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1 - Anatomia Orientada para a Enfermagem

Trecho de apostila sobre Anatomia Orientada para a Enfermagem: define anatomia, apresenta abordagens regional, aplicada e sistêmica, destaca sua importância na prática de enfermagem e explica terminologia anatômica e posição anatômica.

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<p>Anatomia Orientada para a Enfermagem</p><p>I. Introdução</p><p>Definição de Anatomia</p><p>De acordo com estudos, a Anatomia é estudada e desenvolvida desde a Grécia Antiga, concerne e data das atividades de Hipócrates (conhecido como o pai da Medicina). Para tanto, é possível descrever o termo em “cortar em partes”, já que “ana” quer dizer ‘em partes’ e “tome”, ‘corte’.</p><p>É importante resgatar alguns conceitos trazidos por anatomistas consagrados, por exemplo:</p><p>Segundo Moore, a anatomia é o cenário (estrutura) onde acontece os diversos eventos vitais (funções);</p><p>Já, condizente com Tortora, a anatomia é basicamente o estudo das estruturas que formam o corpo humano e as suas correlações;</p><p>Conforme Borges, a anatomia é a parte da morfologia (ciência geral que estuda a forma humana) que se ocupa dos aspectos macroscópicos do corpo humano;</p><p>Em concordância com Fattini, a anatomia é a ciência que estuda, macro e microscopicamente, a constituição e o desenvolvimento dos seres organizados.</p><p>Para o estudo da Anatomia, geralmente se é utilizada alguma abordagem anatômica, sendo que as três principais são: regional, aplicada (clínica) e sistêmica.</p><p>A anatomia regional corresponde à divisão de segmentos ou partes do corpo. É chamada de anatomia topográfica. Geralmente se estuda uma região ou parte específica (como cabeça), avançado para uma área (como face) e, posteriormente, para um espaço mais focalizado (órbita do olho) e suas relações com estruturas interiores e adjacentes.</p><p>A anatomia aplicada (clínica) enfatiza aspectos da estrutura e da função do corpo importantes na prática da Enfermagem e outras áreas da saúde. Inclui os métodos regional e sistêmico de estudo da anatomia e enfatiza a aplicação clínica.</p><p>A anatomia sistêmica é o estudo dos sistemas que atuam em conjunto para realizar funções complexas. Por exemplo, alguns sistemas básicos: o tegumento (pele e seus anexos), esquelético, muscular, articular, circulatório (cardiovascular, linfático e digestório), respiratório, endócrino, genital e urinário</p><p>Importância da Anatomia para a Enfermagem</p><p>A anatomia confere diversas competências e habilidades ao enfermeiro. De acordo com uma pesquisa realizada, dentre as contribuições dessa disciplina estão:</p><p>→ confere uma futura compreensão entre processos patológicos e problemas clínicos;</p><p>→ é indispensável à Enfermagem, pois as estruturas anatômicas estão relacionadas aos procedimentos e exame físico durante a consulta de enfermagem.</p><p>→ é capaz de garantir a segurança do paciente, já que confere ao profissional uma maior responsabilidade e competência em desenvolver estudos clínicos;</p><p>→ proporciona maior autoconfiança ao estudante de enfermagem ou profissional;</p><p>→ a partir da semiologia, a anatomia pode oferecer a capacidade de reconhecer achados (sinais clínicos) incomuns ou de encontro aos padrões de referência.</p><p>Terminologia Anatômica</p><p>A terminologia anatômica internacional possibilita a comunicação precisa entre profissionais de saúde, já que a interdisciplinaridade é essencial à maioria dos tratamentos à prevenção de doenças, e cientistas do mundo todo.</p><p>A terminologia anatômica, ou nômina anatômica, é um compilado de termos padronizados utilizados internacionalmente para nomear as estruturas e regiões anatômicas.</p><p>Infelizmente, a terminologia usada habitualmente na clínica pode ser diferente da TA. Os epônimos, termos que incorporam nomes de pessoas, não são usados na TA porque não indicam o tipo nem a localização das estruturas designadas. Por exemplo, ângulo do esterno (ângulo de Louis).