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<p>Aula 04: Lógica - Positivismo</p><p>O Método Dialético, frequentemente referido apenas como Dialética, é uma forma de discurso entre duas ou mais pessoas que possuem diferentes pontos de vista sobre um mesmo assunto, mas que pretendem estabelecer a verdade através de argumentos fundamentados e não simplesmente vencer um debate ou persuadir o opositor. Embora o ato em si seja fundamental na formação da filosofia, o termo foi popularizado apenas com o advento dos diálogos socráticos de Platão.</p><p>Para estabelecer a dialética, Sócrates encontrou na Verdade o maior valor, propondo que a verdade poderia ser descoberta através da razão e lógica em uma discussão. Desta forma, Sócrates se opôs a retórica como uma forma de arte que visa agradar os ouvintes e também a oratória, que convence por vias emocionais, não requerendo lógica ou prova.</p><p>O propósito do método dialético é resolver os desacordos através de discussões racionais, e, em ultima análise, a busca pela verdade. A forma herdada de Sócrates para proceder tal discussão é mostrar que uma dada hipótese leva a contradições, então, forçar a retirada da hipótese como candidato a verdade. Desta forma, teríamos de encontrar outro candidato a verdade, para verificar se este também estaria comprometido com uma contradição, de tal forma que pudesse ser eliminado. Aquele candidato a verdade que por todos os meios não pudesse ser refutado, manter-se-ia como tal.</p><p>Este proceder, herdado de Sócrates, levou Aristóteles a afirmar que a dialética é a lógica do provável, daquilo que parece aceitável a todos ou a maioria, mesmo quando não se pode demonstrar, já que exige apenas que não seja possível eliminar o candidato à verdade. Na mesma linha de análise que Aristóteles, Immanuel Kant, considerado o maior filósofo da era moderna, avaliou a dialética como nada mais que uma ilusão, tratando-se do que chamou de "lógica das aparências", por basear-se em aspectos subjetivos, recusando a explicação causal da realidade.</p><p>A forma mais comum atualmente utilizada é a que foi apresentada por Johann Gottlieb Fichte, também adotada por Georg Wilhelm Friedrich Hegel, que consiste em abordar a questão a ser discutida na forma de tese e antítese, com objetivo de chegar-se a transcendência de ambas, na síntese, que seria uma terceira tese. Segundo estes autores, o objetivo da dialética não seria interpretar a realidade, mas refleti-la.</p><p>A dialética Fichteana/Hegeliana é baseada em quatro conceitos:</p><p>1. Tudo existe em um tempo médio, ou seja, tudo é finito e transitório.</p><p>2. Tudo é composto de contradições – a palavra "contradição" é por vezes reinterpretada pelos alguns estudiosos como "forças opositoras".</p><p>3. Mudanças graduais levam a crises, Fichte sugere uma estratégia que consiste em mudar o ponto defendido quando uma força sobrepõe sua força opositora – a ideia é que mudanças quantitativas levam a mudanças qualitativas.</p><p>4. A mudança é espiral (sobreposição) e não circular – não se trata apenas de um caso de negação da negação, mas a sublimação.</p><p>Para além de Sócrates e Fichte, o conceito de dialética este presente na filosofia de Heráclito, conhecido por propôr que tudo está em constante mudança, de tal forma que a história do método dialético se confunde com a história da filosofia.</p><p>No século XX, a receptividade a dialética, especialmente a dialética de Fichte, afastou a filosofia anglo-americana daquela chamada "continental", referindo-se particularmente aos filósofos do continente europeu. No continente a dialética tem papel fundamental na estrutura filosófica, enquanto na Grã-Bretanha e Estados Unidos a dialética não possui papel claro na filosofia, sendo o positivismo mais relevante. Alguns filósofos como Karl Popper dedicaram-se a mostrar que a dialética levava a aceitação da contradição.</p><p>No campo da filosofia e do pensamento crítico, a dialética é uma abordagem que busca compreender as contradições e os conflitos presentes na realidade. Através do processo dialético, é possível analisar uma ideia, um conceito ou uma situação a partir de diferentes perspectivas, levando em consideração a tese, a antítese e a síntese. Neste artigo, vamos explorar o significado e a importância desses três elementos da dialética, investigando como eles se relacionam e contribuem para a compreensão e a evolução do pensamento.