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Prof. Ronald Sclavi UNIDADE III Webjornalismo e Mobilidade Aqui vocês encontrarão informações para ajudá-los a entender um pouco sobre como funciona o jornalismo nas redes sociais, principalmente as mais acessadas pelos usuários, por isso estudaremos as práticas jornalísticas no Twitter, Youtube, Facebook, Instagram e TikTok. Além disso, nesta unidade estudaremos sobre as reconfigurações que as redações sofreram, principalmente durante o período pandêmico, bem como analisaremos algumas das expectativas para o jornalismo no cenário pós-pandemia. Introdução Quando falamos sobre mídias sociais nos referimos a comunidades que utilizam os dispositivos eletrônicos como computadores e smartphones para suporte e estão hospedadas na internet, presentes no ciberespaço, sendo parte integrante da cibercultura. As estatísticas apontadas pelo site de pesquisa Dream Grow informa que o Facebook é a mídia social com mais usuários ativos em todo o mundo, contando, em 2021, com 2,74 bilhões de usuários, seguido pelo Youtube, com 2.291 bilhões de usuários e WhatsApp, com 2,0 bilhões de usuários. No Brasil, esse ranking top 3 não muda, temos o Facebook em primeiro lugar, contando com 130 milhões de usuários, seguido pelo Youtube, com 127 milhões de usuários, WhatsApp, com 120 milhões de usuários, Instagram, com 110 milhões de usuários, Facebook Messenger, com 77 milhões de usuários, classificando as cinco mídias digitais mais adeptas pelos internautas brasileiros. Jornalismo e mídias sociais Uma das grandes vantagens do jornalismo para mídias sociais é seu impacto imediato na divulgação de notícias, além do seu crescimento como primeira fonte de informação para muitas pessoas. Inúmeras pesquisas se esforçam para metrificar o consumo de notícias pela internet e consequentemente pelas mídias sociais. O Instituto Reuters, da Universidade de Oxford, divulgou seu relatório Reuters Digital News 2020, que aponta que o consumo de notícias on-line só vem aumentando, 91% dos brasileiros entrevistados afirmaram utilizar a internet para se informar. Outra pesquisa publicada pela Agência Kaspersky afirmou que a grande maioria, 72% dos usuários brasileiros, com idade entre 20 e 65 anos, utilizaram as mídias sociais para se informar. O novo modelo de jornalismo através das mídias sociais desafia as noções tradicionais de jornalismo, deixando as notícias mais abertas e menos lineares e exige que os jornalistas estejam alertas para encontrar informações em tempo real e que tenham a capacidade de processar conteúdos gerados pelos usuários, coletar informações e criar conteúdos capazes de engajar (KUYUCU, 2020). Jornalismo e mídias sociais Os blogs são entendidos como websites atualizados com certa frequência em que se postam diferentes tipos de conteúdos como texto, fotos, arquivos de som etc., seguindo uma lógica cronológica reversa, do mais novo para o mais antigo, e que oferecem a opção de inserção de comentários em qualquer uma das postagens (SCHITTINE, 2004). Trending topics, que em português significa “tópicos em alta”, são uma seleção dos tópicos mais comentados no Twitter, considerados os temas do momento. Funciona como uma ferramenta dessa mídia social que reúne as palavras-chave mais divulgadas em um período determinado. O Twitter é uma mídia social, classificada como microblog, livre para todos os usuários, em que o internauta pode enviar e receber atualizações, além de publicar textos com no máximo 280 caracteres (no início o limite eram 140). De acordo com sua própria descrição, o “Twitter é o lugar certo para saber mais sobre o que está acontecendo e sobre o que as pessoas estão falando agora”. Trending topics Para Bruns (2018), o Twitter é a mídia social mais importante quando pensamos em engajamento de notícias, principalmente porque, diferentemente das outras mídias sociais, mais de 95% das contas dos usuários são públicas (enquanto 72% dos usuários do Facebook definem suas postagens para privado), você pode seguir qualquer usuário sem a necessidade