</p><p>Muitos termos fornecem informações sobre o formato, o tamanho, a localização ou a função de uma estrutura ou sobre a semelhança entre duas estruturas. Por exemplo, alguns músculos têm nomes descritivos que indicam suas principais características. O músculo deltoide, que cobre a extremidade do ombro, é triangular, como o símbolo de delta, a quarta letra do alfabeto grego. O sufixo oide significa "semelhante"; portanto, deltoide significa semelhante a delta. Bíceps significa que tem duas cabeças e tríceps, que tem três cabeças.</p><p>A terminologia anatômica emprega a lógica para designar os músculos e outras partes do corpo, e se você aprender seu significado e pensar nele quando estiver lendo e dissecando, será mais fácil lembrar-se dos termos.</p><p>A nomenclatura anatômica utiliza-se de muitos termos que podem ser abreviados para facilitar e acelerar a escrita, como em prontuários ou livros, quando os termos se repetem muitas vezes. Confira o quadro a seguir extraído de Borges:</p><p>Posição anatômica</p><p>Todas as descrições anatômicas são expressas em relação a uma posição anatômica constante, garantindo que as descrições não sejam ambíguas.</p><p>Em anatomia, a posição anatômica é a posição padrão de referência para a descrição de estruturas anatômicas.</p><p>A posição anatômica refere-se à posição do corpo como se a pessoa estivesse de pé, com:</p><p>→ A cabeça nivelada, os olhos (ao nível do horizonte) e os dedos dos pés voltados anteriormente (para frente);</p><p>→ Os braços ao lado do corpo, com as palmas voltadas anteriormente;</p><p>→ Os membros inferiores próximos, com os pés paralelos, voltados anteriormente e apoiados ao solo.</p><p>Posição anatômica.</p><p>Planos anatômicos</p><p>As descrições anatômicas baseiam-se em quatro planos imaginários (mediano, sagital, frontal e transverso) que cruzam o corpo na posição anatômica:</p><p>→ O plano mediano (plano sagital mediano), é o plano anteroposterior vertical que passa longitudinalmente através das linhas medianas da cabeça, do pescoço e do tronco, onde intercepta a superfície do corpo, dividindo-o em metades direita e esquerda. Muitas vezes o termo “linha mediana” é erroneamente usado como sinônimo de plano mediano;</p><p>→ Os planos sagitais são planos verticais que atravessam o corpo paralelamente ao plano mediano. Embora seja muito usado, o termo “parassagital” é desnecessário, porque todo plano paralelo ao plano mediano, situado a cada lado dele, é, por definição, sagital. Entretanto, um plano paralelo ao plano mediano e próximo a ele pode ser denominado plano paramediano;</p><p>→ Os planos frontais (coronais) são planos verticais que atravessam o corpo formando ângulos retos com o plano mediano, dividindo o corpo em partes anterior e posterior;</p><p>→ Os planos transversos são planos horizontais que atravessam o corpo formando ângulos retos com os planos mediano e frontal, dividindo o corpo em partes superior e inferior. Os radiologistas referem-se aos planos transversos como transaxiais, que costumam ser abreviados como planos axiais.</p><p>Segundo Tortora e Nielsen (2017), é importante ressaltar que os planos oblíquos também são muito utilizados, sendo conceituados como qualquer corte que passe pelo corpo em uma angulação que não seja a de 90°.</p><p>Planos anatômicos.</p><p>Cortes ou Secções</p><p>Secções são cortes do corpo ou de um de seus órgãos realizados ao longo de um dos planos que acabamos de descrever. Uma secção cria uma superfície bidimensional plana da estrutura tridimensional original.</p><p>Eles são divididos em três tipos:</p><p>· Longitudinais;</p><p>· Transversos; e</p><p>· Oblíquos.</p><p>Os cortes longitudinais são feitos no sentido do comprimento ou paralelos ao eixo longitudinal do corpo ou de uma de suas partes, e o termo é aplicado sem levar em conta a posição do corpo. Embora os planos mediano, sagital e frontal sejam os cortes longitudinais padronizados (mais usados), é possível fazer cortes longitudinais em uma gama de 180°.