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ECONOMIA E FINANÇAS 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Liezer Veloso 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Dando evolução aos conceitos e aos principais temas da economia, 
daremos enfoque à macroeconomia. Você entenderá mais a fundo a economia 
como um todo. Compreenderá como o país pode estruturar seus recursos para 
garantir harmonia entre todos os agentes, fazendo que os níveis de empregos e 
desenvolvimento sejam gradativos e que tragam ganhos para sociedade como 
um todo – consumidor, trabalhadores, empresas e o governo. Discutiremos os 
objetivos da macroeconomia, os instrumentos da política macroeconômica, a 
estrutura de análise macroeconômica, os principais agregados e alguns 
indicadores. É interessante que nossos voos no conhecimento ficam mais altos. 
Assim, podemos ter um senso crítico acerca das decisões pessoais e 
profissionais, angariando maiores resultados. 
TOP – OBJETIVOS DA MACROECONOMIA 
Na microeconomia, o enfoque é estudar unidades econômicas de forma 
individual, analisando os impactos dentro de mercados específicos. “A 
Macroeconomia estuda a Economia como um todo, analisando a determinação 
e o comportamento de grandes agregados, tais como: renda e produto nacionais, 
nível geral de preços, emprego e desemprego, estoque de moeda e taxas de 
juros, balanço de pagamentos e taxa de câmbio” (Vasconcellos; Garcia, 2019, p. 
120). 
A macroeconomia objetiva a compreensão geral do mercado, levando em 
conta todos os agentes e os aspectos monetários, cambiais, fiscais, produtivos 
de bens e serviços e agrícolas. Sua preocupação, por exemplo, é avaliar o 
desemprego geral e não somente no ramo industrial ou na prestação de serviços, 
ou ainda, o nível geral dos preços e não de mercados específicos. É pertinente 
sabermos que a macroeconomia é o entendimento dos aspectos 
microeconômico de forma agregada e global, ou seja, a junção de todos. 
Os objetivos da política macroeconômica é o alto nível de emprego, a 
distribuição de renda socialmente justa, a estabilidade de preços e o crescimento 
econômico. 
O nível de emprego se tornou temática e intervenção do Estado após a 
queda da Bolsa de valores de Nova Iorque em 1929, em que a não interferência 
do governo desencadeou uma crise do desemprego. repercutindo em outras 
 
 
3 
nações anos depois. O pensamento liberal até então predominava na economia, 
pois as relações de produção e consumo teriam um equilíbrio “natural” – 
conhecida como a mão invisível. Todavia, as complexidades do mercado, a 
presença dos sindicatos e a participação maior do Estado na economia, o 
desemprego passar ser desta de qualquer nação capitalista, no intuito de manter 
a renda e o crescimento da nação. A questão que fica, quanto ao aspecto 
econômico, é: até que ponto o Estado deve intervir na economia e ser produtor 
de alguns de bens e serviços? 
A distribuição equitativa de renda é tema de muitos embates políticos e 
sociais. No Brasil, a renda entre as classes sociais é bem discrepante. Há uma 
disparidade entre os grupos socioeconômicos e entre as regiões do país. Um 
dos pontos que deve ser observado é que a mão de obra qualificada possui 
maior renda, visto que é escassa. Ao longo dos anos, o panorama geral é uma 
renda per capta maior, ou seja – as rendas de todos cresceram. A renda média 
dos mais pobres aumentou, repercutindo em um padrão de vida melhor. Porém, 
proporcionalmente, a renda dos mais ricos cresceu mais do que a renda dos 
mais pobres (Vasconcellos; Garcia, 2019). 
A estabilidade de preços diz respeitos à inflação, que afeta a renda dos 
brasileiros, as expectativas de ganhos dos investidores e empresários, a balança 
de pagamentos e o crescimento do país. O objetivo é garantir um nível de renda 
e consumo de forma que satisfaça a necessidade de todos. A inflação é um 
componente inerente da economia. Todavia, sua elevação acarreta prejuízos e 
perdas ao sistema econômico como um todo. 
Como último objetivo, consta o crescimento econômico, derivado do uso 
intenso dos fatores de produção. Se existe desemprego e capacidade ociosa, há 
possibilidades de crescimento econômico por meio do aumento da capacidade 
produtiva. Entretanto, pode acontecer de não haver tecnologia e outro recurso 
disponível denominado de produto potencial. O crescimento é de longo prazo, 
em que precisa realizar investimentos e melhorar toda infraestrutura produtiva. 
Para medir esse crescimento, é utilizada a renda nacional per capta, em que 
representa a quantidade de bens e serviços à disposição da população; quanto 
maior, melhor. 
 
