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GESTÃO MERCADOLÓGICA II CURSOS DE GRADUAÇÃO – EAD Gestão Mercadológica II – Prof. Ms. Francisco de Assis Breda e Prof.a Thais Moraes Breda Meu nome é Francisco de Assis Breda, sou mestre em Gestão Empresarial pelo Uni-FACEF – Centro Universitário de Franca – SP e graduado em Administração pela mesma instituição. Atuo como professor e coordenador universitário no curso de Admi- nistração – modalidades presencial e a distância – e, também, nos cursos de Pós-graduação MBA em Administração e Pós- -graduação em Gestão Educacional do Claretiano de Batatais. Tenho, também, grande experiência na área de gestão adminis- trativa de instituições de ensino privadas. e-mail: breda@claretiano.edu.br Olá! Meu nome é Thaís Moraes Breda. Sou publicitária, gradu- ada em Comunicação Social, com habilidade em Publicidade e Propaganda pela faculdade Uni-FACEF de Franca – SP. Além dis- so, possuo MBA em marketing estratégico pela mesma institui- ção. Minha área de pesquisa é sobre o comportamento do con- sumidor. Atualmente, trabalho como coordenadora do setor de marketing em uma loja de hidráulicos e elétricos. Coloco-me à disposição para contribuir com todos vocês, alunos da EAD, para uma aprendizagem significativa. e-mail: thais_breda@hotmail.com Fazemos parte do Claretiano - Rede de Educação GESTÃO MERCADOLÓGICA II Caderno de Referência de Conteúdo Francisco de Assis Breda Thaís Moraes Breda Batatais Claretiano 2013 Fazemos parte do Claretiano - Rede de Educação © Ação Educacional Claretiana, 2008 – Batatais (SP) Versão: dez./2013 658.8 B842g Breda, Francisco de Assis Gestão mercadológica II / Francisco de Assis Breda, Thaís Moraes Breda – Batatais, SP : Claretiano, 2013. 196 p. ISBN: 978-85-67425-14-6 1. Gestão de distribuição nas empresas. 2. Varejo. 3. Marcas e embalagens. 4. Canais de Marketing. 5. Franchising. 6. Administração das comunicações de Marketing. 7. Propaganda. 8. Promoção de vendas. 9. Marketing direto. 10. Relações públicas. 11. Publicidade. 12. Venda pessoal. 13. Comportamento do consumidor. I. Breda,Thaís Moraes. II. Gestão mercadológica II. CDD 658.8 Corpo Técnico Editorial do Material Didático Mediacional Coordenador de Material Didático Mediacional: J. Alves Preparação Aline de Fátima Guedes Camila Maria Nardi Matos Carolina de Andrade Baviera Cátia Aparecida Ribeiro Dandara Louise Vieira Matavelli Elaine Aparecida de Lima Moraes Josiane Marchiori Martins Lidiane Maria Magalini Luciana A. Mani Adami Luciana dos Santos Sançana de Melo Luis Henrique de Souza Patrícia Alves Veronez Montera Rita Cristina Bartolomeu Rosemeire Cristina Astolphi Buzzelli Simone Rodrigues de Oliveira Bibliotecária Ana Carolina Guimarães – CRB7: 64/11 Revisão Cecília Beatriz Alves Teixeira Felipe Aleixo Filipi Andrade de Deus Silveira Paulo Roberto F. M. Sposati Ortiz Rodrigo Ferreira Daverni Sônia Galindo Melo Talita Cristina Bartolomeu Vanessa Vergani Machado Projeto gráfico, diagramação e capa Eduardo de Oliveira Azevedo Joice Cristina Micai Lúcia Maria de Sousa Ferrão Luis Antônio Guimarães Toloi Raphael Fantacini de Oliveira Tamires Botta Murakami de Souza Wagner Segato dos Santos Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, a transmissão total ou parcial por qualquer forma e/ou qualquer meio (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação e distribuição na web), ou o arquivamento em qualquer sistema de banco de dados sem a permissão por escrito do autor e da Ação Educacional Claretiana. Claretiano - Centro Universitário Rua Dom Bosco, 466 - Bairro: Castelo – Batatais SP – CEP 14.300-000 cead@claretiano.edu.br Fone: (16) 3660-1777 – Fax: (16) 3660-1780 – 0800 941 0006 www.claretianobt.com.br SUMÁRIO CADERNO DE REFERÊNCIA DE CONTEÚDO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 7 2 ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO ............................................................................. 8 UNIDADE 1 – COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR 1 OBJETIVOS .......................................................................................................... 27 2 CONTEÚDOS ....................................................................................................... 27 3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE .................................................... 27 4 INTRODUÇÃO À UNIDADE .................................................................................. 29 5 PROCESSO DE COMPRA DO CONSUMIDOR ....................................................... 31 6 INFLUÊNCIAS SOBRE O COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR ......................... 38 7 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ............................................................................ 56 8 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................... 57 9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 58 UNIDADE 2 – PROMOÇÃO 1 OBJETIVOS .......................................................................................................... 59 2 CONTEÚDOS ....................................................................................................... 59 3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE .................................................... 60 4 INTRODUÇÃO À UNIDADE .................................................................................. 60 5 PROCESSO DE COMUNICAÇÃO .......................................................................... 61 6 DESENVOLVIMENTO E ADMINISTRAÇÃO DA COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING ..........................................................................................................63 7 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ............................................................................ 78 8 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................... 79 9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 79 UNIDADE 3 – MIX DE COMUNICAÇÃO 1 OBJETIVOS .......................................................................................................... 81 2 CONTEÚDOS ....................................................................................................... 81 3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE .................................................... 82 4 INTRODUÇÃO À UNIDADE .................................................................................. 83 5 PROPAGANDA .................................................................................................... 84 6 RELAÇÕES PÚBLICAS .......................................................................................... 90 7 PROMOÇÃO ....................................................................................................... 102 8 MARKETING DIRETO ......................................................................................... 108 9 EVENTOS E EXPERIÊNCIAS .................................................................................. 114 10 MERCHANDISING ................................................................................................115 11 VENDAS PESSOAIS ............................................................................................. 117 12 FRANCHISING..................................................................................................... 120 Claretiano - Centro Universitário 13a comprar tam- bém é um fator de consideração na comercialização. A compra de um produto novo destinado às donas de casa pode estimular o consumo de um produto semelhante por algum vizinho. O mesmo acontece com a compra de um automóvel, de um modelo com design moderno e esportivo. Para Las Casas (2005, p. 144): Um vendedor poderá aproveitar esta situação favorável, após a ven- da de seu produto, para oferecer aos demais moradores do bairro. Diz-se que a influência dos grupos de referência é mais expressiva quanto mais visível for o produto aos olhos dos outros. A marca de um pneu não terá tanta influência de um grupo de referência como terá a marca de um automóvel. 43© U1 - Comportamento do Consumidor Claretiano - Centro Universitário De acordo com o autor, além dos grupos primários de influ- ências mais diretas, existem outros grupos que afetam os indivídu- os com menor intensidade, mas que têm igualdade de importância discutível. São os grupos secundários. Os grupos secundários são formados por associações frater- nais, profissionais, clubes, entre outros. A influência desses grupos não é tão acentuada quanto a dos grupos primários. No entanto, eles interferem de forma variada no comportamento do consumi- dor. Alguém, em determinado momento, poderá comprar certos produtos com o objetivo de simplesmente obter maior aceitação no grupo em que convive. Se o consumidor for jogador de tênis nos fins de semana, por exemplo, ele poderá receber muitas influ- ências de seus colegas para a compra de produtos esportivos. Muitas vezes, o consumidor poderá pertencer a um determi- nado grupo, mas aspirar a pertencer a outro. Essa situação fará que o consumidor compre de acordo com esse grupo de aspiração. Os grupos de aspiração são evidentes na venda de vários produtos e serviços. Há casos em que os grupos estabelecem vo- cabulários próprios, cujo significado apenas seus membros podem entender. É o caso, por exemplo, dos adeptos ao movimento Emo, dos surfistas, dos skatistas, que se identificam com o movimento e procuram utilizar seu vocabulário. Família A família é considerada o nosso grupo de referência primá- rio, além de ser definida como uma unidade social na qual as pes- soas são ligadas pelo sangue e/ou pelo casamento. Ela se caracte- riza, geralmente, por uma residência em comum, pela presença de laços de afeto, por uma obrigação de apoio e cuidado mútuo e por um senso comum de identidade (SHETH, 2001). Podemos considerar a família como um dos determinantes do comportamento do consumidor. Devido ao constante contato entre membros desse grupo social, além de grande credibilidade, © Gestão Mercadológica II44 em muitos casos, a família passa ser uma das fontes mais impor- tantes na determinação de hábitos e costumes. Os pais, principais membros da unidade na família tradicional, são os responsáveis de transmitir aos seus filhos os valores e os comportamentos aceitos na sociedade. Em outras palavras, eles são responsáveis direta- mente pela socialização dos filhos. Exatamente por existir esse tipo de relacionamento mais ín- timo, muitos hábitos são transmitidos na própria unidade familiar. Os pais poderão ter hábitos de compras em determinados locais, e os filhos, automaticamente, poderão assimilar esses hábitos e passar a fazer suas compras nos mesmos locais de seus pais, sim- plesmente por estarem acostumados. A família também influencia na decisão de compra. Para Las Casas (2005), o conhecimento do poder aquisitivo por unidade familiar também será de muito interesse para os estudiosos de marketing. Ao estabelecer estratégias, muitos estudiosos procu- ram conhecer a renda por unidade familiar e não per capita, pois, assim, poderão determinar mais precisamente o poder aquisitivo para a compra de certos produtos que possam beneficiar todos os membros da família, como eletrodomésticos e móveis. Do ponto de vista mercadológico, a família difere-se dos gru- pos de referência maiores porque seus membros precisam satisfa- zer suas necessidades individuais e partilhadas, recorrendo a um suprimento de recursos comuns e relativamente fixos. Embora a vida em família seja uma situação comum e cotidiana, algumas de suas características são muito importantes para os profissionais de marketing. Por exemplo, um aspecto muito interessante da estru- tura da família é que, tipicamente, somos membros de duas famí- lias. Primeiro da família em que nascemos, a chamada família de orientação; e, mais tarde, de uma família de procriação, por meio do casamento (para algumas pessoas). Esse padrão, que é a maio- ria, estabelece uma família nuclear, que consiste em pais e filhos 45© U1 - Comportamento do Consumidor Claretiano - Centro Universitário vivendo em conjunto, e, também, em uma família extensa, que inclui à família nuclear os precedentes, que são as tias, os tios, os avós, os parentes por afinidade etc. De acordo com Schewe e Smi- th (2005), todas essas pessoas influenciam a nossa vida e o nosso comportamento de compra. Você sabia que esse sistema de duas famílias tem alguns efeitos definitivos para o marketing? Isso ocorre porque a maioria dos jovens casais começa do "zero" em termos de habitação, mobiliário, carros e várias outras coisas essenciais para construir e montar uma casa, o que, obvia- mente, cria um grande mercado a ser servido com produtos e ser- viços. O estilo de vida da família também influencia o comportamento de seus membros no aspecto de educação, lazer, experiências e obje- tivos particulares ou comuns, e determinam os hábitos familiares como leitura, assistir à televisão ou jantares fora de casa. A união da família, que antes significava fazer as coisas juntos, hoje em dia significa ficar no mesmo domicílio fazendo suas próprias coisas (SCHIFFMAN; KANUK, 1997, p. 225). Para que você possa compreender melhor, observe, no Qua- dro 3, alguns exemplos de situações familiares: Quadro 3 Situações familiares. 1) Jovem solteiro morando sozinho Tem renda limitada, mas uma grande latitude em sua utilização. Além dos bens duráveis, indispensáveis para equipar sua primeira residência extrafamiliar, seus recursos possibilitam que siga a moda (roupas, restaurantes) e que se distraia em festas e férias. 2) Jovens casais sem filhos Têm renda ascendente, especialmente em razão da atividade profissional da esposa. Os bens duráveis e o lazer representam uma parte importante de despesas. © Gestão Mercadológica II46 3) Adultos casados com filhos com menos de 6 anos A chegada do primeiro filho obriga, por vezes, a mãe a parar de trabalhar e a renda familiar diminui, enquanto as despesas aumentam: casa maior, equipamento mais completo (lava-roupas, lava-louças), bem como todos os produtos necessários para a criança. Fica difícil poupar. 4) Adultos casados com filhos com mais de 6 anos A situação financeira melhora graças ao progresso profissional do marido e à retomada de atividade remunerada da esposa. As necessidades das crianças continuam sendo predominantes, mas se diversificam: é a idade das bicicletas, das despesas escolares e das atividades extras. 5) Casais idosos com responsabilidade de filhos Com o conforto financeiro, a família troca os móveis, compra um segundo automóvel e finaliza o equipamento da casa. A educação e a saúde absorvem parte importante do orçamento. 6)Casais idosos, sem responsabilidade dos filhos e com chefe de família ativo A situação financeira conhece aqui seu apogeu. O nível dos recursos obtidos possibilita que, uma vez satisfeitas as necessidades fundamentais, se possa comprar produtos de luxo, bem como se dedicar a viagens, lazer e à poupança de dinheiro para a aposentadoria. 7)Casais idosos, sem responsabilidade de filhos e com o chefe de família inativo A renda cai bruscamente, enquanto as despesas com saúde aumentam. Às vezes, procura-se uma residência menor. 8) Idoso sozinho e ativo A renda é elevada, considerando, especialmente, aspoucas necessidades. Em alguns casos, as viagens, o lazer e a saúde ocupam um lugar importante. 9) Idoso sozinho e aposentado A renda diminui. As necessidades são, basicamente, atenção, afeto e segurança. Fonte: Karsaklian (2002, p. 193-194). Ainda de acordo com Karsaklian (2000, p. 193), "O ciclo de vida familiar constitui uma série de estágios relativos ao modo como uma família se forma, cresce, desenvolve e muda seus pa- drões de consumo". 47© U1 - Comportamento do Consumidor Claretiano - Centro Universitário Após a análise do Quadro 3, você pôde observar que, à me- dida que uma pessoa nasce em uma família, cresce e estabelece sua própria família, muitas modificações ocorrem em seus valores e em seu comportamento geral. O comportamento do consumo familiar, ao contrário do que imaginamos, não é uma preocupação apenas dos profissionais de marketing. Acompanhe o que apresenta o breve texto a seguir. Comportamento do consumo familiar –––––––––––––––––––– O comportamento do consumo familiar não é só preocupação dos profissionais de marketing, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE iniciou dia 19 de maio de 2008 seu maior estudo sobre o modo de consumir e de viver da família brasileira. Este estudo, denominado Pesquisa de Orçamentos Familiares – POF 2008/2009, investigará 65 mil residências em todo o país, para apurar o peso, a estatura, a renda de cada morador, as despesas coletivas e individuais da família, o consumo de alimentos dentro e fora do lar, o consumo de produtos orgânicos, light e diet, a utilização de despesas relacionadas à saúde, ao turismo e à cultura e até se as famílias fazem a separação e a coleta seletiva do lixo. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Atitudes As atitudes consistem no conhecimento e nos sentimentos positivos ou negativos a respeito de algum objeto. As atitudes são fatores determinantes no processo de compra. Elas são apreen- didas, normalmente, no convívio dos indivíduos com os grupos sociais que frequentam. Dessa forma, podemos encontrar no mer- cado pessoas com atitudes favoráveis ou desfavoráveis a determi- nados assuntos. As atitudes geralmente são estáveis e não mudam repentinamente. Mudar uma atitude desfavorável é um trabalho difícil e re- quer grandes investimentos. As associações e entidades que pro- curam defender alguma causa, como, por exemplo, diminuir o ín- dice de viciados em tóxicos, deverá investir muito em propagandas para mudar a atitude desses indivíduos. O mesmo ocorre para mu- dar qualquer outra atitude contrária. Portanto, é importante analisarmos e conhecermos bem as atitudes dos consumidores em relação aos seus produtos e costu- © Gestão Mercadológica II48 mes de compra, pois isso poderá sugerir esforços especiais para mudar ou manter alguma situação de mercado. Para os adminis- tradores de marketing, vale salientar que observar qualquer tipo de atitude do consumidor na hora da compra é um trabalho mi- nucioso. Normalmente, as atitudes são determinadas por meio de pesquisas que procuram identificar a opinião dos consumidores. Personalidade Cabe observarmos aqui o quanto é importante o estudo da personalidade do consumidor para a área de pesquisa. Uma importante contribuição para a teoria da personalidade foi-nos concedida por Sigmund Freud. Segundo ele, a personalida- de é constituída de um id, que é herdado, constituindo-se parte da energia psíquica que leva à ação. Além deste, outro componente da personalidade é o superego, que é a representação dos valores da sociedade, em nível interno. O ego é o elo entre o id e o superego, pois ele controla todos os impulsos do id, tornando as satisfações em comportamentos socialmente aceitáveis. As pesquisas motivacionais usam muito a essência dessa teoria, pois compreender o conhecimento dos en- trevistados com profundidade exige o uso das técnicas propostas pela teoria psicanalítica. Satisfação do consumidor Atualmente, há uma valorização maior do consumidor no processo de comercialização. Isso se deve, em parte, à grande di- vulgação das técnicas de qualidade total que se iniciam com o en- tendimento das expectativas dos consumidores. Há, também, uma maior valorização do consumidor devido à concorrência acirrada encontrada em certos mercados. Além disso, com o acesso ao con- sumo, os clientes estão tornando-se mais exigentes e procurando maior atenção por parte dos comerciantes. Apesar de essa orien- tação ao consumidor ter sido iniciada pelas práticas mercadológi- cas, hoje em dia, são vários os setores que reconhecem a impor- 49© U1 - Comportamento do Consumidor Claretiano - Centro Universitário tância dos consumidores em suas atividades, tais como: Finanças, Administração, Recursos Humanos etc. Porém, o que se percebe diante dessa situação é que o dis- curso pode ser intenso, mas a aplicação prática não. São poucas as empresas que realmente aplicam uma orientação verdadeira aos seus clientes. Para Las Casas (2005), muitos alegam que a dificul- dade de implantação dessa filosofia é que o elemento humano, o lado pessoal de qualquer técnica administrativa, esbarra em fato- res culturais. O brasileiro, por exemplo, não tem a cultura de servir; a inca- pacidade dos prestadores de serviços deve-se à falta de educação e aos baixos salários. No entanto, colocações desse tipo servem muito mais para justificar fracassos do que para buscar caminhos para atingir os objetivos. Assim, a solução é dar treinamento em todos os níveis, usan- do a comunicação adequada. Persuadir os funcionários e gratificá- los pelos resultados alcançados têm sido a prática mais comum nas empresas, o que garantirá, consequentemente, o bom atendi- mento e a satisfação do consumidor. Influências de marketing Você se recorda do composto de marketing ou marketing mix? Caso você não se lembre, vamos recordar. Composto de marketing ou marketing mix é o conjunto de quatro ferramentas que a empresa utiliza na criação de valor para o cliente: 1) Produto: visa à satisfação das necessidades e dos dese- jos dos consumidores. 2) Preço: é o custo para o consumidor. 3) Promoção: é a forma de se comunicar com o consumi- dor. 4) Praça: é a conveniência para o consumidor, ou seja, onde o consumidor pode encontrar o produto. © Gestão Mercadológica II50 De acordo Churchill e Peter (2003), cada elemento do com- posto de marketing tem potencial para afetar o processo de com- pra em vários estágios. Acompanhe o Quadro 4: Quadro 4 As influências de marketing atuando no processo de compra. Produto Aspectos como novidade do produto, complexidade e qualidade percebida, aparência física, embalagem e rotulagem podem influenciar o comportamento de compra do consumidor. Cientes disso, os profissionais de marketing pesquisam como os consumidores respondem a esses aspectos. Preço Influencia o comportamento de compra quando o consumidor está avaliando alternativas e chegando a uma decisão. Muitas vezes ele pode dar preferência a produtos mais baratos. Contudo, em outras ocasiões, o preço baixo pode dar a impressão de baixa qualidade. Os profissionais de marketing devem, então, analisar como o consumidor percebe o preço; se muito alto, muito baixo ou correto. Comunicação A estratégia de promoção pode influenciar os consumidores em todos os estágios do processo de compra. As mensagens enviadas pelo profissional de marketing lembram os consumidores de que eles têm um problema e que há uma solução para esse problema. Essas mensagens podem reforçar a decisão de compra. Canais de distribuição Como e onde um produto está disponível influencia se o consumidor irá ou não encontrá-lo. Se um produto estiver amplamente disponível, ele entrará no conjunto considerado de mais consumidores, mas se for distribuído de forma exclusiva, o próprio canal seleciona os consumidores. Os canais pelos quais um produto é oferecido também influenciam a percepção do consumidor sobre a imagem do produto. Fonte: adaptado deChurchill e Peter (2003). Por meio da análise do Quadro 4, pudemos perceber de for- ma mais clara a influência de cada elemento do composto promo- cional. Influências situacionais Algumas influências situacionais podem interferir no pro- cesso de compra do consumidor. Para Churchill e Peter (2003), as principais são: • ambiente físico; • ambiente social; 51© U1 - Comportamento do Consumidor Claretiano - Centro Universitário • tempo/disponibilidade; • natureza da tarefa; • condições momentâneas. Para que você possa compreender melhor, acompanhe, a se- guir, a descrição de cada uma dessas influências situacionais. O ambiente físico influencia o comportamento de compra, sendo formado por características facilmente observáveis na si- tuação de compra. Podem incluir a localização da loja, a exibição das mercadorias, a decoração, a iluminação e o nível de ruído. Há, também, outras influências físicas que estão fora do controle dos profissionais de marketing, como o tempo e o clima. O ambiente social inclui as outras pessoas, as suas carac- terísticas, os papéis que desempenham e a interação entre elas. Isso é facilmente constatado. Por exemplo, observe seu próprio comportamento quando faz compras com um amigo(a), esposo(a) e quando faz compras sozinho, ou, ainda, quando você vai a um supermercado sozinho e quando leva crianças. O tempo/disponibilidade influencia, também, o comporta- mento de compra. Pessoas tomam decisões diferentes, levando em consideração o momento em que ocorre a compra (a hora, o dia da semana ou até a estação do ano). Outro fator que deve ser avaliado é quanto tempo o consumidor dispõe para que a compra seja efetuada. A natureza da tarefa, razão pela qual o consumidor está adquirindo um produto ou serviço, influencia, também, em seu comportamento. Por exemplo, pense em como você se comporta quando procura um presente para um amigo(a) que possui estilo ou gosto diferente do seu. E, finalmente, as condições momentâneas, que também in- fluenciam o comportamento do consumidor, tais como o estado de humor e a condição financeira na hora da compra. Por exemplo, um consumidor cansado pode priorizar alternativas que tornem © Gestão Mercadológica II52 a compra rápida e fácil, ao passo que um consumidor com pouco dinheiro pode dar preferência a promoções ou a lojas que aceitem cartões de crédito. Para compreendermos melhor o que estudamos até este momento, vamos realizar a leitura de um texto que enfoca o com- portamento de compra e a satisfação do cliente. Vejamos: Mantendo seus clientes satisfeitos –––––––––––––––––––––– João Abdalla Neto - consultor – Sebrae Já dizia o velho ditado: é bem melhor ter um passarinho nas mãos do que dois passarinhos voando. Diariamente temos a oportunidade de observar empresas que simplesmente se esquecem de dar atenção devida aos seus clientes atuais e gastam uma imensa energia na desenfreada busca por novos clientes. Há muito tempo os profissionais de marketing constataram que cliente satisfeito e bem atendido representa lucro certeiro. Em pleno século XXI ainda vemos empresas que não praticam um mínimo de ações de marketing para manter seus clientes. Não têm sequer um mísero ca- dastro de clientes. Vemos também muitas empresas que fazem negócios com eles e, depois, simplesmente os abandonam à própria sorte (ou à concorrência, o que é bem pior para o negócio...). Então, meu caro amigo e empresário, não vamos abandonar o cliente, está bem assim? Estamos simplesmente colocando-lhe a importância de qualquer empresa, de qualquer tamanho ou porte, de realizar um trabalho de pós-venda. Basta querer e ter o mínimo de boa vontade. Podemos começar com um exemplo de nossa própria vida pessoal: quando al- guém nos promete algo e não cumpre, ficamos frustrados, para dizer o mínimo. E o cliente como se sente nesse caso então? Garanta que tudo aquilo que foi prometido ao cliente seja cumprido. Se o cliente reclama, tente identificar as razões que o levaram a reclamar e apro- veite essa oportunidade para deixá-lo ainda mais satisfeito, pois nem sempre o cliente tem razão. Outra coisa importante é não deixar que problemas pessoais e externos possam interferir nesse relacionamento, pois se você brigou com a esposa, se seu time perdeu, o cliente não tem nada a ver com isso, certo? O cliente gosta de ser lembrado sempre e, assim, mantenha contato permanente com ele, mas não estamos aqui dizendo para grudar no cliente, pois, nesse caso, ele irá julgar que você é uma pessoa muito inconveniente. Coloque-se sempre no lugar do cliente, assumindo o problema como se fosse efetivamente seu. O cliente vê aí o quanto você se interesse por ele. Todas as pessoas hoje em dia querem ter sua vida facilitada, e assim é o cliente também. Facilite ao cliente fazer negócios com você, não complique com tecnologia ina- cessível e de difícil aprendizado. Tenha sempre iniciativa, saia na frente, aja de maneira preventiva, antecipando-se aos eventuais problemas. 53© U1 - Comportamento do Consumidor Claretiano - Centro Universitário Quando mantiver contato com o cliente, não se esqueça de agradecer pela opor- tunidade que o cliente está lhe dando de falar com ele. Quando você cumprir o que prometeu, tente exceder às expectativas do cliente. Não se esqueça de que o seu trabalho de pós-venda pode ser o início de uma nova venda. Sucesso e excelentes vendas!!! Fonte: disponível em: . Acesso em: 14 jun. 2010 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Com base na leitura do texto do consultor João Abdalla Neto, podemos nos perguntar: o que devemos fazer para “acordar” esse empresário que ainda não enxergou na publicidade uma margem de lucros? É simples: sem investimentos, não há clientes , não há lembrança da sua marca. Quando um cliente estiver dentro do estabelecimento, procure atender a suas necessidades e desejos, execute a venda, mantenha contato com ele, utilizando um siste- ma de cadastro atualizado. O consumidor de hoje é informado e gosta de atenção; assim, poderá retornar ao estabelecimento e fa- zer novas compras. Outro texto que explica o perfil e o comportamento do con- sumidor na hora da compra é A era da Mulherização, o poder de consumo feminino força indústrias a alterar seus produtos e criar novas estratégias de marketing, escrito por Darcio Oliveira, Edu- ardo Pincigher e Daniela Fernandes, e disponível no site . Os autores elaboraram uma pesquisa de mercado para ana- lisar o comportamento feminino na compra de automóveis. Fica clara a influência da mulher na escolha do produto: elas opinam, escolhem e, atualmente, são as comandantes de compra da famí- lia; opinam, inclusive, na compra do automóvel do marido. Em 2008, o Boticário lançou uma campanha do novo carro da Renault, o Clio Sedan, sendo certeiro na escolha do modelo do carro. Hoje, as mulheres representam quase a metade das ven- das do Clio Sedan. Essa parceria de empresas deu muito certo na divulgação de seus produtos, uma vez que a campanha associava © Gestão Mercadológica II54 requinte, luxo, modernidade e beleza; foi uma mistura de produ- tos cosméticos que levou à divulgação e à associação de um auto- móvel criado para esse tipo de público. Outro tipo de campanha certeira para esse público são aque- las que investem em personalidades com as quais as mulheres se identificam. Por exemplo, a Volkswagen chamou a apresentadora Ana Hickman para o lançamento da campanha de vendas de TV do Novo Fox. No comercial, é mostrado que Ana Hickman, apesar de ter 1,20m de pernas, dirige o automóvel confortavelmente. A campanha, portanto, enfoca um carro espaçoso e adequado ao publico feminino, uma vez que possui acessórios no seu interior que as demais marcas não possuem. Assim, as vendas desse carro foram um sucesso, em virtude dessa associaçãoentre a persona- gem da campanha com o público feminino. Como se pode perceber, o público feminino vem ganhando cada vez mais espaço em campanhas de TV e mídia outdoor. Atu- almente, elas representam 70% das opiniões na escolha de um produto, seja ele qual for: para uso pessoal, familiar, entre outros. Além disso, as mulheres estão ganhando cada vez mais espaço no mercado publicitário. As empresas passaram, então, a dar extrema importância para as suas opiniões, tendo em vista que esse públi- co também é um consumidor ativo de produtos. Elas são consu- mistas, mas sabem escolher e opinar na hora certa. Para complementar a leitura do texto, é importante ressal- tarmos que, em 1980, as mulheres adquiriam 18% dos automó- veis novos. Hoje, elas respondem por 42% das vendas. Os seus modelos prediletos são os monovolumes (50%) e os compactos (44%). As montadoras são unânimes na definição: a mulher com- pra o carro “de dentro para fora”, valorizando espaço, conforto e segurança, enquanto o homem adquire o “zero km” de “fora para dentro”, apreciando design, potência etc. Nesse contexto, as jovens solteiras apresentam um forte perfil de consumidor: são extremamente profissionais e têm maior 55© U1 - Comportamento do Consumidor Claretiano - Centro Universitário poder aquisitivo do que a média, podendo gastar com liberdade. De acordo com uma pesquisa realizada pela Mastercard e pela H2R, em que 300 mulheres na faixa dos 30 anos foram entrevis- tadas, mais de 90% delas não concordam com a máxima de que ser sustentada pelo marido é um ideal de vida. Trata-se de uma informação emblemática dos novos tempos. Para concluirmos o estudo desta unidade, disponibilizamos o artigo Consumidor, o rei, extraído do Jornal do Administrador, o qual será fundamental para ampliar seus conhecimentos sobre o comportamento do consumidor. Consumidor, o rei –––––––––––––––––––––––––––––––––––– Consumir é um ato de bem-estar. Se antes a aquisição de produtos era basica- mente para atender as necessidades, hoje o consumo passou a representar tam- bém poder e status. Consome-se pelo consumo, pela sensação de se trocar o celular por um mais moderno ou ainda de se comprar aparelhos multifuncionais, quase sempre para ornamentar prateleiras. Nesse cenário, o difícil é fazer com que o consumidor seja fiel a determinados produtos, como acontecia até pouco mais de uma década, quando ele tinha à sua disposição poucas marcas líderes e confiáveis. Hoje, a história é diferente. A luta pela sobrevivência imposta às empresas, a partir da abertura dos mer- cados, não só contribuiu para a melhoria da qualidade como também foi fator preponderante para o surgimento de uma gama de produtos, tudo para povoar ainda mais o imaginário dos consumidores. Nesse mundo de “infidelidade”, as empresas vêm se esforçando para ficar cada vez mais próximas, literalmente de seus clientes. São seguidos em supermerca- dos, visitados em suas residências ou em ambientes sociais quase sempre por pessoas do alto escalão das empresas, ávidos por informações que contribuam para aperfeiçoar produtos ou lançá-los com a cara do comprador. Na realidade, ao fazerem isso, estão querendo dizer: “queremos vender para você, mas é pre- ciso que diga o que realmente quer” ou ainda “de que forma pretende usar nosso produto”? Essas incursões na vida do consumidor vão desde uma simples pesquisa de mercado a sofisticados estudos etnográficos, ou até por programas que “inva- dem” a mente para descobrir hábitos, comportamentos, desejos e preferências. Não contentes com isso, as empresas também se valem dos chamados SACs (Serviços de Atendimento ao Cliente), antes usados basicamente para ouvir queixas, para coletarem sugestões que possam ser úteis no processo fabril. Ter um consumidor perto da empresa não é apenas tentar descobrir o que ele almeja. É acima de tudo deixá-lo satisfeito, sempre. Em um mundo em que a informação eletrônica é inserida no cotidiano das pessoas em velocidades es- pantosas, ignorar, por exemplo, a força das redes sociais é pedir para ficar à deriva. Essas redes viraram armas nas mãos dos consumidores, tanto pelo lado positivo, ao espalharem as vantagens oferecidas por uma determinada compa- © Gestão Mercadológica II56 nhia, tanto pelo lado negativo, ao divulgarem suas más experiências. Basta ver a conclusão de uma pesquisa realizada pela norte-americana Convergys Corp, com 2 mil entrevistados, na qual o comentário negativo de um usuário de rede social é suficiente para uma empresa perder até 30 clientes. Nunca é demais repetir que o consumidor de hoje está cada vez mais informado, exigente e ciente de seus diretos. Assim, investir em estratégias que fortaleçam o relacionamento traz inúmeras vantagens para os dois lados: para o cliente, que passa a desfrutar de produtos e serviços de melhor qualidade, e para a empresa, que tem a oportunidade de se alinhar às necessidades do seu público-alvo. Em resumo: é um jogo em que todos ganham. Fonte: disponível em: . Acesso em: 25 mai. 2010. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 7. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS Após a leitura do estudo de caso apresentado anteriormen- te, sugerimos que você procure responder, discutir e comentar as questões a seguir, que tratam da temática desenvolvida nesta unidade. Se você encontrar dificuldade em respondê-las, procure revisar os conteúdos estudados para saná-las. Aproveite esse mo- mento para fazer uma revisão desta unidade. Lembre-se de que no ensino a distância a construção do conhecimento se dá de forma cooperativa e colaborativa, portanto compartilhe com seus cole- gas suas descobertas. 1) Como seriam as etapas do processo de compra de um automóvel para uso da mulher, considerando os aspec- tos citados no texto? 2) Como um segmento composto por mulheres poderia decidir sobre o modelo de um automóvel? Reflita sobre os critérios, pesos e escolha final. 3) Quais são as principais influências psicológicas, culturais, sociais e pessoais que afetam o processo de decisão de compra? 4) Quais são as influências culturais e momentâneas de um consumidor que está prestes a comprar um eletroele- trônico? 5) Considerando o processo de compra do consumidor, re- flita sobre as cinco etapas apresentadas a seguir: 57© U1 - Comportamento do Consumidor Claretiano - Centro Universitário • Reconhecimento da necessidade. • Busca de informações. • Avaliação de alternativas. • Decisão de compra. • Avaliação pós-compra. 8. CONSIDERAÇÕES No decorrer dos estudos desta unidade, você pôde conhe- cer um pouco sobre o comportamento do consumidor e os fatores que o influenciam no processo de compra. Pudemos compreen- der, também, o reflexo do reconhecimento da valorização do pa- pel desempenhado por homens e mulheres no comportamento de consumo dentro da sociedade. Além disso, foi possível conhecer os apelos de produtos e serviços que passam a ser dirigidos à sen- sibilização do público feminino. Observamos que, sendo elas (as mulheres) consumidoras po- tenciais e autônomas no processo decisório de consumo, os produ- tos passam a atender a demandas especiais, como, por exemplo, o estofamento do banco que não desfia meias-calças, o espelho no quebra-sol do motorista para retoque do batom e as maçanetas da porta do veículo mais fundo, para que as mulheres não risquem ou quebrem as unhas. Tudo isso faz que as indústrias repensem e voltem sua atenção para a adaptação de seus produtos e apelos, levando suas marcas globais a atender às demandas locais. Na próxima unidade, você terá a oportunidade de aprofun- dar seus estudos sobre os elementos do processo de comunicação, bem como, sobre a comunicação integrada de marketing. Até lá! © Gestão Mercadológica II58 9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRETZKE,M. Marketing de relacionamento. São Paulo: Atlas, 2005. CHURCHILL, G. A.; PETER, J. P. Marketing: criando valor para os clientes. São Paulo: Saraiva, 2003. ENGEL,J. F.; BLACKWELL, R.; MINARD, P. W. Comportamento do consumidor. Rio de Janeiro: LTC, 2000. KOTLER, P. Administração de Marketing: análise, planejamento, implementação e controle. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1996. LAS CASAS, A. L. Marketing: conceitos, exercícios, casos. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2005. OLIVEIRA, D., PINCIGHER, E., FERNANDES, D. A era da mulherização: o poder de consumo feminino força a indústria a alterar produtos e criar novas estratégias de marketing. In: Isto é Dinheiro, 30 abr. 2010. Disponível em: . Acesso em: 20 mai. 2010. SCHIFFMAN, L. G.; KANUK, L. L. Comportamento do consumidor. Rio de Janeiro: LTC, 2000. SCHIWE, C.; SMITH, R. Marketing: conceitos e aplicações. McGraw Hill, 1992. SHETH, J. N.; MITTAL, B.; NEWMAN, B. I. Comportamento do cliente. São Paulo: Atlas, 2001. EA D 2 Promoção 1. OBJETIVOS • Identificar e compreender os elementos do processo de comunicação. • Descrever e explicar as etapas para a elaboração de uma comunicação integrada de marketing. • Identificar e analisar a importância do gerenciamento da comunicação integrada de marketing. 2. CONTEÚDOS • Processo de comunicação. • Desenvolvimento e administração da comunicação inte- grada de marketing. © Gestão Mercadológica II60 3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que você leia as orientações a seguir: 1) Como outra variável controlável do composto mercado- lógico, temos a promoção, com significado de comunica- ção. Portanto, você, futuro administrador, deverá preo- cupar-se com as várias formas dessa variável que sejam eficientes, para informar aos consumidores a respeito de seus produtos e serviços. Aprofunde seus estudos sobre esse assunto! 2) Para que você obtenha maiores informações sobre as pesquisas relacionadas aos indicadores de mensura- ção, tema que será abordado nesta unidade, acesse os seguintes endereços eletrônicos: IBOPE, disponível em: ; e ACNielsen, disponível em: . Acessos em: 21 maio 2010. 3) O curta-metragem que indicamos para esta unidade é fundamental, pois, por meio dele, você poderá refletir sobre o processo de comunicação e como conquistar e convencer o cliente. Esse curta, denominado Meow, apresenta a história de um gato que é convencido a tro- car seu leite por um refrigerante. Para assisti-lo, acesse o site: 4) Assim como você já realizou anteriormente, analise os tópicos mais importantes desta unidade e faça uma rela- ção entre eles; procure identificar a importância do pro- cesso de comunicação e, segundo os autores citados nas referências bibliográficas, faça um comparativo entre o processo e o desenvolvimento da comunicação integra- da de marketing. 4. INTRODUÇÃO À UNIDADE Dando continuidade aos nossos estudos, você terá, nesta unidade, a oportunidade de conhecer o terceiro "P" do composto de marketing, denominado promoção, que se refere à comunica- 61© U2 - Promoção Claretiano - Centro Universitário ção, ou seja, à maneira como a empresa vai comunicar a sua exis- tência e a de seus produtos. Assim, como dizia Chacrinha, "quem não se comunica se trumbica!" – e os profissionais de marketing devem ser conscientes dessa afirmação. Portanto, o “P” da promoção é formado pelo conjunto de ações integradas de comunicação de marketing. 