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RECURSOS BASICOS PARA PSICODIAGNOSTICO- TEMA 2

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Recursos básicos para psicodiagnóstico
Você vai entender os passos iniciais para a coleta de dados fundamentais de um paciente submetido a um
psicodiagnóstico, como sua história clínica, o exame mental, a técnica de entrevista clínica e a hora de
jogo diagnóstica.
Profa. Teresinha Maria Nicolini da Fonseca Anciães
1. Itens iniciais
Propósito
A importância da coleta de informações básicas essenciais sobre o paciente antes da utilização de outros
recursos técnicos demonstrará a necessidade da integração ampla de dados que fundamenta o processo
psicodiagnóstico.
Objetivos
Identificar os diferentes dados necessários para conhecimento do paciente e de sua história clínica.
Reconhecer a importância da avaliação do funcionamento mental do paciente por meio do exame de 
diferentes funções psíquicas.
Definir as diferenças técnicas entre as entrevistas individual, grupo e família, a partir de sua 
necessidade e momento de utilização no processo psicodiagnóstico.
Reconhecer a possibilidade de uso do lúdico para observação, avaliação e interpretação de 
indicadores da dinâmica psíquica do paciente.
Introdução
Você já deve saber que, historicamente, o psicodiagnóstico passou por reformulações. Se antes tinha um foco
no aspecto psicométrico, valorizando os dados quantificáveis, em um novo momento entendeu a importância
de um estudo mais global do indivíduo, ou seja, biológico, psicológico, sociocultural.
Assim, além de dados puramente descritivos, cada vez mais se reconheceu a necessidade da utilização de um
conjunto de técnicas e testes psicológicos que possibilitassem ao profissional psicólogo uma análise e um
entendimento do que estivesse ocorrendo com aquele que lhe foi encaminhado para avaliação clínica.
É competência do profissional investigar, de forma pormenorizada, os processos psíquicos, as condutas
apresentadas e a dinâmica do funcionamento da personalidade, objetivando conhecer o ser humano e
conseguir cooperar com ele em seu momento de crise. Sem dúvida, também é importante a contextualização
desses dados, em uma relação de presente e passado (tempo) e de lugar (espaço).
Para atingir esse objetivo, fica clara a necessidade de que nos contatos iniciais seja aguçada a escuta do
paciente e a coleta de dados que permita, posteriormente, levantar hipóteses sobre o sofrimento manifestado
e selecionar uma bateria de testes psicológicos para verificação dessas hipóteses. Essa perspectiva
proporciona uma visão mais integrada do indivíduo. Assim, apresentaremos um conjunto de estratégias e
recursos básicos que você utilizará para iniciar a coleta de dados para o processo psicodiagnóstico.
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1. A história do paciente
O primeiro contato
Quando alguém é encaminhado para um psicodiagnóstico, ou busca por ele, podemos afirmar que já existe
algum tipo sofrimento psíquico. A prática clínica mostra que, na maioria das vezes, o próprio sujeito já tentou,
pelos seus próprios recursos pessoais, obter uma compreensão e lidar com o problema, sem sucesso. 
Esse primeiro contato costuma ser muito importante, pois você, como profissional, precisará criar uma boa
relação com o paciente nesse momento de fragilidade, inspirar segurança e se apresentar disponível e
interessado para compreendê-lo. Essa postura profissional é fundamental para que o paciente seja capaz de
colaborar, trazendo os dados e as informações mais fortemente relacionadas ao seu sofrimento e motivo da
consulta.
Mas imagine quando podemos considerar o
início desse primeiro contato. Sem dúvida, ele
começa no contato telefônico ou na mensagem
instantânea de algum aplicativo. Talvez você
nunca tivesse pensado nisso, mas esse é um
momento no qual alguns dados já podem ser
considerados e as primeiras impressões podem
ser adquiridas.
Observe, por exemplo, o que o indivíduo
seleciona para falar sobre si mesmo, ou o que
opta por não falar, a escolha das palavras, em
que ordem, o caráter mais formal ou informal, a entonação, a presença de ansiedade na velocidade da fala
etc.
Se considerar importante, você pode perguntar sobre o que o leva a procurar um psicodiagnóstico ou quem o
encaminhou. Essas informações serão aprofundadas na entrevista inicial presencial. Também é o momento de
solicitar alguns documentos, como o do encaminhamento, laudos médicos e psicológicos anteriores, caso
existam. Nesse primeiro tempo é importante que o profissional seja atencioso, acolhedor e disponível. Assim
deverá continuar durante todo o processo.
Atenção
O primeiro contato é considerado por várias autoras, tais como Ocampo (2005), como o primeiro passo
do processo e inclui desde a solicitação da consulta até as primeiras entrevistas. 
Após o contato de solicitação, durante as entrevistas, é interessante apresentar uma posição conhecida como
escuta ativa, que é a capacidade e a vontade de escutar o outro, possibilitando a compreensão, o mais clara
possível, do que está sendo apresentado – incluindo mensagens dos tipos verbal, não verbal, a linguagem do
corpo, simbolismos.
Podemos chamar a escuta ativa como a arte de escutar e compreender por inteiro a pessoa que se
encontra diante de nós, sem julgamento ou preconceitos. 
O impacto dessa atitude sobre aquele que ali se encontra pode ser observado pelo seu sentimento de
acolhimento e seu interesse em colaborar com informações para aprofundamento da sua história e o
esclarecimento de sua problemática.
Importância dos primeiros contatos no psicodiagnóstico
Neste vídeo, falaremos sobre importância dos primeiros contatos e a escuta ativa, destacando de que modo
esses primeiros contatos podem acontecer, as observações e o papel da escuta ativa no processo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Anamnese
O momento de escuta continua seguindo para as chamadas entrevistas iniciais. Não se esqueça de adotar
uma conduta empática, disponível e atenta. 
Reconhecemos a anamnese como o momento de coleta de dados que, posteriormente, servirão para
esclarecer as questões do paciente ou sua queixa, levantar hipóteses diagnósticas e uma proposta
terapêutica. A anamnese é uma reunião de dados que conta a história de saúde e doença do sujeito. Silva e
Bandeira afirmam:
A anamnese é um tipo de entrevista realizada para investigar a história do examinando, ou seja, os
aspectos de sua vida considerados relevantes para o entendimento da queixa. 
(SILVA; BANDEIRA apud HUTZ et al., 2016, p. 52)
Nesse momento, vista como coleta de informações e pesquisa de fatos, a participação do profissional deve
ser ativa, sem ser muito interventiva ou interpretativa. Geralmente, o informante é o próprio paciente, pois há
um pressuposto de que ele sabe sua história, guardada em sua memória.
É uma ferramenta estruturada, com um conjunto de
perguntas – abertas ou fechadas, previamente
selecionadas. Não existe um número predeterminado de
entrevistas para a anamnese, mas duas ou três podem ser
suficientes. No caso de crianças, adolescentes ou algum
tipo de incapacidade pessoal, um responsável será
convocado para colaborar com as informações.
Muitos temas, apesar das diferentes faixas etárias, serão os
mesmos a serem abordados, tais como história pessoal,
relações e dinâmica familiar. Além disso, inclui-se como se
configura o espaço doméstico, a rede de sustentação, o
apoio social, e as características da queixa inicial. No caso tanto de crianças quanto de adolescentes as
entrevistas com os pais são fundamentais.
É recomendável que você tenha uma ficha
modelo de anamnese na qual possa fazer as
anotações essenciais.
 
