gerou mais onze no solo fértil de Minas. Tivesse ele permanecido no Rio e carioca teria sido toda a sua filharada. Um dos rebentos, também ele Hugo, só por milagre teria conhecido Wanda, e com ela tido onze mineirinhos, entre eles um camarada metido a escritor. Você poderia talvez estar lendo um cronista menos chinfrim. Lamento. Não foi culpa minha, foi culpa do bacilo de Koch. (Adaptado de: WERNECK, Humberto. Esse inferno vai acabar. Porto Alegre: Arquipélago, 2011, p. 143-45) UnilusQUESTÃO 35 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 18 É inteiramente adequada a pontuação da seguinte frase: A Muitos se lembrarão do poeta, Manuel Bandeira, por conta do tratamento, que ele também tuberculoso, foi fazer em sanatório suíço. B Sabe-se já no início da crônica, que o primo do cronista – um tal de Ruy decidiu levar em conta a ocupação, do pai que era genealogista. C Se foi culpa do bacilo de Koch, e não sua, cronista, não há por que lamentar supostas deficiências que você acusa em seu estilo. D Até que surgisse medicação de fato eficaz, a tuberculose, era quase sempre, uma doença mortal. E Se um leitor considerar, que essa crônica é fato meio chinfrim, encarregue-se de culpar: o bacilo de Koch do avô do cronista. UPQUESTÃO 36 Assinale a alternativa corretamente pontuada. A E mesmo que a importância da música para a sobrevivência de nossos ancestrais possa não ser tão imediatamente óbvia quanto a capacidade de reconhecer palavras, ela funciona aglutinando o grupo. B E, mesmo que a importância da música para a sobrevivência de nossos ancestrais, possa não ser tão imediatamente óbvia, quanto a capacidade de reconhecer palavras, ela funciona aglutinando o grupo. C E mesmo que a importância da música, para a sobrevivência de nossos ancestrais possa não ser tão imediatamente óbvia, quanto a capacidade de reconhecer palavras, ela funciona aglutinando o grupo. D E, mesmo que a importância da música para a sobrevivência de nossos ancestrais possa não ser tão imediatamente óbvia quanto a capacidade de reconhecer palavras ela funciona, aglutinando o grupo. E E mesmo que a importância da música para a sobrevivência de nossos ancestrais, possa não ser tão imediatamente óbvia quanto a capacidade de reconhecer palavras, ela funciona, aglutinando o grupo. FACISAQUESTÃO 37 Leia o excerto de texto abaixo, transcrito, sem pontuação, do original de Chico Buarque. (Essa Gente, São Paulo: Companhia das Letras, p. 86): “Não custava nada citar de passagem meu livro de estreia o romance histórico O Eunuco do Paço Real que tratava do assunto muito antes de os castrati andarem em voga no Brasil.” Assinale a seguir a única alternativa em que a pontuação segue a norma culta, atentando também para o sentido. A Não custava nada citar de passagem meu livro de estreia, o romance histórico O Eunuco do Paço Real, que tratava do assunto muito antes de os castrati andarem em voga no Brasil. B Não custava nada, citar, de passagem, meu livrode estreia – o romance histórico “O Eunuco do Paço Real”– que tratava do assunto, muito antes de os castrati andarem em voga, no Brasil. C Não custava nada, citar de passagem, meu livro de estreia: o romance histórico, O Eunuco do Paço Real, que tratava do assunto, muito antes de os castrati andarem em voga, no Brasil. D Não custava nada, citar de passagem meu livro de estreia, o romance histórico, O Eunuco do Paço Real, que tratava do assunto, muito antes, de os castrati andarem em voga no Brasil. E Não custava nada, citar, de passagem, meu livro de estreia: o romance histórico – O Eunuco do Paço Real, que tratava do assunto, muito antes de os castrati andarem, em voga, no Brasil. TEXTO BASE 19 No país da biodiversidade, faltam recursos para gerir os nossos parques Quem já visitou algum parque brasileiro certamente se surpreendeu com tamanha exuberância cênica desses locais. Não por acaso, nossos parques conservam uma rica biodiversidade − uma das maiores do mundo − cuja excepcionalidade projetou algumas dessas áreas ao patamar de patrimônio natural da humanidade. Enquanto a natureza nos dá motivos de sobra para enaltecer nossos parques, a realidade de escassez e limitação de recursos [5] para a gestão e manutenção dessas áreas tem comprometido grande parte do seu potencial gerador de desenvolvimento, saúde e bem-estar − para não mencionar a vulnerabilidade a que sua fauna e flora ficam expostas. Esse retrato de limitações foi capturado na edição recém- lançada da pesquisa Diagnóstico de Uso Público em Parques Brasileiros: A Perspectiva da Gestão, produzida pelo Instituto Semeia junto a equipes gestoras de 370 [10] parques de todas as regiões, biomas e níveis governamentais do país. O sinal de alerta dessa escassez foi declarado por 67% dos respondentes, que afirmaram não contar com subsídios − humanos e financeiros − necessários para a realização de suas atividades no parque. Ainda de acordo com a pesquisa, grande parte (49%) das equipes que administram essas áreas conta somente com até 10 funcionários, ao passo que 9% possuem apenas um colaborador. Na prática, isso quer dizer que, no [15] caso dos parques nacionais, há um único responsável, em média, por quase 11 mil hectares − o que equivale a cerca de 11 mil campos de futebol. Já na esfera estadual, seria um funcionário para, aproximadamente, 2 mil hectares e, na municipal, um funcionário para 58 hectares. Quando o assunto é a gestão financeira desses espaços, além da escassez de recursos, o cenário é também de falta de informação: 40% dos respondentes declaram não ter acesso aos dados orçamentários das unidades [20] em que atuam. Entre os que têm acesso a esses números, seja de forma parcial ou total, o valor médio do orçamento em 2019 para os parques federais foi de R$ 790 mil, para os municipais, de R$ 800 mil, e os estaduais, R$ 9,6 milhões. Para se ter uma ideia, o National Park Service (órgão norte- americano responsável por 421 unidades distribuídas em 34 milhões de hectares) teve em 2019 um orçamento de USD 2,4 bilhões. No mesmo ano, o [25] orçamento do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foi de USD 142,6 milhões (em reais, 791 milhões), para administrar uma área cinco vezes maior (se considerarmos unidades de conservação terrestres e marinhas). Tudo isso se reflete nas condições de visitação e no uso público dos parques brasileiros. Mais da metade declara não contar com infraestrutura básica para receber visitantes − como banheiros e estacionamento, por exemplo. E, [30] entre as unidades que receberam visitantes em 2019 (79%), apenas 7% afirmam contar com uma estrutura que garante plenamente as necessidades básicas de visitação, enquanto somente 11% consideram que a manutenção das estruturas está em excelente estado. Esses dados evidenciam uma triste contradição: se, por um lado, nossos parques possuem belezas naturais únicas, equipes altamente qualificadas e experientes, além de um potencial turístico promissor, por outro, tudo isso [35] se arrefece com a precariedade observada na implementação e manutenção das atividades de uso público na maioria deles. Basta pensar que, em 2019, o Brasil foi listado pelo Fórum Econômico Mundial como 2º lugar em recursos naturais, mas figura somente na 32ª colocação do ranking global de competitividade turística. Alcançar um patamar condizente à altura do nosso capital natural é mais do que possível. Para isso, faz-se necessário fortalecer os órgãos gestores dessas áreas e avançar numa agenda mais moderna, empreendedora e [40] sustentável voltada à gestão desses espaços. E, nesse sentido, as parcerias e concessões podem ser uma alternativa possível − já experimentadas em alguns parques brasileiros internacionalmente reconhecidos como Igraçu e Chapada dos Veadeiros, por exemplo − para apoiar as equipes gestoras a potencializar a visitação, o turismo e a conservação. Afinal de contas, quanto mais os brasileiros conhecerem o seu patrimônio natural, maior será a conscientização sobre o valor e a necessidade de cuidar dessas áreas. Disponível em: https://exame.com/blog/opiniao/no-pais-da- biodiversidade-faltam-recursos-para-gerir-os-nossos-parques/. Acesso em 02 de maio de 2021). Texto adaptado para esta prova. UPFQUESTÃO 38 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 19 Quanto ao emprego da pontuação, analise os casos a seguir, identificando-os