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FUNDAMENTOS DA 
NEUROPSICOMOTRICI 
DADE 
Professor (a) : 
Me. Jéssica Cristina Leite 
Objetivos de aprendizagem 
• Entender a evolução dos conceitos em neuropsicomotricidade, bem como a sua função e a sua importância no desenvolvimento 
humano. 
• Analisar a história da neuropsicomotricidade em âmbito mundial e no Brasil. 
• Compreender a importância da neuropsicomotricidade para o desenvolvimento da aprendizagem, auxiliando na educação, bem 
como conhecer as práticas que podem ser aplicadas em contexto escolar. 
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Plano de estudo 
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: 
• Neuropsicomotricidade: conceitos e definições 
• Breve histórico da neuropsicomotricidade 
• Neuropsicomotricidade e aprendizagem 
Introdução 
Caro(a) aluno(a), neste primeiro encontro, você estudará de forma breve sobre o percurso histórico da neuropsicomotricidade em 
um contexto mundial e no Brasil. A psicomotricidade, tal qual conhecemos hoje, tem uma história de, aproximadamente, 150 anos, 
porém o conceito se apresenta enraizado desde a idade antiga, há mais de 5 milhões de anos. 
A formação de conhecimento acerca da neuropsicomotricidade ainda não está completa. A literatura denota que, ao longo do 
tempo, essa ciência vem tomando um espaço cada vez maior, fazendo parte da prática de diversos profissionais da educação e da 
saúde: pedagogos, psicopedagogos, educadores físicos, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e tantos outros mais. 
Mesmo tendo consciência do muito que há para você explorar na experiência de outros profissionais, com este estudo, espero que 
você entenda este conceito de que a integração entre os aspectos emocionais, cognitivos e motores do ser humano é 
demasiadamente primordial em seu desenvolvimento global. Isto é o que a neuropsicomotricidade defende. 
Os sintomas de alterações psicomotoras, tais como hiperatividade, déficit de atenção, transtornos de lateralidade ou de noção 
espacial, entre outros, aparecem quando ocorre um déficit nesta integração somato-psíquica. 
A criança passa muito tempo na escola e se é por meio da interação com o meio que os elementos neuropsicomotores se 
desenvolvem, este ambiente deve proporcionar às crianças as mais diversificadas experiências corporais. Os elementos da 
neuropsicomotricidade serão temas de encontros seguintes. 
Além disso, os transtornos neuropsicomotores afetam diretamente o desempenho da criança na escola, pois interferem nos 
processamentos mentais. A escola vem buscando cada vez mais inserir práticas de educação e reeducação psicomotora em seu 
contexto, a fim de otimizar o aprendizado do aluno, pois trabalhando aspectos motores, a escola consegue melhorar também os 
aspectos intelectuais. 
Avançar 
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NEUROPSICOMOTRICIDADE: 
CONCEITOS E DEFINIÇÕES 
Olá, querido(a) aluno(a). Dando início à nossa disciplina de neuropsicomotricidade, vamos entender o que significa este conceito e 
o quão vem se tornando cada vez mais amplo e essencial para o desenvolvimento global das pessoas. 
De acordo com a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (2012), a psicomotricidade é a ciência que tem como objeto de estudo o 
homem por meio do corpo em movimento e em relação ao mundo interno e externo. Está relacionada ao processo de maturação, 
no qual o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. É sustentada por três conhecimentos básicos: o 
movimento, o intelecto e o afeto. A psicomotricidade, portanto, busca entender os aspectos emocionais, cognitivos e motores nas 
diversas etapas da vida do ser humano. 
A Psicomotricidade baseia-se em uma concepção unificada da pessoa, que inclui as interações cognitivas, 
sensorio-motoras e psíquicas na compreensão das capacidades de ser e de expressar-se, a partir do 
movimento, em um contexto psicossocial. Ela se constitui por um conjunto de conhecimentos psicológicos, 
fisiológicos, antropológicos e relacionais que permitem, utilizando o corpo como mediador, abordar o ato 
motor humano com o intento de favorecer a integração deste sujeito consigo e com o mundo dos objetos e 
outros sujeitos (COSTA, 2002). 
O psiquismo nesta ciência é entendido como o conjunto de emoções, sensações, afetos, medos, aspirações e representações do ser 
humano. Os aspectos cognitivos estão relacionados ao processamento de informações realizado pelas diversas áreas cerebrais, 
incluindo as áreas de linguagem, memória, atenção, percepção visual e auditiva. Cognição e inteligência são dois termos 
relacionados, mas não significam a mesma coisa. É muito importante para a avaliação, diagnóstico e encaminhamento de uma 
criança entendermos a diferença entre estes dois conceitos. 
Pela cognição, a criança adquire conhecimento por meio da percepção, da atenção, associação, memória, raciocínio, como já 
comentei. A inteligência é o que se pode melhorar por meio de estudos, do raciocínio, compreensão e aprendizagem. Toda criança 
que tem um problema de inteligência, tem problema cognitivo, porém nem sempre que uma criança apresenta um distúrbio 
cognitivo, ela tem um déficit intelectual. Crianças com dislexia ou hiperatividade são exemplos de crianças com alterações 
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cognitivas e não, necessariamente, intelectuais. E cabe aos profissionais da educação e saúde conhecerem e aplicarem o trabalho 
da neuropsicomotricidade com estas crianças. 
Em relação ao aspecto motor, Wallon (1925) já trazia que o movimento é a primeira expressão do psiquismo e a primeira estrutura 
de relação com o meio, que funções mentais se formam a partir das funções motoras. Nós conheceremos este estudioso mais à 
frente, em nossa disciplina. Nesta ciência, o movimento humano é considerado diferenciado, pois está permeado de inteligência, 
de intencionalidade. O movimento de pinça, por exemplo, que utilizamos para escrever, é um movimento complexo e exclusivo do 
ser humano. 
A neuropsicomotricidade é uma ciência que estuda estes aspectos em todas as etapas da vida do ser humano. Por exemplo, ajuda 
desde um bebê prematuro, com dificuldade de sucção e deglutição na amamentação até um idoso que, frequentemente, engasga 
quando come ou ingere líquido. Perceba que ambos possuem dificuldade em uma função básica, a alimentação, e possuem 
necessidades psicomotoras que podem ser trabalhadas. 
A Educação Psicomotora, a Reeducação Psicomotora e a Psicomotricidade Relacional são práticas de aplicação da 
neuropsicomotricidade que podem ser realizadas nas escolas, clínicas, nos hospitais, outras instituições e até na própria casa da 
criança. 
E como está inserida a neuropsicomotricidade na fase adulta? Adultos com qualidade de sono ruim, com 
problemas de ansiedade ou distúrbios no comportamento alimentar, associados a alterações na imagem 
corporal, como bulimia, anorexia, podem lançar mão de terapêuticas envolvendo a psicomotricidade. 
Pesquise mais sobre este assunto. 
Fonte: a autora. 
Como qualquer conhecimento, o conceito da neuropsicomotricidade, a sua função e a sua importância são passíveis de erro para 
qualquer profissional ou estudioso que o enuncie, que tente explicá-lo. No entanto, estes diferentes pontos de vista devem ser 
considerados e se complementar para que o aluno formule o seu próprio conceito de maneiraembasada. 
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BREVE HISTÓRICO DA 
NEUROPSICOMOTRICIDADE 
Entendo que é importante conhecermos um pouco do contexto histórico da neuropsicomotricidade para avançarmos para os 
próximos encontros. Pretendo, com tais conhecimentos, que o aluno crie uma linha de raciocínio própria, porém fundamentada, 
em torno da neuropsicomotricidade nos dias atuais. 
O contexto histórico da neuropsicomotricidade é marcado por diferentes concepções teóricas desenvolvidas por pensadores e 
cientistas, desde Platão, Aristóteles e Descartes, passando por Dupré, Wallon, Piaget, Ajuriaguerra, até Ali e Grunspun, entre 
muitos outros. Até o século XVIII, a psicomotricidade, não com essa nomenclatura, era tratada apenas sob a ótica filosófica. O 
termo psicomotricidade aparece, pela primeira vez, em 1870, devido a uma necessidade médica de encontrar uma área que 
explicasse certos fenômenos clínicos. Em 1909, quando o neuropsiquiatra Dupré iniciou estudos sobre debilidade motora, é que se 
traçou uma estreita associação entre o desenvolvimento da psicomotricidade, inteligência e afetividade. 
Contudo, o grande marco inicial da neuropsicomotricidade, como campo científico, se dá em 1925, com a publicação L’Enfant 
Turbulent, de Henry Wallon, relacionada ao desenvolvimento psicológico da criança. Os estudos de Wallon o permitiram relacionar 
o movimento ao afeto, à emoção, ao meio ambiente e aos hábitos das pessoas. Segundo este pioneiro da neuropsicomotricidade, o 
movimento, o pensamento e a linguagem são unidades inseparáveis, sendo o movimento o primeiro campo funcional a se 
desenvolver, servindo de base para o desenvolvimento dos demais (afetividade, inteligência e pessoa). 
Atualmente, defender que a escola deve proporcionar formação integral, contemplando estes três aspectos (afetivo, intelectual e 
social) é comum. No início do século XX, porém, essa ideia foi uma verdadeira revolução no ensino, trazida por Wallon. Ele foi o 
primeiro a levar a neuropsicomotricidade para dentro da sala de aula. Suas obras foram muito importantes para o contexto da 
neuropsicomotricidade e serviram como influência nas práticas de educação e reeducação propostas por diversos estudiosos. 
A teoria de Wallon propõe cinco estágios de desenvolvimento: impulsivo-emocional, sensório-motor, do personalismo, categorial e 
da adolescência. No entanto, diferentemente de Piaget, Wallon não considerava que estes estágios ocorresse da mesma maneira 
em todas as pessoas, e que não, necessariamente, evoluíssem de forma suave e linear, mas com rupturas e retrocessos nos 
estágios, que isso seria natural. 
Estágio impulsivo-emocional (0 a 1 ano) : predominantemente afetivo, no qual a criança expressa suas emoções por meio de 
movimentos descoordenados. O vínculo com o outro, o contato pele a pele, o carregar, o balançar são exemplos dos principais 
recursos de aprendizagem nesse período. 
Estágio sensório-motor (1 a 3 anos) : fase em que o ambiente externo tem grande influência no desenvolvimento cognitivo e 
afetivo. Tem a diversidade de objetos, situações e espaços como recursos de aprendizagem. 
Estágio do personalismo (3 a 6 anos) : estágio fundamental na formação da personalidade da criança. Nesse período, ela percebe 
que é diferente das outras crianças e aprende com isso. Ela se opõe constantemente ao adulto, com expressões como não gosto, 
não quero, não vou. 
Estágio categorial (6 a 11 anos) : possui caráter intelectual. Em um processo lento, no qual a criança reconhece, diferencia e 
classifica as coisas, ela começa a criar conceitos e princípios. 
Estágio da adolescência (11 anos em diante) : fase de transformações físicas e psicológicas, de busca de identidade e de novo, de 
oposição de ideias, principalmente em relação aos adultos. 
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Jean Piaget foi um dos mais importantes pensadores do século XX, biólogo e psicólogo, que desenvolveu a teoria denominada 
Epistemologia Genética, a qual defende que todas as crianças passam, obrigatoriamente, por quatro estágios de desenvolvimento 
cognitivo: sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório formal. 
Contribuindo para a neuropsicomotricidade, ele estudou a interdependência entre o desenvolvimento da percepção e do 
movimento. Ele relacionou, por exemplo, a percepção visual com a motricidade do globo ocular. Por sua vez, a percepção e o 
movimento se relacionam com o meio externo, dando origem à representação simbólica e ao pensamento e permitindo um 
controle e uma intencionalidade progressiva da ação do indivíduo. 
Ainda, segundo Piaget, é uma adaptação, “a inteligência é o resultado de uma certa experimentação motora integrada e 
interiorizada que, como processo de adaptação, é essencialmente movimento” (PIAGET, 1970, p. 15). 
Como dito anteriormente, para Piaget, o desenvolvimento cognitivo segue uma sequência fixa e universal, 
em que os fatores internos predominam sobre os fatores externos, sendo que o meio social pouco interfere 
na aprendizagem. Lev Vygotsky é outro pensador importante que contrapôs Piaget, defendendo que o 
desenvolvimento cognitivo da criança é bastante influenciado pela sua cultura e pelo seu meio social. 
Resumindo, para Piaget, o desenvolvimento é um processo que se dá de dentro para fora; para Vygotsky, o 
desenvolvimento se dá de fora para dentro. Qual é a sua opinião sobre isso? Pela sua experiência, quanto o 
meio social interfere nos processos de desenvolvimento cognitivo das crianças? 
Fonte: a autora. 
Percebemos que o estudo da psicomotricidade sempre esteve e está em constante discussão e evolução. Como eu já disse, foram 
diversos estudiosos responsáveis por essa trajetória. Wallon e Piaget trouxeram ideias que predominaram por muitas gerações e 
ainda influenciam muito no estudo e na prática da neuropsicomotricidade. 
No Brasil, a neuropsicomotricidade tem sua origem na década de 50, com Grunspun e Lefevre, que utilizavam atividades 
psicomotoras nas terapêuticas de crianças especiais. Contudo, considera-se que só em 1968 é que a neuropsicomotricidade foi 
difundida no país, por meio de cursos. Inicialmente, considerada um recurso pedagógico para distúrbios do desenvolvimento, hoje 
é definida, pela Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, como ciência que estuda o homem mediante seu corpo em movimento 
em relação ao seu mundo interno e externo, e está inserida na formação de diversos profissionais da saúde e da educação. 
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NEUROPSICOMOTRICIDADE E 
APRENDIZAGEM 
Como vimos nos encontros anteriores, a neuropsicomotricidade estuda o corpo em movimento. O corpo é o ponto de referência 
que o ser humano possui para conhecer e interagir com o mundo, servindo de base para o desenvolvimento intelectual. Quando a 
criança percebe o meio através de seus sentidos, ela passa a responder e a agir sobre o mundo e sobre os objetos, com os 
movimentos de seu corpo. Desta maneira, estará experienciando, ampliando e desenvolvendo também suas funções intelectuais 
(OLIVEIRA, 2015). 
A neuropsicomotricidade na escola, fazendo jus ao seu conceito, tem como objetivo promover o desenvolvimento global da criança 
por meio de experiências motoras, cognitivas e socioafetivas. E é comum uma criança apresentar dificuldades na vida escolar como 
consequência de um desenvolvimento motor inadequado. 
As aquisições motoras e intelectuais ocorrem de maneira progressiva e interligada. Para que a criança inicie a alfabetização, é 
necessário que ela possua um certo domínio da coordenação motora fina, do esquema corporal, da percepção espacial e da 
lateralização. Na escrita, por exemplo, seguimos uma direção gráfica, escrevemos e lemos horizontalmente, em linhas, da esquerda 
para a direita. Por isso, noções sobre em cimae embaixo, de antes e depois, esquerda e direita, ou seja, de orientação espacial, 
temporal e lateralização, são essenciais para este aprendizado. Como a criança vai escrever se não tiver desenvolvido habilidades 
motoras finas, como o movimento de pinça para segurar o lápis? 
Em um estudo recente, Morse et al . (2015) demonstraram a importância da postura para o aprendizado, mais especificamente para 
a função de memória, mostrando como a disposição do corpo no espaço pode afetar o mapeamento cerebral dos nomes das 
pessoas e dos objetos em crianças reais e em modelos robóticos. 
Ainda, na aprendizagem, as funções intelectuais relacionadas à memória, como a memória visual e auditiva, desempenham um 
papel muito importante. A primeira permite que a criança forme uma imagem visual das palavras, o que facilita o reconhecimento 
rápido e instantâneo durante a leitura. Na escrita, permite a utilização correta da grafia, que depende do fato da palavra a ser 
escrita estar ou não retida na memória visual. E a segunda torna o aluno capaz de reter as informações auditiva recebidas, por 
exemplo fazê-lo lembrar quais os sons correspondentes aos símbolos gráficos visualizados. 
Neste sentido, Le Boulch (1987) defende que a Educação Psicomotora deve ser instituída desde o início da vida escolar da criança 
e, desta forma, deve ser encarada como a educação base, pois condiciona todas as aprendizagens seguintes. Para Fonseca (1996, 
p.142), a primeira necessidade na escola seria: “(...) alfabetizar a linguagem do corpo e só então caminhar para as aprendizagens 
triviais que não são mais que investimentos perceptivo-motor ligados por coordenadas espaços-temporais e correlacionados por 
melodias rítmicas de integração e resposta”. 
A Psicomotricidade Relacional é outra área de aplicação da neuropsicomotricidade, foi criada na década de 
70 por André Lapierre e tem como proposta preventiva e terapêutica que a criança expresse e supere seus 
conflitos relacionais por meio do brincar. Acredita-se que, durante a brincadeira, por meio da linguagem 
corporal, a criança demonstra de forma espontânea seus medos, necessidades, inseguranças e afins. 
A Psicomotricidade Relacional pode ser desenvolvida no âmbito escolar, clínico e empresarial, com crianças, 
jovens, adultos e idosos. Na escola, esta terapêutica visa a melhora do rendimento escolar e do aprendizado, 
abrindo espaço para as vivências afetivas que permeiam a personalidade e a sociabilidade da criança. 
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Fonte: Lapierre (2002). 
A prática da educação psicomotora está sendo preconizada nos processos brasileiros de escolarização, de forma preventiva, 
facilitando o desenvolvimento global dos indivíduos, sendo ofertada às crianças desde o ingresso na Educação Infantil. No entanto, 
mesmo com este esforço, infelizmente ainda muitas escolas mantêm o caráter mecanicista instalado, ignorando a importância do 
desenvolvimento neuropsicomotor para o processo ensino-aprendizagem e para a formação do ser da criança. 
