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Psicoeducação em terapia cognitivo-comportamental

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Nota sobre o conteúdo e a utilização do 
material psicoeducativo constante deste livro
O leitor que fizer uso do material de psicoeducação deve estar atento aos seguintes 
pontos:
• Todo conteúdo deste livro deve ser utilizado com apoio de um psicoterapeuta capaci­
tado para atuar na abordagem da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).
• Este é um material complementar para suporte ao tratamento psicoterápico 
e deve fazer parte do processo terapêutico em TCC. Sugere-se que não seja 
utilizado isoladamente.
• Todos os capítulos foram embasados em pesquisas e literatura científicas relacio­
nadas ao tema abordado.
• O psicoterapeuta deverá orientar o cliente a utilizar o material psicoeducativo 
por meio do aplicativo Sinopsys APP ou pelo link www.sinopsyseditora.com.br/ 
psicoeducapp
<___________________________________________________________________ 7
Psicoeducação em terapia cognitivo-comportamental / organizado 
por Marcele Regine de Carvalho, Lucia Emmanoel Novaes 
Malagris e Bernard P. Range. - Novo Hamburgo : Sinopsys, 2019. 
350p.; 16x23cm.
ISBN 978-85-9501-069-7
1. Psicologia - Terapia cognitivo-comportamental. I. Carvalho, 
Marcele Regine de. II. Malagris, Lucia Emmanoel Novaes. III. Range, 
Bernard P. IV. Título.
CDU 159.922
Catalogação na publicação: Mônica Ballejo Canto — CRB 10/1023
Psicoeducação
em Terapia Cognitivo-Comportamental
Marcele Regine de Carvalho 
Lucia Emmanoel Novaes Malagris 
Bernard P. Rangé 
Organizadores
Gostou? Adquira a versão impressa da obra pelo site da editora: www.sinopsyseditora.com.br
INDEX BOOKS GROUPS
© Sinopsys Editora e Sistemas Ltda., 2019
Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental
Marcele Regine de Carvalho, Lucia Emmanoel Novaes Malagris 
Bernard P. Rangé (Orgs.)
Capa: Fabiana Franck
Ilustrações capítulos 20 e 27: Mauro Freitas
Assistente editorial: Jade Arbo
Supervisão editorial: Mônica Ballejo Canto
Editoração: Formato Artes Gráficas
Todos os direitos reservados à
Sinopsys Editora
Fone: (51) 3066-3690
E-mail: atendimento@sinopsyseditora.com.br
Site: www.sinopsyseditora.com.br
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Autores
Marcele Regine de Carvalho (org.). Pós-doutora pela Universidade Federal do Rio de Ja­
neiro (UFRJ). Professora do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia 
(IP) e do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental (PROPSAM) do 
Instituto de Psiquiatria (IPUB) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Supervisora 
na Divisão de Psicologia Aplicada do IR UFRJ. Colaboradora no Núcleo de Estudos e 
Pesquisas Interdisciplinares em Psicoterapia e Reinserção Social (NEPIPReS/PPGP/IP/ 
UFRJ). Coordenadora do Núcleo Integrado de Pesquisa em Psicoterapia nas Abordagens 
Cognitivo-Comportamentais (IPUB/NIPPACC/LABPR). Diretoria da Associação de 
Terapias Cognitivas do Estado do Rio de Janeiro (ATC-Rio). Terapeuta Certificada pela 
Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC). Email: marcelecarvalho@gmail.com
Lucia Emmanoel Novaes Malagris (org.). Psicóloga pela Universidade Federal do 
Rio de Janeiro (UFRJ). Mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade de 
Campinas (PUC-Campinas). Doutora em Ciências pela Universidade do Estado do 
Rio de Janeiro (UERJ). Pós-doutora pela PUC-Campinas. Professora do Programa 
de Pós-Graduação em Psicologia da UFRJ. Coordenadora do Núcleo de Estudos 
e Pesquisas em Psicoterapia e Reinserção Social- NEPIPReS do Programa de Pós- 
Graduação em Psicologia da UFRJ. Membro da diretoria da Federação Brasileira 
de Terapias Cognitivas (FBTC) (2015-2019). Terapeuta certificada pela Federação 
Brasileira de Terapias Cognitivas. E-mail: lucianovaes@terra.com.br
Bemard P. Range (org.). Psicólogo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de 
Janeiro (PUC-Rio). Mestre em Psicologia Teórico-Experimental pela PUC-Rio. Doutor 
em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Especialista em Terapia 
Cognitiva pelo Beck Institute, Philadelphia, EUA. Professor do Programa de Pós- 
graduação em Psicologia, Instituto de Psicologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro. 
Email: bernard.range@gmail.com
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vi Autores
Aline Arias Wolff. Mestre e Doutora do Programa de Pós-Graduação de Psicologia da 
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Psicóloga clínica e esportiva. Email: aline- 
ariaswol ff@gmail. com
Aline Sardinha. Doutora em Saúde Mental (IPUB/UFRJ) e autora da Terapia Cognitiva 
Sexual. Professora do Programa de Pós-graduação em Terapia Cognitivo Comportamental 
(UNIVERSO, RJ). Ex-Presidente da Associação de Terapias Cognitivas do Estado do Rio 
de Janeiro (ATC-Rio). Terapeuta Certificada pela Federação Brasileira de Terapias Cog­
nitivas (FBTC). Email: alinesardinhapsi@gmail.com
Ana Carolina Robbe Mathias. Pesquisadora e Supervisora do Programa de Estudos e 
Assistência ao uso indevido de drogas (PROJAD) do Instituto de Psiquiatria (IPUB) da 
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Especialista em Assistência ao uso indevido 
de álcool e outras drogas (PROJAD/IPUB/UFRJ). Mestre em Saúde Mental (PROJAD/ 
IPUB/UFRJ). Email: acrobbe@gmail.com
Antonio Carvalho. Psicólogo Clínico; Terapeuta Cognitivo Comportamental Certificado 
pela Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC) e Coautor da Terapia Cognitiva 
Sexual. Email: psi.antonio@gmail.com
Cristiane de Figueiredo Vasconcellos Rodrigues. Psicóloga clínica. Mestre em Psicologia 
Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Ex-psicóloga do Instituto Esta­
dual de Dermatologia Sanitária (IEDS/RJ). Email: crisfigueiredo2@gmail.com
Diana Soledade do Lago Camera. Mestranda em Psicologia da Saúde pela Universidade Federal 
do Rio de Janeiro (UFRJ). Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro 
(UFRJ). Colaborador no Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Psicoterapia e 
Reinserção Social (NEPIPReS/PPGP/IP/UFRJ). Email: soledade.diana@gmail.com
Diego dos Santos Gonçalves Pacheco. Encarregado da Seção de Psicologia da Policlínica 
Naval de Campo Grande. Pós-Graduado em Terapia Cognitivo-Comportamental. Mestre 
em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do 
Rio de Janeiro.
Fernanda Corrêa Coutinho. Coordenadora do Centro de Atendimento em Terapia Cognitiva 
(CATC). Pós-Doutoranda em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio 
de Janeiro (PUC-Rio). Doutora em Saúde Mental e Mestre em Psicologia Clínica pela Uni­
versidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Email: f.correacoutinho@gmail.com
Fernanda Maia Dias. Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro 
(UFRJ). Colaboradora no Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Psicoterapia 
e Reinserção Social (NEPIPReS/PPGP/IP/UFRJ). Email: maiadias.fernanda@gmail.com
Fernanda Martins Pereira. Professora Adjunta da Faculdade de Ciências Médicas da 
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCM/UERJ). Coordenadora da Pós-Graduação 
lato sensu em Psicologia Medica do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE/FCM/ 
UERJ). Doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 
Terapeuta certificada pela Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC). Email: 
fmartinspereira@gmail.com
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Autores vii
Gabriel Talask. Psicólogo. Núcleo Integrado de Pesquisa em Psicoterapia nas Abordagens Cogni- 
tivo-Comportamentais (NIPPACC/LABPR). Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do 
Rio de Janeiro (IPUB). Colaborador no Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em 
Psicoterapia e Reinserção Social (NEPIPReS/PPGP/IP/UFRJ). Membro do Laboratório de Proje­
tos Profissionais em Ambiência de Inovação e Empreendedorismo, Programa Inovação como Pro­
jetode Vida da Agência UFRJ de Inovação. Email: gabrieltalask@gmail.com
Heitor Pontes Hirata. Psicólogo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 
Terapeuta Cognitivo-Comportamental. Especialista em Psicologia Clínica (CFP). Mestre e 
Doutor em Psicologia pela UFRJ. Membro da diretoria da Associação de Terapias Cognitivas 
do Estado do Rio de Janeiro (ATC-Rio). Terapeuta Cognitivo Certificado pela Federação 
Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC). Email: heitorph@gmail.com
Jacqueline Espínola da Paixão. Psicóloga pela Universidade Federal do Rio de Janeiro 
(UFRJ). Especializanda em Psicologia Hospitalar pelo Hospital Universitário Clementino 
Fraga Filho (HUCFF/UFRJ). Colaboradora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdis- 
ciplinares em Psicoterapia e Reinserção Social (NEPIPReS/ PPGP/IP/ UFRJ). Email: jac- 
que.paixao@gmail.com
Luana Dumans Laurito. Psicóloga pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 
Terapeuta Cognitivo-Comportamental. Mestre e Doutoranda em Saúde Mental pelo Insti­
tuto de Psiquiatria (IPUB/UFRJ). Email: Iuana_laurito@yahoo.com.br
Marco Aurélio Mendes. Psicólogo. Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Clínica 
Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Psicoterapeuta certificado pela 
Sociedade Internacional de Terapia Focada nas Emoções (ISEFT). Psicoterapeuta certificado 
pela Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC). Membro da diretoria da Associação 
de Terapias Cognitivas do Estado do Rio de Janeiro (ATC-Rio). Diretor do Instituto Brasileiro 
de Terapia Focada nas Emoções e Psicoterapias Integrativas (TFE Brasil). Email: marcomen- 
des@tfebrasil.com.br
Maria Amélia Penido. Professora do Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade 
Católica do Rio de Janeiro (PUC-RI O). Professora do Mestrado Profissional em Terapia 
Cognitivo-Comportamental da UNIVERSO. Colaboradora do Núcleo Integrado de Pes­
quisa em Psicoterapia nas abordagens Cognitivo-Comportamentais (NIPPACC/LABPR). 
Instituto de Psiquiatria (IPUB/UFRJ). Email: marypenido@terra.com.br
Mariana Almeida de Abreu. Pesquisadora do Programa de Estudos e Assistência ao uso in­
devido de álcool e outras drogas (PROJAD) do Instituto de Psiquiatria (IPUB) da Univer­
sidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Especializanda no curso TCC: prática baseada em 
evidências. Especialista em Assistência ao uso indevido de álcool e outras drogas (PROJAD/ 
IPUB/UFRJ). Colaboradora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Psicote­
rapia e Reinserção Social (NEPIPReS/PPGP/IP/UFRJ). Graduada pelo Instituto de Psicolo­
gia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Email: mariana.psi.ufrj@gmail.com
Monica Duchesne. Coordenadora da Psicologia do Grupo de Obesidade e Transtornos 
Alimentares - Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 
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viii Autores
Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE). Doutora em 
Saúde Mental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Terapeuta Certificada pela 
Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC). Email: monica@duchesne.com.br
Nathália Feliciano Soares. Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro 
(UFRJ). Colaboradora no Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Psicoterapia e 
Reinserção Social (NEPIPReS/PPGP/IP/UFRJ). Email: feliciano.nathalia@gmail.com
Paula Ventura. Professora Associada do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do 
Rio de Janeiro (UFRJ) e do programa de pós-graduação do Instituto de Psiquiatria (IPUB) 
da UFRJ. Coordenadora da equipe de Terapia Cognitivo-Comportamental do Laboratório 
Integrado de Pesquisa em Estresse do IPUB, UFRJ. Email: paularventura@gmail.com
Rafael Thomaz da Costa. Pós-doutorando em Saúde Mental pelo Programa de Pós Gradua­
ção em Psiquiatria e Saúde Mental / Instituto de Psiquiatria / Universidade Federal do Rio de 
Janeiro (PROPSAM/ IPUB/ UFRJ). Professor convidado do PROPSAM/ IPUB/ UFRJ. 
Pesquisador vinculado ao Laboratório de Pânico e Respiração (LabPR/ IPUB/UFRJ). Coor­
denador do Núcleo Integrado de Pesquisa em Psicoterapia na Abordagem Cognitivo-com- 
portamental (NIPPACC/ IPUB/ UFRJ). Email: faelthomaz@gmail.com
Raphael Fischer. Universidade Estácio de Sá (UNESA). Email: raphaelfischerp@gmail.com
Raquel Ávila Kepler Alves. Graduada pelo Instituto de Psicologia da Universidade Federal 
do Rio de Janeiro (UFRJ). Especializanda em Terapia Cognitiva pelo Centro de Terapia 
Cognitiva Veda.
Raquel Ayres de Almeida. Doutora em Psicologia, Universidade Salgado de Oliveira 
(UNIVERSO), Faculdade Arthur Sá Earp Neto (FASE). Email: quelayres@gmail.com
Sacha Alvarenga Flavio Blanco. Especializanda em Terapia cognitivo-comportamental: prática 
clínica baseada em evidências. Especializanda em Terapias Cognitivo-comportamentais na Infância 
e Adolescência. Clínica particular. Email: sachaalvarenga@hotmail.com
Thiago Carlos Pinheiro. Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro 
(UFRJ). Colaborador no Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Psicoterapia e 
Reinserção Social (NEPIPReS/PPGP/IP/UFRJ). Email: thiagocarlospinheiro@gmail.com
Thiago Rodrigues de Santana Dias. Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de 
Janeiro (UFRJ). Colaborador no Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Psicoterapia 
e Reinserção Social (NEPIPReS/PPGP/IP/UFRJ). Email: thiagorjdias.insight@gmail.com
Uirandilson da Silva Câmara. Psicólogo do Núcleo de Saúde Mental da Prefeitura Municipal 
de Macaé-RJ. Especialista em Dependências Químicas e Comportamentais pela Universidade 
Gama Filho (UGF/RJ). Mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro 
(UFRJ). Psicólogo da Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu. Email: uirandi@gmail.com
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Sumário
Apresentação........................................................................................... 13
Marcele Regine de Carvalho, 
Lucia Emmanoel Novaes Malagris e Bernard Rangé
Introdução
A psicoeducação na Terapia Cognitivo-Comportamental........... 15
Marcele Regine de Carvalho,
Lucia Emmanoel Novaes Malagris e Bernard Rangé
Partc I
Transtornos psicológicos segundo 
os critérios do DSM-5
1 Transtorno de pânico.................................................................. 30
Marcele Regine de Carvalho e
Thiago Rodrigues de Santana Dias
2 Transtorno de ansiedade generalizada..................................... 42
Fernanda Corrêa Coutinho e Mariana Almeida de Abreu
3 Transtorno de estresse pós-traumático................................... 56
Paula Ventura
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x Sumário
4 Transtorno obsessivo-compulsivo............................................ 65
Luana Dumans Laurito e Jacqueline Espínola da Paixão
5 Fobias específicas....................................................................... 77
Mariana Almeida Abreu, Raquel Ávila Kepler Alves
e Marcele Regine de Carvalho
6 Transtorno de ansiedade social................................................ 88
Maria Amélia Penido e Diana Soledade do Lago Camera
7 Abuso de substâncias................................................................ 98
Ana Carolina Robbe Mathias e Mariana Almeida de Abreu
8 Depressão...................................................................................... 110
Rafael Thomaz da Costa
9 Transtorno bipolar do humor......................................................122
Rafael Thomaz da Costa e Jacqueline Espínola da Paixão
10 Transtornos alimentares.............................................................. 134
Monica Duchesne e Thiago Rodrigues de Santa Dias
11 Esquizofrenia.................................................................................147
Heitor Pontes Hirata e Jacqueline Espínola da Paixão
12 Transtornos de controle dos impulsos........................................156
Heitor Pontes Hirata e Fernanda Maia Dias
13 Disfunções sexuais....................................................................... 167
Antonio Carvalho, Aline Sardinha e
Diana Soledade do Lago Camera
14 Tabagismo..................................................................................... 177
Uirandilson Câmara
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INDEX BOOKS GROUPS
Sumário xi
Parte II
Condições de saúde
15 Hipertensão arterial......................................................................188
Lucia Emmanoel Novaes Malagris
e Diego do Santos Gonçalves Pacheco
16 Diabetes mellitus..........................................................................198
Raquel Ayres de Almeida e Diana Soledade do Lago Camera
17 Câncer............................................................................................ 210
Fernanda Martins Pereira e Gabriel Talask
18 Doenças dermatológicas.............................................................224
Cristiane de Figueiredo Vasconcellos Rodrigues
19 Fibromialgia.................................................................................234
Maria Amélia Penido e Thiago Rodrigues de Santana Dias
20 Estresse........................................................................................ 245
Lucia Emmanoel Novaes Malagris e Fernanda Maia Dias
Parte III
Dificuldades comuns tratadas em psicoterapia
21 Adesão ao tratamento..................................................................258
Raquel Ayres de Almeida e Thiago Carlos Pinheiro
22 Raiva...............................................................................................267
Lucia Emmanoel Novaes Malagris e Thiago Carlos Pinheiro
23 Procrastinação.............................................................................. 277
Rafael Thomaz da Costa e Gabriel Talask
24 Perfeccionismo............................................................................. 291
Marco Aurélio Mendes e Gabriel Talask
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INDEX BOOKS GROUPS
xii Sumário
25 Ciúme patológico..........................................................................303
Marcele Regine de Carvalho
e Sacha Alvarenga Flavio Blanco
26 Conflitos conjugais.......................................................................313
Raphael Fischer e Nathália Feliciano Soares
Parte IV
Habilidades básicas úteis no contexto clínico
27 Habilidades sociais.......................................................................322
Maria Amélia Penido e Thiago Carlos Pinheiro
28 Respiração diafragmática e relaxamento................................. 332
Aline Arias Wolff e Fernanda Maia Dias
29 Mindfulness.......................................................................................342
Bernard P. Rangé
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INDEX BOOKS GROUPS
Apresentação
Marcele Regine de Carvalho 
Lucia Emmanoel Novaes Malagris 
Bernard Rangé
A ideia da publicação de um livro específico sobre psicoeducaçâo em 
terapia cognitivo-comportamental (TCC) surgiu a partir da experiência dos 
organizadores em psicologia clínica na abordagem e em supervisão de atendi­
mentos psicológicos em clínica-escola da Universidade Federal do Rio de 
Janeiro (UFRJ). As queixas que surgem nos diversos contextos clínicos são 
bastante semelhantes e, em geral, observa-se a necessidade de esclarecer ao 
cliente sobre as mesmas para a adesão e efetividade do tratamento. A TCC 
conta, em seu arcabouço de intervenções, com uma importante estratégia que 
é a psicoeducaçâo. Essa modalidade de intervenção tem sido testada e aprova­
da para diversos tipos de queixas e, associá-la às demais intervenções específi­
cas da abordagem para cada caso, favorece bastante o alcance dos objetivos 
terapêuticos. No entanto, nem sempre se encontra material apropriado ao 
cliente, de modo que a linguagem seja acessível e, de fato, atenda às demandas 
do caso. Muitas vezes, há a necessidade de o terapeuta adaptar textos de livros 
dirigidos aos profissionais, ajustando as informações para o público leigo, o 
que exige tempo e nem sempre se torna adequado aos objetivos pretendidos. 
Outras vezes são usados materiais que não foram elaborados especificamente 
para a visão da TCC sobre a queixa em questão e dão uma visão geral que não 
abrange o modelo cognitivo-comportamental. Portanto, a existência de um 
livro com textos de psicoeducaçâo baseado na TCC e voltado para uma varie­
dade de queixas, pode ser bastante útil.
Este livro busca abarcar as principais queixas que chegam aos psicotera- 
peutas cognitivo-comportamentais, abrangendo transtornos psicológicos se­
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INDEX BOOKS GROUPS
14 Apresentação
gundo os critérios do DSM-5, condições de saúde e dificuldades comuns tra­
tadas frequentemente em psicoterapia e que podem estar presentes nos crité­
rios diagnósticos de determinados transtornos ou não. Além disso, o livro 
oferece material sobre alguns tipos de habilidades básicas que podem ajudar 
terapeutas e clientes em práticas que se revelam úteis no tratamento de vários 
transtornos e queixas. Os autores dos capítulos são profissionais especializa­
dos nas temáticas sobre as quais se debruçaram para confecção do material e 
contaram com a parceria de estudantes de graduação e de pós-graduação, 
membros do Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Psicoterapia 
e Reinserção Social (NEPIPReS) do Programa de Pós-Graduação em Psicologia 
(PPGP) da UFRJ e da Liga Discente de TCC da Associação de Terapias 
Cognitivas do Estado do Rio de Janeiro (ATC-Rio), que, com sua experiência 
como estagiários em ciínica-escola no caso dos primeiros ou, em consultórios, 
no caso dos segundos, puderam dar interessante contribuição.
Temos consciência de que, provavelmente, nenhum material de psicoedu- 
cação seja esclarecedor para todos os tipos de clientes e queixas, mas acredita­
mos que seja possível ampliar o campo de ação desta modalidade de interven­
ção. Sendo assim, o livro Psicoeducaçâo em Terapia Cognitivo-Comportamental 
foi pensado como uma contribuição para terapeutas e seus clientes, contando 
com material próprio para cada um. No que se refere ao terapeuta, o livro con­
ta com o mesmo texto que será dirigido ao cliente, mas com dicas e sugestões 
para o terapeuta, alertando para necessidades básicas do tratamento para o tipo 
de queixa específica. O material elaborado para o cliente será disponibilizado 
para o mesmo por meio de um aplicativo; no entanto, o terapeuta poderá aju­
dá-lo nesse acesso, caso o cliente não tenha possibilidade de utilizar o aplicativo. 
O terapeuta orientará o cliente em como obter o material e, na medida em que 
o mesmo esteja nas mãos do cliente, em parceria com o mesmo, poderá utilizá-lo 
para fins terapêuticos.
Esperamos que o material que consta neste livro possa ajudar terapeutas e 
clientes no esclarecimento de uma série de queixas comuns em diversos contextos. 
Assim, pretende-se contribuir para facilitar o curso do tratamento e para sua efe­
tividade. Desejamos que o livro venha a fazer parte do dia a dia dos terapeutas 
cognitivo-comportamentais brasileiros e de seus clientes, e que seu uso contribua 
para a abordagem como um complemento básico no processo terapêutico.
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Introdução
Marcele Regine de Carvalho 
Lucia Emmanoel Novaes Malagris 
Bernard Rangé
A psicoeducação na Terapia 
Cognitivo-Comportamental
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é reconhecida por auxiliar 
clientes no aprendizado de novos padrões de pensamento e comportamento(Leahy, 2006). O tratamento cognitivo-comportamental se trata de uma abor­
dagem colaborativa e psicoeducativa, na qual o terapeuta se dedica a desen­
volver estratégias de aprendizagem para ensinar aos clientes habilidades como: 
monitorar pensamentos automáticos; reconhecer a relação entre cognições, 
emoções e comportamentos; testar a validade dos pensamentos automáticos; e 
modificar pensamentos distorcidos para torná-los mais realistas; identificar e 
alterar crenças ou esquemas que predispõem o indivíduo a engajar-se em pa­
drões distorcidos de avaliações (Kendall & Bemis, 1983).
Quanto mais informada está uma pessoa sobre sua condição de saúde 
física e mental, sobre seu funcionamento (cognitivo, emocional e comporta- 
mental) e sobre a forma como pode ser conduzido seu tratamento, mais ela 
estará pronta para participar ativamente do processo de mudança (Lukens & 
McFarlane, 2004). A psicoeducação pode ser definida justamente como “o en­
sino de princípios e conhecimentos psicológicos relevantes para o cliente” 
(Dobson & Dobson, 2010, p. 71). Uma importante meta da TCC é capacitar 
o cliente a ser seu próprio terapeuta (Beck, 1997). Como visto, a TCC baseia-se 
no pressuposto de que os clientes podem aprender estratégias para modificar 
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INDEX BOOKS GROUPS
16 Introdução
pensamentos e crenças, manejar estados emocionais e modificar de forma 
produtiva seu comportamento (Wright et al., 2008). Os clientes melhoram 
por meio do tratamento porque eles começam a entender seu funcionamento, 
a aprender a resolver problemas e a desenvolver um repertório de estratégias 
que eles mesmos podem aplicar (Beck, 1997). A orientação terapêutica não é 
especificamente uma intervenção, mas pode interferir no sucesso do trata­
mento, aumentar a confiança do cliente na abordagem terapêutica e ampliar 
sua motivação para o tratamento. Esta orientação pode variar quanto ao for­
mato e método, dependendo das necessidades e metas do cliente na terapia 
(Dobson & Dobson, 2010).
Na psicoeducaçâo em TCC, é essencial que o terapeuta esclareça ao cliente 
o modelo cognitivo e o processo terapêutico como um todo. O terapeuta tam­
bém deve ensinar ao cliente as peculiaridades sobre um possível diagnóstico que 
este possui, ou um problema ou dificuldade que ele apresente (Beck, 1997). 
Além disso, precisa orientar os clientes a continuarem utilizando o aprendizado 
adquirido na terapia, mesmo após o seu término, de forma a reduzir o risco de 
recaída (Wright et al., 2008). A psicoeducaçâo a respeito dos métodos da TCC, 
dos transtornos mentais ou outras condições de saúde é realizada durante toda a 
psicoterapia, e não apenas no momento inicial do tratamento. Ao longo do mes­
mo, ela costuma acontecer em ocasiões da sessão que se mostram boas oportuni­
dades para exemplificar ou explicar conceitos (Wright et al., 2010).
O processo de psicoterapia se torna transparente através da psicoeducaçâo 
(O’Donohue et al., 2005). Os clientes têm a oportunidade de se familiarizar 
com o processo psicoterápico de modo a adquirir confiança no terapeuta e no 
plano de tratamento antes que se dê início às atividades práticas da psicoterapia 
(Ledley et al., 2011). O conhecimento pode aumentar a sensação de controle 
sobre os problemas e também auxiliar na mudança cognitiva e no aprendizado 
de estratégias eficazes para lidar com as dificuldades (Dobson & Dobson, 2010; 
Wright et al., 2010). O entendimento sobre as dificuldades e formas de trata­
mento torna mais provável a aceitação e utilização das recomendações do tera­
peuta (Wright et al., 2010). Os clientes também podem sentir-se validados e 
esperançosos ao saber que seus problemas são estudados por profissionais, que 
podem não ser tão incomuns quanto imaginavam e que são passíveis de melhora 
(Dobson & Dobson, 2010). A psicoeducaçâo pode ainda fortalecer a relação 
terapêutica por meio da comunicação cuidadosa do terapeuta e de sua demons­
tração de compreensão, quando o mesmo se mostra familiarizado e confortável 
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 17
em falar sobre os problemas trazidos pelos clientes (Ledley et al., 2011). Como 
consequência, os clientes podem demonstrar uma maior disponibilidade e 
abertura para discutir suas necessidades relacionadas ao tratamento (como, por 
exemplo, pensamentos negativos sobre o uso de medicação), já que, durante a 
psicoeducação, eles são convidados e capacitados a participar das tomadas de 
decisão no seu processo de mudança (Wright et al., 2010).
Wright e colaboradores (2010) apontam alguns princípios gerais que 
podem nortear a aplicação da psicoeducação em TCC: (1) a adaptação da 
psicoeducação à capacidade do cliente de compreender e processar informa­
ções; (2) o fornecimento de explicações claras e breves, com ênfase colabo- 
rativa; (3) a utilização de materiais escritos facilitadores; (4) o incentivo à par­
ticipação do cliente; (5) a solicitação de feedback, de forma a verificar o enten­
dimento do conteúdo apresentado; e (6) a recomendação de leituras especí­
ficas, pesquisas ou outras atividades educativas como tarefa de casa, além da 
consideração sobre o uso de um caderno de terapia ou a criação de um arquivo 
para a terapia no seu celular (no qual o cliente toma nota do que considerou 
importante no processo de aprendizagem da psicoterapia, além de também 
poder anotar as dúvidas que gostaria de esclarecer com seu psicoterapeuta).
Na psicoeducação podem ser recomendados textos, livros, vídeos, filmes, 
sites, programas de computador e aplicativos de celular; assim como, durante as 
sessões de psicoterapia, podem ser ministradas miniaulas interativas e prescritos 
exercícios voltados para aprendizagem (Wright et al., 2008; Dobson & Dobson, 
2010). E desejável que o material para leitura seja conciso e não extenso. Porém, 
alguns clientes podem se interessar por consultar diretamente as fontes de pesquisa 
e aprofundar o aprendizado. Os clientes podem também ser auxiliados para con­
duzir sua própria busca por informações (Dobson & Dobson, 2010). Para as mi­
niaulas, são sugeridas explicações breves, o uso de ilustrações sobre teorias ou inter­
venções, ou outras possíveis ferramentas de aprendizagem. Utilizar um caderno de 
terapia pode ser útil para organizar o conhecimento, reunir o material da terapia e 
registrar insights importantes (Wright et al., 2008). Basear o conteúdo em pontos 
fortes do cliente e com foco no presente também é importante (Mechanic, 1995).
Ao escolher materiais e fontes de informações, os terapeutas devem consi­
derar a educação, linguagem e nível de alfabetização do cliente; suas habilidades, 
seu interesse e seu desejo por maior ou menor quantidade de informações; os re­
cursos disponíveis ao cliente; questões de privacidade; nível de sofrimento e ca­
pacidade de concentração; e a qualidade dos materiais (Dobson & Dobson, 
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18 Introdução
2010). Os materiais psicoeducacionais podem conter uma série de informa­
ções úteis, que precisam ser avaliadas pelo terapeuta, para que a “dose” ade­
quada para cada cliente possa ser determinada. As informações a se conside­
rar incluem: sintomas e/ou critérios diagnósticos, explicações e modelos 
cognitivo-comportamentais de desenvolvimento e manutenção dos sinto­
mas, intervenções cognitivo-comportamentais e sua eficácia, princípios de 
mudança do comportamento (reforço, punição, extinção), informações so­
bre orientações para a prática clínica no tratamento de problemas específicos 
(guias práticos baseados em evidências) e problemas relacionados que o 
cliente possa estar experimentando (Dobson & Dobson, 2010).
O’Donohue e Cummings (2008) citam conteúdos que podem integrar 
materiais de psicoeducação como possíveisfatores de auxílio à mudança:
1) provimento de validação, normalização e apoio;
2) educação sobre novas habilidades de enfrentamento;
3) conhecimento e compreensão pelo cliente dos materiais discutidos;
4) mudanças em pensamentos e comportamentos;
5) fortalecimento do senso de autoeficácia.
Já Cummings e Cummings (1997, 2005) destacam quatro componentes 
que programas de psicoeducação devem abordar: tratamento, manejo, pre­
venção e cooperação.
Dobson e Dobson (2010) chamam atenção para que não se recomende 
materiais os quais não tenham sido cuidadosamente examinados pelo tera­
peuta, e que as recomendações sejam sugeridas de acordo com cada cliente, 
ressaltando que, às vezes, pode-se fornecer informações apenas verbalmente, 
sem indicação de nenhuma leitura. Independentemente da escolha que for 
feita em relação à forma de realização da psicoeducação, é fundamental que o 
terapeuta esteja preparado para conduzir esta troca de informações. A leitura 
por parte do terapeuta deve ir além dos textos de orientação, para que assim 
esteja preparado e seguro para responder aos variados questionamentos que o 
cliente possa vir a fazer. Certamente o conhecimento se acumula na medida 
em que se estuda mais e também na medida em que se ganha mais experiência 
através da prática clínica com os clientes (Ledley et al., 2011).
Outro alerta importante de Wright e colaboradores (2008) diz respeito 
às adaptações dos materiais, que podem ser necessárias para atender a algumas 
necessidades específicas, como, por exemplo: usar textos com letras grandes 
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Psicoeducaçâo em Terapia Cognitivo-Comportamental 19
para clientes com problemas de acuidade visual e utilizar gravações de áudio e 
vídeo para clientes que não consigam ler.
Deve-se considerar a necessidade de realizar uma quantidade apropriada de 
repetições do conteúdo a ser assimilado pelo cliente. As repetições devem estar 
adequadas à capacidade de aprendizado do cliente: não podem ser excessivas, en­
tretanto, o fornecimento de informações de uma única vez pode não ser suficiente 
para o aprendizado (Wright et al., 2010).
Durante a psicoeducaçâo, é importante ouvir o que o cliente já sabe so­
bre o assunto que estiver sendo abordado, para que possíveis enganos possam 
ser corrigidos. Também é necessário certificar-se sobre o que o cliente apren­
deu. Pedir exemplos da experiência do próprio cliente pode facilitar a percep­
ção sobre o que ele compreendeu em relação à questão discutida (Beck, 1997). 
E fundamental dar espaço para o cliente se expressar a respeito de suas dificul­
dades, e também sobre como toda a informação nova que está recebendo sc 
aplica à vida dele. Discutir os conteúdos apresentados pode levantar dados que 
são importantes para serem integrados à conceitualização de caso e ao plano 
de tratamento (Ledley et al., 2011).
A família do cliente ou cuidadores podem ser inseridos no processo de psico- 
educação. Quanto mais conhecedores forem os clientes, a sua família e os seus cui­
dadores, mais positiva será a interferência dos novos conhecimentos na convivência e 
na saúde de todos (Mechanic, 1995; Yacubian & Neto, 2001). Yacubian e Neto 
(2001) descrevem algumas metas para a psicoeducaçâo familiar. Dentre elas, desta­
cam-se: a legitimação da doença psiquiátrica (ou outra dificuldade apresentada), a 
promoção da aceitação familiar da doença (ou de outra dificuldade apresentada); o 
desenvolvimento de expectativas realistas em relação ao cliente; o fomento da colabo­
ração no enfrentamento da doença; explicações sobre as intervenções farmacológicas 
e psicológicas; a ajuda aos familiares para que reforcem a participação do cliente no 
tratamento; e o reconhecimento de sinais precoces de recaída e mudanças sintoma- 
tológicas. A psicoeducaçâo também pode ser realizada em grupo, no qual há oportu­
nidade para diálogo, aprendizagem social, suporte, constituição de redes de apoio e 
reforço diante de mudanças positivas (Penninx et al., 1999).
Portanto, a psicoeducaçâo é uma modalidade de tratamento desenvolvida 
profissionalmente que integra intervenções psicoterapêuticas e educacionais. A 
psicoeducaçâo reflete uma mudança de paradigma para uma abordagem mais 
holística e baseada em competências, que enfatiza a saúde, a colaboração, o 
enfrentamento e o empoderamento (Dixon, 1999; Marsh, 1992). E baseada 
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20 Introdução
nos aspectos das forças do cliente e focada no presente. O cliente e/ou família 
são considerados parceiros do provedor do tratamento com base na premissa 
de que quanto mais bem informados forem os destinatários e os cuidadores 
informais, melhores serão os resultados relacionados à saúde para todos. Para 
preparar os participantes para essa parceria, técnicas psicoeducacionais são 
usadas para ajudar a remover barreiras que permitam compreender e digerir 
informações complexas e emocionalmente carregadas e a desenvolver estratégias 
para usar informações de forma proativa. O pressuposto é que, quando as 
pessoas enfrentam doenças ou grandes desafios da vida, seu funcionamento e 
foco ficam naturalmente interrompidos (Mechanic, 1995).
A psicoeducação está entre as práticas baseadas em evidências mais eficazes, 
tanto em ensaios clínicos como em contextos comunitários. A flexibilidade do mo­
delo educativo, que incorpora informações específicas sobre psicopatologias e con­
dições de saúde, além de informações sobre estratégias para manejo das mesmas, 
agrega potencial para lidar com dificuldades variadas (Lukens & McFarlene, 2004).
O uso da psicoeducação no tratamento 
de clientes com transtornos psicológicos
Um trabalho de psicoeducação conhecido é o de Aristides Cordioli para 
clientes com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e seus familiares (Cordioli, 
2017). Nesse livro, Cordioli descreve os principais sintomas do TOC, dá exemplos 
dos tipos de problemas, apresenta modelos teóricos e os tratamentos comporta- 
mentais e cognitivos para o TOC.
Da mesma forma, o trabalho em psicoeducação para terapeutas e clientes com 
transtorno de pânico (TP) e agorafobia (AGO) é descrito no livro Vencendo o pânico 
publicado por Rangé e Borba, em 2008. Nesse livro, há uma extensa descrição dos 
principais sintomas característicos desses quadros, descrições de dois modelos 
explicativos desses problemas, questionamentos das interpretações usuais de clientes 
com TP e AGO, e uma proposta de intervenção dividida em três passos:
1) uma psicoeducação, na qual são descritas as interpretações usuais que clien­
tes com pânico fazem (como, por exemplo: “Vou ter um ataque cardíaco”: 
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Psicoeducaçâo em Terapia Cognitivo-Comportamental 21
“Vou ficar sufocado”; “Vou perder o controle”; “Vou enlouquecer”; e “Vou 
desmaiar”), bem como os respectivos questionamentos dessas interpreta­
ções, com apresentações de evidências que demonstram que sáo suposições 
que náo se confirmam;
2) a aquisição de habilidades de manejo, como a estratégia A.C.A.L.M.E.- 
S.E., habituação interoceptiva e estratégia SPAEC (Situações, Pensamen­
tos Automáticos, Emoções e Comportamento);
3) uma reestruturação do modo pouco assertivo, perfeccionista e intolerante 
com a ansiedade desses clientes.
Lukens e McFarlane (2004) fizeram uma revisão de estudos sobre psico- 
educação como uma prática baseada em evidências e citam inúmeros proble­
mas nos quais este tipo de trabalho foi usado. Neste artigo, os autores descre­
vem os usos da psicoeducaçâo para clientes esquizofrênicos, com transtorno 
bipolar, com depressão, mulheres com depressão pós-parto, crianças com de­
pressão, mulheres com transtornos alimentares (binge eating), cuidadores de 
pessoas com demência, pais de crianças com retardo mental, mulheres obesas, 
pessoascom dor crônica etc.
No caso da esquizofrenia, os principais aspectos incluem uma coordenação do 
serviço (isto é, facilidade de acesso e clareza das expectativas relacionadas ao serviço, 
manejo da medicação e adesão a ela, planejamento de crises), atenção aos conflitos 
familiares, comunicação, perdas, estratégias de solução de problemas, atenção às 
necessidades clínicas para a pessoa com a doença, bem como apoio social expandido 
para a família através da psicoeducaçâo e grupos de apoio a familiares (Dixon, 
Adams, & Lucksted, 2000; McFarlane et al., 1995; McFarlane et al., 2003).
Num estudo conduzido na Espanha com clientes ambulatoriais com 
diagnóstico de transtorno bipolar tipo 1 e 2, Colom e colaboradores (2003) 
compararam o impacto de 21 sessões em grupo de psicoeducaçâo com grupos 
de encontros não estruturados. Clientes nos grupos de tratamento ativo, em 
geral, recaíram menos, tiveram menos recaídas por pessoa, tiveram um maior 
tempo para a recorrência dos sintomas, e tiveram tanto menos internações como 
períodos de internação mais curtos.
Num estudo maior, Mildowitz e colaboradores (2003) randomizaram 
101 indivíduos com transtorno bipolar e os submeteram a 21 sessões indivi­
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22 Introdução
duais de psicoeducação de famílias ou de intervenção em crises (duas sessões 
educacionais mais sessões de crises conforme necessário). Os clientes no grupo 
de tratamento por psicoeducação mostraram menos recaídas em geral, períodos 
mais longos sem sintomas, menos sintomas e mais adesão à medicação.
Honey, Bennett e Morgan (2003) testaram uma intervenção breve de psico­
educação em grupo para depressão pós-parto, distribuindo randomicamente 45 
mulheres irlandesas com escores acima de 12 na Escala de Depressão Pós-Parto 
de Edimburgo (Figueira et al., 2009) para um conjunto de oito sessões em 
grupo de psicoeducação ou para tratamento de rotina. O parceiro não foi envol­
vido. Apesar de não ser baseada em manual, a intervenção seguiu um protocolo 
prescrito e incluiu estratégias de enfrentamento relacionadas a cuidados com a 
criança e obtenção de apoio social, técnicas cognitivo-comportamentais e relaxa­
mento. No seguimento de seis meses, as mulheres dos grupos de psicoeducação 
mostraram queda significativa nos escores de medidas da depressão, com con­
trole para o uso de antidepressivo. No entanto, não houve diferenças em termos 
de melhor apoio social e relacionamento conjugal.
O uso da psicoeducação no 
contexto da psicologia da saúde
A psicoeducação tem se mostrado muito frutífera também no contexto da 
psicologia da saúde, pois o conhecimento sobre as doenças físicas, suas possíveis 
causas, modos de controle e os efeitos colaterais de medicações podem ajudar 
muito na adesão ao tratamento e no controle de patologias diversas. Como 
enfatizam Lemos e Ondere Neto (2017), no contexto da saúde, a psicoeducação 
pode ser aplicada em cuidados paliativos, doenças crônicas de um modo geral e 
no atendimento em grupos no sistema de saúde pública.
Lukens e McFarlane (2004) enfatizam que a psicoeducação é uma inter­
venção que pode contribuir para a redução da sintomatologia da doença, favo­
recendo a melhoria da qualidade de vida e, além disso, promovendo benefícios, 
não só para o portador de uma doença, mas também para a família do mesmo. 
Quanto à relevância de a psicoeducação atingir também a família, convém res­
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 23
saltar que o suporte social e familiar funciona como importante fonte de apoio, 
contribuindo para a adesão ao tratamento de um cliente com doença crônica e seu 
manejo. Estudos indicam que o apoio social tem influência na manutenção da 
saúde em geral do indivíduo, inclusive atuando como fator preventivo em relação 
a doenças orgânicas variadas relacionadas ao estresse. Segundo Ramos (2002), por 
exemplo, as interações sociais parecem contribuir para a adesão de hábitos sau­
dáveis e para os sentimentos de controle pessoal, favorecendo o bem-estar psico­
lógico. Tal apoio traz benefícios também na recuperação da saúde e na redução dos 
efeitos de uma enfermidade, como já enfatizavam Cohen e McKay (1984). Pode-se 
também citar Pinto, Garcia, Bochi e Carvalhaes (2006), que enfatizam que o meio 
social pode oferecer recursos, tais como a regulação de hábitos saudáveis e o 
melhor acesso aos cuidados da saúde, que favorecem a saúde positiva e direta­
mente. Logo, a psicoeducação pode ter resultados mais abrangentes se atingir 
não só o cliente, mas também sua família e seu círculo social próximo.
Estudos têm investigado a importância da psicoeducação em condições 
específicas, como em cuidados paliativos em clientes com câncer, por exem­
plo. Castro e Barroso (2012) afirmam que, além da avaliação geral do cliente 
e utilização de diversas estratégias cognitivo-comportamentais, é importante 
que o cliente seja conscientizado sobre questões relacionadas à dor e seu con­
trole. Desse modo, o manejo da dor e o modo de lidar com a doença pode 
ser mais efetivo. Os autores enfatizam que o adoecimento traz uma série de 
mudanças para a vida do indivíduo e exige adaptação à condição que se 
apresenta, ou seja, é necessário que a pessoa se perceba na nova situação e 
que se adapte à mesma, inclusive procurando ajustar suas expectativas pes­
soais e buscando alterar alguns aspectos de seu modo de vida. Para que tudo 
isso seja possível, é importante que receba informações sobre a doença, sobre 
as limitações que pode vir a ter, sobre efeitos colaterais da medicação, sobre 
o tratamento em si, sobre como lidar com a dor, dentre outros pontos. As­
sim, poderão se tornar “agentes de autocuidado e participantes conscientes 
do processo terapêutico” (Castro & Barroso, 2012, p. 103). Além de a psico­
educação ser muito importante para esses clientes, é extremamente útil se a 
família também receber informações e se preparar para colaborar no trata­
mento. Logo, como já enfatizado, a psicoeducação se trata de uma estratégia 
que pode incluir a família e cuidadores, pois estes, muitas vezes, precisam ser 
esclarecidos quanto às implicações da doença e ajustar suas expectativas em 
relação ao cliente.
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24 Introdução
De um modo geral, indivíduos com doenças crônicas necessitam com­
preender os aspectos emocionais e cognitivos presentes no seu adoecimento. 
Crenças disfuncionais, distorções cognitivas e estratégias contraproducentes de 
controle do estresse podem agravar o quadro da doença e influenciar dire­
tamente no modo como o indivíduo lida com a situação. Além do câncer an­
teriormente mencionado, diversas outras doenças crônicas podem ter seu tra­
tamento beneficiado pela psicoeducação. Lima-Silva e Yassuda (2012) realiza­
ram um estudo com idosos portadores de hipertensão arterial, no qual foi 
administrado um treinamento de oito sessões visando aliar estratégias cogni­
tivas ao oferecimento de conteúdos educativos sobre hipertensão. Objetivaram, 
desse modo, facilitar a aprendizagem das informações relativas à doença. 