como verdadeiros (V) ou falsos (F). ( ) No trecho "Quem já visitou algum parque brasileiro certamente se surpreendeu com tamanha exuberância cênica desses locais" (linhas 1 e 2), deve-se empregar uma virgula após “Quem já visitou algum parque brasileiro [,]” para fins de adequação à norma culta da língua portuguesa. ( ) No trecho "Não por acaso, nossos parques conservam uma rica biodiversidade − uma das maiores do mundo − cuja excepcionalidade projetou algumas dessas áreas ao patamar de patrimônio natural da humanidade" (linhas 2 e 3), empregou- se travessão duplo para substituir vírgulas e assinalar uma expressão intercalada. ( ) No trecho "Quando o assunto é a gestão financeira desses espaços, além da escassez de recursos, o cenário é também de falta de informação: 40% dos respondentes declaram não ter acesso aos dados orçamentários das unidades em que atuam" (linhas 18 a 20), os dois pontos introduzem uma informação explicativa. ( ) O que justifica o emprego da vírgula, após a palavra "ideia", no fragmento "Para se ter uma ideia, o National Park Service (órgão norte-americano responsável por 421 unidades distribuídas em 34 milhões de hectares) teve em 2019 um orçamento de USD 2,4 bilhões" (linhas 23 e 24) é a necessidade de separar orações que se caracterizam por enumeração. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é A V – V – V – F. B V – F – V – F. C F – V – F – V. D F – V – V – V. E F – V – V – F. UNIFORQUESTÃO 39 Assinale a alternativa cujo período está corretamente pontuado. A O conhecimento adquirido no dia a dia deve nos modificar de alguma maneira, nos acrescentar e nos tornar seres melhores. B As competências pressupõem operações mentais, capacidades, para usar as habilidades, emprego de atitudes, adequadas à realização de tarefas, e conhecimentos. C Deve-se oportunizar, o desenvolvimento de habilidades e competências dos alunos independente de área. D O ideal, é formar um professor que possa compreender esses novos desafios, e saiba desempenhar com competência a sua profissão. E Tal como falar, escrever é um recurso que precisa ser aprendido, e ambos, estão ligados. UNIVESPQUESTÃO 40 A vírgula é um sinal de pontuação usado para marcar uma pausa no enunciado. Assinale a alternativa que apresenta um período corretamente pontuado, seguindo a norma padrão da língua portuguesa A O aluno levantou, o braço, pois tinha, uma dúvida. B O aluno, levantou o braço, pois tinha uma dúvida. C O aluno levantou o braço, pois tinha uma dúvida. D O aluno levantou o braço pois, tinha uma dúvida. E O aluno levantou o braçopois tinha uma dúvida. CNQUESTÃO 41 Assinale a opção que está corretamente pontuada. A A quantidade de alimentos que, como se pode notar em pesquisas, é jogada no lixo daria para alimentar um Haiti. B Antigamente uma pessoa levava um litro lavado, e trocava por outro cheio de leite. C Existe também o desperdício de talentos, de gênios como se fossem, recursos inesgotáveis. D Como se fossem recursos inesgotáveis, profissionais, no Brasil, são desperdiçados. E Vários caminhões que passam pelas rodovias, deixam para trás uma chuva de grãos de soja. UPQUESTÃO 42 Assinale a alternativa corretamente pontuada. A E mesmo que a importância da música para a sobrevivência de nossos ancestrais possa não ser tão imediatamente óbvia quanto a capacidade de reconhecer palavras, ela funciona aglutinando o grupo. B E, mesmo que a importância da música para a sobrevivência de nossos ancestrais, possa não ser tão imediatamente óbvia, quanto a capacidade de reconhecer palavras, ela funciona aglutinando o grupo. C E mesmo que a importância da música, para a sobrevivência de nossos ancestrais possa não ser tão imediatamente óbvia, quanto a capacidade de reconhecer palavras, ela funciona aglutinando o grupo. D E, mesmo que a importância da música para a sobrevivência de nossos ancestrais possa não ser tão imediatamente óbvia quanto a capacidade de reconhecer palavras ela funciona, aglutinando o grupo. E E mesmo que a importância da música para a sobrevivência de nossos ancestrais, possa não ser tão imediatamente óbvia quanto a capacidade de reconhecer palavras, ela funciona, aglutinando o grupo. Campo RealQUESTÃO 43 Assinale a alternativa corretamente pontuada. A Os que até o momento demonstraram sua solidariedade com Freetown, por exemplo foram as próprias nações africanas, como: o Togo e a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, que doaram 500.000 dólares em agosto, para alimentos e assistência médica. B Os que até o momento demonstraram sua solidariedade com Freetown por exemplo, foram as próprias nações africanas como o Togo e a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, que doaram 500.000 dólares em agosto para alimentos, e assistência médica. C Os que, até o momento demonstraram sua solidariedade com Freetown, por exemplo, foram as próprias nações africanas, como o Togo, e a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, que doaram 500.000 dólares, em agosto para alimentos e assistência médica. D Os que até o momento demonstraram sua solidariedade com Freetown, por exemplo, foram as próprias nações africanas, como o Togo e a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, que doaram 500.000 dólares em agosto para alimentos e assistência médica. E Os que até o momento, demonstraram sua solidariedade, com Freetown, por exemplo foram as próprias nações africanas como o Togo, e a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, que doaram 500.000 dólares, em agosto, para alimentos e assistência médica. UNIFORQUESTÃO 44 O uso inadequado da vírgula pode causar algumas confusões, atribuir duplo sentido ou, até mesmo, interferir no sentido da frase. Leia os períodos das alternativas abaixo e assinale aquela em que a segunda frase, pontuada de forma diferente da primeira, tem o sentido alterado. A “...às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis...” / às vezes, faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis. B Era um tempo de estiagem e o jardim parecia morto. / Era um tempo de estiagem, e o jardim parecia morto. C Atualmente, as pessoas se falam mais nas redes sociais. / Atualmente as pessoas se falam mais nas redes sociais. D Encontrei minha prima, querida. / Encontrei minha prima querida. E Todos entenderam, finalmente, a situação. / todos entenderam finalmente a situação. UPQUESTÃO 45 Assinale a alternativa corretamente pontuada. A Estamos falando da interrupção voluntária da gravidez por livre manifestação de vontade da gestante, ou na hipótese de seu impedimento, por intermédio de quem legalmente a represente. B Estamos falando da interrupção voluntária da gravidez por livre manifestação de vontade da gestante ou na hipótese de seu impedimento, por intermédio de quem legalmente a represente. C Estamos falando da interrupção voluntária da gravidez, por livre manifestação de vontade da gestante ou, na hipótese de seu impedimento, por intermédio de quem legalmente a represente. D Estamos falando da interrupção voluntária da gravidez, por livre manifestação de vontade da gestante, ou na hipótese de seu impedimento por intermédio de quem legalmente, a represente. E Estamos falando, da interrupção voluntária da gravidez; por livre manifestação de vontade da gestante ou, na hipótese de seu impedimento por intermédio de quem legalmente a represente. UEMAQUESTÃO 46 O trecho a seguir, extraído de Verão no Aquário, é um diálogo entre as personagens Patrícia e Raíza, respectivamente mãe e filha. Leia-o para responder à questão que segue. - Vou pedir à titia que vista uma roupa de fada e me transforme num peixe. Deve ser boa a vida de peixe de aquário, murmurei. - Deve ser fácil. Aí ficam eles dia e noite, sem se preocupar com nada, há sempre alguém para lhes dar de comer, trocar a água... Uma vida fácil, sem dúvida. Mas não boa. Não esqueça de que eles vivem dentro de um palmo de água quando há um mar lá adiante. - No mar seriam devorados por um peixe maior, mãezinha. - Mas pelo menos lutariam. E nesse aquário não há luta, filha. Nesse aquário não há vida. TELES, L. G. Verão no Aquário. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. A pontuação no texto escrito constitui uma pista segura para o entendimento pretendido pelo discurso. Em, “há sempre alguém para lhes dar de comer, trocar a água...” (2º.