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<p>AULA 4</p><p>DEFICIÊNCIA VISUAL</p><p>Profª Fernanda Sprada</p><p>2</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Pessoas com deficiência visual enfrentam muitos desafios diariamente e,</p><p>para que possam realizar as suas atividades com facilidade, existem diversos</p><p>recursos que os auxiliam a superar seus problemas de visão, proporcionando</p><p>facilidade e independência na realização de tarefas como estudar, trabalhar e usar</p><p>o computador ou outros dispositivos. Neste material, você encontrará informações</p><p>sobre esses recursos e como eles podem ajudar as pessoas com deficiência</p><p>visual.</p><p>• Computadores adaptados: são equipamentos especiais desenvolvidos</p><p>para ajudar pessoas com deficiência visual a operá-los com mais facilidade.</p><p>Esses computadores vêm com recursos de voz, teclados com impressões</p><p>táteis e tamanhos de letra personalizados a fim de permitir que as pessoas</p><p>com deficiência visual digitem, acessem programas, naveguem na internet,</p><p>entre outras atividades, de forma independente.</p><p>• Leitores de telas: são dispositivos que traduzem o conteúdo de</p><p>computadores, smartphones entre outros em áudio. Esses equipamentos</p><p>lidam com textos escritos, permitindo que os usuários ouçam o conteúdo</p><p>digital em vez de vê-lo. Os leitores de telas são úteis para aqueles que não</p><p>conseguem ler o conteúdo diretamente devido à sua deficiência visual.</p><p>• Braille e looping: o Braille é um método de leitura que consiste em conjuntos</p><p>de pontos impressos em pequenas placas de metal ou de plástico,</p><p>comumente chamadas de teclas Braille. Esses símbolos podem ser lidos</p><p>com os dedos e possibilitam que as pessoas com deficiência visual leiam</p><p>livros, revistas e outros conteúdos escritos. Já o looping é uma tecnologia</p><p>de acessibilidade que consiste em usar dispositivos chamados de buzinas</p><p>para transportar sinais de áudio para pessoas que não conseguem ouvi-los</p><p>diretamente. Os buscadores podem ser usados para que indivíduos com</p><p>deficiência visual ouçam textos falados, aulas e outras comunicações ao</p><p>redor deles.</p><p>Esses são apenas alguns dos recursos disponíveis para auxiliar as</p><p>pessoas com deficiência visual. Existem muitos outros dispositivos, programas e</p><p>tecnologias que podem ajudá-las a ter uma vida mais independente e pronta para</p><p>desafios. Você também pode procurar informações para encontrar recursos</p><p>adequados ao seu caso específico.</p><p>3</p><p>TEMA 1 – RECURSOS PEDAGÓGICOS PARA A PESSOA COM DEFICIÊNCIA</p><p>VISUAL</p><p>Em linhas gerais, alguns recursos usados para atender o educando cego</p><p>são:</p><p>• Braille: livros em Braille, lousas em aumento, escriba eletrônica e até</p><p>mesmo a impressão de textos em aumento.</p><p>• Informatizada: software e hardware usados para apoiar o uso das</p><p>bibliotecas eletrônicas.</p><p>• Impressa: livros em língua portuguesa, além dos impressos em línguas de</p><p>sinais.</p><p>Já para o aluno com baixa visão, alguns recursos pedagógicos usados</p><p>incluem:</p><p>• Impressa: livros em língua portuguesa impressos em tamanho grande e</p><p>livros com gráficos dimensionados para auxiliar na leitura e compreensão.</p><p>• Informática: uso de programas aumentadores de imagens e modificadores</p><p>de contraste, permitindo que o educando com baixa visão utilize os</p><p>computadores para ter acesso às informações de forma segura.</p><p>• Ópticos: binóculos, ampliadores de imagem, lentes cilíndricas e</p><p>prismáticas, entre outros equipamentos ópticos.