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<p>UNISINOS- Universidade do Vale do Rio dos Sinos.</p><p>Direito Previdenciário</p><p>Prof. Everson da Silva Camargo</p><p>e-mail: everson.camargo@gmail.com – escamargo@unisinos.br</p><p>Noções Gerais de Proteção Social e Seguridade Social</p><p>1 – Evolução da Ideia de Proteção Social:</p><p>A ideia de previdência social tem início no século XIX com a preocupação com</p><p>os infortúnios individuais relacionados ao trabalho.</p><p>A partir daí surge a proteção social como sendo “o conjunto de medidas de</p><p>caráter social, destinadas a atender certas necessidades individuais; mais</p><p>especificamente, as necessidades individuais que, não atendidas, repercutem sobre os</p><p>demais indivíduos e, em última análise, sobre a sociedade” (Celso Barroso Leite).</p><p>A proteção social evolui desde a ideia de assistência prestada por caridade até a</p><p>transformação em um direito subjetivo, garantido pelo estado e pela sociedade como</p><p>reflexo de 3 formas distintas de solução do problema:</p><p>a) Beneficência entre Pessoas;</p><p>b) Assistência Pública</p><p>c) Previdência Social</p><p>Na primeira etapa a proteção se inicia com a ideia de mútua assistência e caridade</p><p>geralmente ligadas a núcleos familiares, organizações profissionais como as</p><p>corporações de ofício ou ainda as entidades religiosas.</p><p>Na segunda etapa temos a assistência social estatal que se estabelece pela “Poor</p><p>Law” em 1601 na Inglaterra onde se estabeleceu uma forma de contribuição social</p><p>compulsória, com intuito assistencial.</p><p>Firma-se assim a ideia de que a primeira proteção social no mundo é a</p><p>preocupação assistencial aos pobres pelo Estado. “O Estado dá a assistência e o</p><p>mercado dá o resto” (Eli Andrade).</p><p>Na terceira etapa temos a formação do conceito de Bem-Estar Social. Surge com a</p><p>Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão em 1789 as bases do</p><p>conceito de seguridade social como direito subjetivo assegurado a todos.</p><p>mailto:everson.camargo@gmail.com</p><p>mailto:escamargo@unisinos.br</p><p>Essa ideia evolui para a formação da previdência social, pública, gerida pelo</p><p>Estado, com participação de toda a sociedade. Tal se fortalece com a sociedade</p><p>industrial ampliando a ideia de solidariedade.</p><p>A consequente revolução industrial, regulamentação econômica e trabalhista</p><p>influenciaram decisivamente a formação do conceito de seguridade social,</p><p>especialmente na proteção contra infortúnios no trabalho. Dentro dessa proteção surge</p><p>a ideia de seguros para situações de perda da capacidade laborativa, seja por velhice,</p><p>doença ou invalidez, além de pensão em caso de porte para auxílio dos dependentes.</p><p>Nasce uma nova política social que não é mais meramente assistencialista</p><p>lançando as bases fundamentais da ideia de previdência social.</p><p>A evolução da proteção social possui 4 fases:</p><p>a) Experimental</p><p>b) Consolidação</p><p>c) Expansão</p><p>d) Redefinição</p><p>Na fase experimental encontramos os seguros privados de Otto Von Bismarck</p><p>Na fase de consolidação temos a Constituição Mexicana (1917) e a Alemã (1919 –</p><p>Weimar).</p><p>A fase de expansão se dá no pós-segunda guerra mundial onde se abandona o</p><p>regime Bismarckiano (capitalização) e se dá início ao regime Beveridgeano (repartição</p><p>simples).</p><p>A fase de redefinição é também conhecida como fase de crise e que dão início as</p><p>reformas dos sistemas previdenciários que ainda acontecem pelo mundo na atualidade,</p><p>sendo a situação atual do Brasil desde 1988.</p><p>2 – Fundamentos da Previdência Social:</p><p>a) Dignidade da Pessoa Humana – os direitos sociais são considerados direitos</p><p>fundamentais, partindo da concepção de que o Estado não deve se manter inerte</p><p>diante de problemas decorrentes da desigualdade causada pela conjuntura econômica</p><p>e social.</p><p>b) Solidariedade Social – o afastamento da ideia de caridade limitada a família ou a</p><p>previdência por poupança se deve a ideia de que não se pode contar como certo o fato</p><p>de que sempre haverá alguém capaz de dar assistência ao inválido, mesmo nas</p><p>sociedades onde a pobreza pode ser considerada quase inexistente.</p><p>Também não se pode sustentar a tese de que o indivíduo deve ser responsável</p><p>por seu próprio sustento futuro devendo ser previdente e acumulando meios de</p><p>subsistência em caso de idade avançada, pois estaria descartando a ideia de</p><p>incapacidade ainda jovem. O mais precavido dos indivíduos ainda pode ser vítima de</p><p>infortúnios.</p><p>Trata-se a solidariedade social da concretização coletiva em prol daqueles que,</p><p>num futuro incerto, ou mesmo no presente, necessitem de prestações a serem</p><p>retiradas de um fundo comum.</p><p>c) Compulsoriedade de Filiação – nem sempre o trabalhador está em condições de</p><p>destinar, voluntariamente, parcela de seus rendimentos para uma poupança. Em</p><p>países onde o nível do salário é baixo, em geral o trabalhador necessita de todos os</p><p>recursos que adquire para sobreviver.</p><p>Daí nasce a necessidade da compulsoriedade de filiação eliminando o efeito da</p><p>imprevidência do trabalhador. Não se fala em previdência social sem se falar em</p><p>filiação compulsória sob pena de quebra da solidariedade social. Essa filiação</p><p>independe de manifestação de vontade sempre que exercer qualquer tipo (e qualquer</p><p>natureza) de atividade remunerada.</p><p>É automática e se dá de imediato.</p><p>d) Proteção aos Previdentes – resultado da filiação compulsória ou facultativa.</p><p>e) Redistribuição de Renda – trata-se de papel da previdência organizar as</p><p>desigualdades econômicas e sociais retirando contribuições maiores das camadas mais</p><p>bem remuneradas garantindo benefícios mínimos as populações de mais baixa renda.</p><p>Daqui se extrai a ideia de previdência universal, atingindo toda a população</p><p>economicamente ativa mediante a exigência de contribuições proporcionais a suas</p><p>capacidades e, em contrapartida pagando benefícios na necessidade de cada um</p><p>(seletividade)</p><p>f) Risco Social – são as camadas de proteção previdenciária que resultam na eleição</p><p>dos fatores que merecem a proteção social, como o caso de perda temporária ou</p><p>permanente da capacidade de trabalho e de auferir rendimentos.</p><p>3 – Modelos de Previdência Social:</p><p>Previdência Social é direito subjetivo do indivíduo exercido em face da</p><p>sociedade a que pertence. Nesse sentido se impõe que essa mesma sociedade</p><p>participe do regime de seguro social por meio de aportes de recursos suficientes para</p><p>aplicação da política nacional.</p><p>Esses modelos não são únicos, resultando no mundo em vários sistemas em</p><p>funcionamento, alguns inclusive em fase de transição.</p><p>Classificação Político-Ideológica:</p><p>a) Regime Social-Democrata – países nórdicos. Ênfase na universalidade, é</p><p>marcado por benefícios elevados em relação a outros países. Mescla benefícios</p><p>baseados em contribuições e não contribuições e uma malha considerável de serviços.</p><p>b) Regime Conservador- Corporativo – Europa Ocidental. Prioridade no seguro</p><p>social compulsório voltado a proteção de riscos sociais. Foco na população que exerce</p><p>trabalho remunerado e base primordial nas suas contribuições e dos tomadores dos</p><p>serviços. Benefícios baseados em não contribuição tem caráter assistencial.</p><p>c) Regime Liberal – proteção com benefícios baseados em contribuição e não</p><p>contribuição. Proteção residual que visa o combate a pobreza e a garantir patamar</p><p>mínimo de renda. Limitada rede de serviços públicos gratuitos. Canadá, Estados</p><p>Unidos, Irlanda e Reino Unido.</p><p>3.1 – Sistemas Contributivos e Não Contributivos:</p><p>Tem como base o custeio, entre outros modos, de acordo com a fonte de</p><p>arrecadação da receita necessária ao desempenho da política de proteção social.</p><p>Ambos os sistemas trabalham com a arrecadação de receitas e tributos,</p><p>geralmente ligados a legislação própria que destina os recursos ao sistema por meio de</p><p>contribuições sociais.</p><p>A diferença entre sistemas contributivos e não contributivos está ligada a</p><p>participação direta no financiamento do sistema.</p><p>Nos sistemas não contributivos não</p><p>encontram na ativa com menos de 30 anos de serviço,</p><p>que deverão cumprir um pedágio:</p><p>I – o militar da ativa que, na data da publicação desta Lei, contar 30 (trinta)</p><p>anos ou mais de serviço terá assegurado o direito de ser transferido para a</p><p>inatividade com todos os direitos previstos na Lei nº 6.880, de 9 de dezembro</p><p>de 1980 (Estatuto dos Militares), até então vigentes; e</p><p>II – o militar da ativa que, na data da publicação desta Lei, contar menos de 30</p><p>(trinta) anos de serviço deverá cumprir:</p><p>a) o tempo de serviço que faltar para completar 30 (trinta) anos, acrescido de</p><p>17% (dezessete por cento); e</p><p>b) o tempo de atividade de natureza militar de 25 (vinte e cinco) anos nas</p><p>Forças Armadas, que, em relação aos militares a que se refere o inciso I do</p><p>caput do art. 97 da Lei nº 6.880, de 9 de dezembro de 1980 (Estatuto dos</p><p>Militares), será acrescido de 4 (quatro) meses a cada ano, a partir de 1º de</p><p>janeiro de 2021, até atingir 30 (trinta) anos.</p><p>Uma vez mais, na história do nosso país, as mudanças de regras de inatividade</p><p>para os militares foram muito mais amenas do que aquela adotadas pela EC n.</p><p>103/2019 para os trabalhadores vinculados ao RGPS e para os servidores vinculados ao</p><p>RPPS da União.</p><p>5.1 – Características do Regime Geral:</p><p>• Exige contribuição prévia.</p><p>• Regime público.</p><p>• Filiação compulsória.</p><p>• Vínculo Institucional (não contratual).</p><p>• Servidores da iniciativa privada, servidores públicos não efetivos e os efetivos</p><p>sem regime próprio.</p><p>• É administrado pelo MTP e do INSS.</p><p>5.2 – Características do Regime Próprio:</p><p>• Pode ser criado pelos entes da federação em favor dos seus servidores efetivos.</p><p>• Caráter Contributivo e critérios que preservem o equilíbrio financeiro.</p><p>• Financiado por contribuições dos servidores efetivos.</p><p>• Administrado pelos instituidores em gestão independente do INSS.</p><p>• Somente para servidor efetivo.</p><p>• Sua instituição depende de lei ordinária de cada ente federativo.</p><p>• É compulsória a filiação e o vínculo é institucional.</p><p>• Sua ausência leva automaticamente a filiação ao RGPS.</p><p>• Lei 8118/90 – institui o RPPS da União, autarquias e fundações públicas</p><p>federais</p><p>5.3 – Características dos Regimes Complementares (Privados):</p><p>• Caráter Facultativo.</p><p>• Vínculo Contratual.</p><p>• Disciplinados pelas Leis Complementares 108 e 109 de 2001.</p><p>a) Aberta: acessível a todos e fiscalizada pela Susep.</p><p>b) Fechada: só acessível a grupos específicos, como empregados de empresas ou</p><p>grupos econômicos que adotam regime próprio (RBS, Petrobrás, etc).</p><p>Fiscalizados pela Previc.</p><p>Denomina-se regime de repartição de capital de cobertura.</p><p>Parte do benefício pago é destinado a reservas coletivas com fins de pagamento de</p><p>benefícios de imprevisão.</p><p>Organização da Seguridade Social, Relação Jurídica de Custeio e Relação</p><p>Jurídica de Vinculação</p><p>1 – Organização da Seguridade Social:</p><p>A lei 8212/91 não explicita o que é a seguridade ou a previdência social e</p><p>tampouco define objetivos ou diretrizes. Porém, em seu artigo 5º faz referência ao</p><p>Sistema Nacional de Seguridade Social, nomenclatura que abarca uma série de</p><p>estruturas:</p><p>a) Ministérios:</p><p>a.1) Ministério do Trabalho e da Previdência Social</p><p>a.2) Ministério da Saúde</p><p>a.3) Ministério da Cidadania (Secretaria de Desenvolvimento Social)</p><p>Regimes de</p><p>Previdência</p><p>Regimes de</p><p>Previdência</p><p>PúblicoPúblico</p><p>RGPSRGPS</p><p>RPPSRPPS</p><p>PrivadoPrivado</p><p>Previdência</p><p>Complementar</p><p>Aberto</p><p>Previdência</p><p>Complementar</p><p>Aberto</p><p>Previdência</p><p>Complementar</p><p>Fechado</p><p>Previdência</p><p>Complementar</p><p>Fechado</p><p>b) Autarquias:</p><p>b.1) Instituto Nacional do Seguro Social – vinculado ao Ministério do Trabalho e</p><p>Previdência faz a gestão apenas da parte operacional dos benefícios e das relações</p><p>entre segurado e previdência.</p><p>- Conceder e Manter Benefícios e Serviços Previdenciários.</p><p>- Gerir Recursos do Fundo do RGPS.</p><p>- Emitir Certidões Relativas ao Tempo de Contribuição ao RGPS.</p><p>- Calcular o montante das contribuições devidas.</p><p>b.2) Receita Federal do Brasil – responsável pela parte de lançamento,</p><p>fiscalização e arrecadação das contribuições previdenciárias, bem como a normatização</p><p>desses procedimentos, desde 2007.</p><p>b.3) Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) –</p><p>fiscalização e supervisão dos regimes complementares fechados.</p><p>c) Gestão Descentralizada:</p><p>c.1) Conselho Nacional da Seguridade Social (CNSS) - era o órgão superior de</p><p>deliberação colegiada da Seguridade Social até ser extinto em 1999. Sua composição</p><p>estava prevista nos artigos 6º e 7º da Lei 8212/91.</p><p>c.2) Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) - órgão superior de</p><p>deliberação colegiada e tem como atribuições:</p><p>- Estabelecer Diretrizes Gerais e Examinar Decisões Políticas afetas a</p><p>Previdência Social.</p><p>- Participar, Acompanhar e Avaliar a Gestão previdenciária.</p><p>- Apreciar e Aprovar Planos e Programas.</p><p>- Apreciar e Aprovar Propostas Orçamentárias de Previdência.</p><p>- Acompanhar e Apreciar a Execução de Planos, Programas e Orçamentos.</p><p>- Acompanhar a Aplicação da Legislação Previdenciária.</p><p>- Apreciar a Prestação de Contas Anual.</p><p>- Estabelecer Valores Mínimos para Transação ou Desistência de Recursos, sem</p><p>prévia consulta, em ações judiciais.</p><p>- Elaborar e Aprovar Regimento Interno.</p><p>- Elaborar e Aprovar Critérios de Pagamento dos Benefícios em Rede Bancária.</p><p>- Avaliar e Acompanhar os Trabalhos de Implantação do Cadastro Nacional das</p><p>Informações Sociais (CNIS).</p><p>c.3) Conselhos de Previdência Social (CPS) – com previsão no artigo 296-A do</p><p>Decreto 3048/99 (RPS) é órgão descentralizado ligado as gerências regionais do INSS.</p><p>c.4) Conselho Nacional da Assistência Social (CNAS) – integra o Ministério do</p><p>Cidadania. É formado pelos conselhos Estaduais (CEAS), conselhos Municipais (CMAS)</p><p>e pelo Conselho da Assistência Social (CAS), esse último com sede em Brasília.</p><p>c.5) Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) – instituído pelo</p><p>Lei 12154/2009. É composto pela Superintendência de Nacional de Previdência</p><p>Complementar (PREVIC), pela Secretaria de Políticas da Previdência Complementar</p><p>(SPPC), Casa Civil, Ministério do Trabalho e Previdência e representantes das entidades</p><p>patrocinadoras dos Regimes Privados Fechados.</p><p>c.6) Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) – será estudado na</p><p>matéria de processo administrativo previdenciário.</p><p>c.7) Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).</p><p>2 – Relação Jurídica de Custeio</p><p>É espécie do gênero obrigação tributária e decorre da relação representada</p><p>pelo vínculo entre o ente público responsável pela arrecadação das contribuições</p><p>previdenciárias e o responsável pelo cumprimento das obrigações (contribuinte).</p><p>Tem natureza tributária, decorre de norma legal prévia que estabelece os fatos</p><p>geradores da obrigação, ou seja, fatos que nascem do vínculo obrigacional entre</p><p>contribuinte, responsável e órgão de arrecadação.</p><p>2.1 – Contribuintes:</p><p>Não se confunde com o termo segurado já que o contribuinte é o sujeito</p><p>passivo da obrigação tributária podendo ser pessoa física ou jurídica que, por</p><p>determinação legal, está sujeita ao pagamento.</p><p>Pode ser o próprio contribuinte ou aquele que estiver responsável na forma da</p><p>lei. São eles:</p><p>a) Segurados – serão estudados na sequência.</p><p>b) Empresas e Entidades Equiparadas.</p><p>c) Produtor Rural Pessoa Física e Segurado Especial</p><p>d) Empregador Doméstico.</p><p>e) Apostadores de Concursos e Prognósticos</p><p>3 - Segurados e Relações Jurídicas de Vinculação:</p><p>3.1 – Relação Jurídica de Vinculação:</p><p>É primária, pois é por seu meio que se estabelece o liame jurídico entre as</p><p>pessoas tuteladas e o órgão gestor.</p><p>É compulsório, pois é obrigatória a adesão ao sistema por quem exerce</p><p>atividade remunerada.</p><p>Deriva da lei, pois é ela que define a circunstância</p><p>na</p><p>definição.</p><p>Incluem-se trabalhadores com vínculo de emprego nos termos da CLT e outros</p><p>que não se enquadram nessa definição.</p><p>Assim todo aquele que tiver relação de emprego conforme a CLT será segurado</p><p>empregado, mas nem todo segurado empregado terá vínculo na forma da CLT.</p><p>b) Empregado doméstico (art. 12, II, Lei 8212 e art. 11, II, Lei 8213):</p><p>Aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito</p><p>residencial desta, em atividade sem fins lucrativos.</p><p>Não fazia jus ao salário-família e da presunção do recolhimento de suas</p><p>contribuições para efeitos de carência (Ver EC 72/13).</p><p>Com o advento da LC 150/2015 e do e-social passou a ter presunção de</p><p>recolhimentos, mas apenas em 2020 passou a ter direito ao salário-família, sendo</p><p>equiparado aos empregados.</p><p>Elementos:</p><p>• Serviços de natureza contínua.</p><p>• Prestação de serviço para pessoa ou família: conceito em sentido amplo.</p><p>• Atividade sem fins lucrativos.</p><p>c) Contribuinte individual (art. 11, V, Lei 8213):</p><p>Categoria mais recente do RPS.</p><p>Inserida em 1999, pela Lei 9876, originalmente estava separa em empresário,</p><p>autônomo e equiparado a autônomo.</p><p>d) Trabalhador avulso (art. 9º, VI, RPS):</p><p>Rol taxativo:</p><p>- o trabalhador que exerce atividade portuária de capatazia, estiva, conferência</p><p>e conserto de carga, vigilância de embarcação e bloco;</p><p>- o trabalhador de estiva de mercadorias de qualquer natureza, inclusive carvão</p><p>e minério;</p><p>- o trabalhador em alvarenga (embarcação para carga e descarga de navios);</p><p>- o amarrador de embarcação;</p><p>- o ensacador de café, cacau, sal e similares;</p><p>- o trabalhador na indústria de extração de sal;</p><p>- o carregador de bagagem em porto;</p><p>- o prático de barra em porto;</p><p>- o guindasteiro;</p><p>- o classificador, o movimentador e o empacotador de mercadorias em portos;</p><p>e) Segurado especial:</p><p>Contempla pequenos produtores rurais, pescadores artesanais e seringueiros,</p><p>os quais desenvolvem suas atividades sozinhos ou em regime de economia familiar,</p><p>com ajuda de esposo, esposa, filhos e equiparados.</p><p>4.2. Segurado Facultativo:</p><p>Rol aberto.</p><p>É o maior de 16 anos que, sem exercer atividade remunerada que se enquadre</p><p>como segurado obrigatório do RGPS, contribui voluntariamente para a previdência</p><p>social.</p><p>É ato de vontade que somente gera efeitos a partir da inscrição e do primeiro</p><p>recolhimento, não podendo retroagir e não permitindo pagamentos relativos a</p><p>competências anteriores a data da inscrição.</p><p>Art. 11, §3º, RPS: A filiação na qualidade de segurado facultativo representa</p><p>ato volitivo, gerando efeito somente a partir da inscrição e do primeiro</p><p>recolhimento, não podendo retroagir e não permitindo o pagamento de</p><p>contribuições relativas a competências anteriores à data da inscrição,</p><p>ressalvado o § 3º do art. 28.</p><p>Art. 11, §4º, RPS: Após a inscrição, o segurado facultativo somente poderá</p><p>recolher contribuições em atraso quando não tiver ocorrido perda da qualidade</p><p>de segurado, conforme o disposto no inciso VI do art. 13.</p><p>São facultativos:</p><p>- aquele que se dedique exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de</p><p>sua residência;</p><p>- o síndico de condomínio, quando não remunerado;</p><p>- o estudante;</p><p>- o brasileiro que acompanha cônjuge que presta serviço no exterior;</p><p>- aquele que deixou de ser segurado obrigatório da previdência social;</p><p>- o membro de conselho tutelar de que trata o art. 132 da Lei nº 8.069, de 13</p><p>de julho de 1990, quando não esteja vinculado a qualquer regime de</p><p>previdência social;</p><p>- o estagiário que preste serviços a empresa nos termos do disposto na Lei nº</p><p>11.788, de 2008;</p><p>- o bolsista que se dedique em tempo integral a pesquisa, curso de</p><p>especialização, pós-graduação, mestrado ou doutorado, no Brasil ou no</p><p>exterior, desde que não esteja vinculado a qualquer regime de previdência</p><p>social;</p><p>- o presidiário que não exerce atividade remunerada nem esteja vinculado a</p><p>qualquer regime de previdência social;</p><p>- o brasileiro residente ou domiciliado no exterior;</p><p>- o segurado recolhido à prisão sob regime fechado ou semi-aberto, que, nesta</p><p>condição, preste serviço, dentro ou fora da unidade penal, a uma ou mais</p><p>empresas, com ou sem intermediação da organização carcerária ou entidade</p><p>afim, ou que exerce atividade artesanal por conta própria.</p><p>- o atleta beneficiário da Bolsa-Atleta não filiado a regime próprio de</p><p>previdência social ou não enquadrado em uma das hipóteses previstas no art.</p><p>9º.</p><p>A categoria definirá os direitos e deveres dos benefícios e do custeio.</p><p>5 – Dependentes:</p><p>São pessoas que possuem laços com o segurado e que, por isso, podem</p><p>titularizar prestações previdenciárias.</p><p>Estão agrupados em 3 classes (art. 16, Lei 8213):</p><p>I - o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado, de</p><p>qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou que tenha</p><p>deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave;</p><p>II - os pais;</p><p>III - o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um)</p><p>anos ou inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental ou deficiência</p><p>grave;</p><p>Há ainda os equiparados a filhos: enteados e menor sob tutela.</p><p>Incluído o menor sob guarda – decisão STF – ADI 4878 e 5083.</p><p>a - Algumas particularidades:</p><p>Cônjuge – pessoas unidas pelo casamento.</p><p>Companheiro e companheira – pessoas que vivem como se casadas fossem,</p><p>mas sem oficialização.</p><p>Portaria 513/2010 – abrange pessoas do mesmo sexo.</p><p>Vedado concubinato adulterino.</p><p>Filho – qualquer que seja sua condição</p><p>Não se prorroga sua dependência em razão de estudo – Súmula 37, TNU.</p><p>Só permanecerá vinculado por invalidez, deficiência mental ou intelectual que</p><p>o torne incapaz, desde que declarado judicialmente.</p><p>b - Há ainda os equiparados a filhos: enteados e menor sob tutela.</p><p>c - Irmão – seguirá o mesmo regime do filho.</p><p>ALTERADO PELA REFORMA PREVIDENCIÁRIA:</p><p>Os equiparados a filhos (enteados e menores sob tutela) deverão comprovar</p><p>dependência econômica.</p><p>5.1 - Perda da Qualidade de Dependente:</p><p>a) Para o cônjuge:</p><p>- pelo divórcio ou pela separação judicial ou de fato, enquanto não lhe for</p><p>assegurada a prestação de alimentos.</p><p>- pela anulação do casamento.</p><p>- pelo óbito.</p><p>- por sentença judicial transitada em julgado.</p><p>b) Para a companheira ou companheiro:</p><p>- pela cessação da união estável com o segurado ou segurada, enquanto não</p><p>lhe for garantida a prestação de alimentos.</p><p>c) Para o filho e o irmão, de qualquer condição:</p><p>- ao completarem vinte e um anos de idade, desde que a invalidez tenha</p><p>ocorrido antes:</p><p>I - do casamento;</p><p>II - do início do exercício de emprego público efetivo;</p><p>III - da constituição de estabelecimento civil ou comercial ou da existência de</p><p>relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis</p><p>anos completos tenha economia própria;</p><p>IV - concessão de emancipação, pelos pais, ou por um deles na falta do outro,</p><p>por meio de instrumento público, independentemente de homologação</p><p>judicial, ou por sentença judicial, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis</p><p>anos completos</p><p>d) Para os dependentes em geral:</p><p>I - pela cessação da invalidez ou da deficiência intelectual, mental ou grave;</p><p>II - pelo falecimento.</p><p>III - quem tiver sido condenado criminalmente por sentença com trânsito em</p><p>julgado, como autor, coautor ou partícipe de homicídio doloso, ou de tentativa</p><p>desse crime, cometido contra a pessoa do segurado, ressalvados os</p><p>absolutamente incapazes e os inimputáveis.</p><p>6 – Manutenção da Qualidade de Segurado:</p><p>A qualidade de segurado está ligada a condição do segurado de ser</p><p>beneficiários das prestações e serviços da seguridade social e como regra decorre da</p><p>manutenção da sua condição de filiação a que chamamos de filiação ordinária.</p><p>Porém, a lei reserva a possibilidade do segurado manter sua qualidade de</p><p>potencial beneficiário em casos em que venha a perder a filiação ordinária. Esse</p><p>período é conhecido como filiação extraordinária ou período de graça.</p><p>No período de graça o segurado e seus dependentes continuam amparados</p><p>pela previdência social mesmo não estando no exercício de atividade que os enquadre</p><p>como segurados obrigatórios, nem estando contribuindo na qualidade de facultativo.</p><p>A qualidade de segurado é mantida, independentemente de contribuições, nos</p><p>prazos do artigo 15 da Lei 8213/91:</p><p>a) Sem limite de tempo – segurado em gozo de benefício – exceto auxílio-</p><p>acidente.</p><p>b) até 12 meses:</p><p>- o segurado que deixar de exercer atividade remunerada abrangida pela</p><p>Previdência Social ou estiver suspenso ou licenciado sem remuneração</p><p>- Cessação de benefício por incapacidade (até 30/06/2020) – excluído após</p><p>Decreto 10410/2020 e reincluído após Decreto 10491/2020.</p><p>- Desemprego.</p><p>- Interrupção da atividade laboral.</p><p>- Cessação da segregação (doença).</p><p>- Livramento – se preso.</p><p>c) até 3 meses – licenciamento das forças armadas.</p><p>d) até 6 meses – facultativo</p><p>Esses períodos são computados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da</p><p>última contribuição com valor igual ou superior ao salário-mínimo.</p><p>O segurado que receber remuneração inferior ao limite mínimo mensal do salário</p><p>de contribuição somente manterá a qualidade de segurado se efetuar os ajustes de</p><p>complementação, utilização e agrupamento.</p><p>Há ainda a possibilidade da prorrogação do período de graça, prorrogação de</p><p>natureza extraordinária e que se destina aos casos de desemprego ou de interrupção</p><p>da atividade laboral (art. 15, §§ 1º e 2º, lei 8213/91):</p><p>I) Mais 12 meses – segurado em comprovado desemprego no período,</p><p>mediante registro no Ministério do Trabalho.</p><p>II) Até 24 meses – segurado que já contava com 120 contribuições sem</p><p>interrupção.</p><p>Essa regra também é aplicável ao segurado que tenha se desvinculado de regime</p><p>próprio de previdência.</p><p>A Turma Nacional de Uniformização já estabeleceu por meio da súmula 27 que o</p><p>registro que trata do desemprego não impede o reconhecimento e comprovação do</p><p>desemprego por outros meios.</p><p>No que diz respeito ao segurado que se licenciou das forças armadas, o período de</p><p>graça está condicionado a qualidade de segurado anterior ao ingresso. Tal regra se</p><p>aplica analogicamente ao segurado que preste serviço civil substitutivo em razão de</p><p>crença religiosa.</p><p>7 – Perda da Qualidade de Segurado:</p><p>A perda da qualidade de segurado, na forma do artigo 15, §4º, da Lei 8213/91</p><p>ocorrerá no dia seguinte ao término do prazo para pagamento da contribuição do mês</p><p>imediatamente posterior ao término do período de graça.</p><p>Ou seja, após o término do período de graça o segurado ainda possui mais 1</p><p>mês para efetivar o pagamento de uma contribuição para evitar a perda dessa</p><p>qualidade.</p><p>A perda da qualidade de segurado importa na caducidade dos direitos inerentes</p><p>a essa qualidade, porém não importa na supressão do direito adquirido à</p><p>aposentadoria quando preenchidos todos os requisitos segundo a lei vigente na época.</p><p>No caso de pensão por morte, esta será concedida se o falecido tiver</p><p>preenchido os requisitos para aposentadoria, ainda que não tivesse a qualidade de</p><p>segurado na data do óbito.</p><p>Isso é considerado em decorrência de desemprego em face da incapacidade</p><p>laborativa quando reconhecido que essa incapacidade iniciou ainda quando era</p><p>segurado e, portanto, deveria estar em gozo de benefício previdenciário (STJ).</p><p>Havendo perda da qualidade de segurado as contribuições anteriores só serão</p><p>computadas para efeito de carência depois que o segurado, em nova filiação, tiver</p><p>contribuído com metade da carência prevista para o benefício pretendido.</p><p>Essa regra anteriormente era de 1/3 do período, porém foi alterada no ano de</p><p>2017 pela medida provisória 767, posteriormente convertida em lei vigorando até 2019</p><p>quando da edição da Medida Provisória 871 que determinou que os períodos seriam</p><p>integrais.</p><p>A Medida Provisória 871 veio a ser convertida na Lei 13.846 com a previsão de</p><p>pagamento de metade das contribuições necessárias para carência em relação aos</p><p>benefícios de auxílio-doença, de aposentadoria por invalidez, de salário-maternidade e</p><p>de auxílio-reclusão.</p><p>A perda da qualidade de segurado não será considerada para fins de</p><p>aposentadoria especial, por tempo de contribuição ou idade, nem prejudicará a</p><p>carência nas aposentadorias.</p><p>8 – Reconhecimento do Tempo de Filiação:</p><p>Em qualquer época o segurado tem direito a ter reconhecido o tempo de</p><p>exercício de atividade antes abrangida pela previdência social (art. 121, RPS), o que</p><p>pode se dar por:</p><p>a) Indenização - quando o segurado decide recolher contribuições para a previdência</p><p>social em relação a período em que a filiação não era obrigatória.</p><p>Ex: doméstica que pretende ver reconhecido o período anterior a Lei 5859/72.</p><p>b) Retroação da data de início das contribuições - o contribuinte individual</p><p>manifesta interesse em recolher contribuições relativas a data anterior a sua inscrição,</p><p>desde que comprove exercício de atividade remunerada naquele período.</p><p>Não há prazo limite para o recolhimento, pois a lei 9876/99 eliminou o prazo</p><p>trintenária da lei anterior.</p><p>O valor a ser pago será (art. 45-A, §1º, Lei 8212/91) 20% da:</p><p>I - Média aritmética simples dos maiores salários de contribuição, reajustados,</p><p>correspondente a 80% de todo o período contributivo decorrido desde a</p><p>competência de julho de 1994 (RGPS);</p><p>II - Remuneração sobre a qual incidem as contribuições para o regime próprio</p><p>de previdência social a que estiver filiado o interessado, no caso de</p><p>indenização para fins de contagem recíproca, observados o limite máximo do</p><p>salário de contribuição da época e o disposto no regulamento (RPPS).</p><p>Sobre o valor será aplicado juros de 0,5% até o limite de 50% e multa de 10%.</p><p>O período a ser reconhecido mediante retroação ou indenização poderá ter as</p><p>contribuições parceladas.</p><p>Para o trabalhador rural, o tempo anterior a novembro de 1991 não exige</p><p>recolhimento, apenas comprovação de atividade.</p><p>9 - Contagem Recíproca:</p><p>É a possibilidade de contar em um regime de previdência o tempo de</p><p>contribuição efetuado em outro.</p><p>É a possibilidade de “averbação” do tempo do regime geral no próprio e vice-</p><p>versa.</p><p>A matéria se acha estabelecida no artigo 201, §9º, da Constituição Federal. Na</p><p>lei 8213/91 está nos artigos 94 a 99 e no RPS, arts. 125 a 134.</p><p>Deve ser observado que:</p><p>I - não será admitida conversão do tempo de contribuição exercido em</p><p>atividade sujeita à condições especiais.</p><p>II – não será admitida conversão do tempo cumprido pelo segurado com</p><p>deficiência.</p><p>III – não será admitida a contagem de qualquer tempo de serviço fictício.</p><p>Além disso:</p><p>I - não será admitida a contagem em dobro ou em outras condições</p><p>especiais;</p><p>II - é vedada a contagem de tempo de contribuição no serviço público com o</p><p>de contribuição na atividade privada, quando concomitantes;</p><p>III - não será contado por um regime o tempo de contribuição utilizado para</p><p>concessão de aposentadoria por outro regime;</p><p>IV - o tempo de contribuição anterior ou posterior à obrigatoriedade de</p><p>filiação à previdência social só será contado por meio de indenização da</p><p>contribuição correspondente ao período respectivo, com acréscimo de juros</p><p>moratórios de cinco décimos por cento ao mês, capitalizados anualmente, e</p><p>multa de dez por cento.</p><p>V - é vedada a emissão de certidão de tempo de contribuição com o registro</p><p>exclusivo de tempo de serviço sem a comprovação de contribuição efetiva,</p><p>exceto para segurado empregado, empregado doméstico, trabalhador avulso</p><p>e, a partir de 1º de abril de 2003, para o contribuinte</p><p>individual que preste</p><p>serviço a empresa obrigada a arrecadar a contribuição a seu cargo.</p><p>VI - para ex-servidor público, a certidão de tempo de contribuição somente</p><p>poderá ser emitida por regime próprio de previdência social.</p><p>VII - é vedada a contagem recíproca de tempo de contribuição do RGPS por</p><p>regime próprio de previdência social sem a emissão da certidão de tempo de</p><p>contribuição correspondente, ainda que o tempo de contribuição referente</p><p>ao RGPS tenha sido prestado pelo servidor público ao próprio ente</p><p>instituidor.</p><p>VIII - é vedada a desaverbação de tempo em regime próprio de previdência</p><p>social quando o tempo averbado tiver gerado a concessão de vantagens</p><p>remuneratórias ao servidor público em atividade.</p><p>IX - para fins de elegibilidade às aposentadorias especiais referidas no § 4º</p><p>do art. 40 e no §1º do art. 201 da Constituição, os períodos reconhecidos</p><p>pelo regime previdenciário de origem como de tempo especial sem</p><p>conversão em tempo comum deverão estar incluídos nos períodos de</p><p>contribuição compreendidos na certidão de tempo de contribuição e</p><p>discriminados de data a data.</p><p>É possível a averbação de tempo fracionado, quando apenas parte do tempo de</p><p>contribuição é utilizado para outro regime.</p><p>O tempo de trabalho rural, anterior a lei 8213/91 também poderá ser utilizado</p><p>para contagem recíproca, porém fica condicionado a devida indenização (súmula 10,</p><p>TNU).</p><p>Não se aplica mais o período de carência de 36 meses, pois o artigo 95, lei</p><p>8213/91, está revogado.</p><p>9.1 - Restrição:</p><p>O contribuinte individual e o facultativo do Plano Simplificado de Previdência</p><p>Social (PSPS) somente poderá se valer da contagem reciproca mediante a</p><p>complementação do valor pago até os 20% devidos, acrescidos de juros.</p><p>9.2 - Compensação Financeira:</p><p>A compensação financeira entre os diversos regimes previdenciários se dá na</p><p>forma da Lei 9796/99.</p><p>Regime de origem: aquele ao qual o segurado ou servidor esteve vinculado</p><p>sem que dele recebesse aposentadoria ou gerado pensão aos dependentes.</p><p>Regime instituidor: o responsável pela concessão e pagamento do benefício.</p><p>10 - Justificação Administrativa (art. 143 a 151 do RPS):</p><p>É o meio pelo o qual poderá ser suprida a falta ou insuficiência de documentos</p><p>ou provar fato ou circunstância do interesse do beneficiário.</p><p>A justificação administrativa ou judicial, para fins de comprovação de tempo de</p><p>contribuição, dependência econômica, identidade e relação de parentesco, somente</p><p>produzirá efeito quando for baseada em início de prova material contemporânea dos</p><p>fatos e não serão admitidas as provas exclusivamente testemunhais, sendo dispensada</p><p>a prova material em caso fortuito ou de força maior.</p><p>São motivos de força maior ou caso fortuito a verificação de ocorrência notória,</p><p>tais como incêndio, inundação ou desmoronamento, que tenha atingido a empresa na</p><p>qual o segurado alegue ter trabalhado, devendo ser comprovada mediante registro da</p><p>ocorrência policial feito em época própria ou apresentação de documentos</p><p>contemporâneos dos fatos, e verificada a correlação entre a atividade da empresa e a</p><p>profissão do segurado.</p><p>Se a empresa não estiver mais em atividade, deverá o interessado juntar prova</p><p>oficial de sua existência no período que pretende comprovar.</p><p>No caso dos segurados empregado doméstico e contribuinte individual, após a</p><p>homologação do processo, este deverá ser encaminhado ao setor competente de</p><p>arrecadação para levantamento e cobrança do crédito.</p><p>A homologação da justificação judicial processada com base em prova</p><p>exclusivamente testemunhal dispensa a justificação administrativa, desde que</p><p>complementada com início de prova material contemporânea dos fatos. (Redação</p><p>modificada pelo Decreto 10410/2020 – antes a redação era prova razoável).</p><p>A inclusão, a exclusão, a ratificação e a retificação de vínculos, remunerações e</p><p>contribuições, ainda que reconhecidos em ação trabalhista transitada em julgado,</p><p>dependerão da existência de início de prova material contemporânea dos fatos.</p><p>(Redação introduzida pelo Decreto 10.410/2020)</p><p>Não tramita como processo autônomo. Na antiga redação do Decreto 3048/99</p><p>era indicado como parte de processo administrativo antecedente. Atualmente é tido</p><p>como parte do processo de atualização dos dados do CNIS ou de reconhecimento de</p><p>direitos.</p><p>Não se admite para provar fatos ou condições que dependem de registro</p><p>público.</p><p>Para o processamento o interessado deverá apresentar requerimento expondo,</p><p>clara e minuciosamente, os pontos que pretende justificar, indicando testemunhas</p><p>idôneas em número não inferior a 3 ou superior a 6 (até 30/06/2020) ou não inferior a</p><p>2 e superior a 6 (após 30/06/2020).</p><p>Relação Jurídica de Prestação</p><p>1 – Elementos:</p><p>Decorre da relação jurídica de proteção e possui dois momentos distintos:</p><p>a) Antecedente Normativo: previsão hipotética do fato que, uma vez</p><p>ocorrido, dará ensejo ao nascimento da relação jurídica prestacional. Descreve</p><p>os elementos materiais, espaciais e temporais que identificam os fatos</p><p>tutelados. Decorre da relação jurídica de proteção.</p><p>b) Consequente Normativo: direito subjetivo de exigir a prestação</p><p>correspondente. Descreve os elementos quantitativos e subjetivos.</p><p>Quantitativo = valor da prestação.</p><p>Subjetivos = ocupa-se dos polos da relação de prestação.</p><p>2 - Características da Relação Jurídica:</p><p>• De trato sucessivo – perdura no tempo.</p><p>• Unitária – previsão decorre de lei.</p><p>• Onerosa – contribuição prévia.</p><p>• Sinalagmática – recíproca.</p><p>• Aleatória – falta de certeza quanto ao recebimento da prestação.</p><p>3 - Espécies de Prestação:</p><p>a) Quanto ao segurado:</p><p>• Aposentadoria por invalidez (aposentadoria por incapacidade permanente).</p><p>• Aposentadoria por idade (aposentadoria programada).</p><p>• Aposentadoria por idade do trabalhador rural</p><p>• Aposentadoria por tempo de contribuição (extinta com a EC 103/2019).</p><p>• Aposentadoria especial.</p><p>• Auxílio-doença (auxílio por incapacidade temporária).</p><p>• Salário-família.</p><p>• Salário-maternidade.</p><p>• Auxílio-acidente.</p><p>b) Quanto ao dependente:</p><p>• Pensão por morte.</p><p>• Auxílio-reclusão.</p><p>c) Quanto ao segurado e ao dependente:</p><p>• Serviço social.</p><p>• Reabilitação profissional.</p><p>4 - Características da Prestação:</p><p>• Alimentariedade.</p><p>• Definitividade.</p><p>• Continuidade.</p><p>• Irrenunciabilidade.