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QUESTÕES PARA TREINAR 
 
Questão	1	
No	decurso	de	uma	assembleia	corporativa,	Alberto,	movido	por	dissensões	pretéritas,	imputa	a	
Carla,	 uma	 colega	 de	 trabalho,	 a	 prática	 de	 apropriação	 indevida	 de	 recursos	 financeiros	
pertencentes	à	empresa.	Ele	assevera	que	Carla	teria	transferido	vultosas	quantias	monetárias	
para	 sua	 conta	 bancária	 pessoal,	 sem,	 contudo,	 oferecer	 qualquer	 elemento	 probatório	 que	
sustente	a	veracidade	de	sua	acusação.	Tal	afirmação	gera	significativo	embaraço	à	Carla,	que,	
posteriormente,	verifica	que	Alberto	também	disseminou	a	acusação	infundada	em	um	grupo	de	
mensagens	 corporativo.	 Mariana,	 supervisora	 hierárquica	 de	 Carla,	 toma	 conhecimento	 do	
episódio,	mas	opta	por	não	intervir	a	fim	de	“evitar	dissabores	com	Alberto”.	Em	paralelo,	Daniel,	
um	 amigo	 íntimo	 de	 Alberto,	 confecciona	 um	 documento	 fraudulento	 com	 a	 pretensão	 de	
corroborar	 as	 imputações	 dirigidas	 contra	 Carla.	 A	 situação	 é	 submetida	 às	 autoridades	
competentes	quando	Carla	formaliza	uma	denúncia	oficial.			
	
I. Identificar	os	crimes	atribuíveis	a	Alberto,	Mariana	e	Daniel,	indicando	os	dispositivos	
normativos	aplicáveis.			
II. Examinar	se	a	conduta	de	Alberto	se	subsume	ao	crime	de	calúnia	(art.	138	do	Código	
Penal)	ou	ao	de	difamação	(art.	139	do	Código	Penal),	considerando	a	ausência	de	provas	
e	a	divulgação	das	alegações.			
III. Analisar	a	eventual	responsabilidade	de	Mariana	à	luz	do	art.	13,	§2º,	do	Código	Penal,	
verificando	a	relevância	jurídica	de	sua	omissão.			
IV. Avaliar	se	a	conduta	de	Daniel,	ao	falsificar	o	documento,	configura	o	crime	de	falsidade	
ideológica	(art.	299	do	Código	Penal)	ou	outro	tipo	penal	correlato.			
	
Resposta	padrão:	
a) Alberto:	Submete-se	ao	tipo	penal	de	calúnia	(art.	138	do	CP),	por	imputar	falsamente	a	
Carla	 a	 prática	 de	 conduta	 delituosa	 consistente	 no	 desvio	 de	 recursos	 financeiros,	
qualificando-se	tal	imputação	como	fato	definido	como	crime.			
b) Mariana:	Em	princípio,	não	se	verifica	a	prática	de	delito	diretamente	imputável,	uma	
vez	que	sua	omissão	não	caracteriza	um	crime	omissivo	impróprio,	dada	a	ausência	de	
um	vínculo	jurídico	que	lhe	imponha	um	dever	legal	de	agir.			
c) Daniel:	Configura-se	o	delito	de	falsidade	ideológica	(art.	299	do	CP),	por	elaborar	um	
documento	cuja	finalidade	era	alterar	a	verdade,	com	o	propósito	de	respaldar	alegações	
sabidamente	inverídicas.			
d) O	 crime	de	 calúnia	 consiste	 em	atribuir	 falsamente	 a	 outrem	a	prática	de	 fato	que	 a	
legislação	penal	define	como	crime,	enquanto	a	difamação	envolve	ofensas	à	reputação	
alheia,	sem	necessariamente	imputar	um	ilícito	penal	específico.			
e) No	presente	caso,	as	declarações	de	Alberto	enquadram-se	no	tipo	penal	de	calúnia,	dado	
que	 a	 imputação	 envolve	 a	 prática	 de	 crime	 (apropriação	 indevida	 de	 recursos	
empresariais).			
f) Conforme	o	art.	13,	§2º,	do	Código	Penal,	a	omissão	só	será	penalmente	relevante	se	o	
agente	 tiver	 o	 dever	 jurídico	 de	 agir	 para	 impedir	 o	 resultado.	 Mariana,	 enquanto	
supervisora,	 não	 possui,	 no	 contexto	 descrito,	 vínculo	 jurídico	 que	 imponha	 tal	
obrigação,	o	que	exclui	sua	responsabilidade	penal	pelo	evento.			
g) A	falsificação	do	documento	configura	o	delito	de	falsidade	ideológica	(art.	299	do	CP),	
dado	 que	 sua	 ação	 tinha	 como	 finalidade	 a	 inserção	 de	 informações	 inverídicas	 em	
documento	particular,	com	o	propósito	de	comprometer	Carla	e	conferir	aparência	de	
veracidade	às	acusações	falsas.			
	