Aos educadores, cabe propiciar atividades diversificadas e criar ambientes estimulantes, cada vez mais ricos e desafiadores para 
os aspectos afetivos, cognitivos e motores. Contudo, ainda, muitos professores, preocupados com a leitura e a escrita, muitas 
vezes não sabem como resolver as dificuldades com bases neuropsicomotoras apresentadas por seus alunos, rotulando-os como 
portadores de déficit de aprendizagem, quando, na verdade, muitos desses problemas poderiam ser resolvidos dentro na própria 
escola e até poderiam ser evitados se houvesse um olhar mais atento e qualificado deste professor. 
Falamos, até agora, de educação psicomotora. A reeducação psicomotora é dirigida às crianças que já apresentam algum 
transtorno psicomotor ou atrasos no desenvolvimento. Ela deve ser iniciada o mais precocemente possível, para minimizar os 
efeitos desta alteração no desenvolvimento global da criança. 
É mais fácil estimular as crianças sem déficits motores e intelectuais, com desenvolvimento típico do que aquelas que já adquiriram 
padrões neuropsicomotores alterados. Por isso, a reeducação psicomotora exige mais conhecimento e preparo dos profissionais 
que a aplicam. 
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ATIVIDADES 
1. Compreendendo o conceito de neuropsicomotricidade, podemos dizer que um distúrbio psicomotor se trata , de uma forma 
geral, de: 
a) Disfunções motoras, falta de coordenação, força muscular e equilíbrio. 
b) Um desenvolvimento intelectual precário que impossibilita a aprendizagem. 
c) Um fenômeno observado em crianças que apresentam carência afetiva ou pouca participação social. 
d) Uma alteração que atinge a unidade indissociável, formada pela afetividade, pela cognição e pela motricidade. 
e) Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor apresentado por crianças com deficiências físicas e intelectuais. 
2. Associe os conceitos sobre psicomotricidade de acordo com o estudioso correspondente e escolha a alternativa correta: 
1. Jean Piaget. 
2. Henri Wallon. 
( ) Defendia a maturação biológica como condição para o desenvolvimento cognitivo. 
( ) O desenvolvimento é diretamente afetado por aspectos culturais e biológicos da criança. 
( ) Movimento, afetividade, inteligência e linguagem são estritamente interligados. 
( ) O desenvolvimento segue uma sequência fixa e universal de estágios. 
a) 1, 1, 2, 1. 
b) 1, 2, 2, 1 . 
c) 2, 2, 2, 1. 
d) 2, 1, 1, 2. 
e) 1, 2, 1, 2. 
3. O desenvolvimento dos aspectos neuropsicomotores são essenciais para o aprendizado da leitura e da escrita. Por isso, 
preconiza-se que a neuropsicomotricidade na escola deva ser trabalhada: 
a) Quando o aluno apresenta dificuldade em aprender a ler e escrever. 
b) Após a aquisição do domínio da alfabetização, potencializando os ganhos neuropsicomotores. 
c) Desde o início da vida escolar, atuando como educação base a criança. 
d) Nas aulas de educação física apenas, visto o conhecimento do corpo e do movimento que este profissional possui. 
e) Nenhuma das alternativas anteriores está correta. 
Resolução das atividades 
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RESUMO 
Neste primeiro encontro, procurei demonstrar o percurso histórico da neuropsicomotricidade, com o intuito de levá-lo(a) a uma 
reflexão de que como uma ciência que associa as potencialidades intelectuais, afetivas, sociais e motoras da criança tomou espaço 
tão grande e importante nos dias atuais. 
Apresentei Wallon e Piaget, dentre outros importantes estudiosos da neuropsicomotricidade, e suas contribuições para o 
conhecimento atual. Lembrando que o processo de construção de conhecimento em torno desta ciência continua em crescimento. 
Visto que a neuropsicomotricidade relaciona o movimento com aspectos cognitivos, esta prática é fundamental para todo o 
processo de desenvolvimento e aprendizagem e deve ser iniciada precocemente para facilitar o processo ensino-aprendizagem da 
criança. Os elementos neuropsicomotores que iremos conhecer no próximo encontro estão diretamente relacionados às funções 
intelectuais, como a memória, a atenção e ao processamento de informações. 
Vimos aqui que, na escola, a neuropsicomotricidade pode ser aplicada de forma educativa a todas crianças, de forma reeducativa 
para aquelas que já apresentam alguma manifestação de alteração psicomotora ou algum déficit de aprendizagem e, ainda, pode- 
se considerar a aplicação da psicomotricidaderelacional, com objetivo de trabalhar aspectos afetivos por meio da brincadeira. 
O papel da escola e dos educadores em relação à neuropsicomotricidade é o de proporcionar condições facilitadoras para o 
desenvolvimento do ato motor, do gesto, do movimento, do domínio da criança sobre o seu corpo e de seu corpo em relação ao 
meio externo. 
Assim, com este estudo, podemos dizer que a neuropsicomotricidade é uma ciência que procura entender o desenvolvimento 
humano em sua totalidade e que tem por finalidade, associar dinamicamente afeto, cognição e movimento, ligar o ato ao 
pensamento, o gesto à palavra, o movimento como expressão e o corpo como base para a comunicação. 
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Material Complementar 
Leitura 
Nome do livro: Psicomotricidade: perspectivas multidisciplinares 
Autor: Vitor da Fonseca 
Editora: Artmed 
Sinopse : esta nova obra de Vitor da Fonseca integra os conhecimentos e 
os fundamentos bioantropológicos, psiconeurológicos e terapêutico- 
reeducativos da psicomotricidade. Além da conceitualização desse 
campo, este livro descreve as problemáticas e as necessidades especiais 
mais frequentes e propõe planos de trabalho com objetivos educativos, 
reeducativos e terapêuticos, oferecendo subsídios valiosos para 
psicomotricistas, psicopedagogos, educadores e profissionais de saúde 
mental. 
Na Web 
Um dos diversos vídeos da web que aborda os conceitos e benefícios da 
neuropsicomotricidade. 
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REFERÊNCIAS 
COSTA, E.; MELLO, H. Prolaxia Psicomotora Hospitalar : projeto Brincar é Viver– Complexificando a hospitalização, 
estabelecendo referenciais e instrumentalizando a ação na infância e adolescência. Em: Psicomotricidade Clínica. São Paulo: 
editora Lovise, 2002. 
FONSECA, VITOR DA. Psicomotricidade . 4ª edição. São Paulo: Editora Martins Fonte, 1996. 372 p. 
LAPIERRE, A. Da Psicomotricidade Relacional à Análise Corporal da Relação . Curitiba, UFPR/CIAR, 2002. 
LE BOULCH, J. Rumo a uma ciência do movimento humano . Porto Alegre: editora Artes Médicas, 1987. 239 p. 
MORSE, A.F.; BENITEZ, V.L.; BELPAEME, T. et. al . Posture A ects How Robots and Infants Map Words to Objects . PLoS ONE, v. 10, 
n. 3, p. 1-17, 2015. 
OLIVEIRA, G. D. Psicomotricidade : Educação e Reeducação Enfoque Psicopedagógico. 20ª edição. Rio de Janeiro: editora Vozes, 
2015. 152p. 
PIAGET, J. L’épistémologie génétique . Paris: Press Universitaire de France, 1970. 
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICOMOTRICIDADE. Publicação Eletrônica. São Paulo, 2012. Disponível 
em: <http://psicomotricidade.com.br/sobre/o-que-e-psicomotricidade/>. Acesso em 12 abr. 2017. 
WALLON, H. L’Enfant Turbulent . Paris: Press Universitaires de France, 1984 (originalmente publicado em 1925). 
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APROFUNDANDO 
Segundo Grunspun (2003), especialista em psicopatologia infantil, citado como um dos estudiosos vistos em nosso encontro sobre 
história da psicomotricidade, os transtornos psicomotores são manifestações dos desequilíbrios psíquicos que se refletem na 
motricidade das pessoas. Este autor classifica os distúrbios da psicomotricidade em cinco grandes grupos, vejamos. 
Instabilidade Debilidade Inibição 
psicomotora 
Lateralidade Imperícias 
cruzada 
A instabilidade psicomotora é considerado o tipo mais complexo e multifacetado, devido a uma série de alterações psicomotoras 
que a criança pode apresentar. 
As crianças com este distúrbio podem apresentar alterações no comportamento desde pequenas, como babar excessivamente, 
chupar o dedo, roer unhas, ter dificuldade no controle esfincteriano, com incontinência urinária e fecal e também podem ter 
fatigabilidade aumentada. Os problemas disciplinares podem estar presentes, até de maneira grave, na sala de aula, em casa ou em 
outros contextos. 
A instabilidade emocional é outra característica deste distúrbios, podendo ser impulsivas, explosivas ou muito sensíveis e se 
frustrarem com facilidade. Durante o sono, movimentam-se excessivamente e podem gritar e chorar, até acordando com isso, o 
que chamamos de terror noturno. 
Os elementos neuropsicomotores são deficitários, incluindo coordenação motora grossa e fina, déficit no controle postural e 
alterações nas percepções. Há também dificuldade na formação de conceitos e atrasos na linguagem, na comunicação. 
O processo ensino-aprendizagem por todas estas alterações também é afetado. Dificuldades de aprendizado da leitura, escrita, 
aritmética, lentidão nas tarefas, dificuldade de copiar da lousa, entre outras manifestações podem ocorrer e prejudicar o 
desempenho escolar, além da falta de atenção e concentração, com sinais de hiperatividade comuns neste distúrbio. Recomenda- 
se, nesses casos, que a criança tenha um tutor na escola, um acompanhamento individual de um professor especializado ou fazer 
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parte de pequenas turmas. 
A debilidade psicomotora é um distúrbio que as principais marcas características são a paratonia é a sincinesia. A paratonia é uma 
forma de hipertonia, ou seja, um tônus muscular aumentado, que pode aparecer nas quatro extremidades do corpo ou somente em 
duas. 
A rigidez muscular se faz presente durante a movimentação da criança, por isso, quando ela anda ou corre, os braços e as pernas se 
movimentam de maneira estereotipada. Quanto mais complexa a atividade motora, mais a rigidez aumenta. 
Em uma criança com desenvolvimento típico, os movimentos são mais variados, amplos e livre. Nas crianças com debilidade 
psicomotora, a paratonia faz com que os movimentos sejam limitados, parece que os membros estão bloqueados, a criança não 
consegue relaxar sua musculatura. 
Na sincinesia, há alteração na coordenação dos movimento, é caracterizada por um movimento involuntário produzido em um 
membro que deveria ficar paralisado quando se move o membro oposto. Por exemplo, quando pedimos para uma criança com 
debilidade psicomotora para que aperte forte um objeto com uma das mãos, a mão oposta também irá se fechar fortemente. 
Nos casos de sincinesia, a criança também pode apresentar déficit importante da coordenação motora fina, falta de ritmo motor, 
descontinuidade dos gestos e imprecisão nos movimentos. Ela não consegue, muitas vezes, imitar um movimento solicitado. E para 
ela, esta falta de coordenação, torna impossível o apoio unipodal, ou seja, ficar em um pé só. 
Semelhante à instabilidade, as crianças com debilidade psicomotora têm dificuldade no processo ensino-aprendizagem e precisam 
de mais atenção, de professores mais capacitados. A incontinência urinária também é um sintoma em comum. E assim como na 
instabilidade psicomotora, alguns comportamentos estereotipados, como enrolar o cabelo, chupar o dedo, tremores nos lábios, na 
língua, naspálpebras e nos dedos são frequentes na debilidade psicomotora, bem como a disciplina difícil. 
As crianças com debilidade motora podem apresentar distúrbios e linguagem, déficit de atenção, nestes casos não com sinais de 
hiperatividade, mas são crianças pouco expressivas, mais apáticas, mais sonolentas, afetando aspectos afetivos e sociais. 
A inibição psicomotora é um distúrbio em que as crianças apresentam as mesmas características da debilidade motora acrescidas 
de ansiedade excessiva e constante. 
A postura de cabeça baixa e com testa franzida é observada com frequência nessas crianças. Também é somado a este distúrbio, 
alterações glandulares, de pele, circulatórios e tiques. 
Contudo, diferente dos distúrbios anteriores, a aprendizagem não é tão comprometida, com melhor rendimento escolar. Apenas o 
desempenho em provas individuais é afetado devido à ansiedade. Inclusive, elas aprendem melhor em grupo, podendo ser 
inseridas em classe comum, desde que sejam acompanhadas por profissionais especializados, em momentos extraclasse. 
Iremos estudar sobre a lateralidade no próximo encontro, mas só para adiantar, ela é referente à dominância de um lado do corpo, 
em relação às mãos e pés, e também aos olhos e ouvidos. Quando nem todas as dominâncias são do mesmo lado, dizemos que a 
criança tem lateralidade cruzada. 
As imperícias é um distúrbio mais simples, de menor gravidade, com melhor e mais rápida resposta à reeducação psicomotora. A 
principal característica é o déficit na motricidade fina, por isso a letra pode ser ilegível, a criança derruba e quebra objetos com 
frequência, apresenta movimentos mais grosseiros, rígidos e com menos harmonia. 
PARABÉNS! 
Você aprofundou ainda mais seus estudos! 
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Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho 
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Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva 
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Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi 
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ . Núcleo de Educação 
a Distância; LEITE , Jéssica Cristina. 
Neuropsicomotricidade . Jéssica Cristina Leite. 
Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017. 
24 p. 
“Pós-graduação Universo - EaD”. 
1. Neuropsicomotricidade. 2. EaD. I. Título. 
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ELEMENTOS DA 
NEUROPSICOMOTRICI 
DADE 
Professor (a) : 
Me. Jéssica Cristina Leite 
Objetivos de aprendizagem 
• Conhecer e relacionar os elementos psicomotores na prática interventiva. 
• Compreender como os elementos constituintes da neuropsicomotricidade se desenvolvem na criança. 
• Entender as respectivas contribuições destes elementos para o desenvolvimento global da criança. 
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Plano de estudo 
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: 
• Esquema corporal 
• Percepção tempo-espaço e lateralidade 
• Demais elementos: equilíbrio, tônus, ritmo, coordenação motora grossa e fina 
Introdução 
Caro(a) aluno(a), neste encontro irei apresentar quais são os elementos constituintes da neuropsicomotricidade, como e quando 
eles se desenvolvem e suas respectivas contribuições para o desenvolvimento global da criança, a fim de que você os relacionem e 
os apliquem em sua prática profissional. 
Como conversaremos nesta unidade, existem diversas teorias e estudos que enfatizam a importância do corpo no estabelecimento 
da consciência e do autoconceito. Esse processo de formação do autoconhecimento segue um curso progressivo, partindo da 
fragmentação elementar até a construção do esquema corporal, considerada importante para a formação do conceito do ser. 
A formação deste esquema corporal nada mais é do que a criança se tornar capaz de reconhecer seu próprio corpo, suas partes, 
suas posturas e seus movimentos. A imagem corporal, por sua vez, segundo alguns autores, não se refere unicamente à construção 
cognitiva do corpo, mas tem relação com desejos, atitudes emocionais e interação social. Contudo, como muitos autores tratam os 
dois termos de maneira indistinta, eu irei me ater a explicar aqui, neste estudo, sobre esquema corporal. 
Estes elementos da neuropsicomotricidade serão abordados juntamente com outros principais componentes psicomotores: 
orientação/percepção tempo-espaço; lateralidade; equilíbrio/controle postural; tônus muscular; praxias motoras grossa e fina; e 
ritmo. Sendo todos eles interdependentes e considerados a base para o atendimento neuropsicomotor, pois em cima deles é que o 
psicomotricista irá trabalhar. 
E ao final, aprofundando o seu conhecimento, trago alguns exemplos de atividades específicas para e cada componente 
neuropsicomotor estudado. Espero, mais uma vez, contribuir para o seu conhecimento! 
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ESQUEMA CORPORAL 
A compreensão do que é esquema corporal é necessária para todo trabalho voltado à neuropsicomotricidade. Autores citados na 
aula anterior, como Gruspun, Wallon, Piaget e tantos outros, estudaram a evolução do esquema corporal. Entre eles existe uma 
unanimidade em afirmar que o esquema corporal é fundamental para o desenvolvimento global da criança. Conhecer as partes do 
corpo, suas funções, interações com ela mesma e com o meio é construir o esquema corporal e, assim, desenvolver-se nos âmbitos 
motor, social e afetivo. 
Rodrigues (1987) aponta que esquema corporal é como uma estrutura neuromotora, que permite, ao indivíduo, estar consciente 
de seu próprio corpo físico, ajustando-se às exigências de situações novas e desenvolvendo ações de forma adequada. Para Dolto 
(2004), esquema corporal é o mediador entre o sujeito e o mundo físico, estrutura-se pela aprendizagem e pela experiência, 
representa o mesmo para todos os indivíduos da espécie humana. Diz respeito aos componentes físicos e biológicos, que permitem 
a relação com o mundo externo. 
Nicola (2013) relata que conhecer seu esquema corporal é ter consciência do próprio corpo, das partes que o compõem, das suas 
possibilidades de movimentos, posturas e atitudes. Henry Head, neurologista e autor do termo "esquema corporal", afirmava que 
cada indivíduo teria a capacidade de construir uma figura de si, que serviria de base para julgar padrões de postura e de 
movimento. 
Algumas vezes, encontraremos esquema corporal e imagem corporal como sinônimos e, outras vezes, com 
significados distintos. A maioria dos estudos que defendem a diferenciação entre estes dois termos atribui à 
imagem corporal, características psicológicas, defendendo que este conceito ultrapassa o de esquema 
corporal, uma vez que a ele são acrescidos sentimentos,emoções e valores. Os pesquisadores que utilizam 
os termos de maneira indistinta defendem que imagem corporal e esquema corporal são aspectos 
indissociáveis de um mesmo fenômeno: a autorrepresentação dinâmica que uma pessoa faz da experiência 
de si mesma. 
Fonte: a autora. 
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A construção do esquema corporal se inicia antes do nascimento e se desenvolve com a maturação da criança. Intra-útero 
começam as sensações viscerais digestivas provindas da alimentação e funções excretoras; e depois do nascimento, originam-se as 
sensações de origem cutânea, provenientes da pele e do tato. 
Desde o início da vida, as interações do bebê consigo mesmo e com o meio contribuem para a formação do esquema corporal. 
