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<p>“Sepse Neonatal”</p><p>PUC Minas</p><p>Medicina</p><p>Prof. Dr. SÍLVIO C. ZEPPONE</p><p>Disciplina Práticas de Integralidade em</p><p>Saúde II - PUC Minas</p><p>2024</p><p>Sepse Neonatal</p><p>Objetivo Geral de Aprendizagem</p><p>Utilizar a literatura indicada como um instrumento para a abordagem da Sepse</p><p>Identificar os fatores de risco para o desenvolvimento da Sepse Neonatal.</p><p>Objetivos específicos de aprendizagem</p><p>_ Fazer o diagnóstico da Sepse Neonatal precoce ou tardia, utilizando-se da</p><p>história clínica, das manifestações clínicas e exames laboratoriais</p><p>complementares.</p><p>_ Indicar antibioticoterapia para tratamento da Sepse Neonatal.</p><p>_ Implementar as condutas gerais para a assistência hospitalar ao recém-nascido</p><p>no âmbito do Alojamento Conjunto.</p><p>_ Implementar as condutas adequadas aos diagnósticos realizados no âmbito do</p><p>Alojamento Conjunto.</p><p>HISTÓRIA CLÍNICA</p><p>RN V.A.R., sexo masculino, nascido a termo, PIG, IG 39 +5</p><p>Nasceu de Parto vaginal, sem intercorrências, líquido amniótico fétido.</p><p>Apgar 8 / 10. Sem necessidade de reanimação.</p><p>Primeiro exame: 09:00h de vida</p><p>Corado, hidratado, anictérico, acianótico, afebril.</p><p>Peso: 2625g | Estatura: 45cm | PC: 33 | PT: 30 | PA: 29</p><p>Reflexos primitivos presentes. Ortolani negativo.</p><p>TRV normal.</p><p>Mãe relata aleitamento materno exclusivo, boa sucção.</p><p>HISTÓRIA</p><p>OBSTÉTRICA</p><p>Mãe: B.L.A.R, solteira, 20 anos. G1P0A0.</p><p>IG: 39 + 5</p><p>Número de pré-natais: 8.</p><p>Vacinação: desconhecida</p><p>Exames pré natal: ANTI HIV negativo; VDRL</p><p>negativo; HBsAg negativo.</p><p> Toxoplasmose susceptível</p><p>(IgG - e IgM -)</p><p> Estreptococos B: negativo</p><p>Testes rápidos VDRL e HIV: negativos</p><p>Glicemia jejum: 85</p><p>Nega comorbidades.</p><p>Nega tabagismo, etilismo ou uso de drogas</p><p>ilícitas.</p><p>ITU vigente.</p><p>Tempo de bolsa rota: 18 horas</p><p>Investigação</p><p>do líquido</p><p>amniótico</p><p>fétido:</p><p>solicitado</p><p>hemograma</p><p>e PCR.</p><p>Resultados hemograma e PCR - 24h de</p><p>vida</p><p>Hb: 12,3 | Ht: 47,4 | GL: 19600 |</p><p>Bastões: 2 | Segmentados: 57 |</p><p>Linfócitos: 30 | Plaquetas 306.000</p><p>PCR: 44,8</p><p> HD: Qual Hipótese diagnóstica?</p><p>Novos resultados de exames – 48 h de vida</p><p>Hb: 18,7 | Ht: 51,4 | GL: 12.200 | Bastões: 0 | Segmentados:</p><p>60 | Linfócitos: 34 | Plaquetas: 253.000</p><p>PCR: 35,2</p><p>_________________________________________________________________</p><p>→ Paciente evoluiu bem em 48h, mantendo aleitamento materno e bom</p><p>estado clínico. Sem febre, sem queixas. Sem alterações de exame físico.</p><p>→ Afastada possibilidade de sepse – assintomático e queda de PCR</p><p>→Tratamento de ITU pelo obstetra com Cefalexina</p><p>→ Alta hospitalar com orientações para retorno imediato se qualquer</p><p>intercorrência, se criança hipoativa, se redução da sucção ou do</p><p>aleitamento materno; se febre; se alterações físicas.</p><p>Sepse neonatal</p><p>SEPSE NEONATAL</p><p>PRECOCE</p><p>- < 72 horas de idade está</p><p>associada à provável origem</p><p>materna.</p><p>• Streptococcus do grupo B</p><p>• 45% RNT e 25% RN MBP</p><p>• Escherichia coli – 81% RNPT</p><p>• Haemophilus influenzae</p><p>• Listeria monocytogenes</p><p>• Staphylococcus aureus</p><p>• Streptococcus viridas</p><p>• Vírus do herpes simplex</p><p>TARDIA</p><p>- ≥ 72 horas de vida e também pode</p><p>ser adquirida no ambiente de</p><p>cuidado.</p><p>• Estafilococos coagulase-</p><p>negativos (48%)</p><p>• Staphylococcus aureus (48%)</p><p>• Outros organismos gram</p><p>negativos</p><p>• Escherichia coli</p><p>• Vírus do herpes simplex</p><p>• Fungos: Candida albicans Tratado de Pediatria 2022</p><p>Sepse Precoce – Fatores de Risco</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>✓ Trabalho de parto antes de 37 semanas de gestação.</p><p>✓ Rotura de membranas por tempo ≥ 18 horas.</p><p>✓ Colonização pelo EGB em gestante sem quimioprofilaxia</p><p>intraparto, quando indicada.</p><p>✓ Corioamnionite.</p><p>✓ Febre materna nas últimas 48 horas ≥ 38ºC</p><p>✓ Cerclagem ou pessário vaginal.</p><p>✓ Procedimentos de medicina fetal nas últimas 72 horas.</p><p>✓ Infecção do trato urinário materno sem tratamento ou em</p><p>tratamento a menos de 72 horas.</p><p>SEPSE</p><p>NEONATAL</p><p>PRECOCE</p><p>Corioamnionite:</p><p> Febre materna (≥ 39°C intraparto )</p><p> Febre materna entre 38º e 38,9ºC</p><p>por mais de 30 minutos associada a</p><p>pelo menos um dos seguintes achados:</p><p>a) leucocitose materna (> 15.000);</p><p>b) drenagem cervical purulenta;</p><p>c) taquicardia fetal (> 160 bpm por</p><p>10 minutos ou mais)</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>SEPSE</p><p>NEONATAL</p><p>Manifestações Clínicas:</p><p> Instabilidade térmica:</p><p> hipotermia RNPT</p><p> Hipertermia RNT</p><p> Dificuldade respiratória: 90% dos casos.</p><p> Taquipneia até insuficiência respiratória aguda grave.</p><p> Apneia: com outros sinais clínicos.</p><p> Sistema nervoso central (SNC):</p><p> hipoatividade, hipotonia, convulsões, irritabilidade e letargia.</p><p> Gastrintestinais: 35 a 40% dos casos;</p><p> recusa alimentar, vômitos, resíduos gástricos, distensão abdominal, hepatomegalia e</p><p>diarreia</p><p> Hemodinâmica: ( EGB)</p><p> Taquicardia e hipotensão,</p><p> Choque /palidez cutânea,</p><p> Má perfusão periférica, extremidades frias, redução do débito urinário e letargia.