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<p>MODULO II – DOR ABDOMINAL, DIARREIA,</p><p>VÔMITOS E ICTERÍCIA</p><p>P01 – O PROBLEMA DE LAURA</p><p>LAURA TEM 26 ANOS E É FARMACÊUTICA. ELA VAI AO SEU</p><p>CONSULTÓRIO QUEIXANDO-SE DE NÁUSEAS E VÔMITOS</p><p>PERSISTENTES HÁ SEIS SEMANAS. VOCÊ TENTA</p><p>CARACTERIZAR INICIALMENTE SE ELA APRESENTA</p><p>VÔMITOS, REGURGITAÇÃO OU RUMINAÇÃO. DURANTE A</p><p>CONSULTA, ELA RELATA ESTAR SURPRESA COM A</p><p>EXTENSÃO E O DETALHAMENTO DA ANAMNESE E VOCÊ</p><p>EXPLICA A IMPORTÂNCIA DE CADA PERGUNTA,</p><p>CORRELACIONANDO COM AS VÁRIAS POSSIBILIDADES</p><p>DIAGNÓSTICAS. LAURA RELATA PREOCUPAÇÃO</p><p>ADICIONAL POR PERDER PESO E POR TER QUE SE</p><p>AUSENTAR DO TRABALHO ПА FARMÁCIA. ELA RELATA QUE</p><p>NÃO USOU MEDICAMENTOS PARA CESSAR OS VÔMITOS</p><p>PORQUE NÃO GOSTA DE DE SE MEDICAR SEM CONSULTAR</p><p>O MÉDICO.</p><p>1. CONCEITUAR NÁUSEAS E VÔMITOS, DIFERENCIANDO</p><p>VÔMITO DE REGURGITAÇÃO E RUMINAÇÃO</p><p>NÁUSEAS: Sensação subjetiva e desconfortável que surge na parte superior do abdômen</p><p>ou na região retroesternal, frequentemente acompanhada de aversão à comida e uma</p><p>sensação iminente de necessidade de vomitar.</p><p>VÔMITO: O vômito, ou êmese, é a expulsão violenta e forçada do conteúdo gástrico e</p><p>duodenal pela boca, é um reflexo protetor que remove materiais tóxicos do trato GI</p><p>antes que eles possam ser absorvidos e essa expulsão é acompanhada de contração do</p><p>diafragma e da musculatura abdominal, com relaxamento do cárdia e contração do</p><p>piloro.</p><p>REGURGITAÇÃO: Processo passivo em que o conteúdo do estômago ou esôfago retorna</p><p>à boca sem esforço, náusea ou contrações abdominais, ao contrário do vômito.</p><p>RUMINAÇÃO: Ato de regurgitar voluntariamente o alimento ingerido, mastigá-lo</p><p>novamente e, em seguida, re-engolir ou cuspir. Este comportamento é repetido várias</p><p>vezes e não é acompanhado de náuseas ou de esforço ativo de vômito.</p><p>1. DIFERENÇA ENTRE VÔMITO E REGURGITAÇÃO</p><p>VÔMITO:</p><p>Ativo: Envolve contrações musculares intensas do abdômen e do diafragma, que</p><p>forçam o conteúdo gástrico para fora do estômago.</p><p>Coordenado pelo SNC: O centro do vômito no bulbo cerebral coordena essa resposta,</p><p>muitas vezes precedida por náusea.</p><p>Sintomas Associados:</p><p>Náusea e Mal-Estar: Geralmente precedido por náusea e seguido por uma sensação de</p><p>alívio.</p><p>Força: Ocorre com força, podendo ser acompanhado de sudorese, palidez e aumento</p><p>da frequência cardíaca.</p><p>REGURGITAÇÃO:</p><p>Passivo: O conteúdo gástrico ou esofágico retorna à boca sem esforço muscular</p><p>significativo e sem contrações abdominais.</p><p>Causa Comum: Ocorre devido à incompetência do esfíncter esofágico inferior, como</p><p>na DRGE.</p><p>Sintomas Associados:</p><p>Sem Náusea: Não é precedido por náusea ou dor.</p><p>Retorno Suave: O conteúdo retorna suavemente, sem esforço significativo e</p><p>frequentemente sem sintomas autonômicos.</p><p>2. DIFERENÇA ENTRE VÔMITO E RUMINAÇÃO</p><p>VÔMITO:</p><p>Involuntário e Forçado: É uma expulsão ativa e involuntária do conteúdo gástrico</p><p>através de contrações musculares coordenadas.</p><p>RUMINAÇÃO:</p><p>Voluntário ou Habitual: Após a regurgitação passiva do conteúdo gástrico, o indivíduo</p><p>mastiga e engole novamente, ou expulsa o alimento regurgitado.</p><p>Comportamento Repetitivo: Ocorre repetidamente após as refeições, não sendo</p><p>induzido por contrações abdominais ou náusea.