</p><p>Além disso, vale destacar que, para que o aluno com deficiência visual</p><p>tenha acesso às informações de modo mais eficiente, é fundamental dispor</p><p>também de uma série de recursos humanos, desde a produção de material</p><p>adaptado até os refinamentos técnicos necessários para a execução do material.</p><p>Apesar do avanço tecnológico que tem proporcionado acesso a recursos</p><p>pedagógicos voltados para as pessoas com deficiência visual, muitos ainda se</p><p>apresentam com altos custos, o que muitas vezes impede o seu acesso por parte</p><p>dos alunos.</p><p>Alguns deles já são conhecidos pelos educadores, porém, sem um acesso</p><p>a quem tem direito. Seguem alguns exemplos:</p><p>• Software de leitura: permite que o aluno utilize técnicas que ele já possui</p><p>para leitura e para acompanhar os conteúdos pedagógicos. Esse tipo de</p><p>software também tem diversas funcionalidades que possibilitam ao aluno</p><p>4</p><p>compreender melhor o conteúdo, por exemplo, leitura de frases completas</p><p>com todos os detalhes de cada palavra e destaque de palavras importantes</p><p>com símbolos e cores diferentes.</p><p>• Software de Braille: por meio dele o aluno utiliza o teclado para auxiliar na</p><p>leitura. Alguns programas propiciam a conversão de palavras em letras</p><p>Braille. Esses programas geralmente são fornecidos gratuitamente.</p><p>• Programas de áudio: possibilitam ao aluno acompanhar os conteúdos e</p><p>textos à medida que são lidos. Geralmente fornecem áudio com vozes reais</p><p>e também possuem as opções para mudar o tom, o ritmo ou mesmo o</p><p>volume da voz.</p><p>• Materiais para ampliação: ampliam o texto a fim de que a pessoa com</p><p>deficiência visual possa lê-lo. Os materiais mais comuns são os leitores</p><p>ópticos, monitores de escrita maiúscula e até mesmo os computadores com</p><p>possibilidade de aumento do tamanho dos caracteres.</p><p>• Tecnologia de reconhecimento de voz: permitem que o aluno reconheça</p><p>vozes para acessar conteúdos, programas e aplicativos. Alguns recursos</p><p>podem auxiliá-lo a reconhecer por completo uma frase, como um dicionário</p><p>digital com todas as palavras da língua portuguesa. Geralmente fornecem</p><p>informações por meio de áudio e vídeo em suas telas.</p><p>• Tecnologia de reconhecimento de imagem: possibilita à pessoa com</p><p>deficiência visual acessar conteúdos, programas e aplicativos usando</p><p>câmeras e dispositivos com reconhecimento de imagem. Por meio de</p><p>comandos de voz ou mesmo direcionamento dos dedos da mão sobre a</p><p>tela, o aluno consegue visualizar imagens com alta qualidade.</p><p>• Periféricos Braille: permitem que o aluno acesse salas de aula virtuais e</p><p>interaja diretamente com os computadores utilizando um sistema de</p><p>comunicação escrita em Braille. Por meio de alguns deles, o usuário pode</p><p>utilizar as mesmas funções do teclado, com auxílio de um pequeno teclado</p><p>Braille.</p><p>• Interface: é um recurso utilizado para dar suporte às necessidades de uso</p><p>de computadores de pessoas com deficiência visual. Inclui diversos</p><p>recursos para que o usuário navegue facilmente entre as telas, assim como</p><p>amplie os conteúdos e identifique os campos de formulários.</p><p>• Televisores com legenda invisível: essa ferramenta permite que o usuário</p><p>visualize a legenda de um filme em tempo real. Alguns televisores já</p><p>5</p><p>possuem esse recurso, assim como programas especializados. Essa</p><p>tecnologia tem auxiliado muitas pessoas com deficiência visual a ter acesso</p><p>a filmes sem dificuldades.</p><p>• Jogos com leitura de texto: propiciam ao aluno usar a leitura para entender</p><p>melhor o jogo. Geralmente têm narrações para acompanhar os conteúdos</p><p>e as narrativas do jogo, além de oferecerem a opção de leitura em diversos</p><p>idiomas.