5. PROCESSO DE COMUNICAÇÃO O primeiro passo para se realizar um programa eficaz de co- municação é entender o que é um processo de comunicação, quais seus elementos e, especialmente, como os consumidores reagem aos estímulos causados pela comunicação. Nesse caso, o administrador de marketing deverá preocupar- se com as várias formas que sejam eficientes, a fim de informar aos consumidores com relação a produtos, serviços ou informação da própria imagem da empresa. Quando pensamos no processo de comunicação, devemos considerar os seus principais componentes. Esse processo envolve um comunicador, uma mensagem e um receptor: o comunicador é aquele que tem algo a dizer; a mensagem significa o que se tem a dizer; e o receptor é aquele que recebe a mensagem. Observe a Figura 1: EMISSOR RespostaFeedback Ruído RECEPTORDecodificaçãoCodificação Mensagem Meio Fonte: Kotler e Keller (2006, p. 536). Figura 1 Elementos do processo de comunicação. © Gestão Mercadológica II62 De acordo com Kotler e Keller (2006), os principais elemen- tos do processo de comunicação são as duas partes envolvidas, ou seja, o emissor e o receptor. As ferramentas de comunicação são utilizadas por meio da mensagem e do meio de comunicação utilizado. A codificação, a decodificação, a resposta e o feedback são os elementos que representam as funções de comunicação. Já o ruído é caracterizado pelas mensagens aleatórias e concorrentes que podem interferir no processo de comunicação. Note que o emissor necessita saber qual é o público-alvo que deseja atingir e quais são as reações que pretende gerar. Li- meira (2005) salienta que, para esse processo ser eficaz, é preciso saber de forma antecipada como o consumidor irá decodificar sua mensagem, quais os meios de comunicação que o atingem e qual será a sua resposta ao estímulo da comunicação. Churchill e Peter (2003) dizem que uma maneira de anali- sar os esforços de comunicação é vê-los como influenciadores da atenção, do interesse, do desejo e da ação dos clientes, conforme demonstrado na Figura 2. Observe: Comunicação de Marketing Atenção AçãoDesejoInteresse Fonte: Churchill e Peter (2003, p. 451). Figura 2 O modelo AIDA. O modelo demonstrado na Figura 2, denominado AIDA, des- taca que o processo de comunicação de marketing percorre uma sequência lógica. Observe que a atenção é a primeira resposta do consumi- dor a um processo de comunicação. Logo, o primeiro passo é criar mensagens que despertem a atenção do público-alvo. 63© U2 - Promoção Claretiano - Centro Universitário Depois de chamar a atenção do consumidor, a comunicação de marketing deve despertar o interesse, alcançado por mensa- gens atraentes, envolventes e centradas nos benefícios dos pro- dutos, e não apenas em suas características. Em seguida, se essas informações forem assimiladas, elas podem despertar o desejo ou a intenção de compra do produto. Assim, a ação de compra, que é a resposta final, só será alcançada se os elementos do composto de marketing atuarem de forma integrada e eficaz. Refletindo sobre esse contexto, Churchill e Peter (2003, p. 451) argumentam que: A comunicação eficaz é concebida de forma a ser compreensível e atraente para o público-alvo. Isso significa que é necessário desco- brir quais palavras soam claras para o público-alvo e de que maneira ele interpreta as fotos, imagens e sons utilizados nas mensagens. 6. DESENVOLVIMENTO E ADMINISTRAÇÃO DA CO- MUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING De acordo com Limeira (2005), as atividades de comunica- ção possuem alta visibilidade e requerem um trabalho de planeja- mento e implementação detalhados para alcançar maior eficácia e maior satisfação das partes envolvidas. Observe, na Figura 3, as etapas no desenvolvimento de uma comunicação eficaz, de acordo com o modelo proposto por Kotler e Keller (2006): © Gestão Mercadológica II64 Identificação do público-alvo Gerenciamento da comunicação integrada de marketing Seleção dos canais de comunicação Elaboração da comunicação Mensuração dos resultados da comunicação Decisão sobre o mix de comunicação Determinação dos objetivos Estabelecimento do orçamento Fonte: Kotler e Keller (2006, p. 539). Figura 3 Etapas no desenvolvimento de uma comunicação eficaz. Para que você possa compreender melhor, acompanhe, a se- guir, os detalhes sobre cada uma dessas etapas. Identificação do público-alvo Você sabia que o processo de desenvolvimento de uma co- municação se inicia pela definição do público-alvo? Geralmente, o público-alvo da comunicaçãodeve ser mais abrangente do que o público-alvo do produto, pois deve contem- plar os diversos públicos interessados e envolvidos nas atividades da empresa, como, por exemplo: 65© U2 - Promoção Claretiano - Centro Universitário • usuários e não usuários; • ex-usuários; • possíveis compradores; • clientes da concorrência; • influenciadores de decisão; • formadores de opinião; • formuladores de políticas públicas; • participantes de canais de vendas. É imprescindível destacarmos que o canal de comunicação deve estar adequado ao público-alvo, conforme veremos nas eta- pas posteriores. Determinação dos objetivos Segundo Kotler e Keller (2006) e Limeira (2005), a comunica- ção integrada de marketing pode ter vários objetivos, dentre eles: 1) Comunicar o lançamento de um novo produto. 2) Conscientizar, criar, mudar ou reforçar a imagem da mar- ca. 3) Aumentar a lembrança da marca. 4) Gerar preferência e/ou intenção de compra. 5) Gerar fidelidade ou maior frequência de compra. 6) Motivar a equipe de vendas. 7) Motivar usuários de produtos concorrentes à experi- mentação. Elaboração da comunicação Na etapa de elaboração da comunicação, deve-se responder a três perguntas básicas: o que dizer? Como dizer? Quem deve di- zer? Essas perguntas são conhecidas, respectivamente, por estra- tégia de mensagem, estratégia criativa e fonte da mensagem. © Gestão Mercadológica II66 Ao definir a estratégia de mensagem, você estará definin- do o conteúdo a ser comunicado para cada segmento do público- alvo. De acordo com Kotler e Keller (2006), as estratégias criativas determinam como os profissionais de marketing traduzem suas mensagens em comunicação específica, e podem ser classificadas como estratégias que envolvem apelos informativos ou transfor- mativos. Ainda segundo Kotler e Keller (2006), os apelos informati- vos são baseados nos atributos ou benefícios de um produto ou serviço, e pressupõem um processo racional de comunicação por parte do consumidor com base na lógica e na razão. Eles são nor- malmente utilizados quando se quer demonstrar um produto ou compará-lo com outro. Já os apelos transformativos são baseados em benefícios ou em uma imagem não relacionada diretamente ao produto, tentando estimular as emoções que vão motivar a compra. A escolha da fonte da mensagem, ou mesmo de quem irá dizê-la, merece alguns cuidados e reflexões por parte dos profis- sionais de marketing e, conforme destacam Kotler e Keller (2006), há três fatores que devem ser considerados: • o domínio do assunto: conhecimento especializado que o comunicador possui para sustentar o argumento; • a confiabilidade: a fonte deve ser considerada honesta e objetiva; • a simpatia: atração da fonte, tais como sinceridade, hu- mor e naturalidade. Seleção dos canais de comunicação Para a escolha dos canais de comunicação, devemos levar em consideração as características do público-alvo e os objetivos da comunicação, pois, como veremos adiante, cada meio de co- 67© U2 - Promoção Claretiano - Centro Universitário municação possui certas características e pode desempenhar pa- péis diferentes no planejamento da comunicação. Kotler e Keller (2006) dividem os canais de comunicação em dois grandes grupos: os canais pessoais e os canais impessoais. Os canais de comunicação pessoais são aqueles que envol- vem duas ou mais pessoas que se comunicam diretamente umas com as outras, em diálogos ou exposição para uma plateia por te- lefone ou por e-mail. Esses canais são importantes devido à opor- tunidade de individualizar a apresentação e o feedback. Os canais pessoais mais utilizados são as vendas pessoais, definidas como a interação pessoal de um ou mais compradores potenciais, com vistas a apresentar o produto ou o serviço, a res- ponder às perguntas e a tirar os pedidos. Para tanto, há o marke- ting direto, que é a utilização de correio, telefone, fax, e-mail e internet, para se comunicar diretamente com clientes específicos e potenciais ou para lhes solicitar uma resposta direta (KOTLER; KELLER, 2006). Já os canais de comunicação impessoais são as comunica- ções direcionadas para mais de uma pessoa ao mesmo tempo. De acordo com Kotler e Keller (2006) e Limeira (2005), os principais canais de comunicação impessoais são: • Mídia: constituída pelos meios de comunicação. Por exemplo, a mídia escrita, como revistas e jornais; a trans- mitida, como TV e rádio; a mídia em rede, como telefone, cabo, satélite; a eletrônica, como DVDs, vídeos, páginas web; e a expositiva, como painéis, outdoors e cartazes. • Promoções de vendas: incentivos de curto prazo para in- centivar à experimentação ou à compra de um produto ou serviço. • Eventos e experiências: são atividades e programas pa- trocinados por uma empresa com o intuito de criar intera- ções relacionadas à marca, realizados diariamente ou em ocasiões especiais. © Gestão Mercadológica II68 • Relações públicas e assessoria de imprensa: programas elaborados para promover ou proteger a imagem de uma empresa ou de seus produtos. É evidente que todas as estratégias e todos os aspectos men- cionados anteriormente são dependentes dos canais de comuni- cação disponíveis e que estão todos dentro das características de- sejadas. A mídia, por exemplo, é o veículo, o meio de transmissão da mensagem. São vários os tipos disponíveis de mídia. Observe, a seguir, alguns deles, bem como as suas características, de acordo com Kotler (1996): 1) Jornal: é uma mídia flexível, que possui cobertura inten- sa de mercados locais, ótima aceitação e uso, porém, possui uma vida curta de leitura rápida. Aqui, vende-se o centímetro por coluna. 2) Rádio: possui uso massificado (muitos aparelhos de rá- dio no mercado) e atinge melhor a população brasilei- ra devido ao alto índice de analfabetismo. Uma de suas vantagens é que pode atingir os ouvintes enquanto es- tes estão fazendo outras tarefas. O rádio vende tempo: 15 segundos, 30 segundos e minuto. 3) Outdoor: é uma mídia flexível e relativamente barata. Nessa situação, é possível o uso de cores chamativas, criatividade e ousadia, além de exigir pouco em termos de esforço e tempo das audiências. Em contrapartida, é uma mídia que invade a natureza e não possui possi- bilidades de selecionar audiência. No outdoor, vendem- se cartazes de 8, 16 e 24 folhas aproximadamente, bem como painéis e lona de diferentes tamanhos por metro quadrado. 4) TV: mídia que combina som, vídeo e movimentos, apela aos sentidos e possui uma cobertura em massa da popu- lação, além de poder causar maior impacto. A TV possui o mesmo método do rádio em relação à sua cobrança de veiculação. 5) Revista: é uma mídia de grande seletividade demográfi- ca e geográfica, que possui audiência indireta e tem uma vida maior quando comparada à dos jornais. A fidelida- 69© U2 - Promoção Claretiano - Centro Universitário de à revista facilita a receptividade dos anúncios. Esse tipo de mídia possui um período maior para a veiculação do anúncio. A comunicação com os clientes é, eventu- almente, semanal, quinzenal e mensal. As revistas ven- dem páginas inteiras, meia página, um terço de páginas, e assim sucessivamente. 6) Mala direta: é uma ferramenta flexível, seletiva e per- sonalizada. Possui algumas desvantagens, como, por exemplo, custo elevado por unidade de circulação e baixo índice de interesse do leitor. A mala direta consis- te, praticamente, no custo do selo, material impresso e custos do mailing, relação de clientes cadastrados em bancos de dados. 7) Cinema: nesse exemplo, existe a possibilidade de cau- sar bom impacto audiovisual e ótimo índice de atenção dos telespectadores. Porém, sua audiência é limitada. O cinema vende um minuto de projeção de um filme no início de cada sessão. Estabelecimento do orçamento Para Limeira (2005), os recursos financeiros destinados às atividades de comunicação devem ser compatíveis não só com o objetivo de vendas e de participação de mercado do produto,mas também com a intensidade da concorrência. No entanto, Kotler e Keller (2006, p. 550) destacam que: Uma das mais difíceis decisões de marketing é definir quanto gastar em promoção. John Wanamaker, o magnata das lojas de departa- mentos, certa vez confessou: "Sei que metade da minha propagan- da é inútil, mas não sei qual metade". De acordo com Kotler e Keller (2006), alguns dos métodos de orçamento mais utilizados pelas empresas são: • Método dos recursos disponíveis: simplesmente gastam o que acham que podem gastar e, dessa forma, não "en- xergam" a campanha promocional como investimento, e sim como um custo, dificultando todo o processo de pla- nejamento da comunicação integrada. © Gestão Mercadológica II70 • Método da porcentagem das vendas: baseado numa de- terminada porcentagem sobre as vendas ou sobre o pre- ço de venda, esse método costuma "agradar" a equipe financeira devido à ligação entre as despesas e o movi- mento das vendas. No entanto, desencoraja iniciativas mais audaciosas, tais como promoções anticíclicas e in- vestimentos agressivos. • Método da paridade com a concorrência: nessa meto- dologia, os valores destinados são equiparados aos inves- tidos feitos pelos concorrentes. Agora, analisemos: será que o concorrente sabe determinar melhor do que sua empresa quanto deve ser o orçamento? Ou ainda: a reali- dade entre as empresas é a mesma? • Método de objetivos e tarefas: nesse método, são defini- dos orçamentos de acordo com os objetivos específicos, determinando as tarefas que devem ser executadas para atingir determinados objetivos. Esse é o método mais ra- cional do ponto de vista mercadológico, pois, dependendo do objetivo a ser alcançado, a empresa pode determinar um maior ou menor orçamento para a sua comunicação. Limeira (2005, p. 283), levando em consideração os objeti- vos e as fases do ciclo de vida do produto, destaca que: Nas fases de introdução e desenvolvimento, os investimentos de- vem ser aumentados, como meio de acelerar o crescimento e a penetração de mercado. Na fase de maturidade, os investimentos devem ser direcionados para atividades de promoções de vendas, aumento de produtividade e redução de custos. E, na fase de declí- nio, os investimentos na marca devem ser reduzidos e canalizados para produtos novos e outras oportunidades de mercado. Decisão sobre o mix de comunicação Agora, acompanhe, no Quadro 1, as características dos prin- cipais meios de comunicação: 71© U2 - Promoção Claretiano - Centro Universitário Quadro 1 Características do mix de comunicação de marketing. MEIOS DE COMUNICAÇÃO CARACTERÍSTICAS Propaganda • Penetração: repetição intensa e possibilidade de transmitir aspectos positivos sobre o produ- to e a marca. • Expressividade: apresentar o produto utilizando meios artísticos, por meio da impressão, do som e da cor. • Impessoalidade: o receptor não se sente obri- gado a prestar atenção à propaganda, nem a respondê-la. Promoção de vendas • Comunicação: chama a atenção e leva o consu- midor ao produto. • Incentivo: gera um estímulo para o consumidor. • Convite: convida o cliente a efetuar a compra imediatamente. Relações públicas e assessoria de imprensa • Alta credibilidade: as matérias e os artigos transmitem maior confiança para os leitores/ consumidores do que as propagandas. • Possibilidade de atingir os compradores de for- ma desprevenida: pode atingir consumidores potenciais que evitam vendedores, anúncios e promoções. • Dramatização: por meio desta, conseguem tor- nar a empresa ou os produtos mais concretos. Eventos e experiências • Relevante: um evento pode ser importante para o consumidor potencial na medida em que ele se torna pessoalmente envolvido. • Envolvente: como ele acontece em tempo real, os consumidores tendem a achá-lo mais envol- vente. • Implícito: são formas de vendas e ou fixação da marca de forma não agressiva e indireta. Marketing direto • Personalizado: a mensagem deve ser preparada para atrair determinado cliente/consumidor po- tencial. • Atualizado: a mensagem é preparada de forma rápida e atual. • Interativo: a mensagem pode ser alterada, de- pendendo da resposta. © Gestão Mercadológica II72 MEIOS DE COMUNICAÇÃO CARACTERÍSTICAS Vendas pessoais • Interação pessoal: relacionamento imediato e interativo, no qual deve ser observada a reação do cliente/consumidor. • Aprofundamento: permite o surgimento de ou- tros tipos de relacionamento; desde o profissio- nal de venda até uma amizade pessoal. • Resposta: tende a fazer com que o comprador se sinta "induzido" ou "obrigado" a comprar o produto após a argumentação do vendedor. Fonte: adaptado de Kotler e Keller (2006). Você deve ter percebido que cada canal possui uma eficiên- cia diferente dos demais e, por isso, surgem questões como: em qual canal investir? Qual o melhor canal? Assim, como cada caso é um caso, o ideal seria que as empre- sas distribuíssem o orçamento promocional entre todos os meios de comunicação possíveis, variando os percentuais de acordo com os objetivos a serem atingidos. Mensuração dos resultados da comunicação O plano de comunicação deve ser avaliado, especialmente, para se saber sobre os resultados e as receitas auferidas com o investimento em comunicação. Para facilitar sua compreensão, observe a Figura 4: Fonte: Kotler e Keller (2006, p. 556). Figura 4 Posição atual dos consumidores em relação a duas marcas. 73© U2 - Promoção Claretiano - Centro Universitário Você pode perceber que, com relação à marca A, 80% dos consumidores total têm consciência da marca, e 60% desses expe- rimentaram-na, ficando apenas 20% satisfeitos. No entanto, com relação à marca B, 40% dos consumidores total têm consciência da marca e, destes, apenas 30% experimentaram-na, sendo aprovada por 80%. Estatisticamente, as duas marcas conseguiram uma efetivi- dade de 9,60% em relação ao mercado total; porém, isso não sig- nifica que os resultados foram iguais e que devem ser analisados de forma igual – muito pelo contrário. Observe que o programa de comunicação desenvolvido pela marca A é muito bom para criar conscientização; contudo, o produto não atende às expectativas do cliente. Já o programa desenvolvido pela marca B atende às expectativas dos seus clientes, mas não cria uma conscientização da marca. Os indicadores de mensuração podem ser obtidos por meio de pesquisas efetuadas pela própria empresa ou por meio de em- presas especializadas, tais como: o instituto IBOPE e a ACNielsen. Gerenciamento da comunicação integrada de marketing O setor ou o departamento de marketing tem a responsabili- dade de tomar decisões sobre a comunicação integrada, pois suas ações estratégicas irão impactar nos resultados do produto e da empresa. Dessa forma, é necessário um trabalho bem planejado e executado para que se obtenha maior eficácia e satisfação dos consumidores. De acordo Kotler e Keller (2006), há seis critérios que podem ser utilizados para determinar se a comunicação está realmente integrada. Observe esses critérios no Quadro 2. © Gestão Mercadológica II74 Quadro 2 Critérios usados para determinar se a comunicação está realmente integrada. CRITÉRIO DEFINIÇÃO PONTOS A SEREM ANALISADOS Cobertura É a proporção do público atingida em cada opção de comunicação empregada, bem como o tanto de sobreposição existente entre as opções. Até que ponto as diferentes opções de comunicação atingem o mercado-alvo designado e os mesmos ou diferentes consumidores que o integram? Contribuição Capacidade inerente que cada comunicação de marketing tem de gerar a resposta do consumidor e os efeitos de comunicação desejados na ausência de exposição a qualquer opção de comunicação. Em que medida a comunicação influencia o processo do consumidor, criando conscientização, aprimorando a imagem, provocando respostas e induzindo às vendas? Compartilhamento O grau em que as associações comuns são reforçadas pelas opções decomunicação, isto é, até que ponto as informações transmitidas por diferentes opções de comunicação compartilham o mesmo significado. A coerência e a coesão da imagem da marca são importantes, porque determinam a facilidade com que as associações e as respostas existentes podem ser lembradas, bem como a facilidade com que outras associações e respostas podem se tornar vinculadas à marca na memória. Complementaridade Está relacionada ao grau em que associações e vínculos diferentes são enfatizados pelas opções de comunicação. Diferentes associações com a marca podem ser estabelecidas com mais eficácia, aproveitando- se aquelas opções de comunicação mais apropriadas para incentivar determinada resposta do consumidor ou para estabelecer um tipo específico de associação com a marca. 75© U2 - Promoção Claretiano - Centro Universitário CRITÉRIO DEFINIÇÃO PONTOS A SEREM ANALISADOS Versatilidade É o entendimento de até que ponto uma opção de comunicação de marketing é forte e funciona para diferentes grupos de consumidores. Em um programa de comunicação integrada de marketing alguns consumidores já terão sido expostos à outra comunicação da marca, enquanto outros não. É importante, então, a capacidade de a comunicação poder trabalhar em dois níveis, ou seja, ter uma boa comunicação com consumidores que tiveram ou não contato com outras comunicações. Custo Valor da campanha. As comunicações de marketing devem ser avaliadas em todos os critérios anteriores e comparadas com seu custo para que obtenham um programa de comunicação eficiente e eficaz. Fonte: adaptado de Kotler e Keller (2006). Dessa maneira, de acordo com Richers (2000, p. 322): Em comunicação, toda a estratégia deve estar direta ou indireta- mente relacionada à mensagem que a empresa deseja levar ao mercado, com o intuito de diferenciar os seus produtos de outras marcas. Para complementarmos esta unidade, seguem dois textos sobre a promoção de vendas, com os quais perceberemos a me- lhor estratégia para garantir um bom resultado na comunicação com o consumidor final. Promoção de vendas ––––––––––––––––––––––––––––––––– Wlamir Bello – Consultor – Sebrae-SP Entre as estratégias disponíveis para uma empresa implementar ações para o aumento de seu faturamento está a Promoção de Vendas. Esta não é somente trabalhar a questão do preço, em forma de liquidação, saldos etc., como é con- fundida no mercado. Também não pode e não deve ser tratada como um remé- © Gestão Mercadológica II76 dio, ao qual se lança mão na hora de um aperto de caixa. Deve ser definida de forma estratégica, e integrada com outras mídias. Ela utiliza ações desenvolvidas no ponto de venda, leva em consideração a co- municação, ou disposição de layout de um ponto de venda. Portanto, o Mer- chandising completa a ação de promoção e muitas vezes quase se confundem. Deve sempre fazer parte de um plano de ação de marketing, com um calendário de datas promocionais previamente montado, contemplando ações periódicas – quinzenais ou mensais –, de forma que se possa comunicar por completo a imagem da empresa, o produto em oferta e o respectivo preço. É necessário também, integrar ferramentas de apoio utilizando o espaço do ponto de venda, tais como: expositores, displays, banners, cartazes, enfim, todo um arsenal de atração e conquista do cliente. É, portanto, um conjunto de atividades criativas, capazes de despertar a atenção para a compra, venda e influência de produtos e serviços, a fim de elevar suas vendas. É uma estratégia de Marketing destinada a estimular vendas. Para o em- presário, a promoção deve atender a um objetivo momentâneo de seu negócio. Para os clientes, é uma oportunidade temporária para atender a uma necessida- de. Ter como base uma referência. Portanto, a promoção precisa ter um tempo determinado com começo, meio e fim. Toda estratégia de marketing deve iniciar-se com um sistema de informações, que na pequena empresa é seu banco de dados. Para a promoção não é dife- rente. A empresa deve possuir um cadastro de clientes bem organizado. É reco- mendável fazer uma análise do perfil dos clientes cadastrados, para implementar promoções que atendam a necessidades e perfis dos mesmos, sendo estimulan- te e desejada para eles. Estas informações serão a base para implementação de ações relevantes ao público da empresa, que podem e devem envolver seus fornecedores em uma parceria. A verba destinada para uma ação de promoção pode limitar suas características, suas ações e até mesmo a cobertura geográfica, mas a recomendação é, antes de tudo, definir qual será o objetivo da promoção. A empresa poderá ter como ob- jetivos: aumentar volume de vendas, seu faturamento, o “market share”, o tíquete médio, o conhecimento da marca, desovar estoques, agregar valor ao negócio, bloquear a concorrência, entre outros. A promoção mais indicada é a que trará os resultados estabelecidos, sempre obedecendo ao perfil de seus clientes. Importante ainda é citar que uma promoção não é capaz de trazer alguns be- nefícios como: criar fidelidade à marca ou à empresa, substituir a divulgação, resolver estrutura de vendas ineficientes, manter as vendas em alto volume, per- manecer no ar por muito tempo. Ou, ainda, substituir ineficiência de atendimento, conquistar e manter clientes, mudar a opinião do cliente em relação ao produto, marca ou empresa. Fonte: disponível em: . Acesso em: 15 jun. 2010. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Conforme podemos observar, a promoção de vendas inicia- se a partir de uma estratégia de comunicação, de um planejamen- to sobre a empresa, de uma demanda de clientes, da lucratividade, da atenção sobre a compra e venda de produtos e do público que 77© U2 - Promoção Claretiano - Centro Universitário pretende atingir. Contudo, é importante salientarmos que uma promoção não é capaz de trazer alguns benefícios, tais como: criar fidelidade à marca ou à empresa, substituir a divulgação, resolver estrutura de vendas ineficientes, entre outros. Ela proporciona um maior fluxo de clientes durante uma campanha e cria um vínculo com a empresa a partir do momento que ela passa a ser apresen- tada ao seu consumidor final. Promoções: a hora certa de agir –––––––––––––––––––––––– Gustavo Carrer I. Azevedo – Consultor – Sebrae-SP Não é de hoje que o sucesso do comerciante segue dois princípios básicos: comprar bem e vender melhor ainda. Desde muito antes de Cristo, o comércio já se estabelecia junto a concentrações populacionais, ou nas vias de fluxo intenso, como acontece hoje. Existe, sem dúvida, um enorme abismo entre o comporta- mento dos consumidores daquela época e os atuais. Mas, retomando as premissas de comprar e vender bem, ao contrário do passa- do, hoje as regras do jogo mudaram muito: comprar bem não significa apenas pagar pouco, e vender bem não significa, necessariamente, vender bastante. As modernas técnicas de gestão privilegiam o baixo estoque, o ajuste máximo dos produtos e serviços às necessidades do cliente alvo, entre outras propostas. Abordando apenas estes dois conceitos, percebe-se que é importante conhe- cer bem os clientes para ser assertivo nas compras, mantendo estoques baixos e satisfação alta. Mesmo tomando cuidado, muitas vezes o empresário acaba comprando mais do que o necessário. Ao longo do tempo estes pequenos erros somados imobilizarão parte significativa do capital de giro da empresa. Este ativo imobilizado deprecia-se rapidamente, de forma mais acelerada à medida que o estoque esteja ligado à moda ou a tendências que não se concretizam. A ferramenta de marketing mais indicada para evitar essas perdas é a Promoção de Vendas. Mas qual a hora certa de usá-la? Sem dúvida, não precisamos, nem podemos, esperar meses até perceber que um determinado produto, por si só, não venderá. Temos que agir antes que o produtose torne um “mico”, fazendo analogia ao jogo de cartas. Portanto, é fundamental estimar desde a compra, o prazo de giro de cada produto, ou família de produtos, determinado datas de ve- rificação dos níveis de estoque, nas quais, a partir destas variáveis, seja possível decidir com precisão quando se deve iniciar uma ação promocional. Uma loja de roupas femininas, por exemplo, pode estimar que o prazo de giro de uma calça é de 45 a 60 dias, pois acredita que neste prazo suas clientes, naturalmente, já visitaram seu estabelecimento e tiveram oportunidade de vê- la. Após este prazo, havendo estoque suficiente, o mais recomendado é iniciar uma promoção com aquela calça, antes dela se tornar um “mico”. A empresária pode escolher entre as inúmeras técnicas, desde o desconto, até a venda casa- da, sempre observando qual é o grupo de clientes de maior potencial para esta compra. O uso de prazos de giro, ou de datas limite, “dead lines”, sempre que possível, devem usar a informática como suporte, mas que jamais eliminará a percep- ção e a experiência do empresário. A sazonalidade pode até ser prevista, mas © Gestão Mercadológica II78 apostar num determinado produto e esperar para ver, nenhuma máquina ainda consegue. Somente o uso sistêmico dessas análises e de promoções bem dire- cionadas contribuirá para a redução, de maneira efetiva, do capital imobilizado em estoques. Comprar e vender bem sempre dependeu do talento do comerciante, mas, nos nossos tempos, mais do que isso, necessitamos usar as ferramentas certas à hora certa. Fonte: disponível em: . Acesso em: 15 jun. 2010. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Como sabemos, então, qual é a hora certa de fazer uma cam- panha de vendas para um determinado produto? A promoção pro- porciona-nos a liberdade de trabalhar com um produto que está sendo lançado ou que já está no mercado há algum tempo; porém, seu fluxo de saída diminuiu nos últimos tempos. A ferramenta de marketing mais indicada para evitar essas perdas é a promoção de vendas. Contudo, como vimos no texto anterior, é preciso saber qual é a hora certa de usar essa ferramenta. Não precisamos esperar para perceber que um determinado produto, pelo simples fato de estar à venda, terá uma "boa saída"; em outras palavras, já sabe- mos que, sem o auxílio de alguma técnica de marketing, o produ- to, por si só, não venderá. É neste momento que partiremos para uma promoção, em que o intuito é gerar lucratividade e fazer um giro no estoque de determinado produto. 7. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS Na Unidade 1 você viu como deverá proceder para que a au- toavaliação tenha efetividade no seu aprendizado. Siga as mesmas instruções já comentadas e bom aproveitamento! 1) Quais as vantagens e as desvantagens dos veículos de propaganda (mídias)? 2) Em sua opinião, quais os veículos mais adequados para anunciar os seguintes produtos: • Goma de mascar. 79© U2 - Promoção Claretiano - Centro Universitário • Móveis de escritório. • Iluminação decorativa. • Produtos hidráulicos. 3) Elabore, ao seu modo, um quadro para demonstrar e analisar como funciona um processo de comunicação. 4) O que é o processo de comunicação AIDA (Atenção, Inte- resse, Desejo e Ação)? Como ele deverá ser aplicado em um comercial de TV para que o resultado seja eficiente? 5) Pesquise, na internet, uma empresa que teve sucesso em uma campanha promocional e analise quais foram as estratégias usadas para ela obter esse sucesso. 8. CONSIDERAÇÕES Nesta unidade, você pôde conhecer as principais caracterís- ticas da comunicação integrada de marketing. A promoção (comunicação), como se percebe, é um dos mais importantes elementos do composto de marketing. Além de ser utilizada para divulgar produtos e serviços, a comunicação ajuda a construir marcas, gerar imagem positiva, agregar valor e reposicio- nar o produto ou serviço. Na Unidade 3, dando sequência aos nossos estudos, apro- fundaremos um pouco mais sobre o mix da comunicação, ou seja, propaganda, promoção de vendas, publicidade, relações públicas, eventos e experiências, marketing direto e vendas pessoais. Até lá! 9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CHURCHILL,G. A.; PETER, J. P. Marketing: criando valor para os clientes. São Paulo: Saraiva, 2003. KOTLER, P. Administração de marketing: análise, planejamento, implementação e controle. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1996. ______; KELLER, K. L. Administração de Marketing. São Paulo: Person Prentice Hall, 2006. © Gestão Mercadológica II80 LIMEIRA, Tânia Maria Vidigal. Administração das Comunicações de Marketing. Em: Vários autores. Gestão de Marketing. 1ª ed. Saraiva: São Paulo, 2005. RICHERS, R. O que é marketing. 2. ed. São Paulo: Pioneira, 1981. EA D Mix de Comunicação 3 1. OBJETIVOS • Conhecer e analisar as características do mix de comuni- cação. • Identificar e relacionar com a teoria os exemplos apresen- tados sobre as campanhas publicitárias. • Identificar e compreender a importância do gerenciamen- to da comunicação integrada de marketing. 2. CONTEÚDOS • Propaganda. • Relações públicas. • Promoção de vendas. • Marketing direto. • Eventos e experiências. © Gestão Mercadológica II82 • Merchandising. • Venda pessoal. • Franchising. 3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que você leia as orientações a seguir: 1) A propaganda é uma ferramenta importante no mix de comunicação de marketing e apoio a produtos e mar- cas nos mais variados mercados de bens e serviços. As empresas têm, nessa ferramenta, uma forte aliada para vender e obter participação de mercado para seus pro- dutos e marcas. Desse modo, aprofunde sempre seus conhecimentos sobre essa ferramenta; isso fará de você um profissional diferenciado! 2) Para conhecer detalhadamente as peças da campanha de lançamento da Fiat, bem como outros exemplos de propaganda, acesse o site disponível em: . Acesso em: 25 maio 2010. 3) Para obter mais informações sobre exemplos de rela- ções públicas, acesse o site do Conselho Regional dos Profissionais de Relações Públicas - São Paulo/Paraná, disponível em: . Acesso em: 25 maio 2010. 4) Para obter mais informações sobre Pres Release, ques- tão que será abordada no tópico Funções de relações pú- blicas, acesse o site a seguir e veja o modelo disponível da Nokia. Disponível em: . 5) Para conhecer os exemplos de campanhas que foram sucesso de vendas da empresa Volkswagen, acesse o seguinte endereço eletrônico: . 6) Para visualizar a mala direta que foi premiada, em 2006, no 53º Festival Internacional de Publicidade de Cannes, acesse o site do Conselho Regional dos Profissionais de 83© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário Relações Públicas – São Paulo/Paraná, disponível em: e escolha a opção Es- peciais > D.D.DRIN Controle de Pragas. Acesso em: 25 maio 2010. 7) É imprescindível que você visite o site da Máster e co- nheça as campanhas publicitárias que utilizam as estra- tégias de marketing direto; isso complementará seus conhecimentos sobre o assunto. Disponível em: . 8) Para compreender melhor o tópico no qual abordamos os principais motivos considerados por uma empresa para criar ou patrocinar um evento, sugerimos que você acompanhe, por meio do site disponível em: , o exem- plo de um evento organizado e coordenado pela agência Netza e patrocinado pelo Rexona Men V8. Acesso em: 25 maio 2010. 9) Por meio dos endereços eletrônicos indicados a seguir, você poderá acompanhar alguns exemplos de merchan- dising. Acesse os sites: • Merchandising de produto: . • Merchandisingde Serviço: . 10) Para obter mais informações sobre a Associação Brasi- leira de Franchising, acesse o site disponível em: . Acesso em: 25 maio 2010. 4. INTRODUÇÃO À UNIDADE Nesta unidade, abordaremos os principais elementos do mix de comunicação: a propaganda, a promoção de vendas, os even- tos e as experiências, as relações públicas e o marketing direto, a venda pessoal e o franchising. Faremos, ainda, uma análise dos conceitos de acordo com os autores mencionados no decorrer do texto. Acompanhe. © Gestão Mercadológica II84 5. PROPAGANDA Para o autor Las Casas (2005), no Brasil, o termo “propagan- da” confunde-se com “publicidade”. Na realidade, “publicidade” refere-se à divulgação não paga; portanto, é uma atividade que engloba a área das relações públicas, na qual vários públicos se relacionam com a empresa, considerados assim por fornecedores, distribuidores e clientes. Segundo a Associação Americana de Marketing (1992), pro- paganda é qualquer forma paga de apresentação não pessoal de ideias, produtos ou serviços, levada a efeito por um patrocinador identificado. Para aumentar a participação de mercado de uma determinada empresa, esta poderá investir maciçamente em sua marca, criando uma estratégia promocional com o objetivo de au- mentar suas vendas e seu faturamento. Las Casas (2005, p. 243) complementa que: A propaganda é de extrema importância para a atividade mercado- lógica. Por meio dela as empresas podem manter cooperação de seus intermediários, familiarizar seus clientes com uso dos produ- tos fabricados, criar imagem de credibilidade, lançar novos produ- tos, estimular demanda, criar lealdade da marca, enfatizar caracte- rísticas dos produtos entre outros propósitos. Com tantas funções, não é para menos reconhecer a sua importância. Para Costa e Talarico (1996), propaganda é a apresentação de venda impessoal, estabelecida em um nível predeterminado, visando atingir um público em um período determinado. É impor- tante destacarmos, também, que ela geralmente é paga por um patrocinador identificável. A propaganda é uma importante ferramenta na gestão da comunicação de marketing; além disso, ela dá suporte aos produ- tos e às marcas nos mais variados mercados de bens e serviços. As empresas têm, nessa ferramenta, uma forte aliada para vender e obter participação de mercado para seus produtos e marcas. 85© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário Existem dois tipos de propaganda: ela pode ser promocional ou institucional. Vejamos o significado de cada uma delas. A propaganda promocional visa estimular a venda imediata, enquanto a institucional visa divulgar a imagem de empresas ou marcas de produtos, com a intenção de venda indireta. Para divul- gar a imagem de um shampoo para o público feminino, por exem- plo, o fabricante, por meio de uma agência de publicidade, bem como por meio de estudos aplicados por especialistas do ramo de cosméticos, procura desenvolver uma campanha que é direciona- da à beleza dos cabelos, ao seu brilho, à leveza e à textura dos fios. O objetivo principal dessa divulgação é apresentar ao público uma fórmula inovadora para cada tipo de cabelo. Não é por acaso que se ouve falar que a propaganda é "uma arma de vendas" ou, em outras situações, que ela "é a alma do ne- gócio". Realmente, a propaganda ajuda a vender, porém, devemos salientar que ela não desenvolve somente a função de venda. Na verdade, a propaganda objetiva criar e manter a imagem da marca de um produto e da empresa corporativa; além disso, ela possibilita informar os atributos, os benefícios e a razão de consu- mo de um produto ou marca. Na terminologia de comunicação, quando dizemos que uma propa- ganda não vendeu, queremos dizer que esta não passou a idéia cor- reta do que o produto é. Ou seja, que o público-alvo não entendeu ou não aceitou a mensagem do que a marca é, que seus atributos, seus benefícios e sua razão de consumo não foram informados ou valorizados de forma adequada, e não propriamente que ela não vendeu (PINHEIRO; GULLO, 2008, p. 47). Desse modo, a principal função da propaganda é enviar uma mensagem correta, formada por um conteúdo necessário, que possibilite formar uma imagem, obter sua aceitação, sua preferên- cia e sua presença na mente do consumidor. E quando o esforço de propaganda gera o resultado esperado, a repercussão nas vendas é imediata, e, assim, podemos considerar que a propaganda in- fluenciou o crescimento de vendas. © Gestão Mercadológica II86 É importante ressaltarmos, também, que a comunicação tanto da propaganda quanto das demais ferramentas, como as relações públicas, a promoção de vendas e o merchandising, em conjunto com os demais elementos de marketing, produto, preço e distribuição, quando integrados de forma correta, também gera crescimento de vendas. Além disso, a comunicação envolvida na propaganda, nas relações públicas, na promoção de vendas e no merchandising relacionados aos demais elementos de marketing, como produto, preço, praça e promoção, quando integrados de forma adequada, também gera o crescimento nas vendas. Acompanhe, na figura a seguir, a disposição desses fatores: Fonte: Costa (2003 p. 32). Figura 1 Processo de compra. Podemos observar, na figura anterior, o processo desenvolvi- do pela propaganda e por todo o mix de comunicação. Por exem- plo, à medida que os planos de mídia (propaganda persuasiva) são executados eficientemente (atingindo o público-alvo) para o 87© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário lançamento de um produto ou uma marca, a curva de efetivida- de (vendas) será ascendente até que atinja o patamar projetado para as vendas. A partir daí, as estratégias serão direcionadas para a manutenção da imagem e do crescimento das vendas a longo prazo. Vejamos, no Quadro 1, as diferenças entre as ferramentas de comunicação: Quadro 1 Características diferenciadoras das estratégias de comu- nicação. PROPAGANDA PROMOÇÃO DE VENDAS RELAÇÕES PÚBLICAS VENDA PESSOAL MARKETING DIRETO Comunicação Habilidade para levar?? mensagempessoal baixa baixa baixa alta alta Habilidade para atingir uma grande audiência alta média média baixa média Nível de interação baixa baixa baixa alta alta Credibilidade perante público-alvo baixa média alta média média Custos Custos absolutos alta média baixa alta média Custos por contrato baixa média baixa alta alta Desperdício alta média alta baixa baixa Dimensão dos investimentos alta média baixa alta média Controle Habilidade para atingir audiências específ icas média alta baixa média alta Flexibilidade para ajustes média alta baixa média alta Fonte: Costa (2003, p. 37). Com base no quadro anterior, podemos destacar as seguin- tes características que diferenciam as estratégias de comunicação: a venda pessoal, o marketing direto, a habilidade para levar uma mensagem pessoal, o nível de interação e o custo por contato. A propaganda, por sua vez, possibilita atingir uma grande audiência (mídia), seja qual for o meio de comunicação: jornal, revista, televisão, outdoor e panfletos. Embora seu investimento seja considerado alto entre as demais, a propaganda tem maior destaque. © Gestão Mercadológica II88 Princípios de uma boa propaganda Acompanhe os princípios de uma boa propaganda com base nos argumentos de Pinheiro e Gullo (2008): • A propaganda é orientada para o consumidor; ela deve enfatizar os atributos, os benefícios e a razão do consumo de um produto/marca, além de mostrar como pode satis- fazer necessidades e desejos do consumidor. • Concentra-se em uma só ideia persuasiva para ser clara- mente entendida. • Apresenta uma ideia competitiva e singular. Deve conter um benefício específico e diferenciado em relação à con- corrência. • Envolve o consumidor. Sua principal função é conseguir a atenção do consumidor e mantê-la. As estratégias são baseadasQUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ........................................................................... 130 14 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................... 130 15 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 131 UNIDADE 4 – GESTÃO DA DISTRIBUIÇÃO 1 OBJETIVOS .......................................................................................................... 133 2 CONTEÚDOS ....................................................................................................... 133 3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE .................................................... 134 4 INTRODUÇÃO À UNIDADE .................................................................................. 