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Relatório do livro Teologia e Outros Saberes (Páginas 109 até 148) Miguel Carreiro Lescio - RA: 23028987 Lucas Pimentel – RA: 23014023 Felipe Schincariol – RA: 23000621 Thiago Boscolo - RA: 23004559 Thiago Jalbut - 23003720 Wicenzo Rebellato – RA: 23001816 Professor: Matheus da Silva Bernardes 16/11/2023 Campinas – São Paulo Capítulo 1 – A Teologia e ás várias formas de pensamento Introdução -O ser humano exerce multiplicidade de pensamento, não apenas pela pluralidade de realidades, mas também pelas inúmeras formas de se relacionar com o mundo; - O pensamento está sujeito ao tempo, e sua inevitável ação de mutabilidade, sobre a história, a verdade e a fatos antes considerados concretos; - A teologia trabalha alinhada à ciência e a razão, na construção de um caminho para a interpretação da realidade. Parte 1 - As múltiplas faces da realidade e a pluralidade de pensamentos: A diversidade na interpretação da realidade está vinculada à subjetividade do indivíduo, incluindo sua análise, contexto, condição e crenças. Atualmente, reconhece-se a crucial importância de uma variedade de modelos interpretativos, destacando a relevância não apenas de abordagens dogmáticas, mas também de perspectivas relativistas. A) Os sujeitos e suas interpretações: o ser humano, e um fruto de suas relações sociais, meio em que cresce, conteúdos de mídia que absorve, crença, meio político, e basicamente qualquer fator externo que o afete, também o molda, com o tempo e sua mutabilidade, tais opiniões, traços e visões sobre determinado assunto, objeto ou mais, mudam, não porque o ser humano é um produto de seu meio, mas por que ele é resultado das interações com o contexto em que se situa; B) A história da cultura: a história nos mostra inúmeras maneiras de interpretar a realidade, e nos mostra o processo de formação cultural em etapas, primeira atribuindo significados gerais a indivíduos e grupos, em segundo formam subculturas, ou em terceiro, que é mais comum, formam um hibridismo cultural; C) Os paradigmas das ciências: A ciência, mesmo vista como verdade absoluta fazem parte de um universo plural, onde várias correntes teóricas circulam ao mesmo tempo, e o próprio tempo, desmascara algumas inverdades, e traz novas ciências a tonas; D) Nem relativismo, nem dogmatismo: A razão humana busca um conceito entre o sujeito e o objeto, e por mais que inúmeras vertentes filosóficas, briguem entre o relativismo e o dogmatismo, o ideal, é algo entre os dois, nem o completo descarte da visão mutável anedótica e individual, mas não também a negação de conceitos concretos, e por enquanto absolutos. Parte 2 – O diálogo das disciplinas e a busca da verdade: conforme o tempo passou houveram a evolução das abordagens e da pluralização das mesmas, com a especialização de certas ciências para maior aprofundamento A) As especializações: As especializações são a grande mudança para o mundo moderno, e não apenas ciências, mas instituições financeiras, políticas, sociais entre outras, também usufruíram de especialização, por outro lado a aqueles que criticam essa fragmentação da realidade dizendo que foi perdida a visão em conjunto da realidade; B) A tecnologia e a manipulação da natureza: Ciências modernas se constituíram pelo domínio da natureza, e o desejo de conhecer suas leis e explicá-las, com o passar do tempo, o aprimoramento de tecnologias, e do raciocínio, tornou a ciência uma ferramenta para moldar a natureza a qualquer vontade humana; C) O diálogo entre as disciplinas e a busca do todo: Há a crítica, porém, de que o controle e manipulação da natureza, e a fragmentação e compartimentalização do conhecimento, em prol do progresso por progresso, é falho e nocivo, e é um domínio dos meios se justificativa dos fins, onde a tecnologia sem ética e devastadora e não construtiva; D) A relatividade dos modelos e a busca da verdade: a maleabilidade e perenidade da ciência nos últimos séculos, com os avanços atrás de avanços, mostram que a dita verdade absoluta, nada mais é que um véu limitador da consciência daquela época, e qualquer busca da verdade absoluta cai em ostracismo conforma a própria ciência se desenvolve, a verdade, portanto não tem dono e deve ser buscada permanentemente, como esforço de inteligência e humildade. PARTE 3 – Os diferentes modos de pensar revelam dimensões diferentes da realidade: Boff sugere que as três compreensões têm experiências originárias que afirmam o que consideram mais real, servindo como referência unificadora