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CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO DISCIPLINA: DIREITO PROCESSUAL PENAL III PROF.: THIAGO SILVA 2ª Etapa de Avaliação Peso: 20 pontos NOME(S):_LUIZA BÁRBARA GROSS______________________________________________________________ NOTA:___________ Estudo dirigido sobre a Parte Geral dos recursos no Processo Penal, integrante da segunda etapa de avaliação do semestre, a ser realizado em duplas e entregue via GoogleClassroom. 1 A Apelação é um recurso de fundamentação livre, o que se extrai do texto do art. 599 do CPP. Todavia, diz-se que a Apelação, quando interposta em face de decisões proferidas no âmbito do Tribunal do Júri, previstas no inciso III, do art. 593 do CPP, excepcionalmente, se torna um recurso de fundamentação vinculada. Explique essa afirmação final. A afirmação de que, nas hipóteses pertinentes ao Tribunal do Júri, a apelação se torna um recurso de fundamentação vinculada decorre da peculiaridade das situações elencadas no inciso III do art. 593 do Código de Processo Penal (CPP). Embora a apelação, em regra, tenha uma fundamentação livre porque o recorrente pode apresentar os fundamentos que lhe parecerem pertinentes para fundamentar o pedido de reforma ou anulação da decisão, no âmbito do Tribunal do Júri essa regra é restrita pela legislação. No que tange ao art. 593, III, CPP, a apelação contra decisões do Tribunal do Júri é cabível apenas nas seguintes hipóteses específicas: (i) na ocorrência de nulidade que tenha influído no julgamento; (ii) em caso da sentença dos jurados ser manifestamente contrária à prova dos autos; (iii) na ocorrência de erro ou injustiça na aplicação da pena ou da medida de segurança; (iv) da decisão dos jurados ser por quesito obrigatório não respondido ou por resposta incompatível entre si. Tais hipóteses encerram os fundamentos para os quais o recurso poderá ser conhecido, de modo que o recorrente terá de fundamentar a apelação em uma dessas situações previstas em lei. Daí porque se diz que a apelação no âmbito do Tribunal do Júri é de fundamento vinculado, pois o interposto do recurso é condicionado a esses fundamentos específicos, não podendo ser feita com argumento ou motivo genérico. Este tratamento distinto procura respeitar a soberania dos veredictos do Tribunal do Júri, titulada no art. 5º, XXXVIII, da Constituição Federal e limita as possibilidades de controle judicial das decisões proferidas por esse órgão colegiado. 2 O Recurso em Sentido Estrito, previsto no art. 581 e seguintes, do CPP, é a medida judicial adequada para a impugnação de decisões interlocutórias desprovidas de caráter definitivo ou terminativa. Uma característica desse recurso, diferentemente da Apelação, é seu efeito regressivo (também chamado de diferido ou iterativo), explique tal efeito, inclusive indicando julgado (número, data de julgamento e relatoria) onde tenha sido mencionado. O Recurso em Sentido Estrito (RESE), regulado pelos artigos 581 e seguintes do Código de Processo Penal (CPP), é o remédio jurídico apropriado para impugnar atos praticados pelo juiz no curso do processo penal, especificamente decisões interlocutórias. Uma das peculiaridades desse recurso é o efeito regressivo, também conhecido como efeito iterativo ou diferido. Efeito Regressivo O efeito regressivo permite que o juiz prolator da decisão recorrida reconsidere ou se retrate da decisão antes que a instância superior analise o recurso. Isso significa que, ao receber o RESE, o magistrado tem o poder de revisar sua própria decisão de primeira instância e, se entender pertinente, alterá-la ou revogá-la, evitando que o recurso seja encaminhado ao tribunal superior. Esse mecanismo está expressamente previsto no art. 589 do CPP, que dispõe: "Art. 589. Interposto o recurso, o juiz, dentro de dois dias, reformará ou sustentará o seu despacho, mandando instruir o recurso com os documentos necessários." O objetivo desse dispositivo é assegurar a celeridade e a economia processual, permitindo ao juiz corrigir eventuais erros ou equívocos sem necessidade de movimentar desnecessariamente a instância superior. Posicionamento do STJ O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu o efeito regressivo do RESE em diversas ocasiões. No julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.337.051/SP, realizado em 03 de dezembro de 2015, sob a relatoria do Ministro Jorge Mussi, a Quinta Turma do STJ afirmou: "O recurso em sentido estrito possui efeito regressivo, permitindo ao magistrado a quo a possibilidade de retratação da decisão impugnada, nos termos do art. 589 do Código de Processo Penal." Esse entendimento reforça o papel do efeito regressivo como uma ferramenta que proporciona ao magistrado a oportunidade de revisar sua própria decisão, promovendo maior eficiência e agilidade no andamento do processo penal. 