Questão	2	
Ricardo,	gerente	de	um	estabelecimento	comercial,	constata	que	João,	um	de	seus	subordinados,	
vem	apropriando-se	de	pequenos	montantes	pecuniários	do	caixa	ao	término	do	expediente.	Ao	
confrontar	João,	Ricardo	impõe-lhe	a	entrega	de	parte	dos	valores	desviados,	sob	a	condição	de	
que,	caso	não	atenda	à	exigência,	seria	denunciado	às	autoridades	policiais.	Temendo	as	
potenciais	repercussões	legais,	João	consente	em	cumprir	a	exigência.	Contudo,	semanas	após	o	
início	dessa	prática,	a	irregularidade	é	descoberta	no	curso	de	uma	auditoria	interna.	Durante	o	
interrogatório,	Ricardo	tenta	justificar	suas	ações	alegando	que	agiu	com	a	intenção	de	
“controlar	a	situação”.			
	
I. Identificar	as	infrações	penais	cometidas	por	Ricardo	e	João,	com	fundamento	no	Código	
Penal.			
II. Examinar	 se	 a	 conduta	 de	 Ricardo	 se	 enquadra	 no	 crime	 de	 concussão	 (art.	 316	 do	
Código	Penal)	ou	extorsão	(art.	158	do	Código	Penal).			
III. Verificar	se	a	conduta	de	João	caracteriza	furto	(art.	155	do	Código	Penal)	ou	outro	tipo	
penal.			
IV. Analisar	a	alegação	de	Ricardo	sobre	"controlar	a	situação",	à	luz	do	elemento	subjetivo	
(dolo)	exigido	para	os	crimes	contra	a	administração	pública.			
V. Avaliar	se	há	concurso	de	crimes	entre	as	condutas	de	Ricardo	e	João.			
	
