Prévia do material em texto
<p>1</p><p>AVALIAÇÃO FÍSICA E FUNCIONAL DO IDOSO</p><p>1</p><p>SUMÁRIO</p><p>NOSSA HISTÓRIA ...................................................................................................... 2</p><p>1.INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 3</p><p>1.1 ENQUADRAMENTO DO ESTUDO ....................................................................... 3</p><p>2.PROCESSO DE ENVELHECIMENTO ..................................................................... 4</p><p>3.CONCEITO DE CAPACIDADE FUNCIONAL ........................................................... 5</p><p>4.RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................................ 7</p><p>5.EFEITOS FISIOLÓGICOS DO ENVELHECIMENTO ............................................. 13</p><p>6.BENEFÍCIOS DA PRÁTICA DE EXERCÍCIO, QUALIDADE DE VIDA E SAÚDE .. 15</p><p>7.APTIDÃO FÍSICA E AVALIAÇÃO NOS IDOSOS ................................................... 17</p><p>8.BATERIA DE TESTES DE FUNCIONAL FITNESS TEST (RIKLI& JONES, 1999) 18</p><p>9.ATIVIDADE FÍSICA E FUNCIONALIDADE DO IDOSO ......................................... 28</p><p>10. ATIVIDADE FÍSICA E IDOSO ............................................................................. 33</p><p>10.1 FATORES ASSOCIADOS À PRÁTICA DA ATIVIDADE FÍSICA ....................... 34</p><p>11. REFERÊNCIAS ................................................................................................... 42</p><p>2</p><p>NOSSA HISTÓRIA</p><p>A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários,</p><p>em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-</p><p>Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo</p><p>serviços educacionais em nível superior.</p><p>A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de</p><p>conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação</p><p>no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua.</p><p>Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que</p><p>constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de</p><p>publicação ou outras normas de comunicação.</p><p>A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma</p><p>confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base</p><p>profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições</p><p>modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica,</p><p>excelência no atendimento e valor do serviço oferecido.</p><p>3</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>1.1 Enquadramento do Estudo</p><p>Atualmente, com o aumento da longevidade, o número de pessoas idosas tem</p><p>vindo a aumentar significativamente.</p><p>A definição de idoso divide-se em três dimensões, a saber, idade cronológica,</p><p>idade biológica e idade psicológica.</p><p>O envelhecimento tem sido expresso pela diminuição de funcionalidades e da</p><p>perda de capacidades de adaptação, inerentes a todos os seres vivos.</p><p>O decréscimo da força muscular, resulta da redução e perda substancial da</p><p>massa muscular e um aumento na gordura subcutânea e intramuscular, denominado</p><p>de “Sarcopenia”, uma das principais causas da inatividade físicas e dos problemas</p><p>associados a saúde do idoso. (Wilmore e Costill, 1999; Deschenes, 2004; Hunter,</p><p>Mccarthy e Bamman, 2004; Kauffman, 2001; Rossi e Sadler, 2002).</p><p>O envelhecimento é considerado um problema de saúde pública mundial,</p><p>caracterizado por diversas alterações fisiológicas e físicas. Surgiu a necessidade de</p><p>desenvolver cada vez mais programas de prática de atividade física para prevenir os</p><p>declínios do envelhecimento.</p><p>Alguns investigadores demonstram os benefícios da prática de exercício</p><p>regular e defendem-no como prevenção das mesmas.</p><p>O crescimento da população de idosos, em números absolutos e relativos, é</p><p>um fenômeno mundial e está ocorrendo em um nível sem precedentes.</p><p>Em 1950, eram cerca de 204 milhões de idosos no mundo e, já em 1998, quase</p><p>cinco décadas depois, este contingente alcançava 579 milhões de pessoas, um</p><p>crescimento de quase oito milhões de pessoas idosas ao ano (IBGE, 2002).</p><p>As projeções indicam que, em 2050, a população idosa será de 1.900 milhões</p><p>de pessoas (ANDREWS, 2000).</p><p>No Brasil, segundo o Censo Demográfico de 2000, a proporção de idosos</p><p>corresponde a 8,6% da população total ou cerca de quinze milhões de pessoas.</p><p>4</p><p>Se persistirem as tendências para as taxas de fecundidade e longevidade da</p><p>população brasileira, no ano 2020 a população idosa poderá exceder 30 milhões de</p><p>pessoas, chegando a representar quase 13% do total de habitantes (IBGE, 2002).</p><p>Uma das razões para o aumento da população idosa no Brasil é o aumento da</p><p>expectativa de vida ao nascer.</p><p>Em 1991, um recém-nascido tinha expectativa de viver 66 anos.</p><p>Em 2000, essa idade aumentou para 68,6 anos. O ganho, no entanto, não foi igual</p><p>para homens e mulheres.</p><p>Enquanto a esperança de vida ao nascer das mulheres aumentou 2,8 anos no</p><p>período, indo para 72,6 anos, a dos homens teve acréscimo de 2,2 anos, ficando em</p><p>64,8 anos.</p><p>Com isso, aumentou de 7,2 anos para 7,8 anos a diferença na expectativa de</p><p>vida das mulheres em relação à dos homens.</p><p>Esta tendência tem sido definida como “feminização da população idosa”</p><p>(IBGE, 2002). Com esses fenômenos vimos também surgir problemas antes</p><p>desconhecidos, isto é, aqueles inerentes ao processo de envelhecimento.</p><p>2. PROCESSO DE ENVELHECIMENTO</p><p>No passado, a esperança média de vida estaria diretamente relacionada com</p><p>a grande incidência de mortes por doenças infectocontagiosas, falta de higiene e</p><p>cuidados de saúde.</p><p>O envelhecimento é um processo de transformação do organismo que ocorre</p><p>ao longo do ciclo vital de forma universal e progressiva.</p><p>Hoje, já sabemos que ele é um processo multifatorial que sofre influências</p><p>intrínsecas e extrínsecas o que faz com que se manifeste de maneira peculiar e</p><p>individual.</p><p>Existem diversos estudos e teorias que buscam explicar o envelhecimento em</p><p>diferentes perspectivas, tais como: as teorias biológicas, psicológicas, teorias do</p><p>desenvolvimento, teorias sociológicas, entre outras (NERI, 2001; SMELTZER; BARE,</p><p>2002).</p><p>5</p><p>Como nesse artigo nosso enfoque é a capacidade funcional vamos dar maior</p><p>destaque às alterações biológicas que possam ser afetadas ao longo do</p><p>envelhecimento.</p><p>Assim, compreendemos que as mudanças morfológicas, funcionais e</p><p>bioquímicas que ocorrem no envelhecimento abrangem todo o organismo</p><p>(GUIMARÃES et al., 2004), sendo que alguns processos podem ser prevenidos ou</p><p>eliminados quando a assistência em saúde é efetiva (SMELTZER; BARE, 2002).</p><p>Algumas dessas alterações orgânicas são: a perda de força muscular, resistência e</p><p>agilidade, o que aumenta a probabilidade de ocorrência de doenças crônicas</p><p>(DUARTE, 1996).</p><p>Outro aspecto relevante no envelhecimento é a diminuição da capacidade</p><p>funcional, que acaba por comprometer a realização das atividades da vida diária</p><p>(AVD) e as atividades instrumentais da vida diária (AIVD).</p><p>Quando isso ocorre, reflete diretamente sobre o autocuidado fazendo com que,</p><p>a médio e longo prazo, surja a necessidade de cuidados de longa permanência,</p><p>geralmente com altos custos (GUIMARÃES et al., 2004; RAMOS, 2003).</p><p>3. CONCEITO DE CAPACIDADE FUNCIONAL</p><p>O conceito de capacidade funcional abrange a capacidade de o indivíduo</p><p>manter competência, habilidades físicas e mentais para um viver independente e</p><p>autônomo.</p><p>Em outras palavras, capacidade para realização das AVD e AIVD, ou seja, as</p><p>atividades que fazem parte da rotina do dia-a-dia, como fazer compras, fazer sua</p><p>contabilidade, manter a continência, banhar-se, deslocar-se e alimentar-se (BRASIL,</p><p>1999; GUIMARÃES et al., 2004; ROSA, 2003).</p><p>São necessários, ainda, parâmetros multidimensionais</p><p>esses modelos teóricos são multifacetados,</p><p>levando em consideração o grande número de variáveis com potencial de influência</p><p>sobre a capacidade dos indivíduos de tomar decisões em relação à saúde.</p><p>Ainda segundo esses autores: A concepção filosófica por trás desses modelos</p><p>teóricos é que tais escolhas não são feitas em um vazio (interpessoal, organizacional,</p><p>político, econômico, ambiental, etc.).</p><p>Portanto, devem ser explicados como se dão as inter-relações entre seus</p><p>fatores determinantes (FARINATTI, FERREIRA, 2006, p. 90).</p><p>Farinatti, Ferreira (2006), Seabra et al. (2008) relatam a elaboração de diversos</p><p>modelos teóricos que tentam compreender as variáveis mais influentes para a prática</p><p>da atividade física, como:</p><p>1) Modelo da Crença em Saúde - desenvolvido nos anos 50, por um grupo de</p><p>psicólogos da área social nos Estados Unidos, com o intuito de explicar os motivos</p><p>que levavam ao fracasso as campanhas de prevenção e detecção de doenças</p><p>assintomáticas;</p><p>2) Teoria Cognitivo Social - ressalta que o comportamento se dá em termos de</p><p>uma tríade de causalidade recíproca:</p><p>(a) os fatores internos pessoais (na forma de eventos cognitivos, afetivos e</p><p>biológicos);</p><p>(b) os modelos de comportamento;</p><p>(c) e as influências ambientais (do ambiente imposto, escolhido e do construído),</p><p>interagem influenciando-se mutuamente;</p><p>3) Modelo Ecológico - surgido na década de 70, aceita a influência em múltiplos</p><p>níveis no comportamento, com ênfase nos fatores dos sistemas sociais, políticas</p><p>públicas e do ambiente físico. Em geral tenta explicar como o ambiente afeta o</p><p>comportamento e como o ambiente e o comportamento afetam um ao outro;</p><p>37</p><p>4) Teoria do Comportamento Planejado - é orientada por fatores sócio-cognitivos,</p><p>o modelo assume que o comportamento é determinado direta e unicamente pela</p><p>intenção em realizá-lo ou não;</p><p>5) Modelo Transteorético - embora também primariamente psicológico, reconhece</p><p>que fatores específicos do processo de mudança, como a percepção dos benefícios</p><p>(prós) e das barreiras (contras), incluem em sua análise fatores sociais e do ambiente</p><p>físico. Fatores associados à atividade física e o idoso Em recente pesquisa divulgada</p><p>pela Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo (2009), os idosos paulistanos lideram</p><p>o ranking dos que menos praticam atividades físicas.