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Livro Didático Digital Economia e Mercado Global Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial ALESSANDRA VANESSA FERREIRA DOS SANTOS Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria HELOÍSA DE PUPPI E SILVA AUTORIA Heloísa de Puppi e Silva Sou formada em Ciências Econômicas, possuo mestrado em Sustentabilidade pela FAE Centro Universitário e doutorado em Tecnologia pelo Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Sociedade (PPGTE) da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Tenho experiência técnico-profissional na área de gestão pública, privada e ambiental. Trabalhei na Secretaria de Planejamento do Estado do Paraná (SEPL-PR) e atuo profissionalmente há 16 anos em Instituições do Ensino Superior (IES). Tenho experiência de seis anos com docência na educação básica e de 13 anos com ensino na graduação, especialização e a distância. Atualmente, leciono as seguintes disciplinas: Economia (micro e macro), Economia Brasileira, Custos, Modelagem de Negócios e Inteligência Competitiva. Além disso, presto serviços de consultoria em inteligência competitiva e meio ambiente. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir a minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar o seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder te auxiliar nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova competência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de apresentar um novo conceito; NOTA: quando necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; REFLITA: se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido; ACESSE: se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando uma competência for concluída e questões forem explicadas; SUMÁRIO Relação entre micro e macroeconomia ............................................ 12 Da micro para a macroeconomia ........................................................................................ 12 Cadeias produtivas e valor agregado: produto = renda = despesa ............................................................................................................................... 14 Moeda, nível de preços e inflação...................................................................16 Moeda e mercado de crédito .......................................................... 17 Nível geral de preços e inflação .................................................... 19 Emprego e desemprego na economia ........................................................ 21 Organização setorial da atividade econômica ...........................................................24 Demanda de mercado específico e demanda agregada ..................................27 Óticas de cálculo do PIB .........................................................................30 As três óticas de cálculo do PIB .......................................................................................... 30 Deflator do PIB, PIB real e PIB nominal ........................................................................... 31 Componentes do PIB e as contas nacionais .................................... 35 Componentes do PIB ...................................................................................................................35 Consumo das famílias ............................................................................................. 36 Investimento das empresas ................................................................................ 36 Os gastos do governo e o orçamento público .......................................37 As exportações líquidas ......................................................................................... 39 PIB e PNB ............................................................................................................................................. 40 PIB e PIL ................................................................................................................................................43 Políticas macroeconômicas fiscais e monetárias..........................46 Sustentabilidade e planejamento econômico .......................................................... 46 O papel do governo no planejamento econômico ............................ 48 Períodos de crise ......................................................................................................... 50 Política e planejamento público .......................................................................54 Políticas expansionistas e contracionistas ................................................ 56 Políticas fiscais .................................................................................................................................. 59 Políticas fiscais contracionistas ......................................................................... 59 Políticas fiscais expansionistas ..........................................................................60 Políticas monetárias ......................................................................................................................62 Taxa de redesconto ....................................................................................................62 Depósito compulsório ............................................................................................. 64 Operações de open market (taxa básica de juros) ...........................65 Políticas monetárias expansionistas e contracionistas ...................66 9 UNIDADE 03 Economia e Mercado Global 10 INTRODUÇÃO Você sabia que a macroeconomia está relacionada ao ambiente sistêmico da competitividade empresarial? A capacidade de as pessoas e as empresas viverem no sistema econômico depende da compreensão do seu funcionamento. Assim, a macroeconomia estuda os agregados econômicos, o equilíbrio geral e o conjunto das atividades econômicas. Trata-se de conhecimentos sobre o produto total, a renda, o emprego, o desemprego, a taxa de juros, o nível geral de preços, a inflação, o orçamento público, entre outros. Os agentes da economia, famílias, empresas e governo interagem, o que gera formas de organização dos sistemas econômicos. Embora não seja possível controlar as variáveis macroeconômicas, indivíduos e empresas devem conhecê-las para se comportarem estrategicamente em relação a elas. Por isso, quando estudamos macroeconomia, aperfeiçoamos os nossos processos decisórios, otimizando as nossas escolhas. Estudá-la é, ainda, uma forma de aprimorarmos a nossa compreensão sobre as variáveis sistêmicas da competitividade. Você sabia que a nossa habilidade adaptativa de vida é relativa aos conhecimentos macroeconômicos? Ao longo desta unidade letiva, você explorará mais os conteúdos que possibilitam a construção de significados sobre esse tema! Economia e Mercado Global 11 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nossa proposta é auxiliá-lo no desenvolvimento das seguintes competências: 1. Interpretar a relação entre micro e macroeconomia, bem como o nível de preços e do emprego na economia. 2. Explicar ase conjunturais. As políticas conjunturais são direcionadas para solucionar problemas momentâneos, enquanto as políticas estruturais são direcionadas para a estrutura de longo prazo, a fim de garantir a vida futura da sociedade. Além disso, para realizar políticas macroeconômicas, é preciso levantar indicadores e realizar diagnósticos. Indicadores podem ser retirados dos sites do BACEN, IPEA, IBGE, entre outros. Políticas expansionistas e contracionistas As políticas macroeconômicas são as formas utilizadas pelo governo para promover o equilíbrio geral da economia. Para cumprir com as suas funções, o governo realiza políticas macroeconômicas fiscais, monetárias e cambiais. O equilíbrio geral da economia pode ser obtido por meio de: • Políticas macroeconômicas expansionistas ou políticas de crescimento. As políticas macroeconômicas expansionistas aumentam o volume de moeda em circulação e pressionam a inflação. Com a adoção de políticas de crescimento, haverá maior demanda, maior consumo e, por consequência, maiores serão os investimentos, o emprego e o consumo, Economia e Mercado Global 57 e as empresas entenderão que podem investir mais, empregar mais e assim sucessivamente. • Políticas macroeconômicas contracionistas ou políticas restritivas. As políticas macroeconômicas contracionistas reduzem o volume de moeda em circulação e tendem a reduzir a inflação. Com a adoção de políticas restritivas, haverá menor demanda, menor consumo e, por consequência, menores serão os investimentos, o emprego e o consumo, e as empresas entenderão que devem investir menos, empregar menos e assim sucessivamente. Ambas as políticas, expansionistas e contracionistas, são importantes e, quando praticadas em excesso, podem desencadear crises. Não existe política boa ou ruim, mas existe a política mais adequada para um determinado momento. Por isso, devemos manter o foco na sustentabilidade e na vida, quando planejamos. Esses objetivos guiarão as decisões mais apropriadas para cada momento da vida individual e em sociedade. EXEMPLO Quando o governo gasta e transfere muitos recursos para o sistema econômico, ele está fazendo uma política expansionista. Com essa política, as pessoas tenderão a gastar mais, o que gera inflação e aumenta a dívida pública. Dessa forma, o governo precisará pagar as suas contas. Desse modo, para reequilibrar, o governo precisará reduzir seus gastos e transferir menos recursos para a economia. Isso é uma política contracionista, direcionada para a redução da inflação e da dívida pública. Com esse tipo de política, em um próximo período de tempo, o governo poderá direcionar mais esforços para atender os anseios da sociedade. As políticas macroeconômicas podem desencadear: • Círculo virtuoso (ciclo de expansão do sistema econômico) Caso ocorra um aumento nos investimentos, haverá um aumento da produção, do emprego, da renda, da demanda, do consumo e assim sucessivamente, o que levará as empresas a entenderem que podem investir mais. Esse é um ciclo de expansão da economia. Políticas Economia e Mercado Global 58 expansionistas tendem a desencadear ciclos de expansão ou de aquecimento da atividade econômica. Um círculo virtuoso. • Círculo vicioso (ciclo de contração do sistema econômico) Por outro lado, caso ocorra uma redução nos investimentos, haverá uma redução da produção, do emprego, da renda, da demanda, do consumo e assim sucessivamente, o que levará as empresas a entenderem que podem reduzir os investimentos. Esse é um ciclo de contração da economia. Políticas