Aspectos perceptivos interagem com influências afetivas, motoras, comportamentais e culturais no processo de construção e 
desenvolvimento da própria imagem. A boca é a primeira parte do corpo do bebê que interage com o meio, por meio dela, o recém- 
nascido experimenta diversas sensações: calor, frio, umidade, entre outras. Em seguida, os olhos começam a interagir também, 
fixando as formas, seguindo-as com o olhar. 
Como veremos na aula de desenvolvimento motor, o bebê começa brincando com as próprias mãos no primeiro trimestre de vida, 
reconhecendo-as. E por volta dos seis meses, isso também ocorre com os pés. Estudos interessantes trazem que o bebê percebe 
primeiro sua mão dominante e mais de um mês depois é que também percebe a mão não dominante. 
Aproximadamente com um ano e meio, o lactente toma consciência do polo anal, fixando sua atenção nesta zona, o que 
corresponde a fase anal de desenvolvimento descrita por Freud, que se estende até os três anos e meio. Já o tronco é incorporado 
pela criança por volta dos dois anos de idade, quando ela cai, sente seu corpo no chão, o peso do tronco contra paredes, móveis e 
pessoas. A consciência da respiração também faz parte da construção do esquema corporal. A construção completa do esquema 
corporal se dá após o 3º ano de vida, mas se desenvolve durante toda a vida da pessoa. 
Segundo Le Boulch (1987), o esquema corporal pode ser dividido em 3 etapas: 
1ª Etapa do corpo vivido (até 3 anos de idade) : corresponde à fase sensório-motora de Piaget. Esta fase é dominada pela 
experiência vivida pela criança através da exploração do meio. Nesse período, ela tem uma necessidade muito grande de 
movimentação e por meio desta vai ampliando a experiência de seu corpo, sua experiência motora e aos poucos vai se 
diferenciando do meio. Suas atividades iniciais são espontâneas. 
2ª Etapa do corpo percebido ou descoberto (3 a 7 anos) : corresponde à organização do esquema corporal devido à maturação da 
função de interiorização que é definida como a possibilidade de deslocar sua atenção do meio ambiente para seu próprio corpo, a 
fim de levar à tomada de consciência. A função de interiorização permite a mudança de atividades espontâneas para atividades 
controladas que propiciam um maior domínio do corpo. 
3ª Etapa do corpo representado (7 a 12 anos) : nesta etapa, observa-se a estruturação do esquema corporal. No início desta fase, a 
imagem do corpo é estática e reprodutiva; por volta dos 10 a 12 anos, a criança dispõe de uma imagem mental do corpo em 
movimento, efetuando e programando mentalmente suas ações. A partir daí, a criança amplia e organiza seu esquema corporal e 
estimula este desenvolvimento por meio de exercícios de coordenação, equilíbrio, agilidade, destreza, entre outros. 
Quando uma criança apresenta alterações na construção de seu esquema corporal, pode apresentar dificuldade no 
reconhecimento de partes do corpo, no posicionamento de seu corpo, pode não conseguir repetir um movimento ou postura 
demonstrada, pode também apresentar movimentos descoordenados, gerando maior gasto energético, ou pior, desempenho em 
algumas atividades. Além disso, pode apresentar déficit de coordenação e equilíbrio, bem como dificuldade de locomoção. 
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PERCEPÇÃO TEMPO-ESPAÇO E 
LATERALIDADE 
Caro(a) aluno(a), neste encontro, iniciaremos os estudos sobre a percepção tempo-espaço e lateralidade. 
Percepção tempo-espaço 
A percepção temporal está relacionada aos conceitos de passado, presente, futuro, antes, durante, depois, assim como a 
capacidade de discernir o que é hoje, ontem, amanhã, os meses, os anos e assim por diante, bem como está associada ao conceito 
de duração. Se sei que tenho que esperar uma hora para meus pais chegarem do trabalho ou para acabar a aula, um filme, por 
exemplo. Para saber com que velocidade devo realizar um movimento, se ele deve ser lento ou rápido, se preciso acelerar ou frear, 
também necessito da percepção temporal. 
A percepção temporal é desenvolvida mais tardiamente do que a espacial. Segundo Mattos e Neira (2008), as crianças, por volta 
dos 4 ou 5 anos, lidam com o presente, porém desenvolvem uma compreensão intuitiva de tempo à medida que aprendem a 
ordenar os acontecimentos e a tomar consciência dos intervalos temporais entre eles, baseada na sucessão dos eventos e na 
duração dos intervalos. 
A criança, aos poucos, começa a perceber que tudo acontece em um determinado tempo e, então, aprende a calculá-lo ou prevê-lo. 
Para Piaget (1979), é apenas no estágio operatório completo, entre os 7 a 11 anos, que a criança obtém o pleno domínio desses 
conceitos. Falaremos sobre os estágios de desenvolvimento cognitivo de Piaget na segunda unidade de nossa disciplina. 
O ritmo é a base destas experiências e as crianças passam a perceber sua ordenação e duração. É a noção de tempo que 
desenvolve na criança os hábitos cotidianos como hora de dormir, de comer, tomar banho, entre outras atividades. Assim, o 
desenvolvimento desta percepção é essencial para a regulação do nosso ciclo circadiano, ou seja, nossas mudanças biológicas 
durante o período de 24 horas, principalmente relacionada aos estados de sono e vigília. 
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A percepção espacial nada mais é do que a capacidade que temos de nos orientar no espaço, de distinguirmos formas, tamanhos, 
distância, de percebermos a localização das pessoas e dos objetos no ambiente, de sabermos o que é atrás, à frente, em cima, 
embaixo. Este elemento se desenvolve entre o 1º e o 6º ano de vida. Esbarrar em móveis e objetos frequentemente, tropeçar, não 
respeitar o limite da linha ou da margem quando escreve são alguns sinais de alterações nesta percepção (BUENO, 2014). 
Este texto desenvolvido pela terapeuta ocupacional Mafalda Correia, conta o caso de um menino que 
esbarrava em tudo, que para todos era apenas bem atrapalhado e que, por fim, foi diagnosticado com 
Perturbação do Desenvolvimento da Coordenação Motora. 
Fonte: adaptado de Correia (on-line). 
Piaget (1979) também estudou a evolução da organização espacial na criança. Segundo ele, nos primeiros meses de vida, esta 
evolução se limita ao campo visual e as possibilidades motoras e que quando a criança adquire a marcha, o espaço se amplia e se 
multiplicam suas experiências. Primeiro, a criança desenvolve a noção espacial em relação ao seu próprio corpo para depois 
desenvolver esta organização em relação aos outros e aos objetos. 
Lateralidade 
A lateralidade, como elemento da neuropsicomotricidade, está relacionada ao desenvolvimento e especialização dos hemisférios 
cerebrais. Quando há dominância do hemisfério esquerdo, temos uma criança destra; quando ocorre a dominância do hemisfério 
direito, uma criança canhota. Temos crianças que passam por períodos de alternância entre os dois lados ou aquelas consideradas 
ambidestras, com habilidades iguaistanto com o hemicorpo esquerdo quanto com o direito (FONSECA, 1995). Este fenômeno é 
dito ser de origem genética, mas também pode se desenvolver com a prática, com a experiência, necessidades e adaptações da 
criança. 
Em alguns casos, a lateralidade pode também ser cruzada, por exemplo, quando a criança apresenta a mão esquerda dominante, ao 
mesmo tempo em que a perna direita é a que tem mais habilidade, ou vice e versa. Estas crianças merecem uma atenção especial, 
pois podem apresentar distúrbios de aprendizagem. 
Como veremos no encontro sobre o desenvolvimento motor, o bebê, geralmente, descobre e brinca primeiro com sua mão 
dominante. Contudo, os movimentos simétricos (com as duas mãos, na linha média etc.) do bebê são importantes para desenvolver 
a coordenação bilateral; com o tempo, ele passa a executar movimentos recíprocos (alternados), que são uma boa preparação para 
a lateralidade. A lateralização manual surge ao final do 1º ano de vida, mas só se estabelece por volta dos 4-5 anos. 
O desenvolvimento da lateralidade, então, trata-se da descoberta da criança do lado dominante de seu corpo, tanto em nível de 
membros superiores como inferiores e também dos olhos e dos ouvidos. Esta percepção de dominância é o início da diferenciação 
entre direita e esquerda. A criança sempre aprende assim: “o lado direito é o da mão que eu escrevo”, ou ao contrário. Assim, 
quanto mais homogênea e acentuada é a lateralidade na criança, maior facilidade ela terá em apreender os conceitos de direita e 
esquerda, para futuramente desenvolver sua percepção espacial. 
Michel et al ., em uma revisão de literatura, encontraram que os lactentes com preferências de mão consistentes no início do 
desenvolvimento também demonstram desenvolvimento cognitivo mais avançado em relação às crianças que desenvolvem uma 
preferência de mão mais tardiamente. 
Entretanto, esta associação entre a lateralidade e aspectos cognitivos ainda é controversa e alvo de diversos estudos. 
Antigamente, as crianças canhotas eram forçadas a treinar a sua mão direita para escrever, por exemplo. Hoje, esta prática não é 
mais encorajada, mesmo que tenha sido visto em alguns estudos que há prevalência de preferência manual esquerda em crianças 
com dislexia, déficits fonológicos e outros distúrbios (LUCENA, 2010). 
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DEMAIS ELEMENTOS: EQUILÍBRIO, 
TÔNUS, RITMO, COORDENAÇÃO 
MOTORA GROSSA E FINA 
Caro(a) aluno(a), neste encontro, abordaremos os elementos psicomotores como equilíbrio, tônus, coordenação motora, 
motricidade fina e ritmo. 
Equilíbrio 
É importante entendermos a diferença entre equilíbrio e controle postural, já que em neuropsicomotricidade, ou em fisioterapia, 
na verdade, trabalhamos com o controle postural, ou seja, com os ajustes musculares para se manter o equilíbrio. O equilíbrio é 
definido como a manutenção do centro de gravidade dentro dos limites da base de apoio (DUARTE; FREITAS, 2010). Esta 
habilidade é necessária para nos mantermos sentados corretamente, para caminharmos, ficarmos em um pé, inclinarmos para 
pegar um objeto e para infinitas outras atividades de vida diária. 
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Título: Centro de Gravidade 
Fonte: Aprendiz de Biomecânica (2015, on-line). 
O controle postural exige uma integração complexa entre os sistemas, sendo definido como a capacidade de manter a relação 
adequada entre os segmentos do corpo e entre o corpo e o ambiente, para a realização de uma determinada tarefa. 
O controle postural requer dois processos diferentes: o de organização sensorial, no qual os sistemas sensoriais multimodais, 
incluindo o visual, somatossensorial e vestibular, estão envolvidos e integrados no sistema nervoso central; e o de ajuste motor, 
envolvido na execução de respostas musculoesqueléticas coordenadas e devidamente dimensionadas (TEIXEIRA, 2010). O 
desenvolvimento do controle postural se completa, aproximadamente, aos doze anos de idade. 
Tônus 
Tônus é o grau de tensão muscular em repouso ou em movimento necessário para manter nossa postura em um processo 
inconsciente, ou seja, eu não fico pensando que preciso contrair os músculos abdominais a todo momento para me manter em pé. É 
a base para as funções de equilíbrio e coordenação motora. 
O tônus está relacionado à função de regulação do ato motor por meio da integração dos sistemas responsáveis pelo 
planejamento, controle e execução do movimento (COSTALLAT, 2002). Utilizando o mesmo exemplo dos abdominais: quando eu 
levanto meu braço para alcançar um objeto, antes de realizar o movimento em si, o tônus abdominal já aumenta para manter minha 
estabilidade, minha postura. 
Hipotonia significa diminuição do tônus muscular, pode afetar a qualidade do movimento, o equilíbrio, entre outros. Por outro 
lado, estados de tensão emocional podem aumentar o tônus muscular (hipertonia), causando a sensação física de tensão muscular. 
Nestas duas condições, gasta-se mais energia que o normal em atividades cotidianas. 
O aumento do tônus, a paratonia, é um sintoma de transtorno psicomotor que afeta a coordenação motora, 
a liberdade e variedade dos movimentos. Contudo, o contrário também é válido, já que a hipotonia, ou tônus 
muscular baixo, contribui para atrasos no desempenho de habilidades motoras, devido à flacidez dos 
músculos, o que implica atrasos na aquisição do controle da cabeça, no sentar-se, no levantar-se, em andar e 
ficar de pé. 
Um exemplo de crianças com hipotonia são as crianças com síndrome de Down, que, muitas vezes, recebem 
“alta” da fisioterapia logo que adquirem a marcha independente; mas depois desta aquisição, o tônus irá 
continuar baixo, interferindo também em outros elementos da neuropsicomotricidade, como no controle 
postural e no esquema corporal. E como vimos, estes elementos estão diretamente relacionados ao sucesso 
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na aprendizagem. Portanto, mais do que de um fisioterapeuta, essas crianças se beneficiam muito de um 
acompanhamento a longo prazo por um profissional capacitado para a reeducação psicomotora. 
Fonte: a autora. 
Ritmo 
Este elemento está ligado à percepção tempo-espaço. Cada criança tem uma característica de ritmo e uma maneira particular de 
manifestá-lo. Existe o ritmo motor, o auditivo e o visual. O primeiro está ligado ao movimento do organismo que é realizado em um 
intervalo de tempo constante, como andar, nadar, correr, por exemplo. 
Arribas (2002) traz que o bater palmas é o primeiro movimento espontâneo do bebê relacionado ao seu ritmo. O ritmo envolve as 
noções de ordem, de sucessão, de duração e de alternância. A falta de habilidade rítmica pode causar leitura silábica, com 
pontuações e entonações errôneas. 
Coordenação motora 
Este elemento está associado a integração entre os sistemas sensorial e muscular, esta interação regula a velocidade, a força e as 
sinergias musculares para que o movimento ocorra de maneira coordenada, equilibrada e intencional. Esta capacidade de utilizar 
de maneira mais eficiente os músculos para atividades globais, como correr, pular e dançar é o que chamamos de coordenação 
motora. 
A literatura denota que tanto estados comportamentais de retraimento quanto de hiperatividade infantil propiciam o 
aparecimento de distúrbios na coordenação dos movimentos, afetando diretamente a escolarização e o convívio social, entre 
outros aspectos. 
O cerebelo é a estrutura do encéfalo responsável pela coordenação motora e também pelos outros elementos anteriores: tônus e 
equilíbrio. É ele que recebe impulsos sensitivos de articulações, músculos, tendões, de órgãos, informações visuais e auditivas e, a 
partir do processamento destas informações, vai gerar movimentos voluntários coordenados. 
Motricidade fina 
A motricidade finase refere aos movimentos precisos das mãos e dos dedos, que exigem uma coordenação olho-mão e destreza da 
musculatura intrínseca da mão. O movimento de pinça, por exemplo, utilizado para segurar um lápis ou abotoar uma roupa. 
Amarrar o cadarço do tênis também exige maturação da motricidade fina. O desenvolvimento das habilidades de coordenação 
motora grossa e fina dependem das experiências que a criança tem com o próprio corpo, com os objetos e com o meio. 
Para chegar a uma coordenação motora fina, necessária à construção da escrita, a criança precisa desenvolver a motricidade 
ampla, organizar seu corpo, ter experiências motoras que estruturem seu esquema corporal. Uma criança de seis anos, por 
exemplo, é capaz de correr e pular bem, mas ainda não é muito habilidosa ao escrever, desenhar ou fazer um recorte. 
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ATIVIDADES 
1. De acordo com o estudos sobre os elementos da neuropsicomotricidade, complete o espaço. Segundo Wallon: “______________ é 
um elemento básico indispensável para a formação da personalidade da criança, é a representação relativamente global, científica 
e diferenciada que a criança tem de seu próprio corpo. É a tomada de consciência, pela criança, de possibilidades motoras e de suas 
possibilidades de agir e de expressar-se”. 
a) A percepção espacial. 
b) A lateralidade. 
c) A percepção temporal. 
d) O esquema corporal. 
e) O ritmo. 
2. Marque (V) para verdadeiro e (F) para falso e escolha a alternativa correta em relação à lateralidade. 
( ) O lado dominante apresenta maior força muscular, mais precisão e mais rapidez. 
( ) Quando o hemisfério cerebral direito é o dominante, a criança é destra, portanto, tem a mão direita dominante. 
( ) Ambidestra é a criança que possui tanto mão quanto pé direito dominantes. 
( ) Hoje em dia, já está claro que o fato da criança apresentar mão esquerda dominante não influencia na aprendizagem. 
a) V, V, F e V. 
b) V, F, V e V. 
c) V, F, V e F. 
d) F, F, V e F. 
e) V, F, F e F. 
3. Ernest Dupré definiu a Síndrome da Debilidade motora ressaltando que ela é composta por sincinesias, paratonias e inabilidades 
psicomotoras. Os dois primeiros sintomas estão respectivamente relacionados à: 
a) Coordenação motora e tônus. 
b) Controle postural e coordenação motora. 
c) Motricidade fina e equilíbrio. 
d) Controle postural e tônus. 
e) Praxia grossa e equilíbrio. 
Resolução das atividades 
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RESUMO 
Dentro da neuropsicomotricidade, aprendemos que temos como elementos constituintes: o esquema corporal, a percepção 
tempo-espaço, a lateralidade, o equilíbrio, o tônus, o ritmo e a coordenação motora grossa e fina. O primeiro representa a imagem 
que a criança tem de seu próprio corpo. A desenvolvimento do esquema corporal pode se distinguir em três estágios: o corpo 
vivido, o corpo percebido e o corpo representado. 
O segundo elemento estudado, a percepção temporal, está relacionada à capacidade da criança de se situar no tempo, 
desenvolvendo conceitos relacionados à duração, ao ciclo de sono e vigília, saber o que é passado, presente e futuro, por exemplo. 
E a percepção espacial como habilidade de se encontrar no espaço, primeiro percebendo a si mesma para depois situar as outras 
pessoas e os objetos. 
A lateralidade, nós conhecemos como o desenvolvimento da dominância de um dos lados da criança, que tem origem genética e 
está relacionada à maturação dos hemisférios cerebrais. 
