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1. Anatomia Orientada para a Enfermagem (Introdução)

Apostila de Anatomia para Enfermagem: definição histórica e conceitos, abordagens (regional, aplicada, sistêmica), importância para a prática e segurança do paciente, terminologia anatômica (nômina, epônimos, nomes musculares) e posição anatômica.

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Anatomia Orientada para a Enfermagem 
Caio Rodrigo M. dos Santos 
Acadêmico de Enfermagem – UFS/Lagarto 
 
I. Introdução 
 
Definição de Anatomia 
De acordo com estudos, a Anatomia é estudada e 
desenvolvida desde a Grécia Antiga, concerne e data das 
atividades de Hipócrates (conhecido como o pai da Medicina). 
Para tanto, é possível descrever o termo em “cortar em partes”, 
já que “ana” quer dizer ‘em partes’ e “tome”, ‘corte’. 
É importante resgatar alguns conceitos trazidos por 
anatomistas consagrados, por exemplo: 
Segundo Moore, a anatomia é o cenário (estrutura) onde 
acontece os diversos eventos vitais (funções); 
Já, condizente com Tortora, a anatomia é basicamente o 
estudo das estruturas que formam o corpo humano e as suas 
correlações; 
Conforme Borges, a anatomia é a parte da morfologia 
(ciência geral que estuda a forma humana) que se ocupa dos 
aspectos macroscópicos do corpo humano; 
Em concordância com Fattini, a anatomia é a ciência que 
estuda, macro e microscopicamente, a constituição e o 
desenvolvimento dos seres organizados. 
Para o estudo da Anatomia, geralmente se é utilizada 
alguma abordagem anatômica, sendo que as três principais 
são: regional, aplicada (clínica) e sistêmica. 
A anatomia regional corresponde à divisão de segmentos 
ou partes do corpo. É chamada de anatomia topográfica. 
Geralmente se estuda uma região ou parte específica (como 
cabeça), avançado para uma área (como face) e, 
posteriormente, para um espaço mais focalizado (órbita do 
olho) e suas relações com estruturas interiores e adjacentes. 
A anatomia aplicada (clínica) enfatiza aspectos da 
estrutura e da função do corpo importantes na prática da 
Enfermagem e outras áreas da saúde. Inclui os métodos 
regional e sistêmico de estudo da anatomia e enfatiza a 
aplicação clínica. 
A anatomia sistêmica é o estudo dos sistemas que atuam 
em conjunto para realizar funções complexas. Por exemplo, 
alguns sistemas básicos: o tegumento (pele e seus anexos), 
esquelético, muscular, articular, circulatório (cardiovascular, 
linfático e digestório), respiratório, endócrino, genital e 
urinário 
 
Importância da Anatomia para a Enfermagem 
 
 
A anatomia confere diversas competências e habilidades 
ao enfermeiro. De acordo com uma pesquisa realizada, dentre 
as contribuições dessa disciplina estão: 
→ confere uma futura compreensão entre processos 
patológicos e problemas clínicos; 
→ é indispensável à Enfermagem, pois as estruturas 
anatômicas estão relacionadas aos procedimentos e exame 
físico durante a consulta de enfermagem. 
→ é capaz de garantir a segurança do paciente, já que 
confere ao profissional uma maior responsabilidade e 
competência em desenvolver estudos clínicos; 
→ proporciona maior autoconfiança ao estudante de 
enfermagem ou profissional; 
→ a partir da semiologia, a anatomia pode oferecer a 
capacidade de reconhecer achados (sinais clínicos) incomuns 
ou de encontro aos padrões de referência. 
 
