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MATERIAL DO CURSO A ASSISTÊNCIA SOCIAL NO CONTEXTO SOCIOJURÍDICO APOSTILA A ASSISTÊNCIA SOCIAL NO CONTEXTO SOCIOJURÍDICO INTRODUÇÃO Veremos nesse estudo: Fundamentos históricos e legais de assistência social no sociojurídico O papel do assistente social no sistema judiciário Funções e atribuições do assistente social no sistema judiciário A importância do assistente social na promoção de direitos Metodologias e técnicas de investigação e intervenção Boa Leitura! - LS FUNDAMENTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL NO SOCIOJURÍDICO A assistência social no Brasil evoluiu significativamente ao longo das décadas, especialmente a partir do século XX, com a formalização de políticas e serviços de apoio social. Com uma trajetória marcada por avanços na legislação e na criação de direitos, a assistência social se consolida como um direito social essencial e inalienável, principalmente após a Constituição Federal de 1988. A seguir, detalhamos os principais marcos históricos e legais que estruturaram a assistência social no Brasil, particularmente no campo sociojurídico. Histórico da Assistência Social no Brasil A assistência social brasileira teve suas origens em práticas de caridade e filantropia, realizadas inicialmente por entidades religiosas e organizações não governamentais. Somente a partir dos anos 1930, com o processo de urbanização e industrialização, o Estado brasileiro iniciou uma estruturação de políticas sociais mais organizadas, respondendo aos problemas sociais decorrentes do crescimento urbano e das desigualdades econômicas. Nos anos 1980, com a redemocratização do país, a assistência social passou a ser reconhecida como um direito social. Este reconhecimento foi consolidado com a promulgação da Constituição Federal de 1988, que incluía a assistência social no rol de direitos dos cidadãos, definindo-a como uma política pública a ser garantida pelo Estado. Principais Marcos Legais Constituição Federal de 1988 (CF/88): Estabeleceu a assistência social como um direito do cidadão e um dever do Estado, sem a exigência de contribuição prévia. No artigo 203, a Constituição define os objetivos da assistência social, como a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice, além do amparo às pessoas com deficiência e ao idoso. Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) - Lei nº 8.742/1993: Regulamenta os artigos constitucionais e organiza a assistência social como uma política pública de segurança social. A LOAS criou o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), promovendo a descentralização e a universalização dos serviços de assistência social. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069/1990: Destaca a assistência social no atendimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, com políticas específicas de proteção e acolhimento. Estatuto do Idoso - Lei nº 10.741/2003: Define os direitos da pessoa idosa, incluindo o acesso à assistência social, garantindo condições de dignidade, bem-estar e segurança para essa população. Lei Maria da Penha - Lei nº 11.340/2006: Embora se proponha principalmente para a proteção da mulher contra a violência, essa lei estabelece a articulação da assistência social com o sistema de justiça, promovendo uma rede de proteção social e jurídica para vítimas de violência. O PAPEL DO ASSISTENTE SOCIAL NO SISTEMA JUDICIÁRIO A atuação do assistente social no sistema judiciário é fundamental para garantir o acesso aos direitos e promover a justiça social para pessoas em situação de vulnerabilidade. Esse profissional atua como um agente de mediação entre o sistema de justiça e as necessidades sociais dos indivíduos, auxiliando na elaboração de políticas públicas e contribuindo para a tomada de decisões judiciais mais justas e informadas. FUNÇÕES E ATRIBUIÇÕES DO ASSISTENTE SOCIAL NO SISTEMA JUDICIÁRIO No contexto do sistema judiciário, o assistente social exerce diversas funções e atribuições que busca promover o bem-estar social e o atendimento aos direitos humanos. Entre as principais atividades estão: Elaboração de Laudos e Pareceres Sociais: Os assistentes sociais produziram relatórios com informações sociais apresentadas, analisando as condições de vida das pessoas atendidas e orientando o juiz nas decisões de casos como guarda de menores, adoção, medidas protetivas e questões relacionadas à violência doméstica. Atendimento e Acompanhamento de Casos: O assistente social acompanha indivíduos e famílias em processos judiciais, fornecendo apoio e orientação, especialmente em casos que envolvam situações de vulnerabilidade e risco social, como vítimas de violência, dependência química e conflitos familiares. Mediação e Articulação: Atuam na mediação entre as partes envolvidas em um processo, buscando soluções consensuais e promovendo a resolução de conflitos de forma de paz. Também articulam a rede de apoio social, encaminhando os atendidos para serviços de saúde, educação, moradia, entre outros. A IMPORTÂNCIA DO ASSISTENTE SOCIAL NA PROMOÇÃO DE DIREITOS O assistente social é crucial para a efetivação dos direitos humanos e sociais, uma vez que atua na defesa dos direitos e na promoção da justiça social. A presença desse profissional nos tribunais e órgãos judiciários garante que as questões sociais sejam consideradas nas decisões jurídicas, contribuindo para uma abordagem mais humana e inclusiva no sistema de justiça. METODOLOGIAS E TÉCNICAS DE INVESTIGAÇÃO E INTERVENÇÃO No contexto sociojurídico, o assistente social utiliza uma série de metodologias e técnicas para investigar, analisar e intervir de forma eficaz nas situações que envolvem direitos e assistência social. O uso adequado dessas ferramentas é fundamental para realizar diagnósticos sociais precisos e proporcionar intervenções que garantam a proteção e promoção dos direitos das pessoas atendidas. Principais Técnicas de Investigação Entrevistas Individuais e Familiares: As entrevistas são uma das principais técnicas utilizadas para entender as situações sociais, emocionais e econômicas dos assistidos. Essas conversas permitem ao assistente social coletar informações detalhadas sobre a história de vida e as necessidades dos indivíduos e famílias. Visitas Domiciliares: As visitas aos domicílios possibilitam uma análise direta do contexto de vida das pessoas atendidas, observando fatores como condições habitacionais, convivência familiar e ambiente social. Esse método é essencial para complementar o diagnóstico social e verificar as informações obtidas em entrevistas. Análise Documental: A consulta e análise de documentos, como laudos médicos, registros escolares e históricos de trabalho, ajudam a compor o perfil social do assistido. Essa técnica auxilia na verificação de dados e no cruzamento de informações para subsidiar os relatórios e pareceres sociais. Metodologias de Trabalho no Sociojurídico Estudo de Caso: Consiste em analisar profundamente um caso específico, considerando todas as suas particularidades e contextos. Esse método é essencial no atendimento individualizado, pois permite ao assistente social compreender a complexidade das demandas e proporções específicas. Pesquisa-Ação: É uma metodologia que integra investigação e intervenção, permitindo que o assistente social não apenas compreenda o problema, mas também atue diretamente em sua solução, envolvendo a comunidade e as pessoas atendidas no processo. Análise Sistêmica: Essa abordagem considera as interações entre os diferentes sistemas envolvidos no caso (família, escola, comunidade, sistema dejustiça), entendendo como eles influenciam o contexto social do assistido. A análise sistêmica é especialmente útil para identificar fatores externos que impactam a situação social. CONCLUINDO Vimos nesse estudo: Fundamentos históricos e legais de assistência social no sociojurídico O papel do assistente social no sistema judiciário Funções e atribuições do assistente social no sistema judiciário A importância do assistente social na promoção de direitos Metodologias e técnicas de investigação e intervenção Boa Leitura! – LS REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 05 nov. 2024. BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. 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Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher (Lei Maria da Penha). Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 8 ago. 2006. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2006/lei/l11340.htm. Acesso em: 05 nov. 2024. IAMAMOTO, Marilda Vilela. Serviço Social em tempo de capital fetiche: capital financeiro, trabalho e questão social . São Paulo: Cortez, 2007. MARTINELLI, Maria Lúcia. Serviço social: identidade e alienação . São Paulo: Cortez, 2017. MIOTO, Regina Célia Tamaso. Pesquisa social: teoria, método e criatividade . 26. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2020. SILVA, Maria Ozanira da Silva e; YAZBEK, Maria Carmelita; GIOVANNI, Geraldo Di. A política social brasileira no século XXI: a prevalência dos programas de transferência de renda . 2. ed. São Paulo: Cortez, 2008. SPOSATI, Aldaíza. O Sistema Único de Assistência Social (SUAS) . 2. ed. São Paulo: Cortez, 2009. YAZBEK, Maria Carmelita. 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