para práticas e significados em contextos específicos. o espírito humano, em diferentes intensidades, carrega esses modos distintos de ver, explicar e posicionar-se no mundo A) As três estruturas de compreensão e suas linguagens - O mundo transparente e sua linguagem: A visão fenomenológica enfatiza que a experiência originária está ligada ao sagrado, considerando-o como a origem, meio e fim de todas as experiências sensoriais. Essa sacralidade primordial, refletida na construção do tempo e espaço, transforma o mundo em uma transparência da sacralidade, onde natureza e ação humana simbolizam uma passagem para algo mais profundo e além, fornecendo fundamento, sentido e direção. - O mundo transcendente e sua linguagem A experiência originária defende que a verdade transcende o mundo visível e efêmero, alcançável pela razão lógica. Tanto na tradição platônica, que enfoca a ideia como o logos, quanto na aristotélica, que une a ideia à realidade sensível, existe uma busca pela realidade metafísica além das visões concretas. A transcendência, central até a Idade Moderna, impulsiona a filosofia na exploração das essências e dinâmicas íntimas da realidade, culminando na ideia de Deus como a causa fundamental de tudo. - O mundo imanente e sua linguagem: A fase moderna da experiência originária se concentra na imanência do mundo, onde a razão opera dentro de limites e possibilidades em relação ao mundo e à história. O pensamento moderno, tanto na filosofia quanto na ciência, tem a imanência como objeto e limite para afirmar a verdade, buscando desvendar a lógica interna das coisas através da razão verificadora. No entanto, esse sistema lógico é marcado pela relatividade histórica, rejeitando a teologia e a tradição do pensamento transcendente como irracionais e desnecessárias para investigações sobre a verdade. B) As três estruturas e a linguagem teológica: A experiência da transparência integra as realidades imanente e transcendente em uma única visão, superando dualismos e instaurando uma terceira realidade. Nesse contexto, a linguagem simbólica revela a imanência como portadora de significados que remetem além da factualidade sensível. Os símbolos, fragmentos transparentes, unificam as dimensões imanente e transcendente, mostrando o mundo em sua densidade e totalidade. A linguagem simbólica não exclui outras formas de decodificar a realidade, mas as inclui como elucidadoras das dimensões transcendente e imanente. A filosofia busca compreender o logos fundante, enquanto as ciências revelam a dinâmica imanente. A teologia emerge como um esforço para integrar essas experiências, utilizando as linguagens de filosofia e ciência em seu discurso. 1) A experiência da transparência como fonte da teologia: A base primordial da teologia é a transparência, onde a experiência de um mundo constantemente remete à sua origem e fim transcendente. Karl Jaspers chama essas experiências de cifras, representando uma fé filosófica ou religiosa. A teologia, derivando dessas fontes, afirma um sentido e valor fundamentais para a realidade, seja a partir do testemunho da Revelação, da busca pela Causa Primeira, ou da experiência de uma Transcendência Sagrada. Isso se aplica tanto à teologia religiosa quanto à filosófica,ambas fundadas na concepção de um ser transcendente como o sentido último da realidade. 2) A busca da formulação lógica: A teologia, desde suas origens, representa o esforço da razão em desvelar racionalmente o sentido revelado no mistério. Busca responder às perguntas fundamentais sobre a realidade, seu fundamento e origem, tornando a transcendência o caminho para investigar o fundamento da transparência do mundo. As interrogações sobre a relação entre conceitos revelados e construídos pela razão, a razoabilidade da fé, e a fundamentação racional da experiência de fé moldaram a teologia atual. Ela expressa racionalmente a experiência da salvação na Revelação histórica de Deus, proporcionando discernimento crítico para a experiência da fé e estabelecendo uma dialética entre a experiência religiosa e a reflexão racional. O desenvolvimento histórico da teologia, desde o Cristianismo primitivo até a escolástica medieval, culminou na metafísica como seu grande sistema e base teórica. 