134 5 CANAIS DE MARKETING E DISTRIBUIÇÃO ......................................................... 135 6 EXTENSÃO DO CANAL DE DISTRIBUIÇÃO ........................................................... 142 7 ATACADO ............................................................................................................ 150 8 LOGÍSTICA DE MERCADO ................................................................................... 154 9 LOGÍSTICA E SERVIÇOS AO CLIENTE ................................................................... 155 10 VAREJO .............................................................................................................. 158 11 FRANQUIAS ....................................................................................................... 162 12 CASO CONCRETO DE ESTRATÉGIA DE DISTRIBUIÇÃO ............................................. 164 13 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ........................................................................... 166 14 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................... 167 15 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 167 UNIDADE 5 – ÉTICA E LEGISLAÇÃO NA COMUNICAÇÃO DE MARKETING 1 OBJETIVOS .......................................................................................................... 169 2 CONTEÚDOS ....................................................................................................... 169 3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE .................................................... 170 4 INTRODUÇÃO À UNIDADE .................................................................................. 170 5 PRINCÍPIOS ÉTICOS LEGAIS ................................................................................ 171 6 SISTEMAS DE PROTEÇÃO .................................................................................... 173 7 CONAR ............................................................................................................... 174 8 LEGISLAÇÃO PROMOCIONAL ............................................................................. 179 9 TEXTOS COMPLEMENTARES ............................................................................... 188 10 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ........................................................................... 193 11 E-REFERÊNCIA .................................................................................................... 194 12 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ............................................................................ 194 CRC Caderno de Referência de Conteúdo Ementa ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Gestão de distribuição nas empresas. Varejo. Canais de Marketing. Franchising. Administração das Comunicações de Marketing. Propaganda. Promoção de ven- das. Marketing direto. Relações públicas. Publicidade. Venda pessoal. Compor- tamento do consumidor. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1. INTRODUÇÃO Para facilitar seu estudo sobre Gestão Mercadológica II, divi- dimos o conteúdo em quatro unidades, que serão resumidamente apresentadas a seguir. Na Unidade 1, estudaremos o comportamento do consumi- dor, isto é, como pessoas e organizações adquirem seus produtos e serviços para satisfazer suas necessidades e desejos. Isso é im- prescindível para as empresas, pois auxilia-as a melhorar ou lançar produtos ou serviços no mercado, bem como a determinar preços e projetar canais de distribuição. © Gestão Mercadológica II8 Em seguida, na Unidade 2, abordaremos o processo de co- municação, processo que é formado pelas Ações Integradas de Co- municação de Marketing. Já na Unidade 3, conheceremos e analisaremos, de forma mais detalhada, os elementos do mix de comunicação, como, por exemplo, a propaganda, a promoção de vendas, os eventos e expe- riências, as relações públicas e o marketing direto. Na Unidade 4, abordaremos o último P do composto pro- mocional, que se refere à Praça ou distribuição, ou seja, como o produto ou serviço chegará até o consumidor. Por fim, na Unidade 5, conheceremos os princípios éticos legais dentro da comunicação de marketing e compreenderemos os sistemas de proteção às propagandas enganosas. Além disso, conheceremos o CONAR e analisaremos as suas regulamentações, além de identificar os princípios de legislação promocional. Bons estudos! 2. ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO Abordagem Geral Francisco de Assis Breda Mestre em Gestão Empresarial Aqui, você entrará em contato com os assuntos principais deste conteúdo de forma breve e geral e terá a oportunidade de aprofundar essas questões no estudo de cada unidade. No entan- to, essa Abordagem Geral visa fornecer-lhe o conhecimento bási- co necessário a partir do qual você possa construir um referencial teórico com base sólida – científica e cultural – para que, no fu- turo exercício de sua profissão, você a exerça com competência cognitiva, ética e responsabilidade social. Vamos começar nossa aventura pela apresentação das ideias e dos princípios básicos que fundamentam este estudo. 9© Caderno de Referência de Conteúdo Claretiano - Centro Universitário Iniciaremos a nossa Abordagem Geral descrevendo o proces- so de compra do consumidor; em seguida, abordaremos o com- posto da Comunicação de Marketing e finalizaremos tratando da distribuição dos produtos, isto é, como fazer que nossos produtos cheguem aos consumidores. Vamos observar, inicialmente, o modelo de processo de compra do consumidor baseado na Figura 1 de Churchill e Peter (2003). Reconhecimento da necessidade Influências Sociais Influências Situacionais Influências de Marketing PROCESSO DE COMPRA DO CONSUMIDOR Avaliação pós-compra Decisão de compra Avaliação de alternativas Busca de informações Fonte: Churchill e Peter (2003, p. 146). Figura 1 O modelo de processo de compra do consumidor. Esse processo de compra do consumidor inclui cinco pas- sos. O reconhecimento de uma necessidade é o passo inicial do processo de compra para os consumidores, que pode vir de estí- mulos internos, como, por exemplo, fome, cansaço e desejo, ou de estímulos externos, como a propaganda. Esses estímulos levam o consumidor a satisfazer uma necessidade, que pode ser classifica- da em: necessidades utilitárias, que são as relacionadas a funções básicas e benefícios materiais; e necessidades hedônicas, relacio- nadas ao desejo de prazer ou autoexpressão. O segundo passo é a busca de informações: depois que uma necessidade é reconhecida, os consumidores procuram informa- ções sobre como satisfazê-la. O consumidor pode procurar essas informações em várias fontes, tais como: fontes alojadas na lem- brança da pessoa, isto é, uma lembrança de como satisfazer uma © Gestão Mercadológica II10 necessidade similar no passado; e na consulta a outras pessoas, como amigos e familiares (essas fontes podem ser as mais podero- sas para moldar decisões de compra). Além disso, também pode- mos obter informações por meio das embalagens, dos vendedores, de propagandas e de mostradores de produtos por intermédio de reportagens.na subjetividade, com foco na resolução dos problemas do consumidor. Entretanto, para desenvolver uma propaganda adequada, é necessário conhecer a ori- gem da motivação do consumidor, se resulta de sua razão ou de sua emoção. • A propaganda deve possuir argumentos sinceros e verda- deiros; além disso, deve haver, por parte do consumidor, a percepção de que o anunciante é honesto. Exageros e fantasias devem ser considerados; entretanto, não pode haver engano ou mentira em seu contexto, pois atitudes como essas podem acabar com a imagem de um produto ou marca. • É simples, clara e completa. Não deve deixar mal-entendi- dos e dúvidas. Deve ser transparente. • A propaganda efetiva utiliza a combinação adequada de mídias e de veículos, a fim de atingir seu propósito. • Associa claramente a ideia persuasiva (benefício) à mar- ca. "Amarra" o benefício à margem da marca e torna-a sinônimo de produto. 89© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário • A propaganda deve levar o consumidor ao ponto de ven- da para comprar o produto ou marca. Deve, ainda, esta- belecer um forte desejo de compra. É preciso avaliar, antes e depois da veiculação, o retorno que se pretendia obter e, efetivamente, o retorno obtido pelo investi- mento. Nesse contexto, Kotler e Keller (2006) destacam a neces- sidade de adotar técnicas de aferição que avaliem a propaganda realizada nos seguintes pontos: quanto ao nível de entendimento da mensagem, ao índice de recordação ou de lembrança de marca, a aceitação do produto e, ainda, a sua participação no mercado. As peças utilizadas pela propaganda para divulgar suas men- sagens via mídia e via ponto de venda são apresentadas no Quadro 2. Vejamos: Quadro 2 Peças utilizadas pela propaganda para divulgar suas mensagens via mídia e via ponto de venda. MÍDIAS (CANAIS OU MEIOS) Não interativa Peças TV aberta – TV paga Rádio Cinema Jornal - revista Outdoor Extensiva Filme Spot / jingle Filme Anúncio Cartaz Luminoso Interativa Peças Meio postal Telefonia (fixa/ móvel/ celular) Internet Folheto Conversa Banner Ponto de venda Peças Cartaz Fonte: Pinheiro e Gullo (2008, p. 52). A nova campanha da Fiat “Novo Uno. Novo Tudo” pode ser caracterizada como um exemplo que compreende os princípios de uma boa propaganda. Vejamos: © Gestão Mercadológica II90 Exemplo de propaganda ––––––––––––––––––––––––––––––– A Fiat, em 2010, lançou o seu mais novo modelo de carro compacto da catego- ria. O uno passou por uma reformulação em seu modelo e com design totalmente diferenciado do modelo convencional. A campanha veio com tudo, mexeu com a imaginação de muitos consumidores de carro marca Fiat. Ele é um carro econô- mico e moderno. Que tal escolher detalhes estilísticos que deixam o carro com a cara do dono? Manifestar a própria identidade e a individualidade através do look do carro? No caso do novo Fiat Uno, vai longe o tempo em que as únicas escolhas que o comprador tinha eram a cor da carroceria e, às vezes, do reves- timento interno. O novo modelo da Fiat abre ao cliente um leque de opções que lhe permitem um nível de personalização nunca antes visto no mercado. Com o conceito do novo Fiat Uno de ser realmente único, o cliente conta com a possi- bilidade de personalizar o seu carro tanto na fábrica quanto com acessórios dis- ponibilizados nas concessionárias Fiat. O dono de um novo Uno pode escolher entre uma grande variedade de adesivos, badges e apliques. Eles podem ser aplicados em várias partes do carro: portas, coluna posterior, teto, para-choques, para-lamas, espelhos retrovisores externos, maçanetas, pomo do câmbio, freio de mão e molduras do painel brasileiro. E tudo com a garantia Fiat. O carro agra- da consumidores de vários perfis. Veja a campanha do Novo Uno da Fiat e identifique os princípios de uma boa pro- paganda. Acesse o link: . –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 6. RELAÇÕES PÚBLICAS Relações públicas de marketing (RP) é uma ferramenta cons- tituída por uma variedade de técnicas que são utilizadas para ele- var e proteger a imagem de uma empresa, de seus produtos e de suas marcas (PINHEIRO; GULLO, 2008, p. 56). Pela definição dos autores, portanto, podemos perceber que a área de relações pú- blicas procura manter uma imagem positiva da empresa, de seus produtos e serviços. As mensagens de RP baseiam-se, segundo Pinheiro e Gullo (2008), em duas características fundamentais: • Credibilidade: as mensagens de RP devem transmitir cre- dibilidade. Por exemplo, a publicação de notícias e artigos em jornais e revistas, geralmente, é mais autêntica e con- fiável para os leitores do que a propaganda feita em um jornal ou revista. 91© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário • Naturalidade: a atividade de RP deve transmitir uma atmosfera de naturalidade e espontaneidade, ou seja, transmitir informações positivas da empresa e de seus produtos/serviços de forma natural, sem parecer uma propaganda. Para maior compreensão desse assunto, é importante con- siderar que o comportamento das pessoas, geralmente, é influen- ciado pela sociedade, pelos valores e crenças que formam sua cultura e pelos agentes (públicos) com os quais convive e se rela- ciona, constituindo-se em um sistema amplo e complexo. Observe a figura a seguir: Fonte: Pinheiro e Gullo (2008, p. 55). Figura 2 Visão do relacionamento entre pessoa, sociedade e agentes. Dentro desse composto, RP é efetiva para despertar a aten- ção e o interesse do consumidor e, por isso, é mais utilizada nas fases de nascimento e crescimento do ciclo de vida do produto ou marca. Dessa forma, a função da RP é conduzir o consumidor até o produto disponível no ponto de venda. © Gestão Mercadológica II92 É importante considerar que as ferramentas de comunicação (propaganda, relações públicas, promoção de vendas e merchan- dising) concorrem com elementos que exercem forte influência so- bre as pessoas, tornando sua utilização bastante complexa quanto à eficácia na divulgação, na promoção e no suporte das vendas de produtos ou marcas. Nesse sentido, a credibilidade, a naturalidade e a esponta- neidade são características fundamentais para se obter confiança dos consumidores. Embora todas as ferramentas de comunicação possuam essas características, a RP é a que melhor atende a esses requisitos em função de suas técnicas de atuação. Como vimos, a RP objetiva despertar a atenção do consumi- dor para o produto ou marca e, para tanto, é essencial conhecer o público que se deseja atingir. Em marketing, esse público é identi- ficado por público-alvo. Público-alvo Público-alvo é qualquer grupo que tenha um interesse real ou potencial, que possa causar impacto e impedir a capacidade de uma empresa em atingir seus objetivos. Muitos produtos ou marcas, apesar de seus benefícios, acabam morrendo por não con- tarem com a simpatia de um público específico ou dos públicos em geral (PINHEIRO; GULLO, 2008). A empresa deve não somente desenvolver um relaciona- mento construtivo com seus consumidores, mas também com o público interessado e os formadores de opinião. Definimos como seus integrantes os seguintes grupos: • Acionistas e funcionários. • Empresas, fornecedores e intermediários. • Líderes de opinião. • Governo e políticos. • Associações e sindicatos. • Veículos de comunicação. 93© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário • Igrejas e instituições de ensino. Técnicas utilizadas pela RP Acompanhe, a seguir, as principais técnicas utilizadas pelas Relações Públicas, destacadas por Pinheiro e Gullo (2008). 1) Assessoria de imprensa: constituem as relações com im- prensa escrita, falada e televisiva. Sua principal função é a apresentação de fatos, notícias e informações relevan- tes sobre a empresa, seus produtos e marcas. 2) Comunicação corporativa: divulgação da empresa e de seus produtos ou marcas por meio dospronunciamen- tos e das publicações (relatórios anuais, folhetos, jor- nais, revistas da empresa). 3) Apoio no lançamento de novos produtos ou marcas, na revigoração de um produto envelhecido e na defesa de produtos que enfrentam barreiras de uso. 4) Participação e/ou patrocínio de eventos, tais como: pa- lestras, seminários, conferências, exposições, feiras, sho- wrooms, acontecimentos sociais, artísticos e culturais. 5) Desenvolvimento de relações com a comunidade por meio de doações, de prestações de serviços, de utilidade pública e de defesa de ideias e de causas sociais. 6) Padronização de identidade visual da empresa. 7) Apoio ao processo de comunicação interna entre os fun- cionários da empresa e destes para com os demais pú- blicos da organização. Acompanhe, então, um exemplo de relações públicas: Lançamento da Tim Brasil com Tecnologia GSM no Mercado Brasileiro ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Organização: TIM Brasil S.A. Profissional responsável: Roberto Constante Filho Assessoria externa: Edelmam do Brasil Ltda. Ano da premiação: 2002 Cenário A Telecom Italia Mobile (TIM) foi fundada em 14 de julho de 1995, depois da divisão das atividades de telefonia fixa e móvel da Telecom Itália. Desde então, © Gestão Mercadológica II94 consolidou a sua liderança no mercado e se tornou a primeira operadora de ce- lular da Europa em número de linhas. Em todo o mundo, a TIM possui mais de 50 milhões de linhas – quase metade (23.9 milhões) só na Itália. Ressaltamos que a operadora está presente, atual- mente, em 12 países da Europa e América Latina. Num cenário bastante competitivo, com alta taxa de penetração e rápido desen- volvimento tecnológico, o foco dado pela TIM à inovação foi confirmado pela sua liderança no negócio de serviços tradicionais de voz e coloca a empresa como um dos principais players no desenvolvimento da indústria de telecomunicações. A TIM exerceu um papel propulsor nas telecomunicações, massificando o mer- cado italiano e tornando-o um dos mais avançados da Europa. Assim, o modelo de negócios escolhido pela Companhia para o fornecimento de serviços interativos e de acesso a site de Internet (i-TIM) se configura como um modelo do tipo “aberto”, baseado na integração de várias plataformas tecnológi- cas (UNITIM, SimToolkit, WAP e GPRS). A TIM, por intermédio de suas operadoras espalhadas pelo mundo, oferece ser- viços baseados na tecnologia GSM (Global System for Mobile Communications), sistema criado pela GSM Association (órgão da Comunidade Européia) e que é utilizado em mais de 170 países nos cinco continentes, com mais de 650 milhões de usuários. A aceitação desta tecnologia tem sido positiva e hoje um em cada dez habitantes do planeta usa celular GSM. Apostando no mercado brasileiro, a empresa chegou ao Brasil 1998 com a tecno- logia TDMA. Logo se tornou um dos maiores grupos de telefonia celular do país, com cerca de 4,65 milhões de usuários das operadoras TIM Sul (banda A), TIM Maxitel (B) e TIM Nordeste (A), que atuam em 11 Estados e em quatro municí- pios gaúchos da região de Pelotas (área da antiga CTMR Celular). Em 2001, a TIM comprou da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) novas licenças nas bandas D e E, abrindo caminho para iniciar sua operação no padrão GSM em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Goiás, Espírito Santo e em mais 10 Estados das Regiões Centro-Oeste e Norte. Presente no Brasil, por fim a TIM consolidou seu papel na telefonia móvel na América do Sul, onde já está presente no Chile, através da Entel PCS, Peru, com a TIM Peru, Venezuela, pela Digitel, Bolívia, através da Entel Móvil e Argentina, com a Telecom Personal. Assim como em outros mercados, a TIM (Entel PCS) chegou ao Chile em 1998 com a tecnologia GSM e em pouco tempo passou de terceira operadora para líder do mercado de celulares naquele país. No Brasil, porém, a estréia comercial da TIM foi um pouco conturbada. Devido a problemas burocráticos e judiciais, a empresa permaneceu durante dez meses inoperantes, apenas negociando junto a Anatel a autorização para o lançamento de suas operações. Durante todo este processo, o Grupo Telecom Itália manteve conversas com a Anatel, na busca conjunta de soluções que levem em conta os interesses co- muns da TIM e do Brasil para dotar o país da mais moderna e mais difundida tecnologia de celular do mundo. Os constantes comentários divulgados à imprensa criaram um cenário de incer- tezas no dia-a-dia da empresa. Com isso, o trabalho de assessoria de imprensa ganhou um importante papel e passou a ser fundamental para que a empresa mantivesse sua identidade corporativa intacta e ao mesmo, transmitisse uma imagem institucional forte e bem amparada. 95© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário As informações desencontradas divulgadas ao mercado geraram uma demanda de imprensa, em busca de informações e de esclarecimentos, bastante intensa. Sem estar em operação, porém, não podíamos transmitir informações oficiais. Ainda não havíamos definido nem os porta-vozes que responderiam pela em- presa. Desta forma, a assessoria, com uma atitude reativa, foi obrigada a atender a toda demanda com muito “jogo de cintura”, tentando contornar a ansiedade dos veículos por informações novas e, ao mesmo, tempo, manter o interesse dos jor- nalistas na chegada de uma nova operadora de telefonia celular com tecnologia inovadora. Essa fase acabou se tornando um período desgastante para a empresa e, con- seqüentemente, também para o relacionamento TIM x imprensa – a imprensa em busca de informações e a empresa sem ter como oferecê-las ou solucioná-las. A autorização para iniciar a operação comercial foi anunciada, finalmente, em se- tembro pelo presidente da Anatel, Luiz Eduardo Schymura. Assim, a TIM entrou no ar e se tornou a única empresa de telefonia móvel autorizada a operar em todos os Estados do Brasil. Apta a operar, coloca-se em prática o planejamento estratégico definido, com o objetivo de re-fortalecer o relacionamento da TIM com os jornalistas e todos os seus parceiros. Para oficializar o início das operações, pensamos em uma gran- de “coletiva” de lançamento. A estratégia deu certo: mais de 80 jornalistas presentes e um resultado de mídia muito grande e intenso, somente com matérias positivas. Objetivo Presente no país desde 1998, utilizando a tecnologia TDMA, tivemos como ob- jetivo central realizar o lançamento TIM Brasil S.A. com tecnologia GSM no mer- cado brasileiro. A entrada da tecnologia GSM, da TIM, no mercado vai revolucionar o mercado de telefonia celular nacional. Atualmente, a base de celulares GSM já é de 684,2 milhões de clientes, o que representa 71% dos aparelhos em uso no planeta. Nos primeiros quatro meses de 2002 chegaram ao mercado mundial 37,7 mi- lhões novos aparelhos GSM, o que dá um crescimento no período de 5,8% e uma média de 9,4 milhões de novos celulares GSM por mês. Com base nesse número, podemos dizer que, a cada dia, 313 mil novos celu- lares GSM estão sendo vendidos no mercado mundial (resultado da divisão de 9,4 milhões por 30 dias), ou ainda 13 mil celulares por hora, ou 217 por minuto – números realmente impressionantes! Em abril de 2002, o mercado mundial ultrapassou a marca de 1 bilhão de celula- res (incluindo todas as tecnologias). A Europa continua sendo o continente com mais celulares GSM, com 357,1 mi- lhões de aparelhos, seguida do Extremo Oriente (a Ásia da Costa do Pacífico, que inclui Japão, China e Coréia), com 249,9 milhões. A América Latina continua na lanterninha, com apenas 4,2 milhões de aparelhos GSM. Estratégias A equipe da Edelman, assessoria de comunicação da TIM Brasil S.A. definiu organizar duas coletivas de imprensa para apresentar oficialmente a nova es- trutura da empresa, bem como introduzir os conceitos da tecnologia GSM para a imprensa. © Gestão Mercadológica II96 Após estudos e análise do mailing de jornalistas, chegamos a um número supe- rior a 100 jornalistas.Seria impossível convidá-los para um único evento. Definimos, portanto, realizar dois eventos, nos dias 16 e 17 de outubro. No dia 16, o encontro seria para apresentar a parte institucional da TIM Brasil, com seus planos para o mercado brasileiro e a introdução de sua tecnologia inovadora. Os presidentes da TIM Brasil, TIM América Latina e mundial da TIM foram definidos como porta-vozes. No dia seguinte, na Loja TIM da Bandeira Paulista, um encontro dos diretores geral e comercial da TIM São Paulo com jornalistas do Estado de São Paulo para apresentação das estratégias específicas para o mercado paulista. Execução Para as coletivas de imprensa, realizadas nos dias 16 e 17 de outubro, a Edel- man foi responsável por toda a logística, incluindo sugestão, negociação e coor- denação de terceiros, e trabalho específico de assessoria de imprensa. A Edelman utilizou sua estrutura de atendimento de imprensa nas principais pra- ças brasileiras, onde a TIM está presente, para otimizar o contato com os jorna- listas locais e facilitar a presença deles na coletiva. Cada operadora (TIM Norte, TIM Nordeste, TIM Maxitel e TIM Sul) selecionou jornalistas-chave de sua região e os trouxe para São Paulo. Chegou-se a um total de 29 jornalistas confirmados das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul do país. Elaborou-se um mailing list com os principais veículos diários, revistas semanais, sucursais, veículos trade, agências de notícias, correspondentes internacionais, veículos online. Chegou-se a um total de 80 jornalistas confirmados e presentes no evento. Com o intuito de realizar uma grande impressão aos convidados, preparamos um press-kit bastante informativo. Desenvolvemos uma série de textos-apoio, como um release institucional, história da tecnologia GSM, Grupo TIM, ficha técnica das operadoras, parceria com a Volvo, mapa de presença nacional, biografia dos principais executivos, que chegavam às mãos dos jornalistas dentro de uma pasta personalizada, juntamente com bloco de anotações e canetas personali- zadas. Media training Sem esquecer da responsabilidade dos porta-vozes em enfrentar a multidão de jornalistas, ansiosos por notícias e esclarecimentos, afinal ficara dez meses sem uma posição oficial da empresa, a Edelman preparou um intenso programa de treinamento de porta-voz. Sob orientação de jornalistas reconhecidos, os principais executivos da TIM fo- ram preparados para suportar todo e qualquer tipo de pergunta e abordagem dos profissionais de imprensa. Para ajudá-los nas respostas, criou-se um extensivo e completo Q&A (question & answers) de apoio aos executivos. O evento começou às 8h00 com o transporte dos executivos da TIM e jornalistas convidados do hotel à sede da TIM, situada na Avenida Giovanni Gronchi, 7.143, no bairro do Morumbi. Às 9h00, serviu-se um café da manhã de boas-vindas. Na hora seguinte, os convidados se dirigiram para o anfiteatro, onde deu início a cerimônia de apresentação do conteúdo proposto. Por volta de 11h00, abriu-se para “Perguntas e Respostas”. O evento foi encerrado com um almoço servido a todos os convidados. 97© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário Para facilitar o envio do material colhido pelos jornalistas às respectivas reda- ções, foi criada uma sala de imprensa com 40 terminais de última geração co- nectados à internet dentro das dependências do anfiteatro da TIM São Paulo, além de três telefones móveis GSM para uso ilimitado dos jornalistas e demais convidados. Para esclarecer eventuais dúvidas e conhecer na prática as habilidades dos apa- relhos GSM, disponibilizamos duas estações de demonstração com atendentes capacitados a esclarecer toda e qualquer dúvida sobre as funcionalidades dos mesmos. Como o lançamento transcendeu o âmbito da coletiva e o evento contou com a presença de imprensa estrangeira, a Edelman preparou um plano de ativida- des de entretenimento para os 12 jornalistas italianos presentes. Dentre outras ações, organizamos e acompanhamos a estada de 12 jornalistas italianos, que vieram ao país para a coletiva de imprensa. No escopo das atividades, realizamos city-tours, visita aos principais shoppings centers da cidade, jantar na churrascaria Rodeio Grill e ingressos de cadeiras cativas para assistir à partida de futebol entre São Paulo e Santos, no Estádio do Morumbi. Forma de avaliação A Edelman adotou dois momentos de avaliação para o resultado de percepção dos jornalistas para com a TIM Brasil S.A. Duas semanas antes do evento, sem que os jornalistas soubessem da coletiva de imprensa, realizamos um media- audit com os principais integrantes da imprensa (que viriam a ser convidados posteriormente). Dois dias após o evento, repetimos a pesquisa com os mesmos, presentes na coletiva. O resultado foi extremamente interessante e animador. De uma maneira geral, os jornalistas, antes do evento, não sabiam ao certo qual era o grande objetivo da TIM no mercado brasileiro e as atrações de sua tecnologia. Muitos questionavam a legalidade da empresa e suas operações. Os mesmos profissionais, semanas depois, revelaram estar muito contentes e ansiosos pelo começo das operações comerciais da TIM, procurando a assesso- ria de imprensa para solicitar entrevistas com os principais executivos, aproximar o veículo para o qual trabalha com a TIM, e até pedir um chip de cortesia. Isso mostra que o trabalho realizado pela assessoria de imprensa da TIM Brasil conseguiu reverter uma tendência negativa que a imprensa, de uma maneira ge- ral, tinha da TIM e hoje, todos mantém excelentes relações com a empresa, que acabou se tornando fonte para todo e qualquer assunto relacionado a telefonia celular e telecomunicações. Resultados alcançados Como resultado de imprensa da coletiva de imprensa institucional da TIM Brasil S.A., dezenas de matérias jornalísticas foram publicadas nos principais veículos de comunicação do Brasil. Conseguimos mais de 15 exposições editoriais em capas de jornais e revistas. Obtivemos 100% de exposição espontânea positiva da marca TIM nos veículos de comunicação. © Gestão Mercadológica II98 Aumento da demanda de imprensa solicitando TIM Chips e aparelhos para reali- zação de testes com a nova tecnologia, entrevistas com os principais executivos da empresa e reuniões de goodwill. Fonte: disponível em: . Acesso em: 16 jun. de 2010. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Funções de relações públicas A prática de relações públicas reúne diversas funções; den- tre elas, destacam-se a publicidade e a propaganda institucional, o patrocínio, as relações com os clientes, as relações internas, as relações com a comunidade, governamentais e o gesto de crise. Dependendo do porte, dos problemas e das oportunidades da em- presa, as funções são mais ou menos realizadas, mas, no conjunto todo, engloba as dimensões necessárias aos objetivos maiores que justificam a atuação com relações públicas. A especialização com que as funções são realizadas também varia. Em uma empresa pe- quena, por exemplo, um profissional cuida de todas. Já em uma corporação multinacional, cada função pode ser conduzida por uma unidade organizacional específica. Vamos analisar, a partir de agora, cada função descrita ante- riormente; isso nos ajudará a compreender como elas atuam em relações públicas. Publicidade e propaganda A publicidde completa as informações sobre a empresa, seus produtos ou marcas, veiculadas pela imprensa na forma de noti- cías. A imprensa publica porque os fatos têm valores jornalísticos, como, por exemplo, as notícias sobre planos de investimentos, criação de empregos e lançamentos de produtos. Na propaganda, o anunciante paga a veiculação; na publicidade, não. Digamos que um órgão de imprensa identificou algo de in- teresse dos leitores, ouvintes e telespectadores. Mediante essa informação, será elaboradouma reportagem que poderá focali- zar certa empresa ou apenas mencioná-la. Até mesmo os veículos mais importantes valorizam e utilizam matérias que recebem da 99© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário empresa para a publicidade. É mais difícil aceitar uma matéria irre- levante, mal redigida ou que é mera propaganda disfarçada. A publicidade não fica dependente das pautas dos jornais, televisões e outros meios de comunicação. O bom profissional da área está atualizado com posições predominantes na imprensa e age para abrir, junto aos jornalistas, espaços favoráveis às empre- sas que são mal interpretadas. Para Urdan e Urdan (2006), é uma grande falha de publici- dade uma notícia prejudicar a empresa porque o jornalista des- conhecia ou não teve acesso a dados que poderiam modificar sua análise. Geralmente, as empresas levam informativos (press rele- ase), entrevistas coletivas em ocasiões importantes, relatórios de atividades e apresentação prévia de produto para o conhecimento dos jornalistas. Patrocínio É o apoio, em geral financeiro, destinado a eventos, entidade ou organização, o qual deve trazer vantagens, diretas ou indiretas, para o patrocinador. O projeto de patrocínio conta com objetivos de relações públicas, promocionais e de marketing. O patrocínio escolhido reflete a imagem que o produto, a marca ou a empresa deseja projetar para o seu público. Nesse tipo de relação, ganha-se com a identificação entre o patrocinador e os adeptos do evento ou entidade patrocinadora. Relações com clientes O poder do consumidor no Brasil cresceu bastante por várias razões. Concorrência intensificada entre fornecedores, resultado do baixo crescimento econômico e da abertura do mercado na- cional ao exterior são alguns exemplos desse crescimento. Além disso, a maior proteção dos direitos do consumidor pela legislação (Código de Defesa do Consumidor), órgãos judiciários (juizados es- peciais), entidades públicas (PROCON) e organizações não gover- namentais também contribuiu significativamente. Daí a urgência © Gestão Mercadológica II100 de as empresas contarem com uma postura e organização efetivas para lidar com os clientes em uma perspectiva que vai bem além do fechamento de vendas. Assim, ganham destaque os programas de relações com clientes, guiados pela preocupação com os con- sumidores, alicerçados em canais de comunicação para ouvi-los e sistemas para ajudá-los. Desse modo, a essência da política de relações com os clien- tes torna-se um compromisso da empresa para com os interesses desse público. Relações internas Relações internas são aquelas que desenvolvem comunica- ções efetivas entre empresa e funcionários, executivos e prestado- res de serviço. Segundo Urdan e Urdan (2006, p. 305): É inconsistente haver na empresa muita peocupação e atenção aos públicos externos se o público interno é negligenciado. Daí dizer que Relações Públicas têm de começar em casa, com os funcioná- rios. Quando o clima na empresa é desagradável, os clientes sentem os problemas nas interações com os funcionários de atendimento ao público. Esta fonte pessoal de informações e impressões costu- ma causar mais impacto do que a propaganda, marketing direto e outros canais impessoais. Olhando pelo outro lado, se a empresa fizer um bom tra- balho de relações internas, os funcionários atuarão como agentes efetivos de relações públicas. Os recursos que estão à disposição das relações internas são bem diversificados. Dentre os meios impressos, podemos desta- car: o jornal ou revista, os quais circulam em intervalos periódicos; as cartas, com possibilidade de personalização; os quadros, avisos e notícias; a reprodução de discursos e relatórios. Como interação pessoal, figuram-se os encontros, os discursos, as conferências e, sem dúvida, a fofoca (um meio rápido de comunicação ampla nas organizações, apesar de muito sujeito a distorções). 101© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário Relações com a comunidade No entorno da empresa, no bairro, na cidade ou no esta- do, sempre há uma comunidade humana. Pode ser muito custoso uma empresa operar em uma comunidade problemática. A partir daí, surge o grande motivo da responsabilidade social empresa- rial. Além da razão de fazer o bem pelo próprio bem, as relações com a comunidade contemplam a participação planejada, ativa e contínua para ajudá-la, tornando o ambiente da empresa mais fa- vorável. Dez categorias resumem os desejos mais básicos de uma comunidade, os quais estão ligados à qualidade de vida de seus membros. São eles: oferta de trabalho; perspectiva de crescimen- to e novas oportunidades; empresas competitivas; governos há- beis na prestação de serviços públicos; atividades educacionais, culturais, religiosas e recreativas; habitação adequada; apoio aos menos capacitados; provisão de serviços médicos, psicológicos e jurídicos, entre outros; orgulho e lealdade; boa reputação na co- munidade e fora dela. Com tantas demandas disponíveis, a empresa, com orienta- ção para a comunidade, faz ações de grande impacto, mesmo com recursos limitados. Gestão de crise Não há empresa imune a erros, sejam eles próprios, sejam eles de terceiros. Por vezes, esses erros causam impactos severos na opinião pública e nos negócios. Mais do que um sentimento de indignação e revolta, os profissionais de marketing devem se pre- parar para reagir corretamente à crise. O trabalho deverá começar antes do eventual problema. É conveniente que a empresa apre- sente um plano de relações públicas para enfrentar situações críti- cas com o potencial de prejudicar a organização, os seus produtos e a sua marca. Contudo, não há regras definitivas para administrar situações de crises, visto que cada uma possui suas particularida- des, mas algumas referências gerais funcionam. Acompanhe. © Gestão Mercadológica II102 O plano básico de ação que a empresa deverá realizar abran- ge: identificação e previsão de possíveis problemas, definição e preparação de interlocutores competentes para interagir com a imprensa, identificação de ações a tomar e urgência na implemen- tação para avaliar os danos à própria empresa, além de realização de simulações exercitando os profissionais com base em experi- ências vividas ou situações que possam acontecer. Esse procedi- mento ajudará a empresa a administrar situações de crise que, por ventura, ela venha enfrentar. 7. PROMOÇÃO Dando continuidade às considerações sobre os elementos do mix de marketing, apresentaremos a promoção, um dos principais meios utilizados pela empresa para a comunicação com o seu pú- blico, seja ele interno, seja externo. Nesse sentido, a comunicação deve possibilitar ao cliente o conhecimento de todos os benefícios oriundos da aquisição de um determinado produto, bem como qual a imagem que a empresa está passando para a sociedade em suas transações com os clientes. A promoção pode ser realizada de várias formas: • Propaganda, venda pessoal e promoção de vendas. • Merchandising. • Relações públicas. A ênfase, nesse caso, é dada à propaganda, à promoção de vendas, à venda pessoal e aos eventos e experiências, pois são as maneiras mais utilizadas pelas pequenas empresas para a comuni- cação com o seu cliente externo. Entretanto, para desenvolver políticas de promoção, inicial- mente, é importante responder às seguintes perguntas: • Quais os meios promocionais que serão utilizados ou combinados? 103© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário • Qual o orçamento ideal? • Como serão criadas as mensagens? Promoção de vendas A promoção de vendas é uma forma de comunicação usa- da pelas empresas para despertar a atenção dos consumidores. Pode ser realizada de várias formas; dentre elas, podemos desta- car: brindes, concursos, cupons, amostras grátis, descontos, feiras, entre outros. Apesar de ser usada por todos os tipos de empresa, a pro- moção, quando usada pela pequena empresa,deve ser combinada com outros tipos de ferramentas promocionais, por ser uma estra- tégia de comunicação que desperta a atenção dos consumidores no momento de sua implementação. O objetivo principal da promoção de vendas é incrementar as vendas. De acordo com Kotler (2000), as empresas utilizam pro- moções de incentivo para atrair novos consumidores, para recom- pensar clientes fiéis e para aumentar taxas de recompra de clien- tes eventuais. Entretanto, ressaltam Zenone e Buairide (2002) que a promo- ção de vendas, no Brasil, é muito confundida com a propaganda. Não podemos esquecer que a propaganda oferece uma razão para comprar; já a promoção de venda oferece um incentivo a comprar. Daí a importância de defini-las claramente. Um alerta especial é feito por De Simoni (2004), que salienta que a promoção de vendas e o merchandising são campos cuja prática permite criações geniais. Para o autor, não há nenhuma outra atividade ou disciplina no campo das comunicações de ma- rketing que disponha de tantas técnicas, mecânicas, meios, re- cursos e instrumentos que, se multiplicados e inter-relacionados consoante a vontade de seus idealizadores, se transformam em uma verdadeira fábrica de criação. Esta se sobreleva ainda mais quando interage com todas as outras atividades de comunicações de marketing e vendas. © Gestão Mercadológica II104 Há vários meios promocionais que podem ser aplicados não só a consumidores finais, mas também em canais de distribuição e de vendas. A tabela a seguir contempla os principais meios de promoção de vendas utilizados no Brasil: Quadro 3 Principais meios de promoção de vendas. O MEIO COMO FUNCIONA EXEMPLOS Liquidações São descontos sobre produtos que os PDVs (pontos de venda) oferecem com certa regularidade, sobretudo nas mudanças de estações. As lojas ou shoppings centers usam esta estratégia com grande freqüência. Vale- presentes São certificados que dão o direito a um produto-presente, como um livro ou um cd musical. De um simples cartão de crédito, escrito à mão, o vale evoluiu para cheques e depois caixas de CD. A rede de lojas BR III, que compra seus vales da Hi-fi. Cupons de desconto São deduções concedidas a mercadorias em promoção, distribuídos mediante um vale nos próprios PDVs ou por mala direta a compradores em potencial. Empresas de refeição-convênio usam com freqüência os cupons de desconto para conquistar novos clientes. Sorteios Participantes concorrem a um prêmio, como em shopping centers. Na compra de um calçado New Balance, o consumidor participa do sorteio de um carro 0 Km. Prêmios e brindes Descontos concedidos sobre o preço normal do produto, ou brindes que dêem direito a um desconto. A rede de farmácia Farmais oferece brindes para o portador de seis cartelas de R$ 20,00 que são entregues juntamente com as compras. Amostras grátis Para conquistar novos clientes e consolidar marcas. As Ceras Johnson faz o “sampling” ao dar pequenas latas de seu Raid Mata Baratas. Degustações Ofertas gratuitas de bens consumidos para incentivas a compra. A Coca-Cola ao oferecer dose do seu guaraná Kuat. Shows Empresas promovem shows e bandas ao ar livre. Indústrias de cervejas e refrigerantes. Fonte: Richers (2000, p. 341). 105© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário É importante destacar que, mesmo que a maioria das pro- moções seja prevista para um período de curta duração, elas de- vem ser cuidadosamente planejadas. Promoção de vendas como reforço da marca Para De Simoni (2004), as promoções de vendas com distri- buição de premiações não abalam a personalidade e o conteúdo de uma marca ou de um produto; pelo contrário, ele afirma que, quando a promoção com premiações é devidamente planejada e delineada, contribui para agregar valor à marca, pois acaba cum- prindo não só um papel promocional, mas também um papel pu- blicitário. Segundo o autor, a receptividade do consumidor multiplica- se quando a ação promocional é acompanhada de uma cobertura publicitária, ou seja, quando se faz propaganda da promoção. A ár- vore genealógica da promoção é a mesma da propaganda. Ambas buscam o mesmo objetivo, embora seguindo caminhos diferen- tes. Seus objetivos não são antagônicos ou opostos. Ao contrário, associam-se usando instrumentos, ferramentas, meios e recursos diferentes, que interagem, complementando-se. Como vimos, as promoções de vendas acontecem no curto prazo e são temporárias. Nesse sentido, Kotler (2000) relaciona al- guns fatores que tornam a promoção de vendas uma ferramenta eficiente para a construção de uma marca. Acompanhe: • Certificar-se da necessidade de fazer uma promoção: a abertura de uma nova loja, o aniversário de uma empre- sa e outros tipos de comemorações podem representar oportunidades para criar uma promoção, pois colocam o nome da marca em evidência. Entretanto, comemorar a primavera ou a volta às aulas não são boas razões para se fazer uma promoção, pois são datas muito genéricas. • Associar a promoção a uma imagem da marca: nesse caso, os aniversários são bons exemplos. © Gestão Mercadológica II106 • Considerar todas as promoções tanto pelas vendas que podem gerar quanto como uma ferramenta de comunica- ção: uma promoção é uma das muitas vozes que uma mar- ca tem; ela pode ajudar a construir uma conscientização de marca se transmitir a imagem certa. Como exemplo, cita- mos a aspirina Bayer, que poderia fazer uma promoção de cupons, oferecendo uma redução de preço e, dessa forma, usar a promoção para reforçar o nome da marca. Considerações sobre a promoção de vendas Quando se percebe a indecisão do cliente entre duas marcas, podemos considerar que os esforços de construção dessa marca não foram suficientes para dirimir esse impasse. Nesse caso, De Simoni (2003) afirma que é a promoção de vendas que define a compra. Entretanto, ele orienta para o cuidado na quantidade de pro- moções que a empresa for realizar, a fim de não esvaziar o conteú- do da marca dos produtos, pois aqueles que são comercializados, exclusivamente, por meio de contínuas e rotineiras promoções es- tão prestes a ser retirados do mercado. Essas técnicas, usadas abu- sivamente, aviltam, violentam, esvaziam e destroem o conteúdo de marca de um produto. Em contrapartida, a marca reconhecida é o mais importante item decisório de compras, por representar a síntese que identifica e distingue os valores e atributos. Em síntese, uma das funções da promoção de vendas é con- tribuir para a construção da personalidade da marca de um produ- to, e isso só é possível quando ela cumpre seu papel estratégico, integrando-se sinergicamente a todo o complexo de marketing. Uma campanha promocional de muito sucesso e que bem ilustra essa preocupação é a promoção de vendas criada pelo Ma- gazine Luiza. Essa promoção prevê uma grande liquidação com iní- cio às cinco horas da manhã em um dos sábados do mês de janei- ro. Atualmente, representa uma das promoções de maior sucesso, 107© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário sendo, inclusive, copiada por seus concorrentes. Entretanto, logo após seu lançamento, muitos não acreditaram que essa promoção poderia ter sucesso e temeram que a imagem da empresa pudesse ser denegrida. Acompanhe. Liquidação Fantástica do Magazine Luiza –––––––––––––––– A maior e mais tradicional liquidação do Brasil acontece no começo de janeiro e é notícia nos principais jornais impressos e telejornais do país. Com descontos de até 70%, a liquidação vende cerca de um valor do faturamento de uma semana da rede. Em grandes centros, são mais de 20 mil clientes que chegam com antece- dência surpreendente. Parte do prestígio alcançado pelo Magazine Luiza é fruto de ações mercadológicas diferenciadas como esta. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Acompanhe, também, o caso a seguir, que se refere à pro- moção de vendas da empresa Volkswagen. Promoção de vendas – Volkswagen––––––––––––––––––––– A empresa, em 2004, lançou uma campanha chamada “Procura-se um astronau- ta”, campanha esta que encontra-se disponível em: . A intenção dessa campanha era divulgar os mode- los de carro: na compra de um automóvel zero quilômetro, a pessoa concorria a vários sorteios. O principal prêmio era uma viagem espacial (com voo simulado em gravidade zero). Os demais prêmios incluíam viagens à Rússia – Moscou com 11 passagens ao Star City, centro de treinamento para aeronautas. A campanha de vendas aumentou o fluxo de movimento nas concessionárias de vários países, e as lojas passaram a ter um crescimento de aproximadamen- te 11% das vendas em relação ao ano anterior. ,Para divulgar a campanha de vendas a agência de publicidade AlmapBBDO entrou na campanha produzindo três filmes para TV aberta, três anúncios de jornais, outdoor e hotsite, incluindo matérias de ponto de vendas e participações em feirões de automóveis. Para uma campanha surtir efeito, pois, investimentos em mídia são essenciais para o sucesso de vendas. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Assim, podemos analisar que, como na campaha de vendas da Volkswagen, promoção de vendas é uma ferramenta de comu- nicação de marketing para estimular ações de compra do produto, oferecendo algum incentivo para o consumidor final. Desse modo, © Gestão Mercadológica II108 segundo De Simoni (2004), o objetivo da promoção de vendas po- siciona-se no último estágio do modelo de hierarquia de efeitos. Em geral, existe um prazo definido de duração de campanhas, as quais não devem ser frequentes. Mas também existem ações de promoções de vendas permanentes, sem problemas, como a pro- paganda cooperativa entre fabricantes e parceiros atacadistas. Portanto, podemos concluir que, com a promoção de vendas, as empresas pretendem gerar diversas respostas de mercado. 8. MARKETING DIRETO O marketing direto, como uma ferramenta da publicidade, procura atingir o consumidor de forma específica e direta e, mui- tas vezes, de maneira inovadora. Ele traz vantagens como: baixo custo, relacionamento individual (apenas um consumidor), rapi- dez e especificação do público-alvo. Trata-se de uma ferramenta promocional interativa, com a qual a empresa busca conhecer individualmente os receptores, podendo oferecer apoio a outras ferramentas promocionais (em particular, a propaganda). Além disso, ele procura efetivar res- postas mensuráveis e/ou transações comerciais com o cliente em qualquer lugar onde ele estiver, sendo usual que o cliente nem precise se deslocar até o estabelecimento físico (como lojas, escri- tórios, varejo etc). O marketing direto é mais indicado para os estágios finais do modelo de hierarquia de efeitos, da formação de preferência e da convicção de compra. O objetivo básico é obter a resposta de compra. Essa ferramenta também serve para criar consciência e gerar grandes conhecimentos. O marketing direto tem vantagens sobre a propaganda na mídia de massa. Uma delas é a capacidade de abordar cada consu- midor com propostas individuais bem ajustadas. Outra vantagem é a condição de medir as respostas e os resultados obtidos na cam- panha. 109© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário Podemos dizer que o marketing direto compreende uma campanha de marketing que visa a uma ação, seja ela uma visita a um website, uma compra ou um retorno de uma mensagem solici- tando maiores informações. Vejamos quais são os meios de comunicação utilizados pelo marketing direto. Mala direta (via correio postal) Segundo Urdan e Urdan (2006, p. 134), a mala direta “con- siste em correspondência impressa, com diferentes níveis de per- sonalização, contendo mensagem de comunicação de marketing, entregue no endereço físico do receptor”. Em geral, muitas dessas correspondências não são solicitadas pelo destinatário. Existem alguns procedimentos que melhoram o desempe- nho da mala direta, tais como: testar as cartas e as listas de nomes de destinatários, pois a mudança de títulos aumenta à proporção de resposta; ter concisão e objetividade na carta; prometer o be- nefício logo no início; explicar os benefícios e o valor percebido do que é oferecido; reforçar os argumentos com provas; apontar o que o receptor pode perder se não comprar; repetir o argumento principal no fechamento da mensagem; iniciar a ação e, se possí- vel, com uma razão lógica para tanto. No Brasil, uma grande parcela das malas diretas via correio migrou para meios mais baratos, como, por exemplo, encartes de jornal e revistas ou serviços de correio privado, bem como a pró- pria internet. O recuo foi motivado pela elevação dos preços das tarifas de postagens do correios. A mala via internet, além de reduzir custos, põe as empresas em contato direto e interativo com o cliente de bom poder aquisitivo. © Gestão Mercadológica II110 E-mail marketing O e-mail marketing é uma ferramenta do marketing direto que se diferencia do spam por permitir ao destinatário a opção de se descadastrar a qualquer momento da lista de envio pela qual recebeu o e-mail. Além disso, é um grande responsável por fazer que as pessoas se conectem à internet. Um bom software de e-mail marketing, nos dias atuais, é aquele que oferece opções para apresentar bons relatórios sobre as ações tomadas pelos clientes. Alguns exemplos de relatórios essen- ciais para a análise de campanhas de marketing direto são: visualiza- ção de mensagens; cliques por mensagens; cliques por link; cliques por datas e horários e destinatários com erro e descadastramento. Telemarketing É o uso do telefone para implementar ações de marketing direto. Hoje em dia, é raro que uma grande empresa não faça tele- marketing. A penetração da telefonia no país e a evolução tecno- lógica impulsionaram o telemarketing e aumentaram seu poder de comunicação com o mercado. Existem dois tipos de telemarketing: o passivo e o ativo. No passivo, o consumidor liga para a empresa. Motivada por algum estímulo, como, por exemplo, a propaganda de mala direta, a pes- soa retorna à empresa usando linha gratuita (0800), de tarifa única ou comum. O telemarketing passivo é útil na venda e no pós-venda. Em geral, o esquema conta com telefonistas que dão mais atenção ao interlocutor e têm maior capacidade de informar e persuadir. No telemarketing ativo, é a empresa que liga para o clien- te. A extensão e as formas de aplicação são amplas. Por exemplo: enviar um catálogo e depois telefonar para o consumidor ajuda a aumentar a resposta e a retenção do cliente. Esse tipo de telema- rketing funciona melhor se conhecermos quem vai ser chamado. 111© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário Resultados superiores ocorrem com clientes cujo comportamento anterior ao da compra é conhecido. É recomendável que as liga- ções sejam realizadas em horários cômodos para os clientes (não na hora do almoço ou muito cedo: isso poderá prejudicar o resul- tado da ligação). É importante, também, dizer sempre a oferta e o benefício no início da conversa para evitar que o interlocutor perca o interesse e desligue. Abordar o cliente errado cria resistência das pessoas ao telemarketing; além disso, é um tipo de marketing que incomoda mais do que a mala direta e o seu abuso pode prejudicar a modalidade. Comércio eletrônico É a aplicação da internet para buscar vendas e negócios com clientes identificados. O comércio eletrônico aproveita as proprie- dades do meio eletrônico interativo. Algumas tendências mere- cem atenção, tais como: agilizar o serviço, diminuindo as etapas para atender aos clientes (isso vale para processamento de pro- cura, seleção de produtos, entrada, processamento de entrega de pedido); deixar o cliente comprar quando quiser e sem dificulda- des com sistema; personalizar a oferta com ampla variedade de produtos. No início de 2005, o site da Livraria Cultura oferecia um ca- tálogocom 699.673 livros, entre nacionais e importados. Atual- mente, conta com mais soluções integradas do que produtos se- parados, facilitando a vida do consumidor. Em 2009, a empresa, especializada em comércio eletrônico, ganhou o selo de Excelência em Qualidade e Comércio Eletrônico (B2C). Além de oferecer um item, ela oferece, também, uma gama de produtos e serviços que resolvem as necessidades interligadas. É o que também procura fazer a Tok & Stok no seu canal de marketing direto na internet. Todavia, a forma com que a Tok & Stok trabalha é diferente, uma vez que ela disponibiliza links re- comendados para facilitar a busca pelos produtos desejados pelo © Gestão Mercadológica II112 consumidor. Além disso, há uma equipe de profissionais e uma frota de veículos próprios para realizar entregas e montagens com conforto e segurança no local indicado pelo cliente. Segundo Urdan e Urdan (2006), dois fatores contribuíram para o sucesso do comércio eletrônico. O primeiro é o tempo que o internauta leva para se familiarizar com os sites de compra e con- fiar no serviço. O internauta só se torna comprador on-line efetivo após dois anos do primeiro aceso a um site de compras. Inicial- mente, ele apenas consulta as páginas, vê as promoções de vendas e compara preços. Depois, compra produtos de baixo preço, até se habituar ao comércio eletrônico e buscar artigos mais sofisticados ou que busquem satisfazer às suas necessidades momentâneas. O segundo fator é que, atualmente, o número de internautas brasileiros continua crescendo e, consequentemente, mais pesso- as estão aprendendo a comprar pela internet, o que garante o su- cesso de muitos comércios eletrônicos. É importante destacarmos, também, que o acesso a esse canal de mídia eletrônica se tornou mais acessível para muitas classes sociais que, anteriormente, não tinham essa oportunidade. Ponto de venda Por meio das siglas PDV, ponto de venda é conhecido no mundo da publicidade, do marketing e da gestão de empresas. Trata-se do local próximo ao caixa, ou em acessos privilegiados, no qual estão disponíveis os mostruários e onde os produtos são expostos de forma permanente. É um segundo local de exposição, próximo aos caixas, ou em ponta de gôndolas, onde o acesso se torna mais favorável ao con- sumidor, que vem a somar-se ao local primário, denominado pon- to permanente ou ponto natural, e que visa aumentar a rotação do produto. O ponto de venda é utilizado para ambientar o produ- to dentro do estabelecimento, destacando-o do restante do local, o que lhe oferece maior visibilidade e possibilidade de facilitar a compra pelo consumidor. 113© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário Itens que habitualmente fazem parte do PDV em supermer- cados, padarias e outros estabelecimentos são: chocolates, pilhas, cigarros, salgadinhos, sorvetes, revistas e jornais. Os mostruários de PDV possuem, além dos produtos para chamar a atenção do consumidor, algum atrativo especial. Portanto, conforme podemos perceber, é essencial mensurar o resultado ou a ação em uma eficaz campanha de marketing direto. Objetivos do marketing direto O principal objetivo do marketing direto é possibilitar o conhecimento mais amplo de seus clientes e compradores. Para isso, é necessário diferenciá-los como indivíduos quanto às suas necessidades, preferências, interesses e personalidade, a fim de construir um relacionamento a longo prazo, oferecendo-lhes be- nefícios e melhores oportunidades de lucros. Além disso, o conhecimento possibilita à empresa atender aos desejos de seus clientes e criar estratégias mais convincentes sobre seus produtos. Dessa forma, todo o conhecimento que se adquire deve ser armazenado em um banco de dados para que possa ser usado pela empresa quando precisar. Nesse sentido, Costa (2003, p. 67) comenta que: O retorno das campanhas de marketing direto é perfeitamente mensurável e previsível. Uma mala direta, ao ser postada, pode ter o seu retorno “capturado” por um operador de Telemarketing ativo ou receptivo, ou através de alguma ferramenta de resposta direta, como um cupom promocional, por exemplo. Com isso diversas in- formações do Cliente ou Prospect serão armazenadas no banco de dados, inclusive a sua pré-disposição à compra. Entretanto, não podemos resumir o marketing direto apenas como uma oferta, uma lista, uma peça promocional e uma respos- ta direta mensurável. Ele compreende o marketing de relaciona- mento entre uma empresa e uma pessoa, ou entre empresas, que possibilita a mútua satisfação de interesses com a efetivação de trocas e a sua repetição contínua. © Gestão Mercadológica II114 É importante ressaltar que nem todas as empresas estão ap- tas, culturalmente, a adotar o marketing direto. Por essa razão, ele se torna um grande diferencial competitivo, um método de melhor servir e melhor manter clientes ativos, que é adotado por empre- sas com maior visão. Como exemplo da realização de um marketing direto, pode- mos citar a mala direta que foi premiada, em 2006, no 53º Festival Internacional de Publicidade de Cannes, por sua originalidade, efi- ciência e baixo custo. 9. EVENTOS E EXPERIÊNCIAS Segundo Kotler e Keller (2006, p. 590): Ao se tornar parte de um momento especial e mais relevante na vida pessoal dos consumidores, os eventos podem ampliar e apro- fundar o relacionamento da empresa com o mercado-alvo. Além disso, podemos notar que os eventos representam uma forma implícita e não agressiva de fixar a imagem da marca ou da empresa. Acompanhe, no Quadro 4, os principais motivos considera- dos por uma empresa para criar ou patrocinar um evento: Quadro 4 Motivos para criar ou patrocinar um evento. MOTIVOS Criar identificação com um mercado-alvo ou com estilo de vida específico. Os clientes podem ser alcançados geográfica, demográfica e psicologicamente de acordo com cada evento. Aumentar a conscientização do nome da empresa ou do produto. O patrocínio quase sempre oferece a exposição sustentada da marca, condição necessária para construir seu reconhecimento. Criar ou reforçar as percepções do consumidor quanto a associações- chave com a imagem da marca. Eventos possibilitam criar ou reforçar as associações sobre a marca. Aperfeiçoar as dimensões da imagem corporativa. O patrocínio é considerado um meio de melhorar a idéia de que a empresa é simpática, bem- sucedida. 115© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário MOTIVOS Criar experiências e provocar sensações. Sensações provocadas por um evento empolgante ou recompensador também podem ser associadas indiretamente à marca. Expressar compromisso com a comunidade ou com questões sociais. O marketing de causas consiste em patrocínios que envolvem associações da empresa com organizações sem fins lucrativos e instituições de caridade. Entreter os principais clientes ou recompensar funcionários-chave. Muitos eventos possuem diversas tendas de recepção e outros serviços ou atividades especiais que ficam disponíveis apenas aos patrocinadores e seus convidados. Permitir oportunidades de divulgação ou promoções. Fazer uma atividade conjunta conectando concursos ou sorteios, divulgação dentro da loja, resposta direta ou outras atividades de marketing a um evento. Fonte: Kotler e Keller (2006, p. 591). Conforme podemos observar, existem inúmeras maneiras de criar e patrocinar um evento, desde que as condições do criador sejam favoráveis também para o patrocinador e que o intuito da divulgação do evento seja chamar a atenção e trazer o público-alvo ao evento. É importante destacarmos que, para o patrocinador, a vantagem será o fortalecimento da sua marca. 10. MERCHANDISING Pinheiro e Gullo (2008, p. 85) compreendem o merchandi- sing como: o enriquecimento e a valorização do clima promocional, a nível de ponto-de-venda, onde se encontra o produto, com o objetivo de envolvimento do consumidor, levando-o à efetivação de compra. O merchandisingcria um clima, uma atmosfera e um impulso de compra no ponto de venda ao enfatizar um produto ou marca, tal qual a promoção de vendas conduz o produto ou a marca até o público consumidor. De acordo com o que estudamos, a promoção de vendas também apoia o produto e a marca em tempos periódicos. Ela é © Gestão Mercadológica II116 utilizada no ponto de venda das lojas de autosserviços ou de ou- tros tipos de estabelecimento, dependendo da disposição em que o bem ou o serviço se encontram. O merchandising deve ser utilizado principalmente para apoiar campanhas promocionais. No entanto, a empresa deve dis- por a mercadoria no ponto de venda para que não haja falta. Ela deve estar à mão do consumidor. Além disso, devem ser considerados os seguintes fatores: • O preço adequado para o ato da decisão de compra. • Os produtos devem estar bem expostos e limpos. • O local deve ser adequado para a visualização do produto e para a livre passagem do consumidor. • Os materiais de apoio devem estar bem fixados no ponto de venda. Por exemplo, podemos citar como material de apoio faixas, desenhos de um personagem, uma embala- gem gigante, entre outras possibilidades. Todos os esforços para apoiar a marca ou o produto compre- endem as estratégias de merchandising. Observe, atentamente, as principais funções do merchandi- sing de acordo com Pinheiro e Gullo (2008, p. 89): • Possibilitar o produto desejado ao consumidor que o deseja, no lu- gar e na quantidade adequada pelo preço que se pretende pagar. • Apoiar a promoção de vendas, visto que são ferramentas inter- relacionadas. • Auxiliar o giro do produto para o consumo, a fim de criar um clima favorável à decisão de compra. • Utilizar os recursos da exibitécnica para possibilitar o clima e a pre- disposição de compra por parte do consumidor. • Apoiar o produto normal ou o produto promocionado. Assim, para efeito de um bom resultado de merchandising, as empresas devem se preocupar em investir nas ações promocio- nais dos produtos em destaque, sejam eles lançamentos, sejam eles produtos especiais para datas comemorativas. O merchandi- 117© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário sing tem o intuito de chamar a atenção do consumidor e, para isso, são sempre válidas ações que utilizam animações, desenhos, brin- des, premiações, entre outros. 11. VENDAS PESSOAIS Observe a definição de venda pessoal: É um processo de comunicação interativo que permite a flexibiliza- ção das mensagens do vendedor de acordo com as necessidades, desejos, crenças e valores dos clientes ou consumidores (MIGUEL, 2004, p. 310). Devemos considerar, também, que a venda pessoal é a única componente do mix promocional em que a comunicação é reali- zada de forma pessoal e direta entre a empresa e seus clientes e/ ou consumidores. Para Las Casas (2005, p. 148): A interação humana face a face é a característica fundamental da venda pessoal, complementada por outros canais de comunicação como: telefone e e-mail. Nas demais ferramentas de comunicação de marketing, a audiência reúne muitas pessas, às vezes até milha- res delas, como no marketing direto e na propaganda. Nesse tipo de venda, o vendedor, ao fazer a ligação pessoal do cliente com a empresa, opera uma rede de demandas e restri- ções formada pelos objetivos e recursos da empresa e pelas neces- sidades e expectativas do cliente. Lidar com essa rede não é nada fácil; o vendedor deverá ser treinado e estar sempre apresentan- do suas intenções em solucionar os desejos e as necessidades dos consumidores. Muitas vezes, deparamo-nos com vendedores mal treinados e indispostos a ajudar o consumidor, o qual, na maioria das vezes, se coloca em uma situação incapaz de enxergar o problema que você, o consumidor, precisa resolver. Esse tipo de vendedor quase não faz perguntas e, quando isso ocorre, as suas dúvidas revelam que ele está mal preparado para esclarecê-las. © Gestão Mercadológica II118 Em outro extremo, o vendedor chega a ficar mais próximo física e psicologicamente dos clientes do que dos próprios cole- gas de trabalho e da empresa. O bom vendedor tem a tarefa de administrar o vínculo com o cliente e resguardar os interesses da empresa, bem como atender às orientações desta e às demandas e necessidades dos clientes. Acompanhe, a seguir, algumas características propostas por Moreira a respeito da venda pessoal: Quadro 5 Vendas: o que fazer e o que evitar. O QUE FAZER EM VENDAS O QUE NÃO FAZER EM VENDAS Conheça seus produtos e seus concorrentes mais do que o comprador. Não fale de técnicas ou assunto sobre os quais não tenha certo domínio. Ofereça algo único, personalizado, uma adaptação no produto ou no processo, um desconto maior que o usual. Não se concentre exclusivamente no curto prazo. Faça suas anotações por escrito. Não ofereça algo que não é capaz de produzir. Utilize-se de gestos como contato olho-no- olho, aperto de mão firme e sorriso, sem exagero. Não dê a sensação de ser íntimo do cliente – evite expressões como "querido (a)", "amor", "fofo (a)". Seja pontual. Não desperdice o tempo, seja objetivo e conciso. Prepare sua abordagem, apresentação, argumentos e contra-argumentos. Saiba ouvir, deixe o cliente falar. Fonte: Moreira (2007, p. 87). O serviço, a solução, a seriedade e a sinceridade compõem os 4S, importantes fatores que direcionam a venda. Acompanhe as características de cada fator no Quadro 6: Quadro 6 4S orientando o cliente. SERVIÇO SOLUÇÃO Diferencial de bens similares. Adequação do produto à cultura organizacional. Desenvolvimento da ótica do cliente. Conhecer o negócio do cliente. Identificar a necessidade, não o produto. Apresentar soluções integradas. 119© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário SERIEDADE SINCERIDADE Cumprir o que se promete. Oferecer melhor para o cliente. Assumir as responsabilidades, mesmo com prejuízo. Buscar ser verdadeiro e autêntico. Considerar a relação com o outro. Ser transparente nas suas limitações. Estabelecer e manter a relação de confiança. Pensar primeiro naquilo que é melhor para o cliente. Fonte: Moreira (2007, p. 88). Vejamos, agora, quais são as estratégias que podemos utili- zar para realizar uma negociação bem-sucedida: Habilidades interpessoais - Conhecer e administrar as suas fraquezas. - Conhecer a outra parte e as suas necessidades. - Ter uma atitude que não gere desconfiança. - Saber ouvir e comunicar. - Criar um clima de cooperação e confiança entre as partes. Habilidades de negociação - Levantar e analisar informações. - Planejar a negociação. - Executar e controlar a negociação, cumprir o planejamento. -Levar consigo boas idéias e argumentos. - Ser habilidoso para fazer concessões, ter flexibilidade. - Saber superar impasses - controlar situações. Habilidades de técnicas - Conhecer profundamente as informações de mercado, como concorrência, legislação e aspectos econômicos, que possam interferir na negociação. - Conhecer as vantagens, os benefícios e os detalhes técnicos do produto ou serviço. -Saber o que é um bom ou mau negócio para a sua empresa e para o cliente. NEGOCIAÇÃO BEM-SUCEDIDA Fonte: Moreira (2007, p. 93). Figura 3 Habilidades para uma negociação bem-sucedida. Com base na figura anterior, podemos observar que, antes de o cliente efetuar a compra, ele já introjeta atitudes e expectati- © Gestão Mercadológica II120 vas estimuladas pelas campanhas publicitárias, pelo "boca a boca" ou por suas experiências e expectativas anteriores. Dessa forma, é fundamental que o vendedor fique atento ao comportamento do consumidor para saber interpretar suas atitudes e expectativas e para proporcionar a satisfação das necessidades e dos desejos de seus clientes. Além disso, o vendedor deve observar se a percep- ção do cliente está distorcida quanto aos produtos, serviços, pós- venda, condições de entrega e prazos. O vendedor de sucesso vê-se como um empreendedor que faz as coisas acontecerempara os clientes. Ele trabalha em equipe e delega responsabilidade, mas assume que, se o resultado para o cliente não for o esperado, a responsabilidade é dele. Quando ocorrem problemas, o vendedor não procura culpados; pelo con- trário, encaminha soluções. Os melhores vendedores são proati- vos, ou seja, eles agem cedo ou antes que os problemas ocorram. Além disso, estão sempre atentos ao que se passa ao redor, pro- curando desdobramentos ameaçadores e oportunidades com os compradores. Segundo Urdan e Urdan (2006), para o cliente, de- vem ficar evidentes as preocupações e o interesse do vendedor em servi-lo. 12. FRANCHISING Para Foster (1995), o franchising é um método para a dis- tribuição de produtos e/ou serviços cujo sucesso depende, fun- damentalmente, da capacidade de se reproduzir, em diferentes locais e sob a responsabilidade de diferentes pessoas, um mesmo “conceito de negócio”. Em contrapartida, Kotler (2000) aborda o tema franchising como nada mais do que uma estratégia utilizada pela administra- ção, que tem como propósito um sistema de venda de licença, na qual o franqueador oferece sua marca, infraestrutura e conheci- mento do negócio ao franqueado, que, por sua vez, investe e tra- 121© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário balha na franquia e paga parte do faturamento ao franqueador sob a forma de royalties. Analisando os fatores de sustentação do franchising, deve- mos analisar que, ao pedir um hambúrguer em uma rede de lan- chonetes em São Paulo ou região, por exemplo, o cliente deverá receber o mesmo tratamento e o mesmo produto que receberia em outro estabelecimento da mesma rede, situado no interior de Minas. Em um relacionamento de franquia, há, normalmente, duas partes: de um lado, o franqueador (o dono da marca e do sistema e quem concede a franquia) e, de outro, o franqueado (aquele que implanta a loja, o restaurante, a assistência técnica ou o que seja que o franqueador o autorize a instalar, operar e administrar). O Sistema de franchising garante uma série de benefícios a quem pretenda operar o seu próprio negócio. Segundo Foster (1995, p. 106): Além de oferecer a oportunidade de trabalhar com uma marca co- nhecida, uma boa franquia pressupõe a existência de um conceito de negócio previamente testado e aprovado no mercado. Analisando que o franqueado não precisará se preocu- par em reiventar algum produto ou promoção por se tratar de uma franquia, todo e qualquer tipo de produto deverá se- guir o mesmo critério e padrão de todas as lojas franqueadas. Em princípio, um franqueador profissional deverá transferir a seus franqueados a experiência que desenvolveu, orientando-os em tudo o que diz respeito à implantação, operação e gestão do ne- gócio franqueado, ou seja, ele deverá fornecer a eles “formato”, ou padrão, que os auxilie a reproduzir (ou até mesmo superar) o sucesso que ele, o franqueador, esteja alcançando em seus esta- belecimentos próprios. Para isso, um bom franqueador deverá oferecer, entre ou- tras ferramentas, treinamento e manuais para garantir a qualidade e a consistência de cada um dos estabelecimentos que usam a sua © Gestão Mercadológica II122 marca. De sua parte, cada franqueado deverá implantar, operar e administrar o negócio de acordo com os padrões ditados pelo fran- queador. Isso mantém a unidade da rede (FOSTER, 1995). Tipos de franchising Podemos considerar três tipos de franchising: • de distribuição; • de serviços; • de indústria. Na franquia de distribuição, o franqueado comercializa um produto fabricado pelo franqueador, sob a marca do qual este é titular, beneficiando-se da assistência técnica e comercial. Na franquia de serviços, o franqueado presta um serviço, por meio de uma marca ou nome comercial, licenciados pelo franque- ador, com base nas diretrizes estipuladas por este. Já na franquia industrial, o franqueado fabrica ele próprio o produto a ser comercializado, sob uma marca ou nome comercial, segundo as indicações do franqueador. Vantagens para quem implementa o franchising É importante destacarmos algumas vantagens que são ad- quiridas para quem pretende implementar o franchising. Acom- panhe: 1) Possibilidade de abertura de negócio sem a necessidade de possuir uma experiência empresarial considerável do setor. 2) Redução do risco envolvido face a utilização de conceito de negócio já experimentado e com sucesso. 3) Benefício e aproveitamento de marca já com notorieda- de no mercado. 4) Formação inicial e de forma contínua. 123© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário 5) Existência de ferramentas de gestão e de informação disponíveis sobre o volume de vendas, número de clien- tes, percentagem de lucros obtida, percepção das prefe- rências e hábitos de consumo, gestão do ciclo de rotação dos stocks e das necessidades de reposição. 6) Aproveitamento dos canais de distribuição e logística existentes, permitindo a adoção de preços competitivos e com efeitos de escala nas encomendas. 7) Os estudos de mercado elaborados são partilhados na rede existente, permitindo, assim, investimentos em pu- blicidade financeiramente sustentáveis. 8) Melhor acesso na compra ou no aluguel de espaço, em resultado da existência de marca reconhecida. 9) Apoio técnico, administrativo e de gestão, inclusive na seleção do espaço, de acordo com os critérios de área, de localização e de acessibilidades. 10) Sinergias na resolução de problemas que em outras uni- dades da rede já tenham ocorrido. 11) Aproveitamento no nível do recrutamento de recursos humanos, pois é mais acessível trabalhar em rede co- nhecida do que em unidade do mesmo ramo, mas com pouca notoriedade. Para complementar nossos estudos, observe atentamente os Quadro 7 e 8, que demonstram as possíveis vantagens e des- vantagens do sistema de franquias para ambas as partes (franque- ado e franqueador): Quadro 7 Possíveis vantagens e desvantagens do sistema de fran- quias após a abertura do negócio para o franqueador. VANTAGENS (FRANQUEADOR) DESVANTAGENS (FRANQUEADOR ) Rapidez e expanção. Perda pacial do controle. Menos comprometimento financeiro na expanção. Maior custo de supervisão. Melhora na imagem corporativa. Custo de formatação. Desenvolvimento de uma rede. Perda de sigilo. © Gestão Mercadológica II124 VANTAGENS (FRANQUEADOR) DESVANTAGENS (FRANQUEADOR ) Aumento na rentabilidade com redução de custos. Risco de desistência do franqueado. Motivação maior dos franqueados, que serão remunerados pelo seu lucro. Autonomia parcial na tomada de decisões. Maior participação de mercado. Necessidade de critérios para planejamento. Maior cobertura geográfica. Necessidade de seleção dos franqueados. Ganhos em escala de marketing. Risco de perda de padronização. Descentralização no gerenciamento do negócio. Franqueados podem ter menos comprometimento com a integração da rede. Franqueados posuem conhecimento local. Economias de escala. Facilita a coordenação com distribuidores. Fonte: adaptado de Dahab (1996, p. 98), Levy e Weitz (2000, p. 634) e Neves (2005). Quadro 8 Possíveis vantagens e desvantagens do sistema de fran- quias após a abertura do negócio para o franqueado. VANTAGENS (FRANQUEADO) DESVANTAGENS (FRANQUEADO) Know –how adquirido. Localização pode ser imposta. Maior chance de sucesso por ser um negócio ja testado. Restrição para o cancelamento do contrato ou venda do negócio. Maior vantagem competitiva. Autonomia parcial na tomada de decisões. Franqueado recebe plano de negócio pronto (layout, pesquisa de mercado manual de operações etc. Risco de desistência do franqueador. Economias de escala. Pagamento de taxas, franquias e royalties. Maior crédito para financiamento. Risco associado ao desempenho do franqueador. Nome e imagens conhecidos. Risco de competiçaõ entre os franqueados. 125© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário VANTAGENS (FRANQUEADO) DESVANTAGENS (FRANQUEADO)Desenvolvimento de novas tecnologias e produtos pelo franqueador. Limitação da criatividade e da inovação. Treinamento administrativo. No caso da obrigatoriedade de compra de insumos de franqueadores, estes podem supervalorizá-los. Treinamento de funcionários. Fonte: adaptado de Dahab (1996, p. 98), Levy e Weitz (2000, p. 634) e Neves (2005). No tópico a seguir, abordaremos os benefícios para o fran- queador sobre o investimento em relação à franquia. Benefícios para o franqueador Depois de apresentar as vantagens adquiridas para quem pretende implementar o franchising, apresentaremos, agora, os benefícios obtidos pelo franqueador: 1) O franqueado financia grande parte da expansão, não necessitando do capital do franqueador. 2) O franqueador concentra-se na produção e no desenvol- vimento de novos produtos e serviços. 3) Os franqueados atingem resultados superiores aos ob- tidos por unidade própria, sendo parceiros altamente moralizados e motivados. 4) Existe a criação de um canal de distribuição fluído, efi- ciente e diferenciado. 5) A imagem da marca sai cada vez mais reforçada, pois é associada ao know-how, à força do trabalho e aos rela- cionamentos locais do franqueado. 6) Existe uma descentralização da estrutura, a qual gera be- nefícios em termos de custos fixos menores do que com unidades próprias. 7) Possibilita ganhos acrescidos em economias de escala. 8) O sistema possibilita expansão de mercado de forma rá- pida, pois a abertura de novos espaços é célere. 9) Viabiliza ações de promoção e de marketing de forma conjunta e coordenada. © Gestão Mercadológica II126 É importante ressaltarmos, também, para complementar o estudo deste tópico, que o Brasil é, atualmente, o terceiro merca- do mundial de franquias. Em termos de faturamento e unidades franqueadas, o país fica atrás apenas de Estados Unidos e do Ja- pão. Para Foster (1995, p. 98): Ainda que o sistema de franquias apresente tal pujança, o ambien- te econômico-social do país impõe restrições ao crescimento do setor. Entre tais restrições, é possível citar as altas taxas de juros e o pouco crédito disponível, quando comparados a outros países, as disparidades regionais e a grande quantidade de brasileiros que ainda se encontram à margem do mercado consumidor. Assim, para enfrentar tal cenário, afirma o autor, as empre- sas franqueadoras podem flexibilizar sua oferta, de modo que atraiam maior diversidade e quantidade de empreendedores, com oportunidades de negócio que se adaptem às suas possibilidades e necessidades. A flexibilidade também é necessária para atender à diversidade de costumes e condições socioeconômicas dos con- sumidores brasileiros. Em contrapartida, ainda segundo o autor, as redes franqueadoras devem manter um foco na padronização das unidades franqueadas, característica do sistema de franquias, para conservar uma identidade e garantir que o negócio funcione com procedimentos e produtos já testados. Kotler (2000) destaca que, no sistema de franquias, o fran- queador procura, além de um investidor que queira abrir seu pró- prio negócio, alguém que se adapte ao controle e deseje ser orien- tado para, no final, ser recompensado financeira e pessoalmente. As condições do relacionamento entre franqueados e franquea- dores, estabelecidas especialmente nos contratos, são fontes de vantagem competitiva. O autor conclui que a questão contratual é de fundamental importância para evitar o surgimento de conflitos no relaciona- mento entre franqueados e franqueadores. Ao construir qualquer contrato, os participantes devem considerar as possíveis fontes de 127© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário conflito, estabelecer formas de minimizá-las e planejar ações para ser desenvolvidas caso os conflitos apareçam. Conforme afirma Kotler (2000), os contratos são elaborados em ambientes de constantes mudanças, nos quais se torna impos- sível prever todas as contingências futuras. Assim, contratos mal elaborados podem criar problemas de oportunismo entre os agentes e trazer custos de transação indese- jáveis, os quais poderiam ter sido evitados. Nos contratos, devem- se especificar, ao máximo, todas as ocorrências possíveis em uma relação. É importante mencionarmos que o contrato básico de fran- quias contém, aproximadamente, quinze partes, cada uma das quais definindo aspectos do relacionamento entre franqueador e franqueado, como, por exemplo: concessão de franquia; marcas registradas; relacionamento entre as partes; taxas e pagamentos; tratamento e apoio; sistema opera- cional; implementação da franquia; imagem e padrões de adminis- tração do negócio; propaganda e marketing; relatórios e auditoria; transferência da franquia; renovação; rescisão; obrigações na res- cisão ou término do contrato; execução e interpretação (FOSTER, 1995, p. 105). Desse modo, não há dúvidas sobre a importância da elabora- ção de contratos em acordos de franquia. Legislação Na legislação portuguesa, não existe um padrão nesse tipo de negócio (franchising). Trata-se de um contrato inominado, uma vez que não é regulado por quaisquer preceitos legais específicos, encontrando-se, portanto, na esfera da autonomia negocial das partes. Em virtude de não haver legislação nacional específica sobre o contrato de franchising, os membros da Federação Europeia de Franchising (FEF), da qual Portugal é membro, acordaram um Có- © Gestão Mercadológica II128 digo de Deontologia, que está em vigor desde o mês de janeiro de 1991, cujos membros impõem a obrigatoriedade de respeitá-lo. O Código é constituído por seis artigos: 1) Definição de franchising. 2) Princípios orientadores. 3) Recrutamento, publicidade e divulgação. 4) Seleção dos franqueados. 5) O contrato de franchising. 6) Master franchising. É importante ressaltarmos, ainda, que o franchising, de- nominado como "conceito de negócio", vem ganhando espaço no mercado. Hoje a franquia de uma empresa conceituada, com retorno garantido e receita de sucesso prolongado des- perta em muitos empreendedores o ato de investir em um negócio "pré-estabelecido" com vantagens de sucesso garan- tido. Porém, a regra é clara para ambas as partes: franqueado e franqueador deverão seguir leis e normas que regem para abertura de uma franquia e, assim, alcançar o sucesso. Estudo de Caso Para complementar nossos estudos relacionados às fran- quias, apresentaremos, a seguir, um artigo com algumas descri- ções de estudos sobre as franquias. Os cuidados no franchising –––––––––––––––––––––––––––– José Carmo Vieira de Oliveira – Consultor – Sebrae Desenvolvimento de negócios em parceria é a definição básica de uma rede de franquias - modelo no qual uma empresa com formato de negócio já testado, concede à outra o direito de utilizar a sua marca explorar os produtos e serviços e também o sistema de gestão, mediante, é claro, a estabelecida contrapartida financeira. A opção por criar uma rede pode ser vantajosa. Esse caminho possibilita uma rápida cobertura do mercado, com menor investimento. No entanto, alguns cui- dados têm de ser tomados até mesmo antes da decisão de abrir o negócio. O primeiro deles é a avaliação de mercado, que, por ter grande importância, deve ser feita de forma completa e responsável. É preciso ter em mente que, ao se tornar franqueador, o empresário assume um compromisso de longo prazo com seus parceiros. 129© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário Detalhando a avaliação de mercado, será preciso levantar o potencial de consu- mo de uma região - apurando inclusive o número de habitantes/trabalhadores -, as perspectivas de evolução do setor, levando em conta inclusive dados conjun- turais, além de analisar a concorrência direta e indireta, e avaliar a capacidade de expansão da rede. Feito isso, um tempo de experiência será necessário, com a criação de uma unidade piloto. O conceito do negócio a ser franqueado deve estar bem testado e identificado. É aí que o franqueadorTemos, também, as fontes experimentais – por meio das quais os consumidores podem experimentar produtos por ma- nuseio, odor, sabor ou teste. Essa fonte tende a ser a última antes da compra, porque requer uma visita à loja. O terceiro passo é a avaliação de alternativas baseadas nas informações coletadas, por meio das quais os consumidores iden- tificam e avaliam maneiras de satisfazer necessidades e desejos. O quarto passo é a decisão de compra, que inclui a decisão de comprar ou não e, em caso positivo, o que, onde e quando comprar. Os consumidores decidem, também, como pagar pela compra. O quinto e último passo é a avaliação pós-compra, ou seja, depois de comprar o produto, os consumidores avaliam, formal ou informalmente, o resultado dessa compra. Eles consideram se estão satisfeitos com a experiência de fazer a compra e com o bem ou serviço que compraram. Durante todo esse processo, os consumidores sofrem influ- ências sociais situacionais e de marketing, contempladas na parte superior da Figura 1, conforme observamos anteriormente. As influências sociais caracterizam-se pelas variáveis sociais e culturais que nos envolvem como pessoas, as quais se referem ao conjunto de forças que nos afetam e formam as nossas caracte- rísticas sociais, pessoais e psicológicas. Uma parte importante de uma cultura são os seus valores básicos, que são difundidos e duradouros, bem como um dos meios mais importantes pelos quais uma sociedade influencia o comportamento de indivíduos. Por eles serem profundamente ar- 11© Caderno de Referência de Conteúdo Claretiano - Centro Universitário raigados, os profissionais de marketing são mais bem-sucedidos quando agradam aos valores culturais de seus mercados-alvo. Outra influência social que atua sobre o consumidor é a clas- se social à qual ele pertence. Praticamente toda a sociedade possui alguma forma de estrutura de classes sociais, e todas as pessoas que a compõem possuem uma posição específica dentro da socie- dade. O comportamento de compra dessas pessoas é fortemente influenciado pela classe social à qual essas pessoas pertencem ou desejam pertencer. A família está entre as influências de grupo mais importantes para a maioria dos consumidores. Decisões de compra são toma- das pelos membros da família para um dos membros, ou para a família como um todo. Certos membros tendem a ter uma influên- cia significativa na tomada de decisões de compra. Sabedores dis- so, os profissionais de marketing criam diferentes compostos de marketing para promover produtos para eles. As necessidades da família e a capacidade de satisfazer essas necessidades mudam ao longo dos vários estágios da existência da família. Esses estágios, conhecidos como ciclo de vida da família, são um ponto de partida útil para identificar como as necessidades mudam. Com relação às influências de marketing, cada elemento do composto de marketing tem o potencial de afetar o processo de compra em diversos estágios. São eles: • O produto: aspectos como “novidade do produto”, “com- plexidade” e “qualidade percebida” influenciarão o com- portamento de compra do consumidor. Por exemplo, a aparência física de um produto e sua embalagem podem fazê-lo entrar no conjunto considerado do consumidor. • O preço: influencia o comportamento de compra quando o consumidor está avaliando alternativas e chegando a uma decisão. Ele pode dar preferência a um produto que esteja em liquidação ou para o qual tenha um cupom. © Gestão Mercadológica II12 • Os canais de distribuição: como e onde um produto está disponível influencia se o consumidor irá ou não encon- trá-lo. Se um produto estiver amplamente disponível, ele entrará no conjunto considerado de mais consumidores. Os canais pelos quais um produto é oferecido também influenciam a percepção do consumidor sobre a imagem do produto. • As comunicações de marketing: a estratégia de promo- ção pode influenciar o processo de compra em qualquer estágio. As mensagens enviadas pelo profissional de ma- rketing lembram os consumidores de que eles têm um problema e que há uma solução para esse problema. Tais mensagens podem reforçar a decisão de compra. Outro tipo de influência que afeta o processo de compra são as influências situacionais que veremos a seguir. Nesse sentido, citamos, inicialmente, o ambiente físico, que pode incluir a localização da loja, a exibição das mercadorias, as decorações, a iluminação e o nível de ruído. Outras influências físi- cas que estão fora do controle dos profissionais de marketing são o tempo e o clima. O ambiente social, que inclui outras pessoas, suas caracte- rísticas, os papéis que elas desempenham e a interação entre elas (por exemplo, fazer compras com um amigo), pode induzir um comportamento de compra diferente do que quando se faz com- pras sozinho, não é mesmo? O tempo influencia bastante na decisão de compra, pois as pessoas tomam decisões diferentes com base em quando ocorre a compra: a hora, o dia da semana ou a estação do ano. Ele in- fluencia o comportamento pelo intervalo de tempo desde a última compra ou até o próximo contracheque do consumidor. A natureza da tarefa, isto é, as razões específicas para cole- tar informações, pesquisar produtos ou comprar, também pode in- fluenciar o comportamento. A tarefa inclui os usos para o produto e a identidade da pessoa que irá usá-lo. 13© Caderno de Referência de Conteúdo Claretiano - Centro Universitário E, por fim, as condições momentâneas, como o estado de humor e a condição do consumidor na hora da compra, afetam o comportamento. Por exemplo: um consumidor cansado pode prio- rizar alternativas que tornem a compra rápida e fácil, ao passo que um consumidor com pouco dinheiro pode dar ênfase a promoções ou a lojas que aceitem cartões de crédito. Em síntese, entender o comportamento de compra do con- sumidor vai ajudar a empresa a responder aos seguintes questio- namentos: 1) Quem compra nosso produto? 2) Quem toma a decisão de comprá-lo? 3) Quem influencia a decisão de compra? 4) Como é feita essa tomada de decisão? 5) O que o cliente compra? 6) Quais necessidades devem ser satisfeitas? 7) Por que os clientes compram determinada marca? 8) Onde compram ou procuram o produto? 9) Quando compram? 10) Como seu produto é percebido pelos clientes? 11) Quais são as atitudes dos clientes em relação a seu pro- duto? 12) Que fatores sociais podem influenciar a decisão de com- pra? 13) O estilo de vida dos clientes influencia as suas decisões de compra? 14) Como fatores pessoais ou demográficos influenciam o comportamento de compra? Se não soubermos responder à maioria dessas perguntas, está na hora de conhecermos melhor nosso cliente, não é mesmo? Comunicação de marketing Veremos, agora, o composto de comunicação e promoção, que consiste em atividades que visam comunicar os atributos e benefícios do produto e persuadir os clientes-alvo a comprá-lo. © Gestão Mercadológica II14 A propaganda, a promoção de vendas, as relações públicas, a venda pessoal e o marketing direto desempenham papéis im- portantes na criação de valor para os clientes. Essas ferramentas criam valor na medida em que fornecem aos clientes informações para a tomada de decisões de compra e reduzem os custos em termos de dinheiro, tempo e esforço. Vamos conhecer melhor cada uma dessas ferramentas? A propaganda consiste em qualquer anúncio ou comunica- ção persuasiva veiculada nos meios de comunicação de massa em tempo ou espaço pago. Os profissionais de marketing devem analisar qual mídia uti- lizar na propaganda, como televisão, rádio, imprensa, marketing direto ou cartazes ao ar livre, bem como qual mensagem enviar. Podemos diferenciar a propaganda de produto e a propagan- da institucional. A propaganda de produto visa fortalecer o posi- cionamento do produto na sua categoria ou a sua marca. Já a pro- paganda institucional diz respeito à imagem corporativa, podendo ter como objetivo gerar atitude positiva por partedeverá experimentar esse conceito por, no mínimo, dois anos. Com a unidade piloto, será importante testar e adaptar os processos, o lançamento de novos produtos, a evolução do conceito e adequar o mix de produtos oferecidos, para que ele seja o mais equilibrado, e alinhado à perspectiva do consumidor. Por isso, é essencial ter claro que, ao decidir pela criação de uma rede de fran- chising, o franqueador deve saber que o franqueado é um parceiro e não um empregado. Ele certamente terá, em muitos momentos, de alterar a forma de pensar, de agir, além de mudar, em certos casos, a forma como está estruturada a empresa. A marca deve ser registrada. A propriedade intelectual e industrial é uma con- dição para avançar rumo ao franchising. A marca tem de estar registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). É fundamental também, que esta marca tenha notoriedade para atrair e manter o interesse de potenciais fran- queados. O franqueador tem a obrigação de transmitir ao franqueado como administrar o negócio. Só assim, com as regras como condição, é possível garantir o resulta- do. Ainda, neste quesito de know-how, é preciso destacar que o conhecimento tem de ser exclusivo, sem uso geral ou de fácil acesso, vantajoso, conferindo assim o diferencial competitivo e econômico em relação aos concorrentes, e fácil de ser convertido na forma escrita, por meio de manuais de operação. E as obrigações não param aí: o franqueador tem ainda de provar ao franqueado a rentabilidade do negócio. Com todas essas informações reunidas, o empre- endedor deve analisar a viabilidade do negócio e formatá-lo, colocando todos esses dados e variáveis no papel. É isso que vai mostrar se estamos diante de um empreendimento viável ou não. Começar a divulgação também exige cuidados. O primeiro deles, refere-se à definição do perfil dos franqueadores. Depois, é preciso desenhar o processo de seleção e, por fim, elaborar a circular de oferta, obrigatória por lei. Para terminar, é preciso dedicar atenção especial aos seguintes erros, para que eles sejam evitados: lançamento precipitado da rede de franquias, seleção in- correta de franqueados, adaptação deficiente da estrutura da empresa à nova realidade, má localização das lojas, definição errada da exclusividade territorial, treinamento inadequado dos funcionários e erros na definição da fórmula eco- nômica. Fonte: disponível em: . Acesso em: 15 jun. 2010. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Após a leitura do artigo, podemos observar que alguns cuidados têm de ser tomados até mesmo antes da decisão de abrir o negócio, seja ele qual for o tipo de estabelecimento. Para © Gestão Mercadológica II130 tornar-se franqueador, o empresário assume um compromisso de longo prazo com seus parceiros, o qual deve ser de fidelidade entre ambas as partes. Depois de fazer um estudo sobre a hipótese de abertura de uma franquia, devem-se levar em consideração todos os aspectos de mercado; é essencial que a marca tenha um registro e que exista um acordo entre franqueado e franqueador. O franqueador tem a obrigação de transmitir ao franqueado como administrar o negócio. Só assim, com as regras como condição, é possível garantir o resultado de uma franquia de sucesso. 13. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS Vamos novamente fazer uma pausa para você fixar os con- ceitos abordados nesta unidade. Essa fase é importante para que você possa retomar algumas informações que não tenham ficado tão claras. Agora é só testar seus conhecimentos! 1) Quais as desvantagens de não seguir o padrão de uma franquia? 2) O que é merchandising e como ele deve ser aplicado em campanhas promocionais? 3) Faça uma análise das duas características de Relações Públicas (RP) e reflita sobre a forma com que elas in- fluenciam no comportamento das pessoas. 14. CONSIDERAÇÕES Nesta unidade, conhecemos as principais características da Comunicação Integrada de Marketing, bem como a importância de sua gestão como ferramenta estratégica de marketing. Enfim, pudemos perceber que o processo de comunicação integrada de marketing se faz com todos os elementos citados no conteúdo da unidade, com a finalidade de levar a mensagem ao público-alvo, o qual deve interpretar tal mensagem. 131© U3 - Mix de Comunicação Claretiano - Centro Universitário O processo de comunicação com o mercado para apoiar as vendas do produto visa, então, criar sua imagem, informar sua existência, levar conhecimento sobre seu benefício e sobre seus atributos, bem como sobre a maneira como poderá resolver as necessidades e desejos dos consumidores, e, assim, melhorar a qualidade de vida dos indivíduos na sociedade. Evidentemente, os esforços de comunicação são implemen- tados por uma empresa dentro de um programa sustentável, por- que ela tem como objetivo garantir retorno em vendas. É importante, por fim, lembrarmos que, na próxima unidade, será apresentado o último "P" do composto promocional: a Praça. Identificaremos, portanto, as estratégias que são utilizadas para que o produto ou serviço chegue até o consumidor final. Estudare- mos o conceito, as contribuições e as funções dos canais de distri- buição, bem como suas etapas e decições de estrutura. Até lá! 15. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COSTA, A.; TALARICO, E. Marketing promocional. São Paulo: Futura, 2003. DE SIMONI, F. Promoção de vendas na teoria e na prática. São Paulo: Makron, 1997. FOSTER, D. L. O livro completo do franchising. Rio de Janeiro: Infobook, 1995. KOTLER, P. Administração de Marketing: análise, planejamento, implementação e controle. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1996. LAS CASAS, A. Administração de marketing. São Paulo: Atlas, 2006. LEVY, M.; WEITZ, B. A. Administração de varejo. São Paulo: Atlas, 2000. MOREIRA,R. Assessoria de imprensa: o papel do acessor. Brasilia: FENAJ, 1996. NEVES, M. F. Planejamento e Gestão Estratégica de Marketing. São Paulo: Atlas, 2005. PINHEIRO, D.; GULLO, J. Comunicação integrada de marketing: gestão dos elementos de comunicação. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008. RICHERS, R. Ensaios de administração mercadológica. São Paulo: FGV, 2000. RODRIGUES, J. R. O empreendedor e o Franchising: do mito à realidade. São Paulo: Erica, 1998. URDAN, F. T.; URDAN, A. T. Gestão do composto de marketing. São Paulo: Atlas, 2006. Claretiano - Centro Universitário EA D 4 Gestão da Distribuição 1. OBJETIVOS • Identificar e conhecer os principais canais de distribui- ção. • Compreender e analisar as políticas de canal. • Entender e descrever as estruturas dos atacadistas e va- rejistas. • Perceber e relatar a importância do gerenciamento dos canais de distribuição. 2. CONTEÚDOS • Canais de Marketing e Distribuição. • Atacado. • Logística de Mercado. • Varejo. © Gestão Mercadológica II134 • Franquias. • Caso concreto de estrutura de distribuição. 3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que você leia as orientações a seguir: 1) Lembre-se de que estudar sobre a gestão da distribuição, assunto que será abordado nesta unidade, é efetivar tro- cas com o mercado, e isso dependerá de a empresa colo- car o produto no lugar, no momento e na forma com que o comsumidor espera e pelos quais deseja pagar. Não se esqueça de que o canal de distribuição, também deno- minado canal de marketing, cumpre essas funções. Ele é um sistema de organizações, de pessoas e de outros recursos, como, por exemplo, estoque e equipamentos, cujo objetivo é disponibilizar bens e serviços ao merca- do-alvo. 2) Se você quiser saber um pouco mais sobre as redes de varejo, visite o site do Grupo Martins e conheça o Pro- grama Varejo Alimentar, disponível em: . Acesso em: 26 mai. 2010. 3) Para conferir as informações do setor atacadista, visite o site da ABAD, disponível em: e escolhaa opção “dados do setor”. Aces- so em: 26 mai. 2010. 4. INTRODUÇÃO À UNIDADE O último “P” do composto promocional relaciona-se à praça ou à distribuição, ou seja, compreende as estratégias que serão utilizadas para que o produto ou serviço chegue até o consumi- dor final. Nesse sentido, Cherto (2005) destaca a importância da distribuição como uma das estratégias da gestão mercadológica. Vejamos. 135© U4 - Gestão da Distribuição Claretiano - Centro Universitário Como sabemos, as empresas devem desenvolver um po- tencial competitivo; entretanto, o seu grande dilema é identificar onde o farão. Para isso, poderão ser propostas estratégias direcio- nadas: • Ao produto? • Ao preço? • À promoção? • À praça? Podemos observar que os produtos estão cada vez mais pa- recidos uns com os outros; portanto, torna-se difícil diferenciar, por exemplo, uma câmera digital Olympus de uma Sony ou de uma Kodak. A difusão tecnológica possibilita a semelhança entre os pro- dutos eletrônicos. Por essa razão, não será estrategicamente bom para a empresa focar somente o potencial competitivo no desen- volvimento de novos produtos. Do mesmo modo, as estratégias de preços, fáceis para copiar e difíceis de manter, também não são adequadas para criar estra- tégias competitivas. O composto promocional desenvolvido mediante campa- nhas de comunicação, além de demandar investimentos elevados, também pode gerar uma poluição mental em função da intensa competitividade de alguns setores. Nesse sentido, Cherto (2005) destaca que, até pouco tempo atrás, a distribuição como estratégia competitiva não era conside- rada pelas empresas. Entretanto, hoje ela se tornou um importan- te fator de vantagem competitiva. 5. CANAIS DE MARKETING E DISTRIBUIÇÃO É importante mencionarmos que alguns autores preferem utilizar o termo “distribuição”; outros, porém, utilizam “canal de marketing”. Todavia, o princípio é o mesmo. Vejamos. © Gestão Mercadológica II136 Para Churchill e Peter (2003, p. 368): canal de distribuição é uma rede (sistema) organizada de órgãos e instituições que executam todas as funções necessárias para li- gar os produtores aos usuários finais, a fim de realizar a tarefa de marketing. De acordo com Kotler e Keller (2006, p. 464): Canais de marketing são conjuntos de organizações interdependen- tes envolvidas no processo de disponibilizar um produto ou serviço para uso ou consumo. Eles formam o conjunto de caminhos que um produto ou serviço segue depois da produção, culminando na compra ou na utilização pelo usuário final. Lima et al. (2005, p. 70) compreendem: por canais de marketing ou de distribuição o conjunto de organiza- ções interdependentes envolvidas no processo de tornar um pro- duto, uma mercadoria ou serviço disponível para uso ou consumo. É importante destacar, também, que a distribuição pode ser elaborada de duas formas: diretamente pelo fabricante ou, como na maioria das vezes, por meio de intermediários. Churchill e Peter (2003) dividem as tarefas de um canal de distribuição em três categorias: as transacionais, as logísticas e as de facilitações. Acompanhe as funções descritas no quadro a se- guir: Quadro 1 Funções de um canal de distribuição. FUNÇÕES TRANSACIONAIS Compra Comprar produtos a fim de revendê-los. Venda Promover produtos para clientes potenciais e solicitar pedidos. Riscos Assumir os riscos comerciais da propriedade de bens que podem se deteriorar, ser danificados ou tornarem-se obsoletos. FUNÇÕES LOGÍSTICAS Concentração Trazer bens de vários lugares para um único ponto-de-venda. Armazenamento Manter estoques e proteger os bens de maneira que satisfaça as necessidades dos clientes. 137© U4 - Gestão da Distribuição Claretiano - Centro Universitário Organização Comprar bens em quantidade e dividi-los em volumes desejados pelos clientes, o que inclui: • Acumulação: reunir bens similares de múltiplas fontes num estoque maior e homogêneo. • Distribuição: dividir um estoque homogêneo em lotes me- nores. • Combinação: construir um sortimento de produtos a partir de várias fontes. • Classificação: dividir um estoque heterogêneo em esto- ques separados, relativamente homogêneos. Distribuição física Mover bens fisicamente de onde eles foram fabricados para onde eles são comprados ou usados; inclui transporte, armazenamento, administração de estoques e processamento de pedidos. FUNÇÕES DE FACILITAÇÕES Financiamento Proporcionar crédito ou fundos para facilitar uma transação. Graduação Inspecionar produtos e classificá-los em categorias com base na qualidade. Pesquisa de marketing Reunir e transmitir informações sobre condições do mercado, vendas esperadas, tendências dos consumidores e forças competitivas. Fonte: Churchill e Peter (2003, p. 369). Agora, no Quadro 2, acompanhe os principais canais de dis- tribuição: © Gestão Mercadológica II138 Quadro 2 Tipos básicos de canais de distribuição. Canais para bens de consumo • Canal direto: produtor clientes. • Canal indireto: produtor atacadistas varejistas clientes. • Canal indireto: produtor agentes atacadistas varejistas clientes. Canais para bens organizacionais • Canal direto: produtor clientes organizacionais. • Canal indireto: produtor distribuidores clientes organizacionais. • Canal indireto: produtor agentes clientes organizacionais. • Canal indireto: agentes ligam produtores e distribuidores organizacionais. Canais para serviços • Canal direto: organização de serviços clientes. • Canal indireto: organização de serviços agentes / corretores clien- tes. Múltiplos canais de distribuição • Uma organização pode usar vários canais de distribuição para um único produto. Canais reversos • Canal de distribuição que vai do cliente para a organização (exemplo: reci- clagem e recolhimento). Fonte: Lima et al. (2005, p. 71). Planejamento do canal de distribuição As etapas que veremos a seguir formam um processo de pla- nejamento do canal de distribuição. O planejamento serve para alinhar o funcionamento do canal com os objetivos e as estratégias da empresa. 139© U4 - Gestão da Distribuição Claretiano - Centro Universitário Vejamos quais as funções de cada processo e o que cada um vem a influenciar no canal de distribuição. Análise da situação Na etapa de análise da situação, considerada como o iní- cio do planejamento, são mapeadas forças, fraquezas, ameaças e oportunidades que influenciam na viabilidade e desempenho da distribuição. Algumas questões devem ser pensadas durante a análise, tais como: o que o mercado-alvo espera dos canais de distribuição? Quais são as necessidades e os desejos dos compra- dores? Há diferenças entre segmentos de mercado no que toca à distribuição? Os canais existentes atendem bem ao mercado? Vale destacar que outros aspectos que avaliam incluem a presença de concorrentes nos canais, cobertura de mercado e cus- tos das funções realizadas. Objetivos e requisitos do canal Depois de analisar a situação do canal, pensando em como a distribuição pode agregar valor ao mercado alvo, os gerentes defi- nem objetivos e requisitos que tratam de: 1) Efetividade: quão bem o canal deve atender às necessi- dades e aos desejos do mercado-alvo? 2) Cobertura: qual parcela do mercado-alvo terá acesso aos produtos da empresa? 3) Eficiência: em que grau a empresa pretende abrir mão de economia em custos para obter mais efetividade e cobertura? 4) Adaptabilidade de longo prazo: como o canal vai con- templar novos produtos, incorporar formas emergentes de canal e se ajustar a mudanças ambientais? Para Churchill e Peter (2003, p. 39): Após raciocinar sobre os dois pontos anteriores é possível delinear algumas possibilidades de canal, que são cotejadas com a análise da situação e os objetivos e restrições da empresa. A pretensão é selecionar a melhor alternativa. © Gestão Mercadológica II140 Esquema geral do canal de distribuição O esquema geral do canal de distribuiçãotem início a partir do momento que o mercado externo e a demanda começam a exi- gir do produtor, de modo que as atividades do canal atendam às exigências do mercado-alvo. Nesse esquema, barreiras à reação da concorrência são arquitetadas, talvez exigindo investimentos da empresa ou compromisso com parceiros no canal. Podemos dizer que, nesse estágio, é especificado o valor que o canal entregará aos consumidores. Planos de curto prazo para a implementação do canal de distribuição A estratégia de distribuição é traduzida em programas, pro- jetos e planos, que guiam a implementação. O processo de implementação dos planos a curto prazo en- volve a logística mais adequada pelo meio mais rápido de distri- buição do produto. Nessa etapa, são envolvidas empresas como Sedex, Fedex e outras. Além disso, esse processo exige a entrada de outras empresas para que o produto leve menos tempo para chegar até o consumidor final. Sistema de controle O sistema de controle visa ao monitoramento do desempe- nho da distribuição, comparando-a com os objetivos fixados e to- mando as medidas corretivas necessárias. Sem esse controle, não há base para aprender, corrigir erros e ajustar as suposições. O sistema de controle fornece a base para o início de mais um ciclo de planejamento de distribuição. Estrutura do canal de distribuição A estrutura do canal de distribuição define quem participa do canal além das suas respectivas atividades e responsabilidades. Segundo Urdan e Urdan (2006), o produtor decide se utiliza ou não os intermediários e, em caso afirmativo, em que grau e sob 141© U4 - Gestão da Distribuição Claretiano - Centro Universitário quais condições. Contudo, não existe uma solução estrutural única de canal para todas as organizações e situações. Cada estrutura é determinada por fatores, como as características dos produtos e mercados, a concorrência, os investimentos necessários, os recur- sos disponíveis e os canais de distribuição existentes e possíveis. A escolha de certa estrutura pela empresa reflete os julgamentos dos administradores sobre o melhor modo para atingir os objeti- vos e programar as estratégias de distribuição e de marketing. A opção equivocada da estrutura do canal compromete a capacidade competitiva da empresa. O canal afeta o valor percebi- do pelos clientes, adiciona benefícios e custos consideráveis. Com frequência, são elaborados contratos vinculando os produtos e in- termediários, e é complicado romper essa relação. Há possibilida- de de ação judicial indenizatória por quem se julgar prejudicado. Ainda segundo Urdan e Urdan (2006), os intermediários investem para atender aos requisitos do produtor, construindo instalações e comprando equipamentos que podem ser de difícil reutilização. Por isso, atingir uma operação integrada e efetiva no canal é algo complexo, demorado e caro, o que passa pelo desenvolvi- mento da confiança e cooperação dos membros. As decisões do canal exigem uma visão de longo prazo, levando em conta os dife- rentes interesses das partes envolvidas. Por tudo isso, o produtor não pode fazer mudanças frequentes e pronunciadas nos arranjos do canal. Contudo, pode monitorar regularmente a estrutura, in- corporando modificações viáveis e justificadas. Já o marketing cuidará da coerência entre estratégias de dis- tribuição e do composto de marketing, defendendo a escolha da estrutura de canal compatível com o posicionamento, mercado- alvo, produto, preço e promoção adotados. Níveis de serviço O projeto da estrutura de canal começa com a especificação da quantidade de serviços oferecidos. Isso depende das necessi- © Gestão Mercadológica II142 dades e expectativas do mercado-alvo e implica uma solução de compromisso, pois quanto mais amplos e gabaritados os serviços, maiores são os custos para o canal. Para alguns autores, é impor- tante a participação dos administradores da empresa para estabe- lecer os níveis de cada serviço. Os gerentes optam por um pacote satisfatório de serviços aos consumidores, que mantêm os custos em um patamar ajus- tado à rentabilidade desejada. Inicialmente, são escolhidos os serviços a prestar, como, por exemplo, consultoria, entrega, trei- namento, assistência, atendimento, entre outros. Em seguida, são discriminados os níveis dos serviços. Por exemplo: qual será o ta- manho mínimo do lote que o cliente pode comprar? Quanto tem- po o cliente vai esperar pela entrega? Quão próximos estarão os pontos de venda dos consumidores? 6. EXTENSÃO DO CANAL DE DISTRIBUIÇÃO A extensão do canal de distribuição corresponde à quantida- de de estágios (como atacadistas e varejistas) incluídos entre pro- dutor e consumidor. A medida da extensão é dada em níveis. No canal de nível zero, por exemplo, não há intermediários no siste- ma; já no outro extremo, os canais chegam a três, quatro ou mais níveis (CHERTO, 2005). A adição de um nível de intermediários alivia recursos e es- forço do produtor e do consumidor. Em contrapartida, o produto distancia-se dos consumidores e perde controle sobre o canal. O ótimo nível de qualquer canal de distribuição depende da avaliação das vantagens e desvantagens de empregar canais mais curtos ou mais longos. Vejamos, agora, os principais níveis do canal e de que forma eles podem influenciar na distribuição. 143© U4 - Gestão da Distribuição Claretiano - Centro Universitário Canal (direto) sem intermediários Nesse estágio, o nível é zero e o produtor realiza todas as funções de distribuição sem contar atacadistas, varejistas ou outro tipo de intermediários. Para implantar esse tipo de canal, talvez o produtor não tenha encontrado alternativa de canal que atendesse aos seus objetivos, como, por exemplo, nível de serviço prestado ou cobertura geográfica e condições em margem de lucro ofereci- da aos intermediários. O canal direto proporciona ao produtor um contato estreito com os consumidores. Segundo Urdan e Urdan (2006), isso permi- te identificar e reagir com agilidade às tendências e aos problemas no mercado. Nesse canal, no caso de bens, o consumidor tem de aceitar prazos de entrega, pois há menos estoques próximos ao ponto de venda. Vejamos, a seguir, o caso de o canal ser indireto e com ape- nas um intermediário. Canal (indireto) com um intermediário O canal indireto tem nível um, e o intermediário pode ser um atacadista, varejista ou representante comercial autônomo. Nesse tipo de canal, o produtor interage com o intermediário, a quem cabe levar os produtos ao consumidor final. O fabricante inclui o intermediário porque não dispõe de recursos suficientes para exercer todas as funções da distribuição, ou seja, ele não consegue operar com os mesmos níveis de eficiência e eficácia de interme- diários. Canal (indireto) com múltiplos intermediários Esse estágio possui dois níveis ou mais. Em uma configura- ção comum, ele conta com atacadistas e varejistas intermediando no canal, os quais assumem a propriedade dos produtos à medida que os bens avançam na cadeia. Cherto (2005) avalia que, se o produtor consegue integração e bom desempenho dos membros © Gestão Mercadológica II144 do canal múltiplo nas funções de distribuição, seu potencial de efetividade é alto, resultado das vantagens de especialização do trabalho e economia de escala. Veremos, a partir de agora, os três fatores importantes e determinantes da decisão de extensão do canal relacionados ao mercado, ao produto e à empresa. Acompanhe. Fatores de mercado A grande quantidade de compradores do produto indica o canal mais longo, aproveitando que os intermediários trazem re- cursos e vantagens. Grande parte da fatia de compradores do pro- duto no segmento-alvo não recomenda o canal mais longo, pois a distribuição fica mais complexa e cara. As compras feitas pelos consumidores em grande quantidade são bem atendidas com o canal mais curto e até mesmo o direto. As receitas maiores absor- vem os custos de transação, que não dependem do volume com-prado (no caso de compra por processamento de pedidos). As vendas sazonais sugerem o canal mais longo, com inter- mediários. Os distribuidores equilibram os períodos de vale nas vendas com outros produtos que, naquela época, continuam ven- dendo bem. Fatores do produto Produtos perecíveis para o segmento alvo requerem canal mais curto ou direto. Para Urdan e Urdan (2006, p. 137): A distribuição mais rápida alivia o risco do produto deteriorar, já que há menos operações, como expedições e estocagem. Produtos complexos demandam canal mais curto ou direto. É difícil encon- trar intermediários com conhecimento para lidar com a complexi- dade. Produtos pesados e volumosos indicam canal mais curto e até direto. Nos canais mais curtos, como é o caso da distribuição rápida, os custos com manuseio e transporte ficam menores. Todavia, pro- 145© U4 - Gestão da Distribuição Claretiano - Centro Universitário dutos já padronizados para o segmento-alvo sugerem canal mais longo, com intermediários. A padronização facilita a decisão de compra dos clientes e o atendimento deles por intermediários. É importante destacarmos, também, que produtos com bai- xo preço unitário sugerem canal mais longo. Fatores da empresa Nesse caso, se a empresa é competente em marketing, isso sugere canal mais curto ou até mesmo direto. A empresa decide e implementa a gestão de marketing por si só. Empresas com ele- vada capacidade financeira conseguem assumir os investimentos requeridos pelas funções de distribuição e podem trabalhar com poucos intermediários ou atender diretamente aos seus consu- midores. Se a empresa possui variedade de produtos, é possível montar um canal mais curto e até direto. A variedade de produtos oferece uma gama mais ampla que os clientes desejam comprar. Assim, a empresa que quer obter um alto grau de controle sobre a distribuição opta pelo canal mais cur- to, ou direto, e reduz a dependência de terceiros. Integração de canais e sistemas Um sistema de canal convencional normalmente é constitu- ído por um fabricante, por um ou mais atacadistas e por um ou mais varejistas, porém de formas independentes, ou seja, nenhum integrante do canal tem o controle completo sobre os demais in- tegrantes. Para maior compreensão, analisaremos os sistemas de ca- nais verticais, horizontais e multicanais, com base nos autores Ko- tler e Keller (2006) e Churchill e Peter (2003). Sistema vertical de marketing (SVM) O SVM (Sistema Vertical de Marketing) é constituído por um fabricante, por um ou mais atacadistas e um ou mais varejistas, © Gestão Mercadológica II146 todos atuando em um sistema unificado. Nesse tipo de sistema, um dos integrantes exerce o domínio sobre o canal. Acompanhe, na Figura 1, a ilustração com os tipos de sistemas verticais: patrocinadas por atacadistas SVM administrados SVM contratuais SVM empresariais patrocinadas por varejistas Franquias Fonte: Churchill e Peter (2003, p. 375). Figura 1 Tipos de sistemas verticais de marketing. A seguir, conheceremos cada um desses elementos. Veja- mos. Podemos considerar um sistema vertical administrado quando ele é coordenado por um dos membros devido ao seu ta- manho e ao poder que exerce nos sucessivos estágios de produção e distribuição. Nesse caso, o fabricante que exerce o domínio pode contar com a garantia de cooperação comercial e apoio dos reven- dedores, como, por exemplo, a influência exercida de fabricantes como Kodak e Gillette. Um sistema vertical corporativo ou empresarial é formado por uma única empresa possuidora e controladora do canal todo ou de sua maior parte. Nesse caso, é dado para essa empresa o controle sobre todo o processo de distribuição. Como exemplo, podemos citar a fabricante americana de tintas Sherwin-Williams, que possui mais de dois mil pontos de venda próprios nos Estados Unidos. 147© U4 - Gestão da Distribuição Claretiano - Centro Universitário O último elemento do quadro anterior é o SVM contratual. Ele é formado por empresas independentes que atuam em dife- rentes níveis de produção e distribuição, que são integrados e fir- mados por meio de contratos que objetivam estabelecer sinergias e vantagens. O sistema vertical contratual pode desdobrar-se em cooperativas patrocinadas por atacadistas, cooperativas patroci- nadas por varejistas e franquias. A seguir, conheceremos cada um desses importantes elementos: 1) Cooperativas patrocinadas por atacadistas: nesse sis- tema, um atacadista organiza redes voluntárias de va- rejistas independentes para auxiliá-lo na concorrência com as grandes redes. Podemos citar como exemplo o Programa Varejo Alimentar, desenvolvido pelo Grupo Martins, que procura atender aos varejistas de todo o Brasil por meio de preços melhores, boas condições de pagamento, redução do fluxo de entregas e variedades de produtos. 2) Cooperativas patrocinadas por varejistas: o sistema é formado por varejistas que se unem e se organizam em uma nova entidade de negócios que objetiva desem- penhar as funções de um atacadista ou mesmo de um fabricante. As ações mais comuns são a compra e divul- gação conjunta. 3) Franquias: um membro do canal denominado franque- ador concede os direitos de comercializar seus produtos às lojas franqueadas. Antes de finalizarmos este tópico, bem como para obtermos uma maior compreensão sobre as cooperativas patrocinadas por varejistas, vamos acompanhar o exemplo da empresa REDE 10, criada por varejistas do interior de São Paulo. REDE 10 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– A central de negócios REDE 10 iniciou suas atividades em outubro de 2000. Vol- tada sempre para a busca de soluções conjuntas, desenvolveu inúmeras ações para o crescimento e fortalecimento de sua marca. Hoje, a REDE conta com 23 lojas associadas à Central; as lojas possuem visual e serviços padronizados para melhor identificação de seus consumidores, maior número de itens e atendimento personalizado, agregando serviços que as trans- formam em ambientes de bem-estar e comodidade para seus clientes. © Gestão Mercadológica II148 Essa estrutura é possível em função do trabalho de marketing realizado, por meio de campanhas publicitárias promocionais, divulgação na mídia por meio de informativos impressos. Para maiores informações, visite o site da REDE 10 disponível no seguinte en- dereço eletrônico: . Acesso em: 25 mai. 2010. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Sistemas horizontais de marketing Os sistemas horizontais de marketing constituem-se por duas ou mais empresas que unem seus recursos e programas para explorar uma nova oportunidade de mercado. Como exemplo, po- demos citar o oferecimento de serviços bancários em lojas vare- jistas. Sistema multicanal de marketing Podemos considerar um sistema multicanal quando ele é formado por uma única empresa que utiliza dois ou mais canais de marketing. Nesse caso, um fabricante pode optar por vender dire- tamente ao consumidor final ou, também, por meio dos varejistas e atacadistas. Níveis de cobertura de mercado Para Churchill e Peter (2003, p. 382), "os produtos variam em termos do número de pontos-de-venda necessários, dentro de determinada área comercial, para que eles sejam comercializados com sucesso". Temos, então, três níveis de cobertura de mercado: distribuição exclusiva, seletiva e intensiva. Observe, no quadro a seguir, as principais características de cada um dos níveis: 149© U4 - Gestão da Distribuição Claretiano - Centro Universitário Quadro 3 Políticas de canal. DISTRIBUIÇÃO EXCLUSIVA DISTRIBUIÇÃO SELETIVA DISTRIBUIÇÃO INTENSIVA Definição A distribuição exclusiva controla a venda, é formada, apenas, por um intermediário. A distribuição seletiva possibilita a venda para os revendedores que primam pela qualidade das vendas que efetuam. Participam, dessa rede, alguns intermediários. A distribuição intensiva possibilita avenda para todos os agentes que compram o produto, essa rede é formada por vários intermediários. Objetivo Procura conceder a revendedores direitos exclusivos de distribuir os produtos da organização em uma região. Procura selecionar intermediários que agradem o cliente e que tenham condições de vender o produto. Essa distribuição é indicada quando a área geográfica é restringida, além disso, dispõe de poucos recursos para investir e busca pontos-de-vendas que se ajustem à imagem do produto. Procura colocar os produtos ao alcance de qualquer cliente, usando quantos intermediários forem necessários para ampliar ao máximo a cobertura, a conveniência e as oportunidades de venda. Característica Produtos que demandam serviços técnicos durante e após a venda, grandes investimentos por parte do distribuidor e treinamento especial para a comercialização. Produtos de prestígio ou para os quais se deseja criar imagem de exclusividade. Produtos de compra comparada que demandam conhecimentos especializados para venda, cuidados especiais de armazenamento e exposição, preços relativamente elevados e cujos serviços pós-venda são importantes. Produtos com demanda elevada, compra freqüente e em pequena quantidade, baixo preço unitário e que não demandam serviços técnicos. Mercados maduros, concorrência acirrada. Exemplos Bens de especialidade: grifes, o boticário, BMW e relógios Rolex. Bens de especialidade: computadores e eletrodomésticos. Bens de conveniência: cigarros, sabão em pó e refrigerantes. Fonte: adaptado de Lima et al. (2005, p. 72-73) e de Churchill e Peter (2003, p. 382). © Gestão Mercadológica II150 7. ATACADO Observe, a seguir, a definição do termo “atacado” elaborada por Kotler e Keller (2006, p. 516): Por atacado entendem-se todas as atividades relacionadas com a venda de bens ou serviços para aqueles que compram para reven- da ou uso comercial. Não fazem parte do atacado os fabricantes e agricultores, que lidam basicamente com a produção, nem os va- rejistas. Os atacadistas (também denominados distribuidores) dife- rem dos varejistas em vários aspectos. Em primeiro lugar, dão me- nor importância a promoções, ao ambiente e à localização porque lidam com clientes empresariais e não com consumidores finais. Em segundo, as transações no atacado são comumente maiores que aquelas realizadas no varejo, e em geral os atacadistas cobrem uma áreas maior de comércio que os varejistas. Em terceiro lugar, os negócios do governo com os atacadistas e com os varejistas são diferentes, no que diz respeito a regulamentações legais e impos- tos. Acompanhe, no Quadro 4, como os atacadistas podem gerar valor para a cadeia de distribuição. Quadro 4 Como os atacadistas podem criar valor. PARA PRODUTORES PARA VAREJISTAS PARA USUÁRIOS FINAIS • Proporcionando maior capacidade de atingir os compradores. • Oferecendo informa- ções sobre os compra- dores. • Reduzindo os custos monetários por meio de maior eficiência e/ ou conhecimento. • Reduzindo as perdas potenciais ao assumir os riscos do negócio. • Proporcionando infor- mações sobre setores e produtos • Reduzindo os custos monetários, de tempo e de esforço pelo ofereci- mento de uma varieda- de de bens. • Reduzindo os custos monetários por meio de maior eficiência e/ou experiência. • Reduzindo custos ao contribuir com efici- ência e experiência para o canal. • Melhorando a seleção de produtos, ao infor- mar os varejistas so- bre os produtos mais adequados aos usuá- rios finais. Fonte: Churchill e Peter (2003, p. 395). De acordo com os dados apresentados pela Associação Bra- sileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD), o atacado é um dos setores que mais cresce nos últimos anos. Diferentemente do setor de supermercados, que está concentrado em três grandes 151© U4 - Gestão da Distribuição Claretiano - Centro Universitário empresas (Grupo Pão de Açúcar, Carrefour e Wal Mart) que, jun- tas, representam quarenta por cento do faturamento do setor, o atacado distribuidor é marcado por sua pulverização, uma vez que o faturamento das vinte maiores empresas do setor representou, em 2006, apenas quinze por cento do total de seu faturamento. Para complementarmos os nossos estudos sobre atacado, acompanhe texto a seguir: O que aprender com a fusão entre as gigantes do atacado e varejo –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Boris Hermanson - Consultor Sebrae-SP (Março de 2010) Um fenômeno que tem chamado a atenção no Brasil nos últimos anos é a onda de fusões e incorporações que está ocorrendo entre as grandes empresas, origi- nando novos gigantes, especialmente no setor varejista e de atacado. Isso ocorre porque as empresas vêem na associação uma possibilidade de van- tagens especiais, o que também pode ser aplicado as micro e pequenas empre- sas. Aumento dos ganhos de escala Um dos motivos básicos para a união de grandes empresas é a possibilidade de aumentar os ganhos de escala. Um exemplo disso ocorre nas redes de lojas que comercializam eletrodomés- ticos, nas quais o lucro obtido na venda de cada produto individual é muito pe- queno. Assim, para haver maior lucratividade, é necessário haver um grande o volume de vendas desses produtos, o que pode ser conseguido através da união de empresas desse setor. Redução de despesas Ao mesmo tempo em que permite o aumento do ganho de escala, a união de empresas possibilita a redução de despesas operacionais, com a centralização e unificação de vários departamentos. Dessa forma, com um número menor de empregados e com a concentração de processos num único departamento, es- sas empresas conseguem atender um número maior de lojas. Melhores condições de compras Além do aumento dos ganhos de escala e da redução de despesas, outra vanta- gem com a união de empresas é o aumento do poder de negociação com seus fornecedores. Por representarem um maior volume de compras, as empresas, que se unem, obtêm melhores preços e condições de pagamento junto às indús- trias e demais fornecedores. Surgimento de uma nova classe C O surgimento de uma nova classe C também é um fator determinante na união de grandes empresas varejistas, pois o fortalecimento do mercado interno abre novas oportunidades de negócios, cujo melhor aproveitamento implica no au- mento do número de lojas, o que pode ser alcançado rapidamente com essas uniões. © Gestão Mercadológica II152 Para se ter uma ideia da importância da classe C no atual cenário econômi- co, basta citar que essa parcela da população brasileira, que recebe entre R$ 1.115,00 a R$ 4.807,00 por mês, já representa 46% da renda das pessoas físi- cas, superando inclusive o peso das classes A e B, que juntas respondem por 44% da renda brasileira. A união das grandes empresas varejistas e atacadistas serve como lição valiosa para as micro e pequenas empresas brasileiras, pois demonstra de forma clara e inequívoca o valor da cooperação no mundo empresarial. Além disso, serve também como advertência de que a união é o caminho natural para a sobrevivência num mercado altamente competitivo. Fonte: disponível em: . Acesso em: 15 jun. 2010. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Conforme podemos observar no texto anterior, o crescimen- to e o faturamento dos supermercados de grande e médio portes, os chamados “Hipermercados”, estão liderando os grandes centros de distribuição; eles vêm crescendo gradativamente e ganhando espaço no mercado de varejo. Para darmos continuidade a esse assunto, veremos, a seguir, os tipos de atacadistas e a ligação que eles possuem com os gran- des distribuidores. Tipos de atacadista Atualmente, existem atacadistas para qualquer categoria de produtos, desde enfeites decorativos até produtos de limpeza. No Brasil, existem tipos diferentes de perfil atacadista. Uma classifica-ção é baseada na forma de atendimento aos clientes, a qual possui quatro tipos de categoria. São elas: • Atacadista distribuidor: a empresa compra das indús- trias, com as quais não possui acordo formal ou informal de exclusividade de produtos e território, e assume a pos- se e propriedade dos produtos para depois revendê-los e entregá-los. Esse atacadista trabalha com vários fornece- dores para formar uma boa variedade e atender às expec- tativas dos consumidores. Essa variedade chega a somar alguns milhares de itens. 153© U4 - Gestão da Distribuição Claretiano - Centro Universitário • Distribuidor exclusivo: o atacadista compra de indústrias com as quais possui vínculo de exclusividade de produ- tos, assume a propriedade de posse dos bens e depois revende e entrega. O que interessa ao fabricante é que o distribuidor trabalhe com seu mix de produtos completo e preste serviço aos varejistas. Segundo Cherto (2005), o atacadista, por exemplo, troca mercadorias, organiza o ponto de venda e avalia o trabalho do varejista. Por isso, o distribuidor exclusivo atende a um número limitado de fabricantes. • Atacadista de autosserviço: nesse estágio, o cliente vai até o ponto de venda, operado pelo atacadista nos mol- des de um hipermercado, seleciona as mercadorias e leva as compras ao caixa. A área do ponto varia segundo as características do sortimento e tende a ultrapassar 10 mil metros quadrados nas grandes redes. Os produtos são dis- postos nas embalagens originais do embarque pela indús- tria ou em embalagens com várias unidades. É comum o cliente não ter facilidade de crédito concedido pelo ataca- dista. Com custos reduzidos e maiores quantidades vendi- das por cliente, o atacadista de autosserviço oferece pre- ços inferiores aos do varejo. Para Urdan e Urdan (2006, p. 160) "O atacadista que mantém seus custos sob controle tem condições de adicionar serviços para aumentar o va- lor de sua oferta, como entrega e montagem. A cobertura do atacadista é proporcional ao número de suas lojas e ao tipo de produto que comercializa". Desse modo, a neces- sidade de o cliente ir até a loja e transportar as mercado- rias reduz a abrangência do ponto de venda, mas este não deixa de ser um atacadista em expansão. • Operador: é o especialista que se responsabiliza pelo atendimento ao cliente da indústria e atua como repre- sentante dela sem assumir a propriedade de estoques. O operador cuida de vendas, organização e promoção no © Gestão Mercadológica II154 ponto de venda, além da entrega, cobrança e pós-vendas. O diferencial do operador está na agilidade de atendi- mento ao varejista, na redução de custos, na programa- ção dos níveis de estoque do fabricante e no melhor uso dos investimentos em distribuição. Podemos analisar, nos quatro tópicos abordados, que todos os estágios possuem ligação direta ou indireta com a empresa dis- tribuidora. O atacadista que mantém os valores sob o controle de mercado possui condições de aumentar os valores de sua oferta. Com isso, ele pode, também, gerar mais fluxo de vendas. 8. LOGÍSTICA DE MERCADO Atualmente, a logística tem grande importância estratégica quando aliada às políticas de marketing. Seu principal objetivo é viabilizar a entrega de produtos aos clientes da forma mais eficien- te e eficaz possível. Para Kotler e Keller (2006), o planejamento de logística deve contemplar quatro pontos: 1) Decisão sobre a proposta de valor da empresa para seus clientes. Nesse caso, a empresa deve perguntar: que pa- drão de pontualidade de entrega deve ser oferecido? Que níveis de precisão de pedido e cobrança devem ser atingidos? 2) Decisão sobre o melhor sistema de canal e estratégia de rede para chegar ao cliente. A empresa deve atender ao cliente diretamente ou por meio de intermediários? Que produtos devem ser fornecidos e a partir de quais insta- lações? Quantos depósitos são necessários e em quais localidades? 3) Desenvolvimento de excelência operacional na previsão de vendas, gestão de depósitos, transporte e materiais. 4) Implementação da solução com os melhores sistemas de informação, equipamentos, políticas e procedimentos. Não iremos nos estender nesse assunto, pois o retomaremos mais adiante, com maior profundidade, em outro material. 155© U4 - Gestão da Distribuição Claretiano - Centro Universitário 9. LOGÍSTICA E SERVIÇOS AO CLIENTE Conforme já mencionamos, o objetivo do canal de distribui- ção é disponibilizar os produtos certos, nas quantidades e locais certos. No projeto e operação do sistema lógico, esses requisitos genéricos se desdobram em padrões específicos de desempenho. Os padrões indicam os serviços que consumidores, varejistas e atacadistas podem esperar do fabricante em termos lógicos. Os principais fatores são: • Velocidade: o cliente deseja receber os produtos que compra sem demora, o que exige velocidade na logística. Componentes de processamento de pedidos e de esto- ques devem responder a tempo. • Disponibilidade: quando compra, o cliente espera que os itens estejam disponíveis no fornecedor. Assim, manter elevada a disponibilidade, sem onerar demais os custos de estoque, passa pelo conhecimento do padrão de com- pras dos clientes e do giro dos produtos em estoque, en- tre outros fatores. • Confiabilidade: nesse tópico, o sistema logístico deve es- tar disponível quando dele se necessita operar sem erros. Por exemplo, prazos e condições de entrega precisam ser cumpridos, bem como entregas de produtos incorretos ou danificados comprometem a confiabilidade. • Conveniência: o cliente quer que a logística lhe traga co- modidade. A simplificação de rotinas como pedidos, de- volução, reclamação e pagamentos favorecem a conveni- ência para quem compra. Na logística, se os níveis de serviços sobem, os custos au- mentam. Além disso, disponibilidade superior depende de esto- ques elevados. Segundo Blecher (2004, p. 98): © Gestão Mercadológica II156 Se o processamento de exceções é aceito, a eficiência das opera- ções decai. Oferecer mais informações significa investir em equi- pamentos e softwares. É usual o conflito entre objetivos de mais serviços e menores custos. Quando a área de produção cuida da logística, a tendência é gerenciar essas atividades como itens de custo, enfatizando medidas de economia em detrimento dos servi- ços ao cliente. Mas não há como esquecer do comprador. A solução está, portanto, no conceito de sistemas e nas abor- dagens de custo total de distribuição física. Os custos individuais interagem para determinar o custo total dessa distribuição. A re- dução de um item de custo isolado, por exemplo, pode ser mais do que superada por aumentos nos demais custos de distribuição. Assim, é essencial pensarmos em abrangência na relação entre serviços e custos logísticos, visto que o sistema lógico de distribui- ção é elaborado para diminuir custos de entrega a curto prazo, e esse processo se trata de uma elaboração de projetos nos quais são estudados o caminho que leva o produto ao consumidor final e a organização do produto dentro da empresa. Vejamos esses processos a seguir. Sistemas logísticos Os principais componentes do sistema logístico são: proces- samento de pedidos, transporte, estoques e armazenagem. Em vez de administrá-los como componentes separados, o conceito de sistemas integra as partes. Assim, decisões que afetam um ele- mento têm implicações nos demais componentes. Por exemplo, um meio de transporte mais rápido para levar suprimentos do lo- cal A ao ponto B pode permitir a manutenção de estoques menor em B, que, eventualmente, requer um armazém também menor. Na visão sistêmica, segundo Kotler e Keller (2006), a logística é guiada pela abordagem de custo total, buscando aliar o nível de serviços ao ciente ao menor custo no conjunto de componentes do sistema. 157© U4 - Gestão da Distribuição Claretiano - Centro Universitário Processamento de pedidos Esse estágio recebe e encaminha pela empresa as ordensde compra dos clientes. A compra é formalizada pelos vendedores ou agentes do fabricante, bem como pelos atacadistas, varejistas ou pelo consumidor final. O processamento de pedidos termina quando são despachados os produtos para os clientes. Os critérios de desempenho dessa etapa incluem conveniência, rapidez e, o mais importante, confiabilidade. No processo de pedidos, a empresa necessita de organiza- ção da logística em: transporte, estoque e armazenagem. Vejamos o que cada um representa dentro do sistema lógico de uma em- presa. O transporte desloca os produtos entre pontos do canal de distribuição. A infraestrutura de transporte é um dos maiores obs- táculos ao desenvolvimento econômico e empresarial do país. O acesso à grandes regiões do centro-oeste trouxe um avanço em melhorias nas rodovias de acesso aos pontos de distribuição. Isso facilitou a agilidade na entrega de mercadorias. No Brasil, as rodo- vias oferecem flexibilidade e frequência muito acima dos meios concorrentes. Contudo, às vezes, a longa distância de grandes cen- tros de distribuição sugere a ineficiência desse processo. No caso dos estoques, eles equilibram desníveis entre a ofer- ta do fornecedor e a demanda do mercado. As empresas, tanto in- dustriais quanto comerciais de bens, precisam de estoque porque há incertezas sobre a quantidade de tipos de produtos vendidos a cada tempo. Quando ocorre o fato de o fornecedor não entregar a merca- doria dentro da expectativa de prazo do mercado, ele fica em des- vantagem diante de seus concorrentes com produtos disponíveis. Logo, para tanta organização, dependemos da armazena- gem. Ela se refere às atividades que são realizadas ao longo do processo em logística, a qual mantém e abriga produtos entre mo- mentos que são produzidos ou recebidos de um fornecedor até a ocasião de despacho para compradores, ou até mesmo outro centro de distribuição. © Gestão Mercadológica II158 10. VAREJO Observe a definição de varejo elaborada por Kotler e Keller ( 2006, p. 500-5001): O varejo inclui todas as atividades relativas à venda de produtos ou serviços diretamente ao consumidor final, para uso pessoal e não comercial. Um varejista ou uma loja de varejo é qualquer empreen- dimento comercial cujo faturamento provenha principalmente da venda de pequenos lotes no varejo. Qualquer organização que ven- da para os consumidores finais – seja ela um fabricante, atacadista ou varejista – está fazendo varejo. Não importa como os produtos ou serviços são vendidos (pessoalmente, pelo correio, por telefone, por máquinas de vendas ou pela Internet) ou onde eles são vendi- dos, em uma loja, na rua, na casa do consumidor. Acompanhe, pelo quadro a seguir, como os varejistas podem criar valor para a cadeia de distribuição: Quadro 5 Maneiras pelas quais os varejistas podem criar valor. Para os fabricantes e atacadistas • Colocando os produtos à disposição dos consumidores. • Coletando e divulgando dados sobre os consumidores e seu comportamento de compra. • Assumindo riscos na compra de produtos perecíveis. • Promovendo os produtos dos fabricantes. • Oferecendo serviços eficientes de distribuição física. Para os clientes • Colocando produtos à disposição no momento e no lugar em que os consumido- res desejam comprá-los. • Facilitando as compras ao aceitar cartões de crédito ou oferecer planos de paga- mento e venda de produtos em pequenas quantidades. • Tornando conveniente ou prazerosa a experiência de comprar. • Oferecendo variedade de marcas para que os consumidores possam fazer com- parações. • Fornecendo serviços especiais como entrega ou alterações/consertos nos produ- tos. Fonte: Churchill e Peter (2003, p. 417). Outro ponto relevante a ser considerado nas empresas va- rejistas é o nível de serviço. Assim, acompanhe as observações de Kotler e Keller (2006, p. 501) sobre níveis de serviço: 159© U4 - Gestão da Distribuição Claretiano - Centro Universitário As lojas de varejo convencionais costumam ampliar seus serviços e elevar os preços para cobrir os custos. Esses custos maiores dão oportunidades para o aparecimento de novos formatos de lojas que ofereçam preços mais baixos e menos serviço. Assim, novos formatos de loja surgem para atender a preferências muito dife- rentes dos consumidores quanto a níveis de serviços e a serviços específicos. Os autores ainda destacam que os varejistas podem se posi- cionar para oferecer um dos quatro níveis de serviço: 1) Autosserviço: é a base de todas as operações de descon- to. Em nome da economia, muitos clientes dispõem-se a procurar, comparar e selecionar produtos. 2) Seleção: os próprios clientes encontram os produtos que querem, embora possam pedir ajuda. 3) Serviço limitado: são expostas mais mercadorias à ven- da, e os clientes precisam de mais informações e ajuda. As lojas também oferecem serviços (como crédito e pri- vilégios de devolução de mercadorias). 4) Serviço completo: os vendedores estão prontos para ajudar em todas as fases do processo, da procura, da comparação e da seleção. Os clientes que gostam de um atendimento pessoal preferem esse tipo de loja. Obvia- mente que esse atendimento personalizado pode resul- tar em um custo maior para o cliente. Pela própria definição de varejo apresentada anteriormente, podemos perceber a imensidão desse segmento e o que dificulta sua classificação. A seguir, faremos uma breve síntese dos princi- pais tipos de varejistas de acordo com Rojo (2005), Kotler e Keller (2006) e Churchill e Peter (2003). Inicialmente, podemos dividi-los em dois grandes grupos: • Varejo com loja. • Varejo sem loja, no qual as vendas podem ser efetuadas por meio de máquinas, catálogos e pela internet. © Gestão Mercadológica II160 Conforme Churchill e Peter (2003), o varejo lojista pode ser divididos em três grupos: as lojas especializadas, as lojas de consu- mo de massa e as lojas de conveniência. A seguir, apresentaremos as principais características de cada grupo. Lojas especializadas As lojas especializadas são caracterizadas por se concentra- rem em uma categoria de produtos específica, e normalmente trabalham com um nível de serviço maior. Os consumidores pro- curam esses estabelecimentos quando desejam produtos específi- cos e/ou o atendimento de um vendedor especializado, como, por exemplo, as drogarias, as óticas, as lojas de calçados e as autope- ças. Lojas de consumo de massa As lojas de consumo de massa são lojas que oferecem uma grande amplitude de produtos dos mais variados tipos; porém, na maioria das vezes, sem muita diversidade, como encontramos em uma loja especializada. Esses varejistas tentam atrair um núme- ro grande de consumidores em seus pontos de venda, tanto para compras planejadas como por impulsos. A seguir, apresentaremos os principais tipos de varejo de consumo de massa. Quadro 6 Principais tipos de varejo de consumo de massa. Empórios e mercearias Lojas de pequeno porte e com variedade de produtos limitada. São chamadas de secos e molhados e o atendimento normalmente é feito pelo proprietário do estabelecimento. Supermercados O porte da loja pode variar de 700 a 2500 m2 e é composta de seções tais como: mercearia, açougue, frios e laticínios, frutas e verduras e uma linha básica de não alimentos, como produtos de limpeza, perfumaria e utensílios domésticos. 161© U4 - Gestão da Distribuição Claretiano - Centro Universitário Supercenters O porte da loja passa a ser de 5.000 a 8.000 m2 e vendem grande variedade de produtos com preços competitivos, como também possuem área de alimentos e não alimentos. Hipermercados O porte da loja pode variar de 7.000 a 16.000 m2; vendem grande variedade de produtos com preços competitivos; além da área de alimentos, possuem uma completa e variada área de não alimentos. Lojas de departamentos Lojas que trabalham com diversas linhas de mercadorias disponibilizadas em departamentos para facilitar a venda e o atendimento ao cliente. Loja âncora Umaloja de grande porte ou que possui uma marca de destaque que serve de atrativo num Shopping Center. Loja de variedades Estabelecimentos comerciais que oferecem uma diversidade de mercadorias com preços baixos e populares, como, por exemplo, produtos de papelaria e artigos para presentes. Lojas de desconto Lojas localizadas normalmente em bairros com menor poder aquisitivo e que dão ênfase a preços baixos. Pontas de estoque Lojas que vendem produtos a preços baixos, normalmente são produtos fora de estação ou com pequenos defeitos. Varejistas de preço único São lojas que vendem uma grande variedade de produtos oferecidos pelo mesmo preço, tais como as populares lojas de R$1,99. Fonte: adaptado de Rojo (2005), Churchill e Peter (2003) e Kotler e Keller (2006). Lojas de conveniência São lojas normalmente pequenas, situadas próximo às áreas residenciais e que funcionam em horários prolongados, sete dias por semana, e oferecem uma linha limitada de produtos de con- veniência de alta rotatividade, além de sanduíches, café e gulosei- mas. Analisaremos, agora, o varejo sem loja, que pode ser classifi- cado, segundo Rojo (2005), em: • Varejo sem loja convencional. • Varejo sem loja eletrônico. Acompanhe a definição pelo quadro a seguir: © Gestão Mercadológica II162 Quadro 7 Tipos de varejo sem loja. Co nv en ci on al TIPO DEFINIÇÃO EXEMPLO Venda direta Explicação pessoal e demonstração de um produto, com uma oportunidade para compra. Vendas porta a porta (Avon). Venda por catálogos e mala direta Venda efetuada a partir de um catálogo ou folheto enviado pelo correio. Venda de assinatura de revistas. Televendas ou telemarketing Vendas efetuadas a partir de um contato telefônico. Serviços bancários, cartões de crédito. Venda pela televisão A venda é realizada por meio de programas específicos e com a finalidade de informar os benefícios do produto e estimular compra mediante um número de telefone. Polishop. Máquinas de venda Máquinas que entregam um produto, por meio de inserção de fichas, cédulas ou moedas. Máquinas de refrigerantes. Marketing direto integrado Combinação de diversos esforços de marketing em uma mesma campanha, para ampliar o impacto desejado. Oferta em mala direta, seguida de telefonemas de acompanhamento. El et rô ni co E-marketing ou varejo eletrônico Varejo que realiza divulgação de produtos, serviços, informações e venda por meio da internet. Submarino. Fonte: adaptado de Rojo (2005, p. 154). Podemos observar que o avanço da internet possibilitou acontecimentos e criações inimagináveis – o varejo eletrônico é um exemplo disso. Ele vem crescendo a cada dia e tem um grande potencial para ser explorado, em função da estabilidade da econo- mia, da popularização dos micros e da internet. 11. FRANQUIAS Conforme já vimos na unidade anterior, segue, novamente, uma breve explicação sobre o tópico Franchising e, em seguida, da- remos continuidade com um caso de estratégias de distribuição. 163© U4 - Gestão da Distribuição Claretiano - Centro Universitário Outra alternativa de crescimento e, também, de distribuição para as empresas, a qual já é conhecida por nós, é o franchising, que: [...] pode ser definido como uma das estratégias de que uma orga- nização pode fazer uso para distribuir seus produtos e/ou serviços e interagir com o mercado. Juridicamente, implementa-se por meio de um contrato, pelo qual o detentor de uma marca e dos conhe- cimentos relacionados à implantação, operação e gestão de um determinados tipo de negócio (o franqueador) outorga a alguém, juridicamente independente dele (o franqueado), uma licença para explorar essa marca, em conexão com tais conhecimentos, para estabelecer e tocar um negócio igual ou semelhante àquele cujo Know-how o franqueador detém (CHERTO, 2005, p. 236). No quadro a seguir, reforçaremos os estudos da Unidade 3 apresentando uma síntese das principais vantagens e desafios para franqueados e franqueadores. Acompanhe. Quadro 8 Franchising: vantagens e desafios. VANTAGENS DESAFIOS Franqueador • Expansão rápida sem muito in- vestimento. • Maior efetividade franque- ado disposto a fazer esforço extra para conquistar e manter clientes. • Quando bem planejada, pode proporcionar o melhor equilí- brio entre cobertura, custo e controle. • Mantém menos controle do que sobre unidades pró- prias. • Franqueados não são em- pregados e sim parceiros requer, então, diálogo cons- tante e a política do ganha- ganha. Franqueado • Chance maior de sucesso do que partir do zero adquire Know-How e marca conheci- da. • Conta com a equipe do fran- queador para o desenvolvi- mento contínuo de novos: métodos, produtos, serviços, fornecedores. • Perda de autonomia em tro- ca de segurança franque- ados rebeldes ou empreen- dedores demais podem não se encaixar no sistema. • Taxas iniciais; royalties; fun- do cooperativo de marke- ting. • Restrições sobre venda do negócio qualquer transa- ção deve ser aprovada pelo franqueador. Fonte: Cherto (2005). © Gestão Mercadológica II164 O setor de franquias pode ser realmente uma estratégia interessante de distribuição, porém, antes de se tornar um fran- queador ou fraqueado, são necessários uma análise e um estudo profundo sobre o assunto. Um recurso que pode auxiliá-lo, con- forme já orientamos, é o Portal do Franchising, desenvolvido pela Associação Brasileira de Franchising – ABF. 12. CASO CONCRETO DE ESTRATÉGIA DE DISTRIBUIÇÃO Para encerrarmos esta unidade, vejamos como a carioca Pi- raquê está fazendo para aumentar a distribuição de seus produtos no interior de São Paulo. Acompanhe. Piraquê diminui o lucro para crescer em São Paulo –––––––– Era para o biscoito se chamar Primor, nome escolhido pelo empresário Celso Colombo para dar início ao seu novo negócio no Rio de Janeiro, em 1950. Mas só ao voltar da Inglaterra trazendo os cilindros para imprimir a letra inicial do pro- duto, ele soube que no Brasil já havia uma margarina Primor. O jeito foi encontrar outro nome que começasse com “P”. Celso escolheu “Piraquê”, que batiza um rio na região metropolitana da capital fluminense. Mas o seu verdadeiro intuito foi fazer uma declaração de amor cifrada: o nome encerra as siglas de “Piracicaba querida”, em lembrança à cidade paulista onde nasceu a mulher, Almerinda. Para conquistar os consumidores do interior de São Paulo, porém, a carioca Pira- quê está tendo que fazer bem mais do que homenagens. Líder absoluta no seg- mento de biscoitos no Rio de Janeiro e de massas no Espírito Santo, a fabricante começa a jogar pesado para garantir o seu espaço no maior mercado nacional de biscoitos, que respondeu por 16% do volume e 18% do valor consumido pela categoria no país em 2006, segundo a Nielsen. A estratégia quebra alguns pa- radigmas para a Piraquê, como a contratação da Disduc, o primeiro distribuidor de sua história (a empresa sempre trabalhou com venda direta), que atende 220 cidades do interior, e a oferta de descontos superiores a 10% sobre a tabela de preços a atacadistas da Grande São Paulo (o limite sempre foi 5%). Fora isso, a fabricante também precisou mexer no seu principal mercado para enfrentar a forte concorrência da M. Dias Branco, dona da marca Richester, que desembarcou há um ano no Rio e vem abocanhando espaço. Mais uma vez, a Piraquê buliu com a quase sagrada tabela de preços: o desconto para varejistas chegou a 20% em alguns meses de 2007, algo até pouco tempo atrás impensá- vel para Celso Colombo. “Quando meu avô me deu carta branca para vir para São Paulo, este ano, disse que eu poderia fazer tudo, menos mexer na tabela de preços”, diz Alexandre Colombo, neto de Celso, e diretor de marketing e expansão da Piraquê. Mas ele precisou rever o dogma quando se deu conta das especificidades do mercado paulista. “Diferentemente do Rio, onde 72% da nossa venda é feita diretamente para o pequeno varejo ou mesmo para pessoas físicas(que se cotizam para 165© U4 - Gestão da Distribuição Claretiano - Centro Universitário comprar um mínimo de quatro caixas), em São Paulo o pequeno varejo se abas- tece nos atacadistas”, lembra. As grandes redes, por sua vez, estavam longe de significar a saída natural. “Elas sempre nos exigiram descontos bem maiores, mas isso nunca esteve de acordo com os princípios do meu avô, que acredita que o desconto deve ser igual para todos”, diz. O jeito foi oferecer descontos maiores para todo mundo, que variaram entre 5% e 20% ao longo deste ano, estratégia que foi adotada em todas as regiões. Por isso, apesar do faturamento da Piraquê estar crescendo 20% este ano, motivado pelo aumento das vendas, pelo mercado de São Paulo e pelas novas categorias que a empresa passou a disputar - como a de macarrão instantâneo -, o lucro deve ser 55% menor. “Nosso resultado ficará em torno de R$ 45 milhões, contra os R$ 70 milhões do ano passado”, afirma o diretor. Além disso, desde o ano pas- sado, a empresa investiu R$ 45 milhões com recursos próprios para aumentar a capacidade de produção. Mas a Piraquê está convicta que a estratégia vale a pena. Cinqüentenária e fa- miliar, já se cogitou que a empresa seria comprada por gigantes do setor, como a M. Dias Branco ou a Nestlé. A multinacional, por sinal, foi quem adquiriu há décadas a antiga fábrica de biscoitos do bisavô de Alexandre, a São Luiz, marca que a Nestlé manteve até 2002. Mas a Piraquê asssegura que não pensa nisso e, nem mesmo, em abrir o capital agora. “Isso seria natural para uma empresa que tivesse problemas familiares, mas não é o nosso caso”, diz Alexandre, de 33 anos, o mais velho representante da terceira geração. Também trabalham na empresa os primos Sérgio e Marcelo. O pai de Alexandre, Celso Colombo Filho, é diretor comercial da Piraquê, e o mais velho dos três irmãos. “Nós nos damos bem”, garante. Alexandre deseja primeiro consolidar a marca da família em São Paulo e, em seguida, desbravar o Sul do país. O Nordeste fica para mais tarde. “Vamos nos focar em biscoitos, porque em massas os fabricantes regionais têm muito ape- © Gestão Mercadológica II166 lo”, diz ele, referindo-se, especialmente, às concorrentes Adria (M. Dias Branco), Selmi e Petybon. Mas a investida nos biscoitos, que vem apresentando consecutivas quedas no consumo, não é arriscada? Segundo a Nielsen, no acumulado deste ano, a perda foi de 2,7% em volume e 2,1% em valor. “A Nielsen não cobre a maior parte do varejinho, onde somos fortes”, diz Alexandre. Silvia Yukimaru, analista da Lafis, concorda que a empresa tem futuro também fora do Rio. “Eles estão se destacan- do porque têm uma produção diversificada e, como outras indústrias regionais, fortaleceram seu espaço no mercado, sem abrir mão da qualidade”, afirma. Fonte: disponível em: . Aces- so em: 21 jun. 2010. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Conforme podemos observar, não é apenas a estratégia de distribuição que está conseguindo fazer o processo sucessório bem-sucedido da empresa Piraquê, como, também, o exemplo de uma empresa familiar. 13. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS Conforme fizemos nas unidades anteriores, vamos nova- mente fazer uma pausa para você fixar os conceitos abordados nesta unidade. 1) Considerando-se proprietário de um estabelecimento varejista, qual seria o padrão, o sortimento e o nível de serviços que você estabeleceria a ele? 2) Por meio de pesquisas na internet, identifique as maio- res empresas brasileiras de varejo e, em seguida, procu- re identificar qual é o posicionamento de mercado que elas estabelecem? 3) Pesquise onde e como o tipo de atacadista operador tem sido aplicado nas empresas. Você acha que ele tem futu- ro em relação aos demais tipos de atacadistas? 4) Identifique, pelo menos, duas indústrias brasileiras per- tencentes a setores diversos entre si e tente descubrir se elas utilizam atacadistas. Em seguida, reflita sobre quais lições você pôde extrair com relação a atacadistas. 5) Após a leitura do caso "Piraquê", em sua opinião, qual processo de mudança que ocorreu com a marca? Ela conseguiu atingir as regiões desejadas com a nova es- tratégia? 167© U4 - Gestão da Distribuição Claretiano - Centro Universitário 14. CONSIDERAÇÕES Nesta unidade, compreendemos a importância estratégica da distribuição, bem como as principais formas de se distribuir os produtos para os consumidores com eficiência e eficácia. Abordamos que o varejo, no canal de distribuição, se refere às atividades destinadas a vender um bem ou serviço para o con- sumidor final, e que o varejista é o agente econômico, envolvido diretamente com o varejo. Além disso, compreendemos que o ma- rketing dos varejistas começa com as definições de mercado-alvo e posicionamento. Vimos, também, que o atacado é formado pelas atividades de profissionais e organizações que vendem para os varejistas, sendo analisados como elo no canal de distribuição. A diferença é que os atacadistas trabalham com um número menor de clientes, os quais compram maiores volumes de mercadorias. Percebemos ainda que, atualmente, os atacadistas focalizam as questões de reposicionamento, em busca de espaço competiti- vo no mercado. Assim, mediante todos esses estudos, pudemos perceber a importância que exerce um estoque dentro de uma empresa de grande ou médio porte – eles são os responsáveis por equilibrar o desnível que ocorre entre oferta e demanda de mercado. 15. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BLECHER, N. Máquina de vender. Exame, n. 811, 18 fev. 2004. CHERTO, M. Franchising e outros canais de Marketing. In: DIAS, S. R. (Coord.). Gestão de Marketing. São Paulo: Saraiva, 2005. CHURCHILL, G. A.; PETER, J. P. Marketing: criando valor para os clientes. São Paulo: Saraiva, 2003. KOTLER, P. Administração de Marketing: análise, planejamento, implementação e controle. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1996. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de Marketing. São Paulo: Person Prentice Hall, 2006. URDAN, F. T.; URDAN, A. T. Gestão do composto de marketing. São Paulo: Atlas, 2006. Claretiano - Centro Universitário EA D Ética e Legislação na Comunicação de Marketing 5 1. OBJETIVOS • Conhecer e analisar os princípios éticos legais dentro da comunicação de marketing. • Compreender os sistemas de proteção às propagandas enganosas. • Conhecer o CONAR e analisar as suas regulamentações. • Identificar os princípios de legislação promocional. 2. CONTEÚDOS • Princípios éticos legais. • Sistemas de proteção. • CONAR. • Normas e defesa do consumidor. • Legislação promocional. © Gestão Mercadológica II170 3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE 1) Você já ouviu falar sobre o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária)? Pois bem, nesta unidade, conheceremos esse conselho, o qual, além de selar pela credibilidade do mercado publicitário, tam- bém passa a ser um canal de acesso para que os consu- midores possam oferecer suas reclamações com relação às campanhas publicitárias a que são submetidos. 2) Você já parou para observar que muitas campanhas pu- blicitárias despertam um tipo de apelo em que o con- sumidor possa se sentir coagido ou até mesmo cons- trangido? O CONAR pode e deve analisar cada caso e, até mesmo, proibir a veiculação daquela campanha em determinado horário. Portanto, fique atento às regula- mentações que esse conselho disponibiliza! 3) Nesta unidade apresentaremos alguns casos julgados pelo CONAR, contudo, para conhecer todos os que fo- ram julgados até o momento acesse o seguinte ende- reço eletrônico: . Acesso em: 12 jun. 2010. 4) Você estudará, no decorrer desta unidade, a Publicida- de Ilícita, que significa publicidade enganosa, o primeiro tipo de publicidade considerada ilegal pelo nosso siste- ma jurídico. Podemos conceituá-la como aquela queen- gana seus destinatários, podendo induzi-los ao erro, ou seja, é a mensagem que apresenta o potencial de desviar a vontade do consumidor. Esse assunto é imprescindí- vel; portanto, aprofunde sempre seu conhecimento por meio de pesquisas na bibliografia indicada, bem como na internet. Além disso, é sempre bom estarmos atentos aos nossos direitos enquanto consumidores! 4. INTRODUÇÃO À UNIDADE As empresas estão enfrentando grandes desafios e sendo pressionadas para estabelecer, em suas normas de conduta, uma 171© U5 - Ética e Legislação na Comunicação de Marketing Claretiano - Centro Universitário postura ética e legal. Trata-se de uma forma de conduzir os negó- cios empresariais de tal maneira que a torna parceira e correspon- sável pelo desenvolvimento social. Desse modo, a empresa ética e socialmente responsável é aquela que possui a capacidade de ouvir os interesses de diferen- tes partes, sejam diretores, gerentes, funcionários, prestadores de serviços, fornecedores, consumidores, sejam, ainda, clientes. Dentre estes, não podemos deixar de destacar o governo, a comu- nidade e o meio ambiente e, a partir daí, incorporá-los no plane- jamento das atividades empresariais, buscando, assim, atender à demanda de todos e não apenas dos acionistas e proprietários. A empresa eticamente responsável e preocupada com a qualidade dos seus produtos e dos bens e serviços que oferece a seus clientes em potencial precisa realizar, constantemente, in- vestimentos no desenvolvimento desses produtos e serviços, bus- cando satisfazer os consumidores e suas necessidades, além de promover sempre a excelência e a qualidade no seu atendimento. Portanto, o desenvolvimento de uma política de marketing e de uma comunicação baseada no compromisso ético e educativo, promovendo campanhas publicitárias de seus produtos e serviços de maneira clara, precisa de informações detalhadas e verdadeiras a respeito destes. Esse é o grande desafio da atualidade. Assim, nesta unidade, abordaremos a ética de forma respon- sável, pois, nos dias atuais, ela é uma questão de sobrevivência corporativa. Para tanto, analisaremos todos os aspectos relacionados às empresas e às éticas em campanhas publicitárias. Vamos em frente? 5. PRINCÍPIOS ÉTICOS LEGAIS Na introdução sobre a importância da ética empresarial, que apresentaremos a seguir, estão os principais conceitos éticos que regem a comunicação de produtos no mercado brasileiro. © Gestão Mercadológica II172 É importante ressaltarmos que, no Brasil, a primeira preo- cupação em termos éticos e até mesmo legais no âmbito da pro- paganda deu-se com a disciplina ética da própria profissão e com os negócios da publicidade, a partir da promulgação da Lei n. 4.680/1965 e seu Decreto Regulamentador n. 57.690/1966. Segundo Pinheiro e Gullo (2008, p. 139), essa legislação trouxe ao mercado algumas definições importantes, tais como: quem é considerado profissional da propaganda, as formas de re- muneração de uma agência de publicidade nas relações comerciais com seus cliente anunciantes, quem é considerado veículo de co- municação e principalmente apontamentos quanto à ética profis- sional. Essas definições fizeram que as partes envolvidas no negó- cio publicitário, como as agências de publicidade, os veículos de comunicação e os clientes anunciantes, ficassem sujeitos aos se- guintes preceitos éticos: Não é permitido: a) publicar textos ou ilustrações que atentam contra a ordem públi- ca, a moral e os bons costumes; b) divulgar informações confidenciais relativas a negócios ou planos de clientes anunciantes; c) reproduzir temas publicitários, marcas, músicas, ilustrações, en- redos de rádio, televisão e cinema, salvo consentimento prévio de seus proprietários ou autores; d) difamar concorrentes e depreciar seus méritos técnicos; e) atribuir defeitos ou falhas a mercadorias, produtos ou serviços concorrentes; f) contratar propaganda em condições antieconômicas ou que im- portem em concorrência desleal. É dever: a) fazer divulgar somente acontecimentos verídicos e qualidades ou testemunhos comprovados; a) atestar, apenas, procedências exatas e anunciar ou fazer anunciar preços e condições de pagamento verdadeiros; b) elaborar a matéria de propaganda sem qualquer alteração, grá- fica ou literária, dos pormenores do produto, serviço ou merca- dorias; 173© U5 - Ética e Legislação na Comunicação de Marketing Claretiano - Centro Universitário c) negar comissões ou quaisquer compensações a pessoas relacio- nadas, direta ou indiretamente, com o cliente; d) comprovar as despesas efetuadas; e) representar, perante a autoridade competente, contra os atos in- fringentes das disposições deste regulamento (PINHEIRO; GULLO, 2008, p. 140). Assim, as normas padrão da atividade publicitária foram ajustadas de acordo com os preceitos legais e éticos especificados na legislação que regulamenta a atividade publicitária, conforme já citamos. Ao analisarmos as principais regras e normas éticas comer- ciais no mercado publicitário, passaremos a expor os preceitos éti- cos exigidos no momento da criação do anúncio publicitário. E, quando falamos em anúncio, falamos no seu sentido mais amplo possível, como sendo qualquer meio ou forma de divulgação de um bem ou serviço, tais como: anúncio de revista, jornal, embala- gem, rótulos, anúncio de TV, outdoor, jornal, mala direta e outros que possam envolver qualquer mídia de divulgação. Podemos destacar o merchandising como um meio de divul- gação de bens e serviços que se encaixa nas leis relacionadas aos princípios legais e éticos mencionados anteriormente, pois trata- se de um meio de divulgação em meios não convencionais, tais como: filmes, novelas, livros, teatros entre outros. Dessa forma, o merchandising é abrangido, também, pelas normas éticas e le- gais. 6. SISTEMAS DE PROTEÇÃO Existem três sistemas de combate ou proteção contra a pu- blicidade considerada ilegal ou ilícita: o sistema estatal, o sistema privado e o sistema privado estatal. Segundo Pinheiro e Gullo (2008, p. 149): O sistema estatal é aquele previsto em normas legais: leis, decretos, portarias promulgadas pelo governo. Já o sistema privado de com- © Gestão Mercadológica II174 bate à publicidade ilícita é aquele sistema de auto-regulamentação, ou seja, o próprio mercado publicitário se une e elabora preceitos éticos a serem seguidos e aceitos por seus agentes. E o sistema pri- vado estatal, agindo em conjunto no combate à publicidade ilegal. No Brasil, o sistema atuante é o sistema misto, ou seja, nós possuímos a autorregulamentação publicitária e as leis propria- mente ditas, que nos trazem parâmetros legais e regras para a cria- ção e veiculação de campanhas publicitárias. Esse sistema é o mais adequado no combate contra a publicidade ilegal, de maneira que a autorregulamentação age de forma mais rápida e é no Brasil que o controle passa a ser eficaz sobre a ética. 7. CONAR O CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Pu- blicitária), segundo uma de suas publicações: É uma associação ética civil sem fins lucrativos devidamente cons- tituída, voltada para a aplicação das normas regulamentadoras do universo das comunicações, tendo por objetivo zelar pela credibi- lidade e valorização das próprias atividades do setor econômico publicitário e oferecer um canal de acesso à defesa do consumidor (PINHEIRO; GULLO, 2008, p. 150). Tendo em vista o seu próprio conceito, podemos concluir que o CONAR, além de zelar pela credibilidade do mercado pu- blicitário, é, também, um canal de acesso para o público-alvo (o “consumidor final”) oferecer suas reclamações e insatisfações re- ferentes a uma campanha publicitária. Ele exerce o seu papel no controle ético das atividades publi- citárias por meio do código de autorregulamentação, o qual esta- belece e norteia a criação de qualquer anúncio publicitário, respei- tando sempre o compromisso com a honestidade, a veracidade, a concorrência e a responsabilidadedos clientes, dos fornecedores e do público em geral. A venda pessoal envolve interação pessoal com o cliente. Essa ferramenta permite o feedback imediato e possibilita ao pro- fissional de marketing ajustar as comunicações às necessidades da situação. Propaganda e venda pessoal têm um ponto em comum: são meios de comunicação utilizados pelas organizações para se dirigir a seus clientes atuais e futuros, visando informá-los, convencê-los, influenciá-los e educá-los. Porém, a propaganda é uma comunicação de massa, enquan- to a venda pessoal é uma comunicação individualizada, de pessoa a pessoa. Além disso, a propaganda atinge um grande número de pessoas mais rapidamente do que a venda pessoal. 