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1 – Conceitos, Objetivos e Tipologia 1. O que é Comunicação Mercadológica? Margarida Kunsch é uma das principais estudiosas de comunicação do país. Vamos nos valer da definição dela para conceituar Comunicação Mercadológica, parte do contexto de Comunicação Integrada. A Comunicação Mercadológica é responsável por toda a produção comunicativa em torno dos objetivos mercadológicos tendo em vista a divulgação publicitária dos produtos ou serviços de uma empresa. Está vinculada diretamente ao marketing de negócios. (KUNSCH, 2016, p. 162) ○ • Portanto, a Comunicação Mercadológica é responsável pela divulgação da publicidade de serviços e produtos de uma empresa, embasada em pesquisas e análises de mercado (PIMENTEL; RODRIGUES, 2017) • A publicidade, a propaganda e as demais ferramentas que compõem o conjunto de comunicação de marketing, tais como merchandising, Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), Customer Relationship Management (CRM) – em português, Gestão de Relacionamento com o Cliente –, marketing direto, feiras e exposições, Marketing 3.0, entre outras, devem ser providas de informações coletadas em pesquisas de mercado e produto, que, comumente, estão ligadas ao departamento ou setor de marketing das organizações. • Através dos anos, a publicidade/propaganda foi a estratégia mais utilizada para divulgar serviços e produtos e para persuadir os potenciais clientes. Atualmente, a Comunicação Mercadológica tem um alcance mais abrangente, possibilitando o uso de diversas ferramentas, a fim de atingir os mesmos objetivos. • De acordo com Gaudêncio Torquato do Rego, a Comunicação Mercadológica objetiva promover a troca de produtos e/ou serviços entre produtor e consumidor, [procurando] atender aos objetivos traçados pelo plano de marketing das organizações, cujo escopo fundamentalmente se orienta para a venda de mercadorias destinadas aos consumidores, num determinado espaço de tempo: apoia-se a publicidade comercial, na promoção de vendas e pode, também, utilizar-se, indiretamente, das clássicas atividades de comunicação institucional. (apud KUNSCH, 2016, p. 163) • Podemos inferir, então, que a Comunicação Mercadológica ou de Marketing trata de todas as ferramentas de comunicação persuasivas, a fim de alcançar os públicos-alvo definidos pela empresa. • 2. Comunicação Mercadológica: Objetivos A Comunicação Mercadológica demanda integração na construção do plano de comunicação, o qual deve abranger vários públicos, dependendo do nível da organização. Com relação ao consumidor, deve ter o propósito único de atrair a atenção para que ele adquira um produto ou utilize um serviço. E. K. Strong, professor de Psicologia Aplicada na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, publicou, em seu livro Theories of selling, em 1925, o modelo AIDA (atenção, interesse, desejo e ação), o qual visa explicar como funciona o comportamento humano em relação à compra de produto ou serviço. • Tal modelo mostra como os objetivos da comunicação, atrelados às ferramentas de comunicação, levam os consumidores a adquirir produtos e serviços. Alguns passos devem ser seguidos para que a compra se conclua. De acordo com o modelo AIDA, o consumidor precisa: Prestar atenção, ou seja, saber da existência do produto ou serviço; ○ Ter interesse o suficiente para prestar atenção nas características, nas especificações e nos benefícios do produto; ○ Ter o desejo de obter os benefícios que o produto oferece; ○ Efetivar a ação de comprar o produto. (OLIVEIRA, 2020, p. 46) • Comunicação Mercadológica quarta-feira, 22 de março de 2023 18:10 Página 1 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA Efetivar a ação de comprar o produto. (OLIVEIRA, 2020, p. 46)○ Diante dessa teoria e da proposta de Philip Kotler (apud OLIVEIRA, 2020), que traz uma nova versão do modelo AIDA, em que lista seis estados de disposição para compra (consciência, conhecimento, simpatia, preferência, convicção e compra), Mitsuru Higuchi Yamaze, em seu livro Gestão de Marketing e Comunicação, estabelece 13 objetivos da comunicação, cujo entendimento possibilitará à empresa identificar, de forma assertiva, as ações de comunicação dos concorrentes (YAMAZE, 2011). Vamos estudá-los! Despertar a consciência: o primeiro objetivo é despertar o grau de consciência para necessidade ou carência do consumidor. ○ Chamar a atenção: tendo o consumidor consciência de sua necessidade, o emissor do processo de comunicação, isto é, o anunciante, usará recursos criativos para chamar a atenção daquele. ○ Suscitar interesse: nesse estágio, os elementos que compõem a mensagem devem despertar ainda mais o interesse pelo produto ou serviço. ○ Proporcionar conhecimento: o consumidor quer receber informações detalhadas, com mensagens informativas, claras e coerentes. ○ Gerar identificação, empatia: para que isso aconteça, é preciso considerar o contexto do receptor (perfil psicossocial e demográfico). ○ Criar desejo e/ou despertar expectativa: de acordo com Yamaze, “o processo de comunicação deve lançar mão de elementos que criem desejo de compra ou suscitem expectativa favorável à efetiva aquisição, posse ou uso do bem [...]” (YAMAZE, 2011, p. 422). ○ Conseguir a preferência: é necessário elaborar argumentos que garantam a preferência, sem abrir espaço para a concorrência; ○ Levar à decisão: garantida a preferência, o momento é de levar o consumidor à compra. ○ Efetivar a