 
 
 
4 
Os objetivos macroeconômicos são bem arrojados e complexos, pois a 
interrelação entre eles é bem delicada, pois um fator que interfere de forma direta 
ou indireta no outro. Logo, a inflação reduz o poder aquisitivo da renda; quando 
diminui o desemprego, ocorre pressão para aumento dos preços, principalmente 
dos insumos de bases. 
ROLÊ 1 – INSTRUMENTOS DA POLÍTICA MACROECONÔMICA 
A intervenção do Estado, por meio das ações governamentais, atua 
diretamente na capacidade produtiva e nas despesas planejadas, “com o 
objetivo de permitir que a economia opere a pleno emprego, com baixas taxas 
de inflação com distribuição de renda justa, e cresça de forma contínua e 
sustentável” (Vasconcellos; Garcia, 2019, p. 125). O tal equilíbrio de todos os 
aspectos econômicos ocorre por meio da atuação regulatória e compulsória que 
os órgãos públicos intervém por meio de políticas fiscais, monetárias, comerciais, 
cambiais e de renda. 
Para satisfazer e controlar as despesas da máquina pública (política de 
gastos), o governo utiliza a política fiscal como meio para arrecadação de tributos 
(impostos, taxas, contribuições) para custear as operações e serviços públicos, 
como também restringir ou estimular o aumento dos gastos de consumo nas 
empresas. Com isso, o governo atua aumentando ou diminuindo a carga 
tributária, no intuito de aumentar a produção e a arrecadação ou de minimizar e 
estabilizar o consumo. Um exemplo é quando o governo reduz alíquota do IPI 
sobre veículos e eletros da linha branca, no intuito de aquecer a economia por 
meio do aumento do consumo, visto a redução do preço ao consumidor. 
Política monetária “refere-se à atuação do governo sobre a quantidade de 
moeda e títulos públicos existentes na economia” (Vasconcellos; Garcia, 2019, 
p. 126). O Banco Central (BACEN) é o órgão responsável por gerenciar a 
demanda e oferta da moeda. Se houver um excedente de moeda, haverá um 
efeito inflacionário; se houver escassez de moeda, acarretará a elevação das 
taxas de juros sobre empréstimos e financiamentos. Por isso, o BACEN procura 
manter um equilíbrio que seja saudável para demanda e oferta de bens e 
serviços, garantindo o poder de compra por meio da moeda que os 
consumidores dispõem por sua renda. A política monetária tem alterações e 
efeitos mais rápidos, visto que os mecanismos da política fiscal só podem ser 
alterados para aplicação nos exercícios futuros (ano seguinte). Dessa forma, 
 
 
5 
para agir de imediato na regulação e controle da inflação e na taxa de juros, a 
política monetária representa melhor estratégia governamental. 
A política cambial se refere às taxas de câmbio – sobre as ofertas e 
procura de moedas estrangeiras. Para pagamentos e recebimentos dessas 
operações, a moeda nacional precisa ser convertida, normalmente em dólar ou 
euro. O Conselho Monetário Nacional (CMN) é responsável pela 
regulamentação desse mercado. O BACEN monitora e garante seu 
funcionamento. A política comercial se refere às taxas praticadas no mercado 
para importação e exportação de bens e serviços com outros países: alíquotas 
de ICMS e IPI, taxas de juros subsidiarias, tarifas e barreiras sobre as 
importações. A política cambial e comercial diz respeito às políticas externas. 
A política de renda diz respeito à ação do governo na formação da renda 
– salários, aluguéisde forma que seja uma distribuição mais justa e social. A 
ação do governo objetiva estabilizar os preços, aumentar o poder aquisitivo da 
renda, garantir renda mínima e reduzir a inflação. Um exemplo é o programa 
“Minha Casa Minha Vida” do governo federal, salário-mínimo e os auxílios 
emergenciais na pandemia da Covid-19. 
Observe que todas as políticas de intervenção e controle econômico 
servem para garantir condições mínimas para as classes menos favoráveis, visto 
que classes superiores pela larga disponibilidade de dinheiro não necessitam de 
programas sociais ou ações que garantam condições mínimas de sobrevivências 
por meio do consumo de bens e serviços públicos ou privados. 
ROLÊ 2 – ESTRUTURA DE ANÁLISE MACROECONÔMICA 
A estrutura da análise macroeconômica se divide em duas grandes áreas, 
abrangendo cinco mercados: a parte real da economia – mercado de bens e 
serviços, mercado de trabalho e a parte monetária da economia: mercado 
monetário, mercado de títulos e mercado de divisas). Nesses mercados, são 
avaliadas tanto a oferta quanto a procura de forma agregada, ou seja, a produção 
total representa a junção de todos os produtos e serviços produzidos no país, o 
emprego de todas às áreas e ramos, sem distinção entre a qualificação e as 
especificidades de cada mercado de trabalho. 
Na análise do mercado de bens e serviços, imaginamos toda produção e 
serviços como se fosse único produto. Assim, teremos o entendimento do nível 
de produção agregada e do nível geral dos preços. Engloba a demanda 
 