§), as reticências A constroem uma intenção indutiva. B enumeram uma sequência explicativa. C separam um vocativo enfático. D isolam uma ideia contrastiva. E traduzem uma repetição monótona. TEXTO BASE 20 Texto Redes sociais não são para-brisas, são retrovisores Tiago Belotte Se quisermos enxergar o futuro e a transformação, precisamos entender que as redes sociais só nos mostram o que fomos e gostamos no passado. Por diversas vezes a gente conversa aqui sobre o universo digital e reflete junto sobre suas possibilidades e perigos. Quando nós fazemos isso, estamos investidos na nossa alfabetização digital, tema que também já mencionei aqui algumas vezes. A tecnologia entra, cada vez mais, em cada pedacinho da nossa vida. No nosso sono, na nossa alimentação, no lazer, no estudo, no trabalho eu nem preciso falar. Não é? [5] E nós abraçamos cada novidade, pois amamos inovação e tecnologia – os brasileiros mais do que todo o resto do mundo, segundo alguns estudos. Já faz tempo que encaramos inovações tecnológicas como janelas para o futuro. No entanto, é preciso saber quando elas também são portais para o passado. As redes sociais, por exemplo, por mais que acreditemos que elas nos conectam com o mundo, a verdade é que elas só nos ligam ao que já conhecemos ou gostamos. Como um retrovisor colocado a nossa frente para se [10] passar por para-brisa. Estamos olhando para frente, mas só vemos o que está atrás. Só aparece na sua timeline de rede social aquilo que já faz parte do seu comportamento, dos seus gostos e das suas preferências. O que você já curtiu, comentou ou compartilhou antes. E qual o perigo disso? Acredito que são principalmente dois. O primeiro é que, ao ver apenas o conhecido e curtido, você não é confrontado pelo diferente, pelo novo, [15] pela mudança. Se as redes acabaram virando o nosso principal veículo de informação no nosso dia a dia, isso se torna perigoso, pois acaba nos fechando numa bolha. Quantas vezes você já disse ou ouviu alguém dizer “nossa, todo mundo está na praia neste feriado” ou “tá todo mundo defendendo tal causa social”. Quando, de fato, o “todo mundo” é só quem faz parte do meu feed. Veja bem, nem é todo mundo que eu sigo, é só quem é escolhido pelo algoritmo paraaparecer para mim. E quem é escolhido? Quem mais combina com [20] as minhas preferências passadas. O segundo perigo é praticamente uma consequência do primeiro. Ao nos fecharmos na nossa bolha, nos tornamos menos tolerantes ao diferente e nos tornamos impermeáveis ao que é contrário ao nosso jeito de ser e pensar. No entanto, é exatamente o contraditório que gera confronto de ideias. E é do confronto de ideias que nasce o novo, é a partir da exposição ao diferente que alargamos nossos horizontes. Aí está nosso para-brisa real. [25] Precisamos estar atentos e conscientes, aumentando nossa fluência digital, nos tornando críticos ao que consumimos e para onde o uso da tecnologia, da forma que usamos, está nos levando. Nos últimos dias, uma investigação, divulgada em uma série de notícias do Wall Street Journal, revela que o Facebook — a rede social mais popular no Brasil — desde 2018 sabia que uma mudança feita em seu algoritmo fazia mal à saúde mental de jovens e que também potencializava o alcance e o compartilhamento de conteúdos [30] tóxicos, violentos e de desinformação. Por isso, o papel de guardiões do nosso próprio futuro, do horizonte que enxergamos através do para-brisa, não é das redes sociais, é nosso. A tecnologia precisa estar a favor do nosso bem-estar e do futuro que queremos, do interesse coletivo e não apenas de alguns. É possível falar em democracia digital? Sim, mas apenas se nós estivermos fazendo a nossa parte, como [35] verdadeiros cidadãos digitais, cientes dos nossos deveres e direitos, entendendo os mecanismos e fazendo escolhas melhores. Disponível em: https://vidasimples.co/colunistas/redes-sociais- nao-sao-para-brisas-sao-retrovisores/. Acesso em: 6 out. 2021.Adaptado. UNIMONTESQUESTÃO 47 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 20 No decorrer do texto, observa-se o uso do itálico para destacar os estrangeirismos. Uma outra opção para destacar essas palavras é o uso A das letras maiúsculas. B do negrito. C das aspas simples. D das aspas duplas. TEXTO BASE 21 TEXTO De perto ninguém é normal (ou o “novo normal”) (Lilia Moritz Schwarcz) Sempre desconfio das expressões que fazem sucesso rápido e acabam servindo para qualquer ocasião. Afinal, o que explica tudo também explica nada. A expressão “novo normal” tem sido muito utilizada [5] nos últimos meses, quando se percebeu que o coronavírus há de acarretar mudanças para todo o planeta. Isto é, que os efeitos da Covid-19 não se limitarão ao dia em que a pandemia for dada por terminada. E é certo: a história mostra que não se sai de crises como essa da mesma [10] maneira que se entrou. “Novo normal” não é, porém, um termo recente; tampouco se sabe a origem dele. No entanto, tem sido crescentemente associado a momentos da história em que toda a sociedade tem de se reinventar diante de períodos [15] de crises de ordem política, militar, econômica ou sanitária. [...] E esse me parece ser o “novo normal”: ele representa, no meu entender, um esforço contínuo no sentido da preservação da sociedade (e de um determinado status [20] quo), nem que, para que isso ocorra, ela seja levemente alterada. Isso porque a humanidade, em seu longo curso, sempre lutou pela manutenção. As pessoas também preferem estados de equilíbrio, de “normalidade”, do que viver no “caos” da novidade. Por isso, se é preciso que [25] alguma coisa se altere, o melhor é que seja bem pouco. Considero, assim, o “novo normal” um movimento bastante conservador; no sentido primeiro da palavra: conservar. Afinal, esse seria um “novo normal” para quem? Qual seria o nosso coeficiente de “normalidade”? [30] E qual a régua que mede e distingue o que é “normal” do que é “anormal”, ou, ainda, um “novo normal”? Toda sociedade carrega seus próprios parâmetros e princípios, que serão mais eficientes quanto mais forem vividos como “naturais”, “normais”. A lógica da [35] sociedade, dizia o sociólogo Émile Durkheim, no final do século 19, não corresponde à “soma dos indivíduos”. Por isso, o silêncio que carregamos conosco é uma barulhenta algazarra social, pois procura esconder os critérios que regem essas métricas e não mostra como são obrigatórios [40] esses traços sociais, que nos parecem apenas facultativos. Arrisco, portanto, dizer que “normal” é acreditar numa história feita apenas por homens, brancos, de classe alta, e celebrados por seus atos célebres. No jogo do “diz que não diz”, chamamos de “história universal” uma narrativa [45] que diz respeito aos Estados Unidos e à Europa, e em especial à Europa Central. Ela é a “normal”. Tudo o que escapar da “norma” fica jogado na lata de lixo da exceção e do que “não é normal”. Foi assim com a Revolução do Haiti (1791-1804), que cometeu o “pecado” de mostrar [50] ao mundo que escravizados podem (e devem) se rebelar e ganhar o comando de seus próprios países. [...] Algo pode mudar, mas tudo deve permanecer basicamente como está. E esse é o terreno fértil onde se move o “novo normal”. [55] Também agimos com “naturalidade” quando dividimos as produções visuais de maneira cartesiana: arte ou artesanato; arte X artesanato. O que não dizemos quando deixamos de explicitar esses conceitos? Resposta: que arte (europeia, masculina, de classe alta) é a “norma”, [60] já o artesanato é (com sorte) o “novo normal”. Mesmo assim, não existe termo de comparação entre eles. Os exemplos são muitos. Mas vira e mexe um “acidente” de proporções globais tem a capacidade de escancarar essas diferenças, que preferimos, em geral, [65] jogar debaixo do tapete. Períodos de guerra fazem isso com as pessoas, que passam a reconsiderar suas verdades. Grandes acidentes naturais – terremotos, maremotos, furacões – também têm a potencialidade de fazer que nos movamos um pouco do terreno seguro das nossas [70] confortáveis certezas. Mas só um pouco, pois a história mostra como, passado o perigo e a insegurança, lá estamos nós de novo habitando nossas velhas e boas verdades. [...] Foi assim com a gripe espanhola, que, em dois meses, [75] assaltou a imprensa, a imaginação e a realidade das pessoas. Calcula-se que a pandemia tenha