Prévia do material em texto
<p>FÁTIMA ALVES PSICOMOTRICIDADE: CORPO, 4123 EMOÇÃO 3 Edição wak editora</p><p>2005 by Fátima Alves Gerente Editorial: Alan Kardec Pereira Editor: Waldir Pedro Projeto gráfico Dedicatória e Diagramação: Virginia Maria C.R. de Souza Capa: Nicolau Vinciprova Ao meu marido André, pela ajuda nas digitações, na paciência e amor; Dados Internacionais de Catalogação na Publicação Aos meus filhos Dafne e Mateus (CIP) pela compreensão das muitas ausências. A474 Alves, Fátima Aos colegas pela força. Psicomotricidade : corpo, ação e emoção / Aos meus alunos, ex-alunos, estagiários e amigos Fátima Alves - 4. ed. Rio de Janeiro: Wak, 2008 que me fizeram sentir a necessidade de enfatizar o 164 p.; 21cm conhecimento da psicomotricidade. Inclui Bibliografia À amiga Lucília Lino de Paula, pela oportunidade ISBN 978-85-88081-59-8 e ajuda da minha descoberta como professora. À formação "Sócio-Psicomotricidade Ramain-Thiers" 1. Psicomotricidade. I. Título por ter me fornecido maior aprofundamento CDD da psicomotricidade Ao meu coordenador, Fernando Arduini, e ex-coordenador, Leonardo Barcelos, 2008 por creditarem e acreditarem em mim. Direitos desta edição reservados à Wak Editora Proibida a reprodução total e parcial. 3 Os infratores serão processados na forma da lei. Class: WAK EDITORA A479 Av. N. de Copacabana 945 - sala 103 - Copacabana Rio de Janeiro - CEP 22060-001 - RJ Tombo 54.898 Tels.: (21) 3208-6095 e 3208-6113 Proc: Fax (21) 3208-3918 wakeditora@uol.com.br Cr$: Data 10/02/2011</p><p>Sumário 1 Psicomotricidade e desenvolvimento infantil 15 1.1 Desenvolvimento da criança 17 1.2 Comportamento da criança 18 1.3 exame 20 1.4 Corpo e o movimento 24 1.5 Os objetos 26 1.6 Desenvolvimento perceptivo e motor segundo Arnold Gesell 27 1.7 Desenvolvimento 31 1.8 A função motora 37 1.9 A estrutura do esquema corporal 38 2 Aspectos do desenvolvimento motor...4 46 2.1 Esquema corporal 47 2.2 Etapas de desenvolvimento do esquema corporal 50 2.3 Imagem corporal 53 2.4 Coordenação geral e facial 56 2.5 Equilíbrio 60 2.6 Lateralidade 61</p><p>6 A psicomotricidade no processo de 3 A estruturação Espacial 69 aprendizagem 127 3.1 Perturbações da orientação 6.1 A educação e a escola 129 espacial 72 6.2 Educação psicomotora na escola 133 3.2 Orientação temporal 74 3.3 Pré-escrita 78 6.3 papel do professor na psicomotricidade 136 3.4 Maturidade para a leitura e a escrita 82 7 A avaliação psicomotora 141 4 Desenvolvimento psicomotor 7.1 Por que avaliar? 141 da criança 87 7.2 Avaliação psicomotora ( roteiro de 4.1 Desenvolvimento da criança 88 Anamnese) 144 4.2 A aprendizagem 7.3 Considerações 153 na leitura e escrita 95 4.3 Distúrbios de aprendizagem Bibliografia 155 da leitura e da escrita 98 4.4 Dificuldade na leitura oral 103 5 Exercícios psicomotores 115 5.1 Exercícios de esquema corporal 116 5.2 Exercícios de lateralidade 117 5.3 Exercícios de coordenação 118 5.4 Exercícios de orientação temporal 119 5.5 Atividades na área de comunicação e expressão 120 5.6 Exercícios de percepção 122 5.7 Exercícios de relaxamento 123 5.8 Crie seus exercícios 123</p><p>1 Psicomotricidade e desenvolvimento infantil Antes de iniciarmos nossos estudos sobre Psicomotricidade, vamos considerar as seguintes definições: Auguste "É uma ciência tem o do homem que por objeto corpo estudo em através do seu movimento nas suas relações com seu mundo interno e externo". (SPB, 1984) " A Psicomotricidade consiste na unidade dinâmica das atividades, dos gestos das atitudes e posturas, enquanto sistema expressivo, realizador e representativo do "ser - em - e da coexistência " com outrem (Jacques Chazaud, 1976) A partir das afirmações acima é possível entender que a Psicomotricidade envolve toda a ação realizada pelo indivíduo, que represente suas necessidades e permitem sua relação com os demais. É a integração "Eu só acredito num Deus De uma maneira estática, a motricidade pode ser que dança" definida como resultado da ação do sistema nervoso Nietzche sobre a como resposta à estimulação sensorial. Enquanto que o psiquismo poderia ser 15</p><p>considerado como o conjunto de sensações, 1.1 Desenvolvimento da criança percepções, imagens, pensamentos, afeto, etc. O movimento, assim como o exercício, é de A mobilidade deve ser compreendida em sua fundamental importância no desenvolvimento físico, evolução, a partir dos movimentos reflexos e intelectual e emocional da criança. Estimula a respiração incoordenados, até os movimentos coordenados que e a circulação. Graças ao exercício físico são fortalecidos têm finalidade e gestos, de valor simbólico. os músculos e os A função psicomotora, no entanto, não pode ser movimento permite à criança explorar o mundo estudada senão como uma unidade onde se integram exterior através de experiências concretas sobre as quais a incitação, a preparação, a organização temporal, a são construídas as noções básicas para o desenvolvimento memória, a motivação, a atenção etc. intelectual. É importante que a criança viva o concreto. Cada elemento da motricidade deve ser É a exploração que desenvolve na criança a considerado no conjunto e na história que lhe dá consciência de si mesma e do mundo exterior. A criança significação. Por isso mesmo, a psicomotricidade deve se desenvolve desde os primeiros dias de vida, de ser compreendida em sua integridade, partindo de maneira contínua. fenômenos que envolvem o desejar e o querer. A harmonia do desenvolvimento com todos os O mundo psicomotor surge também na escola. seus componentes é tão importante quanto a aquisição Por exemplo, o material "corda" libera várias expressões de tantas performances numa determinada idade. O no contato dual, surgindo o afeto e o prazer. importante não é a criança realizar uma corrida de Na sala de aula, o aluno busca um espaço para obstáculos, o mais rápido possível, mas sim desenvolver o seu corpo, vivendo intensamente cada momento. Se seu corpo e sua mente de maneira equilibrada. A partir inibido de imediato haverá bloqueio psicomotor, do momento em que certas aquisições, como a levando ao isolamento, ele passa a se tornar linguagem, por exemplo, se desenvolvem rapidamente, "observador do mundo..." A estrutura topológica criada os progressos em outras áreas estacionam, é preciso espontaneamente por uma criança pode ser o ponto compreender que a criança não pode centrar seus de partida para o estudo da matemática. esforços em todos os aspectos ao mesmo tempo. Cada criança é única. O esquema do desenvolvimento é comum a todas as crianças, mas as diferenças de caráter, as possibilidades físicas, o meio e o ambiente familiar explicam que com a mesma idade crianças perfeitamente "normais" possam comportar-se de maneiras diferentes. A criança que progrediu inicialmente muito rápido pode reduzir o seu ritmo e ser alcançada por aquela criança que parecia "atrasada" alguns meses antes. 16 17</p><p>Desta maneira, fazer julgamentos do Os primeiros anos de vida têm uma desenvolvimento de uma criança é muito mais complexo importância capital: o desenvolvimento da do que parece: não é suficiente apreciar, baseado num inteligência, da afetividade, das relações sociais é manual, é preciso ter em vista conjunto da criança e tão rápido que sua realização determinará em de suas condições de vida familiar e não se preocupar grande parte as capacidades futuras. Qualquer com apenas um déficit. perturbação poderá também, se não foi detectada a tempo e tratada de maneira adequada, diminuir 1.2 Comportamento da criança consideravelmente as capacidades futuras. O que caracteriza uma criança inadaptada, O meio ambiente terá de ser favorável para seja qual for o tipo ou inadaptação, é a falta por razões que a criança tenha uma maturação normal fazendo constitucionais, acidentais, afetivas etc, de certas com que sua inteligência seja desenvolvida. etapas de elaboração de seu Ego corporal. É muito importante saber que a escola irá A educação deve ser pensada em função da recebê-la para implantar e reforçar a sabedoria, criança de sua idade, necessidades e interesses e não mas que bom desempenho da criança dependerá tendo em vista apenas um objetivo particular, por como ela foi preparada anteriormente no meio exemplo, a aprendizagem da leitura e da escrita; ou familiar. Nos primeiros anos de vida, os principais em função de uma filosofia e ainda menos em função educadores são os pais, ou aqueles que, às vezes, de uma tradição. os substituem. Os pais devem estar conscientes da As necessidades e interesses da criança podem importância da influência do meio sobre a evolução de seus filhos. ser estabelecidos através da observação objetiva dos estágios de desenvolvimento e do comportamento nas Numerosos distúrbios de desenvolvimento de diferentes idades. A determinação do estágio de uma criança de família desenvolvimento da criança é indispensável para que atribuídas à hereditariedade, embora sejam se estabeleçam as condutas educativas que poderão resultado das condições desfavoráveis de vida, favorecer os diversos aspectos de desenvolvimento e antes e logo após o nascimento. Tais crianças, se conhecimento e, portanto, simplificar a adaptação da recebessem cuidados e afeição necessária de sua criança ao meio em que vive. família, teriam as mesmas oportunidades que as outras crianças. Como critérios de avaliação podemos sugerir: 1 Observação do desenvolvimento psicomotor; 2 O desenho, em especial da figura humana, que está intimamente ligado à evolução do esquema corporal; 3 - comportamento social. 18 19</p><p>1.3. exame psicomotor Coordenação motora fina: No exame psicomotor temos a distinguir três fases envolve pequenos músculos de desenvolvimento: coordenação óculo motora coordenação facial Atividades reflexas em resposta à estimulação coordenação digital sensorial. prevalência do sistema piramidal na motricidade voluntária Evolução das posturas : sentada, de pé e de marcha. Coordenação motora: dois a cinco anos envolve grandes pares musculares Estágio global e sincrético: atingindo, no final, a envolve as atividades de arrastar, rolar, engatinhar, representação do corpo. Nesta fase devem ser observados andar, correr e saltar os seguintes comportamentos: prevalência do sistema extrapiramidal 1. Coordenação óculo manual Equilíbrio: 2. Coordenação dinâmica geral Quando a criança consegue manter-se em bom 3. Equilíbrio equilíbrio estático e dinâmico, mantendo-se 4. Controle do próprio corpo normalmente sobre um pé durante algum tempo, trepa, pula, salta e sofre bem poucas quedas. Pode 5. Organização perceptiva acontecer da criança ter enorme deficiência 6. Linguagem postural de equilíbrio estático e dinâmico, não conseguindo manter-se sobre um pé só, pular, seis a 12 anos saltar, sofrendo várias quedas contínuas. Estágio de aperfeiçoamento e 1. Coordenação dinâmica manual A Lateralidade é importante na evolução da 2. Coordenação dinâmica geral criança: 3. Equilíbrio Influi na idéia que a criança tem de si mesma, na formação do seu esquema corporal, na 4. Organização do espaço percepção da simetria de seu corpo; 5. Rapidez de execução. Contribui para determinar a estruturação espacial: percebendo o eixo do seu corpo; a criança percebe também seu meio ambiente em relação a esse eixo: o banco está do lado da mão que desenha. 20 21</p><p>A Lateralidade pode ser: Função de ajustamento homogênea: a criança é destra ou canhota do olho, (adaptação ao mundo exterior). da mão e do pé; intencionalidade práxica. cruzada: a criança é destra da mão e do olho, exploração do corpo ligadas a experiências canhota do pé; ambidestra: a criança é tão forte e destra do lado corpo entra como objeto global na relação. esquerdo quanto do lado direito. Experiências motoras vividas globalmente Dominância lateral (ainda em bloco) Uma criança cuja lateralidade não está bem definida condutas motoras (há necessidade do motor para a construção). encontra problemas de ordem espacial, não percebe diferença maturação práxica com prevalência sobre entre a esquerda e a direita, é incapaz de seguir a direção gráfica (leitura começando pela esquerda). Igualmente não maturação consegue reconhecer a ordem em um quadro. Como nessas Consciência do próprio corpo, da relação das condições poderia colocar corretamente um título ou a data partes entre si, das possibilidades de movimento, com referência aos dados do mundo exterior. em seu caderno? Ex: A criança percebe que seus membros não reagem Imagem Corporal: da mesma forma. "Pode pular em um só pé, com o pé esquerdo Percepção e o sentimento que o indivíduo tem de mas não com o direito". seu próprio corpo. Ligada a aspectos relacionais Obs: Não é aconselhável empregar os termos e envolve experiências interiores, expectativas "esquerda" e "direita" sem que a lateralidade sociais e emoções. esteja bem definida. A imagem é tudo aquilo que foi vivido. Esquema Corporal Descobrir a imagem corporal para trabalhar o A formação do da personalidade da criança, esquema corporal. isto é, o desenvolvimento do esquema corporal, a criança toma consciência de seu corpo e das possibilidades de expressar- Noção espaço-temporal: se por meio desse corpo. A maneira como a criança se localiza no espaço que a circunda. Ter conhecimento do próprio corpo, ter imagem de si mesmo (Rossel 1971). Ex: "Estou atrás da cadeira", "a bola está debaixo Esta área se refere a percepção e ao controle do corpo. da mesa" e como situa as coisas, umas em C corpo vivido até três anos (prevalecem as relação às outras. sensações). Interesses voltados para o mundo exterior A orientação temporal diz respeito a como a (atividade exploratória). Não que haja uma construção criança se situal no tempo (ontem, amanhã ...). do mundo externo. Parte da atividade de exploração do mundo externo para formar o mundo interno. 