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PSICONEUROIMUNOLOGIA
FISIOLOGIA DO SISTEMA IMUNE
É o estudo das interações entre o sistema nervoso e o sistema imunológico.
Impulsionada pela medicina psicossomática e pelo interesse em
compreender as relações entre corpo e mente. Inicialmente, o sistema
imunológico era visto como autônomo, mas hoje sabemos que ele trabalha
em conjunto com outros sistemas do corpo, especialmente o sistema
nervoso, para manter o equilíbrio interno.
Pesquisas mostram que distúrbios psiquiátricos frequentemente estão
associados a alterações no sistema imunológico. Essas alterações podem
ter um papel importante em transtornos como depressão, esquizofrenia e
doença de Alzheimer. Compreender essa ligação entre as mudanças no
sistema imunológico e os transtornos psiquiátricos está aproximando a
psiquiatria da medicina geral, abrindo novas perspectivas terapêuticas.
Essa área de estudo é crucial para uma compreensão mais completa da
saúde mental e física, mostrando como aspectos emocionais e mentais
podem influenciar diretamente a saúde do corpo.
O sistema imune é organizado em
órgãos linfoides, vasos linfáticos,
leucócitos circulantes e moléculas
solúveis, incluindo complemento,
imunoglobulinas e citocinas.
Ele tem dois braços principais: a
imunidade inata e a adaptativa. 
A imunidade inata é a parte não específica do sistema imune, composta por
barreiras naturais, como pele, mucosas, secreções e microbiota, e por vários
tipos de leucócitos que agem rapidamente contra infecções. 
Se os mecanismos da imunidade inata falham, entram em ação os
mecanismos mais específicos da imunidade adaptativa: l infócitos T, linfócitos
B e produção de imunoglobulinas. 
As células dendríticas são especializadas em capturar antígenos e apresentá-
los às células T nos linfonodos, sendo a primeira etapa da resposta imune
adaptativa. 
As células T são subdivididas em células T auxiliares (Th ou CD4+) e T
citotóxicas (Tc ou CD8+). As células Th1 secretam principalmente interferon-
gama (IFN-g) e interleucina-2 (IL-2), que potencializam várias funções da
imunidade celular. 
Já as células Th2 secretam outras citocinas que auxiliam na resposta
humoral com a produção de imunoglobulinas pelas células B. Além disso,
foram identificados outros subtipos de células CD4+ com funções específicas.
PSICONEUROIMUNOLOGIA
INTERAÇÕES NEUROIMUNOENDÓCRINAS
Os sistemas nervoso, endócrino e imune se comunicam entre si para
manter o equilíbrio do organismo. O eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal
regula a interação entre esses sistemas, influenciando os níveis de cortisol
no corpo. 
Em casos de depressão, os níveis de cortisol podem aumentar, levando à
imunossupressão. Pacientes com depressão recorrente e histórico de
trauma na infância podem apresentar níveis reduzidos de cortisol ao longo
do dia. Essas alterações afetam o sistema imunológico, impactando as
funções celulares e a produção de citocinas. 
O aumento do cortisol também pode afetar a movimentação dos leucócitos
entre o sangue e os tecidos, influenciando as respostas imunes.
A observação de comportamento doente em animais identificou sinais
comuns, como prostração e redução da atividade, independentemente da
causa da doença. 
Inicialmente, esse comportamento foi considerado uma resposta
adaptativa para economizar energia e proteger o organismo. Atualmente,
é visto como uma expressão de um estado motivacional relacionado à
homeostase do organismo. 
Citocinas pró-inflamatórias desempenham papel na gênese desse
comportamento. Em humanos, o uso terapêutico de citocinas mostrou
impacto no comportamento, como no caso de pacientes com hepatite C
crônica em tratamento com interferon IFN-α . Este interferon é um potente
indutor de citocinas pró-inflamatórias e está associado a alterações
neuroquímicas e neuropsiquiátricas. 
Essas descobertas levaram à investigação do papel dos mecanismos
inflamatórios em transtornos do humor e outros distúrbios
neuropsiquiátricos.
COMPORTAMENTO DE DOENTE
PSICONEUROIMUNOLOGIA
O estresse durante a gestação e após o nascimento aumenta o risco de
doenças psiquiátricas, como depressão e TEPT, devido a mudanças no
sistema imunológico e endócrino. Essas condições estão associadas a alta
atividade inflamatória, afetando o cérebro e contribuindo para doenças
físicas. Estudos também apontam para a relação entre transtornos
psiquiátricos e a inflamação. Além disso, o envelhecimento e a depressão
podem ser fatores de risco para a doença de Alzheimer, que também tem
processos inflamatórios envolvidos. O uso crônico de anti-inflamatórios
não esteroides pode reduzir o risco de desenvolvimento da doença de
Alzheimer, mas em estágios avançados da doença, esses medicamentos
não demonstraram melhora nos sintomas cognitivos. Em estágios iniciais,
estratégias anti-inflamatórias podem influenciar a instalação da doença de
Alzheimer.
ALTERAÇÕES IMUNES NAS DOENÇAS PSIQUIÁTRICAS
IMAGENS
PSICONEUROIMUNOLOGIA
(A) o reconhecimento de antígenos pela imunidade inata induz a liberação de
citocinas pró‐inflamatórias.
(B) essas citocinas, por sua vez, podem sinalizar ao cérebro a presença da infecção
pelo contato com fibras aferentes do nervo vago ou por regiões impermeáveis.
(C)regiões permeáveis da barreira hematencefálica e moléculas transportadoras.
(D) uma vez no cérebro, os sinais enviados pelas citocinas participam de vias
conhecidas no desenvolvimento da depressão, incluindo (i) o metabolismo de
neurotransmissores, como serotonina e dopamina; (ii) a ativação do hormônio
liberador de corticotrofina (crH) no núcleo paraventricular (PvN) e,
subsequentemente, (ii i) a produção de hormônio adrenocorticotrófico (actH) e
glicocorticoides.
(E) glicocorticoides (cortisol)
(F) a exposição a estressores ambientais e psicológicos aumenta o tônus nervoso
simpático, com a liberação de noradrenalina (Ne), ou parassimpático, por meio da
secreção de acetilcolina (ach) pelo nervo vago eferente. os glicocorticoides, a Ne e a
ach induzem várias mudanças imunológicas relevantes para a fisiopatologia dos
transtornos do humor.

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