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Hortência Quental Distúrbios Hemodinâmicos HEMOSTASIA Série de processos regulados que mantém o sangue em estado fluido, sem coágulos, nos vasos normais Três componentes importantes para a hemostasia Dividida em 3 fases: 1. Vasoconstrição Temporária e rápida – musculatura lisa se contrai, diminuindo o lúmen do vaso para diminuir a quantidade de sangue que passa. É medida tanto por inervação nervosa, quando pela liberação de um fator chamado de endotelina • Reflexos neurogênicos: A lesão vascular estimula receptores sensoriais que, por meio de impulsos nervosos, desencadeiam a contração da musculatura lisa vascular. • Substâncias vasoconstritoras locais: As células endoteliais lesadas liberam substâncias vasoconstritoras, como a endotelina, que atuam diretamente na musculatura lisa vascular. • Espasmo miogênico: A lesão vascular direta pode causar um espasmo da musculatura lisa vascular, contribuindo para a vasoconstrição. Patologia Hortência Quental A vasoconstrição aproxima as bordas do vaso lesado, facilitando a adesão e agregação das plaquetas, que são essenciais para a formação do tampão hemostático 2. Formação do Tampão Plaquetário Fator de Van Willenbran – O vWF liga-se tanto às plaquetas quanto ao colágeno exposto no local da lesão vascular, formando uma ponte que permite que as plaquetas se aderem ao tecido lesado. O vWF também se liga ao fator VIII, outra proteína importante para a coagulação, protegendo-o da degradação e transportando-o no sangue. Exposição da MEC promove a adesão, ativação e agregação plaquetária 1 – Adesão Plaquetária: • As plaquetas entram em contato com o colágeno exposto na parede do vaso sanguíneo lesado. • O fator de von Willebrand (FVW) atua como uma ponte, ligando as plaquetas ao colágeno, iniciando assim o processo de adesão. Alteração da Forma: • Ao aderirem ao colágeno, as plaquetas sofrem alterações em sua forma, tornando-se mais espessas e emitindo pseudópodes (projeções citoplasmáticas). • Essa mudança de forma aumenta a superfície de contato entre as plaquetas, facilitando a agregação. Liberação de Grânulos: • As plaquetas ativadas liberam o conteúdo de seus grânulos, como ADP, serotonina e tromboxano A2. • Essas substâncias amplificam a resposta plaquetária, promovendo a agregação de outras plaquetas e a vasoconstrição local. Recrutamento e Agregação: • As substâncias liberadas pelas plaquetas ativadas atraem outras plaquetas para o local da lesão, promovendo a agregação. • As plaquetas se ligam umas às outras, formando um tampão plaquetário frouxo, que inicialmente impede a perda de sangue. Formação do Tampão Hemostático: • O tampão plaquetário inicial é reforçado pela deposição de fibrina, formando um tampão hemostático mais resistente e estável. • A fibrina é formada pela ação de enzimas da cascata de coagulação, que é ativada pela exposição do fator tecidual. 3. Coagulação Sanguínea Hortência Quental Fator tecidual age em conjunto com o fator VII para ativar a cascata de coagulação – formação de fibrina. Esse fato tecidual é importante para ativar a cascata de coagulação Hemostasia secundária – Formação de um coágulo estável – limitado ao local que ocorreu a lesão • A superfície das plaquetas é o local onde as enzimas são ativadas e isso resulta na formação de fibrina na superfície das plaquetas, garantindo que a fibrina só seja depositada naquele local da lesão • Importância do complexo fosfolipídico – as enzimas da coagulação dependem da superfície fosfolipídica para serem ativadas e isso faz com que elas só sejam ativadas no local FIBRINÓLISE Concomitantemente com a ativação da cascata de coagulação, mecanismos contrarregulatórios (fatores que produzem fibrinólise, como o ativador do plasminogênio tipo tecidual) são ativados para assegurar que a formação de coágulo seja limitada ao local da lesão. Células Endoteliais As células endoteliais desempenham papel fundamental na inibição e estimulação da coagulação sanguínea – em condições normais essas células endoteliais estão nos estados anticoagulantes, porem se tiver alguma lesão esse endotélio pode adquirir características pro-coagulantes • Substâncias Vasodilatadoras