</p><p>• Indisponibilidade.</p><p>• Imprescritibilidade</p><p>5 – Carência:</p><p>É o instituto técnico ligado a atividade securitária imprescindível para a</p><p>manutenção de seu equilíbrio financeiro e atuarial.</p><p>O período de carência é o número mínimo de contribuições mensais</p><p>indispensáveis para que o beneficiário faça jus ao benefício, consideradas a partir do</p><p>transcurso do primeiro dia dos meses de suas competências.</p><p>A estipulação da carência guarda relação com a previsibilidade de fruição.</p><p>Quanto mais programável, maior a carência.</p><p>Não se conta para efeito de carência o tempo de atividade do trabalhador rural</p><p>anterior a novembro de 1991.</p><p>As contribuições vertidas em atraso serão consideradas para fins de carência</p><p>desde que sejam vertidas após a primeira contribuição em dia (TNU).</p><p>Não se admite recolhimento antecipado para fins de carência e obtenção de</p><p>benefícios.</p><p>O gozo de benefício por incapacidade será computado para fins de tempo de</p><p>contribuição e carência, quando intercalados com períodos de atividade e recolhimento</p><p>(súmula 73, TNU).</p><p>O Decreto 10.410/2020 ao alterar o Decreto 3.048/99 apresenta no artigo 19 –</p><p>C, §1º, a proibição da contagem desse tempo para efeitos de carência.</p><p>Para o segurado especial, considera-se período de carência o tempo mínimo de</p><p>efetivo exercício de atividade rural, ainda que de forma descontínua, igual à</p><p>quantidade de meses necessária à concessão do benefício requerido.</p><p>Para efeito</p><p>de carência, considera-se presumido o recolhimento das</p><p>contribuições do segurado empregado, do trabalhador avulso e, relativamente ao</p><p>contribuinte individual, a partir da competência abril de 2003, as contribuições dele</p><p>descontadas pela empresa.</p><p>Para fins de carência, no caso de segurado empregado doméstico, considera-se</p><p>presumido o recolhimento das contribuições dele descontadas pelo empregador</p><p>doméstico, a partir da competência junho de 2015. Quando filiado ao RGPS nessa</p><p>condição até 31 de maio de 2015, o período de carência será contado a partir da data</p><p>do efetivo recolhimento da primeira contribuição sem atraso.</p><p>As contribuições vertidas para regime próprio de previdência social serão</p><p>consideradas para todos os efeitos, inclusive para os de carência, desde que</p><p>devidamente averbadas.</p><p>5.1 - Benefícios com Carência:</p><p>a) Auxílio-doença e aposentadoria por invalidez (incapacidade permanente) – 12</p><p>contribuições.</p><p>b) Aposentadoria por idade, tempo de serviço e especial – 180 contribuições para os</p><p>filiados antes da reforma (art. 18 da EC 103).</p><p>c) Aposentadoria por idade (programada) e especial – 15 anos de contribuições para</p><p>mulheres e 20 anos de contribuições se homem (sujeita a lei que altere a</p><p>regulamentação – art. 19 da EC 103).</p><p>d) Salário-maternidade para individuais, facultativos e especiais – 10 contribuições.</p><p>e) Pensão Por Morte – 18 contribuições para período superior a 4 meses de benefício.</p><p>f) Auxílio-reclusão – 24 contribuições.</p><p>5.2 - Regras Especiais:</p><p>a) Salário-maternidade em caso de parto antecipado – carência reduz em número de</p><p>contribuições igual ao número de meses antecipados do parto.</p><p>b) Segurado especial – trata-se de comprovação de tempo efetivo de atividade ainda</p><p>que descontinuada.</p><p>5.3 - Benefícios Sem Carência:</p><p>Fruto da incompatibilidade ou imprevisão.</p><p>a) Salário-família.</p><p>b) Auxílio-acidente (de qualquer natureza).</p><p>c) Auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez quando:</p><p>- Decorrente de acidente de qualquer natureza.</p><p>- Doença profissional ou do trabalho.</p><p>- Doença ou afecção enquadrada na Portaria MPAS/MS 2998/01 – até</p><p>30/06/2020</p><p>- Doenças ou afecções especificadas em lista elaborada pelos Ministérios da</p><p>Saúde e da Economia, atualizada a cada três anos, de acordo com os critérios</p><p>de estigma, deformação, mutilação, deficiência ou outro fator que lhe confira</p><p>especificidade e gravidade que mereçam tratamento particularizado – após</p><p>30/06/2020.</p><p>Obs: Até que seja elaborada a lista de doenças ou afecções, independerá de</p><p>carência a concessão de auxílio por incapacidade temporária e de</p><p>aposentadoria por incapacidade permanente ao segurado que, após filiar-se ao</p><p>RGPS, seja acometido por alguma das seguintes doenças:</p><p>I - tuberculose ativa;</p><p>II - hanseníase;</p><p>III - alienação mental;</p><p>IV - esclerose múltipla;</p><p>V - hepatopatia grave;</p><p>VI - neoplasia maligna;</p><p>VII - cegueira;</p><p>VIII - paralisia irreversível e incapacitante;</p><p>IX - cardiopatia grave;</p><p>X - doença de Parkinson;</p><p>XI - espondiloartrose anquilosante;</p><p>XII - nefropatia grave;</p><p>XIII - estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante);</p><p>XIV - síndrome da imunodeficiência adquirida (aids);</p><p>XV - contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina</p><p>especializada.</p><p>d) Aposentadoria por idade ou por invalidez, de auxílio-doença, de auxílio-reclusão ou</p><p>de pensão, no valor de 1 (um) salário mínimo ao segurado especial que comprove o</p><p>exercício de atividade rural, ainda que de forma descontínua, no período,</p><p>imediatamente anterior ao requerimento do benefício, igual ao número de meses</p><p>correspondentes à carência do benefício requerido.</p><p>e) Serviço social.</p><p>f) Reabilitação profissional.</p><p>g) Salário-maternidade para as seguradas empregada, trabalhadora avulsa e</p><p>doméstica.</p><p>h) Pensão por Morte até 4 meses de prestação.</p><p>5.4 - Termo Inicial:</p><p>A partir da filiação para os empregados, domésticos e trabalhadores avulso,</p><p>contribuição presumida (a partir de 30/06/2020 - antes o doméstico era a partir da</p><p>primeira em dia).</p><p>A contar do efetivo pagamento da primeira contribuição sem atraso para os</p><p>segurados individual, especial (contribuinte) e facultativo.</p><p>Especial não contribuinte é a partir do efetivo exercício da atividade, mediante</p><p>comprovação.</p><p>As contribuições anteriores recolhidas com atraso serão desconsideradas para</p><p>carência, mas contarão como tempo de contribuição, exceto para o facultativo.</p><p>O contribuinte individual quando prestar serviço para empresa se enquadra na</p><p>hipótese dos empregados.</p><p>5.5 - Caso Especial:</p><p>Aposentadoria por idade e tempo de contribuição. A lei 8213/91 triplicou o</p><p>prazo de carência em razão da legislação anterior. O segurado filiado em data anterior</p><p>a 24/07/1991 deve obedecer a tabela progressiva do artigo 142 da Lei 8213/91</p><p>Na aposentadoria por idade aplica-se a regra do congelamento de carência.</p><p>Súmula 44 do TNU.</p><p>6 – Acumulação de Benefícios:</p><p>Não pode ser acumulado:</p><p>a) Aposentadoria e auxílio-doença (auxílio por incapacidade temporária).</p><p>b) Mais de uma aposentadoria.</p><p>c) Aposentadoria e abono de permanência.</p><p>d) Salário-maternidade e auxílio-doença (auxílio por incapacidade</p><p>temporária).</p><p>e) Mais de um auxílio-acidente.</p><p>f) Mais de uma pensão (cônjuge, companheiro ou companheira), ressalvado</p><p>o direito de escolha à mais vantajosa.</p><p>g) Seguro-desemprego, exceto com pensão por morte, auxílio-acidente,</p><p>auxílio-reclusão, abono de permanência e auxílio-suplementar.</p><p>h) Auxílio-acidente com qualquer aposentadoria.</p><p>i) Mais de um auxílio-doença (auxílio por incapacidade temporária).</p><p>j) Auxílio-doença (auxílio por incapacidade temporária) reaberto com auxílio-</p><p>acidente.</p><p>k) Auxílio-doença (auxílio por incapacidade temporária), aposentadoria e</p><p>salário-maternidade com auxílio-reclusão, ressalvado o direito ao benefício</p><p>mais vantajoso mediante concordância inclusive dos dependentes.</p><p>7 – Prescrição e Decadência:</p><p>Decadência para ação ou revisão de ato de concessão de benefício: 10 anos.</p><p>- contado do dia primeiro do mês seguinte ao recebimento da primeira</p><p>prestação.</p><p>- da ciência do indeferimento definitivo da revisão na esfera administrativa.</p><p>Prescrição para cobrança de valores vencidos ou quaisquer restituições: 5</p><p>anos.</p><p>Cálculo do Valor do Benefício</p><p>1 – Renda Mensal Inicial:</p><p>É o valor em dinheiro da prestação previdenciária. Pode se dar por duas</p><p>formas.</p><p>a) Calculada por meio do salário de benefício:</p><p>Aposentadoria por tempo de contribuição (extinta).</p><p>Aposentadoria especial.</p><p>Aposentadoria por invalidez (incapacidade permanente).</p><p>Aposentadoria por idade (programada).</p><p>Auxílio-doença (incapacidade temporária).</p><p>Auxílio-acidente.</p><p>b) Calculada sem influência do salário de benefício:</p><p>Pensão por morte.</p><p>Auxílio-reclusão.</p><p>Salário-maternidade.</p><p>Salário-família.</p><p>1.1 - Fórmula do Cálculo:</p><p>Renda mensal = salário de benefício x percentual (coeficiente).</p><p>a) Percentuais (coeficientes):</p><p>I - Aposentadoria por tempo de contribuição = 100% (extinta).</p><p>II - Aposentadoria especial = 100% (até 12/11/2019)</p><p>Aposentadoria especial = 60% + 2% para cada ano adicional de</p><p>contribuição a partir de 20 anos para homens e 15 anos para mulheres.</p><p>III - Aposentadoria por Invalidez = 100% (até 12/11/2019).</p><p>Aposentadoria por invalidez (incapacidade permanente) = 60% + 2% para</p><p>cada ano adicional de contribuição a partir de 20 anos para homens e 15</p><p>anos para mulheres.</p><p>IV - Aposentadoria por invalidez (incapacidade permanente) nos casos de</p><p>acidente do trabalho ou doença ocupacional = 100%.</p><p>V - Aposentadoria por idade = 70% + 1% para cada 12 contribuições até o</p><p>limite de 30% (até 12/11/2019).</p><p>Aposentadoria por idade (programada) = 60%</p><p>+ 2% para cada ano</p><p>adicional de contribuição a partir de 20 anos para homens e 15 anos para</p><p>mulheres).</p><p>VI - Auxílio-doença = 91%.</p><p>VII - Auxílio-acidente = 50%</p><p>b) Limites:</p><p>I - Mínimo = salário mínimo.</p><p>É o nacional, mesmo que os Estados fixem o seu.</p><p>É o limite mínimo para os benefícios que substituem o salário de</p><p>contribuição.</p><p>Não se aplica aos benefícios de natureza complementar: salário-família e</p><p>auxílio-acidente.</p><p>II - Máximo = limite máximo do salário de contribuição (R$7.087,22).</p><p>É a base de cálculo máxima que pode se oferecer a tributação.</p><p>Salário de contribuição é diferente da contribuição, esse é obtida com base</p><p>naquele.</p><p>Obs: Não estão limitados ao limite máximo:</p><p>O salário-maternidade para a segurada empregada e trabalhadora</p><p>avulsa – limite é o subsidio do Ministro do STF.</p><p>Aposentadoria por invalidez, acrescida de 25% adicional conferido ao</p><p>segurado que necessita de ajuda permanente de outra pessoa.</p><p>c) Contribuição = salário de contribuição x percentual (alíquota).</p><p>1.2 - Salário de Benefício:</p><p>O salário de benefício é a grandeza intermediária para o cálculo da renda</p><p>mensal do benefício. Isoladamente não possui valor significativo.</p><p>Nem todos os benefícios têm sua renda mensal dependente do salário de</p><p>benefício, como já vimos.</p><p>A pensão por morte e o auxílio-reclusão a princípio são excluídos também da</p><p>incidência do salário de benefício, porém indiretamente sofrem seus efeitos.</p><p>O salário de benefício será calculado pela médica aritmética simples de salários</p><p>de contribuição atualizados, considerando certo período contributivo denominado de</p><p>período básico de cálculo ou PBC.</p><p>No caso de aposentadoria por idade ou tempo de contribuição, aplica-se ainda</p><p>o fator previdenciário.</p><p>1.3 - Formas de cálculo:</p><p>a) Constituição de 1988 e Lei 8213, até a EC 20/1998:</p><p>A média dos 36 últimos salários de contribuição dos meses imediatamente</p><p>anteriores ao do afastamento da atividade ou entrada do requerimento,</p><p>apurados me período não superior a 48 meses.</p><p>Havia ainda uma limitação para evitar fraude:</p><p>Não será considerado o aumento dos salários que exceder o limite legal,</p><p>inclusive o voluntário, salvo os homologados pela Justiça do Trabalho,</p><p>resultante de promoção por regulamento de empresa, admitidos pela</p><p>legislação trabalhista, sentença normativa, ou reajuste obtido pela categoria.</p><p>Com o advento da Lei 9876/99 surgiram 3 cenários para o cálculo do salário de</p><p>benefício:</p><p>I) Segurado que cumpriu os requisitos para o benefício até</p><p>28.11.1999:</p><p>Será calculado pela regra antiga: 36 últimos salários de contribuição no limite</p><p>de 48 meses. Fica ainda assegurado o cálculo pelo cenário 2 se mais vantajoso.</p><p>II) Segurado filiado até 28.11.1999 e que vier a cumprir os requisitos</p><p>após essa data:</p><p>O cálculo será pela média aritmética simples dos maiores salários de</p><p>contribuição correspondentes a, no mínimo, 80% de todo o período contributivo a</p><p>partir de julho de 1994.</p><p>Nos casos de aposentadoria por idade, especial e tempo de contribuição o</p><p>divisor não poderá ser inferior a 60% do período transcorrido de julho de 1994 até a</p><p>data do início do benefício.</p><p>III) Segurado filiado a partir de 29.11.1999:</p><p>Para aposentadoria por idade e tempo de contribuição a média aritmética</p><p>simples dos 80% maiores salários de contribuição de todo o período contributivo,</p><p>multiplicada pelo fator previdenciário.</p><p>Para aposentadoria especial, por invalidez, auxílio-doença e auxílio-acidente a</p><p>média aritmética simples dos 80% maiores salários de contribuição de todo o período</p><p>contributivo, sem fator previdenciário.</p><p>• Situação especial: na aposentadoria por idade o fator previdenciário é</p><p>facultativo só sendo aplicado se melhorar a média. Ou seja, se for maior que 1.</p><p>As médias serão calculadas com base nos salários de contribuição atualizados</p><p>(art. 201, §3º, CF/88). A atualização será mediante a aplicação do INPC, mês a mês.</p><p>O salário de benefício terá como limite mínimo o salário-mínimo nacional e</p><p>como máximo o limite máximo do salário de contribuição na data do início do</p><p>benefício. Não há exceção.</p><p>Caso a média resulte em valor superior ao limite máximo a diferença percentual</p><p>entre a média e o limite será incorporada ao valor do benefício com o primeiro reajuste</p><p>do mesmo após a concessão, limitado ao teto da data do reajuste.</p><p>IV) A partir da EC 103/2019 a partir de 13/11/2019:</p><p>Até que lei discipline o cálculo dos benefícios do regime próprio de previdência</p><p>social da União e do Regime Geral de Previdência Social, será utilizada a média</p><p>aritmética simples dos salários de contribuição e das remunerações adotados como</p><p>base para contribuições a regime próprio de previdência social e ao Regime Geral de</p><p>Previdência Social, ou como base para contribuições decorrentes das atividades</p><p>militares de que tratam os arts. 42 e 142 da Constituição Federal, atualizados</p><p>monetariamente, correspondentes a 100% (cem por cento) do período contributivo</p><p>desde a competência julho de 1994 ou desde o início da contribuição, se posterior</p><p>àquela competência.</p><p>Há que se observar ainda a regra dos descartes que foi estabelecida no art. 29,</p><p>parágrafo 6º da Emenda Constitucional 103/2019.</p><p>Essa regra implica na exclusão manual dos valores que reduzem o benefício</p><p>previdenciário da pessoa, com isso, é preciso fazer um cálculo para verificar se alguns</p><p>benefícios são úteis ou não.</p><p>A vantagem é que o descarte manual pode beneficiar as pessoas até mais do</p><p>que o antigo descarte automático, sendo superior a 20% das piores contribuições</p><p>descartadas.</p><p>O segurado pode optar por excluir contribuições da conta do Período Base de</p><p>Cálculo que são prejudiciais para a sua aposentadoria. Porém, se optar por fazer o</p><p>descarte, os recolhimentos excluídos não valerão para tempo total de contribuição.</p><p>1.4 - Fator Previdenciário:</p><p>f = fator previdenciário</p><p>Tc = tempo de contribuição do trabalhador</p><p>a = alíquota de contribuição (0,31)</p><p>Es = expectativa de sobrevida do trabalhador na data da aposentadoria</p><p>Id = idade do trabalhador na data da aposentadoria</p><p>Na variável Tc será aplicado um bônus de:</p><p>a) 5 anos para mulher.</p><p>b) 5 anos para professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo</p><p>serviço no magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio.</p><p>c) 10 anos para professora que comprove exclusivamente tempo de efetivo</p><p>serviço no magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio.</p><p>1.5 - Existência de benefício no período básico de cálculo:</p><p>Se for benefício por incapacidade será computado o período tendo como salário</p><p>de contribuição o salário de benefício que serviu de base para a renda mensal</p><p>reajustados nas épocas e bases dos benefícios em geral.</p><p>Para a aposentadoria por invalidez será de 100% do salário de benefício que</p><p>serviu de base para o auxílio-doença na data da concessão reajustado nas datas e</p><p>pelos índices gerais.</p><p>1.6 - Atividades concomitantes:</p><p>O salário de benefício será calculado com base na soma dos salários de</p><p>contribuição das atividades exercidas na data do requerimento ou do óbito ou no</p><p>período básico de cálculo quando ambas as atividades preencherem os requisitos para</p><p>a concessão tendo como limite o teto – regra para todos os casos a partir da vigência</p><p>da lei 13.846/2019.</p><p>Não entram na regra:</p><p>a) Quando em respeito ao teto o empregado contribuiu por apenas uma</p><p>atividade.</p><p>b) Quando em respeito ao teto o empregado tiver contribuído por base de</p><p>cálculo menor na atividade concomitante.</p><p>Até a lei 13.846/2019 caso alguma das atividades não preenchesse os</p><p>requisitos para a concessão de benefício o cálculo seria:</p><p>• Salário de benefício calculado com base na soma dos salários de</p><p>contribuição das atividades com requisito atingido.</p><p>• Percentual da média dos salários de contribuição de cada uma das</p><p>demais atividades, equivalente à relação entre o número de:</p><p>• Meses completos de contribuição e os do período de carência exigido,</p><p>para as demais espécies de benefícios.</p><p>• Anos completos de atividade e o número de anos de contribuição</p><p>exigido para o benefício, quando se tratar de benefício por tempo de</p><p>contribuição.</p><p>Nas atividades concomitantes que passassem a ser sucessivas:</p><p>• As atividades sucessivas se somam no tempo como se fossem uma só.</p><p>Pode ocorrer por troca de emprego ou por afastamento do trabalho.</p><p>Na transformação de auxílio-doença em aposentadoria por invalidez em</p><p>atividades concomitantes em que o auxílio tenha sido concedida só em uma seria a</p><p>soma:</p><p>• Do valor do salário de benefício do auxílio-doença transformado em</p><p>aposentadoria por invalidez.</p><p>• Percentual da média dos salários de contribuição de cada uma das</p><p>demais atividades, equivalente a relação entre o número de meses</p><p>completos de contribuição até o limite máximo de 12, e os períodos de</p><p>carência exigidos para a aposentadoria por invalidez.</p><p>Atualmente, após o advento da EC 103/2019 e do Decreto 10410/2020 a</p><p>apuração se dará pela simples soma dos salários de contribuição dos períodos</p><p>concomitantes.</p><p>1.7 - Renda Mensal para Segurados Especiais:</p><p>Salário-mínimo, como regra geral. Se contribuir como facultativo de forma</p><p>concomitante pelos mesmos critérios das demais aposentadorias.</p><p>1.8 - Benefício precedido de auxílio-acidente:</p><p>O valor mensal do auxílio-acidente integra o salário de contribuição para fins de</p><p>cálculo do salário de benefício de qualquer aposentadoria. Inclusive no caso de</p><p>segurados especiais.</p><p>Essa previsão apenas não contempla o contribuinte individual.</p><p>1.9 - Não comprovação do salário de contribuição ou falta de recolhimento:</p><p>Segurado empregado, doméstico (Decreto 10410/2020) e trabalhador avulso –</p><p>os salários de contribuição serão considerados mesmo que não tenha recolhimento da</p><p>contribuição (art. 34, I, Lei 8213/91).</p><p>Para o empregado, doméstico ou avulso que não tiver como comprovar o</p><p>salário de contribuição o benefício será concedido com base no salário mínimo</p><p>autorizado o recalculo quando da comprovação do valor do salário de contribuição (art.</p><p>35).</p><p>O período sem comprovação do salário de contribuição será considerado na</p><p>base do salário mínimo para efeitos de cálculo (art. 36, §2º, RPS).</p><p>Para os demais, somente dos meses cujas contribuições tenham sido</p><p>efetivamente pagas (art. 34, III).</p><p>A comprovação posterior ou recolhimento das contribuições autoriza o recalculo</p><p>e reajuste com data igual ao do início do benefício e substituirá a renda mensal inicial</p><p>a partir da data do requerimento.</p><p>Na hipótese de jornada de trabalho parcial ou intermitente, a aplicação do a</p><p>contagem de tempo sem prova dos salários de contribuição fica condicionada à</p><p>apresentação do contrato de trabalho do qual conste a remuneração contratada ou a</p><p>demonstração das remunerações auferidas que possibilite a verificação do valor do</p><p>salário de contribuição.</p><p>1.10 – Fórmula 85/95:</p><p>Em 17 de junho de 2015 foi editada a Medida Provisória 676 estabelecendo</p><p>uma nova forma de afastamento do fator previdenciário.</p><p>Para tanto ficou estabelecido que nas aposentadorias por tempo de</p><p>contribuição, observados os tempos mínimos de contribuição de 35 anos para homens</p><p>e 30 anos para mulheres, o fator previdenciário ficará afastado quando a soma com a</p><p>idade for igual ou superior a 85 pontos para mulheres e 95 pontos para homens.</p><p>Ficou ainda estabelecido que as somas de idade e de tempo de contribuição</p><p>serão majoradas em um ponto em:</p><p>I - 31 de dezembro de 2018;</p><p>II - 31 de dezembro de 2020;</p><p>III - 31 de dezembro de 2022;</p><p>IV - 31 de dezembro de 2024; e</p><p>V - 31 de dezembro de 2026.</p><p>Nesses casos a exclusão do fator previdenciário admite o coeficiente de 100% na</p><p>fixação da renda mensal do benefício sem cortes.</p><p>Após a EC 103/2019 esse sistema foi revogado, sendo que os critérios de</p><p>pontuação, com formas diferenciadas foram utilizadas em uma das regras de transição</p><p>das aposentadorias.</p><p>2 – Reajustamento:</p><p>O artigo 201, §4º da CF/1988 assegura o reajustamento dos benefícios para</p><p>preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme critérios em lei.</p><p>Histórico dos Índices de Reajuste:</p><p>INPC – 1991 a 1992;</p><p>IRSM – 1992 a 1994;</p><p>URV e IPC-R – de 1994 a 1996;</p><p>IGP-DI – 1996;</p><p>Medidas Provisórias – 1997 a 2000;</p><p>Decretos – 2001 a 2006;</p><p>INPC – 2006 até a data atual (Lei 11.430/2006).</p><p>Atualmente é reajustado anualmente, na mesma data do reajuste do salário</p><p>mínimo, com base no INPC apurado pelo IBGE.</p><p>Para os benefícios majorados devido a elevação do salário mínimo, o aumento</p><p>deve ser descontado quando do reajuste do benefício.</p><p>O STF (RE376.846/SC) já entendeu ser esse um critério justo e razoável.</p><p>Inexiste garantia de manutenção do valor do benefício em quantidade de</p><p>salários mínimos que o segurado recebia na data da concessão.</p><p>A Constituição veda a vinculação ao salário mínimo, exceto quanto ao limite</p><p>mínimo do benefício substituidor.</p><p>O mito está estabelecido por dois motivos fundamentais:</p><p>a) A coincidência das datas de reajuste.</p><p>b) O artigo 58 do ADCT que determinou a revisão dos benefícios de</p><p>prestação continuada mantidos na data da promulgação da</p><p>Constituição de 1988 fosse expresso em número de salários mínimos</p><p>que tinham na sua concessão, critério que deveria ser mantido até a</p><p>implantação do plano de custeio e benefícios da previdência social.</p><p>(Súmula 687, STF).</p><p>A aplicação do artigo 58 somente se daria no sétimo mês após a promulgação.</p><p>A aplicação do artigo 58 teve termo final com a implantação do plano de</p><p>custeio e benefícios em 1991.</p><p>Os benefícios concedidos em data posterior a promulgação da CF/88, ficaram</p><p>submetidos as regras gerais não aplicando as especiais contidas no texto constitucional</p><p>por serem de eficácia limitada.</p><p>O artigo 59 do ADCT estabeleceu que os projetos relativos a implantação dos</p><p>planos de custeio e benefícios da previdência social seriam apresentados no prazo de 6</p><p>meses da promulgação da nova Constituição.</p><p>O Congresso teria outros 6 meses para aprovação e teria que ser implantado</p><p>progressivamente em 18 meses.</p><p>Segundo esses critérios a lei teria que estar em vigor e implantada em</p><p>05/04/1991, porém isso só ocorreu em julho de 1991, motivo pelo qual o artigo 145 da</p><p>Lei 8213 mandou as disposições da lei retroagir até 05/04/1991.</p><p>Para os benefícios de prestação continuada concedidos entre 05/10/1988 e</p><p>05/04/1991, o artigo 144, da Lei 8213 fixou os critérios de recalculo da renda inicial e</p><p>reajuste.</p><p>A nova renda substituiria a anterior a partir de 01/06/1992 sem direito a</p><p>retroativos e atrasados do período 10/1988 e 05/1992.</p><p>Para os benefícios após 05/04/1991, ficou estabelecido retroação dos efeitos</p><p>ficando estabelecido o pagamento entre a renda mensal e a recalculada em até 24</p><p>parcelas.</p><p>Assim, nos benefícios de prestação continuada, temos que:</p><p>a) Até 04/10/1988 – art. 58 ADCT.</p><p>b) De 05/10/1988 a 04/04/1991 (Buraco Negro) – art. 144, Lei 8213/91</p><p>sem retroação e com aplicação a partir de 01/06/1992.</p><p>c) A partir de 05/04/1991 até a implantação do plano de benefícios e</p><p>custeio – art. 145, Lei 8213/91.</p><p>d) Após a implantação do plano de benefícios e custeio – regras gerais.</p><p>Há ainda um fator de atualização resultado da aplicação da Súmula 260 do</p><p>extinto TFR (Tribunal Federal de Recursos):</p><p>a) A legislação anterior a lei 8213/91 mandava atualizar apenas os 24</p><p>salários de contribuição mais remotos, deixando os 12 últimos sem</p><p>atualização.</p><p>b) Assim, o primeiro reajuste dos benefícios seria sempre integral</p><p>independentemente do mês da concessão como forma de</p><p>compensação.</p><p>c) A súmula ainda falava sobre o reajuste com base no salário mínimo</p><p>atualizado, porém esse salário mínimo é o de referência e não o</p><p>nacional.</p><p>d) A súmula só se aplica aos benefícios concedidos antes de 05/10/1988</p><p>ou até 01/03/1989.</p><p>3 - Data de Pagamento:</p><p>Com renda superior a 1 salário mínimo – do 1º ao 5º dia útil do mês</p><p>subsequente, observada a distribuição proporcional do número de beneficiários por dia</p><p>de pagamento.</p><p>Com renda até 1 salário mínimo entre o 5º dia útil que anteceder o final do mês</p><p>de sua competência até o 5º dia útil do mês subsequente, observada a distribuição</p><p>proporcional do número de beneficiários por dia de pagamento.</p><p>Dia útil é dia de expediente bancário com horário normal de atendimento.</p><p>1º Pagamento - deve ser efetuado até 45 dias após a data da apresentação dos</p><p>documentos necessários para a concessão.</p><p>Fica prejudicado o prazo, de forma justificada, quando depender de</p><p>providências do segurado, contando o prazo da data do atendimento delas.</p><p>Havendo atraso no pagamento em 45 dias caberá incidência de correção</p><p>monetária ainda que o INSS não tenha dado causa a mora (art. 175, RPS).</p><p>A correção monetária do salário-maternidade se dá desde a época do parto,</p><p>mesmo que o requerimento seja posterior (súmula 45, TNU).</p><p>Benefícios em Espécie</p><p>Adotando a sistemática abaixo, os benefícios em espécie serão analisados tendo</p><p>por base 8 fatores:</p><p>a) Requisitos;</p><p>b) Prazo de carência;</p><p>c) Beneficiários;</p><p>d) Renda mensal inicial (RMI);</p><p>e) Data de início do benefício (DIB);</p><p>f) Data de cessação do benefício (DCB).</p><p>g) Regras especiais</p><p>h) Regras de transição</p><p>Essa regra se apresenta para as prestações pecuniárias e não aos serviços.</p><p>1 – Aposentadoria por Idade ou Aposentadoria Programada:</p><p>Prevista no artigo 201, §7º, CF/88 e arts. 48 a 51 da Lei 8213/91 e arts. 51 a</p><p>57 do RPS.</p><p>a) Requisitos:</p><p>a.1) Trabalhador Urbano</p><p>I – Já filiados até a EC 103/2019:</p><p>- 65 anos de idade se homem;</p><p>- 60 anos de idade se mulher – a partir de janeiro de 2020 acréscimo de 6</p><p>meses para cada ano até alcançar 62 anos;</p><p>II – Filiados Após a EC 103/2019:</p><p>- 65 anos de idade homem</p><p>- 62 anos de idade mulher</p><p>a.2) Trabalhador Rural</p><p>- 60 anos de idade homem</p><p>- 55 anos de idade mulher</p><p>A redução da idade para o rural se deve a natureza do trabalho prestado e a</p><p>exposição às intempéries.</p><p>Rural não deve ser confundido com segurado especial.</p><p>Garimpeiro, pescador artesanal e produtor rural que exerçam as atividades em</p><p>regime de economia familiar também tem direito a redução.</p><p>a.3) Trabalhador Híbrido</p><p>A Aposentadoria Híbrida (ou Mista) é uma espécie de aposentadoria onde os</p><p>segurados podem somar os tempos de trabalho urbano e rural com o objetivo de</p><p>reunir o tempo necessário para ter direito ao benefício.</p><p>Ou seja, serão considerados os períodos que trabalhou na modalidade rural e</p><p>urbana para ter acesso a uma aposentadoria.</p><p>Esse tipo de aposentadoria foi criado pelo fato de vários segurados migrarem do</p><p>trabalho na zona rural para labor nos centros urbanos das cidades do Brasil (da mesma</p><p>forma que o contrário também acontecia, fluxo urbano para o rural).</p><p>Após muita discussão e vários debates nos tribunais do Brasil, em 2008 foi criada a</p><p>Lei 11.718/2008, que regulamenta a Aposentadoria Híbrida.</p><p>Importante: essa modalidade de aposentadoria está diretamente ligada à</p><p>Aposentadoria por Idade, possuindo regras de concessão bastante parecidas.</p><p>Caso não satisfaça o requisito para a redução da aposentadoria rural, poderá se</p><p>aposentar pela idade sem redução com a soma das contribuições o que se denomina</p><p>aposentadoria por idade hibrida.</p><p>São necessários os mesmos requisitos da aposentadoria por idade urbana para</p><p>obtenção desse benefício observadas as mesmas regras de idade, porém sem regra de</p><p>transição.</p><p>Isso significa que para os filiados que preencheram os requisitos para obter a</p><p>aposentadoria até 12/11/2019 o período é de:</p><p>- 65 anos de idade homem</p><p>- 60 anos de idade mulher</p><p>Porém, aquele segurado que não completou os requisitos até 12/11/2019 passa</p><p>diretamente para as regras definitivas (o que foi reforçado pelo Decreto 10410/2020):</p><p>- 65 anos de idade homem</p><p>- 62 anos de idade mulher</p><p>a.4) Professores:</p><p>a.4.1) Até a EC 103/2019:</p><p>I – RGPS:</p><p>- Segue a regra geral.</p><p>II - RPPS</p><p>- Homens - 55 anos de idade</p><p>- Mulheres - 50 anos de idade</p><p>a.4.2) Após a EC 103/2019:</p><p>I – RGPS:</p><p>- Homens - 60 anos com pelo menos 25 anos de contribuição (no efetivo</p><p>exercício do magistério, exceto no ensino superior)</p><p>- Mulheres - 57 anos com pelo menos 25 anos de contribuição (no efetivo</p><p>exercício do magistério, exceto no ensino superior)</p><p>II – RPPS:</p><p>Homens - 60 anos com pelo menos 25 anos de contribuição (10 anos de serviço</p><p>público e 5 no cargo)</p><p>Mulheres - 57 anos com pelo menos 25 anos de contribuição (10 anos de</p><p>serviço público e 5 no cargo).</p><p>a.5) Servidor Público:</p><p>I – Antes da EC 103/2019:</p><p>- 65 anos de idade mais o mínimo de 15 anos de contribuição (10 anos no</p><p>serviço público e 5 no cargo no qual irá se aposentar). Homem</p><p>- 60 anos de idade mais o mínimo de 15 anos de contribuição (10 anos no</p><p>serviço público e 5 no cargo no qual irá se aposentar). Mulher</p><p>II – Após EC 103/2019:</p><p>- 65 anos de idade mais o mínimo de 25 anos de contribuição, pelo menos 10</p><p>anos no serviço público e 5 no cargo no qual irá se aposentar. Para homem.</p><p>- 62 anos de idade mais o mínimo de 25 anos de contribuição, pelo menos 10</p><p>anos no serviço público e 5 no cargo no qual irá se aposentar. Para mulher.</p><p>a.5) Policiais federais, rodoviários federais, ferroviários federais, civis do Distrito</p><p>Federal e agentes federais penitenciários ou socioeducativos:</p><p>I – Antes da EC 103/2019:</p><p>- Não existe, apenas tempo de contribuição.</p><p>II – Depois da EC 103/2019:</p><p>- Homens - 55 anos de idade mais 30 anos de contribuição (20 em atividade de</p><p>natureza policial).</p><p>- Mulheres - 55 anos de idade mais 25 anos de contribuição (15 em atividade</p><p>de natureza policial)</p><p>b) Prazo de carência:</p><p>b.1) Urbanos:</p><p>I – Para os filiados até a EC 103/2019 – 15 anos de contribuições para ambos</p><p>os sexos.</p><p>II – Para os filiados após a EC 103/2019 – 15 anos de contribuições para</p><p>mulheres e 20 nos de contribuições para homens.</p><p>b.2) Rurais:</p><p>Para se aposentar com menos idade o trabalhador rural deve comprovar o</p><p>efetivo exercício da atividade rural, ainda que descontinuada, no período</p><p>imediatamente anterior ao requerimento do benefício ou do preenchimento da idade,</p><p>em número de meses que corresponda a carência. Afastando-se da atividade rural</p><p>próximo de atingir a idade, ainda que tenha a carência, não terá direito a redução.</p><p>b.3) Híbridos:</p><p>I – Com direito a aposentadoria já adquirido até a EC 103/2019 – 15 anos de</p><p>contribuição para ambos os sexos.</p><p>II – Para os demais – 15 anos de contribuições para mulheres e 20 nos de</p><p>contribuições para homens.</p><p>b.4) Professores (RPPS e RGPS):</p><p>Na regra geral se aposentavam com a mesma carência, 180 contribuições.</p><p>Passando a ser a única espécie de aposentadoria pós reforma deve comprovar</p><p>25 anos de contribuição exclusiva no magistério (RGPS) e no caso de RPPS além dos</p><p>25 anos de contribuição 10 anos de serviço público e 5 no cargo.</p><p>b.5) Servidor Público:</p><p>Era 15 anos de contribuição (10 anos no serviço público e 5 no cargo no qual</p><p>irá se aposentar), para homem ou mulher.</p><p>Passou a ser 25 anos de contribuição, pelo menos 10 anos no serviço público e</p><p>5 no cargo no qual irá se aposentar, para homem ou mulher.</p><p>b.6) Policiais federais, rodoviários federais, ferroviários federais, civis do Distrito</p><p>Federal e</p><p>agentes federais penitenciários ou socioeducativos:</p><p>Anteriormente não havia aposentadoria por idade.</p><p>Após a reforma 30 anos de contribuição (20 em atividade de natureza policial),</p><p>homem e 25 anos de contribuição (15 em atividade de natureza policial), mulher.</p><p>Esses prazos já eram os devidos na aposentadoria por tempo de contribuição,</p><p>até então única existente e foram somados ao critério idade que foi incluído.</p><p>c) Beneficiários:</p><p>Todos os segurados.</p><p>d) Renda mensal inicial (RMI):</p><p>d.1) Urbano, Professor, Híbrido, servidor e policiais (e demais):</p><p>I - Até a EC 103/2019: 70% do salário de benefício + 1% para cada</p><p>conjunto de 12 contribuições não podendo ultrapassar 100% do salário de</p><p>benefício.</p><p>II - Após a EC 103/2019: 60% + 2% para cada ano adicional de</p><p>contribuição a partir de 20 anos para homens e 15 anos para mulheres.</p><p>d.2) Rural: 70% do salário de benefício + 1% para cada conjunto de 12</p><p>contribuições não podendo ultrapassar 100% do salário de benefício.</p><p>Observações:</p><p>A renda mensal por aposentadoria hibrida não incide fator previdenciário (antes</p><p>da EC 103/2019), sendo o salário de contribuição do período especial considerado o</p><p>mínimo (antes e depois da EC 103 segue a mesma regra).</p><p>Porém, a renda mensal inicial poderá não ser no mínimo se houver contagem</p><p>hibrida com contribuições. Nesse caso poderá, conforme o caso:</p><p>- Seguir a Regra da Aposentadoria Híbrida (se a contagem for híbrida).</p><p>- Seguir a Regra da Aposentadoria do Rural (se a contagem for exclusivamente</p><p>rural).</p><p>e) Data de início do benefício (DIB):</p><p>e.1) Segurado empregado, inclusive doméstico:</p><p>- Da data do desligamento do emprego, quando requerida até essa data ou até</p><p>90 dias após ela;</p><p>- Da data do requerimento, quando não houver desligamento do emprego ou</p><p>quando for requerido após 90 dias depois do desligamento.</p><p>e.2) Para os demais segurados: na data do requerimento.</p><p>f) Data de cessação do benefício (DCB):</p><p>É considerada irreversível e irrenunciável a partir do momento em que recebe o</p><p>primeiro pagamento cessando apenas com a morte.</p><p>Pode haver desistência desde que manifeste a intenção e requeira o</p><p>arquivamento definitivo do pedido antes:</p><p>- Do recebimento do primeiro pagamento;</p><p>- Do saque do respectivo FGTS ou do PIS.</p><p>g) Regras Especiais</p><p>• Aposentadoria compulsória por idade: quando o empregado completar 70 anos</p><p>se homem e 65 anos se mulher a empresa pode requerer a aposentadoria pelo</p><p>segurado (art. 51 da Lei 8213/91).</p><p>• Mutação do auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez: possível, desde que</p><p>o segurado tenha os requisitos de carência e idade.</p><p>• Regra de Transição, para o rural (Lei 11718/08):</p><p>Art. 3º - Na concessão de aposentadoria por idade do empregado rural, em</p><p>valor equivalente ao salário mínimo, serão contados para efeitos de carência:</p><p>Até 31/12/2010, a atividade comprovada na forma do art. 143, Lei</p><p>8213/91.</p><p>De janeiro de 2011 a dezembro de 2015, cada mês comprovado do</p><p>empregado, multiplicado por 3, limitados a 12 meses, dentro do</p><p>respectivo ano civil.</p><p>De janeiro de 2016 a dezembro de 2020, cada mês comprovado do</p><p>empregado, multiplicado por 2, limitado a 12 meses, dentro do</p><p>respectivo ano civil.</p><p>2 – Aposentadoria Por Tempo de Contribuição (EXTINTA):</p><p>Prevista antigamente no artigo 201, §7º, I, CF/88 e arts. 52 a 56 da Lei</p><p>8213/91 (ainda está lá) e arts. 56 a 63 do RPS (revogados).</p><p>a) Requisitos:</p><p>a.1) Tempo de contribuição: o tempo contato de data a data, desde o início até</p><p>a data do requerimento ou do desligamento de atividade abrangida pela previdência</p><p>social, descontados os períodos legalmente estabelecidos como de suspensão de</p><p>contrato de trabalho, interrupção de exercício e de desligamento da atividade (art. 59,</p><p>RPS).</p><p>A distinção de tempo entre os sexos surgiu na Constituição Federal de 1967.</p><p>a.2) Tempo:</p><p>I – Urbanos, Rurais e servidor público:</p><p>- 35 para homens</p><p>- 30 para mulheres</p><p>II – Professor:</p><p>II.I – RGPS:</p><p>- 30 para homem.</p><p>- 25 para mulher.</p><p>II.II – RPPS</p><p>- Não havia tempo mínimo de contribuição, apenas idade.</p><p>Até a súmula 726, STF, somente o tempo de sala de aula é computado, ficando</p><p>assim até o advento da Lei 11301/06 que estendeu o conceito para cargos de direção</p><p>e gestão.</p><p>III – Servidor Público:</p><p>- Homens - 35 anos</p><p>- Mulheres - 30 anos</p><p>IV – Policiais:</p><p>- 30 anos de contribuição (20 em atividade de natureza policial).</p><p>Homem.</p><p>- 25 anos de contribuição (15 em atividade de natureza policial). Mulher.</p><p>Não havia idade mínima. Motivo pelo qual foi criado o fator previdenciário.</p><p>b) Prazo de carência:</p><p>180 contribuições.</p><p>c) Beneficiários:</p><p>Qualquer segurado obrigatório ou facultativo.</p><p>Não são beneficiários: o especial típico e o individual e facultativo que optasse</p><p>pelo Plano Simplificado de Previdência Social. Assim o especial só teria esse direito se</p><p>contribui-se também de forma facultativa (Súmula 272, STJ).</p><p>d) Renda mensal inicial (RMI) - RGPS:</p><p>100% do salário de benefício:</p><p>• com incidência obrigatória do fator previdenciário.</p><p>• Sem incidência do fato previdenciário pela fórmula 85/95.</p><p>Não seria inferior ao salário mínimo.