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<p>Avaliação e</p><p>Intervenção</p><p>Psicopedagógica</p><p>Responsável pelo Conteúdo:</p><p>Prof.ª M.ª Maria Cristina Natel</p><p>Prof.ª Dra. Adriana Beatriz Botto Vianna</p><p>Revisão Textual:</p><p>Prof. Me. Luciano Vieira Francisco</p><p>Relatório, Devolutiva, Projeto de Intervenção</p><p>Relatório, Devolutiva,</p><p>Projeto de Intervenção</p><p>• Aprender sobre a estrutura do relatório de avaliação;</p><p>• Entender a finalidade e importância da entrevista da devolutiva;</p><p>• Refletir sobre a finalidade de um projeto de intervenção.</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZADO</p><p>• Introdução;</p><p>• Sobre o Relatório;</p><p>• Algumas Considerações Sobre o Registro no Relatório;</p><p>• Sobre a Devolutiva.</p><p>UNIDADE Relatório, Devolutiva, Projeto de Intervenção</p><p>Introdução</p><p>A avaliação psicopedagógica compreendida como um processo de coleta de dados,</p><p>estudos e interpretação de informações a respeito dos fenômenos relacionados à apren-</p><p>dizagem, fornece ao seu final uma hipótese diagnóstica possível que explica ou justifica</p><p>a queixa apresentada e que será mostrada a quem formulou.</p><p>Assim, nesta Unidade discutiremos o último encontro (E4) da sequência diagnóstica</p><p>proposto em ocasião anterior (E1 + E2 + E3 + E4 = HD), definido como entrevista</p><p>devolutiva, momento em que geralmente é entregue um relatório.</p><p>Figura 1 – Relatório</p><p>Fonte: Getty Images</p><p>Sobre o Relatório</p><p>Relatório, um gênero textual que tem a finalidade de relatar como foi realizada a in-</p><p>vestigação de um acontecimento, uma experiência científica, uma pesquisa.</p><p>Um relatório ou informe psicopedagógico reúne os dados obtidos de todas as etapas</p><p>da avaliação com a finalidade de se formular uma hipótese diagnóstica, pois ao final do</p><p>diagnóstico psicopedagógico o terapeuta já deve ter formado uma visão global do pa-</p><p>ciente e de sua contextualização na família, escola e no meio social em que vive. Deve</p><p>ter uma compreensão do seu modelo de aprendizagem, “[...] o que interfere no aprender</p><p>do ponto de vista cognitivo e afetivo-social [...]”. (WEISS, 1994, p. 126)</p><p>Ainda segundo essa autora é importante adequar a redação ao destinatário, preser-</p><p>var o resguardo ético da vida do paciente e de sua família, uma vez que na elaboração</p><p>deste documento o psicopedagogo baseará as suas informações na observância dos</p><p>princípios e dispositivos do Código de Ética do Psicopedagogo (2019).</p><p>Código de Ética do Psicopedagogo:</p><p>Art. 7º. O psicopedagogo deve manter o sigilo profissional e preservar a confidencialidade</p><p>dos dados obtidos em decorrência do exercício de sua atividade.</p><p>8</p><p>9</p><p>§ 1º. Não se entende como quebra de sigilo informar sobre os sujeitos e sistemas a espe-</p><p>cialistas e/ou instituições comprometidos com o atendido e/ou com o atendimento, desde</p><p>que autorizado pelos próprios sujeitos e/ou seus responsáveis legais e sistemas.</p><p>§ 2º. O psicopedagogo não revelará, como testemunha, fatos de que tenha conhecimento</p><p>no exercício de seu trabalho, a menos que seja intimado a depor perante autoridade ju-</p><p>dicial, e/ou em situações que envolvam risco à integridade física, moral ou risco iminente</p><p>de morte.</p><p>O documento deve ter uma ordenação que possibilite a compreensão por quem o lê,</p><p>empregando termos e expressões compatíveis com a área da Psicopedagogia, evitando</p><p>a linguagem popular, a linguagem do senso comum.