</p><p>A pesquisa foi realizada com base em 2,6 mil entrevistas entre homens e</p><p>mulheres na cidade de São Paulo e em outras 13 regiões do Estado.</p><p>Das pessoas com 60 anos ou mais ouvidas na pesquisa, 28,9% não atendem às</p><p>recomendações da OMS para a prática de atividades físicas.</p><p>Dados do Vigitel (BRASIL, 2009) mostram que a prevalência de inatividade</p><p>física em geral entre os indivíduos com mais de 65 anos de idade é de 52,6%, nos</p><p>homens (51,7%) e nas mulheres (53,2%). Para se reduzir o índice de inatividade física,</p><p>se faz necessário compreender o fenômeno da adesão a essas atividades.</p><p>Cassou et al. (2008) investigaram a percepção de barreiras em idosos de</p><p>diferentes níveis socioeconômicos para a prática de atividades físicas.</p><p>Os autores concluíram que a percepção das barreiras varia conforme o nível</p><p>socioeconômico, sendo que os idosos de baixo poder aquisitivo atribuem como</p><p>barreiras às dimensões ambientais, psicocognitivas e emocionais; já os de maior</p><p>poder aquisitivo alegam os fatores sociodemográficos e biológicos.</p><p>Cerri, Simões (2007), através de um estudo transcultural (EUA e Brasil),</p><p>investigaram os motivos que levaram idosos a aderirem à prática da hidroginástica.</p><p>Os resultados da pesquisa demonstram que 58% dos idosos no Brasil tiveram</p><p>como principal motivo para iniciarem essa atividade a orientação médica; enquanto</p><p>que 76% dos idosos nos EUA apresentaram como razão a preocupação em manter-</p><p>se saudável.</p><p>As autoras concluíram que as diferenças motivacionais encontradas nesses</p><p>grupos estão relacionadas com o nível socioeconômico, a escolaridade (a população</p><p>brasileira tinha menos anos de escolaridade do que a norte-americana), e às</p><p>deficiências em programas públicos de incentivo à prática de atividades físicas no</p><p>Brasil.</p><p>38</p><p>Em um estudo em Pelotas/RS, Reichert et al. (2007), encontraram como</p><p>principais barreiras à adesão às atividades físicas: a falta de dinheiro, a sensação de</p><p>cansaço, a falta de companhia e de Atividade física e idoso.</p><p>Nessa amostra, entre os homens de 60 a 69 anos, as barreiras mais relatadas</p><p>foram falta de dinheiro, o fato de possuir doença ou lesão, sentir-se muito cansado e</p><p>o medo de lesionar-se.</p><p>Também foi verificado que os indivíduos de alto nível socioeconômico relataram</p><p>não praticar atividades físicas pelo fato de sentirem-se muito cansados, enquanto para</p><p>os de baixo nível socioeconômico a principal barreira foi falta de dinheiro.</p><p>ANDRADE et al. (2000) ao realizarem uma pesquisa com idosos residentes na</p><p>região metropolitana da capital paulista e em cidades do interior do Estado,</p><p>constataram que as barreiras mais freqüentes para idosos de ambos os sexos em</p><p>cidades no interior foram:</p><p>a) falta de equipamento;</p><p>b) necessidade de repouso;</p><p>c) falta de local;</p><p>d) falta de clima adequado;</p><p>e) falta de habilidade. Quando analisadas as barreiras relatadas pelos idosos</p><p>moradores na grande São Paulo, prevaleceram as seguintes respostas:</p><p>a) falta de equipamento;</p><p>b) falta de tempo;</p><p>c) falta de conhecimento;</p><p>d) medo de lesão;</p><p>e) necessidade de repouso.</p><p>Segundo esses autores, fica claramente evidenciado que as barreiras diferem</p><p>segundo o sexo e o tamanho da cidade, como também, que as mesmas estão ligadas</p><p>à condição de saúde e a vontade do indivíduo.</p><p>Satariano, Haight, Tager (2000) investigaram o processo de envelhecimento e</p><p>aptidão física em 2.046 indivíduos maiores de 55 anos e, identificaram que as</p><p>mulheres reportaram mais barreiras para a prática da atividade física no tempo livre</p><p>do que os homens e, as razões médicas/doenças aumentaram com a idade.</p><p>Entre as primeiras cinco barreiras para a prática da atividade física nas</p><p>mulheres foram citadas:</p><p>39</p><p>a) falta de companhia;</p><p>b) falta de interesse (mais comum nas mulheres de 65 a 74 anos);</p><p>c) fadiga;</p><p>d) problemas de saúde;</p><p>e) artrite.</p><p>Nas mulheres maiores de 75 anos de idade problemas de saúde e funcionais,</p><p>como medo às quedas, foram as principais barreiras mencionadas.</p><p>Em geral, ao se elaborar um programa de promoção da atividade física para o</p><p>idoso deve-se levar em consideração a falta de companhia e de interesse, como as</p><p>principais barreiras, no momento de estabelecer políticas de saúde pública</p><p>(MATSUDO, MATSUDO, NETO, 2001).</p><p>Percebe-se a necessidade de se criar estratégias de intervenção específicas</p><p>para essa população, levando em consideração os aspectos sócio-demográficos e</p><p>ambientais para uma efetivação das ações de adoção e manutenção de atividades</p><p>físicas.</p><p>Evidências científicas indicam claramente que a participação em programas de</p><p>atividades físicas é uma forma independente para reduzir e/ou prevenir uma série de</p><p>declínios funcionais associados com o envelhecimento (VOGEL et al. 2009; NELSON</p><p>et al. 2007; OMS, 2005).</p><p>Assim, os principais benefícios de um comportamento ativo do idoso podem ser</p><p>classificados basicamente nas esferas biológica, psicológica e social, destacando-se,</p><p>entre esses benefícios:</p><p>a) aumento/manutenção da capacidade aeróbia;</p><p>b) aumento/manutenção da massa muscular;</p><p>c) redução da taxa de mortalidade total;</p><p>d) prevenção de doenças coronarianas;</p><p>e) melhora do perfil lipídico;</p><p>f) modificação da composição corporal em função da redução da massa gorda e</p><p>risco de sarcopenia;</p><p>g) prevenção/controle da diabete tipo II e hipertensão arterial;</p><p>h) redução da ocorrência de acidente vascular cerebral;</p><p>i) prevenção primária do câncer de mama e cólon;</p><p>j) redução da ocorrência de demência;</p><p>40</p><p>k) melhora da</p><p>auto-estima e da autoconfiança;</p><p>l) diminuição da ansiedade e do estresse; m) melhora do estado de humor e da</p><p>qualidade de vida.</p><p>A prática da atividade física pode ser subdividida em quatro dimensões:</p><p>1) lazer (exercícios físicos/esportes);</p><p>2) deslocamento ativo (andando a pé ou de bicicleta);</p><p>3) atividades domésticas (lavar, passar, etc);</p><p>4) laboral (atividades relacionadas à tarefa profissional).</p><p>A primeira dimensão pode ser classificada como uma atividade estruturada</p><p>(seguindo as características de exercícios físicos), enquanto que as demais, como</p><p>não estruturadas, realizadas espontaneamente ao longo do dia.</p><p>Nelson et al (2007) divulgaram um documento emitindo recomendações sobre</p><p>os tipos e quantidades de atividade física necessários para melhorar e manter a saúde</p><p>dos idosos.</p><p>As principais variáveis a serem observadas para a prescrição são: modalidade,</p><p>duração, freqüência, intensidade e modo de progressão; além das necessidades</p><p>físicas, características sociais, psicológicas e físicas do idoso.</p><p>Torna-se importante enfatizar que o planejamento dos exercícios deve ser</p><p>individualizado, levando em consideração os resultados prévios das avaliações</p><p>médica e física.</p><p>Teixeira, Batista (2009) realizaram uma metaanálise sobre os principais</p><p>benefícios e limitações da prescrição de distintos tipos de exercícios físicos para</p><p>idosos frágeis ou vulneráveis.</p><p>Os autores concluíram que o treinamento resistido possibilita ganhos</p><p>importantes em força e também em outros parâmetros, os quais podem ser otimizados</p><p>de forma mais significativa quando trabalhados através de exercícios físicos</p><p>específicos, como observado em resultado aos treinamentos multidimensionais.</p><p>Recomenda-se que se inicie o programa de atividades físicas com um trabalho</p><p>de baixo impacto e intensidade, fácil realização e de curta duração, uma vez que a</p><p>pessoa idosa, geralmente, não apresenta condicionamento físico desenvolvido e pode</p><p>ter limitações músculoesqueléticas (NELSON et al, 2007).</p><p>As principais atividades recomendadas para essa população são os exercícios</p><p>aeróbicos, força e resistência muscular, flexibilidade e equilíbrio.</p><p>41</p><p>As atividades aeróbicas devem ser de intensidade moderada por 30 minutos</p><p>diários em cinco dias por semana ou ainda atividades vigorosas por 20 minutos em</p><p>três dias da semana. Já as recomendações para os trabalhos de força muscular</p><p>mostram a importância da prática de oito a dez exercícios envolvendo os principais</p><p>grupos musculares, em dois ou mais dias não consecutivos na semana.</p><p>Para maximizar o desenvolvimento da força, deve-se executar de dez a quinze</p><p>repetições para cada grupo muscular, com um nível de esforço variando de moderado</p><p>a intenso.</p><p>Para o trabalho de flexibilidade, recomenda-se a prática de atividades que</p><p>estimulem a manutenção/aumento desta capacidade em dois dias na semana, com a</p><p>duração mínima de dez minutos em cada dia.</p><p>Fala-se ainda na realização de exercícios de equilíbrio, no intuito de reduzir o</p><p>risco de lesões causadas por quedas (NELSON et al, 2007).</p><p>Com relação aos cuidados prévios à prática das atividades físicas, recomenda-</p><p>se a realização das mesmas somente quando houver bem-estar físico por parte do</p><p>idoso.</p><p>Destacam-se ainda alguns outros cuidados, como: usar roupas e calçados</p><p>adequados; não se exercitar em jejum; dar preferência ao consumo de carboidratos</p><p>antes do exercício; respeitar os limites pessoais, interrompendo se houver dor ou</p><p>desconforto; evitar extremos de temperatura e umidade; iniciar a atividade lenta e</p><p>gradativamente para permitir adaptação e hidratação adequada antes, durante e após</p><p>a atividade física.</p><p>42</p><p>11. REFERÊNCIAS</p><p>Fundo de População das Nações Unidas. Envelhecimento no Século XXI: celebração</p><p>e desafio [Internet] 2012. [acessado 2017 Ago 15]. Disponível em:</p><p>http://www.unfpa.org.br/novo/index.php/biblioteca/publicacoes/populacao/633-</p><p>envelhecimento-no-seculo-xxi-celebracao-e-desafio</p><p>http://www.unfpa.org.br/novo/index.php/biblioteca/publicacoes/populacao/633-</p><p>envelhecimento-no-seculo-xxi-celebracao-e-desafio</p><p>Sudré MRS, Reiners AAO, Nakagawa JTT, Azevedo RCS, Floriano LA, Morita LHM.