Durante o treinamento foi realizada a educação sobre o manejo da doença, so­
bre a adesão ao tratamento medicamentoso, alimentação apropriada, impor­
tância do consumo reduzido do sódio e sobre hábitos de vida saudáveis. Em­
bora pareça ter havido influência do suporte social do grupo, os autores acre­
ditam que os conhecimentos adquiridos sobre a hipertensão por meio da 
psicoeducação podem ter contribuído para: o aumento na percepção de con­
trole sobre a doença, ganhos nos conhecimentos acerca da doença e nas 
atitudes referentes ao manejo de medicamentos. Tais mudanças podem ter 
contribuído para aumento na adesão ao tratamento da doença e seu conse­
quente controle.No que se refere à adesão ao tratamento e ao controle das doenças crôni­
cas, a psicoeducação tem demonstrado realizar importante contribuição. Como 
as doenças crônicas não têm cura e exigem uma série de mudanças na vida do 
indivíduo que, muitas vezes, representam perda de importantes reforçadores 
positivos, a adesão nem sempre é fácil. A psicoeducação pode tornar o indivíduo 
consciente de sua responsabilidade no controle da doença e na manutenção da 
saúde. Pode também ajudá-lo a deixar de perceber o tratamento como algo 
punitivo, passando a vê-lo como uma oportunidade de melhorar sua qualidade 
de vida. Desse modo, a psicoeducação pode contribuir para mudanças cruciais 
que favorecerão a implementação de hábitos saudáveis e na adesão às prescrições 
médicas, contribuindo para uma longevidade com qualidade.
Outra doença crônica que pode ter seu tratamento favorecido com a 
psicoeducação é o diabetes melittus. Losso e colaboradores (2014) realizaram 
um estudo qualitativo, descritivo-exploratório com 15 clientes entre 18 e 75 
anos portadores da doença e insulinodependentes. A intervenção ocorreu em 
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 25
nove encontros quinzenais e as sessões em grupo trataram dos seguintes temas: 
aspectos fisiológicos do diabetes, medicamentos utilizados no tratamento e 
formas de acondicionamento dos mesmos, atividades físicas, manejo do estres­
se, esclarecimentos sobre as possíveis complicações do diabetes, locais de apli­
cação da insulina, controle glicêmico, alimentação saudável, oficina alimentar, 
controle do peso e estratégias de autocuidado. Os autores relataram que eram 
perceptíveis as mudanças dos clientes e que, por meio dos esclarecimentos e 
das vivências, observaram aumento na adesão ao tratamento. Além disso, 
verificaram que houve um grande impacto na vida dos clientes diabéticos já 
que estes relataram mudanças na alimentação e implementação de atividade 
física em sua rotina, tornando-se corresponsáveis pelo tratamento. Os autores 
informaram que alguns familiares também participaram de estratégias de psico­
educação. Segundo os autores, a intervenção demonstrou potencial para re­
duzir custos com a doença.
Em uma revisão sistemática sobre o uso da psicoeducação no contexto da 
saúde, Lemos e Ondere Neto (2017) encontraram que a estratégia é utilizada 
como recurso psicoterapêutico em uma diversidade de quadros psicopato- 
lógicos e patológicos. Dentre os empregos da psicoeducação, foi encontrado 
seu uso como psicoprofilaxia cirúrgica no período pré e pós-cirúrgico, em 
“atividades de sala de espera”, assim como suporte a cuidadores de pessoas em 
adoecimento, dentre outros. Os autores enfatizam:
A psicoeducação pode utilizar recursos como vídeos, áudios, panfletos, campa­
nhas, etc. Sendo que nesses planejamentos psicoeducacionais podem estar en­
volvidos por profissionais de diferentes áreas da saúde, fornecendo um trabalho 
interdisciplinar o qual fornece ao cliente um atendimento cuja integralidade se 
faz presente. (Lemos & Ondere Neto, 2017, p. 26)
Por fim, a psicoeducação tem cada vez mais se destacado como uma im­
portante estratégia no tratamento de diversas queixas e em uma variedade de 
contextos. E importante que a estratégia seja baseada em evidências científicas 
para que seja eficaz. Além disso, é relevante que o profissional saiba o mo­
mento adequado de sua utilização e tenha conhecimentos teóricos e práticos 
para sua implementação. Desse modo, a psicoeducação, somada à diversidade 
de estratégias cognitivas e comportamentais existentes, pode ser uma impor­
tante aliada do psicólogo no tratamento de uma diversidade de queixas.
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26 Introdução
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28 Introdução
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coeducação familiar. Família, Saúde e De­
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INDEX BOOKS GROUPS
Parte I 
Transtornos psicológicos segundo os critérios do DSM-5
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1
Transtorno de pânico
Marcele Regine de Carvalho 
Thiago Rodrigues de Santana Dias
O que é transtorno de pânico?
O transtorno de pânico (TP) é a recorrência de sintomas intensos de 
ansiedade, que geram bastante medo e desconforto, e podem acontecer de 
repente, em qualquer local ou situação. Chamamos estas sensações corpo­
rais intensas de ataques de pânico (AP). Os APs são sensações como: falta 
de ar, aceleração dos batimentos cardíacos, sensações de calor ou frio, sufo- 
camento, tontura, suor, perda de controle urinário, náuseas, dores na região 
do peito. Essas sensações geralmente vêm acompanhadas de algum medo 
em relação a estas sensações, como: morrer, ter um ataque cardíaco, perder 
o controle ou enlouquecer. Por conta de todo este desconforto, surgem pre­
ocupações frequentes sobre ter um novo AP ou sobre as consequências de 
se ter um AP. Estas preocupações podem trazer prejuízos e limitações t 
quem vivência essas sensações. E comum que as pessoas que têm AP fre­
quentes comecem a evitar alguns lugares e situações, ou apenas se sintarr 
seguras se estiverem acompanhadas. Tudo isso ocorre pelo medo de ter no­
vos AP e precisarem de socorro. Isto é o que chamamos de agorafobia.
Se você foi diagnosticado com TP e/ou agorafobia, ou se identificoi 
com o que foi descrito, note que algumas situações que podem ser ativadora
* Material psicoedutivo para o cliente disponível em Sinopsys APP ou pelo link www.sinopsy
editora.com.br/psicoeducapp 
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Psicoeducaçâo em Terapia Cognitivo-Comportamental 31
de AP e agorafobia são, por exemplo: estar só, realizar esforços excessivos, di­
rigir ou passar em túneis ou pontes, multidões, lugares altos, trens, aviões e 
elevadores. Repare que o medo e a evitação acabam por atrapalhar sua roti­
na. A tendência é que, a partir das evitações, ocorram restrições ocupacio- 
nais, sociais, familiares e prejuízos no bem-estar e na qualidade de vida.
A principal informação que você que sofre com TP precisa ter é que to­
das essas sensações que você experimenta no seu corpo, apesar de serem real­
mente desconfortáveis, não são perigosas da forma como você talvez imagi­
ne. As sensações de um AP fazem parte da ativação de um sistema de defesa 
do organismo para que possamos lidar com as adversidades. Cada sensação 
tem uma função específica que preza pela nossa sobrevivência. Este sistema é 
acionado em momentos de perigo e serve para nos alertar e nos proteger. 
Porém, quando ele fica “desregulado”, ele é ativado sem real necessidade (ou 
seja: um AP) e pode vir a trazer grande desconforto, o que, no entanto, não 
quer dizer que um perigo realmente exista. Ou seja, é apenas um alarme fal­
so, mas esse alarme acaba por ativar todo o corpo. Da mesma forma que 
nosso corpo possui um alarme que nos prepara para a defesa e ativa tantas 
sensações, ele também tem um sistema de reparação que consegue nos au- 
torregular, fazendo com que as sensações desconfortáveis desapareçam. Isto 
que dizer que sua ansiedade não pode e não vai crescer infinitamente!
Dica ao terapeuta
É muito interessante que o terapeuta possa fornecer informações ao seu cliente sobre 
por que sentimos ansiedade.
A ansiedade tem sua origem em nossa história evolutiva. Os medos que sentimos em dife­
rentes situações tiveram, em algum momento, uma função adaptativa. Assim como nossos 
ancestrais precisavam sentir-se ansiosos para avaliar e lidar com determinados perigos, 
como predadores, por exemplo, nós também precisamos (Leahy, 2011). 0 que algumas 
pessoas têm, em especial, é uma maior sensibilidade à ansiedade, e isso pode resultar em 
um medo exagerado da própria ansiedade, que surge de uma interpretação distorcida das 
respostas físicas normais frente a um estressor percebido. Os clientes já costumam se sen­
tir melhor assim que aprendem que cada um dos sintomas de um AP tem uma função 
protetora, ligada a nossa sobrevivência e, portanto, não precisam ser temidos. É muito im­
portante que compartilhe estas informações com seu cliente!
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32 Transtorno de pânico
Como os meus pensamentos 
influenciam no transtorno de pânico?
Sabe-se que a maneira como avaliamos, ou seja, pensamos sobre 
uma situação, influencia diretamente a maneira como nos sentimos, nos 
comportamos e como nosso corpo responde por meio de reações fisioló­
gicas. Quando pensamos, nossa tendência é considerar cada pensamento 
como uma verdade absoluta. No entanto, não nos atentamos que, em al­
guns momentos, podemos nos enganar nas nossas avaliações sobre os 
acontecimentos. Se, por algum motivo, fazemos uma interpretação não 
realista ou inadequada das situações, ou até de nossas sensações, teremos 
reações emocionais, comportamentais e fisiológicas coerentes com esta in­
terpretação. Ou seja, podemos sofrer sem ter uma real necessidade, ou 
exagerar o real desconforto que uma situação pode proporcionar.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 33
No TP, a forma como você avalia as sensações corporais é funda­
mental para influenciar o nível de desconforto que sente. Verifique 
como você possui uma tendência ao direcionamento da atenção para as 
suas sensações, e que os pensamentos ou avaliações que costuma ter so­
bre elas são geralmente catastróficas! Ou seja, você tende a antecipar os 
piores desfechos possíveis em relação ao desconforto que sente (“Estou 
morrendo”, “Não vou aguentar”, “Estou enlouquecendo”, “Vou perder 
o controle”). Estas interpretações sobre perigo e vulnerabilidade costu­
mam aumentar ainda mais a ansiedade, ou seja: as sensações temidas se 
mantêm intensas. Ao interpretar estas sensações como uma prova de 
que você realmente está correndo algum risco, você acaba confirmando 
o perigo percebido de forma equivocada.
Sabe-se que as coisas que as pessoas com TP temem não se concre­
tizam, mas a ansiedade que sentem é tão intensa que acabam desconsi­
derando este dado de realidade sempre que voltam a experimentar an­
siedade. Desta maneira, um ciclo de pensamentos catastróficos (distor­
cidos em relação à realidade) se mantém, juntamente com a manuten­
ção das sensações, cronificando o problema.
Dica ao terapeuta
Identificando os medos do cliente
Terapeuta, ensinar seu cliente a identificar seus pensamentos automáticos é fundamental 
para, posteriormente, trabalhar com reestruturação cognitiva. Utilizar a "Estratégia SPAEC” 
(Sensações, Pensamentos Automáticos, Emoções e Comportamentos; Rangé et al., 2011) 
pode ser uma ferramenta interessante para oferecer ao cliente insight sobre a intensifica­
ção de sintomas a partir de pensamentos automáticos catastróficos!
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34 
Transtorno de pânico
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 35
Como o meu problema pode 
estar sendo mantido?
Ao vivenciar um AP, a experiência de ansiedade intensa e as 
idéias de morte, loucura ou perda de controle causam grande descon­
forto. As interpretações equivocadas sobre o perigo aumentam a an­
siedade e, consequentemente, intensificam ainda mais os sintomas. E 
possível que você acredite que não suportará novas experiências de 
ansiedade, que precisará de outras pessoas ou comportamentos de se­
gurança para ficar bem, e que você fique extremamente atento a qual­
quer modificação corporal. Tudo isso favorece a ocorrência de mais 
pensamentos catastróficos e aumento/manutenção da intensidade dos 
sintomas. Com a repetição dos AP, surge a ansiedade antecipatória e 
o medo sobre as consequências de novos ataques, o que pode levar a 
diversas evitações. Desta forma, cria-se um ciclo na tentativa de evi­
tar a ansiedade que, em curto prazo, pode gerar a impressão de maior 
controle sobre as sensações, porém, em longo prazo, promove a ma­
nutenção do problema.
Como você poderá perceber, existem alguns aspectos neste ciclo 
que merecem atenção, já que auxiliam na manutenção deste transtor­
no. Um fator que mantém o problema é a forma como se interpreta as 
sensações corporais. Se a interpretação é de perigo, o corpo irá reagir 
provocando as sensações de ansiedade como mecanismo de proteção. 
Ao se perceber estas sensações corporais de forma crescente, a conse­
quência é se preocupar ainda mais, de forma catastrófica. Diante de 
tantos pensamentos e sensações, a tendência é que um AP realmente 
venha a acontecer.
Quando se percebe a ocorrência das sensações, o próximo passo 
na manutenção do problema é buscar uma saída. Você já deve ter no­
tado que geralmente a saída escolhida é a evitação. Ao evitar as situa- 
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36 Transtorno de pânico
çóes que causam a ansiedade, automaticamente você obtém uma sen­
sação de alívio. No entanto, este comportamento traz um conforto de 
caráter apenas imediato, e isto acaba por reforçar ainda mais o TP, 
pois você aprende que a maneira que pode lidar com as sensações é 
tentando se livrar da sua ocorrência. Além disso, ao se manter evitati- 
vo, em longo prazo você se sente mais incapaz de lidar com o proble­
ma, muitas vezes se criticando por isso e reduzindo sua autoestima 
(Rangé, Borba, & Melo, 2011).
Assim, outro aspecto de manutenção se faz presente, a ansiedade 
antecipatória: você desenvolve a preocupação de que um AP possa ocor­
rer novamente, antecipa esta ocorrência, lembra que não é capaz de li­
dar com as sensações, aumenta o nível de ansiedade, o que, consequen 
temente, favorece que um novo AP realmente venha a acontecer. Vej; 
que os sintomas de AP anteriores podem ser relembrados, e a simple 
ideia de vivenciar uma situação próxima àquelas pode trazer de volta a 
sensações e pensamentos ansiosos e assustadores.
Não aceitar ou entender que as sensações podem acontecer é 
que faz com que você tente evitar qualquer ocorrência de ansiedade. . 
viver sem sentir ansiedade é impossível, pois ela faz parte das caractc 
rísticas dos seres humanos. Acreditar que não se deve sentir ansiedad< 
que a ansiedade não terá fim, ou que o próprio fim é uma tragédi; 
provoca evitações emocionais, situacionais e também de pensamento 
Qualquer evitação gera um alívio em curto prazo, pois temporari: 
mente o contato com o “problema” é interrompido. Porém, em lon£ 
prazo, o problema continua fazendo parte da sua vida, o que prolonj 
seu sofrimento e gera cada vez mais idéias de incapacidade e vulner 
bilidade, gerando muita frustração e limitações.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 37
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38 Transtorno de pânico
Como posso lidar com o 
transtorno de pânico?
Durante o tratamento cognitivo-comportamental, você irá apren­
der diversas estratégias que o ajudarão a lidar com o TP.
Aceitação da ansiedade: Você aprenderá a aceitar e lidar com as 
suas próprias sensações, não tentando afastá-las. Vai entender que ao re­
sistir, acabará por prolongar ainda mais o seu desconforto. A melhor 
forma de enfrentar o TP é conviver com suas sensações caso elas ve­
nham a acontecer.
Manejo de sintomas: Você aprenderá estratégias para lidar com 
seus sintomas, ou seja, irá treinar seu corpo a diminuir a ativação pro­
vocada pela ansiedade, reduzindo a intensidade das sensações corporais 
e, em consequência, as interpretações sobre perda de controle a respeito 
do próprio corpo. Uma maneira de fazer isso é através de técnicas de 
respiração, que precisarão ser constantemente praticadas para que você 
consiga utilizá-las nos momentos em que precisar.
Dica ao terapeuta
Terapeuta, não deixe de treinar a prática de respiração com o seu cliente! Sem prática, a 
tentativa de utilizar a respiração de forma a reparar sintomas de ansiedade pode ocasionar o 
inverso do efeito esperado, ou seja, a sensação de falta de controle e mais ansiedade, com 
consequente confirmação de pensamentos distorcidos.
Questionar pensamentos: Durante a psicoterapia, você tambér 
aprenderá a relativizar a maneira como você pensa sobre as sensações qu 
costuma ter, e a questionar a validade de seus pensamentos, buscando f 
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 39
basear em evidências. Ou seja, vai se questionar se a forma como interpreta 
suas sensações condiz mesmo com o que acontece na realidade e se há uma 
maneira alternativa de entender o perigo que costuma antecipar. Você já 
parou para se perguntarse tudo que você teme realmente acontece?
Enffentamento: Você irá aprender estratégias que o ajudarão a en­
frentar as situações que costuma evitar, de forma gradual e no seu tem­
po. Vai descobrir que o enfrentamento é o que realmente diminui o seu 
medo, e não a evitação. Ou seja, sua emoção será diferente nos ambien­
tes e situações em que agora sente medo. Enfrentar também é uma for­
ma de testar se o que você tem medo de fato acontece da maneira como 
você geralmente antecipa e imagina.
Dica ao terapeuta
Terapeuta, os clientes com TP têm a tendência a desconsiderar os seus ganhos no processo 
terapêutico. Valorize cada passo que seu cliente alcançar, explique para ele que o tratamento 
ocorre de forma gradual, e que aos poucos ele irá sentir-se melhor e mais confiante. Lembre-se 
de que o que pode parecer um pequeno passo aos olhos do seu cliente exigiu um grande 
esforço para ser conquistado, portanto significa uma grande vitória, e ele pode se reforçar 
diante disso!
Será que eu posso conseguir?
Muitas pessoas, ao entrarem em contato com os sintomas do TP, 
acreditam que nunca mais irão conseguir ficar bem. É verdadeiramente 
difícil vivenciar sensações e medos tão desconfortáveis e, apesar disso, 
ter forças para investir na sua melhora. Entretanto, o tratamento para o 
TP ocorre de maneira gradual, de acordo com os limites que você de-
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40 Transtorno de pânico
terminar, e, aos poucos, você irá ganhando mais autoconfiança para 
permanecer em constante melhora, sentindo-se cada vez mais capaz. É 
natural sentir-se como se não houvesse uma saída diante de tanto sofri­
mento, porém, ao se dedicar ao tratamento, perceberá que há soluçõe* 
possíveis, e que poderá, sim, se sentir esperançoso para alcançar seus ob­
jetivos. Além disso, ao se livrar do medo e das limitações, terá condiçóe: 
de investir de forma significativa em diferentes aspectos da sua vida 
Pense em tudo que tem deixado de fazer ou tentar por causa do TP! C 
que será melhor: Investir no tratamento, embora pareça desafiador, oi 
ficar paralisado mantendo seu próprio medo? Que tal começar a inter 
romper este ciclo e começar a viver uma outra história?
O que eu aprendí e como 
posso passar para ação?
Bibliografia sugerida para consulta 
do terapeuta
Barlow, D. H. & Cerny, J. A. (1999). 7nz- 
tamento psicológico do pânico. Porto Alegre: 
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rapias cognitivo-comportamentais-. Um diá­
logo com a psiquiatria (2. ed.). Porto Ale­
gre: Artmed.
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INDEX BOOKS GROUPS
2
Transtorno de ansiedade 
generalizada
Fernanda Corrêa Coutinho
Mariana Almeida de Abreu
O que é transtorno de 
ansiedade generalizada?
O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) é um transtorno crônico 
de ansiedade no qual preocupação e ansiedade excessivas estão presentes na 
maioria dos dias e em diversos eventos ou atividades, considerando-se os úl­
timos seis meses. Estas estão associadas a pelo menos três dos seguintes sinto­
mas: inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele, fadiga ou 
cansaço excessivo, dificuldade em se concentrar ou sensações de “branco” na 
mente, irritabilidade, tensão muscular e alterações do sono (APA, 2013).
Embora seu conteúdo possa variar, as preocupações associadas ao 
TAG tendem a ser excessivas, crônicas, amplas e penetrantes, podendo 
incluir diversos campos, tais como: relações interpessoais, saúde física, 
escola, trabalho, finanças, questões mundiais e/ou questões menores (p. 
ex.: compromissos diários com a casa ou com os filhos) e até mesmo a 
preocupação por estar preocupado. A ansiedade exagerada pode levar 
a tremores, contrações, dores musculares, nervosismo ou irritabilidade. 
Muitos indivíduos também experimentam sintomas como: sudorese, 
náusea, alterações intestinais e uma resposta de sobressalto exagerada.
A ansiedade, a preocupação e os sintomas físicos causam sofrimentc 
clinicamente significativo e prejuízo no funcionamento geral da pessoa
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editora, co m. br/psicoeducapp
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 43
A preocupação excessiva prejudica a capacidade do indivíduo de fazer as 
coisas de forma eficiente, seja em casa, no trabalho ou em qualquer outra 
área da vida. Ela toma tempo e energia, e os sintomas associados contri­
buem para o prejuízo funcional. Dessa maneira, quanto mais a pessoa se 
preocupa e apresenta perdas pela preocupação em excesso, mais provavel­
mente os sintomas estão relacionados ao TAG.
As pessoas acometidas pelo TAG, por se sentirem ansiosos ou preo­
cupados em excesso, dificilmente procuram ajuda (Coutinho, 2011). 
Elas tendem a crer que ser ansioso faz parte de sua personalidade e, com 
isso, buscar auxílio profissional não ajudará a resolver seus problemas. De 
fato, a ansiedade é intrínseca à condição humana e até certo ponto pode 
ser considerada saudável, pois, assim como qualquer outro sentimento, 
faz parte do repertório de reações dos seres humanos por meio de um 
processo evolutivo, de natureza adaptativa. No caso da ansiedade, o pro­
blema não está em se sentir ansioso, como pode parecer à primeira vista. 
O problema é quando há dificuldade de reconhecer a ansiedade, aceitá- 
la, tirar proveito dela quando possível e, também, continuar a funcionar 
apesar dela. Por exemplo, sentir ansiedade quando a data de uma impor­
tante prova se aproxima pode ajudar o indivíduo a se organizar e estudar 
para o exame. Assim como se tornar ansioso por estar sozinho numa rua 
deserta durante a madrugada pode fazê-lo ficar mais atento e andar mais 
rápido. A ansiedade começa a se tornar disfuncional quando o indivíduo 
passa a subestimar a sua capacidade de enfrentamento e segurança, e a 
supervalorizar a probabilidade e gravidade da possível ameaça ocorrer, 
levando-o, frequentemente, à evitação de certas situações.
Um aluno com TAG, por exemplo, ao saber que terá uma prova im­
portante no final do semestre, provavelmente terá pensamentos de con­
teúdo ameaçador:“Estou encrencado. Não conseguirei ir bem e talvez 
seja melhor desistir desde já”. Nesse caso, o modo de ameaça é ativado, 
ainda que na observação direta não haja perigo real. Ele subestima a sua 
capacidade de se preparar para a avaliação e se mantém preocupado por 
todo o período, não conseguindo agir de forma produtiva. Isto é, o estu­
dante mostra-se hipersensível aos estímulos externos e cria falsos alarmes, 
o que pode prejudicá-lo acadêmica e socialmente.
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44 Transtorno de ansiedade generalizada
Como mencionado anteriormente, ao contrário de como acontece 
com pessoas que têm outros transtornos, dificilmente quem tem TAG 
busca ajuda por situações como essa, mesmo que ela ocorra de forma re­
corrente e traga prejuízos para sua vida acadêmica e social. Os indivíduos 
portadores do TAG, em geral, só buscam ajuda quando começam a apre­
sentar doenças físicas ou psicológicas, como, por exemplo, transtorno do 
pânico ou depressão. Por comumente sentirem-se extremamente desa­
nimados com a duração de seus problemas, a evolução do quadro pode 
levar ao diagnóstico de depressão, sendo este o transtorno com maior 
índice de ocorrência simultânea com o TAG. E fato que a ansiedade 
crônica, excessiva e incontrolável é um transtorno psicológico e quanto 
mais cedo for tratada melhor.
Logo, se você tem o diagnóstico de TAG ou se identificou com o 
que foi descrito anteriormente, o que você precisa saber é que, na maioria 
das vezes, suas preocupações têm intensidade, duração e frequência des­
proporcionais à probabilidade real de ocorrer o evento temido. Ou você 
pode estar tão acostumado a se preocupar que está colocando o foco de sua 
atenção em situações ou imagens emocionalmente negativas, o que pode 
deixá-lo aflito mesmo sem que haja um motivo real para tal. Além disso, 
você também pode estar subestimando a sua capacidade de lidar com si­
tuações problemáticas, sem conseguir dormir nem expulsar os pensamen­
tos negativos da sua cabeça. De qualquer forma, todas essas possibilidades 
geram sofrimento e declínio na qualidade de vida. A boa notícia é que esses 
problemas têm tratamento e o índice de eficácia terapêutica é promissor.
Dica ao terapeuta
A escuta terapêutica cuidadosa para a avaliação clínica bem feita é de suma importância 
para o diagnóstico do TAG, afinal, não há aspectos sintomáticos qualitativos que sejam 
específicos do TAG. 0 transtorno varia em cronícidade, gravidade e penetração da preo­
cupação e da ansiedade associada, assim, a avaliação do TAG é dimensional e de contro- 
labilidade relacionadas a aspectos interpessoais, trabalho, saúde e vida diária.
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Psicoeducaçâo em Terapia Cognitivo-Comportamental 45
Como os meus pensamentos 
influenciam no transtorno de 
ansiedade generalizada?
A forma de você pensar afeta o modo ou a maneira como você se 
sente. Muitas vezes a experiência intensa e incontrolável da ansiedade faz 
com que o indivíduo não seja capaz de reconhecer que os pensamentos 
ajudam a manter as emoções (Clark & Beck, 2012). Todavia, é importan­
te entendermos que nossos pensamentos têm uma função mediadora entre 
uma situação e nossos sentimentos (Figura 2.1). Os indivíduos geralmente 
supõem que são as situações, e não as suas interpretações, que geram ansie­
dade. Por exemplo, uma mulher vai ao médico, que lhe solicita um exame 
de mamografia. Diante disso, ela vai para casa pensando que está passando 
uma fase muito difícil, o que a faz se sentir ansiosa, e conclui que o médico 
descobriu alguma alteração grave no seu corpo e não quis comunicar. Ela 
crê que o exame gera ansiedade. E possível que, quando questionada sobre 
o que está passando em sua cabeça, afirme que acredita que o exame irá 
constatar o pior e não há nada que ela possa fazer. O que talvez ela não 
saiba é que não é o pedido médico, mas sim o que ela pensa sobre a solici­
tação que causa ansiedade e medo. Na verdade, um pensamento relaciona­
do à ameaça ou algum tipo de dano gera reações emocionais, fisiológicas e 
comportamentais de ansiedade (Figura 2.2).
Será que na mesma situação outras pessoas podem pensar de forma 
diferente? Ou será que há apenas um modo de se pensar em uma situação? 
Certamente existem diversas maneiras de pensar e, consequentemente, de
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46 Transtorno de ansiedade generalizada
sentir e agir. A Figura 2.3 ilustra a situação: o médico solicitou a mamografia, 
com três possibilidades de pensamentos que levaram, consequentemente, a 
reações emocionais, comportamentais e fisiológicas distintas.
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Psicoeducaçâo em Terapia Cognitivo-Comportamental 47
É possível que uma pessoa que se preocupa com um pedido de exa­
me pense: “Estar preocupada me prepara para o pior” ou “a preocupação 
me motiva a cuidar da minha saúde” ou até mesmo “a preocupação vai me 
ajudar a encontrar uma solução para o meu problema”. Pensamentos com 
significados positivos sobre manter-se preocupada ajudam a pessoa a manter 
um círculo vicioso de pensamentos negativos e sensações de ansiedade e an­
gústia. Isto é, essas formas de pensar acabam servindo como justificativa para 
manter-se preocupado, e são comumente vistas em pessoas com TAG.
Os indivíduos com TAG também costumam ter dificuldade em tolerar 
incertezas e, com isso, pensam que devem controlar ao máximo as situações, 
o que os fazem buscar por segurança grande parte do tempo. Muitas vezes, 
por não se sentirem totalmente seguros, esses indivíduos deixam de agir em 
situações importantes da vida. Nós sabemos que não temos como prever 
ou controlar o que ainda não aconteceu, e a busca incessante e infrutífera 
por certezas absolutas relacionadas ao futuro acaba por gerar mais angústia e 
ansiedade, o que leva a comportamentos de evitação em situações nas quais 
o esperado seria agir, mesmo sem total garantia do resultado.
Ainda no exemplo do pedido médico, o resultado incerto do exame, 
somado ao fato de a pessoa pensar que é importante estar preparada para 
o pior, faz com que ela comece a sofrer antecipadamente por uma respos­
ta negativa que ela não tem (e pode nunca vir a ter). Essa pessoa perde 
qualidade de vida e, muitas vezes, torna-se repetitiva com os familiares e 
amigos por sentir necessidade de falar sobre o assunto de teor negativo 
frequentemente.
Agora que você já entendeu que não são as situações que geram 
ansiedade, e sim como você interpreta as situações, talvez você possa 
começar a buscar alternativas mais realistas para encarar as situações 
da vida diária. Algumas perguntas que o ajudam são: que evidências 
eu tenho que apoiam o meu pensamento? Quais vão contra? O que eu 
diria a um amigo que estivesse passando pela mesma situação? O que 
um amigo sensato me diria? É possível que depois de responder a essas 
perguntas você reavalie sua forma de pensar e, consequentemente, de 
sentir e se comportar.
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48 Transtorno de ansiedade generalizada
Dica ao terapeuta
É muito importante que o cliente entenda sobre como os pensamentos distorcidos em 
relação à realidade influenciam as reações emocionais, comportamentais e fisiológicas. 
É fundamental ensinar ao cliente a identificar as suas distorções cognitivas e trabalhar a 
reestruturação cognitiva. No geral, as distorções mais frequentes nessa população são: 
catastrofização, abstração seletiva, hipergeneralização, pensamento dicotômico, pen­
samento do tipo “e se...?”, pensamento emocional, magnificação de riscos e minimização
Agora que você já entendeu que seus pensamentos servem de me­
diadores entre assituações e suas reações e, mais especificamente, que 
avaliações ansiogênicas provocam reações igualmente ansiosas, vamos 
falar sobre a manutenção do transtorno, que se dá, na maior parte do 
tempo, pelos ciclos viciosos que os indivíduos com TAG vivenciam.
Na maior parte do tempo, os indivíduos com TAG estão se preocu­
pando com possíveis consequências negativas e formas de evitar o pior. Por 
acreditarem que se devem prevenir, esses indivíduos têm um foco atencional 
para a ameaça e são capazes de detectar perigo em situações neutras. Em 
seguida, começam a pensar nesse perigo de forma catastrófica e tentam, de 
todas as maneiras, controlar a situação e evitar o pior. Como isso não é pos­
sível, optam por evitar ou fugir da situação temida. Contudo, o que eles não 
entendem é que evitar ou fugir acaba por mantê-los no ciclo vicioso.
Voltemos ao exemplo do pedido médico para explicar, em etapas, o 
ciclo vicioso (Figura 2.4). A pessoa (i) interpreta o pedido de exame como 
algo perigoso (potencial ameaça); (ii) começa a imaginar uma série de catás­
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Psicoeducaçâo em Terapia Cognitivo-Comportamental 49
trofes (pensamentos catastróficos sâo pensamentos com orientação negativa 
para o futuro), como estar com um nódulo maligno no seio e até mesmo na 
possibilidade de sofrer metástase; (iii) como forma de controle, ela come­
ça a buscar mais informações sobre as possibilidades da doença (estratégias 
comportamentais de busca de segurança e controle da situação); (iv) por não 
conseguir colher todas as informações ou não se sentir segura o suficiente 
com o que encontrou na sua busca, a mulher opta por adiar o exame e tenta 
não pensar sobre o assunto (estratégias comportamentais de supressão do 
pensamento e da emoção), mas todas as vezes em que lembra acaba sofrendo 
mais por pensar que está só adiando e que isso pode ser ainda pior.
Ou seja, a sua forma de pensar a mantém num ciclo vicioso de preo­
cupação que aumenta com o passar do tempo. Em contrapartida, o fato de o 
pior não acontecer efetivamente faz a pessoa crer que se manter preocupada 
está ajudando e que isso é bom, ou que se manter preocupada é sinal de 
cuidado consigo própria. Então você deve estar se perguntando: “e se o pior 
realmente acontecer?”, é bem provável que nessa situação a pessoa pense que 
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50 Transtorno de ansiedade generalizada
não se preocupou e não ficou alerta o suficiente, e isso a fará se preocupar e 
se manter ainda mais hipervigilante do que era anteriormente.
Além da vulnerabilidade biológica à ansiedade, um fator psicológico 
importante na influência da patologia é a forma de interpretar cada ex­
periência da infância. Sabemos que, desde o começo da infância, nossas 
interpretações podem contribuir com o desenvolvimento de formas de 
pensar negativas, tais como: 'sou vulnerável e frágil”, “eu preciso me man­
ter sempre no controle” e “o mundo é perigoso”. Acreditar nessas verdades 
leva o indivíduo a criar regras do tipo “quando eu tenho o total controle da 
situação, me sinto forte e capaz de lidar com o mundo”, “se eu não tenho o 
controle, então sou fraco e estou vulnerável”. Ocorre que todas as vezes em 
que ele não se sente totalmente no controle se sente fraco e reforça a ideia 
de que é vulnerável, o que acaba por manter a visão negativa sobre si.
Dica ao terapeuta
No geral, clientes com TAG possuem crenças nucleares relacionadas a desamparo e, por 
isso, sentem-se ineficientes em conseguir fazer as coisas, proteger-se e realizar tarefas. É 
fundamental identificar corretamente quais as crenças centrais do cliente com TAG, educar 
o cliente sobre elas de acordo com a conceitualização cognitiva desenvolvida durante o 
processo terapêutico e incentivá-lo a monitorar quando as crenças entram em ação, para que 
sejam trabalhadas na sessão formas de desenvolvimento de novas crenças e modificação 
das negativas. Por fim, para um resultado duradouro, o trabalho terapêutico deve envolver 
o fortalecimento das crenças mais adequadas do cliente.
I______________________________________________________________________
Como eu posso lidar com o transtorno 
de ansiedade generalizada?
O tratamento psicoterápico mais indicado para o TAG é a Terapia 
Cognitivo-Comportamental (TCC), com eficácia comprovada em di­
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 51
versos estudos pelo mundo (Coutinho, Pereira, Rangé, & Nardi, 2011). 
A proposta é que você aprenda sobre a TCC e sobre o transtorno. Além 
disso, é importante entender, a partir de sua história de vida, como suas 
idéias negativas foram formadas e quais regras ou pressupostos estão in­
fluenciando seus comportamentos e mantendo o TAG para que, em se­
guida, você possa ser apresentado a uma variedade de possibilidades para 
lidar com o transtorno de forma adaptativa e com menos sofrimento.
No geral, o foco do tratamento é a preocupação (expectativa apre­
ensiva), a ansiedade excessiva, além de questões interpessoais e afetivas 
relacionadas ao transtorno. Você deve começar a monitorar as suas preo­
cupações e categorizá-las como relacionadas a uma situação real ou hipo­
tética. Como se sabe, os indivíduos com TAG são especialistas em des­
cobrir possíveis problemas, mas possuem dificuldade de gerar soluções 
eficazes ou respostas de enfrentamento. Para lidar com problemas reais, 
é importante aprender a técnica de resolução de problemas. Com o uso 
dessa técnica, você aprenderá a:
(i) identificar e especificar o problema real;
(ii) gerar soluções possíveis;
(iii) avaliar as consequências de cada solução;
(iv) escolher e colocar em prática;
(v) avaliar os resultados obtidos e
(vi) quando necessário, promover modificações e colocá-las em prá­
tica novamente.
O tratamento também irá encorajá-lo a enfrentar as incertezas, como 
estratégia mais adequada para ajudá-lo a pensar em outras formas de agir nas 
situações em que você não tem garantia de como será o resultado final (Dugas 
& Robichaud, 2009). Ou seja, você aprenderá a lidar com situações nas quais 
o desfecho final é incerto. A estratégia para lidar com a incerteza é:
(i) registre as situações que você considera de futuro incerto para fazer o 
experimento, assim você poderá acompanhar sua evolução. Comece 
pelas situações mais simples e seja realista, até porque, quanto mais 
experiências bem-sucedidas, maior a motivação de continuar;
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52 Transtorno de ansiedade generalizada
(ii) tenha em mente que enfrentar as situações incertas o ajudará a 
rever seus pensamentos catastróficos. Você aprenderá a diferen­
ça entre resultado catastrófico, resultado ideal e resultado pos­
sível. Esse exercício ajudará você a se tornar mais confiante em 
seguir suas escolhas e entender que, em grande parte das vezes, 
você executará tarefas mesmo sem que tenha minimizado todos 
os riscos. Não desista por isso;
(iii) enfrente as situações, espere ficar ansioso e desconfortável. Ficar 
um pouco ansioso quando vai se expor é natural. Lembre-se de 
que a motivação não precede à ação, segue-a. Logo, não “espe­
re” pela motivação para começar a tolerar a incerteza, simples­
mente comece encarando a incerteza e a motivação virá.
Se você tem como hábito focar a atenção sobre potenciais catástro­
fes, está sempre pensando no pior e se preocupando com algo, isso pre­
judica você a manter a atenção de sua consciência no momento presente. 
Experimentar a prática, mesmo que informalmente, de mindfulness (que 
significa manter a atenção no momento presente, sem qualquer tipo de 
julgamento) pode ajudá-lo a aprender a estar totalmente “presente” na 
atividade em si, ouseja, o foco de sua atenção sendo aquilo que você 
está fazendo agora, e não a preocupação e a ameaça orientada para o 
futuro. Mindfulness tem origem em práticas orientais de meditação e é 
descrita como uma forma de manter a atenção no momento presente, 
sem qualquer tipo de julgamento, com o intuito de aumentar a consciên­
cia nas próprias experiências. Para começar a praticar mindfulness, esteja 
consciente do que você está fazendo no momento presente e, toda vez 
que seus pensamentos se desconectarem, retorne ao seu foco sem julga­
mentos ou críticas. A mulher para a qual o médico pediu a mamografia 
possivelmente não se engaja totalmente em suas atividades diárias desde 
que saiu da consulta médica. Assistir à televisão ou jantar em família 
pode ter se tornado um tormento, por ela passar parte do tempo pensan­
do de forma catastrófica sobre o resultado do exame, sentindo-se triste 
por acreditar que sua vida poderá mudar para pior em breve. O trabalho
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 53
com mindfulness a ajudará a focar no momento presente, sem se deixar 
perder em suas preocupações.
Dica ao terapeuta
Por saber que os indivíduos com TAG subestimam sua capacidade de lidar com possíveis 
desfechos de vida adversos ou ameaçadores, pontos importantes do tratamento são: 
corrigir avaliações errôneas de ameaça e de vulnerabilidade, ensinar os indivíduos a serem 
mais conscientes de suas avaliações de ameaça inicial, aumentar a autoconfiança para 
enfrentar as ameaças, aprender a tolerar as incertezas, avaliar e reestruturar crenças sobre 
os efeitos positivos e negativos da preocupação e tratar o significado idiossincrático dos 
sintomas ansiosos com reestruturação cognitiva. As técnicas de relaxamento são opcionais, 
e podem ser aplicadas nos clientes que apresentam queixas de tensão muscular ou nos que 
apresentam perturbação do sono. Técnicas de mindfulness também são aconselháveis aos 
clientes com TAG, com destaque para aqueles que relatarem dificuldades de manter o foco 
nas atividades diárias.
É comum pessoas com TAG acreditarem que nunca conseguirão 
relaxar e ter a mente livre de preocupações, pois desde que conseguem 
se lembrar estão com pensamentos negativos direcionados à saúde, se­
gurança física e/ou financeira, problemas nos relacionamentos, ou mes­
mo no fato de não conseguirem parar de pensar em diversos problemas 
ao mesmo tempo. Porém, sabemos que as pessoas com TAG podem se 
livrar da ansiedade e preocupação disfuncionais, afinal elas são manti­
das pelo hábito, pois sua mente aprendeu a pensar dessa forma, e para 
superá-lo, você precisa ensinar a sua mente outras maneiras de pensar. O 
tratamento do TAG ajudará você a relaxar a sua mente, examinando as 
vantagens e desvantagens de se manter preocupado, e entendendo que 
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54 Transtorno de ansiedade generalizada
pensamentos não sâo verdades absolutas e questioná-los é fundamental. 
Talvez você possa escolher um horário para se preocupar todos os dias e, 
nesse momento, validar suas emoções, aceitar suas limitações e praticar 
a perda de controle, entregando-se a elas. E possível que você fique ente- 
diado e quando esse momento acabar, em seguida, você se permita viver 
com plenitude o momento presente, sendo mais leve e feliz. Pode parecer 
difícil no primeiro momento, mas não deixe de buscar ajuda psicológica 
e médica. Profissionais competentes e experientes podem ajudá-lo na re­
dução dos sintomas relacionados à preocupação excessiva e à ansiedade 
excessiva, o que contribuirá para uma melhora significativa na sua quali­
dade de vida. Seguindo estes passos, você pode conseguir!
Bibliografia sugerida para 
consulta do terapeuta
Clark, D. A. & Beck, A. T. (2012). Terapia 
cognitiva para os transtornos de ansiedade-. 
Ciência e prática. Porto Alegre: Artmed.
Dugas, M. J. & Robichaud, M. (2009) 
Tratamento cognitivo comportamental para 
o transtorno de ansiedade generalizada-, Da 
ciência para a prática. Rio de Janeiro: 
Cognitiva.
Leahy, R L. (2011). Livre da ansiedade. Porto 
Alegre: Artmed.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 55
American Psychiatric Association (APA). 
(2013). Diagnostic and statistical manual of 
mental disorders (5'h). Washington, D.C: 
American Psychiatric Association.
Clark, D. A. & Beck, A. T. (2012). Terapia 
Cognitiva para os transtornos de ansiedade-. 
Ciência e prática. Porto Alegre: Artmed.
Coutinho, F. C. (2011). Efetividade da abor­
dagem cognitivo-comportamental em grupo 
para pacientes com transtorno de ansiedade ge­
neralizada-. Um teste transcultural. (Disser­
tação de mestrado)-Instituto de Psicologia, 
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio 
de Janeiro.
Coutinho, F. C., Pereira, A. L. S., Rangé, 
B. P., & Nardi, A. E. (2011). Transtorno de 
ansiedade generalizada. In B. P. Rangé 
(Org.). Psicoterapias cognitivo-comportamen- 
tais: Um diálogo com a psiquiatria. (2. ed., 
pp. 311-324). Porto Alegre: Artmed.
Dugas, M. J. & Robichaud, M. (2009). 
Tratamento cognitivo-comportamental para o 
transtorno de ansiedade generalizada: Da ciên­
cia para a prática. Rio de Janeiro: Cognitiva.
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3
Transtorno de 
estresse pós-traumático
Paula Ventura
O que é o transtorno de 
estresse pós-traumático?
A maioria das pessoas passa por situações traumáticas ao longo da 
vida. Felizmente a maior parte das pessoas se recupera bem. Algumas 
pessoas podem desenvolver transtornos psicológicos, dentre eles o trans­
torno de estresse pós-traumático (TEPT) (Ventura, 2011).
Para que a pessoa desenvolva o TEPT, é necessário que ela tenha 
vivido ou testemunhado situações que envolvam morte, sério ferimento 
ou ameaça à sua integridade física ou a de pessoas próximas. Para que 
seja diagnosticada com TEPT, é preciso que ela apresente, após um mês 
de ocorrido o trauma, alguns dos sintomas descritos a seguir.
Reexperimentaçáo: Normalmente o choque emocional é tão dife­
rente das experiências cotidianas da pessoa, que essa experiência fica se re­
petindo em sua mente, fazendo com que reviva o trauma constantemen­
te, e tenha pensamentos indesejados sobre o evento estressor. Esses pensa­
mentos podem vir como um filme, que fica passando na cabeça, ou ima­
gens muito reais, como se o evento estivesse ocorrendo novamente. Quem 
vivência tudo isso provavelmente irá se sentir incapaz de se libertar destes 
pensamentos, pois esse processo não está sob o seu controle. Além disso, a 
pessoa pode passar a ter pesadelos relacionados ao trauma.
* Material psicoedutivo para o cliente disponível em Sinopsys APP ou pelo link www.sinopsys
editora.com.br/psicoeducapp
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 57
Evitação: É comum que, para fugir de sentimentos indesejados, a 
pessoa comece a evitar entrar em contato com situações e/ou pessoas 
que a lembrem do trauma. Por exemplo, alguém que foi assaltado em 
um ônibus e começa a deixar de andar de ônibus, podendo também até 
deixar de usar outros transportes públicos, como metrô e trem. Além 
disso, tenta enfrentar o problema se esforçando para se esquecer do que 
aconteceu, mas sem sucesso.
Alterações negativas persistentes em pensamentos e no seu esta­
do de humor: Ao tentar afastar pensamentos e sentimentos dolorosos, 
a pessoa pode acabar tendo dificuldades em sentir todas as outras emo­
ções, como: amor, alegria, esperança, etc. A isso damos o nome de en­
torpecimento emocional. Pode acontecer da pessoa se esquecer de as­
pectos importantes do ocorridodurante o trauma. Ela pode ter senti­
mentos tais como: raiva, vergonha e culpa. Além disso, o interesse em 
atividades das quais costumava gostar pode estar diminuído ou ausente.
Excitabilidade aumentada: A pessoa e o seu corpo estão em cons­
tante estado de alerta, sempre prontos para responder imediatamente a 
uma situação perigosa, porém esse estado se torna incômodo quando 
continua por muito tempo, até mesmo em situações seguras. Essa rea­
ção, comum ao trauma, inclui nervosismo ou agitação; facilidade de se 
assustar; dificuldade de concentração e de conciliar ou manter o sono. 