e Inibidoras de Plaquetas: Óxido nítrico (NO) e Prostaciclina (PGI2) são substâncias produzidas pelas células endoteliais saudáveis que ajudam a manter os vasos sanguíneos relaxados e impedem a formação de coágulos, ao inibir a agregação plaquetária. • Substâncias Procoagulantes: Fator tecidual, fator de ativação plaquetária (PAF), ativador tecidual do plasminogênio (t-PA) e Hortência Quental seu inibidor (PAI-1), e inibidor da via do fator tecidual (TFPI) são substâncias que, em determinadas condições, podem estimular a coagulação sanguínea. CASCATA DA COAGULAÇÃO Cascata de reação enzimáticas que quando é ativado o resultado final é converter fibrinogênio (inativado - solúvel) em fibrina (insolúvel) O papel da fibrina é estabilizar o tampão plaquetário – ela começa a ser depositava e deixa o tampão estável As Duas Vias Principais: Tradicionalmente, a cascata da coagulação é dividida em duas vias principais: Via Extrínseca: É ativada por fatores externos à corrente sanguínea, como o fator tecidual, liberado pelas células danificadas. Essa via é mais rápida e inicia o processo de coagulação. • Fatores envolvidos: Fatores VII e III (FT). • Papel no organismo: Ativação mais rápida, iniciando o processo de coagulação Via Intrínseca: É ativada por fatores presentes no próprio sangue, como o contato do sangue com uma superfície não endotelial. Essa via é mais lenta e amplifica o sinal iniciado pela via extrínseca. • Fatores envolvidos: Fatores XII, XI, IX e VIII. • Papel no organismo: Ativação mais lenta, mas importante para a amplificação do sinal de coagulação. A Via Comum: Ambas as vias, intrínseca e extrínseca, convergem para uma via final comum, que leva à formação do coágulo de fibrina. • Fator X: Ativado tanto pela via intrínseca quanto pela extrínseca, o fator Xa (forma ativa) converte a protrombina em trombina. • Trombina: A enzima chave da coagulação. Converte o fibrinogênio em fibrina, formando uma rede insolúvel que estabiliza o coágulo. In vivo primeiro tem uma fase de iniciação e depois e depois de amplificação A fase de iniciação, aquela lesão no endotélio ativa a via extrínseca e vai produzir trombina (converte fibrinogênio em fibrina), depois que a trombina é produzida na fase inicial vai para fase de amplificação, na qual essa trombina produzida vai ativar a via intrínseca, resultando na produção de mais trombina que vai lá fazer a deposição de fibrina no tampão plaquetário OBS: Importante é entender que é uma cascata que vai envolver várias enzimas diferentes (fatores) e no final tem como objetivo converter fibrinogênio Hortência Quental em fibrina. Essa fibrina é ativada para dar uma sustentação maior para o coágulo 1. Fase de iniciação • Lesão no endotélio – Ativação da via extrínseca e produção de trombina 2. Fase de amplificação • Trombina produzida pela fase de iniciação (via extrínseca) ativa a via intrínseca. • Plaquetas ativadas fornecem substratos que aumentam a atividade da Tenase e da Protrombinase. Trombose Formação de coágulo sanguíneo dentro de vasos intactos Tríade de Virchow A Tríade de Virchow é um conceito clássico que resume os três principais fatores de risco para a formação de trombos 1. Lesão Endotelial • Formação de trombos nas câmaras cardíacas após infarto, em placas ateroscleróticas ulceradas • Endotélio não precisa ser rompido, a disfunção endotelial é capaz de causar a formação de trombos • A camada interna dos vasos sanguíneos, o endotélio, atua como uma barreira que impede a formação de coágulos - Qualquer dano ao endotélio,seja por aterosclerose, inflamação, hipertensão ou outras causas, pode desencadear a cascata de coagulação 2. Fluxo sanguíneo anormal • O fluxo sanguíneo normal ajuda a prevenir a formação de coágulos, dispersando as plaquetas e os fatores de coagulação. Alterações no fluxo sanguíneo, como a estase (fluxo lento) ou a turbulência, podem favorecer a formação de trombos. • Turbulência – Ocorre em áreas de estreitamento dos vasos – Placas de aterosclerose • Estase – Acúmulo de plaquetas e leucócitos – Aneurismas – Observada em condições como fibrilação atrial, imobilização prolongada e insuficiência cardíaca. 