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TE X TO B A SE INOVAÇÃO APLICADA AOS NEGÓCIOS Prof. M.e Paulo José Destro UNIVERSIDADE MUNICIPAL DE SÃO CAETANO DO SUL Portal: www.uscs.edu.br Tel.: (11) 4239-3200 Av. Goiás, 3400 – São Caetano do Sul – SP – CEP: 09550-051 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, a transmissão total ou parcial por qualquer forma e/ou qualquer meio (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação e distribuição na web), ou o arquivamento em qualquer sistema de banco de dados sem a permissão por escrito da Universidade Municipal de São Caetano do Sul. DÚVIDAS? FALE CONOSCO! eadsuporte@online.uscs.edu.br (11) 4239-3351 EQUIPE TÉCNICA EDITORIAL Pró-reitoria de Inovação em Ensino: Prof. Dr. Nonato Assis de Miranda. Professor conteudista: Prof. M.e Paulo José Destro Projeto grá� co: Renata Kuba, Luana Santos do Nascimento, Juliana Pereira Alves e Wallace Campos de Siqueira. Design Instrucional: Kethly Garcia e Luciana de Almeida Cunha. Capa: Kaique Biscaro e Pedro Minganti Juliano. Diagramação: Kaique Biscaro e Pedro Minganti Juliano. Revisão: Profa. M.e Marialda Almeida e Isabelle Correa Borian. O Núcleo de Educação a Distância da USCS garante a revisão gramatical e ortográfi ca dos conteúdos dos Textos-Base de todas as disciplinas ofertadas desde que seus autores respeitem os prazos de entrega de acordo com o calendário acadêmico corrente. No entanto, lembramos que o conteúdo apresentado nesses livros é de autoria e de total responsabilidade do professor conteudista, profi ssional qualifi cado para desenvolver esses materiais. INOVAÇÃO APLICADA AOS NEGÓCIOS Prof. M.e Paulo José Destro INOVAÇÃO INTRODUÇÃO ...............................................05 CONCEITOS DE INOVAÇÃO .........................................06 PROCESSOS DE INOVAÇÃO ........................................09 O que inovar? ...................................................................... 11 Quando inovar? ................................................................... 13 Onde inovar? ....................................................................... 15 Como inovar? ...................................................................... 17 Quem irá inovar? ................................................................. 19 INOVAÇÃO ABERTA E FECHADA .................................20 REFERÊNCIAS ...............................................26 Inovação 5 Unidade 2 INTRODUÇÃO Uma questão clássica na literatura, muitas vezes repetidas para muitos autores, diz respeito ao processo criativo. Afinal, como uma obra nasce? Certamente reconhecemos nos escritores, e nos artis- tas, o gênio criativo agindo sobre eles. Mas, nas discussões que já traçamos na Unidade 1, sabemos que a criatividade é insuficiente para explicar a produção de uma obra, pois essa precisa ser não só do escritor e do artista, mas de toda a humanidade que a fruir. Por isso, ela precisa do contexto, de um sentido compartilhado para ser efetiva. Às vezes algo muito imaginativo e bem produzido simplesmente não nos toca. Às vezes algo muito simples, pouco elaborado, faz sentido e se torna algo realmente grandioso. Essa breve consideração é útil para entendermos como a cria- tividade sozinha não apresenta o mesmo significado de inovação. A inovação precisa de requisito a mais e fundamental: precisa ser comprada, usada, utilizada; precisa ter valor por aqueles que dela usufruírem. Nos negócios, pensamos em produtos, serviços que, além de uma proposta nova, resolvam melhor os problemas dos consumidores. Mas, também, pensamos em novos processos que resolvam os problemas internos das organizações. Produzir melhor, vender melhor, construir uma imagem melhor. A obra que as organizações prestam ao mundo é a resolução de uma forma mais eficiente dos problemas da sociedade. Fazer isso melhor do que se fazia antes, propondo uma forma nova, significa inovar. Mas, agora, podemos reformular a pergunta inicial: como a ino- vação nasce nas organizações? Essa mesma pergunta pode ser elaborada de uma outra maneira: há um processo pelo qual a ino- vação pode ocorrer nas organizações? Qual sequência de tarefas e atividades conduzem à inovação? Assim como costumam responder os artistas, há formas variadas de inovar, há tipos diferentes de inovação e competências diversas sendo acionadas. É importante formar um mapa claro desses ele- mentos e saber escolher qual, como administrador, será o seu cami- Inovação Aplicada aos Negócios 6 Unidade 2 nho para inovar. A opção por não escolher caminho algum parece ser hoje a menos recomendada. Por fim, veremos um pouco dos modelos de negócio inovadores e o surgimento de uma era de empresas baseadas em rupturas radi- cais baseadas em avanços tecnológicos e crescimentos exponen- ciais: as startups. CONCEITOS DE INOVAÇÃO Entender o que é inovação é algo simples, pois essa é uma pala- vra de uso comum, presente no nosso vocabulário cotidiano. A intro- dução de qualquer novidade na gestão ou no modo de fazer algo; mudança; renovação; criação de algo de novo; descoberta. Todos esses sentidos são conhecidos e registrados. O que nos interessa, entretanto, é conceituar a forma que se utiliza na gestão dos negó- cios, ressaltando os aspectos mais operacionais dessa definição. Para chegarmos nesse ponto, entretanto, faz-se necessário com- preender onde a inovação se aplica, onde ela é mais relevante, para que possamos adotar um conceito suficientemente amplo. O primeiro aspecto é considerar que a inovação é uma questão de identificar/criar oportunidades. Esse ponto é bastante importante para o empreendedorismo, cuja principal atividade é visualizar as oportunidades para que se possa aproveitá-las por meio de produ- tos e serviços. Lembramos, todavia, que as empresas já constituí- das também praticam a forma de empreendedorismo dentro de suas operações, o empreendedorismo interno, e, também lançam novos negócios, baseados por vezes em oportunidades identificadas. As oportunidades podem surgir de uma nova