Resposta	Padrão		
	
a) Ricardo:	 Enquadra-se	 no	 crime	 de	 concussão	 (art.	 316	 do	 CP),	 ao	 exigir	 vantagem	
econômica	 indevida	 de	 João,	 utilizando-se	 de	 sua	 posição	 hierárquica	 e	 da	 ameaça	
implícita	de	denúncia	às	autoridades.			
b) João:	Configura-se	o	crime	de	furto	(art.	155	do	CP),	por	subtrair	valores	do	caixa	da	loja,	
caracterizando	o	dolo	em	sua	conduta	de	apropriar-se	de	bens	alheios	móveis,	sem	o	
consentimento	do	proprietário.			
c) O	 crime	 de	 concussão	 consiste	 na	 exigência	 de	 vantagem	 indevida	 feita	 por	 agente	
público	em	razão	de	sua	função	(art.	316	do	CP).	Contudo,	em	casos	análogos	no	setor	
privado,	jurisprudência	e	doutrina	utilizam	o	conceito	de	concussão	por	analogia,	devido	
à	autoridade	hierárquica	exercida	sobre	o	subordinado.			
d) Já	o	crime	de	extorsão	(art.	158	do	CP)	exige	o	uso	de	violência	ou	grave	ameaça	de	modo	
explícito	para	constranger	alguém	a	fazer	algo	contra	sua	vontade.			
e) No	caso	concreto,	a	conduta	de	Ricardo	ajusta-se	melhor	à	concussão,	dada	a	ameaça	
implícita	de	denúncia,	que	se	aproveita	de	sua	posição	de	gerente	para	obter	vantagem	
indevida.			
f) A	subtração	de	valores	do	caixa	da	loja	configura	o	crime	de	furto	(art.	155	do	CP),	uma	
vez	 que	 João,	 dolosamente,	 apropriou-se	 de	 quantias	 pertencentes	 ao	 patrimônio	 do	
estabelecimento	sem	autorização	ou	consentimento.	Não	há	elementos	que	caracterizem	
outro	tipo	penal,	como	peculato,	pois	este	se	aplica	a	agentes	públicos.			
g) A	 justificativa	 apresentada	 por	Ricardo,	 de	 que	 agiu	 para	 “controlar	 a	 situação”,	 não	
afasta	o	dolo	exigido	pelo	crime	de	concussão.	O	dolo	é	evidente,	pois	ele	exigiu	vantagem	
econômica	em	benefício	próprio,	valendo-se	da	condição	de	gerente	e	da	vulnerabilidade	
de	João,	independentemente	da	pretensa	intenção	de	evitar	danos	maiores	à	empresa.	
Tal	 alegação	 revela-se	 insustentável,	 já	 que	 o	 crime	 consumou-se	 no	 momento	 da	
exigência	da	vantagem	indevida.			
h) As	condutas	de	Ricardo	e	João	não	configuram	concurso	de	crimes	(art.	69	do	CP),	pois	
são	delitos	autônomos,	praticados	de	maneira	independente	e	com	finalidades	distintas.	
A	 exigência	 de	 vantagem	 por	 parte	 de	 Ricardo	 e	 o	 furto	 perpetrado	 por	 João	 não	
apresentam	conexão	direta	ou	dependência	causal,	afastando	a	existência	de	concurso	
material,	formal	ou	continuidade	delitiva	entre	as	infrações.			
Questão	3			
Durante	 um	 evento	 social,	 Marcos	 registra,	 sem	 a	 anuência	 dos	 envolvidos,	 uma	 cena	 de	
intimidade	 entre	 Júlia	 e	 Eduardo.	 No	 dia	 seguinte,	 ele	 compartilha	 o	 vídeo	 em	 um	 grupo	 de	
mensagens,	 expondo	 ambos	 a	 situações	 de	 constrangimento	 público	 e	 ridicularização.	 Ao	 ser	
interpelado	 por	 um	 dos	 participantes	 do	 grupo,	 Marcos	 remove	 o	 vídeo,	 mas	 Rafael,	 outro	
integrante,	já	havia	realizado	o	salvamento	da	gravação	e	prossegue	disseminando-a.	Ao	tomar	
ciência	dos	fatos,	Júlia	formaliza	uma	denúncia	criminal	contra	ambos.			
	
I. Identificar	os	delitos	imputáveis	a	Marcos	e	Rafael,	com	referência	aos	dispositivos	legais	
aplicáveis	no	Código	Penal.			
II. Examinar	se	a	conduta	de	Marcos	subsume-se	ao	tipo	penalde	divulgação	de	cena	de	
sexo	(art.	218-C	do	Código	Penal)	ou	a	outro	delito.			
III. Avaliar	 a	 responsabilidade	de	Rafael	pela	 continuidade	da	disseminação	do	material,	
considerando	o	elemento	subjetivo	(dolo)	em	sua	conduta.			
IV. Discutir	o	 impacto	do	consentimento	de	 Júlia	e	Eduardo	em	relação	ao	ato	 íntimo	na	
configuração	dos	delitos	em	análise.			
	