Terminologia Anatômica 
 
A terminologia anatômica internacional possibilita a 
comunicação precisa entre profissionais de saúde, já que a 
interdisciplinaridade é essencial à maioria dos tratamentos à 
prevenção de doenças, e cientistas do mundo todo. 
A terminologia anatômica, ou nômina anatômica, é um 
compilado de termos padronizados utilizados 
internacionalmente para nomear as estruturas e regiões 
anatômicas. 
Infelizmente, a terminologia usada habitualmente na 
clínica pode ser diferente da TA. Os epônimos, termos que 
incorporam nomes de pessoas, não são usados na TA porque 
não indicam o tipo nem a localização das estruturas 
designadas. Por exemplo, ângulo do esterno (ângulo de 
Louis). 
Muitos termos fornecem informações sobre o formato, o 
tamanho, a localização ou a função de uma estrutura ou sobre 
a semelhança entre duas estruturas. Por exemplo, alguns 
músculos têm nomes descritivos que indicam suas principais 
características. O músculo deltoide, que cobre a extremidade 
do ombro, é triangular, como o símbolo de delta, a quarta letra 
do alfabeto grego. O sufixo oide significa "semelhante"; 
portanto, deltoide significa semelhante a delta. Bíceps 
significa que tem duas cabeças e tríceps, que tem três cabeças. 
A terminologia anatômica emprega a lógica para designar 
os músculos e outras partes do corpo, e se você aprender seu 
significado e pensar nele quando estiver lendo e dissecando, 
será mais fácil lembrar-se dos termos. 
A nomenclatura anatômica utiliza-se de muitos termos que 
podem ser abreviados para facilitar e acelerar a escrita, como 
em prontuários ou livros, quando os termos se repetem muitas 
vezes. Confira o quadro a seguir extraído de Borges: 
 
 
Anatomia Orientada para a Enfermagem 
Caio Rodrigo M. dos Santos 
Acadêmico de Enfermagem – UFS/Lagarto 
 
Posição anatômica 
 
Todas as descrições anatômicas são expressas em relação 
a uma posição anatômica constante, garantindo que as 
descrições não sejam ambíguas. 
Em anatomia, a posição anatômica é a posição padrão de 
referência para a descrição de estruturas anatômicas. 
A posição anatômica refere-se à posição do corpo como se 
a pessoa estivesse de pé, com: 
→ A cabeça nivelada, os olhos (ao nível do horizonte) e 
os dedos dos pés voltados anteriormente (para frente); 
→ Os braços ao lado do corpo, com as palmas voltadas 
anteriormente; 
→ Os membros inferiores próximos, com os pés paralelos, 
voltados anteriormente e apoiados ao solo. 
Posição anatômica. 
 
 
Planos anatômicos 
As descrições anatômicas baseiam-se em quatro planos 
imaginários (mediano, sagital, frontal e transverso) que 
cruzam o corpo na posição anatômica: 
→ O plano mediano (plano sagital mediano), é o plano 
anteroposterior vertical que passa longitudinalmente através 
das linhas medianas da cabeça, do pescoço e do tronco, onde 
intercepta a superfície do corpo, dividindo-o em metades 
direita e esquerda. Muitas vezes o termo “linha mediana” é 
erroneamente usado como sinônimo de plano mediano; 
→ Os planos sagitais são planos verticais que atravessam 
o corpo paralelamente ao plano mediano. Embora seja muito 
usado, o termo “parassagital” é desnecessário, porque todo 
plano paralelo ao plano mediano, situado a cada lado dele, é, 
por definição, sagital. Entretanto, um plano paralelo ao plano 
mediano e próximo a ele pode ser denominado plano 
paramediano; 
→ Os planos frontais (coronais) são planos verticais que 
atravessam o corpo formando ângulos retos com o plano 
mediano, dividindo o corpo em partes anterior e posterior; 
→ Os planos transversos são planos horizontais que 
atravessam o corpo formando ângulos retos com os planos 
mediano e frontal, dividindo o corpo em partes superior e 
inferior. Os radiologistas referem-se aos planos transversos 
como transaxiais, que costumam ser abreviados como planos 
axiais. 
Segundo Tortora e Nielsen (2017), é importante ressaltar 
que os planos oblíquos também são muito utilizados, sendo 
conceituados como qualquer corte que passe pelo corpo em 
uma angulação que não seja a de 90°. 
Planos anatômicos. 
 
Cortes ou Secções 
 
Secções são cortes do corpo ou de um de seus órgãos 
realizados ao longo de um dos planos que acabamos de 
descrever. Uma secção cria uma superfície bidimensional 
plana da estrutura tridimensional original. 
Eles são divididos em três tipos: 
 Longitudinais; 
 Transversos; e 
 Oblíquos. 
Os cortes longitudinais são feitos no sentido do 
comprimento ou paralelos ao eixo longitudinal do corpo ou de 
uma de suas partes, e o termo é aplicado sem levar em conta a 
posição do corpo. Embora os planos mediano, sagital e frontal 
sejam os cortes longitudinais padronizados (mais usados), é 
possível fazer cortes longitudinais em uma gama de 180°. 
Os cortes transversos são “fatias” do corpo ou de suas 
partes perpendiculares ao eixo longitudinal do corpo ou de 
uma de suas partes. Como o eixo longitudinal dopé é 
horizontal, o corte transverso do pé está no plano frontal. 
Os cortes oblíquos são “fatias” do corpo ou de qualquer 
uma de suas partes que não são feitas ao longo de um dos 
planos anatômicos já mencionados. Na prática, muitas 
imagens radiológicas e cortes anatômicos não são feitos 
exatamente nos planos sagital, frontal ou transverso; muitas 
vezes, são um pouco oblíquos. 
Cortes nos membros. 
 