</p><p>A aposentadoria proporcional do artigo 53 da Lei 8213 já havia se tornou</p><p>incompatível com a reforma da EC 20/1998.</p><p>e) Data de início do benefício (DIB):</p><p>Será devida da mesma forma que a aposentadoria por idade.</p><p>f) Data de cessação do benefício (DCB):</p><p>Da mesma forma que aposentadoria por idade.</p><p>g) Regras especiais - RGPS:</p><p>g.1) Revogada: aposentadoria proporcional com 30 e 25 anos,</p><p>respectivamente homem e mulher, ressalvado o direito de quem já tinha completado o</p><p>tempo para tal.</p><p>g.2) Transição: A proposta da EC 28/1998 previa idade mínima para</p><p>aposentadoria por tempo de contribuição. Essa idade mínima não vingou, porém na</p><p>regra de transição permaneceu.</p><p>A regra de transição prevê 53 anos para homem e 48 anos para mulher e o</p><p>cumprimento de tempo de contribuição extra denominado pedágio.</p><p>A regra para aposentadoria integral:</p><p>- idade de 53 anos homem e 48 anos mulher;</p><p>- tempo de contribuição de 35 anos se homem e 30 anos se mulher e;</p><p>- um período adicional de 20% do tempo que, em 16/12/1998 faltava para</p><p>atingir o limite de tempo total.</p><p>A regra para aposentadoria proporcional:</p><p>- idade de 53 anos homem e 48 anos mulher;</p><p>- tempo de contribuição de 30 anos se homem e 25 anos se mulher e;</p><p>- um período adicional de 40% do tempo que, em 16/12/1998 faltava para</p><p>atingir o limite de tempo total.</p><p>Valor da renda mensal nesse caso: 70% + 5% para cada ano que supere o</p><p>tempo de contribuição mínima.</p><p>Não se aplica ao filiado que saiu do regime próprio e se filiou no regime geral</p><p>após 16/12/1998.</p><p>Professor filiado até 16/12/1998 que tenha exercido atividade de magistério em</p><p>qualquer nível e opte por se aposentar com valores integrais exclusivamente na</p><p>atividade de magistério seu tempo será contado com acréscimo de 17% para homem e</p><p>20% para mulher.</p><p>Não é necessário cumprir idade ou pedágio. Pode ser aproveitado para</p><p>professor universitário. Essa regra caiu no vazio exceto para o professor universitário.</p><p>h) Regras de transição (RGPS)</p><p>h.1) Regra dos Pontos</p><p>I – Em geral:</p><p>- Soma de idade mais tempo de contribuição:</p><p>- 86 pontos para mulher</p><p>- 96 pontos para homem</p><p>- acréscimo de 1 ponto a cada ano (a partir de janeiro de 2020)</p><p>até chegar a 100 pontos para mulher e 105 pontos para</p><p>homem.</p><p>- Tempo de contribuição mínimo:</p><p>- 30 anos mulheres.</p><p>- 35 anos homens.</p><p>II – Professores:</p><p>- Soma de idade mais tempo de contribuição:</p><p>- 81 pontos mulher</p><p>- 91 pontos homem</p><p>- acréscimo de 1 ponto a cada ano (a partir de janeiro de 2020)</p><p>até chegar a 92 pontos para</p><p>há contribuição direta dos beneficiários do</p><p>sistema e todo o financiamento se dá de forma indireta por meio da destinação</p><p>específica de recursos da arrecadação tributária.</p><p>Nos sistemas contributivos, além da arrecadação tributária os beneficiários</p><p>contribuem diretamente por meio de parcelas de seus rendimentos definidas pelo</p><p>regramento próprio do sistema.</p><p>Esse é o modelo Brasileiro.</p><p>3.2 – Sistemas Contributivos de Repartição e Capitalização:</p><p>a) Regime de Repartição Simples - Regime adotado pelo nosso sistema</p><p>previdenciário. Também conhecido como pacto intergeracional (as gerações futuras</p><p>financiam os benefícios do presente). Não há formação de reservas. Utilizado em</p><p>praticamente todos os países. Fácil implementação e baixo custo de manutenção.</p><p>b) Regime de Capitalização - Cada um contribui para financiar seu benefício.</p><p>Contribuições individualizadas. Destinadas a conta própria. Primeira fase: recursos</p><p>reunidos em conta individual de poupança. Segunda fase: fruição onde as reservas</p><p>devem ser capaz de custear os benefícios individuais. Depende dos depósitos e das</p><p>taxas de juros obtidas ao longo da vida trabalhada.</p><p>3.3 – Sistemas Privados de Previdência:</p><p>Criado pelo Chile em 1981 durante a ditadura de Augusto Pinochet retirou do</p><p>Estado toda a administração previdenciária delegando a fundos privados denominados</p><p>de AFPs (Administradoras de Fundos de Pensão).</p><p>Restou ao Estado apenas o controle da fiscalização e do regramento. Ao Estado</p><p>restou apenas a assistência social mínima.</p><p>Alguns países como México, Argentina e Peru chegaram a implantar o sistema</p><p>com alterações, porém a conclusão geral é de que tal modelo não pode ser chamado</p><p>efetivamente de seguro social ou previdência social pela falta da característica</p><p>essencial, atuação do Estado e quebra da solidariedade.</p><p>3.4 – Sistema dos Pilares:</p><p>A ideia de formação de pilares é o estabelecimento de bases para a formação</p><p>da previdência.</p><p>O primeiro pilar seria uma rede de seguridade ou pensão mínima financiada</p><p>com os impostos em geral.</p><p>O segundo pilar um sistema contributivo voltado a atividade laborativa e</p><p>financiado com contribuições sobre os salários.</p><p>O terceiro pilar baseado na economia voluntária individual.</p><p>No Brasil esses pilares são:</p><p>a) Previdência Social Básica – pública, compulsória na repartição, financiamento</p><p>multiplo, múltiplos regimes.</p><p>b) Previdência Complementar – privada, com capitalização, aberta ou fechada,</p><p>facultativa e com contribuição definida.</p><p>c) Assistência Social – para idosos e pessoa com deficiência, abrangendo carentes</p><p>em condições de subsistência.</p><p>4 – No Brasil:</p><p>No Brasil a evolução da proteção social seguiu as mesmas diretrizes do plano</p><p>mundial iniciando as primeiras medidas de proteção no campo da beneficência e</p><p>assistência.</p><p>Assim se observa as Santas Casas de Misericórdia, sendo a mais antiga aquela</p><p>fundada no Porto de São Vicente, depois Vila de Santos (1543), seguindo-se as</p><p>Irmandades de Ordens Terceiras (mutualidades) e, no ano de 1795, o Plano de</p><p>Beneficência dos Órfãos e Viúvas dos Oficiais da Marinha.</p><p>Já os primeiros textos em matéria de previdência social remontam a 1821 com</p><p>o Decreto Imperial concedendo aposentadoria aos professores e mestres aos 30 anos</p><p>de serviço assegurado abono de permanência de ¼ dos ganhos aos que continuassem</p><p>na ativa.</p><p>Em 1888 o Decreto 9.912-A dispôs sobre a concessão de aposentadoria aos</p><p>empregados dos Correios, fixando em trinta anos de serviço e idade mínima de 60</p><p>anos os requisitos para tal.</p><p>Em 1890 o Decreto 221 instituiu a aposentadoria para os empregados da</p><p>Estrada de Ferro Central do Brasil, posteriormente estendida aos demais ferroviários do</p><p>Estado pelo Decreto n. 565, de 12 de julho do mesmo ano.</p><p>A Constituição de 1891, art. 75, previu a aposentadoria por invalidez aos</p><p>servidores públicos.</p><p>Em 1892 a Lei 217 instituiu a aposentadoria por invalidez e a pensão por morte</p><p>dos operários do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.</p><p>Val destacar que tais aposentadorias não tinha natureza contributiva e eram</p><p>concedidas de forma graciosa pelo estado.</p><p>Em termos de definição doutrinária a posição majoritária é de que a previdência</p><p>social no Brasil inicia com a Lei Eloy Chaves, marco previdenciário brasileiro (Decreto</p><p>Legislativo 4682 de 1923), criou as caixas de aposentadoria e pensão das estradas de</p><p>ferro, mediante contribuição dos trabalhadores, empresa e Estado para</p><p>aposentadorias, pensões e assistência médica e redução de custos de medicamentos.</p><p>De regra, o modelo contemplado na Lei Eloy Chaves se assemelha ao modelo</p><p>alemão de 1883, em que se identificam três características fundamentais:</p><p>a) a obrigatoriedade de participação dos trabalhadores no sistema, sem a qual</p><p>não seria atingido o fim para o qual foi criado, pois mantida a facultatividade,</p><p>seria mera alternativa ao seguro privado;</p><p>b) a contribuição para o sistema, devida pelo trabalhador, bem como pelo</p><p>empregador, ficando o Estado como responsável pela regulamentação e</p><p>supervisão do sistema;</p><p>c) por fim, um rol de prestações definidas em lei, tendentes a proteger o</p><p>trabalhador em situações de incapacidade temporária, ou em caso de morte do</p><p>mesmo, assegurando-lhe a subsistência.</p><p>Decreto 5128 de 1926 criou o Instituto de Aposentadoria dos Funcionários</p><p>Públicos da União.</p><p>Em 1930 ocorreu a primeira crise previdenciária em decorrência de indícios de</p><p>fraudes na concessão dos benefícios. O governo de Getúlio Vargas suspendeu, por</p><p>Decreto (n. 19.540, de 17.12.1930) e pelo prazo de seis meses, a concessão de</p><p>qualquer aposentadoria, determinando uma revisão geral nos benefícios até ali</p><p>concedidos, pois muitos deles tinham indícios de irregularidades.</p><p>A partir de então, passou a estrutura, pouco a pouco, a ser reunida por</p><p>categoria profissional, surgindo os Institutos de Aposentadoria e Pensões (dos</p><p>Marítimos, dos Comerciários, dos Bancários, dos Empregados em Transportes de</p><p>Carga).</p><p>Entre 1933 e 1938 houve a expansão dos IAPs atreladas as classes</p><p>profissionais.</p><p>A primeira instituição brasileira de previdência social de âmbito nacional, com</p><p>base na atividade econômica, foi o IAPM – Instituto de Aposentadoria e Pensões dos</p><p>Marítimos, criada em 1933, pelo Decreto n. 22.872, de 29 de junho daquele ano.</p><p>Seguiram-se o IAPC – Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários – e o</p><p>IAPB – Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários, em 1934; o IAPI –</p><p>Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários, em 1936; o IPASE – Instituto</p><p>de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado, e o IAPETC – Instituto de</p><p>Aposentadoria e Pensões dos Empregados em Transportes e Cargas, estes em 1938.</p><p>A Constituição de 1934 foi a primeira a estabelecer, em texto constitucional, a</p><p>for ma tripartite de custeio: contribuição dos trabalhadores, dos empregadores e do</p><p>Poder Público (art. 121, § 1º, h).</p><p>A regulamentação da aposentadoria dos então chamados funcionários públicos</p><p>se deu pelo Decreto-lei n. 1.713, de 28.10.1939.</p><p>Em matéria de assistência social em 1942 foi criada a Legião Brasileira de</p><p>Assistência – LBA.</p><p>Constituição de 1946 previa normas sobre previdência no capítulo que versava</p><p>sobre Direitos Sociais, obrigando, a partir de então, o empregador a manter seguro de</p><p>acidentes de trabalho. Foi a primeira tentativa de sistematização constitucional de</p><p>normas de âmbito social, elencadas no art. 157 do texto. A expressão “previdência</p><p>social” foi empregada pela primeira vez numa Constituição brasileira.</p><p>Em 1949 vieram as Caixas de Aposentadoria e Pensão, padronizando a</p><p>concessão de benefícios, já que, até então, cada Caixa tinha suas regras próprias. E</p><p>posteriormente a Caixa Nacional em 1953, transformada em Instituto pela Lei Orgânica</p><p>da Previdência Social, de 1960.</p><p>Paralelamente aos regramentos</p><p>mulher e 100 pontos para homem.</p><p>- Tempo de contribuição mínimo:</p><p>- 25 anos mulher</p><p>- 30 anos homem</p><p>h.2) Idade mínima progressiva</p><p>- 56 anos + 30 anos de contribuição para mulheres</p><p>- 61 anos + 35 anos de contribuição para homens</p><p>A partir de 1º de janeiro de 2020, a idade sobe gradativamente,</p><p>aumentando 6 meses a cada ano até alcançar:</p><p>- 62 anos para a mulher em 2031</p><p>- 65 anos para o homem em 2027.</p><p>h.3) Pedágio de 50%</p><p>- Para quem está a até dois anos de completar o tempo de contribuição -</p><p>que era de 35 anos para homens e 30 anos para mulheres.</p><p>- Pedágio de 50% do tempo que falta.</p><p>Exemplo: trabalhador homem que tem 33 anos de contribuição terá de</p><p>contribuir mais três anos ao invés de mais dois. A mulher que tem 28 anos de</p><p>contribuição terá de contribuir mais três anos ao invés de dois.</p><p>h.4) Pedágio de 100%</p><p>- Idade mínima de 57 anos, para mulheres, e 60, para homens.</p><p>- Pedágio de tempo igual ao mesmo período que ainda falta de</p><p>contribuição.</p><p>Exemplo: um homem com 54 anos de idade e 30 de contribuição teria de</p><p>contribuir por mais 10 anos ao invés de 5, se aposentando com 64 anos e 40 de</p><p>contribuição.</p><p>I) Transição dos demais:</p><p>I.1) Pedágio dos Policiais e Servidores de Segurança:</p><p>Policiais poderão se aposentar com idade mínima de 52 anos, para a mulher, e</p><p>de 53 anos, para o homem, desde que seja cumprido pedágio de 100% do tempo que</p><p>falta para atingir o tempo de contribuição — 30 para homens e 25 para mulheres. Essa</p><p>regra beneficia policiais da ativa que estão prestes a se aposentar.</p><p>I.2) Professores:</p><p>I.2.1) RPPS:</p><p>Pontos:</p><p>- Soma de idade (51 anos para mulher e 56 anos para homem, passando para</p><p>52 anos mulher e 57 anos para homem em 2022) mais tempo de contribuição,</p><p>chegando a 81, para mulheres, e 91, para homens, aumentando 1 ponto a cada ano</p><p>até chegar a 92 pontos para mulheres (2033) 100 pontos para homem (2028). A regra</p><p>exige 30 anos de contribuição, para mulheres, e 35 anos, para homens.</p><p>Exemplo: um professor com 56 anos de idade e 35 anos de contribuição</p><p>consegue se aposentar nesse modelo. Uma professora com 51 anos e 30 de</p><p>contribuição também está apta.</p><p>Pedágio de 100%:</p><p>- Idade mínima de 52 anos, para mulheres, e 55, para homens, com pedágio de</p><p>tempo igual ao mesmo período que ainda falta de contribuição para atingir 25 anos</p><p>(mulheres) e 30 anos (homens).</p><p>Exemplo: Um professor com 52 anos de idade e 28 de contribuição teria de</p><p>contribuir por mais quatro anos ao invés de dois se aposentando com 54 anos e 30</p><p>anos de contribuição</p><p>I.2.2) RGPS:</p><p>Pontos:</p><p>Soma de idade mais tempo de contribuição, chegando a 81, para mulheres, e</p><p>91, para homens, aumentando 1 ponto a cada ano até chegar a 92 pontos para</p><p>mulheres (2033) 100 pontos para homem (2028). A regra exige 30 anos de</p><p>contribuição, para mulheres, e 35 anos, para homens.</p><p>Exemplo: um professor com 56 anos de idade e 35 anos de contribuição</p><p>consegue se aposentar nesse modelo. Uma professora com 51 anos e 30 de</p><p>contribuição também está apta.</p><p>Pedágio de 100%:</p><p>- Idade mínima de 52 anos, para mulheres, e 55, para homens, com pedágio de</p><p>tempo igual ao mesmo período que ainda falta de contribuição para atingir 25 anos</p><p>(mulheres) e 30 anos (homens).</p><p>Exemplo: Um professor com 52 anos de idade e 28 de contribuição teria de</p><p>contribuir por mais quatro anos ao invés de dois se aposentando com 54 anos e 30</p><p>anos de contribuição</p><p>Idade mínima progressiva:</p><p>- 56 anos de idade e 30 anos de contribuição para professores e 51 anos de</p><p>idade e 25 anos de contribuição para professoras. Essa regra é mais vantajosa para</p><p>profissionais que têm mais tempo de contribuição.</p><p>I.3) RPPS – Servidor Geral:</p><p>Pontos:</p><p>- Homens com pelo menos 61 anos e mulheres com pelo menos 56 anos (em</p><p>janeiro de 2022, a idade mínima sobre para 62 anos homem e 57 anos mulher),</p><p>podem somar a idade com o tempo de contribuição por atingir 96 pontos e 86 pontos</p><p>respectivamente (além disso precisam ter 20 anos de serviço público, 10 anos na</p><p>carreira e 5 anos no cargo que irá se aposentar). A regra estipula o crescimento de um</p><p>ponto por ano até 2033 para mulheres (100 pontos) e 2028 para homens (105</p><p>pontos). O tempo mínimo de contribuição dos servidores será de 35 anos por homens</p><p>e de 30 anos por mulheres.</p><p>Exemplo: Um homem com 61 anos e 35 de contribuição, e uma mulher com</p><p>56 anos e 30 anos de contribuição conseguem se aposentar nesse modelo.</p><p>Pedágio de 100%:</p><p>- Idade mínima de 57 anos, para mulheres, e 60, para homens, com pedágio de</p><p>tempo igual ao mesmo período que ainda falta de contribuição (35 anos para homem e</p><p>30 anos para mulher).</p><p>Exemplo: Um homem de 60 anos e que tem 30 anos de contribuição terá de</p><p>contribuir por mais 10 para se aposentar. Uma mulher com 57 anos de idade e 25 anos</p><p>de contribuição terá de contribuir por mais 10 anos.</p><p>3 – Aposentadoria aos Segurados com Deficiência:</p><p>A aposentadoria voltada aos segurados com deficiência surgiu com a EC n.</p><p>47/2005, que deu outra redação ao art. 201, § 1º, da CF, e estabeleceu a necessidade</p><p>de lei complementar para regulamentar os critérios de concessão.</p><p>Com o advento da EC n. 103/2019, foi mantida a possibilidade de lei</p><p>complementar definir critérios diferenciados de idade e tempo de contribuição para a</p><p>concessão de aposentadoria em favor dos segurados com deficiência, previamente</p><p>submetidos à avaliação biopsicossocial realizada por equipe multiprofissional e</p><p>interdisciplinar. É o consta do art. 201, § 1º.</p><p>A novidade é a previsão no texto constitucional da necessidade de avaliação</p><p>biopsicossocial realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar.</p><p>E, enquanto a nova lei complementar exigida pela Reforma da Previdência não</p><p>for aprovada, a aposentadoria da pessoa com deficiência será concedida na forma da</p><p>Lei Complementar n. 142/2013, inclusive quanto aos critérios de cálculo dos benefícios</p><p>(art. 22 da EC n. 103/2019).</p><p>a) Requisitos:</p><p>A Lei Complementar n. 142, de 8.5.2013, adotou o conceito de pessoa com</p><p>deficiência como aquela que tem impedimentos de longo prazo de natureza física,</p><p>mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem</p><p>obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com</p><p>as demais pessoas (art. 2º).</p><p>No mesmo sentido a Lei n. 13.146, de 6.7.2015, que instituiu a Lei Brasileira de</p><p>Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a</p><p>assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das</p><p>liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e</p><p>cidadania.</p><p>Trata-se de reprodução do art. 1º da Convenção de Nova York e que se</p><p>encontra também no art. 20, § 2º, da Lei n. 8.742/1993, com redação dada pela Lei n.</p><p>12.435/2011, para fins de concessão do benefício assistencial ao portador de</p><p>deficiência. A referida Convenção integrou-se ao ordenamento jurídico do Brasil como</p><p>status de emenda constitucional, em face da previsão contida na EC n. 45/2004 e no</p><p>Decreto n. 6.949, de 25.8.2009.</p><p>O evento gerador desse novo benefício está definido no art. 3º da LC n.</p><p>142/2013, qual seja, a deficiência do segurado que pode ser de três graus: leve,</p><p>moderada ou grave, ensejando aposentadoria com base nas seguintes hipóteses:</p><p>I - Por tempo de contribuição:</p><p>Grau Homem Mulher</p><p>Leve 33 anos 28 anos</p><p>Moderada 29 anos 24 anos</p><p>Grave 25 anos 20 anos</p><p>II – Por Idade:</p><p>Carência Homem Mulher</p><p>Existência da</p><p>doença</p><p>Grau</p><p>15 anos</p><p>60 anos de</p><p>idade</p><p>55 anos de</p><p>idade</p><p>15 anos</p><p>Não há</p><p>diferenciação</p><p>A definição dos graus de deficiência para os fins da LC n. 142/2013 foi delegada</p><p>para regulamentação pelo Poder Executivo. No entanto, o Decreto n. 8.145/2013, que</p><p>dispôs sobre</p><p>a aposentadoria da pessoa com deficiência, remeteu o tema para ato</p><p>conjunto do Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da</p><p>Presidência da República, dos Ministros de Estado da Previdência Social, da Fazenda,</p><p>do Planejamento, Orçamento e Gestão e do Advogado-Geral da União (Portaria</p><p>Interministerial SDH/MPS/MF/MOG/ AGU n. 1, de 27.1.2014), cujos critérios de</p><p>avaliação são praticados pelo INSS com base nas disposições constantes da IN n.</p><p>77/2015.</p><p>Para a TNU, “a aferição da deficiência pelo exame pericial, administrativo ou</p><p>judicial, não prescinde das diretrizes fixadas na Portaria Interministerial SDH/MPS/MF/</p><p>MPOG/AGU nº 1, de 27/1/2014, especialmente a avaliação médica e funcional baseada</p><p>na classificação internacional de funcionalidade, incapacidade e saúde” (PUIL 0510878-</p><p>13.2019.4.05.8300/PE, j. 25.3.2021).</p><p>Para identificação do grau de deficiência, o segurado deve se submeter à</p><p>perícia própria do INSS, desde logo ou no momento do requerimento do benefício.</p><p>A avaliação médica e funcional engloba a perícia médica e o serviço social,</p><p>objetivando examinar o segurado e fixar a data provável do início da deficiência e o</p><p>respectivo grau, assim como identificar a ocorrência de variação no grau de deficiência</p><p>e indicar os respectivos períodos em cada grau.</p><p>O Estatuto da Pessoa com Deficiência estabelece no art. 2º, § 1º, que a</p><p>avaliação da deficiência, quando necessária, será biopsicossocial, realizada por equipe</p><p>multiprofissional e interdisciplinar e considerará:</p><p>I – os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo;</p><p>II – os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais;</p><p>III – a limitação no desempenho de atividades; e</p><p>IV – a restrição de participação.</p><p>No que diz respeito à avaliação funcional, sua realização será com base no</p><p>conceito de funcionalidade disposto na Classificação Internacional de Funcionalidade,</p><p>Incapacidade e Saúde (CIF), da Organização Mundial de Saúde e mediante a aplicação</p><p>do Índice de Funcionalidade Brasileiro Aplicado para Fins de Aposentadoria (IFBrA).</p><p>E a avaliação das barreiras externas será efetuada por meio de entrevista com</p><p>o segurado e, se necessário, com as pessoas que convivem com ele. Se ainda restarem</p><p>dúvidas, poderão ser feitas visitas ao local de trabalho e/ou residência do avaliado,</p><p>bem como a solicitação de informações médicas e sociais (laudos médicos, exames,</p><p>atestados, laudos do Centro de Referência de Assistência Social – CRAS, entre outros).</p><p>Importante referir que a existência de deficiência anterior à data da vigência da</p><p>LC n. 142/2013 (novembro/2013) deverá ser certificada, inclusive quanto ao seu grau,</p><p>por ocasião da primeira avaliação, sendo obrigatória a fixação da data provável do</p><p>início da deficiência, não sendo admitida por meio de prova exclusivamente</p><p>testemunhal (art. 6º da LC n. 142/2013).</p><p>Dessa forma, será perfeitamente possível ao segurado utilizar o tempo de</p><p>contribuição com deficiência anterior a novembro de 2013 e somar com os períodos</p><p>posteriores a essa data para postular a concessão do benefício pretendido. Por</p><p>exemplo, uma segurada portadora de deficiência moderada que foi contratada em</p><p>10.11.2000, com base na cota para deficientes (art. 93 da Lei n. 8.213/1991), poderá</p><p>em 10.11.2024 requerer a aposentadoria prevista no art. 3º, II, da LC n. 142/2013.</p><p>b) Prazo de carência:</p><p>LC n. 142/2013 não especificou o período de carência para as aposentadorias</p><p>com redução do tempo de contribuição (art. 3º, I, II e III), devendo ser aplicada a</p><p>regra geral da Lei n. 8.213/1991, que estabelece a exigência de 180 contribuições.</p><p>Vale destacar o entendimento de que:</p><p>a) para a aposentadoria por idade o preenchimento dos requisitos: deficiência</p><p>por 15 anos e o período de carência de 180 contribuições, assim como a idade mínima</p><p>(60 ou 65 anos), podem ocorrer em momentos diferentes, tal qual é adotado na</p><p>aposentadoria por idade urbana;</p><p>b) quanto à aposentadoria por tempo de contribuição, para se chegar ao tempo</p><p>mínimo exigido, pode-se utilizar o tempo comum convertido para tempo qualificado,</p><p>desde que o segurado tenha ao menos dois anos de deficiência contados de forma</p><p>ininterrupta.</p><p>c) Beneficiários:</p><p>A LC n. 142/2013 não define quais segurados são beneficiários dessa espécie</p><p>diferenciada de aposentadoria.</p><p>O tema foi regulado pelo Decreto n. 8.145/2013, que nominou os benefícios</p><p>como hipóteses de aposentadoria por tempo de contribuição e por idade.</p><p>Em relação à primeira, fixou que é devida ao segurado empregado, inclusive o</p><p>doméstico, o trabalhador avulso, o contribuinte individual, ao segurado facultativo e ao</p><p>segurado especial que contribua facultativamente sobre o salário de contribuição (art.</p><p>70-B).</p><p>O segurado que tenha contribuído de forma reduzida (contribuinte individual,</p><p>MEI, segurado facultativo e dona de casa de baixa renda) e pretenda contar o tempo</p><p>de contribuição correspondente, para fins de obtenção da aposentadoria por tempo de</p><p>contribuição ou de contagem recíproca do tempo de contribuição, deverá</p><p>complementar a contribuição mensal (art. 199-A, § 2º, do Decreto n. 3.048/1999 –</p><p>redação conferida pelo Decreto n. 10.410/2020).</p><p>No que tange à aposentadoria por idade, esta é devida a todas as categorias de</p><p>segurados (art. 70-C).</p><p>Aplica-se aos beneficiários a contagem recíproca do tempo de contribuição na</p><p>condição de segurado com deficiência relativa à filiação ao RGPS, ao regime próprio de</p><p>previdência do servidor público ou ao regime de previdência militar, devendo os</p><p>regimes compensar-se financeiramente (art. 9º, II, da LC n. 142/2013).</p><p>d) Renda mensal inicial (RMI):</p><p>De acordo com o art. 8º da LC n. 142/2013, a renda mensal da aposentadoria</p><p>devida ao segurado com deficiência será calculada aplicando-se sobre o salário de</p><p>benefício, apurado em conformidade com o disposto no art. 29 da Lei n. 8.213, de</p><p>1991, os seguintes percentuais:</p><p>I – 100%, no caso da aposentadoria por tempo de contribuição de que tratam</p><p>os incisos I, II e III do art. 3º (com redução de 10, 6 ou 2 anos no tempo de</p><p>contribuição); ou</p><p>II – 70% mais 1% do salário de benefício por grupo de 12 contribuições</p><p>mensais até o máximo de 30%, no caso de aposentadoria por idade.</p><p>A apuração do salário de benefício segue a média dos 80% maiores salários de</p><p>contribuição desde julho de 1994, com observância do mínimo divisor, para os</p><p>segurados filiados antes da Lei n. 9.876/1999.</p><p>Aplica-se o fator previdenciário na aposentadoria por tempo de contribuição ou</p><p>na aposentadoria por idade, somente se resultar em renda mensal de valor mais</p><p>elevado (art. 9º, I, da LC n. 142/2013).</p><p>É possível ao segurado a percepção de qualquer outra espécie de</p><p>aposentadoria estabelecida na Lei n. 8.213/1991 que lhe seja mais vantajosa do que</p><p>as opções apresentadas na LC n. 142/2013, desde que cumpridos os requisitos. Por</p><p>exemplo, caso fique inválida a obtenção de aposentadoria por invalidez, cujo</p><p>coeficiente de cálculo é de 100% do salário de benefício, poderá ser mais vantajosa</p><p>que a aposentadoria por idade.</p><p>Após a EC n. 103/2019, a apuração passou a corresponder a 100% do período</p><p>contributivo desde a competência julho de 1994 ou desde o início da contribuição, se</p><p>posterior àquela competência. O Decreto n. 10.410/2020, que atualizou o RPS (art. 70-</p><p>J), estabelecendo que deve ser aplicada a regra do art. 26 da EC n. 103/2019, ou seja,</p><p>a média integral dos salários de contribuição.</p><p>Continuam válidos os coeficientes de cálculo referidos (100% e 70% + 1% por</p><p>grupo de 12 contribuições) mesmo após as modificações geradas pela EC n. 103/2019.</p><p>Nesse ponto, o RPS (atualizado pelo Decreto n. 10.410/2020) foi fiel aos ditames da</p><p>EC n. 103/2019.</p><p>A manutenção dos critérios de apuração da RMI da aposentadoria da pessoa</p><p>com deficiência se deve ao fato de que na EC n. 103/2019 (art. 22, caput)</p><p>foi</p><p>estabelecido que: “será concedida na forma da Lei Complementar n. 142, de 8 de maio</p><p>de 2013, inclusive quanto aos critérios de cálculo dos benefícios”.</p><p>e) Data de início do benefício (DIB):</p><p>Mesma regra das demais aposentadorias.</p><p>f) Data de cessação do benefício (DCB):</p><p>Mesma regra das demais aposentadorias.</p><p>g) Regras Especiais - Conversão dos Tempos de Deficiência:</p><p>No caso de deficiência superveniente à filiação ao RGPS, ou em caso de</p><p>alteração do grau de deficiência, os parâmetros para a concessão da aposentadoria</p><p>serão proporcionalmente ajustados, considerando-se o número de anos em que o</p><p>segurado exerceu atividade laboral sem deficiência e com deficiência, observado o</p><p>grau de deficiência correspondente, nos termos do regulamento da Lei Complementar</p><p>em comento.</p><p>Vejamos um caso prático para melhor visualização dessa situação. Um</p><p>segurado que contribuiu 17 anos para o RGPS e, após ser acometido de deficiência</p><p>moderada, trabalhou mais 15 anos. Certamente ele não poderá se aposentar com 32</p><p>anos de contribuição, pois trabalhou apenas 15 anos com deficiência moderada e a</p><p>redução de 6 anos é para aquele segurado que laborou 29 anos integrais com tal</p><p>deficiência. Quais as soluções possíveis?</p><p>De acordo com o Decreto n. 8.145/2013, será possível converter o tempo</p><p>trabalhado de duas formas.</p><p>I - Conversão do tempo exercido como deficiente (tempo qualificado)</p><p>em tempo comum:</p><p>Será aplicado um fator de conversão positivo (1,21 = acréscimo de 3 anos).</p><p>Nesse caso, o segurado passa a ter: 17 anos comuns + 15 anos qualificados + 3 anos</p><p>(conversão do tempo qualificado em comum), totalizando 35 anos de tempo comum.</p><p>II - Conversão do tempo comum (exercido sem deficiência) em tempo</p><p>qualificado:</p><p>Será aplicado um fator de conversão negativo (0,83 = redução de 2,89 anos).</p><p>Nesse caso, o segurado passa a ter: 14,11 anos de tempo qualificado (conversão do</p><p>tempo comum em qualificado) + 15 anos de tempo qualificado, totalizando 29,11 anos</p><p>de tempo qualificado. Tempo suficiente para a aposentadoria por tempo qualificado,</p><p>que exige 29 anos de atividade em caso de deficiência moderada. E, nesse caso, o</p><p>fator previdenciário será aplicado somente se gerar ganho no valor do benefício.</p><p>A possibilidade de conversão do tempo comum em tempo qualificado está em</p><p>conformidade com o texto constitucional (art. 201, § 1º), pois garante a aposentadoria</p><p>por tempo de contribuição com as vantagens do cálculo em favor do segurado com</p><p>deficiência.</p><p>III - Conversão de tempo qualificado para tempo qualificado:</p><p>Quando o segurado comprovar a deficiência durante todo o tempo de</p><p>contribuição exigido, com alteração no grau de deficiência, será realizada a conversão</p><p>levando-se em consideração a atividade de maior duração.</p><p>A solução adotada no Decreto n. 8.145/2013 é similar à prevista no art. 66 do</p><p>Decreto n. 3.048/1999, que estabelece as regras de conversão para o segurado que</p><p>exerceu sucessivamente duas ou mais atividades sujeitas a condições especiais sem</p><p>completar em qualquer delas o prazo mínimo exigido.</p><p>Mesmo após a EC n. 103/2019, há o entendimento de que restou mantida a</p><p>possibilidade de conversão do tempo comum em tempo qualificado e vice-versa, não</p><p>se aplicando a vedação prevista na novel disposição do § 14 do art. 201: “É vedada a</p><p>contagem de tempo de contribuição fictício para efeito de concessão dos benefícios</p><p>previdenciários e de contagem recíproca”.</p><p>Essa conclusão tem dois fundamentos. Primeiro, porque houve a recepção</p><p>integral pelo art. 22 da EC n. 103/2019 em relação ao disposto na LC n. 142/2013, a</p><p>qual regulamenta a possibilidade de conversão de tempos trabalhados para a</p><p>concessão das aposentadorias aos segurados com deficiência.</p><p>E, segundo, porque o art. 25 da EC n. 103/2019, ao dispor sobre o tempo ficto</p><p>trabalhado até a publicação dessa emenda, não menciona o tempo de atividade como</p><p>deficiente. A restrição está ligada ao tempo especial, trabalhado sob condições</p><p>prejudiciais à saúde, e aos períodos de tempo de serviço sem o recolhimento da</p><p>respectiva contribuição.</p><p>Esse entendimento foi observado na atualização do RPS pelo Decreto n.</p><p>10.410/2020, que manteve a redação do art. 70-E, que define as tabelas de</p><p>conversão.</p><p>Caso o segurado com deficiência venha a exercer de forma simultânea</p><p>atividades consideradas prejudiciais à saúde ou à integridade física, não será possível</p><p>conseguir as duas reduções para a obtenção da aposentadoria. Ou seja, a redução do</p><p>tempo de contribuição prevista na LC n. 142/2013 não poderá ser acumulada, no</p><p>tocante ao mesmo período contributivo, com a redução assegurada aos casos de</p><p>atividades exercidas sob condições especiais (art. 10).</p><p>A vedação é apenas sobre o mesmo período. Sendo períodos diferentes, não há</p><p>qualquer proibição em converter um ou mais períodos pela atividade especial e outro</p><p>pelo exercício laboral como deficiente. No caso de simultaneidade, cabe ao segurado a</p><p>opção de escolha entre a redução da atividade sob condições especiais ou a redução</p><p>da atividade como deficiente, conforme a mais vantajosa no caso concreto.</p><p>Essa regra gera algumas controvérsias. Por exemplo, professores que atuam na</p><p>educação infantil e no ensino fundamental e médio e que possuam alguma deficiência,</p><p>além da redução de cinco anos no tempo de contribuição pela função de magistério</p><p>(sala de aula, direção, coordenação ou assessoramento pedagógico), também teriam</p><p>uma redução contributiva conforme o grau de deficiência? Os trabalhadores rurais e os</p><p>segurados especiais poderão acumular a redução dos cinco anos, prevista no art. 201,</p><p>§ 7º, II, da Constituição, e a redução da LC n. 142/2013?</p><p>Do mesmo modo há entendimento de que essas reduções como acumuláveis,</p><p>pois “onde a lei não restringe, não cabe ao intérprete restringir” (STJ, REsp</p><p>1.082.631/RS, 5ª Turma, Rel. Min. Laurita Vaz, DJe de 26.3.2013). Portanto,</p><p>inexistindo restrição expressa na LC n. 142/2013 quanto a esse tema, não subsiste</p><p>eventual óbice imposto ao direito dos professores e trabalhadores rurais.</p><p>Assim, uma professora que laborar com deficiência moderada poderá se</p><p>aposentar aos 19 anos de magistério (redução de seis anos em relação ao exigido</p><p>constitucionalmente). Da mesma forma, um segurado especial com deficiência (leve,</p><p>moderada ou grave) poderá se aposentar aos 55 anos de idade, comprovados 15 anos</p><p>de atividade rural.</p><p>No entanto, o Decreto n. 8.145/2013 nada tratou a respeito da função de</p><p>magistério e restringiu o direito do segurado especial. Quanto à aposentadoria (com</p><p>redução de tempo de contribuição), é exigida contribuição facultativa (art. 70-B,</p><p>parágrafo único). No que tange à aposentadoria por idade, a norma não admite a</p><p>redução etária de forma cumulativa (art. 70-C, § 2º).</p><p>O art. 9º, III, da LC n. 142/3013 prevê que são aplicáveis as regras de</p><p>pagamento e de recolhimento das contribuições previdenciárias contidas na Lei n.</p><p>8.212, de 24.7.1991. Isso não significa que seja necessário comprovar contribuição</p><p>adicional para gerar direito a esse benefício.</p><p>Poder-se-ia até questionar a constitucionalidade da LC n. 142/2013 pela</p><p>ausência de fonte de custeio específica na forma exigida no art. 195, § 5º (Nenhum</p><p>benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido</p><p>sem a correspondente fonte de custeio total). Na nossa interpretação, essa diretriz</p><p>direciona-se aos benefícios não previstos no texto constitucional, o que não é o caso</p><p>da aposentadoria aos portadores de deficiência que está contida no art. 201, § 1º, da</p><p>Constituição.</p><p>4 – Aposentadoria Especial:</p><p>Prevista no artigo 201, §1º, II, CF/88 e arts. 57 a 58 da Lei 8213/91 e arts. 64</p><p>a 70 do RPS.</p><p>a) Requisitos:</p><p>Atende ao binômio necessidade e permanência.</p><p>- Necessidade: agente nocivo que supera certos limites de tolerância ou</p><p>dose para</p><p>o critério quantitativo e simples presença do agente para critério</p><p>qualitativo.</p><p>- Permanência: trabalho durante 15, 20 ou 25 anos, conforme o caso, com</p><p>exposição de agente nocivo de forma não ocasional ou intermitente.</p><p>a.1) Antes da EC 103/2019 (12/11/2019):</p><p>- Não exige idade mínima.</p><p>- Comprovação do tempo e a exposição efetiva aos agentes nocivos que</p><p>estão relacionados no anexo IV do RPS:</p><p>- 15 anos (mineração em subsolo em frente de procuração)</p><p>- 20 anos (mineração em subsolo fora da frente de mineração e</p><p>trabalho com asbesto)</p><p>- 25 anos (demais previstas)</p><p>a.2) Após a EC 103/2019:</p><p>- 55 anos de idade para as atividades de 15 anos de exposição</p><p>- 58 anos de idade para as atividades de 20 anos de exposição</p><p>- 60 anos de idade para as atividades de 25 anos de contribuição</p><p>Tempo de trabalho permanente (não ocasional nem intermitente), na qual a</p><p>exposição do empregado e do trabalhador avulso ou do cooperativado ao agente</p><p>nocivo seja indissociável da produção do bem ou da prestação do serviço, considerado</p><p>também os períodos de descanso determinado pela legislação trabalhista, inclusive</p><p>férias, afastamento por auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez acidentários,</p><p>bem como de recebimento de salário-maternidade, desde que na data da atividade</p><p>estivesse exercendo a atividade especial.</p><p>A comprovação se dará mediante formulário, na forma estabelecida pelo INSS,</p><p>emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições</p><p>ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança</p><p>do trabalho, nos termos da legislação trabalhista.</p><p>O formulário é o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) que substitui os</p><p>formulários SB-40, Driben 8030 e DSS 8030.</p><p>Além disso deverá ser informado o Laudo Técnico de Condições Ambientais e</p><p>do Trabalho (LTCAT) que deve observar as normas trabalhistas e a metodologia e</p><p>procedimento de avaliação da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e</p><p>Medicina do Trabalho – FUNDACENTRO (art. 68, §11, RPS).</p><p>O INSS poderá fazer inspeções para confirmação das informações constantes</p><p>no PPP e no LTCAT</p><p>b) Prazo de carência:</p><p>180 contribuições.</p><p>c) Beneficiários:</p><p>- Empregado</p><p>- Avulso</p><p>- Contribuinte individual cooperados filiados a cooperativa de serviço ou</p><p>produção tem direito.</p><p>d) Renda mensal inicial (RMI):</p><p>I – Antes da EC 103/2019 - 100% do salário de benefício sem aplicação do</p><p>fator previdenciário.</p><p>II – Após a EC 103/2019 - 60% + 2% para cada ano adicional de contribuição</p><p>a partir de 20 anos para homens e 15 anos para mulheres.</p><p>e) Data de início do benefício (DIB):</p><p>Igual a aposentadoria por idade.</p><p>f) Data de cessação do benefício (DCB):</p><p>- Desistência - nos mesmos moldes das demais aposentadorias e nos mesmos</p><p>prazos.</p><p>- Morte.</p><p>- Retorno a atividade especial.</p><p>g) Regras Especiais:</p><p>Conversão: inicialmente se mostrava cabível a conversão do tempo especial em</p><p>especial, especial em comum e comum em especial. Isso veio a sofrer alteração com a</p><p>MP 1.663-10/1998 que revogou essa disposição.</p><p>Porém a MP ao ser convertida na Lei 9711/98 sofreu alteração de texto deixando</p><p>fortes dúvidas quanto a aplicabilidade das conversões que passaram por diversas</p><p>etapas até os dias atuais.</p><p>g.1) Conversão do tempo especial em tempo especial:</p><p>Para o segurado que exercer sucessivamente duas ou mais atividades sujeitas a</p><p>condições especiais prejudiciais sem completar o tempo mínimo para aposentadoria</p><p>especial, os respectivos períodos serão somados após a conversão, conforme tabela do</p><p>artigo 66 do RPS.</p><p>A conversão e a soma levarão em consideração a atividade preponderante:</p><p>I – Até a EC 103/2020 – será aquela que, após a conversão para o mesmo</p><p>referencial, resultar em maior número de anos.</p><p>II – Após a EC 103/2020 – será aquela que pela qual o segurado tenha</p><p>contribuído por mais tempo, antes da conversão.