contracionistas tendem a desencadear ciclos de recessão ou de desaquecimento da atividade econômica. Um círculo vicioso. Figura 11 – Círculo virtuoso e vicioso Fonte: Elaborado pela autora (2022). VOCÊ SABIA? Você já ouviu dizer que a economia oscila em ciclos de expansão e contração? Busque saber mais sobre as teorias dos ciclos econômicos. Os fisiocratas David Ricardo, Joseph Alois Schumpeter e Ludwig Von Mises são alguns autores que tratam dos ciclos econômicos em suas teorias. Economia e Mercado Global 59 Políticas fiscais As políticas fiscais têm origem nas contas do governo (G = A – T). Para fazer política fiscal, o governo atua pelos instrumentos fiscais, que são: as arrecadações (A) ou as transferências (T) que realiza para o sistema econômico. A figura a seguir sintetiza as políticas fiscais, as quais podem ser expansionistas e contracionistas, e serão detalhadas nas linhas a seguir. Figura 12 – Política fiscal expansionista e contracionista Fonte: Elaborado pela autora (2022). Políticas fiscais contracionistas Se o governo aumentar a arrecadação (A) ou reduzir as transferências (T), realizará políticas fiscais contracionistas. Quando o governo aumenta a arrecadação, as pessoas têm menos dinheiro para consumir ou para investir, porque precisam pagar mais impostos. Se as pessoas reduzirem o consumo ou o investimento, as empresas entendem que devem produzir menos e contratarão menos funcionários, os quais terão menor renda, ocasionando menor demanda, menor consumo e assim por diante. IMPORTANTE: Os preços caem e a inflação reduz porque a demanda diminui, e a redução dos gastos corresponde a um menor volume de transferências de recursos. Economia e Mercado Global 60 Quando o governo reduz as transferências, corta gastos e o orçamento público com infraestrutura, meio ambiente, pesquisa, educação, entre outros. Vale lembrar que há limites nos cortes dos gastos que são previstos por lei, como os cortes em saúde e educação. Se o governo reduzir os gastos, contratará menos serviços, consumirá menos bens para o funcionamento da estrutura pública, e as empresas privadas que atendem à demanda de bens e serviços do governo deixarão de receber, investirão menos, contratarão menos, remunerarão menos e o consumo cairá. Se o governo gastar menos e arrecadar mais, haverá uma redução da dívida pública. • Sabendo que G = A – T, • Se A > T, o governo registra superávit e reduz a dívida pública. Isso torna o governo mais eficiente para gerir os recursos públicos e garantir a prestação do serviço público pelo qual a sociedade pagou. Políticas fiscais expansionistas Se o governo reduzir a arrecadação (A) ou aumentar as transferências (T), realizará políticas fiscais expansionistas. Quando o governo reduz a arrecadação, as pessoas têm mais dinheiro para consumir ou para investir, porque terão que pagar menos impostos. Se as pessoas aumentarem o consumo ou investimento, as empresas entendem que devem produzir mais, contratarão mais funcionários, estes terão maior renda, maior será a demanda, o consumo e assim por diante. Os preços sobem e ocorrem pressões inflacionárias porque a demanda aumenta e a ampliação dos gastos corresponde a um maior volume de transferências de recursos. Economia e Mercado Global 61 VOCÊ SABIA? O aumento do gasto público e a dívida pública são umas das principais causas da inflação. Quando o governo aumenta as transferências, faz obras de infraestrutura, meio ambiente, pesquisa, educação, entre outros. Vale lembrar que o governo precisa ter projetos de longo prazo para realizar investimentos de acordo com o interesse público. Se o governo aumentar os gastos, contratará mais serviços, consumirá mais bens para o funcionamento da estrutura pública, e as empresas privadas que atendem à demanda de bens e serviços do governo receberão mais, investirão mais, contratarão mais, remunerarão mais e o consumo aumentará. REFLITA: A sociedade precisa decidir qual deve ser o tamanho da atuação do governo, refletindo sobre a sua eficiência para gerir os recursos que recebe via arrecadação pública. Caso o governo reduza a sua participação no sistema econômico, as empresas privadas tenderão a assumir novas responsabilidades na sociedade. Se o governo gastar mais e arrecadar menos, haverá umaumento na dívida pública. • Sabendo que G = A – T, • Se Aemprego, o consumo e a inflação. São elas: • A redução da taxa de redesconto. • A redução do depósito compulsório. • A redução da taxa básica de juros dos títulos públicos. Economia e Mercado Global 67 Figura 13 – Políticas monetárias expansionistas e contracionistas Fonte: Elaborado pela autora (2022). SAIBA MAIS: Um exemplo de sucesso de planejamento público e macroeconômico no Brasil é o Plano Real. Ele foi implementado a partir de 1993 e, em 1994, o real entrou em circulação. O Plano Real foi um conjunto de políticas administrativas, regulatórias e macroeconômicas contracionistas. O objetivo era o de conter a inflação e, para isso, o governo aumentou a taxa de juros, reduziu as transferências e aumentou os impostos. O plano atingiu seus objetivos e, até hoje, há equilíbrio monetário no país. Em 2019, estamos comemorando 25 anos do Plano Real no Brasil! Quer saber mais sobre esse conteúdo? Sugiro que você assista aos seguintes filmes, documentários e entrevistas: • Assista a um rápido documentário intitulado: “Plano Real: 25 Anos da moeda que salvou o Brasil”. Disponível aqui. • Assista ao filme “Real - O Plano Por Trás da História”, disponível aqui. • Leia sobre os 25 anos do real no site do Banco Central do Brasil, disponível aqui. Economia e Mercado Global https://bit.ly/2GAWNG3 https://bit.ly/3k25F69 https://bit.ly/3mdYLgb 68 RESUMINDO: Achou curioso o conteúdo deste capítulo? Você compreendeu as políticas macroeconômicas monetárias e fiscais? Está pronto para revisar o que trabalhamos? No decorrer do capítulo, estudamos o propósito de um planejamento para a sustentabilidade, ao conhecermos o papel do governo, os períodos de crise e a necessidade de se estabelecerem políticas e planejamento público, bem como as políticas expansionistas e contracionistas fiscais e monetárias. Quando as contas públicas ou externas do país estão desequilibradas, ao apresentarem sucessivos déficits ou ao registrarem altos níveis de endividamento, e quando há altos níveis inflacionários, o governo utiliza os instrumentos de políticas macroeconômicas para contrair a economia. Trata-se de um ajuste macroeconômico. Para isso, precisa aumentar os impostos ou reduzir as suas transferências (política fiscal) ou, ainda, aumentar a taxa básica de juros (política monetária). Com esses posicionamentos, o governo pode ajustar as contas públicas, a fim de registrar superávits para diminuir a dívida pública e o volume de moeda em circulação, o que reduz as pressões inflacionárias. Além disso, constatamos que o governo precisa estar constantemente regulando as suas contas e, para isso, precisa planejar os seus fluxos financeiros para não colocar o país em situações de crise. Por fim, o governo também precisa gerir as políticas macroeconômicas fiscais e monetárias para financiar adequadamente as suas atividades. Economia e Mercado Global 69 REFERÊNCIAS BANCO CENTRAL DO BRASIL. 25 anos do Real. Banco Central do Brasil, [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/2ZonuEv. Acesso em: 13 set. 2022. BANCO CENTRAL DO BRASIL. Índices de Preços. Banco Central do Brasil, [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/2Fpvaz5. Acesso em: 13 set.2022. BACEN (Banco Central do Brasil). O Dinheiro no Brasil, [s.d.]. Disponível em: https://www.bcb.gov.br. Acesso em: 09 set.2022. BANCO CENTRAL DO BRASIL. O que é inflação. Banco Central do Brasil, [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/33ctKAn. Acesso em: 13 set. 2020. BANCO CENTRAL DO BRASIL. Recolhimentos compulsórios. Banco Central do Brasil, [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/2Rc8AN3. Acesso em: Acesso em: 13 set. 2022. BANCO CENTRAL DO BRASIL. Recomendações da Basiléia. Banco Central do Brasil, [s.d.]. 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Economia e Mercado Global https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/legado?url=https:%2F%2Fwww.bcb.gov.br%2Fhtms%2Fmuseu-espacos%2Fdinheirobrasileiro%2Fhistdinbr.asp%3Fidpai%3DMUSEU https://bit.ly/33ctKAn https://bit.ly/2Rc8AN3 https://bit.ly/2FhoT8S https://bitly.is/3lZJXBD https://www3.bcb.gov.br/sgspub/consultarvalores/consultarValoresSeries.do?method=consultarValores https://www3.bcb.gov.br/sgspub/consultarvalores/consultarValoresSeries.do?method=consultarValores https://www3.bcb.gov.br/sgspub/consultarvalores/consultarValoresSeries.do?method=consultarValores https://bit.ly/3bISLaf http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm 70 FROYEN, R. Macroeconomia: teorias e aplicações. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. HISTÓRIA DO BRASIL POR BORIS FAUSTO (PARTE 7) - Brasil na Redemocratização (1985 à atualidade), 2016. 1 vídeo (30 min). Publicado pelo canal Estudos Turísticos. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=COAAliUayb8. Acesso em: 13 set. 2022. IBGE. Indicadores Sociais Mínimos – ISM. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/33ejwQ4. Acesso em: 13 set. 2020. IBGE. Matriz de Insumo-Produto. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/3ir6kxm. Acesso em: 13 set. 2022. IBGE. O que é o PIB. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/3m7R4Yv. Acesso em: 13 set. 2020. IBGE. Pesquisa Anual de Comércio - PAC. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/32bdXma. Acesso em: 13 set. 2022. IBGE. Pesquisa Anual de Serviços – PAS. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/3hhXoJo. Acesso em: 13 set. 2022. IBGE. Produção Agrícola Municipal - PAM. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/2ZlHtUm. Acesso em: 13 set. 2022. SIDRA. IBGE. Tabela 4099 - Taxas de desocupação e de subutilização da força de trabalho, na semana de referência, das pessoas de 14 anos ou mais de idade. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, [s.d.]. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/4099. Acesso em: 13 set. 2022. IBGE. Sistema de Contas Nacionais - SCN. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/3il51jS. Acesso em: 13 set. 2022. Economia e Mercado Global https://bit.ly/33ejwQ4 https://bit.ly/3ir6kxm https://bit.ly/3m7R4Yv https://bit.ly/32bdXma https://bit.ly/3hhXoJo https://bit.ly/2ZlHtUm https://bit.ly/3il51jS 71 LUNELLI, R. L. Depreciação contábil segundo os critérios da Lei n.º 11.638/2007. Portal de Contabilidade, [s.d.]