</p><p>Em sua estrutura o relatório consta de itens como os seguintes:</p><p>• I dentificação com dados pessoais: nome, d ata de nascimento, idade, escolaridade;</p><p>• Queixa: r elato da queixa na visão da família e escola;</p><p>• Anamnese: a especificidade de dados de anamnese que sejam complementares</p><p>aos dados dos “achados” nas provas e nos testes;</p><p>• Instrumentos utilizados: trata-se de elencar os instrumentos utilizados – provas/tes-</p><p>tes padronizados, p rovas projetivas e pedagógicas, hora do jogo, entrevistas e outros;</p><p>• D esenvolvimento: r elato de cada área avaliada – buscar no próprio instrumento</p><p>utilizado, em cada subitem, a área verificada;</p><p>• Conclusão: r elato da síntese dos resultados, é “[...] uma reelaboração dos dados e</p><p>suas interligações de modo a se ter uma visão global do paciente frente a questão</p><p>da aprendizagem para formular a hipótese diagnóstica” (WEISS, 1994, p. 128);</p><p>• E ncaminhamento: referindo-se à:</p><p>» Indicação a outros especialistas;</p><p>» Indicação para intervenção psicopedagógica;</p><p>» Orientação familiar;</p><p>» O rientação à escola/ao professor em relação ao seu trabalho junto à criança.</p><p>Algumas Considerações</p><p>Sobre o Registro no Relatório</p><p>Os dados da análise quantitativa são descritos e podem ser representados no relatório,</p><p>em tabelas a partir dos dados normativos que constam no próprio instrumento que o</p><p>psicopedagogo utilizou na avaliação, a exemplo do P rotocolo de Avaliação de Habilidades</p><p>Cognitivo-Linguísticas (PAHCL), o qual apresenta uma análise de pontuação para cada</p><p>habilidade avaliada, bem como tabelas com pontuação por série.</p><p>A análise da pontuação é decorrente da somatória dos pontos, considerando-se o</p><p>número de respostas corretas, sendo classificada em desempenho:</p><p>• Superior;</p><p>9</p><p>UNIDADE Relatório, Devolutiva, Projeto de Intervenção</p><p>• Médio;</p><p>• Inferior.</p><p>A pontuação por série apresenta tabelas pelo agrupamento dos testes, de acordo</p><p>com as habilidades avaliadas – leitura, escrita, consciência fonológica, processamento</p><p>auditivo, processamento visual e velocidade de processamento – por uma estimativa de</p><p>desempenho classificando a pontuação em sob atenção e o esperado.</p><p>A escrita do alfabeto em sequência e a leitura de palavras (um conjunto de 70 pala-</p><p>vras que devem ser lidas em um determinado tempo) são dois subtestes para avaliar a</p><p>habilidade de leitura.</p><p>A partir de uma instrução específica para cada subteste, o psicopedagogo diz, res-</p><p>pectivamente:</p><p>• Escreva as letras do alfabeto em ordem na linha a seguir;</p><p>• Leia estas palavras em voz alta para eu ouvir. Quando terminar a primeira linha,</p><p>vá para a outra.</p><p>Ao término da aplicação os resultados são anotados em uma folha de registro para</p><p>posteriormente serem comparados aos dados normativos da Tabela.</p><p>Tabela 1 – Descrição da pontuação por série para a habilidade de leitura</p><p>Subteste Série Sob atenção Esperado</p><p>Alfabeto</p><p>1°</p><p>Inferior a 13 letras</p><p>26</p><p>2° 26</p><p>3° 26</p><p>4° 26</p><p>5° 26</p><p>Leitura</p><p>de palavras</p><p>1° 10 20</p><p>2° 20 50</p><p>3° 30 70</p><p>4° 30 70</p><p>5° 30 70</p><p>Fonte: Adaptada de CAPELLINI, 2017, p. 30</p><p>No relatório os dados quantitativos referentes a esses subtestes correspondem aos</p><p>dados normativos da tabela que consta no protocolo, não podendo o resultado ser</p><p>comparado com nenhum outro índice.