</p><p>TEMPO A CONVERTER MULTIPLICADORES</p><p>PARA 15 PARA 20 PARA 25</p><p>DE 15 ANOS - 1,33 1,67</p><p>DE 20 ANOS 0,75 - 1,25</p><p>DE 25 ANOS 0,60 0,80 -</p><p>g.2) Conversão de tempo especial em tempo comum (LIMITADA AO</p><p>PERÍODO ANTERIOR A EC 103/2019):</p><p>Depois de uma série de protestos a 13ª edição da MP 1.663-10/1998 (que havia</p><p>extinto essa modalidade) passou a contar com uma regra de transição.</p><p>Foram fixados percentuais mínimos de tempo especial, exercido até 28/05/1998,</p><p>em 20% do tempo necessário para alcançar a aposentadoria especial.</p><p>Assim ficou 3, 4 e cinco anos, respectivamente para 15, 20 e 25 anos de atividade</p><p>especial.</p><p>Posteriormente foi ajuizada ação civil pública pelo MP do RS que obteve</p><p>antecipação de tutela obrigando a conversão em qualquer caso, mesmo após</p><p>28/05/1998.</p><p>O argumento foi que a MP 1661-10/98 ao ser convertida na Lei 9711/98 teve</p><p>excluído do seu texto a revogação o artigo que revogava a disposição da conversão.</p><p>O processo foi extinto, mas dele resultou o Decreto 4827/03 que estabeleceu</p><p>tabela para a conversão do tempo especial em comum, alterando a redação do artigo</p><p>70 do RPS.</p><p>TEMPO A CONVERTER</p><p>MULTIPLICADORES</p><p>MULHER (PARA 30) HOMEM (PARA 35)</p><p>DE 15 ANOS 2,00 2,33</p><p>DE 20 ANOS 1,50 1,75</p><p>DE 25 ANOS 1,20 1,40</p><p>Até 2007 o STJ e a TNU entendiam pela não possibilidade de conversão, inclusive</p><p>sumulando a matéria (súmula 16, TNU). Posteriormente a súmula foi revogada em</p><p>2009, sendo substituída, atualmente, pela súmula 50 que autoriza a conversão a</p><p>qualquer tempo.</p><p>Com o advento da EC 103/2019 o artigo 25, §2º assegurou a conversão do tempo</p><p>especial em comum apenas daquele realizado até 12/11/2019, vedando a conversão</p><p>de tempos posteriores.</p><p>g.3) Conversão de tempo comum em tempo especial (EXTINTO):</p><p>Tornou-se incompatível com a ordem legal quando da edição da Lei 9032/95 que</p><p>passou a exigir efetiva exposição ao agente insalubre para a caracterização do tempo</p><p>especial.</p><p>h) Regra de Transição:</p><p>h.1) Regime Geral:</p><p>- 66 pontos (idade + tempo de contribuição) + 15 anos de exposição.</p><p>- 76 pontos (idade + tempo de contribuição) + 20 anos de exposição.</p><p>- 86 pontos (idade + tempo de contribuição) + 25 anos de exposição.</p><p>h.2) Regime Próprio:</p><p>- Critérios de ponto e exposição.</p><p>- 20 anos de efetivo serviço público.</p><p>- 5 anos no cargo efetivo em que será concedida aposentadoria.</p><p>5 – Aposentadoria por Invalidez (Incapacidade Permanente):</p><p>Previsto no artigo 201, I, CF/88 e arts. 42 a 47 da Lei 8213/91 e arts. 43 a 50</p><p>do RPS.</p><p>a) Requisitos:</p><p>Incapacidade laborativa: impossibilidade de desempenho das atividades</p><p>profissionais ou habituais em consequência de alterações morfopsicofisiológicas</p><p>provocadas por doença ou acidente.</p><p>• Quanto ao grau: total (substancial) ou parcial.</p><p>• Quanto à duração: temporária ou permanente.</p><p>Observar: a incapacidade da aposentadoria por invalidez é substancial e</p><p>permanente aparecendo na lei sob a denominação total e definitiva.</p><p>Por definitiva deve ser entendida a incapacidade permanente com base na</p><p>tecnologia médica da época de sua constatação</p><p>Além disso, vem sendo entendimento dos tribunais a necessidade de verificar,</p><p>mesmo na incapacidade parcial, as condições sociais e pessoais do segurado para a</p><p>concessão do benefício (súmula 47, TNU).</p><p>Trata-se de benefício reversível cuja concessão dependerá de exame médico-</p><p>pericial a cargo da Previdência Social, podendo o segurado, as suas expensas, fazer-se</p><p>acompanhar de médico de sua confiança (art. 42, §1º, Lei 8213).</p><p>O benefício será concedido se verificada a impossibilidade de habilitação ou</p><p>reabilitação para outra atividade que lhe garanta a subsistência e será pago enquanto</p><p>durar essa incapacidade.</p><p>Deferido o benefício serão realizadas perícias, a qualquer tempo, para a verificação</p><p>da situação do beneficiário (art. 46 do RPS).</p><p>A aposentadoria por invalidez não pressupõe</p><p>a preexistência de auxílio-doença.</p><p>A doença ou lesão preexistente a filiação não dará direito ao benefício salvo se a</p><p>incapacidade decorrer de progressão ou agravamento dessa mesma doença ou lesão.</p><p>Em caso de exercício de atividades concomitantes a incapacidade terá que ser em</p><p>todas as atividades e pressupõe o afastamento de todas elas.</p><p>Insusceptibilidade de reabilitação do segurado para exercício de atividade que lhe</p><p>garanta a subsistência.</p><p>b) Prazo de carência:</p><p>- 12 contribuições mensais.</p><p>- Isento:</p><p>- Decorrente de acidente de qualquer natureza.</p><p>- Doença profissional ou do trabalho.</p><p>- Doença ou afecção enquadrada na Portaria MPAS/MS 2998/01 – até</p><p>30/06/2020</p><p>- Doenças ou afecções especificadas em lista elaborada pelos Ministérios</p><p>da Saúde e da Economia, atualizada a cada três anos, de acordo com os</p><p>critérios de estigma, deformação, mutilação, deficiência ou outro fator</p><p>que lhe confira especificidade e gravidade que mereçam tratamento</p><p>particularizado – após 30/06/2020.</p><p>Obs: Até que seja elaborada a lista de doenças ou afecções,</p><p>independerá de carência a concessão de auxílio por incapacidade</p><p>temporária e de aposentadoria por incapacidade permanente ao</p><p>segurado que, após filiar-se ao RGPS, seja acometido por alguma das</p><p>seguintes doenças:</p><p>I - tuberculose ativa;</p><p>II - hanseníase;</p><p>III - alienação mental;</p><p>IV - esclerose múltipla;</p><p>V - hepatopatia grave;</p><p>VI - neoplasia maligna;</p><p>VII - cegueira;</p><p>VIII - paralisia irreversível e incapacitante;</p><p>IX - cardiopatia grave;</p><p>X - doença de Parkinson;</p><p>XI - espondiloartrose anquilosante;</p><p>XII - nefropatia grave;</p><p>XIII - estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante);</p><p>XIV - síndrome da imunodeficiência adquirida (aids);</p><p>XV - contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina</p><p>especializada.</p><p>c) Beneficiários:</p><p>Qualquer segurado obrigatório ou facultativo.</p><p>d) Renda mensal inicial (RMI):</p><p>d.1) Até a EC 103/2019 - 100% do salário de benefício.</p><p>Quando decorrer de auxílio-doença: 100% do salário de benefício que</p><p>serviu de base para o cálculo da renda mensal do benefício, reajustado</p><p>pelos mesmos índices de reajuste dos benefícios em geral.</p><p>d.2) Após a EC 103/2019:</p><p>I – 100% quando decorrer de:</p><p>- Acidente do Trabalho</p><p>- Doença Profissional</p><p>- Doença do Trabalho</p><p>II – Demais casos – 60% + 2% para cada ano de contribuição que</p><p>exceder 20 anos de contribuição, para os homens, ou 15 anos de contribuição, para as</p><p>mulheres.</p><p>d.3) Acréscimo de 25%: no caso do segurado que necessitar da assistência</p><p>permanente de outra pessoa (grande invalidez), conforme anexo I, RPS:</p><p>- Cegueira total.</p><p>- Perda de nove dedos das mãos ou superior a esta.</p><p>- Paralisia dos dois membros superiores ou inferiores.</p><p>- Perda dos membros inferiores, acima dos pés, quando a prótese for</p><p>impossível.</p><p>- Perda de uma das mãos e de dois pés, ainda que a prótese seja possível.</p><p>- Perda de um membro superior e outro inferior, quando a prótese for</p><p>impossível.</p><p>- Alteração das faculdades mentais com grave perturbação da vida</p><p>orgânica e social.</p><p>- Doença que exija permanência contínua no leito.</p><p>- Incapacidade permanente para as atividades da vida diária.</p><p>Regras do acréscimo:</p><p>- Será devido ainda que o valor da aposentadoria atinja o valor máximo.</p><p>- Será recalculado quando o benefício for reajustado.</p><p>- Cessará com a morte não se incorporando na pensão.</p><p>e) Data de início do benefício (DIB):</p><p>Segurado empregado: 16º dia do afastamento da atividade ou a partir da</p><p>entrada do requerimento se entre o afastamento e a entrada do requerimento decorrer</p><p>mais de 30 dias.</p><p>Doméstico, trabalhador avulso, contribuinte individual, especial e facultativo: a</p><p>contar do início da incapacidade ou da data de entrada do requerimento se entre essas</p><p>duas decorrer mais de 30 dias.</p><p>f) Data de cessação do benefício (DCB):</p><p>- Data do óbito.</p><p>- Data do retorno ao trabalho voluntariamente.</p><p>Quando for constatada o fim da incapacidade por perícia médica do INSS deve ser</p><p>observado (não se aplica ao segurado que voltou a trabalhar sem solicitar a perícia de</p><p>revisão):</p><p>I - Quando a recuperação ocorrer dentro de 5 anos, contados da data de</p><p>início da aposentadoria por invalidez ou do auxílio-doença que o antecedeu</p><p>sem interrupção:</p><p>- Cessação imediata para o segurado empregado que tiver direito a</p><p>retornar a função que desempenhava na empresa quando se aposentou.</p><p>- Após tantos meses quantos forem os anos de duração do auxílio-</p><p>doença ou aposentadoria por invalidez, para os demais segurados.</p><p>II - Quando a recuperação for parcial, ocorrer após 5 anos, ou ainda, quando</p><p>o segurado for declarado apto para o exercício de trabalho diverso do qual</p><p>habitualmente exercia, a aposentadoria será mantida, sem prejuízo da volta a</p><p>atividade:</p><p>- No seu valor integral durante 6 meses contados da data em que foi</p><p>constatada a recuperação.</p><p>- Com redução de 50% no período seguinte de 6 meses.</p><p>- Com redução de 75%, também por igual período de 6 meses, ao</p><p>término do qual cessará definitivamente.</p><p>O período em que a aposentadoria é mantido é denominado mensalidade de</p><p>recuperação.</p><p>Até o Decreto 10410/2020 havendo solicitação de novo benefício no curso da</p><p>mensalidade de recuperação o mesmo só será deferido após o término desse período.</p><p>Após o Decreto 10410/2020 fica assegurada a percepção do benefício mais</p><p>vantajoso e quando o benefício se encerrar antes do término do prazo da mensalidade</p><p>de recuperação, o prazo remanescente será restituído ao término do benefício novo.</p><p>g) Regras especiais:</p><p>Suspensão do Benefício:</p><p>- Não comparecer na perícia designada.</p><p>- Não comparecer em reabilitação profissional prescrita e custeada.</p><p>- Não comparecer em tratamento médico prescrito e custeado, exceto</p><p>cirúrgico e transfusão de sangue que são facultativos.</p><p>Até 1995 o benefício se tornava definitivo aos 55 anos o que acabou com a Lei</p><p>9032/95.</p><p>A dispensa ocorrerá:</p><p>- Aos 55 anos + 15 anos de benefício</p><p>- Aos 60 anos</p><p>Não se aplica a isenção de realização de perícia quando:</p><p>- para verificação da necessidade de assistência permanente de outra</p><p>pessoa para a concessão do acréscimo de vinte e cinco por cento sobre o</p><p>valor do benefício.</p><p>- para verificação da recuperação da capacidade laborativa, por meio de</p><p>solicitação do aposentado que se julgar apto.</p><p>- para subsídios à autoridade judiciária na concessão de curatela.</p><p>- para verificação de possíveis fraudes.</p><p>6 – Auxílio por Incapacidade Temporária (Auxílio-Doença):</p><p>Previsto no artigo 201, I, CF/88 e arts. 59 a 63 da Lei 8213/91 e arts. 71 a 80 do RPS.</p><p>a) Requisitos:</p><p>Incapacidade temporária para o trabalho superior a 15 dias consecutivos ou 15</p><p>dias intercalados em um intervalo de 60 dias (quando a causa for a mesma, art. 75,</p><p>§§4º e 5º do Decreto 3048/99).</p><p>Trata-se de incapacidade:</p><p>- Substancial e temporária.</p><p>- Parcial e permanente (caso de atividades concomitantes).</p><p>- Parcial e temporária (caso de atividades concomitantes).</p><p>Os primeiros 15 dias consecutivos são denominados prazo de espera e</p><p>correspondem a interrupção do contrato de trabalho.</p><p>Se a empresa possuir médico do trabalho nesses 15 dias o empregado fica a</p><p>seu encargo somente sendo encaminhado ao INSS após esse período.</p><p>Havendo convênio entre a empresa e o INSS, o benefício será deferido</p><p>automaticamente sem necessidade de perícia.</p><p>Deferido o benefício o contrato de trabalho estará suspenso enquanto o mesmo</p><p>perdurar.</p><p>Exceção é o caso da empresa que prevê, por regulamento, contrato de trabalho</p><p>ou normas coletivas a previsão de remuneração do empregado afastado.</p><p>Nesse caso a empresa fica obrigada a completar a diferença entre o valor pago</p><p>a título de benefício de auxílio-doença e o valor do salário do empregado.</p><p>Esse valor, em caso de benefício extensivo a todos os empregados, será isento</p><p>de contribuição.</p><p>Os demais requisitos são os mesmos da aposentadoria por invalidez.</p><p>• Dispensa de novo prazo de espera:</p><p>Se concedido novo benefício decorrente da mesma doença dentro de 60 dias</p><p>contados do fim do benefício anterior a empresa fica desobrigada do</p><p>pagamento dos 15 dias de afastamento, prorrogando-se o benefício anterior e</p><p>descontando os dias trabalhados se for o caso.</p><p>• Atividades concomitantes: o auxílio-doença permanecerá devido, mesmo em</p><p>caso de incapacidade total e definitiva, caso essa recaia apenas sobre uma</p><p>atividade e assim ficará até que haja incapacidade nas demais, devendo o</p><p>perito ser informado de todas as atividades exercidas pelo segurado no ato da</p><p>perícia.</p><p>Importante frisar que cada auxílio-doença levará em consideração apenas os</p><p>salários de contribuição da atividade incapacitada.</p><p>Conversão em aposentadoria por invalidez, em decorrência de incapacidade nas</p><p>demais atividades concomitantes:</p><p>Salário de benefício reajustado do auxílio-doença.</p><p>- Antes da EC 103/2019:</p><p>O valor correspondente ao percentual da média dos salários de contribuição</p><p>de cada uma das demais atividades não consideradas no cálculo do auxílio-</p><p>doença a ser transformado, equivalente à relação entre os meses completos</p><p>de contribuição até o limite de 12, e os estipulado como período de carência.</p><p>- Após a EC 103/2019:</p><p>Dependerá da natureza do benefício. Se acidentário segue a mesma regra</p><p>anterior a reforma, porém se for comum será recalculado pelas novas regras</p><p>da aposentadoria por invalidez (aposentadoria) por incapacidade permanente.</p><p>b) Prazo de carência:</p><p>Na mesma forma da aposentadoria por invalidez.</p><p>c) Beneficiários:</p><p>Qualquer segurado obrigatório ou facultativo.</p><p>d) Renda mensal inicial (RMI):</p><p>91% do salário de benefício limitado a média aritmética simples dos últimos</p><p>doze salários-de-contribuição, inclusive no caso de remuneração variável, ou, se não</p><p>alcançado o número de doze, a média aritmética simples dos salários-de-contribuição</p><p>existentes.</p><p>Em caso de atividades concomitantes poderá ser inferior ao salário mínimo,</p><p>desde que a soma com os demais rendimentos fique acima.</p><p>Sendo deferido benefício em razão de acidente de qualquer natureza e</p><p>posteriormente cessado, em caso de reabertura a renda será a mesma do benefício</p><p>anterior corrigido até o mês anterior a nova concessão.</p><p>e) Data de início do benefício (DIB):</p><p>Mesmo que a aposentadoria por invalidez.</p><p>A previdência poderá processar de ofício benefício não requerido por segurado</p><p>quando tomar ciência de sua incapacidade.</p><p>f) Data de cessação do benefício (DCB):</p><p>Deixa o segurado de realizar tratamento médico recomendado pela previdência</p><p>social e alcançado pelo sistema único de saúde gratuitamente, com exceção de</p><p>transfusão de sangue e cirurgia.</p><p>Quando cessar a incapacidade devidamente apontada em perícia médica.</p><p>Na ausência de data ou previsão de cessação futura do benefício o prazo</p><p>máximo de concessão será de 120 dias.</p><p>Alta programada ou Cobertura Previdenciária Estimada (Copes): previsão de</p><p>encerramento sem necessidade de nova revisão pericial.</p><p>Nos 15 dias que antecedem a alta programada poderá o segurado requerer</p><p>pedido de prorrogação.</p><p>Até 30 dias após a cessação do benefício poderá requerer pedido de</p><p>reconsideração.</p><p>Conversão em aposentadoria por invalidez ou auxílio-acidente.</p><p>g) Regras especiais:</p><p>O segurado em gozo de benefício recolhido à prisão terá o benefício suspenso</p><p>por 60 dias após o qual será cancelado, salvo se for mais benéfico que o auxílio-</p><p>reclusão.</p><p>Caso seja posto em liberdade no período de suspensão o benefício será</p><p>restabelecido a partir da data da soltura.</p><p>Em caso de reconhecimento da ilegalidade da prisão o segurado terá direito a</p><p>percepção de todo o período suspenso.</p><p>As regras são aplicáveis apenas para os casos de prisão após a vigência da lei</p><p>13.846/2019.</p><p>A alteração de função em razão de limitações do segurado não configura desvio</p><p>do empregado reabilitado ou em reabilitação.</p><p>7 – Auxílio-Acidente:</p><p>Previsto no artigo 86, Lei 8213/91 e art. 104 do RPS.</p><p>Características:</p><p>- Benefício por incapacidade;</p><p>- De trato sucessivo;</p><p>- Não vitalício;</p><p>- Reajustável;</p><p>- Complementar a renda do segurado.</p><p>a) Requisitos:</p><p>Será concedido como indenização ao segurado quando, após consolidação de</p><p>lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza resultarem sequelas que</p><p>impliquem:</p><p>Redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia.</p><p>Redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia e exigir</p><p>maior esforço para o desempenho da mesma atividade que exercia à época do</p><p>acidente.</p><p>Impossibilidade de desempenho da atividade que exercia à época do acidente,</p><p>porém permitido o desempenho de outra após processo de reabilitação profissional nos</p><p>casos indicados pela perícia do INSS.</p><p>Situações do anexo III, RPS:</p><p>- Redução da acuidade visual.</p><p>- Traumas no sistema auditivo.</p><p>- Perturbação da fala.</p><p>- Prejuízo estético.</p><p>- Perda de segmento de membros.</p><p>- Entre outras.</p><p>Para constatação da incapacidade gerar o benefício, será considerada a</p><p>atividade exercida na data do acidente.</p><p>Não haverá direito ao benefício quando:</p><p>- Danos funcionais ou redução da capacidade funcional sem repercussão na</p><p>capacidade laborativa.</p><p>- Mudança de função, mediante readaptação profissional promovida pela</p><p>empresa, como medida preventiva, em decorrência de inadequação do local</p><p>de trabalho.</p><p>b) Prazo de carência:</p><p>Independe de carência.</p><p>c) Beneficiários:</p><p>Segurado empregado.</p><p>Empregado doméstico após 01/06/2015.</p><p>Trabalhador Avulso.</p><p>Segurado Especial.</p><p>d) Renda mensal inicial (RMI):</p><p>50% do salário de benefício.</p><p>Não admite cumulação de mais de um benefício da mesma espécie, porém em</p><p>caso da incidência de mais de um será concedido o mais vantajoso.</p><p>Por ter natureza complementar pode ser inferior ao salário mínimo.</p><p>e) Data de início do benefício (DIB):</p><p>A partir do dia seguinte ao da cessação do auxílio-doença.</p><p>Na falta de requerimento administrativo de auxílio-acidente o STJ entende ser a</p><p>data da citação na ação judicial para a concessão.</p><p>f) Data de cessação do benefício (DCB):</p><p>Início de qualquer aposentadoria.</p><p>Morte.</p><p>Em caso de novo auxílio-doença por acidente ficará suspenso sendo reativado</p><p>após cessar o benefício.</p><p>g) Regras especiais:</p><p>Era vitalício até 1995, sendo retirado tal condição pela MP 1596-14, convertida</p><p>na Lei 9528/97.</p><p>Seu valor integra o salário de contribuição para fins de cálculo de qualquer</p><p>aposentadoria após 1995.</p><p>Segurados anteriores a 1995 com concessão proporcional (30%, 40%, 60%)</p><p>permanecem como estão.</p><p>8 – Salário-Maternidade:</p><p>Previsto no artigo art. 71 a 73, Lei 8213/91 e art. 93 a 103 do RPS.</p><p>a) Requisitos:</p><p>Não é cumulativo com auxílio-doença: havendo concomitância o benefício de</p><p>incapacidade é suspenso ou tem seu início prorrogado até o final do salário-</p><p>maternidade.</p><p>Decorre de 3 hipóteses:</p><p>- Parto;</p><p>- Aborto não criminoso;</p><p>- Adoção – crianças até 12 anos.</p><p>Parto: em caso de parto, ainda que antecipado, o benefício será devido por 120</p><p>dias, com início no período entre 28 dias antes do parto ou do prazo previsto para o</p><p>parto, podendo ser prorrogado por até duas semanas, antes ou depois, mediante</p><p>atestado médico específico.</p><p>O salário-maternidade não deve ser confundido com licença-maternidade.</p><p>Parto para a legislação brasileira é o evento ocorrido após a 23ª semana (sexto</p><p>mês) de gestação. Em caso de natimorto após a 23ª semana será</p><p>parto.</p><p>Aborto não criminoso: comprovado mediante atestado médico pelo prazo de</p><p>duas semanas, bem como do abordo espontâneo ou as espécies descriminalizadas</p><p>(estupro, risco de vida da mãe e anaencéfalos). Em caso de natimorto antes da 23ª</p><p>semana será aborto.</p><p>Adoção ou guarda para fins de adoção: incluído pela lei 11421/02. Não há mais</p><p>distinção de prazos em razão da idade do adotado. Será pago mesmo que a mãe</p><p>biológica tenha se beneficiado.</p><p>Para a concessão do salário-maternidade é indispensável que conste da nova</p><p>certidão de nascimento da criança ou do termo de guarda, o nome da segurada</p><p>adotante ou guardiã, bem como deste último, que trata-se de guarda para fins de</p><p>adoção, não sendo devido o benefício se contiver no documento apenas o nome do</p><p>cônjuge ou companheiro.</p><p>Em caso de aborto ou ausência de certidão, deverá ser apresentado</p><p>documentos médicos relativos ao parto, podendo a segurada ser submetida a perícia</p><p>por parte do INSS.</p><p>b) Prazo de carência:</p><p>Empregada, doméstica e avulsa estão dispensadas de carência.</p><p>Contribuinte individual e facultativa: 10 contribuições mensais.</p><p>Segurada especial: comprovação da atividade nos 10 meses imediatamente</p><p>anteriores ao requerimento.</p><p>Em caso de parto antecipado o número de contribuições fica reduzido no</p><p>equivalente ao número de meses da antecipação.</p><p>c) Beneficiários:</p><p>Qualquer segurada, obrigatória ou facultativa.</p><p>O salário maternidade será pago ao cônjuge ou companheiro sobrevivente que</p><p>tenha a qualidade de segurado, no caso de falecimento da segurada ou segurado que</p><p>fizer jus ao recebimento do salário-maternidade.</p><p>Neste caso, o benefício será pago por todo o período ou pelo tempo restante a</p><p>que teria direito a segurada ou segurado falecido e será pago diretamente pela</p><p>Previdência Social durante o período entre a data do óbito e o último dia do término do</p><p>salário-maternidade</p><p>Aposentado que retorna a atividade também possui o benefício</p><p>Nos casos de adoção será devida para homem ou mulher adotante.</p><p>A adoção por casais, heterossexuais ou homoafetivos ensejará o pagamento do</p><p>salário maternidade a apenas 1 dos cônjuges, sendo que no caso de adoção de mais</p><p>de uma criação o pagamento se dará apenas por uma.</p><p>d) Renda mensal inicial (RMI):</p><p>Empregada e Avulsa - Remuneração Integral.</p><p>Empregada em período de graça – INSS.</p><p>Limite máximo: salário do Ministro do STF, superado esse limite a empresa</p><p>deve arcar com a diferença.</p><p>Empregada em atividades concomitantes – recebe por todas as atividades não</p><p>podendo ser inferior ao mínimo na soma. Observar os casos de contribuição inferior ao</p><p>mínimo em que o pagamento somente ocorrerá se a soma dos salários de contribuição</p><p>alcançar o mínimo legal.</p><p>MEI – será pago pelo INSS com desconto previdenciário sobre o pagamento.</p><p>Empregada Intermitente – será pago pelo INSS – o valor será a média</p><p>aritmética simples das remunerações apuradas no período referente aos doze meses</p><p>que antecederem o parto, a adoção ou a obtenção da guarda para fins de adoção.</p><p>Havendo mais de um contrato intermitente será pago apenas 1 com base na</p><p>média de todos.</p><p>Empregada com contrato a tempo parcial com salário de contribuição inferior</p><p>ao mínimo será pago pelo INSS com dedução de contribuição.</p><p>No caso de empregos concomitante em tempo parcial cuja soma ultrapasse o</p><p>mínimo o pagamento será pelas empresas.</p><p>Doméstica: valor do seu último salário de contribuição limitado ao teto.</p><p>Individual, facultativa e desempregada: 1/12 da soma dos 12 últimos salários</p><p>de contribuição apurados em período não superior a 15 meses.</p><p>Segurado especial: salário mínimo.</p><p>e) Data de início do benefício (DIB):</p><p>Para as empregadas e avulsas – até 28 das antes do parto e 92 dias após o</p><p>parto podendo ser prorrogado em duas semanas.</p><p>Para os demais com a certidão de nascimento ou termo de guarda para fins de</p><p>adoção.</p><p>Não há previsão em lei de prazo para o requerimento de modo que se conclui</p><p>ser possível a qualquer tempo desde que observada a prescrição de 5 anos. A MP</p><p>871/2019 chegou a fixar um prazo de 180 dias para esse requerimento, porém ao ser</p><p>convertida em lei o texto foi retirado.</p><p>f) Data de cessação do benefício (DCB):</p><p>Transcorrido o período de sua duração ou em caso de falecimento da segurada.</p><p>Retorno a atividade.</p><p>g) Regras especiais:</p><p>Trata-se de benefício reembolsável. Será pego pela empresa ou INSS conforme</p><p>o caso.</p><p>Empregada: a empresa adiantará o valor a segurada e após fara compensação</p><p>com a previdência.</p><p>Demais seguradas: direto com o INSS.</p><p>9 – Salário-Família:</p><p>Previsto no artigo art. 65 a 70, Lei 8213/91 e art. 81 a 92 do RPS.</p><p>Benefício complementar destinado a cobrir parte dos encargos de família do</p><p>trabalhador.</p><p>a) Requisitos:</p><p>Devido mensalmente ao segurado na proporção do respectivo número de filhos</p><p>ou equiparados (enteado e menor sob tutela – desde que dependente econômico</p><p>comprovado) até 14 anos de idade ou inválido de qualquer idade.</p><p>Deverá ser apresentada certidão de nascimento, carteira de vacinação para</p><p>crianças com até 6 anos de idade e atestado de frequência escolar a partir dos 4 anos</p><p>de idade.</p><p>A EC 20/98 acrescentou o requisito baixa renda que se constitui na renda,</p><p>segundo a própria emenda, transitoriamente, a renda bruta igual ou inferior a R$</p><p>360,00 reajustável anualmente pelos mesmos índices do RGPS.</p><p>Com o passar dos anos uma segunda faixa foi incorporada.</p><p>A EC 103/2019 eliminou as faixas unificando o benefício em apenas uma</p><p>estabelecendo o valor teto de R$ 1.364,43 de renda bruta mensal para ser beneficiado,</p><p>fixando o valor inicial em R$46,54.</p><p>Essa regra é até que venha lei estabelecendo outro critério, conforme o artigo</p><p>27 da EC 103/19.</p><p>b) Prazo de carência:</p><p>Não há carência.</p><p>c) Beneficiários:</p><p>Empregado, empregado doméstico e Trabalhador Avulso.</p><p>Aposentado por invalidez ou por idade e os demais aposentados com 65 anos</p><p>ou mais de idade se do sexo masculino, ou 60 anos ou mais se do sexo feminino.</p><p>Cumulativamente.</p><p>Será devido para o homem e a mulher cumulativamente pelo mesmo filho.</p><p>d) Renda mensal inicial (RMI):</p><p>O pagamento era feito em cotas, antes da EC 103/2019:</p><p>I - R$ 46,54 para o segurado com remuneração mensal não superior a R$</p><p>907,77;</p><p>II - R$ 32,80 para o segurado com remuneração mensal superior a R$ 907,78 e</p><p>igual ou inferior a R$ 1.364,43.</p><p>Após a EC 103/2019:</p><p>Passou a ser apenas uma faixa em valor único de R$46,54 para salários igual</p><p>ou inferior a R$1.364,43.</p><p>Em 2020 através da Portaria 914/2020 e posteriormente com o Decreto</p><p>10.410/2020 passou a ser de R$48,62 para quem ganha rendimento bruto igual ou</p><p>inferior a R$1.425,26.</p><p>Em 2021 através da Portaria 477/2021 passou a ser de R$51,27 para quem</p><p>ganha rendimento bruto igual ou inferior a R$1.503,25.</p><p>Em 2022 através da Portaria 12/2022 passou a ser de R$56,47 para quem</p><p>ganha rendimento bruto igual ou inferior a R$1.655,98.</p><p>e) Data de início do benefício (DIB):</p><p>Quando preenchidos cumulativamente todos os requisitos de comprovação do</p><p>direito:</p><p>- Apresentação da certidão de nascimento ou documento relativa ao</p><p>equiparado com comprovação de dependência econômica.</p><p>- Apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória, até seis ano de</p><p>idade (dispensado para o doméstico).</p><p>- Comprovação semestral de frequência escolar do filho ou equiparado, a</p><p>partir dos 4 anos de idade (dispensado para o doméstico).</p><p>Durante o período em que não apresentado o documento o benefício será</p><p>suspenso e se for o caso será indevido, salvo se houver comprovação retroativa ao</p><p>período.</p><p>Em caso de divórcio, separação judicial ou de fato ou perda do poder familiar o</p><p>pagamento será apenas para o responsável pelo sustento do menor ou a outra pessoa</p><p>determinada judicialmente.</p><p>f) Data de cessação do benefício (DCB):</p><p>Morte do filho ou equiparado a contar do mês seguinte ao do óbito;</p><p>Quando filho ou equiparado completar 14 anos de idade, salvo inválido, a</p><p>contar do mês seguinte ao da data do aniversário;</p><p>Recuperação da capacidade do filho ou equiparado inválido, a contar do mês</p><p>seguinte a cessação da incapacidade;</p><p>Pelo desemprego do segurado.</p><p>g) Regras especiais:</p><p>Empregado: empresa (reembolso mediante desconto).</p><p>Doméstico: empregador (reembolso mediante desconto)</p><p>Avulso: sindicato ou OGMO (reembolso mediante pagamento).</p><p>Demais hipóteses: INSS.</p><p>O empregado deverá assinar termo de responsabilidade e em caso de não</p><p>comunicação de motivo para suspensão do pagamento será considerada fraude que</p><p>autoriza o desconto direto, seja nas demais cotas devidas seja diretamente no salário,</p><p>por parte do empregador, para fins de ressarcimento do INSS.</p><p>Em caso de benefício por incapacidade será pago diretamente com o benefício.</p><p>Em caso de aposentadoria será pago diretamente com a aposentadoria.</p><p>10 – Pensão por Morte:</p><p>Previsto no artigo art. 74 a 79, Lei 8213/91 e art. 105 a 115 do RPS.</p><p>a) Requisitos:</p><p>Morte real (pensão definitiva).</p><p>Morte presumida (pensão provisória):</p><p>- Ausência: declarada por autoridade judicial depois de 6 meses;</p><p>- Desaparecimento: decorrente de acidente, desastre ou catástrofe,</p><p>independentemente da declaração.</p><p>b) Prazo de carência:</p><p>- Cônjuge ou companheiro(a):</p><p>- Sem carência para benefícios limitados a 4 meses.</p><p>- 18 contribuições mensais e demonstração de 2 anos ou mais de</p><p>casamento ou união no caso de cônjuges ou companheiros, para os demais</p><p>casos.</p><p>Exige qualidade de segurado e carência na data do óbito ou implementação de</p><p>todas as condições que habilitem a aposentadoria.</p><p>- Demais dependentes: sem carência.</p><p>c) Beneficiários:</p><p>Dependentes do segurado falecido, salvo o condenado pela prática de crime</p><p>doloso de que tenha resultado a morte do segurado.</p><p>O cônjuge, companheiro ou companheira não terá direito ao benefício da</p><p>pensão por morte se o casamento ou o início da união estável tiver ocorrido há menos</p><p>de dois anos da data do óbito do instituidor do benefício, salvo nos casos em que:</p><p>- o óbito do segurado seja decorrente de acidente posterior ao casamento ou</p><p>ao início da união estável;</p><p>- o cônjuge, o companheiro ou a companheira for considerado incapaz e</p><p>insuscetível de reabilitação para o exercício de atividade remunerada que lhe</p><p>garanta subsistência, mediante exame médico-pericial a cargo do INSS, por</p><p>doença ou acidente ocorrido após o casamento ou início da união estável e</p><p>anterior ao óbito.</p><p>O cônjuge divorciado ou separado judicialmente ou de fato que recebia pensão</p><p>de alimentos concorrerá em igualdade de condições com os dependentes.</p><p>d) Renda mensal inicial (RMI):</p><p>Antes da EC 103/2020:</p><p>- 100% da renda mensal da aposentadoria que o segurado recebida ou da que</p><p>teria direito em caso de aposentadoria por invalidez na data do óbito.</p><p>Havendo mais de um dependente na mesma categoria o valor será rateado</p><p>proporcionalmente em parte iguais.</p><p>A reversão da cota para os beneficiários que mantém essa qualidade, ocorrerá</p><p>quando o direito de outro beneficiário cessar, sendo rateada entre os mesmos.</p><p>Segurado especial: salário-mínimo.</p><p>Segurado que estava segregado e trabalhou na prisão poderá incluir como</p><p>salário de contribuição aquele sobre o qual contribuiu ao INSS se houve essa</p><p>contribuição.</p><p>Em caso de óbito o dependente poderá escolher entre a renda da pensão por</p><p>morte ou a permanência da renda do auxílio-reclusão.</p><p>Após a EC 103/2020:</p><p>O valor do benefício é de 50%, acrescido de 10% para cada dependente,</p><p>respeitando o limite de 100% do montante, respeitado o salário-mínimo.</p><p>Para o dependente inválido ou com deficiência intelectual, mental ou grave o</p><p>valor será:</p><p>- cem por cento da aposentadoria recebida pelo segurado ou daquela a que</p><p>teriam direito se fossem aposentados por incapacidade permanente na data do óbito,</p><p>até o limite máximo de benefícios do Regime Geral de Previdência Social;</p><p>Para o dependente inválido ou com deficiência intelectual, mental ou grave, a</p><p>condição de deficiente pode ser reconhecida previamente ao óbito do segurado, por</p><p>meio de avaliação biopsicossocial realizada por equipe multiprofissional e</p><p>interdisciplinar, observada revisão periódica na forma da legislação.</p><p>A perda da qualidade de dependente não reverte a cota em favor dos demais e</p><p>no caso do desaparecimento da invalidez ou deficiência intelectual ou da morte desse</p><p>dependente o benefício será recalculado pela regra geral.</p><p>e) Data de início do benefício (DIB):</p><p>Óbito: quando requerida até 180 dias para filhos menores de 16 anos ou de 90</p><p>dias para os demais dependentes.</p><p>Requerimento: quando requerida após os prazos acima.</p><p>Morte presumida: da decisão judicial que reconhecer.</p><p>- Por morte presumida do segurado, declarada pela autoridade judicial</p><p>competente, depois de 6 (seis) meses de ausência, será concedida pensão</p><p>provisória.</p><p>- Mediante prova do desaparecimento do segurado em consequência de</p><p>acidente, desastre ou catástrofe, seus dependentes farão jus à pensão</p><p>provisória independentemente da declaração e do prazo.</p><p>- Verificado o reaparecimento do segurado, o pagamento da pensão</p><p>cessará imediatamente, desobrigados os dependentes da reposição dos</p><p>valores recebidos, salvo má-fé.</p><p>A concessão da pensão por morte não será protelada pela falta de habilitação</p><p>de outro possível dependente, e qualquer inscrição ou habilitação posterior que</p><p>importe em exclusão ou inclusão de dependente só produzirá efeito a contar da data</p><p>da inscrição ou habilitação.</p><p>Em caso de ação judicial o benefício poderá ser adiantado ou implantado de</p><p>ofício apenas para efeitos de rateio, porém sem pagamento.</p><p>f) Data de cessação do benefício (DCB):</p><p>Antes da MP 664/2014, a pensão por morte recebida pelo cônjuge ou</p><p>companheiro(a) do segurado era para sempre, ou seja, até que ele(a) também</p><p>morresse. Assim, o(a) viúvo(a) do segurado recebia a pensão durante toda a sua vida.</p><p>A MP 664/2014 acrescentou uma tabela com o tempo máximo de duração da</p><p>pensão por morte devida ao cônjuge ou companheiro(a) do segurado falecido, o que</p><p>variava de acordo com a expectativa de sobrevida do(a) viúvo(a) no momento do óbito</p><p>do instituidor da pensão, situação que durou entre 01/03/2015 até 17/06/2015, com a</p><p>entrada em vigor da Lei 13.135/15.</p><p>Com a lei 13.135/15 o tempo passou a ser de acordo com a existência de carência</p><p>ou idade do dependente. A Portaria ME 424/2021 elevou as idades em 1 ano a partir</p><p>de 01/01/2021, conforme abaixo:</p><p>• 3 (três) anos, com menos de 22 (vinte e dois) anos de idade.</p><p>• 6 (seis) anos, entre 22 (vinte e dois) e 27 (vinte e sete) anos de idade.</p><p>• 10 (dez) anos, entre 28 (vinte e oito) e 30 (trinta) anos de idade.</p><p>• 15 (quinze) anos, entre 31 (trinta e um) e 41 (quarenta e um) anos de idade.</p><p>• 20 (vinte) anos, entre 42 (quarenta e dois) e 44 (quarenta e quatro) anos de</p><p>idade.</p><p>• vitalícia, com 45 (quarenta e quatro) ou mais anos de idade.</p><p>Perde o direito à pensão por morte o condenado criminalmente por sentença com</p><p>trânsito em julgado, como autor, coautor ou partícipe de homicídio doloso, ou de</p><p>tentativa desse crime, cometido contra a pessoa do segurado, ressalvados os</p><p>absolutamente incapazes e os inimputáveis.</p><p>Perde o direito à pensão por morte o cônjuge, o companheiro ou a companheira se</p><p>comprovada, a qualquer tempo, simulação ou fraude no casamento ou na união</p><p>estável, ou a formalização desses com o fim exclusivo de constituir benefício</p><p>previdenciário, apuradas em processo judicial no qual será assegurado o direito ao</p><p>contraditório e à ampla defesa.</p><p>Na hipótese de o segurado falecido estar, na data de seu falecimento, obrigado por</p><p>determinação judicial a pagar alimentos temporários a ex-cônjuge, ex-companheiro ou</p><p>ex-companheira, a pensão por morte será devida pelo prazo remanescente na data do</p><p>óbito, caso não incida outra hipótese de cancelamento anterior do benefício.</p><p>g) Regras especiais:</p><p>Ajuizada a ação judicial para reconhecimento da condição de dependente, este</p><p>poderá requerer a sua habilitação provisória ao benefício de pensão por morte,</p><p>exclusivamente para fins de rateio dos valores com outros dependentes, vedado o</p><p>pagamento da respectiva cota até o trânsito em julgado da respectiva ação, ressalvada</p><p>a existência de decisão judicial em contrário.</p><p>Nas ações em que o INSS for parte, este poderá proceder de ofício à</p><p>habilitação excepcional da referida pensão, apenas para efeitos de rateio,</p><p>descontando-se os valores referentes a esta habilitação das demais cotas, vedado o</p><p>pagamento da respectiva cota até o trânsito em julgado da respectiva ação, ressalvada</p><p>a existência de decisão judicial em contrário.</p><p>Julgada improcedente a ação o valor retido será corrigido pelos índices legais</p><p>de reajustamento e será pago de forma proporcional aos demais dependentes, de</p><p>acordo com as suas cotas e o tempo de duração de seus benefícios.</p><p>Em qualquer caso, fica assegurada ao INSS a cobrança dos valores</p><p>indevidamente pagos em função de nova habilitação.</p><p>Na hipótese de o segurado falecido estar, na data de seu falecimento, obrigado</p><p>por determinação judicial a pagar alimentos temporários a ex-cônjuge, ex-companheiro</p><p>ou ex-companheira, a pensão por morte será devida pelo prazo remanescente na data</p><p>do óbito, caso não incida outra hipótese de cancelamento anterior do benefício.</p><p>11 – Auxílio-Reclusão:</p><p>Previsto no artigo art. 80, Lei 8213/91 e art. 116 a 119 do RPS.</p><p>Visa garantir o sustento da família do segurado recolhido à prisão.</p><p>a) Requisitos:</p><p>O auxílio-reclusão, cumprida a carência, será devido, nas condições da pensão</p><p>por morte, aos dependentes do segurado de baixa renda recolhido à prisão em</p><p>regime fechado que não receber remuneração da empresa nem estiver em gozo de</p><p>auxílio por incapacidade temporária, de pensão por morte, de salário-maternidade, de</p><p>aposentadoria ou de abono de permanência em serviço.</p><p>O requerimento do auxílio-reclusão será instruído com certidão judicial que</p><p>ateste o recolhimento efetivo à prisão e será obrigatória a apresentação de prova de</p><p>permanência na condição de presidiário para a manutenção do benefício.