15© Caderno de Referência de Conteúdo Claretiano - Centro Universitário Na venda pessoal, a mensagem pode variar conforme o clien- te ou mesmo modificar-se durante a visita. Já a propaganda sofre grandes limitações de tempo, espaço e capacidade de atenção dos clientes, sendo, portanto, menos flexível. Dessa forma, quanto mais complexo, técnico ou customiza- do for o produto ou serviço, ou quanto mais longo for o seu ciclo de venda, maior será a importância da venda pessoal em relação à propaganda. A promoção de vendas é a ação de marketing, seja de mí- dia ou não, exercida por tempo predeterminado e limitado, com o objetivo de estimular a experiência, aumentar a demanda de con- sumo ou melhorar a disponibilidade do produto. Entre os tipos de promoção de vendas, podemos citar: cupons, ofertas de desconto por tempo limitado, amostras grátis, brindes anexos, ofertas do tipo “leve três, pague dois” e concursos. Normalmente, a promoção de vendas é feita de forma con- junta com a propaganda e/ou venda pessoal. As relações públicas é a comunicação, vista como não paga, de informações sobre a organização ou sobre o produto, geralmen- te em alguma forma de mídia, como, por exemplo, reportagens so- bre novos produtos ou sucessos e fracassos das organizações. Os profissionais de marketing têm pouco ou nenhum controle sobre o que é escrito ou sobre a recepção das informações pelo público; por isso, o público fica mais propenso a acreditar que as informa- ções são objetivas e verídicas. Para diferenciarmos propaganda de publicidade, vamos uti- lizar o exemplo do próprio Centro Universitário Claretiano. Imaginemos a seguinte situação: nossa Instituição preci- sa divulgar seu processo seletivo aí na sua cidade; então, se ela comprar um espaço em um jornal, em uma rádio, um outdoor ou em uma TV local para anunciar o processo seletivo, estará fazendo uma propaganda. © Gestão Mercadológica II16 Contudo, vamos supor que, nesse mesmo jornal, rádio ou TV local estejam fazendo uma matéria sobre o crescimento do ensino a distância no Brasil, e a reportagem cita que o Centro Universi- tário Claretiano é pioneiro nessa modalidade de ensino que está com matrículas abertas para seu processo seletivo – isso é uma publicidade. O marketing direto é um sistema interativo de marketing que utiliza um ou vários meios de comunicação para obter uma respos- ta ou transação em um local qualquer. Trata-se de aglutinar meios pessoais, impessoais e eletrônicos (tais como visitas ao cliente, telemarketing, internet, catálogos e malas diretas) para estabele- cer relacionamentos com clientes. Porém, seu uso indiscriminado pode ultrapassar os limites da conveniência e caracterizar invasão de privacidade, causando irritação e insatisfação no cliente. Assim, combinando todos esses elementos do composto de comunicação, temos o que denominamos Comunicação Integrada de Marketing, que tem como principais objetivos: • Fixar o produto na mente do consumidor. • Criar mensagem única, consistente e compreensível. • Construir uma imagem de marca diferenciada e sustentá- vel na mente do consumidor. • Informar e incentivar a sua aquisição. Antes de passar para o próximo assunto, é importante men- cionarmos uma das melhores frases sobre Comunicação Integrada de Marketing: “Diariamente, milhares de mensagens publicitárias concor- rem por um espaço na mente do consumidor. Portanto, não se en- gane. A mente é o campo de batalha”. (RIES; TROUT apud LIMEIRA, 2006, p. 104) 17© Caderno de Referência de Conteúdo Claretiano - Centro Universitário Praça Praça é a distribuição dos produtos, ou seja, o local ou o meio pelo qual os produtos são oferecidos aos clientes. Trata-se de planejar e administrar onde, como, quando e sob que condições o produto será colocado no mercado. Ou seja, é o conjunto de elementos que visa tornar o produto disponível para o consumidor onde e quando ele o desejar. Para tanto, é necessário considerarmos os canais de distribuição, a logística de mercado e as variáveis que integram esses elementos. De todos os elementos que compõem o mix de marketing, isto é, produto, preço, promoção e praça, esta (a praça), ou distri- buição, é, aos olhos do cliente ou consumidor, a menos aparente; porém, para as empresas, as decisões de distribuição são muito importantes pelos impactos que geram nos outros elementos do mix de marketing. Como exemplo desses impactos, podemos citar as decisões relativas à política de preços, que vão depender da escolha, do tamanho e do número de intermediários, da mesma forma que as decisões relativas ao número de vendedores e à qua- lidade da força de vendas vão depender, entre outros fatores, do número e da capacitação dos distribuidores. As decisões de distribuição devem levar em conta, também, o caráter dinâmico dos canais. Atualmente, eles podem estar adaptados às necessidades dos clientes, mas estas evoluem com o tempo, e o canal pode tornar-se ineficaz. Um bom exemplo são os microcomputadores, que, além das vendas em lojas especializa- das, são também muito vendidos em hipermercados. Uma empresa pode vender seus produtos diretamente aos consumidores finais, porém, na prática, a maioria dos fabricantes utiliza intermediários. Ao tomar essa decisão, o fabricante sabe que a venda de seu produto pode não ser realizada da forma que ele gostaria; além do mais, ele irá se afastar um pouco do consu- midor final. © Gestão Mercadológica II18 Contudo, o fabricante também obtém algumas vantagens, tais como: acesso ao canal de distribuição; capacitação de distri- buidores e ou atacadistas para a venda do produto; economias de escala, pois as vendas são realizadas em grandes quantidades; possibilidade de o produto estar presente em locais muito distan- tes da fábrica; e o conhecimento da clientela local. Em síntese, podemos dizer que a utilização de intermediá- rios permite aos fabricantes reduzir substancialmente os custos logísticos, ou seja, de estoques, de transporte e de armazenagem; os custos comerciais, tais como negociação, promoção e núme- ros de contatos necessários para efetuar uma venda; os custos fi- nanceiros; e, também, os custos com serviços de atendimento ao cliente. Dessa forma, a distribuição nada mais é do que fazer os pro- dutos chegarem até os clientes quando e onde eles desejarem, com eficiência e eficácia. Glossário de Conceitos O Glossário permite a você uma consulta rápida e precisa das definições conceituais, possibilitando-lhe um bom domínio dos termos técnico-científicos utilizados na área de conhecimento dos temas tratados em Gestão Mercadológica II. Veja, a seguir, a definição dos principais conceitos: 1) Comportamento: é definido como o conjunto de reações de um sistema dinâmico diante das interações e reali- mentações propiciadas pelo meio em que está inserido. Exemplos de comportamentos são: comportamento so- cial, comportamento humano, comportamento animal, comportamento atmosférico, entre outros. 2) Composto mercadológico: são as definições coordena- das referentes ao que é ofertado ao mercado que esti- mula as vendas e gera satisfação para o cliente. As deci- sões, de forma geral, referem-se às políticas de produto, ao preço, à praça e à promoção. 19© Caderno de Referência de Conteúdosocial. O CONAR, conselho formado por profissionais da área de publicidade e representantes de consumidores, é um documento que, por meio de aproximadamente 50 artigos, organiza as nor- 175© U5 - Ética e Legislação na Comunicação de Marketing Claretiano - Centro Universitário mas éticas que deverão ser observadas pelos anunciantes e pelas agências de comunicação na elaboração de seus anúncios. Ele atua nas questões que envolvem publicidade, além de julgar, por meio de seu conselho de ética, representações por infração ao código, originadas de denúncias de consumidores, autoridades de seus as- sociados ou, ainda, formuladas de ofício pela própria diretoria do CONAR. Contudo, é importante salientarmos que o CONAR não exer- ce censura aos anúncios; ele apenas julga os anúncios publicitários que estão sendo veiculados na mídia. As leis impostas pelo CONAR podem variar de uma simples advertência, passando pela reade- quação do anúncio ou correção, ou, em casos mais extremos, o CONAR pode recomendar a sustação desse anúncio. Como órgão ético que é, ele não exerce qualquer tipo de sanção de ordem pecuarista; entretanto, a empresa e o consumi- dor que se sentirem lesados poderão procurar as vias judiciárias à satisfação de seus direitos. Assim, as empresas anunciantes associadas ao órgão que pretenderem propor qualquer tipo de representação contra anun- ciantes concorrentes por se sentirem lesadas ou desrespeitadas por seu anúncio-veículo, patrocinado pelo concorrente, poderão fazê-lo mediante pagamento de taxa a esse órgão. Já o consumidor que se sentir agredido ou que considerar determinado anúncio publicitário voltado contra a sua moral, os seus bons costumes ou contra quaisquer disposições previstas no código de ética pode- rá denunciar determinado anúncio diretamente ao CONAR, sem qualquer custo. Para isso, basta identificar-se por e-mail, cartas, entre outros meios de comunicação. Desse modo, conforme podemos perceber, a autorregula- mentação publicitária é extremamente útil à sociedade, pois, por meio dela, os consumidores ficam protegidos da prática de publi- cidade abusiva e enganosa. © Gestão Mercadológica II176 Conforme analisaremos a seguir, as empresas anunciantes também estão se protegendo da prática de concorrência desleal. O próprio Estado é beneficiado pela autorregulamentação, uma vez que são enviados inúmeros litígios junto ao judiciário, aumen- tando ainda mais a sua demanda, consumindo os já escassos re- cursos disponíveis. Normas de defesa do consumidor Depois de demonstrarmos a importância das normas éticas na publicidade e de seus órgãos regulamentadores, é necessário apresentarmos as normas de defesa do consumidor sobre a pu- blicidade, demonstrando que também existe uma importância da norma legal no combate à propaganda ilícita de nosso país. Publicidade ilícita (publicidade enganosa) A publicidade ilícita é o tipo de publicidade considerada ile- gal pelo nosso sistema jurídico. A expressão “publicidade engano- sa" é tão comum que tem por finalidade enganar seus destinatá- rios, o público final. Todavia, é importante salientarmos que não existe a indução ao erro do consumidor; basta a potencialidade para tanto. Segundo Pinheiro e Gullo (2008), a publicidade enganosa é aquele tipo de mensagem que possui uma informação tão relevan- te e essencial que faz o consumidor ser capaz de mudar de atitude (indução ao erro) em função dessa informação, ou, ainda, aquela publicidade que omite uma informação relevante em determina- da mensagem publicitária a ponto de fazer o consumidor agir de maneira equivocada. Publicidade abusiva Outro tipo de publicidade muito comum é a publicidade abu- siva, para a qual, diferentemente da publicidade enganosa, não há um conceito específico. Contudo, podemos expor as possibilidades de propaganda que podem ser consideradas abusivas pelo Código de Defesa do Consumidor. Acompanhe: 177© U5 - Ética e Legislação na Comunicação de Marketing Claretiano - Centro Universitário 1) Publicidade discriminatória: no caso de publicidade discriminatória, precisa existir, necessariamente, uma distinção de indivíduos em função de sua raça, origem, credo e cores. Não basta a distinção entre os indivídu- os; é necessário a condição de cada um. Um exemplo de publicidade discriminatória muito comentado em todo o mercado é de uma das campanhas da marca Benetton, na qual havia duas crianças: uma negra vestida de "dia- binho" e outra branca vestida de "anjinho". Obviamente houve uma reação de consumidores insatisfeitos com a marca, que se remeteu, na ocasião, a algo similar ao ra- cismo, tendo em vista a criança negra vestida de diabo e a branca vestida de anjo. A campanha foi caracterizada como discriminatória e sua suspensão foi declarada (PI- NHEIRO; GULLO, 2008). 2) Publicidade que incita a violência: qualquer tipo de campanha que possa remeter a atos violentos será con- siderada abusiva. É importante destacarmos que não se exige que o consumidor pratique ato de violência incen- tivado pela campanha. 3) Publicidade desrespeitosa aos valores ambientais: a publicidade não pode, também, em nenhum momento, estimular a agressão ao meio ambiente. 4) Publicidade que induz o consumidor a se comportar de forma prejudicial à saúde e à segurança: qualquer cam- panha que possa induzir o consumidor a ato perigoso será considerada abusiva. Alguns exemplos claros são as campanhas de veículos automotores que, para demons- trar a potência de seus motores, utilizam a velocidade excessiva. Esse tipo de publicidade induz o consumidor a dirigir em alta velocidade, além de colocar em risco a sua segurança, bem como a das demais pessoas, e contrariar as leis de trânsito. Desse modo, tendo em vista os exemplos expostos anterior- mente, podemos concluir que seus caracteres estão relacionados à publicidade que agride valores essenciais da sociedade, tais como: meio ambiente, saúde, segurança, igualdade de raça, descrimina- ção, entre outros. © Gestão Mercadológica II178 Segundo Pinheiro e Gullo (2008, p. 98), “É necessário a ve- rificação dos valores da sociedade no momento da veiculação de qualquer campanha e a relevância social destes valores”. Assim, percebemos claramente que o dano causado pela pu- blicidade abusiva é de caráter moral e não patrimonial, ou seja, ela agride diretamente a integridade do consumidor. Ainda de acor- do com Pinheiro e Gullo (2008), para identificarmos se uma pu- blicidade é considerada abusiva, é necessário realizar uma análise sociológica da sociedade, ou seja, quais são os valores relevantes naquele momento para aquela sociedade específica. A publicidade deve ser veiculada de tal maneira que o consu- midor a identifique como tal. Isso nos leva a perceber que a men- sagem publicitária precisa ser explícita, ou, como se costuma dizer, o consumidor tem de perceber a mensagem de forma clara e ob- jetiva; ele deve perceber que está sendo "alvo" de uma mensagem publicitária. Práticas comuns e lícitas Para finalizarmos este breve estudo a respeito dos principais preceitos éticos e legais em matéria publicitária, observaremos apenas duas práticas que ainda não foram citadas, as quais são muito comuns no mercado publicitário e que não são considera- das ilegais pelo sistema, apesar de não terem o caráter explícito que uma publicidade necessita observar. Teaser O teaser é uma mensagem que visa criar expectativas ou curiosidades em torno de produtos a serem lançados. Pode-se di- zer que o teaser é um anúncio do anúncio. Ele cria expectativas no consumidor em relação ao produto que ainda será lançado. Na realidade, ele não pode ser considerado ilegal, uma vez que a in- tenção é divulgar um bem ou um serviço. Ele apenas comunica o consumidor sobre uma novidade, sobre algo que estará no merca- do em breve (PINHEIRO; GULLO, 2008). 179© U5 - Ética e Legislação na Comunicação de Marketing Claretiano - Centro Universitário Merchandising É uma prática de divulgaçãode bens ou serviços em filmes, novelas, livros, cinema, ou quaisquer veículos de comunicação não conceituados como mídia. O Código de Defesa do Consumidor não faz qualquer proibi- ção à técnica de merchandising, sendo essa prática muito comum em todo o mundo. Portanto, faz-se necessária a verificação, caso a caso, se o consumidor daquele produto anunciado é capaz de identificar de imediato que se trata de uma publicidade paga ou não para ser realizado em um veículo não considerado mídia co- mercial. 8. LEGISLAÇÃO PROMOCIONAL A legislação promocional dispõe sobre a distribuição gratuita de prêmios mediante sorteio, vale-brinde, concurso e outros que se assemelham à necessidade de regulamentação. A legislação foi criada para proteger o consumidor contra algumas situações en- ganosas. De acordo com Pinheiro e Gullo (2008), existe uma série de exigências para que se comprove que a promoção realmente é verdadeira e que todos que estão concorrendo a algo possuem a chance de ganhar o prêmio. Caso a promoção não fosse dessa ma- neira, o consumidor nunca iria acreditar ou ter a certeza de que, ao comprar determinado produto, estaria concorrendo aos prêmios oferecidos. Assim, a regulamentação faz-se necessária para que o consu- midor não seja enganado. As autorizações para a realização dessas operações promo- cionais são permitidas para empresas comerciais, industriais ou de compra e venda de bens imóveis. As empresas prestadoras de serviços (exceto as que operam no mercado financeiro) estão proi- bidas de realizar distribuição gratuita de prêmios nas condições de sorteios, concursos e operações assemelhadas. © Gestão Mercadológica II180 Desse modo, é importante nos atentarmos para as empresas que queiram participar de uma ação promocional; elas deverão ser consideradas prestadoras de serviços (de acordo com seu contrato social CNPJ), tendo como objetivo apenas a prestação de serviço. Para entendermos melhor os mecanismos da legislação pro- mocional, analisaremos, a seguir, cada uma das promoções citadas anteriormente. Sorteio Sorteio é a promoção que premia por meio de cupons nume- rados, cujo resultado está, de alguma forma, veiculado à extração da Loteria Federal. A lei exige que os sorteios obedeçam aos resul- tados da extração da Loteria Federal ou à combinação de números de acordo com o mesmo resultado. A Caixa, por exemplo, possui planos de sorteios com núme- ros, que podem ser compostos de várias maneiras. Portanto, cabe ressaltarmos que, hoje, o órgão competente para a emissão dos certificados de autorização é a Caixa Econômica Federal, a qual está aceitando apenas o sorteio cujos números dos cupons nume- rados sejam vinculados à Loteria Federal. Dessa forma, nenhum portador do cupom poderá ser excluído do processo de sorteio, salvo se o premiado for inadimplente (CAIXA ECONÔMCA FEDE- RAL, 2010). É importante destacarmos, também, que é expressamente proibido distribuir cupons ou elementos sorteáveis em logradou- ros ou via pública, limitando-se a sua distribuição aos estabeleci- mentos da empresa autorizada e, evidentemente, em seu centro de distribuição de vendas. Vale-brinde Vale-brinde é o sistema de premiação instantânea, como, por exemplo, os relacionados a promoções do tipo “achou, ganhou!”. É, também, um dos tópicos abordados com maior número de ope- 181© U5 - Ética e Legislação na Comunicação de Marketing Claretiano - Centro Universitário rações assemelhadas. Todavia, existem restrições constantes da legislação vigente quanto a esse tipo de promoção, o que diz res- peito aos valores máximos dos prêmios que, distribuídos por meio desse processo, não podem ter um valor de mercado individual superior a R$400,00 (quatrocentos reais). O que se exige é que o número de vales-brindes seja o mes- mo dos produtos que estão distribuídos como prêmios. O vale- brinde deve ser colocado pelas empresas no interior dos seus pro- dutos ou dentro de sua embalagem. Todo cuidado é essencial para atender às normas impostas pelos órgãos de saúde pública e de controle de pesos e medidas. É importante nos atentarmos, também, para a seguinte situ- ação que pode vir a acontecer no decorrer desse processo: quan- do é impraticável a distribuição desses brindes, deve haver uma divulgação contendo os dizeres ou símbolos identificadores do vale-brinde, pelo qual será trocado nos estabelecimentos. Além disso, deve haver a identificação da localização onde será retirado o vale-brinde. Concurso Concurso é o tipo de modalidade que premia os participan- tes em função do desempenho pessoal. Vale destacar que compe- tições de qualquer natureza são autorizadas a partir do julgamen- to dessa modalidade. Segundo Pinheiro e Gullo (2008), o concurso é uma promo- ção muito utilizada, visto que é a que proporciona mais margem a várias interpretações. Todavia, muitas empresas são induzidas a não realizar excelentes concursos de vendas por imaginarem que eles sejam proibidos ou que precisem de uma autorização legal. Portanto, é preciso esclarecer os diversos significados dessa modalidade. O concurso de que trata a legislação, com distribuição gratuita de prêmios, é o que necessariamente envolve: © Gestão Mercadológica II182 • Previsões de resultados. • Cálculos. • Competição de qualquer natureza. Quem trabalha com esse tipo de modalidade sabe que há um amplo entendimento. Hoje, infelizmente, são aceitas apenas as respostas citando: qual é a marca do produto que promove a promoção, qual o nome da promoção, ou meramente escrevendo uma frase criativa em função do produto. Porém, há uma maior flexibilidade de uso desse mecanismo. A mecânica de concurso está virtualmente casada com esquemas que exigem: a apresentação ou a entrega de rótulos, de embala- gens e de quaisquer elementos promocionais relativos aos produ- tos ou ao ramo comercial da empresa autorizada. Órgãos reguladores O órgão atualmente responsável pela análise das mecânicas promocionais e expedição do competente certificado de autoriza- ção é a Caixa Econômica Federal, por meio de seu departamento de gerência nacional de bingos e promoções comerciais. Já o órgão responsável pela emissão de certificados de autorização é o Minis- tério da Fazenda (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, 2010). As mecânicas promocionais que as empresas hoje costumam realizar com urnas são caracterizadas como "assemelhadas a con- curso", sendo necessário, para tanto, que, no cupom promocional, a empresa faça a pergunta básica da promoção, de maneira que todos os cupons com as respostas corretas irão para uma urna, sendo apurados quantos forem necessários, de acordo com o nú- mero de prêmios prometidos. Muitas empresas divulgam essa mecânica promocional como sorteio, mas, na realidade, ela é caracterizada como um “asseme- lhado concurso”. 183© U5 - Ética e Legislação na Comunicação de Marketing Claretiano - Centro Universitário Apuração do concurso A apuração do concurso pode ser feita invariavelmente, ou seja, tanto na própria empresa autorizada que realizará o concur- so, como em espaços físicos, auditórios, rádios ou TV. Assim, no momento da apuração, os consumidores deverão ter acesso livre ao local. Os órgãos competentes geralmente podem autorizar outros locais para a apuração dos resultados, como, por exemplo, a sede da agência de promoção ou propaganda, desde que, a seu ver, o processo de apuração resguarde o interesse dos concorrentes e assegure o integral cumprimento das disposições legais e regula- mentares. Exigências da legislação Para que tenhamos uma ideia da complexibilidade da le- gislação promocional, apresentaremos os seguintes documentos exigidos para a instrução do pedido de autorização por parte do anunciante e da empresa promotora e não da agência de comu- nicação: • cópia autenticada do contrato social da empresa e de sua última alteração (se houver); • declaração da receita operacional bruta da empresa, relativa a tan- tos meses anteriores ao mês do protocolo;• cópia do processo assinada pelo representante legal e contador da empresa; • modelo do vale-brinde ou cupom de participação, de acordo com a natureza da promoção; • modelo de recibo de entrega dos prêmios aos contemplados; • certidões negativas de débitos para com as fazendas federal, esta- dual, municipal, bem como para a previdência social (INSS) e dívida ativa da União; • plano de operação da promoção, indicando os dados de identifi- cação da empresa promotora e demais informações pertinentes à ação promocional; © Gestão Mercadológica II184 • procuração em nome da pessoa que irá acompanhar o processo de requerimento junto ao órgão competente (PINHEIRO; GULLO, 2008, p. 164). Outra informação importante é que o valor dos prêmios não poderá ultrapassar, em cada mês de promoção, 5% da média men- sal da receita promocional bruta relativa a tantos meses imediata- mente anteriores ao pedido da autorização, independentemente de quantos sejam os do plano de operação, desde que não supe- rior a 500 vezes o maior salário mínimo vigente no país. Contudo, essa última especificação legal não está sendo exigida pelos ór- gãos competentes. A lei exige um prazo na entrega dos prêmios de, no máximo, trinta dias, contados a partir da data do sorteio ou da apuração do resultado. No caso de vale-brinde, a entrega do prêmio é realizada no ato de sua apresentação. Se os prêmios não forem reclamados em 180 dias da data do sorteio, da apuração ou do término da pro- moção, caducará o direito do ganhador, e o valor correspondente será recolhido ao Tesouro da União no prazo de dez dias. A lei prevê, ainda, algumas restrições à realização de pro- moção para alguns tipos de produtos, tais como: medicamentos, armas e munições, explosivos, fogos de artifício, bebidas alcoólicas e fumo. Além disso, prevê algumas restrições para outros planos operacionais de promoções que: • Incentivem ou estimulem o jogo de azar. • Gerem fonte de receita. • Propiciem exagerada expectativa de obtenção de prê- mios. • Distribuam prêmios com base na organização de séries ou coleções de qualquer espécie, tais como: símbolos, gra- vuras, cromos, figurinhas, objetos, rótulos, embalagens, envoltórios etc. 185© U5 - Ética e Legislação na Comunicação de Marketing Claretiano - Centro Universitário • Impliquem emissão de cupons sorteáveis, que sejam im- pressos em formatos e com dizeres e cores que emitem os símbolos nacionais e cédulas do papel moeda ou moe- da metálica nacional. • Importem em fator deseducativo da infância e da ado- lescência. Em contrapartida, a legislação permite a distribuição dos se- guintes prêmios: • Mercadorias de produção nacional ou regularmente im- portadas. • Títulos de dívida pública e outros títulos que forem admi- tidos pelo Ministério da Fazenda. • Unidades residenciais, situadas no país em zona urbana. • Viagens de turismo, dentro e fora do país. • Bolsas de estudo. Os concursos a título cultural, artístico, desportivo e recre- ativo não precisam de autorização, desde que não haja qualquer tipo de sorteio ou pagamento pelos concorrentes nem veiculação à aquisição de qualquer bem, direito ou serviço. De acordo com Pinheiro e Gullo (2008), ações de marketing de incentivo à distribuição gratuita de prêmios a funcionários e representantes comerciais da pessoa jurídica, bem como àquelas referentes a título de incentivo à produtividade independem de autorização prévia quando realizadas sem sorteio, vales-brindes, concurso ou operações assemelhadas. Dessa forma, campanhas que envolvam obtenção de cotas, classificação por obtenção de melhor colocação nas vendas, su- peração de previsões, obtenção de maior índice percentual com- parativamente a outras empresas ou colegas ou comparado-se à própria atuação nos meses anteriores não se caracterizam como uma das três mecânicas legais, não precisando, portanto, de au- torização. © Gestão Mercadológica II186 As empresas que realizam promoções sem a devida autori- zação, conforme prevê a lei, ficarão sujeitas às penalidades decor- rentes das relações de consumo previstas no Código de Defesa do Consumidor, sem prejuízos do disposto no Código Penal e outras legislações. São elas: • multa de até 100% da soma dos valores dos bens prome- tidos como prêmio; • proibição de realizar operações com distribuição de prê- mios durante o período de dois anos; • cassação da autorização, caso esta já tenha sido concedi- da e a empresa promotora desvirtue a finalidade da pro- posta. Nesse caso, ainda poderá perder os prêmios que não foram distribuídos. Ainda no encerramento de uma promoção, temos de efetuar o acerto de contas, que prevê o envio, ao órgão competente, de uma série de documentos, entre eles o comprovante de pagamen- to de impostos de renda, no valor de 20% sobre o valor de merca- do dos prêmios distribuídos a título de vales-brindes. O importante para o planejamento da promoção é o paga- mento dos prêmios que não foram entregues. Portanto, faz-se necessária a criação de uma reserva para esse pagamento. Caso algum prêmio prometido não seja entregue, por qualquer que seja o motivo, a empresa deverá recolher o valor integral ao Tesouro Nacional como renda da união. O não encerramento da promoção pode acarretar à empresa promotora processo administrativo, bem como a proibição de rea- lização de novas promoções. Observações gerais e importantes O imposto de renda, que, atualmente, é de 20% do valor do mercado dos prêmios distribuídos, deverá ser recolhido por meio de guia DARF no terceiro dia da semana seguinte a cada sorteio ou 187© U5 - Ética e Legislação na Comunicação de Marketing Claretiano - Centro Universitário apuração, calculado pelo valor de mercado dos prêmios distribuí- dos no sorteio ou apurações correspondentes. Esse imposto de renda não incide sobre prêmios distribuídos por meio de vales-brindes. Caso a promoção objeto de registro se estenda a outra pes- soa jurídica, que tenha objetivo social restrito ao comércio, à in- dústria, ou à compra e venda de bens imóveis por conta própria, deverão ser anexados à respectiva solicitação os seguintes docu- mentos: cópias autenticadas de certidões negativas de débitos, junto às Receitas Federal, Estadual, Municipal e Previdência Social (INSS) e dívida ativa da União a favor desta, bem como de quan- tas outras empresas participarem da promoção acompanhadas de termo de solidariedade ou termo de adesão, assinado pelo res- pectivo representante legal juntamente com a cópia autenticada competente de procuração a favor desse representante. Em se tratando de solicitações coletivas, a exemplo daquelas realizadas por associações comerciais, clubes de diretores e lojis- tas, associações de lojistas de shopping ou de empresas incorpo- radoras, deverão ser anexadas à solicitação correspondente: uma relação das lojas credenciadas para o evento, discriminadas por razão social e respectivo CNPJ, certidões negativas de débitos fe- derais, estaduais, municipais e INSS e a dívida ativa delas, além de uma declaração a ser firmada pelo responsável legal da reque- rente que está solicitando a participação para o evento. A pessoa jurídica e a prestadora de serviço responderão solidariamente pe- las obrigações de qualquer espécie decorrentes da realização do evento, por eventuais infrações cometidas, e, ainda, pela entrega dos prêmios prometidos a quem de direito, pelo reconhecimen- to tempestivo do IR, que é a fonte incidente sobre tais prêmios; além disso, manterão à disposição da fiscalização do órgão público competente todos os documentos relativos ao evento, pelo prazo estabelecido na legislação da regência. © Gestão Mercadológica II188 9. TEXTOS COMPLEMENTARES Para concluirmos o estudo desta unidade, apresentaremos, a seguir, um texto sobre a publicidade infantil, o qual aborda seus limites e suas éticas nas práticas em que são envolvidas questões de família, escola e instituições ligadas ao consumo infantil, e, em seguida,alguns casos com o objetivo de complementar os assun- tos abordados nesta unidade. Vamos à leitura? A publicidade infantil precisa de limites? Questões éticas e práticas que envolvem desde a escola e a família até entidades voltadas ao consumo e ao Congresso Nacional –– Nos intervalos, a cena se repete: “mãe, compra?”. Adriana explica ao filho Nico- las, de 4 anos, que não pode comprar tudo o que o pequeno vê na propaganda do desenho. Certa vez, ele pediu uma moto elétrica. A mãe tornou a usar o argu- mento da falta de dinheiro. “Eu tenho”, respondeu o menino, pensando nos R$ 2 que Adriana lhe deu em duas ocasiões. “Não concordo com o excesso de propaganda e sem nenhuma conotação cultu- ral. Incentivo o hábito da leitura na minha filha (Stephanie, de 7 anos) e nunca vi um comercial de livro. São só anúncios de brinquedos e brinquedos caros”, diz Adriana Martins, de 47 anos, diretora de uma entidade alemã no Brasil. O marido dela, o alemão Jürgen Pröhl, de 53 anos, acha um absurdo tanto apelo publicitário.“O Jürgen chama isso de Markenterror (numa tradução livre do ale- mão, ‘terror do mercado’). Segundo ele, as marcas estão doutrinando as crianças a escolher seu produto. Com isso, elas ficam pedindo, às vezes aterrorizando os pais para comprar. E, quando não recebem, ficam frustradas e bravas”. Pensando em proteger a meninada dos efeitos que o consumismo pode ter, o Instituto Alana, criado em 1994, e outras centenas de entidades querem mais do que a diminuição de anúncios para crianças: lançaram, em 9 de dezembro, um manifesto pedindo “o fim das mensagens publicitárias dirigidas ao público infan- til” – o texto está disponível em . “A ideia não é que a criança seja excluída do processo de consumo, mas que seja orientada pelos pais, que aprenda a gastar o dinheiro”, diz Isabella Henriques, coordenado- ra geral do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana. Segundo o manifesto, a propaganda de produtos e serviços para menores de 12 anos deveria ser vol- tada para os adultos. “O mercado (publicitário) tem tornado suas práticas muito mais agressivas. Em qualquer setor, tem criança no meio, mesmo que o produto não seja para ela”, afirma Carlos Thadeu de Oliveira, gerente de Informação do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), uma das entidades que endossam o abaixo- assinado. “O manifesto é uma reação a essa intensificação do alvo criança. É um pouco mais forte em comparação ao que vínhamos tentando até o momento, mas essa 189© U5 - Ética e Legislação na Comunicação de Marketing Claretiano - Centro Universitário questão tem de ser recolocada em discussão na sociedade. É preciso ver que existe um problema: a criança é bombardeada pela publicidade”. De acordo com a coordenadora geral do Projeto Criança e Consumo, a ideia é recolher o máximo de assinaturas e levar o abaixo-assinado ao Poder Públi- co, tanto Legislativo quanto Executivo. “A gente apoia o projeto de lei que está no Congresso (PL 5.921/2001). Esse manifesto se originou de outro texto que apresentamos na Câmara”, explica Isabella. “Queremos mostrar o que vemos diariamente no nosso trabalho: que a sociedade é a favor da mudança”, diz a advogada, autora do livro Publicidade abusiva dirigida à criança. No Brasil, o Conselho Nacional de Autorregulamentarão Publicitária (CONAR) é a instituição que avalia os anúncios veiculados, de acordo com o que estabelece seu código. Segundo sua assessoria de imprensa, a entidade atualmente não concede entrevistas sobre publicidade infantil por entender que já participou am- plamente dessa discussão. Em 2006, o CONAR adotou novas normas éticas para a publicidade desse seg- mento, descritas na seção 11 do capítulo II de seu código. Os anúncios não po- dem usar verbos no imperativo, tampouco ter crianças e adolescentes sugerindo a compra de forma direta. A visão dos europeus A propaganda não deve se aproveitar da credulidade da criança, tampouco inci- tá-la a consumir ou estimulá-la a constranger outras pessoas a comprar os pro- dutos anunciados. Orientações como essas são consenso em diversos países. Mas, em alguns deles, há regras ainda mais rígidas. Uma prática comum entre os europeus é proibir a interrupção de um programa infantil por propaganda. Existem países onde não é permitida a veiculação de pu- blicidade durante um período anterior ou posterior à programação, por exemplo, nos cinco minutos que antecedem ou se seguem ao programa infantil. A advogada Isabella Henriques destaca que a tendência é de que essas normas fiquem ainda mais rígidas. “A Europa está estudando aplicar as regras da Norue- ga para toda a comunidade europeia”, explica. Na Noruega, não são permitidos anúncios de produtos e serviços para crianças de até 12 anos. Por aqui, o tema vem sendo debatido nos últimos anos tanto pelo mercado quanto por organi- zações não governamentais (ONGs). Em novembro, na cidade de São Paulo, ocorreu a 1ª Conferência Internacional de Marketing Infantil e, em março, será realizado o 3º Fórum Internacional Criança e Consumo. A conferência reuniu especialistas para debater o setor. “A criança tem de ter acesso a uma bagagem de informação. Senão, a gente tira toda a propaganda e, aos 12 anos, lança tudo?”, questiona a presidente da Carpe Diem Eventos, organizadora do evento, Simone Manara. “Toda publicidade para criança tem de ser educativa e recreativa, por exemplo, falando de reciclagem e de cultura”. Carlotta Cristine Vilches Aloisi, de 34 anos: “Acho pior a influência que meus filhos recebem convivendo com os colegas na escola, especialmente na idade do mais velho”, conta a dona de casa, mãe de Thalita, de 8 anos, e Enzo, de 11. “Ele só pede tênis caro, roupa de marca. A saída é negociar. Cabe aos pais dar limite. Não dou presente fora de época, só no aniversário, no Dia das Crianças e no Natal”. Para a professora Maria Carneiro da PUC-SP, o apelo à marca existe em todas as classes sociais, pois significa status também para elas. “Em geral, as crianças © Gestão Mercadológica II190 hoje estão ficando adultas mais cedo, mas até 10 ou 12 anos ainda não têm discernimento para decisões”. A professora explica que, se os pais têm proximidade com os menores, podem comentar a programação de TV, ressaltando o que é positivo ou não, até nos anúncios.“Mas hoje os pais ficam pouco tempo com os filhos. A intensidade do trabalho é maior. Por conta de não estarem presentes, ou tão presentes, os pais acabam comprando uma série de coisas para suprir essa ausência”, afirma. “Poderíamos diminuir a propaganda infantil. Os pais também poderiam ter cons- ciência de que precisam dizer ‘não’”. Ana Paula Rodrigues Silveira da Rocha, de 28 anos, que enfrenta os efeitos da propaganda infantil na proporção três contra um (Mariana, 11, João Matheus, 9, e Luana, 6) adotou alguns métodos para equilibrar a renda familiar e os desejos de seus pequenos. “Para preparar as lancheiras, diariamente, criei uma espécie de minimercado em casa. As crianças têm direito a escolher uma fruta, um lanchi- nho salgado e outro que atenda suas vontades, como os chocolates e biscoitos doces. Assim, gasto menos e mantenho uma alimentação mais saudável”, conta a mãe que definitivamente não tem medo de falar não. PL 5.921/2001 Criança x Publicidade O PL 5.921/2001, de autoria do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), proíbe a publicidade para a venda de produtos infantis. Nesses oito anos, a redação origi- nal recebeu substitutivos na Comissão de Defesa do Consumidor (vetando, além da propaganda, a comunicação mercadológica para menores de 12 anos) e na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio (acrescentando um parágrafo sobre “valores éticos e sociais”). O projeto de lei está na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, onde foi recebido em 15 de outubro de 2009. Antes de ser votado, será apreciado ainda pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. Fonte: CONSELHO REGIONALDE ADMINISTRAÇÃO DE SÃO PAULO. Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2010. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Ao analisarmos a leitura do texto, podemos observar que as crianças de hoje são cada vez mais influenciadas pelo consumo de produtos infantis. O acesso à mídia é frequente e não temos como “vetá-lo”. Existem até programas educativos em que há o apelo de consumo, e isso é cada vez mais frequente na mídia. Nesse caso, o que os pais devem fazer para amenizar a situação é ensinar as crianças que não se excluam desse processo de consumo, pois elas podem aprender o valor de cada produto, sabendo em que podem gastar. 191© U5 - Ética e Legislação na Comunicação de Marketing Claretiano - Centro Universitário Todavia, esse é um processo que exigirá dos pais muita pa- ciência, além de entendimento por parte das crianças – mas nada que seja impossível de se resolver. Em alguns países, o apelo às campanhas de publicidade in- fantil vem sendo monitorado e até mesmo vetado. Para crianças de até 12 anos, existe certo cuidado em não divulgar campanhas que estimulam a compra de determinados produtos. Já no Brasil, não há um Conselho para que isso seja anali- sado. Estudos garantem que há essa preocupação, porém, não passam de estudos e observações sobre o caso, o que realmente nos leva a acreditar que toda a educação e orientação que os pais possam dar aos seus filhos é fundamental para que eles entendam o processo de compra de um determinado produto. Por fim, para concluirmos esta unidade, conforme mencio- namos anteriormente, apresentaremos, a seguir, alguns casos que complementarão os assuntos que foram aqui abordados. Casos CONAR ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– SKOL – ABRAÇO Representação nº 277-05 Autor: CONAR, a partir de queixa do consumidor Representação nº 290-05 Autor: Primo Schincariol Anunciante e agência: AmBev e F/Nasca Voto vencedor: Paulo Henrique Montenegro Segunda Câmera Decisão: Sustentação Fundamentos: Artigos 1º, 3º, 6º, 19, 20, 22, 50 letra “c” do Código e seu Anexo “p”. Consumidores de vários estados brasileiros e Primo Schincariol questionam co- mercial para TV Skol que mostra pessoas se cumprimentando com apertos nas nádegas, exceto por uma jovem que não corresponde aos padrões de beleza mostrados nas outras cenas da peça. De acordo com a denúncia, no filme ocorre apelo inadequado à sensualidade e ao erotismo, além de a mensagem promover conduta socialmente reprovável, tornando-se fortemente deseducativa. A peça também é acusada de mostrar discriminação contra a moça fora dos padrões de beleza. Houve concessão de liminar sustando a veiculação. © Gestão Mercadológica II192 Para a defesa, o comercial é apenas bem-humorado, caricato e fantasioso, e o gestual apresentado mostra apenas que os consumidores da Skol são pessoas divertidas a ponto de inventarem uma nova forma mais descontraída de cumpri- mento. Sobre a discriminação, esclarece que se trata de uma sátira, sem qual- quer intenção de exposição ao ridículo. Os membros da segunda Câmara do Conselho de Ética discordam dos argu- mentos da defesa e, por maioria dos votos, decidiram pela sustação definitiva da veiculação do comercial. TODDY – ENERGIA NÃO TEM GOSTO COISA NENHUMA Representação nº 169-05, em recurso ordinário Autora: Nestlé Anunciante e agência: Quaker e Almap/BBDO Relatores: Arthur Amorim e Carlos Chiesa Câmara especial de recursos Decisão: Alteração Fundamento: Art. 32, “caput”, letra “f”, e 50, letra “b” do Código. O uso da frase “energia não tem gosto coisa nenhuma” em um filme para TV do Toddy, da Quaker, gerou protestos da Nestlé, alegando que a expressão é ofensi- va para a imagem do seu produto Nescau, cujo slogan é: “energia que dá gosto”. Houve concessão de liminar suspendendo a exibição do anúncio. Anunciante e agência defenderam-se alegando que o comercial apenas é bem- humorado, sem intenção de fazer comparações ou denegrir o concorrente. Acrescentam ainda que a peça é dirigida para o público jovem, o que significa o uso da linguagem descontraída. Em seu parecer, o relator considerou que é óbvia na frase em questão a referên- cia ao slogan do Nescau, adotado pela marca desde a década de 70, deixando implícito na mensagem que o concorrente não teria gosto. Por unanimidade, a Câmara Especial de Recursos manteve a resolução de primeira instância, deli- berando pela alteração da peça. LISTERINE CITRUS – MÁQUINA DE LAVAR Representação nº 201-05 Autor: Conar, a partir da queixa de consumidor Anunciante e agência: Pfizer e J. Walter Thompson Voto vencedor: José Francisco Queiróz Sexta Câmara Decisão: Advertência Fundamento: Artigos 1º, 3º, 6º, 33, 37 e 50, letra “a” do Código. Comercial de TV do Listerine que mostra um jovem mergulhando em uma máqui- na de lavar ligada gerou queixas de consumidores de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, alegando que a peça é exemplo de comportamento perigoso, podendo influenciar negativamente crianças a adotarem a prática. Anunciante e agência afirmaram que a cena não passa de humor, focando-se no estilo “pastelão”, e que fica claro que a situação apresentada é absurda. 