</p><p>Essas ferramentas preparam os alunos com deficiência visual para usar a</p><p>tecnologia da melhor forma, para que obtenham resultados positivos em sua vida</p><p>acadêmica e profissional. É preciso investir em inovações e melhorias que</p><p>possibilitem um melhor aproveitamento dos recursos pedagógicos disponíveis.</p><p>TEMA 2 – RECURSOS NÃO ÓPTICOS</p><p>São recursos que ajudam a melhorar/aprimorar o desempenho visual, sem</p><p>usar óculos ou lentes. Podem incluir tecnologias de iluminação para aumentar a</p><p>nitidez, ferramentas informáticas para ajudar na adaptação à visão cansada ou</p><p>outras soluções para melhorar a percepção e a funcionalidade da visão.</p><p>Louis Braille, inventor do famoso sistema de leitura e escrita para pessoas</p><p>cegas, perdeu a visão aos cinco anos de idade. Depois de frequentar por certo</p><p>período uma escola para crianças com visão, Louis foi enviado ao Colégio Real</p><p>para Cegos, em Paris, que</p><p>somente aceitava meninos com deficiência visual a</p><p>partir dos dez anos de idade.</p><p>No local, ele buscou informações para tornar a leitura e a escrita tátil</p><p>possíveis para pessoas cegas. Foi naquela instituição que Louis teve contato com</p><p>um sistema de impressão em relevo denominado sistema de Charles Barbier, que</p><p>permitia aos soldados ler mensagens escondidas no escuro. Louis decidiu</p><p>melhorar esse sistema, transformando-o em linguagem fechada em forma de</p><p>pontos e recebendo ajuda de outros cegos, pois o tamanho dos pontos era</p><p>reduzido, sendo mais fáceis para o toque.</p><p>Com o desenvolvimento desse sistema, Louis publicou, em 1829, sua obra</p><p>Méthode de lecture des aveugles à l'usage des instructions et des personnes</p><p>privées de la vue (“Método de leitura para os cegos, para uso em casa e na</p><p>educação”).</p><p>Em outubro de 1837, Louis fundou o Instituto Nacional para o Ensino dos</p><p>Cegos, para ensinar a arte de ler e escrever em Braille a pessoas cegas. Louis</p><p>6</p><p>Braille morreu em 1852, aos 43 anos. Sua descoberta ofereceu uma grande</p><p>mudança na cultura de pessoas cegas, permitindo o acesso à leitura e escrita</p><p>como nenhuma outra foi capaz de fazer em sua época.</p><p>Para homenagear Louis Braille, a Legião de Honra francesa concedeu-lhe,</p><p>em 1952, a Medalha de Grã-Cruz. No mesmo ano, o presidente francês Charles</p><p>de Gaulle promulgou um decreto apresentando Louis Braille para se tornar o</p><p>padroeiro oficial dos cegos e pessoas com deficiência visual.</p><p>Com base na ideia de Barbier, Louis Braille reestruturou todo o sistema de</p><p>escrita e leitura, reduzindo o número de pontos de 12 para 6 pontos em relevo</p><p>distribuídos em 2 colunas. Assim, a chamada célula Braille é constituída</p><p>basicamente por 6 pontos em relevo e é usada para representar os 63 caracteres</p><p>disponíveis no sistema Braille, tornando possível escrever ortografia, acentuação,</p><p>pontuação e sinais matemáticos. Além disso, Braille passou o restante de sua vida</p><p>buscando melhorar ainda mais o sistema criado, tornando-o capaz de oferecer às</p><p>pessoas cegas e pessoas com deficiência visual o acesso à escrita e leitura.</p><p>Figura 1 – O código de Barbier e o de Braille</p><p>Dois anos após a morte de Louis Braille, em 1854, seu código foi</p><p>amplamente reconhecido pelo Instituto dos Jovens Cegos de Paris. Esse sistema</p><p>de leitura e escrita tátil ganhou o nome de Braille em sua homenagem.</p><p>Posteriormente, durante o Congresso Internacional de Surdos-Mudos e Cegos de</p><p>Paris, em 1877, o sistema Braille recebeu adesão universal, tornando-se o método</p><p>preferido para a educação de pessoas cegas ao redor do mundo.