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<p>23</p><p>13</p><p>KAIQUE NAHAN DE SOUZA CRUZ LIMA</p><p>A ALEGORIA DA CAVERNA E O MUNDO CONTEMPORÂNEO</p><p>Boa Vista/RR</p><p>UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA</p><p>INSTITUTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS</p><p>BACHARELADO EM DIREITO</p><p>2024</p><p>KAIQUE NAHAN DE SOUZA CRUZ LIMA</p><p>A ALEGORIA DA CAVERNA E O MUNDO CONTEMPORÂNEO</p><p>.</p><p>Artigo acadêmico apresentado à Turma XL de Bacharelado de Direito da Universidade Federal de Roraima, Câmpus Paricarana, como parte dos requisitos para obtenção de pontos na disciplina de Introdução à Filosofia.</p><p>Orientador: Prof. Dr. Rafael Reis Ferreira.</p><p>Boa Vista/RR</p><p>2024</p><p>RESUMO</p><p>NAHAN, Kaique. A Alegoria da Caverna e o Mundo Contemporâneo. 2024. 12f. Artigo Acadêmico – Bacharelado em Direito – Universidade Federal de Roraima, Boa Vista, 2024.</p><p>Trata-se de um estudo sobre uma obra inserida dentro de outra obra, desse grande filósofo, Platão, onde o autor, por meio de uma metáfora intitulada “A Alegoria da Caverna”, nos mostra como as pessoas podem vivem presas as opiniões rasas e aos preconceitos, sem a preocupação de buscar de onde surge aquelas informações, e como isso pode atrapalhar o desenvolvimento sustentável da humanidade.</p><p>Palavras-chave: Senso Comum. Filosofia. Racionalidade. Redes Sociais. Senso Crítico.</p><p>ABSTRACT</p><p>NAHAN, Kaique. A Alegoria da Caverna e o Mundo Contemporâneo. 2024. 12f. Artigo Acadêmico – Bacharelado em Direito – Universidade Federal de Roraima, Boa Vista, 2024.</p><p>This is a study on a work inserted within another work, by the great philosopher, Plato, where the author, through a metaphor entitled “The Allegory of the Cave”, shows us how people can live trapped in shallow and prejudices, without worrying about where that information comes from, and how it can hinder the sustainable development of humanity.</p><p>Keywords: Common Sense. Philosophy. Rationality. Social Media. Critical Sense.</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 INTRODUÇÃO	6</p><p>2 DESENVOLVIMENTO	7</p><p>2.1 Conhecendo a Alegoria da Caverna	7</p><p>2.2 Interpretando a Metáfora	8</p><p>2.3 A Alegoria da Caverna e o Mundo Contemporâneo	9</p><p>3 CONCLUSÃO	11</p><p>REFERÊNCIAS	12</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Este estudo acadêmico faz uma análise acadêmica da notável “Alegoria da Caverna”, escrita no século IV a.C. na forma de diálogo pelo filósofo Platão, um dos mais importantes pensadores da história, e pode ser encontrada originalmente no livro VII da obra A República de Platão.</p><p>Trata-se de uma metáfora onde o escritor tenta mostrar a dificuldade que o ser humano tem de fugir do senso comum, enxergar a realidade e aumentar a sua percepção sobre o mundo, dificultando a disseminação do conhecimento, que segundo o autor é fundamental para o desenvolvimento da humanidade.</p><p>Além da análise da Alegoria, será feita uma comparação da ideia passada pelo autor com a realidade do mundo atual, porque apesar da obra ter sido escrita há mais de dois milênios, ela ainda retrata muito do pensamento contemporâneo da humanidade, onde estamos cada vez mais inseridos em bolhas, que nos prendem através do senso comum, do preconceito e do acesso a informações rápidas sem se preocupar com as fontes.</p><p>2 DESENVOLVIMENTO</p><p>O objetivo deste estudo é refletir sobre a realidade em que vivemos a partir de uma reflexão sobre os argumentos do autor, tentando compreender o porquê, mesmo com tanto a acesso à informação e tecnologia, a humanidade ainda não rompeu alguns obstáculos que a impedem de evoluir.</p><p>2.1 Conhecendo a Alegoria da Caverna</p><p>A metáfora é escrita na forma de um diálogo, entre Sócrates, um dos maiores filósofos de todos os tempos, e Glauco, um dos irmãos de Platão, o primeiro pede para o outro imaginar uma caverna subterrânea onde existem prisioneiros que sempre viveram lá. Eles estão acorrentados por grande parte do corpo, de forma que só conseguem ver o que acontece na parede a frente deles.</p><p>Há uma fogueira acesa atrás dos prisioneiros. Pessoas que não estão acorrentadas passam pela frente do fogo gesticulando e fazendo movimentos, de forma a projetar sombras na parede que os prisioneiros enxergam. Além disso, essas pessoas também gritam e falam, dando origem a ruídos que os prisioneiros podem ouvir. Esses barulhos e sombras nada mais são do que projeções distorcidas de sons e imagens reais.