</p><p>Náusea e Alívio Posterior: Geralmente acompanhado por náusea, seguido por alívio</p><p>do desconforto.</p><p>Sintomas Autonômicos: Pode incluir sudorese, salivação excessiva e palidez.</p><p>RUMINAÇÃO:</p><p>Sem Náusea: Não há associação com náusea ou dor.</p><p>Repetitivo e Sem Mal-Estar: O comportamento é repetido várias vezes e não causa</p><p>desconforto significativo ao paciente.</p><p>3. DIFERENÇA ENTRE REGURGITAÇÃO E RUMINAÇÃO</p><p>REGURGITAÇÃO:</p><p>Passivo: O alimento ou líquido retorna passivamente do estômago para a boca sem</p><p>esforço ou percepção significativa.</p><p>Sintomas Associados:</p><p>Sem Náusea e Sem Esforço: Ocorre sem qualquer desconforto ou mal-estar associado.</p><p>Sem Re-mastigação: O alimento pode simplesmente ser engolido novamente ou</p><p>cuspido sem mastigação adicional.</p><p>RUMINAÇÃO:</p><p>Voluntário após Regurgitação: Envolve a regurgitação seguida de mastigação e re-</p><p>deglutição voluntária ou expiração do alimento.</p><p>Comportamento Condicionado: Pode ser aprendido ou associado a condições</p><p>psiquiátricas.</p><p>Sintomas Associados:</p><p>Comportamento Repetitivo: O processo de re-mastigação e re-deglutição é repetitivo</p><p>e consciente.</p><p>Impacto Nutricional: Pode levar à perda de peso e desnutrição em casos crônicos.</p><p>2. ESTUDAR A FISIOLOGIA DO VÔMITO</p><p>1. FISIOLOGIA DO VÔMITO: MECANISMOS E COORDENAÇÃO</p><p>O CENTRO DO VÔMITO está localizado no bulbo do tronco encefálico.</p><p>Centros Encefálicos Envolvidos:</p><p>Zona de Gatilho Quimiorreceptora (Área Postrema):</p><p>Localizada no bulbo, essa zona é altamente sensível a estímulos químicos pois possui</p><p>capilares permeáveis e neurônios sensoriais que permite detectar mensageiros</p><p>químicos presentes no sangue e no líquido cerebroespinal devido à sua permeabilidade</p><p>à barreira hematoencefálica e traduzi-los em circuitos neurais.</p><p>Função: Detectar substâncias químicas nocivas e envia sinais ao centro do vômito,</p><p>desencadeando a resposta emética.</p><p>Estímulos: Pode ser ativada por sinais centrais (ex: odores, dor, estímulos visuais) e</p><p>periféricos (ex: irritação gástrica).</p><p>Núcleo do Trato Solitário (NTS):</p><p>É uma área do cérebro que processa informações viscerais aferentes dos nervos</p><p>glossofaríngeo, facial, vago e trigêmeo (V). O NTS é um núcleo sensitivo que recebe</p><p>fibras aferentes viscerais gerais e especiais (gustação) que entram pelos nervos VII, IX e</p><p>X pares cranianos.</p><p>Recepção de Sinais: Recebe informações da área postrema, do nervo vago e do labirinto</p><p>(órgão do equilíbrio), coordenando as respostas motoras necessárias para o vômito.</p><p>Função: É responsável por iniciar e coordenar as contrações musculares que resultam</p><p>na expulsão do conteúdo gástrico.</p><p>2. MECANISMO FISIOLÓGICO DO CENTRO DO VÔMITO</p><p>Detecção de Estímulos:</p><p> Sinais Centrais: A zona de gatilho quimiorreceptora detecta toxinas,</p><p>medicamentos, ou alterações hormonais no sangue e no líquido cerebrospinal.</p><p> Sinais Periféricos: Estímulos do trato gastrointestinal, como irritação gástrica,</p><p>são transmitidos ao centro do vômito via nervo vago.</p><p> Sinais Vestibulares: Alterações no equilíbrio, como no enjoo de movimento, são</p><p>processadas pelo sistema vestibular e enviadas ao NTS.</p><p>Integração dos Sinais:</p><p>Zona de Gatilho Quimiorreceptora: Ao detectar um estímulo nocivo, ela envia sinais ao</p><p>núcleo do trato solitário (NTS).