A excitação contínua pode conduzir à impaciência e irritabilidade, espe­
cialmente se a pessoa não está conseguindo dormir.
O TEPT, como vimos, acarreta diversas implicações na vida do in­
divíduo em várias esferas, como na afetiva, social e do trabalho. A pes­
soa nesse estado tem todo o seu sistema de alerta alterado, fazendo com 
que estímulos mínimos causem taquicardia (o coração bate mais forte), 
aceleração da respiração e contração da musculatura. As situações come­
çam a ser vistas como mais perigosas do que efetivamente são. A pessoa 
evita todas as situações que lembrem o trauma, por exemplo, se a pessoa 
foi assaltada num banco, passa a não mais entrar em bancos, se tornan­
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58 Transtorno de estresse pós-traumático
do dependente de alguém para realizar os serviços para ela. Pode passar 
a ter medo de sair desacompanhada e depender de alguém para sair à 
rua.Tarefas antes simples passam a parecer muito difíceis de serem reali­
zadas. Também é comum a interferência do transtorno nos relaciona­
mentos com outras pessoas, acarretando conflito com o cônjuge e a fa­
mília. O cliente pode se sentir anestesiado nas suas emoções e o cônjuge 
pode achar que o cliente não sente mais amor por ele, pior ainda, pode 
acreditar que está sendo traído.
Você foi diagnosticado com TEPT ou se identificou com algumas 
das características descritas? Então continue lendo para saber o que pode 
ajudar você a superar esse problema.
Como os meus pensamentos 
influenciam no TEPT?
É importante saber que os pensamentos, ou seja, a forma como 
interpretamos as situações, influencia diretamente na forma como 
sentimos, nas reações corporais e nas ações que tomamos em cada 
situação. Ou seja, se pensamos que algo é perigoso, sentimos o cora­
ção bater forte, suamos, trememos, etc., e, ao mesmo tempo, tenta­
mos fugir da situação.
As principais interpretações feitas pelas pessoas que sofrem desse 
transtorno são a de que o mundo é perigoso e que não se tem compe­
tência em lidar com ameaças. Normalmente tendo pensamentos auto­
máticos como: “Aquela pessoa que entrou no ônibus agora vai me assai 
tar”, associado ao sentimento de ansiedade; “Eu poderia ter feito algc 
para evitar o que aconteceu”, ligado ao sentimento de culpa; “Por qu< 
isso aconteceu comigo?”, ligado ao sentimento de raiva; “Eu nunca mai 
serei a mesma pessoa” ligado ao sentimento de tristeza/desesperança.
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Psicoeducaçâo em Terapia Cognitivo-Comportamental 59
Quando a pessoa avalia a si e ao mundo negativamente, há aumen­
to da ansiedade. Isso tem todo o sentido, pois a pessoa se vê como in­
competente para lidar com as ameaças de um mundo perigoso. Essa 
ideia causa medo e o desejo de evitar as situações que dão ansiedade. 
Uma estratégia muito usada pelas pessoas para diminuir a ansiedade de 
forma rápida é a evitação. Contudo, essa estratégia leva à redução ime­
diata da ansiedade, porém aumenta o medo em longo prazo. No exem­
plo anterior, em que a pessoa foi assaltada em um banco, a ideia de não 
ir, e ter alguém que vá por ela, dá uma sensação de alívio da ansiedade. 
Mas, fazendo isso, a pessoa mantém a ideia de que ir ao banco é perigo­
so e é algo que ela não é mais capaz de fazer.
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60 Transtorno de estresse pós-traumático
Como o meu problema 
pode estar sendo mantido?
Através da utilização da evitação como ferramenta de alívio ime­
diato da ansiedade, acaba-se perpetuando o problema, pois quanto mais 
você evita, mais você estará reafirmando para si mesmo que não conse­
gue. Ou seja, não aprende uma melhor forma de lidar com a ansiedade. 
Evitar pensar no trauma, ao invés de fazer com que você se esqueça do 
trauma, tem o efeito contrário, garante que você se mantenha com 
TEPT (Foa et al., 2009).
Dica ao terapeuta
A ansiedade é importante para nos manter seguros, ela é um sistema que temos de defesa 
do nosso corpo para nos deixar alerta a possíveis ameaças. Este sistema pode ser ativado, 
mas também pode ser desativado. Ele é ativado quando interpretamos um estímulo como 
ameaçador, e é desativado quando entramos em contato com esse estímulo e percebemos 
que a nossa previsão não se confirma, fazendo com que a ansiedade experimentada 
diminua de uma forma progressiva. Desta forma, fica claro o importante papel da nossa 
interpretação dos estímulos, e também a importância do enfrentamento como um 
mecanismo de habituação. É muito importante que você ajude seus clientes a entende­
rem estes processos.
É importante saber que a ansiedade não aumenta para sempre, 
ela chega ao seu máximo e, a partir disso, se estabiliza e começa a 
diminuir. Quanto mais você entrar em contato com o que lhe dá 
medo, ir ao banco, por exemplo, mais sua ansiedade vai diminuindo 
aos poucos.
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Psicoeducaçâo em Terapia Cognitivo-Comportamental 61
Como posso lidar com o TEPT?
O principal no tratamento é você estar disposto a, com a ajuda do 
terapeuta, falar sobre o trauma que você viveu. No início é muito difí­
cil, mas vai ficando cada vez mais fácil. Além disso, você, com o auxílio 
da terapia, deixará de evitar as situações que você teme, ligadas ao trau­
ma. Por exemplo, irá voltar a usar aos poucos o transporte público, caso 
seja algo que você evite. Há várias estratégias da Terapia Cognitivo- 
-Comportamental que podem ser usadas pelo terapeuta para ajudar no 
tratamento do TEPT. A seguir mencionamos algumas:
• Reavaliação do modo de pensar: já falamos do papel importante 
que a interpretação da situação traumática tem na forma de como 
você se sente e se comporta. No trabalho relacionado a sua forma de 
pensar, primeiro você aprenderá a identificar os pensamentos que 
lhe causam medo, culpa, raiva, vergonha, etc. Depois de identifica­
dos, o terapeuta o ajudará a enxergar a situação de formas diferentes. 
Por exemplo, um motorista de ônibus que se sentia muito culpado 
por ter atropelado uma mulher, a qual veio a falecer. Ele acreditava 
que podería ter evitado o incidente. Mas, na verdade, a mulher se 
suicidou se jogando na frente do ônibus, de modo que o ônibus pas­
sasse por cima dela para que ela pudesse morrer. O pensamento do 
motorista foi modificado, de modo que ele conseguiu perceber que 
qualquer um que estivesse dirigindo o ônibus naquele momento 
acabaria por atropelar a mulher.
• Técnicas de enfrentamento: Essa técnica visa ativar a memória 
traumática e todas as emoções a ela associadas, de modo que, ao 
final, você poderá ser capaz de falar do trauma sem passar mal, e 
apenas como algo ruim que lhe aconteceu. Ela é usada tanto no 
consultório, enquanto você relata sua experiência para o terapeu-
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62 Transtorno de estresse pós-traumático
ta, quanto quando você enfrenta as situações que evitava, no seu 
ritmo. O importante é que você passe a perceber que o trauma 
está no passado e que, no presente, sua vivência é outra. Por 
exemplo, ao estar junto com o terapeuta falando do trauma, vaipoder perceber que a sua ansiedade não permanece alta para 
sempre na presença dos estímulos que teme, como bancos ou 
transporte público.
Dica ao terapeuta
Os itens a serem enfrentados devem ser colocados numa hierarquia, começando com o 
mais fácil e indo até o mais difícil, numa escala de 0 a 10 de ansiedade (na qual o 10 
representa o máximo de ansiedade já experimentada pelo cliente). Desse modo, se o clien­
te experimentar 10 de ansiedade ao se imaginar no local do evento traumático (por exemplo, 
caixa de um banco), este será o último da lista a ser enfrentado, justamente por ser o mais 
temido. O terapeuta deve explicar para o cliente que a ansiedade que ele imagina que vai 
sentir ao enfrentar o item mais temido será muito menor na hora em que isso ocorrer, e que 
ele não estará sozinho, terá a ajuda da terapia.
• Técnicas de manejo da ansiedade: São usadas técnicas de rela­
xamento e de respiração no tratamento. A prática dessas técni­
cas faz com que você aprenda a manejar e possa diminuir seus 
sintomas de ansiedade, tais como tontura, coração batendo rá­
pido, suor nas mãos, etc.
Será que eu posso conseguir?
A Terapia Cognitivo-Comportamental está respaldada em diversas 
pesquisas que comprovam a sua eficácia, sendo por muitas vezes a pri-
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Psicoeducaçâo em Terapia Cognítivo-Comportamental 63
meira escolha no tratamento de TEPT (Ventura & Gonçalves, 2009). 
Sabemos que esse transtorno se mostra por vezes incapacitante, impe­
dindo que a pessoa leve uma vida normal. E comum que a pessoa que 
desenvolveu o TEPT pense que nunca mais conseguirá viver como vivia 
antes do trauma. E verdadeiramente muito difícil passar por grandes 
traumas, contudo, através da terapia podemos investir em pequenos 
passos, um de cada vez. E a cada passo, você irá reforçar a sua autocon­
fiança, para que finalmente consiga retomar sua vida da maneira que 
tanto deve desejar. Sabemos que a terapia é mais um desafio, mas que 
também é fundamental para que você volte a ser como era antes do 
trauma. E que tal começar logo? Um passo de cada vez, consolidando 
essa jornada em busca de seu objetivo.
O que eu aprendí e como 
posso passar para ação?
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64 Transtorno de estresse pós-traumático
Bibliografia sugerida para 
consulta do terapeuta
Foa, E., Keane, T., Friedman, M., & 
Cohen, J. (2009). Effective treatments for 
PTSD. New York: The Guilford Press.
Shiromani, P.; Keane, T., & LeDoux. (2009).
Post-traumatic stress disorder-basic science and 
clinicaipractice. New York: Humana Press.
Ventura, P. (2011). Transtorno de estresse 
pós-traumático. In B. Rangé (Org.). Psicote- 
rapias cognitivo-comportamentais-. Um diálogo 
com a psiquiatria (2. ed., pp.344-368). Porto 
Alegre: Artmed.
Ventura, P. & Gonçalves, R (2009). A vivên­
cia de situações traumáticas. In M. Lipp 
(org.). Sentimentos que causam stress (pp.139- 
150). Campinas: Papirus.
Referências
Foa, E., Keane, T., Friedman, M., & 
Cohen, J. (2009). Effective Treatments for 
PTSD. New York: The Guilford Press.
Ventura, P (2011). Transtorno de estresse 
pós-traumático. In B. Rangé (Org.). Psicote- 
rapias Cognitivo-Comportamentais-. Um diá­
logo com a psiquiatria (2. ed., pp. 344-368). 
Porto Alegre: Artmed.
Ventura, P. & Gonçalves, R. (2009). A vi­
vência de situações traumáticas. In M. Lipp 
(org.). Sentimentos que causam stress (pp. 
139-150). Campinas: Papirus.
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4
Transtorno 
obsessivo-compulsivo
Luana Dumans Laurito 
Jacqueline Espínola do Paixão
O que é transtorno 
obsessivo-compulsivo?
A principal característica do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) 
é a presença de obsessões e/ou compulsões (rituais) (APA, 2014). Assim, 
seus sintomas interferem diretamente nos pensamentos, as chamadas ob­
sessões, e nos comportamentos, os rituais.
As obsessões são pensamentos ou impulsos que atuam de forma intrusi- 
va, persistente e repetitiva, na mente de pessoas com TOC. Podem aparecer 
de diversas formas, como frases, palavras, imagens, cenas, entre outros. Seus 
conteúdos geralmente são percebidos como impróprios ou estranhos, poden­
do, assim, gerar sentimentos de culpa, medo, desprazer e até mesmo nojo. 
Estes pensamentos obsessivos podem ser de diferentes tipos: dúvidas e neces­
sidades de ter certeza, preocupações excessivas com sujeiras ou contamina­
ções, preocupação excessiva com alinhamento de objetos, sequência, ordem 
e simetria, pensamentos ou imagens violentas, pensamentos impróprios e in­
desejáveis relacionados a sexo, religião, superstições, entre outros (Cordioli, 
2008). Dessa forma, o indivíduo que tem TOC tenta reprimir, afastar e/ou 
controlar esses pensamentos, realizando rituais, compulsões, evitações ou 
simplesmente tentando não pensar neles, o que, na maioria das vezes, não é 
eficaz, e desta forma a pessoa acaba sentindo-se ainda mais incomodada.
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66 Transtorno obsessivo-compulsivo
As compulsões são comportamentos realizados pelos indivíduos com 
TOC na tentativa de se livrar das obsessões ou do desconforto provocado 
por elas. Esses comportamentos podem ser diversos, como: constantemente 
verificar fechaduras das portas; confirmar de forma repetida o fechamento 
de objetos como botijão de gás, janelas, chuveiro ou torneira; lavar as mãos 
frequentemente; perfeccionismo extremo nas atividades realizadas; simetria 
e organização de objetos; ações repetidas (sentar e levantar do assento, abrir 
e fechar objetos, entrar e sair de lugares); entre outros (Cordioli, 2008).
As compulsões ou rituais também podem aparecer como atos men­
tais, com a mesma finalidade dos comportamentos compulsivos: dar fim 
ou neutralizar as obsessões. As mais comuns são: tentar substituir o con­
teúdo das obsessões por pensamentos e/ou imagens mais agradáveis, repe­
tir mentalmente determinadas palavras ou números com o objetivo de 
neutralização, repetir silenciosamente alguma reza, fazer contagens, verifi­
cações ou rememorar fatos mentalmente, entre outras (Cordioli, 2008).
Se você foi diagnosticado com TOC, ou se identificou com o que 
foi descrito, provavelmente percebe que algumas situações cotidianas 
acabam ativando as obsessões e você acaba sofrendo com elas, ou ten­
tando evitá-las. Por exemplo: passar em locais como igrejas, cemitérios e 
hospitais, debaixo de uma escada, entrar em contato com algum objeto 
sujo, entre outras. Desta forma, note que as obsessões e compulsões aca­
bam por interferir em sua rotina. A tendência é que, a partir dessa rela­
ção entre as obsessões e as compulsões, o indivíduo acabe restringindo 
várias áreas de sua vida: ocupacional, social, familiar, entre outras. Além 
dos prejuízos no bem-estar e na qualidade de vida.
Dica ao terapeuta
É necessário que o cliente com TOC aprenda corretamente o que são obsessões e 
compulsões, para que saiba identificá-las e, em seguida, possa aprender a lidar com elas 
de forma a minimizar os sintomas. Sendo assim, certifique-se de que seu cliente entendeu 
estes componentes. Além disso, também é muito importante informar ao indivíduo que sofre
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Psicoeducação em Terapia Cognitívo-Comportamental 67
com TOC que o medo, a estranheza, a incerteza e até a culpa são alguns dos principais 
sentimentos que sucedem às obsessões, e é exatamente por se sentir assim que ele busca 
fazer algo para diminuí-las, afastá-las ou neutralizá-las. Assim sendo, o indivíduo com TOC 
tende a realizar os rituaiscom objetivo de eliminar esses pensamentos indesejados e/ou o 
desconforto associado, entretanto, quando consegue, o efeito é temporário, pois em seguida 
os pensamentos obsessivos indesejados retornam.
Como os meus pensamentos influenciam 
o transtorno obsessivo-compulsivo?
Com base no principal fundamento da Terapia Cognitivo-Compor- 
tamental, que afirma que nossos pensamentos influenciam nossas emo­
ções e comportamentos (Beck, 1997), é possível analisar o modo como as 
pessoas que sofrem com TOC interpretam seus pensamentos e como isso 
influencia na manutenção das obsessões e compulsões.
Uma das principais características dos indivíduos com TOC é a avalia­
ção distorcida de seus próprios pensamentos obsessivos, baseada em algumas 
crenças como: "Só eu tenho esse tipo de pensamento", "Se eu penso que 
posso fazer algo ruim e/ou perigoso, então serei capaz de me comportar da 
mesma forma", "Sou capaz de controlar meus pensamentos", "Sou respon­
sável por estes pensamentos". Essas crenças contribuem para que o indivíduo 
portador de TOC sinta a necessidade de controlar ou neutralizar esses pensa­
mentos fazendo rituais, pois acreditam não conseguirem suportá-los ou que 
são perigosos, o que causa intenso desconforto e prejuízos no seu cotidiano.
Vale ressaltar que pessoas com TOC sofrem muito por acredita­
rem que os seus pensamentos são antecipadores de uma ação, o que é 
chamado de fusão pensamento-ação. Ou seja, náo encaram os pensa­
mentos como apenas pensamentos, mas sim como possibilidade de 
ações ou acontecimentos reais, "Se estou pensando isso, então é real" ou 
"Se penso isso, logo serei capaz de fazer". Esse tipo de crença acaba con-
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68 Transtorno obsessivo-compulsivo
tribuindo para que o indivíduo se sinta culpado, ou até mesmo com 
vergonha ou medo de seus pensamentos obsessivos, e sinta a necessida­
de de fazer algo para neutralizá-los ou afastá-los. Como este efeito é 
temporário, e logo o pensamento perturbador volta a incomodar, a pes­
soa acaba repetindo suas ações de forma compulsiva.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 69
Como na Figura 4.1, as diversas situações cotidianas (manusear o lixo 
do banheiro, por exemplo) podem disparar pensamentos indesejados e aversi- 
vos (p. ex.: "Estou sujo e contaminado") que geram sentimentos intensos (p. 
ex.: nojo, repugnância e medo) e fazem com que o indivíduo tenha a necessi­
dade de realizar comportamentos que neutralizem ou minimizem o descon­
forto: as compulsões ou rituais (p. ex.: lavar as mãos repetidas vezes). Como 
estes comportamentos (rimais) provocam um alívio imediato e, portanto, 
cumprem o objetivo de diminuir o desconforto momentaneamente, eles aca­
bam sendo reforçadores do problema. Isto é, como a pessoa consegue se ali­
viar realizando rituais, ela aprende que esta seria a melhor forma de se lidar 
com os pensamentos intrusivos, sem se dar conta que na verdade está aumen­
tando os sintomas. Além disso, ao realizar rituais, a pessoa acaba dando muita 
atenção a estes pensamentos e contribuindo para aumentar sua intensidade e 
frequência. Como a intensidade do desconforto produzido pelo pensamento 
obsessivo é grande, o indivíduo pode acabar associando-o às situações em que 
ocorreu. Assim, situações que antes eram neutras ou não causavam desconfor­
to podem se tornar aversivas por causa desta associação.
No TOC a maneira como o indivíduo avalia seus pensamentos in­
trusivos e indesejados é fundamental para determinar como se sente. 
Crenças distorcidas como exagerar o risco de algo ruim acontecer, supe­
restimar sua responsabilidade sobre os pensamentos, supervalorizar o 
poder do pensamento e a necessidade de controlá-lo, necessidade de ter 
certeza e perfeccionismo podem agravar e manter os sintomas obsessi­
vos e compulsivos (Cordioli, 2008).
Como o meu problema 
pode estar sendo mantido?
Pessoas com TOC desenvolvem regras e estratégias para monitorar, 
avaliar e tentar controlar seus pensamentos. Isso pode acabar sendo nega­
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70 Transtorno obsessivo-compulsivo
tivo, pois através desse monitoramento constante nenhum pensamento 
ou situação aversiva passa despercebido, o que provoca sentimentos inten­
sos de repugnância, nojo, culpa, medo, dentre outros. Como já vimos an­
teriormente, estes sentimentos fazem com que o indivíduo com TOC 
procure uma válvula de escape: os rituais e/ou as compulsões mentais.
Porém, grande parte das pessoas em geral têm, em algum momento 
da vida, pensamentos impróprios, agressivos, obscenos ou de conteúdo 
sexual muito semelhantes aos de quem sofre com o TOC. Contudo, nâo 
lhes dão importância, desvalorizando tais pensamentos. Por esse motivo, 
essas pessoas não têm sentimentos intensos de repugnância, nojo, estra­
nheza, medo ou culpa, e tampouco sentem a necessidade de realizar rituais, 
assim tais pensamentos acabam desaparecendo espontaneamente. Logo, a 
maneira como você interpreta e o significado que você dá aos seus pensa­
mentos seriam os responsáveis pela transformação de pensamentos que 
seriam apenas intrusivos e desagradáveis em pensamentos também obses­
sivos e recorrentes. Com base nisso, perceba se você não está supervalori- 
zando seus pensamentos, dando muita importância a eles e, assim, fazen­
do com que fiquem mais intensos e presentes em sua vida. Além disso, 
note se está mantendo grande parte de sua atenção neles (hipervigilância), 
e com isso percebendo de maneira mais intensa a presença de tais pensa­
mentos indesejáveis e também suas situações correspondentes.
Outro aspecto importante que pode estar contribuindo para manter 
os sintomas do TOC é a realização compulsiva de rituais. Como vimos an­
teriormente, quando você age compulsivamente na tentativa de neutralizar 
seus pensamentos obsessivos, fazendo rituais, isso tende a lhe causar um alí­
vio que momentaneamente parece ser muito melhor do que o desconforto 
provocado pelos pensamentos. Porém, este alívio acaba reforçando e contri­
buindo para que você queira cada vez mais realizar rituais, afinal, se estamos 
incomodados com algo, a tendência é mesmo querermos nos livrar deste 
incômodo. Desta maneira, você pode estar caindo na “armadilha” do TOC, 
e achando que fazer os rituais é o melhor caminho para aliviar os pensa­
mentos. Entretanto, simples ações do dia a dia acabam se tornando repetiti­
vas e cansativas, pois você sente cada vez mais a necessidade de realizá-las e
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Psicoeducação em Terapia Cognítivo-Comportamental 71
repeti-las para se manter aliviado. Assim você pode acabar ficando “preso” 
num ciclo vicioso que tende a se intensificar com o passar do tempo.
Como posso lidar com o 
transtorno obsessivo-compulsivo?
Durante o tratamento com a Terapia Cognitivo-Comportamental 
você aprenderá diversas estratégias que o ajudarão a lidar com o TOC 
de uma forma mais eficaz.
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72 Transtorno obsessivo-compulsivo
Psicoeducação: Nesse momento, o terapeuta irá oferecer a você 
todas as informações necessárias referentes ao TOC, suas característi­
cas, seu funcionamento, como é mantido, o modelo cognitivo-com­
portamental e quais técnicas serão utilizadas no tratamento, para que 
você aprenda a lidar com ele de maneira eficaz na redução dos sinto­
mas (Cordioli, 2014).
Dica ao terapeuta
Esta é uma parte fundamental do tratamento, pois só entendendo bem o modelo cognitivo- 
-comportamental e os fatores mantenedores do ciclo do TOC que o cliente irá engajar-se 
e confiar no objetivo do tratamento. Procure se certificarde que seu cliente entendeu o 
que você explicou ou forneceu de leitura complementar conversando sobre os principais 
aspectos na sessão.
Lista de sintomas: Em um segundo momento, você e o seu tera­
peuta farão uma lista com todos os seus sintomas obsessivo-compulsi- 
vos. Essa ferramenta é a base para todo o tratamento. Esse preenchi­
mento é feito através do critério de nível de ansiedade. Assim, você 
deverá registrar, primeiramente, todas as obsessões, evitações e rituais 
que provocam baixo grau de ansiedade (quando não realizado ne­
nhum mecanismo neutralizador), e seguirá preenchendo até os que 
provocam maior ansiedade. E importante ressaltar a necessidade do 
maior número possível de detalhes referentes aos sintomas preenchi­
dos (Cordioli, 2014).
Identificação e modificação de interpretações distorcidas: Crenças 
distorcidas, como exagerar o risco de algo ruim acontecer, superestimar 
sua responsabilidade sobre os pensamentos, supervalorizar o poder do 
pensamento e a necessidade de controlá-lo, necessidade de ter certeza e 
perfeccionismo, são muito presentes no TOC e podem agravar e manter 
os sintomas obsessivos e compulsivos. Por isso será importante você iden­
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 73
tificar e aprender a modificar estes pensamentos distorcidos junto com 
seu terapeuta, com o objetivo de começar a fazer interpretações mais rea­
listas (Cordioli, 2014).
Exposição às obsessões e prevenção de rituais: Partindo do prin­
cípio que os rituais e evitações são estratégias utilizadas pela pessoa com 
TOC para aliviar as obsessões, o objetivo é fazer com que você se expo­
nha aos estímulos que lhe parecem aversivos de uma maneira gradual, 
sem o recurso de rituais ou comportamentos que possam lhe trazer al­
gum alívio. O objetivo é que ocorra a diminuição espontânea e progres­
siva de ansiedade e medo a um estímulo não nocivo (sujeira, elevador, 
janelas). Isso ocorre quando o indivíduo permanece em contato com o 
estímulo aversivo durante o tempo necessário, e/ou quando entra em 
contato com esse estímulo repetidas vezes. Sendo assim, a partir da sua 
lista de sintomas, você irá se expor às situações que lhe provocam desde 
o nível mínimo de desconforto até o máximo. Dessa forma, ao entrar 
em contato com o que considera perigoso ou amedrontador, você será 
instruído por seu terapeuta a não realizar nenhum ritual ou qualquer 
tipo de neutralização, tanto comportamental quanto mental, e sim, ape­
nas enfrentá-los por repetidas vezes, e até que seu desconforto diminua. 
Com esses exercícios de enfrentamento, você irá perceber que sua ansie­
dade se elevará até certo grau. Entretanto, conforme se mantiver na si­
tuação temida e com o passar do tempo de enfrentamento, ela irá dimi­
nuir espontaneamente, e você conseguirá romper o ciclo que realizava 
até então, podendo reaprender que não há o que temer naquela situa­
ção. E muito importante que você permaneça no enfrentamento por 
tempo suficiente até que seu desconforto diminua espontaneamente, 
sem que você faça nenhum ritual, pois, caso contrário, ao fugir no mo­
mento de alto desconforto, você sentirá o alívio momentâneo que refor­
çará novamente todo o ciclo. Além disso, você não se permitirá con­
frontar suas interpretações distorcidas, perdendo a oportunidade de rea­
prender na prática que não se trata de uma situação verdadeiramente 
ameaçadora (Cordioli, 2014).
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74 Transtorno obsessivo-compulsivo
É importante explicar ao cliente o fenômeno da habituação (Cordioli, 2014), e perceber se 
ele entendeu corretamente. Essa explicação é fundamental para que o seu cliente entenda o 
objetivo do tratamento com as exposições e a não realização dos rituais. Ademais, é muito 
importante reforçar que ele precisa fazer o enfrentamento até o desconforto diminuir, e por 
repetidas vezes, para que tenha sucesso no tratamento. Procure ser empático, validando o 
sofrimento de seu cliente, afinal ele estará diante de situações que lhe causam ansiedade 
extrema. Para o êxito e engajamento do cliente na terapia, também será importante o 
desenvolvimento de uma boa relação terapêutica, para que ele confie em você e possa fazer 
as exposições. Procure valorizar cada passo que seu cliente alcançar, explique para ele que 
o tratamento ocorre de forma gradual, e que aos poucos ele irá se sentir melhor e mais 
confiante para seguir com os enfrentamentos mais difíceis.
Será que eu posso conseguir?
O tratamento do TOC é, em geral, realizado de forma gradual, de 
acordo com os limites que você determinar e combinar com seu terapeu­
ta, podendo ser progressivo ao longo de vários meses. Seu êxito se refere a 
uma redução significativa na quantidade e intensidade dos sintomas. Aos 
poucos você irá ganhando mais autoconfiança para permanecer em cons­
tante melhora, sentindo-se cada vez mais livre e capaz de enfrentar, po­
dendo até mesmo obter uma remissão total dos sintomas, mas não se tra­
ta de uma “cura” por completa. Isso porque, por mais que você fique livre 
por muito tempo das obsessões e/ou compulsões, nada impede que no 
futuro elas possam reaparecer. Sendo assim, recaídas são normais, mas por 
meio das técnicas aprendidas com a TCC, caso isso ocorra, você poderá 
colocar em prática novamente tudo que aprendeu e obter êxito outra vez. 
Lembre-se: ao se libertar do medo e das limitações, você poderá investir 
mais em diferentes aspectos da sua vida. Pense em tudo que tem evitado 
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Psicoeducaçâo em Terapia Cognitivo-Comportamental 75
fazer ou tem feito em excesso por causa do TOC, e tenha sempre em 
mente seu principal objetivo com o tratamento: se libertar!
Bibliografia sugerida para 
consulta do terapeuta
Cordioli, A.V. (2014). TOC: Manual de te­
rapia cognitivo-comportamental para o 
transtorno obsessivo-compulsivo (2. ed.). 
Porto Alegre: Artmed.
Torres, A. R., Shavitt, R. G., & Miguel, E. 
C. (Org.) (2013). Medos, dúvidas e manias: 
Orientações para pessoas com transtorno 
obsessivo-compulsivo e seus familiares (2. 
ed.). Porto Alegre: Artmed.
American Psychiatric Association (APA). 
(2014). DSM-5: Manual diagnóstico e esta­
tístico de transtornos mentais. Porto Alegre: 
Artmed.
Beck, J. (1997). Terapia cognitiva: Teoria 
e prática. Porto Alegre: Artmed.
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76 Transtorno obsessivo-compulsivo
Cordioli, A.V. (2014). TOC: Manual de te­
rapia cognitivo-comportamental para o 
transtorno obsessivo-compulsivo (2. ed.). 
Porto Alegre: Artmed.
Cordioli, A. V. (2008). Vencendo o trans­
torno obsessivo-compulsivo: Manual de tera­
pia cognitivo-comportamental para pa­
cientes e terapeutas (2. ed.). Porto Alegre: 
Artmed.
Leahy, R. L. (2011). Nunca é o suficiente: 
Transtorno Obsessivo-Compulsivo. In R. 
L. Leahy. Livre de ansiedade (pp. 92-101). 
Porto Alegre: Artmed.
Torres, A. R., Shavitt, R. G., & Miguel, E. 
C. (Org.) (2013). Medos, dúvidas e manias: 
orientações para pessoas com transtorno 
obsessivo-compulsivo e seus familiares (2. 
ed.). Porto Alegre: Artmed.
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5
Fobias específicas
Mariana Almeida Abreu 
Raquel Ávila Kepler Alves 
Marcele Regine de Carvalho
O que é fobia específica?
A fobia específica (FE) é um estado persistente de medo exagerado 
de um objeto ou situação específicos. Causa intenso sofrimento e pro­
voca prejuízos em áreas importantes da vida do indivíduo, como nas 
áreas profissional e social. A característica marcante da FE consiste no 
forte sentimento de ansiedade ou medo que o indivíduo sente quando 
se vê diante do que teme, como,por exemplo: andar de avião, alturas, 
alguns tipos de animais (p. ex.: cobra, cachorro, pombos), tomar uma 
injeção e ver sangue. Os sentimentos de medo ou ansiedade são exage­
rados em relação ao perigo real daquilo que é temido. Como resultado 
desse desconforto, a pessoa evita ou suporta com muito sofrimento si­
tuações ou o que mais lhe gera medo. Ainda que aquilo que causa medo 
não esteja presente, o simples fato de o indivíduo saber que poderá en­
trar em contato com este estímulo poderá lhe gerar sentimentos desa­
gradáveis (APA, 2014). Este último fenômeno também pode ser cha­
mado de ansiedade antecipatória.
Se você se identificou com as características descritas ou foi diag­
nosticado com FE, deve ter percebido que o medo e a ansiedade surgem 
quando existe a possibilidade de entrar em contato com aquilo que
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78 Fobias específicas
teme e que tais sentimentos podem aumentar ou diminuir conforme a 
aproximação do objeto ou situação. No primeiro momento, a ideia de 
evitar situações que geram desconforto parece ser uma boa estratégia 
para resolver este problema. De fato, quando ocorre a esquiva daquilo 
que teme, os sentimentos que provocam tensão desaparecem e você se 
sente relaxado novamente. Porém, esta é uma maneira de lidar com o 
problema que pode prolongar esta condição, que pode ser limitadora 
conforme o tipo de FE.
Imagine uma pessoa que tenha FE de voar. No cotidiano, ela pode 
lidar com esse medo evitando situações que envolvam viajar de avião, 
como arrumar um emprego na mesma cidade e viajar para outros luga­
res de carro ou ônibus. Porém, esta pessoa poderá enfrentar outros pre­
juízos, como não viajar para lazer, perder oportunidades de emprego em 
outros estados, deixar de visitar parentes em localidades mais distantes 
ou só conseguir voar fazendo uso de remédios para relaxar ou até mes­
mo ingerindo bebida alcoólica.
Algumas pessoas conseguem reconhecer as razões pelas quais 
começaram a manifestar determinados medos. Se você não é uma 
dessas pessoas, não se sinta mal por não conseguir lembrar o mo­
mento exato em que começou a temer uma situação ou objeto, até 
porque é muito mais comum que a origem da FE não seja identifi­
cada. O que a ciência nos ensina sobre o aprendizado do medo é 
que ele pode acontecer em decorrência de uma experiência traumá­
tica e também pela observação de reações emocionais e comporta­
mentais de outros indivíduos. De todo modo, o que você precisa sa­
ber é que por mais desagradável que sejam os sentimentos de medo 
e ansiedade experimentados, aquilo que você teme geralmente não 
representa um perigo real ou tão exagerado para a sua vida, uma vez 
que é preciso levar em consideração a forte influência de seus pensa­
mentos no que tange ao que causa medo. Se julgamos uma situação 
como sendo perigosa, a tendência do nosso corpo será a de reagir 
emocional e fisiologicamente conforme a avaliação, embora a situa­
ção não apresente perigo real.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 79
Explique ao cliente a origem evolutiva das fobias.
É indicado que o terapeuta explique ao cliente que o medo tem base no processo evolutivo, e 
sem ele o ser humano não teria sobrevivido aos dias de hoje. Apontar que nossos ancestrais 
mais distantes viviam em um ambiente selvagem, contendo desde predadores até desastres 
naturais constantes, por isso precisavam sentir medo e ficar sempre em alerta. No entanto, 
algumas situações ou objetos tidos como perigos iminentes no passado não o são nos dias 
de hoje. Tais situações ou objetos acabam sendo frequentemente interpretados com exagero 
e causando reações fisiológicas, resultando em fobias.
Como os meus pensamentos 
influenciam na fobia?
A forma como pensamos influencia nossas reações corporais, senti­
mentos e, consequentemente, nossos comportamentos. Os pensamen­
tos sobre o objeto ou situação relacionados à fobia fazem com que o es­
tado físico se altere, pois o corpo se prepara para o perigo, para que se 
possa sair da situação que causa medo o quanto antes. A partir de então, 
mais pensamentos são criados sobre a situação ou objeto que gerou o 
medo e estes passam a ser evitados, aumentando a ansiedade a cada pos­
sibilidade de se deparar com eles novamente.
Dessa maneira, o medo e a fobia são influenciados pela forma de 
pensar, já que os pensamentos influenciam a expectativa de perigo e as 
percepções de previsibilidade e controle. A FE é estabelecida porque o 
sujeito acredita que o objeto fóbico é perigoso e pode lhe causar mal 
de alguma maneira, assim o mesmo pode acabar superestimando a 
gravidade do perigo e a sua probabilidade de ocorrência.
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80 Fobias específicas
A atenção das pessoas acometidas por fobias costuma ser deslocada de 
forma rápida e automática na direção da suposta ameaça, ocorrendo então 
a hipervigilância, isto é, a pessoa costuma ficar sondando o ambiente em 
busca daquilo que teme, muitas vezes presumindo sua presença no local e 
confundindo um estímulo qualquer com o que lhe provoca medo, por 
exemplo, o sujeito vê uma folha e a confunde com uma barata. A questão é 
que esta suposição já é suficiente para o indivíduo apresentar os sintomas 
que emergem na presença do que de fato lhe causa medo e, junto a eles, um 
forte desejo de sair da situação.
Juntamente ao comportamento de hipervigilância, as pessoas que pos­
suem FE podem demonstrar preocupações pela possibilidade de perda de 
controle; de parecer ridícula; sofrer um ataque de pânico ou experimentar 
certas sensações físicas como, por exemplo: dificuldade de respirar, tontura, 
sensação de desmaio, tremores nos membros e sensação de irrealidade. 
Além disso, tais pensamentos irão variar conforme o tipo de FE que cada 
indivíduo tem. Assim, os indivíduos fóbicos por animais terão medo espe­
cialmente dos movimentos dos animais, principalmente se forem repenti­
nos; em FE do tipo ambiente natural, as pessoas estarão mais propensas a 
ter medo de sofrer algum dano ou de morrer (Bados, 2009). Deste modo, 
cada categoria de FE apresenta suas próprias características de pensamento 
que geram preocupação, embora todas tenham a mesma característica em 
comum: um estado persistente de medo exagerado de um objeto ou situa­
ção específicos, que causa prejuízo em alguma esfera da vida.
Como o meu problema 
pode estar sendo mantido?
A possibilidade de enfrentamento da situação ou objeto temidos 
faz com que o medo e a ansiedade sejam desencadeados juntamente 
com uma série de reações físicas (p. ex.: suor, diarréia, tremores e dor e
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Psicoeducaçâo em Terapia Cognitivo-Comportamental 81
aperto no peito) e psíquicas, como tensão, nervosismo, irritação e difi­
culdade de concentração. Tais sensações são motivadas e sustentadas por 
duas vias interligadas: pensamentos e comportamentos.
Como você poderá notar, os pensamentos de quem tem fobia es­
pecífica geralmente estão voltados para o pior cenário possível (catastro- 
fização) ou estão altamente exagerados. O medo aprendido, tanto por 
observação de outras pessoas quanto por experiências traumáticas do 
passado, faz com que previsões catastróficas sejam feitas. Por sua vez, 
tais previsões geram ansiedade e fazem com que se desencadeie uma sé­
rie de pensamentos, que tendem a desconsiderar outras evidências que 
vão contra a linha de raciocínio da pessoa. Como consequência desses 
pensamentos, os sentimentos de medo e ansiedade são alimentados. 
Desta forma, estabelece-se um ciclo de pensamentoscatastróficos e sen­
timentos intensamente desagradáveis que se retroalimentam.
Um segundo aspecto importante para a manutenção do proble­
ma é a questão das sensações físicas. A ansiedade promove uma série 
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82 Fobias específicas
de mudanças hormonais que desencadeiam reações fisiológicas no or­
ganismo humano a fim de preparar o indivíduo para as reações de 
luta, fuga ou imobilidade. Tais sensações aliadas aos sentimentos de 
medo e ansiedade fortalecem o conteúdo dos pensamentos catastrófi­
cos e contribuem para a continuidade da fobia. Assim, uma pessoa 
que desenvolveu FE de dirigir após sofrer um acidente de carro pode­
rá sentir as seguintes sensações físicas na existência da possibilidade de 
guiar um automóvel: tremores, batimento cardíaco acelerado, sudore- 
se, sensação de peito apertado e falta de ar. Essas reações físicas pode­
rão contribuir para o surgimento de pensamentos com os conteúdos: 
“se eu dirigir, irei passar mal”, “nunca conseguirei controlar a minha 
ansiedade” e “não conseguirei dirigir novamente sem medo”. Conse­
quentemente, a pessoa tem a tendência de evitar dirigir ou o faz com 
intenso desconforto.
Outro ponto que contribui para a manutenção do problema é a 
forma como a pessoa lida com esses pensamentos e emoções frente ao 
estímulo fóbico. É possível que ela pense que não será capaz de superar 
o seu medo e acredite que a melhor opção para combatê-lo seja evitar 
quaisquer situações ou estímulos que remetam a ele. O que acontece é 
que cada vez que esse comportamento é repetido, o sentimento de alí­
vio reforça a tendência em evitar ou fugir na próxima situação que en­
volva elementos fóbicos. Deste modo, a reação comportamental de evi- 
tação ou fuga contribui para a manutenção da fobia específica.
Em suma, é possível observar que a ansiedade antecipatória frente 
ao estímulo fóbico faz com que sentimentos de medo e ansiedade sejam 
desencadeados, assim como pensamentos avaliativos exagerados ou ca­
tastróficos. Alterações fisiológicas de preparação para as situações de 
luta, fuga e imobilidade reforçam os pensamentos e sentimentos desa­
gradáveis. Consequentemente, as reações comportamentais de evitação 
ou fuga são reforçadas cada vez que o indivíduo se utiliza de uma dessas 
estratégias, aumentando as chances de tornar a repeti-las em um evento 
futuro que envolva elementos da FE. O resultado final da junção desses 
elementos é a perpetuação do transtorno.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 83
Dica ao terapeuta
Consequências reforçadoras da manutenção da fobia.
O terapeuta deve explicar ao cliente que, através da evitação, o alívio da ansiedade é a curto 
prazo. A evitação ao objeto ou à situação temidas reforça comportamentos de segurança 
que a pessoa desenvolveu como medida de prevenção de consequências negativas. Além 
disso, devem-se avaliar os possíveis ganhos secundários que o cliente obtém mantendo esta 
situação (p.ex.: ficar isento de responsabilidades).
Como posso lidar com 
a fobia específica?
Na FE as estratégias de intervenção visam combater diversos fato­
res que mantêm a fobia. Com o tratamento em Terapia Cognitivo- 
-Comportamental, você entenderá que seus sintomas provocados pela 
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84 Fobias específicas
ansiedade elevada, mesmo que muito desagradáveis, não costumam re­
sultar nas previsões que você imagina. Irá aprender estratégias que po­
derão ajudá-lo a lidar e se acostumar com a ansiedade. Compreenderá 
melhor suas reações fisiológicas de forma que possa vir a manejá-las 
com técnicas de respiração, meditação e relaxamento.
Na figura 5.3 é possível perceber que os pensamentos sobre o objeto 
ou a situação que gera o medo e a atenção aumentada voltada para o mes­
mo, elevam a expectativa de perigo e, consequentemente, a ansiedade. Isso 
também faz com que as reações físicas aumentem, assim como a probabili­
dade de que o indivíduo queira fugir ou evitar o que lhe causa o medo. Esse 
comportamento de fuga ou evitação causa alívio momentâneo, pois a ansie­
dade diminui na ausência do que lhe causa medo. No entanto, faz com que 
as idéias sobre o objeto ou situação relacionados à fobia fiquem mais fortes 
e surjam novos pensamentos irreais.
Dessa maneira, durante o tratamento você aprenderá a identificar e 
modificar os pensamentos irreais relacionados à FE, diminuindo a atenção 
aumentada em relação à FE, a expectativa de perigo e a ansiedade. A mu­
dança no modo de pensar acontece a partir do questionamento dos pensa­
mentos que não correspondem à realidade e do aprendizado sobre uma for­
ma mais apropriada de avaliação do que era percebido como perigoso e de 
sua capacidade de lidar com os desafios. Dessa maneira, melhoras na sua 
autoestima e autoeficácia também serão observadas.
Outro passo importante diz respeito ao enfrentamento gradual ao obje­
to ou situação que gera fobia. Ao enfrentar o que costuma evitar, você apren­
derá a lidar com sua ansiedade, colocará em teste seus pensamentos sobre pe­
rigo ou vulnerabilidade, diminuindo as reações físicas e as chances de querer 
fugir e evitar o que lhe causa medo. Para assegurar o sucesso do enfrentamen­
to, seu terapeuta lhe ensinará técnicas apropriadas que o ajudarão nesta tarefa.
Exercícios de respiração, relaxamento e meditação ajudam a dimi­
nuir as sensações físicas da ansiedade. Desse modo, a partir do treino 
respiratório, você poderá aprender a acalmar sua respiração e a ativação 
do seu corpo, respirando mais profundamente e, assim, relaxando nos 
momentos em que o medo se manifestar. No relaxamento, a pessoa é
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 85
instruída a contrair e relaxar seus músculos, tomando consciência da 
distinção de estados de tensão e relaxamento. Através da meditação se 
aprende a aceitação das reações fisiológicas e pensamentos, o que reduz 
estratégias evitativas e traz bem-estar como consequência.
Será que eu posso conseguir?
É provável que a estratégia de evitar/fugir tenha parecido útil 
para você, mas agora você já aprendeu como ela não é eficaz. Apesar 
das reações físicas, cognitivas e emocionais causadas pela fobia serem 
verdadeiramente desconfortáveis, isso não significa que esta é uma 
condição permanente e impossível de ser alterada, pois do mesmo 
modo que você aprendeu a sentir medo, também é possível desapren-
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86 Fobias específicas
dê-lo. Os passos para isso são graduais e é você quem determinará o 
ritmo de avanço no tratamento. Tenha em mente que você só passará 
para a próxima etapa de enfrentamento quando a etapa atual não esti­
ver lhe causando mais sofrimento ou desconforto. Quando isso acon­
tecer, você estará sentindo-se cada vez mais capaz de lidar com os seus 
medos e estará mais motivado para a próxima etapa. Enxergando a si­
tuação dessa maneira, o objetivo final começa a se tornar uma realida­
de possível.
Provavelmente durante esse processo, você sentirá ansiedade ou 
poderá pensar que é incapaz de lidar com a situação. Caso isso ocorra, 
lembre-se das limitações que esse transtorno trouxe para a sua vida e 
os prejuízos gerados. Visualize as oportunidades que você poderá ter 
se decidir iniciar e dar continuidade ao tratamento. As perdas você já 
conhece, mas e os ganhos em tentar? Como será estar em uma situa­
ção ou diante de um objeto que era relacionado a desconforto e não 
sentir medo ou ansiedade? A mudança do rumo da sua vida pode co­
meçar imediatamente, partindo de pequenos passos até a obtenção 
daquilo quevocê pensou que jamais poderia alcançar.