Ressaltando que alterações no desenvolvimento da lateralidade podem produzir importantes transtornos de aprendizagem, como 
a lateralidade cruzada, que vimos no encontro sobre fundamentos da neuropsicomotricidade. 
E no último encontro pudemos aprender sobre os demais elementos neuropsicomotores: o tônus, que pode ser classificado como 
normotonia, hipotonia e hipertonia; as praxias motoras grossa e fina, que tratamos aqui como coordenação motora e motricidade 
fina; equilíbrio ou controle postural, que também aprendemos a diferenciá-los; e sobre o ritmo. 
Quero destacar que a efetividade do conhecimento adquirido neste encontro só é possível se colocarmos a teoria em prática, 
avaliando e trabalhando os elementos neuropsicomotores das nossas crianças, considerando-os parte integrante de um bom 
desenvolvimento neuropsicomotor global. 
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Material Complementar 
Leitura 
Nome do livro : 120 jogos e percursos da psicomotricidade: crianças em 
movimento 
Autor: Giovanna Paesani 
Editora: Vozes 
Sinopse : esta obra parte da compreensão de que a experimentação 
corpórea e sensorial é importante para o amadurecimento físico e mental 
da criança. A autora destaca que jogar ajuda a crescer, ajuda a conhecer- 
se, ajuda a aprender e, portanto, fazer as crianças jogarem com o corpo é 
uma ação fundamentalmente educativa. Com base nessa afirmação, a 
autora apresenta uma rica gama de exercícios e jogos motores extraídos 
de longa experiência prática escolar com crianças, tanto de ambientes 
equipados com muitos recursos, quanto na sala de aula, apenas com 
música e poucos materiais improvisados ou adaptados. 
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REFERÊNCIAS 
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Aprendiz de Biomecânica. CENTRO DE GRAVIDADE, EQUILÍBRIO E CONTROLE POSTURAL, Blogspot. Publicado em 9/12/2015. 
Disponível em: < http://biomecanicaaprendiz.blogspot.com.br/2015/12/centro-de-gravidade-equilibrio-e.html >. Acesso em 13 
abr. 2017. 
BUENO, JOCIAN MACHADO. Psicomotricidade: teoria e prática da escola à aquática. São Paulo: Editora Cortez, 2014. 536 p. 
CORREIA, Mafalda. O João já não é trapalhão – Uma história de acordar. Pin – Centro de Desenvolvimento. Disponível em: 
< http://estrelaseouricos.sapo.pt/temas/saude/o-joao-ja-nao-e-trapalhao--uma-historia-de-acordar-15382.html >. Acesso em 13 
abr. 2017. 
COSTALLAT, D.M.M. A psicomotricidade otimizando as relações humanas. 2ª edição. São Paulo: editora Arte e Ciência, 2002. 
201p. 
DOLTO, F. A imagem inconsciente do corpo. 2ª edição. São Paulo: editora Perspectiva, 2004. 
DUARTE, M.; FREITAS, S.M.S.F. Revisão sobre posturografia baseada em plataforma de força para avaliação do equilíbrio. Revista 
Brasileira de Fisioterapia, v.14, n. 3, p. 183-192, 2010. 
FONSECA, VITOR DA. Manual de observação psicomotora: significação psiconeurológica dos fatores psicomotores. Porto Alegre: 
Editora Artmed, 1995. 371 p. 
LE BOULCH, J. Rumo a uma ciência do movimento humano. Porto Alegre: editora Artes Médicas, 1987. 239 p. 
LUCENA, N.M.G.; SOARES, D.A.; SOARES, L.M.M.M. et al . Lateralidade manual, ocular e dos membros inferiores e sua relação com 
défi cit de organizaçãoespacial em escolares. Estudos de Psicologia, Campinas, v. 27, n. 1, 2010. 
MATTOS, M.G.; NEIRA, M.G. Educação física infantil: construindo o movimento na escola. 7ª edição. São Paulo: editora Phorte, 
2008. 120 p. 
MICHEL, G.F.; CAMPBELL, J.M.; MARCINOWSKI, E.C. et al . Infant Hand Preference and the Development of Cognitive Abilities. 
Frontiers in Psychology, v. 7, article n. 410, 2016. 
NICOLA, M. Psicomotricidade: Manual Básico. 2ª edição. Rio de Janeiro: editora Revinter, 2013. 114 p. 
PIAGET, J. A construção do real na criança. 3ª edição. Rio de Janeiro: editora Zahar, 1979. 
RODRIGUES, D.A. Corpo, Espaço e Movimento: estudo da relação entre a representação espacial do corpo e controle da 
manipulação e da locomoção em crianças com paralisia cerebral. 1987. 33f. Tese (Doutorado em motricidade humana) - 
Universidade Técnica de Lisboa, 1987. 
TEIXEIRA, C.L. Equilíbrio e Controle Postural. Brazilian Journal of Biomechanics, v. 11, nº 20, p. 30-40, 2010. 
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APROFUNDANDO 
Existem atividades que envolvem e desenvolvem todos os elementos da neuropsicomotricidade, em especial o brincar, e também 
outras atividades globais, como correr, dançar, pular, atividades esportivas, dentre outras. Trago aqui algumas sugestões de 
atividades específicas para cada componente neuropsicomotor. 
Apenas para o trabalho com o tônus, que não terá um tópico próprio, quero comentar que a equoterapia, exercícios de 
relaxamento e de cocontração muscular têm sido recomendados, mas estas práticas possuem indicações mais específicas e 
necessitam de profissionais especializados. 
CONSTRUÇÃO DO ESQUEMA CORPORAL 
Para estimular os bebês a conhecerem o seu corpo e, assim, favorecer a construção do esquema corporal, podemos lançar mão das 
pulseiras com guizos, por exemplo. Colocamos as pulseiras nos braços ou pernas do bebê para que toda vez que ele os mexer, vai 
escutar o som que elas produzem e vai procurar de onde vem esse som, encontrando suas partes do corpo. O adulto pode 
estimular sacudindo o braço ou perna com a pulseira, batendo as mãos do bebê, entre outras atividades. 
A brincadeira com os dedos do bebê já é bem conhecida, mas manipular os dedos um a um, contando, cantando ou falando os seus 
apelidos: minguinho, seu-vizinho, pai-de-todos, fura-bolo, mata-piolho. 
Com um(a) boneco(a), o adulto vai ajudar a criança a tocar e identificar pelo nome as partes do corpo do(a) boneco(a) e, em 
seguida, pedir que a criança ache e identifique essas mesmas partes em seu próprio corpo. 
Recortar, desenhar, pintar, montar, completar as partes do corpo são as atividades mais utilizadas. Podemos dar uma figura 
humana com partes do corpo faltando para que a criança complete com desenho, ou apenas fale o que está faltando. Dar recortes 
de partes do corpo para que a criança monte a figura humana é outra estratégia. Pedir que a criança desenhe a si mesma, seus pais, 
amigos, irmãos também estimulam. Estas atividades são muito utilizadas no período preparatório para a alfabetização. 
Misturar diversas peças do vestuário e pedir que a criança as coloque em si mesma ou no colega. 
As ginásticas orientadas com música de uma forma geral já estimulam a formação do esquema corporal, mas principalmente 
aquelas que cantam partes do corpo. 
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ATIVIDADES PARA DESENVOLVER A PERCEPÇÃO TEMPORAL 
Ouvir histórias ou músicas que contenham histórias e, depois, contar a sequência dos fatos. 
Ordenar cartões com figuras e formas e recompor uma história com início meio e fim. 
Propor atividades, jogos ou brincadeiras com tempo a serem cumpridas. 
Montar painéis simbólicos com os períodos do dia e pedir para que a criança desenhe, pinte, recorte e cole ou monte o que ela faz 
de manhã, de tarde ou de noite. 
Fazer com as crianças calendários ou diários individuais com os dias da semana, neste as crianças podem desenhar e fazer 
anotações das atividades que fizeram ou que mais gostaram naquele em cada dia. 
Pedir que a criança conte, desenhe ou monte uma linha do tempo contando a sequência de seu dia ou de sua vida. 
Os exercícios que trabalham ritmo, de uma forma geral, também trabalham orientação temporal. 
ATIVIDADES PARA DESENVOLVER A PERCEPÇÃO ESPACIAL 
Perguntar à criança a localização das coisas, onde está o céu, o teto, o chão, a lâmpada, por exemplo, para que ela responda com 
palavras como: em cima, atrás, embaixo etc. 
Desenhar quadrados individuais no chão e pedir para que as crianças pulem dentro/fora, para a direita/esquerda, para frente/trás. 
Pedir para que a criança ande seguindo setas desenhadas no chão ou nas paredes. 
Pedir que a criança organize os objetos de acordo com o tamanho, do menor para o maior ou dentro de caixas de diferentes 
tamanhos. 
Dar desenhos feitos com formas geométricas e pedir que a criança pinte a formas geométrica iguais da mesma cor; todos os 
quadrados de vermelho, por exemplo. 
A brincadeira do morto-vivo, amarelinha, montar maquetes, brincadeira da cabra cega (indicada para crianças mais velhas, entre 
sete a dez anos), brinquedos de encaixe, de torres ou de construção. 
LATERALIDADE 
Seguindo a solicitação de um adulto, desenhar ou colocar objetos no lado direito ou esquerdo de uma folha de papel dividida ao 
meio verticalmente. 
Colocar a mão sobre contornos de mãos desenhados no quadro, rapidamente, como se estivesse dando uma tapa. A mesma coisa 
pode ser feita com os pés, com contornos desenhados no chão, pedindo que a criança coloque pé direito sobre o direito e esquerdo 
sobre o esquerdo. 
Pedir que a criança percorra uma distância chutando uma bolinha de jornal com o pé direito e volte chutando com o pé esquerdo. 
Fazer desenhos no ar (círculo, triângulo, flor etc.), com o braço direito, depois com o braço esquerdo. 
O jogo “Twister” é uma proposta interessante que, além da lateralidade, trabalha equilíbrio e coordenação motora. 
Outras brincadeiras como batata quente, queimada, fantoches, mímica, adoleta e as atividades esportivas também desenvolvem a 
lateralidade. 
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EXERCÍCIOS PARA CONTROLE POSTURAL 
Ficar ou pular em um pé só, o que é feito em muitas atividades como pular amarelinha, corda, pular dentro de bambolês, entre 
outros. 
Andar em cima de uma linha desenhada no chão ou de uma corda, colocando um pé à frente do outro. Também podemos propor 
que a criança caminhe atravessando obstáculos. 
Pedir para criança juntar os pés dentro de um círculo e alcançar objetos distantes sem sair do lugar. 
Subir as escadas elevando os joelhos bem alto ou pedir que a criança coloque e tire alternadamente os pés no degrau/step. 
Caminhar na ponta dos pés ou ficar na ponta dos pés, podendo evoluir o grau de dificuldade da atividade pedindo que a criança 
feche os olhos. 
Andar em superfícies instáveis. As crianças menores podem caminhar em por cima de colchonetes, almofadas, cama elástica e as 
maiores em espumas, discos, gangorras e balanços próprios para equilíbrio. 
ATIVIDADES PARA TRABALHAR RITMO 
Cantar uma música com ritmo variado, ora mais rápido, ora mais devagar, podendoacompanhar com movimentos acelerados ou 
lentos, respectivamente. 
Caminhar no ritmo de um instrumento (pandeiro, tambor) tocado pelo adulto. 
Pedir para a criança observar e ir explicando como os animais se locomovem, como uma tartaruga, que é mais devagar, e um coelho 
que é mais ágil. 
Pular corda com cantigas. 
Bater palmas no ritmo das palmas do adulto ou no ritmo da música. 
Brincadeiras como escravos de jó, dança da cadeira, cantigas de roda, adoleta, entre outras. 
COORDENAÇÃO MOTORA GROSSA 
De uma maneira geral, atividades ao ar livre, em ambientes com bastante espaço, sem ou com recursos, tais como bola, bambolê, 
corda, elástico, que permitem que a criança se movimente bastante, são as que mais estimulam o desenvolvimento da coordenação 
motora. 
Elaborar um circuito com obstáculos, em que a criança precise agachar, andar na ponta dos pés, escalar, entre outras habilidades 
motoras. 
Pegar bolinhas flutuantes com a peneira e colocá-las em outro recipiente. 
Brincadeiras como cinco marias, pescaria na areia, pula corda, de imitar animais etc. Para estimular este elemento existem 
inúmeras brincadeiras. 
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MOTRICIDADE FINA 
Amarrar o cadarço ou passá-lo em pequenos buracos, no próprio tênis, em papelão cortado ou outros recursos, assim como 
abotoar e desabotoar botões. 
Atividades de recortar e colar figuras, de encaixe, dobraduras, atividades com massinha de modelar ou usando os dedos para 
desenhar e pintar com tintas. 
Preencher desenhos pontilhados ou de unir os pontos. 
Pintar letras, números ou cores em pregadores e pedir que a criança os pregue em uma cartolina, no local correspondente. 
Passar macarrão do tipo canudo em barbante. 
Colar pequenos objetos em um papel no formato de um figura. Por exemplo, podemos utilizar feijões, botões, bolinhas de papel 
picado. 
Brincadeiras como pega varetas ou do barbante (cama de gato) para crianças um pouco maiores. 
PARABÉNS! 
Você aprofundou ainda mais seus estudos! 
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EDITORIAL 
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Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho 
Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho 
Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva 
Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin 
Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi 
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ . Núcleo de Educação 
a Distância; LEITE , Jéssica Cristina. 
Neuropsicomotricidade . Jéssica Cristina Leite. 
Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017. 
27 p. 
“Pós-graduação Universo - EaD”. 
1. Neuropsicomotricidade. 2. EaD. I. Título 
CDD - 22 ed. 370.15 
CIP - NBR 12899 - AACR/2 
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DESENVOLVIMENTO 
NEUROPSICOMOTOR 
Professor (a) : 
Jéssica Cristina Leite 
Objetivos de aprendizagem 
• Conhecer, comparar e contrastar as principais teorias do desenvolvimento neuropsicomotor. 
• Entender como funciona a atividade reflexa do recém-nascido e a sua importância para o desenvolvimento neuropsicomotor. 
• Aprender como acontece o desenvolvimento motor do nascimento até os dois anos de vida. 
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Plano de estudo 
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: 
• Teorias do desenvolvimento neuropsicomotor 
• Atividade reflexa do recém-nascido 
• Desenvolvimento motor nos primeiros dois anos de vida 
Introdução 
Neste encontro, vamos tratar sobre as principais teorias relacionadas ao desenvolvimento humano, com enfoque nas que 
envolvem o desenvolvimento motor, falaremos também sobre o reflexos primitivos que os bebês apresentam e sobre como a 
motricidade se desenvolve nos primeiros dois anos de vida, período considerado crucial para o desenvolvimento global da criança 
nos anos seguintes. 
Iniciaremos o nosso aprendizado conhecendo as teorias até então propostas e estudadas, para que, ao final, possamos entender 
que todas elas são consideradas importantes e complementares para o que atualmente se sabe sobre desenvolvimento 
neuropsicomotor. 
Na segunda aula, abordaremos a atividade reflexa do recém-nascido. Conheceremos os reflexos primitivos, por meio dos quais o 
bebê inicialmente interage com o meio e pelos quais ele se expressa. Os reflexos, movimentos estereotipados e automáticos, são a 
base para os futuros movimentos voluntários. 
A terceira aula será composta pela sequência de aquisições motoras do bebê desde o nascimento até o segundo ano de vida. O 
caminho pelo qual o bebê chega a rolar, a sentar, a adquirir o engatinhar ou a marcha, por exemplo. Veremos que podemos 
conhecer o que é esperado quanto ao comportamento motor para cada faixa etária, porém cientes de que existem 
particularidades, crianças que pulam etapas, prematuros que se desenvolvem em tempos diferentes, ou seja, o desenvolvimento 
motor não ocorre de forma fixa e universal. 
O conhecimento das diferentes etapas do desenvolvimento neuropsicomotor, a sua antecipação e o aconselhamento dos pais 
sobre as atividades que estimulam as aquisições motoras podem mais do que apenas nos tornar capazes de detectar 
anormalidades, mas também de detectar desvios fisiológicos e passíveis de correção por meio de medidas simples, bem como de 
propor brincadeiras e atividades mais dirigidas para o aspecto motor. 
Espero que você tenha um bom desenvolvimento de saberes com este estudo! 
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TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO 
NEUROPSICOMOTOR 
Antes de conversarmos sobre o desenvolvimento motor, vou apresentar as principais teorias a respeito desse desenvolvimento. A 
primeira que vou apresentar é a teoria maturacional, proposta por Gesell, Bobath e outros estudiosos. Segundo essa teoria, o 
desenvolvimento motor segue uma sequência fixa e universal e está diretamente relacionada ao desenvolvimento do sistema 
nervoso central (SNC), ao processo de mielinização deste . A mielinização, em consequência, o desenvolvimento motor, acontece 
no sentido céfalo-caudal, ou seja, da cabeça em direção aos pés e no sentido próximo-distal, ou seja, controle da musculatura do 
centro para as extremidades do corpo. Lefèvre, médico neurologista infantil brasileiro, na metade no século XX, ressalta que o SNC 
da criança apresenta uma evolução dinâmica muito intensa nos primeiros anos de vida devido a essa mielinização progressiva. 
Hoje em dia, a teoria da maturação é considerada o desenvolvimento motor é sequencial, porém ocorre de forma variável e não 
universal. Um exemplo são os bebês que alcançam a marcha independente sem passar pela etapa do engatinhar. 
A segunda teoria é a comportamental ou de aprendizagem, mais recentemente defendida por Bandura, em 2002, naqual as 
crianças aprendem por meio da observação e imitação. Nessa teoria, o meio social contribui de maneira significativa para o 
desenvolvimento, em um processo de autodesenvolvimento, adaptação e mudança. 
Temos também como teoria de desenvolvimento, a teoria cognitiva de Piaget (1979), que estuda o desenvolvimento infantil na 
perspectiva cognitiva, que se desenvolve em 4 estágios de complexidade crescente e que ocorre de forma universal. 
