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Leonardo Vinícius Ribeiro Moreira BBPM III - Patologia A hemostasia normal consiste em uma série de processos regulados que mantêm o sangue em estado fluido, sem coágulos, nos vasos normais, formando ao mesmo tempo e rapidamente um tampão hemostático, localizado no sítio de lesão vascular. A contraparte patológica da hemostasia é a trombose, a formação de coágulo sanguíneo (trombo) dentro de vasos intactos. Tanto a hemostasia como a trombose envolvem três elementos: Parede vascular; Plaquetas; Cascata de coagulação. A hemostasia é um processo precisamente orquestrado, envolvendo as plaquetas, os fatores de coagulação e o endotélio, que ocorre no local da lesão vascular e culmina na formação do tampão fibrino plaquetário, que serve para prevenir ou limitar a extensão do sangramento. A lesão vascular causa vasoconstrição arteriolar transitória por meio de mecanismos neurogênicos reflexos, aumentados pela secreção local de endotelina (um potente vasoconstritor derivado do endotélio). A lesão endotelial expõe a MEC subendotelial altamente trombogênica, facilitando a adesão, ativação e agregação plaquetárias. A formação do tampão plaquetário inicial é chamada de hemostasia primária. OBS: A lesão endotelial também expõe o fator tecidual (conhecido como fator III ou tromboplastina) importante na cascata de coagulação. A trombina ativada promove a formação de um coágulo insolúvel de fibrina por clivagem de fibrinogênio; a trombina também é um potente ativador de plaquetas adicionais, que servem para reforçar o tampão. Essa sequência, denominada hemostasia secundária, resulta na formação de um coágulo estável capaz de impedir mais hemorragia. Leonardo Vinícius Ribeiro Moreira BBPM III - Patologia À medida que o sangramento é controlado, alguns mecanismos contrarregulatórios são postos em movimento para assegurar que a formação de coágulo seja limitada ao local da lesão. As plaquetas são fragmentos celulares anucleados de megacariócitos medulares. Elas têm um papel crítico na hemostasia normal pela formação de um tampão hemostático, que sela os defeitos vasculares. A função plaquetária depende de vários receptores de glicoproteína da família da integrina, um citoesqueleto contrátil, e grânulos citoplasmáticos (ADP e TxA2). A lesão endotelial expõe a MEC da membrana basal subjacente; as plaquetas aderem à MEC, principalmente, por ligação dos receptores de GpIb plaquetária ao fvW. A adesão leva à ativação plaquetária, um evento associado à secreção dos conteúdos de grânulos plaquetários, incluindo cálcio (um cofator para as várias proteínas de coagulação) e ADP (um mediador de mais ativação plaquetária); alterações drásticas de forma e composição da membrana; bem como ativação dos receptores GpIIb/IIIa. Os receptores GpIIb/IIIa nas plaquetas ativadas formam ligações cruzadas em ponte com o fibrinogênio, levando à agregação plaquetária. A concomitante ativação de trombina promove a deposição de fibrina, cimentando o tampão plaquetário em posição. A cascata de coagulação é uma série de reações enzimáticas amplificadoras que culminam com a deposição de um coágulo de fibrina insolúvel. Leonardo Vinícius Ribeiro Moreira BBPM III - Patologia O balanço entre as atividades anticoagulantes e pró‑coagulantes do endotélio frequentemente determina se ocorrerá a formação, a propagação ou a dissolução dos trombos. As células endoteliais normais expressam uma gama de fatores que inibem as atividades pró‑coagulantes das plaquetas e dos fatores de coagulação e outros que aumentam a fibrinólise. Esses fatores agem em conjunto para prevenir a trombose e limitar a sua ocorrência aos locais de dano vascular. Contudo, se lesionadas ou expostas a fatores pró‑inflamatórios, as células endoteliais perdem várias de suas propriedades antitrombóticas. A trombose pode ser entendida como a solidificação do sangue no leito vascular ou no interior das câmaras cardíacas, em um indivíduo vivo. Trombo: massa sólida de sangue gerada pela coagulação sanguínea, pode formar- se em qualquer território do sistema cardiovascular: cavidades cardíacas (na parede do órgão ou nas válvulas), artérias, veias e microcirculação. São friáveis e aderentes a parede do vaso ou do coração. Coágulo: após a morte do indivíduo e por causa da parada da circulação sanguínea, o sangue forma coágulos. Os coágulos são elásticos, brilhantes e não aderentes. A formação de trombos envolve o processo de coagulação sanguínea e a atividade plaquetária, estando associada a três componentes (clássica Tríade de Virchow): Leonardo Vinícius Ribeiro Moreira BBPM III - Patologia As lesões endoteliais que levam à ativação plaquetária são a base quase inevitável da formação de trombo no coração e na circulação arterial, onde a grande velocidade do fluxo sanguíneo impede a formação de coágulos (trombos). A turbulência contribui para a trombose cardíaca e arterial, provocando uma disfunção ou lesão endotelial, além de gerar fluxos de contracorrente com a formação de bolsas de estase locais. A estase é o principal contribuinte no desenvolvimento da trombose venosa. O fluxo sanguíneo normal é laminar, de forma que as plaquetas (e outros elementos celulares sanguíneos) fluem centralmente na luz dos vasos, separados do endotélio por uma camada em movimentação mais lenta de plasma. Por conseguinte, a estase e a turbulência: Promovem a ativação endotelial, aumentando a atividade pró‑coagulante e a adesão de leucócitos, em parte através de mudanças induzidas pelo fluxo na expressão de moléculas de adesão e de fatores pró‑inflamatórios. Rompem o fluxo laminar e permitem que as plaquetas entrem em contato com o endotélio. Reduzem a eliminação (“lavagem”) e a diluição dos fatores de coagulação ativados pelo afluxo de sangue fresco e por inibidores dos fatores de coagulação. A hipercoagulabilidade (ou trombofilia) pode ser definida, genericamente, como qualquer distúrbio do sangue que predispõe à trombose. Esse processo tem um papel particularmente importante na trombose venosa e pode ser dividida em distúrbios primários (genéticos) e secundários (adquiridos). Trombo vermelho: fibrina + plaquetas + hemácias; Trombo branco: fibrina + plaquetas; Os trombos podem ter os seguintes destinos: Propagação: os trombos acumulam plaquetas e fibrinas adicionais (ver anteriormente); Embolização: trombo se desaloja e viaja para outros locais da rede vascular (ver adiante); Dissolução: dissolução é o resultado da fibrinólise, que pode resultar em rápida diminuição e total desaparecimento de trombos recentes. Uma embolia é a presença de uma massa intravascular solta, seja sólida, líquida ou gasosa, que é transportada pelo sangue desde seu ponto de origem até um local distante, onde ela geralmente causa disfunção tecidual ou infarto. A grande maioria de êmbolos são trombos desalojados, por isso o termo tromboembolismo. Outros êmbolos mais raros são: gotículas de gordura, bolhas de nitrogênio, detritos ateroscleróticos (êmbolos de colesterol), fragmentos de tumor, fragmentos da medula óssea ou ainda corpos estranhos. O êmbolo viaja pelo sangue até encontrar vasos tão pequenos que não permitam sua passagem, causando oclusão vascular total ou parcial. Dependendo de seu ponto de origem, o êmbolo pode se alojar em qualquer local da árvore vascular