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<p>1</p><p>URGÊNCIA E EMERGÊNCIA EM ADULTOS E IDOSOS</p><p>1</p><p>Sumário</p><p>NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2</p><p>INTRODUÇÃO ......................................................................................... 3</p><p>EMERGÊNCIAS PSIQUIÁTRICAS NOS IDOSOS .................................. 5</p><p>A ATENÇÃO À SAÚDE DO IDOSO NOS SERVIÇOS BRASILEIROS DE</p><p>URGÊNCIA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA ................................................... 10</p><p>ANÁLISE DA DEMANDA ATENDIDA EM UNIDADE DE URGÊNCIA</p><p>COM CLASSIFICAÇÃO DE RISCO ................................................................. 21</p><p>COMPONENTE PRÉ-HOSPITALAR FIXO ............................................ 31</p><p>COMPONENTE PRÉ-HOSPITALAR MÓVEL ....................................... 32</p><p>ATENDIMENTO HOSPITALAR ............................................................. 33</p><p>SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM - SAE ...... 37</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................... 39</p><p>2</p><p>NOSSA HISTÓRIA</p><p>A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de</p><p>empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de</p><p>Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como</p><p>entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior.</p><p>A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de</p><p>conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a</p><p>participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua</p><p>formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais,</p><p>científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o</p><p>saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação.</p><p>A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma</p><p>confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base</p><p>profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições</p><p>modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica,</p><p>excelência no atendimento e valor do serviço oferecido.</p><p>3</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>O envelhecimento populacional está ocorrendo de forma acelerada.</p><p>Dados estatísticos indicam que no período entre 2000 a 2050, a proporção de</p><p>pessoas no mundo, com idade superior a 60 anos, passará de 11% a 22%.</p><p>Estima-se que no ano de 2050 mais de 20% da população mundial terá</p><p>mais de 60 anos, sendo que 80% destes estarão em países de média</p><p>e baixa renda (YONEKURA et al., 2015).</p><p>Isso significa que em menos de 30 anos a população de idosos será</p><p>proporcional ao que hoje é encontrada em países desenvolvidos, com sérias</p><p>implicações para o setor da saúde.</p><p>É uma realidade que os idosos necessitam de uma abordagem e um</p><p>tratamento diferenciado dos demais segmentos da sociedade no</p><p>âmbito da saúde, respeitando seus direitos, sua autonomia, quando</p><p>presente e sua liberdade de escolha (quando ciente de seus atos e</p><p>quando estiver em plenas faculdades mentais) (BIF, 2011).</p><p>Conforme a World Health Organization (WHO, 2013), o</p><p>envelhecimento populacional impacta diretamente as estruturas de</p><p>saúde, sociais e econômicas, pois as pessoas estão vivendo mais</p><p>tempo com problemas de saúde, o que aumenta os custos de saúde.</p><p>Os idosos possuem vários problemas de saúde concomitantes e são</p><p>mais vulneráveis a maus-tratos, que podem ocasionar danos físicos e</p><p>psicológicos em longo prazo (WHO, 2012).</p><p>A presença dessas doenças, juntamente com as características de</p><p>vulnerabilidade e necessidades de saúde da população idosa, aumenta a</p><p>utilização dos serviços de saúde.</p><p>Frente à nova estrutura etária da população brasileira, os serviços para</p><p>atenção ao idoso na fase aguda são importantes componentes no</p><p>sistema de saúde (YONEKURA et al, 2015).</p><p>O processo de envelhecimento e sua consequência natural, a velhice,</p><p>preocupam a humanidade desde o início da civilização.</p><p>O aumento acentuado do número de idosos trouxe impactos para a</p><p>sociedade. Fez-se necessário, deste modo, buscar os determinantes das</p><p>condições de saúde e de vida dos idosos e conhecer as múltiplas facetas da</p><p>velhice e do processo de envelhecer.</p><p>Os países desenvolvidos passam pelo processo de transição</p><p>demográfica de forma gradativa, mas o Brasil, como os outros países</p><p>em desenvolvimento, tem se tornado um país envelhecido de forma</p><p>4</p><p>abrupta, de modo que não tem conseguido subsidiar mudanças</p><p>econômicas e sociais que favoreçam a qualidade de vida ao idoso</p><p>(LIMA; CAMPOS, 2011).</p><p>A partir disto, presume-se que os profissionais de enfermagem têm</p><p>dificuldades técnicas para atender a pessoa idosa numa situação de</p><p>urgência e emergência; os profissionais de enfermagem têm</p><p>dificuldades para lidar com a família do idoso inserido dentro da</p><p>situação de urgência e emergência; os profissionais de enfermagem</p><p>não veem os idosos como atendimento preferencial em urgência e</p><p>emergência; os profissionais de enfermagem não possuem</p><p>treinamento profissional para lidar com as questões específicas no</p><p>atendimento do idoso em urgência e emergência (BIF, 2011).</p><p>Nesse sentido, o objetivo deste estudo é identificar as principais</p><p>características dos atendimentos aos idosos em caso de urgência e emergência.</p><p>Trata-se de um estudo de revisão integrativa que é um método utilizado</p><p>para a sintetização da literatura sobre um determinado tema de interesse,</p><p>identificar lacunas e destacar perguntas de pesquisas.</p><p>Diferente da revisão sistemática, os estudos de revisão integrativa, tem</p><p>como potencialidade a inclusão de diversos tipos de estudos, como</p><p>quantitativos, qualitativos e teóricos, com questões amplas de</p><p>pesquisa, que favorece a sistematização de diversos temas e a</p><p>compreensão sobre o estado atual da arte (SOARES et al., 2014).</p><p>Realizou-se a busca das publicações/artigos na base de dados da</p><p>Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e na</p><p>biblioteca digital Scientific Electronic Library Online (SCIELO) e buscas manuais,</p><p>utilizando inicialmente os termos emergência e urgência no título.</p><p>As palavras-chave utilizadas foram: urgência, emergência e idoso.</p><p>Os critérios para a escolha das palavras-chave Características dos</p><p>Atendimentos de Idosos Realizados em Casos de Urgência e Emergência</p><p>consistiram em: pertencer aos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e</p><p>representar ao menos em parte a temática do estudo.</p><p>Os critérios de inclusão foram: estudos quantitativos, qualitativos e</p><p>teóricos, restrito ao idioma português e data de publicação 2011 a 2015, que</p><p>versassem sobre a atenção aos idosos nos serviços de urgências e emergência.</p><p>A busca foi realizada em setembro de 2015 por duas pesquisadoras.</p><p>Foram encontrados 3215 artigos, após utilizar o critério, ano de publicação 2011</p><p>5</p><p>à 2015, esse número foi para 312, após o uso dos termos urgência e emergência</p><p>esse número caiu para 65, após leitura dos resumos e observados as repetições</p><p>apenas 20 respondiam a pergunta norteadora: quais as características dos</p><p>atendimentos de idosos realizados em casos de urgência e emergência?</p><p>Após a identificação dos estudos, por meio da estratégia de busca,</p><p>procedeu-se a seleção dos artigos pelos títulos e resumos.</p><p>A análise foi realizada de acordo com a questão norteadora e os critérios</p><p>de inclusão previamente definidos.</p><p>Elaborou-se um instrumento para extrair e analisar os dados dos estudos</p><p>incluídos, contendo os itens: autor(es), ano de publicação, títulos e resultados.</p><p>A presença de idosos num serviço de emergência: campo de saúde ou</p><p>campo de guerra?</p><p>As condições de infraestrutura na emergência foram apontadas como</p><p>fatores que dificultavam a presença da família, enquanto que todos os</p><p>participantes identificam o afeto e a presença desta, como necessidades</p><p>de Brasília, Brasília, 2014.</p><p>NASCIMENTO, A.A.S; CUNHA, B.S; SÁ, S.P.C. Perfil clínico de internação de</p><p>idosos na unidade de emergência de um hospital geral. Editora: Ufros, vol. 19,</p><p>n.1, 2014.</p><p>40</p><p>RAMOS, C.V; SANTOS, S.S.C; BARLEM, E.L et al. Quedas em idosos de dois</p><p>serviços de pronto atendimento do Rio Grande do Sul. Rev. Eletr. Enf., v. 13, n.</p><p>4, p. 703-13, 2011.</p><p>SANTOS, A.M.R., RODRIGUES, R.A.P., DINIZ, M.A. Trauma no idoso por</p><p>acidente de trânsito: revisão integrativa. Rev Esc Enferm USP, v. 49, n. 1, p. 162-</p><p>172, 2015.</p><p>SAUSEN, L.S.V. Perfil dos idosos classificados como não urgentes em um</p><p>serviço de emergência. Monografia (Graduação em Enfermaegm). Universidade</p><p>Federal do Rio Grande do Sul - Escola de Enfermagem. Porto Alegre, 2013.</p><p>SILVA, A.P.F. SILVA, L.L. Perfil epidemiológico dos idosos atendidos pelo</p><p>serviço de atendimento móvel de urgência (SAMU) na cidade de Maceió/ AL.</p><p>Cadernos de Graduação - Ciências Biológicas e da Saúde Fits, v. 1, n.2, p. 135-</p><p>143, 2013.</p><p>SILVEIRA, V.C., PASKULIN, L. Perfil e rede de apoio de idosos internados na</p><p>emergência do hospital de clínicas de porto alegre. Rev. Envelhercer. v. 19, n. 2,</p><p>p. 377-396, 2014.</p><p>fundamentais para o idoso. Então, depreende-se o cuidado como uma categoria</p><p>empírica que emergiu da análise das informações, apontada como fundamental</p><p>nas relações do idoso com a família e, também, na relação profissional da saúde</p><p>e idoso/família.