tecnologia, que ra- dicalmente altera a lógica de negócios. As invenções tecnológicas por si só não são inovações: dependem de que se perceba quais oportunidades elas criam. Por exemplo, a internet surge como uma possibilidade de comunicação ampliada, mas gradativamente as empresas foram percebendo as oportunidades que se abririam e passaram a propor formas de utilizar a internet em novos negócios. Inovação 7 Unidade 2 Houve, de fato, uma explosão de oportunidades que têm sido até hoje aproveitadas, revolucionando as indústrias ao longo do globo. Um segundo aspecto da inovação, sempre muito presente nas indústrias mais competitivas, é o da melhoria das operações. A ino- vação aplicada para fazer melhor aquilo que já se faz. Não se vai, portanto, inovar no que se entrega ao cliente, mas sim em processos e tarefas inovadoras que ajudam a produzir ou operar o negócio de maneira mais efi ciente. Funciona como uma espécie de inovação silenciosa. Como exemplo, uma nova máquina que permite produzir com mais precisão e rapidez pode ser fonte de uma vantagem com- petitiva para uma empresa. Ainda que o produto fi nal seja o mesmo, é possível repassar essa efi ciência aos preços fi nais ou, mesmo, ampliar a margem de ganho. Outro aspecto é o da inovação na maneira de atender mercados já existentes. Às vezes, a inovação não está baseada em uma desco- berta radical. Uma simples mudança no modo de ver as coisas, uma nova perspectiva sobre a maneira como as coisas vinham sendo feitas permite ganhos expressivos e a abertura de novos negócios. Um exemplo clássico foi o da Southwest Airline, uma companhia aérea norte americana que se tornou sinônimo de voar a baixo cus- to. Ela propôs um conceito de atender com mais simplicidade e in- formalidade e em aeroportos menos famosos seus viajantes e, em compensação, ofereceu seu serviço a um preço muito acessível e sem variações constantes. Abriu um novo mercado fazendo aquiloque o marketing chama de “posicionamento de marca”, posicionar um conceito de negócio na mente e no coração do cliente”. Ao fazer isso, ela se tornou líder no mercado americano e mesmo com a ten- tativa de imitação de suas concorrentes, ela já havia ocupado esse novo espaço de mercado em que ela era a grande referência. Um passo além dessa melhoria na forma de atender é o uso da inovação para criar um modelo novo de negócio. Um modelo de negócio é o termo utilizado para descrever a forma como uma em- presa estabelece um arranjo que permite extrair valor do mercado. “Um Modelo de Negócios descreve a lógica de criação, entrega e captura de valor por parte de uma organização” Alexander Osterwalder & Yves Pigneur Inovação Aplicada aos Negócios 8 Unidade 2 Nesse caso, a inovação não ocorre apenas pela abertura de um novo mercado, pela modificação de um produto ou serviço, ou, ain- da, pela mudança de um processo interno. Ocorre a mudança de toda a lógica de funcionamento e interação com o mercado. Toda a organização é objeto da inovação. Isso só faz sentido, naturalmen- te, se o resultado for uma organização capaz de gerar e obter mais valor do que os modelos tradicionais proporcionavam. Por exemplo, a forma tradicional de se alugar um imóvel foi altera- da quando empresas como o Quintoandar propõe uma nova arqui- tetura na oferta, no atendimento e no financiamento dessa atividade. A tecnologia é um suporte para viabilizar esse novo modelo, mas a essência do sucesso foi reorganizar a forma tradicional de correta- gem imobiliária, que permitiu agregar muitos serviços e facilidades para proprietários e locatários. Vemos, assim, que nos negócios a inovação é importante de mui- tas formas. O que há de comum em tudo é a mudança que ela en- volve. Portanto, também a capacidade de aplicar uma ideia nova à realidade faz parte da inovação. Uma boa ideia (criativa) que não seja viável ou aplicável não pode ser inovadora, pois lhe falta a con- dição de aplicabilidade. Uma inovação permite a aplicação econômica e social de uma invenção ou de uma ideia nova. Um novo conhecimento que passa a ser incorporado em novos processos, novos produtos ou, mesmo, numa nova forma de fazer marketing ou de estruturar todo o seu negócio. Por isso, atualmente, o conceito de inovação implica, necessaria- mente, a conversão de uma nova ideia (que pode ser produto de sua própria criatividade ou adquirida de um terceiro) em algo que possa ser comercializável ou que gere proveito para uma empresa ou para a sociedade. Além de promover a criação de novos produtos e processos, a inovação favorece o desempenho de negócios, bem como a cria- ção de riquezas em um país, ou em uma região. Por isso mesmo, os governos se empenhos em fomentar os processos de pesquisa e de estímulo à inovação. Inovação 9 Unidade 2 A título de síntese, apresentamos um conceito presente no Manual de Oslo, um documento produzido e atualizado regularmente pela OECD¹, que apresenta os conceitos até aqui apresentados: Uma inovação é um produto ou processo novo ou melhorado (ou combinação desses) que difere signifi cativamente dos pro- dutos ou processos anteriores da unidade e que foi disponibili- zado para usuários em potencial (produto) ou colocado em uso pela unidade (processo). (OECD, 2018, p.21). PROCESSOS DE INOVAÇÃO Na Figura 1, a seguir, mostramos, de forma sintética, que a ino- vação é um fenômeno complexo, pois envolve diversas dimensões dos negócios, envolve pessoas e a maneira como a tecnologia é produzida e disponibilizada na organização. Uma inovação é um produto ou processo novo ou melhorado (ou combinação desses) que difere signifi cativamente dos pro- ¹ Organisation for Economic Co-operation and Development (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Figura 1 - Dimensões da inovação de Tom Kelly Fonte: BESSANT, J., TIDD, J. (2019, p.15) A Figura 1 revela que a inovação é resultado do trabalho em equi- pe, envolvendo o conhecimento de tecnologias e do próprio negó- cio, que faz com que haja vários tipos de inovação, conforme o nível de interação. É interessante sinalizar