Resposta	Padrão	
	
a) Marcos:	A	conduta	de	Marcos	enquadra-se	no	tipo	penal	descrito	no	art.	218-C	do	Código	
Penal	 (divulgação	 de	 cena	 de	 sexo,	 nudez	 ou	 pornografia	 sem	 consentimento).	 A	
gravação	 e	 posterior	 disseminação	 de	 conteúdo	 íntimo	 alheio,	 sem	 autorização,	
caracteriza	a	violação	do	bem	jurídico	protegido	—	a	intimidade	e	a	dignidade	da	pessoa	
humana.			
b) Rafael:	 Ao	 continuar	 a	 divulgação	 do	material	 mesmo	 após	 a	 remoção	 por	 parte	 de	
Marcos,	Rafael	incorre	igualmente	no	crime	previsto	no	art.	218-C	do	Código	Penal,	como	
autor,	considerando	a	autonomia	de	sua	conduta	na	disseminação.			
c) O	crime	de	divulgação	de	cena	de	sexo,	nudez	ou	pornografia	(art.	218-C	do	CP)	exige	a	
divulgação	 não	 autorizada	 de	 conteúdo	 que	 exponha	 a	 intimidade	 de	 terceiros.	 A	
filmagem	não	consentida	potencializa	a	gravidade	da	conduta,	mas	é	a	disseminação	do	
conteúdo	que	configura	o	núcleo	do	tipo	penal.	Marcos,	ao	compartilhar	o	vídeo	em	um	
grupo	 de	 mensagens,	 agiu	 dolosamente	 e	 violou	 a	 intimidade	 de	 Júlia	 e	 Eduardo,	
independentemente	de	sua	posterior	exclusão	do	material.			
d) Rafael,	ao	salvar	e	continuar	a	disseminação	da	gravação,	age	com	dolo	direto,	pois	sua	
conduta	é	consciente	e	deliberada,	voltada	à	perpetuação	da	exposição	da	 intimidade	
das	 vítimas.	Mesmo	 que	 Rafael	 não	 tenha	 realizado	 a	 gravação	 original,	 sua	 atuação	
autônoma	 configura	 nova	 prática	 do	 crime	 previsto	 no	 art.	 218-C	 do	 CP,	 sendo	
responsabilizado	de	forma	independente	de	Marcos.			
e) Adicionalmente,	 Rafael	 não	 pode	 alegar	 desconhecimento	 do	 caráter	 ilícito	 de	 sua	
conduta,	uma	vez	que	a	gravação	expõe	pessoas	em	situação	íntima	sem	consentimento.			
f) O	 consentimento	 de	 Júlia	 e	 Eduardo	 em	 relação	 ao	 ato	 íntimo	 é	 irrelevante	 para	 a	
tipificação	 dos	 delitos	 analisados.	 O	 crime	 de	 divulgação	 de	 cena	 de	 sexo,	 nudez	 ou	
pornografia	 exige	 como	 elemento	 subjetivo	 a	 ausência	 de	 consentimento	 quanto	 à	
gravação	e/ou	à	divulgação	do	conteúdo.	Assim,	ainda	que	ambos	tivessem	consentido	
na	interação	filmada,	a	disseminação	sem	autorização	viola	sua	intimidade	e	dignidade.			
	
Questão	4	
Carlos,	 ao	 ser	 parado	 em	 uma	 operação	 policial	 de	 rotina	 (blitz),	 apresenta	 aos	 agentes	 um	
documento	que,	segundo	ele,	comprovaria	sua	habilitação	para	conduzir	veículos	automotores.	
Entretanto,	diante	de	suspeitas	quanto	à	autenticidade	do	documento,	os	policiais	submetem-no	
a	 perícia	 técnica,	 que	 confirma	 tratar-se	 de	 um	material	 falsificado.	 Em	 interrogatório,	 Carlos	
admite	ter	adquirido	o	referido	documento	de	terceiros	mediante	pagamento.			
	
I. Identificar	 os	 crimes	 praticados	 por	 Carlos,	 indicando	 os	 dispositivos	 normativos	
pertinentes.			
II. Examinar	se	a	conduta	de	Carlos	configura	o	crime	de	uso	de	documento	falso	(art.	304	
do	CP)	ou	falsidade	ideológica	(art.	299	do	CP).			
III. Avaliar	a	relevância	da	confissão	de	Carlos	para	sua	responsabilização	penal.			
IV. Analisar	se	o	fornecedor	do	documento	pode	ser	enquadrado	como	coautor	ou	partícipe.			
	