22 23</p><p>Os problemas quanto à orientação espacial e unidade sensório-motora, isto é, levando em orientação temporal, como por exemplo com a noção consideração a informação motora. "antes-depois", acarretam principalmente confusão na Sherrington e Head distinguem dentro da ordenação dos elementos de uma sílaba. A criança sente sensibilidade: dificuldade em reconstruir uma frase cujas palavras estejam uma sensibilidade interoceptiva misturadas, sendo a análise gramatical um quebra-cabeça é a sensibilidade visceral para ela. Uma má organização espacial ou temporal Uma sensibilidade proprioceptiva: acarreta fracasso em matemática. Para calcular, é ligada às posturas, movimentos e atitudes a criança deve ter pontos de referência, colocar Uma sensibilidade exteroceptiva: números corretamente, possuir noção de englobando as funções táteis, visuais e auditivas. "fileira", de "coluna", deve conseguir combinar as formas para fazer construções geométricas. Movimento reflexo: Reação involuntária, estereotipada e localizada no 1.4 o Corpo e o movimento organismo a um estímulo específico. Os reflexos podem ser inatos ou adquiridos por aprendizagem. primeiro objeto que a criança percebe é seu próprio corpo. Este conhecimento se estrutura Ex.: Reflexo pupilar reflexo de sucção. através de sensações, mobilizações e Movimentos voluntários: deslocamentos. São atos intencionais que encerram dois elementos Esquema corporal: é a organização das sensações importantes: motivação e antecipação. Tais características relativas ao próprio corpo, como resultado da dão ao movimento voluntário a conotação de atividade associação de elementos cada vez mais psicomotora por excelência. Já que o projeto motor é a coordenados e complexos. O esquema corporal intencionalidade convertida em ato, representa o ponto onde nada mais é do que a imagem de si mesmo, isto se reúnem as faculdades intelectuais psíquicas e as é, uma imagem que tem como particularidade o possibilidades motrizes. interesse afetivo que lhe dirige o sujeito. A par da elaboração do esquema corporal, que resulta de Movimentos automáticos: atividades mentais, temos que considerar a Reações globais do organismo aos estímulos do meio, tomada de consciência de si, como Ego corporal, sem possibilidades de decomposição e análise. São reações que resulta da relação do sujeito com os demais. aprendidas tornando-se involuntárias, isto é, a partir de um A construção do esquema corporal se a partir estímulo, surge uma cadeia de respostas que se sucedem da maturação neurológica, da evolução sensório- com o controle consciente do sujeito. motora e da relação com o corpo do outro. Ex.: Na marcha, os primeiros movimentos são Sendo o movimento uma resposta muscular à voluntários seguindo-se uma ação automática. estimulação sensorial, só podemos estudá-lo na 24 25</p><p>1.5 Os Objetos 1.6 Desenvolvimento perceptivo e motor segundo Arnold Gesell A elaboração dos diferentes elementos que constituem mundo dos objetos está estreitamente ligada Até a semana com a evolução do esquema corporal. Durante a vigília, o bebê apresenta uma atitude O objeto que inicialmente é confundido com o denominada de reflexo tônico-cervical, que caracteriza por próprio corpo vai aos poucos tornando-se dependente dele, extensão do braço para onde está voltada a cabeça e flexão algo para ele, para finalmente ter existência própria. do outro braço. Através da preensão, das manipulações e da vezes, o bebê apresenta reações bruscas, exploração visual, começa a criança a penetrar no espaço levantando momentaneamente a cabeça. Algumas vezes, dos objetos, descobrindo as noções de dentro, fora, acima, pode mover os braços, mais ou menos simetricamente, abaixo etc. porém, a atitude assimétrica do reflexo tônico-cervical é a A cor, a forma, a textura, o número, o espaço e o base da maior parte de sua postura. tempo são os principais elementos do mundo dos objetos Visão dentre os quais a criança deve localizar-se. Permanece com a vista imóvel durante longos períodos. É capaz de acompanhar um estímulo colocado Graças aos deslocamentos e a coordenação de seus em seu campo visual com um movimento combinado movimentos, isto é, graças ao uso cada vez mais diferenciado de olhos e cabeça. A apreensão ocular precede a e preciso de seu corpo, a criança vai tomando consciência, preensão manual. adquirindo conhecimento e progressivamente dominando os elementos que constituem o mundo dos objetos. Atividade manual A preensão manual pode ser observada pelo toque O meio, mundo das pessoas em que a criança da mão com um objeto; a atividade do braço aumenta e a vive tem papel preponderante em seu mão se fecha e se abre. As relações com os outros estão estreitamente ligadas à atividade motora e sensório-motora da criança. esta Até 16 semanas atividade que permite reconhecer as coisas e as pessoas, A reação tônico-cervical começa a perder sua diferenciar-se, adaptar-se e integrar-se. preponderância. A cabeça ocupa com maior a As relações com os demais são regidas pela linha média. A musculatura do tronco vai se organizando; satisfação das necessidades fundamentais da criança, a senta-se com apoio e levanta a cabeça. necessidade de segurança e autonomia progressiva. Estando Visão relacionadas com a satisfação de necessidades, que lhe O desenvolvimento crescente de redes neuronais proporciona prazer ou desprazer, estes laços com os demais permite uma maior atuação da musculatura ocular. É capaz são vividos essencialmente no plano afetivo. de olhar um objeto colocado em seu redor; olha A relação com os outros pode se traduzir em uma preferencialmente para as suas mãos como, também, para forma visível na atitude, na expressão corporal, na as do adulto. comunicação e, em especial, na expressão verbal. 26 27</p><p>Atividade manual Com 18 meses É capaz de tocar o objeto. Ante o estímulo visual, Caminha com maior facilidade e desenvoltura. sua mão livre se aproxima do objeto como se estivesse, Sobe uma cadeira, sobe escada com auxílio, para descer também, envolvida na manipulação. o faz só, engatinhando ou sentando-se a cada degrau. Pode Até 28 semanas caminhar arrastando um brinquedo de rodas (coordenação entre as condutas posturais e manuais). Aperfeiçoamento da posição sentada. Somente necessita de um pequeno apoio dos braços da cadeira ou Percepção do adulto. Alguns comportamentos já demonstram uma discriminação de espaço e forma. Sonda a terceira Visão dimensão com dedo indicador ou um objeto, isto é, A acomodação ocular é mais avançada que a introduzindo objetos em espaços. sentido da manual. Segura uma bolinha que rola, mas quando a quer verticalidade é presente, já empilha dois ou três cubos. apanhar, coloca a mão levemente sobre ela e não consegue Preensão pegá-la. Olhos e mãos funcionam em estreita relação, Seu "soltar" é exagerado, o que dificulta a reforçando-se e guiando-se mutuamente. manipulação de elementos consecutivos. É capaz de Atividade manual arremessar uma bola. O cotovelo é mais livre, o que permite A criança inclina-se para o objeto, segurando-o virar folhas de um livro, de duas a três de uma só vez. com um movimento de preensão de toda a mão, com o lado radial, que prepara a oposição do polegar. Com dois anos Maior flexibilidade dos joelhos e calcanhar permite Até 40 semanas um equilíbrio superior. Pode andar mais rapidamente sem As pernas já sustentam o peso do corpo, mas perder o mas não pode correr, efetuar voltas ainda necessita de apoio. Domina o equilíbrio na rápidas ou parar bruscamente. posição sentada. Percepção Visão Pode-se, nesta ocasião, observar a estreita Manifesta grande interesse tátil e visual pelos detalhes. interdependência entre o desenvolvimento mental e motor. Atividade manual A criança parece pensar com seus músculos. Interpreta É capaz de pegar uma bolinha em movimento de motoramente o que vê e ouve. pinça, de tipo inferior. Preensão Vira as páginas de um livro de uma a uma. Constrói Com 1 ano torre de seis cubos, corta com a tesoura, enfia contas com Engatinha com grande agilidade, podendo fazê-lo uma agulha. de joelhos ou na planta dos pés. Pode erguer-se e parar sem ajuda, mas ainda é falho o seu equilíbrio estático. 28 29</p><p>Com três anos 1.7 Desenvolvimento psicomotor Gosta de atividade motora ampla, mas pode As fases do desenvolvimento psicomotor não devem permanecer em uma brincadeira sentada por um ser consideradas apenas segundo um quadro de maturação período maior. Demonstra uma maior capacidade de neurológica, mas como resultado de um processo reacional nibir e delimitar movimentos. Pode construir torres de até e relacional complexo. Com isto queremos dizer que, ao 10 cubos. enfocarmos o desenvolvimento psicomotor, levamos em Maior domínio da direção vertical, mas ainda conta as reações do ser ao ambiente que o cerca e as grande inabilidade nos planos oblíquos. Pode relações com os demais. dobrar um papel ao largo e ao comprido, mas A organização da motricidade passa pelas não o faz na diagonal, mesmo com molde. seguintes fases: Maior coordenação na marcha e corrida, fase: aumentando ou diminuindo a velocidade, dando ser nasce com as condições voltas ou parando, com maior facilidade. dos reflexos, mas para que estes se manifestem é Sobe escadas, alternando os pés; salta do último indispensável que o meio atue, sob a forma de estímulos, degrau com os dois pés. Salta com os dois pés de que irão quebrar o equilíbrio da organização, provocando uma altura de 30 cm. Pedala velocípede. a reação reflexa. reflexo constitui-se em uma modalidade assimiladora, que se acomoda ao meio, quando se em Com quatro anos funcionamento. Pode manter-se sobre um pé durante segundos e, Esta fase caracteriza-se pelas seguintes conquistas: os seis é capaz de saltar em um só pé. Percebe-se uma a) Organização da estrutura motora naior independência da musculatura das pernas e dos superiores. A criança já abotoa roupas sozinha, b) Organização do tônus de fundo laços em cordões de sapatos, além de outras atividades c) Organização da propriocepção imples e habituais. d) Desaparecimento das reações primitivas fase: Organização do plano motor. Durante esta fase há o aperfeiçoamento espaço- temporal das reações. Evoluem paralelamente as possibilidades de conhecimento e das relações sociais. fase: Automatização do adquirido. Através da ação do sujeito as aquisições motoras vão sendo automatizadas. 0 31</p><p>fase: Aperfeiçoamento e de coordenação da visão acarretam um controle sobre os novas habilidades motoras. objetos e, mais tarde, a tomada intencional dos objetos A idade de cinco a sete anos apresenta uma etapa que estão à sua volta. de transição no desenvolvimento. A criança passa do Aos seis meses, ocorre uma descentralização geral estágio global e sincrético para o de diferenciação e análise. através da função sensório-motora e da coordenação das ações e dos espaços. Etapas do desenvolvimento As coordenações viso-tátil-cinestésicas desenvolvem- Importância da Psicomotricidade na evolução se na presença dos objetos, adquirindo um "espaço prático". da criança Aos nove meses, ela começa a diferenciação do sujeito- Influência da Psicomotricidade na estruturação dos objeto. Suas mãos é que manipulam os objetos, construindo, processos intelectivos da criança com isso, um "espaço objetivo e operativo", através da (Dados retirados do artigo escrito por tomada de consciência de seus limites corporais e das Maria Goretti L. B. Bensusan e Maria Teresa V. Miranda) diferentes posições que os objetos ocupam. A criança diferencia o mundo exterior do seu mundo interior. A criança nasce, somente, com seu equipamento Mas é somente aos dois anos que ocorrem as Os movimentos desordenados, não primeiras manifestações simbólicas. É pelas experiências há intencionalidade, são apenas movimentos reflexos. vividas do movimento global que a criança vai delimitar o sistema tônico, está desenvolvido, tanto no plano sensitivo seu próprio corpo do mundo dos objetos, estabelecendo o quanto no motor. primeiro esboço do seu esquema corporal e a descoberta A mãe ou quem cuida da criança tem uma de um mundo exterior. importância fundamental no desenvolvimento da sua O controle da verticalidade vai lhe permitir ver o noção corporal. mundo de outra maneira, não mais tão dependente do Somente a partir dos três meses, a criança começa outro, passando de um "espaço bucal" para um "espaço a estabelecer ligações entre os seus desejos e o meio onde haverá uma maior liberdade de externo e por meio do movimento do seu próprio corpo. manipulação. Com o domínio da marcha ocorre o ingresso Descobre, com isso, o prazer de brincar com seus pés, num "espaço locomotor", onde passará a agir através do mãos e, logo, com outros segmentos, progressivamente seu próprio deslocamento. num domínio corporal. Nesta fase é necessário tocar, manusear, subir, A maturação dos seus órgãos dos sentidos vai se descer, entrar, sair, ou seja, vivenciar várias experiências acelerando, sob a influência de numerosos estímulos para que ela possa aprender as formas, as dimensões, as externos, o que vai aumentar ainda mais as suas orientações, superfícies, volumes e, com isso, experiências motoras. A partir dos cinco meses, com o melhor ajustar-se às situações completas. desaparecimento do "grasping reflex", da aquisição da A imagem visual do seu próprio corpo ainda é muito ritmicidade e da visão muscular fina, aparecem as incompleta, tendo apenas uma visão parcelada de suas primeiras preensões voluntárias que, juntamente com a mãos e membros inferiores. É somente através do espelho 32 33</p><p>que ela pode se ver e completar o seu esquema geral do ao corpo transformações que não deixarão de modificar a corpo, não mais fragmentado, para a compreensão de seu imagem do corpo, porém conservarão as características corpo como um todo organizado. fundamentais da idade anterior.A organização do corpo Antes mesmo da linguagem verbal, a comunicação está na razão direta da ocupação do espaço que o justifica se dá com o outro, por intermédio do corpo, estabelecendo e o relaciona. um diálogo corporal com a Esta identificação Do espaço lateral, passa para o circular, quando, prossegue até a aquisição da linguagem, onde a criança então, a criança começa a explorar o espaço extra-corporal imita seus pais, reproduzindo seu modo de falar e suas que a levará, através da prática, à noção corporal. entonações. A partir dos dois anos e meio a imitação diferenciada passa a ser possível, enriquecendo sua Um sujeito que conhece bem a funcionalidade do bagagem gestual, afinando também com isso seu seu corpo e sabe se expressar através dele é um ser controle tônico. confiante em si mesmo. Esse conhecimento corporal se faz por intermédio das suas vivências, tanto individuais, quanto desenvolvimento corporal amplia o envolvimento grupais. A harmonia do seu corpo com o seu meio será e o conhecimento do real, enriquecendo ainda mais a traduzida na sua expressão corporal. criança e evolui sua linguagem. ajustamento do indivíduo ao seu meio se fará a Aos três anos é a idade do não, do eu, do meu, partir da conscientização do outro e das normas da auto-afirmação. Vai descobrir o outro diante dela e taticamente admitidas nesse meio. Portanto, a socialização começa a compor seu "eu social" do indivíduo e do seu comportamento proporciona ao outro Aos cinco anos algumas partes do corpo não estão uma imagem dele mesmo, conforme o que esperam dele, com maturação completa, o que acarreta inúmeras sincinesias. graças a certas atitudes, a determinada mímica, a um estilo Aos seis anos, sua "imagem corporal" e uma de linguagem e um modo de vestir apropriados. Sendo "imagem postural" é estática. Sendo esta fase operatória, assim, a expressão autêntica de uma personalidade que se ela é capaz de adotar uma atitude sem pensar nos detalhes manifesta em seus gestos. Suas atitudes e suas palavras da execução. devem-se inscrever em certos moldes sociais, Dos sete aos dez anos ocorre a estruturação de um conseqüentemente, e ser modelada por um controle "esquema corporal", integrando os dados vividos com os voluntário da mímica, correspondendo a uma verdadeira dados percepto-cognitivos e ingressando, com isso, na fase aprendizagem social. das operações concretas. Os esquemas de ação antecipatória vai lhe permitir encarregar-se de sua própria motricidade, e por volta dos dez/12 anos já tem capacidade de modificar um automatismo em execução, sem demasiadas