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<p>CA</p><p>PÍ</p><p>TU</p><p>LO</p><p>8 ESTRATIFICAÇÃO E</p><p>DESIGUALDADE SOCIAL</p><p>» Competências e</p><p>habilidades</p><p>CGEB1, CGEB3, CGEB9 e</p><p>CGEB10.</p><p>CECHSA1: EM13CHS106.</p><p>CECHSA4: EM13CHS402.</p><p>CECHSA5: EM13CHS502.</p><p>CECHSA6: EM13CHS606.</p><p>Na foto, é possível observar</p><p>moradias precárias e prédios</p><p>luxuosos, o que revela as</p><p>desigualdades nas</p><p>condições de moradia.</p><p>Salvador (BA), 2019.</p><p>Em capítulos anteriores, foram discutidas questões relacionadas à produção</p><p>de diferenças e à conformação de identidades, abordando alguns modos pelos</p><p>quais a identidade nacional brasileira foi constituída. Neste capítulo, você vai es-</p><p>tudar uma característica marcante da sociedade brasileira: a desigualdade social.</p><p>A desigualdade social relaciona-se com os mecanismos que possibilitam a ma-</p><p>nutenção de modos de vida desiguais. Assim, a sociedade atual é composta de</p><p>pessoas menos e mais favorecidas, em função de características como cor, classe</p><p>social, gênero, orientação sexual, entre outras. Observe a imagem abaixo.</p><p>Fa</p><p>bi</p><p>an</p><p>S</p><p>om</p><p>m</p><p>er</p><p>/p</p><p>ic</p><p>tu</p><p>re</p><p>al</p><p>lia</p><p>nc</p><p>e/</p><p>G</p><p>et</p><p>ty</p><p>Im</p><p>ag</p><p>es</p><p>1. Esta imagem é familiar a você? Você acha que ela é representativa das</p><p>grandes cidades brasileiras? Converse com os colegas.</p><p>2. O que você entende por desigualdade social? Como a desigualdade social</p><p>se manifesta no Brasil? Exemplifique.</p><p>94</p><p>O QUE É ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL?</p><p>Antes de abordar as desigualdades sociais existentes no Brasil, é importante</p><p>compreender uma das bases sob as quais as desigualdades são explicadas:</p><p>a estratificação social.</p><p>A estratificação pode ser definida como a disposição de algo em camadas so-</p><p>brepostas. Essa definição permite entender um ponto importante da ideia de es-</p><p>tratificação social: a divisão de um todo em camadas, ou em estratos, que é um</p><p>dos modos de estabelecer e de identificar diferenças no interior de uma sociedade.</p><p>Como você viu nos capítulos 6 e 7, a produção de diferenças é um efeito das</p><p>relações sociais. Na mesma medida em que não há produção de diferenças</p><p>sem a constituição do “outro”, não há divisão social em termos de estratifica-</p><p>ção sem a constituição de diferentes estratos.</p><p>Em algumas sociedades, essas diferenças e formas de classificação também</p><p>se associam ao poder, ou seja, quando refletimos sobre a estratificação social,</p><p>estamos analisando uma forma de estabelecer hierarquias entre grupos sociais.</p><p>As hierarquias relacionam-se com a distribuição desigual ou assimétrica de pres-</p><p>tígio ou bens entre indivíduos situados em diferentes estratos. São exemplos a</p><p>estratificação de gênero e a estratificação étnico-racial, que, por sua vez, operam</p><p>de diferentes maneiras de acordo com os contextos cultural e histórico.</p><p>As assimetrias de poder, prestígio e influência entre diferentes grupos fazem</p><p>parte dos processos de dominação e de resistência estudados na unidade 2.</p><p>As formas de estratificação social conformam um dos campos de disputa nos</p><p>quais atuam tanto as tentativas de dominar quanto os esforços para resistir e</p><p>transformar relações.