ação: algumas “pedras no caminho” podem prejudicar a efetivação da compra, como escassez de recursos financeiros ou outras prioridades, por isso essa etapa é fundamental na ação de comunicação. ○ Garantir e manter a satisfação pós-ação: os Serviços de Atendimento ao Consumidor (SACs) devem garantir a satisfação pós-venda. ○ Estabelecer interação: as empresas devem criar canais de contato, usando as redes sociais, para facilitar a interação com o consumidor. Reclamações e sugestões, se bem trabalhadas, podem virar elogios. ○ Obter fidelidade: esse é um dos passos mais desafiadores, já que a concorrência permite que o consumidor possa optar por outra marca, por exemplo. Por isso, é importante criar experiências positivas para o consumidor, de modo que a marca do produto ou serviço obtido gere confiança e encantamento. ○ Gerar disseminação de informações pelos interlocutores: esse último passo visa estabelecer bom relacionamento com o consumidor, a ponto dele divulgar a boa marca da empresa ○ • Além desses objetivos destinados ao consumidor, há aqueles relacionados à força de vendas (LUPETTI, 2022): Capacitar tecnicamente os profissionais; ○ Informar a nova política comercial da empresa; ○ Trabalhar o novo posicionamento para atingir a liderança de mercado; ○ Comunicar as alterações dos produtos em campanhas específicas. ○ • E os destinados a intermediários: Demonstrar lucratividade em trabalhar com o produto; ○ Informar sobre as características do produto; ○ Treinar a equipe de venda dos intermediários; ○ Informar a campanha motivacional aos balconistas; ○ Ajudar no layout das lojas. ○ • 3. Comunicação Mercadológica: Tipos Página 2 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA 3. Comunicação Mercadológica: Tipos Como vimos no primeiro tópico, a propaganda, a publicidade e as demais ferramentas compõem o conjunto de Comunicação Mercadológica, tais como merchandising, Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), Customer Relationship Management (CRM) – em português, Gestão de Relacionamento com o Cliente –, marketing direto, eventos e Marketing 3.0. A seguir, vamos listar e detalhar esses tipos. • 3.1. Propaganda É o primeiro tipo de Comunicação Mercadológica, mediada e criada para persuadir o consumidor a adquirir certo produto ou serviço. • Anúncios em TV, na internet, em outdoors e em mídias externas, como distribuição de folhetos e panfletos, são exemplos de propaganda. • Sua principal característica é elaborar uma imagem que auxilie no posicionamento da marca ou do produto. • Além dosentido comercial, a propaganda pode ter, também, um sentido político e denotar divulgação de doutrinas, opiniões e informações, com a finalidade de influenciar o comportamento dos indivíduos ou de promover a conscientização. • 3.2. Publicidade A publicidade também atinge a mídia de massa, como a propaganda, com o objetivo de tornar conhecido um produto ou serviço, persuadindo o consumidor a adquiri-lo, sem interferência humana, de vendedores, por exemplo. • Nesse tipo de Comunicação Mercadológica, identificar o tipo de consumidor com quem se fala ajuda a saber o que ele pensa da marca tornando a campanha mais eficaz • 3.3. Merchandising Em português, “mercadoria”, tem como objetivo expor determinado produto em alguma plataforma para promovê-lo. • Atualmente, com os influencers nas redes sociais, muitas marcas pagam para eles divulgarem o produto em seu perfil. • 3.4. Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) Tem como função principal ser um canal de relacionamento entre a empresa e os seus consumidores. É peça-chave para que os consumidores se sintam amparados em qualquer necessidade. • Nem todas as organizações são obrigadas a oferecer SAC, mas, quando feito, cabe ser gratuito, com atendimento 24 horas, 7 dias por semana, e as reclamações precisam ser respondidas em até 5 dias úteis. • 3.5. Customer Relationship Management (CRM) Em português, Gestão de Relacionamento com o Cliente, é um sistema que possibilita registrar e organizar os contatos de clientes: nome, endereço, telefone, visita a sites e demais interações. • Permite uma relação consolidada com o consumidor, de modo que a empresa seja mais assertiva na abordagem. • 3.6. Marketing Direto O Marketing Direto visa abordar o consumidor por meio de envio de materiais como mala direta, e-mail marketing, folder, carta comercial e telemarketing, apresentando seus produtos e serviços. • Possibilita à empresa agir sobre grupos de consumidores específicos, com baixo investimento, o que torna vantajoso seu uso. • 3.7. Eventos Eventos como feiras, exposições e outros também funcionam como Comunicação Mercadológica, já que promovem a interação da empresa com o consumidor, em ambientes adequados, de modo a fortalecer a imagem do produto e levá-lo à compra. • 3.8. Marketing 3.0 Philip Kotler, professor e escritor de alto renome em marketing, evidencia o Marketing 3.0 em sua obra (KOTLER, 2010), descrevendo-o como o marketing preocupado com os valores e com enfoque na construção de um mundo melhor. • Enquanto o Marketing 1.0 se ocupava na venda de produtos, impulsionada pela Revolução Industrial, e o Marketing 2.0 envolvia a Tecnologia da Informação, o Marketing 3.0 surge para • Página 3 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA Industrial, e o Marketing 2.0 envolvia a Tecnologia da Informação, o Marketing 3.0 surge para mostrar que o consumidor é um indivíduo completo (com coração, mente e