</p><p>Código desenvolvido</p><p>por Charles Barbier</p><p>Código</p><p>adaptado por</p><p>Louis Brasille</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>4</p><p>5</p><p>6</p><p>7</p><p>Em 26 de abril de 2000, a Portaria n. 559/2000 foi implementada com o</p><p>objetivo de estabelecer a Comissão Brasileira do Braille. Essa comissão,</p><p>subordinada à Secretaria de Educação Especial (SEESP), incluiu nove membros:</p><p>um proveniente do SEESP, um do Instituto Benjamin Constant (IBC), um da União</p><p>Brasileira de Cegos (UBC), um da Fundação Dorina Nowill para Cegos (FDNC) e</p><p>cinco representantes de instituições de e para cegos, escolhidos pelo UBC.</p><p>(Brasil, 2000a). O objetivo da Comissão Brasileira do Braille é desenvolver</p><p>diretrizes para o uso, ensino e divulgação do sistema Braille bem como</p><p>estabelecer normas relacionadas ao uso, ensino e à produção desse sistema</p><p>(Brasil, 2000a).</p><p>TEMA 3 – RECURSOS TECNOLÓGICOS DIGITAIS E ANALÓGICOS PARA A</p><p>ACESSIBILIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA VISUAL</p><p>Uma máquina de datilografia em Braille é uma máquina que permite que</p><p>os usuários digitem usando codificação de Braille. Essas máquinas são usadas</p><p>por pessoas com deficiências visuais para ajudar a aumentar a sua velocidade de</p><p>produção de documentos, normalmente em formato de Braille. Essas máquinas</p><p>muitas vezes são controladas por um teclado embutido ou por um teclado</p><p>conectado por meio de cabos.</p><p>A maioria das máquinas possui seis teclas que correspondem a cada letra</p><p>no alfabeto Braille, além de um teclado de funções para controlar diferentes</p><p>funções, como excluir uma letra ou inserir um espaço. As máquinas também</p><p>possuem uma tela que mostra a saída Braille em formato de fio ou etiqueta. Alguns</p><p>modelos também podem imprimir a saída Braille diretamente em papel. Máquinas</p><p>mais modernas também podem gerar saída digital em um sistema de computador.</p><p>A reglete é um instrumento usado para comunicação e escrita em Braille</p><p>por pessoas cegas. É composto de um suporte em que é colocado o papel em</p><p>que será escrito o texto, uma régua com células vazadas e uma punção com a</p><p>qual são perfurados os pontos Braille em relevo. Essa ferramenta é muito</p><p>acessível em termos de custo, mas é considerada mais demorada para escrever</p><p>quando comparada à máquina de datilografia Braille. Isso porque a reglete exige</p><p>que cada símbolo seja grafado ponta a ponta, enquanto na máquina é possível</p><p>realizar a combinação dos pontos em uma única vez.</p><p>As impressoras Braille são instrumentos eletrônicos que permitem a</p><p>realização da transcrição de textos em Braille. São projetadas para imprimir o</p><p>8</p><p>alfabeto, números e símbolos, incluindo gráficos, tabelas e imagens em pontos</p><p>emboçados, formatados em folder. Elas trazem benefícios significativos para</p><p>pessoas com deficiências de visão, auxiliando na leitura e na produção de</p><p>documentos corretamente formatados.</p><p>Existem diversas marcas e modelos de impressoras Braille, variando</p><p>quanto à capacidade em pequenos ou grandes volumes de transcrição. As mais</p><p>modernas oferecem facilidade de uso, controle por meio de interface aprimorada,</p><p>além de compatibilidade com diversos sistemas operacionais. Essas impressoras</p><p>são recomendadas para fins diversos, como educação, trabalho e lazer.</p><p>Embora sejam ainda caras, elas estão se tornando cada vez mais</p><p>acessíveis a um número maior de usuários. Seu custo-benefício oferece um</p><p>aumento significativo na qualidade de vida e rotina dos usuários, tornando a leitura</p><p>mais acessível e facilitando a produção de documentos escritos.