</p><p>Prevalência de dependência em idosos e fatores de risco associados. Acta Paul</p><p>Enferm 2012; 25(6):947-953.</p><p>Camarano AA, organizadora. Cuidados de longa duração para a população idosa: um</p><p>novo risco social a ser assumido? Rio de Janeiro: IPEA; 2010.</p><p>Figueiredo CS, Assis MG, Silva SLA, Dias RC, Mancini MC. Mudanças funcionais e</p><p>cognitivas em idosos da comunidade: estudo longitudinal. Braz J PhysTher 2013;</p><p>17(3):297-306.</p><p>Matos FS, Carneiro JAO, Jesus CS, Coqueiro R, Fernandes M, Brito TA. Redução da</p><p>capacidade funcional de idosos residentes em comunidade: estudo</p><p>longitudinal. CienSaudeColet 2016; 23(10):3393-3401.</p><p>Cabrero-García J, Muñoz-Mendoza CL, Cabañero-Martínez MJ, González-Llopís, L,</p><p>Ramos-Pichardo JD, Reig-Ferrer A. Valores de referencia de la Short Physical</p><p>Performance Battery para pacientes de 70 y más añosenatención primaria de</p><p>salud. Aten Primaria 2012; 44(9):540-548.</p><p>Ricci NA, Kubota MT, Cordeiro RC. Concordância de observações sobre a capacidade</p><p>funcional de idosos em assistência domiciliar. RevSaude Publica 2005; 39(4):655-662.</p><p>Pinheiro PA, Passos TDO, Coqueiro RS, Fernandes MH, Barbosa AR. Desempenho</p><p>motor de idosos do Nordeste brasileiro: diferenças entre idade e sexo. RevEscEnferm</p><p>USP 2013; 47(1):128-136.</p><p>Pereira GN, Bastos GAN, Del Duca GF, Bós AJG. Indicadores demográficos e</p><p>socioeconômicos associados à incapacidade funcional em idosos. CadSaude</p><p>Publica 2012; 28(11):2035-2042.</p><p>Nascimento JS, Tavares DMS. Prevalência e fatores associados a quedas em</p><p>idosos. Texto Contexto Enferm 2016; 25(2):e0360015.</p><p>Bertolucci PHF, Brucki SMD, Campacci SR, Juliano Y. O mini-exame do estado mental</p><p>em uma população geral: impacto da escolaridade. ArqNeuro-Psiquiatr 1994, 52(1):1-</p><p>7.</p><p>43</p><p>Lebrão ML, Duarte YAO. SABE - Saúde, Bem-estar e Envelhecimento - O Projeto</p><p>Sabe no município de São Paulo: uma abordagem inicial Brasília: Organização Pan-</p><p>Americana da Saúde; 2003.</p><p>Benedetti TB, Mazo GZ, Barros MVG. Aplicação do questionário internacional de</p><p>atividades físicas (IPAQ) para avaliação do nível de atividades físicas de mulheres</p><p>idosas: validade concorrente e reprodutibilidade teste-</p><p>reteste. RevBrasCiêncMov 2004; 12(1):25-33.</p><p>Lino VTS, Pereira SRM, Camacho LAB, Ribeiro Filho ST, Buksman S. Adaptação</p><p>transcultural da Escala de Independência em Atividades da Vida Diária (Escala de</p><p>Katz). CadSaude Publica 2008; 24(1):103-112.</p><p>Santos RL, Virtuoso Júnior JS. Confiabilidade da versão brasileira da Escala de</p><p>Atividades Instrumentais da Vida Diária. RBPS 2008; 21(4):290-296.</p><p>Costa EC, Nakatani AYK, Bachion MM. Capacidade de idosos da comunidade para</p><p>desenvolver Atividades de Vida Diária e Atividades Instrumentais de Vida Diária. Acta</p><p>Paul Enferm 2006; 19(1):43-48.</p><p>para se avaliar a</p><p>capacidade funcional, tais como: fatores socioeconômicos, culturais, psicossociais,</p><p>demográficos, estilo de vida adotado, condições de saúde/doença, entre outros</p><p>(DIOGO, 2003; GUIMARÃES et al., 2004; RICCI; KUBOTA; CORDEIRO, 2005;</p><p>ROSA, 2003).</p><p>6</p><p>A promoção e a manutenção da capacidade funcional em idosos refletem numa</p><p>melhor qualidade de vida e num envelhecimento bem sucedido, assim como sua</p><p>recuperação, quando está prejudicada por alguma razão (BRASIL, 1999; OLIVEIRA,</p><p>2005).</p><p>Por outro lado, observa-se que déficits na capacidade de realização das AVD</p><p>geralmente estão relacionados à fragilidade, institucionalização, dependência de um</p><p>cuidador e a um maior risco para quedas, morbidade e até a morte (GUIMARÃES et</p><p>al., 2004; SIQUEIRA et al., 2004).</p><p>A avaliação da capacidade funcional vai muito além de um diagnóstico e</p><p>tratamento de doenças específicas, pois percebe o idoso em seu meio, na sua</p><p>residência e sua independência em relação aos cuidadores e/ou familiares (BRASIL,</p><p>1999; GUIMARÃES et al., 2004; SIQUEIRA et al., 2004).</p><p>A capacidade funcional é, atualmente, considerada um novo paradigma de</p><p>saúde, sendo de valor crucial para prevenção e promoção da saúde do idoso.</p><p>É através dela que conseguimos diagnosticar, tratar, reabilitar e evitar</p><p>complicações secundárias das doenças crônico-degenerativas que tão</p><p>freqüentemente acometem os idosos (DIOGO, 2003; GUIMARÃES et al., 2004;</p><p>RICCI; KUBOTA; CORDEIRO, 2005; ROSA, 2003;).</p><p>Foi realizado um estudo exploratório acerca da capacidade funcional dos</p><p>idosos residentes em uma micro-área escolhida por conveniência.</p><p>Esta micro-área foi escolhida junto às enfermeiras da Unidade Local de Saúde</p><p>e os Agentes Comunitários de Saúde em função da segurança, da facilidade de</p><p>acesso e disponibilidade de um dos agentes em acompanhar as acadêmicas. Ao</p><p>chegarem aos domicílios elas se apresentavam, explicavam os objetivos de sua visita</p><p>e solicitavam a permissão do idoso e/ou seu cuidador para aplicação do OARS.</p><p>A todos os idosos e/ou seus cuidadores foi solicitada a assinatura do Termo de</p><p>Consentimento Livre e Esclarecido, conforme preconizado pela Resolução nº 196/96</p><p>do Conselho Nacional de Saúde e o Código de Ética de Enfermagem. Quando o idoso</p><p>possuía algum déficit cognitivo ou de memória foi requerido ao cuidador a assinatura</p><p>do termo de consentimento livre e esclarecido.</p><p>Vale lembrar, que esse projeto não foi submetido ao Comitê de Ética em</p><p>Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina porque na</p><p>ocasião essa não era uma prática corrente para os trabalhos de conclusão de curso.</p><p>7</p><p>O instrumento utilizado nesse trabalho de campo foi o OARS, porque ele</p><p>permitiu fazer uma avaliação do perfil multidimensional de saúde da população</p><p>pesquisada. O OARS caracteriza-se como um questionário fechado, que revela os</p><p>fatores econômicos e sociais, assim como a percepção subjetiva do idoso ou de seu</p><p>cuidador acerca do seu suporte familiar e sua saúde física e mental (RAMOS, 2003).</p><p>Ele também avalia a independência do idoso para realização das AVD e as</p><p>AIVD. A capacidade funcional foi medida pela dificuldade auto-referida em realizar 14</p><p>atividades físicas e instrumentais da vida diária (AVD e AIVD). Vale lembrar, que no</p><p>instrumento utilizado sete questões são referentes às AVD e as outras sete</p><p>correspondentes às AIVD.</p><p>Cada pergunta recebe a pontuação “um” quando o idoso é independente para</p><p>a atividade questionada, ou “zero” quando ele é dependente para tal atividade.</p><p>O resultado final do OARS corresponde ao somatório da pontuação das 14</p><p>atividades avaliadas.</p><p>O ponto de corte do OARS obedece aos seguintes critérios:</p><p> 0 a 3 pontos o idoso é considerado dependente, necessitando de ajuda para</p><p>realizadas todas ou quase todas as atividades;</p><p> de 4 a 10 o idoso é considerado parcialmente dependente, ou seja, ele</p><p>necessita de apoio para algumas atividades;</p><p> já nas pontuações de 11 a 14 o idoso é independente para todas ou</p><p>praticamente todas as atividades.</p><p>Os dados coletados foram agrupados em tabelas, que reuniram as diferentes</p><p>informações. Com as tabelas em mão, elaboraram-se gráfi cos para facilitar a análise</p><p>e proporcionar maior visibilidade aos resultados encontrados.</p><p>4. RESULTADOS E DISCUSSÃO</p><p>Participaram da pesquisa 23 pessoas com 60 anos ou mais, sendo que a idade</p><p>média desta amostra foi de 68,9 anos. Dentre os participantes, 16 eram mulheres</p><p>(69,5%) e sete eram homens (30,5%). A idade média das mulheres pesquisadas foi</p><p>de 69,9 anos e dos homens 66,7 anos.</p><p>8</p><p>Desses, seis (16,7%) não haviam sido cadastrados pelos Agentes</p><p>Comunitários de Saúde, refletindo o fato de os idosos ainda não serem um marcador</p><p>de atenção básica, assim como as crianças de 0 a 6 anos, os usuários diabéticos, os</p><p>hipertensos e as gestantes, entre outros.</p><p>Um dado preciso sobre os usuários é necessário para que se possa dispor de</p><p>informações atualizadas sobre o perfil da população.</p><p>Somente assim é possível fazer-se um planejamento e implementar-se uma</p><p>assistência de qualidade, isto é, que vá ao encontro das demandas da população</p><p>assistida. Com relação à capacidade funcional, o déficit mais freqüentemente</p><p>encontrado na amostra pesquisada foi em relação à limpeza e arrumação da casa,</p><p>tanto para as mulheres quanto para os homens.</p><p>Alguns idosos referiram a necessidade de auxílio para realizar as atividades</p><p>que exigem maior força muscular, como passar panos no chão e limpar janelas.</p><p>Outros relataram não fazer estas atividades de modo algum, devido às suas limitações</p><p>físicas ou por não saber como realizá-las.</p><p>A maioria dos idosos referiu-se independente para a maior parte das atividades,</p><p>principalmente para as AVD. Em relação à dependência relativa, observou-se que</p><p>uma pequena parcela dos idosos possui maior dependência em relação às AIVD.</p><p>Apenas um idoso apresentou dependência completa, conforme pode ser visto</p><p>no gráfico 1</p><p>Gráfico 1: Avaliação Geral das Competências para AIVD e AVD nos idosos da Micro-área</p><p>mapeada, em outubro de 2005</p><p>9</p><p>Na seqüência os déficits de maior prevalência foram os controles esfincterianos</p><p>e o controle das finanças. As atividades com menor déficit referido foram cuidadas</p><p>com a aparência e capacidade para alimentar-se. Observou-se que a pontuação geral</p><p>é mais elevada na faixa etária de 65 a 70 anos, refletindo uma maior independência</p><p>desses idosos, como pode ser observado no gráfico 2.</p><p>Gráfico 2: Avaliação Geral Absoluta das Competências para AIVD e AVD segundo Faixas</p><p>Etárias dos idosos da Micro-área mapeada, em outubro de 2005</p><p>Nas atividades de limpeza e arrumação da casa, observou-se que</p><p>aproximadamente 40% dos idosos necessitavam de auxílio para realizá-la. Nenhum</p><p>dos idosos avaliados precisava de veículos especiais, como ambulâncias, para seu</p><p>transporte.