</p><p> Intolerância à glicose:</p><p> hiperglicemia RNPT</p><p> Icterícia - elevação da bilirrubina direta / infecção por germe Gram-negativo</p><p> Sangramento: coagulação intravascular disseminada (sangramento em locais de</p><p>punção venosa, hematúria, petéquias).</p><p>• condições de nascimento</p><p>• evolução clínica nas</p><p>primeiras 12 a 24 horas de</p><p>vida</p><p>fortes preditores de</p><p>sepse precoce</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Indicações de antibioticoterapia intraparto</p><p>para a prevenção de sepse precoce por EGB</p><p>Tratado de</p><p>Pediatria 2022</p><p>HISTÓRIA MATERNA</p><p>✓ Filho de gestação anterior com diagnóstico de doença invasiva por EGB</p><p>✓ Triagem para colonização por EGB com cultura positiva (exceto se cesárea fora de</p><p>trabalho de parto + membranas amnióticas íntegras)</p><p>✓ Bacteriúria assintomática ou infecção urinária por EGB, mesmo que tratada nessa</p><p>gestação</p><p>Intraparto</p><p>✓ Idade gestacional < 37 semanas Rotura de membranas > 18 horas</p><p>✓ Temperatura materna > 38ºC</p><p>✓ NAAT (Teste de amplificação de ácido nucleico) intraparto positivo para EGB</p><p>✓ NAAT intraparto negativo para EGB + fator de risco (idade gestacional < 37 semanas e/ou rotura</p><p>de membranas > 18 horas e/ou temperatura materna > 38ºC)</p><p>✓ Cultura positiva para EGB em gestação anterior</p><p>SEPSE</p><p>NEONATAL</p><p>PRECOCE</p><p>Antibioticoprofilaxia adequada:</p><p> Administração de Penicilina Cristalina</p><p>(agente preferível), Ampicilina ou</p><p>Cefalotina/Cefazolina, mais de 4 horas</p><p>antes do parto.</p><p>- Penicilina Cristalina (dose inicial de</p><p>5.000.000 UI, seguidos de 2,5-3.000.000 UI,</p><p>IV, a cada 4 horas, até o nascimento);</p><p>- Ampicilina (dose inicial de 2g, seguido de</p><p>1g, IV, a cada 4 horas até o nasc)</p><p>- Cefazolina (dose inicial de 2g, seguido de</p><p>1 g, IV, a cada 8 horas até o nasc)</p><p> Antibioticoterapia de amplo espectro na</p><p>corioamnionite:</p><p>- ampicilina + gentamicina –> parto vaginal</p><p>- ampicilina + gentamicina + clindamicina –</p><p>> parto cesárea</p><p>SEPSE</p><p>NEONATAL</p><p>TARDIA</p><p>Fatores de Risco para sepse tardia:</p><p> Relacionados ao RN: prematuridade e</p><p>baixo peso (baixa defesa imunológica,</p><p>necessidade de procedimentos</p><p>invasivos e alteração da flora</p><p>bacteriana);</p><p> Relacionados ao local onde o RN está</p><p>internado: superlotação, desproporção</p><p>entre número de RN e número de</p><p>profissionais de saúde.</p><p>Tratado de</p><p>Pediatria 2022</p><p>SEPSE NEONATAL - Exames laboratoriais</p><p>• Hemocultura: (padra ̃o-ouro)</p><p>- Torna-se positiva entre 24-48h. (lembrar EGB)</p><p>- Volume coletado (1mL) em 2 sítios diferentes</p><p>- Hemocultura de controle após 48-72h de tratamento efetivo nos casos</p><p>de identificação de estreptococo do grupo B, BGN ou Staphylococcus</p><p>aureus, para documentar esterilização.</p><p>• HC negativa : - Antibioticoterapia</p><p>- Volume coletado (<1mL)</p><p>SEPSE</p><p>NEONATAL -</p><p>Exames</p><p>laboratoriais</p><p> Cultura de Líquor:</p><p>Indicações:</p><p>- Forte suspeita clínica de sepse;</p><p>- Presença de sinais de meningite</p><p>(convulsões, fontanela abaulada,</p><p>irritabilidade, letargia, hipo ou</p><p>hipertonia);</p><p>- Hemocultura positiva;</p><p>- RN que não foi submetido à coleta de</p><p>LCR e apresentou piora clínica durante</p><p>antibioticoterapia.</p><p>- Sua dosagem seriada ajuda na exclusão</p><p>de infecção</p><p>sistêmica</p><p>SEPSE</p><p>NEONATAL -</p><p>Exames</p><p>laboratoriais</p><p> Hemograma completo: critérios de Rodwell para avaliação do</p><p>escore hematológico, onde cada alteração = 1 ponto (6-12 hrs de</p><p>vida)</p><p>- Leucocitose, leucopenia(GL < 5.000), neutropenia absoluta (<</p><p>1.500).</p><p>- Relação I/T elevada (> 0,2).</p><p>* Escore ≥ 3: grande probabilidade do RN estar com sepse.</p><p> PCR:</p><p> Eleva-se em condições inflamatórias - Baixa sensibilidade para</p><p>triagem Sepse Precoces</p><p> Sua dosagem seriada ajuda na exclusão de infecção sistêmica.</p><p>Aumenta com 24 horas da infecção,</p><p>Pico máximo em 2 a 3 dias –</p><p>Normal com 5 a 10 dias de tratamento adequado.</p><p>(valor é considerado anormal ≥ 1 mg/dL ou 10 mg/L)</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>SEPSE</p><p>NEONATAL</p><p>Medidas gerais:</p><p> Controle de temperatura;</p><p> suporte hemodinâmico e respiratório</p><p> Balanço hídrico adequado e metabólica;</p><p> Correção dos distúrbios de coagulação</p><p> Suporte nutricional;</p><p> Correção da anemia e</p><p> Monitorização rigorosa</p><p>SEPSE</p><p>NEONATAL</p><p>PRECOCE</p><p>Tratamento para sepse precoce:</p><p> Esquema empírico: Ampicilina ou Penicilina G +</p><p>Gentamicina.</p><p>- Meningite sem patógeno identificado: Ampicilina +</p><p>Cefotaxima.</p><p>Líquor / Confirmação Gram negativos Cefalosporina 3ª</p><p>geração -cefotaxima ou cefepima)</p><p> Terapia definitiva: Monoterapia</p><p>- Streptococcus do grupo B (GBS): Penicilina Cristalina</p><p>(pneumonia: 50.000U/kg de 12/12h // meningite: 250.000 a</p><p>450.000U/k/dia divididos de 8/8h).</p><p>- E. coli: Ampicilina é a droga de escolha para espécies</p><p>sensíveis a este antibiótico.</p><p>- Listeria monocytogenes: Ampicilina + Gentamicina.