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LESÕES CELULARES IRREVERSÍVEIS 4º período – FACICA 2021/2 Déborah de Oliveira Freitas - vet.deboraholiveira@gmail.com Médica Veterinária – UFLA Residência em Clínica Médica de Animais de Companhia – UFLA Mestre em Patologia Veterinária - UFLA mailto:vet.deboraholiveira@gmail.com LESÕES CELULARES IRREVERSÍVEIS LESÃO CELULAR IRREVERSÍVEL – MORTE CELULAR • Morte celular X Necrose / Apoptose • NECROSE – Definição: Morte celular em tecido/organismo vivo seguida de autólise (destruição de tecido vivo ou morto por enzimas e células do próprio organismo; autodigestão.) • APOPTOSE – Morte por processo alvo no qual a célula sofre contração e condensação de suas estruturas, fragmenta-se e é fagocitada por células vizinhas ou por macrófagos, não ocorrendo o processo de autólise. EVENTOS BIOQUÍMICOS COMUNS NA NECROSE • Radicais livres • Depleção de ATP • Defeitos na permeabilidade de membranas • Perda homeostasia cálcio • Resposta à agressão depende do tipo de estímulo, da intensidade e da duração. • Consequências: dependem do tipo, do estado e da adaptabilidade da célula. LESÃO CELULAR IRREVERSÍVEL PROCESSOS QUE INDUZEM ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS NA CÉLULA NECRÓTICA: • Autólise (=autodigestão enzimática) • Heterólise (ação de enzimas de outras células) CARACTERÍSTICAS MICROSCÓPICAS DAS CÉLULAS NECRÓTICAS: • No citoplasma: eosinofilia, aspecto granular • No núcleo: picnose, cariorrexe e cariólise LESÃO CELULAR IRREVERSÍVEL • PICNOSE: o núcleo apresenta um volume reduzido e torna-se hipercorado, tendo sua cromatina condensada; característico na apoptose; • CARIORREXE: a cromatina adquire uma distribuição irregular, podendo se acumular em grumos na membrana nuclear; há perda dos limites nucleares; • CARIÓLISE: há dissolução da cromatina e perda da coloração do núcleo, o qual desaparece completamente. LESÃO CELULAR IRREVERSÍVEL • Já as modificações citoplasmáticas observadas ao microscópio óptico (essas modificações são secundárias às nucleares, sendo visíveis mais tardiamente) consistem em: – presença de granulações e espaços irregulares no citoplasma; podendo estar rompida a membrana citoplasmática. – Intensa eosinofilia é característica, decorrente de alterações lisossomais e mitocondriais. LESÃO CELULAR IRREVERSÍVEL 1º 2º3º LESÃO CELULAR IRREVERSÍVEL LESÃO CELULAR IRREVERSÍVEL • TIPOS DE NECROSE: – Necrose de coagulação – Necrose caseosa – Necrose de liquefação – Necrose da gordura NECROSE DE COAGULAÇÃO • Células necróticas apresentam citoplasma com aspecto de substância coagulada (citoplasma se torna acidófilo e granuloso, gelificado). • No início do processo os contornos celulares são nítidos; é possível identificar os aspectos básicos da arquitetura do tecido necrosado; • Etiologia: A causa mais frequente é isquemia. (= Necrose isquêmica) • Toxinas. NECROSE DE COAGULAÇÃO • Macroscopia: A área atingida é esbranquiçada, fazendo saliência na superfície do órgão. • Frequentemente a região necrótica causada por isquemia é circundada por um halo avermelhado (hiperemia) processo inflamatório agudo frente ao tecido necrótico. NECROSE DE COAGULAÇÃO Infarto renal NECROSE DE COAGULAÇÃO NECROSE DE COAGULAÇÃO NECROSE DE COAGULAÇÃO NECROSE DE COAGULAÇÃO NECROSE DE LIQUEFAÇÃO • Área necrótica adquire consistência mole, semifluida ou liquefeita. • Patogenia: Liquefação causada pela liberação de grande quantidade de enzimas lisossômicas. • Comum