 
6 
agregada – a soma da demanda dos agentes macroeconômicos: consumidores, 
empresas, governo e setor externo. O equilíbrio do mercado ocorre quando a 
oferta agregada de bens e serviços é igual à demanda agregada de bens e 
serviços. As variáveis que determinam esse mercado são compostas pelo nível 
de renda e do produto nacional, pelo nível de preços, pelo consumo agregado, 
poupança agregado, importações e exportações totais, investimentos 
agregados, dentre outros. 
O mercado de trabalho é avaliado pelo nível geral da oferta e demanda 
de trabalho. Desconsideram-se as individualidades do comércio, indústria, 
turismo e prestação de serviços, ou ainda as diferentes categorias de 
profissionais. É como se toda mão de obra fosse única. Aqui o mercado é 
determinado pelo nível geral de emprego e a taxa de salários. Aspectos como 
custo de mão de obra e nível de produção são itens importantes para as 
empresas. Equilíbrio no mercado de trabalho ocorre quando a oferta de mão de 
obra se iguala à demanda de mão de obra. 
Mercado monetário se refere à oferta e à demanda das transações que 
utilizam moedas para pagamentos e recebimentos. Também supõe a existência 
da demanda de única moeda pelos agentes econômicos para liquidez em suas 
transações e a oferta pelas instituições bancárias e financeiras. O equilíbrio 
ocorre quando a oferta da moeda é igual à demanda da moeda. As principais 
variáveis encontradas são a taxa de juros e o estoque de moeda (meios de 
pagamentos). 
O mercado de títulos representa os agentes econômicos superavitários 
que apresentam gastos inferiores à sua renda. Com isso, há uma sobra de 
recursos que podem ser emprestados para os agentes deficitários, que possuem 
gastos acima da renda. O mercado de títulos entra em equilíbrio quando a oferta 
e a demanda de títulos se igualam. Análise leva em conta como se existisse 
apenas um título negociado no mercado, como, por exemplo, o título público 
federal. Uma variável importante nesse mercado é o preço dos títulos. 
Genericamente, pode acontecer do mercado financeiro englobar o mercado 
monetário e o mercado de títulos, visto que a taxa de juros é decorrente desses 
mercados. 
 
 
 
 
 
7 
Com a globalização e aberturas dos mercados, ocorre transações de 
exportações e importações, conhecidas como o mercado de divisas. Essas 
transações são feitas por moeda estrangeira, com entrada de capital financeiro 
(exportação) e saída de capital financeiro (importação). O equilíbrio acontece 
quando oferta e demanda de divisas são iguais. A principal variável é a taxa de 
câmbio. 
Figura 1 – A oferta e a demanda agregadas interagem e dão origem a outras 
variáveis macroeconômicas 
 
 
A Figura 1 apresenta claramente as relações entre oferta e demanda 
agregada, de forma que se observam os fatores individuas da microeconomia 
interferem diretamente na análise macroeconômica, gerando níveis e aspectos 
globais como emprego, desemprego, taxas de juros, inflação, relações com 
mercado exterior etc. As variáveis macroeconômicas apresentam maior 
entendimento real da situação econômica do país. 
 