que nem toda inovação é necessariamente tecnológica, como as inovações de gestão que não envolvem no- vas tecnologias. Elas envolvem a criação e implementação de novas práticas, processos ou técnicas de gestão. Incluem-se aqui as mu- Inovação Aplicada aos Negócios 10 Unidade 2 danças de paradigma, de modelos mentais implícitos que acabam direcionando as ações e práticas da organização. Outro tipo de inovação, a inovação de produto ou de serviço, não envolve mudanças na gestão, mas sim na tecnologia e nas pessoas. Produtos ou/e serviços novos ou signifi cativamente melhorados, em suas características ou atributos, ou mesmo utilização pretendida, pois podem envolver mudanças no contexto em que produtos ou serviços são inseridos no mercado. Já as inovações de processos envolvem a gestão e a tecnologia: nesse caso as mudanças estão no fl uxo e na forma em que os pro- dutos ou serviços são produzidos e entregues no mercado. É uma mudança na gestão da produção e da logística possível pelo uso de novas técnicas e de novas tecnologias. Por fi m, a forma que mais mobiliza os recursos da organização é a chamada experiência inovadora, que corresponde a uma mudança fundamental nas atividades de uma organização, associada muitas vezes à necessidade de se antecipar ou de se adaptar a mudanças profundas no ambiente externo. Para articular essas diferentes combinações que podem levar à inovação há muitas abordagens, porém a proposta de Bessant e Tidd (2018) é de uma estrutura teórica simples, porém de aplicação bastante prática e versátil, pois pode ser utilizada em tipos e níveis diferentes de negócios. Trata-se do processo de inovação baseado em cinco perguntas. Figura 2 - A estrutura de cinco perguntas Fonte: Bessant e Tidd (2018 p.194) Inovação 11 Unidade 2 O QUE INOVAR? Ao percebermos que a realidade das organizações é bastante va- riada e que há demandas que se sobrepõem constantemente, uma das questões que precisamos ter sempre em mente é exatamente o que pretendemos inovar e em que grau de dará essa inovação. Podemos inovar em serviço/produto (ou mesmo em um compo- nente), em processo, na gestão ou, mesmo, na organização como um todo. Mas, essa inovação poderá será incremental ou radical. Vejamos as diferenças entre esses dois tipos: Inovação Incremental: representa um pequeno grau de desvio entre atuais práticas da organização e as novas práticas propostas pela inovação. Trata-se, portanto, de um baixo grau de novidade. Por exemplo, uma confecção pode simplesmente criar uma linha ou coleção baseada ano mesmo tipo de peça, variando apenas as cores, o corte ou o tecido. Nesse caso, há uma inovação de produto do tipo incremental. Inovação Radical: são mudanças signifi cativas e fundamentais nas atividades de uma organização e, muitas vezes, com impacto em um setor inteiro. A palavra radical signifi ca o que é relativo à raiz. Ou seja, mudanças radicais mudam profundamente o modo de ser uma organização ou de um negócio. Quando se mudou a matriz energética de força humana e animal para a energia a vapor, todo o modo de produção se modifi cou radicalmente, transformando e possibilitando a criação de inúmeros negócios. Muitas vezes se uti- liza um outro termo, análogo à ideia de inovação radical, que é o de disruptura. Além da diferença entre inovação incremental e inovação radi- cal, podemos diferenciar as inovações conforme o nível em que ela ocorre. Ela pode ser uma inovação que afete apenas um componen- te. Por exemplo, um conector eletrônico de um televisor. Ela pode afetar, ainda, um subsistema. Como no caso de uma inovação no sistema de arrefecimento de um carro. Ou pode ocorrer em todo o sistema. Exemplo ocorrem muitas vezes com novas tecnologias em- pregadas, como por exemplo com a mudança do CD e DVD para o consumo de fi lmes e músicas atravésde serviços online (streaming). O que é disruptura? As inovações radicais podem ser associadas a uma mudan- ça tecnológica abrupta que venha a produzir uma ruptura (disruptura seria um angli- canismo, a partir do termo disruption cujo sentido é de rutura, quebra, rompimento) com a tecnologia anterior. Ou seja, uma descontinuidade. Enquanto uma determinada tecnologia for capaz de solu- cionar bem algum problema humano, ela será utilizada pe- las empresas e pela socieda- de, por meio de seus produtos e serviços. Poderá haver, nes- se período, inovações do tipo incremental. Porém, quando uma nova tec- nologia surge e é capaz de so- lucionar melhor os problemas ela passa a ser adotada e tudo que estava baseado na tecno- logia antiga será remodelado. Essas serão inovações radi- cais, pois terão que reinventar os produtos, serviços e até mesmo o modelo dos negó- cios existentes. Você sabia ? Você sabia ? Inovação Aplicada aos Negócios 12 Unidade 2 Quando pensamos em um motor de automóvel elétrico estamos diante de uma inovação de produto radical, mas também de pro- cesso, pois toda lógica de produção será diferente. O mesmo caso para as lâmpadas LED, que surgiram de uma ruptura tecnológica e que reconfigurou todo processo produtivo do setor e criou novos produtos com diversas possibilidades diferentes. Extrair ou explorar Quando perguntamos o que é inovar, um dos aspectos que costu- mam incomodar é o de que a inovação implicaria, necessariamente, em nos levar ao ponto zero, à tabula rasa. Ou seja, todo o conhe- cimento anterior se tornaria inútil e desnecessário. Esse é um dos pontos que costumam gerar resistências no processo de inovação. Entretanto, os casos de inovação que apresentam um grau de radi- calidade tão elevado não são a maioria. Na verdade, há uma distinção importante entre extrair mais do que já se tem (ou seja, extrair mais valor do conhecimento que se possui) apresentando aperfeiçoamentos e melhorias inovadoras e explorar novas possibilidades, além do que já se conhece. Extrair significa utilizar o know-how de maneira diferente, porém garantindo a continuidade do fluxo de recursos da organização. O conhecimento atual é base para uma série de inovações incre- mentais que