sincinesias, mantendo, com isso, a estrutura de conjunto. Na puberdade ocorre um desenvolvimento rápido da força muscular e dos fatores de execução, indo conferir 34 35</p><p>Por que tocar ? melhor os ruídos e ficam mais ligados aos pais. Uma das mais surpreendentes descobertas é o comunicação por meio do toque aumento da imunidade às doenças, em crianças que foram é um dos mais poderosos meios de criar tocadas e massageadas por suas mães. A massagem relacionamentos humanos". promove ainda desenvolvimento do potencial motor, permitindo maior flexibilidade e tonificação dos músculos Para o relacionamento mãe e filho o toque tem e da pele. importância vital, porque oferece possibilidades de fortalecer A criança massageada é mais descontraída o vínculo desde o início da gestação, ajudando no porque seu organismo exerce suas funções de forma desenvolvimento físico e emocional do bebê. mais equilibrada. sensibilidade ao toque, claramente presente 1.8. A função motora sete semanas e meia após a concepção, progride regularmente, até que, A função motora compreende o tônus muscular e o por volta da semana, movimento propriamente dito como também o estado de quase todo o corpo do bebê reage a contatos". tensão/distensão das vísceras. muscular Após o nascimento, o toque se torna mais valioso ainda, porque o bebê precisa de ajuda para se adequar ao Todo movimento humano, sob todas as suas novo ambiente, tão diferente da barriga da mãe. formas, inclusive no relaxamento elabora-se sobre o fundo tônico. O tônus muscular "é uma tensão dos músculos Este é um dos grandes benefícios do tocar: ao envolver o bebê nos braços, no peito, ao dar-lhe apoio e pela qual as posições relativas das diversas partes do corpo são corretamente mantidas e que se opõe às modificações contato, a mãe estará recriando as sensações de conforto e segurança vividas no útero, facilitando sua transição para passivas destas posições." as novas condições de vida. Em condições normais o músculo esquelético está Estudos e pesquisas sobre o toque revelam em repouso aparente, pois ele é sede de uma constante benefícios tão concretos que estão revolucionando os contração tônica. Esta contração é controlada por centros nervosos localizados no cerebelo e nódulos estriados. cuidados com o bebê nos primeiros anos de vida. Verifica-se o estado do tônus muscular através da Benefícios do tocar para o bebê resistência de um músculo à mobilização passiva de um Segundo estudos e pesquisas da University of segmento do corpo. Miami Medical School e da Duke University Medical Grande resistência hipertonia School, os bebês massageados dormem melhor, ganham Pequena resistência hipotonia mais peso, choram menos, ficam mais ativos e alertas, Resistência normal tônus normal. tornam-se mais conscientes dos que os rodeiam, toleram 36 37</p><p>"O tônus prepara e guia gestos, A infância (seis a 12 anos) vai se caracterizar expressa ao mesmo tempo por um aperfeiçoamento das aquisições da fase a satisfação ou mal estar do sujeito, anterior. A organização do esquema corporal implica não é apenas o alcance do gesto neste momento: mas o próprio gesto vivido." a) a percepção do controle do próprio corpo; b) um equilíbrio postural; 1.9 A estrutura do esquema corporal c) uma lateralidade bem definida; A construção do esquema corporal, a organização d) a independência dos diferentes segmentos com das sensações relativas ao próprio corpo em relação com relação ao tronco e entre eles. o mundo exterior tem um papel fundamental no desenvolvimento da criança, pois é o ponto de partida para Controle do tônus muscular ela agir. infância O tônus muscular e mobilidade são dois aspectos Etapa complementares e indissociáveis do esquema corporal. A educação psicomotora irá conduzir a criança a estruturar Exploração seu esquema corporal através de atividades de: O professor deverá ajudar a criança, através de Controle do tônus muscular contatos corporais e da manipulação, a vivenciar a sua tonicidade de uma maneira mais prazerosa. A facilitação Deslocamentos globais do corpo dada pelo professor às mobilidades corporais reconstitui Equilíbrio do corpo o diálogo tônico, vivenciado na relação da criança com As atividades se desenvolvem durante a infância a sua mãe. (a um nível de desenvolvimento de dois a cinco anos) em As mobilidades globais conduzem a criança a três etapas sucessivas: experimentar as situações de contração e relaxação e exploração do corpo, de suas as mobilidades segmentárias que têm como objetivo possibilidades de equilíbrio e de ação; levar a criança a experimentar suas diversas consciência do corpo como um todo; possibilidades tônicas. coordenação das informações sensoriais A medida que a compreensão e a aceitação de e dos si mesma são atingidas, a criança torna-se capaz de atuar sozinha. 38 39</p><p>Etapa Deslocamentos gerais do corpo Conscientização corporal infância Essa conscientização é dada a partir das situações Inicialmente os deslocamentos são motivados pelos que facilitam a descontração, em contraste com as situações atos prazerosos. Os exercícios devem observar a mesma de extensão e descontração; atingidas pela própria, faz com progressão verificada no desenvolvimento normal: que a criança vá progressivamente atingindo a consciência deslocamento de costas do corpo. Esta contração/descontração deve ser deslocamentos com as nádegas inicialmente uma atividade do corpo como um todo e por deslocamentos de bruços fim atividade de um segmento corporal, pernas ou braços. deslocamentos de joelhos infância Etapa 1. Percepção e controle do próprio corpo: Exploração e conhecimento A. Conscientização corporal Os primeiros exercícios visam a exploração e Vocabulário conhecimento das possibilidades motoras do corpo, isto é, Diferenciação dos diversos elementos devemos promover situações livres, devemos deixar a Conhecimento das posições fundamentais criança experienciar todas as possibilidades. Conhecimento das sensações elementares Etapa Educação das sensações cinestésicas Consciência do movimento Orientação do corpo no espaço Esta consciência vai sendo desenvolvida através da Automatização das noções de direita e utilização de situações em que os deslocamentos devem esquerda. seguir determinadas ordens. B. Relaxação global e segmentária Etapa Exercícios elementares de contração/ Coordenação e controle relaxação Os deslocamentos se constituem de movimentos Tomada da conscientização em repouso, da cada vez mais complexos, como deslocamentos com relaxação global e segmentária. movimentos alternados das pernas, saltos em posição rolamentos, cambalhotas etc. 40 41</p><p>infância Infância Coordenação dinâmica geral A educação do equilíbrio Exercícios de: marcha, corrida, trepar e Exercícios elementares sustentar-se, saltos. movimentos de contração e relaxação da Equilíbrio musculatura do tronco (parte posterior) O equilíbrio corporal é o conjunto de reações do sujeito à gravidade. associação do controle postural e exercícios de relaxação e independência segmentária Infância (membros superiores) Etapa automatização das posturas evitando-se progressivamente contrações e rigidez. Exploração Através das atividades propostas a criança é levada Educação das sensações a experimentar situações diversas de deslocamentos em Exercícios elementares a princípio a ajuda do professor, de alguém, é localização da cabeça por meio de contrações do indispensável. pescoço Etapa controle da pélvis e da espádua (ombro): contração do ventre, do quadril, em posição deitada, elevar Conhecimento e confiança e baixar a pélvis A criança deve encontrar por si só os meios de educação das sensações plantares: estimulação realizar situações simples: saltos em equilíbrio, da planta dos pés. deslocamentos em equilíbrio etc. Educação postural Etapa A. Posição sentada: Coordenação das sensações manter a postura adequada pela utilização de Exercícios que levam a criança a encontrar as bastões e, posteriormente, com supressão do bastão posturas necessárias ao equilíbrio, que seriam os automatização da posição sentada deslocamentos em situações cada vez mais complexas. exercícios de independência dos membros superiores. B. Posição de pé controle da pélvis, extensão da cabeça, com olhos fechados flexão do tronco, com olhos abertos, depois fechados oscilações laterais do tronco, olhos abertos, depois fechados. 42 43</p><p>1. Liberação do membro superior tomada de consciência da independência ombro braço: elevação lateral dos braços; elevação frontal dos braços; lançamento dos braços, movimentos circulares com os braços exercícios rítmicos: oscilações laterais; oscilações antero-posterior independência funcional dos braços: exercícios isolados de cada braço. 2. Equilíbrio geral educação das sensações plantares aquisição de confiança, adaptação a altura deslocamentos em equilíbrio. medida que a criança experimenta várias situações que proporcionam o conhecimento total do seu corpo e de suas partes, permite uma comunicação com o meio, favorece a diferenciação das partes do corpo em relação umas às outras, o domínio do seu corpo, sua percepção motora, sua imagem corporal, enfim, é capaz de desenvolver progressivamente a consciência corporal e criar seu próprio conceito de cor." 44</p><p>2 Aspectos do Desenvolvimento 2.1 o esquema corporal Vamos refletir sobre o esquema corporal e outros fenômenos do desenvolvimento motor humano. A compreensão do que seja esquema corporal é de fundamental importância para o trabalho na área de psicomotricidade. Consideramos, inicialmente, algumas das principais definições sobre o mesmo "O esquema corporal não é um conceito inicial ou uma entidade biológica ou física, mas o resultado e a condição da justa relação entre o indivíduo e o próprio ambiente." (H. Wallon) "Esquema corporal é a representação que cada um faz de si mesmo e que permite orientar- se no espaço. Baseada em vários dados sensoriais proprioceptivos e exteroceptivos, esta representação esquematizada é necessária à vida normal e fica prejudicada por lesões do lobo parietal.". (H. Pieron 47</p><p>"O esquema corporal pode ser considerado Vemos, portanto, que o corpo não é somente algo como umaintuição de conjunto ou um biológico e orgânico, mas que também expressa emoções conhecimento imediato que temos do nosso e está repleto de significados que são adquiridos através próprio corpo, seja em posição estática ou em da relação da criança com o meio. Esses valores, aos movimento, em relação às diversas partes entre quais Vayer se refere, influenciarão na formação do si e, sobretudo, nas relações com o espaço e os esquema corporal e principalmente na imagem corporal. objetos que o circundam." Para Morais (1998) e Santos (1987), a imagem é "uma (J. Le Boulch) impressão que se tem de si mesmo, subjetivamente," e "Esquema corporal é a integração das sensações esquema corporal relativas ao próprio corpo, em relação aos dados "resulta das experiências que possuímos, do mundo exterior." P. Vayer provenientes do corpo e das sensações que experimentamos. Por exemplo: andar, sentar- A partir do momento que o indivíduo descobre, se, segurar o lápis e a caneta de modo correto, utiliza e controla o seu corpo, esquema corporal é com equilíbrio e com movimentos coordenados estruturado e passa a ter consciência dele e suas depende de uma noção adequada do esquema possibilidades, na relação com o meio ambiente em que corporal. esquema corporal, portanto, regula vive. Vivenciar estímulos sensoriais, para discriminar a postura e o equilíbrio." as partes do próprio corpo e exercer um controle sobre elas, implica: É através do corpo que a criança vai descobrir o a percepção do corpo; mundo, experimentar sensações e situações, expressar-se, perceber-se e perceber as coisas que a cercam. À medida o equilíbrio; que a criança se desenvolve, quanto mais o meio permitir, ela a lateralidade; vai ampliando suas percepções e controlando seu corpo através a independência dos membros em relação ao da interiorização das sensações. Com isso ela vai conhecendo tronco e entre si; seu corpo e ampliando suas possibilidades de ação. corpo o controle muscular; é, portanto, ponto de referência que o ser humano possui para conhecer e interagir com o mundo". Ele servirá de base o controle de respiração. para o desenvolvimento cognitivo, para a aquisição de conceitos referentes ao espaço e ao tempo, para um maior Vayer (1984) afirma: domínio de seus gestos e harmonia de movimentos. "Todas as experiências da criança (o prazer e a Guilharme dá grande importância à fase da dor, o sucesso ou o fracasso) são sempre vividas identificação e conscientização porgressiva do "eu" na corporalmente. Se acrescentarmos valores formação do esquema corporal. sociais que o meio dá ao corpo e a certas partes, este corpo termina por ser investido de A noção de Esquema Corporal é como uma noção significações, de sentimentos e de valores muito de âmbito fisiológico. Ela representa a experiência que cada particulares e absolutamente pessoais". um tem de seu corpo, quando em movimento ou em posição 48 49</p><p>estática, em relação com o meio. É consciente, um simples etapa movimento depende de seu esquema corporal. Corpo percebido ou descoberto desenvolvimento do esquema corporal é a (três a sete anos) representação que cada pessoa tem de seu corpo, Corresponde à organização do esquema corporal permitindo-lhe situar-se na realidade que o cerca. Esta devido à "função de interiorização". Le Boulch define a função representação forma-se a partir de dados sensoriais de interiorização como a "possibilidade de deslocar sua múltiplos proprioceptivos, exteroceptivos e interceptivos atenção do meio ambiente para seu corpo próprio a fim de levar à tomada de consciência". A criança com isso passa a aperfeiçoar e refinar seus movimentos, adquirindo uma maior 2.2 Etapas de desenvolvimento coordenação dentro de um espaço e tempo determinado. do esquema corporal Ela chega à representação mental dos elementos do etapa espaço, descobre sua dominância e com ela seu eixo corporal. Corpo vivido (até três anos de idade) Passa a ver seu corpo como ponto de referência para se Corresponde à fase da inteligência sensório-motora situar e situar os objetos em seu espaço e tempo. Assimila de Piaget. Essa etapa é dominada pela experiência vivida conceitos como embaixo, acima, direita, esquerda etc., pela criança através da exploração do meio. As descobertas além das noções temporais: o que vem antes, depois, são intensas nesta fase por sua atividade investigadora e primeiro, último. incessante. Seus primeiros movimentos são através dos final desta etapa, diz Le Boulch, pode ser movimentos dos outros. É em virtude da imagem do outro caracterizado como pré-operatório, porque está submetido em movimento que ela aprende a mover-se (imitação). à percepção num espaço em parte representado, mas ainda Até o fim do primeiro ano de vida, o bebê aprende centralizado sobre o próprio corpo. a eliminar todos os comportamentos que não lhe são etapa proveitosos, estabelecendo ligações entre seus movimentos Corpo representado e suas sensibilidades. (sete