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Psicoeducaçâo em Terapia Cognitivo-Comportamental 87
Bibliografia sugerida para 
consulta do terapeuta
Hofmann, S.G. (2014). Confrontando as 
fobias. In: S. G. Hofmann. Introdução à te­
rapia cognitivo-comportamental contemporâ­
nea (pp. 47-59). Porto Alegre: Artmed
Leahy, R. L. (2011). “Isso é perigoso!”: 
Fobia específica. In R. L. Leahy. Livre de
ansiedade (pp.48-69). Porto Alegre: Art­
med.
Neto. F. L. (2011). Fobias específicas. In B. 
Rangé (Org). Psicoterapias cognitivo-compor­
tamentais: Um diálogo com a psiquiatria (2. 
ed., pp. 208-216). Porto Alegre: Artmed.
American Psychiatry Association. (2014). 
Diagnostic and statistical manual of mental 
disorders - DSM-5 (5th.ed.). Washington: 
American Psychiatric Association,
Beck, A. (1979). Cognitive therapy and the emo- 
tional disorders. New York: A Meridian Book.
Bados, A. (2009). Fobias específicas. Facultat 
de Psicologia. Departament de Personalitat, 
Avaluació i Tractament Psicologiès.
Hofmann,. S.G. (2014). Confrontando 
as fobias. In: Hofmann,. S.G. Introdução
ã terapia cognitivo-comportamental con­
temporânea. (pp. 47-59). Porto Alegre: 
Artmed
Leahy, R. L. (2011). “Isso é perigoso!”: Fobia 
específica. In: Leahy, R. L. Livre de ansiedade 
(pp.48-69). Porto Alegre: Artmed.
Neto. F. L. (2011). Fobias específicas. In 
B. Rangé (Org). Psicoterapias cognitivo- 
comportamentais: Um diálogo com a psi­
quiatria (pp. 208-216). Porto Alegre: 
Artmed.
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6
Transtorno de ansiedade social
Maria Amélia Penido
Diana Soledade do Lago Camera
O que é transtorno 
de ansiedade social?
Uma característica básica da vida humana é a sociabilidade. Por 
isso, podemos considerar que a dificuldade em interagir socialmente 
constitui um problema relevante, e quando esta passa a causar prejuízos 
significativos, caracteriza-se, então, o transtorno. O principal componen­
te do transtorno de ansiedade social (TAS) é o medo de ser avaliado 
negativamente em situações sociais. A pessoa com TAS tem medo de 
agir ou mostrar sintomas de ansiedade, de maneira que lhe seja em­
baraçoso ou humilhante, e procura evitar as situações sociais ou as su­
porta com bastante desconforto (APA, 2014).
Se você foi diagnosticado com TAS ou se identifica com a descrição 
desse transtorno, deve estar suportando as situações sociais com muito 
desconforto ou evitando a todo custo enfrentá-las, o que pode estar 
prejudicando sua rotina, mas saiba que você não está sozinho: a ansiedade 
social é o terceiro transtorno psiquiátrico mais comum, atrás da depressão 
e alcoolismo, e pode ser tratado com psicoterapia e/ou medicação (Nardi, 
2000). Sentir-se ansioso em situações sociais é uma experiência universal 
e necessária. Talvez seja mais fácil imaginar isso em outros tempos, 
quando tínhamos que sair em grupo para caçar e nos proteger. Pertencer
* Material psicoedutivo para o cliente disponível em Sinopsys APP ou pelo link www.sinopsys
editora.com.br/psicoeducapp 
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 89
ao grupo, ser aceito, significava sobreviver. Por isso, algum grau de ansie­
dade em situações sociais é desejável e benéfico. O problema é quando a 
ansiedade torna-se um impedimento para se relacionar, atrapalhando 
significativamente a vida, trazendo intenso sofrimento.
Muitas pessoas com TAS consideram-se uma farsa e pensam que, 
ao deixar outras pessoas se aproximarem, estas poderão criticá-las ou 
rejeitá-las. Isso gera uma preocupação grande em disfarçar os sintomas 
de ansiedade (Picon & Penido, 2011). No entanto, o objetivo do 
tratamento é entender, aceitar e manejar o problema. Isso significa não 
precisar mais se preocupar com o que os outros vão perceber a seu 
respeito, afinal, ter e demonstrar fragilidades faz parte da vida.
É importante que o terapeuta auxilie o cliente a entender como 
funciona a ansiedade e por que a sentimos.
Os clientes com ansiedade desadaptativa terão grande proveito em entender que o que 
sentem tem um valor evolutivo e que, portanto, não há como se livrar da ansiedade. Sendo 
assim, o ideal é aceitar e aprender maneiras de lidar com ela sem que nos cause prejuízos. 
Além disso, é desejável que o cliente entenda como ocorrem e quais as consequências dos 
sintomas físicos, de forma que possa se sentir mais confiante ao enfrentar as situações e 
experimentar sensações desagradáveis, sabendo que estas não oferecem perigo.
Como os meus pensamentos influenciam 
o transtorno de ansiedade social?
Sabe-se que a maneira como interpretamos os fatos influencia o 
que pensamos e sentimos emocional e fisicamente. Quando interpre­
tamos e avaliamos as situações, tendemos a encarar nossos pensamentos 
como verdades absolutas. No entanto, em algumas ocasiões, podemos
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90 Transtorno de ansiedade social
ter pensamentos equivocados e distorcidos, que vão gerar reações emo 
cionais e físicas condizentes com tal pensamento. Desta maneira, pode 
mos nos sentir mal por interpretações inadequadas, e até mesmo expe 
rimentar um maior desconforto ao lidar com sentimentos e reaçõe 
desagradáveis (Clark & Beck, 2012). Ao estar em uma situação socia 
que causa ansiedade, o fóbico social ativa sintomas cognitivos (pensa 
mentos), sintomas emocionais (sentimentos), sintomas fisiológicos (rea 
ções no corpo) e sintomas comportamentais (o que faz na situação} 
Essas reações aparecem descritas no Quadro 6.1.
Quadro 6.1 Modelo do TAS
Sintomas cognitivos Menor concentração, não saber o que falar, pensamentos negativos
Sintomas emocionais Medo, pânico, terror, angústia
Sintomas fisiológicos Tremor, rubor, suor, voz embargada
Sintomas comportamentais Evitação da situação, evitação sutil: desviar o olhar, falar pouco
No TAS, o modo como a pessoa interpreta as situações é fur 
damental para entender o mecanismo da ansiedade. A expectativa d 
uma situação social, ou estar nela de fato, faz com que tenha per 
sarnentos negativos sobre si mesmo e sobre o que as pessoas à st 
volta acharão ao seu respeito. Isso tende a aumentar considerave 
mente o seu nível de ansiedade. Ao entrar ansioso nessas situações, 
provável que a pessoa realmente não consiga causar uma impressa 
positiva, confirmando seu pensamento de que é inadequado (Ciai 
& Beck, 2012).
Sabe-se que, por vezes, as pessoas que se encaixam nos critérú 
de TAS podem se beneficiar de treinamentos em habilidade sociai 
conseguindo promover mudanças e ter um desempenho satisfatór 
nos eventos sociais. Mas também é possível que a pessoa não consij 
perceber as habilidades que já possui, e esteja tão preocupado com si 
atuação que não consiga notar quando tem um desempenho positn 
(Picon & Penido, 2011).
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 91
Detectando os temores do cliente.
Dica ao terapeuta
Ensinar o cliente a detectar os pensamentos automáticos é essencial para avaliar quais dis­
torções cognitivas são mais frequentes e, posteriormente, realizar a reestruturação cognitiva. 
0 Registro Diário de Pensamentos Disfuncionais (RDPD) (Beck, 2013, p.216) pode ser uma 
ferramenta interessante para que o cliente tenha insight.
Como o meu problema pode 
estar sendo mantido?
Como você já sabe, a sua interpretação sobre as situações pode, por 
vezes, estar distorcida em relação aos dados de realidade. Os pensamen­
tos negativistas e catastróficos podem provocar as reações de ansiedade, 
fazendo com que você passe a evitar ou enfrente com grande incômodo 
as situações sociais. Alémdisso, tais distorções podem se autoperpetuar, 
direcionando as avaliações, o que dificulta a percepção de eventos posi­
tivos nos quais se teve um desempenho satisfatório.
A evitação dos eventos sociais tem grande contribuição na manu­
tenção do TAS. Você se sentirá aliviado ao não se colocar nas situações, 
o que, em curto prazo, é uma estratégia eficaz para diminuir a ansie­
dade. Porém, em longo prazo, tende a manter a necessidade de evitar 
ou fugir, impedindo a criação de novas experiências que gerem novas 
interpretações, o que mantém a ideia de que os eventos sociais oferecem 
algum risco. Além disso, a evitação contribui para o isolamento, causan­
do grande sofrimento e fortalecendo crenças relacionadas a se perce­
ber como inadequado e desinteressante (Heimberg, Liebowitz, Hope, 
& Schneier, 1995).
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92 Transtorno de ansiedade social
Outro aspecto importante é o que chamamos de processamento 
pré-evento. E caracterizado pela expectativa frente a algum evento 
social, sobre o que vai ou pode acontecer. E durante o pré-evento que 
podem surgir lembranças de situações anteriores entendidas como 
falhas, pensamentos sobre incapacidade de lidar com a situação e de que 
poderá ser rejeitado ou passar vergonha. Provavelmente, diante dessa 
expectativa, você fará um rastreamento de todas as possibilidades que 
esse evento tem de ser uma experiência desagradável, enquanto terá 
dificuldade de pensar em possibilidades e aspectos positivos. Neste 
contexto, é possível que você já tenha um nível de ansiedade impor­
tante, chamado de ansiedade antecipatória, podendo apresentar as 
mesmas reações emocionais e fisiológicas que teria se o que pensou de 
fato ocorresse (Clark & Wells,1995).
A tendência de manter a atenção autofocada também é um aspecto 
importante do TAS. Nas interações, os indivíduos tendem a dirigir a 
atenção para si, sobre o que estão pensando, sobre suas reações emocio­
nais e físicas, e como será a percepção e avaliação das pessoas a sua volta. 
Ao perceber reações de taquicardia, tremor e sudorese, por exemplo, 
você pode ter pensamentos de autoavaliaçâo negativa. Além disso, 
focando em si, você deixa de prestar atenção no ambiente, isso preju­
dica o desenvolvimento de habilidades sociais, e pode ser interpretado 
como desinteresse, o que, por sua vez, acaba por tornar real justamente 
os temores que provocaram a ansiedade.
Quando você está com a atenção autofocada, é provável que tam­
bém perceba o aumento da intensidade de suas reações. Ficar muito 
atento a uma reação faz com que ela aumente, e a isso damos o nome 
de autoprocessamento. E como se você enviasse uma mensagem para 
seu cérebro confirmando que se trata de uma situação de risco. Dessa 
forma, seu organismo age sob influência do falso perigo e trabalha para 
aumentar as suas chances de sobrevivência, tornando os sintomas da 
ansiedade mais intensos (Clark & Wells, 1995).
O processamento pós-evento também é um componente impor­
tante na manutenção do transtorno. Após o fim do evento, as pessoas 
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 93
com TAS podem fazer uma retrospectiva, revendo mentalmente cada 
cena da situação em busca de falhas. Isso tende a fortalecer a autoper- 
cepção negativa, a percepção do evento como aversivo e a necessidade 
de evitar futuros eventos. Esse processo é facilitado pelas interpretações 
equivocadas do pré-evento e pela distorção que a atenção autofocada 
causa, dificultando a apreciação de aspectos positivos.
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94 Transtorno de ansiedade social
Como posso lidar com o 
transtorno de ansiedade social?
Durante o tratamento cognitivo-comportamental você irá apren­
der diversas estratégias que ajudarão a lidar com o TAS.
Questionar pensamentos: Durante a psicoterapia, você vai 
aprender a relativizar a maneira como pensa sobre si e sobre o que as 
pessoas podem achar a seu respeito. Para isso, será exercitado o 
questionamento dos pensamentos que mantêm sua ansiedade através 
da busca de evidências que comprovem ou invalidem a realidade das 
suas avaliações.
A postura socrática é uma habilidade fundamental que o terapeuta deve seguir no processo 
de descoberta guiada e reestruturação cognitiva. Com este recurso, você pode ajudar o 
cliente a desenvolver sua flexibilidade cognitiva, a chegar a conclusões mais condizentes 
com os dados de realidade, e pôr em prática estratégias mais adaptativas de resolução 
de problemas.
Manejo dos sintomas: Você aprenderá estratégias para lidar com 
os seus sintomas, ou seja, irá treinar seu organismo a diminuir a ativa­
ção gerada pela ansiedade, reduzindo a intensidade das sensações corpo­
rais e, em consequência, as interpretações sobre seu desempenho e sobre 
a avaliação de outras pessoas.
Treinamento de habilidades sociais (THS): Você terá a opor­
tunidade de desenvolver e fortalecer um repertório de habilidades que 
favoreça a construção de um bom desempenho social. Através desse trei­
namento, poderá exercitar a expressão de sentimentos, atitudes, desejos,
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 95
opiniões ou direitos de acordo com o contexto em que está inserido. 
Além de entender e lidar melhor com a expressão de tais habilidades em 
outras pessoas (Caballo, 2003).
Dica ao terapeuta
É possível que, de fato, os clientes com TAS tenham déficits importantes em habilidades 
sociais e sejam mal avaliados pelas pessoas a sua volta. 0 terapeuta deve estar atento ao 
impacto que essa constatação pode ter nas crenças do cliente, além de transformá-la em 
motivação para o THS.
Enfrentamento: Você vai descobrir que o enfrentamento é o que 
realmente diminui o medo e a ansiedade, e não a evitação. Irá apren­
der estratégias que o ajudarão a enfrentar as situações sociais de forma 
gradual, no seu tempo. Aos poucos, as situações que são muito desa­
gradáveis, deixarão de causar o mesmo incômodo e sofrimento que 
você sente hoje. Enfrentar também é uma forma de testar e levantar 
mais dados de realidade que lhe ajudem a criar interpretações mais 
condizentes com a realidade.
Dica ao terapeuta
0 terapeuta deve assegurar que a exposição seja feita adequadamente. Toda exposição 
consiste em ajudar o cliente a se engajar no contato repetido e prolongado com estímulos 
temidos ou a situação que provocam ansiedade. Para que a exposição seja eficaz, é 
necessário que sejam obedecidos três princípios básicos: duração, intensidade e frequência, 
tais princípios permitem a habituação.
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96 Transtorno de ansiedade social
Será que eu posso conseguir?
Muitas pessoas acreditam que as características do TAS são aspectos 
da personalidade ou até mesmo aspectos do caráter que acompanharão 
a pessoa por toda a sua vida, impossíveis de serem mudados. Além 
disso, o incômodo e sofrimento causados pelo transtorno por si só já 
tornam a busca por ajuda um passo extremamente desafiador. No 
entanto, a TCC oferece técnicas e ferramentas que tornam a mudança 
possível, respeitando seus limites e fazendo com que se sinta cada vez 
mais confiante e capaz de lidar com os eventos sociais. E natural se 
sentir sem saída dentro dessa situação, mas através do tratamento você 
perceberá que pode se sentir esperançoso para alcançar seus objetivos e 
investir em aspectos da sua vida que estavam ficando de lado.
0 que eu aprendí e como 
posso passar para ação?
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Psicoeducação em TerapiaCognitivo-Comportamental 97
Bibliografia sugerida para 
consulta do terapeuta
Clark, D. & Beck, T. (2012). Terapia cog­
nitiva para os transtornos de ansiedade. Porto 
Alegre: Artmcd.
Dcl Prctte, A. & Dei Prette, Z. A. P. 
(1999). Psicologia das habilidades sociais 
(ed. rev.). Petrópolis: Vozes.
Nardi, A. E. (2000). Transtorno de ansieda­
de social-. Fobia social - a timidez patológi­
ca. Rio de Janeiro: Medsi.
Range, B. (2011). Psicoterapias cognitivo- 
comportamentais: Um diálogo com a psi­
quiatria (2.ed.). Porto Alegre: Artmed.
American Psychiatric Association (2014). 
Manual diagnóstico e estatístico de transtornos 
mentais. (5a ed.). Porto Alegre: Artmed.
Caballo, V. E. (2003). Manual de avaliação 
e treinamento das habilidades sociais. São 
Paulo: Santos.
Clark, D. & Weils, A.A. (1995). A cogni- 
tive model of social phobia. In R. G. 
Heimberg, M. R. Liebowitz, D. A. Hope, 
& F. R. Schneier (1995), Social phobia-. 
Diagnosis, assessment and treatment. New 
York. Guillford.
Penido, M. A. (2009). Tratamento cognitivo 
comportamental em grupo para fobia social-. 
Desenvolvimento e avaliação de uma propos­
ta combinando teatro do oprimido e videofe- 
cdback. Tese de Doutorado, Faculdade de 
Psicologia, UFRJ, Rio de Janeiro.
Picon, P. & Penido, M.A. (2011). Terapia 
cognitivo-comportamental do transtorno 
de ansiedade social. In B. Rangé (Org.), 
Psicoterapias cognitivo-comportamentais- Um 
diálogo com a psiquiatria (2.ed., pp. 269- 
300). Porto Alegre: Artmed.
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7
Abuso de substâncias
Ana Carolina Robbe Mathias
Mariana Almeida de Abreu
O que é abuso de substâncias?
O consumo de drogas acontece desde o início da humanidade. As 
pessoas sempre buscaram o consumo destas substâncias por diversos mo­
tivos, como, por exemplo, em rituais religiosos, busca de prazer e para fu­
gir de problemas. Substâncias psicoativas ou drogas psicoativas provocam 
alterações na forma da pessoa pensar e/ou agir. Neste texto, usaremos os 
termos substância e drogas com o mesmo significado. Cada substância 
causa um efeito diferente: agitação, euforia, sonolência, relaxamento, alu­
cinações (p. ex.: ver objetos que não existem), etc. Muitas pessoas, por fa­
zerem um uso excessivo ou muito frequente, ou por alguma predisposição 
pessoal, acabam por desencadear problemas físicos, sociais e psicológicos 
relacionados ao consumo dessas substâncias. Estas apresentam um quadro 
chamado transtorno de uso de substâncias.
Em todo o mundo o consumo de substâncias é crescente e, conse­
quentemente, surgem cada vez mais pessoas com problemas relaciona­
dos a este consumo, sendo uma grande preocupação dos profissionais 
de saúde. No Brasil, as drogas mais consumidas são o álcool, maconha, 
cocaína, crack e tabaco (cigarros).
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 99
Pode-se fazer o diagnóstico deste transtorno a partir de alguns cri­
térios determinados, que se apresentam em quatro grupos (APA, 2014). 
O primeiro grupo de critérios diz respeito ao baixo controle que as pes­
soas têm a respeito do consumo da substância. Neste caso, a pessoa 
pode consumir a droga em maior quantidade e tempo do que preten­
dia, tentar reduzir o uso e não conseguir, perder tempo buscando a dro­
ga ou se recuperando do consumo dela, e até chegar a casos em que 
todo o tempo do indivíduo circula em torno da droga (como conseguir 
a droga, sob efeito ou se recuperando do efeito dela). Muitas pessoas 
também apresentam sintomas de fissura, que é um desejo ou necessida­
de intensa e quase incontrolável de utilizar a droga.
O segundo grupo de critérios é o prejuízo social que a pessoa, de­
vido ao uso da substância, pode apresentar em seu trabalho ou escola, 
com a família e amigos ou em qualquer relação social. Mesmo perce­
bendo estes problemas, a pessoa mantém a utilização da droga. Desse 
modo, ela acaba abandonando ou reduzindo atividades sociais e profis­
sionais, e se afasta de sua família e amigos que não usam a substância.
O terceiro grupo de critérios é o uso arriscado de substância. O in­
divíduo se envolve em situações de risco à sua integridade física por 
causa da droga. Apesar de estar ciente de que a droga pode causar pro­
blemas psicológicos e/ou físicos, a pessoa não consegue interromper seu 
uso, mesmo após diversas tentativas.
O último grupo é o dos critérios farmacológicos que dizem respei­
to à tolerância e à abstinência. A tolerância é identificada quando a pes­
soa necessita de uma quantidade maior de substância para obter o mes­
mo efeito que obtinha anteriormente, levando a pessoa a consumir quan­
tidades cada vez maiores da substância. A abstinência ocorre devido à 
falta da substância no organismo da pessoa após o uso intenso e prolon­
gado desta. Quando a pessoa apresenta sintomas de abstinência, tende a 
utilizar a droga para aliviá-los. Cada tipo de substância apresenta sinto­
mas de abstinência próprios. No caso de substâncias que são estimulan­
tes, como a cocaína, por exemplo, a síndrome de abstinência causa alte­
rações no humor, cansaço excessivo, alteração no sono, aumento de 
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100 Abuso de substâncias
apetite, lentificação ou agitação motora, baixa frequência cardíaca e fal­
ta de prazer. No caso da abstinência do álcool, observa-se atividade au­
mentada, causando sudorese, alta frequência cardíaca e ansiedade. 
Costuma também causar tremor nas mãos, insônia, náuseas e vômitos, 
agitação motora, até casos que geram convulsões ou alucinações e ilu­
sões, dependendo do grau da abstinência.
E possível também que aconteça a intoxicação decorrente do 
uso de substâncias, envolve alterações de percepção, vigília, atenção, 
pensamento, julgamento, comportamento psicomotor e comporta­
mento interpessoal. Dependendo do grau de intoxicação a pessoa 
pode apresentar diferentes sintomas. Quanto mais rápida é a ação da 
substância no organismo, maior a probabilidade de produzir intoxi­
cação imediata.
Quanto às causas do transtorno de uso de substâncias, diversos fa­
tores devem ser analisados, como familiares, sociais, ambientais e gené­
ticos. No caso do álcool, por exemplo, o maior modelo para o uso refe­
re-se aos pais, pois eles podem usar em casa para relaxar ou festejar e tais 
hábitos podem ser aprendidos pelos filhos. Outro exemplo diz respeito 
ao contexto em que o indivíduo está inserido. Localidades em que o uso 
de drogas é intenso podem proporcionar maior uso de substâncias devi­
do à disponibilidade e facilidade de acesso às drogas.
Dica ao terapeuta
É importante que o terapeuta compreenda o cliente dependente de drogas dentro do contexto 
que ele está inserido. Deve levar em conta a sua família, relações sociais e de trabalho e 
suas idéias relativas ao uso durante todas as etapas do tratamento.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 101
Como os meus pensamentos 
influenciam no abuso de substâncias?
A Terapia Cognitivo-Comportamental percebe o fenômeno do abu­
so de substâncias em relação à influência dos pensamentos nos sentimen­
tos, comportamentos e nas sensações corporais. Dessa forma, a maneira 
como os usuários de drogas avalia as situações que vivenciam influencia 
seus sentimentos e comportamentos, sendo esta avaliação, então, decisiva 
na escolha de usar ou não a substância (Beck et al., 1993).
As pessoas que têm o hábito de usar drogas geralmente fazem isso 
em algumas situações específicas, como, por exemplo: bares, festas, estres­
se no trabalho, brigas, etc. Estas situações são chamadasde situações de 
risco, porque colocam a pessoa em risco de usar a substância. Cada um 
pode ter diversas situações de risco. Quando o sujeito se depara com uma 
situação de risco, ele tem uma avaliação sobre o que acontece, os chama­
dos pensamentos automáticos. Estes pensamentos automáticos geram 
emoções e sensações, como fissura, por exemplo, as quais consequente­
mente levam a pessoa ao comportamento de consumir a substância.
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102 Abuso de substâncias
Diversos fatores estão associados à forma como a pessoa avalia a si­
tuação de risco, como:
• Idéias prévias sobre o uso de substâncias: “O álcool vai me ajudai 
a interagir com as pessoas” e “Só a cocaína irá acabar com meu 
sofrimento” são alguns exemplos.
• Sentimentos: diante de uma situação de risco, a pessoa, estandc 
triste ou estressada, pode ficar mais vulnerável a usar substância' 
para se sentir melhor. Mesmo recebendo uma notícia muito boa: 
por exemplo, a pessoa pode recorrer à droga para aumentar c 
tempo da sensação de alegria.
• Estar em ambientes propícios ao uso: tanto perto de pessoas fa­
zendo uso, como em programas típicos em que pode haver use 
de substâncias, como bares, festas e praia.
• Idéias de merecimento: a pessoa acreditar que merece usar a dro­
ga por algum motivo, como, por exemplo, achar que merece re­
laxar, esquecer dos problemas, ou que apenas naquele momento 
ela pode usar a substância.
• Dificuldade em aceitar e lidar com suas frustrações e tédio, sendo o 
uso de substâncias a única forma de alívio destes sentimentos.
Como o meu problema pode 
estar sendo mantido?
\
O uso abusivo de drogas é mantido muitas vezes pela falta de equi­
líbrio entre deveres e prazeres (Marlat & Donovan, 2009). Um estilo de 
vida em que se privilegiam as obrigações, não sobrando tempo para di­
versão e atividades lúdicas, leva ao estresse, desânimo e, muitas vezes, à 
depressão. O uso de drogas pode ser uma das formas disfuncionais de se 
manter este equilíbrio entre os deveres e os prazeres. Muitas pessoas
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 103
usam substâncias sem que isso se torne um problema para sua vida. Por 
exemplo, tomar um chope numa sexta-feira com os amigos depois de 
uma semana de trabalho árduo ou uma taça de vinho em um jantar. O 
uso de drogas passa a se tornar um problema quando a pessoa começa a 
usar a droga como único recurso para obter prazer e alívio de sentimentos 
ou sintomas ruins. No início isso pode parecer uma estratégia eficiente, 
mas, com o tempo, a pessoa passa a adotar apenas essa estratégia, e come­
çam a surgir os problemas em decorrência do uso abusivo. Inicia-se, en­
tão, um círculo vicioso: a pessoa usa a droga para se sentir melhor, conse­
quentemente, isso gera problemas e ela usa novamente.
Figura 7.2 Círculo vicioso do uso de substâncias.
Como posso lidar com o 
abuso de substâncias?
Como já enfatizado, a Terapia Cognitivo-Comportamental con­
sidera que a maneira como as pessoas interpretam as situações é o 
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104 Abuso de substâncias
que influencia o modo como elas sentem e se comportam. Desse 
modo, acredita-se que os dependentes de substâncias acham que o 
uso de drogas traz uma sensação de alívio imediato para seus proble­
mas, frustrações ou sentimentos negativos, fazendo do uso uma estra­
tégia compensatória.
A psicoterapia tem, então, como objetivo auxiliar você a modifi­
car seus pensamentos para que, dessa forma, possa reduzir seus estados 
emocionais desconfortáveis e comportamentos prejudiciais. A redução 
da intensidade e da frequência do desejo de consumir a substância 
será também consequência do enfraquecimento das idéias errôneas 
que se tem sobre o uso. A modificação da visão que tem sobre si mes­
mo pode ajudar você a encarar os obstáculos como problemas a serem 
resolvidos, em vez de problemas que devem ser esquecidos através do 
uso da substância.
Durante o tratamento, o terapeuta auxiliará com técnicas para o 
manejo de sua fissura, tais como: enxergar as vantagens e desvantagens 
do uso, lidar com problemas e emoções desagradáveis sem precisar re­
correr à substância e ajudar a organizar nova rotina com atividades 
prazerosas que não incluam o uso. Além disso, durante o tratamento a 
partir da Terapia Cognitivo-Comportamental, o terapeuta irá utilizar 
diversas estratégias para ajudar a promover motivação para mudar seu 
comportamento e a lidar com eventuais recaídas. Algumas são descri­
tas a seguir.
Motivação: você irá identificar as motivações que o levam a mu­
dar seu comportamento de uso de substâncias. Existem motivações 
externas, como a vontade da família ou o perigo de perder o emprego, 
e motivações internas, como valores e necessidades pessoais (Miller, 
2013). Muitas pessoas com problemas com uso de substâncias buscam 
tratamento por conta da vontade dos outros, mas é de extrema impor­
tância que, no início do tratamento, você consiga reconhecer motivos 
próprios que justifiquem uma mudança na sua relação com a substân­
cia. Essa tarefa não é necessariamente simples, mas o terapeuta terá 
ferramentas para ajudá-lo.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 105
Dica ao terapeuta
Uma forma de encontrar as motivações internas é identificar os valores dos clientes. Os 
valores comumente mais citados são família, saúde e trabalho. Os valores são muito 
pessoais e devem ser muito bem pensados por cada um. Após a identificação dos mesmos, 
é pedido que o cliente reflita de que forma o seu comportamento de abuso de substâncias 
afeta cada valor identificado.
Análise de vantagens e desvantagens: muitas vezes as pessoas não 
têm consciência de quando um comportamento está sendo exagerado e, 
ao agir desta forma, acabam gerando prejuízos. Fazer um quadro das van­
tagens e desvantagens do seu comportamento ajudará você a entender 
quais são os prejuízos causados por este. Isso pode ajudar a visualizar rea- 
listicamente o que vem acontecendo com você e, consequentemente, você 
se sentirá mais confiante a avaliar e mudar seu comportamento.
Dica ao terapeuta
A técnica de análise de vantagens e desvantagens pode ser feita como um quadro dividido 
em quatro partes: vantagens em usar, desvantagens em usar, vantagens em não usar e 
desvantagens em não usar a substância. Assim, podem ser explorados consequências e 
danos tanto dos momentos de abuso da substância como dos momentos em que o cliente 
não usa a substância. Esta técnica também é importante porque revela o que deve ser 
trabalhado com o cliente, por exemplo, se o cliente enxerga como vantagem usar maconha 
para relaxar, técnicas de relaxamento podem ser incluídas no tratamento para auxiliá-lo 
com a m u d a nça.
Estratégias de enfrentamento: você aprenderá formas de enfren­
tar situações relacionadas ao risco de usar a substância para evitar uma 
recaída. Algumas atividades no seu cotidiano lembrarão episódios de 
uso. Então, no início do tratamento, você terá a tendência a evitar 
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106 Abuso de substâncias
coisas que fazia antes, pois elas podem gerar a vontade de usar a subs­
tância. Porém, com o tempo, as evitaçôes poderão não ser possíveis, e 
até limitadoras. Desse modo, é essencial que você prossiga realizando 
atividades importantes para o seu bem-estar. Será importante que você 
desenvolva formas de lidar com situações desafiadoras sem fazer uso 
da substância, a fim de que as mesmas deixem de ser risco para você. 
Aos poucos você vai recuperar a confiança para valorizar aquilo que 
está acostumadoa fazer.
Cartão de enfrentamento: é um cartão que o terapeuta irá ajudá-lo 
a elaborar com dicas e sugestões que possam ser lidas e praticadas quan­
do você se encontrar em meio a uma situação de risco. E importante 
que este cartão seja pequeno e caiba no bolso ou na carteira, para que 
você possa levar sempre aonde for.
Será que eu posso conseguir?
Ao procurar um tratamento para abuso de substâncias, é comum 
que as pessoas relatem que já tentaram mudar diversas vezes, mas não 
conseguiram. Em muitos destes casos, contam que desistiram do tra­
tamento após uma recaída, como se fosse um selo de fracasso, indi­
cando a impossibilidade de mudar. Qualquer mudança de hábito re- 
vela-se difícil, e o processo de mudar o uso problemático de drogas é 
particularmente complexo e cheio de nuances. Infelizmente, no cami­
nho em direção à melhora, as pessoas acabam fazendo uso da droga, 
muitas vezes de forma pontual (o que chamamos de lapso), outras re­
tornando ao padrão antigo de uso da substância (o que chamamos de 
recaída). Durante o tratamento, este uso não é considerado um fracas­
so, mas sim um tropeço. A partir de um tropeço desses, é possível en­
tender os motivos que levaram a pessoa a usar a droga e, desta forma,
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 107
cliente e terapeuta juntos poderão traçar caminhos novos a fim de que 
o uso não ocorra novamente. Isso não quer dizer que o tropeço é 
aguardado, mas se ele acontecer será um motivo para uma aprendiza­
gem pessoal e não um fracasso. Na verdade, todo o processo de mu­
dança de um comportamento indevido de uso de drogas para um esti­
lo de vida mais saudável é doloroso e difícil. Mas, ao mesmo tempo, é 
interessante, enriquecedor e proporciona muitas descobertas e surpre­
sas, grande parte destas muito agradáveis! Durante todo o processo, o 
terapeuta estará junto com você, entendendo e ajudando nas suas difi­
culdades, reconhecendo e valorizando seus ganhos! Que tal começar?
Dica ao terapeuta
É importante que o terapeuta ensine os clientes a reestruturar seus pensamentos negativos 
sobre os lapsos, para que não sejam vistos como fracasso ou como indicação de falta de 
força de vontade. A psicoeducação sobre o processo de recaída e sobre a probabilidade de 
ocorrer um lapso prepara o cliente para lidar melhor com o processo.
O que eu aprendí e como 
posso passar para ação?
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1Q8 Abuso dê substâudas
Bibliografia sugerida para 
consulta do terapeuta
Beck, A. T., Wright, F., Newman, C., & 
Liese, B. (1993). Cognitive therapy of sub- 
stance abuse. NewYork: The Guilford Press.
Knapp, P., Luz, E., & Baldisseroto, G. V. 
(2001). Terapia cognitiva no tratamento da 
dependência química. In B. Rangé (org.). 
Psicoterapias cognitivo-comportamentais: Um 
diálogo com a psiquiatria (pp. 332-350). 
Porto Alegre: Artmed.
Marlatt, G. A. & Donovan, D. M. (2009). 
Prevenção de recaída-. Estratégias de manu­
tenção no tratamento de comportamentos 
adictivos (2. ed.). Porto Alegre: Artmed.
Mathias, A. C. R. & Cruz, M. S. (2007). 
Benefícios de técnicas cognitivo-comporta­
mentais em terapia de grupo para o uso in­
devido de álcool e drogas. Jornal Brasileiro de 
Psiquiatria, Rio de Janeiro, 56(2), 140-142).
Rangé, B. & Marlatt, G.A. (2008). Terapia 
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abuso de álcool e drogas. Revista Brasileira de 
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Rollnick, S„ Miller, W. R., & Butler, C. C. 
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comportamento. Porto Alegre: Artmed.
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Diagnostic and statistical manual of mental 
disorders - DSM-5 (5th.ed.). Washington: 
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Liese, B. (1993). Cognitive therapy of su- 
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Introdução à terapia cognitivo-comportamen- 
tal contemporânea (pp. 135-149). Porto Ale­
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cognitivo-comportamental dos comporta­
mentos adictivos. In A. V. Cordioli (org.) 
Psicoterapias: Abordagens atuais (pp. 405- 
416). Porto Alegre: Artmed.
Knapp, P. & Berlote, J. M. (1994). Preven­
ção da recaída: Um manual para pessoas 
com problemas pelo uso de álcool e outras 
drogas. Porto Alegre: Artmed.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 109
Marlatt, G. A. & Donovan, D. M. (2009). 
Prevenção de recaída-. Estratégias dc manu­
tenção no tratamento de comportamentos 
adictivos (2. ed. Porto Alegre: Artmed.
Miller, W. & Rollnick, S. (2013). Motiva- 
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(3. ed.) New York: The Guilford Press.
Oliveira, M. S. et al. (2017). Terapia cogni- 
tivo-comportamental em grupo aplicada a 
usuários de drogas. In C. B. Neufeld & B. 
P. Rangé (org.) Terapia Cognitivo-Comporta­
mental em grupos: Das evidências à prática 
(pp.212 - 233). Porto Alegre: Artmed.
Rollnick, S., Miller, W.R., & Butler, C.C. 
(2009). Entrevista motivacional no cuidado 
da saúde-. Ajudando pacientes a mudar o 
comportamento. Porto Alegre: Artmed.
Sobell, L.C. & Sobell, M.B. (2013). 
Terapia de grupo para transtornos por abuso 
de substâncias: Abordagem cognitivo-com- 
portamental motivacional. Porto Alegre: 
Artmed.
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8
Depressão
Rafael Thomaz da Costa
O que é depressão?
Muitas vezes ouvimos pessoas dizerem durante um dia ruim que es­
tão se sentindo “deprimidas”, entretanto a depressão como condição gra­
ve de saúde mental não se resume somente ao sentimento de tristeza ou 
apatia. A tristeza é passageira, sendo muitas vezes consequência de um fa­
tor adverso da vida, uma perda, um desapontamento, uma lembrança de 
algo ruim que aconteceu ou mesmo um pensamento não adequado que 
ativamos de forma automática.
A depressão é um quadro complexo, que envolve fatores genéticos, 
psicológicos e ambientais em sua origem. Uma pessoa que apresenta de­
pressão expressa sensações de abatimento, tristeza, irritação e/ou vazio, 
mas não somente isso. Além de afetar o humor, a depressão interfere nos 
pensamentos, no comportamento e nas reações físicas. Pode, por exem­
plo, afetar (APA, 2014):
• o sono, com insônia ou sono excessivo;
• a alimentação, com perda ou aumento do apetite, causando ga­
nho ou perda de peso;
• as atividades de rotina, com a perda do interesse ou do prazer nas 
coisas do dia a dia, podendo diminuir inclusive o desejo sexual;
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 111
• a energia, com cansaço físico e/ou mental;
• a capacidade de concentração e de tomar decisões, diminuindo a 
atenção e causando falhas de memória;
• o conteúdo dos pensamentos, com foco exagerado em aspectos ne­
gativos, gerando sensações injustificadas de inutilidade, desvaloriza­
ção e culpa. Em casos extremos pode até mesmo desencadear idéias 
sobre suicídio ou de que seria melhor morrer do que estar vivo.
Dica ao terapeuta
É primordial investigar ideações suicidas nas primeiras sessões com um cliente que apresenta 
um quadro depressivo. 0 Inventário de Depressão de Beck (1961), a Escala Hamilton 
de Depressão (1960) e a Escala de Desesperança de Beck (1975) são instrumentos de 
avaliação muito utilizados para auxiliar na investigação da gravidade da depressão e na 
detecção de ideaçõessuicidas.
A depressão pode:
• se manifestar em qualquer pessoa, a qualquer hora e em qualquer 
idade;
• ter influência direta do momento de vida e contexto no qual a 
pessoa está inserida;
• durar semanas, meses ou, em casos menos comuns, mais de um ano;
• ter intensidade leve, moderada ou grave;
• ser um único episódio ou um problema recorrente;
• estar diretamente associada a um evento presente (p. ex.: encerra­
mento de um projeto, fim de um relacionamento, luto).
Dica ao terapeuta
Pesquisas apontam que entre 10-25% das pessoas que apresentam um episódio depressivo 
maiorna realidade preenchem critérios diagnósticos para episódio depressivo recorrente (distimia) 
(APA, 2014). 0 diagnóstico diferencial facilitará as melhores escolhas de intervenções.
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112 Depressão
A depressão é uma condição psiquiátrica muito frequente. Estu­
dos recentes mostram que 10% a 25% das pessoas que procuram 
atendimento médico e psicológico apresentam sintomas depressivos. 
Além disso, a depressão causa sérios transtornos à vida da pessoa e da­
quelas que convivem com ela (APA, 2014). A pessoa com depressão 
pode muitas vezes ser tratada de forma inadequada/preconceituosa 
por pessoas próximas, da família e no ambiente de trabalho, podendo 
ser julgada inadequadamente como sendo preguiçosa, desajustada ou 
irresponsável em função de suas dificuldades.
Sofrer de depressão não é um sinal de fraqueza ou uma condição 
que se possa facilmente reverter tão somente pela própria força de 
vontade. A pessoa com depressão, na maior parte das vezes, precisa de 
ajuda para conseguir reagir, enfrentar o problema e ter uma melhora 
significativa.
Como os meus pensamentos 
influenciam na depressão?
De acordo com a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a 
nossa interpretação sobre uma situação vivida influencia diretamente no 
que sentimos, em como agimos e em nossas reações corporais.
SITUAÇÃO PENSAMENTOAUTOMÁTICO COMPORTAMENTO
EMOÇÃO
REAÇÕES FISIOLÓGICAS
Figura 8.1 Modelo cognitivo de Beck.
Fonte: Beck (1997, p.32).
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 113
Quando uma pessoa vivência um quadro depressivo, tem uma 
maior tendência de avaliar as situações de uma forma negativista e pes­
simista, em geral irrealista. Nesse caso, vivencia-se emoções desconfor­
táveis desnecessariamente e tende-se a expressar comportamentos desa- 
daptativos que podem trazer prejuízos.
Os modos distorcidos de pensar costumam envolver um ou mais 
dos seguintes temas:
• Interpretações sobre os acontecimentos:
E comum que o indivíduo com depressão tenha reações de irrita­
ção diante de uma situação adversa que não o aborrecería caso 
não estivesse deprimido. Além disso, quando algo de ruim acon­
tece em um determinado contexto, o indivíduo com depressão 
tende a pensar que em situações semelhantes o desfecho seria 
igualmente ruim. A mesma lógica não se observa diante de um 
cenário onde algo bom acontece, pelo contrário, o indivíduo que 
sofre com depressão pode ignorar ou minimizar acontecimentos 
bons (Seligman, 2007).
• Interpretações sobre a dimensão tempo:
As pessoas com maior tendência à depressão podem desistir, ou 
nem tentar enfrentar um desafio, em função de acreditar que as 
causas dos acontecimentos indesejáveis serão permanentes e afe­
tarão tudo o que fizerem (Seligman, 2007).
• Interpretações negativas sobre a responsabilidade - autoavaliação 
excessivamente ruim:
As pessoas com depressão costumam atribuir a si mesmas, de for­
ma não adequada, a maior parte da responsabilidade (culpa) pe­
las coisas ruins que acontecem. Além disso, tendem a repetir in­
ternamente para si mesmas seus “fracassos”.
Veja a seguir alguns exemplos de distorções de pensamento comu- 
mente cometidas por pessoas com depressão (Beck, 1997).
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114 Depressão
- Conclusão precipitada
Após uma tentativa frustrada de conquistar uma parceira, pensar: 
“Não vou conseguir seduzir aquela mulher. Não faço sucesso 
com as mulheres”.
- Generalização
Após ter passado por uma situação de assalto, pensar: “Sair à noi­
te é perigoso, melhor ficar em casa”.
- Menosprezar o positivo
Após ter se dedicado nos estudos e ter conseguido uma excelente 
nota na prova de conclusão do curso, pensar: “Tirei uma nota 
dez porque a prova estava fácil. O professor facilitou. Qualquer 
um conseguiria tirar dez nesta prova”.
Ao enfrentar um desconforto em função uma adversidade 
momentânea, pensar: “Minha vida é isso. Isso vai durar pra 
sempre”.
- Pensamento tudo ou nada
Após ter tido pouca perda de peso e ter abandonado a dieta, em 
um momento no qual não cumpriu com o que havia combinado 
com a nutricionista, pensar: “Os regimes alimentares nunca irão 
funcionar”.
- Visão em foco
Após ouvir uma cobrança da mãe, ignorando as várias vezes em 
que a mãe ficou quieta ou mesmo elogiou ao ver algo bom acon­
tecendo, pensar: “Minha mãe sempre reclama de tudo”.
- Aprisionado no passado
Repetindo internamente de forma exagerada e inútil pensamentos 
sobre o passado e deixando de focar em ações práticas que podem 
favorecer a resolução de problemas atuais. Pensando que: “Eu de­
veria ter me dedicado mais. Deveria ter aceitado ajuda. Deveria ter 
aproveitado a oportunidade. Sou todo errado mesmo”.
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Psicoeducação em Terapia Cognítivo-Comportamental 115
- Trazendo para si toda responsabilidade
Após uma interação social que não aconteceu da forma como gosta­
ria, pensar que: “Ela nunca fala comigo. Eu sou uma pessoa sem 
atrativos. Não tenho carisma”. Ou, após o chefe chamar a atenção 
de forma imperativa sobre uma tarefa que precisa ser realizada, pen­
sar que: “Tenho um patrão que está sempre de mau humor. Essas 
coisas só acontecem comigo. Eu não faço nada direito” (Beck, 1997).
A TCC pode ajudar na identificação os pensamentos que geram 
sentimentos desconfortáveis e comportamentos prejudiciais consequen­
tes, além de contribuir para o entendimento das razões pelas quais cos­
tumamos pensar da maneira como pensamos. E possível questionar os 
pensamentos a ponto de modificá-los, caso estes não se sustentem por 
argumentos lógicos e fatos observáveis (Hawton, 1997).
Ao conseguir desenvolver pensamentos mais realistas frente às si­
tuações vivenciadas, é possível reduzir a intensidade de sentimentos des­
confortáveis, ou mesmo ter sentimentos diferentes e, por conseguinte, 
reações comportamentais menos prejudiciais (Hawton 1997).
Outro ponto importante a considerar é o comprometimento do 
planejamento de metas futuras em pessoas com pensamentos negativis- 
tas típicos da depressão. Por exemplo, é comum, em um modo de pen­
sar pessimista/negativista, que a pessoa conclua que está tudo ruim e 
que as coisas não irão melhorar. Ou seja, acredita que nem valeria à 
pena tentar alguma ação, ficando numa condição de completo desam­
paro, visto que “não vai dar certo mesmo”. Quando não se cria expecta­
tivas realistas, há uma tendência à apatia, sem que se consiga mobilizar-se 
para ações (Seligman, 1990).