</p><p>Os sintetizadores de voz são programas próprios para pessoas com</p><p>deficiência visual, pois possibilitam o acesso aos recursos do Windows utilizando</p><p>um programa de voz para identificar comandos. Existem diversos programas</p><p>desenvolvidos nacionalmente para esse fim, como o Dosvox, que é gratuito, e o</p><p>Virtual Vision, que pode ser obtido de graça pelos correntistas de determinadas</p><p>instituições bancárias. Essas ferramentas permitem que usuários com baixa visão</p><p>ou cegueira consigam utilizar o computador de maneira independente, o que</p><p>promove a inclusão social e o desenvolvimento de competências digitais.</p><p>O cubaritmo é uma grade quadriculada composta de cubos com a escrita</p><p>Braille. Por meio dele o usuário pode visualizar e manipular as sentenças</p><p>matemáticas de forma prática e intuitiva. É um sistema de encaixe que favorece a</p><p>organização das expressões matemáticas e facilita sua manipulação. Por outro</p><p>lado, torna-se desorganizado rapidamente, caso seja mal manipulado.</p><p>O soroban é um antigo instrumento de cálculo que seria originário da</p><p>Grécia do século III a.C., mas que ganhou popularidade graças aos imigrantes</p><p>japoneses. Ao chegar ao Brasil, Joaquim Lima Moraes adaptou o instrumento para</p><p>uso por pessoas cegas, utilizando uma folha de borracha compressora para deixar</p><p>as contas fixas e poder ser lido por tato. O soroban consiste em uma moldura com</p><p>21 eixos, cada um contendo cinco contas, quatro na parte inferior e uma na parte</p><p>superior. Atualmente, é possível utilizar o instrumento para executar diversas</p><p>operações, como soma, subtração, multiplicação, divisão, raiz quadrada, entre</p><p>outras.</p><p>9</p><p>O gravador de voz tornou-se uma importante ferramenta para o ensino de</p><p>pessoas com deficiência visual. Por meio dele, é possível gravar o conteúdo das</p><p>aulas e também merendas pedagógicas, compartilhando-se</p><p>com os alunos com</p><p>deficiência visual e possibilitando que eles acessem o material em sua forma mais</p><p>autêntica. Além disso, o gravador de voz permite o armazenamento de</p><p>documentos de voz, como relatórios de aula, informações dos professores e muito</p><p>mais. Essa ferramenta contribui muito para a inclusão e o aprendizado dos</p><p>estudantes com deficiência visual.</p><p>A bengala longa é essencial para o deslocamento seguro de uma pessoa</p><p>com deficiência visual. Ela proporciona autonomia para os deslocamentos desses</p><p>usuários, pois possibilita a identificação de possíveis obstáculos à sua frente.</p><p>Possui também as funções de perceber obstáculos, evitar perigo e indicar o</p><p>tamanho do espaço a ser percorrido. Ela é o prolongamento do tato e a extensão</p><p>do dedo indicador e também pode ser usada como auxílio visual para subsidiar a</p><p>locomoção desses usuários.</p><p>TEMA 4 – RECURSOS ÓPTICOS</p><p>Segundo Barraga (1985), alguns recursos ópticos que podem ser úteis para</p><p>o processo de ensino-aprendizagem incluem o microscópio, o telescópio e outros.</p><p>Além disso, a utilização de materiais impressos ou eletrônicos também oferece</p><p>vantagem. Algumas outras técnicas que podem ajudar na melhoria da visão são</p><p>a instrução sobre a deslocação do olhar, o estabelecimento de limites para cada</p><p>tarefa visual, a estimulação adequada da visão binocular e a correção das</p><p>imperfeições ópticas.</p><p>Entre os recursos ópticos recomendados para estimular a visão das</p><p>crianças com baixa visão, destacam-se as adaptações possíveis de serem</p><p>realizadas pelo professor, assim como aquelas habilitadas por instrumentos e</p><p>equipamentos específicos. Essas adaptações podem ajudar na comparação,</p><p>categorização, compreensão e comunicação, favorecendo o desenvolvimento e a</p><p>evolução da visão das crianças (Martins; Bueno, 2003).