a 12 anos) Aos poucos, a criança vai se diferenciando do meio Nesta etapa, observa-se a estruturação do esquema e no fim desta etapa pode-se falar em imagem do corpo, corporal, pois já apresenta a noção do todo e das partes pois o "eu" se torna unificado e individualizado. Vemos, de seu corpo, conhece as posições e mantém um maior então, que parte de um estado de indeferenciação para controle e domínio corporal. A partir daí, ela amplia e um estado de diferenciação. organiza seu esquema corporal. No início desta fase, a imagem do corpo é estática e reprodutora, por volta dos 10/12 anos a criança dispõe de uma imagem mental do corpo em movimento efetuando e programando mentalmente suas ações (imagem de corpo operatório), o que representa uma 50 51</p><p>grande evolução das funções cognitivas. Nesta etapa, Algumas pistas sobre o desenvolvimento do ocorre a descentralização do corpo, que não é mais visto esquema corporal e sua imagem nos foram dadas através como ponto de referência. das descobertas de Arnold Gesell. Por isso, vale a pena finalizar esta discussão analisando os estágios de O desenvolvimento da criança só será progressivo desenvolvimento propostos em sua teoria. a partir do momento que ela realizar por si mesma as suas ações, exercitando seus músculos, aperfeiçoando seus movimentos, tomando decisões, treinando a 2.3 Imagem corporal coordenação e a concentração, exercendo, assim, todas as atividades psicomotoras que necessitem de repetição A imagem corporal diz respeito aos sentimentos do e de conscientização para se aperfeiçoarem. indivíduo em relação à estrutura de seu corpo como a bilateralidade, lateralidade, dinâmica e equilíbrio corporal. Crianças que não apresentam consciência e As relações entre o corpo e os objetos situados no espaço conhecimento de seu corpo podem experimentar ao seu redor referem-se aos conceitos direcionais do dificuldades de percepção, controle e equilíbrio. Apresentam indivíduo e à consciência de si próprio e do desempenho confusão em localizar as partes de seu corpo, em perceber a do que ele cria no espaço. posição de seus membros, em orientar-se no espaço e no tempo, além da dificuldade de coordenação dos movimentos, Após a percepção global do corpo, vem a etapa de que as tornam lentas na execução de atividades como consciência de cada segmento corporal. Esta se realiza de abotoar uma roupa, andar de bicicleta, jogar bola etc. forma interna (sentindo uma parte do corpo) e externa (vendo cada segmento em um espelho, em uma outra Pode acontecer também da criança com perturbação criança ou em uma figura). do esquema corporal apresentar dificuldade no aspecto visomotor e ter na leitura e me escrita. Além Ajuriaguerra (1972) entende que a evolução da disso, esta falta de conhecimento de sua presença no mundo criança é sinônimo de conscientização e conhecimento pode levar a uma dificuldade de contato com as pessoas e a cada vez mais profundo do seu corpo, a criança é seu um mau desenvolvimento da linguagem. corpo, pois é através dele que a criança elabora todas as suas experiências vitais e organiza toda a sua Quando se interroga uma criança acerca das partes personalidade. A imagem de si mesmo se constrói igual à que mais gosta do seu corpo, ela pode responder por ter forma que as demais estruturas mentais (pela associação noção de seu corpo. Esta noção, ou melhor, este dos elementos cada vez mais coordenados e complexos). conhecimento que a criança faz do seu corpo diz respeito ao esquema corporal. Mas, por que a criança escolhe uma Simultaneamente, a criança começa a delinear as parte e não outra? Por que determinada zona corporal é primeiras noções espaciais, pela distância percebida entre para ela mais prazerosa do que outra? Seria a mesma mais ela e os objetos, também, é partindo do seu próprio corpo prazerosa para ela ou para o outro? Estas perguntas, quer que a criança esboça as primeiras noções de profundidade, responda ou não, já não dependem apenas do seu esquema através das flexões do seu tronco. corporal, mas também de sua imagem. A sua imagem perceber como um eixo central (que se volta para um lado e para o outro) seus 52 53</p><p>dois demídios laterais: direito e esquerdo, sentindo o A evolução do eu corporal na criança é a evolução do domínio de um desses demídios e o estabelecimento correto conhecimento corporal, é sinônimo de caminho para uma da lateralidade. autoconsciência, caminho expresso por uma maturação integral do indivíduo. Desde o nascimento, o corpo, como Partindo desses dois demídios do seu corpo, a estrutura dinâmica e concreta (atuante), se insere num criança estabelece a primeira noção de volume, quando quadro de automatismo que evolui dos movimentos executa movimentos para frente, para trás, para os lados. reflexos para os movimentos conscientes (praxias). A sua nosso corpo, portanto, não é (para nós) um somatório imagem corporal tem que passar por várias fases ou de órgãos justapostos, mas sim uma autoposse indivisível períodos de maturação para que a criança possa vir a da nossa existência completa; quer dizer, a autodescoberta construir-se como um ser que atua sozinha A criança não é mais que um sentir-se (e sentir) corporalmente no descobre a manipulação do seu próprio corpo, corpo que espaço e no tempo. é então boca e ânus, superfície cutânea de contatos, O sujeito no mundo expressa-se e concretiza-se atividade interoceptiva e alguns movimentos, após libertar- através da atividade corporal. É esta atividade que virá a se da manipulação dos outros, na alimentação, no banho ser transformada em linguagem propriamente dita. e na higiene. A partir daí a comunicação não verbal surge com A evolução da imagem do corpo e a aprendizagem uma importância fundamental para a compreensão da da autenticidade dependem de um equilíbrio que abre problemática da comunicação humana. A linguagem (vivo) entre a quantidade e a qualidade das relações e verbal apóia-se numa linguagem corporal que facilmente correlações (objetos e corpo) integrados. A absoluta se pode (e deve) observar não só na criança (que se imagem do corpo é função da organização das emoções, comunica por gestos e gritos com a mão e os outros antes o que naturalmente implica e exige a relação com o outro, de possuir e dominar o vocabulário), mas também nos isto é, implica um determinado tempo e momento. povos primitivos. As emoções se expressam A ação da criança e a ação do outro são como fundamentalmente no campo mímico corporal, e o corpo, atitudes que se interpenetram e interjustificam nesta perspectiva, é um emissor de sinais de (e com) simultaneamente estímulo e resposta. Na criança, a significado sociocultural. imagem do corpo depende, compreende e completa-se "Em suma, a comunicação corporal assume, na imagem do corpo do outro e dos outros que a rodeiam pois, uma importância muito especial nas e a envolvem. outro é para a criança o centro de suas mais variadas situações sociais, desde o mais atenções e motivações. É para ele que a criança canaliza elementar cumprimento entre as pessoas, toda sua afetividade. objeto está para a estruturação passando pelas atitudes que expressam sensório-motora assim como os outros estão para amizades, hostilidade, liderança ou estruturação afetiva. submissão, até as atitudes e movimentos que se encontram e fazem parte de toda uma dinâmica psicossexual." 54 55</p><p>A criança aprende a conhecer e a nomear as Os movimentos têm uma evolução fisiológica que diferentes partes do seu corpo, através de diversas se traduz pela diminuição progressiva dos movimentos modalidades e levando em consideração: associados e como dela pela independência Identificação da cabeça, das partes do rosto, do no aumento dos grupos musculares. É esta independência pescoço, do tronco, dos membros inferiores e dos que produz a dissociação dos movimentos. membros superiores em si, nos outros, em objetos, A coordenação geral necessita de uma perfeita em gravuras. harmonia de jogos musculares em repouso e em movimento. Representação mental e repetição verbal e mental, Coordenação estática que seria a introjeção. Quando se realiza em repouso. É dada pelo Transposição nos outros, em objetos, em gravuras. equilíbrio entre a ação dos grupos musculares Transcrição: o introjetado é projetado através de antagonistas, estabelece-se em função do tônus e habilidades manuais e representações gráficas. permite a conservação voluntária das atitudes. Conhecimento e consciência dos órgãos dos Coordenação dinâmica sentidos, com suas respectivas funções. Quando a coordenação se realiza em movimento, Conhecimento, consciência e educação da em ação simultâneos grupos musculares respiração. diferentes, tendo em vista a execução de movimentos voluntários mais ou menos complexos. 2.4. Coordenação geral e facial Este movimento se realiza numa relação entre uma A capacidade de coordenação incorpora as atividades imagem (Gnosia) e um conjunto de deslocamentos que incluem duas ou mais capacidades e padrões motores. O segmentares que se associam com vistas a um determinado desenvolvimento de todas as capacidades perceptivas é essencial fim, isto é, uma relação entre um plano de ação e a para a evolução das do indivíduo na respectiva concretização (praxia). aprendizagem cognitiva, psicomotora e afetiva. Falhas na coordenação motora podem ser causadas Coordenação geral pela deficiência de movimentos na primeira infância. Devemos oferecer o máximo de experiência de movimentos A tomada de consciência do corpo é necessária para coordenados à criança. Podemos considerar cinco tipos a execução e o controle de movimentos precisos que vão ser de Coordenação Motora: executados. Os dois elementos seguem elaborando-se e fortalecendo-se, mutuamente, para que executem 1. Coordenação Motora-Fina corretamente um movimento coordenado, quer seja 2. Coordenação Motora-Ampla simultâneo, simétrico ou de coordenação assimétrica, é 3. Coordenação Visomotora preciso alcançar a plena dissociação de movimento, 4. Coordenação Audiomotora dissociação esta que implica um certo grau de maturação neuromotora e que passa por diversos estádios. 5. Coordenação Facial 56 57</p><p>1. Coordenação Motora-Fina pestanas, testa, cabeça, queixo, nariz, lábios e boca são os É uma coordenação segmentar, normalmente com ingredientes da comunicação primeiramente integrados no utilização das mãos exigindo precisão nos movimentos bebê, muito antes da fala. A motricidade facial, expressiva a para a realização das tarefas complexas, utilizando também e singular de primatas e humanos são potentes sistemas os pequenos grupos musculares. de transmissão de mensagens não verbais. A contração voluntária da musculatura facial tem 2. Coordenação Motora-Ampla muita importância, pois é o começo da expressão de É a coordenação existente entre os grandes estados mais abstratos (medo, negação, ansiedade). grupamentos musculares. Para a criança, é mais fácil Com o enriquecimento da mímica, aparecem os primeiros fazer movimentos simétricos e simultâneos, pois só rudimentos de uma comunicação ao nível simbólico. numa segunda etapa é que ela movimentará os A linguagem falada é uma aquisição da espécie membros separadamente. humana, desenvolvida desde o homem primitivo, através Para uma criança, interromper subitamente um de gestos, da mímica e dos sons inarticulados até a movimento é difícil, mas esse controle muscular é linguagem articulada. Muitos autores, conhecendo os pré- indispensável para, futuramente, facilitar a sua caligrafia e requisitos fisiológicos, têm assinalado a necessidade de concentração necessária à aprendizagem escolar. exercitar os movimentos primários pré-lingüísticos de sucção, mastigação e deglutição como precursores da fala: 3. Coordenação Visomotora É a habilidade de coordenar a visão com Sucção: é um movimento, em princípio reflexo, instalado movimentos do corpo. Na ausência de uma adequada ainda antes do nascimento, o ato normal de sugar é um coordenação visomotora, a criança se mostra desajeitada ato voluntário, que se inicia, segundo alguns autores, aos em todas as suas ações, apresentando dificuldades na cinco meses de vida. É a sucção o primeiro exercício dos escola. desenvolvimento de uma boa coordenação geral órgãos articulatórios. é indispensável como pré-requisito. Mastigação: 4. Coordenação Audiomotora é o ato de triturar e dividir os alimentos na cavidade É a capacidade de transformar em movimentos um bucal, pela ação combinada da mandíbula e dos dentes, comando sensibilizado pelo aparelho auditivo. dos músculos mastigadores, da língua e das bochechas, seguido pelo ato de deglutir. 5. Coordenação Facial Deglutição: A coordenação facial é o primeiro e mais importante é a passagem dos alimentos desde a boca até modo de comunicação interpessoal (RILL, 1984). o estômago. Efetivamente, são os olhos a fonte mais usada, mais fascinante, mais rica, mais ativa e rápida de comunicação. As expressões faciais são fontes inesgotáveis de comunicação não verbal (CNV). Olhos, sobrancelhas, 58 59</p><p>2.5 Equilíbrio Quanto à sua classificação, ele pode ser de dois tipos: Segundo Ajuriaguerra (1972), "o tônus que prepara Equilíbrio Estático e guia o gesto é simultaneamente a expressão da realização São movimentos não locomotores como, por ou frustração do indivíduo". O tônus apresenta-se como exemplo, ficar em pé, apenas com a ponta dos pés tocando uma tensão que regula e controla a atividade postural como o solo, com elevação dos calcanhares e os pés unidos. suporte do movimento. Equilíbrio Dinâmico Todos os movimentos se apóiam num estado de São movimentos locomotores como, por exemplo, tensão que no fundo é o meio pelo qual se torna possível o o andar em marcha normal sobre uma linha pré-delimitada. equilíbrio mecânico indispensável para que possa acontecer a coordenação entre os movimentos dos vários segmentos corporais, entre si e no seu todo. Assim, não pode haver 2.6 Lateralidade movimento sem atitude, também não pode haver Jackson (1876) e Zazzo (1976), e estes nos dizem coordenação de movimento sem um bom equilíbrio, que "a dominância funcional de um lado do corpo é permitindo o ajustamento do homem ao meio. É um dos sentidos mais nobres do corpo humano. À medida que ele determinada não só pela educação, mas pela predominância de um hemisfério cerebral sobre o outro", cresce e evolui, o equilíbrio torna-se cada vez mais dominância cerebral. fundamental e a sua base de sustentação (a seu tamanho termo "dominância" tende cada vez mais a ser e a sua forma) imprescindível para sua manutenção. substituído por "hemisfério maior" porque se considera que As habilidades e destrezas motoras precisam, então, o critério de dominância implica o controle das funções de ser ape.feiçoadas para atuarem como auxiliadoras do um hemisfério por outro. Entretanto, o termo continua sendo movimento complexo. A coordenação também aprimora- usado para referir-se ao hemisfério cerebral esquerdo, que se, e a criança está pronta para correr, saltar, girar, trepar está comprometido com as funções da linguagem na e executar tantos outros movimentos sofisticados. Nesse maioria dos seres humanos. sentido, o equilíbrio é a base primordial de toda coordenação geral, assim como de toda ação diferenciada Sabe-se também que a metade esquerda do corpo dos membros superiores "a colocação perfeita do centro é controlada pelo hemisfério direito, ao passo que a outra de gravidade e a combinação perfeita de ações metade é controlada pelo hemisfério esquerdo. Quando musculares com o propósito de sustentar o corpo sobre há dominância do hemisfério esquerdo, temos o indivíduo uma base", (Tubino, 1975). Prof. Aurélio o define como destro; e quando ocorre a dominância do hemisfério "a manutenção dum corpo na posição normal, sem direito, temos o indivíduo canhoto. É legítimo porém oscilações ou desvios. Igualmente entre forças opostas. admitir que haja colaboração dos dois hemisférios na Estabilidade mental e emocional". elaboração da inteligência. Assim, um dano ou lesão que afete a somestésica direita provocará uma alteração ou perda da sensibilidade no lado esquerdo do corpo ou vice-versa. 