permitem obter vantagens competitivas. Não há, nesse caso, uma ruptura, pelo menos não há uma descontinuidade radical. A extração é, todavia, uma inovação, são implementadas mudan- ças. Ela pode ser feita quando a organização domina bem uma tec- nologia ou conhece bem um determinado mercado. Entretanto, tem como condição que esses elementos (mercado e tecnologia) não estejam em um ambiente de grandes incertezas e instabilidades. Como se sabe, porém, a realidade de muitas indústrias é hoje de grande incerteza e mudança constante. Nesse caso a estratégia de explorar pode ser mais bem sucedida, embora incorra em mais ris- cos. Inovação 13 Unidade 2 Explorar é fazer algo totalmente diferente do que os outros e você mesmo faziam. Significa adentrar a um campo desconhecido e pro- por uma inovação radical, seja no produto ou no processo, que sig- nifique ir além da imitação ou do de apenas uma nova versão do que já existe. QUANDO INOVAR? Uma vez definido o que inovar, faz-se necessário saber quando inovar. A resposta mais imediata seria “agora mesmo”. O problema é que errar no momento certo de inovar pode estragar todo o pro- cesso. Acertar o tempo certo de fazer alguma coisa (o timing da língua inglesa) é essencial para que uma novidade seja aceita e encontre as variáveis ambientais favoráveis à sua pronta absorção. Lembra- mos que uma inovação só existe se for aceita comercialmente. Por exemplo, setores menos dinâmicos e muito consolidados costumam repelir inovação muito radicais. Isso não quer dizer que elas não ocorrerão mais cedo ou mais tarde. Mas, devemos estar prontos para o momento certo. Um exemplo disso foi o lançamento dos bancos inteiramente digi- tais no início dos anos 2000. Havia uma empolgação com as possi- bilidades de a Internet acabar por retirar as agências bancárias de tijolo e cimento de cena – o que permitiria operações mais práticas e com custo muito menor. As tentativas foram, naquele momento, mal sucedidas. Não havia uma cultura forte o suficiente de uso de banco digital, nem a tecnologia estava totalmente bem desenvolvida e distribuída. Duas décadas depois, entretanto, vivemos a explosão dos bancos digitais e um deles é o mais valioso banco do Brasil. A ideia era ótima, mas a inovação precisou encontrar o tempo certo da tecnologia e do mercado. Mas, podemos perguntar como se pode saber qual o melhor momento para inovar de forma mais ou menos radical. O modelo que ajuda a entender melhor esses estágios é o chamado Ciclo de Vida da Inovação, como aparece Inovação Aplicada aos Negócios 14 Unidade 2 a seguir. Por ele é possível identifi car três estágios que podem ser associados mais à inovação em produtos (que inclui serviços) ou mais a inovação em processo, conforme as curvas corresponden- tes. Também se pode identifi car o momento mais próprio à explora- ção (Estágio 1) ou à extração (Estágios 2 e 3). Figura 3 - O Ciclo de Vida da Inovação Fonte: Bessant e Tidd (2018 p.199) O Estágio 1 (fl uido) corresponde ao momento de maior incerteza e os mercados e as tecnologias estão em processo de mudança. Há muitos empreendedores propondo ideias novas (muitas delas sem qualquer viabilidade) e há muitas novidades surgindo a todo o mo- mento, principalmente no que se refere a novas tecnologias emer- gentes. Nessa situação, será necessário experimentar, ser fl exível e praticar a exploração de novas possibilidades. O que se deseja aqui é descobrir qual será o novo produto ou serviço que dará conta dessas novas demandas e possibilidades. Com o tempo, entretanto, ocorre uma certa estabilização. Come- ça a se formar certo consenso sobre o que funciona melhor. É o Estágio 2, que faz a transição de um momento instável para outro consolidado. Surge o “design dominante”, aquela solução que não necessariamente é melhor resposta técnica, mas a que melhor se adaptou ao que desejava o mercado. Começa a haver espaço para melhora no processo, que pode fazer diferença no valor fi nal do pro- duto entregue. Inovação 15 Unidade 2 Por fim, no Estágio 3, há a consolidação de uma indústria madura. Aqui a ênfase da inovação será na melhoria dos processos, integra- ção das operações e maior padronização das atividades será fonte de maior valor nas ofertas. Nesse sentido, as inovações serão mais específicas e incrementais. A leitura mais acurada de qual estágio estamos depende subs- tancialmente de qual indústria estamos analisando. Num pano mais amplo, o conceito do mundo VUCA (acróstico do inglês Volatitity, Un- certainty, Complexity, Ambiguiy²) enfatiza que, contemporaneamen- te, temos que lidar com elementos caótico, ou seja, volátil, incerto, complexo e ambíguo ao mesmo tempo, o que exige mudanças e processos rápidos e flexíveis. Mas, certamente, essas característi- cas se apresentam em proporções e graus diferentes de setor para setor, de país para país. ONDE INOVAR? O espaço para a inovação é um tema que remete muito à ideia de “pensar fora da caixa”. Essa expressão celebra o ideal de que uma das principais armadilhas para inovarmos são os nossos próprios modelos mentais, que funcionam como regras implícitas, que, mes- mo tendo sido úteis no passado, acabam por se tornar limitadores de nossa evolução. Expressões como “as coisas sempre foram feitas dessa maneira” indicam certo apego a esses modelos, o que leva a organizações não enxergarem um espaço possível para inovarem seus negócios. ² Volatilidade, Incerteza, Complexidade, Ambiguidade Inovação Aplicada aos Negócios 16 Unidade 2 Miopia em Marketing Em dos textos mais clássicos do marketing, escrito por Theodore Levitt em 1960, o conceito de miopia em marketing foi apresentado como sendo a incapacidade de empresas entenderem efetivamentequal o seu negócio. A visão apegada ao funcionamento imediato da empresa acabava por atrapalhar a visão de longo prazo. O autor alertou para a necessidade de se desafi ar os modelos mentais cristalizados e para tanto sugeriu que a gestão das empresas fi zesse um grande esforço para se libertar de soluções convencionais. Um dos exemplos