</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Antibióticos devem ser</p><p>suspensos em 36 a 48</p><p>horas, quando o</p><p>diagnóstico de infecção for</p><p>descartado</p><p>SEPSE</p><p>NEONATAL</p><p>TARDIA</p><p>Tratamento para sepse tardia:</p><p> Hospitalar:</p><p> Oxacilina (sem uso prévio de atb) ou Vancomicina</p><p>(pela frequ ̈e ̂ncia do Staphylococcus epidermiditis</p><p>coagulase-negativo, geralmente resistente à oxacilina.)</p><p>+ Aminoglicosídio (gentamicina ou amicacina).</p><p> Uso prévio de ATB ou gravemente enfermo:</p><p>Vancomicina + Cefepime.</p><p> - Meningite concomitante ou bactérias Gram-negativas</p><p>resistentes ao aminoglicosídio: associaça ̃o de um terceiro</p><p>antibiótico (Cefalosporina - Cefepima).</p><p>SEPSE</p><p>NEONATAL</p><p>Tempo de tratamento:</p><p> Sepse com HC negativa sem foco definido: 5 a 7 dias.</p><p> Sepse com HC positiva sem foco definido: 10 dias.</p><p> Pneumonia: 10 a 14 dias.</p><p> Meningite não complicada por estreptococo do grupo B,</p><p>Listeria ou enterococos: 14 dias.</p><p> Meningite não complicada por E. coli ou outro BGN: 21</p><p>dias.</p><p> Meningite com culturas (sangue e LCR) negativas: 10</p><p>dias.</p><p> Outros focos como endocardite, cerebrite, ventriculite,</p><p>osteomielite são tratados por períodos mais longos.</p><p>Discutir individualmente.</p><p>2018 – AAP RN com risco de infecção,</p><p>IG (<34 6/7 semanas e ≥35 semanas)</p><p><34 6/7 semanas:</p><p> Não usar antibióticos em cesáreas eletivas e bolsa</p><p>amniótica íntegra.</p><p> Filhos de mãe com sinais de corioamnionite ou</p><p>trabalho de parto sem causa,</p><p> orienta-se o início de antibiótico precedido</p><p>pela coleta de hemoculturas e reavaliação em</p><p>36 a 48 horas.</p><p> Valorizar o diagnóstico de sepse precoce com</p><p>base em culturas (hemocultura e cultura de</p><p>LCR).</p><p> Não valorizar resultados de hemograma e PCR</p><p>e outros marcadores inflamatórios para</p><p>diagnóstico e continuidade do tratamento da</p><p>sepse precoce.</p><p> RN sintomáticos – iniciado antibiótico por fator de</p><p>risco,</p><p> reavaliar evolução clínica e resultado de</p><p>culturas em 36 a 48 horas;</p><p> suspender antibiótico se culturas negativas</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>≥35 semanas:</p><p>➢ Aparentemente bem</p><p>➢ valorização da observação clínica,</p><p>➢ Investigação completa e início de tratamento</p><p>se sintomas sugestivos de infecção, com</p><p>reavaliação em 36 a 48 horas.</p><p>➢ Os de risco para sepse precoce,</p><p>➢ calculadora de risco para sepse neonatal</p><p>precoce;</p><p>➢ observação clínica aprimorada no RN</p><p>assintomático</p><p>➢ Coleta de culturas e início de antibióticos</p><p>somente se evoluir com sinais clínicos de</p><p>infecção</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>“Infecções Congênitas e Perinatais”</p><p>PUC Minas</p><p>Medicina</p><p>Prof. Dr. SÍLVIO C. ZEPPONE</p><p>Disciplina Práticas de Integralidade em Saúde II - PUC Minas</p><p>2024</p><p>Infecções Perinatais</p><p>Objetivo Geral de Aprendizagem</p><p>Utilizar a literatura indicada como um instrumento para a abordagem das</p><p>Infecções Congênitas no âmbito do médico generalista.</p><p>Objetivos específicos de aprendizagem</p><p>_ Identificar os fatores de risco para as Infecções Congênitas.</p><p>_ Fazer o diagnóstico das Infecções Congênitas, utilizando-se dos fatores de risco, das</p><p>manifestações clínicas e de exames complementares.</p><p>_ Implementar as condutas gerais para a assistência hospitalar ao recém-nascido no âmbito do</p><p>Alojamento Conjunto.</p><p>_ Implementar as condutas adequadas aos diagnósticos realizados no âmbito do Alojamento</p><p>Conjunto.</p><p>Infecções Congênitas e Perinatais</p><p>TORCHES CLAP (Toxoplasmose, Rúbeola, Citomegalovírus (CMV) , vírus Herpes</p><p>simples (VHS), Enterovírus, Sífilis, Chikenpox (vírus Varicela Zoster), Dça de</p><p>Lyme, AIDS, Parvovírus B19</p><p>Brasil: Zika /Dengue e Chinkungunya</p><p>➢ Podem ocorrer em 10 %</p><p>➢ Reabsorção do embrião/abortamento/natimorto/RCIU/prematuridade</p><p>➢ Doenças sistêmicas graves no nascimento</p><p>➢ Tardiamente: sequelas oftalmológicas, auditivas, neurológicas</p><p>Pediatria Ambulatorial 2022</p><p>Pediatria Ambulatorial 2022</p><p>Infecções</p><p>Congênitas e</p><p>Perinatais</p><p>Toxoplasmose</p><p>Sífilis</p><p>HIV – SIDA</p><p>Zika</p><p>Rubéola</p><p>Citomegalovírus</p><p>Herpes simples 1 e 2</p><p>Herpes Zoster (Varicela)</p><p>Tratado de Pediatria 2017</p><p>Toxolasmose -</p><p>Epidemiologia</p><p>Pediatria</p><p>Ambulatorial 2022</p><p>Toxoplasma gondii</p><p>Toxoplasmose congênita:</p><p>• Infecção materna primária</p><p>• Reativação de infecção latente em imunossuprimidas</p><p>Brasil: prevalência de 5 a 23 infectados por cada</p><p>10.000 nascidos vivos</p><p>• Minas Gerais: 13 infectados para cada 10.000 nascidos vivos</p><p>• Rastreamento pré-natal</p><p>Risco de transmissão por via transplacentária: 17-</p><p>65%</p><p>Epidemiologia</p><p> Quanto mais precoce a IG,</p><p>menor a probabilidade de</p><p>transmissão, porém mais grave</p><p>é a infecção</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Etiopatogenia</p><p> Atinge todos sistemas orgânicos do feto, exceto hemácias</p><p> Maior acometimento:</p><p> Túnicas oculares</p><p> SNC – áreas de necrose e calcificações</p><p>Clínica -</p><p>Gestante</p><p>Assintomáticas</p><p>Sintomas