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1 LETÍCIA CAROLINE CREDEDIOO | TURMA xxi 
TUTORIA 3 – MÓDULO 2 
TRUCO 
DESCREVER A FISIOPATOLOGIA DA INCONTINÊNCIA 
URINÁRIA E AS ALTERAÇÕES PROSTÁTICAS 
CARACTERÍSTICAS DO PROCESSO DE 
ENVELHECIMENTO (HPB E CÂNCER DE PRÓSTATA). 
Para conservar as condições ideais do meio interno, o 
rim recebe 25% do débito cardíaco, filtrando 180 L/dia e 
eliminando urina. As demais estruturas do aparelho 
urinário têm como função transporte (ureter), 
armazenamento (bexiga) e a eliminação da urina 
(uretra). Nesse conjunto de órgãos, a bexiga, constituída 
por musculaturas lisa (sistema autônomo) e estriada 
(voluntária), armazena a urina e seus mecanismos 
neuro-hormonais regulam sua atividade muscular, o 
desejo de esvaziamento e sua contração. Os esfíncteres 
interno e externo, também controlados por mecanismos 
neuro-hormonais, participam da regulação do acúmulo 
da urina e do esvaziamento vesical via uretra. 
Para que haja controle correto da micção, da continência 
e da diurese, mecanismos próprios do trato urinário e 
extraurinário devem atuar de maneira integrada. Esses 
mecanismos são: mobilidade, destreza, cognição, 
motivação, ausência de barreiras ambientais, iatrogenia. 
Alterações nos diversos níveis do conjunto de órgãos do 
trato urinário baixo, junto à uretra, podem ocasionar 
incontinência urinária, que afeta predominantemente as 
mulheres, e é responsável tanto por manifestações 
patológicas, principalmente infecciosas e psicossociais, 
como por isolamento e depressão. Vale salientar que as 
alterações estruturais e funcionais do aparelho urinário 
típicas do envelhecimento não constituem o único 
determinante do aparecimento da incontinência urinária. 
A incontinência urinária aumenta sua frequência com o 
envelhecimento. A patologia foi definida como a queixa 
de perda involuntária da urina. As causas da 
incontinência urinária são variadas. 
Atualmente, o diagnóstico e a identificação dos 
mecanismos fisiopatológicos ocorrem com o exame de 
urodinâmica, capaz de determinar a causa dos sintomas, 
avaliar a função do detrusor e dos esfíncteres, além de 
identificar fatores de risco do trato urinário superior. 
QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO 
A incontinência urinária pode ser classificada de acordo 
com os seguintes parâmetros: 
▪ Tempo da sua instalação: aguda ou crônica; 
▪ Reposta terapêutica: reversível ou permanente; 
▪ Origem: primária (quando a sede é uma patologia 
do próprio aparelho urinário) ou secundária, 
(quando tem origem em patologias sistêmicas, uso 
de medicamentos, traumas ou fatores não urinários 
(mobilidade, destreza, cognição, motivação, 
ausência de barreiras ambientais e iatrogenia). 
 
CAUSAS DE INCONTINÊNCIA URINÁRIA NO IDOSO 
▪ Básicas: urológica, neurológica, locomotora, 
psicológica; 
▪ Transitórias: infecção urinária, doenças agudas 
(especialmente quando acompanhadas de fadiga, 
imobilização, hospitalização ou confusão), 
distúrbios confusionais, retenção com hiperfluxo 
(impactação fecal, anticolinérgicos, compressão 
medular), medicamentos (de ação sobre o sistema 
nervoso autônomo, sedativos e tranquilizantes), 
psicológicas (depressão com regressão e 
dependência, hostilidade); 
▪ Permanente: complicação cirúrgica (lesão de 
esfíncter ou da inervação pélvica), doença do SNC 
(acidente vascular cerebral, demência, doença de 
Parkinson), doença medular (compressão, trauma, 
desmielinização), retenção com hiperfluxo (bexiga 
neurogênica, obstrução prostática, estreitamento 
uretral), doenças da bexiga (cistite crônica, 
carcinoma, litíase, incontinência por estresse). 
 
OBSERVAÇÕES CLÍNICAS 
Perda urinária após tosse, espirro ou riso; uso de diário 
miccional; instrumentos de qualidade de vida; e teste do 
absorvente devem ser pesquisados. Para padronizar as 
alterações da função do trato urinário inferior com base 
em critérios clínicos e urodinâmicos, a incontinência é 
dividida em: 
 
