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<p>2ª Atividade</p><p>Disciplina: DIR139 - DIREITO DO TRABALHO I</p><p>Docente: Gabriela Curi</p><p>Ana Carolina Sales, Alana Motta, Gabriela Coelho, Hannah Genu, Maria</p><p>Augusta Cardoso e Raquel Lemos – T6AEXTRA</p><p>Grupo II</p><p>Joana foi contratada para trabalhar na casa de Dona Maria. No início</p><p>trabalhava apenas uma vez por semana, mas depois de 6 meses. Sua</p><p>empregadora, D. Maria, pediu que ela fosse 3 vezes na semana. Além disso,</p><p>Joana ajuda Dona Maria nos salgados que ela faz para vender, mas Joana não</p><p>auxilia na feitura dos doces e salgados, apenas arruma a cozinha após a patroa</p><p>faze-los. Por fim, Joana passou a acompanhar Dona Maria nas viagens, mas</p><p>com todas as despesas da viagem pagas. Questiona-se:</p><p>a) Joana possui relação de emprego doméstico?</p><p>b) Joana será considerada empregado doméstica ou urbana?</p><p>c) É lícito o acompanhamento em viagens? Há alguma especificidade?</p><p>d) Dona Maria veio a óbito. Neste caso extingue-se o contrato com Joana?</p><p>a.</p><p>Em razão do conceito de vínculo empregatício doméstico, cumpre</p><p>ressaltar que empregado doméstico é todo aquele que presta serviços de forma</p><p>contínua, subordinada, onerosa e pessoal e de finalidade não lucrativa à pessoa</p><p>ou à família, no âmbito residencial destas, por mais de 2 (dois) dias por semana,</p><p>conforme dispõe o art. 1º da LC 150/2015.</p><p>Porém, em razão do caso fático, Joana não se amolda na figura de</p><p>empregada doméstica, por conta da atividade indireta que exerce no auxílio da</p><p>limpeza da atividade econômica realizada por sua patroa.</p><p>b.</p><p>Por conta do que já foi supracitado, é cediço que Joana será considerada</p><p>empregada urbana. Isso porque, a Lei nº 5.859/72 prevê que os empregados</p><p>domésticos, são os que prestam serviço de natureza contínua e de natureza não</p><p>lucrativa no âmbito residencial.</p><p>Ocorre que a peculiaridade do fato está em que a empregada labora para</p><p>o mesmo empregador de forma cumulada, podendo-se constatar que de</p><p>fato há uma promiscuidade contratual verificada no caso, vez que Joana</p><p>está exercendo função além daquela que foi contratada.</p><p>A jurisprudência entende, portanto, que por ser mais benéfico - princípio</p><p>da norma mais favorável, o empregado será considerado urbano e não</p><p>doméstico, a fim de tomar para si direitos mais abrangentes; vejamos:</p><p>“RECURSO ORDINÁRIO. DOMÉSTICO. FINALIDADE</p><p>LUCRATIVA. Embora exerça o empregado suas</p><p>funções no âmbito residencial, descaracterizado o</p><p>trabalho doméstico se o empregador tem atividade</p><p>lucrativa. (TRT-1 - RO: 00443006420085010244 RJ,</p><p>Relator: Edith Maria Correa Tourinho, Data de</p><p>Julgamento: 14/04/2010, Terceira Turma, Data de</p><p>Publicação: 06/05/2010)”</p><p>“TRABALHO DOMÉSTICO. DESCARACTERIZAÇÃO.</p><p>PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL AO</p><p>TRABALHADOR. Considera-se empregado doméstico</p><p>aquele que presta serviços de forma contínua,</p><p>subordinada, onerosa e pessoal, bem como de</p><p>finalidade não lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito</p><p>residencial destas, por mais de 2 (dois) dias por semana</p><p>(art. 1º da Lei Complementar n. 150 de 1º.06.2015). No</p><p>caso, o reclamante exerceu a função de jardineiro tanto</p><p>na residência quanto no escritório do reclamado, onde</p><p>se desenvolve atividade econômica que reverte lucros</p><p>para o empregador. O empregado que colabora para o</p><p>desenvolvimento dessa atividade lucrativa não é</p><p>considerado doméstico, mas empregado comum, com</p><p>contrato regido pela CLT. Regência do princípio da</p><p>norma mais favorável ao trabalhador. Recurso não</p><p>provido, no particular. (TRT-24</p><p>00253129320145240001, Relator: RICARDO</p><p>GERALDO MONTEIRO ZANDONA, 2ª TURMA, Data</p><p>de Publicação: 08/09/2015)”</p><p>c.</p><p>Não existe nenhuma lei que obrigue a doméstica acompanhar os patrões</p><p>em viagens. Entretanto, a PEC das Domésticas estabeleceu algumas condições</p><p>especiais que permitem o acompanhamento e que devem ser respeitadas para</p><p>que não haja nenhum tipo de problema para o empregador.