inespecíficos:</p><p>• Febre</p><p>• Mialgia</p><p>• Linfadenopatia</p><p>• Odinofagia</p><p>• Exantema maculopapular</p><p>• Hepatoesplenomegalia</p><p>Clínica - RN</p><p>80 a 90% são assintomáticos</p><p>Manifestações viscerais,</p><p>oftalmológicas e neurológicas</p><p>• Forma neurológica</p><p>• Forma generalizada</p><p>Divisão didática:</p><p>Forma</p><p>Neurológica</p><p> Infecção nas fases iniciais da gestação</p><p> Alterações liquóricas</p><p> Calcificações intracranianas</p><p> Hidrocefalia obstrutiva</p><p> Convulsões</p><p> Microcefalia</p><p> Opistótono</p><p> Dificuldade de deglutição</p><p> Paralisia de membros</p><p>Forma</p><p>Generalizada</p><p> Infecção em fases mais tardias da gestação</p><p> Retinocoroidite</p><p> Hepatoesplenomegalia</p><p> Linfadenopatia</p><p> Icterícia</p><p> Trombocitopenia</p><p> Anemia</p><p> Miocardite</p><p> Síndrome nefrótica</p><p> Alterações ósseas</p><p>Forma Generalizada</p><p> Tétrade de Sabin</p><p> Coriorretinite + calcificações intracranianas difusas + hidrocefalia ou microcefalia +</p><p>retardo mental</p><p> Tardiamente predominam as sequelas oftalmológicas</p><p> Coriorretinite</p><p> Microftalmia</p><p> Catarata</p><p> Glaucoma</p><p> Estrabismo</p><p> Descolamento de retina</p><p>Imagem</p><p> Rx crânio: calcificações</p><p>intracranianas difusas</p><p> TC de crânio e USG: diagnóstico</p><p>mais preciso das lesões</p><p> Atrofia cortical, dilatações</p><p>ventriculares e calcificações</p><p>difusas não diagnosticadas no</p><p>Rx</p><p>Diagnóstico - Gestante</p><p>• IgM – eleva 1-2 semanas após infecção e permanece</p><p>positivo por 2-3 meses</p><p>• IgG – eleva 1-2 semanas após infecção, com pico em 3-6</p><p>meses. Sempre positiva pelo resto da vida</p><p>Primeira consulta: sorologia materna</p><p>• Alta (>60%): infecção mais antiga (3-4 meses)</p><p>• Baixa (<30%): infecção</p><p>recente</p><p>Teste de Avidez do IgG</p><p>Interpretação dos exames</p><p>• Provável infecção antiga. Gestante imuneIgM – e IgG +</p><p>• Gestante susceptível. Orientar e repetir</p><p>sorologia trimestralmenteIgM – e IgG –</p><p>• Infecção inicial ou falso positivo. Repetir</p><p>sorologia em 2 semanasIgM + e IgG –</p><p>• IgM residual ou infecção aguda. Solicitar</p><p>teste de avidez de IgGIgM + e IgG +</p><p>Diagnóstico -</p><p>Fetal</p><p>Ultrassonografia fetal: alargamento dos</p><p>ventrículos cerebrais, calcificações</p><p>intracranianas, calcificações de plexo</p><p>coroide, aumento da espessura da</p><p>placenta, ascite, hepatoesplenomegalia;</p><p>Amniocentese e PCR: realizada a partir</p><p>das 18 semanas para detecção do DNA do</p><p>toxoplasma pelo método de PCR. Se</p><p>confirmar infecção fetal, tratar.</p><p>Tratado de Pediatria 2021</p><p>Diagnóstico -</p><p>RN</p><p>Hemograma: Linfocitose com eosinofilia (até 20%);</p><p>Bioquímica:↑bilirrubina direta;</p><p>Neuroimagem: USG transfontanela ou TCC auxiliam na</p><p>identificação de dilatações ventriculares ou</p><p>calcificações intracranianas;</p><p>Líquor: alterações em cerca de 35% dos casos →LCR</p><p>terá aspecto xantocrômico, ↑ proteínas e ↓ níveis de</p><p>glicose. Citometria com pleocitose à custa de células</p><p>linfomonocitárias, além de ↑ eosinófilos.</p><p>Diagnóstico - RN</p><p> Oftalmoscopia: pesquisa de coriorretinite e neurites.</p><p> Se toxoplasmose congênita confirmada: exame oftalmológico a cada 6 meses até a</p><p>idade escolar e depois anualmente;</p><p> Pesquisa do Agente Etiológico: encontrado em líquor, sangue periférico ou do</p><p>cordão umbilical e urina;</p><p> Toxoplasmose congênita: confirmação por IgM ou IgA nos primeiros 6 meses</p><p>de vida, persistência de IgG após os 12 meses ou ↑ da afinidade de IgG no</p><p>teste de avidez nos primeiros meses.</p><p>Tratamento</p><p>Tratamento por 12 meses, independente</p><p>de apresentarem ou não sinais/sintomas</p><p>da doença:</p><p>1. Pirimetamina: 1 mg/kg/dia, por dois a</p><p>seis meses. A seguir, 1 mg/kg três vezes</p><p>por semana, até completar um ano de</p><p>utilização do medicamento;</p><p>2. Sulfadiazina ou Trissulfapiridinas: 100</p><p>mg/kg/dia via oral, duas vezes ao dia.</p><p>Tratamento</p><p>3. Glicocorticoide</p><p>(Prednisona): 1 mg/kg/dia</p><p>(se coriorretinite grave ou</p><p>PTN no LCR > 1g/dL);</p><p>4. Ácido folínico: Sempre</p><p>deve ser utilizado durante</p><p>o uso de pirimetamina,</p><p>para diminuir a toxicidade</p><p>(neutropenia/anemia) →</p><p>10 mg administrados três</p><p>vezes por semana.</p><p>Tratamento</p><p>As crianças adequadamente tratadas: negativação de IgG ou</p><p>queda após seis meses da suspensão dos medicamentos;</p><p>Os neonatos assintomáticos, filhas de mães com diagnóstico</p><p>possível ou inconclusivo, deverão realizar sorologias a cada dois</p><p>meses, com fundo de olho, USG de fontanela e hemograma;</p><p>A criança não infectada é aquela que possui duas sorologias</p><p>consecutivas negativas.