</p><p>Núcleo do Trato Solitário: Funciona como um centro de integração, recebendo sinais da</p><p>área postrema, do nervo vago, e do sistema vestibular, coordenando a resposta de</p><p>vômito.</p><p>3. COORDENAÇÃO DA RESPOSTA DE VÔMITO</p><p>Ativação Muscular:</p><p>O NTS, após processar os sinais recebidos, coordena a ativação dos músculos envolvidos</p><p>no vômito, como os músculos abdominais, o diafragma e os músculos respiratórios.</p><p>Sequência de Contrações:</p><p> Ânsia de Vômito: Os músculos do tórax, diafragma e abdominais contraem-se</p><p>simultaneamente contra a glote fechada, causando a ânsia de vômito.</p><p> Relaxamento do EEI: O esfíncter esofágico inferior O EEI e os pilares do</p><p>diafragma relaxam, permitindo que o aumento da pressão intra-abdominal force</p><p>o conteúdo gástrico para o esôfago.</p><p> Expulsão: A pressão intra-abdominal elevada e a contração coordenada dos</p><p>músculos inspiratórios e expiratórios causam uma pressão torácica positiva, que</p><p>empurra o conteúdo para fora através da boca.</p><p>Prevenção de Aspiração:</p><p>Durante o vômito, o NTS também coordena o fechamento da glote e a supressão</p><p>temporária da respiração simultaneamente, impedindo que o vômito seja aspirado para</p><p>os pulmões.</p><p>O vomito reflete a interação coordenada de fenômenos neurais, humorais e musculares</p><p>que podem ser estimulados por estímulos centrais e periféricos e que requerem a</p><p>participação de regiões encefálicas centrais para coordenar</p><p>as respostas necessárias.</p><p>A ZONA DE GATILHO QUIMIORRECEPTORA recebe estímulos de aferentes corticais,</p><p>orais, vestibulares e periféricos. A barreira hematencefálica dessa região é</p><p>relativamente permeável podendo detectar a presença de constituintes químicos tanto</p><p>no sangue quanto no liquido cerebrospinhal.</p><p>3. SABER COMO ABORDAR UM PACIENTE COM QUEIXA DE</p><p>VÔMITO (QUAIS PERGUNTAS FAZER E ACHADOS DO EXAME</p><p>FÍSICO), CORRELACIONANDO COM AS CAUSAS</p><p>1. Anamnese: Perguntas Essenciais</p><p>Características do Vômito :</p><p>Início: Quando começou o vômito? Foi de início súbito ou gradual?</p><p>Correlacionar: Início súbito pode sugerir intoxicação alimentar ou obstrução aguda;</p><p>gradual pode estar associado a causas crônicas como gastrite.</p><p>Frequência: Com que frequência você tem vomitado? Quantas vezes por dia?</p><p>Correlacionar: Vômitos frequentes podem sugerir causas infecciosas ou metabólicas.</p><p>Conteúdo: O que você está vomitando? É bilioso (verde-amarelado), hematêmese</p><p>(sangue), ou alimentos não digeridos?</p><p> Vômitos alimentares: são constituídos por restos alimentares. Quando os</p><p>alimentos estão mal digeridos ou inalterados, pode significar obstrução alta,</p><p>acima da cárdia, ou sua curta permanência no estômago;</p><p> Vômitos aquosos: são compostos de saliva deglutida ou de secreção esofagiana.</p><p>Em geral, resultam de afecções do esôfago;</p><p> Vômitos biliosos: quando são tingidos de bile. Variam sua tonalidade do verde-</p><p>claro ao verde-musgo. Quando decorrem de processo obstrutivo, indicam</p><p>obstrução situada abaixo da ampola de Vater. Ocorrem, também, nos casos de</p><p>íleo adinâmico dos pacientes sépticos e nos casos de vômitos prolongados após</p><p>a eliminação completa do conteúdo gástrico;</p><p> Vômitos mucosos: são ricos em muco e de aspecto gelatinoso. São encontrados</p><p>em certos tipos de gastrite e nos distúrbios respiratórios acompanhados de</p><p>grande produção e deglutição de secreção – como nas sinusites e bronquites;</p><p> Vômitos porráceos: são constituídos de massas de aspecto herbáceo, resultante</p><p>da mistura de secreção gástrica, biliar, duodenal e, também, de matéria fecal.