apresentados na obra foi o das ferrovias, que foram, no passado, o principal modal de transporte de passageiros, mas subestimaram a ascensão do automóvel e do avião. Elas tinham convicção de que os trens continuariam sendo a preferência de todos. As ferrovias declinaram sem que estivessem preparadas para combater os novos concorrentes. O que sua visão não concebia era que carros, aviões e trens estavam disputando pelo mesmo espaço de mercado, o de transportes. O espaço para inovação pode ser encontrado quando se desafi a o modo como as empresas defi nem as regras competitivas. Essen- cialmente esse é o tema da chamada Estratégia do Oceano Azul³. O Oceano Azul é o espaço de inovação, onde devemos buscar nos posicionar. A ideia é uma oposição ao chamado Oceano Vermelho, espaço competitivo de grande rivalidade em que os “tubarões” se atacam e se ferem. Nos negócios isso signifi ca: concorrentes for- tes e consolidados, guerras de preço, margem de lucros estreitas e pouco espaço para arriscar. Escapar de um Oceano Vermelho signifi ca desafi ar as regras que já estavam claramente fi xadas, oferecer novas dimensões de valor, atrair aqueles que ainda não eram clientes, ampliar as fronteiras de ação. O prêmio para alcançar um Oceano Azul, entretanto, é ele- vado. Colhe-se o benefício de ser um pioneiro, com taxas de lucro elevadas e rápida expansão dos negócios. A sugestão de onde se pode encontrar um Oceano Azul passa por: examinar setores alternativos que possam ter interesse nos ³ Proposta de Kim e Mauborgne (2005) no livro A Estratégia do Oceano Azul Inovação 17 Unidade 2 atuais produtos da empresa; avaliar a cadeia de compradores (por exemplo, vender direto a um consumidor final em vez de a um ata- cadista, ou vice versa); associar ofertas de produtos e serviços com- plementares ao seu atual produto; ou propor novos apelos emocio- nais e experienciais aos compradores. COMO INOVAR? Essa pergunta se refere a como fazer para que possamos buscar, procurar as fontes de inovação. Também se refere a quais os pa- drões de comportamento e as rotinas que ajudam nessa busca. Se querermos que a inovação se torne um processo da organização, precisamos de ações que possam ser promovidas e geridas. As empresas mais inovadoras utilizam estratégias de busca dife- rentes, conforme os seus objetivos de inovação. Vamos aqui con- siderar quatro possíveis abordagens, que estarão de acordo com as respostas obtidas em “o quê inovar”, ou seja, se a inovação se deseja incremental ou radical, se a inovação será mais de extração ou de exploração. O quadro a seguir apresenta essas estratégias, bem como algu- mas indicações de possíveis modos de busca: ESTRATÉGICAS OBJETIVO CARACTERÍSTICAS AÇÕES DE BUSCA 1. Manutenção de Status Quo Inovar em torno do modelo de negócios existente •Extração •Inovação incremental •Organizações já bem estabelecidas •Entender o comportamento dos usuários ativos de produtos/serviços •Trabalhar com grandes fornecedores •Buscar pequenos aperfeiçoamentos todo o dia Inovação Aplicada aos Negócios 18 Unidade 2 2. Expandir fronteiras com o mesmo modelo de negócios Inovar ao atender novos mercados ou territórios, mas mantendo o mesmo modelo •Exploração combinada com extração •Investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) bem robustos •Especialização •Foco tecnológico •Laboratórios próprios e uso de prototipagem para avaliar possíveis inovação •Parcerias com centros de pesquisa e inovação do setor •Usar agentes e pontes com outros setores 3.Enquadramento Alternativo Inovar ao incorporar novos elementos do ambiente que criam arquiteturas diferente no negócio •Exploração •Organizações não tradicionais •Mudança na perspectiva dos negócios, recombinando elementos •Criação de equipes diversificadas •Estímulo ao talento empreendedor dentro da organização •Ferramentas de criatividade para geração de ideias 4. Possibilidades radicais Inovar ao propor uma nova forma e com elementos ainda não testados •Exploração •Inovação radical •Necessidade de estar em evolução conjunta com os demais stakeholders4 •Identificação de falhas nos modelos atuais •Experimentação •Fracasso como aprendizagem Por fim, sabemos que seja qual for a estratégia dominante, as or- ganizações têm procurado se colocar em uma posição que possam ser beneficiadas pelas interrelações de diversos atores sociais. Por exemplo, o Google oferece centros de inovação em cidades com elevado potencial inovador em todo o mundo. Quadro 1 - Estratégias de busca de inovação Fonte: Adaptado de Bessant e Tidd (2018, p. 208 e 205) 4 Stakeholders são todas as partes que se relacionam afetam e são afetadas por um determinado negócio. Os sócios, os acionistas, os investidores, os financiadores, os clientes, os fornecedores, os intermediários, os governos, os fun- cionários, os sindicatos etc, são exemplo de stakeholders. Inovação 19 Unidade 2 Saiba o que são Centros e Habitats de Inovação Por ACATE 5 Um Centro de Inovação é uma comunidade que valoriza o co- nhecimento voltado à cultura da inovação e ao empreende- dorismo. Esses espaços são propícios para o compartilha- mento de ideais, experiências criativas, networking e parce- rias. São oferecidas salas para locação a empreendedores, startups ou projetos de pes- quisa e desenvolvimento que desejam inovar e desenvolver modelos de negócios junto a outros atores do ecossiste- ma. Nesse sentido, os Cen- tros de Inovação incentivam a prototipaç ã o, produç ã o e comercializaç ã o de serviç os, processos e produtos tecno- lógicos. O ecossistema de inovação é formado por diversos atores e espaços. Ambientes diferen- ciados que propiciam compar- tilhamento de conhecimento e experiências criativas são denominados Habitats de Ino- vação. São lugares que unem talentos, tecnologia, capital e conhecimento com objetivo de estimular o networking e parcerias entre os envolvidos. Existem diversos tipos de habi- tats de inovação, dentre eles, as incubadoras de empresas, os parques tecnológicos, ace- leradoras, polos tecnológicos e também centros