de autorização. Isso permite uma transmissão mais rápida e generalizada das mensagens. Bruns (2018, p. 66) afirma que o Twitter tem sido ainda a plataforma mais elogiada (mais atacada também), por seu papel de impulsionar as transformações nos processos jornalísticos. Uma das características mais marcantes do Twitter é sua ferramenta de trending topics, por isso mesmo nomeio este capítulo. O algoritmo da plataforma mapeia o fluxo de tweets publicados e elenca os principais assuntos daquele momento, elencando as principais pautas da rede. Além disso, a ferramenta possibilita agrupar os assuntos por meio das hashtags marcadas nas publicações. Trending topics Os tweets precisam ainda se adequar às regras de uso propostas pela plataforma, sendo sua finalidade proporcionar o diálogo público. Sua política é contrária a qualquer tipo de “violência, assédio e outros tipos de comportamentos semelhantes que impeçam as pessoas de se expressarem e diminuem o valor do diálogo público global” (TWITTER, 2022). Para o jornalismo, o Twitter funciona como plantão de notícias, ele aumenta o engajamento e facilita o compartilhamento de informações de maneira mais rápida e abrangente. Muitos jornalistas consideram o Twitter como a mídia social das notícias e, para auxiliar os profissionais, o Twitter lançou o #TfN, Twitter for Newsrooms, um guia para jornalistas que visa auxiliar os processos de produção da informação. De acordo com o site, o objetivo desse manual é tornar as ferramentas fáceis de usar de maneira que o profissional possa se concentrar em seu trabalho, como encontrar fontes, verificar fatos e publicar histórias. Trending topics Esse guia fornece as melhores práticas para auxiliar os jornalistas e redações a aprimorarem os tweets. De maneira resumida, o manual fornece as seguintes dicas: Atualize os fatos na medida em que a história se desenvolve, anexando fotos, vídeos e arquivos, lembrando que as histórias se desenrolam rapidamente. Utilize um fio condutor para contar a história, sem se limitar apenas aos tweets. Apresente os bastidores das notícias. Estabeleça conexões entre os tweets para contar uma história longa. Trending topics O Youtube conta com mais de 2 bilhões de usuários ativos, sendo 83 milhões de brasileiros. O Brasil ocupa a terceira posição no ranking de usuários da plataforma que se consolidou como a principal mídia para compartilhamento de vídeos no mundo e a segunda maior mídia social do mundo. Ainda que seja uma plataforma de vídeo, seu negócio vai além: Seu negócio é, mais precisamente, a disponibilização de uma plataforma conveniente e funcional para o compartilhamento de vídeos on-line: os usuários (alguns deles parceiros de conteúdo premium) fornecem o conteúdo que, por sua vez, atrai novos participantes e novas audiências (BURGESS; GREEN, 2009, p. 21). A monetização no Youtube mudou ao longo dos anos, e após inúmeros problemas passou a seguir posturas mais rígidas. É preciso fazer parte do Programa de Parcerias do YouTube (YPP), que analisa o canal e o conteúdo publicado. Tópicos como tema principal do canal, vídeos mais assistidos, proporção de tempo de exibição e os metadados dos vídeos são analisados. Jornalismo no Youtube O Youtube foi abraçado pelos jornalistas que reconheceram seu potencial informativo, seja por jornalistas independentes – que perceberam na plataforma uma forma de criar e compartilhar conteúdos, os quais, além de informar, poderiam ser monetizados –, seja pelas empresas jornalísticas que também entenderam seu potencial. Lichtenstein, Herbers e Bause (2022) entrevistaram vários jornalistas acerca de seu trabalho informativo por meio do Youtube, e todos acreditam que seu trabalho contribui para a modernização do jornalismo, que passa a tercomo público-alvo pessoas mais jovens. Jornalismo no Youtube Atualize os fatos na medida em que a história se desenvolve, anexando fotos, vídeos e arquivos, lembrando que as histórias se desenrolam rapidamente. Utilize um fio condutor para contar a história. Apresente os bastidores das notícias. Estabeleça