3) O diálogo com as ciências: A teologia utiliza a racionalidade imanente para conectar a realidade última com a imediata, abordando temas como Deus e o ser humano, meios e fins, escatológico e histórico. Após uma fase de oposição às ciências modernas, a teologia passa a dialogar com métodos das ciências humanas, resultando em ciências bíblicas e diversas teologias antes e depois do Concílio Vaticano II. Esse movimento busca reconciliar-se com as realidades terrestres e compreender, de forma teológica, questões teóricas e práticas elucidadas pela racionalidade moderna, como a origem do ser humano, o processo histórico, contradições sociais, diversidade cultural, comportamento humano, entre outros. Esse diálogo reconfigura a teologia em termos de conteúdo e métodos, gerando reflexões variadas sobre diversos temas. Capítulo 2 – Compreendendo a realidade como valor - O Ser humano vive a partir de valores que motivam e direcionam suas ações; - O Real Dinamismo do Espírito Humano constrói (consciente ou subconscientemente) estratégias e sentido para a ação; - A Ação é orientada por Valores que se dão a partir da compreensão da realidade e do interior de cada um; - Valorar e Conhecer; - Os Projetos humanos possuem um nexo necessário entre valoração, compreensão e ação; - Os Mitos são tão motivados e direcionados por valores quanto a Ciência; - As Ciências modernas dispensam a consciência e a explicitação dos valores no momento de sua fundamentação teórica pela força da sua exatidão e eficácia mas se torna insuficiente em um ponto de vista mais amplo e profundo; - A Ciência traz crenças, carrega interesses individuais e políticos no momento da sua produção, assim como finalidades em suas aplicações; - A Teologia pode ser vista como um tipo de Ciência engajada que busca, precisamente, articular valores e conhecimento da realidade; - Teologia busca compreender a realidade a partir de seus pressupostos, assim como os pressupostos a partir da realidade = conhecimento dos fins que que permite conhecer o meio; - Uma crítica Teológica expões vínculos necessários entre o agir científico e a destinação da ciência. Max Weber e a tipologia que classifica as ações humanas 1) Ações racionais visando aos fins (estabelece meios para atingir resultados); 2) Ações racionais visando aos valores (sem relação com o resultado); 3) Ações Afetivas (sem relação com o resultado); 4) Ações tradicionais baseadas no costume. A) Os valores fundamentais e o valores imediatos - Os Valores fundamentais da vida humana nem sempre são conscientes ou explícitos; - O Valor Imediato é efêmero e fruto do fundamental; - As tradições religiosas e a própria razão sempre buscam distinguir os princípios essenciais dos particulares ou circunstanciais; - A fundamentação racional dos valores fundamentais é o que chamamos de ética; - A vivência dos valores nas esferas particulares é prioritariamente a moral. Parte 1 – As ações visando a valores: as ações humanas têm sempre um direcionamento para objetivos imediatos e explícitos, mas também para finalidades profundas nem sempre explícitas que dão sentido às motivações e aos percursos humanos B) A articulação entre as esferas de valores: - Os Valores Fundamentais determinam e orientam nossas condutas como origem permanente de nossas opções menores, são a bussola que dirige a vida em uma determinada direção ainda que na caminhada possa haver pequenos desvios; - Conflito de Valores; - Sempre há valores em jogo e decidimos a partir deles ao fazermos escolhas; - A Teologia procura distinguir a orientação fundamental da existência humana das decisões particulares; - A Orientação Fundamental tem um aspecto profundo e nem sempre aparece nas ações particulares; - Os Valores Fundamentais ficam localizados na esfera das opções religiosas individuais, enquanto os Valores Imediatos regem as operações cotidianas. CONSCIÊNCIA ÉTICA -Nenhum Conhecimento é Eticamente Neutro -Nenhuma Moral transcende a Crítica da Razão Parte 2 - A relevância dos valores na construção da história humana - A cultura de um modo geral é resultado das ações humanas na busca de domínio e transformação da natureza, de ordenação da vida social e de interpretação desses processos. - A história geral e a história das morais humanas têm sempre uma justificativa para a ordem que se implanta. Temos então uma moral da escravidão, uma moral da escravidão, uma moral da nobreza, uma moral da colonização, etc. - Ao longo da história, podemos ir mapeando os valores subjacentes aos impérios, às guerras, à arte e à própria ciência. Talvez devêssemos distinguir dois momentos principais: o das sociedades tradicionais e o das sociedades modernas. - A colocação de valores é indispensável para a compreensão do desenvolvimento da história e da constituição da cultura de um modo geral - Os valores fundamentais ficam