</p><p>Ainda sobre a análise quantitativa, Pain (1985, p. 55) adverte que o resultado de</p><p>provas padronizadas e psicométricas marca</p><p>[...] a situação do sujeito no seu grupo de idade, dentro de uma população</p><p>definida [...] sendo um dado sobre a eficácia do comportamento inteligente</p><p>do sujeito na situação de prova, em um dado momento, o que pode repre-</p><p>sentar ou não um exemplo das suas possibilidades dados gerais.</p><p>10</p><p>11</p><p>Essa mesma autora afirma ser necessário interpretar o significado diagnóstico do</p><p>rendimento do sujeito a partir de variáveis que incluem o ambiente, as oportunidades</p><p>de aprendizagem às quais o sujeito está/foi exposto, os tipos de comportamentos ou</p><p>habilidades em que está deficitário.</p><p>Ratificando esse pensamento, temos em Vigotski (1995 apud GURGEL, 2005, p. 28) que:</p><p>[...] os resultados de um teste pouco informam sobre o aluno e não têm</p><p>função para o professor; penalizam as crianças pertencentes a grupos</p><p>minoritários, porque não consideram os aspectos culturais desses gru-</p><p>pos. O diagnóstico baseado em testes formais e padronizados não revela</p><p>o que uma criança faz, mas apenas o que ela não faz e, em seguida,</p><p>conclui pelo encaminhamento a programas de remediação que visam</p><p>treiná-la de acordo com os padrões normais.</p><p>Além de sinalizar as fragilidades da aprendizagem, o relatório deve apontar para capa-</p><p>cidades efetivas e potenciais de uma criança, condições que somente serão identificadas</p><p>se o psicopedagogo aprender a ler e a ver “[...] os indícios de possibilidade [...]” (PADILHA,</p><p>2004) durante a</p><p>avaliação psicopedagógica, considerando as tentativas para escrever (com</p><p>as letras que a criança conhece) as estratégias para tentar uma leitura (ainda que silabada),</p><p>como indícios “[...] de saber ou quase saber [...]” (PADILHA, 2004, p. 40).</p><p>No seguinte artigo “O relatório psicopedagógico e sua importância para o trabalho do</p><p>professor”, os dados de pesquisa revelam que 70% dos relatórios apresentaram julgamentos</p><p>a partir de valores e crenças pessoais, tais como:</p><p>“Educada [...]”;</p><p>“O seu tom de voz é baixo, educado, taciturno [...]”;</p><p>“Dócil, simpático, dentuço, gengiva hipertrofiada e respiração oral”.</p><p>Qual, então, é a importância de tais informações em um relatório?</p><p>GURGEL, C. P. de P. O relatório psicopedagógico e sua importância para o trabalho do professor.</p><p>Psicopedagogia, v. 22, n. 67, 2005. Disponível em: https://bit.ly/2XdheRV</p><p>A avaliação psicopedagógica a partir do seu resultado, expresso no relatório e comuni-</p><p>cado na devolutiva, deve “[...] produzir conhecimentos que facilitem a inteligibilidade do su-</p><p>jeito, desvelando a sua singularidade [...]”, (REY, 1999 apud GURGEL, 2005, p. 27) confe-</p><p>rindo responsabilidade na utilização do parecer emitido pelo profissional que não pode ser</p><p>um veredito, mas deve, sobretudo, subsidiar a elaboração de programa individualizado de</p><p>ensino que oriente o professor no desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem</p><p>adequado às especificidades do aluno (GURGEL, 2005).</p><p>No relatório não fazemos a transposição literal de todos os dados da anamnese; apenas</p><p>daqueles que, de algum modo, explicam ou possam ser associados aos dados das provas e</p><p>dos testes aplicados.</p><p>11</p><p>UNIDADE Relatório, Devolutiva, Projeto de Intervenção</p><p>Sobre a Devolutiva</p><p>A entrevista da devolução dos resultados é a última etapa do psicodiagnóstico clínico,</p><p>momento em que o psicólogo “[...] irá transmitir os resultados do diagnóstico de forma</p><p>discriminada, organizada e dosada segundo o destinatário”. (ARZENO, 1995, p. 196)</p><p>À semelhança do psicodiagnóstico, a devolutiva consta da sequência diagnóstica na</p><p>Psicopedagogia sendo, também, a última etapa, o limite entre a avaliação e intervenção</p><p>psicopedagógica propriamente dita.