</p><p>Para fins de concessão do benefício de que trata este artigo, considera-se</p><p>segurado de baixa renda aquele que tenha renda bruta mensal igual ou inferior a</p><p>• R$1.364,43 em 2019</p><p>• R$ 1.425,56 em 2020</p><p>• R$ 1.503,25 em 2021</p><p>• R$ 1.655,98 em 2022</p><p>O valor deverá ser calculado com base na média aritmética simples dos salários</p><p>de contribuição apurados no período dos doze meses anteriores ao mês do</p><p>recolhimento à prisão.</p><p>Se o segurado tiver recebido benefícios por incapacidade no período de cálculo</p><p>da média, sua duração será contada considerando-se como salário de contribuição no</p><p>período o salário de benefício que serviu de base para o cálculo da renda mensal, da</p><p>mesma forma que o empregado no cálculo da aposentadoria.</p><p>b) Prazo de carência:</p><p>Passou a ter 24 contribuições mensais com a MP 871/2019 convertida na lei</p><p>13.846/2019.</p><p>c) Beneficiários:</p><p>Dependentes do segurado preso.</p><p>d) Renda mensal inicial (RMI):</p><p>Mesma sistemática de cálculo da pensão por morte: 100% do salário de</p><p>benefício a que teria direito o segurado se aposentado por invalidez na data da prisão</p><p>(regra subsidiária da pensão por morte) – antes da EC 103/2019.</p><p>- 50% + 10% para cada dependente não podendo ser superior a 1 salário-</p><p>mínimo – após a EC103/2019.</p><p>e) Data de início do benefício (DIB):</p><p>Segue a mesma regra da pensão por morte substituindo o evento morte pelo</p><p>evento prisão.</p><p>O requerimento do auxílio-reclusão será instruído com certidão judicial que</p><p>ateste o recolhimento efetivo à prisão, e será obrigatória a apresentação de prova de</p><p>permanência na condição de presidiário para a manutenção do benefício.</p><p>O INSS celebrará convênios com os órgãos públicos responsáveis pelo cadastro</p><p>dos presos para obter informações sobre o recolhimento à prisão.</p><p>A certidão judicial e a prova de permanência na condição de presidiário poderão</p><p>ser substituídas pelo acesso à base de dados, por meio eletrônico, a ser disponibilizada</p><p>pelo Conselho Nacional de Justiça, com dados cadastrais que assegurem a</p><p>identificação plena do segurado e da sua condição de presidiário.</p><p>O exercício de atividade remunerada do segurado recluso, em cumprimento de</p><p>pena em regime fechado, não acarreta a perda do direito ao recebimento do auxílio-</p><p>reclusão para seus dependentes.</p><p>f) Data de cessação do benefício (DCB):</p><p>Perda da qualidade de dependente nos mesmos moldes da pensão por morte.</p><p>Livramento ou progressão de regime.</p><p>Aposentadoria.</p><p>Morte.</p><p>Após o trânsito em julgado, o condenado pela prática de crime de que tenha</p><p>dolosamente resultado a morte do segurado.</p><p>O cônjuge, o companheiro ou a companheira se comprovada, a qualquer</p><p>tempo, simulação ou fraude no casamento ou na união estável, ou a formalização</p><p>desses com o fim exclusivo de constituir benefício previdenciário, apuradas em</p><p>processo judicial no qual será assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa.</p><p>Em caso de fuga o benefício será suspenso, restabelecido a partir da recaptura</p><p>desde que mantenha a qualidade de segurado.</p><p>Não terá direito se a empresa mantiver o pagamento do salário.</p><p>g) Regras especiais:</p><p>Na hipótese de o segurado falecido estar, na data de seu falecimento, obrigado</p><p>por determinação judicial a pagar alimentos temporários a ex-cônjuge, ex-companheiro</p><p>ou ex-companheira, a pensão por morte será devida pelo prazo remanescente na data</p><p>do óbito, caso não incida outra hipótese de cancelamento anterior do benefício.</p><p>12 – Abono Anual:</p><p>Previsto no artigo art. 40, Lei 8213/91 e art. 120 do RPS.</p><p>É o equivalente ao 13º salário dos benefícios previdenciários.</p><p>Faz jus: auxílio-doença (incapacidade provisória), auxílio-acidente,</p><p>aposentadorias, salário-maternidade, pensão por morte e auxílio-reclusão.</p><p>Não faz jus: salário-família, benefícios de prestação continuada (idoso ou</p><p>deficiente), abono de permanência, renda mensal vitalícia, pensão decorrente da</p><p>talidomida.</p><p>Serviços</p><p>1 – Serviços Social</p><p>Previsto no artigo 88 da Lei 8213/91 e no artigo 161 do Decreto 3048/99,</p><p>constitui-se em atividade auxiliar do seguro social e visa prestar ao beneficiário</p><p>orientação e apoio no que concerne à solução dos problemas pessoais e familiares e à</p><p>melhoria da sua interrelação com a previdência social, para a solução de questões</p><p>referentes a benefícios, bem como, à obtenção de outros recursos sociais da</p><p>comunidade.</p><p>Sua função é esclarecer os direitos dos beneficiários a estes, bem como os</p><p>meios de exercê-los, e estabelecer conjuntamente com eles o processo de solução dos</p><p>problemas que emergirem de sua relação com a previdência social.</p><p>O serviço social dispõe dos seguintes meios:</p><p>- Intervenção técnica.</p><p>- Assistência de Natureza Jurídica.</p><p>- Ajuda Material.</p><p>- Recursos Sociais.</p><p>- Intercâmbio com Empresas.</p><p>- Pesquisa social, mediante convênios acordos ou tratados.</p><p>2 – Habilitação e Reabilitação Profissional</p><p>Serviços previdenciários que visam proporcionar ao beneficiário incapacitado</p><p>parcial ou totalmente incapaz para o trabalho e as pessoas portadoras de deficiência,</p><p>meios para a (re)educação e (re)adaptação profissional e social para participar do</p><p>mercado de trabalho e do contexto em que vive.</p><p>a) Habilitação: dar capacidade profissional a quem não</p><p>a possuía.</p><p>b) Reabilitação: devolver capacidade profissional a quem já tinha, mas perdeu-</p><p>a.</p><p>São devidos em caráter obrigatório aos segurados, inclusive aposentados e, na</p><p>medida do possível, também aos dependentes.</p><p>O processo de habilitação e reabilitação deverá observar:</p><p>• Avaliação do potencial laborativo.</p><p>• Orientação e acompanhamento da programação profissional.</p><p>• Articulação com a comunidade, mediante celebração de convênios para</p><p>reabilitação física restrita a segurados que cumpriram os pressupostos de</p><p>elegibilidade ao programa de reabilitação profissional, com vistas ao reingresso</p><p>no mercado de trabalho.</p><p>• Acompanhamento e pesquisa da fixação no mercado de trabalho.</p><p>• O trabalho será desenvolvido por equipe multiprofissional especializada em</p><p>medicina, serviço social, psicologia, sociologia, fisioterapia, terapia ocupacional</p><p>e outras afins.</p><p>Será desenvolvida sempre no domicílio do beneficiário.</p><p>A programação será desenvolvida mediante cursos e/ou treinamentos, por meio</p><p>de contratos, acordos ou convênios com instituições e empresas.</p><p>Quando indispensáveis ao desenvolvimento do processo de reabilitação, o INSS,</p><p>fornecerá em caráter obrigatório, próteses, órteses, seu reparo e substituição,</p><p>instrumentos de auxílio para locomoção, equipamentos necessários para habilitação e</p><p>reabilitação profissional, transporte urbano e alimentação.</p><p>Concluída a reabilitação será emitido certificado individual indicando as atividades</p><p>que poderão ser exercidas pelo beneficiário, não havendo impedimento no exercício de</p><p>outras para as quais venha a se capacitar futuramente.</p><p>As empresas com mais de 100 empregados estão obrigadas a preencher 2% a 5%</p><p>de seus cargos com beneficiários reabilitados ou portadores de deficiência, habilitadas,</p><p>na seguinte proporção:</p><p>• Até 200 empregados – 2%.</p><p>• De 201 a 500 empregados – 3%.</p><p>• De 501 a 1000 empregados – 4%.</p><p>• De 1001 em diante – 5%.</p><p>ACIDENTE DO TRABALHO</p><p>1 – Previsão:</p><p>Previsto no art. 19, da Lei 8213/91 - acidente do trabalho é o que ocorre pelo</p><p>exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados</p><p>especiais, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a</p><p>perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.</p><p>A existência de previsão previdenciária, por seu turno, não afasta a</p><p>responsabilidade da empresa na adoção de medidas preventivas.</p><p>Além do acidente típico temos ainda os chamados acidentes atípicos.</p><p>O artigo 20, da Lei 8213/91 conceitua:</p><p>a) Doença profissional: assim entendida a produzida ou desencadeada pelo</p><p>exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva</p><p>relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social – Anexo II,</p><p>Decreto 3048/99.</p><p>b) Doença do trabalho: assim entendida a adquirida ou desencadeada em</p><p>função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione</p><p>diretamente, constante da relação mencionada no mesmo anexo II.</p><p>Não são consideradas doença do trabalho:</p><p>• a doença degenerativa;</p><p>• a inerente a grupo etário;</p><p>• a que não produza incapacidade laborativa;</p><p>• a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela se</p><p>desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato</p><p>direto determinado pela natureza do trabalho.</p><p>São ainda equiparados ao acidente do trabalho:</p><p>• o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja</p><p>contribuído diretamente para a morte do segurado, para redução ou perda da</p><p>sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica</p><p>para a sua recuperação;</p><p>• o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em</p><p>consequência de:</p><p>• ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou</p><p>companheiro de trabalho;</p><p>• ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa</p><p>relacionada ao trabalho;</p><p>• ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de</p><p>companheiro de trabalho;</p><p>• ato de pessoa privada do uso da razão;</p><p>• desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou</p><p>decorrentes de força maior;</p><p>São ainda equiparados ao acidente do trabalho:</p><p>• a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de</p><p>sua atividade;</p><p>• o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de trabalho:</p><p>• na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da</p><p>empresa;</p><p>• na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar</p><p>prejuízo ou proporcionar proveito;</p><p>• em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando</p><p>financiada por esta dentro de seus planos para melhor capacitação da</p><p>mão de obra, independentemente do meio de locomoção utilizado,</p><p>inclusive veículo de propriedade do segurado;</p><p>• no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela,</p><p>qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de</p><p>propriedade do segurado</p><p>A empresa deverá comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o 1º</p><p>(primeiro) dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à</p><p>autoridade competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite</p><p>máximo do salário-de-contribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências,</p><p>aplicada e cobrada pela Previdência Social.</p><p>Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá-la o próprio</p><p>acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu</p><p>ou qualquer autoridade pública, não prevalecendo nestes casos o prazo previsto neste</p><p>artigo.</p><p>Considera-se como dia do acidente, no caso de doença profissional ou do trabalho,</p><p>a data do início da incapacidade laborativa para o exercício da atividade habitual, ou o</p><p>dia da segregação compulsória, ou o dia em que for realizado o diagnóstico, valendo</p><p>para este efeito o que ocorrer primeiro.</p><p>A lei 11.430/06 promoveu alteração na forma de configuração do acidente do</p><p>trabalho.</p><p>Até então a caracterização do acidente dependia da existência da comunicação do</p><p>acidente do trabalho – CAT.</p><p>Em resumo:</p><p>Com CAT – Auxílio-doença acidentário.</p><p>Sem CAT – Auxílio-doença previdenciário.</p><p>2 - Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário:</p><p>É a metodologia para relacionar acidentes do trabalho com determinadas</p><p>atividades profissionais.</p><p>Trata-se de aplicar fundamentos estatísticos e epidemiológicos, mediante o</p><p>cruzamento dos dados de código da Classificação Internacional de Doenças – CID 10 e</p><p>de código da Classificação Nacional de Atividade Econômica – CNAE, permitindo</p><p>identificar forte associação entre diversas lesões, doenças, transtornos de saúde,</p><p>distúrbios, disfunções ou a síndrome de evolução aguda, subaguda ou crônica, de</p><p>natureza clínica ou subclínica, inclusive morte, independentemente do tempo de</p><p>latência (“agravo”) e diversas atividades desenvolvidas pelo trabalhador.</p><p>A partir da identificação das fortes associações entre agravo e atividade laboral</p><p>foi possível construir uma matriz, com pares de associação de códigos da CNAE e da</p><p>CID-10 que subsidia a análise da incapacidade laborativa pela medicina pericial do</p><p>INSS: o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário – NTEP.</p><p>A partir da implementação do NTEP a perícia médica passa a adotar três etapas</p><p>sequenciais e hierarquizadas para a identificação e caracterização da natureza da</p><p>incapacidade – se acidentária ou não-acidentária (previdenciária).</p><p>As três etapas são:</p><p>1 – Identificação de ocorrência de Nexo Técnico Profissional ou do Trabalho –</p><p>NTP/T – verificação da existência da relação “agravo – exposição” ou “exposição –</p><p>agravo” (Listas A e B do Anexo II do Decreto no 3.048/1999);</p><p>2 – Identificação</p><p>de Previdência dos trabalhadores da iniciativa</p><p>privada, o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis da União – Lei n. 1.711/1952,</p><p>regulava, em separado, o direito à aposentadoria dos ocupantes de cargos públicos</p><p>federais, e o instituto da pensão por morte a seus dependentes, diploma que se</p><p>manteve vigente até 1990.</p><p>Também em 1953 o profissional liberal de qualquer espécie foi autorizado, pelo</p><p>Decreto n. 32.667, a se inscrever na condição de segurado na categoria de trabalhador</p><p>autônomo.</p><p>Em 1960 foi criado o Ministério do Trabalho e Previdência Social e promulgada</p><p>a Lei n. 3.807, denominada Lei Orgânica da Previdência Social – LOPS, cujo projeto</p><p>tramitou desde 1947.</p><p>Este diploma não unificou os organismos existentes, mas criou normas</p><p>uniformes para o amparo a segurados e dependentes dos vários Institutos existentes,</p><p>tendo sido efetivamente colocado em prática. Como esclarece Antonio Carlos de</p><p>Oliveira, por meio da LOPS estabeleceu-se um único plano de benefícios, “amplo e</p><p>avançado, e findou-se a desigualdade de tratamento entre os segurados das entidades</p><p>previdenciárias e seus dependentes”. Continuavam excluídos da Previdência, contudo,</p><p>os trabalhadores rurais e os domésticos.</p><p>Em 1963, a Lei n. 4.296, de 3 de outubro, criou o salário-família, destinado aos</p><p>segurados que tivessem filhos menores, visando à manutenção destes. No mesmo ano</p><p>foi criado o décimo terceiro salário e, no campo previdenciário, pela Lei n. 4.281, de 8</p><p>de novembro daquele ano, o abono anual, até hoje existente.</p><p>O surgimento da Preexistência de Custeio se deu em 1965 pela Emenda</p><p>Constitucional 11.</p><p>A partir de 1967 houve a unificação dos IAPs que em 1967 formaram o INPS</p><p>(Instituto Nacional da Previdência Social).</p><p>A Constituição de 1967 estabeleceu a criação do seguro-desemprego, que até</p><p>então não existia, regulamentado com o nome de auxílio-desemprego. A Emenda</p><p>Constitucional n. 1/69 não inovou na matéria previdenciária.</p><p>Ainda em 1967, o Seguro de Acidentes de Trabalho foi incorporado à</p><p>Previdência Social pela Lei n. 5.316, de 14 de setembro, embora sua disciplina legal</p><p>não estivesse incluída no mesmo diploma que os demais benefícios. Assim, deixava de</p><p>ser realizado com instituições privadas para ser feito exclusivamente por meio de</p><p>contribuições vertidas ao caixa único do regime geral previdenciário.</p><p>Os trabalhadores rurais passaram a ser segurados da Previdência Social a partir</p><p>da edição da Lei Complementar n. 11/1971 (criação do FUNRURAL).</p><p>Os empregados domésticos, em função da Lei n. 5.859/1972, art. 4º. Assim, a</p><p>Previdência Social brasileira passou a abranger dois imensos contingentes de</p><p>indivíduos que, embora exercessem atividade laboral, ficavam à margem do sistema.</p><p>A última lei específica sobre acidentes de trabalho foi a Lei n. 6.367, de 1976.</p><p>Nesse ano, foi feita nova compilação das normas previdenciárias estatuídas em</p><p>diplomas avulsos, pelo Decreto n. 77.077/1976.</p><p>Em 1977 foi promulgada a Lei n. 6.435, que regulou a possibilidade de criação</p><p>de instituições de previdência complementar, matéria regulamentada pelos Decretos</p><p>ns. 81.240/1978 e 81.402/1978, quanto às entidades de caráter fechado e aberto,</p><p>respectivamente.</p><p>Em 1977 surgiu o SINPAS (Sistema Nacional de Previdência e Assistência</p><p>Social) formado:</p><p>a) IAPAS – Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência</p><p>Social (para arrecadação e fiscalização das contribuições</p><p>b) INAMPS – Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social</p><p>(para atendimentos dos segurados e dependentes, na área de saúde),</p><p>c) INPS (para pagamento e manutenção dos benefícios previdenciários),</p><p>d) LBA (para o atendimento a idosos e gestantes carentes),</p><p>e) FUNABEM (para atendimento a menores carentes),</p><p>f) CEME (para a fabricação de medicamentos a baixo custo)</p><p>g) DATAPREV (para o controle dos dados do sistema)</p><p>Até então, mantinha-se à margem do sistema o IPASE (que abrangia os</p><p>servidores públicos estatutários da União, pagando pensão por morte aos dependentes</p><p>destes), extinto juntamente com o FUNRURAL.</p><p>A extinção do IPASE, contudo, não significou a uniformização da proteção</p><p>previdenciária entre trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos; estes</p><p>permaneceram regidos por normas específicas, na Lei n. 1.711/1952 – o Estatuto dos</p><p>Funcionários Civis da União.</p><p>A unificação de todos esses modelos na Constituição de 1988 fez nascer em</p><p>1990 o INSS – Instituto Nacional do Seguro Social.</p><p>4.1 – Resumo da Evolução Histórica no Brasil:</p><p>Assistência Privada com obras religiosas – Santa Casa de Misericórdia de Santos –</p><p>1543.</p><p>Código Comercial – 1850 – garantia de salário por 3 meses em caso de acidente.</p><p>Decreto 3397/1888 – Caixa de Assistência do Ferroviários.</p><p>Decreto 9212/1889 – montepio dos empregados dos correios.</p><p>Decreto 221/1890 – aposentadoria dos ferroviários.</p><p>Decreto Legislativo 3279/1919 – responsabilidade por acidente do trabalho dos</p><p>empregadores.</p><p>Decreto Legislativo 4682/1923 – Lei Eloy Chaves – Marco da Previdência Brasileira.</p><p>Lei Eloy Chaves: Criação da Caixa de Aposentadoria e Pensões dos trabalhadores em</p><p>estradas de ferro. O modelo das CAPs foi estendido a diversas empresas.</p><p>Decreto 22872/1933 – Criou o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Marítimos.</p><p>Constituição de 1934 – Primeira vez do uso do termo previdência.</p><p>Constituição de 1937 – retrocesso aos seguros sociais.</p><p>Constituição de 1946 – usa a expressão Previdência Social.</p><p>Convivência das Caixas e Institutos com regras distintas.</p><p>Lei 3807/60 – Lei Orgânica da Previdência Social (LOPS).</p><p>Decreto Lei 72/66 – Criação do Instituto Nacional da Previdência Social (INPS)</p><p>unificando os Institutos (IAPs).</p><p>Lei 4214/63 – Fundo de Assistência e Previdência ao Trabalhador Rural - FUNRURAL.</p><p>Lei Complementar 11/71 – Altera o Funrural para Pró-rural.</p><p>Lei 6439/77 – Cria o Sinpas- Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social.</p><p>INPS – IPASE, Funrural, LBA, Funabem, DataPrev e Ceme.</p><p>IAPAS – Instituto de Administração Financeira.</p><p>INAMPS</p><p>Constituição de 1988 – Seguridade Social.</p><p>5 – A Constituição Federal de 1988:</p><p>Segundo a orientação firmada pelo Supremo Tribunal Federal: “A seguridade</p><p>social prevista no art. 194 da CF/1988 compreende a previdência, a saúde e a</p><p>assistência social, destacando-se que as duas últimas não estão vinculadas a qualquer</p><p>tipo de contraprestação por parte dos seus usuários, a teor dos arts. 196 e 203, ambos</p><p>da CF/1988” (RE 636.941, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 4.4.2014, com Repercussão Geral</p><p>– Tema 432).</p><p>5.1. Competência Legislativa:</p><p>Art. 22, CF/88 – competência privativa da União.</p><p>Art. 24, XII, CF/88 – concorrente dos Estados, Municípios e Distrito Federal.</p><p>Art. 30, II, CF/88 – suplementar dos Municípios.</p><p>Art. 40, CF/88 – criação de regimes de previdências pelos Estados e Municípios – até a</p><p>EC 103/2019 – após está vedado.</p><p>5.2. Regulamentação Legislativa:</p><p>Lei 8080/90 – Regulamentação da saúde.</p><p>Lei 8213/91 – Planos de Benefícios da Previdência Social.</p><p>Lei 8212/91 – Custeio da seguridade social.</p><p>Lei 8742/93 – Assistência social.</p><p>EC 20/1998</p><p>Decreto 3048/99 – Regulamento da Previdência Social – RPS</p><p>EC 41 e 42/2003</p><p>Emenda 47/05.</p><p>Emenda 70/12</p><p>Lei 13183/2015</p><p>EC 103/2019</p><p>5.3. Princípios:</p><p>a) Da solidariedade: solidariedade quer dizer cooperação da maioria em favor da</p><p>minoria, em certos casos, da totalidade em direção à individualidade.</p><p>A solidariedade está na base dos regimes de financiamento da previdência na</p><p>modalidade repartição simples, pois as cotizações individuais formarão a poupança</p><p>coletiva ao dispor de todos.</p><p>Extrai-se da base do texto dos artigos 194, 195 e 40, CF/88.</p><p>Pela solidariedade se estabelece a obrigatoriedade de contribuição para o</p><p>sistema, mesmo para o segurado aposentado.</p><p>Ainda, segundo orientação do STF: “O sistema público de previdência</p><p>de ocorrência de Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário</p><p>– NTEP – averiguação do cruzamento do código da CNAE com o código da CID-10 e a</p><p>presença na matriz do NTEP (publicada na Lista C do Anexo II do Decreto no</p><p>3.048/1999);</p><p>3 – Identificação de ocorrência de Nexo Técnico por Doença Equiparada a</p><p>Acidente do Trabalho – NTDEAT – implica a análise individual do caso, mediante o</p><p>cruzamento de todos os elementos levados ao conhecimento do médico-perito da</p><p>situação geradora da incapacidade e a anamnese.</p><p>3 - Benefícios:</p><p>• Auxílio-doença acidentário.</p><p>• Auxílio-acidente.</p><p>• Aposentadoria por invalidez.</p><p>• Pensão por morte.</p><p>4 - Serviços:</p><p>• Reabilitação profissional.</p><p>Processo Administrativo Previdenciário</p><p>1 – Conceito e Elementos:</p><p>Considera-se processo administrativo previdenciário o conjunto de atos</p><p>administrativos praticados através dos Canais de Atendimento da Previdência Social,</p><p>iniciando com o requerimento formulado pelo interessado, de ofício pela administração</p><p>ou por terceiro legitimado, e concluído com a decisão definitiva no âmbito</p><p>administrativo.</p><p>O processo administrativo é necessário para:</p><p>a) Manifestação inequívoca de interesse do segurado ou dependente em</p><p>relação a prestação postulada.</p><p>b) Interrupção da contagem de marcos prescricionais e decadenciais, quando</p><p>existentes.</p><p>c) Deflagração de eventual litígio entre o indivíduo e a previdência (RE631240).</p><p>Enunciado 5 do Conselho de Recursos da Previdência Social: “A previdência</p><p>social deve conceder o melhor benefício a que o segurado fizer jus, cabendo ao</p><p>servidor orientá-lo nesse sentido”.</p><p>2 – Fases do Processo Administrativo:</p><p>São fases do processo administrativo previdenciário:</p><p>a) Inicial ou instauração</p><p>b) Instrutória</p><p>c) Decisória</p><p>d) Recursal</p><p>e) Cumprimento</p><p>São princípios do processo administrativo previdenciário:</p><p>- presunção de boa-fé dos atos praticados pelos interessados;</p><p>- atuação conforme a lei e o Direito;</p><p>- atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial</p><p>de poderes e competências, salvo autorização em lei;</p><p>- objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção</p><p>pessoal de agentes ou autoridades;</p><p>- atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé;</p><p>- condução do processo administrativo com a finalidade de resguardar os</p><p>direitos subjetivos dos segurados, dependentes e demais interessados da</p><p>Previdência Social, esclarecendo-se os requisitos necessários ao benefício</p><p>ou serviço mais vantajoso;</p><p>- o dever de prestar ao interessado, em todas as fases do processo, os</p><p>esclarecimentos necessários para o exercício dos seus direitos, tais como</p><p>documentação indispensável ao requerimento administrativo, prazos para a</p><p>prática de atos, abrangência e limite dos recursos, não sendo necessária,</p><p>para tanto, a intermediação de terceiros;</p><p>- publicidade dos atos praticados no curso do processo administrativo</p><p>restrita aos interessados e seus representantes legais, resguardando-se o</p><p>sigilo médico e dos dados pessoais, exceto se destinado a instruir processo</p><p>judicial ou administrativo;</p><p>- adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações,</p><p>restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias</p><p>ao atendimento do interesse público;</p><p>- fundamentação das decisões administrativas, indicando os documentos e</p><p>os elementos que levaram à concessão ou ao indeferimento do benefício</p><p>ou serviço;</p><p>- identificação do servidor responsável pela prática de cada ato e a</p><p>respectiva data;</p><p>- adoção de formas e vocabulário simples, suficientes para propiciar</p><p>adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos usuários</p><p>da Previdência Social, evitando-se o uso de siglas ou palavras de uso</p><p>interno da Administração que dificultem o entendimento pelo interessado;</p><p>- compartilhamento de informações com órgãos públicos, na forma da lei;</p><p>- garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais,</p><p>à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que</p><p>possam resultar sanções e nas situações de litígio;</p><p>- proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as prevista</p><p>em lei;</p><p>- impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação</p><p>dos interessados; e</p><p>- interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o</p><p>atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de</p><p>nova interpretação.</p><p>O requerimento pode ser realizado:</p><p>a) Segurado, dependente ou beneficiário.</p><p>b) Procurador legalmente constituído.</p><p>c) Representante legal, tutor, curador ou administrador provisório do</p><p>interessado.</p><p>d) Empresa, sindicato ou entidade de aposentados devidamente legalizada na</p><p>forma do artigo 117 da lei 8213/91.</p><p>No caso de auxílio-doença o INSS deverá processar de ofício o benefício quando</p><p>tiver ciência da incapacidade do segurado mesmo que não tenha sido requerido. Da</p><p>mesma forma poderá a empresa protocolizar requerimento de seu empregado ou</p><p>contribuinte individual a ela vinculada ou a seu serviço (nesse último caso a empresa</p><p>terá acesso as decisões relativas ao requerimento).</p><p>RE 277.065 – é direito do advogado, no exercício de seu múnus profissional,</p><p>ser recebido no posto do INSS, independentemente de distribuição de fichas, em lugar</p><p>próprio ao atendimento.</p><p>O requerimento ou agendamento pode ser solicitado através:</p><p>a) Internet (www.previdencia.gov.br) – Meu INSS</p><p>b) Telefone (135)</p><p>c) Unidades de atendimento (APS, APS Móvel – PREVmóvel e PREVcidade)</p><p>d) INSS Digital</p><p>Qualquer que seja o canal de protocolo a data de entrada do requerimento</p><p>(DER) será considerada como a data do agendamento e não a data do</p><p>comparecimento, sendo vedada a recusa de protocolo ao requerimento (art. 176 do</p><p>Decreto 3048/99).</p><p>O requerimento pode ser apresentado em qualquer APS independentemente do</p><p>domicílio exceto as APSADJ e EADJ (destinadas a questões judiciais).</p><p>A apresentação de documentação incompleta não constitui motivo para a</p><p>recusa do requerimento de benefício, ainda que de plano se possa constatar que o</p><p>segurado não faz jus ao benefício ou serviço que pretende requerer, sendo obrigatório</p><p>o protocolo cabendo, se for o caso, a expedição de carta de exigências.</p><p>A comunicação da decisão será feita pela APS em que tramita o processo. A</p><p>estrutura do processo administrativo está previsto na Instrução Normativa 77/2015 e</p><p>determina que o processo deve conter:</p><p>- requerimento formalizado e assinado;</p><p>- procuração ou documento que comprove a representação legal, se for o</p><p>caso;</p><p>- comprovante de agendamento, quando cabível;</p><p>- cópia do documento de identificação do requerente e do representante</p><p>legal, quando houver divergência de dados cadastrais;</p><p>- documentos comprobatórios relacionados ao pedido, caso houver;</p><p>- decisão fundamentada.</p><p>Na formalização do processo será suficiente a apresentação dos documentos</p><p>originais ou cópias autenticadas em cartório ou por servidor do INSS, podendo ser</p><p>solicitada a apresentação do documento original para verificação de</p><p>contemporaneidade ou outras situações em que este procedimento se fizer necessário.</p><p>Caso seja necessária a retenção de originais, será lavrado termo em duas vias</p><p>para fins de resguardo de eventuais extravios.</p><p>2.1 – Reafirmação da DER:</p><p>A reafirmação da data de entrada do requerimento é fenômeno decorrente do</p><p>preenchimento posterior dos requisitos para a obtenção do benefício postulado.</p><p>Ocorre quando o segurado efetua o agendamento de um benefício que não</p><p>possuía os requisitos na época de tal agendamento, porém no tempo transcorrido</p><p>entre agendamento e comparecimento o segurado preenche os requisitos do benefício.</p><p>Nesse caso o benefício poderá ser concedido reafirmando-se a data de</p><p>entrada</p><p>do requerimento (DER) na data em que os requisitos foram alcançados, sem a</p><p>necessidade do segurado fazer novo agendamento e novo requerimento de benefício.</p><p>Ex: segurado faz agendamento para concessão de aposentadoria por idade,</p><p>porém na data do agendamento não havia preenchido os requisitos de carência que</p><p>somente veio a preencher 2 meses depois. Seu atendimento se deu 4 meses depois do</p><p>agendamento de modo que entre agendamento e comparecimento preencheu o tempo</p><p>de carência prevista. Visando evitar que tenha que fazer novo agendamento é possível</p><p>a reafirmação da DER para o momento em que os requisitos foram preenchidos e</p><p>conceder o benefício no dia do comparecimento com data diversa do agendamento.</p><p>2.2 – Instauração de Ofício:</p><p>A instauração do processo administrativo de ofício ocorre com mais frequências</p><p>nos casos de suspensão ou cancelamento de benefício. Nesses casos é obrigatória a</p><p>notificação prévia do interessado, para que este, antes de mais nada, possa produzir</p><p>suas alegações de defesa.</p><p>Nesse tópico há o Enunciado 19 do CRPS: transcorrido mais de dez anos da</p><p>data da concessão do benefício, não poderá haver sua suspensão ou cancelamento na</p><p>hipótese do interessado não possuir mais a documentação que instruiu o pedido,</p><p>exceto em caso de fraude ou má-fé.</p><p>Para a fase de instrução são admissíveis todos os meios de prova que se</p><p>destinem a esclarecer a existência do direito ao recebimento do benefício ou serviço,</p><p>salvo se a lei exigir de forma diversa.</p><p>Na hipótese de novo pedido de benefício, pode ser utilizado o processo</p><p>administrativo anterior, mesmo que indeferido, cancelado ou cessado. Dessa forma,</p><p>documentos que o INSS já possui não precisam ser juntados novamente pelo</p><p>segurado, bastando mencionar o fato.</p><p>Serão objeto de intimação todos os atos do processo que resultam imposição</p><p>de deveres, ônus, sanções ou restrições ao exercício de direitos e atividades, além de</p><p>atos de outra natureza de interesse do segurado (art. 28 da lei 9784/99). Vale lembrar</p><p>que o desatendimento da notificação não implica reconhecimento dos fatos nem</p><p>renúncia do direito.</p><p>Não é permitido o cerceamento do direito de produzir provas de defesa, ao</p><p>segurado, ainda que o servidor já esteja convencido do indeferimento (situações</p><p>típicas das justificações administrativas).</p><p>Caso o segurado declare que os fatos a serem provados constam em outros</p><p>processos administrativos ou em outros órgãos da administração, cabe ao INSS</p><p>requisitá-los. Da mesma forma, não poderá o INSS negar fé a documentos públicos.</p><p>3 – Decisão e Recursos:</p><p>O prazo para decisão após a instrução é de 30 dias, podendo ser</p><p>motivadamente prorrogado por mais 30 dias. A instrução se conclui pelo cumprimento</p><p>de todas as diligências ou não houver mais provas a serem produzidas.</p><p>A decisão deverá conter relato sucinto do objeto do requerimento,</p><p>fundamentação com análise das provas e conclusão deferindo ou indeferindo o pedido.</p><p>A motivação deve ser clara e coerente com indicação dos requisitos legais atendidos e</p><p>não atendidos, podendo fundamentar com decisões anteriores, notas técnicas e</p><p>pareceres do órgão consultivo.</p><p>No caso de aposentadoria do segurado empregado a decisão deve ser</p><p>comunicada ao respectivo empregador indicando a data de início do benefício.</p><p>Da decisão caberá recurso as Juntas de Recurso do CRPS no prazo de 30 dias</p><p>da ciência da parte ou do representante legal. O recurso é denominado recurso</p><p>ordinário.</p><p>O CRPS é formado por 29 juntas e tem como competência julgar recursos</p><p>contra decisões proferidas no âmbito das agências do INSS em matéria de benefícios</p><p>previdenciários e assistenciais e ainda da aplicação dos nexos técnicos.</p><p>As decisões proferidas pelas Juntas de Recursos são consideradas de primeira</p><p>instância recursal administrativa conforme previsto no Regimento Interno do Conselho</p><p>de Recursos da Previdência Social.</p><p>Recebido o recurso na Junta ocorre a distribuição a um relator que tem</p><p>responsabilidade de analisar e relatar o processo, sendo colocado em pauta e julgado</p><p>pelo colegiado presidido pelo representante do governo. Julgado o processo é</p><p>devolvido ao INSS.</p><p>As pautas de julgamento são divulgadas no site do da Previdência e afixadas</p><p>nas dependências do órgão julgador em local visível e de fácil acesso ao público no</p><p>prazo de 3 dias úteis de antecedência.</p><p>O tempo de permanência do processo no órgão julgador é de no máximo 85</p><p>dias contados entre o recebimento e a devolução à origem. Ultrapassado o prazo cabe</p><p>a possibilidade de reclamação para a Ouvidoria-Geral da Previdência Social, pela</p><p>Central de Atendimento ou Coordenação de Gestão Técnica do CRPS.</p><p>O processo pode ser devolvido à origem por determinação do relator para fins</p><p>de complementação da instrução probatória, saneamento de falha processual ou</p><p>cumprimento de normas ou legislação aplicável a espécie.</p><p>O prazo para cumprimento de diligência é de 30 dias prorrogáveis por mais 30.</p><p>O julgamento é aberto ao público podendo haver participação de duas formas:</p><p>a) com sustentação oral: que deverá ser solicitada no formulário no ato do</p><p>protocolo do recurso na agência ou apresentado no posteriormente no órgão julgador.</p><p>Nesse caso será previamente comunicado por correspondência do dia, horário e local,</p><p>para assistir, fazer ou sustentação ou apresentar memoriais escritos.</p><p>b) sem solicitação prévia.</p><p>A sessão será pública salvo em caso de matéria sigilosa. Até o final da sessão</p><p>de julgamento poderá ser juntados documentos, atestados, exames complementares,</p><p>pareceres médicos, requerer diligências, perícias e aduzir alegações, hipótese em que</p><p>será dada vista a parte contrária.</p><p>Também caberá o pedido de desistência do recurso até o julgamento e deverá</p><p>ser manifestada por escrito por petição ou termo expresso.</p><p>Enquanto não se operar a decadência o INSS sempre poderá revisar a decisão</p><p>em favor do segurado. A decisão será disponibilizada na internet e o INSS deverá</p><p>encaminhar cópia física da decisão ao segurado mediante correspondência.</p><p>Cabe ainda da decisão embargos de declaração no prazo de 30 dias.</p><p>Não caberá recurso das decisões proferidas pela JRPS que:</p><p>a) Seja fundamentada exclusivamente em matéria médica, quando laudos e</p><p>pareceres emitidos pela Assessoria Técnico-Médica da Junta de Recursos e pelos</p><p>Médicos Peritos do INSS apresentarem resultado convergente.</p><p>b) proferida sobre reajustamento de benefício em manutenção, em consonância</p><p>com os índices estabelecidos em lei. Exceto quando a diferença na renda mensal atual</p><p>(RMA) decorrer de alteração da renda mensal inicial (RMI).</p><p>Nas demais decisões caberá Recurso Especial para as Câmaras de Julgamento</p><p>no prazo de 30 dias. O recurso especial suspende os efeitos da decisão de primeira</p><p>instância e devolve a instância superior o conhecimento integral da causa.</p><p>Cabe ainda pedido de uniformização da jurisprudência em tese para encerrar</p><p>divergência jurisprudencial administrativa ou consolidar a jurisprudência reiterada no</p><p>âmbito do CRPS, mediante edição de enunciados.</p><p>A uniformização poderá ser requerida:</p><p>a) ao Presidente do CRPS.</p><p>b) a Coordenação de Gestão Técnica.</p><p>c) a Divisão de Assuntos Jurídicos.</p><p>d) aos Presidentes das Câmaras de Julgamento.</p><p>Caberá a uniformização de decisões em matéria de direito e que sejam</p><p>divergentes entre Câmaras de Julgamento do CRPS em sede de recurso especial.</p><p>A uniformização será julgada pelo Conselho Pleno e será instruída com acórdão</p><p>divergente dos últimos 5 anos de outra Câmara ou da mesma Câmara com composição</p><p>diferente, ou ainda, por resolução do Conselho Pleno.</p><p>O prazo de devolução das instâncias superiores será de 20 dias para a agência</p><p>do INSS acatar a decisão.</p><p>4 – Implantação da Decisão:</p><p>O prazo de cumprimento será de 30 dias contados a partir do recebimento sob</p><p>pena de responsabilização</p><p>funcional. O descumprimento admite a interposição de</p><p>reclamação.</p><p>A decisão poderá ser descumprida quando verificado que já houve deferimento</p><p>de benefício mais vantajoso ao segurado desde que haja opção expressa do</p><p>interessado, devendo ser comunicada a instância recursal.</p><p>A ausência de manifestação após a notificação para escolha implica na</p><p>manutenção do benefício em andamento eximindo o cumprimento da decisão do CRPS,</p><p>devendo ser a situação comprovada nos autos e comunicada ao órgão julgador.</p><p>As decisões têm caráter vinculante para a administração, mas não para o</p><p>segurado e o prazo máximo de tramitação de todo o processo administrativo será de</p><p>360 dias a contar da data do protocolo.</p><p>O processo se encerra com a última decisão do qual não caiba mais recurso,</p><p>ressalvado o direito de revisão no prazo decadencial de 10 anos.</p><p>Custeio da Seguridade Social</p><p>1 – Financiamento da Seguridade Social:</p><p>O financiamento da seguridade é previsto no artigo 195 da CF e é um dever</p><p>imposto a toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos</p><p>provenientes dos orçamentos da União, Estados, Distrito Federal, Municípios e de</p><p>contribuições sociais.</p><p>O orçamento da seguridade tem receita própria e que não se confunde com a</p><p>receita tributária federal. Ele se destina exclusivamente as prestações da seguridade e</p><p>deve ser objeto de deliberação conjunta com os órgãos competentes e a gestão dos</p><p>recursos é decentralizada por área de atuação.</p><p>Além das fontes de custeio previstas no texto constitucional, essa permite a</p><p>criação de outras fontes, mediante lei complementar, seja para financiar novos</p><p>benefícios e serviços, seja para manter os já existentes.