atingido, direta ou indiretamente, cerca de 50% da população mundial e levado à morte de 20 milhões a 50 milhões de pessoas: 8% ou 10% delas na faixa dos jovens. Os números eram [80] maiores do que os da Primeira Guerra Mundial, que acabou mais ou menos na mesma época, no dia 11 de novembro de 1918, vitimando entre 20 milhões a 30 milhões de pessoas, entre soldados e população civil. No entanto, quando o “incidente” foi embora, tudo voltou ao [85] “normal”, ou a um “novo normal”, levemente alterado por alguns hábitos de higiene, que também se perderam pelo caminho. E eis que 2020 mal começou e há de terminar com a chegada desse micro-organismo que não é nem ao menos [90] visível a olho nu. E o impossível aconteceu: as rotinas foram suspensas pelo planeta afora e até segundo aviso. Nessas horas em que o medo e a agonia falam mais forte, tendemos mesmo a sonhar melhor e a desenhar o futuro de forma mais solidária. [...] [95] Muitos têm defendido a ideia de que esses tempos de pandemia romperam com o preconceito contra a educação remota. Ou seja, que a pandemia nos ensinou a aprender de dentro de casa e no recanto do lar. No entanto, é essa mesma crise na saúde pública que tem acentuado e [100] ampliado as iniquidades na área da educação. Existem alunos que têm seu próprio computador, estudam na calma do seu quarto e dispõem de toda uma família estruturada pronta para dar amparo nesse momento de “novo normal” que, sem dúvida, atrapalhou (e muito) a [105] rotina dos pais e mães. Não discordo ou discuto. Para eles, o “novo normal” é um estado quiçá passageiro. Mas o que dizer de famílias que receberam o material impresso e organizado bravamente pelas escolas públicas, mas não têm lápis e borracha em casa? Muito menos acesso à [110] internet? Nesse caso,vive-se mais do mesmo “normal. [...] Penso que provérbios são peças de linguagem feitas para iludir. Muitas vezes os citamos sem termos certeza do significado. Vou evocar um por aqui: “A exceção [115] confirma a regra”. Se o “novo normal” for uma espécie de estado de exceção, ele (então) confirma a regra. Se não for, se tiver vindo para ficar, será mais uma das nossas convenções conservadoras que pretendem manter, não revolucionar. [120] Afinal, e como diz Caetano Veloso num dos versos de “Vaca Profana”, “de perto ninguém é normal”. Quem sabe o “novo normal” faça sentido apenas de longe. Numa distância que acomoda; não incomoda. Bem-vindos ao velho/novo normal. É hora de [125] reconhecer, como poetou Carlos Drummond de Andrade, que “toda história é remorso”. (Texto disponível em: https://.gamarevista.com.br/sociedade/de- pertoninguém-e-normal-ou-o-novo-normal/. Acesso em 7 dez 2020) UEM/CVUQUESTÃO 48 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 21 Assinale o que for correto. 01) Em “já o artesanato é (com sorte) o ‘novo normal’” (linha 60), o emprego dos parênteses insere uma reflexão da autora e indica uma marca de subjetividade própria do artigo de opinião. 02) O uso de dois pontos (linha 8) tem a função de iniciar uma sequência que esclarece a ideia anterior de que os efeitos da Covid-19 não se limitarão ao fim da pandemia. 04) As aspas (linha 49) foram empregadas com a finalidade de dar destaque ao vocábulo “pecado”. 08) Em “‘Novo normal’ não é, porém, um termo recente” (linha 11), o emprego das vírgulas tem a função de isolar o aposto explicativo no interior da oração. 16) Em “‘toda história é remorso’” (linha 126), o uso das aspas serve para introduzir uma citação. A 03 B 10 C 14 D 19 E 24 PUC-PRQUESTÃO 49 Leia o texto a seguir sobre o grafiteiro inglês Banksy. A cara de Banksy O inglês Steve Lazaridis trabalhou 11 anos com Banksy, o grafiteiro mais genial – e misterioso – do mundo. Ele comprava as tintas, ajudava a distrair a polícia e tirava fotos documentando todas as peripécias do artista: que, neste livro, aparece fotografado pela primeira vez. As imagens não revelam a identidade de Banksy (ele sempre aparece com o rosto coberto por uma tarja), mas mostram algo tão intrigante quanto: sua intimidade. SUPER, fev/2020, p. 17. Assinale a alternativa que analisa adequadamente o emprego de elementos de pontuação do texto. A Os parênteses associados a explicação para identidade de Banksy, mesmo com fotos, não ser revelada. B Os travessões destacam uma característica pouco conhecida do grafiteiro. C A primeira vírgula empregada no texto destaca um aposto para Steve Lazaridis. D As duas ocorrências de dois-pontos introduzem uma ideia contrária à anterior. E A última vírgula empregada no texto é opcional porque as orações estão em ordem direta. TEXTO BASE 22 TEXTO Reflexões sobre o tempo (Marcelo Gleiser – professor de física) Para alguns, os mais pragmáticos, o tempo não tem nada de misterioso: ele passa, envelhecemos e um dia morremos, ponto final. Já para outros, este colunista incluído, o tempo é um paradoxo, nosso grande amigo e [5] inimigo. Amigo por nos ensinar a ser pacientes com a impaciência dos outros, por nos fazer esquecer coisas que devem ser esquecidas e lembrar aquelas que devem ser lembradas. Inimigo por interromper vidas e relações, [10] mudar coisas que não queremos que sejam mudadas, por nos fazer esquecer coisas que devem ser lembradas. Em termos psicológicos não temos dúvidas: como ninguém consegue se lembrar do futuro, o tempo anda sempre avante. [15] Mas a situação não é assim tão simples. Em arte, podemos inventar o futuro no presente, “visualizar” o que vai ser e tentar dar vida a essa visão. O paradoxo, aqui, é que toda criação depende apenas do passado: criamos o futuro re-experimentando e reintegrando o passado. Isso [20] não significa que tudo já existe; significa apenas que existem infinitos modos de olhar para trás. Em física, a direção do tempo não é obviamente para a frente. Na verdade, as leis da mecânica não distinguem entre ir avante ou para trás. Imagine, por exemplo, que [25] alguém tenha filmado uma bola voando da direita para a esquerda. Se o filme for passado de trás para a frente, a bola voa da esquerda para direita: quem não esteve presente durante a gravação, não saberia em qual das duas situações o tempo vai do passado para o futuro. Dizemos [30] que as leis da mecânica são reversíveis temporalmente. Se a física dissesse que o tempo é reversível sempre, estaria em séria contradição com a realidade que vemos à nossa volta. (E em nós mesmos.) Basta observarmos o mundo para saber que o tempo vai para a frente: os dias [35]passam, coisas mudam, pessoas e animais envelhecem, planetas giram em torno do Sol, o Sol envelhece, estrelas nascem e morrem, o próprio Universo cresce cada vez mais, definindo a direção cosmológica do tempo. Como então reconciliar estas observações com as leis básicas da [40] física? A resposta se encontra na complexidade do sistema: uma bola é um sistema extremamente simples, sua trajetória para a direita ou para a esquerda é essencialmente a mesma. Mas um ovo virar omelete, por exemplo, é um processo irreversível: não vemos um [45] omelete virar ovo. A diferença é que um ovo pode ser transformado em omelete através de inúmeros caminhos. Mas existem poucos modos de se transformar omeletes em ovos. (Assumindo que todos os ovos são essencialmente iguais...). [50] Como mostrou Ludwig Boltzmann, a questão depende de probabilidades: a probabilidade que todas as moléculas de um omelete se realinhem em um ovo é extremamente pequena, tão pequena que o fenômeno é altamente improvável, quase impossível. Quase mas não [55] totalmente. Para tal, seriam necessárias incontáveis interações entre as moléculas de clara e gema seguindo instruções extremamente específicas: seria necessário um princípio organizador que pudesse contrariar o fato que desordem tende a aumentar, um princípio capaz de [60] transformar desordem em ordem. Um destes princípios é justamente a arte; outro é a ciência. Ambas dão expressão à necessidade que temos de integrar nossa experiência do mundo com quem somos. GLEISER, M. Folha de S. Paulo, 20 de março de 2005. UEM/CVUQUESTÃO 50 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 22 Assinale o que for correto. 01) Os dois empregos de dois pontos, nas linhas 12 e 18, têm funções distintas: o primeiro introduz um dado importante a respeito da direção do tempo; o segundo anuncia uma síntese da relação entre o passado e o futuro. 