espírito), e isso deve ser levado em consideração. Na prática, o Marketing 3.0 faz com que a empresa se envolva com a transformação sociocultural e se ocupe da sustentabilidade social – valores humanos na sociedade de hoje. • 2 – Ética, Posicionamento e Estratégias de Comunicação Mercadológica 1. Comunicação Mercadológica: Ética e Posicionamento “Ética”, do grego ethos, em português, “modo de ser”, “caráter”. Segundo o Dicionário Houaiss (2022): 1. parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social. [...] ○ 2. conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade. ○ • A ética, na Comunicação Mercadológica, está inserida na ética dos negócios, já que a postura da empresa está inserida no planejamento de comunicação. De acordo com Maria Aparecida Boccega, na apresentação do livro Ética na Comunicação (BARROS FILHO, 2021, 71-84 posições): As questões referentes à ética na comunicação assumem importância maior à medida que a mídia ocupa papel mais central na contemporaneidade. A realidade que conhecemos resulta da edição do mundo. Essa parte construída, reelaborada pelos “produtores” dos meios (empresários, profissionais de mídia, donos do aparato tecnológico, entre outros), pode ser, muitas vezes, tão pequena e tão plena de interpretações implícitas ou explícitas que se distancia extensamente do fato “narrado”, procurando atender aos objetivos tanto dos que detêm os meios de comunicação como, no afã de agradar ao público, atendê-lo no que lhe é mais caro: o espetáculo e a satisfação dos estereótipos morais ultrapassados. ○ • Marketing e ética começaram a caminhar juntos a partir da Escola do Macromarketing, criada nos anos 1960, a qual considera os impactos e as consequências da atuação do marketing na sociedade e vice-versa. Passa a ser importante que as empresas incluam aspectos sociais e éticos em seus planos de marketing. • Na Europa, dada à abertura, já havia uma preocupação social dos estudantes e empresários às ideias que possuem para discutir ética e à formação básica em Filosofia. Nos EUA, a ganância por lucros a curto prazo fez com que negligenciassem princípios fundamentados na ética, tendo sido necessário um trabalho de recuperação de valores. • No Brasil, ao falarmos de ética, devemos levar em consideração a corrupção que assola o país. A falta de credibilidade chega a todas as áreas, e a Comunicação Mercadológica não fica de fora. Por isso, a ética nas empresas não diz respeito somente ao código de conduta no local de trabalho, mas também a clientes e outras partes envolvidas. • O CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) recebe, frequentemente, denúncias de associados, consumidores e autoridades que questionam a ética em determinada peça publicitária. O Conselho de Ética é responsável por fiscalizar, julgar e deliberar sobre acusações de violação do Código. • No site do CONAR, são expostos dados referentes ao trabalho do Conselho de Ética em 2021: Dentro da normalidade possível, o Conar seguiu com seu trabalho ao longo de 2021, promovendo sessões de julgamento do Conselho de Ética sempre por meios remotos. Foram 97 ao longo do ano, número um pouco maior do observado em 2020, quando foram realizadas 93 sessões. Foram abertos 286 processos éticos em 2021, ante 276 no ano anterior. No mês de outubro deu-se o pico de abertura de processos: 39. ○ • Página 4 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA ano anterior. No mês de outubro deu-se o pico de abertura de processos: 39. Denúncias de consumidores motivaram a abertura da maioria dos processos: 64%, sendo 20% motivados por empresas associadas ao Conar, 12% por iniciativa própria e 4% a partir de queixas originadas no Conselho Superior, o que acontece quando a entidade recebe denúncias formuladas por representantes dos poderes públicos. Publicidade divulgando bebidas alcoólicas, alimentos, sucos e refrigerantes, moda, lojas e varejo e medicamentos, cosméticos e outros produtos e serviços para a saúde motivaram a maior parte das representações abertas. ○ Em sua maioria, as representações questionavam a apresentação verdadeira das peças publicitárias. Os outros questionamentos mais mencionados foram identificação publicitária deficiente e responsabilidade social. ○ A internet, repetindo anos anteriores, é o meio de comunicação mais largamente citado nas denúncias, com destaque para as redes sociais. ○ O Conselho de Ética julgou ao longo de 2021 303 representações éticas; mais de 83% delas terminaram em recomendação de penalização ao anunciante, sua agência e a influenciadores digitais. ○ Em 2021, foram promovidas 54 reuniões de conciliação, recorde na história do Conar, superando a marca observada em 2020, quando houve 50 reuniões. (CONAR, 2022) ○ De acordo com Kotler (2012), posicionamentoé a ação de projetar o produto e a imagem de determinada empresa, com o objetivo de ocupar um lugar diferenciado na mente do público- alvo. O posicionamento ético de uma organização em relação a funcionários, comunidade, outras empresas e investidores é essencial não só para atrair e reter clientes, mas também pelo fato de que investidores em potencial buscam aplicar seus recursos em empresas socialmente responsáveis e éticas. • Reafirmar o posicionamento ético da empresa pode trazer benefícios significativos, como: proporcionar o crescimento do valor da marca, das vendas e dos lucros; ○ fazer com que os funcionários sintam credibilidade e vontade de pertencer à empresa; ○ aumentar