</p><p>A noção de estratificação social é utilizada no campo das Ciências Sociais para</p><p>entender os sistemas de classificação em determinada sociedade. Essas formas</p><p>de classificação existem em todas as sociedades, pois são produtos da cultura e</p><p>das interações sociais. Desse modo, elas variam</p><p>ao longo do tempo e de acordo com o contexto</p><p>em que estão inseridas.</p><p>Nas sociedades capitalistas, o conceito de</p><p>classe social é central para a compreensão da</p><p>ideia de estratificação social. Dessa forma, clas-</p><p>se é um marcador social que possibilita a com-</p><p>preensão e a descrição das profundas desigual-</p><p>dades que marcam a sociedade brasileira. Quais</p><p>são os critérios que determinam o pertencimen-</p><p>to de um indivíduo à determinada classe? O que</p><p>o conceito de classe social informa sobre o con-</p><p>sumo, o trabalho e a renda? Há diferenças no</p><p>interior de uma mesma classe?</p><p>Uma leitura possível é que a classe se relacio-</p><p>na à capacidade de consumo de uma família ou</p><p>de um grupo de pessoas. Nessa perspectiva, a</p><p>classe de uma pessoa é estabelecida com base</p><p>nos eletrodomésticos que ela possui, por exem-</p><p>plo. Mas será que o acesso ao consumo é o prin-</p><p>cipal aspecto para pensar as classes sociais?</p><p>Ilustração publicada em 1911 no</p><p>jornal Industrial Workers of World, em</p><p>Cleveland, Estados Unidos, criticando</p><p>a desigualdade entre as classes</p><p>sociais no capitalismo. M</p><p>at</p><p>te</p><p>o</p><p>O</p><p>m</p><p>ie</p><p>d/</p><p>A</p><p>la</p><p>m</p><p>y/</p><p>Fo</p><p>to</p><p>ar</p><p>en</p><p>a</p><p>95Não escreva no livro.</p><p>Experiência de classe</p><p>[…] No uso que Thompson faz do termo, a experiência é o início de um processo</p><p>que culmina na realização e articulação da consciência social, nesse caso uma iden-</p><p>tidade comum de classe. Ela cumpre função integradora, unindo o individual e o es-</p><p>trutural, e aproximando pessoas diversas naquele todo coerente (totalizante) que tem</p><p>um sentido distinto de classe. […]</p><p>O aspecto unificador da experiência exclui amplos domínios da atividade huma-</p><p>na ao simplesmente não considerá-los como experiência, isto é, não traz nenhuma</p><p>consequência para a política ou a organização social. Quando a classe se torna uma</p><p>identidade que desconsidera o resto, as outras posições dos sujeitos são subsumidas</p><p>por ela, as de gênero por exemplo (ou, em outras instâncias desse tipo de história,</p><p>raça, etnia e sexualidade). […]</p><p>Scott, Joan W. A invisibilidade da experiência. Projeto História – Revista do Programa de</p><p>Estudos Pós-Graduados de História, v. 16, p. 310, 2008. Disponível em: https://revistas.pucsp.</p><p>br/revph/article/view/11183/8194. Acesso em: 18 jun. 2020.</p><p>1. Segundo Joan Scott, qual é o papel da experiência para a conformação da</p><p>identidade de classe na obra de Thompson?</p><p>2. Qual é a crítica que a autora faz à leitura de Thompson sobre experiência?</p><p>3. Você acha possível articular a noção de classe com o que a autora chama de</p><p>“outras posições dos sujeitos”, como gênero, sexualidade e raça? Justifique</p><p>sua resposta.</p><p>RE</p><p>FL</p><p>EX</p><p>Ã</p><p>O</p><p>Estratificação e classe social</p><p>As classes sociais são uma forma de estratificação que diz respeito às condi-</p><p>ções de vida das pessoas, que se tornam evidentes sobretudo quando compa-</p><p>radas. O padrão de consumo relaciona-se com a classe social, as condições e as</p><p>relações de trabalho, o acesso à renda e a distribuição desigual da riqueza entre</p><p>as pessoas.