</p><p>EMERGÊNCIAS PSIQUIÁTRICAS NOS IDOSOS</p><p>Estudo epidemiológico</p><p>Dentre as emergências psiquiátricas encontrou-se depressão como o</p><p>transtorno mais prevalente, mas em estudos relacionados à emergência a</p><p>demência aparece como a principal e pior causa. Suicídio aparece como a</p><p>situação de emergência mais importante relacionada à depressão.</p><p>O paciente idoso em situação de urgência e emergência deve ter seus</p><p>direitos de saúde garantidos, de forma ética, profissional e humana,</p><p>levando em consideração sua história e hábitos de vida, respeitando</p><p>sua vontade e da família, dispondo de atenção especial às suas</p><p>necessidades mais urgentes, sem desprezar outras queixas,</p><p>promovendo conforto, privacidade, integralidade, e atuando em equipe,</p><p>6</p><p>respeitando os preceitos da interdisciplinaridade. CALDAS; VERAS;</p><p>MOTTA (2015)</p><p>Atendimento de emergência e suas interfaces: o cuidado de curta duração</p><p>a idosos.</p><p>Quanto ao pessoal/equipe, os profissionais e administradores do</p><p>departamento de emergência devem oferecer cuidados diferenciados para as</p><p>necessidades da população geriátrica.</p><p>Um exemplo é o uso de consulta geriátrica pelos profissionais do</p><p>departamento de emergência. FREITAS; BONOLO; MORAES (2015)</p><p>Idosos atendidos em serviços de urgência no Brasil: um estudo para</p><p>vítimas de quedas e de acidentes de trânsito.</p><p>As causas externas são consideradas importantes determinantes de</p><p>morbimortalidade em idosos, representadas, basicamente pelas quedas e</p><p>acidentes de trânsito.</p><p>As quedas têm, por décadas, sido reconhecidas por profissionais de</p><p>saúde como uma etiologia das lesões. Contudo, mais recentemente,</p><p>têm sido compreendidas como um marcador independente da</p><p>fragilidade, especialmente dos idosos. GRDEN; SOUSA; LENARDT</p><p>(2014)</p><p>Caracterização de idosos vítimas de acidentes por causas externas</p><p>Os principais atendimentos são por causas externas as lesões, sejam</p><p>físicas, mentais ou psicológicas, que podem ou não levar ao óbito,</p><p>decorrentes de acidentes (trânsito, afogamento, envenenamento,</p><p>quedas, queimaduras) e violência (agressão/ homicídio, suicídio,</p><p>abuso físico, sexual e psicológico). LIMA; CAMPOS (2011)</p><p>Perfil do idoso vítima de trauma atendido em uma Unidade de Urgência e</p><p>Emergência</p><p>As quedas da própria altura apresentaram-se como a causa predominante</p><p>corroborando estudos anteriores que demonstram grande incidência de</p><p>internações secundárias às quedas com fraturas de fêmur resultantes.</p><p>As quedas compreendem uma intercorrência de maior importância</p><p>para a pessoa idosa causando desde pequenas escoriações até</p><p>fraturas diversas, traumatismos cranianos, e fraturas de quadril sendo</p><p>essas últimas muitas vezes causa de óbito. MESCHIAL; SOARES;</p><p>OLIVEIRA, et al (2014)</p><p>7</p><p>Idosos vítimas de quedas atendidos por serviços pré-hospitalares:</p><p>diferenças de gênero</p><p>A abordagem de gênero em estudos epidemiológicos sobre quedas torna-</p><p>se importante para compreender os fatores de risco, uma vez que estes são</p><p>multicausais.</p><p>Embora não tenha sido foco deste estudo a mortalidade por quedas, a</p><p>literatura mostra que os índices de quedas fatais entre os homens</p><p>superam os das mulheres em todos os grupos etários, o que pode ser</p><p>atribuído ao fato de que os homens sofrem de maiores condições de</p><p>comorbidades do que as mulheres para o mesmo grupo etário.</p><p>MURAKAMI (2014)</p><p>Sabe-se que os idosos são admitidos e utilizam os serviços de</p><p>emergência com frequência, permanecem por tempos prolongados, e após alta</p><p>são readmitidos constantemente.</p><p>Desse modo, a organização de um sistema de saúde eficiente ao</p><p>atendimento da população idosa requer estratégias de gerenciamento</p><p>de demanda de uma população que continuará crescendo e</p><p>procurando por serviços de saúde. NASCIMENTO; CUNHA; SÁ (2014)</p><p>Foi detectado que por diversas vezes, os idosos entraram na emergência</p><p>devido a complicações por doenças possíveis de controle na atenção básica</p><p>como a HAS e Diabetes, além de outras patologias.</p><p>Perfil das vítimas de violências e acidentes atendidas em serviços de</p><p>urgência e emergência do Sistema Único de Saúde em capitais brasileiras</p><p>A ingestão de bebida alcoólica pelo paciente foi registrada em 16,3% dos</p><p>atendimentos, sendo a maior proporção decorrente de atendimentos de</p><p>violências (47,8%).</p><p>Quanto ao local de ocorrência dos acidentes, predominou o domicílio</p><p>(37,1%), seguido da via pública (36,3%), enquanto entre os pacientes atendidos</p><p>devido a violências, prevaleceu a via pública (41,0%).</p><p>As causas de quedas são diversas, podendo ser divididas em fatores</p><p>intrínsecos e extrínsecos.</p><p>Entre os primeiros, estão as alterações fisiológicas pelas quais o idoso</p><p>passa, como condições patológicas e efeitos adversos de medicações;</p><p>8</p><p>ou uso concomitante de medicamentos. OLIVEIRA; RODRIGUES;</p><p>RIBEIRO (2013)</p><p>A maioria dos idosos que eram aposentados, do lar ou que trabalhavam</p><p>na área de serviços gerais apresentou a queda como principal causa de trauma.</p><p>Em contrapartida, os idosos que trabalhavam na área comercial</p><p>apresentaram como causa dos traumas o acidente automobilístico.</p><p>RAMOS; SANTOS; BARLEM et al (2011)</p><p>Quedas em idosos de dois serviços de pronto atendimento do Rio Grande</p><p>do Sul Na prevenção terciária, ou seja, quando o idoso encontra-se internado</p><p>em consequência de um acidente por quedas, faz-se necessário orientá-lo, junto</p><p>ao seu familiar e/ou cuidador, quanto aos fatores causadores das quedas,</p><p>possíveis consequências.</p><p>Uma medida importante seria realizar uma visita domiciliar ao idoso,</p><p>após a hospitalização para checar seus hábitos e questões ambientais.</p><p>SANTOS; RODRIGUES; DINIZ (2015)</p><p>Trauma no idoso por acidente de trânsito: revisão integrativa</p><p>Os dados epidemiológicos levantados demonstraram a importância</p><p>dos acidentes de trânsito para a população idosa, possibilitando inferir</p><p>a gravidade que tais eventos representam para o alcance de uma</p><p>velhice saudável, constatando-se a existência de aspectos similares</p><p>nos diferentes países, como o aumento da mortalidade por esta causa</p><p>entre os idosos, principalmente entre os mais velhos, chegando, em</p><p>alguns países, a equiparar-se ao número de ocorrências encontradas</p><p>entre os jovens. SAUSEN (2013)</p><p>Perfil dos idosos classificados como não urgentes em um serviço de</p><p>emergência</p><p>O aumento do número de idosos na população traz como consequência</p><p>o aumento da procura por atendimento hospitalar, principalmente os serviços de</p><p>urgência.</p><p>As comorbidades tronam-se mais graves e/ou crônicas, há uma maior</p><p>prevalência de traumatismos, acidentes vasculares cerebrais e</p><p>urgências cardiológicas. SERBIM (2013)</p><p>9</p><p>Caracterização sociodemográfica, de saúde e apoio social de idosos</p><p>usuários de um serviço de emergência</p><p>Observou-se que o número de idosas foi ligeiramente superior aos</p><p>homens, o que vai ao encontro a estudos sobre perfil da população que</p><p>utiliza os serviços de emergência. SILVA; SILVA (2013)</p><p>Perfil epidemiológico dos idosos atendidos pelo serviço de atendimento</p><p>móvel de urgência (samu) na cidade de maceió/ al No que diz respeito à</p><p>violência, houve também baixa incidência, apresentando apenas uma ocorrência</p><p>no período estudado.</p><p>Outras queixas, como choque elétrico, foram incluídas no percentual de</p><p>“outras Causas” no parâmetro causas gerais, representando 3,33% dos</p><p>achados.</p><p>Tão importante quanto o atendimento pré-hospitalar imediato e eficaz é o</p><p>atendimento posterior, ou seja, a unidade de tratamento que o indivíduo vai ser</p><p>encaminhado.</p><p>O Sistema Único de Saúde foi elaborado com caráter de descentralização,</p><p>em níveis de complexidade, para promover o atendimento adequado</p><p>e garantir</p><p>o atendimento universal e integral a seus usuários.</p><p>Desta forma, o SAMU encaminha cada indivíduo de acordo com suas</p><p>necessidades terapêuticas. SILVEIRA, V.C; PASKULIN, L (2014)</p><p>O trabalho voltado à assistência à saúde do idoso requer uma articulação</p><p>entre as redes de apoio formais e informais.</p><p>Um olhar além dos sujeitos envolvidos, que compreenda a</p><p>complexidade do contexto social em que estes se inserem, tornando-</p><p>se um dispositivo para modelos de atenção que visem à promoção da</p><p>saúde deste grupo populacional, a prevenção de complicações e a</p><p>possibilidade de tratamento e reabilitação mais efetivos. YONEKURA</p><p>et al. (2015)</p><p>10</p><p>A ATENÇÃO À SAÚDE DO IDOSO NOS SERVIÇOS</p><p>BRASILEIROS DE URGÊNCIA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA</p><p>A utilização dos serviços de urgências pela população idosa pode estar</p><p>relacionada com possíveis fatores de risco presentes na população idosa e a</p><p>pouca resolutividade dos outros setores da saúde.</p><p>No Brasil, a saúde do idoso é uma das prioridades nas diretrizes do Pacto</p><p>pela Vida que compreende um conjunto de reformas institucionais nacionais,</p><p>estaduais e municipais.