</p><p>A faixa etária de 85 anos a 90 anos foi suprimida por não haver nenhum idoso</p><p>com essa idade.</p><p>Pode-se atentar no Gráfico 3 que aproximadamente 80% dos idosos até 75 anos</p><p>apresentaram plena capacidade para realizar as AVD e AIVD sem auxílio.</p><p>Identificou-se um decréscimo abrupto da capacidade para independência na faixa</p><p>etária de 90-95 anos, refletindo uma maior necessidade de apoio de familiares e/ou</p><p>cuidadores para a realização das atividades diárias.</p><p>10</p><p>Gráfico 3: Avaliação Geral das Competências para AIVD e AVD segundo a Faixa Etária da</p><p>população idosa na Micro-área mapeada, em Números Relativos e de Acordo com a</p><p>Autonomia, em outubro de 2005</p><p>De modo geral, os idosos avaliados apresentaram dependência relativa para</p><p>arrumar e limpar a casa, com aproximadamente 37%, seguida do controle das</p><p>finanças e problemas no controle esfincteriano, ambos com aproximadamente 31%.</p><p>Não foi encontrada dependência relativa nas capacidades para alimentar-se e</p><p>cuidar da aparência</p><p>Atualmente, o desenvolvimento das diversas áreas do conhecimento científico</p><p>tem permitido uma melhoria significativa na qualidade de vida do ser humano, o que</p><p>levou a um aumento na esperança média de vida. Deste modo, o envelhecimento</p><p>populacional tornou-se um proeminente fenômeno mundial.</p><p>A manutenção da capacidade funcional e autonomia é a grande preocupação</p><p>das pesquisas para encontrar formas de retardar o envelhecimento nas últimas</p><p>décadas da vida (Matsudo, Matsude e Neto, 2000)</p><p>De acordo com Fernández-Bellasteros (2000), o conceito de idoso pode dividir-</p><p>se em três dimensões.</p><p>A idade cronológica corresponde à idade do indivíduo cronologicamente desde</p><p>o seu nascimento, ou seja, é o tempo de vida;</p><p>11</p><p>A idade biológica corresponde à condição dos órgãos, tecidos e sistemas dos</p><p>organismos; e a idade psicológica corresponde à capacidade de adaptação, relações</p><p>e maturação mental.</p><p>O idoso, por vezes, manifesta nas dimensões biológicas e psicológicas, um</p><p>maior declínio em relação à cronológica.</p><p>Neste sentido, em Portugal, os indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos</p><p>são considerados idosos.</p><p>Neste segmento populacional, Rendas (1994) define três grupos etários: idosos</p><p>jovens: entre 65 e 74; idosos: 75 e 84; muito idosos: a partir dos 85 anos.</p><p>O Envelhecimento refere-se a fenômenos biológicos, fisiológicos, bioquímicos</p><p>e psicológicos que levam ao declínio da sua capacidade, podendo leva-lo até à morte</p><p>(Moriguti e Ferriollo, 1998).</p><p>Fraiman (1991) defende que o envelhecer, é um “processo” complexo que tem</p><p>implicações para o próprio idoso, como para a sociedade que o assiste, promove ou</p><p>suporta.</p><p>Para Tribess e Virtuoso (2005), o declínio a atividade física habitual, afeta na</p><p>capacidade funcional e qualidade de vida de um idoso, manifestando-se diversas</p><p>doenças relacionadas com este processo.</p><p>Spirduso (1995) classificou o envelhecimento de duas maneiras: o</p><p>envelhecimento de senescência ou primário caracterizado por mudança ocorrida pela</p><p>idade, independente do meio e das doenças; e o envelhecimento de senilidade ou</p><p>envelhecimento secundário resultado da influência de doenças, podendo ter causas</p><p>de fatores ambientais ou doenças crônicas.</p><p>De acordo com Leitão e Leitão (2006) as principais doenças relacionadas com</p><p>o envelhecimento são artrite (atinge principalmente articulações podendo causar</p><p>sérias deformidades podendo também afetar outros órgãos, a titulo de exemplo o</p><p>coração, pulmões, pele, nervos), artrose (doença nas articulações sinoviais e</p><p>caracteriza-se pela perda de cartilagem), osteoporose (doença oste- metabólica que</p><p>se caracteriza pela progressiva perda de massa/densidade óssea e de modificações</p><p>no tecido ósseo trabecular), doenças cardíacas (insuficiência cardíaca, doença arterial</p><p>coronariana, doenças nas válvulas do coração, arritmias cardíacas, entre outras),</p><p>hipertensão arterial (valores de tensão arterial acima ou iguais de 140mm Hg para a</p><p>tensão arterial sistólica e superiores a 90 mm Hg para a tensão arterial diastólica),</p><p>diabetes (doença metabólica caracterizada por um aumento anormal de açúcar ou</p><p>12</p><p>glicose no sangue), quedas (resultam de lesões físicas, perdas funcionais, longo</p><p>períodos de imobilidade.</p><p>Todas estas doenças deixam cada vez mais os idosos enfraquecidos.</p><p>A força é o principal agente das limitações para Knuttgen (1987) e Kraemer (2009). A</p><p>força é a quantidade máxima de tensão que um músculo ou agrupamento muscular</p><p>pode produzir num padrão específico de movimento realizado a determinada</p><p>velocidade.</p><p>Estudos evidenciam que a força muscular atinge o seu pico por volta dos trinta</p><p>anos e é preservada até aos meados de meia centena de anos (Deschenes,2004).</p><p>Mas, um declínio da força ocorre entre os cinquenta e os sessenta anos de</p><p>idade, com um declínio muito mais significativo a partir desta mesma idade.</p><p>(Kauffman, 2001)</p><p>A perda de massa muscular, fenômeno de Sarcopenia, é outra grande limitação</p><p>para os idosos.</p><p>O declínio da força ocorre entre os cinquenta e os sessenta anos, aumentando</p><p>drasticamente a partir dos sessenta anos (Kauffman, 2001).</p><p>Já a massa muscular diminui em 50% entre os 2 e os noventa anos e o número</p><p>de fibras musculares no idoso é menor 20% do que o 5 adulto (Rossi e Sadler,2002).</p><p>O envelhecimento progride de uma velocidade de indivíduo para indivíduo, a</p><p>mesma variabilidade existe no grau de perda funcional de idoso para idoso (Kaufman,</p><p>2001).</p><p>A perda de força, da resistência e da potência muscular restringem o idoso na</p><p>capacidade de torque articular rápido e de força necessária para a realização das</p><p>atividades tais como: levantar e sentar da cadeira, subir escadas, manter o equilíbrio</p><p>e entre outros.</p><p>O equilíbrio tem uma grande importância na vida do idoso, e envolve a</p><p>interpretação de informações que chegam ao sistema nervoso central predominantes</p><p>do sistema musculoesqueléticos, do sistema nervoso e dos três sistemas sensoriais</p><p>visual, somatossensorial e vestibular (Barcarin et al. 2005).</p><p>As principais queixas dos idosos devem-se a diversos fatores, tais como</p><p>diminuição da acuidade visual, alterações proprioceptivas, atrofia cerebral, diminuição</p><p>dos mecanismos e atenção e do tempo de reação, degeneração do sistema vestibular,</p><p>entre outras. (Figueiredo, Lima e Guerra, 2007).</p><p>13</p><p>Contudo, as pessoas idosas não adeptas da prática de exercício físico</p><p>apresentam uma taxa de problemas de saúde e, principalmente, de acidentes muito</p><p>superior às pessoas ativas.</p><p>As quedas acontecem diária e frequentemente, e ela pode ter um efeito</p><p>devastador na independência do indivíduo e na sua qualidade de vida. Destas quedas</p><p>resultam lesões físicas, perdas funcionais (devido ao longo tempo de imobilidade a</p><p>que pode ficar sujeito), frequência de traumatismo e lesões mais graves como fraturas.</p><p>A fratura que acarreta mais complicações é a do quadril e é responsável pela</p><p>perda da capacidade, de morte e de elevados custos médicos.</p><p>Todas as razões das quedas estão ligadas aos mecanismos relacionados com o</p><p>envelhecimento, nomeadamente as alterações fisiológicas e a falta de exercício físico.</p><p>O declínio da capacidade funcional pode também relacionar-se com fatores</p><p>socioeconómicos, demográficos, culturais e psicossociais.</p><p>Assim, alguma das causas que contribuem para o envelhecimento são, entre outros,</p><p>fumar, beber, comer excessivamente, stress, falta de apoio social, falta de condições</p><p>de vida e higiene e problemas sociais.</p><p>5. EFEITOS FISIOLÓGICOS DO ENVELHECIMENTO</p><p>É importante ressaltar que o envelhecimento progride a uma velocidade</p><p>diferente, tal como o grau de perda de funcionalidades, de indivíduo para indivíduo</p><p>(Kauffman, 2001).</p><p>Além da perda de massa muscular, no qual ocorre um fenómeno no qual a</p><p>proteína contrátil é substituída por lípidos intra e extracelular e por proteína estrutural</p><p>contribui para a doença principal, a “Sarcopenia”.</p><p>O envelhecimento é também responsável por perda de quantidade de moto</p><p>neurônios, resultando na diminuição de unidades motoras. (Davini e Nunes, 2003).</p><p>Estas unidades, através do ciclo natural de remodelação, caracterizam-se pela</p><p>perda de inervação, que na idade avançada, resulta na atrofia muscular. Esta atrofia</p><p>muscular irá influenciar, o sistema locomotor do idoso.</p><p>Além da Sarcopenia (perda de seletividade de fibras Tipo II), a produção de</p><p>hormonas anabolizantes irá prejudicar a capacidade de musculoesqueléticos</p><p>14</p><p>incorporar aminoácidos e sintetizar proteínas, resultando num maior desgaste</p><p>muscular entre os idosos, diminuindo as enzimas glicolíticas e o ATP.</p><p>A perda de retenção de água pelo organismo desencadeia outro processo</p><p>prejudicial do envelhecimento.</p><p>Esta perda associada a redução de capacidade de produzir proteoglicanos, irá causar</p><p>alterações degenerativas articulares.</p><p>A diminuição de absorver o impacto, diminuição da estabilidade articular,</p><p>fraqueza muscular crescente, aumento do peso, contribuem para as alterações</p><p>degenerativas.</p><p>A síndrome do imobilismo Vojodic (2004), períodos longos de imobilidade e de</p><p>frequência de quedas, desenvolvem as seguintes patologias: diminuição do nível de</p><p>glicogénio e ATP; diminuição da irrigação sanguínea; baixa tolerância ao ácido láctico</p><p>e débito de O2 com diminuição da capacidade oxidativa; diminuição da síntese</p><p>proteica; atrofia das fibras musculares Tipo I e II; diminuição da força muscular e dos</p><p>números de sacrômeros.</p><p>A intolerância à glicose, as alterações no metabolismo energético e na</p><p>capacidade aeróbia também são afetados restringindo a atividade do idoso.