2 LETÍCIA CAROLINE CREDEDIOO | TURMA xxi 
▪ Incontinência urinária por estresse: vazamento 
involuntário em decorrência de esforço e 
condições como tosse, espirro ou riso. Na 
urodinâmica, é o vazamento involuntário da urina 
causado pelo aumento da pressão abdominal na 
ausência de contração do detrusor, podendo ser 
observada na cistometria de enchimento. 
▪ Incontinência urinária de urgência: vazamento 
involuntário precedido por urgência urinária. O 
diagnóstico pelo exame urodinâmico é a 
contração involuntária do detrusor. 
▪ Incontinência urinária mista: vazamento urinário 
involuntário associado a mecanismos de esforço 
(tosse, espirro, riso) e queixa de urgência urinária. 
▪ Incontinência inconsciente: é identificada por 
perda urinária involuntária desacompanhada de 
fenômenos de urgência urinária ou esforço. 
▪ Incontinência funcional: fatores externos, como 
mobilidade, impedem chegar ao banheiro. 
Com o envelhecimento, a fisiologia da micção pode 
sofrer interferência do comprometimento do sistema 
nervoso central (SNC), como atrofia cerebral, além de 
alterações na bexiga, com o desequilíbrio entre os 
músculos estriados (voluntários) e lisos (autônomos). 
A apresentação da incontinência é dividida entre 
causas temporárias (reversíveis) e permanentes. As 
reversíveis são heterogêneas e se dividem em: 
▪ Condições que comprometem o trato urinário 
inferior: são observadas infecções como a do 
trato urinário baixo e uretrite; vaginite atrófica na 
menopausa; distúrbios intestinais que produzem 
impactação fecal. Entre os homens, a causa mais 
comum é a incontinência observada após a 
cirurgia de prostatectomia por intervenção 
transuretral ou por prostatectomia radical. 
▪ Efeitos colaterais de medicamentos: vários 
medicamentos afetam a continência urinária, 
como diuréticos, anticolinérgicos, agentes alfa-
adrenérgicos agonistas e antagonistas, 
psicotrópicos e narcóticos, antiinflamatórios não 
hormonais, hipoglicemiantes orais (pioglitazona), 
antiparkinsonianos, hipotensores (inibidores da 
enzima conversora e bloqueadores dos canais de 
cálcio). 
▪ Aumento do débito urinário: há causas de origem 
metabólica, como hiperglicemia e hipercalcemia; 
situações de aumento da ingesta hídrica ou oferta 
de hidratação venosa mais abundante; 
insuficiências cardíaca e venosa periférica. 
▪ Capacidade ou vontade de chegar a um toalete: 
esse tipo de comprometimento urinário envolve 
situações psiquiátricas, como estados confusionais 
agudos e transtornos psicológicos oriundos de 
internação hospitalar, situações que podem 
restringir a mobilidade. 
 
 
 
HPB: 
A hiperplasia prostática benigna (HPB) é condição clínica 
frequente a partir da sexta década de vida, sendo a 
neoplasia benigna mais comum no homem. 
Manifestações clínicas por crescimento benigno da 
próstata provocam aparecimento de sintomas urinários 
que geram impacto negativo na qualidade de vida. Aos 
55 anos, cerca de 25% dos homens apresentam 
sintomas de esvaziamento e aos 75 anos, cerca de 
metade se queixa de redução da força e do calibre do 
jato urinário. Vários estudos sobre a história natural da 
doença evidenciaram que os sintomas são oscilantes, 
com períodos de piora e de melhora espontânea. Sua 
etiologia não é totalmente conhecida, mas parece ser 
multifatorial e estar sob controle endócrino. 
O envelhecimento é o principal fator de risco para 
desenvolvimento da HPB e seus sintomas. Diversos 
estudos mostram a relação entre idade e sua 
progressão. No envelhecimento masculino ocorre 
processo de remodelação prostática significativo, 
especialmente na zona de transição. Interferência no 
delicado equilíbrio entre fatores de crescimento celular 
e morte celular programada (apoptose) provocaria 
aumento do volume prostático. A principal alteração 
ocorre no metabolismo intracelular da célula basal, que 
se torna hipertrófica. O processo acompanha-se 
também da formação de cálculos e de corpórea 
amilácea. Duas proteínas(TGF-beta 1 e Bcl-2) 
envolvidas na regulação da apoptose prostática 
encontram-se aumentadas na HPB quando comparadas 
a próstatas normais. 
 
3 LETÍCIA CAROLINE CREDEDIOO | TURMA xxi 
A associação entre síndrome metabólica e HPB vem 
sendo muito estudada. Hammarsten foi o primeiro a 
mostrar que diabetes mellitus não insulino dependente 
(NIDDM), hipertensão, obesidade e baixos níveis de 
HDL são fatores de risco para desenvolvimento da 
doença. Outro estudo mostrou também haver relação 
positiva com pressão arterial diastólica elevada, IMC 
acima de 30 e relação negativa com os níveis de HDL. 
Concluíram que HPB seria um dos componentes da 
síndrome metabólica, um conjunto de anormalidades 
metabólicas relacionadas a um defeito na recaptação 
da glicose e secundárias à hiperinsulinemia. 
A inflamação crônica também tem se destacado na 
patogênese da HPB. Acredita-se que a inflamação 
induza o crescimento fibromuscular prostático. Nesse 
contexto, hipóxia resultante da maior demanda de 
oxigênio exigida pela inflamação tem papel importante 
na proliferação celular da próstata. Em ambiente com 
menor taxa de oxigênio ocorre neovascularização e 
aumento de fatores de crescimentos endoteliais (FGF-
7, FGF-beta, FGF-2 e IL-2). 
Alguns estudos sugerem predisposição genética para 
HPB. Cerca de 50% dos homens com menos de 60 de 
idade anos submetidos a cirurgia prostática 
apresentariam consistente herança autossômica 
dominante. Parentes do sexo masculino têm risco 
relativo quatro vezes mais alto que a população normal 
para desenvolver a doença. 
 