</p><p>Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895) estudaram o modo de</p><p>funcionamento do sistema capitalista e as relações que configuram a exploração</p><p>econômica dos trabalhadores. Para Marx e Engels, as classes envolvidas nessa</p><p>luta são a burguesia e o proletariado. A primeira é composta dos proprietários</p><p>dos meios de produção, ou seja, das fábricas, das instalações, das máquinas e</p><p>das matérias-primas. A segunda é formada pelos trabalhadores, que recebem um</p><p>salário em troca da venda de sua força de trabalho. A relação entre burgueses e</p><p>proletários é, nesse sentido, uma relação de exploração: proletários recebem um</p><p>salário pelo seu trabalho que não condiz com os ganhos dos burgueses com a</p><p>venda das mercadorias. Assim, o valor da venda dos produtos não é dividido igual-</p><p>mente entre patrão e empregados. Esse montante de trabalho realizado pelos</p><p>trabalhadores e não pago é denominado mais-valia.</p><p>Logo, para entender o conceito de classe social nos escritos de Marx e Engels,</p><p>é preciso pensá-la com base em sua relação com o trabalho: Quem é o proprietá-</p><p>rio da empresa? Quem é pago para realizar um ofício específico e depende desse</p><p>salário para sobreviver? Assim, para os autores, as relações de trabalho operam</p><p>como relações de exploração.</p><p>O historiador britânico Edward Palmer Thompson (1924-1993) seguiu os passos</p><p>de Marx para propor explicações que extrapolam a classe em suas dimensões eco-</p><p>nômicas. Segundo Thompson, a classe social não é uma estrutura, e sim uma rela-</p><p>ção pautada na experiência de classe, vivenciada pelos trabalhadores ao participa-</p><p>rem de relações de exploração e refletirem sobre elas. Essa reflexão possibilita que</p><p>compreendam seu lugar em meio às relações históricas e sociais nas quais estão</p><p>inseridos, pessoal e coletivamente.</p><p>Para Thompson, reconhecer-se com base nes-</p><p>sas relações de pertencimento e de conflito equivale a ter consciência de classe.</p><p>O trabalho ambulante é uma</p><p>expressão da desigualdade de classe.</p><p>Na foto, sorveteiro trabalha na praia</p><p>do Porto, em Baía Formosa (RN), 2019.</p><p>Jo</p><p>ão</p><p>P</p><p>ru</p><p>de</p><p>nt</p><p>e/</p><p>Pu</p><p>ls</p><p>ar</p><p>Im</p><p>ag</p><p>en</p><p>s</p><p>96 Não escreva no livro.</p><p>PARA EXPLORAR</p><p>» Branco sai, preto fica. Dire-</p><p>ção: Adirley Queirós. Brasil,</p><p>2014 (93 min).</p><p>Mistura de documentário e fic-</p><p>ção científica, esse longa-me-</p><p>tragem segue os caminhos do</p><p>protagonista, que vive em Cei-</p><p>lândia, cidade-satélite no Dis-</p><p>trito Federal, e foi ferido pela</p><p>polícia em um baile black. Bra-</p><p>sília tornou-se uma cidade en-</p><p>clausurada e fechada às suas</p><p>franjas empobrecidas: chegar</p><p>à capital requer passaporte pa-</p><p>ra a entrada. Diante desse ce-</p><p>nário, um viajante vem do fu-</p><p>turo para investigar a situação.</p><p>Ficção científica e estratificação</p><p>Formas de estratificação social estão presentes em diversas sociedades,</p><p>ainda que formuladas e vivenciadas de maneiras distintas. Na literatura fic-</p><p>cional, elas também são objeto da criação de autoras e autores. Mesmo em</p><p>mundos imaginados, as sociedades conformam disputas e desigualdades.</p><p>Um exemplo é a obra de ficção científica A parábola do semeador, de 1993,</p><p>da escritora estadunidense Octavia Butler (1947-2006), na qual grupos se</p><p>confrontam em meio a um mundo pós-catástrofe climática. Nesse cenário de</p><p>conflitos, a formação de comunidades por pessoas que se reconhecem em</p><p>uma experiência compartilhada é a chave para a sobrevivência.