Prévia do material em texto
<p>Profa. Me. Gabriela Zuelli</p><p>gabriela.zsilva@estacio.br</p><p>Princípios de</p><p>Consolidação de Fraturas</p><p>Como a remodelação óssea ocorre?</p><p>O tecido ósseo está em constante remodelação (reabsorção → formação da matriz</p><p>óssea)</p><p>Em diversas situações, sua forma ou estrutura é modificada:</p><p>• Crescimento ósseo</p><p>• Osso esponjoso → osso compacto</p><p>• Adaptação a novas condições fisiológicas ou patológicas (fraturas)</p><p>Equilíbrio entre a atividade osteoclástica (reabsorção) e osteoblástica (deposição)</p><p>Lei de Wolff: adaptação funcional do esqueleto</p><p>Wolf (1892): adaptação do tecido ósseo de acordo com a carga que é imposta (remodelação)</p><p>“Hipótese do mecanostato” (Frost, 1987): resposta óssea a carga em diferentes contextos</p><p>→ Desuso → atrofia</p><p>→ Manutenção da massa óssea fisiológica → AVDs/função/contexto normal</p><p>→ Aumento da massa óssea → estímulos maiores (deposição de matriz)</p><p>→ Deformação excessiva → fraturas</p><p>Forças aplicadas ao osso</p><p>Reparação de fraturas por regeneração → consolidação</p><p>Consolidação primária X Consolidação secundária</p><p>Processo de consolidação óssea</p><p>Consolidação primária</p><p>Promove um contato direto entre os fragmentos e um realinhamento da estrutura</p><p>óssea fraturada</p><p>Consolidação primária</p><p>A regeneração ocorre com produção de matriz óssea no tecido ósseo</p><p>unido por compressão do foco de fratura.</p><p>Consolidação primária</p><p>Mecanismo do “cone cortante”</p><p>Consolidação primária</p><p>Consolidação sem formação de calo ósseo</p><p>Consolidação secundária</p><p>O processo de consolidação ocorre pela formação de uma ponte de calo ósseo</p><p>entre os fragmentos ósseos</p><p>Consolidação secundária: estágios de formação do tecido</p><p>Resposta inflamatória/Reativa Calo mole</p><p>Calo duro</p><p>Remodelação</p><p>Consolidação secundária: resposta inflamatória</p><p>Começa imediatamente após a ruptura inicial da cortical óssea</p><p>(lesão/fratura) e dos tecidos moles circundantes e persiste até que a</p><p>formação de cartilagem seja iniciada.</p><p>Essa fase dura de 3 a 7 dias, ou até mais, dependendo da extensão da força</p><p>que causa a fratura.</p><p>Clinicamente, o final da fase inflamatória é</p><p>marcado por redução dos sinais flogísticos</p><p>presentes (dor, inchaço, calor, aumento da</p><p>temperatura)</p><p>Consolidação secundária: calo mole</p><p>Em poucos dias, o crescimento capilar, condroblastos e fibroblastos, atuam na</p><p>transformação do hematoma em tecido de granulação.</p><p>Esse estágio inicial da fase de reparo coincide com um ligeiro ganho de resistência</p><p>mecânica, pois o tecido de granulação pode suportar pouca força de tração. A</p><p>capacidade do tecido de granulação de se alongar em até duas vezes seu</p><p>comprimento original explica sua formação nesse estágio, pois a deformação</p><p>interfragmentária permanece alta.</p><p>Conforme o tecido de granulação amadurece em tecido conjuntivo, as fibras de colágeno</p><p>se tornam mais abundantes.</p><p>Tanto o calo externo quanto o interno constituem o “calo de ponte”. Esse “calo mole”</p><p>precoce, formado durante as três primeiras semanas após a lesão, resiste à</p><p>compressão, mas sua resistência à tração e seu alongamento na ruptura são</p><p>semelhantes aos do tecido conjuntivo fibroso.</p><p>Consolidação secundária: calo mole</p><p>Essa fase dura de 2 a 3 semanas e é marcada pela presença abundante de tecido cartilaginoso</p><p>Consolidação secundária: calo duro</p><p>A mineralização do calo mole surge a partir das extremidades do fragmento em direção ao</p><p>centro do local da fratura e forma um “calo duro”. Em vez de ser um processo uniforme, os</p><p>condrócitos iniciam e controlam a formação de aglomerados mineralizados.</p><p>A produção de um calo externo proeminente é comum em fraturas instáveis bem</p><p>vascularizadas.</p><p>O aumento do diâmetro resultante da secção transversal da área lesada eleva sua resistência à</p><p>flexão, pois sua eficiência é beneficiada pela força e pela rigidez adquiridas.</p><p>No final dessa fase, a união óssea é alcançada, mas a estrutura do local da fratura difere</p><p>daquela do osso original.</p><p>O tempo necessário para alcançar a união varia muito, de acordo com a configuração e a</p><p>localização da fratura, as características do paciente, o estado dos tecidos moles adjacentes.</p><p>Ao término dessa fase, o osso lesado recupera força e rigidez suficientes para permitir</p><p>exercícios de baixo impacto.</p><p>Consolidação secundária: calo duro</p><p>“Ossificação endocondral”</p><p>Essa fase dura de 4 a 16 semanas dependendo da região fraturada e características</p><p>da fratura e de tecidos ao redor</p><p>Consolidação secundária: remodelação óssea</p><p>Essa é a fase final do reparo da fratura, sendo caracterizada por uma</p><p>adaptação morfológica do osso para recuperar a função e a força ideal.