</p><p>Diversas políticas, como a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa</p><p>e o Estatuto do Idoso, ampliaram a garantia da atenção à saúde da</p><p>população idosa em todos os níveis de atenção (YONEKURA et al.,</p><p>2015).</p><p>Os estudos voltados para a saúde do idoso no Brasil, em sua grande</p><p>maioria, focam somente na promoção da qualidade de vida deste indivíduo, com</p><p>grande ênfase para a Atenção Básica e com menos abordagens aos pacientes</p><p>idosos institucionalizados ou internados em instituições hospitalares, seja por</p><p>quadros patológicos agudos ou crônicos, urgentes ou não.</p><p>Esse é um fator preocupante, pois a demanda desse grupo etário nas</p><p>urgências e emergências é grande e cada vez mais crescente com o</p><p>passar do tempo, deste modo, faz-se necessário o desenvolvimento de</p><p>pesquisas e estudos voltados ao atendimento dos idosos, com</p><p>objetivos de conhecer melhor esses usuários do Sistema de Saúde,</p><p>bem como desenvolver práticas que possam melhorar a assistência</p><p>prestada a esses pacientes (BIF, 2011).</p><p>Uma melhor qualidade da atenção ao idoso nos serviços de urgência</p><p>e emergência é possível com delineamentos criteriosos desses</p><p>serviços, otimização de recursos e maior acesso a recursos de</p><p>diagnóstico e tratamento (YONEKURA et al., 2015).</p><p>Os principais atendimentos realizados no setor de urgência e</p><p>emergência ao idoso, são os acidentes por causas externas estão</p><p>entre as principais ocorrências de morte na população geral e entre os</p><p>idosos (GRDEN; SOUSA; LENARDT, 2014).</p><p>As melhorias e avanços nos controles de enfermidades e tecnologias</p><p>de saúde contribuíram para aumentar o número de indivíduos capazes</p><p>de sobreviver aos problemas da infância e aos outros riscos ao longo</p><p>da vida e avanços nos cuidados a saúde garantem que mais indivíduos</p><p>11</p><p>tenham a oportunidade de atingir uma idade avançada e vivam mais</p><p>anos produtivos. (LIMA; CAMPOS, 2011).</p><p>Segundo os dados disponíveis no Departamento de Informática do</p><p>Sistema Único de Saúde, no ano de 2011, as causas externas foram a terceira</p><p>causa de óbito na população geral (n=145.842 óbitos) e a sétima causa de morte</p><p>entre os indivíduos com idade acima de 60 anos (n=24.669 óbitos).</p><p>Os atendimentos que se caracterizam como quadros agudos de urgência</p><p>devem ser objeto de preocupação entre os profissionais da área da saúde, pois</p><p>lesões que poderiam ser facilmente toleradas por pacientes jovens podem</p><p>resultar em índices consideráveis de mortalidade no idoso.</p><p>Nos serviços de emergência, as quedas se apresentam como um dos</p><p>principais motivos de atendimento (GRDEN; SOUSA; LENARDT,</p><p>2014).</p><p>Atualmente estão cada vez mais disseminados os agentes causais de</p><p>lesões nos seres humanos, tais como: os meios de transportes, o maquinário</p><p>agrícola e industrial, o aumento da agressividade das armas de fogo, entre</p><p>outros.</p><p>Se por um lado o aumento tecnológico tem contribuído para o aumento da</p><p>qualidade de vida, por outro ameaça a sobrevivência dos cidadãos.</p><p>A morte decorrente do trauma é um grande problema de saúde no mundo</p><p>inteiro, resultando em quase 14 mil mortes diariamente, em termos globais o</p><p>trauma aparece entre as cinco principais causas de morte.</p><p>Ao se comparar o restante da população com os idosos, observa-se</p><p>que estes últimos são mais suscetíveis à doença e ao trauma (LIMA;</p><p>CAMPOS, 2011).</p><p>Como corrobora Bif (2011), outra causa também bastante frequente de</p><p>atendimento ao idoso nas emergências são as fraturas ocasionadas</p><p>por quedas acidentais.</p><p>As quedas são os eventos mais frequentes, seguidos por acidentes de</p><p>trânsito e agressão física, o que corrobora os achados deste estudo.</p><p>As quedas são os eventos mais comuns e incapacitantes nos idosos,</p><p>causando elevado número de institucionalização e mortalidade, podendo ser</p><p>definidas como evento não intencional que leva uma pessoa inadvertidamente a</p><p>cair ao chão em um mesmo nível ou em outro inferior, sendo influenciadas por</p><p>12</p><p>diversos fatores de acordo com a cultura e as condições de vida dos idosos,</p><p>além de estarem associadas a problemas biopsicossociais.</p><p>A queda pode ser considerada com um evento sentinela na vida do idoso,</p><p>como um marcador potencial de declínio da função ou sintoma de uma nova</p><p>patologia.</p><p>As fraturas decorrentes de quedas são responsáveis por</p><p>aproximadamente 70% das mortes acidentais em pessoas acima de 75 anos, e</p><p>os idosos apresentam 10 vezes mais hospitalizações e oito vezes mais mortes</p><p>consequentes as quedas, comparativamente as crianças. Em torno de 5% das</p><p>quedas resultam em trauma e 5 a 10 % resultam em ferimentos importantes que</p><p>precisam de cuidados médicos.</p><p>Mais de dois terços daqueles que têm uma queda cairão novamente nos</p><p>seis meses subsequentes e para um idoso que sofre a queda este evento pode</p><p>assumir significado de fracasso gerado pela percepção da perda de capacidade.</p><p>A prevenção das quedas pode ser feita com ações que envolvem</p><p>desde o conhecimento da relação do idoso com o meio onde vive no</p><p>sentido de diminuir barreiras arquitetônicas, tanto domiciliares quanto</p><p>públicas, até intervenções preventivas na esfera biopsicossocial como</p><p>a melhora na acuidade visual, na baixa densidade mineral óssea, baixa</p><p>atividade física, fraqueza muscular e mesmo a atuação na tentativa de</p><p>diminuir o medo da queda na pessoa idosa (LIMA; CAMPOS, 2011).</p><p>Entre os fatores envolvidos no trauma em idosos, estudos mostram maior</p><p>proporção de vítimas do sexo masculino, independente da faixa etária.</p><p>Essa situação ocorre em virtude dos homens circularem com maior</p><p>frequência no perímetro urbano do que as mulheres.</p><p>Outra explicação é que os homens estão mais inseridos no mercado de</p><p>trabalho.</p><p>Ressalta-se que o próprio envelhecimento está associado ao maior risco</p><p>da ocorrência da síndrome da fragilidade que constitui outro fator predisponente</p><p>ao trauma.</p><p>No tocante aos aspectos conceituais da fragilidade entende-se por uma</p><p>síndrome clínica, em que há diminuição das reservas fisiológicas e da</p><p>capacidade homeostática do organismo em resistir a eventos</p><p>estressores (CORREA, 2012).</p><p>13</p><p>Atualmente, o aumento da ocorrência de determinados grupos de</p><p>agravos, entre os quais as causas externas (os acidentes e as violências) têm</p><p>se tornado objeto de preocupação entre os profissionais da área de saúde.</p><p>No Brasil a população idosa não costuma ser prioridade sobre a</p><p>abordagem das causas externas devido ao predomínio de jovens que exibem</p><p>altos coeficientes e grande número de casos.</p><p>Contudo estudos têm sido desenvolvidos e apontam que os coeficientes</p><p>de mortalidade pelas causas externas dos idosos são muito próximos aos da</p><p>faixa etária de adolescentes e adultos jovens.</p><p>Esse aumento da incidência de eventos traumáticos em idosos pode ser</p><p>correlacionado com a melhoria da qualidade</p><p>de vida e consequentemente da</p><p>independência funcional.</p><p>O idoso apresenta características da população adulta com menos de 60</p><p>anos, mantendo sua independência e autonomia, tornando-se exposto a eventos</p><p>traumáticos de natureza variada. (LIMA; CAMPOS, 2011). De acordo com um</p><p>estudo realizado por Oliveira et. al (2013) mostra a análise da classificação do</p><p>sexo prevalente de internações, os achados foram de (48%), correspondendo ao</p><p>sexo feminino e (52%), ao sexo masculino.</p><p>Em sua totalidade, revela-se 300 para homens, e 282 para mulheres.</p><p>Esses resultados estimam um perfil de internação masculino, em um quantitativo</p><p>superior aos dados femininos, em graus adjacentes.</p><p>Apesar do número maior de homens atendidos na emergência, observa-</p><p>se que o número considerável de mulheres que também foram atendidas na</p><p>emergência da instituição.</p><p>De acordo com Meschial et al (2014) destacam que a abordagem de</p><p>gênero em estudos epidemiológicos sobre quedas torna-se importante</p><p>para compreender os fatores de risco, uma vez que estes são</p><p>multicausais.</p><p>Embora não tenha sido foco deste estudo a mortalidade por quedas, a</p><p>literatura mostra que os índices de quedas fatais entre os homens superam os</p><p>das mulheres em todos os grupos etários, o que pode ser atribuído ao fato de</p><p>que os homens sofrem de maiores condições de comorbidade do que as</p><p>mulheres para o mesmo grupo etário.</p><p>14</p><p>A maior probabilidade do homem se envolver em atividades físicas</p><p>intensas e perigosas e em comportamentos arriscados, como subir em escadas</p><p>altas, limpar tetos de casas ou ignorar os limites de sua capacidade física, pode</p><p>explicar a maior mortalidade por quedas em homens idosos, como também a</p><p>maior incidência de quedas em faixas etárias mais jovens do idoso, diferente do</p><p>comportamento das quedas nas mulheres.</p><p>Foi constatada neste estudo diferença significativa de uso do álcool, com</p><p>maior proporção na população masculina.</p><p>O uso do álcool é comumente observado em pessoas idosas e, embora</p><p>pouco valorizado, é um problema que merece atenção devido ao constante</p><p>aumento dessa população, que, ao envelhecer, tende a se tornar mais suscetível</p><p>à intoxicação pelo álcool em doses menores àquelas que eram toleradas no</p><p>passado.</p><p>Ainda, 80% das pessoas com 65 anos ou mais apresentam ao menos uma</p><p>doença.