a produtividade; ○ atrair investidores. ○ • Assim sendo, podemos perceber que o posicionamento ético de uma organização garante uma imagem positiva entre todos os elementos, sejam eles internos ou externos. • 2. Estratégias de Comunicação Mercadológica Assim como vimos na aula anterior sobre os objetivos da Comunicação Mercadológica, as estratégias também requerem ações planejadas para vários públicos, dependendo do nível da organização. Os objetivos de marketing estão diretamente ligados às estratégias de Comunicação Mercadológica, as quais, por sua vez, devem ser coerentes com os objetivos estratégicos da empresa para obtenção dos resultados esperados (LUPETTI, 2022). • Vamos nos valer de estratégias de Comunicação Mercadológica propostas pela autora em sua obra Gestão estratégica da comunicação mercadológica: planejamento (idem) • 2.1. Treinamento/Programas de Motivação Programas de motivação e treinamento devem ser elaborados para atender à força de vendas da organização. Além do treinamento técnico, é possível implantar treinamentos específicos, como aprimoramento da técnica de vendas. Um programa de motivação também se mostra como excelente oportunidade de aumentar a produtividade dos vendedores e vendedores dos intermediários. • 2.2. Campanhas de Incentivo Campanhas de incentivo para a força de vendas têm como objetivo motivar as vendas, além de prover melhorias no relacionamento entre a empresa, a equipe de vendas e os intermediários. Pode-se oferecer prêmios àqueles que atingirem ou superarem as metas estabelecidas pela empresa. • 2.3. Propaganda Cooperada Também denominada “campanha de varejo”, a propaganda cooperada é usada para possibilitar ao fabricante a obtenção de apoio dos intermediários em mercados. Ela ocorre quando, por exemplo, uma indústria combina com uma revendedora de seus produtos uma campanha publicitária: “produto da empresa X, você só encontra na revendedora Y”. • Página 5 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA publicitária: “produto da empresa X, você só encontra na revendedora Y”. 2.4. Ações Digitais Ações no mundo digital também são consideradas estratégias de Comunicação Mercadológica. Pensar em conteúdo (campanha on-line e off-line), monitorar sites e redes sociais, que possibilitem a criação de informações, e planejar bons virais e disseminá-los são estratégias de comunicação no universo virtual. • Exemplo excelente de ação digital foi a criação da personagem Lu, pelo Magazine Luiza. O avatar é a figura que representa a conexão do consumidor com a loja virtual. Fez tanto sucesso que a empresa é a mais importante do setor varejista do país, de acordo com o ranking Brand Finance Brasil 2022. • 2.5. Assessoria de Imprensa A assessoria de imprensa, quando bem executada, mostra-se uma excelente estratégia de Comunicação Mercadológica. Sua função é divulgar fatos relacionados à empresa, que pode ser um lançamento de produto, por exemplo. A partir da preparação de materiais (press releases, kits de brindes), o assessor de imprensa obtém um espaço junto ao veículo, o qual é gratuito. • Muitos textos traduzidos denominam esse tipo de ação de “publicidade”. Cuidado! Publicidade gratuita de informações sobre determinada organização ou certo produto é assessoria de imprensa e não publicidade. No Brasil, assessoria de imprensa é composta de jornalistas que criam matérias relacionadas a veículos específicos. • 2.6. Material Promocional As equipes de venda externa e interna de uma empresa precisam de orientação e material de apoio (folhetos, catálogos e brindes) para transmitir dados sobre seus produtos e serviços. Os stakeholders (qualquer indivíduo ou organização que, de alguma forma, é impactado pelas ações de determinada empresa), sejam consumidores finais, investidores, empresários, fornecedores ou assessores de imprensa, também necessitam ser informados. • O material institucional tem como objetivo apresentar a empresa e divulgar sua imagem, no qual vale incluir informações relevantes: histórico, missão, visão, valores, instalações e responsabilidade social. • 3 – Comunicação e Gestão de Marcas (Branding) 1. Conceitos de Branding A nova formação da sociedade, composta de indivíduos preocupados em dar voz àqueles que estão à margem e às minorias, refletiu diretamente no posicionamento das empresas, transformando a forma de comunicação delas com seu público-alvo. • O empenho em elaborar discursos destinados à comunidade LGBTQIA+, o protagonismo de atores negros na publicidade e a desconstrução de padrões de beleza se apresentam como novas formas de comunicação. Foi necessário que as empresas atendessem a essas pautas, já que elas passaram a ser fatores determinantes tanto para o consumo quanto para a satisfação dos consumidores. Podemos dizer, assim, que as marcas têm sido valorizadas pelo branding. • Foi nos anos 1990 que a importância das marcas como ativo empresarial passou a ser reconhecida, tornando-se um bem valioso. Ainda que as organizações gerenciassem suas marcas antes desse período, foi nessa década que elas foram notadas como elementos de fidelização e passíveis de serem vendidas • Antes de prosseguirmos, cabe estabelecer a diferença entre marca e branding. Marca é uma representação simbólica de uma empresa, produto ou serviço; é a forma como ela é identificada pelo público. Branding é um processo de criação e de gestão dessa marca e da identidade que a empresa visa transmitir. Entre os anos 1990 e 2000, surgiram