</p><p>No início de uma entrevista devolutiva, costuma-se dizer a uma família: “Estamos</p><p>ansiosos para saber o que você achou – deixando evidente a ansiedade e expectativa</p><p>depositada nesse encontro”.</p><p>A devolutiva é uma entrevista em que a família aguarda com expectativa, então para que</p><p>haja a devida compreensão, a comunicação deve ser adequada, bem como é importante</p><p>que haja uma seleção, organização e integração dos dados obtidos que serão apresentados.</p><p>Figura 2 – Entrevista com mãe e filha</p><p>Fonte: Getty Images</p><p>Nesse sentido, a devolutiva deve ser preparada considerando o seu conteúdo e a sua</p><p>forma, uma vez que “[...] refere-se às informações diagnósticas, à compreensão obtidas</p><p>e aos encaminhamentos necessários; não inclui conselhos, mesmo quando solicitados”.</p><p>(TRINCA, 1984, apud SINATTOLLI, 2008, p. 70).</p><p>Sobre o conteúdo, é recomendado que o psicopedagogo faça a devida leitura dos</p><p>dados obtidos a partir de algumas etapas, a saber:</p><p>• Interpretar e analisar o material de natureza:</p><p>» Quantitativa, toma como referência as tabelas de normatização para interpretar</p><p>o desempenho de um indivíduo, no teste, em relação ao esperado para o seu nível</p><p>de desenvolvimento;</p><p>12</p><p>13</p><p>» Qualitativa, toma como referência o contexto, o “ [...] aprendiz como uma pessoa</p><p>localizada em um tempo, situada e única, relacionada e solitária, possuidora de um</p><p>organismo com características próprias e uma história singular [...]”. (BARBOSA,</p><p>2017, p. 199)</p><p>• Buscar recorrências entre os dados e as suas devidas associações, isto é, descobrir</p><p>os esquemas de ação subjacentes, de modo que para tal “[...] não é necessário deter-</p><p>-se no conteúdo, mas no processo e nos mecanismos [...]”. (FERNÁNDEZ, 2001, p.</p><p>132) – tal como podemos ver no seguinte exemplo: uma criança corta, com uma</p><p>tesoura, uma casa de uma gravura, depois corta um cachorrinho de plastilina e,</p><p>imediatamente, interrompe as suas próprias frases, cortando-as antes de as termi-</p><p>nar. Fernández (2001, p. 132) nos ensina que não nos deteremos nem na casa, nem</p><p>no significado do cachorro cortado, mas no cortar;</p><p>• Integrar os “achados nos testes” com o material das entrevistas – por exemplo, de-</p><p>terminado comportamento do filho relatado na entrevista como inadequado (“tudo</p><p>ele pergunta”, diz a mãe) e entendido na avaliação como curiosidade pertinente ao</p><p>processo de aprendizagem, permite a releitura desse comportamento, que pode</p><p>atualizar a “imagem” do filho para a família.</p><p>• Elaborar a hipótese diagnóstica.</p><p>Figura 3 – Entrevista devolutiva para os pais</p><p>Fonte: Getty Images</p><p>Sobre a forma de realizar a devolução dos dados, se quisermos ser entendidos é re-</p><p>comendado ao psicopedagogo que:</p><p>• Não utilize uma linguagem técnica , uma linguagem rebuscada com o risco de não</p><p>ser compreendido;</p><p>• Reconheça o perfil de quem “escutará” a devolução: uma linguagem mais formal para</p><p>um perfil mais cordial; uma linguagem menos formal para um perfil mais despojado;</p><p>• Evite o “estabelecimento de uma relação de poder”, pois o psicopedagogo “sabe algo”</p><p>que os demais participantes da relação aparentemente não sabem (SINATTOLLI,</p><p>2008, p. 71); logo, precisará buscar o diálogo.