FISIOPATOLOGIA 
Segundo McNeal, a próstata do adulto divide-se 
anatômica e funcionalmente em três zonas distintas: 
periférica (75% do total da glândula, região de origem 
predominante do câncer), central (20% do volume 
prostático, de origem e função pouco conhecida) e 
zona de transição (5% do volume total junto às 
glândulas periuretrais). 
O HPB começa como proliferação do estroma 
fibromuscular e do epitélio glandular na região 
periuretral e na zona de transição. A relação estroma-
epitélio, que normalmente é de 2:1, torna-se 4:1 na 
hiperplasia prostática e os sintomas decorrentes da 
HPB resultam de três componentes básicos: 
▪ Componente mecânico: o aumento volumétrico da 
próstata provoca diminuição do calibre e aumento 
da resistência uretral, com consequente dificuldade 
de esvaziamento vesical; 
▪ Componente dinâmico: atividade alfa-adrenérgica 
aumentada nessa região em virtude da presença na 
cápsula, no estroma prostático e no colo vesical de 
altos níveis desses receptores, causando elevação 
da resistência uretral; 
▪ Componente vesical: decorrente das alterações 
secundárias à obstrução produzidas pela HPB na 
musculatura detrusora, que se traduzem por 
hiperatividade como resposta ao esforço contínuo 
na tentativa de esvaziamento ou por hipoatividade, 
resultando em falência muscular detrusora em 
fases mais avançadas da doença. Em geral, esses 
três fatores atuam simultaneamente e sua 
resultante promove aparecimento e gravidade da 
sintomatologia da HPB. 
 
CÂNCER DE PRÓSTATA 
O câncer de próstata, uma doença maligna e invasiva, 
acomete a glândula prostática. Segundo o INCA, o 
câncer de próstata é o segundo câncer mais comum 
entre os homens, ficando atrás apenas do câncer de 
pele não melanoma. O tipo mais frequente de câncer de 
próstata, cerca de 95%, é o adenocarcinoma. 
Essa doença afeta principalmente homens acima de 65 
anos. Essa faixa etária é referente a população geral, 
mas um paciente com fatores de risco, como história 
familiar, pode ser acometido precocemente. Alterações 
genéticas também podem predispor a doença, 
principalmente mutações nos genes BRCA-1 e BRCA-2. 
Ao contrário da HPB que acomete a zona de transição, 
o câncer de próstata acomete predominantemente 
a zona periférica (maior zona da próstata, localizada 
posterolateralmente). Assim, no câncer de próstata, em 
um estágio inicial, os sintomas de obstrução e os 
irritativos não estão presentes. 
Pela ultrassonografia, notam-se mudanças como: 
▪ Formação nodular ou assimetria, especialmente se 
hipoecoica e na zona periférica; 
▪ Fluxo aumentado ao estudo Doppler; 
▪ Extensão extraprostática; 
▪ Linfonodomegalia pélvica periprostática. 
 
4 LETÍCIA CAROLINE CREDEDIOO | TURMA xxi 
CARACTERIZAR IMPOTÊNCIA SEXUAL. 
Impotência sexual se refere a qualquer sintoma que 
prejudique a vida sexual do indivíduo. Dentro desse 
grupo, especificamente a dificuldade de obter e manter 
uma ereção é denominada disfunção erétil. A condição 
surge por volta dos 40 anos, mas em condições 
excepcionais, podem afetar jovens. 
Para o indivíduo ser considerado impotente, precisa 
manifestar disfunção erétil permanente. Uma falha 
ocasional de ereção não enquadra um indivíduo nessa 
categoria. Por outro lado, a impotência sexual também 
se refere a outras manifestações da sexualidade 
masculina que nada têm a ver com a ereção, como a 
falta de desejo ou de orgasmo e a ejaculação precoce 
ou retardada. Por isso, o termo impotência sexual, na 
literatura, foi substituído por disfunção erétil quando 
significa a incapacidade de conseguir ereção satisfatória 
para o ato sexual. 
Critérios (+6 meses): 
▪ Dificuldade em iniciar ereção; 
▪ Dificuldade ereção até o fim; 
▪ Disfunção na rigidez erétil. 
 
DISCUTIR OS RISCOS DA AUTOMEDICAÇÃO NOS 
IDOSOS. 
Entre os riscos da automedicação em idosos, estão: 
▪ Diminuição da função do fígado e dos rins, órgãos 
fundamentais no metabolismo e na eliminação 
das substâncias; 
▪ Interferência no tratamento de doenças crônicas, 
anulando ou até aumentando o efeito dos 
medicamentos utilizados; 
▪ Aumento de problemas sérios e recorrentes, 
como arritmia cardíaca, provocando as quedas; 
▪ Redução do fluxo de sangue e aumento da 
pressão; 
▪ Redução da absorção de substâncias como cálcio 
e ferro essenciais nesta fase.

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