A ficha pode ser personalizada de acordo com
os dados importantes para aprofundamento, ou
seja, é uma ficha adaptável, nada rígida.
No fim de seu preenchimento, alcançaremos uma clareza sobre a queixa principal, motivo da consulta, o que
levou o paciente a ser encaminhado ou ter procurado o atendimento psicológico. O motivo da consulta pode
ser manifesto ou latente. Vamos conhecê-los!
Manifesto
Refere-se ao que o paciente considera um
sintoma e o descreve da maneira que
consegue.Geralmente, é o que ele coloca de
imediato em resposta à pergunta “O que trouxe
você aqui?”.
Latente
Correlaciona-se aos aspectos inconscientes,
pontos conflitivos e mal-estares associados,
que ainda não foram alcançados e
correlacionados por meio de um insight.
O motivo da consulta será o orientador de todo o processo, na medida em que irá colaborar com a definição
de outros instrumentos e técnicas a serem utilizados no prosseguimento do processo psicodiagnóstico.
Etapas da anamnese
A anamnese possui seis etapas. Vamos conhecê-las!
Identificação
São dados básicos de reconhecimento e identificação do paciente, como nome, data de nascimento,
estado civil, sexo, gênero. Importante que o profissional também se apresente. Nesse momento inicial
do contato, teremos a chance de observar a vestimenta do paciente, os cuidados consigo mesmo,
seu aspecto físico, seus gestos.
Motivo da consulta
Geralmente, a procura por um psicodiagnóstico acontece após o encaminhamento de um profissional
que identificou algum tipo de problema e busca aspectos psicológicos que possam estar envolvidos
na problemática. Sempre existirá uma pergunta motivadora do encaminhamento. Muitas vezes,
entramos em contato, antecipadamente, com o profissional que realizou o encaminhamento, o que
poderá nos ajudar na compreensão da queixa ou do motivo da consulta. Também precisaremos
combinar os motivos manifestos e latentes para, após clarificados, construir hipóteses diagnósticas
iniciais.
História da doença atual
O importante é obter conhecimento sobre a presente queixa a partir da fala livre e espontânea de sua
história. É nossa tarefa sublinhar itens que pareçam mais relevantes para o caso, sem interferir no
curso lógico de seu pensamento. Normalmente, temos um conjunto de temas e roteiro de perguntas
significativo, mas não usamos tudo. A recomendação é usar esse roteiro com flexibilidade, por meio
de questionamentos mais amplos. O que se procura é uma cronologia de fatos para descrever a
doença atual. Quando e como foi o início do que o aflige, sintomas associados, como se manifestam,
em que ocasiões surgem, fatores desencadeantes, sentimentos experienciados, possíveis mudanças
desde seu início. Todos esses aspectos integrados podem indicar parâmetros da evolução da doença
até o momento atual.
História passada
É referente à saúde global do paciente. Aspectos relacionados ao passado médico e psicológico do
paciente que, inicialmente, não apresentam correlação, direta ou indireta, com a queixa. Depois,
podemos investigar como o passado está se repetindo no presente. Indagar sobre doenças
pregressas e uso de medicamentos. De acordo com a faixa etária levantamos dados sobre o
desenvolvimento físico e psicológico de uma maneira geral. Para crianças e adolescentes, alguns
aspectos do desenvolvimento, como desenvolvimento motor inicial, linguagem e fala, histórico
escolar, relacionamento social, irão colaborar para clarificar certos sintomas.
História familiar
O homem é um ser social e seu ambiente primário é a família, que tem participação efetiva na
construção da personalidade do sujeito e na interação dele no meio ambiente. Indivíduo, família e
sociedade se inter-relacionam no crescimento, modificam-se reciprocamente e se reorganizam. É
importante obter dados quanto ao grupo familiar e social ao qual pertence o sujeito, tanto o atual
quanto o de origem, pesquisando a organização familiar e sua dinâmica, membros, como funcionam
os relacionamentos familiares, qualidade dos vínculos estabelecidos, histórias médicas e fatores de
risco, incluindo a questão hereditária. Ou seja, a compreensão do que se passa com o paciente
precisa ser também entendida com relação ao sistema emocional familiar do qual ele faz parte.
Ao final de toda essa investigação, teremos informações suficientes para elaborar e propor hipóteses sobre a
queixa principal.
Compreendendo em que consiste a anamnese
Neste vídeo, falaremos sobre as particularidades e considerações básicas da anamnese no psicodiagnóstico e
suas principais etapas.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
O profissional recebe um telefonema para um pedido de psicodiagnóstico. O paciente ignora a pergunta e não
menciona o nome de quem realizou o encaminhamento. Comparece na entrevista marcada e, antes de
responder à pergunta inicial, diz que só se apresentou ao atendimento porque o profissional não insistiu
querendo saber quem havia encaminhado. De acordo com esse relato, marque a afirmativa correta:
A
O paciente resiste em colaborar com o atendimento.
B
Os contatos iniciais telefônicos já podem nos dar pistas da dinâmica do paciente.
C
O profissional foi inexperiente na realização da anamnese.
D
Somente a partir do início da anamnese teremos dados para entender o paciente.
E
O processo psicodiagnóstico depende da ética do profissional que realiza o encaminhamento.
A alternativa B está correta.
Já no primeiro contato com o paciente, quando ocorre a demanda do atendimento, dados podem ser
observados e devem se juntar a novas informações capazes de levar ao entendimento da queixa
apresentada.
Questão 2
Um tipo de entrevista na qual são levantados dados da evolução geral do sujeito, história patológica atual,
história familiar, e são apresentados com liberdade de exposição dos pensamentos e sentimentos é a
A
entrevista operatória.
B
entrevista vincular.
C
entrevista livre.
D
entrevista de anamnese.
E
entrevista de constelação geracional.
A alternativa D está correta.
A anamnese é uma compilação de dados objetivando investigar algum aspecto da dinâmica psicológica do
paciente que se apresenta em desequilíbrio e gerando uma queixa. Para alcançar tal objetivo, é necessária
uma pesquisa aprofundada de diferentes aspectos da vida desse sujeito.
2. O exame do estado mental
A objetividade e a subjetividade
O exame do estado mental (EEM) sempre foi visto como uma medida importante para avaliação e diagnóstico
psicopatológico. Poderíamos imediatamente indicar um grupo de funções psíquicas a serem avaliadas.
Entretanto, precisamos assinalar a complexidade desse exame e apresentar alguns questionamentos
introdutórios.
Exame do estado mental (EEM)
No EEM, é importante conjugarmos diversas informações (objetivas e subjetivas), funcionando como
elemento muito importante para alcançarmos um bom psicodiagnóstico. 
O exame psíquico é reconhecido como uma forma
sistemática de observação e avaliação de sinais e sintomas,
com a finalidade de investigar possíveis transtornos. Tanto
a observação quanto a avaliação se baseiam em teorias
fenomenológicas que possibilitam uma coleta de informação
mais objetiva e fidedigna possível.
A preocupação com a confiabilidade desses dados e a
rapidez em sua obtenção tornou-se tão fundamental que
mudou a relação médico-paciente, deixando-a quase
totalmente inoperante. A objetividade extrema empobreceu
e afastou o contato e a empatia. Mas uma pergunta deve ser feita!
As funções mentais podem ser avaliadas unicamente de uma
maneira objetiva?
Resposta
A prática clínica mostra que a escuta do sofrimento do outro possui dois aspectos sempre: um
objetivo e outro subjetivo. Primeiramente, na semiologia, a definição de sinais refere-se a aspectos
objetivos observáveis diretamente pelo paciente e sintomas são as vivências subjetivas, queixas e
relatos experimentados e, de alguma forma, contados a alguém. Repare que sob o ponto de vista do
paciente já verificamos leituras objetivas e subjetivas.
Todo conhecimento é construído pela interação com o objeto de conhecimento, o que coloca em jogo o lugar
da interação e da capacidade empática daquele que entrevista. 
Se pensarmos em quem escuta, sabemos da necessidade
de uma interpretação dos dados apresentados. Assim,
características singulares e pressupostos pessoais do
próprio “escutador” tornam-se importantes. Ou seja, toda
avaliação é, em si mesma, sempre subjetiva.