Resposta	Padrão	
a) Carlos:	A	conduta	de	Carlos	caracteriza	o	crime	de	uso	de	documento	falso	(art.	304	do	
Código	 Penal),	 que	 ocorre	 quando	 alguém	 faz	 uso	 de	 um	 documento	 sabidamente	
inautêntico,	independentemente	de	ter	ou	não	participado	de	sua	falsificação.			
b) Fornecedor:	O	indivíduo	que	produziu	ou	comercializou	o	documento	falso	poderá	ser	
responsabilizado	 pelo	 crime	 de	 falsificação	 de	 documento	 público	 (art.	 297	 do	 CP),	
considerando	 que	 o	 documento	 de	 habilitação	 (CNH)	 é	 uma	 peça	 oficial	 emitida	 por	
autoridade	pública	competente.			
c) O	crime	de	uso	de	documento	falso	(art.	304	do	CP)	está	intrinsecamente	vinculado	à	
falsidade	 do	 documento	 utilizado.	 Carlos,	 ao	 apresentar	 conscientemente	 a	 CNH	
falsificada	às	autoridades	policiais,	manifesta	o	dolo	necessário	para	a	consumação	do	
delito.			
d) O	crime	de	falsidade	ideológica	(art.	299	do	CP)	não	se	aplica	ao	caso	concreto,	pois	este	
delito	 exige	 que	 o	 agente	 insira	 ou	 omita	 informações	 falsas	 em	 um	 documento	
autêntico,	o	que	não	é	a	situação	descrita.	Aqui,	o	objeto	é	um	documento	materialmente	
falso.			
e) A	 confissão	 de	 Carlos	 não	 exclui	 sua	 responsabilidade	 penal,	 dado	 que	 o	 crime	 já	 se	
consumou	com	o	uso	consciente	do	documento	falso.	Contudo,	a	admissão	voluntária	
pode	ser	considerada	uma	atenuante	na	dosimetria	da	pena,	nos	termos	do	art.	65,	III,	
"d",	do	Código	Penal.	A	confissão	demonstra	colaboração	com	as	autoridades	e	pode	ser	
relevante	para	fixar	a	pena-base	em	patamar	mais	brando.			
f) O	fornecedor	do	documento,	ao	produzir	ou	disponibilizar	a	CNH	falsificada,	responde	
de	forma	autônoma	pelo	crime	de	falsificação	de	documento	público	(art.	297	do	CP).			
g) Não	 há	 coautoria	 ou	 participação	 entre	 Carlos	 e	 o	 fornecedor,	 pois	 ambos	 atuam	de	
maneira	 independente,	 com	 dolo	 próprio	 e	 finalidade	 diversa.	 Carlos	 responde	 por	
utilizar	o	documento;	o	fornecedor,	por	produzi-lo	ou	comercializá-lo.			
	
Questão	5	
João	é	interceptado	durante	uma	abordagem	policial	enquanto	transportava,	no	interior	de	seu	
veículo,	 uma	mala	 contendo	 1	 kg	 de	 cocaína.	 Ao	 ser	 questionado,	 João	 afirma	 desconhecer	 o	
conteúdo	ilícito.	No	entanto,	após	a	análise	de	seu	aparelho	celular,	constatou-se	a	existência	de	
mensagens	de	texto	indicando	que	ele	havia	participado	ativamente	da	negociação	e	combinado	
a	entrega	do	entorpecente	com	terceiros.			
	
I. Identificar	 os	 crimes	 praticados	 por	 João,	 fundamentando	 a	 resposta	 na	 Lei	 nº	
11.343/2006.			
II. Verificar	se	a	conduta	de	João	se	enquadra	no	crime	de	tráfico	de	drogas	(art.	33	da	Lei	
nº	11.343/2006).			
III. Avaliar	a	possibilidade	de	João	alegar	desconhecimento	como	excludente	do	dolo	exigido	
para	a	tipificação	penal.			
IV. Analisar	se	há	configuração	de	concurso	de	pessoas	na	prática	criminosa.			
	