</p><p>Os prisioneiros passaram toda a vida presos na caverna e, dessa forma, tudo o que conhecem é aquilo que vivenciaram por meio dessas distorções, portanto, estão limitados a essa realidade, onde tudo são ruídos e projeções.</p><p>Chega um dia em que um dos prisioneiros é liberto e este começa a se aventurar pela caverna, e acaba descobrindo que as sombras que ele sempre via na parede eram manipuladas por pessoas atrás da fogueira.</p><p>O homem liberto consegue enfim sair da caverna, com dificuldade de enxergar inicialmente por conta da forte luz nunca vista antes, porém, os olhos parecem se adaptar lentamente ao novo ambiente e encontra uma realidade muito mais ampla e complexa do que a que ele poderia imaginar, e aprende que o que ele julgava conhecer antes era uma falsa percepção de seus sentidos, que são limitados.</p><p>Com o passar do tempo, ele se acostumou à luz e pôde observar toda a natureza que havia fora da caverna. O liberto finalmente entende que a realidade do mundo não se parece com nada do que ele tinha conhecido até então.</p><p>O homem então tem a ideia de buscar os outros habitantes da caverna para compartilhar das novas descobertas, porém, será que eles o compreenderiam? Tomado pela dúvida de retornar para a caverna e correr o risco de ser julgado como louco por seus antigos companheiros ou explorar e conhecer mais aquele novo lugar?</p><p>No diálogo, Sócrates pede que Glauco imagine o que ocorreria com esse homem, em seu regresso. O irmão de Platão responde que os outros, acostumados a realidade escura da caverna, não acreditariam no relato de suas experiências fora dali e que aquele que se libertou teria dificuldades em ser compreendido pelos prisioneiros.</p><p>Por fim, era possível que o matassem por “perturbar a ordem natural da caverna” ou até mesmo ser julgado como louco por ir contra aquilo que sempre tomaram como a verdade..</p><p>2.2 Interpretando a Metáfora</p><p>Como dito anteriormente, a Alegoria da Caverna é uma metáfora, ou como o próprio nome diz, uma alegoria. Por isso, o que está escrito no texto não deve ser interpretado no sentido literal, pois Platão não quis apenas contar uma história sobre homens presos em uma caverna, mas sim passar uma mensagem com isso.</p><p>Dessa maneira, interpretaremos os diversos elementos metafóricos usados pelo autor na história. Como a caverna, por exemplo, que simbolizava o mundo onde todos os seres humanos, que não utilizam da razão para ver o mundo, vivem.</p><p>Já as sombras e os ecos projetados em seu interior representam a falsa impressão que os sentidos nos sujeitam, para Platão são os conhecimentos limitados que adquirimos através das percepções de nosso corpo e da vida cotidiana. Segundo o filósofo "sombras e ecos nunca são projetados exatamente do modo como os objetos que os ocasionam são. As sombras são distorções das imagens e os ecos são distorções dos sons. Por isso, esses elementos simbolizam as opiniões erradas e o conhecimento preconceituoso que advém do senso comum que julgamos ser verdadeiro”.</p><p>Enquanto as correntes simbolizam o senso comum, juntamente com seus preconceitos e a opiniões engessadas, que nos aprisionam ao senso comum, impedindo as pessoas de buscarem uma outra visão do mundo de maneira mais racional.</p><p>O ato de sair da caverna significa a libertação do prisioneiro, se desprender do senso comum e do conhecimento preconceituoso, e ir em busca do conhecimento racional, o qual o autor julga ser o conhecimento verdadeiro.</p><p>A luz solar no exterior da caverna simboliza o conhecimento verdadeiro, a razão e a filosofia. Quando o prisioneiro sai da caverna, ele se sente incomodado pela forte luz, elemento natural que ele nunca tinha visto. A priori, há uma dificuldade de aceitação dessa luz pelos olhos, até que ele se adapta ao ambiente e percebe toda a realidade exterior. Metaforicamente, isso simboliza a zona de conforto que as sombras e</p><p>a caverna representam, pois, o engano da vida comum pode ser confortável, enquanto a verdade pode ser, ao menos, inicialmente, dolorida e cruel. Sair da ignorância significa sair da zona de conforto.</p><p>Para Platão o prisioneiro que se liberta das correntes e volta para ajudar seus iguais representa o papel do filósofo, aquele que tem como objetivo de libertar o máximo de pessoas da ignorância, esse seria para o autor, o líder ideal.</p><p>É importante destacar que, para o filósofo Platão, o conhecimento verdadeiro só poderia ser encontrado no Mundo das Ideias, representando pelo exterior da caverna. Enquanto o Mundo Sensível seria o interior da caverna, onde estaríamos sujeitos a ignorância e o preconceito do senso comum representado pelas sombras e ruídos.