</p><p>Há também alterações na resistência do sistema musculoesqueléticos no qual</p><p>os 7 tendões se tornam mais rígidos, resultando numa maior probidade de diferentes</p><p>tipos de rupturas.</p><p>Em ordem de prioridade, após o impacto de todas as alterações relacionadas com o</p><p>sistema funcional, as alterações respiratórias e cardiovasculares têm um impacto</p><p>muito negativo nos idosos.</p><p>Existe durante esta decadência a diminuição da capacidade vital, o aumento</p><p>do volume residual, do espaço morto anatômico, menor mobilidade da parede torácica</p><p>e o declínio do número de alvéolos (Tribess e Jr.,2005).</p><p>Estudos demostram que, a cada década, entre os 25 e os 75 anos perde-se 10</p><p>% da potência aeróbica (Matsudo, Matsudo& Neto, 2000).</p><p>15</p><p>6. BENEFÍCIOS DA PRÁTICA DE EXERCÍCIO, QUALIDADE DE VIDA E</p><p>SAÚDE</p><p>A prática de exercício físico e a qualidade de vida estabelecem uma ligação</p><p>importantíssima e estão inter-relacionados para a vida na 3ª idade.</p><p>O idoso para ter qualidade de vida, ou seja, a saúde desejada precisa da prática</p><p>de exercício de forma retardar o envelhecimento.</p><p>Todas as vantagens e alterações que advêm da prática do exercício físico tem</p><p>repercussões a nível da saúde que manifestam na sua qualidade de vida.</p><p>Segundo o American Collegeof Sports Medicine (2010) a atividade física é</p><p>definida como “qualquer movimento corporal produzido pela contração dos músculos</p><p>esqueléticos e que resulta num aumento substancial” em relação ao dispêndio de</p><p>energia em repouso.</p><p>No caso do envelhecimento definimos como um retardamento dos efeitos</p><p>deletérios associados ao envelhecimento (Carvalho,1999; Ribeiro, 2002).</p><p>A qualidade de vida refere-se às condições de vida de um ser humano, que</p><p>envolve o bem-estar físico, mental, psicológico, emocional, o relacionamento social, a</p><p>saúde entre outros.</p><p>A saúde é “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e social, e</p><p>não apenas a ausência de doenças” (Oms, 2001).</p><p>A prática de exercício físico é fundamental na promoção da saúde na terceira</p><p>idade, e na prevenção de doenças relacionadas com o envelhecimento e ainda para</p><p>a sua qualidade de vida.</p><p>Hábitos saudáveis, como uma alimentação adequada, repouso diário entre 7 a</p><p>8 horas, vida social ativa irá influenciar a qualidade de vida e a sua evolução na prática</p><p>de exercício físico.</p><p>A prática de exercício físico regular tem resultados positivos em curtos prazos</p><p>de tempo.</p><p>O objetivo da prática do exercício físico regular é a melhoria dos três níveis de</p><p>declínio do envelhecimento físico, psicossocial e funcional.</p><p>São muitos os benefícios da prática regular nestes três níveis, designadamente da</p><p>auto-estima e auto-eficácia, do sistema músculo-esquelético, cardiovascular,</p><p>respiratório e endócrino, na densidade mineral óssea, da hipertensão, da resistência</p><p>à insulina, na ansiedade, das funções cognitivas, na socialização, na relação com os</p><p>16</p><p>outros, na manutenção e/ou melhoria da coordenação neuromuscular, na estabilidade</p><p>postural e mobilidade funcional, na frequência de quedas e fraturas, no prazer de viver.</p><p>Por outro lado há a diminuição da obesidade, do isolamento, da diminuição da</p><p>tensão muscular, da insônia e na diminuição do consumo de medicamentos. Estes</p><p>exemplos correspondem a um pequeno número de todos os benefícios que a prática</p><p>regular pode induzir no idoso.</p><p>Nestes resultados dá-se ênfase à diminuição de quedas e fraturas, e também</p><p>a diminuição de taxa de gordura corporal e aumento da força muscular, face aos</p><p>problemas de saúde que apresentam, problemas tais como a hipertensão corporal,</p><p>osteoporose e artrites.</p><p>A prática regular traz também vantagens a várias adaptações fisiológicas e</p><p>psicológicas, tais como: aumento de Vo2 máx., benefícios circulatórios periféricos,</p><p>aumento da massa muscular, controle de glicemia, melhoria do perfil lipídico, da</p><p>função pulmonar, da autoestima e da autoconfiança e menor dependência na vida</p><p>diária.</p><p>Para Polloxk e Wilmoew (1993) é importante um programa de exercícios bem</p><p>elaborado, direcionado para as alterações provocadas pelo envelhecimento.</p><p>Os autores defendem que é através do exercício aeróbio, de exercícios de</p><p>baixo impacto e de exercícios com pesos, que desenvolvem vantagens a nível</p><p>cardiorrespiratório, no controlo de peso, no fortalecimento muscular, e principalmente</p><p>no desenvolvimento da força.</p><p>Todas as atividades devem ser motivacionais e ir de encontro com bem-estar</p><p>do idoso. Atividades tradicionais, de relaxamento, danças, aulas de grupo, são alguns</p><p>exercícios que se traduzem em bem-estar.</p><p>Contudo para cada idoso, é necessário adaptar e especificar a atividade de</p><p>acordo com as características pessoais.</p><p>Os profissionais devem seguir uma prescrição de exercício específica para</p><p>cada indivíduo (após avaliação do estado físico deste, de limitações físicas e do seu</p><p>estado de saúde geral), obedecendo sempre a três fases sequenciais aquecimento</p><p>(exercícios para ganho de amplitude, mas de baixa intensidade); Período de treino</p><p>(esforço, fortalecimento muscular, exercício aeróbio) e Alongamentos.</p><p>Praticar “exercício físico diário – principalmente aeróbios, de impacto,</p><p>exercícios de peso e resistência - em intensidade moderada, com este trabalho físico,</p><p>estará garantida a independência do idoso” (Velasco, 2006, p.111). Ninguém é</p><p>17</p><p>demasiado velho para usufruir dos benefícios da atividade física regular (Usdhhs,</p><p>1997).</p><p>7. APTIDÃO FÍSICA E AVALIAÇÃO NOS IDOSOS</p><p>A aptidão física expressa-se pela capacidade funcional do indivíduo na</p><p>sociedade, direcionado à realização de esforços físicos com a prática de exercício</p><p>sem a excessiva fadiga e com reserva de energia para desfrutar do tempo livre.</p><p>(Pitanga, 2001; Caspersen, Powell, Christensen, 1985).</p><p>A aptidão caracteriza-se pelo pico de capacidade intelectual, capacidade de</p><p>realizar tarefas do quotidiano, responder a emergências e sentimentos com alegria de</p><p>viver. (Shepard, R.J., Bouchard, C., 1995).</p><p>Através da aptidão física iremos avaliar as principais valências físicas: força,</p><p>resistência, flexibilidade, agilidade, equilíbrio, coordenação e composição corporal.</p><p>Cada uma destas valências tem a sua importância e estão interligadas, todavia</p><p>pode uma delas estar mais desenvolvidas do que as outras. É importante o idoso</p><p>procurar o desenvolvimento ou a manutenção destas capacidades, para se tornar</p><p>mais independente e saudável</p><p>Matsudo (2001) define os níveis de funcionalidade dos idosos em cinco formas</p><p>fisicamente dependentes (dependência de outros), fisicamente frágeis (limitações</p><p>podendo puder depender de outos); fisicamente independente (independentes, mas</p><p>com uns níveis baixos de saúde e condicionamento físico), fisicamente apto ou ativo</p><p>(prática duas a três vezes atividade física por semana) e atleta (prática regular).</p><p>O envelhecimento é um processo multidimensional e a sua avaliação no idoso</p><p>através de um só instrumento poderá não se revelar suficiente.</p><p>São inúmeros os estudos que procuram perceber o envelhecimento e foram criados</p><p>diversos instrumentos de avaliação.</p><p>O questionário SF-36 originalmente intitulado de “Medical OutcomesStudy 36-</p><p>Item Short-Form Health Survey” surgiu num estudo levado a cabo por</p><p>investigadores</p><p>da Rand Corporation nos EUA na década de 80 século XX, com o objetivo de</p><p>desenvolver instrumentos na monitorização da saúde.</p><p>18</p><p>O questionário foi traduzido para Português, validado e aplicado por Pedro</p><p>Lopes Ferreira em 2000 no âmbito de trabalho na Faculdade de Economia da</p><p>Universidade de Coimbra.</p><p>Devido a limitação do acesso do questionário em Português para impressão</p><p>por parte do próprio autor, foi utilizado neste estudo o questionário (anexo1) e a tabela</p><p>de cálculo (anexo2) na versão Brasileira, traduzido por Rozana Mesquita Ciconelli, em</p><p>1999 intitulado “Brazilian – Portugueseversionofthe SF-36.</p><p>A reliableandvalidqualityoflifeoutcamesmeasur”, contendo exatamente as</p><p>mesmas dimensões e as mesmas perguntas.</p><p>O Sf-36 Surgiu na necessidade de avaliar a qualidade de vida, percebendo</p><p>vários domínios: da função física (FF), do desempenho físico (DF), do desempenho</p><p>emocional (DE), da dor corporal (DC), da saúde geral (SG), da vitalidade (VI), da</p><p>função Social (FS) e da saúde mental (SM).</p><p>Para a avaliação da aptidão física, através da avaliação da prática de atividade</p><p>física do individuo, foram criados vários protocolos para a sua percepção e recolha de</p><p>dados, incluindo um protocolo designado de avaliação funcional Fitness Test (Rikli&</p><p>Jones, 1999).</p><p>8. BATERIA DE TESTES DE FUNCIONAL FITNESS TEST (RIKLI& JONES,</p><p>1999)</p><p>Rikli& Jones desenvolveram e validaram a bateria de testes de avaliação da</p><p>aptidão fisiológica.</p><p>Os autores definem aptidão funcional como a capacidade fisiológica para</p><p>avaliar as atividades normais do dia-a-dia, executando as avaliações com segurança</p><p>e sem fadiga extrema.</p><p>Esta bateria permite avaliar a força dos membros superiores (teste da flexão do</p><p>antebraço), a força dos membros inferiores (teste levantar e sentar na cadeira), a</p><p>flexibilidade inferior (teste sentar e alcançar na cadeira), flexibilidade superior (teste</p><p>alcançar atrás das costas), a resistência aeróbia (teste andar 6 minutos), a velocidade</p><p>de agilidade e equilíbrio dinâmico (teste sentado, caminhar 2,44 m e voltar a sentar),</p><p>o índice de massa corporal (IMC) (estatura e peso).</p><p>19</p><p>Os testes foram idealizados e utilizados em ambiente de campo de modo a</p><p>serem capazes de fornecer os valores que cada idoso apresenta em cada teste.</p><p>As limitações destes testes revelam-se quando se trata de avaliar indivíduos</p><p>mais frágeis e incapacitados, não permitindo concluir a totalidade esta bateria.</p><p>O contingente de idosos tem se tornado expressivo globalmente, de forma que</p><p>o envelhecimento populacional é apontado como uma das mais consideráveis</p><p>tendências do século XXI.