</p><p>Sífilis Congênita</p><p>Sífilis</p><p>Congênita (SC)</p><p> Aumento do número de casos</p><p> A SC é o resultado da transmissão da</p><p>espiroqueta do Treponema pallidum da</p><p>corrente sanguínea da gestante</p><p>infectada para o concepto por via</p><p>transplacentária ou, ocasionalmente,</p><p>por contato direto com a lesão no</p><p>momento do parto (transmissão</p><p>vertical)</p><p> A maioria dos casos:</p><p>▪ mãe não foi testada para sífilis durante o</p><p>pré-natal</p><p>▪ recebeu tratamento não adequado para</p><p>sífilis antes ou durante a gestação</p><p>Epidemiologia 2020 notificados 61.441 casos de sífilis Brasil</p><p> 22.065 casos de Sífilis congênita (incidência 7,7/1000</p><p>nascidos vivos)</p><p>Pediatria Ambulatorial 2022</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Sífilis</p><p>Congênita</p><p>(SC)</p><p> A avaliação inicial da criança exposta à sífilis</p><p>ou com sífilis congênita é realizada:</p><p> Histórico materno de sífilis quanto ao tratamento e</p><p>seguimento na gestação;</p><p> Sinais e sintomas clínicos da criança (na maioria</p><p>das vezes ausentes ou inespecíficos);</p><p> Teste não treponêmico periférico da criança</p><p>comparado com o da mãe.</p><p>ATENÇÃO INTEGRAL ÀS PESSOAS COM INFECÇÕES</p><p>SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (IST) 2019</p><p>ATENÇÃO INTEGRAL ÀS PESSOAS COM INFECÇÕES</p><p>SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (IST) 2019</p><p>Sífilis Congênita (SC)- Expostos</p><p>Testagem em crianças expostas a Sífilis</p><p> RN- teste não treponêmico (VDRL), um título maior que o</p><p>materno em pelo menos duas diluições</p><p> Seguimento – espera-se que decline aos 3meses e negative</p><p>aos 6meses</p><p> Consultas ambulatoriais de puericultura</p><p>Nesses dois casos, notifica-se SC</p><p>• punção lombar - LCR e análise do VDRL, contagem celular e</p><p>proteína, devendo ser tratadas durante dez dias com</p><p>penicilina parenteral (neurossífilis)</p><p>ATENÇÃO INTEGRAL ÀS PESSOAS COM INFECÇÕES</p><p>SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (IST) 2019</p><p>Sífilis Congênita (SC)</p><p>ATENÇÃO INTEGRAL ÀS PESSOAS COM INFECÇÕES</p><p>SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (IST) 2019</p><p>Sífilis</p><p>Congênita</p><p>(SC)-</p><p>Laboratorial</p><p>Hemograma completo – maternidade e no seguimento</p><p>s/n</p><p>Transaminases - maternidade e no seguimento s/n</p><p>Eletrólitos - maternidade e no seguimento s/n</p><p>Líquor - maternidade e no seguimento cada 6meses até</p><p>normalização dos valores</p><p>Rx ossos longos de acordo com alterações clínicas</p><p>Rx tórax de acordo com alterações clínicas</p><p>Sífilis Congênita (SC)- Neurossífilis</p><p>O teste VDRL reagente é o parâmetro mais importante, com</p><p>90% de especificidade e 54% de sensibilidade</p><p>ATENÇÃO INTEGRAL ÀS PESSOAS COM INFECÇÕES</p><p>SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (IST) 2019</p><p>Seguimento Ambulatorial de SC:</p><p>Seguimento habitual na rotina da puericultura, conforme recomendação</p><p>da Saúde da Criança: na 1ª semana de vida e no 1º, 2º, 4º, 6º, 9º, 12º e</p><p>18º mês), com retorno para checagem de exames complementares, se for</p><p>o caso.</p><p>ATENÇÃO INTEGRAL ÀS PESSOAS COM INFECÇÕES</p><p>SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (IST) 2019</p><p>FLUXOGRAMA MS (IST) 2021</p><p>FLUXOGRAMA MS (IST) 2021</p><p>ATENÇÃO INTEGRAL ÀS PESSOAS COM INFECÇÕES</p><p>SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (IST) 2019</p><p>HIV</p><p>A transmissão de HIV sem prevenção situa-se ao</p><p>redor de 25%.</p><p>• 75% dos casos no trabalho de parto e</p><p>• 25% ocorrem durante a gestação.</p><p>O Brasil tem como meta eliminação da transmissão</p><p>vertical do HIV (menos de 1% de transmissão)</p><p>Há gestantes portadoras do HIV que não recebe</p><p>antirretrovirais (ARV) durante a gravidez, sendo a</p><p>quimioprofilaxia para o recém-nascido fundamental</p><p>para reduzir o risco de transmissão vertical do HIV.</p><p>Brasil. Ministério da Saúde. Fluxogramas 2022</p><p>FLUXOGRAMA MS (IST) 2022</p><p>9/3/2024</p><p>9/3/2024</p><p>9/3/2024</p><p>FLUXOGRAMA MS (IST) 2022</p><p>FLUXOGRAMA MS (IST) 2022</p><p>FLUXOGRAMA MS (IST) 2022</p><p>FLUXOGRAMA MS (IST) 2022</p><p>FLUXOGRAMA MS (IST) 2022</p><p>FLUXOGRAMA MS (IST) 2022</p><p>Zika</p><p> Zika virus (ZIKV) é um RNA vírus, do gênero</p><p>Flavivírus, família Flaviviridae.</p><p> Foi identificado em 1947, na floresta Zika, em</p><p>Uganda</p><p> O primeiro caso de isolamento do ZIKV em</p><p>humanos foi realizado no soro de uma menina</p><p>nigeriana de 10 anos de idade que apresentava</p><p>a doença no 5º dia, com febre e cefaléia,</p><p>durante a investigação de um surto com</p><p>suspeição de febre amarela .</p><p> O ZIKV é transmitido através da picada de</p><p>mosquitos do genero Aedes</p><p>( semelhante dengue )</p><p> Menos frequentemente, a transmissão do ZIKV</p><p>tem sido relatada através da via sexual,</p><p>perinatal (intraparto de uma mãe para a</p><p>criança em período de viremia), por</p><p>hemotransfusão e transmissão ocupacional</p><p> Não há relato de transmissão através do</p><p>aleitamento materno apesar do RNA do ZIKV</p><p>ter sido encontrado no leite humano</p><p> Anomalias congênitas ocorrem em até 15% das</p><p>crianças cujas mães foram expostas ao vírus no</p><p>primeiro trimestre</p><p> risco de transmissão vertical e congênita ainda</p><p>não está totalmente esclarecido, sendo</p><p>estimado ser de aproximadamente 20%.</p><p> Outubro de 2015 foi relatado o aumento de</p><p>crianças nascidas no Brasil com microcefalia.</p><p>Associação com clínica de gestantes com zika</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>o tropismo viral pelos progenitores de células neurais</p><p>• desenvolvimento cerebral:</p><p>• interrupção da migração celular no neocortex e progressão frontal de estruturas</p><p>importantes do sistema nervoso central,</p><p>• lesões irreversíveis nos fetos gravemente afetados.