No exame do estado mental ou exame psíquico é
necessáriauma combinação dos aspectos objetivos e
subjetivos, sendo esses aspectos complementares para
alcançar melhor conhecimento e avaliação.
O exame do estado mental é essencial na clínica médica, e
particularmente importante na prática clínica em psicologia,
em especial na avaliação psicológica e no psicodiagnóstico. Por isso, é necessária a exploração aprofundada
desse exame e seu aprendizado prático.
Segundo Osório, o exame do estado mental pode ser definido como:
...avaliação acurada e sistemática (descrição, identificação, reconhecimento e nomeação adequada) de
sintomas objetivos (sinais diretamente observáveis) e subjetivos (sintomas não observáveis diretamente)
dos transtornos mentais, das crises vitais (evolutivas ou acidentais) e condições similares (sem
transtorno mental mas com sintomas presentes) e das condições clínicas de outra natureza (doenças
físicas ou somáticas, especialmente neurológicas, efeitos colaterais de medicamentos, etc.).
(OSÓRIO apud HUTZ et al., 2016, p. 102)
Portanto, o EEM pode ser considerado um estudo meticuloso dos sinais e sintomas de alterações do
funcionamento mental. Todo exame do estado mental é precedido por um tópico relativo à apresentação
daquele entrevistado. Na apresentação, observa-se e registra-se aparência, vestimentas, higiene pessoal,
modo de andar, posturas na relação com o entrevistador – cooperativo, inseguro, passivo, agressivo, sedutor e
outras, com justificativa para essa percepção. 
A ordem de análise das diferentes funções psíquicas a serem avaliadas no exame segue caminhos diferentes,
caso sejam médicos ou psicólogos que a estejam utilizando. Siglas foram criadas com a finalidade didática de
ajudar em sua memorização e de sua ordem:
Na medicina
ASMOCPLIAC
Na psicologia
SACOMPLICA
Ainda vamos entender melhor essas iniciais, mas agora vamos compreender a apresentação das funções
psíquicas a serem investigadas no EEM, divididas em dois grupos:
Um relativo às funções mais básicas que implicam um bom nível de consciência e alerta, que quando
alteradas permitem que suspeitemos de algum transtorno de ordem orgânica.
Um que envolve as funções de ordem mais cognitiva, que quando alteradas denotam transtornos de
ordem psíquica.
Assim, nasceram as bem conhecidas siglas mnemônicas de ASMOCPLIAC (atenção, sensopercepção,
memória, orientação, consciência, pensamento, linguagem, inteligência, afeto e conação), e sua variante
reordenada, possivelmente, por alunos de psicologia, SACOMPLICA.
Compreendendo as características do exame do estado mental
Neste vídeo, falaremos sobre as particularidades e considerações básicas do exame mental, abordando a
objetividade extrema e a subjetividade, os sinais e sintomas e o EEM no psicodiagnóstico.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
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Funções que denotam alterações orgânicas
Sensopercepção
São duas funções relacionadas: sensação e percepção. A sensação é um fenômeno associado aos estímulos,
internos ou externos ao organismo, que chegam pelos órgãos dos sentidos. A percepção é um fenômeno
cognitivo que se refere à captação, ao processamento, à conscientização e interpretação do que é sentido. É
fundamental em nossa ligação com o mundo. 
A sensação é apontada como um fenômeno passivo de recepção, enquanto a percepção é um elemento ativo,
criativo e, absolutamente pessoal, associado a experiências particulares. As alterações mais conhecidas são
na intensidade das sensações (por exemplo: pequenos ruídos, que são escutados como ensurdecedores) e
quais tipos encontram-se afetados.
Na percepção, há a possibilidade de alterações qualitativas,
como as ilusões (estímulos ou objetos reais são
confundidos com outros, ou distorcidos, como, por
exemplo, ver monstros em roupas penduradas); e
alucinações (percepção nítida e externa a si mesmo, de um
objeto, sem sua presença real ou estímulo, como, por
exemplo, ouvir vozes que não existem, ver animais
selvagens correndo pelo apartamento).
Atenção
Função estreitamente associada à consciência. Relaciona-
se à capacidade de investimento, de concentração da
atividade mental sobre um objeto. Diz respeito à consciência focada em determinada direção ou atividade.
Segundo Dalgalarrondo:
...a atenção é um construto psicológico complexo que se refere a uma variedade de componentes, sendo
eles, principalmente: 1) início da atividade consciente e focalização; 2) atenção sustentada e nível de
alerta (vigilance); 3) atenção seletiva ou inibição de resposta a estímulos irrelevantes; e 4) capacidade
de mudar o foco de atenção (set-shifting), ou atenção alternada.
(DALGALARRONDO, 2019, p. 165)
Consciência
Essa função refere-se, em primeiro lugar, ao estado vígil, de alerta e capacidade de interação com o mundo. O
estado ou grau de lucidez encontra-se aí incluído. Nesse sentido, é possível identificar quatro níveis básicos
de consciência: vígil, sonolência, torpor e coma.
Também podemos falar de consciência sob o
ponto de vista subjetivo, como uma experiência
subjetiva, o reconhecimento de conteúdos ou
estados mentais (sensações, medos, desejos
etc.). O sono seria uma alteração normal da
consciência, mas precisa ser avaliado e verificar
se existem alterações do tipo: sonhos,
pesadelos, insônias, terrores noturnos,
sonambulismos etc.).
Orientação
Essa função encontra-se vinculada à capacidade de um indivíduo conseguir se situar no tempo e espaço tanto
em relação a si mesmo quanto ao mundo. Em vista disso, podemos dividir essa função entre autopsíquica e
alopsíquica. Vamos conhecê-las!
Autopsíquica
Tem relação com a própria pessoa, sua
identidade, trabalho, sua situação de saúde e
local onde mora.
Alopsíquica
Tem relação com tempo, horas, dias, distâncias,
localizar-se geograficamente, seguir caminhos.
A investigação dessa função contemplará perguntas sobre esses itens.
Memória
Função psíquica importante que abrange os aspectos de registro, fixação, evocação e reconhecimento de
estímulos sensoriais, objetos, pessoas e experiências de modo geral. 
Toda a capacidade de aprendizagem do indivíduo depende da memória, que é um processo ativo de
codificações, revisões, acréscimos, recombinações e reinterpretações sucessivas.
Uma das classificações da memória, que costuma ser a mais avaliada, refere-se à memória imediata, recente e
remota. A memória imediata é aquela que recobre os últimos 5 minutos; a recente refere-se a horas e poucos
dias; a remota refere-se a meses e anos.
Primeira parte do exame do estado mental
Neste vídeo, falaremos sobre as diferentes funções do EEM, que quando alteradas nos permitem suspeitar de
algum transtorno orgânico.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Funções que denotam alterações psíquicas
Pensamento
Antes de comentar sobre essa função, é necessário mencionar sua complexidade e sua intensa parceria com
outra função, a linguagem. Falar sobre o pensamento é apresentar três elementos dos quais ele se constitui.
Estamos falando de:
Conceitos
Apesar de formados a partir de sensações e percepções, são puramente cognitivos e abstratos. Pelo
contato com o mundo, relacionamos objetos ou fenômenos a ideias, sentidos e significados,
exprimindo características gerais e abstratas deles. Ao pensarmos em cama, além do objeto em si,
encontramos o conceito de algo, geralmente, com quatro pernas, que serve para dormir.
Juízos
Quando relacionamos os conceitos entre si estamos realizando juízos, que podem reafirmar ou negar
alguma propriedade do objeto ou fenômeno. “A cama serve para dormir, logo, ela é útil”. Assim,
criamos relações significativas entre os conceitos. Os juízos são influenciados pela história do
indivíduo, seus interesses, as motivações e os desejos.
Raciocínio
A articulação de variados conceitos, uma sequência de juízos, formará um raciocínio. Assim,
desenvolve-se o pensamento e o conhecimento.
Existem algumas formas de analisar o processo do pensamento: curso, forma e conteúdo. Vamos entendê-las!
Curso
Refere-se ao fluir, à velocidade com que asideias passam pelo pensamento. Podemos perceber uma
adequação, aceleração ou lentificação.
Forma
Refere-se à estrutura e construção do pensamento, ao nexo das ideias entre si. Avalia-se a coerência,
a lógica e a capacidade de atingir o tema escolhido (ou tangenciando o tema sem entrar nele).
Conteúdo