</p><p>Comorbidades em idosos com transtornos psiquiátricos representam séria</p><p>preocupação para os serviços de emergência.</p><p>Condições médicas com capacidade de ocultar sintomas psiquiátricos é</p><p>uma complicação inerente de apresentação em saúde mental de pacientes</p><p>geriátricos.</p><p>Por exemplo, pode ser difícil avaliar a depressão em pacientes devido as</p><p>frequentes comorbidades físicas do paciente e médicos da emergência</p><p>frequentemente não reconhecem a depressão nesses pacientes.</p><p>Idosos com muitas comorbidades como alterações metabólicas ou</p><p>infecções podem apresentar-se com delirium.</p><p>Enquanto o comprometimento do estado mental em idosos é comum</p><p>nos departamentos de emergência, os médicos desses locais</p><p>reconhecem pouco tal condição (BALDAÇARA et al., 2012).</p><p>Ainda conforme os autores citados, o transtorno bipolar, a depressão e o</p><p>abuso de substâncias estiveram relacionados à conduta de observação, mas</p><p>não com hospitalização.</p><p>O delirium aparece como uma causa importante mesmo em um serviço</p><p>de emergência psiquiátrica. Vê-se como é importante reconhecer o delirium, pois</p><p>ainda é confundido com outros transtornos psiquiátricos pela comunidade.</p><p>15</p><p>A predominância da utilização de álcool pelos idosos do gênero</p><p>masculino foi também encontrada em um estudo realizado na cidade</p><p>de São Paulo, que correlacionou o uso do álcool com as quedas entre</p><p>os idosos (BALDAÇARA et al., 2012).</p><p>Foi observado que estas quedas geralmente estão associadas com</p><p>alterações fisiológicas que ocorrem no processo de envelhecimento, como</p><p>diminuição da acuidade visual, diminuição da força motora, dificuldade de</p><p>locomoção, e ainda fatores relacionados ao ambiente.</p><p>Contudo, neste estudo, as quedas de mesmo nível foram</p><p>significativamente maiores no gênero feminino, e o inverso foi observado no</p><p>gênero masculino.</p><p>As quedas neste estudo ocorreram predominantemente durante o dia,</p><p>sendo mais frequentes no período da tarde, com distribuição</p><p>percentual semelhante quando comparadas entre homens e mulheres</p><p>(RAMOS et al., 2011).</p><p>De acordo com Lima e Campos (2012), o cuidador familiar revelou-se</p><p>um importante ator social, destacando-se os filhos(as) e cônjuges.</p><p>No que tange aos filhos, esta pode ser uma atribuição recebida tanto</p><p>pela estrutura da família como influenciada por questões culturais,</p><p>como de dever com seus entes (AIRES; PAZ; PEROSA, 2009).</p><p>Com relação aos cônjuges, ainda é possível identificar mais uma</p><p>particularidade do processo de envelhecimento, qual seja, a dos idosos cuidando</p><p>de idosos.</p><p>Este achado deve ser observado e compreendido pelos profissionais e</p><p>serviços de saúde, a fim de avaliar as condições deste cuidador para assumir tal</p><p>responsabilidade. Novas demandas de atenção profissional podem surgir a partir</p><p>desta investigação pelos profissionais de saúde.</p><p>Apesar da crescente e preocupante elevação nos índices de trauma na</p><p>população geriátrica, ressalta-se que poucos estudos buscam identificar fatores</p><p>de risco capazes de prever o aparecimento de complicações e a mortalidade</p><p>nesse grupo etário.</p><p>O aumento da população idosa tende a determinar a maior incidência de</p><p>doenças crônicas e degenerativas, e este tipo de doença ao lado de acidentes e</p><p>violências configuram na atualidade em novo perfil do quadro de problemas de</p><p>saúde.</p><p>16</p><p>Nesse estudo a maior parte da amostra possuía comorbidades (77,8%),</p><p>esse achado corrobora outros estudos em que foi encontrada elevada incidência</p><p>de comorbidades entre os idosos, mesmo que não em situação de trauma.</p><p>Entre tais agravos, a hipertensão arterial foi a de maior prevalência (n</p><p>= 54), É importante destacar que sistema cardiovascular é o primeiro</p><p>que se manifesta inadequadamente mediante o trauma (LIMA;</p><p>CAMPOS, 2011).</p><p>A mudança no perfil epidemiológico da população e a organização do</p><p>sistema de saúde levam a considerar que definições tão demarcadas podem não</p><p>corresponder às necessidades dos usuários.</p><p>Para isso, é fundamental que os serviços, entre eles as emergências,</p><p>atuem como redes articuladas, que considerem tanto as condições</p><p>crônicas como as agudas apresentadas pelos diferentes grupos etários</p><p>(ALVES; SILVEIRA, 2014; MENDES, 2010).</p><p>No envelhecimento, há uma maior probabilidade de acometimento por</p><p>doenças crônicas, degenerativas, câncer e doenças cardiovasculares, que vão</p><p>incidir nas necessidades em saúde.</p><p>Os indicadores de avaliação gerontológica multidimensional, que revelam</p><p>a capacidade funcional, a autonomia e a síndrome da fragilidade, descortinam</p><p>um conjunto de características, proclamadas na reivindicação ao direito de</p><p>acompanhante, na valorização da família e nos direitos dos idosos: As causas</p><p>externas são consideradas importantes determinantes de morbimortalidade em</p><p>idosos, representadas, basicamente pelas quedas e acidentes de trânsito.</p><p>As quedas têm, por décadas, sido reconhecidas por profissionais de</p><p>saúde como uma etiologia das lesões.</p><p>Contudo, mais recentemente, têm sido compreendidas como um</p><p>marcador independente da fragilidade, especialmente dos idosos.</p><p>O impacto das quedas pode ser bastante severo e há evidências de uma</p><p>associação indireta entre alta mortalidade e as lesões decorrentes destas</p><p>quedas, que perduram por um tempo longo após o tratamento das implicações</p><p>das quedas.</p><p>Além disso, mais da metade dos idosos que já tiveram um episódio de</p><p>queda desenvolvem o medo de cair novamente (ptofobia), com consequente</p><p>inatividade física, piora do equilíbrio e aumentando o risco de novas quedas.</p><p>17</p><p>Alguns estudos mostram que acidentes relacionados a quedas</p><p>correspondem a 40% dos eventos que levam o idoso à institucionalização.</p><p>Assim, são consideradas como um problema de saúde em si, além de</p><p>alguns estudiosos considerarem-na como uma síndrome geriátrica</p><p>única (FREITAS et al., 2015).</p><p>Os dados desta revisão integrativa permitiram mapear a produção</p><p>científica sobre as características dos atendimentos aos idosos nos serviços de</p><p>urgência e emergência.</p><p>Com isso, observou-se que as principais causas para atendimento ao</p><p>idoso nestes serviços, são: os acidentes por causas externas estão entre as</p><p>principais ocorrências de morte na população geral e entre os idosos, que são</p><p>lesões, sejam físicas, mentais ou psicológicas, que podem ou não levar ao óbito,</p><p>decorrentes de acidentes (trânsito, afogamento, envenenamento, quedas,</p><p>principalmente da própria altura, queimaduras) e violência (agressão/ homicídio,</p><p>suicídio, abuso físico, sexual e psicológico).</p><p>Os acidentes e a violência configuram com números crescentes na</p><p>população idosa, nos últimos anos.</p><p>Em alguns estudos atentou-se para o fato de que a maioria dos idosos</p><p>atendidos era do sexo masculino e que os eventos mais frequentes foram as</p><p>quedas, seguidas por acidentes de trânsito e agressão física, tendo como</p><p>consequências dor e suspeita de fratura.</p><p>Porém alguns autores afirmam que as mulheres possuem esse</p><p>predomínio, com faixa etária de 60 a 65 anos.</p><p>Em contrapartida, outros estudos afirmaram que as ocorrências em idosos</p><p>vítimas de acidentes por causas externas apontou o predomínio de mulheres, na</p><p>faixa etária entre 60 a 65 anos, hipertensas, que sofreram acidente em seus</p><p>domicílios, principalmente em quedas do mesmo nível, com lesões do tipo</p><p>contusões e escoriações.</p><p>Verifica-se no presente estudo que os idosos usuários do serviço de</p><p>emergência e urgência apresentam vulnerabilidades sociais e de saúde tais</p><p>como baixa escolaridade, renda familiar reduzida, percepção de saúde ruim ou</p><p>muito ruim, presença de danos crônicos agudizados e comorbidades.</p><p>18</p><p>Por isso, alternativas de apoio devem ser buscadas para dar suporte ao</p><p>idoso, uma vez que as necessidades de saúde de pessoas idosas são</p><p>complexas e necessitam ser conhecidas e trabalhadas nos serviços de saúde.</p><p>Considerando o aumento da população idosa e de suas necessidades,</p><p>serão crescentes a utilização dos serviços de saúde e as demandas de cuidado.</p><p>A rede informal já vem enfrentando este desafio e não dará conta deste</p><p>cuidado isoladamente.</p><p>Acredita-se que os enfermeiros que atuam em todos os níveis de atenção,</p><p>tendo por base o cuidado integrado e responsável, precisam auxiliar a rede</p><p>informal a enfrentar os desafios e planejar/executar ações destinadas a este</p><p>grupo populacional nos serviços de saúde.</p><p>Pesquisas na área devem ser incentivadas a fim de ampliar a análise do</p><p>perfil e das redes de apoio por pessoas idosas.</p><p>Esses resultados podem servir de base para outros estudos e reflexões</p><p>acerca da temática, além de fornecer subsídios para o planejamento,</p><p>implementação e avaliação de ações e políticas de saúde pública, visando a</p><p>prevenção desses eventos, justificando-se pelo fato de que é necessário o</p><p>estudo de novas práticas, que visem um melhor acolhimento e uma melhor</p><p>atenção à saúde do idoso, sendo fundamental considerar as dificuldades</p><p>enfrentadas pelo profissional.</p><p>Organização do serviço de urgência na rede de atenção à saúde As redes</p><p>de atenção à saúde tiveram sua origem na década de 20, no Reino Unido.