</p><p>13</p><p>UNIDADE Relatório, Devolutiva, Projeto de Intervenção</p><p>Na entrevista devolutiva entendida como um diálogo, como um processo relacional,</p><p>a linguagem ocupa um lugar de destaque, sendo a comunicação entendida como uma</p><p>“conversação” entre o saber do psicopedagogo e o saber da família.</p><p>A compreensão “dos resultados” dependerá do tipo de linguagem utilizada e da for-</p><p>ma como o psicopedagogo conduzirá a entrevista, a fim de não “[...] transformar a en-</p><p>trevista da devolução numa situação traumática que gere condutas negativas no que se</p><p>refere a um bom final do processo diagnóstico [...]” (ARZENO, 1995, p. 190).</p><p>Mesmo tendo um “resultado” da avaliação a apresentar, para estabelecer uma con-</p><p>versação o psicopedagogo precisa ter cuidado para não dar opinião, não tomar como</p><p>pessoal uma informação, não somente “dar respostas”; mas também formular perguntas</p><p>e ter disponibilidade para “o jeito como a família lida/recebe” a devolução.</p><p>Assim, é fundamental para o psicopedagogo as habilidades de escutar e olhar/ver na</p><p>entrevista devolutiva, a fim de observar as reações e o surgimento de elementos novos que</p><p>possam ampliar e complementar o panorama, uma vez que informações inéditas poderão</p><p>surgir, dada a nova relação que foi se estabelecendo entre o psicopedagogo e a família</p><p>durante a avaliação, pois “[...] na realidade, há questões não explicitadas que mobilizam</p><p>o paciente e seus pais e que às vezes aparecem ao longo do diagnóstico e que, de algum</p><p>modo, ficam em suspenso até o momento da devolução” (WEISS, 1994, p. 118).</p><p>Essa autora cita como exemplo a mãe que verbalizou o seguinte: “tenho um irmão</p><p>que nunca aprendeu nada direito e eu tenho medo de que meu filho seja igual”. Um psi-</p><p>copedagogo atento deve considerar nessa fala a fantasia de doença dessa mãe que, até</p><p>então, estava suspensa e “chega no momento da devolutiva”, como um indício de sua</p><p>expectativa sobre a entrevista.</p><p>O psicopedagogo não deve entender “aquilo que ficou suspenso” na anamnese como uma</p><p>omissão intencional da família.</p><p>Já tínhamos mencionado sobre a seleção, organização e integração dos dados para</p><p>realizar a devolução de tais dados, que podem ser distribuídos em áreas como cognitiva,</p><p>afetiva e social – que, selecionadas, servem como indicadores da conversa em um roteiro</p><p>em que estão destacados os aspectos relevantes.</p><p>Importante!</p><p>Os dados são distribuídos e discutidos em áreas, mas devem ser compreendidos de modo</p><p>inter-relacionado, pois questões afetivas impactam nas questões cognitivas, como no caso da</p><p>criança que, ao ouvir a palavra cigarro, “desviou-se do propósito da atividade” e começou a</p><p>listar os malefícios do cigarro, comprometendo o seu desempenho</p><p>na atividade.</p><p>A devolutiva com a criança e com os pais pode ter como disparador a pergunta que</p><p>remete à queixa inicial (WEISS, 1994), sendo, respectivamente: “Você lembra por que a</p><p>escola pediu para você vir aqui, conversar comigo? Vocês se lembram do que disseram</p><p>sobre as questões que a escola levantou?”</p><p>14</p><p>15</p><p>Descrevemos os procedimentos adotados, seguimos com a análise dos dados e for-</p><p>mulamos uma hipótese diagnóstica.</p><p>Sobre os procedimentos, torna-se importante que a família entenda quais instrumen-</p><p>tos – provas, desenhos, jogos – foram adotados e que sustentam a análise dos dados e</p><p>a hipótese diagnóstica.</p><p>Acerca da análise dos dados, buscamos articular os resultados quantitativos com os</p><p>qualitativos, associando-os à história do sujeito.