</p><p>Com a Emenda Constitucional n. 20 foram incluídos no art. 195 os §§ 9º, 10 e</p><p>11, e alterado o § 8º. E a Emenda Constitucional n. 103/2019 alterou, novamente, os</p><p>§§ 9 e 11 do mesmo artigo. As mudanças autorizam o legislador:</p><p>a) estabelecer alíquotas ou bases de cálculo diferenciados em função da</p><p>atividade econômica das empresas ou da utilização intensiva da mão de obra.</p><p>b) evitar a sangria dos recursos da Seguridade para o SUS e entidades</p><p>beneficentes em detrimento de benefícios previdenciários. Além disso, veda remissão</p><p>ou anistia de contribuições devidas sobre a folha de pagamentos e as retidas dos</p><p>trabalhadores, cujo valor esteja acima do fixado em lei.</p><p>c) a conceder moratória e o parcelamento em prazo máximo de 60 meses, e,</p><p>na forma de lei complementar, por outro lado, veda a remissão e a anistia das</p><p>contribuições sociais de que tratam a alínea “a” do inciso I e o inciso II do caput.</p><p>A alteração do § 8º visa adequar a legislação ordinária à norma constitucional,</p><p>já que esta, até então, dizia ser o garimpeiro espécie de segurado especial, quando a</p><p>lei, de há muito, o tratava como segurado equiparado a autônomo, hoje contribuinte</p><p>individual.</p><p>No que se refere às contribuições, a Emenda n. 20 alterou as incidências previstas no</p><p>caput do art. 195 e seus incisos, para permitir a exação sobre todo e qualquer tipo de</p><p>pagamento remuneratório a pessoa física, com vínculo de emprego ou não – a redação</p><p>anterior se referia apenas à incidência sobre a “folha de salários” e também sobre a</p><p>“receita ou o faturamento”, pondo fim às discussões sobre a constitucionalidade da</p><p>cobrança de algumas contribuições – COFINS e PIS.</p><p>De acordo com o artigo 11 da lei 8212/91 a seguridade social é composta das</p><p>receitas:</p><p>a) da União.</p><p>b) das contribuições sociais.</p><p>c) outras fontes.</p><p>A Emenda Constitucional n. 42, de 19.12.2003, denominada Reforma Tributária,</p><p>promoveu novas alterações na redação do art. 195. Foi introduzido o inciso IV para</p><p>permitir a instituição de contribuição social do importador de bens ou serviços do</p><p>exterior, ou de quem a lei a ele equiparar.</p><p>O orçamento da Seguridade Social é autônomo, não se confundindo com o</p><p>orçamento do Tesouro Nacional, conforme previsto no item III do § 5º do art. 165 da</p><p>Constituição. Assim, as contribuições arrecadadas com fundamento no art. 195 da</p><p>Constituição ingressam diretamente nesse orçamento, não constituindo receita do</p><p>Tesouro Nacional.</p><p>A Emenda Constitucional n. 20 introduziu o inciso XI no art. 167 do texto</p><p>constitucional, vedando a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais</p><p>de que trata o art. 195, I, a, e II, para a realização de despesas distintas do</p><p>pagamento de benefícios do Regime Geral de Previdência Social de que trata o art. 201</p><p>da Constituição. Essa medida é muito salutar para a Previdência Social, pois impede</p><p>que o Poder Executivo destine recursos das contribuições sociais, incidentes sobre a</p><p>folha de salários e sobre o rendimento do trabalho, para cobrir outras despesas que</p><p>não os benefícios previdenciários.</p><p>Por tal razão, a chamada Desvinculação de Receita da União – DRU (art. 76 do</p><p>Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, com a redação da Emenda</p><p>Constitucional n. 93/2016)3, que correspondia à destinação de 30% de toda e</p><p>qualquer receita arrecadada pela União a despesas que fiquem a exclusivo critério do</p><p>Poder Executivo, não poderia incidir sobre tais contribuições.</p><p>A EC n. 103/2019, em seu art. 2º, acabou por revogar a desvinculação das</p><p>receitas das contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social prevista</p><p>no art. 76 do ADCT. Trata-se de medida coerente com o discurso de existência de</p><p>déficit do sistema, conforme apregoado pelo Governo.</p><p>Por outro lado, a União pode socorrer-se do “caixa” da Seguridade Social para</p><p>pagar seus “encargos previdenciários”. A União, para fazer frente a esses encargos, é</p><p>autorizada a utilizar-se dos recursos provenientes das contribuições incidentes sobre o</p><p>faturamento e o lucro (art. 17 da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n.</p><p>9.711/1998).</p><p>Também podem ser utilizados os recursos da Seguridade Social para custear</p><p>despesas com pessoal e administração geral do INSS, salvo os provenientes da</p><p>arrecadação da contribuição sobre concursos de prognósticos, cuja destinação é</p><p>somente para custeio dos benefícios e serviços prestados pela Seguridade Social (art.</p><p>18 da Lei n. 8.212/1991).</p><p>2 – Fontes de Custeio:</p><p>2.1 - União: a União não tem, efetivamente, uma contribuição social. Ela</p><p>participa atribuindo dotações do seu orçamento à Seguridade Social, fixados</p><p>obrigatoriamente na Lei Orçamentária anual, além de ser responsável pela cobertura</p><p>de eventuais insuficiências financeiras da Seguridade, em razão do pagamento de</p><p>benefícios de prestação continuada pela previdência social (art. 16 da Lei n.</p><p>8.212/1991). Não há um percentual mínimo definido para ser destinado à Seguridade</p><p>Social, tal como ocorre com a educação (art. 212 da Constituição). É, como sempre foi,</p><p>uma parcela aleatória.</p><p>2.2 - Contribuições Sociais: valores com que, a título de obrigações sociais,</p><p>contribuem os filiados, e os que o Estado estabelece para manutenção do</p><p>financiamento dos benefícios que outorga.</p><p>a) São contribuições sociais:</p><p>• As das empresas, incidentes sobre a remuneração paga, devido ou</p><p>creditada aos segurados e demais pessoas físicas a seu serviço, mesmo</p><p>que sem vínculo.</p><p>• As dos empregadores domésticos, incidentes sobre o salário de</p><p>contribuição dos empregados domésticos a seu serviço.</p><p>• Dos trabalhadores incidentes sobre seus salários de contribuição.</p><p>• As das associações desportivas que mantêm equipe de futebol</p><p>profissional, incidente sobre a receita bruta decorrentes de espetáculos</p><p>desportivos de que participem em todo o território nacional em qualquer</p><p>modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer</p><p>forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos,</p><p>publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos desportivos.</p><p>• As incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da</p><p>produção rural.</p><p>• As das empresas incidentes</p><p>sobre a receita ou o faturamento e o lucro.</p><p>• As incidentes sobre a receita de concursos e prognósticos.</p><p>• O importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a ele</p><p>equiparar.</p><p>b) Teorias das Contribuições Sociais:</p><p>I – Teoria Fiscal: contribuição social tem natureza tributária (tese prevalente).</p><p>II – Teoria Parafiscal: contribuição fiscal tem natureza parafiscal, pois visa</p><p>suprir os encargos do estado que não lhe sejam próprios.</p><p>III – Teoria da Exação sui generis: ausência de natureza tributária tratando-se</p><p>de imposição estatal atípica.</p><p>2.3 – Outras Receitas:</p><p>• Multas, atualização monetária e juros (por descumprimento de obrigações</p><p>acessórias).</p><p>• Remuneração recebida por serviços de arrecadação, fiscalização e cobrança</p><p>prestadas a terceiros.</p><p>• As receitas provenientes de prestação de outros serviços e de fornecimento ou</p><p>arrecadação de bens.</p><p>• As demais receitas patrimoniais, industriais e financeiras.</p><p>• As doações, legados, subvenções e outras receitas eventuais.</p><p>• 50% dos valores obtidos e aplicados no fundo composto de todo e qualquer</p><p>bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de</p><p>entorpecentes e drogas afins e da exploração de trabalho escravo.</p><p>• 40% dos resultados dos leilões de bens apreendidos pela Receita Federal.</p><p>• Outras receitas previstas em lei específica.</p><p>• 50% do valor total do prêmio recolhido pelas seguradoras de automóveis de</p><p>vias terrestres (exclusivo SUS).</p><p>3 – Contribuições ao Sistema:</p><p>3.1 – Salário de Contribuição:</p><p>É o valor que serve de base de cálculo para a incidência das alíquotas de</p><p>contribuição previdenciária dos segurados, exceto o especial.</p><p>Sua importância não se restringe a fixação do seu valor, mas também a época</p><p>de seu pagamento, como forma de observação correta do cálculo do valor dos</p><p>benefícios.</p><p>O limite mínimo corresponde para os segurados contribuinte individual e</p><p>facultativo, o salário-mínimo, e para os empregados, inclusive o doméstico, e o avulso,</p><p>o piso salarial legal ou norma da categoria, ou na falta deste, o salário-mínimo,</p><p>mensal, diário ou horário (art. 28, §3º, lei 8212).</p><p>O limite máximo dos salários de contribuição (teto) foram ajustados da seguinte</p><p>forma:</p><p>- Antes do Decreto-lei 66/66 – 5 salários mínimos.</p><p>- Decreto-lei 66/66 – 10 salários mínimos.</p><p>- 1973 – 20 salários mínimos.</p><p>- Junho de 1989 – NCz$ 1.200,00.</p><p>- Lei 8212/91 – desvinculação do salário-mínimo (mas o valor era</p><p>aproximado de 10).</p><p>- EC 20/98 – R$ 1.200,00 reajustável anualmente pelo mesmo índice de</p><p>reajuste dos benefícios.</p><p>- EC 41/2003 – R$ 2.400,00 reajustável anualmente pelo mesmo índice de</p><p>reajuste dos benefícios.</p><p>O valor do auxílio-acidente (como já visto) integra a base de cálculo do salário</p><p>de contribuição para fins de aposentadoria.</p><p>Outro aspecto importante diz respeito a reconhecimento posterior de valores</p><p>remuneratórios, como o caso das sentenças da Justiça do Trabalho, que deverão ser</p><p>integrados a base de cálculo do salário de contribuição da época em que deveria ter</p><p>sido pago, incidindo complementação da contribuição previdenciária.</p><p>3.2 – Salário-Base:</p><p>Era espécie do gênero salário de contribuição, estabelecido segunda escala de</p><p>valores prefixados por norma regulamentar, escalonadas em classes, cujo</p><p>reajustamento seguia os mesmos índices utilizados para correção dos valores de</p><p>contribuição e benefícios do RGPS.</p><p>Tratava-se de ficção estimada que não correspondia ao valor recebido</p><p>mensalmente pelo segurado e servia de base para o cálculo da contribuição</p><p>previdenciária dos segurados que não recebiam salário (empresários, autônomos e</p><p>equiparados), além dos facultativos.</p><p>O salário-base foi extinto em 1999 com a criação da categoria dos contribuintes</p><p>individuais o que unificou essas atividades unificando as alíquotas em 20%</p><p>independentemente de classe ou faixa (lei 9876/99).</p><p>Com a extinção do salário-base o salário de contribuição do contribuinte</p><p>individual será a remuneração auferida pelo exercício da atividade (ainda que mais de</p><p>uma) durante o mês observado o mínimo e o máximo previsto e para o facultativo o</p><p>valor que declarar, qualquer que seja, observados os mesmos limites.</p><p>3.3 – Contribuição do Empregado, Doméstico e Avulso:</p><p>Aplicação da alíquota não cumulativa sobre o salário de contribuição mensal</p><p>(Tema 833-STF).</p><p>O doméstico somente possui exigência de contribuição previdenciária a partir</p><p>da lei 5859/72. Antes desse período sua contribuição não era obrigatória, mas será</p><p>computado como tempo de contribuição e carência.</p><p>Salário-maternidade é o único beneficio previdenciário que sofre incidência de</p><p>contribuição previdenciária, sendo este salário de contribuição.</p><p>Sobre o auxílio-transporte (vale) não incide ainda que pago em dinheiro.</p><p>Integram ainda, 13º salário, férias e seu respectivo abono, participação nos</p><p>lucros entre 1988 e 1994.</p><p>A contribuição será incidente sobre a forma de tabela:</p><p>Tabela INSS 2019 para empregado segurado, empregado doméstico e</p><p>trabalhador autônomo antes da EC 103/2019.</p><p>SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (R$) ALÍQUOTA PARA FINS DE</p><p>RECOLHIMENTO AO INSS</p><p>até 1.751,81</p><p>8%</p><p>de 1.751,82 até 2.919,72</p><p>9%</p><p>de 2.919,82 até 5.839,45</p><p>11%</p><p>Após a EC 103/2020 houve incremento nas faixas de alíquotas com mudança</p><p>no escalonamento, atualmente 2022 as alíquotas são:</p><p>a) Regime Geral:</p><p>Salário-de-contribuição Alíquota para recolhimento ao INSS</p><p>até 1.212,00 7,5%</p><p>de 1,212,01 até 2.427,35 9%</p><p>de 2.427,36 até 3.641,03 12 %</p><p>de 3.641,04 até 7.087,22 14%</p><p>b) Regimes Próprios:</p><p>BASE DE CONTRIBUIÇÃO (R$)</p><p>ALÍQUOTA PROGRESSIVA INCIDINDO</p><p>SOBRE A FAIXA DE VALORES</p><p>até 1.212,00</p><p>7,5%</p><p>de 1,212,01 até 2.427,35</p><p>9%</p><p>de 2.427,36 até 3.641,03</p><p>12%</p><p>de 3.641,04 até 7.087,22</p><p>14%</p><p>de 7.087,23 até 12.136,79</p><p>14,5%</p><p>de 12.136,80 até 24.273,57</p><p>16,5%</p><p>de 24.273,58 até 47.333,46</p><p>19%</p><p>acima de 47.333,46</p><p>22%</p><p>A contribuição desses segurados é descontada pelo empregador ou tomador do</p><p>serviço e recolhida diretamente ao INSS.</p><p>3.4 – Contribuinte Individual e Facultativo:</p><p>A contribuição desses segurados como regra se dá com a incidência de 20%</p><p>sobre o salário de contribuição que será a renda auferida ou declarada.</p><p>O contribuinte individual que não receba qualquer renda no respectivo mês</p><p>poderá contribuir igualmente como facultativo naquela competência.</p><p>Esses segurados são obrigados a efetuar o recolhimento das contribuições</p><p>pessoalmente até o dia 15 do mês seguinte aquele ao qual se referem, sendo</p><p>prorrogável ao primeiro dia útil subsequente quando não houver expediente bancário.</p><p>Há ainda, em decorrência da lei 10666/2003, a obrigação da empresa</p><p>contratante de reter 11% sobre o valor da remuneração a ser paga ao contribuinte</p><p>individual que deverá ser recolhida no mesmo prazo da contribuição própria. Essa</p><p>obrigação também se estende aos entes públicos que contratarem contribuintes</p><p>individuais.</p><p>Há ainda a possibilidade do plano simplificado de previdência social:</p><p>- O contribuinte individual (quando não prestar serviço para empresa ou</p><p>equiparado) e o facultativo poderão contribuir com 11% do salário mínimo (o que</p><p>exclui o direito a aposentadoria por tempo de contribuição salvo se completar os 9%</p><p>restantes).</p><p>- O facultativo que se dedica exclusivamente a tarefas domésticas sem renda</p><p>própria poderá contribuir com 5% do salário-mínimo, desde que integre família de</p><p>baixa renda integrante do Cadastro Único dos Programas Sociais – CadÚnico, cuja</p><p>renda mensal familiar não supere 2 salários-mínimos.</p><p>O Micro Empreendedor Individual – MEI é contribuinte individual. A contribuição</p><p>devida pelo MEI é de 11% entre abril de 2007 e setembro de 2011 e de 5% a partir de</p><p>outubro de 2011 – sobre o salário-mínimo.</p><p>Essa contribuição não admite aposentadoria</p><p>por tempo de contribuição.</p><p>3.4 – Contribuição das Empresas:</p><p>a) Folha de Pagamento: 20% sobre o total das remunerações pagas, devidas ou</p><p>creditadas a qualquer título, durante o mês, pagos aos empregados e avulsos que lhes</p><p>prestem serviços. Aqui não se observa mínimo e máximo. As instituições financeiras,</p><p>entidades de previdência privada e agentes autônomos de seguros privados e de</p><p>crédito, possuem contribuição adicional de 2,5%. Destaque deve ser dado para a</p><p>desoneração que é a substituição da alíquota de 20% sobre a folha de salários por um</p><p>aumento percentual na alíquota de contribuição sobre a receita bruta.</p><p>b) Rendimento de contribuintes individuais e avulsos: 15% sobre as</p><p>remunerações dos trabalhadores sem vínculo de emprego. 15% pela cooperativa,</p><p>incidente sobre o total das importâncias pagas aos cooperativados – entre 1996 e</p><p>1999. A partir de 1999 para as empresas passou a ser de 20% igualmente nesses</p><p>casos, permanecendo 15% para as cooperativas. Destaque para a opção de</p><p>pagamento de 20% sobre o salário-base do cooperado (como alternativa aos 15%)</p><p>que foi declarada inconstitucional.</p><p>c) Contribuição em Razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa</p><p>Decorrente de Riscos Ambientais – GILRAT:</p><p>c.1) Seguro obrigatório de acidentes do trabalho (SAT): foi integrado à</p><p>Previdência Social em 1967 em favor dos empregados, trabalhadores avulsos e</p><p>presidiários que exercem atividade remunerada. A fixação entre 1898 e 1991 era de</p><p>um adicional de 2% sobre a contribuição da folha de pagamento.</p><p>Com a edição da lei 8212/91 esse valor passou a ser fixado com base no risco da</p><p>atividade preponderante que foi de 1% (leve), 2% (médio) e 3% (grave). O</p><p>enquadramento se dá pelo CNAE constante no anexo V do RPS e é regulada pela</p><p>Instrução Normativa 971/2009 da RFB (Anexo I).</p><p>c.2) Fator Acidentário de Prevenção (FAP): criado em 2002 pela MP 83,</p><p>posteriormente convertida na lei 10.666 possibilitou a redução em até 50% ou</p><p>aumento em até 100% das alíquotas do seguro. A matéria somente foi regulamentada</p><p>em 2007 pelo Decreto 6.042 que instituiu o FAP que se constitui em um multiplicador</p><p>variável em um intervalo de cinquenta centésimos a dois inteiros a ser aplicado sobre a</p><p>contribuição do GILRAT. Os critérios são estabelecidos com base em frequência,</p><p>gravidade e custo por atividade econômica e publicados individualmente todo ano</p><p>considerando o período de 2 anos.</p><p>Para as empresas constituídas após 2007 o FAP será calculado a partir de janeiro do</p><p>segundo ano de constituição.</p><p>d) Contribuição Sobre Receita e Faturamento: trata-se do COFINS e do</p><p>PIS/PASEP.</p><p>d.1) CONFINS: contribuição para financiamento da seguridade social instituído pela</p><p>lei complementar 70 de 1991. É apurada sobre uma alíquota de 2% do faturamento</p><p>mensal (receita bruta da venda de mercadorias e serviços de qualquer natureza). É</p><p>devida pelas empresas ou equiparadas e destinadas exclusivamente as despesas com</p><p>atividade-fim na área de saúde, previdência e assistência social.</p><p>d.2) PIS/PASEP: Programa de Integração Social e Programa de Formação do</p><p>Patrimônio do Servidor Público foram instituídas pela LC 8/1970. Sua alíquota é de</p><p>0,65% incidente sobre o faturamento, salvo nos casos de refinarias e distribuidoras de</p><p>combustíveis que possuem percentual especial. Quando aplicável sobre a folha de</p><p>salários será de 1% (2001). No caso de tributação sobre o lucro real será de 1,65%</p><p>(2002).</p><p>d.3) Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL): atualmente é de 9%</p><p>para as pessoas jurídicas em geral e 15% para as instituições financeiras e segue a</p><p>forma de apuração do lucro estabelecido pelo IRPJ (imposto de renda pessoa jurídica).</p><p>e) Contribuição das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES</p><p>NACIONAL): regido pela LC 123/2006 deve observar as tabelas de alíquotas</p><p>estabelecidas no anexo da Lei Complementar que são revisadas anualmente.</p><p>3.5 – Contribuição do Importador de Bens e Serviços do Exterior:</p><p>Trata-se do PIS/PASEP-importação e do COFINS-importação, criados pela lei</p><p>10.865/2004. A contribuição incide sobre aquisição de mercadorias e serviços, sejam</p><p>elas realizadas por pessoas jurídicas ou físicas. Tem como fato gerador a entrada da</p><p>mercadoria estrangeiras no território nacional ou a remessa financeira em favor de</p><p>residentes no exterior em face de serviços prestados. As alíquotas são de 1,65% e de</p><p>7,6% respectivamente.</p><p>3.6 – Contribuição Decorrente do Trabalho Prestado em Obras de Construção Civil:</p><p>Aferida de forma direta ou indireta conforme o caso implica em todas as</p><p>obrigações já apontadas para as empresas, considerando ainda as peculiaridades da</p><p>forma da prestação do serviço.</p><p>Quando aferida por apuração via nota fiscal deve observar o mínimo de 40% do</p><p>valor da mão de obra constante na fatura ou 15% sobre o valor bruto da nota fiscal.</p><p>É possível ainda ser aferida com base na área construída com base em índices</p><p>estabelecidos pelo FISCO observada a tabela do CUB da construção civil.</p><p>Além disso, há a retenção de 11% dos prestadores de serviços.</p><p>3.7 – Contribuição dos Clubes de Futebol Profissional:</p><p>De 1989 a 1991 era de 5% sobre a receita bruta. Entre 1991 e 1993 não houve</p><p>regras para esse recolhimento que passou a ser retomado em 1993 com a fixação de</p><p>5% sobre a receita bruta indicada no borderô do espetáculo.</p><p>A partir de 1997 passou a incidir sobre a renda do espetáculo e sobre os</p><p>valores recebidos a título de patrocínio, licenciamento de marcas e símbolos,</p><p>publicidade, propaganda e transmissão.</p><p>Além disso, mantém as demais obrigações regulares (20% da folha de</p><p>pagamento) e 15% sobre a nota fiscal dos serviços cooperativados.</p><p>3.8 – Contribuição do Empregador Doméstico:</p><p>De 1973 a 1981 a alíquota era de 8%. Em 1982 passou a ser de 10% ate 1989</p><p>quando passou a ser de 12%.</p><p>Essa alíquota de 12% foi mantida pela lei 8212/91 até a edição da LC 150/2015</p><p>que reduziu a alíquota para 8%.</p><p>O valor não será devido quando o empregado estiver em gozo de benefício de</p><p>auxílio-doença, aposentadoria por invalidez ou auxílio-reclusão e será recolhido,</p><p>juntamente com a parte equivalente ao empregado até o dia 7 de cada mês</p><p>subsequente.</p><p>3.9 – Contribuição do Produtor Rural pessoa Física e do Segurado Especial:</p><p>LC 11/1971 criou o PRORURAL com uma contribuição na alíquota de 2% sobre</p><p>a comercialização de produtos rurais e 2,6% de outras fontes.</p><p>As alíquotas sofreram diversas alterações a partir de 1991 passando a ser de</p><p>3% entre novembro de 1991 e março de 1993; 2,1% entre abril de 1993 e junho de</p><p>1994; 2,3% entre julho de 1994 a 11/01/1997; 2,6% entre 12/01/1997 a 10/12/1997</p><p>e 2,1% a partir de 11/12/1997.</p><p>Atualmente a alíquota é de 2% sobre a receita bruta da comercialização da</p><p>produção e 0,1% para financiar prestações de acidente do trabalho além de 0,2% dos</p><p>produtos comercializados para o SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural).</p><p>3.10 – Contribuição do Empregador Rural Pessoa Jurídica:</p><p>Contribui com alíquota de 2,5% incidente sobre a comercialização de produtos.</p><p>Além disso, contribui com 0,25% incidente sobre a comercialização de produtos para o</p><p>SENAR, além de 0,1% para financiamento dos benefícios decorrentes de riscos</p><p>ambientais.</p><p>3.11 – Contribuição Sobre a Receita de Concursos de Prognósticos:</p><p>Constituído pela renda liquida de todos os concursos promovidos pelos órgãos</p><p>do poder público descontado o valor destinado ao prêmio e ao Programa de Crédito</p><p>Educativo.</p><p>Também incide na alíquota de 5% incidente sobre o momento global de</p><p>apostas no prado de corridas ou de sorteios de números e símbolos.</p><p>3.12 – Contribuições Destinadas a Terceiros:</p><p>• Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE.</p><p>• Instituto Nacional de Comercialização e Reforma Agrária – INCRA.</p><p>• Serviço Nacional de</p><p>Aprendizagem Industrial – SENAI.</p><p>• Serviço Social da Indústria – SESI.</p><p>• Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – SENAC.</p><p>• Serviço Social do Comércio – SESC.</p><p>• Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE.</p><p>• Diretoria de Portos e Costas – DPC.</p><p>• Fundo Aeroviário.</p><p>• Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR</p><p>• Serviço Social do Transporte – SEST.</p><p>• Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte – SENAT.</p><p>4 – Isenção das Contribuições Para a Seguridade:</p><p>A Constituição Federal no artigo 195, §7º, concedeu isenções para as</p><p>contribuições sociais em favor das entidades beneficentes de assistência social que</p><p>preencham os requisitos previstos em lei.</p><p>É consenso, entretanto, que essa isenção em realidade se constitui em uma</p><p>imunidade tributária. Tal também já foi reconhecido pelo STF.</p><p>Essa isenção deve ser requerida perante a Receita Federal e poderá ser</p><p>revisada periodicamente quando a entidade preencher os requisitos e receber o</p><p>Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS).</p><p>5 – Remissão e Anistia:</p><p>Estabelece a EC 20/98 introduziu o §11 no artigo 195 da Constituição vedando</p><p>a concessão de remissão ou anistia para as contribuições previstas no inciso I, “a” e II</p><p>do mesmo artigo para débitos em montante superior ao limite fixado em lei</p><p>complementar.</p><p>A remissão se encontra no artigo 362 do decreto 3048/99 e a lei 9429/96</p><p>promove a anistia das contribuições devidas entre 25/07/1996 até a entrada em vigor</p><p>da lei, em relação as entidades beneficentes de assistência social.</p><p>A MP 449/2008 convertida na lei 11941/2009 fixou a remissão dos débitos</p><p>devidos para a Fazenda Nacional (inclusive os de exigibilidade suspensa) que</p><p>estivessem vencidos a mais de 5 anos e cujo valor fossem igual ou superior a R$</p><p>10.000,00.</p><p>6 – Decadência e Prescrição Fiscal Sobre Contribuições:</p><p>A decadência começa a contar a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao</p><p>daquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e terá a contagem de 5 anos.</p><p>No caso de construção civil será o primeiro dia do exercício seguinte ao da conclusão</p><p>da construção, reforma ou demolição.</p><p>A prescrição será conforme as regras fiscais contidas no CTN, inclusive quanto</p><p>ao reconhecimento de ofício da prescrição intercorrente. Fica assim sujeita ao artigo</p><p>174 do CTN.</p><p>Crimes Previdenciários</p><p>1 – Crimes Previdenciários:</p><p>1.1 - Apropriação Indébita Previdenciária:</p><p>De acordo com o art. 168-A do Código Penal, a tipificação deste crime ocorre</p><p>quando deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos</p><p>contribuintes, no prazo e na forma legal ou convencional; recolher, no prazo legal,</p><p>contribuição ou outra importância destinada à previdência social que tenha sido</p><p>descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público;</p><p>recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado despesas</p><p>contábeis ou custos relativos à venda do público. Pagar benefício devido a segurado,</p><p>quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido reembolsados à empresa pela</p><p>previdência social.</p><p>Esse delito exige uma conduta omissa própria do agente, pois o seu</p><p>comportamento é ativo e ao mesmo tempo omissivo, pois recolhe as contribuições dos</p><p>respectivos contribuintes, e deixa de repassar a previdência social. Assim, não há de se</p><p>falar em tentativa, uma das características dos crimes omissivos próprios.</p><p>Caracteriza-se como crime formal, pois somente se exige a conduta, sem que</p><p>haja a necessidade de um resultado. Vale salientar que sempre deve haver dolo, não</p><p>sendo admitido a forma culposa.</p><p>O sujeito passivo é o Estado, na figura da Previdência Social Pública, e o ativo é</p><p>o agente do crime, o responsável dentro da empresa pelos atos gerenciais previstos</p><p>nas hipóteses típicas. A propositura de ação deve ser feita pelo Ministério Público</p><p>Federal, com a assistência do INSS, através de Ação Penal Pública Incondicionada.</p><p>O pagamento das contribuições devidas, se realizado antes do início da ação</p><p>penal fiscal, acarreta a extinção da punibilidade. Caso seja realizado após, caberá o</p><p>perdão judicial ou a aplicação apenas da pena de multa. No entanto, pagamento</p><p>realizado após o recebimento da denúncia, gera apenas uma circunstância atenuante.</p><p>1.2 - Sonegação de Contribuição Previdenciária:</p><p>O art. 337-A do Código Penal dispõe sobre tipicidade deste crime como a</p><p>supressão ou redução de contribuição previdenciária e qualquer acessório, mediante as</p><p>seguintes condutas: omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de</p><p>informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário,</p><p>trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem</p><p>serviços; deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios de contabilidade as</p><p>quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou tomador de</p><p>serviços; e omitir receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e</p><p>demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias.</p><p>Também é crime de conduta omissiva própria, apesar dos núcleos verbais</p><p>serem do tipo “suprimir” ou “reduzir”, há a necessidade de omissão por parte do</p><p>agente, não sendo possível a tentativa. No entanto, é crime material, pois a conduta</p><p>deve ter como resultado a supressão ou a redução das contribuições. Aqui também há</p><p>a exigência de dolo, sem a possibilidade da modalidade culposa.</p><p>O sujeito passivo é o Estado, representado pela Previdência Social Pública, e o</p><p>sujeito ativo é quem tem a obrigação legal de cumprir as condutas acima descritas,</p><p>exigindo-se uma especial qualidade do sujeito. Por isso, alguns doutrinadores</p><p>classificam como crime próprio. A legitimidade para propositura da ação pena pública</p><p>incondicionada é do Ministério Público federal, sendo permitida a assistência do INSS.</p><p>A extinção da punibilidade para este delito não requer o pagamento, apenas a</p><p>conduta espontânea do agente em declarar e confessar as contribuições, importâncias,</p><p>valores e informações devidas a previdência social, desde que realizada antes do início</p><p>da ação fiscal.</p><p>O juiz possui ainda a faculdade de deliberar o perdão judicial ou apenas a</p><p>aplicação da pena de multa, desde que estejam presentes os requisitos necessários,</p><p>como ser o agente réu primário com bons antecedentes, e os valores dos débitos não</p><p>excedam R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais).</p><p>1.3 - Falsidade Documental Previdenciária:</p><p>Este crime está previsto no art. 297, §3º e 4º do Código Penal, tipificando as</p><p>seguintes condutas:</p><p>§3º - inserir ou fazer inserir:</p><p>- na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado</p><p>a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua qualidade de</p><p>segurado obrigatório;</p><p>- na CTPS do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a</p><p>Previdência Social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita;</p><p>- em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as</p><p>obrigações da empresa perante a Previdência Social, declaração falsa ou diversa da</p><p>que deveria ter constatado.</p><p>§4º - omitir, nos documentos mencionados anteriormente, nome do segurado e</p><p>seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou prestação</p><p>de serviço.</p><p>Nestes parágrafos temos a falsidade ideológica, que só pode existir no</p><p>momento da elaboração do documento, diferente do apresentado no caput do art. 297</p><p>do Código Penal, que se refere ao delito de falsidade material. Assim, não há uma</p><p>equiparação dos documentos previdenciários aos públicos, mas apenas e tão somente</p><p>houve um aproveitamento das penas incursas no dispositivo.</p><p>O delito apresenta dois tipos de condutas, comissivas e omissivas próprias. Na</p><p>primeira, os núcleos inserir ou fazer inserir ensejam a possibilidade</p><p>de tentativa,</p><p>enquanto na segunda, o núcleo omitir não.</p><p>É um crime material, com a exigência de dolo, em que a conduta descrita</p><p>deverá acarretar como resultado, a supressão ou a redução das contribuições. O</p><p>sujeito passivo continua sendo o Estado, na figura da Previdência Social Pública, e o</p><p>sujeito ativo, podendo ser qualquer pessoa.</p><p>1.4 - Inserção de Dados Falsos em Sistemas de Informação:</p><p>O art. 313-A do Código Penal, dispõe: “Inserir ou facilitará o funcionário</p><p>autorizado, a inserção de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente dados corretos</p><p>nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pública com o fim</p><p>de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano: Pena -</p><p>reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.”</p><p>É crime comissivo formal próprio, pois necessita de uma ação do agente,</p><p>funcionário público, sem qualquer resultado. No entanto, este delito exige um dolo</p><p>específico, pois deve ser para obter vantagem indevida ou causar dano para si ou para</p><p>outrem.</p><p>Poderá abranger pessoas com participação indireta.</p><p>1.5 - Modificação ou Alteração Não Autorizada de Sistema de Informações:</p><p>Em similaridade com o disposto no delito anterior, o art. 313-B do Código Penal</p><p>prevê outro ilícito informático: “Modificar ou alterar, o funcionário, Sistema de</p><p>informações ou programa de informática sem autorização ou solicitação de autoridade</p><p>competente: Pena - detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa.”</p><p>Este é um crime próprio, formal e comissivo, praticado pelo funcionário público</p><p>sem a necessidade de qualquer resultado, apenas a conduta do agente é suficiente. A</p><p>diferença deste com o delito do art. 313-A está na ausência de dolo especifico.</p><p>1.6 – Estelionato:</p><p>O art. 170 do Código Penal não foi alterado pela Lei n. 9.983/2000 e é o</p><p>dispositivo que versa sobre o estelionato previdenciário. Ocorre quando há a percepção</p><p>de benefícios previdenciários mediante fraude, podendo ser também qualificado, com o</p><p>aumento de pena previsto no §3º.</p><p>É um crime instantâneo, contra a seguridade social, com a sua concretização no</p><p>momento da obtenção da vantagem ilícita, com o recebimento do benefício. Possui</p><p>como elemento subjetivo o dolo, não se admitindo a forma culposa. Não há</p><p>possibilidade de tentativa.</p><p>O sujeito ativo é qualquer pessoa, e o passivo é o Estado, mas com o segurado</p><p>podendo figurar como vítima secundária.</p><p>Processo Judicial Previdenciário, Teses Previdenciárias e Revisões</p><p>1 – Ações Previdenciárias:</p><p>Para a propositura de uma ação previdenciária é necessário a identificação da</p><p>espécie de prestação que se pretende obter ou revisar, distinguindo-se benefícios</p><p>comuns de prestações acidentárias e assistenciais. Essa distinção guarda relação com a</p><p>fixação da competência para o julgamento da ação.</p><p>Quando a pretensão for de concessão o autor deverá demonstrar o</p><p>preenchimento dos requisitos necessários para sua obtenção, que são:</p><p>a) Qualidade de segurado ao tempo do evento.</p><p>b) Evento coberto pelo regime, conforme legislação da época.</p><p>c) Cumprimento das exigências legais – carência, idade mínima ou ausência de</p><p>outro benefício não cumulável.</p><p>d) Iniciativa perante o ente concessor e sua negativa ou ausência de resposta.</p><p>e) Nexo de causalidade entre infortúnio e o trabalho (exclusivo dos benefícios</p><p>acidentários).</p><p>Destaque para o fato de ser recorrente na jurisprudência que o deferimento de</p><p>benefício previdenciário distinto do postulado não caracteriza julgamento extra petita,</p><p>já que as ações previdenciárias tem cunho social e se pautam pela economia</p><p>processual. Essa variação pode se dar inclusive em relação a prestações de origem</p><p>diferente como no caso de benefícios por incapacidade e benefícios da LOAS.</p><p>Cabe ainda o deferimento de tutelas antecipadas quando for o caso, conforme</p><p>firmado pela súmula 729 do STF. Já o TRF4 utiliza de ofício a regra do artigo 461, CPC,</p><p>determinando de imediato o cumprimento das obrigações de fazer condenadas em</p><p>acórdão.</p><p>Restando apenas recursos de natureza extraordinária o prazo para</p><p>cumprimento da obrigação imposta ao INSS é de 45 dias para implantação de</p><p>benefícios.</p><p>2 – Competência:</p><p>Para se firmar a competência para a ação previdenciária é necessário separar</p><p>benéficos comuns e assistenciais de prestações de origem acidentária. Além disso, há o</p><p>critério do valor da causa que distingue o ajuizamento nos juizados especiais do</p><p>ajuizamento comum.</p><p>Os conflitos de competência são assim solucionados:</p><p>a) STJ – juízes estaduais e federais.</p><p>b) TRF – juízes estaduais (investidos de jurisdição federal) e federais da mesma</p><p>região (súmula 3, STJ).</p><p>c) TRF - Juizados Especiais e vara comum da mesma região.</p><p>d) Turma Regional de Uniformização (TRU) – juizados especiais.</p><p>Pende de decisão no STF (tema 820) o conflito de competência entre juizados</p><p>especiais federais e juízes estaduais.</p><p>2.1 – Prestações Comuns:</p><p>Estabelece o artigo 109, I, da Constituição Federal, ser dos juízes federais a</p><p>competência para conhecer de julgar causas que tenha como parte entidade</p><p>autárquica da união.</p><p>Trata-se de competência em razão da pessoa firmada em face do INSS que se</p><p>constitui em autarquia federal e, portanto, atrai a competência da justiça federal para</p><p>julgamento das ações que envolvam suas prestações.</p><p>Assim, as ações que buscam concessão ou revisão de prestações</p><p>previdenciárias comuns devem ser propostas perante a Justiça Federal.</p><p>2.2 – Competência Delegada:</p><p>A constituição no artigo 109, §3º, delega para a Justiça Estadual Comum a</p><p>competência para ações previdenciárias quando o segurado optar por ajuizar no foro</p><p>do seu domicilio e neste local não houver Juízo Federal (súmula 8, TRF4).</p><p>Trata-se de competência por opção do segurado e alcança todos os benefícios</p><p>comuns, seja em caráter de concessão ou de revisão alcançando inclusive a</p><p>justificação judicial (súmula 32, STJ).</p><p>Não há competência delegada quando a matéria estiver veiculada por meio de</p><p>mandado de segurança (súmula 216 do TFR).</p><p>Quanto a opção de ajuizamento por outro Juízo Federal quando o domicilio</p><p>possuir um o STF editou a súmula 689 que proibi tal opção.</p><p>Por fim, é de se destacar que a competência delegada envolve apenas o</p><p>primeiro grau de jurisdição, portanto o recurso cabível será sempre dirigido ao TRF</p><p>respectivo.</p><p>2.3 – Prestação Acidentária:</p><p>As ações propostas pelo segurado em face do INSS que tenham como origem</p><p>acidentes do trabalho ou doença ocupacional, serão de competência da Justiça</p><p>Estadual Comum.</p><p>Trata-se de competência residual com previsão expressa na Constituição, tendo</p><p>a matéria sido pacificada por meio da súmula 15 do STJ. Devem ser ajuizadas na</p><p>Justiça Estadual a quem compete inclusive a análise em sede recursal (segundo grau)</p><p>por seus Tribunais de Justiça.</p><p>Cabe ainda a Justiça Estadual processar e julgar as causas que tenham como</p><p>objeto a concessão de pensão por morte oriunda de acidentes do trabalho, inclusive do</p><p>resultante de assalto em horário de trabalho.</p><p>O auxílio-acidente estará condicionado ao acidente que lhe deu causa, sendo da</p><p>Justiça Estadual apenas os que tenham origem em acidente do trabalho.</p><p>Também caberá a Justiça Estadual julgamento de ações revisionais envolvendo</p><p>esses benefícios, sendo da Justiça Federal apenas a competência quando houver</p><p>conflito entre benefício acidentário e beneficio comum.</p><p>2.4 – Prestações Assistenciais:</p><p>As prestações assistenciais são administradas pelo INSS de modo que é de</p><p>competência da Justiça Federal conhecer e julgar da matéria.</p><p>Controvérsia existia apenas no que diz respeito a delegação para a Justiça</p><p>Estadual, uma vez que por um bom tempo foi reconhecido que a União deveria ser</p><p>parte como litisconsorte passivo necessário.</p><p>Essa controvérsia acabou em 1998 com alteração do</p><p>texto normativo que</p><p>relegou ao INSS a administração integral dos recursos da assistência social de modo</p><p>que atualmente a União é parte ilegítima para a ação (súmula 4, TRU4).</p><p>2.5 – Ações Envolvendo Entidades Fechadas de Previdência Complementar:</p><p>Durante um tempo houve conflito de competência entre a Justiça Estadual e a</p><p>Justiça do Trabalho que se entendia competente para a matéria, uma vez que as</p><p>contribuições tinham origem em relação de trabalho.