Pessoas depressivas com tendência à ansiedade podem também vi­
sualizar algo exageradamente ruim que está por vir e, desta forma, fica­
rem em alerta se preparando para o pior. Por este caminho, haverá um 
gasto de tempo e energia para lidar com ameaças imaginadas; perde-se o 
foco nas possíveis ações para resolver problemas presentes e é possível 
até se criar novos problemas.
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116 Depressão
Então, o modo de pensar é muito importante em nossas vidas, 
inclusive no que se refere às expectativas que temos emrelação ao futu­
ro. Expectativas realistas e positivas costumam gerar motivação para a 
ação, o que pode favorecer a concretização das mesmas.
Como o meu problema pode 
estar sendo mantido?
Explicamos como os pensamentos podem influenciar para gerar e 
intensificar sentimentos desconfortáveis, mas existem também outras 
variáveis muito importantes que estão sempre presentes e interagindo 
em nossas experiências de vida. Quando estamos vivendo uma situa­
ção qualquer, podemos ativar pensamentos, reações fisiológicas, com- 
portamentos/atitudes e emoções. Mesmo sem saber ao certo qual será 
ativado primeiro, quando qualquer um dos quatro aspectos é ativado, 
os outros três inevitavelmente também serão.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 117
No caso da depressão podemos apresentar um quadro onde estes 
aspectos de vida se apresentem, por exemplo, da seguinte forma:
Sendo assim, é essencial aprender a lidar com todas estas variáveis, 
não só para haver uma melhora momentânea, mas também para evitar 
recaídas no futuro. Se não houver intervenções nestes aspectos visando 
a mudança destes fatores mantenedores da depressão, o quadro pode se 
prolongar e se agravar. Então, se a ativação de uma das quatro variáveis 
inevitavelmente ativa as outras três, a mudança “positiva” de uma delas 
também afetará “positivamente” as outras três.
Como posso lidar com a depressão?
A depressão é um transtorno no qual há uma baixa de energia/dis- 
posição que dificulta a realização das tarefas, entretanto é justamente a 
ação que favorece o aumento da motivação para ativar-se e, assim, se 
manter. Começar com alguns “pequenos passos”, utilizando a energia e
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118 Depressão
os recursos que tiver à sua disposição, é essencial. Caso você esteja com 
depressão, pode não estar com muita energia, mas provavelmente pode 
ter o suficiente para fazer, por exemplo, uma pequena caminhada à vol­
ta do seu prédio ou pegar o telefone para falar com um amigo.
Dica ao terapeuta
É comum o cliente com depressão, em função do quadro, utilizar-se do discurso de que 
precisa ter energia para fazer algo, entretanto, é preciso questionar o pensamento para que 
se entenda que, na maior parte dos casos, o caminho inverso é mais verdadeiro: é preciso 
fazer algo para ter mais energia.
No início não exija demasiado de si, possivelmente não fará tudo 
aquilo a que se propõe. Mas não tem problema, mantenha o foco nas 
suas ações, conduza as coisas uma por vez e um dia de cada vez. Ao rea­
lizar uma tarefa, tente se recompensar por cada realização bem-sucedi­
da. Aos poucos, cada ação concretizada e energia gasta (aquela que pa­
recia não ter) irão aumentar o seu ânimo.
E essencial que uma pessoa que esteja passando por um episódio 
depressivo busque ajuda de especialistas na área de saúde mental (psicó­
logo e/ou médico psiquiatra), pois estes têm conhecimento para investi­
gar a fundo a questão e orientar ações para superação da depressão.
Com o psicólogo especializado em TCC, é possível que você apren­
da, de forma gradual, estratégias para lidar melhor com os problemas 
associados à depressão. Estratégias que auxiliam no questionamento das 
interpretações distorcidas e favoreçam a mudança dos pensamentos dis- 
funcionais para mais adaptativos serão essenciais para melhorar a auto- 
estima, a autoconfiança e aumentar a ativação comportamental. Além 
disso, conversas sobre questões existenciais como “quem eu sou?”, “qual 
o sentido de minha vida?”, “o que eu quero de fato pra mim?”, “o que 
eu gostaria de realizar ao longo da vida?” podem ajudar a estabelecer ex­
pectativas futuras coerentes e realistas.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 119
O indivíduo com depressão pode ter a melhora favorecida se houver 
suporte social. O terapeuta poderá incentivá-lo a construir relacionamen­
tos íntimos e de confiança. Interações empáticas são, comprovadamente, 
um excelente “antidepressivo natural”. Dedicar-se a um treino em habili­
dades sociais com o seu terapeuta pode aumentar a probabilidade de ha­
ver a expressão mais adequada do que sente, pensa e gostaria de atingir. 
Isso, é claro, poderá beneficiar a manutenção de relações satisfatórias.
Dica ao terapeuta 1
Tanto o modo quanto o momento para se trabalhar as habilidades sociais variam muito 
de acordo com a necessidade e perfil de cada paciente. Por exemplo, há indivíduos com 
tendência à depressão que costumam ser mais passivos na interação com os outros e há 
casos onde a irritabilidade está presente de forma marcante.
A busca por um tratamento farmacológico pode ser necessária em 
alguns casos. Os medicamentos antidepressivos podem gerar um efeito 
benéfico para uma parcela das pessoas que são acometidas pela depressão, 
o que, em geral, não elimina a necessidade da psicoterapia. O tratamento 
conjunto tende a ser uma boa opção para a superação da depressão.
Dica ao terapeuta
É essencial que, na avaliação do cliente que se apresenta deprimido, seja investigado 
episódio passado de mania ou hipomania. Em caso positivo, o cliente pode preencher 
critérios diagnósticos para transtorno bipolar do humor. Nesta condição, ao fazer uso de 
antidepressivo, o indivíduo pode, com maior probabilidade, ter uma ciclagem de humor 
para euforia, o que deve ser observado com atenção pelo terapeuta e médico psiquiatra.
Além das estratégias citadas, a pessoa com sintomas depressivos 
pode obter benefícios com a utilização de algumas práticas. Há estu-
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120 Depressão
dos recentes que apontam que meditação, yoga, atividade física re­
gular, prática da religiosidade/espiritualidade podem reduzir sintomas 
de depressão.
Será que eu posso conseguir?
Foi visto ao longo deste texto que, mesmo que possa parecer difícil 
lidar com a depressão, há alternativas viáveis para superar o problema. 
Os tratamentos existentes têm ajudado muitas pessoas que sofrem com 
a depressão. Quanto maior for a adesão ao tratamento, maior será a 
probabilidade de reduzir a frequência e intensidade dos sentimentos 
desconfortáveis, de voltar a viver momentos agradáveis ao perceber no 
seu dia a dia os acontecimentos positivos e de aprender a lidar com as 
adversidades de modo construtivo.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Com porta mental 121
Bibliografia sugerida para 
consulta do terapeuta
Beck, J. S. (1997). Terapia cognitiva-, Teoria 
e prática. Porto Alegre: Artmed.
Beck, A. (1997). Terapia cognitiva da de­
pressão. Porto Alegre: Artmed.
Leahy, R. L. (2007). Como lidar com aspre- 
ocupações-. Sete passos para impedir que elas 
paralisem você. Porto Alegre: Artmed.
Seligman, M. (2005). Aprenda a ser otimis­
ta (2. ed.). Porto Alegre: Nova Era.
Referências
American Psychiatric Association (2014). 
Manual diagnóstico e estatístico de transtornos 
mentais {5. ed.). Porto Alegre: Artmed.
Beck, J. S. (1997). Terapia cognitiva-. Teoria 
e prática. Porto Alegre: Artmed.
Beck, A. (1997). Terapia cognitiva da de­
pressão. Porto Alegre: Artmed.
Beck, A. (1975). Hopelessness and suicidai 
behavior. Journal of American Medicine 
Association, 234, 1146-1149.
Beck, A. (1961). An inventory for mea- 
suring depression. Archives of General 
Psychiatry, 4, 561-571.
Greenberger, D. & Padesky, C. (1999). A 
mente vencendo o humor. Porto Alegre: Art­
med.
Hamilton, M. (1960). Rating scale for de­
pression. Journal ofNeurology, Neurosurgery 
& Psychiatry, 23, 56-62.
Hawton, K. (1997). Terapia cognitivo- 
comportamental para problemaspsiquiátri- 
cos-, Um guia prático. Sâo Paulo: Martins 
Fontes.
Seligman, M. (2005). Aprenda a ser otimis­
ta. (2. ed.). Porto Alegre: Nova Era.
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9
Transtorno bipolar do humor
Rafael Thomaz da Costa
Jacqueline Espínola da Paixão
O que é transtorno bipolar?
O transtorno bipolar (TB) é uma doença crônica, caracterizada pela 
variação intensa e desproporcional do humor, havendo ou não algum 
forte fator estressor presente no momento. Essas variações de humor fa­
zem a pessoa agir de forma inadequada, havendo prejuízos em uma ou 
mais áreas de sua vida. Este problema torna as pessoas mais vulneráveis 
a estresses emocionais e físicos.
O início desse transtorno geralmente acontece na adolescência ou no 
começo da fase adulta, embora possa, raramente, começar no início da in­
fância ou aos 40, 50 anos. Quem recebe o diagnóstico de transtorno bipo­
lar pode ser que apresente, em alguns períodos, um estado de “humor nor­
mal” - o que chamamos de eutimia - ou, em outros, um estado de humor 
alterado. Dentre os possíveis quadros de humor alterado, uma pessoa com 
TB pode manifestar a depressão, a mania/hipomania ou o episódio misto.
As primeiras ocorrências dos sintomas podem se dar de forma gra­
dual ou com crises mais graves, tanto pela fase de mania como pela fase 
de depressão, e a frequência, a intensidade e o tempo de cada episódio 
de humor varia muito de uma pessoa para outra.
* Material psicoedutivo para o cliente disponível em Sinopsys APP ou pelo link www.sinopsys
editora.com.br/psicoeducapp
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 123
A fase de mania começa frequentemente com uma sensação de au­
mento intenso de energia, de criatividade e de sociabilidade. Neste mo­
mento, é comum haver uma falta de bom senso e maior irritabilidade 
também. Em estado maníaco, a capacidade de se autocriticar costuma 
ficar muito reduzida, e a pessoa reage de forma mais impulsiva ou mes­
mo com raiva a qualquer um que aponte um problema.
Na mania, além de se sentir incomumente eufórico ou irritável (ou 
parecendo assim para aqueles que o conhecem bem), o indivíduo também 
pode apresentar pouca necessidade de sono (mesmo tendo grande quanti­
dade de energia); pensamento acelerado; dificuldade para focar a atenção, 
por se dividir em muitos assuntos ao mesmo tempo; um inflado senso de 
poder, grandiosidade ou importância; e/ou fazer coisas imprudentes ou te­
merosas, sem considerar as possíveis consequências (ex.: gastar muito di­
nheiro, aumento da expressão da sexualidade, descuidar da segurança). Em 
alguns casos extremos, a pessoa pode até apresentar alucinações (ouvindo 
ou vendo coisas que não existem) ou ilusões (distorcendo informações rece­
bidas e acreditando em coisas que não são verdadeiras) (APA, 2014).
O indivíduo com TB também pode apresentar a fase de hipomania, 
um quadro menos intenso de euforia. Nesta fase, há sintomas similares à 
mania, mas em menor intensidade. Comumente no episódio hipomaníaco 
a pessoa se sente melhor que o usual e mais produtiva. Nestes casos, não há 
sintomas psicóticos (alucinações e/ou ilusões). Desta forma, por sentir-se 
bem e causar problemas menos graves, a fase de hipomania pode, frequen­
temente, levar a pessoa a demorar mais para buscar tratamento ou, estando 
em tratamento, concluir que pode parar a medicação (Kapczinski, 2009).
Diferentemente das fases maníacas e hipomaníacas, na fase depressi­
va grave a pessoa se sente triste, melancólica ou apática. Perde o interesse 
por atividades que normalmente gosta e pode apresentar sintomas como: 
insônia ou sono excessivo; perda ou excesso de apetite; problemas de con­
centração; dificuldade para tomar decisões; sentir-se lento ou inquieto; se 
sentir sem valor ou culpado, ou com autoestima muito baixa; sensação de 
perda de energia, cansaço físico e mental; e/ou apresentar pensamentos de 
morte. Em alguns casos de depressão severa a pessoa pode apresentar alu­
cinações/ilusões e também a necessidade de internação.
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124 Transtorno bipolar do humor
Dica ao terapeuta
É sempre importante enfatizar que nos dias de hoje a internação involuntária só é recomendada 
quando o cliente está em um quadro de forte crise, colocando em risco a própria vida ou a vida 
de outras pessoas. Hoje as internações psiquiátricas são menos frequentes e duram menos 
tempo, em função das campanhas de desinstitucionalização, evolução dos tratamentos e do 
entendimento de que, em muitos casos, é mais benéfico o tratamento sem a internação.
Além disso, há também os quadros mistos, onde ocorrem de forma 
combinada tanto sintomas da depressão e da mania/hipomania. Ou seja, a 
pessoa pode ficar tanto excitada ou agitada como em estado de mania, mas 
também pode se sentir irritada e deprimida, ao invés de se sentir no topo do 
mundo. E um quadro que também gera muito sofrimento (APA, 2014).
O Manual diagnóstico e estatístico dos transtornos mentais (DSM-5), 
publicado pela Associação Psiquiátrica Americana (APA, 2014), descreve 
quatro tipos de TB: O tipo I é caracterizado por um ou mais episódios 
maníacos ou mistos, geralmente acompanhados por episódios depressi­
vos; o TB tipo II se caracteriza por um ou mais episódios depressivos, 
acompanhados por pelo menos um episódio hipomaníaco; o TB ciclotí- 
mico, que se diferencia por apresentar, por dois anos ou mais, vários pe­
ríodos de sintomas hipomaníacos que não satisfazem os critérios para um 
episódio maníaco e vários períodos de sintomas depressivos sem que se 
preencha todos os critérios para um episódio depressivo.
O TB não ocorre por culpa da pessoa, nem é o resultado de uma 
personalidade fraca ou instável. Ele é uma condição médica tratável, 
para a qual existem medicamentos específicos e tratamentos psicoterápi- 
cos que ajudam a maioria das pessoas (Nardi, 2011).
Acredita-se que haja um componente genético para que uma pessoa 
desenvolva o TB, pois este tende a acontecer em famílias. Além dessa ca­
racterística genética, fatores estressantes que ocorrem ao longo da vida do 
indivíduo atuam como “gatilhos”, os quais podem influenciar no “desper­
tar” de um episódio maníaco ou depressivo, como será explicado a seguir.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 125
Como os meus pensamentos 
influenciam no transtorno bipolar?
De acordo com a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a 
nossa interpretação sobre uma situação vivida influencia diretamente no 
que sentimos, em como agimos e em nossas reações corporais.
Entenda que essas nossas avaliações, em diferentes momentos e con­
textos, podem ser equivocadas, em especial quando estamos com o nível 
de estresse elevado ou em um momento de crise. Mesmo assim, temos a 
tendência de lidar com estes pensamentos como se fossem verdades.
Exemplos:
A - Alberto é uma pessoa com boa autoestima; está em momento da 
vida com o nível de estresse controlado e o humor estável.
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126 Transtorno bipolar do humor
B - Bernardo é uma pessoa que tende a avaliar as situações de uma 
forma pessimista; está em um momento da vida com o nível de estresse 
elevado e o humor irritável.
Repare que diante de uma mesma situação podemos interpretar de 
forma diferente. Quando avaliamos de forma distorcida, vivenciamos 
emoções desconfortáveis desnecessariamente e tendemos a expressar 
comportamentos inadequados (Beck, 1997).
E possível que, com dedicação à terapia, a pessoa consiga enten­
der o seu padrão de interpretação das situações cotidianas. A TCC 
pode ajudar na identificaçãodos pensamentos que podem estar man­
tendo dificuldades, e, no questionamento deles, modificá-los caso não 
sejam realistas. O objetivo da terapia é lhe ajudar a encontrar pensa­
mentos alternativos que irão proporcionar menor intensidade de sen­
timentos desconfortáveis, ou mesmo o desenvolvimento de sentimen­
tos agradáveis, e, por conseguinte, reações comportamentais mais 
apropriadas frente à situação. Assim, haverá maior chance de manter 
o nível de estresse controlado, e isso será fundamental para manter o 
humor equilibrado por mais tempo (Newman, 2002).
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 127
Como o transtorno bipolar 
pode estar sendo mantido?
Todos nós podemos ter momentos de altos e baixos no humor: 
alegria tristeza, raiva dentre outras emoções são normais diante de 
determinados momentos do seu cotidiano. Entretanto, como já vi­
mos anteriormente, no caso do TB a pessoa tem oscilações de hu­
mor fora de proporção, ou totalmente desconexas frente aos aconte­
cimentos da vida, afetando diretamente seus pensamentos, senti­
mentos, comportamentos, além de danos significativos tanto na sua 
saúde física quanto mental.
A Figura 9.4 explica como o complexo ciclo do transtorno bipolar 
pode ser influenciado por várias variáveis diferentes, seja para se manter 
o humor estável ou para propiciar uma variação intensa de humor.
Um indivíduo com transtorno bipolar aumenta a probabilidade 
de ter variações de humor com maior intensidade e frequência se este:
- não fizer uso do medicamento prescrito em dose e horários cor­
retos, ou não fizer ajustes no tratamento farmacológico quando 
necessário;
-se deparar com fatores estressores internos (pensamentos distor­
cidos e preocupações improdutivas) e/ou fatores estressores exter­
nos (situações problemáticas reais ou conflitos);
- mantiver um plano de atividades irregular ou com sobrecargas, 
com horários inadequados e maus hábitos na rotina de sono-vi- 
gília;
- não reforçar “pilares” essenciais para haver um maior contro­
le do nível de estresse e melhor qualidade de vida, tais como 
uma alimentação saudável, momentos de relaxamento/lazer 
com qualidade, exercício físico regular e trabalhar o modo 
de pensar.
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128 Transtorno bipolar do humor
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 129
Como posso lidar com 
o transtorno bipolar?
O tratamento farmacológico se constitui como importante ele­
mento de controle dos sintomas presentes no TB. Aliado a ele está a 
TCC, que apresenta excelentes resultados no tratamento desse transtor­
no através das estratégias citadas a seguir (Costa et al., 2010).
• Psicoeducação: A reflexão sobre um texto informativo como 
este é muito importante para o sucesso do tratamento. 
Compreender questões relativas à natureza e ao tratamento des­
se transtorno, provendo ensinamentos teóricos e práticos à pes­
soa que possui TB, contribui para que a mesma possa lidar me­
lhor com a doença, diminuir o estigma associado e se motivar 
na colaboração do tratamento.
Dica ao terapeuta
A psicoeducação é parte essencial no tratamento, pois uma vez dada informações sobre o 
TB, possibilitando ao cliente ensinamentos sobre o mesmo, é mais provável que ele possa 
lidar melhor com a sua doença e entender a necessidade do cumprimento de determinadas 
estratégias propostas em sessão. Além disso, a psicoeducação facilita uma melhor com­
preensão, por parte do cliente, das diferenças entre as suas características pessoais e as 
características relacionadas ao transtorno.
• Adesão à medicação: O tratamento farmacológico tem papel 
decisivo no controle dos sintomas do TB. Assim, o terapeuta ten­
tará manter contato com o médico que faz o acompanhamento 
da pessoa com TB, e este poderá explicar a importância, os possí­
veis efeitos benéficos e colaterais da medicação. E importante 
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130 Transtorno bipolar do humor
deixar claro que não pode haver nenhum tipo de mudança por 
conta própria no esquema medicamentoso prescrito pelo médico 
— pausas, atrasos, diminuição ou aumento de dosagens —, pois 
isso poderá influenciar na ocorrência e na gravidade de episódios 
tanto depressivos quanto maníacos.
É importante que o terapeuta acompanhe, com frequência, o uso dos medicamentos por 
parte do cliente, perguntando se o mesmo o tem feito de acordo com o prescrito pelo médico. 
Caso haja alguma queixa, como o relato de não adesão ao tratamento medicamentoso, é 
interessante indicar ao cliente que entre em contato com o seu psiquiatra para que juntos 
possam esclarecer dúvidas e, caso necessário, seja feita mudança no tipo ou dose dos 
medicamentos para que o tratamento possa ser mais efetivo.
• Identificação e mudança de pensamentos que geram sentimen­
tos desconfortáveis: Durante o tratamento, o terapeuta cogniti- 
vo-comportamental dará um enfoque especial aos pensamentos 
que o indivíduo expressa, fazendo uma conexão destes com os 
sentimentos e as reações tanto fisiológicas como comportamen­
tais. Estes pensamentos podem ser distorcidos e, a partir do uso 
de estratégias de questionamento lógico/racional, podem ser mo­
dificados.
• Manejo de sintomas: O terapeuta ensinará estratégias para que 
o indivíduo possa se automonitorar e acompanhar a sua evolu­
ção. A pessoa com TB aprenderá a avaliar o próprio humor, a 
qualidade do sono, regular o ritmo das atividades diárias e re­
gistrar possíveis efeitos colaterais das medicações (Basco & Rush, 
1996; Juruena, 2001; Rangé, 2001).
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 131
Será que eu posso conseguir?
Primeiramente, procure conhecer o TB o máximo que puder! Visto 
que o transtorno é uma condição crônica, é essencial que você e sua família 
aprendam tudo sobre o TB e seu tratamento. Peça sugestões de livros con­
fiáveis ao seu terapeuta e médico, converse com eles sobre os tratamentos e 
entenda como funcionam seus medicamentos. Um cliente bem informado 
é um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento. Caso este­
ja descontente com o tratamento psicológico ou psiquiátrico que está rece­
bendo, expresse isso aos profissionais que lhe dão suporte. E essencial haver 
um bom vínculo e uma boa comunicação entre vocês.
Sugerimos que você siga as dicas a seguir.
• Tente manter um padrão de sono estável. Vá para a cama aproxi­
madamente na mesma hora, toda noite, e levante-se também na 
mesma hora aproximada. Padrões irregulares de sono parecem 
causar mudanças químicas no seu corpo que podem desencadear 
episódios agudos de mudança de humor.
Dica ao terapeuta
Para ajudar o cliente a lidar com variações no sono, o terapeuta pode aplicar técnicas de 
relaxamento e higienização do sono.
• Mantenha um padrão de atividade regular, evitando se sobrecar­
regar de tarefas árduas.
• Não abuse do álcool e não use drogas ilícitas. Estas substâncias 
químicas causam um desequilíbrio no funcionamento do seu cé­
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132 Transtorno bipolar do humor
rebro. Isto frequentemente causa episódios de humor e interfere 
diretamente no sucesso da medicação.
• Seja muito cuidadoso com o uso diário de pequenas doses de ál­
cool, cafeína e medicamentos para resfriados, alergias e dor. 
Mesmo pequenas quantidades destas substâncias podem interfe­
rir no sono, no humor ou no efeito de seu medicamento.
• Envolva a família e amigos próximos em seu tratamento. Se to­
dos aprenderem o máximo sobre oTB, você poderá minimizar 
os conflitos que o transtorno pode causar.
• Tente desenvolver suas habilidades sociais para facilitar as rela­
ções familiares e sociais.
• Tente reduzir o estresse no trabalho. E claro que você quer fazer 
o seu melhor, mas lembre-se que evitar sobrecarga de tarefas e 
obrigações diminui a possibilidade de recaídas, o que, por sua 
vez, irá aumentar a regularidade na sua produtividade. Se as mu­
danças de humor interferem na sua habilidade de trabalhar, dis­
cuta com seu médico e com o seu terapeuta.
0 que eu aprendi e como 
posso passar para ação?
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 133
Bibliografia sugerida para 
consulta do terapeuta
Basco, M. R.. & Rush, A. J. (1996). Terapia 
cognitivo-comportamental para transtorno bi­
polar. New York: Guilford Press.
Kapczinski, F. et al. (2009). Transtorno bipo­
lar. Teoria e clínica. Porto Alegre: Artmed. 
Neto, F. L. (2004). Terapia comportamental 
cognitiva para pessoas com transtorno bipolar. 
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A cognitive therapy approach. Washington: 
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Goodwin, F. & Jamison, K. (1990). 
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10
Transtornos alimentares
Monica Duchesne
Thiago Rodrigues de Santa Dias
O que são transtornos alimentares?
Os transtornos alimentares (TAs) são definidos por uma persistente 
inadequação do comportamento alimentar que pode levar a graves prejuí­
zos clínicos, psicológicos e sociais. Serão descritas a anorexia nervosa (AN), 
a bulimia nervosa (BN) e o transtorno da compulsão alimentar (TCA). A 
AN pode ocorrer quando a pessoa se recusa a manter seu peso corporal em 
nível igual ou acima do mínimo adequado para sua idade e altura devido a 
um medo intenso de se tornar gorda. Um aspecto que contribui para esse 
medo é que a magreza e a forma corporal são fatores muito importantes 
para a autoestima da pessoa com AN. Neste TA, pode haver também um 
distúrbio relacionado à imagem corporal que faz com que a pessoa perceba 
seu corpo como estando mais gordo do que realmente está. Em função des­
se distúrbio, mesmo quando o peso já está muito baixo, a pessoa continua 
voluntariamente realizando dietas progressivamente mais rígidas.
A BN é identificada por episódios de compulsão alimentar (ECAs) 
recorrentes. Esses episódios são representados pela ingestão de uma quan­
tidade de alimentos maior do que a maioria das pessoas normalmente 
consumiría em situações cotidianas semelhantes, considerando-se um pe­
ríodo de tempo semelhante. Durante esses episódios, a pessoa pode sentir
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 135
perda de controle sobre seu comportamento alimentar, tendo dificuldade 
em parar de comer ou em controlar o tipo de alimento consumido. Em 
seguida aos ECAs, para evitar o ganho de peso, a pessoa com BN pode 
realizar comportamentos compensatórios inadequados, tais como: dietas 
muito restritivas ou jejum, indução de vômito, exercícios físicos em exces­
so e/ou uso de laxantes e diuréticos.
O TCA se caracteriza por ECAs recorrentes, semelhantes aos da BN. 
Os ECAs estão associados a três ou mais dos seguintes aspectos: comer 
muito mais rapidamente do que o normal; comer até sentir desconforto 
físico; comer grandes quantidades de alimento, mesmo sem fome; comer 
sozinho, em razão da vergonha pela quantidade de alimentos consumidos 
e sentir muita tristeza ou culpa após comer excessivamente. Embora seja 
fonte de grande sofrimento, não há o uso regular de comportamentos 
inadequados após os ECAs para controle de peso, característicos da BN. 
Algumas pessoas com TCA podem apresentar obesidade também.
Os TAs podem ocasionar dificuldades em vários aspectos da vida. 
Por exemplo, podem causar graves problemas cardíacos, gastrointesti­
nais, hormonais, infertilidade, imunidade baixa, osteoporose, danos aos 
dentes, queda de cabelo, pele ressecada, unhas quebradiças, entre ou­
tros. Entretanto, o impacto dos TAs pode ir muito além dos prejuízos 
para a saúde. Se você tem um TA, a preocupação com comida e aparên­
cia pode ser tão intensa e frequente que acaba sendo muito difícil se 
concentrar em outras coisas, o que pode piorar seu desempenho na es­
cola ou no trabalho. A desnutrição ou a dificuldade para controlar a ali­
mentação podem levar você a se sentir muito irritado, culpado, triste e 
ansioso. Em alguns casos, os TAs também podem ter impacto na vida 
social e familiar, levando a muitos conflitos e isolamento social.
Se você se identificou com algumas características descritas aqui, 
mesmo que você não apresente todos os sintomas descritos, é importante 
que você procure consultar um profissional especialista para que ele o aju­
de a identificar se você tem uma forma parcial de TA. O que você precisa 
mesmo saber é que um tratamento pode sim ajudá-lo. Você pode apren­
der estratégias para superar a compulsão alimentar e o uso dos métodos
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136 Transtornos alimentares
compensatórios inadequados, melhorar sua percepção corporal, aumentar 
a sua autoestima, aprender a lidar com a ansiedade, a culpa e a tristeza, 
melhorar sua relação familiar e com seus amigos e, se você precisa perder 
peso, também pode aprender a fazê-lo da forma correta.
Dica ao terapeuta
É importante desenvolver a motivação para a terapia. Particularmente no caso da AN, 
envolver os pacientes no tratamento pode ser um desafio, uma vez que há aspectos do 
TA que eles não desejam modificar (p. ex.: baixo peso e redução da ansiedade obtida por 
meio dos métodos compensatórios). Para aumentar a adesão, o primeiro passo é educar 
o paciente sobre os efeitos psicológicos, sociais e clínicos de manter o TA, e ajudá-lo a 
focalizar nas desvantagens de manter o atual padrão de funcionamento. Outro aspecto que 
ajuda a aumentar a motivação é sinalizar que o tratamento não vai focar só em alimentação, 
mas também na melhora de outros aspectos importantes para o paciente, tais como: baixa 
autoestima e dificuldades de relacionamento interpessoal.
Como os meus pensamentos influenciam 
no transtornoalimentar
A maioria das pessoas julga seu valor pessoal com base no seu de­
sempenho em uma variedade de aspectos da vida. Entretanto, pessoas 
com TA valorizam principalmente a forma corporal e a capacidade para 
se manter magras e são muito exigentes com relação a esses aspectos. 
Isso significa dizer que, se você tem um TA, a magreza, a forma corporal 
e a capacidade para controlar a sua alimentação podem estar muito as­
sociados a sua autoestima e você pode considerá-los os principais indi­
cadores de seu valor como pessoa. Pode pensar que as outras pessoas 
também irão julgar seu valor com base na magreza e que você só será 
valorizado se estiver com um corpo perfeito.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 137
O modo como pensamos influencia diretamente nossos sentimen­
tos, comportamos e reações físicas. Por exemplo, pensar “Tenho que ter 
um corpo muito magro para ser aceito” pode levar a um medo excessivo 
de engordar e sentimentos de intensa tristeza, frustração e culpa quando 
a pessoa come algo que considera excessivo. Para obter alívio desses sen­
timentos, às vezes ela utiliza os comportamentos compensatórios inade­
quados anteriormente descritos para perder peso. A seguir está um es­
quema que vai ajudá-lo a entender melhor essa relação.
Embora na atualidade quase todo mundo se preocupe com a pró­
pria aparência, as pessoas com TA apresentam expectativas muito altas 
sobre a importância da magreza na realização das metas pessoais de 
vida. Se você tem um TA, pode acreditar que a magreza e a capacidade 
para controlar a alimentação são os principais instrumentos para garan­
tir sucesso na vida. Além disso, pode associar a magreza à competência, 
superioridade e autocontrole de modo geral.
Tendemos a achar que o modo como pensamos representa exata­
mente o modo como as coisas são, ou seja, você pode acreditar que to­
dos os seus pensamentos são verdades absolutas. Contudo, em alguns
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138 Transtornos alimentares
momentos, podemos ter a tendência a interpretar os acontecimentos de 
um modo distorcido. Isso significa dizer que você pode estar exageran­
do a importância de alguns aspectos da sua vida e sofrendo sem necessa­
riamente precisar. Tente refletir sobre seus pensamentos, sentimentos e 
comportamentos. A magreza pode ter sua importância no sentimento 
de causar bem-estar e pode ser uma meta a ser alcançada pelas pessoas 
de modo geral. Entretanto, você já refletiu se seu padrão atual de fun­
cionamento o levou a atingir todas as suas metas de vida? Se você em 
algum momento ficou verdadeiramente satisfeito com a sua aparência? 
Se, além de fazer esforço para emagrecer, você tem investido em outros 
aspectos da sua vida? Por outro lado, já pensou se há desvantagens em 
manter seus padrões atuais de comportamento? Já refletiu sobre quais 
são as consequências de longo prazo de manter seu atual estilo de vida? 
Caso você perceba que a resposta para alguma dessas perguntas indica 
que você deve mudar algum aspecto da sua vida, buscar por auxílio te­
rapêutico pode ser importante para a melhor compreensão do seu pa­
drão de pensamentos, sentimentos e comportamentos.
Dica ao terapeuta
Terapeuta, ensinar seu paciente a identificar seus pensamentos automáticos e crenças 
centrais é fundamental para, posteriormente, trabalhar com reestruturação cognitiva. É 
importante ajudar o paciente a analisar a principais consequências negativas da super- 
valorização do peso e de seu controle. Ele deve ser ajudado a concluir que, com exceção 
de uma sensação de vitória por ter obtido perda de peso, os demais aspectos da vida dele 
estão bastante comprometidos: isolamento social, sofrimento associado à utilização dos 
métodos compensatórios, pensamentos obsessivos sobre alimentação, contínua insatisfação 
com a imagem corporal, entre outros. Uma técnica que pode ajudar na reestruturação 
do sistema de crenças é criar um gráfico no “formato de pizza. 0 tamanho de cada fatia 
representaria o grau de importância atribuído a cada aspecto da vida do paciente e o grau 
de investimento que ele faz em cada um dos diferentes aspectos identificados. Ao final 
da tarefa, fatores associados ao peso, formato corporal, alimentação e capacidade para 
controlá-los representarão as maiores fatias do gráfico. Você deve direcionar o tratamento 
de modo que o paciente possa reduzir o tamanho da fatia da pizza associada à forma e ao 
peso corporal, aumentando a importância de outras características para a autoavaliação e o 
grau de investimento em outros aspectos da vida dele (Fairburn, 2008).
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 139
Como o meu problema pode 
estar sendo mantido?
Além das altas expectativas sobre a importância da magreza, vá­
rios outros fatores associados podem ajudar a manter um TA: a tenta­
tiva de adotar uma dieta muito rígida, o uso de métodos compensató­
rios inadequados para perder peso, dificuldades com autoestima e au- 
toaceitação, dificuldades de relacionamento interpessoal, perfeccionis­
mo, dificuldades familiares e dificuldades para lidar com problemas 
em geral.
Suas idéias supervalorizadas sobre a importância da magreza, as­
sociadas ao distúrbio de imagem corporal que dificulta que você per­
ceba corretamente seu formato corporal, podem levar você a adotar 
dietas cada vez mais rígidas. Entretanto, a restrição alimentar excessiva 
favorece a ocorrência dos ECAs. Assim, forma-se um círculo vicioso 
no qual a dieta restritiva favorece a ocorrência dos ECAs, que aumen­
ta a preocupação com o ganho de peso, levando à intensificação da 
restrição alimentar e novamente aos ECAs. Em geral, a compulsão 
está associada ao pensamento “tudo ou nada”. Por exemplo, quando 
você come um pouco além do que planejou, pode pensar: “Já que saí 
da dieta, vou comer tudo que eu puder porque amanhã começarei um 
regime bem rígido”. Um aspecto importante que você deve considerar 
é que a dificuldade para seguir uma dieta excessivamente restritiva não 
está em você, não é uma deficiência pessoal para controle da alimenta­
ção, mas sim uma perspectiva pouco realista sobre as dietas restritivas. 
Os profissionais da área de saúde mais atualizados não prescrevem die­
tas muito rígidas porque as pessoas em geral não conseguem mantê-las 
por muito tempo.
A seguir está um esquema que vai ajudá-lo a compreender melhor 
os vários fatores envolvidos na manutenção do TA.
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140 Transtornos alimentares
Como você pode ver na Figura 10.2, um fator importante na manu­
tenção dos TAs é a utilização de métodos compensatórios, estratégias que 
a pessoa acaba desenvolvendo para sentir-se menos culpada pela sua difi­
culdade em controlar seus hábitos alimentares. Para neutralizar o ganho 
de peso depois de ter comido mais do que desejava, ela costuma jejuar no 
dia seguinte, fazer muito exercício físico, induzir vômito e/ou usar laxan­
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 141
tes e diuréticos. Na prática, esses comportamentos podem favorecer a 
ocorrência de mais ECAs. Por exemplo, são comuns os pensamentos: “Já 
que vou vomitar, posso comer tudo que eu quiser sem engordar” ou 
“Posso me permitir ter os ECAs porque posso compensar com bastante 
exercício”. Uma informação que seria importante você saber é que a in­
dução de vômito e os laxantes e diuréticos não são métodos eficientes 
para perder peso e trazem vários problemas clínicos. Embora os métodos 
compensatórios possam trazer algum grau de alívio imediato, em longoprazo, esses comportamentos acabam piorando o TA por manterem os 
ECAs e os pensamentos referentes a ter baixo autocontrole.
Outro fator que também contribui para a manutenção dos TAs é 
chamado “checagem corporal”. As pessoas com TA podem gastar muito 
tempo examinando o próprio corpo várias vezes ao dia. Entretanto, essa 
checagem repetitiva mantém a insatisfação com a forma corporal e a preo­
cupação excessiva com a aparência porque a pessoa, na prática, presta 
atenção seletivamente para as partes do corpo que considera insatisfató­
rias, ao invés de avaliar também as partes positivas do corpo. Esse padrão 
de comportamento mantém o pensamento de que a pessoa é gorda e im­
perfeita e deve aumentar o esforço para emagrecer mais. Um importante 
aspecto que você, que sofre com algum tipo de TA, precisa considerar é 
que talvez sua percepção do seu corpo possa estar distorcida.
Dica ao terapeuta
Terapeuta, é muito importante explicar para o paciente todos os círculos viciosos que mantêm o 
TA e os pensamentos e crenças disfuncionais associadas. Para motivá-lo a mudar, você também 
pode explicar todas as consequências clínicas relacionadas ao uso dos métodos compensatórios. 
Com relação aos laxantes e diuréticos, por exemplo, deve ser explicado que eles são métodos 
ineficazes de emagrecimento, uma vez que não impedem a absorção das calorias ingeridas 
durante os ECAs, causando apenas perda temporária de líquidos. Adicionalmente, é útil 
enumerar as complicações clínicas decorrentes da indução de vômito e do exercício excessivo, 
incentivando a diminuição gradativa do uso do métodos compensatórios.
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142 Transtornos alimentares
Como posso lidar com 
o transtorno alimentar?
As pessoas com TA têm muita vergonha de seus hábitos alimenta­
res e, muitas vezes, os escondem das pessoas próximas que podem aju­
dar. Você pode perceber que se afastou de familiares e amigos com 
medo de que eles julguem seu comportamento ou não entendam suas 
dificuldades. Uma questão importante é: você não precisa lidar com todas 
as suas dificuldades sozinho. A Terapia Cognitivo-Comportamental 
(TCC) poderá ensinar a você diversas técnicas que o ajudarão a melho­
rar seu autocontrole e superar o TA. A seguir estão alguns exemplos.
Registro da alimentação: você aprenderá a fazer um diário ali­
mentar que pode ajudá-lo a entender melhor seus hábitos alimentares, 
os fatores que o fazem comer de forma inadequada, assim como seus 
pensamentos e sentimentos associados (Agras, 2008).
Padrão regular de alimentação: você poderá aprender a sustentar 
um padrão regular de alimentação, o que o ajudará a diminuir a com­
pulsão alimentar.
Organização dos hábitos alimentares: o tratamento poderá ajudar 
você a lidar com refeições realizadas em viagens, restaurantes e festas, quan­
do há muita exposição a alimentos e você pode ter dificuldade para contro­
lar sua alimentação. De forma geral, ele vai ajudar você a desenvolver um 
estilo de vida que o capacite a controlar melhor seus hábitos alimentares.
Treinamento em resolução de problemas: durante o processo tera­
pêutico você desenvolverá a capacidade de resolver problemas de modo ge­
ral. Muitas vezes o TA piora em função de dificuldades para lidar com as 
pressões do dia a dia, como dificuldades familiares e com os relacionamen­
tos afetivos, dificuldades com o estudo ou trabalho, entre outras. Com o 
tratamento, você conseguirá identificar os problemas assim que eles surgi­
rem, aprenderá diferentes estratégias para enfrentá-los e poderá escolher as 
melhores soluções para cada problema específico.
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Psícoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 143
Regulação de sentimentos: os ECAs e os métodos compensatórios 
podem se tornar uma forma generalizada de aliviar sentimentos desconfor­
táveis, atuando como distração temporária de problemas correntes. Ao lon­
go da terapia você aprenderá técnicas para relaxar, reduzir sua tristeza, raiva, 
culpa e outros sentimentos difíceis de suportar sem recorrer à alimentação 
inadequada e aos métodos compensatórios (Fairburn, 2008).
Desenvolver alternativas à compulsão alimentar: você também 
aprenderá várias técnicas que o ajudarão a lidar com a compulsão ali­
mentar. Após identificarmos todos os eventos que favorecem a ocorrên­
cia dos ECAs, você vai aprender várias habilidades diferentes que po­
dem ajudar você a resistir ao impulso para comer inadequadamente.
Dica ao terapeuta
Terapeuta, você deve ensinar que os ECAs envolvem uma sequência de passos que se 
desenrolam rapidamente, mas que pode ser controlada se o paciente aprender a “desacelerar". 
Portanto, você deve treiná-lo a observar e analisar a sequência de eventos associados aos 
ECAs em tempo real. Primeiro, ele deve identificar o evento que desencadeou os ECAs; 
em seguida, seus pensamentos, crenças, sentimentos e comportamentos na situação. Por 
último, ele deve ser treinado para atuar nos vários pontos do processo, utilizando formas 
adaptadas de comportamento e regulação do humor, além de ser incentivado a melhorar sua 
capacidade para tolerar sentimentos desconfortáveis (Fairburn, 2008).
Aprender a lidar com a imagem corporal: com o tratamento, você 
irá aprender a perceber melhor o seu formato corporal e a refletir me­
lhor sobre suas expetativas relacionadas a aparência.
Desenvolver habilidades interpessoais: algumas pessoas com TA 
podem apresentar timidez, dificuldades para dizer o que pensam e sen­
tem, para lidar com críticas ou negar pedidos por medo de rejeição, en­
tre outras. Se você tiver algum tipo de dificuldade de relacionamento, 
poderá aprender habilidades sociais que melhorarão a qualidade da sua 
relação com as pessoas e o aumento da sua autoestima.
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144 Transtornos alimentares
Avaliar mais profundamente seus pensamentos: no processo da 
psicoterapia você aprenderá a avaliar a maneira como pensa sobre vá­
rios aspectos da sua vida, por exemplo: seu valor como pessoa, suas 
qualidades e defeitos, sua forma corporal e peso, sua capacidade para 
controlar a alimentação, seus relacionamentos, entre outros. Ou seja, 
você aprenderá a identificar se suas interpretações são realmente con­
dizentes com a realidade e se existem formas mais precisas de compre­
ender e lidar com suas dificuldades.
Dica ao terapeuta
As crenças disfuncionais dos pacientes com TAs são sintônicas com a cultura e, às vezes, 
reforçadas pelos familiares. Esse aspecto torna muito importante o estilo terapêutico que inclua 
o “questionamento socrático” do sistema de crenças e o "empirismo colaborativo”, no qual todas 
as estratégias de tratamento são apresentadas como fazendo parte de um processo colaborativo 
no qual terapeuta e paciente atuam como um time para detectar as estratégias que podem ser 
utilizadas para superar os problemas do paciente (Duchesne & Freitas, 2011).
Será que eu posso conseguir?
Um dos fatores envolvidos nos TAs é a ideia de restringir a ali­
mentação para ganhar um sentimento de controle pessoal, em momen­
tos em que você acredita que certos aspectos da sua vida estão fora do 
seu controle. Além disso, você pode ter um TA há muito tempo e pode 
parecer “que é assim que você é”, como se fizesse parte da sua identida­
de. Talvez até você tenha dúvidas sobre como ficaria a sua vida se você 
mudasse. Muitas vezes você pode acreditar que, mesmo que queira, di­
ficilmente conseguirá mudar sua forma de pensar e seus hábitos ali­
mentares e que nunca ficará bem.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 145
É compreensível que seja um desafio para você tentar fazer mu­
danças e enfrentar suas dificuldades.Entretanto, ter uma vida focada, 
quase que o tempo todo, em controlar a maneira como você come, 
sua imagem corporal e seu peso é muito difícil e exige muito de você. 
Além disso, também é muito difícil conviver com os desconfortos 
causados pelos TAs. A TCC tem instrumentos que já ajudaram muitas 
pessoas a melhorar a qualidade de vida delas. O tratamento ocorre de 
acordo com o ritmo mais adequado para você, respeitando as suas di­
ficuldades, e trabalhando para que você consiga se sentir mais prepa­
rado e capaz de lidar com seus problemas. Ao longo do tratamento, 
você será capaz de perceber que existem saídas, soluções possíveis e 
que poderá conseguir sentir-se mais próximo de seus objetivos e dimi­
nuir seu sofrimento. Se você conseguir mudar seus hábitos atuais, po­
derá dar maior atenção a vários aspectos da sua vida e atingir metas 
que antes pareciam muito difíceis de serem alcançadas.
Você já analisou tudo que tem deixado de realizar em função do seu 
TA? Já parou para pensar sobre o quanto você tem se sentido paralisado e 
sem forças? Neste momento, reflita sobre qual seria a melhor opção: optar 
por fazer um tratamento ou manter as atuais dificuldades? Através da es­
colha por um novo rumo, você será capaz de conquistar novos objetivos e 
realizar mudanças que poderão refletir positivamente na sua vida. Dê a 
você mesmo a chance de mudar, que tal tentar?
0 que eu aprendí e como 
posso passar para ação?
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146 Transtornos alimentares
Bibliografia sugerida para 
consulta do terapeuta
Cooper, Z., Fairburn, C.G., & Hawker, D.M. 
(2009). Terapia cognitivo-comportamental da obe­
sidade-. Manual do terapeuta. Sáo Paulo: Roca.
Filippin, M. B. & Scur, M. D. (2016). Terapia 
cognitivo-comportamental no tratamento da 
anorexia nervosa. In I. R. Finger & M. S. O. 