</p><p>Ocorrem nas obstruções intestinais, nas peritonites e nos íleos adinâmicos;</p><p> Vômitos fecaloides: são verdes ou escuros e têm cheiro de fezes. Indicam</p><p>obstrução baixa do íleo ou do colo ou peritonite;</p><p> Vômitos de sangue: vão desde os vômitos com “raias de sangue” até as</p><p>hematêmeses. Decorrem do sangramento discreto a intenso do esôfago,</p><p>estômago ou duodeno. Vômitos de sangue vermelho vivo indicam que o sangue</p><p>teve pouco contato com o suco gástrico e que o ponto de origem do</p><p>sangramento se situa na cárdia ou acima dela, podendo ocorrer, também, nos</p><p>casos de hemorragia gástrica volumosa. Vômitos em “borra-de-café” indicam</p><p>que o sangue sofreu alterações pelo suco gástrico e sugerem sangramento lento</p><p>do esôfago, cárdia, estômago ou duodeno.</p><p> Vômito “em jato” ou “em projétil”: caracteriza-se por ser súbito, inesperado, às</p><p>vezes violento e não precedido de náuseas. É encontrado não apenas nos</p><p>quadros de hipertensão intracraniana, mas também nos quadros obstrutivos e</p><p>semiobstrutivos do trato intestinal – como na estenose pilórica – e nas</p><p>intoxicações.</p><p>O cheiro do vômito pode ser útil em alguns diagnósticos: é rançoso na estase gástrica;</p><p>amoniacal na uremia; e pode ter odor fecal nas obstruções baixas do trato digestivo e</p><p>nas peritonites.</p><p>Correlacionar: Vômito bilioso sugere obstrução distal ao duodeno; hematêmese pode</p><p>indicar úlcera ou varizes esofágicas.</p><p>Relação com a Alimentação: O vômito ocorre após as refeições? Se sim, quanto tempo</p><p>depois de comer?</p><p>Correlacionar: Vômito logo após a refeição pode sugerir estenose pilórica; horas após</p><p>comer pode indicar gastroparesia.</p><p>Sintomas Associados:</p><p>Náusea: Você sente náusea antes de vomitar? A náusea persiste depois?</p><p>Correlacionar: Náusea intensa e persistente pode indicar causas centrais, como</p><p>enxaquecas ou labirínticas.</p><p>Dor Abdominal: Tem sentido dor abdominal? Onde exatamente?</p><p>Correlacionar: Dor em cólica pode sugerir interferência intestinal; dor</p><p>epigástrica pode estar relacionada à gastrite ou pancreatite.</p><p>Febre: Tem tido febre?</p><p>Correlacionar: Febre pode indicar uma causa infecciosa como gastroenterite ou</p><p>apendicite.</p><p>Alterações no Hábito Intestinal: Tem notado diarreia ou constipação associada ao</p><p>vômito?</p><p>Correlacionar: Diarreia pode sugerir infecção gastrointestinal; a constipação</p><p>pode estar associada à obstrução intestinal.</p><p>Perda de Peso: Notou perda de peso não intencional?</p><p>Correlacionar: Perda de peso significativamente pode indicar câncer gástrico ou</p><p>outra patologia grave.</p><p>História Médica e Medicamentosa:</p><p>Medicamentos: Você está tomando algum medicamento? Houve início recente de</p><p>algum tratamento?</p><p>Correlação: Certos medicamentos, como quimioterápicos ou opioides, podem</p><p>causar vômito.</p><p>História de Doenças Gastrointestinais: Tem diagnóstico de doenças como DRGE, úlcera</p><p>péptica ou síndrome do intestino irritável?</p><p>Correlacionar: Essas condições podem predispor o paciente a episódios de</p><p>vômito.