. Disponível em: https://bit. ly/3hhXzEy. Acesso em: 13 set. 2022. MINISTÉRIO DA ECONOMIA. Orçamento. Disponível em: https:// www.gov.br/economia/pt-br. Acesso em: 09 set. 2022. PINHO, D. B.; VASCONCELLOS, M. A. S. (org.). Manual de economia. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. PLANO REAL: 25 Anos da moeda que salvou o Brasil, 2019. 1 vídeo (10 min). Publicado pelo canal LIVRES. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=l3mTctmR0Xk. Acesso em: 13 set. 2022. UNFPA. World Population Dashboard. United Nations Population Fund, [s.d.]. Disponível em: https://www.unfpa.org/data/world-population-dashboard. Acesso em: 13 set. 2022. VASCONCELLOS, M. A. S.; GARCIA, M. E. Fundamentos de Economia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. Economia e Mercado Global https://bit.ly/3hhXzEy https://bit.ly/3hhXzEy _Hlk21973333 Relação entre micro e macroeconomia Da micro para a macroeconomia Cadeias produtivas e valor agregado: produto = renda = despesa Moeda, nível de preços e inflação Moeda e mercado de crédito Nível geral de preços e inflação Emprego e desemprego na economia Organização setorial da atividade econômica Demanda de mercado específico e demanda agregada Óticas de cálculo do PIB As três óticas de cálculo do PIB Deflator do PIB, PIB real e PIB nominal Componentes do PIB e as contas nacionais Componentes do PIB Consumo das famílias Investimento das empresas Os gastos do governo e o orçamento público As exportações líquidas PIB e PNB PIB e PIL Políticas macroeconômicas fiscais e monetárias Sustentabilidade e planejamento econômico O papel do governo no planejamento econômico Períodos de crise Política e planejamento público Políticas expansionistas e contracionistas Políticas fiscais Políticas fiscais contracionistas Políticas fiscais expansionistas Políticas monetárias Taxa de redesconto Depósito compulsório Operações de open market (taxa básica de juros) Políticas monetárias expansionistas e contracionistastrês óticas de cálculo do PIB, o deflator do PIB, o PIB real e o PIB nominal. 3. Identificar os componentes do PIB e as contas nacionais. 4. Interpretar as políticas macroeconômicas fiscais e monetárias. Preparado para mergulhar e aprofundar ainda mais o seu conhecimento? Bom trabalho! Economia e Mercado Global 12 Relação entre micro e macroeconomia OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você terá compreendido a relação entre a micro e a macroeconomia. Trabalharemos, também, o nível geral de preços, a inflação, o mercado de trabalho e o desemprego. Além disso, você compreenderá de que forma os comportamentos individuais e das empresas compõem o valor agregado e dão forma às cadeias produtivas e aos setores da atividade econômica. Isso será relevante para o exercício de sua profissão, porque ampliará a visão do seu processo decisório. As pessoas que entendem a formação do equilíbrio geral contextualizam melhor as suas escolhas e tendem a progredir em suas vidas pessoais e profissionais. Motivado a desenvolver mais uma forma de se pensar sobre o ambiente econômico? Vamos lá! Da micro para a macroeconomia Macroeconomia é o campo de estudos da economia que se ocupa dos agregados econômicos e do equilíbrio geral. Já a microeconomia é o campo de estudos da economia que se ocupa dos mercados específicos e do equilíbrio parcial. EXPLICANDO MELHOR: A macroeconomia é composta pelo todo da atividade econômica, enquanto a microeconomia representa as partes. O todo é composto de partes, e as partes compõem o todo. Isso não tem relação com a abrangência territorial. As empresas ofertam produtos nos diversos mercados (micro). O somatório de todos os bens e serviços produzidos em um país, em um determinado período de tempo, determina o Produto Interno Bruto (PIB) (macro). Contudo, o somatório dos produtos individuais (micro) de cada atividade de uma economia determina o produto agregado ou PIB (macro). Economia e Mercado Global 13 Na Figura 1, tecnicamente, os mercados específicos estão representados pelo mercado do bem x. Já o agregado econômico está representado pelo fluxo circular da renda: Figura 1 – Fluxo circular da renda Fonte: Elaborado pela autora (2022). EXEMPLO São exemplos de microeconomia os mercados específicos, tais como os de café, de água, de pães, de sofás, de móveis, de imóveis, de vestuário, de alimentos, de máquinas, de equipamentos, de serviços, de telecomunicações, de energia elétrica, entre outros. Por outro lado, são exemplos de macroeconomia: o PIB, a inflação, a taxa de câmbio, a taxa básica de juros para toda a economia, que, no Brasil, é representada pela taxa Selic, entre outros agregados de renda e produção. Para melhor esclarecermos as distinções entre a micro e a macroeconomia, observe outro exemplo: os consumidores demandam os diversos mercados (micro). O somatório dessas demandas determina a Demanda Agregada (DA) (macro). Já a formação de preços nos diversos mercados ocorre por meio do encontro das forças de oferta e demanda de mercado (micro). O agregado dos preços não se caracteriza como um somatório, mas é entendido como um nível de preços geral para a economia (macro). Há, também, trabalhadores e demais fatores de produção em todos os processos produtivos (micro). De modo agregado, temos o emprego ou o desemprego da economia (macro). Economia e Mercado Global 14 Portanto, o que determina a micro ou a macroeconomia não é um território, mas a observação de segmentos específicos ou agregados da atividade econômica. Cadeias produtivas e valor agregado: produto = renda = despesa Na atividade produtiva, os fatores são transformados no processo de produção. Assim, os bens de capital transformam os bens intermediários em bens finais. Do encadeamento do processo de produção das instituições, formam-se as cadeias produtivas, as quais se entrelaçam no tecido produtivo por meio das relações sociais. Esse entrelaçamento é a base de geração de renda da sociedade. Lembre-se do fluxo circular da renda (Figura 1). Note que o fluxo real é o fluxo da produção e que, se desagregarmos as atividades produtivas, será possível observar diversas cadeias produtivas. As cadeias produtivas são, desse modo, o encadeamento das etapas dos processos de produção que resultam das interações entre oferta e demanda nos mercados de fatores e de bens e serviços. Cada etapa do processo produtivo gera um valor agregado ou valor adicionado para a economia. Isso é possível porque cada etapa de transformação deve remunerar os fatores terra, capital, trabalho, capacidade empresarial e tecnologia, os quais são utilizados no processo produtivo do bem. Até o momento, estudamos os principais raciocínios da economia e algumas abordagens sobre a microeconomia. A partir deste momento, faremos a relação entre a micro e a macroeconomia por meio das principais variáveis econômicas. EXEMPLO Para compreender de que forma o valor adicionado se forma no sistema econômico e qual é a relação entre a micro e a macroeconomia, apresentaremos um exemplo com suposições de valores monetários que não necessariamente estão de acordo com os valores reais praticados na produção do bem em questão. Também é importante explicar que o Economia e Mercado Global 15 exemplo presente na Figura 2 referencia os valores por unidade produzida, nesse caso, por móvel produzido (pense em um sofá). Outra consideração é a de que, na produção de móveis, há outros bens intermediários não ilustrados no exemplo. Na Figura 2, observe que cada etapa do processo produtivo compra um determinado bem e o vende, depois de transformado, por outro valor. Além disso, perceba que quem produz as chapas de madeira compra as toras, que são bens intermediários, por R$ 350,00. O responsável por essa etapa utilizará os fatores terra, capital, trabalho, capacidade empresarial e tecnologia para fazer as chapas de madeira. Portanto, esses fatores devem ser remunerados com aluguéis, salários, juros, lucros e royalties, os quais somam o total de R$ 200,00. Assim, quem faz as chapas de madeira as venderá por R$ 550,00 para aquele que produzirá os móveis. O valor adicionado nessa etapa foi de R$ 200,00 por móvel produzido, incluídas todas as remunerações de todos os fatores de produção utilizados nessa etapa da cadeia produtiva. EXPLICANDO MELHOR: O preço do produto “móvel” é de R$ 1.500,00. Da mesma forma, as remunerações pagas em cada etapa do processo produtivo e valor agregado também totalizam R$ 1.500,00, que correspondem à soma das remunerações de cada etapa do processo produtivo: R$ 200,00 do plantio florestal (valor de saída de R$ 200,00, subtraído o valor de entrada de R$ 0,00); mais R$ 150,00 do beneficiamento da madeira (valor de saída de $ 350,00, subtraído o valor de entrada de R$ 200,00); mais R$ 200,00 da produção de chapas de madeira (valor de saída de R$ 550,00, subtraído o valor de entrada de R$ 350,00); e mais R$ 950,00 da produção de móveis (valor de saída R$ 1.500,00, subtraído o valor de entrada R$ 950,00). Por outro lado, a demanda, quando procura por móveis, despenderá (dispêndio) R$ 1.500,00 para adquirir o produto. Em outras palavras, terá uma despesa em valor monetário igual ao preço do produto e igual às remunerações do processo produtivo. Economia e Mercado Global 16 Para completar o seu entendimento, retome o estudo do fluxo circular da renda, porque ele justifica todas as remunerações da atividade econômica a partir dos fluxos real e monetário. Assim, é possível compreendermos de que forma a microeconomia compõe a macroeconomia. Utilizamos, como exemplo, a produção de móveis, mas ela é apenas uma das inúmeras cadeias produtivas contidas no sistema econômico. Isso ocorre para todos os produtos. Dessa forma, de modo agregado, escrevemos a equação: produto = renda = despesa. Figura 2 – Formação do valor agregado: produto = renda =despesa Fonte: Elaborado pela autora (2022). NOTA: O exemplo do valor adicionado é uma forma didática de explicar o conteúdo. A operacionalização, na prática, requer compreensões de níveis mais aprofundados dos cálculos econômicos, principalmente porque devem ser considerados os fluxos e os valores de importações e exportações regionais e internacionais, o que resulta em diferenças entre os valores do Produto Interno Bruto (PIB) e do Valor Adicionado (VA) em territórios específicos. Moeda, nível de preços e inflação A moeda possibilita as operações de troca, poupança e financiamentos na atividade econômica. Sua posse caracteriza os agentes em superavitários ou deficitários, e as variações de seu volume em circulação podem desencadear movimentos inflacionários ou deflacionários nos sistemas econômicos. Economia e Mercado Global 17 Moeda e mercado de crédito A história da moeda nos mostra por que ela foi sofrendo aprimoramentos