</p><p>O crescimento da população idosa vem avançando paralelamente às</p><p>mudanças no perfil epidemiológico marcado pelo aumento da incidência e prevalência</p><p>de doenças crônicas não transmissíveis que ocorrem antes mesmo do início da</p><p>velhice.</p><p>Segundo os modelos teóricos conceituais, as doenças podem contribuir para o</p><p>processo de surgimento das incapacidades e limitações funcionais, entretanto, sabe-</p><p>se que outros fatores em conjunto como os físicos, ambientais, socioeconômicos,</p><p>genéticos e de hábitos de vida podem afetar as funções do corpo do idoso, tornando-</p><p>o dependente da família, comunidade e sistema de saúde.</p><p>A crença de que a dependência é inerente ao processo de envelhecimento gera</p><p>atitudes negativas e intimidam a população idosa inserida em um contexto</p><p>sociocultural que valoriza a preservação da autonomia e independência.</p><p>Dessa forma, a identificação das incapacidades e das limitações funcionais,</p><p>assim como de seus fatores determinantes se destacam na literatura, pois fornecem</p><p>informações para a proposição de medidas de prevenção e intervenção para o estado</p><p>funcional do idoso.</p><p>A capacidade funcional geralmente é avaliada através de questionários de</p><p>relato do idoso ou de seu cuidador/família sobre a realização das atividades de vida</p><p>diária e o desempenho físico relacionado às limitações funcionais é investigado por</p><p>meio de testes físicos onde o indivíduo executa tarefas específicas, o que confere</p><p>maior capacidade de resposta a mudanças clínicas relevantes.</p><p>Não foram identificados estudos longitudinais que tivessem verificado a</p><p>ocorrência de mudanças na capacidade funcional e desempenho físico de idosos</p><p>comunitários concomitantemente, mas apenas investigações sobre capacidade</p><p>funcional.</p><p>Segundo Pinheiro et al., as informações sobre a saúde funcional de idosos</p><p>comunitários baseadas em medidas diretas (testes físicos) ainda são escassas.</p><p>20</p><p>A produção científica nacional se concentra em estudos predominantemente</p><p>transversais, que são importantes para a prática, mas impedem a realização de uma</p><p>análise causal.</p><p>Dessa forma, o delineamento longitudinal pode suprir essa limitação, além de</p><p>auxiliar para a redução de danos na população idosa através da elaboração de</p><p>estratégias mais efetivas.</p><p>Considerando o contexto do envelhecimento populacional e a importância dos</p><p>estudos longitudinais para o planejamento e a implantação de ações voltadas ao</p><p>estado funcional da população idosa, o objetivo do estudo foi verificar a ocorrência de</p><p>mudanças na capacidade funcional e desempenho físico de idosos comunitários e</p><p>seus fatores determinantes, em um período de dois anos.</p><p>Foi desenvolvido um estudo com abordagem quantitativa, do tipo inquérito</p><p>domiciliar, observacional e longitudinal com idosos comunitários residentes em</p><p>Uberaba, Minas Gerais.</p><p>A coleta de dados, realizada em 2014 (de janeiro a abril) e 2016 (de março a</p><p>julho), faz parte de um projeto desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Saúde</p><p>Coletiva da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).</p><p>A população do estudo foi determinada mediante amostra por conglomerado</p><p>em múltiplo estágio.</p><p>Os idosos foram selecionados por meio de amostragem sistemática, onde o</p><p>primeiro estágio teve como base o sorteio arbitrário de 50% dos setores censitários</p><p>do município, com organização de listagem única dos setores e identificação do bairro</p><p>a que pertence.</p><p>Portanto, considerando 409 setores em 2014, 204 foram selecionados.</p><p>O primeiro setor censitário foi sorteado de forma aleatória e os demais conforme</p><p>o intervalo amostral (IA), que foi obtido por meio da fórmula:</p><p>IA = número total de setores censitários/número de setores censitários sorteados.</p><p>Dos 816 idosos elegíveis ocorreu perda de 87, referentes a setores</p><p>incompletos, totalizando 729 indivíduos em 2014.</p><p>Em 2016, para fins de recomposição, o sorteio arbitrário considerou 415</p><p>setores, perfazendo 769 idosos, dos quais 613 realizaram a entrevista completa (154</p><p>foram excluídos por declínio cognitivo no Mini Exame do Estado Mental, um endereço</p><p>não encontrado e um idoso repetido). Dos 613, apenas 380 eram os mesmos idosos</p><p>de 2014.</p><p>21</p><p>Foram incluídos no estudo indivíduos com idade maior ou igual a 60 anos,</p><p>residentes na zona urbana de Uberaba e que participaram da coleta de dados em</p><p>2014 e 2016.</p><p>Foram excluídos os idosos que estavam institucionalizados ou hospitalizados e</p><p>aqueles que apresentaram declínio cognitivo no Mini Exame do Estado Mental</p><p>(MEEM), de acordo com critérios de escolaridade, visando minimizar interferências do</p><p>auto relato e dificuldades de compreensão para responder os questionários e realizar</p><p>os testes físicos.</p><p>A coleta de dados contou com a colaboração de entrevistadores do Grupo de</p><p>Pesquisa em Saúde Coletiva da UFTM, que receberam treinamento e orientações.</p><p>Após a aplicação do MEEM, os idosos responderam instrumento estruturado</p><p>elaborado pelo grupo de pesquisa contendo os seguintes dados sócio</p><p>demográficos/econômicos e clínicos: sexo (masculino, feminino), idade (60|-80 anos,</p><p>80 anos ou mais), estado conjugal (nunca se casou ou morou com companheiro(a);</p><p>mora com esposo(a) ou companheiro(a); viúvo(a); separado(a), divorciado(a) ou</p><p>desquitado(a)); escolaridade em anos (0; 1|-5;</p><p>5|-9; 9|-12, mais do que 12),</p><p>aposentadoria (sim, não), atividade profissional (sim, não), renda mensal em salários</p><p>mínimos (não tem;</p><p>e de hábito de vida.</p><p>Constatou-se diminuição da capacidade funcional para as AIVD no período estudado,</p><p>porém, não ocorreu alteração significante nas ABVD.</p><p>25</p><p>O achado corrobora com estudos longitudinais realizados em Belo Horizonte -</p><p>MG e Botucatu-SP. De forma similar, investigações transversais identificaram maior</p><p>prevalência de incapacidade para as AIVD.</p><p>A maior dependência para as AIVD pode ser justificada pela hierarquia</p><p>existente entre as atividades de vida diária, nas quais as perdas ocorrem</p><p>primeiramente nas AIVD, que são mais complexas, para posteriormente afetar as</p><p>ABVD.</p><p>Além disso, o comprometimento das AIVD também pode ter ocorrido, devido à</p><p>relação que existe entre essas atividades e o nível de escolaridade, que foi</p><p>considerado baixo entre os idosos do presente estudo (1|-5 anos).</p><p>As oportunidades de aprendizado contribuem para o desenvolvimento de</p><p>habilidades e confiança necessárias para o alcance de um envelhecimento saudável,</p><p>com manutenção das AIVD, que quando são comprometidas podem afetar</p><p>negativamente a autonomia e a vida social do idoso, além da família que passará a</p><p>prestar cuidados e direcionar recursos financeiros para atender as demandas da</p><p>pessoa dependente. Semelhante às AIVD ocorreu diminuição no desempenho físico.</p><p>Não foram identificados estudos longitudinais nacionais com idosos</p><p>comunitários para comparação, contudo, pesquisa desenvolvida em um Núcleo de</p><p>Assistência Domiciliar Interdisciplinar mostrou que ao longo de um ano, os idosos</p><p>apresentaram redução no desempenho físico avaliado pelo SPPB, contrastando com</p><p>os achados da atual pesquisa.</p><p>O acúmulo de diversos danos celulares e moleculares em nível biológico</p><p>causam depleção gradativa nas reservas fisiológicas e consequentemente, um</p><p>declínio geral da capacidade intrínseca do idoso podendo afetar o desempenho físico.</p><p>Entretanto, cabe destacar que embora existam muitos idosos que convivem</p><p>com redução da função, o desenvolvimento dessa condição é específico de cada</p><p>indivíduo, podendo ocorrer de forma progressiva, distribuído ao longo dos anos ou</p><p>oscilar intercalando recuperação parcial ou até mesmo total.</p><p>O modelo final de regressão linear múltipla mostrou que a faixa etária, a</p><p>atividade profissional e a prática de atividade física foram fatores determinantes para</p><p>ambos os desfechos.</p><p>A escolaridade relacionou-se apenas com a capacidade funcional para as</p><p>AIVD, e o sexo e o número de medicamentos, com o desempenho físico.</p><p>26</p><p>A relação entre faixa etária e AIVD corrobora com estudo longitudinal realizado</p><p>com idosos comunitários e pesquisas transversais no sul do Brasil.</p><p>Em relação ao desempenho físico, a literatura mostra que idosos nas faixas</p><p>etárias mais avançadas apresentam piores resultados nos testes físicos.</p><p>Embora a idade cronológica não atue como um marcador preciso para as</p><p>mudanças ocorridas na senescência, deve-se destacar que a função física decresce</p><p>com o passar dos anos podendo trazer consequências negativas para o idoso, como</p><p>prejuízos na mobilidade, isolamento social, diminuição da qualidade de vida e</p><p>incapacidades que demandam serviços especializados.</p><p>A atividade profissional também apresentou relação com os dois desfechos.</p><p>Estudo realizado em Belo Horizonte - MG mostrou que idosos que trabalhavam</p><p>mantiveram 2,5 vezes mais chance de aumentar sua independência nas AIVD,</p><p>confirmando a associação do presente estudo.</p><p>Não foram identificadas pesquisas nacionais que mostraram a influência da</p><p>atividade profissional sobre o desempenho físico, mas sugere-se que ambos os</p><p>desfechos possam se beneficiar do exercício profissional, pois segundo D’Orsi et al.,</p><p>além de ser uma função executiva complexa que mantem o idoso ativo, também</p><p>possui um efeito protetor através de mecanismos de suporte social, semelhante ao</p><p>relacionamento com amigos, ou seja, conviver com outras pessoas permite relações</p><p>de cooperação e interação.</p><p>A prática de atividade física também esteve significativamente associada à</p><p>diminuição na capacidade funcional para as AIVD e no desempenho físico. Em relação</p><p>às AIVD, o achado é confirmado em outros estudos realizados com idosos</p><p>comunitários da Inglaterra e Colômbia.