</p><p>Tese</p><p>A tese é a afirmação inicial, a proposição que se pretende defender ou sustentar no contexto de um argumento ou de um discurso. Ela representa a posição que o autor ou o orador deseja estabelecer como verdadeira ou válida. A tese é baseada em fundamentos, evidências ou razões que a apoiam, e deve ser clara e precisa para que sua defesa seja efetiva.</p><p>Exemplo de Tese</p><p>Um exemplo de tese poderia ser: “A educação gratuita e acessível é um direito fundamental de todos os cidadãos.” Nesse caso, a tese defende a importância da educação como um direito humano básico, e o objetivo do discurso seria apresentar argumentos e evidências que sustentem essa afirmação.</p><p>Antítese</p><p>A antítese é a posição oposta ou contraditória à tese. Ela representa um argumento contrário, que questiona ou desafia a ideia apresentada inicialmente. A antítese é fundamental para o processo dialético, pois permite uma análise mais abrangente da questão em discussão, considerando diferentes pontos de vista e examinando as contradições ou as limitações da tese.</p><p>Exemplo de Antítese</p><p>No exemplo da tese apresentado anteriormente, uma possível antítese poderia ser: “A educação gratuita e acessível sobrecarrega o Estado e gera desigualdades.” Nesse caso, a antítese questiona a viabilidade e os possíveis impactos negativos da educação gratuita e acessível, apresentando uma visão contrária à tese inicial.</p><p>Síntese</p><p>A síntese é o resultado do processo dialético, representando a busca por uma solução ou uma posição que concilie os elementos da tese e da antítese. Ela consiste em superar as contradições e as limitações identificadas, integrando os pontos fortes e os aspectos válidos de ambas as perspectivas. A síntese busca uma resposta mais abrangente e equilibrada, levando em consideração as complexidades e as nuances do tema em questão.</p><p>Exemplo de Síntese</p><p>Voltando ao exemplo sobre a educação, uma possível síntese poderia ser: “A educação deve ser acessível e de qualidade, garantindo igualdade de oportunidades a todos os cidadãos, porém é necessário considerar a sustentabilidade financeira do Estado e implementar políticas que garantam igualdade de oportunidades.” Nessa síntese, busca-se encontrar um equilíbrio entre a importância da educação como direito universal e as preocupações relacionadas aos recursos disponíveis e às desigualdades sociais.</p><p>A Dialética na Filosofia de Platão</p><p>Para Platão, a dialética era o método supremo de busca pelo conhecimento verdadeiro. Ele acreditava que o mundo físico era uma mera manifestação imperfeita das ideias ou formas perfeitas, que existiam em um reino transcendental. Através da dialética, Platão buscava elevar-se além do mundo sensível e alcançar um entendimento mais profundo das formas ideais. Ele via a dialética como um processo de questionamento, argumentação e análise crítica, que permitia a superação das opiniões opinativas e a chegada à verdade universal.</p><p>Exemplo de Dialética em Platão</p><p>Um exemplo de dialética em Platão é o diálogo “A República”, no qual Sócrates conduz uma série de discussões com outros personagens a fim de investigar e definir a justiça. Através desse diálogo, Platão usa a dialética para questionar e refutar diversas opiniões sobre a justiça, buscando chegar a uma compreensão mais profunda e universal desse conceito.</p><p>A Dialética na Filosofia de Hegel</p><p>Já para Hegel, a dialética era central em sua concepção de história e desenvolvimento humano. Ele via o mundo como um processo em constante evolução, no qual cada estágio contém contradições internas que levam ao surgimento de uma antítese. A partir dessa antítese, surge uma síntese que transcende e integra os estágios anteriores. Para Hegel, a dialética era o motor da história, impulsionando o progresso e a transformação</p><p>social.</p><p>Exemplo de Dialética em Hegel</p><p>Um exemplo de dialética em Hegel é o conceito de “mestre e escravo” em sua obra “Fenomenologia do Espírito”. Hegel descreve uma dinâmica em que o mestre exerce poder e controle sobre o escravo, mas, ao mesmo tempo, depende do trabalho do escravo para sua própria subsistência. Essa relação de dominação gera contradições e conflitos que, eventualmente, levam à luta pela liberdade e ao surgimento de uma nova forma de sociedade.</p><p>Conclusão</p><p>A dialética, com seus elementos de tese, antítese e síntese, desempenha um papel fundamental no desenvolvimento do pensamento crítico e na busca por uma compreensão mais profunda da realidade. Através desse processo, é possível analisar questões complexas, considerar diferentes perspectivas e chegar a uma síntese que transcenda as contradições iniciais.