</p><p>No início dos anos 90, a atenção à saúde toma forma com os sistemas</p><p>integrados nos Estados Unidos e, a partir daí, com as adaptações necessárias,</p><p>em sistemas de saúde públicos e privados de outros países.</p><p>Em 2000, a Organização Mundial de Saúde (OMS) propõe critérios para</p><p>o desenho das redes de atenção à saúde, sob a denominação de “integração do</p><p>sistema”.</p><p>Em sentido ampliado, a integração em saúde é um processo que consiste</p><p>em criar e manter uma governança comum de atores e organizações autônomas,</p><p>com a finalidade de coordenar sua interdependência e permitir cooperação para</p><p>a realização de um projeto coletivo.</p><p>Nessa perspectiva, integram-se diferentes subsistemas, relacionando a</p><p>clínica e a governança a valores coletivos. Essas dimensões da integração</p><p>19</p><p>correspondem, na tipologia proposta por Mendes (2001), à gestão da clínica e a</p><p>dos pontos de atenção.</p><p>As redes são conjunto de pontos de atenção à saúde que se articulam,</p><p>pela via das tecnologias de gestão da clínica, numa rede capaz de prestar</p><p>atenção contínua à população adscrita.</p><p>Mendes (2002) afirma que a atenção primária à saúde deve cumprir,</p><p>nas redes de atenção à saúde, três funções: resolução, coordenação</p><p>e responsabilização. A função de resolução consiste em solucionar a</p><p>maioria dos problemas de saúde; a função de coordenação consiste</p><p>em organizar os fluxos e contrafluxos das pessoas e coisas pelos</p><p>diversos pontos de atenção à saúde na rede; e a função de</p><p>responsabilização consiste em se corresponsabilizar pela saúde dos</p><p>usuários em quaisquer pontos de atenção em que estejam sendo</p><p>atendidos.</p><p>Na organização de redes de resposta às condições agudas, a atenção</p><p>primária tem funções de resolução nos casos que lhe cabem (baixo risco) e de</p><p>responsabilização, mas a função de coordenação passa a ser de outra estrutura</p><p>(no caso, o complexo regulador).</p><p>Para a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS, 2000), a atenção</p><p>primária à saúde deve ser parte integral dos sistemas de saúde e o melhor</p><p>enfoque para produzir melhoria sustentável e equitativa na saúde dos povos das</p><p>Américas.</p><p>A Secretaria de Estado de Saúde do Ceará (CEARÁ, 2000) realizou</p><p>experiência de vanguarda com processo de microrregionalização dos serviços</p><p>de saúde, tendo como base a concepção de redes de atenção à saúde, que</p><p>incorporou o nível das urgências e emergências na mesma.</p><p>O Ministério da Saúde, pela Portaria 1.169/GM (BRASIL, 2004), instituiu</p><p>a Política Nacional de Atenção Cardiovascular de Alta Complexidade.</p><p>Trata-se, na realidade, da proposição de uma rede de ações de promoção,</p><p>prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos a ser</p><p>implantada em todas as unidades federadas, respeitadas as competências das</p><p>três esferas de governo.</p><p>A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (MINAS GERAIS,</p><p>2006) priorizou a implantação de redes de atenção à saúde e considerou que a</p><p>situação da saúde do estado se caracteriza pelo rápido envelhecimento da</p><p>20</p><p>população e por uma situação epidemiológica de dupla carga de doença. Essas</p><p>redes são constituídas a partir de um processo de gestão da clínica, decorrendo</p><p>de diretrizes clínicas desenvolvidas sob forma de linhas-guia.</p><p>O estado foi dividido em 75 microrregiões assistenciais que devem ser</p><p>autossuficientes em atenção secundária e 13 macrorregiões, com</p><p>autossuficiência em atenção terciária.</p><p>É de fundamental importância que você conheça a rede de atenção à</p><p>saúde do seu município e os pontos que a compõem para facilitar o fluxo e o</p><p>contrafluxo dos usuários, destacando-se o fluxo para a urgência e emergência.</p><p>Lembre-se: O ponto de comunicação da rede de atenção à saúde é a</p><p>Unidade Básica de Saúde (UBS) onde deve ser realizado o primeiro atendimento</p><p>ao cidadão. Para atingir o objetivo de organização da rede de atenção à saúde</p><p>em urgência, é necessário:</p><p>• Elaborar perfil demográfico e epidemiológico atual e projetado, do</p><p>município.</p><p>• Descrever a rede de atenção à saúde existente no município.</p><p>• Conhecer o modelo de atenção à saúde do município.</p><p>• Avaliar os recursos humanos disponíveis e sua qualificação.</p><p>• Avaliar a funcionalidade e a produção das Unidades Básicas de Saúde.</p><p>• Realizar o diagnóstico integral da rede, a análise da oferta, a estimativa</p><p>de demanda atual e projetada e a identificação dos vazios de atenção e a</p><p>proposição de alternativas de solução.</p><p>Já foi realizado o diagnóstico</p><p>da população adscrita da UBS onde você</p><p>trabalha, mas para a implantação da rede de urgência na atenção básica essas</p><p>outras informações precisam ser incorporadas ao diagnóstico.</p><p>Busque essas informações na Secretaria de Saúde do seu município.</p><p>21</p><p>ANÁLISE DA DEMANDA ATENDIDA EM UNIDADE DE</p><p>URGÊNCIA COM CLASSIFICAÇÃO DE RISCO</p><p>A utilização do Serviço Hospitalar de Urgência (SHU) no Brasil tem sido</p><p>motivo de inquietação para gestores dos sistemas de saúde, profissionais e a</p><p>sociedade em geral, pois o seu uso tem se tornado crescente.</p><p>A maioria desses serviços funciona acima de sua capacidade</p><p>instalada, com profissionais sem capacitação, gerenciamento inefetivo,</p><p>ausência de planejamento, excesso de demanda e demanda</p><p>inadequada (O’DWYER; OLIVEIRA; SETA, 2009).</p><p>De acordo com Garlet et al. (2009), ressaltam-se ainda o crescente</p><p>aumento do atendimento no SHU relacionado ao aumento dos</p><p>acidentes e da violência urbana, às questões socioeconômicas, à falta</p><p>de leitos para internação na rede pública, ao aumento da longevidade</p><p>da população, assim como à falta de agilidade e de resolutividade dos</p><p>serviços de saúde (VALENTIM; SANTOS, 2009).</p><p>A crise no SHU é agravada, também, pela procura por pessoas em</p><p>situação de urgência, juntamente com aquelas em condições de saúde</p><p>não graves, dificultando o estabelecimento de prioridades (MARQUES;</p><p>LIMA, 2008).</p><p>Para Bellucci Júnior e Matsuda (2012), quando se pensa em qualidade</p><p>nos serviços hospitalares, surge a necessidade de discutir formas de</p><p>gestão que deem suporte às instituições para que possam atender às</p><p>necessidades e exigências do usuário em todas as suas dimensões.</p><p>Nesse contexto é que o governo federal propõe a reorganização e a</p><p>normatização do atendimento no SHU em todo território nacional, por</p><p>meio da Política Nacional de Atenção às Urgências e da Política</p><p>Nacional de Humanização, contemplando estratégias para o</p><p>Acolhimento com Classificação de Risco (BRASIL, 2009).</p><p>Essas políticas visam ampliar o acesso, reduzir as filas e o tempo de</p><p>espera para o atendimento, diminuir o risco de mortes evitáveis, a</p><p>extinção das triagens por profissional não qualificado e a priorização</p><p>de acordo com critérios clínicos em vez da ordem de chegada</p><p>(BRASIL, 2009).</p><p>Configura-se como ação potencialmente decisiva na reorganização</p><p>dos serviços de saúde em rede por propiciar assistência resolutiva e</p><p>humanizada àqueles em situações de risco (SOUZA ET AL., 2011).</p><p>No Brasil, o Ministério da Saúde propõe a implantação de um sistema</p><p>com denominação de Acolhimento com Classificação de Risco (ACCR)</p><p>22</p><p>em vez de triagem, por pressupor que o verbo triar exprime exclusão</p><p>(DURO; LIMA, 2010).</p><p>A identificação da demanda de acesso dos usuários aos serviços de</p><p>saúde é fundamental no gerenciamento da capacidade de utilização</p><p>dos recursos disponíveis, assim como a superlotação nos serviços de</p><p>emergência com problemas de saúde não urgentes tem atraído</p><p>atenção mundial e motivado vários estudos nesta área (VAN UDEN ET</p><p>AL., 2005).</p><p>Assim, ainda na década de 1960, nos Estados Unidos da América, iniciou-</p><p>se a implantação de sistemas de triagens em serviços de atendimento às</p><p>urgências. Paralelamente, no Canadá foi desenvolvido um sistema que somente</p><p>em 1995 tornou-se realidade.</p><p>Na Austrália, uma escala de classificação das urgências foi adotada em</p><p>2000, porém foi no Reino Unido que, em 1997, iniciou-se a triagem de</p><p>Manchester, reconhecida internacionalmente e mais utilizada nos dias atuais,</p><p>pois apresenta os critérios de gravidade, do tempo alvo de atendimento e de</p><p>reavaliação do paciente.</p><p>A partir de 2001, na Espanha, também foi introduzido um sistema</p><p>classificatório de urgências hospitalares (DURO; LIMA, 2010). As ações de</p><p>acolhimento podem ser realizadas por qualquer profissional de saúde, desde que</p><p>capacitado.</p><p>Entretanto, cabe ao enfermeiro reunir as condições necessárias, as</p><p>quais incluem linguagem clínica orientada para os sinais e sintomas,</p><p>para a realização das escalas de avaliação e classificação de risco do</p><p>usuário de acordo com o grau de urgência de seu agravo, com base</p><p>em um sistema predefinido: emergência, urgência, menor urgência e</p><p>baixa complexidade (BRASIL, 2009).</p><p>Assim, acredita-se que desenvolver pesquisa com o foco na avaliação de</p><p>um serviço de urgência torna-se imprescindível para subsidiar propostas de</p><p>reestruturação organizacional e melhorar a qualidade do atendimento no serviço,</p><p>além de contribuir para o avanço do conhecimento nessa área, ainda pouco</p><p>explorado em nível nacional.