Resposta	Padrão	
a) João:	Sua	conduta	se	subsume	ao	crime	de	tráfico	de	drogas	previsto	no	art.	33,	caput,	da	
Lei	 nº	 11.343/2006.	 Este	 dispositivo	 tipifica	 como	 tráfico	 uma	 série	 de	 condutas	
relacionadas	a	substâncias	entorpecentes,	 incluindo	o	 transporte,	posse,	e	entrega	de	
drogas,	com	dolo	específico	de	promoção	ou	facilitação	da	circulação	do	produto	ilícito.			
b) O	 crime	 de	 tráfico	 de	 drogas	 possui	 caráter	 multifacetado,	 abrangendo	 diversas	
condutas,	entre	elas	o	transporte	de	substâncias	ilícitas.			
c) No	caso	de	João,	embora	tenha	inicialmente	alegado	desconhecimento	do	conteúdo,	as	
mensagens	 de	 texto	 encontradas	 configuram	 prova	 inequívoca	 de	 sua	 participação	
consciente	 e	 dolosa	 na	 prática	 delitiva,	 especialmente	 por	 evidenciar	 sua	 atuação	 na	
negociação	da	entrega.	A	materialidade	do	tráfico	está	evidenciada	pela	apreensão	da	
droga	e	pela	quantidade	transportada,	sendo	o	dolo	demonstrado	pelas	mensagens.			
d) João	 não	 pode	 invocar	 o	 desconhecimento	 como	 excludente	 de	 dolo.	 Embora	 o	
desconhecimento	 da	 ilicitude	 ou	 do	 conteúdo	 pudesse,	 em	 tese,	 afastar	 a	 tipicidade	
subjetiva,	as	provas	materiais	(mensagens	trocadas)	demonstram	sua	ciência	inequívoca	
do	transporte	de	cocaína.			
e) Alegações	 genéricas	 de	 ignorância	 são	 insuficientes	 para	 afastar	 a	 responsabilidade	
penal	diante	de	elementos	probatórios	que	indiquem	o	contrário.	Assim,	o	dolo	direto	
no	transporte	está	configurado,	e	a	excludente	não	se	aplica	ao	caso.			
f) O	 tráfico	 de	 drogas	 é	 frequentemente	 praticado	 de	 forma	 associativa,	 o	 quepode	
implicar	o	concurso	de	pessoas.	No	presente	caso,	as	mensagens	de	João	com	terceiros	
indicam	a	existência	de	uma	divisão	de	tarefas,	com	dolo	compartilhado	entre	os	agentes	
para	promover	a	circulação	da	substância	ilícita.			
g) O	concurso	de	pessoas	(art.	29	do	Código	Penal)	se	aplica	quando	há	a	convergência	de	
vontades	e	a	cooperação	entre	os	agentes,	ainda	que	as	funções	desempenhadas	sejam	
distintas	(negociação,	transporte,	distribuição).	João,	ao	transportar	a	droga	negociada,	
contribuiu	para	a	execução	do	plano	criminoso,	sendo	coautor	na	prática	do	tráfico.			
h) O	transporte	de	grande	quantidade	de	entorpecente	—	no	caso,	1	kg	de	cocaína,	droga	
classificada	 como	de	 alto	 potencial	 lesivo	 pela	Anvisa	—	 constitui	 fator	 relevante	 na	
dosimetria	da	pena.			
i) Nos	termos	do	art.	42	da	Lei	nº	11.343/2006,	a	quantidade	e	a	natureza	da	substância	
ilícita	são	critérios	que	preponderam	na	fixação	da	pena-base,	podendo	resultar	em	pena	
mais	severa,	dada	a	gravidade	objetiva	do	transporte	de	drogas	em	tal	volume.			
	
	
Questão	6			
Durante	 uma	 intensa	 discussão	 em	 ambiente	 familiar,	 Eduardo,	 movido	 por	 um	 descontrole	
emocional	evidente,	desferiu	um	golpe	físico	(soco)	em	Marina,	sua	irmã,	ocasionando-lhe	lesão	
corporal	leve.	Em	seguida,	ainda	sob	efeito	da	altercação,	Eduardo	proferiu	ameaças	de	morte,	
condicionando-as	à	hipótese	de	Marina	registrar	o	 fato	 junto	às	autoridades	policiais.	Cláudio,	
irmão	das	partes	e	testemunha	presencial	do	ocorrido,	optou	por	não	interferir,	justificando	sua	
omissão	como	uma	tentativa	de	evitar	“problemas	maiores”.	Posteriormente,	Marina,	temendo	
por	 sua	 integridade	 física,	 formalizou	uma	denúncia	 contra	Eduardo.	Durante	 a	 apuração	dos	
fatos,	foi	constatado	que	Cláudio	havia	gravado	o	momento	da	agressão,	mas	não	apresentou	tal	
prova	até	ser	intimado	judicialmente.			
	
I. Identificar	 as	 infrações	 penais	 atribuíveis	 a	 Eduardo	 e	 Cláudio,	 com	 a	 indicação	 dos	
dispositivos	legais	aplicáveis.			
II. Examinar	a	conduta	de	Eduardo,	diferenciando	o	crime	de	lesão	corporal	leve	(art.	129,	
caput,	do	CP)	de	vias	de	fato,	bem	como	analisando	a	tipicidade	das	ameaças	(art.	147	do	
CP).			
III. Verificar	se	a	omissão	de	Cláudio	configura	crime	omissivo	próprio	ou	impróprio	à	luz	
do	art.	13,	§2º,	do	Código	Penal.			
IV. Avaliar	 a	 responsabilidade	 penal	 de	 Eduardo,	 considerando	 a	 influência	 do	 estado	
emocional	(violenta	emoção).			
	