conexões entre os tweets para contar uma história longa. Essas são dicas para a prática do jornalismo utilizando: a) Instagram. b) Twitter. c) Facebook. d) YouTube. e) TikTok. Interatividade Atualize os fatos na medida em que a história se desenvolve, anexando fotos, vídeos e arquivos, lembrando que as histórias se desenrolam rapidamente. Utilize um fio condutor para contar a história. Apresente os bastidores das notícias. Estabeleça conexões entre os tweets para contar uma história longa. Essas são dicas para a prática do jornalismo utilizando: a) Instagram. b) Twitter. c) Facebook. d) YouTube. e) TikTok. Resposta O Facebook é a mídia social mais famosa na atualidade. Fundada em 2004 por Mark Zuckerberg, Dustin Moskovitz e Chris Hughes, a plataforma conta hoje com 2,7 bilhões de usuários ativos, sendo 150 milhões de brasileiros, o que representa incríveis 69% de nossa população. O Facebook funciona como intermediário para a divulgação de informações, direcionando tráfego para os sites das empresas jornalísticas ou mesmo para páginas ou blogs pessoais de jornalistas autônomos. Assim, a plataforma é uma grande vitrine para as publicações, que são entregues para os usuários seguindo algoritmos específicos, ligados ao próprio comportamento do usuário, mas também a possibilidades de anúncios que potencializam essa entrega. A principal ferramenta é a criação de uma inscrição específica para jornalistas oferecida pelo site, para isso o usuário precisa ser um jornalista ou colaborador freelancer que trabalhe com funções editoriais. Ao realizar a inscrição, o usuário passa a ter acesso a recursos de segurança avançados e podem qualificar outros benefícios, inclusive de monetização. Jornalismo no Facebook Outra forma de incentivar e facilitar o trabalho dos jornalistas é por meio de cursos oferecidos gratuitamente pela plataforma com o “projeto de jornalismo do Facebook”, que tem como objetivo “facilitar o uso do Facebook e do Instagram no trabalho diário dos jornalistas”, para auxiliar jornalistas a dominarem os produtos e as melhores práticas em ambas plataformas. A empresa também é responsável pelo Meta Journalism Project, que tem como objetivo “fortalecer a conexão entre jornalistas e as comunidades que eles atuam. O objetivo do programa é ajudar o setor de notícias a enfrentar os principais desafios de negócios por meio de treinamentos, programas e parcerias” (FACEBOOK, [s.d.]b). Jornalismo no Facebook O Instagram é uma mídia social que tem como principal objetivo o compartilhamento de fotos e vídeos. Criada em 2010 por Kevin Systrom e Mike Krieger, foi primeiramente disponibilizada apenas para IOS (Iphones e Ipads), e em 2012 para Androids, mesmo ano em que a empresa foi comprada pelo Facebook. Hoje a plataforma conta com 1,39 bilhão de usuários ativos em todo mundo e com 99 milhões de brasileiros. O lema da empresa é “nós aproximamos você das pessoas e coisas que ama”. O feed é a página principal do perfil do usuário, considerado uma vitrine, pois é o primeiro contato que os outros usuários têm com a conta. É por ali que a pessoa explora aquele perfil, por isso é muito importante ter um cuidado maior com as postagens dessa parte. As legendas nas fotos podem conter textos de até 2.200 caracteres, lembrando que as hashtags também contam como caracteres. As legendas não permitem que se insiram links clicáveis. O Instagram permite até 30 hashtags por publicação, mas o ideal é que se insiram cinco por post, uma vez que, quando há muitos, o algoritmo da plataforma pode identificar como spam e bloquear a publicação. Jornalismo no Instagram Os reels correspondem a vídeos de até 30 segundos que podem ser criados pelo aplicativo ou carregados pelo seu dispositivo. Eles permanecem em uma aba lateral e podem ficar permanentemente à disposição do usuário. Esse recurso chamou atenção porque sua entrega para outros usuários era maior do que por meio dos outros recursos, potencializando a visualização da publicação e trazendo mais engajamento para o perfil. O IGTV permite o compartilhamento de vídeos