</p><p>microcefalia,</p><p>desproporção</p><p>craniofacial,</p><p>colapso do crânio (depressão biparietal com protrusão occipital),</p><p>couro cabeludo enrugado e</p><p>graves alterações neurológicas</p><p>• (irritabilidade excessiva, convulsões, clonus exacerbado, sintomas piramidais e</p><p>extrapiramidais, disfagia, persistência de reflexos primitivos, artrogripose)</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Comparação de sinais e sintomas para Dengue,</p><p>Chikungunya e Zika.</p><p>Sinais/Sintomas Dengue Chikungunya Zika</p><p>Febre ++++ +++ 0/++</p><p>Tempo de febre 4-7 dias 2-3 dias 1-2 dias</p><p>Mialgia/artralgia +++ ++++ ++</p><p>Edema de extremidades ++</p><p>Exantema maculopapular ++ ++ +++</p><p>Frequência do exantema 30%-50% 50% 90%-100%</p><p>Prurido + + ++/+++</p><p>Dor retroorbitária ++ + ++</p><p>Conjuntivite + +++</p><p>Linfadenopatia ++ ++ +</p><p>Hepatomegalia +++</p><p>Leucopenia/trombopenia +++ +++</p><p>Hemorragia +</p><p>Diagnóstico</p><p> Infecção ou doença aguda é baseado na detecção do RNA viral</p><p> quando a genitora foi infectada próximo ao parto, o PCR pode ajudar no</p><p>diagnóstico do RN.</p><p> Viremia curta nos primeiros 3 a 5 dias depois do início dos sintomas.</p><p> Na saliva > frequência que sangue 1ª semana</p><p> urina por mais de 10 dias</p><p> Após 5 dias de evolução é possível o diagnóstico sorológico (ELISA ou</p><p>imunofluorescência) através de pesquisa de anticorpos IgM e IgG anti-</p><p>Zika. (Reação cruzada com Dengue/ febre amarela)</p><p> Recomenda-se a confirmação por técnica de neutralização, soroconversão</p><p>ou o aumento de quatro vezes os títulos, em amostras pareadas da fase</p><p>aguda e de convalescência.</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Neuroimagem</p><p>calcificações cranianas, corticais e</p><p>subcorticais,</p><p>ventriculomegalia,</p><p>hipoplasia cerebelar,</p><p>hipoplasia do corpo caloso,</p><p>atrofia cortical e subcortical</p><p>e retardo na mielinização.</p><p>Alterações oculares são comuns.</p><p>Diagnóstico</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Rubéola</p><p>O vírus da rubéola, um vírus RNA envelopado, é</p><p>transmitido por gotículas respiratórias, causando, em sua</p><p>maioria, doença leve em crianças.</p><p>Em adultos, é uma doença autolimitada caracterizada por</p><p>erupção cutânea ou infecção assintomática (25-50%).</p><p>A transmissão da mãe para o feto é frequente (50%)</p><p>quando a infecção materna ocorre no primeiro trimestre,</p><p>mas é < 1% após 12 semanas gestacionais.</p><p>Óbito fetal ou abortamento ou as anomalias da síndrome</p><p>da rubéola congênita (SRC) ocorrem quando a infecção</p><p>materna se dá no primeiro trimestre da gestação.</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p> Vacina contra rubéola, na década de 1960,</p><p> implementação da triagem universal pré-natal e</p><p> vacinação de mulheres pré-gravidez e pós-parto,</p><p> a incidência de rubéola congênita diminuiu substancialmente em várias partes</p><p>do mundo.</p><p> Brasil cumpriu a meta de eliminação da rubéola e da SRC até o ano de 2010.</p><p> 2010 a 2014 não foram mais registrados casos da doença.</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Rubéola</p><p>Diagnóstico Rúbeola</p><p>Infecção materna deve ser feito por testes de detecção de</p><p>anticorpos específicos das classes IgG e IgM.</p><p>Infecção fetal inclui a detecção de IgM fetal após 22-24</p><p>semanas de gestação ou cultura viral do líquido amniótico.</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Brasil país sem circulação da doença desde 2015.</p><p>Américas primeira região livre da transmissão endêmica</p><p>da rubéola.</p><p>Queda da cobertura vacinal ALERTA</p><p>Rúbeola – Manifestações</p><p>Clínicas</p><p> Manifestações Sistêmicas:</p><p>➢ CIUR</p><p>➢ Hepatoesplenomegalia</p><p>➢ Hepatite</p><p>➢ Trombocitopenia</p><p>➢ Pneumonite</p><p>➢ Anemia Hemolítica</p><p>➢ Exantema crônico</p><p>➢ Adenopatia</p><p>➢ Miosite e diarréia</p><p>➢ Cardíacas: Miocardite, endocardite, ICC</p><p>➢ Neurológicas: Meningite, encefalite</p><p>➢ Perda auditiva Neurossensorial</p><p>➢ Oculares: microftalmia, catarata, glaucoma, retinopatia de “sal e</p><p>pimenta”</p><p>Pediatria Ambulatorial</p><p>2022</p><p>Citomegalovírus (CMV)</p><p> é a causa mais comum de infecção congênita no mundo,</p><p> prevalência em 5-20/1.000 nascimentos.</p><p> Mais comum em populações de menor nível socioeconômico e</p><p> Maior soroprevalência entre mulheres em idade fértil.</p><p> Infecção congênita por CMV afete 5- 10:1.000 RN brasileiros.</p><p> Transmissão fetal</p><p> mulheres com infecção primária</p><p> mulheres com infecção pregressa e reativação de infecção latente ou reinfecção</p><p>com nova cepa viral (infecção não primária).</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Epidemiologia</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>CMV – Clínica</p><p>➢ 10-15% dos recém-nascidos infectados terão doença aparente ao nascer</p><p>(sintomáticos).</p><p>➢ Achados leve, isolados e transitórios a moderados ou graves,</p><p>➢ Multissistêmico (trombocitopenia, petéquias, anemia, hepatite,</p><p>hepatoesplenomegalia, pneumonite, restrição do crescimento intrauterino,</p><p>microcefalia, calcificações intracerebrais, ventriculomegalia, malformações</p><p>corticais e/ou cerebelares, corioretinite e perda auditiva).