Refere-se a aspectos vinculados aos tipos de temas escolhidos e sua relação com a realidade. É uma
verificação se existe um conteúdo predominante ou ideias recorrentes e obsessivas, características
persecutórias etc. Os conteúdos mais observados que apontam alterações psicopatológicas são:
persecutórios, ataques à autoestima, riqueza e grandeza, eróticos etc. Um exemplo de traços
persecutórios seria a ideia de que “algum vizinho está realizando rituais diabólicos para fazer mal pra
mim”.
Uma alteração importante do pensamento, mais precisamente do juízo de realidade é denominada delírio, que
significa falso juízo. É a crença persistente em uma ideia irreal, não passível de correção e incompatível com o
entendimento social mais comum que leva em conta a realidade. Um aspecto importante é a ausência de
crítica em relação à bizarrice do juízo em questão. O delírio pode ser classificado segundo:
1 Temática
Indica temas e classificações, como: grandeza, persecutório, possessão divina (“eu sou Jesus”),
ciúme (“você sempre está flertando com todos os homens”) etc.
2
Nível de elaboração
Indica elementos mais estruturados, como grandes histórias com início, meio e fim; ou não
estruturados.
3
Curso evolutivo
Pode ser agudo ou crônico.
Linguagem
É típica do humano, e o principal meio de comunicação, podendo ser verbal e não verbal. A linguagem é a
possibilidade de materializar o pensamento, o seu suporte. Também é uma das formas de expressão das
emoções. 
Muitos linguistas apresentam diferentes aspectos correlacionados à linguagem. Existem duas dimensões da
linguagem: langue e parole, língua e palavra respectivamente. Língua refere-se ao sistema linguístico com
suas regras que a tornam idioma. E palavra, o que é característico na seleção e utilização do sistema
linguístico, tais como os enunciados, o que é falado concretamente. Segundo Dalgalarrondo:
...a linguagem pode ser descrita, ainda, como um sistema de signos arbitrários, o signo linguístico, as
palavras. Esses signos ganham seus significados específicos por meio de um sistema de convenções
historicamente dado. A linguagem é, portanto, uma criação social de cada um e de todos os grupos
humanos. 
(DALGALARRONDO, 2019, p. 426)
Podemos investigar as alterações da linguagem secundárias, a partir de lesões neuronais (tipo AVC, tumor,
traumatismos) ou alterações de linguagem associadas aos transtornos mentais. 
Reconhecemos a afasia como uma das principais alterações de linguagem por lesão do sistema nervoso
central. Caracteriza-se como perda da linguagem, falada ou escrita, por incapacidade de compreensão e
utilização dos símbolos verbais e, consequentemente, interferindo na comunicação adequada. Pode ser leve,
na qual a pessoa ainda consegue construir uma frase, conversar, mas alguma palavra pode falhar ou ser
esquecida. Porém, quando considerada grave há total incapacidade em ler, escrever ou construir uma frase
que possibilite a comunicação, deixando a pessoa totalmente dependente de outra para exercício do convívio
social. Lembre-se de que a afasia não é um distúrbio psiquiátrico ou cognitivo/intelectual.
As alterações de linguagem vinculadas aos transtornos mentais são percebidas por:
Velocidade, acelerada em um fluxo rápido de palavras, ou lenta e vagarosa, hesitante e com lacunas
para resposta.
Quantidade de palavras, tais como: mutismo ou ser prolixo.
• 
• 
Qualidade: complexidade do conteúdo, pobre ou elaborado, criativo, com novas palavras.
Repetição automática de forma estereotipada (perseveração) ou repetição em eco de palavras
(ecolalia).
Uma alteração importante é a dislexia, considerada um transtorno do desenvolvimento e aprendizagem da
leitura. O surgimento de um conjunto de sintomas que levam à identificação de dificuldades de leitura, de
associação entre linguagem escrita (símbolos verbais) com os fonemas (símbolos verbais) e vice-versa.
Inteligência
Existem muitas definições para esse conceito, variando de acordo com o referencial teórico. Uma delas é dada
pela Associação Psicológica Americana:
...capacidade de extrair informações, aprender com a experiência, adaptar-se ao ambiente, compreender
e utilizar corretamente o pensamento e a razão. 
(DICIONÁRIO DE PSICOLOGIA, 2010, p. 521)
A inteligência refere-se a um conjunto de habilidades cognitivas que permitem ao indivíduo retirar informações
do ambiente, identificar problemas e buscar soluções, novas se necessário, aprender com a experiência,
responder adaptativamente ao meio, compreender e utilizar corretamente o pensamento e a razão, pensar
abstratamente. 
Podemos avaliar a inteligência segundo algumas habilidades: raciocínio, abstração, compreensão de ideias
complexas, planejamento, categorização, resolução de problemas e aprendizagem. Essa avaliação pode ser
realizada por meio de perguntas, pela aplicação de testes psicométricos, tais como Wisc e escalas Wechsler,
ou outros testes objetivos.
Conduta
Apesar de não ser exatamente uma função psíquica, apresenta conexões com outras funções, como
afetividade, emoções e outras.
Diz respeito a atos e comportamentos cotidianos, usuais,
realizados por um indivíduo dentro de um contexto. Esses
comportamentos mostram ser padrões de conduta.
Seguiremos uma avaliação de diferentes partes, como
ações e movimento, vontade, desejos.
A observação de parâmetros quantitativos e qualitativos
desses elementos ajuda a identificação dos sintomas.
Entenda a seguir:
• 
• 
Capacidade psicomotora
Neste caso, temos a marcha, lentificada ou agitada, a postura, o equilíbrio, a coordenação motora e
movimentos estereotipados, como tiques, maneirismos, cacoetes.
Vontade
Neste caso, podemos pesquisar o aumento ou a diminuição, desde a impulsividade chegando ao
negativismo (resistência a qualquer pedido de movimentação).
Desejo
Neste caso, investigamos alterações do tipo sexual, por exemplo, queixas de impotência e frigidez, e
aspectos pulsionais assim como exibicionismos, masoquismo, perversões sexuais.
Afetividade
Falar em afetividade é trazer o colorido das experiências da vida do ser humano. Impossível estudar essa
função sem estabelecer algumas diferenças entre sentimento, emoção, afeto e humor. Vamos conferir!
1
Sentimento
É um estado afetivo mais estável, essencialmente mental, referido a ideias, representações, valores.
Sentimentos tais como culpa, tristeza, esperança, gratidão.
2
Emoção
É uma resposta a um estímulo, uma reação intensa, violenta, mas passageira, predominantemente
da ordem somática, em que o corpo fala. Por exemplo, sensação de náuseas e vômito diante de um
corpo atropelado.
3
Humor
É o tônus afetivo básico que perpassa qualquer tipo de vivência do indivíduo. É o estado de ânimo
geral que se encontra subliminarmente a qualquer experiência vivida, aquilo que dá cor e tonalidade
à vida. 
4
Afeto
É uma qualidade emocional associada a uma ideia. Encontramos o afeto emprestando um colorido
ao vínculo afeto-ideia.
A investigação do afeto ocorre a partir da qualidade (qual tipo? tristeza, vergonha, satisfação); da modulação
(hiper ou hipo, embotamento ou rigidez); e da tonalidade (deprimido, eufórico, agressivo e desagradável). 
Quanto às emoções, pode-se verificar a apatia (diminuição da motivação, do tônus emocional – “a resposta a
tudo é... tanto faz”) e anedonia (incapacidade para sentir prazer com as diferentes experiências da vida).
Os elementos relativos ao exame do estado mental são inúmeros e aqui apresentamos um conjunto suficiente
de exemplos, que possibilitarão seu aprofundamento teórico.
Segunda parte do exame do estado mental
Neste vídeo, falaremos sobre as diferentes funções do EEM, que, quando alteradas, permitem que
suspeitemos de algum transtorno psíquico.
Conteúdo interativoAcesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
O exame do estado mental, ou exame psíquico, envolve a observação sistemática do comportamento de
alguém. Com a entrevista e observação de algumas funções psíquicas do paciente realizamos esse exame.
Assinale o item que indica os dados que fazem parte dessa observação.
A
Orientação, processo de pensamento, intelecto.
B
Humor e afetividade, superego, consciência.
C
Orientação, linguagem, memória.
D
Intelecto, linguagem, conduta.
E
Sociabilidade egóica, sensopercepção, memória.
A alternativa C está correta.
O exame do estado mental avalia um conjunto de funções psíquicas com o objetivo de identificar alterações