no decorrer de sua formação. Ela passou por diversos estágios até chegar à forma que tem hoje, desde o escambo, passando pela moeda mercadoria, moeda simbólica, escritural e sofisticada. Dadas as suas características ou funções, é possível compreender por quais motivos nós demandamos moeda: precaução, transação e especulação. A moeda é algo aceito por uma nação como meio de troca, reserva de valor e unidade de conta. Contudo, há meios de pagamentos mais líquidos e de menor liquidez. Os meios de pagamentos são as formas de ativos que a moeda assume no sistema econômico e que transitam no sistema financeiro e de capitais. A autoridade monetária – Banco Central – controla o volume de moeda em circulação por meio dos meios de pagamentos, os quais estão classificados em M0, M1, M2, M3 e M4, de acordo com a liquidez dos ativos monetários. O papel-moeda, o depósito à vista nos bancos comerciais e cartão de débito, por exemplo, são os meios mais líquidos, ou seja, têm maior aceitação, quando comparados a uma previdência privada. Embora um título público tenha liquidez, ele não é aceito em qualquer banca de revistas, e seus outros investimentos não são transformados facilmente em moeda corrente. Por isso, dizemos que não possui liquidez. Os meios de pagamentos são: • M0 – Moeda em poder do público (papel-moeda e moeda metálica). • M1 – M0 + depósito à vista nos bancos comerciais. • M2 – M1 + poupança (juros) e títulos privados. • M3 – M2 + renda fixa. • M4 – M3 + títulos públicos. Economia e Mercado Global 18 REFLITA: A posse, ou não, da moeda caracteriza os agentes em superavitários (recebem mais do que gastam) ou em deficitários (gastam mais do que recebem). Você é um agente deficitário ou superavitário? Os conceitos de agentes e resultados superavitário e deficitário se aplicam às famílias, às empresas, aos governos e aos países. Nesse sentido, surgem os termos “dívida pública”, “dívida privada” e “dívida externa”. Os agentes superavitários emprestam dinheiro aos agentes deficitários, o que gera as operações financeiras e de crédito. Por exemplo: os bancos emprestam moeda para as pessoas terem crédito. As pessoas, por sua vez, financiam o pagamento desse crédito. Uma pessoa deficitária pode ter o seu limite da conta do banco coberto por um agente financeiro, o qual cobra juros pelo serviço de empréstimo de moeda. Ao tomar o dinheiro emprestado, uma pessoa recebeu um crédito, que deve ser pago ao agente credor, nesse caso, o banco. Esse pagamento pode ser financiado. Observe, na figura a seguir, que “taxa de juros” é o nome do preço da moeda. Empréstimo de moeda é uma prestação de serviço. O banco cobra juros por um serviço prestado a empresas e pessoas físicas. Figura 3 – Mercado de crédito e taxa de juros Fonte: Elaborado pela autora (2022). Economia e Mercado Global 19 NOTA: O mercado de crédito da figura anterior é uma representação didática. Na prática, há considerações técnicas sobre a oferta de moeda, as quais dizem respeito aos níveis mais avançados da teoria econômica. Nível geral de preços e inflação A moeda também tem impactos na economia de acordo com o seu volume em circulação no sistema econômico. Caso o volume de moedas em circulação seja maior que a capacidade de geração de renda do sistema, há o fenômeno da inflação. DEFINIÇÃO: Inflação é o aumento generalizado do nível de preços. A inflação pode ter diversas causas, e uma delas é o alto volume de moeda em circulação. Quando as pessoas detêm dinheiro, elas buscam maximizar as suas satisfações. Assim, aumentam a demanda e a oferta, e os produtores, por sua vez, entendem que podem aumentar o preço de seus produtos, porque há muitas pessoas aptas e dispostas a pagar um valor mais alto pelo bem ou serviço produzido. EXEMPLO Quando o governo flexibiliza a tomada de crédito pelas pessoas, estabelecendo uma taxa mais baixa de juros, os indivíduos podem adquirir mais bens, serviços e investimentos. Dessa forma, a demanda aumentará e a oferta entenderá que pode aumentar o preço de seus produtos. Isso causa um aumento generalizado do nível de preços. A inflação não é o aumento do preço de um ou de outro produto. Trata-se do aumento generalizado, que pode ter sido desencadeado pelo aumento de apenas um produto: o petróleo, por exemplo. Nesse caso, o aumento do nível de preços não foi causado pelo volume de moeda em Economia e Mercado Global 20 circulação, mas devido ao aumento do preço de um importante insumo da economia. Caso o preço do petróleo aumente, subirá o preço dos transportes e de todos os produtos que o têm como insumo ou fonte de geração de energia. Esse fenômeno ocorre de modo encadeado, dissipando-se para toda atividade econômica. Nesse caso, a inflação ocorreu devido ao aumento dos custos de produção. IMPORTANTE: As variações do nível geral de preços são medidas pelos índices de preços calculados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pela Fundação Getúlio Vargas (FBV) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE). O acompanhamento desses índices permite observar se há inflação ou deflação. A inflação impacta a atividade econômica, porque altera as características da moeda e distorce os valores monetários que justificam os motivos de demanda por moeda. Quando a inflação atinge altos níveis, é caracterizada como hiperinflação e denigre, por exemplo, a possibilidade de se poupar, impedindo a reserva de valor. EXEMPLO Suponha que você gostaria de ter comprado dois ventiladores no verão passado. Naquela época, foi até a loja e viu que o preço de cada um era R$ 100,00. Não tinha o dinheiro, não quis realizar uma operação de crédito com um financiamento e resolveu poupar durante o ano até conquistar R$ 200,00. Neste verão, você pegou os R$ 200,00, foi até a loja e viu que o preço de um ventilador mudou para R$ 105,00 e que, em conjunto, os dois ventiladores custariam R$ 210,00. Você guardou esse dinheiro durante o ano para comprar dois ventiladores, mas pôde apenas comprar um. Isso ocorreu porque, no decorrer do ano, a atividade econômica passou por um período inflacionário, mesmo que moderado, o que fez com que a reserva de valor não fosse possível e a poupança não tivesse um rendimento suficiente para cobrir a inflação. Por constatação, Economia e Mercado Global 21 você perdeu poder aquisitivo, pois houve um aumento no preço do ventilador. O exemplo foi dado para apenas um produto. Expanda-o para toda a cesta de consumo de uma família. A inflação denigre as características ou funções da moeda, impedindo a poupança, por exemplo, e causa perda do poder aquisitivo da população. Em meio a altos níveis inflacionários, as pessoas deixam de acreditar na economia. Assim, a inflação pode desencadear uma crise no governo e no Estado. SAIBA MAIS: Leia sobre a crise do Estado e a inflação na década de 1980. Há filmes do historiador Boris Fausto,na internet, que retratam esse período. Um exemplo é “História do Brasil por Boris Fausto (Parte 7) - Brasil na Redemocratização (1985 à atualidade)”, disponível aqui. Emprego e desemprego na economia A observação do emprego e do desemprego, na economia, pode se dar sobre o mercado de trabalho ou envolve o emprego dos demais fatores de produção (terra, capital, capacidade empresarial e tecnologia). De acordo com o IBGE (on-line), em relação aos Indicadores Sociais Mínimos (ISM), a taxa de desocupação (ou desemprego aberto) é a percentagem das pessoas desocupadas em relação às pessoas economicamente ativas (PEA). Já a população economicamente ativa (PEA) é composta pelas pessoas de 10 a 65 anos de idade que foram classificadas como ocupadas ou desocupadas na semana de referência da pesquisa. A PEA é uma parte da PIA (população em idade de atividade). FÓRMULA Número de desempregados / PEA*. *Em que: PEA é o conjunto de empregados e desempregados. Economia e Mercado Global https://bit.ly/3ijLpfO 22 As pessoas podem estar desocupadas por motivos tais como saúde e aspectos legais. De acordo com a legislação trabalhista, no Brasil, não é permitido o trabalho para menores de 14 anos de idade. Isso significa que não são todas as pessoas em idade economicamente ativa (PEA) que estão aptas e dispostas a trabalhar, e a pesquisa de emprego e desemprego deve considerar essas limitações no momento de realização das estatísticas. EXEMPLO Os dados do gráfico de desemprego presente na Figura 4 foram retirados do site do IBGE, em conjunto com a SIDRA (s.d.), no qual se faz presente a Tabela 4099. Trata-se da taxa de desocupação, na semana de referência, das pessoas de 14 anos ou mais de idade (%). Note que, no primeiro trimestre de 2017, o desemprego no Brasil atingiu o patamar de 13,7% devido à crise iniciada no ano de 2014. No segundo trimestre de 2019, a taxa se encontrava em 12%. Figura 4 – Taxa de desemprego no Brasil (2012-2019) Fonte: Adaptado de IBGE/SIDRA (s.d.). Economia e Mercado Global 23 De acordo com Vasconcellos e Garcia (2008), o desemprego pode ser classificado em: • Sazonal: é registrado, por exemplo, em períodos pós-temporadas de veraneio, final de ano e volta às aulas, quando ocorrem contratações temporárias para atender aos comportamentos sazonais da economia. • Conjuntural: é registrado devido às insuficiências da demanda agregada em absorver a mão de obra disponível por um limitado período de tempo. É considerada uma taxa natural de desemprego. • Tecnológico: é registrado devido às intensas transformações dos meios de produção, como a Quarta Revolução Industrial que está ocorrendo. • Estrutural: ocorre devido à insuficiência da estrutura produtiva, ocasionada pela ausência de investimentos na produção, que, consequentemente, não possui postos de trabalho para absorver a oferta de trabalho disponível. Trata-se da causa mais séria do desemprego. Ela significa que não foram construídos lugares para se trabalhar e que não haverá produção, caracterizando períodos de crise na economia, como a vivenciada no Brasil desde 2014. Na figura a seguir, está o esboço do mercado de trabalho, em que se formam os salários a partir da oferta e da demanda. Observe uma curiosidade no efeito de um salário mínimo determinado pelo governo, que o faz normalmente a taxas superiores às de equilíbrio. Para o nível salarial estabelecido pelo governo, embora os trabalhadores recebam maior remuneração, a quantidade demandada é menor, o que significa menos contratações. Economia e Mercado Global 24 Figura 5 – Mercado de trabalho e salário mínimo Fonte: Elaborado pela autora (2022). NOTA: A legislação trabalhista sempre deve ser consultada. Organização setorial da atividade econômica A atividade econômica pode ser organizada setorialmente para que os mercados específicos sejam