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GRUPO SER EDUCACIONAL CURSO DE GRADUAÇÃO EM FARMÁCIA ESTÁGIO SUPERVISIONADO I Raquel Nunes Lopes/ 04096982 RELATÓRIO DO ESTÁGIO ACADÊMICO I OUTUBRO – BOA VISTA-RR 2022 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 3 2 ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA .................................................................................. 4 3 FARMÁCIA COMUNITÁRIA .......................................................................................... 5 4 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL ............................................................................... 7 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................ 10 6 REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 11 3 Estágio Acadêmico I – Farmácia – 3º Período - Digital 1 INTRODUÇÃO O avanço da tecnologia no mundo promoveu diversas inovações em todas as áreas possíveis e, consequentemente, modernizou o sistema dentro das farmácias comunitárias. O farmacêutico é um profissional que possui papéis fundamentais no âmbito social, e é uma dos principais especialistas quando se trata de cuidado à saúde. A presença deles é notada desde os primórdios da história da humanidade, em que se buscava ervas e várias combinações de plantas para curar enfermidades, mostrando a relevância desde as civilizações mais antigas até os dias de hoje. Atualmente, os farmacêuticos têm extensas capacidades, que vão desde efetuar exames de análises clínicas, atuarem na indústria alimentícia, teste e criação de substâncias e remédios, até atendimento e aconselhamento à população, sendo muitas vezes os primeiros a passarem informações e orientações sobre os remédios (O PAPEL, 2022). Este profissional da saúde detém tanta capacidade e habilidades que o torna um dos principais pilares para o perfeito funcionamento da Assistência Farmacêutica nas Farmácias Comunitárias e em todos os âmbitos de saúde e bem estar social. 4 Estágio Acadêmico I – Farmácia – 3º Período - Digital 2 ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA A Assistência Farmacêutica é a soma de vários conjuntos de ações que tem como metas promover a proteção e recuperação da saúde, tanto individual quanto coletiva, e tornando democrática e racional a utilização dos medicamentos. Esses vários conjuntos iniciam a partir de muitas pesquisas, de elaboração e desenvolvimento, de fabricação de medicamentos e insumos, e funcionam como fiscais, desde a seleção e programação até a aquisição, distribuição, prescrição, dispensação, garantia da qualidade dos produtos e serviços, fazendo acompanhamento e avaliação da sua utilização, tudo para obter os melhores resultados e melhoria da qualidade de vida da população (BORDINHÃO 2022). O início da Assistência Farmacêutica, no Brasil, deu-se a partir dos anos de 1970 através de um Decreto 68.806/1971, com o objetivo de tornar mais acessível, às populações de baixa renda, o atendimento e obtenção aos medicamentos. Um tempo mais a frente, mais precisamente nos anos de 1980, teve um ação denominada Movimento da Reforma Sanitária da Saúde, através de profissionais da área, que abriu uma grande discussão sobre o processo saúde-doença, destacando-se em todos os setores da saúde, abrangendo ideologias das sociedades quanto à prestação de serviços, para que fosse mais universalizado e igualitário, o que alcançou a importância suficiente para se tornar uma pauta notável da VIII Conferência Nacional da Saúde, em 1986. E assim, a Constituição Federal de 1988 foi elaborada com o foco central no povo brasileiro, e os movimentos de Reforma Sanitária tornaram possível a formação de bases para sustentar os princípios do SUS (universalização, integridade, descentralização, participação popular, regionalização e equidade). A partir da década de 90, o Ministério da Saúde publicou uma política de medicamentos utilizando a Assistência Farmacêutica de forma precisa, e com ações focadas em produção (SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL, 2022). Com a 1° Conferência Nacional de Medicamentos e Assistência Farmacêutica (CNMAF), foi criado a Política Nacional de Assistência Farmacêutica, e esta foi aprovada através da Resolução n° 338, de 06 de maio de 2004, do Conselho Nacional da Saúde. A Assistência Farmacêutica, na atenção Básica em Saúde, é parte da Política Nacional pelo SUS, e envolve um conjunto de ações elaboradas e organizadas pelo Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, e do Distrito Federal, garantindo financiamento e fornecimentos dos medicamentos e insumos essenciais. O modelo de organização segue os padrões da gestão da saúde. Vale ressaltar que a Assistência Farmacêutica é dividida em duas partes: Ambulatorial e Hospitalar. A assistência farmacêutica Ambulatorial é aquela os medicamentos são passados diretamente aos 5 Estágio Acadêmico I – Farmácia – 3º Período - Digital pacientes, e estes fazem aplicação em suas residências. Já a assistência farmacêutica Hospitalar representa a administração de medicamentos nos pacientes, dentro das repartições específicas da saúde (SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL, 2022). O pleno funcionamento da Assistência Farmacêutica depende exclusivamente do