</p><p>Esse processo lento pode durar da 16ª semana a 6-9 anos em humanos,</p><p>representando 70% do tempo total de cicatrização de uma fratura.</p><p>A ação equilibrada de reabsorção osteoclástica e deposição osteoblástica</p><p>dependerá da carga imposta ao osso.</p><p>Fases de consolidação secundária</p><p>Complicações no processo de consolidação óssea</p><p>Consolidação atrasada: a fratura pode eventualmente consolidar mas leva</p><p>consideravelmente mais tempo que o normalmente esperado.</p><p>Possíveis causas: grande lesão de tecidos moles, má vascularização local...</p><p>Não-consolidação ou Pseudoartrose: a fratura falha completamente na sua consolidação.</p><p>Possíveis causas: extensão da lesão, falha no tratamento escolhido, má vascularização</p><p>local...</p><p>Consolidação viciosa: Fratura consolida no prazo normalmente esperado, porém em uma</p><p>posição insatisfatória resultando em uma deformidade óssea residual.</p><p>Possíveis causas: falha no tratamento inicial escolhido, mal cuidado em fases de reparação</p><p>tecidual...</p><p>Princípios e métodos de consolidação de fraturas</p><p>Quais os objetivos?</p><p>Promover uma redução anatômica da fratura</p><p>Garantir uma fixação estável</p><p>Preservar suprimento sanguíneo e tecidos moles</p><p>Mobilizar precocemente o paciente dentro dos parâmetros esperados</p><p>Princípios de estabilidade</p><p>Garantir que a fratura seja estável para promover função fisiológica estrutural</p><p>Estabilidade Absoluta</p><p>Fixação interfragmentária</p><p>Placas e parafusos</p><p>Banda de tensão</p><p>Estabilidade Relativa</p><p>Haste intramedular</p><p>Placas em ponte</p><p>Gesso e talas**</p><p>Maior estabilidade Menor estabilidade</p><p>Princípios de ação dos dispositivos de consolidação</p><p>Compartilhamento de estresse: permite transmissão parcial e controlada de carga</p><p>através do local fraturado (consolidação óssea secundária com formação de calo)</p><p>Proteção contra estresse: material de síntese absorve a maior parte da carga não</p><p>ocorrendo movimento no local fraturado instalando um mecanismo de proteção</p><p>(consolidação óssea primária sem formação de calo)</p><p>Tipos de material de síntese: haste intramedular</p><p>Geralmente utilizada para ossos longos</p><p>É um dispositivo de compartilhamento de estresse, promovendo uma consolidação secundária</p><p>Formação de calo ósseo</p><p>Promove liberdade articular e estabilidade relativa → mobilização precoce</p><p>Tipos de material de síntese: haste intramedular</p><p>Tipos de material de síntese: placas de compressão</p><p>Placas de compressão são metálicas, retangulares e estreitas com superfícies curvas</p><p>que se encaixam na superfície do osso e são fixadas por parafusos, criando uma</p><p>compressão no local fraturado.</p><p>Permitem a redução e a fixação anatômica da fratura</p><p>Compressão dinâmica</p><p>Tipos de material de síntese: placas de compressão</p><p>São usadas principalmente em fraturas metafisárias e intra-articulares</p><p>São guiadas pelo mecanismo de proteção contra estresse, promovendo uma consolidação</p><p>primária (sem calo ósseo)</p><p>Consolidação lenta (+/- 3 meses para sustentação de peso)</p><p>Em alguns casos pode haver necessidade de apoio secundário (tala)</p><p>Tipos de material de síntese: placas de compressão</p><p>Tipos de material de síntese: placas antideslizantes</p><p>São utilizadas em conjunto com parafusos de compressão para proporcionar a</p><p>redução anatômica da fratura.</p><p>Utilizadas frequentemente na tíbia proximal como consequência de fraturas no platô</p><p>tibial.</p><p>São dispositivos de proteção contra o estresse</p><p>Consolidação primária</p><p>Tipos de material de síntese: parafuso deslizante</p><p>Dispositivo</p><p>de compartilhamento de estresse utilizado na fixação de fraturas da</p><p>extremidade proximal do fêmur</p><p>Utilizado frequentemente nas fraturas intertrocântericas ou de colo femoral,</p><p>principalmente em idosos</p><p>Promove consolidação secundária</p><p>Tipos de material de síntese: fios de Kirschner e parafusos</p><p>Fios-K e parafusos são dispositivos metálicos que proporcionam estabilização</p><p>absoluta (proteção contra estresse) ou relativa (compartilhamento de estresse)</p><p>no local fraturado</p><p>Podem ser rosqueados (parafusos) e não-rosqueados (fio-K)</p><p>Seção Padrão</p><p>Slide 1</p><p>Slide 2</p><p>Slide 3</p><p>Slide 4</p><p>Slide 5</p><p>Slide 6</p><p>Slide 7</p><p>Slide 8</p><p>Slide 9</p><p>Slide 10</p><p>Slide 11</p><p>Slide 12</p><p>Slide 13</p><p>Slide 14</p><p>Slide 15</p><p>Slide 16</p><p>Slide 17</p><p>Slide 18</p><p>Slide 19</p><p>Slide 20</p><p>Slide 21</p><p>Slide 22</p><p>Slide 23</p><p>Slide 24</p><p>Slide 25</p><p>Slide 26</p><p>Slide 27</p><p>Slide 28</p><p>Slide 29</p><p>Slide 30</p><p>Slide 31</p><p>Slide 32</p><p>Slide 33</p><p>Slide 34</p>