60 61</p><p>Para definir a lateralização, buscamos em vários importância nas relações entre o eu e mundo exterior, o autores uma definição do termo "lateralidade" e que segundo Wallon é um elemento indispensável na constituição da personalidade. encontramos várias definições com terminologias diferenciadas, porém, em essência parecem concordantes conhecimento do próprio corpo não depende entre si. Assim sendo, Quierós e Schager dizem que o termo unicamente do desenvolvimento cognitivo, mas também lateralidade se refere à prevalência motora de um lado do da percepção, formada tanto de sensações visuais, táteis, corpo. Esta lateralização motora coincide com a cinestésicas e, também em parte, da contribuição da predominância sensorial do mesmo lado e com as linguagem que ajuda a precisar os conceitos, estabelecendo possibilidades simbólicas do hemisfério cerebelar oposto. a distinção entre o seu eu e o mundo exterior. Portanto, Desta maneira, é possível aceitar a idéia de que a paralelamente ao conhecimento e à teorização do resto do lateralidade não somente se manifesta por meio das esquema corporal, aparece e se define a lateralidade. atividades motoras, mas também por meio de aferências Os termos lateralidade e dominância cerebral se sensoriais e sensitivas e pela diferenciação funcional de aplicam, geralmente, para designar as condições de: ambas as metades do cérebro. Destro Jean Marie Tasset (1980) define a lateralidade como Quando existe um predomínio claro do lado direito apreensão da idéia de direita esquerda, dizendo que este na utilização dos membros e órgãos. conhecimento deve ser automatizado o mais cedo possível, Sinistro ou canhoto enfatizando que a automatização da lateralização é Quando o referido predomínio se faz presente do necessária e indispensável. Mediavilha (1981), por sua vez, lado esquerdo. define dominância lateral, se entende a preferência que Ambidestro tem a criança por um lado ou por outro do seu próprio Quando não existe um predomínio claro corpo. De acordo com Mucchielli e Bourcier (1979), cada estabelecido e se usa indiscretamente os dois lados, isto parte do corpo tem sua própria dominância, segundo a significa que o indivíduo pode possuir uma condição de atividade a ser desenvolvida, esta dominância é lateralidade cruzada, que se manifesta, por exemplo, em fragmentária. Segundo estudos realizados pelo Dr. Tomatis, olho dominante direito e mão dominante esquerda, ou a lateralidade do ouvido seria a primeira a aparecer e vice-versa. condicionaria de algum modo o conjunto do sujeito. Com um ponto de vista discordante, Guilman A literatura nos dá conta, ainda, de que sinistro é o inverso da destricidade, mas implica uma organização (1981) assegura que a preferência lateral aparece como uma disposição anatômica e congênita. predomínio cerebral diferente. Ainda de acordo com o que se tem lido, lateral direito tem sido adotado por todos os povos e em o destro não é aquele que utiliza somente a mão direita, todas as idades, o que não seria assim se somente se pois vários atos motores são realizados com ambas as mãos atribuísse o fator de preferência à educação. em conjunto, dependendo de sua preferência. Já para Baroja, Paret & Riesgo (1978), a definição A lateralização está presente em todos os níveis de lateralidade está relacionada com o conhecimento de desenvolvimento da criança, mas somente será corporal. O conhecimento do próprio corpo é de grande 63 62 BIBLIOTE( A</p><p>definitiva à medida que esta criança atravessar todas Tonicidade alterada, a menos ou por excesso: as fases de seu desenvolvimento. Deve-se considerar nas crianças hipotônicas, o traçado é débil e as letras como de grande importância no desenvolvimento infantil mal acabadas ou incompletas. As crianças hipertônicas a coordenação visomotora, a organização das realizam o traçado com demasiada pressão, sendo percepções táteis e visuais, através de experiências que as sincinesias e os movimentos espasmódicos. desenvolvam sua estruturação espacial, da qual dependerá a lateralização. O conhecimento frente Incoordenação psicmotora atrás adquirido nos primeiros deslocamentos da que só ou juntamente com as alterações neurológicas criança (rastejar e quadrupedismo) antecipa o de (ou emocionais) se manifesta através de dificuldades mais direita esquerda. ou menos graves, em alguns casos para segurar o lápis e As crianças necessitam fazer experiências com a controlar os movimentos, tornando-se evidente a Disgrafia. utilização de ambos os lados do corpo, agindo desta forma Para se ter um bom desenvolvimento das estaremos favorecendo um desenvolvimento máximo na capacidades motoras, faz-se necessário estar atento a alguns eficiência dos movimentos. A partir dos sete anos, a criança indícios que podem revelar deficiências perceptivo-motoras: será capaz de perceber que direita e esquerda não 1. Falta de habilidade para as atividades cotidianas; dependem somente uma da outra, mas também da posição de outras pessoas em relação a ela e de seus deslocamentos, 2. Falta de vontade de participar nos jogos; acontecendo, então, uma descentralização de seus pontos 3. Falta de predominância lateral; de referência. Também, a partir desta idade, as crianças 4. Dificuldade em associar símbolos e formas; que não apresentam uma lateralidade definida, certamente 5. Constante desconcentração; encontrarão dificuldades na aprendizagem escolar. 6. Dificuldades em interpretar direções laterais; Pode-se dizer por exemplo que quando o indivíduo apresenta transtornos na lateralidade, na estruturação do 7. Incapacidade de citar nominalmente partes do corpo; esquema corporal ele terá grandes possibilidades de adquirir a dislexia. 8. Dificuldade em colorir símbolos grandes; Quando as alterações psicomotoras de ordem 9. Incapacidade de reproduzir corretamente letras, números e símbolos. geral se manifestam, interferem nas tarefas escolares, refletindo-se mais diretamente na escrita. Entre elas, A lateralidade é examinada ao nível de olho, mão e pode-se considerar: pé, através de gestos e atividades da vida diária, permitindo Falta de maturidade motora assim um diagnóstico mais confiável. que se manifesta através de uma debilidade Não devemos confundir lateralidade (dominância motora na realização de movimentos gráficos, lentidão e de um lado em relação ao outro, ao nível da força e da dificuldades gerais. precisão) como sendo apenas o conhecimento esquerda direita (domínio dos termos "esquerda "e "direita", conhecimento esquerda direita decorre da noção de 64 65</p><p>dominância lateral). É a generalização da percepção do com as relações espaciais. Por exemplo, não conseguem eixo corporal a tudo que cerca a criança; esse conhecimento entender a noção direita e esquerda no espaço e a será mais facilmente aprendido quanto mais acentuada e percepção da relação espacial entre seus corpos, parados homogênea for a lateralidade da criança. Com efeito, se a ou em movimento, e as pessoas e os objetos ao seu redor. criança percebe que trabalha naturalmente "com aquela Se a criança não estiver consciente de sua lateralidade, mão", guardará sem dificuldade que "aquela mão" é a ela apresentará muitas dificuldades em projetar no espaço esquerda ou a direita. Caso haja hesitação na escolha da exterior que exerce sobre os dois lados de seu corpo. A mão, a noção de "esquerda e direita" não poderá firmar- exteriorização da lateralidade é chamada de se com segurança. Da mesma forma, em caso de direcionalidade; a presença de uma lateralidade e lateralidade cruzada, a criança confundirá facilmente os direcionalidade deficientes poderá fazer com que a termos "esquerda" e "direita", por ser ora mais forte do criança retarde a sua percepção dos movimentos no lado direito (por exemplo, o pé), ora mais forte do lado sentido esquerda direita e direita esquerda, das esquerdo (a mão). relações de tempo e espaço, da visual e auditiva hemisfério esquerdo é o responsável pela fala, e da ordem temporal. pela capacidade de aprendizado de idiomas e funções A lateralidade é importante na evolução da criança, lógicas. No lado direito, o hemisfério direito, diz-se que está pois influi na idéia que a criança tem de si mesma, na o cérebro artístico, da memória visual e do julgamento formação de seu esquema corporal, na percepção da estético, isto é, a capacidade de achar algo bonito ou feio. simetria de seu corpo, contribuindo para determinar a Os dois lados mantêm intensa comunicação entre si, estruturação espacial (percebendo seu eixo corporal). através da estrutura chamada corpo caloso situado na Na lateralidade homogênea, a criança é destra ou divisão entre eles. canhota dos olhos, mãos, pés e ouvidos; na lateralidade A lateralidade demonstra ser um fator necessário cruzada a criança pode ser destra da mão e do olho e para a aquisição da estabilidade e do equilíbrio, com canhota de pés e ouvidos (ou outra combinação); já que, relação à linha vertical que divide o corpo, e também para na a criança é tão forte e destra do lado direito a aquisição de uma boa postura. Quando chega à idade quanto do esquerdo. escolar, a maioria das crianças já atingiu um estágio em A consciência da lateralidade e da discriminação que através de brincadeiras e atividades envolvendo de direita e esquerda nos auxilia a perceber os movimentos amplos, já têm noção de direita e esquerda e movimentos do corpo no espaço. Aconselha-se a não dos dois lados do seu corpo. Entretanto, várias crianças empregar os termos esquerda e direita sem que a mais novas e mais velhas possuem problemas de lateralização esteja bem definida. aprendizado e precisam de assistência específica no treinamento da lateralidade e da identificação dos lados direito e esquerdo, para que se possa prevenir e eliminar sintomas tais como reversão, palavras fora de ordem e escrita espelhada. Sem esta ajuda, elas terão problemas não só com a formação do esquema corporal, mas também 66 67</p><p>3 A Estruturação Espacial Nos situamos através do espaço e das relações espaciais para vivermos no meio estabelecendo relações entre as coisas, fazendo observações, comparando-as, combinando-as, vendo as semelhanças e diferenças entre elas. Nesta comparação entre os objetos, constatamos as características comuns a eles (e as não comuns também). Primeiro, a criança percebe a posição de seu próprio corpo no espaço. Depois a posição dos objetos em relação a si mesma e, por fim, aprende a notar as relações das posições dos objetos entre si. Para a criança assimilar os conceitos espaciais, precisa ter uma lateralidade bem definida. A lateralização é a base da estruturação espacial e é através dela que uma criança se orienta no mundo que a rodeia. Desenvolvimento Segundo Poppovic (1966), orientar-se no espaço é e ver as coisas no espaço em relação a si próprio, é dirigir-se, é avaliar os movimentos e adaptá-los ao espaço. É, principalmente, estabilizar o espaço vivido e desta forma poder situar-se e agir correspondentemente." 69</p><p>E nesta dimensão, para Le Boulch (1983), a Este espaço exterior é explorado, no início, por uma representação do espaço e a imagem corporal evoluem dupla em simultânea percepção: paralelamente e suas etapas de evolução são correlativas. Percepção extereoceptiva Segundo Giacomim (1985), a exploração do a visão de um objeto (se faz através de estímulos espaço começa no momento em que a criança consegue exteriores vem de fora para dentro); os primeiros movimentos voluntários e os vai ampliando Percepção proprioceptiva com a aquisição do engatinhar, da marcha e da os gestos que são necessários para apanhá-lo verbalização. O espaço humano é todo orientado no (análise de dentro para fora). sentido esquerdo, direito, acima, abaixo, longe e perto. Quando um objeto é fornecido a uma criança, ela Até os três anos, o espaço da criança se orienta em começa por movê-lo em torno do corpo, investindo assim função das suas necessidades afetivas, que se caracterizam pelas relações de proximidade com a mãe. É um espaço no espaço que nos rodeia. Depois, lança os objetos em diferentes direções. As coordenações viso-tátil-cinestésicas sem formas e dimensão, segundo Piaget. desenvolvem-se na presença dos objetos, adquirindo um A partir dos quatro anos, a criança é levada a tomar consciência das referências espaciais, tomando como base Aos nove meses, ela começa a diferenciação do o seu próprio corpo: "A cabeça está em cima, os olhos estão ao lado do nariz." sujeito-objeto. Suas mãos manipulam os objetos, construindo, com isso, um "espaço objetivo e operativo", Ela começa a organizar as suas relações espaciais através da tomada de consciência de seus limites de forma progressiva. Consegue reproduzir as formas corporais e de diferentes posições que os objetos ocupam. geométricas utilizando o grafismo, diferencia o longe- Nesta fase é necessário tocar, manusear, subir, perto, acima-abaixo e, assim, associa uma série de descer, sair, ou seja, vivenciar várias experiências para referências espaciais. Na organização do espaço, a que ela aprenda as formas, as dimensões, as direções, própria criança encontra situação que a favorece: a orientações, as superfícies, os volumes e, assim o fazendo, ocupação do espaço nas brincadeiras e jogos, a organização do grupo (em fileiras, roda, duplas) e a poder melhor ajustar-se às situações concretas. conscientização de ritmos diversos. A verticalidade é a As noções de orientação direita esquerda e laterais primeira aquisição e o seu controle permite a criança ver constituem as primeiras aquisições no domínio da o mundo de outra maneira, não mais depende do outro estruturação espacial, promovendo uma boa adaptação passando de um espaço bucal para um espaço próximo, escolar no momento do aprendizado da leitura e da escrita, havendo mais liberdade de manipulação. Com o domínio que depende, em parte, da orientação espaço-temporal. da marcha, ocorre o ingresso num espaço locomotor, Muitas desordens do comportamento escolar passando a agir através do seu próprio deslocamento. reconhecem, como causa inicial, uma perturbação A criança tem necessidade de um espaço para desta função. se mover. A partir da percepção do próprio corpo, é que pode ser percebido o espaço exterior. 