mais longos que os stories ou reels, com duração que pode variar entre 60 segundos e 15 minutos. Você pode gravar um vídeo pela plataforma ou carregar vídeos prontos de seu dispositivo. É considerado uma ferramenta para aprofundar assuntos diversos. Os stories são uma ferramenta criada para compartilhar momentos do dia a dia, com uma permanência de 24 horas “no ar”. Permitem a postagem de vídeos de 15 segundos, fotos, gifs, textos e músicas. Eles têm sido o recurso de maior utilização e visualização dos usuários. A plataforma afirma que mais de 70% dos usuários assistem aos stories diariamente. É possível também fixar suas postagens favoritas no perfil após terem sido postadas nos stories. Jornalismo no Instagram Durante a pandemia de covid-19, um recurso que ganhou destaque foram as lives. Esse recurso permite que sejam feitas transmissões ao vivo com até 60 minutos de duração. Você pode incluir outras pessoas na mesma live, o que aumenta a capacidade de engajamento. Para o jornalismo, elas funcionam como ótima opção para transmissão de notícias ao vivo. Jornalismo no Instagram O TikTok é uma plataforma de mídia social criada para o compartilhamento de vídeos curtos, alcançando rápida popularidade entre o público mais jovem. Criado pela empresa chinesa Bytedance, em setembro de 2021, conseguiu atingir um bilhão de usuários ativos. De acordo com a página da empresa, o TikTok é o principal destino para o vídeo móvel no formato curto. A missão da empresa é “inspirar criatividade e trazer alegria”. O site também apresenta temas que abrangem a adequação da linguagem, manutenção da função jornalística, abordagem de temas sérios, a justificativa da adesão e a temporalidade das postagens. Segundo a plataforma, se o jornalismo é a primeira coisa que nos vem à cabeça quando pensamos em TikTok, por que não torná-lo também a segunda? A plataforma aponta “alguns caminhos para a utilização do TikTok por veículos jornalísticos”, divisões feitas a partir de pesquisas prévias que mostram possíveis formas de utilização da plataforma para publicações jornalísticas. São elas: A vez do TikTok Extensão de outros conteúdos do jornal: fazendo referência a outros conteúdos do jornal por meio da adaptação de matérias, chamadas com o conteúdo completo, reciclagem de conteúdos de outras redes sociais ou ainda inserindo trechos de falas de personalidades importantes. Criação de conteúdos direcionados: visualização de dados, adaptação de conteúdos, tendências da plataforma, um apresentador conversando com o espectador utilizando a tela verde. Construção de marca: gestão de comunidade, história do jornal, dia a dia da redação. Educação midiática: vídeos que combatam as fake news e promovam educação midiática. A vez do TikTok É uma plataforma de mídia social criada para o compartilhamento de vídeos curtos, alcançando rápida popularidade entre o público mais jovem. Criado pela empresa chinesa Bytedance, em setembro de 2021, conseguiu atingir um bilhão de usuários ativos. De acordo com a página da empresa, a missão dela é “inspirar criatividade e trazer alegria”. Essa rede social é o: a) Instagram. b) Twitter. c) Facebook. d) YouTube. e) TikTok. Interatividade É uma plataforma de mídia social criada para o compartilhamento de vídeos curtos, alcançando rápida popularidade entre o público mais jovem. Criado pela empresa chinesa Bytedance, em setembro de 2021, conseguiu atingir um bilhãode usuários ativos. De acordo com a página da empresa, a missão dela é “inspirar criatividade e trazer alegria”. Essa rede social é o: a) Instagram. b) Twitter. c) Facebook. d) YouTube. e) TikTok. Resposta Ao decorrer dos capítulos, percebemos que o webjornalismo sofreu muitas adaptações desde a criação da world wide web, e a tendência é que este seja um caminho sem fim. O grande foco do mercado de comunicação passou a ser a mobilidade e que as empresas jornalísticas também estão interessadas em uma produção voltada à mobilidade, assim o futuro do jornalismo é ter sua produção focada para dispositivos móveis em primeiro lugar, favorecendo