Apesar de não ser o foco da teoria, dentre as características do desenvolvimento motor inseridas em cada estágio, destaco: 
1. Período sensório motor (0 a 2 anos) : o bebê brinca com o seu corpo, repete gestos e movimentos. Piaget acreditava que os 
reflexos pré-natais permaneciam para capacitar o bebê a captar as informações externas e, a partir da repetição dos movimentos 
estereotipados dos reflexos, torná-los movimentos voluntários. A ação motora, nessa fase, é em busca do prazer, por exemplo 
pegar objetos coloridos, produzir sons. 
2. Período pré-operatório (2 a 7 anos) : as habilidades motoras são desenvolvidas em brincadeiras simbólicas e atividades globais, 
como correr e saltar. E como atividades finais deste estágio, temos o pintar, montar, desenhar, entre outras. 
3. Período operatório completo (7-11 anos) : a criança faz uma experimentação intelectual por meio de jogos de regras, jogos 
ativos, como amarelinha, queimada, desenvolvendo suas habilidades motoras. 
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4. Período operatório formal (11 a 15 anos) : esta fase possui um caráter mais intelectual, o adolescente pode raciocinar mais 
logicamente. Ele pode continuar desenvolvendo suas habilidades motoras por meio de atividades como prática de atividade física, 
prática esportiva, entre outras. 
Freud, Erickson e Maslow desenvolveram as teorias psicanalíticas e psicossociais. O primeiro defende que o desenvolvimento 
humano é influenciado, principalmente, por impulsos inconscientes que motivam o comportamento humano, embora seus estudos 
fossem centrados na personalidade do indivíduo . O s estágios psicossexuais (oral, anal, fálico, latente e genital) são baseados nas 
sensações físicas e na atividade motora. Erickson, aluno de Freud, acreditava que o conjunto da biologia individual, do meio social e 
da história do indivíduo influenciam mais no desenvolvimento do que o inconsciente. Maslow considerava que o desenvolvimento 
ocorre, inicialmente, por questões de sobrevivência e adaptação, seguido pela necessidade de afeto e amor que levam ao 
autodesenvolvimento e à auto r realização. 
Sherrington, no final do século XIX, propõe a teoria reflexa, na qual os reflexos primitivos, que discutiremos no próximo tópico, 
eram considerados a base do movimento funcional. Outra teoria existente é a contextual ou ecológica, de Bronfenbrenner. 
Segundo este estudioso, o desenvolvimento infantil é influenciado por cinco ecossistemas: microssistema, mesossistema, 
exossistema, macrossistema e cronossistema. 
O microssistema está relacionado ao ambiente onde a criança vive, como a casa e a escola, por exemplo. 
Mesossistema se refere às inter-relações entre dois ou mais ambientes em que a criança participa 
ativamente. Num exossistema, a criança não tem participação ativa, mas os acontecimentos nesses 
ambientes podem afetar a criança, como o local de trabalho dos pais ou a escola do irmão. O macrossistema 
envolve outros ambientes, como a estrutura política e cultural de uma família. E por fim, o cronossistema 
está relacionado ao tempo, às mudanças nas condições pessoais e sociais ao longo da vida. 
Fonte: Martins e Szymanski (2004). 
Partimos, agora, para a teoria dos sistemas dinâmicos, fruto do trabalho de diversos estudiosos, é a mais ampla abordagem das que 
discutimos até agora. Essa teoria aponta a auto-organização e a integração de diversos sistemas como base para o 
desenvolvimento. O movimento, nesta teoria, depende de processos perceptivos, cognitivos e motores de cada indivíduo, bem 
como das interações entre o indivíduo, o ambiente e a tarefa a ser realizada. Diferentemente da teoria neuromaturacional, a teoria 
dos sistemas dinâmicos não apoia que exista padrões de aquisição de habilidades predeterminados e em tempos específicos, mas 
que cada criança, considerando suas características pessoais, suas experiências com diferentes estímulos e ambientes, responderá 
e se desenvolverá de maneira única e individualizada. 
A abordagem dos sistemas dinâmicos também reconhece o nível de maturação do SNC como um importante componente para o 
sucesso da tarefa, porém outras variáveis também influenciam no comportamento motor final, entre elas: estado emocional da 
criança, consciência cognitiva, vantagens biomecânicas, informações perceptuais e forças externas, como a gravidade. Uma 
mudança em qualquer destes fatores pode modificar a estratégia usada para alcançar o resultado. 
Por fim, para entendermos o desenvolvimento neuropsicomotor, devemos considerar todas essas teorias, pois somando 
elementos de cada uma, é que se chegou a ideia atual de que o desenvolvimento depende da integração de todos os processos e 
fatores que influenciam um comportamento novo: maturação biológica, características genéticas, experiências da criança, 
ambiente, entre outros. 
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ATIVIDADE REFLEXA 
DO RECÉM-NASCIDO 
Segundo Piaget (1979), os reflexos servem como base para os movimentos voluntários que o bebê vai adquirindo. Os reflexos 
primitivos são movimentos automáticos e estereotipados que os bebês apresentam em resposta a um estímulo externo. E em um 
desenvolvimento motor normal, estes reflexos devem ser integrados, ou seja, devem desaparecer no primeiro ano de vida, com 
cada reflexo apresentando um tempo de integração diferente. 
Na avaliação do comportamento motor dos bebês, a presença, intensidade e a simetria desses reflexos podem nos dar informações 
sobre a integridade do sistema nervoso central e periférico. Por outro lado, a persistência destes após o tempo de integração 
indicam anormalidades no desenvolvimento motor. 
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Como os bebês já nascem sabendo mamar? Existem os reflexos relacionados à alimentação: o reflexo de busca e o de sucção. O 
primeiro é desencadeado devido a uma estimulação tátil ao redor da boca. O bebê movimenta, roda a cabeça procurando o 
estímulo e, encontrando-o, realiza a sucção. A ausência desses reflexos indica uma séria disfunção neurológica. A sucção do bebê 
deixa de ser reflexa por volta dos dois meses de idade. 
Existem também os reflexos considerados de proteção: reflexo de Moro, de preensão palmar e de preensão plantar. A criança 
apresenta o reflexo de Moro quando leva um susto, podendo ser testado com um estímulo sonoro, uma palma, por exemplo, ou 
desencadeando uma queda súbita da cabeça do bebê, amparada pela mão do examinador ao final. Como resposta a estes 
estímulos, o bebê vai estender e abduzir bruscamente os membros superiores e, em seguida, apresentar choro. Ele desaparece por 
volta 4º a 6º mês de vida. Por meio desse reflexo, podemos identificar, por exemplo, uma paralisia braquial obstétrica, que é uma 
lesão do plexo braquial durante o parto. Nesses casos, o bebê apresenta um reflexo de Moro assimétrico, apenas de um lado ou 
com maior intensidade em um dos lados. 
Os reflexos de preensão palmar e plantar são desencadeados aplicando-se uma pressão na face palmar das mãos ou plantar dos 
pés, com isso o bebê flexiona os dedos. Quando ele segura fortemente nosso dedo e não o solta, é reflexo. O de preensão palmar se 
integra até o 6º mês e o plantar pode permanecer até um ano de vida.Até o final do 2º mês, o bebê apresenta o reflexo de marcha automática, que aparece quando o seguramos em pé, ele toca a planta 
do pé no apoio, estende alternadamente as pernas e leva o corpo para frente, como se estivesse querendo andar. 
A partir da integração desta marcha reflexa, o bebê passa por um período que chamamos de astasia, no qual os membros inferiores 
não suportam o peso do bebê quando este é segurado em pé. Esta fase dura, aproximadamente, até o 6º mês. 
O reflexo de Galant aparece até o final do 2º mês, quando o bebê está de barriga para baixo ou suspenso, passamos o dedo 
paralelamente a coluna vertebral, ele curva o corpo para o lado que está sendo estimulado. 
O reflexo tônico cervical assimétrico se inicia por volta do 2º mês e se integra no 4º mês. Nesta idade, a cabeça determina a postura 
do corpo e de suas extremidades. 
Se o bebê roda a cabeça para o lado esquerdo, o braço e a perna esquerda se estendem, enquanto o braço e a perna contralateral 
flexionam. 
A reação de anfíbio é vista com a criança na postura prona; levantando-se um lado da cintura pélvica do bebê, haverá flexão de 
tronco e do membro inferior do mesmo lado como resposta. Essa reação permite o desenvolvimento do arrastar e do engatinhar, 
sendo normal a partir do 6º mês. 
Além dos reflexos, existem as reações que também são respostas automáticas, porém são mais complexas e não obrigatórias, 
importantes para a proteção, equilíbrio e postura do bebê. Quando o bebê nasce, ele apresenta a reação cervical de retificação, ou 
seja, quando gira a cabeça para uma lado, todo o corpo acompanha o movimento para o mesmo lado, em bloco, sem dissociação de 
cinturas. Aos 4 meses, esta reação é modificada para a reação corporal de retificação, na qual o corpo acompanha o movimento da 
cabeça em etapas, primeiro gira a cintura escapular e depois a cintura pélvica. 
A reação labiríntica de retificação também começa a aparecer por volta dos 4 meses. Com esta reação, quando o bebê é suspenso 
em ventral, dorsal ou lateral, ele trás a cabeça para a linha média, alinhando-a com o restante do corpo, em um movimento contra a 
gravidade. E a reação óptica de retificação, que também aparece por volta do 4 mês, o olhar se mantém em um plano horizontal, a 
cabeça e o corpo acompanham o movimento dos olhos. 
A reação de Landau é uma combinação das reações de retificação, na qual, em um primeiro momento, por volta dos 4 meses, o 
bebê é suspenso de barriga para baixo e faz uma extensão da cabeça, tronco, quadril e membros inferiores. E em um segundo 
momento, por volta dos seis meses, ele também flexiona tronco e extremidades se fletirmos sua cabeça. 
Essa reação é mais forte aos 10 meses e costuma desaparecer por volta de um ano de idade. 
As reações de proteção ajudam o bebê a manter-se sentado. Quando este se desloca para frente, apoia as mãos à frente para não 
cair, por volta dos 7 meses. Para os lados, o bebê começa a se proteger da queda por volta dos 9 meses e, para trás, por volta dos 11 
meses. A reação de paraquedas também é uma reação de proteção, que quando o bebê está suspenso e é projetado para frente, ele 
estende os braços. 
Ela surge a partir do 6º mês de vida e persiste pela vida inteira. Até hoje, quando nos empurram ou quando tropeçamos, nós 
estendemos nossos braços para nos proteger. 
As reações de equilíbrio, que também nos acompanham durante toda a vida, trata-se da habilidade do bebê em manter o centro de 
gravidade dentro da base de sustentação. Então, por exemplo, quando está sentado e o bebê se descola levemente para a direita, 
seu corpo apresenta reações para puxar o centro de gravidade para a esquerda, para que ele não caia. O mesmo acontece quando 
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o bebê adquire a posição de gato ou em pé. Estas reações serão constantemente aprimoradas, de maneira individualizada, 
conforme a vivência e a aquisição de marcos motores do bebê. 
Com isso aluno(a), percebemos que, durante um desenvolvimento neuropsicomotor normal, ocorre a modulação da atividade 
reflexa do recém-nascido. Os reflexos permitem que o bebê experimente movimentos que, inicialmente, são automáticos, mas que, 
com a maturação do SNC, tornar-se-ão movimentos voluntários e funcionais, concomitantemente ao surgimento de reações mais 
complexas, como as de proteção e equilíbrio. É importante entendermos a atividade reflexa para que possamos identificar aquilo 
que é patológico ou que foge do desenvolvimento motor normal. 
Por que bocejamos? 
O bocejo também é um reflexo primitivo que não se integra, uma ação involuntária de abrir bem a boca, 
respirar fundo e seguir com um suspiro. Estudos mostram que até um feto de 11 semanas pode bocejar. Um 
bocejo dura em média seis segundos. Acredita-se que ele é causado por fadiga, sonolência, tédio, porém 
existem outras duas teorias que tentam explicar este ato: teoria física e teoria da evolução. 
A teoria física aponta que o bocejo é um processo induzido pelo corpo, como forma de obter mais oxigênio e 
fazer com que o excesso de dióxido de carbono seja liberado. A teoria da evolução defende a id e ia de que o 
bocejo seja algo herdado dos homens primitivos que tinham o hábito de bocejar para mostrar seus dentes. 
O que nós nunca deixamos de perceber é que quando alguém boceja ou quando lemos algo sobre bocejar, 
também bocejamos. Como você fez agora! 
Fonte: adaptado de Dantas (2017, on-line). 
DESENVOLVIMENTO MOTOR NOS PRIMEIROS DOIS ANOS DE 
VIDA 
Caro(a) aluno(a), continuando com o estudioso Piaget (1979), a inter-relação entre fatores genéticos com o ambiente levam a 
criança há mudanças comportamentais em seu desenvolvimento. O desenvolvimento motor, por sua vez, leva a criança a explorar 
cada vez mais o ambiente, elucidando que o desenvolvimento cognitivo desta depende estritamente de de suas experiências 
motoras, de sua capacidade de mover-se e de interagir com o meio. Até mesmo os reflexos primitivos do recém-nascido são uma 
maneira de experimentar e interagir com o externo, produzem uma aprendizagem motora e cognitiva. 
Os primeiros dois anos de vida são cruciais para o desenvolvimento motor e cognitivo da criança, período em que estimulação e a 
interação com o meio são fundamentais para um desenvolvimento global adequado. O desenvolvimento motor é a capacidade da 
criança em conseguir realizar funções motoras cada vez mais complexas. E como já conversamos, o desenvolvimento motor se 
processa nos sentidos céfalo-caudal e próximo-distal. 
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Figura 1: Desenvolvimento motor da criança no sentido céfalo-caudal. 
Fonte: Brasil (2002, p. 79). 
Segundo Castilho-Weinert e Forti-Bellani (2011), também devemos considerar que a aquisição de movimentos ocorre nos planos 
de movimento sagital, coronal e transverso, respectivamente. Somente após o lactente dominar o plano transverso é que ele 
conseguirá realizar movimentos mais complexos, como os de rotação, por exemplo. Este é um conceito trazido mais recentemente. 
Apesar de sabermos que cada criança apresenta características individuais de desenvolvimento, existem expectativas 
determinadas para cada faixa etária, nas áreas motora, psicossocial, cognitiva e de linguagem. Conhecer as respostas motoras 
esperadas para cada idade, leva-nos à identificação precoce de transtornos no desenvolvimento neuropsicomotor, permitindo um 
rápido encaminhamento e intervenção quando necessário. 
O recém-nascido apresenta uma postura que chamamos de hipertonia flexora fisiológica, em que braços e pernas ficam fletidos, o 
quadril elevado do apoio, ombros protraídos, punhos e mãos cerrados, imitando a postura intra-útero. Com a movimentação e ação 
da gravidade, o bebê vai perdendo essa postura flexora. Nesse período, o bebê reage aos estímulos com movimentos rápidos, 
descoordenados e, muitas vezes, de maneiraassimétrica. Em prono, apenas levanta e roda a cabeça para liberar o nariz para 
respirar. Quando apoiado em pé, toma peso nos membros inferiores, porém já apresentei que isso se trata da marcha reflexa. Até o 
final do segundo mês de vida, a assimetria está presente, a cabeça fica mais lateralizada, e em prono ele consegue elevá-la menos 
do que 45º do apoio. 
Com três meses, o bebê adquire uma postura mais simétrica, a cabeça permanece mais tempo na mediana, apresenta mais 
extensão dos membros e dos quadris, e os kickings, que são os movimentos vigorosos de chutes, estão bem presentes. As mãos do 
bebê ficam mais abertas e ele as aproximam de um objeto oferecido, pode até segurá-lo brevemente se o colocarmos em suas 
mãos, mas geralmente ainda não o pega. Fixa atentamente o olhar para a face das pessoas e segue com os olhos nos objetos que 
balançamos de um lado para o outro. Este mês apresenta o controle cervical como marco de aquisição motora ; em prono, por 
exemplo, o bebê já levanta a cabeça de 45º a 90º do apoio e consegue sustentá-la, observando o ambiente. 
Nesse primeiro trimestre de vida, o desenvolvimento motor fino ou de adaptação s e dá pelo reconhecimento das mãos, o bebê une 
as mãos, observa-as, explora-as. A linguagem do bebê ainda é o sorriso social e vocalizações esporádicas. Um bebê com olhar 
inexpressivo, pouco interessado no ambiente, com ausência de sorriso social, com irritabilidade, permanência dos polegares 
aduzidos ou ausência de controle cervical são alguns sinais de alerta para transtornos no desenvolvimento neuropsicomotor. 
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No 4º mês, o bebê já é capaz de segurar o objeto e levá-lo a boca e os dedos são mais participativos na movimentação. Os membros 
inferiores também apresentam maior variabilidade de movimentos, ora estão ambos estendidos, ora o bebê está segurando os 
joelhos, ora as solas dos pés se tocando ou um pé tocando o joelho oposto. 
De barriga para baixo, a cabeça e o tórax ficam fora do apoio, com os membros superiores para frente, apoiando-se nos antebraços 
e o peso do corpo está no quadril. 
Começam a transferir o peso para um hemicorpo para alcançar algum objeto e com essa transferência, ao 5º mês, ele rola de prono 
para supino. 
Com seis meses de vida, o bebê descobre os pés, podendo agarrá-los e levar à boca, já que, nesta fase, há uma hipotonia transitória 
com grande flexibilidade de movimentos. Já é capaz de rolar até ficar de barriga para baixo e nessa posição pode realizar pivoteios, 
ou seja, deslocar-se em círculos, dentro de seu eixo. Em relação à motricidade fina, ele transfere o objeto de uma mão a outra e 
realiza preensão palmar voluntária desses objetos. 
Quando puxado pelas mãos, faz força para sentar e, a partir do sétimo mês, pode ficar sentado sem apoio, mas ainda não tem 
reações de proteção lateral, podendo cair se transferir peso para um dos lados. Estudando a relação entre o desenvolvimento 
motor e da linguagem, Libertus e Violi (2016) encontraram que crianças que adquiriram o sentar independente mais cedo, 
mostraram maior vocabulário quando completaram entre 10 e 14 meses de idade. 