</p><p>O STF firmou finalmente a competência da Justiça Estadual para a matéria</p><p>quando do julgamento do RE 586.453-SE.</p><p>Esse entendimento, porém, não se aplica quando a complementação da</p><p>aposentadoria fica a cargo do ex-empregador e não da entidade fechada.</p><p>3 – Prévio Ingresso Administrativo:</p><p>A comprovação de prévio requerimento administrativo é condição para o</p><p>ajuizamento de ações previdenciárias.</p><p>Cabe destacar que o exaurimento da via administrativa não é condição para o</p><p>ajuizamento da ação, mas apenas a prova da prévia provocação da pretensão</p><p>administrativa como confirmação do interesse de agir do segurado.</p><p>O prévio requerimento é dispensado em casos de conhecimento público e</p><p>notório de não deferimento pelo INSS da pretensão em face de divergência de</p><p>interpretação ou negativa de aplicação de entendimentos divergentes.</p><p>Por fim, há entendimento no âmbito da Turma Nacional de Uniformização de</p><p>que é dispensado o prévio requerimento de prorrogação do beneficio em caso de alta</p><p>programada.</p><p>4 – Teses Previdenciárias e Revisões:</p><p>4.1 – Aplicação da ORTN/OTN na Atualização Monetária dos Salários de Contribuição</p><p>dos Benefícios Concedidos Antes da CF/88:</p><p>Decisão proferida no RE 626.489 em 16/10/2013 reconheceu a decadência do</p><p>pedido de revisão de benefícios concedidos antes de 27/06/1997 de modo que a</p><p>princípio essa revisão não é mais aplicável.</p><p>Todavia, para o caso de pensões por morte derivada desses benefícios que</p><p>tenham sofrido defasagem, o prazo decadencial conta do primeiro mês seguinte ao</p><p>primeiro pagamento e, portanto, ainda viável.</p><p>Trata-se de pedido de correção pelos índices de variação da ORTN/OTN, dos 24</p><p>salários de contribuição mais distantes dentre os 36 usados para o cálculo do benefício.</p><p>Isso porque, apesar de em 1977 o Lei 6.423 ter determinado a aplicação da ORTN</p><p>como índice oficial, a previdência seguiu usando índices próprios diversos.</p><p>No TRF4 a matéria foi pacificada na súmula 2. É revisão de aposentadoria por</p><p>idade, especial ou tempo de serviço entre 06/1977 e 10/1988.</p><p>Descabe dos benefícios de auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, pensão</p><p>por morte não derivada e auxílio-reclusão, pois o cálculo levava em consideração</p><p>apenas os últimos 12 meses (súmula 456, STJ).</p><p>No caso de ausência do processo administrativo (devido ao tempo passado) a</p><p>Turma Nacional de Uniformização (TNU) editou a súmula 38 que determina a aplicação</p><p>da tabela editada pelo Judiciário de Santa Catarina através da Orientação Interna</p><p>Conjunta 97 DIRBEN/PFE de 2005.</p><p>Da mesma forma essa matéria sofre os efeitos da interrupção da prescrição em</p><p>relação as parcelas a serem pagas nos 5 anos anteriores ao ajuizamento da ação civil</p><p>pública 2001.71.00.038536-8 em 04/2006.</p><p>4.2 – Aplicação do IRSM de Fevereiro de 1994:</p><p>Da mesma forma que a ação anterior essa revisão está decaída quando</p><p>proposta diretamente em relação ao benefício concedido antes de 27/06/1997.</p><p>Todavia, da mesma forma que o caso anterior, ainda alcança benefícios de</p><p>pensão por morte decorrente.</p><p>Durante o período do emprego da correção monetária pelo IRSM o INSS não</p><p>considerou na parcela de fevereiro de 1994 o valor integral da variação do indicie que</p><p>foi de 39,67% antes de realizar a conversão para URV.</p><p>A matéria resultou na súmula 19 da TNU e na edição da MP 201/2004 que</p><p>posteriormente foi convertida na lei 10.999/04 que estendeu a revisão da todos os</p><p>benefícios do RGPS concedidos com data de início posterior a fevereiro de 1994, com</p><p>pagamento das diferenças em 8 anos.</p><p>No caso de discrepância nas revisões fruto da lei 10.999/04 não se observa a</p><p>aplicação do prazo decadencial.</p><p>4.3 – Aplicação do Novo Teto dos Benefícios Ficados pelas ECs 20/98 e 41/2003:</p><p>A fixação dos novos tetos (EC 20/1998 – R$ 1200,00 e EC 41/2003 – R$</p><p>2400,00) enseja o pedido de revisão para os benefícios concedidos antes da edição das</p><p>referidas normas e que tenha sofrido os impactos da limitação.</p><p>Os limites anteriores que vigoravam ao tempo eram R$ 1.081,50 (1998) e R$</p><p>1.869,34 (2003). Ocorre que o INSS emitiu portaria ao tempo da fixação dos novos</p><p>tetos apontando que seriam aplicáveis apenas aos novos benefícios limitando assim os</p><p>reajustes dos benefícios em manutenção.</p><p>A matéria foi pacificada no julgamento do RE 564.354/SE, sendo que o INSS</p><p>resolveu reajustar os benefícios na via administrativa, bem como pagar os atrasados,</p><p>mesmo sem requerimento administrativo, porém limitou essa revisão aos benefícios</p><p>concedidos entre 04/1991 e 01/01/2004.</p><p>4.4 – Primeiro Reajuste Após Concessão do Benefício:</p><p>Essa revisão que se acha pacificada na Turma Nacional de Uniformização aplica</p><p>o entendimento de que a base de cálculo do primeiro reajuste previdenciário deve ser</p><p>o valor do benefício sem incidência do teto limitador.</p><p>Ou seja, ao apurar o RMI, quando esse valor superar o teto, será essa a</p><p>referência do primeiro reajuste, ainda que a renda mensal seja limitada ao corte</p><p>estabelecido.</p><p>4.5 – Apuração do RMI do Auxílio-Doença e da Aposentadoria por Invalidez: art. 29, II</p><p>da Lei 8213/91:</p><p>Trata-se de questionamento que envolve o RMI do auxílio-doença,</p><p>aposentadoria por invalidez e pensão por morte não derivada.</p><p>Essa revisão surgiu com a edição do Decreto 3048/99 que fixou entendimento</p><p>diverso para o cálculo do RMI desses benefícios. Segundo a redação revogada do</p><p>artigo 32, §20, ao invés de considerar-se a média aritmética simples dos 80% maiores</p><p>salários de contribuição, a lei determinava que quando o segurado tivesse menos de</p><p>144 contribuições deveria a média ser realizada por 100%.</p><p>Assim, entre 1999 e 2009 o INSS aplicou esse critério viciado, uma vez que tal</p><p>limitação imposta via decreto restringiu condição não apontada na lei e, portanto,</p><p>ilegal.</p><p>Por força do Memorando-Circular Conjunto nº 21/DIRBEN/PFEINSS de</p><p>15/04/2010 o INSS passou a fazer revisão administrativa do benefício mediante</p><p>requerimento do segurado, sendo essa revisão sobrestada em julho de 2010 e</p><p>retomada em setembro de 2010.</p><p>A TNU entendeu que o Memorando-Circular 21 importou em reconhecimento do</p><p>direito e, portanto, interrupção da prescrição dos créditos devidos.</p><p>Essa matéria foi objeto de ação civil pública 0002320-59.2012.4.03.6183 que</p><p>determinou a revisão de oficio de todos os benefícios no prazo de 90 dias para os</p><p>concedidos a partir de 29/11/1999.</p><p>Para tanto foi fixado calendário que se estende entre 2013 e 2022, sem</p><p>prejuízo de ação judicial para recebimento antecipado dos valores.</p><p>4.6 – Revisão com Base em Benefício Mais Vantajoso, ainda que anterior a DER:</p><p>Trata-se de revisão do RMI com base em beneficio a que faria direito na época</p><p>quando esse era mais vantajoso.</p><p>Trata-se de direito adquirido ao cálculo do benefício com base nas regras</p><p>vigentes ao tempo da implementação das condições quando esse cálculo for mais</p><p>favorável, inclusive com retroação do PBC para considerar o tempo da época em que</p><p>as condições foram implementadas.</p><p>4.7- Inclusão do Décimo Terceiro como Salário de Contribuição para Cálculo do Salário</p><p>de Benefício:</p><p>Revisão também atingido pela regra da decadência anterior a 1997 nas mesmas</p><p>condições as duas primeiras estudadas.</p><p>Essa revisão diz respeito aos benefícios concedidos em 1991, 1992 e 1993</p><p>quando a lei determinava que o 13º salário era salário de contribuição e deveria ser</p><p>somado ao valor considerado</p><p>no mês de dezembro.</p><p>Cabe destacar que não se trata de mais um salário de contribuição, mas sim de</p><p>soma ao já existente em dezembro com o respectivo acréscimo e atinge os benefícios</p><p>onde esse mês de dezembro integrou a base de cálculo, lembrando que nessa época o</p><p>benefício era calculado pela média dos últimos 36 salários de contribuição.</p><p>4.8 – Ampliação do Período Básico de Cálculo do Salário de Benefício:</p><p>Também conhecida atualmente como revisão da vida toda.</p><p>Essa revisão pretende a inclusão de salários de contribuição na base de cálculo</p><p>do PBC quando verificado que esses salários importariam em aumento remuneratório</p><p>do salário de benefício.</p><p>Isso porque a regra que estabelece o uso do PBC limitado a julho de 1994 tem</p><p>como objetivo ser regra de transição visando proteger o segurado de uma eventual</p><p>desvalorização da moeda e não servir de limitador a concessão do benefício mais</p><p>vantajoso.</p><p>Tal revisão ainda possui divergências na jurisprudência não sendo reconhecida</p><p>pela TRU4.</p><p>4.9 – Inclusão do Adicional de 25% ao Aposentado que Necessitar de Assistência</p><p>Permanente de Outra Pessoa:</p><p>Trata-se da inclusão do adicional de 25% da aposentadoria por invalidez aos</p><p>demais tipos de aposentadoria quando verificadas as mesmas condições que autorizam</p><p>a concessão.</p><p>Essa matéria não se acha pacificada possuindo decisão favorável na TNU e</p><p>desfavorável no STJ aguardando julgamento da 1ª Seção daquele tribunal.</p><p>4.10 – Utilização do Tempo Especial Convertido para Comum no Coeficiente de Cálculo</p><p>da Aposentadoria por Idade:</p><p>Trata-se de adotar para a aposentadoria por idade os mesmos critérios</p><p>utilizados para a aposentadoria por tempo de contribuição com a conversão do tempo</p><p>especial em tempo comum, inclusive com impactos no fator previdenciário facultativo.</p><p>4.11 – Exclusão do Fator Previdenciário Aplicado no Salário de Benefício pela Média</p><p>dos 36 Últimos Salários de Contribuição das Aposentadorias por Tempo de</p><p>Contribuição Concedidas nas Regras de Transição da EC 20/98:</p><p>Com a edição da lei da lei 9876/99 que criou o fator previdenciário o INSS</p><p>passou a aplicar esse fator mesmos nas aposentadorias calculadas pelas regras</p><p>anteriores a EC 20/98.</p><p>Ocorre que a regra é aplicada a benefícios que alcançaram seu implemento ao</p><p>tempo da vigência da legislação anterior de modo que devem ser concedidos com base</p><p>nas regras integrais daquele período.</p><p>A inclusão do fator previdenciário constitui retroação prejudicial de regra</p><p>posterior. Essa matéria já se acha pacificada na TNU.</p><p>5– Teses Superadas em Matéria Previdenciária:</p><p>5.1 – Reajuste Pelo Salário Mínimo de Referência:</p><p>Súmula 15 do TRF4 – entre 07/08/1987 e 03/1989 os benefícios devem ser</p><p>reajustados pelo salário mínimo de referência previsto no Decreto-Lei 2351/87.</p><p>Isso porque durante esse período vigorou dois sistemas de salário mínimo</p><p>diferentes no Brasil.</p><p>Assim o benefício foi convertido em seu equivalente a salários mínimos e revisto</p><p>em 1989 para o mesmo equivalente em salários mínimos da data de sua concessão.</p><p>5.2 – Atualização Monetária dos 12 Últimos Salários de Contribuição dos Benefícios</p><p>Anteriores a CF/88:</p><p>A regra de concessão de benefícios de aposentadoria era o cálculo da média</p><p>dos 36 últimos salários de contribuição em um intervalo de 48 meses. No cálculo a lei</p><p>mandava atualizar apenas os 24 mais remotos, sendo que os 12 últimos não sofriam</p><p>qualquer reajuste.</p><p>A atualização de todos os salários de contribuição somente foi admitida em</p><p>1988 com a CF em seu artigo 202. A revisão pretendida alcançar essa vantagem aos</p><p>benefícios concedidos antes de 1988 e em alguns casos antes de 1991.</p><p>Essa revisão não obteve êxito, pois foi considerado não autoaplicável o artigo</p><p>202, caput, CF 1988.</p><p>5.3 – Sumula 260 do Extinto TFR:</p><p>Aplicação do primeiro reajuste de forma integral, independentemente do mês</p><p>da concessão. Essa revisão não afetava o RMI, apenas o primeiro reajuste do</p><p>beneficio.</p><p>Essa súmula era aplicada apenas em sua primeira parte e apenas para os</p><p>benefícios concedidos até março de 1989, pois a partir de abril de 1989 passou a</p><p>vigorar o artigo 58 do ADCT e o salário mínimo de referência.</p><p>A segunda parte da súmula dizia respeito a situações ocorridas entre 1979 e</p><p>1984 quando ainda se aplicavam os critérios de faixas salariais que foram extintas.</p><p>O TRF4 firmou entendimento por meio da súmula 51 de que essa revisão</p><p>somente caberia a benefícios concedidos antes da CF 1988.</p><p>Revisão foi atingida pela decadência, exceto nos casos de pensão por morte</p><p>derivada quando ainda dentro do prazo decadencial contado da concessão.</p><p>5.4 – Autoaplicabilidade do Art. 202, caput, da CF/88 – Diferenças Decorrentes de</p><p>Reajustamento entre 05/10/1988 e 05/04/1991:</p><p>Trata-se da revisão que ficou conhecida como buraco negro.</p><p>O artigo 202 da CF de 1988 determinava a revisão dos benefícios concedidos</p><p>entre 05/10/1988 e 05/04/1991 pelos critérios de correção monetária que viessem a</p><p>ser estabelecidos pela lei de benefícios a ser implantada.</p><p>A lei 8213/91 fixou essa revisão determinando o recalculo dos benefícios,</p><p>porém sem pagamento dos atrasados. A ação revisional pretendida receber esses</p><p>atrasados do período de 1988 a 1991.</p><p>Essa revisão foi superada depois que o STF decidiu pela não autoaplicação e</p><p>consequentemente não direito aos atrasados.</p><p>5.5 – Aplicação do Artigo 58 ADCT:</p><p>O artigo 58 do ADCT determinava que os benefícios em manutenção ao tempo</p><p>da entrada em vigor da Constituição Federal seriam convertidos em seu equivalente</p><p>em salários mínimos nacionais e posteriormente teriam seu valor preservado nos anos</p><p>seguintes com base no salário mínimo de referência.</p><p>A operação era simples bastando dividir o valor do beneficio pelo salário mínimo</p><p>da época e depois observar a atualização conforme tabela de referência.</p><p>A revisão pretendia restabelecer essa equivalência em caso de perda quando da</p><p>reconversão em abril de 1989. Apesar de manejado para benefícios concedidos em</p><p>diversos períodos essa revisão apenas foi procedente para os benefícios concedidos</p><p>antes da vigência da Constituição.</p><p>5.6 – Manutenção do Valor Real dos Benefícios/Equivalência do Valor em Salários</p><p>Mínimos:</p><p>Revisão que pretendida vincular o preceito de preservação real dos benefícios a</p><p>equivalência em salários mínimos.</p><p>A intenção da revisão foi, sob o argumento do principio da manutenção do</p><p>valor real, estender a aplicação da equivalência em salários mínimos previstas no</p><p>preceito do artigo 58 do ADCT.</p><p>Essa revisão foi afastada pelo STF por afronta ao artigo 7º, IV da Constituição</p><p>Federal (vedação do uso do salário mínimo como indexador, base de cálculo ou</p><p>referência).</p><p>5.7 – Valor Mínimo dos Benefícios:</p><p>Essa revisão atingiu os benefícios concedidos antes da Constituição de 1988.</p><p>Antes da vigência do artigo 201, §5º, CF, não havia norma constitucional que</p><p>determinasse o valor mínimo dos benefícios.</p><p>Nesse caso o beneficio era pago de acordo com os critérios de cálculo, qualquer</p><p>que fosse seu valor, sem um mínimo.</p><p>A Constituição de 1988 fixou a proibição de pagamento de valor inferior ao um</p><p>salário mínimo para benefícios substitutivos de renda, porém o INSS entendeu que a</p><p>regra dependia de regulamentação e seguiu pagando valor inferior.</p><p>O STF resolveu o caso entendendo ser autoaplicável a regra do artigo 201, §5º.</p><p>5.8 – Gratificação Natalina de 1988 e 1989:</p><p>O artigo 201, §6º, da Constituição Federal determinou que o valor do abono</p><p>anual (13º salário) deveria se dar pelo valor integral do beneficio pago no mês de</p><p>dezembro de cada ano.</p><p>Antes dessa regra o abono (13º salário) era pago com base em média anual.</p><p>O INSS considerou a regra não autoaplicável e pagou os abonos dos anos de</p><p>1988 e 1989 de forma proporcional. O STF resolveu a questão considerando</p><p>autoaplicável</p><p>a regra do artigo 201, §6º e determinou o pagamento das diferenças,</p><p>descontados os valores já pagos na época.</p><p>Esses valores atualmente estão prescritos.</p><p>5.9 – URP de Fevereiro de 1989:</p><p>Ações que visavam a aplicação da Unidade de Referência de Preços no</p><p>percentual de 26,05% no mês de fevereiro de 1989.</p><p>Essa revisão não obteve êxito.</p><p>5.10 – Salário Mínimo de Junho de 1989:</p><p>Em junho de 1989 a previdência deixou de corrigir os benefícios pelo salário</p><p>mínimo de NCz$ 120,00e aplicou o piso nacional de NCz$ 81,40, que havia sido</p><p>revogado, sob o argumento de que a revogação apenas havia sido publicada em julho</p><p>e, portanto, não poderia retroagir.</p><p>A matéria foi resolvida com o entendimento de ser devido o reajuste pelo novo</p><p>salário mínimo resultando inclusive na súmula 26 do TRF4.</p><p>5.11 – Expurgos Inflacionários:</p><p>Tratava-se de índices de inflação que não foram aplicados, seja integralmente</p><p>ou parcialmente, nos reajustes dos benefícios.</p><p>A alegação era de que nos meses de janeiro de 1989, março, abril e maio de</p><p>1990 e fevereiro de 1991 não se aplicou o correto valor da variação da inflação que</p><p>havia sido medida pelo IPC (índice de preços ao consumidor).</p><p>Essa revisão, todavia, não encontrou sucesso resultando na súmula 36, TRF4 e</p><p>21 da TNU vedando essa aplicação.</p><p>5.12 – Reajuste de Setembro de 1991 – Abono da Lei 8178/91:</p><p>A lei 8178/91 previu abono aos aposentados e pensionistas nos meses de maio,</p><p>junho, julho e agosto de 1991, sem direito a incorporação.</p><p>Porém, a lei 8213/91 em seu artigo 146, permitiu a incorporação do incide do</p><p>mês de agosto de 1991 a partir de 01/09/1991 no valor de 54,60%.</p><p>Posteriormente a lei 8222/91 reajustou o salário mínimo e os salários de</p><p>contribuição em 147,06% a partir de setembro de 1991.</p><p>Inúmeras ações judiciais foram ajuizadas pretendendo a aplicação dos 147,06%</p><p>do salário mínimo, nos benefícios que estavam em manutenção na previdência social a</p><p>partir de setembro de 1991 o que foi reconhecido pelo Ministério da Previdência Social</p><p>por meio da Portaria 302 de 1992.</p><p>A ação revisional pretendia a incorporação dos 54,60% além da aplicação dos</p><p>147,06% do salário mínimo o que não foi reconhecido no judiciário que entendeu que</p><p>percentual de 54,60% é englobado pelos 147,06%. Nesse sentido a súmula 48 do</p><p>TRF4.</p><p>5.13 – Reajustes Quadrimestrais – IRSM - Lei 8542/92 e 8.700/93:</p><p>Em janeiro de 1993 a sistemática de reajuste pelo INPC foi modificada pela lei</p><p>8542/92 determinando que a correção dos benefícios se daria pela variação do IRSM</p><p>(Índice de Reajuste do Salário Mínimo).</p><p>A regra determinava que o reajuste deveria ser quadrimestral devendo ocorrer</p><p>antecipações mensais equivalentes ao percentual de diferença acima de 10% do mês</p><p>anterior.</p><p>Essa antecipação seria descontada quando da aplicação do índice da variação</p><p>do quadrimestre.</p><p>A revisão pretendida a aplicação do índice integral sem os expurgos mensais,</p><p>sendo que ao cabo terminou sendo rejeitada pela jurisprudência.</p><p>Essa sistemática se manteve até fevereiro de 1994 com a entrada da URV.</p><p>5.14 – Conversão dos Benefícios em URV – Lei 8880/94:</p><p>Em fevereiro de 1994 foi editada a MP 434 que posteriormente foi convertida</p><p>na lei 8880 que previa em seu artigo 20 que os benefícios mantidos pelo INSS seriam</p><p>convertidos em URV em março de 1994 por meio da divisão de seu valor nominal nos</p><p>meses de novembro e dezembro de 1993 e janeiro e fevereiro de 1994 considerado o</p><p>valor em cruzeiros reais equivalente a URV do último dia do mês.</p><p>A revisão pretendida a aplicação do IRSM nesses meses o que veio a ser</p><p>afastada pelo STF ao julgar constitucional a expressão “nominal”. Nesse sentido a</p><p>súmula 1 da TNU.</p><p>5.15 – Reajustamento dos Benefícios pelos Índices Integrais do IGP-DI nos Meses de</p><p>Junho de 1997, 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003:</p><p>A pretensão era a aplicação do IGP-DI de 06/1997, 06/1999, 06/2000 e</p><p>06/2001 no reajustamento dos benefícios nesses períodos.</p><p>A jurisprudência vinha se fixando no sentido de ser devido o reajuste, inclusive</p><p>com a edição da súmula 3 da TNU, porém em 2003 o STF decidiu pela</p><p>inconstitucionalidade dos Decretos ou outros Diplomas Legislativos que editavam esses</p><p>reajustes.</p><p>Em relação aos anos de 2001, 2002 e 2003 também foi reconhecida a</p><p>inconstitucionalidade, porém os diplomas não foram afastados tendo em vista a</p><p>ausência de outro parâmetro de reajuste. Decidiu o STF que a declaração de</p><p>inconstitucionalidade nessas épocas implicaria na ausência de indicie oficial de reajuste</p><p>o que implicaria na necessidade de aplicar o índice existente da época.</p><p>Em resumo reconhecer a inconstitucionalidade implicaria no afastamento dos</p><p>índices e na adoção por analogia aos únicos índices previstos na época, ou seja, os</p><p>mesmos que foram aplicados e estariam sendo afastados por inconstitucionalidade.</p><p>Com a decisão a súmula 3 da TNU foi cancelada e editada a súmula 8.</p><p>5.16 – Revisão da Renda Mensal da Pensão Por Morte:</p><p>No regime anterior a lei 8213/91 a renda mensal inicia da pensão por morte era</p><p>de 50% acrescida de 10% para cada dependente até o total de 5.</p><p>Com a entrada em vigor da lei a renda passou a ser de quota única familiar</p><p>correspondendo a 80% do valor que o segurado recebia ou a que teria direito se</p><p>estivesse aposentado na data do óbito, acrescida de 10% para cada dependente até o</p><p>total de duas.</p><p>Em 1995 (lei 9032) e em 1997 (lei 9528) consolidou-se a regra dos 100%</p><p>mantida atualmente.</p><p>A revisão pretendia a incidência imediata das normas para fins de recompor os</p><p>benefícios concedidos antes de sua edição elevando a renda do percentual fixado para</p><p>100%.</p><p>O STJ firmou entendimento pela aplicação imediata da nova legislação incidindo</p><p>sobre as pensões em manutenção, mas sem efeitos retroativos. No mesmo sentido a</p><p>TNU editou a súmula 15.</p><p>Porém, em 2007 o STF julgou os Res 416.827 e 415.454 afastando a</p><p>possibilidade dessa revisão.</p><p>5.17 – Revisões Decorrentes da Lei 9032/95:</p><p>A lei 9032/95 também alterou os coeficientes de cálculo dos benefícios de</p><p>aposentadoria por invalidez, aposentadoria especial e auxílio-acidente.</p><p>Da mesma forma que a pensão tentou-se a aplicação imediata dessa alteração</p><p>nos benefícios em manutenção e da mesma forma a pretensão foi afastada pelo STF.</p><p>5.18 – Salário de Benefício de Aposentadoria por Invalidez Precedida de Auxílio-Doença</p><p>– art. 29, §5º, Lei 8213/91:</p><p>Tratava-se de revisão que pretendia o recalculo da concessão da aposentadoria</p><p>por invalidez com a inclusão dos salários de contribuição correspondentes as parcelas</p><p>pagas em auxílio-doença, bem como do tempo respectivo.</p><p>Em geral o que se pretendia era a não aplicação apenas do salário de beneficio</p><p>reajustado, mas sim a aplicação do critério de cálculo original com a inclusão dos</p><p>períodos.</p><p>Apesar de decisões favoráveis o STF fulminou a pretensão em 2012 por meio</p><p>do julgamento do RE 583.834.</p><p>social é</p><p>baseado no princípio da solidariedade [art. 3º, inciso I, da CB/1988], contribuindo os</p><p>ativos para financiar os benefícios pagos aos inativos” (RE 414.816 AgR/SC, 1ª Turma,</p><p>Rel. Min. Eros Grau, DJ 13.5.2005).</p><p>b) Princípio da vedação do retrocesso social: consiste na impossibilidade de</p><p>redução das implementações de direitos fundamentais já realizadas.</p><p>Tal princípio, ainda que não expresso de forma taxativa, encontra clara previsão</p><p>constitucional quando da leitura do § 2º do art. 5º da Constituição e mais, ainda, a</p><p>nosso ver, no art. 7º, caput, o qual enuncia os direitos dos trabalhadores urbanos e</p><p>rurais, “sem prejuízo de outros que visem à melhoria de sua condição social”.</p><p>Trata-se de princípio que já foi adotado pela jurisprudência, na ADI que</p><p>apreciou a inconstitucionalidade do art. 14 da EC n. 20/98, que limitava o valor do</p><p>salário-maternidade ao teto do RGPS.</p><p>Cabe destacar que apesar de já mencionado na jurisprudência do STF esse</p><p>princípio não é uma unanimidade entre doutrinadores e estudiosos do direito</p><p>previdenciário.</p><p>c) Princípio da proteção ao hipossuficiente: ainda que não aceito de modo</p><p>uniforme pela doutrina previdenciarista, vem sendo admitido com cada vez mais</p><p>frequência o postulado de que as normas dos sistemas de proteção social devem ser</p><p>fundadas na ideia de proteção ao menos favorecido.</p><p>Na relação jurídica existente entre o indivíduo trabalhador e o Estado, em que</p><p>este fornece àquele as prestações de caráter social, não há razão para gerar proteção</p><p>ao sujeito passivo – como, certas vezes, acontece em matéria de discussões jurídicas</p><p>sobre o direito dos beneficiários do sistema a determinado reajuste ou revisão de</p><p>renda mensal, por dubiedade de interpretação da norma.</p><p>Daí decorre, como no Direito do Trabalho, a regra de interpretação in dubio pro</p><p>misero, ou pro operario, pois este é o principal destinatário da norma previdenciária.</p><p>Observe-se que não se trata de defender que se adote entendimento</p><p>diametralmente oposto na aplicação das normas, por uma interpretação distorcida dos</p><p>enunciados dos textos normativos: o intérprete deve, dentre as várias formulações</p><p>possíveis para um mesmo enunciado normativo, buscar aquela que melhor atenda à</p><p>função social, protegendo, com isso, aquele que depende das políticas sociais para sua</p><p>subsistência.</p><p>A jurisprudência vem aplicando o princípio em comento nas situações em que</p><p>se depara com dúvida relevante acerca da necessidade de proteção social ao indivíduo.</p><p>d) Princípio da proteção da confiança: está relacionado com a ordem jurídica,</p><p>confiança nas condições jurídicas geradas por uma determinada situação legal.</p><p>É exigência de status constitucional da segurança jurídica, valor fundamental de</p><p>um Estado de Direito e que se encontra intimamente ligado com a dignidade da pessoa</p><p>humana.</p><p>Por esse motivo, as reformas da previdência que revogaram regras de transição</p><p>das emendas anteriores, tal como ocorreu com a EC n. 103/2019, passaram a ser</p><p>questionadas por violar o princípio da proteção da confiança – e da proporcionalidade</p><p>–, um dos elementos da segurança jurídica, essencial no Estado Democrático de</p><p>Direito, que possui dimensão tanto institucional como individual, afigurando-se direito</p><p>e garantia fundamental (art. 60, § 4º, IV, da Constituição).</p><p>Foge da razoabilidade a aprovação de uma “Nova Previdência” que entra em</p><p>vigor na data da publicação da Emenda Constitucional, ocasionando surpresa, quebra</p><p>de confiança, insegurança jurídica com a destruição dos planejamentos previdenciários</p><p>e das expectativas das pessoas que ao longo da vida contribuem com vistas a obter a</p><p>contraprestação previdenciária em prazo razoável.</p><p>Quando o legislador decide por transformar bruscamente o sistema</p><p>previdenciário, deve usar dos meios necessários a preservar a confiança que o</p><p>jurisdicionado possui no Estado e na estabilidade de seus sistemas e normas.</p><p>e) Da Contrapartida ou Preexistência de Custeio: o sistema tem</p><p>responsabilidades perante a sociedade e embora se proponha a atender a todos de</p><p>forma plena, se reconhece a limitação orçamentária.</p><p>Por essa razão há limitações no campo objetivo e subjetivo nas prestações sob</p><p>pena de bancarrota.</p><p>Art. 195, §5º, CF/88 – regra da contrapartida ou preexistência de custeio.</p><p>Tem origem na Emenda 11/1965. Tem como função a manutenção do equilíbrio</p><p>financeiro do sistema.</p><p>f) Da Obrigatoriedade de Filiação: a solidariedade social não é espontânea. A</p><p>ausência de obrigatoriedade levaria ao esvaziamento do sistema.</p><p>A obrigatoriedade é traço característico da relação jurídica com adesão</p><p>automática na forma prevista pela lei.</p><p>g) Do Primado do Trabalho: art. 193, CF/88, traz o primado do trabalho como meio</p><p>capaz de trazer bem-estar ao homem, sendo base da ordem social onde será erigido o</p><p>bem-estar e a justiça social.</p><p>5.4. Princípios Específicos (objetivos – art. 194, parágrafo único):</p><p>a) Universalidade de Cobertura e do Atendimento:</p><p>Por universalidade da cobertura entende-se que a proteção social deve alcançar</p><p>todos os eventos cuja reparação seja premente, a fim de manter a subsistência de</p><p>quem dela necessite.</p><p>A universalidade do atendimento significa, por seu turno, a entrega das ações,</p><p>prestações e serviços de seguridade social a todos os que necessitem, tanto em termos</p><p>de previdência social – obedecido o princípio contributivo – como no caso da saúde e</p><p>da assistência social.</p><p>Conjuga-se a este princípio aquele que estabelece a filiação compulsória e</p><p>automática de todo e qualquer indivíduo trabalhador no território nacional a um regime</p><p>de previdência social, mesmo que “contra a sua vontade”, e independentemente de ter</p><p>ou não vertido contribuições; a falta de recolhimento das contribuições não caracteriza</p><p>ausência de filiação, mas inadimplência tributária, é dizer, diante do ideal de</p><p>universalidade não merece prevalecer a interpretação de que, “ausente a contribuição,</p><p>não há vinculação com a Previdência”.</p><p>Como será visto adiante, a filiação decorre do exercício de atividade</p><p>remunerada, e não do pagamento da contribuição.</p><p>b) Uniformidade e Equivalência dos Benefícios e Serviços às populações</p><p>urbanas e rurais:</p><p>O mesmo princípio já contemplado no art. 7º da Carta trata de conferir</p><p>tratamento uniforme a trabalhadores urbanos e rurais, havendo assim idênticos</p><p>benefícios e serviços (uniformidade), para os mesmos eventos cobertos pelo sistema</p><p>(equivalência).</p><p>Tal princípio não significa, contudo, que haverá idêntico valor para os</p><p>benefícios, já que equivalência não significa igualdade.</p><p>Os critérios para concessão das prestações de seguridade social serão os</p><p>mesmos; porém, tratando-se de previdência social, o valor de um benefício pode ser</p><p>diferenciado – caso do salário-maternidade da trabalhadora rural enquadrada como</p><p>segurada especial.</p><p>c) Seletividade e Distributividade na Prestação dos Benefícios e Serviços:</p><p>O princípio da seletividade pressupõe que os benefícios são concedidos a quem</p><p>deles efetivamente necessite, razão pela qual a Seguridade Social deve apontar os</p><p>requisitos para a concessão de benefícios e serviços.</p><p>Vale dizer, para um trabalhador que não possua dependentes, o benefício</p><p>salário-família não será concedido; para aquele que se encontre incapaz</p><p>temporariamente para o trabalho, por motivo de doença, não será concedida a</p><p>aposentadoria por invalidez, mas o auxílio-doença.</p><p>Não há um único benefício ou serviço, mas vários, que serão concedidos e</p><p>mantidos de forma seletiva, conforme a necessidade da pessoa.</p><p>Por distributividade, entende-se o caráter do regime por repartição, típico do</p><p>sistema brasileiro, embora o princípio seja de seguridade, e não de previdência.</p><p>O princípio da distributividade, inserido na ordem social, é de ser interpretado</p><p>em seu sentido de distribuição de renda</p><p>e bem-estar social, ou seja, pela concessão de</p><p>benefícios e serviços visa-se ao bem-estar e à justiça social (art. 193 da Carta Magna).</p><p>Ao se conceder, por exemplo, o benefício de prestação continuada ao idoso ou</p><p>ao deficiente sem meios de subsistência, distribui-se renda; ao se prestar os serviços</p><p>básicos de saúde pública, distribui-se bem-estar social etc.</p><p>O segurado, ao contribuir, não tem certeza se perceberá em retorno a</p><p>totalidade do que contribuiu, porque os recursos vão todos para o caixa único do</p><p>sistema, ao contrário dos sistemas de capitalização, em que cada contribuinte teria</p><p>uma conta individualizada (como ocorre com o FGTS).</p><p>A solidariedade entre os membros da sociedade impõe a repartição dos custos</p><p>da manutenção do sistema de seguro social.</p><p>d) Irredutibilidade do Valor dos Benefícios:</p><p>Princípio equivalente ao da intangibilidade do salário dos empregados e dos</p><p>vencimentos dos servidores, significa que o benefício legalmente concedido – pela</p><p>Previdência Social ou pela Assistência Social – não pode ter seu valor nominal</p><p>reduzido, não podendo ser objeto de desconto – salvo os determinados por lei ou</p><p>ordem judicial –, nem de arresto, sequestro ou penhora.</p><p>Dentro da mesma ideia, o art. 201, § 2º, estabelece o reajustamento periódico</p><p>dos benefícios, para preservar-lhes, em caráter permanente, seu valor real.</p><p>e) Equidade na forma de participação no custeio:</p><p>Trata-se de norma principiológica em sua essência, visto que a participação</p><p>equitativa de trabalhadores, empregadores e Poder Público no custeio da seguridade</p><p>social é meta, objetivo, e não regra concreta.</p><p>Com a adoção deste princípio, busca-se garantir que aos hipossuficientes seja</p><p>garantida a proteção social, exigindo-se dos mesmos, quando possível, contribuição</p><p>equivalente a seu poder aquisitivo, enquanto a contribuição empresarial tende a ter</p><p>maior importância em termos de valores e percentuais na receita da seguridade social,</p><p>por ter a classe empregadora maior capacidade contributiva, adotando-se, em termos,</p><p>o princípio da progressividade, existente no Direito Tributário, no tocante ao Imposto</p><p>sobre Renda e Proventos de Qualquer Natureza (art. 153, § 2º, da CF).</p><p>Em razão disso, a empresa passou a contribuir sobre o seu faturamento mensal</p><p>e o lucro líquido, além de verter contribuição incidente sobre a folha de pagamentos.</p><p>Este objetivo, a nosso ver, é colocado em xeque pela EC n. 103/2019, quando</p><p>passa a vedar a contagem, para qualquer finalidade, de meses em que o segurado,</p><p>apesar de ter laborado e contribuído para o sistema, tenha feito em montante inferior</p><p>à alíquota incidente sobre o limite mínimo do salário de contribuição, exigindo deste</p><p>que complemente o valor, acarretando flagrante violação à sua capacidade</p><p>contributiva, como será aprofundado no tema relativo à contagem de tempo de</p><p>contribuição.</p><p>f) Diversidade da Base de Financiamento:</p><p>Estando a Seguridade Social brasileira no chamado ponto de hibridismo entre</p><p>sistema contributivo e não contributivo, o constituinte quis estabelecer a possibilidade</p><p>de que a receita da Seguridade Social possa ser arrecadada de várias fontes</p><p>pagadoras, não ficando adstrita a trabalhadores, empregadores e Poder Público.</p><p>Com a adoção desse princípio, está prejudicada a possibilidade de estabelecer-</p><p>se o sistema não contributivo, decorrente da cobrança de tributos não vinculados, visto</p><p>que o financiamento deve ser feito por meio de diversas fontes e não de fonte única.</p><p>Com o advento da EC n. 103/2019, foi dada nova redação a essa diretriz, qual</p><p>seja: “VI – diversidade da base de financiamento, identificando-se, em rubricas</p><p>contábeis específicas para cada área, as receitas e as despesas vinculadas a ações de</p><p>saúde, previdência e assistência social, preservado o caráter contributivo da</p><p>previdência social”.</p><p>Essa alteração, caso levada a efeito, pode dar maior transparência ao</p><p>orçamento da Seguridade Social para distinguir as receitas e despesas de cada área:</p><p>saúde, previdência e assistência social.</p><p>g) Caráter democrático e descentralizado da administração, mediante</p><p>gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos</p><p>empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados:</p><p>Significa que a gestão dos recursos, programas, planos, serviços e ações nas</p><p>três vertentes da Seguridade Social, em todas as esferas de poder, deve ser realizada</p><p>mediante discussão com a sociedade, e não exclusivamente de acordo com o que</p><p>estatui o Poder Executivo.</p><p>Para isso, foram criados órgãos colegiados de deliberação:</p><p>I. Conselho Nacional de Previdência Social – CNPS, criado pelo art. 3º da Lei</p><p>n. 8.213/1991, que discute a gestão da Previdência Social;</p><p>II. Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, criado pelo art. 17 da Lei</p><p>n. 8.742/1993, que delibera sobre a política e ações nesta área;</p><p>III. Conselho Nacional de Saúde – CNS, criado pela Lei n. 8.080/1990, que</p><p>discute a política de saúde. Todos estes conselhos têm composição paritária</p><p>e são integrados por representantes do Governo, dos trabalhadores, dos</p><p>empregadores e dos aposentados.</p><p>O Conselho Nacional de Previdência Social possui como composição:</p><p>I. 6 representantes do Governo Federal.</p><p>II. 9 representantes da sociedade civil, sendo:</p><p>III. 3 representantes dos aposentados e pensionistas.</p><p>IV. 3 representantes dos trabalhadores em atividade.</p><p>V. 3 representantes dos empregadores.</p><p>A nomeação é feita pelo Presidente da República. Os representantes da</p><p>sociedade civil têm mandato de 2 anos, podendo ser reconduzido. Os representa dos</p><p>trabalhadores são indicados por Confederações ou Centrais Sindicais.</p><p>Direito Previdenciário.</p><p>1 – Conceito:</p><p>Técnica protetiva que, mediante contribuição prévia, visa amparar seus</p><p>beneficiários (segurados e dependentes) diante de contingências sociais a que estão</p><p>sujeitos, tais como, entre outras: doença, invalidez, morte e idade avançada (Kerlly</p><p>Bragança).</p><p>A previdência social consiste basicamente em um sistema de seguro social</p><p>complementado por programas assistenciais. De maneira mais objetiva pode ser</p><p>definida como conjunto de medidas destinadas a amparar as classes assalariadas e</p><p>outros grupos em emergências decorrentes da cessação do salário ou de necessidades</p><p>especiais (Celso Barroso Leite).</p><p>A CF/88 não define previdência social, mas apenas informa seus contornos e</p><p>ressalta sua importância.</p><p>Terminologia: advém etimologicamente da palavra previdência, ou previdente,</p><p>como sendo aquele que olha ao longe e se antecipa a contingências.</p><p>Inicialmente foi denominada de seguros sociais na CF/37, passando a ter o</p><p>nome de previdência social na CF/46.</p><p>2 – Princípios do Direito Previdenciário:</p><p>a) Solidariedade – já visto.</p><p>b) Vedação do Retrocesso Social – já visto.</p><p>c) Proteção do Hipossuficiente – já visto.</p><p>3 – Princípios do Custeio Previdenciário:</p><p>a) Orçamento Diferenciado:</p><p>A Constituição estabelece que a receita da Seguridade Social constará de</p><p>orçamento próprio, distinto daquele previsto para a União (art. 165, § 5º, III; art. 195,</p><p>§§ 1º e 2º).</p><p>O legislador constituinte originário pretendeu, com tal medida, evitar que</p><p>houvesse sangria de recursos da Seguridade para despesas públicas que não as</p><p>pertencentes às suas áreas de atuação.</p><p>No regime constitucional anterior, não havia tal distinção, o que tem</p><p>acarretado, até hoje, déficits em face da ausência de um “fundo de reserva”, dizimado</p><p>que foi por regimes anteriores.</p><p>b) Precedência da Fonte de Custeio:</p><p>É o princípio segundo o qual não pode ser criado benefício ou serviço, nem</p><p>majorado ou estendido a categorias de segurados, sem que haja a correspondente</p><p>fonte de custeio total (§ 5º do art. 195).</p><p>Trata-se de princípio, pois nenhuma norma legal poderá violar tal preceito, sob</p><p>pena de inconstitucionalidade.