de inova- ção. Você sabia ? Você sabia ?QUEM IRÁ INOVAR? Quando pensamos em inovação dentro de uma organização po- demos imaginar que a inovação surja em algum departamento e que, uma vez aprovada na alta administração, é implementada em toda a hierarquia de departamentos. Essa forma, mais tradicional, não se apresenta mais como o mais usual no mundo corporativo. Em geral há diversos atores, de dentro ou de fora da organização, participando de formas diferentes para que uma empresa consiga ser efetivamente inovadora. Veremos a seguir alguns desses atores da inovação e seus possíveis papéis. Especialistas em P&D e pesquisadores e especialistas em ce- nários futuros: normalmente estão em equipes multidisciplinares ou em laboratórios e se dedicam de forma especializada a desenvolver pesquisas que indiquem o futuro da tecnologia e dos negócios. Batedores: grupo de profi ssionais que buscam externamente ten- dências de um contexto específi co de negócio. Em geral avaliam parcerias, centros de pesquisas e empresas de tecnologia. Funcionários mobilizados: muitas empresas mobilizam seus fun- cionários para que eles tragam seu conhecimento sobre o negócio e apresentem ideias para melhorias ou mesmo de inovação mais ra- dical. Pode-se utilizar premiações, concursos de inovação, sessões coletivas ou outras abordagens para sua mobilização. Clientes: ouvir e interagir com o cliente é uma importante fonte de ideias inovadoras. Estimular que funcionários de departamentosin- ternos tenham mais contato com clientes também é útil para se obter ainda mais elementos inovadores. Há, muitos outros possíveis atores, bem como a possibilidade de formação de comunidades que extrapolam os limites organizacio- nais. Os empreendedores de sucesso em geral são muito hábeis em criar redes de contato e, a partir dessas conexões, identifi cam oportunidades de negócio. 5 A Associação Catarinense de Tecnologia. Disponível em: https://www.acate.com.br/blog-da-acate/o-que-e-um-centro- de-inovacao/. Acesso em: 11 jan. 2022. Inovação Aplicada aos Negócios 20 Unidade 2 INOVAÇÃO ABERTA E FECHADA A inovação tem se tornado um imperativo no nosso mundo. As grandes empresas já perceberam que o esforço por inovar gera muitos resultados. Mas, em última instância inovar é uma questão de sobrevivência, ainda mais em setores em que a tecnologia se altera com muita rapidez. Bill Gates costumava dizer que a Microsoft estava sempre a dois anos de sua extinção... Ou seja, a velocidade de inovação também importa. Também sabemos que a inovação não é fácil: requer uma gran- de mobilização e conhecimento, além das decisões que quanto ao tempo de implementação e o seu escopo. Além do mais, inovar re- quer investimentos, principalmente se há o desejo de desenvolver uma tecnologia própria. Os anos 1950 e 1960 formam um período de grande avanço no conhecimento, calcado sobretudo em projetos de pesquisa e de- senvolvimento de grande envergadura. As grandes empresas, por sua vez, passaram a constituir grandes laboratórios e setores de P&D. Havia uma grande preocupação com as invenções e sua pro- teção legal, por meio de patentes. Portanto a inovação estava base- ada fortemente em processos internos e quanto mais esses fossem protegidos, melhor. Assim, o paradigma dessa era foi chamado de Inovação Fecha- da. Cabe dizer que, de fato, as empresas buscaram fechar seu departamento de P&D por uma questão estratégica, para obterem vantagens competitivas, principalmente ao imporem fortes barreiras de entrada a possíveis desafiantes de mercado. Mas, nunca foram completamente fechadas e registra-se que sempre houve, em algum nível, contribuições externas para o desenvolvimento de inovações. Mas, claramente, o modelo de Inovação Fechada vem sendo substituído gradativamente pela ideia de Inovação Aberta. Signifi- ca, em síntese, a migração do processo de inovação de baseado no conhecimento interno para um processo baseado na busca por conhecimento externo. Claro, a inovação continua a ser feita internamente, pois ela é pro- Inovação 21 Unidade 2 posta pela organização. O que muda é a abertura mais ampla por conhecimentos disponíveis em outras fontes. Isso está de acordo com a explosão do que se convencionou chamar de Era do Conhe- cimento. A partir dos recursos de TIC (tecnologia da informação e comunicação) a disponibilidade e geração de conhecimento avan- çou em escala logarítmica. Nunca se produziu tanto conhecimento, nunca foi tão fácil acessá-lo e distribuí-lo. Somando-se esse fator a uma dinâmica competitiva extremamen- te desafiante, exigindo resposta sempre e cada vez mais rápidas, o tempo de desenvolvimento interno precisava acelerar. Nesse cená- rio se encontram todas as empresas de rápido crescimento, basea- do em plataformas digitais de alta escalabilidade, as startups, que são capazes de criar soluções de forma ágil e, muitas vezes, mais simples que os grandes projetos embarcados em grandes compa- nhias. Buscar parceiros externos com competência complementares, se- jam outras empresas, sejam institutos, universidades permite uma renovação tecnológica mais efetiva. Além disso, mais pessoas en- volvidas geram mais ideias com potencial inovador. O quadro a seguir compara as características fundamentais dos dois tipos de inovação. Característica Inovação Fechada Inovação Aberta Equipe As melhores pessoas da área trabalham para nós. Trabalhamos com pessoas talentosas de dentro de fora da organização. Onde fazer P&D Para lucrar com P&D, temos que descobrir, desenvolver e comercializar por conta própria. P&D externo pode aumentar o valor significativamente. O P&D interno é necessário para tomar para si parte desse valor Origem da tecnologia Se descobrimos algo, temos que levá-lo ao mercado antes. Não precisamos originar a pesquisa para lucrar com ela. Inovação Aplicada aos Negócios 22 Unidade 2 Pioneirismo A companhia que levar a inovação ao mercado primeiro, vencerá. Construir modelos de negócio melhores é mais importante do que chegar no mercado primeiro. Quantidade e Qualidade Se