financiamento do Estado, e precisa ser feito pelas três esferas de gestão do SUS e pactuado na Comissão Intergestores Tripartite (CIT). Seguindo as orientações estabelecidas na Portaria GM/MS n. 204/2007, os recursos que financiam todo o bloco de assistência se divide em três componentes: Componente Básico de Assistência Farmacêutica; Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica; e Componentes de Medicamentos de Dispensação Excepcional. O Componente Básico da Assistência Farmacêutica remete à aquisição de medicamentos e insumos para a atenção básica em saúde e para aqueles que estão na lista de agravos e programa de saúde específico, que estão na rede de cuidado, sendo composto de: parte financeira e parte financeira variável. O Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica é o financiamento que custeia ações estratégicas, como: controle de epidemias, tuberculoses, hanseníase, malária, leishmaniose, doença de Chagas e outras doenças endêmicas de tamanho nacional ou regional; anti-retrovirais dos Programas de DST/AIDS, Sangue e Hemoderivados e Imunobiológicos. O Componente de Medicamentos de Dispensação Excepcional é o financiamento que promove a aquisição e distribuição de medicamentos dos procedimentos ambulatoriais (CONSELHO NACIONAL DE SECRETÁRIOS DE SAÚDE, 2007). 3 FARMÁCIA COMUNITÁRIA Farmácia Comunitária é uma frase que tem a nomenclatura utilizada em todo o mundo para descrever farmácias que atendem o público oferecendo não apenas medicamentos, mas também serviços de saúde. No Brasil, há diferenças entre os estabelecimentos dependendo de suas finalidades econômicas e assistenciais, como farmácia de manipulação, farmácia sem manipulação (ou drogaria) e farmácia hospitalar (PINTO, 2021). As Farmácias comunitárias são estabelecimentos farmacêuticos não hospitalares e não ambulatoriais que atendem a comunidade, que, em 2020, o Brasil já contava com um 6 Estágio Acadêmico I – Farmácia – 3º Período - Digital total de 89.879 estabelecimentos. Estes atendem de forma primária a população, com a responsabilidade técnica de um farmacêutico. A colaboração do deste praticando orientação sobre saúde tem se mostrado insubstituível e deve ser um compromisso intransferível e indelegável, que, além disso, o profissional deve trabalhar essas ações avistando o contextosocial, geográfico e cultural do individuo, incentivando-o sempre para o autocuidado. Mas, o farmacêutico encontra muitas barreiras para fornecer serviços de prevenção e promoção da saúde, por motivos de falta de tempo pela sobrecarga de atividades, ambientes precários em alguns casos, e também pela falta de colaboração da população por falta de conhecimento sobre as práticas farmacêuticas de cuidado à saúde, que são diretamente ligados a esse profissional (BRITO, 2022). Muitos problemas são enfrentados pelos farmacêuticos dentro das farmácias comunitárias, muitos já são conhecidos pela população, como má gestão do governo, por exemplo. Porém, uma das primeiras barreiras encontradas pelos profissionais é o cumprimento da ética profissional, pois, atitudes normais de serem realizadas, sem gerar quaisquer perigos ao paciente, podem ser entendidas por este como fora das regulamentações, e assim gerar conflitos tanto para o profissional quanto ao estabelecimento, tornando possível uma punição. Outra situação é a de que os profissionais de farmacêutica são orientados a seguirem princípios fundamentais do Código de Ética Farmacêutica em um artigo 10°, mas em outro artigo logo adiante (15°) orienta-o a respeitar diretrizes, normas e legislações vigentes, o que pode causar conflitos, e tornando possível a punição ao farmacêutico. Há uma dificuldade por parte do profissional farmacêutico dentro das farmácias comunitárias, que é a de suspeita de erro na prescrição de uma terapia proposta, e isso deixa o profissional em dúvida quanto a agir ou não para uma interferência, onde uma omissão é gera punição, e uma interferência causará constrangimento ético. No entanto, a resolução CFF357/01 diz que é indispensável a interferência do profissional quando houver problema detectado ou qualquer dúvida quanto à prescrição. Outro ponto muito importante que impede o livre exercício da prática é a não padronização dos medicamentos pelo SUS, que impede muitas vezes a terapia do paciente, retardando o tratamento, precisando recorrer ao prescritor para haver uma substituição, ou recorre aos tribunais para que possa haver a terapia (PAIXÃO, 2022). Essas são apenas algumas das adversidades detectadas no exercício profissional do farmacêutico. 