</p><p>A influência sobre o desempenho físico concorda com estudo longitudinal da</p><p>Itália, que destaca a importância do desenvolvimento de estratégias de saúde pública</p><p>voltadas para a manutenção dos níveis de atividade física em idosos ativos e o</p><p>incentivo da prática entre os inativos.</p><p>A escolaridade relacionou-se com a diminuição na capacidade funcional para</p><p>as AIVD, como verificado em inquérito epidemiológico, mas diferiu parcialmente de</p><p>pesquisa realizada em Bagé-RS, que encontrou associação entre baixo nível</p><p>educacional e maior chance de desenvolver incapacidade funcional tanto para as</p><p>AIVD quanto para as ABVD.</p><p>27</p><p>Contudo, como já afirmado, acredita-se que a relação entre escolaridade e</p><p>AIVD seja mais expressiva, pois essas atividades exigem mais de aspectos</p><p>intelectuais para a sua execução.</p><p>O sexo e o número de medicamentos foram fatores determinantes para a</p><p>diminuição ocorrida no desempenho físico.</p><p>A influência do sexo concorda com estudos realizados em comunidades do</p><p>Nordeste e do Sul do Brasil, onde as mulheres apresentaram maior limitação funcional</p><p>nos testes de desempenho.</p><p>A maior expectativa de vida que expõe as mulheres ao risco de desenvolver</p><p>doenças crônicas incapacitantes e a vulnerabilidade à discriminação que reflete no</p><p>acesso ao trabalho, no atendimento à saúde e a distribuição de renda1 podem</p><p>contribuir para a diferença entre os sexos, demandando atenção e ações específicas</p><p>a essa parcela da população.</p><p>Concernente à associação entre o número de medicamentos de uso contínuo</p><p>pelo idoso e a diminuição no desempenho físico, estudos realizados na Espanha com</p><p>idosos de centros de atenção primária e no Brasil, em um grupo de terceira idade,</p><p>também confirmaram essa associação, que ainda é pouco explorada na literatura.</p><p>É importante que os profissionais de saúde possuam conhecimento sobre os</p><p>padrões de uso, prescrição, interações medicamentosas e implicações clínicas que</p><p>podem interferir negativamente nos componentes do desempenho como a mobilidade</p><p>e o equilíbrio.</p><p>Dentre as limitações do presente estudo destaca-se a escassez de estudos</p><p>longitudinais em âmbito nacional sobre a capacidade funcional e o desempenho físico</p><p>de idosos comunitários concomitantemente, o que dificulta a comparação dos</p><p>achados.</p><p>Outro aspecto que demanda atenção na interpretação, comparação e</p><p>generalização dos resultados é a existência de variação nos conceitos e instrumentos</p><p>utilizados nos estudos para identificação das incapacidades e limitações funcionais.</p><p>Embora tenham sido identificados estudos longitudinais com tempo de</p><p>acompanhamento inferior7 ou semelhante ao do presente estudo, outra limitação é o</p><p>período de seguimento (dois anos) que foi considerado curto quando comparado ao</p><p>de outras pesquisas.</p><p>Independentemente dessa questão, os resultados do presente estudo alertam</p><p>para a importância da avaliação, acompanhamento e identificação dos fatores</p><p>28</p><p>determinantes da capacidade funcional e do desempenho físico, visto que em um</p><p>curto período, os idosos já apresentaram perdas.</p><p>Espera-se que esses achados contribuam para a promoção de um</p><p>envelhecimento com independência através do direcionamento de medidas</p><p>preventivas ao estado funcional do idoso considerando os fatores determinantes</p><p>identificados e, principalmente, forneçam subsídios para novas investigações.</p><p>As duas avaliações houve predomínio de idosos do sexo feminino, na faixa</p><p>etária de 60|-80 anos, que moravam com esposo (a) ou companheiro (a), com 1|-5</p><p>anos de estudo, aposentados, que tinham atividade profissional e com renda de 1</p><p>salário mínimo em 2014 e de 1-|3 em 2016.</p><p>Verificou-se que em um período de dois anos, ocorreu diminuição</p><p>da</p><p>capacidade funcional para a realização das AIVD e do desempenho físico dos idosos,</p><p>sendo identificados como fatores determinantes comuns aos desfechos a faixa etária,</p><p>atividade profissional e prática de atividade física.</p><p>A escolaridade foi fator específico somente para a capacidade funcional nas</p><p>AIVD, e o sexo e o número de medicamentos, para o desempenho físico.</p><p>A mudança tanto da capacidade funcional quanto do desempenho físico alerta</p><p>para a importância não somente da identificação precoce e do acompanhamento dos</p><p>casos, mas principalmente da proposição de intervenções com base nos fatores</p><p>identificados, objetivando prevenir o surgimento e a piora de quadros incapacitantes</p><p>que causam prejuízos biopsicossociais ao idoso, gastos para o sistema de saúde e</p><p>sobrecarga das famílias e comunidade.</p><p>9. ATIVIDADE FÍSICA E FUNCIONALIDADE DO IDOSO</p><p>Segundo Shumway-Cook e Woollacott (2003), há duas linhas teóricas</p><p>principais que investigam o envelhecimento, uma, considerando os aspectos</p><p>primários, e a outra os secundários.</p><p>A primeira está relacionada às características genéticas e à deterioração do</p><p>sistema nervoso; a segunda avalia a influência dos danos causados por fatores</p><p>ambientais, como a radiação, a poluição, o estilo de vida, dentre outros.</p><p>O envelhecimento como fenômeno complexo requer uma inter-relação entre os</p><p>diversos componentes associados.</p><p>29</p><p>Para a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2006), um dos componentes</p><p>mais importantes para se ter uma boa saúde é o estilo de vida adotado pelas pessoas,</p><p>o qual pode ser entendido como as ações realizadas pelo indivíduo no seu dia a dia:</p><p>alimentação, uso de drogas – lícitas e/ou ilícitas –, prática de atividades físicas</p><p>regulares, dentre outros, que são passíveis de serem modificadas.</p><p>Essa mesma organização reconhece a prática de atividades físicas como um</p><p>relevante meio de promoção da saúde e redução dos fatores de risco.</p><p>Porém, ao se refletir sobre as atividades físicas, precisa-se pensar além dos</p><p>benefícios biopsicossociais proporcionados pela sua prática, como também, por</p><p>exemplo, compreender as mudanças de comportamentos individuais e/ou coletivos</p><p>para a adesão e manutenção dessas atividades.</p><p>Essas só proporcionarão os devidos benefícios, se realizadas continua e</p><p>corretamente.</p><p>Sendo assim, tão importante quanto investigar os benefícios proporcionados</p><p>por essas práticas, é compreender como motivar as pessoas a se manterem</p><p>engajadas neste propósito.</p><p>Dessa forma, o presente artigo tem como proposta discutir aos fatores que</p><p>influenciam a adesão de idosos pela prática de atividades físicas. Idoso Define-se</p><p>como idoso todo indivíduo com idade igual ou superior a 60 anos para países em</p><p>desenvolvimento ou 65 anos, no caso de nações desenvolvidas (OMS, 2005).</p><p>As condições de saúde da população idosa podem ser compreendidas por</p><p>indicadores específicos do processo saúde/doença, destacando-se o perfil de</p><p>morbidade, mortalidade e qualidade de vida desta faixa etária.</p><p>Especificamente com relação às causas de morbidade no idoso, merecem</p><p>destaque as doenças e agravos nãomotriz, pois exigem acompanhamento constante</p><p>para que possa evitar o aumento da mortalidade nessa população.</p><p>Lima-Costa, Barreto, Giatti (2003) investigaram as condições de saúde do idoso</p><p>brasileiro (N=28.943). A prevalência de relato de DANT encontrada foi de 69%. As</p><p>principais doenças relatadas pelos indivíduos participantes do estudo foram:</p><p>hipertensão arterial (43,9%), artrite (37,5%), doenças do coração (19,0%) e diabetes</p><p>(10,3%).</p><p>Essas doenças tendem a se manifestar de forma ainda mais expressiva quanto</p><p>maior for a idade. Sabe-se que as DANT podem afetar a funcionalidade dos idosos,</p><p>30</p><p>dificultando ou impedindo o desempenho de suas atividades cotidianas de forma</p><p>independente.</p><p>Ainda que não sejam fatais, essas condições geralmente tendem a</p><p>comprometer de forma significativa a qualidade de vida dos mesmos (BRASIL, 2006).</p><p>Portanto, manter a autonomia e independência durante o processo de envelhecimento</p><p>é uma meta fundamental a ser alcançada.</p><p>A funcionalidade pode ser entendida como a capacidade da pessoa</p><p>desempenhar determinadas atividades ou funções, utilizando-se de habilidades</p><p>diversas para a realização de interações sociais, em suas atividades de lazer e em</p><p>outros comportamentos requeridos em seu dia-a-dia. De modo geral, representa uma</p><p>maneira de medir se uma pessoa é ou não capaz de independentemente</p><p>desempenhar as atividades necessárias para cuidar de si mesma e de seu entorno</p><p>(DUARTE, ANDRADE, LEBRÃO, 2007). Essas atividades são conhecidas como</p><p>atividades de vida diária (AVD) e subdividem-se em:</p><p>a) Atividades básicas de vida diária (ABVD) – que envolvem as relacionadas ao</p><p>auto-cuidado como alimentar-se, banhar-se, vestir-se, arrumar-se;</p><p>b) Atividades instrumentais de vida diária (AIVD) – que indicam a capacidade do</p><p>indivíduo de levar uma vida independente dentro da comunidade onde vive e inclui a</p><p>capacidade para preparar refeições, realizar compras, utilizar transporte, cuidar da</p><p>casa, utilizar telefone, administrar as próprias finanças, tomar seus medicamentos.</p><p>Entende-se então que a limitação ou a não realização dessas atividades,</p><p>desenvolve um quadro de incapacidade funcional do idoso.</p><p>Segundo Parahyba, Veras (2008), existem diversas formas de mensurar essa</p><p>limitação, por exemplo, através da declaração indicativa de dificuldade ou de</p><p>necessidade de ajuda tanto nas tarefas básicas de cuidados pessoais e quanto nas</p><p>mais complexas, imprescindíveis para viver de forma independente na comunidade.</p><p>Segundo esses mesmos autores, a avaliação funcional dos idosos, nos países</p><p>mais desenvolvidos, vem apontando uma melhoria nas condições de funcionalidade</p><p>dessa população devido a uma multifatoriedade:</p><p>i) Melhoria da tecnologia médica;</p><p>ii) Mudanças comportamentais</p><p>iii) Desenvolvimento de aparelhagem específica para pessoas com problemas de</p><p>saúde;</p><p>31</p><p>iv) Melhoria do da condição socioeconômica, principalmente em relação ao</p><p>aumento do nível educacional dos idosos e da mudança na composição ocupacional;</p><p>e</p><p>v) Mudanças no padrão epidemiológico da população, com diminuição</p><p>substantiva das doenças infecciosas que muitas vezes ocorriam na infância e</p><p>determinavam limitações e dificuldades funcionais na fase adulta da vida do indivíduo</p><p>(PARAHYBA, VERAS, 2008, p. 1258).