</p><p>Sobre a hipótese diagnóstica, é importante assinalar que é relativa aos dados da pre-</p><p>sente avaliação e indicativa das etapas posteriores da intervenção.</p><p>O material da avaliação, isto é, o(s) desenho(s) que a criança fez, o texto que ela produziu, as</p><p>atividades (linguagem e raciocínio) que realizou etc., não é mostrado na devolutiva.</p><p>O uso de histórias infantis é um recurso, uma estratégia para a devolutiva com</p><p>crianças, pois se constitui como</p><p>[...] um instrumento onde suas angústias se integrem em uma estrutura,</p><p>que lhe dê significado. [...] um instrumento lúdico e transicional e permi-</p><p>tem a criança encontrar um sentido, dentro de uma estrutura de relações</p><p>para suas experiências. (SINATTOLLI, 2008, p. 38)</p><p>Ainda segundo essa autora, as histórias devem ser simples, conter o essencial da</p><p>problemática, os personagens conhecidos e escolhidos mediante o interesse da criança</p><p>– manifestado nas sessões de avaliação.</p><p>As histórias que podem ser contadas por meio de um cenário, de um diário, de um</p><p>livro, com dobraduras etc., são individuais e, portanto, uma história não é igual a outra,</p><p>sendo construída para um sujeito singular e circunscrita a um tempo, a um espaço e a</p><p>uma relação (criança e psicopedagogo).</p><p>Figura 3 – Todos têm história</p><p>Fonte: Getty Images</p><p>A entrevista devolutiva é uma comunicação verbal que pode ter a história como um</p><p>instrumento, ou pode estar apoiada na leitura do relatório que, lido simultaneamente</p><p>pelo psicopedagogo e pela família, evita a relação de poder, estimula a interação, troca</p><p>de ideias e atribuição de significado ao conteúdo lido.</p><p>15</p><p>UNIDADE Relatório, Devolutiva, Projeto de Intervenção</p><p>Material Complementar</p><p>Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:</p><p>Vídeos</p><p>Desafios da produção do laudo psicopedagógico</p><p>https://youtu.be/Vt7FXj-W7aA</p><p>Diagnósticos psicopedagógicos – relatório, linguagem</p><p>https://youtu.be/PB4LIKlIO9g</p><p>Avaliação psicopedagógica – anamnese e devolutiva</p><p>https://youtu.be/dpL_cz4exYI</p><p>Feedbacks: a importância da devolutiva</p><p>https://youtu.be/t0GLZ36Z5dE</p><p>Devolutiva com os pais – psicodiagnóstico infantil</p><p>https://youtu.be/OzGI5oly9Ok</p><p>Devolutiva com a criança – psicodiagnóstico</p><p>https://youtu.be/J4cxEBtrJCo</p><p>16</p><p>17</p><p>Referências</p><p>ARZENO, M. E. G. Psicodiagnóstico clínico – novas contribuições. [1. ed.] Porto Alegre:</p><p>Artes Médicas, 1995.</p><p>BARBOSA, L. M. S. Avaliação psicopedagógica – a leitura e a compreensão de textos</p><p>como instrumentos de aprender. Rev. Psicopedag., São Paulo, v. 34, n. 104, p. 196-</p><p>215, 2017. Disponível em: <https://bit.ly/3jjJp96>. Acesso em: 25/04/2021.</p><p>FERNÁNDEZ, A. A inteligência aprisionada. [1. ed.] Porto Alegre: Artmed, 1991.</p><p>GURGEL, C. P. P. O relatório psicopedagógico e sua importância para o trabalho do</p><p>professor. Rev. Psicopedagogia, v. 22, n. 67, p. 26-40, 2005.</p><p>PAIN, S. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. [1. ed.] Porto</p><p>Alegre: Artmed, 1992.</p><p>PADILHA, A. M. L. Possibilidades de histórias ao contrário, ou, como desencaminhar</p><p>o aluno da classe especial. [1. ed.] São Paulo: Plexus, 2004.</p><p>SINATTOLLI, S. Era uma vez – na entrevista devolutiva. [1. ed.] São Paulo: Casa do</p><p>Psicólogo, 2008.</p><p>WEISS, M. L. L. Psicopedagogia clínica – uma visão diagnóstica. [1. ed.] Porto Alegre:</p><p>Artes Médicas 1994.</p><p>17</p>

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