após anoxia em tecido nervoso, adrenais e mucosa gástrica. • Nas inflamações purulentas há necrose por liquefação do tecido inflamado ⇨ ação enzimas lisossômicas liberadas por leucócitos exsudados. NECROSE DE LIQUEFAÇÃO Leucoencefalomalácia NECROSE DE LIQUEFAÇÃO Leucoencefalomalácia Etiologia: intoxicação por fumonisina B1 (=micotoxina produzida por Fusarium verticillioides NECROSE DE LIQUEFAÇÃO Malácia hemorrágica Etiologia: trauma, ruptura vascular NECROSE DE LIQUEFAÇÃO NECROSE DE LIQUEFAÇÃO FORA DO SNC Etiologia: bactérias piogênicas. Patogenia: Autólise + heterólise evento mais importante, efetuado por neutrófilos. NECROSE DE LIQUEFAÇÃO FORA DO SNC NECROSE DE LIQUEFAÇÃO FORA DO SNC NECROSE CASEOSA • Caseoso = aspecto macroscópico e textura da lesão lembram queijo ou ricota. • Autólise + Heterólise • Perda da arquitetura dos tecidos • Células necróticas são transformadas em massa homogênea, acidófila, contendo alguns núcleos picnóticos e, principalmente na periferia, núcleos fragmentados (cariorrexe). • Situações: Tuberculose, linfadenite caseosa, doenças sistêmicas por fungos (agentes de difícil degradação) NECROSE CASEOSA • ASPECTO MACROSCÓPICO Tuberculose NECROSE CASEOSA Etiologia: Mycobacterium bovis Patogenia. Heterólise é o evento mais importante, efetuado principalmente por macrófagos modificados Tuberculose bovina NECROSE CASEOSA NECROSE CASEOSA Linfadenite caseosa Etiologia: Corynebacterium pseudotuberculosis Patogenia. Ação macrófagos + neutrófilos heterólise NECROSE DA GORDURA • Ocorre principalmente em cavidade abdominal e tecido subcutâneo. • Relação com pancreatite aguda + necrose enzimática da gordura (lipase) • Pode ser induzida por trauma * Bovinos pode ser encontrado sem ter causa definida • Achado macroscópico: Nódulos duros ou com aspecto granular NECROSE DA GORDURA Necrose enzimática da gordura NECROSE DA GORDURA Necrose da gordura em cavidade abdominal de bovinos GANGRENA • Necrose de coagulação + Desidratação Gangrena Seca Ação bactérias saprófitas Gangrena Úmida • Ação Clostridium septicum, Cl. perfringens Gangrena Gasosa GANGRENA SECA • Causa mais comum da necrose Isquemia • Mumificação GANGRENA ÚMIDA Mastite ambiental Bactérias saprófitas Putrefação H2S Odor GANGRENA ÚMIDA GANGRENA GASOSA • Invasão e proliferação Clostridium septicum, Cl. perfringens • Produção bolhas de gás • Odor de ranço Edema maligno/gangrena gasosa Carbúnculo sintomático DESTINO DAS ÁREAS DE NECROSE • Regeneração • Inflamação/cicatrização • Formação de cavitações • Sequestro • Eliminação • Calcificação DESTINO DAS ÁREAS DE NECROSE Inflamação/ Cicatrização DESTINO DAS ÁREAS DE NECROSE Cavitação DESTINO DAS ÁREAS DE NECROSE Sequestro DESTINO DAS ÁREAS DE NECROSE APOPTOSE • Processo ativo no qual a célula sofre contração e condensação de suas estruturas, fragmenta-se e é fagocitada por células vizinhas ou por macrófagos residentes, não ocorrendo o fenômeno de autólise. • Ativação de enzimas cisteína proteases (caspases) que degradam DNA, proteínas nucleares e citoplasmáticas da célula; • Células individuais ou pequenos grupos de células; • Processo não observável macroscopicamente. CAUSAS – SITUAÇÕES DE OCORRÊNCIA • Fisiológica – embriogênese – hormonal – controle de população – células inflamatórias – linfócitos auto-reativos • Patológicas – células T citotóxicas – estímulos agressores – atrofia patológica (obstrução ductos) CAUSAS – SITUAÇÕES DE OCORRÊNCIA CAUSAS – SITUAÇÕES DE OCORRÊNCIA APOPTOSE