</p><p>1. Imagine uma situação como a descrita na ficção científica de Octavia</p><p>Butler. Quais podem ser as consequências das desigualdades sociais em</p><p>um momento de crise? Compartilhe suas impressões com os colegas.</p><p>2. Pensem em maneiras colaborativas de lidar com eventos extremos, valo-</p><p>rizando a solidariedade e a cooperação. Anotem as propostas no caderno.</p><p>RE</p><p>FL</p><p>EX</p><p>Ã</p><p>O</p><p>Sacerdote de templo hindu em Assam, Índia. Foto de 2017.</p><p>Outras formas de estratificação</p><p>As formas de estratificação são fundamentais para explicar as desigualda-</p><p>des sociais. Ao analisarmos o contexto atual, é possível notar que as transfor-</p><p>mações das relações de trabalho ao longo da história, embora modifiquem as</p><p>lutas de classe e criem novos atores, conservaram as distinções de acesso à</p><p>renda e ao trabalho.</p><p>Além disso, em nossa sociedade, não existe um único tipo de estratificação</p><p>social. A distribuição desigual de poder, prestígio e bens entre homens e mulhe-</p><p>res e também entre brancos e negros constitui, respectivamente, exemplos de</p><p>estratificação de gênero e estratificação étnico-racial. Em nossa sociedade, es-</p><p>sas desigualdades conferem novas camadas às disparidades no acesso à renda,</p><p>como você vai ver neste capítulo.</p><p>Também é possível analisar as formas de</p><p>estratificação e demarcação de diferenças em</p><p>outras sociedades, já que nem todas operam</p><p>por meio do estabelecimento de classes sociais.</p><p>As desigualdades étnico-raciais e de gêne-</p><p>ro também são estruturadas e vivenciadas</p><p>pelas pessoas de maneiras distintas. Como</p><p>vimos, essas formas de estratificação são pro-</p><p>dutos da cultura e, portanto, variam de acordo</p><p>com o contexto em que se desenvolvem, ori-</p><p>ginando sistemas de classificação distintos.</p><p>Um exemplo é o sistema de castas, que</p><p>operava na estratificação das sociedades de</p><p>religião hinduísta, como a Índia. Embora es-</p><p>se sistema tenha sido abolido oficialmente,</p><p>a desigualdade e a violência ainda afetam</p><p>os integrantes das camadas consideradas</p><p>inferiores.</p><p>As castas apresentavam uma hierarquia e</p><p>ditavam regras para o casamento e a divisão</p><p>do trabalho. A principal casta é a dos sacerdo-</p><p>tes; abaixo dela, a dos guerreiros; depois, a</p><p>dos comerciantes; e, por último, a dos criados.</p><p>Há, ainda, um grupo de pessoas, considera-</p><p>das párias, que fica fora desse sistema clas-</p><p>sificatório: os “intocáveis”.</p><p>M</p><p>at</p><p>t</p><p>H</p><p>ah</p><p>ne</p><p>w</p><p>al</p><p>d/</p><p>S</p><p>hu</p><p>tt</p><p>er</p><p>st</p><p>oc</p><p>k.</p><p>co</p><p>m</p><p>/ID</p><p>/B</p><p>R</p><p>97Não escreva no livro.</p><p>DESIGUALDADES NO BRASIL</p><p>As classes sociais estão relacionadas com as condições mais amplas de vida</p><p>das pessoas, o acesso à renda e o reconhecimento de uma pessoa como cidadã.</p><p>O Brasil é um exemplo da coexistência de grupos sociais com condições de vida</p><p>profundamente desiguais. De acordo com dados de 2020 do Programa das Na-</p><p>ções Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Brasil é um dos países mais desi-</p><p>guais do mundo: os 10% mais ricos concentram 42% da renda total do país.</p><p>Isso significa que a maioria massiva da população divide pouco mais da meta-</p><p>de da renda. Desse modo, o Brasil se configura como um país povoado por uma</p><p>minoria riquíssima e, ao mesmo tempo, por uma maioria que vive em condições</p><p>de pobreza.