70 71</p><p>3.1 Perturbações da orientação toma conhecimento dos diferentes termos espacial espaciais e da realidade que eles representam; Causas aprende a se orientar e a orientar as coisas; Motoras: consegue orientar-se e, também, combinar perturbações ligadas ao ritmo irregular da várias orientações, tendo noções de respiração do sujeito ou a um problema auditivo; ocupando um espaço pré-determinado, organizando Psicomotoras: trajetos etc; falta de orientação e de organização espaciais; compreende o que muda de uma figura para Psicológicas: outra nas representações espaciais, percebendo relações a criança sofreu um choque afetivo ou vive em tais como: a simetria a oposição o ritmo - a inversão ambiente inseguro, onde não existem pontos de a transposição os elementos orientados, de acordo referência suficientes. com um movimento rotatório os elementos adicionados Existem diferentes etapas que marcam a aquisição ou subtraídos. de um espaço coordenado e não poderiam ser Uma boa estruturação espaço-temporal não seria compreendidas sem que se faça referência à evolução da concebível sem uma experiência vivida, bem dominada no percepção do próprio corpo. No decorrer do período pré- tempo e no espaço. Por volta dos oito anos, a estruturação escolar, a criança deverá passar de um espaço topológico espaço-temporal vai solicitar a inteligência analítica. ao espaço euclidiano. Inversamente, o treinamento para uma boa estruturação Entre seis e sete anos, durante o ciclo preparatório, espaço-temporal é um meio de educar a inteligência. ela será capaz de associar os conceitos direita e esquerda Para Piaget, a orientação e a estruturação em relação a um lado de seu corpo. Para isto, ela deve espaciais são importantes todo o tempo, em nossa dispor de uma dominância lateral estável e de fazer atuar criança interior que, se não trabalhada a contento, deve sua função de interiorização. colocar-se em relação ao espaço e reestruturar-se em Isto significa que estará apta a reproduzir, relação ao tempo. mentalmente, seu corpo de acordo com os três eixos: alto baixo, frente atrás e direita esquerda. corpo será um fator de referência e de orientação, permitindo a estrutura do espaço circundante. Quanto a este aspecto, aos oito anos, permite à criança prolongar ao infinito os eixos do corpo e ingressar no espaço projetivo. Concluímos que uma criança adquire a estruturação espacial quando: 72 73</p><p>3.2. Orientação temporal temporal, pois chegamos ao entendimento de que as noções "Orientar-se no tempo é avaliar o movimento no de corpo devem estar intimamente ligadas ao espaço e ao tempo, distinguir o rápido do lento, o sucessivo tempo, conforme esclrareceu Defontaine (1980) do simultâneo. É saber situar os movimentos Não podemos esquecer, também, que o ritmo está do tempo, uns em relação aos outros." presente em todos os momentos do desenvolvimento, como (Poppovic 1966) vimos antes, ou seja, desde o momento em que o óvulo é "O espaço é um instantâneo tomado sobre o liberado pelo ovário, quando percorre um ritmo próprio curso do tempo e o tempo é o espaço em até chegar ao encontro com o espermatozóide que, também, movimento (...) o tempo é a coordenação dos utilizou-se de seu ritmo para chegar até o óvulo (ritmo movimentos: quer se trate dos deslocamentos próprio biológico). físicos ou movimentos no espaço, quer se trate A estrutura temporal, tanto quanto a estrutura destes movimentos internos que são as ações espacial, também não são conceitos inerentes, tendo que simplesmente esboçadas, antecipadas ou ser construídas. Exigem esforço e um trabalho mental da reconstituídas pela mas cujo desfecho criança que só conseguirá realizá-lo quando tiver um e objetivo final é também espacial.." desenvolvimento cognitivo mais avançado. (Jean Piaget) A percepção temporal permite, além da consciência e da interiorização dos ritmos motores corporais, a percepção O desenvolvimento da estruturação temporal na dos ritmos exteriores. Esta passagem é indispensável para criança é importante, pois, por intermédio do ritmo é que que a criança possa tomar conta de seus próprios movimentos ela terá uma boa orientação no domínio do papel, na e organizá-los a partir da representação mental. Esta última escolarização, construindo palavras de forma ordenada possibilidade só se realizará no estágio seguinte do e sucessiva na utilização das letras, umas atrás das outras, desenvolvimento psicomotor. obedecendo a um certo ritmo e dentro de um determinado tempo. Na comunicação oral, também estruturará os Desde nascimento, os ritmos corporais devem sons das palavras diferenciando-os, aprendendo a ler ajustar-se às condições temporais impostas pelo ambiente, com mais facilidade. levando a uma organização de ritmicidade na sintonização. Depois do nascimento, a repetição rítmica A estruturação temporal garantirá experiências de reforça o movimento, acentua os tempos fortes e localização dos acontecimentos passados e uma provoca uma euforia mediante uma espécie de auto- capacidade de projetar-se para o futuro, fazendo planos e satisfação de sentir, de forma harmoniosa, o jogo das decidindo sobre sua vida. A estruturação temporal insere sensações proprioceptivas. o homem no tempo, onde ele nasce, cresce e morre, e sua atividade é uma de mudanças condicionadas A experiência rítmica vivida com seus próprios pelas atividades diárias. movimentos ajusta-se aos dados do espaço e deve ser mantida através do trabalho de percepção temporal. Não conseguimos separar tempo do espaço. Tratamos assunto como sendo a percepção espaço- A criança, no fim do período "corpo vivido", deve dispor de uma motricidade global bem organizada 74 75</p><p>temporalmente, elemento fundamental de seu ajustamento Ritmo Motor ao meio. A experiência vivenciada ritmicamente Está ligado ao movimento do organismo que se desenvolve-se, não só no plano motor, mas também no realiza em um intervalo de tempo constante. É condição plano da linguagem. necessária que a criança possua anteriormente uma Ainda no fim deste período, a criança inicia a coordenação global dos movimentos para que estes se compreensão de horas, dias, meses, anos, das estações tornem ritmados. Exemplos: andar, nadar, correr. do ano, associando-os com eventos concretos que ocorrem no seu dia-a-dia. Ritmo Auditivo Normalmente é trabalhado em associação com algum Tipos de tempo movimento. Exemplos: cantar, dançar, tocar instrumentos. Tempo subjetivo Ritmo Visual é aquele criado por nossa própria impressão, varia Envolve a exploração sistemática de um ambiente conforme as pessoas e a atividade do momento (o momento visual muito amplo para ser incluído no campo visual em de prazer passa mais depressa do que o momento de uma só fixação. É necessário que possua uma certa aborrecimento); organização de ritmo também. Tempo objetivo O ritmo permite uma maior flexibilidade de é o tempo matemático, sempre idêntico; uma hora movimentos, um maior poder de atenção e dura sempre sessenta minutos. concentração, pois obriga a criança a seguir uma Podemos desenvolver na criança a noção de tempo cadência determinada. A percepção da alternância de objetivo a partir de pontos de referência, tais como: hora tempos fracos e fortes leva à percepção do relaxamento das refeições, dias de atividades especiais, atividades e das pausas. próprias das estações, que são importantes na vida Assim que a criança adquire uma coordenação cotidiana, pois a maioria de nossas atividades é regulada global dos movimentos e uma ritmicidade espontânea, pelo tempo objetivo: como o horário escolar, a hora do poderão ser introduzidos a ela tempos ritmados almoço etc. através de danças cantadas, por exemplo. ritmo é considerado um dos conceitos mais Le Boulch afirma que devem-se introduzir, nas importantes da orientação temporal. Ele não envolve apenas manifestações rítmicas das crianças, as estruturas noções de tempo, mas está ligado ao espaço também. Toda rítmicas. criança tem um ritmo natural, espontâneo. As manifestações Os conceitos temporais apresentam maior do bebê são ritmadas. Tem hora de repouso e horas de dificuldade para serem compreendidos. A criança sente impulsos e se manifesta através delas. a passagem do tempo, inicialmente, pelos seus próprios A vida moderna interfere no ritmo de cada indivíduo, ritmos e necessidades biológicas (a fome e a sede que porém muito de nosso ritmo natural se conserva conosco. O obedecem a uma organização rítmica, sincronizada pela ritmo pode ocorrer em várias áreas de nosso comportamento. alternância vigília-sono). Ele traduz uma igualdade de intervalos de tempo. 7.6 77</p><p>Assim, desde o nascimento, devem-se ajustar os As funções motoras, verbais, perceptivas, entre ritmos corporais de uma criança às condições temporais outros, estão relacionados ao desenvolvimento. Crescemos impostas pelo ambiente, para que haja uma organização do simples para o complexo, do geral para o específico, do da ritmicidade da mesma que será o 1° ponto referencial homogêneo para o heterogêneo. Não há desenvolvimento da informação temporal que com o decorrer do seu possível sem uma estrutura que o original e o sustenta. desenvolvimento terá a percepção do tempo. Quem escreve é o sujeito criança, mas para fazê-lo necessita de sua mão, de sua orientação espacial 3.3 Pré-escrita (lateralidade), de um ritmo motor Aprender a ler e escrever é como aprender um jogo: de sua postura (eixo postural) e de seu reconhecimento no é preciso conhecer as combinações, as regras, ter vontade referido ato (função imaginária). e treinar bastante. Aprendendo o jogo da escrita é possível Uma graduação progressiva de atividades envolve conhecer e escrever histórias, poesias, cartas, bilhetes, desde a coordenação motora global, o equilíbrio, a reportagens, pesquisas, e se deslocar para chegar a um relaxação, a dissociação de movimentos, o esquema ponto, portanto, podemos conhecer o mundo e suas coisas. corporal, lateralização, a estruturação espacial até a O desenvolvimento da escrita não se deve motricidade fina. simplesmente a um fazer de exercícios. A escrita é Na Educação Infantil, todos os aspectos da constituída de um atividade psicomotora extremamente percepção devem ser trabalhados: o visual, o auditivo, o complexa, na qual participam os aspectos da maturação tátil, o olfativo e o gustativo. A imagem corporal, que é a do sistema nervoso, expressado pelo conjunto de impressão que a criança tem de seu corpo, pode ser medida atividades motoras; pelo desenvolvimento psicomotor a partir de desenhos da figura humana que ela realiza. geral, especialmente no que se refere à tonicidade e A lateralidade é definida a partir da preferência coordenação dos movimentos e pelo desenvolvimento neurológica que se tem por um lado do corpo, no que diz da motricidade fina, ao nível dos dedos e da mão. respeito à mão, ao pé, ao olho e ao ouvido. Essa dominância ponto de vista da linguagem, a escrita implica, é importante para desenvolver diferentes habilidades, para a criança, uma reformulação de sua linguagem falada, inclusive as de leitura. com o propósito de ser lida. aprendizado da escrita, Orientar-se no espaço é ver-se e ver as coisas no como modalidade da linguagem, pode ver-se afetado de espaço, em relação a si próprio. É dirigir-se, avaliar os forma específica, conservando intactas as outras condutas movimentos e adaptá-los no espaço. É estabilizar o espaço verbais. Uma criança pode ter dificuldade para executar vivido e, dessa forma, poder situar-se e agir de forma o traçado de letras, números ou palavras, apesar de ter um correspondente. É conscientizar-se da relação do corpo bom nível de linguagem oral e ser um bom leitor. com o meio. aprendizado da escrita, como modalidade da Para compreender o tempo, é necessário levar em linguagem expressiva, requer que a criança não só tenha consideração dois aspectos: o tempo próprio de cada alcançado um determinado desenvolvimento da linguagem e do indivíduo e a sua adaptação no tempo externo, fazendo pensamento, como também tenha desenvolvido sua afetividade. com que se organize temporalmente a partir do próprio 78 79</p><p>tempo. E ao perceber o tempo vivido ela irá adquirir Desenvolvimento do grafismo por Ajuriaguerra condições de dominar determinados conceitos, como ontem, hoje, amanhã, dias da semana, meses, anos, horas, Faixa Estágio estações do ano etc. etária Características A coordenação motora global coloca em ação a criança não possui domínio vários grupos musculares amplos, enquanto a motor para os traçados gráficos, coordenação fina envolve habilidades manuais, como a com perfeição. preensão, que são essenciais para o desenvolvimento Pré- não tem controle na inclinação e De 5 6 do grafismo e da escrita. A falta de habilidade rítmica caligráfico dimensão de letras; a pode causar uma leitura lenta, silabada, com pontuação não faz margens ou as apresenta anos e entonação inadequadas. de forma desordenada; A escrita é uma linguagem e requer que a pessoa tem postura errada do tronco, seja capaz de conservar a idéia que tem a mente, cabeça e braços ao escrever; ordenando, numa determinada a relação. copia as palavras letra por letra. Escrever significa relacionar o signo verbal a um signo gráfico. Planejando e esquematizando a colocação a criança já domina as correta de palavras ou idéias no papel. O mecanismo e dificuldades em pegar e manejar a expressão do conteúdo ideativo são aspectos do ato de os instrumentos gráficos; escrever. De 10 apresenta escrita mais rápida A evolução do grafismo se faz em ritmo pessoal, Caligráfico a 12 anos e regular; com um sentido que é próprio. Entretanto, distribui corretamente características comuns aparecem nas representações as margens; gráficas de todas as crianças, dando origem a diversas sua escrita imita o modelo: é classificações, por diferentes autores, dos estágios de ainda pouco pessoal; desenvolvimento gráfico. Destacamos, a seguir, a tem melhor postura de cabeça e classificação por Ajuriaguerra. do tronco (mais longe do papel). Pós- De 11 anos modifica a escrita, dada a Caligráfico em diante necessidade de maior rapidez para acompanhar o pensamento e as atividades escolares; tem postura correta. 