3 Caso juízo criminal de primeiro grau condene Memphis e Yuri pelo delito de latrocínio, em concurso de agentes, à pena de vinte anos de reclusão, sendo que somente Yuri interponha tempestivamente recurso de apelação em face da sentença condenatória, alegando nulidade do processo, por inépcia da denúncia na descrição das condutas praticadas em concurso, e, alternativamente, o reconhecimento da circunstância atenuante da sua menoridade relativa, sendo que Memphis não recorreu. Considerando as teses recursais de Yuri (nulidade do processo e menoridade relativa), quais podem aproveitar a Memphis, mesmo que ele não tenha recorrido? Explique: Aplica-se o princípio da "proibição da reformatio in pejus" e a noção de que o efeito de certas decisões recursais pode beneficiar corréus não recorrentes, em função dos fundamentos a seguir. Se o tribunal, ao analisar o recurso de apelação de Yuri, reconhecer a nulidade processual originária porque a denúncia é inepta (nulidade absoluta), então essa decisão aproveita Memphis, mesmo ele não tendo recorrido. Isso porque as nulidades absolutas afetam a validade do processo como um todo e, por serem insanáveis, beneficiam todos os acusados afetados.O fundamento está no art. 580 do Código de Processo Penal (CPP).Como a inépcia é um vício processual objetivo e não pessoal, o reconhecimento da nulidade favorece automaticamente a Memphis. 4 Na decisão de pronúncia, que encerra a primeira fase do rito dos crimes de competência do Tribunal do Júri, há quatro possíveis resoluções, quais sejam, pronúncia, impronúncia, absolvição sumária e desclassificação. Mencione e explique qual o recurso cabível para cada uma das decisões, citando, inclusive, a legislação que sustenta a resposta: Pronúncia: A pronúncia ocorre quando há provas de materialidade e indícios suficientes de autoria, submetendo o réu a julgamento perante o Tribunal do Júri. O recurso cabível é o Recurso em Sentido Estrito (RESE), nos termos do art. 581, IV, do CPP, com prazo de 5 dias (art. 586 do CPP). Este visa combater a decisão que impressa ao réu a pronúncia, sob o fundamento de, por exemplo, insuficiência de provas. Impronúncia: A impronúncia é proferida quando não se desponta indícios suficientes de autoria ou despreza-se a materialidade. O recurso cabível é a Apelação, prevista no art. 416 do CPP, com prazo de 5 dias. Este tem como finalidadear a reforma da decisão, deverá ser proferida a pronúncia do réu, que normalmente é utilizada pelo Ministério Público ou pelo querelante. Absolvição Sumária: É possível quando o juiz reconhece a existência de uma excludente de ilicitude ou de culpabilidade, a ausência de crime ou a testemunha evidente (art. 415 do CPP). O recurso cabível é o Recurso em Sentido Estrito, conforme art. 581, X, do CPP, com prazo de 5 dias, visando a reforma da decisão que acatou o réu de julgamento. Desclassificação: Quando o juiz entende que o crime não é doloso contra a vida retirando a competência do Tribunal do Júri, caberá Recurso em Sentido Estrito, conforme art. 581, II, do CPP, com prazo de 5 dias. Tal recurso visa reafirmar a competência do júri. 5 Recentemente, o STF considerou constitucional a execução imediata da pena aplicada pelo Tribunal do Júri, com a seguintetese, consolidada pelo Tema 1068: A soberania dos veredictos do Tribunal do Júri autoriza a imediata execução de condenação imposta pelo corpo de jurados, independentemente do total da pena aplicada. Analise o referido caso, explicando as razões do Supremo Tribunal Federal para considerar a constitucionalidade de tal Tema, relacionando-o com o disposto no art. 5º, inciso LVII da CF/88, bem como o artigo 8.2 do Dec. 678/1992, que promulgou o Pacto de San José da Costa Rica, no Brasil: O Supremo Tribunal Federal (STF), ao decidir o Tema 1068, decidiu que é constitucional a execução imediata da pena imposta pelo Tribunal do Júri, tendo em vista a soberania dos veredictos, prevista no art. 5º, inciso XXXVIII, da Constituição. Para o STF, a decisão dos jurados, órgão competente e constitucionalmente previsto para julgar os crimes dolosos contra a vida, é de especial importância, o que justifica a execução provisória da pena antes do trânsito em julgado. Entretanto, essa decisão entra em conflito com o princípio da presunção de inocência previsto no art. 5º, inciso LVII, da Constituição e no art. 8.2 do Pacto de San José da Costa Rica, ratificado pelo Brasil pelo Decreto 678/1992. Ambos os dispositivos preveem, in verbis, que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença condenatória. O STF sustentou que, no caso do Tribunal do Júri, a soberania dos veredictos pode prevalecer em razão da gravidade dos crimes dolosos contra a vida e da necessidade de efetividade das decisões judiciais. O Tribunal declarou que essa interpretação não ofende o Pacto de San José da Costa Rica, pois respeita o devido processo legal e o julgamento por tribunal competente e imparcial, o que confere legitimidade à decisão dos jurados, e também visa garantir celeridade e resposta pronta do sistema penal nos casos graves. A decisão foi criticada, especialmente pela possível transgressão do princípio da presunção de inocência. No entanto, o STF se defendeu de que a medida faz uma balança entre a proteção dos direitos fundamentais e a preservação da soberania do júri, proporcionando maior efetividade às decisões judiciais em crimes contra a vida.