as principais teorias e ferramentas de branding, tornando-o mais estratégico. • Segundo Kotler e Keller (2012, p. 259), branding significa dotar bens e serviços de uma marca, estabelecendo diferenças. Está relacionado com a criação de estruturas mentais que ajudam o consumidor a estruturar o pensamento acerca dos produtos e serviços, de forma a tornar sua decisão mais evidente, gerando desejos, necessidades e, consequentemente, valor à organização. • Segundo Bedendo (2019, p. 16), atualmente, o branding se preocupa com [...] definições de identidade de marca que orientam as decisões em grande parte dos • Página 6 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA [...] definições de identidade de marca que orientam as decisões em grande parte dos processos organizacionais, como seleção e treinamento de colaboradores, relacionamento com parceiros e fornecedores, parcerias com o trade e intermediários, desenvolvimento de produtos ou serviços, atendimento direto ao consumidor (vendas ou serviços), interfaces virtuais, serviços de pós-venda e todos os outros pontos de contato. ○ Podemos deduzir que o branding, então, mudou o olhar para a organização e não somente para o marketing, afinal a marca é o ativo mais valioso da empresa, e sua gestão é relevante demais para ficar restrita. O branding gerencia o discurso da empresa, dá personalidade à marca e é resultado da junção de saberes como marketing, design e propaganda. É responsável por elaborar o diferencial da marca em um produto ou serviço a partir de elementos que a evidenciem no mercado (PIMENTEL; RODRIGUES, 2017). • Empresas como The Body Shop e Ben & Jerry’s são modelos de empresas pautadas pelo branding, cujos propósitos são direcionados para criar envolvimento em toda cadeia de stakeholders, sejam essesclientes, fornecedores ou funcionários. • 2. Organização Estratégica do Branding Uma marca bem-posicionada deixa boas memórias na mente do consumidor. Essas memórias criam um relacionamento que pode ser comparado àquele estabelecido entre duas pessoas. Então, se a marca for mudada de maneira radical ou com certa frequência, ela se tornará estranha ao consumidor, que deixará de se comunicar com ela. • Por essas razões, a marca deve direcionar as demais ações da empresa que impactam a relação com os consumidores, e isso demanda cuidado. É o que veremos a seguir. • 2.1. Criar uma Plataforma de Marca Diz respeito aos componentes específicos da marca que estabelecem o vínculo com o consumidor: Propósito: razão pela qual a empresa existe. Quando se deseja idealizar e abrir um negócio, é importante ter em mente qual tipo de transformação se deve levar para a sociedade. ○ Promessa: se existe o propósito, existe a promessa, que nada mais é do que explicar como a empresa provocará impacto no mercado. ○ Atributos: são os valores que compõem as ações da empresa; parâmetros que permeiam a conduta dos funcionários e a comunicação. ○ Posicionamento: definição de uma postura no mercado a partir do entendimento dos desejos e das necessidades do público-alvo. ○ • 2.2. Construir uma Identidade O logotipo compõe um dos elementos de identidade da marca. Além dele, há a logomarca, a identidade visual e o slogan. O logotipo é a parte escrita (nome da marca) estilizada. A logomarca é o desenho, símbolo ou ícone que representa a marca graficamente. A identidade visual é formada por vários aspectos: as cores são essenciais para atrair o consumidor, já que cada tonalidade desperta sentimentos específicos; ícones, ilustrações e símbolos, bem como a tipografia, são fatores de representação para a construção da identidade. O slogan é uma frase curta de impacto, que resume a essência da marca. Pode permanecer ou ser alterado ao longo dos anos. • 2.3. Estabelecer um Vínculo Emocional com o Público Existe uma preocupação, por parte do consumidor, de estabelecer um vínculo emocional com a marca, o que gera confiabilidade. Se a empresa se preocupa com valores, mostrando ao consumidor que ele pode confiar na marca, a conexão será sólida e permanente. • 2.4. Ter Compromisso com a Ética e a Responsabilidade Social Realizar atividades com ética e responsabilidade social traz grandes benefícios para a marca, já que demonstra para o público a preocupação da empresa com a sociedade. Responsabilidade social pressupõe ética, e a postura positiva em relação às ações contribui para o branding. • Página 7 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA 2.5. Valorizar a Experiência do Consumidor Dar ao consumidor uma experiência inesquecível é uma estratégia de branding. Além do produto e serviço de qualidade, oferecer um tratamento adequado se mostra imprescindível, de modo que o dinheiro não seja um gasto, mas um investimento. • 2.6. Elaborar Conteúdos Direcionados O conteúdo e a mensagem devem ser elaborados de acordo com o perfil dos consumidores. Linguagem adequada e informações direcionadas mostram que o consumidor não é mais um entre tantos outros: chamá-lo pelo nome, escutar seus desejos e estabelecer uma relação de empatia são ações importantes para a criação de uma conexão sólida. • Formular conteúdos de qualidade e postagens interessantes nas redes sociais são ótimas estratégias de branding. Comentários devem ser valorizados e respondidos, já que houve dedicação e investimento de tempo do cliente para ler a postagem ou visitar o perfil da empresa. • 2.7. Gerenciar o Relacionamento com os Stakeholders Uma empresa se relaciona