No 8º mês, o bebê é capaz de puxar-se sozinho para sentado a partir do apoio do cuidador e também recupera a posição ereta 
sentado quando cai para os lados. 
Geralmente, eles já não gostam mais de ficar de barriga para cima, eles rolam ou sentam sozinhos a partir da posição prona. Além 
disso, também conseguem se puxar para a posição de pé quando apoiado em um móvel ou no cuidador. Aparece a pinça inferior 
como movimentação fina das mãos e próximo aos nove meses fazem oposição do polegar, apontam com o indicador e iniciam o 
largar dos objetos. 
Quando o bebê completa dez meses, ele pode colocar e tirar objetos de um recipiente, atirar e apanhar objetos, acenar com as 
mãos, realizar a pinça pura, mas ainda abrindo demais as mãos para pegar os objetos. Sentados já se protegem quando caem para 
trás e rodam (pivotear) em círculos. Iniciam também o engatinhar, lembrando que alguns lactentes podem pular esta etapa. E 
quando em pé, podem andar apoiando nos móveis, primeiro para as laterais. Utilizam uma linguagem simbólica, inicialmente 
silábica, como mama e papa. 
Os apoios começam a não serem mais necessários para a permanência na posição em pé com um ano de vida. Eles ficam parados ou 
dão alguns passos com a base de apoio alargada e com os membros superiores elevados e fletidos para ganhar estabilidade. 
Realizam a posição de cócoras, brincam nessa posição, levantam e saem trocando passos. Eles já tentam comer sozinhos, guiam a 
mão da mãe para levar a colher à boca, bebem no copo, auxiliam no vestir, empurram ou puxam objetos enquanto caminham. Na 
linguagem, apresentam duas ou quatro palavras com significado e entendem poucos e simples comandos. 
E o desenvolvimento continua. Com um ano e três meses, a maioria das crianças já podem andar sozinha, mas caem com facilidade, 
já falam várias palavras utilizando jargões, apontam o que desejam, rabiscam com giz de cera. Com um ano e seis, atiram a bola, 
sobem em uma cadeira de adulto, raramente caem quando andam e até tentam correr, começam a subir escadas com apoio de uma 
das mãos e ambos os pés no mesmo degrau, comem sozinhos, mas fazendo bagunça, tiram peças de roupa e usam muitas palavras 
de fácil compreensão. Até os dois anos de idade eles aprendem a descer escadas, chutar a bola e correr razoavelmente bem, sem 
cair. 
Estamos falando de aquisições esperadas até os dois anos de vida, em um desenvolvimento normal. Contudo, existem diversos 
fatores de risco para o atraso do desenvolvimento neuromotor e que devemos considerar na avaliação desses bebês. 
Além dos riscos biológicos, como presença de síndromes genéticas, má formações ou infecções congênitas, prematuridade, entre 
outros, nós temos os fatores de risco ambientais. Um bebê que é privado do afeto materno, privado de estímulos sensoriais e 
motores, que é desnutrido, com falta de recursos sociais e educacionais ou que sofrem violência, maus tratos, por exemplo, 
também são grandes candidatos a déficits importantes no desenvolvimento neuropsicomotor. 
Alterações do desenvolvimento motor são mais facilmente identificáveis do que alterações cognitivas e de linguagem. Cabe aos 
profissionais da saúde e educação infantil conhecer, observar, estimular, bem como orientar os pais ou cuidadores quanto ao que 
se é esperado em cada fase, quanto ao que pode ser feito para que a criança se desenvolva de maneira adequada. E como já 
conversado, também é nosso papel identificar sinais de alerta para se considerar um provável atraso no desenvolvimento motor, 
encaminhando a criança para acompanhamento especializado quando necessário. 
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ATIVIDADES 
1. No que diz respeito à Teoria dos Sistemas Dinâmicos, assinale a alternativa correta. 
a) A ordem da aquisição das habilidades motoras segue uma sequência linear e contínua. 
b) É uma teoria que está concluída e traz uma visão estreita sobre o desenvolvimento motor. 
c) O desenvolvimento motor depende de um processo de auto-organização e de vários sistemas trabalhando de maneira integrada. 
d) O desenvolvimento motor ocorre de maneira simples e hierárquica. 
e) O nome “Sistemas” se refere aos ecossistemas em que a criança está inserida, os quais afetam diretamente o processo de 
desenvolvimento. 
2. Quando rodamos a cabeça do bebê para o lado e seus braços e pernas homolaterais se estendem enquanto os membros 
contralaterais se fletem. Estamosfalando de qual reflexo primitivo? 
a) Reflexo tônico cervical assimétrico. 
b) Reflexo de Moro. 
c) Reação cervical de retificação. 
d) Reflexo tônico cervical simétrico. 
e) Nenhuma das alternativas anteriores. 
3. Em relação ao ambiente adequado para o desenvolvimento motor nos primeiros anos de vida. Assinale a alternativa que contém 
somente afirmativas verdadeiras. 
I) As experiências de brincar livremente no espaço desenvolvem a percepção tempo-espaço da criança. 
II) À medida que a criança vai crescendo, os espaços podem ser reduzidos, a fim de favorecer a exploração e o desenvolvimento 
motor. 
III) A partir do primeiro trimestre de vida, o bebê deve ficar mais tempo no chão, em tapetes de EVA, edredons, cobertores etc. 
Essa liberdade favorece maior movimentação do bebê. 
IV) As cores têm importância fundamental para os ambientes destinados a estimulação do bebê, despertando a parte sensorial e 
motora. 
a) I, III e IV, apenas. 
b) II e IV, apenas. 
c) III e IV, apenas. 
d) I e IV, apenas. 
e) Todas as alternativas estão corretas. 
Resolução das atividades 
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RESUMO 
Nas discussões que aqui foram propostas, tivemos a oportunidade de conhecer as principais teorias do desenvolvimento humano, 
dentre elas, a teoria dos sistemas dinâmicos, considerada a mais ampla, na qual o desenvolvimento envolve questões de 
maturação, de auto-organização e da integração de fatores internos e fatores ambientais. 
Abordamos, em seguida, a atividade reflexa do recém-nascido, que consiste na primeira forma de movimento humano e primeira 
maneira que o bebê interage com o meio. Mostrei os reflexos relacionados à alimentação, à proteção, às reações voltadas para a 
postura e o equilíbrio, bem como o tempo esperado para o aparecimento e a integração de cada reflexo. 
No terceiro encontro, falamos sobre o desenvolvimento motor em si. O desenvolvimento é a capacidade do bebê em realizar 
funções motoras cada vez mais complexas. Está relacionado ao processo de maturação do sistema nervoso, que acontece no 
sentido céfalo-caudal e próximo-distal. 
Sabemos que o desenvolvimento motor não se esgota nos dois primeiros anos de vida, como apresentei aqui. É importante 
ressaltar que é na primeira infância que a criança mais desenvolve elementos essenciais da neuropsicomotricidade, como a 
coordenação motora, a motricidade fina e o equilíbrio. 
Contudo, escolhi esta faixa etária, pois considero que os principais marcos motores estão presente nela e que daí em diante fica 
mais difícil trazer sequências cronológicas, visto que a criança se desenvolve de acordo com as próprias experiências, com a 
estimulação que cada uma recebe, seja na escola, em casa, seja com irmãos mais velhos ou em outras atividades 
neuropsicomotoras. 
Além disso, espero que o que foi apresentado aqui sirva de estímulo para que você, aluno(a), explore mais o seu papel no processo 
de desenvolvimento neuropsicomotor das crianças. Espero ter contribuído desta forma para o seu aprendizado. Até o próximo 
encontro! 
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Material Complementar 
Filme 
Título : O começo da vida 
Ano : 2016 
Sinopse : trata-se de um documentário que mostra a importância dos 
primeiros anos da vida de uma criança. Dirigido por Estela Renner e 
produzido por Maria Farinha Filmes, o documentário foi filmado em nove 
países. Estela entrevista especialistas no desenvolvimento infantil e visita 
famílias das mais diversas culturas, etnias e classes sociais, para descobrir 
que proporcionar um ambiente com amor e segurança para as crianças 
nessa fase é o maior investimento que se pode fazer na humanidade. 
Na Web 
Neste vídeo, o Prof. Dr. Fernando Lamy Filho explica e demonstra alguns 
reflexos primitivos do recém-nascido que eu trouxe para nesse encontro, 
além de outros reflexos não apresentados no nosso estudo. 
Acesse 
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REFERÊNCIAS 
BRASIL. Ministério da Saúde . Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. 
Saúde da criança: acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil / Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de 
Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2002, p.79. Disponível em: 
< http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/crescimento_desenvolvimento.pdf >. Acesso em 17 abr. 2017. 
CASTILHO-WEINERT, L.V.; FORTI-BELLANI, C.D. Fisioterapia em neuropediatria . Curitiba: editora Omnipax, 2011. 338p. 
DANTAS, P. L. Bocejo. Mundo Educação - Curiosidades . Disponível em: 
<http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/curiosidades/bocejo.htm>. Acesso em 17 abr. 2017. 
LIBERTUS, K.; VIOLI, D.A. Sit to Talk: Relation between Motor Skills and Language Development in Infancy . Frontiers in 
Psychology, v. 7, article n. 475, 2016. 
MARTINS, E.; SZYMANSKI, H. A abordagem ecológica de Urie Bronfenbrenner em estudos com famílias . Estudos e Pesquisas em 
Psicologia, Rio de Janeiro, v. 4, p. 63-77, 2004. 
PIAGET, J. A construção do real na criança . 3ª edição. Rio de Janeiro: editora Zahar, 1979. 
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APROFUNDANDO 
Falaremos, agora, sobre o Desenvolvimento motor após os dois anos de idade. 
Já entendemos que o aprendizado motor ocorre pela experiência da criança, pela repetição e pela prática de atividades funcionais. 
A partir dos dois até os seis anos de idade, a criança evolui com rapidez suas habilidades motoras, com aumento de sua variedade 
de movimentos, mais sinérgicos e mais coordenados com o passar do tempo. 
A linguagem também é um aspecto que evolui significativamente neste período. 
Com isso, também se torna um pouco mais difícil de percebermos alterações no desenvolvimento motor de maneira precoce. O 
adulto deve observar se a criança não consegue acompanhar as demais crianças da mesma faixa etária, se ainda cai ou se machuca 
com facilidade, se é hipotônica ou se aumenta seu tônus postural em atividades mais complexas, por exemplo. A evolução das 
habilidades motoras depende muito do desenvolvimento dos outros elementos psicomotores, e vice e versa, da percepção tempo- 
espaço, da lateralidade e do esquema corporal. 
Como aprendemos quando falei de esquema corporal, entre os três aos sete anos de idade, a criança passa pelo período chamado 
etapa do corpo vivido ou corpo descoberto. 
Disse também que é nesta fase que ela adquire cada vez maior controle e domínio sobre o corpo, desenvolve sua coordenação 
motora e sua percepção tempo-espaço. Com o conhecimento do esquema corporal evoluindo,neste período a criança começa a se 
representar por meio do desenho. Nesta etapa, a criança já realiza ajustes posturais relacionados ao espaço, as características dos 
objetos que manipula e à tarefa a ser realizada. 
Com três anos, a criança é capaz de andar na ponta dos pés voluntariamente, brincando, mas se ela andar sistematicamente desta 
maneira, o adulto deve se alertar. Com o desenvolvimento da motricidade fina, é possível montar torres de oito cubos, desenhar 
um círculo quase completo, comer com colher ou garfo, desabotoar os botões, mas ainda não abotoar. 
Agora, aos quatro anos, além de subir, desce os degraus alternando os pés, além de ficar instantes em um pé só, consegue saltar 
dessa forma. O controle postural está se desenvolvendo de uma maneira que a criança consegue se equilibrar bem em cima de um 
muro, andando ou pedalando. Se antes desenhava um círculo incompleto, agora consegue copiar também uma cruz ou um 
quadrado e começa a desenhar a figura humana, parecendo um girino. 
Com cinco anos, passa a desenhar o corpo humano com mais detalhes, desenha uma casa e também um triângulo. Recorta bem 
com a tesoura. 
Começa a comer de garfo e faca. Realiza as atividades motoras grossas já adquiridas com muita autonomia e agilidade, além de 
arremessar a bola para cima e a apanhá-la em seguida. Nesta idade, muitas gostam de dançar, cantar e fazer teatro. 
Já com seis anos, gostam de saltar, pular amarelinha e bater a bola no chão. Escrevem algumas letras, seu próprio nome e alguns 
números. Em relação a isso, até os sete anos de idade, onde se define melhor a lateralidade, as crianças podem cometer alguns 
erros visuoespaciais e escrever as letras em espelho, como as letras j e ao contrário. 
No período dos quatro aos seis anos, os adultos devem se atentar a sinais como hiperatividade ou agitação da criança, se não 
houver aumento no tempo de atenção, ou seja, se esta dificuldade de concentração não for melhorando. Se for uma criança pouco 
expressiva, linguagem incompreensível, ou com pouco interação social, com comportamentos repetitivos ou estereotipados, 
também merece atenção especial. 
Dessa forma, podemos perceber que a escola é um ambiente muito benéfico para aquisição e desenvolvimento das habilidades 
motoras quando esta possibilita, com ambiente e oportunidades adequadas, rica estimulação para as crianças. 
Os educadores devem ter este conhecimento acerca do desenvolvimento motor, pois quanto mais precocemente detectar um 
distúrbio, mas a intervenção poderá ser adequada e eficaz para que a criança não tenha prejuízos cognitivos e afetivos, aspectos 
indissociáveis do aspecto motor. 
PARABÉNS! 
Você aprofundou ainda mais seus estudos! 
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EDITORIAL 
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Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho 
Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho 
Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva 
Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin 
Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi 
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ . Núcleo de Educação 
a Distância; LEITE , Jéssica Cristina. 
Neuropsicomotricidade . Jéssica Cristina Leite. 
Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017. 
26 p. 
“Pós-graduação Universo - EaD”. 
1. Neuropsicomotricidade. 2. EaD. I. Título. 
CDD - 22 ed. 370.15 
CIP - NBR 12899 - AACR/2 
Pró Reitoria de Ensino EAD Unicesumar 
Diretoria de Design Educacional 
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ESTIMULAÇÃO AO 
DESENVOLVIMENTO 
NEUROPSICOMOTOR 
Professor (a) : 
Me. Jéssica Cristina Leite 
Objetivos de aprendizagem 
• Compreender como o brincar influencia no desenvolvimento global da criança e quais brinquedos e brincadeiras são 
recomendados para cada faixa etária. 
• Conhecer a atuação de profissões nas quais a neuropsicomotricidade está inserida. 
• Aprender o conceito, o objetivo e algumas das técnicas da estimulação precoce. 
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Plano de estudo 
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: 
• A importância do brincar para o desenvolvimento neuropsicomotor 
• Neuropsicomotricidade: uma abordagem multidisciplinar 
• Estimulação precoce 
Introdução 
Querido(a) aluno(a), seguiremos com nosso estudo abordando alguns recursos para a estimulação global da criança. Além disso, 
apresentarei alguns dos profissionais envolvidos nas práticas de aplicação do estímulo neuropsicomotor. 
Em um primeiro momento, gostaria de passar a você, aluno(a) a mensagem de que os momentos em que as crianças mais se 
desenvolvem são durante as brincadeiras. E esta mensagem deve ser passada à toda sociedade, incluindo pais e educadores, visto 
que nossas crianças estão cada vez mais cheias de responsabilidades e passam menos tempo brincando e, com isso, menos tempo 
se desenvolvendo. 
A fim de discutir esta questão e considerando que o brincar tem uma importância característica para a criança, pretendo 
apresentar uma definição de brincadeira e os benefícios que proporciona ao desenvolvimento infantil, incluindo para a evolução 
dos aspectos neuropsicomotores. Lembro que, em nosso segundo encontro, já abordei algumas brincadeiras que estimulam este 
último objetivo, desenvolvimento dos elementos constituintes da neuropsicomotricidade. 
Além das brincadeiras, o profissional pode lançar mão de técnicas da estimulação precoce, que envolvem sistema sensorial, motor, 
auditivo, visual e outras que não serão abordadas aqui, mas que seria interessante que você as buscassem, a fim de ampliar ainda 
mais a formação desse conhecimento. 
Portanto, partindo das perspectivas referidas, é essencial valorizar todos os estímulos possíveis, inclusive o motor, para que as 
crianças construam habilidades desde os primeiros meses de vida que serão imprescindíveis para um desenvolvimento e 
crescimento saudável. Reforçando que o período em que a criança mais se desenvolve é durante os dois primeiros anos de vida. 
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A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR PARA O 
DESENVOLVIMENTO 
NEUROPSICOMOTOR 
É importante começarmos nosso estudo com a definição de alguns termos, que se confundem frequentemente. A brincadeira é 
tratada como uma atividade lúdica não estruturada, enquanto o jogo é uma atividade mais estruturada e estabelecida por um 
princípio de regras mais explícitas (CORDAZZO; VIEIRA, 2007), sendo que lúdico é considerado tudo que tem por objetivo o 
divertimento; e o brinquedo tem como princípio estimular a brincadeira e convidar a criança para esta atividade. De acordo com 
Kishimoto (1994), é um objeto suporte da brincadeira. 
Brincar é próprio da criança, é um meio dela se desenvolver integralmente.A desvinculação do lúdico de seu papel educativo pode 
ocorrer por não se considerar o lúdico com atitudes intelectuais e teóricas, pois, na maioria da formação dos profissionais, há uma 
concepção fragmentada sobre as relações existentes entre pensar, sentir, imaginar, brincar e criar. Nesse encontro, quero mostrar 
a você, aluno(a), a inter-relação, para compreender que o brincar é fundamental para a evolução total da criança. 