a estratégia mobile first. A participação dos usuários é tida como uma das características que “redefinem os processos de produção e recepção da webnotícia devido a suas características intrínsecas, como a multimidialidade, interatividade e a atualização contínua” (DANTAS; ROCHA, 2017). A interatividade é uma das principais características do meio digital e o jornalismo também é afetado por ela, assim identificamos um crescimento desta característica pelos próximos anos. Perspectivas do Jornalismo Outra nova característica é o uso cada vez mais recorrente das push messages (serviços de notificação), que podem ser habilitadas pelos usuários e aceleram o processo de visualização, buscando “capturar a atenção do usuário” (PELLANDA et al., 2017, p. 208). A realidade virtual também se apresenta como uma nova ferramenta para o jornalismo imersivo. Baccin et al. (2017, p. 265) afirmam que ela “pode ser considerada um formato promissor para reportagens”. Essa tecnologia possui a potencialidade de aproximar os acontecimentos do usuário de uma maneira nunca antes vista e sem a necessidade do deslocamento, mas para que isso ocorra, é necessário um “engajamento no relato jornalístico”, essa capacidade imersiva fornece ao usuário uma nova forma de experienciar a narrativa (BACCIN et al., 2017, p. 269). Perspectivas do Jornalismo Com tantas transformações tecnológicas, é evidente que o trabalho do jornalista se modificou no decorrer dos últimos anos e as empresas jornalísticas tiveram que se reinventar, adaptando suas redações para novas formas de produzir, compartilhar e engajar. Existe uma demanda para o jornalista multitarefa e a necessidade da polivalência midiática, o contexto em que “o jornalista trabalha simultaneamente para diversos suportes” (DANTAS; ROCHA, 2017, p. 78). Gonçalves (2018, p. 1) analisou as mudanças nas redações jornalísticas contemporâneas. O autor identificou também uma tendência de unificação das redações e uma mudança no foco de trabalho, ele cita uma reportagem publicada pelo jornal O Globo que afirma: A mudança na estrutura e nos processos de trabalho amplia o foco nos ambientes digitais, por meio de smartphones. Durante todo o dia, as principais notícias serão aprofundadas e enriquecidas com análises, vídeos e infográficos em tempo real. O objetivo é conquistar uma audiência cada vez mais qualificada e acompanhar as transformações que uma sociedade conectada impõe ao jornalismo. Reconfiguração das redações O termo “caça-cliques” ou ainda “clickbaites” designa uma técnica comumente utilizada no ambiente digital para atrair interações por meio de cliques dos usuários em páginas com informações diversas, geralmente enganosas ou sensacionalistas. Essa tática tem como objetivo gerar tráfego para os sites que a utilizam e este tráfego pode ser utilizado para atrair anunciantes para a página, que passa a contar com muito acesso. Xavier e Lucena (2019) afirmam que muitos sites de notícias fazem uso desses softwares para entender melhor seu leitor e garantir a publicação de conteúdos que aumentem a visibilidade e, por conseguinte, atraiam maior publicidade. Apesar de serem bastante comuns, o chamado caça-cliques é um desafio a ser combatido no meio digital, principalmente porque prioriza o tráfego em vez da informação de qualidade. Por isso empresas de mídias sociais têm desenvolvido estratégias para combater essa práticas. Jornalismo “caça-cliques” Lischka e Garz (2021) desenvolveram uma pesquisa durante 54 meses com 37 veículos de notícias alemãs e chegaram à conclusão que, após a intervenção reguladora do Facebook, a utilização dessa técnica caiu. Outra variável dessa utilização é o perfil do público, um público definido como “elitista” pelos autores, como sendo jornalistas, políticos ou ainda amantes de notícias. Estes são menos atraídos por títulos caça-cliques por terem uma demanda por notícias de maior qualidade. Outra constatação é que esse tipo de conteúdo é mais produzido por canais de fofoca, que possuem um público com maior aceitação para notícias mais