</p><p>➢ 85-90% de RN com CMVc será assintomático e não reconhecido no período</p><p>neonatal.</p><p>➢ Mas as sequelas, aparecerão com perda auditiva neurossensorial/nascimento ou</p><p>nos primeiros 24 meses de vida.</p><p>➢ 6-23% dos RN assintomáticos</p><p>➢ 22-95% dos sintomáticos,</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p> tomografia</p><p>computadorizada do</p><p>encéfalo em corte axial</p><p>mostrou calcificações</p><p>periventiculares e</p><p>microcefalia</p><p>CMV – Clínica</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>➢ infeção pelo CMV pode ser transmitida no período peri</p><p>e pós-natal (secreções vaginais e aleitamento</p><p>materno)</p><p>➢ DNA-CMV após 3 semanas - infecção perinatal e não a</p><p>congênita.</p><p>➢ perinatal / não causa manifestações ou repercussões</p><p>clínicas, e quando ocorrem são manifestações</p><p>transitórias.</p><p>CMV –</p><p>Tratamento</p><p>definitivo exclusivamente pela detecção do vírus ou de seu DNA por meio do teste</p><p>de PCR em urina ou saliva até 3 semanas de idade.</p><p>detecção de IgM anti-CMV é pouco sensível para diagnosticar CMVc.</p><p>infeção pelo CMV é frequentemente transmitida no período peri e pós-natal</p><p>(secreções vaginais e aleitamento materno),</p><p>DNA-CMV após 3 semanas poderá refletir a infecção perinatal e não a congênita.</p><p>perinatal / não causa manifestações ou repercussões clínicas, e quando ocorrem</p><p>são manifestações transitórias.</p><p>Segundo o consenso atual, RN com CMVc assintomáticos ou levemente sintomáticos</p><p>não devem ser tratados.</p><p>Não há evidências robustas que indiquem tratamento para o RN com perda auditiva</p><p>isolada.</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Prevenção CMV</p><p>Prevenção da infecção gestacional por citomegalovírus</p><p>•Alimentos</p><p>•Utensílios para alimentação</p><p>•Escovas de dente</p><p>•Saliva (evite saliva ao beijar, beije na testa e não próximo à boca)</p><p>•Chupeta</p><p>NÃO COMPARTILHAR (boca a boca)</p><p>•Lave as mãos com água e sabão por 15-20 segundos (troca de fraldas, secreções</p><p>nasais, saliva, alimentação)</p><p>•Limpe brinquedos e superfícies contaminadas com saliva ou urina</p><p>SIM</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Herpes simples</p><p>vírus (HSV)</p><p> O HSV é vírus DNA membro da família</p><p>Herpesviridae.</p><p> Transmitidos através de MUCOSAS - Infecta o ser</p><p>humano através de inoculação oral, genital,</p><p>mucosa conjuntival ou pele com solução de</p><p>continuidade.</p><p> Infecta os nervos terminais de onde é</p><p>transportado, via axônios, até as raízes</p><p>ganglionares dorsais, onde permanece latente</p><p>durante toda a vida do hospedeiro.</p><p> Dois tipos de HSV de interesse humano são</p><p>descritos: HSV1 e HSV2</p><p> VHS-1 - lesões orofaciais/ gânglios trigêmeos.</p><p> VHS-2 gânglios lombossacrais.</p><p> Ambos podem causar lesões genitais,</p><p> infecção pelo VHS-2 sexualmente transmissível e</p><p>muito prevalente.</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>HSV epidemiologia</p><p> de 2/3 das gestantes apresentam infecções assintomáticas e/ou subclínicas.</p><p> A soroprevalência geral de anticorpos anti-VHS em gestantes é geralmente alta,</p><p>variando em diferentes populações. Tanto a primoinfecção quanto a infecção</p><p>recorrente (reinfecção ou reativação de infecção latente) podem ser transmitidas</p><p>pela grávida para seu filho.</p><p> Essa transmissão se faz principalmente no período perinatal (80-90%), podendo</p><p>ainda haver transmissão pós-natal.</p><p> 30-50% dos bebês adquirem o VHS na vigência de primoinfecção materna próxima</p><p>ao parto,</p><p> enquanto < 1% será infectado por gestantes com soropositividade anterior.</p><p> Estima-se que a incidência de infecção perinatal por esse vírus seja em torno de</p><p>1/3.000 a 1/20.000 nascidos anualmente nos EUA, sendo mais comum em mães</p><p>jovens, com infecção recente, idade gestacional < 32 semanas, parto vaginal, com</p><p>lesões ativas em mucosas vulvovaginais e naquelas com amniorrexe precoce.</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Transmissão HSV</p><p>3 modos de transmissão da infecção:</p><p> Intrauterina: muito rara. Viremia materna ou infecção ascendente do trato</p><p>genital, mesmo com membranas íntegras;</p><p> Perinatal: responde por 85% do total. Contato do recém-nascido com o trato</p><p>genital materno infectado, com lesões ou não;</p><p> Pós-natal: cerca de 10% das infecções. Cuidador com infecção ativa (p.ex.,</p><p>herpes labial) tem contato próximo com um recém-nascido.</p><p>Infecção intrauterina HSV</p><p>Viremia materna predominam sinais de infecção placentária, como infarto,</p><p>necrose, calcificações e sinais de envolvimento fetal grave como hidropsia.</p><p>A morte do concepto geralmente ocorre.</p><p>Sobreviventes exibem lesões de pele (vesículas, ulcerações ou cicatrizes), lesões</p><p>oculares e graves anomalias do SNC, como microcefalia e hidranencefalia.