Infelizmente, a criança dos nossos dias é mais hipoativa corporalmente e psiquicamente. Cercada de pais 
com pouco tempo para o lazer, rodeada de tecnologia, cheia de responsabilidades impostas, de expectativas 
por parte dos demais, a criança cada vez mais tem dificuldade em se expressar, em viver e conviver 
socialmente, em conquistar o meio ambiente e em desenvolver sua criatividade. Em uma pesquisa recente 
promovida em dez países pelo seguimento de limpeza OMO, no Brasil, 87% dos pais acreditam que seus 
filhos não brincam tanto quanto deveriam e atribuem este fato a dois motivos principais: falta de ambientes 
adequados e falta de tempo para brincar com seus filhos. Em sua opinião, quais iniciativas podem ser 
tomadas para resgatar o brincar da criança? Qual seria o seu papel como educador/terapeuta neste 
processo? 
Fonte: adaptado de OMO (2016, on-line). 
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Os jogos propiciam descobertas, investigações, novas combinações de ideias e de comportamento, devido à ausência de pressão 
do ambiente por se tratar de uma brincadeira, ou seja, a criança participa pela atividade em si, não busca resultados ou efeitos, é 
uma atividade sem finalidade, apenas por diversão. É por meio do jogo que a criança interage, que adquire constantemente noções 
de orientação espacial, do seu esquema corporal, formas de construção, que se satisfaz. Além do prazer e alegria, a brincadeira 
provoca benefícios corporais, morais e sociais na criança. 
São numerosos os estudos voltados ao jogo e ao seu valor terapêutico e educacional. O lúdico faz parte das estratégias 
metodológicas de aprendizagem por profissionais da psicologia, pedagogia e psicopedagogia. Essa estratégia ocupa lugar de 
destaque nos meios de intervenção terapêutica destes profissionais, já que por meio do lúdico, a criança forma um autoconceito 
positivo, desenvolve-se afetivamente, convive socialmente e trabalha mentalmente. 
Brincar com a criança não é perder tempo, é ganhá-lo. Se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é 
vê-los enfileirados em salas sem ar, com atividades estéreis sem importância alguma para a formação 
humana. 
Fonte: Carlos Drummond de Andrade 
O recurso lúdico com o objetivo de favorecer o desenvolvimento neuropsicomotor requer planejamento, depende de 
intencionalidade, motivação e participação da criança, de uma atividade motora contextualizada e que seja significativa à criança. 
As brincadeiras devem ter coerência com as necessidades da criança e com o seu desempenho, o que pode exigir adaptações. 
Podemos descrever como ocorre a brincadeira de acordo com os estágios de desenvolvimento cognitivo propostos por Piaget. No 
período sensório motor (0 a 2 anos), o lactente brinca essencialmente com seu próprio corpo, explorando-o, a ação é em busca do 
prazer ou em atividades em que repete gestos e movimentos, como bater palma, por exemplo. 
No estágio seguinte, pré-operatório (2 a 7 anos), a brincadeira se torna simbólica, a criança entra em um mundo de fantasias, faz de 
conta, o que propicia maior possibilidade de criar envolvimento em atividades mais globais, como correr, escorregar, pular. Ao final 
deste período, ela também se desenvolve em brincadeiras como pintar, montar, desenhar, entre outras. 
A brincadeira, no período operatório concreto (7 a 11 anos), é voltada para a representação da realidade. De forma lúdica, a 
criança expressa seus sentimentos, o que pode ser vantajosos para a sua formação cognitiva, emocional e social. Os jogos nessa 
fase passam a ter regras, como amarelinha, atividades esportivas, queimada, bets (jogo de taco) etc. Já no período operatório 
formal, a diversão toma um caráter mais intelectual, por meio de atividades como aventuras, práticas esportivas, quebra-cabeças, 
eletrônicos, dentre outras. 
Na visão de Vygotsky (1984), a imaginação, a imitação e as regras são elementos essenciais da brincadeira. A criança quando 
brinca, cria uma situação imaginária, assume um papel, um personagem que, inicialmente, pode ser a imitação de um adulto 
observado, trazendo para a brincadeira regras de comportamento que estão implícitas. Por exemplo, a criança se imagina como 
mãe de uma boneca; nesse brincar, ela irá seguir as regras de um comportamento maternal. 
A criação de uma situação imaginária não é algo fortuito na vida da criança; pelo contrário, é a primeira 
manifestação da emancipação da criança em relação às restrições situacionais. O primeiro paradoxo 
contido no brinque do é que a criança opera com um significado alienado numa situação real. O segundo é 
que, no brinquedo, a criança segue o caminho do menor esforço – ela faz o que mais gosta de fazer, porque o 
brinquedo está unido ao prazer – e ao mesmo tempo, aprende a seguir os caminhos mais difíceis, 
subordinados a regras e, por conseguinte renunciando ao que ela quer, uma vez que a sujeição a regras e a 
renúncia a ação impulsiva constitui o caminho para o prazer do brinquedo (VYGOTSKY, 1998, p. 67). 
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Segundo Vygotsky (1984), a brincadeira cria de uma “zona de desenvolvimento proximal” na criança, definindo-a como o caminho 
de amadurecimento de suas funções, que serão consolidadas em um nível de desenvolvimento real. Para este estudioso: “No 
brinquedo, a criança sempre se comporta além do comportamento habitual da sua idade, além do seu comportamento diário; no 
brinquedo, é como se ela fosse maior do que é na realidade” (VYGOTSKY, 1984, p. 117). Com isso, a brincadeira desperta 
aprendizagens que se desenvolvem e se consolidam. 
Conhecendo a importância do brincar para o evolução global da criança e conhecendo também como ocorre o desenvolvimento 
neuropsicomotor, cabe aos pais, educadores, terapeutas, aos adultos em geral, valorizar e promover o brincar das crianças. 
A escolha de brinquedos adequados faz parte deste processo. Quanto mais possibilidades de ação o brinquedo oferecer, maior 
será o interesse da criança, e quanto maior o interesse, mais adequado é o brinquedo. Nem sempre a escolha do brinquedo que o 
adulto realiza para a criança coincide com a escolha dela. Contudo, podemos indicar os brinquedos mais adequados às diversas 
etapas do desenvolvimento infantil. 
Até, aproximadamente, os seis meses, os bebês são estimulados por brinquedos coloridos, de vários tamanhos, texturas e que 
produzem vários tipos de sons. Eles precisam de brinquedos que estimulem todos os seus sentidos, brinquedos leves, que eles 
possam pegar e colocar na boca, como chocalhos, mordedores, bichinhos de borracha, por exemplo. Entre seis meses a um ano de 
vida, os bebês ainda brincam sozinhos, eles gostam de apertar, sacudir, jogar, bater, empilhar. Os brinquedos ideais seriam: 
chocalhos, bonecas, bichinhos flutuantes para o banho, livrinhos de pano, brinquedos de encaixe, cubos para empilhar etc. 
A partir da aquisição da marcha até por volta dos dois anos, a criança ganha mais liberdade e variedade de ação, maior 
coordenação motora global, por isso, ela se interessa por brinquedos que possam empurrar, puxar, empilhar e desmontar. 
Contudo, vale ressaltar e relembrar que durante o período sensório-motor (0 a 2 anos), a criança brinca mais com seu próprio 
corpo e que a figura do adulto também é essencial para promover o brincar.Durante o período pré-conceitual, referente entre dois a quatro anos de idade, a criança deve ser encorajada a desenvolver uma 
gama de atividades: atividades ao ar livre, nos parques, na areia; atividades manuais, que incluem desenhos com giz de cera, 
pintura, massa de modelar; jogos que desenvolvam destreza manual, como blocos de construção de encaixe; jogos que 
desenvolvam as percepções, como jogos com figuras em pares, com partes do corpo, que iniciem noções numéricas e formas 
geográficas. Para estimular o faz de conta, os ursos, as bonecas, os caminhões com carga, os animais de brinquedo são 
recomendados. 
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No período intuitivo, que vai dos quatro aos sete anos, a criança se torna mais independente em suas atividades e começa a brincar 
mais com outras crianças. Ela desenvolve sua motricidade fina, utilizando lápis de cor, tesoura, cola, papéis coloridos, tintas, entre 
outros para suas brincadeiras manuais. Para as atividades ao ar livre, a criança se interessa pela bicicleta, bola, pular corda e pelos 
animais de estimação, com os quais brincam e também se desenvolvem no aspecto afetivo. Os quebra-cabeças, os jogos de 
memória, jogos de tabuleiro são interessantes para o desenvolvimento cognitivo e perceptivo nesta fase. 
Indico a você este texto “O corpo, o melhor brinquedo”, no qual a educadora e terapeuta familiar Helena 
Gonçalves Rocha apresenta o corpo como melhor recurso para desenvolver o brincar, como melhor 
brinquedo para favorecer o desenvolvimento global da criança. Saiba mais acessando 
http://lisbonsouthbayblog.pt/o-corpo-o-melhor-brinquedo/ 
Fonte: adaptado de Rocha (2017, on-line). 
Com este encontro, compreendemos fatores essenciais para a vivência plena da criança com o seu brincar, que é parte integrante 
do processo de desenvolvimento social, emocional, cognitivo e motor. Por isso, os adultos devem promover e incentivar às crianças 
a fazerem o que elas mais gostam: brincar, brincar e brincar! 
NEUROPSICOMOTRICIDADE: UMA 
ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR 
Querido(a) aluno(a), quero, neste encontro, trazer para você as áreas de atuação e as práticas de aplicação da 
neuropsicomotricidade nas diversas profissões envolvidas. Com este estudo, também poderemos saber para qual profissional 
encaminhar uma criança quando esta apresentar uma alteração neuropsicomotora específica. 
Para compreender que a neuropsicomotricidade abrange diversos profissionais da educação e saúde, é interessante relembrar que 
o nome neuropsicomotor remete que o desenvolvimento envolve: aspectos neurológicos, ou seja, a maturação do sistema nervoso 
central; aspectos psicológicos e cognitivos, ligados ao afeto, às motivações a aos processos mentais; e também possui o aspecto 
motor, relacionado ao movimento humano. 
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Além disto, devemos compreender a definição de atraso do desenvolvimento psicomotor, que é um atraso significativo em um ou 
vários domínios do desenvolvimento, nomeadamente ao nível da motricidade fina/grosseira, da linguagem, da cognição, das 
competências pessoais e sociais, das atividades da vida diária, dentre outros. Nos casos de atraso global destes domínios, a criança 
deve ser acompanhada por uma equipe multidisciplinar. 
Neste sentido, profissionais da psicologia, pedagogia, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, medicina e educação física 
que estão diretamente ligados à neuropsicomotricidade devem conhecer os seus conceitos e podem atuar neste processo de 
desenvolvimento neuropsicomotor. 
O conhecimento sobre o desenvolvimento neuropsicomotor é fundamental para o fisioterapeuta. A partir deste conhecimento, o 
profissional se torna apto a reconhecer fatores de risco para alterações neste processo ou situações de desenvolvimento atípico. 
Assim, nós, fisioterapeutas, podemos discernir condições que requerem intervenção com objetivo de prevenção, como a 
estimulação precoce, sobre a qual falarei mais adiante, ou condições que necessitem de reabilitação. 
A fisioterapia atua no movimento humano, na sua funcionalidade. Relembro também o conceito da neuropsicomotricidade, de que 
o movimento é o meio pelo qual o bebê começa a se expressar e também a interagir com o ambiente. E que nesta ciência, os 
aspectos afetivos, cognitivos e motores são indissociáveis. Trabalhamos com bebês prematuros, bebês com fatores de risco para 
atraso no desenvolvimento motor, crianças com paralisia cerebral ou com outras diversas condições e situações complicantes para 
a função motora. 
O terapeuta ocupacional também trabalha com o movimento e com o corpo, mas também com aspectos mentais e emocionais de 
pessoas que tenham dificuldades na realização de atividades cotidianas. Sua atuação é ampla e multifacetada, por isso mais 
complexa para eu poder descrever aqui em poucas palavras, porém, é claro, que os terapeutas ocupacionais podem intervir 
efetivamente no desenvolvimento infantil, tanto motor quanto emocional e cognitivo. 
Sugiro que para aprofundar o seu conhecimento acerca desta profissão e de como a neuropsicomotricidade 
está inserida nela, você assista este vídeo explicativo. Saiba mais acessando o link: 
https://www.youtube.com/watch?v=m6IXhMLgErA 
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O profissional fonoaudiólogo atua na comunicação humana, trabalham em aspectos das funções auditivas, vestibulares e 
cognitivas, também trabalham em distúrbios na fala, linguagem oral e escrita, na voz, nas funções orofaciais e na deglutição. 
Preciso dizer o quanto este profissional é importante para o desenvolvimento neuropsicomotor? Grande parte dos pacientes 
encaminhados a este profissional apresentam distúrbios cognitivos, motores e perceptuais, salientando, assim, a sua importância 
de atuação diagnóstica e interventiva em equipe multidisciplinar nos casos de paralisia cerebral, síndromes genéticas, 
prematuridade, autismo, hiperatividade, dentre outros. 
Não somente nestas condições, mas esses profissionais ajudam desde um recém-nascido com dificuldade na amamentação, 
passando por uma criança com dislalia, um adulto com gagueira, até um idoso com dificuldade de deglutição com broncoaspiração 
frequentes como consequência. Casos em que outros aspectos psicomotores podem ser afetados devido a este distúrbio de base. 
Um bebê ou um idoso com dificuldade na alimentação podem ficar desnutridos e isto afetaria diretamente o desenvolvimento do 
bebê ou a capacidade funcional do idoso. Uma criança com dislalia ou um adulto com gagueira podem sofrer privações na 
participação social, podendo causar distúrbios em âmbitos afetivo e cognitivo. 
A pedagogia e a psicologia são as profissões pioneiras no estudo e na aplicação da neuropsicomotricidade. A pedagogia trabalha a 
psicomotricidade infantil relacionada à educação e aprendizagem, temas abordado em nossa primeira unidade. O psicólogo lança 
mão de técnicas da psicomotricidade que, junto com as teorias da psicologia, conseguem ter uma visão mais abrangente do ser. O 
corpo reflete o ser psíquico, que dará resultado ao ser social, o objetivo desta profissão é o desenvolvimento harmonioso deste ser 
por inteiro. Sendo assim, são os profissionais que mais trabalham com a educação e reeducação psicomotora em si, em suas 
clínicas, mas também dentro das escolas. 
No entanto, essa educação psicomotora dirigida dentro do ambiente escolar, seja na educação infantil ou no ensino fundamental, 
teve início com o educador físico Lê Boulch, em 1966. O professor de educação física também tem que ter como objetivo 
primordial o desenvolvimento global da criança por meio dos movimentos, proporcionando ambientes e atividades que estimulem 
as vivências corporais. 
Além destas apresentadas, a psicomotricidade abrange outras profissões da saúde e daeducação, basta o profissional perceber as 
interfaces de sua atuação. Portanto, aluno(a), podemos entender, agora, que a abordagem neuropsicomotora é multidisciplinar e 
preocupa-se com a integração e harmonia entre dois fatores comportamentais humanos: psiquismo e motricidade. Cada profissão 
atua de forma específica, mas que como resultado final terá mudanças em todos os aspectos neuropsicomotores. Em nossa prática, 
então, temos que ter esta visão universal do ser humano. 
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ESTIMULAÇÃO PRECOCE 
Caro(a) aluno(a), como já vimos anteriormente, o desenvolvimento motor do bebê depende do processo de maturação do sistema 
nervoso e das experiências vivenciadas em seu meio ambiente, principalmente nos dois primeiros anos de vida, e que as aquisições 
motoras são motivadas pelo brincar e pela interação com as pessoas. 
A estimulação precoce tem o objetivo de evitar ou minimizar os distúrbios do desenvolvimento neuropsicomotor e possibilitar à 
criança desenvolver-se em todo o seu potencial. 
Esta intervenção é necessária para adequar a criança em seu processo natural de desenvolvimento, o que inclui maturação, 
habilidades motoras, aprendizagem e aspectos psicossociais. Atrasos motores estão associados a prejuízos psicológicos e sociais, 
como baixa autoestima, hiperatividade, isolamento social, dentre outros, interferindo no desempenho escolar. Além disso, uma 
criança com distúrbios no desenvolvimento motor pode, com frequência, apresentar deficiências na formação de conceitos, do 
esquema corporal, falhas de percepção tempo-espaço, alterações nos processos de pensamento, memória pobre e atenção 
deficiente (NASCIMENTO, 1986). 
Então, para que esperar um atraso motor se instalar? A estimulação precoce é indicada para bebês com fatores de risco para o 
desenvolvimento neuropsicomotor, como fatores socioambientais, fatores genéticos, prematuridade, baixo peso ao nascer, 
malformações ou infecções congênitas, condições de nascimento, dentre diversos outros. Contudo, já é indiscutível os benefícios 
que traz para qualquer criança. Também é uma intervenção multidisciplinar e que exige do terapeuta conhecimento sobre o 
desenvolvimento neuropsicomotor normal. 
Mais uma vez, trago um texto “Intervenção precoce na infância”, da educadora Helena Gonçalves Rocha, 
para que você possa conhecer mais o objetivo da intervenção precoce, na qual a estimulação precoce está 
inserida. Saiba mais acessando: http://lisbonsouthbayblog.pt/intervencao-precoce-na-infancia-por-helena- 
goncalves-rocha/ 
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Fonte: a autora. 
Primeiramente, o desenvolvimento da criança não pode ser considerado separadamente da unidade familiar. Portanto, na 
estimulação precoce, a participação dos pais é um elemento decisivo para a efetividade da intervenção. A estimulação não deve 
acabar no ambiente terapêutico, porém também não deve ser um processo exaustivo e exagerado. 
O terapeuta orienta os pais quanto à maneira adequada de carregar o bebê, de posicioná-lo em casa, de como eles podem ajudá-lo 
a reconhecer suas partes do corpo, como podem impedir movimentos e posturas indesejáveis e também incentivá-lo a realizar 
movimentos que eles precisam aprender. O ambiente familiar precisa ser estimulador, cada troca de posição, troca de roupa, 
oferta de brinquedos e banho devem ser acompanhados de estímulos verbais e táteis. 
Trouxe, aqui, as principais estimulações realizadas por nós, fisioterapeutas, para crianças que apresentem riscos para atraso no 
desenvolvimento neuropsicomotor. 