com muitas pessoas e organizações, necessitando estar atenta à imagem que representa. Se houver qualquer tipo de falha, é necessário reconstruir o relacionamento de forma zelosa. • 3. Erros Comuns na Gestão Estratégica da Marca Na hora de elaborar a gestão estratégica da marca, a empresa deve se atentar a erros que podem passar despercebidos. Vejamos alguns deles: • 3.1. Negligenciar a Experiência do Consumidor A experiência do consumidor/cliente deve ser valorizada, afinal é importante ter conhecimento sobre o que ele acha sobre os produtos ou serviços. Deixar de responder aos e- mails ou mensagens e não oferecer um canal de comunicação ativo no site da empresa pode trazer grandes prejuízos. • 3.2. Não Saber Diferenciar a Marca Para que a marca seja um diferencial no mercado, é necessário elaborar mensagens verbais e visuais que reflitam a visão e os valores da empresa. Definir a estratégia de branding significa buscar pontos de diferenciação e analisar a concorrência, os consumidores e como se conectar com esses. Uma marca que seja parecida com as concorrentes só fará o consumidor optar pela de menor custo • 3.3. Não Estudar os Temas das Campanhas Sazonais Como vimos, a sociedade atual é composta de indivíduos preocupados em dar voz àqueles que estão à margem e às minorias, e isso refletiu diretamente no posicionamento das empresas, transformando a forma de comunicação. Criar campanhas sem se aprofundar e se atualizar pode ser negativo para a imagem da empresa e até mesmo constrangedor. A campanha do Dia dos Pais, por exemplo, dos anos 2000, é diferente das campanhas atuais que incluem transgêneros. • 3.4. Não se Preocupar com a Fidelização Conquistar novos clientes em vez de se ocupar da retenção dos já conquistados pode configurar um erro fatal, principalmente, pelo fato de que manter clientes tem um custo menor do que conquistar novos. O ideal é criar um ambiente favorável ao retorno deles: um cliente fidelizado divulga a marca e sustenta o negócio em momentos de crise, como a gerada pela pandemia da Covid-19. • 3.5. Não Monitorar Resultados A estratégia de branding exige a constante análise e revisão de resultados. Quando os consumidores assistem a um vídeo da marca em redes sociais, por exemplo, é importante • Página 8 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA consumidores assistem a um vídeo da marca em redes sociais, por exemplo, é importante mensurar o número de visualizações, o número de visualizações por usuário único, a Taxa de Conclusão das Exibições (VCR) e a Taxa de Visualização (VTR). Se não houver esse monitoramento, corre-se o risco de a proposta perder sua eficiência. O investimento deve ser constante, a fim de criar uma imagem alinhada ao perfil da empresa. 3.6. Tentar Agradar a Todos os Públicos É imprescindível que a empresa dê enfoque ao seu nicho e em suas necessidades, pois tentar alcançar e agradar a todos pode fazer com que a organização deixe de lado o propósito, o que torna o branding insustentável. • Nicho de mercado é uma parte ou um recorte de mercado dentro de um grande grupo consumidor. 4 – Omnichannel 1. Omnichannel: Conceito Neste século, acompanhamos uma grande mudança em relação ao varejo: modelo de negócios no século XX, a Blockbuster, maior rede de locadoras de filmes e videogames do mundo, perdeu espaço no mercado para dar lugar a uma estrutura híbrida que engloba diferentes canais de comunicação, mostrando-se eficiente em países emergentes, como o Brasil. • Para compreendermos o conceito de Omnichannel, (omni, do latim, “tudo”, “todos” + channel, do inglês, “canal” = “todos os canais”), também denominado “Omnicanal”, devemos entender primeiro o comportamento do consumidor. De acordo com Philip Kotler (2012, p. 229), “o comportamento do consumidor é o estudo de como indivíduos ou grupos compram, usam e eliminam bens, serviços, ideias ou experiência para satisfazer suas necessidades ou desejos”. O autor aponta, também, que estudar o comportamento do consumidor “ajuda a melhorar ou lançar produtos e serviços, determinar preços, projetar canais, elaborar mensagens e desenvolver outras atividades de marketing” (2012, p. 172). • Ainda, de acordo com Kotler (2012), o consumidor passa por cinco estágios até chegar à decisão de compra: Reconhecimentoda necessidade: percepção da diferença entre o estado real e o estado desejado, impulsionando o indivíduo para suprir essa necessidade. A empresa precisa ter conhecimento do que gera o reconhecimento da necessidade e quais são os estímulos que fazem o consumidor perceber que o real está aquém do desejado. ○ Busca por informações: ocorre depois de identificar a necessidade do consumidor. Consiste na investigação das principais fontes de informação às quais o indivíduo recorre para buscar serviços ou produtos que deseja adquirir. ○ Avaliação de alternativas: nesse estágio, ocorrem a comparação entre produtos, marcas, preços, prazos de entrega e disponibilidade e a definição de qual marca ou produto ele vai comprar. ○ Decisão de compra: depois de avaliar e considerar as opções possíveis, essa etapa implica decidir comprar ou não e, se realizar a compra, o quê, onde, quando comprar e como pagar. ○ Avaliação pós-compra: consiste em acompanhar a satisfação, as ações e a utilização em relação ao produto ou serviço obtido. Nesse estágio, o consumidor se enquadrará em uma das seguintes situações: encantamento, satisfação, insatisfação ou dúvida. ○ • A fim de influenciar esse processo, as empresas utilizam várias estratégias de marketing, mas nem sempre o resultado é esperado, visto que outros estímulos atuam na decisão: econômico (preço), tecnológico (facilidade de navegação no site ou no aplicativo), político (se há identificação com as políticas apoiadas pela marca) e cultural (necessidade de um produto existir em uma cultura, mas não em outra). Omnichannel diz respeito ao uso de uma variedade de canais (físicos e virtuais) que promove a comunicação com os consumidores, a fim de cumprir seus pedidos e proporcionar uma experiência perfeita. Por meio do omnichannel, é possível realizar uma compra ou um atendimento na plataforma que for conveniente. • Página 9 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA conveniente. 