80 81</p><p>3.4. Maturidade para a leitura e a escrita conhecimento e não cópia da realidade. Tentar ensinar a Rabiscação descontínua criança a fazer bonecos é um ato enganador e À medida que ela descubra os "seus" pedaços: barriga, É o puro prazer na manipulação do instrumento umbigo e o que for importante, ela os representará com os (lápis, caneta ou pincel) e nenhuma intenção de traços ou os pontos que ela souber fazer. É por volta dos comunicação do pensamento. Revela ausência de qualquer quatro anos que as garatujas aparecem, quando, também, coordenação de movimentos. Os lápis batem na superfície as ganharam maior destreza de movimentos. do papel e escorregam ao acaso. Figuras isoladas Rabiscação de linhas contínuas Por volta dos cinco anos, a coordenação de Desvela, como no caso anterior, prazer na manipulação movimentos deve ter-se aperfeiçoado e a percepção e do material e nenhuma intenção de expressão de pensamento. detalhes também evoluídos. Ex.: "Olha, tia, um homem de Contudo, o nível de coordenação de movimentos aperfeiçoou- neve, um bombom e um carro tava correndo na estrada". se um pouquinho. Há mais facilidade na manipulação do lápis. Não há orações coordenadas e o desenho não forma um Células conjunto organizado. Há um maior poder de coordenar Ocorre por volta dos três anos e meio. Quase movimentos e dirigi-los, sob o comando do cérebro, em simultaneamente a criança interpreta as formas obtidas: movimentos intencionais as figuras são mais "Olha, tia, um balão"! "Aqui, ó, um sol". Não houve identificáveis, mas mostram que o pensamento divaga ao ainda intenção em expressar essa ou aquela idéia, sabor do acaso. Iniciar uma alfabetização, nesta hora, seria antecipadamente, mas evidencia o fato que o homem tende contar com sérios riscos de insucesso, as habilidades a atribuir significado à forma fechada, o que o torna (no psicomotoras da criança estariam aquém do necessário. futuro) capaz de ler. Nesta fase, os significados mudam, Desenho é "sintoma", é expressão do que está organizado ora a célula é um sol, ora um balão... Não há, portanto, internamente e, por isso, é o desenho livre que vale e o seu associação entre significado e significante. A forma escrita exercício que desenvolve a criança. não tem valor de comunicação ainda. Cenas simples Garatujas Revelam um aprimoramento na organização de Das células saem agora radiais e, no seu interior, idéias, um nível possivelmente maior de coordenação aparecem pontos indicando os olhos, às vezes, a boca e o motora, maior memória de detalhes, mas ainda está nariz. As radiais são interpretadas como braços e pernas, insuficiente quanto à orientação espacial. não importando quantos sejam, pois a esta altura a percepção de quantidade (número) ainda não se instalou. Cena completa desenho livre mostra sempre o que a criança sabe Por volta dos seis anos, em média, a criança e como ela "vê" as coisas. No caso; a cabeça é importante expressa, através do desenho espontâneo da cena completa e os braços e pernas, ela sente que existem; o tronco só com detalhes, toda uma organização do pensamento que vem depois. desenho é a expressão fiel do seu inclui, além de orações coordenadas, algumas orações 82 83</p><p>subordinadas. A cena completa é a expressão de idéias em conjunto único, portanto, idéias inter-relacionadas. A colocação dos objetos pousados sobre a linha do chão, a representação do céu por uma linha próxima à borda superior do papel indicam claramente a visão de localização dos objetos no espaço já adquirido pela criança. Perturbações do grafismo Causas - má coordenação motora; - rigidez ou crispação dos dedos; - problemas psicológicos; - instabilidade da criança; - a criança quer terminar bem depressa. Respeitando cada fase do desenvolvimento e a individualidade de cada ser, fica mais fácil evitarmos problemas futuros. 84</p><p>4 Desenvolvimento psicomotor da criança é um processo ordenado, regular e contínuo que envolve todas as áreas do organismo e da O desenvolvimento é contínuo. A criança desenvolve-se de maneira contínua desde os primeiros dias de vida. Crescimento em altura e peso, desenvolvimento intelectual e afetivo dependem de influências comuns. Cada criança é única. As fases do desenvolvimento são comuns a todas as crianças; mas as mobilidades físicas, as diferentes maneiras de ser, meio e o ambiente familiar mostram que crianças com idades iguais podem comportar- se de maneiras diferentes. "A evolução psicomotora vai ser dirigida pela sucessiva integração dos seguintes fatores: precisão, rapidez e força Os primeiros anos de vida têm uma importância fundamental. As capacidades futuras de uma criança serão afetadas caso alguma perturbação não seja detectada e tratada a tempo, podendo afetar a aprendizagem da leitura e da escrita. 87</p><p>A criança só terá uma maturação normal se ela mãos, examinando-as e com isso surge o interesse pelas pertencer a um ambiente favorável e com isso sua pessoas e por si mesmo. inteligência se desenvolverá. É necessário sinalizar e Aos três meses, mantém a cabeça ereta quando orientar os responsáveis pela criança sobre a importância sentada, involuntariamente sacode um chocalho, por prazer da influência do meio no processo evolutivo dela, já que sorri para o outro e seus sons vocálicos são mais esses responsáveis são os primeiros educadores. prolongados, estabelecendo a primeira comunicação Muitos autores dividem o desenvolvimento através do sorriso recíproco e sai do estágio de reflexo psicomotor em etapas de zero a sete anos, de sete a 10 mesmo se ainda não faz gestos intencionais. anos e 10 aos 14 anos. Consegue tocar objetos, aproximando-os, ri alto, esconde o rosto nos e já se volta com a cabeça 4.1 Desenvolvimento da criança quando alguém o chama, fazendo com que sua orientação espacial seja trabalhada e conseguida. Isso "Cada período é diferente do outro e, em cada aos quatro meses. um deles, a criança tem formas peculiares de pensar e de se comportar, determinando e Com cinco meses, tendo um objeto que ela consiga estabelecendo, então, seu caráter do que pode pegar, manipula-o. Com apoio, conserva-se sentada. A ser aprendido neste período, o que de melhor a exploração espacial começa a constituir-se e consegue ver criança é capaz de realizar". o conjunto do corpo do outro, portanto, a apreensão é desenvolvida. Aos seis meses, a criança passa à O recém-nascido não realiza movimento voluntário alimentação sólida e usa a colher. Ela utiliza o seu corpo e organizado, ele apresenta reações automático-reflexas os objetos. bastante complexas. É necessário perder estes No oitavo mês, procura os objetos caídos e começa automatismos para readquiri-los de modo intencional a brincar de esconde-esconde e de jogar os objetos longe. através de informações sensoriais e manobras exploratórias Reage negativamente à ausência da mãe ou mesmo a um geradas pelo desejo. rosto estranho quando não a satisfaz. Sua mãe já é Ao nascer, os movimentos são caracterizados, personalizada e identificada. algum desaparecem e outros evoluem até a adolescência. Aos nove meses, mantém-se em pé com apoio. Sua A partir do primeiro mês, o olhar é o sentido que começa a linguagem é composta de uma palavra de duas sílabas e ser trabalhado para que possa distinguir cores e formas e essa palavra serve para dar nome a tudo. Colocando-se até mesmo o olhar do outro. É capaz de parar de chorar em pé sozinha, bebendo com um copo, repetindo um som quando alguém se aproxima, havendo uma reação entre a escutado e parando o que faz, ao ouvir uma ordem, criança e o ambiente humano, fazendo com que a acontece aos dez meses. socialização seja situada precocemente. Com um ano, a criança anda com ajuda e sua O deslocamento de pessoas é percebido pelo bebê linguagem passa a ser constituída por três palavras. Mais aos dois meses, fazendo-o sorrir quando rostos familiares tarde, com um ano e três meses, anda sozinha, seu são reconhecidos, emitindo sons, faz brincadeiras com suas vocabulário passa a ser de nove palavras sendo uma 88 89</p><p>linguagem de ação. As frases são construídas, adquire a noção Com quatro anos, a criança aprende a manejar a de totalidade corporal dando nome a duas imagens, com um tesoura, usa mais o lápis de cor, abotoa e desabotoa, despe- ano e nove meses isto é adquirido. se sozinha, amarra e desamarra cada laço do sapato. Os Aos dois anos, começa a realizar exercícios movimentos de preensão ocorrem em forma de pinça, mas diariamente, conseguindo a fixação através deles e, mais tarde, não há ainda a dissociação manual. o funcionamento dos movimentos aprendidos recentemente Esses movimentos de pinça são alcançados através como, por exemplo, o andar e a habilidade manual. Articula de tarefas onde os dedos são mais valorizados. Essas tarefas palavras e frases e há controle dos esfíncteres, continuam são bem alcançadas na pré-escola, onde ocorre a os movimentos associados, manifestando as sincinesias maturação intelectual e motora, na qual se apóiam as duas manuais e digitais. São marcados pelo fortalecimento da funções esboçadas nos três primeiros anos. posição de pé, e depois o andar. Durante este período, é normal A criança de quatro a cinco anos, no começo do que ocorra imprecisão geral de movimentos e movimentos de pré-escolar, adquire a precisão de movimentos, lentamente, controle manual deficientes. e é através de atividades de pouco deslocamento. Por si Com dois anos e dois meses, já consegue nomear as mesma, a criança de cinco a seis anos inicia a realização partes do corpo através de um desenho. Aos três anos, a de certas tarefas, independentemente, adquirindo assim um coordenação dinâmica manual está progredida e existe sentido de responsabilidade. exatidão nas atividades manuais, como segurar o lápis com Já há controle nos exercícios complexos, pois preensão e os gestos mais diversificados, permitindo o através dos movimentos exigidos solicitará dela um esforço aperfeiçoamento da coordenação visomotora. A criança já enorme de caráter psicomotor. A atenção será importante consegue um desenho sem muitos traçados e tenta fazer neste momento, onde facilitará a capacidade motora de um boneco mais aperfeiçoado. uma acomodação postural para o ato da escrita e manejo A coordenação ocular desenvolvida torna possível à bimanual dos movimentos que deve usar. criança com esta idade construir uma ponte com três cubos Nesse momento, as dissociações manuais e digitais ou uma torre com mais cubos com fazendo com já se afirmaram e a flexibilidade dos músculos da mão, que através dessas atividades, ela obtenha o equilíbrio no juntamente, com a dissociação manual permite manejo movimento fino. simultâneo e correto do lápis e do caderno. A criança, ao usar uma xícara mesmo sem harmonia Durante o esforço muscular que é feito através da e agilidade, é capaz de executar alguns procedimentos de pressão excessiva do lápis, aparecem as e é coordenação bimanual como se e através do dia-a- nesse esforço que surgem problemas no ato motor da escrita dia os atos de vestir-se e comer estarão sendo mais precisos como a letra ilegível que não se aperfeiçoa, apesar dos como também a coordenação visomotora. exercícios diários e é aos seis anos que a escrita representa Com quatro anos de idade, o conhecimento da um trabalho de atividade intensa, pois a criança percebe criança para vestir-se e despir-se sozinha, manusear a tesoura, o lápis, abotoar e desabotoar, amarrar e desamarrar 1 Sincinesias: comprometimento de alguns músculos que participam e se o sapato já é evidenciado. produzem, sem necessidade, durante a execução de outros movimentos envolvidos em determinada ação. É involuntária e inconsciente. 90 91</p><p>que existem mecanismos psicomotores diversos, onde inclui Importante novos movimentos de manejar o lápis fazendo com que a "A divisão por idade tem por objetivo a reprodução de traçados seja diferente e essas tarefas são do comodidade. Não existe nada, nem com um tipo visomotor, onde elas irão combinar com a fixação de mês, nem com dois anos que seja mais conhecimento do significado das sílabas, letras ou palavras importante do que acontece antes e durante... que em jogo, basicamente, as capacidades de atenção isto é o passado da criança com respeito ao de memória infantil. sensorial, da comunicação e Esses mecanismos são desenvolvidos com a do seu corpo" integração da coordenação visomotora, da dinâmica manual e da atenção estabilizada ao nível suficientemente para poder Assim sendo, existe sempre um referencial e as fixar e sustentar a aprendizagem, permitindo à criança realizar idades citadas são referenciais. complicadas aquisições, naturalmente, e desenvolvendo os Mesmo ainda não falando, a criança a partir de aspectos intelectual e motor. Um ritmo normal em todos os sete a oito meses já consegue realizar a compreensão da movimentos e uma precisão marcada dos gestos é percebida linguagem e a variação das palavras para, posteriormente, quando a criança está no final dos seus seis anos. começar os movimentos de andar e subir pequenos A identificação das partes corporais isoladas e dos obstáculos. A capacidade social e a intelectual da criança termos direita e esquerda aparecem aos seis anos, contudo, estão situadas entre nove e dezoito meses. Acontecendo não executa ordens duplas, não cruzadas e, especialmente, uma carência nesta fase pode acarretar um déficit intelectual as cruzadas com exatidão, no entanto, rapidamente, essa muito grande. faculdade se desenvolve nos dois anos seguintes. A criança irá se reconhecer como pessoa e tomará Essa execução de ordens duplas a respeito de seu consciência de seu próprio corpo através da imagem próprio corpo, raramente, alcança os nove anos de idade, corporal que será formada pelos processos motores e geralmente, todas as crianças ao atingir os onze anos sensoriais, pois é através do desenvolvimento sensorial que praticam ente conseguem executar. a criança tomará consciência do meio ambiente, ela reconhecerá a mãe através do olfato, ouvindo sua VOZ e Com orientação combinada a respeito de seu próprio percebendo os rostos, os objetos e suas mãos, corpo e do indivíduo situado junto da criança, aos 12 anos, a fazendo-a assim progressivamente. maioria consegue executar ordens referentes ao seu corpo. Uma expressão bastante rica é a mímica. O sorriso intencional surge com um a dois meses de idade na presença de rosto conhecido ou mesmo através da afetiva. Caso este rosto seja desconhecido, poderá se perceber na criança um semblante de temor. Apenas com um ano de idade, esta criança traduzirá estado emocional de maneira voluntária ou involuntária. 