Apesar de estarem implícitas em nossas terapias e do mérito que tem pela importância no desenvolvimento neuropsicomotor, 
neste encontro, não vou abordar de maneira específica a estimulação precoce de habilidades cognitivas e sociais, próprias do 
trabalho de outros profissionais. 
Estimulação tátil 
Figura 1: Shantala com o bebê 
O toque tem o poder de acalmar e confortar o bebê, o toque é amor. A primeira maneira de aprender a amar e confiar é por meio 
do contato físico, por isso a estimulação precoce tem como um dos objetivos despertar os sentidos do bebê e a sua interação com o 
meio através da estimulação tátil. Estas experiências sensoriais devem ser proporcionadas durante todo o período da primeira 
infância. 
Estudos demonstram que a estimulação tátil-cinestésica pode produzir efeitos benéficos para a maturação e/ou a atividade do 
sistema nervoso simpático (FOGAÇA, 2006). Podemos estimular a percepção tátil da criança com o próprio toque das nossas mãos 
ou utilizando recursos com diferentes texturas. No bebê, o uso de algodão, de esponjas macias, das bolas mamonas, até a própria 
toalha estimula sua percepção sensorial e dessensibiliza a pele, evitando uma futura rejeição ao toque ou a sensações. Essa 
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rejeição pode ser observada em crianças que não toleram roupa molhada, não gostam de brincadeiras que sujam, que andam nas 
pontas dos pés (pode ter outras causas) ou que são hipersensíveis a dor, tudo machuca. 
Além do estímulo com texturas, podemos lançar mão das massagens terapêuticas. A Shantala é uma massagem terapêutica indiana 
antiga que utiliza movimentos suaves, repetidos e rítmicos com o objetivo de tranquilizar o bebê. A técnica traz, além do 
relaxamento, outros diversos benefícios, como aumento do vínculo pais-bebê, alívio de cólicas, melhora na qualidade do sono, 
aumento das percepções corporais e, com tudo isso, estimula o desenvolvimento neuropsicomotor (LEBOYER, 1995). 
Estimulação cinestésica 
Figura 2: Bola como recurso do conceito neuroevolutivo Bobath 
Estimular é ensinar, motivar, aproveitar objetos e situações transformando-os em conhecimento e aprendizagem. A estimulação 
cinestésica diz respeito ao mapeamento do corpo no cérebro, ao aprendizado quanto à localização espacial do corpo, sua posição e 
orientação, bem como o aprendizado dos movimentos que podem ser realizados por cada segmento corporal. 
O adulto pode estimular o bebê a reconhecer suas mãos e, a partir delas, reconhecer as demais partes do corpo, colocando-as nos 
joelhos, na barriga, nos pés, por exemplo. Pode ajudar o bebê a buscar, segurar e manipular os objetos, a realizar os movimentos 
que ele deveria realizar na faixa etária a qual se encontra e aqueles que está próximo a atingir. Nesse sentido, pode também conter 
suavemente os movimentos descoordenados, indesejáveis que o bebê apresentar. 
É importante verificar se a quantidade de estímulos utilizados está de acordo à capacidade, ao interesse e às possibilidades de 
cada criança, não se deve forçá-la, cansá-la e nem frustrá-la com atividades que ela não pode responder. 
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A estimulação cinestésica, por meio do conceito neuroevolutivo Bobath, é a mais utilizada há décadas no meio terapêutico. Este 
método foi desenvolvido, inicialmente, por Karel e Berta Bobath, no início da década de 40, e propõe manuseios por meio de 
pontos-chave que promovem experiências motoras e sensoriais adequadas para cada faixa etária, que serão a base para a 
aquisição das habilidades motoras da criança. Recursos como bolas, rolos, mesas são utilizados nesse método. 
Estimulação auditiva 
Figura 3: Bebê localizando o som do chocalho 
Esta intervenção tem o objetivo de estimular as habilidades de atenção, localização, discriminação, lateralização e compreensão 
auditiva. Pode ser feita por meio de brinquedos que emitem sons, fazendo com que o bebê procure de onde vem. O terapeuta pode 
imitar sons possibilitando a repetição por parte da criança, estimulando também a linguagem. O próprio canto ou a fala do 
terapeuta estimula este desenvolvimento auditivo. 
É lógico que o fonoaudiólogoé o profissional mais capacitado para esta estimulação, como também para a estimulação da 
motricidade orofacial e da linguagem, mas nada impede de que, em um momento lúdico, durante a terapia, outros profissionais da 
saúde e educação tenham este objetivo. Até mesmo porque, algumas respostas ao comportamento auditivo são expressas por 
meio de respostas motoras, como a localização do som, que é expressa por meio do controle e rotação cervical e, posteriormente, 
pela dissociação de cinturas escapular e pélvica. Estas respostas são muito interessantes durante um atendimento 
fisioterapêutico, por exemplo. 
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Estimulação visual 
Figura 4: Objetos coloridos de uso visual para o bebê 
Podemos também ter como objetivo terapêutico a estimulação visual, que pode ser feita de maneira simples por meio de figuras ou 
objetos coloridos. No entanto, no recém-nascido, é diferente, pois sua acuidade visual ainda está em desenvolvimento, por isso ele 
só enxerga em tons de cinza. Desenhos em preto e branco ou com listras despertam mais o interesse e estimulam mais o bebê até, 
aproximadamente, 3 meses de vida. A partir daí, as cores e os contrastes começam a ficar bem mais atrativos para eles. O 
manuseamento de objetos, com suas cores e tonalidades, formas, pesos e movimentos proporcionam uma grande diversidade de 
estímulos adequados ao desenvolvimento visual tridimensional. 
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ATIVIDADES 
1. Para Vygotsky (1984), a brincadeira pode ser considerada uma: 
a) Possibilidade de reinvenção do real, que não afeta o comportamento da criança fora da brincadeira. 
b) Atividade de aperfeiçoamento físico e motor. 
c) Situação imaginária com delimitação de regras que se consolidam com o tempo. 
d) Atividade competitiva que envolve a participação de duas ou mais crianças. 
e) Forma de criar a zona de desenvolvimento proximal, relacionada ao vínculo com as outras crianças. 
2. Preencha com (V) para verdadeiro e (F) para falso e escolha a alternativa correta. De acordo com a Sociedade Brasileira de 
Psicomotricidade, o psicomotricista é o profissional da área de saúde e educação que: 
( ) Previne distúrbios do desenvolvimento neuropsicomotor. 
( ) Ajuda a criança na aquisição, no desenvolvimento e na reabilitação de funções afetivas, cognitivas e orgânicas. 
( ) Realiza pesquisas relacionadas à integração somatopsíquica. 
( ) Atua do ensino básico ao superior, na educação especial e outras modalidades envolvidas no processo ensino-aprendizagem. 
a) V, F, V e V. 
b) F, V, F e F. 
c) V, V, V e F. 
d) F, V, F e V. 
3. Assinale a alternativa que contenha as afirmativas corretas. São recomendações preconizadas para a prática da estimulação 
precoce: 
I) Profissional especializado para acompanhamento individual da criança. 
II) Plano individual de intervenção, com objetivos a serem alcançados e com estratégias e condutas a propostas. 
III) Participação direta dos familiares nos atendimentos e em casa, essencial para a eficácia da intervenção. 
IV) Indicada apenas quando há atraso ou transtorno no desenvolvimento neuropsicomotor presentes. 
a) Apenas a afirmativa III. 
b) Apenas as afirmativas I e III. 
c) Apenas as afirmativas II e IV. 
d) Apenas as afirmativas I, II e III. 
e) Todas as afirmativas estão corretas. 
Resolução das atividades 
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RESUMO 
Os dois primeiros anos de vida são fortemente influenciados e caracterizados pela interação do lactente com o ambiente em geral. 
É um período de extremo crescimento e desenvolvimento para a criança e que mediante às diversidade de estímulos que a 
convidam a imaginar, explorar, manipular, experimentar, enfim a vivenciar situações, é que ela responde com desenvolvimento, 
com aprendizado. 
É fundamental que o educador, o terapeuta, o adulto ou afins observem e analisem correta e periodicamente as capacidades e 
potencialidades das crianças, a fim de propor atividades adequadas para elas. Para isso, além de um olhar sensível, da experiência 
prática, precisam de conhecimento sobre o desenvolvimento neuropsicomotor típico. 
Neste sentido, deve-se assegurar que as atividades propostas não sejam demasiadas simples nem tão complexas. Se forem simples, 
não irão estimular etapas seguintes do desenvolvimento, nem tampouco despertar o interesse da criança. E se forem muito 
complexas, a ponto da criança não conseguir realizar, podem dar origem a frustrações e inseguranças, afetando seus aspectos 
psicossociais. 
Falo isso tanto em relação às brincadeiras, as quais aprendemos que proporcionam inúmeros benefícios corporais, afetivos e 
sociais, quanto em se tratando da estimulação sensória-motora que o profissional deseja trabalhar. A estimulação precoce se 
refere a atividades que facilitem as aquisições de habilidades e enriquecem as vivências sensório-motoras das crianças que 
apresentam alterações no desenvolvimento ou potencial risco para um atraso neuropsicomotor. 
Cada profissão citada neste estudo tem sua atuação diferenciada, mas a neuropsicomotricidade está inserida em todas elas. De 
maneira geral, são responsáveis por proporcionar experiências diversas às crianças, bem como avaliar, reconhecer e intervir 
precocemente quando necessário. 
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Material Complementar 
Filme 
Título: Curta-metragem Alike 
Ano: 2015 
Sinopse : Dirigido por Daniel Martinez Lara e Rafa Cano Méndez, o curta- 
metragem de 7 minutos traz um pai que, com uma vida cheia de trabalho, 
com falta de tempo para brincar com seu filho, tenta ensinar o caminho 
que acredita ser o correto, mas vai se questionando quanto ao que é este 
correto. 
Comentário : é um vídeo bem interessante, que nos faz refletir sobre o 
quanto cobrança, a falta da presença dos pais, a falta de tempo e de 
liberdade para brincar faz com que a criança vá deixando de lado a 
imaginação e o afeto. 
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REFERÊNCIAS 
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Estudos e Pesquisas em Psicologia, v.7, n. 1, p. 89-101, 2007. 
FOGAÇA, M.C.; CARVALHO, W.B.; VERRESCHI, I.T.N. Estimulação tátil-cinestésica: uma integração entre pele e sistema 
endócrino?. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil , v. 6, n.3, p.277-283, 2006. 
KISHIMOTO, Tizuko Morchida. O jogo e a educação infantil . 1a ed. São Paulo: Pioneira, 1994. 63 p. 
LEBOYER, F. Shantala : uma arte tradicional - massagem para bebês. 7ª edição. São Paulo: editora Ground, 1995. 
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Diretrizes de estimulação precoce : crianças de zero a 3 anos com atraso no desenvolvimento 
neuropsicomotor decorrente de microcefalia. Brasília, 2016. 
NASCIMENTO, Lucia Shueller do. Psicomotrocidade eAprendizagem / Lucia Schueller do Nascimento; Maria Terezinha de 
Carvalho Machedo. 2ª ed. - Rio de Janeiro: Enelivros, 1986. 
OLIVEIRA, V.M.B.; NASCIMENTO, I.M.S. Reabilitação lúdica da imagem corporal . Boletim Academia Paulista de Psicologia, v. 25, 
n. 1, p. 37-48, 2005. 
OMO. Valor do Brincar Livre: Capítulo Brasil. Abril de 2016. Disponível em: < https://www.omo.com.br/wp- 
content/uploads/2016/07/PESQUISA-O-Valor-do-Brincar-Livre.pdf >. Acesso em 17 abr. 2017. 
PIAGET, J. L’épistémologie génétique . Paris: Press Universitaire de France, 1970. 
PIAGET, J. A construção do real na criança . 3ª edição. Rio de Janeiro: editora Zahar, 1979. 
ROLIM, A.A.M.; GUERRA, S.S.F; TASSIGNY, M.M. Uma leitura de Vygotsky sobre o brincar na aprendizagem e no 
desenvolvimento infantil . Revista Humanidades, v. 23, n. 2, p. 176-180, 2008. 
ROCHA, Helena G. O corpo, o melhor brinquedo . Isouthbay. Fevereiro, 2017. Disponível em: <http://lisbonsouthbayblog.pt/o- 
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ROCHA, Helena G. Intervenção precoce na infância . Isouthbay. Fevereiro, 2017. Disponível em: 
< http://lisbonsouthbayblog.pt/intervencao-precoce-na-infancia-por-helena-goncalves-rocha/ >. Acesso em 17 abr. 2017. 
SANTOS, ROSÂNGELA PIRES. Psicomotricidade . São Paulo: Ieditora, 2002. 
VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente . Martins Fontes: São Paulo, 1984. 
VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente . 6. ed., São Paulo: Livraria Martins Fontes, 1998. 
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APROFUNDANDO 
Querido(a) aluno(a), gostaria de compartilhar aqui com você a aplicação da neuropsicomotricidade em minha prática clínica. Com 
isso, quero destacar a importância da psicomotricidade nas diversas etapas da vida e aprofundar o assunto destes nossos 
encontros. 
Sou fisioterapeuta de uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), na qual nosso público maior, mais do que 90%, são os 
bebês prematuros. A prematuridade por si só, já é um fator de risco para alterações no desenvolvimento neuropsicomotor. O bebê 
nasce sem estar preparado, com todos os seus órgãos e sistemas imaturos, incluindo o sistema nervoso. Isto também o torna mais 
suscetível a complicações à nível cerebral. 
Os recém-nascidos prematuros já nascem com desorganização de tônus, de postura, sem a hipertonia flexora fisiológica de um 
recém-nascido a termo, que vimos em nosso último encontro. Eles apresentam movimentos bastante descoordenados. Na 
incubadora, eles não tem limites para conter esses movimentos. Apesar de nós, fisioterapeutas, lançarmos mão de técnicas e 
posicionamentos que favoreçam esta organização, estes fatores interferem em seu desenvolvimento motor. Um dos nossos 
objetivos é minimizar este impacto. 
O ambiente de uma UTIN é completamente diferente do útero e do lar, os ruídos constantes, as manipulações, a iluminação, a falta 
de aconchego, dentre outros fatores dificultam o sono dos bebês, visto que, normalmente, eles teriam que passar mais de 80% de 
seu tempo dormindo. 
E o quanto isto não interfere no desenvolvimento da percepção temporal futuramente, não é mesmo? Quanto tempo este bebê vai 
levar para criar uma consciência da rotina, da hora de dormir, hora de mamar, hora de tomar banho quando estiver em casa? 
Além disso, o tempo de hospitalização necessária para a maturação suficiente destes recém-nascidos promove uma privação 
sensorial e afetiva, que os recém-nascidos a termo normalmente vivenciam em suas casas. Esta privação, associada aos 
procedimentos diversas vezes invasivos e dolorosos, traz repercussões negativas para o comportamento do bebê, podendo alterar 
o seu desenvolvimento neuropsicomotor. 
Nossa prática dentro da UTIN inclui estimulação sensorial precoce. Lançamos mão de estímulos táteis, proprioceptivos, 
cinestésicos, vestibulares e, posteriormente, em uma fase mais tardia de internação, na unidade de cuidados intermediários, 
adicionalmente estimulamos a parte visual e auditiva. 
Utilizamos terapias alternativas como hidroterapia, shantala ou outras massagens terapêuticas que favorecem a organização 
sensorial do neonato. Ainda, o método mãe canguru, prática multidisciplinar na UTI, na qual o bebê é colocado na posição vertical 
no colo da mãe, em contato pele a pele, tem como um dos objetivos reduzir o estresse decorrente do ambiente inadequado e, 
consequentemente, organizar o bebê neurologicamente. 
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A estimulação neuropsicomotora tem o objetivo de evitar ou minimizar os distúrbios do desenvolvimento neuropsicomotor e 
possibilitar à criança desenvolver-se em todo o seu potencial. A idade motora do bebê prematuro deve ser corrigida até que ele 
complete 2 anos de idade, ou seja, deve-se considerar o tempo que faltava para ele nascer. Se um bebê nasce de 30 semanas, o que 
corresponde a 7 meses, por exemplo, faltariam 2 meses para ele nascer. Portanto, espera-se que todas as aquisições motoras dele 
serão conquistadas com dois meses de atraso em relação aos bebês que nasceram com 40 semanas. 
É nosso papel, junto com a equipe multidisciplinar, orientar os pais para a alta hospitalar. Os pais devem aprender a estimular o 
desenvolvimento neuropsicomotor adequadamente, bem como serem sensíveis aos sinais do bebê, sinais de retraimento, de 
irritabilidade, de atrasos, por exemplo. 
Estes fatores estão associados a um nível mais elevado de competências sociais e intelectuais deste bebê na infância. Ao contrário, 
um comportamento controlador ou restritivo demais por parte da família está associado a níveis inferiores de aspectos 
psicossociais e desenvolvimento cognitivo em crianças nascidas prematuras. E pais de crianças prematuras tendem a ser mais 
protetores. 
A longo prazo, além do atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, a prematuridade está associada a problemas de atenção, 
dificuldades de linguagem, autismo, hiperatividade, distúrbios de aprendizagem e outros distúrbios psicomotores. Portanto, a 
prematuridade afeta o desenvolvimento de aspectos afetivos, cognitivos e motores das crianças, por isso a neuropsicomotricidade 
deveria ser aplicada a todos os bebês prematuros, durante todo o seu desenvolvimento, de forma reabilitadora, mas também 
preventiva. O prematuro merece uma atenção mais que especial! 
Espero ter beneficiado você com esta minha experiência! 
PARABÉNS! 
Você aprofundou ainda mais seus estudos! 
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EDITORIAL 
DIREÇÃO UNICESUMAR 
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Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho 
Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho 
Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva 
Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin 
Presidente da MantenedoraCláudio Ferdinandi 
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ . Núcleo de Educação 
a Distância; LEITE , Jéssica Cristina; 
Neuropsicomotricidade . Jéssica Cristina Leite. 
Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017. 
32 p. 
“Pós-graduação Universo - EaD”. 
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