</p><p>Desse modo, considerando-se a implantação do ACCR no Hospital</p><p>Universitário de Londrina (HUL) (PR) e com o propósito de ampliar as discussões</p><p>acerca dos sistemas de classificação de risco, o presente estudo tem por objetivo</p><p>23</p><p>analisar a demanda atendida no serviço de urgência, identificando aspectos</p><p>relacionados à sua adequação ante a implantação do protocolo estabelecido.</p><p>Estudo individuado, transversal, realizado a partir da consulta aos</p><p>registros de atendimento com avaliação de risco e atendimento médico. O</p><p>serviço estudado situa-se na cidade de Londrina (PR), município sede da 17ª</p><p>Regional de Saúde que abrange 20 municípios e uma população de 801.756</p><p>habitantes.</p><p>A pesquisa foi realizada na unidade de pronto-socorro do hospital</p><p>universitário público.</p><p>É o único hospital terciário de grande porte no norte do Paraná,</p><p>constituindo em Centro de Referência Regional para o Sistema Único de Saúde</p><p>(SUS).</p><p>A instituição possui capacidade de internação de 313 leitos para</p><p>atendimento ao SUS, distribuídos pelas diversas especialidades médicas, e</p><p>mantém o pronto-socorro em regime de plantão permanente, oferecendo</p><p>atendimentos gerais e especializados nas áreas de clínica médica, clínica</p><p>cirúrgica, ginecologia e obstetrícia, pediatria, ortopedia/ traumatologia e</p><p>anestesiologia.</p><p>O estudo foi constituído por uma amostra de pacientes que procuraram</p><p>atendimento direto ou por referência a instituição e que foram avaliados na</p><p>consulta de enfermagem com base no protocolo de ACCR, no período de junho</p><p>de 2008 a maio de 2009.</p><p>O tamanho da amostra foi calculado considerando os 16.223 pacientes</p><p>elegíveis, com a adoção de uma proporção esperada de 50% para um evento,</p><p>por ser aquela que gera o maior tamanho de amostra, nível de confiança de 95%</p><p>e margem de erro de 3%, resultando amostra de mil atendimentos.</p><p>Utilizou-se amostragem sistemática a partir da listagem de pacientes</p><p>elegíveis, ordenada por data do atendimento, a fim de garantir a representação</p><p>proporcional dos meses que compõem o período do estudo.</p><p>Para seleção dos participantes do estudo, considerou-se um intervalo de</p><p>amostragem de 13 pacientes.</p><p>Foram consideradas perdas os casos nos quais os prontuários não foram</p><p>localizados. Os dados de interesse foram obtidos das fichas arquivadas no setor</p><p>responsável pela ordem e guarda dos prontuários médicos.</p><p>24</p><p>Foram consideradas variáveis independentes do estudo o sexo, a faixa</p><p>etária, a procedência, o horário e dia da semana da procura pelo atendimento, o</p><p>destino após a avaliação de risco, a especialidade responsável pelo atendimento</p><p>e destino após atendimento médico.</p><p>A variável dependente (desfecho) foi a adequação da demanda ao serviço</p><p>de urgência.</p><p>Foram considerados adequados todos os pacientes classificados, com</p><p>base em um sistema predefinido, como emergência, urgência e menor</p><p>urgência, seguindo a padronização por cores instituída pelo Ministério</p><p>da Saúde na Política Nacional de Humanização, descritas,</p><p>respectivamente, como vermelha, amarela e verde (BRASIL, 2009).</p><p>Por outro lado, foram considerados inadequados ao serviço de urgência</p><p>os casos classificados em cor azul, que caracterizam atendimentos de baixa</p><p>complexidade.</p><p>Do total de mil indivíduos amostrados, ocorreram 24 perdas por não</p><p>localização dos prontuários.</p><p>Entre os 976 indivíduos que passaram por atendimento, predominaram</p><p>pessoas do sexo masculino (58,6%), adultos de 20 a 59 anos (63,2%), sendo a</p><p>média de idade de 42,6 anos (dp de 20,9 anos).</p><p>Sobre a variável procedência da demanda, 56% procuraram diretamente</p><p>o atendimento, 11,6% foram encaminhados pelas Unidades Básicas de Saúde,</p><p>8,0% pelos hospitais secundários, 6,5% por serviços de atendimento móvel às</p><p>urgências – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência/Serviço Integrado de</p><p>Atendimento ao Trauma em Emergência (Samu/Siate), 4,7% por serviços</p><p>ambulatoriais e 3,1% por centrais de regulação dos leitos. Além disso, 10,1%</p><p>eram retornos do próprio serviço.</p><p>De acordo com a tabela 1, foi evidenciada uma maior distribuição da</p><p>amostra classificada na cor verde com 60,3% do total de casos. Conforme a</p><p>classificação nas cores verde, amarela e vermelha, 82,3% dos pacientes</p><p>atendidos foram considerados adequados aos atendimentos no serviço em</p><p>estudo.</p><p>25</p><p>Sobre a adequação da demanda (tabela 2), observou-se associação com</p><p>as variáveis procedência e horário de procura por atendimento</p><p>A proporção de casos considerados adequados foi significativamente</p><p>mais elevada entre os que foram encaminhados pelo Samu/Siate, hospitais</p><p>secundários e central de leitos.</p><p>Quanto aos horários de atendimento, a maior proporção de casos</p><p>adequados foi observada entre os atendidos de madrugada (95,8%) e no horário</p><p>noturno (93,3%).</p><p>26</p><p>Em relação à tabela 3, verifica-se que do total de casos atendidos, houve</p><p>predominância de pacientes atendidos no pronto-socorro cirúrgico, porém os</p><p>casos mais graves foram atendidos pelo pronto-socorro médico, com 3,8%</p><p>classificados na cor vermelha e 40,1% na cor amarela.</p><p>27</p><p>Além disso, 25% dos casos atendidos pelo pronto-socorro obstétrico,</p><p>17,2% pelo pronto-socorro ortopédico e 16,0% pelo cirúrgico não se tratavam de</p><p>casos de urgência.</p><p>Quanto ao destino após atendimento médico segundo a classificação de</p><p>risco (tabela 4), verificou-se que a maioria dos pacientes obteve alta.</p><p>A alta após o atendimento foi observada em 13,3%, 40,9%, 79,8% e</p><p>100,0% entre os classificados, respectivamente, nas cores vermelha, amarela,</p><p>verde e azul.</p><p>Dos casos classificados como vermelho, um terço foi internado</p><p>imediatamente, 13,3% foram encaminhados à UTI e um terço permaneceu em</p><p>28</p><p>observação. Entre os pacientes classificados com a cor amarela, 34,2% foram</p><p>internados e 3,1% transferidos ao centro cirúrgico.</p><p>Estudos realizados em diferentes países mostram que a implantação</p><p>de protocolos de triagens nos serviços de emergência permitiu que os</p><p>casos considerados de maior gravidade fossem priorizados, com</p><p>impacto nas taxas de mortalidade (LUNET; PINTO; AZEVEDO, 2010;</p><p>PROVIDENCIA ET AL., 2009).</p><p>O presente estudo, ao analisar as características da demanda de um</p><p>serviço de urgência de hospital terciário público e sua adequação conforme o</p><p>protocolo de avaliação com classificação de risco permitiu constatar que o perfil</p><p>predominante da amostra atendida foi de adulto jovem, em idade produtiva, sexo</p><p>masculino, que procuraram o serviço espontaneamente, no período diurno, em</p><p>dias úteis, e que foram classificados na cor verde ou azul.</p><p>A predominância do atendimento aos indivíduos do sexo masculino é</p><p>padrão que se repete em serviços de urgência referenciada de</p><p>hospitais públicos do Brasil (BERTONCELLO; CAVALCANTI; ILHA,</p><p>2012; OLIVEIRA ET AL., 2011) e se relaciona a maior exposição</p><p>masculina à violência urbana, ao tipo de trabalho e ao meio de</p><p>transporte, pois frequentemente os homens são condutores de carros</p><p>e motocicletas, possuem ambas as habilitações e aprendem a dirigir</p><p>com menor idade. Indicadores brasileiros mostram que os homens têm</p><p>12 vezes mais chances de morrer por causas traumáticas que as</p><p>mulheres (FERREIRA ET AL., 2009).</p><p>Quanto à variável idade, a maior proporção de indivíduos em idade</p><p>produtiva que procuram espontaneamente os serviços de urgência</p><p>coincide com pesquisas que verificaram esta tendência (OLIVEIRA ET</p><p>AL, 2011; FERREIRA ET AL., 2009; BARRETO ET AL., 2012; GIBSON</p><p>ET AL., 2010).</p><p>Ressalta-se que o acesso aos serviços do SUS deve ser realizado</p><p>preferencialmente a partir da atenção primária, com garantia de referência a</p><p>outros níveis de atenção conforme sua necessidade.</p><p>Porém a situação observada reflete ainda a desarticulação dos</p><p>diferentes níveis de atenção à saúde, com supervalorização do</p><p>enfoque curativo e hospitalocêntrico e descrédito da população em</p><p>relação à atenção primária e secundária no alcance da resolutividade</p><p>desejável (KOVACS ET AL., 2005).</p><p>A maior procura pelo serviço ocorreu nos dias de semana, em horário</p><p>comercial, principalmente no período matutino.</p><p>29</p><p>Todavia, a associação entre a adequação da demanda e horário de</p><p>procura, com maior proporção de casos inadequados no horário</p><p>matutino e diurno, corroboram os dados encontrados em diversos</p><p>estudos (OLIVEIRA ET AL., 2011; KOVACS ET AL., 2005), que</p><p>evidenciaram maior procura por atendimento no horário comercial de</p><p>casos que se caracterizaram como baixa urgência no atendimento.</p><p>Mais da metade dos casos pesquisados não procurou outro serviço de</p><p>menor complexidade devido à queixa atual, contribuindo com o aumento da</p><p>espera do usuário que aguardava o atendimento.</p><p>De acordo com o protocolo do ACCR, verificou-se que a maioria da</p><p>demanda estudada estava adequada à finalidade assistencial deste serviço.</p><p>Entretanto, a alta frequência de pacientes classificados como verde e azul</p><p>pressupõe que muitos desses casos poderiam ter sido resolvidos em instituições</p><p>de menor complexidade tecnológica.