</p><p>História Social e Hábitos:</p><p>Álcool e Drogas: Consome álcool ou drogas recreativas?</p><p>Correlacionar: O uso excessivo de álcool pode levar a gastrite ou pancreatite.</p><p>Situações Específicas:</p><p>Gravidez: Para mulheres com idade fértil, há possibilidade de gravidez?</p><p>Correlacionar: Hiperêmese gravídica é uma causa comum de vômito no início da</p><p>gravidez.</p><p>2. EXAME FÍSICO: ACHADOS RELEVANTES</p><p>Avaliação Geral:</p><p>Sinais de Desidratação: Boca seca, turgor cutâneo diminuído, taquicardia.</p><p>Correlação: Desidratação sugere vômito prolongado e significativo, que pode</p><p>estar associado a causas gastrointestinais ou metabólicas.</p><p>Aspecto Geral: Palidez, sudorese ou letargia.</p><p>Correlacionar: Pode indicar choque hipovolêmico ou infecção sistêmica.</p><p>Exame Abdominal:</p><p>Palpação: Sensibilidade à palpação, presença de massas ou dor localizada.</p><p>Correlacionar: Sensibilidade em quadrante inferior direito pode sugerir</p><p>apendicite; massa palpável pode indicar neoplasia.</p><p>Distensão Abdominal: Presença de distensão e timpanismo à percussão.</p><p>Correlacionar: Pode indicar obstrução intestinal ou ascite.</p><p>Ausculta: Ruídos hidroaéreos aumentados ou diminuídos.</p><p>Correlacionar: Ruídos aumentados podem indicar interferência intestinal;</p><p>ausência de ruídos sugere íleo paralítico.</p><p>Exame Cardiovascular e Pulmonar:</p><p>Taquicardia: Frequência cardíaca elevada.</p><p>Correlacionar: Pode ser um sinal de desidratação ou choque.</p><p>Pressão Arterial: Hipotensão postural.</p><p>Correlacionar: Sugere desidratação severa.</p><p>Exame Neurológico:</p><p>Avaliação do Sistema Vestibular: Verifica sinais de vertigem ou nistagmo.</p><p>Correlação: Sintomas vestibulares podem estar associados a vômitos por causas</p><p>centrais, como labirintite.</p><p>Exame de Pele e Mucosas:</p><p>Icterícia: Cor amarelada da pele ou mucosas.</p><p>Correlacionar: Pode sugerir hepatite, colelitíase ou pancreatite.</p><p>4. ESTUDAR O DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DOS VÔMITOS</p><p>(CAUSAS MAIS COMUNS)</p><p>Vômitos acompanhados de dor abdominal, de início súbito, estão geralmente</p><p>associados a cólicas, perfurações e isquemia aguda (torção, vólvulo, etc.). Quadros de</p><p>instalação mais gradual estão, mais frequentemente, associados a processos</p><p>inflamatórios – como apendicite, pancreatite ou colecistite.</p><p>Nos casos de cólicas secundárias a espasmosmusculares de vísceras ocas (trato</p><p>intestinal, árvore biliar, ducto pancreático, trato urinário, útero e tubas), a dor é intensa</p><p>e intermitente, com intervalos de remissão parcial ou total; o paciente mostra-se</p><p>agitado, irrequieto, pálido e com sudorese abundante durante os espasmos dolorosos,</p><p>não encontrando posição de conforto, mas aceitando bem a massagem abdominal. Ao</p><p>contrário, quando ocorre irritação peritoneal, permanece imóvel, com fácies de</p><p>sofrimento, não permitindo que se lhe toque no abdômen.</p><p>Em adolescentes, o vômito psicogênico tem incidência aumentada,</p><p>especialmente no</p><p>sexo feminino.</p><p>Gravidez, uso de drogas e distúrbios alimentares – anorexia nervosa ou bulimia –</p><p>também devem ser considerados.