 
8 
Na análise macroeconômica, observa-se a atuação do governo diante de 
seus objetivos. Assim, esse atua mais ativamente ou de forma subsidiária, 
deixando o mercado se autogerir, de forma que ocorra estabilidade econômica 
e financeira levando ao desenvolvimento econômico. Assim, o governo intervém 
na oferta e na demanda agregada, condicionando o comportamento de todos os 
agentes. 
TRILHA 1 – OS PRINCIPAIS AGREGADOS MACROECONÔMICOS 
Uma forma de medir o desenvolvimento econômico e compreender as 
relações agregadas da economia de um país é a utilização de alguns 
indicadores, os quais permitem avaliar a produção como um todo. Esses 
indicadores levam em consideração valores monetários em um determinado 
período. Por meio desses índices, é possível comparar o comportamento da 
economia em relação aos anos anteriores. 
O Produto Interno Bruto (PIB) é o indicador mais utilizado por todas as 
nações. O PIB representa um numerário monetário da soma de todos os bens e 
serviços finais produzidos dentro do território nacional. Ou seja, evidencia o 
resultado dos esforços dos recursos de produção em gerar riqueza (bens e 
serviços) normalmente leva em conta todas os valores do ano. A restrição 
territorial deve ser observada, pois há empresas multinacionais (filiais) que 
participam ativamente do mercado, gerando bens e serviços; todavia, parte dos 
ganhos são destinados para matriz, fora do país (juros, lucros e royalties). 
Quanto às empresas brasileiras que possuem unidades em outros lugares 
do globo, apesar de gerarem bens e serviços e enviarem recursos para o Brasil, 
ao se calcular o PIB, esses valores são desconsiderados, pois elas não estão 
usando recursos do solo brasileiro (território). 
Como o PIB engloba todos os bens e serviços produzidos no país, deve-
se observar que o Estado (governo federal, estadual e municipal) consome bens 
e serviços para o seu funcionamento. Ele contrata, por exemplo, empreiteiras 
para construção de estradas, escolas e hospitais, compra materiais e insumos 
para que os serviços públicos aconteçam – merenda escolar, medicamentos e 
demais insumos para as atividades de saneamento e transporte. Aqui, devemos 
observar o Estado como consumidor e produtor de bens e serviços. Para tanto, 
surge o entendimento que o Estado arrecada tributos (impostos, taxas e 
contribuições) como fonte de receita para custear os serviços públicos. Esses 
 
 
9 
impostos são denominados de impostos indiretos, visto que quem paga são os 
clientes e consumidores. Para incentivar a produção e consumo, acontecem 
alguns incentivos fiscais, denominados de subsídios. 
Para medir o PIB de forma mais assertiva, é vital segregar os impostos 
indiretos e os subsídios concedidos. Assim, temos duas possibilidades de obter 
um indicador mais real. Observe a seguir. 
Quadro 1 – Tipos de PIB 
PIB a preços de mercado (PIBpm): é a soma dos valores monetários dos 
bens e serviços produzidos, computando-se os impostos indiretos e 
subtraindo-se os subsídios. 
PIB a custo de fatores (PIBcf): é a soma dos valores monetários dos bens 
e serviços produzidos, subtraindo-se os impostos indiretos e somando-se 
os subsídios. 
Fonte: Elaborado com base em Silva, 2018, p. 46. 
Para compreender mais acerca do PIB, deve-se observarque, de um ano 
para o outro, ocorrem alterações nos preços de mercado (inflação, reajustes). 
Com isso, surge o PIB nominal, o qual apresenta os valores reais do ano (preço 
x quantidade de todos os bens e serviços produzidos), e o PIB real, o qual leva 
em conta os preços de um ano em questão, avaliando somente o impacto da 
quantidade produzida. 
Quadro 2 – Tipos de PIB 
Ano PIB Nominal PIB Real 
Deflator 
do PIB 
(ano 
base 
2015) 
2015 (2 x 200) + (3 x 400) = 1600 (2 x 200) + (3 x 400) = 1600 100,0 
2016 (3 x 250) + (4 x 450) = 2.550 (2 x 250) + (3 x 450) = 1.850 137,8 
2017 (2,5 x 300) + (4,5 x 500) = 3000 (2 x 300) + (3 x 500) = 2.100 142,8 
Fonte: Da Silva; Da Silva, 2018, p. 143. 
 