7 Estágio Acadêmico I – Farmácia – 3º Período - Digital 4 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL O correto funcionamento efetivo das ações relacionadas à assistência integral à saúde, a Assistência Farmacêutica no SUS é dividida em três níveis, ligada formalmente aos órgãos de saúde nas três esferas do Estado (federal, estadual e municipal), que ficam organizadas como mostrada na imagem a seguir: Fonte: SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DO CEARÁ (2021) Esse sistema é financiado pelas três esferas (tripartite) e gerenciado pela esfera municipal, que se destina à aquisição dos medicamentos com valores per capita, sendo as aplicações mínimas respeitadas nos valores monetário/habitante/ano: R$ 5,86 a R$ 6,05 pela União; R$ 2,36 pelos estados; R$ 2,36 pelos municípios; todos de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) (COMPONENTE, 2022). O funcionamento das Farmácias segue todos os princípios de Assistência Farmacêutica, que iniciam desde o fornecedor responsável pela cadeia de abastecimento e vão para um ciclo que envolve: aquisição, armazenamento, distribuição; todos esses são antecedidos pela seleção e programação. Quanto ao atendimento, é necessária a observação ao paciente e seguir os seguintes Figura 1 – Divisão das esferas do Estado 8 Estágio Acadêmico I – Farmácia – 3º Período - Digital processos: avaliação (diagnóstico), prescrição (terapia) e dispensação (orientação) dos medicamentos. É feita a continuidade das avaliações de forma periódica para analisar os resultados obtidos com a terapia, compreensão e adesão pelos pacientes para as práticas terapêuticas. Muitos problemas são encontrados nesse âmbito. Todas essas atividades e problemas podem ser observados na imagem abaixo, que descrevem de forma ampla o funcionamento da área farmacêutica. Figura 2 – Funcionamento das Farmácias Fonte: SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DO CEARÁ (2021) 9 Estágio Acadêmico I – Farmácia – 3º Período - Digital As etapas do ciclo da Assistência Farmacêutica são: Seleção: que é o processo de escolha de medicamentos, utilizando critérios descritos pela Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT). Programação: ação de estimar a quantidade aproximada que vai ser utilizada em um determinado tempo, usando como padrão uma Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) e Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (REMUME). Aquisição: conjunto de procedimentos que efetiva a compra dos medicamentos e insumos, respeitando a programação estabelecida. Armazenamento: tem a finalidade de assegurar as condições adequadas de recepção, armazenamento, conservação e de controle de estoque, garantindo a disponibilidade dos medicamentos. Distribuição: é o ato de entregar os medicamentos às unidades de saúde, com quantidade, qualidade e tempo adequado. Prescrição: ato que se apoia a dispensação, que define o medicamento que vai ser consumido pelo paciente, com dosagem e duração de tratamento, tudo descrito em uma “receita”, que é um documento formal e escrito que determina o medicamento, quantidade e forma de uso. Dispensação: ato realizado pelo profissional farmacêutico que oportuniza um ou mais medicamentos, em consequência da apresentação da receita elaborada por um profissional especializado. Nessa situação, o farmacêutico exerce a atenção farmacêutica (CORADI, 2012). 10 Estágio Acadêmico I – Farmácia – 3º Período - Digital 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS No estágio realizado pôde-se observar a importância do profissional farmacêutico, pois este tem a principal função na farmácia. Cabe a ele zelar pelo perfeito desempenho Ético da farmácia e pelo prestígio da profissão farmacêutica, supervisionar os demais funcionários e o estabelecimento para que todas as atividades sejam bem realizadas, desde a compra até a utilização dos medicamentos e afins. O estágio proporcionou um conhecimento amplo sobre a prática farmacêutica. Outra importância foi conhecer o pleno, mas não fácil funcionamento da Assistência Farmacêutica e das Farmácias Comunitárias, em que essas engrenagens atuando permitem o bem-estar social da população. Também pôde ser verificada a quantidade de problemas e barreiras enfrentadas por este profissional no exercício de suas atividades, tornando um completo desafio trabalharem neste ramo, mas com dedicação e empenho, a atuação nessa área é muito gratificante, pois atende diretamente às vidas humanas, e todo esse sistema tem como consequência uma melhor qualidade de vida dos nossos cidadãos. 11 Estágio Acadêmico I – Farmácia – 3º Período - Digital REFERÊNCIAS BORDINHÃO, Ricardo. O que é assistência farmacêutica? Farmacêutico Virtual, 2022. Disponível em: . Acesso em: 19de out. de 2022. BRITO, I. C. S. et al. Papel do farmacêutico e da farmácia comunitária na Atenção à Saúde: percepção de estudantes universitários. Bahia, 2022. COMPONENTE básico da assistência farmaceutica. Governo do Paraná, 2022. Disponível em: . Acesso em: 20 de out. de 2022. CONSELHO NACIONAL DE SECRETÁRIOS DE SAÚDE. Assistência Farmacêutica no Sus. Brasília, 2007. CORADI, Ana Elisa Prado. A importância do farmacêutico no ciclo da Assistência Farmacêutica. Santo André, 2012. O PAPEL social e profissional do farmacêutico como um especialista. CEON+,2022. Disponível em:. Acesso em: 19 de out. de 2022. PAIXÃO, J. A.; SANTOS, A. C. P. As dificuldades da prática ética na dispensação de medicamentos na farmácia comunitária. Revista artigos.com, Salvador, v. 35, p 1-9, Julho 2022 PINTO, Fernando. Fala aê, mestre: o novo conceito de farmácia como estabelecimento de saúde. Fiocruz Brasília, 2021. Disponível em:. Acesso em: 20 de out. de 2022. SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DO CEARÁ. Estrutura e organização da assistência farmacêutica no Ceará. Ceará, 2021. SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL. Manual assistência farmacêutica, 2022. Disponível em: . Acesso em: 20 de out. de 2022.