psicopatológicas. Essas funções podem ser evocadas facilmente pelo termo SACOMPLICA. Todos os itens
da questão incluem alguma função psíquica, com exceção de intelecto, superego, sociabilidade egoica.
Questão 2
Uma paciente dirige-se à sala de atendimento e enquanto está sendo avaliada diz ao entrevistador que não irá
mais falar com ele pois está escutando pessoas no consultório ao lado dando uma série de risadas sobre o
que ela está contando. O entrevistador levanta e lhe diz, abrindo a porta, que não tem ninguém além deles
dois. A paciente retruca que eles foram rapidamente embora. Segundo o que você estudou parece que a
paciente está com alterações na função psíquica:
A
Pensamento
B
Memória
C
Afetividade
D
Impulsividade
E
Vontade
A alternativa A está correta.
A função do pensamento tem como importante alteração o delírio que se define por um falso juízo sobre a
realidade. Observe que, apesar do entrevistador tentar convencê-la, abrindo a porta, ela continua
irredutível e cria uma justificativa para sua crença e interpretação.
3. Os tipos de entrevista
Entrevista clínica
É uma das principais técnicas usadas pelo psicólogo. Instrumento essencial para todo tipo de trabalho, na
área clínica, de trabalho, jurídica, escolar etc. A palavra entrevista vem do francês entrevue, “ato de ver um ao
outro”; e do latim inter, “entre”, + vedere, “ver”. Assim, podemos perceber que na entrevista existirá uma troca
de olhares, palavras, um encontro, uma comunicação, um diálogo, entre duas ou mais pessoas. Veja como
Bleger, um autor muito importante nesse campo, define o que é entrevista:
Entrevista psicológica é uma relação, com características particulares, que se estabelece entre duas ou
mais pessoas. O específico ou particular dessa relação reside em que um dos integrantes é um técnico
da psicologia que deve atuar nesse papel, e o outro ou os outros, necessitam de sua intervenção
técnica... Para sublinhar o aspecto fundamental da entrevista poder-se-ia dizer, de outra maneira, que
ela consiste em uma relação humana na qual um dos integrantes deve procurar saber o que está
acontecendo e deve atuar segundo esse conhecimento. A realização dos objetivos possíveis da
entrevista (investigação, diagnóstico, orientação, etc.) depende desse saber e da atuação e acordo com
esse saber. 
(BLEGER, 1987, p. 12)
Para Bleger, o entrevistado deve ser deixado falar livremente, configurando o campo da entrevista. 
A entrevista clínica tem algumas funções, como coleta de informações, diagnóstico, proposta de intervenção e
terapêutica. Toda entrevista clínica pressupõe o conhecimento de um montante de informações no tocante a
teorias de desenvolvimento, psicopatologia, teorias psicológicas e outros, essenciais ao entendimento do
humano. Existem três tipos de entrevista: estruturada, semiestruturada e aberta. Vamos conhecê-las!
Entrevista estruturada
Segue um roteiro de perguntas a ser cumprido, obedecendo a uma ordem que não pode ser alterada,
quase um questionário.
Entrevista semiestruturada
Possui um roteiro conhecido, mas tem certa flexibilidade na medida em que o entrevistado pode falar
mais livremente, além do roteiro, e o entrevistador tenta algumas perguntas para aprofundar o que
deseja saber. O entrevistador tem liberdade para introduzir novas perguntas para melhor avaliar e
entender o que está se passando, buscar dados que deseja conhecer. Nesse modelo, observamos o
profissional utilizando perguntas abertas e fechadas.
Entrevista aberta
Não segue nenhum tipo de roteiro, plano. O que orienta esse tipo de entrevista é a espontaneidade
do entrevistado, o que escolhe dizer, e a possibilidade do entrevistador de seguir vários caminhos e
temas apresentados, além de realizar perguntas e intervenções por sobre o que está sendo dito.
Assim, a flexibilidade é total e o aprofundamento é livre, adaptado ao que possa ser interessante para
conhecimento da personalidade do entrevistado.
Durante a realização de um psicodiagnóstico, podemos observar que os profissionais utilizam,
predominantemente, entrevistas semiestruturadas e abertas. Outro entendimento propõe a entrevista
segundo o número de participantes: individual, grupo e família. 
Toda entrevista alcança seu objetivo (investigação, diagnóstico, orientação) quando se estabelece uma
relação empática, um vínculo favorável de confiança, que viabilize uma intimidade para falar sem medos de
julgamentos.
A entrevista como técnica e instrumento
Neste vídeo, falaremos sobre definição, características e os tipos de entrevista psicológica, que podem ser
estruturadas, semiestruturadas ou abertas, compreendendo as nuances de cada uma delas.
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Entrevista individual
Ao indicar que a entrevista clínica é individual, estamos mencionando que o profissional estará diante do
entrevistado, daquele que é o sujeito de investigação. No caso de adultos a entrevista será feita com os
adultos que forem capazes de trazer os dados necessários para avaliação.
No caso de crianças e adolescentes os
responsáveis e/ou pais serão convidados a
participar de uma (ou mais de uma) entrevista
inicial, pois serão precisos dados preliminares
de orientação quanto ao motivo da consulta e
também da autorização para realizar
entrevistas com os jovens.
Além disso, precisaremos de algumas
informações sobre a história desse sujeito, ou
seja, uma anamnese, que eles não
conseguiriam informar. É claro que se faz necessário um encontro somente com a criança ou adolescente,
mas o contato com os pais precede a este.
A entrevista com adolescentes e, principalmente, com crianças exige uma técnica específica sobre a qual
falaremos mais à frente.
Atenção
Toda entrevista é processual, ou seja, transcorre durante um tempo, e podemos observar os papéis
definidos. O entrevistado está ali para colaborar, oferecer informações, e o profissional, aquele que
entrevista, precisa estar atento, ser empático, capaz de sustentar a relação interpessoal estabelecendo
rapport e, baseando-se em seus conhecimentos teóricos, técnicos e pessoais, obter clareza sobre o que
ocorre com o sujeito. Rapport é uma palavra de origem francesa (rapporter), que significa “trazer de
volta” ou “criar uma relação”. O conceito de Rapport é originário da psicologia, e é utilizado para designar
a técnica de criar uma ligação de empatia com outra pessoa, para que se comunique com menos
resistência. 
A posição do psicólogo é a de um observador participante. Deve sempre observar, concentrado e vigilante,
além de intervir, objetivando novos links e aprofundamento. Não pode se esquecer de que sua presença
interfere no campo da entrevista pela via de suas habilidades, experiências e seus preconceitos. É provável
que a ideia de Bleger (1987) de que toda entrevista é uma entrevista de grupo com no mínimo dois
participantes seja nesse sentido. 
Levantamos três aspectos importantes para o funcionamento da entrevista, veja:
Tempo
Aspecto que representa a necessidade de que toda entrevista tenha início, meio e fim. Portanto, o
entrevistador precisa ser hábil para conseguir distribuir o tempo de maneira adequada a conseguir as
informações. Se for necessário, é possível não se restringir a uma única entrevista.
Setting
Aspecto que pode ser definido como algo além doespaço físico estruturado para o trabalho, os
arranjos práticos de um contrato de trabalho.
Anotações
Aspecto em se reconhece que as anotações são bem-vindas e necessárias, mas que devem ser
realizadas após o término da entrevista. A exceção é a anamnese.
Particularidades da entrevista individual
Neste vídeo, falaremos sobre as características e particularidades de uma entrevista individual, como os
participantes, as informações levantadas, os papéis, e também vamos pontuar os aspectos relevante para o
funcionamento dessa entrevista, como tempo, setting e anotações.
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Entrevista em grupo
Não costuma ser utilizada para a realização de psicodiagnóstico. É uma estratégia mais usada na área de RH e
gestão de pessoas, associada à entrevista individual. Na individual, avalia-se habilidades e competências, e na
de grupo, observa-se a colocação destas em prática, por exemplo por intermédio das técnicas de dinâmicas
de grupo.
Entretanto, alguns estudos constataram que
pode tornar o processo psicodiagnóstico mais
rápido e fazer surgir informações que não
conseguiríamos no trabalho individual.
 