</p><p>Veja-se, a propósito, o ocorrido quando da edição da Lei</p><p>n. 9.876/1999, que estendeu o benefício do salário-maternidade às trabalhadoras</p><p>autônomas, majorando, contudo, a contribuição das empresas calculada sobre os</p><p>pagamentos feitos a contribuintes individuais.</p><p>Em verdade, tal princípio tem íntima ligação com o princípio do equilíbrio</p><p>financeiro e atuarial, de modo que somente possa ocorrer aumento de despesa para o</p><p>fundo previdenciário quando exista também, em proporção adequada, receita que</p><p>venha a cobrir os gastos decorrentes da alteração legislativa, a fim de evitar o colapso</p><p>das contas do regime. Tal determinação constitucional nada mais exige do legislador</p><p>senão a conceituação lógica de que não se pode gastar mais do que se arrecada.</p><p>A observância deste princípio é de fundamental importância para que a</p><p>Previdência Social pública se mantenha em condições de conceder as prestações</p><p>previstas, sob pena de, em curto espaço de tempo, estarem os segurados</p><p>definitivamente sujeitos à privatização de tal atividade, em face da incapacidade do</p><p>Poder Público em gerar mais receita para cobertura de déficits.</p><p>c) Compulsoriedade da Contribuição:</p><p>Por serem as atividades que caracterizam a política de segurança social</p><p>exercidas em caráter exclusivo pelo Estado – permitida a atuação da iniciativa privada</p><p>apenas em caráter complementar –, e por ser necessário que a sociedade participe do</p><p>financiamento da Seguridade Social, a Constituição Federal prevê a possibilidade de</p><p>que o Poder Público, por meio de suas entidades estatais, institua contribuições sociais</p><p>(art. 149). É dizer, na ordem jurídica interna vigente, ter-se o regime de solidariedade</p><p>social garantido pela cobrança compulsória de contribuições sociais, exigidas de</p><p>indivíduos segurados e também de não segurados do regime previdenciário, bem como</p><p>de pessoas jurídicas.</p><p>Assim é que ninguém pode escusar-se de recolher contribuição social, caso a lei</p><p>estabeleça como fato gerador alguma situação em que incorra. Em decorrência do</p><p>caráter social do sistema, exige-se que todos os integrantes da sociedade que</p><p>obtenham rendimentos do trabalho (e as empresas, em razão do proveito financeiro)</p><p>contribuam para o custeio de tal sistema. Por tal razão, mesmo a pessoa já</p><p>aposentada, mas que volta a exercer atividade remunerada, possui obrigação de</p><p>contribuir sobre seus rendimentos do trabalho, de modo a continuar colaborando com</p><p>o financiamento das prestações da Seguridade Social.</p><p>Com base nesse princípio, decidiu o STF que é devida contribuição dos</p><p>segurados aposentados que voltam a exercer atividade remunerada. Segue a tese</p><p>fixada na Repercussão Geral – Tema 1.065: “É constitucional a contribuição</p><p>previdenciária devida por aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS)</p><p>que permaneça em atividade ou a essa retorne”.</p><p>Tal obrigatoriedade, por sua vez, deveria acarretar consequências jurídicas no</p><p>que tange aos contribuintes na condição de segurados, especialmente o cômputo do</p><p>respectivo tempo de contribuição.</p><p>Entretanto, o STF afastou a possibilidade da desaposentação ou de</p><p>reaposentação por implemento de novos requisitos enquanto não for editada norma</p><p>legal disciplinando o tema (Leading Case: RE 661.256, Plenário, em 26.10.2016). Eis a</p><p>tese fixada pelo STF – Tema 503: “No âmbito do Regime Geral de Previdência Social</p><p>(RGPS), somente lei pode criar benefícios e vantagens previdenciárias, não havendo,</p><p>por ora, previsão legal do direito à ‘desaposentação’, sendo constitucional a regra do</p><p>artigo 18, parágrafo 2º, da Lei n. 8.213/1991”.</p><p>Diante desta compulsoriedade, o indivíduo que tenha exercido atividade que o</p><p>enquadrava como segurado obrigatório é sempre considerado devedor das</p><p>contribuições que deveria ter feito, salvo na ocorrência de decadência, transferindo-se</p><p>tal responsabilidade à fonte pagadora quando a lei assim estabeleça.</p><p>d) Da anterioridade tributária em matéria de contribuições sociais:</p><p>As contribuições sociais, quando criadas ou majoradas, só podem ser exigidas</p><p>após um prazo de vacatio legis, a exemplo do que acontece com os tributos em geral.</p><p>Todavia, conforme o regime previdenciário, este prazo é diferenciado.</p><p>No caso das contribuições de que trata o art. 194 da Constituição, que vertem</p><p>para o RGPS e custeiam também as políticas de Saúde e Assistência Social, o prazo a</p><p>ser obedecido é de noventa dias após a vigência da lei que as instituiu ou majorou.</p><p>Já na hipótese de contribuições devidas em função de custeio dos regimes</p><p>próprios de previdência a que alude o art. 40 da Constituição, o prazo é diferenciado.</p><p>O princípio não se aplica, contudo, a leis que venham a reduzir o valor das</p><p>contribuições, ou isentar do recolhimento. Estas terão vigência a partir da data prevista</p><p>no próprio diploma, ou no prazo do art. 1º da LINDB, em caso de ausência de data</p><p>prevista para a vigência (quarenta e cinco dias a partir da publicação).</p><p>Também não se aplica este princípio à legislação que cria novos benefícios ou</p><p>serviços em qualquer das áreas de atuação da Seguridade Social.</p><p>4 – Princípios Específicos da Previdência Social:</p><p>a) Da filiação obrigatória – já visto.</p><p>b) Caráter Contributivo – já visto.</p><p>c) Equilíbrio Financeiro e Atuarial:</p><p>Princípio expresso somente a partir da Emenda Constitucional n. 20/1998 (art.</p><p>40, caput e art. 201, caput), significa que o Poder Público deverá, na execução da</p><p>política previdenciária, atentar sempre para a relação entre custeio e pagamento de</p><p>benefícios, a fim de manter o sistema em condições superavitárias, e observar as</p><p>oscilações da média etária da população, bem como sua expectativa de vida, para a</p><p>adequação dos benefícios a estas variáveis.</p><p>No que diz respeito à Previdência Social, os impactos da dinâmica demográfica</p><p>refletem-se tanto nas despesas quanto do lado das receitas. Em um sistema de</p><p>repartição simples como o brasileiro, o elemento fundamental para manter seu</p><p>equilíbrio, considerando-se somente as variáveis demográficas, é a estrutura etária da</p><p>população em cada momento, pois é ela que define a relação entre beneficiários</p><p>(população idosa) e contribuintes (população em idade ativa)</p><p>d) Garantia do Benefício Mínimo:</p><p>O § 2º do art. 201 da Constituição estabelece como princípio de Previdência</p><p>Social a garantia de renda mensal não inferior ao valor do salário mínimo, no que</p><p>tange aos benefícios substitutivos do salário de contribuição ou do rendimento do</p><p>trabalho.</p><p>Até o advento da EC nº 103/2019, havia a garantia de pelo menos um salário</p><p>mínimo de renda mensal para as aposentadorias, o auxílio-doença, o salário-</p><p>maternidade e também em relação à pensão por morte e ao auxílio-reclusão.</p><p>Essa realidade foi alterada em relação aos dois últimos benefícios. Para os</p><p>óbitos posteriores à entrada em vigor da EC nº 103/2019, a pensão por morte</p><p>respeitará o valor de um salário mínimo quando se tratar da única fonte de renda</p><p>formal auferida pelo dependente, e o auxílio-reclusão poderá ter valor inferior ao</p><p>salário mínimo. Tema que deverá provocar a judicialização para que seja preservada a</p><p>renda mínima dessas prestações.</p><p>Os benefícios que não são substitutivos da renda do segurado (salário-família,</p><p>auxílio-acidente) podem ser pagos em valor inferior ao salário mínimo, o mesmo</p><p>ocorrendo com as cotas individuais de pensão ou auxílio-reclusão (cujo total, todavia,</p><p>não pode ser inferior a esse patamar).</p><p>Deve-se recordar que, antes da Constituição de 1988, os segurados especiais</p><p>recebiam como valor mínimo a metade do salário mínimo devido aos trabalhadores</p><p>urbanos.</p><p>Mas essa anomalia foi corrigida e a decisão do STF foi pela autoaplicabilidade</p><p>da norma: “Previdenciário. Revisão de benefício. Autoaplicabilidade do art. 201, § 2º</p><p>(ant. § 5º), da Constituição da República” (RE 597.022 AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia,</p><p>1ª Turma, DJe 20.11.2009).</p><p>Castro e Lazzari sustentam que eventual desvinculação do benefício substitutivo</p><p>do rendimento do trabalho do salário mínimo é retrocesso inaceitável. O beneficiário da</p><p>Previdência também tem direito a uma existência digna, tal como preconiza o art. 1º,</p><p>III, da Carta Magna. Ora, se o trabalhador tem necessidades básicas, que devem ser</p><p>cobertas pelo valor do salário mínimo, o beneficiário da Previdência também as tem, e</p><p>não em menor escala, senão pelo contrário. Não se vislumbra em que finalidade social</p><p>se sustentou tal tese, uma vez que a desvinculação somente aumentava o “abismo</p><p>social” existente entre segurados de baixa renda e as classes mais abastadas.</p><p>e) Correção Monetária dos Salários de Contribuição:</p><p>Determinam o art. 40, § 17, e o art. 201, § 3º, da Constituição Federal, que os</p><p>salários de contribuição considerados no cálculo dos benefícios sejam corrigidos</p><p>monetariamente.</p><p>Princípio salutar, exige ele que o legislador ordinário, ao fixar o cálculo de</p><p>qualquer benefício previdenciário em que se leve em conta a média de salários de</p><p>contribuição, adote fórmula que corrija nominalmente o valor da base de cálculo da</p><p>contribuição vertida, a fim de evitar distorções no valor do benefício pago. Antes de tal</p><p>princípio, nem todos os salários de contribuição adotados no cálculo eram corrigidos, o</p><p>que causava um achatamento no valor pago aos beneficiários.</p><p>A norma constitucional, contudo, não indica qual o índice que deva ser adotado</p><p>na correção, deixando a critério do legislador a escolha do indexador a ser utilizado</p><p>como fator de atualização monetária para a preservação do valor real dos benefícios.</p><p>f) Preservação do Valor Real dos Benefícios – art. 201, §4º, CF. Já visto.</p><p>g) Facultatividade da Previdência Complementar:</p><p>Apesar de o regime previdenciário estatal ser compulsório e universal, admite-</p><p>se a participação da iniciativa privada na atividade securitária, em complemento ao</p><p>regime oficial, e em caráter de facultatividade para os segurados (CF, art. 40, §§ 14 a</p><p>16, no âmbito dos regimes próprios de agentes públicos; art. 202, no âmbito do</p><p>RGPS).</p><p>Segundo o STF: “A faculdade que tem os interessados de aderirem a plano de</p><p>previdência privada decorre de norma inserida no próprio texto constitucional [art. 202</p><p>da CB/1988]. Da não obrigatoriedade de adesão ao sistema de previdência privada</p><p>decorre a possibilidade de os filiados desvincularem-se dos regimes de previdência</p><p>complementar a que aderirem, especialmente porque a liberdade de associação</p><p>comporta, em sua dimensão negativa, o direito de desfiliação, conforme já reconhecido</p><p>pelo Supremo em outros julgados”. Precedentes: RE 482.207 AgR, Rel. Min. Eros Grau,</p><p>2ª Turma, DJe 29.5.2009; RE 772.765 AgR, Rel. Min. Rosa Weber, 1ª Turma, DJe</p><p>5.9.2014; RE 539.074 AgR, Rel. Min. Teori Zavascki, 2ª Turma, DJe 6.9.2016.</p><p>A organização da previdência privada (que, em verdade, é apenas um seguro</p><p>privado, de cunho individual ou coletivo) é feita de forma autônoma, desvinculada do</p><p>regime previdenciário oficial, e, segundo o texto constitucional, deverá ser regulada</p><p>por lei complementar. Compete ao Estado, pois, a função de fiscalizar a atividade das</p><p>instituições de previdência privada, abertas e fechadas, no exercício do poder de</p><p>polícia.</p><p>Segundo o § 2º do art. 202 da Carta, as contribuições vertidas para planos de</p><p>previdência privada pelo empregador, os benefícios e condições contratuais previstas</p><p>em normas disciplinadoras das entidades de previdência privada não integram o</p><p>contrato de trabalho, nem integram a remuneração dos participantes, à exceção dos</p><p>benefícios concedidos.</p><p>É que se trata de duas relações jurídicas distintas: numa, o empregado possui</p><p>direitos e obrigações para com seu empregador; na outra, agora na condição de</p><p>participante de plano de previdência privada, de entidade aberta ou fechada, terá</p><p>direitos e obrigações para com esta entidade, e não mais para com o seu empregador.</p><p>h) Indisponibilidade dos Direitos dos Beneficiários:</p><p>Em se tratando do valor do benefício devido ao segurado ou a seu dependente</p><p>de direito de natureza alimentar, inadmissível se torna que o beneficiário, pelo decurso</p><p>do prazo, perca o direito ao benefício. Tem-se, assim, preservado o direito adquirido</p><p>daquele que, tendo implementado as condições previstas em lei para a obtenção do</p><p>benefício, ainda não o tenha exercido (art. 102, § 1º, da Lei n. 8.213/1991).</p><p>A lei somente estabelece a decadência quanto a pedidos de revisão de cálculo</p><p>de benefício (art. 103 da Lei n. 8.213/1991), mas não há perda do direito ao benefício</p><p>em si. Nesse sentido:</p><p>Tema de Repercussão Geral n. 313:</p><p>I – Inexiste prazo decadencial para a concessão inicial do benefício</p><p>previdenciário;</p><p>II – Aplica-se o prazo decadencial de dez anos para a revisão de benefícios</p><p>concedidos, inclusive os anteriores ao advento da Medida Provisória</p><p>1.523/1997, hipótese em que a contagem do prazo deve iniciar-se em 1º de</p><p>agosto de 1997 (RE 626.489, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 16.10.2013, DJe</p><p>23.9.2014).</p><p>O núcleo essencial do direito fundamental à previdência social é imprescritível,</p><p>irrenunciável e indisponível, motivo pelo qual não deve ser afetada pelos efeitos do</p><p>tempo e da inércia de seu titular a pretensão relativa ao direito ao recebimento de</p><p>benefício previdenciário (ADI 6.096/DF, Plenário, Rel. Min. Edson Fachin, DJe</p><p>25.11.2020).</p><p>Da mesma forma, é nula de pleno direito a venda ou cessão dos direitos do</p><p>beneficiário ou a constituição de qualquer ônus sobre o benefício (art. 114 da Lei n.</p><p>8.213/1991), à exceção de valores devidos a título de contribuição pelo segurado (por</p><p>exemplo, na concessão do salário-maternidade), devolução de valor de benefício</p><p>concedido indevidamente pela Previdência, tributação sobre a renda, cumprimento de</p><p>ordem judicial decorrente da obrigação de prestar alimentos e, quando autorizados</p><p>pelo beneficiário, pagamento de empréstimos, financiamentos, cartões de crédito e</p><p>operações de arrendamento mercantil concedidos por instituições financeiras e</p><p>sociedades de arrendamento mercantil, ou por entidades fechadas ou abertas de</p><p>previdência complementar, públicas e privadas, quando expressamente autorizado pelo</p><p>beneficiário, até o limite de 35% (trinta e cinco por cento) do valor do benefício, sendo</p><p>5% (cinco por cento) destinados exclusivamente para:</p><p>a) amortização de despesas contraídas por meio de cartão de crédito; ou</p><p>b) utilização com a finalidade de saque por meio do cartão de crédito.</p><p>Entretanto, segundo orientação do STF, “O julgamento pela ilegalidade do</p><p>pagamento do benefício previdenciário não importa na obrigatoriedade da devolução</p><p>das importâncias recebidas de boa-fé” (AI 746.442 AgR, Min. Cármen Lúcia, 1ª T, DJe</p><p>23.10.2009).</p><p>No entanto, o STJ não tinha adotado esse entendimento, conforme tese fixada</p><p>no julgamento do Repetitivo Tema 692: “A reforma da decisão que antecipa a tutela</p><p>obriga o autor da ação a devolver os benefícios previdenciários indevidamente</p><p>recebidos” (REsp 140.1560/ MT, 1ª Seção, DJe 13.10.2015).</p><p>Contudo, na sequência acolheu questão de ordem para revisão desse</p><p>entendimento e determinou a suspensão do processamento de todos os processos</p><p>ainda sem trânsito em julgado, individuais ou coletivos, que versem acerca da questão</p><p>submetida à revisão pertinente ao Tema 692/STJ (acórdão publicado no DJe de</p><p>03.12.2018, questão de ordem nos REsps 1.734.627/SP, 1.734.641/SP, 1.734.647/SP,</p><p>1.734.656/ SP, 1.734.685/SP e 1.734.698/SP).</p><p>Ainda, segundo orientação jurisprudencial, o INSS pode ser responsabilizado</p><p>por descontos indevidos de empréstimos consignados. Isso porque, ao confiar nos</p><p>dados unilateralmente repassados à DATAPREV pela instituição financeira, o INSS</p><p>assume o risco de efetuar descontos indevidos na renda mensal de benefícios</p><p>previdenciários (v.g.: TNU, PEDILEF 0520127-08.2007.4.05.8300,</p><p>Relatora Juíza</p><p>Federal Marisa Cucio, j. em 6.8.2014).</p><p>5 – Regimes Previdenciários:</p><p>Regime é o conjunto de princípios, regras e instituições que disciplinam direitos</p><p>e deveres dos participantes de um certo plano de previdência.</p><p>No Brasil há dois grandes regimes distintos com suas subdivisões:</p><p>a) Regime Público:</p><p>a.1) Regime Geral (RGPS):</p><p>Principal regime previdenciário na ordem interna, o RGPS abrange</p><p>obrigatoriamente todos os trabalhadores da iniciativa privada, ou seja: os</p><p>trabalhadores que possuem relação de emprego; os trabalhadores autônomos,</p><p>eventuais ou não; os empresários individuais e microempreendedores individuais ou</p><p>sócios de empresas e prestadores de serviços remunerados por “pro labore”;</p><p>trabalhadores avulsos; pequenos produtores rurais e pescadores artesanais</p><p>trabalhando em regime de economia familiar; e outras categorias de trabalhadores,</p><p>como agentes públicos que ocupam exclusivamente cargos em comissão, garimpeiros,</p><p>empregados de organismos internacionais, ministros de confissão religiosa etc.</p><p>É regido pela Lei n. 8.213/1991, intitulada “Plano de Benefícios da Previdência</p><p>Social”, sendo de filiação compulsória e automática para os segurados obrigatórios,</p><p>permitindo, ainda, que pessoas que não estejam enquadradas como obrigatórios e não</p><p>tenham regime próprio de previdência se inscrevam como segurados facultativos,</p><p>passando também a serem filiados ao RGPS. É o único regime previdenciário</p><p>compulsório brasileiro que permite a adesão de segurados facultativos, em obediência</p><p>ao princípio da universalidade do atendimento – art. 194, I, da Constituição.</p><p>a.2) Regimes Próprios (RPPS):</p><p>A Constituição Federal de 1988, quando promulgada, concedia o mesmo</p><p>tratamento diferenciado aos agentes públicos ocupantes de cargos efetivos da União,</p><p>dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como os das autarquias e</p><p>fundações públicas.</p><p>Foi a Emenda Constitucional n. 20, de 15.12.1998, que inovou na matéria ao</p><p>prever a instituição de um regime previdenciário próprio, o qual também se aplica aos</p><p>agentes públicos ocupantes de cargos vitalícios (magistrados, membros do Ministério</p><p>Público e de Tribunais de Contas) – art. 40, caput, com a redação conferida pela EC n.</p><p>41, de 2003.</p><p>A Constituição Federal estabelece que para os agentes públicos ocupantes de</p><p>cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como</p><p>os das autarquias e fundações públicas, deve haver Regimes Previdenciários próprios,</p><p>os quais também se aplicam aos agentes públicos ocupantes de cargos vitalícios</p><p>(magistrados, membros do Ministério Público e de Tribunais de Contas) – art. 40,</p><p>caput, com a redação conferida pela EC n. 41, de 2003.</p><p>Tais agentes públicos não se inserem no Regime Geral de Previdência Social, o</p><p>que significa dizer que lhes é assegurado estatuto próprio a dispor sobre seus direitos</p><p>previdenciários e a participação destes no custeio do regime diferenciado.</p><p>Em função da autonomia político-administrativa de cada um dos Entes da</p><p>Federação, incumbe especificamente à União estabelecer, normatizar e fazer cumprir a</p><p>regra constitucional do artigo 40 em relação aos seus servidores públicos; a cada</p><p>Estado-membro da Federação e ao Distrito Federal, em relação a seus servidores</p><p>públicos estaduais ou distritais; e a cada Município, em relação aos seus servidores</p><p>públicos municipais, o que acarreta a existência milhares de Regimes de Previdência</p><p>Social na ordem jurídica vigente.</p><p>Essa situação gera controvérsias quanto à competência legislativa.</p><p>A respeito dessa discussão, pende de julgamento o mérito da Repercussão</p><p>Geral – Tema 968:</p><p>Competência legislativa da União para dispor sobre normas gerais em matéria</p><p>previdenciária no que diz respeito ao descumprimento da Lei 9.717/1998 e do</p><p>Decreto 3.778/2001 pelos demais entes federados.</p><p>Descrição: “Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos arts. 2º e 24,</p><p>inc. XII e § 1º, da Constituição da República, a constitucionalidade dos arts. 7º</p><p>e 9º da Lei 9.717/1998 e do Decreto 3.788/2001, no aspecto em que</p><p>estabelecem medidas sancionatórias ao ente federado que não cumpra as</p><p>regras gerais para a organização e o funcionamento dos regimes próprios de</p><p>previdência social dos servidores públicos. (STF, RE 1.007.271, Plenário Virtual,</p><p>Rel. Min. Edson Fachin, em 13.10.2017).</p><p>Importante esclarecer que na hipótese de o servidor público ocupante de cargo</p><p>efetivo exercer atividade paralelamente na iniciativa privada, sujeita-se à filiação em</p><p>dois Regimes de Previdência Social, pois há filiação obrigatória em relação a cada uma</p><p>das atividades desempenhadas, por força dos regimes jurídicos vigentes.</p><p>A mesma condição de duplamente filiado acontecerá se um indivíduo acumular,</p><p>licitamente, dois cargos públicos de provimento efetivo, no quadro funcional de Entes</p><p>da Federação distintos.</p><p>b) Regime Privado:</p><p>Como já salientado, a Previdência Social no Brasil é composta por regimes</p><p>públicos, quais sejam, o Regime Geral de Previdência Social e os Regimes Próprios de</p><p>Servidores Públicos, todos em sistema de repartição, compulsórios, geridos pelo Poder</p><p>Público, que cobrem a perda da capacidade de gerar meios para a subsistência até um</p><p>valor-teto; e outro, complementar, privado e facultativo, gerido por entidades de</p><p>previdência fiscalizadas pelo Poder Público.</p><p>Assim, a exploração da previdência pela iniciativa privada é tolerada pela ordem</p><p>jurídica, porém apenas em caráter supletivo, ao contrário do que ocorre, por exemplo,</p><p>no Chile, onde o regime previdenciário adotou a privatização da proteção</p><p>previdenciária como fórmula básica.</p><p>A Constituição Federal de 1988 previa, desde sua redação original, a existência</p><p>de um regime complementar de previdência, gerido pela própria Previdência Social,</p><p>sem, no entanto, trazer maiores disciplinamentos à matéria, que foi remetida para lei</p><p>específica, jamais editada (§ 7º do art. 201 da Constituição – art. 28, § 6º, da Lei n.</p><p>8.212/1991).</p><p>Existe, contudo, desde antes da Carta Magna vigente, o regime complementar</p><p>privado, que tem por prestadoras de benefícios previdenciários as entidades de</p><p>previdência complementar. O diploma regente das entidades de previdência privada</p><p>complementar era a Lei n. 6.435/1977, regulamentada por dois Decretos: o n.</p><p>81.240/1978, que tratava das entidades fechadas de previdência privada, e o n.</p><p>81.402/1978, que tratava das entidades abertas de mesmo gênero. Tais textos foram</p><p>recepcionados pela ordem constitucional vigente.</p><p>Até o advento da Emenda Constitucional n. 20, a matéria relativa à previdência</p><p>complementar na Constituição se limitava a estabelecer, como ônus da Previdência</p><p>Social, a criação de um “seguro coletivo, de caráter complementar e facultativo,</p><p>custeado por contribuições adicionais” (art. 201, § 7º, do texto original).</p><p>Com a Emenda, a matéria passou a ser disciplinada nos arts. 40 e 202,</p><p>determinando, ao contrário do texto anterior, a autonomia do regime previdenciário</p><p>complementar em face dos regimes públicos de previdência, o que, de fato, já ocorria</p><p>com os segurados do Regime Geral de Previdência Social, que participam</p><p>compulsoriamente desse regime, em sistema contributivo de repartição e,</p><p>facultativamente, de planos de previdência complementar, mediante sistema de</p><p>capitalização.</p><p>Com a Emenda n. 20, o art. 40, nos §§ 14 a 16, passou a prever a possibilidade</p><p>de fundos de previdência complementar também para os agentes públicos ocupantes</p><p>de cargos efetivos e vitalícios.</p><p>Após a promulgação da Emenda n. 20, houve a publicação das Leis</p><p>Complementares ns. 108 e 109, ambas datadas de 29.5.2001, para atender ao</p><p>disposto no art. 202 da Lei Maior, revogando, assim, a Lei n. 6.435/1977.</p><p>A primeira dispõe sobre a relação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e</p><p>os Municípios, suas autarquias, fundações, sociedades de economia mista e outras</p><p>entidades públicas</p><p>e suas respectivas entidades fechadas de previdência</p><p>complementar.</p><p>A segunda dispõe sobre a Lei Básica da Previdência Complementar.</p><p>A Lei Complementar n. 109/2001 inicia preconizando os mesmos princípios</p><p>estabelecidos no art. 202 da Constituição da República, quais sejam, o caráter</p><p>meramente complementar do regime privado e a autonomia deste em relação à</p><p>Previdência Social, assim como a facultatividade no ingresso e a necessidade de</p><p>constituição de reservas que garantam a concessão dos benefícios (art. 1º).</p><p>Entende-se por entidades de previdência privada “as que têm por objetivo</p><p>principal instituir e executar planos privados de benefícios de caráter previdenciário”</p><p>(art. 2º). Para a constituição e início de funcionamento de uma entidade previdenciária</p><p>privada, a Lei prevê a necessidade de autorização governamental prévia (art. 33, inciso</p><p>I, e art. 38, inciso I).</p><p>O controle governamental é exercido pela Superintendência Nacional de</p><p>Previdência Complementar – PREVIC, autarquia de natureza especial criada pela Lei n.</p><p>12.154, de 23.12.2009, vinculada atualmente ao Ministério da Fazenda, com atribuição</p><p>de fiscalizar e supervisionar as atividades das entidades fechadas de previdência</p><p>complementar e de execução das políticas para o regime de previdência complementar</p><p>operado pelas entidades fechadas de previdência complementar, observadas as</p><p>disposições constitucionais e legais aplicáveis.</p><p>b.1) Aberto:</p><p>São instituições financeiras que exploram economicamente o ramo de</p><p>infortúnios do trabalho, cujo objetivo é a instituição e operação de planos de benefícios</p><p>de caráter previdenciário em forma de renda continuada ou pagamento único,</p><p>constituídas unicamente sob a forma de sociedades anônimas, podendo as</p><p>seguradoras que atuem exclusivamente no ramo de seguro de vida virem a ser</p><p>autorizadas a operar também planos de previdência complementar (Lei Complementar</p><p>n. 109, art. 36 e seu parágrafo único).</p><p>Neste regime complementar, utiliza-se para a pessoa do segurado, associado</p><p>ou beneficiário o termo “participante” ou “assistido”.</p><p>Para que um indivíduo se torne participante de um plano previdenciário de</p><p>entidade fechada de previdência privada há necessidade de que preencha os requisitos</p><p>exigidos pela entidade, geralmente, a vinculação a um empregador (empresa); já para</p><p>ingressar num plano de entidade aberta, basta a adesão voluntária a ele, não havendo</p><p>necessidade de vinculação a um empregador (art. 8º, inciso I, da Lei Complementar n.</p><p>109).</p><p>Assistido é o participante ou seu beneficiário que estejam fruindo benefício de</p><p>prestação continuada referente aos planos de previdência complementar (art. 8º, II,</p><p>da Lei Complementar n. 109).</p><p>b.2) Fechado:</p><p>Entidade fechada de previdência privada é aquela constituída sob a forma de</p><p>fundação ou sociedade civil, sem fins lucrativos, e que é acessível exclusivamente a</p><p>empregados de uma empresa ou grupo de empresas, aos servidores dos entes</p><p>públicos da Administração, quando o tomador dos serviços será denominado</p><p>patrocinador da entidade fechada, e aos associados ou membros de pessoas jurídicas</p><p>de caráter profissional, classista ou setorial, quando estas serão denominadas</p><p>“instituidores” da entidade (art. 31 da Lei).</p><p>Não pode o próprio empregador explorar a atividade de previdência</p><p>complementar; para estabelecer o plano previdenciário privado, deverá constituir</p><p>entidade própria para este fim. Não se confunde, portanto, a personalidade jurídica da</p><p>empresa patrocinadora ou instituidora (empregador) com a da entidade previdenciária</p><p>complementar.</p><p>c) Regime dos Militares das Forças Armadas:</p><p>Os militares não são considerados, pelo texto constitucional, servidores</p><p>públicos, em face das alterações propostas pelo Poder Executivo e promulgadas pela</p><p>Emenda Constitucional n. 18, de 5.2.1998, criando tratamento diferenciado para os</p><p>membros das Forças Armadas em vários aspectos, fundamentalmente acabando com o</p><p>tratamento isonômico exigido pelo texto original da Constituição entre servidores civis</p><p>e militares.</p><p>Além da diferenciação no que tange ao modo de reajuste da remuneração,</p><p>permitindo-se que os oficiais e graduados das Forças Armadas tenham índices de</p><p>majoração e épocas diversas em relação aos servidores públicos “civis”, também no</p><p>que concerne à concessão de benefícios de inatividade são os militares privilegiados</p><p>pela ordem jurídica, tendo passado incólumes pelas reformas constitucionais.</p><p>Assim, a Constituição, em seu atual art. 142, X, remete à lei ordinária o</p><p>tratamento de várias matérias de interesse dos militares, entre as quais as “condições</p><p>de transferência do militar para a inatividade”, apenas exigido que sejam respeitados</p><p>os §§ 7º e 8º do art. 40.</p><p>Importante consignar que a EC n. 41/2003 poupou os militares quando</p><p>extinguiu a regra da paridade do reajuste de aposentadorias e pensões aos demais</p><p>servidores públicos civis, e também os preservou das modificações operadas no cálculo</p><p>da pensão por morte, tendo em vista que a EC n. 41/2003 revogou o inciso IX do § 3º</p><p>do art. 142 da CF, com a redação dada pela EC n. 20/1998.</p><p>A Lei n. 6.880, de 9.12.1980, que dispõe sobre o Estatuto dos Militares –</p><p>considerados assim os membros das Forças Armadas –, norma recepcionada pela</p><p>ordem constitucional vigente, prevê a transferência para a reserva remunerada, nos</p><p>arts. 96 a 103, e a reforma, nos arts. 104 a 114. O Estatuto em comento sofreu</p><p>alterações pela Lei n. 10.416, de 27.3.2002, e pela Medida Provisória n. 2.215-10, de</p><p>31.8.2001, mantendo-se vigente até deliberação do Congresso Nacional sobre a</p><p>matéria, conforme disposto no art. 2º da EC n. 32/2001.</p><p>Destaca-se a aprovação da Lei n. 13.954, de 16.12.2019, que alterou a Lei n.</p><p>6.880/1980, que dispõe sobre o Estatuto dos Militares (incluindo a reserva</p><p>remunerada) e a Lei n. 3.765/1960, sobre as pensões militares, esta regulamentada</p><p>pelo Decreto n. 10.742, de 5.7.2021.</p><p>O art. 50-A do Estatuto foi criado com a seguinte redação: “O Sistema de</p><p>Proteção Social dos Militares das Forças Armadas é o conjunto integrado de direitos,</p><p>serviços e ações, permanentes e interativas, de remuneração, pensão, saúde e</p><p>assistência, nos termos desta Lei e das regulamentações específicas”.</p><p>A lei passou a prever a cobrança de uma alíquota sobre o rendimento bruto dos</p><p>militares de todas as categorias: ativos, inativos, pensionistas, cabos, soldados e</p><p>alunos de escolas de formação, de 9,5% a partir de 1º de janeiro de 2020, e de</p><p>10,5%, a partir de 1º de janeiro de 2021, além da contribuição para a pensão militar.</p><p>Também objetiva permitir que os militares das Forças Armadas passem mais</p><p>tempo na ativa, ou seja, vai retardar a idade mínima para se ter direito à transferência</p><p>para a reserva remunerada e altera, ainda, a idade para a reforma.</p><p>De acordo com o art. 97 do Estatuto dos Militares (com redação conferida pela</p><p>Lei n. 13.954/2019), a transferência para a reserva remunerada, a pedido, será</p><p>concedida, por meio de requerimento, ao militar de carreira que contar, no mínimo, 35</p><p>anos de serviço, dos quais:</p><p>I – no mínimo, 30 (trinta) anos de exercício de atividade de natureza militar nas</p><p>Forças Armadas, para os oficiais formados na Escola Naval, na Academia Militar</p><p>das Agulhas Negras, na Academia da Força Aérea, no Instituto Militar de</p><p>Engenharia, no Instituto Tecnológico de Aeronáutica e em escola ou centro de</p><p>formação de oficiais oriundos de carreira de praça e para as praças; ou</p><p>II – no mínimo, 25 (vinte e cinco) anos de exercício de atividade de natureza</p><p>militar nas Forças Armadas, para os oficiais não enquadrados na hipótese</p><p>prevista na hipótese anterior.</p><p>Contudo, não foi estabelecida idade mínima para que o militar passe para a</p><p>reserva remunerada.</p><p>A Lei n. 13.954/2019 (art. 22) respeitou o direito adquirido daqueles que</p><p>tinham implementado as condições anteriores à mudança e também fixou regras de</p><p>transição para aqueles que se</p>a regra do artigo 201, §6º e determinou o pagamento das diferenças, descontados os valores já pagos na época. Esses valores atualmente estão prescritos. 5.9 – URP de Fevereiro de 1989: Ações que visavam a aplicação da Unidade de Referência de Preços no percentual de 26,05% no mês de fevereiro de 1989. Essa revisão não obteve êxito. 5.10 – Salário Mínimo de Junho de 1989: Em junho de 1989 a previdência deixou de corrigir os benefícios pelo salário mínimo de NCz$ 120,00e aplicou o piso nacional de NCz$ 81,40, que havia sido revogado, sob o argumento de que a revogação apenas havia sido publicada em julho e, portanto, não poderia retroagir. A matéria foi resolvida com o entendimento de ser devido o reajuste pelo novo salário mínimo resultando inclusive na súmula 26 do TRF4. 5.11 – Expurgos Inflacionários: Tratava-se de índices de inflação que não foram aplicados, seja integralmente ou parcialmente, nos reajustes dos benefícios. A alegação era de que nos meses de janeiro de 1989, março, abril e maio de 1990 e fevereiro de 1991 não se aplicou o correto valor da variação da inflação que havia sido medida pelo IPC (índice de preços ao consumidor). Essa revisão, todavia, não encontrou sucesso resultando na súmula 36, TRF4 e 21 da TNU vedando essa aplicação. 5.12 – Reajuste de Setembro de 1991 – Abono da Lei 8178/91: A lei 8178/91 previu abono aos aposentados e pensionistas nos meses de maio, junho, julho e agosto de 1991, sem direito a incorporação. Porém, a lei 8213/91 em seu artigo 146, permitiu a incorporação do incide do mês de agosto de 1991 a partir de 01/09/1991 no valor de 54,60%. Posteriormente a lei 8222/91 reajustou o salário mínimo e os salários de contribuição em 147,06% a partir de setembro de 1991. Inúmeras ações judiciais foram ajuizadas pretendendo a aplicação dos 147,06% do salário mínimo, nos benefícios que estavam em manutenção na previdência social a partir de setembro de 1991 o que foi reconhecido pelo Ministério da Previdência Social por meio da Portaria 302 de 1992. A ação revisional pretendia a incorporação dos 54,60% além da aplicação dos 147,06% do salário mínimo o que não foi reconhecido no judiciário que entendeu que percentual de 54,60% é englobado pelos 147,06%. Nesse sentido a súmula 48 do TRF4. 5.13 – Reajustes Quadrimestrais – IRSM - Lei 8542/92 e 8.700/93: Em janeiro de 1993 a sistemática de reajuste pelo INPC foi modificada pela lei 8542/92 determinando que a correção dos benefícios se daria pela variação do IRSM (Índice de Reajuste do Salário Mínimo). A regra determinava que o reajuste deveria ser quadrimestral devendo ocorrer antecipações mensais equivalentes ao percentual de diferença acima de 10% do mês anterior. Essa antecipação seria descontada quando da aplicação do índice da variação do quadrimestre. A revisão pretendida a aplicação do índice integral sem os expurgos mensais, sendo que ao cabo terminou sendo rejeitada pela jurisprudência. Essa sistemática se manteve até fevereiro de 1994 com a entrada da URV. 5.14 – Conversão dos Benefícios em URV – Lei 8880/94: Em fevereiro de 1994 foi editada a MP 434 que posteriormente foi convertida na lei 8880 que previa em seu artigo 20 que os benefícios mantidos pelo INSS seriam convertidos em URV em março de 1994 por meio da divisão de seu valor nominal nos meses de novembro e dezembro de 1993 e janeiro e fevereiro de 1994 considerado o valor em cruzeiros reais equivalente a URV do último dia do mês. A revisão pretendida a aplicação do IRSM nesses meses o que veio a ser afastada pelo STF ao julgar constitucional a expressão “nominal”. Nesse sentido a súmula 1 da TNU. 5.15 – Reajustamento dos Benefícios pelos Índices Integrais do IGP-DI nos Meses de Junho de 1997, 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003: A pretensão era a aplicação do IGP-DI de 06/1997, 06/1999, 06/2000 e 06/2001 no reajustamento dos benefícios nesses períodos. A jurisprudência vinha se fixando no sentido de ser devido o reajuste, inclusive com a edição da súmula 3 da TNU, porém em 2003 o STF decidiu pela inconstitucionalidade dos Decretos ou outros Diplomas Legislativos que editavam esses reajustes. Em relação aos anos de 2001, 2002 e 2003 também foi reconhecida a inconstitucionalidade, porém os diplomas não foram afastados tendo em vista a ausência de outro parâmetro de reajuste. Decidiu o STF que a declaração de inconstitucionalidade nessas épocas implicaria na ausência de indicie oficial de reajuste o que implicaria na necessidade de aplicar o índice existente da época. Em resumo reconhecer a inconstitucionalidade implicaria no afastamento dos índices e na adoção por analogia aos únicos índices previstos na época, ou seja, os mesmos que foram aplicados e estariam sendo afastados por inconstitucionalidade. Com a decisão a súmula 3 da TNU foi cancelada e editada a súmula 8. 5.16 – Revisão da Renda Mensal da Pensão Por Morte: No regime anterior a lei 8213/91 a renda mensal inicia da pensão por morte era de 50% acrescida de 10% para cada dependente até o total de 5. Com a entrada em vigor da lei a renda passou a ser de quota única familiar correspondendo a 80% do valor que o segurado recebia ou a que teria direito se estivesse aposentado na data do óbito, acrescida de 10% para cada dependente até o total de duas. Em 1995 (lei 9032) e em 1997 (lei 9528) consolidou-se a regra dos 100% mantida atualmente. A revisão pretendia a incidência imediata das normas para fins de recompor os benefícios concedidos antes de sua edição elevando a renda do percentual fixado para 100%. O STJ firmou entendimento pela aplicação imediata da nova legislação incidindo sobre as pensões em manutenção, mas sem efeitos retroativos. No mesmo sentido a TNU editou a súmula 15. Porém, em 2007 o STF julgou os Res 416.827 e 415.454 afastando a possibilidade dessa revisão. 5.17 – Revisões Decorrentes da Lei 9032/95: A lei 9032/95 também alterou os coeficientes de cálculo dos benefícios de aposentadoria por invalidez, aposentadoria especial e auxílio-acidente. Da mesma forma que a pensão tentou-se a aplicação imediata dessa alteração nos benefícios em manutenção e da mesma forma a pretensão foi afastada pelo STF. 5.18 – Salário de Benefício de Aposentadoria por Invalidez Precedida de Auxílio-Doença – art. 29, §5º, Lei 8213/91: Tratava-se de revisão que pretendia o recalculo da concessão da aposentadoria por invalidez com a inclusão dos salários de contribuição correspondentes as parcelas pagas em auxílio-doença, bem como do tempo respectivo. Em geral o que se pretendia era a não aplicação apenas do salário de beneficio reajustado, mas sim a aplicação do critério de cálculo original com a inclusão dos períodos. Apesar de decisões favoráveis o STF fulminou a pretensão em 2012 por meio do julgamento do RE 583.834.