</p><p>Infecção perinatal HSV</p><p> Recém-nascidos infectados são raramente sintomáticos ao nascer</p><p> Doença localizada na pele, olhos e boca: os sintomas 2 semanas de vida. Vesículas</p><p>agrupadas sob uma base eritematosa que podem estar localizadas ou disseminadas</p><p>+hiperemia conjuntival, com lacrimejamento intenso+ úlceras orais)</p><p> Doença do SNC: 2ª / 3ª semana de vida. (60/70% dos RNs com lesões pele)</p><p>convulsões, letargia, irritabilidade, tremores, recusa alimentar, instabilidade térmica</p><p>e fontanela anterior tensa. O liquor apresenta pleiocitose à custa de células</p><p>mononucleares, glicose relativamente baixa e proteína moderadamente elevada. O</p><p>eletroencefalograma (EEG) apresenta alterações precoces, como descargas</p><p>epileptiformes focais ou multifocais;</p><p> Doença disseminada: ocorre em 25% dos casos. (Sepsis-like)</p><p>Múltiplos órgãos: fígado, pulmões, adrenais, SNV, pele, olhos e boca. As</p><p>manifestações clínicas são muito semelhantes à sepse</p><p>(mortalidade ultrapassa 80% nessa forma de doença)</p><p>Diagnóstico</p><p>HSV</p><p> Todos os recém-nascidos com suspeita</p><p> Rastreamento para infecção por HSV.</p><p> Laboratorial : hemograma completo, transaminases, bilirrubinas,</p><p>ureia e creatinina, amônia, PCR para HSV DNA no sangue, liquor</p><p>com PCR para HSV DNA, swab das lesões de pele e mucosas para</p><p>identificação do HSV por imunofluorescência direta e cultura viral.</p><p> O isolamento do vírus em cultura (muito específica mas não</p><p>disponível na prática diária)</p><p> Detecção do HSV DNA pela PCR tem sido o método de escolha para</p><p>o diagnóstico de infecção pelo vírus HSV (alta sensibilidade)</p><p> A imunofluorescência direta - rápida identificação do antígeno</p><p>viral, além de identificar o tipo (HSV1 ou HSV2).</p><p> Os testes sorológicos não ajudam no diagnóstico da infecção</p><p>neonatal, mas podem ser usados no pré-natal, como método de</p><p>prevenção da infecção congênita</p><p>Avaliação por bioimagem HSV</p><p>Usom</p><p>• A ultrassonografia fetal pode ser útil ao demonstrar as lesões no cérebro fetal,</p><p>porém,</p><p>Diagnóstico deve ser confirmado pela ressonância magnética,</p><p>que tem mostrado melhor sensibilidade que a TC,</p><p>principalmente no acompanhamento de lesões cerebrais.</p><p>A radiografia de tórax pode ser útil para demonstrar pneumonite</p><p>intersticial,</p><p>Ultrassonografia abdominal pode mostrar o envolvimento do</p><p>fígado, rins e ascite.</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Prevenção HSV</p><p>A prevenção pós-natal</p><p>Evitar o contato com as lesões maternas e lavar</p><p>adequadamente as mãos durante o manuseio do RN.</p><p>Amamentação só deve ser evitada caso haja lesões nas</p><p>mamas.</p><p>Se houver herpes labial, a puérpera deverá usar</p><p>máscara</p><p>Tratado de Pediatria 2022</p><p>Varicela-</p><p>Zoster</p><p>Ocasionada por uma infecção primária causada pelo</p><p>vírus da varicela-zoster. Se acometer a raiz do</p><p>gânglio dorsal será denominada herpes-zoster.</p><p>Pode ocasionar a síndrome da varicela congênita,</p><p>caracterizada por:</p><p>• Defeitos cutâneos;</p><p>• Cicatrizes de pele distribuídas por dermátomos;</p><p>• Atrofia de extremidades;</p><p>• Hipoplasia de membros;</p><p>• Bexiga neurogênica;</p><p>• Estenose de duodeno;</p><p>• Catarata congênita;</p><p>• Coriorretinite;</p><p>• Microftalmia;</p><p>• Atrofia cortical.</p><p>Livro de Bolso 2016</p><p>Varicela no</p><p>periparto</p><p> Resulta em varicela congênita:</p><p> Se adquirida entre o 21º e o 5º dia antes</p><p>do parto: resulta em forma leve;</p><p> Se adquirida entre o 5º antes do parto e</p><p>o 2º dia de vida do RN: pode acometer</p><p>vísceras, com mortalidade > 30%.</p><p>Diagnóstico – Varicela congênita</p><p>Clínico;</p><p>Isolamento viral em cultura de fluido vesicular;</p><p>Sorologia: anticorpos IgM no feto ou PCR</p><p>• Procurar por deformidade de membro, microcefalia, hidrocefalia,</p><p>polidramnia, calcificação de tecidos moles e restrição de crescimento</p><p>intrauterino.</p><p>Ultrassonográfico: deve ser realizado 5 semanas após a</p><p>erupção cutânea.</p><p>Livro de Bolso 2016</p><p>Tratamento</p><p> RN de mães com varicela 5 dias antes</p><p>do parto até 2 dias após o parto;</p><p> Administrar Imunoglobulina especifica</p><p>para varicela zoster (VZIG) dose de 125</p><p>UI para cada 10 kg, via intramuscular,</p><p>até no máximo 96 horas de vida.</p><p> Precauções - RN com varicela:</p><p> isolamento respiratório e de contato;</p><p> Mãe com varicela 5 dias antes e 2 dias</p><p>após o parto: isolar mãe e RN</p><p>separados;</p><p> Varicela intra-hospitalar: ficar em</p><p>isolamento entre o 8 e o 21º dia após</p><p>contato com caso índice;</p><p> Se recebeu VZIG, isolar até 28 dias</p><p>após o contato.</p><p>Livro de Bolso 2016</p><p>REFERÊNCIAS</p><p> CAMPOS JUNIOR, Dioclécio. Tratado de pediatria. 3. São Paulo</p><p>Manole 2021 1</p><p> Guia de bolso de neonatologia / editor Mauricio Magalhães. -- 2.</p><p>ed. -- São Paulo: Editora Atheneu, 2016 . Santa Casa São Paulo</p><p> HMOB / Manual de Rotinas e Protocolos: Fluxogramas e tabelas.</p><p>Belo Horizonte: 2010</p><p> Protocolo Clínico E Diretrizes Terapêuticas Para Atenção Integral Às</p><p>Pessoas Com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) 2019.</p><p>Ministério da Saúde</p><p> Fluxograma para prevenção de HIV Sífilis e Hepatite B e C 2022.</p><p>Ministério da Saúde</p><p> Toxoplasmose Congênita. Protocolo HC Ribeirão Preto. 2017</p><p> Protocolo De Atenção À Saúde e Resposta à Ocorrência de</p><p>Microcefalia relacionada à Infecção Pelo Vírus Zika. 2015.</p><p> Clinical features, evaluation, and diagnosis of sepsis in term and</p><p>late preterm infants. www.uptodate.com ©2022 UpToDate</p><p> Pediatria Ambulatorial 2022</p>