criamos mais e melhores ideias no mercado, venceremos. Se fizemos melhor uso das ideias internas e externas, venceremos. Propriedade intelectual Devemos controlar nossa PI para que nossos competidores não lucrem com nossas ideias. Devemos nos beneficiar por outros usarem nossa PI e devemos adquirir tecnologias de terceiros sempre que trouxeram benefícios ao nosso negócio. Quadro 2 - Inovação fechada versus aberta. Fonte: Santos et al. 2021 (Adaptado de Chesbrough, 2006) A inovação aberta, em suma, significa canalizar fluxos de infor- mação e conhecimento para que a empresa tenha proveito dessa grande oportunidade de estabelecer conexões que, sozinhas inter- namente, seriam incapazes de gerar. Não se pode ignorar, todavia, que essa estratégia significa uma relativa perda de segredo industrial, e mesmo as questões de pro- priedade intelectual são desafios que as empresas vêm buscando superar. Grandes organizações estabelecem metas de inovação aberta parcial, para não se expor totalmente. Ou seja, estão bus- cando aprender fazendo. Inovação 23 Unidade 2 23 Leitura complementar Três formas de construir uma cultura de inovação colaborativa, segundo a Harvard Business Review Por Link to Leaders 6 James Surowiecki, prestigiado colunista da revista New Yorker, é um dos principais impulsionadores do conceito de inteligência coletiva, que faz referência a uma série de comportamentos inteligentes que surgem, graças às interações entre os membros de um grupo. Surowiecki revolucionou o setor do management em 2004 com a pu- blicação do “Wisdom of Crowds”. No seu livro defende a sabedoria da multidão: na hora de resolver problemas, incentivar a inovação ou ado- tar decisões adequadas, os grandes grupos são mais inteligentes do que as minorias, por mais brilhantes que estas sejam. A Harvard Business Review partilhou recentemente um conjunto de medidas práticas que podem impulsionar a inteligência coletiva e ajudar as empresas a melhorar a sua efi cácia. 1. Crie ferramentas que permitam a todos comunicar estrategicamen- te sobre inovação Esta é a primeira medida sugerida pela Harvard Business Review. As boas ideias podem vir de qualquer direção, mas os potenciais inovado- res podem precisar de ajuda para desenvolver um argumento estratégico consistente. A Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA) é uma agência governamental inovadora focada em avanços transfor- madores em segurança nacional que utiliza um conjunto de questões simples a que chama Heilmeier Catechism (em homenagem a um an- tigo diretor), para ajudar a refl etir e avaliar os programas de pesquisa propostos. São elas: O que está a tentar fazer? Exponha os seus objetivos sem utilizar qual- quer tipo de jargão. Como é que é feito atualmente e quais os limites da prática atual? O que é que a sua abordagem traz de novo e porque é que pensa que terá sucesso? A quem importa? Se for bem sucedido, que diferença fará? 6 Disponível em Consulta em 11/01/2022 Inovação Aplicada aos Negócios 24 Unidade 2 Quais os riscos? Quanto vai custar? Quanto tempo será necessário? Quais os indicadores que lhe permitirão medir o sucesso? A W.L. Gore, uma empresa de material científi co, colocaos seus prin- cipais critérios de inovação numa página, a “Product Concept Work- sheet,” que contém uma declaração concisa do conceito do produto, a tecnologia a utilizar, a forma do produto e as necessidades do cliente que o produto irá satisfazer. Qualquer uma destas abordagens é facilmente ajustável a qualquer outra organização. Ambas fornecem uma linguagem comum que per- mite que todos possam propor uma ideia e que todos possam avaliar o seu mérito, defende a Harvard Business Review.. 2. Partilhe e apure ideias coletivamente de forma contínua Em organizações fl exíveis, as ideias inovadoras não são considera- das uma ou duas vezes por ano por uma equipa sénior. Ao contrário, as ideias passam por constantes processos de revisão, apuramento e, se necessário, abandono. O objetivo é que apenas as melhores sobrevivam. Na nossa investigação, percebemos que uma avaliação coletiva depende de, pelo menos, dois aspetos. O primeiro é a utilização de diretrizes claras e de fácil percepção (tam- bém chamadas de regras simples) a partir das quais se avaliam as inova- ções propostas. Empenhada em renovar a sua linha de inovação, a Cor- ning criou um conjunto de regras simples, baseadas em inovações bem sucedidas no passado: – Abordar novos mercados com mais de 500 milhões de dólares (454 milhões de euros) de receitas potenciais; – Aumentar a especialização da empresa em material para a ciência; – Representar um componente crucial para um sistema complexo; – Proteger-se da concorrência com conhecimento de patentes e for- mas de propriedade. O segundo é convidar diferentes partes interessadas, numa fase inicial, de forma a contribuírem para o apuramento da ideia. Na Gore, “campe- 24 Quais os riscos? Quanto vai custar? Quanto tempo será necessário? Quais os indicadores que lhe permitirão medir o sucesso? A W.L. Gore, uma empresa de material científi co, coloca os seus prin- cipais critérios de inovação numa página, a “Product Concept Work- sheet,” que contém uma declaração concisa do conceito do produto, a tecnologia a utilizar, a forma do produto e as necessidades do cliente que o produto irá satisfazer. Qualquer uma destas abordagens é facilmente ajustável a qualquer outra organização. Ambas fornecem uma linguagem comum que per- mite que todos possam propor uma ideia e que todos possam avaliar o seu mérito, defende a Harvard Business Review.. 