02) Os dois empregos de parênteses (linhas 33, 48 e 49) têm a mesma função de acrescentar um comentário para a argumentação desenvolvida no texto. 04) O emprego de reticências na linha 49 produz o sentido de pensamento inconcluso, dando espaço para o leitor concluir a reflexão. 08) A interrogativa empregada pelo autor (linha 40) não apresenta uma resposta direta no próprio texto, indicando que ela se encontra como uma informação implícita. 16) Entre as sequências “os dias passam” (linhas 34 e 35) e “coisas mudam” (linha 35), a vírgula é obrigatória, pois demarca a separação de duas orações coordenadas assindéticas. A 10 B 23 C 27 D 30 E 31 Pontuação Questão 1: [C] Questão 2: [B] Questão 3: [E] Questão 4: [D] Questão 5: [B] Questão 6: [B] Questão 7: [E] Questão 8: [B] Questão 9: [E] Questão 10: [B] Questão 11: [A] Questão 12: [D] Questão 13: [D] Questão 14: [C] Questão 15: [C] Questão 16: [E] Questão 17: [A] Questão 18: [B] Questão 19: [C] Questão 20: [B] Questão 21: [A] Questão 22: [D] Questão 23: [C] Questão 24: [C] Questão 25: [B] Questão 26: [A] Questão 27: [A] Questão 28: [B] Questão 29: [A] Questão 30: [C] Questão 31: [A] Questão 32: [A] Questão 33: [D] Questão 34: [A] Questão 35: [C] Questão 36: [A] Questão 37: [A] Questão 38: [E] Questão 39: [A] Questão 40: [C] Questão 41: [D] Questão 42: [A] Questão 43: [D] Questão 44: [D]Questão 45: [C] Questão 46: [A] Questão 47: [D] Questão 48: [D] Questão 49: [A] Questão 50: [B] Substituições de palavras TEXTO BASE 1 Leia o trecho do livro Bilhões e bilhões, de Carl Sagan, para responder à questão. Espantosamente, a astrofísica moderna está prestes a determinar percepções fundamentais da origem, natureza e destino de todo o universo. O universo está em expansão. Todas as galáxias estão se afastando velozmente umas das outras no que é chamado de fluxo de Hubble, uma das três principais evidências de uma enorme explosão na época em que o universo teve início — ou, pelo menos, sua presente encarnação. A gravidade da Terra é bastante forte para atrair de volta uma pedra atirada para o céu, mas não um foguete com velocidade de escape. E assim acontece com o universo: se ele contém uma grande quantidade de matéria, a gravidade exercida por toda essa matéria vai diminuir e deter a expansão. Um universo em expansão será convertido num universo em colapso. E se não há bastante matéria, a expansão vai continuar para sempre. O presente inventário de matéria no universo é insuficiente para diminuir a expansão, mas há razões para pensar que talvez exista uma grande quantidade de matéria escura que não trai a sua existência emitindo luz, para a conveniência dos astrônomos. Se o universo em expansão se revelar apenas temporário, sendo finalmente substituído por um universo em contração, isso certamente criará a possibilidade de que o universo passa por um número infinito de expansões e contrações, sendo infinitamente antigo. Um universo infinitamente antigo não tem necessidade de ser criado. Sempre esteve ali. Por outro lado, se não há matéria suficiente para reverter a expansão, isso seria coerente com um universo criado do nada. Essas são questões profundas e difíceis que toda cultura humana tem de algum modo tentado enfrentar. Mas é só na nossa época que temos uma perspectiva real de desvendar algumas das respostas. Não por meio de conjeturas ou histórias — mas por observações reais, verificáveis, passíveis de repetição. (Carl Sagan. Bilhões e bilhões, 2008.) Albert EinsteinQUESTÃO 1 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 1 Em “talvez exista uma grande quantidade de matéria escura que não trai a sua existência emitindo luz”, o termo sublinhado pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por: A nega. B revela. C disfarça. D oculta. E anula. TEXTO BASE 2 Sobre a Dimensão Socioeconômica e Cultural do Processo Saúde-DoençaMorte e Raça/Etnia O processo histórico de formação da sociedade capitalista brasileira implicou o desenvolvimento de uma complexa rede de contradições sociais. Assim, foram sendo criados e recriados, por meio da industrialização e modernização, critérios de seleção social, que geraram desigualdades sociais. [5] A chamada revolução burguesa transformou os grupos populacionais considerados de categoria inferior: negros, índios e imigrantes – em trabalhadores, porém não os converteu em cidadãos. Consequentemente, as desigualdades sociais foram compreendendo e mesclando diversidades raciais e de classe social, provocando um efeito duplo [10] de contradições de classe e raça (Ianni, 1991; Coimbra, 1997). Esses efeitos acumulados decorrentes das desigualdades ficam evidentes quando se analisa a apropriação econômica, de bens e serviços, e direitos sociais, políticos e culturais que a população negra detém no Brasil, quando comparada com a população branca. Essas desvantagens sistemáticas se [15] expressam na participação desigual no mercado de trabalho, nos níveis de renda, no acesso ao sistema formal educacional, enfim, nas oportunidades de mobilidade social. Sobre como as três subpopulações se distribuem nas diferentes posições socioeconômicas, segundo sua inserção no processo produtivo, sabe-se que a [20] questão da mão-de-obra negra vincula-se à problemática do trabalho marginal, temporário e precário (Chaia, 1986), consequência do processo histórico brasileiro desde a escravidão até os dias de hoje. Estudos sobre o tema (Hasenbalg, 1979; Beozzo, 1984; Porcaro et al., 1988; Chaia, 1988) mostram as dificuldades dos negros em superar o nível de [25] pobreza por meio do trabalho, apesar de entrarem no mercado muito mais precocemente que os brancos. Observa-se também que eles ocupam as posições menos qualificadas e apresentam pior posição relativa no que diz respeito ao desemprego aberto e encoberto. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) [30] 1995, tabulados por Simões & Cardoso (1997), evidenciam que a população negra com dez anos e mais, independentemente do sexo, alcança taxas de desocupação mais elevadas comparadas às da população branca, no Brasil e em todas as grandes regiões. A título de exemplo, podemos citar os achados para o país: enquanto a estimativa desse indicador para as mulheres brancas [35] era de 7,45%, as negras assumem 9,11%, sendo que esses valores nos homens são de 5,35% e 6,10%, respectivamente (Simões & Cardoso, 1997). (...) Vários estudos constatam que, em igualdade de condições socioeconômicas, existe um diferencial racial no acesso ao sistema formal de educação. Como exemplo, citamos as conclusões de Hasenbalg & Silva [40] (1991), que constatam que a proporção de negros (pardos e pretos) sem nenhum acesso à escola é três vezes maior que a dos brancos; quando conseguem ingressar no sistema formal, além de fazê-lo muito mais tardiamente, obtêm níveis de escolaridade consistentemente inferiores aos dos brancos da mesma origem social; os retornos da escolaridade adquirida [45] em termos de inserção ocupacional e renda tendem a ser proporcionalmente menores para negros que para brancos. Outros estudos assinalam que, em 1995, do total de mulheres classificadas como analfabetas funcionais, ou seja, com até três anos de instrução, 17% eram brancas e 38% negras. Entre os homens esses valores eram de 19% e 40%, respectivamente. [50] Por todo o enunciado até aqui, conclui-se que os negros brasileiros estão expostos a um ciclo de desvantagens cumulativas na mobilidade social intergeracional, fato que os coloca em posição de maior vulnerabilidade frente a uma série de agravos à sua saúde. Conclui-se também que a população negra brasileira vivencia situações de [55] exclusão, marginalidade e/ou discriminação socioeconômica, que a expõem com maior vulnerabilidade a uma série de agravos à saúde. Salienta-se que a maior suscetibilidade se deve a fatores tanto de ordem biológica, como socioeconômica e cultural. CUNHA. E. M. G. de P. Especificidades da Raça/Etnia nas Questões de Saúde. In: O Clássico e o Novo: tendências, objetos e abordagens em ciências sociais e saúde [online]. GOLDENBERG, P., MARSIGLIA, RMG and GOMES, MHA., orgs. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2003. IMEPACQUESTÃO 2 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 2 (...) fato que os coloca em posição de maior vulnerabilidade frente a uma série de agravos à sua saúde (linhas 52-53). O termo em destaque no excerto acima só NÃO pode ser substituído (sem alteração do sentido do texto) por A fragilidade. B instabilidade. C indestrutibilidade. D fraqueza. TEXTO BASE 3 Texto Compartilhando água Uma das riquezas do Brasil é a água em abun- dância, nosso Ouro Azul. O que o senso comum não se dá conta é o porquê de termos água em abun- dância. E, diga-se de passagem, que vários Brasis [5] já não têm tanta água assim, e alguns nunca tiveram desde o tempo da colonização. Vamos começar por aí. O Brasil não é extrema- mente rico em água. A Amazônia é, o Pantanal é, mas a Mata Atlântica – onde vivem cerca de 70% dos [10] brasileiros – está deixando de ser Agora, por que o Brasil é rico em água? Primeiro, por causa da Bacia Amazônica e por suas comple- xas interações entre o ecossistema amazônico e a “produção de água”. A vegetação, especialmente a [15] nativa, tem enorme importância na transpiração e na diminuição do escoamento superficial das chuvas. E, se uma de nossas riquezas é a água emabundância, como fazemos para compartilhá-la? Aí é que começa o conflito. O ser humano não é hábil em compartilhar, [20] e, quando se trata de um bem tão precioso, os ânimos se acirram. Em primeiro lugar, quando falamos de compar- tilhamento, estamos falando de toda a água consu- mida mundialmente no setor produtivo. O consumo [25] doméstico, tanto no Brasil quanto no resto do mundo, é de apenas aproximadamente 10% da água disponí- vel. Os 90% restantes vão para a indústria. Isso quer dizer que o grande volume de água consumida está direcionado para o setor produtivo. [30] Em termos internacionais, quem detém água detém alimentos; e nações dependentes de impor- tação para alimentação estão em forte desvantagem na geopolítica. Se por um lado a transferência virtual de água pode ser vista como instrumento de pressão [35] geopolítica, por outro, pode também ser vista como solução para otimizar o consumo hídrico no planeta. O mesmo dilema pelo qual passa o comércio interna- cional globalizado. Um território sem água se torna inviável para [40] viver. Enormes conflitos surgem de maneira seme- lhante aos da exploração de fontes de água por grandes indústrias. As grandes alterações na pai- sagem ocasionadas pela construção de barragens hidroelétricas ou para abastecimento trazem perdas [45] irreparáveis para o ecossistema e as comunidades humanas locais. Como multiplicar essa riqueza? Sim, porque pen- sar riqueza apenas em termos de gastar o que se tem (o uso) não é sustentável no sentido mais simples do [50] termo. Um antigo provérbio árabe já dizia: “confie em Alah, mas amarre seu camelo.” Ou seja, há em uma boa parte do Brasil e da América do Sul excelentes condições de disponibilidade hídrica, e é uma questão de governança gerenciar esse recurso para benefício [55] das presentes e futuras gerações. FIGUEIREDO, Carlos Augusto. Agência Envolverde Jornalismo. Carta Capital. 21/03/2018. Disponível em: http://envolverde. cartacapital.com.br/agua-em-discussao-ouro-azul-nao-e-ouro- - de-tolo/. Acesso em: 29 jan. 2019. Adaptado. CESGRANRIOQUESTÃO 3 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 3 No trecho do Texto “O ser humano não é hábil em compartilhar, e, quando se trata de um bem tão precioso, os ânimos se acirram.” (ℓ. 19-21), a palavra em destaque pode ser substituída, sem prejuízo do sentido, por A depreciam B desanimam C inflamam D desvirtuam E modificam UNIFIMESQUESTÃO 4 Considere a tirinha de Laerte. Mantendo o sentido original, a expressão “Por incrível que pareça” pode ser substituída por: A À medida que não parecem. B Na medida em que parecem. C Uma vez que não parecem. D Ainda que não pareçam. E Embora pareçam. PUC-PRQUESTÃO 5 Leia o texto a seguir com atenção ao vocabulário empregado. A primeira leitura de “O Morro dos Ventos Uivantes” foi há pouco mais de 50 anos. O romance de Emily Brontë, publicado pela Coleção Saraiva, provocou estupor. Mais pela sua esquisitice do que pelo encanto. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mariosergioc onti/2021/07/revisitar-o-morro-dos-ventos-uivantes -e-uma-ideia- sempreatraente.shtml. Acesso em: 2/9/21. A compreensão de um texto em maior ou menor grau pode ser realizada de acordo com o entendimento que temos sobre o vocabulário empregado. No texto, a palavra destacada pode ser substituída, sem que haja alteração de sentido, por A perplexidade. B curiosidade. C náusea. D ojeriza. E melancolia. ACAFEQUESTÃO 6 Texto 1: De currais e caricaturas [...] Nada mais coerente, portanto, do que criarmos um movimento em busca de indenização, certo? Errado. O exemplo anterior [sobre a perseguição aos alemães no Brasil no período da Segunda Guerra] serve apenas para mostrar que as coisas não são tão simples quanto parecem. Nos anos 1940, os japoneses que viviam no Brasil sofreram ainda mais que os alemães. O mesmo pode ser dito de judeus, árabes, poloneses e italianos. Não foram apenas os índios e os negros que padeceram nas garras de um Estado imaturo e elitizado como o nosso, ainda que tenham padecido numa escala maior e mais documentada. Se procurarmos nos livros certos, descobriremos que todos os grupos étnicos, religiosos e sexuais teriam direito a alguma forma de reparação. Pois é aí que reside o problema. Se você acredita que desencavar rancores contribui para o amadurecimento do país, está guiando por uma contramão arriscada, da qual é sempre difícil retornar. Em vez de resolverem as demandas das quais se originaram, as iniciativas de reparação histórica e as admoestações politicamente corretas que as acompanham têm o poder de complicar ainda mais a situação. Normalmente transformam-se em bandeiras de políticos irresponsáveis que querem ver o circo pegar fogo para se dar bem nas urnas. As consequências são evidentes: mais do que polarizada, a sociedade brasileira está “guetificada”, e não apenas por razões étnicas ou político-partidárias. Das igrejas que lutam contra a descriminalização do aborto aos coletivos feministas sediados em universidades, das ações dos grupos LGBT às bancadas conservadoras que cunharam a expressão “heterofobia”, parece que todo mundo quer vestir a capa do Supercidadão e sair voando para salvar o planeta. De repente começamos a nos ver como membros de clãs que sentem a obrigação de erigir totens para impor nossa verdade à vizinhança. Quem discorda é “ignorante” e por isso merece a fogueira. Nunca é demais lembrar que a ascensão dos movimentos de autoafirmação minoritária foi uma das maiores vitórias do nosso tempo, mas – muita calma nessa hora – a radicalização de palavras de ordem e o resgate forçado de ressentimentos transformaram essa conquista numa faca de dois gumes. Vivemos num período tão complexo que talvez seja impossível encontrar alguém que possa se definir sem ressalvas. Diante da confusão, apelar para o estereótipo tornou-se a saída mais cômoda. De todas as caricaturas que passaram a simbolizar as mazelas da humanidade, o Homem Branco Ocidental parece ser a mais recorrente, como se todos os homens brancos, sem exceção, fossem racistas, machistas e homofóbicos. Se você pertence a esse grupo, já deve ter sido silenciado em algum debate por aí. Não importa sua opinião, se é a favor ou contra, pois já foi tachado como o machista do grupo e ponto-final. Em compensação, a caricatura que se costuma desenhar como resposta também não deixa de ser injusta: a feminista furibunda que pensa pouco e grita muito é outro dos estereótipos que criamos para empobrecer o debate. Ninguém gosta de receber lições de moral por aquilo que é. Por isso, antes de leis arbitrárias elaboradas por “iluminados” e impostas a uma população que ainda não teve tempo de digerir preconceitos ancestrais, precisamos é de educação igualitária e multicultural para todos. Conhecer a cultura daqueles que consideramos diferentes é a melhor maneira de nos aceitarmos coletivamente, e não apenas de nos “tolerarmos”. A “guetificação” não é boa para ninguém. Se insistirmos nisso, acabaremos voltando aos currais de arame farpado. TENFEN, Maicon. Revista Veja. Edição 2499, de 12 de outubro de 2016. p. 62-63. Fragmento adaptado. Assinale a alternativa em que a expressão destacada pode ser substituída pela expressão sugerida entre parênteses, sem que o sentido do texto 1 seja alterado. A “Não importa sua opinião, se é a favor ou contra, pois já foi tachado como o machista do grupo e ponto-final.” (acusado) B “Se você acredita que desencavar rancores contribui para o amadurecimento do país, está guiando por uma contramão arriscada, da qual é sempre difícil retornar.” (segundo a qual) C “De repente começamos a nos ver como membros de clãs que sentem a obrigação de erigir totens para impor nossa verdade à vizinhança.” (como defensores de uma seita religiosa) D “Por isso, antes de leis arbitrárias elaboradas por “iluminados” e impostas a uma população que ainda não teve tempo de digerir preconceitos ancestrais, precisamos é de educação igualitária e multicultural para todos.”