</p><p>Seguem alguns exemplos de recursos recomendados:</p><p>• Ambiente de aprendizagem adaptado: essa adaptação se refere ao</p><p>ambiente a ser oferecido ao aluno, preparando-o para o uso da visão de</p><p>maneira eficiente. Isso pode incluir a escolha da cor das paredes, a</p><p>10</p><p>iluminação e a distribuição adequada dos móveis, além da abertura</p><p>adequada de janelas para a entrada de luz.</p><p>• Componentes magnéticos: essa técnica consiste em usar letras ou frases</p><p>em uma folha preta para que a criança com baixa visão possa diferenciá-la</p><p>de outros materiais escolares.</p><p>• Aparelhos de ampliação: são apropriados para crianças com baixa visão.</p><p>Eles ampliam imagens, permitindo que detalhes que não são percebidos</p><p>por olhos não treinados sejam vistos.</p><p>• Modelos de luz: possibilitam às crianças com baixa visão ver detalhes mais</p><p>precisos ao usar fontes de luz direcionadas.</p><p>• Telescópios e prismas: utilizados para aumentar a visão, esses acessórios</p><p>proporcionam distância focal, direcionando o que se deseja enxergar.</p><p>Também são usados para aumentar a sensibilidade das cores.</p><p>• Monitor de vídeo com lentes de aumento: o professor pode projetar</p><p>imagens de livros, jornais etc. em um monitor de vídeo, podendo ser</p><p>ampliado para que o aluno possa visualizar as imagens com mais</p><p>facilidade.</p><p>• Visor dobrável grandão: possibilita a visualização de imagens ou mapas em</p><p>grande escala. Além de ajudar na compreensão da imagem, também</p><p>permite o aumento do tamanho da imagem para facilitar a compreensão de</p><p>detalhes das letras.</p><p>É necessário fornecer um ambiente que incentive as crianças com baixa</p><p>visão a aproveitar ao máximo a sua capacidade visual. Devem ser oferecidas</p><p>situações para que elas possam comparar, categorizar, aprender e expressar</p><p>suas ideias. Ao mesmo tempo, as crianças devem ser incentivadas a usar</p><p>recursos visuais, como imagens e objetos para ajudá-las a entender a sua própria</p><p>situação e a do mundo ao seu redor (Martins; Bueno, 2003).</p><p>TEMA 5 – ADAPTAÇÕES PARA PESSOAS CEGAS E/OU BAIXA VISÃO</p><p>Ao longo dos anos, as contribuições e inovações em relação às pessoas</p><p>com baixa visão cresceram significativamente. Atualmente, existem diversos</p><p>produtos e serviços informáticos que permitem que essas pessoas realizem</p><p>atividades diárias com mais facilidade. Além disso, existem também produtos e</p><p>serviços criados com o objetivo de facilitar o aprendizado e educação desses</p><p>11</p><p>indivíduos. Estes ajudam a melhorar o desempenho e a autonomia na realização</p><p>das tarefas, contribuindo para alcançarem seus objetivos e desenvolverem</p><p>habilidades pessoais.</p><p>Com o desenvolvimento da tecnologia, os recursos para ampliação e</p><p>adaptação de materiais para o aluno com baixa visão se tornaram ainda mais</p><p>acessíveis. A máquina de copiar e o microcomputador facilitaram ainda mais esse</p><p>processo, possibilitando maior qualidade das adaptações e rapidez na elaboração</p><p>de materiais específicos. Esses recursos têm sido fundamentais para a inclusão</p><p>de pessoas com deficiência, oferecendo a elas o mesmo acesso à educação e à</p><p>informação.</p><p>Grafia ampliada para pessoas com deficiência visual é uma forma</p><p>diferente de escrever que utiliza letras, fontes e tamanhos maiores para tornar as</p><p>palavras e os símbolos mais facilmente legíveis para pessoas com deficiência</p><p>visual. É comumente usada em livros e documentos de aprendizado adaptados</p><p>para pessoas com deficiências visuais ou para melhorar a legibilidade de linhas</p><p>de texto curtas, como logotipos.