2. Omnichannel: Canais Uma estrutura bem-sucedida de Omnichannel não precisa criar recursos em todos os canais, mas atribuir aos produtos tarefas de cada canal para que haja eficácia no manuseio. O importante é saber integrar os canais, como os físicos e os virtuais. Um consumidor que compra produtos on-line, por exemplo, deseja ter como opção poder trocá-los, se necessário, em loja física. • Alguns canais que podem ser utilizados na solução Omnichannel: Totem: possibilita que o consumidor visualize preços e disponibilidade de produtos e realize compras de produtos fora de estoque. ○ Call center: o consumidor pode utilizá-lo para sanar dúvidas, fazer reclamações e sugestões e comprar produtos por meio do serviço de televendas. É importante que esse atendimento esteja bem alinhado entre a loja física e a virtual, para que as mesmas informações sejam transmitidas. ○ Redes sociais: canais que reforçam a imagem do produto ou da marca por meio de relacionamento entre perfis da empresa nas redes sociais.] ○ Aplicativos para celular: devem ser bem desenvolvidos e intuitivos, de modo a proporcionar navegação rápida e confiável aos consumidores ○ Sites (e-commerce, loja on-line): relevante canal de compras e de pesquisa de produtos. De grande alcance e sempre aberto, é uma opção menos onerosa do que a loja física. ○ Loja física (off-line): o benefício de manter esse canal ativo é poder estabelecer contato pessoal com o cliente. É o local onde ele pode experimentar (tocar, olhar) e ter a primeira impressão sobre o produto. ○ Catálogo de produtos: folhetos que contêm informações sobre os produtos oferecidos ao público. É apresentado pelo vendedor na abordagem porta a porta. ○ • 3. Estratégias de Omnichannel Saber criar estratégias de Omnichannel evita que o consumidor faça e refaça seu cadastro em cada canal com que ele fizer contato, por exemplo. Por isso, oferecer um atendimento adequado e direcionado possibilitará gerar mais vendas. Isso pode ser feito a partir: Do estudo e da análise das ações realizadas pelo consumidor nas plataformas de contato com a marca; ○ Do estímulo de envolvimento do consumidor com os produtos enquanto ele navega pelos canais; ○ Da melhoria da experiência do cliente com a marca.○ • 5 – Exemplos e Cases 1. Comunicação Mercadológica: Cases 1.1. Case Bona Fructus Vamos mostrar o planejamento da Comunicação Mercadológica, case Bona Fructus, desenvolvido por Lupetti (2022) com fins exclusivamente didáticos. • A empresa LyonSweet Alimentos S.A. é inglesa, com atuação há mais de 10 anos no Brasil no ramo de bebidas não alcoólicas. Tem como produto principal o suco Bona Fructus, que possui duas linhas: infantil e adulta. A saber: Infantil: sucos nos sabores chocolate, laranja e uva; destinado ao público infantil entre cinco e dez anos. Sua comunicação é direcionada às mães, cuja faixa etária está entre 25 e 40 anos, das classes A e B; ○ Adulta: sucos nos sabores uva, pêssego, manga, laranja, abacaxi e açaí, nas versões regular e light. Sua comunicação é voltada para o mesmo segmento da linha infantil: mães, cuja faixa etária está entre 25 e 40 anos, das classes A e B. ○ • Há, ainda, uma linha com sucos à base de soja, laranja e vitaminas, sem lactose e sem colesterol, direcionada ao público que é intolerante à lactose e que se preocupa com a saúde e a alimentação. • Página 10 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA alimentação. A sede da empresa está localizada em Botucatu, no interior do estado de São Paulo, e sua atuação compreende as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país, com a perspectiva de ser ampliada para as demais regiões ainda nos próximos anos. • As vendas crescem em razão da qualidade dos produtos e da propaganda boca a boca provocada pela assessoria de imprensa, já que o investimento em comunicação é baixo. Além disso, realiza ações com os revendedores – em sua maioria, varejistas. • Seus maiores concorrentes são os sucos Del Valle, da Coca-Cola Femsa, e os sucos Maguary, da Ebba (Empresa Brasileira de Bebidas e Alimentos). O principal objetivo da empresa em relação ao suco Bona Fructus é o alcance de 100 milhões de litros em vendas para o mercado B2C (direcionado ao consumidor). • Os objetivos de marketing da empresa são: Atingir 2% de fatia de mercado; ○ Iniciar um processo de construção da imagem e do posicionamento para os produtos. ○ • O objetivo geral do plano de Comunicação Mercadológica é elevar o interesse do consumidor a partir da criação da imagem da marca, e os públicos-alvo são: público interno, força de vendas, intermediários e consumidor final. • Para cada público foram estabelecidos objetivo, posicionamento e estratégias: Público Interno: Objetivo: motivar e gerar comprometimento; Posicionamento: um bom relacionamento traz bons frutos (uma empresa onde há bons relacionamentos traz mais resultados e mais vendas); Estratégias: programas de motivação e comprometimento (estimular feedbacks, valorizar os funcionários e incentivar a equipe). ○ Força de Vendas: Objetivo: motivar e gerar comprometimento; Posicionamento: um bom relacionamento traz bons frutos; Estratégias: reuniões com apresentações de tendências, concorrência e política de vendas da empresa. ○ Varejistas/Atacadistas: Objetivo: melhorar relacionamento; produtos expostos nos pontos de venda adequados; Posicionamento: um bom relacionamento traz bons frutos; Estratégias: programa de relacionamento; merchandising; degustação nos pontos de venda; brindes. ○ Consumidor Final: Objetivos: apresentar o produto e a marca; criar rede de relacionamento com consumidor e imprensa; Posicionamento: um bom relacionamento traz bons frutos; Estratégias: campanha de propaganda; presença nas redes sociais; hotsite e fanpage; assessoria de imprensa. ○ • 1.2. Case Harley-Davidson Brasil A marca norte-americana Harley-Davidson é um exemplo de Comunicação Mercadológica. De acordo com informações contidas no site da empresa,sua atuação data de mais de 100 anos. Sua missão vai além da construção de máquinas: defesa da busca pela aventura e pela liberdade da alma. • Possui uma variedade de produtos (jaquetas, camisetas, calças, capacetes, luvas, mochilas, óculos de sol, chaveiros, adesivos e outros) que, no Brasil, estão disponíveis para venda dentro das concessionárias, em lojas construídas para isso. • Tem como estratégias, até 2025, listadas no plano The Hardwire, um crescimento lucrativo a longo prazo, por meio do fortalecimento da marca, e o aumento de sua atratividade. De acordo com o presidente da empresa, Jochen Zeitz: A Harley-Davidson tem uma tremenda oportunidade de construir uma marca de estilo de vida global única, enraizada na “motocultura”. O icônico “bar and shield” é um dos logotipos mais reconhecidos do mundo e, ao contrário de qualquer um de nossos ○ • Página 11 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA logotipos mais reconhecidos do mundo e, ao contrário de qualquer um de nossos concorrentes, temos a oportunidade de evoluir nossa marca de estilo de vida para novos patamares se buscarmos e executarmos rigorosamente nossa estratégia nos próximos anos. A proposta mercadológica da marca é fazer o consumidor acreditar que, ao adquirir uma motocicleta, ele passa a compor um grupo selecionado de motociclistas, os “harleiros”, cujo estilo de vida é semelhante à missão que a empresa propõe: busca pela aventura e pela liberdade em cima de uma motocicleta Harley-Davidson. • O processo de Comunicação Mercadológica da empresa é voltado para a difusão de um estilo de vida comum aos consumidores em todo mundo. No Brasil, os produtos da marca são direcionados para o público A, já que a motocicleta mais barata da marca tem preço sugerido de R$ 90.500,00. Atualmente, há 19 concessionárias espalhadas pelo Brasil, exceto na região Norte. • Aos sábados, a marca oferece um café da manhã nas concessionárias antes dos passeios, que funciona como um ponto de encontro da marca com os motociclistas. • Há, ainda, o “motogrupo” denominado “Harley-Davidson Owners Group” (HOG), cujos membros ultrapassam 500.000 no mundo. O HOG não possui renda mensal, sendo patrocinado pela marca. Todos os membros que adquiriram uma motocicleta zero quilômetro em uma das concessionárias têm uma carteira de identificação universal, com anuidade gratuita (depois de um ano gratuito, a anuidade passa a custar US$ 45), cujos benefícios podem ser desfrutados dentro ou fora do país: ABC dos passeios; ○ Informações para a segurança do motociclista; ○ Placas com informações para a segurança do motociclista no Chapter (locais que facilitam o encontro dos motociclistas); ○ Programa de milhagem; ○ Inscrição para Chapter local; ○ Entrada gratuita no Harley-Davidson Museum; ○ HOG Magazine; ○ HOG eMagazine, www.hogeuropegallery.com; ○ Seguro H-D; ○ Ladies of Harley (LOH) – associação de companheira, namorada e esposa de “harleiro” no clube – essas associadas ganham um boche exclusivo com o logotipo das Ladies of Harley; ○ Envio de motocicleta; ○ Assistência na estrada; ○ H.O.G. Rallies (eventos tradicionais da Harley-Davidson para reunir amigos em um local agradável para se divertir); ○ Manual de passeios; ○ Central de atendimento ao cliente H.O.G.; ○ Benefícios especiais nos eventos realizados pela Harley-Davidson do Brasil. ○ • Outro ponto interessante é a identificação da marca. O secretário do HOG tem um manual de como utilizá-la, e os materiais de comunicação que são produzidos devem respeitar as regras do manual e passar por autorização do HOG do Brasil. • A partir dessas informações, podemos atestar que a Comunicação Mercadológica da Harley- - Davidson se baseia no diálogo e na captação das aspirações, dos desejos e das necessidades de seus consumidores. O “harleiro”, acolhido, bem tratado, sente que a marca o representa. • Ações comunicativas, publicidade, propaganda, relações públicas, merchandising, eventos, entre outros, são responsáveis pela transmissão de mensagens e conteúdos capazes de tornar efetivo e sólido o relacionamento entre marca e consumidor. • Página 12 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA Página 13 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA