Logo Passei Direto
Buscar

Trabalho Academico 2 Bimestre - TRJI

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

ANDREA LEMOS RIBEIRO MUSSO
GUILHERME BUENO DE OLIVEIRA
JUCELLI NOEMIA CASSIANO OLIVEIRA
LAURA SIRIGATI ALMEIDA
THAYNA VIEIRA ALVES
DIREITOS DE PERSONALIDADE
Atividade Avaliativa - Teoria da Relação Jurídica I
CURITIBA
2020
ANDREA LEMOS RIBEIRO MUSSO
GUILHERME BUENO DE OLIVEIRA
JUCELLI NOEMIA CASSIANO OLIVEIRA
LAURA SIRIGATI ALMEIDA
THAYNA VIEIRA ALVES
DIREITOS DE PERSONALIDADE
Atividade Avaliativa - Teoria da Relação Jurídica I
Trabalho acadêmico apresentado ao Centro Universitário Curitiba, referente a disciplina de Teoria da Relação Jurídica I, supervisionado pela Prof.ª Camila Gil Marquez Bresolin, como requisito para obtenção de nota e conhecimento.
CURITIBA
2020
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................. 4
2. DESENVOLVIMENTO ................................................................................. 5 a 9
 2.1. Direitos de Personalidade ..................................................................... 5 a 9
3. RELATÓRIOS .............................................................................................. 10 a 12
 3.1. Caso Glória Trevi - Respeito aos Direitos de Personalidade ................ 10 a 11
 3.2. Caso Roberto Carlos - Desrespeito aos Direitos de Personalidade ..... 11 a 12 
4. CONCLUSÃO ............................................................................................... 13 
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................. 14 
 
1. INTRODUÇÃO 
Muito se tem discutido, a respeito de direitos que estão relacionados com a Personalidade da pessoa humana, principalmente nos dias de hoje, com o aumento da utilização das redes sociais, no entanto, saberia dizer o que é esse Direito de Personalidade que é assegurado pelo Código Civil? Em geral, esse direito de personalidade se trata da dignidade e da honra do indivíduo, no qual é assegurado o direito de controlar o uso da imagem, do nome, do corpo, e todos os elementos que estão relacionados com a identidade e a própria privacidade da pessoa, sendo eles irrenunciáveis e intransmissíveis para com o indivíduo, e é sobre esse tema que o respectivo trabalho procura se aprofundar, apresentando aspectos referente ao Direto de Personalidade através de doutrinadores renomados da área, e trazendo casos concretos para facilitar o entendimento sobre o conteúdo.
2. DESENVOLVIMENTO
2.1. Direitos de Personalidade
Fundamentando o conceito de Direitos da Personalidade, com base nos juristas Anderson Schreiber e Maria Helena Diniz, concluímos que com a finalidade de satisfazer suas necessidades nas relações sociais, o homem, acaba adquirindo direitos e assumindo deveres. Em síntese, toda pessoa tem o direito de defender o que lhe é próprio, como a vida, a identidade, a liberdade, a imagem, a privacidade, a honra etc. Ainda, os direitos da personalidade são subjetivos, ou seja, tem caráter erga omnes (se aplicam a todos os homens). O reconhecimento do direito como subjetivo é relativamente recente, porém na Antiguidade, já existiam punições as ofensas físicas e morais à pessoa. A valoração da pessoa humana e de sua liberdade foi impulsionada pelo surgimento do cristianismo, mas somente após a Segunda Guerra Mundial, diante da opressão por parte dos governos totalitários, criou-se a Assembleia Geral da ONU de 1948 e por consequência, a garantia dos direitos humanos.
A partir do exposto anteriormente, discorremos em relação ao Art. 11 do Código Civil Brasileiro de 2002.
Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária.
De acordo com a definição de personalidade, é caracterizada como um conjunto de características psicológicas que determinam os padrões de pensar, sentir e agir, individualizando a pessoa cada vez mais. Com isso, é de direito que o indivíduo defenda sua singularidade, e se por acaso sofrer algum tipo de violação, constitui elemento caracterizador de dano moral e patrimonial indenizável. A jurista Maria Helena Diniz qualifica os Direitos da Personalidade como “absolutos, intransmissíveis, indisponíveis, irrenunciáveis, ilimitados, imprescritíveis e inexploráveis”. Desenvolvendo esse artigo, temos assegurado por lei a individualidade humana, incluso a garantia da dignidade da pessoa humana, que em hipótese alguma pode ter seus direitos violados e limitados por outrem. Como discorrido pelo Art. 12, “A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. ”, ou seja, desde a concepção, nós temos direitos intransferíveis e que devem ser respeitados.
Ainda em discussão a respeito do Art. 11, Anderson Schreiber, expõe o tema “A igreja do diabo e o problema da limitação voluntária ao exercício dos direitos da personalidade”. No texto, o jurista exemplifica a história do Diabo que se sentia humilhado pelo papel avulso que representava há séculos, ele questiona sobre o fato de não podermos vender nossa opinião, voto, palavra, fé e outras coisas próprias, visto que elas decorrem de nossa própria consciência. Isso acontece, pois tudo o que é produto da nossa própria personalidade, tem por consequência direitos e deveres, e se esses são desrespeitados, são passíveis de indenização. Qualquer ação que acabe por ferir a individualidade de alguém, vai contra o projeto constitucional.
Como explícito no Art.12 e desenvolvido anteriormente, o legislador assegura ao indivíduo qualquer medida que possa ressarcir o dano cometido ao seu direito da personalidade.
Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.
Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá legitimação para requerer a medida prevista neste artigo o cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau.
É garantido pelo Código Civil, que mesmo com a morte, o aniquilamento dos direitos não é dado por completo, visto que deve ser concedido o respeito a imagem, a honra e a qualquer outra coisa que seja deixado pelo falecido. Ainda, aos descendentes ou cônjuge, é dado o direito de pedir ressarcimento caso tenha prejuízo contra a sua própria imagem ou a do morto.
Outro é o acontecimento apresentado por Schreiber acerca do assunto. O jogador de futebol Manoel dos Santos, o Mané Garrincha, foi tema do livro A Estrela Solitária, de Ruy Castro, que não se limitou a falar da parte profissional e acabou invadindo a intimidade do atleta. O trecho do livro contestado feria à honra do jogador e violava sua imagem, fazendo menção a suas partes íntimas. Essa invasão da personalidade, acabou por se estender pela família, que entrou com um pedido de ressarcimento por danos morais e materiais. O pedido foi aceito pela justiça, que alega indenização quando ocorre prejuízo aos direitos da personalidade.
A “violação” do corpo só pode ser feita em situações médicas, quando o problema em questão afeta diretamente a integridade física do indivíduo. Entretanto, quando não se tratar de uma situação fatal, o profissional de saúde deve respeitar a vontade do paciente ou, se esse for incapaz, de seu representante. É necessário, que todas as informações sejam passadas para o envolvido, deixando-o ciente de todas as consequências acerca da realização ou não de qualquer procedimento.
Art. 13. Salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes.
Parágrafo único. O ato previsto neste artigo será admitido para fins de transplante, na forma estabelecida em lei especial.
Assim como nesse artigo, o sequencial também dispõe em relação aocorpo humano, sendo válida, apenas, a disposição do próprio corpo para fins lícitos.
Art. 14. É válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte.
Parágrafo único. O ato de disposição pode ser livremente revogado a qualquer tempo.
Segundo a jurista, é nítido pelo Art. 14 e pelo parágrafo único do Código Civil o princípio do consenso afirmativo, pelo qual o indivíduo deve manifestar em escritura pública ou testamento, sua vontade de ser doador de órgãos e tecido para depois da morte. Essa doação é feita, apenas, com o intuito de ser objeto científico ou terapêutico, sendo legalmente proibida a mercantilização de qualquer parte do corpo humano. Essa proibição é válida em vida ou em casos de morte, qualquer ação que provoque diminuição da integridade física ou que contrarie os bons costumes, é considerada ilegal.
Ainda, discorrendo acerca do corpo humano, o Art. 15 veta qualquer tratamento médico ou intervenção cirúrgica que atente contra a vida.
Art. 15. Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica.
Nesse artigo, o princípio da autonomia é utilizado, consagrando o domínio que o paciente tem sobre o próprio corpo e sobre a própria vida. Para que esse princípio seja utilizado, não é necessário que o procedimento traga risco de vida ao paciente, ele pode se recusar a fazer qualquer intervenção médica se não estiver de acordo.
Conforme mencionado nos artigos do Código Civil, em relação aos direitos de personalidade, o Art. 16 discorre acerca da proteção sobre o direito ao nome e sobrenome. 
Art. 16. Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome.
Ainda, como assegurado pelo Art. 17, não se pode fazer uso do nome de alguém em publicações sem que a pessoa permita, mesmo que sem caráter difamatório.
Art. 17. O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória.
Com base no Art. 18 e 19, a utilização do nome ou pseudônimo, sem autorização, que exponha o nome da pessoa ao desprezo público, ou que possa atingir sua reputação, é proibida por lei.
Art. 18. Sem autorização, não se pode usar o nome alheio em propaganda comercial.
Art. 19. O pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome.
Ao que se refere à exposição da imagem, não há objeções, desde que a pessoa envolvida esteja ciente e de acordo com a publicação. No entanto, há certas limitações quanto ao direito de imagem, com dispensa de anuência para sua divulgação, quando se tratar de pessoa notória ou no exercício de cargo público, e em todos os casos em que houver interesse público que prevaleça sobre o direito individual.
Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais. (Vide ADIN 4815)
Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes legítimas para requerer essa proteção o cônjuge, os ascendentes ou os descendentes.
Conforme o autor, Anderson Schreiber, menciona em um de seus exemplos sobre a veiculação televisiva da imagem, que retrata a dor e a comoção de certa pessoa envolvida em um evento trágico, podemos caracterizá-la como lícita ou abusiva, quando tem por finalidade divulgar, a título de publicidade, a eficiência do próprio canal de televisão. Na situação exposta pelo autor, um dos envolvidos no desastroso naufrágio da plataforma P-36, passou a ser mero chamariz com cunho publicitário para a programação da Globo News. O uso da imagem de um indivíduo, já recuperado, em estado de choque e sem sua permissão, caracteriza dano extremo aos direitos da personalidade.
O direito de imagem é assegurado a toda pessoa e tem por função que todos possam resguardar e preservar a respeitabilidade e a boa fama, atrelando-se a questões como a honra do sujeito. Desse modo, a proteção à imagem existe não só para a situação citada, como permite ao indivíduo cobrar remuneração pelo uso indevido de sua imagem.
Ademais, outra situação importante a ser destacada e relacionando-a com o Art. 20 e o Art. 21, no que se diz respeito a pessoa natural, é o caso do cantor Cristiano Araújo e de sua namorada Alana. Momentos após o trágico acidente, fotos e vídeos dos falecidos acabaram circulando pela internet, causando comoção e revolta ante a falta de pudor das pessoas que compartilhavam de tal conteúdo. Confirmada a morte do sertanejo, teve início a divulgação de uma série de fotografias de seu próprio corpo, existindo inclusive a imagem de sua suposta autópsia e do procedimento com seu corpo na funerária, demonstrando a falta de ética e respeito dos “profissionais” que lidaram com a situação.
Art. 21. A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento do interessado, adotará as providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma. (Vide ADIN 4815)
Por fim, fica explícito a necessidade de resguardar e garantir os direitos da personalidade. Esses direitos estão atrelados à dignidade e a integridade humana, e surgiram com a finalidade de valorar o indivíduo, respeitando sua personalidade de forma ampla.
3. RELATÓRIOS 
3.1. Caso Glória Trevi - Respeito aos Direitos de Personalidade
Em 2002, a cantora mexicana Glória Trevi, foi acusada no México de ter cometido o crime de corrupção de menores. Naquele país a cantora teve sua prisão preventiva decretada. 
No mesmo ano, a cantora foi localizada no Brasil e presa pela Polícia Federal, tendo sido transferida para as dependências da Polícia Federal onde permaneceu presa aguardando julgamento do seu processo de extradição instaurado no Brasil.
Nesse intervalo de tempo, apesar de não ser permitida a realização de visitas íntimas, a cantora engravidou. A justificativa da cantora em relação à gravidez foi a acusação de que teria sido estuprada por agentes da Polícia Federal. 
A Polícia Federal então ingressou com um pedido para que a cantora cedesse o material genético do nascituro e dela própria par realização de um exame de DNA para apurar se eram verdadeiras as acusações formuladas pela cantora de que teria sido estuprada por policiais federais.
Os policiais pediram ainda que o hospital em que a cantora estava sendo atendida fornecesse a íntegra de seu prontuário médico. A cantora, em sua defesa, se negou a se submeter a qualquer coleta de seu material genético afirmando que queria preservar a sua intimidade e a sua honra diante dos acontecimentos que se tornaram públicos.
Diante da recusa da cantora o Supremo Tribunal Federal autorizou então, a pedido do Ministério Público, a coleta do material genético da placenta a ser descartada pelo hospital após o nascimento da criança, mas impediu a entrega do prontuário médico aos policiais federais conforme ementa descrita na íntegra abaixo:
EMENTA: - Reclamação. Reclamante submetida ao processo de Extradição n.º 783, à disposição do STF.2. Coleta de material biológico da placenta, com propósito de se fazer exame de DNA, para averiguação de paternidade do nascituro, embora a oposição da extraditanda.3. Invocação dos incisos X e XLIX do art. 5º, da CF/88.4. Ofício do Secretário de Saúde do DF sobre comunicação do Juiz Federal da 10ª Vara da Seção Judiciária do DF ao Diretor do Hospital Regional da Asa Norte - HRAN, autorizando a coleta e entrega de placenta para fins de exame de DNA e fornecimento de cópia do prontuário médico da parturiente.5. Extraditanda à disposição desta Corte, nos termos da Lei n.º 6.815/80. Competência do STF, para processar e julgar eventual pedido de autorização de coleta e exame de material genético, para os fins pretendidospela Polícia Federal.6. Decisão do Juiz Federal da 10ª Vara do Distrito Federal, no ponto em que autoriza a entrega da placenta, para fins de realização de exame de DNA, suspensa, em parte, na liminar concedida na Reclamação. Mantida a determinação ao Diretor do Hospital Regional da Asa Norte, quanto à realização da coleta da placenta do filho da extraditanda. Suspenso também o despacho do Juiz Federal da 10ª Vara, na parte relativa ao fornecimento de cópia integral do prontuário médico da parturiente.7. Bens jurídicos constitucionais como "moralidade administrativa", "persecução penal pública" e "segurança pública" que se acrescem, - como bens da comunidade, na expressão de Canotilho, - ao direito fundamental à honra (CF, art. 5º, X), bem assim direito à honra e à imagem de policiais federais acusados de estupro da extraditanda, nas dependências da Polícia Federal, e direito à imagem da própria instituição, em confronto com o alegado direito da reclamante à intimidade e a preservar a identidade do pai de seu filho.8. Pedido conhecido como reclamação e julgado procedente para avocar o julgamento do pleito do Ministério Público Federal, feito perante o Juízo Federal da 10ª Vara do Distrito Federal.9. Mérito do pedido do Ministério Público Federal julgado, desde logo, e deferido, em parte, para autorizar a realização do exame de DNA do filho da reclamante, com a utilização da placenta recolhida, sendo, entretanto, indeferida a súplica de entrega à Polícia Federal do "prontuário médico" da reclamante. (STF, 2002).
3.2. Caso Roberto Carlos - Desrespeito aos Direitos de Personalidade
No ano de 2006, o jornalista e historiador brasileiro Paulo Cesar de Araújo ficou conhecido nacionalmente pela polêmica envolvendo a biografia não autorizada de Roberto Carlos, sendo a publicação desta obra um ato que violou o Direito de Personalidade, fundamentado nos artigos 20 e 21 do Código Civil, os quais impediam a veiculação de informações pessoais de biografados em situações que "lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade". Meses após a publicação do livro, o cantor entrou com uma ação na justiça pedindo para banir a circulação das obras nas livrarias, entretanto, até a determinação judicial, cerca de 30 mil cópias já haviam sido vendidas. Os advogados do artista se baseavam na tese de que a vida privada não pode ser alvo de dissertação de terceiros sem autorização prévia do biografado.
Em meados de 2013, a Associação Nacional dos Editores de Livros entrou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a liberação de obras semelhantes sem autorização prévia dos biografados ou de seus herdeiros. Após a decisão do STF, através da Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.815, declararam inexigível o consentimento de pessoa biografada relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais, sendo por igual desnecessária autorização de pessoas retratadas como coadjuvantes (ou de seus familiares, em caso de pessoas falecidas). A partir desta decisão, houve uma flexibilização no direito de imagens em bibliografia, sendo assim não há mais censura prévia. Contudo, ainda dependerá de análise subjetiva, a cada caso, a avaliação de real violação a honra da pessoa objeto de uma obra, assim como as consequências e a abrangência dos efeitos de uma eventual condenação neste sentido.
Ementa: Ação Direta de Inconstitucionalidade. Arts. 20 e 21 da lei n. 10.406/2002 (Código Civil). Preliminar de ilegitimidade ativa rejeitada. Requisitos legais observados. Mérito: aparente conflito entre princípios constitucionais: liberdade de expressão, de informação, artística e cultural, independente de censura ou autorização prévia (art. 5º incs. iv, ix, xiv; 220, §§ 1º e 2º) e inviolabilidade da intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas (art. 5º, inc. x). Adoção de critério da ponderação para interpretação de princípio constitucional. Proibição de censura (estatal ou particular). Garantia constitucional de indenização e de direito de resposta. Ação Direta Julgada procedente para dar interpretação conforme à Constituição aos arts. 20 e 21 do código civil, sem redução de texto.
4. CONCLUSÃO 
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
GOMES, Elizabeth Fernandes; SANTOS, Patrícia Úrsula Pereira dos. Controvérsias do artigo 13 do Código Civil. 2017. Disponível em . Acesso em: 25 nov. 2020.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Reclamação nº 2.040-1. Relator: Ministro Néri da Silveira. Brasília, DF, 21 de fevereiro de 2002. Disponível em . Acesso em: 25 nov. 2020.
DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 2º. ed. São Paulo: Saraiva, 2012.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.815. Relatora: Ministra Cármen Lúcia. Brasília, DF, 10 de maio de 2015. Disponível em . Acesso em: 25 nov. 2020.
SCHREIBER, Anderson. Direitos da Personalidade. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
BRASIL. Lei n. 10.406, 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 10 jan. 2002. Disponível em . Acesso em: 25 nov. 2020.
2
image1.png

Mais conteúdos dessa disciplina