 
10 
O PIB nominal foi calculado com base no preço do ano e multiplicado pela 
quantidade. O PIB real para 2016 e 2017 levou em consideração o preço de 
2015. Assim, é possível observar os aumentos reais da quantidade produzida, 
desconsiderando os efeitos monetários. Dessa forma, fica claro o crescimento, 
estagnação ou o decréscimo da economia do país. O deflator representa a 
divisão do PIB nominal pelo PIB Real, que desconsidera o efeito da inflação. 
Subtraindo o valor do deflator por 100, a diferença representa o percentual de 
aumento da inflação no período. 
Outro indicador importante é o Produto Interno Líquido (PIL), que leva em 
consideração a perda da capacidade produtiva, devido às máquinas e 
equipamentos utilizados no processo ao longo do tempo sofrerem desgastes e 
tendo sua vida útil limitada. Podemos entender a depreciação como parcela ou 
valor de reposição do bem futuramente. 
PIL = PIBcf – Depreciação. 
O Produto Nacional Bruto (PNB) representa o montante dos bens e 
serviços gerados pelas empresas residentes e pertencente ao país. Como o PIB 
considera a riqueza de empresas estrangeiras no solo brasileiro e desconsidera 
a renda de empresas brasileiras em solo estrangeiro, o PNB surge para 
demonstrar de fato a totalidade de bens e serviços gerados por nossas 
empresas. A renda líquida do exterior (RLRE) representa a diferença da renda 
recebida e a renda enviada ao exterior. 
PNB = PIB + Renda recebida do exterior – Renda enviada ao exterior 
PNB = PIB + RLRE 
No caso do Brasil, por possuir inúmeras empresas multinacionais 
participando da produção total, o PIB é maior que o PNB, visto que a renda 
enviada é muito menor que a renda recebida do exterior. 
Para obtermos o indicador do Produto Nacional Líquido (PNL), devemos 
subtrair a RLRE. Assim, obteremos somente o valor real produzido no país, 
desconsiderando os valores enviados ao exterior. 
PNLcf = PILcf - RLRE 
 
 
11 
Todos esses indicadores são importantes para compreender o pleno 
funcionamento da macroeconomia, na qual fica evidente que todos os agentes 
econômicos – governo, consumidor, unidades produtivas e o mercado exterior – 
se inter-relacionam de forma atender às necessidades de todos. A complexidade 
recaí no entendimento de que fatores da microeconomia impactam a 
macroeconomia e vice-versa. 
TRILHA 2 – INFLAÇÃO 
Você já deve ter ouvido falar sobre o caso histórico de inflação no Brasil 
antes de 1994. Lembro que meus pais viveram esse caos quando os preços dos 
alimentos eram reajustados duas vezes ao dia. A sociedade recebia o salário e 
corria aos mercados para garantir o sustento. A inflação chegou a quase 5.000% 
antes do plano Real. Está assustado com esse valor? Saiba mais no link 
disponível em: . Acesso 
em: 24 jun. 2022. 
A inflação procura demonstrar os aumentos que ocorrem nos preços dos 
bens e serviços de forma generalizada. A moeda em si, quantitativamente, não 
tem seu valor alterado, mas sim o seu poder aquisitivo. Pesquise um produto 
que você compra atualmente e compare com o preço dele há um ou dois anos 
atrás. A gasolina em 2015 era comercializada em média no Paraná em R$ 3,25 
o litro; em 2022, ela chega a custar R$ 7,39 o litro. De forma bem simples, o valor 
de 2015 compra menos da metade de gasolina em 2022 (1000 ml ÷ 7,39 x 3,25 
= 439,78 ml). Isso é a perda do poder aquisitivo. 
Quadro 3 – Fontes da inflação 
As fontes de inflação costumam diferir em função das condições de cada país: 
a) tipo de estrutura de mercado (oligopolista, concorrencial etc.), que condiciona 
a capacidade dos vários setores de repassar aumentos de custos aos preços 
dos produtos; 
b) grau de abertura da economia ao comércio exterior: quanto mais aberta a 
economia à competição externa, maior a concorrência e menores os preços dos 
produtos; 
c) estrutura das organizações trabalhistas: quanto maior o poder de barganha 
 
 
12 
dos sindicatos, maior a capacidade de obter reajustes de salários acima dos 
índices de produtividade e maior a pressão sobre os preços. 
Fonte: Vasconcellos; Garcia, 2019, p. 252. 
 
