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DIREITO DO CONSUMIDOR
Origem Constitucional da Proteção do Consumidor
A proteção aos direitos do consumidor tem origem constitucional e três diferentes acepções:
(i) Direito Fundamental (Artigo 5º, XXXII da CRFB/88): Afirma que os direitos do consumidor são protegidos da própria atuação estatal.
(ii) Princípio da Ordem Econômica (Artigo 170, V da CRFB/88): Permite a intervenção do Estado na atividade econômica quando tem por finalidade proteger o consumidor. O empresário só tem assegurado o seu livre exercício da atividade econômica (artigo 170, p. único da CRFB/88) se respeitar e assegurar os direitos do consumidor.
(iii) Artigo 48 do ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias): A própria CRFB/88 determinou o prazo para promulgação do Código de Defesa do Consumidor.
 
O Código de Defesa do Consumidor como Norma de Ordem Pública e Lei Especial
O CDC (Código de Defesa do Consumidor) como Norma de Ordem Pública (artigo 1º do CDC) faz com que as partes não possam afastar sua incidência e o magistrado pode reconhecer de ofício seus institutos. Tal previsão, expressa no próprio diploma consumerista, tem o objetivo de evitar que o consumidor, parte vulnerável na relação jurídica, negocie algum direito que o legislador entendeu indispensável de proteção.
O magistrado pode reconhecer de ofício, ou seja, sem provocação das partes, todos os institutos do CDC. É o que ocorre, por exemplo, com a desconsideração da personalidade jurídica. Em regra, nas relações civis , ela  depende de requerimento da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo. Nas relações de consumo, ela pode ocorrer por determinação do próprio juízo. Essa dinâmica amplia a proteção do consumidor, frente a sua desvantagem concreta na relação com o fornecedor.
O Código de Defesa do Consumidor é uma Lei  Especial. Isso faz com que prevaleça em face de leis gerais, como o Código Civil. Diante de uma relação de consumo, ou seja, uma relação em que estão presentes consumidor, fornecedor, produto ou serviço, necessariamente o diploma consumerista será aplicado.
Além de ser norma de ordem pública e lei especial, o CDC é  um microssistema, que está dividido em parte geral (Art. 1º ao 7º) e parte especial (Art. 8º ao 119). O que fortalece o fato deste diploma ser um microssistema é tratar de normas de vários ramos do direito, como direito civil, processual civil, direito administrativo e direito penal.
O CDC, criado pela Lei 8078/90, trouxe em seu texto políticas nacionais quanto as relações de consumo objetivando o atendimento das necessidades dos consumidores como, “o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo”, através de vários princípios, dentre esses o de “ação governamental no sentido de proteger efetivamente o consumidor”. (art. 4º, II  do CDC).
A lei consumerista coloca o consumidor como “toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final, como também o equipara “a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo” (art. 2º do CDC).
O fornecedor é conceituado como “toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços” (art. 3º do CDC), portanto a responsabilidade dos fornecedores e entes da Federação (União, Distrito Federal, Estados e Municípios), trazida pelo diploma consumerista, foi taxativa  quanto ao dever de informação sobre a periculosidade de produtos e serviços que venham a colocar em risco  a saúde e a segurança do consumidor  (art. 10§3º do CDC).
 
 
Diálogo de Fontes
O diálogo de fontes está autorizado no artigo 7º do CDC. Trata-se de uma necessidade de coordenação entre as leis que fazem parte do mesmo ordenamento jurídico. O diálogo de fontes estabelece uma solução flexível e aberta de interpretação ou de busca no sistema da norma mais favorável  à parte vulnerável, assim apresentando:
Art. 7°, CDC. Os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes de tratados ou convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, bem como dos que derivem dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e eqüidade.
Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo.
 
São espécies de Diálogo:
(i) Diálogo sistemático de coerência: Aplicação simultânea de duas leis. Uma lei serve de base conceitual para a outra (EX: Compra e Venda consumerista. O conceito de compra e venda está no CC/02, em seu artigo 481: “Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro”, mesmo sendo uma relação de consumo).
(ii) Diálogo de Subsidiariedade: Aplicação coordenada de duas leis. Contratos civis e de consumo que são de adesão. A proteção vem do artigo 51 do CDC, com a proibição de cláusulas abusivas e do artigo 424 do CC/02 que protege o aderente.
(iii) Diálogo de Influências Recíprocas Sistemáticas: Quando os conceitos estruturais de uma lei sofrem influência de outra.
 
O fato do CDC ser norma de ordem pública proíbe que as partes envolvidas (consumidor e fornecedor) afastem a sua incidência. Sua repercussão concreta é uma maior proteção do consumidor, parte vulnerável nessa relação jurídica. O fato de ser lei especial faz com que prevaleça perante leis gerais, como o Código Civil. Assim, o CDC sempre será a norma que de forma precípua vai regular a relação jurídica de consumo.
A relação concreta com o diálogo de fontes faz com que os outros diplomas também possam ser aplicados à uma relação de consumo, mas sempre de forma subsidiária ou de forma conjunta, nunca afastando a incidência do CDC.

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