 
Anatomia Orientada para a Enfermagem 
Caio Rodrigo M. dos Santos 
Acadêmico de Enfermagem – UFS/Lagarto 
 
Termos de Relação e Comparação 
 
Os termos de relação e comparação descrevem relações 
e posicionamentos entre estruturas, ou seja, a maneira com que 
uma estrutura anatômica se relaciona a outra, utilizando como 
referência a posição anatômica ou os planos anatômicos. 
Superior refere-se a uma estrutura situada mais perto do 
vértice, o ponto mais alto do crânio. 
Cranial está relacionado com o crânio e é um termo útil 
para indicar direção, que significa em direção à cabeça ou ao 
crânio. 
Inferior refere-se a uma estrutura situada mais perto da 
planta do pé. 
Caudal é um termo direcional conveniente, que significa 
em direção à região dos pés ou da cauda, representada no 
homem pelo cóccix, o pequeno osso na extremidade inferior 
(caudal) da coluna vertebral. 
Posterior (dorsal) designa a parte posterior do corpo ou 
mais perto do dorso. 
Anterior (ventral) designa a parte frontal do corpo. 
Rostral é usado com frequência em lugar de anterior ao 
descrever partes do encéfalo; significa em direção ao rostro; 
entretanto, em seres humanos indica proximidade da parte 
anterior da cabeça (p. ex., o lobo frontal do encéfalo é rostral 
ao cerebelo). 
Medial é usado para indicar que uma estrutura está mais 
perto do plano mediano do corpo. Por exemplo, o dedo 
mínimo (5º dedo da mão) é medial aos outros dedos. 
Ao contrário, lateral indica que uma estrutura está mais 
distante do plano mediano. O polegar (1º dedo da mão) situa-
se lateralmente aos outros dedos. 
Dorso geralmente refere-se à face superior de qualquer 
parte do corpo que se saliente anteriormente, como o dorso da 
língua, nariz, pênis ou pé. Também é usado para descrever a 
face posterior da mão, em oposição à palma. 
A superfície das mãos, dos pés e dos dedos de ambos que 
corresponde ao dorso é a face dorsal, a superfície das mãos e 
dedos que corresponde à palma é a face palmar, e a superfície 
do pé e dos dedos que corresponde à planta é a face plantar. 
Termos associados descrevem posições intermediárias: 
inferomedial significa mais perto dos pés e do plano mediano 
– por exemplo, as partes anteriores das costelas seguem em 
sentido inferomedial; superolateral significa mais perto da 
cabeça e mais distante do plano mediano. 
Os termos superficial, intermédio e profundo descrevem a 
posição de estruturas em relação à superfície do corpo ou a 
relação entre uma estrutura e outra subjacente ou sobrejacente. 
Externo significa fora ou distante do centro de um órgão 
ou cavidade, enquanto interno significa dentro ou próximo do 
centro, independentemente da direção. 
Proximal e distal são usados, respectivamente, ao 
comparar posições mais próximas ou mais distantes da 
inserção de um membro ou da parte central de uma estrutura 
linear. 
 
 
 
Termos de Lateralidade 
 
Estruturas pares que têm elementos direito e esquerdo (p. 
ex., os rins) são bilaterais, enquanto aquelas presentes apenas 
de um lado (p. ex., o baço) são unilaterais. A designação 
específica do elemento direito ou esquerdo das estruturas 
bilaterais pode ser fundamental, e é um bom hábito que deve 
ser adquirido desde o início do treinamento para se tornar um 
profissional de saúde. 
Ipsilateral refere-se a algo situado do mesmo lado do 
corpo que outra estrutura; por exemplo, o polegar direito e o 
hálux direito são ipsilaterais. 
Contralateral significa que está no lado do corpo oposto 
a outra estrutura; a mão direita é contralateral à mão esquerda. 
 