Estamos nos referindo aos atendimentos
realizados nas instituições de saúde e serviços
de psicologia aplicada.
Estatisticamente, a clientela que mais busca
esse tipo de atendimento é a infantil e de
adolescentes, devido a problemas de aprendizagem escolar e alterações de conduta. Para um atendimento
mais ágil e de modo a beneficiar maior número de pessoas, o trabalho de grupo pode ser um fator positivo
quanto à eficácia. Assim também alcançaríamos uma participação mais ativa de pais e filhos no processo. Esta
é a indicação de Munhóz:
...uma proposta básica a participação dos pais e desenvolver-se em grupo. Apoiei-me nesses aspectos
por considerar um caminho capaz de levar à mudanças significativas que consiste em permitir que o
cliente se torne participante ativo, cooperador do processo, por meio da partilha de pensamentos e
reflexões sobre os significados que ele atribui a seu comportamento e ao dos seus filhos. 
(MUNHÓZ, 1995, p. 180)
Como primeiro momento, para viabilizar o atendimento, seria necessário uma triagem prévia seguindo
parâmetros de idade e semelhança quanto à queixa principal. Os grupos seriam assim arranjados. Por
exemplo, pré-adolescentes de 11 a 13 anos que apresentem queixa de dificuldades de socialização, ou
crianças de 7 a 9 anos com queixas de aprendizagem.
Quando atendemos a adolescentes ou crianças, a entrevista
com os pais precede a esse encontro. No caso de entrevista
em grupo, pode ser solicitado aos pais a apresentação
própria, e o motivo pelo qual estão no grupo. Os psicólogos
devem ter atenção ao conteúdo do discurso, aos
sentimentos demonstrados, às angústias e aos medos, sem
esquecer da postura corporal.
Precisam auxiliar o aprofundamento das questões por meio
de perguntas ou apontamentos de significados atribuídos
pela percepção e compreensão deles do que está
acontecendo. As colocações individuais e as intervenções
realizadas contribuem para identificação e empatia dos outros pais e no prosseguimento de novas
contribuições.
Comentário
No que diz respeito a dados específicos, do desenvolvimento (anamnese) e outros, pode ser enviado um
questionário a ser respondido em casa e devolvido aos profissionais. De posse dessas informações, o
contato com crianças ou adolescentes se estabelece, preferencialmente, em uma sala ampla e com
material lúdico. A informação do papel do psicólogo e a escuta de queixas e ansiedades dos membros
do grupo (pacientes) associada à observação da movimentação e conduta de cada participante oferece
ao profissional a possibilidade de compreensão da demanda inicial. 
O psicodiagnóstico em grupo também pode incluir sessões individuais caso seja necessário. Por fim, novas
sessões com os pais para discussão de encaminhamentos e orientações podem ser sugeridas.
Entrevista com a família
A família é considerada fundamental para o crescimento do indivíduo. Como um espaço social, um
microssistema, possui enorme influência no desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais e emocionais.
A família é o primeiro espaço de referência e convivência de uma criança, no qual ela aprende e
agrega à sua personalidade experiências afetivas, valores éticos, regras, expectativas, percepção de
mundo.
A qualidade da interação oferecida à criança pela família e, também, o contato com um ambiente estimulador
e de cuidado eficaz à criança é função da família. De modo geral, duas são as funções da família: a proteção
psicossocial e emocional e a promoção da capacidade de adaptação à cultura e sua transmissão. 
Conforme a família cumprir tais funções, observaremos o indivíduo sendo exposto a fatores de risco, fonte de
mal-estares e, consequentemente, a possíveis atrasos em seu desenvolvimento.
Nesse sentido, entrevistas com a família devem ser
incluídas no processo psicodiagnóstico. Essas entrevistas
ocorrem sempre quando o avaliado é uma criança,
adolescente ou um adulto que não esteja apto a responder
por si. Todos os membros considerados importantes, que
moram com o avaliado, são convidados a participar.
Nesse tipo de trabalho, obter informações de diferentes
fontes leva a uma avaliação mais integral e densa. Para
alcançar esses dados, é importante estabelecer um bom 
rapport, uma relação de confiança, que ajudará aos pais/
outros familiares a se sentirem confortáveis e acreditarem em uma parceria com o profissional. Somente assim
conseguirão se sentir menos ameaçados e ter uma postura participativa.
Atenção
Uma das principais contribuições acontece na anamnese. Além disso, deve-se considerar alguns
aspectos e investigar em nova entrevista: papel de cada um dos membros da família, regras principais de
funcionamento desse sistema familiar, as interações familiares, como avaliam e entendem o filho, como
percebem e entendem a demanda pelo atendimento. 
É interessante explorar pontos da história de vida dos pais que possam estar correlacionados com a atual
queixa relativa ao filho. Esse item, por exemplo, pode falar sobre grau de diferenciação entre os membros da
família (dificuldades de aprendizagem que se repetem no mesmo período de tempo, as expectativas e as
formas de interpretar os fatos dentro do ambiente familiar). Na entrevista com a família, na qual se acha
incluído o avaliado, pode ser solicitada uma tarefa conjunta tal como um jogo ou brincadeira, ou um desenho,
e posterior descrição de cada um dos membros. Essa técnica pode colaborar com um acervo de informações
específicos desse tipo de jogo. 
A entrevista familiar no psicodiagnóstico pode contribuir na medida em que traz uma visão mais global e
sistêmica dos conflitos e da demanda do paciente em questão.
Particularidades da entrevista em grupo e com a família
Neste vídeo, apresentaremos as características e particularidades da entrevista em grupo e da entrevista com
a família, refletindo sobre cada uma delas.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A realização de entrevista clínica é considerada uma das principais competências do psicólogo,
independentemente de sua abordagem teórica. Sobre a entrevista clínica, é correto afirmar:
A
Entrevista clínica deve restringir-se a 30 minutos, para que o enquadre seja mantido.
B
O silêncio é algo a ser evitado, pois indica inabilidade do entrevistado.
C
Principal técnica utilizada nos psicodiagnósticos.
D
Costuma ser fundamental quando o psicólogo registra as informações.
E
O profissional deve evitar acolher o paciente.
A alternativa C está correta.
A entrevista clínica é o instrumento fundamental do trabalho do psicólogo. Ela possui vários objetivos e um
deles é o diagnóstico. Para alcançar as informações necessárias para tal, o psicólogo precisa ser empático,
possuir conhecimentos psicológicos que o ajudem a entender o que é apresentado pelo paciente.
Questão 2
(Prefeitura Municipal de Jataí –Psicólogo – 2019). A entrevista clínica em psicologia representa um meio
importante para o trabalho do psicólogo. Assinale a alternativa que apresenta o objetivo da entrevista clínica
em psicologia.
A
Emitir documentos psicológicos.
B
Descrever e avaliar aspectos pessoais, relacionais ou sistêmicos.
C
Realizar psicodiagnóstico.
D
Realizar avaliação psicológica.
E
Verificar a legitimidade do discurso do entrevistado.
A alternativa B está correta.
O contato com o entrevistado se constitui como uma relação de ajuda. Por meio de um diálogo empático,
uma aproximação se realiza, e informações são dadas, um conhecimento sobre o outro é construído e
hipóteses são levantadas sobre a demanda de um atendimento.
4. O lúdico como recurso de avaliação psíquica
O brincar
A hora de jogo é realizada predominantemente na avaliação de crianças. Essa técnica tem seu surgimento a
partir da percepção crescente de que a criança não é um miniadulto, mas um indivíduo com características
próprias e singularidades desse período de vida.
Um aspecto fundamental da experiência infantil
é o ato de brincar como uma linguagem da
criança. O brincar é uma atividade presente
desde sempre na vida dos indivíduos, a partir
do início da infância, e contribui no
desenvolvimento total da criança, em seus
aspectos físicos, emocionais, cognitivos e
sociais.
Antes de aprofundar o sentido do “brincar”, vale
frisar que, independentemente da abordagem
que estuda o mundo da criança, o brincar
possui, sem exceção, uma função, e encontra-se associada à linguagem.
Historicamente, foi Freud (1920) quem primeiro pôde perceber, analisar e entender o sentido simbólico do ato
de brincar. Conseguiu, ao observar um bebê brincando com um carretel (que jogava longe e depois o trazia
para perto, repetidamente) vincular a relação simbólica do brincar com um conjunto de ansiedades que eram
vividas e precisavam ser elaboradas, ou mesmo dominadas pela criança – o ir e vir da mãe, seu afastamento e
retorno. Indicou que o brincar era a possibilidade de elaboração de situações traumáticas ou conflitivas.
Nesse sentido, também podemos nos remeter à teoria kleiniana, que diz:
...o brincar é a linguagem típica da criança. Quando falta a palavra, o brincar expressa tudo, e mesmo
quando a palavra já tiver sido incorporada a linguagem lúdica é mais expressiva que a verbal ou, então,
no mínimo, um complemento imprescindível.
(KLEIN apud GARCIA ARZENO, 1995, p. 48)
Pela brincadeira, toda criança consegue, além de crescer cognitivamente, criar, reforçar atitudes positivas,
treinar papéis sociais, expressar seu cotidiano, seus medos, angústias, raivas, e suas experiências e relações
com o mundo familiar. Toda brincadeira representa o que está sendo vivido pela criança em seu mundo interno
e externo.
O jogo representa um instrumento para observação e avaliação da realidade, do mundo interno, da
criança que foi encaminhada ao psicodiagnóstico. Como o brincar é uma atividade natural para a