</p><p>As causas mais comuns de náuseas e vômitos são:</p><p> Gastroenterite</p><p> Fármacos</p><p> Toxinas</p><p>A síndrome de vômito cíclico (SVC) é um distúrbio incomum caracterizado por</p><p>ataques intensos e discretos de vômito ou, às vezes, apenas náuseas que</p><p>ocorrem em intervalos variáveis, com saúde normal entre os episódios e</p><p>nenhuma anormalidade estrutural demonstrável. É mais comum durante a</p><p>infância (a média de idade de início é 5 anos) e tende à remissão com a idade</p><p>adulta</p><p>DISTÚRBIOS</p><p>GASTROINTESTINAIS</p><p>ACHADOS SUGESTIVOS:</p><p>OBSTRUÇÃO INTESTINAL</p><p>OBSTIPAÇÃO, DISTENÇÃO, TIPANISMO À PERCUSSÃO.</p><p>VOMITO BILOSO</p><p>GASTROENTERITE</p><p>VOMITOS</p><p>DIARRÉIA</p><p>HEPATITE</p><p>NAUSEA LEVE DURANTE MUITOS DIAS</p><p>VOMITO, ICITÉRICIA, ANOREXIA, MAL-ESTAR</p><p>ILEO PARALÍTICO DISTENSÃO ABDOMINAL</p><p>ABDOMEM AGUDO</p><p>(APENDICITE, COLECISTITE,</p><p>PANCREATITE)</p><p>SINAIS PERITONIAIS, DOR ABDOMINAL SIGNIFICATIVA</p><p>VOMITOS</p><p>DOENÇAS DO SNC</p><p>LABIRINTITE</p><p>VERTIGEM, NISTAGMOS, SINTOMAS QUE PIORAM</p><p>COM MOVIMENTO</p><p>ENXAQUECA FONO E FOTOFOBIA ...</p><p>ENJOO POR MOVIMENTO BASE NA HISTÓRIA</p><p>CONDIÇÕES SISTÊMICAS</p><p>CETOACIDOSE DIABÉTICA</p><p>POLIURIA, POLIDIPSIA, DESISDRATAÇÃO</p><p>SIGNIFICATIVA</p><p>INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA ICITERÍCIA E BASE NA HISTÓRIA</p><p>Sinais de alerta</p><p>Os achados a seguir são particularmente preocupantes:</p><p> Sinais de hipovolemia</p><p> Cefaleia, rigidez de pescoço ou alteração do estado mental</p><p> Sinais peritoniais</p><p> Abdome distendido, timpânico à percussão</p><p>1. Stanghellini V, Chan FK, Hasler WL, et al: Gastroduodenal disorders. Gastroenterology</p><p>150(6):1380–1392, 2016. doi: 10.1053/j.gastro.2016.02.011</p><p>5. ESTUDAR AS CONSEQUÊNCIAS DAS NÁUSEAS E VÔMITOS</p><p>As náuseas e os vómitos podem causar várias complicações, incluindo:</p><p>Desidratação</p><p>O vómito pode causar a perda excessiva de fluidos e sais minerais, o que pode levar à</p><p>desidratação.</p><p>Desnutrição</p><p>O vómito crónico pode levar à desnutrição e à perda de peso.</p><p>Alterações eletrolíticas</p><p>O vómito intenso pode causar anormalidades eletrolíticas, como alcalose metabólica</p><p>com hipopotassemia.</p><p>Inalação de vómito</p><p>Se o paciente estiver inconsciente ou apenas parcialmente consciente, o vómito pode</p><p>ser inalado, o que pode irritar os pulmões e causar pneumonia de aspiração.</p><p>Laceração do esófago</p><p>O vómito pode causar lacerações no esófago, como a laceração de Mallory-Weiss ou a</p><p>síndrome de Boerhaave.</p><p>6. ESTUDAR A FARMACOLOGIA DOS ANTIEMÉTICOS</p><p>FÁRMACOS ANTIEMÉTICOS</p><p>Antiemético é o nome ofertado à classe de medicamentos que tem como foco o</p><p>tratamento de náuseas e vômitos. Esses sintomas são relativamente frequentes na vida</p><p>cotidiana.</p><p>Os objetivos da terapia antiemética consistem no alívio de sintomas agudos e tardios,</p><p>além de redução do risco de complicações, como a desidratação. Na maioria das vezes,</p><p>os sintomas têm uma causa primária. Deve ser investigada e tratada sempre que</p><p>possível.</p><p>MECANISMOS DE AÇÃO DOS ANTIEMÉTICOS</p><p>Como mencionado anteriormente, vamos utilizar vários fármacos para controlar a</p><p>êmese e as náuseas. Seus principais mecanismos de ação consiste no antagonismo dos</p><p>receptores dos neurotransmissores envolvidos nessa fisiologia.</p><p>Os cinco locais de receptores de neurotransmissores que são de importância primária</p><p>no reflexo do vômito são:</p><p> M1 – muscarínico</p><p> D2 – dopamina</p><p> H1 – histamina</p><p> 5-HT3 – serotonina</p><p> Receptor de neurocinina 1 (NK1) – substância P.