Resposta	Padrão	
a) Eduardo:	 	 a	 agressão	 física	que	 resultou	em	ofensa	à	 integridade	corporal	de	Marina	
configura	 o	 delito	 de	 lesão	 corporal	 leve,	 evidenciado	pela	 necessidade	 de	 exame	de	
corpo	de	delito;	as	declarações,	consistentes	em	promessas	graves	de	morte,	visaram	
incutir	medo	e	coagir	Marina,	ajustando-se	ao	tipo	penal	de	ameaça.			
b) Cláudio:		a	conduta	de	Cláudio	pode	ser	analisada	sob	o	prisma	da	omissão	de	socorro	
(art.	135	do	CP),	caso	se	entenda	que	ele	tinha	a	possibilidade	de	evitar	ou	atenuar	o	
resultado	lesivo	sem	expor-se	a	risco	pessoal.			
c) Lesão	corporal	leve:	O	art.	129,	caput,	do	Código	Penal,	tipifica	a	ofensa	à	integridade	
física	ou	à	saúde	de	outrem,	independentemente	de	intenção	de	causar	maior	dano.	A	
materialidade	do	crime	de	lesão	corporal	leve	se	comprova	por	meio	de	exame	de	corpo	
de	delito	ou	outra	prova	médica	que	demonstre	a	existência	de	lesões	físicas	resultantes	
do	soco	desferido.			
d) Vias	de	fato:	Diferentemente	da	lesão	corporal,	vias	de	fato	(atos	físicos	ofensivos	sem	
resultado	lesivo)	não	são	crime,	sendo	consideradas	infração	penal	de	menor	potencial	
ofensivo	(art.	21	da	Lei	das	Contravenções	Penais).	No	caso,	como	houve	lesão,	não	se	
aplica	a	contravenção.			
e) Ameaça:	O	delito	de	ameaça	(art.	147	do	CP)	exige	que	a	intimidação	seja	idônea	a	causar	
temor,	condição	claramente	preenchida	pelas	palavras	de	Eduardo,	que	 impuseram	a	
Marina	o	receio	fundado	de	violência	grave.			
f) -Embora	 Cláudio	 seja	 irmão	 de	 Marina,	 o	 mero	 vínculo	 familiar	 não	 caracteriza	
automaticamente	um	dever	legal	de	impedir	o	resultado,	exceto	se	estivesse	claro	que	
ele	possuía	meios	eficazes	e	seguros	para	intervir	sem	colocar-se	em	risco.			
g) O	atraso	na	apresentação	da	gravação	não	configura,	isoladamente,	crime	omissivo,	mas	
pode	ser	avaliado	como	desídia	processual.			
h) O	argumento	de	violenta	emoção	não	exclui	a	responsabilidade	penal	de	Eduardo,	pois	
o	descontrole	emocional	não	afasta	o	dolo	nem	descaracteriza	as	condutas	 típicas	de	
lesão	corporal	e	ameaça.			
i) Nos	termos	do	art.	28,	I,	do	CP,	a	emoção	ou	a	paixão,	ainda	que	intensa,	não	isentam	o	
agente	de	pena.	No	entanto,	a	violenta	emoção	pode	ser	considerada	na	dosimetria	da	
pena,	atenuando	sua	gravidade	(art.	65,	III,	"c",	do	CP).			
	
	
Questão	7	
Carlos,	 na	 condição	 de	 agente	 público	 incumbido	 da	 gestão	 de	 aquisições	 municipais,	 aceita	
vantagem	indevida	proposta	por	Renata,	empresária,	a	fim	de	garantir	favorecimento	à	empresa	
desta	em	um	certame	licitatório.	Para	viabilizar	a	fraude,	Renata	elabora	documentos	falsificados	
com	o	objetivo	de	simular	concorrência	entre	empresas	sob	seu	controle.	Posteriormente,	Carlos	
utiliza	parte	dos	valores	ilícitos	recebidos	para	adquirir	um	automóvel	de	luxo,	registrando-o	em	
nome	de	um	parente,	com	a	clara	intenção	de	ocultar	a	origem	ilícita	do	bem.			
	