</p><p>É importante ressaltar, porém, que as profundas desigualdades sociais do Bra-</p><p>sil não nasceram de um dia para o outro. Elas são resultado do processo de for-</p><p>mação do país, marcado pela escravização de milhares de mulheres e homens</p><p>africanos, sequestrados e negociados como mercadoria, além da concentração</p><p>de terras e privilégios nas mãos de poucos.</p><p>Após a abolição da escravidão, não houve políticas de reparação aos libertos</p><p>e aos seus descendentes, assim como, ao longo da história, não houve uma</p><p>reforma agrária de fato abrangente. Desse modo, as desigualdades sociais se</p><p>mantiveram.</p><p>Uma pesquisa de 2019, realizada pela organização não governamental Oxfam</p><p>e pelo Instituto Datafolha, intitulada Nós e as desigualdades, apontou que mais</p><p>de 80% dos brasileiros acreditam que é obrigação dos governos diminuir as dife-</p><p>renças entre os muito ricos e os muito pobres. Isso significa um apoio massivo a</p><p>políticas públicas de transferência de renda e de combate à desigualdade.</p><p>Reconhecer nosso contexto, incluindo as dimensões conflitivas de classe,</p><p>é condição para seguirmos nesse caminho. É importante também aprofundar o</p><p>conhecimento sobre as formas de produção das desigualdades que extrapolam</p><p>a classe e que se articulam a ela, como gênero, cor e orientação sexual.</p><p>O primeiro passo para superar as desigualdades é conhecê-las e assumi-las co-</p><p>mo reais, existentes. Do mesmo modo, é fundamental conhecer as condições histó-</p><p>ricas que perpetuam a posição de determinados grupos populacionais em situação</p><p>de desvantagem social e econômica.</p><p>As pessoas alforriadas, sem</p><p>direito à posse da terra,</p><p>ocupavam locais de moradia</p><p>precários, como os cortiços. Até</p><p>hoje essa desigualdade</p><p>histórica reverbera na</p><p>sociedade brasileira. Na foto,</p><p>cortiço no Rio de Janeiro (RJ),</p><p>em 1906.</p><p>1. Como as características</p><p>históricas nos ajudam</p><p>a refletir sobre as de-</p><p>sigualdades no Brasil?</p><p>2. Como as desigualdades</p><p>sociais se manifestam</p><p>nas relações de traba-</p><p>lho? Quais atividades</p><p>laborais podem ser</p><p>consideradas precari-</p><p>zadas, ou seja, não</p><p>garantem os direitos</p><p>dos trabalhadores?</p><p>3. Discutam em grupos</p><p>como as políticas pú-</p><p>blicas podem contribuir</p><p>para combater a desi-</p><p>gualdade social.</p><p>IN</p><p>TE</p><p>RA</p><p>ÇÃ</p><p>O</p><p>A</p><p>ce</p><p>rv</p><p>o</p><p>Ic</p><p>on</p><p>og</p><p>ra</p><p>ph</p><p>ia</p><p>/R</p><p>em</p><p>in</p><p>is</p><p>cê</p><p>nc</p><p>ia</p><p>s</p><p>98 Não escreva no livro.</p><p>Mortalidade infantil</p><p>A mortalidade infantil é um indicador social importante para compreender as</p><p>condições de vida, a cobertura de atendimento à saúde e o acesso à alimentação</p><p>da população. Esse indicador, juntamente com outros, como expectativa de vida,</p><p>permite verificar as desigualdades entre regiões e países. Em 2019, de acordo</p><p>com o IBGE, a cada mil crianças nascidas no Brasil, 12 morriam antes de comple-</p><p>tar 1 ano.</p><p>1. Observe o quadro de Portinari reproduzido na página. Que problema social é</p><p>retratado? Esse problema é comum no lugar onde você vive? Quais medidas</p><p>podem ser tomadas para superá-lo? Faça uma pesquisa sobre o assunto e</p><p>apresente o resultado para os colegas.</p><p>AÇÃO E CIDADANIA</p><p>O artista brasileiro Candido Portinari</p><p>retratou, em muitas de suas obras,</p><p>as condições de vida da população</p><p>brasileira em meados do século XX.</p><p>Na imagem, reprodução do quadro</p><p>Criança morta, de 1944. Óleo sobre</p><p>tela.</p><p>Desigualdades no espaço geográfico</p><p>As desigualdades sociais se expressam</p><p>de diversas formas, inclusive na orga-</p><p>nização do espaço urbano. Geralmente o acesso a bens culturais e a equipamen-</p><p>tos públicos é mais fácil para as pessoas que vivem nas regiões centrais, enquan-</p><p>to as periferias das cidades compartilham um cotidiano quase sempre marcado</p><p>por transportes públicos lotados, em que as pessoas fazem longas viagens entre</p><p>sua moradia e seu local de trabalho.</p><p>Essas desigualdades socioespaciais são consequência de processos de expan-</p><p>são da cidade e de reformas urbanas que, aos poucos, foram expulsando parte</p><p>considerável das populações menos favorecidas das regiões centrais. Por outro</p><p>lado, a ocupação das periferias não foi acompanhada de políticas públicas que</p><p>garantissem infraestrutura adequada nessas áreas.</p><p>Assim, as distinções entre centro e periferia não dizem respeito apenas às dis-</p><p>tâncias percorridas entre casa e trabalho. Há desigualdades nas condições das</p><p>moradias, na existência de rede de esgoto e água tratada, no acesso à educação,</p><p>ao lazer e à saúde e até nos riscos de ser vítima de violência. Essas desigualda-</p><p>des contribuem diretamente para a deterioração da qualidade de vida.</p><p>Algumas regiões mais ricas das grandes cidades possuem índices de desenvol-</p><p>vimento humano (IDH) similares aos de países desenvolvidos. Nessas regiões, mui-</p><p>tas vezes, há condomínios cercados por muros</p><p>e câmeras de vigilância, que são acessados</p><p>apenas por moradores e seus funcionários.</p><p>Esses espaços se fecham ao restante da popu-</p><p>lação, geralmente sob o pretexto do medo da</p><p>violência urbana.</p><p>As desigualdades socioespaciais também</p><p>podem ser observadas pelas disparidades na</p><p>qualidade de vida entre as diferentes regiões</p><p>do Brasil, que estão relacionadas à perpetua-</p><p>ção dos interesses das elites econômicas du-</p><p>rante o processo de formação do território</p><p>brasileiro.</p><p>Desse modo, as regiões Sul e Sudeste e al-</p><p>gumas cidades litorâneas desenvolveram maior</p><p>infraestrutura, pois que se constituíram como</p><p>polos econômicos. Isso contribuiu para agra-</p><p>var o desenvolvimento socioeconômico desi-</p><p>gual entre as diferentes regiões do país, fato</p><p>que pode ser observado, por exemplo, na dis-</p><p>paridade das taxas de mortalidade, expecta-</p><p>tiva de vida e acesso a saneamento.</p><p>M</p><p>us</p><p>eu</p><p>d</p><p>e</p><p>A</p><p>rt</p><p>e</p><p>de</p><p>S</p><p>ão</p><p>P</p><p>au</p><p>lo</p><p>A</p><p>ss</p><p>is</p><p>C</p><p>ha</p><p>te</p><p>au</p><p>br</p><p>ia</p><p>nd</p><p>, S</p><p>ão</p><p>P</p><p>au</p><p>lo</p><p>/P</p><p>ro</p><p>je</p><p>to</p><p>P</p><p>or</p><p>tin</p><p>ar</p><p>i</p><p>99Não escreva no livro.</p><p>ATIVIDADES</p><p>1 Leia o texto a seguir e, depois, faça o que se pede.</p><p>Ainda que a proporção de usuários de internet seja crescente, indivíduos provenientes de contextos sociode-</p><p>mográficos distintos apresentaram disparidades quanto ao uso da rede. Tais diferenças foram observadas, por</p><p>exemplo, na proporção de crianças e adolescentes usuários de internet nas áreas urbana (90%) e rural (68%), bem</p><p>como, entre as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste (com proporções superiores a 90% de usuários) e as regiões</p><p>Nordeste e Norte (com 75% de usuários de internet nessa faixa etária em ambas regiões) […].