</p><p>Os cortes transversos são “fatias” do corpo ou de suas partes perpendiculares ao eixo longitudinal do corpo ou de uma de suas partes. Como o eixo longitudinal do pé é horizontal, o corte transverso do pé está no plano frontal.</p><p>Os cortes oblíquos são “fatias” do corpo ou de qualquer uma de suas partes que não são feitas ao longo de um dos planos anatômicos já mencionados. Na prática, muitas imagens radiológicas e cortes anatômicos não são feitos exatamente nos planos sagital, frontal ou transverso; muitas vezes, são um pouco oblíquos.</p><p>Cortes nos membros.</p><p>Termos de Relação e Comparação</p><p>Os termos de relação e comparação descrevem relações e posicionamentos</p><p>entre estruturas, ou seja, a maneira com que uma estrutura anatômica se relaciona a outra, utilizando como referência a posição anatômica ou os planos anatômicos.</p><p>Superior refere-se a uma estrutura situada mais perto do vértice, o ponto mais alto do crânio.</p><p>Cranial está relacionado com o crânio e é um termo útil para indicar direção, que significa em direção à cabeça ou ao crânio.</p><p>Inferior refere-se a uma estrutura situada mais perto da planta do pé.</p><p>Caudal é um termo direcional conveniente, que significa em direção à região dos pés ou da cauda, representada no homem pelo cóccix, o pequeno osso na extremidade inferior (caudal) da coluna vertebral.</p><p>Posterior (dorsal) designa a parte posterior do corpo ou mais perto do dorso.</p><p>Anterior (ventral) designa a parte frontal do corpo.</p><p>Rostral é usado com frequência em lugar de anterior ao descrever partes do encéfalo; significa em direção ao rostro; entretanto, em seres humanos indica proximidade da parte anterior da cabeça (p. ex., o lobo frontal do encéfalo é rostral ao cerebelo).</p><p>Medial é usado para indicar que uma estrutura está mais perto do plano mediano do corpo. Por exemplo, o dedo mínimo (5º dedo da mão) é medial aos outros dedos.</p><p>Ao contrário, lateral indica que uma estrutura está mais distante do plano mediano. O polegar (1º dedo da mão) situa-se lateralmente aos outros dedos.</p><p>Dorso geralmente refere-se à face superior de qualquer parte do corpo que se saliente anteriormente, como o dorso da língua, nariz, pênis ou pé. Também é usado para descrever a face posterior da mão, em oposição à palma.</p><p>A superfície das mãos, dos pés e dos dedos de ambos que corresponde ao dorso é a face dorsal, a superfície das mãos e dedos que corresponde à palma é a face palmar, e a superfície do pé e dos dedos que corresponde à planta é a face plantar.</p><p>Termos associados descrevem posições intermediárias: inferomedial significa mais perto dos pés e do plano mediano – por exemplo, as partes anteriores das costelas seguem em sentido inferomedial; superolateral significa mais perto da cabeça e mais distante do plano mediano.</p><p>Os termos superficial, intermédio e profundo descrevem a posição de estruturas em relação à superfície do corpo ou a relação entre uma estrutura e outra subjacente ou sobrejacente.</p><p>Externo significa fora ou distante do centro de um órgão ou cavidade, enquanto interno significa dentro ou próximo do centro, independentemente da direção.</p><p>Proximal e distal são usados, respectivamente, ao comparar posições mais próximas ou mais distantes da inserção de um membro ou da parte central de uma estrutura linear.</p><p>Termos de Lateralidade</p><p>Estruturas pares que têm elementos direito e esquerdo (p. ex., os rins) são bilaterais, enquanto aquelas presentes apenas de um lado (p. ex., o baço) são unilaterais. A designação específica do elemento direito ou esquerdo das estruturas bilaterais pode ser fundamental, e é um bom hábito que deve ser adquirido desde o início do treinamento para se tornar um profissional de saúde.</p><p>Ipsilateral refere-se a algo situado do mesmo lado do corpo que outra estrutura; por exemplo, o polegar direito e o hálux direito são ipsilaterais.</p><p>Contralateral significa que está no lado do corpo oposto a outra estrutura; a mão direita é contralateral à mão esquerda.