criança, a proposta do lúdico será facilitadora para a comunicação entre ela e o psicólogo.
Lembre-se de que a hora de jogo é sempre precedida de um conjunto de entrevistas. A hora de jogo é
considerada como uma entrevista aberta e com a perspectiva de que, inicialmente, a criança consiga dizer o
que acha estar acontecendo com ela. Precisamos saber se ela tem conhecimento sobre o porquê está ali no
espaço de atendimento. A resposta a essa pergunta poderá nos dar algumas pistas sobre o grau de
defasagem entre o que a criança expressa com o seu sofrimento e o que os pais pensam ser, além de novas
informações sobre a criança.
Importância da brincadeira para as crianças
Neste vídeo, falaremos sobre a importância do brincar para a avaliação psíquica. Abordaremos ainda a hora do
jogo, o brincar para a criança e o sentido simbólico de brincar.
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Hora de jogo diagnóstica
Foi a psicanalista Arminda Aberastury (1982) quem primeiro estudou de modo sistematizado a entrevista
lúdica como forma de diagnóstico capaz de observar conflitos e sintomas de sofrimento psíquico da criança.
Comparava a hora de jogo à primeira entrevista com adultos em sua possibilidade de comunicar seus desejos,
fantasias, sofrimentos e ações. 
Exemplo
Existem também outras técnicas com os mesmos objetivos da hora de jogo com o brincar livre. O Jogo
do rabisco de Winnicott (1984) e o Procedimento de Desenhos-Estórias de Walter Trinca (1984) são
alguns. 
Para a realização da hora de jogo, pode-se utilizar um grupo de materiais relativamente simples, por exemplo:
material de desenho, lápis de cor, tinta, cubos diversos, blocos de construção, caixinhas, carrinhos, animais,
bonequinhos capazes de representar pessoas em idades diferentes, joguinho de pires, xícaras e talheres,
miniaturas de aparelhos do cotidiano, massinha de modelar, argila. Também podem ser incluídos jogos de
cartas, fantoches e outros representantes do mundo real. Mas não são necessários jogos altamente
estruturados ou tecnológicos.
O psicólogo apresentará o material lúdico ao paciente e
este poderá brincar da maneira que quiser. Em alguns
momentos, se for convidado, o profissional poderá se juntar
à brincadeira.
Será possível identificar a projeção de conflitos e emoções
múltiplas na brincadeira.
De modo geral, é necessário entender que nesse brincar
acontece o acesso ao inconsciente e angústias podem aparecer e necessitam ser identificadas. O momento
do brincar e também como se utilizam dos brinquedos trará indicações das emoções envolvidas e de sua
maturidade.
Existem vários critérios específicos a serem investigados e avaliados na hora de jogo. Passaremos a
apresentar alguns, mas não temos como objetivo esgotar esses critérios, tanto devido ao seu número quanto
à variedade de concepções teóricas que os embasa. Confira alguns desses critérios:
Desenvolvimento físico e neurológico
Este item considera a coordenação motora em todos os níveis (desde marcha, equilíbrio, capacidade
de atividade, integração do esquema corporal, lateralidade, desenvolvimento da linguagem, tudo de
acordo com seu momento evolutivo). A avaliação desse desenvolvimento pode ajudar na necessidade
de indicação de uma avaliação neurológica ou psicopedagógica. Avalia-se também o bem-estar físico
geral (altura, peso, saúde).
Capacidade de relacionamento humano
Este item é bastante importante, pois se correlacionará a alguns outros, como o humor, a sensação
geral que é experimentada ao longo da hora de jogo, traduzida pelas expressões faciais, por exemplo.
A medida dessa capacidade aparecerá na relação com o entrevistador. Contatos visuais são
fundamentais, expressões faciais de afeto e outras, gestos, emissão de sons, o modo e a qualidade
de como ocorre o vínculo com o psicólogo, como lida com o afastamento das figuras parentais para ir
para a sala de atendimento (refere-se ao processo de separação-individuação segundo Mahler 1982).
Podemos incluir aqui a observação de aspectos transferenciais e contratransferenciais nessa relação,
ou seja, sentimentos que ressurgem e se atualizam-se na experiência da relação e do brincar com os
objetos. As crianças expressam simbolicamente seus sentimentos e conflitos nas histórias de faz de
conta, nas quais gigantes malvados e animais brigam pelo controle da selva, mas no final tudo pode
ficar bem se os animais obedecerem aos grandalhões.
Afetos e ansiedades
Este item aponta que, durante todo o período da entrevista, deve-se observar os diferentes afetos
que vão surgindo e atentar para os conteúdos relacionados a eles (inveja, raiva, agressividade,
gratidão, competição, etc.).
Por exemplo, uma criança de 7 anos que inicia uma brincadeira com os blocos, construindo uma casa,
mas logo ao terminar sacode a mão derrubando tudo e nos olha com fisionomia de apreensão. Vários
afetos presentes associados à destruição e agressividade, mas também um temor relacionado ao
entendimento e a interpretação do ocorrido.
O aparecimento de ansiedade é comum devidoà situação nova, mas é importante avaliar se está
referida a temas específicos, ou à separação das figuras parentais.
Escolha de brinquedos e brincadeiras
Este item aponta como a criança se manifesta após ser oferecido o material. Observa primeiro e
depois interage, ou só observa e não participa, é hesitante; aguarda autorização do profissional ou se
aproxima livremente; brinca de modo rígido, repetindo a mesma brincadeira ou é capaz de alternar e
criar novos objetos a partir dos já existentes.
Capacidade simbólica
Este item tem relação com avaliar se a capacidade de expressão e intelectual se encontra em acordo
com seu nível de desenvolvimento, segundo critérios evolutivos de Piaget (1999). Segundo o autor,
desenvolver a aprendizagem está relacionado à maturidade de aspectos biológicos, um processo de
autorregulação que adapta o ser humano a um novo ambiente, além de promover suas interações
com esse meio. São fases:
Período sensório-motor (0 a 2 anos)
Período pré-operatório (2 a 7 anos)
Período das operações concretas (7 a 11 ou 12 anos)
Período das operações formais (11 ou 12 anos em diante)
Adequação à realidade
Este item relaciona-se com a resposta à colocação de limites, por exemplo, o término da sessão ou
regras de algum jogo, o grau de frustração, papéis estabelecidos durante o transcorrer da avaliação.
Aspectos a serem investigados na hora do jogo
Neste vídeo, falaremos sobre os diferentes aspectos a serem investigados na hora do jogo no
psicodiagnóstico, como desenvolvimento físico e neurológico, capacidade de relacionamento, afetos e
ansiedades, escolha de brinquedos, capacidade simbólica e adequação à realidade.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Pedro, 6 anos, é encaminhado ao psicólogo pela escola, pois está apresentando retraimento na relação com
os colegas, chegando a influenciar sua aprendizagem. O profissional, após falar com os pais, faz uma primeira
entrevista com o menino usando jogos e brincadeiras. A essa técnica dá-se o nome de
A
entrevista operacional.
B
anamnese.
C
entrevista devolutiva lúdica.
D
• 
• 
• 
• 
hora de jogo.
E
exame mental orientado.
A alternativa D está correta.
Em todas as avaliações, podemos observar que existe a possibilidade de expressão verbal e não verbal.
Entretanto, as crianças têm a capacidade de se expressar mais facilmente por meio do brincar. Nesse
sentido, o psicodiagnóstico infantil não pode prescindir de uma hora de jogo diagnóstica.
Questão 2
Estatisticamente, sabe-se que o encaminhamento de crianças para avaliação e atendimento psicológico é
alto, devido a problemas de aprendizagem. Segundo os profissionais que atuam nessa área para a escuta
dessas crianças é fundamental
A
que os pais não apresentem informações para não contaminar o atendimento.
B
que o psicólogo questione a criança com perguntas bem específicas.
C
que realize apenas uma entrevista com cada professor do aluno.
D
que previamente à entrevista de escuta sejam realizados exames neurológicos.
E
que avalie a criança a partir do brincar, pois é sua linguagem natural.
A alternativa E está correta.
A escuta de um adulto e seu sofrimento acontece a partir de seu discurso e de sua fala. Reconhecemos
que o brincar infantil é a contrapartida da palavra do adulto. O brincar é uma forma característica do mundo
infantil e por meio dela a criança se expressa em sua totalidade.
5. Conclusão
Considerações finais
A realização de um psicodiagnóstico demanda um conjunto de informações prévias importantes na elaboração
de possíveis hipóteses sobre o sofrimento daquele que busca o atendimento, antes da escolha dos testes
psicológicos a serem aplicados.
Foram apresentados os recursos básicos que viabilizarão tais informações iniciais – a anamnese, o exame do
estado mental, as técnicas de entrevista e a hora de jogo – e como obtê-los.
Somente a partir da coleta desses dados, conseguimos alcançar uma primeira compreensão do indivíduo,
tornando possível dar prosseguimento ao psicodiagnóstico.
Podcast
Ouça agora uma análise dos diferentes dados necessários para conhecimento do paciente e de sua
história clínica. Falaremos também sobre a importância da avaliação do funcionamento mental do
paciente, as diferenças técnicas entre as entrevistas individual, grupo e família e a utilização do lúdico.
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Faça uma leitura de dois livros importantes, de referência, sobre a prática do psicodiagnóstico: -
Psicodiagnóstico, de Jurema Alcides Cunha, publicado pela Artmed, em 2008. - Psicodiagnóstico, com
organização de C. S. Hutz, D. R. Bandeira, C. M. Trenetini e J. S. Krug, publicado também pela Artmed, em
2016.
 