Oliveira (Org.). A prática da terapia cognitivo- 
comportamental nos transtornos alimentares e obesi­
dade (pp. 116-136). Nova Hamburgo: Sinopsys
Kuyken, W, Padesky, C. A, & Dudley, R. 
(2010). Conceituação de casos colaborativat O tra­
balho em equipe com pacientes em terapia cog­
nitivo-comportamental. Porto Alegre: Artmed.
Le Grange, D. & Lock, J. (2008). Tratan­
do bulimia em adolescentes. São Paulo: M. 
Books.
National Institute for Health and Care 
Excellence (2004). Eating disorders: Core inter- 
ventions in the treatment and management of 
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eating disorders. London. Disponível em: www. 
nice.org.uk.
Referências
Agras, W.S & Apple R.F. (2008). Overcoming ea­
ting disorders-. A cognitive-behavioral therapy ap- 
proach for bulimia nervosa and binge eating di- 
sorder (2. ed.). Oxford: Oxford University press.
American Psychiatric Association (2013). 
Diagnostic and statistical manual of mental di­
sorders (5th ed.). Washington: American Psy­
chiatric Association.
Duchesne, M. & Freitas, S. (2011). Transtornos 
alimentares. In B. Rangé (Org.). Psicoterapias cog- 
nitivo-comportamentais-, Um diálogo com a psiquia­
tria (2. ed., pp. 393-408). Porto Alegre: Artmed.
Duchesne, M. (2006). Psicoterapia cognitivo- 
comportamental dos transtornos alimentares. In
M. A. Nunes, J. C. Appolinario, A. L. Galvão, & 
W. Coutinho, (Org.). Transtornos alimentares e 
obesidade (2. ed., pp.125-136). Porto Alegre: 
Artmed.
Fairburn, C. G. (2008). Enhanced cognitive be- 
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Fairburn. Cognitive behavior therapy and eating dis­
orders (pp. 47-183). New York: The Guilford Press.
Fairburn, C. G., Marcus, M. D., & Wilson, G. T. 
(1993). Cognitive-behavioral therapy for binge 
eating and bulimia nervosa: A comprehensive 
treatment manual. In C. G. Fairburn & G. T. 
Wilson (Eds.), Binge eating. Nature, assessment, 
and treatment. New York: Guilford Press.
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11
Esquizofrenia
Heitor Pontes Hirata
Jacqueline Espínola da Paixão
O que é esquizofrenia?
A esquizofrenia é um transtorno mental crônico, com início mais 
comum no final da adolescência ou início da idade adulta. Apresenta 
como principais características alterações dos pensamentos, dos senti­
mentos e das relações com o mundo exterior. Apresentam-se como sin­
tomas característicos da esquizofrenia as alucinações e os delírios, os 
quais são chamados de sintomas positivos. As alucinações mais frequen­
tes sâo as auditivas e as visuais, nas quais o indivíduo ouve e vê coisas 
que as demais pessoas não percebem. Já os delírios são caracterizados 
por uma confusão mental, onde a pessoa apresenta pensamentos ou 
idéias com conteúdos que não correspondem com a realidade, como 
exemplo podem ser citados os delírios persecutórios, no qual o indiví­
duo acredita que está sendo seguido, monitorado e vigiado.
Há também a segunda classe de sintomas, os chamados sintomas ne­
gativos, os quais apresentam como principal característica “a falta de algo”, 
pode-se entender que alguma coisa é “retirada”, como a falta de prazer e 
vontade, incapacidade de expressar emoções e dificuldade de concentração.
Os sintomas positivos são menos duradouros e respondem bem à 
medicação específica a esse tipo de transtorno, os antipsicóticos. En-
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148 Esquizofrenia
tretanto, os sintomas negativos, costumam ser estáveis ao longo do tem­
po e têm uma menor resposta a esse tratamento. Quando não tratadas 
corretamente (ou quando o tratamento não atinge o efeito desejado), as 
pessoas com o diagnóstico de esquizofrenia podem ter prejuízos na qua­
lidade das funções do cérebro (p. ex.: memória, atenção, capacidade de 
planejar, dentre outras), além de passarem a ter mais dificuldades para 
interagir socialmente.
Apesar do tratamento medicamentoso ser fundamental nesse 
tipo de transtorno mental, parte dos clientes têm dificuldades em se­
guir esse tratamento de forma contínua. Muitas vezes deixam de to­
mar os remédios aconselhados por seus psiquiatras ou negligenciam o 
manejo do problema. E comum diminuírem por conta própria a do­
sagem da medicação, esquecer os horários estabelecidos, beber ou fa­
zer uso de substâncias psicoativas, como álcool e drogas. Esses tipos 
de comportamentos contribuem não só para um atraso no tratamen­
to, como também proporcionam o aparecimento de prejuízos como 
dificuldade no pensamento, atenção e, até mesmo, funcionamento 
social os quais se associam a níveis elevados de sofrimento crônico e 
incapacidade funcional e social, ou seja, a pessoa cada vez mais en­
contra dificuldades para interagir e torna-se menos capaz para desem­
penhar tarefas do dia a dia.
Caso você tenha sido diagnosticado com esquizofrenia, ou se 
identificou com o que foi descrito, provavelmente percebe que algu­
mas situações cotidianas, e até mesmo seus próprios pensamentos, 
podem estar confusos, sua concentração pode não ser a mesma, você 
pode se perder nas conversas, pode ter alguns comportamentos con­
siderados estranhos em público ou achar que as pessoas vão perceber 
você como alguém “fora da ordem”. No entanto, se você foi diagnos­
ticado com esse transtorno, é importante saber que há tratamento 
eficiente e que, quando seguidas as devidas recomendações, tanto do 
psiquiatra quanto do terapeuta, o indivíduo poderá ter menos prejuí­
zos no seu cotidiano.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 149
Dica ao terapeuta
É importante normalizar as alucinações de seu cliente ao psicoeducar. Diversas outras 
condições (como depressão grave, luto e uso de substâncias, por exemplo) podem gerar 
alucinações. Fazer o cliente entender que isso não éum grande problema que só ele tem 
ajuda não só na relação terapêutica, mas no processo de tratamento. Muitas vezes as vozes 
são reações a pensamentos automáticos. Ao saber que outras pessoas podem apresentar 
isso, a experiência pode tornar-se menos perturbadora.
Como os meus pensamentos 
influenciam na esquizofrenia?
Caso você tenha recebido o diagnóstico de esquizofrenia, é possível 
que se sinta confuso com os seus próprios pensamentos. Eles podem lhe 
“roubar” a atenção em boa parte do tempo. As vezes eles podem surgir 
como vozes que dizem coisas sobre si, e que você não gosta de ouvir ou 
teme serem verdadeiras. Elas podem surgir na primeira ou terceira pessoa. 
Por exemplo: “Eu sou esquisito demais” ou “Ele é burro” (como se al­
guém estivesse dizendo algo a seu respeito). Esses pensamentos, por serem 
percepções reais para você, são bastante perturbadores e podem acabar 
aumentando bastante seu nível de estresse, o que o deixa mais vulnerável 
a crises, ou seja, apresentar as alucinações e/ou delírios. Assim sendo, é de 
grande importância que, aliada à medicação, você também tenha a ajuda 
de uma psicoterapia, pois, assim, poderá identificar e modificar seus pen­
samentos, identificando o que é “real” e o que tem relação com a esquizo­
frenia. Terapia Cognitivo-Comportamental, uma abordagem que traba­
lha com os pensamentos e a sua relação com os sentimentos e comporta­
mentos, pode ser útil nesse processo. A seguir há um esquema que pode 
facilitar uma melhor compreensão dessa relação mencionada.
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150 Esquizofrenia
Como o meu problema pode 
estar sendo mantido?
A esquizofrenia é um transtorno mental que requer tratamento 
continuado pelo resto da vida. Nesse sentido, é de extrema importância 
a correta utilização da medicação prescrita pelo seu psiquiatra. Qualquer 
reação desagradável a esta medicação deve ser relatada ao médico, e 
nunca deve ocorrer a suspensão da medicação por conta própria. Além 
disso, algumas medidas podem ser tomadas para que o impacto do 
transtorno seja menor, entre elas, a psicoterapia. Alguns fatores podem 
interferir na piora do quadro ou na não melhora, como: 1) interrupção 
do tratamento ou não segui-lo conforme recomendação; 2) estressores 
familiares; 3) má alimentação; 4) uso de drogas; 5) não engajamento 
em hobbies e atividades de lazer, dentre outros.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 151
Dica ao terapeuta
É importante manter contato com o psiquiatra de seu cliente. Somente ele fará modificações 
na medicação. Qualquer problema relatado pelo cliente quanto à medicação pode ser 
conversado com o médico. A partir de uma proposta de resolução de problemas, você e 
seu cliente podem, juntos, considerar a possibilidade de conversar com o psiquiatra sobre a 
medicação em determinado momento. Além disso, gera segurança para o cliente saber que 
os profissionais que cuidam dele estão em sintonia.
Como posso lidar com a esquizofrenia?
Por muito tempo, a principal forma de tratamento para clientes 
gravemente comprometidos por transtornos mentais como a esqui­
zofrenia estava relacionada ao uso de medicação, os antipsicóticos. 
Entretanto, apesar do tratamento medicamentoso adequado, muitos 
clientes permaneciam com dificuldades. Isto revelou a necessidade 
de acrescentar ao tratamento farmacológico as intervenções psicos- 
sociais (como a psicoterapia). Dentre elas, destaca-se a Terapia Cog- 
nitivo-Comportamental, considerada uma das abordagens psicoterá- 
picas com boa eficácia utilizada no tratamento desse transtorno men­
tal (Barreto & Elkis, 2007).
A terapia permite que o cliente possa encontrar novas alternativas 
para seu modo de pensar, não levando tanto em conta o conteúdo das 
alucinações e dos delírios, diminuindo, assim, o impacto deles em sua 
vida. Para uma melbor compreensão, serão citadas a seguir algumas es­
tratégias utilizadas em psicoterapia.
Psicoeducação: O terapeuta irá informar ao cliente e/ou aos seus 
familiares tudo a respeito da esquizofrenia, ou seja, suas características
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152 Esquizofrenia
específicas, como é realizado o tratamento e as demais dificuldades asso­
ciadas à mesma. Através de um melhor conhecimento a respeito do 
transtorno, é possível que tanto o cliente quanto os seus familiares pos­
sam se sentir mais motivados para contribuir no tratamento.
Dica ao terapeuta
É importante que o terapeuta tenha a compreensão de como se constitui a convivência 
do cliente com o seu delírio, tomando todo o cuidado possível de jamais desafiar tais 
crenças. Somente após uma aliança terapêutica bem estabelecida é que se torna viável o 
questionamento das idéias delirantes e também o trabalho de novas evidências procuradas 
por parte do terapeuta e cliente. Ao se falar das explicações científicas da esquizofrenia, é 
essencial levar em consideração as vivências psicóticas do cliente, procurando conhecer a 
sua própria explicação sobre os seus delírios e/ou alucinações. Também é importante que 
o terapeuta possa auxiliar o cliente a relacionar pensamentos, emoções e comportamentos, 
independente desses serem reais ou não (Nardi, Quevedo, & Silva 2015).
Adesão medicamentosa: O tratamento farmacológico tem pa­
pel decisivo no controle dos sintomas da esquizofrenia. Assim, o te­
rapeuta explica que uma administração bem-sucedida dos remédios 
é essencial para a eficácia do tratamento, deixando evidente que não 
há a possibilidade de haver nenhum tipo de manejo por conta do 
cliente (pausas, atrasos, diminuição ou aumento de dosagens), uma 
vez que estas modificações inadequadas podem influenciar no apare­
cimento e na gravidade de sintomas psicóticos.
Identificação de pensamentos: Durante o tratamento, o terapeuta 
cognitivo-comportamental dará um enfoque nos seus pensamentos, fa­
zendo uma conexão com os seus sentimentos e as suas reações fisiológi­
cas e comportamentais. Os pensamentos podem se manifestar por meio 
do conteúdo delirante ou das alucinações. Algumas explicações alterna­
tivas podem ser sugeridas e talvez elas façam você ver a situação de ou­
tro modo, contribuindo para que se sinta melhor.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 153
Treino em habilidades sociais: Nessa parte do tratamento, o tera­
peuta desenvolve com você formas de auxiliá-lo em situações sociais di­
versas, principalmente aquelas de maior estresse, como problemas coti­
dianos em seu âmbito familiar e a sua reinserçâo social em sua comuni­
dade. Um dos principais objetivos é possibilitar sua maior autonomia 
para que seja capaz de gerir a sua vida com os menores danos possíveis. 
Assim, formas de intervenções que procurem preservar o seu contato 
com a realidade por meio da criação e/ou manutenção de vínculos afeti­
vos, tanto com a família e amigos, devem ser trabalhadas.
Resolução de problemas: Tem como finalidade a criação de es­
tratégias que visem resolver problemas específicos pelos quais o 
cliente possa passar. O terapeuta elabora, em conjunto com o clien­
te, uma lista de problemas atuais. Para cada problema, listam solu­
ções possíveis, avaliam os prós e contras de cada solução, e avaliam 
juntos aquela que parecer mais viável para ser colocada em prática 
no momento.
Será que eu posso conseguir?
Devido aos prejuízos físicos, sociais e psicológicos que a esquizofre­
nia causa, é comum que pessoas com esse diagnóstico possam se per­
guntar se podem conseguir enfrentar todos os desafios que esse transtor­
no pode gerar. A associação do tratamento farmacológico à psicoterapia 
(individual e/ou familiar) auxilia de forma bastante eficaz na diminui­
çãodos sintomas desse transtorno.
Além de auxiliar no manejo dos sintomas, a psicoterapia poderá 
possibilitar o desenvolvimento de habilidades necessárias para que 
você possa lidar com situações conflituosas em seu cotidiano de forma
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154 Esquizofrenia
autônoma, enfrentando problemas, sendo capaz de restabelecer laços 
sociais, aumentando, assim, sua qualidade de vida nas esferas social, 
familiar e profissional.
Por último, vale a pena destacar a importância de aprender a con­
viver com esse transtorno, de forma a compreender suas características e 
saber como lidar com cada uma delas, já que compreendemos que a 
melhor forma de lidar com o problema é conhecendo-o.
O que eu aprendí e como 
posso passar para ação?
Bibliografia sugerida para 
consulta do terapeuta
Bcck, A.T., Rector, N.A., Stolar, N., & Grant, Kingdon, D. G. & Turkingtin, D. (2012).
P. (2010). Terapia cognitiva da esquizofrenia. Terapia cognitiva da esquizofrenia. São Paulo:
Porto Alegre: Artmed. LMP Editora.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 155
Referências
Barreto, E. M. P. & Elkis, H. Evidências de 
eficácia da terapia cognitiva comportamental na 
esquizofrenia. (2007). Recuperado de: http:// 
www.scielo.br/scielo.php?script = sci_ 
arttext&pid=S0101-60832007000800011. 
Acesso em: nov. 2016.
Beck, A.T., Rector, N.A., Stolar, N., & Grant, 
P. (2010). Terapia cognitiva da esquizofrenia. 
Porto Alegre: Artmed.
Beck, J. S. (1997). Terapia cognitiva: Teoria e 
prática. Porto Alegre: Artmed.
Kingdon, D. G. & Turkingtin, D. (2012). 
Terapia cognitiva da esquizofrenia. São Paulo: 
LMP Editora.
Nardi, A. E., Quevedo, J., & Silva, A. G. 
(2015). Esquizofrenia: Teoria e clínica. Porto 
Alegre: Artmed.
Werneck, B. (2010). Terapia cognitiva da es­
quizofrenia: Reconstruções a partir da feno- 
menologia. Recuperado de http://www.polbr. 
med.br/anol0/pcl0410.php. Acesso em: nov. 
2016.
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12
Transtornos de controle 
dos impulsos
Heitor Pontes Hirota 
Fernanda Maia Dias
O que são transtornos de 
controle dos impulsos?
A impulsividade pode ser caracterizada como uma necessidade repen­
tina e inegável de se comportar imediatamente de determinada forma, o 
que várias vezes leva a consequências nocivas (APA, 2010). Um dos compo­
nentes relacionados a uma maior frequência de comportamentos impulsi­
vos pode envolver características herdadas geneticamente, ou seja, que passa 
dos pais para os filhos. Assim sendo, pode-se entender que a impulsividade 
também pode estar associada a aspectos relacionados ao próprio tempera­
mento (aspecto da personalidade com base biológica) da pessoa ou a uma 
lesão em uma área fundamental do nosso cérebro. De acordo com Abreu, 
Tavares e Cordás (2008), o padrão de comportamentos impulsivos também 
pode ser adquirido por meio de um ambiente que favoreça seu desenvolvi­
mento, isto é, podemos ou não aprender a sermos impulsivos em alguma 
medida. Quando os pais encorajam seus filhos a economizar a mesada dada 
por eles, por exemplo, estão estimulando o desenvolvimento de uma habili­
dade denominada autocontrole. Essa característica é extremamente necessá­
ria para frear os comportamentos impulsivos.
Como afirmado anteriormente, o manejo da impulsividade está for­
temente relacionado ao autocontrole. Para deixar mais claro o que é isso,
* Material psicoedutivo para o cliente disponível em Sinopsys APP ou pelo link www.sinopsys
editora.com.br/psicoeducapp 
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 157
vamos a uma breve história: um psicólogo chamado Walter Mischel 
(Mischel, 2016), há décadas, fez um experimento que consistiu em apre­
sentar um doce chamado marshmallow para uma criança e dizer que ela po­
dería comê-lo naquele mesmo momento ou esperar cinco minutos e ganhar 
mais um. Grande parte das crianças optarou por comer o doce imediata­
mente, ou seja, agiam por impulso. Algumas crianças conseguiram esperar, 
o que demonstrava maior autocontrole. Todas as pessoas podem agir por 
impulso ocasionalmente, o problema é quando isso se torna muito frequen­
te e acaba trazendo prejuízos em várias áreas da vida. Já pensou se tudo (ou 
quase tudo) que temos vontade de fazer não passasse por alguma reflexão? 
Poderiamos comer todos os doces da padaria ou comprar todas as roupas 
da loja ou, ainda, passar dias seguidos navegando na internet!
Os transtornos de controle dos impulsos se estabelecem justamente 
quando a pessoa não é capaz de resistir aos seus impulsos, principalmente 
para praticar um comportamento prejudicial a si própria e/ou aos outros 
(APA, 2010). Esses comportamentos podem violar os direitos dos outros 
(p. ex.: agressão, destruição de propriedade) e/ou colocar o indivíduo em 
importante conflito com normas sociais ou figuras de autoridade. Muitas 
vezes as pessoas possuem alguma forma de controle, mas os impulsos sur­
gem tão fortes que a superam. Isso quer dizer que possuem um problema 
na sua capacidade de autocontrole emocional e comportamental. Geral­
mente, elas percebem um aumento da tensão ou da excitação antes de 
realizar a ação, e uma sensação de bem-estar e alívio após ela.
Quadro 12.1 Exemplos de transtornos
Transtornos Falha de resistir a impulsos recorrentes
Cleptomania
Roubar objetos desnecessários para o uso pessoal 
ou de valor insignificante.
Transtorno explosivo 
intermitente
Agressividade, resultando em sérias agressões 
ou destruição de propriedades.
Tricotilomania Puxar e arrancar os próprios cabelos por prazer ou alívio da tensão, e causar perda de cabelo perceptível.
Dermatotilexomania Ferir a própria pele sem intenção consciente de suicídio.
Piromania Emitir comportamentos incendiários (colocar fogo em objetos e/ou propriedades).
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158 Transtornos de controle dos impulsos
Quando não se consegue inibir certo tipo de comportamento, ele é 
chamado de ato impulsivo. Muitos de nós já falamos algo de que depois 
nos arrependemos, ou já fizemos mais compras do que poderiamos ar­
car, por exemplo. No caso de um transtorno, esses atos impulsivos são 
recorrentes e geralmente estão relacionados a algum tema.
Fase de intenção ou propósito: caracteriza-se pelo momento em 
que os impulsos começam a aparecer e influenciar a pessoa frente a uma 
situação.
Fase de deliberação: é aquela em que a pessoa pensa nos prós e 
contras de cada alternativa que ela tem para lidar com a situação.
Fase de decisão: define o início da ação que a pessoa decidiu realizar.
Fase de execução: se dá por meio de atos realizados para atingir o 
objetivo escolhido.
Dica ao terapeuta
De acordo com o DSM-5, muitos dos sintomas característicos dos transtornos de 
controle dos impulsos se confundem de alguma forma com comportamentos comuns a 
certas fases do desenvolvimento humano (5a edição; American Psychiatric Association 
[APA], 2013). Por exemplo: é esperado que adolescentes apresentem comportamentos 
impulsivos. Do ponto de vista neurobiológico, isso ocorre principalmente porque a porção 
mais externa do córtex frontal, o córtex pré-frontal, ainda está se ajustando ao longo da 
adolescência e ele é uma importante parte integradora entre diferentes regiões do cérebro. 
Por este motivo, esta estrutura é entendida como uma região executora (Siegel, 2016). 
Assim sendo, é fundamental, ao determinar se os sintomas são de fato relacionados 
ao transtorno, que você analise a frequência, a persistência, o nível de propagação nas 
situações e o prejuízo associado em relação ao que é esperado para a idade, o gêneroe 
a cultura do indivíduo.
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Psicoeducação em Terapia Cognítivo-Comportamental 159
Como os meus pensamentos 
influenciam no controle dos impulsos?
Os pensamentos são fundamentais no processo de controle dos im­
pulsos. Eles fazem parte de uma etapa importantíssima que foi descrita 
anteriormente: o processo de tomada de decisão. Vamos a um exemplo: 
imagine que você está querendo emagrecer, mas, em um certo dia, an­
dando pela rua, acaba passando em frente a uma doceria. Na vitrine do 
estabelecimento estão expostas fatias generosas de uma torta que parece 
deliciosa. A massa aerada em conjunto com uma calda farta e morna 
despertam em você uma vontade grande de entrar na loja, comprar e 
devorar uma fatia do doce. Imediatamente podem passar pensamentos 
do tipo “eu preciso de uma fatia dessa torta” ou “não vou aguentar ficar 
sem experimentar” ou ainda “só um pedacinho não fará mal”. Assim 
sendo, guiado ou guiada por esses pensamentos, nem lhe passa pela ca­
beça o emagrecimento. E como se naquele momento, só o prazer da de­
liciosa torta importasse e isso afeta enormemente todo o planejamento 
que você havia feito para perder aqueles quilinhos extras. O que aconte­
ceu, então? Primeiro houve a presença de um estímulo (a torta), isso foi 
o gatilho para o pensamento (“preciso de uma fatia”), o que gerou uma 
espécie de euforia e isso acabou resultando em comer o doce (talvez não 
só um pedaço!). Deste modo, podemos entender que muitos dos nossos 
impulsos sofrem uma ação dos pensamentos que geram uma resposta 
emocional e, ao final, um comportamento.
E bastante comum que pessoas com transtornos de controle de im­
pulsos apresentem o que Beck, Wright, Newman e Liese (1993) chama­
ram de crenças permissivas. Estas podem ser caracterizadas por pensa­
mentos que nós temos para nos darmos permissão para fazer algo, mes­
mo que seja prejudicial no final das contas. No exemplo do parágrafo 
anterior, “só um pedacinho não fará mal” é um exemplo de crença per­
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160 Transtornos de controle dos impulsos
missiva. É importante ressaltar que ter o pensamento em si não é um 
problema. A mente pode ser entendida como uma grande tagarela, pois 
sua atividade é intensa. Basta imaginarmos o seguinte: quantos pensa­
mentos você teve desde a hora que acordou até agora? Não dá para con­
tar, não é mesmo? Muitos desses pensamentos possuem conteúdos que 
nos afastam daquilo que queremos ser (mais saudáveis, mais estudiosos, 
menos endividados, dentre outros) e podemos entendê-los como “taga­
relice” de nossa mente, que não merecem tanto a nossa atenção. É im­
portante, portanto, fazermos uma distinção entre pensamentos úteis e 
inúteis, os primeiros nos ajudam e nos aproximam daquilo que valori­
zamos, ao passo que os segundos atrapalham e nos afastam daquilo que 
é importante (Harris, 2011).
Como os nossos pensamentos influenciam diretamente na forma 
como nos sentimos e agimos diante de situações, eles são importantes 
no tratamento de transtornos de controle dos impulsos. Ao modificar a 
forma como pensamos, tendemos a ponderar mais e antecipar as conse­
quências indesejáveis. Por exemplo: ao avistar a mesma torta do exem­
plo anterior, podemos fazer uma análise de vantagens e desvantagens: 
quais são os benefícios que comer uma fatia me trará? E os malefícios? 
No curto prazo, pode ser que o prazer de saborear o doce entre como 
uma vantagem. No médio ou longo prazo, ocorrerá uma sabotagem do 
plano de emagrecimento. Não emagrecer traz uma série de problemas, 
como, por exemplo, não caber nas roupas, frustrar-se com o próprio 
corpo, evitar tirar fotos, dentre outros. Assim sendo, modificar a forma 
como se pensa auxilia no planejamento das ações, levando em conside­
ração consequências positivas e negativas.
Outra maneira de trabalhar com os pensamentos envolve utilizar 
uma ferramenta denominada reestruturação cognitiva. Esta consiste 
em fazer uma lista de pensamentos alternativos relacionados a um 
pensamento que a pessoa tem e que não parece estar coerente com a 
realidade. Por exemplo, vamos supor que ao levar uma fechada no 
trânsito você tem o pensamento “que idiota, ele fez de propósito” e 
isso o faz ficar com muita raiva. Uma forma de fazer a reestruturação
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 161
cognitiva envolve listar pensamentos alternativos em relação ao pen­
samento inicial como “ele pode ter se distraído” ou “ele pode ser um 
motorista inexperiente” ou ainda “as pessoas podem errar às vezes no 
trânsito”. Ao entender que esses pensamentos são mais prováveis e 
alinhados à realidade, pode ser que aquela forte raiva fique um pouco 
mais branda. Talvez se você se guiasse pelos primeiros pensamentos 
provavelmente iria querer xingar o outro motorista. Ao utilizar a re­
estruturação cognitiva, é possível que não queira mais envolver-se em 
qualquer situação hostil. Podemos perceber, portanto, que os pensa­
mentos influenciam nossa maneira de se sentir e comportar, podendo 
auxiliar na contenção de um impulso.
É muito importante que se desenvolva uma boa relação terapêutica na qual o cliente se sinta 
acolhido e confie no seu trabalho. Planeje e crie estratégias práticas adaptadas às dificuldades 
e individualidades do cliente. Além disso, uma boa psicoeducação é fundamental para que 
o indivíduo se engaje no tratamento. Pessoas com problemas de controle dos impulsos 
provavelmente já tentaram de diversas formas lidar com o problema, não tendo sido bem 
sucedidos. É comum que eles já tenham sido criticados por não conseguirem mudar o 
comportamento. Por isso, é fundamental que o terapeuta se apresente como um parceiro de 
trabalho, no sentido de ajudá-lo a entender e manejar seus problemas.
Como o meu problema pode 
estar sendo mantido?
E provável que este padrão de funcionamento se mantenha por 
pensar e agir sempre da mesma forma. Do ponto de vista do funcio­
namento do cérebro, o comportamento impulsivo favorece uma re­
compensa em curto prazo, que está relacionada à liberação de uma 
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162 Transtornos de controle dos impulsos
substância chamada dopamina, responsável pela sensação de prazer. 
Possivelmente é por isso que uma pessoa continua mantendo a im­
pulsividade e desqualificando as recompensas em longo prazo que o 
autocontrole poderia fornecer. Por falar em autocontrole, conforme 
já mencionado, essa é a palavra-chave para a mudança de hábitos de 
um indivíduo que apresenta comportamentos impulsivos. É por meio 
do desenvolvimento da habilidade de autocontrole que se passa a vi­
sar os objetivos em longo prazo e não o ganho imediato.
Outra forma de se manter os comportamentos impulsivos pode 
estar relacionada ao indivíduo não querer sentir nenhuma forma de 
desconforto, o que, como já vimos anteriormente, não é possível. Ao 
longo da trajetória de vida, é comum nos depararmos com situações 
que causam sensações desagradáveis, e é natural que desejemos evi­
tá-las. No entanto, nem sempre será possível. Lutar para evitar todo 
e qualquer desconforto pode acabar sendo uma armadilha que con­
tribuirá para a apresentação e manutenção dos comportamentos im­
pulsivos.
Como posso lidar com os 
transtornos de controle dos impulsos?
Se você foi diagnosticado e/ou se identificou com o que foi des­
crito anteriormente, saiba que a Terapia Cognitivo-Comportamental 
é uma forma de tratamento psicológico baseado em evidências, ou 
seja, é apoiada por resultados de pesquisas científicas, e possui uma 
série de recursos para ajudá-lo a lidar com esse problema. Ela acon­
tece como uma via de mão dupla, ou seja, ela necessita do empenhodo terapeuta e do cliente para obter resultados efetivos. Por meio 
desse modelo de psicoterapia, você entenderá melhor sobre o que 
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 163
acontece com sua mente e corpo quando possui o transtorno de 
controle dos impulsos. Isso quer dizer que você poderá entender os 
pensamentos que lhe ocorrem, o motivo pelo qual você realiza de­
terminadas ações, além de como e o quanto isso o afeta.
Ao entender seu funcionamento em relação ao problema de con­
trole dos impulsos e ao utilizar as estratégias que o seu terapeuta lhe 
ensinará, você aprenderá formas para trabalhar suas dificuldades, que 
envolvem ferramentas para entender o seu pensamento de outra for­
ma e mudar o seu comportamento. Com isso, você certamente terá 
uma maior possibilidade de controle sobre seus atos.
Para que o tratamento funcione de maneira efetiva, é preciso en­
tender os benefícios de abrir mão de uma recompensa imediata, subs­
tituindo-a pela de longo prazo. Muitas vezes ficamos ansiosos e quere­
mos tudo da forma mais rápida possível. No entanto, se essa pressa es­
tiver atrapalhando você de alcançar seus objetivos, ou estiver o dei­
xando mal, é necessário que encontre uma motivação para mudar essa 
realidade. Além disso, por meio da psicoterapia você poderá perceber 
como interpreta as situações, quais as razões para tal modo de inter­
pretar e poderá aprender novas formas de pensar. Consequentemente, 
também aprenderá como controlar os impulsos. Sendo assim, você 
terá condições de ir substituindo aos poucos esses pensamentos por 
outros mais realistas com ajuda do seu terapeuta.
Dica ao terapeuta
É muito importante que avalie a motivação do seu cliente para o tratamento, assim que se 
iniciar o mesmo, bem como fazer um monitoramento da motivação durante todo o processo 
terapêutico. É útil usar estratégias de entrevista motivacional para auxiliar seu cliente nesse 
processo e favorecer a adesão ao tratamento.
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164 Transtornos de controle dos impulsos
Será que eu posso conseguir?
É provável que muitas vezes você pense que não há solução para o 
seu problema ou que ninguém conseguirá ajudá-lo a mudar sua realida­
de. Esse tipo de transtorno pode trazer prejuízos significativos para a 
sua vida e aos que estão em sua volta. Entretanto, com a ajuda do seu 
terapeuta e seu comprometimento com o tratamento, aliadas às estraté­
gias que você aprenderá durante o processo terapêutico, há grandes 
chances de você reverter essa situação.
E possível que em alguns momentos você queira abandonar o trata­
mento por estar sendo muito difícil e isso é comum. No entanto, lembre-se 
o que está por trás de todo esse problema: os seus valores, tudo aquilo que 
é importante para você e que tipo de pessoa você quer ser. Muitas vezes 
pessoas com transtornos de controle dos impulsos ficam desmotivadas 
com o tratamento. Parte deste problema está relacionada a esperar a moti­
vação antes da ação, o que não costuma ocorrer. Por exemplo: você se 
sente motivado para caminhar ou se motiva ao começar a caminhar? Você 
se motiva para levantar da cama ou ao levantar vem a motivação? Em ge­
ral a ação vem antes da motivação e seu terapeuta poderá lhe auxiliar em 
relação a como usar isso a favor de seu tratamento. Lembre-se que, pelo 
simples fato de ter buscado a terapia, isso já é um ótimo começo e já 
aproxima você daquilo que realmente é importante!
Passar para a ação pode ser a parte mais difícil. E importante que isso 
seja feito aos poucos e que você valorize os seus pequenos esforços rumo ao 
sucesso do tratamento. Cada passo é muito importante para o todo e signi­
fica que você conseguiu colocar o seu autocontrole em prática! Podemos 
ilustrar essa ideia com a imagem de uma escadaria. A cada degrau superado 
estamos mais perto do objetivo, mas não precisamos ficar nos recriminando 
por ainda não ter conseguido subir os outros. Eles serão transpostos no de-
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 165
vido tempo caso mantenhamos o esforço. Além disso, você não estará só. 
Nessa empreitada, você contará com o auxílio de seu terapeuta.
Dica ao terapeuta
É fundamental que o terapeuta reforce todo o simples ganho de seu cliente ao longo do 
tratamento. Cada comportamento de autocontrole é uma vitória, e isso precisa ficar claro 
para o cliente. Ter empatia e entender o quanto é difícil desenvolver autocontrole pode 
ajudar aquele indivíduo em sofrimento a ter suas dificuldades validadas.
O que eu aprendí e como 
posso passar para ação?
Bibliografia sugerida para 
consulta do terapeuta
Abreu, C. N., Tavares, H., & Cordás, T. 
A. (2008). Manual clínico dos transtornos do 
controle dos impulsos. Porto Alegre: Artmed. 
Tavares, H., Abreu, C.N., Seger, L., Mariani, 
M.M.C., & Filomensky, T.Z. (2015). Psiquia­
tria, saúde mental e a clínica da impulsividade. 
Barueri: Manole.
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166 Transtornos de controle dos impulsos
Abreu, C. N., Tavares, H., & Cordás, T. A. 
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Izquierdo, I. (2011). Memória (2. ed.). Porto 
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Siegel, D.J. (2016). Cérebro adolescente: o 
grande potencial, a coragem e a criatividade 
da mente dos 12 aos 24 anos. São Paulo: 
n Versos.
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13
Disfunções sexuais
Antonio Carvalho
Aline Sardinha
Diana Soledade do Lago Camera
O que são disfunções sexuais?
As disfunções sexuais sâo caracterizadas pela ausência ou funcionamen­
to insatisfatório de alguma das fases do ciclo sexual humano: (1) desejo, esta­
do ou sentimento motivador que pode ou náo resultar em comportamento 
sexual efetivo (Leiblum & Rosen, 2000); (2) excitação, sensações físicas que 
preparam o corpo para o sexo, inicia-se a partir de estímulos físicos e/ou psi­
cológicos; (3) orgasmo, ponto mais intenso da excitação sexual, em que a 
pessoa experimenta o auge do prazer, acompanhado de contrações muscula­
res involuntárias; e (4) resolução, quando o organismo, aos poucos, volta à 
fase de repouso, após o orgasmo (Masters & Johnson, 1970).
As disfunções podem estar relacionadas a uma variedade de fa­
tores, tais como, diabetes, hipertensão, vulnerabilidades psicológi­
cas, histórico de traumas, crenças religiosas, famílias muito rígidas, 
desconhecimento sobre o próprio corpo e sobre sexo, além de difi­
culdades de relacionamento com o parceiro ou parceira. As disfun­
ções sexuais masculinas e femininas são descritas no quadro a seguir. 
Convém lembrar que só se caracteriza disfunçâo sexual quando os 
sintomas persistirem por pelo menos seis meses, causando sofrimen­
to significativo para o indivíduo (APA, 2014).
* Material psicoedutivo para ocliente disponível em Sinopsys APP ou pelo link www.sinopsys
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158 D^-nçães sex ais
Quadro 13.1 Disfunções sexuais
Disfunções sexuais masculinas Disfunções sexuais femininas
Transtorno erétil masculino: também chamado de 
disfunção erétil, tem como característica a dificuldade de 
conseguir e/ou manter a rigidez da ereção em todas ou na 
maior parte das atividades sexuais.
Transtorno do orgasmo feminino: ocorre quando, mesmo 
com estímulos sexuais considerados adequados e a presença 
de excitação, o orgasmo demora um tempo prolongado 
para ocorrer ou não acontece na maioria ou totalidade das 
atividades sexuais.
Ejaculação retardada: essa disfunção ocorre quando, 
mesmo com estímulo sexual considerado adequado e a 
presença do desejo de ter uma ejaculação, esta demora um 
tempo prolongado para ocorrer ou não acontece na maioria 
ou totalidade das atividades sexuais. As tentativas de atingir 
o orgasmo podem levar à exaustão e ao desconforto genital.
Transtorno do interesse/excitação sexual feminina: é 
caracterizado pela redução ou ausência de desejo ou 
excitação sexual diante de estímulos sexuais considerados 
satisfatórios pela mulher. As que desenvolvem esses 
transtornos tendem a não buscar o ato sexual ou a pensar 
pouco frequentemente sobre sexo.
Ejaculação prematura: a ejaculação precoce é definida 
pela frequente e persistente ejaculação, que ocorre dentro 
de um minuto após iniciada a penetração ou antes do 
momento desejado pelo indivíduo.
Transtorno da dorgênito-pélvica/penetração: é definido 
pela dor antes, durante ou após a relação sexual, relacionada 
à penetração ou tentativa de penetração vaginal com o pênis 
ou dedo. Em alguns casos, pode haver também a contração 
involuntária da musculatura da vagina ou de todo o assoalho 
pélvico. Tais sintomas podem não se limitar ao contexto 
sexual, ocorrendo em situações como uso de absorventes 
internos e durante exames ginecológicos.
Transtorno do desejo sexual masculino hipoativo: é 
definido pela fantasia, erotização e desejo sexual muito 
reduzidos ou ausentes. Pode estar associado a outras 
disfunções, principalmente à disfunção erétil ou à 
ejaculação prematura.
Agora que você já conhece um pouco mais do funcionamento se­
xual humano e as principais disfunções sexuais, é possível que tenha se 
identificado com alguma delas. Delimitar um diagnóstico com defini­
ções claras pode ajudar a entender como buscar soluções para o proble­
ma. No entanto, isso não será suficiente para o sucesso de seu tratamen­
to. O seu terapeuta cognitivo-comportamental terá o papel de ajudar 
você a eliminar barreiras psicológicas que estejam lhe impedindo de ex­
perimentar uma vida sexual saudável e gratificante.
Ao apresentar a parte inicial deste material ao(a) seu(a) cliente, ele(a) terá uma visão geral 
sobre o funcionamento sexual e sobre as disfunções sexuais e seus sintomas. No entanto, é 
importante deixar claro que a psicoterapia não será focada apenas nas disfunções. Durante 
o tratamento, a dupla terapêutica deve atuar no sentido de identificar os mitos, crenças 
e pensamentos do paciente acerca de si e do ambiente externo que estejam mantendo a 
disfunção, bem como identificar o que mais lhe traz prazer, aumentando sua capacidade 
de fantasiar e erotizar, ou seja, de trazer para a relação sexual estímulos concretos ou 
imaginários que excitem sexualmente os parceiros.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 169
Como os meus pensamentos 
influenciam nas disfunções sexuais?
A maneira como pensamos sobre nós mesmos, sobre o mundo e 
sobre as situações que vivenciamos influencia, e são influenciadas, pelas 
emoções, comportamentos e reações físicas. Sabe-se que emoções desa­
gradáveis e avaliações negativas acerca da sexualidade podem ser deter­
minantes no surgimento e manutenção das disfunções. No Quadro 
13.2, pode-se ver um exemplo de como isso pode ocorrer.
As experiências ao longo da vida também irão servir de bagagem 
para interpretações e pensamentos que surgirão nas situações sexuais fu­
turas. Estamos todo o tempo aprendendo sobre sexo e construindo 
idéias sobre o que é o funcionamento sexual ideal, com quem, quando, 
onde e por que deveriamos fazer sexo. Quando se tem experiências dife­
rentes desse ideal, alguns indivíduos podem se avaliar como inadequa­
dos ou fracassados. Idéias equivocadas sobre o que seria o funcionamen-
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170 Disfunções sexuais
to sexual e sobre o que é esperado do homem e da mulher nesse contex­
to podem promover pensamentos e sentimentos negativos sobre si mes­
mo. Além disso, as próprias avaliações e idéias em relação às disfunções 
podem provocar pensamentos, emoções, comportamentos e reações fi­
siológicas que atrapalham a pessoa na hora do sexo e acabam por man­
ter a disfunção.
Dica ao terapeuta
Você deve buscar toda a história da sexualidade e do funcionamento sexual daquele casal. 
0 sistema de crenças do(a) próprio(a) cliente, de sua família e dos(as) companheiros(as) 
que teve ao longo da vida, pode ser determinante para entender os fatores predisponentes. 
Investigar a existência de eventos críticos no contexto sexual também pode revelar fatores 
que desencadearam o desenvolvimento da disfunção sexual.
Como o meu problema pode 
estar sendo mantido?
Sabe-se que o modo como avaliamos as situações sexuais influencia 
as emoções, os comportamentos e as reações do corpo. Então, ter ava­
liações negativas sobre o próprio desempenho pode atrapalhar bastante 
o funcionamento sexual. Emoções desconfortáveis como ansiedade, ver­
gonha e frustração estão presentes na maior parte das disfunções se­
xuais, tornando o sexo sofrido e pouco prazeroso. Além disso, as preo­
cupações de que a falha sexual ocorra novamente, acabam por dificultar 
que a pessoa relaxe e aproveite a relação sexual.
Se você apresenta uma disfunção sexual, é possível que se sinta mal 
antes mesmo de estar em uma situação sexual, ao pensar na possibilida­
de de falhar e, assim, acabe buscando estratégias como fingir o orgasmo, 
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Com porta mental 171
usar medicamentos para a ereção, entre outros. Quando você faz sexo 
experimentando muitos sentimentos ruins, é possível que fique preocu­
pado com o seu desempenho e muito atento às suas sensações e respos­
tas sexuais, deixando de focar nos estímulos eróticos, no contato com o 
parceiro e no prazer. Todas essas estratégias que aparentemente ajudam 
a enfrentar a situação, no fundo, acabam por manter o problema em 
longo prazo. Isso porque esses mecanismos tendem a reforçar os pensa­
mentos sobre fracassar novamente, atrapalhando a experiência do prazer 
e até mesmo a resposta sexual adequada. Tudo isso mantém a disfunção, 
como podemos observar na figura a seguir.
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172 Disfunções sexuais
Vimos que algumas formas de pensar e algumas estratégias para lidar 
com as disfunções tendem a manter o problema. De forma geral, as pessoas 
encaram seus pensamentos como verdades absolutas, e todos os seres huma­
nos buscam manter uma coerência entre o que acreditam e o que viven- 
ciam. No entanto, o modo como pensamos pode nâo estar totalmente de 
acordo com os dados de realidade. Você já deve ter notado que, quando 
uma situação parece não estar de acordo com o que acredita, temos a ten­
dência de adequar as informações novas ao que se julga ser verdade, o que 
ocorre de forma automática, sem necessariamente nos darmos conta. 
Devido a essa tendência natural,pode ser difícil verificar se o seu modo de 
pensar está, na verdade, deixando passar aspectos positivos enquanto dá ên­
fase aos aspectos que têm gerado incômodo na vida sexual.
Como posso lidar com 
as disfunções sexuais?
A psicoterapia é um passo importantíssimo no tratamento das dis­
funções sexuais, podendo ser utilizada sozinha ou envolvendo outras 
áreas da saúde, como medicina e fisioterapia, dependendo do caso. A 
Terapia Cognitiva Sexual, baseada na Terapia Cognitivo-Comporta- 
mental (TCC), é uma abordagem dentro da psicologia que vem apre­
sentando eficácia no tratamento das disfunções sexuais.
A seguir estão os principais passos do tratamento.
Parceria com o companheiro ou companheira: Sabe-se que uma 
queixa sexual nunca é totalmente individual, ela deve ser trabalhada 
com o apoio e, se possível, participação do parceiro ou parceira. Na psi­
coterapia, você deverá por em prática técnicas e estratégias que poderão 
ajudar a melhorar sua comunicação com seu companheiro e, conse­
quentemente, o relacionamento sexual do casal.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 173
Entender as causas e aprender estratégias para lidar com o pro­
blema: Atualmente, sabe-se que a maioria das disfunções sexuais não 
apresentam causas fisiológicas e, mesmo as que apresentam, possuem al­
gum impacto psicológico. Com a ajuda de um terapeuta cognitivo- 
-comportamental, você poderá identificar quais fatores podem estar 
causando e mantendo sua disfunção. Em parceria, você e os profissio­
nais de saúde que fazem seu acompanhamento poderão decidir que tipo 
de intervenções será mais adequado ao seu tratamento.
Lidar com a ansiedade: Na TCC, você poderá conhecer o me­
canismo de funcionamento da ansiedade e o impacto deste na sua se­
xualidade. Você colocará em prática técnicas de monitoramento do 
pensamento que tornem possível o manejo adequado dos sintomas 
ansiosos.
Mudança de comportamento: Você deverá por em prática téc­
nicas que o ajudem a conhecer e experimentar as reações do seu pró­
prio corpo e do corpo de seu(a) parceiro(a). Essas técnicas poderão 
auxiliar no desenvolvimento de novos comportamentos para as ativi­
dades sexuais. Você também aprenderá a mudar o foco de sua aten­
ção, tirando-o do desempenho e da ansiedade, e transferindo-o para 
as sensações e estímulos prazerosos.