</p><p>CLASSES MEDICAMENTOSAS</p><p>Os antieméticos são divididos em várias classes de acordo com o seu mecanismo de ação</p><p>e indicações. Aqui estão algumas classes comuns de antieméticos.</p><p>Antagonistas dos receptores serotoninérgicos (5-HT3)</p><p>Os antagonistas seletivos dos receptores 5-HT3 apresentam potente natureza</p><p>antiemética, exercendo essa função principalmente através do bloqueio dos receptores</p><p>5-HT3 periféricos nos nervos aferentes espinais e vagais intestinais extrínsecos. Ao</p><p>contrário dos antagonistas dopaminérgicos, não atuam sobre a motilidade</p><p>gastroesofágica.</p><p>Sua atuação é sobre a êmese de etiologia vagal, como nos casos de êmese pós</p><p>operatória ou quimioterápica, sendo, inclusive, a base para o controle agudo dessa</p><p>última. A ação dessa classe, potencializada pelo uso concomitante com um</p><p>corticosteróide, como a dexametasona, e um antagonista dos receptores NK1.</p><p>Compostos pela ondansetrona, dolasetrona, palonosetrona e granisetrona. São os</p><p>mais indicados na êmese provocada por radioterapia e quimioterapia do câncer.</p><p>E os efeitos adversos mais comuns são cefaléia, astenia, tontura e constipação</p><p>intestinal.</p><p>Os receptores serotoninérgicos 5-HT3, quando ativados, provocam a náusea e vômito.</p><p>O uso abusivo de álcool, consumo de alguns fármacos, liberação de determinadas</p><p>toxinas e estímulos visuais podem atuar como estimulantes deste receptor, onde os</p><p>fármacos antagonistas atuam bloqueando-os.</p><p>Antagonistas dos receptores D2</p><p>Os antidopaminérgicos atuam bloqueando os receptores dopaminérgicos na zona</p><p>quimiorreceptora de disparo. Os receptores dopaminérgicos que ativam o centro do</p><p>vômito são do subtipo D2. Uma vez ativados, provocam a náusea e êmese. Os fármacos</p><p>que atuam nesta via são antagonistas desses receptores.</p><p>Metoclopramida</p><p>Trata-se de um medicamento gastrocinético, com propriedades antieméticas. Promove</p><p>o aumento da motilidade gástrica, sem aumentar as secreções. A atividade é resultante</p><p>de diferentes mecanismos de ação, a nível central e periférico:</p><p>Atua como antagonista dos receptores dopaminérgicos D2, que agem como</p><p>estimulatórios sobre o centro do vômito, relacionada com apomorfina.</p><p>Tem ação como antagonista de receptores serotoninérgicos 5-HT3.</p><p>Também possui atividade pró-cinética: é antagonista de receptores D2 em nível</p><p>periférico e possui ação colinérgica indireta, facilitando a liberação de acetilcolina.</p><p>Aumenta o tônus do esfíncter esofágico superior, evitando o refluxo. Aumenta as</p><p>contrações gástricas, relaxa o esfíncter pilórico e o bulbo duodenal e aumenta os</p><p>peristaltismos do duodeno e jejuno, acelerando o esvaziamento gástrico.</p><p>Bromoprida</p><p>Ação central e periférica. Atua como antagonista de receptores domaminérgicos no</p><p>centro do vômito e, como estimulante do sistema nervoso autônomo a nível do TGI,</p><p>equilibrando a motilidade gástrica, quando alterada.</p><p>Domperidona</p><p>Age como antagonista da dopamina, apresentando ação antiemética similar à da</p><p>metoclopramida.</p><p>Fenotiazinas (proclorperazina, clorpromazina, tietilperazina)</p><p>Antagonistas do receptor D2, na zona de gatilho quimiorreceptor. Também possuem</p><p>atividade anti-histamínica e anticolinérgica, que contribuem para o efeito antiemético.</p>

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