I. Identifique	as	figuras	delitivas	atribuíveis	a	Carlos	e	Renata,	indicando	os	dispositivos	
normativos	aplicáveis.			
II. Analise	a	conduta	de	Carlos	sob	a	ótica	da	corrupção	passiva	(art.	317	do	Código	Penal)	
e	da	possível	prática	de	lavagem	de	capitais	(art.	1º	da	Lei	nº	9.613/98).			
III. Avalie	as	ações	de	Renata	sob	o	espectro	da	corrupção	ativa	(art.	333	do	Código	Penal)	
e	da	falsificação	de	documentos	(art.	297	do	Código	Penal).			
IV. IV.	Examine	a	configuração	de	concurso	material,	formal	ou	crime	continuado	em	relação	
aos	ilícitos	praticados	por	Renata.			
	
Resposta	Padrão			
a) Carlos:	 	 corrupção	 passiva	 (art.	 317	 do	 Código	 Penal),	 consistente	 na	 solicitação	 ou	
recebimento	 de	 vantagem	 indevida,	 como	 contraprestação	 pelo	 favorecimento	 de	
interesses	particulares	em	razão	de	sua	função	pública;	lavagem	de	capitais	(art.	1º	da	
Lei	 nº	 9.613/98),	 caracterizada	 pela	 utilização	 de	 valores	 provenientes	 de	 atividade	
criminosa,	com	a	ocultação	ou	dissimulação	da	origem	ilícita	mediante	o	registro	do	bem	
em	nome	de	terceiro.			
b) Renata:		corrupção	ativa	(art.	333	do	Código	Penal),	consistente	na	oferta	de	vantagem	
indevida	a	agente	público,	com	o	intuito	de	obter	favorecimento	em	certame	licitatório;	
falsificação	 de	 documento	 público	 (art.	 297	 do	 Código	 Penal),	 pela	 elaboração	 de	
documentos	 fraudulentos	 para	 simular	 a	 concorrência	 entre	 empresas,	 visando	
manipular	o	resultado	da	licitação.			
c) O	núcleo	do	tipo	penal	é	o	recebimento	de	vantagem	indevida,	que	se	verifica	de	forma	
inequívoca	na	aceitação	da	propina	por	parte	de	Carlos,	com	a	intenção	de	privilegiar	
Renata	 em	 detrimento	 da	 regularidade	 do	 certame	 licitatório.	 A	 condição	 de	 agente	
público	é	elemento	essencial	para	a	configuração	do	delito.			
d) A	 aquisição	 de	 um	 veículo	 de	 luxo	 com	 valores	 ilícitos,	 associada	 à	 sua	 ocultação	
patrimonial	mediante	registro	em	nome	de	terceiro,	evidencia	a	intenção	de	ocultar	ou	
dissimular	a	origem	ilícita	do	bem.	Essa	conduta	se	subsume	ao	art.	1º,	§1º,	da	Lei	nº	
9.613/98,	especialmente	quando	se	considera	que	a	lavagem	é	um	crime	subsequente	e	
acessório	ao	delito	antecedente	(corrupção	passiva).			
e) O	oferecimento	de	vantagem	indevida	a	Carlos,	com	a	finalidade	de	obter	um	resultado	
favorável	 no	 procedimento	 licitatório,	 caracteriza	 o	 dolo	 específico	 do	 crime	 de	
corrupção	ativa	(art.	333	do	CP).	A	conduta	é	agravada	pela	efetiva	aceitação	da	propina	
pelo	agente	público.			
f) A	adulteração	de	documentos	destinados	a	simular	concorrência	fictícia	entre	empresas	
no	certame	licitatório	configurao	crime	de	falsificação	de	documento	público	(art.	297	
do	 CP),	 sendo	 irrelevante	 se	 os	 documentos	 foram	 efetivamente	 utilizados	 ou	 se	 o	
objetivo	da	fraude	foi	atingido.			
g) Entre	os	crimes	de	corrupção	ativa	e	falsificação	de	documentos,	verifica-se	autonomia	
dos	 desígnios	 e	 a	 prática	 de	 condutas	 distintas,	 cada	uma	 com	 finalidade	própria:	 	 a	
corrupção	 ativa	 tinha	 como	 objetivo	 corromper	 Carlos	 para	 influenciar	 o	 processo	
licitatório;	 a	 falsificação	 documental	 visava	 criar	 a	 aparência	 de	 legitimidade	 e	
competitividade	no	certame;	dessa	forma,	aplica-se	o	concurso	material,	com	somatório	
das	penas	previstas	para	os	delitos.

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