</p><p>Por fim, a importância do senso crítico e da razão, é destacada pelo filósofo, para que os indivíduos possam se “libertar das correntes” e buscar o conhecimento verdadeiro, representado pelo mundo exterior à caverna, e passar a ver a realidade de uma maneira menos preconceituosa e mais próxima da racionalidade.</p><p>2.3 A Alegoria da Caverna e o Mundo Contemporâneo</p><p>A metáfora é interessante por encaixar-se bem ao mundo atual, ela pode ser interpretada como uma crítica aos que, por quererem se manter na inércia da comodidade ou simplesmente pela falta de interesse, não questionam a realidade e aceitam as ideias impostas por certos grupos específicos.</p><p>Muitas características do mundo contemporâneo podem ser relacionadas ao Mito da Caverna, por exemplo, podemos dizer que a grande maioria dos seres humanos de hoje estão vivendo em cavernas, como prisioneiros, já há algum tempo, como se vivêssemos em várias bolhas sociais.</p><p>Estamos numa época em que o comodismo tomou conta da realidade das pessoas devido ao alto desenvolvimento tecnológico e o extremo conforto proporcionado. As informações rápidas e duvidosas se tornaram comum na vida humana, divulgadas em massa por meio das redes sociais e da internet como um todo, ao mesmo tempo em que não há uma preocupação geral, disposição ou qualquer movimento que faça as pessoas buscarem as fontes dessas informações para saberem ao menos se são verdadeiras. As pessoas têm preguiça de pensar, de duvidar, de questionar, tornando-se simples reprodutores de informações, conformadas com aquilo que é dito para elas.</p><p>As notícias falsas viralizam nas redes sociais e as pessoas simplesmente acreditam naquilo, como os prisioneiros acreditavam que as sombras eram realmente verdadeiras. O que se tem é um verdadeiro domínio das massas por meio da mídia e dos donos dos meios de produção, que simplesmente manipulam a vontade popular de acordo com aquilo que beneficia os seus próprios interesses.</p><p>Hoje em dia as redes sociais são vitrines cheias de imagens que demonstram a “felicidade e a perfeição” das pessoas, mas também mostram egos vazios de sentido. A vida humana não consegue desenvolver suas habilidades racionais como um todo, pois, o ser humano de hoje escolheu manter-se na caverna, tornando-se um ser cada vez mais manipulável, fraco e dominado.</p><p>As pessoas não pesquisam sobre direito, política e os problemas sociais de suas realidades o suficiente para poder desenvolver seu senso crítico e exercer sua cidadania, por fim, acabam entregando os seus direitos para que outros os exerçam.</p><p>Não se busca mais saber o porquê de o mundo ser é como é. O que se encontra na maioria das pessoas é somente o conformismo com a realidade atual, pouquíssimas pessoas desenvolvem seu senso crítico, ficando a mercê das opiniões de outras pessoas, por esta razão é que com tanta tecnologia e informação, não conseguimos um verdadeiro desenvolvimento sustentável da humanidade.</p><p>3 CONCLUSÃO</p><p>Quando realmente compreendemos a mensagem o que Platão quis transmitir com a Alegoria da Caverna, entendemos o quanto é importante desenvolvermos nosso senso crítico, através da busca de informações confiáveis, e nunca extrair de uma fonte só, devemos buscar várias versões de um conhecimento, afim de desenvolver sua própria opinião sobre aquele tema. Aprendemos também a não se prender ao preconceito e ao senso comum, evitando ser um mero reprodutor de ideias de outras pessoas, e sempre almejar saber o porquê das coisas serem como são, e não simplesmente aceitar a realidade e nos calar perante ela.</p><p>Dessa maneira, poderíamos desenvolver opiniões fortes e sólidas rumo ao verdadeiro desenvolvimento humano sustentável. Exercendo nossa cidadania de maneira crítica, e buscando conhecimento de forma racional, fazendo com que toda a humanidade viva fora da caverna, vivendo um mundo longe do preconceito e das mazelas do senso comum.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14724: Informação e documentação – Trabalhos acadêmicos – Apresentação. Rio de Janeiro, 2011.</p><p>MENEZES, Pedro. Mito da Caverna: o que é, resumo e interpretação. https://www.significados.com.br/mito-da-caverna/</p><p>10</p><p>PORFÍRIO, Francisco. Mito da Caverna. https://www.historiadomundo.com.br/curiosidades/mito-da-caverna.html</p><p>image1.png</p>

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