observados. Os dados e as informações obtidas permitem que sejam traçadas políticas ou ações para estímulos da atividade econômica. Assim, no site do IBGE, ao abordar a Pesquisa Anual de Serviços, é sustentado que: Seus resultados podem ser usados para os planejamentos e a orientação de políticas públicas. Além disso, são informações importantes para o setor privado e para a comunidade acadêmica e o público em geral, além de fornecer informações para as Contas Nacionais. Os resultados também são usados por entidades de representação empresarial e consultorias especializadas, por exemplo, para entender o comportamento das atividades de serviços no País. (IBGE, on-line) Economia e Mercado Global 25 O principal agrupamento da atividade econômica está organizado setorialmente em: agropecuária, indústria e serviços. SAIBA MAIS: O IBGE realiza pesquisas específicas para os setores da atividade econômica. Recomendo a leitura das seguintes para conhecer os conteúdos apresentados: Pesquisa Anual de Serviços (PAS): A Pesquisa Anual de Serviços - a PAS levanta dados econômicos financeiros para conhecer detalhadamente o setor de serviços. Ela investiga anualmente empresas que atuam nos seguintes setores de serviços empresariais não financeiros: serviços prestados principalmente às famílias; serviços de informação e comunicação; serviços profissionais, administrativos e complementares; transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio; atividades imobiliárias; e serviços de manutenção e reparação, além de outras atividades de serviços. (IBGE, on-line) Pesquisa Industrial Anual - Produto - PIA-Produto: A Pesquisa Industrial Anual - Produto, PIA-Produto, investiga informações referentes a produtos e serviços produzidos pela indústria nacional. (IBGE, on-line) Produção Agrícola Municipal (PAM): Investiga um conjunto de produtos das lavouras temporárias e permanentes do País que se caracterizam não só pela grande importância econômica que possuem na pauta de exportações, como também por sua relevância social, componentes que são da cesta básica do brasileiro, tendo como unidade de coleta o município. A pesquisa fornece informações sobre área plantada, área destinada à colheita, área colhida, quantidade produzida, rendimento médio e preço médio pago ao produtor, no ano de referência, para 64 produtos agrícolas. (IBGE, on-line) Pesquisa Anual de Comércio (PAC): A Pesquisa Anual de Comércio - PAC constitui uma importante fonte de dados setoriais para compreender o comportamento do mercado sob a lógica da oferta, uma vez que as atividades comerciais empregam significativa parcela Economia e Mercado Global 26 da população e contribuem, em grande medida, para a composição do Produto Interno Bruto – PIB. (IBGE, on-line) EXEMPLO No quadro a seguir, é possível observar os momentos em que ocorreram variações negativas no PIB por setor da atividade econômica. No ano de 2009, os efeitos da crise internacional de 2008 foram registrados na agropecuária e na indústria. Note, também, os decréscimos setoriais registrados nos anos de 2012, 2014, 2015, 2016 e 2017. Eles são efeitos das decisões nacionais sobre a política econômica que desencadearam sucessivos desequilíbrios macroeconômicos e culminaram nas quedas de 3,6% e 3,3% nos anos de 2015 e 2016, respectivamente. Quadro 1 – PIB por setor da atividade econômica: taxa de variação (%) Taxa de variação real no ano - Var. % anual Data PIB Total PIB – Agropecuária PIB - Indústria PIB - Serviços 2000 4,4 2,7 4,4 3,9 2001 1,4 5,2 -0,6 2,1 2002 3,1 8,0 3,8 3,1 2003 1,1 8,3 0,1 1,0 2004 5,8 2,0 8,2 5,0 2005 3,2 1,1 2,0 3,7 2006 4,0 4,6 2,0 4,3 2007 6,1 3,3 6,2 5,8 2008 5,1 5,8 4,1 4,8 2009 -0,1 -3,7 -4,7 2,1 2010 7,5 6,7 10,2 5,8 2011 4,0 5,6 4,1 3,5 2012 1,9 -3,1 -0,7 2,9 2013 3,0 8,4 2,2 2,8 2014 0,5 2,8 -1,5 1,0 2015 -3,6 3,3 -5,8 -2,7 2016 -3,3 -5,2 -4,6 -2,3 2017 1,1 12,5 -0,5 0,5 2018 1,1 0,1 0,6 1,3 Fonte: Adaptado de BCB-Depec – IBGE e SGS/BACEN (2019). Economia e Mercado Global27 Demanda de mercado específico e demanda agregada Comparativamente, na Figura 6, está a demanda de um mercado específico (demanda do bem x), que representa a microeconomia, e a demanda agregada, a qual representa a macroeconomia. Note que, na microeconomia, há os preços e as quantidades demandadas do bem x, enquanto, na macroeconomia, há o nível geral de preços e a renda (Y). A leitura dos esboços dos gráficos ocorre da seguinte maneira: • Microeconomia: quanto maior é o preço, menor é a quantidade demandada (coeteris paribus). • Macroeconomia: quanto maior for o nível geral de preços, menor será a renda da população, mantidas as demais variáveis constantes. EXPLICANDO MELHOR: Na macroeconomia, a inflação ocasiona a perda do poder aquisitivo da população. Figura 6 – Demanda específica e demanda agregada Fonte: Elaborado pela autora (2022). Economia e Mercado Global 28 Navegue no site do IBGE para conhecer a Matriz de Insumo-Produto (MIP). Ela é a base para os cálculos do PIB: o IBGE divulga, nesta publicação, a Matriz de Insumo- Produto 2015 [...]. Seus resultados proporcionam uma visão detalhada da estrutura produtiva brasileira e permitem avaliar o grau de interligação setorial da economia e também os impactos de variações na demanda final dos produtos, mediante a identificação dos diversos fluxos de produção de bens e serviços. [...] O Sistema de Contas Nacionais - referência 2010 segue as recomendações internacionais contidas no manual System of national accounts 2008, SNA 2008, e apresenta as informações segundo uma classificação de produtos e atividades integrada com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE 2.0 do IBGE. (IBGE, on-line) SAIBA MAIS: Saiba mais sobre a inflação no site do Banco Central do Brasil. A navegação é bem interativa, e tenho certeza que você aprenderá ainda mais sobre o assunto. Acesse aqui. No site do Banco Central do Brasil, conheça os índices de preços IPCA, INPC, IPC-FIPE e IGP, disponíveis aqui. Economia e Mercado Global https://bit.ly/33bNXpX https://bit.ly/2ZosRDP 29 RESUMINDO: Depois de compreender a relação entre a micro e a macroeconomia, também estudamos o mercado de crédito, o nível de preços, a inflação e o mercado de trabalho. Vamos relembrar os temas que conhecemos neste capítulo? Nós visualizamos exemplos de agregados econômicos, a saber: PIB, taxa de juros, nível de preços, renda, valor adicionado, entre outros. Quando estudamos o mercado de crédito, foi possível compreender que os agentes superavitários emprestam moeda aos agentes deficitários. Já no momento em que analisamos o mercado de trabalho, percebemos o efeito do estabelecimento do salário- mínimo. Além desses conteúdos, para compreender a relação entre a micro e a macroeconomia, nós entendemos a igualdade “produto = renda = despesa”. Economia e Mercado Global 30 Óticas de cálculo do PIB OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você terá compreendido operacionalmente as três óticas de cálculo do PIB, o deflator do PIB, o PIB real e o PIB nominal. Isso será relevante para o exercício de sua profissão, porque ampliará a sua habilidade analítica e a qualidade das análises de dados em seus processos decisórios. As pessoas que entendem os efeitos das oscilações do nível geral dos preços na produção real analisam melhor os dados e as informações em suas vidas pessoais e profissionais. Motivado para desenvolver suas habilidades analíticas? Vamos lá!. As três óticas de cálculo do PIB Os cálculos do PIB ocorrem por meio do Sistema de Contas Nacionais (SCN), em forma de registro contábil, e da Matriz de Insumo- Produto, ambos sob a responsabilidade do IBGE. A lógica que rege a organização dessas contas é: produto = renda = despesa. O preço pago pelo produto equivale a toda remuneração gerada no processo produtivo, a qual igualmente equivale ao dispêndio da demanda no momento da compra. No site do IBGE, ao abordar o Sistema de Contas Nacionais, é sustentado que: as principais grandezas calculadas no Sistema de Contas Nacionais [...] permitem identificar, para cada ano do período considerado, os seguintes indicadores: o Produto Interno Bruto - PIB; a composição da oferta e da demanda agregada; a geração, a distribuição e o uso da renda nacional; a acumulação de capital; a capacidade ou necessidade de financiamento; as transações correntes com o resto do mundo; a renda per capita; a evolução da carga tributária; e a desagregação do setor público e privado, para alguns agregados, entre outras informações da economia brasileira. (IBGE, on-line) Economia e Mercado Global 31 Deflator do PIB, PIB real e PIB nominal Para compreender os valores reais de crescimento e produção de uma economia, temos os valores do PIB real e do PIB nominal. Esse raciocínio considera os efeitos da inflação sobre a economia, e nós fazemos cálculos para verificar o quanto uma economia realmente cresceu. No decorrer do ano, perdemos poder aquisitivo em detrimento do processo inflacionário. Desse modo, se retirarmos a variação dos preços, saberemos o quanto “realmente” aumentou o nosso poder aquisitivo. Além disso, considerando que produto = renda = despesa, a perda do poder aquisitivo pode ser equiparada ao crescimento real da produção e da renda gerado em uma economia. Enquanto a demanda sofre a perda do poder aquisitivo em períodos inflacionários, a oferta sofre o aumento do custo de produção, o que a impossibilita de produzir mais. Esteja atento aos cálculos reais dos ganhos obtidos. EXPLICANDO MELHOR: Para saber o quanto a sua empresa realmente cresceu, retire os efeitos da inflação sobre a receita. Há uma diferença entre a receita real e a receita nominal, de acordo com a variação dos preços da economia. A sua empresa pode ter trabalhado com insumos que tenham sofrido oscilações maiores ou menores que a variação do nível geral de preços. Por isso, fazer esse cálculo é importante, porque a formação dos preços deverá ser revista. A diferença entre o PIB real e o PIB nominal é obtida por intermédio da retirada dos efeitos da inflação sobre os preços. • O PIB a preços correntes é o PIB nominal. • O PIB a preços constantes é o PIB real. No ano de referência, o PIB real é igual ao PIB nominal. Denominamos esse ano de “base 100” para o cálculo da variação do nível de preços. Economia e Mercado Global 32 EXEMPLO Suponha que tanto o PIB real quanto o PIB nominal foram de R$ 6,8 trilhões nos valores de 2018. Assim, 2018 é a base 100 ou o ano de referência para o cálculo das variações dos níveis de preços. Além disso, naquele ano, a inflação registrada por meio do deflator do PIB foi de 3,03%. A partir desse conhecimento, é possível aplicar a seguinte fórmula: FÓRMULA PIB Real = PIB nominal/Nível de preços Quadro 2 – PIB real, PIB nominal e deflator do PIB Data PIB NOMINAL PIB REAL DEFLATOR 2008 3.109.803.089.060,00 6.080.144.993.661,83 8,78 2009 3.333.039.355.280,00 6.072.495.441.666,51 7,31 2010 3.885.847.000.000,00 6.529.646.612.054,99 8,42 2011 4.376.382.000.000,00 6.789.162.394.010,84 8,32 2012 4.814.760.000.000,00 6.919.594.151.513,64 7,94 2013 5.331.618.999.999,99 7.127.515.685.270,30 7,50 2014 5.778.953.000.000,00 7.163.435.209.705,10 7,85 2015 5.995.787.000.000,00 6.909.436.746.324,24 7,57 2016 6.267.205.000.000,00 6.681.048.471.377,08 8,10 2017 6.553.842.690.499,99 6.752.125.557.826,12 3,47 2018 6.827.585.907.385,97 6.827.585.907.385,97 3,03 Fonte: Adaptado de BCB-Depec – IBGE e SGS/BACEN (2019). Economia e Mercado Global 33 Note, na figura a seguir, a diferença entre o comportamento das séries do PIB real e do PIB nominal. O gráfico foi elaborado a partir dos dados do Quadro 2. Figura 7 – PIB real e PIB nominal no Brasil (2008-2018) Fonte: Adaptadode BCB-Depec – IBGE e SGS/BACEN (2019). EXEMPLO A diferença entre o PIB real e o PIB nominal é obtida por meio da retirada dos efeitos da inflação sobre os preços. Observe, no Quadro 2, os valores reais e os valores nominais do PIB. Eles são dados pelos valores constantes e correntes, respectivamente. Note que há uma coluna com a variação de preços (%), que corresponde ao deflator do PIB. Agora, sabendo que: Nível de Preços = ((PIB nominal/PIB real) – 1) x 100, Calcule a variação de preço (%) para o ano de 2016. • Nível de preços = ((6.267.205/5.797.599) – 1) x 100. • Nível de preços = (1,081 – 1) x 100. • Nível de preços = (0,081) x 100. • Nível de preços = 8,1%. Economia e Mercado Global 34 SAIBA MAIS: Saiba mais sobre o Sistema de Contas Nacionais (SCN) no site do IBGE, disponível aqui. RESUMINDO: Neste capítulo, compreendemos as três óticas de cálculo do PIB, o deflator do PIB, o PIB Real e o PIB Nominal. Você se sentiu desafiado ao resolver o exercício que calcula o deflator do PIB (inflação)? Você se lembra de que o PIB real é o PIB em valores constantes, enquanto o PIB nominal é o PIB em valores correntes? A diferença entre os dois está na variação do nível geral de preços (inflação) do período. Também trabalhamos de modo aplicado a equação “produto = renda = despesa”, a qual é realizada por intermédio do Sistema de Contas Nacionais (SCN) do IBGE. Por fim, constatamos que cada ótica de cálculo do PIB possui componentes distintos que, por meio de medidas contábeis, resultam em um mesmo valor. Economia e Mercado Global https://bit.ly/3bExI8P 35 Componentes do PIB e as contas nacionais OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você terá conhecido os componentes do PIB e as contas nacionais. Isso será importante para o exercício de sua profissão, porque ampliará sua visão nos processos decisórios. As pessoas que entendem a formação do produto e da renda nacional contextualizam melhor os posicionamentos estratégicos pessoais e profissionais. Motivado para treinar a sua visão sistêmica? Vamos lá!. Componentes do PIB A produção agregada de um país, ou seja, o Produto Interno Bruto (PIB), é composta pela participação dos agentes da economia: as famílias, as empresas, o governo e o setor externo. Cada agente contribui para a produção do país. Vamos ver de que forma isso acontece? • PIB = Famílias + Empresas + Governo + Setor Externo. FÓRMULA PIB = C + I + G + EL Em que: C – Consumo das famílias. I – Investimento das empresas. G – Participação do governo. EL – Exportações líquidas. Os componentes do PIB, quando observados pela ótica da despesa ou da demanda agregada (DA), correspondem à participação das famílias, das empresas, do governo e do setor externo (DA = C + I + G + EL). Observe essas contas no Quadro 2. Contudo, como forma didática, escreveremos PIB = C + I + G + EL. Economia e Mercado Global 36 Consumo das famílias Iniciaremos os nossos estudos pela participação das famílias. O consumo das famílias resulta de uma renda disponível (Yd) que se forma, entre outros elementos, depois do pagamento dos impostos ao governo. Além disso, a renda disponível pode ser direcionada para o consumo (C), para a poupança (S) ou, ainda, para o investimento (I). FÓRMULA Yd = Y – A Em que: • Yd – Renda disponível. • Y – Renda (exemplo: salário). • A – Impostos (arrecadação do governo. Exemplo: imposto de renda). É importante compreender que a poupança garante o consumo futuro das famílias. A poupança de hoje é o consumo de amanhã. Logo, é um investimento. Investimento das empresas O investimento das empresas (Ib) é caracterizado principalmente pelo investimento bruto em capital físico (IBKF), o qual pode ser visualizado no Quadro 2. Essa informação é obtida a partir do registro da conta investimentos nos balanços patrimoniais das empresas. Trata-se de investimentos em estrutura produtiva, veículos, máquinas, equipamentos, ou seja, em capital, nesse caso, físico e não financeiro. O investimento das empresas é uma forma de poupança que será recebida em um próximo período de tempo pelo retorno do ativo da empresa. Economia e Mercado Global 37 VOCÊ SABIA? Você conhece a estrutura do balanço patrimonial de uma empresa? Ela possui contas do ativo, passivo e patrimônio líquido. Procure figuras, na internet, com o registro de investimentos e da depreciação nos balanços patrimoniais das empresas. Outra maneira possível é visualizar esses registros em livros de contabilidade. O investimento bruto (Ib) das empresas contido no PIB é a soma do IBKF em conjunto com a variação dos estoques (∆E), que também é um investimento registrado nos balanços patrimoniais. FÓRMULA Ib = IBKF + ∆E Os gastos do governo e o orçamento público A participação do governo na economia é orientada pelos sistemas econômicos. O Estado possui algumas funções, como a de distribuir, regulamentar e alocar os fatores de produção, entre outras atividades. Dessa forma, pode intervir mais intensamente ou com menor intensidade nos mercados da atividade econômica. O governo faz a gestão do Estado. O governo não é o Estado, mas o compõe. Esse é um princípio essencial da liberdade e da soberania. Caso o governo se aproprie da soberania do Estado, os sistemas econômicos tendem a se tornar mais centralizados ou mais interventores, inibindo o desenvolvimento da atividade econômica, da geração de renda e de emprego. Quando o governo adota cargas tributárias elevadas, ele é caracterizado como mais interventor. Economia e Mercado Global 38 SAIBA MAIS: Quer saber um pouco mais sobre a soberania? Leia um fragmento retirado da Constituição Federal: Art. 1.º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - A soberania. II - A cidadania. III - A dignidade da pessoa humana. IV - Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; (Vide Lei n.º 13.874, de 2019). V - O pluralismo político. Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. (BRASIL, 1988, on-line) Contudo, a participação do governo no sistema econômico ocorre por meio de seu orçamento. No orçamento público, estão os registros de todas as receitas e as despesas do governo. Além disso, esse agente precisa cumprir com algumas ferramentas legais que constam na Constituição para atuar na economia. São elas: a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a Lei Orçamentária Anual (LOA) e o Plano Plurianual (PPA). SAIBA MAIS: Procure, na Constituição Federal, por “PPA”, “LOA” e “LDO”. Além disso, busque pelos conteúdos e valores da LOA em “Orçamentos Anuais” no site do Ministério da Economia. O orçamento público e a participação do governo no PIB são registrados da seguinte forma: Economia e Mercado Global 39 FÓRMULA G = A – T Em que: • G – Governo. • A – Impostos (arrecadação do governo. Exemplo: imposto de renda). • T – Transferências do governo ou gastos do governo (G). As notações utilizadas podem variar entre os livros e os autores de economia. Entretanto, são correspondentes em termos técnicos. Atente para o fato de que os impostos (A) não foram computados no componente C, consumo das famílias, porque estão registrados como arrecadação (A) no componente G, governo, do PIB. Isso evita a duplicidade dos registros na equação do PIB. Vale ressaltar que há outras compensações técnicas realizadas nessas contas que respeitam a lógica contábil do SCN. As exportações líquidas As relações com o setor externo do PIB são registradas na conta Transações Correntes (TC) do Balanço de Pagamentos (BP). Em outras palavras, dão-se nos registros de todas as importações (M) e exportações (X) de bens e serviços. FÓRMULA EL = X – M Em que:• EL – Exportações líquidas. • X – Exportações de bens e serviços. • M – Importações de bens e serviços. Economia e Mercado Global 40 PIB e PNB Enquanto o PIB está relacionado a um território, o PNB está relacionado a uma nação. O que os diferencia é a Renda Líquida do Exterior (RLE). DEFINIÇÃO: PIB é o somatório de todos os bens e serviços produzidos em um território, em um determinado período de tempo. A comparação do PIB com o PNB mostra a capacidade de produção de um território contraposta à capacidade de produção de uma nação em todo o mundo. Quanto mais investimentos estrangeiros (IED) um país tiver, maior será a tendência de o PNB ser inferior ao PIB. EXEMPLO No Brasil, o PIB é maior que o PNB, enquanto, nos EUA, o PIB é menor que o PNB. Isso significa que a capacidade do território brasileiro de produzir é maior que a capacidade da nação brasileira de produzir, e isso ocorre de modo oposto nos EUA. A capacidade de o território norte- americano produzir é inferior à capacidade dos norte-americanos de produzir em todo o mundo. No decorrer de um ano, há rendas estrangeiras geradas em território nacional, bem como rendas nacionais geradas em territórios estrangeiros. Quando as remessas de lucros e rendas são enviadas para o país de origem, é possível saber o quanto uma nação produziu no ano. FÓRMULA PIB = C + I + G + EL RLE = (REE – RRE) Em que: • RLE – Renda Líquida do Exterior. Economia e Mercado Global 41 • RRE – Renda Recebida do Exterior. • REE – Renda Enviada ao Exterior. PNB = PIB + RRE – REE Ou, PNB = PIB – RLE Figura 8 – PIB + Renda Recebida (RRE) – Renda Enviada (REE) ao exterior Fonte: Elaborado pela autora (2022). Nos livros, é possível encontrar tanto a afirmação de que o PNB = PIB + RLE quanto de que o PNB = PIB – RLE. Atente-se aos sinais de “+” e de “-”. Ambas as formas estão corretas. Depende de como a equação será organizada internamente: RLE = RRE – REE ou RLE = REE – RRE. Você já ouviu a expressão “O Brasil precisa agregar mais valor aos seus produtos”? Ela tem origem no número de elos de cadeias produtivas que temos em território