Escutar é uma arte e Rubem Alves bem sabia disso. Para saber mais sobre escuta ativa, leia seu ensaio 
Escutatória, de 1999.
Referências
ABERASTURY, A. Psicanálise da criança – teoria e técnica. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982.
 
BLEGER, J. Temas de Psicologia – Entrevistas e Grupos. São Paulo: Martins Fontes, 1987.
 
DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 2019.
 
GARCIA ARZENO, M. E. Psicodiagnóstico Clínico - novas contribuições. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
 
HUTZ, C. S. et al. Psicodiagnóstico. Porto Alegre: Artmed, 2016.
 
INTELIGÊNCIA. Dicionário de Psicologia. Porto Alegre: Artmed, 2010.
 
KLEIN, M. Contribuições à Psicanálise. São Paulo: Mestre Jou, 1970.
 
MAHLER, M. O Processo de Separação-individuação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982.
 
MUNHÓZ, M. L. A criança participante do psicodiagnóstico infantil grupal. In: Psicodiagnóstico: processo de
intervenção. São Paulo: Cortez, 1995.
 
OCAMPO, M. L. S. et al. O processo psicodiagnóstico e as técnicas projetivas. São Paulo: Martins Fontes,
2005.
 
PIAGET, J. Seis estudos de psicologia. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1999.
 
SILVA, M.; BANDEIRA, D. R. A entrevista de Anamnese. In: HUTZ, C. S. et al. Psicodiagnóstico. Porto Alegre:
Artmed, 2016.
 
TRINCA, W. et al. Diagnóstico Psicológico – a prática clínica. São Paulo: EPU, 1984.
 
WINNICOTT, D. Consultas terapêuticas em Psiquiatria Infantil. Rio de Janeiro: Imago, 1984.
	Recursos básicos para psicodiagnóstico
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. A história do paciente
	O primeiro contato
	Atenção
	Importância dos primeiros contatos no psicodiagnóstico
	Conteúdo interativo
	Anamnese
	Manifesto
	Latente
	Etapas da anamnese
	Identificação
	Motivo da consulta
	História da doença atual
	História passada
	História familiar
	Compreendendo em que consiste a anamnese
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. O exame do estado mental
	A objetividade e a subjetividade
	As funções mentais podem ser avaliadas unicamente de uma maneira objetiva?
	Resposta
	Na medicina
	Na psicologia
	Compreendendo as características do exame do estado mental
	Conteúdo interativo
	Funções que denotam alterações orgânicas
	Sensopercepção
	Atenção
	Consciência
	Orientação
	Autopsíquica
	Alopsíquica
	Memória
	Primeira parte do exame do estado mental
	Conteúdo interativo
	Funções que denotam alterações psíquicas
	Pensamento
	Conceitos
	Juízos
	Raciocínio
	Curso
	Forma
	Conteúdo
	Temática
	Nível de elaboração
	Curso evolutivo
	Linguagem
	Inteligência
	Conduta
	Capacidade psicomotora
	Vontade
	Desejo
	Afetividade
	Sentimento
	Emoção
	Humor
	Afeto
	Segunda parte do exame do estado mental
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Os tipos de entrevista
	Entrevista clínica
	Entrevista estruturada
	Entrevista semiestruturada
	Entrevista aberta
	A entrevista como técnica e instrumento
	Conteúdo interativo
	Entrevista individual
	Atenção
	Tempo
	Setting
	Anotações
	Particularidades da entrevista individual
	Conteúdo interativo
	Entrevista em grupo
	Comentário
	Entrevista coma família
	Atenção
	Particularidades da entrevista em grupo e com a família
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. O lúdico como recurso de avaliação psíquica
	O brincar
	Importância da brincadeira para as crianças
	Conteúdo interativo
	Hora de jogo diagnóstica
	Exemplo
	Desenvolvimento físico e neurológico
	Capacidade de relacionamento humano
	Afetos e ansiedades
	Escolha de brinquedos e brincadeiras
	Capacidade simbólica
	Adequação à realidade
	Aspectos a serem investigados na hora do jogo
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referências

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