(obsoletas) TEXTO BASE 4 Quando terminou a Revolta da Armada, serenaram os ânimos. Aliás, a passagem do ano de 1894 para o de 1895 parecia anunciar um futuro mais calmo para a ainda titubeante República brasileira: em novembro de 1894 terminou o “mandato” do sagaz Floriano Peixoto, que presidia o país de maneira irregular desde novembro de 1891, pois não fora eleito, coisa impossível de acontecer, hodiernamente, no Brasil. Ele se transformara num chefe de governo conhecido por fazer tanto afetos quanto adversários e adorava viver no fausto. Ainda em 1894 estavam rompidas as relações diplomáticas com Portugal, as quais foram reatadas já em março do ano seguinte. Em junho de 1895, colocava-se também um ponto final na espinhosa Revolução Federalista, com a assinatura de um tratado de paz, no Rio Grande do Sul, que foi muito festejado pelos militares governistas. (Do livro “Lima Barreto: triste visionário”, de Lilia Moritz Schwarcz, p. 109. Texto adaptado.) UFAMQUESTÃO 7 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 4 Assinale a alternativa em que a palavra em destaque NÃO pode ser substituída pela que está entre parênteses, sem alteração substancial do sentido do enunciado, por não serem sinônimas uma da outra: A Ele se transformara num chefe de governo conhecido por fazer tanto afetos quanto adversários. (antagonistas) B Em novembro de 1894 terminou o “mandato” do sagaz Floriano Peixoto. (odioso) C Floriano Peixoto adorava viver no fausto. (luxo) D O tratado de paz, no Rio Grande do Sul, foi muito festejado pelos militares governistas. (celebrado) E Ele não fora eleito, coisa impossível de acontecer, hodiernamente, no Brasil. (atualmente) TEXTO BASE 5 Leia o trecho do romance A queda dum anjo, de Camilo Castelo Branco, para responder à questão. Por fins de janeiro, chegou Calisto a Lisboa, e alugou casa no bairro de Alfama, por lhe terem dito que, naquela porção de Lisboa antiga, a cada esquina havia um monumento à espera de arqueólogo competente. Ao cabo de três dias, Calisto mudou-se para rua mais limpa, supondo que os lamaçais de Alfama haviam tragado os monumentos, lamaçais em que ele desastradamente escorregara, e donde saíra mal-limpo, e assoviado por marujos e colarejas1, seus vizinhos mais chegados. Mau agouro! A primeira quimera de Calisto, seu tanto ou quanto científica, atascara-se na lama daquela parte de Lisboa, que devia ser a ínclita2 Ulisseia de Luís de Camões! (Camilo Castelo Branco. A queda dum anjo, 1866. Adaptado.) Glossário: 1 colareja: mulher que vende frutas e hortaliças no mercado. 2 ínclita: que é notável por possuir grandes qualidades. FCSBQUESTÃO 8 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 5 Considerando o contexto, o termo sublinhado em “A primeira quimera de Calisto” (2º parágrafo) pode ser substituído por A convicção. B transgressão. C curiosidade. D ilusão. E tentativa. TEXTO BASE 6 Leia o texto do crítico de arte Jorge Coli para responder à questão. Dizer o que seja a arte é coisa difícil. Um sem-número de tratados de estética debruçou-se sobre o problema, procurando situá-lo, procurando definir o conceito. Mas, se buscamos uma resposta clara e definitiva, decepcionamo-nos: elas são divergentes, contraditórias, além de frequentemente se pretenderem exclusivas, propondo-se como solução única. Entretanto, se pedirmos a qualquer pessoa que possua um mínimo contato com a cultura para nos citar alguns exemplos de obras de arte ou de artistas, ficaremos certamente satisfeitos. Todos sabemos que a Mona Lisa, que a Nona sinfonia de Beethoven, que a Divina comédia, que Guernica de Picasso ou o Davi de Michelangelo são, indiscutivelmente, obras de arte. Assim, mesmo sem possuirmos uma definição clara e lógica do conceito, somos capazes de identificar algumas produções da cultura em que vivemos como sendo “arte”. Além disso, a nossa atitude diante da ideia “arte” é de admiração: sabemos que Leonardo ou Dante são gênios e, de antemão, diante deles, predispomo-nos a tirar o chapéu. Podemos, então, ficar tranquilos: se não conseguimos saber o que a arte é, pelo menos sabemos quais coisas correspondem a essa ideia e como devemos nos comportar diante delas. Infelizmente, esta tranquilidade não dura se quisermos escapar ao superficial e escavar um pouco mais o problema. O Davi de Michelangelo é arte, e não se discute. Entretanto, eu abro um livro consagrado a um artista célebre do século XX, Marcel Duchamp, e vejo entre suas obras, conservado em museu, um aparelho sanitário de louça, absolutamente idêntico aos que existem em todos os mictórios masculinos do mundo inteiro. Ora, esse objeto não corresponde exatamente à ideia que eu faço da arte. Assim, a questão que há pouco propusemos – como saber o que é ou não é obra de arte – de novo se impõe. Já vimos que responder com uma definição que parte da “natureza” da arte é tarefa vã. Mas, se não podemos encontrar critérios a partir do interior mesmo da noção de obra de arte, talvez possamos descobri-los fora dela. Para decidir o que é ou não arte, nossa cultura possui instrumentos específicos. Um deles, essencial, é o discurso sobre o objeto artístico, ao qual reconhecemos competência e autoridade. Esse discurso é o que proferem o crítico, o historiador da arte, o perito, o conservador de museu. São eles que conferem o estatuto de arte a um objeto. Nossa cultura também prevê locais específicos onde a arte pode manifestar- se, quer dizer, locais que também dão estatuto de arte a um objeto. Num museu, numa galeria, sei de antemão que encontrarei obras de arte; num cinema “de arte”, filmes que escapam à “banalidade” dos circuitos normais; numa sala de concerto, música “erudita” etc. Esses locais garantem-me assim o rótulo “arte” às coisas que apresentam, enobrecendo-as. Desse modo, para gáudio1 meu, posso despreocupar- -me, pois nossa cultura prevê instrumentos que determinarão, por mim, o que é ou não arte. Para evitar ilusões, devo prevenir que a situação não é assim tão rósea. Mas, por ora, o importante é termos em mente que o estatuto da arte não parte de uma definição abstrata do conceito, mas de atribuições feitas por instrumentos de nossa cultura, dignificando os objetos sobre os quais ela recai. (O que é arte, 2013. Adaptado.) 1gáudio: alegria; júbilo. FAMEMAQUESTÃO 9 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 6 Em “Para evitar ilusões, devo prevenir que a situação não é assim tão rósea.” (6° parágrafo), o termo sublinhado pode ser substituído, sem prejuízo de sentido para o texto, por: A simples. B curiosa. C enfadonha. D instigante. E louca. UCSQUESTÃO 10 O ignorante não sabe que o é Contardo Calligaris Lena Dunham é a autora e a protagonista de “Girls”, o seriado da HBO que estreia sua última temporada nesta semana. “Girls” é “Sex in the City”, mas para gente grande – o que é irônico, porque o pessoal de “Girls” é mais jovem do que o pessoal de “Sex in the City”. Enfim, Lena Dunham, pela boca [5] de sua personagem Hannah, reconheceu: “Tenho forte opinião sobre tudo. Mesmo em tópicos sobre os quais sei pouco a respeito”. Talvez você não goste de Lena Dunham e pule de alegria porque ela finalmente admitiu o que você sempre pensou dela (ou seja, que ela é “metida” mesmo). Pois bem, não pule. O que Dunham disse é apenas uma regra universal e incontestável: ao [10] tomar posição sobre qualquer tópico, quanto menos soubermos, tanto mais mostraremos e sentiremos uma certeza absoluta. E quanto maior nossa incompetência, tanto maior será nossa convicção na hora de agir. Em 1995, o sr. McArthur Wheeler assaltou dois bancos depois de molhar o rosto com suco de limão, absolutamente convencido de que [15] o suco funcionaria como tinta invisível