As fontes da inflação podem desencadear alguns de tipos inflações. 
Inflação de Demanda representa quando acontece um excesso da 
demanda agregada em relação à produção dos bens e serviços, ou seja, a 
procura dos consumidores por um produto ou serviço acontece acima dos níveis 
de produção, repercutindo na elevação geral do preço. Os fatores de produção 
estão nesse ponto em produtividade máxima. Como mecanismo de controle, 
deve-se diminuir os gastos públicos, aumentar os tributos sobre o consumo e a 
redução da carga tributária de bens estrangeiros no intuito de desenfrear os 
valores internos. 
A inflação de custos diz respeito à oferta, pois os insumos produtivos 
(matéria-prima, impactos na mão de obra pela ação sindical, estrutura do 
mercado) sofrem elevação de preços, tornando a produção mais cara. Como a 
demanda não tem alteração, ocorre a retração da produção, reduzindo a curva 
da oferta. Assim, a oferta é menor do que a demanda, ocasionando aumento nos 
preços. 
Outro tipo de inflação bem comum é a inflação inercial, aquela decorrente 
de forma gradual nos preços de contratos financeiros, aluguéis e salários 
(indexação formal), e nos impostos, preços gerais e tarifas públicas (indexação 
informal) etc. Os preços são reajustados com a indexação formal desses 
reajustes. Aqui ocorre a correção monetária, correção salarial e cambial, 
ocasionando um sistêmico processo inflacionário, conhecida como memória 
inflacionária – em que a inflação corrente decorre da inflação passada. 
A inflação é calculada por meio de índices que procuram demonstrar as 
oscilações nos preços de forma global, setorial, por produtos e que causem 
impactos diretamente no consumidor. 
No Brasil, são estimados basicamente dois tipos de índices de preços, 
os Índices Gerais de Preços, IGPs, e os Índices de Preços ao 
Consumidor, IPCs. A diferença entre esses índices é óbvia: enquanto 
os IGPs procuram transmitir uma ideia da inflação, pesquisando todos 
os bens produzidos e consumidos em uma economia, os IPCs 
enfatizam os gastos comuns de uma família. (Da Silva, 2018, p. 97) 
 
 
13 
Esses índices são calculados periodicamente pela Fundação Getúlio 
Vargas (FGV) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tendo 
abrangência nacional. Ainda há institutos que calculam índices regionais, como 
a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). 
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é calculado 
pelo IBGE; considera-se o indicador principal e oficial para medir a inflação no 
Brasil. Ele mede a variação dos preços de produtos e serviços para o consumidor 
final. 
O IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) é calculado pela FGV. Tem 
como objetivo identificar as variações inflacionárias dos preços em várias etapas 
da produção, tendo, como exemplo, índices para construção civil (INCC). 
No site (disponível em: . Acesso 
em: 24 jun. 2022), você encontra alguns índices atualizados pela FGV. O que é 
muito legal desse site é que ele apresenta vários gráficos e uma gama de 
índices.Você ainda pode calcular a inflação que lhe impacta diretamente, 
acessando o menu “sua inflação”. Basta lançar as informações de seus ganhos 
e gastos por tipo de despesa e pronto, o percentual da inflação em seu bolso é 
apresentado. 
ELO 
Não há como separar as empresas e as famílias da economia. Esses 
sujeitos fazem parte e é por meio deles que a economia acontece, não é? A 
complexidade do mercado, dos agregados, conecta-se com todos os indivíduos, 
dando origem à micro e macroeconomia. Entender a inflação, o PIB, os 
mecanismos do governo para controlar e impulsionar a economia é um fator 
importante para qualquer gestor controlar o dinheiro da organização. Economia 
e Finanças têm relação muito próxima; nas próximas etapas, daremos um 
enfoque às finanças. 
 
 
 
14 
REFERÊNCIAS 
BRITO, O. Guia prático de economia e finanças. São Paulo: Saraiva, 2016. 
DA SILVA, D. F.; DA SILVA, R. A. Fundamentos de economia. Porto Alegre: 
SAGAH, 2018. 
DA SILVA, C. R. L. Economia e mercados: introdução à economia. 20. ed. rev. 
e atual. São Paulo: Saraiva Educação, 2018. 
NORDHAUS, W.; SAMUELSON, P. Economia. 19. ed. Porto Alegre: AMGH, 
2012. 
VASCONCELLOS, M. A. S. D.; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 6 
ed. São Paulo: Saraiva, 2019.

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