</p><p>Alguns fatores podem explicar a procura por estes serviços: baixa</p><p>concentração de recursos humanos e tecnológicos nos serviços primários e</p><p>secundários, a efetividade dos procedimentos médicos assistenciais disponíveis</p><p>no nível terciário e a cultura largamente difundida de confiança na instituição</p><p>hospitalar.</p><p>Richards, Navarro e Derlet (2000), em estudo americano, ressaltam</p><p>que a superlotação que se desenvolveu em serviços de emergência</p><p>em todo o país reduziu a capacidade de prestar serviço em tempo útil</p><p>e apontam que a criação de uma cooperativa integrada, ao serviço de</p><p>emergência, para atendimento médico de cuidados primários reduziu</p><p>em 53% a utilização inadequada do serviço de emergência, ou seja,</p><p>metade das pessoas teriam seus problemas resolvidos na atenção</p><p>primária, colaborando com a organização dos fluxos.</p><p>O destino da demanda após atendimento médico associado à</p><p>classificação de risco – com destaque para os casos classificados</p><p>como azul, os quais todos tiveram alta hospitalar após o atendimento</p><p>médico – reforça tais aspectos, semelhantemente ao verificado em</p><p>estudo espanhol, em que a maioria dos pacientes apresentou alta após</p><p>o atendimento médico (SÁNCHEZ LÓPES ET AL., 2005).</p><p>Carret, Fassa e Kawachi (2009), em revisão sistemática, com ênfase</p><p>em estudos realizados em diferentes países, verificaram que a</p><p>prevalência do uso inadequado varia de 10,0% a 90,0%, e, em quase</p><p>a metade dos estudos avaliados, de 24,0% a 40,0%, considerando</p><p>todos os artigos com critérios semelhantes de avaliação da adequação.</p><p>30</p><p>Os resultados desta pesquisa evidenciam mais uma vez que casos</p><p>classificados como verde e azul poderiam ter sido resolvidos em instituição de</p><p>menor complexidade tecnológica.</p><p>Todavia, a necessidade de continuidade de atenção evidenciada, na</p><p>maioria dos casos classificados na cor vermelha no presente estudo, reitera a</p><p>importância do ACCR na definição de prioridades. Sinaliza-se, desse modo, a</p><p>necessidade da organização do trabalho na unidade de urgência com base nos</p><p>pressupostos da Política Nacional da Atenção às Urgências, que preconizam o</p><p>acesso e acolhimento aos serviços de saúde de acordo com sua complexidade.</p><p>Para tanto, faz-se necessário</p><p>analisar a estrutura dos serviços e</p><p>estabelecer a rede de atenção às urgências, com grades de referência e</p><p>contrarreferência efetivamente pactuadas, com definição de</p><p>corresponsabilidades, de modo a corrigir as distorções ainda existentes no</p><p>sistema.</p><p>A adoção do ACCR constitui estratégia de inversão do fluxo de procura</p><p>de atendimento e induz a mudanças no sentido da utilização da rede básica</p><p>como porta de entrada.</p><p>Nesse sentido, o registro sistemático dos atendimentos realizados com o</p><p>uso do protocolo de ACCR contribuiu no estudo com a criação de um sistema</p><p>que produz dados imprescindíveis na qualificação das práticas assistenciais e</p><p>no reordenamento do fluxo.</p><p>No contexto da enfermagem, pode significar a possibilidade de contribuir</p><p>na organização do processo de trabalho, no dimensionamento adequado de</p><p>recursos materiais e humanos, maior autonomia profissional e intervenção</p><p>oportuna de acordo com a situação de risco.</p><p>Infere-se que a excessiva demanda aos serviços de urgência é uma</p><p>questão a ser resolvida, e o ACCR constitui ferramenta que pode permitir maior</p><p>racionalidade no atendimento de urgência por priorizar os atendimentos de maior</p><p>risco, a organização dos serviços com adequada provisão de recursos humanos</p><p>conforme horário de atendimento, adequação da estrutura de acordo com a</p><p>natureza da demanda e a articulação em rede da atenção primária, secundária</p><p>e terciária.</p><p>Como limitação do estudo, recomenda-se estudo multicêntrico, com</p><p>realização de mais pesquisas com amostras maiores, com objetivos voltados ao</p><p>31</p><p>conhecimento da análise da demanda atendimento em serviços de urgências de</p><p>hospitais públicos, privados e filantrópicos.</p><p>COMPONENTE PRÉ-HOSPITALAR FIXO</p><p>A Portaria GM/MS nº 2.048 estabelece o acolhimento de clientes com</p><p>quadros agudos em unidades de saúde de baixa complexidade, como os</p><p>estabelecimentos da atenção primária, denominados pré-hospitalar fixo.</p><p>Na estrutura física do componente pré-hospitalar fixo, como a unidade</p><p>básica de saúde, Unidade Saúde da Família, ambulatório de especialidades e</p><p>serviço de apoio diagnóstico, os casos de urgência devem ser acolhidos em</p><p>ambiente previamente estabelecido e organizado.</p><p>É necessário que todos os membros da equipe técnica e administrativa,</p><p>especialmente a equipe de enfermagem, conheçam a sala para o atendimento</p><p>de urgência.</p><p>É atribuição da equipe de enfermagem organizar os materiais médico-</p><p>hospitalares como laringoscópio com lâminas adulto e infantil, cânula</p><p>endotraqueal, material para realização de punção venosa, sondas de aspiração</p><p>e outros.</p><p>Manter disponíveis medicamentos utilizados em caso de parada</p><p>cardiorrespiratória (PCR) e insuficiência respiratória, materiais e equipamentos</p><p>para oxigenoterapia, aspiração traqueal ventilação, desfibrilador externo</p><p>automático (DEA) e outros deverão estar disponibilizados.</p><p>Os recursos organizados permitem o atendimento e estabilização do</p><p>cliente até que seja transferido, de forma adequada para uma unidade de maior</p><p>complexidade.</p><p>Os profissionais médicos, enfermeiros técnicos e auxiliares de</p><p>enfermagem que atuam no pré- hospitalar fixo são capacitados para estabilizar</p><p>e encaminhar adequadamente o cliente.</p><p>A criação de protocolos e rotinas e a sua aplicação auxiliam no tratamento,</p><p>melhorando os resultados e contribuindo para melhor organização do trabalho e</p><p>salvando vidas.</p><p>32</p><p>Serviços de média complexidade ou intermediária podem funcionar até 24</p><p>horas, são estruturados para acolher pacientes com quadros agudos ou crônicos</p><p>agudizados, e funcionam à noite e finais de semana, diminuindo a sobrecarga</p><p>dos hospitais de maior complexidade.</p><p>COMPONENTE PRÉ-HOSPITALAR MÓVEL</p><p>O componente pré-hospitalar móvel foi estruturado e organizado para</p><p>prestação de serviços de saúde à pessoa que necessita de socorro em locais</p><p>como domicílios, vias públicas, estabelecimentos comerciais, entre outros.</p><p>Ao pedir ajuda por meio da central de regulação 192 (Samu) ou 193</p><p>(Corpo de Bombeiro), o socorrista, parentes da vítima ou a própria vítima recebe</p><p>orientações do médico regulador que decide pelo envio de ambulância de</p><p>suporte básico ou avançado com equipe habilitada em atendimento a situações</p><p>de urgência, caso avalie que seja necessário disponibilizar esse recurso.</p><p>O Anexo I – Planta Física sugestiva de Pronto Socorro médico regulador</p><p>autoriza o transporte do cliente diante do problema de saúde relatado pela</p><p>equipe local de atendimento pré-hospitalar (APH), por meio de comunicação por</p><p>telefone ou rádio.</p><p>Em se tratando de situações não caracterizadas como risco iminente de</p><p>vida, cabe ao médico regulador dar orientações sobre outras medidas a serem</p><p>efetuadas pelo solicitante.</p><p>As equipes de saúde do APH são compostas por médico, enfermeiro,</p><p>técnico e/ou auxiliar de enfermagem, que recebem habilitação específica para</p><p>esta atividade.</p><p>É necessário que conheçam suas atribuições, normas e rotinas</p><p>operacionais, bem como desenvolvam seu trabalho baseado em protocolos de</p><p>atendimento. A educação permanente desses profissionais é primordial para</p><p>assegurar a qualidade na prestação da assistência.</p><p>Outros profissionais como telefonista, rádio operador, condutor de</p><p>ambulância ou de veículos aquáticos e aéreos fazem parte da equipe de APH</p><p>33</p><p>Cada veículo é equipado com materiais e equipamentos específicos,</p><p>tripulado por profissionais com diferentes atribuições que compõem as equipes,</p><p>segundo o tipo de atendimento destinado a prestar, no caso, suporte básico de</p><p>vida (SBV) ou suporte avançado de vida (SAV).</p><p>Os veículos de SAV são equipados com materiais médico-hospitar,</p><p>equipamentos e medicamentos, permitindo a estabilização do cliente e seu</p><p>transporte para o hospital.</p><p>Profissionais da área de segurança, como policiais rodoviários e</p><p>bombeiros identificam situações de risco e realizam manobras de salvamento,</p><p>resgate e, quando necessário, o suporte básico de vida (SBV).</p><p>ATENDIMENTO HOSPITALAR</p><p>As unidades de emergência hospitalares ou prontos-socorros oferecem</p><p>atendimento imediato e ininterrupto aos pacientes adultos ou crianças em estado</p><p>crítico ou potencialmente crítico.</p><p>O atendimento hospitalar é definido por grau de complexidade - tipo I, II e</p><p>III. Toda infraestrutura referente a recursos materiais, equipamentos e</p><p>medicamentos deve estar de acordo com as normas e compatível com serviço</p><p>de emergência. As áreas físicas são estruturadas conforme a complexidade do</p><p>hospital, considerando-se os tipos I, II e III.</p><p>34</p><p>Assim, hospitais que recebem clientes de maior complexidade oferecem</p><p>recursos humanos, materiais e tecnológicos compatíveis com a necessidade de</p><p>cada caso.</p><p>A estrutura física adequada é normatizada pela Resolução de Diretoria</p><p>Colegiada (RDC), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária</p><p>(Anvisa).