nacional. Ainda importamos muitas máquinas e equipamentos, bem como insumos e tecnologia. Na década de 1980 e no início da década de 1990, a situação era ainda mais crítica: havia Economia e Mercado Global 42 pouca diversificação produtiva e etapas dos processos de transformação no território nacional. A expressão significa que produzimos bens primários no país, enviamos para fora e, depois, importamos bens finais. Em decorrência disso, a renda de diversas etapas de cadeias produtivas ficava e ainda fica fora do país. EXEMPLO Retome a Figura 2. Suponha que duas etapas do processo produtivo de móveis – o beneficiamento de toras e o processamento de chapas de madeira – são realizadas fora do país. As toras seriam exportadas e, depois, importadas em forma de chapas novamente, com maior valor adicionado. O valor da geração de renda dessas duas etapas da indústria da transformação seria realizado no exterior, por estarem em outros países ou sob outras nacionalidades. No exemplo, retiraríamos o valor de R$ 350,00 (R$ 150,00 + R$ 200,00) do produto total e da renda nacional. Ocorreram mudanças na nossa estrutura produtiva desde a década 1980, com a abertura comercial que se intensificou a partir de 1989, com o Consenso de Washington e, em 1994, com o Plano Real. Em decorrência da flexibilização das barreiras comerciais e de melhores condições de negociações internacionais, vieram diversas multinacionais para o país. Isso significa que, na década de 1990 e início dos anos 2000, no Brasil, a estrutura produtiva passou por processos de fusões e aquisições de empresas, devido à falta de competitividade da indústria nacional. Embora tenhamos diversificado um pouco o nosso parque industrial, via entrada de capital estrangeiro, hoje, enviamos diversas remessas de lucros para o exterior (PNB). Contudo, precisamos ponderar que há inúmeros brasileiros que trabalham e recebem salários de multinacionais em território nacional, contribuindo para o aumento da riqueza do país (PIB). Além disso, as atividades desempenhadas por empresas estrangeiras desencadeiam outras atividades diversas de empresas brasileiras. Economia e Mercado Global 43 VOCÊ SABIA? Quando uma empresa estrangeira constrói uma planta produtiva em um país, dizemos que há um investimento direto estrangeiro (IED). Em outras palavras, há o ingresso de moeda estrangeira no país, mesmo que, depois, uma parte seja enviada como renda para a matriz no exterior. Se ocorrerem diversos investimentos diretos estrangeiros no país, eles desencadearão outros investimentos, aumentando o emprego, a renda, a demanda e o consumo. Com isso, as empresas entenderão que podem investir mais. Isso é chamado de círculo virtuoso. Quando há aumento do IED, há ingresso de moeda estrangeira no país, e a oferta de “dólares” aumenta, o que provoca uma queda na taxa de câmbio. Como os investidores estrangeiros precisam comprar reais para operar dentro do país, a demanda por reais aumenta, valorizando a moeda nacional. Você sabia que existe um fenômeno chamado desindustrialização? Desmistifique esse tema, buscando-o livremente pela internet. Prefira fontes confiáveis e oficiais, ao invés de notícias de jornais. Atente-se a sites como os do IBGE, IPEA, FGV, UNICAMP, CNI, BACEN, entre outros. PIB e PIL O PIB demarca o registro bruto dos investimentos (Ib), com o investimento bruto em capital físico (IBKF). O Produto Interno Líquido (PIL) demonstra o registro líquido dos investimentos (IL), descontando os efeitos da depreciação. A análise dessas contas nos leva a perceber que os valores brutos são superiores aos valores líquidos. Além disso, os valores do PIB são sempre superiores aos do PIL. FÓRMULA PIL = PIB – Depreciação PIB = C + Ib + G + EL Economia e Mercado Global 44 Ib = IBKF + ΔE Retirando a depreciação do capital físico, temos: PIL = C + IL + G + EL IL = ILKF + ΔE A informação sobre o IBKF, para o cálculo do PIB, é a retirada dos balanços patrimoniais quando se realiza a declaração do imposto de renda. Quando se pesquisa por balanço patrimonial na internet, observe que a conta investimento, localizada no ativo, contém veículos, máquinas, equipamentos. Note, também, que ela sempre estará acompanhada de uma depreciação. Você sabia que a depreciação que é registrada no balanço patrimonial não é um desembolso e é estabelecida por lei? Se você deseja comprar uma nova máquina ou equipamento, terá que incluir o valor desse investimento futuro no preço do produto. O mais apropriado é que, no momento da precificação, seja estabelecida uma taxa de investimento futuro no markup, por exemplo. SAIBA MAIS: O IBGE possui um vídeo muito interessante e explicativo intitulado “O que é PIB”. O vídeo está disponível aqui. Para saber mais sobre os registros contábeis de depreciação, acesse o Portal de Contabilidade disponível aqui. Para a compreensão do quanto realmente produzimos em nosso país, precisamos nos atentar para as variações do Produto Interno Bruto (PIB). São elas: PIB real e PIB nominal, o Produto Nacional Bruto (PNB), o Produto Interno Líquido (PIL) e o Produto Nacional Líquido (PNL). Observar apenas o valor do PIB em reais correntes (PIB nominal) é uma medida que não necessariamente indica a saúde e a capacidade de pagamento e de crescimento de uma economia em um período de tempo. Por isso, fazemos ajustes de cálculos considerando elementos como a inflação, Economia e Mercado Global https://bit.ly/33a5Rtm https://bit.ly/2ZjOx3G 45 a depreciação de máquinas e equipamentos e as remessas de rendas enviadas ao exterior. RESUMINDO: Neste capítulo, conhecemos os componentes do PIB e as contas nacionais. Como foi o seu aprendizado? Vamos relembrá-lo? Os componentes do PIB, quando observadospela ótica da despesa ou da demanda agregada (DA), correspondem à participação das famílias, das empresas, do governo e do setor externo. Estudamos separadamente cada um desses componentes para compreender a formação do valor do PIB. Além disso, trabalhamos as variações das contas nacionais PNB e PIL. O PNB é relativo à capacidade de uma nação produzir bens e serviços em um determinado período de tempo. Já o PIL é o valor do PIB, deduzidos os valores da depreciação. Economia e Mercado Global 46 Políticas macroeconômicas fiscais e monetárias OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você terá compreendido os efeitos das políticas fiscais e monetárias no sistema econômico. Isso será relevante para o exercício de sua profissão, porque ampliará a sua visão nos processos decisórios. As pessoas que entendem os efeitos das políticas macroeconômicas elaboram cenários mais precisos e tendem a ser mais assertivas nos posicionamentos estratégicos pessoais e profissionais. Motivado a avançar a sua visão sistêmica? Vamos lá! Sustentabilidade e planejamento econômico Planejar para quê? Nas linhas a seguir, conheceremos os instrumentos de políticas macroeconômicas, pois precisamos pensar em como utilizá-los em prol da sustentabilidade, a fim de garantir a vida no âmbito local, regional, nacional e mundial, tanto no momento presente quanto no futuro. Economia e Mercado Global 47 VOCÊ SABIA? O que ocorre quando não há planejamento? Seguem alguns exemplos de decisões que podem parecer benéficas, em um primeiro momento, mas que resultam em crises. O primeiro é quando, em conjunto, a taxa básica de juros está em patamares acessíveis para os empréstimos e financiamentos de casa e veículos. Além disso, os impostos, como o IPI, são reduzidos e as moradias estão a baixos preços na atual estrutura tributária, financeira e produtiva do país. Esse é um incentivo ao endividamento das pessoas e das contas públicas. Endividados, o consumo cai, as empresas entendem que podem produzir menos e demitem aqueles que possuem financiamentos para pagar. Como consequência, as empresas não recebem e encerram suas atividades, consolidando um cenário de crise. O segundo exemplo é quando, em conjunto e de modo agregado, a população tem o hábito de antecipar o consumo por meio de financiamentos, sem ter poupado anteriormente, o que gera endividamento e comprometimento do trabalho futuro. Ao agir dessa forma, a sociedade se coloca em situações e condições de limites inferiores de renda, reduzindo o espaço para criação de novos negócios e postos de trabalho. Os dois exemplos apresentados impedem o planejamento a longo prazo, porque o foco das ações se volta para o pagamento de contas para a sobrevivência imediata. Financiamentos são importantes quando são direcionados para investimentos na estrutura produtiva, os quais geram postos de trabalho e renda para a população. Pensar na sustentabilidade e na felicidade é um exercício diário. Trata-se de equilíbrios da vida individual e em sociedade que dependem do comportamento de cada um de nós. Esses comportamentos estão de acordo com a consciência pessoal e social, porque é partir dela que criamos o ambiente em que desejamos viver hoje e no futuro. Economia e Mercado Global 48 Pensar em alternativas para o bem-estar comum e para a sustentabilidade é uma forma de cooperar com a riqueza das nações. Isso se inicia em ações cotidianas, em casa, no trabalho, com a família, com os amigos, em qualquer lugar. SAIBA MAIS: Navegue pelo site da ONU para conhecer mais indicadores mundiais. O site está bem interativo! Acesse-o aqui. Vivemos em um planeta com 8 bilhões de pessoas e precisamos pensar de que forma nos comportaremos para conciliar interesses distintos, de forma a garantir a vida presente e futura. Esta é uma disciplina de economia e, para planejar, é necessário compreender o que é o equilíbrio macroeconômico, bem como quais são os instrumentos de políticas macroeconômicas utilizados para se fazer o planejamento de curto e de longo prazo do sistema econômico. Esses instrumentos, quando direcionados adequadamente para a sustentabilidade, propiciam a interatividade entre os agentes nos mercados. O papel do governo no planejamento econômico O papel do governo no planejamento econômico diz respeito ao papel do governo na economia, que age pelos anseios da soberania do Estado. Há uma estrutura governamental para a tomada de decisão sobre o equilíbrio macroeconômico, e ela se relaciona com a eficiência produtiva e a eficácia alocativa. Assim, pressupõe-se que o governo deve alocar, da melhor forma, os seus recursos para que sejamos mais produtivos no âmbito do sistema econômico. Para isso, ele interage com a sociedade por meio das funções alocativa, distributiva e estabilizadora. Economia e Mercado Global https://bit.ly/35mujdp 49 VOCÊ SABIA? Assim como as empresas, o governo também é uma estrutura produtiva da sociedade, ou seja, uma oferta de bens e serviços públicos. Da