</p><p>A tese representa a afirmação inicial, a antítese desafia essa afirmação e a síntese busca uma solução que incorpore as melhores ideias de ambos os lados. Ao aplicar a dialética em nosso pensamento e em nosso discurso, podemos aprimorar nossa capacidade de argumentação, explorar nuances e contribuir para um diálogo construtivo e enriquecedor.</p><p>POSITIVISMO</p><p>O Positivismo é uma corrente filosófica que surgiu na França no início do século XIX.</p><p>Ela defende a ideia de que o conhecimento científico seria a única forma de conhecimento verdadeiro.</p><p>A partir desse saber, pode-se explicar coisas práticas como das leis da física, das relações sociais e da ética.</p><p>É notável, no positivismo, duas orientações:</p><p>· a orientação científica, que busca efetivar uma divisão das ciências;</p><p>· a orientação psicológica, uma linha teórica da sociologia, a qual investiga toda a natureza humana verificável.</p><p>A corrente positivista promove o culto à ciência, o mundo humano e o materialismo em detrimento da metafísica e do mundo espiritual.</p><p>História do Positivismo</p><p>O termo positivismo foi utilizado como conceito pela primeira vez para designar o cientificismo enquanto método, pelo filósofo francês, Claude-Henri de Rouvroy, Conde de Saint-Simon (1760-1825).</p><p>Porém, será Auguste Comte (1798-1857), seu discípulo, quem irá se apropriar do termo para denominar sua corrente filosófica.</p><p>Sua obra fundamental, o "Curso de Filosofia Positiva", escrito entre 1830 e 1842, é o tratado metodológico positivista.</p><p>Vale destacar que Comte viveu no contexto do fim do iluminismo e ascensão do cientificismo, no qual existe a crença de que a força do intelecto tudo pode.</p><p>Contudo, como morreu alguns anos antes de Darwin publicar “A Origem das Espécies” (1859) e Marx escrever “O Capital” (1867-1894), ele não se influenciou pelas ideias desses autores.</p><p>Características do Positivismo</p><p>Enquanto doutrina filosófica, sociológica e política, o positivismo tem a Matemática, a Física, a Astronomia, a Química, a Biologia e também a Sociologia como modelos científicos. Isso porque estas se destacam segundo seus valores cumulativos e transculturais.</p><p>Por outro lado, podemos dizer que o positivismo é a “romantização da ciência”. Ele deposita sua fé na omnipotência da razão, apesar de estabelecer os valores humanos como diametralmente opostos aos da teologia e a metafísica.</p><p>É também uma classificação totalmente cientificista do conhecimento e da ética humana, onde se desconfia da introspecção como meio de se atingir o conhecimento.</p><p>Assim, não há objetividade na informação obtida, tal como nos fenômenos não observáveis. Estes seriam inacessíveis à ciência, uma vez que ela somente se fundamenta em teorias comprovadas por métodos científicos válidos.</p><p>Desse modo, a experiência sensível seria a única a produzir dados concretos (positivos), a partir do mundo físico ou material.</p><p>A metodologia básica positivista é a observação dos fenômenos. Dela, se privilegia a observação à imaginação dos fatos, desconsiderando completamente todo conhecimento que não possa ser comprovado cientificamente.</p><p>Por fim, vale dizer que a ideia-chave do Positivismo Comtiano é a "Lei dos Três Estados", a saber:</p><p>· o Teológico, onde o ser humano busca explicação para a realidade por meio de entidades supranaturais;</p><p>· o Metafísico, do qual os deuses são substituídos por entidades abstratas, como "o Éter", para explicar a realidade;</p><p>· o Positivo da humanidade, onde não se explica o "porquê" das coisas, mas sim o "como", a partir do domínio sobre as leis de causa e efeito.</p><p>O Positivismo enquanto Religião</p><p>Com a obra “Sistema de Política Positiva” (1851-1854), Auguste Comte criou a Religião da Humanidade, ou a religião positiva. Ela tem a seguintes diretrizes:</p><p>"O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim".</p><p>Desse modo, busca "viver às claras" e "viver para outrem", onde o altruísmo é a palavra de ordem.</p><p>Para tanto, a unidade espiritual é estabelecida pela ciência, a religião da humanidade, única capaz de regeneração social e moral.</p><p>Essa religião também possui um "Ser Supremo". Ele seria a "Humanidade Personificada" e sua força emana do conjunto de inteligências convergentes de todas as gerações, passadas, presentes e futuras, as quais irão aperfeiçoar o gênero humano.</p><p>1</p>