sensacionalistas. Jornalismo “caça-cliques” Com tantas transformações tecnológicas, é evidente que o trabalho do jornalista se modificou no decorrer dos últimos anos e as empresas jornalísticas tiveram: a) Que se reinventar, adaptando suas redações para novas formas de produzir, compartilhar e engajar. b) Que retomar antigas práticas de produção e distribuição de informação. c) Que pressionar as áreas comerciais para que busquem mais anúncios. d) Que contratar mais jornalistas em regime de freelancer. e) Que mudar suas práticas substituindo o jornalismo por entretenimento. Interatividade Com tantas transformações tecnológicas, é evidente que o trabalho do jornalista se modificou no decorrer dos últimos anos e as empresas jornalísticas tiveram: a) Que se reinventar, adaptando suas redações para novas formas de produzir, compartilhar e engajar. b) Que retomar antigas práticas de produção e distribuição de informação. c) Que pressionar as áreas comerciais para que busquem mais anúncios. d) Que contratar mais jornalistas em regime de freelancer. e) Que mudar suas práticas substituindo o jornalismo por entretenimento. Resposta Estamos vivendo uma avalanche de desinformação que infelizmente acabam por depor contra a atividade jornalística de maneira generalizada, uma vez que muitas pessoas (por falta de informação adequada e formação com foco em educação midiática) passam a duvidar de qualquer notícia ou informação postada no ciberespaço, ou muitas vezes no jornalismo impresso. Como notícias falsas podemos apontar algumas categorias diferentes, como: falso contexto, falsas conexões, manipulação dos contextos ou ainda informações totalmente fabricadas. Essa disseminação crescente encontra inúmeras motivações, vindas da perda da confiança nos veículos tradicionais, além da mercantilização do processo noticioso. É importante saber que os problemas relativos às notícias falsas não são uma exclusividade nem um mal do novo milênio. Como Burke (2003, p. 154) afirma: O desafio das fake news François La Mothe Le Vayer, escritor francês do século XVII, por exemplo, argumentou que as obras de história não eram confiáveis porque os mesmos acontecimentos pareciam diferentes de diferentes pontos de vista, tanto nacionais como religiosos. O problema, segundo La Mothe, era essencialmente o da parcialidade, a dos espanhóis ou dos católicos, por exemplo, destacando os sucessos e minimizando os fracassos de seu próprio lado. Pierre Bayle concordava, e chegou a afirmar que lia os historiadores modernos para se informar de seus preconceitos e não sobre os fatos. De fato, o problema da parcialidade, interesse ou “viés” era um dos principais problemas discutidos em tratados sobre a escrita da história no século XVII. Embora a tecnologia já possibilite rastrear e identificar produtores e disseminadores de notícias falsas, ainda não temos um conjunto de leis bem estabelecidas que punam os responsáveis. Nesse sentido, de 2018 para cá já foram apresentadas mais de 80 propostas inseridas nessa temática à câmara dos deputados. O desafio das fake news Uma saída encontradapor grupos de jornais tem sido a ampla divulgação de canais de checagem de informação para que as pessoas consultem quando receberem algo de caráter duvidoso. Em sua maioria, esses sites são produzidos por jornalistas que utilizam pesquisas e rotinas de checagem de informações para confirmar ou refutar alguma notícia. O desafio das fake news Os resultados dessa situação todos vivemos na pele, tivemos nossa rotina transformada pelo isolamento imposto pela situação sanitária, práticas cotidianas foram quase que integralmente convertidas para o meio digital, falamos sobre trabalhos remotos, aulas on-line e reuniões familiares que precisaram migrar para o ciberespaço a fim de preservar a saúde e a vida das pessoas. A imprensa desenvolveu um sério trabalho trazendo dados diários a espectadores sobre o vírus, número de infectados, de vítimas e de curados, além de formas de se proteger da doença. O jornalismo profissional conseguiu trazer informações claras e