</p><p>A iluminação é uma característica essencial para um ambiente de trabalho</p><p>ou estudo adequado. Ela deve fornecer luz suficiente para que o material possa</p><p>ser visto de maneira nítida e sem reflexos ou ofuscação para os olhos. Quando</p><p>esta se encontra adequada, proporciona boa visibilidade para o aluno, além de</p><p>contribuir para o desenvolvimento de suas tarefas. A luz natural é primordial, no</p><p>entanto pode não ser suficiente e, nesses casos, é necessário auxiliar com luz</p><p>artificial.</p><p>A qualidade de material para alunos com baixa visão requer mais que</p><p>ampliação. O contraste é um recurso óptico governado pela combinação de cores</p><p>entre o texto e o plano de fundo. Também é necessário ter cuidado nas</p><p>formatações, como tamanho de linhas, espaçamento entre elas, largura das</p><p>margens e tipo de fontes. Quando o professor faz uso da lousa, a escolha de cores</p><p>precisa ser criteriosa para garantir a visibilidade do aluno.</p><p>As lentes e as lupas são ferramentas ópticas utilizadas para ampliar</p><p>imagens e detalhes, sendo as mais comuns encontradas no mercado: lentes</p><p>esféricas; lupas manuais; lupas de mesa com iluminação; lupas fixas; e telelupa.</p><p>Essas ferramentas são de grande utilidade, pois permitem que um objeto seja</p><p>aumentado, porém o campo de visão é restrito.</p><p>12</p><p>Closed circuit television (CCTV) é um sistema de monitoramento de</p><p>vídeo para vigilância e segurança. Utiliza câmeras que transmitem imagens e</p><p>vídeos em tempo real, geralmente em uma rede fechada, para um ou mais</p><p>monitores de visualização. A qualidade das imagens obtidas depende do sistema</p><p>de câmeras de vídeo utilizado. Alguns tipos de circuito fechado de televisão</p><p>(CCTV) possibilitam ao usuário variar a disposição de contraste e ampliar as</p><p>imagens originais em até 60 vezes.</p><p>Os ampliadores de tela de computador são ferramentas ópticas que</p><p>permitem o acesso e a exibição de informações com maior nitidez e ampliação. É</p><p>possível por meio do próprio Office, instalado no computador, obter um aumento</p><p>na tela; no entanto, para garantir maior definição de imagem e configuração, há a</p><p>necessidade de uso de softwares certificados e licenciados, tanto gratuitos quanto</p><p>privados. Esse tipo de recurso pode ser útil para facilitar a leitura de conteúdos</p><p>com maior definição ou para a acessibilidade de pessoas que necessitam de</p><p>leitura facilitada.</p><p>O uso de recursos ópticos é muito importante para pessoas com deficiência</p><p>visual, pois oferecem um meio de aumento da funcionalidade e capacidade de</p><p>realizar tarefas simples. Além disso, podem produzir significativa melhora na</p><p>qualidade de vida das pessoas com deficiência visual.</p><p>13</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ARROYO, M. G. Pedagogia em movimento: o que temos a aprender dos</p><p>movimentos sociais? Revista Currículo sem Fronteiras, Belo Horizonte, v. 3, n.</p><p>1. p 28-49, jan./jun. 2003.</p><p>BARRAGA, N. C. Disminuidos visuales y aprendizaje. Traduzido por CRESPO,</p><p>S.; DAVID, A. M. Madri: Once, 1985.</p><p>BRASIL, Ministério da Educação. Portaria n. 554 de 26 de abril de 2000. Diário</p><p>Oficial da União, Brasília, 26 abr. 2000.</p><p>BRASIL, Ministério da Educação. Projeto Escola Viva: garantindo o acesso e</p><p>permanência de todos os alunos na escola – alunos com necessidades</p><p>educacionais especiais, Brasília: SEESP, série 2, 2005.</p><p>BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei n. 9394-96 de 20</p><p>de dezembro de 1996. Diário Oficial da União, Brasília, 20 dez. 1996.</p><p>MARTÍN, M. B.; BUENO, S. T. Deficiência visual: aspectos psicoevolutivos e</p><p>educativos. São Paulo: Editora Santos, 2003.</p>