</p><p>Enquanto a quase totalidade das crianças e dos adolescentes de 9 a 17 anos das classes AB (98%) e C (94%)</p><p>era usuária de internet em 2018, entre aqueles das classes DE, a proporção foi de 73%. Observa-se, ainda, que a</p><p>proporção de crianças e adolescentes usuários de internet foi maior entre aqueles que tinham acesso à rede no</p><p>domicílio (94%) em comparação com aqueles que não possuíam (61%).</p><p>Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR. Pesquisa sobre o uso da internet por crianças e adolescentes no Brasil:</p><p>TIC kids online Brasil 2018. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2019. p. 110. Edição bilíngue. Disponível em: https://</p><p>www.cetic.br/media/docs/publicacoes/216370220191105/tic_kids_online_2018_livro_eletronico.pdf. Acesso em: 16 jun. 2020.</p><p>Com base na leitura do texto, comente as diferenças no acesso à internet entre as crianças e os adoles-</p><p>centes pesquisados. Considere as especificidades presentes no texto que se referem a classe, localida-</p><p>de e condições nos domicílios. Como essas questões dialogam com a produção de critérios de estratifi-</p><p>cação social?</p><p>2 O trecho abaixo aborda a situação de muitas pessoas que viviam em comunidades mais pobres</p><p>durante a pandemia de covid-19, em que o isolamento social era uma importante medida de proteção</p><p>contra a contaminação pelo vírus SARS-CoV-2. Leia-o e, depois, responda às questões.</p><p>Entre ruas estreitas e vielas, as pessoas precisam sair de casa principalmente para ir trabalhar. E se tem um</p><p>número de pessoas que pode ficar em quarentena no Brasil, a grande população, a população trabalhadora des-</p><p>se país não pode. O que ela faz? Organiza, limpa, passa e faz a comida da elite.</p><p>As dificuldades aumentam quando você vai aos bairros mais precários, onde estão os córregos abertos, onde</p><p>não tem tratamento de esgoto, onde não tem geralmente água todos os dias e muitas vezes falta luz.</p><p>Como você vai falar com a família para ficar dentro do barraco de madeira se tem cinco a seis pessoas, como</p><p>falar para elas cumprirem a quarentena ali?</p><p>[…]</p><p>Toda a medicina é feita distante das periferias, a maioria dos médicos não quer estar perto das favelas, então is-</p><p>so torna um peso muito grande. O periférico que fica doente tem que ser transportado para um hospital mais central</p><p>ou para uma especialidade mais central.</p><p>Ferréz. O vírus nas favelas de São Paulo. N-1 Edições, p. 2-3, 2020. Disponível em: https://n-1edicoes.org/079. Acesso em: 16 jun. 2020.</p><p>a) Que fatores mencionados pelo autor dificultaram o cumprimento das recomendações de isola-</p><p>mento social nos bairros periféricos?</p><p>b) Como esses fatores se relacionam às desigualdades sociais discutidas ao longo do capítulo?</p><p>3 (Enem)</p><p>A alteração legal no Brasil contemporâneo descrita no texto é resultado do processo de:</p><p>a) aumento da renda nacional.</p><p>b) mobilização do movimento negro.</p><p>c) melhoria da infraestrutura escolar.</p><p>d) ampliação das disciplinas obrigatórias.</p><p>e) politização das universidades públicas.</p><p>A demanda da comunidade afro-brasileira por reconhecimento, valorização e afirmação de direitos, no que diz</p><p>respeito à educação, passou a ser particularmente apoiada com a promulgação da Lei 10 639/2003, que alterou a</p><p>Lei 9 394/1996, estabelecendo a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileiras e africanas.</p><p>Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e</p><p>Cultura Afro-brasileira e Africana. Brasília: Ministério da Educação, 2005.</p><p>100 Não escreva no livro.</p><p>.</p>

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