Erotização: A erotização é uma ferramenta fundamental para se 
conectar com o que pode ser mais prazeroso para você. E necessário 
descobrir o que dá prazer a você e ao seu parceiro ou parceira, comuni­
car essas descobertas, tê-las em mente e colocá-las em prática (Sardinha 
& Carvalho, 2016c).
Mudança de pensamento: Na psicoterapia, você aprenderá ma­
neiras de perceber e adequar seus pensamentos aos dados da realidade, 
especialmente no que diz respeito às situações sexuais. Também poderá 
utilizar estratégias para aumentar o leque de possíveis conclusões a res­
peito de tais eventos, levando em consideração aspectos positivos e ne­
gativos dessas interpretações. Isso permite criar idéias mais acuradas e
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174 Disfunções sexuais
flexíveis, o que facilita a dissolução de pensamentos que possam estar 
mantendo as disfunções, colaborando com aumento da satisfação com a 
própria sexualidade e na relação com seu parceiro ou parceira.
Dica ao terapeuta
Ao expor os passos do tratamento, você deve ficar atento para não promover embates com 
o cliente. É de grande importância conhecer os valores pessoais, culturais e religiosos do 
mesmo. Deve ficar claro que as técnicas e estratégias serão propostas de acordo com esses 
valores, de forma que o paciente não se sinta constrangido ou pressionado a ir de encontro 
com o que acredita. Você também deve estar atento ao potencial de reestruturação cognitiva 
que a psicoeducação possui, para que se possa respeitar o ritmo do cliente em confrontar 
suas crenças desadaptativas.
Será que eu posso conseguir?
Até buscar o tratamento adequado, provavelmente você vivenciou 
momentos difíceis lidando com a disfunção sexual. Dentro desse con­
texto, é provável que tenha se sentido sem esperança, acreditando que 
fracassará nas experiências futuras. E, sem dúvida, uma situação que 
causa sofrimento considerável, mas você não é o único a passar por isso, 
as disfunções sexuais são transtornos presentes na vida de muitas pes­
soas. A boa notícia é que por meio da TCC você terá diversos recursos 
para mudar a situação atual e investir em uma melhor vida sexual. Você 
poderá ter o apoio de seu parceiro ou parceira, construindo com ele ou 
ela uma vida sexual prazerosa e gratificante. O seu terapeuta poderá au- 
xiliá-lo trazendo conhecimento e estratégias que você poderá utilizar 
para alcançar seus objetivos dentro da psicoterapia.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 175
Dica ao terapeuta
Para alguns clientes pode ser muito difícil se confrontar e falar abertamente sobre questões 
pessoais relativas à sexualidade, mesmo que acreditem estar diante de um profissional capacitado. 
Por isso, você deve demonstrar-se bastante empático em relação ao sofrimento que ele deve 
estar experimentando. Alguns podem ter receio em relação às técnicas propostas e à atitude do 
terapeuta. Dessa forma, é importante frisar que o processo terapêutico será feito em parceria, e 
todas as intervenções ocorrerão somente com o consentimento do cliente. Espera-se que essas 
atitudes favoreçam a relação terapêutica e motivem a dar início ao plano de tratamento.
O que eu aprendi e como
posso passar para ação?
Bibliografia sugerida para 
consulta do terapeuta
Instituto Paulista de Sexualidade (2001). Apri­
morando a saúde sexual-. Manual de técnicas de 
terapia sexual (2. ed.). São Paulo: Summus.
Carvalho A. C. & Sardinha A. (2017). Terapia 
cognitiva sexual. Rio de Janeiro: Cognitiva
Sardinha, A. & Carvalho, A. C. (2016b). Te­
rapia cognitiva sexual-. Integrando os paradig­
mas cognitivista, comportamental e contex- 
tual no tratamento das disfunções sexuais. 
São Paulo: Instituto Paulista de Sexualidade
Sardinha, A. & Carvalho, A. C. (2016c). 
Terapia cognitiva sexual das disfunções sexuais. 
Porto Alegre: Artmed Panamericana.
Sardinha, A., & Carvalho, A. C. (2016a). 
Terapia cognitiva sexual (ciclo 3, v. 2, pp. 
9-39). Porto Alegre: Artmed Panamericana.
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176 Disfunções sexuais
Referências
Abdo, C. H. (2010). Considerações a respeito 
do ciclo de resposta sexual da mulher: uma 
nova proposta de entendimento. Medicina 
Sexual, 88-90.
Abdo, C. H. N. & Fleury, H. J. (2006). 
Aspectos diagnósticos e terapêuticos das dis­
funções sexuais femininas. Archives of Clinicai 
Psychiatry, 33(3), 162-167.
American Psychology Association (2014). 
Manual diagnóstico e estatístico de transtor­
nos mentais-. DSM-5 (5. ed.). Porto Alegre: 
Artmed.
Antoneli, P. D. (2013). Medicalização da se­
xualidade: Algumas reflexões sobre o manual 
diagnóstico e estatístico de transtornos men­
tais (disfunção sexual) e gênero. Revista de 
Estudos Universitários, 147-159.
Beck, A. (1979). Cognitive therapy and the 
emotional disorders. New York: A Meridian 
Book.
Carvalho, A. (2011). Disfunções sexuais. In 
B. Range (Org), Psicoterapias cognitivo-com- 
portamentais: Um diálogo com a psiquiatria 
(pp. 508-525). Porto Alegre: Artmed.
Instituto Paulista de Sexualidade (2001). 
Apri-morando a saúde sexual-. Manual de téc­
nicas de terapia sexual (2. ed.). São Paulo: 
Summus.
Kaplan, H. S. (1979). Disorders of sexual de- 
sire. New York: Brunner/Mazel.
Leiblum, S. & Rosen, R. (2000). Principies 
and practice of sex therapy (3. ed.). New 
York: GuilfordPress.
Masters, W. H. & Johnson, V. E. (1970). 
Human sexual inadequacy. Toronto/New York: 
Bantam Books.
Moynihan, R. (2003). The making of a dis- 
ease: female sexual dysfunction. Education 
and debate, 45-47.
Sardinha A. & Carvalho, A. C. (2016a). 
Terapia cognitiva sexual (ciclo 3, v. 2, pp. 
9-39). Porto Alegre: Artmed Panamericana.
Sardinha, A. & Carvalho, A. C. (2016b). 
Terapia cognitiva sexual: Integrando os pa­
radigmas cognitivista, comportamental e 
contextual no tratamento das disfunções se­
xuais. São Paulo: Instituto Paulista de Sexua­
lidade.
Sardinha, A. & Carvalho, A. C. (2016c). 
Terapia cognitiva sexual das disfunções sexuais. 
Porto Alegre: Artmed Panamericana.
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14
Tabagismo
Uirandilson Câmara
O que é tabagismo?
O tabagismo está relacionado diretamente à dependência da nicotina, 
que provoca alterações físicas, emocionais e comportamentais na pessoa que 
fuma. É uma substância psicoativa, isto é, produz a sensação de prazer. Ao ser 
consumida, a nicotina produz alterações no cérebro, modificando o estado 
emocional e comportamental do indivíduo, da mesma forma como ocorre, 
por exemplo, com o uso do álcool ou da maconha, dentre outros.
A nicotina é encontrada em todos os derivados do tabaco (cigar­
ros industrializados, charuto, cachimbo, cigarro de palha etc.). No 
caso do cigarro, este contém mais de 4.700 substâncias tóxicas. Seu 
uso pode causar diversas doenças, como, por exemplo, câncer, enfise- 
ma, bronquite, infarto, etc. O tabagismo pode ainda causar impotên­
cia sexual, complicações na gravidez (aborto, parto prematuro) e no 
feto (baixo peso).
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (1997), o tabagismo 
é considerado “um transtorno mental e comportamental” decorrente da sín- 
drome de abstinência à nicotina. Em relação à dependência da nicotina, o 
próprio indivíduo percebe que o uso do tabaco traz problemas que afetam 
a sua vida de alguma maneira, com consequências que afetam a saúde, a
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178 Tabagismo
qualidade de vida, as relações com os familiares, companheiros(as), cole­
gas de trabalho, dentre outros.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (2005), existem 
muitos fatores que podem influenciar ou facilitar a dependência do tabaco: 
1) fatores biológicos, como a predisposição genética, ou seja, os dependen­
tes de nicotina possuem menos receptores de dopamina (substância quími­
ca liberada pelo cérebro que está relacionada a diversas funções, incluindo 
prazer, recompensa, memória e atenção); 2) fatores psicológicos, como o 
estresse, ansiedade, estados de humor negativos (tristeza, solidão e insegu­
rança), traços de temperamento e personalidade, etc.; 3) fatores ambien- 
tais/sociais/culturais, como a imitação de modelos paternos e influência de 
terceiros, sejam parentes, colegas e amigos, propagandas veiculadas pela 
indústria do tabaco e pelos meios de comunicação de massa (internet, tele­
visão, jornais, revistas, etc.).
O tabagismo é considerado a principal causa de morte evitável do 
mundo. A mortalidade pelo uso do tabaco atingiu a cifra de 6 milhões de 
mortes anuais - tanto de uso direto do tabaco como de fumo passivo, 
pois o fumante prejudica quem está perto dele: fumaça aspirada pelo não 
fumante apresenta níveis 8 vezes maiores de monóxido de carbono, 3 
vezes mais nicotina, e até 50 vezes mais substâncias cancerígenas que a 
fumaça tragada, pois a fumaça que sai da ponta do cigarro não passa pelo 
filtro (Alwan et al., 2011). De acordo com a Organização Mundial de 
Saúde, a estimativa é de que em 2020 este número aumente para 7,5 
milhões, e por volta do ano de 2030 para mais de 10 milhões de mortes 
anuais, sendo 50% delas de indivíduos em idade produtiva, ou seja, com 
aptidão para o trabalho (entre 35 e 69 anos) (Alwan et al., 2011).
Dica ao terapeuta
É muito importante que o terapeuta informe ao cliente que a maioria dos fumantes só 
consegue parar de fumar com ajuda profissional, pois apenas 3% da população mundial
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 179
consegue parar sozinha. Importante também fazer o teste de Fagerstrõm, disponível no s/te 
da Aliança de Controle do Tabagismo, para saber o grau da dependência de nicotina, para 
uma avaliação mais eficaz do tratamento. Além disso, deve explicar ao seu cliente que a 
nicotina causa dependência física, psicológica e comportamental, sendo a sua identificação 
fundamental para o tratamento.
_______________________________________ _________________ I
Como os meus pensamentos 
influenciam no tabagismo?
Para compreender melhor o problema do tabagismo, é importante 
saber qual a relação entre o pensamento e o comportamento de fumar 
(APA, 2008; Beck et al., 1993).
Certos pensamentos podem desencadear o comportamento de fumar 
como, por exemplo, quando uma pessoa passa por uma situação e pensa 
que não foi capaz de lidar bem com ela e que foi um fracasso. Nesse caso, 
se a pessoa já tem o hábito de fumar e o considera uma estratégia que o 
alivia das tensões e frustrações, ele vai fumar para buscar o alívio. Ou seja, 
a pessoa vai fumar como uma estratégia para lidar com a frustração que foi 
gerada pelo pensamento de que não foi capaz e que fracassou. Isso aconte­
ce porque a pessoa não teria desenvolvido habilidades suficientes para lidar 
com a frustação e os pensamentos podem fazer com que ela considere o 
uso do tabaco como a única saída, apesar das consequências.
E comum que, quando a pessoa não tem estratégias mais saudá­
veis, sejam desencadeadas idéias permissivas ao uso do tabaco, ou seja, 
idéias que desconsideram as consequências aversivas do uso (p. ex.: 
“Fumar não vai me matar”, “Quando quiser parar, eu paro”) e que au­
mentam a probabilidade da pessoa em se engajar no comportamento 
de fumar. No entanto, embora tal comportamento possa gerar senti­
mento de culpa e de fracasso, por causar alívio de sentimentos desagra­
dáveis, pode contribuir para manutenção do consumo de tabaco 
(Knapp, 2004; Knapp et al., 2001).
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180 Tabagismo
Dica ao terapeuta
É fundamental que o terapeuta ajude o cliente a identificar os “gatilhos” que servem de 
estímulos para usar a nicotina. Algumas perguntas podem ser importantes para ensinar seu 
cliente a identificar seus pensamentos automáticos, o que é necessário para, posteriormente, 
trabalhar com a reestruturação cognitiva. Segue um exemplo de pergunta: 0 que está me 
levando a fumar agora?
Como o meu problema pode 
estar sendo mantido?
Os fumantes podem experimentar preocupações, sentimentos ou 
temores que fazem com que ele continue a fumar, causando obstáculos 
para a cessação (Instituto Nacional de Câncer, 2004). O medo de fra­
cassar, de ganhar peso, da abstinência e da fissura (desejo intenso por 
fumar) são alguns exemplos (APA, 2008). As situações de risco para 
continuar fumando estão ligadas a determinados fatores (Bordin, Fi- 
glie, & Laranjeira, 2015).
a) Fatores internos (psicológicos)
- Estado emocional negativo: depressão, tristeza, estresse, tédio, lu­
to, raiva, etc.
-Estado físico/fisiológico negativo: desconforto ou fissura associa­
dos à abstinência; dor, doença, fadiga, etc.
— Estado emocional positivo: alegria, liberdade, celebração etc.
- Teste de controle pessoal: uso do tabaco para testar a capacidade 
de controle ou uso moderado para “fumar só mais uma vez” para 
ver o que acontece.
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Psicoeducaçãoem Terapia Cognitivo-Comportamental 181
b) Fatores externos (ambiental)
- Influência de outras pessoas: seja de seus parceiros, amizade, em­
prego, conflito, etc.
- Pressão social direta: oferecimento do tabaco por alguém próximo 
a ele.
- Pressão social indireta: estar em local com alguém ou um grupo 
que está fumando.
- Conflitos interpessoais: relações conturbadas na família ou no tra­
balho.
Dica ao terapeuta
Peça para seu cliente fazer duas listas, a primeira com o seguinte questionamento: “por 
que desejo fumar?” e outra com "por que desejo parar de fumar?". Depois, peça para ele 
responder com toda sinceridade o que mais quer, circulando os itens mais importantes de 
cada lista. Em seguida, solicite que ele coloque uma estrela no item mais importante para 
ele. Ao final, faça a pergunta: o que ele quer mais, parar ou continuar a fumar? É importante 
explicar o desejo ambivalente que o fumante possui, e ressaltar que não é necessário 
livrar-se totalmente do desejo de fumar antes de efetivamente parar. Isso vai ajudar no 
aumento e fortalecimento da motivação para deixar de fumar.
Como posso lidar com o tabagismo?
No início do tratamento você desenvolverá habilidades para analisar 
as “vantagens” e “desvantagens” do uso do tabaco. Durante o mesmo você 
irá aprender estratégias que o ajudarão a identificar as situações de alto 
risco para uso do tabaco, tais como pessoas, lugares e objetos. Também 
aprenderá a identificar lembranças de estados psicológicos de desconforto 
(p. ex.: depressão, ansiedade, frustração, irritação) ou de bem-estar (p. ex.: 
prazer, alívio, euforia, excitação) associados ao comportamento de fumar.
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182 Tabagismo
Outro aprendizado importante será identificar os pensamentos que fun­
cionam como gatilho para o uso do tabaco examinando-os e buscando 
modos alternativos de pensar (Knapp et al., 2004).
Vai aprender também a lidar com a fissura, bem como com crises de 
abstinência. Com o treinamento você poderá se tornar apto a identificar 
quando e porque ocorrem, quanto tempo duram, quais seus sintomas, 
quais os pensamentos e sentimentos que surgem a respeito, desenvolvendo 
alternativas de controle/domínio/autoeficácia. Reconhecerá que talvez não 
haja razões fortes o suficiente para usar o tabaco, apesar de atualmente você 
acreditar em motivos que justifiquem seu uso (apesar das consequências 
nocivas) (Marlatt et al., 2008). Você poderá a questioná-los e reconside­
rá-los. Isso vai possibilitar reorganizar suas atividades diárias e o estilo de 
vida, de forma a afastar os estímulos que contribuem para o comporta­
mento de fumar, o que favorecerá modos alternativos de agir.
Durante o tratamento, identificará quais associações faz com o 
uso do tabaco, tais como: tomar café, dirigir, usar bebidas alcóolicas, 
dentre outras (Instituto Nacional de Câncer, 2001). Deste modo po­
derá evitá-las por meio da modificação do seu comportamento, da 
tomada de consciência de seus sentimentos, da prática de exercícios de 
relaxamento e de atividades de lazer; assim como de uma dieta saudá­
vel. Também vai aprender a reconhecer que as recaídas fazem parte do 
processo, mas que será possível a manutenção da abstinência por meio 
de mudanças e desvinculações comportamentais ao ato de fumar 
(Marlatt et al., 2008).
Dica ao terapeuta
Ensine ao seu cliente quatro maneiras simples e práticas que o ajudarão a lidar com o desejo 
intenso pelo cigarro: 1) beber muita água - vários copos por dia; 2) ter sempre algo para 
mastigar - bala ou chiclete com pouca ou sem caloria; 3) fazer atividade física - caminhada 
ou o que mais gostar, com orientação médica; 4) respirar profundamente de modo que o 
abdome se expanda ao inspirar (respiração diafragmática).
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 183
Será que eu posso conseguir?
Não importa a idade ou o tempo que fuma, sempre é possível bus­
car melhores caminhos para se ter boa qualidade de vida (Instituto 
Nacional de Câncer, 2001).
Pare para pensar: O que lhe fez fumar? Se você foi por esse caminho, 
por diferentes motivos, será que não pode fazer uma escolha diferente 
agora? Saiba que são muitos os benefícios aos que param de fumar 
(Instituto Nacional de Câncer, 2004; 2017).
Veja alguns deles:
- Após 20 minutos: a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao nor­
mal.
- Após 2 horas: não há mais nicotina circulando no sangue.
- Após 8 horas: o nível de oxigênio no sangue se normaliza.
-Após 12 a 24 horas: os pulmões já funcionam melhor.
-Após 2 dias: já percebe melhor os cheiros e degusta melhor a co­
mida.
-Após 3 semanas: a respiração se torna mais fácil e a circulação 
melhora.
— Após 1 ano: o risco de morte por infarto do miocárdio é reduzido 
à metade.
-Após 10 anos, o risco de sofrer infarto será igual ao das pessoas 
que nunca fumaram.
A partir do momento que você assumir a decisão de parar de fumar, 
procure utilizar estratégias eficazes e, se necessário, conte com ajuda pro­
fissional, desse modo poderá alcançar o objetivo.
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184 Tabagismo
O que eu aprendí e como 
posso passar para ação?
Bibliografia sugerida para 
consulta do terapeuta
Aliança de Controle do Tabagismo (2016). Teste 
De Fagerstrõm. Disponível em: http://www.act- 
br.org.br/tabagismo/teste-de-fagerstrom.
American Psychiatric Association (1996). Practice 
guideline for the treatment of patients with nico- 
tine dependence. American Journal of Psychiatry, 
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Manual diagnóstico e estatístico de transtor­
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Fiore, M. (2000). Treating tobacco use and de­
pendence-. Clinicai practice guideline. Rock- 
ville: USDHHS.
Gigliotti, A., Carneiro, E., & Ferreira, M. (2011). 
Tabagismo. In B. Rangé (Org), Psicoterapias cog- 
nitivo-comportamentais-. Um diálogo com a psi­
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Instituto Nacional de Câncer (2014). Programa 
Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT). Tra­
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wwwl .inca.gov.br/inca/Arquivos/ tire_duvidas_ 
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Meirelles, R., Cavalcante, T., & Gonçalves, 
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mental do fumante./. Bras. Pneumol., 3(9(1), 
p.50-59.
Sobell, C. & Sobell, B. (2013). Terapia de 
grupo para transtornos por abuso de substâncias-. 
Abordagem cognitivo-comportamental moti- 
vacional. Porto Alegre: Artmed.
World Health Organization. (2001). Con- 
fronting the tobacco epidemic in an era oftrade 
liberalization. Geneva: WHO/NMH/TFI.
Alwan, A. et al. (2011). Global status reporto n 
noncommunicable diseases 2010. Geneve: WHO.
American Psychiatric Association (2008). Dire­
trizes para o tratamento de transtornos psiquiátricos-. 
Compêndio. Porto Alegre: Artmed
Beck, A. et al. (1993). Cognitive therapy ofsub- 
stance abuse. New York: The Guilford Press.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 185
Referências
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Rio de Janeiro: INCA.
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do tabagismo. Disponível em: http://www2.inca. 
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Knapp, P., Luz Jr, E., & Baldisserotto, G.V. 
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dependência química. In B. Range (Org), 
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Marlatt, A. et al. (2008). Prevenção de recaída: Es­
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Organização Mundial de Saúde. (1997). CID-10 
- Classificação Estatística Internacional de 
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ed.). São Paulo: Edusp.
Rosemberg, J. (2005). Nicotina: Droga univer­
sal. São Paulo: INC. Disponível em: http:// 
www.inca.gov.br/tabagismo/publicacoes/nico- 
tina.pdf. Acesso em: 25 mar. 2015.
World Health Organization. (2005). Fnz- 
mework convention on tobacco control. Ge- 
neva: WHO.
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Parte II
Condições de saúde
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15
Hipertensão arterial
Lucia Emmanoel Novaes Malagris
Diego do Santos Gonçalves Pacheco
O que é hipertensão arterial?
A hipertensão arterial (HA) é uma condição clínica crônica multifato- 
rial na qual a pressão arterial (PA) se mantém elevada. Ou seja, a pressão in­
terna que o sangue faz nos vasos que o transporta se mantém alta, mesmo 
em repouso, em comparação ao que é esperado na maioria das pessoas. Ela 
é multifatorial, ou seja, existem vários fatores que contribuem para que a 
pessoa desenvolva a HA (Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2016).
Quando se mede a PA, há dois referenciais: seu valor máximo 
(sístole), quando o coração está contraindo para bombear o sangue, e 
seu valor mínimo (diástole), quando o coração está relaxado. E consi­
derado que a pessoa tem HA quando o valor de PA sistólica (pressão 
arterial máxima) se mantém maior ou igual a 140 mmHg e/ou PA 
diastólica (pressão arterial mínima) maior ou igual a 90 mmHg em 
medidas no consultório repetidas vezes (Sociedade Brasileira de Car­
diologia, 2016). Em alguns casos, este aumento traz sintomas como 
dor de cabeça e falta de ar. Na maioria das vezes, entretanto, não há 
sintomas que façam a pessoa perceber que a pressão está elevada. Se 
não tratada, a HA constante pode fazer com que os vasos sanguíneos
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editora.com.br/psicoeducapp 
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 189
se lesionem e se obstruam, podendo até mesmo chegar a se romper. 
Pode ocorrer a diminuição ou interrupção do fornecimento de san­
gue para algumas regiões do corpo, como o cérebro (causando aci­
dentes vasculares cerebrais) ou o coração (infarto).
A HA pode surgir como consequência de outras doenças, como al­
guns problemas nos rins ou na tireoide, sendo chamada nestes casos de 
HA secundária. Entretanto, em torno de 95% das vezes o diagnóstico 
não aparece como consequência de outro problema de saúde, sendo 
chamada, portanto, de HA essencial ou primária (WHO, 2013). Nestes 
casos, muitos fatores se unem em sua formação e controle, havendo in­
fluências genéticas, ambientais e psicossociais. Isso significa que, apesar 
de haver características não modificáveis que levam à HA, há aquelas 
que podem ser mudadas por meio de uma alimentação mais saudável, 
prática de exercício físico e controle do nível de estresse. A HA é uma 
condição crônica, ou seja, uma vez instalada acompanha a pessoa por 
toda a vida e, por envolver diversos fatores, precisa ser tratada por um 
conjunto variado de profissionais, como médicos, nutricionistas, educa­
dores físicos e psicólogos, com o objetivo em comum de fazer com que 
a pressão seja mantida em níveis saudáveis enquanto se mantém a quali­
dade de vida (Malagris, Lipp & Chicayban, 2014).
Se você foi diagnosticado com HA, é fundamental que compre­
enda a relevância de cada aspecto do tratamento. Devido ao aumento 
da PA geralmente não apresentar sintomas, pode parecer que não há 
importância em deixar de seguir alguma recomendação, mas uma vez 
que este aumento ocorra de maneira descontrolada, existe o risco de 
complicações. Em alguns momentos pode ser bem difícil seguir as 
orientações dos profissionais e, por isso, é muito importante que exis­
ta uma conversa sincera com cada um deles sobre as reais dificulda­
des, pois, assim, você poderá esclarecer o máximo possível as dúvidas 
sobre a HA e sobre o tratamento.
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190 Hipertensão arterial
Dica ao terapeuta
É comum a pessoa com HA chegar confusa quanto à sua própria condição e frustrada por não 
conseguir seguir as recomendações. 0 fato de, muitas vezes, não ter sintomas, pode fazer 
com que o cliente tenha dificuldade de aderir às prescrições dos profissionais. É importante 
que o terapeuta se preocupe inicialmente com o vínculo terapêutico, acolhendo, legitimando 
e normalizando as dificuldades trazidas pelo indivíduo, além de explicar a importância da 
atuação de uma equipe multiprofissional e da adesão aos tratamentos medicamentoso e 
não medicamentoso.
Como os meus pensamentos 
influenciam a hipertensão?
A forma como pensamos pode influenciar as nossas reações físicas e 
emocionais. Imagine a seguinte situação: duas pessoas dirigem lado a lado 
em uma mesma rua quando, em determinado momento, um grande cami­
nhão fecha a pista por alguns minutos para poder manobrar sua entrada em 
determinado edifício. A primeira pessoa interpreta a situação como uma 
necessidade do motorista, compreendendo o inconveniente passageiro e 
permanecendo calma. A segunda vê o ocorrido como um absurdo, indigna­
do com a interrupção do tráfego, buzinando e reclamando com o motorista 
do caminhão. Neste momento, diferente da primeira, seu coração fica mais 
acelerado, sua respiração alterada e, ainda que não perceba, sua PA aumen­
ta. Isto ocorre porque há uma série de conexões entre o cérebro e o restante 
do corpo, e este, por sua vez, reage de acordo com a interpretação dada para 
o evento. No exemplo, uma das pessoas entendeu que não era tão impor­
tante que poderia esperar que o motorista do caminhão terminasse a mano­
bra. Já o outro interpretou a situação como algo grave e que, por isso, era 
necessário lutar para solucionar o problema, ou seja, ficou estressado e teve 
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 191
alterações físicas (aceleração do coração e aumento da PA) e emocionais (in­
dignação e raiva).
O estresse é definido como uma reação física e psicológica que ocorre no 
organismo quando a pessoa enfrenta situações que interprete como um desa­
fio e entende que tem que agir para lidar com ele (Lipp & Malagris, 2011). 
Pode acontecer em resposta a uma situação que cause irritação, excitação, 
medo ou até mesmo muita felicidade. E um mecanismo de defesa que ajuda 
a pessoa a enfrentar certas situações de desafio, mas exige um gasto de energia 
do corpo e da mente. O estresse produz um aumento da PA para que a pes­
soa tenha maior disponibilidade de sangue a ser usado por todo o corpo e, 
consequentemente, mais energia para lidar com a situação (estressor). A prin­
cípio isso é natural. No entanto, se a pessoa está o tempo todo se estressando 
porque sempre interpreta as situações como negativas, o estresse pode se tor­
nar crônico. No caso da pessoa que tem HA, ou que ainda não desenvolveu a 
doença, mas tem predisposição, o estresse crônico pode trazer riscos paraa 
saúde. Por isso, é muito importante prestar atenção à forma como você costu­
ma interpretar as situações do dia a dia, pois seu pensamento pode estar con­
tribuindo para que você se estresse e mantenha sua PA elevada.
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192 Hipertensão arterial
Isso significa que a maneira como os acontecimentos são interpre­
tados e administrados tem consequência direta sobre o estado físico e 
mental. Cabe ressaltar, ainda, que o estresse não é um vilão que deve ser 
combatido, mas um mecanismo natural do corpo, necessário em muitos 
momentos. Quando excessivo e/ou crônico, no entanto, pode trazer 
problemas para a pessoa, sobretudo se tiver HA. E, portanto, funda­
mental compreender com clareza o processo do estresse e aprender 
como lidar com ele (Malagris, Lipp, & Chicayban, 2014).
0 Registro Diário de Pensamentos pode ser uma ferramenta muito útil para que o cliente perceba 
seu padrão de pensamentos e as emoções associadas, assim como as reações fisiológicas 
decorrentes. Desse modo poderá identificar sintomas de estresse gerado em seu cotidiano e, 
assim, utilizar estratégias de controle que podem ser ensinadas no processo psicoterápico.
Como o meu problema pode 
estar sendo mantido?
A HA é uma condição crônica e é possível se sentir sobrecarregado com 
a quantidade de informações a ser aprendida sobre essa doença. Algumas pes­
soas acreditam não haver problemas em deixar de tomar a medicação ou não 
cortar determinados tipos de alimento do seu dia a dia; outras se sentem apri­
sionadas pelas múltiplas recomendações de saúde e, assim, ficam desestimula- 
das para seguir o tratamento, acreditando que nunca vão conseguir seguir to­
das as recomendações ou que é muito desagradável abrir mão de coisas que 
gostam e estão acostumadas a fazer. Existem, ainda, pessoas que, ao receber o 
diagnóstico de HA, acreditam que a vida delas acabou, ou que perderão tan­
to prazer que não vale a pena seguir as orientações dos profissionais.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 193
Outro problema comum é a resistência em conversar com os pro­
fissionais de saúde sobre as dificuldades do tratamento. Ao não tirar to­
das as suas dúvidas, a pessoa pode tomar medidas equivocadas, contri­
buindo para o aumento de sua pressão.
Se você tem HA, é preciso atentar-se para seus pensamentos 
frente a estas e outras questões, pois, quando são distorcidos e muito 
negativos, tendem a favorecer comportamentos de risco e falta de con­
trole da PA. Preste atenção a quais são os momentos de seu dia em que 
tende a esquecer os medicamentos e quais são as dificuldades que tem 
em tomá-los. Perceba se há ocasiões em que, repetidamente, deixa de 
seguir a dieta ou a atividade física. Avalie sua relação com a equipe e 
instituição de saúde, sua motivação com o tratamento e o que pode fa­
zer para melhorar. Quanto ao estresse, verifique como está seu relacio­
namento consigo mesmo e com todos ao seu redor. Existem muitas si­
tuações que geram ansiedade, raiva ou medo no seu dia a dia?
Dica ao terapeuta
Nem sempre o cliente tem facilidade em perceber a maneira como pensa sobre todas estas 
questões, o que deve ser auxiliado pelo terapeuta. É preciso tomar cuidado para não o acusar de 
irresponsabilidades, uma vez que isto pode fragilizar terminantemente o vínculo terapêutico.
Como posso lidar com a hipertensão?
Ao longo do tratamento, muitos aspectos precisam ser considerados.
Aceitação: Muitas pessoas resistem à ideia de se adaptar a esta nova 
realidade. E plenamente possível ter HA e manter a qualidade de vida, 
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194 Hipertensão arterial
mas a adesão ao tratamento medicamentoso, somada a uma alimentação 
balanceada e a prática de atividade física são condições fundamentais para 
que esta qualidade se prolongue. E importante aceitar que determinadas 
restrições e rotinas farão parte da sua vida a partir de então, mas isso não 
significa que ela será pior, ainda que possa haver dificuldades pontuais.
Adesão ao tratamento: E comum haver dificuldades em aderir ao 
tratamento e, talvez, algumas recomendações sejam mais difíceis de se­
guir do que outras. Por mais que você possa escolher cumprir ou não 
determinadas orientações, é importante estar consciente das diferentes 
consequências de não as seguir, e isto deve fazer parte da conversa com 
os profissionais de saúde, para que possam pensar em alternativas ou 
ajustes no tratamento. O diálogo com familiares e amigos também pode 
ajudar, seja na mudança alimentar, prática de exercícios em conjunto ou 
simplesmente ajudando a lembrar da medicação.
Relaxamento: Reservar momentos do seu dia para o relaxamento 
é uma recomendação de saúde, e sua importância não deve ser minimi­
zada. Afinal, de maneira contrária ao estresse, que em meio a seus efei­
tos provoca o aumento da PA, o relaxamento tende a trazê-la a níveis 
mais saudáveis. Existem muitas formas de relaxar, e talvez você tenha as 
suas favoritas, mas uma técnica que você pode utilizar em qualquer lu­
gar é a respiração profunda e lenta (Lipp, 2012).
Experimente, durante apenas alguns minutos, de maneira confor­
tável, fazer com que sua respiração fique gradativamente mais lenta e 
demorada. Para isso, procure inspirar pelo nariz, contando até 5, e expi­
rar pela boca, contando até 10, enquanto relaxa os músculos do corpo. 
Durante a inspiração você deve procurar afastar as costelas de modo a 
inflar o abdome, e durante a expiração você deve encolher o abdome. 
Avalie se sentiu alguma diferença em seu corpo. No início pode parecer 
difícil, mas com a prática fica cada vez mais fácil e, assim, terá muitos 
benefícios no controle da sua PA.
Existem várias outras técnicas de relaxamento que você pode apren­
der com seu terapeuta, dentre elas o relaxamento muscular e a medita­
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 195
ção; também é útil a prática d.a voga e ouvir músicas relaxantes. O fun­
damental é que você se permita viver momentos afastado dos problemas 
do dia a dia para se concentrar em si mesmo, em seu relaxamento e em 
sua saúde.
Questionar pensamentos e atitudes: Como já explicado no exem­
plo do caminhão, a forma como pensamos e agimos perante o mundo 
provoca um reflexo direto em nosso corpo. Quando interpretamos uma 
situação de um modo que nos estressa, a PA pode aumentar, e é impor­
tante compreender frente a que situações estas interpretações ocorrem e 
quais as atitudes decorrentes dessas interpretações. Pode parecer, sobre­
tudo durante o evento, que existe apenas uma única forma de pensar 
sobre ele, ou que, para você, é impossível pensar e agir de outra forma 
frente àquele evento. Com um pouco de prática, entretanto, é possível 
encontrar formas alternativas de interpretação e ação, com consequên­
cias mais tranquilas e que gerem soluções produtivas.
Lembre-se que a HA não é uma condição estática, os desafios e 
descobertas para lidar com ela se apresentam continuamente, e o con­
tato constante com os profissionais de saúde, familiares e amigos pode 
ajudar a pensar em novas formas de lidar com qualquer dificuldade 
que surja.
Dica ao terapeuta
Sempre estimule seu cliente a falar sobre suas dificuldades de adesão ao tratamento e 
sobre aquelas que pode estar vivenciando no relacionamento com os outros profissionais de 
saúde. Em alguns casos, o terapeuta precisará ter um contato direto com outros profissionais 
envolvidos no tratamento do cliente, sempre com consentimento do mesmo, para que seja 
possível ajudá-lo na adesão ao tratamento. Além disso, o Treino de Habilidades Sociais pode 
contribuir para que o cliente converse demodo assertivo com os profissionais e, assim, suas 
dificuldades sejam superadas.
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196 Hipertensão arterial
Será que eu posso conseguir?
Receber o diagnóstico de HA pode ser muito impactante para al­
gumas pessoas, e é natural duvidar de sua capacidade em lidar com tan­
tas informações. Pode ser reconfortante, por outro lado, pensar que não 
é necessário aprender tudo de uma vez. Existem múltiplas técnicas utili­
zadas em conjunto para se manter a pressão em níveis saudáveis, e ne­
nhum profissional saberá, a princípio, todas as que você se adaptará me­
lhor. Além disto, estudos continuam sendo feitos sobre novos tratamen­
tos medicamentosos ou não, de modo que a experiência de viver com 
HA possa se tornar cada vez mais tranquila.
Ao se dedicar ao tratamento, poderá perceber que muitas atitudes 
que você considerou difíceis, ou mesmo impossíveis, podem, sim, ser 
desenvolvidas quando você se foca em dar um passo de cada vez. Pense 
nos objetivos que gostaria de alcançar e lembre-se de que, apesar de 
você ter HA, pode ter uma boa qualidade de vida se aderir às recomen­
dações dos profissionais e utilizar as estratégias aqui sugeridas.
Dica ao terapeuta
Acompanhe a evolução terapêutica do cliente e incentive os progressos, mesmo que ele 
tenha dificuldade em seguir todas as recomendações.
É importante valorizar cada pequena mudança em direção à saúde, pois gradativamente ele 
poderá alcançar os objetivos terapêuticos.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 197
O que eu aprendi e como 
posso passar para ação?
Bibliografia sugerida para consulta 
do terapeuta
Bortolotto, L. (2012). Viver bem com hiper­
tensão. São Paulo: Editora Abril.
Lipp, M. (2000). O estresse está dentro de você. 
São Paulo: Contexto.
Lipp, M. & Malagris, L. (2011). Estresse: 
Aspectos históricos, teóricos e clínicos. In B. 
Range (Org), Psicoterapias cognitivo-comporta- 
mentais-, Um diálogo com a psiquiatria (2. ed., 
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Lipp, M. E. N. (org.) (2012). Relaxamento para 
todos-. Controle o seu stress. Campinas: Papirus.
Malagris, L., Lipp, M., & Chicayban, L. 
(2014). Hipertensão arterial sistêmica: Con­
tribuição de fatores emocionais e possibilida­
des de atuação da psicologia. In E. Seidl &
M. Miyazaki. Psicologia da Saúde-. Pesquisa e 
atuação profissional no contexto de enfermi­
dades crônicas (pp. 73-102). São Paulo: Juruá.
Sociedade Brasileira de Cardiologia (2016). VII 
Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Ar­
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World Health Organization (WHO) (2013). 
Prevention of cardiovascular disease. Guidelines 
for assessment and management of cardiovascu­
lar risk. Geneva: WHO.
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16
Diabetes mellitus
Raquel Ayres de Almeida
Diana Soledade do Lago Camera
O que é diabetes mellitus?
O diabetes mellitus (DM) pode ser definido como uma alteração 
no funcionamento do metabolismo ocasionada pela falta ou diminuição 
da produção de um hormônio chamado insulina. Essa alteração gera a 
hiperglicemia, ou seja, o aumento do nível de glicose no sangue. O DM 
é uma doença crônica, de evolução lenta e progressiva, que pode ser 
classificada em dois tipos mais frequentes, Tipo 1 e Tipo 2, além de ou­
tras formas menos comuns que variam de acordo com as causas, desen­
volvimento e respostas ao tratamento (WHO, 2013). A seguir destaca­
remos as particularidades de cada um.
Tipo 1 : O DM Tipo 1 tem início, em geral, na infância e adoles­
cência e é uma doença autoimune, ou seja, o próprio organismo destrói 
as células do pâncreas que produzem insulina. Por isso, requer que o 
cliente receba injeções diárias de insulina para o tratamento. Corres­
ponde de 5 a 10% de todos os casos diagnosticados de diabetes.
Tipo 2: O DM Tipo 2 está relacionado com estilos de vida não 
saudáveis e, principalmente, ao excesso de peso, provocando uma resis­
tência à insulina - que ocorre quando as células do organismo deixam
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 199
de reagir à insulina como aconteceria em um corpo saudável - e perda 
da função das células que a produzem. Em geral, tem início na vida 
adulta e é responsável por cerca de 90% de todos os casos diagnostica­
dos de diabetes. O tratamento e controle da doença ocorre por meio de 
regimes alimentares, atividade física, podendo haver a necessidade de 
tratamento com medicamentos orais ou insulina exógena, ou seja, insu­
lina aplicada e não a produzida pelo pâncreas.
Gestacional: O DM Gestacional surge durante a gestação e desa­
parece após o parto. Também está ligado a resistência à insulina e dimi­
nuição da função das células que a fabricam. Está presente em 2 a 7% 
de todas as gestações no Brasil, podendo ocasionar complicações no de­
senvolvimento do feto e até a morte do mesmo.
Outros: Existem também outros tipos que são menos frequentes, 
desenvolvidos por síndromes genéticas específicas, cirurgias, drogas, 
desnutrição, infecções ou outras doenças. Esses casos somam de 1 a 2% 
de todos os casos diagnosticados de diabetes.
Por ser uma doença crônica, o DM requer que os indivíduos reali­
zem algumas mudanças no estilo de vida para iniciar e manter o trata­
mento. A ingestão dos medicamentos exige algumas adaptações na roti­
na para que sejam administrados no horário e da forma correta, o que 
pode ser um obstáculo para o controle da doença. Outras mudanças são 
necessárias para um efetivo controle do diabetes, como mudança na ali­
mentação e a prática de exercícios físicos. Tais alterações na rotina po­
dem gerar angústia e sofrimento, resultando em resistência diante da 
necessidade dessas adaptações.
Se você descobriu recentemente ser diabético, ou tem essa doença 
há muito tempo, mas ainda não conseguiu se adaptar, isso pode lhe 
causar um grande incômodo. Mas não precisa se sentir assim! A Terapia 
Cognitivo-Comportamental (TCC) pode ser uma grande aliada nas 
mudanças do estilo de vida e no manejo do impacto que o DM pode 
ocasionar na sua vida.
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200 Diabetes mellitus
Dica ao terapeuta
O cliente com DM precisa de cuidados médicos continuados por se tratar de uma doença 
crônica. Portanto, é importante oferecer ao mesmo uma educação a respeito da doença e 
da necessidade da mudança de estilo de vida. Isso permite prevenir complicações agudas 
e diminuir o risco de complicações tardias, possibilitando uma melhor qualidade de vida. A 
psicoeducação sobre a doença, tratamento e consequências de não aderir ao mesmo é de 
suma importância para o sucesso da terapia.
Como os meus pensamentos 
influenciam no diabetes mellitus?
Sabe-se que a maneira como as pessoas interpretam, ou seja, o que 
pensam a respeito do que acontece em suas vidas, influencia como se 
sentem, emocional e fisicamente. As interpretações e avaliações das si­
tuações que acontecem no dia a dia tendem a não ser questionadas, ou 
seja, os pensamentos são vistos como verdades absolutas. No entanto, 
em algumas ocasiões, esses pensamentos podem ser equivocados e dis­
torcidos, gerando reações emocionais desagradáveis, que por sua vez in­
fluenciarão o comportamento da pessoa em questão. De acordo com o 
modelo cognitivo da TCC, a forma como você interpreta um evento 
interfere diretamente na forma como você se sente e, consequentemen­
te, como você se comporta (Beck, 1979).
Podemos observar esse processo usando oexemplo de um paciente 
que se esquece de tomar a medicação no horário adequado (aconteci­
mento) e acredita (pensamento) que o tratamento é muito complicado 
e que exige um esforço muito grande para funcionar. Diante dessa ava­
liação, o cliente se sente incapaz de seguir o tratamento, desmotivado e 
triste (emoção) para se engajar na mudança de comportamento. Em 
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 201
consequência, seu diabetes continua avançando, aumentando a gravida­
de dos sintomas físicos. O resultado desse processo é um comportamen­
to de evitaçáo e fuga do tratamento.
Figura 16.1 Modelo cognitivo.
Fonte: adaptada de Beck (2013, p. 176).
Sabendo que as interpretações influenciam o modo como as pes­
soas se sentem emocionalmente e fisicamente, é importante que você 
observe seus pensamentos a respeito do diabetes e seu tratamento, estes 
podem estar influenciando na forma como você lida com a doença. E 
comum ter idéias às vezes distorcidas, seja por não entender o que mé­
dico explicou, seja por falta de informação. A grande questão é que es­
sas idéias podem atrapalhar o seu tratamento, dificultando sua adapta­
ção ao DM, o que pode ocasionar uma piora na sua qualidade de vida. 
Para desfrutar da vida como qualquer outra pessoa, é importante aderir 
ao tratamento recomendado pelo profissional de saúde e, para isso, é es­
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202 Diabetes mellitus
sencial buscar informações a respeito da doença e tratamento, compro­
vando ou contradizendo suas idéias iniciais.
Os profissionais de saúde envolvidos no tratamento devem se co­
locar como aliados na busca de informações e na adaptação ao trata­
mento. Contudo, é comum que algumas pessoas tenham dificuldades 
de se relacionar com esses profissionais: algumas sentem medo de tirar 
dúvidas e fazer perguntas, outras não acreditam na capacidade do mé­
dico em questão e acabam por não dar credibilidade ao que ele diz. 
Em alguns casos, o profissional em questão pode estar atuando real­
mente de forma inadequada, cabendo ao cliente a opção de procurar 
outro profissional ou instituição para dar seguimento ao seu tratamen­
to. Esses pensamentos a respeito do profissional que o acompanha 
também influenciam no comportamento de aderir ou não ao trata­
mento, por isso é importante questionar os seus pensamentos e avaliar 
sua veracidade para decidir qual atitude tomar.
E importante identificar quais são os pensamentos que você tem a 
respeito da doença, do tratamento e da equipe de saúde que lhe acom­
panha, em que situações eles surgem e de que forma eles podem estar 
agindo sobre o seu humor e, consequentemente, no seu comportamen­
to. Esses pensamentos estão ajudando ou atrapalhando? Esses pensa­
mentos estão motivando ou afastando você do tratamento? Identificados 
os pensamentos, é importante que você os comunique ao seu psicotera- 
peuta para que suas dificuldades sejam trabalhadas e superadas.
Dica ao terapeuta
Você deve sempre buscar identificar quais são os pensamentos automáticos que o cliente 
têm a respeito da doença, do tratamento e da equipe de saúde. Quais são as crenças 
a respeito de estar doente, se já teve que fazer algum tratamento antes, como foi sua 
recuperação, como reagiu física e emocionalmente a esse evento anterior, se há histórico 
familiar de DM e como foi para a família. É fundamental explicar para o cliente a importância 
das interpretações para os sentimentos e comportamentos, ensinar a reconhecer, identificar 
e reestruturar as distorções cognitivas.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 203
Como o meu problema pode 
estar sendo mantido?