e não deixaria seu rosto aparecer nas gravações das câmeras de segurança. Todos podemos ter ideias erradas, mas só os grandes incompetentes se avaliam como extremamente competentes. O fenômeno foi comprovado em 1999 por David Dunning e Justin Kruger, [20] psicólogos da Universidade Cornell, em uma série de experiências coma prática médica, o jogo de xadrez, a capacidade de dirigir um carro, etc. Em cada caso, as pessoas incompetentes não reconheciam o tamanho de sua incompetência – só começavam a reconhecer sua incompetência efetiva se e quando elas treinassem e se instruíssem para se tornarem competentes. [25] Ou seja, quanto mais a gente é ignorante e incompetente, mais a gente tem certezas radicais e passionais. Inversamente, quem se afasta de sua incompetência (informando-se ou formando-se) torna-se mais humilde e mais disposto a duvidar de si. Em suma, ignorância e incompetência produzem uma ilusão interna de saber e competência. Inversamente, saber [30] e competência produzem uma certa _________ do sujeito, que passa a duvidar de si. É possível pensar que a certeza passional seja uma maneira de compensar (e esconder) nossa própria ignorância ou incompetência. Mas, de qualquer forma, a explicação é intuitiva: quanto menos eu souber (do que for: de [35] motor de carro, de política econômica, de teatro, de amor, etc.), tanto menos saberei medir o que não sei. Inversamente, quem sabe mede facilmente que só sabe uma pequena parte do que gostaria de saber. Sócrates dizia que ele só sabia que nada sabia. Por isso mesmo, o resultado da pesquisa pareceu tão esperado que Dunning e Kruger, em 2000, ganharam o prêmio Ig Nobel [40] de irrelevância. Mas Dunning continuou e, em 2005, publicou um livro, “Self- Insight”, cujas implicações são úteis. Em época de grandes paixões e conflitos – ou, como se diz, de polarizações – mundo afora, vale _________ pena lembrar que a certeza (ainda mais quando for passional) é proporcional à ignorância e à [45] incompetência. Aplique isso ao campo da moral, da política e da religião: a ignorância é a grande mãe de quase qualquer extremismo. O psicanalista Jacques Lacan disse um dia que só os teólogos conseguiam ser verdadeiros ateus: o saber e a competência nos afastam da certeza. Enfim, alguém poderia se preocupar especificamente com uma [50] consequência disso tudo: se a ignorância e a incompetência nos oferecem certezas (falsas, mas tanto faz), será que isso não significa que os ignorantes e os incompetentes são os mais aptos a agir? Será que o excesso de competência e de saber nos levariam a dúvidas sofridas e, portanto, _________ incapacidade de agir? Por exemplo, deve ser fácil [55] decidir a política dos EUA a partir do noticiário da televisão, mas se você lesse e estudasse todos os relatórios preparados pelas diferentes fontes que informam o presidente, então a tomada de decisão se tornaria complicada, _________. Obviamente, essa não é uma razão para se render às facilidades da incompetência. Tampouco é uma razão para não agir. Para agir, é preciso [60] aceitar que a qualidade de um ato apareça nas dúvidas e não na certeza de quem age, porque, como já dizia Touchstone, o bobo de “As You Like it” (mais de 400 anos antes de Dunning e Kruger), “o idiota pensa que é sábio, enquanto o sábio é aquele que sabe de ser idiota”. Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/colunas/contardoc alligaris/2017/02/1858984-o-ignorante- -nao-sabe-que-o- e.shtml>. Acesso em: 2 mar. 17. (Adaptado.) Assinale a alternativa em que o termo presente na COLUNA B melhor substitui, no texto, o da COLUNA A, mantendo-se a sinonímia a mais aproximada possível. A B C D E TEXTO BASE 7 Leia o texto a seguir para responder a questão: Casos de depressão e ansiedade aumentaram na pandemia Uma pesquisa publicada na revista científica The Lancet, na sexta-feira (8), mostra que os casos de depressão aumentaram 28% e os de ansiedade 26% no mundo todo durante a pandemia da Covid-19. As mulheres e os jovens entre 20 e 24 anos foram os mais afetados. O estudo é liderado por Damian Santomauro, da Escola de Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade de Queensland, na Austrália, e envolveu mais 65 pesquisadores. […] “Este é, até onde sabemos, o primeiro estudo a identificar e a analisar sistematicamente os dados da pesquisa de saúde mental da população e a quantificar o impacto resultante da pandemia da Covid-19 na prevalência desses dois transtornos por localização, idade e sexo em 2020”, escreveram os autores. A equipe encabeçada por Santomauro estima que ocorreram 246 milhões de casos de transtorno depressivo maior e 374 milhões de casos de transtornos de ansiedade em todo o mundo em 2020 – o aumento do primeiro foi de 28% e o do segundo foi 26% maior do que o esperado, se a pandemia não tivesse existido. Cerca de dois terços (66,67%) desses casos extras de transtorno depressivo e 68% dos casos de ansiedade ocorreram entre mulheres. Os jovens foram mais afetados do que os adultos mais velhos, com casos extras em pessoas entre 20 e 24 anos. “As responsabilidades adicionais de cuidar da família devido ao fechamento de escolas ou devido a doenças de familiares têm maior probabilidade de recair sobre as mulheres. Elas têm maior probabilidade de sofrer desvantagens financeiras durante a pandemia, devido a salários mais baixos, […] e empregos menos seguros do que os dos homens”, observaram os autores. “As mulheres também são mais propensas a serem vítimas de violência doméstica, cuja prevalência aumentou durante o confinamento.” A Unesco declarou a Covid-19 como a interrupção mais severa da educação global na história, estimando que 1,6 bilhão de alunos em mais de 190 países ficaram totalmente ou parcialmente fora da escola em 2020. Com o fechamento de escolas e restrições sociais mais amplas, os jovens foram impedidos de se reunir em espaços físicos, afetando sua capacidade de aprender e de interagir com os pares. Além disso, os jovens têm maior probabilidade de ficar desempregados durante e após as crises econômicas do que as pessoas mais velhas”, relata o estudo. A pesquisa conclui que “a pandemia gerou uma urgência cada vez maior para fortalecer os sistemas de saúde mental na maioria dos países. As estratégias de mitigação podem incorporar maneiras de promover o bem-estar mental e direcionar os determinantes de saúde mental precária e intervenções para tratar pessoas com transtorno mental. Não tomar medidas para lidar com o fardo do transtorno depressivo maior e dos transtornos de ansiedade não deve ser uma opção”. HAIDAR, Sílvia. Casos de depressão e ansiedade aumentaram na pandemia. Disponível em: https://saudemental.blogfolha.uol.com.br/2021/10/13/casos-. Acesso 15 out. 2021. Adaptado. UNITAUQUESTÃO 11 PARA RESPONDER À QUESTÃO, LEIA O TEXTO BASE 7 No trecho “As estratégias de mitigação podem incorporar maneiras de promover o bem-estar mental e direcionar os determinantes de saúde mental precária e intervenções para tratar pessoas com transtorno mental”, a palavra destacada pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido do texto, por: A eliminação B atenuação C precaução D motivação E intervenção TEXTO BASE 8 TEXTO Leia o texto abaixo e responda à questão. O CORPO ESCRITO DA LITERATURA À escrita se faz com o corpo, e daí sua pulsação, seu ritmo pulsional, sua respiração singular, sua rebeldia, às vezes domada pela força da armadura da língua, pela sintaxe, freios e ordenamentos. Assim, nunca são puras ideias abstratas que se escrevem e por isso, quando se lida com a escrita alheia do escritor ou do escrevente comum, como leitor ou crítico, toca-se em textos, com as mãos, com os olhos, com a pele. Tal gesto pode irritar profundamente aquele que escreveu, como se seu corpo sofresse uma agressão ou uma invasão indevida, da qual ele tem que se defender, sob o risco de se ver ferido por um olhar ou mão estranha, Por isso, aquele que escreve, a todo momento, talvez tente se explicar, se suturar, na tentativa de se preservar de um outro intrusivo, que fala de um lugar que nem sempre é o da cumplicidade especular, obrigando a um dizer outro que ele - o que escreve - recusa, desconhece ou simplesmente cala. O escrever tem a ver com uma intimidade que, no entanto, sempre se volta para fora, paradoxalmente se mascarando e se desvelando, ao mesmo tempo.