</p><p>A Portaria RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, estabelece normas</p><p>técnicas para elaboração de projetos da estrutura física, arquitetônica, símbolos</p><p>gráficos, desenho técnico e toda organização física para estabelecimentos</p><p>assistenciais de saúde.</p><p>De acordo com a Anvisa, há a necessidade de área física ampla, com</p><p>número mínimo e suficiente de salas e quartos ou boxes com divisórias</p><p>para acomodar os clientes com conforto e privacidade.</p><p>As dependências são projetadas conforme as normas estabelecidas pela</p><p>legislação, considerando-se o fluxo de pessoas que circulam no local.</p><p>Essa área deve ter revestimento lavável, em cor clara e com cantos</p><p>arredondados, como também dispor de boa iluminação e ventilação; as</p><p>35</p><p>considerações de segurança e conforto incluem um ambiente tranquilo, com a</p><p>minimização de ruídos e agentes estressantes.</p><p>A unidade de emergência é caracterizada pelo fluxo intenso de pessoas</p><p>que circulam nessa área, em razão da rotatividade dos pacientes que procuram</p><p>o serviço devido à gravidade das condições</p><p>em que se encontram, motivadas</p><p>por trauma, afecções não traumáticas, alterações de comportamento, entre</p><p>outras.</p><p>A variedade dos agravos apresentados por esses pacientes justifica a</p><p>diversidade de profissionais que atuam nessa unidade, com equipe</p><p>multidisciplinar composta por profissionais de enfermagem, assistente social,</p><p>fisioterapeuta, médicos de diferentes especialidades, entre outros, bem como a</p><p>avançada tecnologia presente com equipamentos de alta precisão.</p><p>Essa complexidade exige a capacitação permanente dos profissionais</p><p>que nela atuam.</p><p>O processo de trabalho na unidade de emergência requer sólida</p><p>fundamentação científica e prontidão no cumprimento imediato das atribuições</p><p>por parte de cada profissional da equipe de atendimento.</p><p>Ressaltamos, porém, que as situações imprevistas com as quais se</p><p>deparam os profissionais nesses serviços requerem atenção não apenas no</p><p>aspecto técnico-científico.</p><p>A equipe multidisciplinar precisa estar preparada emocionalmente para a</p><p>vivência de situações limítrofes que impactam os serviços de urgência em</p><p>relação ao binômio vida e morte.</p><p>O equilíbrio em lidar com essas situações tem repercussão na vida do</p><p>paciente e de seus familiares, que se sentirão apoiados e mais seguros em</p><p>relação ao atendimento que recebem da equipe.</p><p>Rotinas organizacionais, operacionais e técnicas devem ser de</p><p>conhecimento de toda a equipe de trabalho da emergência, para que haja melhor</p><p>desempenho operacional e alcance da qualidade na assistência do cliente em</p><p>situação de urgência.</p><p>A qualidade da assistência prestada por profissionais que atuam nos</p><p>serviços de urgência está diretamente relacionada à capacitação técnica da</p><p>equipe de emergência e à organização do serviço dentro da instituição.</p><p>36</p><p>Protocolos institucionais devem ser implementados e atualizados a cada</p><p>quatro anos e sempre que necessário.</p><p>Atuação da enfermagem no atendimento inicial em urgência e emergência</p><p>Diariamente, muitas pessoas são atendidas em serviços de atenção às</p><p>urgências.</p><p>São homens, mulheres, crianças, jovens e idosos com os mais variados</p><p>problemas de saúde e níveis de gravidade.</p><p>Nesse cenário, é necessário que você esteja capacitado para agir com</p><p>segurança técnica, tendo-se conhecimento dos protocolos que norteiam o</p><p>atendimento de urgência.</p><p>Além do conhecimento, a atenção é um aspecto fundamental para quem</p><p>trabalha nos serviços dessa natureza, pois uma situação de emergência pode</p><p>se instalar de forma insidiosa.</p><p>Por exemplo, nem sempre uma emergência sangrante que nos impacta</p><p>porque é visível é mais grave do que o caso de uma pessoa com angina pectoris</p><p>que, quieta, aguarda pelo atendimento.</p><p>Essa e muitas outras situações têm o fator tempo como determinante no</p><p>prognóstico do cliente; quanto mais rápido e qualificado o atendimento, maiores</p><p>serão as chances de sobrevida e de se prevenir sequelas.</p><p>Contudo, lembramos que a rapidez no atendimento não significa, em</p><p>hipótese nenhuma, negligenciar os princípios de segurança do paciente e de si</p><p>próprio.</p><p>A organização do atendimento por meio de protocolos específicos facilita</p><p>o trabalho da equipe assistencial. Esses protocolos são também denominados</p><p>algoritmos.</p><p>Os métodos de atendimento aceitos internacionalmente estão de acordo</p><p>com as Diretrizes da American Heart Association (AHA), última atualização</p><p>publicada em outubro de 2015, que estabelece protocolos para o Suporte Básico</p><p>de Vida (BLS), Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (ACLS) e Suporte</p><p>Avançado de Vida em Pediatria (PALS).</p><p>A atenção à vítima de trauma é delineada nas orientações do Advanced</p><p>Trauma Life Support (ATLS) da NationalAssociationofEmergency Medical</p><p>Technicians (NAEMT) em cooperação com o Comitê de Trauma do Colégio</p><p>Americano de Cirurgiões.</p><p>37</p><p>Observe que os protocolos foram concebidos partindo da premissa de que</p><p>as lesões mais críticas, sob ponto de vista de risco de morte, são aquelas que</p><p>devem ser tratadas prioritariamente. Isso nos parece óbvio, não?</p><p>Entretanto, no momento em que temos uma situação de emergência à</p><p>nossa frente, verificamos o quanto é importante a definição de um método, de</p><p>um caminho que direcione as nossas ações, pois temos a convicção de que cada</p><p>segundo é tempo precioso para a pessoa que está sendo atendida.</p><p>O método nos auxilia a organizar as etapas do atendimento, evitando</p><p>desperdício de tempo, material e energia da equipe assistencial.</p><p>SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM - SAE</p><p>A Sistematização da assistência de Enfermagem (SAE) é uma atividade</p><p>privativa do enfermeiro que norteia as atividades de toda a equipe de</p><p>Enfermagem, já que técnicos e auxiliares desempenham suas funções a partir</p><p>da prescrição do enfermeiro.</p><p>A SAE é a organização e execução do processo de Enfermagem, com</p><p>visão holística e é composta por etapas inter-relacionadas, segundo a</p><p>Lei 7498 de 25/06/86 (Lei do Exercício Profissional).</p><p>É a essência da prática da Enfermagem, instrumento e metodologia da</p><p>profissão, e como tal ajuda o enfermeiro a tomar decisões, prever e avaliar</p><p>consequências.</p><p>Vislumbra o aperfeiçoamento da capacidade de solucionar problemas,</p><p>tomar decisões e maximizar oportunidades e recursos formando hábitos de</p><p>pensamento.</p><p>A SAE foi desenvolvida como método específico para aplicação da</p><p>abordagem cientifica ou da solução de problemas na prática e para a sua</p><p>aplicação enfermeiras e enfermeiros precisam entender e aplicar conceitos e</p><p>teorias apropriados das ciências da Saúde, incluídas aí a própria Enfermagem,</p><p>as ciências físicas, biológicas, comportamentais e humanas, além de</p><p>desenvolver uma visão holística do ser humano.</p><p>Esse conjunto de conhecimentos proporciona justificativas para tomadas</p><p>de decisão, julgamentos, relacionamentos interpessoais e ações.</p><p>38</p><p>No Atendimento de Emergência, é muito importante o registro de tudo o</p><p>que acontece durante o atendimento ao cliente/paciente. Este registro deve</p><p>ocorrer desde o início da chegada da vítima até o término do atendimento,</p><p>definição e sequência do tratamento.</p><p>Para isto faz necessários o preenchimento de uma ficha de atendimento</p><p>em sala de emergência, bem como a anotação de todo o atendimento prestado</p><p>à vítima.</p><p>39</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>ALVES, R.S. SILVEIRA, E. A presença de idosos num serviço de emergência:</p><p>campo de saúde ou campo de guerra? Revista Kairós Gerontologia, v. 1, n. 17,</p><p>p.297-319, 2014.</p><p>BALDAÇARA. L; BATISTA, I.A.G.L; NEVES, A.A.M. et al. Emergências</p><p>psiquiátricas nos idosos. Estudo epidemiológico. Revista Arq Med Hosp Fac</p><p>Cienc Med Santa Casa, v. 57, n. 1, p.11-8, 2012.</p><p>BIF, M.W. Os desafios no cuidado de enfermagem ao atendimento do idoso em</p><p>urgência e emergência. Monografia de Curso de Pós-graduação Lato Sensu,</p><p>Criciúna (SC), 2011.</p><p>CALDAS, C.P; VERAS, R.P; MOTTA, L.B. Atendimento de emergência e suas</p><p>interfaces: o cuidado de curta duração a idosos. J Bras Econ Saúde, v. 7, n.1, p.</p><p>62-69, 2015.</p><p>FREITAS, M. G; BONOLO, P.F; MORAES, E.N. Idosos atendidos em serviços</p><p>de urgência no Brasil: um estudo para vítimas de quedas e de acidentes de</p><p>trânsito. Revista Ciência & Saúde Coletiva, v. 20, n. 3, p.701-712, 2015.</p><p>GRDEN, C.R.B; SOUSA, J.A.V, LENARDT, M.H. Caracterização de idosos</p><p>vítimas de acidentes por causas externas. Revista Cogitare Enferm, v.19, n. 3,</p><p>2014.</p><p>LIMA, R.S; CAMPOS, M.L.P. Perfil do idoso vítima de trauma atendido em uma</p><p>Unidade de Urgência e Emergência. Rev Esc Enferm USP, v. 45, n. 3, p.659-6,</p><p>2011.</p><p>MESCHIAL, W.C., SOARES, D.F.P.P., OLIVEIRA, N.L.B, et. Al. Idosos vítimas</p><p>de quedas atendidos por serviços pré-hospitalares: diferenças de gênero. Rev</p><p>Bras Epidemiol, v.17 n.1 p. 3-16, 2014.</p><p>MURAKAMI, M.N. O perfil dos idosos atendidos na urgência e emergência de</p><p>um Hospital Regional do Distrito Federal. p. 31. Monografia (Bacharelado em</p><p>Saúde Coletiva) Universidade</p>