Como você já sabe, as interpretações e pensamentos podem gerar 
reações desagradáveis que impactam a saúde. Estar ansioso e estressado 
com frequência pode trazer impactos negativos, sendo estresse e ansie­
dade dois dos principais fatores psicológicos que influenciam o desen­
volvimento do diabetes. Ambos são reações necessárias para a nossa so­
brevivência, mas podem trazer prejuízos quando não conseguimos ma­
nejá-los da melhor forma (Malagris & Almeida, 2012).
As consequências do estresse crônico e da ansiedade excessiva po­
dem envolver dificuldades nos relacionamentos sociais, familiares e no 
trabalho, além de problemas estomacais, problemas cardíacos, doenças 
respiratórias e enfraquecimento do sistema imunológico que favorece o 
aparecimento e agravamento de diversas doenças, como o diabetes e a 
hipertensão arterial. Ademais, tanto a ansiedade quanto o estresse po­
dem levar a um comportamento alimentar prejudicial à saúde, como a 
ingestão de alimentos gordurosos, refeições não regulares, uso de bebi­
das alcóolicas, além do sedentarismo (Lipp, Malagris, & Novais, 2007).
Algumas situações são ansiogênicas, ou seja, causam ansiedade, e/ou 
são estressantes por natureza, como fazer uma prova, uma apresentação 
em público, uma situação de assalto, etc. Contudo, muitas vezes tais re­
ações estão relacionadas ao modo como interpretamos os fatos. Se você se 
sente assim com frequência, é possível que possua uma bagagem genéti­
ca e um temperamento que o deixe mais vulnerável a enxergar através 
do “filtro” do estresse ou ansiedade.
Para entender melhor como acontece uma reação originada pela 
interpretação de um evento, observe a Figura 16.2: a situação encontra-se 
no centro, enquanto as possíveis interpretações estão organizadas em 
torno da situação. O primeiro pensamento que surge em nossa mente, 
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204 Diabetes mellitus
chamado pensamento automático, nesse esquema está sinalizado com o 
círculo externo, “Ele não gosta de mim”, representa o “filtro” da ansie­
dade. A partir do momento em que você pensa algo, tende a considerar 
tal pensamento como uma verdade absoluta, ou seja, você não questio­
na se o pensamento está ou não de acordo com os dados de realidade e, 
por isso, dizemos que ele é automático. No entanto, é possível que haja 
outras possíveis interpretações para o mesmo fato, mas sem se dar con­
ta, as pessoas são direcionadas por sua primeira conclusão. Através da 
TCC, você irá aprender estratégias para questionar e avaliar a veracida­
de dos seus pensamentos e, consequentemente, ter mais controle sobre 
suas reações, impactando diretamente na sua saúde.
Figura 16.2 Interpretações sobre uma situação.
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Psicoeducação em Terapia Cognitívo-Comportamental 205
Dica ao terapeuta
0 terapeuta deve investigar a influência que o estresse e a ansiedade podem estar exer­
cendo no quadro do DM, como comer mais vezes e em maior quantidade, escolher 
alimentos mais calóricos, não tomar a medicação prescrita, não conseguir dormir ou 
não ter um sono reparador, esquecer o uso de medicamentos ou fazer o uso em horários 
errados, entre outros comportamentos desadaptativos. Tendo em vista a ocorrência destes 
comportamentos, o terapeuta deve se questionar: Quais são os papéis que os pensamentos 
e crenças distorcidas exercem nesses comportamentos? Quais técnicas podem ser úteis 
para a reestruturação cognitiva desses pensamentos? Quais técnicas comportamentais 
podem ser utilizadas nesse caso?
Como posso lidar com 
o diabetes mellitus?
Durante o acompanhamento psicoterápico em TCC, você irá 
aprender diversas estratégias que ajudarão a lidar com o DM.
Aprender sobre o DM: Como já mencionado, é importante que 
você se informe adequadamente sobre a doença, seus sintomas, causas, 
tratamento, efeitos colaterais, consequências de não seguir o trata­
mento, assim como os benefícios de fazê-lo.E importante que você 
não fique com dúvidas. Se for preciso, anote em tópicos o que deseja 
saber para perguntar ao seu médico. O seu psicoterapeuta pode lhe aju­
dar com isso.
Questionar pensamentos: Durante a psicoterapia você vai apren­
der a identificar e questionar a maneira como pensa sobre si, sobre o 
DM, sobre o tratamento médico, os profissionais de saúde e a institui­
ção a qual você frequenta. Para isso, você aprenderá a fazer exercícios de 
questionamento por meio de levantamento de outras possíveis formas 
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206 Diabetes mellitus
de pensar, bem como a busca de evidências que comprovem ou invali­
dem tais pensamentos.
Manejo do estresse e da ansiedade: Durante o tratamento, você 
vai aprender e exercitar estratégias para diminuir a ativação que a ansie­
dade e o estresse provocam. As estratégias envolvem técnicas de relaxa­
mento e respiração para perceber e eliminar a tensão nos músculos do 
corpo, além de desligar um pouco os pensamentos, e costumam ter efei­
tos muito positivos. Desta forma, a respiração diafragmática, o relaxa­
mento muscular progressivo e a meditação poderão ser eficazes.
Adesáo ao tratamento: É de extrema importância que você se 
engaje no tratamento médico. Os profissionais de saúde que o acom­
panham irão indicar o tipo de medicamento e os tipos de mudanças 
no estilo de vida que você precisará adotar. Seguindo essas recomen­
dações e fazendo um acompanhamento rotineiro, você poderá manter 
o DM sob controle e continuar usufruindo da sua vida da melhor for­
ma possível. Também pode ser necessário que você esteja engajado na 
psicoterapia de base cognitivo-comportamental de forma a identificar 
e manejar os aspectos psicológicos que influenciam o DM e a mudan­
ça de hábitos (Alves, 2012).
Alimentação e exercícios físicos: A alimentação é o combustível 
que move o organismo e, por isso, é necessário que sua alimentação 
seja capaz de garantir que seu corpo produza as substâncias necessárias 
para que consiga viver bem e cumprir suas atividades. Contudo, ali­
mentos calóricos e gordurosos, embora atrativos, não favorecem o or­
ganismo, ao passo que manter uma alimentação saudável repõe as 
energias e mantém as pessoas saudáveis. A prática regular de atividade 
física também é de grande importância, ajuda na produção de subs­
tancias químicas benéficas para nosso corpo, que produzem sensação 
de relaxamento e bem-estar, além de minimizar os efeitos negativos 
do DM (Almeida & Malagris, 2012).
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 207
Dica ao terapeuta
Você deve ter em mente que reestruturar os pensamentos distorcidos do cliente sobre ele 
próprio, sobre a DM, o tratamento, os profissionais de saúde e a instituição onde faz seu 
acompanhamento, será um aspecto central para o sucesso da psicoterapia. Outro ponto 
determinante para que o cliente atinja seus objetivos e viva normalmente com o diabetes 
é a mudança de hábitos. Por isso, é importante estimular a adesão ao exercício físico e 
alimentação balanceada. Você pode ajudar seu paciente a incluir novos hábitos em sua 
rotina com o uso de delimitação de metas e resolução de problemas para as dificuldades 
que possam surgir. Além disso, faz-se necessário, sempre que possível, incentivar o paciente 
a buscar orientação de outros profissionais, como nutricionista e educador físico.
X
Será que eu posso conseguir?
Muitas pessoas acreditam que possuir DM significa ter limitações 
instransponíveis, ter que abandonar hábitos antigos e adotar rotinas pe­
sadas de cuidados com a saúde. O tratamento do DM, de fato, exige 
que sejam adotados novos hábitos de vida, mas isso não quer dizer que 
você precisará abrir mâo de coisas que lhe agradam e terá que seguir 
prescrições médicas necessariamente difíceis de cumprir. A TCC possui 
recursos e ferramentas que o ajudarão a se adaptar a essa nova realidade 
da melhor forma possível. E natural se sentir desmotivado inicialmente, 
mas com a ajuda da psicoterapia você perceberá que pode se sentir espe­
rançoso com uma equipe de saúde que lhe dará suporte e apoio. Pense 
no quanto isso poderá trazer benefícios para você e, por consequência, 
para as pessoas com as quais convive.
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208 Diabetes mellitus
Bibliografia sugerida para consulta 
do terapeuta
Almeida, R. A. (2016). Adesão ao tratamento 
de hipertensão e diabetes: Elaboração de um 
inventário de adesão e de um protocolo de 
intervenção cognitivo-comportamental. Tese 
de Doutorado, Universidade Federal do Rio 
de Janeiro. Rio de Janeiro, Brasil.
Alves, B. A. & Calixto, A. A. T. (2012). As­
pectos determinantes da adesão ao tratamento 
de hipertensão e diabetes em uma Unidade Bá­
sica de Saúde do interior paulista. J. Health Sei. 
Inst., São Paulo, 30(3), 255-260.
Neto, D. L. & Pires, A. C. (2010). Crises hi- 
perglicêmicas agudas no diabetes mellitus: 
Aspectos atuais, São Paulo, Rev. Bras. Clin. 
Med., 72(4), 246-253.
Pereira, F. M. & Penido, M. A. (2010). 
Aplicabilidade teórico-prática da terapia cog­
nitivo-comportamental na psicologia hos­
pitalar. Revista Brasileira de Terapias Cogni­
tivas, Rio de Janeiro, 6X2), 189-220.
Beck, A. (1979). Cognitive therapy and the emo- 
tional disorders. New York: A Meridian Book. 
Beck, J. (2013). Terapia cognitivo-comportamen­
tal-. Teoria e prática. Porto Alegre: Artmed.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 209
Gallego, M. R. (2001). Diabetes em cuidados 
primários. Revista Portuguesa de Saúde Públi­
ca, Lisboa, 2, 95-100.
Malagris, L. E. N. & Almeida, R. A. (2012). 
A contribuição da terapia cognitivo-compor­
tamental nas doenças crônicas. In E. M. O. 
Falcone, A. D. Oliva, & C. Figueiredo 
(Orgs.). Produções em Terapia Cognitivo- 
Comportamental (pp. 297-306). São Paulo: 
Casa do psicólogo.
Almeida, R. A., &. Malagris, L. E. N. (2012). A 
terapia cognitivo-comportamental na psicologia 
da saúde. In: E. M. Falcone, Produções em terapia 
Cognitivo-Comportamental (pp. 275-284). São 
Paulo: Casa do Psicólogo.
World Health Organization. (2013). Adhe- 
rence to long-term therapies evidence for ac- 
tion (p. 211). Genebra: WHO Library.
Lipp, M. E. N., Malagris, L. E. N., & Novais, 
L. E. (2007). O stress ao longo da vida. São 
Paulo: ícone.
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17
Câncer
Fernando Martins Pereira
Gabriel Talask
O que é câncer?
O câncer é uma condição de saúde ligada ao crescimento desor­
denado de células de determinado tecido ou órgão. Este rápido e de­
sordenado crescimento forma o que chamamos de tumores, sendo es­
tes benignos ou malignos. Tumores benignos não apresentam grandes 
riscos à saúde, podendo ser tratados, causando pouco ou nenhum 
impacto na vida do indivíduo. Os tumores malignos classificam as 
centenas de tipos de câncer existentes, variando de acordo com o te­
cido ou órgão de origem, sendo as principais categorias: carcinoma 
(se origina no tecido que recobre nossa pele e a maioria dos nossos 
órgãos), leucemia (originada na medula óssea, local onde as células do 
sangue são produzidas), linfoma e mieloma (surgem nas células do sis­
tema imunológico), câncer no sistema, nervoso central (originada em 
tecidos do cérebro e medula espinal) e sarcoma (se desenvolve a partir 
de tecidos como ossos, músculos, gordura, vasos sanguíneos). Esses 
tumores malignos podem atingir outras regiões além das originárias, 
quando isso acontece chamamos de metástase (Burney & Fletcher, 
2013; Oppermann & Barrios, 2014).
* Material psicoedutivo para o cliente disponível em Sinopsys APP ou pelo linkwww.sinopsys
editora.com.br/psicoeducapp
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Psicoeducação em Terapia Cognítivo-Comportamental 211
Em nosso dia a dia, podemos escutar que o câncer pode ser o resulta­
do de sentimentos como raiva, tristeza e mágoa que não conseguimos ex­
pressar ou lidar. E importante destacar que essa informação não é verdadei­
ra, pois a repressão de emoções ou vivência delas, por si só, não é capaz de 
gerar a doença. Trata-se de uma informação que pode gerar ainda mais con­
fusão e culpa no indivíduo, já permeado por tantos estigmas relacionados a 
seu diagnóstico, como a ideia de uma sentença de morte, de fim e isola­
mento (Sontag, 1984). Na verdade, o que sabemos hoje é que as causas do 
câncer são variadas e os estudos ainda buscam esclarecer o que origina a do­
ença. Sabe-se que a interação entre fatores ambientais e genéticos são possí­
veis causas da doença. Os fatores ambientais se referem aos hábitos de vida 
do indivíduo, como o uso do cigarro, a demasiada exposição ao sol, vírus, 
entre outros. Os fatores genéticos estão ligados à incidência de câncer no 
histórico familiar, sendo fundamental ter um cuidado ainda maior com os 
hábitos de vida, caso haja a presença do câncer na família.
Sendo assim, o câncer também pode ser considerado uma doença li­
gada ao estilo de vida. Por isso, tanto em relação à prevenção quanto ao 
tratamento, é fundamental desenvolver comportamentos de saúde. O 
câncer pode afetar diretamente a qualidade de vida do indivíduo a partir 
dos seus sintomas e efeitos colaterais do tratamento, como dores, insônia, 
enjoo e fadiga. Além disso, também pode afetar a pessoa de maneira indi­
reta. Devido ao estigma que o diagnóstico ainda possui e às interpretações 
que fazemos sobre esta doença, podemos experimentar sentimentos de 
raiva, culpa, tristeza e ansiedade. No decorrer deste texto, será discutido o 
impacto das representações sociais do câncer, isto é, a “imagem” que as 
pessoas têm em relação à doença, sobre a qualidade de vida.
Dica ao terapeuta
Investigue a qualidade da relação médico-cliente. Algumas pessoas sentem muitas dúvidas 
em relação ao diagnóstico e tratamento, mas saem da consulta médica sem ter conseguido 
esclarecê-las por medo ou vergonha do médico. Inclua exercícios de assertividade em seu 
plano de tratamento caso necessário.
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212 Câncer
Como os meus pensamentos influenciam 
no tratamento do câncer?
Agora que você buscou ajuda na Terapia Cognitivo-Comporta- 
mental, um dos principais direcionamentos do seu tratamento será a 
ideia de que os eventos e as situações vivenciadas por nós não pos­
suem, por si só, a força de nos causar certos tipos de sofrimento. O 
grande diferencial é a interpretação que fazemos daquilo que nos 
acontece ou nos rodeia. A forma como damos sentido às nossas expe­
riências, analisando e interpretando as situações, faz com que apresen­
temos certas respostas emocionais, comportamentais ou fisiológicas 
(Beck, 2013).
Pense rapidamente em pessoas que já conheceu ou ouviu falar, que 
têm ou já tiveram câncer. Será que elas vivenciaram o mesmo sentimen­
to frente ao diagnóstico? Será que todas lidam ou lidaram com a doença 
da mesma forma? Em geral, quando analisamos uma variedade de indi­
víduos que já passaram pela doença, verificamos que há diferentes for­
mas de ver e enfrentar o câncer.
Portanto, a maneira como interpretamos as situações tem um po­
der muito maior em provocar certas respostas do que a situação em si. 
Essa nossa interpretação influencia diretamente nossas emoções, nossas 
ações e nossas reações corporais (Beck, 2013). A Figura 17.1 ilustra 
como nossas avaliações influenciam nessas diferentes respostas.
Nesse sentido, as idéias que as pessoas geralmente têm acerca do 
câncer possuem grande influência na forma como as pessoas encaram a 
doença. Apesar dos avanços no tratamento e entendimento das neopla- 
sias malignas, ainda há muitos estigmas em relação às mesmas, afetando 
não só aqueles que possuem a doença, mas também seus familiares, 
amigos e profissionais de saúde. Um forte estigma ainda presente é a vi­
são do câncer como uma sentença de morte, o que pode levar à vivência
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 213
de um estado prolongado de ansiedade e depressão. Essa mesma visão faz 
com que pessoas próximas a quem está doente, ou mesmo seus médicos, 
evitem falar ou expor detalhes sobre o diagnóstico e tratamentos. E co­
mum conhecermos pessoas que evitam nomear o câncer, se referindo ao 
mesmo como “aquela doença” ou “aquilo que prefiro nem falar o nome”. 
Agem como se o fato de nomear pudesse gerar algum tipo de negativida- 
de. Na verdade, é essa postura em relação ao diagnóstico que pode ter um 
efeito negativo, na medida em que prejudica o enfrentamento da doença. 
Aceitar o diagnóstico não é se tornar passivo. Corresponde ao primeiro 
passo para a busca de informações sobre o diagnóstico, a análise de opções 
de tratamento, modificação de atitudes e acionamento de redes de apoio, 
fatores indispensáveis no tratamento de qualquer problema de saúde.
Além da existência dessas visões distorcidas que muitas pessoas 
ainda têm acerca do câncer, também existem diversas questões frente ao 
diagnóstico que esbarram em aspectos e valores pessoais, afetando cada 
indivíduo de maneira distinta. A ameaça que um diagnóstico de câncer
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214 Câncer
representa pode ser interpretada de diversas maneiras. Pode-se citar o 
exemplo de pessoas que possuem valores fortemente ligados à aparência. 
Para elas, a possibilidade de queda do cabelo em decorrência da quimio­
terapia pode ser vista como uma ameaça à visão de si mesmo, podendo 
dificultar a adesão ao tratamento e gerar um significativo nível de estres­
se. Já, no que se refere à fadiga, outro efeito colateral da quimioterapia, 
pode afetar mais aqueles que costumam ser muito ativos em seu dia a 
dia. Outros indivíduos podem ter a percepção de que serão um fardo 
para as pessoas próximas, o que pode se constituir em uma ameaça a 
seus valores pessoais. Sendo assim, o significado que a doença tem para 
o indivíduo faz com que o mesmo reaja de determinada maneira, po­
dendo facilitar ou dificultar a adesão ao tratamento.
Nesses casos, as avaliações sobre o diagnóstico, o tratamento, a própria 
pessoa, o futuro ou os outros podem estar sendo feitas de forma equivoca­
da. Infelizmente, muitas vezes não questionamos nossas interpretações, tra­
tando-as não como uma possibilidade e sim como verdade absoluta e in­
questionável. Essa forma de ver as coisas de maneira distorcida ou absolutis- 
ta será chamada de “pensamentos distorcidos” (Knapp, 2004). Alguns des­
ses pensamentos distorcidos são muito comuns no dia a dia de uma pessoa 
diagnosticada com câncer. Observe se algum lhe parece familiar.
Atenção seletiva: acontece quando um aspecto de uma situação 
vira o foco da atenção ao mesmo tempo que outros aspectos são des­
considerados. Por exemplo, uma pessoa que esteja tendo avanços no tra­
tamento pode focar apenas nos aspectos negativos que ele produz, como 
cansaço excessivo ou enjoo.
Tirania dos “deveria”: está relacionado às regras e padrões que são 
estipulados para si mesmo ou para os outros, sendo formas inflexíveis 
de lidar com certas situações. Esse pensamento sabotador leva a frustra­
ções, gerando sentimentos de raiva, culpa e tristeza. Por exemplo: “Eu 
deveria estar me sentindo melhor, mas não estou”; “As pessoas devem 
me compreender”; “Esse tratamento deve funcionar”; “Eu deveria ter 
cuidado mais da minha saúde, bem feito para mim”.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 215
Catastrofização: está relacionado em imaginar o pior cenário pos­
sível frente a uma situação, muitas vezes sem volta. Pessoas que tendem 
a catastrofizar podem encarar o câncer como uma sentença de morte ou 
imaginar que ninguém irá querê-las por perto e ficarão solitárias.
Pensamento “tudo ou nada”: este pensamento diz respeito às for­
mas absolutas, geralmente extremas, de interpretar um evento, descon­
siderando inúmeras outras possibilidades para a mesma situação. Por 
exemplo: “Agora que recebi o diagnóstico de câncer, minha vida não 
tem mais sentido”; “Se a quimioterapia não resolveu, não há porque me 
submeter a outros tratamentos”.
Rotulação: está ligado à tendência em rotular a si e/ou os outros fren­
te a determinadas situações. Geralmente ocorre quando você ou alguém 
não atinge suas expectativas. Por exemplo, frente às dificuldades de um tra­
tamento você pode estabelecer uma ideia como: “sou incapaz de lidar com 
essa doença ou tratamento”; “Sou uma pessoa fraca e doente”.
Personalização: este pensamento distorcido ocorre ao atribuir toda 
a responsabilidade por resultados negativos a si mesmo, desconsideran­
do todos os outros fatores que também podem ter contribuído para tal 
situação. Por exemplo: “Se meus amigos não vieram me visitar é por­
que não gostam verdadeiramente de mim”.
Dica ao terapeuta
A identificação e a mudança das crenças centrais do cliente são pontos fundamentais 
em todo o trabalho em TCC. No entanto, em clientes com câncer, não se pode deixar de 
trabalhar as crenças em relação ao diagnóstico. Procure investigar com seu cliente as 
experiências e interpretações que ele teve com pessoas com câncer. “Já conheceu alguém 
com esse diagnóstico?” “Esteve ao lado no tratamento?” "0 que você pensa sobre sua 
doença e tratamento?” Essas perguntas irão auxiliá-lo a identificar crenças e distorções 
cognitivas.
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216 Câncer
Como o meu problema pode 
estar sendo mantido?
O estigma ainda presente em relação à doença e ao tratamento 
contribui para a presença de interpretações negativistas e/ou parciais, 
depositando uma carga ainda mais negativa sobre o diagnóstico e o 
tratamento. A presença desses pensamentos distorcidos ao longo dos 
dias provavelmente será acompanhada de um constante sentimento de 
ansiedade, estresse e tristeza. Por sua vez, experimentar essas emoções 
desconfortáveis esgotam ainda mais as energias e diminuem a motiva­
ção. Evidentemente, manter esses padrões distorcidos de pensamento 
se tornará um obstáculo ainda maior para o tratamento e para lidar 
com o dia a dia.
Os pensamentos distorcidos e as emoções desencadeadas a par­
tir dos mesmos dificultam a adesão do tratamento e, especificamente 
em relação ao câncer, isso é muito importante. Sabemos que lidar 
com os sintomas e efeitos colaterais é um desafio, mas é necessário 
que se continue seguindo em frente. Por ser considerada uma doen­
ça crônica, ainda que os sintomas desapareçam, o médico deverá in­
formar à pessoa com câncer que seu estado de saúde deve ser acom­
panhado por alguns anos. Por isso é necessário estabelecer uma pos­
tura realista em relação à doença. Isso significa dizer que ser excessi­
vamente pessimista ou excessivamente otimista não irá ajudar nesse 
momento, pois pode fazer com que aspectos importantes do seu tra­
tamento sejam negligenciados ou que outros problemas sejam de­
sencadeados, como sintomas de depressão ou ansiedade.
Uma pessoa que mantém pensamentos catastróficos sobre a do­
ença (“Não irei resistir”, “Todo o meu sofrimento com o tratamento 
será em vão?”), além de apresentar menor motivação, também vivên­
cia o estresse de maneira constante. Sabe-se que a cronicidade do es­
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 217
tresse influencia o sistema imunológico, sendo o equilíbrio dele fun­
damental para uma melhor resposta ao tratamento. A quimioterapia, 
por exemplo, é um eficaz tratamento para o câncer, porém exige mui­
to do corpo, sendo comum um sentimento de cansaço durante o pro­
cesso. Por isso existem os intervalos entre as sessões de quimioterapia, 
para reequilibrar o sistema imunológico, o que ajuda no fortalecimen­
to para as próximas sessões.
Também é importante destacar que os tratamentos para o câncer 
podem apresentar efeitos colaterais, como queda de cabelo, enjoo, fadi­
ga, insônia e ondas de calor. Esses efeitos são esperados, uma vez que os 
tratamentos possuem açâo direta no corpo e, consequentemente, ele 
responderá a essas ações. Evidentemente, esses efeitos podem nos causar 
certa carga de desconforto, no entanto, as avaliações podem tornar esse 
desconforto momentâneo em um sofrimento constante e ainda maior. 
Baseado nos pensamentos distorcidos apresentados, veja o exemplo de 
uma pessoa que tende a se rotular como “incapaz” por estar tendo difi­
culdades em enfrentar o tratamento. Além dos efeitos colaterais, ela 
também lida com a ideia de não ser capaz, o que pode gerar uma série 
de emoções desconfortáveis, aumentando ainda mais o desconforto ini­
cial que o tratamento poderia gerar. Portanto, é importante que se ob­
serve quais desafios estão se apresentando e quais obstáculos são criados 
pela própria pessoa frente a esses desafios.
Dica ao terapeuta
Convidar familiares e/ou pessoas próximas ao cliente pode ser uma excelente estratégia 
no tratamento, uma vez que essas pessoas muitas vezes possuem pouca informação e 
dificuldades em lidar com o diagnóstico. Psicoeducar as pessoas do convívio do cliente é 
fundamental para incrementar a rede de apoio.
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218 Câncer
Como posso lidar com o câncer?
Até o momento, foi feita uma apresentação geral sobre o câncer e 
buscou-se esclarecer alguns aspectos sobre o diagnóstico, desmistifican- 
do idéias equivocadas que algumas pessoas possuem. Procurou-se escla­
recer também como certos aspectos pessoais e sociais podem influenciar 
a forma de encarar a doença, a adesão e resposta ao tratamento. Isso já é 
um grande passo, pois, ao conhecer bem o problema, é possível elaborar 
estratégias para resolvê-lo. Por conta dos estigmas ainda presentes em 
relação ao câncer, muitas informações acabam sendo veladas. Sendo as­
sim, não deixe de esclarecer qualquer questão com o seu terapeuta e seu 
médico, ou ainda de buscar mais informações em fontes confiáveis.
Além disso, durante o tratamento na Terapia Cognitivo-Comportamen- 
tal, você irá aprender estratégias que o ajudarão no manejo das questões rela­
cionadas ao câncer. Algumas delas são apresentadas a seguir.
Compreenda sua doença: Para lidarmos da melhor maneira possível 
com qualquer condição de saúde, antes de tudo precisamos saber o que es­
tamos passando. A proposta desta cartilha foi trazer um maior entendimen­
to sobre o câncer e as questões ligadas a ele. Uma doença traz não só altera­
ções em nosso corpo, mas também em nossa mente. As informações que 
circulam no ambiente em que vivemos também participam desse processo, 
pois, como vimos, ainda há diversos estigmas ao redor do câncer. Isso con­
tribui para que muitas informações acabem sendo veladas para a pessoa 
diagnosticada, influenciando o enfrentamento da enfermidade. Este texto 
foi apenas um ponto de partida para que você possa ter maior entendimen­
to sobre o câncer. Seu terapeuta irá lhe auxiliar a ter maior entendimento e, 
com isso, maiores recursos para lidar com o diagnóstico.
Identifique e questione os pensamentos distorcidos: Lembre-se 
que seus pensamentos possuem um papel fundamental em suas respos­
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 219
tas emocionais e comportamentais. Você poderá ativamente identificá- 
los, questioná-los e até mesmo mudá-los caso perceba que são pensa­
mentos distorcidos. Quando você notar que houve alguma alteração na 
sua emoção, sentindo-se, por exemplo, muito triste ou angustiado, pro­
cure se perguntar: “o que estava passando na minha cabeça minutos an­
tes de me sentir dessa forma?”. Isso pode ajudar a constatar que a ma­
neira como você olha os acontecimentos está muito ligada à forma 
como você se sente e age. Depois disso, outras perguntas que podem se 
mostrar valiosas são: “Será que essa é a única forma de eu ver o que está 
acontecendo? Será que não existem outras maneiras de enxergar essa si­
tuação que eu talvez esteja desconsiderando?”. No decorrer do trata­
mento em Terapia Cognitivo-Comportamental, você aprenderá a iden­
tificar e modificar esses pensamentos distorcidos, respondendo de ma­
neira mais adaptativa frente a essas situações. Ampliar a percepção de 
como você vê e enfrenta os desafios trazidos pela doença será funda­
mental para que você possa lidar com a situação de maneira mais saudá­
vel, aumentando sua qualidade de vida.
Relaxe: Foi visto que se pode vivenciar elevado e constante nível 
de estresse frente ao câncer. Além disso, é comum experimentar senti­
mentos de raiva, ansiedade, medo, tristeza e culpa. Os efeitos colaterais 
do tratamento (p. ex: insônia, fatiga e enjoo), também podem contri­
buir para a apresentação dessas respostas negativas. Para isso, você 
aprenderá técnicas de relaxamento, para que você possa diminuir essa 
elevada carga de estresse, estar mais ciente sobre seus pensamentos dis­
torcidos e interromper esse ciclo de emoções desconfortáveis.
Aceite seus sentimentos e tenha autocompaixáo: Quando uma 
pessoa tem câncer, é comum que tenha medo de morrer. Esse é um 
assunto que muitas pessoas têm dificuldades em expor, mas que deve 
ser abordado ao longo de sua terapia, pois pode gerar muita angústia. 
Também é esperado, em algum momento, sentir raiva, culpa, evitar 
estar com amigos ou mesmo falar sobre o diagnóstico. No entanto, se 
essas respostas forem mantidas de forma excessiva e em longo prazo,
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220 Câncer
possivelmente o tratamento não será realizado da melhor forma, o que 
comprometerá a recuperação. Nesse sentido, é importante que você 
aprenda a desenvolver uma postura autocompassiva, envolvendo tole­
rância, não julgamento e aceitação dos desafios que estão sendo apre­
sentados para você, para que então possa lançar mão de estratégias 
mais funcionais, bem como se envolver na sua recuperação da melhor 
forma possível.
Dica ao terapeuta
Alguns clientes podem ter enjoos ou outras reações físicas ao se lembrarem das sessões 
de quimioterapia. Trata-se de uma reação de condicionamento clássico. Inclua a técnica 
de dessensibilização sistemática em seu plano de tratamento para diminuir o mal-estar de 
seu cliente.
Será que posso conseguir?
A partir de tudo que foi discutido, é possível concluir que o câncer 
não é apenas uma doença ligada à condição física, mas que também afe­
ta emoções e idéias a respeito do mundo, de si mesmo e do futuro. Ao 
receber esse diagnóstico, é natural colocar em cheque certos valores e 
crenças. No entanto, pode não ser favorável considerarmos as primeiras 
impressões como verdade absoluta. Evidentemente, não se pode descon­
siderar o sofrimento que esse diagnóstico pode causar na vida de uma 
pessoa que tem câncer e das pessoas a sua volta, porém há como buscar 
modos alternativos de encarar as questões que o diagnóstico traz.
Para isso, é importante que haja informação. Infelizmente o cân­
cer ainda carrega muitos estigmas, o que leva as pessoas a evitar entrar 
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 221
em contato, falar sobre ou pesquisar sobre, tornando o processo ainda 
mais difícil. Quanto mais velado for, menores serão os recursos para 
lidar com esse diagnóstico. Ao descobrir o câncer, você poderá obser­
var uma mudança no comportamento de pessoas próximas. No entan­
to, essa mudança pode estar muito mais atrelada à falta de informa­
ções confiáveis que essas pessoas têm sobre o câncer do que ao diag­
nóstico em si. Então, lembre-se de que não é uma novidade apenas 
para você. Esclareça também as dúvidas de familiares e amigos, afinal, 
uma rede de apoio é imprescindível durante o tratamento de qualquer 
doença crônica.
Tendo isso em vista, é fundamental adotar uma postura ativa fren­
te ao câncer. Desse modo é possível evitar problemas como depressão, 
ansiedade e estresse, além de tornar todo o processo do tratamento ain­
da mais responsivo.
O importante é que você, mesmo com todos os obstáculos e sofri­
mento que esteja passando ou possa ter passado, mantenha-se engajado 
para superá-los. Agora, com a ajuda de seu terapeuta, você terá ainda 
mais recursos, tornando-se cada vez mais capaz de usufruir de uma vida 
repleta de sentido.
Dica ao terapeuta
Incentive seu cliente a ter uma postura ativa em seu tratamento. 0 câncer pode fazer com 
que a pessoa se sinta vitimizada, o que só faz aumentar sentimentos desconfortáveis e 
comportamentos contraproducentes. Explore durante as sessões de terapia estratégias de 
enfrentamento do estresse, estimulando a resiliência.
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222 Câncer
Bibliografia sugerida para consulta 
do terapeuta
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 223
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18
Doenças dermatológicas
Cristione de Figueiredo Vosconcellos Rodrigues
O que são doenças dermatológicas?
As doenças dermatológicas, ou doenças de pele, estão entre os 
problemas de saúde que mais mobilizam reações emocionais nas pes­
soas. Sintomas aparentes, com características que muitas vezes lem­
bram doenças contagiosas, provocam aversão ou curiosidade nas pes­
soas ou modificam sua aparência podem exigir de você uma série de 
mudanças e adaptações no modo como lida com seus sentimentos, 
pensamentos e atitudes enquanto passa pelo tratamento médico. 
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, existem mais de 
3000 doenças dermatológicas registradas, que podem afetar, além da 
pele, os pelos, as mucosas, o cabelo e as unhas. Algumas delas são bem 
conhecidas da população em geral, como a acne (cravos e espinhas), a 
alopecia (queda de cabelo, calvície), a urticária e o vitiligo. Além des­
sas, são encontradas também a psoríase, o câncer de pele, a hiperidro- 
se, o herpes, a hanseníase e o hemangioma, sendo essa última uma 
doença dos vasos sanguíneos que tem visibilidade através da pele.
Sendo o mais extenso órgão do corpo humano, a pele apresenta diversas 
funções: sensorial, perceptiva, protetora dos órgãos internos contra o efeito de
* Material psicoedutivo para o cliente disponível em Sinopsys APP ou pelo link www.sinopsys
editora.com.br/psicoeducapp
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 225
lesões, barreira entre o organismo e o ambiente externo e reguladora da tem­
peratura corporal. Além dessas, ainda guarda características simbólicas expres­
sando ideologias (tatuagens), culturas (adornos) e emoções (rubor, “suor 
frio”). Entendida como o limite concreto entre o indivíduo e o mundo, a 
aparência da pele pode aproximar ou afastar pessoas, convidar ao toque ou re- 
peli-lo, abrir oportunidades ocupacionais e de trabalho ou dificultá-las.
Muitas doenças de pele têm uma relação especial com as emoções e 
com o estresse. Provavelmente você já ouviu alguém dizer que seu proble­
ma “é de fundo emocional”. Mas, afinal, o que isso quer dizer? Quer dizer 
que existe um papel importante do modo como você se sente e se com­
porta no surgimento e no tratamento dos seus sintomas. Por isso, os pro­
blemas dermatológicos podem ser amplamente divididos em três grupos: 
psicofisiológicos, distúrbios psiquiátricos primários e distúrbios psiquiá­
tricos secundários (Koo & Lebwohl, 2001).
Nos quadros psicofisiológicos, existe uma relação entre o surgimento 
da doença, ou o seu agravamento, com aspectos emocionais e associados ao 
estresse. Isso acontece porque diante de um evento estressor — como a perda 
de um ente querido ou ficar desempregado — várias reações fisiológicas são 
disparadas no organismo para eliminar a ameaça ou adaptar-se à nova con­
dição. Desse modo, entra em ação o sistema imunológico e suas células de 
defesa que podem levar, entre outras coisas, a reações inflamatórias na pele, 
por exemplo. Dentre as doenças mais comuns dessa categoria estão a pso- 
ríase, a acne, a dermatite seborreica (caspa) e a alopecia areata. Nos casos 
mais resistentes ao tratamento farmacológico, é importante avaliar a presen­
ça de estressores na história de vida da pessoa e propor formas eficientes de 
manejar essas dificuldades, com a associação de técnicas de relaxamento, 
exercícios de meditação e Terapia Cognitivo-Comportamental. Pessoas com 
casos mais graves ou relacionados a estresse crônico podem se beneficiar 
também do uso de medicação psicotrópica.
O segundo tipo de transtornos psicodermatológicos é aquele em que 
problemas emocionais primários, como depressão e ansiedade, apresen­
tam como sintomas lesões dermatológicas, feridas que normalmente são 
feitas pela própria pessoa. Exemplos desse grupo são os delírios de parasi- 
toses (a pessoa sente que existem microrganismos infestando sua pele e
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226 Doenças dermatológicas
tenta insistentemente retirá-los da pele e provar sua existência), a tricoti- 
lomania (ato de arrancar os fios de cabelo e pelos do corpo) e a dermatite 
factícia (feridas na pele provocadas por hábitos como beliscar a pele ou 
provocar pequenas queimaduras e arranhões). Os transtornos psiquiátri­
cos primários são comumente a depressão, a ansiedade, o transtorno ob- 
sessivo-compulsivo e o transtorno de personalidade borderline. O fato das 
lesões na pele serem consequência de um transtorno psiquiátrico não di­
minui a importância do acompanhamento com o dermatologista a fim de 
evitar infecções, aumento das feridas e cicatrizes permanentes. Além dis­
so, é muito importante compreender que não são doenças simuladas, mas 
sintomas verdadeiros de sofrimento físico e mental.
O último grupo é o dos distúrbios psiquiátricos secundários, nos quais a 
doença dermatológica é acompanhada por reações psicológicas intensas e 
eventualmente disfuncionais. Frequentemente inclui as doenças de pele que 
causam algum tipo de desfiguração ou comprometimento da imagem corpo­
ral como o vitiligo, a psoríase, a alopecia areata, a hanseníase e o hemangio- 
ma. Nesses casos, a pessoa pode sentir vergonha ou constrangimento diante 
de outras pessoas e evitar expor socialmente seu corpo ou a parte da pele que 
apresenta o problema. Além disso, muitos desses problemas se iniciam na in­
fância e podem gerar consequências para a autoestima eo funcionamento so­
cial da criança, que deve ser acompanhada e ajudada para não desenvolver 
comportamentos disfuncionais. Ainda que a maioria das pessoas encontre um 
modo de se adaptar bem à sua condição, é importante avaliar os aspectos 
emocionais e sociais para cada indivíduo, procurando identificar reações de­
pressivas ou ansiosas que possam interferir na sua qualidade de vida.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 227
Dica ao terapeuta
Busque e ofereça ao cliente informações confiáveis sobre sua doença específica. Quanto 
maior for o desconhecimento sobre as características da doença de pele que o acomete, 
maior a probabilidade do cliente ficar ansioso, amedrontado ou envergonhado. Valide seus 
sentimentos e busque esclarecer suas dúvidas.
Como os meus pensamentos 
influenciam na doença de pele?
O modo como cada pessoa constrói a sua compreensão a respeito 
das situações que enfrenta irá, em grande parte, determinar suas atitu­
des e sentimentos em relação a si mesmo, aos outros e ao futuro. 
Quanto mais realistas são seus pensamentos, mais bem-adaptados ten­
dem a ser seus comportamentos, promovendo um efeito emocional de 
satisfação e conforto. Por outro lado, quanto mais disfuncionais forem 
os pensamentos, maior sofrimento estará atrelado a eles e você terá 
maior dificuldade de ter atitudes que gerem efeitos positivos.
Quando uma doença aparece, o foco do indivíduo passa a ser a re­
presentação cognitiva, que acontece através de pensamentos, imagens, 
suposições e crenças que dão sentido para a sua experiência de adoeci- 
mento. A maioria das pessoas tem idéias relativas às causas de uma de­
terminada doença, sobre seus sintomas e padrões, sobre suas conse­
quências, tempo de duração e possibilidades de cura ou controle. Iden­
tificar junto ao terapeuta os pensamentos e sentimentos que surgem 
diante dos sintomas físicos e que interferem nas suas emoções e atitudes 
permite descobrir formas mais saudáveis que auxiliem no tratamento ou 
no manejo de sua doença (White, 2001).
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228 Doenças dermatológicas
Por exemplo, o impacto social da doença de pele em sua vida diária 
deve ser investigado. Diversas situações interpessoais podem ser afetadas pe­
los sintomas, entre elas o convívio com colegas no trabalho, as atividades de 
lazer que envolvam roupas de banho e exposição do corpo (futebol, piscina, 
praia), o contato íntimo/sexual e as manifestações sociais de afeto como 
abraços e apertos de mão. Nessas situações você pode pensar que as outras 
pessoas sentirão curiosidade ou repulsa pelo aspecto de sua pele, e isso pode 
fazer você se sentir envergonhado e constrangido socialmente, tendendo a 
tomar uma atitude de afastamento do convívio ou de buscar estratégias de 
disfarce do problema, às custas da espontaneidade e do relaxamento.
Alguns exemplos de pensamentos típicos de pessoas com doenças 
dermatológicas são:
• As pessoas vão me julgar mal, pensar que não tenho higiene ou 
asseio.
• Fico muito preocupado em esconder ou disfarçar minhas man­
chas ou lesões para que ninguém perceba e se afaste de mim ou 
me faça perguntas.
• Não posso me envolver intimamente porque quando a pessoa vir 
meu problema de pele certamente irá me rejeitar.
• Se eu sentir minha pele coçar não terei alternativa e não poderei 
resistir. Isso me impede de assumir compromissos porque não 
conseguirei suportar e me comportar adequadamente.
Como o meu problema pode 
estar sendo mantido?
Idéias sobre contágio, vergonha e preocupações sobre como as outras 
pessoas vão reagir à sua aparência podem ativar comportamentos de es­
quiva de situações sociais na busca de autoproteção. A diminuição de 
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 229
convívio social saudável e o isolamento podem alimentar reações depres­
sivas e ansiosas que, por sua vez, tendem a intensificar o problema derma­
tológico, seja pela via do estresse explicada anteriormente, seja pelo au­
mento dos comportamentos não saudáveis em relação à pele, como coçar 
ou irritar a área afetada (Clarke et al., 2014; Ludwig et al., 2006).
Por exemplo: ao receber um convite para uma festa, você pode ter 
pensamentos de que as pessoas vão notar as marcas em sua pele e sentir 
pena ou nojo. Você poderá sentir insegurança e vergonha, ficar tenso e 
acabar desistindo de ir à festa, dando uma desculpa. Desse modo, ao 
evitar as situações sociais você acabará sentindo mais insegurança para 
as próximas vezes, alimentando seu desgaste emocional e estresse e, con­
sequentemente, piorando seus sintomas dermatológicos.
Figura 18.1 Ciclo disfuncional de pensamentos e atitudes frente a uma situação social. 
Fonte: adaptada de White (2001).
Muitas disfunções dermatológicas se caracterizam por períodos de pio­
ra e de melhora dos sintomas e, por este motivo, compreender os antece­
dentes e as consequências destes dois momentos distintos pode lançar luz 
sobre o que pode estar afetando seu estado de saúde. Para ajudar nesse pro­
cesso de identificar o que lhe ajuda e o que agrava seus sintomas, fazer ano­
tações em um diário pode ser muito útil. Veja um exemplo a seguir.
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230 Doenças dermatológicas
Comportamentos comuns dos clientes com doenças de pele in­
cluem coçar, esfregar ou tentar resfriar a região lesionada. Em casos mais 
graves, algumas pessoas tentam medidas desesperadas e muitas vezes 
agravam seu problema com remédios ou fórmulas caseiras, utilização de 
objetos que agridem a pele e até tentativas de “autocirurgia” para extrair 
a pele doente. As razões para a piora dos sintomas podem variar desde 
não seguir as recomendações médicas até alimentar crenças disfuncio- 
nais a respeito da origem ou da cura para determinada doença. Alguns 
clientes com hanseníase, por exemplo, falham em tomar a medicação 
corretamente por pensarem que a doença não tem cura e que o trata­
mento é apenas paliativo. Outros podem esquecer de hidratar correta­
mente a pele por não terem uma postura de autodisciplina suficiente ou 
por esperarem que alguém o faça em seu lugar.
Dica ao terapeuta
Identifique o padrão de pensamentos. É interessante utilizar registros diários de monitora­
mento dos sintomas para auxiliar o cliente a identificar as situações que ativam mais 
reações emocionais e dificuldades comportamentais ligadas aos sintomas dermatológicos, 
explicitando e reestruturando pensamentos que não sejam realistas ou que não ajudem o 
cliente a enfrentar a situação de modo mais saudável e adaptativo.
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Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental 231
Como posso lidar com a 
doença de pele?
Em primeiro lugar, você deve buscar informações com um medi­
co dermatologista e conversar com ele ou ela sobre suas dúvidas, ex­
pectativas, medos e experiências anteriores a respeito de sua doença. É 
de suma importância seguir suas orientações e não se automedicar. 
Em paralelo, a Terapia Cognitivo-Comportamental pode ajudá-lo a 
identificar as situações, os sentimentos e as atitudes que possam estar 
contribuindo para o agravamento ou para a atenuação de seus sinto­
mas dermatológicos. Você irá aprender técnicas para diminuir o es­
tresse, exercícios de relaxamento e de meditação, estratégias de con­
trole do impulso (de coçar, por exemplo) e habilidades de reestrutura­
ção de pensamentos disfuncionais que possam influenciar suas atitu­
des frente ao tratamento e também diante dos relacionamentos inter­
pessoais, que normalmente ficam afetados em função do problema da 
pele (Schwartz

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