2. Partilhe e apure ideias coletivamente de forma contínua Em organizações fl exíveis, as ideias inovadoras não são considera- das uma ou duas vezes por ano por uma equipa sénior. Ao contrário, as ideias passam por constantes processos de revisão, apuramento e, se necessário, abandono. O objetivo é que apenas as melhores sobrevivam. Na nossa investigação, percebemos que uma avaliação coletiva depende de, pelo menos, dois aspetos. O primeiro é a utilização de diretrizes claras e de fácil percepção (tam- bém chamadas de regras simples) a partir das quais se avaliam as inova- ções propostas. Empenhada em renovar a sua linha de inovação, a Cor- ning criou um conjunto de regras simples, baseadas em inovações bem sucedidas no passado: – Abordar novos mercados com mais de 500 milhões de dólares (454 milhões de euros) de receitas potenciais; – Aumentar a especialização da empresa em material para a ciência; – Representar um componente crucial para um sistema complexo; – Proteger-se da concorrência com conhecimento de patentes e for- mas de propriedade. O segundo é convidar diferentes partes interessadas, numa fase inicial, de forma a contribuírem para o apuramento da ideia. Na Gore, “campe- Inovação 25 Unidade 2 ões apaixonados” por inovação utilizam as ferramentas da empresa para estruturar o argumento estratégico da sua ideia, enquanto a examinam em conjunto com colegas e clientes. Se a ideia conseguir apoio, estes “campeões” organizam sessões de trabalho com colegas da produção, distribuição, marketing e vendas e outras áreas de especialização que estejam em posição de avaliar e apurar a ideia. A cultura de conversa franca da empresa facilita estas sessões. As pessoas compreendem assim que o trabalho coletivo consiste em abandonar maus projetos o mais depressa possível e incentivar os que demonstram boas perspectivas. As diretrizes ajudam as pessoas a avaliar o valor das inovações e a evitar apostas erradas em ideias desinteressantes. Os líderes seniores reveem esporadicamente o portfólio de ideias e projetos que surgem, relacionam-nas e, utilizando o seu conhecimento de capacidade orga- nizacional e tendências de mercado/tecnologia, elaboram a estratégia organizacional. 3. Ultrapasse barreiras que bloqueiam a inovação A maioria das organizações possui um conjunto de procedimentos regulares para que a liderança possa determinar que novos projetos de- vem ser apoiados e quem vai ser nomeado para trabalhar neles. Mas em organizações fl exíveis, a liderança é virada do avesso, ou seja, o papel dos líderes de topo é servir as pessoas que estão mais perto do mercado. Fazem o que for possível para facilitar o caminho que levará a novos projetos e à criação de equipas de inovação com todos os recursos ne- cessários. Os líderes da NASA estão a fazer um esforço intenso para identifi car e transformar algumas das barreiras à inovação. Para tal, pediram a ajuda dos trabalhadores que responderam com cerca de 300 recomendações. Algumas delas visavam encorajar ainda mais a criação de ideias, dando às pessoas mais tempo, dinheiro, reconhecimento e espaço físico para a inovação. Outras focaram-se na redução de requisitos para processos de inova- ção, como, por exemplo, acelerar missões de baixo custo e oferecer uma abordagem especial às tecnologias de potencial elevado. O resultado deste esforço ainda está por revelar, mas os líderes da NASA estão certa- mente empenhados em enfrentar os obstáculos à inovação. 25 ões apaixonados” por inovação utilizam as ferramentas da empresa para estruturar o argumento estratégico da sua ideia, enquanto a examinam em conjunto com colegas e clientes. Se a ideia conseguir apoio, estes “campeões” organizam sessões de trabalho com colegas da produção, distribuição, marketing e vendas e outras áreas de especialização que estejam em posição de avaliar e apurar a ideia. A cultura de conversa franca da empresa facilita estas sessões. As pessoas compreendem assim que o trabalho coletivo consiste em abandonar maus projetos o mais depressa possível e incentivar os que demonstram boas perspectivas. As diretrizes ajudam as pessoas a avaliar o valor das inovações e a evitar apostas erradas em ideias desinteressantes. Os líderes seniores reveem esporadicamente o portfólio de ideias e projetos que surgem, relacionam-nas e, utilizando o seu conhecimento de capacidade orga- nizacional e tendências de mercado/tecnologia, elaboram a estratégia organizacional. 3. Ultrapasse barreiras que bloqueiam a inovação A maioria das organizações possui um conjunto de procedimentos regulares para que a liderança possa determinar que novos projetos de- vem ser apoiados e quem vai ser nomeado para trabalhar neles. Mas em organizações fl exíveis, a liderança é virada do avesso, ou seja, o papel dos líderes de topo é servir as pessoas que estão mais perto do mercado. Fazem o que for possível para facilitar o caminho que levará a novos projetos e à criação de equipas de inovação com todos os recursos ne- cessários. Os líderes da NASA estão a fazer um esforço intenso para identifi car e transformar algumas das barreiras à inovação. Para tal, pediram a ajuda dos trabalhadores que responderam com cerca de 300 recomendações. Algumas delas visavam encorajar ainda mais a criação de ideias, dando às pessoas mais tempo, dinheiro, reconhecimento e espaço físico para a inovação. Outras focaram-se na redução de requisitos para processos de inova- ção, como, por exemplo, acelerar missões de baixo custo eoferecer uma abordagem especial às tecnologias de potencial elevado. O resultado deste esforço ainda está por revelar, mas os líderes da NASA estão certa- mente empenhados em enfrentar os obstáculos à inovação. Inovação Aplicada aos Negócios 26 Unidade 2 REFERÊNCIAS BESSANT, J., TIDD, J. Inovação e Empreendedorismo. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2019. HIAM, A. , J., TIDD, J. Business Innovation For Dummies. Ho- boken: Wiley Publishing, 2010. SANMYA, T.; RIBEIRO, J. Inovação na Prática: Design Thinking e ferramentas aplicadas a startups. Rio de Janeiro: Alta Books, 2020. SANTOS, A. B. A., FAZION, C.B., MEROE, G. P S. Inovação: Um Estudo sobre a Evolução do Conceito de Schumpeter. Caderno de Administração. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. v. 5 n. 1 (2011). Disponível em https://revistas.pucsp.br/index.php/ca- adm/article/view/9014. OECD, FINEP. Manual de Oslo. 2004. Disponível em: http://www. finep.gov.br/images/a-finep/biblioteca/manual_de_oslo.pdf. Acesso em: 21 fev. 2022