mesma forma que uma empresa privada precisa se atentar para a sua competitividade, ao estudar as variáveis internas, estruturais e sistêmicas, o governo também o faz. Isso ocorre porque, para realizar políticas públicas ou macroeconômicas, é preciso levantar indicadores e realizar diagnósticos. Para esses estudos, existem conteúdos, dados, indicadores e informações nos órgãos governamentais e institutos de pesquisa, como o IPEA e o IBGE, além do levantamento e da apresentação de indicadores por cada órgão de competência, como o BACEN, o MDIC, o Ministério da Saúde e o da Educação, entre outros. Um governo competitivo é aquele que opera com eficiência produtiva e eficácia alocativa e, assim como qualquer outra organização, ocupa-se do bem-estar, tem resultados positivos, reduz dívida pública e elabora condições de pagamento futuro. VOCÊ SABIA? Por ser um agente, o governo também age como demanda e, quando não tem condições de pagar os fornecedores, gera déficits, aumentando a dívida pública. Se o governo não encontra soluções fiscais, se não promove o recolhimento de impostos ou outras formas de financiamentos para aumentar a sua receita, ele emite títulos públicos. A emissão de um título público para o governo pode ser comparada com a tomada de crédito por uma pessoa física ou jurídica que faz um financiamento no banco comercial para adquirir uma casa, um carro, um bem ou um serviço, ou suprir outros tipos de necessidades. Isso significa que haverá uma conta para pagar, e ela será paga com o dinheiro da arrecadação de impostos. Atualmente, o orçamento público (LOA) é de R$ 3,7 trilhões, e o PIB é de R$ 6,8 trilhões no Brasil (MINISTÉRIO DA ECONOMIA, on-line; BANCO CENTRAL DO BRASIL, on-line). Pelo fato de que o governo é Economia e Mercado Global 50 uma organização que representa aproximadamente 5,4% do PIB do país, quando ele faz dívidas, todos nós precisamos trabalhar, e muito, para pagar a conta, desencadeando cargas tributárias elevadas que impedem a liberdade econômica e o direcionamento dos esforços produtivos para novos postos de trabalho. Períodos de crise No Brasil, estamos em crise desde 2014. Confira a queda do PIB real no Quadro 2 e na Figura 7. Você sabe qual foi um dos motivos de ela ter ocorrido? Leia-o nas linhas a seguir. REFLITA: Quando nós, pessoas físicas e jurídicas, fazemos muitos financiamentos para adquirir casas e carros, precisamos trabalhar muito para pagar a nossa própria conta e a dos demais que adquiriram dívidas. Temos que nos esforçar muito para que nós permaneçamos empregados, recebendo salários e gerando renda. Essa é a relação existente entre a “financeirização” da economia e o cotidiano de nossas vidas. No entanto, se todos nós realizarmos empréstimos nos bancos comerciais para comprar carros, casas e outros bens, durante um tempo, teremos que abrir mão ou deixar de comprar roupas,gastar com entretenimento, entre outros. Dessa forma, teremos que reduzir o consumo de outros bens e serviços para pagar as parcelas dos financiamentos. Se todos, ou grande parte da população, fizerem isso ao mesmo tempo, o consumo será reduzido de modo geral. Por exemplo, as pessoas comprarão menos roupas para poder pagar a parcela do financiamento e, consequentemente, as empresas, como as têxteis e as lojas de roupas, entenderão que precisam reduzir a produção para não quebrarem e tenderão a demitir trabalhadores, pagarão menos salários, e esses trabalhadores consumirão menos ou deixarão de pagar as parcelas dos financiamentos. Como outros efeitos desse comportamento, os bancos comerciais não receberão o dinheiro que emprestaram, e as empresas da construção civil, as concessionárias e as montadoras de veículos que Economia e Mercado Global 51 venderam por meio de financiamentos não receberão e não terão como manter a produção, o emprego, o salário e a renda dos trabalhadores. Os bancos comerciais terão menos dinheiro para emprestar para as pessoas, e a taxa de juros de créditos para essas finalidades tenderá a aumentar ou a não reduzir. As reflexões apresentadas exemplificam um círculo vicioso do sistema econômico, desencadeado pela redução dos investimentos em função de financiamentos direcionados ao consumo, os quais resultaram na excessiva formação da dívida pública e privada do país. Isso é denominado “crise”. Para sair da crise, é necessário paciência, muito trabalho e muita criatividade para retomarmos a produtividade e o equilíbrio do sistema econômico. É natural as pessoas se sentirem desgastadas e cansadas em períodos de crise. As pessoas se desgastam para pagar a própria conta. Muitas vezes, não conseguem e convivem com a tristeza de outros, que se sentem mal por não conseguirem pagar as suas. Ser solidário e compreensivo é fundamental para manter a estima de todos em momentos difíceis e de sobrevivência, como o ocorrido recentemente no Brasil. Economia e Mercado Global 52 VOCÊ SABIA? Antes da atual crise brasileira, havíamos passado por uma intensa crise na década de 1980, quando, durante aproximadamente 15 anos, esforçamo-nos para resolver o problema da inflação, da dívida pública, da dívida externa e da insuficiência produtiva do país. Na década de 1980, o Brasil chegou a registrar uma queda de 4,3% do PIB; em 1990, -4,4%; e, nos anos 2000, queda de 3,6% em 2015 (Figura 9). Pergunte para os seus familiares e pesquise na internet como era a vida na década de 1980. Como era conviver com altos níveis inflacionários? Como era conviver sem a diversificação de bens e serviços nas prateleiras de supermercados? Como era conviver com uma moeda que perdia valor todos os dias? Como foi a crise de Estado da década de 1980? Quais foram os efeitos dela sobre as pessoas? Pesquisar esses assuntos é um exercício político, democrático e cidadão. Figura 9 – PIB: Taxa de variação real (em %) no Brasil – 1980-2018 Fonte: Adaptado de BCB-Depec – IBGE e SGS/BACEN (2019). Economia e Mercado Global 53 IMPORTANTE: A estabilização econômica custa caro para o bolso da população, porque ela requer o pagamento de dívidas presentes com financiamento futuro. Isso pode ser comparado ao processo de renegociação de dívidas de pessoas físicas e jurídicas. Na Figura 10, está o percentual da dívida líquida do setor público em relação ao PIB. Em julho de 2019, a dívida pública correspondia a 55,8% do PIB ou, aproximadamente, R$ 3,9 trilhões. EXEMPLO Compare a dívida pública com o orçamento familiar. Caso uma pessoa recebesse R$ 3.000,00 ao mês, 55,8% estariam comprometidos com o pagamento de dívida (R$ 1.635,6), restando R$ 1.364,40 para o consumo e para a poupança. Figura 10 – Dívida líquida do setor público (% PIB) – Total – Setor público consolidado – Brasil – dezembro de 2001-março de 2019 Fonte: Adaptado de BCB-DSTAT e SGS/BACEN (2019). Economia e Mercado Global 54 Política e planejamento público VOCÊ SABIA? “Política” é um termo que se originou nas pólis da Grécia Antiga. As pessoas se reuniam nas praças para discutir as necessidades ao bem-estar comum da sociedade e, por isso, a política era pública. Isso tem relação com a formulação atual de políticas públicas, que, em um Estado democrático, deve ser feita conciliando os interesses das múltiplas partes do tecido social. Para respeitar a liberdade do ser humano, as políticas públicas devem partir dos interesses das pessoas, ser elaboradas e construídas pelas pessoas e direcionadas para as pessoas. É preciso ter cuidado quando elaboramos políticas públicas em conjunto, na sociedade, porque a felicidade de uma parte do tecido social não necessariamente corresponde à felicidade das outras partes da sociedade. Por isso, há a necessidade do diálogo, da troca e do compartilhamento de informações. A base da política pública é a liberdade das interações entre os agentes da sociedade. A sociedade é livre à medida que se disciplina para viver em sociedade. O governo é um ente político, pensa no equilíbrio macroeconômico e tem a sua competitividade refletida em um orçamento público (LOA) que registra os seus gastos (despesas, custos e investimentos) e a sua arrecadação (receita). Com alto endividamento, o governo compromete seus gastos e não presta um serviço público de qualidade. Além disso, lembre-se de que, a partir da demanda agregada, DA = C + I + G + EL, escrevemos o orçamento público da seguinte forma: G = A – T. FÓRMULA G = A – T Em que: • G – Governo. • A – Impostos (arrecadação do governo. Exemplo: imposto de renda). Economia e Mercado Global 55 • T – Transferências do governo ou gastos do governo (G). O conjunto de políticas públicas (planejamento público) está expresso nas transferências (T) que o governo realiza para a economia. Ele faz políticas de educação, saúde, transporte, entre outras. Enfatiza-se que, se o orçamento é público, ele é composto pelo dinheiro de todos os brasileiros e merece respeito e qualidade de gestão. Por isso, o governo precisa estudar seus custos, despesas e investimentos da mesma forma que uma empresa, a fim de garantir a qualidade da sua atuação na sociedade. VOCÊ SABIA? Você sabia que o Brasil não possui um planejamento para 2030, 2040, 2050, 2060 etc.? Isso ocorre porque não temos um planejamento de longo prazo. Entretanto, por pressuposto, as políticas macroeconômicas devem refletir os anseios de todos os entes interessados nas decisões do equilíbrio geral da economia no curto e no longo prazo. Como o planejamento ocorre na empresa em que você trabalha ou em empresas que você conhece? Elas têm um planejamento de longo prazo? Alguém sabe de que forma querem estar em 10, 20, 30 anos? Como queremos a nossa sociedade daqui a 10 anos? Para onde estamos indo? Nós, brasileiros, temos um desafio de longo prazo, que é o de instituir a cultura do planejamento de longo prazo nas empresas e na política nacional. Todavia, isso se inicia no curto prazo. Preocupar-se com o futuro e com a sustentabilidade é uma das riquezas de um ser humano e de uma sociedade. Economia e Mercado Global 56 REFLITA: Enquanto houver fome, ausência de renda para partes significativas do tecido social e necessidades fisiológicas não atendidas, as ações de curto prazo tirarão o foco do planejamento de longo prazo. Há impasses da sustentabilidade do curto prazo que impedem a ação para a sustentabilidade no longo prazo. Esse é um exemplo de custo de oportunidade: se nós agimos para um objetivo, deixamos de agir para outros. Por isso, a sociedade deve agir em conjunto para atingir objetivos distintos e os horizontes de curto e longo prazo do planejamento. Por isso, há riqueza no compartilhamento, nas trocas e nas interações sociais. A elaboração de políticas públicas e macroeconômicas deve se atentar para os problemas estruturais