localizados na esfera das opções religiosas individuais, enquanto os valores imediatos regem as opções cotidianas, a vida social e profissional - Nenhum conhecimento é eticamente neutro, nenhuma moral transcende a crítica da razão. Parte 3 – A tese da neutralidade científica - Valores que direcionam nossas ações expressam algum tipo de conhecimento da realidade q possuímos; - Na origem das ciências modernas a hipótese deus ficou fora dos métodos científicos para manter a neutralidade metodológica; - O criador seria a origem primeira da própria autonomia; - O positivismo diz que a ciência se impõe pela capacidade de explicar a realidade como ela é. A) A crítica ao positivismo - Wilhelm Dilthey critica essa pretensão de neutralidade; - Tem que distinguir as ciências da natureza capazes de utilizar métodos quantitativos das ciências do espírito que estão implicadas realidades humanas no objeto. B) As ciências e os valores ● A ciência deve ser isenta dos juízos de valor ● A ciência opera com valores implícitos e explícitos que devem ser assumidos pelo cientista e sociedade Em relação aos itens anteriores podemos tirar duas conclusões: 1) Do ponto de vista metodológico e prático, a ciência se faz sem valores intrínsecos ao seu processo de construção e execução; 2) A neutralidade cientifica é um mito, uma vez que, do ponto de vista dos fundamentos do conhecimento e da contextualização histórica das práticas cientificas, há sempre pressupostos teóricos e finalidades práticas que sustentam e direcionam essas ações; -Grande desafio da Ciência - ter consciência desses condicionamentos e tirar as consequências para a sua formulação e execução, ir além de sua imanência metodológica e olhar o contexto amplo em que se situa, ou seja, sair de uma moral implícita para um ética explicita. - Desafio da Ética - ajudar na construção de caminhos que,sem apoiar-se de modo fundamentalista em modelos interpretativos do passado, dialogue com os avanços da ciência. PARTE 4 – A teologia como conhecimento valorativa da realidade A) O mundo visto como valor pela fé - Fé como lente: Nessa abordagem, a fé é considerada uma lente através da qual o mundo é percebido. A realidade é interpretada com base em crenças religiosas e espirituais. - Valor espiritual: O mundo não é apenas visto como uma realidade física, mas também como uma manifestação do divino. Cada aspecto do mundo é atribuído um valor espiritual. - Significado e propósito: A fé fornece significado e propósito à vida, à medida que os crentes veem a mão de Deus ou uma força transcendente em todos os eventos e aspectos da existência. - Orientação moral: A fé orienta as ações e escolhas das pessoas, com base nos princípios religiosos e morais que moldam sua visão do mundo. - Confiança e esperança: A fé oferece confiança e esperança, permitindo que os crentes enfrentem desafios e adversidades com a crença de que Deus ou o divino está ao seu lado. - Na tradição judaico-cristã, o valor do mundo e do ser humano reside na condição criatural de ambos. A noção de criatura rejeita a ideia de decadência da matéria, como perda de status divino ou como castigo, assim como a ideia de divinização. - A autonomia da realidade criatural chama o ser humano para a atuação livre e responsável, sem a interferência direta e impositiva do Criador. - Portanto, a fé constrói um modo de conceber a realidade que envolve o sujeito em um processo de interiorização e exteriorização de valores estabelecidos pela tradição religiosa como verdade salvífica. - Teologia como ciência: Passos argumenta que a teologia é uma ciência, mas uma ciência especial, que lida com questões religiosas e a experiência de fé. Ela busca entender e explicar as dimensões espirituais da existência humana. - Base na fé: A teologia, segundo Passos, é construída a partir da fé religiosa. Ela parte da premissa de que a realidade divina e espiritual é uma parte fundamental do mundo e que a fé é uma fonte de conhecimento. - Interdisciplinaridade: Passos enfatiza a natureza interdisciplinar da teologia, que incorpora elementos da filosofia, da história, da sociologia e de outras disciplinas para entender a religião e a fé de maneira holística. - Diálogo inter-religioso: O autor destaca a importância do diálogo inter-religioso na teologia, permitindo que diferentes tradições religiosas compartilhem suas perspectivas e compreendam melhor umas às outras. - Abordagem crítica: A teologia, de acordo com Passos, também envolve uma abordagem crítica, examinando a fé e as crenças religiosas de maneira