Termos de Movimento 
 
Flexão indica curvatura ou diminuição do ângulo entre os 
ossos ou partes do corpo. 
Extensão indica retificação ou aumento do ângulo entre 
os ossos ou as partes do corpo. A extensão geralmente ocorre 
em direção posterior. 
A flexão dorsal (dorsiflexão) descreve flexão na 
articulação do tornozelo, como ocorre ao subir uma ladeira ou 
levantar os dedos do chão. A flexão plantar curva o pé e os 
dedos em direção ao solo, como ao ficar na ponta dos pés. 
A extensão de um membro ou parte dele além do limite 
normal – hiperextensão – pode causar danos, como a lesão em 
“chicotada” (i. e., hiperextensão do pescoço durante uma 
colisão na traseira do automóvel). 
Com exceção dos dedos, a abdução significa afastamento 
do plano mediano (p. ex., o afastamento lateral do membro 
superior em relação ao corpo) e a adução significa a 
aproximação desse mesmo plano. 
Na abdução dos dedos (das mãos ou dos pés), o termo 
significa afastá-los – movimento de afastamento dos dedos da 
mão em relação ao 3º dedo (médio), em posição neutra, ou 
movimento de afastamento dos dedos dos pés em relação ao 
2º dedo, em posição neutra. A adução dos dedos é o oposto – 
a aproximação dos dedos, das mãos ou dos pés, em direção ao 
3º dedo da mão ou ao 2º dedo do pé, em posição neutra. 
Circundução é um movimento circular que consiste em 
uma sequência de flexão, abdução, extensão e adução (ou na 
ordem inversa), de tal forma que a extremidade distal da parte 
se move em círculo. 
A rotação é o giro ou a revolução de uma parte do corpo 
ao redor de seu eixo longitudinal, como ao virar a cabeça para 
o lado. A rotação medial (interna) aproxima a face anterior 
de um membro do plano mediano, ao passo que a rotação 
lateral (externa) afasta a face anterior do plano mediano. 
Para o antebraço, temos um tipo de rotação diferente. A 
supinação ocorre quando a palma da mão fica voltada para a 
parte anterior (como acontece na posição anatômica) e a 
pronação ocorre quando a palma se volta para a parte 
posterior. 
 
Anatomia Orientada para a Enfermagem 
Caio Rodrigo M. dos Santos 
Acadêmico de Enfermagem – UFS/Lagarto 
 
A eversão afasta a planta do pé do plano mediano, 
girando-a lateralmente. O pé em eversão completa também 
está em flexão dorsal. A inversão move a planta do pé em 
direção ao plano mediano (girando a planta medialmente). O 
pé em inversão completa também está em flexão plantar. 
 
Oposição é o movimento no qual a polpa do polegar (1º 
dedo) é aproximada da polpa de outro dedo. Esse movimento 
é usado para pinçar, abotoar uma camisa e levantar uma xícara 
pela alça. Reposição descreve o movimento de retorno do 
polegar da posição de oposição para sua posição anatômica. 
Protrusão é um movimento anterior (para a frente) como 
na protrusão da mandíbula, dos lábios ou da língua. Retrusão 
é um movimento posterior (para trás) como na retrusão da 
mandíbula, lábios ou língua. 
A elevação desloca uma parte para cima, como na 
elevação dos ombros ao “dar de ombros”, da pálpebra superior 
ao abrir o olho, ou da língua ao ser comprimida contra o palato. 
A depressão desloca uma parte para baixo, como na depressão 
dos ombros em posição relaxada, da pálpebra superior ao 
fechar o olho, ou do afastamento da língua do palato. 
 
 
 
 
 
Variações Anatômicas 
 
A variação estrutural pode ser leve e sem impacto 
funcional ou pode ser tão severa que é incompatível com a 
vida. 
Variações anatômicas geralmente são descobertas durante 
procedimentos médicos como cirurgias, exames de imagem, 
necropsias ou dissecações anatômicas. Muitas vezes, esses 
indivíduos desconhecem a presença dessas variações, pois não 
afetam sua saúde. 
Anomalias congênitas são alterações na forma ou função 
de uma estrutura, presentes ao nascimento ou logo após. 
Podem variar de leves a graves. Algumas podem ser tratadas, 
enquanto outras podem ser fatais.Anatomia Orientada para a Enfermagem 
Caio Rodrigo M. dos Santos 
Acadêmico de Enfermagem – UFS/Lagarto 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Anatomia Orientada para a Enfermagem 
Caio Rodrigo M. dos Santos 
Acadêmico de Enfermagem – UFS/Lagarto

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