92 93</p><p>É bom sinalizar e observar a importância do jogo, 4.2 A aprendizagem na leitura e escrita pois é através dele que a criança também poderá se Através de experiências científicas, constatou-se que desenvolver, ele é um meio de exploração e de aprendizagem, o sucesso de uma criança na aprendizagem da leitura e da não é somente um brinquedo. escrita depende do seu amadurecimento fisiológico, Um outro fato importante é saber que o emocional, neurológico, intelectual e social. desenvolvimento da criança é muito mais rápido no período Enquanto a concepção de escrita deve ser entendida do nascimento aos seis anos de idade, tanto psicologicamente como uma representação simbólica da linguagem falada: como fisicamente. Por isso, o quão é importante do profissional como uma simbolização de sinais sonoros, que, por sua vez, saber a história familiar da criança neste período de vida, já são uma simbolização do mundo; a leitura por sua vez: pois o compreenderá melhor quanto de sua entrada na escola. "implica uma (transdução ou "É preciso que a educação dê a criança um equivalência) do que está imprimindo na sentimento de segurança afetiva que será página, em equivalentes auditivos que são necessário para aceitar as mudanças de um aprendidos previamente." mundo perpetuamente em transformação e nele (Myklebust, 1972: 63) participar com confiança." "Ler não é uma aprendizagem de novos sinais. "Todas as pessoas convocadas para cuidar de Trata-se apenas de lidar com o material já crianças de zero a seis anos, qualquer que adquirido auditivamente, mas agora seja sua profissão, devem ter em comum sobrepondo o sinal visual (grafema) sobre o conhecimento do para sinal anterior (fonema). A diferença está na realizar atividades apropriadas, observar as modalidade sensorial e na função neurológica. crianças no decurso dessas atividades, Na linguagem escrita, a modalidade é visual, informar aos pais e levar em conta suas passando pela auditiva através de processos advertências e observações." neurológicos pré-estruturados e de equivalência significativa, que constituem o Segundo Jean Piaget, os estágios do domínio integrado do código." (Vítor da desenvolvimento psíquico da criança se dividem em quatro Fonseca, 1980) grandes períodos: 1°) da inteligência sensório-motora (se estende até os dois anos de idade); 2°) pré-operatório do pensamento (se estende até os seis anos de idade); 3°) das operações concretas (se estende entre os sete e os 12 anos); 4°) das operações formais (se estende na adolescência). 94 95 BIBLIOTEC A</p><p>A fala, a leitura e a escrita Ainda segundo os autores citados, temos de considerar as outras facetas da linguagem a ser adquirida, Segundo Poppovic: que são a recepção e a expressão. De acordo com eles, a "a fala, a leitura e a escrita não podem ser recepção antecede a expressão, ou seja, a compreensão consideradas como funções autônomas e antecede a expressão no que diz respeito à palavra falada; isoladas, mas sim como manifestações de um em termos do sistema visual, significa que a leitura antecede mesmo sistema, que é sistema funcional de à escrita. linguagem. A fala, a leitura e a escrita resultam de harmônico e da integração A criança passa, portanto, da aquisição do das várias funções que servem de base ao significado (através da observação e experimentação sistema funcional da linguagem desde início dos objetos que a rodeiam) para a compreensão da palavra falada. de sua Mesmo na ausência do objeto, será capaz de evocar O ser humano apresenta três sistemas verbais: a sua imagem na memória, o que caracteriza uma recepção auditivo (palavra falada), visual (palavra lida) e escrita. visual e falada do objeto. A seguir, a criança passa para O primeiro que ele adquiriu foi o auditivo, porque é uma fase de expressão da palavra falada, na qual, imitando mais fácil de aprender e também o que exige menos o adulto, emite sons semelhantes às palavras usadas por maturidade psiconeurológica. O mesmo não ocorre com eles para nomear objetos. a palavra lida e escrita. A aprendizagem da fala requer que Johnson e Pré-requisitos para a aquisição da leitura Myklebust chamam de linguagem interna: Quando se fala das dificuldades de leitura e significado da palavra precisa ser adquirido escrita, e, especificamente, do processo da alfabetização, antes que as palavras possam ser usadas como é muito importante que sejam questionadas as condições tais. Para que uma palavra tenha significado, ela das crianças que iniciam, verificando se ela já adquiriu precisa representar uma determinada unidade suficiente desenvolvimento físico, intelectual e emocional, de experiência. Os processos de linguagem bem como todas as habilidades e funções necessárias interna são aqueles que permitem a para aprender. transformação da experiência em símbolos". Segundo Poppovic e Moraes, (1996): "prontidão para alfabetização significa ter um A criança com um distúrbio de linguagem interna nível suficiente, sob determinados aspectos, terá dificuldade para adquirir o significado das palavras e para iniciar processo da função simbólica, para transformar a experiência em símbolos verbais, como que é a leitura, e sua transposição gráfica, que é o caso da criança com afasia global. é a escrita". 96 97</p><p>preparo para iniciar a leitura e a escrita específicas na aprendizagem da identificação dos (alfabetização) depende de uma complexa integração símbolos gráficos, embora a criança apresente inteligência dos processos neurológicos e de uma harmoniosa normal, integridade sensorial e receba estimulação e evolução de habilidades básicas como percepção, ensino adequados. esquema corporal, lateralidade, orientação espacial e temporal, coordenação visomotora, ritmo, análise e A Dislexia, segundo Myklebust, representa um síntese visual e auditiva, habilidades visuais e auditivas, "déficit na capacidade de simbolizar", começa a se definir memória cinestésica, linguagem oral. a partir da necessidade que tem a criança de lidar respectivamente ou expressivamente com a representação da realidade, ou antes, com a simbolização da realidade ou com a nomeação do mundo. 4.3 Distúrbios de aprendizagem da leitura e da escrita Dislexia é toda dificuldade de identificar, compreender e interpretar os símbolos gráficos (letras e/ou Os distúrbios de aprendizagem na área da leitura e números), desencadeando, por sua vez, dificuldade na da escrita podem ser atribuídos às mais variadas causas: escrita. Ela não é causada por erros metodológicos, ou seja, Orgânicas: cardiopatias, encefalopatias, falhas no sistema de ensino, nem por doenças do sistema deficiências sensoriais (visuais e auditivas), deficiências nervoso, nem por problemas emocionais ou familiares, motoras (paralisia infantil, paralisia cerebral etc.), embora todos esses fatores possam agravá-lo. A Dislexia deficiências intelectuais (retardamento mental ou pode ser causada por hereditariedade, bilingüismo, diminuição intelectual), disfunção cerebral e outras distúrbio psicomotores (percepção visual, auditiva, enfermidades de longa duração; lateralidade etc.). Psicológicas: desajustes emocionais provocados As principais dificuldades apresentadas pelas pela dificuldade que criança tem de aprender, o que gera crianças disléxicas, de acordo com a Associação Brasileira ansiedade, insegurança e autoconceito negativo; de Dislexia (ABD), são: métodos inadequados de ensino; em aprender a falar, a fazer laços de falta de percepção, por parte da escola do nível de sapato, a reconhecer as horas, a pegar e chutar maturidade da criança, iniciando uma alfabetização bola, a pular corda etc.; precoce; relacionamento professor-aluno deficiente; não tem dificuldade para escrever números e letras domínio do conteúdo e do método por parte do professor, corretamente, ordenar as letras do alfabeto, meses atendimento precário das crianças devido à superlotação do ano e sílabas de palavras compridas; das classes; distinguir esquerda e direita; Socioculturais: falta de estimulação (criança que não faz a pré-escola e também não é estimulada no lar); necessita usar blocos, dedos ou anotações para fazer cálculos; Dislexia: um tipo de distúrbio de leitura que colocamos como causa, porque provoca dificuldades apresenta dificuldade incomum para lembrar a tabuada; 98 99</p><p>relacionamento dos símbolos gráficos com os sua compreensão da leitura é mais lenta do que o sons que eles representam a criança pode a esperado para a idade; diferenciar visualmente cada letra impressa e tempo que leva para fazer as quatro operações perceber que cada símbolo gráfico tem um aritméticas parece ser mais lento do que se espera correspondente sonoro; para sua idade; a compreensão e a análise crítica do que foi lido: demonstra insegurança e baixa apreciação sobre o indivíduo percebe os símbolos gráficos, si mesma; compreende seu significado, julga e assimila os confunde-se às vezes com instruções, números de fatos de acordo com a sua vivência (currículo telefones, lugares, horários e datas; oculto que ele traz do meio cultural e social em atrapalha-se ao pronunciar palavras longas; que vive). tem dificuldade em planejar e fazer redações. No processo inicial da leitura, ocorre o que chamamos de decodificação, ou seja, o envolvimento da "Em geral, a criança que apresenta Dislexia é discriminação visual dos símbolos impressos e a associação considerada relapsa, desatenta, preguiçosa, sem entre a palavra impressa e o som. vontade de aprender, o que cria uma situação A visão, o tato, a audição, o olfato e gosto são emocional que tende a se agravar, referenciais elementares na aquisição dos símbolos especialmente, em função da injustiça que possa gráficos, pois essa leitura sensorial começa muito cedo em vir a sofrer.." (Souza, A., 2000) nossa vida. Iniciamos a leitura do universo adulto que nos cerca quando ainda somos bebês e continuamos essa o processo da leitura leitura por toda a nossa vida. A leitura é um processo de compreensão abrangente Destacamos também a leitura emocional, em que que envolve aspectos sensoriais, emocionais, intelectuais, contam os sentimentos, as emoções com as quais o leitor fisiológicos, neurológicos, bem como culturais, econômicos e se vê envolvido, até inconscientemente. Trata-se de um políticos. É a correspondência entre os sons e os sinais gráficos, processo de identificação, no qual o leitor, às vezes, tende através da decifração do código e a compreensão do conceito a justificar ou negar seu envolvimento com o que leu. Nesse ou idéia. sentido, a criança é capaz de se envolver muito mais Tanto quanto a fala, a leitura não é um comportamento emocionalmente com um livro do que o adulto. natural, mas um processo adquirido a longo prazo e em certas circunstâncias de vida que determinam o sucesso ou o Distúrbios da leitura fracasso na aprendizagem. processo de leitura envolve: Essas características podem ser encontradas em a identificação dos símbolos impressos (letras e crianças que apresentam distúrbios da leitura, mas não é palavras) através dos órgãos visão. Estes recebem necessário que todas sejam detectadas em uma única os estímulos gráficos e os transmitem, através do criança. Classificação segundo Johnson e Myklebust (1983). nervo ótico, aos centros visuais do cérebro; 101 100</p><p>maquetes. Elas não conseguem entender a escala simbólica A criança apresenta dificuldade auditiva e visual de reter que está sendo usada para definir o espaço real. informações. Ela pode ser incapaz de recordar os sons das letras, Soletração de juntar os sons para formar palavras ou ainda memorizar Existem crianças que são incapazes de revisualizar não conseguindo lembrar a ordem das letras ou sons e reorganizar auditivamente as letras, ou seja, tem dentro das palavras. Este distúrbio de memória resulta de dificuldade de soletrar. A limitação na escrita será resultado disfunções do sistema nervoso central e freqüentemente se da incapacidade para ler. manifesta só no aspecto visual ou só no auditivo. Orientação espaço-temporal A criança não é capaz de reconhecer direita e 4.4 Dificuldade na leitura oral esquerda, não compreende as ordens que envolvem o uso A leitura oral abrange tanto a visão quanto a dessas palavras e fica confusa nas aulas de Educação audição da criança, pois ela precisa perceber as Física, por não entender as regras do jogo. Quanto ao informações que seu cérebro processará. Se um desses dois tempo, mostra-se incapaz para reconhecer as horas, os dias canais estiver recebendo a informação de maneira da semana etc. distorcida, a criança apresentará distúrbios na leitura, devido à dificuldade de percepção visual e auditiva. Esquema corporal Dificuldade de discriminação visual: Geralmente as crianças com distúrbios de leitura Existem dois tipos de problemas ligados à têm um conhecimento deficiente de seu esquema corporal. discriminação visual: Apresentam dificuldade para identificar as partes do corpo A criança pode apresentar um defeito de visão e não revelam boa organização da postura corporal no (corrigível com o uso de lentes apropriadas) ou uma espaço em que vivem. incapacidade para diferenciar, interpretar ou recordar Motricidade palavras, devido a uma disfunção do sistema nervoso central. Caso ela não se enquadre nos dois casos acima Algumas crianças têm distúrbios secundários de citados, poderá ainda apresentar dificuldades de coordenação motora ampla e fina, que atrapalha seu discriminação visual no início da alfabetização por falta equilíbrio e sua destreza manual. Elas caem com facilidade, de estímulo dessa habilidade na época pré-escolar. são desajeitadas, não conseguem andar de bicicleta ou mesmo manipular peças pequenas de material pedagógico. Algumas dificuldades de discriminação visual. Distúrbio topográfico confusão de letras ou semelhantes: é a incapacidade que algumas crianças tem de a criança não nota detalhes, não consegue ver compreender legendas de mapas, gráficos, globos, configurações gerais. Exemplo: bolo e bola, folha e falha. dificuldade no ritmo da leitura: 102 103</p><p>a criança percebe a palavra quando ela é mostrada substituição: lentamente, mas não consegue ler as palavras troca as palavras, mantendo ou alterando o mostradas com rapidez. significado da frase. Exemplo: A menina vestiu a blusa/A menina colocou a blusa. reversão: troca o b pelo d; o p pelo q. Exemplo: bebo, a dificuldades de discriminação auditiva: criança lê dedo. envolvem os problemas auditivos relacionados com dificuldades em discriminar os sons, sobretudo - inversão: lê o u no lugar do n; o p no lugar do b. Exemplo: aqueles que estão acusticamente muito próximos pouco/ponco; bala/pala. uns dos outros e que, por terem os pontos de articulação quase iguais, levam a criança a dificuldade em seguir visuais: a criança confundir os fonemas. Exemplo: vaca/faca. lê a palavra, mas quando é pedido para organizá- la em sílabas ou letras, erra a ordem e a soletração. Na leitura, as dificuldades de discriminação auditiva Exemplo: ave/vea. constatadas mais freqüentemente são: dificuldade em ler da esquerda para a direita: troca de consoantes surda por sonora: a criança não respeita o sentido correto da f/v; p/b; t/d; s/z; c/g. Exemplo: cama/gama; leitura, o que resulta na escrita especular ou em espelho. Exemplo: tatu/utat. troca de vogal oral por nasal: na/a; en/e; on/o; un/u. Exemplo: acendeu/acedeu; agregação: pontuação ausente ou inadequada; lê acrescentando letras às palavras. Exemplo: elocução hesitante ou inexpressiva; incapacidade para ouvir sons iniciais ou finais adição: das palavras. Exemplo: a palavra é "dia" e a a criança frases adicionando palavras que não criança ouve "deu"; estavam no texto. Exemplo: O menino é grande/O análise e síntese auditiva deficientes: a criança menino é bem grande. não é capaz de separar uma palavra em sílabas omissão: ou em sons individuais e juntá-los na formação lê omitindo palavras ou frases inteiras. Exemplo: de outras palavras. O vestido vermelho da menina é bonito/O vestido é bonito. Dificuldades na leitura silenciosa repetição: Leitura silenciosa é o ato de ler frente a uma repete palavras, linhas, parágrafos. Exemplo: Eu estimulação escrita, mantendo o corpo na mesma posição, vi um lindo cachorro no parque/Eu vi um lindo sem movimentar os lábios, usando apenas os olhos como lindo cachorro no parque. elementos indicadores. 104 105</p>