3. Hipercoagulabilidade • Qualquer alteração da via de coagulação que predisponha a formação de trombos - estado em que o sangue coagula mais facilmente do que o normal. • Primária e secundária Hipercoagulabilidade Primária (Genética) Hortência Quental Mutação Leiden do Fator V (esse fator V contribui para a formação de trombina) - A mutação de Leiden do fator V é uma alteração genética que torna o sangue mais propenso à coagulação. Essa condição hereditária é uma das principais causas da trombose venosa, que é a formação de coágulos sanguíneos nas veias. Nosso corpo possui um sistema complexo de coagulação que ajuda a parar sangramentos. O fator V é uma proteína importante nesse processo. A mutação de Leiden causa uma alteração nesse fator, tornando-o "resistente" à inativação por outras proteínas que normalmente regulam a coagulação. A proteína C e S age inibindo os fatores de coagulação, o fator V – essa mutação faz com que esse fator V não seja inibido por essas proteínas e o resultado disso é a hipercoagubilidade, produz mais fibrina Hipercoagulabilidade Secundária (Adquirida) – geralmente multifatorial Destino do Trombo: • Propagação: Aumento por acréscimo de plaquetas adicionais e fibrina. • Embolização: O trombo, no todo ou em parte, se desloca para outra parte da vasculatura. • Dissolução: Ativação dos fatores fibrinolíticos pode levar à sua rápida contração e completa dissolução. • Organização e recanalização: crescimento de células endoteliais, musculares lisas e fibroblastos. Formação de canais capilares que podem restabelecer o fluxo do vaso. – o trombo começa a ser vascularizado novamente IMPORTÂNCIA CLÍNICA • Causa obstrução de artérias e veias podendo dar origem a êmbolos Trombose venosa Maior parte – veias superficiais e profundas das pernas (já tem uma resistência maior por conta da gravidade) • Veias superficiais – raramente embolizam e causam dor, congestão e edema • Veias profundas – mais grave, embolizam com maior frequência para os pulmões e causam infarto pulmonar – quando um coagulo formado nessas regiões se soltam, até chegar no coração as veias aumentam seu calibre, diminuindo as chances de obstrução, mas depois que passa pelo coração e vai em direção aos pulmões, os Hortência Quental vasos começam a diminuir novamente o calibre, que é a região onde normalmente ocorre a obstrução Embolia Massa intravascular solta, de natureza sólida, líquida ou gasosa transportada pelo sangue para um local distante da sua origem - A embolia é um evento que ocorre quando um material, chamado de êmbolo, que pode ser sólido, líquido ou gasoso, se desprende de seu local de origem e é transportado pela corrente sanguínea até um vaso sanguíneo mais estreito, onde acaba obstruindo a passagem do sangue. A grande maioria dos êmbolos derivam de um trombo desalojado – forma um trombo, parte dele se solta e forma um êmbolo IMPORTÂNCIA CLÍNICA • Embolia pulmonar Depende da extensão de obstrução do fluxo sanguíneo da artéria pulmonar, do tamanho dos vasos obstruídos, do número de êmbolos e da saúde cardiovascular do paciente. • Comprometimento respiratório • Comprometimento hemodinâmico Tromboembolismo sistêmico • Trombos na circulação arterial - 80% são decorrentes de trombos murais (que ocorrem nas câmaras cardíacas ou aorta). • A maioria dos êmbolos se origina de um trombo (coágulo sanguíneo) que se forma em uma veia, geralmente nas pernas. Quando esse trombo se desprende, ele se torna um êmbolo e pode viajar até os pulmões, causando uma embolia pulmonar. Consequência primária: necrose isquêmica • Embolia gordurosa - corre quando gotículas de gordura entram na corrente sanguínea, geralmente após fraturas ósseas longas ou grandes cirurgias. • Fratura de ossos longos – medula gordurosa Hortência Quental Embolia de líquido amniótico - líquido amniótico, que envolve o bebê no útero, entra na circulação sanguínea da mãe. Essa entrada de material estranho no organismo materno desencadeia uma série de reações que podem levar a um choque grave, coagulação sanguínea disseminada e, em muitos casos, à morte. • Complicação incomum do parto • Mortalidade de 80% • Obstrução mecânica • Ativação bioquímica do sistema da coagulação e sistema imune inato por substâncias do líquido amniótico