seguras sobre os acontecimentos, o que nesse momento foi fundamental para auxiliar as pessoas que estavam em isolamento, assim o jornalismo cumpriu seu papel de exercer utilidade pública a todas as pessoas. Jornalismo e a pandemia de covid-19 Castilho (2020) levanta também uma agenda de reflexões sobre os novos desafios que a pandemia trouxe ao jornalismo, sendo eles: Substituição das pesquisas de opinião pelo engajamento com o público como forma de identificar necessidades, dúvidas e desejos dos leitores; Integração de narrativas por meio das diferentes plataformas multimídia; Agravamento da crise financeira dos veículos de comunicação; Combate à desigualdade informativa entre ricos e pobres; Internacionalização dos fluxos de informação; Necessidade de redefinir o jornalismo como uma prática social com foco no interesse público. A pandemia trouxe também mudanças nas rotinas das redações, flexibilizando o trabalho remoto e naturalizando entrevistas por videoconferência. Algumas práticas que antes aconteciam somente no presencial passaram a funcionar também no modelo on-line. Jornalismo e a pandemia de covid-19 Paulo Mário Martins, da TV Globo, disse que foram dias de “intenso malabarismo emocional: um exercício diário de informar sem deixar a peteca cair, ser forte para encarar tão de perto esse cenário trágico”. Cristina Tardáguila, da Rede Internacional de Checagem aos Fatos, afirmou que “finalmente o planeta entendeu que a checagem pode salvar vidas”. Marina Atoji, da Transparência Brasil, foi categórica ao ressaltar o papel da imprensa em pressionar o governo federal: “os dados disponíveis pelo governo federal atualmente só existem por causa da pressão da imprensa e da sociedade civil”. Nataly Simões, da agência Alma Preta, refletiu sobre o sentimento de impotência enquanto fazia as coberturas e percebia a maneira como a pandemia afetava a população negra, sobretudo na periferia. Paula Guimarães, cofundadora do Portal Catarinas, afirmou que não poder ir a campo afetou diretamente o trabalho do jornalista. Depoimentos de jornalistas Bibiana Garrido, editora do Jornal Dois, relatou que os jornalistas tiveram que adaptar sua prática, fazer o que fosse possível a distância e se paramentar com máscaras de proteção para ir às ruas. Além disso, os profissionais tiveram a “incumbência profissional de apresentar informações contextualizadas sobre a evolução do vírus” e também sobre as dificuldades que inúmeras famílias vêm enfrentando neste período. É evidente que, como o trabalho dos jornalistas foi e continua sendo fundamental, é preciso que, ao entender a seriedade e necessidade do bom jornalismo, os profissionais se dediquem a construir informações de qualidade, sempre pautadas na ética e na verdade, ancoradas nos princípios do jornalismo profissional. Depoimentos de jornalistas Integração de narrativas por meio das diferentes plataformas multimídia; agravamento da crise financeira dos veículos de comunicação e combate à desigualdade informativa entre ricos e pobres. Essas são algumas discussões impostas ao jornalismo profissional após: a) A Segunda Guerra Mundial. b) A queda do Muro de Berlim. c) A pandemia do covid-19. d) O ataque às Torres Gêmeas. e) Os atentados terroristas em Paris. Interatividade Integração de narrativas por meio das diferentes plataformas multimídia; agravamento da crise financeira dos veículos de comunicação e combate à desigualdade informativa entre ricos e pobres. Essas são algumas discussões impostas ao jornalismo profissional após: a) A Segunda Guerra Mundial. b) A queda do Muro de Berlim. c) A pandemia do covid-19. d) O ataque às Torres Gêmeas. e) Os atentados terroristas em Paris. Resposta BACCIN, A.; SOUSA, M. E.; BRENOL, M. A realidade virtual como recurso imersivo no jornalismo digital móvel. In: CANAVILHAS, J.; RODRIGUES, C. Jornalismo móvel. Covilhã: Labcom.IFP, 2017. BRUNS, A. Gatewatching and news curation: journalism, social media, and the public sphere. Nova York: Peter Lang, 2018. v. 113. 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