reflexiva e avaliando-as à luz de diferentes perspectivas. - João Décio Passos vê a teologia como uma ciência que parte da fé religiosa, incorpora diversas disciplinas, promove o diálogo inter-religioso e mantém uma abordagem crítica para compreender a religião e a espiritualidade de forma holística. - A teologia pode mostrar seu potencial para contribuir com a compreensão da realidade, fazer-se necessária B) A teologia como ciência feita partir da fé Necessidades e proposições - A teologia posiciona-se epistemologicamente como um conhecimento valorativo da realidade. Afirma o que a realidade é a partir do que ela deve ser; - A fé fornece os valores que devem ser transformados em convicção e em ação; sabe o que deve ser verdadeiro e bom (e belo) para o ser humano e para o mundo; - A fé significa um modo de ler o mundo e nele posicionar-se - O capítulo anterior relata que o mundo visto pela lógica simbólica torna-se transparente, já a teologia se faz a partir de uma fé que possui algo posto como objetivo, como dado histórico comunicado em fatos, significados codificados em valores, verdades cifradas em textos. A essa experiência e conteúdo chamamos Revelação. E é a partir dessa noção que a teologia se lança na aventura de pensar a fé e de, com a fé, pensar o ser humano, o mundo e o próprio Deus. - Nessa ótica, os conteúdos da fé servem para interpretar a realidade: são postulados de sua origem e destino, portadora da verdade daquilo que ela deve ser, revelando o sentido do mundo e do ser humano - Para o Cristianismo, o que a realidade deve ser já foi revelado em Jesus Cristo. Ele é a chave de interpretação oferecida por Deus que permite dizer o que são as coisas no plano de Deus. - O teólogo belga Adolphe Gesché expos de modo preciso esse potencial hermenêutico da teologia com o princípio "Deus para pensar". - E Tomás de Aquino afirma, como objeto do pensamento teológico, adota-se qualquer aspecto da realidade - Deus assim assumido, torna-se uma grandeza cognitiva, um princípio estruturador da realidade e do próprio pensamento. -Portanto é diferente pensar o mundo sem Deus e com Deus, diferença que produz resultados distintos no âmbito das interpretações e práticas sociais e pessoais. - Distinção entre a prática mítica e a prática teológica da religião no caso concreto do Cristianismo: - Enganam-se aqueles que imaginam a Revelação como um depósito de verdades divinas sobre Deus que, se acessado pela fé à maneira mítica. As religiões de viés mítico processam desse modo o mistério. Encaixa-se provavelmente nessa lógica o conceito de Salvação, mas não o de Revelação. - A prática teológica possui uma outra lógica, há uma narrativa da Revelação de Deus que deve ser acolhida, compreendida e celebrada. Três conceitos decorrem dessa compreensão: - Primeiro o de interpretação. Entre o tempo narrado pelo texto e o tempo do leitor, se interpõe como necessária a interpretação dos conteúdos narrados. - O segundo conceito, decorrente desse primeiro, é o de memória. A narrativa do texto com finalidades rituais não traz o ontem para hoje na dinâmica mítica da atualização do in illo tempore primordial, mas permite ao crente fazer, na interação entre o passado narrado e o presente vivido, a memória do passado. - O terceiro conceito que medeia a experiência da Revelação narrada é o de sinal. Os sacramentos (sinais) fazem o vínculo entre a dimensão transcendente e a imanente, de forma que o sinal se mostra como o canal sensível mediante o qual se pode experimentar a salvação de Deus, porém dentro dos limites materiais do sinal. - História do sagrado civilizado: escrito, transmitido, memorado e celebrado dentro dos limites da vida humana. É nesse sentido que a teologia se mostra como vigia crítica da vivência da fé que contribui com a construção de um significado para a realidade. Fornece elementos para pensar a realidade do ponto de vista de Deus. - Sem a teologia, as experiências religiosas podem se tornar prisioneiras do livre desejo das iniciativas privadas, porem reivindicamos o direito de pensar teologicamente para o bem da razão e da vida em tempos de império do desejo que tudo suga em seu ciclo vicioso alimentado pela dinâmica do consumo, em tempos de produção religiosa fundamentalista que em nome de Deus bloqueia a razão e a liberdade humana e em tempos de crise de valores universais que colocam a vida planetária em risco. Referências Bibliográficas Passos. J. D. Teologia e outros saberes: uma introdução ao pensamento teológico. 3º edição. São Paulo: Paulinas, 2015