</p><p>Termos de Movimento</p><p>Flexão indica curvatura ou diminuição do ângulo entre os ossos ou partes do corpo.</p><p>Extensão indica retificação ou aumento do ângulo entre os ossos ou as partes do corpo. A extensão geralmente ocorre em direção posterior.</p><p>A flexão dorsal (dorsiflexão) descreve flexão na articulação do tornozelo, como ocorre ao subir uma ladeira ou levantar os dedos do chão. A flexão plantar curva o pé e os dedos em direção ao solo, como ao ficar na ponta dos pés.</p><p>A extensão de um membro ou parte dele além do limite normal – hiperextensão – pode causar danos, como a lesão em “chicotada” (i. e., hiperextensão do pescoço durante uma colisão na traseira do automóvel).</p><p>Com exceção dos dedos, a abdução significa afastamento do plano mediano (p. ex., o afastamento lateral do membro superior em relação ao corpo) e a adução significa a aproximação desse mesmo plano.</p><p>Na abdução dos dedos (das mãos ou dos pés), o termo significa afastá-los – movimento de afastamento dos dedos da mão em relação ao 3º dedo (médio), em posição neutra, ou movimento de afastamento dos dedos dos pés em relação ao 2º dedo, em posição neutra. A adução dos dedos é o oposto – a aproximação dos dedos, das mãos ou dos pés, em direção ao 3º dedo da mão ou ao 2º dedo do pé, em posição neutra.</p><p>Circundução é um movimento circular que consiste em uma sequência de flexão, abdução, extensão e adução (ou na ordem inversa), de tal forma que a extremidade distal da parte se move em círculo.</p><p>A rotação é o giro ou a revolução de uma parte do corpo ao redor de seu eixo longitudinal, como ao virar a cabeça para o lado. A rotação medial (interna) aproxima a face anterior de um membro do plano mediano, ao passo que a rotação lateral (externa) afasta a face anterior do plano mediano.</p><p>Para o antebraço, temos um tipo de rotação diferente. A supinação ocorre quando a palma da mão fica voltada para a parte anterior (como acontece na posição anatômica) e a pronação ocorre quando a palma se volta para a parte posterior.</p><p>A eversão afasta a planta do pé do plano mediano, girando-a lateralmente. O pé em eversão completa também está em flexão dorsal. A inversão move a planta do pé em direção ao plano mediano (girando a planta medialmente). O pé em inversão completa também está em flexão plantar.</p><p>Oposição é o movimento no qual a polpa do polegar (1º dedo) é aproximada da polpa de outro dedo. Esse movimento é usado para pinçar, abotoar uma camisa e levantar uma xícara pela alça. Reposição descreve o movimento de retorno do polegar da posição de oposição para sua posição anatômica.</p><p>Protrusão é um movimento anterior (para a frente) como na protrusão da mandíbula, dos lábios ou da língua. Retrusão é um movimento posterior (para trás) como na retrusão da mandíbula, lábios ou língua.</p><p>A elevação desloca uma parte para cima, como na elevação dos ombros ao “dar de ombros”, da pálpebra superior ao abrir o olho, ou da língua ao ser comprimida contra o palato. A depressão desloca uma parte para baixo, como na depressão dos ombros em posição relaxada, da pálpebra superior ao fechar o olho, ou do afastamento da língua do palato.</p><p>Variações Anatômicas</p><p>A variação estrutural pode ser leve e sem impacto funcional ou pode ser tão severa que é incompatível com a vida.</p><p>Variações anatômicas geralmente são descobertas durante procedimentos médicos como cirurgias, exames de imagem, necropsias ou dissecações anatômicas. Muitas vezes, esses indivíduos desconhecem a presença dessas variações, pois não afetam sua saúde.</p><p>Anomalias congênitas são alterações na forma ou função de uma estrutura, presentes ao nascimento ou logo após. Podem variar de leves a graves. Algumas podem ser tratadas, enquanto outras podem ser fatais.</p><p>II. Tegumento Comum</p><p>Caio Rodrigo M. dos Santos</p><p>Acadêmico de Enfermagem – UFS/Lagarto</p><p>image3.png</p><p>image4.png</p><p>image5.png</p><p>image6.png</p><p>image1.png</p><p>image2.png</p>

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