</p><p>Segundo a PEC, caso esteja estabelecido desde o início da relação</p><p>empregatícia que a empregada doméstica, Joana, vai precisar estar junto em</p><p>viagens, é necessário deixar isso especificado no momento da assinatura do</p><p>contrato. No entanto, tendo em vista que surgem situações em que o</p><p>acompanhamento na viagem não é claro, pode ser acordado posteriormente.</p><p>Os valores com os demais gastos do funcionário, enquanto estiver na sua</p><p>jornada de trabalho, devem ser custeados pela empregadora, dona Maria.</p><p>Contudo, nos momentos de folga, todos os gastos de Joana são de sua total</p><p>responsabilidade.</p><p>De acordo com o artigo 11 da Lei Complementar nº 150, que dispõe sobre</p><p>o contrato de trabalho doméstico, a empregada tem direito a um adicional de</p><p>25% do valor da hora durante todo o período de trabalho na viagem, assim a</p><p>empregadora terá duas opções para realizar o pagamento do salário. Esse</p><p>adicional pode ser acrescido diretamente no pagamento mensal do doméstico</p><p>ou, ser revertido em um banco de horas correspondente a esses mesmos 25%</p><p>das horas trabalhadas.</p><p>Esta mesma porcentagem adicional de 25% se aplica às horas extras,</p><p>assim, quando se está em viagem, esse número será de 50% da hora extra +</p><p>25% do adicional da viagem, sendo igual a 75%. Dessa forma, a empregadora</p><p>deve estar ciente que vai pagar mais caro pela hora trabalhada durante a</p><p>viagem.</p><p>d.</p><p>Após a análise do caso, entende-se que o contrato de trabalho do</p><p>empregado doméstico também é intuitu personae, ou seja, tem como requisito a</p><p>pessoalidade na prestação de serviços. Portanto, no caso da morte do</p><p>empregador, o entendimento é que o contrato trabalhista será encerrado, uma</p><p>vez que não existe mais a figura do empregador e, portanto, não há como manter</p><p>um vínculo empregatício, considerando o empregador como empregador</p><p>doméstico individual. Sobre o assunto, dispõe Carlos Henrique Bezerra Leite:</p><p>“A morte é um fato natural e, tendo em vista que o contrato</p><p>de trabalho doméstico é personalíssimo em relação ao</p><p>trabalhador, já que ele presta pessoalmente o serviço (LC</p><p>150, art 1º), na ocorrência de sua morte, o contrato se</p><p>extingue naturalmente. (...) No caso de morte do</p><p>empregador doméstico pessoa física, entendemos que o</p><p>contrato de trabalho estará automaticamente extinto e os</p><p>créditos devidos ao trabalhador doméstico deverão ser</p><p>pagos pelos herdeiros do empregador falecido.”1</p><p>Destarte, serão devidas as verbas rescisórias referentes a rescisão sem</p><p>justa causa; São essas: Saldo de salário, Férias vencidas mais ⅓, Férias</p><p>proporcionais mais ⅓, 13o salário proporcional, FGTS, exceto multa de 40%,</p><p>Seguro desemprego para os empregados inscritos no FGTS</p><p>Assim, os valores devem ser pagos pelos sucessores, ou seja, os</p><p>cônjuges ou os herdeiros do empregador, ou pelo espólio, não caracterizando a</p><p>incidência do pagamento de aviso prévio.</p><p>1 BEZERRA LEITE, Carlos Henrique, Curso de Direito do Trabalho, 8ª edição, 2017, editora Saraiva Jur,</p><p>pág 211</p><p>Vale ressaltar que os demais moradores da casa podem optar por efetivar</p><p>uma sucessão trabalhista, ou seja, apenas mudar o empregador, mantendo as</p><p>cláusulas do contrato de trabalho antigo. A sucessão deverá constar na CTPS,</p><p>devidamente registrando a alteração de empregador.</p><p>É relevante mencionar, que as normas aplicáveis aos vínculos</p><p>empregatícios de trabalhadores domésticos não tratam da hipótese de</p><p>falecimento do empregador, sendo o entendimento, portanto, jurisprudencial.</p><p>Resulta-se assim a observância por analogia, especificamente no artigo 483, §</p><p>2o da CLT, que trata dos motivos para a rescisão indireta e o 485 que trata do</p><p>direito as verbas rescisórias para o empregado. O entendimento jurisprudencial</p><p>é pacífico nesse sentido, vejamos:</p><p>MORTE DO EMPREGADOR DOMÉSTICO. EXTINÇÃO</p><p>INVOLUNTÁRIA DO CONTRATO DE TRABALHO. O</p><p>falecimento do empregador doméstico não se afigura</p><p>hipótese de dispensa arbitrária ou sem justa causa. O TST</p><p>tem sedimentado entendimento no sentido de que a morte</p><p>do empregador doméstico configura</p><p>hipótese de extinção</p><p>involuntária do contrato de trabalho, em razão da</p><p>impossibilidade de prosseguimento da prestação de</p><p>serviços.</p><p>(TRT-3 - RO: 00104977520195030171 0010497-</p><p>75.2019.5.03.0171, Relator: Convocado Vicente de Paula</p><p>M.Junior, Décima Turma)</p>