193© U5 - Ética e Legislação na Comunicação de Marketing Claretiano - Centro Universitário Por maioria dos votos, a Sexta Câmara entendeu que a cena é propositadamente exagerada e inverossímil, acordando pela advertência aos responsáveis para que suas próximas publicidades evitem exemplos de comportamentos perigo- sos. TAK 500. VOCÊ VAI PERDER PESO E GANHAR SAÚDE Representação nº 254-05 Autor: CONAR, a partir de queixa de consumidor Anunciante: Línea Nutrição Ciência Relator: Flávio Vormittag Sexta Câmara Decisão: Sustação Fundamento: Artigos 1º, 3º, 23 e 27 e 50 letra “c” do Código e seu Anexo “H”. Com base em queixa de consumidor capixaba, o Diretor Executivo do CONAR pediu parecer do Conselho de Ética sobre propaganda de TV do produto TAK 500, que promete emagrecimento mesmo sem dieta alimentar. A afirmação tam- bém contraria a orientação da ANVISA, de acordo com a qual produto registrado como alimento para fins especiais não podem apregoar, por si só, o emagreci- mento. Houve concessão de liminar sustando a veiculação da peça. A defesa esclareceu que já estava veiculando novo comercial, com todas as exigências legais incluídas. Ao recomendar a sustação definitiva da peça, voto aceito por unanimidade, o relator considerou que as irregularidades do anúncio são óbvias, com promessas falsas e miraculosas de emagrecimento. Fonte: BOLETIM CONAR. Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2010. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 10. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS Conforme já ressaltamos nas unidades anteriores, a autoa- valiação pode ser uma ferramenta importante para você testar seu desempenho. Portanto, responda as últimas questões propostas e se ainda houver dúvidas, retome a leitura da unidade para saná- -las. 1) Fundamentado nas informações referentes ao CONAR, realize uma pesquisa na internet sobre alguns casos de empresas que infringiram normas e regras do consumi- dor. 2) Qual a importância da legislação promocional? 3) Cite alguns exemplos de publicidade abusiva. © Gestão Mercadológica II194 4) Defina as práticas comuns ilícitas e compare-as com as práticas comuns lícitas. Apresente alguns exemplos. 5) Quais foram os pontos fundamentais apresentados nes- ta unidade? 6) Quais foram os pontos mais importantes para se criar uma campanha de legislação promocional, na qual o foco é o vale-brinde? 7) Defina o mecanismo de sorteio. 8) Qual a importância das exigências da legislação para uma campanha ser efetiva? 11. E-REFERÊNCIA Site pesquisado CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. Promoções Comerciais. Disponível em: . Acesso em: 16 jun. 2010. 12. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA PINHEIRO, D.; GULLO,J. Comunicação integrada de marketing: gestão dos elementos de comunicação. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008.Claretiano - Centro Universitário 3) Consumidor: é o que tem acesso a várias opções de es- colha de qualquer produto. É toda e qualquer pessoa que visita ou somente procura a empresa com algum in- teresse em adquirir produtos ou serviços no momento presente ou futuro. 4) Consumo: o consumo está no setor da Ciência Econô- mica que se ocupa da aquisição de bens que podem ser de consumo, de capital e de serviços. Por definição, é a utilização, aplicação, uso ou gasto de um bem ou serviço por um indivíduo ou uma empresa. Constitui-se na fase final do processo produtivo, precedido pelas etapas de fabricação, armazenagem, embalagem, distribuição e comercialização. 5) Dissonância cognitiva: dúvidas, após a decisão, de ter escolhido ou não a alternativa correta (CHURCHILL; PE- TER, 2003). 6) Distribuição: a palavra “distribuição” está associada, também, a entrega de cargas fracionadas. Nesse tipo de entrega, o produto/material é entregue em mais de um destinatário, aproveitando a viagem e os custos en- volvidos. As entregas, nesse caso, devem ser muito bem planejadas, pois uma entrega unitizada tem um menor custo total e menor lead time. Já as entregas fracionadas devem ser utilizadas somente quando não for possível a entrega direta com o veículo completamente ocupado. O marketing vê que a distribuição é um dos processos mais críticos, pois problemas como o atraso na entrega são refletidos diretamente no cliente. A partir do mo- mento que o produto é vendido, a distribuição torna-se uma atividade de emergência, além de ser capaz de tra- zer benefícios e problemas resultantes de sua atuação. 7) Emissor: em teoria da informação, o emissor é um dos protagonistas do ato da comunicação. Ele, em dado momento, emite uma mensagem para um receptor ou destinatário. O emissor, normalmente, antes de enviar ou até mesmo produzir a mensagem, procura descobrir qual o nível de conhecimento do receptor, o seu nível cultural, a sua instrução, em outras palavras, descobrir o repertório dos receptores da mensagem. © Gestão Mercadológica II20 8) Estudo da mercadologia: “marketing” tem muitas de- finições técnicas e até tentativas de tradução para o português, tais como “mercadologia”, segundo Richers (1986), ou “mercancia”, segundo Gracioso (1971). A se- guir, apresentamos algumas definições mais significati- vas. Idiomaticamente, no uso diário, significa: “comer- cialização”, mas, também, “realização”. Engloba todo o conjunto de atividades de planejamento, concepção e concretização, que visam à satisfação das necessidades dos clientes, presentes e futuras, por meio de produtos/ serviços existentes ou novos. O marketing identifica a necessidade e cria a oportunidade. 9) Estratégia: é a definição de como os recursos serão alo- cados para se atingir determinado objetivo. Utilizada originalmente na área militar, essa palavra, hoje em dia, é bastante aplicada na área de negócios. 10) Exibitécnica: técnica de expor os produtos e todo o ma- terial de apoio. 11) Franquia: também conhecida como franchising comer- cial, é o sistema pelo qual o franqueador cede ao fran- queado o direito de uso da marca ou patente, associado ao direito de distribuição exclusiva ou semiexclusiva de produtos ou serviços. Eventualmente, o franqueador também cede ao franqueado o direito de uso de tec- nologia de implantação e administração de negócio ou sistemas desenvolvidos ou detidos pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indireta, sem ficar ca- racterizado vínculo empregatício. 12) Logística: pela definição do Council of Supply Chain Ma- nagement Professionals, “Logística é a parte do Geren- ciamento da Cadeia de Abastecimento que planeja, im- plementa e controla o fluxo e armazenamento eficiente e econômico de matérias-primas, materiais semiacaba- dos e produtos acabados, bem como as informações a eles relativas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender às exigências dos clientes” (URDAN, 2006, p. 31). 13) Mensagem: a mensagem é, no sentido geral, o objeto da comunicação. Dependendo do contexto, o termo pode 21© Caderno de Referência de Conteúdo Claretiano - Centro Universitário se aplicar tanto ao conteúdo da informação quanto à sua forma de apresentação. 14) Poder de compra: é o nível de capacidade financeira que um consumidor ou mercado (e outros) tem para um bem ou serviço, isto é, o quanto ele pode pagar. Quan- do relacionado a um consumidor, geralmente é baseado em quanto ele ganha ou tem guardado, quantia essa que tem a potencialidade de ser gasta em algum momento. 15) Propaganda: é um modo específico de se apresentar uma informação, com o objetivo de servir a uma agenda. Mesmo que a mensagem traga informação verdadeira, é possível que esta seja partidária, não apresentando um quadro completo e balanceado do objeto em questão. Seu uso primário advém de contexto político, referindo- se, geralmente, aos esforços patrocinados por governos e partidos políticos. Uma manipulação semelhante de informações é bem conhecida: a publicidade; porém, normalmente não é chamada de propaganda, ao menos no sentido mencionado anteriormente. 16) Público-alvo: grupo de pessoas ou organizações para o qual é definida e implementada uma estratégia de ma- rketing visando atender às necessidades e aos desejos do segmento focado, potencializar as competências da empresa e estabelecer trocas mutuamente satisfató- rias. 17) Receptor: é um dos protagonistas do ato da comunica- ção. É aquele a quem se dirige a mensagem, quem re- cebe a informação e a decodifica, isto é, transforma os impulsos físicos (sinais) em mensagem recuperada. A informação que faz então retornar à fonte-emissora re- cebe o nome de retroalimentação ou realimentação. 18) Segmentação de mercado: processo de identificação, dentro de um mercado de subgrupos de clientes, cujos desejos, necessidades e recursos são específicos, de tal modo que os fazem responder de forma diferente a de- terminado composto de marketing. © Gestão Mercadológica II22 19) Serviço: é toda atividade que tem o intuito de agregar valor ao que é oferecido para o cliente, podendo estar associado a um determinado produto ou não. Esquema dos Conceitos-chave Para que você tenha uma visão geral dos conceitos mais importantes deste estudo, apresentamos, a seguir (Figura 1), um Esquema dos Conceitos-chave. O mais aconselhável é que você mesmo faça o seu esquema de conceitos-chave ou até mesmo o seu mapa mental. Esse exercício é uma forma de você construir o seu conhecimento, ressignificando as informações a partir de suas próprias percepções. É importante ressaltar que o propósito desse Esquema dos Conceitos-chave é representar, de maneira gráfica, as relações en- tre os conceitos por meio de palavras-chave, partindo dos mais complexos para os mais simples. Esse recurso pode auxiliar você na ordenação e na sequenciação hierarquizada dos conteúdos de ensino. Com base na teoria de aprendizagem significativa, entende- se que, por meio da organização das ideias e dos princípios em esquemas e mapas mentais, o indivíduo pode construir o seu co- nhecimento de maneira mais produtiva e obter, assim, ganhos pe- dagógicos significativos no seu processo de ensino e aprendiza- gem. Aplicado a diversas áreas do ensino e da aprendizagem es- colar (tais como planejamentos de currículo, sistemas e pesquisas em Educação), o Esquema dos Conceitos-chave baseia-se, ainda, na ideia fundamental da Psicologia Cognitiva de Ausubel, que es- tabelece que a aprendizagem ocorre pela assimilação de novos conceitos e de proposições na estrutura cognitiva do aluno. Assim, novas ideias e informações são aprendidas, uma vez que existem pontos de ancoragem. 23© Caderno de Referência de Conteúdo Claretiano - Centro Universitário Tem-se de destacar que “aprendizagem” não significa, ape- nas, realizar acréscimos na estrutura cognitiva do aluno; é preci- so, sobretudo, estabelecer modificações para que elase configure como uma aprendizagem significativa. Para isso, é importante con- siderar as entradas de conhecimento e organizar bem os materiais de aprendizagem. Além disso, as novas ideias e os novos concei- tos devem ser potencialmente significativos para o aluno, uma vez que, ao fixar esses conceitos nas suas já existentes estruturas cog- nitivas, outros serão também relembrados. Nessa perspectiva, partindo-se do pressuposto de que é você o principal agente da construção do próprio conhecimento, por meio de sua predisposição afetiva e de suas motivações internas e externas, o Esquema dos Conceitos-chave tem por objetivo tor- nar significativa a sua aprendizagem, transformando o seu conhe- cimento sistematizado em conteúdo curricular, ou seja, estabele- cendo uma relação entre aquilo que você acabou de conhecer com o que já fazia parte do seu conhecimento de mundo (adaptado do site disponível em: . Acesso em: 11 mar. 2010). Como você poderá observar, esse Esquema dará a você, como dissemos anteriormente, uma visão geral dos conceitos mais importantes deste estudo. Ao segui-lo, você poderá transitar entre um e outro conceito e descobrir o caminho para construir o seu processo de ensino e aprendizagem. Por exemplo, o propósito do marketing é satisfazer as necessidades e os desejos dos consu- midores por meio da produção, da entrega e do estímulo ao con- sumo de produtos e/ou serviços. Portanto, conhecer o perfil das pessoas, suas necessidades, seus desejos e seus hábitos de com- pra é fundamental para uma eficaz administração do mercado. © Gestão Mercadológica II24 Figura 1 – Esquema dos conceitos-chave do Caderno de Referência de Conteúdo Gestão Mercadológica II. O Esquema dos Conceitos-chave é mais um dos recursos de aprendizagem que vem se somar àqueles disponíveis no ambiente virtual, por meio de suas ferramentas interativas, bem como àqueles relacionados às atividades didático-pedagógicas realizadas presen- cialmente no polo. Lembre-se de que você, aluno EAD, deve valer-se 25© Caderno de Referência de Conteúdo Claretiano - Centro Universitário da sua autonomia na construção de seu próprio conhecimento. Questões Autoavaliativas No final de cada unidade, você encontrará algumas questões autoavaliativas sobre os conteúdos ali tratados, as quais podem ser de múltipla escolha ou abertas com respostas objetivas ou dis- sertativas. Vale ressaltar que se entendem as respostas objetivas como as que se referem aos conteúdos matemáticos ou àqueles que exigem uma resposta determinada, inalterada. Responder, discutir e comentar essas questões, bem como relacioná-las com a prática do ensino de Graduação pode ser uma forma de você avaliar o seu conhecimento. Assim, mediante a re- solução de questões pertinentes ao assunto tratado, você estará se preparando para a avaliação final, que será dissertativa. Além disso, essa é uma maneira privilegiada de você testar seus conhe- cimentos e adquirir uma formação sólida para a sua prática profis- sional. Bibliografia Básica É fundamental que você use a bibliografia básica em seus estudos, mas não se prenda só a ela. Consulte, também, as biblio- grafias complementares. Fique atento à leitura dos textos e cases disponibilizados, cuja reprodução foi gentilmente autorizada pelo Sebrae. Figuras (ilustrações, quadros...) Neste material instrucional, as ilustrações fazem parte inte- grante dos conteúdos, ou seja, elas não são meramente ilustra- tivas, pois esquematizam e resumem conteúdos explicitados no texto. Não deixe de observar a relação dessas figuras com os con- teúdos, pois relacionar aquilo que está no campo visual com o con- ceitual faz parte de uma boa formação intelectual. © Gestão Mercadológica II26 Dicas (motivacionais) Este estudo convida você a olhar, de forma mais apurada, a Educação como processo de emancipação do ser humano. É importante que você se atente às explicações teóricas, práticas e científicas que estão presentes nos meios de comunicação, bem como partilhe suas descobertas com seus colegas, pois, ao com- partilhar com outras pessoas aquilo que você observa, permite-se descobrir algo que ainda não se conhece, aprendendo a ver e a notar o que não havia sido percebido antes. Observar é, portanto, uma capacidade que nos impele à maturidade. Você, como aluno do curso de Administração na modalidade EAD e futuro administrador de empresa e também, possível pro- fissional da educação, necessita de uma formação conceitual só- lida e consistente. Para isso, você contará com a ajuda do tutor a distância, do tutor presencial e, sobretudo, da interação com seus colegas. Sugerimos, pois, que organize bem o seu tempo e realize as atividades nas datas estipuladas. É importante, ainda, que você anote as suas reflexões em seu caderno ou no Bloco de Anotações (SGA-SAV), pois, no futuro, elas poderão ser utilizadas na elaboração de sua monografia ou de produções científicas. Leia os livros da bibliografia indicada para que você amplie seus horizontes teóricos. Coteje-os com o material didático, discuta a unidade com seus colegas e com o tutor e assista às videoaulas. No final de cada unidade, você encontrará algumas questões autoavaliativas, que são importantes para a sua análise sobre os conteúdos desenvolvidos e para saber se estes foram significativos para sua formação. Indague, reflita, conteste e construa resenhas, pois esses procedimentos serão importantes para o seu amadure- cimento intelectual. Lembre-se de que o segredo do sucesso em um curso na modalidade a distância é participar, ou seja, interagir, procurando sempre cooperar e colaborar com seus colegas e tutores. 1 EA D Comportamento do Consumidor 1. OBJETIVOS • Identificar e analisar o comportamento do consumidor. • Reconhecer e compreender os fatores que influenciam no processo de compra e, consequentemente, no com- portamento do consumidor. 2. CONTEÚDOS • Processo de compra do consumidor. • Influências sobre o comportamento do consumidor: in- fluências sociais, influências de marketing e influências situacionais. 3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que você leia as orientações a seguir: © Gestão Mercadológica II28 1) Tenha sempre à mão o significado dos conceitos expli- citados no Glossário e suas ligações pelo Esquema de Conceitos-chave para o estudo de todas as unidades deste CRC. Isso poderá facilitar sua aprendizagem e seu desempenho. 2) Compreender o comportamento do consumidor é fun- ção essencial do departamento de marketing de uma empresa. Essa compreensão é fundamental para que a empresa possa alcançar seus objetivos no desenvolvi- mento, na produção e na colocação de bens e serviços no mercado, os quais sejam apropriados e capazes de satisfazer as necessidades e os desejos dos consumido- res, contribuindo, assim, para o sucesso do negócio. 3) Conforme você observará, Kotler e Las Casas (2005) es- tão presentes na maioria das citações. Portanto, é fun- damental que você pesquise, em livros ou na internet, a importância desses autores para a definição da Ges- tão Mercadológica e, caso encontre algo interessante, é imprescindível, também, a disponibilização de tal in- formação para seus colegas. Lembre-se de que você é o protagonista do processo educativo. 4) É fundamental que você analise os tópicos mais impor- tantes da unidade e faça uma relação entre eles, bem como identifique a importância das influências no pro- cesso de compra do consumidor. 5) Para complementar os seus estudos sobre a influência dos produtos em nosso cotidiano, indicamos o curta- metragem denominado A alma do negócio, o qual apre- senta a história de um casal que leva uma vida tranquila e feliz, até descobrir que seus maravilhosos produtos podem fazer muito mais do que prometem. Para assis- tir a esse curta-metragem, acesse o site disponível em:. 6) No decorrer da unidade, você irá se deparar com situa- ções que influenciam o comportamento do consumidor; dentre elas, destacamos as classes sociais. Assim, suge- rimos que você reflita sobre qual classe social você se identifica, enumerando e avaliando as diversas classes sociais existentes. 29© U1 - Comportamento do Consumidor Claretiano - Centro Universitário 7) Para que você compreenda as influências situacionais relacionadas a tempo/disponibilidade, sugerimos que você faça uma observação de campo. Vá até um super- mercado antes e depois do almoço e observe o compor- tamento dos consumidores que frequentarem o estabe- lecimento. 8) Acesse o site da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas – ABEP, disponível em , e conheça o Critério de Classificação Econômica do Bra- sil – CCEB, cujo objetivo é estimar o poder de compra das pessoas e das famílias urbanas brasileiras. Aproveite para realizar a sua classificação socioeconômica! 9) Para saber mais sobre a pesquisa intitulada Comporta- mento do consumo familiar, a qual será abordada no decorrer da unidade, bem como outras pesquisas rea- lizadas pelo IBGE, acesse o site disponível em: . 10) É fundamental que você faça a leitura dos livros indica- dos ao final da unidade, pois isso contribuirá na amplia- ção de seus horizontes teóricos. Coteje com o material didático e discuta a unidade com seus colegas e com o tutor. 4. INTRODUÇÃO À UNIDADE Você sabia que o propósito do marketing é satisfazer as ne- cessidades e os desejos dos consumidores por meio da produção, da entrega e do estímulo ao consumo de produtos e/ou serviços? Portanto, conhecer o perfil das pessoas, suas necessidades, seus desejos e seus hábitos de compra é fundamental para uma eficaz administração do mercado. Desse modo, nesta primeira unidade, dando continuidade aos nossos estudos sobre Gestão Mercadológica, você conhecerá um pouco sobre o comportamento do consumidor. Para lançarmos no mercado produtos que atinjam os obje- tivos do conceito de marketing ou mesmo mantermos um nível © Gestão Mercadológica II30 satisfatório de atendimento, é necessário entendermos a razão e a forma pela qual os consumidores realizam suas compras. Somente por meio do entendimento desse processo é que será possível via- bilizar produtos e serviços que atendam exatamente aos desejos e às necessidades dos consumidores. Devido à importância do conhecimento do comportamento do consumidor, foram desenvolvidos estudos e teorias que pudes- sem traduzir e auxiliar na interpretação dos anseios dos diversos grupos de compradores, os quais compram por diferentes moti- vos e razões. Assim, o estudo do comportamento do consumidor torna-se uma matéria interdisciplinar que envolve a Psicologia, a Sociologia, a Economia e a Antropologia. Apesar de parecer um estudo simples, o consumidor, diante de uma situação de compra, age em decorrência de uma série de influências de ordem interna ou externa. Como fatores internos, estão incluídos os principais componentes de estrutura psicológi- cas do indivíduo, a sua formação e as suas expectativas de futuro. O ser humano recebe, ainda, influências externas do meio ambien- te em que vive e as incorpora ao seu comportamento. Podemos observar, também, que as influências no ato da compra, especialmente de alguns produtos que sejam bens não duráveis, ocorrem por impulso ou com um mínimo de esforço para a decisão. Ao comprarmos uma barra de chocolates, por exemplo, agimos diferentemente de quando compramos um automóvel, um televisor ou uma geladeira. Segundo Las Casas (2005), na compra de produtos mais com- plexos, o processo geralmente leva um tempo maior. O consumi- dor procurará adquirir informações a respeito de várias ofertas do mercado, comparará qualidade e preços para finalmente decidir a compra ou não daquele produto que proporcionará benefícios percebidos. Vamos conhecer um pouco sobre esses tipos de comporta- mento? 31© U1 - Comportamento do Consumidor Claretiano - Centro Universitário 5. PROCESSO DE COMPRA DO CONSUMIDOR Compreender o consumidor é função essencial do departa- mento de marketing de uma empresa. Essa compreensão é fun- damental para que ela possa chegar aos seus objetivos no desen- volvimento, na produção e na colocação no mercado de bens e serviços apropriados e capazes de satisfazer as necessidades e os desejos dos consumidores, contribuindo, assim, com o sucesso do negócio. Logo, é nessa função que se inicia todo o processo de merca- do, e é em torno do consumidor que giram todas as atividades de marketing da empresa. Refletindo sobre esse contexto, Schiffman e Kanuk (2000, p. 214) argumentam que: O estudo do comportamento do consumidor é o estudo de como os indivíduos tomam decisões de gastar seus recursos disponíveis (tempo, dinheiro, esforço) em itens relacionados ao consumo. O comportamento do consumidor engloba o estudo de o que com- pram, por que compram, quando compram, onde compram, com que freqüência compram e com que freqüência usam o que com- pram. A seguir, observe, na Figura 1, segundo Churchill e Peter (2003), o modelo de processo de compra do consumidor: Reconhecimento da necessidade Influências Sociais Influências Situacionais Influências de Marketing PROCESSO DE COMPRA DO CONSUMIDOR Avaliação pós-compra Decisão de compra Avaliação de alternativas Busca de informações Fonte: Churchill e Peter (2003, p. 146). Figura 1 O modelo de processo de compra do consumidor. © Gestão Mercadológica II32 De acordo com Churchill e Peter (2003), o processo de com- pra do consumidor tem início com o reconhecimento de uma ne- cessidade que pode vir de uma sensação interna, como fome, sede e cansaço, ou por estímulos externos, como um casamento ou um anúncio na TV. Você se lembra da hierarquia das necessidades de Maslow? Caso não se lembre, vamos relembrá-la. O psicólogo Abraham Maslow afirmou que o que motiva as pessoas a agir são as necessidades não atendidas, e, ainda, que as pessoas satisfazem certas necessidades básicas antes de se senti- rem altamente motivadas a satisfazer outras (CHURCHILL; PETER, 2003). Agora, observe, na Figura 2, as necessidades e os tipos de produtos pretendidos/procurados pelos consumidores: Necessidade de auto-realização, auto-satisfação. Férias, cursos universitários, organizações de caridade. Necessidade de auto-estima: status, respeito. Marcas de prestígio. Necessidades sociais: amizade, amor, associação. Títulos de sócios em clubes, cartões de agradecimento. Necessidades de segurança: segurança física e financeira. Fechaduras, seguros. Necessidades fisiológicas (básicas): comida, água, descanso, sexo, ar. Farinha, feijão, água encanada. Necessidades Produtos Fonte: Churchill e Peter (2003, p. 147). Figura 2 Hierarquia das necessidades de Maslow. Ainda segundo Churchill e Peter (2003), nessa fase, os profis- sionais de marketing podem tentar influenciar os consumidores a enxergar as necessidades que seus produtos podem satisfazer. 33© U1 - Comportamento do Consumidor Claretiano - Centro Universitário Após o reconhecimento dessa necessidade, vem o passo se- guinte: a busca de informações. De acordo com Bretzke (2005), o consumidor recorre à sua memória para investigar se há infor- mações suficientes para a decisão em relação à necessidade que deseja satisfazer. Caso não haja, inicia-se um processo de busca de informações, tais como consulta a amigos, a parentes, a especialis- tas, bem como pesquisa em lojas ou na internet. A autora destaca, ainda, que, nesse estágio do processo de compra, as influências de marketing podem se dar em forma de anúncios de produtos ou serviços, pelo site da empresa e pela disposição de produtos nas lojas. As influências sociais e situacionais também podem influen- ciar, por exemplo, as condições de crédito e a falta de produto, encerrando o processo nessa etapa.Em seguida, baseados nas informações coletadas, os poten- ciais consumidores identificam e avaliam alternativas para satisfa- zer suas necessidades e desejos. Bretzke (2005) destaca que, nes- sa etapa, a imagem da marca, as condições de compra e formas de crédito, a disponibilização dos produtos no ponto de venda, o preço e serviços de valor agregado, bem como a comunicação nas mídias adequadas são fatores decisivos para a compra. Assim, após a análise, restam três opções aos consumidores: opção de compra futura, de compra imediata ou, simplesmente, de não comprar. Observe, na Figura 3, como o consumidor se envolve, nor- malmente, em um processo de compra de bens de consumo. © Gestão Mercadológica II34 Grande envolvimento. Maior tempo na pesquisa de produto, preço e marcas. Compra planejada. Envolve mais pessoas na decisão. Grande envolvimento. Marcas mais conhecidas. Depende das condições do mercado e / ou disponibilidade financeira. Compra com ciclos definidos. Exige um pequeno envolvimento. Pouco conhecimento das marcas. Maior tempo com pesquisa de preço e marcas. Menor freqüência de compra. Pequeno envolvimento. Marcas já conhecidas. Pouco tempo com avaliação das alternativas. Maior freqüência de compras. Risco Maior M e n o r e x p e riê n cia Risco Maior M a io r e x p e riê n cia Compra de Valor Compra Ocasional Compra Esporádica Compra Rotineira Fonte: Bretzke (2005, p. 82) Figura 3 Tipos de compra no mercado de bens de consumo. Como você pode observar, as marcas já são conhecidas nas compras rotineiras, havendo pouco envolvimento na avaliação das alternativas. Dessa forma, podemos exemplificar, nesse qua- drante, os produtos comprados em supermercados (alimentícios, higiênicos e de limpeza) e os serviços de um cabeleireiro. Na compra esporádica, normalmente, o tempo gasto na obtenção do produto aumenta. Como exemplo, podemos citar a compra de roupas e utensílios domésticos e as viagens de curta duração. Já na compra ocasional, há um grande envolvimento por parte do consumidor e a disponibilidade financeira é levada em consideração. Citemos como exemplo a compra de um automó- vel, na qual quanto mais favorável a situação financeira, menor a redução no custo psicológico, aumentando, assim, a predisposição em gastar. 35© U1 - Comportamento do Consumidor Claretiano - Centro Universitário Nas compras de valor, há um maior envolvimento e, tam- bém, um tempo maior na avaliação, pois, normalmente, há mais pessoas participantes no processo de tomada de decisão. Pode- mos citar como exemplo a compra de um imóvel residencial. Desse modo, após a compra, o consumidor avalia se o pro- duto ou serviço adquirido satisfez as suas necessidades e os seus desejos. É comum acontecer, especialmente na compra de produ- tos de maior valor, o que os psicólogos denominam dissonância cognitiva. A dissonância cognitiva refere-se a uma teoria de sentimen- to de pós-compra. De acordo com essa teoria, após uma toma- da de decisão, não existe um convívio harmonioso entre atitudes, crenças e cognição; pelo contrário, o indivíduo entrará em estado de ansiedade. Entretanto, a maior ou menor ansiedade dependerá de alguns fatores, tais como: • O grau de importância psíquica e financeira: além de dis- pendiosa, a casa (exemplo mencionado anteriormente) é bem visível aos olhos e representa situações financeiras do comprador, bem como o gosto, status, entre outros. • Número elevado de alternativas: quanto maior o núme- ro de possibilidades, maior o estado de ansiedade pela dúvida que as diversas oportunidades poderão oferecer, da mesma forma que o número de características ofere- cidas pelo produto contribuirão para um estado maior ou menor de ansiedade. De acordo com Las Casas (2005), quando ocorre a dissonân- cia, o indivíduo procura diminuí-la agindo de diversas maneiras: • Procura informações que reforçam a decisão. • Percebe mais informações que reforçam a decisão. • Evita os aspectos negativos de decisão e reforça os posi- tivos. © Gestão Mercadológica II36 Desse modo, podemos entender que o processo de compra dos consumidores é de extrema importância para uma empresa. Além disso, percebemos que o ato de compra é um processo de decisão, ou seja, o consumidor passa por várias etapas até chegar à decisão final. Para compreender esse processo, os mercadólogos procu- ram agir em cada uma de suas fases, estimulando o consumo de seus produtos. Nesse sentido, eles proporcionam informações so- bre as características dos produtos comercializados pela empresa, enfatizando os benefícios para que tenham chances de ser escolhi- dos no processo de avaliação. Em alguns casos, eles oferecem con- dições que possam estimular o passo seguinte da decisão, como promoções especiais, condições de pagamento facilitado etc. Para as dúvidas que possam surgir na etapa do pós-compra, o marke- ting utiliza-se de propaganda e promoções para reforçar a escolha de seus consumidores. Portanto, para que o consumidor não fique com "remorso” depois de adquirir um produto por meio de compra por impulso, as empresas e os profissionais de marketing devem auxiliá-lo, en- viando, por exemplo, uma carta de agradecimento, reafirmando os benefícios do produto ou do serviço adquirido. Perspectivas dos estudos do comportamento de consumo É apropriado considerar que o acúmulo de pesquisas desen- volvidas sobre o tema comportamento do consumidor já traçou caminhos substanciais às generalizações do seu conhecimento, como, também, que a ciência oferece indicações fundamentais da determinação e mensuração dos elementos que modelam o com- portamento de consumo. Como suporte do desenvolvimento de tal conhecimento configuram-se as bases da constituição das normas culturais da sociedade, isso dado o entendimento de que as escolhas de con- sumo são mediadas por ela (BRETZKE, 2005). 37© U1 - Comportamento do Consumidor Claretiano - Centro Universitário É, também, a reflexão sobre a variante cultural que traz co- nhecimento para as organizações, as quais desejam estabelecer um posicionamento mais promissor dos seus negócios e, assim, prosseguir ao exame da mensuração das variáveis que modelam o comportamento do consumidor nas diferentes culturas consti- tuídas. Inicialmente, é constituído como princípio que os consumi- dores aprendem valores, crenças e comportamentos que são acei- táveis e que devem ser desempenhados em harmonia com o res- tante da sociedade, dentro de uma determinada cultura. A adaptação a uma cultura é uma forma de socialização na qual se concentram esforços para adquirir as características do comportamento, dos valores, das normas e das atitudes da unida- de social da qual cada cultura participa. Não existe um padrão de socialização nem padrões sobre como uma socialização pode influenciar e determinar o consumo; porém, o entendimento do processo de socialização das culturas ajuda os tomadores de decisões das organizações a entender quais aspectos da cultura são fundamentais para o consumo, proporcio- nando, consequentemente, capacidade reflexiva mais adequada para o planejamento do seu composto estratégico na exploração de um novo mercado. Para Schiffman Kanuk (1997, p. 104): São inúmeras as forças de influência do processo de socialização, entre as mais significativas, a família, a educação formal e a religião, pois segundo os grandes estudiosos da psicologia social, na maioria das sociedades, estas instituições são tidas como cumpridoras de papéis fundamentais na determinação da constituição do indivíduo e, subseqüentemente, do seu comportamento de consumo. Para compreendermos melhor o pensamento dos autores, vejamos, a seguir, como cada fator influencia no comportamento de compra do consumidor. © Gestão Mercadológica II38 6. INFLUÊNCIAS SOBRE O COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR Observe, na Figura 1, disposta no início desta unidade, o pro- cesso de compra do consumidor. Note que há nela três fatores que influenciam o processode compra: • influências sociais; • influências de marketing; • influências situacionais. A seguir, analisaremos alguns detalhes importantes sobre cada um desses fatores. Influências sociais Essas influências caracterizam-se pelas variáveis sociais e culturais que nos envolvem como pessoas. Referem-se ao conjun- to de forças que nos afetam e que formam as nossas característi- cas sociais, pessoais e psicológicas. Os consumidores não tomam decisões no isolamento. Muito pelo contrário, quando consomem produtos ou serviços, eles o fa- zem dentro de um contexto social. Refletindo sobre esse contexto, Samara e Morsch (2005, p. 54) argumentam que: Freqüentemente, os consumidores respondem a um conjunto de influências externas e interpessoais, decidindo suas compras base- ado no que eles acreditam que projetarão imagens favoráveis aos demais e que atenderão as expectativas que os outros têm dele. Seja no seio familiar, no contexto escolar, nos grupos universitários, no ambiente profissional, estamos interagindo com outras pessoas o tempo todo, sofrendo suas influências sociais e sendo afetados pelas culturas e valores inerentes a esses grupos. A seguir, analisaremos algumas dessas influências e como elas agem sobre o comportamento do consumidor no dia a dia e no momento de uma compra. 39© U1 - Comportamento do Consumidor Claretiano - Centro Universitário Cultura Você sabia que a cultura fornece aos indivíduos um senso de identidade do comportamento dentro da sociedade? A cultura pode ser dividida em dois componentes: os ele- mentos abstratos e os elementos materiais. Os elementos abstra- tos incluem os valores, as ideias, as atitudes, as personalidades e a religião. Já os componentes materiais incluem coisas como os livros, as revistas, as ferramentas, os produtos específicos etc. (EN- GEL; BLACKWELL; MINIARD, 1999). É importante destacarmos que a cultura está em nosso dia a dia, nas atitudes de nossas vidas e nos momentos presentes. Portanto, suas influências têm efeitos inevitáveis sobre o indiví- duo quando este busca atender a seus desejos e necessidades de consumo. Além disso, os valores culturais apreendidos pela pessoa ao longo de sua vida são transferidos para a avaliação dos produtos. Da mesma forma, desde quando éramos pequenos, nosso com- portamento sempre foi influenciado pelo grupo ao qual pertencía- mos ou pela sociedade na qual crescemos. Portanto, percebemos que a cultura é uma forma determinante daquilo que comemos, vestimos e fazemos, da maneira como compramos e usamos os bens e serviços e da satisfação que eles nos proporcionam. Observe, nos Quadros 1 e 2, os aspectos culturais em relação a duas situações diferentes de compra. Apresentaremos as dife- renças entre dois grupos: homens versus mulheres. Quadro 1 Compra no varejo. Homens Mulheres A maioria não associa fazer compras com algo relaxante. A maioria tende a associar compras com algo relaxante. Não se excita com novidades de vestuário. Quanto mais produtos disponíveis na loja, melhor. © Gestão Mercadológica II40 Homens Mulheres Prefere fazer compras em lojas conhecidas. Gosta de visitar lojas que não conhece. Não gosta de procurar produtos em diferentes lojas. Não se incomoda em procurar produtos em diferentes lojas. Raramente julga o padrão de atendimento. Sempre julga o padrão de atendimento. Fonte: Exame (2000, p. 91). Quadro 2 Compra de um carro. Homens Mulheres Valoriza principalmente o desempenho, a potência e a estabilidade do carro. Valoriza a praticidade, o design e a facilidade de dirigir. Considera as linhas estéticas do modelo. Faz rigorosa cotação de preços e pesquisas fatores de custo e benefícios. Está menos familiarizado com mecânica do que imagina. Quer sempre aprender mais sobre mecânica. Tende a ser fiel às marcas e aos modelos que já utilizou. Gosta de novidades; vermelho, verde e azul são as cores preferidas. Fonte: Exame (2000, p. 91). Conforme podemos observar, em duas situações de compras diferentes, homem e mulher agem, também, de forma completa- mente diferente na hora de decidir pela compra de determinado item. A mulher valoriza a beleza, o design e é mais criteriosa quan- to ao preço do produto. Já o homem demonstra ser mais fiel às marcas que já utilizou no segmento automobilístico, é criterioso em relação à mecânica do automóvel e valoriza a potência. Classe social É evidente que as classes sociais determinam diferenças no comportamento do consumidor. Isso poderá facilmente ser cons- tatado com o simples convívio com pessoas de diferentes classes. Uma família com maior poder aquisitivo, por exemplo, pode- rá dar-se ao luxo de passar um fim de semana em uma praia ou em uma pousada, enquanto uma família de classe baixa poderá não 41© U1 - Comportamento do Consumidor Claretiano - Centro Universitário ter condições de viajar mais longe do que alguns quilômetros da cidade onde reside. Os meios sociais que esses indivíduos frequen- tam poderão ser totalmente diferentes. Segundo Las Casas (2005), os valores de uma classe social mais alta podem apresentar certas tendências ou modismos que seriam impossíveis de ser acompanhados por um indivíduo de uma classe mais baixa. Contudo, é importante salientar que essas diferenças são atribuídas exclusivamente ao poder aquisitivo, ao poder do capital e não aos valores culturais e às capacidades inte- lectuais dos indivíduos. Independentemente do tipo de atribuição, não resta dúvi- da que essas diferenças se constituem em importantes aspectos a ser considerados. As diferenças entre as classes são variáveis de acordo com o nível econômico de uma sociedade, e tais diferenças podem ser percebidas ao se comparar os indivíduos pertencentes a essa classe por meio de empregos, salários, moradia entre ou- tros. Portanto, a classe social influencia sobre o comportamento do consumidor. Toda sociedade possui alguma forma de estrutura de classes sociais e todas as pessoas que as compõem possuem uma posição específica dentro da sociedade. Logo, conforme analisamos ante- riormente, o comportamento de compra dessas pessoas é forte- mente influenciado pela classe social à qual pertencem ou dese- jam pertencer. Pessoas de classes sociais diferentes podem gastar, econo- mizar e fazer empréstimos de maneiras muito diferentes. Um jo- vem executivo de classe média, por exemplo, pode ter a mesma renda de membros de classes sociais diferentes e seus gastos com vestuários, moradia e alimentação podem variar radicalmente. Grupos de referência Uma das fontes mais poderosas de pressão persuasiva e de influência sobre o comportamento é exercida pelo grupo de © Gestão Mercadológica II42 referência de que o indivíduo faz parte. O grupo de referência é aquele no qual um indivíduo se identifica pelos valores, atitudes ou comportamentos, ditando-lhe um determinado padrão (SAMA- RA; MORSCH, 2005.) Esses grupos podem ser grandes e diversos, como grupos universitários, grupos étnicos ou membros de um partido. Eles po- dem, também, ser pequenos e íntimos, como a família, os colegas de trabalho ou os sócios de uma empresa. É importante ressaltar- mos, também, que há uma forte tendência de indivíduos seguirem as normas dos grupos com os quais se identificam, bem como ado- tarem comportamentos considerados adequados pelos demais. Os grupos de referências são importantes influenciadores no processo de compra dos indivíduos e podem ser considerados como primários e secundários. Os grupos primários são formados por indivíduos que afe- tam mais diretamente nossas vidas, como, por exemplo, a família, os amigos e os vizinhos. Esses grupos vêm sendo muito visados no marketing. Compreendendo a importância desses grupos na de- cisão de compra, muitas empresas, ao planejar suas campanhas promocionais, utilizam-se de cupons extras para que o comprador original passe alguma oferta especial para algum amigo. A influên- cia da vizinhança para motivar alguns indivíduos