</p><p>Quadro 1: Efeitos deletérios do envelhecimento</p><p>Adaptado de MATSUDO, 1996</p><p>A perda dessa funcionalidade pode ser atribuída a algumas modificações</p><p>morfofisiológicas que ocorrem no indivíduo durante o processo de envelhecimento,</p><p>limitando a sua autonomia, e conseqüentemente a independência.</p><p>Dentre essas alterações podemos citar as contidas no Quadro 1.</p><p>Nesse sentido, a prática das atividades físicas tem sido consistentemente</p><p>associada beneficamente para a manutenção da funcionalidade, reduzindo os efeitos</p><p>deletérios ocasionados pelo envelhecimento (OMS, 2005).</p><p>Atividade Física Caspersen, Powell, Christensen (1985) definiram atividade</p><p>física como qualquer movimento corporal, produzido pelos músculos esqueléticos,</p><p>que resulta em gasto energético maior do que os níveis de repouso, por exemplo,</p><p>como: caminhada, dança, jardinagem, subir escadas, dentre outras atividades.</p><p>32</p><p>Esses mesmos autores conceituaram o exercício físico como toda atividade</p><p>física planejada, estruturada e repetitiva que tem como objetivo a melhoria e a</p><p>manutenção de um ou mais componentes da aptidão física.</p><p>Esta por sua vez pode ser definida em duas vertentes, relacionada à saúde e à</p><p>performance (NAHAS, 2006).</p><p>Segundo esse autor, a primeira contempla atributos biológicos (força e</p><p>resistência muscular, flexibilidade, capacidade aeróbica, controle ponderal) que</p><p>oferecem alguma proteção ao aparecimento de distúrbios orgânicos provocados pelo</p><p>estilo de vida sedentário; a segunda</p><p>relacionada à performance, envolve uma série de</p><p>componentes relacionados ao desempenho esportivo ou laboral, como a agilidade, o</p><p>equilíbrio, a coordenação, a potência e as velocidades de deslocamento e de reação</p><p>muscular.</p><p>Sendo assim, deve-se estimular a população idosa à prática de atividades</p><p>físicas capazes de promover a melhoria da aptidão física relacionada à saúde.</p><p>Segundo estudos epidemiológicos, a prática das atividades físicas proporciona</p><p>benefícios nas áreas psicofisiológicas.</p><p>Sobre os benefícios psicológicos proporcionados pela prática de atividades</p><p>físicas Meurer, Benedetti, Mazo (2009), realizaram um estudo com 150 idosos de</p><p>ambos os sexos, que praticavam exercícios físicos em duas universidades públicas</p><p>do sul do Brasil.</p><p>Os resultados demonstraram que a participação nessas atividades podem ser</p><p>um dos fatores da percepção positiva sobre a autoimagem e autoestima encontradas</p><p>na população estudada.</p><p>Na área física, observa-se a redução do risco de mortes prematuras, doenças</p><p>do coração, acidente vascular cerebral, câncer de cólon e mama e diabetes tipo II;</p><p>bem como, atua na prevenção ou redução da hipertensão arterial, previne o ganho de</p><p>peso ponderal (diminuindo o risco de obesidade), auxilia na prevenção ou redução da</p><p>osteoporose, promove bem-estar, reduz o estresse, a ansiedade e a depressão (OMS,</p><p>2006).</p><p>Por outro lado, quando as pessoas possuem um estilo de vida inativo ou pouco</p><p>ativo, elas são classificadas como sedentárias.</p><p>Segundo Nahas (2006, p 35) “considera-se sedentário um indivíduo que tenha</p><p>um estilo de vida com um mínimo de atividade física, equivalente a um gasto</p><p>33</p><p>energético (trabalho + lazer + atividades domésticas + locomoção) inferior a 500 Kcal</p><p>por semana”.</p><p>Esse fenômeno pode ser decorrente de diversos fatores, entre eles o</p><p>desenvolvimento tecnológico que proporcionou mais comodidade à vida, incentivando</p><p>a hipocinesia; maior vivência do lazer doméstico (por exemplo, televisão, vídeo games</p><p>e jogos de computador), em virtude do crescimento da insegurança e do esvaziamento</p><p>dos espaços públicos nos centros urbanos; carência de espaços e equipamentos de</p><p>lazer comunitários que permitam a prática de atividades físicas, e outros fatores.</p><p>São inúmeros os dados na literatura que demonstram os enormes custos</p><p>sociais decorrentes da adoção de um estilo de vida sedentário (LAMBERTUCCI,</p><p>PUGGINA, PITHONCURI, 2006; PITANGA, 2002).</p><p>De acordo com o Center for DiseaseControlandPrevention dos EUA (CDC,</p><p>2004), a inatividade física é responsável por aproximadamente dois milhões de mortes</p><p>prematuras no mundo anualmente (estima-se que ela seja responsável por 10 a 16%</p><p>dos casos de cânceres de cólon e mama e diabetes, e 22% das doenças isquêmicas</p><p>do coração); também acarreta uma elevação do custo econômico para o indivíduo,</p><p>para a família e para a sociedade.</p><p>Segundo dados do CDC (2004), só nos Estados Unidos, em 2000, a inatividade</p><p>física foi responsável pelo gasto de 76 bilhões de dólares com custos médicos,</p><p>mostrando assim que seu combate merece prioridade na agenda da saúde pública.</p><p>10. ATIVIDADE FÍSICA E IDOSO</p><p>Seguindo as diretrizes da promoção da saúde, as atividades físicas</p><p>apresentam-se como um dos componentes mais importantes para a adoção de um</p><p>estilo de vida saudável e uma melhor qualidade de vida das pessoas (OMS, 2006).</p><p>Mas, infelizmente, apesar de todo conhecimento sobre os efeitos deletérios</p><p>proporcionados pela inatividade física, ainda constata-se um aumento dessa</p><p>prevalência em âmbito mundial, acarretando em um rápido crescimento das DANT.</p><p>Estudos em nível mundial demonstram o perfil da população inativa fisicamente</p><p>como sendo mais prevalente em mulheres, idosos, indivíduos de baixo nível</p><p>34</p><p>socioeconômico e escolaridade (WEINBERG, GOULD, 2001; GOMES, SIQUEIRA,</p><p>SICHIERI, 2001; FARIA JUNIOR, MENDES, BARBOSA, 2007).</p><p>10.1 Fatores Associados à Prática da Atividade Física</p><p>Em virtude do aumento da quantidade de pessoas inativas podemos fazer os</p><p>seguintes questionamentos: porque que algumas pessoas são ativas e outras não?</p><p>E porque outras tantas que iniciaram um programa de atividade física a</p><p>abandonam?</p><p>A adesão às atividades físicas é um fenômeno complexo e depende da relação</p><p>de diversas variáveis que geram os chamados fatores associados.</p><p>Diversos autores nos últimos anos vêm se dedicando aos estudos sobre os</p><p>fatores associados à prática da atividade física (SALLIS, OWEN, 1994; JACKSON et</p><p>al. 1999).</p><p>Sallis, Owen (1999) realizaram uma meta-análise envolvendo</p><p>aproximadamente 300 estudos e encontraram uma diversidade de fatores</p><p>relacionados à atividade física em adultos, apresentando uma associação (positiva ou</p><p>negativa) com a mesma, classificando esses fatores em seis diferentes dimensões:</p><p>Demográficos e biológicos; psicológicos, cognitivos e emocionais; culturais e</p><p>sociais; ambientais.</p><p>Assim, a prática da atividade física demonstra uma complexidade e diversidade</p><p>dos aspectos que podem influenciar a sua realização.</p><p>A investigação dos fatores que influenciam a adesão às atividades físicas como</p><p>promoção da saúde tem sido uma preocupação de 1 Aproximadamente 50% das</p><p>pessoas deixam de praticar atividade física ainda nos primeiros três a seis meses</p><p>(DISHMAN, 1994).</p><p>Para a OMS (2006), a probabilidade de um indivíduo e/ou comunidade ser</p><p>fisicamente ativa está relacionado à influência da análise de fatores individuais, micro</p><p>e macro-ambientais.</p><p>Segundo essa instituição, os fatores macro ambientais incluem as condições</p><p>gerais socioeconômicas, culturais e ambientais.</p><p>35</p><p>As influências resultantes dos micros ambientes incluem a ligação do ambiente</p><p>onde se vive e se trabalha, bem como o suporte das normas sociais e das</p><p>comunidades locais.</p><p>Nos fatores individuais, as atitudes em relação à atividade física, o acreditar na</p><p>sua própria possibilidade de ser ativo ou o conhecimento de oportunidades no dia-a-</p><p>dia, pode influenciar a probabilidade de ser ativo ou de alguém tentar novas atividades.</p><p>De acordo com a OMS (2006), apesar de o ambiente ser uma chave influente</p><p>nos níveis de atividade física, alguns fatores psicossociais influenciam as decisões</p><p>das pessoas sobre os seus estilos de vida e as suas escolhas em um comportamento</p><p>saudável ou de risco.</p><p>Esses fatores psicossociais são classificados em positivos ou facilitadores, e</p><p>negativos ou barreiras.</p><p>Os primeiros são compreendidos em:</p><p>1) Auto-eficácia (acreditar na própria capacidade para ser ativo);</p><p>2) Intenção para o exercício;</p><p>3) Ter prazer no exercício;</p><p>4) Nível percebido de saúde e aptidão física;</p><p>5) Automotivação;</p><p>6) Apoio social;</p><p>7) Esperança de benefícios do exercício;</p><p>8) Benefícios percebidos.</p><p>Já as barreiras são classificadas em:</p><p>1) A percepção da falta de tempo;</p><p>2) A percepção de que não se é do “tipo desportivo” (particularmente para as</p><p>mulheres);</p><p>3) Preocupações sobre a segurança pessoal;</p><p>4) Sensação de cansaço e preferência de descansar e relaxar no tempo livre;</p><p>5) Auto-percepções (por exemplo, assumir que já é suficientemente ativo).</p><p>Ao analisarmos essas variáveis, percebe-se haver uma inter-relação entre o</p><p>comportamento, as barreiras e a adesão para a prática das atividades físicas</p><p>(FIGUEIRA JUNIOR, 2000).</p><p>Para Souza (2003), iniciar um programa de atividades físicas não é uma</p><p>simples mudança de comportamento, mas, deriva de uma série de atos, incluindo o</p><p>36</p><p>planejamento, adaptação inicial, participação/manutenção e as experiências</p><p>anteriores dos indivíduos.</p><p>Percebe-se que as teorias que pretendem compreender a promoção da saúde</p><p>são complexas, incorporando a análise de múltiplos fatores através de uma</p><p>perspectiva ecológica, ou seja, abordam a interação dos aspectos</p><p>pessoalcomportamental, do ambiente e da situação/momento em que se encontra o</p><p>indivíduo.</p><p>Para Farinatti, Ferreira (2006),</p>